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Edição 4.928 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 16 de março de 2005.
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Preservar valores é uma forma de agradecimento
O legado da imigração italiana está em todos os campos de atividade, e também nos exemplos de solidariedade e de ética
Nenhum jornal viveu tão intensamente e por tanto tempo a história da imigração italiana no Rio Grande do Sul como o Correio Riograndense. Desde 1909, quando foi fundado, este jornal sempre manteve um relacionamento estreito com os pioneiros e seus descendentes, acompanhando-os aqui no Estado ou seguindo os que se deslocaram no mapa brasileiro em busca de terras, ampliando as fronteiras agrícolas até o Norte do país.
É também por isso que o CR publica, mais de dois meses antes da data em que se comemora oficialmente a chegada dos italianos, em 20 de maio, um caderno especial sobre os 130 anos da grande imigração italiana no extremo sul do Brasil. Texto dos professores e pesquisadores Luis Alberto De Boni e Rovílio Costa explica as razões que trouxeram mais de 100 mil italianos ao solo gaúcho, as dificuldades que foram obrigados a enfrentar e como eles começaram a percorrer a estrada que conduziu à concretização do sonho de uma nova vida.
O Correio Riograndense quer marcar ainda os 130 anos com a divulgação, em pelo menos uma edição por mês até dezembro, de matéria especial sobre a imigração italiana. Integra ainda o projeto alusivo à data a publicação de artigos escritos por descendentes de imigrantes ou por pessoas ligadas a eles, revelando como vivem e sentem sua etnicidade. "O Italiano que está em você", iniciativa editorial de frei Rovílio Costa divulgada em parceria entre o CR e a Revista Insieme, de Curitiba (PR), ganhará espaço em todas as edições até o final deste ano.
Os imigrantes italianos tiveram uma grande influência na formação da identidade sul-rio-grandense. O seu legado de valores é uma marca destacada na sociedade deste Estado, pelos exemplos de solidariedade e ética, pelo empreendedorismo e criatividade no campo econômico, pela força cultural, pelo apego à religiosidade... É importante que esses valores continuem bem vivos na memória dos gaúchos e dos brasileiros. No mínimo, como forma de agradecimento.
Vertentes do interior estão secando
Mais de 500 famílias de agricultores caxienses não têm água para beber
O drama da falta de água para consumo humano, realidade há semanas em dezenas de municípios gaúchos, chegou também ao interior de Caxias do Sul. O primeiro levantamento realizado com o objetivo de apurar a extensão do problema apontou números preocupantes. Segundo o secretário municipal da Agricultura, Nestor Pistorello, já são mais de 500 famílias de produtores rurais que não possuem água para consumo próprio em suas propriedades.
"Eles estão buscando água nos vizinhos ou sendo abastecidos por carros-pipa do Samae (Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgotos)", afirmou Pistorello na sexta 11. "Amenizei a situação com um caminhão de água", confirmou no mesmo dia João Spadari, de Beviláqua. Dono de duas propriedades rurais, em uma delas Spadari diz que as fontes e poços que abasteciam a casa onde fica empregado e família secaram. "Ainda tenho alternativa para os animais, em outra área, mas não sei até quando".
"Já não sei mais se a maior preocupação dos agricultores é com a perda da produção ou com a falta de água para eles e suas famílias". A dúvida é do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Caxias do Sul, Raimundo Bampi. Segundo ele, há falta de água para consumo humano em várias localidades - Pinhal, 6ª Légua, Santa Lúcia do Piaí... "Não lembro de situação igual", reforça.
O quadro gerado pela estiagem levou o prefeito José Ivo Sartori e promover reunião com secretários, Emater, Defesa Civil e sindicatos rurais. Um grupo de trabalho está elaborando diagnóstico sobre a situação, envolvendo ainda prejuízos na agricultura, que norteará as ações. Não está descartada a decretação de emergência no município ou em parte dele. A chuva que iniciou domingo, segundo o secretário Pistorello, "foi boa, amenizou, mas não resolveu o problema".
Pavilhão na Ceasa-Serra está sem utilidade há dois anos
Inaugurado pelo governador gaúcho Olívio Dutra em 30 de dezembro de 2002 - o penúltimo dia de seu mandato -, o pavilhão de 2.016 metros quadrados erguido na área da Ceasa-Serra jamais pôde ser utilizado. E ninguém sabe ainda quando será.
A obra, reivindicação antiga dos produtores rurais da região, iniciou em 2001. O objetivo era ampliar o espaço destinado a agricultores e usuários da Ceasa, aumentando também o potencial desta unidade instalada em Caxias como reguladora do mercado de hortifrutigranjeiros, com espaço para mais 240 pedras.
A obra custou, em valores de 2002, R$ 344.769,25. O governo gaúcho destinou R$ 160 mil e o restante foi coberto com recursos próprios da unidade, administrada por um consórcio formado por 12 municípios da Serra - a Adcointer.
O pavilhão não pôde ser usado até agora porque não tem paredes laterais. A idéia do projeto era colocar uma lona ou material semelhante que pudesse ser erguida em dias quentes e baixada quando estivesse frio ou chovendo. Essa lona, que segundo o gerente da Ceasa-Serra Alcemir Kammler custou mais de R$ 150 mil, não resistiu e está em boa parte rasgada.
Não é apenas a proteção lateral que falta. O prédio não tem banheiro, instalações para uma necessária lancheria e um indispensável estacionamento adequado.
O secretário da Agricultura de Caxias e diretor-presidente da Adcointer, Nestor Pistorello, reúne nesta quinta, 17, representantes dos 12 municípios que integram o consórcio para uma visita ao local e para definir o que fazer com o que está sendo chamado de "elefante azul". "Precisamos de um estudo técnico sobre alternativa para fechar o prédio. Queremos colocar logo essa estrutura em funcionamento", afirmou Pistorello ao CR na semana passada.
A expectativa do presidente da Adcointer é poder reempenhar uma verba da consulta popular promovida pelo governo do Estado que deveria ter sido destinada em 2004. "São R$ 250 mil que, espero, sejam suficientes para concluir o pavilhão e outras obras de infra-estrutura necessárias".
Novo projeto da Lefan beneficia 600 jovens
A Legião Franciscana de Assistência aos Necessitados (Lefan), mantida pela Associação Literária São Boaventura, completa 40 anos em setembro. Como parte das comemorações, a entidade iniciou em 7 de março um novo projeto de promoção humana. Segundo o coordenador da Lefan, frei Jaime Bettega, a Casa dos Adolescentes, no bairro Aeroporto, atende 600 crianças e adolescentes de 7 a 14 anos. As atividades são desenvolvidas no turno inverso ao da escola.
Além de reforço escolar, eles participam de oficinas diversas, como capoeira, reciclagem de papel, informática etc. "Os jovens também recebem refeições e todo o acompanhamento para desenvolver o potencial humano como extensão das atividades escolares", destaca frei Jaime. Participam deste projeto como parceiras a empresa Meincol e Serras Franzoi.
Chuvas e verbas para amenizar a estiagem
União anuncia pacote de ações e libera R$ 1,2 bilhão para aliviar perdas no Sul
Antecipando-se às chuvas, o governo federal vai liberar R$ 1,2 bilhão, a partir deste mês, para a região Sul. Os recursos anunciados na sexta 11 pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, integram o pacote de auxílio aos milhares de agricultores castigados pela estiagem. Os prejuízos estimados na região superam os R$ 6 bilhões.
Somente a economia do Rio Grande do Sul, Estado que há 62 anos não era tão castigado pela escassez de chuva neste período, vai perder pelo menos R$ 4,4 bilhões por conta da seca. "Este é o valor que deixa de circular apenas na venda dos grãos", explica o assistente técnico da Emater, Dulphe Pinheiro Machado. A cultura mais afetada é a soja, cuja quebra já ultrapassa 61%; no milho, a perda média está em 55% e no arroz se aproxima de 13%. "As perdas computadas para as principais culturas de verão já superam a marca dos 50%", reconhece o presidente da Emater/RS, Caio Rocha.
O pacote de ações do governo inclui ainda a liberação de verbas do seguro-safra, o alongamento das dívidas com custeio e investimentos e a antecipação de crédito para custeio da safra de inverno. Do total de R$ 408 milhões reservados para recuperar parte do que foi perdido, R$ 300 milhões serão destinados ao Rio Grande do Sul. Rossetto também anunciou a antecipação dos créditos do Pronaf para a safra de inverno, somando R$ 800 milhões.
O governo federal vai assegurar recursos para cobrir os custos adicionais do Seguro da Agricultura Familiar (Proagro Mais), no valor de R$ 285 milhões, já excluídos os R$ 75 milhões da contribuição dos agricultores. Nos três Estados da região Sul são 465.567 agricultores segurados (leia abaixo com tabela). Além disso, o Imposto Territorial Rural não será mais repassado à União, ficando a cargo dos municípios.
O conjunto de medidas é animador, mas os agricultores só acreditarão na promessa com o dinheiro no bolso. "Os recursos são significativos, mas nossa preocupação é que o Proagro Mais funcione", diz o coordenador da Fetraf-Sul no RS, Ari Pertuzatti. A entidade liderou protestos em oito pontos no Estado na última semana.
