
DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 4.941 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 15 de junho de 2005.
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O meio ambiente e a saúde do homem
É inadmissível que o produtor rural ainda ignore a necessidade de usar equipamento de proteção ao aplicar agrotóxicos
Pela terceira semana consecutiva, o Correio Riograndense está divulgando matérias sobre o meio ambiente e a saúde do homem. No caso específico desta edição, sobre efeitos dos agrotóxicos. Um dos motivos para essa decisão editorial é o Dia Mundial do Meio Ambiente. Outro é o acesso a resultados de pesquisas científicas sobre o tema. Há, óbvio, uma terceira razão: a identificação deste jornal com a preservação da natureza e com a qualidade de vida das pessoas.
O mais recente trabalho científico sobre as conseqüências de agroquímicos, desenvolvido por uma equipe de pesquisadores da Universidade de Caxias do Sul, concluiu que 78% dos produtores rurais que utilizam esses produtos apresentam sintomas de alergias. Pesquisa publicada no início deste mês trazia outro resultado preocupante: a aplicação de agrotóxicos sem proteção adequada eleva em três vezes a vulnerabilidade a doenças pulmonares, cardíacas e hepáticas.
Nesses dois estudos citados, e em outros que já mereceram espaço neste jornal, a constatação mais inquietante, no entanto, é que apesar da comprovação dos perigos a que se expõem, mais de 50% dos produtores rurais - percentual da zona rural caxiense - continuam sem usar equipamentos de proteção adequados. E, pelas observações dos pesquisadores, não se trata de desconhecimento dos riscos nem da ausência de condições financeiras para adquiri-los, mas sim de comodismo ou falta de conscientização.
Atribuir a culpa exclusivamente ao agricultor não é justo. Afinal, nunca é demais lembrar que os produtos químicos que hoje intoxicam centenas de milhares de pessoas por ano foram jogados no mercado com a conveniente - para quem lucra com isso - denominação de "remédio". Porém, há muitos anos essa manobra foi desfeita por uma avalanche de informações veiculadas através de campanhas educativas, cursos, seminários... Por isso, é inadmissível que o produtor rural permaneça ignorando repetidas recomendações técnicas. É natural, no campo, a resistência a mudanças. Nesse caso, entretanto, pode ser fatal.
Líder em qualidade de vida do RS
Pela 3° vez consecutiva, Caxias é a cidade mais desenvolvida do Estado
Caxias do Sul é a cidade gaúcha com melhor qualidade de vida, segundo o Índice de Desenvolvimento Socioeconômico divulgado recentemente pela Fundação de Economia e Estatística (FEE). O levantamento avalia indicadores como domicílio e saneamento, saúde, educação e renda e considera dados referentes ao ano de 2002. A cidade atingiu o índice de 0,831, bem acima da média do Estado, que alcançou 0,754 – o índice varia de zero a um, quanto mais próximo de um, melhor a qualidade de vida. Além da liderança na classificação geral, Caxias também ocupa o primeiro lugar no item saneamento e domicílio.
Outros municípios da Serra gaúcha também estão entre os dez melhores em desenvolvimento. Vacaria ocupa o sexto lugar, seguida de Bento Gonçalves, em sétimo, e Veranópolis na nona posição. Veranópolis também pode festejar o quinto lugar entre os melhores em saúde; Bento Gonçalves ocupa a décima posição neste mesmo quesito.
Em relação à educação, outros quatro municípios destacam-se na região: Vista Alegre do Prata na liderança, seguido de Coronel Pilar em segundo lugar, União da Serra em terceiro e Guabiju na quinta posição. Salvador do Sul é o melhor da região Serrana e o 8° do Estado no que se refere à renda.
A pesquisa da Fundação de Economia e Estatística também avaliou os Conselhos Regionais de Desenvolvimento (Coredes) e o Corede Serra manteve-se na liderança. Devido a um crescimento de 0,62% em relação à avaliação anterior, o conselho da região passou a ser considerado altamente desenvolvido.
Estado – O Rio Grande do Sul registrou pequeno aumento de desenvolvimento em relação à pesquisa anterior, passando de um índice de 0,752 em 2001 para 0,754 em 2002. A melhora se deve ao crescimento dos indicadores de educação e renda. Já o quesito saúde registrou queda pelo terceiro ano consecutivo. Aumentou o número de crianças nascendo com baixo peso e cresceu a taxa de mortalidade de menores de cinco anos. O saneamento ocupa há três anos a pior posição entre os indicadores que formam o Índice de Desenvolvimento Socioeconômico. Segundo a FEE, o ritmo de crescimento do saneamento é lento devido à necessidade de altos investimentos.
Perfil de sucesso em desenvolvimento
A combinação entre agropecuária e indústria. Este é um dos motivos que explicam a vitória de Caxias do Sul pela terceira vez consecutiva como cidade com melhor qualidade de vida do Rio Grande do Sul, segundo a Fundação de Economia e Estatística (FEE). Por outro lado, municípios dependentes apenas da agropecuária ocupam as piores posições no ranking.
Os municípios mais desenvolvidos do Estado também têm população expressiva entre 20 e 49 anos de idade e com maioria feminina, alta urbanização e concentração de indústrias e prestadores de serviços em vez de agropecuária. De acordo com a FEE, este é o perfil dos municípios mais desenvolvidos do Estado.
Jornada realiza 6,8 mil atendimentos
Quase sete mil atendimentos e a arrecadação de 4.146 quilos de alimentos, mais de quatro mil peças de agasalhos e R$ 2.250 em dinheiro. Esse foi o resultado da 9ª Jornada da Caridade, realizada no sábado 4 no salão dos Capuchinhos através de uma parceria entre a Pastoral do Pão, a Legião Franciscana de Assistência aos Necessitados (Lefan) e Universidade de Caxias do Sul (UCS).
Dirigida a moradores no bairro Rio Branco e outros bairros da Paróquia da Imaculada Conceição, a Jornada envolveu 350 voluntários e prestou 6.800 atendimentos gratuitos, a maioria deles na área de saúde (exames de diabetes, de colesterol, de câncer de mama, de pele, da próstata...), mas também orientações jurídicas, religiosas, mais de 350 cortes de cabelo e outros serviços, conforme contabilizou Nestor Gregol. coordenador da Pastoral do Pão da Paróquia da Imaculada Conceição.
O dinheiro arrecadado será empregado na produção de fraldas que serão destinadas a idosos doentes. Os alimentos e as roupas, recolhidos em vários postos espalhados pela cidade, serão distribuídos entre as 600 famílias atendidas pela Pastoral do Pão.
Descoberta substância inédita no vinho
Brasil avança nos estudos sobre os benefícios de tintos e brancos na saúde
O vinho faz bem à saúde. Pesquisas internacionais certificam os benefícios de tintos e brancos. Agora chegou a vez do Brasil. Uma pesquisa inédita no mundo apontou, nos vinhos brasileiros, uma substância nunca antes identificada no produto. Trata-se da trans-delta-viniferina, até então só constatada em folhas de videira.
O elemento descoberto possui importante ação anticancerígena e antioxidante. "Derivada do conhecido trans-resveratrol, a substância foi encontrada em sete de 12 vinhos tintos da Serra gaúcha analisados, com maior concentração na variedade merlot. Também foi identificada no cabernet sauvignon, mas em dosagens significativamente menores, com índices médios de 11 mg/l, chegando a até 22 mg/l", explica a doutora em enologia Regina Vanderlinde.
A autora da pesquisa e coordenadora do Laboratório de Referência Enológica (Laren), em Caxias do Sul, diz ainda que os estudos demonstram que a atividade anticancerígena da trans-delta-viniferina é até mesmo mais ampla do que a do próprio resveratrol. "Sua ocorrência nos vinhos pode ser devido à oxidação do resveratrol por fungos em uvas infectadas", explica ao CR.
França - A identificação deste composto foi realizada por ressonância magnética nuclear (RMN) após a extração, isolamento e purificação e a quantificação foi efetuada por cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC). O trabalho foi realizado por pesquisadores das universidades de Bordeaux e Montpellier, na França, em colaboração com o Laren, Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e Universidade de Caxias do Sul através do Instituto de Biotecnologia (IB/UCS).
Segue agora com a avaliação de um maior número de amostras e de diferentes regiões. Para setembro, está prevista apresentação do trabalho, em sua íntegra, no Congresso Internacional sobre Vinho e Saúde em Cape Town, na África do Sul.
