LEITORES 

 DESCOBRINDO CAMINHOS

 

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Edição 4.935 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 4 de maio de 2005.

EDITORIAL

O principal desafio vai muito além do mínimo

O salário mínimo continua insuficiente e mais brasileiros ganham abaixo dele ou estão sem emprego

 

O governo federal tenta capitalizar politicamente o que considera promessa de campanha cumprida: desde 1º de maio, o valor do salário mínimo, R$ 300,00, supera 100 dólares - estava quase 12% acima pela cotação da moeda americana na semana passada. Não há inverdade na essência dessa informação. Mas também faltam motivos para tanto alarde.

Em primeiro lugar, o aumento da proporção se deve em muito à queda do dólar. Em segundo, o novo valor do salário mínimo continua insuficiente para atender sequer as necessidades básicas do trabalhador brasileiro. Em terceiro, cresce o contingente de pessoas que percebem abaixo desse patamar.

Estudo do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) revela que o salário mínimo atual vale apenas 32% do que valia em 1940, ano em que foi criado. Mesmo com essa desvalorização, aumenta a cada ano o percentual de brasileiros ocupados que recebem menos do que o mínimo - eram 11,1% em 2002 e são 16,7%, conforme apurou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isso equivale a 3,3 milhões de pessoas só nas seis principais regiões metropolitanas do país. Não é sem razão, portanto, que 36 milhões de brasileiros não têm dinheiro para pagar tarifa de ônibus e são obrigados a se deslocar até o local de trabalho a pé.

O dado mais preocupante, no entanto, é que o mercado de trabalho não oferece vagas sequer com remuneração abaixo do mínimo. Segundo o mesmo IBGE, mais de 2,3 milhões de brasileiros estão desempregados em seis maiores regiões metropolitanas.

Falta ao Brasil, portanto, oferta de emprego e renda que permita a todos trabalhadores satisfazerem pelo menos suas necessidades básicas, como educação, alimentação, moradia, lazer, vestuário etc. E isso só será alcançado com o crescimento da economia, um desafio para o qual o governo federal não tem demonstrado tanto empenho, criatividade e ousadia quanto os revelados para festejar a ultrapassagem do salário mínimo sobre a faixa dos 100 dólares.

 

CAXIAS DO SUL

Pompéia recebe autorização inédita para o interior do RS

Hospital pode fazer transplante de pâncreas e de rim/pâncreas

 

Desde o dia 8 abril, o Hospital Pompéia está autorizado pelo Ministério da Saúde a realizar transplantes de pâncreas e transplantes conjugados de rim e pâncreas. O Pompéia é referência nacional em captação de múltiplos órgãos e transplantes devido ao alto índice de efetividade na doação - mais de 60% dos doadores identificados (morte cerebral) têm seus órgãos aproveitados para transplantes, contra 20% a 40% da média nacional. O Pompéia é o único centro transplantador de rim referência regional credenciado pelo Ministério da Saúde atendendo SUS e convênios 24 horas por dia.

Desde 1992, quando realizou o primeiro transplante de rim, o hospital já transplantou 102 pacientes renais. Esses transplantes têm sido avaliados com relação ao índice de sobrevida do enxerto (chance de o rim transplantado estar funcionante) e sobrevida do paciente (chance do paciente transplantado estar vivo).

O Pompéia é o primeiro hospital do interior gaúcho a receber autorização para realizar transplantes de pâncreas ou conjugado de rim e pâncreas. No Estado, apenas o Hospital São Lucas da PUC realiza transplantes de pâncreas. Para transplantes conjugados rim/pâncreas estão autorizados, além do São Lucas, a Santa Casa de Misericórdia e o Hospital de Clínicas, todos em Porto Alegre. Até agora, os pacientes da região que esperavam na fila por esse tipo de serviço estavam sendo atendidos por meio de uma parceria entre o Hospital Pompéia e o São Lucas.

Segundo o superintendente-geral do Pompéia, Francisco Soares Ferrer, o programa de transplantes de pâncreas e conjugados de rim e pâncreas estará funcionando efetivamente nos próximos meses.

 

REPORTAGEM

Romaria aponta modelo para mundo do trabalho

Caxias do Sul recebeu cerca de 10 mil pessoas no Dia do Trabalhador

 

Caxias do Sul transformou-se na casa de todos os trabalhadores gaúchos neste domingo, 1º de maio. A cidade recebeu milhares de pessoas no 10ª Romaria Estadual do Trabalhador e da Trabalhadora. Com o tema "Trabalho, fonte de dignidade, direito de todos!", foi a décima vez, desde o início da caminhada, em 1987, que a Igreja e os movimentos sociais refletiram sobre o mundo do trabalho.

A programação iniciou às 7 horas, com recepção das caravanas, representantes das 17 dioceses gaúchas. Na abertura da Romaria do Trabalhador, ainda na avenida Rubem Bento Alves, local da concentração, o bispo da Diocese de Caxias do Sul, dom Paulo Moretto, deu as boas vindas aos romeiros. Na seqüência, falaram ainda o representante da Pastoral Operária do Rio Grande do Sul, frei Orestes; padre Inácio Neutzling, da Unisinos, que fez uma contextualização da romaria, e o prefeito de Caxias do Sul, José Ivo Sartori.

Paradas - Três paradas marcaram a programação. A primeira foi diante do monumento Jesus Terceiro Milênio, para refletir sobre o rosto de tantos operários, sobre as feições dos desempregados, subempregados e os despidos pelas duras exigências das crises e dos modelos econômicos.

Na segunda parada, a vista para a cidade de Caxias do Sul, transportou os romeiros cada um para seu município, com tanta história, lutas, sonhos e a busca da cidade ideal, aquela em que homens e mulheres da roça e do meio urbano vivam de forma digna. Já a terceira parada foi nos portões da Festa da Uva, momento de agradecimento a Deus pelas nove romarias realizadas no Estado.

Depois disso, os cerca de 10 mil romeiros, segundo os organizadores do evento, participaram, nos pavilhões da Festa da Uva, da celebração eucarística presidida pelo anfitrião, dom Paulo Moretto. "O trabalho valoriza. Nunca trabalhamos sozinhos, mas juntos", destacou o bispo de Caxias do Sul durante a homilia.

"A 10ª Romaria do Trabalhador está situada no tempo em que o grande problema é o desemprego. A grande solução é a solidariedade", declarou ao CR o bispo emérito de Vacaria, dom Orlando Dotti. Foi por causa da solidariedade que Vera Lúcia Folmann Schmidt saiu às 5 horas do distrito industrial de Gravataí em direção a Caxias. "Viemos em cinco ônibus para reivindicar e protestar contra a situação dos trabalhadores", destacou ela.

Na parte da tarde, a 10ª Romaria intercalou momentos culturais com a animação da Banda Alternativa e do cantor nativista Leonardo, com pronunciamentos na tribuna popular. Entre eles, o do ministro das Cidades, Olívio Dutra. A acolhida dos romeiros se estendeu até as 16 horas.

 

Carta da CNBB destaca dignidade e liberdade

 

Pricipais trechos da Carta da Romaria, elaborada pela CNBB Regional Sul 3:

"A 10ª Romaria do Trabalhador e da Trabalhadora, imbuída da mística cristã dos trabalhadores, celebrou, neste 1º de maio, o fortalecimento das organizações populares que são sujeitos do processo de construção da nova sociedade, baseada na liberdade, na justiça e na solidariedade".

"Hoje, percebe-se o capital sobrepor-se ao trabalho. O Estado, desfigurado pelas privatizações, deixa de lado sua função central de fornecer as condições básicas para a manutenção da dignidade humana. A concentração de riquezas atinge patamares jamais vistos na história brasileira. Nesse contexto, o desemprego é a expressão mais visível do modelo econômico atual, diz a carta".

"As vozes sufocadas em Chicago, a voz silenciada de Santo Dias da Silva, Ir. Dorothy, Chico Mendes e tantas outras, caladas pelo sistema capitalista, preenchem os corações de esperança e rebeldia. "A luta é por um Brasil soberano, que não seja subserviente ao capital. O Estado brasileiro tem que servir a população", afirma o documento".

"O desafio é a alteração do atual modelo econômico. A Constituição Pastoral do Concílio Vaticano II Gaudium et Spes destaca que o homem é o protagonista, o centro e o fim de toda a vida econômico-social. Assim, inspirada no Ensino Social da Igreja, no Evangelho de Jesus Cristo e na luta do povo oprimido, a tarefa da Igreja é fortalecer as organizações populares, os movimentos sociais, as iniciativas de geração de renda, os grupos alternativos, as comunidades de base, pastorais sociais e as políticas públicas que contemplem as demandas sociais".

 

Diocese de Cruz Alta sedia evento de 2007

 

A Diocese de Cruz Alta vai sediar a 11ª Romaria do Trabalhador e da Trabalhadora, programada para o dia 1º de maio de 2007. O bispo dom Frederico Heimler aceitou o desafio no encerramento da 10ª Romaria, realizada em Caxias do Sul. "Ainda não sabemos qual a cidade vai acolher o evento", disse. Esta é a primeira vez que a Diocese de Cruz Alta sedia o encontro.

A Pastoral Operária indicou a Diocese de Cruz Alta por ser uma região com grande corpo urbano e enfrentar problemas na área do desemprego. "A próxima romaria vai seguir a reflexão do mundo do trabalho", adianta ao CR a coordenadora da Pastoral Operária do Rio Grande do Sul, Clarice Dal Médico.

 

Bispos de 9 dioceses prestigiam o evento

 

O RS está divido em 17 dioceses. Oito bispos estiveram em Caxias do Sul neste domingo, 1º de maio. Além de dom Paulo Moretto, bispo da Diocese de Caxias do Sul, anfitrião da 10ª Romaria do Trabalhador, participaram do evento o bispo de Bagé, dom Gílio Felício; de Cruz Alta, dom Frederico Heimler; de Uruguaiana, dom Angelo Salvador; de Vacaria, dom Pedro Sbalchiero Neto; de Rio Grande, dom José Mário Stroeher; de Santa Cruz do Sul, dom Sinésio Bohn, e o bispo Emérito de Vacaria, dom Orlando Dotti.

Representando o arcebispo de Porto Alegre, dom Dadeus Grings, esteve o padre Tarcísio Scherer, vigário geral, e, também, o secretário-executivo da CNBB Regional Sul 3, padre Agostinho Sauthier.

 

Um debate sobre o futuro do trabalho

Padre Gilnei Fronza

Organizador da 10ª Romaria

 

A 10ª Romaria do Trabalhador, no dia 1º de maio, culminou dois anos de um processo de reflexão, estudo e mobilização. Foram momentos de debates e aprofundamentos sobre as mudanças radicais no mundo do trabalho. Tudo indica que o direito ao trabalho está se tornando o primeiro problema do trabalho. A dignidade do trabalhador significa em primeiro lugar o direito ao trabalho.

Buscou-se também rearticular as pastorais e as forças sociais. Deste objetivo ficaram alguns aprendizados:

- com relação às pastorais sociais é preciso repensar sua prática e metodologia, assim como o acompanhamento daqueles cristãos comprometidos que ainda perseveram;

- sobre os movimentos sociais e sindicais temos um longo caminho a percorrer no sentido de construir um diálogo em que haja respeito mútuo e a capacidade de articular uma mentalidade mais solidária. Foi um momento de um profundo aprendizado.

A 10ª Romaria tornou-se um espaço estadual e unitário de memória da luta dos trabalhadores; de conscientização sobre a realidade de precarização das condições de trabalho; de escuta dos anseios e dores dos desempregados; de construção de uma nova ética que aponte para um novo contrato social; de denúncia de que as reformas sindical e trabalhista que estão em curso, de maneira discreta e não participativa necessitam contar com o debate amplo e aprofundado; que o futuro do trabalho e a sociedade que queremos está no protagonismo de nossas mãos; que o capital deve estar a serviço do trabalho; que os acordos internacionais devem levar em conta a soberania nacional.

