LEITORES 

 DESCOBRINDO CAMINHOS

 

Desde 1909, onde o conteúdo faz a diferença.

 

Edição 4.924 - Ano 96 - Caxias do Sul, 16 de fevereiro de 2005.

 

 

 

EDITORIAL

Protocolo de Kyoto e

a herança ambiental

Acordo de boas intenções

que entra em vigor pode livrar

o mundo de bilhões de

toneladas de gases

Esta quarta-feira pode se tornar um marco para o meio ambiente mundial; ou entrar para a história apenas como a data em que mais um acordo de boas intenções sucumbiu diante de interesses econômicos. Neste dia 16 entra em vigor o Protocolo de Kyoto, assinado em 1997 por 84 países, número que cresceu para 136, teve a especial adesão da Rússia, mas ainda não abrange a maior fonte de poluição do ar do planeta: os Estados Unidos.

O Protocolo tem por objetivo reduzir a emissão de gases que provocam o efeito estufa na atmosfera, principalmente o gás carbônico - maior responsável pelo aquecimento da temperatura da terra.

O aquecimento global é um problema que pode se tornar irreversível. Se continuarem sendo jogadas na atmosfera mais de 31 bilhões de toneladas por ano só de gás carbônico, cientistas projetam que a temperatura do planeta deverá aumentar em até 5,8 graus centígrados nos próximos 100 anos. As conseqüências serão devastadoras. Só uma delas coloca em risco a vida de milhões de pessoas, na medida em que a mudança causará o derretimento de gelo nos pólos, elevando o nível dos oceanos e inundando cidades banhadas por essas águas - possivelmente até países.

Como os efeitos não param por aí, porque desencadearão alterações drásticas no clima, afetando a produção de alimentos, é o próprio planeta que está sob ameaça. O Protocolo de Kyoto não vai reverter essa realidade em curto espaço de tempo. Mas pode impedir a continuidade do crescimento da emissão e, a médio prazo, retirar da atmosfera bilhões de toneladas de gases. Para isso basta que os países cumpram as metas de redução que estabeleceram. No caso do Brasil, sua contribuição seria significativa se diminuísse o ritmo dos desmatamentos e queimadas, pois as árvores são generosos filtros que absorvem gás carbônico e produzem oxigênio. A partir de hoje, o mundo tem um instrumento para decidir que tipo de herança ambiental deixará às futuras gerações.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

REGIÃO

Seca afeta mais de 50% dos gaúchos

Cresce o número de

cidades que adotaram

racionamento de água

As chuvas que caíram, intercaladamente, em quase todo o Rio Grande do Sul de sexta-feira a domingo foram insuficientes para afastar os problemas provocados pela estiagem que em algumas regiões do Estado completa três meses - a maior nos últimos 40 anos, segundo especialistas. Elas amenizaram a situação de algumas áreas, mas não recuperaram os níveis de rios e represas.

Na sexta, 11, mais de a metade da população gaúcha (56% dos 497 municípios) estava sofrendo com a seca. Além de quatro cidades na região Metropolitana, outras duas da Serra, Garibaldi e Nova Petrópolis, e do norte, Vila Maria e São Domingos do Sul, haviam adotado o racionamento de água. Em outras áreas, 50 prefeitos informaram, ao declararem situação de emergência, que tinham muitas dificuldades para garantir o consumo de água para a população.

Um novo levantamento está sendo feito para atualizar as perdas na agricultura e na pecuária. A estiagem, que já prejudica as plantações, o gado leiteiro e o consumo humano, também começou a afetar a avicultura. Em Nova Bréscia, município do Vale do Taquari considerado o maior produtor gaúcho de frangos, 30 produtores tiveram que suspender as atividades por falta de água.

O governo do Estado anunciou ação para conscientizar a população a economizar água. Rios que abastecem a região Metropolitana de Porto Alegre estão cada vez mais secos - o Gravataí, quatro metros abaixo do normal e o Guaíba, apenas 50 cm acima do marco zero.

Caxias - Em Caxias do Sul, o abastecimento continua normal, mas os níveis das represas continuam baixando. As chuvas do final de semana sequer estancaram a queda. Nas maiores represas, a situação piorou: na do Faxinal, que fornece água para 63% dos caxienses, o nível estava 1,94 metro abaixo do normal na sexta, 11, e na segunda, 14, atingia a marca de 2,13 metros aquém da marca normal; nesse mesmo período, a Maestra (abastece 23% da população), baixou de 4,2 metros para 4,59 metros e a Dal Bó (9%), de 1,72 metro para 1,78 metro.

 

Fenavinho contabiliza 79 mil visitantes e bons negócios

O público total da XII Fenavinho, de 79 mil pessoas, ficou abaixo da expectativa, que era de 150 mil, mas o perfil do visitante deixou a diretoria executiva do evento bastante satisfeita. Um dos motivos foi a geração de muitos negócios; outro, a aceitação da nova proposta para a Festa.

Levantamento divulgado no domingo, 13, último dia da Festa que movimentou Bento Gonçalves e a região durante 17 dias, revelou que só as vinícolas venderam ao consumidor direto e a empresas compradoras o equivalente a R$ 1 milhão. Outros indicadores evidenciam o acerto para o novo modelo da Fenavinho. As 43 vinícolas expositoras distribuíram para degustação mais de 10 mil garrafas de vinho, suco e espumante. Além disso, foram vendidas mais de 18 mil garrafas.

Os negócios também foram bons para as 120 agroindústrias, que venderam produtos coloniais (10.984 pães coloniais e três mil pacotes de 400 g de biscoitos caseiros, entre outros) e artesanatos. Foi contabilizada ainda a comercialização de 7,3 mil litros de vinho e 6,5 mil litros de suco de uva no "vinho encanado", no centro da cidade, e no "caminhão do vinho" dentro dos pavilhões. Antes da Festa o caminhão já havia distribuído 2,5 mil litros de vinho e 3,3 mil litros de suco de uva. No Filó Gastronômico foram servidas 15 mil refeições e na praça de alimentação, 10 mil pratos com comida colonial. Foram investidos nesta edição da Fenavinho R$ 2 milhões. Em seis meses, o presidente Paulo Geremia espera divulgar o balanço.

 

Michelon preside o evento de 2007

O empresário Tarcísio Michelon, hoje vice-presidente Industrial e de Gastronomia da XII Fenavinho, foi eleito por unanimidade pela Comissão dos Membros Natos para presidir a 13ª edição da Festa Nacional do Vinho, que deve ocorrer de 16 de fevereiro a 4 de março de 2007. Os atuais vices Sílvio Pasin e Nelton Callegari continuarão na equipe.

 

 

REPORTAGEM

Inicia corrida contra aumento do aquecimento global

Com Protocolo de Kyoto, países se comprometem

em reduzir emissão de gases de efeito estufa

N esta quarta, 16 de fevereiro, entra em vigor o Protocolo de Kyoto. O acordo internacional prevê a redução da emissão de seis gases causadores do efeito estufa na atmosfera, principalmente o gás carbônico (dióxido de carbono ou CO2), maior responsável pelo aquecimento global. A contagem regressiva para a efetivação do tratado começou em setembro passado, depois que a Rússia ratificou o acordo. Para o Protocolo ser colocado em prática era necessário reunir a assinatura dos 55 países responsáveis por 55% das emissões mundiais de dióxido de carbono.

O acordo foi estabelecido em 1997, em Kyoto, no Japão, e assinado por 84 países. Os Estados Unidos, maiores emissores de CO2 do mundo, não ratificaram e permanecem irredutíveis. O país promete diminuir suas emissões do gás, mas sem estabelecer quantidade.

O Brasil é um dos signatários do Protocolo, mas não tem metas de redução, assim como outros países em desenvolvimento (China, Índia, México e África do Sul). Se quiser diminuir suas emissões de gás carbônico, o país terá que intensificar suas políticas de redução de desmatamento (matéria abaixo), o maior culpado pela emissão de CO2 no Brasil.

Nos últimos 200 anos, o nível de gás carbônico na atmosfera cresceu cerca de 30%. Desde 1997, as emissões aumentaram, mas isso não invalida as metas formuladas na época, pois as conseqüências do aquecimento global ocorrem a longo prazo.

Segundo o Protocolo, os países em desenvolvimento que atingirem alguma redução voluntária na emissão de gás carbônico têm vantagens. Eles acumulam créditos que podem ser vendidos para os que não conseguirem atingir suas metas. Por exemplo: uma fábrica de aço que usa carvão mineral como combustível pode trocá-lo por carvão vegetal, menos poluente, e calcular quanto deixou de emitir de dióxido de carbono, vendendo esse crédito. É um mercado promissor, em apenas um ano cresceu 100%, saltando de 30 para 70 milhões de toneladas de CO2 comercializadas de 2002 para 2003.

Créditos - Alguns analistas acreditam que dessa forma os compradores estariam "pagando para poluir". Outros pensam que o mercado de créditos é um recurso adicional, ou seja, os países não vão deixar de investir em geração de emprego e nova tecnologia internamente para comprar créditos alheios. Além disso, há limites para o nível de redução aceitável, o que restringe a quantidade de créditos disponível no mercado.

Especialistas acreditam que o Brasil pode lucrar com o Protocolo. É esperado que o álcool combustível seja mais utilizado nos próximos anos, já que é menos poluente do que a gasolina, elaborada a partir do petróleo. O país, como um dos maiores produtores mundiais da matéria-prima desse combustível, a cana-de-açúcar, tem grande chance de ver suas exportações de álcool aumentarem.

A partir de agora, inicia-se a discussão dos rumos do Protocolo de Kyoto para depois de 2012. Espera-se que os signatários tenham conseguido atingir suas metas até lá e possam pensar em objetivos mais ambiciosos.

 

Alta temperatura eleva nível dos mares

Segundo o Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, órgão ligado à Organização das Nações Unidas, a temperatura média hoje da Terra é de 14°C. Nos próximos 100 anos, se a emissão de gases de efeito estufa não diminuir, a temperatura poderá aumentar entre 1,4°C e 5,8°C, o que poderá ter efeitos devastadores. Algumas conseqüências já podem ser observadas, como o derretimento das calotas polares.

À medida em que o gelo das calotas polares derrete, o nível do mar aumenta, provocando a inundação de terras mais baixas e, talvez, a submersão de países inteiros, especialmente no Oceano Pacífico. Um dos primeiros impactos prováveis poderá acontecer ainda nesse século com o desaparecimento de Tuvalu, país que fica numa ilha do Oceano Pacífico, com 11 mil habitantes. Dependendo da elevação do nível do mar, Bangladesh e Egito, por exemplo, podem perder até um décimo de seus territórios, o que obrigaria o deslocamento de 16 milhões de pessoas. O derretimento das geleiras das montanhas poderá provocar avalanches, erosão dos solos e mudanças dramáticas no fluxo dos rios, aumentando o risco de enchentes.

Alterações bruscas na composição da atmosfera poderão desencadear mudanças drásticas no clima, o que resultaria em grandes variações na temperatura e no ritmo das chuvas. Furacões, tormentas e enchentes, de um lado, e secas graves, de outro, poderão se tornar mais freqüentes. Os cientistas acreditam que os desertos poderão crescer e que as condições de tempo nas regiões semi-áridas, como no Nordeste do Brasil, serão ainda mais críticas.

Tudo isso poderá repercutir negativamente na produção de alimentos, já que diversas áreas cultiváveis serão afetadas. As alterações climáticas incomuns podem reduzir a população ou mesmo levar à extinção de muitas espécies que não seriam capazes de se adaptar às novas condições ambientais, afetando o equilíbrio de diversos ecossistemas.

Ártico já perdeu 8% do gelo sobre o mar

A região do Ártico já perdeu pelo menos 8% de sua capa de gelo sobre o mar nos últimos 30 anos, num total de 988.416 km² - equivalente à área de sete Estados brasileiros (RS, SC, PR, SP, RJ, PE e SE). O dado consta no estudo quadrienal dos impactos do clima sobre o Ártico, divulgado em novembro passado.

Os 300 pesquisadores envolvidos no estudo concluíram que a região está sendo particularmente afetada pelas mudanças climáticas produzidas pelo homem. Os resultados aparecem no degelo de glaciais por todo o Ártico, na menor espessura da capa de gelo sobre o mar e no aumento das temperaturas médias.