Resveratrol - Os compostos fenólicos dos vinhos tintos, particularmente o resveratrol, podem ser responsáveis pelos efeitos benéficos do vinho à saúde humana devido, principalmente, às suas propriedades antioxidantes.
Entre os componentes que beneficiam a saúde está o resveratrol, que é uma fitoalexina produzida pelas plantas em resposta a infecções microbianas ou stress, tratamentos químicos e exposição à luz UV.
A concentração de resveratrol, nas uvas e vinhos, pode variar de acordo com a variedade, origem geográfica, ataque de patógenos e o processo de fermentação.
Na pesquisa "Teores de resveratrol em vinhos do Rio Grade do Sul" foram avaliados os teores de trans-resveratrol de 129 vinhos das variedades merlot, cabernet sauvignon, tannat, cabernet franc e ancellota das safras 2000 a 2004. As análises foram realizadas por cromatografia líquida de alta eficiência. "Entre as variedades estudadas a que apresentou maior teor médio de trans-resveratrol foi a merlot (7,89 mg.L-1), seguida pela tannat (5,33 mg.L-1), cabernet franc (5,50 mg.L-1) e cabernet sauvignon (5,08 mg.L-1)", relata Regina.
Segundo ela, os resultados confirmam diversos estudos que apontam uma maior incidência deste composto nas uvas e vinhos da variedade merlot, porém outros fatores como as condições ambientais, técnicas de vinificação e conservação dos vinhos devem ser avaliados. O trabalho foi realizado no Laren, em colaboração com o Ibravin e UCS. É importante ressaltar que o vinho só trará benefícios se for consumido com moderação.
Pesquisadores avaliam potencial de espumantes
O Instituto de Biotecnologia da Universidade de Caxias do Sul realiza pesquisa inédita para avaliar o potencial antioxidante de vinhos espumantes da Serra gaúcha. "É o primeiro estudo do mundo com vinhos espumantes", afirma a coordenadora do projeto Dra. Mirian Salvador. A pesquisa está em andamento, mas acredita-se que a composição de compostos fenólicos (antioxidantes) de vinhos espumantes seja semelhante à dos vinhos brancos.
Ela também coordena um estudo sobre a capacidade antioxidante dos sucos de uva convencionais e orgânicos da Serra gaúcha. "Já posso afirmar que os sucos brancos também são importantes para a saúde humana", garante Mirian. Os antioxidantes agem contra os radicais livres. Em excesso, os radicais livres deixam o organismo vulnerável ao envelhecimento, a doenças degenerativas (câncer, aterosclerose etc) e cardiovasculares.
Tintos e brancos têm ocratoxina-A abaixo do limite
A ocratoxina-A é uma micotoxina com propriedades nefrotóxicas (prejudica os rins), teratogênicas (malformação congênita) e imunossupressoras (compromete a imunidade), e tem recebido um grande interesse da comunidade científica e comitês de alimentos nos últimos anos, tendo sido detectada em diferentes grupos de alimentos e bebidas, incluindo o vinho e os sucos de uva.
O vinho é um produto amplamente consumido e pode representar, depois dos cereais, uma grande fonte de consumo desta toxina. Neste trabalho, informa Regina, foram avaliados os teores de ocratoxina-A em 75 amostras de vinhos brasileiros da safra 2003 e 51 amostras da safra 2004.
As análises foram realizadas por cromatografia líquida, segundo a metodologia descrita pela Organização Internacional da Uva e do Vinho (OIV, 2001).
Os níveis de ocratoxina-A encontrados nos vinhos da safra 2003 foram inferiores a 1mgL-1 (1 miligrama por litro) para 85% das amostras de vinhos brancos e para 89% dos vinhos tintos analisados. As variedades que apresentaram maiores concentrações de ocratoxina-A foram gewurztraminer, nos vinhos brancos, e merlot, nos tintos.
Os teores de ocratoxina-A para os vinhos da safra 2004 foram inferiores a 1 mgL-1 para todas as amostras. "As concentrações inferiores da safra 2004 em comparação com a safra 2003 indicam que a presença desta micotoxina está diretamente relacionada com as condições climáticas", afirma a pesquisadora Regina Vanderlinde.
A OIV estabeleceu a partir de fevereiro de 2005 um limite para ocratoxina dos vinhos de 2mgL-1. "Os vinhos brasileiros analisados apresentaram-se todos abaixo deste limite", conclui Regina. O trabalho foi realizado no Laren, em colaboração com o Ibravin e UCS, Universidade de Caxias do Sul.
Extrato da uva isabel beneficia o coração
Vinho como alimento natural foi o tema do primeiro Simpósio Internacional Vinho e Saúde, realizado de 2 a 4 de junho, em Bento Gonçalves. "O evento recebeu seis das maiores autoridades mundiais sobre o assunto, além de 15 pesquisadores brasileiros", informa o coordenador Jairo Monson de Souza Filho (foto).
Treze trabalhos, desenvolvidos em instituições de ensino e pesquisa do país e exterior, foram apresentados de forma oral; no formato de pôsteres, foram 11 os estudos expostos. Já na mostra de Temas Livres, foram selecionados 24 dos 34 inscritos. Três foram premiados.
O classificado em primeiro lugar é da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Desenvolvido ao longo dos últimos três anos, o estudo demonstra o mecanismo do efeito vasodilatador de um extrato obtido de cascas de uvas do gênero Vitis labrusca (variedade isabel).
Segundo o médico Roberto Soares de Moura, da UERJ, o trabalho mostra que o vinho de mesa tem as mesmas propriedades benéficas à saúde que o fino. "Foi a primeira pesquisa do gênero feita com a variedade isabel, especificamente, no país – e provavelmente no mundo", diz Soares, observando que a propriedade constatada é muito importante para explicar o Paradoxo Francês - forma com que ficou conhecido o estudo pioneiro nas relações entre vinho e saúde, que apontou o consumo de vinho de modo moderado, regular e junto das refeições como causa de os franceses viverem mais, apesar da dieta rica em gorduras saturadas, de fumarem mais e de serem mais sedentários do que a população de outros países.
Enquadramento legal do vinho como alimento
O reconhecimento legal do vinho como alimento, adotado pioneiramente no mundo pela Espanha, é uma das metas perseguidas pelo setor vitivinícola brasileiro. Como conseqüência, a pesada carga tributária sobre o produto nacional, hoje de 35% a 42%, será amenizada.
"Com a alteração, seriam dadas maiores condições de competitividade ao produto nacional, além de promover justiça conceitual ao vinho – reconhecido como alimento pela ciência e pela tradição humana", observa o presidente-executivo do Instituto Brasileiro do Vinho, Carlos Paviani. "A meta, com a reforma tributária, é unificar o ICMS de 8% a 12% sobre o vinho, hoje em 17% no RS", declara ao CR.
78% dos agricultores que usam agrotóxicos apresentam alergias
Pesquisa foi realizada com caxienses que manipulam venenos agrícolas
Setenta e oito por cento dos agricultores caxienses que usam agrotóxicos têm sintomas alérgicos. Esse é o principal resultado da pesquisa "Níveis de colinesterase sérica e presença de alergias em agricultores que manipulam agrotóxicos", realizada pela Universidade de Caxias do Sul (UCS).
O estudo foi desenvolvido a partir da visitação a 50 propriedades rurais do interior do município, onde foram feitos exames clínicos gerais, coletadas amostras de sangue e secreção nasal dos agricultores com mais de 30 anos de idade e que por mais de dez anos tivessem manipulado agroquímicos. "O trabalho contemplou a família, incluindo as mulheres, um público superior a 100 pessoas", explica o professor da UCS Paulo Giron.
Os exames clínicos dos agricultores mostraram o seguinte quadro alérgico: espirros (75%), coriza (60%), prurido nasal (58%), coceira no corpo (51%), obstrução nasal (49%), perda de cabelo (43%), manchas na pele (22%), descamação da pele (18%) e falta de ar (16%). "Apenas 22% da população estudada não apresenta nenhum sintoma de alergia", enfatizam os professores Fernando Drumond e Giron.
Ao longo do levantamento, os estudiosos também confirmaram que os produtores que manipulam venenos agrícolas apresentam outros problemas de saúde, com danos nos aparelhos renal, hepático e cardíaco, além de transtornos cerebrais. "Uma vez instalado, o quadro de intoxicação crônica não tem volta", alerta Giron.