O desafio que resultou da 10ª Romaria é integrar o debate da IV Semana Social no mutirão por um Brasil que queremos. Continuar com o trabalho na formação e fortalecimento dos grupos de economia solidária como uma alternativa ao desemprego, vencendo a mentalidade individualista e consumista.

 

AGRONEGÓCIO

Embrapa inova agricultura tropical

Em 32 anos, rendimento da lavoura saltou de 1.280 para 2.905 kg/ha e o da carne, de 15 para 45 kg/ha

 

Pelas mãos de agricultores e da pesquisa, o Brasil criou uma nova agricultura. Tão produtiva, eficiente, vigorosa e, sobretudo, tão vitoriosa quanto à dos países desenvolvidos. Na última safra, a produção de grãos do Brasil alcançou 120 milhões de toneladas. Em 30 anos, a colheita simplesmente quadruplicou. No seu rastro, aumentaram também a produção de carne, hortaliças, frutas, flores, fibras, e essências florestais.

O crescimento mais relevante foi o da produtividade. O rendimento médio das lavouras saltou de 1.280 para 2.905 kg/ha e o da carne cresceu de 15 kg/ha para 45 kg/ha. No conjunto, a agricultura brasileira tem expandido a sua capacidade de produção à taxa de 4% ao ano.

E, assim, o Brasil criou uma poderosa cadeia produtiva, o agronegócio, que congrega desde a pequena propriedade de base familiar até as grandes empresas rurais e agroindustriais. Juntas, respondem por 33% do PIB nacional, contribuem com 42% do valor das exportações e empregam 37% da população economicamente ativa.

Essa nova agricultura é singular. "Ela foi criada especialmente para as condições de clima e de solos dos trópicos, amparada e em simbiose com a sua biodiversidade", disse o presidente da Embrapa, Silvio Crestana, nos 32 anos da instituição, festejados no dia 26 de abril, com a presença dos ministros da Agricultura, Roberto Rodrigues, e da Aqüicultura e Pesca, José Fritsch.

Para Crestana, a contribuição mais importante da pesquisa agropecuária brasileira não terá sido uma ou outra tecnologia isolada, mas a criação de um conjunto de plantas, animais, máquinas e práticas que cristalizam um modo de produzir totalmente diferente do que se praticava até o início dos anos 70.

Tropical - A nova agricultura tropical distingue-se pelo elevado índice de inteligência e conhecimento agregados às práticas produtivas e pela nova geografia da produção, redesenhada a partir do aproveitamento dos cerrados e do semi-árido nordestino como áreas nobres para a produção de grãos, carnes, frutas, hortaliças e fibras.

A nova e moderna agricultura tropical está enriquecendo o Brasil e melhorando a vida, não apenas dos agricultores, mas de todos os brasileiros. Ela criou, no interior, movimento de ampla mobilidade social, transformando em inclusão o que antes era ameaça de marginalização. "A Embrapa está interiorizando o desenvolvimento.", declara o presidente Silvio Crestana.

Outra dimensão da democratização embutida nesse processo de modernização é o acesso dos pequenos agricultores à nova tecnologia de produção. Hoje, o Brasil se notabiliza pelas políticas que estimulam a modernização, tais como a de crédito, de assistência técnica e de insumos.

A moderna agricultura tropical pode também beneficiar o mundo. "Pela primeira vez tem-se a possibilidade concreta de se enfrentar a fome endêmica, instalada exatamente na faixa tropical da América Latina, África e Ásia, pois o que aconteceu com o interior do Brasil pode, com a ajuda da Embrapa, ser repetido nesses continentes", prevê.

 

Lançadas cultivares de soja transgênica

 

Na solenidade de comemoração dos seus 30 anos, a Embrapa Soja, com sede em Londrina, no Paraná, lançou, dia 20 de abril, 13 cultivares de soja transgênica para todo o Brasil, sete cultivares convencionais e duas de trigo para o Paraná. A multiplicação das sementes de soja modificadas geneticamente (OGMs) foi realizada por 250 produtores de sementes de oito fundações de apoio à pesquisa, de todas as regiões produtoras.

"A Embrapa e seus parceiros produziram semente em 26,8 mil hectares, resultando em 670 mil sacas, que serão multiplicadas novamente na safra 2005/06, antes de chegarem, em grande escala, às mãos dos agricultores brasileiros", explica o gerente de propriedade intelectual da Embrapa, Filipe Teixeira.

A Embrapa desenvolve pesquisa com transgênicos desde 1996, quando a instituição, em parceria com a iniciativa privada, passou a incorporar às suas cultivares de soja genes que são tolerantes a herbicidas. Desde então, firmou contrato de pesquisa com a empresa Monsanto que permitiu o acesso ao gene que confere resistência à planta de soja ao herbicida roundup ready (RR), cujo princípio ativo é o gliphosate.

 

Inseticida biológico controla borrachudo

 

Por ocasião do aniversário, a Embrapa Recursos Genéticos lançou inseticida biológico capaz de controlar o mosquito transmissor da dengue (Aedes aegypt). O produto foi desenvolvido em parceria com a empresa Bthek Biotecnologia. O trabalho foi coordenado pela pesquisadora Rose Monnerat.

O inseticida biológico, denominado Bt-horus, é eficaz também contra o borrachudo (Simullium spp), que, além de ter uma picada dolorida, pode causar alergia e prejudicar a vida dos trabalhadores rurais, o turismo e a agropecuária, pois também causa estresse em animais.

 

Tecnologias ampliam fronteira e eficiência

 

Tecnologias geradas pelo Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária (SNPA) mudaram a agricultura brasileira. Um conjunto de tecnologias para incorporação dos cerrados no sistema produtivo tornou a região responsável por 40% da produção brasileira de grãos, uma das maiores fronteiras agrícolas do mundo.

A soja foi adaptada às condições brasileiras e hoje o país é o segundo produtor mundial. A oferta de carne bovina e suína foi multiplicada por três vezes enquanto que a de frango aumentou 10 vezes. A produção de leite aumentou de 7,9 bilhões em 1975 para 21 bilhões de litros, em 2002, e a produção brasileira de hortaliças elevou-se de nove milhões de toneladas, em uma área de 700 mil hectares, em 1980, para 15,7 milhões de toneladas, em 806,8 mil hectares, em 2002.

Além disso, programas de pesquisa específicos conseguiram organizar tecnologias e sistemas de produção para aumentar a eficiência da agricultura familiar e incorporar pequenos produtores no agronegócio, garantindo melhoria na sua renda e bem-estar. "Cada 10% de crescimento da agricultura, o setor está gerando de 5% a 9% de crescimento na cidade com enorme impacto social na vida das pessoas", analisa Silvio Crestana, presidente da instituição.

 

Empresa mantém 37 centros de pesquisa

 

A Embrapa foi criada em 26 de abril de 1973. Sua missão é viabilizar soluções para o desenvolvimento sustentável do espaço rural, com foco no agronegócio, por meio da geração, adaptação e transferência de conhecimentos e tecnologias. A empresa atua por intermédio de 37 centros de pesquisa, três serviços e 11 unidades centrais, estando presente em quase todos os Estados.

Para chegar a ser uma das maiores instituições de pesquisa do mundo tropical, a Embrapa investe, sobretudo, no treinamento de recursos humanos. Possui 8.619 empregados, dos quais 2.221 são pesquisadores, 45% com mestrado e 53% com doutorado, operando um orçamento da ordem de R$ 660 milhões anuais.

Na área de cooperação internacional, mantém 275 acordos de cooperação técnica com 56 países e 155 instituições de pesquisa internacionais. Instalou laboratórios para desenvolvimento da pesquisa em Washington, nos Estados Unidos, e Montpellier, na França.

Está sob a sua coordenação o SNPA, constituído por instituições públicas federais, estaduais, universidades, empresas privadas e fundações, que, de forma cooperada, executam pesquisas nas diferentes áreas geográficas e campos do conhecimento científico.

 

Safra de uva beira 490 milhões de kg

Quebra sobre 2004 atinge 18%; qualidade é muito superior

 

O Rio Grande do Sul colheu em 2004 cerca de 485 milhões de quilos de uva. A informação tem como fonte a Divisão de Enologia da Secretaria da Agricultura do Estado. Na sexta 29, o chefe da Divisão, Plínio Manosso, tinha computados 483,587 milhões de quilos e trabalhava com a perspectiva de que ainda faltavam ser acrescidos aos seus controles em torno de 5 milhões de quilos. "A safra 2004 ficará entre 485 e 490 milhões de quilos", projetou Manosso ao CR.

Considerando o número mais elevado, a quebra em relação aos 597 milhões de quilos colhidos no ano passado é de 18%, percentual que surpreende positivamente, em especial pelos estragos causados pela forte estiagem em algumas áreas da Serra gaúcha. A expectativa de lideranças de produtores era de quebra entre 25% e 30%, percentuais que foram verificados em vinhedos mais afetados pela seca. "É preciso considerar ainda novos vinhedos em produção", adverte Manosso, quantidade que poderá ser esclarecida pelo cadastro vitícola.

Do total de uva produzido em 2005, 85% são de variedades comuns. Só de Isabel foram mais de 352 milhões de quilos - brancas outros quase 50 milhões e rosada 13 milhões de quilos. O restante é de viníferas, com destaque para as tintas (cerca de 40 milhões de quilos).

Se há lamento pela quantidade, sobram motivos para festejar a qualidade da safra. A graduação média em 2005 apurada pela Divisão de Enologia - com base em declarações fornecidas pelas empresas - chegou a 15,57 graus (teor de açúcar na uva). Ela supera 2004, quando foram detectados bons 14,85 graus e fica muito acima de 2003 (veja tabela). As tintas viníferas se destacam, com média de 18,08 - a variedade cabernet sauvignon atingiu 18,56 graus (contra 17,17 em 2004 e 15,64 em 2003), e a merlot, 18,14 (16,94 em 2004 e 15,77 em 2003).

 

Brasil sedia conferência mundial sobre reforma agrária

 

O Brasil vai sediar, no próximo ano, a Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural. A promoção da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) busca discutir a reforma agrária e o desenvolvimento rural como políticas de redução da pobreza. O anúncio foi feito na terça, 26, pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto.

A Conferência deverá reunir representantes de 188 países. A última conferência internacional sobre reforma agrária da FAO ocorreu em 1979, em Roma. Para o ministro, um dos grandes desafios dos governos é fazer com que os acordos internacionais traduzam as prioridades brasileiras. "A idéia é fazer um grande debate, que colabore com essa agenda internacional que o país está procurando protagonizar: combate à fome, direito das nações a uma estratégia de desenvolvimento e o desenvolvimento rural", afirmou Rossetto.

O Comitê de Agricultura da FAO informou que a conferência internacional será um elemento importante para a implementação de metas estabelecidas na Agenda 21 e para promoção do desenvolvimento rural e agrícola sustentável. Além disso, deverá ajudar na mobilização internacional em apoio ao acesso dos pobres à terra, nos serviços de apoio ao desenvolvimento rural, na redução da pobreza dentro do contexto compreensivo do desenvolvimento e na discussão para troca de informações sobre políticas nacionais e internacionais de cooperação.

 

Expoclara exibe força da pecuária leiteira

 

Mais de 12 mil pessoas, entre elas o governador do Estado, Germano Rigotto, conferiram a força da pecuária leiteira e a produção de leite e derivados durante a Exposição de Gado Leiteiro, Máquinas e Produtos (Expoclara), encerrada no domingo, 24, em Carlos Barbosa.

A promoção da Cooperativa Santa Clara recebeu a inscrição de 224 animais das raças jersey e holandês. A grande campeã da raça jersey (Margarida) é de propriedade de Leandro Thums, de São Luiz, Carlos Barbosa. A campeã fêmea jovem, Linda Duke, é de Alexandre Althaus, de Desvio Machado, também em Carlos Barbosa.

A grande campeã da raça holandesa (Perla) pertence à família Tang, Linha Paese, em Farroupilha. Já a campeã fêmea jovem (Letícia) é de propriedade de Eloi Gallina, localidade São Paulo, interior de Carlos Barbosa.