Nos últimos 50 anos, segundo o estudo, as temperaturas médias no Alasca e na Sibéria subiram de menos 15,7ºC para -14,7ºC. Os invernos no Alasca e no Oeste do Canadá tiveram as temperaturas médias elevadas de -14,9ºC para -13,8ºC.

Com "uma das mais rápidas e severas mudanças climáticas na Terra", segundo o estudo, a região do Ártico está contribuindo para o aumento do volume de água nos oceanos. Nos últimos 20 anos, o degelo do Ártico fez o nível dos mares subir pelo menos três polegadas (76 mm).

Financiada pelos EUA, Canadá, Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega, Suécia e Rússia, a pesquisa reforça as projeções de que as temperaturas do planeta devem subir ainda mais por causa das emissões de gases na queima de combustíveis fósseis e outras atividades humanas.

Regras do jogo

1. Cada país industrializado tem sua cota de redução de CO2 baseada na quantidade registrada em 1997.

2. Países em desenvolvimento, como Brasil, China, Índia, México e África do Sul, caso reduzam suas emissões de gás, podem acumular créditos de carbono que podem ser vendidos.

3. Por exemplo: se a França, que tem como meta 8%, conseguir diminuir 5%, ela pode comprar do Brasil créditos equivalentes à quantidade de gás carbônico correspondente aos 3% restantes.

4. O primeiro período de compromisso de redução de emissões de gás carbônico vai de 2008 a 2012.

5. Para a redução de outros cinco gases de efeito estufa será calculada a equivalência em dióxido de carbono, para efeito de quantificação.

6. Os signatários que não conseguirem atingir sua meta não sofrerão sanções ou multas.

Como ocorre o efeito estufa

Parte da radiação solar penetra na atmosfera e esquenta a superfície da Terra. Por sua vez, a Terra também irradia calor para o espaço. A queima de combustíveis fósseis, as queimadas, desmatamentos e depósitos de lixo liberam gases de efeito estufa na atmosfera. Esses gases formam uma camada densa que prende parte do calor que deveria ser devolvido ao espaço, dando origem ao efeito estufa, que colabora para o aumento da temperatura no planeta.

Esses gases têm a função de manter o equilíbrio térmico do planeta. Sem o carbono, a Terra seria coberta de gelo. Sendo assim, o problema não está na existência dos gases, mas no aumento das concentrações desses gases na atmosfera.

A ação do homem tem feito aumentar a quantidade de CO2 na atmosfera, com a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento. A derrubada de árvores provoca aumento na quantidade de gás carbônico, pela queima e também por decomposição natural. Além disso, as árvores inspiram gás carbônico e produzem oxigênio. Uma menor quantidade de árvores significa também menos CO2 sendo absorvido.

 

AGRONEGÓCIO

Inovações atraem 180 mil pessoas

Espetáculo da tecnologia, Show Rural Coopavel

está confirmado para 2006

Os agricultores vão começar a plantar as lavouras de verão em setembro, mas as tecnologias em máquinas, implementos, insumos e cultivares que surgem como opção para aumentar os resultados de sua atividade foram mostradas durante o Show Rural Coopavel 2005. Realizado de 31 de janeiro a 4 de fevereiro, o evento recebeu 180 mil pessoas, 30% a mais do que no ano anterior. "A soma de expositores subiu de 260 para 281", disse o presidente da Coopavel, Dilvo Grolli.

Entre as novidades do Show Rural Coopavel um novo sistema para confinamento de aves destinadas ao abate chamou a atenção dos produtores. Trata-se do dark house (casa escura), desenvolvido por avicultores norte-americanos e canadenses. O método faz com que as aves permaneçam durante 12 horas do dia no escuro e outras 12 sob luz artificial.

Os equipamentos de refrigeração, aquecimento e umidade do dark house são controlados por computador e permitem reduzir consideravelmente o contato humano com esse ambiente.

O barracão utilizado no método dark house é lacrado e permite o controle total do nível de luminosidade interno. "O modelo oferece ganho de peso de até 10% em comparação ao sistema de confinamento e engorda convencional. O índice de mortalidade cai para apenas 1% e há ganhos em rentabilidade ao avicultor", explica o técnico avícola Daniel Ebert.

O primeiro aviário pelo método dark house foi instalado na propriedade do cooperado Gilberto Paetzold, da localidade de Espigão Azul. O custo de implantação do sistema é cerca de 10% maior em comparação ao antigo, porém o retorno é recuperado em pouco tempo. "A expectativa é de que um número crescente de avicultores passe a investir nessa tecnologia", prevê Daniel.

Cama de borracha - Uma das sensações do setor de pecuária de leite é a apresentação de uma nova cama, feita à base de pedaços de borracha. O material é costurado e acondicionado em uma espécie de colchão. A invenção tem origem na região de Carambeí(PR) e chama atenção por ser mais barata do que as camas tradicionais, feitas com maravalha, serragem e areia, que precisam ser substituídas constantemente. A borracha também tem a elevada durabilidade.

Confinar gado de leite rende mais

A Coopavel mostrou no Show Rural as vantagens de usar o confinamento como técnica para abrigar o gado leiteiro. O sistema é bastante empregado por pecuaristas de corte e passa a ganhar espaço também na bovinocultura de leite. A técnica é recomendada principalmente a donos de pequenas áreas de terra interessados em ter a produção de leite como uma alternativa de renda à sua propriedade. "O investimento inicial é alto, mas os resultados de médio e longo prazos acabam por compensar o recurso investido", afirma o veterinário Átila Soares.

A vantagem de controle do alimento consumido pelos animais é uma das principais características do confinamento. O melhor aproveitamento da ração e dos suplementos alimentares é outro benefício, bem como a possibilidade de obter ganhos com a oferta de um ambiente confortável e até, em alguns casos, climatizado.

O gado ganha em produtividade porque não precisa percorrer grandes distâncias para se alimentar. "A adaptabilidade de animais das raças holandesa e jersey ao sistema é das melhores", diz o veterinário. O nível de produtividade do confinamento em comparação com o método convencional, caso todas as condições exigidas sejam oferecidas, pode chegar aos 50%.

Exportação de frutas bate recorde

Setor vendeu US$ 370 milhões e prevê

crescimento de 20% em 2005

A fruticultura brasileira encerrou 2004 com novo recorde nas exportações. Apesar das perdas provocadas por problemas climáticos, a fruticultura brasileira alcançou US$ 370 milhões, correspondentes a 850 mil toneladas. Esse desempenho representa crescimento de 10% em valor e 5% em volume, frente a 2003, de acordo com o levantamento do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf).

A previsão da Ibraf e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para 2005 é de que as vendas externas do segmento poderão ter acréscimo de 20% na quantidade embarcada, em comparação com 2004, caso não venham a ocorrer quebras causadas por intempéries.

Os prejuízos provocados pela seca e o excesso de chuvas às culturas de mamão, uva, melão e manga foram compensados pelo excepcional desempenho das exportações de maçã. "No ano passado, as vendas externas de maçã renderam ao país US$ 72,5 milhões, com acréscimo de 92% sobre os US$ 37,8 milhões faturados em 2003", revela o gerente técnico do Ibraf, Maurício Sá Ferraz.

Em volume, o aumento na venda externa de maçãs foi de 112%, com embarque de 153 mil toneladas, contra 76,4 mil toneladas do período anterior.

Com uma colheita anual de quase 38 milhões de toneladas, o Brasil é o terceiro maior produtor mundial de frutas frescas, atrás apenas dos países da China e da Índia.

Mercado - Os principais destinos do produto brasileiro são os Países Baixos, Reino Unido, Argentina, Espanha, Estados Unidos, Uruguai, Portugal, Emirados Árabes, Alemanha e Canadá. O Brasil quer ampliar as vendas externas para os países asiáticos.

As exportações brasileiras de frutas frescas cresceram mais de 200% nos últimos seis anos, mas a participação do país no mercado mundial ainda é pequena. As vendas externas da fruticultura nacional correspondem a 1,6% em divisas e 2% em volume sobre o total das exportações mundiais do setor. No ranking do comércio exterior da cadeia produtiva, o Brasil ocupa o 20º lugar entre os exportadores, em um mercado que movimenta cerca de US$ 21 bilhões anuais, representando um consumo de quase 40 milhões de toneladas.

Depois de 32 anos, manga vai ao Japão

O Brasil acaba de embarcar para o Japão a primeira carga de manga. Foi o primeiro lote de mangas a ganhar esse destino depois do regime de embargo de 32 anos. Este ano, a meta do governo é exportar cerca de 5.000 toneladas da fruta para o mercado japonês.

Produzidas em Juazeiro, no Vale do São Francisco, as mangas do tipo ‘tommy’ seguiram para o país nipônico de avião no dia 24 de janeiro. O Brasil, que já exporta para mercados exigentes como Europa e Estados Unidos, ainda enfrentava o entrave japonês. "Nosso objetivo é atingir todo mercado asiático", disse Clemente Ribeiro, da Associação dos Produtores do Vale São Francisco.

Embarque de flores e plantas é histórico

As exportações brasileiras de flores e plantas bateram recorde em 2004. Atingiram US$ 23,5 milhões, valor que superou em 20,96% os resultados obtidos no ano anterior. O setor de mudas de plantas ornamentais (foto) exportou os maiores valores, acumulando vendas de US$ 11,387 milhões, representando 48,46% do valor total. Os maiores valores embarcados tiveram como destino a Holanda, com 45,44 % do total, Itália (16,30%), EUA (10,13%), Japão (10,01%), Reino Unido (3,84%), Dinamarca (3,43%) Bélgica (3,39%) e Alemanha (2,22%).

 

 

 

 

 

 

 

 

Vida Agrícola

Engº. Agrº. José Zugno

Cultivo do marmelo e tratamento

Peço informações sobre o cultivo do marmelo. Temos em pequena quantidade. Qual o tratamento contra a ferrugem das folhas e a podridão dos frutos?

IRMÃ MARIANA

Xaxim - SC

Marmeleiro, nome científico Cydonia oblonga, família das Rosáceas, a que pertencem outras frutíferas como as de pêra, maçã, pêssego, ameixa, morango, néspera, etc. e também as rosas e outras flores. Todas têm a mesma estrutura floral. O marmelo era cultivado na antiga Pérsia (hoje Irã), disseminou-se daí pela Europa, cujos colonizadores o trouxeram para as Américas, os portugueses para o Brasil. Também os imigrantes italianos trouxeram varas de marmelo e as plantaram nas colônias, geralmente às margens dos córregos. As plantas, sem maiores cuidados, vingaram e produziram marmelos que, maduros, serviam para as gostosas marmeladas, e as fatias secadas ao sol, para uso posterior, durante o ano todo. Hoje a cultura do marmelo está em decadência no Brasil e Minas Gerais é ainda o maior produtor nacional de marmelo.

O marmeleiro é planta de clima temperado. Precisa de frio e resiste às fortes geadas de inverno. Rebrota na primavera quando floresce, frutifica no verão, e no outono, após a colheita, principia a queda das folhas e a planta entra na dormência hibernal, concluindo o ciclo. Quanto ao solo, é muito exigente, mas prefere os de consistência média, nem muito argiloso, nem muito arenoso, porém fértil e profundo. As condições físicas e climáticas do seu município e da maioria dos municípios de Santa Catarina prestam-se ao cultivo do marmelo.

Importante é a questão das variedades que devem ser produtivas e resistentes às enfermidades. A antiga Estação Experimental de Fruticultura de Farroupilha trabalhou com o marmelo. Produzia e fornecia mudas aos agricultores, aos quais dava orientação técnica para o plantio e o cultivo. Infelizmente a Estação já não mais existe. Órgãos de assistência e extensão agrícola em seu município (a Epagri, por exemplo) poderão indicar-lhe onde conseguir mudas apropriadas.

A época preferencial para o plantio de mudas é junho-julho, em terrenos planos ou de encostas ensolaradas tomando medidas contra a erosão.

As mudas plantadas devem sofrer nos primeiros anos "poda de formação" com a finalidade de obter uma copada baixa em forma de vaso com ramos bem distribuídos capazes de sustentar as frutificações futuras que iniciam no marmeleiro a partir de 3º ou 4º ano. A poda de formação segue as mesmas regras aplicadas ao pessegueiro e às outras espécies.

