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Edição 4.931 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 6 de abril de 2005.

EDITORIAL

Morte revela a verdadeira grandeza de João Paulo II

O terceiro mais longo Pontificado da história foi marcado por posições corajosas no campo social e político

 

A morte é o instante das coisas claras. Teologicamente, a morte torna definitivo o que a pessoa foi em vida. Quando se desfazem as brumas da morte, também desaparecem os pequenos detalhes do provisório e a pessoa assume sua verdadeira biografia. A morte veio revelar, com cores fortes, a verdadeira grandeza de João Paulo II, o pastor do mundo. Foi o terceiro pontificado da história, superado apenas por Pedro e por Pio IX.

Ao longo de 26 anos, cinco meses e 15 dias, João Paulo II realizou uma obra extraordinária, não apenas no campo religioso. Para o escritor Carl Bernstein , ele foi "o pivô em torno do qual girou a história do nosso tempo". Foi sua visita à Polônia, em 1979, que provocou o início da derrocada da Cortina de Ferro. Nem por isso João Paulo poupou críticas candentes contra os desmandos do capitalismo. Sua última ação vigorosa foi contra a invasão do Iraque, decretada por George W. Bush.

A cultura da resistência, que moldou sua infância e juventude numa Polônia escravizada pelo marxismo, foi a marca de seu pontificado. Avançado socialmente, João de Deus optou pela estrita ortodoxia doutrinal. Muitas vezes soube proclamar um sonoro não. E este não pode ter dois significados. Algumas posições da Igreja são inegociáveis, outras não estão maduras.

Como nenhum outro Papa, soube aproveitar a mídia para evangelizar e os que defendiam sua renúncia dão-se conta, agora, que ele fez da doença e da própria morte seu último e mais vigoroso sermão. Um Papa morre de pé. Meu Redentor não desceu da Cruz, esclarecia o Papa.

Agora, a Igreja se prepara para um novo pastor. A experiência mostra que as especulações da imprensa, quase sempre, se revelam sem bases ou só com critérios humanos. Santa e pecadora, a Igreja é regida por homens, mas conta com a assistência do Espírito Santo. Um dia, Jesus revelou a Pedro: "Tu és pedra e sobre esta pedra edificarei minha Igreja, e as forças do mal nada poderão contra ela" (Mt 16, 18). Esta é a mais antiga e desafiante profecia. O Espírito Santo, não excluindo as mediações humanas, dará as "chaves do Reino" à pessoa certa para dirigir a Igreja hoje.

 

ESPECIAL

Papa João Paulo II realiza sua viagem definitiva

Funeral do Pontífice será celebrado na sexta-feira, 8 de abril, às 10 horas de Roma]

 

"Às 21h37 (horário de Roma, 16h37, no Brasil) nosso Santo Padre regressou à Casa do Pai". Com essas palavras, quebradas pela emoção, o arcebispo Leonardo Sandri, substituto da Secretaria de Estado do Vaticano, anunciou a morte do Papa João Paulo II no sábado, 2 de abril. Naquela hora, 60 mil pessoas reunidas na Praça de São Pedro acabavam de rezar o terço pela saúde do Pontífice.

Imediatamente, a multidão entoou a Salve Rainha e dedicou ao Papa um longo aplauso. Em seguida, o cardeal Angelo Sodano iniciou a oração do "De profundis", em latim e italiano. A maioria dos fiéis colocou-se de joelhos e soaram os sinos da Basílica de São Pedro.

A saúde do Pontífice, que já vinha se debilitando havia alguns anos, piorou a partir da traqueostomia realizada no dia 24 de fevereiro. O quadro se agravou no domingo da Páscoa, quando faltou voz para a bênção aos fiéis. O Papa, que tinha emagrecido 19 quilos desde que foi submetido à traqueostomia, recebeu a Unção dos Enfermos no dia 31 de março. Na sexta-feira, sua condição de saúde piorou, com a evolução de uma infecção urinária para uma infecção generalizada. No sábado 2, o Papa perdeu os sentidos. João Paulo II morreu em decorrência de choque séptico e falência cardíaca.

No atestado de óbito também consta que o Papa padecia do mal de Parkinson, de insuficiência respiratória aguda, de hipertrofia benigna da próstata e de cardiopatia hipertensa e isquêmica.

Exposição - O corpo do Pontífice foi trasladado na segunda-feira para a Basílica de São Pedro, onde a partir das 16 horas (horário de Brasília), milhares de fiéis passaram a dar seu último adeus ao Papa. O corpo, vestido com a casula branca e uma capa vermelha, as mãos sobre o corpo, o báculo sob o braço esquerdo e a mitra na cabeça, está exposto sobre um altar revestido com tecido cor de ouro.

Os funerais de João Paulo II serão celebrados na sexta-feira, 8 de abril, às 10 horas, em Roma (5 horas de Brasília). O corpo do Pontífice será sepultado na "Gruta Vaticana", cripta situada debaixo da Basílica de São Pedro, onde repousam os restos mortais de diversos papas. Deverá ficar a poucos metros do túmulo do apóstolo Pedro, o primeiro papa da Igreja Católica.

 

Dois milhões de peregrinos devem participar do funeral

 

A cidade de Roma está presenciando a maior invasão de peregrinos da sua história. Autoridades italianas previam, na segunda-feira, um fluxo de um milhão de pessoas por dia até a sexta-feira, dia definido pelos cardeais para o funeral de João Paulo II. No dia do funeral, dois milhões de peregrinos e cerca de 200 personalidades de todo o mundo, incluindo chefes de Estado, monarcas, ministros e líderes de outras religiões, são esperados em Roma.

Eles deverão prestar uma última homenagem ao homem que marcou os rumos da Igreja Católica e de seu rebanho de 1,1 bilhão de fiéis nos cinco continentes durante exatos 26 anos, cinco meses e 15 dias. Entre os governantes que já confirmaram presença estão o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; dos Estados Unidos, George W. Bush; e do México, Vicente Fox.

Conforme normas do Vaticano, geralmente, os funerais são realizados três dias depois da morte de um papa. Técnicos do instituto de medicina da universidade de Roma são encarregados de verificar o estado de conservação do corpo, que é embalsamado. Os restos mortais do pontífice são colocados num tríplice caixão (um de cipreste, um de chumbo e um de nogueira), e sepultado nas grutas vaticanas. Uma tradição que vem desde o século XV prevê que o cardeal carmelengo, atualmente o espanhol Eduardo Martinez Somalo, deve destruir o "anel de pescador" do pontífice morto, símbolo máximo da autoridade papal.

A Itália colocou em prática um imponente dispositivo de segurança que inclui 6,5 mil agentes de polícia e o fechamento do espaço aéreo no dia dos funerais. Trens especiais partem de diversos pontos da Itália em direção a Roma. Milhares de voluntários e funcionários da defesa civil estabeleceram centros de atendimento, com estações para distribuição de água e banheiros químicos.

 

O homem da paz

 

Líderes de nações de todo o mundo expressaram seu pesar pela morte de João Paulo II. Vários países decretaram luto oficial até o enterro do Papa.

"O mundo perdeu um grande líder, um campeão da liberdade". George W Bush, presidente dos Estados Unidos.

"Recordaremos sempre o especial afeto de João Paulo II e seu constante exemplo de entrega, sacrifício e solidariedade". Rei Juan Carlos I da Espanha.

"A Itália toda chora junto à Igreja Católica pela perda de um protagonista da história das últimas décadas. Todos nós sentimos o seu amor por nós e pela nossa pátria". Silvio Berlusconi, premier italiano.

"O Papa sempre lutou contra a injustiça social e não temeu desafiar o regime comunista na Europa. Ele era uma inspiração, um homem de extraordinária fé, dignidade e coragem". Tony Blair, primeiro-ministro da Grã-Bretanha.

"A humanidade guardará emocionada recordação por seu trabalho em favor da paz, da justiça e da solidariedade". Fidel Castro, presidente de Cuba.

"Sempre me impressionou seu compromisso para que as Nações Unidas se transformassem em uma força moral". Kofi Annan, secretário geral da ONU.

"Era um homem da paz, um amigo do povo judeu que trabalhou pela reconciliação dos povos". Ariel Sharon, primeiro-ministro de Israel.

"O Papa sentia que os seres humanos não precisam apenas de desenvolvimento material". Dalai Lama, líder espiritual do Tibet.

"Em meio século percorreu um caminho de dois mil anos". Rabinos de Israel ao ressaltar a missão do Papa na busca da reconciliação entre judeus e cristãos.

"Sua luz de ensinamentos está espalhada por todo o mundo". Bill Clinton, ex-presidente norte americano.

"O final do comunismo já se vislumbrava no horizonte, mas sem o Papa, o comunismo teria derramado sangue". Lech Walesa, ex-presidente da Polônia.

"João Paulo II foi um grande showman, um grande comunicador de idéias mesmo se você não concordasse com todas". Bono Vox, líder e vocalista da Banda U2.

 

Novo papa será eleito secretamente por 117 cardeais

Conclave que escolherá sucessor de João Paulo II deve iniciar entre os dias 17 e 22 de abril

 

Desde a segunda-feira, 4, os cardeais estão reunidos no Vaticano para os funerais de João Paulo II e para preparar o processo de escolha do novo papa. O conclave, como é chamada a assembléia para a eleição do papa, deve ocorrer não antes de 15 dias nem após 20 dias da morte de um papa. Como João Paulo II faleceu no último dia 2, o conclave deverá iniciar entre os dias 17 e 22 deste mês. Até lá, os cardeais reúnem-se para discutir os rumos da Igreja Católica e, nos bastidores, começa a surgir o perfil do sucessor de Karol Wojtyla.

A Constituição Apostólica, apresentada no Vaticano em 1996 e promulgada por João Paulo II, substituiu a Constituição Apostólica Romana, de 1975, e introduziu importantes mudanças no sistema de eleição do papa. Atualmente, 183 cardeais formam o Colégio Cardinalício. Desse total, 117 têm menos de 80 anos e são os eleitores do novo papa. Os demais, octogenários, não votam, mas podem participar das reuniões e ser eleitos. O conclave deve ser formado por no máximo 120 cardeais. Sendo assim, os que têm 80 anos de idade no dia em que o pontífice morre não participam da assembléia.

O encontro dos cardeais deve ser realizado dentro da Cidade do Vaticano. Tradicionalmente, a Capela Sistina é o local das reuniões, mas eles ficam hospedados na Residência Santa Marta. Durante o conclave, os cardeais ficam isolados do mundo exterior. Eles são impedidos de manter contato telefônico, de assistir televisão, de ouvir rádio, de utilizar a Internet e de ler jornais e revistas.

