
DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 4.936 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 11 de maio de 2005.
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A desigualdade está na raiz da injustiça social
Desigualdades iniciam pela educação, chegam à mesa, corroem sonhos e diluem esperanças
De todos os títulos negativos que o Brasil ostenta, o que mais afeta a população é o das desigualdades. Elas estão na origem de injustiças sociais, sustentam a escala em que um grupo de privilegiados se contrapõe a uma maioria esmagadora de pobres e miseráveis, embasam distorções de tratamento por gênero e raça, e alimentam situações que, não raras vezes, culminam com o fim da vida de pessoas - pela fome, pela falta de atendimento médico-hospitalar...
A concentração de riquezas, por exemplo, está na raiz de grande parte dos problemas sociais que o país não consegue sequer estancar, o que dirá eliminar. No caso brasileiro, a má distribuição de renda não apenas divide uma população, mas condena a parcela mais significativa dela a privações e ao sofrimento permanentes. É muito para tão poucos e quase nada para muitos - síntese de verso de poema de dom Pedro Casaldáliga.
As discrepâncias começam pela educação, que apesar do avanço ainda mantém fortes peculiaridades elitistas, avançam pelo excludente mercado de trabalho, chegam inevitavelmente à mesa, à saúde... e corroem sonhos, diluem esperanças.
Nova prova de desigualdade emergiu da pesquisa publicada na semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado revela que a metade do Produto Interno Bruto do país está concentrado em apenas 70 municípios, onde vive um terço da população. Um exame mais apurado, como revela matéria da página 9 desta edição, conclui que nove cidades são responsáveis por 25% da riqueza produzida em todo território nacional.
Indicadores têm mostrado evolução positiva em vários setores da economia. E para isso contribuem de forma importante o bom desempenho do agronegócio e os freqüentes recordes de exportação. O Brasil produz mais, eleva seu PIB, mas conserva um modelo injusto de divisão dessa riqueza. Crescer é fundamental para um país carente de empregos, mas esse crescimento precisa contemplar a todos. Do contrário, vai ampliar ainda mais a distância entre o topo e a base da pirâmide social.
Ceasa constrói central de embalagens
Unidade de Caxias é a primeira do Estado a ter processo de higienização
A Ceasa/Serra, instalada em Caxias do Sul e também denominada Administradora do Consórcio Intermunicipal (Adcointer), deu um grande impulso em direção à segurança alimentar. Na segunda-feira 9, iniciaram as obras de construção da Central de Embalagens. O pavilhão terá 180 metros quadrados e vai abrigar uma máquina e equipamentos para higienizar as embalagens plásticas, utilizadas pelos agricultores e atacadistas. "A limpeza atende a uma lei federal, que visa garantir a qualidade dos alimentos", explica o presidente da entidade e secretário da Agricultura de Caxias, Nestor Pistorello.
As caixas plásticas serão lavadas e desinfetadas com água quente e produtos biodegradáveis. Entram apenas uma vez na máquina, saindo secas do outro lado. "Toda vez que a caixa for utilizada, será lavada", esclarece o gerente da unidade, Alcemir Kamler.
A obra vai consumir R$ 220 mil, sendo R$ 200 mil do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). O restante são recursos próprios da Ceasa/Serra. Deve estar concluída no final deste ano. "Com a conclusão, a Ceasa regional será a única central de abastecimento do Rio Grande do Sul a contar com esse serviço", adianta Pistorello ao CR. Nos próximos meses, será definido quem vai operacionalizar a central. Há possibilidade de terceirizar a mão-de-obra.
A central de higienização de embalagens vai beneficiar um universo de 800 mil consumidores de 54 municípios da região. "Na verdade, beneficia todos os usuários da instituição", acrescenta o presidente da Ceasa/Serra. "A central de abastecimento da Serra gaúcha recebe 20 mil toneladas anuais de hortifrutigranjeiros. Conta com 1.100 agricultores cadastrados e reúne 22 atacadistas", informa o gerente da unidade.
A Ceasa/Serra é administrada por um consórcio formado por 11 municípios da região que produzem hortifrutigranjeiros. À cerimônia de autorização de início das obras, na segunda, compareceram os prefeitos de Caxias do Sul, José Ivo Sartori, de Garibaldi, Antônio Cettolin, de Nova Pádua, Ivo Sonda, e de Veranópolis, Valdemar de Carli, além do presidente da Emater-RS, Caio Rocha.
Alimento seguro depende de controle
Uma alimentação adequada passa pelo rígido controle da qualidade do que se ingere. Em se tratando de alimentos consumidos frescos, como frutas, verduras e legumes, deve-se avaliar itens como validade (quanto tempo faz que foi colhido), origem (local de plantio, adubos, pesticidas, irrigação e colheita) e processamento (limpeza, armazenagem, transporte e manipulação).
Em 1998, o Brasil deu início ao projeto Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle, que posteriormente passou a se chamar Programa de Alimentos Seguros (PAS), abrangendo toda a cadeia produtiva de alimentos. O PAS conta com parceiros como a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), Sesi, Sesc, Senac e Senar.
A indústria alimentícia foi o primeiro foco do programa e ganhou a denominação de PAS Indústria. Em 2001, o programa passou a contemplar os produtos prontos para o consumo e assim foi criado o PAS Mesa, voltado a bares, restaurantes, lanchonetes etc. Em 2002, os produtos oriundos da agropecuária foram o terceiro foco do programa, que foi chamado PAS Campo, voltado aos produtores rurais.
Principal avenida caxiense será ampliada
A Avenida Júlio de Castilhos, que atravessa a cidade de Caxias do Sul, será prolongada na altura do bairro Cinqüentenário. O prefeito José Ivo Sartori assinou a ordem de início das obras na quinta 5. Os trabalhos no local já iniciaram. Segundo o secretário municipal dos transportes e mobilidade urbana, Jorge Dutra, os funcionários trabalham no momento no nivelamento da pista e na retirada da vegetação. "Assim que o tempo melhorar e a umidade diminuir começaremos a operar com as máquinas na via propriamente dita", explica.
O novo trecho tem 680 metros de extensão e fica entre as ruas Henrique Cantergiani e Avenida Ruben Bento Alves (Perimetral Oeste). O prolongamento seguirá as mesmas características do restante da avenida, com pista dupla e canteiro central. A obra, executada pela empresa Toniollo Busnello, está orçada em R$ 1,3 milhão e deve estar concluída em 180 dias. "Como enfrentaremos o inverno pode haver algum atraso em função do tempo, mas nossa intenção é entregar a via no máximo até o final do ano", afirma Dutra.
De acordo com o secretário, o objetivo principal da obra é estruturar a área viária, permitindo novos itinerários para as linhas coletoras sul e norte (verde e amarela) do transporte coletivo urbano e, com isso, ampliar o sistema de tarifa única. "O novo trecho deve absorver as linhas verde e amarela. Hoje, esses coletivos circulam por ruas muito estreitas naquela região, inadequadas, o que impede que sejam ampliados os itinerários", observa o secretário. "Além disso, o prolongamento da Avenida Júlio de Castilhos cria outro acesso ao centro para quem chega à cidade pela RS 122, desafogando o trânsito na região do Galioto", finaliza Jorge Dutra.
Sinos abrem festa dos 130 anos de imigração
O toque de sinos das igrejas e capelas da Diocese de Caxias do Sul, às 10 horas do dia 20 de maio, será o primeiro ato alusivo aos 130 anos da imigração italiana no Rio Grande do Sul no município. Às 10h30 inicia a solenidade de abertura, na praça Dante Alighieri (se chover será na catedral, em frente), com hasteamento das bandeiras e execução dos hinos da Itália, Brasil e de Caxias. Para as 11h30 está marcada, no Monumento Nacional do Imigrante, uma homenagem às etnias.
No dia 22 de maio será celebrada missa pelos 130 anos da imigração. Será às 17 horas, na capela da Réplica de Caxias do Sul, no parque de exposições da Festa da Uva, com a coordenação do padre Leomar Brustolin e equipe da catedral diocesana. Após a missa ocorre o Som & Luz, espetáculo que retrata a saga dos imigrantes italianos em Caxias.
Brasil planta florestas há 100 anos
Setor mantém 5 milhões de hectares e movimenta US$ 21 bilhões por ano
O Brasil está completando 100 anos de florestas plantadas. Tudo começou com a introdução do eucalipto em março de 1904, quando tiveram início os projetos de reflorestamento. Atualmente o setor florestal brasileiro mantém cerca de 5 milhões de hectares de florestas plantadas de rápido crescimento, distribuídos em todo o território nacional.
Do total de florestas plantadas, cerca de 3 milhões de hectares correspondem a plantações de eucalipto e 1,8 milhão de hectares a plantações de pinus. Além desses, a teca e a acácia também são importantes espécies plantadas comercialmente.
O setor de florestas plantadas responde por um faturamento anual de US$ 21 bilhões, o que corresponde a 4% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo a Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas (Abraf), a atividade emprega cerca de 4,5 milhões de trabalhadores, sendo que 1,5 milhão são empregos diretos.
Papel e celulose, siderurgia, carvão vegetal, painéis de madeira reconstituída, móveis e produtos de madeira sólida são atividades que usam madeira produzida nas florestas plantadas. De acordo com a Abraf, as exportações desses grupos somam US$ 6 bilhões por ano. "Os números posicionam o setor como o segundo colocado no ranking dos produtos agrícolas mais exportados", diz o presidente da entidade, Carlos Lira Aguiar.
"Altamente competitivo, o setor de florestas plantadas precisa, com urgência, de um planejamento global que permita uma boa gestão do patrimônio florestal brasileiro, capaz de garantir a sustentabilidade de negócios", afirma Aguiar.
Madeira - A madeira oriunda de plantios florestais é utilizada principalmente para produção de chapas, lâminas, compensados, aglomerados, carvão vegetal, madeira serrada, celulose e móveis. Dos plantios florestais também são obtidos óleos essenciais, mel e medicamentos, além de colaborar para o seqüestro de carbono e contribuir para a conservação das florestas naturais.
A competitividade brasileira contrasta com a tímida participação no comércio internacional. O Brasil participa com 3% do comércio global, diante de 17% do Canadá, 10% dos Estados Unidos e 8% da Finlândia, este último um país cuja área equivale ao Estado de Minas Gerais.
Pesquisa - O resultado alcançado pelo segmento de florestas plantadas é fruto de décadas de pesquisa e desenvolvimento que culminaram com o aumento da produtividade do eucalipto e do pinus desde os anos 70. As plantações de eucalipto evoluíram. Passaram de 14 metros cúbicos por hectare ao ano na década de 70 para 27 metros cúbicos por hectare ao ano na década de 80, chegando a 38 metros cúbicos por hectare ao ano após 1995, com valores máximos atuais de até 70 metros cúbicos por hectare ao ano.
Já as plantações de pinus saltaram de 18 metros cúbicos por hectare ao ano nos anos 70 para 33 metros cúbicos por hectare ao ano após 1995. Hoje, a produtividade pode ser de até 45 metros cúbicos por hectare ao ano.
Matas abrigam 50% das espécies da Terra
As florestas são o habitat de cerca de 50% de todas as espécies existentes no mundo. Para garantir essa biodiversidade, estima-se que é preciso proteger, no mínimo, 10% de cada um dos ecossistemas florestais. Alguns desses ecossistemas estão com uma parcela ínfima de área de cobertura protegida.
O Brasil possui 43,5 milhões de hectares de matas nativas protegidas por lei na forma de Unidades de Conservação, além de contar com os dispositivos do Código Florestal (ora em processo de revisão) e medidas provisórias que estabelecem Áreas de Preservação Permanente e Áreas de Reserva Legal obrigatória nas propriedades rurais (20% na região Sul e demais regiões; 35% no cerrado e 80% na Amazônia).
Florestas nativas correspondem às formações vegetais naturais que constituem os diferentes ecossistemas, no caso do Brasil, do Amazonas, áreas costeiras e mata Atlântica, cerrados, caatingas, pinheirais, florestas estacionais e Pantanal.
No fim – A Organização Não-Governamental WWF divulgou lista das 10 florestas mais vulneráveis no planeta. São elas, por ordem de vulnerabilidade: florestas das ilhas do Pacífico Sul; florestas úmidas de Nga-Manpuri-Chin (Bangladesh, Índia e Myamar); florestas úmidas das ilhas Salomão-Vanuatu-Bismarck; e as florestas das terras altas de Camarões.
