LEITORES 

 DESCOBRINDO CAMINHOS

 

Desde 1909, onde o conteúdo faz a diferença.

Edição 4.927 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 9 de março de 2005.

EDITORIAL

Todos perdem com a violência doméstica

Manter uma família unida com as atuais turbulências econômicas e afetivas é difícil. Com violência física é praticamente impossível

 

Parece inacreditável que em pleno século 21 a mulher ainda tenha que sofrer calada agressões físicas e psicológicas. O mundo sempre teve dominadores e dominados, mas o drama que já viveu a maioria das mulheres não se enquadra nessa situação. Em 70% dos casos, elas são vítimas da violência praticada pelo marido ou companheiro, ou seja, dentro de casa. E na maioria das vezes elas não registram ocorrência policial por temer represálias mais contundentes ainda, por acharem que é melhor não denunciar o pai de seus filhos ou ainda porque sentem-se discriminadas mesmo em delegacias especializadas.

Essa realidade não se altera apesar das conquistas que a mulher obteve ao longo das últimas décadas no campo político, econômico, científico, cultural... Mais lamentável ainda é o comportamento da sociedade, como revela a mais abrangente pesquisa sobre esse tema já realizada no Brasil, que está detalhada na página central desta edição.

Depois de ouvir 2.000 homens e mulheres, o Ibope apurou que mais de 90% dos brasileiros consideram a violência contra a mulher um fato muito grave, que para 82% da população não há nenhuma situação que justifique a agressão do homem a sua mulher e que 84% acham que o agressor precisa ser penalizado. Esses dados suscitam uma inevitável pergunta: se a quase totalidade é contra, por que a mulher continua sendo espancada fisicamente ou violentada psicologicamente?

A especialista no assunto Jacira Melo, diretora da organização não-governamental Instituto Patrícia Galvão, encontra uma explicação: o que a maioria da população expõe como idéia não se transforma em atitude. Ou seja: pensa de uma maneira, age de outra.

Aproximar pensamento e ação abriria o caminho para eliminar o sofrimento, segundo estatísticas, de um terço das mulheres brasileiras. A mesma pesquisa mostra que mais de 60% dos entrevistados acreditam que quem mais perde com a violência doméstica são os filhos do casal. Na verdade, todos perdem. Se manter uma família unida é muito difícil devido às turbulências econômicas e afetivas, com agressões físicas se torna praticamente impossível.

 

CAXIAS DO SUL

Rodeio tem seis mil competidores

Campo dos Bugresn vai até dia 13, no parque da Festa da Uva

 

Quinze mil pessoas passaram pelo parque de exposições da Festa da Uva no último final de semana para prestigiar o XIV Rodeio Nacional Campo dos Bugres. Lançado oficialmente no sábado 5, os organizadores esperam receber um público superior a 100 mil visitantes até o encerramento, marcado para domingo 13. Quase 200 barracas estavam instaladas e a previsão era de que esse número aumentaria de 10% a 20% - a área do camping foi reduzida em um terço devido às obras do novo pavilhão de exposições.

O maior rodeio do município se destaca pela variedade de provas artísticas (entre elas, dança, chula, trova e declamação) e campeiras (como laço e gineteada). De acordo com o patrão do Centro de Tradições Gaúchas (CTG) Campo dos Bugres, entidade promotora do evento, Manoelito Savaris, a edição deste ano reúne cerca de 6.000 competidores. Em torno de 50 municípios estão representados nas mais diversas provas, além de comitivas vindas do Uruguai e da Argentina.

O rodeio deste ano trouxe uma novidade. Trata-se do 1º Festival Serrano, que envolve atividades artísticas dos CTGs integrantes da 25ª Região Tradicionalista, comandada por Jó Arse. "O festival aconteceu no final de semana e deve se repetir no próximo ano", adianta Orli Magnabosco, um dos coordenadores do evento. O acesso ao parque da Festa da Uva custa R$ 2,00. O estacionamento para veículos, mais R$ 5,00.

 

Projeto Pescar tem adesão do Pompéia

 

O Hospital Pompéia é a primeira instituição de saúde do país a aderir ao Projeto Pescar. A solenidade ocorreu nesta terça 8. O Pescar, que funciona por meio de franquia social, abre espaço para a formação pessoal e profissional de adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Os objetivos: desenvolver hábitos e atitudes de convivência e cidadania; assegurar possibilidades de inclusão nas dimensões social, cultural e profissional; encaminhamento ao primeiro emprego e estimular o empreendedorismo.

 

REPORTAGEM

Lei de Biossegurança normatiza transgênicos no país

Projeto libera plantio, pesquisa e venda de transgênicos e estudos com células-tronco

 

Acabou a polêmica iniciada em 1998, quando o plantio ilegal de soja transgênica começou no país. A Lei de Biossegurança, que regulamenta o plantio, a comercialização e as pesquisas com sementes transgênicas, foi aprovada pela Câmara dos Deputados na quarta, 2, por 352 votos a favor e apenas 60 contra. O projeto de lei também autoriza ainda as pesquisas com células-tronco embrionárias para fins terapêuticos (leia abaixo).

Com a aprovação da Lei de Biossegurança, que agora irá para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva – e só será modificada caso o Executivo decida vetar algum ponto -, o governo federal não terá mais que editar medidas provisórias a cada ano para tratar da liberação da soja transgênica no Brasil.

A decisão dos deputados agradou ao ministro da Agricultura, da Pecuária e do Abastecimento (Mapa) Roberto Rodrigues. "A liberação e o uso de sementes transgênicas beneficiará os produtores rurais, que terão maior produtividade em suas lavouras, com menores custos", afirmou o ministro.

O Greenpeace posicionou-se contrário à lei aprovada, uma vez que torna facultativo o licenciamento ambiental, eliminando a obrigatoriedade da apresentação dos estudos de impacto no meio ambiente. A entidade condena ainda o projeto de lei, pois retira as competências dos ministérios do Meio Ambiente, da Saúde e da Agricultura de decidir sobre a liberação ou não de qualquer variedade transgênica.

Repercussão - O texto aprovado causou repercussões positivas no Rio Grande do Sul, Estado pioneiro no plantio de soja transgênica. "Foi um grande passo. Até agora, tínhamos de firmar um termo de conduta na época de plantio, uma humilhação para o produtor", disse o presidente da Federação da Agricultura do RS (Farsul), Carlos Sperotto. "Nós precisávamos de uma definição sobre os transgênicos. O agricultor precisa de uma lei que regulamente o plantio e que não necessite a cada safra depender de medida provisória", avalia o vice-presidente da Fetag, Sérgio de Miranda.

Poder - A Lei de Biossegurança mantém o poder da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) como a última instância para autorizar a pesquisa, o cultivo e o comércio de organismos geneticamente modificados no país. Ao mesmo tempo, fragiliza o Ministério do Meio Ambiente, contrário à aprovação. O artigo referente à CTNBio confirma o texto aprovado no Senado em 6 de outubro do ano passado. A primeira versão do projeto de lei foi elaborada em junho de 2003 por um grupo interministerial, com participação da sociedade civil.

O projeto determina que a Comissão vai ter que submeter suas decisões ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e à Agência Nacional de Saúde (Anvisa), que poderão entrar com recursos para questionar as decisões da CTNBio no prazo de 30 dias contados a partir da publicação do parecer técnico da comissão. O Conselho Nacional de Biossegurança vai ter 45 dias para apreciar os recursos.

 

Liberada utilização de embriões humanos para pesquisa

 

A Lei de Biossegurança libera o uso de embriões humanos para pesquisas de células-tronco. Poderão ser usados apenas embriões congelados há mais de três anos, disponíveis nas clínicas de reprodução. Com três anos, os embriões perdem a capacidade de se desenvolver no útero e são descartados.

O texto veda a clonagem humana e a clonagem de células-tronco embrionárias para utilização terapêutica. Antes da realização de qualquer pesquisa com embrião, será necessária a autorização dos genitores e do comitê de ética do instituto que realizará o procedimento. A lei também proíbe a venda de embriões para pesquisas ou para quaisquer outros fins.

As células-tronco têm grande capacidade de proliferação e de originar diferentes tecidos do organismo. Existem dois tipos: adultas e embrionárias. As adultas estão no cordão umbilical de recém-nascidos e na medula óssea. Elas têm uma capacidade mais limitada que as embrionárias de se transformar em outros tecidos. Já se mostraram eficientes para tratamento de doenças cardíacas, diabetes, Chagas.

As embrionárias estão presentes nos primeiros dias do desenvolvimento de um embrião. Para obtê-las é necessário destruir os embriões, por isso o uso é tão polêmico. São vistas como esperança de cura para doenças como distrofia muscular, esclerose miotrófica, mal de Parkinson, entre outras.

 

Estudo não assegura a cura de doenças

 

Enquanto alguns comemoram a Lei de Biossegurança, outros criticam o modo como foi aprovada. Para a pesquisadora de São Paulo Lilian Piñero Eça, biomédica e doutora em biologia molecular, o projeto foi aprovado sob pressão da mídia e de grupos de portadores de deficiências. "Ciência não combina com pressa. O tema requer cautela, nem nós, pesquisadores, estamos certos dos resultados do uso de células-tronco embrionárias para o tratamento de doenças", observa.

Para ela, o maior problema é a expectativa que se criou em torno da cura de doenças. "Uma coisa é a pesquisa, outra é a solução para as doenças. Os estudos com células-tronco estão apenas iniciando e podem levar 10, 20 anos; e os resultados podem ser positivos ou negativos. Não podemos iludir as pessoas", afirma Lilian. Segundo a especialista, pesquisas divulgadas em publicações científicas internacionais apontam, no momento, rejeição e desenvolvimento de câncer como conseqüência dos tratamentos com células-tronco embrionárias.

O assessor da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil para assuntos de bioética, frei Antônio Moser, ao criticar o projeto, também ressaltou que as pesquisas não estão avançadas o suficiente para garantir a cura aos portadores de deficiências degenerativas. "Acho lamentável que se tenha votado um assunto tão importante nesse clima de pressa. Criou-se uma expectativa aos deficientes. Quem vai responder a essa expectativa?" Questionou Moser.