De acordo com os pesquisadores, os compostos dos agrotóxicos são rápida e eficazmente absorvidos por praticamente todas as vias do corpo humano: gastrointestinal, pela pele e mucosas (contato com a forma líquida) e pelos pulmões após a inalação dos vapores, poeiras e aerossóis.
Proteção - Para os autores da pesquisa, o resultado mais inquietante é que muitos agricultores, apesar de conhecerem os perigos a que estão expostos ao manipular agrotóxicos, não utilizam os meios adequados de proteção. "Os agricultores não usam equipamentos de proteção por comodismo, por achá-los desconfortáveis ou por falta de conscientização", declaram. "Se usassem equipamento adequado minimizariam, sensivelmente, os problemas de saúde", emenda Giron ao CR.
O levantamento sobre o uso de equipamentos de proteção individual foi realizado em épocas diferentes do ano. O primeiro foi de junho a agosto; o segundo, de dezembro a fevereiro, e novamente no período do inverno. "Porém, é no verão, devido ao calor e maior desconforto, que o produtor rural menos utiliza proteção", afirma Giron.
Mesmo as mulheres que não lidam diretamente com venenos agrícolas estão intoxicadas. Isso ocorre, segundo a pesquisa, porque as esposas lavam a roupa dos maridos sem nenhum tipo de proteção. "Quem manipula as roupas usadas durante a aplicação, também precisa se proteger", conclui o professor Giron.
Estudo iniciou em 1994 com apoio do STR
A pesquisa "Níveis de colinesterase sérica e presença de alergias em agricultores que manipulam agrotóxicos" começou em 1994. O estudo foi desenvolvido pelos professores da Universidade de Caxias do Sul Ricardo Medina Martins, Paulo Augusto Giron, Fernando José Drumond e a estagiária em medicina Simone Vaccaro.
O estudo, concluído por Ricardo Medina e Paulo Giron, foi realizado a partir da visitação a 50 propriedades rurais (cerca de 1% do universo) de Caxias do Sul. O trabalho foi desenvolvido com a participação do Sindicato de Trabalhadores Rurais (STR).
Coleta de embalagens vazias de agrotóxicos
A Agrimar, loja de máquinas, implementos e produtos agrícolas de Caxias do Sul, é o único estabelecimento da região autorizado a receber embalagens vazias de agrotóxicos. A empresa dispõe de instalações adequadas para recebimento e armazenamento das embalagens devolvidas pelos usuários. As datas de coletas estão definidas (ver tabela acima).
"Com a devolução dos vasilhames vazios, diminuem as chances dos falsificadores se apropriarem de embalagens jogadas em lugares impróprios para cometerem atos ilegais", explica o diretor Nadir Rizzi.
O posto de recolhimento da Agrimar funciona na loja matriz, em Caxias do Sul, na avenida Rubem Bento Alves, 751- telefone (54) 238.8200.
Criado banco de dados de produtos veterinários
Os profissionais da área de saúde animal têm à disposição um banco de dados informatizado, que pode ser acessado pela internet, com informações completas e atualizadas sobre produtos veterinários no Brasil.
A ferramenta elaborada pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal, com o apoio do Departamento de Defesa Animal e da Secretaria de Defesa Agropecuária, está disponível nos sites www.sindan.org.br e www.cpvs.com.br
Brasil aposta na produção orgânica
Numa decisão inédita, pesquisa oficial se volta à agricultura orgânica
Ações do governo federal confirmam que a produção de alimentos orgânicos são prioridade no país. "O Brasil tem condições de se tornar um dos maiores produtores de alimentos orgânicos do mundo", afirmou o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, ao participar do Seminário Nacional sobre Agricultura Orgânica, na Universidade de Brasília, na quinta, 9.
Segundo o ministro, a produção brasileira de alimentos orgânicos ainda é pequena, representando apenas 2% do volume total da agricultura. "Estamos muito longe do que podemos fazer. Temos potencial de área e de mercado que nos dão grande expectativa de crescimento", ressaltou.
O Ministério da Agricultura está formando, até o final do mês, uma rede de instituições parceiras da agricultura orgânica para criar regulamentos referentes à padronização e caracterização dos produtos. Também está sendo concluído um plano voltado à produção limpa. Ainda, segundo o ministro, estão sendo criados núcleos de orgânicos em todas as superintendências federais de agricultura.
Sobre a viabilidade da produção desse tipo de alimento, Roberto Rodrigues destacou o Pró-Orgânico, um programa que prevê a concessão de crédito específico para a adequada conversão do solo para a agricultura orgânica.
Outra novidade vem do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), que está realizando parcerias com o Ministério da Agricultura, na área de certificação de orgânicos, e com o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), no setor de pesquisas voltadas para a agroecologia.
O MDA e o MCT lançaram edital que objetiva apoiar projetos que utilizem tecnologia para o plantio de produtos agroecológicos por agricultores familiares. A intenção é incentivar o consumo, a distribuição e a transformação da agricultura convencional, disponibilizando ao agricultor novos conhecimentos, tecnologias e metodologias que promovam o desenvolvimento rural sustentável com inclusão social.
O edital conta com a aplicação de recursos financeiros não reembolsáveis, no valor total de R$ 4 milhões. O valor máximo estabelecido para cada projeto é de R$ 100 mil. Os contemplados serão conhecidos em agosto. Informações: www.cnpq.br
Faxinal do Soturno debate citricultura
Faxinal do Soturno, na região da Quarta Colônia, será sede, dias 22 e 23 de junho, do 12º Ciclo de Palestras sobre Citricultura do Rio Grande do Sul. O evento é organizado pela Emater, Prefeitura local, Universidade Federal do RS e Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária.
Durante os dois dias do evento, serão debatidos assuntos como a produção de laranjas e bergamotas, o Profruta/RS e a importância do planejamento estratégico para a atividade.
Temas - Entre os temas técnicos, estão a produção de mudas em ambiente protegido, manejo do solo em pomares, adubação, produção orgânica, poda, raleio, variedades de citros de mesa, manejo de insetos, comercialização, armazenagem e mercado.
Compactação do solo em Tangará da Serra
O Encontro de Plantio Direto no Cerrado, que será realizado de 28 de junho a 1º de julho, em Tangará da Serra, Mato Grosso, deve reunir mais de 2.500 produtores rurais, estudantes e pesquisadores de todo o país. Um dos painéis mais esperados é "A compactação do solo em SPD: como evitar e corrigir", tema apresentado pelo Clube Amigos da Terra (CAT) de Parecis.
Segundo Walter Okabe, do CAT, o tema é fundamental, pois o solo do Cerrado é bem argiloso e em decorrência das chuvas, do trânsito das máquinas e dos anos de plantio, ocorre uma maior compactação, que vai de 0 a 20 centímetros.
"Na região ainda não há um sistema de combate à compactação do solo implantado e isso afeta a produtividade dos agricultores", comenta Walter.
Engº. Agrº. José Zugno
O mundo das aranhas (final)
Tenho uma chácara que fica afastada da cidade. Minha mãe tem alergia à picada da aranha. Como é no meio do mato, está sempre cheio de pragas. O que se deve fazer para combater a aranha?
Roberta de Castro
Galópolis - RS
As aranhas do gênero Lycosa são conhecidas como "tarântulas" e as do gênero Ctenus como "armadeiras" pela maneira como armam quando ameaçadas.
Viúva negra - Apesar de minúscula, é considerada a mais venenosa das aranhas, causando acidentes, às vezes, fatais. O corpo não mede muito mais que 1 cm de comprimento. O céfalo-tórax é reduzido, enquanto o abdômen é maior, esférico, de cor negra, com manchas vermelhas no dorso. O macho é ainda menor que a fêmea. É freqüente nos Estados Unidos, México, Peru, Argentina, e noutros países, mas é rara no Brasil, onde é encontrada, predominantemente, no litoral nordestino. Felizmente não foi encontrada na Serra gaúcha. Nome científico: Latrodectus mactans.
Aranha marrom - Ultimamente tem-se noticiado amplamente a ação de uma peçonhenta conhecida como "aranha marrom", sobretudo em Curitiba-PR, onde se registrou verdadeira infestação da aranha, com inúmeras ocorrências. Segundo o Instituto Butantan, de São Paulo, trata-se da espécie Loxosceles gaucho, da família Sicariidae.
Habita a Mata Atlântica e tem hábitos noturnos. Tem corpo pequeno, cerca de 1,5 cm de comprimento e longas pernas com pêlos curtos e escassos. A fêmea é um pouco maior que o macho, mas ambos são peçonhentos.
