Escravidão rural. Um território negro no Vale do Caí – RS (1870-1888)

Escravidão rural. Um território negro no Vale do Caí – RS (1870-1888)
Autor: Raul Róis S. Cardoso
Formato: Brochura
Disponibilidade: Em Estoque
ISBN: 9788575170458
Preço: R$ 30,00
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Com este trabalho o autor lança nova luz sobre a presença e ação escrava no Rio Grande do Sul, trabalhando com processos crimes, inventários, certidões de batismos e tenta resgatar personagens que fizeram do Vale do Caí um locus que enriquece as análises historiográficas sobre a escravidão. Ele identifica uma sociedade que em nenhum momento havia fugido à regra, estruturando-se através da utilização da mão de obra escrava, o que só pode contradizer o senso comum que hoje acena com a origem da região pela mão do imigrante. Ao natural, em pensando em escravos e proprietários, pensa-se em realidades e atividades urbanas.

Mas, como seria a vida de um escravo, em fazendas de luso-brasileiros, tendo ao lado pequenos proprietários rurais imigrantes? Esta visão é aqui proporcionada e comprovada, desafiando a imaginação a conjeturar como seria a vida de escravos, em número e idades. No primeiro capítulo o autor, constrói a região a partir de sua localização geográfica e histórica, sua economia na época, onde monta o quadro de recursos disponíveis que formavam a sociedade escravista nesse pequeno extrato do RS – com o objetivo de expor um retrato, o mais fidedigno possível, com a avaliação dos dados levantados. A preocupação era de adensar os estudos sobre os senhores de escravos da região, suas posses, suas relações com os centros políticos da Província e do Império, compreender como os colonos portugueses constituíram suas propriedades e riquezas, quantos escravos detinham e seu emprego, para delimitar com mais acuidade o significado da região para a análise histórica. Na documentação consultada se tentou resgatar as lutas travadas cotidianamente, em busca de espaços, visibilidade e liberdade entre os homens e mulheres que constituíam a sociedade local.

A mobilidade do negro, ou na condição de escravo ou na de já liberto, também foram examinadas no período de transição entre o cativeiro e a liberdade. O escravo construiu caminhos que o ratificam como um indivíduo inserido nessa sociedade, ao contrário das construções que muito colaboraram para dar feições a um escravo de pouca inteligência que servia de massa de manobra, ou mera mercadoria coisificada, mas como alguém capaz de fazer opções, traçar estratégias que lhe garantissem as melhores chances de sucesso diante dessa sociedade, e através delas emergir como sujeito histórico.

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