
DESCOBRINDO CAMINHOS
Desde 1909, onde o conteúdo faz a diferença.
Edição 4.934 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 27 de abril de 2005.
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Como o seu fundador, a Igreja será sempre sinal de contradição
Humana e divina, a Igreja de Bento XVI só pode ser analisada e entendida à luz da Fé
A Igreja Católica não é uma sociedade como as outras. Ela não pode ser entendida a partir dos critérios comuns. Seus critérios não são os critérios transitórios da moda, seu tempo não é o tempo da civilização. Ela só pode ser entendida a partir da Fé. É, sem dúvida, a instituição mais bem-sucedida da história. Ela acaba de eleger o 264° sucessor de Pedro, um rude pescador do lago de Genezaré. Não faltaram à Igreja Católica grandes turbulências. Uma delas aconteceu numa certa Sexta-Feira Santa. Dois dias depois receberia a garantia definitiva, marcada com luz pascal.
Um gênio africano do século V - Agostinho de Hipona - ajuda a entender a Igreja numa frase estilizada por Bossuet: "Os homens se agitam, Deus os conduz". Ali está o dado que faz a diferença entre a Igreja e as demais instituições. Santa e pecadora, a Igreja se situa no meio do mundo, muitas vezes, como seu fundador, como sinal de contradição. É a instituição mais criticada - por vezes caluniada - e, ao mesmo tempo, mais credível, com uma autoridade moral única no cenário mundial.
Ainda agora, literalmente, o mundo parou para assistir os funerais de João Paulo II. Em seguida, os olhares dirigiram-se para seu sucessor. Numa mistura de elementos medievais - a fumaça branca de uma chaminé - e os mais modernos instrumentos da mídia, ela indicou quem seria o timoneiro da barca de Pedro. Não foi uma eleição democrática, no sentido das democracias atuais. De resto, estas mesmas democracias - sempre melhores que as ditaduras - ostentam clamorosos vícios estruturais.
A legitimidade da eleição do Papa Bento XVI não foi contestada por ninguém. Há os que ficaram perplexos com a escolha, outros vibraram. Conservador ou progressista? Talvez seja melhor lembrar o mercador do Evangelho, que tira de seu baú "coisas novas e velhas" (Mt 13, 52). Há na Igreja verdades bem antigas e inegociáveis, mas há também tradições que podem, sem dano algum, ser alteradas. O atilado pensamento do novo papa e a assistência do Espírito Santo farão a escolha certa.
Bento XVI já externou seu objetivo: escutar a Igreja e o mundo para anunciar eficazmente o Evangelho. De resto, é herdeiro da missão, confiada por Cristo a Pedro, o primeiro Papa: a de confirmar os irmãos na Fé.
Definida programação da Romaria
Ministro das Cidades, vai participar do evento, dirigido ao trabalhador, dia 1º de maio
A 10ª Romaria do Trabalhador, dia 1° de maio, em Caxias do Sul, nos Pavilhões da Festa da Uva, inicia às 7 horas com recepção das caravanas e animação da Banda Alternativa. A partir das 8h30, concentração dos romeiros no cruzamento da Avenida Rubem Bento Alves com a rua Ivo Comandulli, com cantos, palavras de ordem e a apresentação das dioceses, comunidades e entidades presentes.
Às 9 horas, padre Gilnei Fronza, coordenador da romaria, fala em nome da Diocese de Caxias do Sul, dando início às atividades. Em seguida, padre Inácio Neutzling fala sobre o significado do Dia do Trabalhador. O prefeito José Ivo Sartori também fará um pronunciamento aos participantes do evento. Por volta das 9h30, o animador Clauri Flores motiva os romeiros para iniciar a caminhada até os Pavilhões da Festa da Uva. Alguns símbolos animam a caminhada, como a bíblia, uma cruz, bandeiras, banner e cartaz da romaria e faixas com o tema deste ano: "Trabalho, fonte de dignidade, direito de todos". Durante o percurso, estão programadas três paradas para reflexão e oração.
A primeira parada ocorre diante do monumento Jesus do Terceiro Milênio. Em um ponto com vista para a cidade, ocorre a segunda pausa da caminhada. Nesse momento, será feita uma homenagem aos mártires dos trabalhadores, lembrando especialmente a mártir mais recente, irmã Dorothy Stang. A terceira e última parada será nos portões dos Pavilhões da Festa da Uva, quando será destacado o histórico e as faixas das dez Romarias do Trabalhador já realizadas.
Às 10h30, já dentro dos pavilhões, celebração eucarística. Das 12h às 13h30, pausa para o almoço (sob responsabilidade de cada romeiro) com animação da Banda Alternativa, de Caxias do Sul. Às 13h30, apresentações artísticas. A partir das 14 horas, tribuna popular com pronunciamento de representantes dos indígenas, das pastorais sociais, da Via Campesina, e de entidades como a União Nacional de Estudantes (UNE), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD) e Central dos Movimentos Populares (CMP). Por volta das 15 horas, o Ministro das Cidades, Olívio Dutra, fará seu pronunciamento. As manifestações da tribuna popular serão intercaladas com show nativista de Leonardo e grupo.
Às 15h45, haverá uma celebração ecumênica, para valorizar a presença de integrantes de outras igrejas cristãs que também apóiam a Romaria do Trabalhador. Em seguida, os organizadores repassam o compromisso de preparação da 11ª romaria, marcada para 1° de maio de 2007, para a diocese de Cruz Alta. O encerramento terá mais uma apresentação do cantor nativista Leonardo.
A Romaria do Trabalhador é realizada desde 1987, a cada dois anos, com o objetivo de proporcionar um espaço de encontro e reflexão sobre as questões sociais relativas ao mundo do trabalho. É uma iniciativa da Igreja Católica e uma promoção conjunta das igrejas cristãs, entidades sindicais e organizações populares. Caxias do Sul é a única cidade a abrigar duas vezes a Romaria do Trabalhador, em 1991 e no próximo dia 1°.
Saga polonesa em solo gaúcho completa 130 anos
Maioria dos imigrantes chegados ao Brasil se dirigiu a Porto Alegre, depois para as colônias
A 3 de maio celebra-se o Dia da Etnia Polonesa, recordando a promulgação da 1ª Constituição Democrática da Polônia, em 1791, e os 130 anos da Imigração Polonesa no Rio Grande do Sul. Em 1875, começo da grande imigração européia ao Estado, a Polônia estava sujeita a outras potências, mas os poloneses existiam, e cantavam com orgulho: "Jeszcze Polska nie zginela, póki my zyjemy": A Polônia não está perdida, enquanto nós vivemos.
A Rússia, a Prússia e a Áustria, sob cujos domínios estava a Polônia, enviaram milhares de poloneses com passaportes russos, prussianos e austríacos, mas poloneses de sangue, língua, costumes e fé. A pé, carregando as bagagens, ou de carroça, buscavam a estação de trem mais próxima e partiam rumo a Bremen e ao porto de Hamburgo, onde esperavam, ao relento, semanas para o embarque, gastando as poucas economias que levavam. Embarcavam em navios da Companhia Marítima Serro Azul & Bendaszewski, custando as passagens o equivalente a 75, 35 ou 20 mil réis, correspondendo a adultos, menores e crianças. Eram mais de 20 dias de viajem em 3ª classe, mal acomodados. Chegando à baía da Guanabara, as levas afetadas por epidemias iam para uma quarentena na Ilha das Flores. Eram alojados em barracões até a partida para o destino. Algumas famílias ficavam no porto de Santos, outras no de Paranaguá, mas a maioria partia para Porto Alegre, seguindo depois às colônias.
Em 1878, 400 poloneses russos, inadaptados em Silveira Martins, voltam a Porto Alegre, e uns poucos vão a Cruz Alta e outras localidades. Em 27 de dezembro de 1878 registram-se 49 polacos em Caxias do Sul.
Em 1875 chegavam em Garibaldi 48 famílias suíças. No mesmo ano, os italianos chegavam às colônias imperiais Caxias do Sul, Garibaldi e Bento Gonçalves; em 1885, estão em Veranópolis; em 1886, em Antônio Prado, e a partir da década seguinte surgem Guaporé, Encantado; mais tarde se formam os núcleos de Sananduva, Paim Filho, Cacique Doble, Machadinho, Maximiliano de Almeida, Getúlio Vargas, Erechim, Jacutinga, Campinas do Sul, Gaurama, Viadutos, Marcelino Ramos... A partir de 1877, imigrantes se estabelecem em Silveira Martins, no centro do Estado, dando origem aos núcleos de Vale Vêneto, Nova Palma, Faxinal do Soturno, Jaguari, Dona Francisca...
Em Garibaldi, na Linha Azevedo Castro, I Seção, em 9 de janeiro de 1884 havia 26 famílias polonesas prussianas, da região de Marienwerden, denunciadas polacy prusacy. Em sistema cooperativo, ergueram a capela a Nossa Senhora da Saúde, conhecida como Capela dos polacos, com cantaria, substituída em 1969 por outra de alvenaria. Cada família recebeu da Comissão de Terras e Colonização um lote, subsídio mensal, ferramentas e sementes. Sem possibilidades de comprar lotes para os filhos que casavam, ao iniciar a colonização de Santa Bárbara e Santa Teresa, reemigraram para essas terras junto ao rio das Antas, onde se organizaram em comunidades - em Santa Teresa com a capela Santo Estanislau Kostka; em Faria Lemos, com a Capela N. Sra. de Czenstochowa. Ciarnoski, Bielski, Danielski estão entre os que ficaram em Azevedo Castro. Em 1884, chegaram em Santa Teresa 15 famílias polonesas prussianas, da região pomerânica de Pelplin, entre as quais Wastowski, Hamerski, Lipski, Reszka, Biesek, Mokwa, Sztormowski e Gromowski.
Poloneses conquistam espaço no Rio Grande do Sul
Com a chegada de poloneses na região central, se formaram os núcleos de Silveira Martins, Jaguari e Ijuí e, na região meridional, os núcleos de Rio Grande, Pelotas, Mariana Pimentel, São Brás e Dom Feliciano; no nordeste e faixa litorânea, Santo Antônio da Patrulha e Baixa Grande; na região serrana, Nova Petrópolis, Garibaldi, Bento Gonçalves, Santa Bárbara, Santa Teresa, São Marcos, Antônio Prado, Veranópolis, Nova Prata, Vespasiano Corrêa, Muçum e Casca.
Os núcleos poloneses nas cidades de Rio Grande e de Pelotas datam de 1890. A Colônia Mariana Pimentel recebeu os primeiros poloneses russos em fins de 1890.
Na Serra do Erval, em 1870, iniciou a colônia Dom Feliciano, com imigrantes franceses, alemães, italianos e brasileiros. A partir de 1891, umas 600 farmílias de poloneses se estabeleceram nas Linhas Evaristo Teixeira, Lopes Neto, Federal, Amaral Ferrador, Cavadeira, Laurentina, Guaraxaim, Marmeleira e outras. Em 1890, chegam em Jaguari mais de 100 famílias de poloneses. Em 3 de maio de 1890, Ijuí recebia os primeiros poloneses, a maioria da região de Kalisz, assistidos, de 1896 a 1915, pelo polonês Pe. Antônio Cuber.
Guarani das Missões, de 1891 a 1922, recebeu 21.144 imigrantes e migrantes de 15 expressões étnicas, com predomínio dos poloneses. Em 1913, chegaram da Polônia mil imigrantes que, com os anteriores, somaram 5 mil. A 10 km de Santo Antônio da Patrulha iniciava, em 1890, a colonização de Baixa Grande - em 1894 eram mais de mil.
Em Antônio Prado, de 1890 a 1894, nas Linhas Castro Alves e Silva Tavares, Nova Roma e Nova Treviso, entraram 200 famílias polonesas. Em fins de 1890, em Veranópolis, os poloneses ocuparam lotes junto aos rios Antas, Prata, Jaboticaba e Retiro, concentrando-se na VIII e IX seções, somando, em 1901, 1.238 poloneses só no vale do rio das Antas.
Migração - Em Nova Prata, numerosos poloneses se estabeleceram nas Linhas IV, V, VI e VII, mas a atual Vista Alegre do Prata se tornou a sede da colonização polonesa. Na Colônia Guaporé, os núcleos poloneses de Vespasiano Corrêa e de Emesto Alves surgiram em 1890, mas Casca atraiu muitos poloneses de Veranópolis, Nova Prata e Antônio Prado, contando, em 1906, 180 famílias.
