
DESCOBRINDO CAMINHOS
Desde 1909, onde o conteúdo faz a diferença.
Edição 4.930 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 30 de março de 2005.
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Um novo pacto entre o homem e a natureza
Só o fato de quem polui ser obrigado a financiar a recuperação de mananciais já justifica a cobrança pelo uso da água
A decisão do Conselho Nacional de Recursos Hídricos, de cobrar de todos os segmentos da sociedade pelo uso da água, tende a se transformar um marco histórico para o meio ambiente brasileiro - mas pode também representar uma frustração. O resultado positivo virá se todas as indefinições em torno de valores e formas de cobrança forem esclarecidas logo e dentro de parâmetros justos; o negativo, se as dúvidas permanecerem por longo tempo, o suficiente para que a medida aprovada caia no esquecimento.
Para que a cobrança vigore é necessário que estejam organizados os comitês das bacias hidrográficas brasileiras, em número de 100. São esses comitês que estabelecerão os critérios da nova taxa e a destinação dos recursos arrecadados. O Rio Grande do Sul tem 18 funcionando e falta ainda a estruturação de seis. No Brasil, apenas um comitê já executa a cobrança - o da região do rio Parnaíba do Sul, que abrange São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Hoje a quase totalidade dos usuários paga apenas uma taxa pelos serviços do abastecimento de água, aquela que o cidadão recebe em casa após ser captada, tratada e distribuída por rede. O volume utilizado, em geral na área urbana, é muito inferior ao destinado à irrigação na agricultura, apontada como vazadouro para 75% de toda a água doce consumida.
Há no mínimo três questões que precisam orientar as futuras decisões. Uma delas é criar um sistema de cobrança que priorize a proporcionalidade. Outra, mais importante ainda, que seja penalizado com taxas mais vultosas quem polui os mananciais. E a terceira, não menos relevante que a anterior: que os recursos obtidos sejam realmente aplicados no saneamento ambiental, como prevê o Conselho de Recursos Hídricos, e não constituam mais um imposto para engordar o caixa dos governos.
O fato de os responsáveis pela contaminação serem obrigados a financiar a recuperação dessas águas acena para um novo pacto entre o homem e a natureza. Só essa possibilidade já justificaria a cobrança - motivo mais do que suficiente para que esta oportunidade não seja desperdiçada pela longa manutenção de indefinições.
Sartori apresenta o plano plurianual de seu governo
Documento contém objetivos e prioridades para quatro anos
Infra-estrutura, desenvolvimento econômico, políticas sociais e questões estratégicas. Esses são os quatro eixos que serviram de base para a elaboração do Plano Plurianual (PPA) da administração José Ivo Sartori. O prefeito apresentou o PPA na Câmara de Vereadores na terça 22, acompanhado do vice-prefeito Alceu Barbosa Velho, dos secretários municipais, diretores, assessores e técnicos das secretarias, numa reunião que teve a presença do presidente do Legislativo, Francisco Spiandorello, e de vereadores.
O Plano Plurianual traça os objetivos e as prioridades do governo para os próximos quatro anos. Sartori ressaltou que o PPA "não é hermético", deve ser discutido com a comunidade e ter o máximo de transparência. E destacou dois pontos: "Em primeiro lugar, o PPA está sintonizado com nosso programa de governo; e em segundo, é importante lembrar que ele foi elaborado em consonância com o que preconiza o Estatuto da Cidade", afirmou.
Diretrizes - Democracia, solidariedade e voluntariado, segurança pública e qualidade de vida, atenção especial à infância, juventude, idosos, mulheres e às minorias são algumas das principais diretrizes do PPA. Nos quatro eixos se destacam ampliação, conservação e melhoramentos de vias urbanas e rurais, melhoria do transporte coletivo municipal e intermunicipal, saneamento rural e tratamento de redes de esgotos sanitários (Infra-estrutura); fomentar o associativismo, criar mecanismos de aumento da produtividade agrícola, promovendo a reestruturação e ou a reconversão, implementar ações para recuperar e desenvolver o turismo de lazer e negócios (Desenvolvimento Econômico); atender integralmente a saúde, priorizando a prevenção, e garantir ao cidadão o acesso à escola com qualidade (Políticas Sociais); controle ambiental pleno; implementação do Estatuto da Cidade e elaboração do Plano Diretor, e descentralização urbana (Questões Estratégicas).
3ª Légua promove a Festa da Colheita
Celebrar a identidade, o trabalho, a integração e a fé são objetivos da 4ª Festa da Colheita, que ocorre dias 2 e 3 de abril, em Terceira Légua, interior caxiense. O evento pretende, ainda, divulgar o turismo, centralizado na Estrada do Imigrante, onde nasceu a cidade de Caxias do Sul, e a história das comunidades. "É uma festa de volta às origens", define Ivo Posser, um dos organizadores.
A programação inicia dia 2 com o 1º Torneio de Futebol das Comunidades, na Sociedade Esportiva São Pedro. No domingo, 3, missa festiva (10h30), com destaque para o ofertório que apresentará os frutos colhidos da terra; almoço típico italiano (R$ 13,00 com reserva); à tarde, Olimpíadas Coloniais e o desfile de carretões alegóricos, com o tema "Nossa história, nossas riquezas". "Buscamos resgatar a história das comunidades e instituições, a fim de refletirmos sobre nossa identidade cultural", diz o presidente da comissão organizadora, Arnaldo Poletto.
A corte da Festa da Colheita, formada pela rainha Caroline Tonietto e pelas princesas Fabiana Michelon e Paula Motter Postali, participa intensamente da promoção que divulga a região de Terceira Légua.
Comerciantes homenageiam empresários com O Mercador
Em sua 26ª edição, o troféu O Mercador agracia este ano os empresários Raul Pedro Fedrizzi, sócio-proprietário da Fedrizzi; Nadir Pedro Rizzi, diretor-presidente da Agrimar; e Eduardo Luis Slomp, diretor do Supermercado Croata. A deferência é concedida anualmente pelo Sindicato do Comércio Varejista (Sindilojas) e pelo Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios (Sindigêneros) de Caxias do Sul. O troféu é uma homenagem a empresários que obtiveram êxito em suas áreas de atuação.
Indicados nas categorias Destaque Especial, Destaque Setor Lojista e Destaque Setor de Gêneros Alimentícios, os três agraciados foram eleitos entre os mais de 50 nomes apontados pelo corpo de jurados, formado pelos associados das entidades, autoridades e ex-agraciados. A cerimônia de entrega do troféu será realizada dia 4 de abril, a partir das 20 horas, durante jantar na Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul.
O anúncio dos Mercadores de 2005 foi feito na quarta, 23, pelos presidentes do Sindilojas, Carlos Calcagnotto, e do Sindigêneros, Jaime Andreazza, em entrevista coletiva na sede das entidades. O prêmio já homenageou 68 pessoas de destaque na comunidade caxiense.
Também no dia 4 de abril, será empossada a diretoria do Departamento de Jovens Empresários Lojistas (Sindijovem), que terá Cíntia Montemezzo, sócia-gerente da Rock Tintas, à frente das atividades.
CR lança curso inédito de teologia à distância
Curso, em parceria com a Estef, inicia dia 18 de maio e assinante não paga a inscrição
O Correio Riograndense, através de uma parceria com a Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana (Estef), vai oferecer aos seus leitores a partir de 18 de maio o Curso de Teologia à Distância. Essa iniciativa inédita se estenderá, em sua primeira fase, até 7 de dezembro. Serão publicadas 30 lições, uma a cada edição do jornal, distribuídas em três módulos: Bíblia, Liturgia e Moral. Os assinantes do Correio Riograndense não precisarão pagar pela inscrição, que deverá ser feita junto à Estef (veja abaixo).
O curso, em nível de extensão universitária, terá um sistema de aferição para confirmar e ampliar a compreensão de cada aluno e no final, aos que estiveram interessados, a Estef fornecerá certificado. Estas aulas interessam a catequistas, professores de ensino religioso, grupos de jovens, vocacionados à vida religiosa, agentes de pastoral e, de um modo geral, a todos os leitores.
"Esta é uma oportunidade para as pessoas que desejam aprofundar o conteúdo de sua fé e têm dificuldades de deslocamentos ou temem a insegurança", avalia frei Luiz Turra, provincial dos capuchinhos no Rio Grande do Sul. É também um meio de preservar os objetivos traçados para o CR por frei Bruno de Gillonnay, o grande artífice da missão capuchinha em solo gaúcho, quando imaginou que o jornal seria uma "visita semanal" às famílias, levando "uma página do bom Evangelho, explicada e comentada, uma história edificante...".
Desde que começou a circular, em 13 de fevereiro de 1909, o Correio Riograndense foi cartilha, catecismo e bíblia para seus milhares de leitores. Esta preocupação se manifesta, hoje, através do Curso de Teologia à Distância - uma maneira atualizada de manter a fidelidade aos seus leitores e a seu tempo. "Para ser fiel ao passado é preciso mudar muito", afirmou o saudoso dom Hélder Câmara (1909-1999).
Aula em casa - Foi, sobretudo, a partir do Concílio Vaticano II que o leigo cristão tomou consciência de sua pertença ao povo de Deus. Não é apenas uma presença passiva, pelo contrário, tem o direito de saber e de opinar nas mais diferentes questões. O Vaticano II consagrou a maioridade dos batizados. A partir daí, multiplicaram-se as iniciativas neste sentido. Entre elas situam-se as escolas de teologia para leigos. Freqüentar estas escolas, por diferentes motivos, nem sempre é fácil. "Foi pensando nisto que o Correio Riograndense levará aos seus assinantes uma aula de teologia em sua casa", afirma frei Aldo Colombo, diretor de redação do CR. "Vamos possibilitar a lideranças comunitárias e assinantes do Correio Riograndense o aprofundamento da fé que eles já vivem naturalmente, criando um espaço de reflexão", explica frei Vanildo Zugno, coordenador de Teologia da Estef.
Professores especializados elaboram as lições e dão assistência aos alunos
A elaboração do Curso de Teologia à Distância estará a cargo de três professores da Estef, especializados e reconhecidos nos seus respectivos temas. O módulo Bíblia será de responsabilidade de frei Bruno Glaab, coordenador de Extensão da Estef, doutor em Bíblia, no Evangelho de Marcos, pela PUC do Rio de Janeiro. Liturgia será desenvolvida por frei Carlos Rockenbach, vice-reitor da Estef, mestre pelo Instituto Católico de Paris, e Moral, por frei Hildo Conte, doutor em Teologia Moral pela Universidade Gregoriana, de Roma.
Cada lição publicada pelo CR terá questões dirigidas aos alunos, que deverão respondê-las e enviar as respostas à Estef - pelo correio comum (Estef - Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana, rua Thomaz Edson, 212, CEP 90640-100 Porto Alegre - RS), por e-mail (extensão@estef.com.br) ou pelo fax (fone (51) 3217-4567). Além de aferir o desempenho dos alunos, os professores estarão à disposição para orientar e resolver dúvidas e questionamentos. As perguntas deverão ser remetidas para a Estef, nos endereços e fax acima descritos e em destaque ao lado. Para ser aprovado, o aluno deverá responder satisfatoriamente a no mínimo 75% das questões formuladas e para receber o certificado de extensão universitária, encaminhar a solicitação para a Estef.
