
DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 4.939 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 1 de junho de 2005.
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Amazônia, uma riqueza que encolhe a cada ano
A devastação, que já é grande, pode crescer mais devido a interesses políticos e deficiências na fiscalização
Desde que o mundo começou a devastar florestas e a poluir as águas, a Amazônia despontou como um trunfo brasileiro para o futuro. Lá estão boa parte da água doce do planeta e uma biodiversidade incomparável. Essa riqueza concedida pela natureza, no entanto, encolhe a cada ano.
O último levantamento revela que de agosto de 2003 ao mesmo mês de 2004 foram destruídos 26.130 quilômetros quadrados de florestas, 6% a mais que em idêntico período anterior. Dados do Ministério do Meio Ambiente permitem concluir que já foram devastados 17,3% da floresta amazônica, ou mais de duas vezes toda a área do Rio Grande do Sul.
Os números ganham estágio mais alarmante ainda na medida em que havia uma expectativa otimista sobre as ações do governo Luiz Inácio Lula da Silva em relação ao meio ambiente. Mas, ao invés de reduzir, o desmatamento aumentou. E as informações, desta vez, não têm como procedência grupos ambientalistas radicais, nem intelectuais que costumam apresentar diagnósticos superdimensionados.
O comércio de madeiras nobres e a ampliação de áreas para a agricultura e a pecuária estão na origem dessa dizimação. Em poucos dias, áreas imensas trocam o verde pelo cinza da fumaça - outro estudo, também detalhado na página central desta edição, mostra que as queimadas são a principal causa de poluição do ar no país.
O governo federal, através dos responsáveis pelos órgãos ligados ao meio ambiente, diz que várias providências foram tomadas para controlar o desmatamento. A prática mostra o contrário. E os interesses políticos podem ampliar ainda mais as possibilidades de destruição da floresta, hoje já bastante afetada pela Medida Provisória que permite o corte de 50% de área se ela for tomada por vegetação baixa e plantas rasteiras. A questão não é o percentual, mas a insuficiente estrutura de fiscalização.
Atingido por denúncias de corrupção, cercado por dúvidas sobre a eficácia da sua política social, o governo Lula esbanja deficiência na preservação da Amazônia. Nesse caso, os efeitos não se restringem a perdas momentâneas, que podem ser recuperadas a curto prazo, mas ao comprometimento do futuro - e não só do Brasil.
Caxias do Sul festeja aniversário como o 2º mais importante município gaúcho
São 95 anos de elevação a cidade e 115 de emancipação
Caxias do Sul chega, neste mês, aos 115 anos de emancipação política e 95 como cidade na condição de segundo mais importante município do Rio Grande do Sul. Em 20 de junho de 1890, a então Freguesia de Santa Tereza de Caxias se emancipou de São Sebastião do Caí. Duas décadas depois, no dia 1º de junho de 1910, a vila foi elevada à categoria de cidade, quando ganhou o nome de Caxias do Sul.
A história de Caxias tem um marco significativo, que é a chegada dos imigrantes italianos - a maioria deles de origem veneta -, em 1875. Antes, habitada basicamente por índios, integrava rota percorrida por tropeiros e era conhecida por Campo dos Bugres. Em 1877 recebeu a denominação de Colônia de Caxias.
Economia - O município de formação étnica ligada à imigração européia teve suas bases econômicas sustentadas até meados do século passado nas atividades extrativistas agrícolas. Uva e vinho formaram um binômio que identificou a economia local durante décadas. Na segunda metade do século XX houve uma grande alteração no modelo econômico, com marcante surgimento de um parque industrial diversificado, mas liderado pelo setor metal-mecânico.
A força da indústria pode ser demonstrada pela divisão do Produto Interno Bruto (PIB) do município, que em 2002 atingiu R$ 5.562.852.111,00, ou cerca de 6% de toda a riqueza produzida no Rio Grande do Sul. Segundo a Fundação de Economia e Estatística (FEE), a indústria responde por 59,8% desse PIB (serviços vem em segundo com 28,1%, depois comércio, com 7,32%, e agropecuária, com 4,72%). Dentro da indústria, três subsetores se destacam: metalurgia (15,1%), mecânica e material de transporte (34,1%). Reflexo dessa produção de riqueza, o PIB per capita caxiense em 2002 era de R$ 14.621,23 (FEE). No Rio Grande do Sul, o PIB per capita atingia naquele ano R$ 9.958 e no Brasil, em 2004, estava em R$ 8.694,47 (IBGE).
Caxias possui 27.284 estabelecimentos (RAIS-2003). São 25.911 micros (4.982 indústrias, 1.145 empresas de construção civil, 9.823 de comércio, 9.954 de serviços e 421 de agropecuária, extração vegetal, caça e pesca); 1.158 pequenas; 149 médias e 66 de porte grande. Nelas trabalham, com carteira assinada, 125.066 caxienses (dado de março de 2005).
O município tem ainda um outro diferencial, herdado em boa parte de sua origem econômica: é o maior produtor de hortifrutigranjeiros do Estado - destacam-se a produção de tomate, beterraba, cenoura, maçã, uva de mesa, pêssego e caqui.
O crescimento econômico atraiu mão-de-obra de todas as regiões gaúchas e de outros Estados. Em julho de 2004, de acordo com estimativa do IBGE, o município tinha 396.261 habitantes. Aplicando a mesma taxa de crescimento anual usada pelo Instituto (2,45%), Caxias tem, em 1º de junho, dia em que completa o 95º aniversário como cidade, uma população de 405.137 pessoas - se a última proporção oficial, de 2000, permanece, 92,5% morando na cidade e apenas 7,5% na zona rural.
Educação - Caxias expõe ainda outros indicadores importantes. São 93.654 alunos no ensino infantil, fundamental, médio e profissional, divididos pelas redes municipal (33.617), estadual (38.178) e particular (21.859).A Universidade de Caxias tem mais 36 mil alunos. Em 2000, segundo o IBGE, a taxa de analfabetismo era de apenas 3,65%. A mortalidade infantil era, no ano passado, de 14,26 mortes (até um ano de idade) por mil nascidos com vida - menos de a metade da média brasileira - e a expectativa de vida (2000), de 74,1 anos.
Extensão rural pública e gratuita desafia o país
Nova extensão deve ser múltipla, com participação integral da família e respeito ao conhecimento rural
Os países que menos investiram em assistência técnica e extensão rural são também os que menos desenvolveram a agricultura familiar. A afirmação é da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). É esse o caminho trilhado pela extensão gaúcha há meio século. "Os próximos 50 anos serão de um serviço de extensão rural pública e gratuita com pluralidade", aposta o presidente da Emater/RS, Caio Tibério da Rocha, ao lembrar o cinqüentenário de atuação da empresa, nesta quinta-feira, 2.
Já o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) busca nas organizações o conhecimento que possuem, no que diz respeito às necessidades dos trabalhadores rurais, para desenvolver projetos. "O objetivo é dar maior eficiência aos programas e ações implementadas a campo", diz a consultora técnica do Departamento de Assistência Técnica e Extensão Rural (Dater), Adriana Gregolin.
O MDA está consolidando um programa nacional que visa beneficiar todos os agricultores familiares e assentados de reforma agrária até 2006. "O papel da extensão rural deve ser ampliado para apoiar e promover especialmente a pequena produção", destaca o representante da FAO, o peruano José Tubino.
Outra realidade da extensão rural nos países em desenvolvimento e naqueles que buscam mudanças, como é o caso do Brasil, é a participação múltipla nesse segmento, que envolve extensionistas de organizações não-governamentais ou de produtores, de companhias privadas e até dos serviços públicos oferecidos pelos governos.
Os governos têm recebido pressão para a extensão rural trabalhar junto aos mais pobres, dos que foram deixados à margem do processo gerado pelo modelo econômico. "O objetivo da nova extensão rural é definir, claramente, o público assistido, que deve ser constituído por aqueles que exploram suas unidades de produção com força de trabalho familiar, com ou sem terra, assalariados, bóias-frias e marginalizados do campo", explica Tubino.
Potencial - Para o engenheiro agrônomo Francisco Roberto Caporal, da Emater/RS, será necessário um esforço redobrado da extensão rural no sentido da organização dos agricultores e no apoio à formação integral de toda a família, de maneira a potencializar suas capacidades criativas e de intervenção na realidade, em busca de solução para os seus próprios problemas.
"O extensionista deverá passar a entender seu público como sujeito da história, respeitando e potencializando sua cultura e seus conhecimentos, favorecendo a ação participativa do grupo familiar e da comunidade", conclui Francisco Caporal.
Serviço muda realidade e identifica o potencial
Era triste andar pelo interior, relatam os profissionais da Emater/RS. A paisagem se resumia em agricultura de subsistência. As famílias viviam sem qualidade de vida, afastadas do bem-estar oferecido pelo progresso. "A água, por exemplo, era de fontes ou poços, muitos deles mal localizados, e com problemas de contaminação por dejetos", diz ao CR a socióloga Vitaliana Zmijevski (foto), da Emater de Nova Petrópolis, extensionista há 30 anos.
Hoje, a dedicação de 50 anos dos cerca de 2.500 técnicos e especialistas da instituição reverteu esse cenário. A tecnologia e as comunicações encurtaram distâncias. "A extensão está mais presente do que foi. Suas funções e tarefas estão sendo cada vez mais assimiladas por um público múltiplo de entidades privadas ou não", declara o representante da FAO, José Tubino.
Na opinião de Tubino, para desenvolver a agricultura familiar, a extensão rural deve identificar o potencial de renda desse segmento, diversificando os trabalhos com ecoturismo, indústrias caseiras e atividades chamadas "da porteira para fora."
Lavouras, estábulos e pocilgas serviam de sala de aula
A extensão rural era uma idéia nova há 50 anos. Visava a educação do agricultor e de sua família em sua própria área de ação, usando como classe de aula a lavoura, pastagens, estábulos, pocilgas, cozinhas e as comunidades rurais. A definição é do engenheiro agrônomo Paulo Sérgio Kappel, o mais antigo funcionário da Emater/RS-Ascar.
Atuando há 47 anos no Noroeste do RS - Regional Santa Rosa, Kappel lembra que as lavouras eram feitas em espaços quadrados ou retangulares, quase sempre cercadas por fileiras de cana-de-açúcar ou capim elefante. Não havia curvas de nível, e o plantio era feito morro abaixo. "Nas divisas entre propriedades eram construídas valetas, que aumentavam de profundidade a cada chuva forte, se convertendo em muitos casos em enormes vossorocas", observa.