Cenário – Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcar em solo gaúcho nesta quarta-feira, 16, ainda vai encontrar um cenário de morte de animais e de plantas, rios secos e terra rachada, cenas que os agricultores sulinos eram mais acostumados a assistir pela televisão. Também estará aguardando por ele um vasto relatório sobre os estragos causados pela estiagem e as necessidades dos que vivem da terra. "Pedimos atenção à altura dos prejuízos, principalmente a prorrogação dos vencimentos dos contratos bancários", resume ao CR o presidente da Farsul, Carlos Sperotto.
O presidente Lula anunciará as demais medidas de apoio aos produtores rurais, acompanhado do ministro da Agricultura e do Abastecimento, Roberto Rodrigues.
O que é Seguro da Agricultura Familiar
O Seguro da Agricultura Familiar tem políticas específicas e é exclusivo para o custeio agrícola. A adesão é obrigatória para as chamadas culturas zoneadas (algodão, arroz, feijão, milho, soja, trigo, sorgo e maçã) e para banana, caju, mandioca, mamona e uva. Significa uma cobertura de 95% de todo o crédito de custeio que costuma ser concedido sob o amparo do Pronaf.
Pela primeira vez passaram a ser cobertas as culturas consorciadas, ou combinadas, como feijão e milho, milho e soja, por exemplo. As culturas não zoneadas (batata, tomate, cebola, girassol, mamão, laranja) não se enquadram no novo seguro, mas os produtores terão a opção de aderir ao modelo anterior, o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro).
O novo seguro garante 100% do valor financiado e 65% (limitados a R$ 1,8 mil) da receita líquida estimada do empreendimento, que é a receita bruta menos o total de crédito concedido pelo Pronaf. Se a perda for igual ou inferior a 30% da receita bruta estimada, não haverá cobertura.
Santa Catarina tem a pior seca em 43 anos
Santa Catarina projeta perdas na agricultura que somam R$ 656,1 milhões, e devem aumentar se confirmadas as previsões de chuva abaixo da média para o próximo período. Com 131 municípios em situação de emergência e um em estado de calamidade pública, cerca de 1,5 milhão de pessoas estão sendo atingidas pela estiagem. As informações são do relatório apresentado pelo governador Luiz Henrique.
O governador reforçou o pedido de renegociação dos financiamentos de custeio dos agricultores atingidos, extensão do seguro renda de manutenção (Proagro Mais) aos agricultores familiares atingidos pela seca, criação de uma linha de crédito de custeio agropecuário e desenvolvimento de ações imediatas de abastecimento de água.
Paraná - O governador do Paraná, Roberto Requião, decretou estado de emergência na região Sudoeste do Estado. Na ocasião, anunciou medidas para tentar amenizar os problemas causados pela estiagem, como o aprofundamento de poços, limpeza de córregos e abertura de tanques. Dos 42 municípios da região, Francisco Beltrão, Barracão e Pranchita apresentam a situação mais grave.
A visita do presidente Luíz Inácio Lula da Silva é esperada no Paraná, nesta semana, para que ele possa acompanhar a situação da seca.
Chuvas devem voltar na entrada do outono
As chuvas que caíram em solo gaúcho no final de semana amenizaram o efeito de racionamento. A precipitação pluviométrica média foi de 50 milímetros em todo o Estado, segundo informações do 8º Distrito de Meteorologia e Climatologia de Porto Alegre. "Foi a primeira chuva depois da estiagem que começou em dezembro passado, mas foi significativa e bem distribuída", explica ao CR o meteorologista Gil Russo.
"Ainda não há levantamento final sobre o efeito da chuva no nível das barragens e rios, mas poderá aliviar a crise de abastecimento", reforça o diretor da Corsan, Jorge Accorsi. Embora as boas notícias, 427 dos 496 municípios gaúchos já decretaram situação de emergência e outros 20 deverão adotar a mesma medidas nos próximos dias, segundo previsão da Defesa Civil.
De acordo com dados do 8º Distrito e confirmados pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as chuvas voltarão na entrada no outono na região Sul do país. "Haverá um índice maior de chuvas na nova estação, beirando a normalidade", prevê Gil Russo.
Brasil é destaque em produção limpa
Com 6,5 milhões de há disponíveis, é o segundo no ranking mundial
O Brasil possui a segunda maior área de produção agrícola orgânica no mundo, perdendo apenas para a Austrália. O país subiu no ranking com a inclusão, no cálculo, do extrativismo sustentável da região Amazônica. Ao todo, são 6,5 milhões de hectares de terra disponíveis para o cultivo e produção de orgânicos como banana, abacaxi, café, mel, leite, carnes, soja, palmito, açúcar, frango e hortaliças.
Para o chefe da Divisão de Certificação e Controle da Produção Orgânica do Ministério da Agricultura, Roberto Mattar, com uma área tão grande certificada, o país está garantindo ao agricultor a valorização do seu produto e a geração de emprego e renda para as famílias, além da preservação do meio ambiente para as gerações futuras.
A cada dia os produtos orgânicos têm conquistado mais mercado dentro e fora do país. "O consumidor sabe que ao comprar um produto orgânico, mais valorizado que o tradicional, não está levando só um produto sem contaminação química, sem agrotóxico, mas ele tem embutido o respeito às tradições culturais, às exigências trabalhistas e às condições sociais do trabalhador", afirma.
A criação da Coordenação de Agroecologia neste ano, pelo Ministério da Agricultura, mostra o interesse do governo em desenvolver o setor com o apoio dos Estados, municípios e dos ministérios do Desenvolvimento Agrário e Meio Ambiente. Outro ponto favorável à atividade é a realização de duas feiras este ano: a Biofach América Latina, no Rio de Janeiro, de 16 a 18 de outubro, e a Bio Brasil Fair, de 7 a 10 de maio, no Ibirapuera, em São Paulo.
SC será a sede do congresso brasileiro
Santa Catarina foi escolhido para sediar o III Congresso Brasileiro de Agroecologia, que ocorrerá de 17 a 20 de outubro de 2005, no Centro de Eventos da Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis. A expectativa é da participação de 3.000 pessoas, atraídas pelos palestrantes, como a ministra Marina Silva, o biólogo Fritjof Capra, o ecologista Sebastião Pinheiro, o geneticista Rubens Nodari, o conservacionista inglês Jules Pretty e a presidente da Associação Mundial de Consumidores, a engª agrª Marilena Lazzarini. O congresso vai discutir assuntos científicos, técnicos e práticos.
A produção orgânica mundial cresce anualmente de 20% a 30%"; no Brasil, supera 40%. "É o setor da economia que mais cresceu em 2004. E para os pequenos agricultores familiares é ótima opção, pois reduz custos e o êxodo rural, além de proteger o ambiente e a saúde", enfatiza Paulo Tagliari, da coordenação do evento. Informações (48) 239-5533, 239-5611ou www.agroecologia2005.ufsc.br
Durabilidade define preço da cebola
Armazenagem garante qualidade e permite negociar melhor o bulbo
A principal e maior região produtora de cebola do país, Ituporanga, em Santa Catarina, acaba de colher sua safra. Em Iraty, no Paraná, outra importante região produtora, a colheita também chegou ao seu final. Em São José do Norte, no Rio Grande do Sul, a safra encerra antes. Em tempos de redução de custos, o que conta é a armazenagem.
Até a comercialização e entrega dos bulbos, o cebolicultor deve tomar cuidados especiais com a armazenagem. Depois da cura (período de exposição ao tempo depois de colhida), a cebola pode ser guardada em galpões, ensacada ou solta, ou mesmo em varais, depois de trançada em réstias.
O tempo de armazenamento depende das características dos bulbos e da casca. Quanto mais firmes os bulbos e cascas mais grossas, maior a durabilidade. Estas qualidades estão presentes principalmente nas cebolas do tipo crioula. As variedades precoces têm outra vantagem: a colheita antecipada permite ao cebolicultor tirar os bulbos da lavoura antes do período mais intenso das chuvas de verão. Por isso, a área cultivada de cebolas do tipo precoce, principalmente em regiões tropicais do país, aumentou. Em SC a área passou de 15% a 20%, há quatro anos, para 30% a 40% neste ano.
A durabilidade pós-colheita permite ao cebolicultor negociar melhor o seu produto e obter maior rentabilidade, fator importante especialmente em momentos de preços baixos por excesso de oferta.
A cebola é uma cultura de alta perecibilidade, conduzida por pequenos e médios agricultores, dos Estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Bahia e Pernambuco. De acordo com dados divulgados no Agrianual 2004, o Brasil produz 1,1 milhão de toneladas, mas, mesmo assim, ainda depende de importação para suprir a demanda do mercado interno.
Simpósio de Avicultura debaterá regionalização
O "alerta vermelho" do governo e autoridades brasileiras quando do surto de doenças no setor avícola, como Influenza Aviária (gripe do frango) e New Castle em outros países, resultou em regionalização do setor. Este assunto será debatido no VI Simpósio Brasil Sul de Avicultura, que se realiza de 5 a 7 de abril, em Chapecó (SC), organizado pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários. O evento é voltado para profissionais veterinários, técnicos e dirigentes do setor.
Fórum faz diagnóstico das agroindústrias
Noventa e sete por cento das agroindústrias do Sul estão localizadas na área rural; 80% delas possuem marca própria; 47% das unidades têm registro no Instituto de Marcas e Patentes; 41% são unidades familiares; 72% dos sócios freqüentaram só o ensino fundamental. "66% têm como principal fonte de renda atividades desenvolvidas na propriedade", diz a coordenadora Márcia Damo (foto).
