
DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 4.933 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 20 de abril de 2005.
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O idoso precisa de atenção e respeito
Um país que não cuida bem de seus idosos desconsidera o passado, onde está a base para o seu futuro
Relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado no mês passado, revela que a população de idosos no mundo está crescendo em índices muito acima da média das outras faixas etárias. Segundo a ONU, hoje há cerca de 600 milhões de pessoas com idade acima de 60 anos, ou 10% dos habitantes do planeta, e serão dois bilhões em 2050, ou 22% da população total. Acompanha essa projeção um alerta: os governantes precisam dar mais atenção aos sistemas previdenciários para assegurar condições mínimas de qualidade de vida aos idosos.
Há motivos de sobra para se preocupar com as pessoas que envelhecem. Em países ricos, os benefícios sociais permitem que a maioria viva uma terceira idade com dignidade, atuante e respeitada na sociedade. Nas nações em desenvolvimento, a situação é completamente inversa.
O Brasil, que está entre os países que mais contribuem para o aumento da população idosa no planeta, não só não cuida de forma adequada de seus habitantes com idade avançada como empurra-os para uma vida de privações materiais e desesperanças. Não bastassem aposentadorias miseráveis, deficiências de atendimento médico-hospitalar e uma cultura que não privilegia o respeito aos mais velhos, o país ainda não protege seus idosos do voraz e permanente ataque de segmentos da economia.
Pelas características de suas necessidades, os idosos formam a parcela da população brasileira atingida por índices inflacionários bem acima da média, como mostra matéria na página 8 desta edição. Os serviços de saúde, os alimentos e até a habitação são mais caros para esses cidadãos que sobrevivem com remunerações insuficientes e sem chances num mercado de trabalho que não atende sequer os jovens. É uma recompensa injusta, cruel e, em certos casos, desumana a quem tanto trabalhou durante dezenas de anos. Um país que não cuida bem de seus idosos ignora a realidade e desconsiderada seu passado, onde estão as bases para seu futuro.
Festuva 2006 começa a tomar forma
Escolha das soberanas e tema do evento são as primeiras preocupações da Comissão Comunitária
Nesta semana, os diretores da Comissão Comunitária da Festa da Uva 2006 já começam a trabalhar na organização do evento que será realizado de 17 de fevereiro a 5 de março do ano que vem. A equipe foi oficialmente apresentada no sábado, 16, pelo presidente Gelson Palavro (quadro ao lado).
As primeiras comissões a se reunir serão as de Cultura, Marketing e Social, com o objetivo de encaminhar as necessidades mais urgentes para a festa de 2006. Segundo Palavro, inicialmente serão priorizadas a preparação do concurso de escolha das soberanas e a definição do tema do evento e da agência que vai desenvolver as peças publicitárias da festa. "Vamos nos reunir na próxima semana para trabalhar na definição do tema", adianta ao CR.
A distribuição de cargos e o número de membros da Comissão Comunitária mudaram este ano. Em vez de um presidente e 11 vices, como nas edições anteriores da Festuva, a equipe é formada por um presidente, dois vices e 15 diretores de área. Os vices Valter Gomes Pinto e David Randon, junto com o presidente Gelson Palavro, serão os representantes oficiais do evento junto aos governos estadual e federal. "O novo formato apenas integra mais pessoas à equipe, sem mudar tarefas ou poderes de quem assume cada área", explica Palavro.
Outra novidade é a criação de uma diretoria executiva que irá centralizar o controle das finanças durante e após a realização do evento. Ela será formada pelo próprio presidente Gelson Palavro, por Paulo Poletto, que assumirá a diretoria financeira, e por Reni Sebben, como tesoureiro. Palavro explica que, encerrada a Festuva 2006, os diretores de área estarão liberados da função, mas a diretoria executiva vai continuar trabalhando até que as contas estejam fechadas.
Inicia em julho substituição de plantas
Inicia em julho a substituição das plantas erradicadas por hospedar a Cydia pomonella, praga que ataca maçã, pêssego, ameixa, nectarina e marmelos entre outras rosáceas, perfurando os frutos e tornando-os impróprios para o comércio. "A praga está disseminada em pomares abandonados na área urbana de cidades gaúchas e catarinenses", lembra o coordenador técnico do Programa Nacional de Erradicação da Cydia Pomonella, Adalécio Kovaleski.
O responsável técnico esteve na terça, 19, fiscalização o corte de árvores na área urbana de Caxias do Sul. Já foram cortadas mais de mil exemplares de rosáceas na cidade. "Estamos encontrando resistência e apoio em nosso trabalho", relata o coordenador para a área de Caxias, Marcos Regelin.
As plantas erradicadas são substituídas por outras frutíferas de famílias diferentes, por espécies nativas e por ornamentais. "A preferência dos proprietários tem sido por frutíferas como caquizeiro, figueira e videiras", revela Regelin ao CR.
Romaria reflete sobre o mundo do trabalho
Caxias do Sul acolhe 10ª Romaria do Trabalhador no dia 1º de maio
A 10ª Romaria Estadual do Trabalhador e da Trabalhadora, que ocorre no dia 1º de maio de 2005, nos pavilhões da Festa da Uva, em Caxias do Sul, será um momento de celebração e reflexão sobre as radicais mudanças no mundo do trabalho. A proposta é manter o vínculo indissociável entre a evangelização, promoção da vida e dignidade humana. Não haveria verdadeira evangelização sem um compromisso de conversão e transformação na ordem social, econômica e política.
"A romaria não vai resolver todos os complexos problemas do mundo do trabalho. Nem a Igreja deve fazer isso. Ela é realizada no dia 1º de maio e quer ser um sinal da memória de outra crise que houve na história que tentou civilizar a sociedade industrial. A consciência de um grupo de trabalhadores que reivindicou a jornada de trabalho para oito horas diárias", destaca padre Gilnei Fronza, um dos coordenadores da 10ª Romaria do Trabalhador e da Trabalhadora.
Padre Gilnei recorda que essa luta pela civilização da barbárie e das injustiças que aconteciam durante o período da Revolução Industrial provocou a constituição de um novo contrato social. No Brasil, esse processo se dá através da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).
O trabalho ocupa um lugar central na vida das pessoas. Ele é um direito de todos, garantido pela Constituição Federal. Entretanto, o desemprego e a ameaça que pairam sobre muitos direitos conquistados pelos trabalhadores, obrigam as classes trabalhadoras a se mobilizarem. Para orientar as reflexões sobre essa realidade, a 10ª Romaria escolheu como tema "Trabalho, fonte de dignidade, direito de todos!".
O desemprego é uma chaga na sociedade, que, conforme destacava o Papa João Paulo II, lembra como essa sociedade é injusta e não consegue acolher as pessoas. "O desemprego machuca, é um trauma, uma perda, uma experiência de luto. Precisamos fazer a experiência de ouvir a realidade do desemprego", salienta padre Gilnei. Ele acrescenta a necessidade de criar alternativas articuladas com uma visão mais complexa e geral, pois "não podemos ser aqueles que somente correm atrás da fábrica de desempregados, curando as feridas de algo maior". As experiências de economia solidária devem estar articuladas com as lutas institucionais.
Programação inclui celebrações e shows
A programação da 10ª Romaria do Trabalhador e da Trabalhadora, no dia 1º de maio, prevê concentração dos romeiros na Rótula da Av. Rubem Bento Alves com a rua Ivo Comandulli para, às 9 horas, iniciar a caminhada até os pavilhões da Festa da Uva. Às 10h30 haverá celebração eucarística. O almoço será de responsabilidade de cada romeiro, mas nos pavilhões serão oferecidas algumas alternativas aos que não trouxeram alimentação.
As atividades serão retomadas às 13h30, com momento cultural. Em seguida, representantes da CUT, de entidades e de movimentos sociais participantes falarão cerca de cinco minutos cada. Essas manifestações serão intercaladas por shows e a apresentação do cantor nativista Leonardo. Antes do encerramento, previsto para ocorrer às 16 horas, haverá um momento de oração ecumênica, valorizando a presença de integrantes de outras Igrejas cristãs, que também participam da organização e apóiam a Romaria do Trabalhador e da Trabalhadora.
No final, os organizadores repassam o compromisso de preparação da 11ª romaria, marcada para ocorrer no dia 1º de maio de 2007, à diocese de Cruz Alta.
Novas tecnologias exigem nova cultura do trabalho
Debater a questão do trabalho é discutir que tipo de sociedade queremos. Atualmente, a sociedade valoriza aquele que tem emprego. Na Constituição Federal o trabalho é expresso como um direito, uma questão de cidadania. No entanto, o que se verifica no Brasil é vergonhoso. Os dados sobre o desemprego no país são obscuros. Estima-se que esteja em cerca de 12% das pessoas ocupadas, o que representaria mais de 20 milhões de brasileiros.
O desemprego atinge principalmente a população mais jovem, que representa 20% dos habitantes do país. São cerca de 33 milhões de brasileiros entre 15 e 24 anos, dos quais 80% vivem na área urbana. Desses, 8,7 milhões estão sem trabalho, representando 47% do total de desempregados. O desemprego joga milhares na miséria. Praticamente a metade dos trabalhadores brasileiros não possui carteira assinada, e esse contingente está crescendo cada vez mais. Hoje, 42,7% dos que trabalham estão no mercado informal, contra 43,6% formalizados.
Além de abrir caminhos para a violência, criando um círculo de miséria e fome, o desemprego derruba a auto-estima da pessoa, gerando doenças e desagregações familiares. "Essa é a grande mudança. Hoje as pessoas querem trabalhar, mas a sociedade diz ‘eu não preciso do teu trabalho". De obrigação, o trabalho passa a ser um privilégio", diz padre Gilnei Fronza.
O coordenador da 10ª Romaria destaca que "o futuro do trabalho está em nossas mãos". Ele recorda que está na pauta da política nacional a reforma trabalhista, que pretende consolidar a precarização das relações de trabalho, como uma imposição dos organismos multilaterais, como o FMI, OMC, Banco Mundial...
"Se acreditamos em outro tipo de sociedade em que o trabalho é a fonte de dignidade e não o capital, deverá haver uma mobilização para que a reforma trabalhista esteja a serviço do trabalho e não do capital", salienta padre Gilnei. Há uma nova revolução industrial, imposta pelas novas tecnologias, que exige uma nova cultura do trabalho. "Já seria um sucesso transformar a romaria numa ferramenta que reconheça o trabalho como chave da questão social", conclui padre Gilnei.
Encontro reflete sobre questões sociais
A Romaria do Trabalhador e da Trabalhadora é um projeto da Igreja do Rio Grande do Sul e um compromisso permanente do Regional Sul 3 da CNBB e da Pastoral Operária. É uma iniciativa da Igreja Católica e uma promoção conjunta das Igrejas cristãs, entidades sindicais e organizações populares. A organização de cada romaria, celebrada em nível estadual a cada dois anos, fica a cargo da coordenação pastoral de uma das 17 dioceses gaúchas escolhida para sediar o evento e da pastoral operária regional.
Tem como objetivo proporcionar um espaço de reflexão e encontro, para a conscientização das grandes questões sociais relativas ao trabalho, partilha de vida e companheirismo entre os trabalhadores e trabalhadoras. A romaria quer também unir fé e vida, marcando, de forma pública, a presença solidária e profética da Igreja no mundo do trabalho, provocando os trabalhadores e trabalhadoras a serem sujeitos de transformação no contexto social.
Raízes – A idéia da romaria surgiu em 1987 como uma convocação do povo trabalhador para refletir sobre sua situação em vista de uma vida melhor, iluminada pelos valores cristãos, sobretudo a justiça, a igualdade, a unidade e a paz. A primeira foi realizada em Canoas no dia 12 de outubro de 1987, no Conjunto Habitacional Guajuviras, cujas casas vazias tinham sido ocupadas por operários e porque era o Ano Internacional da Moradia.
A segunda romaria ocorreu em Sapiranga, no dia 1º de maio de 1989, Dia do Trabalhador. A partir desse evento, todas as romarias passaram a ser realizadas no dia 1º de maio. Caxias do Sul sediou a terceira e, com a realização da 10ª no próximo dia 1º de maio, é a única cidade a abrigar duas vezes o mesmo evento. A romaria que mais atraiu trabalhadores – 60 mil - foi a de Porto Alegre, realizada em 1995.
Colheita antecipada prejudica quivi
Colheita antecipada pode comprometer o futuro da cultura
O quivi é uma cultura promissora, principalmente na região Sul, onde o clima favorece o plantio da fruta. Esta é a principal conclusão dos técnicos no dia de campo realizado pela Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), em Veranópolis. No evento, a entidade mostrou a coleção de 24 variedades, das quais 13 estão implantadas. "A fruta tem potencial de mercado, desde que encarada de maneira mais profissional", declara o engenheiro agrônomo da Fepagro Paulo Simonetto.