Não é agressiva, podendo picar quando prensada. Vive, normalmente, no solo, sob pedras, cascas de árvores, pilhas de tijolos, telhas, lenha, e outros entulhos, mas pode, penetrar nas casas, pelas frestas das paredes e se esconder até mesmo em roupas e calçados, o que facilita os acidentes.
A ação do veneno é semelhante ao das Lycosas, de efeito necrosante, local, cutâneo, mas age também sobre o sangue. Segundo o Instituto Butantan: "a picada muitas vezes não é percebida, mas após alguns dias, aparece uma mancha, forma-se uma necrose no local e ocorrem danos aos rins. É necessário o uso do soro anti-veneno específico (anti-loxoscélico)". Este soro é fabricado pelo Butantan e distribuído a todos os centros de saúde dos Estados brasileiros.
Cuidados e precauções - É natural a atitude de qualquer pessoa ao desconfiar de todas as aranhas, pois, dentre elas existem algumas perigosas, mas este fato não deve levar ao pavor. O ser humano não deve se apavorar porque existem aranhas venenosas e outros animais peçonhentos. A atitude deve ser de prudência e cuidados, como convém a um verdadeiro soberano da criação que o Criador lhe concedeu. Como soberano deve ser digno do título, saber entender e preservar a natureza, sem destruí-la.
Com relação às aranhas peçonhentas, algumas medidas se recomendam: manter limpos os arredores das casas, eliminando-se capoeiras, macegas; conservando baixo o gramado, sobretudo a grama que cresce encostada às paredes; eliminar pedras soltas, tocos de madeiras, pilhas de tijolos, telhas, lenhas e qualquer tipo de entulho.
Nas construções pouco habitadas (de fim de semana, de campo, de praia...), galpões, garagens, depósitos, antes de utilizá-las, efetuar rigorosa inspeção e limpeza nas paredes, assoalhos, ralos, quadros, forros etc. Vedar as possíveis entradas de aranhas e pulverizar os recintos com inseticidas atuais, à base de piretróides, de que existem diversas marcas comerciais, disponíveis nas casas de produtos agrícolas.
Sacudir roupas e sapatos antes de usá-los. Preservar, na propriedade, galinhas, sapos, lagartixas e outros inimigos naturais das aranhas, das quais são ávidos devoradores.
Internações aumentam 30% nos meses frios
Tempo seco, poluição e ambientes fechados favorecem proliferação de vírus e bactérias
Nesta época do ano, com a queda da temperatura, é nítido o aumento da incidência de problemas pulmonares e respiratórios. Segundo especialistas, o número de internações hospitalares nos meses que compreendem o outono e o inverno chega a crescer 30%. O tempo seco, o aumento da poluição e a falta de ventilação em ambientes fechados formam um quadro que favorece a proliferação de vírus e bactérias, provocando o surgimento das chamadas doenças de inverno. As mais freqüentes são gripe, pneumonia, bronquite, rinite, sinusite e o aumento da incidência de crises de asma.
As formas mais eficientes de prevenção contra esses males ainda são sair de casa bem agasalhado e evitar mudanças bruscas de temperatura de um ambiente para outro. Essas alterações diminuem os mecanismos de defesa das vias respiratórias e favorecem as infecções. O cuidado deve ser reforçado nas crianças de zero a cinco anos e nos idosos, que têm o sistema imunológico mais frágil. Porém, todos devem estar atentos aos sintomas destas enfermidades que, se não tratadas a tempo e adequadamente, podem levar a problemas mais sérios.
As alergias atingem cerca de 30% da população mundial, segundo a Organização Mundial da Saúde. Cerca de 35% dos brasileiros sofrem com doenças alérgicas, entre elas a asma, que atinge quase 18 milhões de pessoas e é a quinta maior causa de internações no Sistema Único de Saúde (SUS), conforme dados do Ministério da Saúde.
O pior inimigo dos asmáticos é a desinformação. Na realidade, a maioria deles vai ao médico somente nas crises. É uma medida paliativa, alivia a dificuldade de respiração, mas não trata a inflamação.
Há desinformação também quanto à medicação. Muitos temem que o spray broncodilatador, a bombinha, traga mais malefícios do que benefícios. Os especialistas afirmam que o remédio é de grande importância nas crises, pois promove o relaxamento da musculatura, aliviando os sintomas. Há também muitos pacientes que interrompem o uso dos medicamentos contra a inflamação assim que passa a crise - dependendo do caso, o processo inflamatório pode continuar existindo.
Mal controlada, a asma pode matar. No Brasil, são cerca de 2,5 mil mortes anualmente. Conforme o Ministério da Saúde, no ano passado ocorreram mais de 330 mil internações decorrentes da enfermidade.
Respiração melhora com exercício físico
É um engano pensar que o asmático não pode praticar esportes. Pelo contrário, os especialistas afirmam que eles devem realizar atividades aeróbicas, sempre sob orientação médica. O tratamento pode ter o efeito beneficiado se for acompanhado de exercícios físicos. Exercícios melhoram a capacidade respiratória, aumentam a resistência e trabalham diafragma e pulmões.
Alguns pacientes têm chiado no peito durante as atividades, mas é possível administrar broncodilatadores para aliviar os sintomas, por exemplo. Até 80% dos pacientes obtêm sucesso com tratamento contínuo.
A natação é boa alternativa, exige esforço e controle sobre a respiração e aumenta a força muscular do abdômen e do aparelho respiratório. Além disso, o vapor d’água (em piscinas térmicas) ajuda a desobstruir as vias respiratórias.
Pais não sabem como tratar a asma
Asmáticos e seus familiares, principalmente os pais, desconhecem como tratar corretamente a doença. A falta de informação foi constatada pelo Comitê Científico de Iniciativa contra a Asma, que reúne entidades médicas de vários países com o objetivo de criar diretrizes contra o mal.
O trabalho, feito em 11 países latinos, concluiu que dos 46 mil pais de asmáticos entrevistados, 45% afirmavam que a doença dos filhos estava controlada. No Brasil, onde existem sete milhões de crianças vítimas da enfermidade, esse índice chegou a 60%. Porém, a pesquisa revelou que 53% desses pais contaram que os filhos haviam sido hospitalizados semanas antes por causa da doença. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, duas ou mais internações no ano podem significar um caso persistente grave da doença.
A asma não tem cura, mas o controle pode fazer com que os sintomas desapareçam. Para atingir essa melhora na qualidade de vida, uma das condições é visitar um especialista com regularidade, afastar-se dos deflagradores das crises e praticar exercícios físicos.
A gripe ataca só uma vez por ano
A gripe é um problema muito freqüente, porém, os especialistas afirmam que ainda falta informação para lidar com ela. Segundo Elie Fiss, pneumologista do Hospital Oswaldo Cruz, de São Paulo, é um erro acreditar que uma pessoa pode pegar mais de uma gripe por ano. Uma vez contaminado pelo vírus influenza, o responsável pela gripe, o indivíduo adquire anticorpos e fica imune ao vírus predominante no período. A confusão ocorre porque há sete vírus e inúmeras bactérias que provocam sintomas semelhantes aos da gripe.
O resfriado, que pode ser causado pelo rinovírus ou adenovírus, ataca principalmente o nariz e a garganta. O influenza atinge mais o pulmão, pode causar febre alta, grande mal-estar, dor muscular e ainda abrir espaço para doenças mais graves, como a pneumonia. Tabagismo e doenças respiratórias deixam as pessoas ainda mais vulneráveis à gripe.
Risco de um surto de influenza é real
A ameaça de um surto mundial de gripe é real. O virologista Celso Granatto, da Universidade de São Paulo, explica que dos 16 tipos de influenza apenas três atingiam humanos. Porém, nos últimos cinco anos, três tipos vistos antes apenas em animais infectaram pessoas e pelo menos um deles tem se mostrado transmissível entre os indivíduos.
O assunto já chamou a atenção da Organização Mundial da Saúde e do Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, que lançaram alerta sobre o risco de uma pandemia. Vários países já traçaram estratégias de defesa.
O Brasil faz planos para melhorar as condições de biossegurança nos hospitais, estuda a compra de medicamentos e pretende inaugurar no próximo ano uma fábrica de vacinas antigripais. Essa fábrica terá capacidade de produzir 20 milhões de doses anuais, com três vírus, ou 60 milhões de vacinas com um único vírus, de acordo com o Ministério da Saúde.
