
LEITORES
DESCOBRINDO CAMINHOS
Desde 1909, onde o conteúdo faz a diferença.
Edição 4.923 - Ano 96 - Caxias do Sul, 09 de fevereiro de 2005.
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96 anos de fidelidade
e de respeito ao leitor
O Correio Riograndense
contribui há quase um
século para a formação
religiosa e cultural
de gerações
O maior patrimônio de um jornal são seus leitores. Sem eles, nenhum veículo de comunicação impressa sobrevive, por melhor qualidade que tenha. Para atraí-los e, em especial, mantê-los, é necessária uma relação de reciprocidade, em determinados momentos até de cumplicidade.
O Correio Riograndense só está completando 96 anos de circulação ininterrupta no próximo dia 13 de fevereiro porque conseguiu, ao longo deste tempo, a confiança de seus milhares de assinantes. Essa conquista merece ser comemorada, mas ao mesmo tempo eleva o grau de compromisso e responsabilidade da equipe que planeja e elabora o CR.
Em quase um século de existência, o Correio Riograndense enfrentou períodos de grandes dificuldades, algumas delas detalhadas em matéria especial da página central desta edição. Soube superá-las com a melhor das armas: a boa informação.
O CR tem sido fonte de orientação técnica para agricultores do Sul do país há mais de meio século, quando sequer havia organismos oficiais de assistência. Além de atender necessidades imediatas de pequenos e médios produtores rurais, expôs tendências e apontou caminhos. Também contribuiu decisivamente para a formação religiosa e cultural de gerações como condutor de um projeto de evangelização coordenado pela Ordem dos Capuchinhos.
Sempre adotando uma linguagem simples e objetiva, que só deriva para a tecnicidade quando o tema exige, este jornal renova a cada ano o compromisso de manter-se fiel à sua linha editorial, semente da credibilidade que conseguiu irrigar e cultivar ao longo desses 96 anos. Às vésperas do centenário, período de vida que o destaca na imprensa do Sul do país, o Correio Riograndense reforça sua filosofia de fidelidade aos princípios éticos, morais e cristãos estabelecidos desde sua primeira edição e, ao mesmo tempo, de perseguir as mudanças gráficas e de conteúdo que permitem acompanhar a permanente evolução.
IPTU rende R$ 21 milhões
Imposto municipal
pode ser pago com
desconto até dia 15
O Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) de Caxias do Sul pode ser pago em cota única, com desconto de 15%, no próximo dia 15. Quem optar pelo parcelamento, vai quitar o tributo em seis parcelas iguais, sem desconto, com o primeiro vencimento em 15 de março. A Secretaria Municipal da Fazenda estima recolher R$ 21 milhões com o imposto. No ano passado, a arrecadação foi de R$ 19 milhões. Contribuintes com dúvidas sobre o valor do IPTU devem procurar diretamente a Secretaria Municipal da Fazenda, das 10 às 16 horas.
Segundo o secretário Carlos Búrigo, este ano haverá redução no repasse do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) ao município. O valor deverá ser 1,6% menor (R$ 2,1 milhões) do que o recebido no ano passado. Ele explica que a queda deve-se ao índice de recolhimento de Caxias, de 16%, ter ficado abaixo da média estadual, de 19%. "A cidade não cresceu pouco, mas municípios como Canoas, Triunfo e Gravataí se desenvolveram bastante, devido aos investimentos que receberam", observa.
Campanha eleva vendas de fevereiro
O empresário Nestor Perini (foto) foi eleito na quinta, 27, presidente da Fundação Universidade de Caxias do Sul (Fucs). Um dos dois representantes da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul no Conselho Diretor da Instituição que assumiram no último dia 17 (o outro é o presidente da entidade, João Francisco Müller), Perini obteve oito dos nove votos dos conselheiros - um foi em branco.
Com essa escolha, Perini cumpre o mandato de Nelço Tesser, que encerra dia 2 de maio, e que deixou o cargo porque foi substituído pela CIC no Conselho. Em abril ocorre nova eleição para o mandato de três anos.
Inaugurado o setor de oncologia do HG
Já está funcionando o Setor de Oncologia do Hospital Geral. Com isso, pacientes de câncer da região ganham uma opção de tratamento pelo Sistema Único de Saúde. O custo da unidade foi de R$ 119 mil, obtidos do governo do Estado, Fundação Marcopolo e Liga Feminina de Combate ao Câncer. A inauguração ocorreu na quinta, 3, com a presença da primeira-dama do Estado, Cláudia Rigotto, e do prefeito José Ivo Sartori.
Quem deseja usar o serviço deve procurar a Unidade Básica de Saúde e solicitar uma consulta com o setor. Depois, basta comparecer ao hospital na data agendada. Na consulta, o médico determinará a quantidade de quimioterapias e, então, serão marcadas as sessões.
A paz é o fruto da justiça e do amor nas relações
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)
lança nesta quarta-feira, 9, a Campanha da Fraternidade
2005. Em sua 41ª edição, a CF tem como tema "Solidariedade
e paz" e como lema, "Felizes os que promovem a paz".
Pela segunda vez a Campanha é ecumênica e a principal
meta deste ano é promover uma cultura de paz. Como
atingir esse objetivo? De que forma os cristãos de todas
Igrejas podem participar? Qual é a paz desejada pela
Igreja? Estas e outras questões são esclarecidas nesta
entrevista com Dom Odilo Pedro Scherer, bispo
auxiliar de São Paulo e secretário-geral da CNBB.
Correio Riograndense - Que motivos levaram à escolha da paz como tema da Campanha da Fraternidade 2005?
Dom Odilo Pedro Scherer - A paz é um profundo anseio do coração, uma verdadeira necessidade e direito humano e o anúncio da paz é parte da mensagem cristã. Como seguidores de Cristo, temos a missão de promover e defender a paz; cremos no Deus da paz e em Jesus Cristo, o Príncipe da paz. O tema da Campanha da Fraternidade de 2005 é muito oportuno, em vista do aumento da violência em todos os níveis do relacionamento humano. A CF-2005 quer ser uma grande ação das Igrejas cristãs do Brasil, envolvendo todos os que desejam a paz e acreditam que ela é possível.
CR - A CF-2005 é ecumênica, que significado isso tem?
Dom Odilo - Pela 2ª vez, a CF é promovida pelas Igrejas que fazem parte do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic). Não se trata propriamente de uma campanha sobre o ecumenismo, mas de uma ação ecumênica, quer dizer, da união de esforços das Igrejas para promover o tema da CF. Esta ação conjunta, certamente, fará crescer o ecumenismo e mostra que há muitas coisas que unem os cristãos e lhes permitem agir juntos na sociedade.
CR - O tema da paz é uma preocupação para as Igrejas cristãs?
Dom Odilo - Os cristãos têm a missão de anunciar o Evangelho da paz e de testemunhá-lo por sua vida e através de sua atuação no mundo. Diante do quadro de violência, guerras, ameaças à vida e agressões à dignidade da pessoa, diante das injustiças sociais e da miséria, diante da perda de valores éticos na convivência humana, devemos ser todos promotores da paz.
CR - É difícil definir a paz e existem vários graus na sua realização. Qual é a paz desejada pela Igreja?
Dom Odilo - A paz é o fruto da justiça e do amor nas relações humanas; ela também é uma espécie de quietude e de satisfação dos anseios mais profundos do coração humano. A paz pode ser conseguida e vivida em graus diversos, mas a paz plena só é encontrada em Deus, de acordo com a bela exclamação de Santo Agostinho: "Tu nos fizeste para ti, Senhor, e nosso coração anda inquieto até que não repousa em ti". A Igreja deseja e atua para que a paz verdadeira seja conseguida e assegurada a todos, em todos os níveis.
CR - E como esta paz pode ser alcançada?
Dom Odilo - A Igreja anuncia que a paz da vida social e da consciência pessoal só pode ser conseguida mediante o encontro com Deus, a orientação da vida para ele e a relação filial e confiante com Ele.
CR - Quais são as preocupações prioritárias da CF de 2005?
Dom Odilo - A CF de 2005 propõe uma ação solidária em favor da paz na sociedade; de fato, a paz não é apenas um bem pessoal e individual; ela é um bem para toda a sociedade e depende do esforço solidário de todos. É necessário superar a violência que está presente de maneira difusa em todos os níveis da convivência humana: na família, na escola, na rua, nos estádios, nas relações de trabalho, na ação do crime organizado, nos sistemas econômicos, nas guerras, nos seqüestros e terrorismos... É preciso desarmar as mãos e os corações. Por outro lado, além do combate à violência, é necessário promover aqueles valores e atitudes éticas que tornem possível e assegurem a paz.
CR - O respeito à pessoa é condição indispensável para haver paz?
Dom Odilo - Não haverá a verdadeira paz sem o respeito à pessoa, à sua dignidade, à sua vida em qualquer situação ou estado de seu desenvolvimento.
CR - A violência faz parte da história humana. Existe maneira de superá-la?
Dom Odilo - Infelizmente, a história humana está carregada de violência, mas nem por isso ela se torna boa. A violência é uma praga social, que resulta da perda dos valores éticos que devem nortear a vida pessoal e a convivência humana. A difusão da violência é sintoma de uma cultura doente e desorientada e gera um modo de vida no qual são postas a perder as boas conquistas da civilização. A cura da violência vem da promoção de políticas adequadas para a sociedade e da valorização das atitudes pessoais e sociais voltadas à superação da violência.
CR - Como promover a cultura da paz?
Dom Odilo - Há uma educação para a violência e uma educação para a paz. A educação para a paz é fundamental, desde a infância e a adolescência. A cultura da paz supõe atitudes solidárias e o cultivo do respeito efetivo pela dignidade de cada pessoa. Violência não se combate com mais violência, mas pela promoção do estado de direito e pela renúncia consciente e voluntária aos meios violentos na superação dos conflitos.
CR - O tema da CF de 2005 fala de solidariedade, em vez de fraternidade. É a mesma coisa?
Dom Odilo - A atitude solidária é indispensável para construir a fraternidade. A solidariedade é também um princípio ético, que decorre da consciência que cada indivíduo é parte de um todo, que o bem de um é o bem de todos; todos dependem de todos e o que atinge a uma pessoa atinge também as outras. Estamos todos no mesmo barco e somos membros de uma única família humana. A consciência solidária leva a unir os esforços na consecução do bem comum. A paz depende da participação de todos; a falta de paz ou a atitude violenta de uma pessoa pode tirar a paz das outras também. A CF de 2005 traz ao debate e à reflexão esta realidade: todos somos responsáveis pela promoção da paz e pela sua preservação. E isso é um bem para todos.
CR - Qual é a contribuição ecumênica para a paz?
Dom Odilo - Das religiões espera-se que sejam promotoras da paz, e não o contrário. As Igrejas cristãs têm uma contribuição importante a dar na promoção da cultura da paz para a sociedade e realizarão melhor essa missão unindo os esforços. Além disso, a paz começa em casa. A paz nas Igrejas e entre as Igrejas é uma recomendação muito especial de Jesus aos seus discípulos e pode ser um exemplo para a necessária superação de divisões e conflitos na sociedade.
CR - Como podem os cristãos de todas as Igrejas e grupos promover a CF?
Dom Odilo - Há muitas maneiras e os subsídios para a realização da CF são abundantes e ilustrativos. Eis alguns: a oração em comum, a leitura conjunta da Palavra de Deus, a participação em iniciativas culturais e de promoção humana e de educação para a paz. Por outro lado, é preciso superar os preconceitos e fechamentos sectários, que impedem a aproximação entre os fiéis das diversas comunidades e grupos religiosos.
CR - A CF também se dirige às pessoas que não se reconhecem em nenhuma das Igrejas cristãs?
Dom Odilo - Certamente. A paz é um bem para todos e depende do esforço solidário de todos. As iniciativas de promoção da cultura da paz e da superação da violência merecem a adesão de todos.
CR - A religião pode colocar a paz em risco?
Dom Odilo - Com freqüência, os meios de comunicação mostram pessoas com motivações religiosas, ao menos na aparência, cometendo atos de violência. É uma pena e isso joga descrédito e suspeita sobre a religião. Certo tipo de atitude religiosa pode representar um risco para a paz. Neste caso, porém, não se trata de verdadeira atitude religiosa e a religião é interpretada de maneira equivocada. Não se pode cometer violência em nome de Deus. Seria um desrespeito grave ao próximo e a Deus também.
