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Edição 4.925 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 23 de fevereiro de 2005.
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Escassez de água e de conscientização
O uso de recursos naturais sem equilíbrio torna mais perigosas as anomalias climáticas
Assim como a economia globalizada, que espalha pelo mundo os efeitos de decisões tomadas principalmente na Europa ou nos Estados Unidos, o clima de uma região pode ser radicalmente alterado em conseqüência de fenômenos ocorridos a milhares de quilômetros de distância. O aquecimento das águas do Oceano Pacífico, para dar um exemplo, provoca o El Niño, que interfere na temperatura e no volume de chuvas do Sul do Brasil.
Esta é uma das explicações para a estiagem que castiga mais de 300 municípios gaúchos, causando perdas na agricultura e pecuária e obrigando o racionamento de água até para o consumo humano. A seca, no entanto, levou à descoberta de uma série de problemas na utilização de água de rios, como barragens clandestinas e desvios de cursos para irrigação de lavouras ou uso particular em detrimento da população de várias cidades.
A estas irregularidades se soma outra constatação: ao terem seus níveis baixados, rios, arroios, açudes e represas expõem o lixo que o homem despeja, de forma irresponsável, em suas águas. De pneus a móveis e eletrodomésticos, de latas a automóveis, a água serve como cobertor para tapar a sujeira, um sumidouro de entulhos urbanos.
As anomalias climáticas já são suficientes para gerar estragos em abundância. Ganham mais força ainda na medida em que o homem desrespeita o meio ambiente - polui o ar, abusa da terra, trata mal os mananciais de água.
É preciso socorrer de imediato as vítimas desta seca. Em primeiro lugar, buscando alternativas para assegurar o abastecimento a milhões de pessoas atingidas; em segundo, garantindo condições para que produtores rurais superem a crise atual e possam retomar suas atividades quando as chuvas retornarem com normalidade. Mas é indispensável, também, que cresça o grau de conscientização do homem do campo e o da cidade sobre o uso harmonioso de recursos naturais. Enquanto não houver a preocupação permanente em preservar a natureza, a estiagem será problema cada vez mais grave, até se tornar fatal - para culpados e inocentes.
Pistorello quer nova imagem para Caxias
Uma das maiores dificuldades que Nestor Pistorello enfrenta como titular da Secretaria da Agricultura de Caxias do Sul é a falta de dados estatísticos. Aos 46 anos, formado em Administração de Empresas e Economia, o ex-coordenador do Programa Juntos para Competir e dono de uma propriedade rural modelo sabe que sem conhecer a realidade fica mais difícil projetar mudanças. A meta inicial de Pistorello é criar uma imagem de Caxias agrícola para ampliar mercados. A segunda, dar condições para que os 4.300 agricultores caxienses tenham acesso a novos modelos de organização e transformem suas propriedades em empresas. O objetivo final é atingir a excelência. A seguir, as principais idéias e projetos do Secretário da Agricultura
NOVA IMAGEM
"Caxias, conhecida no país e no mundo como cidade industrial, precisa ser reconhecida também pela sua agricultura. O agricultor sabe produzir bem, tem que aprimorar, mas é preciso também divulgação. Temos que mostrar o que ele produz. Com a imagem de produtor de hortifrutigranjeiros, Caxias terá mais mercados".
MAIS RENDA
"Temos potencial para aumentar a nossa produção. Mas devemos aumentar a produtividade ou a renda do produtor? Ampliando mercados teremos mais chances de ampliar as duas e o nosso produtor viver com mais qualidade".
INFORMAÇÕES
"Temos dados sobre a produção, mas nada sobre as propriedades e o agricultor. Precisaremos apurar, porque trabalhar sem informações é muito complicado".
GERENCIAMENTO
"Precisamos instrumentalizar o produtor para que ele faça o gerenciamento de sua propriedade. Não se diz a um agricultor para ele fazer o controle de sua propriedade, tem que se dizer como ele vai fazê-lo. Não se admite, em 2005, que não haja incentivo à informatização das propriedades rurais. Mas de nada adianta ter computador se não souber utilizá-lo para organizar sua propriedade."
RECURSOS
"Ainda não implantei nenhum projeto. Estamos discutindo que projetos vamos adotar e, a partir de março, passamos à prática. Dispomos de material humano, recursos financeiros sempre são poucos. O orçamento da Secretaria para 2005 é de R$ 4 milhões, a metade comprometida com a folha dos funcionários. Vamos montar programas de acordo com os recursos disponíveis e buscar parcerias."
ÁGUA POTÁVEL
"É um problema. Muitos agricultores consomem água contaminada. Vamos implantar um programa que envolve a perfuração de poços, proteção de fontes e outras medidas. Vamos atacar esse problema que nos preocupa muito."
IRRIGAÇÃO
"Há necessidade de um planejamento. Hoje temos equipamentos que podem ser usados para abrir açudes e fazer represas. Mas temos uma legislação ambiental rigorosa, que exige licenciamento. Precisamos elaborar um estudo das necessidades, de apoio à mecanização para irrigar a propriedade e, mais do que isso, prevenir, para não chegar em momentos como o atual, de grande seca, sem alternativa a oferecer."
CEASA-SERRA
"É preciso modernizá-la para trazer mais compradores. Não é admissível que produtores caxienses tenham que se deslocar a Porto Alegre para vender seus produtos que são adquiridos, em muitos casos, por compradores de municípios próximos de Caxias. O primeiro passo é ampliar as instalações. E há espaço ocioso. A Ceasa-Serra tem que ser o pólo de comercialização dos produtores locais e não Porto Alegre."
FEIRA DO PRODUTOR
"Ou a Feira do Produtor se moderniza ou continuará enfraquecendo. A primeira providência é recadastrar os feirantes, em março, o que há dois ou três anos não é feito. Vou controlar os produtores que fazem a Feira, o que é comercializado e a satisfação dos clientes. É preciso números para planejar e estou trabalhando numa Secretaria sem números."
QUALIDADE TOTAL
"A primeira providência para chegarmos à excelência é implantar um programa de qualidade total na Secretaria da Agricultura. A partir de março vamos criar procedimentos internos. Não é preciso fazer o que o secretário diz, só o que determinam esses procedimentos. Mas qualidade também se faz com as pessoas, ouvindo-as, oferecendo cursos, palestras etc..."
AGROINDÚSTRIA
"Vou manter o programa de agroindústrias, mas com mudanças. Ele era focado no Sistema de Inspeção Municipal. Eu quero incentivar a venda para todo o Estado e até para o país, por isso é preciso inspeção estadual e federal. Inauguramos a 70ª agroindústria (Mel da Serra), mas seis já foram desativadas. Não sei por que motivos".
REVITALIZAÇÃO
"Vamos trabalhar com a viticultura. O programa do governo anterior focou as uvas viníferas, e melhorou bastante. Agora vamos decidir se a ênfase continuará sendo esta ou se vamos priorizar uvas comuns ou as in natura."
Prejuízos da seca já atingem os três Estados do Sul
Oeste e sudoeste de Santa Catarina e do Paraná também sofrem com falta de chuvas
O Rio Grande do Sul continua sendo o Estado mais afetado, mas os prejuízos provocados pela falta de chuvas já ultrapassaram as fronteiras catarinenses e paranaenses. Até a sexta, 18, 320 municípios gaúchos haviam decretado situação de emergência - menos de 50 homologados. Mas esse número tendia a subir na medida em que as previsões meteorológicas não indicavam chuvas fortes para breve. Em Santa Catarina, até a sexta, 18, 50 municípios estavam na mesma situação e as projeções também não eram boas. No Paraná, oficialmente, nenhum prefeito tinha decretado situação de emergência até o dia 17, conforme declarou ao CR o capitão Maurício Genero, chefe da Defesa Civil daquele Estado, mas 10 já tomavam providência para a decretação.
A estiagem causa dificuldades a moradores de praticamente dois terços dos 497 municípios gaúchos. Entre os mais de 300 em situação de emergência, 18 comunicaram à Defesa Civil a adoção do racionamento de água - quatro da região metropolitana de Porto Alegre, mais Garibaldi, Nova Petrópolis, Nova Prata, Aratiba, Paim Filho, Vila Maria, Ponte Preta, São João da Urtiga, Rondinha, Capão Bonito do Sul, Porto Mauá, Ibirubá, Passa Sete e Erexim. Além de racionar o abastecimento para consumo humano - 12 horas com água e 36 sem -, a estiagem castiga drasticamente a agricultura do RS. O último levantamento realizado pelos 22 escritórios regionais da Fetag indicava perdas de 60% na cultura do milho, 40,25% na de soja e 59,23% na safra de feijão. Em Santo Ângelo, nas Missões, devido à ausência de pastagens, o gado estava sendo alimentado com soja já danificada pela seca.
O quadro no oeste catarinense, especialmente em municípios vizinhos do Rio Grande do Sul, não era muito diferente. Itá, Concórdia, Seara, Peritiba e outros 47 municípios estavam em situação de emergência. Esse número aumentou 117% em apenas três dias. "Até o dia 15, eram 23. Desde então, recebo seis a sete ligações por dia de prefeitos pedindo informações sobre como proceder para decretar a emergência", afirmou ao CR o tenente Giovane Matiuzi, chefe de operações da Defesa Civil catarinense. "Se ficar mais 10 a 15 dias sem chover, esse número vai dar um salto", prevê.
Drama - A seca também está espalhando prejuízos pelo sudoeste do Paraná. Na semana passada, nove municípios começaram a tomar providências para a decretação de situação de emergência. Flor da Serra do Sul, segundo o prefeito Luiz Carlos Guimarães, era um dos mais atingidos. "A última chuva razoável foi em 24 de janeiro", afirmou Guimarães, que também é presidente da Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná (Amsop). A situação era grave ainda em Bom Jesus do Sul, Barracão, Pinhal de São Bento, Manfrinópolis, Santo Antonio do Sudoeste, Barracão, Pérola D’Oeste e Bela Vista da Caroba. "Se não chover logo, os 42 municípios da Amsop viverão dias dramáticos", projeta o presidente da entidade.
Os dados do Departamento de Economia Rural tomados na microrregião de Francisco Beltrão (27 municípios) são preocupantes. A soja já teve quebra de 10%, ou 52.700 toneladas. O milho da safra normal já perdeu 8%. Considerando também o milho safrinha, nesta cultura a perda é de 148 mil toneladas. Na quarta, 16, o prejuízo com soja e milho já passava de R$ 60 milhões, valor que cresce bastante se forem consideradas a avicultura, produção leiteira, suinocultura e hortigranjeiros.
Recuperação dos níveis normais pode demorar meses
Em muitas regiões gaúchas, desde janeiro de 2004 a quantidade de chuvas ficou sempre abaixo das médias históricas. A revelação é do Laboratório de Agrometeorologia da Fundação de Pesquisa Agropecuária do Estado (Fepagro), após realizar levantamento das chuvas nos últimos 13 meses. A seca se tornou mais forte, no entanto, a partir de dezembro do ano passado.
Pior do que a constatação de que a estiagem em solo gaúcho dura mais de um ano é a previsão de que a estiagem pode durar até a metade do ano. Essa projeção é de institutos de meteorologia que pesquisam o clima da América Latina e também da conceituada Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (Nooa). O mesmo trabalho indica que a recuperação total das conseqüências da seca no Estado só deve ocorrer no final do inverno.
Esse estudo foi apresentado ao Grupo de Acompanhamento da Estiagem, constituído pelo governo gaúcho, na sexta, 18. Durante o encontro, o coordenador de Relações Institucionais da Unidade de Climatologia de São Leopoldo, Alexandre Aguiar, que fez a apresentação das projeções, afirmou que a estiagem é um fenômeno cíclico no Rio Grande do Sul, assim como as enchentes, e deve se repetir nos próximos anos. Segundo ele, o clima no Estado se alterna entre décadas com muita chuva e outras com períodos prolongados de seca. "Estamos vivendo uma estiagem em cima de outra. As chuvas que virão não deverão trazer a normalidade pluviométrica para os gaúchos. Do ponto de vista técnico, a previsão é de seca", afirmou Aguiar.