A poda de frutificação é mais delicada porque tem que levar em conta a frutificação do marmeleiro que é diferente das demais frutíferas de clima temperado, pois ocorre geralmente nas extremidades dos brotos novos de 10 a 15 cm de comprimento, denominados "brindilas" onde estão as gemas frutíferas. Estas também podem encontrar-se na axila das folhas. As "brindilas" não devem ser eliminadas. Somente depois da colheita, no inverno seguinte antes da rebrotação podem sofrer poda de frutificação que consiste apenas no desponte das brindilas para provocar a formação de dois novos brotos (brindilos) com gemas frutíferas nas extremidades.

Se suas plantas são adultas e nunca tiveram poda de formação procure da melhor forma reduzir as varas e os ramos lenhosos a fim de forçarem a produzir os ramos frutíferos.

Adubação - Convém seja anualmente feita. De preferência segundo a análise do solo. Senão, aplique no inverno em torno de cada planta uns 20 quilos de estrume bem curtido, ou composto orgânico, uns 800 gramas de farinha de ossos e uns 300 gramas de cinzas de madeira.

Tratamento fitossanitário - A chamada ferrugem deve ser a "entomosporiose" a mais comum no marmeleiro, também conhecida como requeima ou crestamento das folhas causada por um fungo. A podridão do fruto é também causada por fungo. O tratamento deve ser feito após a poda de inverno com a calda sulfocálcica ou produto similar (o solobar, por ex.) molhando bem os galhos e ramos. A caiação do tronco também é recomendável.

Durante o ciclo vegetativo aplicar em pulverizações a calda bordalesa. A primeira aplicação antes da floração deve ser com a concentração baixa do sulfato de cobre (0,25%), a segunda após a floração a (0,50%) de sulfato e as seguintes a 1% como é feito nas parreiras. Procure atingir a página inferior das folhas.

 

SAÚDE

Células-tronco podem tratar males cardíacos

Estudo nacional avalia

eficiência da terapia

nas mais freqüentes

doenças do coração

O Brasil dá início ao maior estudo com células-tronco adultas para tratamento de doenças do coração já realizado no mundo - chamado Estudo Multicêntrico Randomizado de Terapia Celular em Cardiopatias. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Humberto Costa, no início deste mês. A pesquisa, patrocinada pelo Ministério da Saúde, envolverá grupos de portadores de quatro diferentes doenças: infarto agudo do miocárdio, doença isquêmica crônica do coração, cardiomiopatia dilatada e cardiopatia chagásica.

O projeto que o Brasil desenvolve é único no mundo pela quantidade de casos avaliados e comparados e pelo número de instituições participantes. O estudo envolve 1.200 pacientes e cerca de 40 instituições, sendo três do Rio Grande do Sul: Hospital de Clínicas, Hospital São Lucas e Instituto de Cardiologia, todas de Porto Alegre. O objetivo do trabalho é comprovar os resultados já obtidos em pesquisas isoladas e verificar a viabilidade da substituição dos tratamentos cardíacos tradicionais (inclusive o transplante de coração) pela terapia com células-tronco. Até agora, as pesquisas na área da terapia celular em cardiologia têm sido aplicadas em um número muito pequeno de pacientes e, em geral, por instituições isoladas.

Os protocolos, já aprovados pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), devem ser concluídos em até três anos. O custo total do projeto está estimado em R$ 13 milhões. Os 1.200 pacientes avaliados serão divididos em grupos, com 300 cada, de acordo com o tipo de doença. Em cada um dos grupos, a metade receberá o tratamento tradicional e a outra parcela será submetida à terapia celular. Neste caso, cada paciente receberá células-tronco de sua própria medula óssea. A outra metade receberá o tratamento tradicional, com os melhores recursos farmacológicos ou cirúrgicos disponíveis.

Comprovada a eficácia da terapia celular, o Ministério da Saúde terá dado um passo importante para a implementação do tratamento em todo o Sistema Único de Saúde (SUS), aumentando as chances de cura para milhões de pessoas. Ao mesmo tempo, a terapia celular proporcionará significativa economia de recursos financeiros para o SUS. Considerando consultas, internações, cirurgias e transplantes cardíacos, o sistema gastou, em 2003, cerca de R$ 500 milhões.

Método elimina o risco de rejeições

As doenças cardíacas selecionadas para o estudo são as mais freqüentes. Ficam de fora apenas as cardiopatias que decorrem de defeitos de válvulas. Essas quatro cardiopatias evoluem quase sempre para a insuficiência cardíaca, levando o paciente para a fila de transplantes.

No Brasil, 4 milhões de pessoas sofrem de insuficiência cardíaca grave. Se ficar comprovado que as células-tronco podem melhorar as condições desses pacientes, estima-se que 200 mil vidas poderão ser salvas em três anos e o custo do tratamento será reduzido em aproximadamente R$ 37 milhões por mês.

Para o paciente, a maior vantagem é a recuperação da qualidade de vida e a diminuição do número de reinternações. O tempo de recuperação é de 72 horas no hospital depois do procedimento e de dois a três meses para observação de resultados.

Com o transplante autólogo de células-tronco, também são eliminados os riscos de rejeição. Segundo o Ministério da Saúde, até hoje, não houve relato de arritmia, rejeição, inflamação ou aparecimento de tumores nos pacientes submetidos a essa terapia. Agora, os cientistas estão preocupados em aferir a sua eficiência. Uma vez atestada, calcula-se que, pelo grande número de instituições envolvidas na pesquisa, logo a técnica será disseminada por todo o país. O investimento de um hospital para implantar o método é pequeno, cerca de R$ 50 mil, o que, em tese, deve tornar o tratamento ainda mais acessível.

 

Transplante utiliza élulas da medula

Para realizar o transplante cardíaco de células-tronco, a partir da medula do próprio paciente, são retirados de sua bacia, por punção, entre 50ml e 100ml da medula. Esse material passa por um processo de separação, em que são isoladas células mononucleares (em geral, entre 30 milhões e 600 milhões). Dessas, calcula-se que uma em cada 10 mil seja célula-tronco. Elas são então introduzidas por cateter na região cardíaca afetada.

A quantidade é pequena, mas basta que as células-tronco encontrem um ambiente adequado para começar a recuperar vasos e tecidos atingidos por infarto agudo do miocárdio, doença isquêmica crônica do coração, cardiomiopatia dilatada e cardiopatia chagásica, objetos do estudo nacional. Com isso, as células-tronco devem aumentar a capacidade de contração do coração, tornando o tecido muscular uma bomba mais eficiente, devolvendo a possibilidade de o paciente realizar tarefas cotidianas.

Novas pesquisas vão valiar outras doenças

Ainda em 2005, o Ministério da Saúde, em parceria com o Fundo Setorial de Biotecnologia (CT-Biotec) do Ministério da Ciência e Tecnologia, apoiará novos estudos com células-tronco adultas, para serem usadas no tratamento de lesões de medula espinhal, diabetes, doenças neurodegenerativas (como mal de Alzheimer), regeneração de tecido ósseo, dentes e pele, doenças auto-imunes (como lúpus), doenças genéticas, entre outros.

O projeto, que vai envolver recursos da ordem de R$ 5 milhões, avaliará, na primeira etapa, os resultados em fase pré-clínica. Isso significa que não envolverá seres humanos, mas fará análises em animais e testes de laboratório. Se os resultados forem positivos, a iniciativa poderá prosseguir em 2006.

Evolução das pesquisas no mundo

As pesquisas com células-tronco embrionárias humanas – que podem se transformar em qualquer tipo de tecido – são muito recentes. O primeiro relato de estudos utilizando células-tronco de embriões humanos, segundo artigo do professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), José Roberto Goldim, é de 1998, nos Estados Unidos.

Pesquisas com células-tronco adultas, provenientes da medula óssea e do cordão umbilical de recém-nascidos, não são tão novas, mas, segundo a professora de Hematologia da Faculdade de Farmácia da UFRGS e especialista no assunto, Patrícia Pranke, apenas em 1968 foi realizado o primeiro transplante de medula óssea com sucesso. "Quando se fala em transplante de medula óssea, estamos falando em transplante de células-tronco", explica Pranke.

Vinte anos depois, foi realizado o primeiro transplante de células-tronco originárias do cordão umbilical, na França. Segundo Pranke, até então, essas células eram utilizadas no tratamento de doenças do sangue, como leucemia. Só no fim da década de 90 começou a pesquisa para a aplicação dessas células em outras doenças. A época coincidiu com a descoberta das células-tronco embrionárias. "Em 1988 elas foram descobertas em camundongos e em 1990 soube-se que existiam em humanos", afirma.

O uso de células-tronco adultas em pesquisas não causa polêmica. O problema é que esse tipo de célula tem uma capacidade mais limitada de formar diferentes tecidos, não possuindo a flexibilidade das embrionárias. Isso significa que as células-tronco retiradas da medula e do cordão umbilical não são capazes de se "transformar" em qualquer tecido, como ocorre com as embrionárias.

Os estudos com células-tronco provenientes de embriões humanos esbarram em questões éticas e religiosas. O embrião é ou não um ser humano? Para alguns, a vida humana começa a partir da fecundação e, portanto, não pode-se destruir os embriões em favor de pesquisas. Outros acreditam que as células embrionárias escondem a cura de muitas doenças.

A discussão é mundial e atualmente apenas alguns países permitem pesquisas com células-tronco embrionárias humanas, entre eles destacam-se Inglaterra, Japão, Austrália, Canadá, Coréia do Sul e Israel.

Pelo projeto da nova Lei de Biossegurança do Brasil, de autoria do Executivo, e já alterado na Câmara dos Deputados, ficou de fora a permissão para o uso de células embrionárias. De acordo com a lei, podem ser usadas para pesquisa células-tronco adultas ou as retiradas de embriões congelados há pelo menos três anos e que estariam a caminho do lixo em clínicas de fertilização. (Texto Iara Falcão, Agência Brasil)

 

Opinião

Violência sem fim

Leonardo Boff

Desigualdade é pior que a

pobreza. Sem transformações

sociais para diminuí-la,

ao invés da democracia sem

fim teremos a violência sem fim

Seguramente a violência no Brasil possui muitas causas já analisadas com minúcia por muitos. A rigor nem deveríamos dizer que aqui ocorre violência. A violência é estrutural na formação de nossa sociedade. Fomos construídos sobre um fundamento de violência que foi o processo de colonização. O cimento foi feito de violência: as vidas dos escravos, transformadas em carvão para o processo produtivo, como costumava dizer o indignado Darcy Ribeiro. Violenta é a forma como o povo comumente vem sendo tratado, sempre considerado jeca-tatu, joão-ninguém, zé-povinho, cuja relação primeira para com ele é o grito ou o cassetete.

Mas há uma violência que nasce de um sentimento: a revolta face à contradição existente entre as grandes maiorias que vivem numa miséria desoladora e as minorias que desfrutam de uma opulência indecente. Quem circula pelas imensas periferias e favelas de nossas cidades e depois chega ao centro ou aos bairros ditos nobres constata esta dilaceração, anterior a qualquer juízo ético ou político.

A primeira reação é: como podem estas populações viver, por toda uma vida, em condições tão infra-humanas? Elas merecem? Como podem crianças andar por aí, seminuas, barrigudas, jovens com seus 15-17 anos empinando pipas ao céu, homens de meia idade sentados nas pracinhas sem fazer absolutamente nada porque estão há muito tempo desempregados? O que mais dói é ver meninas de 12 e 13 anos abordando passantes: "Tio, tio, vamos fazer amor? É só por um real...eu sei fazer tudo o que o homem gosta".

E, por outro lado, como podem viver estes de boa vida, bem alimentados, bem morados, bem estudados e bem munidos de contas nos bancos, como podem viver humana e eticamente no meio de tanta contradição?