Frutas cítricas para fortalecer
Laranja, bergamota e quivi, abundantes nessa estação devem ser incluídas no cardápio. Fontes de vitamina C, ajudam a fortalecer o sistema de defesa do organismo.
A tendência é de que com o frio saladas e água sejam excluídas do cardápio, já que alimentos mais calóricos são os preferidos nessa época do ano. Porém, a necessidade que organismo tem de receber água e os nutrientes presentes nas saladas é a mesma em relação ao período de temperaturas altas, por isso recomenda-se manter a dieta.
Segundo os nutricionistas, a crença de que no inverno o corpo precisa de mais calorias, deve ser esclarecida. Isso não deve servir de desculpa para exageros. Especialistas afirmam que, no frio, o organismo precisa de apenas cerca de 100 calorias a mais, o equivalente a um pãozinho francês de 100 gramas.
O que Deus vomita de sua boca
Maria Clara Lucchetti Bingemer
Teóloga, professora e decana do Centro de Teologia e Ciências Humanas da PUC-Rio.
A corrupção nos reveste com o morno líquido do engano e da podridão. E aos mornos, Deus vomita de sua boca. Que não construamos uma nação que mereça ser expelida da boca do Criador
Nos últimos dias, talvez poucas palavras tenham ocupado tanto o noticiário dos jornais e a mídia em geral, em nosso país, quanto "corrupção". Postos a nu e denunciados por diferentes instâncias, multiplicam-se os casos em que se reconhecem a corrupção e os corruptos, destruindo com sua perversa ação o Brasil que sonhamos e que esperamos.
O dicionário Aurélio define corrupção como ato ou efeito de corromper; decomposição, putrefação. Por sua vez, o verbo corromper tem o sentido de tornar podre; estragar, decompor. O adjetivo corruptor significa aquele que corrompe, e também que altera textos, falsifica, suborna.
Coerentemente com essas definições, diríamos que a corrupção denota decadência ou perversão; golpeia na raiz de uma coisa, tirando-lhe o estatuto de viva. Aquela pessoa ou coisa apodrece, ou se deteriora na sua raiz mais profunda. Não tem mais as reações ou o comportamento que dela se esperava, segundo o seu estatuto de pessoa ou coisa. Passa a não ser quando, na verdade, já tinha passado pelo ser.
Nas Escrituras judaico-cristãs, este fenômeno aparece desde o livro do Gênesis que, no capítulo 6, narra o desgosto de Deus com sua criação e com a terra por ele instaurada como morada do ser humano justamente por causa da corrupção em que esta caiu. E os textos vão suceder-se, tratando do tema em relação a Deus e ao outro.
A corrupção primeira é afastar-se do verdadeiro Deus e adorar um ídolo fabricado por mãos humanas, que corrompe o desejo e a vocação do ser humano, distanciando-o daquilo para o que foi feito: o culto ao verdadeiro Deus e a prática de sua aliança de justiça e amor, para corromper-se, cultuando o que é oco, vazio, podre, fonte de deterioração e morte, e não de vida.
A essa corrupção segue-se outra, que vai de par com a primeira: a da relação com o outro, com o próximo. A injustiça, que faz com a idolatria perverso binômio, será implacavelmente denunciada pelos profetas que deixarão claro diante do povo para onde estão deixando conduzir suas vidas: para longe da verdade, da luz, da transparência e do amor.
Aparece claro, portanto, na fala dos profetas e dos homens de Deus que, apesar da corrupção do povo, Deus não se corrompe nem castiga o povo na medida de suas faltas e na proporção da destruição que seus atos engendram. E mesmo que o povo se afaste pela idolatria e pela injustiça, ainda que o coração do Senhor se encolerize, o amor acaba prevalecendo e o desejo de vida também. A corrupção, portanto, corrompe tudo e todos, menos a Deus. Jamais tem poder sobre Ele.
O homem bíblico do Primeiro Testamento compreenderá, portanto, que só em Deus, o único incorruptível, pode depositar sua esperança de que a corrupção não destruirá sua vida, sua carne não apodrecerá entregue à decomposição e aos vermes, mas que está destinado a uma vida que não termina.
No Novo Testamento, a corrupção aparece quase sempre relativa à morte e ao processo de decomposição do cadáver. Ressalta, assim, a grande boa nova trazida por Deus que, através da ressurreição de Seu Filho Jesus, resgata-o do poder da morte e da corrupção. A fé cristã, desde o início afirmou que a morte não foi o fim de tudo para Jesus, pois Deus Pai não permitiu que ela o retivesse em seu poder. O poder de Deus foi mais forte que a corrupção humana, que matou Jesus, e do que o lento e devorador trabalho da corrupção cadavérica sobre seu corpo. Aquele corpo e aquela vida não se destinaram aos vermes e à decomposição. Foram ressuscitados, gloriosos, e agora estão sentados à direita de Deus, a tudo julgando e sendo o único e fundamental paradigma de uma vida humana incorrupta e verdadeira.
A corrupção e o pecado, que tristemente presenciamos em nosso cotidiano de cidadãos, está presente desde que o mundo é mundo. Deus criou-nos em liberdade, deixando-nos escolher nosso caminho e traçar nosso destino. Como seres livres que somos, nem sempre conseguimos fazer o bem que queremos, mas muitas, inumeráveis vezes, praticamos o mal que não queremos. Corrompemo-nos e caímos na podridão e na destruição do não-ser em oposição ao ser que Deus deseja que sejamos e para o qual nos criou com todo o amor de seu coração de Pai.
A corrupção nos reveste com o morno líquido do engano e da podridão. E aos mornos, dirá o Apocalipse, Deus vomita de sua boca. Que não construamos uma nação que mereça ser expelida da boca do Criador, fonte de toda vida. Este deve ser nosso constante alerta hoje, aqui e agora.
Entre a razão e a perplexidade
Frei Betto
Escritor, autor do romance "Hotel Brasil" (Ática), entre outros livros.
A ética deve reger a política e esta direcionar a economia. Quando se inverte a ordem desses princípios, entra-se num atoleiro
Posso entender a reação de leitores insurgindo contra aqueles que demonstraram indignação ao ver, num jornal carioca, a foto de PMs chutando o rosto de bandidos deitados e algemados. Posso entender, sim, quem acha que bandido bom é bandido morto, pois faz parte dessa parcela da sociedade que prefere a empregada doméstica fora do elevador social; negro pela porta dos fundos; e desconfia que todo judeu é falso e todo muçulmano um terrorista em potencial.
Minha perplexidade é quando vejo essas mesmas pessoas - que, com certeza, nem são negras nem pobres - irem ao culto no fim de semana, comungar na missa, acender vela ao santo e professar o nome de Deus.
Posso entender que o governo Bush julgue os 34 países representados na OEA encabeçados por um bando de ignorantes e incapazes, e se proponha a policiar a vigência da democracia em cada uma das nações da América Latina. Afinal, a arrogância da Casa Branca a impede de se reconhecer como a raposa disposta a tomar conta do galinheiro.
Minha perplexidade é constatar que da Casa Branca partiu a iniciativa de subverter os regimes democráticos do Continente e, nas décadas de 1960 e 1970, implantar ditaduras militares no Brasil, na Argentina, no Chile, no Uruguai, na Bolívia e no Peru. Milhares de jovens foram exilados, presos, torturados, mortos, suicidados e desaparecidos. Qualquer manifestação de resgate da democracia era severamente reprimida como subversão e terrorismo.
Posso entender que haja na política brasileira tantos corruptos; maracutaias em licitações e contratos; nepotismo; desvio de verbas; caixa dois; superfaturamentos; propinas e mensalões. Afinal, até agora não houve reforma política e é inútil esperar que Ali Babá faça uma faxina completa na cova dos quarenta ladrões ou que "300 picaretas" deixem de perfurar o poço do dinheiro fácil.
Minha perplexidade é ver políticos do PT - o único partido a desfilar em nosso cenário político erguendo a bandeira da ética - temerem CPIs, investigações, transparências. A emenda fica pior do que o soneto quando se atribui a apuração de suspeitas ao esforço de a oposição desestabilizar o governo. Ao resistir no deserto às propostas do Diabo, Jesus demonstrou que todo o poder do mundo não vale um dedal de prevaricação.
Assim como o desenvolvimento social deve, em princípio, preceder o crescimento dos índices econômicos, também a ética deve reger a política e esta direcionar a economia. Quando se inverte a ordem desses princípios entra-se num atoleiro. Sobretudo ao submeter o jogo político aos interesses econômicos e, em nome da robustez dos cofres públicos e privados, pôr a ética de escanteio.