Estiagem espalha prejuízos pelo RS
Agricultores perdem
mais milho, mas a falta de
chuvas prejudica também
o gado e outros grãos
O agricultor está olhando mais para o céu do que para o chão. Com experiência de quem conhece cada palmo de terra, procura sinais que indicam chuvas. Mais do que seguro, o gaúcho quer água para suas lavouras. Ela é a garantia, no momento, de produção.
Sem água, 60% dos produtores de milho já perderam pelo menos a metade da lavoura. Esta é uma das conclusões da pesquisa realizada pela Emater/RS a pedido do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Os resultados foram divulgados na quinta, 3, em Porto Alegre, pelo delegado federal do Desenvolvimento Agrário no RS, Nilton Pinho de Bem. "As perdas acumuladas já ultrapassam R$ 3 bilhões", calcula o presidente da Fetag/RS, Izidio Pinheiro.
O levantamento envolveu 2.147 pequenas propriedades agrícolas de 102 municípios, mas apenas 1.857 formulários, de 83 cidades, retornaram a tempo de serem tabulados. "Na média geral, as perdas se aproximam de 50%", constata o secretário nacional de Agricultura Familiar, Valter Bianchini.
Conforme a pesquisa da Emater, 23,39% dos produtores tiveram perdas de até 30%; 15,24% vão deixar de colher de 30% a 50% da lavoura e a maioria, 43,05%, teve prejuízo de 50% a 80%. "A dispersão é muito grande. Há quem perdeu 8% e quem perdeu 90%", compara Valter Bianchini.
O objetivo do MDA é fornecer às instituições financeiras de crédito informações detalhadas para o pagamento dos prêmios do seguro agrícola pós-colheita. Têm direito ao seguro os produtores que tiverem perda de pelo menos 30% da produção – em relação à estimativa de colheita feita pelo banco e explicitada no contrato de financiamento.
Enquanto os produtores buscam a cobertura do Proagro Mais (seguro do governo federal), mais de 24 mil gaúchos aderiram ao Seguro Agrícola Subsidiado do Milho, disponibilizado pela Secretaria Estadual da Agricultura. A adesão representa 20% mais em comparação as 20 mil registradas na safra 2003/2004.
A previsão do coordenador do programa, José Inácio Pereira da Silva, é de que os recursos comecem a ser repassados em agosto. Terão direito aos benefícios as localidades que registrarem quebra na produção acima de 21% . O seguro é calculado sobre o valor fixo de R$ 800,00 por agricultor, com teto de dois hectares por prioridade.
Chuvas localizadas são insuficientes
As chuvas dos últimos dias foram boas para a soja, o milho plantado mais tarde e a safrinha do feijão. De acordo com o levantamento semanal da Emater/RS, as precipitações foram bastante variáveis, ficando entre 18 e 35 milímetros nas regiões da Produção e do Médio Alto Uruguai, de 5 a 30 no Alto Jacuí e Noroeste Colonial e de 20 milímetros em Erval Grande a 140 milímetros em Barão do Cotegipe.
No Rio Grande do Sul, 40% da área de soja está em germinação e desenvolvimento vegetativo, 46% em floração e 14% em enchimento de grãos. Já o milho tem 15% das lavouras em germinação e desenvolvimento vegetativo, 20% em floração, 32% em enchimento de grãos, 19% maduro e 14% já colhido. A primeira safra de feijão está com 3% em enchimento de grãos, 12% maduro e por colher e 85% já colhido.
No arroz, as fases são 58% em germinação e desenvolvimento vegetativo, 30% em floração e 12% em enchimento de grãos. O arroz já está sentindo o efeito da seca, pois mais da metade do 1,03 milhão de hectares está na fase reprodutiva (ou de maturação) em que a umidade é essencial.
A estiagem interrompeu o rebrote das pastagens nativas e cultivadas, reduzindo paulatinamente a oferta de alimento para os animais. A qualidade da forragem também foi prejudicada. O resultado é queda na produção leiteira e redução do peso dos bovinos de corte. Os produtores aguardam pela continuidade das chuvas para evitar a diminuição do nascimento de terneiras. O período de cobertura das vacas encerra-se no final de fevereiro.
Racionamento afeta 800 mil no Estado
O racionamento afeta mais de 800 mil gaúchos ou 250 mil residências, especialmente na região Metropolitana de Porto Alegre. De acordo com a Companhia Rio-Grandense de Saneamento (Corsan), o racionamento vai continuar nos próximos dias, devido à ausência de chuvas. Além disso, até domingo, 6, a Defesa Civil informou que 269 municípios gaúchos haviam decretado situação de emergência.
A pergunta corrente entre os gaúchos é: Chove? Segundo o 8º Distrito de Meteorologia, não há fenômeno anormal em andamento, nada que possa afastar mais a chuva do RS. As chuvas ocorridas na última semana amenizaram apenas a preocupação com a lavoura de soja. "As reservas, açudes e mananciais continuam em déficit", diz o pesquisador da Embrapa Passo Fundo, Ivegdonei Sampaio.
Seca gera aumentos de preços de até 100%
Efeitos da estiagem também chegaram aos hortigranjeiros. Na Ceasa-Serra, o preço da alface subiu mais de 100% O pepino, caixa de 20 kg, que era vendido de R$ 8,00 a R$ 10,00 no início de janeiro passou a R$ 20,00 na última semana. O tempero verde (dúzia) passou de R$ 2,50 a R$ 5,00 no período. "Além do aumento de preços, produtos como alface estão faltando", informa o chefe de mercado da entidade, Gilnei Bogio.
Já o abastecimento de uva e maçã é normal. "A seca está afetando a qualidade e o tamanho dos frutos", destaca Bogio ao CR, acrescentando que a Ceasa não tem levantamento completo da situação.
Qualidade desafia produtores de leite
Fetag propõe pagamento
pela qualidade do leite e
sanidade do rebanho
Elevar a qualidade da pecuária de leite será o grande desafio dos produtores em 2005. Esse desafio passa pela adequação da atividade às normas do Programa de Melhoria da Qualidade de Leite, constantes na Instrução Normativa nº 51, do Ministério da Agricultura e Pecuária. As normas entram em vigor em 5 de julho próximo, estabelecendo padrões mínimos de qualidade e identidade do leite.
Para o vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de SC (Faesc), Nelton Rogério de Souza, as novas exigências significam um selo de garantia para os lácteos, melhorando as condições para conquistar novos mercados. "Há tendência de manutenção de altos preços dos lácteos no mercado internacional, fator que sustenta a expectativa de crescimento das exportações brasileiras", observa Souza.
Pensando numa remuneração mais justa, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag) está propondo o pagamento do leite, não somente pela quantidade, mas também pela qualidade e sanidade do rebanho. "Há uma diferença superior a R$ 0,20 por litro no pagamento entre produtores grandes e pequenos", revela o diretor-secretário da Fetag e da Comissão Estadual do Leite, Elton Webber.
A proposta da entidade veio em boa hora, pois a produção de leite está minguando no RS por causa da estiagem prolongada, afetando negócios de produtores e indústrias. Levantamento realizado pela Fetag e Emater aponta redução de um milhão de litros/dia em relação à produção estadual estimada em cinco milhões de litros diários.
Preços – A Fetag também está tentando, junto ao Sindicato das Indústrias de Laticínios (Sindilat) e Elegê (que processa 50% do leite gaúcho) reposição dos preços praticados em junho do ano passado – cerca de R$ 0,55 – para serem pagos em janeiro e fevereiro aos produtores de leite. A média atual está na faixa de R$ 0,49. "Existem indústrias dispostas a pagar o valor pedido", diz Webber ao CR, que não aceita variações nas cotações em regiões produtoras.
BB vai liberar R$ 25 bi para o custeio da safra
Sozinho, o Banco do Brasil vai liberar R$ 25,5 bilhões para o custeio da safra 2005. O anúncio foi feito pelo presidente em exercício do BB, Ricardo Conceição, em visita ao Show Rural Coopavel. "Não vão faltar recursos e o banco procurará facilitar o acesso do lavrador às suas mais diversas linhas de crédito", disse. Para ter uma idéia, o plano safra 2004/05 prevê, no total, R$ 28,75 bilhões para serem aplicados em custeio e comercialização.
Cooperativa Languiru amplia laticínio
A Cooperativa Regional Agropecuária Languiru (Cooalan), de Teutônia (RS), vai investir R$ 8,5 milhões na ampliação de seu complexo industrial de laticínios. As mudanças deverão estar concluídas, no máximo, em quatro meses, destacou o presidente da entidade, Dirceu Bayer. A intenção é que o estabelecimento entre em funcionamento em maio próximo. Inicialmente serão processados de 30 a 40 mil litros de leite por dia.
Com unidades nos municípios de Teutônia, Westfália e Estrela, no Rio Grande do Sul, a Languiru atua nas áreas de aves, embutidos, cortes suínos e laticínios.
A Cooalan tem quatro mil famílias associadas, criadoras de gado de leite, suínos e aves, em 15 municípios no Vale do Taquari. "Porém, a importância social da cooperativa está na sua relação direta e indireta com 22 mil famílias rurais", destaca Dirceu Bayer.
Nova Bassano recebe produtor de hortaliças
A Emater de Nova Bassano e 13 empresas produtoras ou distribuidoras de sementes de hortaliças promovem, no dia 15, um dia de campo sobre tomate e pimentão. A atividade, que deverá reunir cerca de 500 participantes, ocorre a partir das 9 horas, na propriedade de Oscar e Orientino Todeschini, na comunidade Santo Antônio, Linha 9ª.
Através de 13 estações, sendo uma de cada empresa, serão mostradas as novidades em termos de variedades das hortaliças. Serão apresentadas as características de 52 variedades de tomate e 13 de pimentão, para que possam ser avaliadas pelos produtores. Informações pelo telefone (54) 273-1510.
Vida Agrícola
Duas cores nas Três Marias
Na chácara do meu filho Celso Mattei, situada no Paraguai, tem uma flor Três Marias que num dos galhos deu flores de duas cores. Foi uma surpresa porque nos outros ramos as flores são todas iguais, mas de outras cores. O que pode ter ocorrido? Foi algum bicho ou abelha que levou pólen à flor? Gostaria que o engenheiro agrônomo explicasse a novidade.
LURDES MATTEI
Foz do Iguaçu - PR
As Três Marias que a prezada leitora chama de flor, também conhecida como Bouganvilea, Primavera e outros nomes populares, não é verdadeira flor, pois são folhas modificadas que protegem as pouco expressivas, mas verdadeiras flores. Tais folhas externas e coloridas denominam-se "Brácteas".
As pequenas flores, em número de três, encontram-se implantadas na base interna de cada uma das "brácteas", e não se desenvolvem todas ao mesmo tempo, uma após a outra. Quando desenvolvida a flor mostra uma corola amarela composta por 5 pétalas soldadas umas nas outras, com diâmetro de um pouco mais de meio centímetro.
Depois destas observações iniciais sobre a estrutura floral da Bouganvilea, passo a abordar o assunto que diz respeito à novidade que chamou a atenção e surpreendeu a Sra. Lurdes Mattei de Foz do Iguaçu: o surgimento repentino de duas cores nas brácteas das Três Marias num dos ramos da planta, diferentes das cores das outras nos demais ramos.
Apenas com as informações da carta e sem melhor conhecimento do fenômeno parece-me temerário dar resposta definitiva. Contudo, uma das possibilidades é ter havido no ramo uma "mutação genética", cujo conceito é uma alteração nos elementos da hereditariedade (gens e cromossomas) no interior da células, produzindo no exterior um novo caráter (no caso, as novas cores das Três Marias).
A ocorrência de mutações genéticas é comum e delas resultam caracteres permanentes, pois se reproduzem idênticos nas gerações futuras.
Por mutação surgem raças e variedades novas de qualquer espécie viva, animal ou vegetal. A ciência admite que as raças humanas, com suas características próprias, tenham surgido de mutações genéticas. Um exemplo de mutação genética, semelhante ao seu caso das duas cores nas Três Marias, ocorreu na uva Niágara. O fato, conta-nos o engenheiro agrônomo Inglez de Sousa em seu livro Uvas para o Brasil, ocorrido na década de 30, no município de Loureira, SP.
Num parreiral somente de uvas Niágara brancas - as únicas de mesa que então existiam,- aconteceu que um dos ramos produziu cachos cujos grãos, na maturação, tornaram-se rosados. Surpreso com a novidade, o agrônomo que dava assistência técnica ao parreiral, marcou o ramo cujas gemas, na ocasião oportuna, foram devidamente enxertadas. As mudas assim obtidas, cultivadas com o devido cuidado, tornaram-se adultas e passaram a produzir uvas exclusivamente rosadas.