Pula-toco - A mata era derrubada, aproveitando-se os troncos para madeira, sendo queimados os galhos finos. A base das árvores grandes ficava na terra, sendo as lavouras feitas entre os tocos. O arado tatu também chamado de pula-toco, era puxado por bois. A grade usada era feita de um triângulo de madeira com dentes de ferro. As culturas eram de mandioca, milho consorciado com soja, pequenas áreas de trigo, arroz de sequeiro, canteiros de alfafa, feijão preto. Havia pomares com frutas variadas e parreirais.
A colheita era manual, sendo usada foicinha para soja e cereais. Eram usadas trilhadeiras estacionárias, deslocadas sobre rodas, de lavoura em lavoura. O trabalho na lavoura era feito basicamente com enxadas e tração animal.
Nas criações se destacava a suinocultura. Os porcos eram pretos produzindo grande quantidade de banha, que era vendida para Porto Alegre, por via férrea. Os chiqueiros, na maioria das vezes, nunca eram limpos, ficando sobre o piso enormes quantidades de esterco sólido. O gado leiteiro e as aves eram para subsistência.
Os agricultores usavam muita roupa para o trabalho na roça, quando comparados com a época atual. As mulheres usavam calças compridas por baixo do vestido comprido, blusas com mangas compridas, lenço na cabeça e chapéu de palha por cima. Não queriam ficar com a pele queimada pelo sol.
Na alimentação predominavam os hidratos de carbono. Consumiam poucas hortaliças. Tinham restrições ao consumo de frutas com leite, ou mistura de frutas. Nas moradias, o principal problema estava relacionado à falta de banheiros.
Trabalho iniciou com a conservação do solo
Assim como no Noroeste do Estado, o trabalho inicial da Emater esteva ligado às lavouras e à conservação do solo, com a demarcação de terraços com pé de galinha. "Com isto surgiram as primeiras curvas de nível nos municípios. A melhoria da fertilidade do solo foi iniciada com a confecção e uso do composto", lembra o agrônomo Paulo Kappel.
Um marco da década de 60 foi a Operação Tatu, que possibilitou a recuperação do solo e o aumento da produtividade. Incentivou o esmagamento da soja para produção de óleo, consolidando o Nordeste gaúcho como pioneiro na cultura e processamento do grão no país.
Igualmente difundiu para o Brasil inteiro o uso do calcário como corretivo de solo, tendo sido criado na época um plano em nível nacional, o Procal.
Na área social foi enfatizada a melhoria da água potável com uso de filtros de barro. "A aceitação dessa idéia foi tal que caminhões lotados de filtros chegavam às comunidades rurais", relata. A construção de privadas foi outra prática muito difundida. Igualmente a confecção de colchões tornou-se popular nos grupos de mulheres.
Missa era o ponto de encontro das famílias
Quando a Emater implantou seus serviços no interior gaúcho, há 50 anos, as famílias eram numerosas, com forte mando do patriarca. As refeições eram feitas com todos sentados ao redor duma longa mesa, tendo o pai da família na cabeceira. O deslocamento das famílias realizava-se em carroções puxados a cavalo. "Em nossa região, os mais bem cuidados e pintados pertenciam aos russos e alemães", conta Paulo Kappel.
A missa era ponto de encontro de todos da comunidade. Já havia salões comunitários, famosos pelos seus bailes. Ainda existiam conjuntos musicais e corais na colônia. Eram quase auto-suficientes, plantavam de tudo um pouco, e só compravam panos para roupa, sal e querosene para os lampiões.
Atualmente, os problemas ambientais, saúde e higiene, de deslocamento e comunicação estão praticamente sanados. O computador integra a rotina. Cursos de capacitação já são realizados a distância pelos agricultores. Esses avanços não diminuem a importância da extensão e da assistência técnica.
Agrotóxico deixa rastro de destruição
Sem equipamentos, aplicador é 3 vezes mais vulnerável a doenças
Medidas simples como o uso completo do equipamento individual de segurança na aplicação de agrotóxicos e o número adequado de aplicações indicado pelos técnicos reduziriam drasticamente a intoxicação de agricultores por esses produtos. Além disso, livraria o meio ambiente e a água da poluição.
Esse é um dos resultados apontados pela pesquisa "Análises químico-clínicas em produtores rurais: correlação entre o uso de agrotóxicos, inibição de colinesterase sérica e estresse oxidativo", realizada pelo Instituto de Biotecnologia da Universidade de Caxias do Sul, em parceria com o Sindicato de Trabalhadores Rurais de Caxias e Universidade Federal do RS e apoio da Fapergs e do CNPq. "A pesquisa, única no mundo, foi realizada durante três anos com 111 produtores rurais da região Nordeste do Rio Grande do Sul", diz a coordenadora Miriam Salvador.
A principal conclusão da pesquisa, porém, é que o tradicional exame médico de intoxicação por agrotóxicos (colinesterase) não comprova se o agricultor está contaminado por todo tipo de veneno agrícola. Além disso, por causa do estresse oxidativo devido à exposição por agroquímicos, o agricultor está mais sensível a doenças pulmonares, cardíacas e hepáticas. "O produtor que aplica agrotóxicos apresenta três vezes mais estresse oxidativo quando comparado ao grupo-controle", revela Miriam.
A pesquisa levou em conta, ainda, fatores genéticos, com exames de DNA, e a dieta alimentar dos grupos envolvidos no estudo da Universidade.
Coleta - Foram coletadas amostras de sangue dos produtores rurais, todos do sexo masculino, com idades que variam de 19 a 72 anos e que aplicam pesticidas regularmente em suas lavouras. Para o grupo-controle foram selecionados 54 indivíduos, também homens, com idade aproximada a dos agricultores e que não mantêm contado direto com agrotóxicos.
Só 51% usam equipamento de proteção
A pesquisa da Universidade de Caxias do Sul (UCS) confirmou que os fungicidas são os pesticidas mais aplicados no nordeste gaúcho, por 80% dos entrevistados. Em segundo lugar aparecem os herbicidas, com 57%. Os produtos menos utilizados são os inseticidas (49%), sendo que 30% desses são organofosforados - comprovadamente cancerígenos e que podem levar o aplicador à depressão e suicídio - os pesticidas são classificados de acordo com seu uso: inseticidas, fungicidas, herbicidas, raticidas ou pela família química.
O estudo também concluiu que 57 (51,3%) dos 111 agricultores entrevistados usam equipamento de segurança completo na hora da aplicação de agrotóxicos. Porém, 51 o utilizam de forma incompleta ou inadequada, ou seja, faltando máscara ou luva, principalmente; e outros três não usam nenhum tipo de proteção individual. "A falta de parte do equipamento acaba intoxicando o indivíduo, pois os agroquímicos são absorvidos pela pele", explica a professora Miriam Salvador.
A professora acredita que somente a orientação multidisciplicar e a conscientização poderão mudar a realidade do produtor e de sua família. O vice-presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Caxias do Sul, Antonio Garbin, que participou da pesquisa, concorda com Miriam. "Precisamos reunir entidades, como sindicatos, indústria, lojistas e técnicos, e esclarecer melhor os efeitos, aplicações e a contaminação por exposição aos venenos agrícolas", declara Antonio Garbin.
Pronaf inclui fumicultor e incentiva a diversificação
Agora, produtor de fumo pode acessar as linhas de crédito
Antecipando-se à Convenção-Quadro (ler abaixo), o Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu facilitar aos produtores de fumo o acesso às linhas de crédito do Pronaf. A medida visa incentivar o fumicultor a diversificar a produção, investindo em outras culturas mais saudáveis e igualmente rentáveis.
Impossibilitados até o momento de dar como garantia o rendimento do fumo, os produtores poderão obter crédito desde que fique comprovado que uma parte da renda provenha de outra cultura. "Nosso objetivo agora é mostrar que existem outras alternativas nos sistemas de produção que podem dar o mesmo rendimento que o fumo", disse o secretário da Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Valter Bianchini.
Segundo o MDA, o Brasil está seguindo uma orientação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, onde há recomendação para que se adote estratégia de assistência técnica e extensão rural e financeira para auxiliar na transição econômica dos produtores e trabalhadores que vivem do fumo.
Entre as alternativas, a assistência técnica indica atividades baseadas na agricultura orgânica, no leite, na fruticultura, olericultura, que também podem dar renda e trabalho melhor para esses agricultores.
Criada linha de crédito a cooperativas
As cooperativas agropecuárias, que enfrentam problemas com a quebra da safra provocada pela seca, vão contar com uma linha de financiamento. O anúncio foi feito pelo Conselho Monetário Nacional, na quarta, 25. "Não há como dimensionar o valor, cujos recursos virão da poupança rural", disse o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues.
Somente para o Rio Grande do Sul, a Federação das Cooperativas Agropecuárias estima que seja necessária a liberação de R$ 300 milhões. O agricultor vai usar o dinheiro para quitar sua dívida com a cooperativa.
Engº. Agrº. José Zugno
O mundo das aranhas
Tenho uma chácara que fica afastada da cidade. Minha mãe tem alergia à picada da aranha. Como é no meio do mato, está sempre cheio de pragas. O que se deve fazer para combater a aranha?
Roberta de Castro
Galópolis - RS
Antes de entrarmos na questão do combate às aranhas, gostaria de dizer à leitora que elas não são pragas e nós não devemos nos apavorar com elas. O que é exigido de nossa parte é um pouco de conhecimento e compreensão a respeito desses seres vivos, pois suas espécies, na grande maioria, são inofensivas; as que normalmente habitam nossas casas são úteis pelos indesejáveis insetos que elas eliminam ou afastam (moscas e mosquitos); e só uma pequena percentagem delas é peçonhenta e merece os nossos cuidados.
As aranhas são "artrópodes" (têm apêndices articulados) como os insetos, mas não são insetos como muita gente pensa. Na escala zoológica, as aranhas são artrópodes pertencentes à classe dos aracnóides (aranhas, escorpiões, carrapatos, ácaros...), à ordem dos araneídeos com dezenas de famílias, muitos gêneros e milhares de espécies, já conhecidas e classificadas.
Caracteres - todas as aranhas apresentam em comum: o corpo com dois segmentos: cefalotórax (cabeça e tórax soldados) e abdômen, articulados um ao outro por uma fina cintura denominada pedicelo. Possuem quatro pares de patas localizadas no primeiro segmento e não têm antenas.
Na frente do cefalotórax existem vários olhos simples, boca, um par de quelíceras e um par de palpos. As quelíceras são apêndices terminados em garras inoculantes do veneno que todas elas produzem para atingir as presas, mas raras são peçonhentas aos seres humanos. Os palpos são o órgão de tato pelos quais as aranhas apalpam as vítimas.