Posso entender que haja bandidos em todas as camadas sociais: empresários que sonegam o fisco e subornam fiscais; padres pedófilos; dependentes de drogas que sustentam o narcotráfico; donas de casa que gastam em uma hora no salão de beleza o que não pagam por um mês de trabalho da cozinheira.
Minha perplexidade é ouvir pessoas com alto grau de instrução, aparentemente cultas e inteligentes, justificarem que o mundo é assim mesmo, nunca vai mudar, a desigualdade social é "imexível", o capitalismo é definitivo, a soberania do mercado, absoluta. Como se duzentos anos de história humana anulassem todas as mudanças ocorridas no passado e paralisassem o movimento rumo a um futuro melhor. Até porque a economia de livre mercado fracassou para 2/3 da população mundial que, segundo a ONU, vivem abaixo da linha da pobreza. Ou seja, cerca de 4 bilhões de pessoas.
Cabe no meu entendimento ver o sistema produzir mais e mais, e como o poder de adquirir produtos supérfluos é restrito a uma pequena parcela da população, a poderosa máquina publicitária procura impor-nos modismos, grifes, simulacros de felicidade perpétua e elixires de eterna juventude.
Minha perplexidade é ver pessoas que atiram pela janela do tempo os 2/3 de vida que lhes restam (pois 1/3 passamos dormindo), hipnotizadas longas horas diante da TV, atiçando a inveja que as consome, devorando revistas que revelam supostas intimidades de ricos e famosos, nutrindo o coração e a língua de mágoas e futricas. Melhor proveito tirariam da leitura dos clássicos, de filmes históricos, de pesquisas na Internet, da alegria do encontro com amigos, do perene aprendizado do silêncio interior, da prece sem palavras e imagens, da solidão prenhe de plenitude.
Posso entender quem não me entende e me julga obtuso e equivocado, e sem nenhuma perplexidade, pois desde que ruiu a torre de Babel aceito como fato incontestável que todo ponto de vista é apenas a vista a partir de um ponto.
Curso de Teologia a Distância atrai 2.454 alunos
Promoção do Correio Riograndense e da Estef desperta interesse de leitores de 12 Estados
O Curso de Teologia a Distância, promovido pelo Correio Riograndense em parceria com a Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana (Estef), que tem sua quinta lição publicada nesta edição (contracapa), conta com 2.454 inscritos. Esse número, final na medida em que o prazo para inscrições encerrou dia 3 de junho, surpreendeu positivamente tanto a direção do jornal quanto coordenadores da Estef. Em primeiro lugar porque se trata de uma iniciativa com características inéditas no país - e é difícil projetar a intensidade das reações a uma novidade; em segundo, porque dois dias antes de ser publicada a primeira lição, em 18 de maio, havia 1.338 alunos. Isso significa que o conteúdo das lições iniciais deve ter influenciado leitores que até então estavam indecisos. Nos dois casos, portanto, o Curso provoca surpresas altamente positivas. Existe ainda um terceiro motivo: o interesse demonstrado por leitores do CR de vários Estados.
Vai demorar ainda alguns dias para que seja elaborado o perfil do aluno do Curso de Teologia a Distância. Mas a Estef, que centralizou as inscrições, já dispõe de informações parciais. A maioria dos inscritos é formada por gaúchos. Mas logo a seguir vem os catarinenses, seguidos dos paranaenses - os três Estados em que o Correio Riograndense mais circula. Mas estão inscritos ainda leitores de São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Goiás e Distrito Federal.
"O número de inscritos demonstra o grande interesse em formação teológica. O povo busca uma chance que, normalmente não tem, e que o jornal está oferecendo. Isso é bonito, é animador". A avaliação é do coordenador de Extensão da Estef, frei Bruno Glaab, responsável pelo primeiro dos três módulos (Bíblia) em que o curso está dividido. Atuando como professor e assessor de cursos populares de teologia desde 1990, frei Bruno diz que o total de inscritos ultrapassou todas as expectativas. Atualmente, a Estef promove cursos de teologia em sete cidades gaúchas (Porto Alegre, Canoas, Santa Maria, Bagé, Soledade, Horizontina e Rio Grande - nesta, oferece dois). Em todo Estado, possui pouco mais de 1.000 alunos.
"Essa grande repercussão mostra o interesse das pessoas em buscar aprofundamento, reflexão", analisa frei Vanildo Zugno, coordenador do Curso de Teologia da Estef. "Revela ainda que o leitor do Correio Riorgandense tem um perfil diferente daquele de outros jornais, ou seja, que quer informação e também formação", acrescenta. "Essa resposta abre caminho para que se continue esse diálogo e formação. Há público que exige trabalho nessa área. Nosso grande desafio agora é responder a essa demanda", conclui frei Vanildo.
Perfil - Para o diretor de redação do Correio Riograndense, frei Aldo Colombo, o fato confirma o perfil do jornal, quase centenário. Ele recorda de frei Bruno Gillonnay, fundador da Província dos Capuchinhos no RS, para quem o jornal seria uma visita semanal às famílias cristãs. "Desde aquele distante 1909 muita coisa mudou na Igreja e no mundo. O novo perfil da Igreja após o Vaticano II mostra a ascensão do leigo na vida eclesial, recuperando a prática das primeiras comunidades cristãs. E para isso o leigo - batizado - precisa da teologia para se situar diante da Igreja e do mundo", afirma frei Aldo. "O Correio Riograndense entendeu este momento e, com a Estef, se propõe a fornecer subsídios para isto", prossegue. "O leigo não tem apenas a missão de responder amém à hierarquia, mas tem o direito de participar das instâncias de decisão, tem o direito de ajudar a formar a opinião pública na Igreja. É um dos sinais dos tempos", conclui o diretor de redação do CR.
VÍTIMAS DA EXPLORAÇÃO
Mas podem ser também vítimas da desatenção da sociedade, da miséria e da conivência de governantes. O número de crianças e adolescentes que trabalham no Brasil diminuiu nos últimos anos, mas ainda são milhões com o futuro comprometido. No mundo, 250 milhões de crianças são exploradas
O número de crianças e adolescentes com idade de 5 a 15 anos que trabalhavam reduziu 47,5% no Brasil. A constatação é da Pesquisa de Amostra por Domicílios (Pnad 2003/IBGE) e o percentual resulta da comparação entre 1995 a 2003. A mão-de-obra infantil nessa faixa etária diminuiu de 5,1 milhões para 2,7 milhões. O dado é importante, serviu de estímulo para o Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil, no domingo 12, mas revela que a erradicação desse problema ainda está muito distante.
É quase impossível eliminar totalmente o trabalho infantil num país com as dimensões geográficas e dificuldades sociais como o Brasil. Como, por exemplo, impedir um filho de agricultores de ter contato cedo com as atividades do meio rural? Ou uma filha de ajudar sua mãe, sobrecarregada, nas lidas domésticas? A questão mais preocupante não é a relação de trabalho estabelecida dentro da família, principalmente se às crianças envolvidas é dada condição de estudar e um tempo para brincar. Ela surge quando o garoto ou a garota se obriga a buscar fora de casa uma forma de auxiliar o sustento da família. Em geral, cai na exploração, no abuso e, não raras vezes, no escravagismo.
Causas - O próprio IBGE oferece outra leitura estatística: 12,7% da população economicamente ativa do país têm de 7 a 17 anos. Ampliando essa faixa etária, dos 5 aos 17, o número chega a oito milhões de crianças e adolescentes. Já o Ministério do Trabalho indica que, em 2002, 11,26% dos brasileiros com idades entre 5 e 15 anos exerciam algum tipo de atividade laboral. Desses, 56% não eram remunerados e 62% trabalhavam na zona rural. Em 1995, o percentual de trabalhadores nessa faixa etária era de 16%.
As causas do problema são velhas conhecidas: pobreza, má distribuição de renda e falta de um sistema de educação mais abrangente e que inclua as crianças de famílias mais pobres - 25% das crianças que trabalham não estudam e entre as que vão à escola só um terço chega ao segundo grau. Nunca é demais lembrar: 39% da população brasileira vivem abaixo da linha da pobreza (IBGE/2001). Além disso, a demanda do mercado por mão-de-obra barata contribui para atrair essas crianças que, na maioria das vezes, estão complementando a renda familiar.