Os dados do diagnóstico Agroindustrialização de Pequenas Unidades Familiares, elaborado pelo Fórum da Mesorregião do Mercosul, motivam a realização do Seminário Políticas de Desenvolvimento da Região Sul, que ocorre em Chapecó, nos dias 16 e 17 de março.
Vinhos, queijos, pepinos em conserva e leite são os produtos que apresentaram maior volume de produção. Entre as pesquisadas, 30% contam com os Serviços de Inspeção Municipal e outras 30% com Serviços de Inspeção Estadual.
Manoel dos Santos no 3º mandato na Contag
Até 2009 a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), maior entidade sindical rural, com 41 anos de existência, terá Manoel dos Santos à frente de discussões como reforma agrária e sindicalismo. Pernambucano, Manoel dos Santos caminha para seu terceiro mandato na presidência da Contag.
A Contag representa 15 milhões de agricultores organizados em 25 federações estaduais e 3.630 sindicatos, que compõem o Movimento Sindical dos Trabalhadores Rurais.
Engº. Agrº. José Zugno
Suco e geléia de uva
Como estamos em plena safra da uva, solicito informações simples e práticas para elaboração de suco caseiro e geléia de uva.
Venancio Horbach
Agricultor, Luzerna - Santa Catarina
"Suco de uva é o produto líquido não fermentado resultante do esmagamento da uva madura e sã conservado exclusivamente por processos físicos podendo ser concentrado ou integral". (prof. Dr. Vicente Canecchio Filho, Instituto Agrogômico de Campinas).
Em diversas vezes, desde o início de Vida Agrícola (ano de 1953), tive a oportunidade de abordar o assunto a pedido de assinantes e leitores do CR. É possível obter por processo caseiro um suco de uva conservando todas suas propriedades.
Os diversos métodos (receitas) de fabricação de suco de uva caseiro diferem entre si apenas nos detalhes; todos concordam no essencial. Em linhas gerais o processo obedece as seguintes fases:
1 - Colheita e seleção das uvas: devem ser bem maduras e limpas, livres de grãos e partes estragadas. As melhores uvas são as americanas principalmente a isabel e a concord (francesa), comuns nesta e na sua região.
2 - Esmagamento das uvas: convém desgranar os cachos para separar os pedúnculos que transmitem sabores não desejáveis ao suco. O esmagamento dos grãos poderá ser feito a frio ou a quente. No primeiro caso espreme-se por qualquer meio e deixa-se o suco repousar numa vasilha durante o tempo suficiente para depositar as substâncias em suspensão. Depois, decanta-se e filtra-se o líquido fazendo-o passar através de algumas camadas de gaze, que clarificam o suco e eliminam as impurezas. No segundo caso (a quente) a uva colocada em vasilha é submetida em banho-maria e a um aquecimento até atingir 75º C. controlados por um termômetro e assim mantido durante dez minutos. Após, deixa-se esfriar um pouco, prensam-se os grãos e trata-se o líquido como no primeiro caso.
3 - Engarrafamento: os recipientes de vidro, garrafões, litros ou garrafas, devem ser previamente lavados e esterilizados, assim como as rolhas e tampas. Engarrafado o suco de uva deve sofrer o processo de esterilização para evitar que fermente. A pasteurização consiste em submeter o suco a uma temperatura em torno de 75º C. durante uma hora, seguido de um resfriamento imediato. A temperatura não pode atingir 80º C. por muito tempo, sob pena de alterar o sabor e a qualidade do suco.
4 - Conservação: em lugares frescos até o uso. Para ter um produto ainda mais limpo, o suco colocado em garrafões, em locais frescos e inalterados, durante cerca de cem dias, o líquido é após decantado, por trasfega. Filtrado e engarrafado sofre uma segunda pasteurização (75º a 78º C.) durante meia hora, seguido de resfriamento rápido.
Se alguém quiser mais informações sobre o assunto pode se dirigir ao eng. agrônomo Luiz Antenor Rizzon (Rua Livramento, 515, Cep 95700-000 Bento Gonçalves - RS, telefone (54) 455.8084), categorizado pesquisador da Embrapa de Bento Gonçalves e especialista em assuntos relativos aos produtos derivados da uva.
Geléia de uva - Não é nem uvada, nem schimier. De maneira geral, geléia é o produto que resulta da cocção do suco (caldo) fresco de frutas com açúcar e que ao esfriar solidifica-se, apresentando consistência gelatinosa, transparente e brilhante devida aos componentes de cada suco (ácidos orgânicos, doçura natural e principalmente substâncias pécticas: pectina ou gelatina). Sem pectina não é possível o preparo de geléia. Certas frutas são ricas em pectina como laranja, abacaxi, goiaba, maçã, ameixa e outras, portanto delas facilmente se obtém geléia. O mosto de uva contém ácidos orgânicos e açúcar natural suficientes, mas pequena percentagem de pectina e assim mesmo somente nas uvas não muito maduras. Por tal motivo, desejando obter geléia de uva, é necessário acrescentar folhas de gelatina ou pectina em pó, que existem no comércio. Receitas de geléia na próxima edição.
Estudo revela como brasileiro lida com a água
73% dos jovens acham que o consumo em casa poderia ser reduzido
A grande maioria dos brasileiros (88%) acredita que o país irá enfrentar problemas de abastecimento de água a médio ou longo prazos, em razão da forma como esse recurso natural é utilizado. Entre os jovens, o percentual aumenta para 94%. As informações sobre os hábitos de consumo e a percepção da questão dos recursos hídricos no Brasil foram reveladas por uma pesquisa encomendada pelo Programa Água para a Vida, Água para Todos, da Organização Não-governamental WWF-Brasil, ao Instituto Brasileiro de Pesquisa de Opinião Pública e Estatística (Ibope). Os resultados foram divulgados na semana passada.
Entre os principais problemas que podem afetar o abastecimento de água no Brasil, o desperdício foi apontado por 44% da população em geral, enquanto outros 13% apontam a poluição e a agressão às reservas. Para evitar o desperdício, 50% propõem fechar as torneiras durante a escovação dos dentes e reduzir o tempo do banho. 12% não souberam ou não opinaram sobre como evitar o desperdício.
De acordo com o levantamento, a maioria dos jovens brasileiros de 16 a 24 anos conhece, em parte, os problemas relacionados aos recursos hídricos e acha importante não desperdiçar água. Aproximadamente 73% deles pensam que o consumo em sua casa poderia ser menor. Porém, 64% gastam de seis a 15 minutos no banho.
Cerca de 75% da população concorda com um projeto de lei que estipula o pagamento de um a dois centavos para cada mil litros de água consumida, para quem gasta mais ou polui, desde que estes recursos sejam utilizados para conscientizar as pessoas sobre o uso da água e para custear a recuperação e proteção das bacias hidrográficas.
O Ibope entrevistou mil pessoas em todo o país, na faixa etária de 16 anos em diante, em todas as faixas salariais, de todos os níveis escolares. O objetivo era avaliar o grau de conhecimento sobre os problemas que afetam os recursos hídricos no Brasil e seu engajamento na solução destes problemas.
Maioria não conhece comitês hidrográficos
Embora existam hoje 100 comitês de bacias hidrográficas e mais de 40 consórcios intermunicipais de bacias, 70% dos brasileiros dizem jamais ter ouvido falar dos comitês. Entre os 29% que afirmaram ter ouvido falar deles, 92% não conhecem ninguém que participe de um comitê. "Os dados perturbam, já que os comitês são a forma de a sociedade participar da gestão e conservação dos recursos hídricos", disse Samuel Barreto, da ONG WWF-Brasil.
Cerca de 65% dos entrevistados declararam estar dispostos a "participar de um grupo para decidir sobre o uso da água no local onde mora, ou fazer trabalho voluntário para proteção da água", e 76% participariam de campanhas e abaixo-assinados para recuperação de mananciais e uso responsável da água.
A pesquisa revelou também que a população tem uma percepção equivocada sobre quem é o grande consumidor de água no país. 41% indicaram a indústria, mas a agricultura consome cerca de 70% dos recursos hídricos utilizados no Brasil. O consumo doméstico foi apontado por 34% dos entrevistados. A agricultura ficou com 18% das indicações.
Leonardo Boff
Nosso comportamento é construtivo quando nasce do equilíbrio entre o nosso desejo e o desejo inscrito na natureza
Há uma tradição transcultural que apresenta o comportamento de certos animais ou aves como exemplar para os comportamentos humanos. Nisso vai intuição antiga que a ciência dos comportamentos comprovou: existem em nós traços herdados de animais ou aves, pois, embora diferentes, formamos com eles uma única comunidade de vida.
Observemos como as águias voam. Elas voam de forma toda própria. Usam a própria força apenas para iniciar o vôo. Batem as asas e forcejam para ganhar certa altura. Uma vez alcançada, aproveitam a força dos ventos e se deixam carregar por eles. Possuem um instinto muito apurado para captar correntes de ar e sabem tirar proveito delas. Se há apenas brisa leve, elas flutuam suavemente. Se irrompem ventos fortes, elas usam da força deles para voar bem alto e deslocar-se com grande velocidade. Apenas manejando à esquerda e à direita suas enormes asas que podem chegar a mais de dois metros de diâmetro.
Bem diferentes são as galinhas. Quando estão excitadas ou se põem a correr, batem muito as asas, fazem grande barulho mas voam apenas alguns metros.