O problema é que a produção da variedade bruno, a mais cultivada pelos gaúchos, não está sendo tratada de forma profissional pelos fruticultores, que, na ânsia de ganhar mais, colhem a fruta antes do amadurecimento fisiológico, comprometendo o mercado. "O consumidor, que não sabe se o fruto está verde ou maduro, acaba comprando o quivi duro ou murcho", conta Simonetto.
Ponto - A fruta deve ser colhida quando apresentar, no mínimo, 6,5 graus Brix (grau de açúcar), para chegar ao mercado com 14 a 15 graus Brix, mas está sendo colhida com quatro graus Brix. Colhido de forma antecipada, o quivi tem mais acidez, menos aroma e menor valor nutricional. "O amadurecimento não é apresentado na fruta, que mantém a mesma coloração e o mesmo tamanho", explica o engenheiro agrônomo e produtor pioneiro de quivi em Farroupilha, Gervásio Silvestrin.
Para o pesquisador da Fepagro Serra, o ponto de colheita e a maturação são as maiores dificuldades encontradas na produção atual. Outros problemas são a falta de raleio, polinização e nutrição adequadas e instalação de quebra-vento, além da quebra de dormência, principalmente na variedade hayward, que necessita de mais horas de frio.
Os técnicos destacam ainda que os agricultores interessados em produzir a fruta devem estar atentos ao comprar as mudas. Elas devem ser adquiridas em viveiristas idôneos para garantir a compra de material sem contaminação por microorganismos causadores de doenças. Caso contrário, os agricultores podem investir no plantio por um bom período e se surpreender com perdas provocadas por moléstias, que só revelam os sintomas em estágios mais avançados do crescimento do planta, desperdiçando os recursos aplicados.
Viticultor aposta no cultivo da fruta
No Rio Grande do Sul, apesar dos problemas enfrentados pela produção, o cultivo do quivi aumentou cerca de 25%, nos últimos três anos. A razão, segundo a Fepagro, é que muitos produtores de uva têm migrado os seus negócios, atraídos pela possibilidade de melhorar a renda.
Atualmente, os Estados da região Sul são responsáveis por mais de 90% da produção nacional, que já alcança a marca de 6.500 toneladas por ano. Entretanto, o Brasil ainda é um importador, precisando comprar metade do que o mercado interno consome.
Outro aspecto que vem incentivando o aumento de produção é que o quivi é relativamente rústico, exigindo menos tratamentos do que outras frutas. "A cultura enfrenta menos problemas sanitários", reforça Paulo Simonetto ao CR. No entanto, apesar da manutenção ao longo do tempo ser mais barata, a instalação inicial de um pomar sai mais caro do que de outras culturas.
O fruto está sendo valorizado no mercado devido ao aumento do consumo no mundo. Ao mesmo tempo, os países produtores tradicionais (Itália, Nova Zelândia e o Chile) não têm condições de aumentar sua área de cultivo. Por isso, os especialistas acreditam que o momento é favorável para a realização de investimentos na região Sul do Brasil, onde o clima frio é considerado ideal para o desenvolvimento do quivi. Informações: Centro de Pesquisa Fepagro Serra (54) 447.1244/ 447.1374.
Feira movimenta o Sudoeste do Paraná
A Feira da Produção Orgânica de São Jorge D’Oeste está mobilizando o Sudoeste do Paraná. O evento ocorre de 4 a 7 de agosto, no Mercado do Produtor e Portal dos Lagos do Iguaçu. Paralelamente, realizam-se as feiras do Melado, da Indústria e Comércio, Artesanato, Agroindústrias e a Feira Verde. A promoção é em parceria com a Prefeitura, Emater, Central das Associações de Produtores Rurais e Cooperativa de Economia Solidária.
O local das feiras abriga 150 expositores, com área destinada à praça de alimentação, onde o ponto alto é o Café Colonial da Consoladora. Para atrair e animar os cerca de 25.000 visitantes esperados, haverá shows. Dia 4, acontece jantar de recepção; dia 5, realiza-se a Conferência Estadual de Agricultura Orgânica e Biodinâmica. "Está prevista a participação de 1.000 agricutores e técnicos agroecologistas", diz o engenheiro agrônomo Jair Klein, da Emater/PR.
Emater/RS capacita produtores na Serra
A Emater da Serra realiza cursos de capacitação e treinamento. Em Fagundes Varela, 31 produtores de Santa Lúcia e São Jorge irão participar, nos dias 18 e 25 de maio, de um curso de bovinos de leite. Outros 30 agricultores de Muitos Capões fazem curso de gado leiteiro no Cetanp, em Nova Petrópolis, de 25 a 29 de maio. Em Farroupilha, o curso de olericultura ocorre no dia 12 de maio. Produtores de São Valentim do Sul visitam viveiros em Marau, no mês de maio.
MDA muda índices de produtividade
Dados usados atualmente são de 30 anos atrás e não foram atualizados
Se aprovados pelo Ministério da Agricultura, o Brasil terá ainda este ano novos índices de produtividade dos imóveis rurais. A proposta foi apresentada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário. Os indicadores são utilizados pelo Incra para avaliar se uma propriedade rural cumpre a função social.
Os índices de rendimento ou produtividade dos produtos agropecuários em vigor foram fixados pelo Incra em 1980, com base em dados censitários de 1975, e nunca foram atualizados. A lei 8.629/93 determina que os indicadores de produtividade rural sejam ajustados periodicamente. "Esta atualização vai aperfeiçoar a função social dos imóveis rurais, acelerando a desconcentração do uso e da posse da terra", afirma o presidente do Incra, Rolf Hackbart.
Para o ministro Miguel Rossetto, os índices atuais para aferição da função social das propriedades rurais estão ultrapassados. "Os avanços tecnológicos incorporados à produção rural fizeram com que a produtividade agropecuária crescesse muito", explica. "Com isso, queremos superar um padrão extremamente defasado, que acaba premiando a ineficiência produtiva no meio rural brasileiro."
O MDA e o Incra estão propondo a inclusão de 37 novos ítens na tabela de índices de rendimento de produtos agrícolas. A lista atual tem 38 produtos vegetais e sete extrativos. "É necessário fixar índices para novos produtos agrícolas porque houve grande diversificação da produção nos últimos anos", defende o coordenador do Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural, Caio França.
As zonas de pecuária foram definidas com base em análise de agrupamento dos índices médios de lotação de cada microrregião. O RS, por exemplo, está dividido em três zonas pecuárias, com índices de unidade por hectare (0,46, 0,73 e 1,2). Na proposta do MDA o Estado passaria a ter cinco zonas diferentes (0,5, 0,73, 0,83, 1,01 e 1,32). "São dados universais, da realidade de produção agropecuária no Brasil, mas respeitando-se diferenças regionais, que sustentam as propostas", comenta o economista Pedro Ramos, do Instituto de Economia Agrícola da Unicamp.
Saúde é o tema do simpósio sobre vinho
As virtudes nutricionais e terapêuticas do vinho estarão em pauta em Bento Gonçalves, no período de 2 a 4 de junho, no I Simpósio Internacional Vinho e Saúde, cujo slogan é Vinho como alimento natural. A presença de pesquisadores internacionais e a apresentação de pesquisas inéditas são algumas das atrações do evento.
Um dos objetivos do evento é "inserir o Brasil no circuito internacional de debates sobre vinho e saúde", diz o médico e coordenador científico Jairo Monson de Souza Filho. O evento foi lançado na terça-feira, 12, em Porto Alegre.
Além da apresentação de pesquisas científicas na área, o Simpósio Internacional será palco para debate sobre vinho e legislação, especialmente quanto ao reconhecimento legal do produto enquanto alimento funcional.
A promoção é do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e da Embrapa Uva e Vinho, com realização de Andréia Brum Eventos. Mais de 20 instituições apóiam a iniciativa. Mais informações site www.ibravin.org.br/simposio
Circuito de degustação exibe vinícolas gaúcha
O projeto Circuito de Degustação vai promover os vinhos brasileiros em cinco capitais. Serão degustados 60 vinhos e espumantes de 16 vinícolas. A estréia será dia 27 de abril, em Porto Alegre. Depois da capital gaúcha, o Circuito terá seqüência em Curitiba, São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro.
Os Vinhos do Brasil e a Mesa Brasileira compõem o tema do Circuito de Degustação. Serão degustados vinhos finos das safras 2004 e 2005.
A promoção é do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin). "O circuito é mais uma oportunidade comprovar a qualidade do vinho nacional e a safra excepcional deste ano", diz o presidente do Instituto, Carlos Raimundo Paviani.
Vale dos Vinhedos celebra a vindima
O Complexo Turístico Villa Michelon promove o Debut dos Vinhos Safra 2005, que ocorre no dia 3 de junho com um jantar dançante festivo. Na ocasião, serão degustados vinhos da safra 2005, elaborados por vinícolas do Vale dos Vinhedos. Estão programadas palestras com os temas "Safra 2005" e "Vinho e saúde".
O debut integra a programação do Dia Estadual do Vinho, a ser comemorado em 5 de junho, que contará com a Feira do Vinho, na Usina do Gasômetro. Já no dia 5 de agosto acontece evento onde as estrelas da festa serão os vinhos reserva, e em 30 de setembro será a vez do Festival Borbulhante, com espumantes do Vale dos Vinhedos.
Engº. Agrº. José Zugno
Pêssego Montevideo e diversas frutas
Venho pedir informações sobre diversas frutas. Destas frutas que vou citar não se encontram mais à venda nas Casas Agropecuárias e nas casas que vendem mudas. Em primeiro lugar gostaria de saber se ainda existe o pêssego com o nome de Montevideo - grande, vermelho e amarelo por fora, amarelo por dentro, muito doce. Em segundo lugar sobre a ameixa Santa Rosa, que "sumiu do mapa" ameixa que quase não bicha, meia graúda, quase preta por fora, amarelo e vermelho por dentro. Outra ameixa que não encontro mais com o nome de Quelci (Kelsia), é graúda, amarela e bem doce. Em terceiro lugar, uma uva preta de cachos grandes e grãos também grandes, madura em março e abril, quando já não existem outras uvas. O sabor dela é bem diferente das demais. Se alguém souber destas plantas, favor comunicar ao Correio Riograndense ou ao meu endereço em Joaçaba.
FELIPPE NADERER
Joaçaba - SC
O pêssego Montevideo é uma variedade antiga que hoje dificilmente se encontra nas lista dos vendedores de mudas frutíferas. O CNPFCT - Centro Nacional de Pesquisa de Fruteiras de Clima Temperado da Embrapa de Pelotas - RS mantém a variedade Montevideo na coleção dos pessegueiros do Instituto Agronômico daquela cidade. Considera o pêssego Montevideo de notável aspecto, mas não o recomenda numa exploração comercial, pois é exigente em frio no inverno e a produção é baixa. Entretanto, a variedade é cultivada no Chile e na Argentina, considerada "calidad muy buena", com o nome de Amarillo de Montevideo. "É fruta grande ou muito grande, quase esférica. Pele espessa, amarela e vermelha, bem unida à polpa, de cor amarelo ouro, manchada de vermelho sangüíneo ao redor do caroço, é firme, sucosa, doce, levemente acídula e aromática". Em março passado, adquiri em Torres, mais por curiosidade, alguns frutos importados do Chile. Um dos frutos media 30 cm de circunferência, 8 cm de altura, 8,5 cm de diâmetro e pesava 290 gramas.
Com relação ao pessegueiro convém dizer que dentre todas as fruteiras cultivadas a espécie é a que apresenta o maior número de variedade (muitas centenas) porque tem flores completas, bem visíveis, auto-férteis que facilitam as hibridações e a obtenção em pouco tempo da variedade desejada.
Santa Rosa - A ameixa Santa Rosa é uma das mais cultivadas ainda hoje aqui no Rio Grande do Sul, onde é fácil obter mudas na época oportuna. Fruto de tamanho médio arredondado. Película (casca) firme de cor rósea amarelada e vermelha escura quando madura, com bastante pruina, caroço aderente, polpa arroxeada próxima à superfície, amarelada e avermelhada junto à semente. A planta é vigorosa e muito produtiva, mas precisa ser intercalada com a variedade polinizadora como a Santa Rita, Kelsey, Satsunia e Golden Japan.
Kelsey - A ameixa ali conhecida como Quelci, na verdade é a Kelsey, uma variedade antiga exigente de frio no inverno. É fruta grande de 6 a 6,5 cm de altura, forma de coração, de película amarela pouco espessa considerada na Argentina como de ótima qualidade. Em São Paulo, dela foi obtida a Kelsey Paulista, adaptada a um clima menos frio. É fruta de tamanho médio a grande medindo de 4 a 6 cm. A película de cor verde-amarela com nuances avermelhadas salpicada de pontuações amarelas é coberta com uma fina camada de pruina.
A polpa é sucosa, doce, amarela e agradável. O caroço é mais ou menos preso. Maturação em fevereiro e março. É planta vigorosa, produtiva e auto-fértil. Mudas facilmente encontradas nos viveiros de São Paulo e noutras áreas produtivas.