Nos canaviais, nas carvoarias, na cultura do sisal ou nas plantações de fumo, essas crianças e adolescentes são expostos ao manejo de ferramentas cortantes e produtos tóxicos, carregamento de fardos pesados, uso contínuo de agrotóxicos, uso de equipamento inadequado, além de longas jornadas de trabalho. Nos centros urbanos, a maioria dessas crianças está empregada no setor informal, vendendo frutas e flores nos sinais, guardando carros, atuando como engraxates - muitas vezes em locais considerados impróprios, como boates - ou no setor doméstico. O último levantamento mostra que cerca de 500 mil crianças trabalham como domésticos no Brasil. Nas grandes cidades há um agravante: muitas crianças são exploradas sexualmente e aliciadas pelo tráfico de drogas.
Os tipos de trabalho variam de acordo com a região. No Sul (Pnad 2001, que encontrou 921.264 crianças de 5 a 17 anos empregadas), as principais atividades que empregam mão-de-obra infantil são agropecuária, extração e beneficiamento de calcário, fumicultura, carvão, cerâmicas e olarias, serviços em madeireiras, pedreiras, extração e beneficiamento de pedras preciosas e semi-preciosas, indústria calçadista, indústria moveleira, serviços, comércio ambulante, catadores de papel.
Legislação garante direitos básicos
A exploração de um menor de idade fere alguns dos direitos básicos assegurados na Constituição e na Declaração Universal dos Direitos das Crianças, de proteção especial para o seu desenvolvimento físico, mental e social: o direito à educação gratuita e ao lazer infantil e o direito de ser protegido contra o abandono e a exploração no trabalho.
Desde 1998, a lei brasileira permite que crianças a partir de 14 anos trabalhem apenas como aprendizes. Com vínculos formais, somente a partir dos 16 anos. Mas a legislação não permite trabalhos considerados insalubres, perigosos ou em horário noturno - para esses casos, só com mais de 18 anos.
Até 98, a idade mínima para o ingresso no mercado de trabalho era 14 anos e para aprendiz, 12. As leis brasileiras, no entanto, não consideram trabalho infantil as atividades em regime familiar, desde que elas sejam tarefas de natureza leve, compatíveis com o estágio de desenvolvimento físico e intelectual da criança e do adolescente e realizadas por um período breve, que não comprometa a freqüência ou o aprimoramento escolar - as leis prevêem que criança deve ter tempo extra em casa para realizar as tarefas escolares e para o lazer.
Tema exige cuidados no tratamento
Em várias pesquisas, um grande número de crianças e adolescentes afirmaram que gostam do trabalho e que querem trabalhar para ter uma pequena renda própria, sem depender dos pais. O problema do trabalho infantil deve ser tratado, portanto, com muita cautela, sem generalizações e posições definitivas. Em Bangladesh e no Nepal, por exemplo, a proibição, de maneira drástica e improvisada, do trabalho de menores, em fábricas de bolas e tapetes, agravou a miséria de muitas famílias e levou muitas crianças de ambos os sexos à prostituição.
É dever de todo país proibir e coibir o trabalho infantil, em particular os trabalhos perigosos, mal remunerados, escravizantes, que estão acima da capacidade física da criança e que a impeçam de estudar. Todavia, proibir todo e qualquer trabalho infantil sem apresentar outra opção pode piorar e não resolver o problema. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Unicef diferenciaram o trabalho explorador proibitivo daquele que pode socializar o jovem, respeitando sua educação escolar e seu descanso.
Ingresso no tráfico é cada vez mais precoce
Pesquisa da OIT revela que o ingresso de adolescentes no tráfico de drogas é cada vez mais precoce: a partir dos 13 anos. Indica, também, que esses adolescentes, em sua maioria, são oriundos das famílias mais pobres da favela, têm escolaridade abaixo da média brasileira, casam-se bem mais cedo, moram com cônjuge ou amigos e acreditam em Deus.
Eles ingressam no tráfico por dinheiro, prestígio, poder e adrenalina. E permanecem pelas amizades dentro do tráfico e por estarem visados por grupos rivais e pela polícia. A maioria fuma maconha, mas não usa outras drogas. O salário chama atenção: o olheiro, por exemplo, que cuida da movimentação no morro, trabalha entre 40 e 72 horas semanais e recebe entre 600 e 1.000 reais.
Maioria sai do comércio ambulante e agricultura
Mais de 50% das crianças e adolescentes que ingressaram no Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), implantado pelo governo federal em 1996, deixaram atividades ligadas à agricultura e ao comércio ambulante. De 568.608 atendidos, 43,59% saíram da lavoura e 12,06% do comércio de rua. Os dados foram divulgados na semana passada pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. De acordo com a pesquisa, 247.871 crianças trabalhavam na agricultura e 68.558 como vendedores ambulantes. A terceira atividade de onde saíram mais crianças foram os serviços domésticos, com 38.972 (6,85%).
Trabalho doméstico deixa seqüelas nas adolescentes
Outra pesquisa da OIT, sobre trabalho doméstico, revelou que a decisão de trabalhar é, em primeiro lugar, da criança e, depois, da mãe. As 1.085 crianças brasileiras ouvidas trabalham para ter dinheiro e comprar gênero de subsistência para casa.
Entre os sintomas físicos e psicológicos ocasionados pelo trabalho estão dores na coluna, principalmente nas adolescentes que trabalham como babás, e depressão, porque o tempo livre é vivido no mesmo ambiente em que se trabalha. A maioria das que exercem atividades domésticas é formada por meninas, negras ou pardas, começa a trabalhar entre 10 e 12 anos, trabalha mais de 8 horas/dia em troca de casa e comida ou de salários em torno de R$ 40,00. Das entrevistadas, 4% revelaram-se vítimas de maus tratos e abusos.
Abuso atinge uma em cada seis crianças do mundo
Segundo dados de 2002 da OIT e do Programa Internacional de Eliminação do Trabalho Infantil (PIEC), existem no mundo cerca de 350 milhões de crianças entre 5 e 17 anos envolvidas em alguma atividade econômica. Entre elas, 250 milhões - uma a cada seis crianças do mundo - são submetidas a condições consideradas de exploração. Destas, 180 milhões trabalham em condições perigosas e 76 milhões têm idade inferior a 10 anos. A maior parte deste exército de mini-trabalhadores (entre 5 e 14 anos) vive na Ásia (observe tabela). Uma parte desse contingente de trabalhadores é vítima de escravidão e destinada, por exemplo, à atividade de prostituição - número estimado em 8,4 milhões de crianças.
A agricultura concentra em torno de 70% do trabalho infantil no mundo. Segundo o Unicef, cerca de 100 milhões de crianças vivem nas ruas, das quais 40 milhões são da América Latina. Em países como Índia, Paquistão, Indonésia, Quênia e Nepal, milhões de crianças trabalham meses sem parar, afastadas dos pais e da escola, por pouco dinheiro ou nada. Na Índia, as crianças que trabalham em teares correm o risco de inalar lã e pó e de terem a visão prejudicada, pois estes negócios funcionam em porões escuros e com pouca ventilação.
Economia - OIT e IPEC investigaram os custos que a exploração infantil traz para a economia dos países. Se as 250 milhões de crianças não fossem exploradas e tivessem acesso à educação, até considerando o trabalho e a produção perdida, a vantagem econômica global seria fantástica. Em 20 anos, um dólar gasto em educação das crianças exploradas renderia 9,9 dólares em média no mundo e 15,6 dólares nos países emergentes. A eliminação do trabalho infantil causaria, em 20 anos, um incremento médio de 9,3% do PIB da América Latina e de 5,1% nos países emergentes.
A fé continua sob controle na China
Liberdade religiosa existe apenas como uma concessão do regime
A libertação, no dia 1º de junho, do padre Tommasso Zhao KeXun, de 75 anos, sacerdote da Igreja católica "clandestina" - que reconhece a autoridade do Papa, mas não é aprovada pelo regime chinês -, revela a fragilidade da "liberdade religiosa" existente hoje na China. Zhao KeXun, administrador da diocese de Xuanhua, na província de Hebei, tinha sido detido no dia 30 de março passado. O governo não deu as razões da sua detenção.
A prisão do sacerdote tinha sido denunciada pela Santa Sé no dia 2 de abril, durante a agonia de João Paulo II. Além de padre Zhao, dois bispos e um leigo tinham sido detidos naqueles dias. E durante os funerais de João Paulo II e da eleição de Bento XVI, quando a Igreja e a mídia acreditavam que haveria alguma mudança nas ações do regime chinês, outros sete padres foram detidos na China.