Apliquemos a sabedoria das águias aos nossos comportamentos. Nós não sabemos entrar em sintonia com a natureza. De saída, rompemos com ela em nosso afã de dominá-la com violência e colocá-la a nosso serviço. Não nos harmonizamos com seus ritmos. Ao contrário, ela tem que obedecer aos ritmos que lhe impomos. Este paradigma está na base de nossa civilização hoje globalizada. Trouxe-nos incontáveis benefícios, mas nos exilou da Terra e nos fez inimigos da natureza. Este projeto de dominação, entretanto, sem limites internos, pode tornar-se altamente perigoso. Ele tem depredado a infra-estrutura da vida a ponto de pôr em risco o futuro da biosfera e da espécie humana.
Por isso, mais e mais pessoas hoje procuram uma nova aliança com a natureza. Assim nasceu a agroecologia que implica produzir interagindo respeitosamente com ela. É ilusório um crescimento econômico à la agronegócio que mata e desmata. Importa conhecer os ritmos da floresta amazônica e utilizar tecnologias adequadas a esses ritmos. Só assim se preserva a natureza e se colabora com ela para que continue a nos dar seus bons frutos. Dito de outro modo: importa moderar a lógica de nossa vontade e fazê-la combinar-se com a lógica objetiva da natureza, a exemplo da águia em seu vôo.
Nosso comportamento é construtivo quando nasce do equilíbrio entre o nosso desejo e o desejo inscrito na natureza. Sábia é a pessoa que capta as duas lógicas, a das coisas e a do eu, se harmoniza com elas e as faz convergir. Imatura é a pessoa e atabalhoado é seu comportamento quando só escuta o próprio eu e a toda hora diz: "Eu sei, eu quero, eu decido, eu faço", não escutando a voz da natureza como se ela nem existisse. A tradição do Tao ensina que a pessoa só se sente plena e realizada quando sua obra imita o vôo das águias: trabalha junto com a natureza e jamais contra ela. Caso contrário, sempre há uma réstia de vazio e um sabor amargo de implenitude.
Precisamos desinflar o eu e enraizá-lo na natureza. O eu e a natureza formam um todo dinâmico sempre em busca de um difícil equilíbrio. Ambos, cada qual com sua singularidade, devem permanentemente atuar juntos como garantia de uma vida equilibrada e discretamente feliz.
Frei Betto
Quero que todos à mesa provem o veneno da própria alma ou deixem seus espíritos transbordarem em taças cheias de luz
Nessa Última Ceia sentarei à mesa farta e estenderei, aos semelhantes, travessas repletas de misericórdia. Servirei, em abundância, o cardápio da saciedade: de entradas, hinos e flores, para que a alegria plenifique o coração de cada comensal. Como prato forte, efusão espiritual recheada de mistério, para que os sentidos se calem e a razão, prostrada, reverencie a sabedoria. De sobremesa, uma noz e, dentro dela, um labirinto e, em sua porta, um sino e, em seu badalo, o reflexo da lua e, em seu brilho, o rosto interior de cada convidado.
O vinho terá o gosto das liturgias salmodiadas por cordas e címbalos. Todos haverão de se embriagar de Deus. Serão invadidos por tamanha lucidez que já não poderão distinguir o dentro e o fora, o acima e o embaixo, a esquerda e a direita. O feio se fará bonito e o que se julga belo expressará o horror. O frio terá o calor da fervura e o quente será gélido quanto uma montanha de neve.
Estarão à mesa a escória e o escárnio, o sorriso patético dos imbecis e o ódio escancarado dos algozes, a fúria de vingança e a pérfida arrogância da indiferença. Convidarei o desamor e a crueldade, o abuso e a injúria, a insípida ilusão de quem se ama acima de todas as pessoas e a efêmera riqueza dos que somam e multiplicam atacados pela amnésia que lhes furta a ventura de subtrair e dividir.
Quero que todos à mesa provem o veneno da própria alma ou deixem seus espíritos transbordarem em taças cheias de luz. Farei um brinde à compaixão e pedirei um minuto de silêncio para que cada um se envergonhe da existência contrária à sua essência. Haverá, então, tanta música e dança e festança que os pares levitarão de olhos fechados.
Nessa Última Ceia molharei o pão em azeite novo e ofertarei ao primeiro que arrancar as sandálias e, de pés nus, caminhar à beira do tatame sem provar a vertigem do medo. Premiarei a fé, a cegueira da mente, a noite escura que prenuncia o reverso dos versos. Entregarei, assim, a amante ao amado, e um coro de anjos celebrará a união de corpos transmutada em alucinação do espírito, o sexo sorvido como ágape, o imponderável voejando em tão acelerado ritmo que já não haverá Norte ou Sul, Leste ou Oeste, porque a Rosa dos Ventos estará girando desvairadamente.
Louvarei o discípulo amado por sua humilde fidelidade aos sonhos que lapidam sua realidade, como quem cultiva um fruto que nasce na direção do fundo da terra ou uma ostra indiferente ao seu futuro de pérola. E beijarei aquele que haverá de trair-me, não porque o decepcionei, mas por trazer ele, impregnado nas entranhas, essa pusilanimidade que impede certas pessoas de serem fiéis a si mesmas. Não o rejeitarei, ele não será vítima de meu opróbrio. Deixarei que ele trafegue dividido pela vida, ora amigo, ora inimigo, amável hoje, detestável amanhã, até que possa juntar os cacos espalhados por seu caminho e compor o vitral de sua dignidade resgatada.
Nessa Última Ceia abençoarei o pão e o vinho, as moléculas do trigo e da uva, e os átomos e os neutrinos e todas as partículas elementares, e os quarks invisíveis e indivizíveis. E na composição do Universo, detalhe por detalhe, será elevada ao mais alto dos céus a hóstia cósmica de meu corpo embebido no sangue que imprime vida a todas as galáxias. Então, todos os olhos verão que sou tudo em todos, uno e trino, pessoa e substância, identidade e mistério. Sou o que se é, o limite intransponível da negação.
Quando a noite cair e do cordeiro não restar senão os ossos, ofertarei como alimento Deus transubstanciado em corpo e sangue, pão e vinho. Terei ressuscitado antes de morrer e farei da vida a mais preciosa dádiva da Criação.
Alimentados por mim, todos saberão que a Última Ceia é sempre a próxima, pródiga comemoração do amor, singelo gesto, aqui e agora, que acontece e, assim tece os fios que enlaçam, envolvem e fundem tudo e todos, amorosamente. Ou inexiste e, portanto, padece.
Para quem guarda o apetite por aquilo que transcende o paladar e cultiva a gula por luminescências, todas as ceias serão primeiras, e sairão delas ainda mais famintos, porém saciados de felicidade.
Dor de cabeça é queixa freqüente
Tratamento preventivo melhora a qualidade de vida do paciente
A enxaqueca é uma doença crônica que acomete mais de dois milhões de brasileiros, mas pode ser controlada através de tratamento preventivo. Pensando nisso, a Sociedade Brasileira de Cefaléia (SBCe) está realizando uma campanha nacional de esclarecimento público sobre o problema. A entidade estima que somente 5% dos doentes são tratados de forma preventiva, visando evitar as crises.
A dor de cabeça é uma das queixas mais comuns do homem civilizado. Estima-se que a prevalência da queixa de dor de cabeça em geral, ao longo da vida, seja de 93% nos homens e 99% nas mulheres e que 76% delas e 57% deles tenham pelo menos um episódio de dor de cabeça por mês.
Já quando se fala em enxaqueca, que é um tipo específico de dor de cabeça, a prevalência geral ao longo da vida é de aproximadamente 16%, sendo 25% entre as mulheres, 8% nos homens e 6% nas crianças. O problema interfere muito na qualidade de vida das pessoas, pois ocasiona faltas ao trabalho e impossibilidade de realizar atividades cotidianas. Segundo pesquisas, 24% das pessoas que sofrem de enxaqueca têm quatro ou mais crises todo mês e 49% relatam incapacidade grave ou precisam de repouso. Algumas particularidades permitem distinguir clinicamente a enxaqueca de outras formas de cefaléia.
Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaléia, a enxaqueca é uma doença herdada geneticamente. Portanto, não se deve dizer que a enxaqueca é algo "normal" ou "com o que se deve acostumar". A doença tem tratamento e os pacientes se beneficiam muito dele, embora, na maioria das vezes, não seja possível evitar completamente as crises.
O tratamento inclui uso de medicamentos e mudança de alguns hábitos que podem interferir na dor, como hábitos alimentares e de postura. Porém, os cuidados mudam de um paciente para outro de acordo com suas queixas. Portanto, só um especialista pode indicar o melhor tratamento. A recomendação para quem tem crises freqüentes de dor de cabeça é procurar um médico.
Jejum prolongado desencadeia crises
Como a dor de cabeça é uma queixa freqüente, é natural que surjam mitos em relação ao problema.
Dieta: para alguns enxaquecosos, o chocolate pode ser um desencadeante, vinho tinto e café, também. Jejum prolongado aumenta a possibilidade de desencadear uma crise.
Hipertensão: geralmente, a cefaléia que ocorre nos hipertensos é um efeito colateral da medicação ou quando esta hipertensão é aguda ou severa.
Sinusite: a dor de cabeça surge nos pacientes com sinusite aguda. Sinusites crônicas não provocam cefaléia.
Visão: problemas oculares raramente são causa das formas mais comuns de cefaléia.