Os animais inscritos na Expoclara são registrados e habilitados a participarem de feiras e exposições em todo país. "Além de ser uma garantia, o registro valoriza a pecuária", explica João Seibel, diretor da área de animais da Santa Clara. Em dez anos de Expoclara, a produtividade leiteira pulou de 33,8 litros por propriedade para 130 litros/propriedade.

 

Coopeixe investe para modernizar frigorífico

 

A Cooperativa Regional de Piscicultores (Coopeixe), com sede em Panambi (RS), recebeu R$ 280 mil da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca (Seap). O dinheiro será aplicado na modernização do frigorífico e na aquisição de um caminhão para transportar o peixe vivo dos criadouros até a cooperativa.

De acordo com o secretário da Fazenda de Panambi, Nathanael Mucke, a cooperativa concentra a distribuição de 1.800 toneladas de peixe produzido em 11 municípios da região. "Somente o município de Ajuricaba produz 560 toneladas de peixe por ano", revela Mucke.

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

Taquaras e bambus

Nos meus 50 anos de idade estou tendo a segunda oportunidade de observar o florescimento da taquara aqui conhecida como Chusquea. Na ocasião anterior, exceto pela curiosidade do raro fenômeno, não dei tanta importância, devido, talvez, à abundância de taquarais que havia. Este ano dediquei-me à coleta de sementes muito parecidas com grãos de trigo ou de cevada. Gostaria de introduzir a espécie em locais onde foi extinta. Gostaria de saber sobre o plantio, a melhor época, a profundidade das mudas e outras recomendações que agradeço.

WALDEMAR CASALETTI

Videira - SC

 

As espécies de taquaras e bambus pertencem à subfamília Bambusoídeas da família das Gramíneas. De acordo com o botânico brasileiro João Decker "bambus e taquaras são os gigantes da vasta família das gramíneas alcançando alguns exemplares 30 metros ou mais de altura.

As espécies das Bambusídeas formam associações bastante fechadas em virtude de seus rizomas emitirem sempre novos brotos e produzirem verdadeiras touceiras.

Os caules externos tipo colmo têm internós cilíndricos, lignificados em geral, ocos, articulados com nós curtos e sólidos. As folhas são simples, lineares ou lanceoladas, pontudas. A estrutura floral - como nas demais gramíneas - é fortemente modificada exigindo muita atenção de quem as examina.

A inflorescência, no caso das taquaras e dos bambus, denominada "espiguilha" consta de 4 a 6 flores e nestas os elementos reprodutores são 6 estames e um ovário súpero tricarpelar unilocular com um só óvulo. O fruto, típico das gramíneas, é o "cariopsis", com semente única, fundida ao pericárpio. Fruto e semente são uma coisa só. São muito abundantes e comestíveis. No Oriente, as populações as consomem com arroz.

Gêneros e espécies - O que é fato nas taquaras e bambus é a raridade da ocorrência de floração intervalos de 10, 20, 30 e mais anos. O amigo já constatou duas florações em seu taquaral. Este fato dificulta a identificação e classificação pelos cientistas dos gêneros e espécies, pois, para tanto, o exame da estrutura floral é fator decisivo que só pode ser efetuado durante a floração que só ocorre a intervalo de muitos anos.

Por tal razão há muita controvérsia na denominação científica de alguns grupos, tidos então, como sinônimos. Exemplos: Taquaruçú Chusquea, gandi-houdii nome científico de uns e Bambusa riograndensis de outros; Taquara lixa, Merostachys anômala e Bambusa taquara, Taquara mansa; Merostachys speciosa e Merostachys burdellii.

Quanto à subfamília Bambusoídeas compreende diversos gêneros com muitas espécies. O principal gênero é o Bambusa, e outros importantes como Chusquea - o gênero da espécie de sua taquara - Merostachys, Guadua e outros. Exemplos: Bambu comum, Bambusa vulgaris, taquara comum no RS. Bambusa tuldoidas, Taquari; Chusquea uruguayansis, Taquara brava (espinhosa), Guadua trinii.

Propagação vegetal: por meio de brotos enraizados, ou por divisão das touceiras, ou por colmos deitados no sulco como se faz no plantio da cana, ou, ainda, por estacas de colmo com 3 a 5 nós enterrados até a metade do comprimento, inclinados.

Época de plantio: qualquer, não faltando chuva ou irrigação. Mas a preferência é a entrada da primavera. Cada muda deve constar de colmo cortado com 2 a 3 nós, a partir da base e a respectiva parte subterrânea (rizoma). A propagação por semente só será possível, quando ocorrer florescência e frutificação, fenômeno que o amigo teve a sorte de constatar. Semeada em seguida, produzirá as mudas a serem posteriormente plantas.

 

SAÚDE

Nova vacina protege as mulheres contra o HPV

Vírus está relacionado à maioria dos casos de câncer de colo de útero

 

A luta contra o HPV (papiloma vírus humano) acaba de ganhar um forte aliado; uma vacina. Batizada, por enquanto, de Gardasil, sua taxa de eficácia chega a 90%. Para ter uma idéia da importância dessa vacina, basta dizer que o HPV ocupa o primeiro lugar no ranking das doenças virais sexualmente transmissíveis. As principais vítimas do vírus são as mulheres. Sete de cada dez são infectadas ao longo da vida. Além disso, o HPV está relacionado à maioria dos casos de câncer de colo de útero. Esse é o segundo tipo de tumor maligno mais freqüente entre as mulheres brasileiras e o quarto que mais mata. A vacina, fabricada pelo laboratório Merck Sharp & Dhome, deve chegar ao Brasil em meados do próximo ano.

Os resultados da pesquisa sobre a vacina foram publicados na revista científica inglesa Lancelot Oncology. O estudo foi coordenado pela bióloga brasileira Luisa Lina Villa, do Instituto Ludwig de Pesquisas Sobre o Câncer, de São Paulo, e contou com a participação de mais 17 centros de estudos.

Segundo os especialistas, existem cerca de 100 subtipos de HPV, mas quatro são os mais comuns e perigosos. Os subtipos 16 e 18 são responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo de útero. Já os HPV 6 e 11 estão associados a mais de 90% das ocorrências de verrugas genitais, lesões que podem levar a disfunções sexuais e também evoluir para um tumor maligno. É justamente contra essas quatro versões de HPV que a vacina oferece proteção. Os estudos comprovaram eficácia de 100% contra os subtipos 6 e 11 e de 90% contra os HPV 16 e 18.

A idéia é de que a vacina seja administrada em mulheres que ainda não iniciaram a vida sexual, para prevenir uma contaminação por HPV no futuro. As pessoas sexualmente ativas só se beneficiarão da nova terapia se não estiverem infectadas.

A maioria das contaminações por HPV, 90%, ocorre por contato sexual com uma pessoa infectada. Os 10% restantes contaminam-se por compartilhar com o portador do vírus roupas íntimas, sabonetes, toalhas de banho, entre outros utensílios contaminados. O vírus aloja-se preferencialmente nas regiões genitais. O HPV infecta homens e mulheres, mas é entre elas que provoca os danos mais graves. Neles pode causar verrugas genitais e câncer de pênis, mas esse tipo de tumor é raro.

 

Vírus deixa organismo vulnerável a outras infecções

 

Nem todas as mulheres contaminadas por HPV apresentam problemas. Muitas das infecções regridem espontaneamente, mas uma parcela pode resultar em lesões pré-cancerosas, como verrugas por exemplo, que se não forem tratadas dão origem a tumores malignos.

Mesmo quando o câncer não se manifesta, a simples existência das lesões torna as mulheres mais vulneráveis a infecções por outras doenças sexuais, inclusive a Aids. Segundo pesquisas, há 18 vezes mais chances de uma pessoa infectada com HPV ser contaminada também pelo vírus HIV.

Hoje, a melhor forma de prevenção contra o papiloma vírus humano é o uso da camisinha. O exame ginecológico chamado de Papanicolau também é muito importante. Ele é capaz de detectar as lesões causadas pelo HPV – quanto mais cedo forem descobertas, maiores as chances de eliminação do vírus. Mesmo com o surgimento da vacina, recomenda-se que o exame seja feito anualmente ou sempre que se observar o aparecimento de lesões ou outros sinais incomuns.

Os tratamentos disponíveis atualmente contra o HPV limitam-se a remover o tecido doente ou a reforçar o sistema imunológico. Uma vacina contra esse vírus é um sonho antigo da medicina. Há pelo menos cinco delas sendo testadas em vários centros de pesquisa espalhados pelo mundo.

 

Vacina é produzida a partir de proteína

 

Durante três anos, os pesquisadores acompanharam quase 1.200 mulheres com idade de 16 a 23 anos. Elas eram saudáveis, sexualmente ativas e tinham hábitos de vida semelhantes. As participantes da pesquisa foram divididas em quatro grupos. Três foram imunizados com diferentes doses de vacina e um recebeu placebo. A primeira dose foi dada no primeiro dia e as outras no segundo e no sexto mês. As voluntárias foram acompanhadas até 30 meses após a última dose.

Ao término dos estudos, o número de mulheres contaminadas por HPV foi nove vezes maior no grupo que recebeu apenas placebo do que naquele que recebeu a menor dosagem da vacina. O próximo passo é testar a eficácia da imunização numa quantidade maior de voluntárias. Os primeiros resultados dessa terceira fase da pesquisa devem ser colhidos no final do ano. A estimativa é que a vacina chegue ao Brasil em 2006. Além disso, os pesquisadores vão continuar acompanhando as mulheres já vacinadas para determinar o prazo de validade da vacina, atualmente estimado em quatro anos.

A vacina é produzida a partir de uma proteína encontrada na superfície do vírus e sintetizada em laboratório. Como não contém material genético, não há riscos de a vacina desencadear lesões ou câncer de colo de útero. Injetada no paciente, de modo intramuscular, ela deflagra a produção de anticorpos específicos contra o HPV. Na presença de um vírus real, o sistema imunológico inicia um contra-ataque, impedindo a entrada do microorganismo nas células.

 

Tratamentos contra o HPV

Terapias atualmente disponíveis contra o papiloma vírus humano e o que promete a vacina

 

Cauterização: as lesões são destruídas com o uso de laser, ácido, bisturi elétrico ou de produtos à base de podofilotoxina, uma substância cáustica.

Eficácia: 50% - Apesar da retirada do foco principal da infecção, há sempre o risco de o tecido ao redor também estar contaminado.

Cirurgia: consiste na remoção do tecido doente com bisturi ou mediante o uso de ondas eletromagnéticas de alta freqüência.

Eficácia: 70% - Mesmo com a retirada do foco principal da infecção, há risco de o tecido em volta também estar contaminado.

Medicamentos: pomadas especiais reforçam o sistema imunológico do paciente no combate ao HPV.

Eficácia: 75% - Porém, esse tratamento é indicado sobretudo nos casos de lesões externas.

Vacina: estimula a produção de anticorpos específicos contra o papiloma vírus humano. A imunização requer três doses.

Eficácia: em 90% dos casos estudados evitou a infecção pelos HPV 16 e 18, responsáveis pela maioria dos casos de câncer de colo de útero. Por enquanto, só é indicada para mulheres que ainda não tiveram contato com o vírus. Até agora, demonstrou eficácia de quatro anos, mas as pesquisas continuam e podem indicar uma validade maior.

 

ALIMENTAÇÃO & SAÚDE

Tomate ajuda evitar coágulos

 

Além de prevenir o câncer de próstata, o tomate acaba de provar sua eficácia contra a formação de coágulos de sangue, que levam a problemas cardíacos e ao acidente vascular cerebral (AVC). A descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade de Newcastle, na Austrália.

Eles recrutaram 20 pacientes que sofriam de diabetes tipo 2, suscetíveis à formação de coágulos nas artérias. Um grupo tomou suco de tomate por três semanas, enquanto outro ingeriu outra bebida qualquer. A primeira turma reduziu os coágulos em um terço. Os cientistas suspeitam que uma substância chamada P3, encontrada na polpa em torno das sementes, produza o benefício.

