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Edição 4.830 Ano 95 - Caxias do Sul, 16 de abril de 2003.

 

 

 

EDITORIAL

 

Agricultor também precisa de

segurança pública, e urgente

Sem ajuda, produtor rural continuará sendo

roubado ou vai reagir, ambas situações perigosas

Como se não bastassem as anomalias climáticas, as crescentes exigências do mercado, a concorrência de produtos estrangeiros e os riscos permanentes patrocinados pelas deficiências da política voltada para o setor, os agricultores somam também prejuízos como vítimas da ação de ladrões. O roubo de tratores e outros equipamentos, tema da reportagem da página 4 desta edição, é apenas um dos males gerados pela onda de criminalidade que rompeu os limites urbanos e chega com força ao interior.

Um levantamento parcial revelou que em apenas quatro municípios da Serra gaúcha foram levados, em um ano, 20 tratores. Isso representa quase dois veículos por mês. Considerando que os valores desses equipamentos variam de R$ 20 mil a R$ 70 mil cada, de acordo com o tempo de uso e as condições gerais, dá para se ter uma idéia da dimensão de perdas que esses produtores rurais são obrigados a absorver.

Para quem se resguarda com uma apólice de seguro, as conseqüências são minoradas. Mas, em primeiro lugar, nem todos podem despender recursos para mais essa despesa; em segundo, para ter tranqüilidade a que tem direito como cidadão que trabalha e paga seus tributos, o agricultor precisaria fazer seguro para animais, produtos de suas lavouras, enfim, todo o seu patrimônio. Os gastos, obviamente, tornariam a atividade inviável. E mesmo assim, ele ainda teria que torcer para não ser prejudicado, por exemplo, pelo roubo de cabos da rede telefônica.

Distante dos centros de decisão, e em geral sem o amparo de políticas públicas, o produtor rural trabalha com um olho na semente que planta e outro na porteira de acesso à sua propriedade. E à noite, ao invés de se entregar ao merecido e necessário descanso, tem de vigiar sua propriedade.

O morador dos grandes centros urbanos se tornou refém da violência. Porém, ele ainda pode contar com uma estrutura de segurança pública que, apesar das deficiências, ainda presta assistência. O agricultor não, porque se já faltam viaturas e efetivo nas cidades, jamais haverá à disposição uma unidade para atendê-lo.

Sem receber socorro, ao agricultor restam duas alternativas: continuar sendo alvo fácil de ladrões ou reagir por conta própria. As duas são muito perigosas.

 

REPORTAGEM

 

Roubo de tratores espalha prejuízo e medo

Pelo menos 20 tratores e implementos sumiram na Serra em um ano

Os números não são oficiais, mas em alguns municípios da Serra gaúcha foram roubados no último ano mais de 20 tratores e implementos agrícolas. Os furtos vêm deixando um rastro de medo e prejuízo nas pequenas propriedades. "Estamos assustados", confessa Gilmar Bordin, 39, fruticultor na localidade de Bevilacqua, interior de Caxias do Sul.

A ousadia dos ladrões é muito grande. O roubo não se limita aos tratores. Passa por insumos agrícolas, animais e outros bens de porte menor. Na semana passada, a reportagem do CR não conseguia contato com produtores do interior caxiense porque os vândalos haviam furtado os cabos telefônicos. "Ficamos 20 dias sem comunicação", queixam-se os moradores.

Gilmar Bordin teve um tuc-tuc (ler abaixo) furtado no último dia 11 de fevereiro. "Eles estavam de olho no trator, que estava atrás do chibaco. O roubo foi de madrugada e ninguém viu nada", relata. Com a ocorrência policial nas mãos, o fruticultor conta que o roubo trouxe um prejuízo (material) de R$ 10 mil. "Agora é vender bem a safra (maçã, caqui) e adquirir outro tuc-tuc", projeta.

Foi de madrugada, também, que "sumiu" o trator Massey Ferguson, vermelho, linha 5.000, modelo 5275, de Agostinho Pasa, da comunidade Caravaggio, em Farroupi-lha. "Perdi R$ 70 mil e noites de sono", resume. Produtor de hortigranjeiros e uva, Pasa depende do trator para manter a propriedade funcionando.

Diante da necessidade, Pasa viu-se obrigado a adquirir outro trator. "Foi o primeiro financiamento da minha vida", lamenta. Como os demais agricultores lesados, fez a ocorrência na esperança de reaver a máquina. A polícia, sindicatos e revendas o que dizem? "Estamos preocupados", diz o presidente do STR caxiense, Raimundo Bampi (ler ao lado).

 

Máquina tem destino certo, diz sindicalista

O agricultor precisa guardar máquinas e equipamentos em locais mais seguros, sugere o delegado do 3º Distrito de Polícia de Caxias do Sul, Félix Fernando Rafanhim. "O produtor nunca deve deixar a propriedade sozinha, observar qualquer movimentação estranha e anotar os detalhes", ensina o delegado.

Acostumado a denunciar o roubo de gado (abigeato), o presidente do Sindicato Rural de Caxias (Sindrural), Djalmo da Veiga Oliveira, vê com preocupação o furto de tratores. Ele calcula que o roubo é realizado por um grupo de pessoas especia-lizado. "Essas máquinas têm destino certo: áreas de grande cultivo ou até o Paraguai", afirma.

Se o presidente do Sindrural estiver certo, será mais difícil para Bernardete e Adão Felini conseguirem de volta o trator Yanmar vermelho, 10.500. "O trator era o nosso ganha-pão e a garantia de podermos contrair empréstimos", revela Ber-nardete.

Embora o trator estivesse quitado na loja, os Felini, de Bevilacqua, devem a metade de seu valor (R$ 23 mil) mais os juros a familiares que ajudaram o casal a saldar o financiamento. "Perdemos o bem de maior valor. Estou revoltada", desabafa.

O coordenador de vendas da Unyterra, Ricardo André Luciano, observa que embora o trator não tenha placa, ele sai da loja com nota fiscal e números do chassi e motor. Além disso, tem termo de garantia e outros documentos. "Quando a máquina é financiada, possui seguro obrigatório, o que dificulta o furto", opina Luciano.

 

 

AGRONEGÓCIO

 

Santa Catarina limita plantio de pinus

Pesquisa tenta conter avanço da invasora em área piloto de 1 há

O pinus elliotti, espécie exótica originária dos Estados Unidos e de importante valor para a indústria moveleira, será erradicado em uma parte de Santa Catarina. Segundo a Universidade Federal de SC (UFSC), a planta invasora vem multiplicando os problemas nas regiões de restinga e campos naturais da região Sul.