O abdômen, volumoso e sem apêndices, possui na extremidade glândulas sericígenas que segregam um líquido viscoso, que, por meio de tubinhos, chega às fiandeiras - dois apêndices terminais móveis, que produzem fios, endurecidos ao contato com o ar, com os quais a aranha constrói a teia ou o casulo (ou oteca) onde deposita os ovos. A este respeito, as aranhas dividem-se em dois grandes grupos: as que constroem e as que não constroem teias. As primeiras denominam-se "sedentárias" e as segundas, "vagabundas" ou corredeiras.
É admirável o trabalho de construção da teia, que segue diversas etapas: com os fios resistentes e elásticos forma, inicialmente, um quadrado ou retângulo, base de sustentação; depois estende fios diagonais e raios a partir do centro e organiza as espirais. Cada espécie segue um tipo de padrão na construção da teia, que é uma armadilha para a caça das presas (insetos) de que se alimentam.
"As aranhas vagabundas servem-se das fiandeiras apenas para envolver ovos em sacos ou bolas, que, em geral, a fêmea carrega consigo; não constroem teias e, em vez de esperarem a caça na armadilha, apanham-na de surpresa, aos pulos; tais são as grandes caranguejeiras e os pequenos meirinhos". (Dr. Rodolfo Ihering, eminente mestre da zoologia brasileira). (continua na próxima edição).
Doenças crônicas atingem 30% dos brasileiros
Número de vítimas é maior nas classes com rendimento familiar mais alto
Quase 53 milhões de brasileiros, ou 30% da população, são portadores de diabetes, hipertensão, reumatismo, tendinite, dor muscular, dor na coluna ou problemas respiratórios. As mulheres são as principais vítimas dessas chamadas doenças crônicas. Elas representam 33,9% dos doentes, os homens são 25,7% do total. Os dados foram revelados por meio da Pesquisa Sobre Acesso a Serviços de Saúde 2003, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Ministério da Saúde.
Segundo o estudo, o número de pessoas com doenças crônicas é maior nas classes com rendimento familiar mais alto e também a partir dos 40 anos de idade. Entre os maiores de 65 anos de idade, 77,6% informaram sofrer desses males.
A pesquisa revelou ainda que 25,7 milhões de pessoas, ou 14,6% da população, buscaram atendimento de saúde em 2003, com a procura maior novamente entre os mais idosos e os menores de cinco anos de idade. A maioria das buscas por serviços de saúde foram motivadas por doença (51,9%). Em segundo lugar apareceram vacinação e outros atendimentos de prevenção, somando 28,6%. Um dado que chamou a atenção dos pesquisadores foi a diferença entre homens e mulheres em relação a procura de atendimento médico por acidentes: 8,1% para os homens e 3,5% para as mulheres.
Os postos e centros de saúde foram responsáveis por 9,8 milhões de atendimentos (39,1%). Depois vieram os ambulatórios de clínicas, empresas, sindicatos e hospitais, além do pronto-socorro, com 7,6 milhões de consultas (30,3%) e os consultórios particulares, com 6,9 milhões de atendimentos (27,3%). As farmácias realizaram 378 mil atendimentos (1,5%).
Cinco milhões de pessoas disseram que sentiram necessidade de assistência médica, mas que não procuraram o serviço por vários motivos. O principal deles, alegado por 1,19 milhão de pessoas, foi a falta de dinheiro (23,8%). Em segundo lugar apareceram os que consideravam o atendimento muito demorado (18,1%) e depois os que achavam o serviço muito distante ou de difícil acesso (12,7%). Alguns também justificaram que horário do serviço de saúde era incompatível com suas atividades quotidianas (12,7%).
O estudo revelou também que 12,3 milhões de brasileiros, aproximadamente 7% da população, haviam se submetido a uma ou mais internações hospitalares no ano anterior à pesquisa e, entre estes, 20,7% tiveram reinternações no mesmo período. Entre as pessoas com 65 anos ou mais de idade, a taxa de internação era duas vezes maior.
Prevenção contra câncer é insuficiente
O câncer de colo de útero deve atingir mais de 20 mil mulheres este ano no Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). No entanto, ainda é baixo o número de mulheres que fazem o exame preventivo. A pesquisa do IBGE sobre o acesso aos serviços de saúde constatou que 20% das mulheres a partir dos 25 anos de idade nunca foram submetidas ao Papanicolau, exame preventivo desse tipo de câncer que deve ser realizado pelo menos uma vez por ano.
Com índices ainda mais altos, o câncer de mama deve atingir este ano mais de 49 mil mulheres acima dos 49 anos, segundo estimativa do Inca. Porém, o IBGE verificou que em 2003 apenas a metade (50,3%) das mulheres com 50 anos ou mais de idade se submeteram a uma mamografia. O exame clínico das mamas foi feito por 65,6% das mulheres acima dos 40 anos de idade.
Para a coordenadora de Prevenção e Vigilância do Inca, Gulnar Azevedo, a incidência do câncer de colo de útero em mulheres, principalmente de regiões mais carentes do Norte e Nordeste do país, é semelhante aos números registrados na África. "A situação é muito preocupante, porque mostra que as mulheres a partir dos 25 anos não estão entrando em nossa rede de assistência nem fazendo o exame preventivo", afirmou.
O IBGE não investigou a proporção de homens que se submetem ao exame preventivo do câncer de próstata, apesar da alta incidência da doença, de acordo com o Inca. Depois do câncer de pele, o câncer de próstata é o que mais atinge os homens. Para este ano são estimados 46.330 novos casos.
Vacina interrompe avanço de tumores
Uma vacina desenvolvida no Brasil pode aumentar a expectativa de vida em pacientes com tumores de rim e melanoma, forma mais agressiva do câncer de pele. A vacina, desenvolvida pelo pesquisador José Barbuto, mostrou-se capaz de interromper a progressão dos tumores em 80% dos pacientes que já apresentavam metástases pelo corpo.
A Agência Nacional Vigilância Sanitária já liberou sua comercialização. A vacina (Hybricell) é preparada individualmente para cada paciente (usa células do tumor retirado do paciente) e só pode ser solicitada ao fabricante por oncologistas. Cada dose custa cerca de R$ 3.500,00. O preço varia conforme o local de coleta. O tratamento requer pelo menos duas doses. Informações pelo site www.vacinacontraocancer.com.br
Farmacêuticos têm encontro de debates
O IV PharmaRS 2005 deve reunir profissionais e estudantes de farmácia de todo país nos dias 2, 3 e 4 de junho na Universidade de Caxias do Sul, no teatro do bloco M. O objetivo é promover o debate a respeito das novas exigências do profissional no século 21 e sua importância na avaliação das políticas de saúde e de medicamentos.
Entre os temas propostos para o encontro destacam-se: atenção farmacêutica, qualidade no laboratório de análises clínicas, fitoterápicos e farmácia popular. O evento é uma promoção do Conselho Regional de Farmácia do Rio Grande do Sul (CRF-RS).
Gaúcho é líder em mal de longa duração
O Rio Grande do Sul é o Estado brasileiro com o maior número de pessoas portadoras de doenças crônicas, segundo a pesquisa do IBGE. Mais de quatro milhões de gaúchos sofrem de alguma enfermidade de longa duração, como diabetes, hipertensão etc. Entre os gaúchos entrevistados, 8,8% ainda apresentavam duas doenças e 8,7% tinham três ou mais males crônicos. Apesar disso, oito em cada dez gaúchos consideravam seu estado de saúde bom ou muito bom no momento da pesquisa.
A maior longevidade e o estilo de vida ajudariam a justificar parte da disseminação dessas doenças no Estado. Segundo Sandra Sperotto, da Secretaria Estadual da Saúde, como as doenças crônicas atingem mais a terceira idade, a região líder em expectativa de vida (69,3 anos para homens e 77,6 anos para mulheres) teria uma tendência maior em registrar esses problemas.
Transplantes aumentam 36% em dois anos
O Brasil atingiu a marca recorde de 10.920 transplantes entre 2002 e 2004. Isso representa um aumento de 36,1% no número de cirurgias. No Rio Grande do Sul, o aumento foi de 21%; de 662, em 2002, para 801, em 2004.
Também houve crescimento nas doações. Em 2004, registraram-se 1.408 doações, 18% a mais que em 2003. O transplante que mais cresceu no período foi o de córnea (52,6%), que aumentou de 3.496, em 2002, para 5.335, em 2004. De janeiro a março deste ano, dados preliminares já apontam um total de 2.559 transplantes em todo o país, sendo 184 somente no Rio Grande do Sul.
Mais de 61 mil pessoas esperam hoje por um órgão ou tecido para transplante no Brasil. O governo pretende, até 2007, zerar a fila de espera por uma córnea e reduzir à metade as filas por medula óssea e órgãos sólidos, como rim, coração, pulmão, pâncreas e fígado.
Crianças obesas e televisão
Diversos estudos têm associado a obesidade infantil ao hábito cada vez mais freqüente de fazer as refeições na frente da televisão. Pesquisas também já comprovaram a influência exercida pelos anúncios de alimentos, principalmente daqueles ricos em gorduras, na alimentação das crianças.
Um estudo concluído recentemente na faculdade de medicina da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, cujo objetivo era saber o que a criançada come enquanto assiste aos seus programas preferidos, mostrou que os vegetais estão ausentes da maioria dos pratos. Já salgadinhos tiveram a preferência de grande parte dos entrevistados. A pesquisa confirmou também o que os especialistas já suspeitavam: as refeições estão sendo feitas cada vez menos à mesa, em família.
Da importância de ser Quixote
Maria Clara Lucchetti Bingemer
Que o quarto centenário do Quixote nos ajude a sair do marasmo, a não desistir de resgatar a dignidade de oprimidos e a acreditar que a loucura é, muitas vezes, mais razoável que a razão humana
Celebra-se este ano o quarto centenário de uma obra literária que foi talvez a que mais marcou o Ocidente: o célebre Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes Saavedra. Escrito em plena passagem do século XVI para o XVII, em pleno período entre o Renascimento e o Barroco, o Quixote - como todo grande texto literário - escapou da intencionalidade de seu autor, criou asas e brilhou com luz própria.
Esta preciosa jóia da literatura castelhana soube conquistar o mundo inteiro e é talvez, com a Bíblia, a obra que se traduziu em mais idiomas. Dom Quixote de La Mancha apresenta com a maestria e o gênio de Cervantes um feliz retrato do povo espanhol e, mais ainda, uma descrição bela e certeira da alma ocidental. Seus personagens são verdadeiros arquétipos de categoria universal. A figura do Quixote tornou-se símbolo e paradigma do idealismo que acredita que a realidade é mais do que apenas os cinco sentidos possam tocar e perceber, e sai pelo mundo para resgatar valores como honra, liberdade, grandeza, nobreza e retidão.