 

AGRONEGÓCIO

Ações integradas na luta contra a estiagem

Lula aciona 11 ministros e anuncia visita às áreas atingidas na região Sul

 

"O RS não está enfrentando simplesmente uma seca. É situação de calamidade pública", afirmou o ministro do Desenvolvimento Agrário (MDA), Miguel Rossetto, ao visitar as lavouras gaúchas atingidas pela estiagem, na sexta, 4. Alinhado com o Ministério da Agricultura, o MDA anunciou uma série de providências para dar fôlego aos agricultores, inclusive para não comprometer as atividades no meio rural.

Mobilizado, o governo federal decidiu adotar ações integradas para socorrer os municípios atingidos - só no Rio Grande do Sul 408 já decretaram situação de emergência. O presidente Lula disse na quinta, 3, que um grupo de representantes de 11 ministérios está tratando do assunto. A partir do dia 14, o presidente virá ao Estado e a Santa Catarina para anunciar as medidas.

O ministro Rossetto adiantou que vai avaliar a aplicação do Seguro da Agricultura Familiar (Proagro Mais). "Temos formalizados 33 mil pedidos de vistoria de seguro no Rio Grande do Sul e 10 mil em Santa Catarina", adiantou. No Sul, são mais de 465 mil famílias que contrataram o seguro, sendo 238 mil gaúchas.

Dívidas - Já o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, anunciou as primeiras medidas de apoio à agricultura em 2005, envolvendo recursos para a comercialização da safra e a prorrogação de dívidas dos produtores rurais. "Estamos liberando mais R$ 3 bilhões de recursos novos para a comercialização e financiamento da estocagem de algodão, arroz, milho, soja e trigo", destacou.

O governo decidiu ainda autorizar a prorrogação de prazo para pagamento de dívidas de produtores rurais. Nos financiamentos de investimento serão prorrogadas as parcelas vencidas e vincendas em 2005 de operações com recursos do BNDES, feitas por produtores rurais ou cooperativas cuja atividade principal seja a produção de algodão, arroz, milho, trigo ou soja. A prorrogação será analisada caso a caso e realizada de acordo com a capacidade de pagamento do produtor.

O ministro Rodrigues anunciou também que as prestações vencidas e vincendas até março de 2005, de operações de custeio de trigo, poderão ser prorrogadas, e o pagamento será distribuído em três prestações iguais nos meses de junho, julho e agosto deste ano. A decisão depende de voto do Conselho Monetário Nacional.

Recursos - O governador Germano Rigotto anunciou investimentos de R$ 8 milhões para ajudar a amenizar os efeitos da seca. Do valor liberado, R$ 5,1 milhões são para amenizar as conseqüências e R$ 2,9 milhões para a construção de poços e açudes. Serão beneficiados 260 localidades de 221 municípios, o que representa mais de 6.000 famílias.

 

Vinícolas recebem uva mas pagam menos

Mínimo básico cai de R$ 0,42, fixado pelo governo, para R$ 0,35

 

Uma semana depois de fecharem as portas para a uva comum, cerca de 100 vinícolas da Serra gaúcha voltaram a receber o produto na quinta, 3. A decisão resolve o problema da colocação de estimados 100 milhões de quilos de uva, mas está custando caro ao produtor. As empresas estão pagando menos do que o mínimo fixado pelo governo federal, em índices que variam de 4,7% a 37,5% (veja tabela).

"Os valores ficaram dentro do que a indústria estava propondo", declarou ao CR Júlio Fante, presidente da Associação Gaúcha de Vinicultores (Agavi), entidade que promoveu a suspensão do recebimento de uva. "Ainda vamos ter que fazer esforços para colocar o vinho no mercado com esses preços, mas temos que buscar uma saída para o setor, não só para a indústria", acrescentou. "O que podemos fazer? Não temos poder de barganha. Se o governo não garante o preço mínimo, não são os produtores que vão garantir", afirmou Raimundo Bampi, tesoureiro da Comissão Interestadual da Uva.

O desfecho para o impasse se deu numa reunião realizada quarta, 2, em Porto Alegre, entre representantes das vinícolas, dos viticultores e dos ministérios do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura. O resultado do encontro, que teve momentos de alta tensão, soluciona uma questão imediata - afinal, a uva não poderia apodrecer nos parreirais. Mas fez surgir outras, que poderão minar ainda mais a relação entre produtores e vinícolas.

Os empresários sempre acharam alto o mínimo de R$ 0,42. Começaram a receber uva pela tabela oficial e depois de várias denúncias de fraude na graduação - algumas empresas pagavam o valor equivalente a dois graus a menos que o registrado -, suspenderam o recebimento sob o argumento de que era necessário uma negociação com os produtores. As associadas da Agavi elaboraram uma nova tabela de preços, levaram para a reunião de quarta e é ela que está vigorando. "O preço mínimo é preço de referência. Vale a livre negociação", alega Fante. Está certo quanto ao preço mínimo, porém livre negociação não está ocorrendo.

 

Preocupação do setor contrasta com posições do governo

 

Dos três lados envolvidos no episódio que marca a safra da uva 2005, dois estão preocupados. Os empresários - e não apenas os que produzem e envazam vinho de mesa ou vendem a granel, grupo mudou os preços - sofrem uma desigual concorrência de vinhos importados e contrabandeados e suportam uma sufocante carga tributária. Estão com quase uma safra de vinho estocada e se ela não for desovada, em breve não terão nem como comprar uva.

Os produtores perderam o amparo do preço mínimo oficial. Tinham a esperança de recuperar as perdas causadas pela seca com melhor remuneração pela qualidade e ficarão sem essa compensação. Além disso, com raras exceções, não há prazo de pagamento fixado. Dependerá do mercado, admitiu ao CR um líder dos vinicultores.

O terceiro lado, o governo federal, está mais tranqüilo. Ignora apelos desesperados do setor, fixa um preço mínimo mas não garante o respeito a ele e oferece R$ 25 milhões para financiar a comercialização de uma safra que vai girar mais de R$ 350 milhões. Uma prova de que a vitivinicultura não é prioridade para o Planalto está no Diário Oficial da União de sexta, 4. Só nessa data é que foi publicado o decreto (5.384) que fixa o preço mínimo básico para a uva em R$ 0,42. Na prática, dois dias antes esse decreto não tinha mais valor.

 

Suspenso embargo às carnes de seis Estados

 

A Rússia suspendeu o embargo às importações de carne bovina e suína de seis Estados do Brasil que provaram estar livres de febre aftosa. O embargo foi retirado de Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo. A Rússia havia proibido as compras de carne brasileira em 20 de setembro do ano passado após registro de febre aftosa no Amazonas. Em novembro, abriu as importações de SC. As barreiras russas impunham, só ao RS, perdas de R$ 25 milhões por mês.

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

Receitas de cebola

Gostaríamos de ter algumas receitas para o melhor aproveitamento da cebola na propriedade rural.

DEBORA BAUER SCHEFFER

São João do Sul - SC

 

Atendendo solicitação da leitora, transcrevemos algumas receitas de diversos autores:

Sopa de cebola - Descasque e corte em fatias bem finas cerca de 12 cebolas de tamanho médio. Esquente 12 colheres (de sopa) de manteiga ou margarina num caldeirão acrescentando em seguida as fatias de cebola que deverão cozinhar até ficarem bem macias. Junte 4 cubinhos de caldo de galinha (ou fatias de toucinho defumado), 12 xícaras de água fervendo e 4 xícaras de cerveja. Deixe ferver com a panela descoberta a fim de que se evapore todo o álcool e só fique o gosto do malte e do lúpulo contido na cerveja. Acrescente molho inglês e sirva em cumbucas individuais, acompanhada de cubos de torradas. (Almanaque Agroceres 1979/80)

Cebola no espeto - Escolher cebolas parelhas, médias e graúdas. Usar de preferência espeto chato que prende melhor as cebolas que o cilíndrico. Espetar as cebolas com casca pelo miolo. Levar os espetos para o braseiro de churrasco para assar, revirando-os de quando em quando. O tempo de cozimento é variável, depende do fogo, mas não deve ser muito rápido. Está no ponto quando as cascas ficam bem escuras e as cebolas correm fácil do espeto. Retiradas do espeto, esfriam ao natural. Só então retiram-se as cascas externas e aproveita-se o conteúdo cozido para fazer a salada com azeite, vinagre, sal e tempero a gosto, pronta para o consumo. (Paulo Kantorski - churrasqueiro de Santa Maria)

Cebola frita - Selecionar cebolas de bom tamanho. Eliminar as películas secas externas (cascas). Cortar em rodelas não muito finas e passá-las em farinha de trigo e, em seguida, no ovo batido com um pouco de sal. Fritar em óleo quente até ficarem douradinhas. É rápido. Temperar a gosto. (Teresa Marta - nutricionista em Lisboa, Portugal)

Tempero de base com cebola - Ingredientes: 1 quilo de cebolas descascadas; 1 xícara de óleo vegetal; 1 xícara de bom vinagre (branco, tinto ou balsâmico); 2 a 3 colheres de sopa de sal; 1 colher de sopa de colorau (urucum); uma colher de pimenta-do-reino; uma cabeça de alho sem casca. Passar tudo no liquidificador para uniformizar. Está pronto o tempero que deve ser colocado em recipiente com tampa e conservado no refrigerador para usar posteriormente em qualquer tipo de prato que tenha molho. (Teresa Marta - nutricionista em Lisboa, Portugal)

Torta de cebolas - Para fazer a massa: Meio quilo de farinha de trigo; uma colher de fermento de pão; 1/2 xícara de leite morno; uma colher rasa de sal; uma colherinha de açúcar; uma colher de sopa de manteiga e uma de gordura vegetal. Misture muito bem.

Para o recheio: Corte diversas cebolas em rodelas, reforçando-as com manteiga. Coloque a massa na fôrma, distribua bem o recheio e cubra tudo com uma camada de massa. Leve ao forno por cerca de 40 minutos. Depois de pronta, espalhe nata sobre a torta e pode servir. (Almanaque Agroceres 1979/80)

 

saúde

Brasil é o sexto país em número de vítimas de derrame cerebral

Rápido atendimento dos pacientes evita mortes e diminui gravidade das seqüelas

 

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o Acidente Vascular Cerebral (AVC), popularmente chamado de derrame cerebral, é a terceira maior causa de morte natural e a primeira de incapacitação física e intelectual. O Brasil ocupa o sexto lugar na lista das maiores vítimas de derrame, em números absolutos, atrás de China, Índia, Rússia, Estados Unidos e Japão. Entre os brasileiros, a taxa de mortalidade por acidentes cérebro-vasculares supera 74%. Anualmente, 17 milhões de pessoas no mundo morrem vítimas de doenças cardiovasculares. A previsão é de que a quantidade de vítimas chegue a 24 milhões por ano até 2030.