São Marcos, em fins de 1890, recebia 450 famílias de poloneses russos, da região de Varsóvia, Plock e Kalisz, mas, de 1907 em diante, a maioria buscou melhores terras no norte do Estado, Santa Catarina e Paraná. Longines Malinowski, da Comissão de Terras da Colônia Erechim, diz que de 1908 a 1922 se fixaram na região do Alto Uruguai 7.178 famílias polonesas, somando 42.000 pessoas.
Na zona Sul, da Colônia Dom Feliciano se originaram núcleos de Encruzilhada do Sul, Camaquã e São Jerônimo. Em 1911 e 1912, e depois da I Guerra, em 1922, chegaram a Erechim milhares de poloneses, e daí seguindo para Giruá, Três de Maio, Iraí, Santa Rosa, Guarani das Missões... Em Carlos Gomes, cuja colonização começou em 1908 por imigrantes vindos de São Marcos e Antônio Prado..., são 95% de origem polonesa; a população de Áurea, Centenário e Linha Hortênsia tem 98% de descendência polonesa. Em Gaurama, 50% das famílias são de origem polonesa - assim como em Barão de Cotegipe, Getúlio Vargas e Capoerê.
Poloneses, de fala e costumes diversos, geralmente em minoria, às vezes em lotes sobrados, buscaram formar suas comunidades em novas terras, avançando no Estado e no país. Embora as adversidades, tendem a conservar, através da religiosidade, da música, da dança, da culinária..., uma sadia polonidade a la João Paulo II. (Textos compilados por Rovílio Costa a partir de Primórdios da Imigração Polonesa no RS, de Frei Alberto Victor Stawinski, EST, 1999).
Apelo por um padre
Em 27 de dezembro de 1878, as estatísticas davam para Caxias do Sul: italianos: 2.315; tiroleses: 1.007; brasileiros: 206; alemães: 202; poloneses prussianos: 49; franceses: 30; espanhóis: 21; suíços: 14; ingleses: 7. Esses poloneses entendiam o alemão, mas não o português e o italiano, por isto em 10 de junho de 1878 recorreram ao capelão Pe. Antônio Passaggi, com 21 assinaturas, pedindo ao Diretor de Terras um padre que ao menos falasse alemão. Atendidos, o tirolês Pe. Bartolomeu Tiecher começou visitar a Colônia, e a partir de 1886 o Pe. Josué Bardin, que falava polonês, passou a atender a localidade.
População no RS
Entre 1870 e 1920 havia 103.500 imigrantes poloneses no Brasil. Destes, 34.300 no Rio Grande do Sul. Segundo estimativa da Comissão Executiva dos 130 anos da Imigração, existem 294.000 gaúchos de origem polonesa. O RS tem a segunda maior concentração, perdendo para o Paraná. Os poloneses emigraram para o Brasil e para outros países, em especial EUA, Canadá e Argentina, em razão das dificuldades por que passavam na pátria (guerras, epidemias, frustração de safras...). No Brasil, inicialmente se dedicaram à agricultura, mas também ao comércio e à indústria manufatureira.
Melhoramento revoluciona plantios
Gramado centraliza debates sobre avanço da pesquisa de grãos
As contribuições do melhoramento genético ao agronegócio são os destaques do 3º Congresso Brasileiro de Melhoramento de Plantas, que ocorre de 9 a 12 de maio, em Gramado (RS). O aumento da produtividade das lavouras e a adaptação das variedades melhoradas às novas fronteiras agrícolas serão pontos de discussão dos palestrantes durante o resgate da evolução de culturas como trigo, soja, feijão, milho, café, citros e arroz. O evento é promovido pela Sociedade Brasileira de Melhoramento de Plantas e Embrapa Trigo.
Conforme o pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão, Orlando Moraes, nos últimos 30 anos a produção de arroz aumentou em pelo menos 50%, apesar da redução da área plantada para cerca da metade da que era cultivada na década de 1970. Somente no RS, a área do arroz aumentou em 170%, com uma produtividade que cresceu em 230% durante as décadas de 1940 a 1970, resultado de trabalhos do Instituto Rio-Grandense de Arroz.
"A oferta contínua de arroz à população brasileira, a preços menores, é um esforço persistente na disponibilização de sementes de cultivares melhor adaptadas e de qualidade de grãos de maior aceitação pelos consumidores, além da melhoria das práticas culturais", lembra Moraes.
No caso do trigo, foram 320 cultivares provenientes do melhoramento por cruzamentos artificiais recomendadas pelos órgãos de pesquisa de 1922 a 2003. Para produzir trigo no Brasil foi preciso vencer obstáculos como a toxicidade de alumínio no solo, o desenvolvimento de cultivares de ciclo curto, a resistência a doenças e estresses ambientais, a melhoria do tipo agronômico, a adequação da qualidade industrial do grão e a estabilidade do rendimento na lavoura. "Hoje, o trigo pode ser cultivado desde as regiões frias do Sul até sob o clima tropical do Brasil Central", afirma o pesquisador Cantídio Alves de Sousa, que irá palestrar sobre o melhoramento do trigo.
Milho - Apesar da grande variabilidade na espécie (cerca de 300 raças descritas), o milho talvez seja o cereal no qual foram desenvolvidas as mais variadas técnicas de melhoramento genético. Avanços na produtividade têm registrado um crescimento na ordem de 0,5% por ano.
Rendimentos de 8.000 kg/ha são freqüentes, mas para o pesquisador Ernesto Paterniani, já é possível projetar produtividades acima de 30 mil kg/ha. "Embora o milho deva continuar a ser primordialmente uma fonte energética, as perspectivas indicam progressiva especialização. Assim, milhos especiais como os de alto teor de óleo, milhos tolerantes a seca, ao frio ou ao encharcamento deverão ser desenvolvidos", afirma Paterniani.
Sul dispõe de 300 mil toneladas de sementes de trigo
A região Sul do país, onde estão concentradas 90% da produção de trigo, dispõe de 300 mil toneladas de sementes de trigo certificadas para semeadura de inverno (ver tabela). A informação é da Embrapa Trigo, com sede em Passo Fundo (RS). O volume de sementes ofertado deve atender a intenção de plantio dos Estados do Sul. "A expectativa é de que os produtores gaúchos repitam a área com trigo de 2004, cobrindo 1 milhão de hectares", adianta o pesquisador Pedro Scheeren.
Trabalhando com esta perspectiva, as empresas sementeiras devem colocar no mercado cerca de 125 mil toneladas de sementes de trigo somente no Rio Grande do Sul, volume que atende a demanda com folga. "Com 20% da preferência, a cultivar ônix é a preferida dos triticultores gaúchos. Já a CD 104 é a predileta de 36% dos produtores paranaenses", explica ao CR o pesquisador da Embrapa Trigo, Márcio Só e Silva.
"Precisamos considerar os produtores que guardam sementes de uma safra para outra e que, mesmo sem comprar sementes certificadas e fiscalizadas, podem aumentar a área de plantio", explica Scheeren. Das sementes disponíveis para o RS 40,5% são cultivares da Embrapa.
No Paraná, serão disponibilizadas 187 mil toneladas de sementes, com intenção de plantio de 1,2 milhão de hectares. Os demais Estados produtores de trigo de sequeiro são Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul, que juntos devem plantar 350 mil hectares.
A produção total no país deve manter a média dos últimos anos em 5 milhões e 200 mil toneladas de grãos de trigo.
Embrapa lança em dois anos variedades anãs
No máximo em dois anos, a Embrapa Trigo deve colocar no mercado variedades de trigo de porte anão, isto é, cultivares geneticamente mais baixos. "Com o cultivo dessas plantas não haveria necessidade de usar o redutor de crescimento", explica o pesquisador Márcio Só e Silva
O redutor de crescimento evita o acamamento do trigo. As conseqüências do tombamento da planta, em efeito dominó, são a menor qualidade de grãos para panificação e dificuldade de colheita, além da diminuição da produtividade quando ocorre durante o enchimento dos grãos.
O redutor de crescimento é absorvido pela planta e atua nos hormônios vegetais (giberelina), diminuindo a altura da planta e a distância entre os nós, além de um engrossamento do caule que o tornaria mais forte e resistente ao acamamento. Como esses hormônios participam de vários mecanismos fisiológicos da planta, o seu uso poderá ser desvantajoso se a plantar tiver algum tipo de estresse. Por isso, o redutor de crescimento é mais indicado para o trigo irrigado.
Rotulagem envolve o mundo do vinho
Importância do rótulo em debate na Serra
A rotulagem de produtos estará na pauta do setor vitivinícola no dia 9 de maio, quando ocorre, no Dall’Onder Hotel, em Bento Gonçalves, o 1º Seminário de Rótulos de Vinho – Estratégias de Marketing, Design e Tecnologia.
O evento reunirá publicitários e especialistas de renome nacional, como o consultor de vinhos do grupo Pão de Açúcar, Carlos Cabral, e internacional – as irmãs chilenas Luz Maria Cousiño e Antonia Cousiño. Especialistas em marketing, vendas e design de rótulos de vinho no Chile, elas estarão pela primeira vez palestrando no Brasil.
Com atividades previstas, o seminário propõe a abordagem de temas como o máximo aproveitamento do potencial dos rótulos para a venda de vinhos e o rótulo enquanto suporte da marca alinhado à embalagem, comunicando os conceitos do produto. O evento é dirigido a vinicultores, designers, executivos e profissionais envolvidos em projetos de rótulos, marketing e vendas de vinhos e fornecedores de soluções para rótulos, como convertedores, gráficas, fabricantes de papel, impressoras e rotuladoras. As inscrições podem ser feitas pelo e-mail Tatiana@sala21.com.br ou pelo telefone (11) 3032.6329.
Engº. Agrº. José Zugno
Girassol anão
Minha pergunta é sobre um tipo de girassol de flor gigante em planta que não alcança mais de um metro de altura da qual não sei o nome. Deve ser "fantástico" para quem nunca viu um pé tão baixo, dar flor tão grande. Este tipo de girassol "sumiu" desta região. Se alguém a conhecer, favor comunicar no seguinte endereço: caixa postal 368 - Cep. 89.600-000 - Joaçaba - SC - telefone: (49) 5220607.
FELIPPE NADERER
Joaçaba - SC
O que é conhecida como "flor de girassol" não é uma flor, mas um conjunto de inúmeras flores distribuídas sobre um largo disco. É uma inflorescência denominada capítulo, e pertence à família das compostas, a mesma dos crisântemos, dálias, margaridas e tantas outras. O girassol foi batizado como o nome científico de Helianthus annuus, a planta é sublenhosa que chega alcançar três metros de altura, tem caule ereto, cilíndrico, verde, cheio de pêlos duros, ásperos. As folhas superiores são alternas, grandes, cordiformes (forma de coração), também ásperas. A parte central (miolo) do capítulo é formada por inúmeras pequenas flores, completas, férteis, e a periferia constituída por flores incompletas, estéreis, mas com pétalas externas, amarelas, e bem desenvolvidas. As pequenas flores, pós fecundadas, originam frutos (aquênios), também, mas impropriamente, chamados de sementes, cuja amêndoa, no interior é rica em excelente óleo comestível, que além desta virtude possui ação diurética, emoliente e anti-colesterol. De acordo com o nome (gira-sol), o capítulo floral costuma seguir o trajeto do sol, desde o nascimento até a hora em que desaparece. Este fenômeno é denominado heliotropismo.
Segundo a maioria dos autores, o girassol tem sua origem no Peru, cujos indígenas nativos - os Incas - que eram adoradores do sol, acreditavam que o girassol acompanhando o movimento do sol no céu, era a encarnação do mesmo na Terra.
Variedade anã - Quanto ao nome da variedade de girassol referida pelo amigo, em sua carta, talvez, os técnicos, que atuam em seu município ou na região, possivelmente, a conheçam.
As variedades comerciais, sobretudo as que visam a produção oleaginosa, como as criadas ou selecionadas pelo Instituto Agronômico de Campinas, Embrapa de Londrina e semelhantes entidades de pesquisa e experimentação governamentais ou particulares, são de tamanho mediano a alto (em torno de dois metros de altura), nenhuma de porte baixo.
A edição nº 87, ano 1995, pg. 30, da revista Natureza, dedicada à jardinagem e ao paisagismo (Editora Europa - rua M. M. D. C., 121 - São Paulo - SP - Cep 05510-900 - tel.: (11) 30385050), faz referência e dicas de cultivo de uma variedade anã de girassol (Helianthus nannuus, variedade "Nana"). É variedade ornamental que dá mais importância à coroa de pétalas amarelas do que às florzinhas do miolo. Talvez seja esta a variedade que o amigo busca. As sementes devem ser procuradas nas floriculturas especializadas. Uma delas, por exemplo, é a Isla Sementes Ltda, Porto Alegre, telefone 0800.709.5050 (Discagem Direta Gratuita).
