LEITORES 

 DESCOBRINDO CAMINHOS

 

Desde 1909, onde o conteúdo faz a diferença.

Edição 4.926 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 2 de março de 2005.

EDITORIAL

Divisão na vitivinicultura alimenta ainda mais a crise

Se junta a cadeia produtiva da uva e do vinho não conseguiu atendimento a seus pleitos, separada terá ainda menos chances

 

Preço mínimo sempre foi um tema explosivo nas relações entre produtores de uva e de vinho. Os viticultores lutando pelo maior valor; as vinícolas pelo menor reajuste possível. A nova realidade do mercado, afetado fortemente pelo Mercosul e pela decorrente abertura das portas do Brasil ao vinho estrangeiro, acrescentou um elemento importante nas negociações: os empresários passaram a exercer pressão para que a política de preço mínimo para a uva fosse extinta; os produtores, a resistir para que ela seja mantida.

Os empresários alegam dificuldades porque são obrigados a pagar um valor fixado pelo governo federal na compra da matéria-prima, e a seguir as regras da economia de mercado no momento da venda. Os viticultores argumentam que o preço mínimo é a única garantia que possuem de retorno financeiro ao trabalho.

Apesar dessas divergências históricas, houve momentos recentes em que os dois lados sentaram à mesa para discutir questões comuns. Olharam para a mesma direção e somaram esforços para combater a importação descontrolada de vinho, o ingresso do produto por contrabando e a excessiva carga tributária.

Em menos de um mês, no entanto, a discórdia não só voltou como recrudesceu. Primeiramente, pelas denúncias - algumas comprovadas - de que empresários estavam fraudando a graduação da uva para pagar menos. Em segundo lugar, porque cerca de 100 cantinas interromperam o recebimento de uva comum.

A decisão, que visa forçar a redução do preço mínimo, provocou reações severas e um clima nada favorável a um entendimento. O mais lamentável nesse episódio é que o setor voltou a se dividir. Se junta a cadeia produtiva da uva e do vinho não conseguiu ver atendidos seus pleitos, separada terá menos chances ainda. Enquanto aqui produtores de vinho não sabem o que fazer com os estoques e os viticultores precisam ainda colocar mais de 100 milhões de quilos de uva, de Brasília os governantes assistem a tudo passivamente. O atual impasse deve encontrar um fim nos próximos dias. Mas, sem medidas que devolvam ao vinho brasileiro competitividade, a crise tende a se agravar cada vez mais.

 

CAXIAS

Prefeitura inicia por técnicos elaboração do Plano Diretor

Discussão será aberta à comunidade a partir de abril

 

A primeira reunião ocorreu na semana passada, com a participação de 15 entidades representativas da comunidade - UCS, CIC, OAB, SEAAQ, STR, CREA, entre outras. Nesta quarta, 2, ocorre seminário interno com a presença de técnicos da Prefeitura, evento que prossegue no próximo dia 9. O objetivo é avaliar o Plano Físico Urbano (PFU) e elaborar novo Plano Diretor do Município. Em abril, a administração municipal promete abrir a discussão à população caxiense.

"Esse processo não é conseqüência exclusiva do programa de governo da nova administração. Ele atende a uma obrigação legal (Lei Complementar 27), que determina a avaliação anual do Plano Físico Urbano, por audiência pública, o que desde 1996 (ano em que foi aprovado o PFU) não vinha sendo feito". A explicação é do secretário municipal do Planejamento, Vinícius Ribeiro. Ele destaca outro aspecto legal: o Estatuto das Cidades, lei federal, determina que todos municípios com mais de 20 mil habitantes tenham seu Plano Diretor aprovado até 2006.

Ribeiro não especifica prováveis mudanças do Plano Físico, argumentando que elas serão resultado das avaliações e sugestões. Dentro do Plano Diretor, que é mais abrangente e não se limita ao urbano, adianta que haverá debates aprofundados sobre questões ambientais, sociais, econômicas e da zona rural. Diz também que espera contribuir para o planejamento da cidade, com integração regional, para as próximas décadas.

 

REPORTAGEM

Vinícolas querem reduzir mínimo da uva para R$ 0,35

Associadas da Agavi mantêm paralisação no recebimento até que houver negociação

 

A discórdia sempre permeou as relações de produtores gaúchos de uva e de vinho. Patrocinada por interesses muito distintos, ela está na raiz de discussões acaloradas, de manifestações de hostilidade, até da troca de insultos. Mas nunca culminou em ações extremadas como a deflagrada quinta-feira pelas 75 filiadas à Associação Gaúcha dos Vinicultores (Agavi), com a adesão de cerca de mais três dezenas de vinícolas. Em plena safra, essas empresas pararam de receber uvas híbridas e americanas, as comuns, que representam mais de 70% do total da produção no Estado.

Seguindo decisão tomada em assembléia da entidade, as vinícolas fecharam as portas ao produto na quinta, 24. Na noite do dia seguinte, por unanimidade dos 62 dirigentes de cantinas presentes à nova assembléia, foi mantida a posição de suspender o recebimento por tempo indeterminado. "Precisamos negociar preço com os produtores. O quadro é crítico e comprometedor do futuro", avalia o presidente da Agavi, Júlio Fante. "Tem vinícolas sendo obrigadas a vender por R$ 0,56 o litro de vinho que custa R$ 0,75", exemplifica. "A questão não é de confronto, mas de realidade do setor", acrescenta.

Argumentos não faltam aos vinicultores, há anos apelando a governantes por medidas que tornem o setor menos frágil à concorrência estrangeira, menos debilitado pela pesada carga tributária e menos vulnerável ao contrabando de vinhos. O que querem as vinícolas? Uma nova tabela de preços, pela qual o valor mínimo para a uva comum com 15 graus glucométricos baixe dos R$ 0,42 fixados pelo governo federal para R$ 0,35 (16,6%), com percentual de redução também para outras faixas de graduação (veja tabela).

Argumentos igualmente abundam entre os produtores de uva. "Nós também temos custo, que vai além dos R$ 0,42. Parece que os empresários estão querendo punir os produtores porque a uva tem boa qualidade, com graduação elevada, o que aumenta o seu valor", reage Olir Schiavenin, presidente da Comissão Interestadual da Uva. "Eu não concordo com isso de jeito nenhum. Se querem explorar o produtor, que explorem, mas não com o meu consentimento. Não vou trair minha classe".

Impasse - A questão que perdurava até segunda, 28, mesmo após reuniões isoladas durante o final de semana, era saber quanto tempo esse impasse vai durar. A uva isabel, origem maior do descompasso e principal matéria-prima das empresas que comercializam vinho a granel para fora do Estado - que têm forte influência na Agavi -, atinge o auge da maturação na semana que vem. Não há dados exatos sobre o volume desta safra, mas como foram colhidas pequenas quantidades dessa variedade - aquelas prejudicadas pela seca -, estima-se que ainda estão nos parreirais mais de 100 milhões de quilos, que não resistirão saudáveis por muitos dias.

O prazo de pelo menos uma semana, associado ao esquema adotado por várias vinícolas, que estenderam o horário de recebimento na véspera da paralisação, pode explicar a posição passiva da maioria dos viticultores. Além disso, as portas estão lacradas apenas para uvas comuns. "Os produtores entendem a situação. A intransigência está em alguns de seus líderes sindicais", alfineta Fante. "Se os empresários estão se entendendo com os produtores, por que querem o nosso aval?", retruca Raimundo Bampi, tesoureiro da Comissão Interestadual da Uva.

Antes de interromperem o recebimento, os empresários distribuíram documento sobre a decisão e procuraram, na terça, 22, o secretário da Agricultura do Estado, Odacir Klein, que se comprometeu a levar o assunto ao governador Germano Rigotto. No mesmo dia, lideranças dos produtores buscavam contato com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto. A expectativa que havia no sábado era de que um deles acabasse, ao longo desta semana, mediando a aproximação dos dois lados. Mas as distâncias que afastam vinícolas e produtores de uva eram gigantescas e mesmo que sejam encolhidas, a tendência é de que o episódio que marca a comercialização da safra de 2005 deixará seqüelas.

 

Fraude na graduação elevou nível de divergências

 

Em determinado momento de uma reunião de dirigentes de entidades que representam as vinícolas, realizada em Caxias do Sul no dia 17 de janeiro passado, um polêmico e temerário tema foi acrescentado à pauta: pagar aos produtores o valor correspondente a dois graus a menos do que o registrado no recebimento da uva. Se a variedade niágara, por exemplo, tivesse 17 graus, ao invés de o produtor receber R$ 0,5040 ao quilo, a vinícola pagaria o mínimo fixado para 15 graus - R$ 0,42. Se havia a tentativa de obter apoio para a idéia, ela foi abortada quando o diretor de uma grande vinícola de Bento Gonçalves declarou com energia: "Sou contra a fixação de preço mínimo, mas lei é lei e temos de cumpri-la. Antes de reduzir a graduação prefiro não receber uva".

A maioria das vinícolas seguiu o que estabelece a legislação, algumas tomaram caminho inverso. "Uma vinícola admitiu formalmente a prática de fraude na graduação, várias admitiram informalmente (em conversa)", afirmou ao CR Plínio Manosso, chefe da Divisão de Enologia da Secretaria da Agricultura-RS, que, entre suas atribuições, fiscaliza o cumprimento de normas no recebimento da uva. Ele participou de diligências, feitas também pela Delegacia Regional do Ministério da Agricultura, para apurar "denúncias continuadas contra mais de 10 vinícolas". "Quando ameacei fazer plantão nas vinícolas, pararam as reclamações", afirma Manosso, negando-se a revelar os nomes das empresas.

"Entreguei cerca de 23 mil quilos de uva e o talão sempre foi preenchido com dois graus a menos", admitiu Geraldo Scopel, que produz quase 40 mil quilos de uva em Santa Lúcia do Piaí, interior de Caxias. "Isso nunca havia acontecido. Não sei até que ponto vou condenar a cantina, mas não é justo", avalia Scopel.

Olir Schiavenin, da Comissão da Uva, insiste no argumento de que "se a fraude da graduação continuasse, as cantinas não parariam de receber uva". "Como associação, nunca apoiamos essa idéia. Não é o caminho. Duas ou três empresas fizeram, mas pararam", afirma Júlio Fante, presidente da Agavi. Entre a fraude e a paralisação há pelo menos uma importante coincidência. Nesta safra, grande parte das variedades de uva comum está sendo colhida com 17 graus de açúcar. A diferença entre o valor estabelecido para o quilo da uva nessas condições (R$ 0,5040) e o da uva com dois graus a menos (R$ 0,42) é 16,6%. A redução que os associados da Agavi querem para o preço mínimo, de R$ 0,42 para R$ 0,35, equivale aos mesmos 16,6% - inclusive na dízima periódica.

Um dos motivos externados pelo presidente da União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra) Danilo Cavagni para não aderir à paralisação é de que a quase totalidade das empresas associadas à sua entidade trabalha apenas com uvas viníferas. Outro é este: "A uva tem que ter preço de mercado. A fixação de preço mínimo é prejudicial a todos. Mas não endossamos qualquer manifestação de apoio a fraudes, como a redução de graus."

 

Crise na vitivinicultura tende a se agravar

 

"Os problemas que atingem o setor transcendem a boa vontade dos agricultores e das cantinas. O governo terá de dar um jeito". A afirmação, de Antônio Salton, presidente do Sindicato da Indústria do Vinho (Sindivinho), reflete uma realidade que prejudica a vitivinicultura gaúcha há anos. Além da carga tributária, acima de 42% - quase o dobro da argentina, que beira os 26%, e muito acima da chilena -, e da invasão de vinhos estrangeiros, o contrabando de vinhos cresce sem nenhuma reação fiscalizadora das autoridades federais. "Já são cerca de 50 mil caixas por mês. É um contrabando deslavado e desbragado", acrescenta Salton.

