
DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 4.937 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 18 de maio de 2005.
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Preservar em homenagem ao passado e respeito ao futuro
A nova vida que os imigrantes italianos buscavam acabou sendo um sonho que tiveram que construir
O Rio Grande do Sul comemora no dia 20 de maio 130 anos do início da grande imigração italiana. Ao longo desse tempo, os pioneiros e seus descendentes tiveram uma destacada importância nos destinos do Estado. Tanto que uma avaliação da realidade, mesmo que superficial, encontrará a presença do imigrante italiano em praticamente todos os segmentos da sociedade gaúcha.
Os italianos que chegaram a partir de 1875 vieram em busca de um mundo novo, empurrados pelas privações que o Velho Continente impunha à grande parte de sua gente. A decepção inicial foi sendo substituída pela força de trabalho; o desafio, vencido pelos sacrifícios. E a nova vida que procuravam acabou sendo um sonho que eles tiveram que construir.
Superadas as adversidades, não raras vezes como única forma de continuar vivo - e muitos tombaram nesse caminho -, o imigrante italiano e as gerações que o sucederam se integraram tão intensamente ao novo mundo que acabaram tendo forte influência na nova identidade cultural que surgiu. No perfil multiétnico do Rio Grande são claramente identificáveis os traços italianos - cerca de 20% dos pouco mais de 10 milhões de habitantes do Estado têm sobrenome italiano. A mesma distinção ocorre com a indústria, com a agricultura, com a culinária...
Ao longo desse tempo, porém, não foram apenas avanços, conquistas. Perderam-se elementos da tradição e parte da memória da imigração, por imposição das vicissitudes, por falta de condições em mantê-los ou por desinteresse. Por isso, quando se festejam os 130 anos da chegada dos italianos ao Estado, um dos maiores desafios da geração atual é resgatar fragmentos, recuperar elos dispersos e reconstituir integralmente a história. E preservá-la - em homenagem ao passado; em respeito ao futuro.
UCS oferece 2.800 vagas no vestibular de inverno
As provas serão realizadas nos dias 9 e 10 de julho
As inscrições para o vestibular de inverno da Universidade de Caxias do Sul (UCS) iniciam no próximo dia 24 e estendem-se até 14 de junho. A universidade está oferecendo 2.800 vagas em 25 cursos, com 36 habilitações e 48 opções de ingresso. Novas alternativas de cursos foram incluídas no concurso deste ano: em Caxias, Secretário Executivo Bilíngüe (noite, 50 vagas) e Comércio Exterior (manhã, 70 vagas); em Bento Gonçalves, Engenharia Elétrica (três turnos, 25 vagas) e em Vacaria, Licenciatura em Letras (noite, 50 vagas).
As inscrições podem ser feitas na cidade universitária em Caxias do Sul, nos Campi e Núcleos da UCS na região e nos shoppings e pré-vestibulares de Bento Gonçalves e Caxias do Sul. Os vestibulandos devem apresentar um documento de identificação com foto para efetuar a inscrição. A taxa é de R$ 60,00. No momento da inscrição, os candidatos podem optar por utilizar a nota da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) em substituição à redação do vestibular. Para isso devem informar o número de inscrição no ENEM e o ano de aproveitamento (2002-2004).
As provas do vestibular de inverno serão realizadas nos dias 9 e 10 de julho, a partir das 13h30. No primeiro dia, redação e 48 questões objetivas (12 de cada disciplina) de Língua Portuguesa, Literatura Brasileira, Língua Estrangeira e História. No segundo dia, 60 questões de Biologia, Química, Geografia, Física e Matemática. As provas têm duração de cinco horas. Quem optou por aproveitar a redação do ENEM terá no máximo quatro horas para responder a primeira prova.
A Universidade de Caxias do Sul é hoje a segunda maior do Estado. A instituição tem cerca de 34 mil alunos na graduação e mais 2 mil estudantes nos cursos seqüenciais e de pós-graduação.
Jogo da mora conserva tradição de 130 anos
Disputa, comum nas colônias italianas, exige movimentos e raciocínio ágeis
Sérgio Rigo
professor de língua e cultura italiana. Mora em Veranópolis (RS) e
Fernando Roveda
é Mestre em Turismo pela Universidade de Caxias do Sul. Mora em Antônio Prado (RS)
O jogo da mora foi trazido da Itália, especialmente do Vêneto, e se manteve entre os hábitos e costumes dos descendentes italianos. Segundo Frei Aquiles Bernardi, autor de Nanetto Pipetta, a mora, jogo aleatório dos imigrantes italianos, consiste em acertar a soma dos dedos que os contendores venham a expor sobre a mesa. A principal característica é a agilidade no estender os dedos sobre a mesa entre gritos e batidas - para encanto e emoção da torcida. É indispensável ainda que o jogador perceba que fez o ponto, e o diga, caso contrário, o adversário continua (el da sora) e não se efetua a marcação do ponto.
A mora exige dos participantes movimentação rápida dos dedos e mãos, num alternar de encolhe, abre, fecha e bate, enquanto se ouve velozes pronúncias dos números de zero a dez: muta, uno (un), due (du, un per un, un per uno), tre (trrr), quatro, cinque (sinque), sei (ces), sete, oto, nove, dieci (diese, o tuta).
Filó - Ao chegarem no Brasil, os imigrantes tiveram que começar praticamente do nada uma nova vida. Segundo Ribeiro (2002), na Serra gaúcha, o imigrante começou a viver uma experiência inteiramente nova de agrupamento espacial, de adaptação ambiental, de relacionamento social, de proprietário rural, e de convivência com camponeses provenientes de outras províncias e regiões da Itália. A vida social e cultural do imigrante foi sendo reconstruída tendo como ponto de referência, quando organizada, a capela, onde desenvolviam atividades lúdicas, religiosas, sociais e políticas. A ausência de recursos para prática de esportes e atividades recreativas, nas primeiras décadas, fez com que o lazer, sob forma de encontros familiares, se centrasse especialmente no filó. Como institucionalização do lazer, o filó reunia várias famílias para conviver, conversar, comer, jogar e cantar. Nesses encontros floresceram a música, a poesia, o humorismo, os jogos e brinquedos próprios da cultura. Os jogos típicos, entre italianos e descendentes, ao final de tardes durante a semana, ou aos domingos após a missa, eram os da mora, da bocha e do baralho (bisca, trissete, quatrilho, canastra, escova, escovão...). O jogo da mora era o preferido. É um jogo que exige rápido raciocínio, cálculo matemático, agilidade e grande esforço físico pelos movimentos repetitivos das mãos sobre a mesa. Basicamente o mecanismo do jogo se dá na soma dos dedos entre os jogadores, que expõem na mesa cantando em voz alta o número desejado. Quem acerta a soma proposta entre os seus dedos e os dedos de seu adversário marca o ponto. Em seguida, inicia-se com outro jogador a disputa de um novo ponto. As jogadas e trocas entre jogadores se repetem sucessivamente até chegar a 12, 15, 16 ou 21 pontos, quantidade estabelecida para se ganhar uma partida. O jogo da mora se caracteriza pelo barulho feito na mesa de jogo, tanto pelas batidas fortes na mesa, geralmente de madeira, como pelas chamadas dos números em alto tom de voz. Outro aspecto interessante é a chamada dos números pelos jogadores que mais freqüentemente substituem o número três e o número seis por um simples grito, sem precisar chamar exatamente o nome. A marcação do ponto também tem uma dose de comemoração, vibração e emoção.
Exercício - A mora exercita o raciocínio e a observação. Utiliza a adição e exige alta concentração e reflexo para acompanhar as jogadas - muitas vezes realizadas em centésimos de segundos.
A mora é praticada ainda na maioria das colônias italianas do Rio Grande do Sul - Antônio Prado, Bento Gonçalves, Garibaldi, Caxias do Sul, Flores da Cunha, Santa Maria, Serafina Correa, Silveira Martins, Veranópolis, Vila Flores... e em praticamente todos os municípios onde há comunidades italianas.
Gaetano Massa, na obra Contributo alla Storia della presenza Italiana in Brasile (Instituto Ítalo Latino-americano. Roma, 1975), descreve: "A mora era um dos jogos preferidos que caracterizavam os filòs. Então, depois da reza do terço, reuniam-se em torno de uma mesa e jogavam. Fazia pontos quem acertasse o número sugerido, somando, vez-por-vez, os seus dedos abertos com os dedos do adversário. A habilidade consiste em rapidamente prever os cálculos". O vinho alegra, e os participantes se revezam em um jogo que é pura diversão, não sendo disputado por dinheiro - no máximo se limitam ao pagamento de uma rodada de vinho, um trago de cachaça ou inofensivas balas de caramelo.
Texto resultante do Projeto Memória de um Povo, pesquisa realizada pelos autores, sob a coordenação de Fernando Roveda, na Linha 21 de Abril, em Antônio Prado, em 2001, com participação dos jogadores Antônio Bortolotto, 88 anos; Cristiano Beltrame, 62; Armindo Beltrame, 65; Itacir Beltrame, 58; Horácio Zenatto, 71; Natalício Simioni, 75; e Pedro Zenatto, 83.