Com relação à "uva preta de grãos e cachos grandes" apenas com os dados de sua carta não é possível identificar a variedade. Talvez os técnicos da extensão ou os da EPAGRI de sua região a conheçam.
Projeto visa unificar fiscalização sanitária
Com a mudança, produtos serão vendidos em todo território e até no exterior
O Brasil vai unificar a fiscalização sanitária. Para isso, já foi instituído o Grupo de Trabalho Interministerial (GTI), encarregado de aperfeiçoar as atividades de inspeção, fiscalização e controle dos produtos de origem animal e vegetal destinados ao consumo humano. O grupo reúne representantes dos ministérios do Desenvolvimento Agrário (MDA), Agricultura, Saúde e Planejamento. O trabalho resultará na criação do Sistema Único de Fiscalização Sanitária (Sufis).
O objetivo do Sufis será eliminar burocracias que prejudicam o desenvolvimento das pequenas e médias agroindústrias no país. O assunto já está sendo discutido com os ministérios da Saúde e Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), responsáveis pela emissão dos certificados de inspeção. O Sufis busca adequar a legislação às normas de proteção e defesa da saúde das pessoas e do meio ambiente, promovendo a inclusão social e o fortalecimento do desenvolvimento nacional.
Com a criação do novo sistema, haverá maior agilidade na hora de o produtor licenciar sua produção. Atualmente, ele precisa recorrer ao Ministério da Agricultura para o licenciamento de produtos de origem animal, bebidas e vinagre, e à Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Ministério da Saúde, para os de origem vegetal.
Obstáculo - Outro obstáculo é a estratificação da inspeção sanitária (federal, estadual e municipal) como fator limitante de comercialização. Com a nova legislação, as agroindústrias poderão vender seus produtos em todo o território nacional e exportar de acordo com a legislação vigente. "Estamos querendo descentralizar. Os municípios devem assumir a execução do Sufis, nos moldes do SUS", afirmou o ministro Miguel Rossetto, do MDA. "Dentro das três instâncias, deve-se lembrar que o mais importante é a segurança alimentar", declara o médico veterinário, Elói Portolan, gerente regional da Emater/RS de Caxias do Sul.
A divisão da inspeção e as exigências estruturais (equipamentos) dificultam a instalação das pequenas agroindústrias, que, na maioria dos casos, só conseguem autorização para comercializar seu produto em seu município. "A idéia vai funcionar melhor se houver fiscalização in loco do órgão maior, o Mapa, por exemplo, e se na embalagem tiver o nome e dados do produtor", conclui Portolan.
Defesa - O corte no orçamento deixou a Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura (Mapa) vulnerável. A afirmativa é do secretário de Defesa Agropecuária, Gabriel Alves Maciel. O volume de recursos era de R$ 342 milhões. Porém, com a mudança, foram destinados apenas R$ 68 milhões este ano, contra os R$ 137 milhões habituais.
Com isso, o sistema de defesa sanitária que deveria ser coordenado pelo governo federal e executado pelos Estados, está sendo feito apenas pelos Estados. A União firma convênios com os Estados para a execução de ações, entre elas a vacinação contra febre aftosa. "A redução da verba afeta a mobilidade da superintendência", diz o delegado federal do Mapa no RS, Francisco Signor.
Para Elói Portolan, o corte de verbas compromete a estrutura, como laboratórios para análises, e desestimula até os próprios fiscais. "É uma questão de saúde pública", resume ao CR.
Novas barreiras à exportação de carnes
Os exportadores de carne brasileiros caminham para um impasse em relação ao destino de seus produtos. De um lado, as previsões para 2005 são as mais otimistas possíveis, uma vez que o país fechou o ano passado como líder mundial na exportação de carnes bovina e de frango. Por outro lado, uma questão sanitária pode barrar a entrada destes produtos num dos principais mercados compradores: o continente europeu.
A partir de 1º de janeiro de 2006 a União Européia (UE) oficializará o banimento do uso de antibióticos e promotores de crescimento animal. Em outras palavras, significa que a UE não aceitará nenhum tipo de produto de origem animal, vindo de qualquer parte do mundo, que tenha recebido antibióticos na sua dieta alimentar.
De acordo com o médico veterinário do Mapa, regional Caxias do Sul, Luiz Carlos Peccin, o Brasil proíbe o uso de promotores de crescimento em seu rebanho. "Todas as carnes, tanto de consumo interno quanto para a exportação não utilizam promotores. Já os antibióticos são usados no tratamento de doenças, respeitando a carência do produto", afirma Peccin ao CR.
Promotor de crescimento e antibióticos são forte barreira à exportação de carnes. A pressão dos consumidores europeus foi fundamental para esta imposição de segurança alimentar da União Européia.
Preços para a terceira idade subiram 18% mais desde 94
Inflação de idosos é puxada pela habitação, alimentação e saúde
No Brasil, os preços crescem junto com a idade. Nos últimos 11 anos, a inflação das famílias sustentadas por pessoas de terceira idade superou em 18% a variação de preços da população total. A diferença é uma taxa de 226,14% acumulada desde 1994, contra 176,5% registrados pelo Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3I) no mesmo período. Em média, a cada ano, os idosos suportam uma inflação 1,39% maior do que o índice voltado para famílias em geral.
De acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), responsável pela divulgação dos números, os produtos que apresentaram reajustes maiores são também os que têm peso superior no orçamento dessa parcela da população, como alimentos, tarifas e serviços de saúde.
O grupo da saúde representa 15,03% do orçamento dos idosos. No conjunto da população, cai para 10,36%. Os alimentos pesam 30,23% para a terceira idade contra 27,49% da população em geral e a habitação 33% contra 31,84% do conjunto da população.
Depois de 11 anos, inflação pesa menos
Pela primeira vez, nos últimos 11 anos, a inflação do primeiro trimestre do ano pesou menos para a população idosa do que para o consumidor em geral. O resultado foi divulgado pela Fundação Getúlio Vargas. Para fazer a comparação, a FGV fez cálculos retroativos a 1994.
No primeiro trimestre deste ano, o IPC-3I foi de 1,79%. No mesmo período, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), calculado sem especificação de faixa etária, acumulou 1,99%. Os pesos de alguns itens são diferenciados para a terceira idade, como saúde (os idosos têm gastos maiores com remédios e planos de saúde), tarifas de ônibus urbanos (têm o benefício do passe livre), transporte aéreo (a população mais velha é maior usuária) e cursos (não costuma fazer parte do orçamento da terceira idade).
Violência - O Conselho Nacional dos Direitos do Idoso (CNDI) acaba de aprovar o Plano de Ação para o Enfrentamento da Violência Contra a Pessoa Idosa. A proposta estabelece procedimentos no combate à violência física e psicológica, ao abandono e à negligência com quem tem mais de 60 anos. "Cerca de dois terços dos agressores são filhos ou cônjuges", diz o vice-presidente do conselho, Paulo Roberto Ramos.
Vacina contra gripe previne doenças graves
Todos os anos, o influenza atinge 15% da população mundial
A 7ª Campanha Nacional de Vacinação do Idoso, para a prevenção da gripe, começa neste mês. Entre os dias 25 de abril e 6 de maio, a população com 60 anos ou mais deve comparecer aos postos de vacinação para receber gratuitamente a dose anual contra o vírus influenza. Diz o ditado popular: "de graça, até injeção na testa." Porém, quando se trata da vacina contra a gripe, muita gente recusa a picada.
Segundo os médicos, a maioria das pessoas desconfia da eficácia do imunizante porque confunde os sintomas de outros males com os da gripe. Resfriado, rinite e sinusite, por exemplo, podem desencadear reações parecidas com as da gripe, como espirros, congestão nasal, irritação na garganta. Muitas pessoas adquirem essas doenças e, então, acreditam que a vacina não fez efeito.
Outro ponto que deve ser esclarecido é quanto à periodicidade da vacina. O influenza altera-se com freqüência e é por isso que a vacina precisa ser repetida todos os anos. Os órgãos de saúde pesquisam os vírus que estão em circulação e elaboram o imunizante correspondente.
Além de poupar o organismo de febre, mal-estar e dores musculares, o principal objetivo da vacina é evitar doenças graves que podem surgir em conseqüência da gripe, como pneumonia. Todos os anos, a gripe atinge 15% da população mundial.
Os médicos indicam a vacina principalmente para idosos, cardíacos, diabéticos, pacientes renais crônicos e portadores de doenças pulmonares crônicas, como bronquite, asma e enfisema. Uma pesquisa da Universidade de Campinas constatou que a vacinação dos idosos diminuiu a mortalidade nessa faixa etária no Estado de São Paulo. As estatísticas entre 1980 e 2000 indicam que o número de mortes diminuiu após 1999, ano de estréia da Campanha Nacional de Vacinação do Idoso.
A vacina contra a gripe não é indicada para crianças com menos de seis meses e pessoas alérgicas à proteína do ovo de galinha (albumina) e/ou aos componentes da vacina, como o timerosol. Quem já está gripado não pode receber o imunizante. Nesse caso, é preciso melhorar para depois prevenir-se de um segundo ataque do vírus.
Eficácia era de apenas 30% nos anos 90
Os especialistas explicam que a má fama da vacina contra a gripe vem dos anos 1990, quando sua eficácia era de apenas 30%. Ocorre que antes de 1998, o Brasil aplicava o mesmo imunizante usado no Hemisfério Norte, ou seja, que combatia os vírus de lá. Como o vírus causador da gripe possui uma infinidade de variantes, não é possível contemplar todas elas numa só vacina. Hoje, para determinar as três variantes do influenza que presumivelmente devem aparecer no território brasileiro, investigam-se os vírus que circulam no Hemisfério Sul.
Este ano, uma nova cepa que deve aparecer por aqui foi batizada de Wellington. Estima-se que a vacina que estará disponível à população tenha eficácia de 75%. Esse efeito, porém, só se obtém passadas duas semanas da aplicação do imunizante. Durante esse período, o vírus pode atacar qualquer pessoa.
Todos os anos o Brasil importa 17 milhões de doses de vacinas contra a gripe para aplicar em idosos e portadores de doenças crônicas. Segundo o Ministério da Saúde, o investimento economiza os gastos com internações. Até que o Brasil consiga produzir a vacina, o que deve acontecer a partir de 2007, crianças, profissionais da saúde e adultos jovens continuarão fora da campanha. Segundo a Fundação Butantã, o país já tem a tecnologia e os equipamentos, mas falta a fábrica, que deve ficar pronta em março do ano que vem.
Remédio fracionado pode ser obrigatório
O diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Dirceu Raposo de Mello, informou que, em cerca de 45 dias, o consumidor encontrará as primeiras farmácias realizando a venda fracionada de remédios. Isso significa que o paciente poderá comprar a quantidade exata de medicamento receitada pelo médico, evitando sobras.
Encerrado o prazo para consulta pública, um grupo de trabalho da Anvisa consolidará as sugestões e redigirá o texto final do regulamento, que será submetido à aprovação do Ministério da Saúde. Se for aceito, a nova forma de comercialização poderá ser iniciada imediatamente. Para isso, as farmácias deverão se credenciar na vigilância sanitária local, recebendo autorização para a venda mediante um selo de identificação.
Poderão ser fracionados medicamentos na forma de frasco-ampolas, ampolas, seringas preenchidas, flaconetes, comprimidos, drágeas, óvulos vaginais e supositórios. Para comprar o remédio fracionado, o consumidor deverá apresentar a receita do médico ou do dentista, que será devolvida ao usuário com carimbo e assinatura do farmacêutico com declaração de que o remédio foi entregue. O medicamento fracionado deverá ser acompanhado de uma bula para cada paciente.
A venda fracionada de medicamentos pode se tornar obrigatória, caso a adesão da indústria farmacêutica e das farmácias ao programa seja baixa, afirmou o diretor da Anvisa. "Se não houver empenho das empresas nos próximos meses, o cadastramento deixará de ser opcional", garante Mello.
Descongestionante nasal vicia usuário
Descongestionantes nasais são campeões de vendas nas farmácias. Esses remédios proporcionam alívio, pois comprimem os vasos sangüíneos facilitando a passagem do ar. Porém, podem causar dependência. Em média, o uso por cerca de cinco dias consecutivos é suficiente para instalar o vício.
Com a utilização freqüente desses medicamentos, a resposta dos vasos é cada vez mais curta e por isso são necessárias doses maiores para o mesmo efeito. Eles também aumentam a pressão. Com a constrição dos vasos, o coração precisa trabalhar mais para bombear o sangue.
Para aliviar o nariz congestionado a dica é aplicar um conta-gotas de soro fisiológico em cada narina e assoar em seguida, repetindo o processo até três vezes ao dia. Porém, após 24 horas de aberta a embalagem, o soro já fica impróprio para o uso.