Corte de frutíferas causa polêmica na região da Serra
Plantas de quintais estão sendo erradicadas por causa da Cydia, a principal praga da maçã
A erradicação da Cydia Pomonella, principal praga da maçã, está deixando muitos proprietários de pequenos pomares insatisfeitos, especialmente na região de Ana Rech, bairro de Caxias do Sul. O corte de frutíferas hospedeiras começou em dezembro passado, na propriedade do caxiense Camilo Dal Piaz.
Enquanto a coordenação do Programa Nacional de Erradicação da Cydia do Ministério da Agricultura defende o abate das árvores para o controle da praga, agricultores ecologistas fazem o caminho inverso. "Falta orientação", resume o subprefeito de Ana Rech, Hélio Dall’Alba. Chamada de "ditadura da maçã", a erradicação das plantas domésticas protege a exportação de maçãs, mercado que movimenta US$ 75 milhões no país por ano.
O engenheiro agrônomo Leandro Venturini, coordenador de fruticultura do Centro Ecológico Ipê, com sede em Ipê, na Serra gaúcha, afirma que o corte de árvores, especialmente das variedades mais antigas, causa a quebra da biodiversidade. "Além disso, compromete a subsistência de famílias que usam os frutos para consumo próprio", observa ao CR.
Na opinião do agrônomo, que integra ainda a Rede Ecovida, deveriam ser dizimadas apenas as plantas que não contam com nenhum tipo de manejo. "Com manejo, as frutíferas não sofrem ataques da mariposa", explica Venturini. Nesta quinta, 28, técnicos e especialistas em produção ecológica da Ecovida reúnem-se em Ipê para discutir alternativas à erradicação.
Por enquanto, as pessoas que não concordarem com o corte das plantas de seus quintais serão encaminhadas ao Ministério da Agricultura, que, por sua vez, repassará a questão ao Ministério Público para expedição de mandado judicial. O agrônomo Leandro Venturini defende que o proprietário deve impedir o corte e "exigir um mandado judicial."
Estado realiza 1ª feira nacional de agronegócio
A 1ª Feira Nacional de Agronegócios do Sul (Fenasul) chega ao mundo do agronegócio gaúcho e brasileiro como um grande evento, no qual se inserem outros igualmente importantes para a produção primária. Será realizada de 25 a 29 de maio, no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio.
Com a 1ª Fenasul ocorrem, simultaneamente, a 28ª Expoleite, a Exposição de Eqüinos, com provas e leilões, a 5ª Expoutono, a 5ª Expocoop, a 3ª Feira da Agricultura Familiar, a 1ª Expo Rio Grande do Sul (indústria e comércio do transporte, utilidades domésticas, artesanato, decoração, vestuário, moveleiro e outros) e a 2ª Feira do Município de Esteio.
"Antes, a Expoleite abrigava grande parte do que será a Fenasul", diz o diretor do Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, Paulo Demoliner. Entretanto, a Expoleite já tinha a participação de diversas raças de bovinos, ovinos, caprinos, suínos, eqüinos, aves e outras, e não somente gado de leite.
Inseminação artificial é tema de curso em SC
A Embrapa Suínos e Aves, com sede em Concórdia, promove o Curso de Inseminação Artificial em Suínos, que vai acontecer nos dias 4, 5 e 6 de maio. O curso é direcionado a veterinários, técnicos e gerentes de granjas que buscam conhecimentos básicos e a atualização de conceitos e procedimentos no tema.
O curso será ministrado em aulas teóricas e demonstrações práticas e prevê a apresentação das principais técnicas que compõem o processo de inseminação artificial. Informações www.cnpsa.embrapa.br/?/eventos.html
Exercício eleva em até 10% o bom colesterol
Atividade física que trabalha a resistência do organismo oferece melhores resultados
Prestar atenção no que coloca no prato não basta; quem deseja aumentar o bom colesterol, o HDL, precisa fazer exercício. Se a atividade física for feita eventualmente e não exigir muito do organismo, também não adianta. É necessário disciplina e persistência. As caminhadas, por exemplo, que são a grande preferência de quem procura melhor condicionamento físico, devem ser feitas pelo menos quatro vezes por semana. Para melhorar o HDL, resistência vale mais do que velocidade. Sendo assim, quanto mais longo o percurso, melhor. Os resultados só começam a aparecer depois de três a seis meses de exercícios.
Quem não gosta de caminhar, pode nadar ou andar de bicicleta. Os exercícios localizados e os treinos de musculação também dão sua contribuição. Em vez de elevar o HDL, eles ajudam a diminuir o colesterol ruim, o LDL. Nesse caso, a queda no LDL é discreta, cerca de 5%, mas não deve ser desprezada. Novamente, vale lembrar que só a prática regular das atividades físicas localizadas garante esse discreto resultado.
A relação entre exercícios e colesterol começou a ser investigada ainda nos anos 1970. Hoje, ninguém mais duvida que movimentar-se com regularidade pode reduzir cerca de 10 miligramas por decilitro de sangue o colesterol total. Além disso, as atividades físicas mudam a proporção entre a versão boa e a ruim dessa substância, ou seja, se o LDL diminui, o HDL aumenta.
Um levantamento do Instituto Dante Pazzanese, de São Paulo, conferiu os ganhos de HDL por quem pratica exercícios. Segundo a pesquisa, quem tinha HDL em torno de 35 mg/dl conseguiu elevá-lo para 39 mg/dl. Parece pouco, mas é um aumento superior a 10%.
A principal hipótese para explicar o aumento do HDL em função da ginástica aponta para as enzimas reguladoras do colesterol no organismo. Ao ser despejado do fígado para a circulação, o colesterol pode se cruzar com uma série de enzimas. Uma delas, a hepatolipase, também produzida pelo fígado, pode destruir o HDL e, pior, transformar parte dele em colesterol ruim. Durante a prática de atividades aeróbicas (andar, nadar, correr, pedalar) ocorrem alterações no fígado que freiam a produção dessa enzima. Assim, mais moléculas de bom colesterol conseguem circular pelo sangue com tranqüilidade.
Outra explicação foca a perda de peso, natural quando se dá fim ao sedentarismo. Quando está em forma, o corpo resiste menos à ação do hormônio insulina, fabricada no pâncreas. Em excesso, a insulina também degrada o HDL que encontra no sangue.
Mulher sente mais falta da substância
Segundo os médicos, o chamado bom colesterol, HDL, deve estar acima de 40 miligramas por decilitro de sangue para afastar a aterosclerose e, assim, proteger o coração. Para as mulheres, o índice mínimo seria de 50 miligramas por decilitro de sangue. Para o sexo feminino, quando o HDL está abaixo do índice recomendado, o risco de ataque cardíaco chega a ser maior do que quando o colesterol ruim, o LDL, se encontra elevado.
O curioso é que o organismo das mulheres produz mais HDL. De acordo com os especialistas, é justamente por isso que elas sentem mais falta dessa substância. É como se o corpo feminino se acostumasse à proteção e, assim, sofresse mais quando ela diminui.
HDL baixo favorece o câncer de mama
O bom colesterol protege o coração sem distinção de sexo. Porém, há um aspecto em que ele favorece apenas as mulheres. Taxas adequadas de HDL deixam as mulheres menos suscetíveis ao câncer de mama. Essa antiga suspeita foi confirmada recentemente por cientistas da Universidade de Tromso, na Noruega. Eles acompanharam 39 mil voluntárias.
Segundo os pesquisadores, para quem está na menopausa e é obesa, o HDL abaixo de 46 mg/dl triplica as chances de surgimento de um tumor nas mamas. Ocorre que um índice de HDL baixo facilita a síntese dos hormônios que induzem as células da mama a se dividir. Isso, em tese, aumentaria a probabilidade de um câncer. Porém, nem todos os estudiosos concordam com essa afirmação e as pesquisas ainda não são conclusivas.
Mudam regras para transplante de fígado
A ordem da fila de espera para transplante de fígado no país deixará de obedecer ao critério cronológico e passará a funcionar pelo critério de gravidade. Quando houver um órgão disponível, terão prioridade aqueles que apresentarem maior risco de morte e não mais quem entrou na fila primeiro, como ocorre desde 1998. A medida deverá entrar em vigor em meados do próximo mês.
A fila por um fígado hoje no Brasil tem cerca de seis mil pessoas e a espera pode durar dois ou três anos. Segundo pesquisa do Ministério da Saúde, 61% dos pacientes na fila não têm indicação para receber o transplante. São pessoas com quadro clínico muito precoce, para as quais a cirurgia seria mais perigosa do que a própria doença. Há também, 1% em estado muito grave, mas que já passaram do tempo de receber o transplante e também poderiam sair da fila.
Exame determina a gravidade da doença
Um exame de sangue chamado Meld permite determinar o risco de morte do paciente que necessita de transplante de fígado. O resultado é um número de seis a 40. Pelo novo sistema, pacientes com Meld acima de 35 terão prioridade para transplante, seguidos pelos que têm Meld entre 25 e 35.
O transplante deixa de ser recomendado àqueles que apresentarem Meld abaixo de 15. Os pacientes passarão por testes periódicos e seu lugar na fila será determinado com base nesses resultados. A decisão foi tomada em reunião da Câmara Técnica do Fígado, formada no ano passado para aconselhar o Ministério da Saúde nessa questão. Apesar de ter caráter apenas consultivo, o Sistema Nacional de Transplantes garantiu que vai acatar a decisão.
Hipertenso pode ter falhas de memória
Pensamento confuso, falha de memória, raciocínio lento. Esses sintomas podem indicar hipertensão. Eles foram detectados em pacientes com mais de 50 anos e pressão arterial superior a 14 por 9, em pesquisa da Universidade Georgetown (EUA).
Exames médicos sugerem que os hipertensos têm a irrigação sangüínea comprometida em algumas áreas do cérebro. Esses pacientes muitas vezes são vítimas de pequenos rompimentos dos vasos sangüíneos do cérebro, normalmente assintomáticos. A pessoa não sente a ruptura, mas percebe seus efeitos no dia-a-dia, como dificuldade de concentração. Por isso, hipertensos precisam de acompanhamento médico regular.
Dieta ajuda a manter níveis adequados de colesterol
Conforme os especialistas, alguns alimentos de fato ajudam a elevar o bom colesterol, mas o efeito é discreto se comparado ao resultado da atividade física. De qualquer forma, não deve-se ignorar a contribuição da dieta, pois juntos, exercícios e alimentos, proporcionam ainda mais benefícios.
Um dos principais ingredientes da dieta a favor do bom colesterol é o azeite de oliva. Peixes de água fria, como atum, sardinha e salmão, e óleos vegetais, como o de canola e linhaça, são ricos em ácidos graxos benéficos e também devem entrar nessa lista. Entre os vegetais, destacam-se os que contêm grande quantidade de uma substância chamada genisteína, como o brócolis e a couve, por exemplo. Os avermelhados, ricos em licopeno, como melancia e tomate, também são especialmente benéficos. Essas substâncias ajudam porque são antioxidantes e evitam que os radicais livres danifiquem as moléculas do colesterol ruim (LDL). Quando isso acontece, o LDL se deposita nos vasos sangüíneos com muita facilidade.
Um papa teólogo em um mundo plural
Maria Clara Lucchetti Bingemer
Com sua inteligência e cultura, Bento XVI poderá promover um real e fecundo diálogo com a ciência contemporânea e coma pluralidade das tradições religiosas
Não se pode negar que as primeiras reações foram de espanto e perplexidade. Muitos de nós, boa parte dos católicos, não esperava ver no balcão do Vaticano, revestido das vestes papais, o ex-cardeal Joseph Ratzinger. Por sua idade um tanto avançada, por seu perfil de intelectual e teólogo; enfim, por muitas razões não acreditávamos que a escolha do colégio cardinalício recaísse sobre seu nome.
E, no entanto, assim foi. Joseph Ratzinger, aliás Bento XVI, é o novo Papa, o bispo de Roma, o Pastor Supremo da Igreja Católica, a figura para a qual agora o mundo inteiro se volta e que se encontra sob os holofotes da mídia, dos chefes de estado e do mundo católico e religioso.
À perplexidade, se junta a inquietação e sobretudo as especulações. Tratar-se-ía de um pontificado de transição? Sem conseguir fechar consensos em torno de outro nome, teriam os cardeais optado pelo nome do mais fiel e próximo colaborador de João Paulo II, a fim de assegurar continuidade para seu longo e marcante pontificado?