O número de mortes por AVC é elevado, pois, segundo dados do Ministério da Saúde, apenas 2% das vítimas conseguem ser salvas com um diagnóstico antecipado. No entanto, de acordo com especialistas, boa parte destas mortes poderia ser evitada se, além dos profissionais de saúde, a população leiga estivesse preparada para socorrer em situações de emergência. As pessoas não têm o costume de procurar unidades de saúde quando apresentam os sinais característicos do AVC (quadro acima).

Sabe-se que o risco de morte por AVC acontece nas três primeiras horas após o início dos sintomas. As complicações são causadas pela falta de assistência especializada prévia e pela excessiva demora em receber assistência no hospital. O AVC é considerado uma emergência médica, pois o atendimento precisa ser realizado em um curto espaço de tempo

Além das elevadas taxas de mortalidade, uma grande parte das pessoas acometidas pelo problema pode ter seqüelas irreversíveis, com importante limitação das suas atividades físicas e intelectuais, o que causa, conseqüentemente, um grave problema social.

Estar atento para os sinais do AVC é fundamental. Embora o problema seja mais comum a partir dos 40 anos, pode ocorrer em qualquer idade. Os sintomas do AVC dependem da parte do cérebro que foi lesada. Em geral, pode haver dificuldade na fala e nos movimentos ou alterações na visão. Formigamento ou fraqueza em uma das partes do corpo também é comum, além de dor de cabeça repentina. Estes sintomas são os mais comuns e podem até ter relação com outro problema, mas a recomendação é que a pessoa procure imediatamente um hospital.

Atualmente, há tratamentos modernos e efetivos que desmancham o coágulo formado no cérebro pelo AVC isquêmico, mas que devem ser iniciados até três horas após o início dos sintomas. Além da medicação, uma série de medidas clínicas podem ser feitas para beneficiar o paciente, e quanto antes forem feitas, maiores as chances de recuperação.

 

Reabilitação exige tratamento especial

 

Passado o momento agudo do acidente vascular cerebral, é hora da reabilitação. A recuperação de uma vítima de AVC é lenta e o apoio da família é indispensável, já que a maioria dos doentes passa pelo período de restabelcimento em casa. Dependendo da região do cérebro que foi atingida, o derrame pode prejudicar tanto o aspecto motor quanto o psíquico de uma pessoa. As seqüelas mais comuns são paralisia total ou parcial (de um lado do corpo); alteração da fala, tanto no que diz respeito à expressão, quanto na compreensão, e alterações visuais ou de memória.

Existem várias formas de reabilitação e sua aplicação vai depender do tipo de comprometimento neurológico que a pessoa tiver. Por exemplo, no comprometimento motor, há intervenções fisioterápicas de várias naturezas. Se o paciente tiver alteração na fala, a fonoaudiologia pode ser recomendada. Outros tipos de distúrbios neuropsicológicos, como por exemplo distúrbio de atenção, podem ser reabilitados com tratamentos neuropsicológicos. Existem recursos e reabilitação em várias esferas. Somente um especialista pode prescrever o melhor tratamento para cada caso.

 

alimentação & saúde

Maçã ajuda a eliminar colesterol

 

Um estudo recém-divulgado reafirma os benefícios do consumo de maçã para o organismo humano. Uma unidade da variedade gala fornece 14,5% das recomendações diárias de fibras totais e 55% de vitamina C, além de quantidades significativas de compostos fenólicos e taninos, substâncias que têm poder antioxidante e agem contra o envelhecimento precoce e as doenças degenerativas. A fruta também é apontada como aliada contra o diabetes. Pesquisas ainda indicam que a ingestão regular de maçã ajuda na prevenção à asma.

Como se já não bastassem essas qualidades, pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/USP, de Piracicaba, interior de São Paulo, acabam de descobrir em experiência com ratos que a fruta é mais uma capaz de baixar os níveis altos do colesterol ruim.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores introduziram a maçã no cardápio das cobaias durante 60 dias. Primeiro constataram que os níveis de colesterol total, de colesterol bom e de triglicerídeos dessas cobaias eram semelhantes aos do grupo de controle, que tinha taxas normais dessas substâncias. Porém, o teor de colesterol eliminado era maior nos animais alimentados regularmente com maçã.

Hoje, a maça é uma das frutas mais populares entre os brasileiros, mas era rara até 1960. Ela é originária da Europa e chegou ao Brasil apenas em 1920.

 

opinião

Vigília junto ao portão de bronze

Maria Clara Lucchetti Bingemer

A Igreja não deseja ficar órfã de João Paulo II, um homem destemido, feito de ferro e força, que estamos acostumados a ver levantar-se de todas as quedas

 

Quando este artigo for publicado, quais serão as notícias que estarão na mídia sobre o Papa João Paulo II? Como estarão os corações de tantos fiéis católicos que hoje se encontram em vigília, lábios movendo-se em oração e olhos voltados fixamente para o Portão de Bronze, na Praça de São Pedro?

O "Portone di Bronze" é a imponente entrada situada à direita da Praça, quando se olha de frente para a grande Basílica, por onde entram aqueles que têm audiência semipública ou privada com o Papa. Entra-se por ele e após percorrer escadarias e salões, chega-se à capela privada onde o Papa celebra missa para um pequeno grupo de pessoas.

Lembro-me quando entrei por ali, no ano de 1989, às 6h30 da manhã. Acabava de terminar um retiro de oito dias e o orientador perguntou-me se gostaria de participar de uma missa com o Papa. De posse do ingresso, andei pelas ruas de Roma ainda escuras e passei pelo "Portone di Bronze". Ao chegar na capela, vi uma forma branca ajoelhada. Reconheci o Papa. A missa foi em francês e depois ele passou cumprimentando a todos para a clássica fotografia.

Hoje sou mais uma católica que acompanha pela televisão as notícias sobre a saúde do Papa que acaba de ser submetido a uma traqueostomia devido a sérias complicações respiratórias decorrentes de uma forte gripe. A enfermidade que o debilita há anos complica o quadro. João Paulo II foi internado por dez dias no mês passado e saiu sob aplausos. Agora, volta ao hospital e tem que passar pela dolorosa cirurgia que lhe abre os pulmões mas lhe prejudica a voz.

Os porta-vozes dizem que a operação foi bem sucedida e que o Papa passa bem. Sua fortaleza de ânimo e sua fé, que o sustentaram em tantas complicações de saúde durante todos estes anos e o ajudaram a superar as conseqüências de um atentado, certamente o ajudam a reagir. Mas a voz antes tonitruante do Pontífice será menos ouvida e sua figura já tão debilitada nos aparecerá ainda mais vergada sob a idade, a doença, a dor.

A Praça de São Pedro, todas as igrejas de Roma e as igrejas católicas do mundo inteiro têm a respiração suspensa e aguardam notícias que os jornais e noticiários dão a cada momento. Os comunicados reticentes, os sucessivos boletins médicos, as especulações sobre a sucessão, tudo isso só faz aumentar a expectativa e a angústia de todos.

Em todos os olhares, se respira temor da orfandade. A Igreja não deseja ficar órfã de João Paulo II. Apesar da fragilidade em que se encontra há tanto tempo sua saúde, todos estamos acostumados a ver este homem destemido, feito de ferro e força levantar-se de todas as quedas e retomar seu caminho com vigor redobrado. Nada até hoje pôde vergá-lo. Sua coragem desafiou a morte, o fez escapar de um atentado mortal, de várias operações, e o ajuda a sobreviver a uma doença grave há vários anos.

Nada o abate, nada o detém. Noticiam que piorou, que seu estado se agravou e é visto no frio, ao relento, acompanhando a Via Sacra da Sexta-Feira Santa, celebrando a missa de Natal, tomando um avião e indo para o outro lado do mundo.

Desta vez, porém, parece que a coisa é séria. As atenções do mundo inteiro se voltam para Roma, onde o sucessor de Pedro luta contra a doença e a morte. As pessoas rezam com olhos e ouvidos atentos, esperando qualquer notícia.

De onde estou, meus olhos se voltam novamente para o "Portone di Bronze". Por ali se pode ver, antes que seja efetivamente veiculada pela mídia e pelos porta-vozes oficiais do Vaticano, se o Papa morreu. Imediatamente após sua morte, o "Portone di Bronze" será fechado. Na Praça de São Pedro, ao lado da imponente colunata de Bernini, uma multidão se une na fé e na oração, à espera de notícias. Muitos mantêm os olhos fixos no "Portone di Bronze".

De onde estou, não posso ver esse portão por onde um dia entrei para ver um Papa saudável e cheio de força vital. Hoje, para todo católico, é a figura paterna que se encontra com a vida ameaçada. Toda atividade se revela impotente. Com toda a Igreja, sinto que o Pastor está muito doente. Com toda a Igreja sofro e rezo por ele.

 

25 anos e um dilema

Frei Betto

O dilema do PT é o de Hamlet: ser ou não ser - um partido disposto a ganhar eleições ou a construir um projeto histórico para o Brasil?

Dizia minha avó, em ânsias casadoiras, à filha solteirona: "Fulano é um bom partido". Herdeiro de parte de boa fortuna. Hoje, o particípio do verbo partir, substantivado, serve para designar agremiações políticas. Todas elas literalmente partidas: em tendências, facções, siglas e grupos regionalistas.

Conheci o PT ainda como proposta na cabeça do Lula. Por que trabalhador votar em patrão, e não em trabalhador? - acendeu-lhe eureca a 15 de julho de 1979, ao participar de encontro sindical em Salvador, enquanto em São Bernardo do Campo Marisa dava à luz ao filho Sandro.