Em 2000 a área plantada com pinus no território nacional ultrapassava 1,84 milhão de hectares. Deste total, mais de 318 mil estão em Santa Catarina. Estudos da UFSC comprovam que o pinus, plantado no Parque Florestal Rio Vermelho, tomou o espaço da vegetação nativa.

Levantamento do biólogo Fernando Bechara mostrou que as plantações adultas de pinus encobrem e impedem o surgimento de outras espécies. Um outro problema está na sua fácil reprodução. Suas sementes facilitam a dispersão por quilômetros. "O pinus se torna contaminante biológico dos mais comuns, já que a espécie não tem inimigos naturais", alerta.

O pinus dispersa suas sementes durante todo o ano, sendo que em abril chega a lançar até 3 milhões por hectare, com 90% de germinação.

A planta não depende de animais para a polinização. Tem baixa exigência nutricional e condições apropriadas para a regeneração natural. "Esses fatores permitem sua ocupação em ambientes com condições adversas e restritas, como regiões áridas, de extremo frio, topos de montanhas e solos com alta acidez e baixa fertilidade", explica.

Quadro - Para reverter o quadro, a Universidade realiza trabalho de recuperação de um hectare no parque Rio Verme-lho. Aos poucos, todos os 750 hectares do parque serão subs-tituídos. Nesta área, foram retiradas as árvores adultas (+ 2 metros) e empregadas técnicas de restauração.

Uma delas consiste no corte do pinus e no plantio de nativas para abafar a regeneração de pinus e restaurar o solo. Outra consiste na semeadura de 30 espécies também nativas. A terceira prevê, após o corte, a plantação de gramíneas anuais. A última opção é a instalação de poleiros para atrair pássaros que promovem a semeadura de outras plantas.(Radiobras)

 

Brasil é campeão em biodiversidade

O Brasil é o campeão mundial em biodiversidade, abrigando o maior número de espécies animais e vegetais (mais de 23% do total) e a maior parte das florestas intactas do mundo. Essa imensa riqueza biológica escondida na grande variedade de espécies de nossa fauna e flora - que fornecem alimentos, medicamentos e tantos outros componentes dos quais depende a nossa saúde - está despertando a cobiça dos países ricos em tecnologia mas pobres em biodiversidade.

A situação da flora mundial está pior do que se imaginava. Pelo menos 22% das espécies de plantas no planeta estão ameaçadas de extinção, em vez do índice aceito atualmente, de 13%, segundo estudo dos pesquisadores Nigel Pitman, da Universidade de Duke, e Peter Jorgensen, do Jardim Botânico do Missouri, publicado na revista Science.

Os cientistas apresentam cinco estimativas, baseadas em critérios diferentes. Na melhor das hipóteses, 94.052 espécies (22%) estariam ameaçadas de extinção, na pior, seriam 193.513 espécies (62%).

Atualmente, das 200 nações existentes no mundo, apenas 17 concentram 70% da biodiversidade do planeta. Os países conhecidos como "megadiversos" estão distribuídos em quatro continentes, a maior parte deles nas Américas: Brasil, Colômbia, México, Venezuela, Equador, Peru e Estados Unidos.

 

Coleta de pinhão ganha programa no Paraná

Ponta Grossa espera receber mais de cinco mil pessoas, de 7 a 10 de maio, quando será realizada a 1ª Jornada de Agroecologia. Resultado do trabalho em conjunto de diferentes organizações, o evento vai debater o valor desse sistema produtivo e da agricultura familiar, além de discutir a reforma agrária e o fim da violência e da impunidade no campo.

O combate ao uso de agrotóxicos e à liberação dos produtos transgênicos no Brasil são dois pontos que serão debatidos durante a jornada. Outro destaque da programação é o Jantar Ecológico da Partilha, que ocorre no dia 7. Já a Feira de Alimentos Agroecológicos, prevista para o dia 10, no centro da cidade, marcará o encerramento do encontro.

Atividades como o Seminário Estadual sobre o Projeto Fome Zero e Soberania Alimentar e a Jornada Paranaense de Agroecologia vinham preparando a jornada agroecológica de Ponta Grossa.

 

São Joaquim festeja a maçã e o frio

Novidade da festa é a neve artificial, caso não ocorra naturalmente

A Festa Nacional da Maçã, que ocorre de 25 de abril a 4 de maio em São Joaquim (SC), umas das cidades mais frias do Brasil, vai festejar a safra e o frio. O evento resgata, através da música, da dança e das tradições, a cultura serrana do Planalto catarinense.

A novidade para este ano é a neve artificial, caso o fenômeno não ocorra naturalmente. Máquinas lançarão flocos sobre pontos estratégicos do Parque da Maçã, local do evento. A neve será suficiente para a confecção de bonecos. Realizada há mais de 50 anos, a festa vai contar com seminários temáticos, abordando temas como fruticultura, cultivo da uva, turismo e agronegócios.

Para quem gosta de música, a 1ª Nevada da Canção Nativa, de 24 a 27, reunirá composições inéditas nativistas do Sul. Os visitantes poderão participar de shows nacionais, como Engenheiros do Hawai.

Na gastronomia, vale a pena conhecer a cozinha campeira e provar pratos típicos como arroz carreteiro, entrevero (carne de porco com pinhão), paçoca de pinhão, muito churrasco de gado e ovelha, frescal, além de um cardápio variado à base de maçã e outras frutas.

Paralelo à festa realiza-se o Rodeio Country do Peão Boiadeiro, a 17ª Feira da Novilha e do Gado Geral, o 2º Enduro de Regularidade da Maçã e Feira Regional do Artesanato (destaque para peças de vestuário em lã, couro e tricô). Também haverá o concurso gastronômico à base de maçã e a escolha da melhor fruta do Brasil.

 

Vale dos Vinhedos revive Paixão de Cristo

Depois da colheita da uva, o Vale dos Vinhedos se volta às comemorações da Semana Santa. Vinte e três vinícolas realizam até o próximo dia 27 a Festa da Páscoa no Vale, com atividades enogastronômicas, culturais e religiosas, envolvendo os municípios de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul.

Com seus 81 km2, o Vale dos Vinhedos se torna o cenário ideal para reviver a Paixão de Cristo. No dia 18 de abril, a comunidade do Ceará da Graciema realiza a Encenação da Via Sacra, às 19h30. A procissão noturna irá até o Morro da Paixão.