Estef possui estrutura voltada à formação teológica
A Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana (Estef) foi fundada em março de 1986. Está instalada em Porto Alegre e tem como objetivo oferecer formação teológica aos membros do Instituto de Vida Consagrada, candidatos ao Ministério Presbiteral e lideranças cristãs em geral.
Para alcançar esse objetivo, a Estef oferece, há 19 anos, o Curso de Graduação em Teologia. A partir de 1992, respondendo à demanda das comunidades eclesiais, passou a oferecer também cursos de capacitação teológica (nível de extensão) para lideranças eclesiais. Num primeiro momento, estes cursos foram ministrados apenas na própria sede da Escola. O êxito obtido, no entanto, fez com que paróquias e dioceses do interior do Estado passassem a solicitar a assessoria da Estef para a formação de suas lideranças.
Em outubro do ano passado, a Estef foi credenciada pelo Ministério da Educação (Portaria MEC nº 3788 de 17/11/2004). Em quase duas décadas, a escola já formou 285 alunos no curso de graduação e mais de cinco mil nos de extensão.
Cursos - A Estef oferece um curso de graduação e quatro de extensão. O de graduação - bacharelado em Teologia -, autorizado pelo MEC, tem duração de quatro anos. São 30 vagas anuais, no período diurno, e o vestibular é realizado no verão. Entre os de extensão estão o Básico de Teologia, com quatro semestres de duração; Básico de Franciscanismo, realizado em três etapas (nos meses de janeiro de 2006, 2007 e 2008); e o Curso Popular de Teologia, com dois anos de duração, que é oferecido em Porto Alegre e em mais sete cidades gaúchas (Canoas, Soledade, Bagé, Rio Grande, Horizontina, Santa Maria e Torres).
Instalações - Situada numa ampla área verde, além de salas de aula e de estudo, auditório e espaços de convivência, a Estef conta com laboratório de comunicação e de informática. O prédio novo e moderno abriga uma biblioteca com mais de 40 mil títulos e a assinatura de 36 revistas nacionais e 56 estrangeiras na área de teologia. Possui um quadro de 19 professores permanentes, dos quais seis são doutores e 10, mestres.
Vindima memorável para os tintos
Clima garante qualidade a todas as uvas. Ênfase é para variedades tintas
A vindima 2005 será lembrada por dois motivos: a excelência da safra, apontada como a melhor dos últimos 30 anos, e a suspensão no recebimento das uvas. O tempo dirá qual dos motivos ficará na história das colheitas na Serra.
Por enquanto, na galeria de momentos antológicos da produção vitivinícola gaúcha perfilam as excelentes safras de 1991, 1999, 2002 e 2004. Dados da Secretaria Estadual da Agricultura - Divisão de Enologia, em Caxias do Sul, publicados pelo CR na última edição; e da Embrapa Uva e Vinho, de Bento Gonçalves, apoiados em análises laboratoriais e no comportamento climático, confirmam a qualidade superior da vindima 2005.
Precipitação pluviométrica, horas de insolação, umidade relativa do ar, temperatura média... "Seja qual for o indicador, a vindima apresentou condições climáticas que, aliada à tecnologia. a credenciam a ser classificada como a mais propícia para a produção de vinhos nas últimas três décadas", afirma ao CR o enólogo Mauro Zanus.
Estudos da Embrapa demonstram que a precipitação pluviométrica talvez seja o fator mais importante da qualidade da safra. Em 2005, o clima se comportou ainda melhor do que a safra de 1991 para as variedades mais importantes. "Uva com alta graduação e grande concentração de açúcares, pigmentos, taninos e compostos aromáticos. Como resultado, podemos aguardar vinhos de nível internacional", diz Zanus.
Em sua análise, Zanus assegura que o clima garantiu a qualidade das uvas brancas e tintas, mas o grande destaque deverá ficar com os vinhos tintos. A estiagem, iniciada em novembro, favoreceu a maturação dos frutos dos três grupos de variedades de uvas: as que amadurecem em janeiro (chardonnay e pinot noir); em fevereiro (riesling itálico), e as de março (cabernet sauvignon, cabernet franc e tannat).
Possivelmente os vinhos brancos varietais, como o chardonnay, sauvignon blanc, gewurztraminer e riesling itálico terão um aroma mais intenso, com uma expressão varietal superior ao normal. No entanto, o maior destaque serão os vinhos tintos, pois é nestes que se promove maior extração de substâncias de todas as partes da uva, como a casca, polpa e semente," declara.
Avaliação deve receber 30% mais de amostras
O elevado grau de maturação das uvas produzidas na safra 2005 abre a perspectiva para que sejam elaborados vinhos de excepcional qualidade. Por isso, a Associação Brasileira de Enologia (ABE) acredita que o incremento no número de amostras encaminhadas para a XIII Avaliação Nacional de Vinhos seja 30% superior ao de 2004. No ano passado, o evento contou com 335 amostras de 75 vinícolas brasileiras.
De acordo com o pesquisador da Embrapa Uva e Vinho e diretor da ABE, Mauro Zanus, em 2005 as condições climáticas favoreceram a maturação plena das uvas. "O clima garantiu a qualidade das uvas brancas e tintas, mas o grande destaque deverá ser para os vinhos tintos", observa Zanus.
Há a expectativa de que muitos vinhos tintos de 2005 apresentem um estilo que vem sendo enormemente valorizado no mercado internacional e, também, por especialistas, que são os vinhos robustos e estruturados. "Eles terão, possivelmente, elevada intensidade de cor, aroma intenso, maior teor alcoólico e um paladar mais concentrado e persistente", analisa. "Embora a carga de taninos seja maior que a média dos anos, são taninos macios, maduros, que contribuem para o enriquecimento do sabor dos vinhos", conclui o pesquisador.
Monte Belo busca origem de procedência
Transformar viticultores em produtores de vinhos finos de qualidade, aproveitando as características geográficas e climáticas de Monte Belo do Sul, na Serra gaúcha. Esse é o principal objetivo de um projeto, coordenado pelo pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, Jorge Tonietto. "A safra de 2005 será um marco para a produção de vinhos finos", diz o orientador.
Para esta safra, sete das 12 vinícolas que integram a Associação dos Vitivinicultores de Monte Belo (Aprobelo) estão participando da elaboração orientada. Os vinhos tintos, como merlot e cabernet, estão sendo produzidos individualmente em cada cantina. Já os espumantes moscatel e brut e o vinho branco riesling itálico estão sendo elaborados na Embrapa com uvas dos viticultores locais.
Os vinhos selecionados desta safra serão comercializados com selo indicativo de origem do vinho visando valorizar a região. Além da visitação aos parreirais e às cantinas, também ocorre orientação por meio de exames de degustação e laboratoriais nas diversas fases da elaboração. "A idéia é elaborar vinhos de elevada qualidade, de sabor nítido, capazes de expressar a influência sobre as uvas atribuída pelo clima, solo e topografia da região", adianta Tonietto.
Segundo Cleimar Reginatto, um dos produtores, o acompanhamento da Embrapa está sendo fundamental para apoiar a elaboração dos vinhos. "Nas visitas podemos conversar, trocar idéias e tirar dúvidas sobre o que é melhor fazer", revela. O projeto é uma iniciativa da Embrapa e da Aprobelo, com o apoio do Sebrae/RS, da Prefeitura e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
Uva sem semente conquista consumidor
A produção e consumo de uvas sem sementes é uma tendência mundial, que chegou ao Brasil. A Embrapa Clima Temperado de Pelotas está realizando há quatro anos um trabalho de validação da fruta em Canguçu, único município do RS que dispõe de unidade de estudos. Agora, as primeiras uvas sem sementes, produzidas em unidade familiar, começam a chegar ao mercado gaúcho.
As uvas sem sementes, chamadas de apirênicas, provêm de duas seleções avançadas do programa de melhoramento genético da Embrapa Uva e Vinho e mais duas variedades recém lançadas, BRS clara e BRS morena. "Essas novas variedades de uvas começam a chegar a outras regiões brasileiras", conta o pesquisador da Embrapa Luis Eduardo Antunes.
Segundo ele, os consumidores têm demonstrado grande aceitação e preferência pelas apirênicas, em função de aspectos como sabor, aroma e aparência.
Paraná - A Embrapa e a Emater/PR, em uma pesquisa que durou dez anos, colheram a primeira safra de uva sem semente. O trabalho foi realizado em caráter experimental, com apenas meio hectare plantado. "A qualidade é excelente", garante o responsável pela fruticultura no Noroeste paranaense, José Odair Mazia.
De acordo com Mazia, a colheita da uva sem semente ocorre mais cedo no Paraná, e isso faz com que o produtor consiga preço melhor. "Além do melhor preço, a uva sem semente é mais doce", conclui.
Dia Estadual do Vinho será festejado em junho
As comemorações do Dia Estadual do Vinho, a ser celebrado no primeiro domingo de junho, dia 5, serão ampliadas. No encontro realizado na última semana, na Embrapa Uva e Vinho, em Bento Gonçalves, o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) anunciou a participação mais ativa das secretarias municipais de Turismo.
Estão previstas atividades nas praças centrais das cidades, abertura de vinícolas à visitação e oferta de produtos com preços promocionais em estabelecimentos diversos (como restaurantes, hotéis e adegas), além da realização de cursos de degustação. Para o Dia do Vinho 2005 está sendo igualmente projetado um grande ato oficial de comemoração, na Capital do Estado.
Viticultura e enologia têm encontro no Brasil
Os trabalhos de organização do X Congresso Latino-Americano de Viticultura e Enologia já tem data definida. Será realizado em Bento Gonçalves (RS), no período de 7 a 11 de novembro. A promoção é da Associação Brasileira de Enologia (ABE) e da Embrapa Uva e Vinho. Paralelamente, será realizado o XI Congresso Brasileiro de Viticultura e Enologia e o II Seminário Franco-Brasileiro de Viticultura e Enologia.
Os eventos têm caráter científico e o propósito de fazer um balanço do estado da arte, da ciência e tecnologia vitivinícola sul-americana. Constituem um importante fórum de discussão sobre assuntos relacionados à área. O congresso é realizado a cada dois anos entre Argentina, Brasil, Uruguai e Chile.
Safra tem maior quebra da história agrícola do país
Conab aponta perdas de 12,4 milhões de toneladas de grãos
A ferrugem asiática provocou a perda de 10,4 milhões de toneladas de soja no ano passado (foto). Já nesta safra o problema é a estiagem. A quebra estimada para a safra brasileira de grãos é de 12,4 milhões de toneladas, considerada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a maior da história agrícola do país.
Com base no levantamento, o país deve colher 119,5 milhões de toneladas. Ainda assim, é uma colheita maior do que na safra anterior, que foi de 119,1 milhões de toneladas. Os números constam da estimativa de produção divulgada na terça, 22, pelo presidente da Conab, Jacinto Ferreira.
Soja e milho são as culturas mais prejudicadas pelos problemas climáticos nos Estados do Sul, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás, responsáveis por 60% da safra do país. Só os produtores gaúchos tiveram quebra de 66,7% na soja e 55% no milho.
A queda na safra da oleaginosa, em comparação com a estimativa inicial, divulgada em dezembro de 2004, é de 13,5% - 8,3 milhões de toneladas. Mesmo com a redução, a safra de soja deve chegar a 53,1 milhões de toneladas - 3 milhões de toneladas a mais em relação à colheita anterior, de 49,7 milhões de toneladas.