Isso não significa que a escassez será constante até a primavera. Pela análise dos mapas meteorológicos feita pela Unidade de Climatologia, a situação deverá ser amenizada em abril, quando poderá ter muita chuva nas regiões Sul e Metropolitana, com níveis normais na região Norte. Mas em maio o volume médio das chuvas voltará a cair bastante. Algumas áreas do Estado, no entanto, devem se recuperar da seca ainda no outono.
Preços de hortigranjeiros aumentam até 100% em um mês
A estiagem que está levando ao desespero milhares de agricultores gaúchos e do Sul do país também penetra no bolso do consumidor. Na Central de Abastecimento do Rio Grande do Sul (Ceasa), em Porto Alegre, somente na última semana, os preços de alguns hortifrutigranjeiros subiram de 13% (couve-flor) a 36% (chuchu).
Na Ceasa-Serra, também denominada Adcointer, que funciona em Caxias do Sul, os valores deram um salto gigantesco do início da segunda quinzena de janeiro ao dia 16 de fevereiro. A alface lidera a lista dos aumentos, com exatos 100%, conforme levantamento realizado pelo gerente da unidade, Alcemir Kammler, a pedido do Correio Riograndense. Próximos desse percentual ficaram couve-flor, repolho, suqueti, brócoli e radicci (observe tabela).
Além do pulo no valor, normalmente transferido ao consumidor, alguns produtos estão com qualidade inferior ao de safras passada, caso da maçã gala - a fruta teve quebra na safra e está bastante miúda (leia página ao lado) e de folhosas. Mesmo que volte a chover com intensidade nos próximos dias, os preços de muitos desses produtos demorarão até dois meses para retornar ao patamar normal. É o caso das folhosas, cujo ciclo de produção demanda de 45 a 60 dias.
Trâmite para situação de emergência
A situação de emergência facilita aos municípios, por exemplo, negociar com bancos oficiais. O processo inicia pela criação de Comissão Municipal de Defesa Civil (Comdec), por projeto de lei aprovado pela Câmara de Vereadores.
Em qualquer tipo de problema, a prefeitura deve fazer a Notificação Preliminar de Desastres (Nopred),a comissão deve avaliar os danos e, após, a Defesa Civil do Estado.
Passo seguinte é a homologação pelo governador do Estado, com publicação no Diário Oficial. Na seqüência, a documentação é enviada à Secretaria Nacional de Defesa Civil, em Brasília, para o reconhecimento.
A Defesa Civil faz avaliação baseada em níveis. O nível I é quando o produto interno bruto (PIB) do município foi atingido de zero até 5%; o nível II, de 5 a 10%. O decreto só é homologado a partir do nível III - acima de 10% até 30% do PIB. Acima disso, é considerado estado de calamidade pública. (Fonte: Casa Militar do governo gaúcho)
Estiagem prejudica produção e exportações de maçã
Perdas chegam a 13%. Qualidade foi mais afetada entre produtores do RS
A safra de maçã, que começa a ser colhida na região Sul, deve ser 13% menor em relação à produção verificada na temporada anterior, devido a problemas climáticos, e atingir 860 mil toneladas. A estimativa é do presidente da Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM), Pierre Nicolas Pérès, em balanço do setor realizado em Fraiburgo (SC).
Em Santa Catarina, Estado que responde por 68% da produção nacional, a quebra da safra é insignificante. Já no Rio Grande do Sul, a situação é outra. Os cálculos da Associação Gaúcha dos Produtores de Maçã revelam que o RS deve produzir 290 mil toneladas de maçã este ano. Em 2004, o volume colhido foi de 409 mil toneladas.
Na região de Vacaria, por exemplo, as 180 mil toneladas de maçã que os cerca de 700 produtores previam colher nesta safra foram reduzidas em cerca de 40% devido à estiagem. As 72 mil toneladas que colherão a menos equivalem a um prejuízo de R$ 43 milhões.
A redução tem duas razões imediatas. "Uma delas foi a presença constante de chuvas na época de floração, o que diminuiu o índice de polinização. A outra foi a busca da qualidade do fruto, onde os produtores promoveram uma poda e um raleio mais severo das plantas. Os pomicultores também erradicaram algumas áreas e investiram em pomares menores e mais eficientes", relata o dirigente.
Entre produtores gaúchos, a seca afetou também a qualidade. A variedade gala está chegando ao mercado com os frutos pequenos. Além da perda pela quebra do volume, diminuem chances de exportação (leia ao lado).
Pêssego – A região Sul deve colher 42 mil toneladas de pêssego para industrialização. A produção deve sofrer uma quebra de 30% em relação as 60 mil toneladas projetadas para safra deste ano. A fruta, voltada ao processamento, ocupa uma área de 8.174 hectares.
Os técnicos da Emater atribuem a quebra da safra à ocorrência de doenças e pragas e a fatores climáticos - o inverno não foi rigoroso e, para piorar, veio a seca, que afeta principalmente pomares gaúchos.
Setor prevê redução de 35% nas vendas para o exterior
Em 2004, a maçã foi o grande destaque das exportações brasileiras no segmento de frutas. Foram enviadas 153 mil toneladas para 41 países, o que gerou divisas de US$ 73 milhões.
Para 2005, segundo Pierre, o setor não deve repetir a performance de 2004. "Primeiro, em função da menor produção. Depois, pelo compromisso dos pomicultores em manter abastecido o nosso maior mercado, o nacional. E principalmente depois que a retomada do crescimento econômico aqueceu muito a demanda interna nos últimos meses", disse. Ele manifestou preocupação com a abertura para a maçã da China, país que apresenta sérias deficiências de controle fitossanitário.
O vice-presidente da ABPM, Laor Alves, estima também a redução nas exportações devido ao câmbio, à regularização da safra na Europa e a fruta ser um pouco miúda. "Esses elementos somados devem reduzir as exportações do país para 100 mil toneladas, frente as 153 mil toneladas do ano passado", afirma Alves ao CR.
O analista do Instituto de Planejamento e Economia Agrícola de Santa Catarina (Icepa), Guido Boeing, prevê para 2005 oferta interna mais enxuta e exportações de 100 mil toneladas. "Caso o país exporte mais que isso, a oferta deverá ser compensada com importações", calcula o analista do Icepa.
A região Sul cultiva 45% da variedade gala e 40% da fuji. A gala começa a ser colhida em janeiro, no Paraná e em fevereiro, no RS e SC. A fuji é colhida em março e abril. Os 15% restantes são de variedades diversas.
Agroindústria tem desempenho recorde
Crescimento em 2004 foi de 5,3%, maior índice já apurado pelo IBGE
Em 2004, a agroindústria obteve crescimento de 5,3%, marca mais elevada da série histórica iniciada em 1992, informou na semana passada o IBGE.
Como tem sido freqüente nos últimos anos, com exceção de 2003, os setores vinculados à pecuária (5,0%), com crescente inserção externa, apresentaram desempenho superior aos associados à lavoura (4,6%), de maior peso na agroindústria. O aumento de 22,4% assinalado pelo grupamento de defensivos para uso agropecuário contribuiu para que o total da agroindústria crescesse acima destes dois principais grupamentos (total da agricultura e total da pecuária).
O dinamismo da agroindústria, em 2004, refletiu a influência positiva de vários fatores: maior safra agrícola para alguns dos principais produtos; crises sanitárias, como a gripe aviária em países asiáticos e o mal da vaca louca em alguns países da União Européia; aumento das exportações de bens de capital agrícolas (tratores); e preços internacionais favoráveis, sendo esse último, um fator decisivo para alavancar a produção do setor agroindustrial em 2004.
Em síntese, observou-se que o acréscimo de 5,3% alcançado pela agroindústria em 2004 foi particularmente influenciado pelo fator exportação, quer seja pelo aumento dos preços internacionais de produtos importantes para esse setor, o que estimulou a expansão da safra e o seu conseqüente processamento pela indústria, quer seja pela abertura de novos mercados.
Mesmo no desempenho da produção de máquinas e equipamentos agrícolas foi possível identificar a influência positiva do setor externo, com o aumento das vendas externas contribuindo para que o segmento registrasse crescimento no ano, uma vez que no plano doméstico as vendas de equipamentos agrícolas perderam dinamismo ao longo de 2004.
Programa apóia agricultura ecológica
Passar da agricultura convencional para modelos sustentáveis é o objetivo do Programa Nacional de Agroecologia lançado na semana passada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). O programa pretende apoiar a agricultura de base ecológica com o objetivo de diminuir os impactos ao meio ambiente e produzir alimentos mais saudáveis sem o uso de agrotóxicos. A agroecologia evita também a contaminação de mananciais e do solo.
Durante o lançamento do programa, o Secretário Nacional de Agricultura Familiar Valter Bianchini disse que a iniciativa era a melhor homenagem à missionária norte-americana Dorothy Stang assassinada no Pará (leia página 12). Segundo o secretário, R$ 41 milhões serão destinados à pesquisa de produtos orgânicos e capacitação de técnicos e agricultores. Além disso, duas linhas de crédito do Programa Nacional de Fortalecimentos da Agricultura Familiar (Pronaf) vão incentivar projetos voltados para a produção agroecológica.
Além do aumento da procura por produtos mais nutritivos e saudáveis, a agroecologia é uma cultura mais rentável pois reduz gastos com produtos químicos importados.
"Temos indicadores de que essa é uma agricultura que, além de preservar o meio ambiente e de dar melhor qualidade de trabalho aos nossos agricultores, é mais rentável do ponto de vista econômico. Com a agroecologia, o agricultor vai produzir alimentos com valor agregado cada vez maior", salientou.
Frutas desidratadas, açúcar mascavo, cereais, frango caipira, leite e mesmo a cachaça são alguns dos produtos orgânicos produzidos no Brasil. Hoje, 300 mil toneladas de orgânicos são cultivados por ano, movimentando um mercado de US$ 70 milhões.
Enxertia de citros encerra em março
O período para enxertia de citros encerra em meados de março. Os interessados podem adquirir borbulhas para a enxertia no Centro de Treinamento de Capela de Santana, no Vale do Caí. O objetivo da Fepagro, da Secretaria da Agricultura e Abastecimento e da Emater ao disponibilizar as borbulhas é garantir a qualidade das mudas. As borbulhas são produzidas em ambiente protegido, livre de doenças. "A muda é o item mais importante na formação do pomar, pois da sua qualidade depende a sanidade, a produtividade e a qualidade do pomar", explica a agrônoma da Fepagro, Elizabeth Saldanha.
As borbulhas de Capela de Santana possuem origem genética de alta qualidade. Uma das metas do Profruta/RS, que apóia o projeto, é melhorar a qualidade das mudas frutíferas produzidas no Estado. A partir de 2006, a borbulheira de Capela de Santana será transformada em uma coleção de plantas matrizes básicas de reserva do Estado.
As variedades de laranjas que estão à venda são valência, do céu, bahia, lima verde, lima sorocaba, westin e folha murcha. De bergamotas, estão à disposição satsuma okitsu, caí, pareci, ponkan, murcott, montenegrina, montenegrina rainha e ortanique, além do limão tahiti.
Engº. Agrº. José Zugno
Árvore tipuana
Solicito informações sobre uma árvore chamada tipuana que me indicaram para plantar em nosso sítio em Santo Antônio da Patrulha, por ser planta de crescimento rápido, dá boa madeira e muito bonita. Pergunto se é árvore nativa do Rio Grande e se vai bem no sítio.