A proposta ganhou corpo e adeptos no meio sindical, nas Comunidades Eclesiais de Base, nos movimentos populares, na esquerda sobrevivente ao terror da repressão, entre intelectuais como Mário Pedrosa, Sérgio Buarque de Hollanda, Antonio Candido e Hélio Pellegrino.

Fiquei fora. Sou afeito a consensos e avesso a disputas. Nunca me filiei. Mas da trincheira do movimento social torci pelo PT. Vi dona Maria Clara, na periferia de Vila Velha, fazer da sala apertada de seu casebre sede do núcleo do partido. Vi Bacuri, hanseniano, reunir no Acre enfermos de uma colônia para debater o programa do PT. Vi agricultores do sertão paraibano pintarem imensa estrela vermelha na parede de um galpão.

Conheci o PT do trabalho de base, da formação política, das rifas para coletar fundos, dos livros de ouro, da venda de broches e adesivos, das festas beneficentes. O PT da militância voluntária, das campanhas eleitorais aguerridas, do sonho socialista, do orgulho de ser de esquerda. O PT da hegemonia proletária na direção, dos critérios éticos nas alianças políticas, da transparência no trato do dinheiro. PT das greves do ABC, da campanha das Diretas-Já, do "fora Collor", da luta por reforma agrária e contra o pagamento da dívida externa. PT do Fórum de São Paulo, da solidariedade à revolução cubana, à Nicarágua sandinista, à causa palestina, aos que lutavam contra o apartheid na África do Sul e clamavam pela libertação de Nelson Mandela.

Aos 25 anos, o PT poderia gabar-se de comemorar bodas de sangue, tantos os mártires de sua história: Chico Mendes, Raimundo Ferreira Lima, Wilson Pinheiro, Santo Dias, Margarida Alves, Dorcelina Folador... - todos assassinados por coerência aos ideais do partido. De gota a gota de sangue, de porta em porta, de luta em luta, de voto em voto, o PT ampliou a sua força política, elegendo vereadores, deputados, prefeitos, senadores e governadores. Até que em 2002, na quarta tentativa, fez de Lula presidente da República.

Hoje é um partido repartido. O futuro se fez presente e, para uns, não era o que se esperava: o abandono do projeto socialista, o pudor de situar-se à esquerda, a política econômica neoliberal, o atraso na reforma agrária, a liberação dos transgênicos, o permanente adiamento da demarcação da reserva indígena Raposa/Serra do Sol, em Roraima.

Para outros, o PT governa com realismo e pragmatismo. Não faz o desejável, mas o possível. Implementa uma política externa ousada, promove a reforma universitária, estende o crédito à população de baixa renda, combate a fome e a corrupção, distribui renda a 6,5 milhões de famílias que viviam na miséria. E brilha na macroeconomia: estabilidade monetária, controle da inflação, queda do risco Brasil, crescimento da indústria e das exportações, êxito do agronegócio, aumento das reservas do país e do emprego formal.

O Brasil é a terra dos paradoxos. O mundo se divide em mais de 200 nações e o nosso país sempre figurou entre as 15 mais ricas. No entanto, é o primeiro em desigualdade social. Segundo o FMI, os 10% mais ricos da população possuem 44% da renda nacional; os 10% mais pobres dividem entre si apenas 1% da renda.

No andar de cima, jamais faltou mesa farta. No de baixo, a sofrida labuta pelo pão nosso de cada dia. Será que a fartura do agronegócio, da indústria automobilística, do preço exorbitante do aço, do lucro astronômico dos bancos, do robusto caixa do BNDES, haverão de se refletir no aumento do poder aquisitivo e da qualidade de vida dos mais pobres? Os mais ricos deixarão de ganhar tanto para que haja menos miséria?

O dilema do PT é, hoje, o de Hamlet: ser ou não ser - um partido disposto a ganhar eleições ou a construir um projeto histórico para o Brasil? As duas coisas, dirão alguns. Numa sociedade objetivamente tão conflitiva, o preço pago pelo êxito eleitoral, à base de consenso e alianças partidárias sem critérios, pode equivaler ao de um resgate sem libertação da vítima do seqüestro. No caso, a esperança depositada no governo Lula.

O Brasil vai bem, o povo brasileiro ainda não. A economia é forte, a política fútil, o direito social frágil. Lula tem ainda pela frente dois anos para atrelar suas prioridades sociais ao ideário político que ele representa e que deve impor-se como senhor, e não servo, dessa macroeconomia que hoje beneficia o país em detrimento da nação.

 

Nacional

PIB tem melhor desempenho em 10 anos

Economia cresceu 5,2%, impulsionada pelo consumo interno

 

O Produto Interno Bruto (PIB) - a soma de todos os bens e serviços produzidos no país - fechou 2004 com um crescimento de 5,2% em relação ao ano anterior. Esta é a maior taxa anual depois de 1994, ano em que foi implantado o Plano Real e que atingiu 5,9%. Em 2003 o PIB cresceu apenas 0,5%, em 2002 1,9% e em 2001 1,3%. No último trimestre de 2004 o PIB cresceu 0,4%.

Maior facilidade de crédito, especialmente a partir da redução das taxas de juros de 23,1% para 16,3% em 2003, e uma massa salarial em alta possibilitaram o aumento do consumo interno, uma das causas para esse desempenho. O setor que mais contribuiu para o crescimento do PIB foi a indústria, com 6,2%, seguido por agropecuária, que já vinha registrando taxas positivas nos últimos anos e em 2004 atingiu 5,3% e serviços, que se recuperou, com 3,7%. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa acumulada é resultado da elevação de 4,8% no Valor Adicionado a Preços Básicos (renda gerada por atividade econômica) e do aumento de 8,5% nos impostos sobre produtos.

Com o crescimento da economia, o PIB per capita (a proporção do PIB correspondente a cada habitante do país) cresceu 3,7%, também a maior taxa depois de 1994 (4,2%). Os dados do IBGE indicam ainda que, na última década (1995 a 2004) o crescimento médio do PIB por ano foi de 2,4% e a do PIB per capita, 0,9%.

O crescimento do consumo das famílias teve a maior taxa acumulada em quatro trimestres desde o primeiro trimestre de 2001: 4,3%. Esse crescimento foi impulsionado pela elevação de 1,5% em termos reais (sem levar em conta a inflação) dos salários dos trabalhadores em 2004. Também influiu no aumento do PIB a elevação em 22,2% do saldo de operações de crédito do sistema financeiro com recursos livres para as pessoas físicas.

Entre os subsetores, o comércio contribuiu com 7,9%, a construção teve expansão de 5,9% e as máquinas e equipamentos, de 19,3%. O desempenho de outros serviços mostra crescimento da indústria de utilidade pública (energia, água e esgoto) de 5%, os transportes tiveram expansão de 4,9%, as instituições financeiras de 4,3%, comunicações de 2% e a administração pública, de 1,6%. O consumo do Governo aumentou 0,7%. As exportações de bens e serviços cresceram 17,9%, em 2004, em relação a 2003; enquanto as importações de bens e serviços elevaram-se em 14,3%.

 

Especial

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER SOCIEDADE CONDENA MAS NÃO REPRIME

Mais de 90% dos brasileiros consideram a violência contra a mulher um fato "muito grave", para 82% não existe situação que justifique a agressão do homem a sua mulher e 84% acham que o agressor deve ser penalizado.

Esses dados, apurados pelo Ibope, mostram que a sociedade brasileira está ciente do problema e que o considera um crime intolerável. Mesmo assim, a incidência de casos não pára de crescer. "O que é manifestado como idéia não se transforma em atitude", avalia especialista

A mulher ocupa cargos em empresas e na política até poucas décadas atrás exclusivos dos homens; no Brasil, chefia 28,8% dos lares e sua presença no mercado de trabalho cresce anualmente; amplia sua participação nas pesquisas científicas e ações culturais, lidera movimentos sociais e sua voz ecoa com força cada vez mais saliente. Essa conquista de espaços na sociedade, no entanto, não conseguiu eliminar discriminação e injustiças fartamente identificadas nas desigualdades de gênero.

Embora a reconhecida ascensão profissional, a mulher ainda ganha, mesmo que desempenhando atividades iguais, um terço a menos que o homem; se, de um lado, ocupa postos importantes na hierarquia econômica e política, de outro sofre na condição de vítima do tráfico humano e da exploração sexual; enquanto aumenta o número de famílias sob o comando feminino, disparam os índices de violência contra a mulher, em mais de dois terços dos casos praticada dentro de casa.

Nesse quadro, a mulher brasileira consegue detectar com nitidez o que mais a atormenta. E não é o desemprego, nem a baixa remuneração nem a exploração - nem as exigências com a educação do filho, o acúmulo de tarefas, doenças... Uma pesquisa inédita, encomendada pelo Instituto Patrícia Galvão ao Ibope, com o apoio da Fundação Ford, apurou que a maior preocupação da mulher na atualidade é a violência que sofre dentro e fora de casa. Essa resposta foi dada por 30% dos homens e mulheres entrevistados. O percentual lidera uma relação em que aparecem também problemas como câncer de mama e de útero (17%), Aids (10%), igualdade de salários com os homens (9%) e participação na política (2%). A violência, portanto, preocupa mais do que doenças que podem levar à morte.

O Ibope ouviu, em setembro do ano passado, 2002 mulheres e homens com 16 anos ou mais de 140 municípios, incluindo todas as capitais e regiões metropolitanas do país. A pesquisa revelou ainda que, para 82% dos entrevistados, "não existe nenhuma situação que justifique a agressão do homem a sua mulher". 86% deles disseram que a mulher não deve agüentar agressões em nome da estabilidade familiar e 81% fizeram o mesmo diagnóstico: o uso de bebidas é o fator que mais provoca violência contra a mulher - o segundo é o ciúme.

Contradição - O trabalho descobriu ainda que 91% dos brasileiros consideram "muito grave o fato de mulheres serem agredidas por companheiros e maridos". As mulheres são mais enfáticas (94%), mas é alto o percentual de homens que concordam com a gravidade do problema: 88%. 90% dos homens ouvidos também consideram que o agressor deveria sofrer um processo e ser encaminhado para reeducação. Chavões como "ele bate, mas ruim com ele, pior sem ele" foram rejeitados pela ampla maioria - 83% das mulheres e 76% dos homens. Mas quando o Ibope perguntou se os entrevistados concordavam ou não com o ditado "em briga de marido e mulher não se mete a colher", somente 32% disseram que discordam. "Se você acha que é uma questão importante e você rejeita, tem que meter a colher sim", avalia Jacira Melo, diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão.