Outros números, surgidos de levantamento realizado recentemente, concluíram que o contrabando pode ser muito maior do que indicavam estimativas. Um dado é esclarecedor: o Brasil importou 11 milhões de litros de vinho da Argentina em 2004; o Paraguai importou no mesmo período 17 milhões de litros. "Será que o Paraguai tem maior potencial de consumo que o Brasil?", indaga Salton. A resposta todos sabem: o destino de grande parte deste vinho seria o Brasil.

Com vinho entrando sem controle, com os estoques elevados de muitas das cantinas - a Salton fechou o ano passado com oito milhões de litros de vinho, a maioria dos associados da Agavi tem estocada uma safra - e com o consumo interno não avançando do 1,7 litro per capita, as vinícolas tendem a comprar menos uva. As dificuldades de mercado para a uva e para o vinho vão se agravar e criar um quadro pior no ano que vem, porque a safra deste ano, mesmo que seja 30% menor que a de 2004, será superior a 400 milhões de quilos de uva. "Estamos recebendo uva sabendo que corremos riscos porque não há garantia do repasse no preço do vinho", analisa o presidente do Sindivinho. No ano passado, a Vinícola Salton, da qual é diretor superintendente, adquiriu 20 milhões de quilos de uva; neste ano, no máximo 13 milhões. "O setor caminha para uma situação muito delicada", resume Júlio Fante, presidente da Agavi.

 

AGRONEGÓCIO

Estiagem pode levar gado ao estresse

Problema diminui o desempenho do animal, com queda na produção de carne e leite

 

A estiagem que afeta o Sul do país colocando cerca de 400 municípios em situação de emergência e levando dezenas a já racionar água, também castiga os animais. Segundo o zootecnista da Emater, Jaime Eduardo Ries, o ambiente é de estresse para o gado. "O calor é muito intenso, os açudes estão baixos e com a água morna e as pastagens, secas. O reflexo dessa situação para o gado de corte e leiteiro é redução no desempenho, o animal perde peso e a produção de carne e leite diminui", afirma Jaime. "Também observamos que, em função do calor, os animais têm dificuldade para entrar no cio, o que irá resultar em queda na natalidade", completa. Além disso, o especialista explica que a situação de estresse afeta o sistema imunológico, deixando os animais mais suscetíveis a doenças.

A queda do desempenho dos bovinos incomoda os produtores, mas o bem-estar dos animais nem sempre foi preocupação da maioria. Hoje, porém, diante de algumas mudanças nos padrões de consumo, principalmente em relação ao mercado europeu, está entre os fatores que influenciam na hora dos consumidores decidirem pela compra do produto. Pesquisas mostram que o estresse animal está associado a quedas nas taxas de concepção, redução na resposta imune e na função ruminal.

Segundo orientações da Embrapa Gado de Corte, para evitar o estresse dos animais, o produtor deve garantir espaço mínimo para que eles possam manter suas atividades em um contexto social equilibrado. Não deve-se misturar indivíduos que não se conhecem ou, ainda, animais com chifres com mochados em currais, confinamentos ou caminhões de transporte.

Todo bovino também necessita de sombra. Deve-se disponibilizar sombra para protegê-los da carga térmica durante as horas mais quentes do dia. O produtor ainda precisa dispor ao rebanho pastagens, água limpa e suplementos nutricionais de qualidade durante todo o ano. Em áreas de manejo extensivo, recomenda-se distribuir fontes de água na pastagem, facilitando o acesso, sem longas caminhadas.

O manejo animal adequado assegura, além do bem-estar, a segurança do pessoal envolvido, o rastreamento e a certificação do produto final. Deve-se evitar o uso de cachorros, paus e bandeiras. As pessoas que lidam com os animais devem ser instruídas a respeito das maneiras adequadas de manejá-los.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Gado De Corte, Ezequiel do Vale, o estresse antes do abate causa elevação do pH da carne, escurecimento, diminuição do tempo de prateleira, contusões na carcaça e hematomas. Se a distância até o abatedouro for longa, os animais devem ter alimento e água disponíveis. É necessário evitar o contato entre animais vivos e abatidos. O uso de bastões elétricos é proibido. Ao longo do transporte e durante o abate, deverá haver uma pessoa responsável pelo bem-estar do animal.

 

Falta d'água já causa morte de animais

 

Sem água e pasto suficientes, o gado já está morrendo em alguns locais. Em Alecrim (RS), na fronteira com a Argentina, mais de 50 animais foram enterrados pela prefeitura desde que a estiagem se intensificou, a partir de dezembro. Segundo o vice-prefeito Marino Schmitt, o animal fica fraco e quando entra no açude para procurar água, devido à lama, não consegue mais sair e acaba morrendo de fome e sede. Conforme o vice-prefeito, desde janeiro, não chove forte no município, os pastos estão amarelados e ralos.

A seca também chegou à avicultura. Em Nova Bréscia, no Vale do Taquari, 120 dos 365 aviários locais estão vazios. O município é o segundo maior produtor de frangos no Rio Grande do Sul e 90% da arrecadação do ICMS depende da atividade. Segundo o secretário da Agricultura, Léo Fontana, a cidade já deixou de arrecadar R$ 150 mil nos últimos dois meses. O prejuízo para os cerca de 30 produtores corresponde ao dobro desse valor.

Municípios como Estrela, Lajeado, Progresso, Poço das Antas e Teutônia estão enfrentando a mesma dificuldade. Conforme a Associação Gaúcha de Avicultores, cerca de 400 aviários estão vazios hoje no Estado.

 

Sul lança programa de formação rural

 

O maior programa de formação profissional rural do país foi lançado em fevereiro na cidade de Chapecó (SC), para ser aplicado neste ano a 3.780 produtores do Oeste catarinense, Sudoeste do Paraná e Noroeste do Rio Grande do Sul. Batizado de "Projeto de desenvolvimento de produtores rurais integrados às cooperativas singulares", a mais ampla ação de qualificação do setor primário absorverá R$ 1,2 milhão e reunirá importantes parceiros dos três Estados como Sebrae, Senar, Coopercentral Aurora, 13 cooperativas de produção agropecuária, Sescoop e prefeituras.

Serão envolvidos no programa produtores rurais filiados às cooperativas, organizados em 105 grupos que representarão 1.890 propriedades e 3.780 pessoas. Serão implementados dois programas – "De olho na qualidade" (73 grupos, 1.314 propriedades e 2.628 produtores) e "Qualidade total rural" (32 grupos, 576 propriedades e 1.151 participantes). O projeto, que adota conceitos do 5 "S", adequados à realidade rural, tem cinco fases – descarte, organização, limpeza, higiene e ordem mantida.

 

Seca causa redução de 37% na produtividade do feijão

Levantamento da Emater ainda aponta quebra de 35,2% na safra da soja no RS

 

O último levantamento da Emater/RS-Ascar sobre o impacto da estiagem nas culturas agrícolas do Rio Grande do Sul, divulgado na segunda, 28, mostra que a situação da soja agravou-se. As pesquisas apontam quebra de 35,2% na safra, passando de 8,3 milhões de toneladas para 5,3 milhões. A produção estadual de arroz deve ficar em 5,59 milhões de toneladas. As estimativas iniciais eram de 5,78 milhões de toneladas.

A colheita da primeira safra de feijão no Estado está encerrada, com perdas elevadas sobre as estimativas iniciais de produção. A produtividade média ficou em 673 quilos por hectare, redução de 37,04% em relação ao esperado. A produção é de 66,5 mil toneladas em 98,8 mil hectares. Apenas 25% da área tradicionalmente cultivada na segunda safra de feijão está plantada. Os técnicos avaliam que, em função da continuidade da estiagem, o plantio não deverá ser realizado, diminuindo ainda mais a produção total.

O milho também deverá ter os índices de prejuízos alterados, pois 46% das lavouras ainda estão em fase de floração e enchimento de grãos. Atualmente, a Emater constata redução de 45% em relação à estimativa inicial de rendimento, que era de 3.516 quilos por hectare.

A oferta de pasto para os animais é cada vez mais escassa e com baixa qualidade. A produção de leite está dependendo da disponibilidade de alimentos alternativos que os produtores têm para fornecer aos animais. A situação do rebanho bovino de corte ainda é satisfatória, já que nesta época do ano as exigências alimentares dos animais são menores.

 

Qualidade das uvas da Metade Sul surpreende

 

Uvas com alto teor de açúcar surpreenderam as autoridades que participaram da abertura da colheita na Metade Sul do Estado, realizada no domingo, 27 de fevereiro, na localidade de Olhos D’Água, em Bagé. Em média, a graduação gira em torno dos 21° graus babo de açúcar. A área total de vinhedos na região é de 1,7 mil hectares, 950 dos quais são de áreas novas. A previsão da colheita deste ano se aproxima das 11 mil toneladas.

Na Metade Sul já existem vinhedos em cerca de 20 municípios, destacando-se principalmente os de Santana do Livramento, Bagé, Encruzilhada do Sul, Candiota, Pinheiro Machado, Quaraí, Dom Pedrito e Itaqui. Até 2007, a área com parreiras deverá superar os dois mil hectares. A região é privilegiada pela localização, o famoso paralelo 31 – no mundo, os melhores vinhedos estão logo acima desse paralelo, no hemisfério Norte, e logo abaixo, no hemisfério Sul. A região cultiva especialmente viníferas como cabernet, merlot, tanat e chardonnay.

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

Melhor aproveitamento da cebola

Tenho umas amigas que são produtoras de cebola e de outros produtos agrícolas, aqui no município de São João do Sul. Então nós gostaríamos de saber aproveitar melhor as cebolas em casa além da venda do produto natural, e se possível, receita de fazer conserva e outras utilizações ou onde consegui-las.

DEBORA BAUER SCHEFFER

São João do Sul - SC

 

Sou grato por sua colaboração que solicita informações para melhor aproveitamento, no caso da cebola, em benefício de suas amigas, cultivadoras da hortaliça. Aliás, a colaboração feminina é marcante, não só para esta coluna que tem o nome de Vida Agrícola, mas na prática da verdadeira vida agrícola de que fazem parte.

Aproveito a oportunidade para registrar e exaltar a realidade. Neste novo ano, boa parte das respostas de V.A. foram dadas em atenção aos pedidos de mulheres. E para as respostas, conto, e sempre contei no passado, muitas vezes com a participação generosa de colegas e extensionistas femininas.

Estou convicto, pelas experiências pessoais através de tantos anos em favor da agricultura, que a sensibilidade feminina é de grande valor, foi e continua sendo decisiva na solução dos inúmeros problemas da família rural.

Quanto ao seu pedido em relação à cebola, deve-se subentender também o melhor aproveitamento de outros produtos agrícolas também cultivados em seu município como pepino, pimenta, banana, legumes, maracujá, goiaba, cana e tantos outros. Seu município faz parte de Santa Catarina, mas pouco distante de Torres no RS, apenas do outro lado do rio Mampituba, com as mesmas características e atividades agrícolas. Diversos agricultores de São João do Sul costumam participar das Feiras do Produtor em Torres, sobretudo aos sábados. Quase todas as bancas desta feira oferecem cebolas de todos os tipos: pequenas, médias, grandes, redondas, ovais, chatas, amarelas, vermelhas, roxas, prova inconteste de que a região é apropriada ao cultivo da bulbosa.

Cursos - Algumas entidades promovem cursos de agroindústria. A Emater, que tem sede - salvo engano - junto à Secretaria Municipal de Agricultura de Torres, Rua B. Freitas, 370, fone 664.1181, possui equipe de extensionistas preparadas para prestar todo tipo de informação e assistência às agricultoras interessadas no melhor aproveitamento e conservação dos produtos agrícolas.

A Acert (Associação dos Agricultores Ecologistas da Região de Torres) faz questão de bem preparar os seus associados, inclusive para a melhor utilização dos seus produtos ecológicos. Foi fundada por iniciativa do engº agrº Nabor de A. Guazzelli, que desde quando chegou a Torres dedica-se ao incentivo da Agricultura Orgânica e presta ainda assistência técnica à Associação.

Também podem os agricultores contar com a ECO-Torres (Cooperativa dos Consumidores de Produtos Ecológicos da Região de Torres - Rua Três de Maio, 151, fone: 664.5375) que promove reuniões, encontros e cursos práticos destinados a promover a produção rural ecológica em benefício da população urbana.