Moderação na ingestão de chocolate
Com a chegada da Páscoa, é difícil controlar o consumo exagerado de chocolate entre as crianças. Dos mais variados sabores e tamanhos, os ovos podem acabar substituindo as refeições, se os pais não forem cuidadosos. Ainda que benéfico se consumido com moderação, o chocolate contém grande quantidade de gordura e açúcar (o diet tem o mesmo valor calórico, apesar da ausência de açúcar).
Segundo a nutricionista Flávia Vicenti, da clínica Espaço Leve, Núcleo de Prevenção e Tratamento da Obesidade Infanto-Juvenil, de São Paulo, para evitar abusos, o ideal é que as crianças sejam estimuladas a repartir os ovos com a família e os amigos. Caso contrário, a guloseima deve ficar sob monitoração dos pais. "Outra idéia é negociar os dias de consumo, coincidindo com dias de brincadeiras de rua, em que a criança gasta a energia ingerida", sugere Flávia.
Uma boa alternativa para evitar o excesso na Páscoa é fazer um acordo entre pais e outros familiares. Alguns podem presentear as crianças com ovos de chocolate e os demais com outras opções, como coelhinhos de pelúcia, por exemplo.
Segundo os especialistas, crianças com menos de um ano devem ficar longe de chocolate e, mesmo a partir dessa idade, o consumo deve ser moderado, para evitar riscos de diarréia, náusea, má digestão, alergia alimentar (coceira e irritação da pele ou problemas respiratórios). "Quanto mais cedo oferecemos alimentos com pouco benefício nutricional, mais estimulamos a formação de maus hábitos alimentares", alerta Lílian Zaboto, pediatra da clínica Espaço Leve.
A nutricionista Flávia Vicentini indica a quantidade permitida para as crianças.
Despesas da Presidência triplicam
Entre 2002 e 2004 gastos de R$ 100 milhões para R$ 287,5 milhões
As despesas com a manutenção da máquina administrativa no gabinete da Presidência da República cresceram 186,7% entre 2002 e 2004, segundo levantamento feito junto ao Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi). No mesmo período, as despesas com pessoal aumentaram 46,5%.
O levantamento que culminou com o índice teve a participação de técnicos da liderança do PFL no Congresso, o que impõe uma necessária reserva devido a evidentes interesses políticos. Mas os números também têm como fonte o próprio Planalto. Eles revelam, entre outras informações, que no último ano do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) o custeio da máquina sugou R$ 100 milhões dos cofres brasileiros. Em 2004, o valor pulou para R$ 287,5 milhões.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gastou R$ 63 milhões com pessoal no ano passado, R$ 20 milhões a mais do que seu antecessor. Entre os aumentos generalizados, como o gasto 51,3% maior com diárias, passagens e locomoção, deve se tornar objeto de investigação do Tribunal de Contas da União. Segundo estudo da assessoria técnica do PSDB junto ao Siafi, os gastos com serviços de terceiros prestados por pessoas jurídicas cresceu 257% entre o último ano de governo de FHC e 2004, passando de R$ 72,2 milhões para R$ 258,3 milhões.
O atual governo ampliou os órgãos subordinados à Presidência da República - entre eles estão Abin, Arquivo Nacional, secretarias especiais de Direitos Humanos, da Mulher, de Aqüicultura e Pesca, Fundo Nacional Antidrogas e outros. Segundo a agência O Globo, toda esta estrutura custou ao país R$ 2,6 bilhões em 2004, contra um gasto de R$ 1,7 bilhão no governo de Fernando Henrique Cardoso. A Casa Civil, que administra os gastos da Presidência da República, informou que se manifestará após uma consulta própria ao Siafi.
O Pai e o Espírito na Páscoa de Jesus
Depois de uma descida infernal até a morte na cruz, a ressurreição de Jesus é uma amorosa vingança do Pai: não deixa a injustiça triunfar
Frei Luiz Carlos Susin
Capuchinho, teólogo, professor e escritor, Porto Alegre - RS
Na oração de Jesus junto ao rio ou sobre o monte, somente sabemos o que disse a voz do Pai. Mas na agonia de Jesus, caído por terra, não se escuta a voz do Pai, somente a voz angustiada de Jesus. A oração de Jesus, que primeiro suplica pelo afastamento de um destino tão doloroso, torna-se oração da maior auto-superação humana, a da entrega de si em absoluto. Enquanto por fora há muitas traições que entregam Jesus à morte, Jesus faz dessa descida infernal, dessa desumanização, desse horror, a sua entrega nas mãos do Pai.
Marcos e Mateus são dramáticos ao descrever a morte tão humana do Filho de Deus: a oração de Jesus é uma grande lamentação do justo injustiçado, e a morte é um grande grito. Que faz tremer a terra e rasgar-se o véu do templo, triunfo da injustiça, do vazio, do ateísmo do inferno. Mas é o centurião, um "gentio", de outro povo e de outra religião, quem, surpreendentemente, reconhece na miséria do morto e na forma de sua morte "verdadeiramente o Filho de Deus" (Mc 15,39). Nunca se tocaram extremos tão abismais.
Redenção - Lucas focaliza outro aspecto deste drama extremo: Jesus continua fielmente sua missão de misericórdia: olha por Pedro, olha pelas mulheres e por seus filhos, pelo malfeitor que morre ao seu lado, e até pelos assassinos, desculpando-os diante do Pai para que não haja mais vinganças. E finalmente se entrega como modelo de toda entrega humana e cristã: "Pai, nas tuas mãos entrego a minha vida" (Lc 23,46). João resume tudo no começo de sua narração: "Sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim" (Jo 13,1). Se num extremo está Marcos mostrando a tremenda morte humana e desumana do Filho de Deus, no outro extremo está João mostrando a fineza do modo divino e humano de fazer da morte uma Páscoa para o Pai e um amor até o fim.
O que nos ensina sobre a Trindade o caminho da cruz, a morte injusta, absurda, prematura, de quem passou fazendo o bem? É a vertigem de um Deus que se revela na fragilidade, na dor e na morte. Deus não é conhecido somente na beleza, na potência, na vitalidade, naquilo que é admirável. É mais abismal conhecê-lo na dor, na renúncia e na vulnerabilidade. O silêncio amargo da impotência e do sofrimento da injustiça, a dilaceração e a feiúra, a "desfiguração" - mais abismal do que a transfiguração - são a experiência não só de Jesus, mas também do Pai e do Espírito, sua suprema paciência e resgate do mundo, por mais ímpio e odioso que este mundo seja. É a profundidade abismal do amor do Pai, do Filho e do Espírito ao mundo. No sofrimento do Filho sofreu o Pai e agüentou o Espírito, de tal forma que na Trindade se redime o mundo com suas violências, seu ódio e seus sofrimentos, todas as formas de sofrimentos, desde os merecidos até os inocentes.
Mas, para Deus até as trevas são luz (cf. Sl 139,12). Quem passou pelas portas de Jerusalém, naquela fatídica véspera de Páscoa, podia ver morrer um homem que foi chamado de profeta de Nazaré Jesus. Mas talvez não pudesse suspeitar quanto isso atingia o coração de Deus. E, no entanto, desde o coração de Deus, no segredo do amor em meio às trevas daquela Páscoa, ressurgiu o brilho de uma vida nova para todos: ninguém viu a ressurreição de Jesus, mas por ela, secretamente, suavemente, Deus atinge sempre de novo os que passam por perto dele. Pode-se ver os sinais, os frutos, os efeitos, daquilo que o Pai fez no Filho: nas lágrimas convertidas em alegria de Madalena, figura da Igreja nascente e de toda criatura redimida, e na coragem nova dos apóstolos que abriram finalmente as portas, ofereceram a redenção da vítima aos algozes e caminharam para a mesma morte do Mestre.
Pode-se resumir a moldura trinitária da ressurreição de Jesus nos termos em que Pedro anunciava: "O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus que vós matastes. Disso somos testemunhas, nós e o Espírito Santo" (Atos 530,32).
A ressurreição de Jesus é o suave protesto e a amorosa vingança do Pai: não deixa a injustiça triunfar e o justo se corromper, pois o túmulo e os restos mortais não são o lugar de culto e de lamentação: o túmulo está vazio para sempre! Mas Deus não vence a violência com violência: vence sem produzir vencidos, sem arrasar os que matam. Por isso, ainda na dor e na injustiça, Deus não interveio obrigando os algozes e defendendo milagrosamente o inocente. O triunfo completo é aquele em que até os que matam o Salvador são salvos pelo Salvador. Por isso, a Trindade se alarga para uma imensa paciência da história: Jesus continua nos pequeninos, o Espírito continua a acompanhá-los, o Pai continua a amar com a lógica própria do amor, a preferência dos mais frágeis, e com o superlativo do amor perfeito: Deus amantíssimo que derrama seu espírito no caminho de pobres e mortais. Jesus é o fruto antecipado, uma "primícia" (1Cor 15,23).
Mediador - A Páscoa de Jesus é, ao mesmo tempo, a Páscoa de Deus para o mundo e a Páscoa do mundo para Deus, na força do Espírito transfigurador. Jesus ressuscitado e glorioso junto do Pai é o fruto amadurecido de uma criação onde sopra o Espírito, é o começo e a garantia de que toda criação chegará a ser renovada e transfigurada - a "Nova Criação" (Cf. Rm 8). Enquanto isso, Jesus, arrebatado para a glória de Deus, é o "mediador" junto do Pai, em dois sentidos: ainda reza ao Pai intercedendo por seus irmãos, e continua enviando o Espírito de Pentecostes que o Pai concede por meio do Filho, como memória e continuação do Filho até a obra e a Páscoa se completarem.