Surgi assim a variedade Niágara rosa que, multiplicada vegetativamente por enxertia, acabou em pouco tempo suplantando amplamente em São Paulo a branca como uva de mesa. E a variedade difundiu-se por todas as regiões vitícolas do país.
No caso das Três Marias, se o fenômeno das duas cores novas tiver como causa a mutação genética, então, as estacas do ramo devidamente plantadas, (o uso de estacas é o recomendado para reproduzir a espécie Bougainvillea), formarão plantas que na florescência reproduzirão todas a mesma novidade: duas cores nas brácteas das Três Marias. Será o surgimento de uma nova variedade. Que assim seja!
Auschwitz: sessenta anos depois
Maria Clara Lucchetti Bingemer
A memória é o que nos faz
humanos, pois permite relembrar
as maravilhas, não esquecer os
horrores e ir caminhando na
direção de um mundo menos violento
O s diversos meios de comunicação nos vêm mostrando, nos últimos dias, uma série de reportagens e discursos sobre os 60 anos da libertação do campo de concentração de Auschwitz, na Polônia. No dia 26 de janeiro, o primeiro-ministro da Alemanha, Gerhard Schröder, declarava em nome de seu país os sentimentos de dor e culpa pelo que ali aconteceu. E o presidente francês, Jacques Chirac, organizava em Paris uma reunião com os sobreviventes de Auschwitz, emocionante cerimônia onde se podiam ver rostos emocionados cantando canções judaicas, tristes e nostálgicas.
Auschwitz abrigava o grande quartel-general daquilo que o nazismo chamava de "a solução final". Para lá eram levados trens cheios de judeus e comunistas. Ali, homens, mulheres e crianças eram submetidos a uma triagem: uns iam para o trabalho forçado; outros diretamente para a morte, nas câmaras de gás e nos fornos crematórios. As crianças eram separadas das mães, os maridos das mulheres, e todos perdiam a identidade, seja pela morte, seja pelo fato de serem tratados como meros instrumentos de um trabalho sem objetivo.
As forças aliadas, segundo o filme "A Prova esquecida" (La preuve oubliée), exibido nas televisões européias, ignoraram durante longo tempo o que se passava naquele campo. A prova esquecida são fotos de fornos e câmaras de gás que foram arquivadas em uma gaveta e só encontradas em 1945, quando, finalmente, Auschwitz foi libertado das mãos nazistas, com a Alemanha já derrotada.
A Europa do pós-guerra teve que lutar durante longo tempo com o fantasma de Auschwitz. O genocídio planejado e praticado sistemática e cruelmente de todo um povo levantava perguntas ao pensar filosófico, à fé e à teologia. Muitos judeus declararam que seu Deus havia morrido em Auschwitz. E muitos cristãos se perguntaram: "Como falar de Deus depois de Auschwitz?"
Aqueles que começaram novamente a pensar e falar sobre Deus nessas circunstâncias, em lugar de eludir o trauma, mergulharam dentro dele. O pensamento de grandes filósofos como Hans Jonas questiona a afirmação de que Deus tem em suas mãos o controle da história. E a teologia de Jurgen Moltmann e Eberhard Jungel afirma que falar de Deus depois de Auschwitz só pode ser falar de um Deus cuja presença dentro da história se dá identificando-se profunda e dolorosamente com as vítimas.
Quando a dor, o sofrimento e a morte são o único horizonte possível, onde estará Deus? Quando os valores se invertem e só se tem diante dos olhos o antivalor, o antimodelo, qual é o lugar que sobra para Deus, para o Absoluto, silenciado e amordaçado pela força brutal do mal e do extermínio? Só pode estar ao lado das vítimas, identificado com elas, sofrendo nelas e com elas. Não há outro lugar para um Deus que se revelou a Si mesmo como amor, compaixão e perdão.
Da barbaridade do genocídio, do qual Auschwitz era o laboratório mais refinado, temos vários testemunhos que nos fazem ver como a condição humana, mesmo esmagada e coisificada pelo domínio da força, é capaz de encontrar caminhos de dignidade e de sentido.
Edith Stein, judia, convertida ao catolicismo e carmelita, ofereceu a Deus sua vida em expiação para salvar seu povo. Presa junto com sua irmã Rosa, é enviada para Auschwitz, onde morre na câmara de gás. O testemunho que dela nos ficou pelos que com ela conviveram durante o período entre a prisão e a morte nos diz que Edith se ocupava de limpar e cuidar das crianças, muitas vezes abandonadas pelas mães que enlouqueciam de dor.
Elie Wiesel, antes um menino judeu piedoso, sofreu todos os horrores do campo e lá viu morrer sua família. Sobreviveu por milagre e em seu livro "Noite" narra que quando se olhou num espelho, após vários meses de hospital, não conseguiu reconhecer o cadáver que o olhava nos olhos.
Todos nos dizem que 60 anos depois o ódio, o rancor, a vingança não são caminhos adequados para tratar tão enorme e profunda ferida. Mas o esquecimento também não. As celebrações do maior genocídio de que a humanidade tem notícia nos relembra que a memória é o que nos faz humanos, pois nos permite relembrar as maravilhas, não esquecer os horrores e ir caminhando na direção de um mundo mais humano e menos violento.
Frei Betto
O mecanismo lucrativo do
Entretenimento faz com que
milhões de gatas borralheiras
transformem a TV no espelho
à espera de que possam ver
refletido o seu rosto de cindeleras
A dessacralização do mundo expulsou os deuses do Olimpo e livrou-nos do medo do Inferno. Os efeitos não são a secularização, a razão sensata, a lógica razoável, como era de se esperar. O resultado mais evidente desse processo é a "morte de Deus", não no sentido filosófico de Nietzsche ou Camus, mas na dimensão empírica do materialismo prático, do paganismo efetivo, do consumismo irrefreável, da competitividade ditando como mandamento "armai-vos uns contra os outros".
Respiramos uma cultura idolátrica, na qual alguns seres humanos, sacralizados pelos símbolos do poder, da riqueza e da fama, ocupam os céus, os altares da veneração coletiva, incensados pela mídia e canonizados pela inveja da turba. Maquiados pela espetacularização da notícia, tornam-se ícones, seres sobrenaturais capazes de encarnar a esperança de milhões. São eles que ocupam páginas e páginas dessas revistas cujas fotos retratam um mundo de facilidade e felicidade, festas requintadas, mansões luxuosas, ilhas paradisíacas, castelos majestosos.
Ali estão as caras de quem galgou os degraus do sucesso e, do lado de cá, o leitor consumido e carcomido pela frustração de não gozar da fortuna de pertencer ao restrito clube da opulência. Busca, pois, compensar-se por uma intimidade psicológica de quem se gaba de conhecer em detalhes a vida dos famosos, o que comem e onde moram, como e com quem dormem, que lugares freqüentam e para onde viajam.
Deus é recriado à nossa imagem e semelhança. E o Paraíso existe, mas custa caro obter o bilhete de entrada. Pode-se aplicar hoje aos grandes centros urbanos do Ocidente a descrição de Paris feita por Balzac na primeira metade do século XIX: "É um bazar onde tudo tem seu preço, e os cálculos são feitos em plena luz do dia, sem escrúpulo. A humanidade tem apenas dois tipos: o enganador e o enganado... A morte dos avós é esperada com ansiedade; o homem honesto é bobo; as idéias generosas são meios para se obter um fim; a religião surge apenas como uma necessidade de governo; a integridade se tornou pose; o ridículo é um meio para se promover e abrir portas; os jovens já têm cem anos, e insultam a idade avançada" (Scènes de la vie parisienne, Paris, Édition de Béguin, p. 110).
Buscamos significados e sentido naquilo que é impessoal, descartável, efêmero. De tal modo estamos imbuídos do caráter fetichista da mercadoria que, diante de uma arma, há quem prefira entregar a vida para não perder o carro. Como nos deprime a perda de um objeto ao qual nos apegamos! Pois aquele objeto nos imprimia valor, adornava a nossa personalidade, abrilhantava a nossa mortal insignificância.
O exemplo mais notório dessa cultura do despeito é o onanismo voyeurista que hipnotiza milhões de telespectadores devotados a observar a intimidade de quem se tranca numa casa promíscua. Depois os pais se queixam do desinteresse dos filhos pelo estudo, da gravidez precoce da filha, do desrespeito com que os jovens tratam idosos e subalternos.
Como infundir valores se há no centro da casa um aparelho destinado a esgarçar o tecido social? Fôssemos uma sociedade cidadã, faríamos saber aos patrocinadores que decidimos não mais adquirir os seus produtos. Oh, retrucam os arautos do sistema, então você defende a censura? Defendo os valores morais e condeno esse neoliberalismo que transforma um veículo importante, a TV, num bordel virtual. Repudio a religião que prega, como primeiro mandamento, "acumulai lucro acima de todas as coisas".
Mas ainda há esperança, e muita. Toda a Europa parou no dia 5 de janeiro para homenagear as vítimas das tsumanis. E mobilizou-se num grande mutirão de solidariedade. Talvez a presença avassaladora da morte nos faça, agora, refletir melhor sobre o significado da vida. E com certeza ela não merece ser vivida para que o seu pouco tempo de duração seja consumido em devorar com os olhos e a mente a suposta felicidade alheia.
O mecanismo lucrativo do entretenimento é simples: incita e excita-nos a almejar a aparente felicidade dos que são alvo da notícia e, para compensar a nossa frustração, já que a desigualdade social nos castra o desejo, oferece publicações e programas televisivos que nos imprimem a ilusão de participar da vida dos que pertencem ao círculo hermético. É como nos contos de fadas. Milhões de gatas borralheiras transformam a TV no espelho à espera de que possam ver refletido o seu rosto de Cinderelas.
Respirar pela boca prejudica estudos
Criança com obstrução
nasal dorme mal e
tem dificuldade de
prestar atenção na aula
As aulas estão prestes a reiniciar, tornando o momento oportuno para dar mais atenção à saúde dos estudantes. Os pais sempre se preocupam com o desempenho dos filhos na escola. Além de orientar sobre a disciplina e ajudar nas tarefas, a maioria já sabe que deve prestar atenção no peso da mochila e nos problemas de visão que podem ser detectados na fase escolar, mas poucos desconfiam que as notas baixas podem estar relacionadas com uma dificuldade de respirar. O que uma coisa tem a ver com a outra? O problema está na qualidade do sono.
Antes de rotular a criança de preguiçosa e desatenta, é bom observar a maneira como ela dorme. Durante o sono, a criança recupera as energias e grava na memória as informações recebidas ao longo do dia, desde que respire normalmente, ou seja, pelo nariz. Se a respiração ocorrer pela boca, é sinônimo de noite mal dormida, com ronco, agitação e até paradas respiratórias. Quando isso acontece, o sono é de má qualidade e não restabelece as energias. Isso significa que a criança já acorda cansada e tem dificuldade de prestar atenção na aula e de memorizar a matéria estudada. Adenóide e amígdalas aumentadas, desvio de septo e rinites podem obstruir a passagem do ar pelo nariz.
A relação entre defasagem no aprendizado e respiração oral foi comprovada por duas especialistas da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Elas avaliaram 292 alunos de cinco a sete anos e notaram que 35% deles, todos em fase de alfabetização, respiravam pela boca. Justamente nesse mesmo grupo estavam a maioria dos estudantes com notas baixas ou mau comportamento em sala de aula.
Pesquisas já constataram que 55% das crianças que respiram pela boca são encaminhadas para o reforço escolar e apenas 20% das que não têm obstrução nasal precisam de aulas extras. Todos os alunos passam por um longo processo de alfabetização, mas cada um tem seu ritmo. Entre os respiradores bucais, o avanço tende a ser mais lento. Por esse motivo, eles precisam mais de reforço pedagógico e orientação individualizada.
O comportamento também reflete os efeitos da má respiração. 60% dos que respiram pela boca já tiveram problemas de disciplina, como agressividade ou falta de atenção. Entre os que inspiram corretamente pelas vias nasais, a incidência de conflitos disciplinares é de 36%.
Além da má qualidade do sono, os medicamentos usados para desobstruir as vias aéreas, segundo os especialistas, deixam a criança sonolenta e, como efeito rebote, inquieta - dois estados de ânimo que tiram a atenção. Inspirando pela boca, o organismo ainda capta menos oxigênio, o que impede o bom funcionamento de cérebro e atrapalha o raciocínio.
Segundo estudos já realizados por especialistas, um terço dos casos de obstrução nasal ocorre por adenóide ou amígdalas aumentadas. Nesse caso, em geral, é preciso retirá-las. A cirurgia é considerada simples e a recuperação leva cerca de uma semana. Quando o que está por trás do problema são alergias, é preciso tratá-las.