Os cardeais se reúnem na Basílica de São Pedro e realizam a missa votiva "Pro elige Papa". Após, dirigem-se à Capela Sistina dando início ao processo de escolha do novo pontífice. O novo papa é eleito por voto secreto e deve receber pelo menos dois terços dos votos. Se após sucessivas votações, nenhum candidato obter dois terços dos votos, os cardeais podem adotar a eleição por maioria absoluta (metade mais um dos 117 votos) ou entre os dois nomes que na apuração precedente tiverem sido os mais votados, também por maioria absoluta.

Após cada votação, as cédulas são incineradas. É a fumaça dessa queima que se vê sair da chaminé do Vaticano e que indica quando o novo papa foi escolhido. Fumaça preta é sinal de que a eleição ainda não encerrou. Quando já se tem o novo papa, uma substância que tinge a fumaça de branco é adicionada à queima das cédulas.

De uma sacada da basílica de São Pedro, o decano, cardeal mais idoso que preside a eleição, anuncia a escolha aos fiéis pronunciando a famosa frase, em latim: "Habemus Papam" (Temos Papa). Finalmente, o novo papa se dirige aos fiéis na praça São Pedro para seu primeiro pronunciamento.

 

Votos brasileiros

 

Os cardeais são os conselheiros mais próximos do papa e são nomeados pelo pontífice. Eles geralmente são arcebispos das dioceses mais importantes ou líderes das dependências mais importantes do Vaticano. Hierarquicamente, estão acima de todos os clérigos, com exceção do papa. Eles usam um barrete vermelho que simboliza sua disposição em derramar o próprio sangue pela Igreja.

Dos 117 cardeais com direito a voto no conclave, apenas dois não foram nomeados por João Paulo II. Oito brasileiros são cardeais, mas só quatro votam: Dom Geraldo Majella Agnelo, presidente da CNBB; Dom Cláudio Hummes, arcebispo de São Paulo; Dom Eusébio Oscar Scheid, arcebispo do Rio de Janeiro; e Dom José Freire Falcão, arcebispo emérito de Brasília.

Entre os 117 cardeais, há 58 europeus, 21 latino-americanos, 14 norte-americanos, 11 africanos, 11 asiáticos e dois da Oceania. O Papa João Paulo II nomeou um cardeal em segredo (in pectore) em 2003, mas ele não poderá participar do conclave, pois seu nome não veio a público antes da morte do pontífice. O papa nomeia um cardeal em segredo para protegê-lo de represálias em algum país que oprime a Igreja Católica.

 

Volta de italiano influencia escolha

 

O nome do sucessor de João Paulo II ainda é um mistério mesmo para especialistas e religiosos. Duas grandes tendências dentro do Vaticano permearão a indicação. Deve ser levada em conta a volta de um papa italiano ou a eleição de um latino-americano, representante de uma região que reúne a maioria dos católicos do mundo. Também é provável que haja o confronto de posições entre conservadores e liberais, que divergem em questões simples, como o celibato dos sacerdotes, o diaconato feminino e os métodos de contracepção.

Entre os nomes apontados como "papáveis" estão cinco prelados italianos: os cardeais-arcebispos Dionigi Tettamanzi, 70 anos, de Milão; Ângelo Scola, 63, de Veneza; e Tarcisio Bertone, 70, de Gênova; o secretário de Estado do Vaticano Ângelo Sodano, 77; e o prefeito da Congregação para os Bispos Giovanni Battista Re, 71 anos.

Fora da Itália, os mais citados como candidatos a papa são representantes da América Latina: o cardeal colombiano Darío Castrillón Buracos, 75 anos, prefeito da Congregação para o Clero; o hondurenho Oscar Andrés Rodríguez Maradiaga, 62, arcebispo de Tegucigalpa; o argentino Jorge Mario Bergoglio, 67, arcebispo de Buenos Aires; e o brasileiro Cláudio Hummes, 70 anos, arcebispo de São Paulo. Da África, aparece o nome no nigeriano Francis Arinze, 72 anos, prefeito da Congregação para o Culto Divino.

Além dos mais cotados, também aparecem como possíveis sucessores de João Paulo II dois prelados considerados jovens: o cardeal-arcebispo de Viena, Christoph Schoenborn, 60 anos; e o cardeal indiano Telesphore Placidus Toppo, 65, arcebispo de Ranchi. Há ainda o cardeal alemão Joseph Ratzinger, também chamado de "guardião do dogma", 77 anos, que preside o Colégio Cardinalício.

 

Gaúcho dom Cláudio Hummes é apontado como favorito

 

O arcebispo de São Paulo, dom Cláudio Hummes, 70 anos, está sendo apontado como favorito à sucessão de João Paulo II. Auri Afonso Hummes, nome de batismo do filho de Pedro Adão e Ana Maria Hummes (ambos já falecidos), nasceu em 1934, em Montenegro, no Rio Grande do Sul. Ele é considerado um cardeal "de centro", ou seja, a meio caminho da ala conservadora da Igreja brasileira e dos defensores da Teologia da Libertação. Desde 1998, ele dirige uma das principais arquidioceses do mundo, composta de 261 paróquias que reúnem cerca de nove milhões de fiéis.

O jornal inglês The Sunday Times, na edição de domingo, 3, também mencionou o favoritismo do arcebispo brasileiro. Em uma matéria intitulada "Cardeal brasileiro radical lidera corrida pela sucessão", o diário afirmava que a América Latina, que tem 21 cardeais com direito a voto e abriga metade dos católicos do mundo, deve assumir uma posição firme durante o conclave. Segundo a matéria, o nome de Hummes seria o mais provável indicado por ele ser um homem forte dentro da Igreja e por seguir a doutrina conservadora que permeou o papado de João Paulo II. Em 2001, na época da nomeação de Hummes ao posto de cardeal, o teólogo Osmar de Carvalho escreveu que ele estava em "sintonia total com o Papa, ele é 100% Vaticano".

Hummes afirmou que os religiosos devem escolher o papa com consciência e não pela nacionalidade, mas reconhece que esse é um critério que acaba influenciando o voto dos cardeais. "Espera-se que o novo papa continue sendo uma luz em um tempo novo", disse. Segundo Hummes, a história avança e a Igreja Católica terá de discutir as novas tendências junto com a sociedade, com responsabilidade e abertura.

Apesar das previsões indicarem o arcebispo brasileiro como favorito, o conclave pode trazer surpresas, assim como ocorreu na eleição de João Paulo II. Quando era cardeal-arcebispo em Cracóvia, Karol Wojtyla não era considerado favorito, mas foi eleito no terceiro turno do conclave (16 de outubro de 1978) para ser o primeiro papa não italiano em 455 anos.

 

Morte do grande líder peregrino comove o mundo

Para os povos, o Papa João Paulo II é eterno. Seu exemplo emociona e marca a história

 

Desde a confirmação da morte de João Paulo II no sábado, 2 de abril, em todas as partes do mundo ocorreram manifestações de tristeza e pesar. Nas igrejas católicas, fiéis se reuniram para rezar pelo descanso eterno do Papa. Em muitos templos, sinagogas e mesquitas de diferentes religiões, seus seguidores expressaram sua dor e seu reconhecimento pelo Pontífice que mais abriu as portas da Igreja ao diálogo com outros credos.

Jornais do mundo todo destacaram em suas primeiras páginas a morte do Papa. Na Rússia, diversos jornais, entre os quais o diário de oposição Kommersant, salientaram o papel de João Paulo II na queda dos regimes comunistas da Europa Oriental. Canais de televisão dedicaram longos programas ao Papa que, na história da Igreja, mais visitou países e povos. Principalmente entre os poloneses, o sentimento de perda foi demonstrado em várias manifestações.

Na Itália, a rodada do domingo do campeonato nacional de futebol foi suspensa e em diversos países, no sábado e no domingo, o Papa foi homenageado nos campos de futebol com aplausos, com um minuto de silêncio, com faixas e cartazes...

Brasil – Enquanto isso, no Brasil, os sinos dobram por João Paulo II. O brasileiro perdeu um pai que se dizia gaúcho. A canção "João de Deus", entoada espontaneamente pelo povo, nas suas três visitas ao Brasil, expressa essa relação de carinho e respeito com o Santo Padre.

O governador do RS, Germano Rigotto, guardará o Papa na memória como uma figura muito especial, porque se encontrava na Praça de São Pedro, no dia da definição do nome do novo pontífice. "Nenhum outro Papa teve tão forte participação na busca da paz mundial", lembrou.

"O nosso adeus é até o céu", declarou o arcebispo metropolitano de Porto Alegre, dom Dadeus Grings. E acrescentou: "Nossa palavra nesta hora não é que estamos preocupados, nem angustiados, mas de serenidade, porque a Igreja é de Jesus Cristo e guiada pelo Espírito Santo." O bispo de Santa Cruz do Sul, dom Sinésio Bohn, disse que o mundo deve muito de sua estabilidade atual a João Paulo II.

O cardeal Aloísio Lorscheider, arcebispo emérito de Aparecida, destacou a figura do Papa como uma das grandes personalidades do mundo. "O Papa imprimiu uma diretriz peculiar e pautada pela globalização da Igreja, estando em todas as partes do mundo, como nenhum outro estadista", enfatizou.

Para o bispo emérito da diocese de Santa Maria, dom Ivo Lorscheiter, o Papa João Paulo II vai passar para história não só por um dos mais longos pontificados, "mas principalmente pelo seu trabalho exaustivo de marcar presença em todos os países do mundo."

"Ele foi o Papa da paz.", resumiu o bispo emérito de Porto Alegre, dom Altamiro Rossato. "Sou de Porto Alegre, no Brasil", disse ao Papa dom Jacinto Flach, bispo auxiliar de Porto Alegre, em setembro de 2004. O Papa, com olhar de alegria e carinho lembrou: "O Papa é gaúcho." "Não tem pessoa mais conhecida e amada, que tenha cativado a humanidade como ele cativou", enfatizou dom Jacinto.

"Morreu um grande líder espiritual e moral que trabalhou incansavelmente pela paz e justiça social, viajando mundo afora em prol da unidade da Igreja e do compromisso da fé", declarou o pastor Homero Severo Pinto, 1º vice-presidente em Porto Alegre da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil.

 

Presidente Lula decreta luto oficial por sete dias

 

"O povo do maior país católico do mundo está profundamente entristecido pela morte do Papa", resumiu o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ao definir o sentimento dos brasileiros com a perda de João Paulo II. O presidente decretou no sábado, 2, luto oficial por sete dias em todo o país.

"O Brasil sente-se compungido pela perda de um dos homens que, como poucos, influiu, de forma marcante e positiva, no curso da História Contemporânea", afirmou o presidente Lula, que viaja na quinta-feira, 7, a Roma para participar do sepultamento do Sumo Pontífice.