"Esse desempenho deve-se à produtividade da cultura no Mato Grosso, Minas Gerais, Maranhão, Piauí e oeste da Bahia", destaca o presidente da estatal. A perda na cultura de milho deve chegar a 10%, o equivalente a 3,16 milhões de toneladas. A previsão é de que a produção de milho da primeira safra alcance 29,3 milhões de toneladas em todo o país.
Assegurados mais três anos para o alho
Nos próximos três anos, os produtores de alho poderão plantar o bulbo com tranqüilidade. A afirmativa é do presidente da Associação Nacional dos Produtores de Alho (Anapa), Gilmar Dallamaria, depois do encontro com o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan. "O mercado está muito bom e os preços girando na faixa de R$ 40,00 a 45,00 a caixa, com tendência de aumento", acrescenta.
Acompanhado dos deputados Odacir Zonta, Silas Brasileiro e Valdir Colatto, o presidente da Anapa tratou de assuntos de interesse do setor. "O ministro nos tranqüilizou a respeito do futuro da produção brasileira", diz. Além disso, assumiu o compromisso de regulamentar o artigo que trata da emissão de medidas de salvaguardas, em caso de não renovação do antidumping.
O diretor do Departamento de Defesa Comercial, Armando Mezziatt, que conduziu o processo de antidumping, informou que um novo processo poderá durar até um ano de investigação. Com isso, o direito antidumping que vigora até o final de 2006, estaria valendo até o final de 2007. "Caso não consigamos renová-lo, poderemos entrar com pedido de edição de medida de salvaguarda, o que permitiria fixar cotas ou aumentar a taxa para até 56%", conclui.
Engº. Agrº. José Zugno
Melão-andino
Solicito informações sobre um fruto chamado "melão-de-tronco", que conheci no Litoral Gaúcho. Segue a fotografia do mesmo na planta. Se é comestível, qual a melhor forma de consumo?
Oraci Correa
Caxias do Sul - RS
Quando recebi o pedido para escrever a respeito do melão-de-tronco fiquei meio espantado: o que escrever se eu não o conheço? Tronco é o caule lenhoso das árvores e de suas ramificações mais grossas. Conheço um bom número de frutos de tronco como o cacau, a jaca, a jabuticaba, o mamão, castanha de macaco e outros.
Tais frutos encontram-se diretamente presos ao caule de suas árvores. Verificando, porém, com atenção, a fotografia enviada constatei a impropriedade de se denominar tais frutos de melão-de-tronco, pois eles estão presos a um caule herbáceo possivelmente apoiado num tutor como é comum no cultivo do tomateiro. Nem o nome é bem acertado pois o fruto não é um verdadeiro melão, o nome veio pela semelhança de um pequeno melão oval e principalmente porque sua polpa comestível lembra o gosto de melão.
Baseado apenas no exame da foto, parece-me que se trata do "melão-andino" dos chilenos ou "peromelone" dos italianos, assunto que abordei nas edições de 28 de abril, 5 de maio e 22 de setembro de 1999 a pedido do Sr. Angelino Patrício de Caxias do Sul e do Pe. José Incicco de Cascavel - PR. Trata-se de um fruto da família botânica das Solanáceas - a mesma do tomate, batata, beringela, etc. gênero Solanum e espécie (provavelmente) Solanum muricatum, nativa do Peru, após melhorada e cultivada como "melão-andino". A planta é herbácea ou semi-arbustiva, muito ramificada podendo atingir 80 a 90 cm de altura. Os ramos, pouco rijos, são verdes e podem ser conduzidos apoiados em tutores. As folhas são simples, pecioladas, oblongas-lanceoladas, ápice agudo, superfície macia ao tato. As flores, reunidas em cacho, com cabinho longo, são pequenas, pentâmeras, de cálices verdes, corola de cor branca e roxa, afunilada na base, cinco estames presos na parte interna das pétalas, ovário súpero, bicarpelar, bilocular com numerosos óvulos. O fruto com o cálice persistente é ovóide, de cor amarela, com listas longitudinais violáceas, mede de 10 a 15 cm de comprimento e pesa cerca de 200 gramas.
A polpa é de cor creme, abundante, macia, aromática e muito suculenta. O sabor é acídulo, semelhante ao do tomate de árvore, pouco doce mas melhora muito com açúcar. No liquidificador com igual parte de água e açúcar a gosto dá um excelente suco. Segundo o Pe. José, é um refrescante delicioso. A multiplicação é facílima por meio de estacas dos ramos, dotadas a cada 4 ou 5 cm de nodosidades ásperas mas não espinhentas. As estacas, de uns 10 cm de comprimento, colocadas em terreno adequado, emitirão nestas nodosidades raízes que se fixarão no solo e para cima hastes da nova planta.
Água financiará saneamento básico
Todos os segmentos vão pagar pelo uso dos recursos hídricos
Todo o segmento da sociedade que utilizar a água de determinada bacia hidrográfica pagará uma taxa referente ao seu uso. A medida abrange desde o segmento industrial até o cidadão e agricultor. A proposta foi aprovada pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH), órgão ligado ao Ministério do Meio Ambiente, na segunda, 21. As taxas serão estabelecidas pelo próprio comitê de bacia hidrográfica da região, de acordo com as necessidades locais.
A cobrança será feita nos moldes de uma taxa de condomínio, já que os componentes dos comitês das bacias hidrográficas é que definirão o seu valor e onde o recurso será aplicado. "A cobrança é proposta no ambiente do comitê da bacia, aprovada pelo respectivo conselho. A partir daí vira uma taxa condominial, todo mundo que usa água naquela bacia se compromete em pagar um valor que varia dependendo do segmento do usuário", explica o presidente da Câmara Técnica de Cobrança pelo Uso de Recursos Hídricos, Décio Michellis Júnior.
A resolução aprovada pelo CNRH servirá como um instrumento de referência para que as bacias definam seus próprios critérios de cobrança e investimento. "O grande déficit de investimento é na área de saneamento ambiental, não só levar água tratada, tratar os efluentes e os esgotos, mas também as demais ações de saneamento ambiental, como resíduos sólidos e limpeza pública", diz o técnico.
No caso do Rio Grande do Sul, a cobrança pelo uso da água só vai acontecer quando os comitês das 24 bacias hidrográficas estiverem constituídos. "Hoje, o Estado tem 18 comitês em funcionamento. Os demais deverão estar prontos em 2006", prevê ao CR o professor Isidoro Zorzi, coordenador do Comitê da Bacia Taquari-Antas, que abrange 120 municípios gaúchos e cerca de um milhão de habitantes.
Paraíba do Sul - No Brasil, só tem um comitê do total de 100 fazendo cobrança de água. A experiência começou no ano passado na região do rio Paraíba do Sul, que abrange São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A Agência Nacional de Águas (ANA) prevê que a cobrança da taxa nessa bacia deve gerar R$ 12 milhões em 2005. Segundo cálculos da ANA, se forem tomados como referência os valores praticados pelo comitê do Paraíba do Sul, a nova taxa deverá representar aumento de, no máximo, 2% na conta de água do consumidor final.
A aprovação da cobrança pelo uso de recursos hídricos agradou a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. A cobrança, disse, faz parte da implementação do sistema nacional de recursos hídricos. "O processo de cobrança pelo uso da água em benefício da bacia é uma decisão democrática no âmbito dos conselhos de recursos hídricos", afirmou.
Usuário paga apenas os serviços e não volume consumido
A água é matéria-prima para a agricultura e insumo da indústria. É garantia de higiene doméstica e saúde pública. Todos sabem. Mas o debate esquenta quando o assunto chega à cobrança pelo seu uso. Mesmo prevista no velho Código das Águas, de 1934, que já entendia a água como um bem público e previa a outorga e a cobrança - até agora, com exceção do Ceará, quase a totalidade dos usuários brasileiros paga apenas as concessionárias, como a Corsan, no caso do RS.
"O valor pago atualmente pelo usuário refere-se exclusivamente aos serviços de captação, tratamento e distribuição da água, e não pelo volume consumido em si, e os que usam a água bruta, retirada dos rios e dos poços, não pagam nada", observa o técnico Décio Michellis Júnior.
Outra dúvida do consumidor é para onde vai o dinheiro cobrado. A lei prevê a obrigatoriedade da aplicação integral dos recursos na mesma bacia onde foram cobrados, em obras, programas e ações que o comitê considere necessários.
Conforme o coordenador do Comitê Taquari-Antas, Isidoro Zorzi, o objetivo principal da cobrança é gerenciar a demanda, fazer o ordenamento territorial das atividades econômicas, intimidar a poluição e formar fundo para melhorias. "A intenção das leis é cobrar muito de quem polui e pouco de quem apenas consome a água", declara. O benefício maior da cobrança é servir de instrumento de política ambiental.
Se os comitês de bacia funcionam como um acordo social entre os diferentes interesses da sociedade, o benefício maior dessas leis que regem os usos das águas é servir como um contrato natural entre os homens e a natureza, preservando o futuro das plantas, dos animais, da cultura e vida dos povos. E, nessa tarefa de preservação do ciclo hidrológico, não é nada pequena a cota de responsabilidade daqueles que trabalham com agricultura, atividade humana mais íntima das nascentes, beiras de rios, lagos, matas e florestas.
Brasil adota modelo em vigor na França
As três maiores experiências européias de cobrança pelo uso da água vigoram na Holanda, Alemanha e França. Na Holanda, começou com o controle da poluição das águas em 1969. Duas décadas depois, passou a ser igualmente cobrado o aspecto quantitativo das águas subterrâneas. As águas superficiais têm forma distinta de cobrança. As receitas geradas financiam os programas de recuperação da qualidade das águas.
Tal como na Holanda, a Alemanha tinha instrumento de cobrança dirigido ao controle da poluição. Os aspectos quantitativos só foram introduzidos anos depois e com menor ênfase, com estreita ligação entre quem cobra e controla o consumo. As questões de saneamento são tratadas pelos municípios ou consórcios municipais.
A preocupação em recuperar a qualidade das águas superficiais francesas resultou na Grande Lei das Águas, em 1964. A França, numa época em que ambiente não era tema de grandes debates, instituiu visão integrada dos recursos hídricos: aspectos qualiquantitativos e de uso múltiplo. Foram os franceses os idealizadores dos comitês de bacia hidrográfica, modelo copiado pelo Brasil.
Leonardo Boff
A tolerância termina onde as pessoas são desumanizadas, no sofrimento, nos direitos humanos e nos direitos da natureza
Tudo tem limites, também a tolerância, pois nem tudo vale neste mundo. Os profetas de ontem e de hoje sacrificaram suas vidas porque ergueram sua voz e tiveram a coragem de dizer: "Não te é permitido fazer isto ou aquilo". Há situações em que a tolerância significa cumplicidade com o crime, omissão culposa, insensibilidade ética ou comodismo.
Não devemos ter tolerância com aqueles que têm poder de erradicar a vida humana do planeta e de destruir grande parte da biosfera. Há que submetê-los a controles severos.
Não devemos ser tolerantes com aqueles que assassinam inocentes, abusam sexualmente de crianças, traficam órgãos humanos. Cabe aplicar-lhes duramente as leis.
Não devemos ser tolerantes com aqueles que escravizam crianças para produzir mais barato e lucrar no mercado mundial. Aplicar contra eles a legislação mundial.
Não devemos ser tolerantes com terroristas que em nome de sua religião ou projeto político cometem matanças. Prendê-los e condená-los duramente às barras dos tribunais.