Mochila pesada causa desvios na coluna
O início do ano letivo também traz de volta a discussão sobre o peso do material escolar transportado pelos alunos. Em 2003, foi aprovada no Rio Grande doSul uma lei que estabelece o controle do peso máximo tolerável para o material, mas a norma não tem controle efetivo. Sendo assim, é bom que os próprios pais prestem atenção nas mochilas dos filhos. Crianças que carregam muito peso podem desenvolver desvios na coluna.
A lei estabelece que o peso máximo total do material transportado por alunos da Educação Infantil e do Ensino Fundamental da rede pública do Estado, não pode ultrapassar 5% do peso do aluno da Educação Infantil e 10% do estudante do Ensino Fundamental. A mochila ideal tem alças para serem usadas nos dois braços e encosto maleável. Ela também não deve ultrapassar a linha da cintura, para que a coluna não seja sobrecarregada.
Atenção aos olhos
Os problemas de visão também costumam interferir no desempenho escolar. Os sintomas mais comuns são dor de cabeça, apertar os olhos para ler um livro ou assistir televisão, piscar com freqüência, franzir a testa para enxergar melhor um objeto. O ideal é que a primeira consulta a um oftalmologista ocorra aos seis meses de vida, depois aos dois anos. Após essa fase, uma revisão deve ser feita a cada dois anos.
Nectarina ajuda afastar a fadiga
Pêssego e nectarina são frutas da estação. Quais benefícios oferecem ao organismo? Se a intenção for espantar a fadiga, melhor apostar na nectarina, que tem maior quantidade de magnésio. Uma fruta de tamanho médio (70 gramas) tem cerca de oito miligramas do mineral, que também participa da absorção de proteínas e carboidratos. O pêssego (60 gramas) tem 6,8 miligramas do nutriente. O ácido fólico, vitamina do complexo B que também dá mais disposição e previne malformações fetais, também está presente nas duas frutas em quantidades praticamente iguais: 3,44 miligramas no pêssego e 3,76 miligramas na nectarina.
Para combater o envelhecimento precoce, a nectarina contém mais retinol. Uma unidade de nectarina tem 73 microgramas dessa substância, enquanto um pêssego, 54 microgramas. Além de minimizar os efeitos dos radicais livres, o retinol protege a visão.
O cálcio aparece nas duas frutas em quantidades semelhantes; 4,59 miligramas no pêssego e 4,34 miligramas na nectarina. Contra a pressão alta, a nectarina pode ser um pouco mais eficiente, pois possui 212 miligramas de potássio, contra 197 miligramas no pêssego. O mineral também age contra cãibras. Quanto às calorias, ambas são bem leves. O pêssego tem 42 calorias e a nectarina, 49.
A IMPRENSA CATÓLICA NAS COLÔNIAS ITALIANAS:
96 ANOS DO CORREIO RIOGRANDENSE
Capuchinho, pesquisador, historiador e escritor
Jornal foi fundado em 13 de fevereiro de 1909 com o
nome de La Libertà. Teve ainda os títulos de Il Colono Italiano
e La Stafetta Rio-grandense, até adotar, em 1941,
Correio Riograndense. Hoje é o 5º mais antigo jornal do RS e
chega a 226 municípios gaúchos, catarinenses e paranaenses
Em relatório a Dom João Batista Scalabrini, fundador da Congregação dos Padres Carlistas, quando de sua visita às colônias italianas do Rio Grande do Sul, em 1904, Frei Bruno de Gillonnay (1976, p. 247), fundador da Missão dos Capuchinhos Franceses no Rio Grande do Sul, assim caracteriza seu projeto de imprensa, como extensão da evangelização:
"Não a imprensa como é entendida na Europa, isto é, imprensa política, de novidades, de lutas apaixonadas. Não é este tipo de imprensa que queremos aqui. Trabalhamos para estabelecer com simplicidade, no centro da colônia italiana, uma pequena impressora, que levará, periodicamente, no seio das famílias, em sua língua materna, uma página do santo Evangelho, explicada e comentada, uma história edificante, alguns conselhos de agricultura, a indicação de algumas brochuras adaptadas às necessidades dos colonos. Os bons colonos italianos, privados de qualquer informação, na solidão de seus campos, aguardam esta impressora com santa impaciência. Esperamos que, no espaço de um ano, seus desejos sejam satisfeitos."
La Libertà - "Em 1908, uma notícia muito consoladora correu todas as colônias italianas: a fundação de um jornal católico italiano. Pe. Cármine Fasulo, zeloso pároco de Caxias, a pérola das colônias italianas, enviou uma circular a todos os párocos da diocese de Porto Alegre, convidando o clero a apoiar sua iniciativa de fundar o semanário católico La Libertà" (Porrini, em Rizzardo, 1990, p. 189).
De fato, no dia 13 de fevereiro de 1909, Pe. Cármine Fasulo fundava, em Caxias do Sul, o jornal católico La Libertà. Após alguns meses, devido em parte aos inimigos criados pelo próprio Pe. Cármine, especialmente entre os desafetos à Igreja, La Libertà estava para ruir fragorosamente quando a mão salvadora de Pe. João Fronchetti, pároco de Conde d’Eu, coadjuvado por seus amigos Dr. Adolfo Moreau e João Carlotto, adquiriram o jornal e a maquinária, estabelecendo tudo em Garibaldi. Mas a luta lhe custou o nome, que foi alterado para Il Colono Italiano, com o qual circulou até 1921.
A Missão dos Capuchinhos iniciou na convivência com Pe. João Fronchetti, que, em 1909, se tornava proprietário do jornal La Libertà, que se enquadrava nos projetos de Frei Bruno. Mas, para que o Pe. João pudesse dedicar-se ao jornal, os freis o substituíam, atendendo à vasta paróquia, realizando indiretamente os planos do fundador da missão em relação à imprensa. Os capuchinhos sempre colaboraram com o jornal, até que, em 1917, Frei Bruno de Gillonnay adquiria a tipografia e o controle da redação do 11 Colono Italiano, que se tornou propriedade exclusiva dos capuchinhos em 12 de janeiro de 1921.
Sobre a colaboração dos capuchinhos com Pe. Fronchetti, a fim de ele poder dedicar-se quase exclusivamente ao jornal, diz Frei Bernardino d’Apremont (1976, p. 163): "Desde 1896, quando os padres freis Bruno de Gillonnay e Leão de Montsapey se estabeleceram em Conde d’Eu, o Pe. João Fronchetti sempre foi nosso amigo fiel, e nós, seus colaboradores, tanto nos dias ensolarados como nos dias nublados. Sempre procuramos prestar serviço a todas as paróquias coloniais, contudo nossa preferência era por Conde d’Eu. Desde 1909, quando Fronchetti adquiriu o jornal, esta união permitiu que ele se consagrasse quase exclusivamente ao jornal, o mais difundido de toda a região italiana, e às suas duas pregações dominicais na Matriz. O restante do ministério, em sua vasta paróquia, está mais ou menos conosco, em pleno entendimento com ele. Seu principal colaborador é o Pe. Frei Miguel des Mollettes, homem incansável que chega a queixar-se de não ter bastante trabalho, mas que nunca sabe queixar-se por ter demais."
Isolamento - Frei Bruno apresentara a Dom João Batista Scalabrini sua visão de imprensa católica, porque sabia que esta era também uma preocupação do fundador dos carlistas, com cuja congregação condividia o cuidado espiritual das colônias italianas. Talvez essa fosse também a preocupação do clero italiano, mas a realização vinha prejudicada pelo isolamento. É Pe. Carlos Porrini quem afirma:
"O ótimo clero rio-grandense das colônias italianas tinha um defeito naqueles anos de 1906-12: vivia muito isolado. A longa distância que separava uns dos outros desculpava este isolamento, nada favorável a uma boa organização católica. Sentiram fortemente alguns sacerdotes a necessidade de se conhecerem, de se unirem e de lançarem as bases de uma vasta ação católica. Foi então aceita a idéia de se fazer um congresso de todos os sacerdotes da região italiana, como faziam os alemães em suas colônias.
Em janeiro de 1912, no convento dos capuchinhos de Garibaldi, convergiam das colônias italianas 30 sacerdotes, entre seculares e regulares. Coordenador do encontro foi o Pe. Henrique Domingos Poggi, pároco de Bento Gonçalves, que tanto lutara por um congresso, auxiliado por seu secretário, Pe. Estêvão Minetti, jovem sacerdote genovês, de grandes capacidades. Trataram-se assuntos de renovação religiosa, firmaram-se bases mais adequadas para a ação católica, discutiram-se programas sociais em benefício dos colonos e, por fim, chegou-se ao tema da imprensa.
Alguns sacerdotes prontificaram-se a fundar um jornal genuinamente "católico e italiano", redigido com critérios modernos e batalhadores. E a ocasião se apresentou logo favorável. De fato, em 1912, quando o jornal "Bento Gonçalves", de Júlio Lorenzoni, cessou sua publicação, aparecia em seu lugar, numa apresentação bonita, nítida e altiva, o Corriere d’Italia, com um programa italiano e católico. Redator chefe era o Pe. Estêvão Minetti, escritor brilhante e valente. O novo semanário ganhou logo a estima geral, entrando também nas casas de quem estava longe da religião, levando-lhes vigoroso raio de fé.
Mas quando o Pe. Minetti deixou Bento Gonçalves, foi um duro golpe para o destino do Corriere. Havia adversários poderosos e não eram poucos! As finanças estavam lá embaixo. Os assinantes eram numerosos, mas os que pagavam, raros!
O Pe. Henrique Domingos Poggi, nestas tristes peripécias, bateu às portas dos missionários de São Carlos. E não foi em vão. O superior, Pe. Henrique Preti, não só concorreu com grande soma de dinheiro para sanar as finanças falidas, mas também colocou à disposição do Pe. Poggi um coirmão para tomar a direção do jornal. E mandou para lá o Pe. João Costanzo. Não podia ter feito escolha melhor! "Italianíssimo", tenaz, polêmico, vigoroso, escritor de estilo fácil, o Pe. Costanzo era um homem certo no lugar certo!
Em 1917, o Pe. João Costanzo, com a saúde um tanto abalada, deixou a direção do Corriere ao Pe. Carlos Porrini, que a manteve até 1921. Naqueles quatro anos, o jornal continuou a ser o verdadeiro jornal católico da colônia italiana, não obstante a surda e desleal luta que lhe era movida por inimigos, as cartas anônimas, as ameaças e calúnias que semanalmente chegavam à redação. Em 1918, a grande guerra terminava com a vitória da Itália e o Corriere d’Italia, em dias tão felizes, viu-se festejado inclusive por elementos heterogêneos!"
Fusão - Pe. Carlos Porrini prossegue: "Em 1920, tentou-se uma fusão da Staffetta com o Corriere, fusão desejada há muito tempo, inclusive por nós. Não se conseguiu nada, por ter faltado a vontade sincera e séria da outra parte! Em 1921, o Pe. Carlos Porrini deixou o Corriere, sucedeu-lhe como diretor o Pe. José Foscallo que, com boa vontade, insistiu na fusão dos dois jornais. Cessadas as causas passadas que o impediam, apaziguados os ânimos após a Grande Guerra, amortecidas as tensões, foi fácil realizar o sonho de todos os que desejavam o bem. Assim, de comum acordo, o Corriere d’Italia cessava as suas publicações e o Staffetta Rio-grandense, dos capuchinhos, continua ainda hoje a sua missão de jornal católico, sempre favorecido pelos missionários de São Carlos."
O Corriere d’Italia foi vendido pela Congregação dos Carlistas aos Capuchinhos por entendimento entre os dois ministros gerais, depois de ouvidas as duas partes interessadas. Assim o Staffetta assumiu os assinantes do Corriere e circulou com os dois nomes em nove edições, durante dois meses, de 6 de julho a 31 d agosto de 1927, trazendo nessas edições uma nota explicativa aos assinantes dos dois veículos sobre a fusão. Após esse período, circulou unicamente com o nome de Staffetta Rio-grandense. Pe. Foscallo tinha ordem de seu Geral de vender o jornal aos Capuchinhos. Os trâmites da fusão e venda, segundo documentação existente na Cúria Geral dos Carlistas, em Roma, decorreu de forma normal, apenas acenando-se, em uma carta, que os capuchinhos, talvez porque sabiam da ordem de fusão e venda, queriam pagar o preço que bem entendiam.