 

CNBB suspende 43ª Assembléia de Itaici

 

A Igreja do Brasil participa da dor de toda a Igreja e da sociedade pelo falecimento do Papa João Paulo II . Por esse motivo e para possibilitar a presença dos bispos em suas respectivas dioceses, com seu presbitério e seu povo, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) suspendeu temporariamente a realização da Assembléia Geral, programada para o período de 6 a 15 de abril, em Itaici, de São Paulo.

"A Assembléia Geral de Itaici será convocada novamente, para executar a pauta de trabalhos já aprovada pelo Conselho Permanente e já comunicada a todos os membros da Conferência", afirma o presidente da CNBB, cardeal Geraldo Majella Agnelo.

 

Dom Paulo destaca fé e dedicação do Papa

 

Para o bispo da diocese de Caxias do Sul, dom Paulo Moretto, a morte do Papa, além da tristeza e pesar que essa perda significa, também se torna um "momento de gratidão a Deus por nos ter dado João Paulo II, pelo modo pessoal como ele viveu sua vocação para o bem da comunidade humana e cristã".

Dom Paulo destacou como grandes virtudes do Papa sua fé cristã forjada no sofrimento vivido pelo povo polonês, a dedicação com que ele assumiu sua missão e seu pontificado e a firmeza em permanecer nos caminhos do Senhor e da sua Igreja. "Cabe a nós o compromisso de levar adiante sua missão e aguardar com fé e esperança seu sucessor", concluiu dom Paulo.

 

Papa simboliza a paz, afirmam capuchinhos

 

"Para os que crêem no Senhor, a vida não é tirada, mas transformada" – prefácio de Defuntos, I. "Esta verdade da fé e as manifestações da humanidade confirmam que João Paulo II vive", afirma frei Luiz Turra, ministro provincial dos Freis Capuchinhos.

A passagem deste Irmão inconfundível, diz frei Turra, deixa claro quais são os valores que encantam e eternizam a vida. Sua agonia e seu Calvário encerram uma forma de comunicação e de presença para inaugurar outra forma de sintonia que entra e sai de nosso coração e do coração de um santo. "Se são ‘Felizes os que promovem a paz’, João Paulo II o será para sempre", conclui.

 

AGRONEGÓCIO

Piscicultura recebe mais crédito

Uma das metas é elevar o consumo do pescado para 12 quilos por ano

 

O brasileiro está comendo mais peixe. O consumo per capita/ano passou de 6,8 quilos para oito quilos nos últimos dois anos. Ainda é baixo se comparado aos 12 kg/pessoa/ano recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O crescimento mostra que o mercado está bom para quem quer investir na área.

Atenta aos números e ao potencial do país, a Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca (Seap), em parceria com o Banco do Brasil, lançou na quinta, 31, um programa de crédito para investimentos em custeio em piscicultura, ampliação de açudes e comercialização de peixes. Atualmente é o Pronaf quem garante recursos para essa área, disponibilizando R$ 300 milhões por ano.

A previsão do secretário especial da Pesca, José Fritsch, é que sejam firmados este ano 55 mil contratos para piscicultura. O BB vai operar em todo o país. O piscicultor terá 12 opções de financiamento, com taxas de juros de 2% a 13,5% para mini, pequenos e médios pescadores e aqüicultores. Poderão ser financiados valores que vão de R$ 500,00 a R$ 150 mil.

Para o secretário José Fritsch, o novo financiamento vai ajudar na implementação de novos negócios para os agricultores. "A oferta de dinheiro deverá contribuir para diminuir o êxodo rural e o desemprego, além de estimular a produção e comercialização de pescado", declarou.

Na Serra - Na Serra gaúcha pipocam projetos voltados à criação de peixes, principalmente o policultivo de carpas. Em Garibaldi, o incentivo à piscicultura na pequena propriedade começou há 20 anos. "Pelo menos 90% das 857 famílias rurais têm açudes e cultivam peixes no município", afirma ao CR o engenheiro agrônomo da Emater, Ivaldo Dalla Rosa.

Segundo Dalla Rosa, o peixe compõe o cardápio das famílias semanalmente. "A carne de peixe é saudável, contém um elemento essencial, o Omega 3, ótimo para a saúde. O ideal é consumir essa carne uma vez por semana", detalha ao CR a nutricionista Maria Angélica Couto Brandão.

 

Emater recomenda povoamento imediato

 

Em função da estiagem, os piscicultores devem realizar o povoamento dos açudes com alevinos imediatamente. A medida é para os produtores que não puderam povoar os viveiros no período recomendado, entre os meses de outubro a fevereiro, ou realizaram o repovoamento em volumes muito pequenos.

"A recomendação é excepcional e deve ser aliada a práticas de limpeza, adequação dos viveiros, com entrada e saída de água se for o caso, desinfecção e adubação, que devem ser encurtadas para ganhar tempo", esclarece o veterinário e assistente técnico estadual em piscicultura da Emater/RS, José Carlos Paiva Severo.

O técnico da Emater recomenda que, para compensar o menor período de engorda e prevenir o inverno, seja reduzida a densidade de lotação dos viveiros. "No caso do policultivo de carpas, deve-se utilizar a proporção de um alevino para cada cinco metros quadrados de lâmina d’água", ensina José Severo.

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

Maracujá-doce

Desejo obter informação sobre o maracujá, em particular o maracujá-doce. Este pode ser consumido "in natura"? E seu suco pode ser indicado para refresco? A fruta deve amadurecer no pé ou cair para ser colhida e consumida? Quais são suas propriedades?

 

Melissa boeira

Araranguá - SC

 

Os maracujás são frutos de plantas que pertencem à família botânica das Passifloráceas, cujo principal gênero Passiflora com inúmeras espécies e variedades quase todas americanas, a maioria das quais brasileiras.

Do gênero Passiflora, cerca de 60 espécies produzem frutos comestíveis, dentre estas algumas poucas atualmente cultivadas e comercializadas para consumo direto, preparo de refrigerantes, geléias, sorvetes, bolos e outros usos.

Caracteres - São trepadeiras herbáceas ou lenhosas (ramos novos são herbáceos, os antigos tornam-se lenhosos), providas de numerosas folhas e gavinhas. As folhas são simples, inteiras ou lobadas, alternas, micropecioladas.

As flores são das mais vistosas e atraentes que existem. Solitárias, completas, hermafroditas, pentâmeras: cálice com 5 sépalas carnosas alternadas com as 5 pétalas de face superior colorida da corola. Da base do cálice e da corola eleva-se uma "coroa de filamentos", cilíndricos, cintados de púrpura e branco, muito vistosa na flor e que envolve no centro uma característica coluna: o "androginóforo" que sustenta os órgãos da reprodução: o "androceu" (masculino), formado por 5 estames e, acima deste o "gineceu" (feminino) formado pelo ovário bojudo encimado por 3 estigmas receptadoras do pólen. O ovário é tricarpelar e unilocular com numerosos óvulos de placentação parietal. Estes, após a fecundação, produzem as sementes e o ovário desenvolve-se em fruto, em forma de baga oval ou redonda, rica de substâncias saborosas.

Maracujá-doce - Assim são conhecidos os maracujás de polpa espessa, adocicada, consumida crua ao natural. A principal espécie é a "Passiflora alata". É trepadeira vigorosa com folhas inteiras de margem lisa e em geral duas glândulas na base da lâmina. As flores têm cor lilás. O fruto é de bom tamanho, ovóide, algo periforme, amarelo-alaranjado quando maduro. A polpa (pericarpo) é abundante, acídula-adocicada, comestível ao natural e em compotas e doces. Referências de entendidos dizem que é excelente com vinho e açúcar. O suco pode ser aproveitado como refrigerante, mas é menos agradável que outros. Melhora com açúcar. Sob o aspecto nutricional este maracujá é rico em hidratos de carbono (de 15% a 18%), bem provido de vitamina A e outras, e em sais minerais, principalmente fósforo e cálcio. Sob o ponto de vista terapêutico, como outras espécies de maracujá, é muito útil. A infusão das folhas é excelente sedativo nos casos de insônia, excitações nervosas etc.

Outra espécie semelhante à Palata, bastante familiar no RS, também conhecida como maracujá-doce é a Passiflora quadrangularis, de caule quadrangular, folhas grandes, ovais e belíssimas flores vermelho-arroxeadas.

A multiplicação destas espécies é feita principalmente por sementes obtidas de frutos sadios, maduros e de excelente qualidade e cultivados em canteiros, em caixas ou embalagens individuais de polietileno. A planta também pode ser reproduzida por estacas obtidas da parte central de ramos maduros com 2 a 3 entrenós. O uso de hormônio indolacético favorece o enraizamento das estacas. Tratando-se de trepadeiras as mudas deverão ser conduzidas em espaldeiras que lhes dão o devido apoio.

Colheita - O maracujá deve ser colhido no pé quando este já esteja amarelado, mas não totalmente maduro, e com o pedúnculo, pois aumenta o período de durabilidade e evita o apodrecimento precoce. É comum os frutos quando maduros caírem espontaneamente. Neste caso, devem ser recolhidos diariamente e aproveitados.

 

Caxias do sul

Verba européia para turismo depende só de análise jurídica

370 mil euros vindos da Europa estão parados há mais de seis meses

 

O prefeito José Ivo Sartori afirmou na semana passada, a integrantes da Associação de Turismo Estrada do Imigrante, da 3ª Légua, que vai ajudar a levar adiante o acordo que prevê recursos europeus para projetos turísticos em Caxias do Sul, Flores da Cunha, Bento Gonçalves e mais sete cidades do Uruguai, Chile, Espanha e Itália.

Ao todo, o convênio prevê a aplicação de 1,132 milhão de euros - 800 mil euros da Europa e o restante em contrapartida. Foi aprovado pela Comissão Européia e direcionado ao programa de Valorização do Turismo Integrado à Identidade Cultural dos Territórios (Victur), por meio da rede URB-AL. A primeira parcela, de 370 mil euros (cerca de R$ 1,3 milhão), foi liberada no final de setembro de 2004 e permanece, desde 1º de outubro, numa conta bancária específica da Prefeitura de Caxias do Sul. Parte dessa primeira verba se destina à instalação da escola de agroturismo na 3ª Légua, que pretende formar 600 pessoas em dois anos. Como Caxias é a gestora do projeto e depende dela a liberação, Sartori encaminhou todo o processo para a Procuradoria Geral do Município avaliar e apontar soluções para questões jurídicas pendentes. Previsão era de que em 10 dias os 370 mil euros seriam liberados.

 

Parlamento debate temas da região

 

Criar um fórum permanente de debates sobre assuntos comuns à região, alavancar discussões e propor caminhos. Esta é a finalidade do Parlamento Regional, iniciativa do presidente do Legislativo caxiense, vereador Francisco Spiandorello. O anúncio foi feito na sexta, 1º, e já na segunda, 4, ocorreu o primeiro encontro, na Câmara de Caxias - tratou da estiagem e do funcionamento do Parlamento.