Desafio simples com ritmo acelerado
O desafio da mora é tão simples quanto o cenário que exige. São pessoas jogando de pé com uma mesa entre elas e, opcional, um ou dois juízes e/ou marcadores dos pontos. O mais comum é a disputa entre duplas, mas pode envolver trios, quartetos e até quintetos.
Quando o jogo da mora é jogado entre pessoas experientes, ganha um ritmo, até mesmo violento para quem ouve e/ou vê, porque se um jogador é bom, este deve, sempre que possível, chamar antes de seu adversário. Daí a batida forte dos dedos na mesa, marcando o veloz compasso e fazendo eventualmente sangrar os dedos dos competidores.
As regras e como se pratica a morina
O jogo da mora começa com um dos jogadores chamando sempre o número 6; o adversário poderá chamar os números 2 até o 10, menos o 6. O jogador que chama o jogo marca o ponto quando os dedos de sua mão somados aos dedos da mão de seu adversário resultarem na soma 6. O adversário marca o ponto quando a quantidade de dedos colocados por ele e seu oponente resultarem no número chamado, passando a partir desta jogada a ter o direito de chamar o jogo com o 6. O jogador que marca o ponto e não está chamando o jogo passa a chamar com o número 6. O ponto com o número 6 só poderá ser marcado por quem estiver chamando o jogo; o jogo segue assim até um dos jogadores marcar o ponto. Quando os dois chamam o mesmo número, nenhum marca o ponto.
Exemplo: tomamos o jogador da esquerda para o mando de jogo, que chamará cantando sempre o número 6. A mão do jogador da direita chamará os números de 2 até o 10. Se o jogador da esquerda chamou o 6 e colocou na mesa 5 dedos, e o da direita chamou o número 10 e apresentou também 5 dedos, a soma resulta em 10. Nessa jogada, o jogador da direita marcou o ponto que lhe dará o direito de passar a chamar o jogo com o número 6.
Outras versões do jogo
MORA CANTADA: os versos são introduzidos no jogo, como: cinque la mora, cià; sei la mora, cià: mora la mora... Continua-se assim até fazer o ponto, quando canta-se o estribilho do início. Às vezes os concorrentes expõem os dedos uma vez com a palma da mão para cima, outra para baixo.
MORA CORRIDA: é a mais comum. Dois jogadores oponentes chamam qualquer número - due, sei, tr... Ao fazer o ponto, o jogador grita: mio ou sa la mora, sei la ou alla mora. Troca, então, de adversário, passando a jogar com a outra dupla adversária.
MORA LENTA: também conhecida como punto parola (ponto palavra), os dois jogadores oponentes chamam indistintamente qualquer número - due, sei, tre... Antes de chamar, batem uma ou duas vezes na mesa. E segue como a anterior.
MORA MUDA: uma dupla escolhe (ou sorteiam) par e a outra ímpar. Nesta, a cada batida, tem-se um ponto.
Fontes bibliográficas
1. BERNARDI, Aquiles. Vita e Stòria de Nanetto Pipetta. Escola Superior Teologia São Lourenço de Brindisi. Porto Alegre, 1980.
2. DE BONI, Luís A. e COSTA, Rovílio. Far la Mèrica: a presença italiana Rio Grande do Sul. VIII, RIOCELL. 1991.
3. MASSA, Gaetano. Contributo alla Storia della presenza Italiana in Brasile. Instituto Ítalo Latino-americano. Roma. 1975.
4. DUMAZEDIER, Jofre. Lazer e cultura popular. São Paulo, 1993.
5. Depoimento de Armando Piccoli a Sergio Rigo em 25-07-02.
6. RIBEIRO, Cleodes Maria Piazza Julio. Festa & identidade: como se faz a festa da uva. Caxias do Sul: Educs, 2002.
Praga ameaça a produção de cítricos
Doença que ataca os pomares de citros já chegou ao Brasil
Uma doença que ataca pomares de citros na África do Sul há mais de 80 anos, denominada greening, está impondo aos citricultores brasileiros mudanças de comportamento em relação à sanidade dos pomares. A doença causa amarelecimento dos ramos, formação de frutos assimétricos e mosqueamento das folhas (salpicadas de pintas/manchas).
A pesquisa constatou que a bactéria causadora do mal é transmitida por um inseto, o psilídeo Diaphorina citri, que, como as cigarrinhas, é sugador da seiva das frutas. "A doença se traduz em perda precoce da produção e morte de plantas", observa o consultor Camilo Lázaro Medina.
A solução encontrada pelos africanos, baseada no conjunto de três medidas, será a mesma adotada no Brasil, diz o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus). "A eliminação da planta doente, controle do vetor e a utilização de mudas sadias se mostram como medidas fundamentais para se evitar o avanço do problema", ensina o gerente do departamento técnico do Fundecitrus, Agostinho Mario Boggio.
A eliminação da planta afetada exige que sejam feitas inspeções periódicas por técnicos treinados a reconhecer e diferenciar os sintomas de greening, daqueles provocados por outras causas. Isso é importante, porque a planta doente serve de fonte para o psilídeo contaminar-se com a bactéria e transmiti-la a outras plantas.
Com referência ao vetor, é preciso lembrar que é na fase vegetativa da planta, quando ocorrem as brotações, que o ataque aos pomares se intensifica. Essa fase vai, geralmente, do início da primavera, em setembro, até o mês de março. Nesta fase, o Fundecitrus indica o uso de inseticidas sistêmicos e de contato. As pulverizações devem ser feitas seguindo-se as orientações do agrônomo ou de um técnico especializado.
Por fim, o terceiro ponto de controle da greening diz respeito ao uso de mudas sadias. Nessa área, os citricultores brasileiros podem se orgulhar de possuir a melhor tecnologia e a melhor legislação para a produção de mudas. A garantia da sanidade do material exige do viveirista plantas tratadas livres da praga.
O citricultor que for fazer a reforma de seu pomar, substituindo árvores mortas, improdutivas ou erradicadas, deve planejar seus passos de modo a não manter mudas estocadas em sua propriedade. O ideal é que a entrega, pelo viveirista, ocorra depois que o citricultor tiver as covas preparadas e prontas para receber as mudas.
Segurança alimentar exige sanitários
Embrapa forma grupo para difundir práticas agrícolas a produtor
Boas práticas para obter alimentos seguros. O agricultor irá ouvir falar muito nisso. Especialistas norte-americanos estiveram na Embrapa Uva e Vinho, em Bento Gonçalves, treinando 50 pesquisadores, professores e técnicos brasileiros. "O grupo treinado vai multiplicar os conhecimentos adquiridos", explica a coordenadora do evento e pesquisadora da Embrapa, Fagoni Fayer Calegario.
A segurança alimentar na lavoura passa por medidas simples, como lavar as mãos após ida ao banheiro. "Mas como lavar as mãos, se não há sequer sanitários no meio rural?", questiona a pesquisadora. De acordo com os palestrantes estrangeiros, é necessária a instalação no campo de sanitários e de pia com água; toalha de papel, sabão e bactericida para lavagem de mãos. Esses procedimentos evitam a contaminação biológica.
Além disso, essas instalações garantem o bem-estar do trabalhador. Na outra ponta, o consumidor pode comprar alimentos seguros. "Hoje, o comprador não adquire frutas e hortaliças apenas pela aparência. Ele quer saber como foi cultivado e por quem (mão-de-obra infantil ou escrava, por exemplo) e que produtos foram utilizados no manejo da planta", explica a doutora Fagoni ao CR.
O agricultor só tem a ganhar com a adoção de sistemas com gestão segura. O mercado, com ênfase ao externo, já exige alimentos isentos de perigo à saúde, ou seja, que foram produzidos adotando as boas práticas agrícolas de produção. As práticas agrícolas passam pela preservação do ambiente e viabilidade econômica. "O produtor deve reagir com essas ferramentas", afirma.
Integrada - O grupo de norte-americanos destacou o excelente trabalho desenvolvido no Sul do Brasil com a Produção Integrada de Frutas (PIF), especialmente a cadeia da maçã. O PIF disciplina o uso de agroquímicos nos pomares e dá outras providências em relação à produção de alimentos seguros.
Escolhido - Os palestrantes realizaram durante cinco dias o curso "Treinamento Sobre Boas Práticas Agrícolas para Produção Segura de Frutas e Hortaliças". A promoção é do Instituto para Segurança Alimentar e Nutrição Aplicada (Jifsan) e Embrapa Uva e Vinho, com apoio da Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos.
Anualmente, são escolhidos três países para receberem o treinamento, com base em critérios como comércio, exportações e problemas de segurança alimentar. Em 2005, as nações escolhidas foram Tailândia, Brasil e México. Segundo a pesquisadora da Embrapa, o trabalho terá continuidade no país. "Não vamos deixar esse elo se quebrar", conclui ela.
Seca tira liderança do Sul em grãos
Por causa da estiagem, a região Sul do país perde pela primeira vez na história a liderança nacional na produção de grãos. A colheita no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná representou 35,3% da safra brasileira, segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Fica atrás do Centro-Oeste, que teve participação de 36,7%.
Mais da metade das perdas, 56%, saiu das lavouras de soja e de milho gaúchas. No caso da soja, o índice de quebra atingiu 74,9%. O Estado deixou de colher 6,9 milhões de toneladas. As perdas na lavoura gaúcha de milho chegaram a 3,3 milhões de toneladas (67,2%). O Paraná também sofreu com a seca, registrando recuo de 23,3% na colheita da soja.