Em Monte Belo do Sul serão celebradas missas, dia 13, a de Ramos, com procissão e bênção dos ramos, na Igreja Matriz; e no dia 20, também na Matriz, a missa de Páscoa, com a participação do Coral Vicentino.

Outras atrações são a Noite do Filó, que será realizada no Hotel Villa Michelon, no dia 26, e os passeios de Dindinho pelos parreirais, colassion, cursos de elaboração de vinhos e espumantes, merenda e visitas às vinícolas.

 

Bom Princípio antecipa Festa do Morango

A Festa Nacional do Moranguinho, de Bom Princípio, que ocorre em setembro, terá uma novidade. A Prefeitura inaugurou na sexta, 11, o pórtico de entrada em forma de morango, no Parque Moranguinho. A obra tem o intuito de divulgar a cidade por meio da fruta-símbolo.

O projeto foi idealizado em 2001, quando a organização da festa constatou a necessidade de centralizar a secretaria e recepção em um só local. O "morangão", como é denominado o pórtico de entrada, vai servir também como ponto de informações turísticas.

 

Exposol de Soledade espera 100 mil pessoas

A Exposição Feira Alto da Serra (Exposol), de Soledade, está sendo organizada para receber 100 mil visitantes. De 30 de abril a 4 de maio, no parque Centenário, a feira vai mostrar os melhores produtos da indústria, agropecuária e de pedras.

A maior variedade de pedras do Sul do país será exibida nos estados bruto ou trabalhado (artesanato). Soledade possui 30 mil habitantes. Cerca de 4.000 estão ligados ao ramo de pedras preciosas, desde a extração até a lapidação.

 

Choque de civilizações?

Leonardo Boff

O Islã é o alvo porque é o único que desafia Bush e o

Ocidente nos campos religioso e econômico

Samuel T. Huntington, diretor de Estudos Estratégicos da Universidade de Harvard, em seu discutido livro ''O choque das civilizações e a recomposição da ordem mundial'' (1996) sustenta a hipótese de que as guerras na nova era da história mundial serão sobretudo guerras de civilizações, marcadas fundamentalmente pelas religiões. O primeiro enfrentamento, segundo ele, seria entre o Ocidente e o Islã. A guerra de 1991 e esta de agora, ambas contra o Iraque, parecem confirmar sua hipótese.

Pouco importam as motivações, se místicas, econômicas ou políticas, o fato é que Bush visa estabelecer a Pax Americana e uniformizar o mundo nos moldes do estilo de vida americano. Após o 11 de setembro, decidiu que isso se fará utilizando a força. Ninguém poderá desafiar essa sua pretensão, senão conhecerá, de imediato, o poderio avassalador dos Estados Unidos. Destarte, Bush prolonga e leva até as suas últimas conseqüências a marca intrínseca do paradigma ocidental: a vontade de submeter todo o mundo, vale dizer, de implantar um império universal. Em concreto, a assim chamada globalização não é outra coisa senão a ocidentalização ou ''ocidentoxicação'' do mundo.

Por que o primeiro enfrentamento está se dando, fatalmente, com o Islã?

Porque o Islã é o único que, objetivamente, desafia o Ocidente e Bush nos dois pontos básicos de sua pretensão: no religioso e no econômico.

No religioso, o Islã se apresenta como religião superior, porque surgiu depois do judaísmo e do cristianismo, sintetizando-os e melhorando-os. Tal pretensão questiona a legitimidade última do Ocidente, que embora secularizado, ainda se sente portador da única religião verdadeira e superior, o cristianismo, como recentemente o reafirmou ainda o cardeal Joseph Ratzinger, em nome do Vaticano, no documento ''Dominus Jesus''. À base da religião islâmica se sedimentou uma cultura de reconhecida grandeza, não obstante sua expressão patológica, o fundamentalismo. Nessa cultura se unificam política e religião, coisa que o Ocidente soube distinguir, para escândalo dos muçulmanos que o consideram ateu.

No econômico, o mundo islâmico e árabe joga um papel decisivo, pois aí se encontram as maiores e últimas jazidas de petróleo do mundo. O Ocidente e, nomeadamente, os Estados Unidos, podem deter o controle da produção do capital e do saber técnico e científico. Mas nenhum carro se move, ne-nhum avião levanta vôo nem bomba inteligente é lançada sem o petróleo árabe. Daí a pressão e vigilância das potências ocidentais sobre os países árabes, dividindo-os e mantendo-os sob severo controle.

Há grande decepção e mesmo raiva nos povos árabes e muçulmanos face ao Ocidente e aos Estados Unidos. Apesar de sua centralidade no funcionamento do sistema mundial, eles sentem que não contam para nada na moldagem da globalização e do futuro do mundo. E sua religião, a melhor e mais alta, é apenas vista como nicho de terrorismo.

No passado, o Islã ameaçou por duas vezes o Ocidente, no cerco de Viena, em 1529, e em 1683. Hoje, na percepção de Bush, a ameaça volta, sob o espectro das armas de destruição em massa e do terrorismo feroz. Daí o dever de enfrentá-lo militarmente. Importa captar essas estruturas ocultas para se entender melhor as razões da guerra atual.

 

GERAL

 

Acordo define cobrança da luz

Apenas 33 prefeituras assinaram contratos

A Companhia Estadual de Energia Elétrica (Ceee) e 33 das 72 prefeituras atendidas pela estatal assinaram contratos para a cobrança da Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública (CIP). "Os termos do contrato atendem os aspectos de ordem legal", disse o presidente da Famurs, Paulo Ziulkoski. Já com a RGE e Aesul não foi fechado nenhum acordo.

Nas cidades onde a contribuição foi aprovada, a estatal se responsabilizará pela cobrança, que será feita na conta do contribuinte. A Ceee depositará o valor arrecadado na conta bancária da prefeitura, aberta somente para essa finalidade, até o quinto dia do mês subseqüente. No dia 20 do mês após a cobrança, a prefeitura deverá pagar à estatal o valor referente à energia elétrica consumida.

 

VinoBrasil espera reunir 120 expositores vinícolas

VinoBrasil Virtual, versão da feira para a Internet, gerada num site especial interativo, é uma das novidades do 5º Salão Brasileiro do Vinho (VinoBrasil), lançado na quinta, 10. O expositor terá seu estande virtual e 12 páginas para mostrar seus produtos e serviços. O VinoBrasil ocorre de 10 a 13 de setembro, no Parque Internacional de Eventos de Bento Gonçalves (RS).