As Câmaras de Vereadores de 60 municípios da região Nordeste do Estado, onde vivem cerca de um milhão de pessoas, aderiram à idéia. "As Câmaras precisam ser ouvidas e, mais do que isso, se organizar e participar ativamente na defesa da região", justifica Spiandorello. De acordo com ele, o Parlamento não terá presidente, nem diretoria. "Disporá de um site na Internet e quando as Câmaras entenderem que devem se reunir para debater determinados temas, vamos nos mobilizar para isso".

Pedágios, os 130 anos da imigração italiana no RS, as bacias hidrográficas Caí e Taquari-Antas são outros temas a serem debatidos pelo Parlamento. Não há um calendário específico de datas definidas para as reuniões, que deverão ser itinerantes.

 

Câmara terá anfiteatro para abrigar 112 pessoas

 

Até o final deste ano a Câmara de Vereadores de Caxias do Sul terá mais um espaço para suas atividades internas e para a comunidade. O presidente da Casa, vereador Francisco Spiandorello anunciou a construção de um anfiteatro no subsolo do prédio, sob o atual plenário, que ocupará 220 metros quadrados e terá capacidade para 112 pessoas sentadas. O responsável pelo projeto é o arquiteto João Alberto Marchioro e o custo estimado da obra varia de R$ 200 mil a R$ 230 mil. Está prevista também a construção de uma cafeteria, que será explorada por terceiros.

 

Nestor Perini vai comandar a Fucs

 

Nestor Perini vai presidir a Fundação Universidade de Caxias do Sul (Fucs) até maio de 2008, substituindo Nelço Tesser. O empresário foi eleito pelo Conselho Diretor da entidade. O vice-presidente é o professor Roberto Boniatti, representante da Mitra Diocesana. Os conselheiros eleitos são Luiz Antonio Rizzon, da Universidade de Caxias do Sul (UCS); Marisa Formolo Dalla Vechia e Roque Grazziotin, do Ministério da Educação; João Francisco Müller, da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC); Carlos Alberto Chiarelli, do governo do Estado; José Ivo Sartori, da prefeitura da Caxias do Sul; e Dirceu Luiz Manfro Ramos, da Associação Cultural e Científica Nossa Senhora de Fátima.

O Conselho da Fucs fixa diretrizes orçamentárias e de atuação para a UCS, o Centro de Teledifusão Educativa (Cetel), o Hospital Geral (HG), a Escola Técnica de Farroupilha (ETFar) e o Centro Tecnológico (Cetec), todas entidades mantidas pela fundação. A posse dos novos representantes está marcada para o dia 2 de maio.

 

Artesãos têm novo espaço de trabalho

 

Os artesãos já têm um local apropriado para comercializar seus produtos em Caxias do Sul. A Casa do Artesão, na Praça Dante Marcucci, tem 13 bancas de artesanato, uma banca de revistas e ainda um espaço destinado às agroindústrias. O brique também passará a funcionar neste local. A Casa tem 300 metros quadrados de área e custou cerca de R$ 200 mil.

O presidente da Associação Caxiense dos Artesãos, José Carlos Pereira, disse que a expectativa em relação ao novo espaço é positiva. "Esperamos que nossos pequenos negócios prosperem neste novo lugar, e que seja cada vez mais um espaço agradável de se visitar", afirmou.

A cerimônia de inauguração foi realizada na quarta, 30, e contou com a presença de artesãos, do prefeito José Ivo Sartori, de secretários municipais, do presidente do Legislativo, Francisco Spiandorello, e do presidente do Sindilojas, Carlos Calcagnotto. As bancas antigas, localizadas na rua Dr. Montaury, próximo à praça Dante Alighieri, já foram retiradas.

 

opinião

Com quem sonhava Terri Schiavo?

 

Maria Clara Lucchetti Bingemer

 

Nós, com nossa limitada ciência,avançamos, fazemos descobertas, mas no entanto inspiramos profunda compaixão enquanto nos debatemos para descobrir os segredos da vida e da morte

 

No hemisfério Norte, a natureza celebra visivelmente aquilo que a Igreja celebra na sacramentalidade do mistério: a Páscoa do Senhor, a passagem de Jesus de Nazaré da morte para a vida. Confirmado pelo Pai como Filho querido e amado, sobre quem a morte não tem mais poder, Jesus ressuscita, ou seja, é suscitado dos mortos. Não há mais que buscá-lo entre os mortos, pois ele está vivo. Vivendo, não morre mais.

A natureza morre a cada ano na tristeza e obscuridade do inverno, nas frias temperaturas que gelam corpos e almas, na paisagem cinzenta e nas árvores despojadas de folhas. E depois ressuscita sempre de novo, florindo as árvores antes nuas, fazendo nascer brotos e colorindo de vida e beleza a paisagem antes desolada. A temperatura sobe e aquece os corações na busca de que o amor reine e se faça sentir, celebrando a natureza que novamente revive, enquanto nas igrejas os sinos bimbalham felizes, pois aquele que os homens mataram foi ressuscitado por Deus e constituído Senhor e Cristo.

Até quinta, 31, uma família vivia palpavelmente o desafio de crer neste que é o mistério maior do Cristianismo. Terri Schiavo, jovem casada e saudável, sofreu paralisia cerebral e encontrava-se em estado absolutamente vegetativo - morreu após 13 dias sem receber alimentação. Respirava apenas com a ajuda de aparelhos e alimentava-se somente com um tubo, uma sonda, ligada a seu estômago. Não conseguia engolir, respirar sozinha, comunicar-se. Aparentemente estava mais morta do que viva. A família de Terri estava dividida. Enquanto o marido pleiteou e conseguiu o desligamento dos aparelhos que mantinham viva sua jovem descerebrada esposa, os pais lutavam para reverter a decisão do juiz. E o mundo inteiro ouviu emocionado o apelo da mãe de Terri que pedia: por favor, por favor, por favor, salvem minha menina.

Enquanto isso, Terri estava adormecida. Com o que sonhava? O que passava por seu cérebro considerado morto pela medicina? Que sensações ainda lhe restavam no corpo que ia lentamente desligando-se da vida? Estava viva Terri Schiavo? Estava morta? Há várias décadas o mundo assistiu a um caso parecido. A jovem Karin Anderson sofreu problema semelhante. Os pais foram à justiça e apesar da grande resistência do júri, decidiu-se pelo desligamento dos aparelhos. Apenas... grande surpresa... Karin continuou vivendo, seu coração seguiu batendo, sua respiração não parou.

Por saber disso, a Igreja canta na vigília pascal: Só tu, noite feliz, soubeste a hora em que o Cristo da morte ressurgiu! Nós, seres humanos, com nossa pobre e limitada ciência, avançamos, fazemos descobertas, mas no entanto inspiramos profunda compaixão enquanto nos debatemos para descobrir os segredos da vida e da morte. Esses pertencem somente a Deus.

Certamente é com muito amor que o mesmo Deus que ressuscitou Jesus de Nazaré da morte, onde não podia ficar retido, se debruçou com seu olhar compassivo e apaixonado sobre Terri Schiavo, como antes havia feito sobre Karin Anderson. Com seu poder criador e recriador acolhe em seu seio de Pai, fonte de vida, a todos aqueles e aquelas que balançam no abismo da morte e experimentam a dor e a angústia de sentir-se deslizando para fora da vida. Em seu Filho Jesus, o próprio Pai experimentou a dor de ver morrer alguém querido. Assim, é o único que pode consolar a mãe de Terri Schiavo e todos aqueles que a amam. Certamente estava tentando sussurrar a seus ouvidos que não tivesse medo, pois ela está em seu amor de Pai e não havia nada a temer. A morte não tinha poder sobre ela e o destino que a esperava é o mesmo que esperava Jesus: a vida que vence a morte, a dor que não tem a última palavra. Só Ele sabe com que sonhava Terri Schiavo em seu sonho oculto a todos menos ao Criador que a fez e que, se ressuscitou seu Filho, como não ressuscitará a todos com Ele?

 

Pós-modernidade e comunicação

Frei Betto

Para conviver fora de casa vestimos armadura. Somos o que não aparentamos e aparentamos o que não somos. Eis o paradoxo que nos impõe a pós-modernidade

 

Pós-modernidade é sinônimo de explosão comunicativa. Estamos cercados da parafernália eletrônica destrinchada pelas análises de Adorno, Max Horkheimer, McLuhan, Walter Benjamin e outros. Ela reduz o mundo a uma aldeia que se intercomunica em tempo real. Porém, dentro de uma paisagem cultural hegemônica, que Boaventura de Sousa Santos qualifica de monocultura: a espetacularização da notícia, naturalizando a imagem midiática, como se o mundo fosse o que vemos na TV ou na Internet.

Tudo isso molda a nossa identidade. Não há como configurá-la de outro modo. Estamos cercados pela multimídia: num celular temos relógio, calculadora, rádio, e-mail, câmara fotográfica, rastreador, TV, jogos... e até telefone.

Nunca a comunicação foi tão ágil, rápida e fácil, embora cara. Sem sair da cama, podemos saber o que ocorre na Ásia, falar ao telefone com um nepalês, entrar num site de bate-papo e nos enturmar com um bando de jovens do Brooklin. À audição (rádio) somam-se a visão (foto, cine, TV) e a fala (telefone e Internet). Faltam apenas o cheiro e o contato epidérmico, o toque.

Diante de todo esse cipoal comunicatório levanta-se uma questão: e a intercomunicação pessoal, tão valorizada por Jürgen Habermas? Quantos pais "acessam" os filhos? Como é a comunicação olho no olho? Comunicação que se faz comunhão, interação, e que transmite, não a emoção das imagens e dos sons, mas algo mais profundo: o afeto.

Reféns da tecnologia, sem todos esses aparatos temos dificuldade de dialogar com o próximo. Nossos avós punham as cadeiras na varanda, e até mesmo na calçada, e ficavam horas jogando conversa fora. Hoje, a ansiedade dificulta o diálogo interpessoal. Preferimos a comunicação virtual, mental, mas não a corporal. O corpo transforma-se em território do silêncio das palavras, embora ele se cubra de adornos que "falam": a roupa, a esbeltez malhada, os gestos...

Nessa "fala", o corpo simula (faz de conta ser o que não é) e dissimula (esconde o que de fato é). Por isso a comunicação interpessoal é arriscada, pois tende a desmascarar, trair, revelar contradições. O corpo sou eu e eu não sou tão bom quanto a imagem que projeto de mim mesmo. Como os cavaleiros medievais, visto uma armadura que encobre a minha verdadeira identidade, a armadura pós-moderna da parafernália eletrônica. É ela que me salva. Permite-me ser conhecido por uma imagem mediatizada pela multimídia ou, no contato pessoal, pelos adornos que me imprimem um cheiro de grife.