Além dessas, estão vulneráveis as florestas de Guiné Equatorial e Nigéria; mangues do Golfo da Guiné; mangues de Madagascar; florestas úmidas de Palawan (Filipinas); florestas úmidas das Filipinas; florestas de terra firme do México e Guatemala e mangues da África Oriental. Todas elas possuem menos do que 2,2% de sua cobertura florestal em áreas protegidas.
Silvicultura ganha fórum nacional e recebe crédito
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, lançou o Fórum Nacional de Contribuições Socioambientais do Setor de Florestas Plantadas, durante a comemoração dos 100 anos da silvicultura no Brasil. "O objetivo é remediar o impacto do plantio de árvores em larga escala e promover o desenvolvimento sustentável de florestas plantadas", disse a ministra.
O fórum pretende reunir as empresas do setor e instituições de pesquisa numa base de dados, além de mapear ações nos campos da saúde, cultura, educação ambiental e pesquisa. Terá caráter consultivo e será um espaço de interlocução de empresas do setor e instituições de pesquisa. A meta é debater, propor, avaliar e divulgar ações que valorizem aspectos de conservação de biodiversidade, a proteção de mananciais, o estímulo a arranjos produtivos que priorizem o uso de espécies nativas.
Crédito - O Banco do Brasil vai oferecer uma linha de crédito para expandir o plantio de florestas destinadas ao uso industrial. É o BB Florestal, programa que reúne linhas existentes e recursos novos. Segundo o vice-presidente de agronegócios do Banco do Brasil, Ricardo Conceição, o banco destinará R$ 225 milhões nos próximos cinco anos.
Os produtores, empresariais ou familiares, terão de quatro a dez anos de carência para começar a pagar. O banco vai financiar o plantio de florestas comerciais e também de árvores destinadas à formação de reserva legal. A taxa de juros anual do financiamento será de 4% ou de 8,75%, dependendo da característica da unidade produtiva.
Setor não atende demanda por madeira
O Brasil precisa plantar 600 mil hectares de florestas por ano, o equivalente a um investimento de R$ 900 milhões, para ao menos suprir a demanda do mercado interno, de acordo com estudo do Ministério do Meio Ambiente. Dados do setor mostram, no entanto, que a área deve crescer em 400 mil hectares neste ano e em 500 mil no próximo.
Para dar conta da expansão e evitar importações, a Abraf pretende incentivar pequenos produtores rurais a plantarem madeira de reflorestamento como alternativa de renda. "O eucalipto vai muito bem em áreas de solo pobre, em encostas e terrenos pedregosos, e poderia funcionar como uma segunda ou terceira safra para o agricultor", lembra o pesquisador da Embrapa Florestas, Honorino Rodigheri. Hoje, dos 4,8 milhões de hectares plantados com eucalipto e pinus, 90% estão nas mãos das indústrias e apenas 10% do plantio é feito por terceiros - a região Sul responde por 1,4 milhão de ha. "Nosso objetivo é chegar a 70% com a indústria e 30% com pequenos agricultores", defende o presidente da Abraf, Carlos Augusto Lira Aguiar.
A idéia das empresas esbarra na burocracia do plantio. Isso porque o agricultor que planta florestas está sujeito a diferentes legislações: municipal, estadual, federal, Ibama e secretarias do Meio Ambiente. "Esse cipoal de leis desestimula o pequeno agricultor. Estamos buscando maneiras de simplificar e desburocratizar a atividade", explica Aguiar.
Corte de árvores mobiliza ecologistas
Doze municípios tentam impedir erradicação por causa da Cydia
Os proprietários ecologistas de pequenos pomares domésticos de 12 municípios da Serra gaúcha não vão permitir o corte de plantas para fins de controle da Cydia Pomonella, em que seja efetuado o manejo. Esses pomares, justificam, são mantidos com o objetivo de obter frutos para consumo próprio ou para comercialização de frutas e de seus derivados. "Serão tolerados cortes de pomares comprovadamente abandonados", afirma o tecnólogo e membro da Rede Ecovida, Leandro Venturin.
A decisão foi tomada no encontro de agricultores ecologistas, na quinta, 28, resultando na Carta de Ipê. Ficou definido, também, que deverão ser indicados à população métodos de controle alternativo da "praga", de fácil utilização por todos, como o ensacamento dos frutos. Deverão, ainda, ser discutidos métodos alternativos de controle para pomares maiores, promovendo a manutenção da biodiversidade (leia carta ao lado).
O coordenador técnico do Programa Nacional de Erradicação da Cydia Pomonella, Adalécio Kovaleski, do Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento (Mapa), lamenta a decisão tomada pelo grupo de ecologistas. "Trata-se de um programa federal, oficial, que prevê o controle de uma praga quarentenária que ameaça a economia e a cultura da maçã", declara ao CR.
Kovaleski, também pesquisador da Embrapa, observa que o Ministério da Agricultura está executando o programa de forma amigável, onde as plantas erradicadas são substituídas por outras variedades, nativas ou frutíferas. Segundo ele, no caso da pessoa não concordar com o corte, ela será encaminhada ao Mapa, que, por sua vez, repassa a questão ao Ministério Público para expedição de mandado judicial.
Caxias - O coordenador do Mapa para a área de Caxias do Sul, Marcos Regelin, também discorda do conteúdo da Carta de Ipê. Ele defende que o programa do Ministério da Agricultura visa proteger, só em Caxias, em torno de 2.400 hectares, responsáveis pela produção de 72 mil toneladas da fruta. "A atividade movimenta mais de R$ 30 milhões por ano", informa.
Cerca de 60 mil exemplares de frutíferas hospedeiras já foram erradicados em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul - mais 50 mil serão abatidas. Só em Caxias do Sul foram mais de 20 mil. "Cerca de 10 mil árvores foram cortadas pelos próprios proprietários", revela o coordenador Marcos Regelin. Para os técnicos do Mapa, a única alternativa para erradicar a Cydia é a eliminação das plantas hospeiras.
Carta afirma que corte ameaça biodiversidade
A Carta de Ipê afirma que a erradicação dos pomares domésticos e pequenos pomares representa perda de material importante para o desenvolvimento da biodiversidade. Atinge, profundamente, um dos instrumentos para garantir a sustentabilidade dos sistemas agrícolas familiares.
O documento assegura que a erradicação das plantas representa apenas a transferência do problema, pois a "praga" pode se manifestar em frutos que estejam no comércio e que irão para o lixo. Lembra que ao cortar as árvores em que não foi feito o controle não significa que estas estejam "contaminadas" e sim que os frutos delas foram atacados, estando, portanto, em condições de produzir frutos sadios.
"Muitas destas plantas fazem parte de uma cultura alimentar da família, contribuindo para a diversidade na alimentação e independência no consumo de frutas; quem possui pequenos pomares, mantém um vínculo afetivo e cultural com ele", diz a carta.
O documento conclui que a erradicação não é a solução do problema, "pois não foi proposto nenhum outro controle alternativo ao corte; o proprietário desconhece o sistema de consulta utilizado para definir o processo e este foi colocado à população de forma impositória."
Traça da maçã migrante trabalha das 17 às 22 horas
O nome popular da Cydia pomonella ou carpocapsa (L. Tortricidae) é traça da maçã. O adulto é uma mariposa pequena de cerca de 15-20 mm de envergadura por 10-12 mm de comprimento, com coloração cinza e distintas manchas escuras nas asas anteriores. É um inseto com atividades de migração, alimentação, acasalamento e postura no horário das 17 às 22h. O ciclo de vida consta de quatro fases: ovo, lagarta, pupa e adulto.
Durante o dia a mariposa fica em repouso, camuflada no interior das copas, em locais mais escuros das arvores. Entra em atividade quando as temperaturas se elevam acima de 10 ºC a 15 ºC, quando inicia a postura. Os ovos são postos na parte superior das folhas, ou sobre os frutos. Normalmente a postura é de um ovo por folha ou por fruta. Uma fêmea põe cerca de 100 ovos.
A larva recém-nascida mede em torno de 2 mm de comprimento, sendo branca e com cabeça preta. Penetra no fruto pelo cálice ou pelo lado, broqueando o fruto até as sementes, das quais se alimenta.
As lagartas adultas apresentam coloração rosada com cabeça marrom. Deixam o fruto para empupar, passando o inverno na forma de pré-pupa, tecendo o casulo de seda sob a casca da árvore ou em outro local protegido.
A Cydia é a principal praga de pomáceas na Europa, América do Sul, América do Norte temperada, sul da África e Austrália. Esta espécie de mariposa-praga provavelmente é originária da Eurásia. Hoje tem distribuição cosmopolita por ter sido introduzida em praticamente todas as regiões produtoras de maçã do mundo, com exceção do extremo oriente, partes da China, Coréia e Japão, e dos pomares comerciais de maçã do Brasil.
Hospedeiros - Os hospedeiros primários da praga são maçã, noz, pêra e marmelo, e os secundários são pêssego, ameixa, nectarina e damasco. É na maçã que a carpocapsa tem o maior impacto econômico, sendo reconhecida como a praga-chave da cultura.
A lagarta penetra no fruto principalmente através das cavidades calicinal e peduncular, produzindo um pequeno orifício circular exterior, e logo introduz-se abaixo da epiderme, construindo uma galeria debaixo da casca e consumindo as sementes e a polpa. Forma galerias mais amplas à medida que cresce e orifício de saída em que deposita os excrementos, o que dá à abertura um aspecto de serragem umedecida.
Grito da Terra pede R$ 18 bilhões
Recursos do Pronaf são para investimento e custeio da safra
O fim da violência no campo, o cumprimento das metas da reforma agrária, a aprovação imediata da Proposta de Emenda à Constituição 438 (a PEC do Trabalho Escravo) e a alteração da PEC 369, que aborda a reforma sindical. Estas são algumas das 150 reivindicações do Grito da Terra 2005 entregues ao presidente Lula pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), na sexta 29.
"Recebemos do presidente Lula o compromisso de avançar em todas as exigências. Queremos o avanço, sobretudo no item de desapropriação e assentamento, como o cumprimento da meta de assentar 115 mil famílias", diz o presidente da Contag, Manoel dos Santos.
A Contag, que representa 26 federações de trabalhadores rurais do país, pede que os recursos do Pronaf sejam ampliados para cerca de R$ 18 bilhões, sendo R$ 10,2 bilhões para investimento e R$ 7,5 bilhões para custeio. Também reivindica alteração na pauta da reforma sindical, no que diz respeito aos trabalhadores rurais. "Segundo a nossa avaliação, a PEC destruirá os nossos sindicatos", ressalta Santos.
Estão na pauta do Grito da Terra o projeto de lei de iniciativa popular na Previdência Social; o combate à informalidade na área de assalariados rurais e uma política nacional para o salário mínimo; saúde, educação e meio ambiente.
A expectativa da Contag é que manifestação, nos dias 1º e 2 de junho, em Brasília, reúna cerca de 5 mil trabalhadores rurais. "Parte da pauta é composta por propostas mais imediatas, outras são a médio prazo, então vamos discutir com prioridade as que são emergências. Para isso, estabelecemos um período de negociação, quando as representações de todos os Estados vão receber a resposta final do Grito da Terra 2005", explica Manoel dos Santos.
Lançado primeiro triticale brasileiro
O Brasil acaba de registrar a primeira cultivar de triticale desenvolvida pela pesquisa nacional. A Embrapa Trigo, com sede em Passo Fundo (RS), lançou a BRS minotauro. A variedade representa um marco para o cultivo do triticale no país por usar material genético adaptado às condições de solo e clima brasileiros.
O triticale é um produto gerado a partir do cruzamento do trigo com o centeio. Nesse cruzamento herdou características como potencial de rendimento de grãos e de biomassa, resistência a doenças, bom desenvolvimento em baixas temperaturas, tolerância à seca e ao frio, sistema radicular profundo, e grãos de alto valor protéico.
No Brasil, a área plantada esteve ao redor de 100 mil ha nas últimas cinco safras, com a produção destinada à alimentação animal e humana. Entra na fabricação de biscoitos, massas para pizzas, cereais e produtos dietéticos.
A BRS minotauro alcança produtividade média de 3.790kg/ha, rendimento 6% superior às demais cultivares em uso no país; e a moderada resistência à giberela, doença que ataca a espiga levando à queda na produtividade até à inutilização dos grãos na alimentação, para a qual todos os materiais disponíveis até o momento eram suscetíveis.