Conserva de cebola - Selecionar e descascar as cebolas miúdas e colocá-las em vidros de boca larga (cerca de 1/2 litro de capacidade). Fazer uma "salmoura" com água fervida na proporção de 2 litros e meio de água para 1 de vinagre de boa qualidade e sal a gosto, em geral 2 colheres (de sopa) para cada litro de líquido. Colocar junto com as cebolas alguns grãos de pimenta, ou tiras de pimentão, louro ou outro tempero, encher completamente os vidros com a salmoura e tampá-los bem. Colocar os vidros dentro de uma panela com água, deixar ferver em banho-maria por mais ou menos 5 minutos. Deixar esfriar. Está pronta a conserva para o consumo (Receita da Elisângela Martins da Silva e seu marido Joel).

O feirante de Acert, Tobias, faz a conserva de modo semelhante; deixa ferver em banho-maria 10 minutos e usa vinagre de cana que diz ser muito bom.

 

SAÚDE

Excesso de informação e abundância de produtos confundem o consumidor

As recomendações sobre a dieta são tantas que as pessoas não sabem mais o que e como comer

 

Há alguns anos, alimentar-se bem era muito simples. Podia-se dizer que um prato com arroz, feijão, um bife e salada era sinônimo de uma refeição equilibrada. Com o passar do tempo, começaram a aparecer as gorduras do bem e do mal, a contagem dos carboidratos, inúmeros micronutrientes, os alimentos que curam e os que podem acelerar doenças etc. A abundância na oferta de produtos e o excesso de informações acabam deixando o consumidor confuso sobre o que e como comer.

Em tempos de "globesidade" – termo usado pelo Organização Mundial da Saúde para definir a epidemia global de obesidade – a ordem é comer pouco e optar por refeições saudáveis. Porém, há um volume muito grande de informações sobre alimentação chegando ao consumidor comum, que não consegue entendê-las como deveria.

O Departamento de Saúde dos Estados Unidos está demonstrando um esforço em divulgar orientações mais enxutas. A cada cinco anos, o governo americano divulga um guia com diretrizes nutricionais para sua população. A edição de 2005, lançada em janeiro, em resumo, recomenda que as pessoas comam menos, façam mais exercícios, consumam mais frutas, verduras e legumes, evitem gorduras saturadas e excesso de sal e açúcar.

As orientações são simples, mas, de volta ao dia-a-dia, os hábitos recomendados dão lugar a uma profusão de conselhos: comer gordura insaturada, cuidar do índice glicêmico dos alimentos, preferir orgânicos, atentar para os transgênicos etc. Segundo a avaliação de especialistas, ao receber tantas mensagens de diferentes grupos, o consumidor se confunde e, quando está confuso, não se importa muito com as regras e acaba fazendo o que é mais fácil no momento.

O endocrinologista Giuseppe Repetto, presidente da Associação Brasileira para Estudos da Obesidade (Abeso), em entrevista à Folha de São Paulo, afirma que a procura obedece a estímulos da oferta. Segundo ele, as pessoas já perderam a noção do que e de quanto comer, tanto pelo excesso de oferta de alimentos quanto pelo de informação. "A cada dia as pessoas recebem dezenas de orientações sobre as descobertas da ciência em relação à comida. Só que a verdade científica é lenta e progressiva, e o que chega ao público são verdades parciais. É evidente que alguns alimentos são mais benéficos que outros, mas ninguém vai evitar um câncer de próstata apenas consumindo muito tomate", exemplifica o médico.

O que fazer diante de tanta informação desencontrada? Uma saída possível apontada pelos especialistas é aplicar a política de redução dos danos às escolhas alimentares. Se cozinhar legumes ao vapor todos os dias ou comer sempre em casa é inviável, optar pelo menos nocivo também pode ter efeito positivo.

Um hambúrguer e uma salada, dependendo dos ingredientes, podem até ter a mesma quantidade de calorias, mas a segunda opção é mais indicada porque, em geral, contém mais fibras, que reduzem a absorção da gordura saturada, entre outros benefícios. Se tiver muita fome, pode ser melhor optar pelo sanduíche do que passar o resto do dia ingerindo guloseimas, já que a salada sacia menos.

Os especialistas são unânimes em afirmar que a pior escolha é o radicalismo. A proibição total de determinados ingredientes e o "passar fome" são dois grandes desencadeadores da compulsão alimentar. É sempre possível fazer uma opção menos danosa, mesmo em situações de risco, como nas redes de fast food (quadro acima).

 

Aumenta procura por itens considerados mais saudáveis

 

Pesquisa da consultoria ACNielsen aponta que os consumidores passaram a priorizar produtos considerados mais saudáveis. A venda de alimentos e bebidas em geral no mundo teve aumento de 4% no período de julho de 2003 a julho de 2004. A análise avaliou 59 países, responsáveis por 93% do PIB e onde estão 77% da população. As mercadorias que tiveram as maiores taxas de expansão em vendas foram as bebidas à base de soja (sucos e leite) e os iogurtes líquidos, seguidos pelos ovos e cereais.

O levantamento informa ainda que o cardápio de duas dietas da moda, a do Dr. Atkins e a South Beach, rico em proteínas e com poucos carboidratos, ajudou a elevar a demanda por certas categorias de produtos. A alta na venda de carnes, peixes e ovos foi de 12% em 2004. Outra pesquisa feita em 2004 em mais de 6 milhões de domicílios mostra que 30% das pessoas compram itens diet e light no país e mais de 50% consomem frutas, legumes e verduras todos os dias.

 

opinião

A águia e a macroeconomia

Leonardo Boff

O governo preferiu ser galinha e não águia – que voa com autonomia em busca

de seu destino

 

Há anos, quando escrevi o livro A águia e a galinha, uma metáfora da condição humana, estudei a fundo o comportamento das águias. E percebi que nele há grandes lições que podemos aplicar a situações atuais. Hoje me proponho a recolher uma delas que não pôde ser explorada no referido livro: a forma como as águias ensinam seus filhotes a ser autônomos e a voar com suas próprias forças.

É sabido que as águias fazem seus ninhos no alto das montanhas ou na copa das grandes árvores. O tamanho do ninho é considerável: um metro de altura, três de comprimento e dois de largura. Depois de nascer, os filhotes ficam aí por dois meses, alimentados pela mãe até estarem aptos a voar.

Após certo tempo, a mãe escasseia a comida. Em substituição, começa a pairar longamente sobre o ninho a fim de mostrar aos filhotes o vigor de suas asas e sua capacidade de voar. Então desce sobre o ninho e começa a empurrar o filhote contra a borda até fazê-lo cair. E ao cair, se apressa em ampará-lo sobre suas asas estendidas. E depois o devolve ao ninho. Repete várias vezes a cena, pairando sobre o ninho, fazendo círculos para desafiar os filhotes a superarem o medo, a confiarem em suas jovens asas e a quererem voar. E faz isso até os filhotes se libertarem. Curiosamente o livro do Deuteronômio testemunha este fato: "Deus é semelhante à águia que desperta a ninhada, voando sobre seus filhotes, estendendo as asas para segurá-los e carregá-los sobre suas penas" (32,11).

É a prova de risco e de coragem que a mãe-águia submete o filhote para que ganhe confiança em suas próprias forças e comece a voar autonomamente. A fim de impedir que volte ao ninho, remexe as folhas e os galhos para fazê-lo não mais habitável. Finalmente, o filhote começa a voar e procura por ele mesmo o seu próprio alimento. Agora é já águia adulta.

A lição é cristalina: não podemos ficar eternamente no berço e sob a asas dos pais. Há que enfrentar a vida com seus desafios que muitas vezes nos fazem dizer: "Meu Deus, será que estou à altura"? Percebemos o risco e a possibilidade do fracasso. Mesmo que fracassemos, sempre podemos aprender. Por outro lado, nunca falta alguma asa a nos amparar e algum ombro amigo no qual podemos nos apoiar. Resumindo: vamos ganhando coragem para voar por nós mesmos e seguir o rumo que nós mesmos traçamos.

Outra lição: as tarefas que nos propomos devem conter exigências que pareçam ir além de nossas forças. Caso contrário, não descobrimos nosso poder nem conhecemos nossas energias escondidas e assim deixamos de crescer.

Esta lição aplico-a à atual política econômica do governo. Sabidamente manteve-se a macroeconomia neoliberal, aceitando o receituário do FMI e do Banco Mundial. O que obrigou sacrificar as políticas sociais punindo os pobres. É a opção preguiçosa dos que preferem ser galinhas a águias. Recusam a difícil alternativa de discutir, negociar e pressionar até abrir um caminho novo que faça da economia um instrumento da política social voltada para as maiorias. Essa atitude os faria ser águias e não galinhas. Estes é que garantem as transformações sociais imprescindíveis para superar as desigualdades gritantes. O destino de um povo é ser águia e voar autonomamente. Missão dos políticos é fazer o que fazem as águias com os filhotes: estimular o povo a voar livremente e a plasmar o destino de seu país.

 

Seis balas contra a paz

Maria Clara Lucchetti Bingemer

Seis balas mataram uma mulher pacífica, de fé, cuja única alegria era seguir os passos de seu Senhor

 

Seis tiros soaram no calor da manhã ensolarada de Anapu, Estado do Pará. Seis balas penetraram a cabeça, o coração e as entranhas de uma mulher idosa em anos e jovem de coração. Seis vezes a irmã Dorothy Stang (foto) teve seu corpo perfurado e sua vida liquidada por aqueles a quem incomodavam seu compromisso e sua ação em favor dos camponeses da Amazônia.

As 600 famílias que compunham a comunidade de Ir. Dorothy se encontram neste momento órfãs da maternidade espiritual e pastoral dessa corajosa mulher. Aquela que não temia coisa alguma e diante de nada recuava para defendê-los jazia agora no chão e seu sangue era bebido pela terra brasileira, tão amada, que ela escolhera como sua e pela qual dera a vida.

Irmã Dorothy Stang, 73 anos, norte-americana de nascimento e cidadã brasileira por opção, membro da Congregação das Irmãs de Notre Dame de Namur, viveu quase metade de sua vida na Amazônia.

Durante esse tempo, tudo que fez foi dar voz às comunidades rurais, defendendo o direito à terra e lutando por um modelo de desenvolvimento sem destruição da floresta. Lutava para que o Estado se fizesse presente na Amazônia, denunciando inclusive o envolvimento de policiais com fazendeiros e grileiros da região.

Defendia a Amazônia e seus habitantes da ação destruidora dos madeireiros ávidos de lucro, que não hesitavam em derrubar a mata e privar as famílias que dela viviam de seu sustento e segurança.

Ao longo destes mais de vinte anos, Ir. Dorothy foi ameaçada de morte inúmeras vezes. Aconselhada a se afastar de Anapu para proteger sua vida, repetia sem cessar: "Eu não corro risco de vida, mas os colonos sim. Eles têm família para sustentar". Sua firmeza inabalável provinha da beleza e da grandeza da causa à qual se dedicava: a vida dos agricultores pobres e explorados e a defesa do meio ambiente na cobiçada Amazônia, pulmão do mundo e sempre sob a mira cúpida das grandes potências. Na esteira de homens como Chico Mendes e ao lado de pessoas e grupos idealistas, Ir. Dorothy e sua comunidade eram semente e símbolo de resistência na luta por um modelo de desenvolvimento econômico sustentável, pautado em critérios éticos de cuidado com a natureza e com a vida das pessoas.

Em corajosa e emocionante nota, a Conferência dos Religiosos do Brasil assim interpretou o bárbaro assassinato da religiosa norte-americana: "Irmã Dorothy foi assassinada com seis tiros, dos quais três fatais e simbólicos. Uma bala atingiu seu cérebro, outra seu coração e outra suas vísceras. Quiseram eliminar o pensar, o sentir e o gerar desta pequena, simples, humilde e idosa mulher. Seu cérebro, seu coração e seu útero eram uma ameaça para o modelo de desenvolvimento econômico implantado neste país, especialmente na Amazônia."