Neste momento intuímos, entre raiva e desalento, que a desigualdade é pior que a pobreza. Ela é simplesmente inaceitável, por demasiadamente irracional. Se estas classes aquinhoadas e o Estado atrás do qual elas se escondem, ao invés de gastarem milhões cada ano em segurança policial, em muros, em circuitos internos de TV, em seguranças privados, em carros blindados, os gastassem em projetos de educação, profissionalização, criação de centros comunitários, cooperativas de construção de casas, lugares de lazer e arte, teríamos equacionado em grande parte o problema social. E todos gozaríamos de paz, poderíamos andar à noite por aí, sem medo de sermos assaltados e até mortos.

Pensemos em termos globais. Se as potências militaristas, à frente delas os EUA, deixassem de gastar anualmente bilhões e bilhões de dólares na fabricação de armas de morte e resolvessem ter um mínimo de sentimento e ser um pouco mais racionais e investissem nos seres humanos, então poderiam garantir comida, saúde, casa e ocupação a cada habitante deste planeta. Teríamos criado as pré-condições para uma paz duradoura entre todos os povos.

Ocorre que mais e mais pessoas das favelas despertam e não aceitam mais essa contradição. Passam à violência como forma de vingança e de solução individual para o problema social. Se o governo Lula apenas estabilizar a macroeconomia neoliberal e deixar de fazer transformações sociais para diminuir as desigualdades, haverá mais violência ainda. Ao invés da democracia sem fim teremos a violência sem fim. Ela nos conduz à barbárie que não poupará nossos filhos e netos.

 

Tomás de Aquino

Frei Betto

Os medievais olhavam mais

para o alto do que para a

frente. Hoje, muitos olham

para baixo, para o próprio

umbigo, acreditando

que a história acabou

A Igreja católica celebra, no dia 28 de janeiro, a festa de meu confrade Tomás de Aquino (1225-1274).

Nosso olhar leigo vê um monte de pedras onde o do arqueólogo distingue ruínas de uma antiga cidade. Assim é a visão de muitos, atualmente, quanto à Idade Média. Orgulhosos dos recentes avanços da tecnociência, encaram aquele período histórico como a "idade das trevas". Ora, isso pode ser desmentido por muitos fatos, entre eles a importância que os frades dominicanos já davam ao estudo em plena época medieval.

A Ordem Dominicana, na qual estou integrado há quarenta anos, nasceu no século XIII. É, portanto, uma instituição medieval. Seus primeiros estudantes deviam portar consigo ao menos três livros: a Bíblia; o livro das "Sentenças", de Pedro Lombardo; e a "História escolástica", de Peter Comestor, uma narrativa alegórica de como teria transcorrido a história da humanidade da Criação do mundo à ascensão de Jesus.

Andavam em moda os manuais, conhecidos pelo nome latino de summa, resumo. Cada comunidade dominicana possuía ao menos duas: a "Summa casuum" (Compêndio de casos), de São Raimundo de Peñafort, e o "Manual dos vícios e das virtudes", de William Peraldus.

Espelhado nelas Tomás de Aquino redigiria, para proveito dos jovens candidatos à vida religiosa dominicana, a sua célebre "Suma teológica" - pedra angular de toda a teologia católica posterior ao Concílio de Trento, no século XVI.

O que nos deixa intrigados é saber que São Tomás nos ofereceu apenas um resumo... E se houvesse redigido um tratado, quão monumental obra teríamos em mãos hoje?

Outros frades empenharam-se em elaborar obras destinadas a apoiar a atividade missionária: Guillaume de Tuornai para a catequese das crianças; Jacques de Voragine, a "Legenda Áurea" sobre a vida dos santos (recém lançada no Brasil pela Companhia das Letras), Simon de Hinton para a instrução teológica. Nada porém comparável à abrangente obra teológica de Tomás de Aquino, que trata de Deus e da Criação, dos anjos e do ser humano, das virtudes e dos vícios.

Os frades dominicanos davam tamanha importância aos estudos que o ofício divino (a oração em comunidade) foi prescrito para ser "breve e sucinto", de modo a não ocupar o tempo a ser reservado ao estudo.

São Tomás trabalhava em equipe. Para utilizar uma analogia atualizada, seu computador consistia num grupo de sessenta frades. Cada um deles funcionava como um arquivo: este familiarizado com as obras de Aristóteles, aquele com as de Santo Agostinho, o outro conhecia profundamente os grandes teólogos gregos (os Padres da Igreja) etc.

Foi Tomás quem inventou a dedicatória. Seu livro "De ente et essentia", escrito entre 1252 e 1256, é dedicado "aos irmãos e companheiros" que trabalhavam com ele no convento dominicano de Saint-Jacques, em Paris (berço, séculos depois, dos famosos jacobinos).

Numa época em que caía sob suspeita tudo aquilo que não tinha cheiro de incenso e sabor de água benta, Tomás ousou beber nas fontes de Platão (a cuja obra não teve acesso direto) e Aristóteles, e de cientistas muçulmanos como Avicena e Averróis. E também de Maimônides, filósofo e teólogo judeu.

Ao contrário do que se imagina, Tomás de Aquino não nasceu gênio nem estava imune a erros. Há um fragmento manuscrito dele na catedral de Salermo, na Itália. Trata-se de anotações de quando tinha pouco mais de 20 anos e era estudante de teologia em Paris (1245-1248). Havia copiado comentários de seu professor, frei Alberto Magno, sobre o livro "A hierarquia celeste", de pseudo-Dionísio. Nas 38 linhas do fragmento, Tomás cometeu um erro evidente, saltando pelo menos uma linha do original e acrescentando uma ou duas frases de sua própria autoria.

Uma época é necessariamente filha da que a antecede. A modernidade deita raízes na Idade Média, que legou a ela a manufatura e a Universidade, o sindicalismo, cujos embriões residiam nas corporações marítimas, e os parâmetros da ciência emancipada dos princípios religiosos.

Os medievais, com raras exceções, olhavam mais para o alto do que para frente. Estavam mais concentrados no cimo das torres das catedrais que na dinâmica de um futuro fermentado em Universidades como a de Paris e a de Bolonha.

Hoje, muitos olham para baixo, para o próprio umbigo, acreditando que "a história acabou" e que o mercado é um deus eterno e o capitalismo a etapa superior da civilização. Onde encontrar um Tomás de Aquino, que nos arranque a venda dos olhos e nos convença de que a criatividade é um atributo divino sempre presente no ser humano?

 

 

 

 

 

 

 

NACIONAL

Brasileiro casa aos 30 anos e se separa mais

Em uma década, número

de divórcios no

país aumentou 44%

Os brasileiros estão casando mais tarde e se divorciando ou se separando em proporção cada vez maior, como demonstram as Estatísticas do Registro Civil que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou no mês passado. Em 1993, a idade média para casar era 27,1 anos para os homens e 24 anos para as mulheres. Em 2003, esses números se elevaram para 30,6 para os homens e 27,2 para as mulheres.

Nesses mesmos 10 anos pesquisados os divórcios aumentaram significativamente. Subiram de 94.986 casos em 1993 para 138.676 em 2003, o que equivale a um crescimento de 44%. As separações judiciais aumentaram de 87.885 para 103.529 no mesmo período, representando um percentual de 17,8%.

Nos casos não consensuais, as mulheres superaram largamente os homens na hora de pedir a separação judicial: tomaram a iniciativa em 72% dos casos. Nos casos de divórcio consensuais houve equilíbrio: as mulheres se adiantaram em 53,4% dos casos e os homens em 46,6%. A maioria das separações judiciais (77,9%) e dos divórcios (68,7%) foi, no entanto, consensual.

A proporção de mães menores de 20 anos constitui motivo de preocupação, diz o IBGE. Uma comparação entre 1993 e 2003 mostra que a participação dessa faixa etária no número total de mães subiu de 17,3% para 20,8% no período. O fenômeno está concentrado entre mulheres adolescentes com menor poder aquisitivo.

O aumento na idade média de casamento está ligado à dificuldade dos jovens de juntar recursos para alcançar a independência financeira. Como decorrência, é cada vez maior o número de pessoas que dão prioridade à carreira profissional - e de mulheres que não querem depender do marido, um dos fatores que têm ajudado a retardar também a idade média com que elas, depois de casadas, engravidam pela primeira vez. Soma-se à necessidade dos jovens e igualmente influi na mudança a comodidade de morar mais tempo com os pais.

 

Valores - Existe ainda um outro fator que a pesquisa destaca como motivo para elevar a média de idade dos brasileiros que casam: a alteração dos valores familiares tradicionais. "As pessoas querem curtir a vida, experimentar mais coisas, ficar com pessoas diferentes. Adiei meu casamento por alguns anos e tenho muitos amigos que nem cogitam a idéia de sair de casa", afirmou à Agência Brasil o analista de sistemas Luciano Albertini, do Rio de Janeiro, que tem 29 anos, namora há 11 e, finalmente, marcou casamento para este ano. Sua namorada, Renata, tem os mesmos 29 anos e ainda mora com a família.

Mesmo após tantos anos de namoro, o casal ainda não pensa em ter filhos. Luciano avalia que levará tempo para juntar recursos suficientes para arcar com as despesas de uma criança em casa.

Número de crianças de mães jovens cresce

A pesquisa Registro Civil 2003, também divulgada no mês passado pelo IBGE, indica que o número de crianças brasileiras nascidas de mães com menos de 20 anos vem aumentando a cada ano. Na década pesquisada pelo Instituto, que vai de 1993 a 2003, o percentual de bebês nascidos de mulheres com essa faixa etária passou de 17,3% do total de nascidos no país para 20,8% - um incremento de 16,8%.

Para o IBGE, esse crescimento preocupa, embora o fenômeno deva ser entendido também como uma alteração da relação entre faixa etária e fecundidade no Brasil, cuja redução ocorrida nas últimas décadas deu-se com maior ênfase entre mulheres de 30 a 49 anos. Essa mudança é a grande responsável por tornar o padrão de fecundidade do país mais jovem.

As maiores contribuições para o aumento da taxa de natalidade entre adolescentes vieram das regiões Norte (25,5%), Nordeste (23,3%) e Centro-Oeste (22,7%). Apesar deste crescimento de mães jovens, a maioria das brasileiras tem filhos nas idades entre 20 e 29 anos de idade.

 

ESPECIAL

FREIS INICIAM CAMINHADA CAPITULAR

Nos dias 22 e 23 de fevereiro, os cerca de 300 capuchinhos

da província gaúcha estarão reunidos em Veranópolis, preparando a agenda do XX Capítulo Provincial, marcado para agosto.

Também estarão representadas as vice-províncias do Mato Grosso e Rondônia e da República Dominicana. Será um reencontro

com a história, pois os freis estão em Veranópolis desde 1902

Está marcada para as 8h30 horas do dia 22 de fevereiro a abertura do Ano Capitular, com apresentação dos símbolos de cada Fraternidade. Caberá ao provincial, frei Luiz Turra, presidir a missa de abertura, no salão paroquial. Em seguida, o padre Inácio Neutzling, jesuíta, fará uma análise de conjunturas da realidade eclesial e religiosa. À tarde, frei Luiz Carlos Susin visualizará a resposta franciscano-capuchinha aos desafios de hoje. À noite será realizado evento cultural, aberto ao público. O dia 23 estará voltado para o próximo capítulo provincial, sendo eleita a comissão pré-capitular. Às 15 horas, na matriz, será celebrada a missa de encerramento, presidida por dom Clóvis Frainer. A hospedagem será resolvida num esquema tipicamente franciscano: as famílias veranenses acolherão os frades para o pouso e café da manhã.

"O evento tem como motivação a abertura do ano capitular. É um momento oportuno para ler os sinais dos tempos, ouvir juntos o apelo do Evangelho e discernir, concretamente, as propostas para o XX Capítulo Provincial", afirmou o provincial frei Luiz Turra ao Correio Riograndense ao esclarecer o objetivo do encontro. "Um passo importante na história de uma Fraternidade Provincial", continua frei Luiz, "não pode ser improvisado. A presença e a participação de todos, o diálogo de irmãos, a prece da fé e a partilha de opiniões e sugestões garantirão uma caminhada mais comprometida e fiel."

A escolha de Veranópolis como local de encontro deve-se ao fato de ser uma referência histórica, por onde passou a maioria dos freis que formam a Fraternidade Provincial. Isto, salienta o frei Luiz, "nos ajuda a não perder de vista o ponto de partida e retomar os passos rumo ao futuro." Com o encontro inicia a caminhada para o capítulo provincial, que ocorre de 15 a 19 de agosto, em Garibaldi.