Com uma perda de 4,7 milhões de toneladas (14,5%), o milho está em segundo lugar nas perdas nacionais. A produção total do grão no país está estimada em 36 milhões de toneladas. A Conab calcula prejuízos de R$ 1,98 bilhão com a quebra na produção de milho. "Esta é a lavoura que mais requer atenção no momento", avalia o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento, Jacinto Ferreira.
De acordo com a Conab, a quebra na safra de grãos em todo o Brasil, na comparação com o primeiro levantamento realizado pelo órgão em dezembro de 2004, foi de 18,2 milhões de toneladas, uma redução de 13,4%. A safra 2004/2005 será de 113,7 milhões de toneladas.
Fórum vai debater o agronegócio gaúcho
As cadeias produtivas do leite, frutas de clima temperado e arroz irrigado serão abordadas no Fórum da Agricultura e Agronegócio do Rio Grande do Sul, que será realizado de 1º a 3 de junho, em Pelotas, durante a XII Festa do Doce (Fenadoce). A promoção é da Embrapa, em parceria com instituições como a Secretaria Estadual de Agricultura.
Lançado gergelim
A Embrapa acaba de lançar cultivares de gergelim (G1, G2, G3 e CNPA G4). Essa última variedade está sendo bem aceita pelos produtores. A G4 tem floração e maturação uniformes, sementes de cor creme, ciclo de 90 dias e teor de óleo das sementes 4 8% e 50%.
Engº. Agrº. José Zugno
Nogueira pecan
Solicito informar se é melhor plantar a nogueira pecan de pé franco ou por enxertia? Quais as variedades mais indicadas para a minha região?
PEDRO PAULO PASA
Ibarama - RS
A nogueira pecan (ou pecã) é originária dos Estados Unidos, tem nome científico Carya illinoensis e pertence à família Juglandáceas, a mesma da Juglans regia, a nogueira européia. Foi introduzida no Brasil em 1900, por missionários americanos, e a partir daí as novas importações de sementes e mudas de variedades diversas passaram a ser cultivadas, a princípio, em São Paulo, e depois nos demais Estados do Sul do país.
Pecan é nome indígena e quer dizer "noz de pedra".
A semente é fértil e capaz de reproduzir as plantas. Por sementes é que se propagaram as primitivas plantas nativas, mas as sementes geram plantas que demoram muito antes de iniciar a produção de nozes. Principalmente por este motivo não é por meio de sementes que se obtêm mudas para um pomar comercial, mas por enxertia de variedades reconhecidas pela produtividade, precocidade, qualidade das nozes e outros fatores positivos.
Entretanto, as sementes são necessárias para a obtenção de porta-enxertos. Esta é uma atribuição dos viveiristas: produzir porta-enxertos, efetuar a enxertia (por borbulha ou por garfagem) e formar mudas para o plantio. Se o amigo está interessado em organizar um pomar de nogueira pecan deve partir de mudas exclusivamente enxertadas, com dois a três anos de idade. É preciso levar em conta que a nogueira pecã é uma espécie "monóica", quer dizer que possui flores masculinas e flores femininas separadas, mas na mesma planta (como no caso do milho), ocorrendo o florescimento quase simultâneo, por ocasião da rebrotação de primavera. As flores femininas, em grupos de duas a dez, aparecem na extremidade dos ramos novos e as flores masculinas, reunidas em inflorescências denominadas amentílios (eixos filiformes), surgem ao longo dos ramos do ano anterior. Em algumas variedades, as flores masculinas e femininas amadurecem ao mesmo tempo.
A variedade então se diz auto-fértil. Noutras não há coincidência de maturação. Uma ou outra torna-se receptiva antes. Denomina-se, então, auto-estéril, necessitando polinização cruzada através de outra variedade. Certos fatores climáticos como a temperatura e a umidade podem influir na fertilidade das flores.
A sua propriedade localizada na depressão central do Estado, dentro da bacia do rio Jacuí. com altitude em torno de 300 metros, apresenta condições de clima e de solo que se prestam ao cultivo da nogueira pecan. Quanto às variedades, convém manter contato com o pessoal técnico que atua na região e que poderá orientá-lo em tudo que diz respeito ao cultivo da nogueira pecan, e principalmente com respeito às variedades mais apropriadas à região.
Pesquisa - Não há pesquisa oficial no Rio Grande do Sul, mas funciona no Estado a empresa Divinut, em Cachoeira do Sul, que mantém o maior viveiro do mundo de pecan com raiz coberta. O diretor e biólogo Edson Roberto Neto Ortiz indica as variedades barton, chpecear, shoshone e chocktaw para cultivo em solo gaúcho. O telefone da Divinut é (51) 37236003. Rua Marcilio Dias, nº 1511. CEP 96503- 341 Cachoeira do Sul/RS.
Maternidade universal
Maria Clara Lucchetti Bingemer
Desta mãe de braços sempre abertos que nos ensinou os primeiros passos, a Igreja, um dia nascemos para a fé e a vida nova em Jesus Cristo
O Dia das Mães passou e foi precedido do tumulto e do movimento infernal de sempre. Lojas e ruas cheias, comércio aberto noite e dia, domingos e feriados inclusive, tentando captar o consumidor incauto em suas malhas ávidas. As homenageadas mães enfrentaram, como sempre, filas para restaurantes lotados porque nesse dia "elas não devem trabalhar". Garanto que prefeririam dividir o trabalho durante o resto dos dias do ano e trabalhar alegremente no dia a elas dedicado, fazendo uma grande e saborosa refeição para os filhos queridos.
No entanto, hoje meu desejo é falar de outra maternidade, que não individual, mas corporativa. Não por isso, porém, é menos profunda e admirável. Sua fecundidade pretende alcançar toda a humanidade e mesmo àqueles que não se confessam conscientemente seus filhos, estende a mão e propõe alianças em prol de causas justas e éticas como a paz, o diálogo entre os povos, a harmonia entre as religiões.
Em seu regaço materno filhos de muitas raças e proveniências um dia foram acolhidos e assumidos, sem que lhes fizesse perguntas nem colocasse limites e interditos à sua filiação. Por esses filhos se fez responsável, mãe e mestra, procurando conduzi-los e guiá-los no caminho da verdade e da paz. Iniciou-os no mistério da vida verdadeira, ensinando-lhes a sintaxe da fé, a gramática da esperança e a prática da caridade. Como todas as mães, seu relacionamento com os filhos não foi nem é sempre pacífico. Há conflitos e dissensões na história de suas relações. Muitos filhos, antes fiéis e concordes, um dia discordaram de posições e ensinamentos seus. Muitas vezes seu discurso soou antigo e ultrapassado aos filhos mais críticos ou mais novos, que lhe disseram este sentimento em alto e bom som.
No entanto, como sempre acontece entre mães e filhos, essas crises em geral são superadas. E os mesmos que muitas vezes foram críticos agudos do comportamento e da palavra materna e que não hesitaram em entrar em confronto aberto com ela, por outro lado não permitiram nem permitem jamais que outros a critiquem e menosprezem. Mesmo no fundo mais profundo do conflito, o amor materno-filial permanece.
Desta mãe de braços sempre abertos, a Igreja, um dia nascemos para a fé e a vida nova em Jesus Cristo. A ela pedimos humildemente o Batismo. E ela nos tomou nos braços e nos mergulhou nas águas revoltas e profundas da paixão e morte de Jesus Cristo e dali nos ergueu para a vida nova, na qual fomos configurados a Ele para sempre. A partir daí, nossa identidade mais profunda passou a ser não nosso sangue, nossa raça, nossa carne e nossa cidade terrestre. Mas sim a pessoa de Jesus Cristo, sua encarnação, vida, paixão, morte e ressurreição.
A Igreja passou a fazer conosco o que fazem as mães: ensinar os primeiros passos na nova vida que iniciamos. Ensinou-nos as palavras de Jesus, ensinou-nos a chamar Deus de Pai. Pôs à nossa disposição a luminosa Palavra consignada na Escritura para guiar nossa vida; ofereceu-nos os sacramentos para nossa confirmação, consolo, reconciliação e alimento. Nutriu-nos com a meditação dos mistérios da fé, o aprofundamento da palavra e a celebração da liturgia. Ensinou-nos a louvar, a rezar, a cantar.
À medida em que íamos crescendo, foi nos ensinando a pedagogia de Deus, caminho para uma vida plena que culmina no amor. E nos foi alfabetizando na linguagem desse amor. Esteve ao nosso lado nos momentos cruciais da nossa vida: nascimento, acesso à comunhão eucarística, envio à missão, casamento, ordenação, doença, morte.
Assim como nos tomou nos braços ainda crianças para marcar-nos indelevelmente com a água batismal e o selo do Espírito Santo, assim também estará ao nosso lado antes de empreendermos a última e definitiva viagem ao encontro da Luz que não se apaga, do lado de lá das fronteiras da morte. Sobre nossa fronte cansada a Mãe Igreja traçará uma vez mais o sinal da nossa salvação: o sinal da cruz e com seu carinho nos acompanhará na partida e na esperança da chegada.
Portanto, por tudo e apesar de tudo, neste mês das mães é digno e justo celebrar a maternidade universal da Igreja. Sentimo-nos filhos de Deus na medida em que somos mais filhos seus.