Não devemos ser tolerantes com aqueles que, no afã de lucro, falsificam remédios que levam pessoas à morte ou instauram políticas de corrupção que dilapidam os bens públicos. Cada país impõe duras penas a esses criminosos.
Não devemos ser tolerantes com as máfias das armas, das drogas e da prostituição que incluem seqüestros, torturas e eliminação física de pessoas. Há punições claras.
Não devemos ser tolerantes com práticas que, em nome da cultura, cortam as mãos dos ladrões e submetem mulheres a mutilações genitais. Contra isso valem os direitos humanos.
Nestes níveis não há que sermos tolerantes, mas positivamente intolerantes, que implica sermos firmes, rigorosos e severos. Isso é virtude e não vício. Se não formos assim, não teremos princípios e seremos cúmplices com o mal.
A ilimitada liberdade conduz à tirania do mais forte. Da mesma forma também a ilimitada tolerância acaba com a tolerância. Tanto a liberdade quanto a tolerância precisam da proteção da lei. Senão assistiremos a ditadura de uma visão de mundo que nega todas as outras. O resultado é raiva, amargura e vontade de vingança, fermento do terrorismo.
Onde estão então os limites da tolerância? No sofrimento, nos direitos humanos e nos direitos da natureza. Lá onde pessoas são desumanizadas, aí termina a tolerância. Ninguém tem o direito de impor sofrimento injusto ao outro.
Os direitos ganharam sua expressão na Carta dos Direitos Humanos da ONU, assinada por todos os países. Todas as tradições devem se confrontar com aqueles preceitos. Se práticas implicarem violação da dignidade humana, não podem se justificar. A Carta da Terra zela pelos direitos da natureza. Quem os violar perde legitimidade. Por fim, dá para ser tolerantes com os intolerantes? A história comprovou que combater a intolerância com outra intolerância leva à aspiral da intolerância. A atitude pragmática busca estabelecer limites. Se a intolerância implicar crime e prejuízo manifesto a outros, vale o rigor da lei e a intolerância deve ser enquadrada. Fora deste constrangimento legal, vale a liberdade. Deve-se confrontar o intolerante com a realidade que todos compartem como espaço vital. Deve-se levá-lo ao diálogo incansável e fazê-lo pensar sobre as contradições de sua posição. O melhor caminho é a democracia sem fim que se propõe incluir a todos e a respeitar um pacto social comum.
O inquebrantável João Paulo II
Frei Betto
Um dos méritos menos conhecidos de João Paulo II, um papa sensível ao drama dos pobres, é o seu apoio intransigente às causas sociais
O longo pontificado de João Paulo II marcou a presença da Igreja Católica em duas esferas de decisão: na mídia e na política internacional, influindo no conflito entre árabes e israelenses, na contenda entre Chile e Argentina pelo Canal de Beagle, na derrubada do bloco socialista no Leste europeu, e na crítica ao modelo neoliberal de globalização.
Wojtyla tornou-se papa muito cedo: aos 58 anos. Com certeza passará à história como o pontífice que, graças às comunicações sem fronteiras e em tempo real, e à rapidez das viagens aéreas, arrancou o papado de seu histórico confinamento no Vaticano. Nenhum papa visitou tantas nações como ele, favorecido por ser admirável poliglota.
Um dos méritos menos conhecidos de João Paulo II é o seu apoio intransigente às causas sociais. São inúmeros os pronunciamentos, inclusive encíclicas, a favor da reforma agrária, da liberdade sindical e de uma economia centrada nos direitos da maioria. Decepcionado com os rumos dos países da ex-União Soviética, entregues às oscilações do mercado e, agora, em pleno processo de "latinoamericanização", ele tem enfatizado suas críticas ao neoliberalismo.
Coração de esquerda e cabeça de direita, sensível ao drama dos pobres e intransigente nas questões doutrinárias, João Paulo II não abriu sequer uma pequena janela em relação ao acesso das mulheres ao sacerdócio e ao fim do celibato obrigatório para os padres. Em questões de moral, sua atitude primou pelo conservadorismo, rejeitando o uso de preservativos, ainda que haja o risco de Aids, e só admitindo relações sexuais dentro do matrimônio e quando destinadas à procriação.
O pontífice é um homem sofrido. Jovem, foi atropelado por um caminhão; conheceu o terror da Segunda Guerra Mundial; foi vítima do atentado que lhe cravou um tiro; quebrou a perna; padece agora do mal de Parkinson. No entanto, ele enverga mas não quebra.
João Paulo II tem condições de saúde para governar uma instituição tão complexa como a Igreja? Há quem diga que a Cúria Romana prefere assim, pois teme que um novo papa a impeça de exercer o poder de fato. A Igreja não requer que o papa seja vitalício. Em 2005 anos de história, há um único caso de renúncia papal: Pedro Morrone, que tomou o nome de Celestino V. Eleito em agosto de 1294, renunciou quatro meses depois, alegando querer salvar sua saúde física e espiritual. Curioso, a festa de São Pedro Morrone, a 19 de maio, coincide com o natalício de Karol Wojtyla.
Brasil é líder no mundo em mortes por armas de fogo
Risco de morte cresce entre os mais jovens
O Brasil é o país com o maior número de mortes por arma de fogo no mundo. Em cada 100 mil habitantes, 21,8 morrem por ano, vítimas do uso de arma. Em 2002, morreram 38.088 pessoas por homicídio (90%), suicídio (3,6%) ou por disparos acidentais. Em número absoluto, esse quadro supera Colômbia, África do Sul, El Salvador ou Estados Unidos. Esses dados estão no relatório elaborado pela pesquisadora Luciana Phebo para a organização não-governamental Viva Rio.
A pesquisa apurou que, no Brasil, o risco do homem jovem de 20 a 29 anos morrer vítima de arma de fogo é sete vezes superior ao restante da população. O risco de morte para esses jovens é 38 vezes maior que o da população feminina. Por isso, também, conforme a pesquisadora, que a esperança de vida dos jovens brasileiros vem diminuindo.
Ainda de acordo com a pesquisadora, "a falta de perspectivas de realização pessoal, profissional e social, gera uma sensação de impotência e baixa auto-estima, principalmente entre os homens jovens, que termina por levar à violência armada como forma de expressão".
País fica em segundo na produção de armas
Pesquisadores da ONG Viva Rio revelam que o Brasil é o segundo maior produtor de armas de fogo do Ocidente. Pablo Dreyfus, Benjamin Lessing e Julio Purcena concluíram ainda que, apesar de perder apenas para os EUA, a produção de armas do país é insignificante na atividade econômica total.
O documento, divulgado na semana passada, mostra que o Brasil exportou, entre 1993 e 2003, US$ 318,8 milhões em armas para os EUA; US$ 40,1 milhões à Bélgica e US$ 34 milhões para a Suécia. Em 2003, a indústria de armas exportou US$ 94 milhões, 0,1% do total de exportações - US$ 74 bilhões.
Outra pesquisa, de Marcelo de Sousa Nascimento, revela que as armas não exportadas ficam nas mãos de militares. Estimativas indicam que 64.995 oficiais militares e sargentos reformados possuem 129.990 armas de pequeno porte. Entre os policiais da ativa, o número quadruplica. Os 476.169 profissionais em atividade possuem, pelo menos, uma arma particular. Cada policial aposentado mantêm, em média, duas armas. A Polícia Federal tem 17.550 armas. Entre os civis não há pesquisa atualizada.
AMIGOS DA SAÚDE
Ter um bicho de estimação ajuda o homem a relaxar suas tensões, melhorando o estado geral de saúde
Um animal de estimação é muito mais do que uma boa companhia. Ao se envolver com um mascote o ser humano está beneficiando seu corpo e sua mente. Crianças, idosos, quem mora sozinho ou não, qualquer um pode tirar proveito desse convívio. Pesquisas realizadas no mundo todo comprovam que pessoas que possuem animais têm uma redução significativa com despesas médicas e melhor qualidade de vida.
Crianças que têm a companhia de um mascote desenvolvem mais rapidamente suas habilidades cognitivas e socioemocionais. Isso significa que os bichos incentivam a comunicação e a responsabilidade nas crianças e facilitam sua convivência com os demais membros de seus grupos sociais. "A criança deve ajudar a cuidar do animal, ser encarregada de dar comida ou banho, por exemplo, isso desenvolve a responsabilidade", explica a psicóloga e professora da Universidade de Caxias do Sul, Maria Elisa Fontana Carpena.
Outro benefício apontado pela especialista é que crianças com dificuldade de relacionamento com as pessoas aprendem a construir vínculos com os bichinhos e, mais tarde, essa troca afetiva começa a ser transferida para as pessoas. O gato, em especial, como é um bicho menos tolerante, ensina outras lições aos pequenos. O felino delimita o seu espaço e se afasta quando a brincadeira não é de seu agrado. Assim, a criança aprende limites e o respeito ao próximo.
Os bichos também são muito benéficos aos idosos. "Além de companhia, o idoso sente-se útil quando tem um animal de estimação, sente que outro ser vivo precisa de cuidados e depende dele", afirma Maria Elisa. O bicho também acaba impondo uma rotina de atividade física, quando o idoso precisa levar o cachorro para caminhadas, por exemplo", completa.
Cães, gatos, peixes, pássaros e cavalos também podem melhorar o restabelecimento de pessoas com doenças propriamente ditas. Segundo fisioterapeutas e psicólogos, atividades como tocar os animais e sentir seus movimentos ajudam vítimas de lesões musculares a melhorar a coordenação motora e até a recuperar a capacidade de locomoção.
Pesquisas também já atestaram redução da hipertensão em pacientes que conviviam com animais. Pessoas hospitalizadas se recuperam mais rapidamente se receberem uma eventual visita de quatro patas. A companhia dos mascotes também melhora os quadros de depressão, ansiedade e estresse.
A explicação dada por veterinários, psicólogos e médicos para todos esses benefícios é que a atenção dispensada ao animal e a troca de afeto transmite sensações de utilidade, conforto e segurança. Segundo os veterinários, o contato com os bichos libera no corpo a endorfina, substância que funciona como analgésico e relaxante natural, favorecendo o alívio das dores e promovendo o bom humor.
Ter um mascote em casa melhora até o relacionamento familiar. "O bicho faz gracinhas e brinca, a família comenta e participa, ou seja, interage mais a partir do animal", afirma Maria Elisa Carpena.
Para a psicóloga, a relação com os animais, principalmente o cachorro, é muito gratificante. "Ele é fiel e está sempre disponível, aceita o modo de vida do seu dono sem exigências morais. O bicho gosta de carinho, claro, mas não cobra isso das pessoas, não julga, ele dá muito mais afeto do que recebe", observa. Segundo ela, essa relação diminui as tensões físicas, mentais e emocionais, aumentando as defesas do organismo e proporcionando uma melhora geral no estado de saúde das pessoas. "Mas atenção, o bicho não cobra mas gosta e merece carinho, então é bom dar atenção ao animal de estimação", lembra Maria Elisa.
Cavalo ajuda crianças deficientes a melhorar a coordenação motora
A equoterapia é um dos exemplos mais conhecidos do uso de animais para o tratamento de doenças. Segundo Luis Cláudio Chiaramonte, educador físico e fisioterapeuta com habilitação em equoterapia, essa técnica é especialmente indicada para portadores de doenças que afetam a coordenação motora (como paralisia cerebral e Síndrome de Down) e também para autistas.