Colonização - O Rio Grande do Sul nasceu tarde para a federação brasileira. Antes da descoberta do Brasil, em 1494, os chamados Reis Católicos - Espanha e Portugal - com o papa Alexandre VI, assinaram o Tratado de Tordesilhas, delimitando as futuras terras descobertas. Pelo Tratado, Portugal ficaria com os territórios a 370 léguas a leste da ilha de São Vicente, no Atlântico. Em função disso, grande parte do atual território brasileiro pertencia, juridicamente, à Espanha. Na realidade, os espanhóis pouco se interessaram por este legado, que incluía, além do RS, a Amazônia e todo o Centro-Oeste brasileiro.

O território gaúcho, por muito tempo, foi terra de ninguém. Somente no século XVII, por ação dos bandeirantes paulistas, o extremo sul foi incorporado ao Brasil. Com a independência, o imperador Pedro I tratou de ocupar este território e trouxe, em l824, os imigrantes alemães, que se fixaram na região do rio dos Sinos. Em l875, Dom Pedro II promoveu a vinda de imigrantes italianos, que ocuparam a Serra, a partir de Nova Milano.

Somente em 1848 o Papa Pio IX criou a Diocese de São Pedro do Rio Grande do Sul. Antes disso, o RS fazia parte da Arquidiocese do Rio de Janeiro. O terceiro bispo do Rio Grande do Sul, Dom Cláudio Gonçalves Ponce de Leão, preocupou-se com a situação religiosa dos imigrantes italianos. Em sua maioria católicos, vieram para o Brasil sem seus pastores. Dom Cláudio havia conhecido no Nordeste e Centro-Oeste do Brasil os missionários capuchinhos italianos. Bateu às portas das grandes províncias italianas, mas nenhuma delas tinha condições de atender o pedido. Pensou então na mais italiana das províncias francesas, Sabóia. Seu território abrangia o norte italiano, onde possuía conventos. O convite não seduzia os franceses, mas diante da insistência do ministro geral da Ordem, Frei Bernardo de Andermatt e do próprio Papa Leão XIII, acabaram aceitando. Os freis Bruno de Gillonnay e Leão de Montsapey foram designados pelo Provincial, frei Rafael de la Roche, para a missão gaúcha.

Apos um curso rápido de português - ambos conheciam bem o italiano -, na véspera do Natal de l885 estavam no porto do Rio Grande e dali seguiram para Porto Alegre. Dom Cláudio não tinha idéias muito claras sobre o futuro dos missionários. Imaginava que poderiam residir na Igreja das Dores, em Porto Alegre, em Torres ou mesmo no distante Alegrete. O padre Bartolomeu Tiecher, pároco de Conde D`Eu - atual Garibaldi - em visita ao Bispo, ofereceu aos capuchinhos um prédio de dois andares que possuía junto à paróquia. E no dia 18 de janeiro de l896 chegaram de barco até São Sebastião do Caí e pegaram carona numa carroça até Conde D`Eu. O objetivo: pregar missões aos imigrantes italianos.

Mesmo à distância é possível avaliar as dificuldades enfrentadas. Eram franceses, vindos ao Brasil para atender pastoralmente imigrantes italianos perdidos na floresta. Os recursos financeiros eram nulos. A missão iniciou logo e a acolhida foi a melhor possível. Os colonos se identificaram logo com "i nostri frati".

 

 

Os pilares lançados por frei Bruno

Formado na cultura européia, com passagem pelo Oriente Médio, frei Bruno converteu-se à nova realidade. Extremamente lúcido e prático, percebeu a situação e organizou, intuitivamente, um projeto que continua de pé 109 anos depois. Os quatro pilares do Projeto Bruniano:

Escola Seráfica - Aberta ainda em l898 em Conde D`Eu para acolher vocações nativas, uma vez que Sabóia, muito pequena, não poderia enviar indefinidamente religiosos ao RS.

Paróquias - Não era usual na Ordem assumir a direção de paróquias, mas frei Bruno viu nelas um apoio logístico para conseguir vocações. Era também uma maneira de ganhar o pão cada dia e poder pregar as missões gratuitamente.

Ensino - Sem instrução os filhos de imigrantes serão cidadãos de segunda categoria, pensava frei Bruno. Trouxe as Irmãs de São José de Chambéry e gestionou a vinda dos Irmãos Maristas e - mais tarde - dos Irmãos Lassalistas.

Correio Riograndense - Fundado em 1909, o semanário dirigido aos colonos italianos passava por maus momentos. Para frei Bruno era uma oportunidade de fazer uma visita semanal às comunidades missionadas.

Estes alicerces possibilitaram a construção, num ritmo rápido, de um imponente edifício. Um lance de sorte ajudou. A presença dos jovens religiosos franceses em Ghasir - Síria atual - passava por dificuldades. Frei Bruno convenceu os superiores da Sabóia que o Rio Grande do Sul reunia condições bem melhores. Em l898, cerca de 20 religiosos - professores e freis estudantes - vieram para o RS, consolidando a missão. Em 24 de junho de 1942, a Missão gaúcha tornava-se Província, a primeira de toda a América Latina.

Números e atividades da Província do RS

A Província gaúcha - incluindo a Vice-Província São Francisco de Cuiabá - conta com 188 sacerdotes, 60 irmãos não clérigos, 47 pós-noviços e 12 noviços. Os freis dirigem 48 paróquias e 12 emissoras de rádio. Uma das tradições capuchinhas é a pregação de Missões Populares. Equipe de 10 religiosos atua todo o ano nos três Estados do Sul. Há também um grupo significativo de frades atuando na Pastoral da Saúde e no atendimento aos hospitais. Também existem capuchinhos nas diferentes Pastorais Sociais. Uma das atividades prioritárias é a formação de novos capuchinhos. Em Porto Alegre é mantida uma Escola de Teologia, ESTEF, aberta também a outros religiosos e religiosas e a leigos. Merecem ainda destaque a EST - Editora, o Calendário Antoniano e o Correio Riograndense.

 

 

Frades que marcaram o primeiro século

Frei Bruno de Gillonnay. É sem dúvida o grande artífice da missão gaúcha. De 1896 a 1924, quando retornou à França, coordenou todas as iniciativas. Intuitivo, rápido, perspicaz, ele percebia o que era melhor e tratava de realizá-lo logo. Foi um homem à frente de seu tempo.

Frei Leão de Montsapey. Foi o companheiro perfeito para frei Bruno: calmo, reflexivo, muitas vezes recebeu a tarefa de contornar problemas que se originavam da impetuosidade de frei Bruno. Sem aparecer, realizou uma obra importante.

Frei José de Bento Gonçalves. Feito à imagem e semelhança de frei Bruno, coube a frei José (Cherubini) sucedê-lo quando este foi transferido para a França. Foi o primeiro provincial. É significativo o fato do grupo ter um superior gaúcho, apenas 28 anos após o início da missão. Além de custódio e provincial, foi pároco em Veranópolis e Lagoa Vermelha, destacando-se na animação espiritual e na construção de igrejas e salões paroquiais. Foi ainda pregador de Missões Populares e um dos responsáveis pelo livro "Cantai ao Senhor", praticamente manual único de cantos religiosos da região até o Vaticano II.

Frei Caetano de Monte Belo. Formou-se na Gregoriana e por causa da Grande Guerra teve de morar alguns anos na Europa. Influente e de entusiasmo contagiante, aos 80 anos ofereceu-se para integrar a nova Custódia em São Paulo.

Frei Gentil de Caravaggio. Missionário popular e grande orador. Em 1935 foi designado para a nova residência de Marau. Sem quaisquer meios materiais, deu início, ao mesmo tempo, à construção do convento, da matriz, do hospital e colégio das Irmãs.

Frei Exupério de La Compôte. Foi o último dos franceses a falecer no Brasil, em 1971, aos 95 anos. Encheu de melodias as colônias italianas. Organizou algumas bandas e compôs músicas sacras, especialmente a Missa da Imaculata.

Frei Aleixo de Caxias. Foi o capuchinho do catecismo. Organizou o primeiro manual para a catequese. Direto e prático, nas pregações nunca deixava de mencionar uma planta cultivada pelos índios e que oferecia grandes vantagens alimentares: a mandioca.

Frei João Crisóstomo. Unia o espírito de oração ao ardor apostólico e criatividade. Deixou marcas profundas, sobretudo em Paim Filho. Além de construir o magnífico templo gótico, foi o responsável pela primeira hidrelétrica da região.

Frei Paulino de Caxias. Com fino humor retratou os costumes da região na saga de Nanetto Pippetta "nascido na Itália e que veio fazer fortuna na América". Foi (e continua sendo) publicado no Correio Riograndense.

Frei Antônio de Caxias. Um dos maiores oradores de nossa história. Morreu com fama de santidade, sobretudo em Porto Alegre, aos 95 anos.

Frei Ambrósio Tondello. Passou os últimos 30 anos de vida no confessionário na Igreja Imaculada Conceição de Caxias do Sul. O povo cristão não tem dúvida: é santo.

Frei Salvador Pinzetta. Irmão leigo, primeiro ministro extraordinário da Eucaristia da diocese de Caxias do Sul. Está sepultado em Flores da Cunha. Foi introduzida a causa de beatificação.

Frei Bernardino Vian. É de uma geração posterior. Missionário em Portugal, de lá trouxe a devoção a Nossa Senhora de Fátima. Com a imagem peregrina e as pombinhas brancas, pregou Missões em todo o Brasil. Presente na construção de Brasília, recebeu o título de "Candango de Deus". Frei Bernardino não conhecia a expressão "é impossível"!

Sem dificuldade, esta lista poderia ser acrescida de outros nomes.

Presença do Sul ao Centro-Oeste do país

Conde D`Eu foi o ponto inicial da caminhada. Logo em seguida os freis capuchinhos se estabeleceram em Nova Trento, atual Flores da Cunha. Após uma missão, em 1897, a população exigiu que os freis passassem a residir na localidade. Ali surgiu o primeiro noviciado, construído em mutirão pela população. Em seguida foi aberto o Seminário Seráfico em Veranópolis, em 1902. No ano seguinte, quando os freis assumiram a direção do seminário arquidiocesano, estabeleceram-se em Porto Alegre. Havia muito mais pedidos que possibilidades. A caminhada estendeu-se para a extensa região de Vacaria e Lagoa Vermelha - em 1903 -, depois para Marau, em 1934, Soledade (1936), Caxias do Sul (1938), Pelotas (1942), Bagé (1943), Santa Maria (1948), Ijuí (1949) e Baixada Catarinense (1956).

Após a constituição da Província, os freis gaúchos foram chamados a refundar a província portuguesa. Uma dezena de frades atuou em terras lusitanas. Em seguida houve a tentativa de implantação de uma Custódia no oeste paulista. Após início promissor, a obra foi vetada pelo ministro geral frei Hilário Milanese.

Logo após os freis passaram o rio Paraná e estabeleceram-se, em 1956, em Goiás e Mato Grosso. Em 1982, a fundação tornou-se Província independente. Em 1983, seguindo sua vocação histórica de acompanhar os migrantes, os capuchinhos gaúchos iniciaram nova frente missionária, em Mato Grosso e Rondônia. No início estabeleceram-se em Tangará da Serra e Pimenta Bueno. Mais tarde em Cuiabá, Porto Velho, Campo Novo do Parecís, Barra do Bugres, Primavera, Sapezal, Espigão do Oeste, Comodoro. Em dezembro passado, a fundação tornou-se Vice-província, com sede em Cuiabá, com cerca de 50 religiosos. No ano que passou, atendendo insistente pedido do ministro geral, foi assumida também a Vice-província da República Dominicana e Haiti.

 

IGREJA

Pontífice pede respeito aos idosos

Mensagem do Papa

acena para importância

do ancião na Igreja

Todos os anos, o período da Quaresma se apresenta para os cristãos como um tempo propício para intensificar a oração e a penitência, abrindo o coração à aceitação da vontade divina. Neste ano, o Papa João Paulo II, em sua mensagem para o tempo quaresmal, acrescenta mais um tema para a reflexão dos fiéis – ele acena para a importância do ancião na Igreja.