Parece-me que todas essas suposições não levam a grande coisa. Em qualquer começo impõe-se uma atitude positiva e aberta, enquanto se espera que o recém-chegado se manifeste e deixe claro o que pretende fazer em sua nova missão. E Bento XVI já começou a fazer isso.
Em sua primeira mensagem à multidão reunida na Praça de São Pedro, exaltou a figura de seu predecessor e deixou aflorar sua emoção e perplexidade pelo fato de seus irmãos cardeais terem feito recair a escolha sobre ele, um "humilde trabalhador da vinha do Senhor". Esta declaração dá um certo ânimo a quem a escuta. Encerra, na sua simplicidade, todo um programa. Um Papa que se apresenta como um "humilde trabalhador da vinha do Senhor" está declarando que se coloca na atitude de servidor. Aliás, este é um dos títulos aplicáveis ao Sumo Pontífice: Servo dos Servos de Deus. Isto é, chamado a ser aquele que é colocado à frente do rebanho de Cristo: um trabalhador, um servo. Fiel ao desejo do próprio Mestre, que uma e muitas vezes diz no Evangelho que só há um mestre na terra e um Pai no céu. Todos, portanto, não importa o cargo que ocupem, são discípulos e servidores. Essa é sua identidade e sua missão.
No dia seguinte à sua eleição, Bento XVI fez sua primeira homilia. Nela também podemos encontrar sinais do que será sua atuação como Papa. Apesar da ênfase sobre o desejo primordial de reconstituir a unidade da Igreja, que é sua meta principal desde muitos anos à frente da Sagrada Congregação para a Doutrina da fé, o Papa se detém longamente sobre o ecumenismo e o diálogo com toda a família humana.
Como segundo grande objetivo de seu pontificado, o Papa declara seu desejo profundo e prioritário de trabalhar sem economizar energias para reconstituir a unidade plena e visível dos cristãos de todas as confissões. Declara ser esta sua ambição e seu urgente dever. E vai mais além. Declara estar consciente de que para isso não bastam manifestações epidérmicas de bons sentimentos, sendo necessários gestos concretos que penetrem os espíritos, movam as consciências, e levem à conversão, purificando a memória e superando as feridas do passado.
Deve conhecer bem, e de perto, essas feridas e essas dificuldades o recém-eleito Papa. Alemão da Baviera, deve ter sido testemunha ocular em sua terra natal da tristeza que são os embates entre católicos e protestantes e o dano que isto faz à vivência do Evangelho. Por isso, merece credibilidade sua declaração de que "está plenamente determinado a cultivar toda iniciativa que possa parecer oportuna para promover contatos e o entendimento com os representantes das diferentes igrejas e comunidades eclesiais."
Seu desejo expresso de dialogar com a família humana como um todo, dizendo expressamente desejar dirigir-se a todos, "também aos que seguem outras religiões ou simplesmente buscam uma resposta às perguntas fundamentais da existência e ainda não a encontraram", alarga ainda mais o alcance desta primeira declaração do Papa Bento XVI.
Sua inteligência e cultura inegáveis poderão fazer com que, se realmente se empenha para tal, promova um real e fecundo diálogo com a ciência contemporânea e com a pluralidade das tradições religiosas. Confiando no Espírito, que distribui suas graças segundo as necessidades de cada ministério, esperamos que Bento XVI ponha em prática suas boas e explícitas intenções. Habemus Papam!
Novos caminhos para a minha igreja
Antônio Mesquita Galvão
Muito se especulou sobre o novo pontífice. Agora, que ele vai decidir por sua cabeça, as coisas podem ser até melhores. Que a Igreja seja mais carisma e menos poder, mais mãe e menos juíza
O mundo recebeu, entre alegre e surpreso, a eleição do Cardeal Josef Ratzinger como o novo Papa da Igreja Católica, com o nome de Bento XVI. Em entrevistas a jornais e televisão eu havia dito que a morte de um papa e a conseqüente subida de outro à cátedra de São Pedro sempre traz consigo uma crise, crise no bom sentido, mais na linha de novas decisões, a partir de uma encruzilhada que precisa ser encarada pela Igreja.
O perfil do ex-cardeal arcebispo de Munique é o de um homem afável, atento e muito culto. É um dos maiores teólogos da Igreja. João Paulo II, apesar de sua atividade missionária e diplomática, nunca foi bem digerido pela corte vaticana, eivada de italianos, que não via com bons olhos um "polaco" sentado na cadeira de Pedro. Será que Ratzinger, ainda mais sendo alemão, não irá sofrer oposição análoga?
Muito se especulou nesses poucos dias de novo papado, a respeito de como será o novo pontífice. Tudo é especulação, pois uma pessoa, fiel a uma linha hierárquica, deve perfilar-se às idéias do superior. Agora, que ele vai decidir por sua cabeça, as coisas podem ser diferentes, e até melhores. No entanto, algumas sombras do passado surgem para trazer, pelo menos a mim e a outras pessoas que escutei, alguma inquietação. A verdade é que Ratzinger, como convém à Igreja, será inflexível em assuntos de moral cristã, como divórcio, aborto, eutanásia, uso de embriões nas pesquisas, e "casamentos" de homossexuais.
Há nisto um obstáculo irremovível, que é a sanção contida nas Escrituras. Esta posição goza de unanimidade no seio da Igreja. Mas há outros problemas, tão grandes como aqueles, como celibato dos padres, ordenação de mulheres, reaproveitamento dos padres casados, uma visão mais liberal do controle da natalidade e das pesquisas genéticas, e o acolhimento dos recasados. A questão do ministério presbiteral, que hoje enfrenta alguns problemas (diminuição do número de vocacionados, bem como evasão de ordenados), seria atenuada com uma visão mais pastoral e menos intransigente.
Dispensa do celibato e mulheres no ministério não têm óbices bíblicos, mas tradicionais e culturais. Jesus era solteiro porque ficaria contramão um Deus casado; os apóstolos eram casados. Paulo achava que devia haver uma divisão entre os que tratam das coisas de Deus e os que cuidam da família. Outro problema são os que contraíram novas uniões. Embora não se perca de vista o "não separe o homem o que Deus uniu", há que se ter uma sensibilidade para o problema.
Estatísticas não-oficiais dão conta que 50% de nossas famílias são compostas de uniões de fato ou cônjuges solteiros ou pessoas unidas em segundas uniões. O que fazer com elas? Simplesmente dizer-lhes: "vá à missa mas não comungue?". Elas vão se sentir discriminadas. O modelo social, a pobreza, o desemprego, a permissividade moral inflete nesse comportamento. Já que não se pode impedir que as famílias se desfaçam ou que os jovens se mostrem arredios ao casamento, que se crie mecanismo de acolher essas pessoas, sem excludentes, e dizer-lhes que Deus a ama. Nas chamadas "seitas" (embora lá a Ceia não seja sacramental) esses casais são recebidos de braços abertos, e convidados a todos os atos.
Outro desafio situa-se, quem sabe, na reforma litúrgica, para que nossa Missa seja menos rito e mais pregação. O modelo atual, em vigor desde o Vaticano II (1964) carece de uma mudança. Por último, o temor de que um cardeal do Primeiro Mundo não possua a visão sistêmica da pobreza da América Latina, e assim como combateu a "teologia da libertação" também enfoque mais a instituição Igreja e relaxe, como ocorreu historicamente, a opção pelos pobres. Que a Igreja seja mais carisma e menos poder. Mais mãe e menos juíza.
BENTO XVI, O PASTOR DE 1,1 BILHÃO DE FIÉIS
O cardeal alemão Joseph Ratzinger, 78 anos, eleito como o 265º papa da Igreja Católica, adotou o nome de Bento XVI. Nas suas duas primeiras homilias, assumiu o compromisso de buscar o diálogo entre religiões, de continuar a atuação do Concílio Vaticano II e pediu a unidade dos cristãos
Eram 12h54 (17h54 de Roma) da terça 19 quando a fumaça branca começou a sair da chaminé da Capela Sistina. Presumivelmente na quarta votação, os 114 cardeais que estavam reunidos desde o dia anterior tinham escolhido o novo papa. O replicar dos seis sinos da Basílica de São Pedro dirimiu possíveis dúvidas que a cor da fumaça, inicialmente escura, havia provocado. Cerca de 40 minutos após o protodiácono, cardeal chileno Jorge Arturo Medina Estévez, anunciava o nome do sucessor de João Paulo II: o cardeal alemão Joseph Ratzinger. Contrariando o ditado romano, Ratzinger entrou para o conclave como o mais favorito de todos os cardeais e saiu como papa.
Emocionado e nervoso, o ex-braço direito de João Paulo II, 78 anos, decano do colégio dos cardeais e desde 1981 o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, dirigiu-se a uma silenciosa multidão - calculada em 100 mil pessoas - que aguardava na praça São Pedro como o 265º papa da Igreja Católica, que adotou o nome Bento XVI. "Caros irmãos e irmãs, depois de nosso grande papa João Paulo II, os senhores cardeais escolheram a mim, um simples e humilde trabalhador da vinha do Senhor". No breve pronunciamento, seguido da sua primeira bênção Urbi et Orbi (à cidade e ao mundo), o novo representante de Cristo na Terra, o primeiro papa do terceiro milênio e responsável pelo destino de quase 1,1 bilhão de fiéis, pediu orações para cumprir sua missão. "Na alegria do Cristo Ressuscitado, confiante em sua ajuda permanente, iremos adiante, com a certeza de que Deus nos ajudará. E Maria, Sua mãe santíssima, está conosco", concluiu.
Teólogo brilhante - Bento XVI permaneceu por cerca de 10 minutos diante de seu povo. Voltou a deixar o Vaticano na quarta e na quinta, para ir ao seu antigo apartamento, a poucos metros, e uma pequena multidão confirmou sua popularidade. Celebrou sua primeira missa como Papa na quarta, 20, para os cardeais, e no domingo, 24, a celebração que iniciou seu pontificado reuniu em torno de 350 mil pessoas na praça São Pedro.
Nascido em 16 de abril de 1927 em Marktl am Inn, na Baviera (leia página 14), Ratzinger é considerado um dos mais brilhantes teólogos da Igreja Católica. Mantinha com freqüência uma aparência sisuda, agora substituída pelo sorriso de Bento XVI. Com mais de 40 livros publicados, o Papa fala dez idiomas e teria sido eleito com mais de 95 dos 115 votos do conclave.
Do ataque ao relativismo à busca do diálogo
As primeiras reações à eleição de Joseph Ratzinger dividiram opiniões, principalmente na América Latina. "Estou sentindo uma grande e abençoada crise", afirmou dom Mauro Morelli, bispo que deixou a diocese de Duque de Caxias (RJ) para se dedicar ao combate à fome, temendo um conservadorismo exacerbado no comando da Igreja Católica.
Na América Latina, onde vive a metade dos católicos do mundo e onde há graves injustiças sociais, a maior queixa é contra suas posições conservadoras. Embora muitos considerem Ratzinger aberto, ele é apontado como responsável por executar as políticas do Vaticano que contiveram a Teologia da Libertação, movimento de aproximação dos pobres e críticas às injustiças, considerado próximo ao marxismo por João Paulo II. Os latino-americanos tampouco esconderam sua frustração por um cardeal da região não ter sido eleito, principalmente porque eles são considerados mais liberais e íntimos dos problemas locais.
As reações iniciais tinham muito a ver com o papel desempenhado por Ratzinger no pontificado anterior e pelo que dissera na homilia da missa que antecedeu o início do conclave, quando fez um duro ataque ao relativismo religioso, isto é, à idéia de que os católicos podem escolher quais as regras de sua religião que vão seguir. "Ter uma fé clara, segundo o credo da Igreja, é freqüentemente rotulado como fundamentalismo. Enquanto isso, o relativismo, isto é, deixar-se levar ‘daqui e dali por qualquer vento de doutrina’, é tratado como o único compromisso à altura dos tempos modernos", afirmou, acrescentando: "Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo, que não reconhece nada como definitivo e que deixa como última medida só o próprio eu e a sua vontade."
Em sua primeira homilia como Papa, Bento XVI foi mais explícito sobre seu pontificado. "O sucessor de Pedro assume como compromisso primário trabalhar sem economizar energias na reconstituição plena e visível da unidade dos seguidores de Cristo e promover contatos e entendimentos com os representantes das diferentes igrejas e comunidades eclesiásticas", declarou, após garantir que dará continuidade à obra de João Paulo II, aos 114 cardeais presentes à missa celebrada na Capela Sistina. Bento XVI também prometeu continuar a atuação do Concílio Vaticano II (1965). "Os documentos conciliares não perderam a atualidade, e seus ensinamentos revelam-se pertinentes em relação às novas questões da Igreja e da atual sociedade globalizada". No domingo, durante a missa de entronização, pediu a unidade dos cristãos (leia página a seguir).