Padre Zezinho
Que a Semana Santa nos faça pensar mais em nos doar do que em levar vantagem
Esses dias de Semana Santa trazem, aos que aceitam Jesus como seu modelo de vida, a oportunidade de meditar no pão e no vinho partilhados, no sacerdócio de quem dá a vida pelos outros, no estar à mesa com os irmãos, no lavar os pés dos outros, no perdão aos que nos injuriam e no aprendizado do jejum e da cruz. São tantas as lições que valem por um curso de civismo, humanidade e espiritualidade. Jesus veio e, sabendo que iria morrer, não fez concessões a ninguém. Disse, fez, perdoou e correu os riscos da cruz: o vertical que apontava para Deus e o horizontal que apontava para o povo que sofre.
A Semana Santa é um conjunto de aulas de cidadania, moral e cívica bem vividas nas liturgias que, para nós católicos, servem de lembrete: Não olhe apenas para o céu. Não aponte apenas para o futuro. Mostre o presente do povo. Não fale só do céu amanhã. Tente trazê-lo para cá; há gente sendo crucificada aqui na terra ao seu lado. Jejue com quem tem fome.
Pense um pouco nos crucificados de hoje, nos torturados pelo poder político que vai à guerra ou não vota o leite dos pobres; nos massacrados pelo poder dos bandidos; nos seduzidos pelo poder religioso que pensa apenas em aumentar o número de adeptos, mas tem poucas obras sociais para mostrar. Sinta com Jesus. Veja como ele repartiu e ensinou a repartir, deu a vida pelos outros, morreu perdoando, lavou os pés de seus discípulos, deu tarefas e partilhou sua missão.
Não sei como farão os evangélicos e outros caminhantes cristãos, mas imagino que ensinarão valores semelhantes, pois também para eles é uma Semana Santa. O que sei é que o Brasil está precisando dessas lições. A palavra solidário vem da raiz "solum-dare" (somente dar). São Francisco resumiu-a num poema piramidal: "Fazei que eu procure mais amar que ser amado, compreender que ser compreendido, perdoar que ser perdoado...".
Que pensemos mais em nos doar do que em levar vantagem. Num país famoso pelo seu jeitinho de levar vantagem, uma bem vivida Semana Santa, onde a evidência é o outro que sofre, pode ajudar a mudar as coisas. Poderíamos aprender a pensar um pouco menos em nós. Talvez com isso compreendamos os outros e compreendendo-os, quiçá nos compreendamos! Sem isso é muito difícil ser feliz. Quase impossível! Onde há eu demais, há Deus de menos!
CNBB convoca mutirão pela Amazônia
Bispos querem soluções para os graves problemas que afetam a região
Está previsto para os dias 9 a 11 de junho de 2005, em Brasília, o Encontro Nacional do Mutirão pela Amazônia. O mutirão é uma convocação nacional para que todo povo, Igreja, instituições de ensino, pesquisa e outros organismos pensem o Brasil como um todo e, de maneira particular, a Amazônia, os povos da floresta, sua riqueza, dignidade, desafios e esperanças.
A iniciativa da CNBB visa aglutinar forças para implementar vários projetos de solidariedade com as dioceses da Amazônia, a maioria das quais enfrenta problemas com o desmatamento, a degradação e contaminação dos recursos hídricos especialmente pelos garimpos, a criminalidade provocada pela ocupação desordenada da terra – o recente assassinato de irmã Dorothy Stang, no Pará, é um exemplo -, trabalho escravo, invasão das reservas indígenas, corrupção e impunidade.
A Amazônia corresponde a 43,38% da América do Sul, sendo que 66% desse total é brasileiro, ocupando 60% do território do país. Cerca de 21 milhões de pessoas moram nessa vasta região, que concentra grande parte dos recursos naturais e da biodiversidade do planeta. A Amazônia é também a segunda região geopolítica estratégica do mundo.
Os ecossistemas da região amazônica prestam serviços ambientais ao planeta, contribuindo para o controle climático do globo, a redução dos gases poluentes e, conseqüentemente, do efeito estufa. Vários encontros e seminários regionais, nacionais e pan-americano já foram realizados em busca de respostas aos problemas e às necessidades da Amazônia. O arcebispo de Manaus, dom Luiz Soares Vieira, sustenta a tese de que a Igreja deve defender a Amazônica como patrimônio do Brasil e, para tanto, precisa ser protegida de interesses externos que conspiram contra a soberania nacional. Informações sobre os projetos e o encontro no site www.cnbb.org.br/comissaoparaamazonia.
Morrem dois padres seculares da diocese de Caxias do Sul
No dia 5 de março, na cidade de Nova Prata (RS), morreu monsenhor Sidney Luiz Zanettini. Natural de Nova Prata, filho de Raymundo e Wenceslina Leniz Zanettini, nasceu aos 28 de abril de 1927. Contava com 77 anos de idade e com 53 anos de vida sacerdotal - foi ordenado sacerdote no dia 2 de dezembro de 1951.
Como sacerdote diocesano, dinâmico e empreendedor, trabalhou em diversas paróquias, entre as quais as de São Pelegrino (colaborou na construção da atual matriz), Sagrado Coração de Jesus, Lourdes e na catedral de Caxias do Sul; em Bento Gonçalves e em Nova Araçá. Também atuou em Santa Isabel do Ivaí, Palmas, Mandaguari, Paranavaí e, por 21anos, na diocese de Maringá (PR), onde construiu a catedral e outras 28 obras (igrejas, capelas, casas paroquiais e centros comunitários). Em Maringá recebeu os títulos de capelão de Sua SS. O Papa João Paulo II e cidadão benemérito. Desde 1994 era capelão do Hospital São João Batista de Nova Prata.
Josué – Também em Nova Prata, faleceu no dia 7 de fevereiro padre Josué Pagnoncelli. Filho de Arcângelo e Rosa Ferrari Pagnoncelli, nasceu em Nova Prata aos 20 de junho de 1927. Ordenado aos 8 de dezembro de 1952, tinha 52 anos sacerdócio. Exerceu seu ministério sacerdotal em Paraí, Nova Prata e região. Foi professor e assistente no seminário Aparecida de Caxias do Sul, em Viamão e em Caravaggio. Era homem simples, acolhedor e muito dedicado às coisas de Deus. Preocupou-se com a atualização litúrgica e com a formação e participação dos leigos na vida comunitária.
Congregação marista perde irmão Severino
Morreu no dia 5 de março, aos 84 anos de idade e 67 de vida religiosa, o irmão marista Severino Susin, também conhecido como irmão Vidal Aloísio. Natural de Antônio Prado, atuou em diversos colégios maristas no Rio Grande do Sul, entre eles no São Francisco, de Rio Grande; Sant’Ana, de Uruguaiana; no São Roque, de Cachoeira do Sul; e no Rosário, em Porto Alegre.
Formado em letras neo-latinas, especializou-se em pedagogia e espiritualidade marista, em Roma. Desde 1989 atuava no Centro Educacional Marista de Garibaldi. Em 2004, organizou as comemorações do centenário da presença marista naquela cidade.
Aldo Colombo
Não caminhe sozinho. Deus quer ser seu companheiro nos bons e maus momentos da caminhada
O primeiro de todos os compromissos, o primeiro de todos os instintos é amar a si mesmo. Isso não significa narcisismo ou egoísmo. Amar a si mesmo é um ato de gratidão a Deus que o criou. É reconciliar-se consigo mesmo, reconhecendo as limitações, mas tendo certeza que suas qualidades superam seus defeitos. Amar a si mesmo é tomar consciência de que Deus o ama, assim como você é.
Amar a si mesmo supõe aceitar seus pais, sua história, seu corpo - assim como ele é - aceitar também os próprios fracassos. Mais que isso, perdoar-se. Nosso compromisso é olhar para frente e não para trás. Cada dia devemos dizer: de hoje em diante... tudo vai mudar para melhor. Isso se chama qualidade de vida.
Algumas normas, bem simples, podem ajudar:
- Beber bastante água, todos os dias.
- Fazer, pelo menos, três caminhadas semanais de uma hora.
- Comer de maneira mais inteligente, deixando de lado frituras, carnes vermelhas, refrigerantes; cortar, ao menos parcialmente, o açúcar, eliminar as gorduras animais, maioneses, molhos gordurosos, comidas enlatadas...
- Em vez de três fartas refeições por dia, faça seis pequenas refeições, incluindo verduras, frutas, fibras e produtos naturais.
- Escolher sempre a versão menor de um prato.
- Comer com tranqüilidade e mastigar bem os alimentos. A televisão não é uma boa companhia para a refeição.
- Ter - se possível - todos os dias momentos de gratuidade, privilegiando tarefas agradáveis.
Tudo isso irá proporcionar saúde e qualidade de vida. Mas não é tudo. Você não é apenas um corpo sadio. Olhe para seu interior. Elimine seus ressentimentos, queixas, mágoas, pessimismos, sentimentos negativos, raivas e ódios. Tudo isso é poluição psíquica, são toxinas terríveis que tiram a alegria de viver e afetam negativamente as pessoas que estão a seu redor.
Lembre-se que você não está sozinho no mundo. Você vive numa família e tem obrigação de fazer felizes a esposa, o esposo, os filhos. Faça de sua casa um ninho de amor e bom humor. Sua família é mais importante que a novela, o esporte ou o Jornal Nacional. Deixe os problemas do emprego fora de seu lar. No dia seguinte você os retoma.