A fragilidade e simplicidade de Ir. Dorothy dão ainda maior força e eloqüência ao seu testemunho. Era uma mulher frágil e indefesa diante da força bruta dos jagunços. Religiosa, era alguém que, respondendo a um chamado de Deus, escolheu não casar-se nem constituir família. Na Amazônia, longe da proteção das casas onde vivem as outras irmãs de sua congregação, encontrava-se totalmente sozinha e exposta, tendo como companheiros e porta-vozes apenas os agricultores e camponeses, tão pobres e indefesos como ela. Tinha 73 anos. Portanto, uma pessoa de idade, que normalmente, a esta altura da vida, deveria encontrar-se confortavelmente repousando dos muitos anos de trabalho e atividade.

Todas estas características tornam ainda mais bárbaro e indignante seu assassinato. Seis balas foram atiradas contra uma mulher pacífica, uma mulher de fé, cuja única alegria era seguir os passos de seu Senhor, servindo aos mais pobres do seu povo. As reportagens que nos chegam relatam que aos seus assassinos Ir. Dorothy leu trechos da Bíblia que levava consigo para a reunião comunitária à qual se dirigia. Mas nem a Palavra de Deus deteve o ímpeto assassino das balas fatais.

No seio da terra que tanto amou e pela qual deu a vida, o corpo de Ir. Dorothy descansa, velado pela dor dos companheiros. Seu martírio, no entanto, é força viva que, como grão de trigo enterrado e morto, dará abundantes e fecundos frutos em prol de maior justiça para o povo brasileiro.

 

Nacional

IBGE mostra novo retrato social do Brasil

O país tem mais idosos e violência, mas mortalidade infantil caiu

 

Os domicílios brasileiros são, em sua maioria (73,7%), próprios, do tipo casa (87,7%) de alvenaria (91%), servidos de luz elétrica (99,5%), abastecidos por rede de água (89,6%), tem lixo coletado (96,5%) e são habitados, em média, por 3,5 moradores. 90,3% deles possuem televisão e 91,7%, geladeira. Esses dados se referem a 2003 e integram a Síntese dos Indicadores Sociais divulgada na quinta, 24, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O estudo revela ainda que a educação continua registrando bons avanços, com o crescimento da média de anos de estudos, a redução de analfabetos, mas quase um terço dos brasileiros têm menos de quatro anos de estudo. A diferença em anos de estudo entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres chega a 6,5 anos.

Em 2003, havia 87,7 milhões de pessoas de dez anos ou mais de idade no mercado de trabalho, e a taxa de desocupação era de 9,7%. Os jovens, as mulheres e os mais escolarizados eram os mais afetados pelo desemprego. A redução no rendimento do trabalho prosseguiu (-7,5% em relação a 2002), embora a queda da renda dos 40% com menores rendimentos tenha sido inferior à dos 10% com maiores rendimentos.

Quase a metade das mulheres que trabalhavam ganhavam até um salário mínimo. Cerca de 71% das 2,6 milhões de mulheres que moravam sozinhas tinham mais de 50 anos de idade e os idosos eram 16,7 milhões. O número de casamentos voltou, em 2003, aos patamares de 1993, mas a taxa de nupcialidade caiu de 7,6 casamentos por mil habitantes para 5,8 por mil. Em 2003, 10% dos cônjuges tinham menos de 20 anos e o tempo médio de manutenção de um casamento era de 10,9 anos.

A mortalidade infantil continuou caindo e em 2003 registrou 27 óbitos de menores de um ano por mil nascidos vivos, mas a taxa de mortalidade de homens (183 mortes por 100 mil habitantes) por causas externas era dez vezes superior à das mulheres (18 por 100 mil habitantes). Em 1980, entre a população masculina, a taxa de mortes por causas naturais (128 por 100 mil habitantes) superava a de óbitos por causas externas (121 por 100 mil habitantes). Em 2003, as mesmas taxas eram, respectivamente, de 183,8 e 74,9 (por 100 mil habitantes).

 

Cai a diferença entre pobres e ricos

 

A diferença entre o rendimento dos trabalhadores mais pobres e dos mais ricos do Brasil diminuiu em 2003, segundo a pesquisa do IBGE. A renda média dos 40% mais pobres baixou 3% em relação a 2002, enquanto o rendimento dos 10% mais ricos cedeu 9%.

Em 2002, o rendimento dos 10% mais ricos era 18 vezes maior que o dos 40% mais pobres e em 2003 essa diferença caiu para 16,9 vezes. O estudo Síntese de Indicadores Sociais apresentado na semana passada acrescentou que jovens, mulheres e pessoas escolarizadas foram os mais afetados pelo desemprego em 2003, quando o número de pessoas desocupadas aumentou sobre o ano anterior, atingindo 9,7% da população, e o rendimento médio do trabalhador caiu 7,5%.

A desocupação entre esses três grupos deve-se ao aumento da busca por emprego por jovens e mulheres para complementar a renda familiar ou financiar estudos. O número de mulheres no mercado cresceu 2,5%, enquanto que o de homens aumentou 1,6%. Ainda assim, menos mulheres estão no mercado: 50,7% contra 72,8% dos homens.

Em relação às pessoas mais escolarizadas, o IBGE notou um "componente estrutural" no que se refere à criação de vagas mais qualificadas. A desocupação de pessoas com oito anos ou mais de estudo totalizou 11,3% em 2003, alta de um ponto percentual sobre 2002.

Em 2003, 87,7 milhões de pessoas com 10 anos ou mais estavam no mercado de trabalho, empregadas ou procurando trabalho, o equivalente a 61,4% da população brasileira em idade ativa.

 

Falta muito estudo para o brasileiro

 

Apesar da tendência de crescimento dos anos de estudo da população brasileira, 30,3% dos adultos do país tinham menos de quatro anos de estudos completos em 2003. A média de anos de estudo pulou de cinco anos, em 1993 para 6,4 anos em 2003. Ainda assim, o brasileiro médio não possui escolaridade suficiente sequer para a conclusão do ensino fundamental - oito anos. Esse nível só é atingido, em média, por aqueles com idades de 18 a 24 anos, decaindo para 6,3 anos para a população de 25 anos ou mais.

O IBGE apurou ainda a queda na taxa de analfabetismo, de quase 30% entre 1993 e 2003, mais de 24,8% da população (31,3 milhões) estão nesta condição, e que 97,2% das crianças em idade escolar obrigatória (7 a 14 anos) estavam na escola em 2003.

 

País está ficando cada vez mais urbano

 

Pelas projeções populacionais do IBGE, em 2030 o Brasil terá 237,7 milhões de habitantes - 67 milhões a mais que em 2000, um crescimento relativo de 39,6% em trinta anos. A população brasileira cresce cada vez menos, desde a década de 70. Entre 1993 e 2003, a taxa bruta de natalidade (nascidos vivos p/mil habitantes) passou de 22,6% para 20,9%, e a fecundidade, de 2,6 para 2,3 filhos por mulher.

Em 2003, havia no país 95,2 homens para cada grupo de 100 mulheres. A proporção de brasileiros vivendo em cidades, que era de 78,4% da população em 1993, passou para 84,3% em 2003, mantendo o contínuo processo de urbanização.

A razão de dependência - proporção entre as pessoas potencialmente inativas (crianças de 0 a 14 anos e idosos de 65 anos ou mais) e as potencialmente ativas (com idades entre 15 e 64 anos) - diminuiu: de 63,5 crianças e idosos para cada 100 pessoas em idade ativa em 1993, para 51,1% em 2003.

 

Idosos já são quase 10% da população

 

A população de idosos no Brasil já é maior do que na Inglaterra, França e Itália. Em 2003, de acordo com o IBGE, 16,7 milhões de brasileiros tinham mais de 60 anos - quase 10% da população.

O levantamento aponta o Rio de Janeiro como o estado com o maior número de idosos - 12,7% de uma população de 15 milhões. O Rio Grande do Sul é o segundo, com 12,5% de idosos.

 

Expectativa de vida cresce quase 4 anos

 

A esperança média de vida ao nascer no Brasil era de 67,7 anos em 1993 e chegou aos 71,3 anos em 2003. A esperança média das mulheres foi de 71,6 para 75,2 anos no período, e a dos homens, de 64,0 para 67,6 anos. A população de 65 anos ou mais de idade que, em 1993, representava 5,3% do total de habitantes, atingiu os 6,6% em 2003.

 

Mulher ainda sofre com renda menor

 

As mulheres ganham cerca de 30 por cento menos que os homens. Motivos, segundo o IBGE: a inserção das mulheres no mercado fortemente concentrada no setor de serviços e em ocupações pouco qualificadas e menor índice de ocupação em cargos de comando ou chefia. As regiões Sul e Sudeste apresentaram as maiores desigualdades de renda entre homens e mulheres.

 

Aumenta o comando feminino nas famílias

 

De 1993 a 2003, o percentual de famílias com mulheres no comando passou de 22,3% para 28,8% do total, em todo o País, um crescimento de quase 30%. Na região Sul, esse percentual cresceu mais de 40%, passando de 18,6% para 26,4% - a maior taxa de crescimento entre as regiões brasileiras. Segundo a pesquisa ainda, em 2003 só uma pessoa tinha ocupação em quase 40% das famílias.

 

Mortalidade infantil caiu 33% em 10 anos

 

A taxa de mortalidade infantil (óbitos de menores de 1 ano para cada mil nascidos vivos) teve um declínio de 33,1% em dez anos: de 41,1%, em 1993, para 27,5%, em 2003. O índice continua elevado, mas sua queda tem sido permanente - em 1970 ela estava próxima de 100 por mil nascidos vivos.

 

Mais de 5 milhões de menores trabalham

 

Em 2003, havia 5,1 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos de idade trabalhando no Brasil. Na faixa etária de 5 a 13 anos, havia 1,3 milhão de crianças ocupadas. De 5 a 9 anos, havia, no país, cerca de 209 mil crianças trabalhando, quase 80% delas em atividade agrícola, a maioria delas no Nordeste. Em 2003, houve uma redução de 1 ponto percentual na proporção de crianças ocupadas nessa faixa de idade, em relação ao ano anterior.

 

Igreja

MUNDO EM MUDANÇA DESAFIA A VIDA RELIGIOSA

Mudanças sempre aconteceram, a diferença é que agora atravessamos um período de mudança radical. Mais do que tempo de mudança, vivemos uma mudança de tempo, vivemos uma encruzilhada da história, sem retorno. A avaliação é do padre Inácio Neutzling, exposta na abertura do Ano Capitular dos Capuchinhos do RS, em Veranópolis, dias 22 e 23 do mês passado. A reunião de 272 freis definiu diretrizes que nortearão a preparação do capítulo da Província marcado para agosto. A leitura dos Sinais dos Tempos torna possível entender os apelos de Deus hoje

Frei Aldo Colombo

Diretor de Redação

 

Desde que a humanidade saiu das cavernas e começou a organizar-se, as mudanças foram acontecendo. O que diferencia o tempo de hoje é que se trata de uma mudança radical. Está surgindo outro tipo de civilização de contornos ainda indefinidos. Trata-se de uma encruzilhada sem volta, que deixa para trás o que parecia tranqüilo nos últimos 2500 anos. As mudanças atingem o modo de compreensão do próprio homem, as razões de viver em comum, um novo relacionamento com a natureza e mesmo um novo relacionamento com Deus.

A realidade não é, necessariamente, melhor ou pior do que no passado. É diferente e por isto é preciso aceitá-la e entendê-la para que o Evangelho de Jesus Cristo possa ser entendido e vivido. É o grande desafio para a Igreja e para a vida religiosa no Século XXI. É o fenômeno da inculturação religiosa.

Nos últimos 25 séculos, a humanidade passou por grandes mudanças. Alguns historiadores assinalam três importantes revoluções. Cada uma delas trouxe transformações sociais, culturais e éticas.