Vale, aqui, uma pergunta. Se a reunião do clero italiano se realiza no convento dos capuchinhos, em Garibaldi, quando estes já eram colaboradores e co-proprietários de um jornal católico, somente caberia ao clero italiano apoiar o jornal existente. Contudo, um grupo decide pela publicação de outro jornal. As hipóteses explicativas são várias. Sabe-se que a posição política do Pe. João Fronchetti, tirolês, era abertamente favorável à Áustria, como também era evidente que o Corriere era favorável à Itália, e os capuchinhos, como contraponto, já haviam sustentado agressões do emissário da Italica Gens no Estado, Ranieri Venerosi Pesciolini, numa seqüência de artigos (1904), atacando a existência de clero "estrangeiro", isto é, não italiano, nas colônias italianas, com grotescas afirmativas como esta (Italica Gens, maio/dez. 1913):
"O que é mais estranho é que todos estes religiosos estrangeiros, instalados nas colônias italianas, como os franciscanos em Rodeio, os maristas em Garibaldi, os lassalistas em Caxias do Sul, os capuchinhos em Nova Trento e Alfredo Chaves, não obstante disporem de elementos italianos em suas casas da Itália, enviarem, para junto desses colonos italianos, religiosos alemães e franceses. Fui informado que isto se deve à divisão das Ordens em províncias monásticas, mas não se compreende como as sobreditas congregações não considerem a natural distribuição étnica da população nas colônias, causando, isto, graves inconvenientes. Estas congregações recrutam novos elementos entre os filhos dos colonos, mas, são educados com os princípios e sistemas não italianos e, com isto, o prejuízo, embora atenuado, não é eliminado, especialmente quanto aos interesses nacionalistas."
A linha pastoral dos capuchinhos se dirigia na ótica da inculturação, sem interesse pela francesização. Aliás, saíram da França não porque expulsos, como afirmava erroneamente Pesciolini, pois a lei da expulsão é do ministério Combes, dos anos de 1903-4, quando já estavam no Estado todas as congregações religiosas francesas e alemãs a que alude, exceto os Irmãos da Doutrina Cristã, que vieram em 1906-7. "Foi o zelo apostólico e, também, certo receio de expulsão, pois já estava em vigor a lei Waldeck-Rousseau de 1º de julho de 1901, que obrigava ao serviço militar, atingindo, porém, só as congregações masculinas, mas outras congregações também estavam nas mesmas condições e permaneceram na França. Embora convidadas por nós, permaneceram surdas aos nossos pedidos", diz Apremont (1976, p. 82-83).
Filosofia - A filosofia dos capuchinhos franceses era contrária a qualquer propaganda nacionalista, razão porque se poderia ponderar: o jornal que os padres fundam é católico, sim, mas não poderia ser o de Fronchetti, que era até cônsul honorário da Áustria, já que eles queriam um jornal católico italianíssimo. E os capuchinhos estavam atentos a esta característica do jornal, inclinado aos interesses da Áustria, tanto assim que, ao assumirem a direção, mudam-lhe o nome, o que não podiam fazer antes como simples colaboradores.
Rizzardo (1990, p.191), referindo-se ao Pe. Carlos Porrini, diz: "Por fidelidade histórica, importa aprofundar um pouco mais o assunto e ver o que possa se esconder atrás das palavras do Pe. Carlos. Levado por um exacerbado sentimento de nacionalidade, sobretudo durante a primeira guerra, havia impresso ao jornal um forte conteúdo patriótico italiano, combatendo tenazmente o jornal de Garibaldi, por ele denominado II Colono Austriaco. O Pe. Porrini fazia questão de ser e definir-se italianíssimo. Daí as ameaças e calúnias contra o Corriere. "Outro aspecto por ele não mencionado é sua saída de Bento Gonçalves! Apesar de respeitado e admirado pelo povo, foi acusado por seus próprios confrades de ter acabado com as finanças do jornal e de nada se importar com o sustento da congregação. Por isto, foi obrigado a ceder a direção do semanário ao Pe. José Foscallo, que chegou para sanar uma situação que em nada ajudaria à fusão dos dois jornais, mas significaria, como de fato aconteceu, a morte pura e simples do Corriere."
Jornal seguiu o imigrante italiano
Ao assumirem a direção de Il Colono Italiano, em 1917, os capuchinhos trocam o nome por La Staffetta Rio-grandense, nome que só vai ser mudado com a obrigação de publicá-lo em português, em 10 de setembro de 1941, quando passou a circular em português com o nome Correio Riograndense, conservado até hoje. Anteriormente, era publicado em italiano, com alguns textos em português e, esporadicamente, em vêneto, lombardo, trentino ou friulano.
O jornal foi impresso em Garibaldi até 1952, quando foi transferido com a tipografia para Caxias do Sul. De 1970 a 1995 foi impresso em duas cores, formato tablóide. A partir de 1995, circula em policromia e é distribuído através de uma rede de mais de 1.300 agentes credenciados.
"O Correio Riograndense", diz frei Moacir Pedro Molon, "identificou-se com a caminhada da imigração italiana no Sul do Brasil. Por isto, a linha editorial privilegia temas como agricultura, economia agrícola, economia doméstica, religião, valores da cultura popular, ecologia, medicina natural, além de cobertura informativa dos municípios da área de circulação. A temática eclesial recebe tratamento específico. A credibilidade junto aos leitores é o patrimônio que mais orgulha o Correio Riograndense."
Com assinaturas no Brasil e no Exterior, o jornal circula mais intensamente nos Estados do Rio Grande do Sul (127 municípios), Santa Catarina (64 municípios) e Paraná (35 municípios). Dos jornais circulando no Rio Grande do Sul, o Correio Riograndense é o 5° mais antigo, e o único que apresenta 96 anos de edição ininterrupta.
Trajetória marcada por períodos de
fortes polêmicas e muitas dificuldades
No arquivo provincial dos capuchinhos, em Caxias do Sul, encontra-se o seguinte manuscrito de frei Caetano Angheben, relatando a trajetória do Correio Riograndense:
"Nascido com o nome La Libertà, o nosso jornal tomou o nome de Staffetta Rio-grandense a 5-7-1917. Fundado em Caxias, seu 1° número apareceu em 13-2-1909. Seu primeiro diretor e proprietário foi o Pe. Cármine Fasulo. Três meses depois, ao n° 13, a direção passou ao Pe. Francisco Baldassare, que substituiu também ao Pe. Cármine à testa da paróquia de Caxias."
"Cinco meses depois", prossegue frei Caetano, "surgiu violenta polêmica nas páginas do jornal entre o Pe. Cármine e Pe. Francisco, por motivos administrativos e pessoais. A polêmica durou pouco e, no dia 11-12-1909, Pe. Cármine reassumia a direção do jornal.
La Libertà estava para fechar. Alguns párocos se uniram e o então pároco de Garibaldi, Pe. João Fronchetti, auxiliado pelos capuchinhos e por dois líderes católicos, Dr. Adolfo Moreau e Giovanni Carlotto, adquiriram o jornal e o transferiram para Garibaldi.
Em 10-01-1910, o n° 45 do jornal já é impresso em Garibaldi e o Pe. João Fronchetti é seu diretor. Objetivando quase fazer esquecer alguns dolorosos acontecimentos, o novo diretor mudou o nome para II Colono Italiano. A vida do jornal continuou tranqüila até 1917."
Segundo ainda frei Caetano, "Pe. João Fronchetti nasceu na região de Trento, pertencente à Áustria. E isto era visto como grave pecado por parte dos italianos, naqueles borrascosos dias da Grande Guerra de 1914-18. O diretor teve enormes dificuldades para manter o jornal, tanto mais que na vizinha Bento Gonçalves era publicado Il Corriere d’Italia, dirigido pelos Padres Carlistas, que não perdia a ocasião de alfinetar a Il Colono Italiano. Em 17-04-1917, o Brasil rompeu as relações diplomáticas com a Alemanha e a Áustrria. Aumentaram as dificuldades para o jornal. Foi, então, realizada uma reunião entre os seus quatro proprietários. O Dr. Adolfo Moreau assumiu a direção, mas na realidade o jornal continuava sendo dirigido pelo Pe. Fronchetti.
O 1° número publicado sob a direção de Moreau estava rodando em 20-4-1917. A impressão não havia acabado quando correu a notícia de que o Dr. Adolfo Morreau era o diretor. Os assinantes resolveram devolver o jornal, pois Moreau não era simpático para eles. Foi necessário esconder os exemplares impressos e os proprietários convidaram o italianíssimo Agostinho Mazzini para assumir o cargo. A edição de 20 de abril de 1917 circulou com o nome de Mazzini.
A calma durou pouco. Amigos do novo diretor diziam que ele era testa de ferro de um jornal anti-italiano. As ironias conseguiram o efeito. Agostinho Mazzini pediu demissão, exigindo que Pe. João Fronchetti desmentisse notícias publicadas. O padre recusou e Mazzini foi à justiça, visando à suspensão definitiva do jornal. Foi convocada uma reunião, pois os proprietários não consentiam que o jornal parasse assim tão estupidamente. E o jornal continuou a circular, sem diretor, sob a denominação de La Staffetta Rio-grandense (em 5-7-1917). Dr. Adolfo Moreau e Carlotto venderam, pouco depois, suas partes e, em fevereiro de 1921, o próprio Pe. Fronchetti retirava-se, deixando o jornal com os capuchinhos, na pessoa de Frei Bruno de Gillonnay, superior do Comissariado. Frei Caetano Angheben foi encarregado do jornal, assumindo no início de agosto de 1924. Logo a seguir assumiu a direção o frei Paulino Bernardi, autor de Nanetto Pipetta e, mais tarde, frei Bernardo de Puigros. Terminada a Grande Guerra, tendo desaparecido o Corriere d’Italia, de Bento Gonçalves, La Staffetta firmou-se, conseguindo uma tiragem de 9 mil exemplares" (Angheben, Correio Riograndense, 25-4-1984, p. 29).
Referências bibliográficas
APREMONT, Bernardin d’, GILLONNAY, Bruno de. Comunidades indígenas. brasileiras, polonesas e italianas no RS. Porto Alegre: EST, 1976.
GILLONNA Y, Bruno de. "Vinte e cinco anos dos capuchinhos franceses no Rio
Grande do Sul."In: APREMONT, Bernardin d’, GILLONNAY, Bruno de. Comunidades indígenas. brasileiras, polonesas e italianas no RS. Porto Alegre: EST, 1976, p. 223-248.
RIZZAROO, Redovino. Raízes de um povo. Porto Alegre: EST, 1990.
CORREIO RIOGRANDENSE. Números citados.
Metade dos católicos está na América
África registra maior
crescimento no número
de fiéis no mundo
O número de católicos aumentou no mundo. Em 2003 havia 1,086 bilhão de fiéis batizados, 15 milhões a mais que no ano anterior. A metade deles vivia no continente americano. Os dados são do Anuário Pontifício 2005, divulgados pela Santa Sé na segunda, 1º de fevereiro. O panorama da igreja foi apresentado ao papa João Paulo II, no dia em que foi hospitalizado, pelos membros do Departamento Central de Estatística da Igreja.
Conforme o documento do Vaticano, enquanto na África registra-se crescimento de 4,5% de fiéis, na Europa ocorre situação de estabilidade. Já na Ásia o percentual de aumento no número de católicos é de 2,2%; na Oceania, de 1,3%; e na América, de 1,2%.
A leitura dos dados sobre a distribuição dos católicos nas diferentes áreas geográficas revela que a América reúne 49,8% dos católicos de todo o mundo, enquanto que a Europa possui apenas 25,8%. Percentagens menores se encontram na África (13,2%), Ásia (10,4%) e Oceania (0,8%).
Sacerdotes - Em 2003, os sacerdotes eram 405.450, dos quais, 268.041 são membros do clero diocesano e 137.409 do clero religioso. Em 2002, eram 405.058 divididos em 267.334 diocesanos e 137.724 religiosos. O número total de sacerdotes em 2003 com respeito a 2002 aumentou, portanto, 392 unidades, um aumento de 707 no clero diocesano e uma queda de 315 no religioso.
As ordenações sacerdotais foram 9.317 em 2003, enquanto que no ano precedente foram 9.247. As diocesanas passaram de 6.534 em 2002 para 6.582 em 2003, e as religiosas, de 2.713 para 2.735.
Segundo o estudo, diminuiu o número das vocações. O número de seminaristas inscritos nos seminários de filosofia e teologia passou de 112.643 em 2002 para 112.373 em 2003.