Origem do nome
O nome escolhido pelo novo Papa, Bento XVI, seria uma homenagem a São Bento (480-547), o padroeiro da Europa. De origem latina, Benedictus significa o abençoado. Antes de ser escolhido por Joseph Ratzinger, o nome Bento foi usado na Igreja Católica por outros 15 pontífices, 14 deles italianos e um francês. O nome Bento foi escolhido pela primeira vez por um papa no século VI. Foi no ano 575 que Bento I, um italiano, iniciou seu pontificado, que durou até 579. Já Bento II foi papa apenas nos anos 684 e 685. O terceiro Bento foi papa durante três anos (855-858), o mesmo tempo que Bento IV, que assumiu o cargo de Vicário de Jesus Cristo entre 900 e 903.
Os três papas seguintes, todos italianos, lideraram a Igreja entre 964 e 966, entre 973 e 974 e entre 974 e 983, respectivamente. Bento VIII foi eleito papa já no segundo milênio (1012-1024), enquanto Bento IX assumiu a Igreja católica três vezes: entre 1032 e 1044 (quando foi deposto), em 1045 (renuncia após um mês) e entre 1047 e 1048.
Conclave rápido
Durou apenas dois dias, ou quatro votações, o conclave que elegeu Bento XVI - mesmo tempo que levou a escolha de João Paulo II, em 1978. É um recorde só superado, no século XX, por Pio XII, eleito em 1939 em dois dias, porém com apenas três votações.
O cardeal Joseph Ratzinger teria sido eleito com pelo menos 95 dos 115 votos - 95 segundo o vaticanista Marco Tosatti, do jornal La Stampa; 107 conforme o especialista em Vaticano Orazio Petroselli, do Il Messagero. Os cardeais Carlo Maria Martini, ex-arcebispo de Milão, e Camillo Ruini, vigário do Papa em Roma, teriam sido os mais destacados opositores nas duas primeiras votações. No entanto, os vaticanistas afirmam que Ratzinger obteve a maioria necessária na manhã da terça-feira, quando a fumaça ainda foi negra, e pediu uma votação de confirmação na tarde de terça-feira.
UM PONTIFICADO DIRIGIDO POR DEUS
Durante a homilia da missa que deu início ao seu pontificado, Bento XVI afirmou que não quer seguir suas idéias, mas se colocar, junto com a Igreja, à escuta da palavra e da Vontade do Senhor e deixar-se dirigir por Ele
O papa Bento XVI deu início oficial ao seu pontificado na manhã de domingo, 24, em missa solene realizada na Praça de São Pedro, transmitindo uma mensagem contrária à austera que manteve enquanto cardeal. Bento XVI salientou que não irá impor suas idéias, e que seu verdadeiro programa de governo é se colocar, junto a toda a Igreja, a escutar a palavra e a vontade de Deus. Depois da cerimônia, Bento XVI quebrou o protocolo e passeou em meio à multidão no papamóvel descoberto. Cerca de 500 mil fiéis assistiram à missa em Roma, sendo 350 mil na Praça de São Pedro - entre eles aproximadamente 100 chefes de Estado de todo o mundo e líderes de outras crenças religiosas.
A solene missa começou pouco antes das 10h locais (5h em Brasília) no interior da Basílica de São Pedro, onde o pontífice orou diante do túmulo do Apóstolo Pedro. Depois da reza fechada, o Papa e os cardeais saíram em procissão até o altar da Praça de São Pedro, onde se celebrou a missa e os rituais prosseguiram diante dos fiéis.
Após a leitura do Evangelho em grego, o cardeal protodiácono, o chileno Jorge Arturo Medina Estévez - o mesmo que anunciou ao mundo que a Igreja tinha novo Papa no último dia 19 - impôs ao Papa o Pálio (estola de lã), antiga insígnia episcopal. A vestimenta simboliza o Salvador, que encontrando o homem como a ovelha descarrilada o carrega a suas espaldas. A estola foi confeccionada com lã de cordeiro.
Em seguida, o vice-decano do Colégio Cardinalício, cardeal Angelo Sodano, entregou o Anel do Pescador, diferente do usado por João Paulo II. O anel leva inciso o mesmo tema que o Selo Papal de chumbo, o que usa o pontífice para carimbar documentos. O anel mostra Pedro jogando as redes para pescar.
Homilia - Em seguida, o Papa deu início a sua homilia, na qual falou sobre os princípios que deverão reger seu pontificado. Em italiano, Bento XVI disse que seu "verdadeiro" programa de governo não é fazer sua vontade, nem seguir suas próprias idéias: "Queridos amigos. Neste momento não necessito de um programa de governo. Alguns aspectos do que considero minha tarefa, já pude expor em minha mensagem da quarta-feira (dia 20). Meu verdadeiro programa é não fazer minha vontade, não seguir minhas idéias, mas de me colocar, junto a Igreja, à escuta da palavra e da vontade do Senhor e me deixar dirigir por Ele", afirmou.
Sendo interrompido várias vezes por aplausos, Bento XVI disse ainda que o canto dos Santos confortou aos fiéis que se sentiram abandonados com a morte de João Paulo II, que foi "o nosso pastor por 26 anos e agora atravessou o limiar entrando em outra vida, entrando na vida do Senhor. E ele não seguiu sozinho, porque quem não está sozinho na vida não estará na morte’’, disse o novo papa.
O novo papa citou na homilia o conclave, afirmando que os 115 cardeais estavam unidos e guiados por Deus. "E agora eu, frágil servidor de Deus, devo assumir essa tarefa incrível que supera toda a vida. Como serei capaz de fazer isso. Todos vocês caros amigos, acabaram de evocar os Santos, e fizeram reavivar em minha consciência de que não estou sozinho. Não poderei carregar aquilo que jamais poderei carregar sozinho’’.
O pontífice assegurou que estes dias, marcados pela doença e morte de João Paulo II, todos viram que a Igreja está viva, é jovem e leva em si mesma o futuro do mundo. O novo Papa saudou a todos, inclusive o povo hebraico que ele afirmou ‘’estarmos ligados a um grande patrimônio em comum. Meu pensamento quase como uma onda vai a todos os homens crentes e não crentes’’.
Chamado - O Papa pediu aos católicos que rezem por ele, para que não tenha medo e fuja dos lobos e deixe abandonadas suas ovelhas (os fiéis). "Neste momento só posso dizer: rogai por mim, para que aprenda a amar cada vez mais o Senhor. Rogai por mim, para que aprenda a querer cada vez mais seu rebanho, a vós, à Santa Igreja, a cada um de vós, tanto pessoal quanto comunitariamente", disse Ratzinger.
"Quero agora destacar uma coisa: tanto na imagem do pastor como na do pescador, emerge de maneira muita explícita a chamada à unidade’’, afirmou durante a homilia. "Façamos todo o possível para percorrer o caminho até a unidade prometida. Façamos memória dela na oração ao Senhor, como mendigos; sim, Senhor, lembre-se do que prometeu. Faça com que sejamos um só pastor e uma só grei! Não permita que se rompa tua rede e nos ajude a ser servidores da unidade!’’, acrescentou.
Bento XVI concluiu sua homilia fazendo um chamado aos católicos, o mesmo que fez João Paulo II quando foi eleito Papa em 1978, para que "não tenham medo e abram seus corações a Cristo", assegurando que Jesus não tira nada e nele encontrarão a vida verdadeira. O Papa acrescentou que João Paulo II falava aos fortes, aos poderosos do mundo, "os quais tinham medo que Cristo pudesse tirar algo de seu poder, se o tivessem deixado entrar e tivessem concedido a liberdade à fé".
Depois de lembrar as palavras de Wojtyla, Bento XVI acrescentou: "Também hoje eu queria dizer a todos vós, sobretudo aos jovens: Não tenhais medo de Cristo! Ele não tira nada, e dá tudo. Quem se dá a Ele, recebe o cento por um. Sim, abri, abri de par em par as portas a Cristo, e encontrareis a verdadeira vida".
Papa mantém cúpula
O papa Bento XVI deu na quinta-feira 21 uma clara demonstração de que não pretende fazer mudanças significativas na Santa Sé. Joseph Ratzinger manteve o cardeal Angelo Sodano, de 77 anos, como secretário de Estado do Vaticano - cargo que o italiano ocupa desde 1990 e que é o segundo na hierarquia da Igreja Católica.
Além de Sodano, cardeais e arcebispos que chefiavam outros departamentos da Cúria Romana, nomeados por João Paulo II, foram confirmados em seus postos. Até domingo não estava decidido quem será o novo prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, cargo que Ratzinger ocupava desde 1981.
Meios de comunicação
Durante encontro com centenas de jornalistas, no sábado 23, o papa Bento XVI destacou a importância dos meios de comunicação. "A comunicação teve um desenvolvimento impressionante desde os anos 60, e todos nós sabemos que ela precisa ser um instrumento de paz, união e amor", disse Bento XVI. Durante cerca de 10 minutos, ele agradeceu (em francês, inglês, alemão e italiano) a presença dos jornalistas durante os últimos dias, desde a morte de João Paulo II. Sorridente, mais uma vez deu sinais de sua disposição ao diálogo e a fazer uso dos meios de comunicação para divulgar a palavra da Igreja Católica, a exemplo do que Karol Wojtyla fez de maneira intensa.
1.300 e-mails por hora
Em menos de 48 horas, o novo papa, Bento XVI, recebeu mais de 60 mil mensagens eletrônicas (cerca de 1.300 por hora), mais da metade delas (31 mil) escritas em inglês. Outras 13 mil mensagens foram encaminhadas em italiano e 6 mil em espanhol. Em menor número, foram envidas mensagens em alemão, português e francês. As mensagens pedem orações, desejam boa sorte ao Papa e dão os parabéns ao novo pontífice por ter aceitado a missão. O endereço eletrônico de Bento XVI é benedictoxvi@vatican.va
1ª viagem: Alemanha
O Vaticano confirmou que a primeira viagem do papa Bento XVI será para a Alemanha, seu país natal. Ele participará da Jornada Mundial da Juventude, na cidade de Colônia, em agosto.
Audiências gerais voltam
Bento XVI retoma nesta quarta 27 as audiências gerais do Papa com os fiéis, interrompidas desde a doença de João Paulo II, informou hoje o Vaticano. O Papa receberá os fiéis nesta quarta-feira às 10h30 locais (05h30 de Brasília), informou o vice-diretor dos serviços de imprensa da Santa Sé, o padre Ciro Benedettini.
Formação religiosa iniciou aos 12 anos
Joseph Ratzinger e a sua família viveram o pesadelo da II Guerra Mundial
O novo papa Joseph Ratzinger era considerado um dos principais candidatos à sucessão devido ao seu prestígio como teólogo e por ser um guardião da doutrina. O primeiro pontífice alemão desde a Idade Média, que presidiu a célebre Congregação para a Doutrina da Fé, conhecida como Santo Ofício da Inquisição, se tornou uma figura conhecida no Vaticano e no mundo. Chamado de Guardião do Dogma, ele combateu o sacerdócio feminino e condenou a homossexualidade. Mesmo assim, ele não se considera um "durão". "Eu não sou o grande inquisidor e tampouco me sinto uma Cassandra quando examino os fatores negativos na Igreja", disse ele.
Bento XVI nasceu no dia 16 de abril em Marktl am Inn, na diocese de Passau, na Baviera, Alemanha. Filho do policial Josef e da dona de casa Maria, morou em várias cidades devido à profissão do pai.
O menino começou a estudar latim e grego ainda no ginásio. O primeiro passo para sua carreira eclesiástica foi em 1939, quando tinha 12 anos e entrou para o seminário Traunstein. Em 1941, Ratzinger, então com 14 anos, e seu irmão Georg, com 17, foram convocados para a juventude nazista, o que tinha se tornado obrigatório para todos os jovens alemães. Pouco depois, como ele ressalta em seu livro "O Sal da Terra" - um dos mais de 40 que escreveu -, foi dispensado do movimento por causa de sua intenção de se tornar padre.
Em 1943, como vários outros adolescentes, foi chamado a trabalhar como ajudante na Flak, corporação responsável por defesa aérea - defendeu a BMW nos arredores de Munique. Antes de chegar aos 18 anos de idade seguiu o treinamento básico do exército alemão, ficou à disposição perto de sua cidade natal e acabou desertando. Retornou para casa, foi identificado como soldado nazista e ficou prisioneiro dos americanos, que a essa altura haviam transformado a propriedade de seus pais em quartel-general local.