MIGUEL J. MOTTER
Porto Alegre - RS
A tipuana outros a chamam tipa ou tipatipuana - é árvore ornamental, de boa madeira e rápido crescimento como lhe disseram, desde que encontre condições favoráveis de solo. Botanicamente é chamada Tipuana tipu, da família Leguminosa, subfamília Papilionácia, a mesma das ervilhas, feijões e pau-brasil. É originária da América do Sul principalmente Tucuman e outras Províncias do norte da Argentina. Alguns autores dizem que ela é nativa também nas regiões do lado brasileiro.
É planta de clima temperado quente, mas tem boa resistência às geadas, pois nas regiões mais frias a folhagem costuma cair no inverno (diz-se planta caducifolia). Aqui em Caxias, que é frio no inverno, existem belos exemplares de tipuana em ruas e parques da cidade.
Em Portugal, que tive o prazer de conhecer em outubro e novembro do ano passado, em Lisboa constatei em diversas ruas e praças bonitas tipuanas e também em Coimbra e noutras cidades portuguesas, onde é conhecida como "Tipu".
De maneira que a espécie deve vegetar muito bem em seu sítio, como de resto em todo Estado. A árvore é de grande porte alcançando facilmente a altura de 10 a 20 metros. O tronco é reto, mais ou menos cilíndrico e quando plenamente desenvolvido mede na base 60 a 70 cm de diâmetro. A madeira é boa para muitas utilidades, mas não considerada "nobre" como outras madeiras, e nem há incentivo para utilizar a espécie visando a produção de madeira. Neste sentido a recomendação seria plantar mudas a distâncias menores (2m x 3m) pois o objetivo é obter fustes retos e altos.
As folhas são pecioladas, compostas, imparipenadas com 11 a 17 folíolos elípticos ou oblongos. As flores são pequenas, pentâmeras, têm a estrutura característica das Papilionáceas; a pétala ímpar, superior, salienta-se sobre as duas do meio e as duas laterais, dando aspecto de borboleta, justificando o nome (papilion = borboleta). As flores são amarelas e florescem em novembro e dezembro em grande quantidade. Nos meus tempos de estudante de Agronomia em Porto Alegre, existia atrás dos pavilhões da escola uma fileira de frondosas tipuanas (tomara que ainda ali se encontrem) que, em dezembro, no final da florada, caiam as numerosíssimas pétalas formando no chão esplêndido tapete de "ouro".
Os frutos são um tipo de vagem munida de uma grande asa (sâmara). A parte onde se encontram as sementes (em geral 3) é oval, sobressaliente e dura que não se abre para soltar as sementes, razão pela qual, a multiplicação se faz por meio desses frutos (sâmaras).
A germinação é fácil e as mudas obtidas crescem com rapidez uma vez colocadas em solos de boa fertilidade e profundos, e em locais bem providos de luminosidade que a planta requer.
A principal utilização da tipuana é na arborização urbana e no paisagismo. Como árvore de porte não deve ser colocada em ruas estreitas. Vai bem em avenidas, as mudas espaçadas 10 metros, pois a copada chega atingir 20 metros de diâmetro. Plantas isoladas em parques e jardins espaçosos, podem exibir toda a beleza de seu porte natural. Nos sítios as tipuanas são muito apropriadas como alamedas de entradas e caminhos largos.
Anabolizantes provocam danos irreversíveis
Uso abusivo causa problemas nos rins, fígado e coração
Os hormônios têm a importante função de estimular alguma atividade bioquímica ou fisiológica do organismo. Porém, em quantidades inadequadas podem causar danos graves. Isso não impede que muita gente utilize formas artificiais dessas substâncias. Os chamados esteróides anabolizantes são usados de modo inadequado principalmente por praticantes de atividades físicas, que buscam melhorar sua forma física rapidamente para se aproximar dos padrões de beleza estampados nas revistas e comerciais de TV.
Popularmente, o que se chama de esteróides anabolizantes são drogas derivadas da testosterona que produzem os efeitos dos hormônios masculinos no organismo. O DHEA, chamado de hormônio da juventude, é um dos mais procurados.
As conseqüências do uso abusivo dos anabolizantes formam uma lista imensa. Eles podem causar crescimento do coração, acne, arritmia, hepatite, alargamento da próstata, esterilidade, atrofia dos testículos, hemorragia intra-abdominal, agressividade, crescimento exagerado das mamas, cefaléia, aumento da pressão arterial, cálculo renal, insônia, náuseas, vômitos freqüentes e cãibras.
Segundo os especialistas, quando o organismo reconhece a presença de esteróides artificiais, a produção natural de testosterona cai muito e pode chegar a zero. Quando a utilização é interrompida, a produção é retomada, mas com ritmo e intensidade variáveis, que podem não chegar a 100%. Nesse caso, o organismo passa a ter déficit de testosterona. Isso significa que os efeitos dos anabolizantes podem ser irreversíveis.
Além desses, outros hormônios são procurados por pessoas ávidas em preservar a juventude, ficar mais forte e perder peso, como o GH, hormônio do crescimento. O GH também é conhecido por seu efeito antienvelhecimento. Produzido naturalmente pelo corpo, conforme a idade avança seus níveis caem progressivamente.
Em experiências com idosos constatou-se que o GH traz impressionantes melhoras em aspectos como ganho de massa muscular, perda de gordura, aparência da pele e sistema imunológico. Porém, as pesquisas também associam o uso do hormônio com hipotireoidismo, crescimento dos órgãos internos e risco de desenvolver algum tipo de câncer. Segundo os especialistas, se não fosse pelos efeitos colaterais, o GH seria a perfeita fonte da juventude, por isso é tão procurado.
Suplemento alimentar também é prejudicial
Os suplementos alimentares também são comuns entre os esportistas. São compostos de vitaminas, minerais, proteínas, carboidratos e aminoácidos usados para complementar as necessidades nutricionais de uma pessoa.
Geralmente são usados por praticantes de atividades físicas para atingir um objetivo, como ganhar massa muscular, perder peso, aumentar resistência, repor energia. Algumas marcas de suplementos podem conter hormônios e anabolizantes.
Esses produtos são indicados para quem não consegue fazer dieta adequada e tem deficiências nutricionais. O uso inadequado pode levar ao aumento de peso, causar arritmia e taquicardia, danificar rins e fígado, causar males gastrointestinais e neurológicos.
Crianças terão nova caderneta de saúde
As crianças nascidas a partir deste ano vão ter uma nova caderneta de saúde para substituir o cartão de vacinação. Mais completa, a Caderneta de Saúde da Criança tem 26 páginas, onde serão anotadas informações sobre a gestação, parto e pós-parto, saúde bucal, ocular e auditiva, tratamentos já realizados, dicas de saúde e alimentação.
"Esse modelo vai auxiliar não somente os profissionais, mas também as famílias, que vão ter acesso a um conjunto de informações sobre o crescimento e o desenvolvimento da criança", afirmou o ministro da Saúde, Humberto Costa. A caderneta deve acompanhar a criança até os dez anos. Elas serão distribuídas anualmente nas maternidades públicas e particulares. As crianças já nascidas devem continuar usando o cartão de vacinação.
Lanche saudável na volta às aulas
O início do ano letivo vem acompanhado da preocupação dos pais com a alimentação da garotada durante as aulas. Muitos bares escolares não têm cardápio apropriado para uma refeição saudável e o consumo de alimentos pouco nutritivos e calóricos se torna freqüente.
Muitas vezes as crianças resistem em levar o lanche de casa porque a maioria dos amiguinhos come na lanchonete da escola. Segundo os especialistas, nesse caso, os pais têm que explicar a necessidade de se alimentar bem, sem banir totalmente os lanches mais calóricos. Uma alternativa é fazer um acordo com os filhos e reservar um dia da semana para a lanchonete, por exemplo.
"Quando a lanchonete for inevitável, o melhor é orientá-los a escolher os salgados assados, menos gordurosos que os fritos, um suco e um iogurte ou vitamina, fontes de cálcio", explica a nutricionista Flávia Bulgarelli Vicentini, de São Paulo. A seguir, dicas da especialista.
MERENDA EQUILIBRADA
Segunda: 1 caixinha de vitamina, 1 bisnaguinha com requeijão e 1 maçã.
Terça: 1 caixinha de suco concentrado, 1 sanduíche com queijo branco e 1 pêra.
Quarta: 1 garrafinha de leite fermentado, 1 minibolo e 1 goiaba.
Quinta: 1 caixinha de suco concentrado, 3 bolachas sem recheio e 1 queijo processado.
Sexta: 1 caixinha de achocolatado, 1 bisnaguinha com peito de peru e 1 ameixa vermelha.
O mal: sua fonte, seus rostos
Maria Clara Lucchetti Bingemer
Se Deus criou tudo bem, por que a desordem que instaura o mal e o medo na criação divina? Deus, na verdade, criou o ser humano na liberdade e este é o responsável por escolher
Muitos episódios deste início de ano - as tsunamis da Ásia, os sessenta anos da liberatação do campo de Auschwitz - reavivam no fundo do coração humano a pergunta sobre como compaginar a existência do mal com a existência de Deus. O problema é antigo e vem desde a Grécia pré-socrática, com o filósofo Epicuro, que em síntese colocava a questão da seguinte maneira: "Deus, ou não quer tirar do mundo os males e não pode, ou não pode e não quer, ou não quer e não pode, ou não quer e nem pode ou quer e pode. Se quer e não pode, é impotente, o que não pode ser em Deus. Se pode e não quer, é invejoso, o que igualmente é contrário a Deus. Se não quer nem pode, é invejoso e impotente, portanto, não é Deus. Se quer e pode, o que só convém a Deus, de que provém a existência dos males e por que não os elimina?"
Sábio Epicuro, que se colocou uma pergunta que desde que o mundo é mundo agita o coração humano. Se Deus é bom, como pode ser que exista o mal, que o ser humano faça tantas coisas não boas, que a vida humana seja atravessada de tantos sofrimentos? Se Deus criou tudo bem, por que a desordem que instaura o mal e o medo na criação divina, que deveria conduzir somente ao Bem e ao Amor?
No século XIX, o filósofo Leibniz foi refletir de novo sobre esta problemática, criando uma nova área do pensar filosófico e teológico: a teodicéia. A solução de Leibniz foi dizer que o mal não é uma realidade, não tem consistência em si próprio. Seu ser é não ser, é vácuo, vazio, carência. Se é assim, a responsabilidade de sua existência não diz respeito a Deus. Deus na verdade criou o ser humano na liberdade e este é responsável por escolher. E se escolhe desviadamente, a responsabilidade pela escolha é sua e não de Deus, que continua mostrando-lhe e chamando-o para o caminho do Bem e da Graça.
Nesse contexto é importante perceber que está sempre em jogo a bondade de Deus, a existência do mal e a liberdade humana. Mas vai aparecer um quarto elemento que tornará a discussão ainda mais complexa: o Diabo, ou demônio como corporificação do mal. Na verdade, pensar sobre esta questão tão séria como instigante nunca foi fácil e levou mesmo alguns homens e mulheres muito inteligentes a escolherem o ateísmo como saída.
A conclusão a que foram chegando as muitas pessoas que sobre isso pensaram é que não adianta culpar o demônio ou as forças do mal pela desordem instaurada no universo. Toda criação é boa porque um Deus sumamente bom só poderia fazer tudo bem. Isto é o que nos diz a nossa fé. No entanto, onde fica o mal? Se não pode vir de Deus que é bom, nem da criação, que é boa, o mal então não é uma substância em si mesma, mas a perversão de uma vontade livre que se afasta da suprema substância - Deus - e se inclina às coisas baixas.