Depois de assinalar que a Quaresma indica um percurso espiritual que "nos prepara para reviver o grande mistério da morte e ressurreição de Cristo, sobretudo mediante a escuta mais assídua da palavra de Deus e da prática mais generosa da mortificação, graças à qual pode ajudar em maior medida o próximo necessitado", o Papa propõe aos cristãos uma reflexão sobre os idosos.

Dignidade - João Paulo II, ele próprio um exemplo de ancião debilitado e fragilizado pela doença, convida a voltar as atenções para esse tema durante a Quaresma "para aprofundar a consciência do papel que os idosos estão chamados a desempenhar na sociedade e na Igreja, e dispor assim o coração para o acolhimento amoroso que lhes deve ser sempre reservado".

No texto, o Santo Padre recorda a grandeza da dignidade do idoso, sublinha que o quinto mandamento ("Não matarás") "não perde sua vigência ante a presença das enfermidades, e quando a debilitação das forças reduz a autonomia do ser humano" e chama os cristãos a descobrir o recíproco enriquecimento entre as gerações. Ao apresentar a mensagem do Papa no Vaticano, o arcebispo Paul Cordes, presidente do Pontifico Conselho "Cor Unum", chamou a atenção para esse último aspecto.

O arcebispo destacou que há uma nova relação entre as gerações, especialmente porque se multiplicou, principalmente na Europa, o número de pessoas idosas, enquanto que diminuiu a população jovem. Dom Cordes citou como exemplo a Itália. Há 15 anos, 15,3% da população superavam os 65 anos de idade. Em 2050 serão 34,9% ou 14,4 milhões de pessoas. Na França serão mais de 15 milhões e na Alemanha, 20 milhões.

Eutanásia - Com esses novos desequilíbrios, os gastos de assistência aos idosos constituem um perigo para os trabalhadores mais jovens, advertiu Cordes. "Um perigo maior ameaça os anciãos. Os jovens crêem cada vez mais que os velhos são um peso, ocupam espaço, limitam o tempo livre [...] Por que, então, não eliminá-los de nossa vida? Ou exilá-los atrás dos muros? Ou oferecer-lhes uma morte doce?". Diante dessa realidade, o arcebispo alemão afirma que o tema da eutanásia se torna inevitável, que já há associações para promover o direito de "morrer dignamente" e que se fortalece uma nova cultura – a cultura de morte.

"Que aconteceria se o povo de Deus cedesse a uma certa mentalidade corrente que considera quase inúteis esses irmãos mais velhos, quando são limitados nas suas capacidades pelas dificuldades da idade ou pela doença?", questiona o Papa. Para quem sabe discernir, a urgência e importância da mensagem quaresmal de João Paulo II não necessita de mais razões, conclui dom Cordes.

Fragilidade do Papa preocupa católicos

Pela primeira vez em seus 26 anos de pontificado, João Paulo II não presidiu a cerimônia da Quarta-feira de Cinzas que abre o tempo da Quaresma. Na quarta-feira, 9 de fevereiro, o Papa permanecia na Policlínica Gemelli, em Roma, onde foi internado no dia 1º de fevereiro por causa de uma laringotraqueíte e crise de laringoespasmos, que lhe dificultavam a respiração. A cerimônia da Quarta-feira de Cinzas na Basílica de São Pedro foi presidida pelo cardeal norte-americano James Stafford.

Diante da melhora da saúde de João Paulo II os médicos lhe deram alta e o Papa voltou ao Vaticano na quinta-feira, 10. Cada vez que o estado de saúde do Santo Padre, que sofre do Mal de Parkinson, piora, uma atmosfera de preocupação se instala em toda a Igreja Católica. No próprio Vaticano, fala-se até de uma possível renúncia, mas vários cardeais deixaram claro que nesse momento não se propõe essa questão, pois o Papa mantém toda lucidez para guiar a Igreja Católica.

Para o cardeal Giovanni Battista Re, prefeito da Congregação para os Bispos, nessa hora "falar de renúncia do Papa é de mau gosto".

O cardeal Angelo Sodano, secretário de Estado da Cidade do Vaticano, afirma que uma eventual renúncia do Papa é uma questão "para a sua consciência". O Código de Direito Canônico prevê a possibilidade de renúncia de um papa, mas João Paulo II já deixou claro que pretende levar sua missão "até o fim" e "até quando Deus quiser". O bispo diocesano de Caxias do Sul, dom Paulo Moretto, prefere não opinar sobre o assunto, mas salienta que o "Papa não é um general, mas um pai, que tem consciência de sua tarefa" e, como o próprio Pontífice já revelou, "um pai não se demite de sua função".

 

 

Ecumenismo é comunicação

Padre Zezinho

Religião é como remédio.

Tomado na dose certa, cura.

Na dose exagerada, pode intoxicar

Eu comunico minha fé em presença de outros irmãos que também comunicam a sua em minha presença. Eu a comunico do meu ângulo e ele do seu. Na maioria das vezes comunicamos isoladamente, mas muitas vezes comunicamos juntos.

Falamos de nossas semelhanças e, quando preciso, de nossas diferenças, sem nunca perder a classe ou o respeito. Dou a ele o direito sagrado de falar de Deus e ele me dá o mesmo direito. Somos dois filhos amorosos de Deus falando de nossa experiência de amá-lo e buscá-lo a partir de nossas Igrejas e de nosso ângulo. Eu não acho que sei tudo nem ele acha que sabe tudo. Não concordamos em tudo, mas nos tratamos muito bem.

Somos dois filhos bem educados falando cada qual da nossa mãe e interessados em ouvir o outro falar sobre a sua. Dessa comunicação serena nasce nossa admiração mútua e nossa maturidade em manter nossas convicções sem jamais fazer pouco caso das convicções do outro. Discordamos sem discórdia.

O ecumenismo é hoje uma das mais altas formas de comunicação cristã. Quem o descobriu está mais perto dos evangelhos. Quem o combate está décadas ou séculos atrasado. Vai ter que caminhar muito até descobrir que o Deus que o ilumina também ilumina os outros; o Deus que o ama também ama os outros e que o outro também ama o Deus que ele ama.

A palavra é humildade. Só os humildes conseguem aceitar o ecumenismo com serenidade. Os outros viverão sempre a tentação de um dia converter o outro para o seu jeito de pensar e de orar. Porque, no fundo, eles sonham com a hegemonia: um dia todo mundo orará como eles. Nunca entenderam a idéia de um só rebanho e um só pastor.

Religião é como remédio. Tomado na dose certa, cura. Na dose exagerada pode intoxicar e causar disenteria espiritual. A palavra "eu" é muito bonita, mas fica feia quando se torna onipresente. O egoísta usava a palavra Deus, mas descobriu que podia tirar o D e o s dela. Ficou com o que lhe interessava. Todo o sujeito que cultiva muito o pronome eu, usa mal o nome de Deus.

 

Capuchinhos acolhem nove postulantes

Jovens iniciaram novo período de formação

na cidade de Caxias do Sul

No período de 6 a 11 de fevereiro, nove jovens viveram um "carnaval" diferente. Reunidos na casa de retiros das Irmãs do Imaculado Coração de Maria, no bairro Diamantino, em Caxias do Sul, eles fizeram desse período um tempo de reflexão e discernimento vocacional, pois se preparam para a vida religiosa franciscano-capuchinha.

Os momentos de estudo, oração e reflexão foram orientados pela irmã Jacinta Brill, religiosa franciscana bernardina, e com acompanhamento de frei Raul Suzin, membro do Serviço de Animação Vocacional. O retiro foi norteado pelo tema geral "Queremos ver Jesus, caminho, verdade e vida". No final do encontro houve missa presidida pelo definidor do setor de formação, frei Genésio Fracasso, e a oficialização dos jovens nesse novo período formativo.

Em 2004, os nove jovens realizaram o ano de iniciação em Flores da Cunha e no dia 1º de fevereiro de 2005 iniciaram o postulantado em Caxias do Sul. Alisson Brunetto, natural de Xanxerê (SC), José da Rosa Barreto (Lagoão – RS), Maicon Bocalon (Nova Bassano – RS), Márcio Bacchi (Sananduva – RS) e Robson Chiarentin (Ibiraiaras – RS) passaram a integrar a Casa Bom Pastor, no bairro Kayser. Eles serão orientados pelo mestre de postulantes, frei Ismael Sartor.

Carlos Júnior dos Santos (Marau – RS), Francisco Amarante Ruas Neto (Nova Alvorada – RS), Gabriel Francisco Cavalli (Rondinha – RS) e Laércio Dumunelli da Luz (Nova Veneza – SC), residem na Casa Santa Fé, no bairro Santa Fé, sob a orientação do mestre, frei Valdir Pretto, coordenador do postulantado.

Esse é o quarto grupo de jovens aspirantes à vida franciscano-capuchinha que inicia o postulantado em Caxias do Sul, dentro do novo itinerário formativo adotado pela Ordem capuchinha. Esse período formativo prossegue até o final de setembro e, no dia 4 de outubro, os postulantes iniciarão, em Marau, o ano de noviciado.

Frei Valdir Pretto salienta que, em Caxias do Sul, além de aprofundar sua opção à vida capuchinha, já feita no ano de iniciação, através de estudos específicos e reflexão, os postulantes realizarão seus estudos acadêmicos e vão atuar, de forma voluntária, nas comunidades do Grande Bairro Santa Fé e nas comunidades da paróquia Imaculada, além de desenvolver atividades na Lefan, ACPMen e Lar da Velhice São Francisco de Assis. "Neste ano, pela primeira vez, os postulantes poderão marcar presença também nos hospitais da cidade", revela frei Valdir.

Paróquia Imaculada realiza encontro de oração pela paz

No dia 25 de fevereiro, às 20 horas, no salão da paróquia Imaculada Conceição, em Caxias do Sul, será realizado um "Momento de oração para a saúde e a paz". O encontro será motivado a partir do CD "Mantras – Para uma espiritualidade de comunhão", de frei Luiz Turra, provincial dos capuchinhos do Rio Grande do Sul, e do livro "Quando a vida se torna oração", de frei Jaime Bettega, pároco da Imaculada. O coral Imaculada Conceição participa do evento. As duas obras, editadas pela Paulinas Livraria, serão lançadas em Caxias do Sul durante o momento de oração. O disco reúne músicas compostas por frei Luiz Turra, interpretadas pelo grupo "Os cantores da esperança", de Caxias, sob a regência do compositor. Os mantras são orações muito usadas também pelos orientais e místicos, com melodias que facilitam a reflexão e a contemplação através da repetição de palavras, frases e estrofes de salmos.

Num mundo marcado pela agitação e pela excessiva exteriorização, esse novo jeito de rezar ajuda para uma vida de mais harmonia, paz e sintonia com o Criador. O livro de frei Jaime reúne orações feitas diariamente na Rede Maisnova FM, às 7 e às 18 horas.

Largue a corda

Aldo Colombo

Crer na palavra de Deus

é garantia de uma vida cheia

de significado, de um caminho

marcado de luz

Desde criança gostava de escalar montanhas. Alpinista afamado, sempre buscava novos desafios. Por vezes, de maneira imprudente, escalava montanhas sozinho, sem nenhum companheiro. Numa destas subidas, alguns imprevistos atrasaram a escalada e chegou a noite. Densas nuvens e trevas tornavam perigoso qualquer movimento. Subindo por uma parede, a apenas 100 metros do topo, escorregou e caiu. Foi descendo a uma velocidade incrível, imaginando o que poderia acontecer no instante seguinte. De repente sentiu um puxão forte, que quase o partiu em dois. Como todo o experimentado alpinista, havia cravado numa estaca de segurança uma corda comprida, amarrada à cintura. Foi essa que evitou a queda e a morte.

Mas o perigo não havia passado. Suspenso na rocha nevada, sem saber exatamente onde estava, sentia um frio mortal envolvendo-o. Nesse momento lembrou-se de Deus, pedindo ajuda: por favor, Deus, me salve... E ele teve a nítida percepção que uma voz dizia: largue a corda que o mantém pendurado. Largar a corda? Ele não era louco. A corda era sua segurança. E passou as longas horas da noite agarrado à corda com um frio mortal rondando por ele. De manhã, quando, finalmente, a luz começou a mostrar a paisagem, ele se deu conta que estava agarrado a uma corda a tão somente dois metros do chão.