Água com gás favorece obesidade
Quem pensa que o açúcar é o único vilão dos refrigerantes pode estar enganado. A água com gás também pode ser um ingrediente que favorece a obesidade. Uma pesquisa recente da Faculdade de Medicina da Unesp, em Botucatu (SP) avaliou a ligação entre esse tipo de água, o aumento do apetite, a dilatação estomacal e o ganho de peso.
As cobaias que ingeriram água gaseificada durante a experiência tiveram a área de seu estômago aumentada em 50%, o suficiente para diminuir a sensação de saciedade. Em conseqüência, sentiram mais fome, comeram mais, engordaram e tiveram seu nível de triglicerídeos (um tipo de gordura) aumentado. "Sem dúvida, as bebidas gaseificadas, com ou sem açúcar, contribuem para o aparecimento da obesidade e das doenças cardiovasculares", afirmou o gastrenterologista José Roberto Santiago, um dos autores do estudo.
A humanidade órfã
Maria Clara Lucchetti Bingemer
A referência paterna, a liderança indiscutível que a figura do Papa representava, enquanto defensor da paz, da justiça e do amor, deixou um vazio profundo e abissal ao calar-se
O mundo inteiro acompanhou a romaria interminável que desfilou lenta e paciente na basílica de São Pedro em Roma para passar diante do corpo de João Paulo II. Mais de duzentos chefes de Estado chegaram do mundo inteiro para o enterro. Os cardeais que participam do conclave viajaram dos quatro cantos do mundo. E em meio a todo este movimento, o povo desfilou para ver o Papa, uma última vez. Milhares passaram dezesseis horas na fila, o dia inteiro, sem comer nem beber, imantados por aquele corpo que na morte parecia continuar tendo o carisma de atrair multidões e comunicar mensagens que arrastam o mundo atrás de si.
A morte do Papa teve um impacto raras vezes visto nos tempos que correm. A lenta e implacável doença que consumia o corpo antes atlético do polonês Karol Wojtyla e que o vergava e enrijecia seus músculos não fez com que os fiéis dele se afastassem. Pelo contrário, quanto mais envelhecia e adoecia, mais e mais carinho parecia despertar nas pessoas. Sua presença, mesmo limitada fisicamente, continuava atraindo, comovendo, enternecendo aqueles todos que, ao vê-lo no estágio terminal de sua vida, se aglomeraram ordeira e comovidamente na Praça de São Pedro esperando notícias, chorando e rezando.
Raras vezes se viu na história recente do Cristianismo uma expressão tão concreta da frase do livro dos Atos dos Apóstolos ao descrever a primeira comunidade cristã: "A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma." Pareciam respirar cadenciados ao mesmo ritmo todos aqueles e aquelas que cantavam de alegria cada vez que o Papa aparecia na janela e os abençoava; e que no sábado, dia 2 de abril, choraram silenciosa e pacificamente ao receber a notícia de sua morte.
Mas não apenas os cristãos sentiram o golpe da morte do Papa. Pessoas de outros credos, chefes religiosos de outras confissões juntaram-se serena e sinceramente à longa celebração de sua morte. E não só pessoas de fé foram movidas interiormente pelo silenciar da voz de Karol Wojtyla. Ateus e agnósticos se sentiram interpelados pelo desenlace da vida deste homem cheio de coragem, que tantas batalhas lutou e não fugiu diante da última e derradeira, expondo sua decadência física e sofrimento diante de todos.
A orfandade que se abateu sobre a humanidade inteira, Oriente e Ocidente, nestes dias que se seguem à morte de João Paulo II conseguiu unir todas as diferenças, criando uma ao mesmo tempo dolorosa e bela comunhão. Entre os credos e as raças, entre os poderosos e os cidadãos comuns, entre as gerações e as hierarquias, entre os que crêem e os que não crêem. A referência paterna, a liderança indiscutível que a figura do Papa representava, enquanto defensor da paz, da justiça, do amor, valores tão escassos nos tempos em que vivemos, deixou um vazio profundo e abissal ao calar-se.
Em momento tão solenemente único, acontecem fatos extraordinários na sua singeleza, semelhantes àqueles que a Bíblia chama teofânicos, ou seja, manifestativos da presença de Deus. É quando a ordem natural das coisas se inverte: o sol se obscurece, a terra se abre, os mortos saem de seus túmulos. É quando os velhos começam a ter sonhos e os jovens a ficar maduros. É quando a mulher busca o homem, e o homem geme em dores de parto. É quando o crente se encontra perdido e sem palavras, e tem que ser evangelizado pelo ateu.
Assim me sinto eu, católica desde o berço, diante do pungente texto de Arnaldo Jabor sobre a morte do Papa. Assim me espanto, perplexa, ao ver o coração do mistério cristão intuído e expresso de forma densa e certeira por este que se declara ateu desde sempre. Seu entendimento da última aparição de João Paulo II na janela do Vaticano, tentando falar e contorcendo-se de dor expressa com rara beleza toda a profundidade e a extensão do mistério central do cristianismo: o de que Deus se despoja de sua grandeza e se faz carne vulnerável e mortal. O que muitos teólogos talvez não consigam expressar com seu complicado discurso, Jabor o diz com palavras nuas e verdadeiras.
Diante da dor assumida e confessada por aquele que deplora sua solidão de ateu, enquanto contempla as multidões unidas e congregadas em torno do Papa, sinto também sua a orfandade que é nossa. E não resisto ao desejo de chamá-lo de irmão e dar-lhe as boas-vindas à comunhão que também lhe é oferecida.
Frei Betto
Todos ansiamos por um papa que sobreponha o Evangelho ao direito canônico, a alegria à dor, o diálogo inter-religioso à apologética, o amor à lei, a espiritualidade aos preceitos
Chegou a hora de, mais uma vez, você, uma das três pessoas da Santíssima Trindade (e não a terceira, pois não há hierarquia na comunhão de Amor), retornar a Roma. Imagino que não será uma tarefa fácil quebrar resistências cardinalícias e, entre tantos interesses geopolíticos, fazer predominar a sua vontade.
Os 115 eleitores do novo papa estão trancados no Vaticano. Duas vezes por dia vão até a Capela Sistina e, sob os afrescos de Michelangelo, cada um coloca seu voto numa patena. Nos primeiros trinta dias, será eleito quem obtiver 2/3 dos votos mais 1. Depois, bastará a maioria simples.
Suponho que o embate inicial será entre os cardeais italianos e os demais. Aqueles não se conformam de haver perdido o monopólio do papado, conquistado em 1522. Seguiram-se 44 papas italianos, até que Wojtyla apareceu como exceção à regra. Será que os eleitores darão uma nova chance aos demais continentes? É fato que a maioria dos papas nasceu na Europa. Mas a África já foi contemplada com três. Não seria hora de a América Latina, que concentra 52% dos católicos, merecer as sandálias do Pescador?
Tenho o meu preferido: dom Cláudio Hummes, cardeal de São Paulo, com quem trabalhei sete anos, como responsável pela Pastoral Operária do ABC. Posso entender por que ele figura entre os preferenciais: tudo indica que os cardeais não elegerão alguém tão jovem quanto Wojtyla, coroado aos 58 anos, nem tão idoso que haja o risco de um novo conclave em breve.
O próximo papa sairá do grupo situado entre 65 e 73 anos, poliglota, com bom trânsito na Cúria Romana e, sobretudo, ortodoxo em matéria doutrinal e de fácil trato com a mídia e o público. Dom Hummes se enquadra em todos esses critérios. Em geral, os ortodoxos são carrancudos e os bons de mídia são progressistas. Você fez muito bem em inspirar João Paulo II a excluir do conclave os cardeais com mais de 80 anos, em geral conservadores.
Você sabe que o grupo lingüístico pesa muito dentro do conclave. Nem todos os cardeais falam vários idiomas. De modo que, lá dentro, os conchavos são por identidade vernacular. E os de fala hispânica, entre os quais se incluem os quatro eleitores brasileiros, são 38. Número considerável para fazer a balança pesar a favor da América Latina.
Estão fora do páreo os cardeais dos Estados Unidos, devido aos casos de pedofilia e à oposição do Vaticano à agressão dos EUA ao Iraque. Os italianos jamais apoiariam um francês. Como, hoje, a meta da Igreja Católica é ampliar o número de seus fiéis na África e na Ásia, quem sabe você nos brindará com um papa negro ou de olhos puxados...
Tomara que seu sopro seja forte o bastante para quebrar, no novo sucessor de Pedro, resistências quanto à moral sexual, ao celibato facultativo, ao papel da mulher na Igreja, as células-troncos, à bioética, temas congelados no debate interno da Igreja. Todos nós ansiamos por um papa que sobreponha o Evangelho ao direito canônico, a alegria à dor, o diálogo inter-religioso à apologética, o pão à cruz, o amor à lei, a espiritualidade aos preceitos.
O que poucos sabem é que os candidatos não são apenas os 115 eleitores. São todos os católicos de sexo masculino. Basta ser homem e ter sido batizado na Igreja Católica. Como Gregório Magno, prefeito de Roma, eleito em 590.
Venha, divino Espírito Santo, e renove a face de sua Igreja, para que ela seja de fato, como quis Jesus, luz no mundo e fermento na massa.
ESCOLHA DO PAPA TRADIÇÃO EXPLICADA PELA COMPLEXIDADE HISTÓRICA
A eleição do Papa já teve participação do povo e do clero local. Há um milênio, é feita pelo Colégio dos Cardeais, que são criados pelo Papa. A existência do papado, do primado romano na Igreja Católica, tem uma fascinante história. Entendê-la é entender porque é difícil que se proceda diferente
Luiz Carlos Susin
Frei capuchinho, professor de Teologia
Depois da agonia, morte e sepultamento de João Paulo II, iniciou nesta segunda-feira 18 o conclave do Colégio dos Cardeais. Seguirão à expectativa da escolha a "aparição", as notícias biográficas, a cerimônia de inauguração do seu pontificado, com o espetáculo do juramento de fidelidade do Colégio dos Cardeais. Os passos são dados com a segurança própria de um Direito e de uma instituição com dois mil anos de experiência. Mas, em tempos de acontecimentos "midiáticos", fica também a impressão de um fantástico cenário dado na bandeja para quem tem fome de espetáculos, até porque o segredo e o mistério incrementam a cena. Poderia ser diferente?
Há notícia bem fundada de que Paulo VI estudava a possibilidade de o Papa ser eleito pelas presidências das Conferências Nacionais de Bispos ou algo mais representativo do conjunto de toda a Igreja. Afinal, de todos os encargos hierárquicos da Igreja Católica, este é o único rigorosamente constituído por uma eleição "de baixo". Todos os outros encargos - bispos, arcebispos, cardeais, mas também párocos e a maior parte dos encargos nas dioceses - são nomeados a partir das instâncias superiores. Pode até haver consulta, apresentação de candidatos, mas salvaguarda-se a última palavra instituinte de quem está acima. É a pirâmide monárquica onde a voz de Deus, como palavra última, vem do alto. O problema é o topo: como Deus não declara pessoalmente quem deve ser o Papa, é necessário encontrar um meio de elegê-lo de baixo.
Paulo VI esbarrou na formalidade "romana" da eleição do Papa. Em primeiro lugar, ele é o Bispo de Roma, e, para participar validamente de sua eleição, é necessário ter algum pé em Roma. E isso os cardeais, por uma sutil tradição jurídica, têm: um pé em Roma. Poderia ser diferente?
A existência do papado, do primado romano na Igreja Católica, tem uma fascinante e complexa história. Entender sua história é entender porque é difícil que se proceda diferente. Em resumo: é tradição da Igreja que Pedro e Paulo deram o testemunho com sua vida e seu sangue na capital do Império Romano, junto com um grande número de mártires. Por isso a comunidade cristã da capital do Império começou a gozar de grande autoridade junto às demais Igrejas. E seu bispo junto aos demais bispos. Em linhas gerais, no primeiro milênio o Bispo de Roma era eleito da mesma forma que os demais: com a participação do povo e do clero local.
As modalidades práticas foram variando, desde a aclamação, a sorte, a eleição por voto, e a homologação dos bispos das dioceses vizinhas, que davam legitimidade com o seu reconhecimento. Não faltaram pressões, deposições, lutas, sobretudo no final do primeiro milênio, no sombrio "século de ferro", na Europa Ocidental redesenhada após Carlos Magno (800) e antes do golpe de separação entre o Ocidente latino e o Oriente grego (1053). É desse período a criação do "Colégio dos Cardeais", na verdade um adjetivo para "diáconos cardeais", "presbíteros (padres) cardeais" da diocese de Roma e "bispos cardeais" vizinhos que tomaram o encargo de eleger o Bispo de Roma e de ajudá-lo no governo de tão importante diocese, algo parecido - só para a segunda parte, já que não elegem o bispo - com o Conselho de Presbíteros nas Dioceses depois do Concílio Vaticano II.