Em simultâneo ao VinoBrasil realiza-se o 5º Salão Internacional de Equipamentos, Máquinas e Tecnologia para Engarrafamento, Viticultura e Enologia (Vinotech); o Fórum Internacional de Viticultura e Enologia (Feavin) e o Salão do Vinho e da Gastronomia (VinoGourmet).

A feira é aberta ao público, mas mantém o foco na divulgação de produtos e serviços do setor vinícola. A expectativa da empresa promotora, Newtrade Feiras e Negócios, é reunir 120 expositores e público superior a 5.000 visitantes.

 

 

NACIONAL

 

Diminuem estrangeiros no Brasil

Espanhóis, italianos e portugueses procuram menos o país

Saem portugueses, japoneses, italianos e espanhóis, entram argentinos, uruguaios, chilenos e bolivianos. Este é o resumo do movimento de estrangeiros pelas fronteiras do Brasil na década de 90, detectado pelo IBGE e divulgado como resultado definitivo do Censo 2000. Em geral, diminuiu 16% o ingresso de estrangeiros no país entre 1991 e 2000. Mas se o estudo for ampliado para o período de 1970 a 2000, o percentual salta para 53%. O número de estrangeiros, que era de 1,083 milhão em 1970, caiu para 606 mil em 1991 e para 510 mil em 2000.

O IBGE constatou que a diminuição ocorreu principalmente nas comunidades mais tradicionais, como a portuguesa, japonesa, italiana e espanhola. No caso dos portugueses, houve um encolhimento de 57% - de 410 mil em 1970 para 176 mil em 2000. Percentualmente, a maior redução foi de espanhóis (69%), seguida da de italianos (66%) - observe gráfico.

Uma das explicações para essa mudança é que o Brasil deixou de atrair imigrantes europeus e japoneses como antigamente. Outra é a de que houve um aumento de estrangeiros que se naturalizaram - de 115 mil, em 1970, para 173 mil, em 2000.

O IBGE constatou também que o Brasil voltou a receber mais brasileiros que estavam no exterior. Em 1991, 31 mil brasileiros natos informaram que viviam fora do país nos cinco anos anteriores ao censo. Em 2000, o número subiu para 87 mil.

Considerando as migrações internas, São Paulo continua tendo o maior saldo migratório - pessoas que entraram menos aquelas que saíram -, mas registra queda de 54%. De 1995 a 2000, o Estado recebeu 1,2 milhão de pessoas de outros Estados, mas 860 mil saíram - saldo foi de 340 mil. De 1986 a 1991, o saldo era de 745 mil pessoas. Outros Estados com saldo migratório positivo são Goiás (203 mil), Santa Catarina (60 mil), Rio de Janeiro (46 mil) e Mato Grosso (43 mil). Os com maior saldo negativo são Bahia (-267 mil), Maranhão (-173 mil), Pernambuco (-115 mil) e Alagoas (-72 mil)

 

Aumenta a entrada de imigrantes sul-americanos

Enquanto europeus e japoneses abandonam o país - ou se desinteressam por ele -, com sul-americanos ocorre o contrário. A entrada de argentinos, uruguaios, chilenos e bolivianos cresceu bastante nos últimos 30 anos. No caso dos chilenos, 728%, passando de 1,8 mil para 14,6 mil. Nesse mesmo período, entre os vizinhos de continente, só reduziu a presença de paraguaios - de 18,6 mil para 14,9 mil. Já de 1991 a 2000, as colônias que tiveram crescimento mais significativo foram a peruana (82%), a chinesa (30,5%) e a boliviana (22,7%).

O número de latino-americanos aumentou em várias regiões brasileiras, mas as cidades industrializadas têm sido o destino preferido. É o caso de Caxias do Sul, na Serra gaúcha. Segundo dados do Centro de Atendimento ao Migrante (CAM), serviço da Pastoral Migratória atendido pelas irmãs missionárias de São Carlos Borromeu-Scalabrinianas, em 1980 havia 50 famílias de sul-americanos na cidade; hoje são cerca de 300.

"São principalmente chilenos, argentinos, uruguaios, bolivianos e peruanos que vêm em busca de trabalho, de uma vida melhor", descreve irmã Mafalda, presidente do CAM até o final de 2002. A chegada de um número cada vez maior de famílias obrigou a criação especial do Centro para assistir os latino-americanos que moram em Caxias.

Irmã Mafalda, que agora atua na Pastoral Migratória da Diocese de Caxias do Sul e é a animadora desta sessão do CAM, revelou na quarta, 9, que de todas as famílias recebidas apenas uma não havia encontrado emprego. A exemplo do que foi apurado pelo IBGE no Brasil, em Caxias também é a colônia chilena a que mais cresce. Com a crise sem precedentes que quase parou o seu país, tornou-se também expressivo o número de argentinos que passam pelo CAM, mas a maioria segue na direção de São Paulo.

 

Expedito e Jorge, os santos de abril

Frei Betto

Os santos são radicais seguidores de Jesus, testemunhas de fé, esperança e amor

A Igreja católica exalta como santos cristãos que servem de exemplo para os demais. Santo não significa isento de pecado. Todos foram pecadores como nós. A diferença é que abraçaram radicalmente o seguimento de Jesus e, por isso, destacaram-se como testemunhas de fé, esperança e amor.

Entre os santos comemorados (= comungar com a memória de alguém) em abril, dois caíram no gosto da devoção popular brasileira: Expedito (dia 19) e Jorge (dia 23).

Advogado das causas urgentes, Expedito viveu entre os séculos III e IV. Originário de Melitene, na Ásia, engajou-se no exército romano, que se expandia por todas as províncias do Império. Tornou-se comandante da 12ª Legião, integrada por seis mil soldados.

Sob o imperador Marco Aurélio, uma área da atual Hungria foi invadida pelos bárbaros (= nome que os romanos davam a todos que não se encontravam submissos ao Império). Era verão, faltava água, dificultando as condições de combate. O imperador enviou para lá a legião de Expedito, conhecida como Fulminante, tal a garra com que guerreava. Como Expedito integrara muitos cristãos à sua legião, todos se puseram de joelhos no campo de batalha, orando a Deus pela vitória. A cena surpreendeu os bárbaros e a chuva desceu do céu, inundando os campos e levando o inimigo à derrota.