Libertado em junho porque não havia provas com ele, Ratzinger retornou a Traunstein, onde ainda viviam seus pais - o pai, Josef, já havia sido preso no início dos anos 30 por ter feito críticas abertas ao nazismo. Ele e o irmão Georg voltaram, em 1945, para o seminário.
Ordenação - Em 1947, ingressou no Herzogliches Georgianum, instituto teológico ligado à Universidade de Munique. Ratzinger foi ordenado sacerdote no dia 29 de junho de 1951. Em 1953 recebeu o doutorado em teologia pela Universidade de Munique. Foi nomeado arcebispo de Munique em março de 1977 e proclamado cardeal em 27 de junho de 1977 pelo Papa Paulo VI. Além de teólogo destacado, o novo Papa é muito culto e um pianista de talento, fã de Mozart e Beethoven.
Rovílio Costa
Frei capuchinho, pesquisador e editor
Bento XVI, esperança ou surpresa? Conservador, moderado, avançado? A estas perguntas se responde com esta outra: "Cristo seria conservador ou inovador?" Pergunta inútil em referência a Cristo. Inútil também em referência a seu vigário na terra. É um engano pensar que Cristo veio para fazer sua vontade, aplicar sua ideologia, porque estava ligado por duas obediências: obedecer a seu carisma de homem e a seu carisma de Messias, expresso no plano do Pai. "Se possível, Pai, afasta de mim este cálice, mas não se faça a minha e sim a tua vontade." A "minha vontade" é a visão do homem; a "vontade do Pai" é o plano de Deus. Bento XVI não aceitou ser papa para realizar seu plano pessoal, mas para obedecer a Cristo, e será uma nova aurora da Igreja.
Verdade e misericórdia foram os acentos de sua mensagem na abertura do conclave: verdade que João Paulo II vivia, e misericórdia que comunicava ao mundo. O "rezem por mim de Bento XVI", ao se dirigir ao mundo, mostra sua fidelidade a Cristo, à luz do Espírito Santo.
Por que Bento XVI? Se fosse uma presunção de dono da verdade, escolheria o nome Joseph Ratzinger. Se ele se ligou ao nome Bento, referindo-se ao monge São Bento, mostra que a Igreja e o mundo precisam principalmente de oração e contemplação. Se simultaneamente se referir ao Papa Bento XV, que governou a Igreja de 1914-1922, as molas de seu pontificado seriam a coerência, a compreensão e a paz, pois Bento XV, diante do mundo em guerra, dizia: "Quem se deixa comover, não é dono de si mesmo." E só foi visto chorar na posse do Bispado de Bologna e ao se referir a Pio X, seu antecessor. Um dia, o cardeal decano o alertou de não desistir de dizer ao mundo "Paz", ele respondeu: "Não falaremos aos homens, porque os homens não nos escutam. Falaremos a Deus na oração, e pedimos que todos rezem a Deus conosco." E não foi um papa passivo, mas um denunciador das injustiças da guerra."Ninguém poderá me impedir de clamar: paz, paz, paz!" E em seus escritos denunciou a guerra e auxiliou os deserdados dela.
Com estas prováveis ligações aos dois Bentos, teremos um papa que não irá ao mundo sem pensamento e sem doutrina, ao léu do vento, mas para fazer conhecer a proposta de Cristo: "Pregai meu Evangelho a toda a Criatura," na linha da pregação de Paulo no Areópago: "Eu vos anúncio o Deus desconhecido, mas que está dentro de vós." E isto foi o diferencial de João Paulo II: "Partilhar com todos a vocação de irmãos e filhos de Deus, que nos criou e tem prazer em nos salvar." Viver e anunciar o Evangelho não é fazer proselitismos, mas promover a comunhão religiosa dos povos.
Civilização vale-tudo
Padre Zezinho
Deixar que cada um faça o que bem entende é tão errado como proibir todo mundo de se expressar
Toda civilização supõe disciplina, é impossível criar um povo feliz sem disciplina. Estado indisciplinado tem pouca chance de sobreviver. É impossível governar um time indisciplinado, um exército indisciplinado, uma escola indisciplinada e uma família indisciplinada.
A disciplina é questão de sobrevivência para os barqueiros que atravessam o rio, para os corredores de uma pista, para os pilotos do avião. Quebrou a disciplina, alguém corre um risco maior do que o necessário.
É por isso que os motoristas precisam da disciplina, as crianças precisam de disciplina, todos precisam de disciplina, inclusive nossos animais domésticos. Tem que haver hora para as coisas e tem que haver um jeito de fazê-las sem prejudicar os outros.
Até os animais aprendem, por isso quando nós criamos uma civilização onde é permitido todo e qualquer tipo de mensagem e todo e qualquer tipo de comportamento e joga-se qualquer mensagem no ar através da televisão, sob o argumento de que o ser humano é livre para dizer o que pensa, cometemos um erro.
Ninguém é livre para jogar lixo no quintal do outro, ninguém é livre para jogar gás tóxico na porta do vizinho e ninguém deveria ser livre para jogar idéias perigosas na casa onde há crianças ou pessoas despreparadas para distinguir entre o certo e o errado.
Não sou a favor da censura política e nem da censura moral, mas sou a favor do bom censo que permite e produz uma censura sensata capaz de dizer isto não pode ser permitido porque este país tem crianças.
Como não é possível os pais vigiarem suas crianças 24 horas por dia, a televisão tem a obrigação de não levar ao ar qualquer coisa que possa levar uma criança a desvio de comportamento. Não é que a televisão tem feito. Alguns programas agem como se estivéssemos numa civilização vale-tudo e o governo permite como se estivéssemos nesse tipo de sociedade.
Toda sociedade permissiva tem o alto grau de tendência ao suicídio. Não pode sobreviver por muito tempo uma sociedade que não reage contra os seus para-militares, os desmandos de sua polícia, os abusos de seus políticos e dos seus comunicadores. É questão de acertar o controle e a disciplina. A censura é sempre algo indesejável, mas até os comunicadores que não aceitam ser censurados pedem para censurar os pichadores, os para-militares e os que ensinam a fazer bombas.
Então alguma censura eles admitem, desde que não seja contra o que eles fazem. Deixar que cada um faça o que bem entende é tão errado como proibir todo mundo de se expressar. Tem que haver um consenso. Que falem os juízes que para isso foram preparados. Mas, se até eles não sabem o que fazer, então que se feche o país.
A violência de agora nasceu quando o jeitinho brasileiro decidiu que somos um lindo país porque aqui tudo acaba dando certo! Será?
Cavalgada abre Romaria de Caravaggio
Maior evento religioso da região, Romaria ocorre em maio, em Farroupilha
A 12ª Cavalgada da Fé, dia 7 de maio, abre a programação da 126ª Romaria ao Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio, em Farroupilha (RS). Com o tema "Jesus Pão da Vida! Maria, Servidora da Eucaristia!", a romaria realiza-se nos dias 26, 28 e 29 de maio próximo. Já no dia 15 ocorre a Romaria dos Ciclistas e no dia 22, a Romaria dos Motoqueiros.
A cavalgada sai do Campus 8 da Universidade de Caxias do Sul, próximo ao Hotel Samuara, às 9 horas, com previsão de chegar ao santuário às 11 horas. De Farroupilha, os cavalarianos saem no mesmo horário, da Estação Férrea. "Se o tempo estiver bom, estamos aguardando mais de mil participantes", diz Arnaldo Velho Castilhos, um dos coordenadores.
Como a cavalgada é de cunho religioso, participam crianças, jovens e até pessoas da terceira idade. Por isso, neste ano haverá o pagamento de R$ 1,00 como seguro obrigatório. "O seguro é uma segurança para o cavaleiro", informa o organizador ao CR. Informações pelo telefone (54) 238.1228, na 25ª Região Tradicionalista.
A Cavalgada da Fé começou em 1993, com apenas 17 integrantes. A iniciativa deve-se ao tradicionalista Vilmar Pacheco de Oliveira, patrão do CTG Potro Sem Dono, até hoje a entidade que promove o evento. "A cavalgada cresceu e em 2003, por exemplo, recebeu 1.600 cavalarianos de toda região", conta Arnaldo Castilhos.
A programação da romaria prevê, após cada missa, bênção de objetos de devoção, das crianças e bênção da saúde. De 23 a 25 de maio, tríduo preparatório. Dia 28, às 10h30, Solene Missa Campal, seguida de procissão com a imagem de Nossa Senhora de Caravaggio. Às 14h, récita do Rosário, procissão e bênção com o Santíssimo Sacramento.
No dia 26 (Corpus Christi), haverá missa às 14 horas. Durante o dia, na Capela das Confissões, preparação comunitária da penitência com confissão individual, atendida por numerosos sacerdotes. Mais informações pelo telefone (54) 260 5166.
Aldo Colombo
É um livro marcado pela má fé, por erros, enganos, falsidades, aleivosias apresentadas sem qualquer base documental
O dogma máximo da modernidade é ser contra toda a tradição. A Igreja Católica é, sem dúvida, a instituição mais tradicional do mundo. Ela tem dois mil anos de existência e mais de um bilhão de fiéis. Talvez por isso é o alvo preferido das críticas e calúnias de tanta gente. Mesmo assim, incrivelmente, é a instituição mais credível. De resto, a maioria dos críticos não tem qualquer preocupação em provar suas afirmações, numa atitude desprovida de ética e de fidelidade histórica.
Nesta categoria situa-se o escritor Dan Brown, com seu romance O Código da Vinci, que já vendeu mais de 15 milhões de exemplares. Neste caso, os equívocos situam-se em duas frentes. Em primeiro lugar, em muitos leitores que tomam o Código da Vinci como um livro de história. Na abertura do livro está explicitado "ficção americana". É um romance, algo inventado, algo da mesma categoria da Branca de Neve e os Sete Anões. O livro não faz qualquer "revelação". Deixando de lado os leitores desavisados, o próprio livro está marcado pela má fé. E esta não é apenas a opinião da Igreja católica. Ives Gandra da Silva Martins é uma personalidade acima de qualquer suspeita. Professor emérito da Universidade Mackenzie e figura respeitada no mundo jurídico.
Afirma Ives Gandra: "O livro Código da Vinci é constituído de um fantástico amontoado de inacreditáveis inverdades, de distorções fáticas inadmissíveis, de má fé comprovada e espetaculares mentiras com ares de mistério, capaz de gerar o interesse das pessoas pouco avisadas". E a opinião dele é endossada por respeitáveis jornais de todo o mundo. O New York Times afirma que o livro de Dan Brown "é um insulto à inteligência". Para El Mundo: "é um livro oportunista e pueril" e para o Weekly Standard é uma "mixórdia de narrativas inimagináveis".
Retomo o pensamento do artigo de Ives Gandra: "O livro não é ruim, é péssimo. Se o autor percorreu as bibliotecas internacionais para escrevê-lo, não tem a menor capacidade de pesquisa, nem senso crítico". Onde Brown buscou que Godofredo de Buillon era um rei da França ou que a Bíblia é uma coletânea de textos feita por Constantino? Em que livro de história há a afirmação de que, na Idade Média, a Igreja matou 5 milhões de mulheres? Em que manuscrito do Mar Morto está a verdadeira história do Santo Gral? Tais manuscritos, guardados pelo Estado de Israel, que todos podem pesquisar, mostram exatamente que a Bíblia tinha razão. Ele resume sua opinião: é um livro marcado de erros, enganos, falsidades, aleivosias apresentadas sem qualquer base documental.
Ives Gandra conclui dizendo: "Gostaria de saber se o autor, Dan Brown, teria coragem de dizer tantas inverdades contra o islamismo ou Maomé? Até nisto demonstrou seu oportunismo e objetivo maior: ganhar dinheiro à custa de incautos e da curiosidade gerada pela produção de escândalos fabricados".
Nonoai realiza romaria aos mártires
Romaria ao Santuário da Luz lembra padre Manuel e Adílio
A região de Nonoai está mobilizada na realização da 41ª Romaria Penitencial ao Santuário Nossa Senhora da Luz e aos Mártires Padre Manuel e o Coroinha Adílio, programada para os dias 14 e 15 de maio. O lema deste ano é "Maria portadora da paz". O ponto alto da romaria são as missas solenes, às 10 h, e, às 14 horas, com bênção da saúde, presidida pelo bispo diocesano, Dom Zeno Hastenteuffel.