Engº. Agrº. José Zugno
Identificação de myrtácea
Quero reiterar a importância deste espaço em nosso Correio Riograndense. Jornal muito útil que presta informações aos seus assinantes e leitores sobre os mais variados assuntos. Dirijo-me ao colega pedindo auxílio para a identificação de uma planta existente na propriedade de um dos nossos agricultores assistidos. Segue amostra da planta que é ornamental, e seus frutos, possivelmente, comestíveis. Sou natural de Cotiporã, que o senhor bem conhece e participa de sua vida social.
ALEXANDRE MENEGUZZO
Extensionista da Emater de Gramado - RS
A amostra chegou em boas condições: um ramo com numerosos raminhos, abundante folhagem e muitas frutinhas. As folhas são simples, opostas, pecioladas, lisas, luzidias, verde escuras, elípticas e acuminadas (agudas) na extremidade. Medem 2,0 a 2,5 cm de largura e 5 a 7 cm de comprimento. Os frutos são bagas redondas de 1,0 a 1,2 cm de diâmetro, de cor amarelo-vermelha, polpa reduzida e um só caroço. Devem ser apreciados pelos pássaros e outros animais silvestres, mas não pelos humanos, pois a polpa de gosto estranho não é agradável.
A constatação desses dois caracteres - folhas opostas e frutas baciformes (bagas) - é suficiente para identificar a amostra da planta pertencente à família das myrtáceas. Quanto ao gênero botânico provavelmente trata-se do Eugenia ou Stenocalix ou outro, a ser confirmado com o exame de outros fatores, principalmente a estrutura floral. Com mais forte razão a identificação da espécie científica depende essencialmente da florescência da planta que deve ocorrer na próxima primavera.
Aliás, a família das myrtáceas é extremamente importante da flora rio-grandense em particular das matas de Cotiporã - sua terra natal e da minha esposa -, de Gramado e de todos os municípios serranos onde 30 espécies desta família, ou mais, existem e com bastante freqüência, muito úteis à fauna e às populações humanas. Quase todas de madeira valiosa para diversas finalidades, de flores melíferas e de frutos comestíveis e saborosos.
No mundo vegetal, as myrtáceas têm lugar destacado contendo cerca de 100 gêneros e aproximadamente 3.000 espécies, principalmente nas zonas tropicais e temperadas de todos os continentes.
De acordo com a origem das espécies existem dois centros principais de dispersão, o "americano" e o "australiano". Embora pertencentes à mesma família da qual apresentam as características fundamentais, distinguem-se porque as do primeiro grupo (americanas) têm sempre folhas opostas e os frutos são sempre bagas; as do segundo grupo (australianas) têm folhas alternas nos ramos e o fruto é seco e capsular.
O Brasil concorre com o maior número de espécies (cerca de 1.000) do primeiro grupo, das quais as mais conhecidas são as goiabas - dentre estas a nossa goiaba serrana -, jaboticabas, pitangas, guabirobas, araçás, guamirins, camboins, grumixama, guabiju, pessegueiro-do-mato, uvaia, sete-capotes, cereja nacional, cabeludinha, cambuci, ubaí etc.
Do grupo australiano destacam-se as inúmeras espécies de eucaliptus introduzidas e cultivadas no Brasil, não só produtoras de madeiras para os mais variados fins como de essências preciosas, melíferas e ornamentais. Do mesmo grupo australiano vieram espécies ornamentais de callisttemon (escova-de-garrafa) e florestais de melaleuca.
De outro centro de dispersão das myrtáceas (Europa e Ásia) foram introduzidas espécies como a murta ou mirta, jambo, fruto do jambeiro que se adapta bem no Nordeste, jambolão ou jamelão e, sobretudo, o cravo-da-índia (coryophillus aromaticus), excelente especiaria.
As nossas myrtáceas, além das já citadas características (folhas opostas e bagas frutíferas), distinguem-se pelo tronco de casca lisa que apresentam. A casca é descamante, todos os anos perde as camadas externas (ritidoma) em placas que se desprendem regular ou irregularmente. Novas camadas se formam com o crescimento. A forma das placas e o aspecto que deixam na casca após a queda são detalhes levados em conta na identificação das espécies.
Câncer de boca avança no Brasil
São 14 mil novos casos por ano. 30% dos pacientes morrem
O Brasil ainda precisa melhorar muito no que diz respeito ao cuidado com os dentes. Segundo dados divulgados no último Congresso Internacional de Odontologia, realizado recentemente em São Paulo, 30 milhões de brasileiros nunca foram ao dentista e 60% dos adultos com 54 anos não têm mais nenhum dente na boca. Entre os adolescentes, 13% jamais entraram em um consultório odontológico.
Na mesma ocasião, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou as metas que devem ser alcançadas até 2010 para melhorar a saúde bucal da população. Conforme as recomendações da organização, 75% das pessoas devem completar 20 anos sem cáries e sem problemas de gengiva.
Os especialistas reunidos no congresso ainda discutiram algumas das principais dúvidas dos pacientes que chegam aos consultórios: piercing na boca pode causar câncer? Quanto creme dental usar? O flúor realmente previne as cáries? Avanços nos tratamentos e novos equipamentos e produtos também foram apresentados.
O câncer de boca ocupou boa parte dos debates. A cada ano surgem no Brasil cerca de 14 mil novos casos de tumor bucal. Segundo o Instituto Nacional do Câncer, 30% dos pacientes morrem, apesar da doença ser de fácil prevenção. Identificado logo no início, as chances de cura se aproximam de 100%. Além dos clássicos fatores de risco (como fumo e álcool em excesso), a falta de informação e de recursos também contribui para o avanço da doença. Segundo os especialistas, os pacientes demoram a procurar ajuda. Uma pesquisa revelou ainda que antes de consultar um dentista ou um estomatologista (médico especializado em boca) os pacientes chegam a procurar cinco profissionais de outras áreas da saúde.
Há também muitos dentistas que não consideram a hipótese de um câncer nas primeiras consultas. As pessoas não devem ir ao dentista apenas para checar a saúde dos dentes. Durante a consulta, o especialista também precisa verificar a língua, as bochechas, gengiva e palato em busca de possíveis sinais de tumor. Dos pacientes com câncer de boca atendidos no Hospital do Câncer, em São Paulo, 34,4% são encaminhados por dentistas. São sintomas da doença: feridas que não cicatrizam em duas semanas, manchas brancas e vermelhas, caroços, bolinhas endurecidas e inchaço, dificuldade para falar, mastigar e engolir.
Piercing - Ainda não há estudos conclusivos sobre isso, mas os especialistas suspeitam que a moda dos piercings pode mesmo ser um fator de risco para o desenvolvimento de um câncer bucal. Segundo a Associação Brasileira da Odontologia, fraturas nos dentes, infecções e limpeza malfeita (piercing na língua ou na mucosa dificulta a higiene) predispõem a tumores. Várias pesquisas também associam o piercing a alergias, mau hálito, alterações na fala, hemorragias, traumas no céu da boca e periodontite, inflamação que pode levar à perda dos dentes. Além disso, precárias condições de higiene durante a colocação do acessório favorecem a transmissão de outras doenças, como hepatite.
75% dos adultos têm doença na gengiva
Setenta e cinco por cento da população brasileira maior de 25 anos de idade têm algum tipo de doença periodontal. Pode ser uma gengivite, que ataca só a gengiva; uma periodontite crônica, em que até o tecido ósseo é afetado; ou mesmo manifestações mais graves que surgem em conseqüência de outras doenças sistêmicas, como diabetes. Se esses males se agravarem, há possibilidade de perda dos dentes. Em geral, os problemas não causam dor. Assim, os pacientes só procuram ajuda quando a doença piora muito.
Uma preocupação dos especialistas é a relação da doença periodontal com outros males. Muitas infecções surgem ou se agravam quando a gengiva não é tratada, pois as bactérias da boca entram na circulação sangüínea. Doenças cardiovasculares e derrames são duas vezes mais comuns em pessoas com problemas gengivais, que podem ter as válvulas cardíacas inflamadas pelas bactérias. As substâncias resultantes das inflamações na boca ainda destroem as células do pâncreas, reduzindo a produção de insulina.
Rinite, sinusite, pneumonia, enfisema, abscessos e doença pulmonar obstrutiva crônica também podem ser causados ou agravados pelas bactérias da boca. Grávidas com doenças periodontais têm uma probabilidade sete vezes maior de ter bebês com baixo peso.
Criança precisa de pouca pasta dental
O flúor também rendeu longos debates durante o Congresso de Odontologia. Muitos defendem a fluoretação da água porque pode fortificar o esmalte dos dentes e reduzir em até 60% a incidência de cáries. A medida facilitaria o combate à cárie, que pode ser transmitida por gotículas de saliva. No Brasil, a incidência de cárie é 49% maior nas localidades que não adicionam flúor na água distribuída à população, de acordo com o Ministério da Saúde.
Porém, há os que argumentam que a água com flúor é desnecessária, já que o mineral está presente nos cremes dentais. O excesso de flúor no organismo pode causar fluorose, doença caracterizada por manchas esbranquiçadas nos dentes de crianças menores de seis anos. O problema não é só estético, as manchas enfraquecem a dentição se não forem tratadas. A Organização Mundial da Saúde determina de 0,6 a 0,8 miligramas de flúor por litro de água, mas nem sempre o índice é respeitado.
Foi praticamente consenso entre os especialistas que participaram do congresso que uma pequena quantidade de creme dental, equivalente ao tamanho de um grão de arroz, é suficiente para limpar os dentes das crianças. Isso significa que mais vale uma boa escovação do que um monte de espuma. Além disso, engolir a pasta com flúor pode levar ao acúmulo do mineral no organismo. Aliás, alguns profissionais só recomendam creme dental com flúor para crianças com cárie ativa. Para quem nunca teve esse problema, o produto sem flúor seria mais indicado.
Fio dental limpa e reduz as manchas
Já está no mercado brasileiro o primeiro fio dental que promete remover a placa bacteriana e clarear o espaço entre os dentes de uma só vez. O produto é recoberto com uma cera de dióxido de silício, a mesma substância abrasiva das pastas clareadoras.
Um estudo clínico realizado na University Park Research Center, em Indiana, Estados Unidos, aponta que o uso regular desse fio reduz em 26% as manchas extrínsecas, ou seja, aquelas causadas pelo pigmento do café, refrigerantes escuros e cigarro. Para os resultados aparecerem, é preciso usá-lo diariamente por pelo menos duas semanas.
Porém, antes que a novidade ganhe adeptos, é preciso aumentar a adesão da população ao fio dental tradicional. Somente 30% dos brasileiros usam o produto diariamente.
Gás ajuda a manter o paciente relaxado
A chamada sedação consciente, feita com óxido nitroso diluído em oxigênio, tem o poder de aplacar o medo que pessoas têm do dentista. Ele não substitui a anestesia, mas ajuda a manter o paciente relaxado durante o tratamento.
Também conhecido co-mo gás hilariante, foi usado pela primeira vez nos Estados Unidos há 160 anos e, naquele país, já faz parte da rotina de 90% das clínicas odontológicas. No Brasil, aumenta a adesão à novidade. Por esse motivo, o Conselho Federal de Odontologia decidiu regulamentar sua utilização por dentistas, antes só os anestesistas podiam empregá-lo. Especialistas afirmam que o produto não tem contra-indicações e pode ser usado por pacientes de qualquer idade.
Vinagre de maçã controla infecção
Pesquisadores da Universidade Federal de Goiás, da Unesp de Araçatuba e da USP de Ribeirão Preto estudam a ação do vinagre de maçã no controle da infecção do canal do dente. Os primeiros testes, realizados com cães, confirmaram a eficiência do produto. O vinagre tem substâncias que podem estimular a atividade de defesa do organismo.
Em pouco tempo devem começar os testes em seres humanos. O vinagre está revelando propriedades similares às dos medicamentos que o dentista coloca no canal durante o procedimento.