 

OPINIÃO

Bento XVI: um Papa Teólogo

Maria Clara Lucchetti Bingemer

Passada a perplexidade, a atitude mais correta em relação a Bento XVI é de esperança, em especial para o exercício da teologia, tão importante para alimentar a fé

 

Para aqueles que, como eu, estudaram teologia nos anos de 1970, o nome de Joseph Ratzinger era uma constante presença nos textos e livros com os quais aprendíamos os diferentes tratados ou disciplinas teológicas. Seu belíssimo livro "Introdução ao Cristianismo", um profundo comentário teológico sobre o Credo, marcou meu estudo do tratado de Deus Uno e Trino. Assim também seu outro livro, "O novo povo de Deus", foi meu manual de curso ao estudar o tratado de Eclesiologia.

Não se restringem apenas a estes títulos, evidentemente, as obras do teólogo Joseph Ratzinger. São inúmeros livros, artigos, textos que refletem uma teologia sólida, que recolhe o melhor do Concílio Vaticano II, com uma beleza e clareza de estilo raramente encontradas entre os de sua geração na teologia européia.

Depois acompanhei seu desempenho à frente da Sagrada Congregação para a Doutrina da fé. Assisti aos seus embates com teólogos da América Latina, Ásia e alhures, na preocupação da defesa da pureza da doutrina. Li também os documentos que produziu como prefeito da Congregação. Destacaria "Sobre alguns pontos da meditação cristã", de 1989, sobre a oração, e a tão discutida "Dominus Iesus", do ano 2000. Apesar dos sentimentos que provocaram estes documentos e outros emanados de seu pensamento, ali estava, em plena atividade, o teólogo, ou seja, aquele que recolhe o dado revelado e procura pensá-lo em total fidelidade à revelação e à tradição da Igreja.

Não foi portanto sem surpresa que ouvi seu nome anunciado pelo cardeal Medina como o novo Papa. Sempre pensei no atual Papa como um intelectual que punha ao serviço da Igreja sua inteligência e a formação recebida para construir uma reflexão teológica. Um pesquisador, um pensador, essa era a imagem que eu tinha do Cardeal Ratzinger.

Agora, enquanto o ouvia dirigir suas primeiras palavras aos fiéis ali reunidos, procurava vê-lo sob novo prisma, revestido de sua nova identidade: a de Papa Bento XVI, Pastor Supremo da Igreja Católica, responsável pelos muitos milhões de católicos do mundo inteiro. Via os olhares da humanidade, de oriente a ocidente, voltados sobre ele, e enquanto me acostumava a observar revestido das vestes brancas papais o não mais Cardeal Joseph Ratzinger, mas sim Papa Bento XVI, chefe da minha Igreja, sondava meu coração e as expectativas que tenho sobre seu pontificado.

Evidentemente, um papa teólogo é uma garantia de ter à frente da Igreja alguém inteligente, pensante e ciente dos desafios e pontos críticos com os quais a teologia deve dialogar hoje. Linguagem posterior à da revelação e da fé, a teologia é palavra humana aderente e aderida à Palavra de Deus, devendo expressar nas diferentes culturas e situações o que Deus está dizendo hoje aos homens e mulheres de hoje.

Neste sentido, o desafio de Bento XVI, o papa teólogo, é imenso. Como pontífice, recebe um mundo marcado pela pluralidade e pelas aceleradas mutações. Certamente não deixará de pensar sobre elas como teólogo, mas é agora chamado a fazê-lo sobretudo como pastor.

E como pastor seu foco sobre as questões doutrinárias será necessariamente diferente, uma vez que não estará mais dialogando apenas com seus pares, mas com todo tipo de pessoas; sua atitude deverá ser outra, uma vez que, além de pensar, agora é sobretudo chamado a velar com paternal solicitude sobre todo o rebanho do Senhor que lhe foi confiado pelo colégio dos cardeais.

Por isso, diante do papa teólogo, passada a primeira perplexidade, creio que a atitude correta é a esperança. Esperemos que de seu pontificado brotem frutos de tempos mais risonhos para o exercício da teologia, tão importante hoje para alimentar a fé e a esperança do povo de Deus.

 

A catolicidade do novo Papa

Frei Betto

Em 2002, 32,9% da população mundial era cristã; 19,8%, muçulmanos; 13,3% hindus; 12,5% não religiosos... Queira Deus que o Papa abra as portas da Igreja para os novos tempos da história

 

José Oscar Beozzo, historiador da Igreja, assinala que, ao contrário do que pensam muitos ocidentais, o catolicismo não é uma confissão religiosa com uma só cara: a romana. Chamo de confissão religiosa porque o catolicismo é um dos ramos da frondosa árvore da religião cristã.

O papa Bento XVI terá, sob seus cuidados, fiéis espalhados por 240 países, nos quais os católicos são pouco mais de 1 bilhão da população mundial, o que representa 52,8% do número de cristãos.

É na liturgia que uma Igreja tem a sua marca registrada. A católica conta com seis ritos litúrgicos diferentes: o latino, adotado na maioria das paróquias brasileiras, e mais cinco orientais (bizantino, caldeu, antioqueno, alexandrino e armeno). Não se pense que o latino é uniforme. O progressivo processo de inculturação da Igreja faz com que ele adquira conotações distintas em Roma, Fortaleza, Manila ou Goa.

O rito bizantino é adotado por católicos ucranianos e russos e pelas Igrejas grecocatólicas: fiéis do patriarcado de Antioquia, Alexandria e Jerusalém; romenos e búlgaros; fiéis da Sérvia, da Macedônia e da Croácia; da República Tcheca e da Eslováquia; ítalo-albaneses orientais com dioceses na Albânia e no sul da Itália; paróquias da Calábria e de Piana, na Sicília; a abadia de Grottaferrata.

O caldeu predomina entre os caldeus-malabares da Índia e é encontrado em comunidades da Sérvia e do Iraque. O antioqueno tem sua maior expressão nos maronitas do Líbano e entre fiéis da Síria, do Líbano, da Palestina e, como todos os demais ritos, entre comunidades emigrantes. O alexandrino é o rito dos coptas católicos do Egito e dos católicos da Etiópia. O armeno é encontrado na Armênia e entre emigrantes daquele país.

Até o Concílio de Trento (1454-1463), o catolicismo romano era conhecido como Igreja Latina, em oposição ao Oriente cristão. Muito antes de Lutero, a Igreja rachou em 1054: as comunidades do Oriente se recusaram a ser governadas pelo bispo de Roma, o papa, e passaram a se denominar "ortodoxas", em contraposição à latina que, segundo elas, havia se desviado da ortodoxia.

Com a cisão provocada por Lutero (séc. XVI), a Igreja Latina passou a ser conhecida como Igreja Católica, Apostólica, Romana. Os católicos vinculados aos patriarcados orientais, e conhecidos desde o século V por "melquitas", aceitam a autoridade do papa, mas não admitem ser chamados de "romanos" ou "latinos".

Dentro da Igreja Católica há igrejas que conservam identidade própria. A de Milão adota o rito ambrosiano, do século V. A de Toledo, na Espanha, o rito mozarábico em algumas paróquias e capelas. E nós, frades dominicanos, temos também rito próprio.

Dados de 2002 indicavam que 32,9% da população mundial era cristã (cerca de 2 bilhões de pessoas); 19,8%, muçulmanos; 13,3% hindus; 12,5% não religiosos (indiferentes, agnósticos, livres pensadores); 6,6% outras religiões; 6,4% religião popular na China (deidades locais, veneração de antepassados, taoísmo etc.); 5,9% budistas; 2,4% ateus; e 0,2% judeus. (Fonte: Encyclopaedia Britannica - Book of the Year 2003, p. 306).

Dois terços da humanidade não são cristãos (67,1%). E nos últimos anos tem sido regressivo o número de cristãos e progressivo o de muçulmanos (1,2 bilhão de fiéis).

No Brasil são católicos 73,9% da população. Em 1991 éramos 83% e, em 1980, 89%. Essa redução ocorre por vários motivos, entre os quais elenco a dificuldade de a Igreja Católica profissionalizar seus meios de comunicação, como o fazem as igrejas evangélicas; desclericalizar o trabalho apostólico; e de investir mais na Pastoral da Juventude.

Procure-se um templo católico às 3h da tarde. Salvo exceções, estará fechado, cercado de grades, sem quem atenda o fiel. Faça o mesmo numa igreja neopentecostal às 3h da madrugada: à bocarra aberta na calçada, entrada de antigo cinema, estará um pastor preparado para encaminhar ao novo redil a ovelha desgarrada.

Queira Deus que o papa Ratzinger venha, como João XXIII, abrir portas e janelas da Igreja para os novos ventos que sopram da história. Caso contrário, teremos uma Igreja muito ortodoxa e pouco amorosa.

 

Meio ambiente

Degradação atinge no mínimo 60% do ecossistema da Terra

Situação tende a piorar em poucos anos, alerta relatório

 

Pelo menos 60% da água doce, da vida marinha, do solo e do clima no planeta registram um alto grau de degradação ou são usados de forma insustentável. Nos próximos anos, a tendência é o agravamento da situação, com prejuízos para a sobrevivência do homem. Os dados estão no relatório da Avaliação Ecossistêmica do Milênio, que foi apresentado no mês passado pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds), na sede da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf).

A Avaliação Ecossistêmica do Milênio começou a ser feita em 2001, por iniciativa do Secretário Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, para contribuir para o alcance das Metas do Milênio. Definidas pelos países integrantes da ONU em 2000, as oito Metas do Milênio prevêem a melhoria das condições de vida em relação à educação, saúde, igualdade de gênero, desenvolvimento econômico e ambiental até 2015.

Pelo menos 1.300 especialistas de 95 países participaram voluntariamente do estudo, que tem dez mil páginas. O trabalho apresenta dados preocupantes, mas conclui que ainda há tempo para mudanças e pretende ser um alerta às autoridades no desenvolvimento de políticas de preservação dos ecossistemas.

Desmatamento - De acordo com Fernando Almeida, presidente executivo do Cebds, essa é a mais importante avaliação já feita porque relaciona meio ambiente e economia. O estudo trata de 24 serviços que são prestados pela natureza para o ser humano e para as empresas. Destes, 15 estão em processo avançado de degradação. Por exemplo, a pesca no mundo se reduziu profundamente e há escassez de água.

Segundo Almeida, os dois itens que mais preocupam estão ligados à mudança do clima e ao acesso a nutrientes no mundo. "No caso do Brasil, ainda temos bastante acesso à água, de forma diferenciada nas regiões. Agora a questão do desmatamento, sem dúvida, é crucial", considerou. Nesse ritmo de desmatamento, conforme declarou o presidente do Cebds à Agência Brasil, "em algumas décadas teremos não mais uma floresta exuberante, mas talvez um cerrado, uma parte desertificada, onde todas as características de perda para a sociedade existirão não só quanto à madeira, mas também em relação a perdas genéticas".

Para o presidente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Marcus Barros, o estudo é importante porque mostra caminhos para a execução de políticas públicas e conscientização do empresariado. "O estudo nos dá o indicativo: preserve a biodiversidade, numa idéia de que o desenvolvimento seja realmente sustentável. Há dados científicos e concretos para a diminuição do impacto no processo de desenvolvimento", disse.

 

Astronautas vêem destruição da Terra

 

O astronauta russo Salizhan Sharipov e o seu colega americano Leroy Chiao afirmaram na semana passada em Moscou que durante os quase sete meses que ficaram a bordo da Estação Internacional (ISS) viram a elevada contaminação do planeta. "É triste ver o que está ocorrendo na Terra. Era doloroso ver a fumaça das fábricas e a contaminação da natureza", disse Sharipov no primeiro encontro com a imprensa após retornar da ISS, em 25 de abril.

Junto com Sharipov e Chiao estava o italiano Roberto Vittori, astronauta da Agência Espacial Européia, que esteve oito dias na ISS e voltou com os dois astronautas no domingo passado na nave russa Soyuz TMA-5. "Vimos a contaminação que a indústria produz. Notamos isso especialmente no sudeste asiático, onde a cortina de fumaça nos impedia de fotografar a região", destacou o russo.