Por último, mas este item é de importância decisiva: não caminhe sozinho. Deus quer ser seu companheiro nos bons e maus momentos. Em sua oração diária peça que Deus mostre qual é sua vontade, o ilumine, acompanhe e o faça feliz.
Definida canonização de cinco beatos
Entre os novos santos estão um capuchinho e um jesuíta chileno
O consistório ordinário público, celebrado no Vaticano no final de fevereiro, fixou o dia 23 de outubro de 2005 como data de canonização de cinco beatos, entre os quais um capuchinho italiano e um sacerdote jesuíta chileno. A data foi proposta pelo Papa João Paulo II, que não presidiu o consistório por causa da sua segunda internação no Hospital Gemelli, onde foi paciente de uma traqueostomia.
O futuro santo capuchinho é o beato Felice Da Nicosia (1715-1787), religioso que durante mais de quarenta anos realizou um marcante apostolado através de um serviço humilde - a mendicância. "Analfabeto, teve a ciência da caridade e da humildade", recordou o cardeal português José Saraiva Martins, prefeito da Congregação para as Causas do Santos, ao promulgar o decreto do milagre atribuído a sua intercessão em abril passado. Passou toda a vida religiosa em Nicosia, na Sicília, sua terra natal. Está sepultado na igreja dos capuchinhos de Nicosia. Foi beatificado por Leão XIII em 1888.
O beato Alberto Hurtado Cruchaga (1901-1952), jesuíta chileno, é uma das figuras mais destacadas da história da Igreja católica no Chile. Como sacerdote, dedicou-se ao apostolado entre os jovens e à educação. Foi assistente da Ação Católica e fundou "O lar de Cristo" para ajudar os pobres sem-teto. Foi beatificado em 1994. O presidente do Chile, Ricardo Lagos, firmou uma carta de petição à Conferência Episcopal para que o padre Hurtado seja proclamado patrono dos sindicalistas chilenos, pelo extraordinário apostolado da doutrina social que realizou no mundo do trabalho.
Outro futuro santo é o beato italiano Gaetano Catanoso (1879-1963), sacerdote que fundou a congregação das Irmãs Verônicas do Santo Rosto. Entre suas inúmeras atividades, foi pároco, capelão dos hospitais reunidos e confessor de vários institutos religiosos. Dois dos futuros santos são ucranianos de origem polonesa. Jozef Bilczewski (1860-1923), arcebispo de Lviv (Ucrânia) dos Latinos, foi um ponto de referência para católicos, ortodoxos e judeus durante a 1ª Guerra Mundial e nos diferentes conflitos que a seguiram.
Da mesma arquidiocese ucraniana de Lviv era o beato Zygmunt Gorazdowski (1845-1920), sacerdote diocesano que exerceu seu apostolado em diferentes paróquias e promoveu numerosas obras para sacerdotes, jovens, enfermos e pobres. Foi autor de um célebre catecismo para o povo, fundou um jornal, várias instituições de beneficência e a Congregação das Religiosas de São José, para os pobres e enfermos.
Estef oferece teologia para graduados
A Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana (Estef) de Porto Alegre, dos capuchinhos do Rio Grande do Sul, está lançando uma promoção inédita - o Curso Vespertino de Teologia, destinado àqueles que pretendem conhecer melhor a teologia, mas sem visar o caminho sacerdotal ou religioso. Profissionais liberais e pessoas que completaram o ensino médio interessados em conhecer a ciência teológica poderão realizar o curso em dois anos.
Informações e inscrições até o dia 8 de abril, na rua Tomás Edson, 50, bairro Santo Antônio, Porto Alegre, telefone (51) 3217.4567, e-mail estef@capuchinhosrs.org.br. As aulas iniciam no dia 12 de abril e serão ministradas de terça a quinta-feira, das 19 às 22 horas. Cada disciplina terá dez noites de aulas.
Para leigos - A Faculdade Arquidiocesana de Feira de Santana (BA), diocese presidida pelo bispo capuchinho gaúcho dom Itamar Vian, iniciou o Curso de Extensão em Teologia para Leigos, com duração de três anos e carga horária de 560 horas. Curso destina-se a candidatos ao diaconato permanente, agentes de pastoral, catequistas, animadores de comunidades e outras lideranças.
Arquidiocese terá oito novos sacerdotes
Neste ano de 2005, a arquidiocese de Porto Alegre tem 134 seminaristas na caminhada da formação sacerdotal. São 82 seminaristas em Viamão (27 na teologia e 46 na filosofia); 20 candidatos no propedêutico (curso de aperfeiçoamento) e 32 no ensino médio. Os dois últimos grupos residem no seminário menor de Gravataí.
Quanto a ordenações de padres diocesanos, a arquidiocese terá oito novos sacerdotes ao longo do ano. No dia 17 de abril, às 15 horas, serão ordenados diáconos José Loinir Flach, Juliano Borges Machado, Laênio Custódio, Luiz Ricardo de Araújo, Paulo José Dalla Rosa, Pedro Inácio Stein, Silmar Antônio Possa e Vanderlei Bock.
Wilson João
Não viver a arte da convivência é caminhar na direção da angústia e da tristeza, da solidão e do abandono
Viver não é apenas comer e beber, trabalhar e descansar, rir e chorar, reproduzir seres humanos e ter família. Não apenas satisfazer o instinto sexual. Viver não é apenas suportar ter nascido e não suportar a idéia de morrer. Nem é trabalhar para crescer nos bens materiais e na conta bancária. Tudo isso é muito pouco para corresponder aos sonhos de infinito e de grandeza que estão em cada ser humano. Somos muito mais do que um instinto animal que luta para sobreviver e que sente que tem que morrer.
VIVER COM ARTE É SENTIR-SE UMA PESSOA COM DIGNIDADE. Um ser único. Não uma máquina de produzir e consumir como está sendo constituída no momento atual. A dignidade se expressa no olhar da pessoa que sonha um futuro de felicidade. No coração que bate no ritmo da eternidade. Nos pés que andam e sabem que têm um destino e um ponto de chegada. Nas mãos que diariamente constroem uma vida mais feliz e plena. Nesta humanidade que corre, ri e chora, busca e se acomoda, se agita e se confunde, há em cada ser uma sede de sentir-se único, acolhido e respeitado. Neste corpo frágil de cada ser humano, corpo faminto ou doente, lindo ou feio, há um desejo de dignidade, de felicidade.
VIVER COM ARTE É SENTIR A ALEGRIA DE NÃO ESTAR SÓ. É o desejo de sentir-se lado a lado. Estar com semelhantes. Conviver. Fazer uma caminhada juntos. Ser povo. Ser família. Ser grupo. Sentir-se ligação e sintonia. A humanidade sempre foi assim. Assim se vive no momento presente. Assim será sempre. O ser humano, em sua essência, não muda. Apenas tem que escutar-se e construir-se. Não viver a arte da convivência é caminhar na direção da angústia e da tristeza, do estresse e da depressão, da solidão e do abandono. A pior situação de vida é o estar só, sentir-se sem ninguém, estar abandonado no meio de uma multidão de pessoas. Viver com arte é conviver.
VIVER COM ARTE É SENTIR-SE CIDADÃO DO UNIVERSO. As pessoas vivem demais o seu pequeno mundo. Sua casa e seu trabalho. Suas idéias pequenas e seu mundo pessoal. É preciso viver aberto. Olhar para o céu e ver milhões de estrelas. Abrir os braços e abraçar bilhões de seres humanos. Abrir os olhos e perceber que a terra não é a casa que se tem, a cidade em que se vive, o país que nos dá a nacionalidade. Somos cidadãos da terra. Cidadãos do mundo. Nosso viver agora tem que expressar o que seremos depois da morte. Não seremos mais um corpo limitado, mas seremos cidadãos totalmente livres no tempo e no espaço, onde tudo é aqui e agora. Mas para sermos isso temos que nos treinar desde agora. Seremos nossos sonhos. Sonhar grande é preparar a casa do tamanho do universo, é planejar a festa com todas as músicas, é cultivar um jardim com todas as flores e cores.
L’italiano che ancora è in me
Antônio Alberti
Empresário italiano - Porto Alegre
Antônio Alberti viveu a Itália da pobreza, das guerras e do êxodo, e conservou uma italianidade de cidadão do mundo, que intitula - L’Italiano che ancora è in me.
"Sono nel Rio Grande do Sul da 35 anni. Sento che ormai non riuscirei a staccarmi da questa terra che mi ha accolto in una forma bella, con la squisitezza dei brasiliani. Sento il richiamo dei lacci familiari; sono saldamente attaccato e attratto dai tesori culturali, nel senso più ampio della parola, e che solo possiamo trovare nello Stivale; mi manca la varietà ed il differente suono dei nostri 1000 dialetti, differenziale linguistico del nostro Paese. Ad apprezzare questo tesoro me lo insegnò Dante nel suo De Vulgaris Eloquentia, dove passa in rivista i nostri Volgari e Dialetti, li sminuzza, li rigira, per trovare la lingua degna di sostituire il Latino ed essere parlata in tutta l’Italia. Muore senza trovarla. Questa lettura mi ha stimolato a cercare di capire come Lui avrebbe classificato la nostra lingua neo-latina locale, il Talian. Mi sento ancora un toscano, preso fortemente alle sue tradizioni. Molte volte pensando di dove sono venuto, non mi viene alla mente, né l’ex-regno dei Savoia, né la Repubblica italiana, non ci crederete, ma mi appare alla mente tutta la mappa del Granducato di Toscana e mi sento un suddito dei grandi Medici.