O resultado da pesquisa suscita algumas dúvidas. A principal: se a quase totalidade dos entrevistados considera a violência contra a mulher muito grave, por que a violência (leia ao lado) continua aumentando? "Temos que avaliar com cautela. Mas, em primeiro lugar, está claro que o que é manifestado como idéia não se transforma em atitude", afirma Jacira ao Correio Riograndense. "É o caso do racismo no Brasil: 80% dizem que há racismo, mas 90% afirmam que não são racistas", compara.

Aparato - Um outro ângulo da análise da pesquisa é alentador. "Se 91% rejeitam, é sinal de que o conjunto da população está preparado para combater a violência contra a mulher", reforça a diretora do Instituto. "Os novos números mostram uma prontidão da sociedade brasileira para enfrentar o problema", acrescenta. Indicam também que a sociedade brasileira está ciente do problema, que já o considera crime que não pode ser tolerado.

Se fosse possível reunir todos que consideram muito grave a violência contra a mulher em um exército, a luta contra o problema seria fácil de ser vencida. Além dessa impossibilidade, há outras deficiências estruturais que invadem o campo de batalha. A começar pela falta de preparo da segurança pública. "Se uma mulher for à delegacia para denunciar agressão e no mesmo instante estiver ocorrendo outro crime, como seqüestro ou assalto, o caso da mulher vai para segundo ou terceiro plano", declara Jacira. "Mas essa violência está minando a sociedade porque está na família", argumenta.

O número de delegacias da mulher, que começaram a ser implantadas em 1985, se multiplicou e hoje são mais de 350. Desse total, no entanto, mais de 50% estão em São Paulo - milhares de municípios, inclusive capitais, não têm delegacia da mulher. "Todo o aparato jurídico, legal e judiciário deveria estar preparado para lidar com esse assunto, mas a realidade mostra que não está", conclui Jacira.

 

Medo, preconceito e impunidade do agressor deixam vítimas silenciosas

 

A mulher brasileira ainda tem muito medo de denunciar as agressões físicas e psicológicas que sofre. Estudo da Fundação Perseu Abramo concluiu que apenas um terço das mulheres admite já ter sido vítima de violência em algum momento da vida. Quando os casos são considerados graves, como ameaças com armas de fogo, 55% das mulheres pedem ajuda. Se forem vítimas de espancamento com marcas, cortes ou fraturas, 53% delas recorrem a outra pessoa - geralmente mãe, irmã ou outra mulher da família.

No Brasil, quando decidem denunciar a violência, as mulheres também enfrentam grandes dificuldades para registrar ocorrências criminais, por causa do preconceito e da discriminação da polícia e da sociedade. O registro de crimes cresceu a partir de 1985, quando foram criadas as delegacias especializadas. Já são mais de 350. O número é bastante reduzido para as necessidades, representa em média uma DP para cada 15 municípios do país e há grande concentração na Região Sudeste - mais de 60% estão em São Paulo.

Apesar de a maioria sofrer em silêncio e das dificuldades encontradas por quem busca auxílio, a última pesquisa sobre violência contra a mulher, realizada pela Fundação Perseu Abramo em 2001 apurou que 2,1 milhões de mulheres tinham sofrido espancamentos graves no país naquele ano. Isso representa, por mês, 175 mil mulheres agredidas; por dia, 5.800; por hora, 240; por minuto, 4 mulheres espancadas. Ou seja, a cada 15 segundos, uma mulher é espancada no país.

A pesquisa detectou ainda que o marido é o maior agressor, responsável por 70% das quebradeiras, 56% dos espancamentos e 53% das ameaças com armas à integridade física. Em segundo lugar aparece o ex-marido, ex-companheiro e ex-namorado como autor. O aumento da violência doméstica é conseqüência principalmente da impunidade e das penas leves imputadas ao agressor. Geralmente os homens denunciados e que vão a júri recebem penas muito leves, como trabalhos comunitários ou o pagamento de pequenas indenizações como a doação de cestas básicas, reclama.

 

Agressões são comuns em vários países

 

A guerra doméstica não é exclusividade brasileira, mas o país bem que se esforça para se manter entre os que mais registram agressões a mulheres no mundo. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 20% das mulheres são vítimas de violência física ou sexual durante a vida, na maioria das vezes dentro de casa. Para a Anistia Internacional, esse número pode chegar a 33%.

Apesar de ser signatário desde 1984 da Convenção sobre Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra a Mulher, da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil ocupava em 2002 o terceiro lugar no ranking dos países que mais espancam mulheres. Em 1992, segundo estudo da Organização dos Estados Americanos (OEA) divulgado em janeiro de 2001, mais de 205 mil agressões contra mulheres foram registradas nas Delegacias de Defesa da Mulher do país.

A violência contra a mulher no mundo encontra "justificativa", diz uma análise publicada em 1999 pelo The Johns Hopkins University School of Public Health, em normas sociais baseadas nas relações de gênero, ou seja, em regras que reforçam uma valorização diferenciada para os papéis masculino e feminino. O que muda de país para país são as razões alegadas para aprovar esse tipo de violência.

Diversas pesquisas realizadas na década passada revelaram, por exemplo, que no Brasil, Chile, Colômbia, El Salvador, Venezuela e Cingapura é comum que a violência seja aprovada socialmente quando ocorre infidelidade feminina; já no Egito, Nicarágua e Nova Zelândia, a mulher deve ser punida quando não cuida da casa e dos filhos; a recusa da mulher em ter relações sexuais é motivo de violência nesses países e também em Gana e Israel. A desobediência de uma mulher ao seu marido justifica a violência em países como Egito, Índia e Israel.

O Dossiê Violência Contra a Mulher, da Rede Feminista de Saúde, indica que nos Estados Unidos 20% das mulheres já foram agredidas fisicamente por seus parceiros. No Canadá, uma em cada quatro mulheres é vítima de violência de gênero e em Israel, 50% das mulheres árabes casadas são espancadas por seus maridos pelo menos uma vez ao ano e 25% delas, uma vez a cada seis meses.

 

Álcool é apontado como maior causa

 

O fator que mais provoca violência contra a mulher é o uso de bebidas alcoólicas. Assim pensam 81% dos 2002 homens e mulheres entrevistados pelo Ibope na pesquisa encomendada pelo Instituto Patrícia Galvão. Em segundo lugar, apontado por 63% (respostas múltiplas) aparecem as situações de ciúmes em relação à companheira ou mulher. Também foram relacionadas questões econômicas, como desemprego (37%) e problemas com dinheiro (31%) e eventual falta de comida em casa (13%) e dificuldades no trabalho (14%). São citados ainda problemas familiares (18%), recusa da mulher em fazer sexo (16%), desobediência da mulher (16%) e gravidez (4%).

As respostas mudam bastante quando é feita uma classificação dos entrevistados por situação econômica. Entre os pertencentes às classes mais abastadas (A e B), os problemas com dinheiro são apontados como causa de violência contra a mulher por 41% dos consultados. Já entre os que estão nas classes mais pobres (D e E), apenas 25% apontam este motivo. Entre esses a "desobediência da mulher" é mais citada (19%) do que entre os ricos (8%). O desemprego é indicado como causa por 41% dos ricos (A e B) e por 34% dos mais pobres (D e E).

 

Filhos do casal são os mais afetados

 

Em todos os segmentos representados na pesquisa do Ibope, a opinião predominante é de que os filhos do casal que presenciam agressões são os que mais perdem nas situações de violência doméstica. Assim pensam 63% dos entrevistados. Para 14% das mulheres ouvidas, são elas as mais prejudicadas e para 16% dos homens, são eles. Estes números sugerem, segundo a diretora do Instituto Patrícia Galvão, Jacira Melo, que todos perdem quando há violência em casa. "Trata-se de um flagelo e uma epidemia que atinge a todos".

Foi a mensagem de que todos perdem com a violência contra a mulher que a campanha lançada em novembro do de 2004, por ocasião do Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres (25), tentou passar. A campanha, segundo Jacira, volta a ser veiculada para marcar o Dia Internacional da Mulher, 8 de março. Nesse dia, em março de 1857, em Nova York, 130 mulheres foram queimadas em uma fábrica de tecidos. Elas protestavam porque recebiam apenas um terço do salário dos homens, mesmo trabalhando 16 horas/dia. Em 1910, na Dinamarca, uma conferência internacional decidiu estabelecer a data como Dia Internacional das Mulheres, em homenagem às operárias americanas.

 

Igreja

Basílica de Fátima perde memória viva

Irmã Lúcia era última depositária das profecias de Nossa Senhora

 

No dia 20 de março, irmã Maria Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado completaria 98 anos. Mas Lúcia, como o mundo católico conhecia a irmã carmelita, morreu algumas semanas antes - no dia 13 de fevereiro de 2005, aos 97 anos. Com sua morte - "ocorrida serenamente, como a chama de uma vela", segundo relato da médica Branca Paul, que cuidou de sua saúde nos últimos 14 anos -, depois de passar uma longa vida de clausura, chega ao fim a memória viva das aparições de Fátima.

"É um momento de grande tristeza porque Fátima, que certamente permanecerá como uma grande tradição da Igreja, perde o testemunho simples e direto de sua última protagonista. Agora cabe a nós manter e consolidar esta sua grande mensagem de fé", disse o cardeal José Policarpo, patriarca de Lisboa, Portugal.

"Morreu a nossa santa", disseram os milhares de pessoas que acompanharam seu funeral e lhe prestaram as últimas homenagens em Coimbra. Não há dúvida que a veneração popular colocará irmã Lúcia ao lado dos beatos Francisco e Jacinta Marto, os outros dois videntes que a partir de 13 de maio de 1917 viram Nossa Senhora diversas vezes na Cova da Iria, freguesia de Fátima, na Vila Nova de Ourém, em Portugal.