Nu, sou um fracasso, uma decepção frente à minha baixa auto-estima. Ainda mais se acrescento à nudez o que me desnuda por dentro: a fala. Por isso os ícones projetados pela mídia - modelos, artistas, atletas, ricos - não falam. São fotografados e expostos excessivamente, mas nada se sabe do que pensam, em que acreditam, que valores abraçam, que visão de mundo assumem. São seres belos, porém silenciados. Se abrirem a boca, o balão desinfla, o encanto desaparece, a carruagem vira abóbora.

Não é fácil o verbo se fazer carne. Graças à multimídia, o verbo se faz caro e raro. É virtualizado para ser esvaziado de significado. Assim, não nos sentimos desafiados. Na imagem, a catástrofe é épica; na minha esquina, trágica. E ao contemplar o épico me iludo de que vivo numa ilha imune à dor e ao sofrimento. E suporto a reclusão do silêncio temendo que a minha palavra se faça carne, ou seja, revele quem realmente sou: este ser frágil, carente, que ainda não descobriu a diferença entre prazer, alegria e felicidade.

Por isso tendem a ser complicadas as relações familiares, como toda relação que se confina num mesmo espaço. Não se desfila dentro de casa. No cotidiano, a imagem é atropelada pelas emoções. É o que Buñuel mostrou em "O discreto charme da burguesia". No espaço doméstico emerge o nosso lado avesso - aquela pessoa que realmente somos, sem maquiagens de bens, funções e adornos.

Para conviver fora de casa vestimos a armadura. Vamos para a guerra, para o reino da competição e do sucesso a qualquer preço. Não podemos, portanto, mostrar a cara.

Protegem-nos a parafernália eletrônica e o diálogo virtual. Somos o que não aparentamos e aparentamos o que não somos. Eis o paradoxo que a pós-modernidade nos impõe.

 

Meio Ambiente

Aumenta a concentração de gás carbônico na atmosfera

Gás é o principal responsável pelo aquecimento global

 

A concentração de dióxido de carbono na atmosfera voltou a crescer no ano passado, atingindo novo recorde. O gás carbônico é considerado o principal poluente responsável pelo aquecimento global. A concentração do gás na atmosfera tem crescido todos os anos desde 1958.

De acordo com a pesquisa do Laboratório de Monitoramento e Diagnóstico do Clima, do governo americano, feita com base em informações coletadas em um observatório do órgão no Havaí, a concentração de gás carbônico chegou a 378 partes por milhão (ppm). Apesar disso, os cientistas descobriram que o aumento da presença do gás na atmosfera em 2004 foi menor do que nos dois anos anteriores.

Os cientistas acreditam que são principalmente as emissões de gás carbônico feitas pelo homem que vêm provocando o aumento constante da concentração desse gás na atmosfera.

O Protocolo de Kyoto, que entrou em vigor recentemente, prevê uma redução nas emissões de gases que provocam o efeito estufa nos países signatários. Os Estados Unidos, maiores responsáveis pela emissão de gás carbônico em todo o mundo, não aderiram ao acordo.

 

Especial

POPULAÇÃO DE IDOSOS DISPARA

Em 1950 havia 204 milhões de pessoas no mundo com mais de 60 anos de idade. Hoje são 600 milhões, quase 10% do total de habitantes. Serão 2 bilhões em 2050, ou 22,2% da população

 

Há décadas que a população mundial vem envelhecendo. Mas nunca com a intensidade dos últimos anos. E o número de idosos vai crescer ainda mais nas próximas décadas. Esta projeção consta em um relatório que a Organização das Nações Unidas (ONU) lança nos próximos dias. Trechos do documento "Tendências Demográficas Mundiais" divulgados no mês passado revelam que em 2050 o número de habitantes da Terra deve se estabilizar em 9 bilhões e mais de um quinto deles terá acima de 60 anos de idade.

A velocidade com que a população vai disparar pode ser medida pela comparação com os dados atuais: com pouco mais de 6 bilhões de pessoas, o mundo tem 600 milhões com mais de 60 anos, ou seja, menos de 10% são idosos. Terá 2 bilhões de pessoas idosas dentro de 45 anos, que equivalerão a 22% dos habitantes do planeta. Esse aumento da proporção é ditado por dois fatores: a queda da mortalidade infantil na maioria dos países e o crescimento da população de idosos a uma taxa de 1,9%, bem acima da média das outras faixas etária, que tem sido de 1,2%. Os maiores de 60 anos serão um terço da população de países desenvolvidos e um quinto daqueles em desenvolvimento. A idade média também dará um salto: dos 26 anos de hoje para 37.

O relatório da ONU vem acompanhado de uma advertência: os governos precisam dar mais atenção aos sistemas previdenciários. A razão desse alerta está na relação entre pessoas economicamente ativas (que tem entre 15 e 64 anos) para cada pessoa com mais de 65 anos, que passará de nove em 2005 para somente quatro em 2050 (observe gráfico). De acordo com o documento, "essa queda terá implicações importantes para os sistemas previdenciários, particularmente os tradicionais, onde os trabalhadores pagam pelos benefícios dos que estão aposentados durante sua vida economicamente ativa". Se nações ricas da Europa já estão encolhendo os benefícios sociais aos idosos, porque vislumbram redução nas receitas públicas, aquelas em desenvolvimento, que já têm grandes dificuldades para dar um mínimo de conforto e atendimento médico-hospitalar a seus habitantes com mais de 60 anos, precisarão buscar alternativas criativas e criteriosas. E isso deve ser feito com o máximo de urgência possível para evitar o caos.

Brasil - O Brasil, que segundo o estudo da ONU tem sido o oitavo país que mais contribui para o aumento da população mundial - atrás apenas de Índia, China, Paquistão, Nigéria, EUA, Bangladesh e Indonésia -, também sente a aceleração com que avança a proporção de idosos. O último censo do IBGE, realizado em 2000, encontrou 14,5 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais. Eles representavam 8,6% da população total, contra 7,3% em 1991. Projeção do Instituto mostra que o Brasil terá 216 milhões de habitantes em 2025, dos quais 31,3 milhões, ou 14%, serão idosos. Em 2050, quando a expectativa de vida alcançará 81,29 anos, serão 52 milhões de brasileiros na terceira idade. Desse total, 2,2 milhões terão mais de 100 anos.

O IBGE apurou que 27% dos idosos aposentados contribuem com mais de 90% do rendimento familiar no Brasil. O dado, no entanto, não significa dizer que essa faixa da população tem um nível sócio-econômico privilegiado. Na verdade, o desemprego e o subemprego aumentaram os dependentes mesmo de quem ganha um salário baixo. O Brasil não se preparou para dar aos seus idosos uma vida digna. E nem estão se planejando para daqui a 20 anos, quando terão mais idosos ainda. Planejar, nesse caso, inclui casas sem escada, móveis especiais, cidades que facilitem o acesso, transporte urbano com motoristas treinados, sinaleiras com campainhas, ruas mais seguras, locais de diversão, centros de atendimento... Se não chegou ainda a essa fase, considerada básica, está muito mais distante da outra, uma exigência da revolução social que visa o envelhecimento ativo.

 

Revolução da longevidade desafia o mundo para o envelhecimento ativo

 

Ela começou a ser percebida em sua dimensão mais ampla nos últimos anos. Mas vinha se processando há décadas, silenciosa e contínua. É a revolução da longevidade, também denominada revolução demográfica. Com as novas conquistas da medicina e da tecnologia que possibilitam ao ser humano viver cada vez mais, as características da população mundial se alteraram - nunca houve tantos idosos tanto nos países desenvolvidos como naqueles em desenvolvimento. Comparando o número de pessoas no mundo com 60 anos ou mais em 1950, 204 milhões, com a projeção para 2050, 2 bilhões, o aumento global desse contingente beira os 900%. A população total do planeta demorou 200 anos para crescer de um bilhão para 6 bilhões (500%).

Diante dessa explosão demográfica, com os idosos crescendo em proporção muito acima da média das outras faixas etárias, desde 2002, na Assembléia Mundial sobre o Envelhecimento realizada em Madri, a ONU estabeleceu para seus países membros uma nova diretriz de estudo e de trabalho: viver mais tempo não deverá jamais ser encarado como uma exceção ou um fardo. Além disso, mudou o modelo que serviu para guiar políticas dos governos do envelhecimento saudável para envelhecimento ativo.

Na prática, isso significa atividade profissional, produtiva, e não apenas "atividades como dança de salão e ginástica para manter o corpo em forma e a mente oxigenada", como escreveu Cecília Prada na Revista Problemas Brasileiros. Em outras palavras, quer dizer permanecer no mercado de trabalho, ou retornar a ele - como já fazem 14% dos aposentados no Canadá, como apurou o Instituto Sodexho (leia página ao lado).

Num país rico, como o Canadá, essa mudança é possível sem maiores traumas. Mas numa nação com elevado índice de desemprego entre jovens, diante do quadro de recessão, será uma tarefa dificílima. Como um idoso vai se sentir ao ocupar uma vaga que poderia ser de seu filho ou neto, ambos sem trabalho? Por outro lado, o que fazer para evitar que a capacidade de trabalho, a experiência e a sabedoria de milhões de idosos sejam desperdiçadas? Este, seguramente, é o maior desafio que a humanidade precisa encarar diante da revolução da longevidade.

 

Japão tem maior índice de pessoas acima de 60 anos

 

O Japão é o mais velho país do planeta. Atingiu essa liderança com a onda de nascimentos no pós-guerra, a partir de 1945, que foi por curto período e seguida de índices de natalidade bem abaixo da média mundial. Além disso, tem a maior expectativa de vida, acima de 81 anos. Atualmente, 18% dos pouco mais de 127 milhões de japoneses possuem 60 anos ou mais, percentual exatamente o dobro do Brasil.

Mas o Japão está longe de ser o país com maior número de idosos. Seus 23 milhões de habitantes nessa faixa etária representam menos 20% dos 130 milhões de chineses com 60 anos ou mais. E o número de idosos chineses cresce em ritmo acima de média mundial, devido ao aumento da esperança de vida (70 anos em média) e da natalidade limitada por legislação local a um filho por família. A projeção é de que sejam 230 milhões em 2020.

 

Em vez de idade da velhice, a idade do poder

 

Envelhecer não deve estar associado apenas à aposentadoria compulsória, ao empobrecimento, às dificuldades de acesso a sistemas de saúde, à dependência e à solidão. O idoso pode levar uma vida autônoma - apesar de sua fragilidade física -, se transformar na grande força do mercado de consumo e ao invés de ‘velho e doente’, ser um ‘cliente preferencial’, capaz de influenciar a vida de toda a sociedade.