Frei Betto
O Congresso, ninho de ruralistas, é um entrave à reforma agrária. Mas o governo Lula inda precisa cumprir as metas de assentamento dos dois primeiros anos de gestão
O MST ouviu o conselho do presidente Lula e tirou o traseiro do assento. Agora, apoiado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) e outras entidades, chegou a Brasília em prol da reforma agrária. A caminhada iniciou dia 2 de maio, em Goiânia. Dela participam cerca de 12 mil pessoas provenientes de 23 Estados. Ela não visa a Terra Prometida, como a saga dos hebreus descrita no Antigo Testamento. Quer apenas a porção de terra prometida pelo governo Lula.
Em 2002, o governo federal aprovou o 2º Plano Nacional de Reforma Agrária. Garantiu que, até 2006, assentaria 400 mil famílias sem terra. E mais 130 mil receberiam financiamento para aquisição de imóvel rural.
No início do ano passado Lula assegurou que até dezembro seriam assentadas 115 mil famílias. Segundo o Incra, em 2004 foram assentadas cerca de 80 mil. Em dois anos de governo, 117 mil. O MST contesta. Diz que a maioria das famílias foi alocada em projetos criados no governo FHC ou apenas teve a sua situação regularizada. Assim, em dois anos o atual governo teria assentado 64 mil famílias.
O mais grave é que o governo federal não demonstra vontade política de efetivar a reforma agrária. Dos R$ 3,4 bilhões previstos no orçamento deste ano para o Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA), o Ministério da Fazenda cortou R$ 2 bilhões para fazer caixa e assegurar a montanha de dinheiro - cerca de R$ 60 bilhões do superávit primário (tesoura de jardineiro no custeio e investimentos, para pagar juros).
Houve protestos, inclusive do ministro Rossetto, forçando o ministro Palocci a liberar R$ 400 milhões da quantia retida. Se a reforma agrária for, de fato, prioridade do governo Lula, R$ 1,6 bilhão restantes devem ser restituídos em breve ao MDA.
A marcha de 223 quilômetros culminou em Brasília dia 17 de maio. Ela reivindica o que o governo Lula prometeu: assentar 400 mil famílias até 2006. O presidente tem enfatizado que não basta dar terra. É preciso haver também condições agrotécnicas de plantio, colheita, transporte e comercialização do produto excedente ao consumo familiar. É o que desejam os sem-terra, através de um programa de agroindústrias e de crédito especial para os assentamentos.
Todas as estatísticas comprovam que a atividade rural é a que mais emprega no Brasil. No entanto, convivemos com um alarmante índice de desemprego. Fazer a reforma agrária, uma reivindicação de 150 anos, significa refluir o êxodo para as cidades, reduzir o número de favelas, diminuir a desigualdade social e, em conseqüência, a violência urbana. Neste país de 800 milhões de hectares cultiváveis, terra é que não falta.
Está provado que mais de 60% dos alimentos que chegam à mesa da família brasileira provêem da agricultura familiar. O governo federal estendeu os benefícios do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf)) a todo o país, quebrando o monopólio da região Sul. Isso, porém, não é suficiente. A burocracia ainda dificulta o acesso ao financiamento.
Um dos maiores entraves à reforma agrária é o Congresso Nacional, um ninho de ruralistas defensores do latifúndio. Basta dizer que, até hoje, não aprovou a proposta do Planalto de expropriação sumária de fazendas em que haja trabalho escravo. Esse é um dos fatores que favorecem a impunidade dos criminosos culpados das mortes dos que lutavam por reforma agrária.
Qual o projeto Brasil do governo Lula? Na economia não há lugar para dúvidas: equilíbrio fiscal, conter a inflação, atrair capital estrangeiro, reduzir as dívidas interna e externa, aumentar as exportações e reduzir as importações, ampliar as reservas e a capacidade de investimento. A meta é positiva, o método discutível, pois infla os juros, reduz o crédito, estimula a especulação e asfixia a produção. Uma difícil equação: promover o desenvolvimento social através de uma política econômica neoliberal que favorece o capital e onera o trabalho.
A reforma agrária é, teoricamente, a prioridade das prioridades do governo Lula. Ao lado do combate à fome. Aliás, um e outro estão interligados. Mas assim como o presidente admitiu que o dragão inflacionário não pode ser contido apenas com o chicote dos juros altos, que dói no lombo da nação, é hora de o governo enfatizar o Plano Nacional de Reforma Agrária e, pelo menos, cumprir as metas de assentamento anunciadas nos dois primeiros anos de gestão.
Um governo que teve suficiente coragem para homologar em área contínua a reserva indígena de Raposa Serra do Sol, em Roraima, não merece chegar às eleições de 2006 com mera maquiagem fundiária, enquanto milhares de famílias permanecem acampadas à beira de estradas porque sabem que fora da terra elas não têm salvação. Já não podem, como a família Silva, subir num pau-de-arara e viajar a bordo da esperança de obter trabalho no Eldorado paulista. Resta-lhes lutar pela terra que perderam.
Brasileiros sem esgoto são 82 milhões
IBGE detecta relação dessa carência com a mortalidade infantil
Dos 1.159 municípios brasileiros com taxa de mortalidade acima de 40 óbitos por mil nascidos vivos, 584 apresentaram alterações ambientais com conseqüências sobre as condições de vida. A mudança mais freqüente foi a presença de esgoto a céu aberto (327), seguida por ocorrência de doença endêmica (cólera, dengue, febre amarela e malária) ou epidemia (304). Esses dados integram pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com informações do Censo 2000.
O mesmo estudo apontou que 45 milhões de brasileiros não têm água tratada e 82 milhões (45% da população) não possuem ligação com a rede de esgoto - segundo o governo gaúcho, no Estado 10% da população não têm acesso a água potável e 77% não dispõem de interligação com a rede de esgoto.
Dos 1.159 municípios com altas taxas de mortalidade infantil, 1.086 estão no Nordeste, 48 estão na região Norte e 25 no Sudeste - todos estes em Minas Gerais. A causa mais apontada por 53% dos gestores dos 5.560 municípios do país como a que mais afetava o meio ambiente municipal foi o assoreamento de corpos d’água. A pesquisa revelou, também, que é pequeno o número de gestores municipais que relacionam problemas ambientais às condições de vida. Esta associação é mais freqüente nos municípios com altas taxas de mortalidade infantil.
Taxa - Ao relacionar a ausência de saneamento adequado com a mortalidade infantil, ressalta-se a importância da instalação de redes de água e esgoto nos domicílios brasileiros. Dos 10,4 milhões de domicílios brasileiros que ainda não tinham esse serviço em 2000, quase quatro milhões estavam na região Nordeste.
Enquanto a taxa de mortalidade de crianças menores de cinco anos residindo em domicílios adequados (aqueles com água e esgoto) era 26,1 por mil, para as que residiam em domicílios inadequados, a taxa chegava a 44,8 por mil, atingindo até 66,8 por mil no Nordeste.
Segundo a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, embora apenas 116 dos municípios brasileiros não tivessem rede de água em 2000, pouco mais da metade deles (52,2%,) tinha rede de esgotos. Em 2000, dos 56,7 mil óbitos de menores de cinco anos registrados no Nordeste, 6,2 mil foram por causas infecciosas ou parasitárias, o que representa 56% do total de óbitos por estas causas no país.
CORPUS CHRISTI DESTACA EUCARISTIA E IMIGRAÇÃO ITALIANA
Uma das manifestações mais expressivas em torno da Eucaristia é a festa de Corpus Christi. Neste ano, na Serra gaúcha, a festa coincide com a romaria de Caravaggio. No dia 26, pela primeira vez, os romeiros também poderão participar da procissão Eucarística, realizada diante do santuário
Uma das festas religiosas mais tradicionais da Igreja Católica, Corpus Christi, comemorada no dia 26 de maio, neste ano apresenta duas novidades nas celebrações programadas para ocorrerem na Serra gaúcha. Como, pela primeira vez em muitos anos, a data coincide com a festa de Nossa Senhora de Caravaggio, a tradicional procissão de Corpus Christi que seria realizada pelas ruas centrais de Caxias do Sul e de Farroupilha vai ocorrer diante do santuário de Caravaggio, às 14 horas, com bênção do Santíssimo.
A outra novidade é a homenagem que algumas cidades da região Nordeste do Rio Grande do Sul vão fazer, através dos tapetes coloridos que acolhem a procissão de Corpus Christi, aos imigrantes italianos pela passagem dos 130 anos de chegada dos primeiros colonizadores. As duas devoções - Caravaggio e Corpus Christi - ganharam grande difusão graças à fé dos pioneiros.
Em Flores da Cunha, cuja tradição de confeccionar tapetes coloridos para a procissão do Santíssimo Sacramento completa 41 anos, os 130 anos da imigração italiana no Estado serão lembrados num dos oito grandes quadros que vão compor o tapetão pelas ruas da cidade. Os outros sete terão como temas os papas João Paulo II e Bento XVI, Frei Salvador, Caravaggio, Nossa Senhora Aparecida, Campanha da Fraternidade-2005, Eucaristia e a economia local.