Revolução Agrícola - Após um período mais ou menos longo em que a humanidade adotou um estilo nômade e pouco organizado, surgiu a primeira grande mudança histórica marcada pela agricultura. Foi o tempo do arado, do sino do alto do campanário, do respeito absoluto pelo domingo. Deus era a referência de tudo e a vida obedecia aos grandes ciclos da natureza. A vida era marcada pela tranqüilidade e a mão de obra abundante. O poder estava nas mãos dos donos das terras e as riquezas eram mensuráveis, em números e quantidades. O feudalismo, em troca de alguma proteção, expropriava, em parte, o trabalho dos camponeses. Foi o período áureo da Igreja. Ainda hoje os ritos e a liturgia da Igreja remetem, muitas vezes, a esse tempo.

Revolução industrial - O aparecimento da máquina, a partir do século XVII, veio mudar totalmente o panorama. Surgiu o emprego para o trabalhador da máquina. Os donos das fábricas ficavam com o lucro. A necessidade de morar perto da fábrica ocasionou o crescimento das cidades. Surgia o capitalismo selvagem, onde o trabalhador não tinha direitos. Karl Marx apontou as injustiças do sistema e exortou os "proletários" do mundo a se organizarem para a tomada do poder. Não havia emprego para todos e a mão-de-obra era muito mal paga. Leão XIII, em 1891, foi o primeiro Papa que chamou a atenção para "coisas novas" na sociedade. A encíclica Rerum Novarum lança as bases da Doutrina Social da Igreja. Foi a época das chaminés, do aço, das matérias-primas, da fabricação em série. Foi também uma época em que começaram a surgir termos novos: greves, eleições, democracia, direitos sociais.

Essas duas revoluções não aconteceram ao mesmo tempo em toda a parte. Muitas vezes conviveram no mesmo país e até mesmo na mesma região.

Revolução da informática - Diferente das demais, esta revolução subverteu totalmente o modo de pensar. Ocasionou uma grande transformação ética e cultural. É uma revolução ainda jovem. Em 1942, o cientista alemão Nobert Wiener construiu o primeiro computador. O que, no começo, parecia apenas um complicado brinquedo, sem proveito prático, mudou radicalmente a vida humana. Na primeira revolução, a riqueza era a terra, na segunda revolução a riqueza era a máquina, o capital. Na revolução da informática a riqueza situa-se no saber.

Nesse ciclo surge a biotecnologia, a genética começa a combinar, em laboratório, genes de espécies diferentes. Surgem os transgênicos, a clonagem, o mapeamento do DNA, a manipulação da vida. O homem brinca de Deus. Ele nunca teve tanto poder, mas não sabe o que fazer com ele. O subjetivismo acabou riscando todas as referências e isso aumentou o vazio existencial. As distâncias, simplesmente, desaparecem. A pessoa fica conectada com o mundo, um mundo globalizado. O analfabeto de hoje é o que não tem acesso à informática. E esse analfabeto nem mais é explorado, é descartado, não faz falta.

As descobertas, por outro lado, trazem imensas possibilidades, sobretudo no campo da saúde. O grande desafio é que essas descobertas estejam a serviço da vida e da pessoa e não sejam subordinadas à técnica, ao progresso, ao lucro e à dominação. Uma técnica sem ética representa o grande desafio de hoje. As matérias-primas, de tanto valor no passado, têm seus preços aviltados. O que vale é o saber. As multinacionais, com recursos imensos para a pesquisa - o saber - manipulam sementes e delas se apossam. E algumas perguntas são colocadas: de quem é a água, de quem são as florestas, as plantas, os animais?

Outro fator é a financeirização do mundo. O dinheiro é onipresente e invisível. Uma mudança de legislação de um país rico pode condenar à fome milhões de pessoas do Terceiro Mundo.

 

Novos tempos oferecem riscos, mas há sinais positivos

 

O padre jesuíta Inácio Neutzling foi muito objetivo ao abordar, diante de quase 300 capuchinhos, os desafios para a Igreja e a vida religiosa que a realidade impõe. "Apesar das mudanças", afirmou, "há valores inegociáveis. São os valores que procedem do Evangelho: amor, partilha, comunidade, fraternidade e solidariedade". Na avaliação de Neutzling, o cristão precisa encontrar respostas para os dias de hoje e o fermento do Evangelho deve estar presente nesse complicado mundo.

O jesuíta, no entanto, faz um alerta: a Igreja não pode ceder à tentação do saudosismo. A humanidade nunca mais voltará a ser o que era, a família jamais voltará a ser o que foi. A honestidade com a verdade possibilita avanços sociais e religiosos.

Os valores vividos por Francisco de Assis, garante padre Neutzling, podem dar respostas positivas à civilização de hoje. Mais do que pregar, Francisco viveu a fraternidade, não excluindo ninguém, nem coisa alguma. Ele foi amigo do "irmão" lobo e da natureza. Para ele, o irmão sempre devia estar em primeiro lugar. E isso faz surgir a minoridade, a paz, o respeito pela criação.

A vida religiosa é definida hoje como uma das tantas maneiras de ser cristão. O religioso é alguém que está com um ouvido no Evangelho e outro no grande clamor do mundo. Existem dois grandes perigos: deixar-se converter pelo mundo ou fugir do mundo, como foi a tentação da vida religiosa primitiva. "O religioso precisa ser uma presença crítica no mundo, ser um sinal do amor de Deus", destaca Neutzling. "Ele tem como missão a profecia de uma vida alternativa: viver no mundo sem ser do mundo", prossegue. Já Paulo apóstolo dizia que o discípulo de Jesus não pode se conformar com o mundo, mas deve transformá-lo.

Sinais - Mesmo no mundo de hoje existem sinais positivos, inclusive além da área da Igreja. É o caso da ecologia, uma nova compreensão da Terra e de seus recursos. Também podem ser apontados outros sinais de esperança: a ascensão da mulher, as organizações não-governamentais (ONG) e a organização das minorias. São sinais dos tempos que precisam ser corretamente interpretados. O Espírito Santo continua falando aos homens de hoje. O amor de Deus não se esgotou.

 

Capuchinhos gaúchos definem diretrizes visando o futuro

 

Mesmo antes de surgir a democracia moderna, o modelo democrático era vivido, de alguma maneira, em muitas ordens religiosas. Tanto ontem como hoje, a escolha dos superiores é feita por voto, por um período delimitado e curto. Cada Capítulo provincial tem força e poder de uma constituinte, mantendo sempre a inspiração original.

De 15 a 19 de agosto, os capuchinhos gaúchos estarão reunidos em seu XX Capítulo Provincial, que será realizado em Garibaldi, berço da Ordem no Estado. Será uma oportunidade a mais para ler e entender os sinais dos tempos e o que Deus pede, hoje, aos filhos de São Francisco de Assis. A presença do Espírito Santo não dispensa as mediações comuns para esse acontecimento.

Na abertura do Ano Capitular, os freis indicaram algumas Diretrizes que servirão de rumo para o futuro, sobretudo, para os próximos anos. Entre as Diretrizes foram assinaladas: "vida fraterna", como raiz e inspiração para todo o agir; uma "espiritualidade de resistência", capaz de superar as seduções do mundo de hoje; uma "renovada opção pelos pobres" e pelas novas categorias de pobres; uma "pastoral com marca franciscana" e a luta em favor da ecologia, da justiça e da paz. Além disso, o capítulo envolverá o ordenamento interno, a formação e as maneiras de auto-sustento.

Para o teólogo frei Luiz Carlos Suzin, o capuchinho, hoje, precisa integrar os contrários. Lembrando Cervantes, afirmou ser necessário unir o idealismo e a utopia de Dom Quixote e o realismo de Sancho Pança. Para frei Sérgio Dalmoro, é importante recordar a história. A reforma capuchinha pretendia uma vida religiosa isolada, eremítica. Foi o povo, especialmente o povo mais pobre, que decidiu como seria a Ordem. Voltar ao povo é dos caminhos mais seguros. O atual ministro provincial, frei Luiz Turra, garante: "Nossa fé nos pede que troquemos a expressão ‘tempos difíceis’ para ‘tempos novos’, diante dos quais resta uma única resposta: a fidelidade ao nosso momento, a alegria insubstituível de viver esse único tempo colocado por Deus à nossa disposição". Turra conclui seu pensamento: "O mundo virou plural e diverso. Dentro desta virada fica ainda mais clara a proposta franciscana de que precisamos testemunhar ao mundo que é possível sermos irmãos, unidos e diversos, todos a caminho da conversão, animados pelo Evangelho, nossa regra de vida."

 

Reflexão e reencontro com as origens

 

A cidade de Veranópolis está intimamente ligada à história dos capuchinhos do Rio Grande do Sul. Os primeiros freis chegaram ao local, que se chamava Paese Novo, no ano de 1902. Durante o primeiro século, quase todos os freis capuchinhos, na fase de formação, passaram pelo velho seminário seráfico. A abertura do ano capitular, dias 22 e 23, foi um reencontro com as origens que teve a participação de 272 frades.

No primeiro dia, após a palestra do padre Inácio Neutzling, os frades discutiram a verdadeira face do capuchinho hoje e as posturas necessárias para serem fiéis ao carisma e à sua missão profética. Na seqüência dos trabalhos, foram elencadas diretrizes que servirão de base para o anteprojeto (leia nesta página). Também foi eleita uma comissão pré-capitular para consultar as bases e ordenar toda a caminhada em preparação ao evento. Na noite do dia 22, na Casa da Cultura, os vocacionados capuchinhos apresentaram a peça teatral Francisco e Clara, aberta ao público. O encerramento foi na matriz de São Luiz Gonzaga, com missa, presidida por dom Clóvis Frainer e concelebrada por duas dezenas de sacerdotes.

Estiveram presentes ao encontro de Veranópolis os superiores das duas vice-províncias ligadas à Província gaúcha. São eles: frei Faustino Paludo, Vice-Província do Mato Grosso e Rondônia e frei Demétrio de la Cruz, vice-provincial da República Dominicana e Haiti. Falando à assembléia, frei Demétrio resumiu a história da vice-província, fundada pelos capuchinhos da Andaluzia - Espanha - em 1970. No final de 2004, a vice-província foi integrada à província gaúcha. Atualmente, os frades dominicanos somam 47 religiosos, sendo quatro gaúchos.

O número de vocações é alentador. Por enquanto não há presença capuchinha no Haiti, embora grande parte dos vocacionados seja de haitianos. Em breve será aberta a primeira fraternidade naquele país.

 

Freis atuam em Veranópolis desde 1902

 

Frei Caetano de Monte Belo foi um dos primeiros seminaristas capuchinhos no Rio Grande do Sul. Ele ingressou na Escola Seráfica de Garibaldi no dia de sua abertura, aos 18 de junho de 1898, menos de dois anos após a chegada dos pioneiros franceses. Frei Caetano descreve a ida dos seminaristas para Veranópolis. "A necessidade premente obrigou frei Bruno a pensar numa nova fundação na localidade conhecida por Paese Novo. Tomados os acordos com o padre Mateus Pasquali, vigário daquela paróquia, no dia 24 de abril de 1902, os 30 meninos da Escola Seráfica, pela manhã, saíram a pé, de Garibaldi, chegando à noite em Veranópolis, depois de terem percorrido uns 50 quilômetros. As carretas seguiram no mesmo dia com a pobre e resumida mobília e uns livros escolares. Tomou-se uma casa alugada até que, em janeiro de 1904, puderam os seminaristas entrar no novo convento."

No mesmo ano, com a renúncia do padre Mateus, os capuchinhos assumiram a paróquia de São Luiz Gonzaga. Nestes 100 anos, passaram por Veranópolis figuras carismáticas capuchinhas a partir do padre Luiz de La Vernaz. Entre eles podemos citar: frei José de Bento Gonçalves, o primeiro provincial, e frei Gentil de Caravaggio. Frei Álvaro Bordignon é o pároco atual. Desde 1956, os freis contam com uma emissora na cidade: Rádio Veranense. Merece destaque a gruta de Nossa Senhora de Lourdes, erigida ainda em 1905, quando foi afastada a ameaça representada pelos gafanhotos.