Hierarquia - Um dos resíduos jurídicos ligados a este fato é a curiosa hierarquia interna entre os cardeais, agora de forma invertida, passando o adjetivo a substantivo e vice-versa: desde quando recebem o "barrete" vermelho de cardeal, uns preenchem a ordem de "cardeais presbíteros", outros como "cardeais diáconos" e outros como "cardeais epíscopos", segundo diversas ordens hierárquicas. Isso tem um curioso correspondente na sociedade: quanto mais se está na base, menos distinção hierárquica, mas quanto mais se vai ao topo, mais se refinam as distinções hierárquicas. Poderia ser diferente?
A verdade é mais complexa. A perda de participação por parte do povo na eleição do Bispo de Roma - como, de resto, também para qualquer outro bispo na Igreja Católica - restringindo-o ao seleto Colégio dos Cardeais (a palavra "cardenal" refere-se aos pinos ou gonzos que sustentam e servem de dobradiças para os portões) se deveu também a problemas de ordem política, a ingerência e os interesses, as pressões e corrupções por parte de poderes imperiais ou mesmo de famílias influentes.
Para se libertar de um círculo vicioso mundano em que o Papa reconhecia e coroava o imperador e o imperador reconhecia e legitimava o Papa, mas onde não faltaram deposições ou imposições de papas e excomunhões de imperadores, a solução foi retirar-se para outro círculo vicioso: o Papa é quem nomeia cardeais e somente cardeais elegem o Papa. Como a monarquia permanece vitalícia, é um círculo que inclui a morte do Papa, mas tem longo respiro. Esta história tipicamente romana não dá espaço jurídico para que meros presidentes de conferências episcopais pelo mundo afora possam ter parte na eleição. A outra curiosidade jurídica é o "pé em Roma": todo nomeado cardeal é designado como titular de alguma igreja de Roma, pois deve se legitimar fazendo parte do clero romano. Poderia ser diferente?
Influência - Evidentemente, João Paulo II, com o mesmo cuidado começado por Paulo IV, buscou uma ampla internacionalização do Colégio Cardinalício, embora a América Latina merecesse proporcionalmente mais. Ao invés dos presidentes de Conferências, eleitos pelos pares, ou outros representantes do povo católico, deve-se supor que os cardeais conheçam e representem suficientemente bem suas regiões, e se disponham a fazer uma escolha que atenda a condição local do Bispo de Roma e ao mesmo tempo a bem mais decisiva prática universal do "Pastor de toda a Igreja". Esta última expressão, desconhecida das demais Igrejas, é a marca do "Primado do Bispo de Roma", que é entendido pela Igreja Católica de forma jurídica, com poder jurídico universal e imediato, podendo o Papa intervir em todas as instâncias. Enquanto outras Igrejas, sobretudo os patriarcados ortodoxos, antigos como a Igreja de Roma, poderiam aceitar um primado de testemunho e de caridade pastoral em vista da unidade, não aceitam tal pretensão jurídica romana. Segundo eles, trata-se mais de uma herança imperial tipicamente romana por seu excesso jurídico. Este problema ecumênico foi reconhecido humildemente por João Paulo II na sua carta encíclica "Ut unum sint" (Para que todos sejam um). Mas poderia ser diferente?
O "inconsciente institucional" da Igreja Católica é longo, é bimilenar. Outro drama com diversos atos são o lugar e o segredo em que o Colégio Cardinalício é submetido para a eleição. "Conclave", ou seja, reunião "com chave", a portas chaveadas, é até um eufemismo suavizado. Em 1243, na famosa eleição que durou mais de dois anos, tal era o jogo de forças, as pressões e intrigas em torno do papado, que o ainda pequeno grupo dos eleitores foi literalmente "emparedado" na sala de eleição, na cidade de Viterbo, não longe de Roma. Com portas e janelas tapadas por pedras, ainda assim a brava resistência durou até que foi-lhes tirado o telhado e deixados ao relento. Depois desse trauma, os eleitores preferiram, eles mesmos, se chavearem e guardarem a chave. É o "conclave". O que não curou todos os males: o lugar foi freqüentemente escolhido e mudado para fugirem das influências mal vindas. Mesmo assim aconteceu precisarem fugir do lugar para não sofrerem retaliações até com ameaças de morte.
É desde esse inconsciente longo que a última constituição apostólica, de João Paulo II, que normatiza a vacância da sede episcopal romana e os procedimentos do conclave, repete a fórmula encontrada: num lugar previamente fixado - a Capela Sistina, monumento renascentista - e no mais absoluto e juramentado segredo, com tríplice juramento de sinceridade e interesse por toda a Igreja. Permanecem o problema da restituição da antiga participação do povo e do clero. Agora, no caso de um Pastor que tem acentuado juridicamente seu governo sobre toda a Igreja, participação eleitoral do conjunto da Igreja Católica e, em tempos de ecumenismo, inclusive de alguma forma de participação das Igrejas irmãs na fé cristã. Isso supõe uma visão mais colegiada, algo entrevisto pelo Concílio Vaticano II, mas deixado à sombra sob o brilho de um Papa tão forte de convicções e de carismas em tempos de hesitação e recentralização. Há coisas que poderiam ser diferentes, há coisas que não constituem a revelação evangélica original, que podem ter sido funcionais em alguma época, mas não na seguinte. No entanto, com tal complexidade histórica, poderiam ser diferentes? Não estão sendo, certamente, desta vez. Nem serão tão logo.
VATICANO II SEGUIRÁ COMO REFERÊNCIA PARA A IGREJA
João XXIII, eleito em 1958, implantou a maior reforma da Igreja Católica dos últimos 400 anos. Com o Concílio Vaticano II, abriu as portas da Igreja para o mundo, dimensão pastoral seguida com grande eficiência por João Paulo II. E o novo papa se manterá no caminho traçado a partir de 1962
Frei Aldo Colombo
Diretor de Redação do Correio Riograndense
No dia 9 de outubro de 1958, os sinos do Vaticano anunciaram a morte do papa Pio XII e os católicos do mundo sentiram a dor da orfandade. Pio XII morria aos 82 anos e seu Pontificado de 19 anos foi marcado pela Segunda Grande Guerra. Haveria alguém capaz de substituir o grande Papa? Vinte dias depois, na 12ª votação, a fumaça branca anunciou um novo papa. E a multidão que estava na Praça de São Pedro e os meios de comunicação ficaram surpresos com a identidade e o nome do novo papa; o cardeal Ângelo Giuseppe Roncalli, Patriarca de Veneza, que assumiu o surpreendente nome de João XXIII. E a opinião pública mundial foi informada de que seria "um Papa de transição". Poucas vezes houve um engano tão grande. Este papa de transição, camponês de Sotto il Monte (Bérgamo), seria responsável pela grande virada da Igreja Católica, a maior nos últimos 400 anos. Ele marcou o início de uma nova primavera na Igreja.
Pio XII foi o último papa tridentino. E isto não soa como negativo. O Concílio de Trento - 1545 a 1563 - foi providencial para a Igreja. Foi a reorganização católica diante dos rombos causados por Lutero. Mas as sábias decisões de Trento - depois de 400 anos - foram se esgotando. A Igreja nunca fora tão "santa, católica e romana". Mas existiam problemas em sua apostolicidade. Era uma Igreja que privilegiava, acima de tudo, a verdade. Uma Igreja, para usar um jargão futebolístico, que jogava na defesa. O diálogo com o mundo estava comprometido. Os adversários mais ferrenhos explicavam: com a Igreja Romana na há o que falar... ela sabe tudo.
A eleição do Patriarca de Veneza foi surpresa para todos, sobretudo para ele mesmo. Ao partir para o Conclave, fiel às suas raízes camponesas, comprou passagem de ida e volta. Depois de quatro dias e 12 votações seu nome foi consagrado com 36 dos 51 votos possíveis. Curiosamente, o grande candidato ao papado não estava no conclave. Tratava-se do cardeal Giovanni Montini, arcebispo de Milão. Mas ele não era cardeal e isto o excluía da disputa.
João XXIII, um camponês que por acaso chegara ao Vaticano - assim ele mesmo se definia -, logo caiu no gosto do público. Era muito diferente de Pio XII. Vai em peregrinação a Assis e Loreto, publica duas monumentais Encíclicas (Mater et Magistra e Paccem in Terris), recebe em audiência personalidades não alinhadas com a Igreja. Nos corredores do Vaticano se comentavam "as últimas" do Papa João XXIII. Era o Papa da simplicidade e do bom humor. Mas o impacto maior aconteceu no dia de Pentecostes de 1959, quando anunciou a realização de um novo Concílio Ecumênico.
Não havia necessidade, pensavam muitos bispos e cardeais, sobretudo após a proclamação da infalibilidade papal. Para que convocar todos os bispos para algo que o papa sozinho poderia fazer? Mas, aos poucos, a opinião pública foi informada que se tratava não de um concílio para definir novas verdades, mas um concílio pastoral. Não se tratava da ortodoxia e sua preocupação com a verdade, mas uma dimensão pastoral da Igreja. Já tínhamos leis em demasia, era necessário buscar as ovelhas perdidas ou desorientadas.
E no dia 10 de outubro de 1962, perante os olhares do mundo inteiro, iniciava o Concílio Vaticano II. As alegrias, esperanças e angústias do homem de hoje são também as angústias, alegrias e esperanças da Igreja, proclamava um dos seus primeiros documentos. Era a abertura da Igreja para o mundo. A própria definição de Igreja mudava; não mais "exército de Cristo" mas Povo de Deus. Não mais a ordem como o grande sacramento, mas o batismo. O leigo adquiria maioridade na Igreja. Pouco importa que João XXIII fosse colhido pela morte, em 4 de junho de l963, antes de terminar o Concílio. O Papa camponês inaugurara um novo tempo para a Igreja, a "primavera do Espírito Santo", que ele anunciara no início do Concílio. A Igreja começava a acertar as contas com a modernidade. Em vez da verdade, a eficácia da Boa Nova. A Liturgia, a colegialidade apostólica, o ecumenismo, o retorno da Bíblia, a renovação da vida religiosa foram rumos assumidos, num caminho sem volta. Apesar de seu curto pontificado, João XXIII assegurou-se o título de maior papa do século XX.
Paulo VI - Há uma norma: quem entra num conclave papa, sai cardeal. Esta afirmação foi desmentida. Giovanni Montini era o favorito e acabou sendo eleito na sexta votação, com quase todos os votos - só não foi "aclamado" papa porque o regimento não permitia. Ele não era um João XXIII, mas foi o papa que o momento exigia. Executou uma tarefa gigantesca: levou até o fim o Concílio e ordenou toda a vasta e complicada herança conciliar. Antes de sua eleição afirmou: "Deus nos mostrou alguns caminhos que devemos explorar".
Num Pontificado de 15 anos, nem sempre foi bem compreendido, abriu caminhos novos. Visitou a Terra Santa, esteve na Genebra calvinista, falou à Assembléia Geral da ONU, onde implorou a paz entre os povos: "Não mais a guerra, jamais novamente a guerra". Com ele também surgiram os boatos sobre a renúncia. Paulo VI morreu a 6 de agosto de 1978. Mais uma vez, a morte foi o instante das coisas claras. A contestação sofrida em vida transformou-se em unânime admiração após sua morte.
João Paulo I - No conclave mais rápido do século XX, o cardeal de Veneza, Albino Luciani, foi escolhido como papa. Assumiu o nome de João Paulo em homenagem a seus dois antecessores, os papas do Concílio. Pouco antes da eleição, o cardeal Luciani visitara o Rio Grande do Sul, como romeiro de Nossa Senhora Medianeira de Santa Maria. Foi um vêneto entre os vênetos. Seu curto reinado - 33 dias - deu origem a uma fantástica versão - sem qualquer prova - de que teria sido assassinado pelos cardeais por pretender "distribuir o dinheiro da Igreja aos pobres". Deixou ao mundo uma preciosa herança: seu sorriso.
João Paulo II - Novamente os cardeais se reúnem para indicar o 264° sucessor de Pedro. A lista dos "papáveis" mais uma vez é imensa. No 8° escrutínio, no dia 16 de outubro de 1978, a desejada fumaça branca. Rompendo uma tradição de 445 anos, foi escolhido um papa não italiano, o polonês Karol Wojtyla, que assumiu o nome de João Paulo II.
Os fatos são ainda recentes e não permitem um juízo definitivo sobre o terceiro mais longo pontificado da história. O certo é que João Paulo II colocou, novamente, a Igreja católica no centro das decisões mundiais. Foi sua viagem à Polônia, em 1979, que marcou o começo do fim da Cortina de Ferro. Tudo ruiu como um castelo de cartas. E sem sangue. Em 104 viagens internacionais, visitou 129 países. O Brasil teve o privilégio de ser visitado em três oportunidades. Foi o pastor do mundo. Tornou-se clássico seu gesto teatral de beijar o solo dos países visitados. Nunca ninguém usou tão inteligentemente os meios de comunicação. E, numa recompensa póstuma, teve o maior funeral da história.