"Nas escadarias da matriz teremos três quadros sobre a Trindade e símbolos litúrgicos", salienta o pároco, frei Darci Vazatta. Haverá missa solene diante da matriz às 9h30 e, em seguida, procissão Eucarística pelas ruas enfeitadas com os tapetes, bênção solene e homenagem ao Cristo Eucarístico. Na parte da tarde será realizada a 17ª Romaria ao Frei Salvador (matéria na página 12). São aguardadas mais de 15 mil pessoas em Flores da Cunha, com a participação já confirmada de caravanas de Pelotas, Porto Alegre, Casca, São Domingos do Sul, Vacaria e outras cidades.
Em Garibaldi, cerca de 600 pessoas vão trabalhar na confecção de 850 metros de tapetes, todos com motivos religiosos. O pároco, frei Antoninho Pasqualon, explica que todas as molduras dos tapetes serão elaboradas com as cores da bandeira da Itália em comemoração aos 130 anos da colonização italiana. Em Garibaldi, a missa de Corpus Christi será celebrada às 9 horas e após haverá a procissão. "Todo o trajeto será sonorizado para possibilitar o acompanhamento dos atos religiosos", revela frei Antoninho.
Corpus Christi também será destaque em Carlos Barbosa. Mais de 30 quadros motivados pela Eucaristia, organizados pelas comunidades da paróquia, escolas e pastorais, vão confeccionar o tapete por onde passará a procissão com o Santíssimo às 15 horas.
Tapetes coloridos enfeitam as ruas para passagem do Cristo Eucarístico
A tradição de confeccionar tapetes nas ruas e enfeitar as casas por onde passa a procissão com o Cristo Eucarístico está presente em muitas cidades do Rio Grande do Sul e do Brasil. Na Serra gaúcha, também São Marcos se destaca pelos belos tapetes coloridos. Neste ano, eles deverão ocupar mais de 2.200 metros quadrados, num percurso de cerca de 480 metros.
O pároco, padre Osmar Possamai, explica que serão 48 quadros, todos ligados à Eucaristia. Mais de 1.500 pessoas participam da confecção dos tapetes, feitos com serragem colorida, flores, cal, pó de café, plástico e outros materiais. A missa será celebrada às 15 horas, seguida da procissão e bênção do Santíssimo. Os tapetes ficam expostos até o final do dia 29 de maio.
Além da procissão, São Marcos também promove, dia 22 de maio, uma caminhada de 10 km com saída da cidade às 7h30 até a capela do Caravaggio na Linha Tuiuti. A romaria beneficia os que não podem ir até o santuário diocesano de Caravaggio.
A presença de Cristo no pão e no vinho
A celebração e a procissão de Corpus Christi são a manifestação da fé dos católicos na presença real de Cristo na Eucaristia. Realizada na quinta-feira depois do domingo da Santíssima Trindade, a festa do Corpo de Deus é uma reverência e uma espécie de "re-vivência" da Quinta-feira Santa, quando a Igreja celebra, dentro do tríduo pascal, a instituição da Eucaristia.
A festa surgiu na Bélgica, sob a inspiração da bem-aventurada Juliana de Mont Cornillon, como resposta de fé aos que negavam sistematicamente a presença real de Cristo nas espécies consagradas. A primeira procissão com o Santíssimo Sacramento foi realizada em 1246 pelas ruas de Liége. Em 1264, o papa Urbano IV universalizou essa devoção estendendo-a a toda a Igreja.
Santuário de Caravaggio aguarda 260 mil romeiros
O santuário diocesano de Nossa Senhora de Caravaggio, em Farroupilha (RS), celebra, nos dias 26, 28 e 29 de maio, sua 126ª Romaria. Neste ano, o tema de motivação da romaria - "Jesus, Pão da Vida! Maria, servidora da Eucaristia" - pretende ajudar os peregrinos a refletirem e a viverem o mistério eucarístico, especialmente neste ano, dedicado à Eucaristia, e a venerarem Nossa Senhora, modelo de disponibilidade e serviço.
Uma extensa programação aguarda os romeiros. No dia 22 de maio, 27ª Romaria dos Motoqueiros, com missa campal às 11 horas. De 23 a 25, tríduo preparatório. No dia 26, dia oficial do evento e festa de Corpus Christi, a partir das 6 da manhã celebrações de hora em hora no santuário. Às 10h30, missa campal, presidida pelo bispo diocesano, dom Paulo Moretto, seguida de procissão com a imagem de Nossa Senhora.
Às 14 horas, solene procissão de Corpus Christi, com bênção do Santíssimo. Após cada missa haverá bênção dos objetos de devoção, da saúde e das crianças. Na capela das confissões, durante todo dia sacerdotes acolherão os peregrinos com preparação comunitária e confissão individual.
O reitor do santuário, padre Volmir Comparin, destaca que se o tempo colaborar, a expectativa é que mais de 260 mil pessoas passem pelo santuário de Caravaggio durante os três dias da romaria, superando o número de romeiros de 2003. A coincidência das festas de Caravaggio e Corpus Christi favorece essa previsão. O reitor também salienta que neste ano as missas campais (10h30) dos dias 26, 28 e 29 não serão celebradas diante do santuário, mas ao lado do propedêutico, favorecendo o acesso dos romeiros ao templo.
Devoção chegou à região há 130 anos, trazida pelos colonizadores italianos
Para os que vão a Caravaggio, em Farroupilha, uma visita à velha matriz (capela dos ex-votos) ajuda a entender por que o santuário é um dos maiores centros de atração de peregrinos do Sul do país. É impressionante a quantidade e a variedade de objetos que atestam a devoção, as graças alcançadas, a gratidão a Nossa Senhora pelos favores concedidos.
A devoção a Nossa Senhora de Caravaggio está presente, na Serra gaúcha, desde a chegada dos imigrantes italianos a partir de 1875 - os 130 anos da imigração italiana no Rio Grande do Sul serão destaque durante a 126ª romaria. Na região onde hoje está localizado o santuário, o atendimento religioso aos pioneiros colonizadores era feito pelo padre Giovanni Menegotto, da paróquia Dona Isabel (Bento Gonçalves), que celebrava as missas nas casas das famílias.
Em 1879, Antônio Franceschet, com a ajuda de Pasqual Pasa, construiu um capitel, mais tarde transformado em capela. Um quadro da imagem de Nossa Senhora de Caravaggio foi emprestado por Natal Faoro. O quadro, datado de 1724, serviu de modelo para a atual imagem, esculpida em madeira em 1885 pelo artista caxiense Stangherlin. A inauguração do pequeno oratório, em 1879, marca o início das romarias a Caravaggio. Em 1890 foi inaugurado o primeiro santuário e em 1963 o atual, cuja construção durou 18 anos.
Romaria atrai devotos de Frei Salvador
Flores da Cunha realiza caminhada ao eremitério no dia 26 de maio
Além da festa de Corpus Christi e dos tapetes coloridos enfeitando as ruas, a cidade de Flores da Cunha destaca-se, no dia 26 de maio, pela realização da 17ª Romaria ao Frei Salvador. Na realidade, os dois eventos estão interligados, desde que foi realizada a primeira romaria ao oratório de Frei Salvador, distante cerca de dois quilômetros do centro da cidade, no dia 4 de junho de 1989.
À tradição de realizar a procissão de Corpus Christi sobre tapetes coloridos, surgida em Flores da Cunha no ano de 1964, foi acrescentada a Romaria ao Frei Salvador, o humilde capuchinho devoto da Eucaristia, que morreu no dia 31 de maio de 1972, uma quinta-feira, Festa de Corpus Christi.
Neste ano, a caminhada até o eremitério inicia às 13h30. Às 15 horas, frei Álvaro Morés, vice provincial, preside a missa junto ao eremitério, com bênção da saúde, das mudas, hortaliças, ervas medicinais, sementes e pães, que serão partilhados. Junto ao eremitério está sendo construída uma capela que, até o dia da romaria, deverá estar coberta. O pároco, frei Darci Vazatta, informa que, para a romaria de 2006, a igreja e as diversas obras previstas para ocorrerem no local estarão concluídas.
Testemunho - O capuchinho que a cada ano atrai mais romeiros a Flores da Cunha, motivados por sua simplicidade e santidade, nasceu no município de Casca (RS), no dia 27 de julho de 1911. Chamava-se Hermínio Pinzetta. A decisão de tornar-se capuchinho veio tarde, aos 32 anos. Ingressou no convento de Flores da Cunha em 1944, e dois anos depois professou, como religioso, adotando o nome de frei Salvador.
Exceto durante dois anos, passados em Garibaldi, sempre trabalhou em Flores da Cunha. Destacou-se pela vida de oração, pela devoção à Eucaristia e a Nossa Senhora, pelos cuidados da horta e do convento, pela visita aos doentes e pela extrema simplicidade.
Foi um homem de Deus. Nos últimos anos atuou na pastoral dos enfermos. Em 1970 foi constituído por dom Benedito Zorzi Ministro Extraordinário da Eucaristia, o primeiro da diocese de Caxias do Sul. Com profundo zelo e devoção levava a comunhão aos doentes, sem se importar se fazia frio ou chuva.
Morreu no dia 31 de maio de 1972, de derrame cerebral. Contava com 61 anos. Em virtude do seu testemunho de santidade, em 1978 frei Adelino Pilonetto foi constituído vice-postulador da causa de beatificação de Frei Salvador. É o primeiro processo de beatificação da província dos capuchinhos do RS. Em 1988 seu corpo foi transladado para o jazigo construído no interior da igreja matriz de Flores da Cunha, tornando-se local de atração de muitos devotos e peregrinos.