Expedito vem do latim expeditus, denominação do militar que carregava armamento leve. O impeditus levava o armamento pesado. Nas batalhas, os expeditus iam à frente, em condições de maior mobilidade. Assim, a função exercida pelo jovem de Melitene tornou-se, com o tempo, nome próprio, e também sinônimo de agilidade ou presteza. Daí ser venerado como protetor das causas urgentes.

Sob o imperador Diocleciano, os oficiais cristãos foram obrigados a abdicar de sua fé cristã. Expedito, a exemplo de Sebastião, recusou-se. Torturado até a morte, não cedeu. Morreu a 19 de abril de 303, com a cabeça decepada.

Venerado também como protetor de militares, jovens e viajantes, santo Expedito ganha, a cada ano, maior número de devotos no Brasil. Muitos que se sentem agraciados por intercessão dele retribuem levando alimentos aos necessitados, o que é mais recomendado do que imprimir santinhos ou estender faixas de agradecimentos em via pública.

Jorge é outro santo muito popular entre nós. A ponto de os afro-brasileiros adeptos do candomblé, vendo-se ameaçados pela Igreja, camuflarem sob o nome dele o orixá Ogum, de índole guerreira. Padroeiro de cavaleiros, escoteiros e militares, Jorge foi um dos primeiros mártires cristãos. Provavelmente morto na Palestina, entre o fim do século III e o início do IV.

Há muitas lendas a seu respeito. Dizem que teria pertencido à cavalaria da Capadócia e, na Líbia, livrado uma mulher das garras de um dragão. O certo é que foi vítima da perseguição aos cristãos, movida pelo imperador Diocleciano. Preso na Nicomédia, à beira do Mar Negro, morreu na tortura como Expedito, e também teve a cabeça decepada.

Devido à falta de documentação histórica a seu respeito, o Vaticano ameaçou cassar São Jorge do rol dos santos. Viu-se, porém, obrigado a retroceder, graças à reação dos fiéis da Inglaterra e da Irlanda, onde ele é muito venerado, e da população da Geórgia, país cujo nome é uma homenagem a ele.

Frei Betto é escritor, autor do romance sobre Jesus, "Entre Todos os Homens" (Ática), entre outros livros.

 

IGREJA

 

Capuchinho deve integrar Cúria Romana

Ex-ministro geral da Ordem é candidato a um dos dicastérios

Desde o início de abril, o Papa João Paulo II vem realizando mudanças na Cúria Romana, com a nomeação de diversos membros para as secretarias, conselhos, comissões etc. Durante as festas pascais deverão ser reveladas importantes alterações em alguns dicastérios e instituições vaticanas. Duas dessas mudanças deverão ser mais significativas porque envolvem a possível nomeação de um capuchinho e a saída de um cardeal que marcou o pontificado de João Paulo II.

O Papa deverá acolher os pedidos de renúncia dos cardeais Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, e de Eduardo Martinez Somalo, prefeito da Congregação para os Religiosos e Institutos Seculares. Ratzinger completa 76 anos nesta quarta, 16 de abril e Somalo atingiu a mesma idade dia 31 de março. Os dois pedidos de renúncia confirmam o limite "de facto" dos 76 anos para os prefeitos de dicastérios. O mais provável substituto de Somalo é o capuchinho frei Flavio Roberto Carraro, 71 anos, bispo de Verona.

Homem de grande espiritualidade, Carraro foi ministro geral da Ordem capuchinha (cerca de 12 mil frades) durante 12 anos (duas gestões), além de membro do referido dicastério e presidente da União dos Superiores Gerais. O bispo é citado como exemplo para os religiosos no mundo, hoje cerca de 200 mil homens e 800 mil mulheres consagradas. Sua simplicidade franciscana, a começar pelo uso do hábito e das sandálias, o tornam um ponto de referência em um futuro conclave, ou seja, colocam dom Flavio entre os possíveis sucessores de João Paulo II, segundo observações de alguns vaticanistas, expressas na imprensa italiana.

Evidente que, para tornar-se essa referência, frei Flavio terá que ser nomeado cardeal, mas o fato de presidir um dicastério o coloca a um passo do cardinalato. Por enquanto, não se fala de um novo consistório ordinário (convocação do Papa para a criação de novos cardeais - seria o nono do atual pontificado, que o convoca a cada três anos, quase sempre em fevereiro). Diante da boa forma de João Paulo II, é difícil que ele antecipe a escolha de novos cardeais. Portanto, é preciso esperar até fevereiro de 2004.

Outros nomes poderão substituir Somalo, entre os quais o norte-americano Stafford e o arcebispo Jean-Louis Tauran. Dom Alfio Rapisarda, até recentemente núncio apostólico no Brasil, é um dos candidatos a presidir a Biblioteca e Arquivo do Vaticano, e dom Giovanni Lajolo, núncio na Alemanha, poderá assumir a presidência da Comissão do Estado da Cidade do Vaticano.

 

Saída de Ratzinger fecha ciclo histórico

A aposentadoria do cardeal alemão Joseph Ratzinger encerra um ciclo histórico no Vaticano. Ratzinger era considerado um "indispensável" para João Paulo II. O cardeal alemão é prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé desde 1981. Nesse período conduziu com firmeza as questões doutrinais da Igreja e superou turbulências como a "Teologia da libertação".

Muitos o criticam por suas posições conservadoras, mas são inegáveis suas virtudes como um dos maiores teólogos da Igreja, sua integridade e profunda espiritualidade. Ratzinger deverá ser substituído por Christoph Schönborn, 58 anos, cardeal de Viena. É teólogo dominicano e membro da comissão internacional de sete bispos que redigiu o Catecismo da Igreja Católica. Uma escolha de todo apropriada. Junto com Vinko Puljic, é o mais jovem cardeal da Igreja.

 

O poder do ressuscitado

Padre Zezinho

Quem matou Jesus achou que tinha o controle da situação. Deu-se o contrário

Nestes dias de Semana Santa é bom falar do poder do Jesus que ressuscita. Há um poder que os traficantes não vivem, mas conhecem e não gostam: o poder da fé. Prejudica o poder deles. Pode tirar, e tira, muita gente da prisão das drogas. É o das pessoas que oram e agem em favor das vítimas, tiram-nas do traficante e as entregam ao Criador. Aliás, muito mais que dar endereços, que na maioria das vezes os religiosos realmente não conhecem, as pessoas que lutam para salvar o drogado de seus grilhões concentram-se no enfermo, muito mais do que naqueles que o vitimaram.