Um caminho sem volta
Estou escrevendo antes que a tradicional "fumaça branca" anuncie a Roma e ao mundo o novo papa. Nem mesmo tenho qualquer palpite sobre o sucessor de João Paulo II. Tenho certeza de que será a pessoa certa para este momento histórico. Não deverá ser uma cópia de João Paulo II, terá luz própria. As surpresas do Espírito Santo são constantes na Igreja.
Acima de todas as incertezas, há uma luminosa certeza: o caminho aberto pelo Vaticano II será o caminho do novo papa. Seu potencial ainda não foi esgotado. A sombra de João XXIII - o Papa bom - continuará sobre a Igreja como esteve neste meio século que nos separa do Concílio. O 265° Sumo Pontífice será um papa conciliar. João Paulo II falava da "fidelidade criativa". Este será um direito do novo papa. Há, na Igreja, problemas não resolvidos à espera de uma solução. Há soluções que estão amadurecendo e podem ser assumidas.
Certamente a Igreja Católica procurará ser cada vez mais servidora, mais próxima do mundo, mais mãe do que mestra, profetisa da esperança para um mundo desencantado. Ela tirará de seu tesouro coisas novas e velhas, na comparação do mercador do Evangelho. Será uma Igreja que terá como referência o futuro, sem esquecer a firmeza das catacumbas. Uma Igreja sensível aos sinais dos tempos, mas capaz de proclamar seu destemido não frente a verdades inegociáveis.
Certamente o pri-meiro papa eleito neste terceiro milênio impulsionará a Igreja de Pedro, que abrange a dimensão da hierarquia, mas impulsionará também a Igreja de Paulo, anunciadora da Boa Nova da evangelização. Será, sobretudo, a Igreja do Espírito Santo. Uma Igreja acolhedora que, de braços abertos, recebe os não justos. Continuará também sendo "sinal de contradição", na humanamente inexplicável junção de instituição mais criticada e mais credível do mundo. À semelhança de um grande rio, a Igreja, santa e pecadora, carrega em suas águas barro e folhas secas. Como um gigantesco porta-aviões - dois mil anos de história e um bilhão de seguidores - a Igreja se movimenta devagar, mas com segurança.
Escolha inicia com fumaça preta, mas não deve ser longa
A primeira votação dos cardeais reunidos no conclave que iniciou nesta segunda, 18, não foi suficiente para escolher o novo papa. Uma fumaça preta emergiu por volta das 15 horas (horário de Brasília) da chaminé da Capela Sistina, no Vaticano, indicando que os cardeais reunidos no local ainda não haviam chegado a um acordo sobre o nome do papa que irá suceder João Paulo II.
Mais de dez mil pessoas se reuniram na Praça de São Pedro para acompanhar ao vivo a hora em que a fumaça começou a sair da chaminé. As portas da Capela Sistina fecharam às 17h23 (12h23 de Brasília), dando oficialmente início ao conclave, período durante o qual os cardeais permanecem isolados do mundo no recinto do Vaticano para eleger o papa.
Duração - Depois de uma noite de descanso na Casa Santa Marta, onde se hospedarão durante esta reunião que determinará o futuro da Igreja Católica, os cardeais voltariam à Capela Sistina às 9 horas (de Roma, 4 horas de Brasília) para as duas votações matutinas. A eleição do papa será anunciada com fumaça branca, que este ano será acompanhada pelo tocar dos sinos da Basílica de São Pedro.
Segundo a maioria dos especialistas em Vaticano, o conclave para designar o sucessor de João Paulo II não deverá durar mais de quatro dias. Desde o início do século XX, a duração dos conclaves nunca passou de quatro dias. O mais breve foi o que designou Pio XII, eleito em 24 horas na terceira rodada de votação, em 2 de março de 1939. O mais longo durou quatro dias e foi resolvido na décima-quarta rodada de votação com a eleição de Pio XI, em 6 de fevereiro de 1922.
João Paulo II foi eleito em 48 horas e oito rodadas de votação, em 16 de outubro de 1978. O pontífice reinou sobre a Igreja durante 26 anos e cinco meses. Seu antecessor, João Paulo I, foi eleito em 24 horas, depois de quatro rodadas de votação. Doente, ele morreu 33 dias depois. O primeiro papa do século 20, Pio X, foi eleito em quatro dias, em 4 de agosto de 1903, mas o conclave, aberto em 1º de agosto daquele ano, foi marcado pelo veto do imperador da Áustria, François Joseph, à eleição do cardeal Rampolla, ex-secretário de Estado do Papa Leão XIII.
Água Azul comemora os 370 anos da morte de padre Cristóvão de Mendoza
Festa, no dia 24 de abril, recorda martírio do jesuíta ocorrido no interior de Caxias
A localidade de Água Azul, distrito de Santa Lúcia do Piaí, Caxias do Sul, celebra, no domingo, 24 de abril de 2005, os 370 anos do martírio do padre jesuíta Cristóvão de Mendoza, ocorrido no dia 26 de abril de 1635. A data histórica será comemorada com missa solene na fonte, às 10h30, seguida de almoço de confraternização (haverá também venda de churrasco de gado e ovelha) e, a partir das 16 horas, reunião dançante. As celebrações dos 370 anos da morte do padre Cristóvão de Mendoza estão sendo coordenadas pela paróquia de Santa Lúcia do Piai, pelo vereador Marcos Daneluz e por Evandro Andreazza.
Uma publicação comemorativa dos 370 anos da morte do jesuíta, introdutor do gado no Rio Grande do Sul, feita pelo professor e historiador caxiense Mário Gardelin, revela que padre Cristóvão de Mendoza foi uma das grandes figuras dos Trinta e Três Povos das Missões guaranis. Essas comunidades criadas pelos jesuítas em terras da Espanha e Portugal visavam preservar os costumes dos índios, mas também integrá-los ao mundo cristão.
A morte do padre Cristóvão de Mendoza ocorreu quando regressava de uma viagem efetuada a fim de alertar os índios da aproximação dos bandeirantes paulistas. O jesuíta os conhecia das missões do Guairá, onde numerosas aldeias tinham sido atacadas e destruídas pelos bandeirantes, os índios feitos prisioneiros e encaminhados a São Paulo para serem empregados nas fazendas de cana-de-açúcar.
De passagem pela Serra gaúcha, o missionário jesuíta tombou vítima do seu amor pelos índios e do ódio dos feiticeiros à fé cristã. "Por longos anos o local do martírio ficou no esquecimento, relata Gardelin, mas graças a minuciosas pesquisas do padre jesuíta Luiz Gonzaga Jaeger e do historiador Aurélio Porto, o local foi identificado como sendo em Água Azul, interior de Caxias do Sul.
Missão - Padre Cristóvão de Mendoza, descendente de espanhóis, nasceu em Santa Cruz dela Sierra, na Bolívia. Ingressou no seminário dos jesuítas e foi ordenado sacerdote em 1620, com cerca de 30 anos de idade. Seu primeiro campo missionário de atuação foi na região do Guaíra, entre os rios Paranapanema e Rio Grande, em São Paulo, cujas reduções foram destruídas pelos bandeirantes Manoel Preto e Antônio Raposo Tavares.
O segundo foi o Rio Grande do Sul, onde destacou-se por sua ação organizadora. Foi apontado como um dos maiores peritos na fundação das reduções, no convencimento dos índios e na bondade e generosidade no atendimento. Veio para território gaúcho entre 1631 e 1632, poucos anos após o martírio dos santos Roque Gonzalez, Juan del Castillo e Afonso Rodrigues, ocorrido no ano de 1628 em terras rio-grandenses.
Padre Cristóvão foi dos fundadores da redução de São Miguel, cujas ruínas hoje são patrimônio da humanidade, e da redução de São José.
Morto ao tentar proteger da escravidão
Consolidadas essas duas reduções, padre Cristóvão tornou missionário ambulante, com a missão de auxiliar as aldeias que iam surgindo como a de São Damião, Candelária, Jesus-Maria e outras. Em 1634 abençoou a igreja de São Nicolau. Nesse ano também introduziu no Rio Grande do Sul as primeiras cabeças de gado, trazidas da Argentina.
Em 1635, sabendo que paulistas, auxiliados pelos índios tupis, estavam fazendo escravos no Sul, decidiu avisar as aldeias e reduções do iminente perigo. Acompanhado por uma escolta formada por índios amigos, padre Cristóvão foi emboscado por Taiubai, um índio que vinha conspirando contra os jesuítas há tempo. No local, mais tarde identificado como sendo Água Azul, padre Cristóvão foi atacado a flechadas e pauladas. Como sobrevivesse ao ataque, foi esfolado vivo e de seu peito lhe arrancaram o coração. Dom Rodrigo de Mendoza y Orellana, o padre Cristóvão de Mendoza, morreu às 11 horas do dia 26 de abril de 1635.
O local onde ocorreu o martírio acabou caindo no esquecimento, mas em 1940, baseados em farta documentação, padre Luiz Jaeger e Aurélio Porto o identificaram como sendo Água Azul, cujo nome foi tirado de uma fonte onde teria sido jogado o corpo do mártir. A água é popularmente considerada como milagrosa e a afluência de devotos é constante até os dias de hoje.
Padre Zezinho
Há quem trate a Morte violenta de um ser humano como se fosse um espetáculo
Num mundo de tantas banalizações, era inevitável que também se banalizasse o crime e a morte. Banalizar é tornar algo excessivamente comum. Quando todo mundo faz, de qualquer jeito e sem praticamente nenhum sentido nem reflexão, algo que antes poucos faziam, torna-se uma coisa banal. Diferente da popularização, que é levar algo positivo a todo o povo e a qualquer segmento do povo, a vulgarização de um acostume, uma arte, um jeito de dançar, é quase sempre uma atitude negativa, conduzida por pessoas sem ética e sem preocupação social. A vulgarização acaba em banalização. Dão ao povo o que o povo não quer, insistindo que o povo quis.
Danças, canções, trajes sumários, expressões corporais que até poderiam fazer sentido em determinados lugares, perdem seu significado e se destituem de sentido quando feitos em lugar errado, por qualquer pessoa e fora de contexto. Assim, algumas danças, a nudez, o beijo, certas roupas, certas canções, inclusive as religiosas, algumas piadas, certas imagens e cenas de televisão resvalam para o banal e o vulgar quando, sem nenhum critério, se faz aqui e de novo, em qualquer lugar, porque deu certo lá, porque foi feito por aquele astro...
Se não se divulgasse tanto e com certo charme a violência em filmes, o sem sentido de tantas vidas, se não se mostrasse apenas por mostrar, creio que teríamos uma sociedade mais criteriosa. Como está, a promoção do banal, do grosseiro e do vulgar acaba levando ao sem sentido em tudo, inclusive na violência. De tanto vê-la colorida e com detalhes em close, muitas mentes desequilibradas acabam achando que matar é bonito. E é o que fazem. Há quem trate a morte violenta de um ser humano como se fosse um espetáculo. É como se fosse mais uma lagartixa ou mais um rato que morreu. Acabamos achando isso natural. Quando uma comunidade não fica indignada e não reage de maneira forte, mas civilizada, estamos no que a Igreja Católica chama de civilização da morte. O Brasil está perto disso!
Vila Seca promove a Festa do Divino
Evento religioso reúne tradições dos açorianos e gaúchos
A comunidade de Vila Seca, distrito de Caxias do Sul, promove, de 28 de abril a 1º de maio, a tradicional Festa do Divino. Os festejos serão precedidos de uma cavalgada, nos dias 23 e 24, de cerca de 50 quilômetros. A comitiva sai do santuário de Caravaggio, em Farroupilha, seguindo o estandarte do Divino até a Universidade de Caxias do Sul. No dia 24, a cavalgada prossegue até Vila Seca, passando por Ana Rech, num percurso de quase 50 quilômetros.
No dia 28 de abril iniciam os festejos em Vila Seca, com missa de abertura; dia 29, missa crioula; dia 30, missa de ação de graças para os alferes. Essas celebrações serão realizadas às 19h30. Em cada noite haverá jantar e, após, baile – o do dia 28 com animação do conjunto Tranco da Gaita, no dia 29, Os Bertussi, e no dia 30 o Grupo Floreio de Porto Alegre.
No dia 1º de maio, às 10h30, missa festiva, celebrada pelo pároco, padre Bruno Barbieri, com procissão e escolha dos novos festeiros para 2006; às 12h30, almoço tradicional e, a partir das 16 horas, reunião dançante com o Grupo Floreio de Porto Alegre.
Louvação - A festa do Divino de Vila Seca tem uma longa tradição, que remonta ao final da década de 30. Levantamento feito por Lindomar Mendes, colaborador da comunidade e membro do Grupo de Louvação do Divino, baseado em depoimentos de antigos moradores da região, indica que a devoção iniciou com Manuel Pacheco, o Negro Pacheco. Montado em um burro branco, com um pequeno tambor e uma bandeira do Divino Espírito Santo, Pacheco percorria as fazendas batendo o tambor e nas casas cantava uma toada de louvação em honra do Divino.