O maior número de seminaristas se encontra no continente americano, onde há 37.191. Segue depois Ásia com 27.931. A Europa aparece com 24.387, África com 21.909 e, por último, Oceania com 955 seminaristas.
Bispos - No ano 2003, o Papa João Paulo II erigiu 10 novas sedes episcopais e um vicariato apostólico4. Constituíram-se, no período, seis sedes metropolitanas. No total, nomeou 171 bispos.
O Anuário Pontifício, volume de mais de 2.100 páginas, recolhe entre suas páginas os nomes e dados essenciais de todos os bispos e dioceses da Igreja Católica, assim como os das pessoas que trabalham nos organismos da Santa Sé, congregações religiosas, instituições eclesiásticas educativas etc.
Renúncia e nomeação de bispos no Brasil
O papa João Paulo II acolheu o pedido de renúncia apresentado por Dom Pedro Casaldáliga e nomeou bispo da Prelazia de São Félix do Araguaia (MT) frei Leonardo Ulrich Steiner, vigário da paróquia Senhor Bom Jesus dos Perdões, arquidiocese de Curitiba (PR). Catalão de Balsareny, Casadáliga tornou-se mundialmente conhecido em razão de suas lutas em defesa das minorias no Araguaia, durante a ditadura militar.
Frei Leonardo nasceu em Forquilhinha (SC), em 6 de novembro de 1950. Ingressou no noviciado da Ordem dos Frades Menores em Rodeio (SC), em 1972. Foi ordenado sacerdote em 1978 pelas mãos do Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns.
O Papa acolheu também o pedido de renúncia de Dom Domingos Gabriel Wisniewski e nomeou bispo da diocese de Apucarana (PR) Dom Luís Vincenzo Bernetti. Dom Luís nasceu no dia 24 de março de 1934, na Itália. Foi ordenado presbítero em Fermo, Itália, em 1958. Sua ordenação episcopal aconteceu em Ampére (PR), em 1996.
Padre Zezinho
Bom é ouvir um jogador
que preza mais sua família
que seu futebol
Foram trinta tentativas até que eles acertaram. Passaram a bola um para o outro, driblaram aquele adversário, tomaram a bola, tomaram a passar, atrasaram, lançaram mais à frente, chutaram fora. Repetiram tudo, bateu na trave; o goleiro defendeu. Isso, mais de doze vezes. Perseguiram, perseguiram, até que trinta e sete minutos depois, um deles conseguiu pôr a bola entre aquelas três balizas. O público foi ao delírio, eles se abraçaram e rolaram no chão. O time tinha um chance. Se o outro não fizesse um gol, eles seriam campeões, ganhariam pontos, poderiam valorizar mais os seus jogos; os jogadores poderiam, quem sabe, ser contratados e ganhar mais dinheiro. Enfim, custou, mas acertaram!
A maioria dos jogos é por tentativas, até que alguém acerte. Assim é no jogo de cartas, no futebol, no basquete, no vôlei. Nós não nos damos conta, mas eles imitam o jogo da vida; que é feita de muitas e muitas tentativas, até que o acerto é definitivo, porque vale um campeonato.
Infelizmente muitos que conseguem acertar dentro daquela cesta e daquelas traves, nem sempre acertam na vida. Chutam mais fora do que dentro. Vale dizer que não adianta aquele sujeito ser tão bom fazendo gols e acertando tanto aquela cesta, se não acerta uma em casa com a mulher e com os filhos. Melhor é ouvir os jogadores que prezam sua família mais do que o seu futebol. Morrem de saudade de casa enquanto treinam e perseguem aquela bola, que fará o povo se divertir. Há um pouco de artista de circo em cada jogador de futebol. Malabarista da bola, ele alegra milhões de pessoas. Mas o jogo mais sério é o que eles jogam para a sua família e para seus filhos. Podem até perder no campo, mas não em casa. Lá, tem que dar certo! Foi o que ouvimos de muitos deles na última Copa do Mundo. De todos os gols que fizeram, este foi o mais bonito! Sua declaração de amor pela esposa e pelos filhos. Valeu, moçada!
Fé e chuva marcam Romaria Votiva
Dez mil agricultores
estiveram em Caravaggio
pedindo fim da estiagem
Como no longínquo 2 de fevereiro de 1899, a 105ª Romaria Votiva a Caravaggio contou com a presença da chuva. Neste ano, o evento, realizado em Farroupilha, quarta-feira, 2, foi motivado pelo tema "Maria, fonte de água viva". Mais de cinco mil agricultores da região participaram das missas, da caminhada e da procissão motorizada.
A estiagem que castiga o Estado serviu para os devotos participarem da romaria penitencial ao Santuário Nossa Senhora de Caravaggio, no mesmo local onde acontece, anualmente, a tradicional Romaria de Caravaggio. Os agricultores reuniram-se para louvar e bendizer ao Senhor pelas colheitas, suplicar bom tempo e pedir pelo seu trabalho diário na propriedade.
Durante a procissão, a chuva fina caía molhando os fiéis. Porém, o clima não provocou queixas. "É uma bênção", resumiu o agricultor José Girelli, 43 anos, de Monte Bérico, 2º distrito de Farroupilha. Junto com a família produz uvas, milho e alho. "Tivemos perdas em todas as culturas, em média 40%", relata ao CR.
Assim como Girelli, Cleonice Merlin Basso, 34, também de Monte Bérico, contabiliza perdas ao redor de 50% nas frutas. "Tem pé de quivi com 15 anos murchando", afirma. "Eu tenho 64 anos e nunca presenciei situação igual a que estamos vivendo", emenda a agricultura Angelina Fontanelle Pasa, da capela São Marcos.
Os depoimentos dos agricultores se assemelham; as perdas na produção agropecuária, também. Mas, em meio às peripécias climáticas, o bispo diocesano, Dom Paulo Moretto, que celebrou a missa campal, às 10 horas, ressaltou que o produtor rural é um homem que tem esperança "mesmo em meio às adversidades."
Procissão – Logo após a missa campal, agricultores conduziam dezenas de tratores e máquinas agrícolas. Juntamente com o maquinário, foi organizado, pelo segundo ano consecutivo, o desfile de carros alegóricos, retratando as atividades rurais dos colonizadores italianos na época da realização da 1ª Romaria Votiva. "A procissão motorizada é denominada Encontro de Agricultores", informa Oscar Três, um dos organizadores.
Histórico – O verão e a primavera de 1898 foram implacáveis com os agricultores da Serra gaúcha, muitos recém-chegados da Itália. Foram seis meses de seca. A fé fez a diferença. Um ano depois, em 2 de fevereiro, os moradores participaram de uma romaria a Caravaggio. No mesmo dia, os que foram ao santuário pisando no pó, voltaram enlameados.
Durante a missa das 10 horas começou a chover torrencialmente. Surgiu, então a motivação para a Romaria Votiva. No ano de 1902 padre Henrique Poggi e a população regional fizeram o voto de recordar aquela graça. Desde então, o gesto se repete há 104 anos.
Bom Princípio festeja 125 anos de paróquia
Dom Jacinto Flach, bispo auxiliar da Arquidiocese de Porto Alegre, abriu no sábado, 5, o jubileu dos 125 anos da Paróquia Nossa Senhora da Purificação de Bom Princípio. Aproveitando a data, o bispo comemorou seu primeiro ano de bispado. "A programação segue até o final do ano", diz o pároco, padre Leonardo Reichert.
Já no dia 13, Dom Jacinto participa de atividades de construção da igreja do Morro São Pedro, cuja área foi doada pela família do bispo. No dia 27, padre Silvino Ahrnold festeja 75 anos de ingresso na congregação jesuítica, na capela São José Operário (Morro Tico-Tico), junto a familiares e irmãos jesuítas.
Frei Sylvio Sofiati morre aos 82 anos
Faleceu no dia 20 de janeiro, de falência múltipla dos órgãos, o frei capuchinho Sylvio Miguel Sofiati (foto). Ele estava internado no Hospital de Goiânia desde dezembro e mesmo sabendo-se canceroso, vivia alegre e dedicava boa parte de seu tempo para escrever poemas.
Frei Sylvio Miguel Sofiati, ou frei Pascásio, nasceu em Nova Araçá (RS) em 20 de agosto de 1922. Cursou o Seminário Seráfico São José, de Veranópolis; fez o noviciado no Convento Sagrado Coração de Jesus, de Flores da Cunha; cursou Filosofia no Convento São Boaventura, de Marau, e Teologia no Convento São Francisco, de Garibaldi, onde foi ordenado sacerdote em 18 de julho de 1948.
Frei Sylvio teve atuação destacada em várias missões. Entre elas, foi professor e diretor espiritual no Seminário Diocesano de Caxias do Sul (1949-1952), diretor do Seminário Seráfico N. Sra. de Fátima, de Ipê, pároco de Tupanci-RS (1954-61) e diretor da Escola Superior de Teologia São Lourenço de Bríndise, em Porto Alegre. Desde 1967, integrava a Província dos Capuchinhos do Brasil Central, onde foi vigário paroquial em Brasília.
"Era uma figura tranqüila, um educador que, conhecedor das diferentes correntes pedagógicas, sempre optava pela persuasão e compreensão", testemunha frei Alfredo Sganzerla.
Aldo Colombo
Não está ao nosso alcance um
tratado de paz mundial, mas
podemos promover o
diálogo, a justiça e a
solidariedade
Senhores do mundo, os romanos antigos inventaram uma justificativa para suas conquistas: se queres a paz, prepara a guerra. Para eles, a única paz possível era a do inimigo vencido, a famosa paz dos cemitérios. Mas a receita romana nunca deu certo, nem antes, nem depois de Roma. Um cuidadoso levantamento feito revela que dos últimos 5,6 mil anos de história, apenas 292 foram relativamente tranqüilos. Foram pequenas ilhas de paz em meio a 14,5 mil guerras que mataram cerca de 4 bilhões de pessoas. Coube ao século XX inaugurar a Guerra Mundial, uma guerra feita para acabar com todas as guerras.
E as guerras não acabaram. E as guerras nunca prepararam a paz. Pelo contrário, cada tratado de paz traz as sementes de uma nova guerra. O saudoso Papa Paulo VI teve uma visão bem mais lúcida do processo histórico: Se queres a Paz, prepara a Justiça. Enquanto não semearmos a justiça, não brotará a árvore da paz. E as guerras continuarão até mesmo em nome Deus, o que é a mais terrível blasfêmia, usada ultimamente, nas duas pontas do eixo Washignton - Bagdá.
A Campanha da Fraternidade 2005, com características ecumênicas, está voltada para a paz. Paz que não é ausência de guerra, mas a Paz Bíblica, o shalon, que é a plenitude de todas as bênçãos do Senhor. O termo aparece nada menos de 239 vezes nas Escrituras e significa: bem-estar, felicidade, saúde, segurança e relações sociais equilibradas. Significa ainda harmonia consigo mesmo, com o próximo e com Deus.
O tema é atual, pois dezenas de guerras - declaradas ou não - estão em curso hoje no mundo. Os gastos militares, a cada ano, superam a casa dos 960 bilhões de dólares, o que representa 30 mil dólares por segundo. Para cada dólar que as Nações Unidas investem na paz, dois mil dólares são direcionados para a guerra. E isto não trouxe felicidade sobre a terra.
Não está ao nosso alcance um tratado de paz mundial. Mas está ao nosso alcance um tratado de paz em nosso coração. Está ao nosso alcance promover o diálogo, justiça e a solidariedade em nossa família, em nossa rua. A Campanha da Fraternidade nos pede promover a paz por todos os meios, de todas as maneiras. A matéria-prima da guerra é o ódio, a matéria-prima da paz é o amor.
Como em muitas outras áreas, São Francisco de Assis é modelo na busca da paz. Isto significa apostar no amor, na fé, na alegria, no perdão. Ele conseguiu a paz e a reconciliação com o "irmão lobo". Este lobo está dentro de nós. Ele foi excluído, mas nunca excluiu a ninguém.
Paz é o tema da Romaria de Ibiaçá
Mais de 120 mil pessoas
devem visitar o santuário
dias 26 e 27 de fevereiro
A 53ª Romaria em honra a Nossa Senhora Consoladora de Ibiaçá realiza-se nos dias 26 e 27 de fevereiro de 2005. A romaria possui como tema: "Mãe Consoladora, teu Menino é nossa paz". A programação inicia com novena dia 18, às 19h30, e seu encerramento será dia 26, às 19h30, com celebração eucarística e procissão luminosa.