É como descer o Cristo da cruz. Quem tirou Jesus da cruz não teve tempo de ir à caça de quem o crucificou. Nem Maria e seus amigos. Não adiantaria. Naquela hora o poder estava com eles. Iriam perder até na justiça, Resolveram ganhar a longo prazo. Quem o matou naquela Sexta-feira achou que tinha o controle da situação. Deu-se o contrário. Estavam começando a perdê-lo para sempre. Quem destruiu os tóxicos e a droga do pecado recusou até mesmo o vinagre-fel que funcionaria como droga e poderia amenizar sua a-gonia. Nem para sofrer menos Ele aceitou drogar-se.

É a esse Cristo vitimado pela violência, de quem não suportam a liberdade verdadeira, que os religiosos recorrem quando tentam devolver a vida plena às vítimas da droga. Acredito que a oração ainda é um dos maiores antídotos contra esse mal. Digo sempre aos que desejam tirar o filho da droga que comecem orando. O céu vai dar as luzes necessárias para encontrar a resposta aqui na terra. Estão certos os que proclamam Jesus o maior inimigo dos traficantes. É que Jesus liberta a pessoa. Nessa Sexta-feira Santa oremos por todas as vítimas da droga. É difícil crer que os traficantes queiram se converter, mas oremos também por eles. O poder de Deus é maior do que o deles.

PADRE ZEZINHO, scj, escritor, compositor e intérprete de músicas religiosas

 

Caminhada revive espírito franciscano

Jornada de dois dias destacou a ecologia e o ano vocacional

Para destacar o ano vocacional, a itinerância de São Francisco de Assis e aspectos da espiritualidade franciscana, como o amor e a contemplação à natureza, cerca de 50 pessoas, entre freis capuchinhos, religiosas e seminaristas, realizaram nos dias 5 e 6 de abril, "O caminho de São Francisco", uma caminhada de cerca de 30 km, entre Ipê e Vila Flores.

Frei Rogério Rubick, coordenador do Serviço de Animação Vocacional (SAV), destaca que a receptividade foi intensa em todas as comunidades onde os peregrinos passaram. Em Santana, Antônio Prado, todos os caminhantes foram acolhidos nas casas das famílias para o pernoite e, no dia seguinte, uma caravana os acompanhou até o rio da Prata.

"A caminhada foi um desafio principalmente para os vocacionados, que se sentiram fortalecidos e animados pela acolhida e pelo incentivo dado pelas pessoas e famílias", salienta frei Genésio Fracasso, definidor provincial para o setor de formação. No rio da Prata, houve um pedido de perdão pelo desrespeito às águas e a promessa de mais cuidado em sua preservação. Orações, cânticos, silêncio e a saudação de "Paz e Bem" aos que cruzavam pelo caminho marcaram a jornada franciscana.

Na comunidade de Caravaggio, foram acolhidos com uma revoada de pombos e balões brancos com a palavra paz. A caminhada encerrou com celebração em Vila Flores. No próximo ano, o evento deverá repetir-se, possivelmente no mesmo trajeto.

 

Pastoral da Juventude promove a cidadania

De 21 a 27 de abril a Pastoral da Juventude do Brasil realiza a 8ª Semana da Cidadania. Pelo terceiro ano consecutivo o organismo da Igreja está debatendo com os jovens o tema das políticas públicas e dos direitos sociais para a juventude. A campanha deste ano vai chamar atenção do poder público, em todas as esferas, para a necessidade de lazer mais adequado à cultura e à saúde dos jovens.

Pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo mostra que o lazer dos jovens resume-se a sair com amigos (29%), assistir TV (27%) e freqüentar danceterias e bares (25%). Na área da cultura, 88% dos entrevistados nunca foram a um espetáculo de ballet clássico, 86% nunca assistiram um concerto de música clássica, 78% jamais participaram de conferências ou debates públicos e 52% nunca visitaram um museu de artes.

 

A sabedoria do perdão

Aldo Colombo

Recolhida num presídio feminino de São Paulo, Suzane Louise Richthofen, assassina confessa de seus pais, Marísia e Manfred, recebe a cada dia dezenas de cartas. Sua advogada, prudentemente, faz uma triagem e assim evita que as mais desaforadas deprimam ainda mais Suzane. As cartas, em sua grande maioria, extravasam o rancor contra a jovem universitária, afirmando que seu crime não merece o perdão. Contrariando o sentimento das cartas, seu irmão, Andréas, de 15 anos, garante: "não só perdoei minha irmã, mas continuo a amá-la. É neste momento que ela mais precisa de mim".

Perdoar ou não perdoar, eis a questão. Os gregos, o povo mais sábio da antigüidade, garantiam que a vingança era o prazer mais refinado que uma pessoa poderia experimentar. Ver o inimigo abatido e humilhado se constituía, para eles, na suprema realização. Na realidade, os gregos deixaram discípulos. A vingança se manifesta de mil maneiras. Vai desde o fino sorriso de ironia até a agressão física ou mesmo a destruição do inimigo. A vingança, em seu dinamismo, pode ser comparada ao ódio. Pode ficar oculto durante anos e depois explodir numa festa inebriante. Por vezes, é desproporcional à causa que o originou. Pode também ficar oculto, sem jamais se manifestar, mas também sem perder a agressividade. Por vezes se constitui na única razão de uma existência.

Talvez por isso fica difícil acolher a doutrina de Jesus, que manda perdoar setenta vezes sete vezes e mesmo amar os inimigos. Ele mesmo deu o exemplo: na cruz, já envolvido nas brumas da morte, pediu ao Pai em favor de seus algozes. Ele nos ensinou a maneira suprema da vingança: o perdão e o amor. Perdoar é apostar no bem. É cultivar a certeza de que o mal não pode ser vencido pelo mal, só pode ser superado pelo bem. É viver a certeza de que a última palavra será do bem.

O ensinamento do Mestre vem agora receber o respaldo da ciência. Perdoar faz bem à alma e ao corpo, é a conclusão a que chegaram médicos e psicólogos. José Roberto Leite, coordenador da Unidade de Medicina da Unifesp, aponta nada menos de 13 doenças ocasionadas ou acentuadas pela falta de perdão: depressão, dor de cabeça, dores musculares, principalmente nas costas, fibromialgia, gastrites e úlceras, problemas cardiovasculares, irritação intestinal, lapsos de memória, urticária, queda na imunidade, alergias, asmas e vertigens.