Um santo da santa simplicidade
Frei Silvestre Gialdi
Capuchinho, professor titular da Universidade de Caxias do Sul
O santo é movido, interiormente, por uma grande, profunda e comovente espiritualidade. Seu testemunho, suas ações e suas práticas contam e marcam à medida que houver coerência com a espiritualidade interior. O santo mantém uma união íntima com Deus em todos os momentos de sua vida. É uma proximidade de fé, que se traduz em virtude e em testemunho.
Os santos marcam o itinerário da vida pessoal por uma mística e por um carisma mediante uma forte espiritualidade que se traduz em testemunho, serviço e anúncio. Em outras palavras, os santos são tocados e movidos pelo mistério de Deus: uma força intrínseca inexplicável e uma espiritualidade relacional afetiva.
Na prática, existem devoções marcantes, culto aos santos. Porém, acima de tudo, o santo é um testemunho de vida de que a santidade é um caminho para todos. Não basta buscar a salvação. É necessário uma vida de santidade.
Uma santidade ao alcance de todos. Este é o enfoque central da santidade do frei Salvador Pinzetta, irmão leigo capuchinho. É um santo de espiritualidade devocional e não doutrinária, racional ou dogmática. Era quase analfabeto. Vivia, sentia e testemunhava a partir de uma experiência de conversão pessoal, paradoxalmente simples e profunda. Não se fundamentava em doutrinas, argumentos, em sistemas racionais convincentes ou em práticas pastorais empolgantes. Vivia uma relação profunda com Deus através de expressões simples da fé e de manifestações afetivas singelas. Vivia e testemunhava uma santidade ao alcance de todos.
Existe um dado impertinente. Na Ordem dos Frades Capuchinhos, numericamente, existem bem mais frades ordenados presbíteros, com melhor preparação e melhores oportunidades do que irmãos leigos, religiosos. Porém, quando se trata de santidade canonizada, o quadro é surpreendente: seis irmãos leigos santos e cinco presbíteros santos; 12 presbíteros bem-aventurados e três irmãos leigos bem-aventurados.
A trajetória pessoal do frei Salvador Pinzetta é marcada pela santidade das coisas simples, domésticas, uma santidade de quintal. Percorre o ciclo da vida comum dos filhos de agricultores de origem italiana, que aos 35 anos tornou-se frade capuchinho. Ele testemunha que a santidade está ao alcance de todos.
Padre Zezinho
Nunca é demais aprender com a experiência alheia
Um país com taxa zero de crescimento populacional pode ter feito a escolha mais prática, mas não uma escolha sábia. Alguns países europeus têm mais mortes que nascimentos. Se não mudarem o rumo, já sabemos onde chegarão dentro de 50 anos.
Às vezes, por razões de economia, um país poderá escolher por algum tempo o caminho da segurança. Menos filhos significa população menor e se os recursos e o tamanho do país o exigem até que faz sentido a campanha de paternidade responsável.
Quando, porém, a escolha é nitidamente egoísta e em lugar de filhos se criam cães e gatos, o tempo se encarrega de vingar as crianças não desejadas. A população envelhece e, aos poucos, jovens do país se tornam tiranos e prepotentes. A experiência da França, da Suécia e da Dinamarca não pode ser chamada de positiva.
Um país de velhos é um museu. E um país onde morre mais gente do que nasce é um perigo. Não é o caso do Brasil, mas nunca é demais aprender com a experiência alheia.
Vaticano autoriza processo de beatificação de João Paulo II
Bento XVI anunciou decisão durante encontro com o clero romano
O Papa Bento XVI autorizou o início imediato da causa de beatificação do Papa João Paulo II, dispensando a disposição canônica que estabelece a observância de cinco anos após a morte para a abertura do processo. O anúncio foi feito na sexta-feira, 13 de maio, pelo próprio Bento XVI, ao clero romano, lendo, em latim, uma comunicação do cardeal José Saraiva Martins, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos.
A novidade foi acolhida com um longuíssimo aplauso dos presentes à basílica de São João de Latrão, a catedral de Roma, onde o Papa manteve um encontro com o clero romano. As normas da Igreja estabelecem que devem passar cinco anos da morte da pessoa para poder abrir a causa canônica, mas Bento XVI decidiu pela liberação imediata do início do processo baseado numa decisão do próprio João Paulo II tomada em relação a Madre Teresa de Calcutá, morta em 1997 e beatificada em 2003.
Especialistas avaliam que em breve será possível ver Karol Wojtyla sobre os altares, mesmo sabendo que a causa deverá examinar numerosos documentos, que requerem tempo e trabalho. Durante os funerais de João Paulo II, o cardeal Josef Ratzinger, agora Papa Bento XVI, acompanhou com atenção as manifestações da multidão presente na Praça de São Pedro que gritava e expressava através de cartazes "Wojtyla santo súbito" (Wojtyla santo já). A Igreja é, geralmente, prudente nessas questões, mas a extraordinária vida e obra de João Paulo II, o devotamento dos povos a seu respeito levam o Vaticano a dispensar o que prevê o Código de Direito Canônico.
Papa saúda fiéis em língua portuguesa
Na audiência geral da quarta-feira, 11 de maio, no Vaticano, o Papa Bento XVI dirigiu-se pela primeira vez aos fiéis falando em português. Em seu discurso, destacou de forma carinhosa os brasileiros presentes na Praça de São Pedro. "Saúdo com afeto os peregrinos de língua portuguesa, especialmente alguns visitantes brasileiros", disse o Pontífice, num português claro.
Em seguida, convidou a todos para prepararem a festa de Pentecostes, evocando sobre os fiéis que estavam no Vaticano as luzes do Espírito Santo "a fim de caminhar com otimismo e fé nas batalhas da vida, até o encontro com o Senhor em seu Reino", afirmou o Papa, dando sua bênção apostólica aos presentes.
Franciscano - Na quarta-feira 11 a Santa Sé anunciou que os primeiros selos com a imagem do novo Papa começarão a ser vendidos a partir do dia 24 de maio e também informou que Bento XVI nomeou como bispo da vacante diocese de Araçuaí (MG) o frade franciscano Severino Clasen, atualmente pároco e reitor do Santuário São Francisco, em São Paulo (SP).
Frei Severino Clasen nasceu no dia 10 de junho de 1954 na localidade de Indaiá, município de Petrolândia (SC). Realizou o noviciado na Ordem dos Frades Menores, em Rodeio (SC), no ano de 1976. De 1977 a 1982 cursou filosofia e teologia em Petrópolis (RJ). Professou os votos perpétuos em 1981 e foi ordenado diácono no dia 13 de setembro do mesmo ano.
Em 10 de julho de 1982 foi ordenado sacerdote, em Ituporanga (SC), pelas mãos de dom Tito Buss. Atuou durante diversos anos em Santa Catarina e em 2000 foi nomeado pároco e reitor da paróquia-santuário São Francisco, em São Paulo. Em 2002 foi eleito coordenador de Pastoral do setor Catedral da Região Episcopal Sé da arquidiocese de São Paulo e reeleito em 2005.
Arcebispo americano preside Congregação
O arcebispo norte-americano dom William Joseph Levada, de 69 anos, foi nomeado na sexta-feira 13 pelo Papa Bento XVI para presidir a influente Congregação para a Doutrina da Fé. Levada, arcebispo de San Francisco, sucede o cardeal alemão Joseph Ratzinger, eleito papa no dia 19 de abril com o nome de Bento XVI, depois de comandar essa instituição vaticana por 24 anos.
A Congregação é responsável por proteger o dogma católico e a ortodoxia doutrinária. Levada, natural da Califórnia e de origem hispânica, é membro da Congregação desde 2000. Como ele não é cardeal, deverá receber o título no próximo consistório que o Papa convocar.
Capuchinho assume ordem do diaconato
"Se alguém quiser servir a mim, que me siga". Com esse lema, frei Alcides Cantídio Soares receberá a ordem do diaconato no próximo domingo, 22 de maio, às 10 horas, na igreja matriz São João Batista, em São João do Sul (SC). Dom Paulo Antônio De Conto, da diocese de Criciúma, será o bispo ordenante.
Frei Alcides é natural de Maracajá (SC). Filho de Cantídio Estevão Soares (falecido) e de Maria de Oliveira Soares, nasceu no dia 25 de julho de 1961. Iniciou seu processo formativo na província dos capuchinhos do Rio Grande do Sul no ano de 1994, em Ijuí. Cursou filosofia em Caxias do Sul, onde também fez o postulantado.
O noviciado foi realizado em Pelotas em 1999 e, no ano seguinte, iniciou o curso de teologia na Estef, em Porto Alegre. Em 2003 fez estágio pastoral em São João do Sul. No dia 22 de setembro de 2004 fez a profissão perpétua em Canoas, cidade onde reside atualmente. Neste ano, frei Alcides está dando continuidade aos estudos teológicos na Estef e atua nas CEBs de Mathias Velho (Canoas) e no Serviço de Animação Vocacional (SAV) da arquidiocese de Porto Alegre.