O cristianismo terá um papel fundamental para a criação da figura do Diabo no imaginário coletivo ocidental. No contexto do Antigo Testamento, satã é uma figura indeterminada e não se têm conceitos claros a seu respeito e sobre sua função. Fala-se dele como o acusador, o que divide. Será no Novo Testamento que ele tomará corpo e terá papéis bem definidos na vida das pessoas. O Diabo assume, portanto, a figura da origem do mal e a base da demonologia.
Nota-se que a denominação que antes era usada para determinar entidades divinas em geral passa a ser identificada com as divindades maléficas.
A teologia cristã, porém, refletindo a fé juntamente com a razão filosófica, vai evoluir na direção de não localizar o mal em uma entidade identificável. Por ser contrário à fé cristã admitir a existência de outro princípio equivalente em grandeza e senhorio a Deus, tanto católicos como protestantes não podem admitir um princípio mau eterno nem uma criação má. Sendo assim, não abrimos mão de um único princípio bom. Na teologia contemporânea, fala-se ainda sobre o Diabo, mas o problema do mal se amplia e segue outras categorias. E o pecado aparece sempre mais como uma questão que deve ser resolvida pelo ser humano. A teologia contemporânea, portanto, embora não deixe de estudar e refletir sobre a origem do mal, se preocupa mais com o mal concreto. Porque, como bem diz o grande Guimarães Rosa: "Diabo não existe. Existe é homem humano".
Frei Betto
Hoje, o novo nome da Fraternidade, prenunciada na Revolução Francesa como um dos três valores da cidadania – ao lado de Igualdade e Liberdade -, é Solidariedade
"Solidariedade e paz" é o tema da Campanha da Fraternidade deste ano, que teve início na Quarta-Feira de Cinzas e irá até o Domingo de Páscoa. A promoção é do Conic (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil), que reúne as Igrejas católica, católica ortodoxa siriniana, cristã reformada, episcopal anglicana, evangélica de confissão luterana, metodista e presbiteriana unida.
O documento-base, encontrado em livrarias religiosas, traz dados estarrecedores: a cada 7 segundos morre uma criança de fome; para cada dólar que a ONU gasta em missões de paz, o mundo investe US$ 2 mil em guerras; em 2003 o total mundial de gastos militares somou US$ 960 bilhões; as minas terrestres causam 55 mil vítimas anuais.
Quanto ao Brasil, a Campanha da Fraternidade alerta: "Nossa economia não está organizada para atender às necessidades e direitos básicos das classes populares." De 1993 a 2002, o número de jovens de 15 a 24 anos cresceu 88,6%. Muitos não terminam o ensino fundamental e dentre eles figura a maioria dos assassinos e dos assassinados.
A PM do Rio matou 1.195 pessoas em 2003, ou seja, 3 vítimas por dia. Dessas, 65% não tinham antecedentes criminais e 61% dos mortos receberam tiros na cabeça e nas costas... A reforma agrária está por ser feita, a violência rural recrudesce, a violência cultural penaliza indígenas, negros, mulheres, homossexuais, portadores de deficiências, egressos penais e minorias étnicas.
Para as sete Igrejas cristãs, a violência estrutural revela a sua face cruel na desigualdade social. Cinco mil famílias brasileiras, o equivalente a 0,01% da população, têm em mãos um patrimônio de R$ 700 bilhões (média de R$ 140 milhões por família).
A violência onera o Brasil em 10,5% do PIB, cerca de R$ 160 bilhões por ano. Apenas em gastos de saúde o seu custo é de 1,9% do PIB, aproximadamente R$ 30 bilhões.
No âmbito doméstico, a violência atinge proporções preocupantes. Segundo o Ministério da Saúde, as agressões constituem a principal causa de morte de crianças e jovens de 5 a 19 anos. A maior parte ocorre dentro de casa. O Unicef estima que, diariamente, 18 mil crianças e adolescentes são espancados em nosso país. Todo ano cerca de 2,1 milhões de mulheres sofrem espancamento em mãos de maridos, ex-maridos ou namorados, o que equivale a 4 mulheres agredidas por minuto.
Diante desse quadro dramático, a Campanha da Fraternidade nos convida a tecer vínculos de solidariedade e, através da justiça e do direito, construir a paz. Paz não é ausência de conflitos. "Trocar a utopia da harmonia planetária - diz o documento - pela tranqüilidade do condomínio fechado, erguer muros materiais ou simbólicos para não ver o mundo se deteriorando, fechar as janelas do carro, é aceitar uma vida mal-vivida."
A violência se enfrenta com indignação, reconhecimento dos direitos de todos, superação da fome e da miséria, justa distribuição de renda, preservação do meio ambiente e o efetivo exercício da cidadania ao alcance de todos. Sobretudo através da não-violência ativa, a exemplo de Mahatma Gandhi (1869-1948) e Martin Luther King (1929-1968). O primeiro era hindu, o segundo, batista. Seus testemunhos em favor da justiça e da paz se somam ao de madre Teresa de Calcutá (católica), Albert Schweitzer (luterano), dom Helder Camara (católico), Desmond Tutu (anglicano) e Nelson Mandela (metodista).
O exemplo mais significativo do que é solidariedade na construção da paz é a parábola do Bom Samaritano (Lucas 10). Nela Jesus responde à pergunta: o que significa amar o próximo? Próximo não é o meu parente, aquele que conheço e está perto de mim. É o necessitado, o pobre, o saqueado, o espoliado, o marginalizado que não conheço e, no entanto, modifico o meu caminho (conversão) para libertá-lo da opressão. Assumo como minhas as dores dele. Faço-me próximo a ele. Cuido até que possa caminhar pelas próprias pernas.
Ouçamos o apelo e a proposta da Campanha da Fraternidade, pois não haverá paz no futuro se não houver justiça no presente. Hoje, o novo nome da Fraternidade, prenunciada pela Revolução Francesa como um dos três valores da cidadania, ao lado da Igualdade e da Liberdade, é Solidariedade.
Derrota expõe fragilidades do PT e ameaça Lula
Perda da presidência da Câmara pode ter reflexos na reeleição
Além de o governo do PT sofrer a maior derrota no Congresso, a eleição do deputado Severino Cavalcanti (PP-PE) para a presidência da Câmara Federal representa a primeira grande ameaça ao projeto de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante a semana passada, aliados e oposicionistas afirmavam que, se as eleições presidenciais fossem hoje, o destino do atual governo e seu projeto de poder seriam sustentados tão somente pelo carisma pessoal de Lula, devido à fragilidade de sua base na Câmara.
Esta nova situação foi criada a partir de uma seqüência de equívocos políticos cometidos por lideranças do PT no episódio envolvendo a eleição do presidente da Câmara. Com a maior bancada na Casa Legislativa e com a força de quem está no comando do governo federal, o Partido dos Trabalhadores tinha todas as condições para fazer o sucessor de João Paulo Cunha (PT-SP). O Planalto indicou o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), de dentro do próprio partido surgiu a candidatura dissidente do mineiro Virgílio Guimarães e tudo levava a crer que a disputa seria entre eles. O pernambucano Severino Cavalcanti (PP), o baiano José Carlos Aleluia (PFL) e o fluminense Jair Bolsonaro (PFL) também concorreram.
O resultado só foi conhecido na madrugada de terça, 15, e o PT acabou perdendo para ele mesmo. A vitória de Severino Cavalcanti ocorreu com os votos do primeiro turno do candidato avulso do PT, Virgílio Guimarães (MG), e dos outros oposicionistas. Enquanto no primeiro turno Cavalcanti teve apenas 124 votos contra 207 de Greenhalgh, no segundo a diferença foi de 105 votos para o candidato do PP (300 a 195).
Prepotência e traição - O resultado impõe um novo marco nas relações do governo Lula com o Legislativo e pode levar a conseqüências imprevisíveis. Na quinta, 17, quando Lula recebeu Cavalcanti, o novo presidente da Câmara deixou claro que, apesar de não concordar com decisões do Planalto, não prejudicaria a governabilidade do país. A questão é que no ano que vem haverá eleições presidenciais e em campanha política desse porte todas as armas são usadas.
"Foi uma resposta à prepotência do PT", avaliou o deputado federal Francisco Turra (PP-RS). O vice-líder do governo na Câmara, deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), atribuiu a derrota do candidato oficial a um "alto índice de traição" dos partidos da base aliada. Independente das causas, o resultado leva a uma certeza: o governo federal precisa refazer sua base de apoio.
Não será tarefa fácil. Em primeiro lugar, os chamados palacianos precisam saber quem, no denominado governo de coalizão - inclui, entre outros partidos, PMDB, PP, PL, PTB e até integrantes do PFL -, são aliados verdadeiros e aqueles que são os considerados "governistas de ocasião" - mantidos, em grande parte, por verbas, cargos e outras ofertas que alimentam o fisiologismo.
"Não tenho dúvida de que os projetos serão votados. O governo não disputou; quem disputou foi o PT", afirmou o presidente Lula, da Guiana, onde se encontrava no dia da votação, tentando reduzir o impacto da derrota, mas visivelmente abatido por ela. Um dos caminhos apontados para reverter esse quadro, remontando a base esfacelada, é uma reforma ministerial que premie com cargos os verdadeiros aliados. Até o final da semana passada, o PT tentava descobrir culpados, e dentro do próprio partido, onde começou a divisão em busca de poder e onde ela se mantinha mais forte ainda pela mesma razão.
Senado - Um acordo deu a Renan Calheiros (PMDB-AL), apoiado pelo Planalto, a vitória à presidência do Senado, por 72 a 4, em eleição que durou apenas 13 minutos.
Aumento de salário para retribuir votos
O novo presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE), 74 anos, começou a vida pública como prefeito e há 40 anos exerce cargos eletivos - 28 como deputado estadual e 12 como federal. Sua principal promessa de campanha foi elevar os salários dos deputados dos atuais R$ 12,8 mil para R$ 21,5 mil, igualando assim aos vencimentos dos ministros do Supremo Tribunal Federal - ganham R$ 17,5 mil mas há projeto de reajuste na Câmara. Um dos argumentos é de que o salário dos deputados é baixo, injusto e que o reajuste é necessário para que os parlamentares não tenham que "viver na dependência de empresas". Severino quer mais: recesso de 90 dias, para que os parlamentares possam "ouvir as bases".
Só o aumento salarial representará gastos adicionais à Câmara de R$ 67 milhões por ano - quase 3% do orçamento da Casa, de R$ 2,5 bilhões para 2005. Mas os deputados custam bem mais. Além dos 15 salários por ano, recebem verba de gabinete de R$ 25 mil para pagar até 20 funcionários cada um. Há projeto alterando o limite para 25 funcionários e a verba para R$ 35 mil. Ganham ainda R$ 15 mil para gastos nos Estados, outros R$ 4,2 mil para telefone e correio e, para quem não ocupa apartamento funcional, R$ 3 mil como auxílio-moradia. Total para cada um dos 513 deputados: R$ 60,1 mil por mês.
Fidelidade não resiste a interesses políticos
O troca-troca de partidos foi tão intenso de 27 de janeiro a 16 de fevereiro que, em média, dois deputados federais saltaram de uma sigla para outra por dia. A maior demonstração de infidelidade partidária dos últimos anos foi resultado da disputa entre aliados do governo e oposição pelo controle da bancada do PMDB. Para atingir a maioria, cada um dos lados tentou filiar o maior número possível de deputados.
Nesse jogo, a bancada do PMDB pulou de 77 para 94 deputados, superando o PT (que tem 91 deputados) como maior bancada da Câmara. Essa mudança durou apenas um dia: o PMDB anulou quatro filiações - entre elas as dos deputados Ronivon Santiago (AC), envolvido com escândalos na compra de votos, e André Luiz (RJ), que pode ser cassado por extorsão e participação em homicídios.