O psicólogo norte-americano, Robert Enright, diretor do chamado Instituto Internacional do Perdão, garante que perdoar faz bem à alma, ao corpo e às relações comunitárias. Perdoar vai muito além do discurso beatífico ou da recusa de enfrentamento. É condição para saúde mental e qualidade de vida. Cerca de 50 pesquisas estão atualmente em andamento e apresentam significativa coerência. Odiar, cultivar mágoas ou sentimentos de vingança envenenam a vida. É comparado à atitude de alguém que toma, a cada dia, uma colherada de veneno esperando que o inimigo morra.

Perdoar, além de um ato de generosidade, é um gesto de sabedoria. Perdoar os outros é querer bem a si mesmo. Perdoar não é esquecer. É assinar um tratado de paz com o passado. Mesmo porque a ofensa foi ontem. É inteligente viver o hoje.

 

Garibaldi ganha réplica do Sudário

Painel permanente mostra cópia do pano que envolveu corpo de Jesus

A igreja matriz da Paróquia São Pedro, de Garibaldi, conta, desde março, com uma réplica do Santo Sudário, o pano de linho que teria sido utilizado para envolver o corpo de Jesus ao ser retirado da cruz e depositado no sepulcro. A inauguração da réplica contou com a participação dos padres italianos Augusto Bonelli, pároco de San Felice de Circeo, Itália, Giancarlo Masci e Patrizio di Pinto, e do religioso Pasquale Chioca. A comitiva italiana explicou aos presentes o que é o Sudário.

O painel com a cópia do tecido, exposto permanentemente no interior da matriz, está aberto à visitação. Fotografias e trechos da história do manto sagrado complementam o painel. A réplica, solicitada pelo pároco de Garibaldi, frei Antoninho Pasqualon, foi doada pela comunidade de Circeo, como ocorreu com o mesmo painel que está em Flores da Cunha, também solicitado por frei Antoninho em 1999, quando era pároco daquela cidade. Em Circeo está o único santuário do mundo dedicado ao Santo Sudário.

No Rio Grande do Sul existem apenas cinco réplicas do pano sagrado - em Pelotas, Encantado, Flores da Cunha, Ipê e Garibaldi. O manto original está guardado na cidade de Turin, Itália. Confeccionado em linho puro, mede 4,36 metros por 1,10 metro. No tecido aparecem manchas de sangue humano, com as marcas do flagelo e dos suplícios sofridos por Jesus de Nazaré. É possível identificar ferimentos causados na cabeça, mãos, pés e tórax. "Esse pano representa uma grande prova de fé para os cristãos", salienta frei Anto-ninho.

A primeira fotografia do Santo Sudário foi feita em 1898 pelo advogado Secondo Pia. Vários estudos já foram realizados, inclusive pela Nasa, e comprovam que o tecido foi mesmo utilizado para envolver o corpo de um homem crucificado.

 

Deus da vida

Wilson João

Creio no Deus da vida. Creio que religião é vida. Que não existe o Deus da morte. Onde está a morte está a negação de Deus. Destruir a vida é tentar destruir a Deus. A guerra é a busca da morte de Deus. Povos e governos que provocam a guerra são governos sem Deus. Até podem dizer que têm fé, mas é uma fé sem Deus. É colocar-se no lugar de satanás. Ele também crê em Deus. Mas não ama a Deus. Assim, quem está no lado da morte, não está no lado de Deus. Pode-se ter uma fé sem amor. Fé fria. Fé de cabeça. É preciso uma fé que nasça do coração que ama. E amar é ter Deus no coração. É estar no coração de Deus.

ESTOU NO CORAÇÃO DE DEUS. É a grande notícia para as pessoas que amam. Estar no coração de Deus é acreditar nele e amá-lo. Amar é estar no coração de alguém. É sentir-se em outro coração num tu a tu. É unir vidas. É respeitar vidas. A vida no outro é o berço de Deus. É a casa de Deus onde posso me sentir aconchegado. E que bom ser aconchegado pelo Deus da vida! Deus da vida mora onde está a vida e o amor. Não está nas guerras e nem quer guerras. Nem as guerras internacionais e nem as guerrinhas de todo o dia que começamos em defesa de nosso egoísmo, e sempre produzindo a morte de entusiasmos e de iniciativas, a morte de ternuras e amor pela vida.

DEUS ESTÁ EM MEU CORAÇÃO. É um segundo passo. Se estou no coração de Deus, ele vai estar em meu coração. Então eu me amo porque Deus me ama e está em mim. Amo a vida porque Deus-vida está em mim. Vivo o amor porque Deus-amor está em mim. É fácil sentir quando Deus está ausente do coração humano. Quando está ausente deste homem, daquela mulher. Quando está presente a guerra contra a vida e o amor, está ausente o Deus da vida e do amor. E as palavras de fé, e mesmo as orações, se tornam vazias, inutilidades, se tornam aparências que enganam.

DO TÚMULO PARA A LIBERDADE. É o processo contínuo da ressurreição. É a contínua provocação de Deus: ser vida. Realizar-se como vida. Vida de todo o dia que é respirar o sol, a terra, a água, o ar e tudo o que produz vida. Que é abandonar tudo o que é destruição: o fogo que nasce dos mísseis e dos tanques de guerra, o fogo que nasce das palavras que matam e ferem os sentimentos no coração das pessoas. É preciso passar do túmulo da morte de cada instante, de cada dia, de cada palavra, de cada sentimento destruidor, para a liberdade da vida, para a iniciativa do amor, para a realização dos desejos mais profundos do coração humano que é amar e ser amado, que é viver e deixar viver. O viver humano é uma permanente escolha entre o estar no túmulo e o sonhar com a ressurreição.

 

El ritorno de nanetto pipetta (202)

La pestarola se spaca e el casca in tel mastel

Antônio Baggio

Jornalista, professor e escritor

Nanetto el se mete a mila. Graspi sora graspi de ua, sensa tirarghe via le foie e i grani smarsi. Un vero spirità. Piene le seste, le porta in te a slita, una sora l'altra. Un vero Don Quissote, pien de robe da far, sgorlà par tanti pensieri e par el incàrico che ghe parea verlo ciapà: paron dei bùlgari e domador de mui.

- Pian, ghe dise el paron del vignal, che la ua no la ze mia de fero. Ndar da Braco ghe ze tempo. Fin che'l riva casa...

Come Nanetto no'l scolta, lo mete tel pestarol de la ua:

- Càvetela. Pesta fin che te vol. El Cacique el vegnarà tel so tempo.