Essa devoção foi sendo absorvida pelos moradores da região que acabaram escolhendo o Divino Espírito Santo padroeiro de Vila Seca. Aí construíram uma pequena capela para louvar o Divino. Com o passar dos anos essa fé, herdada dos açorianos, foi enriquecida pela cultura gaúcha, incorporando elementos típicos da campanha.
Outras localidades da região também festejam essa devoção, entre as quais Criúva, que segue belos rituais da cultura religiosa açoriana, adaptados por padre Pedro Rizzon, falecido em 2004, e mesclados a tradições gaúchas. Neste ano, Criúva celebra a festa do Divino no dia 15 de maio, com a solene novena iniciando no dia 7.
Guarapari prepara mutirão de comunicação
Será realizado na cidade de Guarapari (ES), de 10 a 15 de julho deste ano, o IV Mutirão Brasileiro de Comunicação. O evento é resultado de um esforço conjunto das organizações cristãs do Brasil dedicadas à comunicação. Trata-se de uma promoção conjunta da CNBB, União Cristã Brasileira de Comunicação Social (UCBC), Organização Católica Internacional de Cinema (Ocic/BR) e Associação de Profissionais e de Emissoras de Rádio e Televisão de Orientação Católica (Unda/BR).
Historicamente, os mutirões brasileiros de comunicação têm sido organizados por congregações/dioceses locais, com o apoio da UCBC e do Setor de Comunicação da CNBB. Todas as edições contaram com o apoio da Aktion Adveniat e de empresas privadas. O encontro deste ano tem como tema "Comunicação e responsabilidade social".
A sede do evento é o Sesc – Centro de Turismo de Guarapari, Rodovia do Sol 01, Muquiçaba, cep 29200-000 Guarapari (ES). Informações sobre a programação, mutirões anteriores, notícias, cartaz e tema poderão ser encontradas no site www.muticom.com.br. As inscrições já estão abertas e podem ser feitas pelo telefone (27) 3361.1416.
Aldo Colombo
A teologia nos garante: a morte não é a última palavra. É com ela que começa a vida
Num consultório, um doente, cuja situação preocupava, confidenciou ao médico: tenho muito medo de morrer, pois não sei o que há no outro lado. Com tranqüilidade, o médico disse não ter receio algum em partir, quando chegasse sua hora. O doente, um pouco mais animado, quis saber o que ele supunha que existia no outro lado. E o médico afirmou: não tenho a menor idéia. E como pode ficar tranqüilo diante disso, insistiu o doente? Neste momento, ouviram-se ganidos e arranhões na porta, o médico abriu e seu cachorro, extremamente feliz, aninhou-se aos pés do dono. Olhando para o doente, o médico explicou: meu cachorro não sabia o que existia nesta sala, sabia, porém, que eu estava aqui. Não sei nada a respeito do que existe no outro lado, sei apenas que meu Senhor está lá.
A morte esteve nas manchetes nos últimos tempos. Nos Estados Unidos, Terri Schiavo agonizou diante das câmeras do mundo, depois que os aparelhos que a mantinham viva foram desligados. Ela estava nesse estado vegetativo há 15 anos e sobreviveu mais 10 dias. Em Roma, o Papa João Paulo II morreu de pé. Continuou lutando até o fim e em suas últimas aparições a sombra da morte pairava sobre ele.
São duas das milhares de faces da morte de cada dia. Morrer é sempre doloroso. Não se trata apenas de perder o que temos, mas também perder o que somos. Depois da morte, já lembrava Shakespeare, o silêncio, depois dela o mistério. O que existe mesmo do outro lado? Ninguém voltou para contar. Lázaro retornou, quatro dias depois, da escuridão da morte, mas não deixou nenhum relato sobre sua experiência.
Na realidade, a morte será sempre uma inimiga. Nós não fomos feitos para morrer. Foi o pecado que abriu as portas à morte e por isso ela sempre será vista como um castigo.
Mas é possível ter uma visão diferente da morte. O filósofo francês Gabriel Marcel afirmou um dia: a morte é bela, quando a vida foi bela. Assim pensava também Francisco de Assis, que reservou um termo extremamente carinhoso para morte. Ele a chamava de "irmã" morte, a irmã mais velha que nos toma nos braços e nos entrega ao Pai. Nesse sentido, a morte é o momento mais privilegiado da vida.
Doente, alquebrado, mas firme, João Paulo II assim encarnou a morte. Ela apenas torna definitivo o que somos nesta vida. É a grande possibilidade, a maior de todas, que o homem possui: a de encontrar-se definitivamente com Deus. Não sei o que existe do outro lado. Sei apenas que meu Senhor, morto e ressuscitado, o Vivente, está lá. E o apóstolo Paulo, na primeira carta aos Coríntios, fala das surpresas que Deus prepara aos seus: "Os olhos jamais viram, os ouvidos jamais escutaram, o coração jamais imaginou as surpresas que Deus reserva a seus filhos" ( 1Cor 2, 9 ) Do outro lado, estão as surpresas de Deus.
A medicina constata: no fim a morte sempre vence. A teologia nos garante: a morte não é a última palavra. É com ela que começa a vida. O amor de Deus é mais forte que a morte.
Santo Expedito do Sul realiza romaria
Região atrai romeiros dos Estados do Sul e até de países vizinhos
A paróquia de Santo Expedito do Sul (RS) promove, no dia 24 de abril, a 5ª Romaria em louvor a Santo Expedito. A programação inicia na quinta-feira, 21 de abril, com a realização do tríduo. Dia 24, acolhida aos romeiros a partir das 8 horas; solene missa campal às 10h30; almoço ao meio-dia e, a partir das 14h30, procissão com a imagem do santo em carro andor, orações e bênção com o Santíssimo.
A romaria termina com chuva de pétalas de rosas e show de fogos de artifício. O pároco, padre Agemiro Gusso, idealizador da romaria, destaca as presenças do bispo diocesano de Vacaria, dom Pedro Sbalchiero, que vai presidir a missa solene do dia 24; do bispo emérito, dom Orlando Dotti, no sábado 23; e do padre Osmar Coppi, de Porto Alegre, na animação da romaria dias 23 e 24.
A paróquia foi criada em 1999. Dois anos depois iniciou a romaria, que neste ano deve atrair mais de 20 mil pessoas. "Vem gente de diversos pontos dos três Estados do Sul e até do Uruguai e da Argentina", salienta padre Agemiro. O santo é invocado nas causas justas e urgentes. Em 2002, foi inaugurado um monumento ao santo, diante da igreja matriz.
Fiéis o invocam nas questões urgentes
Segundo a tradição, Expedito era um soldado romano, chefe de uma legião, mas não se sabe a sua nacionalidade. O que se conhece dele, através de documentação, é que sofreu o martírio (foi-lhe cortada a cabeça) em Melitene, na Armênia, no dia 19 de abril de 303, por negar-se a abandonar a fé.
Expedito, em latim, significa pronto, rápido, ligeiro. É por isso que ele é invocado pelos cristãos, na sua ladainha, como "nosso socorro nas questões urgentes". A tradição também o representa tendo nos pés, esmagado, um corvo, no qual está escrita a palavra "cras" (amanhã, em latim), e na mão direita uma cruz com a palavra "hodie" (hoje), termos-chaves que explicam a rapidez do santo em atender os irmãos.
Morre o capuchinho frei Ivo Rossetti
O capuchinho frei Ivo Rossetti faleceu no dia 12 de abril, de tumor cerebral, na Casa de Saúde São Frei Pio de Pietrelcina, em Caxias do Sul. Contava com 88 anos. Filho de João e Ermínia Didoné Rossetti, nasceu aos 10 de julho de 1916, em Caxias do Sul. Na pia batismal recebeu o nome de Pedro, que mudaria para frei Ivo quando assumiu a vida religiosa.
Ingressou no seminário capuchinho de Veranópolis em 1930 e cinco anos depois fez o noviciado em Flores da Cunha. Professou em 1936 e no dia 3 de janeiro de 1943 foi ordenado sacerdote, em Garibaldi, por dom José Barea.
Em seus 62 anos de vida sacerdotal sempre esteve ligado às atividades paroquiais, tendo atuado sucessivamente nas paróquias São Pedro de Garibaldi (1943), São Sebastião de Maximiliano de Almeida (1949), catedral Nossa Senhora da Oliveira de Vacaria (1954), Santo Antônio de Vila Flores (1957), São Pedro de Garibaldi (1970), São José do Herval (1978 - nessa paróquia deu importante contribuição para a emancipação municipal), São Geraldo de Ijuí (1988), onde também se dedicou ao reflorestamento e, desde o final de 2004, residia na Casa de Saúde São Frei Pio de Pietrelcina, em Caxias, para tratamento de saúde.
Nas paróquias onde atuou e nas fraternidades onde residiu, frei Ivo destacou-se pela bondade, serenidade, dedicação, cordialidade, espírito franciscano e pela atenção dedicada aos fiéis a ele confiados. Em sua vida uniu a ação e a contemplação e deixou como marca seu zelo pastoral. Teve três irmãos religiosos - frei Elói, atualmente capelão do Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre; e frei Zeferino, responsável pelos serviços fraternos no convento São Maximiliano Kolbe, em Caxias do Sul; ambos são capuchinhos; e irmã Rosália, já falecida, da Congregação de São José. Frei Ivo está sepultado no Cemitério Parque de Caxias do Sul.
Wilson João
A Igreja tem que ser acima de tudo uma comunidade de fé em Jesus, sempre defendendo a vida
Há pessoas ingênuas ou do contra, ou mesmo pessoas maldosas que, em geral, se acham donas da verdade e com o direito de dar opiniões sobre tudo e sobre todos, que acham que a Igreja ou as Igrejas, que as pessoas dessas Igrejas não têm o direito de errar. Acham que o papa e os bispos não podem errar, que os ministros e catequistas da comunidade não podem errar, que os sacerdotes e pastores têm o dever de serem perfeitos. E esse time de opinadores, em geral, por não ser da equipe da Igreja, se dá o direito de errar livremente, pregando uma moral de cuecas. Um papa que vive doente e que morre no meio da dor, faz refletir sobre todas essas condições.
QUANTO MAIS SANTA UMA PESSOA, MAIS SOFREDORA. Parece contradição, mas não é. A pessoa mais santa e perfeita se torna mais sensível ao sofrimento dos outros, sofre com a pobreza e a injustiça, vive o sofrimento do outro, chora com quem chora, passa fome com o faminto, e quase sempre sofre no corpo mais doenças e limitações. O assassino e o ladrão, o materialista e o corrupto, o mentiroso e o comilão, o ganancioso e o orgulhoso, toda pessoa maldosa, têm coração duro e casca grossa, são pessoas insensíveis e egoísta. Um papa velhinho e doente, sensível aos problemas humanos, santo em seu coração, sofre muito mais do que um Bush ou uma Bündchen, que vivem voltados para si mesmos, satisfazendo o instinto de vencedores destruindo competidores.
SENTIR-SE UMA IGREJA PECADORA. Não somente a Igreja de Roma ou a Igreja que bispos e autoridades representam, mas a Igreja pecadora da comunidade Santa Rita ou Santo Antônio, nas pessoas dos ministros e catequistas, nas pessoas do conselho e do sacerdócio. Uma Igreja feita de santos e pecadores, de justos e injustos, de sábios e ignorantes, de humildes e orgulhosos. Uma Igreja que olha para trás e percebe que poderia ter sido muito mais humana e santa e pede perdão. Uma Igreja feita de pessoas perfeitas e deficientes, de casais normais e de gays que também vivem sua fé em Jesus. Ser Igreja é olhar para a realidade do evangelho e perceber com quem Jesus andava, e hoje andar do mesmo jeito.
SER UMA IGREJA HUMILDE E TESTEMUNHO DE FÉ. Não há mais a pretensão de ser uma Igreja juíza em todos os assuntos. Em tempos passados os elementos da Igreja eram os depositários da ciência e da sabedoria. Hoje, humildemente, ela não deve ditar normas sobre genética, células-tronco e tantas outras questões que cabe à ciência dar respostas pela sua pesquisa. A Igreja tem que ser acima de tudo uma comunidade de fé em Jesus, sempre defendendo a vida.
SONHAR UMA IGREJA PERFEITA. É o sonho de todos. É o sonho da Igreja que é povo que caminha para o Reino da vida perfeita, da paz e da alegria, da felicidade e do amor.
O italiano que está em você
Viviane Vidmar
Cantora, letrista e diretora de produção
O ser cada italiano diferente de todos os demais nasce na família. Mesmo longe da família tradicional, mais restrita ao mundo agrário, vê-se que também em situação urbana, pais e mães italianos ou descendentes nem sempre repassam a língua e a cultura, mas sempre repassam um forte conceito de italianidade, com alguns valores básicos, como luta pelo trabalho, pelo estudo e atitudes ético-religiosas, valores pelos quais os ítalo-brasileiros se destacam, mas sempre cada um a seu modo.