Sexta-feira, dia de ressurreição
Leonardo Boff
A ressurreição acontece a cada sexta-feira – quando peões e operários terminam a estafante semana de trabalho – na esperança de que um dia vire um eterno domingo de Páscoa
Deixemos as questões da Igreja e ocupemo-nos do cotidiano. Os cristãos celebram a ressurreição no domingo de Páscoa, uma só vez ao ano. No Brasil, curiosamente, a ressurreição acontece todas as sextas-feiras. É a hora em que peões e operários terminam o trabalho estafante da semana. Aí se reúnem alegremente em grupos nos botequins e nos restaurantes populares para tomar a sua cerveja.
Tudo é sorriso e amabilidade. A faladeira é grande. Nas mesas as garrafas de cerveja se sucedem. E come-se coisa barata mas gostosa: asas de frango com farofa e molho à campanha; churrasquinho de carne com fritas. E no fim de tudo meio copo de cachaça. E a saideira demora de acontecer. São várias porque sempre há alguém que paga mais uma rodada.
Os rostos se transfiguram. Percebe-se pelos corpos gastos, pelas caras cansadas e pelas roupas surradas que são pessoas exploradas. Foram submetidas durante toda uma semana à dura faina da humilhante produção capitalista. Esta não valoriza a criatividade do trabalhador. O capitalismo não ama a pessoa, apenas sua força de trabalho, seus músculos, sua cabeça, sua habilidade e especialmente sua produtividade.
Mas a sexta-feira é o dia em que a vida dá o troco. Acontece a ressurreição. Os seres humanos recuperam sua humanidade perdida, redimidos das cadeias que os prendem a quatro paredes, às máquinas melancólicas, aos escritórios higienizados com seus computadores frios.
Conversa-se de futebol. Cada um é mestre nessa arte. É a um tempo treinador e crítico dos treinadores e dos craques. Depois passa-se à mulheres. Contam-se casos reais e inventados, piadas, vazão da libido reprimida. E as "popozudas" e as "gostosas" merecem muitos comentários. Às vezes, fala-se de política, para injuriar os governos, para esculhambar o Lula, embora depois acabem votando nele.
Mas o bom mesmo é a conversa fiada, a conversa mole, a gratuidade de falar, rir, tomar cerveja, beliscar comidas. Alguns mais entusiasmados e já sob o efeito da cachaça falam mais alto. Outros até abraçam o amigo ao lado como se fosse sua namorada. Só falta beijá-lo.
Eu reparo as figuras: aquele negro com um corte no rosto revela uma bondade irradiante e doce; sorri com uma doçura que é já primícias da verdadeira redenção no paraíso do proletariado; esse queria tê-lo como irmão. Aquela outra mulher gorda, bebe, belisca asas de frango, fala alto; seu olhar é penetrante; reparte o vinho barato - Sangue de Boi - com a companheira em frente; esta seria uma amiga que gostaria de ter. Tudo aqui é leveza, alegria, própria da ressurreição. Diz-se que no Ocidente o sorriso só entrou após a fé na ressurreição, quer dizer, com a vitória da vida.
Eu mesmo num canto peço minha porção de asas de frango com farofa, tomo minha cerveja e fico observando. E me enlevo. A opressão não consegue matar a vitalidade da vida.
Quando vou pagar, depois de repetir o prato, vejo que é uma ninharia. Pago quase o dobro em gorjeta. E saio emocionado em direção ao carro, chorando de alegria por assistir a ressurreição acontecendo, testemunhando a vida invencível e indestrutível dos pobres e dos oprimidos, o nosso povo, os preferidos de Deus. A ressurreição acontece de novo, cada sexta-feira, na esperança de que um dia vire um eterno domingo de Páscoa. Essa fé vale pra mim mais que todas as discussões sobre o novo Papa.
Frei Betto
A ciência insiste em esgotar nossa potencialidade vital. A mim interessa apenas ser feliz. E felicidade não é o resultado da soma de prazeres; é uma questão de qualidade de vida
Os animais têm um potencial de vida cinco vezes a idade em que se completa sua formação biológica. O ser humano é exceção. Nossa conformação física está encerrada aos 25 anos de vida. São raros, porém, os homens e as mulheres que comemoram 125 anos.
A ciência insiste em esgotar a nossa potencialidade vital, já que as células humanas estão, em princípio, aptas a viver de 130 a 140 anos. Na verdade, certos donos da ciência não estão exatamente interessados em nos assegurar uma sobrevida. Pensam, primeiro, em suas contas bancárias. Se assim não fosse, haveria uma ampla mobilização para erradicar a miséria e a pobreza, que provocam a morte prematura de milhões de pessoas.
O luxo de uma vida prolongada pode ser adquirido - dizem eles através da publicidade -, a preços nada módicos, em drágeas vendidas na farmácia da esquina, dietas sofisticadas, academias de ginásticas, e na literatura de auto-ajuda (que raramente se estende à entre-ajuda).
No intuito de potencializar o nosso período de existência é que em Cuba surgiu o Clube dos 120 anos. Aceitam-se inscrições de bebês, que passam a ser monitorados pelo clube. Os sócios devem observar alguns princípios básicos.
Não comer em demasia nem fazer dietas excessivas. A sabedoria consiste no equilíbrio. Evitar o fumo e o álcool, preferir os alimentos naturais aos industrializados e ingerir, de preferência, frutas, verduras e legumes.
Fazer exercícios físicos, evitar o sedentarismo, caminhar de três a quatro quilômetros, quatro ou cinco vezes por semana. Dedicar algumas horas do dia à arte e à cultura. É sempre relaxante ler um romance, ouvir música, apreciar pinturas, visitar museus ou assistir a um filme.
Ter motivação para viver: uma causa, um ideal, um objetivo que traga ocupação e empenho. Pode ser colecionar selos ou fazer trabalho voluntário, pesquisar a vida das abelhas ou combater o atual modelo de globalização. Entregar-se ao ócio, sem algo que desperte a criatividade e o interesse, reduz o tempo de vida.
Evitar tensões emocionais, não discutir, não competir (exceto no esporte), não guardar rancores e mágoas, nem alimentar sentimentos de ira e vingança. Viver em harmonia com os mais próximos.
Entregar-se a atividades que tragam alegria e façam sorrir. Ter contato com a natureza. Cultivar amizades. Dançar. Praticar a solidariedade.
Há mais um princípio que muitos cubanos praticam mas nem sempre tornam explícito: orar. A oração, sobretudo a meditação, favorece a introspecção positiva e desata os nós do ego, estimulando o altruísmo e a capacidade de amar. Traz auto-estima e alegria interior, induzindo à compaixão e ao perdão.
A oração torna a pessoa humilde, no sentido etimológico de húmus, terra, ter os pés na terra e não querer ser maior nem menor do que ninguém. De húmus vem a palavra homem, ser que brota da terra ou, em outras palavras, que vive em comunhão com a natureza e com seus semelhantes.
De minha parte, não tenho interesse em viver 120 anos. Trago uma aguda consciência da inevitabilidade da morte e, graças à fé, a certeza de que ela é o irromper de uma nova e definitiva existência, onde a vida é terna, porque Deus é amor. Interessa-me apenas ser feliz.
Alcançada a maturidade, aprendi que a felicidade não é o resultado da soma de prazeres. É uma questão de qualidade de vida, que varia de pessoa a pessoa. A minha se nutre de poucos ingredientes: harmonia familiar, boas amizades, oração, literatura e causas sociais. É o que me basta. E, a esta altura de minha breve trajetória por este mundo, já não me sinto premido pelo futuro, pois fui agraciado pelo passado. Valeu a pena ter vivido. E para quem enfrentou riscos de morte, como nos anos de prisão, perdura em mim uma sutil impressão de que estou fazendo hora-extra na vida.
Amo a vida porque não temo a morte. Encaro-a como amor/Te.
Metade da riqueza brasileira está em 70 municípios
No outro extremo, 5.153 cidades juntas detêm apenas 25% do PIB nacional
Em 2002, a metade do Produto Interno Bruto (PIB) nacional estava concentrada em apenas 1,3% dos municípios brasileiros, ou 70 de um total de 5.560, onde morava um terço da população do país. Nove municípios sozinhos - seis deles da região Sudeste - respondiam naquele ano por um quarto (25%) de todos os bens e serviços produzidos no país. Neles viviam somente 15,2% dos brasileiros.
No outro extremo, para atingir o mesmo percentual de 25% da produção era preciso juntar 93% das cidades (5.153), que abrigavam 43,3% da população. E das 50 cidades com menor PIB em 2002, 48 (96%) eram das regiões Norte (mais precisamente de Tocantins) e Nordeste (Piauí e Paraíba).
A concentração na produção e as desigualdades regionais estão retratadas nos resultados do projeto PIB dos Municípios, desenvolvido desde 2000 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com os órgãos estaduais de estatística, secretarias estaduais de governo e a Suframa.
Alterações - A série histórica mostra que a realidade de 2002 era bem parecida com a dos anos anteriores (1999, 2000 e 2001), mas a pesquisa mais recente revelou algumas mudanças. No ranking dos municípios que representam 25% do PIB, por exemplo, as principais alterações foram a inversão de posições entre Manaus e Belo Horizonte, a saída de Porto Alegre e a inclusão, na lista, de três municípios que não são capitais: Duque de Caxias (RJ), Guarulhos (SP) e São José dos Campos (SP).
O crescimento da economia de Manaus foi uma conseqüên-cia do recebimento de royalties pelo tráfego de gás natural oriundo do poço de Urucu e do crescimento do parque industrial. As atividades industriais foram as maiores responsáveis pelo crescimento do PIB de Guarulhos e de São José dos Campos. A participação de Duque de Caxias vem crescendo desde 1999, principalmente devido ao refino do petróleo.
Menores - Os municípios de menor PIB no país são, em ordem decrescente, Parari (PB) (R$ 2,6 milhões), Lavandeira (TO) (R$ 2,6 milhões), São Miguel da Baixa Grande (PI) (R$ 2,5 milhões), Santo Antônio dos Milagres (PI) (R$ 2,0 milhões) e São Félix do Tocantins (TO) (R$ 1,9 milhão). Juntos, eles representam 0,001% da produção nacional.
Pinhal da Serra lidera crescimento
Caxias do Sul está entre os municípios cujo PIB mais cresceram entre 1999 e 2002. Conforme o IBGE, o salto foi de R$ 3,81 bilhões para R$ 5,56 bilhões, equivalente a 45,8%. Com esse valor, Caxias passou a ocupar a 31ª posição do ranking das cidades brasileiras com maior PIB. A renda per capita do município também aumentou neste período - de R$ 10.675 para R$ 14.621, ou 36,9%.
Mais de a metade dos 5.560 municípios brasileiros (52,5%) registraram crescimento nominal acumulado acima da média nacional (37,4%) entre os anos de 1999 e 2002. O município cujo PIB mais cresceu no país é Pinhal da Serra, no nordeste gaúcho: 566,3% em apenas um ano (de R$ 15,6 milhões em 2001 para R$ 104,4 milhões em 2002). Motivo: a construção da barragem no rio Pelotas para a instalação da usina hidrelétrica de Machadinho, em Piratuba (SC), impulsionou a economia do município com apenas 2.346 habitantes e 434 km2 de área.
Agropecuária possui menor concentração
A agropecuária é a atividade econômica menos concentrada espacialmente. Mas houve concentração em quatro anos, segundo o IBGE. Em 1999, 203 municípios produziam 25% do total de produtos agropecuários no Brasil. Em 2002, para chegar a esse mesmo percentual bastavam 165 municípios. Naquele ano, 602 municípios foram responsáveis por 50% da produção agropecuária nacional, enquanto 924 responderem por apenas 1% da produção agrícola.
A agropecuária ainda é a atividade com maior dispersão, uma vez que os 14 maiores municípios produtores representavam, juntos, 5% da produção total em 2002. Desses 14 maiores, os sete primeiros e os três últimos são paulistas produtores de laranja. Os outros são Petrolina (PE), maior produtor nacional de manga e goiaba e o 3º em uva; Rio Verde (GO), produtor de grãos; São Félix do Xingu (PA), rebanho bovino e maior produtor de banana do país; e Toledo (PR), produção de aves, suínos e soja.
Sul tem produção melhor distribuída
Na comparação regional entre as cidades de maior e de menor Produto Interno Bruto (PIB), há uma forte concentração da produção, sobretudo no Sudeste, onde os 10% de municípios com maior PIB geraram, em 2002, quase 30 vezes mais riqueza do que os 50% de municípios com menor PIB. No Norte do país, a relação entre os extremos foi de 14,7 para 1; no Nordeste, de 11,9 para 1; de 14 para 1 no Centro-Oeste; e de 9,2 para 1 na região Sul, que apresenta a menor disparidade. A série de 1999 a 2002 mostra uma certa estabilidade nesse indicador.