"Em cima do cavalo trabalhamos a musculatura do abdômen, das pernas e da coluna, além do equilíbrio. Isso melhora a postura e a coordenação motora", explica Luís Cláudio. Rafael Zambon da Silva, 13 anos, faz equoterapia há quatro anos e, segundo sua mãe, melhorou muito. "Quando começou ele praticamente não caminhava, hoje anda e até já ensaia algumas corridas. Está mais independente para as atividades diárias, como se vestir", afirma Inês da Silva.
Com os exercícios, o paciente também ganha segurança. "Eles deitam sobre o cavalo, levantam os braços, ficam de joelhos e até de pé. Com isso, ganham confiança. Essas sensações são transferidas para o dia-a-dia. As crianças, por exemplo, brincam mais livremente, sem medo de cair", afirma o especialista.
Luís Cláudio explica que o paciente ainda desenvolve uma relação de afeto com o animal. "O cavalo aceita sua condição sem discriminação. Isso a deixa à vontade para as manifestações de afeto que, depois, são transferidas à família", observa.
Segundo o fisioterapeuta, a equoterapia deve ser feita com animais preparados, de comportamento dócil e maduros. Chiaramonte participa de um Projeto de Equoterapia, em Caxias do Sul, viabilizado por meio de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Educação, 4° Coordenadoria Regional de Educação, Brigada Militar e Universidade de Caxias do Sul. O projeto atende 80 crianças e adolescentes, alunos de escolas públicas municipais e estaduais de Caxias do Sul.
Terapia com animais é nova no Brasil
De acordo com a psicóloga Maria Elisa Fontana Carpena, além dos benefícios que a convivência diária com os bichos proporciona, existem dois tipos específicos de terapia com animais. Na chamada terapia facilitada, a presença do animal desencadeia comentários e reações que o terapeuta aproveita para desenvolver seu trabalho com o paciente. Na terapia assistida, o próprio bicho é o agente terapêutico, ou seja, quem proporciona melhoras (é o caso da equoterapia).
A terapia com animais ainda é um tema novo no Brasil. Apesar dos benefícios já comprovados cientificamente, a maioria das instituições de saúde resiste à presença de animais. "Nos hospitais, ouvimos que os bichos podem transmitir doenças às pessoas, mas é claro que eles são preparados para tal função, são higienizados e saudáveis", explica Maria Elisa.
A psicóloga afirma que já acompanhou algumas experiências na Universidade de Caxias do Sul com resultados positivos. "Numa delas, um menino autista passou a interagir com o cachorro; ele jogava a bolinha para o cão buscar. Essa interação com o ambiente externo não é comum nos autistas", explica. "Em outro caso, uma criança com Síndrome de Down contava segredos para o animal, cochichando ao seu ouvido, e isso lhe deixava mais calma," avalia. "É uma pena que ainda não possamos explorar mais esses benefícios", finaliza Maria Elisa.
Família divide a casa com 28 gatos de estimação
A aposentada Vera Maria Canali Dalla Santa, 56, de Caxias do Sul, passa os dias na companhia de 28 gatos. Ela explica que começou sua "coleção" alimentando um gato que morava na rua. "Ele estava abandonado, senti pena, dei comida e ele foi ficando. Com o tempo, outros também vieram atraídos pela comida. As fêmeas davam cria por perto e traziam os filhotes para cá. Eles foram se reproduzindo e hoje já são 28", conta ela.
No caso de Vera não foi a solidão que a aproximou dos gatos, pois ela tem quatro filhos. "Desde criança tenho contato com os bichos. Meu pai gostava muito de animais, acho que herdei isso dele", explica. "No ínício meu marido não gostava muito dos bichos, mas agora já se apegou a eles e ajuda a cuidar." Segundo ela, os gatos exigem tempo e dão muitas despesas, mas a companhia deles compensa o trabalho. "São muito carinhosos, parece que entendem a gente", afirma.
Apesar de muitos serem parecidos, Vera garante que conhece cada um dos seus gatos. "Tenho muitos, mas quando um morre fico muito chateada. Cada um é especial a seu modo, tem um jeito diferente, uma característica marcante, como as pessoas."
Agora, Vera não quer mais aumentar a coleção de animais de estimação, as fêmeas foram castradas. "Ou controlávamos a reprodução, ou teríamos que sair da casa para dar lugar aos gatos", brinca ela. "Os que já estão aqui, ficarão. Vou cuidar deles até o fim, não vou abandoná-los na rua", garante Vera Dalla Santa.
Cuidados básicos protegem os bichos
Ter um animal de estimação também exige cuidados. Para que o bicho tenha vida longa e saudável, é preciso observar seu comportamento. Quanto mais cedo o dono suspeitar de uma doença, mais chances ele terá de cura. As vacinas são indispensáveis para alguns bichos, especialmente cães e gatos. O ideal é procurar um veterinário já nos primeiros dias de vida do bichinho, pois alguns tratamentos devem ser feitos nos primeiros meses. O profissional saberá informar quais vacinas o animal precisa e quando devem ser aplicadas. As recomendações devem ser respeitadas, pois protegem os mascotes e as pessoas, já que algumas doenças dos animais são transmitidas ao homem.
Para alimentá-los, pode-se escolher entre as rações industrializadas e a comida caseira. O importante é preencher todas as necessidades nutricionais deles, que não são poucas. Cães e gatos precisam de cerca de 40 nutrientes em cada refeição, por isso a ração pode ser mais prática. As de boa qualidade suprem todas as necessidades nutricionais do bicho, dispensando complementos. Porém, é bom não exagerar na comida. Assim como os homens, os animais podem engordar muito e ter complicações de saúde. As caminhadas e brincadeiras são indispensáveis para o bom condicionamento físico do bicho.
Higiene também é fundamental, mas, segundo os veterinários, o banho não pode ser muito freqüente. Entre os cachorros de pêlo longo, o ideal é respeitar o intervalo de 15 dias e, entre os de pêlo curto, um mês. Entre os gatos, o intervalo pode ser de até sete meses. A água deve ser morna e os produtos, de uso veterinário. As orelhas precisam ser protegidas da água. Antes do secador, exugá-lo bem com a toalha. Proteger o animal dos parasitas, como pulgas e carrapatos. Além de tudo isso, o que eles mais precisam é de carinho.
Homem e cão, dez mil anos de amizade
O primeiro indício concreto do elo afetivo existente entre um humano e um animal data de 12 mil anos. São os restos fossilizados de uma mulher abraçada a um filhote de cão ou de lobo encontrados em uma região que hoje corresponde a Israel.
Porém, suspeita-se que o homem tenha começado a conviver com algumas espécies, em um regime de colaboração mútua, muito antes de domesticá-las. Há mais de 12 milênios, o homem trocou a vida de caçador e coletor pela de agricultor. Arqueólogos imaginam que os detritos gerados pelas famílias tenham atraído alcatéias, que se aproximavam à noite em busca de comida.
O lobo começou a se aproximar da mão que o alimentava e o homem, a valorizar a presença do predador. De lixeiro eventual, ele passou a guarda noturno, espantando outros animais. Há cerca de dez mil anos, esse laço estreitou-se. As espécies mais dóceis foram entrando em casa, dando início à domesticação propriamente dita.
O ancestral do cão canalizou seu instinto de viver em grupo para aquele que viria a se tornar seu melhor amigo, o homem. "A coragem e a tenacidade com que um cão protege seu dono parecem ter origem na solidariedade que seus ancestrais selvagens encontravam nas alcatéias. Nesse sentido, pode-se dizer que o cachorro atual é um lobo que vive numa matilha humana", afirma o biólogo Edward Wilson, da Universidade de Harvard (EUA).
Cresce interesse por bicho de estimação
Calcula-se que, em todo mundo, 800 milhões de cães e gatos sejam criados em lares. No Brasil, são 38 milhões. Porém, esses são privilegiados, obviamente, muitos animais ainda estão longe das mordomias domésticas, abandonados nas ruas. Mesmo assim, a ascensão social de cachorros e gatos é um fenômeno.
Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Alimentos para Animais, o mercado brasileiro de pet food (comida para animais de estimação) entre os donos de bichos subiu de 220 mil para 1,3 milhão de toneladas entre 1994 e 2003. Os serviços destinados aos mascotes, como lojas, hotéis e clínicas, também estão em expansão constante. Os dados demonstram que o homem não somente cerca-se cada vez mais de animais de estimação como também os trata como membros da família, com direito a alimentação, saúde, bem-estar, afeto e até alguns exageros, como roupinhas, laços e outros acessórios.
Responsabilidade ao adquirir um animal
Segundo a legislação, os animais são divididos em domésticos, silvestres e exóticos. Os silvestres, como papagaios, tartarugas e micos, pertencem à fauna brasileira e devem viver na natureza. Os exóticos não pertencem ao nosso ecossistema. São importados, legalmente ou não, e com raras exceções podem ser mantidos em casa. Os domésticos podem ser criados em casa sem problemas, como cães, gatos, coelhos, canários belgas, hamsters etc.
Às vezes, os homens até têm boas intenções ao adotar animais silvestres ou exóticos, mas os bichos sofrem. Crescem longe de seu habitat natural e são muitas vezes abandonados. Conforme o Ibama, isso ocorre muito com tartarugas e iguanas. Ao comprá-los, cabem na palma da mão, com o tempo crescem e fica difícil mantê-los em casa. Eles são abandonados, não conseguem se adaptar e morrem.
É preciso responsabilidade ao adquirir um animal de estimação. Antes, deve-se considerar o tempo de vida do bicho, as despesas e o espaço físico disponível para ele. O dono também deve ter tempo para interagir com o mascote. Em ausências prolongadas do dono, alguém deverá cuidar do bichinho.
Bispos refletem sobre desafios atuais
Assembléia geral reúne, de 6 a 15 de abril, mais de 300 bispos em Itaici
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil realiza, de 6 a 15 de abril, em Itaici, Indaiatuba (SP), a 43ª Assembléia Geral. O tema central deste ano é "A evangelização e o profetismo - missão da Igreja diante dos desafios atuais". Em torno do tema central, os bispos e convidados vão refletir sobre três importantes questões: a dignidade da vida humana e a biotecnologia; o testemunho da fé cristã e o pluralismo cultural e religioso; e o compromisso eclesial e a inclusão social.
O tema central retoma questões fundamentais e recorrentes das atuais Diretrizes para a Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil e também integra alguns desafios novos que a missão da Igreja enfrenta no país. O objetivo geral das diretrizes lembra que a ação evangelizadora é destinada à proclamação do evangelho a todas as pessoas, para promover sua dignidade; a todas as formas de organização comunitária, para renová-las e para formar o povo de Deus; à grande sociedade, como forma de participar da construção de uma sociedade justa e solidária.
Clareza - "Atualmente, no Brasil, a ação evangelizadora enfrenta desafios novos, que requerem uma palavra clara e orientadora do episcopado, quer para os cristãos católicos, quer para a sociedade inteira. Há formas novas de violação da dignidade humana e de desrespeito à vida... No âmbito da convivência social, a miséria, a fome, a exclusão social e as diversas formas de violência continuam e até aumentam; a pesquisa científica e as novas tecnologias levantam importantes questões éticas que não podem ser ignoradas ou minimizadas", salienta o secretário geral da CNBB, dom Odilo Pedro Scherer.