 

Papa se exercita para recuperar a voz

Traqueostomia feita na quinta-feira, 24, deixou João Paulo II sem falta

 

O mundo acompanha com apreensão o estado de saúde do Papa João Paulo II, que na quinta-feira, 24 de fevereiro, voltou a ser internado no Hospital Gemelli, de Roma, onde já havia permanecido dez dias no início do mês, por causa de uma forte gripe. Na semana passada, porém, a situação foi mais grave. Diante de aguda crise respiratória, João Paulo II foi submetido a uma traqueostomia. A cirurgia consiste numa pequena incisão na parte alta da traquéia pela qual é introduzido um tubo que, além de facilitar a entrada de ar nos pulmões, permite a retirada de secreções nos brônquios, quando essas não podem ser expelidas naturalmente através da tosse.

Devidamente informado sobre a necessidade de intervenção cirúrgica, o Santo Padre deu seu consentimento para que fosse feita a operação, que durou cerca de 30 minutos, com o Papa submetido a anestesia geral. A maior preocupação, no momento, além da recuperação da saúde, é a possibilidade de o Pontífice não recuperar a voz. A traqueostomia deixa o paciente sem voz. No caso do Papa, por quantos dias ou semanas?

A capacidade de falar do Papa já vem sendo dificultada pelo mal de Parkinson. Quando e se ele conseguirá voltar a falar normalmente agora é a dúvida. O doutor Enrico Decampora, que acompanhou a cirurgia, disse que, "querendo, é possível voltar a falar logo, pois basta aplicar um tampo no tubo respiratório, pois as cordas vocais não foram afetadas".

Como a operação envolve o Papa, a questão torna-se mais complexa e uma pergunta surge no ar: É possível continuar como Pontífice sem poder falar? O exercício de suas funções, de seus ofícios, de seu poder pode ficar comprometido diante da impossibilidade da fala? Conforme o Direito Canônico, o Papa pode governar mesmo que não fale, pode exprimir sua vontade a respeito do poder ainda que impossibilitado de celebrar os sacramentos.

O boletim sobre a saúde do Papa, divulgado na segunda-feira, 28, indica que ele está se recuperando bem da traqueostomia, se alimenta regularmente e sua condição geral é bom. No domingo, o Papa surpreendeu o mundo ao aparecer na janela do hospital, dar a bênção e em seguida colocar a mão na garganta, indicando o local da pequena cirurgia. O porta-voz do Vaticano, Joaquín Navarro-Valls, disse que João Paulo II já iniciou exercícios para reabilitação da respiração e da voz. Apesar dos bons sinais de recuperação, o Pontífice não deverá deixar a Policlínica Gemelli tão cedo.

 

Pontífice deixa claro que vai até o fim

 

Católicos de todo mundo se perguntam por quanto tempo um homem na condição de João Paulo II vai poder continuar encabeçando a Igreja. De acordo com o cardeal mexicano Javier Lozano Barragán, ministro da Saúde do Vaticano, o Pontífice deverá permanecer guiando os rumos da Igreja Católica mesmo sem falar, "já que possui uma força incrível, uma vontade fora do comum e uma extraordinária lucidez".

Até lideranças da Igreja estão divididas e alguns sugerem que a única solução talvez seja que o Papa renuncie e se aposente. Outros o vêem como um pai que permanece pai da família até sua morte. No Vaticano, depois da recente polêmica levantada por declarações do cardeal Angelo Sodano, secretário de Estado, que a respeito de uma eventual renúncia disse que esse assunto "era algo que deveria ser deixado para a consciência do próprio Papa", evita-se tocar nesse tema. Conforme Barragán, "a palavra renúncia não faz parte do vocabulário do Papa". Pouco depois da realização da traqueostomia, já em seu quarto, João Paulo II deu sinais de que não renunciará.

Conforme afirmações do porta-voz Joaquín Navarro-Valls, o Papa pediu papel e caneta e, depois de escrever "mas o que vocês me fizeram?", referindo-se à cirurgia, acrescentou: "Mas eu continuo sendo Totus Tuus (Todo teu)". A frase confirma que o Papa está disposto a "se consumir pelo Reino de Deus", como gosta de dizer, até o fim de seus dias.

O cardeal mexicano revelou que o Papa não deverá deixar o hospital rapidamente. "Agora não devemos deixá-lo sair do hospital rapidamente. Nessa etapa de convalescença é preciso ser mais prudente e ter menos pressa", disse dom Barragán, deixando entender que a alta, no dia 10 de fevereiro, depois de permanecer dez dias internado no hospital Gemelli por causa de uma forte gripe, pode ter sido precipitada.

 

Código Canônico prevê que renúncia é possível

 

Ao longo dos anos surgiram informações, não confirmadas, segundo as quais João Paulo II já teria redigido uma carta de renúncia a ser usada no caso de ele ficar incapacitado de exercer suas funções. O Código Canônico prevê que um papa pode renunciar por vontade própria, mas é um acontecimento muito raro. O último papa que renunciou por decisão própria foi Celestino V, em 1294. Em 1415 Gregório XII abdicou a contragosto, quando outro papa governava a Igreja ao mesmo tempo.

No caso de João Paulo II, ele poderia guiar a Igreja mesmo sem falar. O cardeal português José Saraiva Martins, prefeito da Congregação para a causa dos Santos, afirma que o atual Pontífice "pode continuar exercendo suas funções à frente da Igreja Católica mesmo que a doença o fizesse perder a fala, pois a Santa Sé governa mais com a cabeça que com as palavras".

 

Violência na televisão

Padre Zezinho

Por que tomamos veneno se sabemos que faz mal?

 

Todas as vezes que ligo a televisão e, percorrendo os canais, vejo cenas de violência, sistematicamente mudo de canal. Esses dias, porém, tive a curiosidade de contar quantas cenas de violência havia num filme mostrado às 10 horas da noite. Fiquei assustado: contei, entre socos e pontapés, explosões, incêndios, facadas, palavras pesadas e gente de rosto crispado, mais de 300 cenas num mesmo filme. Depois parei de contar; já era demais...

Uma reflexão sempre me ocorre: por que as pessoas gostam tanto de ver violência a ponto de dar ibope para aqueles programas? Por que esses programas, quando todos nós sabemos aonde podem levar os efeitos catastróficos da vingança e do ódio no coração? Por que tomamos veneno se sabemos que faz mal? Por que cultivamos violência se ela prejudica? Por que as artes estão cheias de cenas de violência, se sabemos que esta deturpa e desvia a pessoa humana?

Desde que a indústria da diversão descobriu que violência dá dinheiro aumentou em escala assustadora o número de filmes e de cenas de violência no cinema e na televisão. Talvez seja possível explicar porque o ser humano gosta de violência, mas fica difícil explicar porque é que as pessoas que se pretendem inteligentes oferecem violência para as crianças e para os adolescentes.

Somos uma geração tomada pela violência: compramos violência, vendemos violência e procuramos violência no cinema e na televisão. Alguma coisa está errada com o ser humano, alguma coisa está errada com a televisão. Em tempos de campanha pela paz, oremos para entender melhor essas coisas.

 

CNBB inaugura Centro Fé e Política

Iniciativa pretende contribuir para o justo exercício da política

 

Contribuir para a formação de leigos e leigas inseridos ou que pretendam fazer política. Esse é o objetivo do Centro Nacional Fé e Política Dom Helder Câmara, lançado em Brasília na segunda-feira, 21 de fevereiro, pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. De acordo com dom Geraldo Majella Agnelo, presidente da CNBB, o "Centro pretende contribuir para o exercício da política, que é uma forma sublime do exercício da caridade".

Para isso, o Centro pretende oferecer cursos, organizar seminários, encontros e simpósios, além de estabelecer uma rede de assessores e realizar publicações. "O Centro é um sonho antigo que agora se concretiza", afirma dom Geraldo. O Centro pretende formar assessores para comunidades, entidades e organizações sociais. Outro objetivo é despertar para a importância da organização do trabalho em redes eletrônicas como espaço de difusão de textos, subsídios e troca de experiências. Para isso, serão disponibilizados uma página na internet e um boletim eletrônico.

O senador gaúcho Pedro Simon, presente ao evento, destacou a importância da formação de lideranças inseridas na política para a propagação de uma sociedade mais justa. "Sempre achei que era preciso unir mais a atuação política e o pensamento cristão, levando em conta os valores do evangelho e a doutrina social da Igreja. Destacaria também o fato de que, aqui, serão fortalecidas as pastorais sociais, os movimentos eclesiais e outros organismos da Igreja que tenham atuação no campo político".

Fonte - Simon elogiou a iniciativa da CNBB e concluiu sua palestra afirmando que os "ensinamentos cristãos são a mais límpida fonte de respostas para grande parte dos problemas contemporâneos". O ministro do Desenvolvimento Social, Patruz Ananias, disse que o Centro é "um desejo antigo dos militantes cristãos de ter um espaço de reflexão e partilha das vivências políticas como cristãos católicos".

No final do evento, dom Geraldo falou sobre a base teórica do Centro, o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, que ainda não tem versão em português. "Em breve, a tradução será lançada e, sem dúvida, será uma grande referência para todos e para o Centro que acabamos de lançar". O Centro é uma iniciativa da CNBB, sob a coordenação da Comissão Episcopal para o Laicato. A criação do Centro atende um chamado do Papa João Paulo II que, na Exortação Christifidelis Laici, após o Sínodo sobre os Leigos, pede que a formação dos leigos e leigas seja prioridade das Igrejas locais. A idéia da criação do Centro Dom Helder Câmara foi proposta em junho de 2004, durante o seminário Fé e Política, realizado pela CNBB.

 

Solidariedade chega ao Distrito Federal

 

O Instituto Marista de Solidariedade (IMS), que até o dia 17 de fevereiro de 2005 tinha sua sede em Belo Horizonte (MG), mudou-se para Brasília. A transferência ocorreu a partir da necessidade de aproximar-se do poder público e de grandes instituições sociais brasileiras e internacionais e, principalmente, por causa da unificação da União Brasileira de Educação e Ensino (UBEE) e União Norte-Brasileira de Educação e Cultura (UNBEC), mantenedoras do Instituto Marista de Solidariedade.

No ano passado, cerca de 150 projetos foram apoiados e milhares de brasileiros beneficiados pelo Instituto, que trabalha há quase dez anos no apoio e acompanhamento de projetos sociais em diversas áreas de atuação como a proteção e garantia dos direitos de crianças, adolescentes e jovens, geração de trabalho e renda, economia solidária, educação, incentivo à cidadania e cultura, inclusão social etc. Até a transferência, o IMS atuava em cinco Estados brasileiros. Neste ano, deverá analisar e apoiar mais de 200 projetos de 16 Estados do país. Informações sobre o IMS pelos telefones (61) 224.1100 ou 8147.4534.

 

Postulantes maristas iniciam o noviciado

 

Dez postulantes maristas ingressaram em fevereiro no primeiro ano de noviciado, no Instituto Marista Marcelino Champagnat, de Passo Fundo (RS). Os jovens foram acolhidos nessa nova etapa de formação pelo provincial, irmão Roque Ari Salet. Eles provieram do postulado marista Nossa Senhora da Oliveira, de Vacaria, depois de passarem pelo instituto marista de Viamão e pelo colégio marista de Santo Ângelo.

Na etapa do noviciado há a iniciação à vida religiosa. Através de uma experiência espiritual mais intensa, de estudo, reflexão e atividades pastorais e educativas, os jovens vão aprimorar seus dons, suas potencialidades humanas e cristãs e vão construir sua identidade de irmãos maristas. Ingressaram no noviciado Adélio Mentges e Roger Ariel Perius, ambos de Campina das Missões; Deógenes Herold e Tiago Belani, de Arvorezinha; Ezequiel Tóffolo, Marcelo Bohnenberger e Rodinei Vancini, de Ciríaco; André Dall’Agnol (Serafina Corrêa), Luciano Barachini (Santa Rosa) e Marcelo Medeiros da Silva (Santa Maria).