Na maior parte dos Estados brasileiros, os cinco municípios com maior PIB representam, juntos, mais da metade do PIB estadual. A concentração é maior no Nordeste, onde apenas a Bahia é uma exceção. É muito alta também no Norte, exceto no Pará e Tocantins, e menor no Sul e no Centro-Oeste, onde os percentuais somados dos cinco maiores PIBs municipais não atingem 50% da produção de nenhum Estado.
Entre as capitais, São Paulo é a primeira na contribuição para o PIB nacional (10,41%), enquanto Palmas (TO) fica em último lugar (apenas 0,05%). Em relação à contribuição das capitais para o PIB do Estado, Florianópolis é a única que não ocupa a primeira posição. Em Santa Catarina, o maior PIB municipal é o de Joinville (R$ 5,3 bilhões).
A IGREJA NAS COLÔNIAS ITALIANAS
Desde 1861 havia sacerdotes italianos no Rio Grande do Sul. Com a grande imigração, iniciada em 1875, aumentou a necessidade de padres. A chegada dos palotinos, dos capuchinhos e dos carlistas sistematizou o atendimento religioso. Mas foi com as atuações do pe. Bartolomeo Tiecher em Garibaldi, do pe. Eugênio Steinhart em Estrela e do pe. Giovanni Menegotto em Bento Gonçalves que iniciou a organização da Igreja nas colônias italianas
ROVÍLIO COSTA
Professor, pesquisador e escritor
A Imigração italiana agendada começa com a chegada de imigrantes nas colônias imperiais: em 1875, em Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Garibaldi; em 1877, em Silveira Martins. Sacerdotes italianos, desde 1861, estavam no Estado. Com a chegada de palotinos alemães em Vale Vêneto, em 1888, de capuchinhos franceses em Garibaldi, em 1896, e de carlistas italianos em Encantado, em 1896, sistematizou-se o atendimento religioso.
Dom João Batista Scalabrini, bispo de Piacenza, funda, em 1886, a Congregação dos Carlistas para os emigrantes italianos, que denominava ‘os párias dos emigrantes’, e já em 1896 enviava seus padres ao Brasil, depois de ler cartas de imigrantes, recebidas pelo pároco de Quero, Trento: "Aqui estamos como os animais, sem padres e nem médicos."
Ao brasileiro, católico de irmandades, ordens terceiras, procissões, romarias e festas, o sacerdote era necessário apenas para batizados e casamentos, que tinham efeito civil. Mas o italiano, habituado à missa, confissão e comunhão, exigia a presença continuada do sacerdote.
Leão XIII, em carta aos bispos das Américas de 10-11-1888, lamentava que os imigrantes não tivessem sacerdote, e que alguns sacerdotes italianos não levassem vida condigna ao seu ministério. Por isto, a Congregação do Concílio ordenou, em 27-7-1890, aos bispos da Itália de não mais concederem a padres diocesanos autorizações para a América ou Ilhas Filipinas, senão a algum sacerdote maduro e de vida intemerata, com recomendação do bispo e com certeza de um ofício eclesiástico a desempenhar. No Rio Grande do Sul, a situação precária do clero foi minorada com a ação de jesuítas e pela decisão de Dom Cláudio Ponce de Leão de trazer religiosos para as colônias.
O pe. Ambrósio Schupp (em Rabuske, 1978, p. 43-50), ao referir a chegada a Porto Alegre de jesuítas espanhóis (1843), aponta como razão da decadência do clero a hostilidade de Pombal à Igreja. Sacerdotes formados no Rio de Janeiro eram insuficientes. Vieram, por isso, padres do estrangeiro - alguns bons e com boas intenções, mas, transferidos para longe dos olhares solícitos de seus pastores, sem o convívio com virtuosos irmãos, ficavam entregues a si mesmos... Até a década de 1890, com a posse de Dom Cláudio José Gonçalves Ponce de Leão, a Igreja, no Estado, lutou para conservar a unidade e a ortodoxia.
Pastoral - O pe. Eugênio Steinhart, pároco de Estrela de 1880 a 1896, percorria também as colônias de Encantado, Roca Sales, Garibaldi, Bento Gonçalves, Teutônia, Poço das Antas e Linhas e Travessões de Caxias a pedido dos próprios colonos, já que os padres dessas áreas se "restringiam a batizados, casamentos e exéquias." Pe. Eugênio inicia uma pastoral adequada à falta de padres: Afirma ele: "Manifestei-lhes que, na ausência de padres, fizessem, nos dias santos, um culto à semelhança das Andachten - devoções dominicais da colônia alemã, com ladainhas, terço e leituras pias e, à tarde, vésperas e o ofício dos defuntos. Eu falava sobre a catequese, confissão e comunhão. Na catequese das crianças, seguia o catecismo Síntese da doutrina cristã, de Roberto Bellarmino, que deu origem ao nosso primeiro Catecismo da doutrina cristã (1904). Nas primeiras vezes, muita gente se reunia. Bebia-se muito, fazia-se barulho e se dançava, mas poucos vinham ao confessionário. Depois de eu visitar quatro ou cinco vezes um lugar, as confissões se multiplicavam, os dias santos começaram a observar-se... O povo também começou a compreender a necessidade de padres que sempre estivessem no lugar... Por sugestão minha, solicitaram sacerdotes à Propaganda Fidei, razão porque padres de Cremona, Verona, Veneza, Milano, Bérgamo começaram a interessar-se pelos colonos. Em Piacenza, Dom João Batista Scalabrini funda a Congregação de São Carlos para os migrantes. Desde 1886, atuavam bons sacerdotes em Garibaldi, Bento Gonçalves..., em Caxias houve os palotinos (1888); na Linha Zamith, um franciscano; em Azevedo Castro, pe. Ottavio; em Garibaldi, o pe. Bartolomeo Tiecher e, em Figueira de Melo, os padres Giovanni Fronchetti e Augusto Finotti" (Rabuske, 1978, p. 58-60).
"O pioneiro pe. Bartolomeo Tiecher (1848-1940), ordenado em Trento em 1871, decidiu acompanhar patrícios emigrantes. Em outubro de 1875, embarcou em Havre com 392 tiroleses e 208 italianos, chegando a 13 de dezembro. Confirmado capelão da Colônia Santa Maria da Soledade, lá chegava em 23 do mesmo mês. Esta colônia era de alemães com alguns italianos piemonteses chegados em 1873. Em março de 1876, visitou os incipientes núcleos de Garibaldi, Figueira de Melo e Bento Gonçalves, celebrando missas e orientando os colonos. Em 1877, volta a essas colônias e vai até Caxias. De 1877 a 1881, foi pároco de Santo Inácio da Feliz e, a 6-3-1886, foi nomeado pároco de Garibaldi, com jurisdição em capelas de italianos em São Vendelino. Devido a seu temperamento enérgico e zelo incontido, teve oposição de alguns carbonários, tendo que mudar a sede da paróquia para a Linha Zamith. O bispo, informado dos incidentes, renovou-lhe a nomeação para Garibaldi, onde permaneceu até fins de 1883 - depois exerceu ministério em dez outras paróquias, falecendo em Roca Sales a 27-2-1940, com 92 anos (Rubert, 1977, p. 47-50)".
As Cartas do pe. Tiecher (Gardelin, em Folha de Hoje, 20 a 23-2-1991) revelam sua preocupação de minorar as privações materiais e manter a fé dos colonos. Diz: "Não aconselharia a emigrar senão a lavradores com família. O governo dá preferência às famílias. Não pensem de encontrar casas e lavouras já feitas e campos cuidados... Venham com a intenção de trabalhar, ser industriosos e econômicos e, em 10 anos, poderão acumular uma discreta fortuna. Quanto à religião, vamos mal... Casam no registro civil e ficam aguardando a passagem de um sacerdote para cumprir o seu dever de católicos... De um modo geral há falta de sacerdotes." Em 19-3-1876 escrevia de Santa Maria da Soledade: "...as pessoas ficaram admiradas com os sentimentos e a vida cristã de nossos trentinos, considerados verdadeiros católicos. Só faltam os padres, sobretudo bons padres..."
Organização - As presenças do pe. Bartolomeo Tiecher em Garibaldi, do pe. Eugênio Steinhart em Estrela e do pe. Giovanni Menegotto em Bento Gonçalves começaram a organização da Igreja nas colônias italianas.
Pe. Domenico Antonio Munari, pároco de Fastro-BL, embarcou em 27-12-1876, com 275 emigrantes, com destino a Linha Palmeiro, em Bento Gonçalves, que denominou Nova Fastro. Faleceu a 28-3-1876, e pouco antes, em carta de 13-3-1878, publicada na Revista Il Tomitano (1-5-1878), descreve a situação material e espiritual dos imigrantes: "Aqui se encontram privados de sacerdotes, de médico, de casa, de igrejas, de hospitais e de quaisquer outros bens, exceto o alimento, apenas com a remota esperança de poder melhorar esta condição com o correr de muitos anos e a custo de sacrifícios, suores e privações..."
Pe. Giovanni Menegotto, de Calaone-PD, ordenado em 1865, partiu para o Brasil em 1877, estabelecendo-se em Bento Gonçalves, onde a 6-2-1877 recebeu a provisão de capelão, incluindo Garibaldi, de onde se tornaria o primeiro pároco pela lei provincial de 26-4-1884, que criava também as paróquias de Santa Teresa de Caxias e Santo Antônio de Silveira Martins. Construiu a matriz e adquiriu seus três sinos. Em 28-12-1889 descreve sua paróquia de 15.000 almas: "Toda gente pobre, estabelecida nas baixadas ou nos montes...; por dificuldades de comunicação e distâncias, construíram para si umas 60 capelas de madeira, como são suas casas e habitações, e aí se reúnem para a oração e catecismo, visitados muitas vezes por mim e pelo padre coadjutor, com a celebração da missa e outras funções religiosas" (Rubert, 1977, p. 54-55).
Em Silveira Martins, confirmado pároco a 28-4-1885, o pe. Antonio Sorio construiu a matriz e levantou muitas capelas, percorrendo todas as linhas coloniais, que também tiveram capelães palotinos em Vale Vêneto, Nova Palma e Núcleo Norte, enquanto em Arroio Grande se achava o pe. Francesco Comoretto" (Rubert, 1977, p. 65-67).
Em Veranópolis, pe. Matteo Pasquali assumia a paróquia a 16-3-1886, com jurisdição nos municípios de Nova Prata, Nova Bassano, Nova Araçá, Protásio Alves, Vista Alegre do Prata, Fagundes Varela, Vila Flores, Guabiju, São Jorge, Paraí... Auxiliado pelos colonos, levantou muitas capelas, e defendeu a população frente aos diretores da distribuição de terras" (Rubert, 1977, p. 74-75). Em todas as paróquias, os sacerdotes propõem a organização de capelas.
Capuchinhos chegaram ao Rio Grande do Sul em 1896
Em 1896, chegavam às colônias italianas capuchinhos franceses e carlistas italianos. Os capuchinhos se estabeleceram em Garibaldi em 18 de janeiro de 1896. Frei Bruno de Gillonnay, diretor da missão, depois de percorrer as colônias italianas, em 12-10-1904 relatou a dom João Batista Scalabrini: "Excetuados alguns moradores das cidades, os 300.000 italianos e filhos, até o presente, se conservavam fiéis à prática da religião... São ávidos de festas religiosas, da pregação e dos sacramentos... Em todas as paróquias há uma igreja conveniente..., numerosas capelas, onde se reúnem aos domingos para rezar comunitariamente... Igrejas e capelas são fruto do suor dos bravos colonos, porque o governo não faz nada pela Igreja, e todos chegaram a uns 25 anos em situação de total pobreza. A fé destes colonos não recuou; eles continuam erguendo templos a Deus e à divina Mãe. Mas sua fé está exposta a três grandes perigos: 1º - às distâncias e à extensão das paróquias... 2º - à falta de sacerdotes, embora os capuchinhos ajudem ao clero... 3º - a ignorância religiosa ameaça tudo invadir... Preocupados em afastar esses três perigos, buscamos organizar as escolas, a imprensa e as missões" (Apremont e Gillonnay, 1976, p. 245-247).