Este cenário positivo está baseado no resultado de pesquisa realizada pelo Instituto Sodexho para o Desenvolvimento da Qualidade de Vida no Cotidiano, lançada pela empresa francesa Sodexho - líder mundial no setor de alimentação e serviços. Denominado "Dos velhos à idade do poder: a transformação dos idosos nos anos 2000", o estudo abrangeu 11 países (Alemanha, Bélgica, Brasil, Canadá, Espanha, Estados Unidos, França, Itália, Holanda, Reino Unido e Suécia), que têm mais de 100 milhões de pessoas com idade acima de 65 anos e acumulam 55% do PIB mundial. Exceto o Brasil, são nações desenvolvidas, com rendas per capita elevadas e um nível de vida dos melhores do planeta. Apesar dessa distinção, os dados apurados refletem boa parte da realidade e permitem a previsão de mudanças mais significativas, como a troca de ‘idade da velhice’ pela ‘idade do poder’, para no máximo duas décadas.

O trabalho concluiu que melhorou muito a qualidade de vida das pessoas dessa faixa etária e aumentou a força econômica delas.

 

Igreja

Apostolado da Oração celebra 60 anos

Fundação do movimento, na paróquia caxiense de Lourdes, ocorreu em 1945

 

No dia 17 de abril o Apostolado da Oração da paróquia de Lourdes, de Caxias do Sul, comemora 60 anos de existência. Para marcar a data, estará em Caxias do Sul o padre jesuíta Roque Schneider, diretor nacional do Apostolado da Oração. A programação inclui missa às 9h30, presidida pelo padre Roque, que também fará uma palestra a partir das 10h30. Ao meio dia, almoço no salão paroquial e, na parte da tarde, continuação da conferência com padre Roque às 14 horas e encerramento às 15h30, com reflexão.

O Apostolado da Oração foi erigido canonicamente no dia 18 de maio de 1945, por dom José Baréa. Iniciou com 450 sócios e 52 zeladoras. Na ocasião, foi empossada a primeira presidente, Paulina Soldatelli Moretto, que permaneceu à frente do Apostolado da Oração durante 50 anos. Hoje, o movimento, na paróquia de Lourdes, é presidido por Dosolina Modena e conta com cerca de 80 associados.

O Apostolado da Oração constitui uma associação de fiéis que, pelo oferecimento diário de si mesmos, pela oração, pela devoção ao Sagrado Coração de Jesus e através do desempenho de atividades como ministros da Eucaristia e visitas aos doentes, colaboram com a Igreja na difusão do evangelho e na salvação do mundo. Os associados reúnem-se toda a primeira sexta-feira do mês para uma hora de adoração, para receber a comunhão, para orar e refletir.

 

Movimento nasceu na França há 160 anos

 

O Apostolado da Oração, ligado à Companhia de Jesus (jesuítas), surgiu em Vals, na França, em 1844, através do padre Francisco Xavier Gautrelet. No Brasil, o primeiro centro do A.O. foi fundado em 1867 no Recife pelo padre jesuíta Bento Schembri, mas ganhou expansão nacional graças ao incentivo de padre Bartolomeu Taddei, S.J. Hoje, o Apostolado da Oração tem cerca de 50 milhões de associados em todo o mundo.

No Brasil são cerca de sete milhões de membros, presentes em nove mil paróquias. "O Apostolado da Oração do Brasil, apesar das suas deficiências, é o mais forte e dinâmico do mundo", afirma o padre Aloísio van Doren, diretor mundial do A.O., com sede em Roma.

O diretor nacional do Apostoaldo da Oração, padre Roque Schneider, explica que no Brasil o movimento mantém a revista católica de maior tiragem no país e no mundo - Mensageiro do Coração de Jesus -, com 150 mil exemplares. Padre Roque salienta que a devoção ao Sagrado Coração de Jesus é essencial ao A.O. "O coração de Jesus é tão grande, tão imenso, tão hospitaleiro, que dentro dele cabem o santo e o pecador, você e eu, o mundo inteiro".

 

Religião mecânica

Padre Zezinho

Católico tem que estudar mais a sua religião

 

Faz mais ou menos 15 anos, um senhor, evidentemente pouco habituado a cumprir regras, adentrou com sua esposa a igreja de São Judas, querendo alistar-se para batizar seu filho. Eu estava de plantão. Expliquei-lhe que teriam que freqüentar um cursinho de batismo e que era lei da diocese, para que todos os católicos repensassem sua missão de educar os filhos para Deus. Irritou-se.

- Isso é maus uma m... dos padres, querendo se meter na vida do povo. Eu me recuso a fazer esse curso. Não preciso de aulas de ninguém. Se me der na telha, batizo ele noutra igreja. Melhor ainda: batizo na piscina da Volkswagen...

Achei que não devia ficar quieto. Há uma hora em que o padre se cala e há outra em que deve responder. E respondi:

- Desculpe-me se o ofendi ao dizer o que nosso bispo está pedindo. Mas sua resposta é uma prova de que estamos certos. Para o senhor tanto faz a igreja, desde que seu filho receba água na cabeça. Ao dizer que batiza na piscina da Volkswagen mostrou que tem uma fé mecânica, automática, feita em série. Seu filho e vocês são mais do que máquinas. Queremos vocês pensando e entendendo o que é ser católico. Por isso, sugerimos esse curso.

A esposa ensaiou um sorriso e disse ao marido:

- Não há o que discutir, bem. O padre provou o ponto dele. Nós realmente precisamos desse curso. Eu aceito.

Ele saiu protestando, mas veio e acabou gostando do palestrante, um médico muito sereno e brincalhão. No fim do curso me disse:

- Padre, fez bem em me enfrentar. Nós precisamos mudar nossa idéia de religião. Desculpe minha bronca.

Concluí:

- Padre tem que saber a hora de ceder e a hora de se manter firme. Agora ajude os outros.

Ele é hoje um grande catequista. Chama-se Wilton e sugeriu que eu contasse o que acabei de relatar. Chega de catolicismo oba-oba. Católico tem que estudar mais a sua religião. E ponto final!

 

Missões mobilizam Jaquirana e Cambará

Pregações nas duas paróquias se estendem até o dia 17 de abril

 

A equipe dos missionários capuchinhos do Rio Grande do Sul iniciaram no sábado, 2 de abril, a pregação simultânea das missões em duas paróquias dos Campos de Cima da Serra – na paróquia São Sebastião, de Jaquirana, e na paróquia São José, de Cambará do Sul. Nesses dois municípios, as missões encerram no dia 17 de abril.

Nesse período, a equipe também realiza a pré-missão em Nova Alvorada e Itapuca, que serão missionadas de 14 de maio a 19 de junho; e em Camargo, que terá missões de 7 a 19 de junho. Além disso, haverá pós-missão na paróquia Nossa Senhora das Dores, de Barracão (11 a 13 de abril) e encontro com os agentes de pastoral em Jaboticaba (RS), no dia 14 – nessa paróquia as missões ocorrem de 25 de junho a 17 de julho.

Frei Claudecir Fantini explica que as missões são sempre um tempo forte de renovação da vida e da fé. Os missionários puderam comprovar essa realidade durante a primeira missão realizada neste ano, de 1º a 20 de março, em Barracão, diocese de Vacaria. "As missões despertaram e motivaram muitas lideranças", explica o missionário.

No encerramento, o pároco de Barracão, padre Sillos Sganzerla, salientou que agora a paróquia vai investir na formação dessas lideranças e no apoio aos jovens, através da organização de uma caminhada formativa para a juventude local. Em todas as comunidades há uma boa base de organização. "Pretendemos passar das atuais equipes administrativas para uma caminhada pastoral de conjunto, onde haja formação das pessoas e lideranças na prática cristã", conclui o pároco.

Frei Claudecir relata que Barracão tem cerca de 5.600 habitantes. A maioria reside no meio rural. Predominam os descendentes de portugueses, mas há também italianos e alemães. A economia está baseada na agricultura e agropecuária de pequeno porte. Destaca-se, no município, o Parque Florestal Estadual do Espigão Alto, a maior reserva de araucárias do Rio Grande do Sul, com mais de 1,3 mil hectares.

A paróquia de Barracão é formada por 26 comunidades/capelas – 23 no meio rural e três urbanas. A região não contava com missões desde 1975.

Na terra do mel - As paróquias de Jaquirana e Cambará do Sul pertencem à diocese de Caxias do Sul. Padre Paulo Venturin atende Jaquirana, constituída da sede e mais 12 comunidades/capelas. A paróquia de Cambará do Sul, que durante esta semana está realizando a Festa do Mel, é atendida pelo padre Gilberto Lazzarotto. Além da matriz, a paróquia é constituída de quatro comunidades urbanas e dez comunidades rurais. A economia da região depende da pecuária, da agricultura e do turismo.

 

Irmã Eliange celebra consagração definitiva

 

A província Imaculada Conceição, das Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora, com sede em Passo Fundo, celebra a consagração definitiva a Deus, na vida religiosa, da jovem Eliange Salete Borsa. A cerimônia será realizada dia 17 de abril, na capela Santo Antônio, Seção Sete de Setembro, em Erval Grande (RS). Irmã Eliange é natural de São Valentim (RS), filha de Eloi e Ivone Manfroi Borsa.

A jovem escolheu para sua vida e missão o lema "Eis-me aqui, Senhor! Envia-me!". Na semana que antecede a cerimônia será realizada animação vocacional e missionária nas comunidades e escolas da paróquia de São Valentim.

 

Curso abre instituto Ciências do Amor

 

O curso inédito "O amor na ótica das ciências", que iniciou no último sábado e se prolongará até setembro, marcou a inauguração do Instituto Superior das Ciências do Amor (ISCA), uma organização não-governamental fundada em 24 de novembro de 2003. Esta ONG, sem fins lucrativos, foi criada e é presidida pelo frei capuchinho e doutor em Teologia Hildo Conte. Depois de constatar "o amor é o que mais se quer e o que menos se sabe - afinal, de amor não temos tradição, não temos modelos, não temos escolas...", frei Hildo entendeu que era preciso convocar todas as ciências e todas as consciências, concentrar esforços "para uma abordagem acadêmica e científica do amor". O Instituto tem ramo jurídico, como ONG, acadêmico (enquanto ISCA) e o da espiritualidade, que é a sua origem.

No curso "O amor na ótica das ciências" seis doutores especializados em seis diferentes Ciências Humanas (Filosofia, Psicologia, Sociologia, Teologia, Pedagogia, Antropologia Feminista) tratam do maior valor da vida pessoal, conjugal, familiar, religioso e social. As aulas são desenvolvidas na Estef, em Porto Alegre, em todos primeiros sábados de cada mês (das 8 às 11h30 e das 13h30 às 17 horas) e nas três sextas-feiras seguintes, das 20 horas às 22h30. Mais informações pelos fones (51) 3217-4567; 91248484 ou pelo e-mail hildo@capuchinhosrs.org.br.