Por outro lado, afirma dom Odilo, o Brasil está se tornando cada vez mais pluralista, também no aspecto religioso, e a Igreja católica já não pode mais contar com a adesão geral às suas convicções e afirmações. A religiosidade da pós-modernidade e do mundo globalizado surpreende, sob vários aspectos - exuberância, sincretismo, individualismo e uma certa lógica do mercado, que toma conta da atividade religiosa. "Tudo isso requer uma postura evangelizadora nova da parte da Igreja, que leve em conta essa realidade e, ao mesmo tempo, faça com clareza a própria proposta e afirme a sua identidade cristã católica", revela dom Odilo.
O tema central da assembléia de 2005, conclui o secretário da CNBB, será uma boa ocasião para aprofundar as diretrizes gerais e para trazer novas luzes e motivações para o projeto nacional de evangelização "Queremos ver Jesus, caminho, verdade e vida".
Participantes - A CNBB atua no país através de 17 regionais e 266 circunscrições (dioceses e prelazias). A primeira assembléia geral de bispos foi realizada em 1953 na cidade de Belém (PA). Desde 1974, com exceção da assembléia do ano 2000, que celebrou os 500 anos de evangelização do Brasil, todos os encontros foram realizados em Itaici.
Dos 413 bispos do Brasil, incluídos os de rito oriental e eméritos, 324 se inscreveram para participar da assembléia. Também haverá a participação de 114 não bispos (convidados, observadores, assessores, serviços de apoio etc). Fazem parte da programação um retiro espiritual no dia 9 de abril, com pregação do cardeal Serafim Fernandes de Araújo, arcebispo emérito de Belo Horizonte; uma celebração ecumênica no dia 11 e celebração dos 50 anos da Cáritas Brasileira, também no dia 11.
Roma recorda martírio de dom Romero
O patriarca latino de Jerusalém, sua Beatitude Michel Sabbah, presidiu em Roma uma celebração eucarística recordando o 25º aniversário do martírio do arcebispo de San Salvador, dom Oscar Romero, fuzilado na capela de um hospital enquanto celebrava a missa no dia 24 de março de 1980. Na homilia, Sabbah afirmou que "dom Romero teve o valor de pronunciar palavras duras e foi acusado de fazer política, mas o que ele fazia era pregar o evangelho".
Dom Vincenzo Paglia, bispo de Terni, postulador da causa de beatificação de dom Romero, que se encontra em Roma desde 1997, afirmou que, concluída a fase diocesana, o processo deverá ser reaberto nos próximos dias. "A delicadeza dessa causa exigiu um atenção particular. Não esqueçamos que se trata de um processo sobre martírio e não sobre virtudes", disse o postulador. O processo esteve parado por algum tempo por causa de acusações de que o assassinato teria ocorrido por motivos políticos e não por ódio à fé.
"A postulação realizou investigações específicas sobre esse ponto e já ficou claro que o compromisso de dom Romero era exclusivamente eclesial", salienta dom Vincenzo. Dom Oscar era um ferrenho defensor dos direitos humanos, dos povos indígenas e dos pobres, fonte de muitas acusações e ameaças. "Se me matarem, ressuscitarei no povo salvadorenho", dizia o arcebispo mártir.
Família de Murialdo promove seminário
Os Josefinos de Murialdo, as Irmãs Murialdinas de São José, o Instituto Secular Murialdo e os Leigos de Murialdo estão realizando um encontro denominado "Para conservar vivo o pensamento pedagógico de São Leonardo Murialdo". O seminário iniciou em Fazenda Souza, interior de Caxias do Sul, nesta terça, 29, e prossegue até o dia 3 de abril.
"O encontro, organizado pelo Conselho Geral de Roma, reúne participantes dos quatro segmentos da família murialdina provenientes de diversos países, entre os quais o superior geral dos Josefinos, padre Luigi Pierini, vindo da Itália", relata padre Geraldo Boniatti, provincial dos josefinos no Rio Grande do Sul.
Padre Zezinho
Sem gentileza e ternura um homem não é homem
Psicólogos, padres, rabinos e pastores já viram este filme. É mais freqüente do que se imagina. Porque ele quer dar a ela e aos filhos o paraíso acaba dando coisas e não ternura e confunde uma e outra. Acha que dar conforto é o mesmo que dar amor. Põe na cabeça um sonho e diz: "Eu lhe darei isso". Se ela tiver outros valores, a crise vem a galope. Ele dá o que pensa que é o melhor e ela quer outra coisa que ele acha que não pode, ou simplesmente não quer dar.
Alguns maridos assumem de corpo e alma o papel de provedores, porque acham que sem isso um homem não é homem de verdade. Só não percebem que sem gentileza e ternura um homem também não é homem. Pouco a pouco, se não for chamado às falas pelos pais de ambos ou por amigos que, porventura, ainda ouça, vai errar feio. Estará dando coisas, mas não estará se dando. É o chefe tribal que vai à caça e tudo o que tem na cabeça é arranjar comida e pele para o inverno que virá. Nada mais lhe entra na cabeça.
Se ela reclama, ele diz que quer demais. Coisas ele dá, mas não exija seu carinho e seu tempo. No namoro ele prometeu uma coisa e no casamento está dando outra. Ela pensou que teria um homem a dividir preocupações, tempo e carinho com ela. Ele mal divide a cama... Em pouco tempo, passa mais tempo fora do que em casa. Os amigos ficam com a impressão de que ele está mais feliz com seu trabalho do que na cama com sua mulher.
Trocada pelo trabalho, ela começa a dar trabalho porque não casou para ficar sozinha e ser trocada por máquinas. E ele fica insatisfeito com a insatisfação dela porque no curso de sexo que freqüentou esqueceram de ensinar-lhe o valor da ternura. Ele diz que ela não entende a sua luta e ela diz que ele não entende o que é casar.
Quando isso de ganhar dinheiro, fazer sucesso e subir na vida fica mais importante do que ouvir a pessoa que dorme com ele, e quando qualquer pequeno pedido dela parece uma enorme interferência nos seus projetos, a profissão, o trabalho ou o sucesso ganharam e o amor perdeu. Quando abrir os olhos, se não tiver estragado demais a relação com ela e com os filhos, terá perdido os melhores anos da vida. Até os animais gostam de ficar juntos e trocar carícias. Que os humanos não se esqueçam disso!
Gaúcho dedica templo a São Frei Pio
Igreja, em Faxinal do Soturno, é 1ª dedicada ao santo capuchinho no RS
Desde fins de outubro do ano passado, a Quarta Colônia Italiana do Rio Grande do Sul conta com uma igreja (ermida) dedicada a São Frei Pio de Pietrelcina. Cerro Comprido, a sete quilômetros do centro de Faxinal do Soturno, é a comunidade privilegiada com a primeira igreja em solo gaúcho dedicada ao capuchinho italiano dos estigmas, canonizado por João Paulo II no ano de 2002.
Construída no alto de um morro, a ermida tem 220 metros quadrados e capacidade para 80 pessoas sentadas. "Ela foi inaugurada no dia 31 de outubro de 2004, com a presença de cerca de 1.500 romeiros", informa o padre palotino Achylle Alexio Rubin, que proferiu a homilia no dia da inauguração do pequeno templo. A iniciativa de construir Em Cerro Comprido uma igreja dedicada a São Frei Pio partiu do professor Cláudio Casassola, gaúcho natural de Dona Francisca, mas que desde a década de 60 está radicado em Nova York.
Padre Achylle conta que o projeto de construir a igreja nasceu de um "encontro" pitoresco de Casassola com São Frei Pio. Ao procurar por um anel presenteado pela esposa Lourdes Pauletto por ocasião do noivado, Cláudio vasculhava entre pilhas de livros que estavam numa casa que comprara em Nova York quando o título de uma obra, escrita em italiano, chamou-lhe a atenção – Padre Pio da Pietrelcina – um nome que ouvira mencionar nos tempos de seminarista em Vale Vêneto.
O interesse pelo livro e pela vida do capuchinho logo se transformou em devoção e além de traduzir do inglês para o português o livro de Clarice Bruno "Caminhando com o Padre Pio", publicado pela Editora Myrian, de Porto Alegre, Casassola decidiu construir uma pequena igreja em sua terra para tornar o santo mais conhecido entre seus conterrâneos.
A ermida levou um ano para ficar pronta e o professor gastou R$ 200 mil na sua construção. Como ele não pôde vir a Faxinal do Soturno para acompanhar os trabalhos, seu irmão Benoni ficou responsável pelos cuidados da construção. Através de e-mails, o engenheiro Paulo Pio Soldera e o arquiteto Juan Amoretti (autor dos murais internos e de uma estátua de São Frei Pio diante da igreja) puderam dar forma às idéias que Casassola mandava dos Estados Unidos. Cláudio era padre e deixou a batina cinco anos antes de casar com a ex-freira Lourdes.
O santo do sofrimento e da compaixão
São Frei Pio (Francesco Forgione) nasceu em Pietrelcina em 1887. Foi ordenado padre em 1910 e de 1916 até sua morte, em 23 de setembro de 1968, exerceu seu apostolado em San Giovanni Rotondo. Sua vida foi marcada por inúmeros fenômenos místicos, entre os quais os estigmas, que por 50 anos lhe causaram dores e sofrimentos; a bilocação e o dom das línguas. Foi beatificado em 1999 e canonizado no dia 16 de junho de 2002. De vilarejo insignificante no início do século XX, graças a São Frei Pio de Pietrelcina, San Giovanni Rotondo tornou-se um dos maiores centros de romarias do mundo, atraindo cerca de 12 milhões de peregrinos por ano.
Aldo Colombo
A vida é a arte das escolhas criteriosas. Isso implica, por vezes, andar na contramão
Era um mendigo diferente, visto com simpatia por todos. Pedia com dignidade e não se aborrecia quando a ajuda lhe era negada. Durante o dia circulava num confuso mercado persa, rodeado de pessoas gananciosas e turistas curiosos. Num certo dia, alguém lhe apresentou duas moedas de tamanhos e valores diferentes. Podia apenas escolher uma delas. A menor valia exatamente o dobro da maior. E o mendigo, com satisfação, escolheu a maior. A partir daí, diariamente, o mendigo era convidado a escolher entre as mais diferentes moedas, de diferentes países, que circulavam no mercado. Invariavelmente, o mendigo escolhia a maior moeda, com menor valor. Naturalmente, o fato divertia os espertos negociantes.
Compadecido e querendo ajudar, um turista explicou-lhe que ele estava escolhendo mal. Deveria escolher uma moeda menor, mas com um valor maior. Com um sorriso tranqüilo, não desprovido de malícia, o mendigo informou que ele conhecia muito bem o valor das moedas. Se ele escolhesse a menor moeda, com mais valor, a brincadeira terminaria e ele ficaria sem a moeda diária.
Na vida, muitas vezes, acontecem fatos iguais. Nem sempre aqueles que se julgam espertos são realmente espertos, e aqueles que parecem coitados podem superar os, aparentemente, mais inteligentes. Outra lição ensina que os gananciosos nem sempre levam vantagem. Em relação ao julgamento, este nada afeta a vida real. O que os outros pensam de nós é menos importante do que aquilo que realmente somos.
No mercado dos diferentes valores existem muitas moedas. Nem sempre a cotação é igual para todos. A história nos mostra pessoas que, na ótica comum, escolheram mal, escolheram moedas de menor ou mesmo de nenhum valor. É o caso de São Francisco de Assis, que nem mesmo escolheu qualquer moeda. Para ele a única moeda que valia a pena era a moeda da fraternidade. Teresa de Calcutá escolheu a moeda da misericórdia para com os últimos da sociedade. E fez um excelente negócio. No dia-a-dia, milhões de pessoas fazem suas escolhas. A ótica é sempre diferente.