"O CONHECIMENTO É MAIS IMPORTANTE DO QUE A TERRA"
A luta de João Pedro Stedile pela reforma agrária transformou-o em uma das personalidades brasileiras mais polêmicas das últimas duas décadas. Ao mesmo tempo em que é odiado por latifundiários que se enquadram no alvo de suas ações, é reverenciado por colonos que perambulam às margens de rodovias em busca de terra. Enquanto é criticado internamente por métodos que utiliza na condução de invasões e/ou ocupações, tem o reconhecimento internacional com prêmios - como o Nicollas Guillen, de Piacenza, Itália - e convites para palestras em universidades da Itália, do Canadá e de outros países. Esse gaúcho, descendente de pequenos agricultores com origens trentinas, nascido em 26 de dezembro de 1953 em Lagoa Vermelha, casado, quatro filhos, é a mais expressiva liderança do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST, do qual, oficialmente, é integrante da Comissão Nacional. Formado em Ciências Econômicas pela PUCRS, com pós-graduação em Economia Política pela Unam, do México, Stedile começou sua atuação sindical na Comissão Regional de Produtores de Uva. Foi assessor da Comissão Pastoral da Terra, funcionário da Secretaria da Agricultura do RS e desde 1979 participa das atividades em defesa da reforma agrária. Foi professor convidado em dez universidades brasileiras, entre elas Unijuí, Unicamp e UNB, e publicou sete livros. Após quatro contatos com assessores - que nunca disseram onde ele se encontrava -, Stedile concedeu esta entrevista ao Correio Riograndense.
Além da divisão da terra e do capital social, modelo de reforma agrária defendido pelo líder do MST João Pedro Stedile preconiza a democratização da educação e o uso de técnicas agrícolas adequadas ao produtor familiar e ao equilíbrio do meio ambiente
O Estado brasileiro tem um caráter de classe claro. Ele só defende os ricos
Lula é aliado da reforma agrária, mas sua reforma anda a passos de tartaruga
Correio Riograndense - Como nasceu sua opção pelos pobres e sem terra?
João Pedro Stedile - Acho que foi a conjugação de vários fatores objetivos e subjetivos. A origem familiar, a influência da Igreja Católica e da CPT (Comissão Pastoral da Terra), a influência do franciscanismo - quando na adolescência estudei com os capuchinhos (no Seminário de Veranópolis) - e o estudo da economia política que me fez compreender a causa da pobreza e da desigualdade social. Sempre gostei de agricultura, me criei no interior e no meio dos parreirais. E sempre procurei estudar, me envolver com agricultura, mesmo profissionalmente. O fato de ter trabalhado na Secretaria da Agricultura (do Rio Grande do Sul) manteve esse vínculo, mesmo depois de formado em Economia. O vínculo com os sem-terra veio pela ligação que tinha com a CPT, lá pelos idos de 78-79, quando explodiu o conflito na reserva Kaingang, em Nonoai (RS), e acabei me envolvendo para ir lá ajudar os colonos que tinham sido expulsos da reserva. Esse fato coincidiu com o reinício da redemocratização, com os colonos perdendo o medo do governo, e daí nasceu a primeira ocupação de terra, no meio da Ditadura Militar, em setembro de 1979. Participei e acabei me envolvendo tanto que até hoje não saí.
CR - Nos últimos 10 anos (oito de Fernando Henrique e dois de Lula) quantas famílias foram assentadas?
Stedile - As estatísticas sempre são complicadas, mas estima-se que o FHC tenha assentado ao redor de 350 mil famílias, e no governo Lula, umas 80 mil. E ao longo dos 20 anos do MST, temos aproximadamente 580 mil famílias que conquistaram terra. Muitas estão envolvidas com o MST e outras com os sindicatos ou outros movimentos. Mas o principal é que todas as famílias assentadas, todas elas, tiveram que lutar pela terra. Nenhuma família, em todo país, recebeu a terra de mão beijada, por iniciativa do governo, sem antes lutar, pressionar ou participar de algum movimento de luta pela terra.
CR - Quantas famílias de sem-terra há no Brasil, onde estão e quantas podem ser mobilizadas rapidamente para uma manifestação ou um protesto?
Stedile - Segundo os dados oficiais do censo agropecuário do IBGE de 1995, que foi o último, há ao redor de 4,5 milhões de famílias de trabalhadores rurais sem terra, que vivem como assalariados, parceiros, pequenos posseiros, arrendatários, e filhos de pequenos agricultores, que moram nas terras do pai. Hoje tem ao redor de 200 mil famílias acampadas, mais de um milhão de pessoas morando debaixo da lona preta. Acho que o contingente mais fácil de mobilizar rapidamente é aquele formado pelas famílias que estão lutando debaixo das lonas.
CR - Por que a reforma agrária é tão lenta?
Stedile - Por muitas razões. Primeiro porque as grandes propriedades no Brasil pertencem a uma classe dominante misturada. Ou seja: há uma tradição da classe rica brasileira ter terras. Aqui, as grandes fazendas não são apenas daquele fazendeiro atrasado, que não sabe como produzir nas terras. As terras são de multinacionais, bancos, indústrias, comerciantes, médicos e latifundiários. E essa gente toda usa a terra como reserva de patrimônio. Eles têm muito poder econômico, muito poder político no governo, muito poder ideológico na sociedade. Por isso fazem com que a reforma agrária não ande.
Imagine que nós já fizemos uma proposta de desapropriar apenas as propriedades acima de mil hectares, para mostrar que queremos democratizar a propriedade. Mesmo assim eles não aceitam. E imagine que um fazendeiro com mil hectares pode ficar muito rico. Outra razão é que temos Lei da Reforma Agrária, mas o Estado brasileiro tem um caráter de classe claro. Ele só defende os ricos.
CR - Onde o senhor percebe essa discriminação?
Stedile - Sempre que precisa fazer um programa qualquer para atender os pobres, ele não funciona. Assim como não funciona na Reforma Agrária, não funciona para os pobres na saúde, na educação, no emprego.
CR -Tem mais algum motivo?
Stedile - A terceira razão é que a política econômica neoliberal em vigor só prioriza exportações e o agronegócio. Isso é incompatível com a reforma agrária, que visa distribuir renda, gerar empregos e desenvolver as economias locais.
CR - É suficiente distribuir terras?
Stedile - Não. O MST nunca defendeu apenas distribuir terras. Nós defendemos uma reforma agrária de novo tipo. Novo tipo porque é diferente da reforma agrária clássica, feita em todos os países desenvolvidos, no final do século XIX e no início do século XX. De certa forma, a colonização democrática que dividiu as terras na colonização italiana de nossa região foi uma reforma agrária clássica, sobre terras públicas. Isso serviu de base para construir uma sociedade mais igualitária e criou as bases para o desenvolvimento da indústria. Por isso que também a região mais industrial do RS é a região colonial italiana, porque os colonos passaram a ter poder aquisitivo para viabilizar a indústria. E conseguiram acumular para ser também sócios de agroindústrias, do vinho, de móveis, e depois da metalúrgica.
Nós defendemos uma reforma agrária que divida a terra, das grandes propriedades acima de mil hectares, mas que também divida o capital social que está no governo e crie condições para que os assentados tenham recursos para se modernizar, comprar máquinas, desenvolver a produção e, sobretudo, colocarem cooperativas de agroindústrias e assim, industrializando o leite, as matérias-primas agrícolas, poderem aumentar a renda e sair da pobreza.
Defendemos dividir a escola. É preciso democratizar a educação, levar a escola em todos os níveis para os assentamentos de reforma agrária. O conhecimento hoje é mais importante do que a terra.
E, finalmente, defendemos uma reforma agrária casada com novas técnicas de produção agrícola adequadas à pequena agricultura familiar e ao equilíbrio do meio ambiente. As técnicas do agronegócio estão colocando em risco o futuro da humanidade, porque quem as pratica são irresponsáveis, só pensam em lucro e não pensam na natureza. Nós estamos assistindo todos os dias as conseqüências disso no nosso clima.
CR - Nem todos os assentamentos deram certo. Por quê?
Stedile - Primeiro, todos os assentamentos resolveram o problema fundamental de casa, escola, trabalho e comida. Isso por si só já seria um sucesso. E, sobretudo, todos os assentamentos recuperam a dignidade das pessoas. Agora, muitos assentamentos não conseguem progredir economicamente, sair da pobreza. Eles têm trabalho, comida, e escola, mas continuam pobres. Isso acontece por várias razões. Primeiro, foram assentados em terras ruins, longe do mercado; segundo, o Estado abandona-os em cima das terras. Como disse, sem agroindústria e cooperativa não vamos sair da pobreza. E terceiro, muitos assentados ainda se iludem em trabalhar sozinhos. Hoje em dia, a agricultura precisa cada vez mais de cooperação e de divisão de trabalho, de cooperação agrícola, de cooperativas. Os que são ainda muito individualistas vão encontrar mais dificuldades para sair da pobreza.
Mas mesmo com todas essas dificuldades, ainda assim, eles estão cem por cento melhor do que quando eram sem-terras, porque não tinham futuro, eram párias da sociedade.
CR - Nos países do Primeiro Mundo, um número cada vez menor de agricultores produz mais alimentos. Não estamos na contra-mão da história?
Stedile - Não é verdade. Todos os países do Primeiro Mundo subsidiam e protegem seus agricultores, porque a população viver no meio rural é uma questão de igualdade e segurança social. Com o tal modelo do agronegócio e da revolução verde, de 1960 para cá saltamos de 80 milhões de pessoas que passavam fome para 880 milhões de pessoas que passam fome todos os dias. Aonde está o sucesso? É claro que tem alimentos suficientes, mas eles estão concentrados nas mãos das empresas e dos países ricos, por causa do modelo de produção e de distribuição de renda, e somente a reforma agrária consegue manter a população no meio rural, produzir alimentos e distribuir renda. Por isso ela é a solução para os problemas sociais dos países do Terceiro Mundo.
Também defendemos, em nível internacional, com a Via Campesina, a tese da soberania alimentar: cada país tem o direito e o dever de produzir todos os alimentos que seu povo precisa. Ai do povo que depende de importar alimentos. Esse povo sempre será dependente. E isso podemos aplicar às regiões e aos Estados.
CR - De um modo geral, o governo Lula vem agradando. Na sua avaliação corresponde aos discursos de palanque? Se há frustração ou decepção em que campo do governo ela reside e, por outro lado, em que área a atuação do Governo Lula lhe agrada?
Stedile - Nós somos um movimento social que precisa preservar a autonomia dos governos, do Estado, das igrejas, dos partidos. É isso que nos faz crescer e ter moral para poder criticar qualquer governo. O governo Lula é um aliado na reforma agrária. Mas sua reforma agrária anda a passo de tartaruga. Até agora ele só honrou o acordo com os banqueiros, com os neoliberais, com o FMI. Falta ele cumprir os acordos com o povo brasileiro, de resolver o problema do desemprego, da fome e da reforma agrária.
Por isso temos dito a ele que não resolverá sua dívida social se não mudar sua política econômica, que continua sendo neoliberal. Isso dizemos a ele, pessoalmente e em público. Por isso lutamos para que se mude a política econômica, que só aumenta a concentração de renda, a desigualdade e o desemprego.
A classe dominante brasileira é puxa-saco do governo Lula e defende sua política econômica porque está enriquecendo, mas critica o governo quando ele faz obras sociais, como bolsa-família, reforma universitária. Nós agimos ao contrário da classe dominante e dos ricos. Criticamos a política econômica e exigimos mais atenção à política social.
CR - O senhor, algumas vezes, se declarou pela violência. É a estratégia certa?