A novena preparatória inicia dia 6 de maio e termina no dia 14, com procissão luminosa. Realiza-se no Santuário Nossa Senhora da Luz. Os trabalhos são coordenados pelo padre Irio Martins da Silva.
A Romaria Penitencial realiza-se desde 1964, quando a população, liderada pelo bispo de Frederico Westphalen, dom João Hoffmann (in memoriam), peregrinou com os restos mortais dos dois mártires até o mausoléu ao lado da Igreja Matriz de Nª Sª da Luz, em Nonoai.
Padre Manuel Gomes Gonzalez nasceu na Espanha, em 29 maio de 1877. Em 1913 veio ao Brasil. Foi pároco de Soledade e de Nonoai. Em seu ministério teve como ajudante Adílio Daronch. O coroinha nasceu em 25 de outubro 1908, em Dona Francisca (RS).
Enviado a trabalhar na região do Alto Uruguai gaúcho, em 1924, padre Manuel, acompanhado de Adílio, batizava, celebrava casamentos e primeiras comunhões e catequizava. A caminho de sua missão, em Três Passos, os dois religiosos caíram numa emboscada e foram mortos a tiros. Em 14 de junho de 1996 foi aberto processo de beatificação. No dia 14 de fevereiro de 2001, a Comissão de Consultores manifestou-se positivamente à causa de martírio em nome da fé. (Avelino Mattiello, agente do CR).
Jesuítas celebram Jubileu de Ouro
Os irmãos Afonso Wobeto e Bruno Kuntzler celebram o Julileu de Ouro de vida religiosa na Companhia de Jesus. A cerimônia ocorre na Paróquia Alto Padre Eterno, em Santa Maria do Herval (RS), dia 12 de junho. Será celebrada missa às 10 horas e, após, realiza-se almoço de confraternização, no salão da comunidade. No dia 14, a programação será no município de Pareci Novo.
Irmão Afonso nasceu em 26 de abril de 1936, em Santa Maria do Herval. É filho de José e Anna Amália Wobeto. Em 1952 ingressou na comunidade vocacional Santo Afonso, em São Leopoldo. Fez noviciado em Pareci Novo. Fez Terceira Provação, em 1965. Formou-se em comunicação social, integrando revistas e jornais. Hoje, é secretário da Cúria Provincial. Trabalhou com seis provinciais.
Irmão Bruno nasceu dia 16 de junho de 1937, em Dois Irmãos (RS). É filho de Fernando e Maria Angélica Kuntzler. Ingressou na comunidade Santo Afonso em 1949. Fez noviciado em Pareci Novo. Exerceu diversas atividades em vários colégios jesuítas. Atuou em outros Estados e até em Roma, Itália. Desde março de 1994 trabalha no Instituto São José. É apreciador de esportes e de canto.
Semeadores
Wilson João
Quem semeia fé em Deus estará colocando certeza nos corações e realizando sonhos humanos
Sou um campo semeado por meus pais, professores, mundo que me rodeia, notícias que chegam aos meus ouvidos, imposições que me são feitas. E produzo os frutos dessa semeadura que realizaram e realizam em mim. E eu me tornei o semeador do agora, e vou preparando a colheita para o meu amanhã. Dependendo do que semear será minha colheita, sabendo que:
QUEM SEMEIA SEMENTES sadias na terra, irá colher o alimento para seu corpo e para a humanidade, sabendo que o alimento natural para toda a pessoa humana são sementes.
QUEM SEMEIA FLORES pelos jardins e estradas, terá a certeza que irá colher o perfume da alegria e das cores que vão enfeitando nossa terra.
QUEM SEMEIA TRIGO vai tendo em sua mesa o pão de cada dia, e estará colaborando para que os bilhões de criaturas humanas também tenham o alimento em suas mesas.
QUEM SEMEIA AMOR no dia-a-dia, nas atitudes e palavras, nas relações que vai criando com as pessoas e todas as realidades, estará colhendo a amizade, que faz todos os seres se voltarem para ele com carinho e gratidão, reconhecendo os gestos de amor.
QUEM SEMEIA VIDA com suas mãos, na ajuda e generosidade, estará colhendo os milagres do verde e do vermelho, do rosa e do amarelo, de todas as cores que enfeitam de vida nossa terra.
QUEM SEMEIA ALEGRIA pelo sorriso sincero e até pela gargalhada que expressa uma vida livre, estará colhendo felicidade para si e para quem se torna recebedor desta alegria gratuita que é semeada sem nenhum custo.
QUEM SEMEIA FÉ num Deus que é amor e na possibilidade de todas as criaturas amarem um Deus que é Pai, estará colocando nos corações certezas que vão dirigindo todas as ações humanas para um ponto de chegada que é realização dos sonhos humanos.
QUEM SEMEIA CARINHO no toque de ternura e nas palavras que chegam sem machucar, estará preparando um terreno fértil onde terá em abundância a gratidão.
E ao contrário de tudo isso vemos semeadores; de TRISTEZA que colhem amargura; de DISCÓRDIA que colhem solidão; de VENTO que colhem tempestades; de INIMIZADE que colhem abandono; de DESCRENÇA que colhem angústia; de ÓDIO que colhem violência.
Nesta terra, campo de Deus, há dois mil anos, um grande semeador saiu a semear as sementes da vida e do amor, do perdão e da paz, da alegria e da sabedoria. O campo de minha vida também recebeu estas sementes. O que estou fazendo com elas? Muitos terrenos humanos estão abertos e preparados para receber estas mesmas sementes. Não posso guardá-las para mim, egoisticamente.
O italiano que está em você
Tatiane Cristina Zambelli
Arquiteta gaúcha que mora em Milão (Itália)
Tatiane Cristina Zambelli iniciou sua italianidade no Brasil para dar-lhe, na Itália, onde vive e trabalha, o colorido da nostalgia e da história.
"In agosto saranno 10 anni che vivo in Italia, a Milano, dove attualmente lavoro come architetto. Nell’ottobre del 2003 mi sono Laureata in Architettura presso il Politecnico di Milano, e nell’anno scorso ho superato l’esame di Abilitazione professionale Italiano, così che ora potrò iscrivermi all’Ordine degli Architetti, Pianificatori e Conservatori della Provincia di Milano.
Da bambina ho sempre sentito un forte richiamo per l’Italia, non soltanto perché è un paese così bello e pieno di storie, ma soprattutto perché da lì provengono le mie origine.
Sono cresciuta ascoltando le storie della mia famiglia, di quando erano in Italia, ma, principalmente, su quello che avevano lasciato nella nostra terra, non soltanto a Caxias do Sul e nel Rio Grande do Sul ma anche in Argentina.
Il mio bisnonno Tarquinio Zambelli proveniva della quinta generazione di scultori. Infatti abbiamo scoperto l’esistenza di registri di suo padre Angelo Zambelli, intagliatore a Canneto Sull’Oglio nel 1700.
È sempre stata una grande emozione conoscere le sculture e le opere realizzate da loro. Ho vissuto la mia infanzia imparando l’arte attraverso la loro storia e soprattutto seguendo la ricerca effettuata da mia madre Irma Buffon Zambelli, che attraverso i suoi libri ci ha restituito un pezzo di storia che con il passare degli anni, scompariva.
Purtroppo non ho conosciuto mio nonno Estacio Frederico Zambelli, lui era Brasiliano nato a Caxias do Sul. Aveva studiato a Milano all’Accademia di Belli Arti di Brera. Ritornato in Brasile, ha seguito la strada di Tarquinio, dando vita ad un atelier di Arti a Caxias do Sul.
Alla mia partenza per l’Italia avevo una grande voglia di conoscere la terra dei miei antenati e in un certo modo di seguire i loro passi. Non avevo imparato l’Italiano, nonostante che tutta la mia famiglia provenisse dall’Italia, in particolare dal Veneto e dalla Lombardia. Spesso sentivo i miei nonni (genitori di mia madre) parlare tra di loro in italiano, era molto bello sentirli, tuttavia non riuscivo a capire.
Ho studiato la lingua e conosciuto un po’ dell’Italia, che senza dubbio era ancora più bella di quanto mi ero immaginata. Mi sentivo italiana, calpestavo le vie antiche di Milano e potevo immaginare il mio nonno che la percorreva con un taccuino sotto il braccio. Ho visitato la città di Tarquinio dove inaspettatamente ho trovato una via con il suo nome, in omaggio a lui.
I primi anni sono stati difficili, innanzitutto per la nostalgia che avevo della mia famiglia e della mia terra. Oggi mi sento tanto italiana quanto brasiliana, sento di far parte di tutti e due i paesi. L’Italia mi ha dato tanto, non soltanto per la mia professione, ma soprattutto per il mio essere. Sento di far parte di questo meraviglioso paese.
Penso in futuro di ritornare in Brasile; in quel giorno porterò nella mia terra natale, l’italiano che è, e che già era dentro di me."
Como Tatiane Cristina Zambelli pensam, talvez, todos os italianos que, nascidos em qualquer parte do mundo, conservam em si a Itália dos antepassados, da casa, do lugarejo donde saíram, com a pura imaginação de um paraíso perdido, que vale a pena reconquistar. E Tatiane o está reconquistando, por isto a Itália voltará a ser um pouco mais a Itália dos seus e dos nossos avós também. Emigramos, mas não abandonamos, nos distanciamos fisicamente, mas convivemos espiritual e diuturnamente com as gerações peninsulares e mundiais.
el ritorno de nanetto pipetta (306)
Nanetto el va a morose a casa dela Gelina
Luiz Bavaresco
Bancário, Nova Prata (RS)
Nanetto el gavea laorà tuto el giorno a cavar erbe dure tel potrero, parché el gavea paura che le fesse semense, e che ste semense le nassesse in colònia, e dopo ghe tochesse cavarle su co le man. L’erba dura ghe fava fastìdio, parché la ga le radise longhe e tute le volte che la cavava, el sentia un maledeto mal de schena, e ghe fea vegner su le bessighe te le man par tirarle su.
Quando l’è rivà casa, de note, el ga impià el fogo, e el ga scaldà na pignata de aqua, e la ga metesta te la gamela, el se ga sentà te un scagneto de legno, el ga tirà su le braghe, e el ga metesto do i pié tel aqua. El ga fato un salto indrio, el ze cascà indrio schena sora el cagneto che l’era lì butà, che squasi lo copa. Se’l ghesse proà, prima, col deo, par veder se l’aqua l’era calda, el se garia nicorto che l’era boiente. Lora el ga spetà l’aqua sfredarse un poco, e el se ga lavà le gambe fin i danoci, anca la fàcia, le man e soto i brassi.
L’è ndà su in càmera, e el se ga profumà drio le rece, intanto che’l vardava la luna piena, che vegnea fora drio el monte. Varda che bela luna, el se rimirava, la par un formaio tondo come quel che fa la mama dea Gelina. E ghe ze capità na maledeta voia de ndar a morose. Un caldo ghe vegnea su pal corpo, el se mete su i scarponi e, co’l va tel spècio, el vede che i so cavei i è tuti in pié come quei de un porcheto spin, par via che’l gavea lavà la testa. Lora el ciapa na poca de bagna, la passa su le man e dopo el passa le man in testa par tegner i cavei lustri e a posto.
Medo con paura che vegnesse su nùvole de piova, el ciapa el ciareto e via a casa de Àndolo par catar la Gelina. I can i sbaia, e Nanetto el dise:
- Ò de casa?
- Vien rento, ghemo pena finio de senar, vuto magnar qualcosa? Dise Àndolo. Formaio, polenta, fortaia e anca radici coti ghinè anca par ti.
- No ocor. Dise Nanetto, intanto che’l vardava la Gelina, pi bela dela luna, che la zera drio lavar i piati. Par sotovia el ghe ga strucà de òcio, la tosa la ze vegnesta rossa, e a lu ghe ze vengesto su sentimenti de passion. Àndolo el dise:
- Ndemo dugar la brìscola, mi e Piero Barba (so fradel scàpolo) e ti e la Gelina.
Zera tuto quel che Nanetto el spetava. I se ga sentà zo un davanti l’altro, e i ga scominsià a dugar. La Gelina, piena de càrichi, e Nanetto col trè e la vècia de brìscola. La Gelina la cognossea i moti, ma Nanetto no’l cognossea gnente. La tola l’era alta e longa, e te quelaltra ponta la Catina la netea el riso e i fasoi par far da magnar el di seguente. La Gelina, quea note lì, l’era mata da star sola insieme con Nanetto, ma no la podea par via che i zugava le carte in quatro. Lora la ga tirà zo le sinele e la ga scominsià passar i pié te le gambe de Nanetto. A Nanetto ghe ze vegnesto su un sbrusor tel peto, no’l ga pi visto el zugo, el ze deventà mato, el se ga tirà fin rente la mama dela Gelina, e el ghe ga dito:
- Feme un sià de qualcosa, parché go paura de ver el demònio in pansa.