Seu alter-ego e fiel escudeiro, Sancho Pança - que é tão gordinho e baixo de estatura, próximo ao chão e à terra quanto seu amo é alto e esguio, voltado para as alturas do céu e do grande ideal cavalheiresco - representa o espírito prático, o realismo. A prática bondade e a canina fidelidade de Sancho não deixam que o ideal e a imaginação criativa se percam em estéril ilusão, mas ajudam a que fecundem o mundo, devolvendo ao ser humano a capacidade de sonhar e almejar sempre mais além dos limites que lhe impõem sua carne, vulnerabilidade e mortalidade.
O quarto centenário do Quixote nos interpela por alguns caminhos que me parecem ser extremamente importantes nos dias de hoje. Por um lado, relembra a nós, humanos, nossa vocação à nobreza, à plenitude e à liberdade. O engenhoso fidalgo Alonso Quijana, que sai de sua aldeia natal em busca de aventuras acompanhado por seu fiel Sancho Pança, tem um coração maior que o mundo. Aos olhos dos que o acompanham em sua saga, é um louco. Aos olhos afetuosos e fiéis de Sancho, também.
Luta com moinhos de vento, afirmando até o fim que são perigosos gigantes. Vê na suja e prostituída camponesa Aldonza a bela e nobilíssima dama Dulcinéia del Toboso, a quem entrega seu coração e sua espada, jurando defender sua honra e protegê-la com a própria vida.
Coração e mente sempre estimulados por um ideal maior que o mundo, Dom Quixote expõe sua loucura sem pejo nem timidez, sendo constantemente advertido e moderado por Sancho.
Impossível não lembrar de outro ser humano que marcou a história porque um dia, na Galiléia, resolveu sair pelo mundo contando parábolas, fazendo milagres e entregando a vida por todos e todas, sem ter onde reclinar a cabeça. A Jesus de Nazaré também foi impetrado o qualificativo de louco e até aqueles que o acompanhavam mais de perto chegaram a duvidar de sua sanidade mental, declarando-o "fora de si".
Enquanto Dom Quixote é uma criação literária genial, Jesus de Nazaré é uma pessoa histórica, que marcou o mundo e ao morrer, vítima da fidelidade ao amor que lhe queimava o coração e não o deixava cessar de estar "fora de si" no amor e no serviço aos outros, foi visto e reconhecido como ressuscitado, vivo para sempre e Filho de Deus. Aqueles que o seguiram participaram de seu destino de serem considerados loucos. E tão loucos eram e são que isso é para eles e elas motivo de alegria e consolação.
O quarto centenário do Quixote nos traz de volta o desafio de Jesus de Nazaré, que no fundo é o desafio inerente à condição humana criada por Deus: ser livre o suficiente para não deixar de desejar, de sonhar, de amar, mesmo sendo tido e havido por nécio e louco aos olhos de todos. Segundo Dom Quixote, vale a pena, pois "a liberdade, Sancho, é um dos mais preciosos dons que aos homens deram os céus; com ela não podem igualar-se os tesouros que encerra a terra nem o mar encobre; pela liberdade, assim como pela honra, se pode e deve aventurar a vida e, pelo contrário, o cativeiro é o maior mal que pode advir aos homens" (Quijote II, 58).
Que o centenário do Quixote nos relembre a importância de sermos loucos o suficiente para crer que o amor é possível e vale a pena entregar a vida por ele. Que a força desse personagem prototípico nos ajude a sair do marasmo em que nos lança a sociedade neoliberal e não desistir de perseguir moinhos de vento, resgatar a dignidade de oprimidos e acreditar que a loucura é muitas vezes mais razoável que a razão mesma.
Frei Betto
Fazer lobby, traficar influências, negociar intermediações, ender informações, superfaturar obras... Arrependido, corrupto conta como mandou os escrúpulos às favas
O penitente ajoelhou-se no confessionário. Impossível definir-lhe o rosto através da treliça de madeira. Tinha, porém, a voz nítida:
"Padre, há anos sou corrupto. Agora, estou arrependido."
O arrependimento viera de um trauma de família: a filha adolescente aparecera com câncer. Ele fizera a promessa de virar a página das maracutaias. Narrou a seqüência de notas frias, achaques, negociatas, propinas, paraísos fiscais, doleiros, evasão de divisas, sonegações e outros crimes do mundo em que vivia.
Perguntei-lhe se aceitava um café na casa paroquial. Não interessava a sua identidade. Queria saber como se faz um corrupto.
Na copa, detalhou como, ao longo dos anos, aprendera a mandar os escrúpulos às favas:
"Comecei numa empresa privada, para a qual eu fazia contatos com o poder público. No início, eu nem pensava em pegar dinheiro para o meu bolso. O patrão me convenceu de que os negócios têm regras que nem sempre condizem com a lei. E quem não participa vira Francisco de Assis, santo mas pobre."
"Eu acertava o contrato da obra, oferecia ao representante do poder público comissão de 10 a 15% do orçamento, marcava as cartas da licitação. Aprendi que, assim, certos políticos fazem seu caixa de campanha. O que custa 100 é aprovado para receber 500, e 200 vão para o caixa dois. Tudo sem nota fiscal, intermediação bancária, assinaturas. Vale o dinheiro vivo. Lucra a empresa, que ganha a obra; lucra o empresário, que superfaturou; lucra o político, pois as campanhas estão cada vez mais caras. E tudo pago pelo contribuinte."
"Com o tempo, fiquei tentado a atuar do outro lado da banca. Entrei no serviço público por indicação de um político cuja hiena se alimentava na minha mão. Aprendi a fazer lobby, tráfico de influência, negociar intermediações, vender informações. Utilizava com freqüência a triangulação: meu setor público conveniava-se como uma instituição aparentemente idônea através de projetos que, ditados por nós, eram preparados e enviados por ela. E a instituição contratava serviços a custos bem mais altos do que aqueles que o Estado paga diretamente. Nesse repasse, ganham todos, onerando os cofres públicos."
"Um dia me dei conta de que até nas pequenas coisas eu virara ladrão: carregava para casa caixas de lapiseiras e material de escritório e informática. O melhor eram as viagens, nas quais eu superfaturava contas de hotéis e restaurantes."
"Meu único receio residia em meu padrão de vida. Morava em condições muito confortáveis para o meu nível salarial. Não chegava a ter medo, porque as pessoas são ingênuas, não prestam atenção na desproporção do cargo que ocupamos com o luxo de que desfrutamos. Nem sequer cobram dos políticos e dos partidos transparência nos gastos de campanha. É por isso que a reforma política não sai. E se sair duvido que acabe com o financiamento privado de candidaturas e obrigue todos os políticos eleitos a quebrarem seu sigilo bancário."
"É muito dinheiro que vai para o ralo da corrupção. E há pessoas honestas que sabem disso, mas fazem vista grossa porque não ignoram que a corda rompe do lado mais fraco. Há também chefes e chefetes que não sujam as mãos com o dinheiro escuso, mas se apropriam das vantagens sociais e políticas das negociatas. Pagam a conivência com o seu silêncio."
Por que não existe um Disque Corrupção no qual o denunciante não tenha que se expor? - perguntei.
"Poderia haver uma "caça às bruxas" alimentada por inescrupulosos interessados em manchar a honra de gente séria" - disse ele. "Mas garanto que, na peneira, muito graúdo não haveria de passar."
Indaguei do penitente como pretendia agir daqui para frente. Disse que enviara um relatório-denúncia ao Ministério Público e entregara cópias a jornalistas de sua confiança. E decidira se desfazer de tudo aquilo que fora adquirido em negociatas, favorecendo a manutenção de uma clínica para enfermos de baixa renda.
Ele me autorizou a publicar o relato. Dei-lhe a absolvição após meditarmos sobre o encontro de Jesus com o rico Zaqueu, que entregou metade de seus bens aos pobres e quatro vezes mais a quem havia fraudado (Lucas 19,1-10).
Festa da Uva 2006 homenageia etnias
Tema visa recuperar a pluralidade dos primeiros habitantes
"A alegria de estarmos juntos". Este é o tema da 26ª edição da Festa Nacional da Uva, que será realizada de 17 de fevereiro a 5 de março de 2006. O tema homenageia todas as etnias que escolheram Caxias do Sul para viver e criar raízes: o índio, o negro, o tropeiro, o alemão, o italiano. Com o tema sugerido pela Secretaria da Cultura, os organizadores da Festuva têm o objetivo de recuperar a pluralidade dos primeiros habitantes do município.
"O evento sempre mostrou, em cada fase de sua história, o que era a cidade e o que fazia. Neste início de século e milênio, pode-se dizer que a característica mais marcante de Caxias do Sul é a pluralidade cultural em busca de harmonia", justifica o secretário da Cultura. José Clemente Pozenato. Segundo ele, a festa vai despertar a consciência de que a cidade foi construída com a soma de muitos esforços. Para o presidente da Festa da Uva, Gelson Palavro, o evento é uma oportunidade para a comunidade contar e cantar para si mesma e para todo país a história dessa imigração e a construção de uma cidade próspera.
O tema da Festuva 2006 foi divulgado em entrevista coletiva na semana passada. Na ocasião, Gelson Palavro também afirmou que os desfiles de carros alegóricos, que devem retratar o tema da festa, continuarão sendo realizados na rua Sinimbu. Nesta quarta, 1º de junho, um coquetel marca o lançamento do concurso de escolha da rainha e princesas da Festa da Uva 2006 e a apresentação dos integrantes da Comissão Social do evento.
CRESCE AGRESSÃO AO MEIO AMBIENTE
Às vésperas do Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), o Brasil mostra desatenção e desrespeito com a natureza. Cresceram a área de solo contaminado, o nível de poluição das águas e do ar e a devastação da floresta amazônica
O primeiro sinal da agressão ao meio ambiente foi emitido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), através da Pesquisa de Informações Básicas Municipais, também denominada Suplemento do Meio Ambiente Munic 2002, realizada em parceria com o Ministério do Meio Ambiente. O inédito levantamento partiu de informações fornecidas por 5.560 prefeituras sobre a realidade de 2002 e concluiu que queimadas e desmatamento estão ocorrendo em todas as regiões do país - e não apenas nas fronteiras agrícolas. Mais do que isso: descobriu que podem estar surgindo novas áreas de desmatamento na Floresta Amazônica (norte do Pará) e no Cerrado (oeste da Bahia) ainda não detectadas por satélites e que as queimadas são a principal causa de poluição atmosférica nas cidades brasileiras. Mas é o esgoto a céu aberto o problema ambiental que mais afeta as condições de vida dos cidadãos.