Francisco e Jacinta foram beatificados no dia 13 de maio de 2000. O cardeal português José Saraiva Martins, prefeito para as Causas dos Santos destaca que é muito cedo falar sobre a beatificação de irmã Lúcia. "O fato de ela ter visto Nossa Senhora não tem nada a ver com santidade. A santidade é algo estritamente pessoal". O cardeal Martins salienta que as normas jurídicas atualmente em vigor prescrevem que é preciso esperar pelo menos cinco anos depois da morte para que se possa dar início a uma causa de beatificação. Porém, como já houve precedentes – e recentes – exceções, como as beatificações de Madre Teresa (a causa foi aberta dois anos depois da morte) e de João XXIII (apenas um ano após), tudo é possível.

Irmã Lúcia faleceu no Carmelo de Santa Teresa de Coimbra, onde se tornou religiosa em 1948. O corpo foi sepultado no Carmelo, onde viveu durante 57 anos. Daqui um ano, provavelmente na data de sua morte, seguindo a vontade da própria religiosa, seu corpo será transladado para o santuário de Fátima, para ficar junto aos restos mortais de seus primos Francisco e Jacinta Marto.

 

Uma vida feita de silêncio e de oração

 

A Virgem de Fátima apareceu aos três pastores seis vezes, sempre no mesmo lugar e no dia 13 de cada mês. A primeira em maio de 1917 e a última em outubro daquele ano. "Uma Senhora mais brilhante que o sol", aparecia sobre uma azinheira, com um terço branco nas mãos. Na última, quando cerca de 70 mil pessoas estavam na Cova da Iria, anunciou que era a "Senhora do Rosário", que rezassem muito e que construíssem no local uma capela em sua honra.

Deixou um sinal aos presentes - fez o sol girar sobre si mesmo como uma roda de fogo, como se fosse cair sobre a terra. Francisco morreu em 1919 e Jacinta em 1920. Lúcia decidiu ser religiosa de Santa Dorotéia e em 1934 fez os votos perpétuos na Espanha. Em 1948 transferiu-se para Coimbra, ingressando no Carmelo de Santa Teresa. Dedicou sua vida à oração no silêncio do mosteiro. Seu trabalho manual era fazer terços, milhares, inclusive com pedaços do muro de Berlim. Escreveu três livros e respondia milhares de cartas, que recebia de todo mundo.

 

Visões revelam tragédias do século XX

 

Segundo a Igreja, irmã Lúcia era a depositária das profecias mais importantes reveladas por Nossa Senhora para o século XX. Nas aparições de 1917, foram revelados aos pastores três segredos. Dois foram contados por Lúcia em cartas escritas entre 1936 e 1941. A primeira mensagem revela a visão do inferno. Lúcia escreve que a Virgem mostrou um mar de fogo, interpretado por muitos como o fim da 1ª Guerra Mundial e as explosões nucleares da 2ª Grande Guerra.

O segundo segredo estaria relacionado à ascensão e ao fim do comunismo e à conversão da Rússia ao catolicismo, além de sua consagração ao coração imaculado de Maria - feita por João Paulo II em 1984.

O terceiro segredo foi revelado no ano 2000. Numa carta de 52 linhas, irmã Lúcia descreve a visão de um bispo vestido de branco que reza por todos os fiéis e caminha até uma grande cruz, entre corpos martirizados. De joelhos aos pés dessa cruz, cai como morto, atingido por disparos de arma de fogo. Essa mensagem foi associada ao atentado sofrido por João Paulo II no dia 13 de maio de 1981, quando o turco Ali Agca feriu gravemente o Papa na Praça de São Pedro. A recuperação foi considerada um milagre.

 

Amizade espiritual unia Papa e irmã Lúcia

 

O Papa João Paulo II sempre teve a convicção que deve a Nossa Senhora de Fátima a própria vida. Uma das balas que quase lhe tirou a vida está colocada na coroa da imagem de Nossa Senhora, no santuário de Fátima. João Paulo II esteve três vezes em Fátima e, nas três vezes, encontrou-se com irmã Lúcia. O primeiro encontro teve lugar exatamente um ano depois do atentado na Praça de São Pedro. Nessa ocasião, o Papa foi a Fátima para agradecer a Virgem por ter-lhe preservado a vida.

A segunda vez que o Papa falou com a irmã carmelita foi em 1991, no décimo aniversário do atentado e a última foi no dia 13 de maio de 2000, durante a beatificação dos pastorinhos Jacinta e Francisco. Nesse dia, foi lido um texto relativo ao terceiro segredo, que seria revelado no mês seguinte.

 

Mídia em mãos erradas

Padre Zezinho

Um bom ladrão com uma boa mídia vira santo

 

Inventou de apossar-se do cavalo de um amigo. Foi lá, pegou o cavalo, amansou e saiu por aí dizendo que era dele. Acontece que havia testemunhas e o cavalo tinha uma marca. Pego de surpresa – por achar que tinha apagado todos os vestígios -, teve que devolver o animal, com a ameaça do juiz de prendê-lo, se voltasse a tocar naquele cavalo.

Magoado por ter perdido o cavalo, passou a espalhar que o vizinho era um sujeito desequilibrado, que era homossexual, que lhe roubara o cavalo. Mais: que o vizinho tinha extensa ficha na polícia da cidade onde vivera. Tudo mentira! Mas colou, porque muitos amigos do sujeito mau-caráter passaram a não cumprimentar o vizinho e até a chamá-lo de ladrão.

A vida foi se tornando difícil para o vizinho honesto que tão somente se valera do seu direito de pedir de volta o cavalo que era dele. Acontece que o mau-caráter sabia fazer marketing e usar da mídia e o sujeito honesto, não.

Existem pessoas tão más que são capazes de roubar e depois posar de vítimas, e ainda por cima, passar a idéia de que ladrão é quem tomou de volta a mercadoria que ele roubara. A mídia é capaz de coisas incríveis. Um bom ladrão com uma boa mídia vira santo, e um santo com uma mídia contrária vira bandido e demônio. Daí a importância de preparar gente honesta para atuar na mídia.

 

Caxias dinamiza Romaria do Trabalhador

A 10ª edição do evento será realizada na Serra gaúcha, dia 1º de maio

 

A 10ª Romaria do Trabalhador e da Trabalhadora, que será realizada no dia 1º de maio nos pavilhões da Festa da Uva, em Caxias do Sul, acelera o seu ritmo, intensificando os preparativos para o evento e o processo de divulgação e ampliando as discussões através de encontros para formação de equipes, definição da programação etc.

Visando a romaria, no dia 2 de abril realiza-se, no Centro de Pastoral da diocese, o Fórum Estadual, das 8h30 às 16 horas. O encontro será assessorado pelo padre jesuíta Inácio Neutzling, onde conhecimento, troca de experiências, aprofundamento e buscas de alternativas darão a tônica ao debate do tema. "Faz parte do processo da romaria a articulação das forças sociais e, para tanto, desenvolve-se o diálogo com movimentos sindicais e sociais, no sentido de tornar esse evento um ato único de todas as forças de luta do povo", salienta padre Gilnei Fronza, um dos coordenadores da romaria.

O conteúdo da 10ª Romaria está ligado à 4ª Semana Social Brasileira com os temas "O Estado e seu papel na transformação da sociedade; A dívida externa, FMI e Alca; Forças sociais, resistência e organização; Precarização do trabalho, migrações e exclusão social; e Crise de sustentabilidade e direitos humanos". Os temas serão enriquecidos e iluminados pelo Ensino Social da Igreja e o compromisso cristão diante dessa realidade, destaca padre Gilnei.

A romaria tem como tema "Trabalho, fonte de dignidade, direito de todos!". É realizada de dois em dois anos em uma das 17 dioceses do Rio Grande do Sul. A primeira ocorreu no dia 12 de outubro de 1987, no Conjunto Habitacional Guajuviras, em Canoas. As seguintes passaram a ser realizadas no dia 1º de maio. Caxias do Sul sediou a terceira, em 1991.

Ensino Social – Nos dias 19 e 20 de março inicia a segunda edição da Escola de Formação Fé, Política e Trabalho, em parceria com a Unisinos, realizada no Centro Diocesano de Formação Pastoral da diocese de Caxias do Sul. "A meta é elaborar uma reflexão capaz de auxiliar as lideranças que atuam no mundo da política e contribuir para entender as mudanças no mundo do trabalho, objetivo da 10ª Romaria do Trabalhador e da Trabalhadora", relata padre Gilnei Fronza.

A escola terá duas turmas. A primeira, dos iniciantes, será de dez etapas, sempre no terceiro final de semana de cada mês, com assessores que são referência na reflexão e análise da realidade local e global. A segunda turma, a dos que já iniciaram a escola, será de cinco etapas a cada dois meses. Informações sobre a Escola e sobre a 10ª Romaria no Centro de Pastoral pelo telefone (54) 211.5032.

 

Frei Adão celebra 80 anos

 

Frei Adão Urbano Koakoski, que atualmente trabalha na tradução de cartas em polonês de frei Alberto Stawinski e reside no convento São Maximiliano Kolbe, Desvio Rizzo, Caxias do Sul, celebrou, no dia 20 de fevereiro, 80 anos de existência e 65 de vida religiosa. Para recordar a data, frei Adão reuniu confrades, familiares e amigos em Vista Alegre do Prata (RS), sua terra natal. Participaram da missa de ação de graças os freis Clemente Dotti e Juvêncio Angonese e o pároco de Vista Alegre, padre Sérgio Nicoletti. Frei Adão nasceu aos 19 de dezembro de 1924 e foi ordenado sacerdote no dia 16 de julho de 1950.

Na ocasião, também festejaram 50 anos de vida religiosa suas irmãs Marilúcia, Helena e Terezinha Koakoski, da Congregação Imaculado Coração de Maria. Marilúcia atua há 25 anos em Taipu (RN); Helena trabalha na diocese de Santa Cruz do Sul; e Terezinha, que foi duas vezes provincial da congregação, atualmente está em Santa Maria.

 

Museu sacro caxiense vira atração turística

 

O Museu de Artes Sacras, instalado no Monumento Jesus Terceiro Milênio, próximo aos pavilhões da Festa da Uva de Caxias do Sul, pode ser visitado gratuitamente pelas pessoas interessadas. Construído pela empresa Festa da Uva, com apoio da prefeitura, o museu abriga centenas de peças raras. Denominado Memorial Atelier Zambelli, o museu é mais um ponto turístico para Caxias do Sul. A visitação pode ser feita de terça a sexta-feira, das 14 às 18 horas e aos sábados e domingos, das 14 às 19 horas. Nesta semana, em razão do Rodeio, as visitas estão suspensas, mas retornam à normalidade a partir de 15 de março.