Todos nós, de alguma maneira, somos alpinistas galgando as difíceis montanhas da vida e os problemas acontecem seguidamente. Muitas vezes caímos, outras vezes a escuridão nos envolve e em nossa solidão nos lembramos de Deus. E a voz se repete: largue a corda! Isto significa: deixe de lado as seguranças humanas e salte. É o salto da fé. Esse salto exige coragem, pois a fé é crer sem ter provas concretas. Não temos provas, mas temos certezas. Podemos não pular, agarrados à corda das seguranças terrenas. E ficamos na solidão, nas trevas e nos perigos.

Num incêndio, uma criança ficou isolada no segundo andar, em meio à fumaça. Embaixo o pai gritava, salta minha filha. E a menina explicava: pai, eu não enxergo você! O pai insistiu: salte, pois eu enxergo você. Ela saltou e caiu nos braços do pai.

A fé implica em alguns riscos, mas não ter fé implica em riscos infinitamente maiores. Deus é Pai, Deus é amor. Ele não se engana, nem quer nos enganar. Largar a corda das seguranças humanas é um ato de inteligência. Crer na sua palavra é garantia de uma vida cheia de significado, uma vida e um caminho cheios de luz, assinalando a casa do Pai.

É uma experiência que tantos fizeram. Você pode não saltar, mas o frio, a solidão e a falta de sentido serão seus companheiros na vida e na morte.

CF convida a despertar para a paz

Campanha deste ano

é promovida por sete

Igrejas cristãs do país

Na Quarta-feira de Cinzas, 9 de fevereiro, ocorreu em todas as dioceses do país o lançamento da Campanha da Fraternidade 2005, que aborda o tema "Solidariedade e Paz", com o lema "Felizes os que promovem a paz". Pela segunda vez, a CF é ecumênica – a primeira ocorreu no ano 2000. Em Brasília, a CF-2005 foi lançada a partir das 14 horas, no templo da Igreja Metodista, com a presença da diretoria do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), de dirigentes das sete Igrejas que congregam a entidade, membros da comissão organizadora da CF e do Grupo Ecumênico de Brasília.

Na diocese de Caxias do Sul, a 41ª Campanha da Fraternidade foi lançada pelo bispo dom Paulo Moretto. O bispo caxiense lembrou que a CF é um tempo intenso em favor da fraternidade, "que nos convoca a sermos irmãos, a sermos uma grande família". Dom Paulo destacou que a paz é tudo o que o coração humano busca e que a campanha deste ano, promovida em conjunto pelas Igrejas cristãs, quer que "tenhamos consciência da importância e da necessidade desse grande bem humano".

Dom Paulo salientou que a maior preocupação não é a de promover ações concretas em favor da paz. "Ao longo do ano, elas certamente acontecerão (matéria ao lado), mas acima de tudo, a CF pretende evangelizar, conscientizar, mudar o coração, despertar para uma vida e um mundo de paz". Ele defende a necessidade de retomar o sentido do termo paz. Infelizmente, disse o bispo, termos como amor, caridade, fraternidade estão "gastos".

O bispo caxiense salientou que a paz é o tema central da vida de Jesus. "Ele anunciou, trouxe e mostrou o caminho da paz". Dom Paulo também destacou a importância de uma campanha feita em parceria com outras Igrejas cristãs. "A paz é um desejo de todas as Igrejas e a união em torno de um tema tão urgente para o mundo atual é uma demonstração concreta de fraternidade, um sinal dos tempos".

Construtores – Para João Paulo II, "os cristãos que trabalham na promoção da paz são instrumentos eficazes de evangelização e um exemplo para todos na construção de uma sociedade mais fraterna e mais atenta às necessidades dos irmãos". Essa foi a mensagem enviada pelo Papa ao cardeal dom Geraldo Agnelo, presidente da CNBB, referente à CF-2005 lançada pelo episcopado católico e pelo Conic. "A feliz iniciativa, promovida pela Igreja Católica há mais de 40 anos, estendeu-se a todas as denominações cristãs do Brasil, constituindo assim uma significativa ocasião de colaboração ecumênica", sublinhou o Papa.

"O marco ecumênico da CF deste ano e a colaboração dela originada facilitará aos cristãos do Brasil um melhor conhecimento recíproco e uma maior estima mútua", finalizou o Pontífice.

 

Defensoria vai lutar contra violência

O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic) criou na quarta-feira, 9 de fevereiro, a Defensoria da Paz. Trata-se de uma das primeiras ações efetivas da CF-2005. Em parceria com o Ministério Público Federal, a defensoria vai coordenar uma rede de instituições e voluntários preocupados com a violência.

O procurador Alexandre Camanho de Assis, um dos responsáveis pela defensoria, explica que a instituição agirá "como um observatório, apontando os casos de desrespeito à dignidade humana e aplaudindo as boas experiências nessa área". De acordo com Assis, será lançado um site na internet e instalada uma linha telefônica para servir como ouvidoria. "Vamos receber denúncias, estimular o diálogo na comunidade e capacitar lideranças para mediar conflitos".

Além da defensoria e da Campanha do Desarmamento, o Conic quer, por meio da CF, apoiar os conselhos de defesa e controle social das políticas públicas, atuar em conselhos de direitos da criança e incentivar a campanha em favor do registro civil de nascimento.

Diocese e UCS realizam curso sobre filosofia da religião

Será realizada de 21 a 25 de fevereiro de 2005, no seminário Nossa Senhora Aparecida, em Caxias do Sul, a "Semana de Estudos sobre Filosofia da Religião". O evento, destinado a seminaristas maiores da diocese de Caxias do Sul, estudantes de filosofia, professores, sacerdotes, religiosos, religiosas e pessoas interessadas, será assessorado pelo jesuíta Juan Carlos Scannone, doutor em Filosofia pela Universidade de Munique (Alemanha), e professor em Buenos Aires e na Gregoriana de Roma.

A semana de estudos é promovida pela diocese e pela Universidade de Caxias do Sul. Tem como objetivo "tratar o problema de Deus à luz do ponto de vista da filosofia, buscando fundamentar a possibilidade da transcendência do homem a partir da pergunta pelo sentido da vida em sua totalidade". Também pretende articular o conhecimento filosófico com a experiência religiosa nos tempos atuais, analisar as razões da volta ao sagrado e compreender a experiência de Deus na vida do ser humano.

Além das palestras de Scannone acerca da temática "Da fenomenologia da religião na América Latina à filosofia da religião", à noite haverá estudo sobre os conceitos de Deus em Santo Agostinho, orientado pelo professor Everaldo Cescon, no dia 21; em São Tomás de Aquino (João Roberto Masiero, dia 22), em Hegel (Thadeu Weber, dia 23) e em Lima Vaz (Marcelo Fernandes de Aquino, dia 24).

Informações na Sala 31 da UCS ou pelo fone (54) 218.2430. Inscrições para obtenção do certificado de extensão até o dia 18 de fevereiro na sala 31 da UCS ou até o dia 21 no local do evento.

 

Cultura da fraternidade

Wilson João

Para quem crê que

Deus é Pai, não há

dificuldade para viver

em clima de fraternidade

Um filósofo, constatando a realidade social, falou uma frase trágica: "O homem é lobo do próprio homem". Quer dizer, estamos numa sociedade onde um come o outro, um destrói o outro. É a competição. A luta pelo poder. Um ser maior do que o outro. Um por cima do outro. Um se elegendo o deus dos outros. É o pecado original. Pecado que está no coração de muitas pessoas. É o domínio humano. Os outros para mim. Os outros para criar meu lucro, meu prazer, meus degraus para subir. Fazer das pessoas degraus para subir. E ninguém é degrau de ninguém. Nenhum ser humano é pedra, madeira, argamassa, mármore, material de construção que serve de degrau para o outro subir. Pisar no outro, é pisar em seu próprio sangue, em sua própria dignidade. É pisar a humanidade toda. Neste mundo de desigualdade é preciso criar a cultura da fraternidade.

TODOS IGUAIS. Todos seres humanos. Ninguém mais humano do que o outro e nem mais divino. Todos filhos de Deus. Todos criaturas humanas. Todos com o mesmo sangue, mesmo coração, com um corpo com as mesmas necessidades, desde o alimentar-se até o eliminar os restos. Todos com desejos de vida perfeita e com todos os sonhos de infinito, e ao mesmo tempo vivendo na fragilidade de um corpo que fica doente e que se entrega diante do frio e do calor. Essa igualdade faz um olhar nos olhos do outro e dizer: você é meu irmão.

TODOS COM UM MESMO DESTINO. O nascimento nos faz iguais, mas muito mais a morte. Muito mais, o caminho que é o mesmo para todos. Há um caminho diferenciado para cada pessoa, e ao mesmo tempo o caminho do coração é o mesmo. É a busca da vida e da paz, do amor e da alegria, da felicidade e do prazer, da eternidade e da harmonia. Quem não busca isso? É possível que loucos e desnorteados busquem a realização dos mesmos desejos por caminhos tortos e errados. É a frustração.

DEUS É NOSSO DESTINO. Esse Deus, chamado por muitos nomes, e não importa o nome, é o desejo da busca, do conhecimento, do amor e do abraço de toda criatura. Deus, que é Pai, nos iguala a todos como irmãos. Para quem crê que Deus é Pai, não há dificuldade para viver em fraternidade. A destruição da fraternidade acontece porque as pessoas, em vez de escolherem um Deus para ser o Pai de todos, se elegem a si mesmas como deuses. E quem se elege tenta destruir o outro para ser um deus mais poderoso.

Na verdade, a cultura da fraternidade tem como ponto de partida a crença num mesmo Deus, e deste modo se realiza a palavra saída da boca do próprio Deus: "Eu sou vosso Deus e vós sois o meu povo..." ou ainda "Há um só Pai e vós sois todos irmãos".

 

LEITURA

EST lança mais quatro obras do Projeto Raízes

Livros contam história de Osório,

Sananduva, Capão da Canoa e Canela

A EST Edições está lançando mais quatro livros que integram o Projeto Raízes, uma iniciativa que visa contar a história, com textos e ilustrações, dos municípios desmembrados de Santo Antônio da Patrulha. A genealogia dos originários de Santo Antônio revela 77 municípios, ou seja, mais de 15% dos atuais 497 municípios gaúchos têm origem na história da Santo Antônio da Patrulha. Entre os orignários, sete são considerados filhos (Vacaria, Conceição do Arroio (Osório), Lagoa Vermelha, São Francisco de Paula, Rolante, Taquara e Caraá), 33 "netos", 27 "bisnetos" e 10 "trinetos". Com mais essas obras já chega a 25 o total de livros editados pela EST dentro deste projeto. Ao todo, serão editados mais de 50, cada um referente a um município, segundo informa o editor frei Rovílio Costa.

Raízes de Osório

Organizado por Ana Inez Klein, Marly Scholl e Véra Lucia Maciel Barroso, o livro Raízes de Osório tem 832 páginas sobre o município emancipado de Santo Antônio da Patrulha em 1857 com o nome de Conceição do Arroio e que só em 1934 adotou a atual denominação. Valor: R$ 85,00.

Raízes de

Capão da Canoa

Os organizadores desta obra são Luis André Espindola, Renata Feldens Florentino e Véra Lucia Maciel Barroso. São 664 páginas contando a história, o passado de trabalho e a memória de Capão da Canoa, um "neto" de Santo Antônio da Patrulha, emancipado de Osório em 1982. Valor: R$ 65,00.

Raízes de Sananduva

Claudir José Bernardi e Véra Lucia Maciel Barroso organizaram Raízes de Sananduva, "neto" de Santo Antônio da Patrulha, emancipado de Lagoa Vermelha em 1954. Para Claudir, a obra é "a oportunidade de participar da construção e reconstrução da história do nosso município". São 448 páginas. Valor: R$ 45,00.

Raízes de Canela

Organizado por Pedro Oliveira e Véra Lucia Maciel Barroso, Raízes de Canela reúne, em 780 páginas, os principais fatos que marcaram a história do "neto", emancipado de Taquara em 1944. Valor: R$ 80,00. Essas quatro obras podem ser adquiridas através do telefone (51) 3336-1166 ou do e-mail rovest@via-rs.net.