Stedile - Vocês estão mal informados. Nunca defendi a violência como forma de luta. Nosso movimento já tem vinte anos, e provou que sempre defendemos a pressão social, a mobilização social como força política para implementar a reforma agrária. Nós somos radicais porque queremos mudanças pelas raiz dos problemas. Mas somos contra a violência. Quem pratica a violência são os latifundiários, é o Estado, com suas forças policiais. Os pobres apenas se defendem da violência secular que sofrem. Existe violência maior do que a pobreza, do que a fome, do que a falta de trabalho? Dessa ninguém se lembra.
Existe violência maior do que as mentiras que os meios de comunicação dizem todos os dias na televisão, no rádio, simplesmente porque a classe dominante manda nos meios de comunicação e os pobres não têm como se defender?
Mesmo do ponto de vista prático, é de nosso deputado, do MST, o Luis Eduardo Greenhalg, a autoria do projeto de lei que retira as armas do meio da sociedade. Veja quem criticou: os ricos, os latifundiários.
CR - João Pedro Stedile continua cristão ou adotou o marxismo?
Stedile - Minha doutrina religiosa é o cristianismo, embora acredito que todas as religiões têm os mesmos fundamentos, e também são justas. Tenho viajado muito e me impressiona como os ensinamentos do Evangelho estão presentes também em outras religiões. Uso os conhecimentos científicos desenvolvidos na economia política, na filosofia, na história para explicar o funcionamento da sociedade, e dentro dessas ciências Marx foi um dos grandes filósofos e pensadores, entre muitos outros que também contribuíram. Não vejo nenhuma incompatibilidade entre a ciência da economia política, da filosofia, com minha crença religiosa. Ao contrário, uso a crença religiosa para alimentar a mística de que é necessário mudar a sociedade, explicada pela filosofia e pela economia política.
CR - No V Fórum Social Mundial de POA, alguns participantes decretaram a falência das utopias. Qual sua opinião?
Stedile - Quem não tem utopia não tem ideal, não tem idéias.
Nossos sentimentos, nosso espírito, nossa consciência são alimentados por ideais. Quem não os tiver está morto politicamente, e socialmente. Mas crer em utopias não é uma crença burra, de ficar esperando do além. É alimentar o sonho de que é possível mudar. Assim como a arte da política é transformar o impossível em possível.
Morte de irmã expõe problema agrário
Religiosa assassinada no Pará defendia direitos dos pequenos agricultores
O brutal assassinato de irmã Dorothy Mae Stang, 73 anos, missionária norte-americana da congregação das Irmãs de Nossa Senhora (Notre Dame), expôs ao Brasil e ao mundo os grandes problemas que o país enfrenta por causa da terra. "Esse vil assassinato traz à tona, de maneira trágica, a questão da violência no campo e a urgência de soluções para dívidas sociais tão antigas e graves, como a verdadeira reforma agrária, a definição clara das áreas de preservação ambiental, a demarcação das terras indígenas, a presença efetiva da autoridade pública nas novas áreas de ocupação das terras e a vigilância atenta para que a lei seja cumprida", afirmou dom Erwin Kräutler.
Dom Erwin é bispo de Xingu, prelazia da qual faz parte o município de Anapu (PA), onde a religiosa foi executada a tiros por dois pistoleiros no dia 12 de fevereiro, no assentamento Esperança. Irmã Dorothy estava no Brasil havia 30 anos, tinha naturalidade brasileira, era cidadã paraense e no dia 10 de dezembro de 2004 recebeu prêmio de direitos humanos concedido pela Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Pará.
Atuava na região desde 1982 e a partir de 1997 passou a desenvolver um trabalho de apoio aos pequenos agricultores através de programas de assentamento adequados à preservação da floresta Amazônica, chamados Projetos de Desenvolvimento Sustentável.
Também vinha lutando contra a violência promovida pelo latifúndio na região. A atuação decidida da religiosa, suas denúncias da ação predatória de fazendeiros, grileiros e madeireiros passaram a suscitar constantes ameaças de morte. O nome da religiosa constava da lista da Comissão Pastoral da Terra (CPT), distribuída anualmente às autoridades do país (matéria abaixo). "A morte dela estava marcada há tempo, mas ela não recuou", salienta uma nota da CPT. Mesmo com as recomendações para que deixasse a região por um tempo, a fim de que as ameaças cessassem, a missionária preferiu permanecer em Anapu. "Os pequenos agricultores não têm para onde fugir", dizia a irmã.
"A sanha de fazendeiros e madeireiros da região não respeita nada, e até a ação de uma religiosa idosa se torna para eles um obstáculo para a consecução dos seus objetivos", afirma a nota da CPT. Com o apoio da Igreja, cresce em Brasília a pressão para que o governo Lula apresse o passo nas ações de regularização fundiária e federalize a investigação do assassinato de irmã Dorothy. O presidente da CPT, dom Tomás Balduíno, fez fortes críticas ao presidente Lula, ao governo do Estado do Pará e ao Poder Judiciário.
Dom Balduíno pediu que o governo cumpra o artigo 51 das Disposições Constitucionais Transitórias, que determina a revisão das doações, vendas e concessões de terras públicas no país. "O testemunho de irmã Dorothy exige que a Reforma Agrária se torne, efetivamente, uma ação prioritária do governo federal, sem medo de desapropriar o latifúndio", salienta o bispo.
Impunidade favorece assassinatos no campo
Dados da CPT sobre os conflitos no campo no Brasil revelam que 1.349 pessoas já morreram entre 1985 e 2003. Em 2003 houve 73 mortes no campo, 33 delas no Pará, recordista em crimes do latifúndio. "O Estado é totalmente ausente de fronteira, a violência é deliberada e está a serviço de grupos que controlam o poder (madeireiros, fazendeiros e grileiros)", afirma a CPT.
No ano passado houve 30 assassinatos no campo, 11 deles no Pará. Das 1.379 mortes no campo, registradas pela CPT, apenas 75 resultaram em julgamentos. A impunidade fica evidente no fato de que somente 15 mandantes e 64 matadores foram condenados. Segundo a CPT, há 114 ocorrências de ameaças de morte e 145 pessoas marcadas para morrer.
Vaticano revela os mártires de 2004
A Congregação vaticana para a Evangelização dos Povos divulgou os dados de 2004 relativos aos missionários assassinados ou que sacrificaram sua vida, "com consciência dos riscos que corriam", sem abandonar seu compromisso de testemunho e apostolado. Segundo a Santa Sé, 16 missionários tiveram morte violenta no ano passado. Foram 11 sacerdotes, um religioso, uma religiosa e três leigos católicos.
A África registrou o maior número de mortes - cinco padres, um religioso e uma religiosa. No Paquistão, três jovens católicos foram agredidos até a morte sob falsas acusações de blasfêmia ou forçados a renegar a fé. Na América Latina, quatro padres perderam a vida - na Colômbia, México, Guatemala e Chile. Na Colômbia, perdeu a vida padre Javier Francisco Montoya; no México, padre Ramón Navarrete Islãs; na Guatemala, padre Eusébio Sazo Urbina; e no Chile, o missionário italiano Faustino De Stefani, apunhalado na catedral de Santiago por um jovem de uma seita satânica.
Na Europa houve apenas uma morte, a do padre Kazimir Vieseticki, na Bósnia-Herzegóvina. No Chade perdeu a vida no dia de Natal a superiora geral da Congregação de Nossa Senhora dos Apóstolos, a francesa Christiane Philipon. Em Burkina Faso foi morto a machadadas o lassalista espanhol Ignácio García Alonso. Na Índia, mataram padre Job Chittilappilly, de 71 anos, acusado de visitar famílias hindus, onde era bem recebido.
Padre Zezinho
Se todos fôssemos contra a guerra, não haveria conflitos
Há alguns anos, Etiópia e Somália fizeram as pazes depois de uma guerra de sete anos. Depois foi Angola. Mais recentemente foi a vez do Congo assinar a paz. Esses países africanos, que estão entre os mais pobres do mundo, poderiam estar bem melhor se tivessem conversado antes e evitado o gasto de dinheiro nessa matança sem nenhum sentido nem limite. Mas faz parte da humanidade, infelizmente, primeiro matar e depois conversar; primeiro odiar e depois pedir perdão; primeiro atacar e depois dialogar.
Aconteceu através da história, acontece agora. Um dia talvez, quando as pessoas não forem governadas por políticos ideólogos ou religiosos insensatos que declaram ou justificam a violência em nome de terra, da fé ou da raça, naquele dia, as pessoas negociarão por anos a fio sem ir à guerra.
Um amigo meu disse que é utopia. Somos belicosos por natureza. No DNA do ser humano está escrito guerra. Os pacíficos, diz ele, contrariam o DNA. Somos predadores e gostamos de marcar o nosso território físico, econômico ou ideológico com bravatas e gestos de violência. Juntam-se muitos desses no poder e eles tomam conta da nação, que passa a pensar como eles, porque todos trazem em suas raízes a intolerância.
Se todos tivéssemos em nós uma intolerância natural contra a guerra, não haveria guerras. Mas, no fundo, a justificamos ou achamos certo que se mate para conseguir um objetivo. Se a gente não faz isso, outro faz. Então, todos precisamos matar para preservarmos alguma coisa. O raciocínio chega a ser cruel, mas foi isso o que ele disse. Sartre, Kafka, Kierkegaard e outros profetas do pessimismo assinariam embaixo.
As religiões precisam trabalhar muito para mudar isso, mas como se algumas delas acham que derrotar os outros e as concorrentes é um chamado de Deus?
Capela junto ao eremitério de Frei Salvador deve estar pronta até maio
Templo vai acolher romeiros e devotos do frade capuchinhoSe as previsões se concretizarem, os devotos que participarem da 17ª Romaria de Frei Salvador, em Flores da Cunha – RS, no dia 26 de maio próximo, poderão deparar com uma surpresa ao chegar ao eremitério onde o piedoso frade capuchinho passava longas horas em oração – um magnífico templo todo em pedras talhadas. Conforme frei Geraldo Paludo, responsável pelas obras, até maio deverão estar prontos os muros e a cobertura do templo, que começou a ser construído em novembro do ano passado.
Frei Geraldo explica que serão utilizados em torno de 12 mil blocos de basalto para a construção das paredes e de uma torre de 10 metros de altura. O templo, erguido junto ao eremitério, terá uma área construída de cerca de 370 metros quadrados (30 m x 13 m). Além do espaço para orações e celebrações, a capela abrigará um lugar especial onde serão depositados os ex-votos (objetos, quadros, imagens, mensagens, símbolos etc) dos que obtiveram graças por intermédio de Frei Salvador, muitos dos quais hoje estão na igreja matriz; uma sacristia e banheiros.
O projeto de construção da igreja é da prefeitura municipal, sob a responsabilidade da arquiteta Suzana Dalmolin e do engenheiro Tibola. Para levar adiante o projeto, foi criada a Equipe Frei Salvador, coordenada por Olir Bergozza e formada por casais voluntários de Flores da Cunha. Os freis Geraldo e Alceu Ferronatto, definidor provincial, acompanham os trabalhos.
Segundo frei Geraldo, a construção do templo visa transformar a área em torno de eremitério num lugar de oração, bênçãos e romarias. "No segundo domingo de cada mês é celebrada missa junto ao eremitério, às 15 horas, com bênção da saúde. Todos os dias há pessoas rezando no local", revela frei Geraldo.
A obra conta com recursos da província dos capuchinhos, da paróquia, da prefeitura, de doações da comunidade florense e dos devotos de Frei Salvador. Para quem quiser fazer doações, basta entrar em contato com frei Geraldo Paludo (telefone (54) 292.2215) ou com a secretaria paroquial (54) 292.1443.