Os astronautas disseram que foram bem-sucedidas as experiências biológicas, como o cultivo de plantas no espaço, as pesquisas com caracóis e grilos e as provas de regeneração celular com platelmintos.

Dentro do programa de observações da Terra, os astronautas afirmaram que fracassou a tentativa de fotografar a Grande Muralha da China, porque da ISS se vê uma via que se confunde com a construção. Os astronautas também contaram detalhes sobre as duas caminhadas espaciais, entre elas o lançamento que o russo fez de um microsatélite, lançado com a mão como se fosse uma bola.

 

Brasil mantém a liderança na reciclagem

 

O Brasil manteve, pelo quarto ano consecutivo, a liderança no ranking mundial de reciclagem de latas de alumínio para bebidas. Em 2004, foram recicladas 95,7% das latas comercializadas no país, 6,7 pontos percentuais acima do índice obtido em 2003 (89%). Em 12 anos, o país quase triplicou o índice de reciclagem, que era de 39,4% em 1992.

De acordo com dados da Associação Brasileira do Alumínio e da Associação Brasileira dos fabricantes de Lata de Alta Reciclabilidade, foram recicladas no ano passado 121,3 mil toneladas de latas. Esse volume permitiu emprego e renda para cerca de 160 mil pessoas - da coleta até a transformação final da sucata. A reciclagem beneficiou ainda 16 mil escolas e outras instituições cadastradas em programas. Ainda conforme as entidades, o alumínio de uma lata demora em média apenas 30 dias para voltar ao mercado como matéria-prima.

 

Especial

IGREJA É A PROFETISA DA ESPERANÇA

A definição é do padre Leomar Brustolin, levando em conta as mudanças que fragilizam o homem moderno. Doutor em Teologia Sistemática (pela Pontifícia Universidade São Tomás de Aquino, de Roma), professor da PUCRS e pároco da Catedral Diocesana de Caxias do Sul, ele aborda também a volta ao sagrado, a contribuição cada vez mais essencial dos leigos, o legado de João Paulo II e o futuro da humanidade. Nessa projeção,o padre caxiense de 38 anos conclui que os cristãos são semeadores de uma nova esperança e que é tempo de plantar sem exigir a colheita

Leomar Brustolin

Pe. diocesano, doutor em Teologia

 

Vivemos um tempo fascinante, tanto pelas novas tecnologias e recentes avanços na área da ciência, quanto pelas atrocidades e barbáries que repetem dramas que pensávamos pertencer ao passado. A maioria das pessoas, contudo, vive numa aceleração tão forte que não percebe as profundas alterações que o tempo moderno comporta. Muitos são engolidos pelo frenesi do cotidiano. A velocidade e a força das mudanças fragilizam o ser humano moderno, deixando-o vulnerável. Decorrência dessa aceleração é a fragmentação do ser. Num mundo globalizado o ser humano sente-se cada vez mais repartido entre o seu ser e seu agir, seus desejos e suas necessidades, sua vontade e pelas imposições externas que sofre. Entre luzes e sombras caminha a humanidade. A Igreja e a Teologia vivem nesse contexto e interagem neste cenário. A missão de assumir a complexidade do momento histórico em que se vive sempre foi tarefa de pastores e teólogos cristãos. Como outrora, a Igreja é chamada a ser a profetisa da esperança, anunciadora e colaboradora na construção da paz.

Alteridade - Atualmente há uma consciência cada vez maior do valor do sujeito, de sua liberdade e autonomia. A pessoa passa a ser protagonista de sua existência. Quem decide a vida não é mais o grupo ou a coletividade, mas a atitude pessoal de alguém diante da história. Por outro lado, há esquecimento das questões sociais, das causas comunitárias e da alteridade. Há um crescente individualismo que põe em crise os níveis coletivos. O envolvimento familiar, social, comunitário e até eclesial fica afetado pelo acento sobre o individual. A alteridade está relegada a um segundo plano. Une-se a essa característica a voracidade pelo consumo. Muitos desejos se transformam em necessidades e as novas tecnologias intensificam esse movimento. A globalização, a técnica, a informática e a robótica têm muitas possibilidades para ajudar o humano a se desenvolver em melhores condições, entretanto, comportam riscos e ameaças. Consumismo e individualismo associados propiciam o crescimento do prazer egoísta e mercantilizado, onde tudo é coisificado em torno da satisfação imediata. Por isso pensa-se em viver bem o presente, mas o passado é ignorado e o futuro esquecido. Falta uma consciência da responsabilidade social e ecológica de cada ato individual.

 

Sede de Deus renovada "galvaniza a humanidade"

 

Uma novidade do nosso tempo é o retorno do sagrado. Após a crise da religião e passado o tempo dos filósofos que afirmaram a morte de Deus, há um renovado desejo da transcendência e sede de Deus que galvaniza a humanidade. Apesar do fechamento sobre o ego e do consumo descontrolado, a pessoa moderna percebe que os sonhos mais profundos, as esperanças mais radicais e até os desejos mais densos não se compram e nem são experimentados no isolamento. Mais, percebe-se que há algo no interior do humano que o faz ir além de tudo o que existe. Confirma-se o que Santo Agostinho bem declarava: "Fizeste-nos para vós, Senhor, e inquieto estará o nosso coração enquanto não repousar em vós". Toda agitação humana não consegue extinguir o desejo de superar-se, de ir além da própria mortalidade para encontrar o sentido de viver e de morrer. Nesse tempo oportuno (kairós), a Igreja encontra ocasião privilegiada de desenvolver uma espiritualidade cristã para homens e mulheres de hoje, sedentos de luzes para trilhar o caminho da vida.

Ambigüidades - A volta ao sagrado, entretanto, nem sempre possibilita o crescimento da maturidade humana e o avanço na cultura da paz. Cresce mais o mercado religioso com ofertas variadas, desde objetos de devoção até a compra de bênçãos para a prosperidade. Progrediu a busca de soluções fáceis e mágicas para problemas de saúde e crises afetivas. Líderes religiosos tornaram-se estrelas midiáticas e seus produtos são vendidos de forma surpreendente. Diante da carência de sentido, avança o consumo de paliativos para as crises. Essa característica moderna é ambígua. Não significa necessariamente que as pessoas estão buscando uma experiência que as torne mais solidárias, altruístas e integradas com o divino. A preocupação é a da satisfação imediata do ego. Muitas práticas modernas de religiosidade estão mais de acordo com o irracional dos mitos, superstições e lendas do que com o desenvolvimento de uma espiritualidade que estruture a pessoa em todas as situações da vida.

Espiritualidade - Espera-se que passada a onda do "comprar o sagrado", intensifique-se a espiritualidade do caminho onde nada é tão imediato e mágico como muitos supõem. Para a Igreja o desafio está em proporcionar verdadeiros encontros que viabilizem essa necessidade moderna do encontro do humano com o divino. Trata-se de alcançar "ferramentas" que possibilitem a experiência mistagógica em nossos dias. O homem atual precisa de Deus, quer Deus, mas não sabe desvencilhar-se das correntes que o aprisionam na gaiola que ele mesmo projetou. A grande missão da Igreja hoje é exercer sua função mistagógica. Mistagogia é a educação para o mistério. Trata-se de ajudar as pessoas a se encontrarem com o mistério pascal de Jesus Cristo que transforma o viver. Muitos cristãos vivem de tradições culturais e de idéias que não lhe causam mais nenhuma reação. Muitos herdaram a exterioridade mas não internalizaram as verdades da fé e nem praticam o que Cristo ensina. Educar para o mistério significa resgatar as fontes originais da Igreja apaixonada pelo Senhor e por isso totalmente comprometida com sua causa. Ao êxodo humano de sair de si e buscar o divino, o cristianismo apresenta o advento divino que procura o humano. Jesus Cristo é a revelação do Deus Trindade que vem ao encontro de seus filhos para estabelecer com eles os mais profundos vínculos de comunhão. Hoje, há urgência de se desenvolver uma espiritualidade trinitária e de comunhão.

 

O ser humano tem muita dificuldade em aceitar a dor

 

O sofrimento sempre foi um enigma para religiões e culturas. Atualmente a experiência humana oscila entre a guerra e o absurdo, a morte e o vazio, a doença e a impotência, a miséria e a injustiça, a depressão e a solidão, a apatia e a angústia. A queda do World Trade Center, a invasão ao Iraque e o Tsunami são alguns dos enigmas sobre o mistério da dor e do mal no mundo. Se a Igreja e a Teologia não derem uma palavra diante do sofrimento inocente, elas se tornam estranhas ao mundo. O cristianismo pode ajudar a humanidade a encontrar sentido até nas perdas, na dor e na morte. Na falência da vida e na cruz, o Cristo faz resplandecer a luz da esperança. O recente Calvário pelo qual passou o Papa João Paulo II não depreciou sua imagem, antes pelo contrário. A doença e a limitação de suas forças serviram para a última grande lição de alguém que sempre valorizou o ser humano incondicionalmente. O Papa ensinou a sofrer e a morrer com a mesma dignidade que oficiava as cerimônias na Basílica ou quando abria os braços para abençoar os fiéis. O ser humano, contudo, tem dificuldade em aceitar a dor, o sacrifício e a morte, justamente porque a sociedade atual tende a mascarar e fugir dessa evidência. Enquanto se enaltece o ser jovem, belo, bem sucedido e saudável, certamente não há lugar para quem escape desse perfil. Esvaziou-se o sentido da cruz redentora e o significado da obra salvífica de Cristo que passa pela morte para ressuscitar. Falta-nos a capacidade de educar o olhar para ver além das perdas e mortes. O cristianismo tem um legado singular nesse sentido. Sem alienar-se diante da dor, o cristão há de encontrar motivos de vencer o mal e de acolher o sofrimento com a mesma atitude de quem enxerga no amor, o dom maior. O sofrimento abre-nos aos outros, nos faz perceber a vida com outro olhar e provoca mudanças profundas no nosso ser. Embora seja inevitável a dor, é preciso que a Igreja e a Teologia ajudem a humanizar o sofrimento. Falta-nos incentivar uma reflexão que expresse a solidariedade de Deus com os sofredores.

Laicato - Dentre as luzes que a Igreja e a Teologia contemplam neste terceiro milênio, brilho especial se evidencia na atuação, cada vez mais intensa, de leigos e leigas engajados nas mais diferentes formas de apostolado. Vive-se em meio à riqueza de dons e carismas de um laicato que assume serviços e ministérios, possibilitando o crescimento da comunhão e participação em toda vida eclesial. Se os leigos são a presença da Igreja no coração do mundo, por outro lado, eles também são a presença do mundo no coração da Igreja. Essa relação permite considerar as urgências das pessoas, sua participação nos problemas da sociedade e os sonhos que alimentam sua esperança. A contribuição dos leigos e leigas na Igreja torna-se cada vez mais essencial. Sua competência profissional, sua percepção da realidade e seu conhecimento científico, associados à formação doutrinal, social e apostólica, permitem um amadurecimento de toda comunidade cristã na edificação do Corpo de Cristo. Para toda Igreja existe o mesmo caminho de santidade, contudo, há meios especiais dentro da identidade e especificidade de cada vocação cristã. Há muitos leigos engajados na comunidade de forma madura, e conscientes da missão dos batizados. Só assim será possível acolher as situações históricas sem negá-las. Nessa participação do laicato se encontram os "sinais dos tempos" onde Deus se manifesta. Este é também o lugar privilegiado para os cristãos se tornarem testemunhas do amor e da esperança que aponta para um futuro definitivo no Reino.