Novos livros do Religiões & Etnias

A Est Edições também está lançando mais três obras dentro do projeto Religões & Etnias, 130 anos da Imigração Italiana - 1875-2005. Vida de São Francisco de Assis (340 págs.), de Omer Englert, com tradução de Adelino Pilonetto e apresentação de Armindo Trevisan, é uma delas. Valor: R$ 35,00.

Outro livro que acaba de ser lançado é Dom Vicente Cardeal Scherer no seu tempo, de Edy Job Pizzato, com apresentação de Dom Antônio do Carmo Cheuiche. A obra retrata a trajetória do cardeal gaúcho, que completaria 100 anos de vida em 2003, tem 256 páginas e seu valor é R$ 25,00.

O outro lançamento do projeto da EST é Açorianos no Rio Grande do Sul - Brasil, organizado por Santa Inèze Domingues da Rocha. São 104 páginas ao valor de R$ 15,00.

Religiões & Etnias tem ainda as obras Memorial Açoriano, de Luiz Antônio Alves (um repertório das famílias açorianas no Sul do Brasil, indicando a localidade de origem); Recordar é Viver - Família Maccagnan; e Agroindústrias, frigoríficos e coooperativismo, de João Tedesco e outros. Vendas pelo fone (51) 3336-1166 ou pelo e-mail rovest@via-rs.net

cultura da imigração

el ritorno de nanetto pipetta (296)

Nanetto se comove al veder la carega de San Piero

Rafael Baldissera

Professor, Curitiba - PR - Ilustrações de Vitória, Marina e Olívia Baldissera de Souza

- La Basìlica de San Piero, spiega Edilson, la ze stà fata su dove gera el Sirco de Nero e ndove San Piero l’è stà martirisà e sepoltà. Nel ano 84 dopo Cristo, el Papa Anacleto el ga fato costruir na pìcola Basìlica. Pi tardi, nel 324, el Imperador cristian Costantino el ga fato costruir una pi granda, che, durante i sècoli la ga ricevesto riche donassion, vegneste de tute le parte.

Dopo na pìcola sos-ta par el grupo vardar la belessa dela architetura e dele piture, Edil-son el contìnua:

- In sta Basìlica, Carlo Magno l’è stà coronà tel ano 800, pal Papa Leon III. In 1506, la Basìlica la ze stà aomentada par Bramante, Fra Giocondo, Rafaelo, Giuliano de Sangalo, Baldassare Peruzzi e Michelàngelo. In 1607, la Basìlica la ga buo altri aomenti, come la grandiosa cùpola, progetada par Michelàngelo, el grande baldachin e la càtedra de San Piero, una dee pi geniae invension de Bernini. La Càtedra de San Piero la ga rento la carega de legno, doperada par San Piero. Soto el baldachino, el altaro e la Càtedra ghe ze la tomba coi ossi de San Piero. El Papa el dise la messa in te sto altaro. In questo momento Nanetto el tira el fassoleto dela scarsela dedrio, e el suga du grosse làgrime. Lora Cezar Guerzé, un colega de viaio, el ghe dise:

- Nanetto, ti te sì drio piander?

- Mi son restà comosso tea presensa de tanta realtà. Quante bele cose a gavarò da contar a la Gelina!

- Ma, Nanetto, chi zela sta Gelina? Ghe domanda Guerzé.

- La ze la me morosa, poareta, la ga piandesto quando mi son vegnesto via. Dopo, Edilson el invita el grupo a amirar la Pietà de Michelàngelo, scolpida in marmo:

- La Pietà la ze na meraviliosa òpera de arte. La ze la Madona sentada con Gesù morto tel colo. El viso l’è stà danificà par un demente, ma l’è stà rifato con sera de carnauba del Brasile.

Lora tuti i ga aplaudio delicatamente, parché no se pol far buio tea Basìlica piena de visitanti de tute le parte del Mondo.

- Adesso, invita Edilson, ndemo visitar la Capela Sistina.

- Cossa zela sta Sischina? Domanda Nanetto.

- Capela Sis-ti-na, Nanetto, nò Sischina, la ze stà mandada costruir pal Papa Sisto in 1475, par questo la se ciama Sistina. La ze rente ala Basìlica. La ze stà pintada con afreschi par Michelàngelo, Rafael e altri artisti. I ze 7.100 metri de coridoi, con piture e stàtoe. Ma le òpere pi importante le ze quele de Michelàngelo, come el Giudìssio Universal, tea parete del fondo. El total de tute le piture de Michelàngelo tea Capela le soma 800 metri coadradi.

Vita Stòria e Fròtole

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

Fameia Peruzzo e la so stòria

Léo Peruzzo Junior

Seminarista, Porto Alegre - RS

[Léo el scrive la stòria come la ga contada so nono Ogelmiro, in prima persona].

In 1889, dise Ogelmiro, rivea in Mèrica me pupà Giovanni Peruzzo, insieme con so pare, so mare, tre fradei: zio Toni, Augusto (Chino), el zio Àngelo, e na sorela quase per maridarse, la bela fémena Joana.

Me noni i se ciamea Antònio Peruzzo e Àngela Meneghini. El so postesin in Itàlia zera Énego-VI, che ancoi, dopo sento ani, el ze ancora pi pìcolo, ma belo. Dopo rivai al Brasile i ze ndai star tea Colònia Alfredo Chaves (Veranópolis-RS). Pochi ani i è stai lì, e con le poche cose che i gavea i è ndati in Guaporé-RS, tea Lìnia Grotera, in meso bruti monti, bosco e sassere. El zio Toni e la zia Joana i ze stai pochi ani insieme. I se ga maridai e i ze ndai in Santa Catarina. Me pare el se ga maridà con Luiza Moreto, zio Chino (Augusto) con Lucia Bertoldi e el zio Àngelo con Barbarina Olmo.

La Grotera, tel scomìnsio del sècolo XX, l’era sensa gente. La zera, e ancora la ze, solo piante e sassere. Me pare el disea che in Itàlia, quando fea fredo e la neve sfredava tuto, tochea molder e piégore, parché no se gavea vache. Se magnea quando se gavea qualche cosa da magnar. In Grotera èrimo un poco meio: ghemo fato na ceseta, el cemitero e na bodega par dugar le carte a la doménega. Se gavea poco ma se passea mia fame.

Me nono el ze morto tel 1902, e la nona l’è stata insieme con me fameia. Nel 1918, ze morto la nona e la prima dona de me pare, Luiza Moreto. Me pare el ze restà con sei fioi pìcoli e, tre ani dopo, el se ga maridà con me mare, la Adelaide Stuchi. De questo matrimònio semo nassisti mi (Ogelmiro), Graciosa e le gemele Dileta e Luiza, questa ùltima la ze morta pena nassista.

Tra i tre fradei i gavea pi de quaranta fioi, tuti bei e sani. Altre fameie le rivea te la Grotera: Dalla Costa, Nervis, Bertoldi, Bernardi, Pavoni... Nel 1930-1940 te la Grotera stea pi de 240 persone. Tuti i laorea in colònia, i gavea i so porchi, piégore, cavre, galine, colombe, cavai o mule, vache, e el vignal rente casa par far el bon vin e béverlo de gusto.

I vestiti dele done i rivea fin i calcagni, e i òmini no i podea vardarle tanto, sinò so pare el restea cativo come un can. Qualche strucon de òcio e varda là! E cossita la fameia se sgrandia là e in tute le parte.

Nel scomìssio, el prete el vignea solche na volta al mese, a caval o a pié. L’era bel vìvere e laorar, perché tuti i se volea ben come fradei. Tel scomìssio ze stà na vita con magagne e malatie, ma Dio el ga sempre giutà a tuti.

I ani i è passadi e la mama Adelaide la ze morta nel 1950, e me pare sei ani dopo. Son maridà nel 1943 con Helena Pasquali e gavemo oto fioi. Ancoi la Grotera ze un posto pìcolo, con sessanta fameie e tute le laora in colònia.

Pochi i è ndati veder el posto in Itàlia de dove ze vegnesti i nostri veci, ma ricordemo tuto quel che i parlea, soratuto el viaio de trenta sei giorni.

Ricordar la belessa dea vita par rivìverla!

Comitiva de Treviso faz visita a Garibaldi

Uma comitiva formada por 40 italianos da região de Treviso visitou Garibaldi no início de fevereiro. A delegação foi recepcionada pelo prefeito, Antonio Cettolin, e secretários municipais. A visita a Garibaldi teve em vista o gemellaggio com Conegliano, assinado recentemente pelo prefeito de Garibaldi, que será confirmado ainda neste mês com a presença de representantes dessa cidade italiana na Serra gaúcha.

Faziam parte da comitiva que esteve em Garibaldi o assessor do presidente da província de Treviso, Paolo Speranzon; Giovanni Foltran, representante da Associação Trevisani nel Mondo; além de integrantes do Gruppo Folclórico Pastoria Borgo Furo, que realizou diversas apresentações durante a XII Fenavinho, em Bento Gonçalves. Em Garibaldi, a delegação italiana conheceu o Projeto Turístico Passadas e os prédios históricos da cidade e visitou a Estrada do Sabor, durante a qual pôde ouvir o dialeto vêneto e degustar a gastronomia italiana da região.

 

GERAL

 

Feira da Vindima amplia as atrações

 

Evento abre dia 19,

em Flores da Cunha

"Muitos Motivos, Um Só Lugar". Este é o slogan da Feira da Vindima 2005, evento que ocorre de 19 de fevereiro a 20 de março de 2005, aos sábados e domingos, no Parque da Vindima Eloy Kunz, em Flores da Cunha. A Feira, promovida pelo Centro Empresarial de Flores, tem como objetivo incentivar a comercialização de malhas e confecções, móveis, vinhos, fabricados pelas empresas florenses. Além de movimentar turisticamente o município, fortalece o artesanato e a gastronomia locais.

A novidade para esta edição é o investimento na reestruturação visual interna do pavilhão 3, que abriga os setores de vinhos e móveis. "Haverá grande participação do setor de malhas e confecções, com preços diferenciados", destaca a presidente da Feira da Vindima, Maria De Grandi. A criação da "Alameda do Vinho" e do "Espaço Casa Nossa" visa oferecer maior valorização aos expositores. Os organizadores esperam receber um público de mais de 60 mil pessoas.

Marcha aborda desigualdades

Brasília vai receber prefeitos

de 7 a 10 de março próximo

A discussão do papel do município dentro do modelo federativo brasileiro, suas competências e como se dará o financiamento para a redução das desigualdades sociais no país. É o tema central da VIII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios. Será realizada de 7 a 10 de março, em Brasília. Trata-se do maior evento municipalista do país. É promovido pela Confederação Nacional de Municípios (CNM).

A Marcha a Brasília vai abordar questões como saúde, educação, meio ambiente, agricultura, saneamento, e desenvolvimento urbano, assistência social, modernização administrativa e turismo. Também recebem destaque a relação com o Congresso Nacional e a conclusão de votação de projetos fundamentais para o municipalismo.

Em 2004 participaram o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, 14 ministros, 1.983 prefeitos, 392 deputados federais, 284 deputados estaduais e dois governadores, informa o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski. A meta deste ano é de reunir mais de 2.000 prefeitos de todo o país.

Nova Petrópolis comemora 50 anos

Nova Petrópolis comemora 50 anos de emancipação, dia 28, mas a festa começa dia 24 com o Encontro Anual de Coredes. A apresentação da Orquestra de Teotônia e show pirotécnico fazem parte da programação da sexta, 25, na Praça da República.

No sábado, o evento é para os adeptos de esporte aventura. Às 9h, terá início o VI Passeio do Xucrut’s que tem saída marcada da Praça da República. O evento é um encontro de jeepeiros que fazem trilhas percorrendo o interior. À noite, ocorre o Festival de Bandas, na Sociedade Recreativa Tiro ao Alvo.

No domingo, tem Baile da Melhor Idade com animação da Banda América e lançamento da campanha Nova Petrópolis Jardim da Serra Gaúcha. A Orquestra de Sopros encerra o evento com "parabéns a você para a cidade", no Parque Aldeia do Imigrante.