Os padres carlistas iniciavam sua ação no Estado em 20-4-1896, em Encantado, com a chegada do pe. Domenico Vicentini, que em 26-5-1896 informava: "A missão que me foi confiada tem, aproximadamente, uma superfície de 50 milhas quadradas; grande parte ainda não foi ocupada. A população é de mais ou menos 3.000 almas..., todos da Alta Itália, contando, inclusive, com muitos tiroleses e com umas poucas famílias brasileiras, alemãs e francesas. Todos estão contentes por terem um sacerdote... Mas não há união entre os diversos grupos. Cada grupo tem a sua capela, e todos quereriam que o padre residisse com eles. A grande dificuldade das colônias é a escolha do local onde se edificar a matriz; pois é aí que se formará o povoado, a vila, a cidade, daí grandes rivalidades entre os colonos para estabelecer ou aceitar a escolha..., apesar de os padres jesuítas haverem escolhido, de acordo com o bispo, a capela de São Pedro, em Encantado" (ACM, POA).
A presença continuada de sacerdotes diocesanos e religiosos determinou a sólida organização das paróquias, constituídas de capelas como espaços de religião, educação e lazer, cujas atribuições foram definidas no Estatuto das Capelas, em 1930, pelos párocos da Comarca de Bento Gonçalves, em três capítulos: "I - Relação das capelas com a venerável Cúria e com a Paróquia; II - Decoro e função das capelas; III - Em favor dos doentes."
Conceito - Havia presença ativa e efetiva, nas comunidades rurais, do denominado padre leigo, o fiel que coordenava as celebrações das capelas. Contudo, a celebração da missa, a confissão e a participação na eucaristia é o centro do estatuto das capelas. Sem a presença do padre, não haveria confissão, forte pilar da devoção do imigrante, à qual se ligava a idéia de salvação.
O conceito religioso do imigrante é o de um Deus que recompensa e castiga, por isto o cultivo da vida sacramental, com missa, confissão e comunhão, dava a certeza contábil da salvação, sem a qual não teria sentido o progresso material, fulcro da própria imigração.
Cabe à Igreja, no mundo plural de hoje, fazer a passagem da pastoral de ‘execução’ a uma pastoral da ‘convicção’ e da ‘filiação’, substituindo o "Quem pratica será salvo" por "Quem ama a Deus e ao próximo será salvo." A evangelização do aprofundamento da fé batismal, do engajamento social, da construção do reino de Deus são passos necessários a uma prática livre, convicta e transbordante de amor.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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AGS - Archivio Generale Scalabriniano de Roma.
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GARDELIN, Mário. Cartas de Pe. Bartolomeo Tiecher. Caxias do Sul, Folha de Hoje, 20, 21, 22 e 23-2-1991.
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PASTORAL COLETIVA. 1915.
PRIMO Catechismo della Dottrina Cristiana. 7. ed. Porto Alegre: João Mayer, 1935.
RABUSKE, Arthur, Pe. Os inícios da colônia italiana em escritos de jesuítas alemães. Porto Alegre: UCS/EST, 1978.
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TIECHER, Bartolomeo, Pe. Cartas. In: GARDELIN, Mário. Caxias do Sul, Folha de Hoje, 20, 21, 22 e 23.2.1991.
Comunidade caxiense celebra 100 anos
Caravaggio da Terceira Légua festeja centenário no dia 22 de maio
A comunidade de Caravaggio da Terceira Légua, interior de Caxias do Sul, está completando um século de fé, união e trabalho. O centenário da construção da primeira capela será comemorado com grande festa no dia 22 de maio. Até 1905, os moradores da região pertenciam à capela São Pedro, da Terceira Légua, que em 1911 passou a ser paróquia. Em razão da distância - mais de seis quilômetros - as famílias de Caravaggio decidiram construir sua capela, às margens do rio Belo, entre as montanhas que emolduram o lugar.
Em 1971, a antiga capela de madeira deu lugar a uma nova igreja, de alvenaria, construída a quase um km de distância da primeira, detalhe que explica porque, hoje, o cemitério está tão distante da igreja. Como as famílias eram constituídas em sua maioria de italianos do norte da Itália, muito devotos da virgem que apareceu em Caravaggio, lugarejo a 38 km de Milão, escolheram Nossa Senhora como padroeira da capela.
Pouco depois, entronizaram na igreja uma bela imagem de Nossa Senhora de Caravaggio, esculpida no atelier de Tarquínio Zambelli, em Caxias do Sul. A imagem, preservada pela comunidade até hoje, foi restaurada pelo pintor e iconógrafo frei Celso Bordignon, diretor do Museu dos Capuchinhos.
Os primeiros moradores de Caravaggio da Terceira Légua chegaram ao local nos início dos anos 1880. No livro de atas de 1905 consta que a comunidade contava com cerca de 15 sócios, em sua maioria trentinos (tiroleses), das famílias Bampi, Motter, Trentin, Bottura, Pintro, Lorenzi, Tisatto, Santa Catharina, Belorini, Iob e Matté. Atualmente a comunidade destaca-se pela produção de uvas e vinhos - há uma vinícola (Casa Motter) e uma agroindústria de sucos (Frederico Bampi) - e de hortifrutigranjeiros.
Imagem de Caravaggio visita as capelas
A comemoração do centenário da capela de Caravaggio da Terceira Légua iniciou há alguns meses, com a visita da imagem da padroeira às capelas da paróquia de São Pedro da Terceira Légua, atendida pelos capuchinhos da paróquia Imaculada Conceição. Sempre no dia 26 de cada mês a imagem percorreu as capelas São Paulo, Santo Antão, São Luis, Sagrados Corações e a matriz São Pedro. Uma imagem menor, de Nossa Senhora, também passou pelas famílias da comunidade local.
No dia 9 de maio os freis deram a bênção às casas dos moradores de Caravaggio e à noite houve confraternização de todas as famílias. No dia 22, às 10h30, o bispo diocesano, dom Paulo Moretto, preside a missa solene e, em seguida, haverá descerramento de uma placa recordando o centenário. A festa também contará com lançamento do livro "Caravaggio da Terceira Légua, 100 anos de fé, união e trabalho", de Sheila Cunico, que conta a história da comunidade. Ao meio-dia, almoço festivo.
No dia 26, seguindo uma antiga tradição preservada pelos moradores, será celebrada missa às 10h30, seguida de almoço de confraternização das famílias da comunidade. Atualmente, Caravaggio da Terceira Légua é constituída de 35 famílias, 28 das quais são associadas à comunidade.
Padre Zezinho
O Espírito Santo tirou deles o melhor que tinham e não conseguiam mais segurar
O dia de Pentecostes foi um derramar de milagres. Até então, os apóstolos tinham visto algumas manifestações do Espírito Santo no próprio Jesus. Em muitos momentos eles sabiam da existência do Espírito Santo, porque Jesus falava dele e o manifestava. Ao ver Jesus eles diziam: "O Espírito está Nele".
E Ele demonstrava que estava no Pai e no Espírito Santo. Várias vezes Jesus dissera: "Eu estou no Pai, acreditem em mim". "Eu vou enviar o Espírito do meu Pai e meu". Eles tinham visto em Jesus, pelo sopro que dava nos enfermos, pelo carinho que ele dava a todos que o procuravam; pelos seus gestos que curavam, que o Espírito de Deus estava nele. Mas eles mesmos não tinham ainda experimentado o Espírito Santo. Ainda não tinha acontecido com eles.
Quando chegou o dia de Pentecostes, estavam reunidos e, de repente, veio do céu um barulho parecido com um vendaval. O ruído encheu a casa onde se encontravam e eles viram línguas de fogo que se espalharam e pousaram em suas cabeças. Começaram a falar em línguas. Que sensação! Que alegria! O Espírito Santo tirou deles o melhor que eles tinham e não conseguiam mais segurar! Eles estavam falando e emitindo sons inexprimíveis. Foi uma experiência belíssima!
As pessoas que circulavam pelas redondezas, ao ouvirem aquele barulho e aquela algaravia, ficaram confusas. Espantadas e surpresas, diziam: "Mas esses homens aí não são galileus? Como é que eles estão falando outros sons e cada um entende na própria língua materna?". Este foi o primeiro sinal do Espírito Santo para eles. As pessoas perceberam que algo diferente estava acontecendo com aquele grupo. Houve gente que os chamou de malucos e doidos. Mas houve quem percebesse que alguma coisa nova estava ocorrendo ali. E estava!
Caminhada valoriza a paz e a oração
Caminho de São Francisco foi marcado pela acolhida, fraternidade e celebrações
Mais de 70 religiosos, religiosas, vocacionados e membros da família franciscano-capuchinha participaram do 3º Caminho de São Francisco, nos dias 23 e 24 de abril. Neste ano, a caminhada foi realizada do santuário de Nossa Senhora de Caravaggio (Farroupilha) até o eremitério de Frei Salvador (Flores da Cunha), num percurso de cerca de 40 quilômetros.
A caminhada, passando por diversas comunidades da região, destacou temas muito caros aos franciscanos – o sentido de itinerância (caminho) da vida religiosa; o anúncio do evangelho e o testemunho da paz e do bem, valores marcantes na vida de São Francisco e Santa Clara; a possibilidade da contemplação, reflexão e oração com as comunidades; a animação vocacional; a consciência ecológica; o sentido da fraternidade e solidariedade.
Uma missa no santuário de Caravaggio, no dia 23, com bênção de envio do reitor, padre Volmir Comparin, marcou o início da caminhada, que encerrou às 15 horas do dia 24, junto ao eremitério de Frei Salvador, com celebração eucarística. Frei Lucas Arbiza, do Correio Riograndense, salienta que ao longo do percurso, além das orações junto aos capitéis, da contemplação da natureza e das celebrações nas comunidades, foram marcantes a acolhida e o carinho das famílias locais.
No sábado pela manhã, os romeiros foram surpreendidos por um farto lanche preparado pelas famílias de Luiz Carlos e Alfredo Verona. A comunidade São Tiago, de Mato Perso, acolheu os caminhantes para o almoço; na capela Santa Justina as famílias receberam os integrantes da caminhada em suas casas para a janta e o pernoite e a comunidade Santo Antônio (Linha 80) preparou o almoço do dia 24. Nessas três comunidades foram plantadas mudas de oliveira, árvore adotada como símbolo da caminhada.
Comunicação motiva seminário em Brasília
A CNBB promove, de 16 a 18 de maio de 2005, em Brasília (DF), o V Seminário Internacional de Comunicação. O evento vai abordar o tema "Guerra e paz: o papel da mídia no entendimento entre os povos". Inspira-se na proposta do Pontifício Conselho para as Comunicações para o 39º Dia Mundial das Comunicações, celebrado em 8 de maio, que apresentou o tema "Os meios de comunicação a serviço da compreensão entre os povos".
O seminário busca uma resposta à questão: Qual o papel da mídia na construção da paz? A discussão envolve a percepção de que as pessoas observam o mundo a partir das categorias criadas pelos jornais, revistas, televisão, rádio e internet.
Capuchinho assume ordem do diaconato
No dia 15 de maio frei Reginaldo Manoel Casinato assume o diaconato durante cerimônia realizada às 8h30 na paróquia São Cristóvão, em Campo Novo do Parecis (MT). O ato religioso será presidido pelo bispo diocesano de Diamantino (MT), dom Canísio Klaus. Reginaldo pertence à vice-província de Mato Grosso e Rondônia, ligada aos capuchinhos do Rio Grande do Sul.
Reginaldo nasceu em Glória de Dourados (MS) aos 6 de março de 1979. Filho de Antônio e Nercy da Silva Casinato, agricultores, ingressou na casa de formação dos capuchinhos em 1995. Cursou Filosofia em Porto Velho (RO), fez o noviciado em Cuiabá, no ano 2000, e no ano seguinte iniciou o curso de Teologia na Estef, em Porto Alegre. Em 2004 iniciou estágio em Campo Novo do Parecis e no dia 12 de dezembro fez a profissão perpétua. Permanece em Campo Novo até o final de 2005 e em 2006 retorna à Estef para concluir a Teologia.