Aldo Colombo
Pedir perdão e perdoar é a melhor maneira de não deixar a última palavra ao mal
Já no primeiro capítulo da história humana, no Jardim Terreal, Adão sente o gosto amargo da culpa e vai esconder-se. A culpa tem sido uma presença constante na caminhada humana, por mil diferentes motivos. As normas comportamentais mudaram, a psicologia veio iluminar os porões de inconsciente, muitos tabus caíram, tentou-se desativar o pecado, mas a culpa não desapareceu. Pelo contrário, está mais presente que nunca. A teoria do pecado inocente não se sustenta. Há sempre o dia seguinte, manchado pelas brumas da culpa.
Pesquisa recente aponta as causas mais comuns da culpa. Algumas vezes a culpa procede em linha direta de um gesto. Outras vezes se origina de atitudes constantes. Assim, os pais culpam-se do pouco tempo reservado à família ou pelo fato de não impor limites aos filhos. Esses, por sua vez, ressentem-se de não demonstrar amor aos pais. A liberalização dos costumes, na área sexual, tem seu preço a pagar. A infidelidade, o homossexualismo e o aborto trazem uma inevitável colheita de remorsos. A falta de ética profissional é outra fonte de culpas. Há também a culpa pelo que não se fez. Possivelmente, é uma das maiores falhas individuais e coletivas de hoje: a omissão. Por vezes é a coletividade toda que se sente culpada. Os milhões de miseráveis, doentes, desempregados, de alguma maneira afetam nossa consciência.
A culpa mais dolorosa é aquela que se situa em algum fato definitivo. É o caso das mortes causadas por acidentes, culpáveis ou não. É a consciência que devia ter amado mais a esposa, os filhos ou mesmo os pais, já falecidos.
Quase sempre a culpa e o remorso não levam a nada, apenas marcam negativamente o resto da vida. O importante é saber elaborar esse sentimento e transformá-lo num momento novo.
A sabedoria popular adverte que não adianta chorar o leite derramado. Algumas normas ajudam a conviver e mesmo superar o sentimento de culpa.
Aceitar as próprias falhas. Você não é um deus, não é puro espírito. O erro e as falhas fazem parte de nosso dia-a-dia, com maior ou menor intensidade. A pessoa precisa aprender a aceitar-se. Não adianta tentar encontrar culpados - os pais, o cônjuge, o colega - nem curtir morbidamente a culpa. Diante de qualquer fato negativo, precisamos deixar claro: isso não foi hoje, foi ontem. Faça um tratado de paz com seu passado.
Fixe um tempo para recomeçar. O tempo cicatriza todas as feridas. O tradicional luto é uma lição de sabedoria. A dor, que nos parece insuportável hoje, tende a diminuir com o passar dos dias. Erga a cabeça e pense no dia de amanhã.
Mude os objetivos. Se um ideal ruiu completamente, sempre será possível construir outro. Se a vaga para a Medicina parece impossível, pense numa outra possibilidade. Na vida há sempre ganhos e perdas, saber administrá-los é prova de maturidade. Redimensionar o seu foco é uma maneira de recuperar o entusiasmo.
Pedir perdão. Desculpar-se, mesmo quando é impossível remediar, ajuda a reencontrar a paz. Pedir perdão não é perder a autoridade. Significa que a pessoa é maior que o seu erro. Pedir perdão e perdoar é a melhor maneira de não deixar a última palavra ao mal.
Apoiar-se na fé. O Evangelho é um contínuo convite a recomeçar: o cego passa a enxergar, o mudo a falar, o paralítico a andar, a mulher adúltera recupera sua dignidade e até a morte cede diante da vida. Deus é infinito em sua misericórdia. Ele é o oleiro que refaz o vaso quebrado. Ele, simplesmente, apaga nosso pecado e nossa culpa.
Paróquia Santa Rita celebra jubileu
Localizada no Vale do Sinos, paróquia comemora 50 anos
A paróquia Santa Rita, do município de Nova Santa Rita, no Vale do rio dos Sinos, celebra no dia 22 de maio, junto com a festa da padroeira, os 50 anos de fundação. O jubileu será comemorado com tríduo, nos dias 19, 20 e 21. Nesta quinta-feira, missa às 19 horas, com bênção da saúde e procissão luminosa. No dia 20, após a missa das 19h30, bênção dos objetos de devoção.
No domingo 22, às 9h15, procissão dos padroeiros e das 85 capelinhas da Mãe Peregrina de todas as comunidades da paróquia; às 10 horas missa solene presidida pelo arcebispo dom Dadeus Grings, com bênção de Santa Rita; ao meio-dia almoço de confraternização. À tarde, jogos, leilões, apresentações, escolha da "boneca viva" e às 18 horas show com o Musical Anchieta.
A bênção da primeira capela de Nova Santa Rita, feita por dom Cláudio Ponce de Leão, ocorreu em 1896. Dedicada a Santa Rita de Cássia, cuja imagem atual foi trazida de Portugal em 1884, a capela foi construída na então localidade conhecida como Picada do Vicente. Nova Santa Rita guarda a mais antiga devoção à santa no Rio Grande do Sul.
A paróquia foi criada em 1955 por dom Vicente Scherer. Na época, estava em construção a atual matriz, concluída em 1959. Onze párocos já passaram pela paróquia de Nova Santa Rita. O primeiro foi o monsenhor Armando Giehl e o atual, padre Reinoldo José Jantsch, está em Nova Santa Rita desde 1998. A paróquia destaca-se por sua ótima estrutura física, social e pastoral. "Contamos com diversos organismos, movimentos e setores de pastoral atuantes nas comunidades e na sede", salienta padre Reinoldo. No dia 22 de cada mês, às 19 horas, é celebrada missa especial em honra a Santa Rita, com bênção da saúde e objetos.
Festa de Caravaggio mobiliza Canela
Canela, na Serra gaúcha, promove nos dias 26 e 29 de maio, a 45ª Romaria de Nossa Senhora de Caravaggio. No dia 26, festa de Nossa Senhora de Caravaggio, será realizada a romaria a pé até o santuário-monumento, localizado no Parque Saiqui. Nesse dia estará presente o bispo diocesano de Novo Hamburgo, dom Osvino Both, que estará celebrando e abençoando os romeiros.
No dia 29 será realizada romaria motorizada. Além dos carros e caminhões, os festeiros convidam motociclistas e grupos de cavalarianos para participarem dessa romaria. Entre os projetos previstos para o Parque Saiqui, visando as comemorações dos 50 anos da festa de Caravaggio de Canela em 2010, está a construção de um pavilhão para melhorar a acolhida aos romeiros. A obra, com cerca de 1.400 m2, contará com cozinha, salão de festas, sanitários, arquibancadas e mezanino com salas para palestras e reuniões.
Escola de formação realiza nova etapa
Nos dias 21 e 22 de maio, será realizada no Centro Diocesano de Formação Pastoral de Caxias do Sul a 3ª etapa da Escola de Formação Fé, Política e Trabalho. Dois temas serão abordados: o primeiro, com o professor Pedrinho Guareschi, da Pucrs, sobre "Conceitos e prática em disputas". O segundo, conduzido pelo professor Izidoro Zorzi, da UCS, sobre história da formação econômica, política e cultural na Serra gaúcha.
Wilson João
Contemplar o belo é ser rico sem ter grandes somas de dinheiro. É ser rico por dentro
Quem é materialista não vive o prazer da vida. Quem é materialista não degusta o prazer que vem depois. Tudo acaba no ato. Acabou de comer e tudo acabou. Acabou o ato sexual e tudo terminou. Acabou de se encontrar com uma pessoa e o prazer do encontro acaba ali, porque tudo tem jeito de negócio e mercadoria. O prazer maior sempre vem depois. Sempre é conseqüência. Sempre é resultado. O prazer do comer não acaba com a fome saciada, mas continua no prazer de ter-se encontrado, convivido com pessoas que se necessitam. O prazer sexual não acaba no encontro de dois corpos, mas continua no romance da vida que enamora duas vidas em todos os momentos.
É LINDA A EXPERIÊNCIA DO SENTIR. Parar. Sentir. Não ter pressa. Contemplar. Dar-se tempo para isso. Contemplar o belo que está em todas as realidades. Contemplar o belo é ser rico sem ter grandes somas de dinheiro. É ser rico por dentro. O materialista vive vinte e quatro horas pensando como pode lucrar mais, como pode enganar alguém para obter mais lucro e prazer para si. Poucos se educam, e educam muito pouco as crianças para a sensibilidade diante das pequenas coisas, e para fazer de cada pequena realidade uma emoção, um espetáculo no teatro da vida.
SABER DEGUSTAR É VIVER ATENTO E ACORDADO. É viver antenado. É fazer de cada momento uma vivência mágica. É educar-se para entender que as gotas da chuva são lágrimas de alegria que nascem no céu e que as lágrimas que saem dos olhos são chuva que vai irrigando a existência. Tudo tem um jeito de segredo. Tudo tem um véu que encobre. O segredo é saber desvendar, tirar o véu. O segredo é descobrir, tirar a coberta que esconde. Assim, aquilo que está oculto em cada fato e em cada realidade que vemos, sentimos e tocamos, vai mostrando sua face, seus olhos e seu coração.