O IBGE mostrou ainda que a poluição dos rios e enseadas já é detectada em 38% das cidades brasileiras, e que a contaminação dos solos afeta 33% dos municípios. Além disso, em quatro das cinco Grandes Regiões do país os resíduos das atividades de saúde são mais prejudiciais do que os gerados pela indústria.
O resultado desse desequilíbrio é o aumento de inundações, deslizamentos de encostas, secas e erosão. 41% das 5.560 cidades brasileiras já foram atingidas por pelo menos um desses desastres naturais e 47% sofreram prejuízos na agricultura, pecuária ou pesca devido a problemas ambientais.
Solo - A contaminação de solo é uma dor de cabeça para 33% dos municípios brasileiros, e as maiores proporções de ocorrências foram no Sul e Sudeste: 50% e 34%, respectivamente. As principais causas da contaminação de solo são uso de fertilizantes e agrotóxicos (63%) e a destinação inadequada do esgoto doméstico (60%).
Cerca de 97% (5.398) dos municípios brasileiros não possuem aterro industrial dentro de seus limites territoriais. Uma parte importante (69%) deles declarou não produzir resíduos tóxicos em quantidade significativa, mas 30% (1.682 municípios) asseguraram que geram resíduos em quantidade significativa e não possuem aterro industrial.
O IBGE verificou descaso com resíduos tóxicos, principalmente, nos municípios mais populosos (com mais de 100 mil habitantes): dos 1.682 que não possuem aterro industrial e produzem resíduos perigosos em quantidade significativa, mais de 80% (1.406) estão no Nordeste, Sudeste e Sul.
Queimadas são a principal causa de poluição do ar
A poluição do ar não é um problema restrito aos grandes centros urbanos brasileiros e a sua causa mais freqüente não são as indústrias ou os veículos automotores, mas, sim, as queimadas e as ruas e estradas sem pavimentação. Esse diagnóstico foi apresentado pe-lo Suplemento de Meio Ambiente da Munic 2002.
Os resultados do estudo mostram que 1.224 municípios (22% do total) sofrem com a freqüente poluição do ar. Nos municípios que relataram o problema residia quase a metade da população brasileira (85 milhões) e 54% deles estavam no Sudeste.
Entre os municípios que informaram a ocorrência de poluição do ar, as causas mais apontadas foram: queimadas (64%), vias não-pavimentadas (41%), atividade industrial (38%), atividade agropecuária - poeira, pulverização de agrotóxicos etc. - (31%) e veículos (26%). A poluição do ar tem múltiplas origens: 70% dos municípios que acusaram o problema apontaram duas ou mais causas para a sua ocorrência - a média ficou em torno de 2,5 razões. A posição das estradas de chão se explica na medida em que apenas 10% da malha rodoviária brasileira (1,7 milhão de km, segundo o Anuário Estatístico dos Transportes 2001) estão pavimentados.
As queimadas são a causa de poluição do ar mais apontada em quase todas as regiões. A exceção é o Sul, onde 53% dos municípios indicaram agropecuária - as queimadas ficam em segundo lugar na região, empatadas com as vias não-pavimentadas (43%), que também aparecem como a segunda causa no Norte, Nordeste e Centro-Oeste do País. No Sudeste, a principal origem da poluição é a atividade industrial (45%).
A ocorrência de queimadas é a causa mais significativa tanto nas cidades com menor urbanização quanto naquelas com alta urbanização (taxa de população urbana igual ou superior a 70%). As vias não-pavimentadas aparecem como a segunda causa mais freqüente entre as cidades pouco urbanizadas e como terceira causa entre aquelas muito urbanizadas.
As queimadas predominam como causa da poluição atmosférica entre as cidades menores. Elas foram citadas por 61% dos municípios com até 20 mil moradores que relataram enfrentar degradação da qualidade do ar e por 69% das cidades que tinham entre 20 mil e 100 mil habitantes. Na primeira faixa populacional, o segundo lugar é ocupado pelas vias não-pavimentadas (42%); na segunda, a posição fica com a atividade industrial (46%).
Desmatamento em todo o país
Todas regiões do país sofrem os efeitos das queimadas e desmatamentos. Dos 5.560 municípios pesquisados, 1.009 informaram a existência de desmatamentos alterando as condições de vida da população. Destes, 684 (ou 68%) apontaram também a ocorrência de queimadas. A abordagem inversa produz conclusão semelhante: 72% dos 948 municípios que apontaram a ocorrência de queimadas afetando as condições de vida locais indicaram, também, a ocorrência de desmatamentos com os mesmos efeitos. Um dado importante é que 81% desses municípios possuem órgão ambiental específico.
Amazônia perdeu 26 mil km2 de florestas
Os índices de desmatamento na Amazônia voltaram a crescer. Entre 1º de agosto de 2003 e 1º de agosto de 2004, foram devastados mais 26.130 quilômetros quadrados de floresta, uma área equivalente ao Estado de Alagoas, ou 6% a mais do que no mesmo período anterior (2002-2003) e 43,8% na comparação com 2000-2001. Este também é o segundo maior desmatamento desde 1994, quando foram cortados 29.059 quilômetros quadrados de árvores. Até agora, segundo o Ministério do Meio Ambiente, já foram destruídos 17,3% da floresta amazônica no Brasil (dos 5,5 milhões de km2, cerca de 65% estão em solo brasileiro). O que percentualmente pode parecer pouco representa mais de 600 mil quilômetros quadrados - duas vezes a área do Rio Grande do Sul.
O número é uma projeção do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) feita a partir de 103 imagens de satélite, cobrindo 93% da área onde se concentra a derrubada da floresta, na região do chamado Arco do Desflorestamento. A margem de erro do índice é de 5%. O valor final será divulgado até o fim de 2005.
Os estados que mais desmataram a Amazônia foram Mato Grosso (20%) e Rondônia (23%). De acordo com os dados do Inpe, Mato Grosso seria responsável por 48% do desmatamento no último período. As estimativas do Inpe mostram que o Pará diminuiu o desmatamento em 2%, o Amazonas, em 39%, o Acre, em 18%, o Maranhão, em 26%, e o Tocantins, em 44%.
Um dos principais motivos para o aumento da destruição é a Medida Provisória em vigor que permite a fazendeiros da Amazônia desmatar 50% da terra se ela for formada por cerrado - vegetação baixa e plantas rasteiras - e 20% da floresta equatorial. Ao fixar as novas regras, o governo não criou estrutura para fiscalizá-las.
Devastação atinge a imagem do governo
Os números da devastação espalharam preocupação entre ambientalistas brasileiros e do exterior. Integrantes da União Européia exigiram explicações de Lula para a destruição. Eles ficaram indignados porque, durante o Fórum Social Mundial deste ano, em Porto Alegre, ministros afirmaram que a destruição da Amazônia estava sob controle. O governo sofreu também perda política. Os sete deputados do Partido Verde anunciaram a retirada da base de apoio a Lula no Congresso. Fernando Gabeira, mais destacado líder do PV, explicou a posição dizendo que o governo tentou maquiar os números da devastação. "Isso é mais do que uma gota d’água, é um oceano de desapontamentos", afirmou.
Bento promove festa a Santo Antônio
Evento religioso é um dos mais antigos da Serra gaúcha
A paróquia Santo Antônio de Bento Gonçalves promove, no dia 13 de junho, a 127ª Festa de Santo Antônio, provavelmente a festa religiosa mais antiga da Serra gaúcha. A programação religiosa iniciou no dia 6 de maio com a visita da imagem do padroeiro às comunidades. Nesta terça, 31 de maio, houve abertura da trezena de Santo Antônio, com a presença do bispo de Bagé, dom Gilio Felício.
No dia 4, às 18 horas, uma missa celebrada em italiano vai recordar os 130 anos da chegada dos imigrantes que vieram da Itália para o Rio Grande do Sul em 1875. No dia 11, celebração com as crianças e no domingo 12 show do Pe. Zezinho e do Trio Ir ao Povo, às 15h30, no pavilhão E do parque de eventos da Fenavinho, com entrada gratuita.
No dia 13, feriado em Bento Gonçalves, serão celebradas missas no santuário de Santo Antônio às 7, 8h30, 10, 15 e 18 horas. Às 16 horas, solene procissão com a imagem de Santo Antônio pelas ruas da cidade. Além da programação religiosa, a paróquia está promovendo eventos culturais e sociais desde o mês de abril. Em junho, estão programadas quermesse, com todas as lideranças das comunidades, no dia 4, às 19h30; almoço festivo no dia 13; apresentação de corais, todas as noites, após a missa da trezena; exposição de "santinhos" das festas de Santo Antônio, no Shopping Bento Gonçalves; e apresentação de um vídeo sobre a vida do santo, na igreja matriz, dias 7, 8 e 9, para as escolas que se inscreveram.
História - A primeira edição da festa de Santo Antônio, padroeiro de Bento Gonçalves, foi realizada em junho de 1878, apenas três anos após a chegada dos primeiros imigrantes italianos à Serra gaúcha. A festa foi coordenada pelo padre Giovanni Menegotto, um sacerdote paduano que tinha sido designado para ser capelão da então colônia Dona Isabel. O evento foi crescendo no transcorrer dos anos até tornar-se a maior festa religiosa de Bento Gonçalves. Em 1934, a matriz da paróquia Santo Antônio foi elevada à condição de santuário diocesano e, a partir de 1972, o dia 13 de junho foi decretado feriado municipal.
Popularidade do santo não tem fronteiras
Santo Antônio nasceu no dia 15 de agosto de 1195, em Lisboa, Portugal. Fez-se padre agostiniano, mas pouco depois tornou-se frade franciscano. Lecionou teologia em Bolonha e, por ser exímio pregador e conhecedor das Sagradas Escrituras, foi enviado a combater as heresias no norte da Itália e sul da França. Em 1227 voltou a Pádua, destacando-se por seus notáveis sermões. Morreu aos 36 anos no dia 13 de junho de 1231, em Pádua, onde estão seus restos mortais. Sua fama de santidade era tão grande que foi canonizado no dia 30 de maio de 1232, nem um ano após a sua morte.
Santo Antônio é popular entre os cristãos do mundo inteiro, mas exerceu particular influência sobre a fé dos italianos. Por isso, sua devoção destaca-se muito nas regiões que foram colonizadas pelos imigrantes. Na diocese de Caxias do Sul, por exemplo, das 70 paróquias existentes, sete têm como padroeiro Santo Antônio e, das 980 comunidades/igrejas, 54 são dedicadas ao Santo. Várias paróquias da região têm até duas capelas com seu nome. Na paróquia de São Francisco de Paula são três.