Aldo Colombo
A passagem do tempo tornou-se uma obsessão e com ela cresceu de forma dramática a pressa
Há, pelo menos, 20 mil anos, a humanidade começou a preocupar-se com o tempo. Começou com marcas em ossos e gravetos. Depois evoluiu e passou a usar o chamado relógio de sol, com a sombra marcando a evolução do dia. Um grande passo foi dado com a invenção da ampulheta, um vaso cintado por um fino gargalo por onde a areia fluía para o outro lado. Esta passagem da areia representava determinada medida do tempo. Na Idade Média surgiu o relógio mecânico, que foi tornando-se cada vez mais exato. Hoje, relógios eletrônicos têm uma margem de erro inferior a um segundo por século.
À medida que os relógios de precisão se sofisticaram, a velocidade se tornou vital. Cada vez mais se delimita o tempo em fatias mais finas do segundo. A passagem do tempo tornou-se uma obsessão e com ela cresceu de forma dramática a pressa. Somos uma civilização de apressados e, porque eternamente apressados, acabamos estressados.
Todos sabemos o que é o tempo, mas ninguém sabe defini-lo com precisão. Classicamente o dividimos em três dimensões: passado, presente e futuro. Mas as três dimensões são fugidias e incontroláveis. O passado não é mais nosso, o futuro ainda não é nosso e nem sequer sabemos se o será. E o presente está continuamente mudando. As comparações pouco ajudam. O tempo, dizem, é como um rio. Outros, que é uma flecha lançada em velocidade, que não volta atrás.
Uma obsessão para todos, o tempo é definido de muitas maneiras. O tempo é ouro, dizem os executivos. Ian Walker tentou contabilizar esta dimensão e chegou à conclusão que os três minutos, em média, usados para escovar os dentes equivalem a R$ 1,30, enquanto a meia hora usada para lavar o carro significa a perda de R$ 13,00. Para disciplinar o tempo, surgiu a agenda. Muito se fala em tempo livre, que para muitos é tempo perdido. Para Olgária Matos, da Universidade de São Paulo, o tempo livre não é livre, é sem sentido.
Os gregos antigos, antigos e inteligentes, dividiram o tempo em duas categorias: o tempo comum e o tempo de Deus. E os romanos, práticos, inventaram uma divindade chamada de Occasio, o tempo oportuno. Para os crentes, o tempo é presente, um presente de Deus. E neste sentido, o tempo é o espaço onde se realiza a salvação. E essa salvação tem muito a ver com os que caminham conosco. Neste sentido, o tempo mais bem aproveitado é o que gastamos com os outros.
O tempo, contrariamente ao pensar comum, não é infinito, nem elástico. É impossível recuperar o tempo perdido. Podemos redimensionar nosso projeto, com um novo tempo. Uma atitude extremamente perigosa é deixar para mais tarde. O tempo de Deus, diz São Paulo, é hoje. A ocasião oportuna é agora.
Capuchinhos refletem sobre formação
Encontro, realizado em Roma, reúne freis de língua portuguesa
Contando com a participação de 23 capuchinhos de dez províncias e duas vice-províncias, iniciou no dia 3 de maio, em Roma, o segundo curso de Formação Permanente para capuchinhos de fala portuguesa. Até o dia 19 de maio os participantes permanecem no Centro de Formação de Frascati, em Roma. De 20 a 29 de maio farão uma peregrinação aos lugares santos capuchinhos (Camerino, Albacina...) e franciscanos (Assis, Alverne, Grecio, Fonte Colombo e outros).
Frei Sérgio Dal Moro, da comissão de formação da Ordem, explica que durante o período de permanência em Frascati, os integrantes do curso vão refletir sobre elementos centrais da vida franciscano-capuchinha: vida consagrada e processo de conversão, Cristo fundamento da vida consagrada, fraternidade, minoridade, pobreza, afetividade, vida apostólica, entre outros. Os trabalhos de estudo e reflexão serão intercalados por visitas à cidade de Roma, à Cúria Geral, às catacumbas, às irmãs clarissas, ao colégio internacional e outros lugares.
Do Rio Grande do Sul participam os freis Eudes Capelari, Fausto Bernardi e Carlos Jaroseski, além de José Mascarello, da vice-província do Brasil Oeste, e Augusto Bernardi, que atua na vice-província da República Dominicana. Essas duas vice-províncias estão ligadas à província gaúcha.
Morte de monsenhor Severino Brun comove Porto Alegre
Porto Alegre viveu um momento de profunda espiritualidade com a morte de monsenhor Severino Brun, ocorrida no dia 24 de março de 2005, aos 76 anos. Segundo frei Rovílio Costa, que o auxiliou na paróquia Sagrada Família, em Porto Alegre, Severino foi um dos maiores padres da capital gaúcha nos últimos tempos. "Bondade, objetividade, otimismo, entusiasmo e espiritualidade engajada marcaram a vida de monsenhor Severino", revela frei Rovílio.
Severino Brun nasceu no dia 5 de agosto de 1928 em Santa Teresa (RS), onde foi ordenado sacerdote por dom Vicente Scherer, em dezembro de 1953. Exerceu seu ministério pastoral nas paróquias São José de Porto Alegre (1954), em Gravataí (1955) e, a partir de 1957 até sua morte, na paróquia Sagrada Família, em Porto Alegre.
Sacerdote prático, usou diversificados meios para o exercício pastoral - projeções, futebol, excursões, violão, violino e órgão; Ação Católica, Apostolado da Oração, Filhas de Maria, Lobinhos e Escoteiros; cursos de líderes cristãos, encontros de Emaús, Movimento Familiar Cristão, coral, capelinhas de Nossa Senhora, Encontros de Casais com Cristo, encontros de noivos, Colméia, pastoral vocacional, Onda, grupos de oração Servos da Rainha, Creche Sagrada Família, Ministros extraordinários da Eucaristia, Alcoólicos Anônimos, entre tantos outros.
Enfatizou as pastorais do batismo, primeira eucaristia, crisma, acolhida, ministros da eucaristia. Foi esportista, jogador de futebol, organizador de esportes, torcedor e capelão do Internacional. Na paróquia Sagrada Família contou com o auxílio de diversos capuchinhos, entre os quais os freis Silvério e Roque Costella, Rovílio Costa e Clemente Dotti.
Wilson João
Prefiro ser descrente a crer num deus palhaço criado à imagem dos sabores humanos
Deus, que é a busca e a realização dos seres humanos, parece ser um coquetel de sabores, semelhante a um coquetel de sorvetes, de frutas, de petiscos ou de aperitivos. Dediquei um tempo para apreciar conteúdos religiosos de diversas igrejas em programas de televisão, escutei palestras sobre a busca de Deus, li livros e revistas, ouvi depoimentos pessoais, escutei canções religiosas, sobrevoei a terra e percebi infinitas buscas de Deus de todos os jeitos, gestos e palavras, desde a contemplação até o suicídio. Percebi que Deus deve possuir muitíssimos sabores para satisfazer o gosto de bilhões de pessoas, de milhares de igrejas e movimentos religiosos. E constatei que, para um bom grupo de pessoas, Deus não tem nenhum sabor.
OS SABORES ESQUISITOS DE DEUS. Parece que Deus tem mau gosto. Mas, não é Ele, e sim, parte desta humanidade que tem gosto estragado. Gosto amargo, azedo, salgado demais, enjoado. Quem observa, com pensamento crítico, certas igrejas e movimentos religiosos, vai concluir que muitas pessoas têm um gosto estragado: gritarias, agitação, imposição de medos, ameaças, exploração emocional, luta entre o bem e o mal, entre Deus e o demônio, visão pessimista da vida e do mundo, como se Deus tivesse criado uma terra e uma humanidade marcadas pela maldade em vez de marcadas pela bondade de Deus. É triste e deprimente ver movimentos e igrejas que fazem da busca de Deus um caminho trágico e, necessariamente, com a expulsão do "inimigo de Deus" que é o demônio, que sempre está atento para roubar "as almas de Deus". Existirá um Deus desses, ou será invenção de grupos religiosos? Fazendo passar pelo crivo da purificação tudo o que se diz sobre esse tipo de religião, não fica dez por cento na pureza final. O resto é invenção humana, e não a visão de um Deus bíblico e real da vida. Já pensei comigo: prefiro ser descrente a crer num Deus palhaço criado à imagem de sabores humanos. Deus, igrejas, movimentos e religiões que fazem da busca de Deus um mercado e uma exploração dos sentimentos, não são do gosto de Deus. Infelizmente Deus se tornou um grande negócio entre tantos outros no mercado da vida.
OS SABORES SABOROSOS DE DEUS. São muitos. Fico maravilhado diante de um santo como São Francisco de Assis, que sentia na boca o gosto do mel quando pronunciava a palavra "Pai", e assim se expressava diante de Deus: "Tu és a beleza, a doçura, o descanso, a paz, a segurança, a mansidão, a justiça, a alegria, a paciência, o amor, a vida..." Com São Francisco dá gosto sentar-se na mesa de Deus, porque é uma mesa cheia de sabores que o coração humano deseja e o satisfaz! É certo que o caminho da busca de Deus não está livre de dores, espinhos e cruzes, mas todo esse caminho recebe um novo sentido quando diante de nós está um Deus que buscamos e que tem os sabores que conduzem à vida.
ONDE ESTÃO OS SABORES VERDADEIROS? Onde está a serenidade, ali está Deus. Onde está o amor e a fraternidade, ali está Deus. Onde está o amor e a promoção da vida, ali está Deus. Onde está a justiça e a paz, ali está Deus. Os sabores básicos de Deus são o amor e a vida. Ali está Deus e a busca verdadeira através da religião e das igrejas.
O Vêneto que está em mim
Ettore Beggiato
Político, Padova, Itália
Ser Italiano, Talian ou Vêneto na Itália e no mundo faz a diferença, no pensar de Ettore Beggiato:
"A sò nato a Campìglia dei Berici-VI el 4-8-1954, ma a sò sempre stà a Grumolo delle Abbadesse-VI. Desso stao a Bàstia de Rovolon-PD, drento el parco dei Colli Euganei, che i ze sempre stà ciamai Monti, ma Colli ze pi fin, i dise lori.
A go studià da rajonier e a go scominsià a lavorar sora i computer, soto paron. A go cambià quatro posti e a go laorà anca a Trento, dove che me sò iscrito a la Università de sociologia e a go fato qualche esame e dove che go scomissià a sentir parlar de autonomia. Cossita, nel 1980, a sò stà uno dei primi a ndar drento a la Liga Véneta che lora la jera pròprio pena nata. A sò stà consilier regional dal 1985 al 2000, assessor dal 1993 al 1995, e desso a sò consilier provincial a Vicenza. La me passion, pi che la puìtica, la ze sempre stà la stòria, la cultura e la léngua véneta e a go anca scrito qualcossa, metendo insieme on poche de ricerche che gavea fato par conto mio. Lora a go stampà L’idea federalista nel Véneto, che la ze na racolta de scriti federalisti: 1866, la grande truffa - sora el plebiscito che ga fato passar el Véneto soto l’Itàlia, visto che nessuni a ghe ne parla, e desso a sò drio finir on livro sol 1809 e so la rivolussion véneta contro Napoleon.
Nel 1995, a sò stà nominà, e par mi l’è stà on onor tanto grando, sitadin serafinense dela Prefeitura de Serafina Correa-RS, Brasil, par quelo che gavea fato come assessor a l’emigrassion quando che jera in Region.
Parlar de L’italiano che è in me me par inpossibile, parchè mi a no sò mia italiano, mi a sò véneto! Vedemo se sò bon de spiegarme puito. Par mi ghè talian, véneto e italiano, i ze tre mondi diversi, par conto suo.
El mondo talian el ze on mondo, par mi, che’l me fa vegner ancora el pel de oca, che a go scoverto nel 1993, e che el me ga lassà drento na emosson granda par quelo che ga fato la nostra zente de là del mar, par quelo che la nostra zente ze stà bona de far anca par mantegner le so raìse, la so léngua, la so cultura, la so civiltà.
El mondo véneto el ze el me mondo, la me tera, el me pòpolo, la me Pàtria e mi a sò pròprio pien de orgóglio quando che vedo sventolar la nostra bandiera véneta col leon de San Marco, o quando che sento parlar la nostra léngua; orgóglio, ma anca dispiaser e ràbia par come che ze ridoto el Véneto al di de ancó. E qua el discorso se faria longo, ma a penso che on pòpolo che no’l ga la dimension de la so stòria e de la so cultura el fa fadiga a vardar con speransa al diman.