É PRECISO VER COM OS OLHOS DO CORAÇÃO. Ver além das aparências. Ver com os olhos da fé, com os olhos de Deus. A morte é um fato. Posso simplesmente parar no fato da morte. O materialista nada mais vê. Vê um corpo que está morto e pára ali. Quem olha com os olhos do coração, com os olhos da fé e de Deus, vê muito mais do que um corpo morto. Vê um corpo que foi instrumento da comunicação da vida e que envelheceu, e não suportou mais o poder da vida e se entregou, mas a vida que estava nele se transformou para o ilimitado e o infinito.
DEIXAR-SE MOVER PELO PRAZER E PELO GOSTO. É isso que falta em muitas pessoas, e por isso vivem tristes e de cara fechada. Enxergam somente com os olhos materiais, e então, tudo acaba logo. O gostoso é a continuidade. É o depois do acontecido. A festa que acaba com a festa não valeu nada. Mas, para tudo isso é necessário não ter pressa. É necessário contemplar.
O italiano que está em você
LUIS CARLOS DAL CASTEL
Empresário, 60 anos, de Carazinho (RS)
"Recordar é viver. Sou neto paterno de Giuseppe Dal Castel, de Cesiomaggiore-BL, e de Ângela Pasquetti; neto materno dos austríacos Sylvio Chiesa e Ângela Severgnini; filho de Júlio, nascido em Putinga-RS, 1945, e de Celesta. Dos nonos só conheci a vó Ângela Pasquetti, que morreu quando eu tinha 5 anos. Aos 7 anos, em Ilópolis, comecei a estudar; fiz a 1ª Comunhão; comecei trabalhar com o pai na indústria de produtos suínos: salame, presunto, copa, banha... Para alcançar a manivela para tocar a máquina de encher salame, subia numa caixa. Uma vez por semana pescava traíras com o pai, que faleceu com 80 anos, e foi 65 anos salameiro sucessivamente em Anta Gorda, Putinga, Ilópolis, Colorado, Ibirubá e Carazinho.
A triste lembrança da infância foi em setembro de 1953, em Ilópolis, quando queimou nossa casa e a indústria de salames. Com uma mão à frente e outra atrás, os pais e os três filhos fomos para Colorado, onde cresceu nossa italianidade pois todos moradores eram italianos. De manhã, estudava no Instituto Nossa Senhora das Graças, das irmãs Vicentinas. À tarde, no Frigorífico Matadouro Progresso Ltda, ajudava ao pai na fabricação de salames e embutidos, aprendizado que hoje ainda cultivo. De Colorado, terra de duas dezenas de padres, recordo as ordenações, com vinda do bispo, missa solene, cantorias, mora, cartas, comida, vinho..., as bodegas, com jogos e cantorias nos fins de semana. Em casa rezávamos o terço diário e, ao domingo, todos à missa. Os pais falavam Vêneto conosco e, quando não se entendiam, o pai dizia que a mãe era uma tirolesa cativa.
Aos 14 anos, eu e meu irmão Moacir fomos estudar em Carazinho, no Colégio La Salle. O Moacir interno, e eu parava com os tios Aurélio Benvennuti e Hilda Dal Castel, irmã do pai. Só aos 30 anos meu italiano acordou, quando, em Caxias do Sul, numa livraria, encontrei na obra Povoadores da Colônia Caxias a entrada do nono Giuseppe e do bisnono Luigi Dal Castel. Com os irmãos, iniciei a busca das origens. Visitando, consultando os familiares, em quatro anos reconstituímos a história. O pai com 70 anos, e a mãe com 67, tinham dificuldades em recordar. Nos óbitos dos avós só constava: naturais da Itália. Depois de muitas cartas enviadas à Itália, a prefeitura de Cesiomaggiore-BL nos enviou a certidão de nascimento do avô Giuseppe e do bisavô Luigi. Hoje, os filhos, noras, netos e bisnetos do pai Julio Dal Castel temos cidadania italiana. Em 1996, participei na fundação e fui vários anos presidente do Instituto Cultural Ítalo-Brasileiro Giuseppe Garibaldi, de Carazinho, através do qual colocamos a italianidade na vida comercial, cultural, comunitária e social, em Colorado, Tapera, Espumoso, Não Me Toque, Ibirubá, Almirante Tamandaré do Sul e Chapada. Hoje dirijo um Grupo de Danças Folclóricas, com 50 alunos, de 9 a 18 anos. Há 15 anos mantemos o programa "Così Canta l’Itàlia", aos sábados, na Rádio Gazeta. Em fevereiro de 2005, iniciamos um programa dominical na TV Pampa Norte "Siamo tutti italiani." O Instituto conta com três professores de Italiano, mantém a Biblioteca Frei Rovílio Costa... Em 1999, visitei a Itália de norte a sul. Em 2000 fui conhecer minhas origens. Viagem emocionante, pois em Milão, nosso primo Pe. Adalgiso Dal Castel, de Feltre, nos aguardava, e fomos conhecer onde nasceram o tataravô, o bisavô e o avô, uma casa de 300 anos, reformada, onde residem familiares de Tereza Dal Castel. Anos após retornei com a família.
Casei em 1972 com Juracema Muneroli, temos os filhos Fabiano, Juliano, Carolina e Fernanda, e os netos Gabriel e Ana Laura. Lembranças do trabalho, da reza do terço, da missa dominical, que nunca abandonei, das macarronadas, polenta, fortaia da mãe; da produção de salame e o assado do leitão, herança do pai, são bases de nossa italianidade" (e-mail mailto:vendas@castelmaq.com.br)
Trabalho e fé são as heranças da italianidade de Luis Carlos.
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (309)
Prima le brespe, dopo el simaron caldo
Luiz Bavaresco
Bancário, Nova Prata (RS)
Quando no’l gavea laoro casa, Nanetto el ndava in volta a giornade.
Àndolo, popà dela Gelina, lo ga ciamà par taiar un scapoeron in fondo la colònia par piantar formento. El ga ciamà anca un bresilian che lo ciamava de Matia e el gavea na caseta darente na fontana de aqua pena vanti, drio la strada che se ndava al molin de Lunardi.
Coi ronconi ben gusai, i se ga metesto i tre a ronconade e in poco tempo i ga rabaltà zo un bel toco de scapoere. Co i se stufava, i se sentea zo un pochetin e, lora, i bevea aqua par copar la sen. Darente note, Nanetto el gera daromai stufo e con fame, el taia nantro pochetin e, lora, de colpo el ghe inpianta na ronconada te na pianta, e l’era medo scuret, e in te la pianta ghe gera un nido de brespe de quele negrete pìcole. Le ze ndate tute in te un colpo sora Nanetto che’l ga impiantà là tuto, e a osi l’è scampà via, e el disea. "Scampè anca valtri, Àndolo e Matia, senò le brespe le beca, scampè via..."
In te la retirada l’è cascà in tera e el se ga taià su i brassi e anca la fàcia. El ga perso la pipeta che la portea sempre insieme in scarsela e po el ga perso fin el scapulàrio dea Madona del Càrmine che’l gavea tel col ancora in Itàlia e el spago el gera daromai fruà. Madona Santìssima, el dise, desso, dopo tute le becae dele brespe a son deventà anca un pagan, giuteme Madona...
A rabaltoni el ze rivà a la fontana darente la caseta de Matia. El garà ciapà un cento beconi de ave e el urlava del mal che’l sentia. Ciapa co le man l’aqua fresca dela fontana e su per la fàcia e el corpo par vedar se ghe passava un poco el dolor. El gera lì che’l se russea, e riva Matia. Àndolo l’era ndato casa parché ghe tochea pasturir le bèstie vanti la sena. Matia ghe dise:
- Vien rento, che eu te passo aseo com salmora, é bom...
Nanetto el ga pensà suito che Matia volea magnarlo..., parché passarghe aseo e sale...!? El ga tacà osar come un mato e Matia ghe dise:
– Calma, moço, deixa eu passà e tu vai ficà bom!
Lora Nanetto el ga assà, e là un pochetin ghe gera passà tuto el dolor e la malatia. Lora Matia ghe dise:
– Nanetto, vamo fazê um chimarão, e despois vamo comê.
El ciapa na salera, la mete sora el fogo, piena de aqua che la boie suito. El ciapa na cuia, el ghe mete rento erba, el smìssia un poco, mete rento aqua calda, el taca ciuciar co na voia che’l parea sfamio, e Nanetto el ga pensà che devea èssare de gran gusto quela aqua calda. Matia ghe passa la cuia piena de aqua calda, el ghe dise:
– Ciùcia, Nanetto.
Nanetto el ciapa la bombeta in boca, el ciùcia, el mola na bruta spuada, el osa:
- Aiuto, aiuto, aiuto... Santantoni, Madona! Che broada. L’aqua la ga boiesto in boca e el ze restà tuto broà, e el alsea el deo sul celo dea boca, e vegnea zo tuta la pel broada, bianca e cusinada. Matia lo bevea zo parché el gera costumà, e el ga dito:
– Nanetto, intom vamo comê pignão?
E Nanetto el ghe dise:
– E! sacramento... prima le brespe, dopo el simaron caldo, e desso i pignui?... Nò, e nò... par incó basta.
El ga ciamà el so cagneto Faísca. El ga bevesto na sboconada de aseo, el ga imbotonà la botega che l’era verta del spauron, e l’è ndato casa, e quela note no’l ga podesto gnanca magnar... la boca l’era tuta sgionfa...
Rovílio Costa e Arlindo Battistel