No dia 27, domingo, as celebrações começam às 5h, depois prosseguem de hora em hora. A partir das 10h, missa no Altar Campal. Às 15h30, bênção da saúde, objetos religiosos, procissão e consagração a Nossa Senhora. As confissões e bênçãos serão realizadas todos os dias no Salão Paroquial, ao lado do Santuário.
No ano passado, 120 mil romeiros de vários Estados e até do exterior visitaram Ibiaçá para celebrar Nossa Senhora Consoladora. "Para o evento deste ano, estamos aguardando 10% a mais de fiéis", destaca o pároco, padre Edson Priamo. De acordo com o pároco, a cada ano o número de romeiros tem crescido, em média, 10%.
Paróquia de São Valentim festeja 60 anos
No próximo dia 20, a Paróquia de São Valentim do Sul (RS) festeja 60 anos de fundação. Estão programadas a Pastoral da Acolhida, com visita às famílias do município e missões do Sagrado Coração de Jesus, e jornadas eucarísticas. O pároco, padre Guerino Germano Piccini, está mobilizando a comunidade. Os moradores estão fazendo o resgate histórico e recolhendo testemunhos dos mais idosos para marcar a celebração. A criação da paróquia foi autorizada por dom João Becher, em 1945. O primeiro pároco foi padre Luiz Miguel Petry, encarregado de organizar o lugar, chamado de São Valentim do Pinhal Alto. (Bruno Benvegnu, agente CR)
Festa da Gruta destaca as missas encenadas
A 63ª Festa Nossa Senhora de Lourdes está movimentando Veranópolis. Tradicional na região, o evento busca aproximar as pessoas com gestos de solidariedade e convivência. Terá seu ápice dia 11, cujas missas (7h, 8h, 10h30 e 18h) serão celebradas com encenações, canções e jogo de luzes.
As comemorações da Festa da Gruta foram marcadas por novenas, que iniciaram dia 2 e encerram nesta quinta, 10. A abertura contou com a presença do bispo diocesano, dom Paulo Moretto.
Além das missas, no domingo, 10, tem almoço típico, quermesse no salão paroquial. Às 21 horas, acontece a apresentação de bandas locais. Os freis Álvaro Bordignon (pároco) e José Rizzi estão à frente das atividades religiosas.
Gafanhotos - Em outubro de 1905, nuvens de gafanhotos arrasaram as lavouras. O então Vigário, frei Fidélis de Lamotte Servolise, propôs erigir uma gruta em louvor a Nª Sª de Lourdes. O local foi inaugurado em 8 de setembro de 1906.
Wilson João
O mundo precisa, urgentemente,
de uma cultura de paz onde
tudo e todos tornam-se irmãos
Iraque, Haiti, Estados Unidos... nações em guerra. PP, PT, PMDB... partidos em guerra. Médicos, advogados, políticos, professores... categorias em guerra. Pais, avós, tios, primos, netos... em guerra na disputa de heranças e de poder. Silveira, Montanha, Pereira, Colombieski... vizinhos fechando portas e janelas uns para os outros. Há muita paz, mas há muitas guerrinhas que deixam a paz em constante ameaça.
NOSSOS OLHOS SE ALIMENTAM DE GUERRAS. Quem não assiste, quase diariamente, filmes de guerra e filmes policiais, onde a arma é o instrumento mais usado? Quem não assiste, quase diariamente, novelas cheias de discussões, brigas, gritarias e disputa pelo poder? Qual é a criança e adolescente que não fica horas e horas vendo videogame de luta, onde o bem e o mal estão em constante luta, ou assistindo a desenhos animados em televisão, onde a destruição um do outro é o roteiro mais comum? Quem não critica, mas fica vidrado em noticiários que falam de desgraça e trazem na tela somente os fatos de acidentes e mortes que acontecem nas ruas? Qual é o jovem que não está ligado à sua gangue e à sua cervejinha, virando a noite, em constante guerra com seu corpo, com o ambiente e com os sonhos que são embebedados de álcool? É a cultura da guerra em oposição à cultura da paz.
PAZ, CAMINHO QUE SE FAZ. No meio desse ambiente de guerra que cria o cansaço, o desgosto de viver e o desgaste da energia pela criação contínua de conflitos, é preciso criar uma cultura de paz.
PAZ COM A VIDA. Amar a vida. Aceitar a vida. Cultivar e preservar todo sinal de vida. Ser sempre a favor da vida. Ser do partido da vida. Opor-se a toda iniciativa que conduz à morte.
PAZ CONSIGO MESMO. Gostar-se. Sentir-se feliz por existir. Sentir-se um privilegiado por ter nascido, por estar existindo e por ter um destino de vida eterna. Sentir-se bem. Conversar consigo. Sonhar vida melhor. Planejar-se para ser mais maduro, dono das emoções e dos sentimentos. Vida em paz.
PAZ COM TODOS. Todos irmãos. Iguais. Aceitação de todos. Oferecer o amor a todos. Ser de paz com todos. Diálogo. Generosidade. Dedicação. Entrega de vida por amor.
PAZ COM O MUNDO. Tudo e todos irmãos e irmãs. Criar o paraíso. Ser fraterno. Criar laços com cada ser deste universo. Criar o paraíso que a Bíblia fala. Todos convivendo em paz. Entrar no caminho daquele que diz: "Eu sou a paz... Eu vos deixo a paz". Hoje, vamos começar uma cultura da paz. Eu e você.
Sete capuchinhos celebram Jubileu de Ouro sacerdotal
Concelebração de ação
de graças será no dia 13,
em Flores da Cunha
A caminhada vocacional de nove freis capuchinhos iniciou no Seminário São José, de Veranópolis, a partir de 1940. Eles prosseguiram seus estudos no Seminário São Luiz de Ipê, entre 1945 e 1947. O mesmo grupo dedicou-se, em 1948, à formação espiritual e franciscana, com o noviciado, no Convento Sagrado Coração de Jesus, em Flores da Cunha. Na seqüência, realizaram os estudos de filosofia no Convento São Boaventura, em Marau, de 1949 a 1951. De 1952 a 1954, iniciaram os estudos de teologia no Convento São Francisco de Assis, em Garibaldi, e concluíram no Convento São Lourenço de Bríndisi, em Porto Alegre, em 1955.
As ordenações presbiterais foram realizadas em datas e locais diferentes, mas os nove que percorrem juntos a trajetória de formação foram ordenados. A partir de então, cada um seguiu seu caminho, uns permanecendo na Província dos Capuchinhos do Rio Grande do Sul, outros deslocando-se para atuar na Província do Brasil Central, que abrange Brasília, Goiás e Mato Grosso do Sul. Mas todos permaneceram fiéis aos limites do mapa da Ordem. No próximo domingo, 13, na matriz de Nossa Senhora de Lourdes, em Flores da Cunha, às 10h30, haverá uma concelebração eucarística para marcar o jubileu de ouro de vida sacerdotal de sete dos nove capuchinhos que iniciaram juntos a caminhada. Dois deles faleceram: frei Eurico Bolzan, em novembro de 1988, aos 59 anos de idade, e frei Marcelino Costella, em agosto de 1982, aos 53 anos.
Entre os jubilados estão o bispo emérito dom frei Osório Bebber, que foi ainda ministro provincial dos capuchinhos de 1973 a 1975, e o arcebispo emérito dom frei Clóvis Frainer, que também foi ministro provincial, de 1967 a 1969. Além deles, completam 50 anos de vida sacerdotal os freis capuchinhos Davi Durante, Jenésio Pereira da Silva, Leônidas Salvador, Martinho Rigotto e Sylvio Giocondo Dall’Agnol.
Em meio século de vida sacerdotal, esses capuchinhos atuaram em dezenas de municípios brasileiros, alguns executaram tarefas em outros países. Todos destacaram-se à frente de grandes projetos educacionais, pastorais e sociais. Eles ajudaram na formação religiosa e cultural de um número incalculável de fiéis.
DOM CLÓVIS FRAINER
Nasceu: 23/03/1931,
em Veranópolis
Ordenação Sacerdotal:
27/03/55, em Porto Alegre
Ordenação Episcopal:
09/04/78, em Veranópolis
Arcebispo Emérito:
28/11/2001
Endereço atual: Marau (RS)
DOM OSÓRIO BEBBER
Nasceu: 11/06/1929,
em Flores da Cunha
Ordenação Sacerdotal:
13/02/55, em Flores da Cunha
Ordenação Episcopal:
02/03/80, em Flores da Cunha
Bispo Emérito de Joaçaba: 09/04/2003
Endereço atual: Vacaria (RS)
FREI JENÉSIO P. DA SILVA
Nasceu: 15/08/24, em Vacaria
Ordenação Sacerdotal:
18/12/54, em Bom Jesus
1ª Missa Solene: 26/12/54,
em Vacaria
Atualmente é Vigário Paroquial na Paróquia São José,
bairro Fragata, em Pelotas (RS)
FREI MARTINHO RIGOTTO
Nasceu: 17/04/28,
em Caxias do Sul
Ordenação Sacerdotal:
08/12/54, em Caxias do Sul
Atuação: de 1956 a 1977
na Província do RS. Após, na
Província Brasil Central
Endereço atual: Goiânia (GO)
FREI DAVI DURANTE
Nasceu: 21/08/28, em Marau
Ordenação Sacerdotal:
08/12/54, em Caxias do Sul
1ª Missa Solene: 06/01/55,
em Marau
Atuação: RS e desde 1960
em Brasília, GO e MS
Endereço atual: Rio Verde (MS)
FREI SYLVIO G. DALL’AGNOL
Nasceu: 10/01/29, em Paim Filho
Ordenação Sacerdotal:
13/02/55, em Flores da Cunha
Atuação: em vários municípios
e entidades do RS,
em Portugal e na África
Endereço atual:
Porto Alegre (RS)
FREI LEÔNIDAS SALVADOR
Nasceu: 21/08/29,
em Flores da Cunha
Ordenação Sacerdotal:
13/02/55, em Flores da Cunha
Atuação: Sananduva e S. João da
Urtiga e desde 1958, no Brasil Central
Endereço atual: Montevidiu (GO), onde é pároco
SEC fecha 45 escolas em 31 municípios
Os 385 estudantes
serão transferidos
a escolas próximas
Trinta e um municípios gaúchos perderam 45 escolas, que tinham de um a 18 alunos. A Secretaria Estadual da Educação (SEC) anunciou na quinta-feira, 3, o fechamento das instituições. "As escolas não podiam continuar funcionando, por razões pedagógicas e econômicas", justificou o secretário José Fortunatti.
Na Serra, os municípios de Bento Gonçalves, Cotiporã, Garibaldi, Nova Araçá, Nova Bassano, Nova Prata, Veranópolis e Vila Flores tiveram 15 escolas fechadas, sendo quatro em Garibaldi, município que mais perdeu estabelecimentos de ensino do Estado.
Além do fechamento, outras 23 escolas terão redução de turno. Se havia poucos alunos pela manhã, eles estudarão à tarde. De acordo com o secretário Fortunatti, os 385 estudantes das escolas extintas serão transferidos para colégios maiores da mesma comunidade. "Os 62 professores e 49 funcionários também serão remanejados", garantiu.
Diagnóstico – A SEC avaliou as pequenas escolas gaúchas e concluiu que 567 têm menos de 50 estudantes. Elas estão em 235 municípios e reúnem 11.286 alunos. Para o levantamento, foram avaliados todos os 567 educandários. Para fechar as 45 menores, usou critérios como ter outra escola na área, ouvir a comunidade e obter transporte para o aluno remanejado.
cultura da imigração
el ritorno de nanetto pipetta (295)
La vìsita al Vaticano e a La Piassa de San Piero
Rafael Baldissera
Professor, Curitiba - PR - Ilustrações de Vitória, Marina e Olívia Baldissera de Souza
In Vaticano, Edilson el spiega:
- La Cità del Vaticano la ze su un posto che antigamente i ghe ciamea Ager Vaticanus, vol dir, Campo Vaticano. La ze sercada de alte muràlie, che le gera la difesa de quel tempo. El Vaticano ze el stato independente pi pìcolo del mondo. El ze soto el governo dea Cesa Catòlica. El Papa el ze el Sefe dea Cesa e el ga pieni poderi: legislativi, esecutivi e giudissiàrii. El Vaticano el ze independente del Stato Italiano. El ga francoboli pròprii, anca el so giornal, l’Osservatore Romano. El ga un servìssio de polissia, che ze la Vàrdia Svìssera, che la esiste dal ano 500, che la protege el Papa. La farda dea vàrdia la ze stà disegnada ancora par Michelàngelo. Le vàrdie realmente le ze svìssere. El Vaticano el ga arquanti palassi ndove i reside i ambassiatori dei paesi con chi el mantien rilassion diplomàtiche. La Biblioteca del Vaticano la ga tuta la stòria dea Cesa, a partir dea fondassion. Giovani Paolo II el ze el 265° papa, partendo de San Piero, che ze stà el primo papa. Gesù el ghe gavea dito: "Tu es Petrus et super hanc petram edificabo Ecclesiam meam", vol dir - Ti te sì Piero e sora sta piera mi farò su la me Cesa. Sta frase la ze scrita tel alto dea Basìlica de San Piero, dea banda de rento. Dopo Edilson el ne invita a visitar la granda e famosa Piassa de San Piero e el contìnua la so spiegassion:
- La Piassa de San Piero la ze davanti la Basìlica e la ga la forma de na granda lisse de la qual el diàmetro pi grando el ga 240 m, progeto de Gianlorenso Bernini che, cole grande colonate, el ga volesto darghe na identità. Da ogni banda dea Piassa, quatro file de colone con 140 stàtoe colossali de santi. Tel sentro dea Piassa, ghe ze un obelisco ben alto, portà dal Egito par òrdine del Imperador Romano Calìgola e metesto tel Sìrcolo par Nero. Dopo la ze stà alsada tel sentro dea Piassa, in 1586.