Sempre existiram e sempre existirão homens e mulheres que escolhem o pior. Uns por miopia, outros por lucidez. Há os que escolhem as cintilantes e sedutoras moedas da ganância, da vingança, do egoísmo, do prazer sem limites... Outros, sujeitos ao riso, escolhem moedas de menor cotação no mercado: o serviço, o amor, a renúncia, a partilha, a solidariedade... E um dia os espertos se darão conta que escolheram mal.
O Evangelho lembra que o Pai concede a verdadeira sabedoria aos simples. E a sabedoria popular adverte: quem ri por último, ri melhor. A vida é a arte das escolhas criteriosas. Isso implica, por vezes, andar na contramão. Mas um dia se revelará que a aparente contramão era o sentido verdadeiro.
Indulgência valoriza Ano da Eucaristia
Papa estimula os fiéis a ampliar culto e devoção ao Santíssimo Sacramento
As cerimônias da Semana Santa oferecem aos cristãos a oportunidade de refletir mais intensamente sobre o maior dos milagres e o supremo memorial da redenção realizada por Jesus Cristo mediante o oferecimento de seu corpo e sangue, através da Eucaristia. Como sacrifício e sacramento, a Eucaristia produz a unidade da Igreja, ampara-a com a força da graça sobrenatural, inunda-a de alegria, além de alimentar a piedade dos fiéis e servir de estímulo para aperfeiçoar a vida cristã.
Para promover o culto ao Santíssimo Sacramento, com a carta apostólica "Mane nobiscum Domine", de 7 de outubro de 2004, João Paulo II estabeleceu que o período de outubro de 2004 a outubro de 2005 fosse celebrado como o "Ano da Eucaristia". Depois, a fim de exortar os fiéis, durante esse ano especial, a um conhecimento mais profundo e a um amor mais intenso ao grande "mistério da fé" e, para que através da Eucaristia, obtenham sempre mais frutos espirituais, o Papa estabeleceu indulgências para alguns atos de culto e de devoção ao Santíssimo Sacramento.
Condições - A indulgência plenária é concedida individualmente aos que realizarem a confissão, comunhão eucarística e oração segundo a intenção do Sumo Pontífice, todas as vezes que participarem com atenção e piedade de uma função sagrada ou de um exercício piedoso realizado em honra do Cristo Eucarístico, solenemente exposto ou conservado no Tabernáculo.
Os fiéis que estão impedidos, por doença ou outras causas, de visitar o Santíssimo Sacramento da Eucaristia numa igreja ou oratório, poderão obter a indulgência plenária na própria casa ou onde se encontrem devido ao impedimento, com a intenção de cumprir, logo que seja possível, as três condições descritas, e recitarão o Pai-Nosso e o Creio, acrescentando uma invocação piedosa a Jesus Sacramentado (por exemplo: "Graças e louvores sejam dados a todo o momento, ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento").
Para os que estiverem impedidos de fazer até isso, poderão obter a indulgência unindo suas intenções aos que praticam as obras prescritas por indulgência e oferecerem a Deus as enfermidades ou outros males que afetarem sua vida, com o propósito de, também eles, cumprir, quando for possível, as três condições.
O Papa recomenda aos sacerdotes que desempenham ministério pastoral, sobretudo os párocos, que informem da maneira mais conveniente e clara aos fiéis sobre essa "saudável disposição da Igreja, disponham-se com generosidade a ouvir suas confissões" e estabeleçam dias de oração e adoração do Santíssimo para a participação dos fiéis.
Papa exorta padres a respeitar liturgia
Para valorizar ainda mais o Ano da Eucaristia, João Paulo II, numa carta aos sacerdotes, dirigida a todo o clero por ocasião da Quinta-feira Santa, pediu que os padres respeitem as normas litúrgicas e vivam de modo digno a sagrada missão que lhes é consagrada. Recorda que os sacerdotes não devem ser apenas celebrantes, mas guardiões deste sacrossanto mistério. "Da nossa relação com a Eucaristia deriva também a exigência da condição sagrada da nossa vida, que deve transparecer em todo nosso modo de ser e de celebrar".
O Papa afirmou que vivemos um tempo de rápidas mudanças culturais e sociais que deixam as novas gerações expostas ao risco de perderem a ligação com as próprias raízes. O sacerdote é chamado a ser, em sua comunidade, "o homem com a memória fiel de Cristo e de todo o seu mistério".
Igreja vai adotar atitude mais acolhedora
A Igreja Católica no Rio Grande do Sul quer ser mais acolhedora com aquelas pessoas que estão mais afastadas do caminho da fé e da vida das comunidades. A prioridade da pessoa humana, que está definida nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora, foi retomada durante o encontro dos organismos do Regional Sul 3 da CNBB, realizado recentemente em Porto Alegre.
O presidente do Regional, dom Dadeus Grings, arcebispo de Porto Alegre, disse que a acolhida não será uma nova pastoral ou estrutura, mas uma atitude a ser adotada por todos os serviços e instituições ligadas à Igreja. Ele afirmou que a acolhida não pode se restringir a receber bem as pessoas nos serviços da Igreja, ela deve representar também a promoção e a valorização da pessoa.
Por isso, essa atitude ganha também uma dimensão social, que acolhe para promover a pessoa em sua dignidade e em seus direitos. Dom Dadeus falou de uma nova cultura a ser criada. "A técnica não resolve todos os problemas, porque a pessoa humana tem sentimentos, tem liberdade. E esses nós precisamos defender acolhendo cada ser humano".
Cardeal recupera-se depois de um infarto
O arcebispo emérito de São Paulo, cardeal Paulo Evaristo Arns, 83 anos, recupera-se de um infarto sofrido no início de março. Natural de Forquilhinha (SC), dom Paulo dirigiu a arquidiocese de São Paulo de 1970 a 1998, quando seu pedido de renúncia foi aceito pelo Vaticano. O cardeal gaúcho dom Cláudio Hummes o substituiu. Bispo desde 1966 e cardeal desde 1973, dom Paulo destacou-se por sua luta em defesa dos direitos humanos no Brasil, fato que lhe mereceu uma indicação ao Nobel da Paz em 1989.
Wilson João
Um lar tem sentido quando for constituído de pessoas que se acolhem e se comprometem no crescimento mútuo
Chega o final do dia e os animais voltam para seu ninho, para sua toca, para seu lar. Dificilmente os animais ficam perdidos na noite, sem estar no seu lugar seguro. Os pássaros voltam para seus ninhos ou para as árvores de segurança. Os animais retornam para suas tocas e seus abrigos, que os protegem das intempéries e dos inimigos. E para a tristeza dos animais-inteligentes, como se chamam os humanos, percebemos que nem todas as pessoas, ao final do dia, podem voltar para seu lar. Nossos olhos enxergam todos os dias casos assim - crianças que dormem na rua, idosos que não têm casa, andarilhos sem ponto de chegada.
QUE BOM TER UM LAR! Voltar para casa e encontrar uma mãe sorridente e acolhedora, que no abraço envolvente se torna um ninho para os filhos e o marido. Encontrar uma mãe consciente de sua missão, que além de seu trabalho profissional, sabe arrumar a casa e todo o ambiente, como pomba que prepara o ninho para os filhotes. Encontrar uma mãe que se faz presença e que contempla dia-a-dia as pessoas ao seu redor, que vão crescendo e criando asas para voar na vida.
QUE BOM TER UM LAR! Voltar para casa e ouvir a voz do pai que pergunta: "Como foi? Como vai? Está bem?" Encontrar um pai trabalhador e honesto, e que encontra sempre tempo para conversar com os filhos e a esposa. Que sabe dialogar com os filhos e indicar a eles o caminho da vida. Sabe dizer com experiência e sabedoria da vida: "Meu filho, a vida é por aqui... este é o caminho certo". Encontrar um pai que arranja tempo para passear junto, para fazer a refeição com calma, que conversa de escola e futebol, de novelas e videogames, de música e de carros. Que arranja tempo para conversar a vida do dia-a-dia.
QUE BOM TER UM LAR! Filhos que valorizam e apreciam o pai e a mãe. Que sabem que eles são importantes. Filhos dispostos a lutar e que vêem na pessoa do pai e da mãe, lutadores e vencedores. Filhos que aprendem a estar juntos, que vão descobrindo que a vida tem seus momentos do "além do portão e da porta da casa", mas que o "de dentro do portão e da porta da casa" é lugar decisivo para se aprender a crescer na vida corporalmente, mentalmente e espiritualmente.
QUE BOM TER UM LAR! Mas para falar de lar é necessário a presença de um pai, de uma mãe e de filhos. É necessário a presença de pessoas que se acolhem e se comprometem no crescimento mútuo. É muito mais do que pessoas que apenas estão lado a lado. É estar junto. É ligar-se. É sentir-se num mesmo ninho. É formar o aconchego. Aconchegar-se é a palavra mágica que faz com que as pessoas de um mesmo lar vivam a experiência de rir e chorar juntas, de trabalhar e gastar em família, de assumir um único compromisso: tudo fazer para viver bem.
O italiano que está em você
Paulo Suliani
Advogado - Porto Alegre
Paulo Suliani, advogado, 22 anos, nascido em Caxias do Sul, residente em Porto Alegre, 4ª. geração, ultrapassando o vinho e a polenta, diz:
"Ser italiano é reviver a epopéia de nossos ascendentes. É ter a coragem de uma ópera de Verdi. É atravessar todos os mares a nós predestinados, embarcados na nau cristã que herdamos de nossos pais, avós, tataravós...
Sou a juventude brasileiro-ítalo-gaúcha. Sou o filho do pai que me ensinou a beleza e o gosto do vinho, símbolo da conquista da cucagna. Seu nome é Antônio, um dos nomes italianos mais significativos da história, basta lembrar Antônio de Pádua e, mais perto de nós, Antônio Gramsci.
Minha mãe, Gládis, é uma autêntica mamma, que só usa palavras de amor e ternura, cuida de seus filhos como a águia dos filhotes. Eles me deram o irmão Marcus, de gênio singular e único, esportivo e criativo, irmão querido, Rômulo de minha vida.
Na cidadania, sou filho do Rio Grande do Sul, tomo chimarrão ao redor do fogo de chão, prosando com os amigos, ou de manhã com a família, ou assando churrasco, em reuniões, aulas, estudos... Sem o chimarrão não seria nem gaúcho nem ítalo.
Com minhas nonas, Inocência e Rosa, aprendi a comer pinhão com a família, ao redor do fogão a lenha, cozido em panela de ferro-gusa ou sapecado na chapa, ou entre grimpas, debaixo dos pinheirais.
Sou italiano desde os tataravós, e gaúcho-ítalo de pai e mãe. A cada dia descubro em mim um traço de italianidade. Em nosso caleidoscópio cultural me sinto italiano, por exemplo, ao brindar uma gelada caipirinha brasileira com amigos alemães, polacos, portugueses..., e dizer com orgulho "Salute, che Dio ve giute!" - expressão que me faz italiano, cidadão do mundo, entre as demais etnias.