 

Estou de passagem

Aldo Colombo

Somos livres para escolher o que plantamos, mas não somos livres para colher o que plantamos

 

Um turista norte-americano deslocou-se para o fundo da Ásia para visitar um famoso sábio. O turista ficou surpreso ao ver que o sábio morava num quarto muito pequeno e simples, cheio de livros. As únicas peças da mobília eram uma cama, uma mesa e um banco. Onde estão os seus móveis? - quis saber o turista. E o sábio respondeu com outra pergunta: e onde estão os seus? Os meus? surpreendeu-se o turista - mas eu estou aqui só de passagem! Eu também, concluiu o sábio.

Cada um de nós - escrito ou não - tem um projeto de vida. E vamos conduzindo nossas atividades e nosso ser de acordo com esse projeto. Isto significa uma escala de valores. Há coisas que consideramos sem importância, outras catalogamos como importantes e, finalmente, uma delas como sendo a mais importante. É o que chamamos prioridade número um. Há quem coloque no topo de sua escala de valores o dinheiro, outros preferem o prazer, a glória, um clube de futebol... Há os que escolhem a ciência, outros optam pela família ou por uma causa humanitária. É o que chamamos de ideal em nossas vidas.

À medida que o tempo passa, muitos acabam mudando suas prioridades. Em vez do prazer, escolhem a saúde, em vez do trabalho optam pela família.

Outros seguem um caminho inverso: do trabalho passam à bebida; em vez dos prazeres da mesa, elegem a depressão e o pessimismo. É a tentativa, sempre renovada, para ser feliz. Algumas de nossas metas nos desencantam e por isso precisam ser mudadas. Escolhemos outras áreas onde, presumivelmente, seremos mais felizes. Ou simplesmente desistimos.

Um antigo provérbio chinês garante: somos livres para escolher o que plantamos, mas não somos livres para colher o que plantamos. É a lógica que faz passar da causa para a conseqüência. Aquilo que semeamos, colheremos. A vida não é um jogo onde entram a sorte e o azar. É um processo continuado e lógico. E não adianta culpar os outros, nós somos responsáveis por esse processo.

Mas a vida não é uma fatalidade. Podemos mudar. Isso depende de nossa decisão. A cada dia temos de decidir. Decidimos se queremos continuar como somos ou se mudamos. É sempre tempo de mudar, aos 20 ou aos 80 anos. O chamado bom ladrão mudou nos últimos 15 minutos da vida. Ninguém pode voltar atrás e fazer um novo começo, mas qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.

Não é inteligente amontoar muitas coisas na vida. Precisamos de tão pouco e estamos de passagem. Não podemos esquecer de ser felizes agora e de construir um projeto definitivo de felicidade. Estamos de passagem e precisamos preparar nosso destino definitivo.

 

Leigos difundem carisma murialdino

Instituto fundado em Caxias do Sul expande missão além-fronteiras

 

No dia 18 de maio próximo completa 15 anos de fundação um instituto que tem suas origens em Caxias do Sul, mas ainda é pouco conhecido pelos católicos. É o Instituto Secular Murialdo (Ismur), fundado por Moema Muricy, que tem como carisma "testemunhar, no mundo, o amor misericordioso de Deus como fermento evangélico, especialmente aos jovens pobres e aos mais oprimidos".

O Instituto é ligado à Família de Murialdo – formada pelos Padres Josefinos, Irmãs Murialdinas de São José, Leigos Amigos de Murialdo e Instituto Secular Murialdo, os quatro autônomos, mas todos agindo em torno do mesmo carisma murialdino de servir os mais necessitados, especialmente os jovens carentes. O Ismur se caracteriza por congregar leigas consagradas que dão testemunho de vida cristã num mundo secularizado e atuam em seu trabalho e vida social como fermento evangélico para transformar a realidade, especialmente em favor da inclusão social.

"A consagrada secular não difere externamente de uma pessoa leiga. Vive de seu próprio salário, em sua casa e faz da profissão sua ação primeira de missão", explica a fundadora. "O Ismur é uma riqueza em franco crescimento. É importante porque seus membros vivem o carisma murialdino de uma forma diferente, no meio do povo, no dia-a-dia", completa o provincial dos josefinos, padre Geraldo Boniatti.

Atualmente, o Instituto conta com 60 membros, presentes em três Estados brasileiros (Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo), no Chile, Equador, Argentina, México e Itália. Neste ano, o número de integrantes consagradas – que fazem os votos de pobreza, obediência e castidade – deverá chegar a 35. O número é animador, diz Moema, mas há ainda uma boa caminhada para que se chegue a 40 consagradas, número necessário para a aprovação do Ismur pelo Vaticano. Com a colaboração de seus membros, o Ismur adquiriu dois terrenos no bairro Jardim Iracema para a construção de uma obra que vai atender adolescentes fora do horário escolar e também servirá para encontros espirituais. Interessadas em saber mais sobre o Instituto podem manter contato com Moema Muricy pelo telefone (54) 223.3070, e-mail: moema@bitcom.com.br

 

Coner promove encontro sobre CF-2005

 

No dia 14 de março, o Conselho de Ensino Religioso (Coner) da Seccional de Caxias do Sul e a Coordenação Diocesana de Ensino Religioso promovem encontro com os professores das escolas públicas e particulares caxienses sobre a Campanha da Fraternidade de 2005. O evento será realizado na Igreja Metodista (av. Júlio de Castilhos, em frente ao Hospital Pompéia), motivado pelo tema "Educar para a paz".

E a partir das 19h15, no Colégio São Carlos, haverá datashow, com objetivo de divulgar a CF-2005, teatro com a peça "Morte e vida Severina", palestra e, no final, lançamento da campanha "Troque sua arma de brinquedo por um livro", que será desenvolvida nas escolas durante o período da Quaresma, explica Moema Muricy, presidente do Coner.

 

Jovem consagra vida em definitivo a Deus

 

Irmã Sandra Benincá Recktenwald, filha de Elida e João Recktenwald, realiza sua consagração religiosa definitiva na Congregação das Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora. A celebração será na paróquia Santa Isabel da Hungria, de Três Arroios (RS), no domingo, 13 de março de 2005, às 9h30. A partir desta quinta, 10, será realizada uma visita de animação vocacional em todas as comunidades da paróquia. Três Arroios é o berço da Província Imaculada Conceição, à qual irmã Sandra está integrada. Como lema para esta nova etapa da vida, Sandra escolheu "Vai... e não temas, pois contigo estou!".

 

Fatos e reações

Wilson João

Cada fato é uma aula de humanidade. Faz refletir, cria reações, faz tomar atitudes

 

Não são os fatos que nos mudam, mas nossa reação perante eles. Os fatos como tais são indiferentes. Perante um mesmo fato cada pessoa tem reação própria, dependendo de sua visão de vida, de sua formação, de seu estudo e, acima de tudo, de seu mundo emocional. Não é tanto o fato em mim que mexe, mas minha presença no fato.

O FATO TEM POR SI MESMO UM ROSTO. É a fome, a dor, o sofrimento. É a pessoa deficiente. É a pessoa bela em seu corpo. Um acidente acontece. A morte acontece. É a guerra. É a violência. É o soldado com arma na mão. É o rezador com a cruz na mão. É a briga. É o beijo. É o desprezo. É o gesto da caridade. Cada fato tem seu rosto. É visto. É constatado. Acontece no tempo e no espaço. É de dia e hora marcada. É o fato da rua, do prédio, do bar, da roça, do trabalho, do lazer. Há um rosto objetivo em cada fato.

O FATO TEM UM CORAÇÃO. É a causa. É o porquê do fato. Nada acontece por acaso. Nada é determinado. Não existe o determinismo. Em cada fato há uma causa motivadora. É ignorância dizer: "era para acontecer mesmo...", "estava marcado", "estava escrito". Não existe o destino traçado. Cada pessoa faz seu destino. Até os seres não pensantes fazem seu destino. Por isso, em cada fato há uma causa, uma circunstância desencadeadora. É preciso ir ao coração do fato. Ver a causa. Não permanecer com a consciência ingênua e simplesmente dizer: "aconteceu".

SER ALUNO DO FATO. Ali está o segredo. Nossa sociedade está muito mal porque não aprende dos fatos. É uma sociedade adolescente. Dá cabeçadas e não aprende. Cada fato é uma aula de humanidade. Faz refletir. Cria reações. Faz tomar atitudes. Ao lado do analfabetismo político e religioso está o analfabetismo que cria o indiferentismo e a frieza diante dos fatos. A morte pela fome fere nossos olhos, e nosso coração continua frio. Cada um continua com o que tem e vivendo burguesmente sua vida sem acolher a lição que seus olhos viram. Aprender dos fatos é criar reações. É reagir e agir. É tomar posição. É ser como o samaritano que fala a Bíblia. Viu, parou, olhou, se perguntou, reagiu e agiu. E o assaltado recebeu a solução. Outras pessoas viram o mesmo fato e continuaram frias na vida, sem reação e sem ação. Um homem, mestre da sensibilidade e da misericórdia, olhou para a humanidade, sentiu sua dor e descaminho, entrou no caminho dessa mesma humanidade, se fez caminho e transformou a dor em amor. Ele, olhando nos olhos de cada criatura humana, continua dizendo: "faça sua parte, eu já fiz a minha!"

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (299)

Le catatumbe e la stòria dei cristiani de Roma

Rafael Baldissera

Professor, Curitiba - PR

 

Ghemo ciapà l’ònibus e semo ndai fora de Roma, ghemo ciapà la Via Àpia, na strada fata pai Romani e coerta de grandi sassi, e semo passadi par na capela con sta scrission: "QUO VADIS". Claudio Coen el domanda: "Cossa vol dir sta scrission"?