Imaculada apresenta relíquia à veneração
Santo Antônio não terá destaque apenas em Bento Gonçalves. Na diocese de Caxias do Sul, ele será celebrado também nas paróquias de Forqueta, Nova Pádua, Fagundes Varela, Vila Flores, Rio Branco (Nova Prata) e no Bairro Cinqüentenário, em Caxias do Sul, que o têm como padroeiro.
Na paróquia Imaculada Conceição, de Caxias do Sul, está uma relíquia autêntica do santo, que será celebrado, no dia 7 de junho, à noite, com procissão luminosa. Dia 12, procissão com a imagem às 9h30, missa festiva às 10 horas e almoço de confraternização. No dia 13, missas às 16, 18h30 e 20 horas, com exposição da relíquia durante todo dia. Na paróquia do bairro Cinqüentenário, festa dia 12 e, na segunda-feira 13, missas às 16 e 20 horas, bênção e distribuição dos pãezinhos e bênção com a relíquia.
Padre Zezinho
Quem não agüenta críticas, não agüenta profetizar
Por causa dos defeitos e pecados do ser humano, por causa da falação e da conversa dos outros, por causa das críticas, das ameaças, das calúnias e das fofocas, muita gente ficou com medo e parou de trabalhar na Igreja. Conheço centenas de casais, repito, centenas, que acabaram deixando o seu grupo na igreja, sua função, porque tornou-se insuportável ser assunto das conversas e fofocas no bairro e na cidade.
Acharam que o preço era muito alto para continuar lutando. Se tivessem continuado, provavelmente teriam vencido e os seus críticos teriam perdido. Como desistiram e tornou-se impossível continuar, hoje estão lá quietos no seu canto vivendo sua vida e sua igreja perdeu dois grandes evangelizadores. Evangelizar exige coração, estômago forte, peito e paciência.
Não dá para se importar com tudo o que os outros falam. Há que seguir a consciência. Lembro-me de um casal que entregou a presidência da paróquia porque foi acusado de desviar dinheiro e de ser visto em lugares errados e ainda por cima viver uma vida de mau exemplo. Nada disso era verdade, mas como não quiseram enfrentar a coisa no debate, simplesmente desistiram. Deram sua renúncia como irrevogável. Moram hoje na paróquia e limitam-se a participar da missa. Não conversam com ninguém e refugiaram-se no seu mutismo e na sua mágoa. Foi demais para eles.
A moral da história é triste, mas é apenas uma: quem não agüenta críticas e até mesmo insinuações maldosas não agüenta profetizar. Uma das coisas tristes da vida é que existem pessoas boas e pessoas de má índole. Quem quer evangelizar precisa envolver-se com esses dois tipos de seres humanos. Jesus foi muito amado, mas também foi muito caluniado. Morreu inocente mas veja o resultado de sua persistência! Imagine se ele e os apóstolos tivessem desistido porque os fariseus estavam falando mal deles.
Quem entra na chuva é para se molhar. Quem vai anunciar Jesus tem que correr o risco, senão nada vai mudar ao seu redor.
Devoção a Caravaggio atrai multidão
Romaria a Nossa Senhora levou 280 mil pessoas ao santuário
A Serra gaúcha deu, de quinta-feira 26 até o domingo 29 de maio, uma impressionante demonstração de fé e devoção a Nossa Senhora. Durante os quatro dias, segundo dados da Brigada Militar, 280 mil peregrinos participaram da 126ª Romaria ao Santuário de Caravaggio, em Farroupilha. Somente no dia 26, festa de Nossa Senhora, foram contabilizados 150 mil romeiros. Outros 10 mil foram ao santuário diocesano na sexta-feira, 55 mil no sábado e 65 mil no domingo.
O reitor do santuário, padre Volmir Comparin, salienta que o número de romeiros cresce a cada ano. Neste ano, a expectativa era a de acolher 250 mil devotos nos quatro dias do evento, mas a previsão foi amplamente superada. O reitor destacou que somente no mês de maio, mais de 400 mil pessoas passaram pelo santuário.
A maior parte dos que participaram da romaria percorreu a pé um trecho de 18 quilômetros entre Caxias do Sul e o santuário. Neste ano, grande número de romeiros que foram ao santuário no dia 26 acabou enfrentando problemas no local, tanto na chegada quanto na partida. No acesso ao santuário, a presença de muitos ambulantes acabou formando um estreito corredor impedindo a livre circulação de romeiros.
E na hora de comprar as passagens e chegar até os ônibus (foram disponibilizados 137 na quinta-feira), os peregrinos foram obrigados a enfrentar intermináveis filas – muitas pessoas tiveram que esperar mais de três horas. Às 14 horas foi realizada a procissão de Corpus Christi concentrando ainda mais gente no pátio do santuário, por onde serpenteavam as filas. Até cambistas apareceram, vendendo passagens com preços acima dos praticados nos guichês. Para os romeiros, cansados depois de mais de três horas de caminhada, enfrentar filas para ir aos banheiros, para fazer um lanche ou para comprar passagens foi mais um exercício de paciência em nome da devoção, da fé e do carinho a Nossa Senhora. Para os romeiros que foram ao santuário nos outros dias, reinou a calma e a tranqüilidade.
Serra gaúcha expressa sua religiosidade
Na semana passada, além da romaria de Caravaggio, outras duas festas religiosas atraíram muitos católicos na Serra gaúcha. Coincidindo com a festa da padroeira da diocese de Caxias do Sul, também foi celebrada a festa de Corpus Christi e, em Flores da Cunha, a 17ª Romaria ao Frei Salvador.
Apesar do frio e do mau tempo na parte da manhã, milhares de fiéis participaram das procissões de Corpus Christi pelas ruas enfeitadas com belos tapetes na cidades de Flores da Cunha, Garibaldi, São Marcos, Carlos Barbosa e outras. Em Caxias do Sul e em Farroupilha, pela primeira vez não foram realizadas as tradicionais procissões pelas ruas das duas cidades, que concentraram a cerimônia às 14 horas, no santuário de Caravaggio.
Em Flores da Cunha, que há mais de 40 anos confecciona tapetes coloridos para a passagem do Santíssimo, seis mil pessoas participaram da procissão. Surpreendente foi a participação de pessoas de diversas cidades e até de outros Estados na romaria ao Frei Salvador que levou mais de 12 mil a pé até o eremitério onde o Servo de Deus costumava refugiar-se para rezar.
Procissões destacam o Cristo Eucarístico
As expressões de fé ao Corpo de Deus e a Caravaggio não foram destaques apenas na Serra gaúcha. Em Canela, cerca de 20 mil pessoas participaram da 45ª romaria ao santuário de Saiqui no dia 26 e a procissão motorizada do domingo 29 reuniu cerca de sete mil carros e motos. Nossa Senhora de Caravaggio também levou milhares de devotos ao santuário de Caravaggio de Paim Filho.
A festa de Corpus Christi, dedicada à Eucaristia, foi destaque em outras cidades gaúchas, como São Sebastião do Caí, Pelotas, Lajeado, Gaurama, Passo Fundo, Guarani das Missões e Erechim. Em São Domingos do Sul pela primeira vez foram confeccionados tapetes para a procissão. Em Gaurama, mais de três mil peças de roupas doadas pela comunidade serviram de base para um tapete com mais de 500 metros de extensão.
Aldo Colombo
A porta do coração humano só se abre de dentro para fora. Não adianta forçar, nem tentar arrombar
Um lenda árabe fala de uma gruta misteriosa situada ao sopé de uma montanha. Existia uma palavra mágica e desconhecida, que uma vez proferida, faria abrir a porta misteriosa, deixando os tesouros à mercê de seu feliz descobridor. A mesma palavra, novamente proferida, fecharia para sempre a gruta com o seu tesouro.
Num fim de tarde, uma caravana de beduínos acampou junto à montanha, à margem de um rio, que corria em meio às pedras. Enquanto descansavam, os viajantes tentavam descobrir os nomes dos camelos de seus companheiros. De costas para a montanha, as tentativas prosseguiam. Num dado momento, a palavra mágica, inadvertidamente, foi proferida e a porta da gruta abriu-se devagar, deixando ver o brilho discreto dos dobrões de ouro e o fulgor dos diamantes e pedras preciosas.
Do outro lado do rio, viajantes de outra caravana procuraram, através de gestos, comunicar o feliz acontecimento. O ruído das águas impossibilitava a comunicação. Num certo momento, sem consciência de seu poder, a palavra foi novamente proferida e a gruta, com seu tesouro, fechou-se para sempre.
Não sei qual a palavra mágica da lenda árabe. Sei, porém, que existe uma palavra mágica capaz de abrir um coração, onde se situa um tesouro. Essa palavra mágica - mais do que palavra é um sentimento - chama-se amor.
Essa palavra mágica abre os corações, mas essa mesma palavra, quando não entendida, faz esse mesmo coração fechar-se para sempre.
O amor é capaz de coisas maravilhosas. Floresce desertos, faz brotar jardins e primaveras, reconstrói sonhos, dá significado à vida. Quantas vidas mudaram, radicalmente, porque alguém lhes disse: eu te amo. E esse "eu te amo" pode ser traduzido de mil maneiras. Pode significar: eu te aceito assim como és, tu és maior que teus erros, tu és amado, estou disposto a caminhar contigo até o fim do mundo... Pode também significar: eu te perdôo, sei que tu és maior que teu erro, tenho certeza que é possível recomeçar.
Mas essa palavra não admite brincadeiras inconseqüentes. Não se pode brincar com o amor. Existe o risco de fechar para sempre o coração e seus tesouros. A porta do coração humano só se abre de dentro para fora. Não adianta forçar, nem tentar arrombar. Unicamente essa palavra mágica tem a possibilidade de abrir a porta. E quando isso acontece, visibilizam-se todos os tesouros, todas as possibilidades e desaparecem as mágoas, canseiras, desencantos e feridas da vida.
Eu te amo é uma palavra sempre nova, mesmo quando repetida mil vezes e tem ressonâncias eternas. É maior que o sol, as estrelas e a eternidade. Ela é proferida em segundos, mas pretende ser eterna. Significa amar para sempre. É o ponto mais próximo entre a criatura e Deus. Significa amar para sempre, além dos fatos e emoções, além do tempo e da própria vida. Amar é participar da vida de Deus, que é Amor.