Capitava zo seste piene de ua e lu zo pestoni e anca zo vin dolso a scanecae. El mastel, alto trè metri, l'era pi de meso. Co'l se vede lu sol, el pesta pi forte oncora e el osa: "Ua! Qua ghe ze gambe!" El salta co i due pié in te la pestarola e stac, un bruto s-cioco. El fondo el se sverde e Nanetto spatapluf, zo in meso el mosto, tuto impetolà, sensa ose, sofegà dal vin. El bate co na steca e el paron el core ma no'l ghe riva. Zo un toco de corda ma la ghe sbrìssia. Fato un gropo, el vien su e el se mola come morto. I lo piega in zo e pian pianelo el revien.

- Vaga al diàolo pestarola e tuto. Mi intanto in te quela tràpola no i me ciapa pi.

Par na setimana el resta chieto. Zo ua co la sestela, distante del mastel, sensa vantanarse. La volpe la perde el pel, ma nò el vìssio. Un bel dì el se mete in te la slita, banda sanca de la Roana, a védar chi tirava depì. "Vamo, Roana, varda che te incantono". El fa par dar-ghe un urton dadrio e ela svap, na svéntola co la gamba sanca. Là zo, rente la bessiga. Dolori e dolori. El se buta in tera e el ciama la mama che par gnente no lo scolta via in Itàlia. I paesi zo par là i se sgionfa e nantra setimana sensa morbin, sensa gobarse e malamente anca in te i bisogni. I lo coiona. I ghe ciama de massochin, e lu:

- Mi son Nanetto, quel de la cucagna, che la ghe ze e pi granda dei vignai de valtri e la catarò e ve ridarò drio. No stè pensar che na peadina de mula la me fenissa. Qua ghe ze sàngoe talian e nò brodo de stechi, mostrando el brasso tondo come un ossocol. Un dì assarò de èsser pion par comandar e far braure come el Don Quissote de La Mància e nò sol ciapar peade e tomboloni. Fenimo de na olta sta caganera de vendémia che dopo me la togo.

I volea darghe le scròssole parché oncora el tardigava co le gambe dedrio.

- Nò, nò, dopo i novanta ani, desso nò è.

Matina drio, fiero come el s-ciarir del dì, el se la fioca, lu e so pensieri, pi leviani che profondi. Ma prima na bela pipada e la so dormista de putel.

 

Baggio: famiglia di preti, guerrieri... ( I )

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

La prima testimonianza nel Bassanese risale al 1394. I "Baggio", nel Bassanese, si contano a migliaia. Si sa che da secoli si sono insediati nella zona e che sono presenti in diversi settori della vita economica, politica e sociale. Razza dura, legata al lavoro, alla "roba" di verghiana memoria, al senso della famiglia molto radicato, alla fedeltà alle tradizioni ed ai valori morali. Per individuare i rami di un albero molto frondoso e produttivo, nel corso dei secoli, si è provveduto ad individuare le varie famiglie con "mende" diverse.

Vi sono i "Talpi", nucleo da cui è scaturita la figura nobile del rosatese cardinale Sebastiano Baggio, Papa mancato per un soffio, i "Vieno", molto numerosi a "Rosà", i "Jaconi" ed i "Jaconsei", con riferimento forse alla statura, i "Bagajoi" presenti a Cusinati, solo per citarne alcuni. Ma da dove deriva questo cognome e chi è il capostipite di questa grande famiglia? A questa domanda ha cercato di dare una risposta Gabriele Farronato, insegnante all'Einaudi di Bassano, studioso ed appassionato ricercatore storico.

Dopo aver curato con successo la pubblicazione "Storia del Cavaso del Tomba e dei suoi Colmelli", giunto alla seconda edizione, lo storico sta curando la pubblicazione della storia di Romano d'Ezzelino. Atti notarili, archivio di Stato, archivi parrocchiali gli hanno offerto una serie importante di dati e nello stesso tempo l'hanno portato a contatto con la realtà dei "Baggio" che, solo a Romano, sono in sessantasei. Secondo il prof. Farronato, i Baggio hanno origine da Alberto detto Baggio, figlio di Guglielmo del Rosato, di cui vi sono testimonianze a Bassano risalenti al 1394.

In un documento che porta la data del 4 luglio, rogato in contrada Borghetti, si legge quanto segue: "Donna Francesca del fu ser Benedetto delle Nogara, moglie di ser Andrea fu Merlino dei Trabucchi da Bassano, fa testamento per stabilire di essere sepolta presso la chiesa di San Francesco. Fra l'altro, dispone che venga assegnato al convento e luogo di San Francesco la metà del vino, ossia cinque mastelli su dieci, che devono essere consegnati al tempo della vendemmia dai fratelli Baggio e Beltrame del fu Guglielmo detto Rossato, in quanto livellari del monastero di San Fortunato. Un certo "Baius Roxati" risulta tra i consiglieri eletti nel Comune di Bassano, in data 13 agosto 1405.

Altri due documenti risultano significativi anche per la ricerca sull'origine storica del nome del Comune di Rosà. Il 3 novembre del 1405 il Comune di Bassano delibera di accogliere la richiesta di Andrea Forcatura per "avere a livello quel terreno della campagna che si trova intra faibum Roxate et viam Novam super comunis", di circa 30 campi. Il prezzo del livello annuo, cioè dell'affitto, ero lo stesso tipo che pagava "Bagio di Rosato". In un altro atto del Comune di Bassano, datato 30 gennaio 1440, un certo Bassano Baggio informa il sindaco di Bassano, Giacomo De Amico, che intende vendere i suoi diritti "sopra campi tredici e mezzo prativi, sopra la campagna del Comune compresa tra la Cal de Paderno a mattina e la roggia del Comune a mezzodì".

In una testimonianza datata 18 marzo 1457, Giacomo de Bayo da Bassano si dichiara debitore verso il religioso fra Pietro da Firenze, priore della chiesa di Santa Felicita, di lire 70 di piccoli". "L'atto del 1394 - afferma Gabriele Farronato - porta a pensare che Baggio sia un soprannome riferito ad uno dei due figli di Guglielmo Rosato, già radicato in villa di Bassano, zona di cui il quartiere Baggi era, a quel tempo, parte integrante. In conclusione, non si può affermare che tutti i Baggio siano collegati a questi, sebbene essi siano già assai diffusi nel corso del XV secolo. (continua)