Mais um capuchinho assume o sacerdócio
No dia 27 de fevereiro de 2005 será ordenado mais um sacerdote capuchinho. Dom Dadeus Grings vai presidir a ordenação presbiteral de frei Pilato Pereira, durante cerimônia realizada às 10 horas na comunidade Divino Mestre, em Canoas. Frei Pilato escolheu como lema Felizes os que promovem a justiça e a paz. "Escolhi esse lema porque acredito que é possível construirmos um mundo de paz e justiça. Tenho consciência de que essa é a missão de todos os cristãos. E como frade capuchinho quero lutar com o povo para que isso se concretize".
Frei Pilato nasceu no dia 5 de fevereiro de 1974 em São João do Oeste – SC. É filho de Mozart Lourenço e Lourdes Lazaretti Pereira. Tem seis irmãos. A família também residiu em Pinheirinho do Vale, Sapiranga e Canoas, onde o jovem conheceu a vida dos capuchinhos e decidiu ser frade.
Ingressou na Ordem em 1994, em Canoas. Cursou Filosofia e fez o noviciado em Pelotas, o postulantado em Caxias do Sul e, a partir de 2000, o curso de Teologia na Estef. Atuou juntos às CEBs e Pastorais Sociais em Canoas. Realizou a profissão perpétua no dia 11 de setembro de 2004 em Canoas e, no dia seguinte, foi ordenado diácono, junto com freis Mauri Francescatto e Alexandre Piva, na igreja Santo Antônio do Partenon, em Porto Alegre.
Aldo Colombo
Amor, firmeza e diálogo são as normas básicas de uma boa educação
Ele tinha onze anos e sua paixão era pescar com o pai. Eles possuíam um chalé nas proximidades de um lago. A temporada permitida para a pesca começaria no dia seguinte. No fim da tarde, pai e filho foram ao lago para praticar arremesso, provocando ondulações na água. Naturalmente - para treinar - o filho colocou isca no anzol. A lua nascia prateada sobre o lago, mais do que nunca, encantado.
E um peixe mordeu a isca. Com habilidade o filho foi trazendo o peixe para perto. Era um peixe muito grande e muito lutador. Cansado, o peixe foi trazido para a margem. O pai olhou para o relógio luminoso. Faltavam apenas quatro horas para a abertura da temporada. Com tranqüilidade, disse ao filho: você tem de devolver o peixe à água! O filho protestou: nunca mais pegaria um peixe igual e faltavam apenas algumas horas para o início da temporada de pesca. Além disso, ninguém estava vendo...
Sereno e inflexível, o pai manteve a posição e o filho deu-se conta que não havia espaço para negociação. Devagar, tirou o anzol da boca do peixe. Imediatamente o peixe retornou às águas escuras e gostosas de seu lar. E naquele momento, o menino teve a certeza de que jamais pegaria um peixe tão grande como aquele.
Isso se passou há trinta anos. O menino cresceu e hoje é juiz de um Tribunal Federal. Ele jamais esqueceu aquela noite e aquele peixe. Ele deu-se conta da linha divisória entre o bem e o mal, entre o certo e o errado. Muitas vezes, ao longo da vida, voltou simbolicamente àquela cena e sempre teve consciência clara do lado certo da questão. Muito mais que as aulas da universidade, seu pai lhe dera a lição básica para a vida.
Na educação, nunca é cedo demais para começar. A desculpa que a criança é muito pequena não serve. Mais tarde, será grande demais. Os psicólogos e educadores falam dos "comandos iniciais". São aquelas determinações que marcam, na infância, para o resto da vida. É ali que se forma o caráter ou é ali que se descobre o "jeitinho" de burlar a lei. "Mas pai, faltam poucas horas, o peixe é grande, ninguém está vendo..." São as muitas maneiras de fazer e ensinar o errado. E esta semente dará, a seu tempo, a fruta envenenada.
Amor, firmeza e diálogo são as normas básicas da educação. A criança, pelo diálogo, deve perceber as razões do sim ou do não. São duas palavras que precisam ser proferidas com igual amor e igual firmeza. Esse comando inicial ficará para o resto da vida.
Realmente, aquele foi o peixe mais maravilhoso e grande que pescou na vida. Ele devolveu o peixe à água e ganhou uma vida digna. Foi uma perda que valeu a pena. Para o peixe e para ele.
Missionários concentram ações no Sul
Equipe capuchinha prega missões populares em onze cidades gaúchas
Os missionários capuchinhos do Rio Grande do Sul iniciam, no dia 1º de março, mais um período de pregações. Neste ano, serão missionadas paróquias de dez municípios gaúchos, duas do Mato Grosso e realizada reanimação missionária em Ivoti (RS). Em relação ao ano passado, houve algumas mudanças na equipe missionária: saíram os freis Antônio Pilatti, João Skrowonski e Francisco Pasinatto. Eles serão substituídos pelos freis Antério Parise, Clóvis Armani e Hélio Dalla Costa.
O coordenador da equipe, frei Jadir Segala, revela que as pregações deste ano serão motivadas pelo lema Missões capuchinhas a serviço da paz e do bem. "Além dos temas normais abordados nas missões, daremos grande ênfase ao tema paz, sugerido pela Campanha da Fraternidade deste ano, destacando especialmente a paz na família, na comunidade, na sociedade em geral", afirma frei Jadir.
As missões populares fazem parte do carisma original da Ordem Capuchinha. Na região Sul, elas são uma tradição e uma marca capuchinha desde a chegada dos pioneiros, os frades franceses, em 1896. As missões são um momento forte, intenso e especial de evangelização nas comunidades no sentido de reanimar a fé do povo, formar agentes, organizar e dinamizar a pastoral das comunidades.
Elas visam colaborar com as comunidades em sua caminhada no processo de reanimação, incentivando e fortalecendo tudo o que existe de bom, abrindo novas perspectivas para a vida comunitária, sempre de conformidade com os tempos e lugares, levando em consideração o plano pastoral da diocese e da paróquia.
Estrutura - As missões seguem quatro etapas. Iniciam com um encontro com os agentes de pastoral, feito dois a três meses antes da missão. Visa organizar as equipes que vão atuar na missão. Em seguida, é realizada a pré-missão, com a visita de um missionário a todas as comunidades. A terceira etapa é a missão propriamente dita. Realizam-se encontros, palestras, celebrações, pregações, encenações bíblicas, cantos, orações, confissões, procissão luminosa, bênçãos etc, em todas as comunidades. No final, há uma grande celebração na paróquia, com a presença de todas as comunidades. A última etapa é a pós-missão, que inclui cursos de formação e treinamento para as lideranças.
Wilson João
Toda vez que ferimos, magoamos, limitamos a ação e o espaço do outro, estamos sendo injustos
Ser justo. Viver como justo. Estar presente num enterro e escutar alguém falar a respeito de uma pessoa morta: "foi uma pessoa justa" é o maior elogio que se pode dar. Deus é justo. Deus é justiça. Quem vive como justo vive do jeito de Deus. Na Bíblia, a pessoa justa é sempre colocada em destaque, e sempre é referência como modelo de vida. A Bíblia fala duzentas e dez vezes a palavra "justo e justiça". Tão grande é sua importância.
NOSSA SOCIEDADE É MARCADA PELA INJUSTIÇA. É a cultura da injustiça substituindo a cultura da justiça. Justos na cadeia e corruptos na rua. Leis que protegem os grandes e esmagam os pequenos. Juízes julgando causas com balanças cheias de defeitos. Advogados defendendo a morte e a maldade. Dinheiro comprando causas. Legislativos defendendo interesses próprios ou de grupos que apoiaram sua candidatura. É a injustiça andando solta pelas ruas de nossas cidades e pelas estradas de nossos campos. Porém, o sonho de justiça continua vivo nos corações humanos.
O SONHO DA JUSTIÇA CLAMA DENTRO DE NÓS. Nosso corpo é regido por leis e necessitamos ser fiéis a elas. Somos injustos com nosso corpo toda vez que comemos ou bebemos demais, dormimos demais ou deixamos de dormir, trabalhamos demais ou não mexemos nosso corpo. Somos injustos com nosso corpo quando trocamos a noite pelo dia, sabendo que nosso corpo é prolongamento das leis que regem a natureza. Há leis espirituais e mentais que devem ser respeitadas, e que, quando não respeitadas, clamam por justiça, e produzem em nós angústia, tristeza e desgosto de viver.
O SONHO DA JUSTIÇA CLAMA FORA DE NÓS. Há leis em nossos relacionamentos. É questão de justiça respeitar o outro, seu espaço, seus direitos e sua maneira de viver. Toda vez que magoamos, ferimos, limitamos a ação e o espaço do outro, estamos sendo injustos. A liberdade na pessoa é um direito sagrado que até Deus respeita. Nossos relacionamentos pessoais sofrem muitas injustiças, e é por isso que muitos brigam e choram. Sentem-se feridos em seus direitos. São injustiçados.
O SONHO DA JUSTIÇA CLAMA NA SOCIEDADE. Até que houver pessoas gritando por comida, casa, trabalho, saúde, terra e direito de vida digna, não dá para dizer que estamos num mundo de justiça e de paz. O caminho da justiça é muito longo. Começa dentro de nós, continua em meu irmão e irmã, passa por todas as categorias sociais e todos os níveis de organização, até chegar aos altos comandos do povo. Se a justiça não começar em nós, não podemos exigi-la nos governantes e nem nos agentes da justiça.
Farroupilha sedia abertura dos festejos da imigração italiana
As comemorações alusivas à data seguem durante todo o ano
Dia 5 de março será acesa a centelha comemorativa dos 130 Anos da Imigração Italiana no Rio Grande do Sul, abrindo oficialmente os festejos que devem se estender por todo este ano. A solenidade está marcada para as 11 horas, na praça da Igreja Santa Helena da Cruz, na localidade de Nova Milano, em Farroupilha, onde instalaram-se as primeiras famílias de imigrantes. Haverá apresentações artísticas e gastronomia típica. Estarão presentes o governador Germano Rigotto e o secretário estadual da cultura Roque Jacoby, entre outras autoridades.
Clarissa Capra Rossetti, 24 anos, de Caxias do Sul, foi eleita rainha dos 130 Anos da Imigração Italiana e juntamente com as princesas Priscila Bressani, de Veranópolis, e Sarah Chiapinoto, de Santa Maria, vai divulgar a cultura desse povo no Estado. O concurso foi realizado na sexta, 18, em Gramado.
Entre os festejos, destaca-se, dia 19 de maio, sessão solene na Assembléia Legislativa, em Porto Alegre. Em 20 de maio, Dia da Imigração Italiana no RS, o comitê organizador das comemorações está solicitando que os municípios de colonização italiana façam o hasteamento da bandeira da Itália nas prefeituras.
O Seminário 130 Anos de Etnia Italiana será realizado de 16 a 19 de maio em Porto Alegre e de 13 a 16 de junho em Caxias do Sul. Também faz parte da programação o 3° Festival de Coros Italianos do Mercosul, de 26 de maio a 5 de junho, em Santa Maria. Ainda estão previstos concertos, mostras, jantares típicos e exibição de documentários em diferentes cidades.
SC amplia ensino da língua italiana
O ensino do idioma italiano será expandido em Santa Catarina graças ao Acordo de Cooperação Técnica que será assinado em abril entre o Estado e a Itália. O acordo vai garantir a continuidade do ensino da língua em dez escolas para 2.142 alunos. Outras 25 escolas públicas estaduais também serão beneficiadas. O acordo ainda destina recursos para material didático, capacitação profissional e ajuda de custo para os professores e prevê intercâmbio cultural entre os alunos italianos e brasileiros a partir de maio.
Segundo o cônsul italiano, Mário Trampetti, a intenção é ampliar o apoio financeiro para alcançar gradativamente todas as escolas que se situam em municípios sob influência dessa colonização. O cônsul afirmou que Santa Catarina é pioneira na implementação de uma política pública de ensino da língua italiana.