La Gelina la ga sbassà i oci, e la dis:
- Ufa, che note calda! E la è ndada in leto col Nanetto in testa.
Nanetto, dopo ver bevesto el sià, el ze tornà casa soa, col ciareto smorsà, parché le nùvole no le ghea sconto la luna. El cagneto lo spetava casa, dindolando la coa, e quela note i se ga indormensadi insieme.
Nota: Dentro da proposta de alternância de textos do Ritorno de Nanetto iniciamos a publicação de um novo autor. Alternância será de 5 textos de cada colaborador.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
San Marco, el paron de Venezia
A domanda de Cláudio Dalla Colletta, de Porto Alegre, ricordemo che el 25 aprile ze stato el giorno de San Marco Evangelista. Marco el ze un giudeo dela tribù de Levì. El ze de una dele prime fameie cristiane de Gerusaleme. In casa sua se riunia i apòstoli e i primi cristiani. I Ati dei Apòstoli (12,12) i dise che San Piero, dopo libertà dea preson par el àngelo, el ze ndato tea casa de Maria, mama de San Marco, dove ghe zera tanta gente riunida in orassion par la liberassion de San Piero. El ga scrito el Vangelo secondo le predicassion de San Piero. El ga acompagnà San Piero in Roma e anca San Paolo quando de la so prima prision. Dopo a morte de San Piero e San Paolo, San Marco el ze ndà a Cipre, dopo el ze ndà fondar la cesa de Alessandria del Egito, dove pi tardi el ze morto màrtire. Tel 815, le relìchie del so corpo le ze stae portae a Venezia, dove le ze fin oncó, e San Marco el ze venerà come patrono. El so Vangelo, suito in scomìnsio el dise, come San Gioani Batista: "Vose de quel che osa nel deserto, pareciè le strade del Signor." De queste parole ze vegnesto fora el sìmbolo del Leone de San Marco.
Oração a São Marcos Evangelista, de Cláudio Dalla Colletta:
Ó São Marcos, evangelista e mártir, / protetor dos secretários e tradutores, / fiel seguidor de Jesus,/ invocado por nossos avós e pelos agricultores, / mantém viva a nossa fé, / protege a Santa Igreja, seus ministros e fiéis / e por tua intercessão tenhamos a graça de viver e testemunhar a fé cristã e trilhar o caminho do bem. / Faze-nos participantes de tua força e destemor leonino / para vencermos o mal e proclamarmos o bem / sob a proteção da Santa Mãe de Deus e nossa mãe Maria / para sermos sempre fiéis aos ensinamentos de Jesus. Assim seja.
Bimbo ga copà el multon
Geraldo Sostizzo
Agente Consular Italiano, Cascavel-PR
Mi gera pìcolo, ma me ricordo come se fusse ncoi. Cognossea un cristian col nome de Rosimbo, ma noantri lo ciameimo de Bimbo. El gera sempre ciuco, no fea mai na nova ciuca, el ghin tachea una drio l’altra. Tei pié el doperea sempre le sete-vida coi botoneti de susta e el spussea pi de un zorio.
Lu el volea che tuti ghe paghesse caciassa. I pi veci, che lo cognossea de tanti ani, i ghe paghea na caciasseta e lo dassea fermo là te un canton. Ma quei pi dispetosi i ghe paghea tanti biceroti de caciassa, ma vanti de méterghe la caciassa su la tola, noantri voleimo che lu spachesse qualcosa con la testa.
El gavea na testa pi dura de un sasso. Te podei darghe pugni de spacar la man che lu no’l sentia gnente. Gèrimo belche stufi de pagarghe caciassa e de darghe pugni e lu sol el ridea. Un giorno, ghemo fato un giugo. Ghemo metesto farina de mìlio tea tola, ben fina. Lu el metea el muso due dei distante dea farina. El pensea che noantri ghe deimo via un paro de pugni. Ghemo ciapà na ingùria de 7 o 8 chili, son ndà su te na carega e la go molada sora la testa che a se ga spacada tuta a tochi, se el tocasse la farina, el perdea la caciassa. La ghemo persa noantri.
Mia contenti de sempre pèrdere e cativi de pagarghe caciassa, ghemo fato nantro giugo. Par na garafa de caciassa, che lu no’l soportea na smoltonada de un molton che noantri cognosseimo. Quando el ga scoltà – na garafa de caciassa – el ga acetà suito e el ga domandà ndove gera sto molton.
Ghemo parlà tra noantri: ncoi copemo Bimbo. Lo ghemo menà te un saraio lì darente, ghemo molà el multon e semo ndai tuti sora le stanghe. Luri due se ga vardà. Bimbo se ga incucià zo e el ga sbassà la testa e ghemo scoltà un s-cioco, i ze cascai tuti due indrio schena. El molton ze levà su meso storno e la prima cosa che Bimbo ga parlà, el ga domandà ndove gera la garafa de caciassa.
Ghemo savesto pi tardi che el molton el gera morto e Bimbo l’è restà meso zo dei sarvei... El bevea ogni volta depì.
Trabalho preserva espécies de cactus
Projeto também destina verba para ações educativas
O trabalho "Salvando os Cactos", desenvolvido em parceria pela Prefeitura, Jardim Botânico, Universidade, Samae e Secretaria do Meio Ambiente de Caxias do Sul, recebeu o prêmio internacional Investing in Nature 2005. O trabalho é coordenado pelo biólogo Ronaldo Wasum.
Os cerca de R$ 80 mil conquistados com o prêmio permitirão a realização do trabalho de coleta, construção de um cactário para cultivo e posterior reintegração ao maio ambiente de 26 espécies de cactos pertencentes ao gênero Parodia, ameaçadas de extinção no Rio Grande do Sul. Também estão previstas ações educativas, como a criação do personagem Dona Parodia, para visitas e atividades em escolas.
"As próximas gerações sofrerão os efeitos do desequilíbrio ambiental verificado hoje, por isso é importante o trabalho de educação ambiental", afirmou prefeito José Ivo Sartori.
Água Azul pode ser patrimônio histórico
Projeto de lei do deputado Ruy Pauletti quer transformar a capela, a fonte e o sítio histórico da localidade de Água Azul, em Santa Lúcia do Piaí, distrito de Caxias do Sul, em Patrimônio Histórico e Cultural do Rio Grande do Sul. Água Azul foi o local onde morreu assassinado o padre jesuíta Cristóvão de Mendoza em 1635.
O nome da localidade é uma referência à fonte onde teria sido jogado o corpo do mártir. A comunidade celebrou os 370 anos da morte do padre no último dia 24 de abril com missa solene a almoço de confraternização. O projeto está sendo avaliado pela Comissão de Constituição e Justiça da Assembléia Legislativa.
Família Jungbluth tem encontro na Alemanha
O 12º Encontro da Família Jungbluth será realizado em Bundenbach, Alemanha, no dia 7 de maio. As confraternizações anteriores sempre aconteceram na região Sul do Brasil. Já o encontro de 2006 está programado para o dia 26 de janeiro, na Linha Santa Fé, em Itapiranga (SC). Os encontros dos Jungbluth foi iniciativa de Ludovico Jungbluth, agente do CR.
O patriarca da família, Ludwig Jungbluth, veio da Alemanha para o Brasil em 1862. Casou-se com Eva Kurtz, com quem teve quatro filhos: Wilhenn Frederich, Peter Luiz, Alexander Josef e Johann Jacob. Viúvo, contraiu matrimônio com Johanna Emilia Iserhard Grünling e teve o filho Hugo. Seus descendentes estão espalhados por todo país. Informações www.netpar.com.br/jungbluth (Lúcia Jungbluth, agente CR).
Imigração judaica terá centro cultural no RS
A Fundação Israelita do RS e a Prefeitura de Quatro Irmãos assinaram convênio de restauração do prédio onde funcionou o Hospital Leonardo Cohen para transformá-lo em Centro Cultural. O imóvel, construído em 1932, vai abrigar acervo da imigração judaica.
Também foi homologada lei que declara Quatro Irmãos Cidade-Símbolo da Imigração Judaica no Brasil. As obras do centro vão exigir R$ 600 mil.
Municípios vão produzir gás a partir de lixões
Governo selecionará 30 grandes cidades
Os ministérios do Meio Ambiente e das Cidades vão selecionar 30 entre os 200 maiores municípios brasileiros para estudos sobre o uso do gás de aterros e lixões em troca de créditos de carbono. As maiores cidades geram todos os dias 96 mil toneladas de resíduos, cerca de 64% do total produzido no país.
"A questão dos resíduos no Brasil é muito séria devido aos custos de tratamento e destinação do lixo e também pela baixa capacidade de gestão de aterros e lixões", diz o secretário-executivo do MMA, Claudio Langone.
A escolha das cidades será feita em duas etapas. Na primeira, os 200 maiores municípios poderão protocolar a documentação exigida pelo edital no Ministério das Cidades, de 9 e 19 de maio próximo. Em seguida, serão definidos 30 municípios onde consultorias contratadas pelo Ministério das Cidades realizarão os estudos.
O resultado da seleção será divulgado no dia 8 de junho. Terão prioridade os municípios que ainda usam lixões ou aterros pouco adequados do ponto de vista ambiental e social. Os estudos serão financiados pelo governo japonês, que deverá doar US$ 979 mil (US$ 600 mil, em 2005, e US$ 379 mil, em 2006). Informações pelo e-mail mdlresiduos@cidades.gov.br ou para o fax (61) 321-1462.
Brasil registra quatro mil aterros sanitários
Municípios com mais de um milhão de habitantes, que produzem mais lixo, apresentam maior potencial para gerar eletricidade e receber créditos a partir dos aterros. Isso é o que mostrou a pesquisa da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), realizada de dezembro de 2001 a abril de 2004.
Em um cenário otimista, o Brasil poderia gerar, até 2015, 440 megawatts de energia, por exemplo, usando um gás que hoje é lançado na atmosfera. O mercado de créditos de carbono é estimado em até US$ 10 bilhões nos próximos anos.
No Brasil, o tratamento dos gases em aterros sanitários é praticamente todo feito com a queima do metano e liberação do dióxido de carbono na atmosfera. No entanto, nos cerca de 4.000 lixões espalhados pelo país, os gases gerados são liberados no meio ambiente.
Imigração italiana une povos
Dia 20 de maio serão hasteadas bandeiras da Itália, Brasil e RS
No dia 20 de maio, às 11 horas, os municípios gaúchos cuja população é de origem italiana hastearão bandeiras do Brasil, do Rio Grande do Sul e da Itália, em solenidades conjuntas. Nesta data, em 1875, chegavam à região serrana do Estado, hoje Nova Milano, interior de Farroupilha, os primeiros imigrantes italianos.
Em 130 anos, os imigrantes e descendentes construíram uma das regiões de melhor potencial e de qualidade de vida do Brasil.
As comemorações apresentam calendário diversificado. Na Assembléia Legislativa, em parceria com a Universidade de Caxias do Sul, será exposto o acervo fotográfico da UCS, denominado "Retrato de uma cultura". No Espaço dos Municípios, com início dia 2, acontecem exposições, durante quatro semanas, de cidades da Serra gaúcha.
O Teatro Barone receberá apresentações de grupos folclóricos de raiz italiana do interior do Estado. Os trabalhos dos 130 anos são coordenados pelo arquiteto Albano Wolkmer, adido da Secretaria de Cultura do Estado, com apoio do deputado Ruy Pauletti.
Literatura alemã é doada a bibliotecas
Cerca de 30 bibliotecas públicas gaúchas, situadas em municípios de colonização germânica, receberão obras infanto-juvenis em língua alemã, doadas pelo Instituto Goethe. A doação foi viabilizada pelo Sistema Estadual de Bibliotecas.
Cada biblioteca recebe ainda um exemplar da obra bilíngüe "Cultura Alemã -180 Anos", organizada por Jorge da Cunha, da Editora Telos com o apoio do Ministério da Cultura e da Secretaria Estadual da Cultura, com o patrocínio da Souza Cruz.
Compõe o pacote os escristores Barbara Bartos Hoeppner, Alfred Lenau, Usch Luhn, Ingrid Uebe, Zimmermann, Dieter Winkler, David Almond, Thomas Fuchs, Annelise Probst, Michael Ende, entre outros. Informações (51) 32245045.