 

O que faz a diferença

Aldo Colombo

A vida não é apenas a arte de escolher, mas também a disposição de pagar o preço

das próprias escolhas

 

Algumas circunstâncias ajudavam a entender a postura da classe. Era uma segunda-feira, começo do verão e logo após um feriado prolongado. Cada um procurava exibir fotos de lugares turísticos, telefones das novas namoradas (os) e fatos interessantes acontecidos. O velho professor de Fisiologia tentou criar um clima de silêncio para poder dar sua aula. Foi inútil. Após algumas tentativas, achou que a hora era para remédios mais amargos. Erguendo a voz pediu à classe: prestem atenção porque eu vou falar isso uma única vez. E o que ele afirmou em seguida, a turma não esqueceu.

"Desde que comecei a lecionar – faz muitos anos – descobri que nós professores trabalhamos apenas para 5% dos alunos. São apenas 5% aqueles que farão a diferença no futuro. Apenas esses 5% serão profissionais brilhantes e contribuirão para o seu tempo. Os outros 95% passam pela vida sem deixar marcas, afundando na mediocridade. Esta proporção vale para todas as classes sociais. De 100 professores, taxistas, políticos, padres, garçons, apenas 5% serão verdadeiramente especiais. De cada 100 cidadãos, apenas 5% marcarão o seu lugar e sua profissão. É uma pena muito grande, mas não tenho como separar esses 5% do resto. Se isto fosse possível, eu deixaria apenas esses 5% na sala e colocaria os demais para fora. Assim eu teria condições e silêncio para transmitir meus conteúdos. Infelizmente eu não tenho como saber. Só o tempo dirá. E por isso eu tenho de lecionar a todos. Cada um de vocês vai escolher o grupo ao qual quer pertencer".

A voz do professor calou-se por uns instantes e depois esclareceu: agora vamos à lição. O silêncio era absoluto e esse clima continuou ao longo de todo o semestre. Os anos passaram e quando os colegas se reencontram, um dos assuntos preferidos é a bronca do professor. Poucos lembram muita coisa de Fisiologia, mas ninguém esquece a divisão entre os dois números: os 95% de omissos e desinteressados e os 5% dispostos a qualificar a vida. Evidentemente, ninguém gostaria de pertencer aos 95%. E o velho professor foi um dos 5% que fizeram a diferença para gerações de universitários.

A vida é a arte de escolher. Não se trata apenas de escolher, mas também da disposição de pagar o preço das próprias escolhas. O caminho dos 95% é o caminho da facilidade, do mínimo necessário e por isso passam a vida sem deixar marcas. Mais difícil é a caminhada dos 5%. É marcada por renúncias. Eles não se contentam com o mínimo necessário, mas apostam no máximo possível. E a escolha entre os cinco e os noventa e cinco não se faz apenas uma vez na vida. A cada dia essa escolha se renova. A cada dia a pessoa decide se quer continuar como é ou se quer mudar. A cada dia pode deixar o comodismo dos 95% e ingressar na seleta categoria dos 5%. Isso significará o reconhecimento dos demais e, sobretudo, uma vida cheia de sentido.

 

Garibaldi recorda Giovanni Fronchetti

Padre italiano dirigiu o Correio Riograndense por mais de 10 anos

 

Uma missa, celebrada na segunda-feira, 28 de fevereiro, no cemitério público de Garibaldi, recordou os 78 anos da morte de padre Giovanni Battista Fronchetti, ocorrida no dia 22 de fevereiro de 1927. A homenagem foi uma iniciativa da paróquia São Pedro e do Círculo Trentino de Garibaldi e integra as comemorações dos 130 anos da imigração italiana no Rio Grande do Sul, que oficialmente iniciam no dia 5 de março.

Padre Fronchetti teve atuação destacada na Serra gaúcha e uma ligação muito íntima com o Correio Riograndense. Italiano de Torra, Val di Non, diocese de Trento, Itália, Giovanni nasceu no dia 15 de setembro de 1863. Ordenado padre em 1887, dois anos depois veio ao Rio Grande do Sul com a missão de prestar auxílio espiritual aos seus conterrâneos imigrantes, carentes de assistência religiosa.

Sua primeira ocupação ao chegar foi de coadjutor de Garibaldi. Em janeiro do ano seguinte torna-se o primeiro vigário de São Lourenço de Vilas Boas, atual Coronel Pilar. Em pouco tempo, com a ajuda das famílias locais, construiu a casa paroquial e fez reformas na igreja. Em 1895, dom Cláudio Ponce de Leão transferiu-o para a paróquia de Garibaldi, onde atuou como vigário durante 30 anos.

Zeloso e dinâmico, percorria toda a paróquia montado no lombo de uma mula, assistindo principalmente os enfermos. Visualizando a importância da boa imprensa, em 1909 adquiriu do padre Cármine Fasulo o jornal católico La Libertà, fundado no dia 13 de fevereiro daquele ano em Caxias do Sul. Transferiu a tipografia para Garibaldi, mudou o nome do jornal para Il Colono Italiano e mais tarde La Stafetta Riograndense. Em 1921 cedeu-o aos capuchinhos que o mantém até hoje, como Correio Riograndense.

Italiano, mas da região de Trento, que na época da imigração pertencia à Áustria, exerceu o cargo de vice-cônsul da Áustria em Garibaldi. Por causa disso, durante a 1ª Guerra Mundial, padre Fronchetti enfrentou problemas com o jornal, pois Áustria e Itália lutaram entre si, mas nunca deixou de merecer o respeito e a estima de seus paroquianos.

Nos últimos anos, cansado e doente, passou a ser auxiliado na paróquia pelos capuchinhos, que mais tarde o sucederiam. Fiel amigo dos frades, teve participação na instalação dos capuchinhos, dos maristas e das irmãs de São José. Seu nome consta da comissão de emancipação de Garibaldi e integrou o primeiro conselho municipal. Nos mais de 30 anos de atuação em Garibaldi, padre Giovanni Fronchetti imprimiu seu nome em inúmeras atividades.

 

Primavera constrói centro de formação

 

A comunidade da paróquia São Cristóvão, de Primavera do Leste (MT), acaba de construir o Centro de Formação III Milênio São Francisco de Assis. "A obra, com 3.600 m2, foi construída com a finalidade de abrigar encontros diocesanos, cursos de teologia para leigos, cursos para lideranças, professores, jovens; recuperação de dependentes químicos; treinamentos para operadores de máquinas agrícolas etc", salienta o pároco, frei Constantino Deon.

O centro tem capacidade para hospedar até 160 pessoas. A paróquia São Cristóvão é responsável pela manutenção do centro, administrado pela Associação Beneficente III Milênio de Primavera do Leste. Os capuchinhos assumiram a paróquia em 1998. Quatro freis da vice-província São Francisco de Assis (Mato Grosso e Rondônia) atuam em Primavera do Leste. Essa vice-província está ligada à província dos capuchinhos do Rio Grande do Sul.

 

Estef promove curso de teologia popular

 

A Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana (Estef), dos Freis Capuchinhos do RS, oferece Curso de Teologia Popular para agentes de pastoral e outros interessados em conhecer melhor a sua fé ou procurar entender melhor a palavra do evangelho. O curso tem duração de dois anos, com aulas sempre no quarto fim de semana de cada mês (sábado das 08 às 17 horas e domingo, das 08 às 12 horas). As aulas iniciam em março de 2005 e terminam em dezembro de 2006.

O curso contém três eixos: Bíblico, teológico e pastoral. São sete encontros sobre Bíblia, seis sobre teologia sistemática e sete sobre teologia pastoral, perfazendo um total de 20 encontros.

Os capuchinhos desenvolvem trabalhos sociais e de evangelização na capital e diversas partes do RS tendo como meta a paz e a solidariedade. Informações e inscrições até o dia 10 de março na Secretaria da Estef, com Clair. Endereço: Rua Thomas Edson, 212, Bairro Santo Antônio - Porto Alegre-RS, telefone: (51) 3217-4567 ou pelo e-mail: estef@capuchinhosrs.org.br

 

Milagres e milagres

Wilson João

Ser pessoa rica de fé é viver a religião da realização humana e não da fuga deste mundo

 

Quem precisa de milagres para crer está demonstrando que tem fé muito pequena. A igreja que se diz milagreira e que faz propaganda de si mesma como a fazedora de milagres é uma igreja enganadora e exploradora da miséria e da pequenez humana. Muitas igrejolas e romarias populares são exploradoras do sofrimento e da dor humana. Provocam um Deus negociante para que realize milagres de qualquer jeito e a qualquer preço. Expressões como: "temos direito da bênção, da graça, da saúde... porque Deus prometeu e tem que cumprir..." fazem de Deus um político fracassado que não conta em cumprir suas promessas nesta humanidade doente e sofredora.

A EXPERIÊNCIA DO MILAGRE PERMANENTE. Tudo é milagre. Tudo é graça. Tudo é encantamento. Meu coração recebeu um primeiro impulso e ele continua agindo sem que eu precise dar ordens. Eu durmo e ele me conserva vivo. É um milagre! O sol, a terra, a lua, tudo está em movimento, dividindo o tempo em anos, meses, dias, horas, minutos e segundos... tudo é milagre. A abelha me traz o alimento mais sadio da natureza, colhendo o néctar das flores e me oferecendo seu trabalho em forma de mel. Para quem tem fé no coração e nos olhos, tudo se torna um milagre. Essa experiência do milagre, que faz a pessoa sair de si, e através dos milagres do cotidiano, ligar-se ao Criador de todos os milagres, vive a religião perfeita. A religião do respeito e do silêncio. A religião do amor e do acatamento.

A EXPERIÊNCIA DO CULTIVO ESPIRITUAL. Viver a fé é também envolver-se em ritos, celebrações, serviços, mas é acima de tudo exercitar-se na pobreza e no desprendimento dos milagres forçados, para ligar-se ao milagre puro da fé e do amor. Ser rico de Deus é partir da verdade que "pobre total é aquele que somente tem desejos materiais". Ser pessoa rica de fé é viver a religião da realização humana e não da fuga deste mundo para um outro mundo melhor, que na verdade não existe, porque o mundo que nos é oferecido é esse que estamos pisando e vivendo, e que pode tornar-se nosso mundo-céu.

O MILAGRE ACONTECE QUANDO A FÉ FOR GRATUITA. Deus não exige elogios e nem pede adoração. Deus está acima de todo o egoísmo. O elogio e a adoração, a admiração e o encantamento devem partir do coração humano, em sua fé despida de interesses, de negociações, de exigências e de piedade. A fé é um dom, uma graça, um desprendimento de si num lançar-se nos braços de Deus. É descentralizar-se para gratuitamente encantar-se com os milagres da vida, sem exigir nenhum milagre interesseiro. Fé gratuita. Milagres à parte!

 

ESPORTES

Novidades agitam Fórmula 1 neste ano

Temporada inicia no dia 6 de março, com o GP da Austrália

 

A temporada de 2005 do Mundial de Fórmula 1, que começa com o Grande Prêmio da Austrália, no dia 6 de março, apresenta algumas novidades. O principal objetivo é dar mais equilíbrio ao campeonato, pois nos últimos anos o domínio quase absoluto da Ferrari e de seus pilotos Michael Schumacher (heptacampeão) e Rubens Barrichello tiraram um pouco do brilho da Fórmula 1.

As mudanças começam pelo regulamento, como a proibição da troca de pneus desde a classificação até a corrida; a obrigatoriedade para a utilização do mesmo motor em dois finais de semana de GP e a mudança no sistema de definição do grid de largada. Com relação aos pneus, a troca será permitida somente em caso de furo. No entanto, está proibido o reabastecimento no momento em que estiver trocando o pneu furado.

Quanto ao motor, na temporada passada era obrigatório utilizar o mesmo propulsor durante o fim de semana de GP, mas neste ano passa a ser a cada dois. Em caso de troca antes da classificação, o piloto perderá dez posições no grid de largada.