- Mariavèrcore, fa squasi sinquessento ani che sta colona la ze lì in pié, sclama Nanetto!
Vita Stòria e Fròtole
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
Fioreti de stòria e de vita
Frei Gregório Bonato
Campo Grande-MS, sacerdote e escritor
1. De matina bonora, el impiegà de na asienda, un bergamasco, el va al secondo piano, el pulsa la porta del paron e el ghe dise: "Sior patrù, lèvate su de coel spussatòrio, mètete su le scalcapìstole, va zo per coela sculatòria, che la sgranfània la ga ciapà fogo el buricòcolo, e la ga dato fogo a la boémia."
De colpo, al aceno del impiegà, tuti dela asienda i se mete in movimento, ma el granaro (la boémia) el ga finio in sénere.
2. Ogni oselo tel so ramo. Cadauno el se meta in quel che’l capisse, parché se dise: "Nè coi preti, nè coi frati, nè coi mèdici, nè coi avocati no stè méterve in question, che res-tarè intrapolai."
3. El bon bivitor de vin – prima, durante o dopo el pranso – el leva su el bicer e soridendo el dise ai amici: "Vino vinarelo, come sei belo, per la tua condana va zo per coesta cana (gola)."
4. Mai sturbar la persona che ga bisogno de riposo, par questo che Toni Comparin el cantea: "Nò, nò, nò! Nò così non dà! El vècio Trivelin l’è pròprio mal ciapà."
5. Mai spetar el ben quando se fa el mal. El tatù imbroion el va rento el so buco indrio cul, parché el ga paura de perder el buricòcolo (la coa), parché el sa che’l ze imbroion. E le persone che fa el male, le pol ndar casa invanti o indrio, che le resta ciapade pal buricòcolo del rimorso del ànima.
6. Ricorda che la doménega ze el giorno del Signor, e el pàroco el ricorda: "Ciribiribin, doman ze festa, / Ciribiribin, non si lavora, / Ciribiribin, c’è tempo ancora / Ciribiribin, de lavorar."
7. Quando te sì in tola ricòrdate: "Chi ben beve, ben dorme; / chi ben dorme, mal non pensa; / chi mal non pensa, mal non fa; / chi mal non fa, in paradiso el va."
8. El presidente dea comission de na cesa el ze ndà domandar al vesco un determinado prete par la so cesa, parché tuti i lo cognossea e i lo catea un bonasso de un prete, ma el vesco el ghenà mandà unaltro. El presidente, cativo, el dise : "Vardè, gente, coel porco zio de un vesco el me ga mandà na òstia de un prete che no’l val na madona!"
9. Un talian, co na sbòrnia de no veder pi gnanca el scuro, el va casa a caval, de note. Prima de rivar casa, el casca del caval. El caval el va casa sensa so paron, che, pimpianin el ze levà su, el se ga messo a cavaloto dea taipa e, col scurieto che’l se ga tegnesto in man, e le spore dei stivai, el dea scuriade e el metea le spore tei sassi dea taipa, pensando fusse el so caval, fin che’l ze cascà tel altra parte del potrero, e el se ga messo a dormer rente na porca de late, coi so diese porcheti. El se ramena de qua e de là, credendo esser tel so leto, co la so fémena. De colpo el stira le man, el ciapa tele tete dea porca, e el se strània, e el dise a la porca, pensando fusse la so dona: "Ciò, dona, dove ze che te ghè comprà sta botonera qua?"
10. Lì in Sananduva, in 1947, na dona, dopo tre o quatro gorloni de caciassa, fate le spese, la s’invia a ndar casa, dindolando per la strada. Stufa e con poca forsa, la ze ndada rento in cesa pregar. La va davanti l’altaro dea Madona, la se indenòcia, la leva su i oci, e la ghe dise: "Madona mia, el vostro nome ze Maria, el me nome anca ze Maria. El vostro fiol, poareto, i lo ga copà in crose, e el me fiol, i lo ga copà co na s-ciopetada. Quanti dolori par vu e anca par mi. Vidio, Madona, semo pròprio due done malciapae!"
La vita la ze un fior tel giardin del mondo e la fa sempre i so fioreti. Nantri semo i fioreti del Signor, dela grande pianta del suo amor!
Der Friedolin
Die Neujahrsbuwe
Wolfgang Hans Collischonn
Capef (Centro de Apoio a Pesquisas e Encontros Familiares) - Lajeado - RS
Wie ich noch 50 Joa jinga woa als ich heit sinn, un mei Eltere in dem Teil von São Bento wo heit Linha Primavera heest, gewohnt hon, do sinn ich drei Joa an Silvester mit de Neijahrsbuwe die ganz Nacht in de Pikod rumgeloof bis die Sunn am erschte Januar uff is gang. Mea harre en Bandoneomspiela , en Jachtgewea un en Zwerchsack dabei. Un de Oscar ("Ossi") Lenz hot voa jedem Haus de folchende Spruch auswennich ongesoot:
"Wir sind nun hierher gekommen wie wir es uns hatten vorgenommen zu Fuss und ohne Pferd mit Pistolen, Waffen, ohne Schwert der Weg war hart gefroren, sehr hart voll Schollen drum hoffen wir dieser Gang sei nicht verloren und sollte er verloren sein, so hätten wir Lust zu schlagen die Türe ein aber dieses soll doch nicht geschehen denn vor Freude können wir nicht mehr stehen drum wünschen wir euch, alt und jung, gross und klein.
Allen die in diesem Hause eingeschlossen sein gesundheit und ein langes Leben soll der liebe Gott euch geben soviel Haar am Pudelhund. Soviel Jahre wünschen wir euch noch gesund bis ein Blümlein wiegt ein Pfund. Bis ein Hase bringt ein Hund bis ein Mühlstein schwimmt über den Rhein so lang soll dieser gückwunsch bei euch sein unser Wunsch sei unverdrossen vater, Mutter, Sohn und Tochter sind eingeschlossen dann wünschen wir euch nicht alles zu teuer, dem Mädchen einen Freier dem Buben einen Schatz und jedem einen Platz und dem Vater nach dem Trinken keinen Kater und dann noch geschwind der hausfrau übers Jahr ein Kind das ist alles was ich euch wünschen kann drum Kameraden zieht die Hahnen an ein altes Jahr ist vergangen, ein neues Jahr wird angefangen neues Glück und neues Leben. Brüder! Lasst es Feuer und Musik geben."
Wann dea Spruch ufgesoot woa, eb das 10 Uhr, Mitternacht, ore 3 Uhr moints wo, is de Herr vom Haus komm un ingelod fa rinnsekomme. Dann hon mia de ganz Familie die Hand geb un viel Glick im Neie Joa gewinscht. Dann hot de "Ossi" noch folchende Spruch ufgesoot: "Guten Morgen im neuen Jahr, wir kommen bei euch zum Wünschen an es soll euch nicht erschrecken, wenn wir euch vom Schlaf aufwecken es soll euch auch nicht verdriessen, wenn wir euch das neue Jahr anschiessen denn der Tag ist heut, wo die Glocke das neue Jahr anläut friede und Freude, wünschen wir euch heute soviel Sterne am Himmel stehen, soviel Glück soll euch in diesem Jahr geschehen.
Wir sind nun hier auf Erden. Wer weiss, was dieses Jahr kann warden betet zu dem lieben Gott und ruft ihn an. Das ist der Herr, der euch beschützen kann es gebe Friede in diesem Haus, und für alle, die da gehen ein und aus und im Haus soll stehen ein schöner Tisch. Auf jeder Ecke ein gebratener Fisch in der Mitte guter Wein. Und der soll für die Neujahrskameraden sein.
Dann hot dea Bandoneumspiela noch en Walsa gespielt un all hon mitsammer getanzt. Iweral hot ma Wein ore Serronerschnaps kriet un von dene dicke herschondoss. Weche dene hatte mia de Swerchsack dabei! Dann hon mia uns bedankt un sin weitergang. Wir wünschen allen Lesern viel Gutes im neuen Jahr!
Resumo: Para quem entende o alemão "hunsrückisch", o professor e historiador Wolfgang Hans Collischon, de Lajeado (RS), conta belas recordações de sua e (nossa?) infância, ao relatar com propriedade o antigo hábito cultivado nas colônias alemãs (e também italianas) de se "anunciar o ano novo" de casa em casa durante toda a noite da virada de ano. (Fonte: Jornal O Informativo do Vale do Taquari - 31. 12.2004)
GERAL
Missa cantada abre Fecouva
Desfile alegórico faz
parte da programação
A Festa Colonial da Uva (Fecouva), em Otávio Rocha, Flores da Cunha (RS), será aberta no próximo dia 19, às 11 horas, e segue até 27 de fevereiro com programação especial. No dia da abertura, às 18 horas, haverá missa cantada pelo coral de Travessão Carvalho. À noite, às 20 horas, show com Os Bertussi no Parque de Exposições.
Em 20 de fevereiro, às 15 horas, desfile de carros alegóricos e motivos típicos, com distribuição de uvas, na avenida Uva Itália. Às 20 horas, o grupo Nenhum de Nós apresenta-se no Ginásio de Esportes Carlão. De 21 a 25, o parque abre às 15 horas e haverá diversos shows destacando o folclore gaúcho e italiano. Dia 26, às 20 horas, show de Vinícius e Mateus no Parque de Exposições.
O encerramento terá missa festiva, às 11 horas, com coral Nova Trento. Às 15 horas, desfile de carros alegóricos e às 21 horas, show de fogos de artifício.
Fenakiwi comercializa espaços
80% dos estandes
já foram vendidos
A Festa Nacional do Kiwi, de Farroupilha, será realizada este ano de 8 a 24 de julho. Cerca de 80% dos espaços destinados à Feira da Indústria, que ocorre juntamente com a Fenakiwi, já foram comercializados. Mais da metade dos estandes foi adquirida por investidores do próprio município. Agora, os organizadores começam a negociar os espaços com outras cidades.
Entre as primeiras ações de divulgação da festa em 2005 está o contato com agências de turismo. O Comitê Executor do evento deseja divulgar ao público o agendamento de excursões de compra. O site oficial do evento está sendo reformulado e até o dia 15 deverá listar os expositores, a agência oficial de turismo e as novidades desta edição. A Fenakiwi é promovida pela Câmara de Indústria e Comércio e Serviços de Farroupilha e executada pela Trade Fairs, empresa especializada em feiras e eventos.
Nova Petrópolis sedia fórum de Coredes
Nova Petrópolis vai sediar o Fórum Anual dos Coredes (Conselhos Regionais de Desenvolvimento), de 24 a 26 de fevereiro, no qual serão discutidos os resultados de 2004 e definidos detalhes dos trabalhos deste ano. O Estado tem 24 Coredes que trabalham em parceria com os Comudes (Conselhos Municipais de Desenvolvimento), elegendo as prioridades regionais para os investimentos do Estado.
Além dos dirigentes dos Coredes e Comudes, participam do fórum o Governo do Estado do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina e o Governo Federal. Antônio Hohlfeld, vice-governador do Estado, fará uma palestra no evento. O fórum acontece no Centro de Eventos de Nova Petrópolis. O Encontro terá abertura oficial às 18h do dia 24. Pela manhã, o Corede Hortênsias e Campos de Cima da Serra realiza assembléia para recomposição da diretoria.