Conservo ancora qualche radice italica, ma le fronde rigogliose sono chiaramente gauche. La mia vita sociale, culturale, politica, anche se senza il diritto al voto, è qui, nella terra di accoglimento. Il Rio Grande mi ha accolto con le braccia aperte, ma anch’io gli ho dato tanto con il mio lavoro, aprendo le porte dell’Europa alla carne gaucha, quella che le Cooperative cominciavano a produrre, cercando mercati dove poter collocarla. Mercati che loro non conoscevano. Fino a quel momento praticamente, solo le grandi industrie inglesi e nord americane, qui installate, esportavano le carni del Rio Grande do Sul.
Io mi sento italiano dell’Italia di prima, solo parzialmente dell’Italia di oggi. Quella legge sul voto agli italiani all’estero è arrivata con 54 anni di ritardo e sembra che ci abbiano fatto un regalo. Io non sono mai riuscito a votare e certamente non lo farò adesso. Gli iracheni residenti all’estero, appena formata un’ombra di governo, 2005, hanno già votato. Per questo sono italiano dell’Italia di prima, quella che ho trovato qui, appropriatamente chiamata Italia nel Mondo. Quegli italiani che vibrano nelle ricorrenze che uniscono Brasile e Italia, come nei festeggiamenti per i 130 anni della nostra immigrazione nel nostro stato, ma che non si sentono punta di lancia politica, all’estero, dell’Italia di oggi. Sono cambiato tanto che come italiano nel mondo, ho imparato a fare la fila e non la coda (quella del pavone), come facevo prima."
De fato, os emigrantes fizeram do mapa-mundi o território de seus sonhos, lutas e trabalho. Alberti trouxe a Itália para o Sul do Brasil, e, junto aos produtos de seu trabalho, exportou o carisma de sua italianidade, compartilhada com as demais etnias, com as quais comercializa produtos, embalados do afeto e do amor à italiana. (Rovílio Costa)
el ritorno de nanetto pipetta (300)
Montecassino e el monastero de San Benedeto
Rafael Baldissera
Professor, Curitiba - PR
De matina bonora, semo imbarcai te un ónibus grando, confortàbile, con frigobar, TV e mùsica, dea impresa Casarotto.
Ndando fora de Roma, ghemo cantà Arrivederci, Roma. Semo ndai tea diression Sud. Ghemo catà le strade òtime. Casso, la ze stà na osservassion de Nanetto, sefe de stradini. Al lungo, campi de fieno taià, par alimentar el bestiame confinà. Se vedea tanti vignai e olivari, le prinsipali piantaion del Itàlia. Da là na s-cianta, Nanetto domanda a Edilson:
- Che monti zei quei là, pieni de passassoto?
- I ze i Apenini, che i percore la Itàlia dal Nord al Sud, i scomìnsia tel Golfo de Génova, no i ga i alti cùlmini dei Alpi. El pi alto ze el Gran Sasso, con 2.921 m. Ma la altessa mèdia dei Apenini la ze de 1.600 m. Dessora de mila metri i ze àridi, e soto de questa altitùdine la vegetassion la ze diversificada. Fati de sassi de calsina, i proporsiona marmi magnìfichi.
Ale 10:30 ore semo rivai in Montecassino. Semo ndai su la montagna par visitar el Monastero dei mónachi de San Benedeto. Sto Monastero el ze na Òpera de arte, soratuto la Basílica. Parlando de San Benedeto, dise Edilson:
- San Benedeto l’è nassesto nel 480. In 529 el ze ndà star in Montecassino, ndove el ga finio col paganésimo e el ga costruio el so convento. El ga tras-formà el témpio pagano de Giùpiter e Apolo in cesa cristiana. Tel cùlmine dea montagna el ga costruio na capela in onor a San Gioan Batista, ndove, pi tardi, l’è stà costruio el grando Monastero, che’l mantien i ossi del Santo e de Santa Scolàstica. In Montecassino San Benedeto el ga scrito la sèlebre Règola, importante documento de spiritualità, par educar i òmini e i pòpoli tea santità cristiana e tel amor al laoro. El Monastero l’è stà destruto quatro volte e sempre ricos-truto: na volta par i Longobardi, nantra volta par i sarasseni, in 1349 par un violento teremoto e in 1944 par el bombardamento dea Seconda Guera Mondial. Tea Seconda Guera Mondial i alemani i se gavea istalà tel Monastero e là i ga fato el so punto stratègico. Ma l’Aviassion Americana la ga bombardà el Monastero e la ga desalogià i tedeschi, destrugéndolo completamente. Ma, finia la Guera, l’Aeronàutica Americana lo ga recostruio ben polito.
Nanetto el restea là, davanti Edilson, de boca verta, sensa saver se’l dovea scriver o scoltar.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
Stagion de Otuno
Elvino João Sartori
Professor e Poeta, Ivoti – RS
Le àrie d’otuno le vien de lontan.
Le piante nude le perde el morbin.
Giornade pi curte, meno bacan.
Dei caldi d’istà gavemo la fin.
I rami i se sbassa carghi de fruti,
Premosi i dise: "Vien torne zo".
Ringràssio el Signor insieme con tuti
La gran abondansa del di d’ancó.
La tera straca de zaldo se coerze.
Le fòie le casca fiape, smarite.
Col gran fato, la tega la se verze.
Pien el granaro: fadighe finite!
In tel otuno ghe vol rangiar su
Frutari, orti, anca semenar
Formento, vena - le due virtù
Che pan diventa par tuti magnar.
Chi, in questo mondo, fa età alta
Come l’ano le so stagion rabalta.
Solche l’otuno al tempo torna si,
Ma ai veci no’l se mostra mia pi...
Racomandassion taliane rimade dela Nona Gìgia
- El gran: Prima de magnarlo bisogna pensar de piantarlo.
- La legna: Chi no sa mia farla no’l sa mia brusarla.
- El formaio: La pessa de formaio no ste mia taiarla se no savé mia sparagnarla.
- I soldi: Prima de guastarli impara guadagnarli.
- Posterno: Casa al posterno magagne tel inverno.
- Salute: Da pìcolo s’impara: galine in caponara, tel orto caprìssio, in cusina giudìssio, vin tel botame - tola alegra e sensa fame.
Ai, Gioan! Ai Gioan
Rafael Baldissera
Professor, Curitiba – PR
Na volta, Gioanin el gera drio catar su fruti ntel mato, te un posto che i disea che’l gera pien de fantasme. Ma, come lu el gera coraioso e no’l gavea paùra de lobisome, l’è ndà avanti, tirando do fruti e metendo nte un saco. Quando el saco gera squasi pien, el ga scoltà na vose che la disea:
- Ai, Gioan! Ai, Gioan!
In quel momento, Gioanin el ga ciapà paùra e l’è ndà via par la pi curta, assando là saco de fruti, sinele e tuto. Ma suito el se ga fermà e el ga pensà:
- Òstrega! Mi son un omo de coraio e no posso ver paùra de lobisome.
L’è tornà indrio, el ga vardà da na banda e da l’altra, seguendo la vose che la disea: "Ai, Gioan, ai Gioan!", fin che’l ga podesto veder el tal fantasma – un papagalo el gavea ciapà un spin, che l’è restà tel so pie. Lora, el Gioan de Baro, che l’è un osel benèvolo, col so beco el tentea cavarghe sto maladeto spin. Ogni volta che lu el forsea par cavarghe el spin, el papagalo el osea:
- Ai Gioan, ai Gioan!
Prefeitos do país querem autonomia
Marcha quer repartir responsabilidades e os recursos com a União
Os municípios recebem hoje 4,5% de toda a carga tributária do país (36,5% do Produto Interno Bruto) e mesmo com o aumento de um ponto percentual nos repasses da União para o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), pretendido pelos prefeitos com a votação da reforma tributária, a desigualdade persistirá. A opinião é do presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski.
Com o aumento de um ponto percentual no FPM, o fundo passaria dos atuais 22,5% para 23,5% da parcela a que tem direito na divisão da arrecadação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Segundo Ziulkoski, os municípios teriam um aumento de R$ 1,2 bilhão por ano na receita.
Para Ziulkoski, os municípios devem subsistir num modelo federalista em que possam gerir melhor sua autonomia administrativa. "Estamos vivendo com uma carga tributária alta, muito maior que a de todos os países da América Latina, e que junto com a alta taxa de juros gera o desemprego", destacou na 8ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, realizada de 7 a 10 de março, em Brasília.
Mudanças - Os prefeitos brasileiros também querem mudanças nas regras do Imposto Territorial Rural e do pagamento de precatórios. No caso do ITR, eles querem receber 100% dos recursos arrecadados com o ITR. A arrecadação hoje é dividida entre a União e os municípios. Em relação aos precatórios, a reivindicação é a limitação do gasto anual com pagamento de precatórios judiciais em 2% da receita corrente líquida municipal.
O aumento de verbas para a educação também integra a pauta, além da política de planejamento urbano, que inclui financiamento para os setores da habitação popular, saneamento básico e transporte urbano.
Os resultados das discussões foram reunidos em uma carta, depois que os municipalistas reafirmaram a necessidade de fortalecer a federação, repartindo as responsabilidades e os recursos. O documento foi levado ao Congresso Nacional e ao governo federal.