Ser italiano é ser autêntico e assumir a coragem dos pais e avós - felizes em conquistar seu lugar no espaço e no tempo. É viver com a família e navegar com ela para o desconhecido, sob os auspícios indeclináveis da união e da fé. É, também, em meu caso, ser desafiado por frei Rovílio Costa a expressar minha italianidade, e ficar sem palavras, olhando para o papel, diante da preciosa herança cultural que herdei, tanto quanto meus tataravós diante do incógnito oceano.
O que fazer?
- Descrever um pouco do imenso cabedal do que herdei, ouvi e aprendi em casa, sob a proteção dos santos da família, que não são os das devoções dos nonos, mas são os próprios nonos, de terço e livro de rezas na mão, modelos de fé, construtores de bem-estar, paz e felicidade.
Ser italiano, em síntese, é ser autêntico, saber-se diferente e único, e enriquecer-se das diferenças dos demais. Ser italiano não é comer polenta com queijo, mas assimilar seu significado gástrico e histórico. Ser italiano, em 2005, é comprometer-se a fazer o mundo da paz e do amor, pelo humanismo e pela fé. É acreditar na vitória do amor, porque, há 130 anos, um especial amor aqui chegou, com nossos pioneiros, de navio, depois de 36 dias de viagem, provado pela luta e embalado pela esperança e certeza da vitória. Prova deste amor e desta vitória sou eu e somos todos os descendentes, que já fizemos a América da Cucagna e agora vamos fazer a América da Paz e do Bem, proposta do patrono da Itália, São Francisco de Assis, como o frei Rovílio sempre me ensinou." (E-mail paulosuliani@gmail.com)
Paulo mostra que a italianidade tem ainda muitos sonhos a realizar, pois onde há um italiano, há um diferencial humano, ingrediente necessário à globalização da solidariedade, da fraternidade e da paz. (Rovílio Costa)
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (302)
El sa che a casa de Zacheo el passa come un rè
Silvino Santin
Santa Maria - RS
Chi ga ledesto el libreto El Ritorno de Nanetto Pipetta, de Pedro Parenti, el se ricorda che Zacheo el ze quel omeneto che Nanetto el ga trovà quando l’è ndà insieme Gènio par portar la dota dela fiola de Mantoan a Nova Roma. Zacheo l’era un omo de stùdii, el gavea fato, par tanti ani, el maestro de scola. El gavea bele idee sora el cooperativismo. Che Nanetto no le capia tute, ma l’era ndà d’acordo che bisognea verder i oci, sinò i furboni i ze lì pronti par magnarne come i corbi. E così Nanetto el ga fato na gran amicìssia.
Nanetto el gavea savesto che Zacheo, romai posentà, l’era ndà star a Cassia par far studiar i fioi, che i gera quatro, tre tose e un toso. No’l savea mia ben ndove l’era da star, el savea che no l’era tanto distante dea cesa dei frati, ma lu, come el gavea catà la libreria del Maneco, adesso el saria bon de catar fora la casa de Zacheo. In fati, dopo de ndar in torno inquà e inlà, el vede Zacheo che’l vien portando un sacheto pien in schena. Co lo vede el ghe osa, Zacheo, ndove sito? Cossa sito drio far? Sito drio vegner del molin?
E Zacheo el mola do el sacheto, che romai el ghe pesea, el ghe risponde: Nanetto, fiol d’on can d’on ostregon, de ndove sito saltà fora? Come che te me ghè catà qua?
- Ah!, Zacheo, te sè, i amissi se li trova pal odor. No ocor ver indirissi. Po, te vedi, son pròpio mi. Son drio ritornar de la Quarta Colònia, e son vegnesto qua par contàrtela e par saver come la va la Cooperativa.
- Ben, adesso, ndemo rento, la me casa la ze quela lì davanti. Te ghè induvinà, vegno del molin, de quei che fa farina nel sistema antigo, me toca far cossì se se vol magnar polenta bona. Son casa mi sol, la fémena la ze ndada farse i cavei e le onge, i fioi no i ze ancora ritornai dela scola. Ma da qua un poco i riva tuti. Ma, Nanetto, ze un gran gusto véderte nantra volta! El giorno de incó se fa fadiga catar taliani legìtimi come ti. Si, vien, passa rento.
E Nanetto el se sprosiava tuto. El savea che a casa de Zacheo el passaria come un rè.
Come lo gavea dito Zacheo, na mesa oreta dopo i ze rivai tuti. In poco tempo Nanetto el gera a tola davanti na bela polentona. No ga gnanca ocoresto dirghe che lu el gavaria caro de magnar na bela polenta, legìtima come quela che la Gelina la fa.
Dopo sena, i due, squasi compari, i se ga sentai là fora e i se le ga contae fin passà mesa note. Nanetto el contea le so braure in tela Quarta Colònia, Zacheo el fea i so discorsi contra i magnaguadagni che i ze i polìtichi e i diretori dele cooperative. I sòcii i laora fa mati, e no i va vanti, i se la tira fora par viver. Intanto i presidenti i diventa siori. I polìtichi i laora poco, i ze sempre drio ndar a spasso, i ciapa un soldon e i se posenta in pochi ani, dele olte con diverse posentadorie.
Se no fusse la fémena de Zacheo dirghe che romai zera passà mesa note, luri due i saria stai là batolando fin el spontar del sol.
- Lora, el dise Nanetto, ndemo dormir, che diman go raquanti mistieri da far. E bisogna che me leve su bonoreta.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
La corsa dele rane
Ir. Jacob J. Parmagnani
Academia Pelotense de Letras, Porto Alegre - RS
Ma, come, corsa de rane? Le rane no le core, ma le salta!
– Si, ze vero, ma vardè. El primo nome de Carlos Barbosa el ze stà Cantarane, parché, i disea, ghe zera tante rane, zera bel, verso sera, sentirle cantar tute insieme. El frate capucino francese, Leonardo de Chambéry, che el me ga insegnà a iutar messa, el disea: "Mi son goloso de rane." El volea dire: "Mi magno rane e le me piase."
Nel tempo de Cantarane, i ga inventà la corsa dele rane. Ma come? Cinque cariole e, drento de cadauna, cinque bele rane. I coredori i paghea cinque fiorini in benefìcio dela capela. Le cariole, ben querte con una carona, parché le rane no le saltasse fora. Là distante 100 metri, cinque pignate querte col so quèrcio e, drento, un prémio.
Cossa? Nessuni lo savea. Quando un dei coredori rivava con le cinque rane nela so cariola, al podea sceliere la pignata e torse el prémio. A un segno, i cinque coredori i tirea via la carona, i ciapea le cariole par i màneghi e via, corer.
Ma le rane no le ghe piasea sta maniera de viaiar. E, ora una, ora unaltra, le saltea fora de la cariola. Alora bisognava fermarse, ciaparle e méterle rento ancora. Ma, fato solo pochi metri, eco che, de novo, le rane le saltea fora. Zera tuto un córere, fermarse, ciaparle, e no zera mia tanto fàssile, parché le saltea.
E la gente intorno che se la ridea a crepa pansa! Ma, eco che uno, fati pi o meno 50 metri, el se mete a corere e el osa:
– Go guadagnà, mi son el primo, go guadagnà!
Al mola la cariola e varda le pignate ben querte. Al proa sgorlar una, sensa vèrderla. Si che ghe zera un prémio rento. Ma al ga visto un bronzin, quela pignata tonda, de fero, da far la polenta. La verde, ma, Santantoni benedeto, aiuto!... El scampa via, parché rento ghe zera un nido de brespe grande e giale (marinbondi). El core inquà e inlà e, col capel, el proea spaventar le brespe.
– Cossa gheto, Nani? I domandava.
– El ze un castigo, un bruto castigo! Mi son rivà par primo parché, quando na rana la saltea fora la seconda olta, mi ghe scavessea le gambete de drio e no la podea pi saltar fora. Son castigà.
Al ga ciapà solo tre becade dele brespe: una te la man drita, quela che scavessea le gambete dele rane; l’altra, in tea schena, e una drio na récia.
- Castigo, castigo, ghe disea la Giudita, so dona, impara a far patire le bestiolete del Signore.
El gavea el nome de Giovani, ma, de quel di avanti, l’è restà col cognome de Nani Scavessa Gambe.
Garibaldi mantém tradição
Festival gastronômico antecipa Fenachamp
O maior evento da gastronomia típica da colonização italiana de Garibaldi chega a sua 19ª edição mantendo a tradição que o fez surgir no início dos anos 80. O bosque do Parque da Fenachamp será palco para o Festival Colonial Italiano. O evento, que ocorre dia 10 de abril é promovido pela Associação Veteranos, com apoio da Prefeitura.
Estão previstos shows que evocam as tradições, além da exposição de artesanato e da cultura da imigração. O festival servirá como cartão de visita para a Festa Nacional do Champanha (Fenachamp), programada para outubro.
O Festival Colonial Italiano terá no cardápio comida típica, uva, vinho direto da pipa e suco de uva. A programação também prevê missa cantada por coral, canto e jogos típicos da imigração italiana, confecção de artesanato e comercialização de produtos coloniais por clubes de mães organizados pela Emater.
Haverá esmagamento de uva com os pés pelas novas soberanas da Fenachamp, cuja escolha será realizada no dia 8 de abril. Estacionamento gratuito na parte interna.
Comida típica e animação em Gramado
Uma das principais atrações da temporada outono-inverno na Serra gaúcha é a Festa da Colônia de Gramado, que ocorre de 7 a 17 de abril. Bandas típicas alemãs, corais italianos e comida típica elaborada pelos colonos garantem a animação e a originalidade da festa, que celebra a cultura trazida pelos imigrantes europeus.
Durante dez dias, vive-se um pouco da Colônia, em plena Praça das Comunicações, no centro da cidade. Queijos, salames, doces, graspa, licores e chás são alguns dos produtos coloniais comercializados pelos colonos, que têm na feira fonte extra de renda. Os fornos a lenha praticamente não apagam durante o período da festa, assando pães, cucas e doces caseiros.
Um dos pontos altos da festa é o tradicional desfile de carretas coloniais puxadas por bois e decoradas com produtos e peças típicas da época dos imigrantes alemães e italianos. O desfile de carretas ocorre nos dois sábados da festa, com a presença da rainha Gisele Carina Cavalin e das princesas Renata Cavichon e Karen Jéssica Wiltgen.
Mel é atração de abril em Cambará do Sul
Participação de agroindústrias, realização de oficinas, shows nacionais. Estas são algumas das novidades da 18ª Festa do Mel, que ocorre de 1º a 3 e de 8 a 10 de abril, na Cidade de Lona, em Cambará do Sul. A promoção é da Emater/RS, Prefeitura e Associação Cambaraense de Apicultores (Acapi).
A abertura oficial da festa será no dia 1º, com visitação aos estandes. O evento terá cerca de 70 expositores, que estarão comercializando artigos de couro, artesanato, cama, mesa e banho, além de produtos agroindustriais. Treze apicultores da Acapi estarão ofertando mel, própolis e produtos da indústria caseira de alimentos.
Outra atração da festa serão as oficinas gratuitas de extração e envase de mel, de culinária com mel, artesanato e lã crua, que serão realizadas diariamente. E no dia 2, realiza-se a 5ª Cavalgada Caminhos do Mel, passando pelas comunidades de Lajeado da Margarida e Capão Penso. "A cavalgada irá percorrer o caminhos das abelhas, por matas e campos, e promover a integração e união entre os participantes de todas as idades, a exemplo do que as abelhas fazem", diz o técnico da Emater, Iran Fogaça.