Gaúcho é nomeado bispo de Roraima
Roque Paloschi, de 54 anos, é sacerdote da diocese de Bagé
O Papa Bento XVI nomeou bispo da vacante diocese de Roraima o padre gaúcho Roque Paloschi, atualmente pároco da paróquia Nossa Senhora da Luz, em Pinheiro Machado, diocese de Bagé (RS). Dom Roque será bispo de uma diocese que abrange todo o Estado de Roraima e que tem sua sede episcopal na capital, Boa Vista.
Padre Roque nasceu no dia 5 de novembro de 1950 no distrito de Vila Progresso (Lajeado), hoje município de Progresso. Pertence a uma família de nove irmãos, filhos de Amândio e Maria Terezinha Ferrari Paloschi, ambos já falecidos. Ingressou no seminário de Bagé em 1979, com 29 anos. Cursou Filosofia em Pelotas e Teologia na PUC-RS, em Porto Alegre. Foi ordenado sacerdote em 1986, com 36 anos, na cidade de Bagé, por dom Laurindo Guizzardi.
Desempenhou seu ministério pastoral nas paróquias de São Gabriel, de Santana do Livramento e de Pinheiro Machado. De 1997 a 1999 atuou como missionário em Moçambique, na África, integrando o projeto Igreja Solidária. Há vários anos acompanha o projeto que a Igreja no Brasil desenvolve para evangelização da Amazônia. "Abraço esta missão com a graça de Deus para ajudar aquela Igreja que está nascendo vigorosa no Norte do país", disse o novo bispo.
Dom Roque será o 8º bispo da diocese de Roraima, que já teve três monges beneditinos, três bispos missionários da Consolata, um missionário do Verbo Divino - dom Apparecido José Dias, a quem dom Roque vai substituir - e, agora, um diocesano.
Revista Cidade Nova é Prêmio Dom Hélder
A Revista Cidade Nova recebeu a Menção Especial do Prêmio Dom Hélder Câmara de Imprensa 2005. Também foram premiados, na categoria grande mídia, a agência de notícias Adital, e na categoria imprensa, a revista Ir ao Povo. A Revista Cidade Nova é publicada pela Editora Cidade Nova. É a versão brasileira de 35 revistas similares em 22 línguas, cujo objetivo é difundir a cultura da fraternidade no mundo inteiro.
A entrega dos troféus ocorreu no dia 11 de maio, na Rede Vida de Televisão, em Brasília. Na mesma cerimônia, foi entregue o prêmio Clara de Assis para a Televisão, criado este ano pela CNBB. Foram agraciados o "Jornal Nacional", categoria Jornalismo, pela cobertura da morte de João Paulo II; "Natal Solidário" (Dramaturgia), da TV Canção Nova; "Inclusão" (Documentário), da TV Senado; "Vida, morte e ressurreição" (Musical), da TV Horizonte; e "Tribuna Independente" (Especial), da Rede Vida.
Diocese de Cruz Alta ordena diáconos
Em solene celebração litúrgica, realizada na comunidade Nossa Senhora de Fátima, da paróquia São João Batista de Panambi (RS), o bispo diocesano de Cruz Alta, dom Frederico Heimler, presidiu a ordenação diaconal de Aldecir Corassa e Márcio Roberto Fernandes. Ambos se preparam para a ordenação sacerdotal concluindo o curso de Teologia no Instituto Missioneiro de Teologia, em Santo Ângelo. A cerimônia, realizada no dia 29 de abril, contou com grande número de presbíteros, religiosos, fiéis e familiares, destacando-se as caravanas das paróquias de Ajuricaba e de Espumoso, comunidades de origem dos novos diáconos.
Wilson João
A pessoa livre vai bem mais longe do que seu pé. Porque tem sonhos no coração.
Conheci uma pessoa que era tão bitolada dentro do dever e tão certinha que, se o almoço atrasasse quinze minutos, desistia de almoçar. Para essa pessoa o ato de almoçar tinha que ser às doze horas. Pessoas bitoladas e que se restringem ao dever do trabalho das oito horas e simplesmente fazem a tarefa que lhes toca, são pessoas sem vida e sem sonhos. São pessoas que mais ficam olhando para o relógio do que para o trabalho a ser executado. Não mexem uma palha para ajudar o outro. Trabalhar e viver com pessoas desse tipo é um castigo. Com elas não há nem progresso e nem alegria. Reina a monotonia da vida.
É BOM SER CUMPRIDOR DO DEVER. Todos têm seu dever. Horas de trabalho, tarefas a executar. Mas ficar somente nisso pode se tornar muito mecânico. As máquinas também fazem seu dever, mas são sem alma, sem vida. Os animais também fazem simplesmente o dever e por instinto. Têm que obedecer seu modo de vida para poder sobreviver. As pessoas são mais do que as máquinas, e muito mais do que os animais. Existe o determinado dentro de cada um de nós e mesmo nas tarefas que fazemos, mas existe a liberdade humana. A liberdade é superar o dever e o caminho traçado. A pessoa livre vai mais longe do que seu pé. Tem sonhos no coração.
É NECESSÁRIO SUPERAR O DEVER. Há um canteiro de flores ou de hortaliças para cuidar. Há uma árvore para plantar ou podar. Há uma associação ou entidade para ajudar. Há um doente para visitar. Há um pobre para ajudar. Há um parente que necessita de apoio. Há uma Igreja que precisa de minha participação. Há um vizinho que necessita de um serviço. O mundo da ajuda e da caridade é enorme. Além das minhas oito horas de trabalho posso dedicar meu tempo para tantas outras atividades. E quem não faz isso, e acabando o trabalho se atira no "dolce far niente", está morrendo aos poucos. O tédio é seu prêmio. Geralmente essas pessoas buscam a compensação num vício: bebida, jogo de baralho, bar da esquina, instituto de beleza etc. E porque o corpo e a mente estão na vadiagem, no vazio da vida, busca-se preencher esse vazio com fofocas, conversas que falam de tudo e de todos.
A CARIDADE SE REALIZA NO TEMPO EXTRA. A caridade é "o mais, o plus, el più" que a pessoa escolhe realizar além de seu trabalho comum. Nesse mais aparecem as qualidades e a criatividade humana. É nesse mais que se realiza a caridade, a generosidade e a gratuidade. Uma pessoa que "cobra" o extra, não vale nada. Infelizmente, há pessoas que no momento em que são solicitadas, fazem a pergunta: "E o que eu ganho com isso?". A experiência mostra que a alegria e a satisfação da vida resultam dos gestos de caridade e generosidade.
DEUS É A DOAÇÃO LIVRE E PLENA. Tudo é graça e Deus tudo faz de graça. Nada cobra. Simplesmente entregou este mundo em nossas mãos. Simplesmente nos deu a vida sem nada cobrar. E mais. Gratuitamente veio morar com a gente, ensinou e entregou sua vida por amor pela nossa salvação, sem nada cobrar em troca. A pessoa que vive essa caridade e generosidade se torna parecida com Deus.
Italiano em você
Domingos Laner Ghisleni
Agente do CR, Espumoso - RS
Domingos Laner Ghisleni, agente do Correio Riograndense em Espumoso-RS, assim descreve sua italianidade:
"Além de brasileiro e gaúcho, me sinto orgulhoso de minha descendência italiana. Sou neto paterno de bergamascos, de Sotto il Monte Giovanni XXIII, província de Bérgamo, na Lombardia, vizinhos e parentes de Àngelo Giusep-pe Roncali, o papa João XXIII. Do lado materno, descendo de trentinos, de Val de Fersina (Val dei Mocheni).
Sinto-me italiano, não porque, quando criança, comi muita polenta e radici pissacan, participei de muitos filós, tomei muito bom vinho feito em casa, saboreei muita comida típica italiana e participei de festas, acompanhadas do folclore italiano, mas, sobretudo, por ter aprendido falar, tanto o Talian como o Italiano. Meu pai fazia questão de falar e ensinar aos filhos, éramos doze, um morreu ao nascer. Por essas e outras razões, colaboro na conservação e difusão da cultura e tradições italianas, especialmente difundindo o Correio Riograndense, que sempre levou adiante a cultura dos italianos e de outras etnias. Ademais, em criança, fui sacristão de um padre scalabriniano, natural de Trento, e eu era encarregado de entregar, em casa, aos numerosos assinantes, La Staffetta Riograndense, que a maioria assinava porque sabiam falar o Talian e entendiam o Italiano, ao contrário do que acontece hoje, que poucos estudam, e poucos ainda sabem falar. Não aprenderam, por causa da proibição de falar Italiano e Alemão, durante a guerra contra a Itália e Alemanha.
Recordo uma história que deve ter sido comum a muitos na época da guerra. Meus avós, muito devotos, antes de ir dormir, sempre rezavam o rosário completo. Foram sendo vigiados pelos policiais de Getúlio Vargas. E diz um deles: "Estão rezando em Italiano." Mas, na verdade, estavam rezando em Latim, pois o Italiano era proibido. Mas, como as autoridades não distinguiam Italiano do Latim, foram presos da mesma maneira.
Cultivo minha italianidade por muitas razões, mas sobretudo como gratidão e reverência aos meus antepassados, que tanto sofreram para nos propiciar o bem-estar que desfrutamos. As dificuldades financeiras que nós, às vezes, enfrentamos, são café pequeno diante das dificuldades que eles enfrentaram para vir à América, e começar uma nova vida."
Domingos, de fato, faz jus a seu parentesco com o bom Papa João XXIII. Talvez seja por esta razão que Domingos é, hoje, um dos papas da língua, história e cultura italianas do Rio Grande do Sul. Estudioso da história e da língua italianas, está sempre atento ao resgate de histórias, contos, poemas, palavras e orações.
Se Domingos reverencia seus antepassados, todos nós agradecemos e reverenciamos a ele por sua presença e participação na recuperação da cultura italiana, parte importante da cultura sul-rio-grandense e brasileira (Rovílio Costa).
EL RETORNO DE NANETTO PIPETTA (311)
Vìsita a Pompei, destruta dal vulcan Vesùvio
Rafael Baldissera
Professor, Curitiba - PR
A camino de Pompei, passando per Nàpoli, Edilson el spiega:
- I romani i la ciamea Neàpolis, cità nova, parché nea vol dir nova e pòlis vol dir cità. E Nàpoli la ze sta bela cità de un milion de abitanti, la ze davanti el Golfo de Nàpoli. Da qua vedemo la ìsola de Capri. E desso semo drio rivar a Pompei che, come vedì, la ze solo rovine. Pompei la ze stà fondada nel sècolo VIII prima de Cristo. La produsia vin e oio bon. Ntel ano 62 dopo Cristo, un teremoto la ga destruta parsialmente. Ntel ano 79 dopo Cristo la ze stà sepolta completamente par na piova de sassi e de séndere provocai par la erussion del vulcan Vesùvio. Sto fato lo ga contà Plìnio el Gióvine in due létere che el ga scrito a Tàssito. La popolassion la gera de 20.000 abitanti. I ze morti tuti soto i sassi, séndere calde e, soratuto, par via dei gasi.