- Na volta, dise Edilson, San Piero, stufo de esser messo in prision, el ga volesto scampar via de Roma. Quando el gera drio percorer la Via Àpia, el ga visto Gesù che’l vegnea ntea so diression. Lora San Piero el ghe domanda: Quo vadis, Domine? Ndove ndeo, Signore? E Gesù el ghe ga rispondesto: "Mi vao a Roma par esser crossificà nantra volta." San Piero el ga capio la indireta e l’è tornà indrio. Lora, par ricordar sto fato, i cristiani i ga costruio sta ceseta, te quel posto. Dopo Edilson el contìnua:

- Ghin gera arquante Catatumbe: quela de Domitila, quea de San Calisto, quea de San Sebastian, de Santa Agnese e quea de Prissila. Dopo sècoli de sbandono, le ze stae riscoperte nel sècolo XVI.

- Ma ndaremo veder tute ste cacacombe?, domanda Nanetto.

- Ca-ta-tum-be, Nanetto! Noantri ndemo veder sol quea de San Calisto, risponde Edilson. Eco, semo rivai. Meté su la giacheta o el polover, parché là basso fa tanto fredo. Tea porta, ghe ze un prete Salesiano che sarà la nostra guida.

Tuti i se saluda. El prete el racomanda de ndar sempre insieme e no lontanarse, par no pèrderse. Semo ndai rento. Che fredo! El ze un labirinto de strade. El prete el spiega:

- La tera la ze na spèssie de turfa o de carbon de pianta. Ma, dove el tereno no’l ofre securessa, i ga fato muro de matoni, colone e sofiti de matoni. Le catatumbe de San Calisto le se stende par pi o meno 20 chilòmetri. Le ze stà mandae scavar pal Papa Calisto III e le se ga diventà el sepolcro ofissial dei veschi de Roma. I ze 4 piani che i forma la Cripta dei Papi, con bele decorassion.

Nanetto, romai col quaderno squasi pien, el domanda:

- Cossa rapreséntala sta stàtoa de chea tosa lì butada do te quel nìcio?

- La zera na tosa cristiana, dise el prete, che la ze stà martirisada par òrdine del Imperador, parché no la volea sbandonar la fede in Gesù. El so corpo l’è stà scoerto con na man mostrando tre dei e col altra mostrando un deo. El saria stà un ato de fede: la credea in tre persone dea Santìssima Trinità, formando un solo Dio. Lora i ga fato na stàtoa de marmo rapresentando Santa Cecìlia cossì.

- Ma, come i fea respirar qua soto?, domanda Nanetto.

- Ah! Ghe ze respiri in forma de camin o de fumariol, par ndar rento e vegner fora el ària, ris-ponde el prete. E, come vedé, ze stà istalada la iluminassion elètrica tee Catatumbe. Se pol vegner rento sol co na guida, sinò se se perde.

In sto momento, el prete el ga riunio el grupo te na saleta, e el ga pregà un Pater Noster. Co semo rivai fora, fea un gran caldo.

 

VITA STÒRIA E FRÒTOLE

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

Una nona moderna

 

Dopo la unificassion del’Itàlia, sucedesta in 1870, riva un tempo de tanta carestia, misèria e malatie. Poco se gavea de magnar. Bisognea laorar come mati par veder un bocon de polenta. Nel inverno, i póveri no i gavea nè legna nè carbon e poche robe par scaldarse. Questi afari i gera lussi sol dei siori.

Par scampar de tante magagne e tribulassion, me nona, nassesta nel 1886, la ze vegnesta al Brasile insieme con so pare, so mare e un fradel pi vècio. I gavea sentio dir che qua se guadagnea un bel toco de tera, ndove tuta la fameia podea laorar e mantégnerse come i siori del Itàlia. Legna per l’inverno no ghin manchea e sempre se gavea qualche osso per rosegar.

I ze rivai insieme con tante altre persone a Garibaldi, che a quel tempo se ciamea Conde d’Eu, nel ano de 1891. I ze restai lì poco tempo, dopo i ze ndai a Relvado, un pìcolo posto del paese de Encantado, ndove le tere le gera più bone e nove.

In questo paeseto, la nona la se ga catà el moroso Max Witt, che l’era un tedesco protestante, lora par maridarse ze stà tuto un afar, parché bisognea domandarghe permesso al vesco.

Mi me ricordo de la nona, quando la zera veciota, sempre con un cotolon longo e negro, coi cavei bianchi, sempre drio brontolar. La gavea el costume strambo de rosegar tuto el di na grosta de pan, la parea sempre morta de fame.

Mi, un tosatel de sei o sete ani, vardea la nona e no gera bon de capir na cosa. Tuti i ndea, anca la nona, laorar in colònia, o far i mistieri de casa, come molder le vache, goernar i porchi, sarar de galine. E l’è lì che vien el mistero. Quando se gavea de far i bisogni, tuti i serchea un postesel sconto. La nona nò, ela la fea pròpio lì ndove la gera. La verdea un poco le gambe, la alsea un pochetin el vesti, e la pissea volentieri.

Vardando quel mistier, mi pensea che la gavea bagnà le braghete. Son restà curioso par saver come la gera pròpio. Lora, un giorno, me go postà soto un pontesel, fato de tole con le sfese larghete, che ghe gera tra la casa e la cosina.

Me ga tocà spetar una mesa oreta fin che la nona la passesse. L’è gnanca da creder, l’è stà un vero spavento, la nona no la gavea su le braghete e, sacramegna, se podea veder sol na brancheta de pei bianchi, come i cavei dela testa.

Sol lora go capio la stòria de la nona: no la doparea braghete. Par mi l’è stà na gran novità. Intanto el mistero el se gavea finio. Ma i conta che nei giorni de incó, in certi posti, le veciote le fa ncora così. (Testo de Silvino Santin, stòria contada par Neuton Antonio Pasin nel corso de Talian dela Associassione Italiana de Santa Maria, 2003).

 

Baùchi e ladri

Rafael Baldissera

Professor, Curitiba – PR

 

Un ciucheton l’è ndà rento tel ònibus pien, el va fin el cobrador e el ghe osa:

- Daquà fin al fondo i zé tuti baùchi, e daquà indrio i ze tuti ladri.

El sofero l’è restà cativo come na brespa co l’agression del ciuco e el ga dà na frenada de colpo che i passagieri i se ga imucià un sora l’altro. El se scusa co tuti e al ciuco el ghe dise in tono de sfida:

- Vien quà e dime chi ze baùchi e chi ze ladri? Fiol d’un can che te si!

E el ciuco:

- Come posso saver... adesso che te ghè imucià su tuti!

 

GERAL

Programa contempla 68 entidades sociais

Lar São Francisco recebe R$ 25 mil

 

O programa a Nota é Minha entregou recursos a 68 entidades de sete municípios da Serra. Eles receberão um total de R$ 259,2 mil do governo estadual. Caxias do Sul foi contemplado com R$ 143,9 mil, com destaque para o Lar da Velhice São Francisco de Assis, que recebe R$ 25 mil.

O dinheiro foi repassado pelo chefe da Casa Civil, Alberto Oliveira, e o secretário da Educação, José Fortunati, na sexta-feira, 4. A primeira-dama, Claudia Rigotto, representou o governador no evento. Já Garibaldi foi contemplado com R$ 33,3 mil, com destaque para o Instituto Estadual de Educação Professora Irmã Teofânia, que recebe R$ 19,8 mil. A microrregião de Veranópolis foi beneficiada com R$ 69 mil.

 

UPF em Lagoa Vermelha

 

Deve ser inaugurado em maio o campus da Universidade de Passo Fundo, em Lagoa Vermelha. Os trabalhos iniciaram em julho do ano passado. O investimento da UPF é de R$ 2,5 milhões. O projeto, nesta primeira fase, tem 2852 m² de área construída, com 18 salas de aula e outras áreas. "A estrutura será utilizada também para cursos profissionalizantes", acrescenta o prefeito Moacir Volpato.

 

Aberta festa da imigração

Nova Milano recebeu autoridades com shows e culinária típica

 

O governador Germano Rigotto, o embaixador da Itália no Brasil, Michele Valensise, e o cônsul-geral da Itália no Estado, Mário Panaro, abriram oficialmente os festejos dos 130 anos da imigração italiana no Rio Grande do Sul. A solenidade foi realizada no último dia 5 na localidade de Nova Milano, em Farroupilha. Rigotto, Valensise e o prefeito de Farroupilha, Bolívar Antonio Pasqual, acenderam o Fogo Simbólico da Imigração, que assinala a presença dos italianos no Estado.

A comemoração contou com desfile de delegações das 44 cidades da região. Cada comunidade recebeu uma centelha para ser levada ao seu município de origem. O evento também teve apresentação da Banda Cinqüentenário, solo do tenor Dirceu Pastori, exposição de artesanato e culinária e apresentação cênica com o tema "Imigrante Italiano - uma Vida de Vitórias".

O local da abertura foi escolhido em função das famílias Crippa, Radaelli e Sperafico, da região da Lombardia, que em 1875 se instalaram em Nova Milano e constituíram em solo gaúcho o primeiro núcleo de colonização. A organização foi da Secretaria da Educação, Cultura e Desportos de Farroupilha e do Comitê Executivo Estadual da Etnia Italiana.

 

UCS integra eventos alusivos aos 130 anos

 

A Universidade de Caxias do Sul (UCS), integrada às comemorações dos 130 anos da Imigração Italiana no RS, apóia dia 10 o concerto com a Orquestra Sinfônica da própria UCS. A orquestra interpretará, no UCS Teatro, às 20h, obras de compositores italianos. Participam também os coros da Ospa, da Catedral Santa Teresa e Municipal de Caxias do Sul. A promoção é do Consulado Geral da Itália em Porto Alegre.

 

Chocofest abre no dia 11 com 40 expositores

 

O Festival Nacional do Chocolate, Doces e Balas será realizado de 11 a 27 de março, em Canela, com mais de 40 expositores no Centro de Feiras. Os desfiles alegóricos estão programados para o dia 11, às 17h30; e dias 12, 19 e 26, às 16 horas.

O Chocofest abre de terças a sextas-feiras, das 14 às 20 horas, e nos finais de semana e feriados, das 10 às 20 horas. Os ingressos custam R$ 7,00 para adultos e R$ 6,00 para crianças de um a dez anos. Há preços promocionais para grupos de escolas e terceira idade (informações pelo telefone 54-286-2681). A decoração deste ano é baseada em Cinderella.