Na definição do grid, a novidade é a criação de uma sessão na manhã de domingo. No sábado, os pilotos entram na ordem inversa do resultado da corrida anterior. No domingo, os carros vão à pista na ordem inversa do sábado, mas terão de entrar com a quantidade de combustível que começarão a prova. O grid será definido pela média dos tempos das duas classificações

A temporada deste ano terá 20 pilotos, divididos em dez equipes, que vão disputar 19 corridas ao longo do ano (tabelas acima). Além de um GP a mais, a novidade é a prova de Istambul, na Turquia, dia 21 de agosto. O Brasil terá apenas dois pilotos - além de Barrichello, Felipe Massa, da Sauber. O GP do Brasil, que no ano passado encerrou a temporada, neste ano será realizado no dia 25 de setembro, em Interlagos. Os critérios de pontuação seguem os mesmos do ano passado.

 

Atletas deixam o país em busca de dólares

 

Todos os dias, pelo menos três jogadores de futebol do Brasil deixam o país em busca de fama e dinheiro no exterior. Qualquer jogador brasileiro sonha jogar em países como Espanha, Itália, Alemanha e Inglaterra. Embarcam cheios de sonhos e ilusões. Porém, todos os dias, em média, dois jogadores estão de volta ao Brasil, na maioria dos casos trazendo na bagagem angústia, dúvidas e até pesadelos.

Com a globalização, novos mercados se abriram aos craques do Brasil. No ano passado, 887 jogadores foram em busca de dólares no exterior, aceitando jogar em países com menos tradição no futebol, como Rússia, Bulgária, Ucrânia, Índia, Coréia, México entre outros. De janeiro a setembro de 2004 - quando termina o prazo de inscrições no futebol europeu -, a CBF contabilizou a saída de 788 jogadores. No mesmo período retornaram 476 atletas, 73 dos quais de Portugal, 25 do Paraguai, 24 do Japão, 22 da Alemanha, 16 da Coréia, 14 da Arábia Saudita... Alguns se dão tão mal que ficam até sem dinheiro para voltar.

Mesmo assim, a maratona continua. Segundo dados da CBF, janeiro de 2005 registrou 98 saídas para os mais diversos destinos. Portugal lidera, com 19 saídas; sete foram para a Índia, seis para o Vietnã. Muitos, levados pelo efeito Ronaldinho Gaúcho, craque do Barcelona, eleito pela Fifa o melhor jogador do mundo em 2004.

 

CULTURA

Farroupilha italiana

As comemorações alusivas à data seguem durante todo o ano

 

Dia 5 de março será acesa a centelha comemorativa dos 130 Anos da Imigração Italiana no Rio Grande deo exibição de documentários em diferentes cidades.

 

SC amplia ensino da língua italiana

 

O ensino do idioma italiano será expandido em Santa Catarina graças ao Acordo de todas as escolas que se mentação de uma política pública de ensino da língua italiana.

 

Fenachamp escolhe soberanas em abril

 

A escolha das soberanas da Festa Nacional do Champanhe 2005, dia 8 de abril, no Ginásio Municipal de que representa.

 

cultura da imigração

el ritorno de nanetto pipetta (298)

El Colosseo e le lute dei gladiadori

Rafael Baldissera

Professor, Curitiba - PR

 

- Questo ze el Colosseo, dise Edilson. El so nome el vien del latin Colosseum, che vol dir Colossal. Realmente, el ze el pi grando anfiteatro dei romani, costruido in Roma. L’è stà scominsià pal Imperador Vespasiano, e Tito lo ga finio tel ano 80 dopo Cristo, con spetàcoli che i ga durà 100 di.

- Santo celo! Quea gente no la laorea? E cossa i magnea?

- Varda Nanetto, luri i domandea al Imperador Panem et Circum, vol dir, pan e sirco, e el Imperador el ghe dea. El Colosseo l’è de forma lìtica e el mesura 188 metri par 156 de diàmetro, par fora. La altessa la ze de 49 metri. El se compone de 4 tóndoli. El comportea 50.000 persone.

- Giusto la capassità del stàdio de futibol de Roma!

- Brao, Nanetto! Qua le gera fate le lote tra gladiadori che, quando i ndea rento tea arena, i se voltea al Imperador, i alsea i brassi e i osea: "Ave! Cesar, morituri te salutant!" Vol dir: "Salve, Cèsare, quei che i va morir i te saluda!"

Vedendo Nanetto scrivendo tuto quel che Edilson el disea, Saul Ely Bispo Lima ghe dise:

- Ma, Nanetto, ti col quaderno e la carta in man, a te me par un académico de la Università.

- Ti te vedarè che qualche di mi sarò un cadémico.

- E vetu studiar cossa?

- Mi no go gnancora pensà, ma che mi sarò un cadémico, a sarò.

- Adesso, invita Edílson, ndemo ciapar l’ónibus e ndemo veder le Catatumbe, le galerie soterànee che i primi cristiani i ga fato dal sècolo I dopo Cristo in vanti. Le ze tel campo, fora de Roma, al longo dea Via Àpia. Questa Via la ze stà importante nel tempo del Impero Romano. La ze ancora ben conservada. La ze coerta con sassi grandi e la ofre ancora trànsito. Ste galerie le ga arquanti chilòmetri de stension, a 40 metri soto el livelo del solo, formando, ale volte, quatro pavimenti, sioè, strade una soto le altre, con scavassion ntee parede, che i ghe ciama nìcio o lòcoli, dove i metea i morti.

- Lora, dise Nanetto, ste Catatumbe le ze semiteri soteranei, fondi! Pa questo che na cansion taliana la dise cossì: "In fondo al cimitero una voce sentivo parlar..." E quanta spussa là rento te le galerie!

- Ma nò, Nanetto, lori i stropea ben el buso!

 

VITA STÒRIA E FRÒTOLE

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

El musso e el caval

Cláudio Ganassin

Venezia, Itália

 

Ghè un caval e un musso che camina ntel mato portando sachi in spala.

El caval dise al musso:

- Compare, se te me dè un saco, mi gavarò in spala el dópio dei to sachi.

Risponde el musso:

- Dàmene ti uno a mi che gavaremo lo stesso nùmaro de sachi in spala.

Domanda:

- Quanti sachi stà portando el caval e quanti el musso?

La risposta zé: Sete sachi el caval e sìnque sachi el musso.

Infati, se el musso cede uno dei suoi sìnque sachi, lu rimane co quatro e el caval che’l ga sete sachi, va a oto, ossia al dópio. Se, invese, el caval che’l ga sete sachi cede uno, lu el rimane com sei, e el musso che’l ga sìnque sachi el va a sei, quindi compagno.

Sembra sémplice sta roba, ma par pi giorni na ràdio locale de Venéssia la trasmeteva e invitava i scoltatori a rispondar.

Pensar sempre fa ben. Pensar la belessa de viver, l’amor in fameia e la fede in Dio, ne dassa tuti uguali figli suoi!

 

Par via dei pissacan

Antônio Durante

Professor, Salgado Filho-PR

 

Frate Rovílio, sora i pissacan vu gavé scrito nel 1-6-1983 e tel 19-5-2004. Tel 1983, mi ghe disea ai noni qua de Salgado Filho che in Bèlgica i semena i pissacan ntel orto, parché i ghe dà gran valor come magnar e come remédio.

Va là, va là, i rispondea, varda ti se me tocarà semenar pissacan ntel orto, ghinè da par tuto in colònia. Ghin portemo casa a brassade par i porchi.

Ma, passadi pi de vinti ani, desso toca semenarli anca noantri, e qua in sità raquanti i ga pissacan piantai tel orto. Sucede che i veleni i ga parà via la sapa, ma anca le erbe da magnar e da far sià.

Qua a Salgado Filho, ghemo la festa regional del vin e del formaio e lora se ga anca el magnar tìpico italiano e, insieme la polenta brustolada, codeghin e formaio, ghe ze i radici coti che i visitanti li magna fora tuti.

Gavì rason de dir che la stòria la ze fata de tuto quel che se ga intorno. Lora, la ze fata anca de polenta e pissacan! Gràssie!

 

La modernità

Romano Prando

Agricultor, Lacerdópolis-SC

 

La modernità la ga portà tante comodità, ma tante cose le se ga perso. Se laora dea matina a sera, e se ze sempre sensa soldi, parché ocor rangiar màchine, comperar adubi, somense...

Co ze rivà i punari grandi par slevar polastri e galine, se ga finio e galine caipire, parché i dise che le porta malatie. Ma, na volta, se metea sestoni de canele su par e piante e, de sera, se catea su du tre dùsie de ovi, conforme el nùmero de galine che se gavea. E no ghe zera tante malatie de galine. Anca i gai che i cantea a le so ore no ghenè pi. Quando un gal el cantea a le nove de note, i disea che vegnea piova.

Na volta, per magnar un polastro a rosto, bisognea che el gavesse sei mesi. Par far el brodo se copea el gal de semensa, che’l gavea belche fato el so dover. Oncó i copa polastri de trenta o quarante di, ancora coi penoti. Prima se laorea in colònia, desso la gente deventa piona dele imprese, tanti sensa vacanse e sensa diriti, parché i laora sotovia, sinò nessun ghe dà laoro. E quela libertà e independensa de na volta, in colònia, laorando in fameia, ze ndà tuto in malora.

 

Garibaldi e Conegliano estabelecem intercâmbio

 

Desde 22 de fevereiro Garibaldi, na Serra gaúcha, e Conegliano (Província de Treviso, Itália), são cidades irmãs. Um intercâmbio (gemellaggio) foi assinado entre o prefeito Antonio Cettolin, e o representante da cidade italiana, Andrea Roma. As intenções do acordo foram iniciadas em novembro de 2004, na Itália, quando Cettolin realizou visita oficial a Conegliano. Diversas propostas culturais, artísticas, sociais, econômicas e turísticas farão parte das políticas de intercâmbio decorrentes da união entre as duas cidades. Uma placa, no acesso a Garibaldi, marca a assinatura do gemellaggio.

 

GERAL

Lagoa Vermelha tenta manter hospital

Hospital São Paulo ameaça fechar por falta de recursos

 

O município de Lagoa Vermelha está lutando para impedir o fechamento do Hospital São Paulo, que também atende a outros municípios daquela região. O prefeito Moacir Volpato busca recursos junto ao governo do Estado e à União para desapropriar o hospital e garantir a continuidade do atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O prefeito assinou ainda em 12 de junho do ano passado decreto de emergência requisitando os bens e serviços do hospital. O decreto encerraria-se em 12 de dezembro passado, mas já foi prorrogado a pedido do Estado e da União.

Segundo Volpato, em reuniões realizadas com o poder executivo, vereadores e representantes de entidades, o secretário estadual da Saúde, Osmar Terra, comprometeu-se verbalmente em repassar ao município R$ 100 mil mensais para auxiliar nos custos de manutenção da casa de saúde durante a validade do decreto. No entanto, neste período, Lagoa Vermelha só recebeu R$ 150 mil.

A partir da data do novo decreto, 10 de dezembro, município, União e Estado comprometeram-se com o valor mensal de R$ 30 mil cada um para a manutenção dos serviços, mas novamente Volpato afirma que não recebeu estas verbas.

Enquanto isso, a população de Lagoa Vermelha e região corre o risco de ficar sem atendimento hospitalar. O Hospital São Paulo foi administrado pelos freis capuchinhos de 1947 a 1988.

 

Município de Casca comemora 50 anos de emancipação

 

O município de Casca (RS) completou 50 anos de emancipação político-administrativa no último dia 28 de fevereiro. Situado na encosta superior do Nordeste do Estado, tem sua economia baseada no setor primário, com 1.082 estabelecimentos rurais produzindo soja, milho, trigo e fumo. A suinocultura e avicultura também movimentam a economia local.

Com cerca de 8.450 habitantes, o município é destaque em educação, pois nenhuma criança em idade escolar está fora da sala de aula. Também abriga um núcleo da Universidade de Passo Fundo.

Desmembrado territorialmente de Guaporé, o município foi colonizado por imigrantes italianos e poloneses. A igreja matriz é o principal ponto turístico de Casca. Em estilo gótico, a construção é de 1929.