 

TO legado de João Paulo II e o futuro, um caminho que exigirá tolerância

 

O Pontificado de João Paulo II destacou-se pela causa ecumênica e pelo diálogo inter-religioso. Empenhou-se na cultura da paz e da justiça internacional, dedicou-se pela consolidação das bases espirituais sobre as quais deve apoiar-se a sociedade humana. Ocupou-se da causa das populações oprimidas e excluídas do sistema, enfatizando a solidariedade e criticando a economia excludente, a guerra e a política intolerante. Envolveu-se no perdão da dívida dos países pobres, enfrentou regimes ateus e conquistou uma multidão de simpatizantes que lamentaram profundamente seu falecimento. Em sua pessoa ocorreu uma verdadeira presença pública da Igreja, indo além de suas fronteiras. Ele conseguiu novos e diversos interlocutores para o catolicismo e possibilitou uma abertura sem precedentes para o diálogo com as religiões. O encontro com o diferente e a novidade pode causar estranheza e criar dificuldades, mas é através desse enfrentamento que caem as barreiras que impedem a sociedade humana de encontrar a paz. Rezar com o outro, respeitá-lo na sua diferença e manter a própria identidade católica tornaram-se uma prática comum do Papa João Paulo. Nestas pegadas a Igreja há de caminhar buscando uma cultura da paz entre as religiões.

Outra característica do papa polonês foi sua missionariedade, que modificou a geografia religiosa do mundo.

Será difícil esquecer a voz profética do papa que criticou a guerra, a intolerância religiosa e o descaso com a vida humana. Muitas vezes foi mal interpretado e rejeitado, mas cumpriu seu propósito de anunciar uma nova proposta de vida para todos que vivem sob o signo da crise da humanidade. Não se intimidou em anunciar o evangelho de Jesus Cristo.

Enfim, João Paulo II termina seu pontificado como um líder singular na história das religiões. Há pontos de vista que avaliam de formas diferenciadas seu tempo na cátedra de São Pedro. Há críticas, reservas e discordâncias. Num balanço final, contudo, ele foi o incansável construtor de pontes entre os povos para a defesa dos direitos humanos e a busca de paz na terra.

O futuro - Enfim, o futuro é um caminho aberto. Não sabemos para onde vai a humanidade global. Na agenda do cristianismo do terceiro milênio há preocupações com a vida humana. O aborto, a eutanásia e a pesquisa com as células-tronco embrionárias questionam sobre a sacralidade e dignidade da vida humana. No campo social as preocupações com as massas empobrecidas e as estruturas de injustiça clamam por vozes proféticas. Diante do pluralismo religioso será preciso tolerar e reverenciar mais o outro, mas sem perder a identidade. Frente à globalização e às crises da modernidade, a espiritualidade cristã há de apresentar Jesus Cristo como a luz do caminho. Certamente, portanto, a Igreja Cristã pode e deve ajudar os seguidores de Jesus Cristo para não se abstraírem em denunciar toda miopia neste mundo que passa. Nos passos de Cristo, a comunidade eclesial há de anunciar a esperança e apontar perspectivas que humanizem as relações em todos os campos. Só assim os cristãos serão fiéis ao seu destino último que é a pátria futura: o descanso eterno, pois as fadigas serão passadas e o Reino prometido se realizará. O Reino de Deus não é uma utopia, no sentido de um "não-lugar", mas é uma esperança prometida por Cristo e doada na sua pessoa, cabendo aos seus seguidores expandi-lo no tempo e no espaço com palavras e ações que permitam ver o que é eterno entre as realidades provisórias. Os cristãos são os semeadores dessa esperança, agora é tempo de plantar sem exigir a colheita: ela acontecerá!

 

Igreja

A serviço da reconciliação dos povos

Bento XVI quer pontificado marcado pela busca da paz

 

Na primeira audiência pública, realizada na quarta 27, diante de cerca de 20 mil peregrinos que estavam na Praça São Pedro, o Papa Bento XVI se colocou a serviço da reconciliação dos povos com o propósito de buscar a paz no mundo. "Seguindo as marcas de Bento XV, desejo pôr meu ministério a serviço da reconciliação e harmonia entre os homens e os povos, com o profundo convencimento de que o grande bem da paz é sobretudo um dom de Deus, frágil e precioso, que temos de invocar, defender e construir todos os dias com a colaboração de todos", afirmou o Pontífice.

O Papa justificou a escolha de seu nome dizendo que Bento XV, cujo pontificado foi de 1914 a 1922, foi um corajoso e autêntico profeta da paz "que guiou a Igreja nos tempos turbulentos da guerra." Salientou ainda que São Bento, padroeiro da Europa, simbolizou "um chamado às inalienáveis raízes cristãs".

Em seis idiomas (espanhol, italiano, alemão, inglês, francês e até polonês), Bento XVI deixou a mesma mensagem: seu pontificado será marcado pela busca da paz. "Ao início de meu serviço como sucessor de Pedro, peço a São Bento que nos ajude a manter com firmeza o caráter central de Cristo em nossa existência", afirmou, acrescentando: "Que em nossos pensamentos e em todas as nossas atividades Ele sempre esteja no primeiro lugar!".

Outro trecho do pronunciamento de Bento XVI foi interpretado como uma sinalização de que uma de suas principais preocupações é a diminuição do número de fiéis na Europa.

Surpresa - Na primeira audiência geral, o Papa Bento XVI voltou a surpreender ao desfilar de carro aberto em meio à multidão, sem proteção blindada, procedimento que havia sido abandonado por João Paulo II desde 1981, quando sofreu um atentado no local. De pé sobre o jipe, acenou e sorriu para os peregrinos. Ele já tinha desfilado em carro aberto após a missa que marcou o início de seu pontificado.

Viagem - Bento XVI irá a Bari no dia 29 de maio para encerrar o Congresso Eucarístico Nacional. Segundo o Vaticano, esta será a primeiro viagem pela Itália do sucessor de João Paulo II.

A visita a Bari acontecerá cerca de dez semanas antes de sua viagem à Colônia (Alemanha), onde estará em meados de agosto para participar da Jornada Mundial da Juventude.

 

Papa lembra trabalho e saúda ortodoxos

 

Bento XVI apareceu no domingo, 1º, pela primeira vez na janela do apartamento papal que João Paulo II tornou familiar ao mundo. Foi a sua primeira bênção dominical, diante de cerca de 40 mil peregrinos concentrados na Praça São Pedro.

Depois de dirigir palavras de afeto ao seu antecessor, o Papa Ratzinger ressaltou a importância do trabalho com dignidade. "Desejo que não falta trabalho, especialmente para os jovens, e que as condições trabalhistas sejam cada vez mais voltadas para o respeito à dignidade da pessoa", afirmou. Ele declarou ainda que a fraternidade cristã "é um valor que se deve encarnar no campo do trabalho e da vida social, porque a solidariedade, a justiça e a paz são os pilares da unidade da família humana.

Bento XVI também enviou saudação especial de Feliz Páscoa aos ortodoxos orientais, que celebram a ressurreição de Cristo e voltou a lembrar João Paulo II "que ensinou os fiéis a olharem para Cristo com os olhos de Maria1, alusão ao mês de maio, o mês da Virgem Maria.

 

Mães-semáforos

Padre Zezinho

Quem dirige já entendeu como são as mães. Elas são semáforos da vidas

 

Quem dirige pelas avenidas, becos e vielas já entendeu as mães e como é que são elas. As mães são sinaleiras, semáforos da vida. Tem três luzes piscando, serenas, decididas. As luzes amarelas exigem filho atento: A estrada é perigosa em todos os momentos. A luz que está vermelha nos diz: "Agora não". "Espera um pouco, filho, respeita o teu irmão". A luz que pisca verde nos diz pra ir em frente: "Agora é tua vez", dizem serenamente. As mães são sinaleiras. São ricas de sinais. Um beijo e uma carícia, mais beijo e mais e mais. Mas tem o seu vermelho: "Agora é não e é não". Depois tem amarelo: "Cuidado e atenção". Ali no cruzamento, cuidando dos seus filhos. As mães vivem piscando os mesmos estribilhos: "Cuidado, vá, não vá, respeita os teus irmãos, aprenda a dirigir, evite a transgressão". Eu passo pelas ruas e becos e vielas e digo a cada passo, enquanto penso nelas: - Benditas mães-semáforos que sabem proibir e que, se for preciso, não deixam de exigir. E até aplicam multas, se isto for preciso. Contanto que seus filhos dirijam com juízo. No trânsito da vida, é muito bom saber que existem sinaleiras que ensinam a viver. Vermelho e amarelo e verde são sinais que a gente já conhece, mas mãe conhece mais! E foi de uma delas este dizer profundo: - O "sim" e o "não" das mães seguram este mundo!

 

Definido o tema para o 15º Congresso Eucarístico

"Ele está no meio de nós" é o tema do evento que ocorre em Florianópolis

 

A Arquidiocese de Florianópolis (SC) acaba de lançar o 15º Congresso Eucarístico Nacional (CEN), que será realizado na capital catarinense de 18 a 21 de maio de 2006. Florianópolis foi escolhida em abril de 2002, durante a Assembléia Geral da CNBB, para ser sede do maior evento nacional da Eucaristia.

"Ele está no meio de nós" é o tema escolhido para o evento. Já o lema está baseado em João 1,39: "Vinde e Vede". "Também estão prontos o cartaz, a oração, o hino e a justificativa teológica do CEN-2006", informa o arcebispo dom Murilo Krieger.

O estádio Orlando Scapelli foi escolhido para sediar as celebrações do CEN. Para abrigar as conferências públicas, confissões e exposição de livros e objetos, foi escolhido o Centro de Convenções, o Centrosul.

A arquidiocese de Florianópolis reúne 1,2 milhão de habitantes, engloba 30 municípios e 59 paróquias, além de sete santuários (entre eles o Santuário de Santa Paulina, em Nova Trento) e 483 capelas. A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Desterro (Fuga para o Egito), erguida em 1753, em Florianópolis, é a Sé Episcopal de Santa Catarina.

 

Três Passos realiza Romaria aos Mártires

 

Cerca de 10 mil fiéis estão sendo aguardados em Três Passos para a Romaria aos Mártires Padre Manuel Gomes Gonzales e o Coroinha Adílio Daronch, que ocorre no dia 22 de maio. O lema é "Juntos somos mais" e o tema, "Sangue dos mártires: semente de paz". O tríduo preparatório realiza-se de 19 a 21 de maio.

A programação prevê saída dos fiéis defronte à igreja matriz Santa Inês, às 8h, e defronte à capela Santa Terezinha, de Padre Gonzalez, às 9h. "Os grupos se encontram às 10h para a missa campal no Santuário dos Mártires, em Feijão Miúdo, local onde foram martirizados o padre e o coroinha", relata ao CR o secretário paroquial, Sergio Scherer.

Às 14 horas, está previsto Momento de Ação de Graças, com as bênçãos das colheitas, da saúde, das novas semeaduras e o envio de romeiros. Os celebrantes serão o bispo dom Zeno Hastenteufel, de Frederico Westphalen, e o pároco de Três Passos, padre Hélio Luiz Welter. (Dionísio Antônio De Ros, agente CR).

 

Seminário da CNBB debate biotecnologia

 

Organismos geneticamente modificados é um dos assuntos que será debatido pela Igreja. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o Instituto Nacional de Pastoral (INP) realizam o seminário "A dignidade da vida humana e as biotecnologias". O evento ocorre de 3 a 5 de junho, no Centro de Convenções Israel Pinheiro, em Brasília (DF).

O objetivo do seminário é aprofundar os temas polêmicos da atualidade, como transgênicos, uso de embriões na pesquisa científica, aborto de fetos anencéfalos e a despenalização do aborto. "O encontro terá quatro conferencistas, das áreas da saúde, direito civil, filosofia e teologia. Para cada conferencista teremos dois debates", informa o secretário-executivo do INP, padre Valdeir dos Santos Goulart.

 

Semana de Oração une os cristãos do mundo

 

"Cristo, único fundamento da Igreja" é o tema da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que este ano está em sintonia com a Campanha da Fraternidade 2005. O evento ocorre de 8 a 15 de maio. A iniciativa é uma proposta internacional, que envolve igrejas do mundo. Ela oferece tema para cultivar a espiritualidade ecumênica e um apelo de Deus para construir a humanidade.

Em preparação à Semana já foi lançado o livreto com sugestões de celebrações, orações, roteiros para estudo bíblico. Informações: conic.brasil@terra.com.br

Assembléia - A 43ª Assembléia Geral da Conferência, adiada por causa do falecimento do Papa João Paulo II, está agora confirmada para o período de 9 a 17 de agosto de 2005, em Itaici (SP), como de costume. O encontro da CNBB estava programado de 6 a 15 de abril de 2005.