De Serafina Corrêa, no interior do Rio Grande do Sul, a gestora turística, Viviane Vidmar, cantora, letrista, diretora de produção, voz privilegiada, artista da palavra e da imagem, é sucesso em palcos, TVs, CDs, rádios..., enfim onde oportunidades se apresentam. Da família, mais que a voz e o perfil de artista, herdou sua forma típica de Italianidade, que nos faz concluir que a Italianidade é, efetivamente, uma cosmovisão, que ilumina a etnia, a cultura e a língua. Descontraída, confessa:
"Desde que nasci, ouvia meus familiares parlando el Talian. Descendente de vênetos e trentinos, carrego em minhas veias, nos meus costumes, na minha comida, no meu romantismo, na minha música, a arte de cultivar a tradição.
Comecei aos 11 anos, cantando músicas sacras em Italiano nas missas. Aos 12, tocando violão. Aos 13, dançava as danças folclóricas italianas, riquíssimas em cada região da Itália que representava, com seus trajes maravilhosos. Aos 14, realizei trabalhos nos CTGs (Centros de Tradições Gaúchas) sobre a cultura ítalo-gaúcha, por exemplo, que linda a dança descoberta pelo Manual de danças gaúchas, a Quatro-Passi. Aos 14, formei um grupo infantil feminino de danças, chamado Arcobaleno, em Serafina Corrêa (RS); também fazia programas de rádio em Talian como o Gieri, ancoi e sempre da Rádio Rosário AM e o La voce del Véneto da Rádio Odisséia FM. Aos 15, ganhei o Festival da cantoria italiana, com a melhor letra, Scale indecise, troféu recebido das mãos do querido Frei Rovílio Costa; ganhei também o Cantìgio, festival para jovens, em 2º lugar, com a Se stiamo insieme de Riccardo Cocciante. Aos 16, comecei escrever no Jornal O Serafinense, a coluna Gigieta Franeta, falando sobre cultura italiana em geral, realizei o Encontro da Família Vidmar. Aos 18, gravei um trabalho em k7 com o cantor argentino Daniel D’Los Rios, chamado Encuentro en la Distancia, com músicas em Português, Espanhol, Italiano e o nosso Talian, no ritmo argentino zamba. Aos 19, vim morar em São Paulo, e senti muita falta do meu Talian! Fui à Itália, conhecer a terra de meus antepassados em San Martino di Lupari, Padova, pela descendência do sobrenome Chiarello de minha mãe. Foi uma viagem espetacular: Veneza, Roma, Vaticano, o Vêneto, o Trentino..., tudo é lindo e rico. Aos 20, comecei a gravar no programa de TV "Italianíssimo", pela Rede CNT, cantando em Italiano e falando sobre cultura italiana em geral, dando oportunidade aos italianos e descendentes talentosos do Brasil. Aos 21, gravei o CD Libertà, som livre, letras em italiano minhas, músicas do Maestro Agustinho Záccaro, com participações de Jair Rodrigues, Perla, Falcão, Agnaldo Timóteo, Wanderley Cardoso, Luciano Bruno e outros. Hoje, aos 25 anos, estou recheada de benfeitorias para a italianidade, e feliz em saber que fiz e faço muito pela nossa tradição, a qual tanto amo, sem rivalidades que dizem existirem na Itália, falando, com orgulho, o Talian!"
Eis, a italianidade, como cosmovisão, que lançou Viviane no mundo da arte, reconhecendo-se italiana e dando ao mundo uma faceta importante, que é a juventude, a simplicidade, a linguagem direta, a certeza de estar prestando um serviço à qualidade de vida, como ítalo-brasileira, cidadã do mundo, integrando a Itália nel Mondo.
el ritorno de nanetto pipetta (305)
In tel ristorante el proa la polenta de Cassia
Silvino Santin
Santa Maria - RS
Nanetto el ga tirà le ciàcole fin massa longhe. Pena rivà fora del semitero el se ga nicorto che romai l’era rente mesdì. Le budele le scomissiea brontolar.
Fin adesso, el se dise, go ciacolà coi morti, adesso bisogna che pense in te la vita. Me toca ndar in serca de un ristorante, de quei boni, no ocor che’l sia de lusso. In questi se paga tanto e se magna poco. Sta volta vui solche mostrar chi che’l ze el novo sior Nanetto.
Par questo me toca ciapar la diression contrària del semitero, i posti da magnar i ze ndove ghe ze movimento de gente viva, sicuro che i morti no i magna più.
El se olta de la banda ndove l’era vegnesto, par delà, el pensa, sarà pi difìcile pèrderme e là, son sicuro, catarò bei posti da magnar. E cossita el se invia, sensa prèssia, parché bisognea star atento par scoier pròpio quel che’l volea, nò tanto caro, co magnari taliani boni, pròpio quei che se para do de gusto.
No’l gavea caminà gnanca vinti minuti, l’era giusto meso giorno, le fàbriche e le case de negòssio le molea i laoradori, e Nanetto el vede che tanta gente la va rento na casa. Òspia, el se dise, go idea che i va magnar, ghe vao drio. No’l se gavea sbalià, el ghe ga petà giusto in te la mosca. Pena fora dela porta, e par sorte no la gera na porta misteriosa come quela dela libreria, Nanetto el vede na taoleta scrita che se pol magnar a volontà par sinque fiorini, fora la bìvita.
El va rento, capel in man, pipa in scarsela, el vede na tàola piena de magnari, co’l ga visto polenta, galina in tòcio e radici, el se ga dito: son pròpio rivà in tel posto giusto. L’aqua la ghe vegnea in boca.
El afar, adesso, l’era come far. Dimandarghe a chi? Se no cognosso nissuno. Se almanco Zacheo el fusse qua. Orco can, el se brava a lu stesso, son drio smentegarme che son diventà un omo grando che sa rangiarse lu sol. Ze sol vardar come i altri i fa, e così imparo. El vede che tuti i ciapa un piato, piron e possada, e i va a tola tirarse zo quel che i vol.
Nanetto el se mete in fila, el ciapa el so piato, piron e possada. Ghe mancaria el bicer, el pensa. El impienisse el piato con polenta, galina e radici. Fasoi, riso e patate a ghinò magnà fin massa in tel viaio. Adesso vao in te la polenta de Cassia.
Quando l’era drio ndar sentarse in te un taolin, na tosata, vestia tuto de bianco e anca col baruceto bianco, la ghe dimanda cossa che’l comandava par bever. Nanetto, lo gavea in te la ponta dela léngua:
- Bela fadiga, un bicer de vin! Ela la ghe dise:
- El costa cinquanta testoni, o medo fiorin. Nanetto el impianta la man in scarsela e el ghe slonga un soldo de cinquanta testoni. Ela la ghe dise ncora:
- Te pol ndar sentarte, che i te lo porta a tola.
Nanetto el ga parà do due bei piatoni e svodà due biceri de vin. Intanto che’l magnava, el ga pensà: se’l Signor el magnesse, el podaria far due mesdì co le me limòsine. El vin, par lu, no ghe ocoraria pagarlo, parché lu el sa cambiar aqua in vin. Se no me sbàlio, na volta, quando l’è ndà a nosse, no me ricordo più de chi, secondo le Sacre Scriture, el ga cambià do tre botesele de aqua in vin del ciodo, adesso par cambiar un bicereto, saria un scherso.
In tanto che’l pensea cossita, el se ricorda che no’l gavea gnanca pregà par ringrassiar el Signor tanta abondansa, e saver che tanti i passa la fame. Ben, diman le dirò dopiamente, adesso bisogna ndar vanti.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
Non avremo paura
Adeodato Piazza Nicolai
Vigo di Cadore, Itália, 2 aprile 2005
La morte non avrà nessun dominio,
caro Papa Wojtyla. La morte non
può dominare la vita perché
ogni fine decreta un principio,
come dal seme sepolto fiorisce
di nuovo il virgulto. Adesso ritorni
alla casa del Padre, tu figlio incarnato
che sempre rinnova la fede. Il mondo
piange il tuo trapasso e nel silenzio
della preghiera segue il tuo viaggio
verso l’oltranza ma non avremo paura
perché sarai sempre con noi.
Con la tua vita ci insegni ogni giorno
che la via crucis conduce alla resurrezione.
Amato Papa Wojtyla, continui a mostrarci
le vie del Signore, sei la colomba
che non vuole uscire dalla dimora del Padre.
El pastore ne ga lassà
Luigina Bigon
8 aprile 2005, giorno delle esequie di Papa Giovanni Paolo II
I brassi tuti stufi
el corpo pien de male
insupà de beato.
Brusa el candeloto pasquale
ne l’ànema sempre più ciara,
le mani che benedisse ‘ncora,
el viso consumà. Signore
de novo te mori sul calvàrio
nel Amen incrosà tra i avari.
Ne la spianà de la note sparisse tuto.
Un gran vodo spasema l’omo
scorla la campana sora l’altare.
Se svoda el corpo del mondo
el sbrancola pien de spavento:
un’altra volta el Pastore ne ga lassà.
Un core strucà sorpassa le piaghe,
na onda de cori che bate
vola tra le làgreme insieme
a la colomba del Padreterno.
Il Papa di tutti
Elvino João Sartori
Professor e poeta, Ivoti – RS
Sul trono di Pietro
Per venti sei anni,
Il Papa Giovanni
Paolo Secondo
Fu estro fecondo
- Croce sullo scetro.
Il Papa ecumenico
Teneva il timone
Della remissione
"Non abbiate paura!"
La pace sicura
Distrugge l’arsenico.
Il buon Pellegrino,
Con fede e coraggio,
Portava il messaggio
Di Cristo ai confini:
Insieme ai bambini,
Ai giovani vicino.
Il Papa mariano
Spiegava alla gente,
Col volto splendente,
Che il Santo Rosario
Stampa il Calvario
Del corso nostrano
Sia "Santo subito"
L’eroico pastore:
Come il Signore
Da spine incrociato,
Del Re Increato
Un’umile suddito.
Canela fará Festival Colonial
Evento ocorre em julho e destaca zona rural
A jovem Joana Boelter Gottschack, 17 anos, é a rainha do Festival Colonial de Canela. Ela foi escolhida no último final de semana, na Linha São João, juntamente com a 1ª princesa, Ângela Oliveira (15), e a 2ª princesa, Daniela da Silva (16). Elas são as soberanas do evento que une cidade e interior. O festival ocorrerá nos finais de semana de julho, no Centro de Eventos. A promoção é da Emater/RS, Prefeitura e Sindicato dos Trabalhadores Rurais. As 15 candidatas ao título são todas moradoras da zona rural de Canela.
5ª Exposol festeja Soledade
Cidade comemora 130 anos de emancipação
A 5ª Feira Internacional de Gemas e Minerais (Exposol) e as feiras da Indústria, Comércio, Serviços e do Agronegócio, Pecuária, Pequenos Animais integram as comemorações alusivas aos 130 anos de emancipação política e administrativa de Soledade. Paralelamente, realiza-se a I Credenciadora do Freio de Ouro.
A feira ocupará uma área de 215,6 mil m2, disponibilizando 475 espaços que serão ocupados por cerca de 300 empresas. "Estima-se a criação de 4,2 mil postos de trabalho para atender um público aproximado de 150 mil pessoas", diz a coordenada Maria Arlinda de Oliveira Daroit.
A corte, formada pela rainha Ane Portela Perin e as princesas Cristiane Gambato e Thais Bedin, estão envolvidas na divulgação do evento no Estado. O governador Germano Rigotto garantiu sua presença.
RS 332 – O Estado está retomando a pavimentação de nove quilômetros da RS 332, de Arvorezinha até o entroncamento com a BR 386, em Soledade. A obra foi confirmada pelo governador Germano Rigotto. Serão investidos R$ 1,29 milhão.
As obras na RS 332 foram interrompidas em 2002. Estão sendo retomadas atendendo às reivindicações das comunidades abrangidas pela rodovia. No final de 2004, um trecho de nove km foi entregue à população regional. Ainda faltam 13 km para conclusão da rodovia.
Festival de Outono exibe artesanato
O Festival do Outono é a novidade da Mostra de Artesanato de Garibaldi, evento que ocorre de 5 a 8 de maio, no Clube 31 de Outubro. O piso superior será destinado ao artesanato. "Estamos oferecendo 30 espaços para artesãos da região", diz ao CR a presidente da Associação dos Artesãos de Garibaldi, Flavia Sabbi. Já o espaço no salão nobre será exclusivo para as floriculturas.
Garibaldi não é apenas a terra do champanha e de vinhos finos. O município vem se destacando também na produção de flores, principalmente orquídeas, e também no artesanato, "que é bastante diversificado."