Fenachamp escolhe soberanas em abril
A escolha das soberanas da Festa Nacional do Champanhe 2005, dia 8 de abril, no Ginásio Municipal de Esportes de Garibaldi, será o primeiro evento oficial da festa este ano. As inscrições podem ser feitas até 14 de março na Secretaria Municipal de Turismo, Indústria e Comércio. As candidatas ao título de rainha da Fenachamp podem ser apresentadas por até quatro entidades. A concorrente ainda deve ter mais de 18 anos, ser solteira, brasileira, estar cursando ou ter concluído o Ensino Médio e estar domiciliada em Garibaldi. Além disso, deve demonstrar conhecimento sobre a história de Garibaldi, vinhos espumantes e do setor vitivinícola local e regional e da entidade que representa.
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (297)
Na pìcola nave de marmo rento na fontana
Rafael Baldissera
Professor, Curitiba - PR
Edilson el ciama el grupo a veder la Piassa Navona. Lora, Nanetto el osa a tuti:
- Tusi, vegné! Desso ndemo veder na Navona te na piassa!
- Nò, Nanetto, dise Edilson, no la ze na nave granda! La ze na pìcola nave de marmo rento na fontana. In realtà, le ze tre fontane tea stessa piassa: La Navona, la Fontana Moro disegnata par Bernini, e la Fontana dei Rii, che la rapresenta el Rio Nilo, el Rio dela Plata, el Gange e el Danùbio.
- Protesto, dise Nanetto, e el Rio Pò, che l’è un grande rio del Itàlia? E Edilson lo corige:
- Nò, Nanetto, el Rio Pò no l’è cossì grando come questi!
- Lora el Rio Amazona, che l’è el rio pi grando del mondo in quantità de aqua!
- Brao, Nanetto, ghe dise Sebastião Ferrarini. E la so fémena la completa: - Se vede che te cognossi la geografia del Brasile!
- Brai, tosi, dise Edilson, ma asseme continuar: te la Piassa Navona ghe gera un grande mercà dea Cità e qua se fea le feste e i giughi.
Dopo, al visitar la Basìlica San Piero in vincolis, Edilson el spiega:
- In vincolis vol dir tea prision". Vincoli vol dir cadene. Sta cesa la conserva le cadene con le quale San Piero l’è stà incadenà, quando el gera in prision. Le ze stà catae par Eudòsia, sposa del Imperador Teodòsio II, te na peregrinassion che la gavea fato in Gerusaleme. Ma na parte dea cadena la ze restada in Constantinòpola. Ma, quando sta parte la ze stà portada a Roma, ze sucedesto un miràcolo: tea man de Leon Magno, i anei i se ga tacai miracolosamente coi altri anei. Questo ze sucedesto tel secolo V.
Nanetto, co na grossa làgrema tei oci, el sclama: - Maria Vèrcore! Qua in Roma ze sucedesto tanti miràcoli cossì!
- Ze que1 che conta la stòria, dise Edilson, ma desso ndemo veder la stàtoa de Mosè, rento de sta cesa, stàtoa fata par Michelàngelo. I dise che quando Michelàngelo la gavea finio, l’è restà cossì contento che’l ga ciapà el marteleto e el ghe ga dà na pìcola bota tel denòcio e el ghe ga dito:
- Parché no te parli?!
La stàtoa la ze così perfeta che ghe mancaria solo parlar!
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
El gato griso
Adesso ve conto na stòria, fursi no volì créderme, ma la ze na verità santìssima, sucedesta in Garibaldi tel 1925. Mi gera na tosatela de sinque o sei ani. Lì rente la casa del pupà, a Garibaldi, i gera de star due zovenoti, de nome Vitòrio e Maria, che come vedì, i gera vissini tra de luri e co noantri, ma luri i stea un par banda de la strada, davanti un del altro.
El tempo el passea sensa gnente de novo, ma, là par le tante, la Maria la ga scomissià vardar Vitòrio coi òcii del core. Sto tosato el ghe piasea, ma no la savea cosa far par darghe da intender i so sentimenti. Sucede que Vitòrio el gavea un bel gaton griso che’l ghe volea tanto ben. Sto gato l’era sempre drio le so gambe, ma lu el ghe dava poco da magnar, par lu i gati i dovea viver de sordi o de oseleti che i se li ciapesse ntel paiol del mìlio o via par le scapoere. Lora, quando la fame la ghe batea, el gato el traversea la strada e el ndea in volta sgnaolando. Un dì, l’era lì che’l sgnaolava pròpio davanti la casa dela Maria, ela la ghe ga dato do tre tocheti de formaio vècio che li ga parai do con gusto. De lì in vanti, sempre che el gato el vegnea sgnaolar davanti la so casa, la ghe dea da magnar. Na volta, un tocheto de formaio, anca se el fusse un poco bissà, nantra volta un osseto de galina, na fetina de salame meso ranso... E el gato, sicuro, el se ga costumà. Dopo el disnar o la sena, quando a casa de Vitòrio no’l impienia la pansa soto la tola con le scorse de formaio, i budei del salame o con le frégole che caschea do dela tola, el ndava drito a casa de la Maria.
Un giorno de piova, el gato el dormea come un tatin in brasso dela Maria, e in te quel momento ghe salta na bela idea. La se dise: "Se el gato l’è rivà rente mi, pol esser che lu el me mene rente al so paron".
Sensa tanti pensieri, la ciapa na fitina bianca de bombasina, la scrive sora un verseto d’amore, e la liga ntel col del gato. Dopo lo ga molà fora ntela piova, e lu el core casa sua. E così la ga seguità far, sempre che’l griso, come ela lo ciamea, el rivava sgnaolando. La gavea un bel fasseto pronto de fitine. E lora, intanto che’l magnea el tocheto de formaio, o el lechea un piatin de late, la ghe lighea nantra fitina, dele volte rossa, ma sempre con qualche paroleta d’amore. Ma el tempo el passea, e no se vedea gnente de difarente dela banda delà dela strada. Romai la se gavea squasi disperà. La se disea, go paura che go perso el tempo, el formaio, el late e un bel toco de bombasina.
Ma la stòria dela banda delà la gera difarente. Vitòrio el vedea sto gato griso rivar casa co ste fitine ligae al col e scrite con bele giure d’amore, ma no’l savea nè chi le lighea, nè chi le scrivea e manco ancora de ndove el gato el vegnea.
Un bel giorno de tanto caldo, pena dopo disnà, Vitòrio el se senta al ombra de un piàteno e, giusto per caso, el vede el so gato griso vegner fora de la casa dela Maria co na fitina al col. Lora el ga capio tuto. Sicuro, no podea esser altro che la Maria. Come, el ga pensà, no me go nicorto prima, son pròpio orbo patoco. El ciapa el gato, el dì drio, el fa na fita co na foia del cuaderno e el ghe manda la risposta. De lì in vanti, el gato el ndava tuti i dì invanti e indrio, portando sia giure d’amore, sia proposte de ore e posti par catarse de scondion e smorosarse.
Passà un bel tempo, Vitòrio e la Maria, stufi de sconder el so amore, i ga decidesto a méterlo in tola, ognuno a la so fameia. Tuti i ze stai d’acordo. Ma li ga bravai d’aver fato le robe a scondion. De questo giorno avanti fea gusto vèderli tute le doméneghe ndar messa a brasseto.
In pochi mesi i ga impirà in tel deo le leanse e i ga marcà el matrimònio par un ano dopo. El gato griso i lo ga desmentegà. La Maria no la ghe dava pi i bei boconi de formaio e i piatini de late. Lora el griso, poareto, ghe ga tocà ritornar a esser un gato come tuti i altri e lì intorno no se lo vedea pi.
Rivà el giorno del matrimònio, Vitòrio e la Maria, lu co na bela fatiota de casemira, ela tuta de bianco, e par far novità, i se ga partio de casa in procission insieme ai genitori, fradei, sàntoli e invitai fin a la cesa, che la gera darente. El frate el ga fato na bela predicheta e, a l’ora dele domande se un acetava l’altro, na bela sorpresa, giusto inte la ora dela Maria dir el so si, el gato griso el se ga messo tra i due sposi e el ga molà un forte gnaaooo! El sacrista, al veder sto gato lì, el corre svelto e lo para fora dela cesa. Nissuni i savea de la stòria, a no esser Vitòrio e la Maria. Finie le serimónie, tuti i ze tornai a casa de Vitòrio, par la gran festa. Tuti e ga magnà e bevesto a volontà, ma a ora dei sposi taiar el bolo, la sorpresa, lì davanti, menando la coa e vardando i sposi, el gato griso che’l spetea el so toco. El se lo meritea! (Testo de Silvino Santin, stòria contada par Giudith Binotto nel corso de Talian dela Associassione Italiana de Santa Maria, 2003).
Caxias do Sul sedia rodeio criolo
Evento nacional ocorre de 5 a 13 de março
A 14ª edição do Rodeio Nacional Campo dos Bugres será realizada de 5 a 13 de março, nos Pavilhões da Festa da Uva em Caxias do Sul. A programação inclui disputas de provas artísticas, como danças tradicionais, chula, declamação, trova, intérprete solista vocal, gaita de botão, gaita piano e violão; e provas campeiras, com vaca parada, gineteada e laço. As disputas artísticas ocorrem sempre aos sábados e domingos, dias 5 e 6, 12 e 13. As provas campeiras também são realizadas durante a semana.
Na noite da abertura, a partir das 22 horas, baile com João Luiz Correa e Grupo, no Restaurante Central dos pavilhões. No domingo, 6, às 20 horas, espetáculo artístico com César Oliveira e Rogério Mello. De 7 a 9 de março, espetáculos diversos com artistas locais, sempre a partir das 22 horas. Na quinta, 10, baile com grupo Essência Gaúcha. Os Monarcas animam a noite de sexta-feira. O último baile do evento, dia 12, será com o Grupo Fandango Gaúcho. O rodeio é uma promoção do CTG Campo dos Bugres, 25ª Região Tradicionalista, Prefeitura Municipal e Festa da Uva.
Lages realiza festival de canção nativa
A 17ª Festa Nacional do Pinhão será realizada em Lages (SC) de 20 a 29 de maio. Paralelamente, no dia 20, ocorre a 5ª edição da Sapecada da Serra Catarinense e 13ª Sapecada da Canção Nativa, que reúne os melhores nomes da música nativista do Cone Sul, nos dias 22, 23 e 24. As inscrições para o festival estão abertas na Fundação Cultural de Lages ou pelo telefone (49) 224-7425.
Este ano o CD lançado para a Sapecada será duplo, contendo 16 músicas da fase nacional e 14 da catarinense. A ajuda de custo para os compositores, que no ano passado era de R$ 500,00 passou para R$ 700,00. O festival visa divulgar a cultura, a história e os costumes da região serrana, integrando o município de Lages ao movimento nativista.
Expodireto Cotrijal debate agronegócio
Com melhorias em todos os setores, a Expodireto Cotrijal 2005, que ocorre em Não-Me-Toque (RS), de 7 a 11 de março, deverá superar as cinco edições já realizadas. O parque do evento, com 84 hectares, conta agora com mais espaço para a área de máquinas e inovações na parte de infra-estrutura.
Além do Fórum Nacional da Soja e da Conferência Mercosul sobre Agronegócio, integrarão os eventos oficiais da exposição o Seminário Nacional da Sociedade Brasileira de Economia Rural, o Fórum Estadual do Leite e o Acampamento de Jovens Rurais do RS, transformando o parque num centro de discussões sobre o agronegócio. Já confirmaram presença no evento o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, e o governador do Estado, Germano Rigotto.
A Expodireto 2005 foi lançada oficialmente na terça-feira, 15, pelo governador Germano Rigotto, como a segunda maior feira de máquinas e implementos do país. Segundo o governador, o Rio Grande do Sul, responde por 60% dos equipamentos para a agricultura produzidos no Brasil.