 

Os outros e as desculpas

Aldo Colombo

As pessoas, as coisas, as situações que formam nossa vida são todas resultado de nossas escolhas

 

Ainda não tinham desaparecido as névoas da criação do mundo quando surgiram as primeiras desculpas, ainda no Jardim Terreal. A maçã simbólica foi comida e Adão culpou Eva e esta apontou a serpente como a verdadeira culpada. Os outros são sempre os culpados. Embora mal sucedida, essa tentativa fez escola. A culpa é do pai, da mãe, do vizinho, da escola, da Igreja, dos políticos, dos outros enfim. Nos acidentes automobilísticos, os outros sempre são os culpados. Um inspetor de polícia afirmou: se dermos crédito aos depoimentos dos dois motoristas, os carros estavam parados, cada um na sua mão, quando colidiram com violência.

De um modo geral, as desculpas têm duas frentes. A primeira é para não assumir qualquer tarefa, a segunda é para encontrar os culpados pelos nossos erros. Há pessoas especializadas nas desculpas. Já no Evangelho encontramos desculpas para os que não quiseram participar da festa de casamento: casei, comprei uma junta de bois... As desculpas são muito criativas: "hoje não, fica para a próxima vez", "eu já fiz a minha parte", "tem gente muito melhor do que eu", "lamento muito", "vou estudar e depois lhe dou uma resposta". Há pessoas com listas de desculpas, uma para cada dia do mês.

Muitas vezes, jogamos as culpas no passado e com isso acreditamos estar livres de exigências atuais: a vida me tratou muito mal, meus pais não me compreenderam, quando eu queria, não me permitiram. E assim passam a vida escondendo-se atrás de desculpas e acusando os outros. O pai não se dá bem no trabalho e, chegando em casa, reclama da esposa e da péssima comida, a esposa reclama do filho que não ajuda e deixa a casa imunda, o filho bate a porta e chuta o cachorro...

O Evangelho nos aponta outra direção: "A verdade vos libertará" (Jo 8,32). Só podemos superar nossas limitações quando as assumimos. O que não é admitido, não é redimido. O primeiro passo para superar uma limitação é admiti-la. É assim que procedem, com bons resultados, os Alcoólicos Anônimos e outros grupos de terapia. Santo Agostinho já recomendava: "Admite ser o que és, para um dia – quem sabe – tornar-te aquilo que desejas".

Nossa vida é feita de escolhas e as escolhas fazem nossa vida. Não existe nada que sejamos obrigados a fazer. Todas as nossas ações, direta ou indiretamente, são aquelas que escolhemos fazer. As pessoas, as coisas, as situações que formam nossa vida são todas resultado de nossas escolhas. Mas essas escolhas nunca são definitivas. A cada dia, tenhamos ou não consciência disso, temos de decidir se continuamos a ser como somos ou se mudamos. As escolhas que fizemos nos trouxeram onde estamos. Mas as escolhas que posso fazer, a partir de agora, podem levar-me para onde eu quero ir. Tenho o direito de escolher o rumo de minha vida, tenho até o direito de ressuscitar meus sonhos.

 

SAV promove Caminho de São Francisco

Caminhada inicia em Caravaggio e segue até Flores da Cunha

 

A família franciscano-capuchinha promove, nos dias 23 e 24 de abril, o 3º Caminho de São Francisco. O objetivo é possibilitar aos participantes momentos de oração, reflexão, contemplação e celebração com as comunidades por onde passam. Participam da caminhada religiosos, religiosas, formandos, membros da Ordem Franciscana Secular (OFS), Juventude Franciscana (Jufra) e pessoas que admiram e seguem a espiritualidade franciscana.

"Também queremos refletir sobre a Campanha da Fraternidade, fazendo um apelo às comunidades e à sociedade para a promoção da paz e buscarmos inspiração em Francisco e Clara de Assis que sempre se puseram a caminho para anunciar e testemunhar o evangelho", salienta frei Djair Galvan, coordenador do Serviço de Animação Vocacional (SAV) dos capuchinhos, organizador da caminhada.

O 3º Caminho percorre, neste ano, um roteiro diferente das duas edições anteriores - em 2003, a caminhada foi feita entre Ipê e Vila Flores, num trajeto de 45 quilômetros, e no ano seguinte, houve inversão do percurso. Neste ano, o trajeto será feito saindo do santuário de Caravaggio, em Farroupilha, até o eremitério de Frei Salvador, em Flores da Cunha, passando pelas comunidades de Todos os Santos, Nossa Senhora das Dores, São Tiago, Santa Justina, Otávio Rocha e Linha Oitenta.

A caminhada inicia no dia 23, às 7h30, com celebração de abertura no santuário e envio. Ao meio-dia, almoço e momento de celebração na comunidade São Tiago. No final da tarde, chegada e celebração na comunidade Santa Justina, cujas famílias vão acolher os caminhantes para o pernoite. No dia 24, saída às 8 horas rumo à Linha Oitenta, onde haverá parada para celebração e almoço. A chegada ao eremitério está prevista para as 15 horas. A caminhada encerra com uma celebração no local. Serão percorridos cerca de 40 quilômetros.

 

Lições da seca

Wilson João

Deus criou a Terra sadia e cheia de vida, mas o homem a está tornando estéril e deserta

 

Para sermos mais verdadeiros nos julgamentos temos que tomar distância dos fatos. Nunca podemos julgar ou tomar decisões quando se está dentro do fato, perto do fato. É preciso ter cabeça fria. Quando se está envolvido nas emoções é mais difícil ser verdadeiro. Muitas vezes as emoções sufocam as razões. Essas reações irracionais acontecem muito diante de situações como acidentes, mortes, enterros, perdas de pessoas, momentos de raiva e de surpresas. Assim aconteceu e acontece com a seca. Diante da seca é difícil manter a cabeça fria. As reações são desequilibradas. Tomando mais distância do fato da estiagem é possível aprender lições que ajudam a entender e a viver este fato. Cada um entende de seu jeito as aulas dadas pela seca. Muitos olharam para o céu e culparam Deus por essa desgraça. Mas eu entendi, por exemplo, que:

DEUS CRIOU AS FONTES... mas não foi Ele que cobriu as mesmas fontes com terra para satisfazer a ganância de ter mais solo para plantar.

DEUS CRIOU OS BANHADOS... mas não foi Ele que andou fazendo drenagens e mais drenagens para se semear o imaginado ouro do soja que faz sonhar contas bancárias repletas.

DEUS CRIOU AS MATAS... mas não foi Ele que inventou a motosserra, que diariamente derruba milhões de árvores para satisfazer a ambição humana de lucro.

DEUS CRIOU O FOGO... mas não foi Ele que, maldosamente, ateou fogo nos campos e matas, para semear pastagens para os animais, destruindo com a fumaça nosso oxigênio vital.

DEUS CRIOU O PETRÓLEO... mas não foi Ele que colocou fogo nos poços de petróleo do Iraque, que por meses e meses vomitaram chamas para o céu, destruindo nossa proteção dos raios do sol, que é a camada de ozônio.

DEUS CRIOU O CÉU AZUL... mas não é Ele que lança diariamente milhares de toneladas de gases mortíferos, saídos dos carros e das empresas, que tornam a atmosfera indefesa, e o sol toma a liberdade plena de chegar com força total sobre as pessoas e as plantações.

DEUS CRIOU OS RIOS... mas não foi Ele que os tornou depósitos de lixo como a gente viu quando suas águas reduziram, castigadas pela seca.

DEUS CRIOU A TERRA SADIA, com cheiro de vida... mas não foi Ele que a envenenou, tornando-a estéril e deserta.

DEUS CRIOU AS PESSOAS para se reunirem em cidades... mas não foi Ele que as deixou tão mal organizadas que, em qualquer enxurrada, se tornam rios que tudo levam.

Diante dessa realidade que aconteceu e continuará acontecendo, podemos chegar às seguintes conclusões: é mais fácil e cômodo culpar Deus por essa desgraça; é mais fácil procurar um Deus "pronto-socorro" ou "mágico" que faça chover sobre esta terra, desafiando seu poder; é mais fácil organizar procissões e rezas, do que organizar-se para tornar nossa terra mais habitável, e limpá-la das condições que provocam fenômenos de morte e de desequilíbrio do meio ambiente. Nossa casa, nossa mãe terra, merece muito mais cuidado.

 

cultura da imigração

O italiano que está em você

ROSE MARIE ACOSTA PIGNONE

Professora - Porto Alegre

 

A professora Rose Marie Acosta Pignone, nascida em Sant’Ana do Livramento (RS), filha de Oscar Pignone Filho e de Juana Acosta, residente em Porto Alegre, a um tempo pode dizer-se brasileira, em outro uruguaia e, enfim, italiana.

 

"Nunca pensei a que identidade étnica me sinto pertencer. Vivendo uma infância de fronteira com o Uruguai, herdando uma cor de pele a la guarani, ninguém duvidaria de mim se me dissesse uruguaia, ou mesmo se me dissesse brasileira ou guarani; estranharia, porém, se me dissesse italiana.

Com os avós Acosta e Pignone, morando em Rivera, passei minha infância em Livramento e Rivera, naquele falando portunhol, e nesta falando espanhol. Certamente o leite de minha mãe uruguaia não determinou minha posterior alimentação. Mas me criei começando por mamar em seio uruguaio, depois em mamadeira gaúcha que fui substituindo por nacos de churrasco que entremeava com a mamadeira até os 15 anos. Churrasco, charque, feijoada, arroz carreteiro, galinhadas, farofa até no café, batata de todas as formas, morcilha preta doce, salgada e com nozes, lingüiça, melancia com leite e vinho que meu avô me ensinou... nunca pensei que estes costumes fossem só brasileiros, só uruguaios, só italianos...

Como dizem que o peixe se pega pela boca, foi pela boca que comecei a pensar um mundo diferente do meu gaúcho-brasileiro e gaúcho-castelhano, através dos deslocamentos da família para acompanhar meu pai, funcionário do Banrisul. Ele começou a trabalhar em Livramento (1937), Rosário do Sul (1953), Lagoa Vermelha (1954), Passo Fundo (1955), Soledade (1956), Rosário do Sul (1957), Livramento (1959) e, enfim, Porto Alegre (1967), quando eu tinha 20 anos.

Em Porto Alegre, abandonei definitavamente a mamadeira, cursei Filosofia e pós-gradução em Antropologia Filosófica, assumindo o magistério no Colégio Pio XII e Paula Soares, e no Colégio das Irmãs de Santo Antônio da Patrulha. Meu pai não falava italiano, nem talian, mas usava expressões lúdicas em italiano, e deixava para minha mãe a tarefa italiana de xingar (brontolar).