- Ah! mi saria scampà via prima del vulcan ciaparme, dise Nanetto.
- Tuti i ga proà scampar via, ma nessun ga conseghio. Sol in 1748 le autorità le ga scominsià le scavassion e le ga catà le case sensa querti, che i ze cascai col peso del material volcànico.
- E gai catà gente viva soto le rovine?
- Ma, Nanetto, come vuto che ghe sia stà gente viva dopo 1669 ani?! Gnanca Matusaleme che’l ga vivesto 700 ani! El Goerno de Nàpoli el ga mandà tirar via la marsaria par assar le case e le vie ben nete, come se pol veder. Arquante case le gera veri palassi, come questa dei fradei Vitti, che la ga giardin, pissina de marmo tel sentro dea sala, piture a oio te le parete.
- Ma come? I se bagnea sensa roba, qua in medo a sala?! Che gente sensa vergogna! Gnanca Adamo el fea cossì! Mi digo che el se scondea ntel mato par bagnarse in qualche rieto, come fea mi co stea in Santa Teresa!
- In quel tempo, Nanetto, i se bagnea in medo a sala, sensa serimònia. Ma vardè, le vie le ze ben trassiade e ben impierae con grandi sassi iregolari. El marciapié l’è alto parché le rode dei caretoni le ze alte. Le case le gera voltae indrio, le gera costruide a partir dal muro, rente el marciapié, col giardin dadrio la casa, che par lori ze davanti. El giardin l’è sircundà par un coridoio cuerto e con colone. Vardè sti corpi umani butai do. Dopo 1.700 ani, i corpi, querti de séndere i se ga smarsio e ze restà sol un vodo. Cossì, tele scavassion, quando i catea un vodo, i lo impienia de gesso lìquido e i lo assea secar; dopo i tirava via le séndere e restea là la forma de un corpo umano, fato de gesso.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
Sto ano de 2005 ze 130 ani che ze rivà i nostri pionieri, in omaio ai quai, te la colona dele Stòrie e Fròtole, metemo su un poco dela so bela e schersosa stòria, come la ga scrita Geraldo Sostizzo, che’l ga studià coi frati in Veranòpolis e desso el ze agente consolare italiano in Cascavel-PR.
Geraldo Sostizzo el ze nassisto in Vila Flores-RS, fiol de Fernando e de Dozolina Caregnatto Sostizzo, tuti due fioi de taliani. El pupà el zera fiol de Giovanni Marco Sostizzo e Augusta Brugnerotto e la mama, fiola de Domingos Caregnatto e Catharina Marcon.Ghe ze na stòria interessante sora Giovanni Marco. Dopo raquanti ani nel Brasile, el se ga insonià che so pupà Giovanni Battista, vanti morir in Itàlia, el ga dassà dèbiti da pagar. Lora Giovanni Marco l’è tornà tea Itàlia e el ga pagà sti dèbiti che i ghe gera pròpio. "Noantri, dise Geraldo, semo in sei fradei e due sorele: Clemente, Merci (cila), Américo (beco), Ivo (giuba), Casimiro (nene), Ida e el ùltimo Arnito (in memòria). Son maridà con Dulce Marli (na tedesca pi taliana che un mùcio de taliani). Gavemo due fioi: Joni, dotore de tatini, e Michelle, na musicante sonatora de piano."
Dopo verse messo in mente de farse frate, Geraldo el ga vardà fora par la finestra e el ga visto el mondo. Par no spetar tanto tempo de méterse laorar tel mondo come cristian, metendo insieme levà e farina par far un mondo novo, el ga dassà el seminàrio, sensa però dassar de studiar. E par pagarse el stùdio e no fermarse de studiar, el ga laorà fin de far sassi de quei de meter tea via dela sità, dele sei dela matina fin ale tre dopo mesogiorno sensa magnar e tante volte la brina gera grossa che no catea gnanca i martei e altre feramente de laoro. El se ga fato Bacharel em Administração de Empresas, el laora te la sua empresa de prodoti agrìcoli e oncó el ze anca "Agente Consolare Italiano" tela region Oeste e Sudoeste del Paranà. El stà a Cascavel (PR) da pi de vinte e sei ani.
El laora sora la Itàlia che i nostri imigranti i ga dassà dea banda delà, e sora el Brasile che ze la Itàlia che lori e noantri semo drio far dea banda dequà. Del Itàlia e del Brasile semo drio far na nova stòria e del Itàlia nel Brasile, semo drio far la grande Itàlia nel Mondo. Geraldo el mostra che la stòria vera ze quela che la gente ricorda e de la maniera che la ricorda par contarla.
In tanto tanti dei nostri i vegnea inquà pensando in Far la Mèrica, altri in Far la Cucagna, e la pi grande parte in Far la Vita, parché, in meso guere e fame, i disea – questa no ze vita - ma tuti, sensa darse conto, e noantri con lori, semo drio Far la Stòria.
E la stòria i la ga scominsiada lori e la portemo vanti noantri. Sostizzo el mostra come i ga scominsià far sta stòria, come se fusse na scala, fando scalin par scalin, vivendo giorno dopo giorno, lota dopo lota, speransa dopo speransa, fede dopo fede, coraio dopo coraio, laoro dopo laoro... e tuti semo rivai fin oncó.
Parché ricordarse ze viver, intanto ricordemo el geri, vardemo el oncó e se postemo vardando l’orisonte del doman. Se dise che i nostri pionieri i ze morti, invense i ze ancora tuti vivi, parché noantri portemo vanti le so parole, la so vita, la so stòria e el so spìrito, come el Spìrito del Signore el ze presente in tuta la nostra vita.
Far la polenta, copar el porco, far su i salami, copar la galina, far el brodo, pregar la corona, dugar coi careti de legno, ndar a caval, far le nosse, cambiar la bissicleta par un auto, far su case, capitei, cese e scole, lambichi, fàbriche, comperative, strade, molini, monomenti, fontane e cisterne..., soratuto far su la vera fameia italiana metendo insieme la Itàlia e el Brasile, lo ghemo bele imparà, lora desso continuemo far la stòria con la vita e la memória, come se disea na volta: "Stòria che varda indrio ze stòria che varda invanti."
I nostri i ga fato la stòria del geri, noantri femo la stòria d’oncoi e i nostri fioi i farà la stòria del doman. Pi avanti meteremo zo stòrie del Geraldo Sostizzo. (Rovílio Costa)
GERAL
Concurso reúne declamadores
Festival é dirigido apenas a estudantes
O 1º Festival Interestadual de Estudantes Declamadores do Brasil será realizado em Porto Alegre dia 10 de setembro. As inscrições já estão abertas e podem ser feitas até a data do evento no Instituto de Educação São Francisco. Qualquer estudante do território nacional pode participar do festival, desde que esteja devidamente matriculado na Educação Infantil, Ensino Fundamental, Médio ou Superior. A taxa de inscrição é um quilo de alimento não perecível, que será doado para as creches da zona norte da capital gaúcha.
O concurso terá categorias mirim, juvenil e adulto, subdivididas em masculino e feminino. Cada escola poderá ser representada por até quatro participantes em cada uma das seis categorias. Os quatro primeiros colocados de cada categoria receberão troféus e premiação em dinheiro. Informações pelo telefone (51) 3366-3800.
Prefeituras assumem ambiente
Consema habilita mais de 25% dos municípios
Mais de 60% dos processos de licenciamento ambiental poderão ser assumidos pelas prefeituras a partir da aprovação de nova tabela, anunciada dia 24 pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema). O total habilitado alcança 5,5 milhões de habitantes do Estado. "A relação já inclui 23 dos 42 municípios com mais de 50 mil habitantes", lembrou o presidente do Consema, Valtemir Goldmeir.
Com a municipalização dos serviços em Nonoai, Lagoa dos Três Cantos, Nova Boa Vista e Silveira Martins, sobe para 105 o número de prefeituras que podem realizar, parcialmente ou integralmente, o licenciamento de empreendimentos e atividades com impacto sobre o meio ambiente.
Segundo o diretor-presidente da Fepam, Claudio Dilda, "somente com ações cooperativas entre a União, os Estados e os municípios, será possível qualificar a atividade de licenciamento ambiental e evitar contenciosos judiciais que retardam decisões e são prejudiciais para a sociedade."
Água será tema de debates em Alto Feliz
Alto Feliz realiza a Semana do Meio Ambiente. O tema da campanha será a água, devido aos problemas surgidos com a estiagem no início deste ano. A promoção é da Comissão Municipal do Meio Ambiente, da qual a Emater faz parte.
O evento encerra dia 5 de junho. A programação da semana inclui exibição de vídeos sobre a água e distribuição de folderes informativos.
Evento internacional destaca a preservação
O Seminário Internacional Meio Ambiente: educação, conservação, ciência e tecnologia realiza-se de 5 a 11 de junho, em São Francisco de Paula, como o marco para o protocolo de parceria técnica e implantação do zoneamento ambiental no município.
O evento objetiva integrar produção, ambiente e pesquisa e visa a preservação. A promoção é da unidade da Uergs.
Garibaldi promove a noite do filó italiano
Uma noite para reviver as tradições dos imigrantes italianos, que há 130 anos chegavam ao Rio Grande do Sul. Assim será a 6ª Noite de Filó Italiano, que se realiza no dia 4 de junho, no salão comunitário de Linha Araújo e Souza, em Garibaldi. A promoção é do Clube de Mães Descobrindo o Bem Viver e comunidade de Linha Araújo e Souza.
O filó terá reza de ladainhas, exposição de fotos antigas das famílias das comunidades, cantos e danças, além da confecção de artesanato e jogos de cartas. Será servida comida típica, frutas, vinho, café, chá e, à meia noite, brodo. O encontro será animado por Valdir Anzolin e banda. Os ingressos custam R$ 15,00 para adultos e R$ 8,00 para crianças até 10 anos. Informações pelo telefone (54) 462-1602.
Protesto - O comércio de Garibaldi fechou por uma hora, na terça-feira, 24, em protesto contra a excessiva carga tributária brasileira. A iniciativa foi da CIC Jovem, com apoio da Câmara de Indústria e Comércio (CIC), Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Associação de Pequenas e Micro Empresas (Apeme) e Associação dos Vinicultores de Garibaldi (Aviga).