 

Um velho tema: amor

Aldo Colombo

Fala-se em amor, mas não no seu sentido exato. Nosso mundo, com erotismo demais e amor de menos, é afetado por uma tristeza infinita

 

Uma típica sala de aula universitária pós-moderna. Os alunos, quase todos da classe média ou rica. Tema: o casamento. Na opinião do grupo, Vinícius de Morais tem razão: o amor deve ser eterno enquanto dure. Quando o amor e o romantismo se apagam, a relação deve terminar, em vez de submeter-se à triste monotonia do matrimônio.

O mestre disse que respeitava as opiniões, mas contou a eles a seguinte história: "Meus pais viveram 55 anos casados. Numa manhã, minha mãe descia a escada para preparar o café e sofreu um infarto. Meu pai correu até ela, levantou-a como pôde e levou-a ao hospital, mas quando lá chegou, mamãe estava morta. No velório, meu pai quase não falou e não chorou. Ficou o tempo todo olhando para o nada, possivelmente recordando em detalhes aqueles 55 anos.

Após o sepultamento, o pai reuniu toda a família para uma janta simples em sua casa. No final, ao lado da cadeira vazia da mamãe, ele falou com emoção: ‘Meus filhos, foram 55 anos bons. Ninguém pode falar do amor verdadeiro se não tem idéia do que significa partilhar a vida com alguém por tanto tempo’. Enxugou uma lágrima e continuou: ‘Ela e eu tivemos muitas crises, doenças, um dia perdi o emprego. Compartilhamos a alegria do nascimento dos filhos e de suas conquistas. Choramos juntos quando entes queridos partiram, oramos juntos na sala de espera de hospitais, trocamos abraços no Natal, perdoamos nossos erros’.

E após uma pausa, papai continuou: ‘Filhos, agora eu estou contente. E vocês sabem por quê? Porque ela se foi antes de mim e não teve a agonia e a dor de me enterrar, de ficar só depois de minha partida. Sou eu que vou passar por esta situação, e agradeço a Deus por isso. Eu a amo tanto que não gostaria que sofresse por mim. E já vou antecipando a alegria do reencontro no céu, pátria do amor’.

E o mestre concluiu: "Naquele dia eu e meus irmãos entendemos o verdadeiro amor. Está muito além do romantismo, e não tem muito a ver com o erotismo, mas se vincula ao trabalho, cuidado e respeito que se professam duas pessoas comprometidas. É uma cumplicidade total, que se revela nos pequenos gestos, no dia-a-dia, todos os dias. O verdadeiro amor não é egoísta, nem presunçoso, nem alimenta o desejo sobre a pessoa amada. Mais que ser feliz, amar é fazer feliz a pessoa amada".

Paulo apóstolo, escrevendo aos cristãos de Corinto, já antecipara: o verdadeiro amor é paciente, é serviçal, não procura seu próprio interesse, não se irrita, tudo crê, tudo desculpa, tudo espera. O amor jamais acabará.

Hoje fala-se muito de amor, mas nem sempre em seu sentido exato. Muitas vezes é confundido com o egoísmo, com sexualidade, com o prazer do momento, com uma sensação à flor da pele. Para o escritor colombiano Gabriel Garcia Marques, a coisa mais triste do mundo é fazer amor, sem amor. Possivelmente porque há erotismo demais e amor de menos; nosso mundo é afetado por uma tristeza infinita.

 

Ana Rech homenageia Padre Mariano

Comunidade festeja centenário da morte do idealizador da matriz

 

A Igreja Matriz Nossa Senhora de Caravaggio é o cartão postal de Ana Rech, em Caxias do Sul. Este ano, a comunidade festeja o centenário da morte do idealizador do templo, padre Mariano Rossi. Antigamente Ana Rech chamava-se 8ª Légua, local de passagem dos tropeiros e ligação da sede da Colônia Caxias à região dos Campos de Cima da Serra.

Em 1881, o povoado tomou forma e começou a mobilização para a construção de uma capela. Surge, então, o primeiro templo, localizado nas proximidades do atual cemitério. Vinte anos depois, num esforço comandado pelo padre Mariano, no mesmo terreno, é construído o capitel e trazida a imagem de N. Srª de Caravaggio, entronizada padroeira do local. Nessa época, a comunidade já idealizava um novo templo. Em 28 de maio de 1901, dá-se a bênção da pedra fundamental da atual igreja.

O idealizador da atual igreja matriz de Ana Rech nasceu em 22 de maio de 1868, em Affile, província de Roma. Estudou na capital italiana, recebendo o diaconato das mãos do cardeal Vigário Parochi a 22 de junho de 1890. Em 19 de dezembro de 1891 foi ordenado presbítero na catedral de Tivoli, por dom Celestino Del Prete. Pertencia à jurisdição da Abadia de Subiaco.

Após alguns anos de ministério, em 6 de dezembro de 1899, obteve licença para se ausentar, a fim de ser capelão da condessa Bevilacqua. "Parece ter sido um expediente usado para conseguir chegar ao Rio Grande do Sul, com o objetivo de trabalhar com os imigrantes italianos", conta padre Bruno Barbieri, atual pároco de Ana Rech.

Aproveitou a estada do bispo do RS, dom Cláudio Ponce de Leão, em Roma para o Concílio Latino-Americano, em 1899. Foi nomeado em 19 de novembro do mesmo ano para ocupar o cargo de primeiro cura de Ana Rech, na Colônia Caxias. Com seu dinamismo e ajudado pelos fiéis, iniciou a construção da igreja matriz. Em meio a suas atividades, teve morte prematura. Faleceu em 30 de abril de 1905, com apenas 37 anos. Foi sepultado no pavimento da igreja que construiu.

 

Festa nos 75 anos do Colégio Murialdo

 

Ana Rech está em festa. Neste mês, a comunidade comemora a trajetória de padre Mariano Rossi e seu centenário de morte, os 75 anos do Colégio Murialdo e realiza a Festa de Nossa Senhora do Caravaggio. A programação inicia com tríduo e missas, nos dias 5, 6 e 7, envolvendo as capelas e as escolas.

A festa tem seu ponto alto no domingo, 8, com missa às 9 horas, cuja animação e liturgia estão a cargo da equipe litúrgica da matriz e do Coral Típico Italiano. Ao meio-dia, ocorre almoço de confraternização, no salão paroquial, com tradicional rifão.

 

Agressividade em alta

Wilson João

Nossa tarefa é abrir os olhos, notar e reagir perante o que não ajuda a viver

 

Há homens e mulheres, não muito bem resolvidos em sua sexualidade, que extravasam suas frustrações sexuais em atitudes violentas. Ali estão as brigas e as acusações, as separações e as traições, e até as mortes passionais, como sinais visíveis da violência reprimida e da agressividade solta.

Há crianças oprimidas desde seu nascimento. O simples gesto da imposição da chupeta que impede de chorar e de gritar, e os tantos "nãos" e imposições de normas opressoras, são fontes que produzem, mais tarde, atitudes destruidoras.

Há jovens que são massacrados pela imposição de uma sociedade de consumo que os torna escravos dos caprichos de grupos econômicos que faturam alto em cima da insegurança e instabilidade de suas personalidades. A agressividade mostra seu rosto nas famílias, na rua, nas organizações, nos negócios e em cada rosto que está insatisfeito com a vida e se sente presa da opressão social.

HÁ UMA AGRESSIVIDADE NAS CORES. Anda-se pelas ruas e os olhos se deparam com casas pintadas de todas as cores. A maravilha da informática produz a cor que o cliente deseja. Mas há uma diferença. As mesmas cores que a poucos anos eram de sossego e serenidade, estão se tornando agressivas. Sem falar do azulão, do pretão e do vermelhão que trazem dentro de si o poder psicológico do fechamento da pessoa em si mesma e da produção de emoções pesadas. Nota-se que as cores, que há pouco tempo passado produziam serenidade e paz, estão se tornando agressivas. O verde e o amarelo, e outras cores que têm o poder psicológico de produzir serenidade e calma, se tornaram agressivas. Quase todas as cores agridem, e as pessoas escolhem pintar suas casas com essas cores agressivas. Há uma revelação nisso ou é mera coincidência?

HÁ UMA AGRESSIVIDADE NAS MÚSICAS. Estou escrevendo na sala e passa na rua um carro com um som tão agressivo que os vidros da janela vibram. E eu não pedi esse som! Ele está me agredindo sem pedir licença. Por que tenho que suportar os sons agressivos dos loucos que andam nas ruas com seus carros, ou os sons que saem das casas ou das danceterias? Se essas pessoas se acham no direito de invadir o mundo dos todos, também eu tenho o direito à minha música e ao meu sossego. E ainda mais somos agredidos por sons e não por músicas, porque apenas chegam aos nossos ouvidos as batidas dos ritmos e nada mais. A música, em geral, não é mais arte, mas uma forma de agressão um do outro. As praças e ruas de nossas cidades são testemunhas dessa agressão na concorrência dos sons dos carros.

HÁ UMA AGRESSIVIDADE NAS VESTES. A cor preta está presente em todos os adolescentes e em todos os integrantes das bandas musicais. Dificilmente fogem do preto. Porque essa mania? E ainda se fala: "que bonito o teu deprê!" Há o preto artístico, mas esse abuso da cor preta, parece estar revelando uma sociedade "pra-baixo" e fechada em si mesma. E os rostos estão mais tristes! Nossa tarefa: abrir os olhos, notar e reagir perante o que não ajuda a viver.

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

A maternidade que está em mim

Caroline Luzzatto Hollfelder

Empresária familiar na Alemanha

 

Aos 180 anos da Imigração Alemã no Rio Grande do Sul (2004), pode-se perguntar: como foi a maternidade da mãe alemã imigrante no RS e como o seria, hoje, se uma descendente de teuto-gaúchos emigrasse para a Alemanha? Caroline Wenzel Luzzatto Hollfelder, a jovem gaúcha, de pai italiano e mãe alemã, fez o caminho inverso: saiu do RS para estudar, trabalhar, casar e ser mãe na Alemanha. Diz ela, referindo-se a seu primeiro filho:

"Frei Rovílio, o pequeno Maximilian está cada dia mais sapeca e brincalhão. Ele é curioso demais, não pára um minuto. O Maximilian toma muito o meu tempo e às vezes até esqueço que estou grávida de novo. A barriga está crescendo devagar e espero que o Maximilian comece logo a caminhar, pois já está pesando 11 quilos e eu não consigo carregá-lo por muito tempo. O papai Christian está muito feliz conosco. O gurizinho só quer ficar com o papai quando ele chega do trabalho, coisa mais querida! Ser mãe é maravilhoso, é uma tarefa de 24 horas por dia, não tem como se desligar. Amo ser mãe e me dedicar aos meus filhos. Beijo e abraço forte, muita força e muita saúde, Caroline, Christian e Maximilian."

Depois desta carta da Caroline, pensei como foi diferente a maternidade de minha mãe e de tantas que seguiram mundo afora em busca de um espaço para seu lar! Em tom de brincadeira perguntei à Caroline se o ser mãe na Alemanha, além de uma missão pessoal, é também uma profissão. Ela respondeu: "Espero que esteja tudo bem com o Senhor! Nós estamos muito bem. Sobre a maternidade na Alemanha é assim: a futura mãe pára de trabalhar seis semanas antes do dia marcado para nascer o bebê. Estas seis semanas e mais oito semanas após o nascimento, ela recebe o salário integral. As primeiras seis semanas paga-as o empregador e as outras oito paga-as o seguro saúde do Estado. A partir do primeiro dia de vida, o bebê recebe o salário mensal de criança, hoje de 155 euros, isto até os 18 anos. Dependendo da situação financeira da família, os pais recebem uma ajuda do governo para a alimentação e roupas, uns 300 euros por mês. Isto por três anos, pois aqui para cada filho se tem direito a tirar três anos de licença maternidade. O empregador deve reservar o lugar para a mãe voltar a trabalhar e não pode demiti-la nos dois primeiros meses após o retorno. Sobre a maternidade era isso, tenho que ir, pois o Maximilian não pára um minuto. Tudo de bom, muita saúde e até a próxima. Caroline."