Não sei se puxada pelo sangue do meu pai, ou pelas amizades que ele foi estabelecendo, fui me achegando aos costumes italianos no viver, morar, comer e crer. Depois de aposentada, descobri massetes italianos que se traduzem na expansividade, na alegria e algazarra, na valorização da mesa desde a mais simples, fazendo de algo para comer uma festa. Por exemplo, eu nunca havia comido polenta mole ou brustolada com ovo frito mole, melancia com pão fresco, brodo de carnes, saladas de feijão, de ervas nativas, radici coti, verduras cozidas de toda ordem, radici que nunca imaginei que um dia seria deles uma devoradora, massa sem tempero porque o italiano diz que massa boa, feita de farinha, ovos, sal e água, não se estraga com temperos. Não esqueço o radici, temperado com lardo, cebola e vinagre quentes, em forma de pesto, ou o radici coti com toucinho ou bacon.

Posso dizer que comecei brasileira, me fiz uruguaia, voltei a ser gaúcha e estou me sentindo italiana no modo de pensar, comer, rezar e celebrar a alegria de viver. Com meu saudoso esposo Cézar Saldanha Souza, de ascendência portuguesa, com meus irmãos Oscar e João, me sinto cidadã do mundo. No meu coração têm espaço as etnias a que pertenço e todas as demais. Sou abundante não só de corpo, mas também de vivências étnico-culturais."

De fato, se gordura traduz cultura, Rose é um espaço aberto para muitas culturas e um especial estômago para a culinária italiana. Maior porém que seu corpo é seu espírito e dedicação à Igreja. Missa diária, às vezes duas, prolongar o ministério de sacerdotes, levando-os a doentes, famílias e igrejas; apoiando sua afilhada Juliana e seu amigo Elias, e acolhendo Francieli e Cleonir, filhas de Cleri e Francisco Sgarbossa, de Ibiraiaras, como mãe porto-alegrense; ajudando Marilene Dorneles, que a denomina sua nona, a atender clientes da EST; ocupando o dia como taxista-zero, levando graciosamente familiares e amigos, sobretudo doentes, a seus destinos, temperando sempre a vida com boas palavras e inusitados petiscos.

Coração de mãe, vivência cristã e estômago italiano definem Rose Acosta Pignone. (Rovílio Costa)

 

el ritorno de nanetto pipetta (303)

Messa, confession, comunion e penitensa

Silvino Santin

Santa Maria - RS

 

Nanetto el leva su la matina bonora, no’l ga gnanca volesto far colassion, parché el volea ndar confessarse e tor la comunion. E lu el gera del tempo antigo, prima dela comunion no se magnea e no se bevea gnente. E lora el ga ringrassià a Zacheo e el ghe ga dito che’l vegnaria catarlo nantro giorno par finir de contàrsele.

La cesa dei frati la gera medo distanteto, ghe volea pi de mesa ora a passo largo. Ma Nanetto el ze sempre stà bon de gambe, el ze rivà quando la campana la sonava el scomìssio dea messa. Suito che’l ze ndà rento, el ghe dà na ociada al confessionàrio, e el vede che un frate el gera là par confessar. Nanetto el ga pensà: me piasaria che el fusse el frate Armindo, parché lu el parla talian, e mi me piase confessarme par talian, parché così i pecati i resta più ciari.

Come no ghe gera nissuni, el va drito, el se indenòcia e el saluda el frate: Sia Lodato Gesù Cristo. La risposta - Sempre sia lodato - lo ga assà sicuro che’l frate el capia talian. El ga scomissià parlando del viaio, e, come vu lo savì, quando se ze in viaio par che se pol far robe che a casa no se le faria. Bisogna che ve diga che go tre pecati. Due mesi grosseti, e unaltro un poco pi grosso. Lora, par no tirarla longa e ndar drito, ve diso che’l primo pecato l’è stà ver tradio la Gelina, par via che ghe go strucà de òcio a le tosate, raquante volte. El secondo, parché go fato limòsina par sprosiarme e mostrar che son un omo grando, de rispeto, e nò un tosato scalsacan. Ma mi gavea de saverlo che le Scriture Sante le dise che quando se fa limòsina o carità, no bisogna che la man sanca la sàpia cosa che la man drita la fa. Ben, no son sicuro, se no ze l’inverso, che la man drita no la sàpia quel che la fa la man sanca. Ma ndemo avanti. El terso pecato, quel più grosso, ze stà parché go messo in dùbio la giustìssia del Signor. Go dito che’l Signor el spartisse mal le robe, a un el ghin dà fin massa, e a altri massa poco. Ma anca, savì, go cognossesto un prete là a Vale Véneto con una inteligensa sacrossanta, el fea tuto lu sol, sensa bisogno de nessuni par giutarghe. Ben, adesso che li go fati, me cogne pentirme e dimandar la misericòrdia de Dio.

Dopo de scoltar i consìlii del frate, el ga ricevesto la penitensa. Par i due primi pecati, mesa dùsia de pater, ave e glòria. E par el ùltimo pecato, ghe ga tocà dir cinque volte, durante na stimana, prima de ndar dormir: La giustìssia del Signor la scrive drito se anca le righe le par storte.

Finia la messa, pena fora de la porta, el cata el diretor del Giornal, che lo ga invità par far colassion insieme. E no ocor dirlo, che colassion! Ma a Nanetto, par dir la verità, ghe gavaria mancà na bela feta de polenta brustolada.

Nanetto el saria stà là tuto el giorno par contarghe le so braure del viaio. Ma tuti i gavea i so laori da far, anca lu el gavea i so doveri.

 

VITA STÒRIA E FRÒTOLE

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

Papa Giovanni

Solange Soccol

Escritora e pesquisadora gaúcha (de Veneza, Itália)

 

Un omo vola

come angelo:

con le so ale fate

coi sassi de memoria.

 

Sto omo che vola

el ga sempre bio

disposission par

volar libero....

Prima pian...

una ala...dopo l’altra...

Dopo

come un gabian

volo fondo...

Come se fosse un nuoto

insieme

secreto

rivando in terra

e dopo taiando la lusse

de la luna.

Par che ‘l sia

qualcosa che se prende

ne la lusse

e radopia lo spassio.

 

El vola...

con le ale che le vien fora

de le spale

del cuor

de l’anima...

Angelo del destin

con l’anima raversa

el vola

come brilo

come speransa

come fede

come chi porta le parole

del mondo.

Sempre la schena voltada

a lo spassio de

questo secolo

vola fondo...

E vola memoria

vita

poesia

sogno

doman...

Me go sempre domandà

se ‘l ze un angelo

che ‘l vola così in alto

con la schena voltada

al vento

a la vita

al tempo

al mar

a la so stessa ose...

Sensa paura.

Come so mi se ‘l ze

un angelo

o se ‘l ze una

rosa che vola?

 

Bento Gonçalves lança Feira do Livro

 

Foram apresentadas nesta quinta-feira, 4, as novidades que vão agitar a programação da 20ª Feira do Livro de Bento Gonçalves, considerada um dos mais importantes eventos da cidade. A feira será realizada de 4 a 15 de maio, na praça Walter Galassi e rua Marechal Floriano, no centro da cidade, numa área coberta de 900 metros quadrados.

Estarão sendo disponibilizados 20 estandes entre livrarias, editoras e escritores bento-gonçalvenses. A feira tem como tema "(Re)Invente a vida... Lendo!". Uma das grandes atividades da feira é o Programa Política de Leitura, orientado pela professora Nóia Kern, da Casa da Cultura de Porto Alegre.

O poeta, escritor e compositor Sérgio Napp foi escolhido para ser patrono da 20ª Feira do Livro de Bento Gonçalves. Natural de Santo Ângelo, Napp tem mais de 100 trabalhos gravados, entre os quais a música Desgarrados, feita em parceria com Mário Barbará. Atualmente, Sérgio Napp é diretor da Casa da Cultura Mário Quintana.

 

Pioneiro da família recebe homenagens

 

O imigrante Antônio Luigi Martino Rovani, pioneiro da família no Rio Grande do Sul, foi homenageado pelos seus descendentes no dia 24 de janeiro passado, por ocasião dos 91 anos de sua morte. Frei Germano Miorando, bisneto, presidiu a missa, na capela São Valentim, Linha Marquês do Herval, em Veranópolis. Houve ainda visita ao cemitério onde está sepultado o pioneiro, inauguração e bênção do túmulo-monumento, constituído de três colunas, configurando a imigração de Antônio e família, as sete gerações de descendentes, e descerramento de placa comemorativa.

Em seguida, os descendentes visitaram a capela dos Costella, para conhecer uma imagem de Santo Antônio, trazida da Itália por Rovani. Antônio era de Mântua. No dia 30 de novembro de 1887 estabeleceu-se no lote rural nº 70, na Linha Marquês do Herval (ou Linha Del Gobbo), pertencente a Fagundes Varela, e ali faleceu aos 24 de janeiro de 1914. No Brasil, são cinco os ramos de Rovani, todos vindos em 1887.

 

GERAL

Turismo recebe R$ 1,2 milhão

Projeto beneficia 300 micro e pequenas empresas na região

 

Vinte e quatro municípios da Serra e da rota turística Uva e Vinho acabam de ser beneficiados com R$ 1,2 milhão, dinheiro que será investido em ações de desenvolvimento e qualificação turísticas. Eles integram o Arranjo Produtivo Local (APL) de Turismo Serra Gaúcha, cujo termo de cooperação para os próximos três anos foi assinado na quinta-feira, 31 de março, em Caxias do Sul.

O APL da Serra tem como meta obter indicadores como o aumento da taxa de ocupação dos hotéis em 15%; ampliação do fluxo turístico em 30% e criação de quatro produtos turísticos. Estão incluídos parques, hotéis, pousadas, bares, restaurantes, agências de turismo e artesãos, totalizando 300 empreendimentos na região.

A iniciativa tem como parceiros as secretarias estaduais do Turismo e do Desenvolvimento, o Sebrae/RS, Senac/RS, Associação de Turismo da Serra Nordeste e Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Caxias do Sul.

 

Fepagro dispõe mudas para reflorestar

 

Ipê-amarelo, cedro-rosa, araçá e cerejeira são algumas das 30 espécies de árvores nativas do Rio Grande do Sul que a Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro) está disponibilizando aos interessados, tanto na cidade quanto no interior. O preço das mudas varia de R$ 1,00, para a aquisição de apenas uma unidade, até R$ 0,50, para quem comprar mais de 500 plantas.

As espécies florestais foram produzidas no centro de pesquisa da instituição em Maquiné, onde há um banco de germoplasma. O projeto, que vai completar sete anos, tem por objetivo à coleta de sementes para pesquisa e produção de mudas para preservar as espécies florestais gaúchas, ampliando a oferta de árvores nativas à comunidade.

A Fepagro Litoral Norte também mantêm trabalhos visando a conservação do palmiteiro, ameaçado de extinção há mais de 40 anos devido à exploração clandestina e desordenada, e alternativas sustentáveis de produção florestal. Outras informações podem ser obtidas pelos telefones (51) 628.1285 e 628.1588.