El mondo italiano che non el ze el me mondo. Par mi l’Itàlia la ze on stato sovranassionale come la Spagna o la Gran Bretagna e drento a sti stati ghe ze tanti pòpoli, che, come el nos-tro véneto, i va considerà le vere nassion stòriche europee. E lora trovemo véneti, friulani, sardi, siciliani in Itàlia, catalani, baschi, galleghi in Spagna, scossesi, inglesi e gallesi in Gran Bretagna. E mi, a el Stato Italiano ghe incolpo el fato de ver portà vanti na puìtica par farne diventar tuti precisi, tuti italiani: e cusì i véneti non i sa gniente de la so stòria, i se vergogna de parlar la so léngua e i perde on poco a la volta la so identità.
Ze restando véneti, friulani, catalani, scossesi che se se bate contro la globalisassion. Che mondo saralo quando che parlaremo tuti na stessa léngua, che magnaremo tuti a lo stesso modo e che bevaremo tuti la stessa bìbita? Véneti restemo véneti, e taliani restè taliani!" (26-4-2005), e-mail: bejato@hotmail.com
Como ítalo-gaúchos, ou ítalo-brasileiros, nos denominamos Talianos, porque o falar que aqui formamos engloba palavras de todas as falas da Península.
el ritorno de nanetto pipetta (308)
In quela caseta ghe volaria na fémena
Luiz Bavaresco
Bancário, Nova Prata (RS)
Zera un bel giorno de maio, ma fredo. Nanetto l’è ndà al potrer veder se’l gavea cavà tuta la erba dura, ma el vede anca che no ghe ze pi pasto, el zera tuto brusà de la brina. Davanti la caseta, banda el potrer, el gavea fato na rosseta de mìlio, che’l gavea de le bele foie. El se ga nicorto che zera ora de far le sime. Lora el ga tolto su quatro sinque fassi de sime, dopo el se ga sentà sora na soca de pianta, da dove el vedea ben la so caseta, e el ga scomissià pensar.
El stava là lu e el so cagneto Faìsca, e i se capia ben uno col altro. Lu el vardava el Faìsca, e el Faísca lo vardava lu, e el menea la coa come na ventarola. Ghe mancava solo parlarse uno col’altro.
Nanetto el vardava el coerto de scàndole, romai negre de vece che le zera, e el vardava anca la cosina che la zera distante sinque metri dea casa, par via che, se la ciapasse fogo, no la brusaria la caseta. El se ga nicorto che’l zera solo lu e Faìsca e in quela caseta ghe volaria na fémena. Ghe ze vegnesto in mente la Gelina, e el ga scomissià véderla netando davanti la casa co na scoa de scapoera, e dopo la ga vista ndar te la fontana tor na sécia de aqua, e la vede dopo meter l’aqua tea caliera tel fogolaro par scaldarla e far la polenta.
Soto la casa el gavea la stala co na vacheta de late. El fava el butiro, el formaio e anca la puina che la magnava con la polentina calda. El ga visto la Gelina smissiar quela polentina e, dopo, molarla tel taier par sfredarla un pochetin. Ghe ze vegnesto in mente anca che bisognea sbregar paie de mìlio ben fine par far el paion par due, e far anca un paioneto de pene de galina par meter sora el paion de scartosse par scaldarse quando vegnea la brina.
El ga pensà tante altre bele cose, fin che’l se ga nicorto che zera note naltra volta. I so pensieri i ze ndati via tuti, e ze restà ancora solo lu e Faìsca. El ze ndato casa, e el ze ndato tel fogolaro ndove el gavea cosinà patate dolse soto la séndre, e el gavea anca na pignatela de pignoi, el ga magnà pignoi e patate e el ze ndato butarse do.
El ga pregà el rosàrio e le tànie e el se ga indormensà. Durante la note, el se ga insonià che’l zera in Itàlia insieme so pupà, so mama e so fradei. Ghe parea de esser tel potrer drio tor su le buasse par méterle secar tea stala, par brusarle e scaldarse durante l’inverno.
Tel stesso insònio el se ga visto in Mèrica in medo bele piante, e el ga dito che l’era meio brusar legna de pianta che in Mèrica l’era pi abondante che le buasse de vaca e, anca, no la spussava tanto.
Dopo el ga dormisto fin matina e el se ga smissià in Mèrica, con tanto da far.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
Lodovico Bramaltoco
Aldo Fin
Voio contarve la stòria de Lodovico Bramaltoco, orbo de na gamba e soto de un òcio. El gera un tipo che’l pensava sempre ai tempi antichi, quando i copava i peoci coi pichi, e i ferava i gati co le fete de salado, se vendea la merce a tre brassi e un franco, tre bale e un soldo, tre cai co la ola e i ‘ndava par aqua con la sesta. El gera parente del cugnà del fiolo del nevodo dela serva del arciprete dela meleta del pontepassero. Quelo el diseva de esser cogo, invesse el gera fasente funsion del sotovice capo sguatero.
So bisnono el gera conte parché el contava le stele stando in leto, el dormiva co la scùria par difénderse dai pantegani e col ombrea verta parché pioveva zo. Dunque so bisnono el gera conte, so nono contin, so pare contadin e lu el gera so fiolo. So pare ala festa marciava in capelo e so sorea faseva servìssio campo marso nele ore de note. So zio gera l’osto del Megheto e Lodovico dormiva nela càmera dei saladi. Questo so zio gaveva inventà un bevaron col eticheta stampà – rinfresca, riscalda, tonìfica, molìfica, fortìfica, strense, slarga, s-ciara la vista, move el cataro e fa pissar ciaro. Lodovico ghenà bevù na bossa e così ghe ze vegnù el tifo, el tanfo, la rogna, el sgranfo e el cagoto a scossi. E si che le ze un tipo esperto! figureve che el ghe ga dà na s-ciafa al bocae de pisso, el ga smerdà la luna col bacheto, el ga inventà el musarolo par le piàtole, el ga portà la malatia dele suche e i lo ciama spesso a s-ciopare le piàtole al ospedae. El ze anca un toso económico; ndando a strasse el ga rancurà tanti de quei peoci che con la pele el se ga fato un par de guanti e lu se li mete quando el ga sono, così dala spissa el resta sveià. El va spesso coi amici Ganassa, Tranche e Moleca al masselo Comunale ala ricerca dele balete de peo nele buele dei vedei copà.
Un giorno el ragionier Puineta, vècio come Marco Caco e parente de Bortoeto Caca, cugnà de Pacina che gaveva i cessi in piassa, ghe ga indicà l’avocato Sparasela, paron del albergo dele quatro efe, (fredo, fumo, fame, fastìdio) come un bon avocato de cause perse. Infati nel processo contro Rómolo Schissa, Toni Boassa, Memo Coessa e Bórtolo Giossa, el ga fato assòlvere la siora Squàquara Spacaossi, che nel canton del spìgolo del àngolo dela curva dela svolta dela strada la gera stà ofesa da lori. Così per meso del avocato Sparasela el ga otegnù la licensa de véndare: fuminanti, cerini, lapis, fini, biro, patina col lùcido, candele par la note saltinpansa, amareti, rovina fameie, stracaganasse, storti del dolo, forti de Bassan, pandoi de Vicensa, cuchi e sigoloti, buei per far saladi, el unguento par la rogna, la tegna e la giossa al naso. El so amico Cornolò ga invità al so matrimònio, mandàndoghe questa partecipassion: Cornolò Cornèlio da Cornedo Vicentino, sonatore di cornetta e Cornale Rebecca da Cornuda, operai in ogeti de corno e cornici, ti invitano al loro matrimònio a Cornigliano Lìgure. Viaio de nosse al Corno d’oro e crociera in Cornovaglia. Lodovico ga partecipà ale nosse e al sposo el ghe ga fato par regalo un capeo co le màneghe. El ga n’altro amico, parente del Onorevole Gava che ga nome Pierluca e la morosa la se ciama Francesca Duro. Anca lori ga invità Bramaltoco al matrimònio; ma sicome Pierluca, come se usa desso, i lo ciama Luca e so morosa i la ciama Checa, così nel invito gera scrito: Luca Gava e la Checa Gava Duro. Lodovico par regalo de nosse ghe ga comprà do vasi da note col mànego a sinistra. Par questo i so amissi ghe vol ben, anca parchè el porta in testa un capeo che ghe stà ben come na merda s’un ferale, e lori i lo ciama con qualche soranome; ciùcia nèspoi, caga stròpoi, sgrigna papoe, sculassa bote, mastega brodo, becamorti, pelaoche, smerdarolo. Qualche volta el va a pescare le rane col feraeto. A vardarlo in distansa el fa na bea lontanansa, parché el ga un peto che fa stómego, ma el ze tanto sensìbile che se el vede qualcosa de bruto, el resta putrefato. Quando che’l tase no’l parla mai e la sera apena el se spoia el va in leto. (Monologo in dialetto Visentin).
Eco na barseleta in Vicentin, no se capisse tuto, ma la grande parte. Saluti. Rovílio.
Festa em Ijuí lembra 130 anos de imigração italiana
Missa em ação de graças pelos 130 anos da Imigração Italiana no RS, celebrada por frei Sadi Barbieri, dia 15, na Paróquia São Geraldo, marca a abertura da Festa Italiana (Festitália), de Ijuí. A animação está a cargo dos corais Bell Vivere e Santa Cecília, regidos pela professora Temisa Enriconi Sarreta. A cerimônia é coordenada por Helena Mânica. A Festitália ocorre no Centro Cultural Regional Italiano, de 15 a 21 de maio.
A programação prossegue na quarta, 18, com degustação de vinhos, jantar típico e palestra com o enólogo João Valduga, de Bento Gonçalves. Dia 19 visita à exposição de fotos de famílias italianas e palestra sobre imigração italiana a cargo do professor Danilo Lazzarotto, no Museu Diretor Pestana.
No dia 20 de maio, Ijuí integra a programação estadual quando os municípios gaúchos cuja população é de origem italiana hastearão bandeiras do Brasil, do Rio Grande do Sul e da Itália, em solenidades conjuntas. Participam da cerimônia de hasteamento, na Praça da República, a Banda Municipal Carlos Gomes e o Coral Bell Vivere. Às 19h, filó no pavilhão "Il nostro canton", no Parque Wanderlei Burmann, com jogos, confecções, artesanato, cantoria e culinária italiana.
Dia 21 acontece, às 8h, o programa, na Rádio Progresso, "Italianos trazem a mensagem"; às 20h30, a noite das massas, com apresentação do grupo de dança Pimpinelli, do Centro Cultural de Ijuí. "A imigração italiana em Ijuí começou em 1886", informa Francisco Baldissera ao CR, da departamento cultural do Centro Regional Italiano, entidade comandada pelo casal Nelson e Rosinha Casarin.
Família Guadagnin
Mais de 450 pessoas participaram do 6º Encontro da Família Guadagnin, realizado dia 23 de abril na cidade gaúcha de Putinga. O evento reuniu descendentes da família provenientes dos três Estados do Sul, Mato Grosso, Bahia, Minas Gerais e outros. A maioria dos presentes, porém, reside em Putinga, Nova Prata, Vila Flores e Ciríaco. Os pontos altos da festa foram a missa em talian, o almoço de confraternização e a tarde cultural.
Nova Prata aponta origem de abalos
Equipamento vai apontar se detonações são causa de tremor
Por causa dos tremores e estrondos, registrados desde o final de abril, Nova Prata poderá ganhar uma estação sismográfica (instrumento que mede abalos). A recomendação partiu da equipe formada pelo Departamento Nacional de Produção Mineral, Defesa Civil, Fepam e Universidade Federal do RS, que investiga o assunto no município.
Segundo o estudo, os ruídos que assustam os moradores, principalmente dos bairros São Cristóvão e Pôr-do-Sol, podem ter duas causas: o emprego inadequado de explosivos ou acomodação no maciço rochoso. "Os técnicos que estiveram na região afirmaram que o fenômeno, com essas características, não oferece riscos à população", explica o coordenador da Área Metropolitana da Defesa Civil do Estado, Aroldo Medina.
No documento, o grupo não descarta a possibilidade de que as razões sejam detonações com cargas excessivas e distâncias inadequadas, suficientes para provocar vibrações e sons. "A correta utilização da engenharia no uso de explosivos em pedreiras de basalto não estaria causando os estrondos e tremores registrados em parte de Nova Prata", conclui Medina.