A Alemanha, que há um tempo não pode mais ser mãe de suas próprias mães, que seguiram pelos caminhos do mundo para encontrar um teto para seus filhos, coloca a maternidade como certeza de futuro e segurança da família e da pátria. E dá à maternidade o lugar que merece, a ponto de Caroline afirmar: "Ser mãe na Alemanha é maravilhoso."

Caroline escolheu a maternidade como alegre missão cristã. Eis a surpresa que ora nos relata:

"Nasceu dia 27 de novembro de 2004 a nossa amada Carlota Hollfelder. Fiquei muito feliz com o nascimento da minha filha e companheira, foi um parto muito doloroso, três dias, e no final uma cesariana, mas foi melhor assim. Quando a gente se reencontrar conto mais sobre os meus pimpolhos. Ontem (17 de abril), voltamos de Bamberg, fomos nos despedir dos pais do Christian, já que 1° de maio partiremos para o Brasil. Vou visitá-lo e levar lindas fotos. Tanti saluti da Monaco di Baviera. Caroline. E-mail carolina.luzzattoh@gmx.net"

Que bom! A Carol e seus pimpolhos e marido virão saborear uma feijoada real e cultural, celebrando junto o ser ítalo-alemão no Rio Grande do Sul e na Alemanha. Com a Carol e sua família, felicitamos todas as mães no seu dia de 2005, especialmente as mães imigrantes e migrantes. (Rovílio Costa)

 

EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (307)

La bela vita in colònia, de laoro, osei e pessi

Luiz Bavaresco

Bancário, Nova Prata (RS)

 

Quando s-ciara el giorno, Nanetto leva su, el cava do le mudande longhe, co le righe rosse e bianche, del medèsimo riscado del saco par menar formento, riso e mìlio al molin de Màssimo Lunardi. El va te la finestra e el dise:

- Par fin che’l Signor ga mandà pintar el celo!

L’era tuto rosso e el sol l’era grando, e se podea vardarlo sensa sentir mal de oci, e el vegnea su presto. Nanetto el mete su le braghe de brin diamantino, mede strete e curte, parché le ga mandae far così par sparagnar roba. Le gavea tanti de quei taconi, che no se savea pi el color dela roba original. Meti su la camisa sensa el colarin, imbotonada ben streta in tel col par no ndar rento i spigassi de formento.

Zera metà dicembre, e el formento l’era mauro. Quel ano là el gavea semenà el formento Lajeadinho, pien de grani, ma picoleto e bruto de tor su. Ghe tocava taiarlo squasi indanocià, par no sentir tanto el mal de schena.

In fati, el ghea belche taià na bela strica, e riva al mesogiorno. A quel tempo se copava anca osei par far magnar, sinò se passava na maledeta de na fame! Lora el ciapa el taquarì, ghe mete su na poca de pólvere e balini, el dà du tre s-ciopetade e el mena casa tre passarine, el ghe cava via le pene, le budele e el ghe assa el col e mesa testa, che la ghe piasea tanto. Ciapa un tocheto de lardo e due tre foie de sàbia, na cuciara de bagna, el mete tuto in cassarola, e su tel fogo.

El gavea fato la polenta, la note prima, e la zera butada su el taier. El taia via sinque bele fete, le mete sora la siapa par brustolarle.

Dea cassarola vegnea su un odorin de osei coti, e dea siapa un odor de polenta brustolada e, quando zera tuto coto, el ga rabaltà tuto tel piato, e el ga magnà co na voia che poche volte la è stada così granda. El se ga onto tuta la fàcia, fin tel pomo de Adamo pa no perder la bagna. Zera romai la una, lora el va soto el sinamon, el stira un pelegro rosso in ombra e el fa el so soneto del dopomeodì.

El gavea dormisto un poco e el sente el tempo tronar, e insieme suito vien la piova. In meda ora la ze passada e el ga pensà che no’l taiea pi formento quel giorno. L’aqua del rieto che’l corea pena de soto la casa la era tùrbia par via dea spiovada, el cava su na latina de mignoche, e l’è ndà zo pescar. Quea sera là el ga ciapà pi de sento zundià che’l ghe ciamea anca de sarutini, e meda sporta de gàmbari che i deventea rossi quando li cosinava, e i era gran boni.

Ze vegnesto note nantra volta, el ga fato i laori de casa, el ga pregà el rosàrio e le tànie, metesto su le mudande de riscado a righe rosse e bianche, el se ga butà tel paion de scartossi, ben querto e el se ga indormensà come un àngelo.

 

VITA STÒRIA E FRÒTOLE

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

La bissa coi oci de fogo

João Luiz Zanin

Boa Esperança, Herval do Oeste-SC

 

Na volta ghe zera un tosato che el ndava a morose distante, a caval, e vanti rivar casa dea morasa, ghe tochea traversar la strada de fero. El ndava a morose al sabo dopo mesogiorno e el tornea a la diménega. El partia vanti note, parché l’era distante. Lora, na diménega de note, el vede na bruta bissa, longa, coi oci de fogo, che la vegnea co na fùria maledeta, e quando la ze passada poco distante de lu, el se ga spaurà. E lora ghe ze vegnesto in mente de comprarse un rivòlgite per copar la bissa dei oci de fogo. Dopo 15 giorni el ze ndà a morose ancora, ma el se ga portà drio el rivòlgite per copar la bissa, ma ela la ze passada ancora con chea fúria come a prima volta che a ga vista.

Lora el se ga pensa: "Ciapo el laço e vao là darente per laçarla quando la vien." Delà de mesa ora, el sente un buio, el varda e el vede che la bissa coi oci de fogo la zera drio rivar. Lu el ga parecià el laço, e quando la zera là darente, el ghe ga trato el laço e la ga laçada da vero. Ma lu no’l ze stà bon a tégnerla, ghe ze scampà el laço dee man. E la bissa la ze scampada come un s-ciantiso con laço e tuto.

Lora, el dise – "Me compro naltro laço. E quando vao a morose nantra volta, la speto tea medèsima ora. E ghe ligo la ponta del laço tea badana del caval, e quando la vien, ghe molo el laço de novo, e vui véder mi se la scampa ancora."

Quel giorno el torna pi bonora, parché el gavea paura che la bissa la passasse pi bonora. Riva la bissa ancora, e lu mòleghe el laço, e la laça ancora, ma ela via con tuta fùria, la strassina via el caval, fin che la ga spacà la badana e la ga squasi copà anca el caval. E la bissa la ze scampada ancora.

Lora, nantra volta che el va là dea morosa, la Lucieta Angelina, el ghe conta tuti sti afari, che’l ga visto sta bissa coi oci de fogo e tuto quel che lu el ga fato per ciaparla. Lora, là te sta fameia, i se mete tuti a rìder come mati, e i ghe conta al tosato che quel mestiero ze el treno Maria Fumaça, e i ghe dise: Ti no te lo ciapi gnanca se te voi, parché lu dove el passa el ga la strada de fero. Ma, um tempo dopo, el tosato el va in sità, el varda rento tele vitrine dei mercati e el vede un mistiero compagno de quela bissa, el zera un trenino par i tosatei dugar. Lora el ghe ga dito a sto trenino: "Varda, zera pròprio ti che mi sercava! Vanti che te vegni grando come to pare, te la fao la foia mi." E el ga ciapà el rivòlgite e zo tiri. E quei del mercà i ga ciamà i carabinieri, pensando che’l toso fusse mato. Riva i carabinieri, i lo ga ciapà e i volea menarlo in galera. Ma lu el ghe ga contà la stòria dea bissa coi oci de fogo che no’l ze stà bon de ciaparla e el credea che chea bisseta là, che zera el trenino de dugar, el vegnesse grando come so pare. Lora i carabinieri, ridendo, i lo ga molà, parché el ndesse copar le bisse vere, nò i trenini dei tosatei.

Un matrimònio in colònia

Te un matrimònio, te na capela dea colònia, i invitai i riva bonora par véder i sposi. Càpita el sposo, dopo la sposa, tuta la gente, ma el prete no’l riva. Al sposo ghe vien su le fumane, e ghe salta na voia mata de fumar. El ghe dise a la sposa:

– El prete no’l riva, mi ciapo la pipa e fao na fumada. Ma la sposa la ghe dise:

– Bruto mul, no te sè che el prete no ghe piase che la gente fume rento in cesa?

– No vui gnanca savérghine, come lu no’l riva, mi impio la pipa, fao la me fumada, e pronto!

Ma la sposa la ga visto el prete vegner rento in préssia par la sacristia, sensa che nessun lo veda, lora la ciapa, sguelta, la pipa dea boca del sposo e la sconde in scarsela del so vestì, sensa smorsarla. E intanto el prete fea la serimònia, del vestì dea sposa vegnea fora na fumera sempre pi granda!

Du vecioti i zera in fondo dea cesa. Uno el ghe dise al altro:

– Varda che al giorno che son maridà mi la me brusea, ma no vegnea mia fora na fumera compagna! Se vede che’l amor el fa salti, ma i soldi li fa pi alti.

 

GERAL

Data homenageia as etnias

Todo ano, em setembro, atividades lembrarão Dia Estadual das Etnias

 

Todos os anos, no último domingo do mês de setembro, será comemorado o Dia Estadual das Etnias. A lei, de autoria do deputado Ruy Pauletti, foi sancionada pelo então governador em exercício, Antonio Hohlfeldt, na quarta 27.

A intenção é que neste dia os municípios gaúchos promovam atividades para integrar os povos e celebrar a contribuição de cada um ao desenvolvimento do Rio Grande do Sul. O mês de setembro foi escolhido por ser também a época em que são comemorados os feitos farroupilhas.

Os descendentes de italianos têm outro motivo para festejar este ano, pois completam-se 130 da imigração italiana no Estado. O ponto alto das comemorações será dia 20 de maio, mas a programação estende-se até dezembro com diferentes atividades nos diversos municípios.

No dia 20, todas as igrejas devem badalar os sinos, às 11 horas, em homenagem aos imigrantes. No mesmo momento, as prefeituras estarão hasteando as bandeiras do Brasil, da Itália, do Rio Grande do Sul e dos municípios. A sessão solene na Assembléia Legislativa será dia 19 de maio.

Durante todo este mês, o comércio de Farroupilha promove concurso de vitrines alusivas à data. A Praça Emancipação, em Nova Milano, estará decorada com motivos coloniais. No dia 20, Flores da Cunha realiza Filó no salão paroquial. Em Caxias, exposição Marcas da Imigração até 23 de maio, no Centro de Cultura Ordovás.

 

Evento une turismo, gastronomia e vinho

 

A Feira de Enogastroturismo Brasil - Salão de Vinhos, Gastronomia e Turismo será realizada pela primeira vez de 9 a 12 de junho no Centro de Eventos da PUC em Porto Alegre. Os objetivos do evento são impulsionar e diversificar os negócios do setor e enfatizar as qualidades mercadológicas, de consumo e culturais do vinho, além de divulgar rotas turísticas, gastronômicas e de vinhos e espumantes. A feira também visa oferecer aos expositores e visitantes um ambiente propício para a realização de negócios e troca de experiências.

Os organizadores esperam reunir cerca de 60 expositores, entre vinícolas, restaurantes, editores especializados, fabricantes de acessórios, agências de turismo e hotéis. A estimativa de público é de 10 mil pessoas. A feira estará aberta ao público de quinta (9) a domingo (12) das 12 às 22 horas.

Paralelamente ocorrem o 1° Seminário de Enoturismo, com palestras, Workshop Gastronômico, Curso Básico de Degustação de Vinhos, Salão de Degustação e Jantares Harmonizados. O lançamento do evento será dia 10 de maio, em Porto Alegre. A feira é uma promoção da Atreb Feiras & Eventos com apoio da Associação Brasileira de Enologia e União Brasileira de Vitivinicultura. "O objetivo é apresentar uma feira diferenciada, com negócios, cultura e entretenimento", afirma o diretor da Atreb, Paulo Vieira.