"Esperamos que a libertação do padre Zhao KeXun não seja um caso isolado, mas o início da libertação de muitas dezenas de bispos, sacerdotes e fiéis católicos atualmente encarcerados pelas autoridades chinesas. Isto mostraria a sinceridade da China em melhorar as relações com o Vaticano", disse Joseph Kung, presidente da "The Cardinal Kung Foundation", entidade radicada nos Estados Unidos que se dedica à promoção da liberdade religiosa da Igreja Católica na China.
Para o diretor da agência AsiaNews, padre Bernardo Cervellera, que durante muitos anos foi missionário na China, não há muitas esperanças. Ele salienta que o governo chinês permite a liberdade religiosa só em caso de pessoas e lugares registrados e constantemente sob controle da Associação Patriótica, a Igreja oficial chinesa. Esse controle visa manter uma Igreja nacional, sem relações com o Vaticano, considerado pelo regime uma "potência estrangeira".
No dia 1º de março de 2005, a agência AsiaNews publicou uma lista que revelava estarem na prisão naquele momento seis bispos chineses, outros 13 mantidos sob regime domiciliar, além de 19 padres presos ou mantidos em regime domiciliar e três condenados aos campos de trabalhos forçados.
Desde meados dos anos 90, Pequim lançou uma campanha para suprimir as comunidades clandestinas de todas as religiões, em particular as católicas. E no dia 1º de março deste ano foram aprovadas novas leis sobre liberdade religiosa, segundo as quais sacerdotes e fiéis que se reúnem em casas privadas ou lugares fora do controle do Estado são considerados proscritos e perseguidos como delinqüentes ou conspiradores contra a ordem pública. Para padre Cervellera, na China a liberdade religiosa, longe de ser um direito inalienável, é uma concessão estatal.
Sentimento religioso preocupa governantes
Segundo a agência AsiaNews, há na China pelo menos oito milhões de católicos da Igreja "clandestina" (fiel ao Papa e ao Vaticano) e, pelas estatísticas do governo, há quatro milhões de católicos da Igreja "oficial" - ou Associação Patriótica - instituição que se atribui o direito de nomear bispos e controlar outros aspectos da vida da Igreja. A AsiaNews afirma que o regime está preocupado com a enorme onda de sentimento religioso. A cada ano, convertem-se à Igreja clandestina e oficial ao menos 150 mil adultos.
Pequim rompeu relações com a Santa Sé em 1951, expulsando o núncio apostólico, dom Antonio Riberi. Para retomar relações, a China impõe duas condições: que o Papa não interfira na situação religiosa do país (inclusive que não nomeie bispos) e que corte suas relações com Taiwan.
Padre Zezinho
Furar a fila é empurrar os outros para trás. É injusto e desonesto
Eles se acham mais espertos e mais importantes do que os bobos que obedecem a lei e respeitam o direito de quem chegou primeiro. Falo dos que furam fila nas estradas ou nos guichês de atendimento. Impacientes, dão um jeito de chegar lá antes dos outros para conseguir aquele papel. Não importa se há oitenta na frente. Eles são brasileiros especiais. Não podem esperar como os outros! Também não podem ficar naquele sol quente com os outros 3.000 carros, alguns com velhinhos e crianças. Que se danem! Passam pelo acostamento e vão embicando até ultrapassar uns trezentos que chegaram antes. E daí? Eles que se danem! Mas se algum deles os ultrapassar fazem sinal obsceno ou gritam. Pra cima deles não! Eles podem, mas os outros não. É a lei do brasileiro mais esperto!
Acontece todos os dias. Foi o caso daquela senhora que puxou conversa e pediu informação à gerente do banco, interrompendo sem nenhuma cerimônia a conversa com outra cliente. Não quis fazer uma pergunta. Quis o mesmo que a outra estava fazendo, com a diferença que a outra, bem educada, esperou a vez e ela não. A gerente pediu que ela esperasse que a atenderia depois da quarta pessoa da fila e ela então se ofendeu, maldizendo o banco que não atendia direito. Gritou para que todos ouvissem, quando a mal educada era ela. Bem feito, arranjou briga porque duas outras senhoras deixaram claro que ela tinha sido prepotente e mal educada. "Seu dinheiro não vale mais do que o nosso", disseram.
São esses brasileiros que se acham mais do que os outros que dificultam a vida do país. Pioram o trânsito, pioram o atendimento e pioram a vida de todos. Faltou escola e colo, ou tiveram colo demais, e agora acham que todo mundo tem que se adaptar a eles.
No próximo congestionamento, observe o tipo de pessoa que faz isso. Não tem cara de ladrão, mas age como se fosse. Rouba o direito e a vez de quem chegou antes. Pensa apenas em si: exatamente como fazem todos os bandidos. A ética e a moral tratam desse assunto. Furar a fila é empurrar os outros para trás. É injusto e é desonesto. O outro é o "eu" do lado de lá. Que seja respeitado!
Cardeal teme caos social no Brasil
Presidente da CNBB critica má distribuição da riqueza no país
Os desmandos, a corrupção, a desigualdade social e a pobreza preocupam profundamente a Igreja Católica no Brasil. O presidente da CNBB, dom Geraldo Majella Agnelo, em manifestação no dia 2 de junho, previu a possibilidade de "caos social" ao comentar a situação do país, principalmente a partir dos resultados de um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. O levantamento do Ipea coloca o Brasil como vice-campeão mundial em má distribuição de renda, atrás apenas de Serra Leoa, um dos países mais pobres do mundo.
Para o cardeal, as pessoas que passam fome podem reagir. Ele acrescentou que essa é "uma constatação que a gente faz há tanto tempo. O aumento da riqueza no Brasil não tem sido acompanhado pela distribuição justa de renda. Os nossos pobres estão cada vez mais pobres". De acordo com dom Geraldo, há o perigo de o Brasil ir para o caos. "A fome e a pobreza devem ser para todos um alerta muito grande. Pouco a pouco, o povo vai reagir e exigir mais (dos governantes). Ninguém vai aceitar pacificamente a miséria".
Dom Geraldo também criticou duramente o governo que fez muitas manobras para impedir a instalação da CPI dos Correios (oficializada na quinta-feira 9), como medida para esconder a corrupção. "Se o governo não tem responsabilidade, não tenha medo da verdade", salientou o presidente da CNBB. Para dom Geraldo, o governo não pode pensar que vai conseguir as coisas somente com propaganda. "Nós temos pressa. Não adianta o governo falar que as boas notícias vão chegar. O povo não pode espera mais. Não pode deixar para amanhã, quando o bolo estiver bonito, todo enfeitado, para ser dividido".
Indiretamente, o cardeal primaz do Brasil criticou também a Justiça brasileira. "As pessoas que roubam um pedaço de pão para dar a um filho com fome são condenadas rapidamente, sumariamente, e têm de cumprir até o último minuto da pena. Mas os que roubam como ninguém, roubam tudo, têm bons advogados, respondem a inquéritos que não chegam ao fim e jamais são condenados", concluiu do Geraldo.
Semana franciscana
A equipe do Serviço de Animação Vocacional e Serviço Integrado da província dos capuchinhos do RS realizou, recentemente, uma semana vocacional nas paróquias de Nova Hartz e Araricá. O evento consistiu de visitas às comunidades das duas paróquias, refletindo e celebrando o carisma franciscano. "Os encontros despertaram o interesse de jovens, adultos e casais", relata frei Lucas Arbiza, que animou a semana junto com os freis Raul Suzin, Djair Galvan e Isaias Bordignon.
Paraí realiza encontro de pessoas migrantes
A Pastoral do Migrante de Paraí (RS), com apoio da prefeitura municipal, promove no dia 19 de junho mais um encontro de migrantes. O evento é aberto a qualquer pessoa ou família que é migrante em Paraí. Será realizado das 14 às 17 horas e terá como palestrante padre Mário Zambiasi. Em seguida, haverá culto ecumênico e confraternização.
Coordenada pelas irmãs scalabrinianas, com apoio de leigos da paróquia, a Pastoral do Migrante de Paraí realiza um importante trabalho de acolhida e evangelização aos que chegam à cidade, normalmente em busca de emprego e melhores condições de vida. "Sentimos que é grande a nossa responsabilidade civil, política e religiosa em promover a cultura da solidariedade e da acolhida", diz irmã Ana Rosa, que acompanha o grupo.
Aldo Colombo
A omissão na defesa dos mais simples e mais humildes costuma trazer frutos envenenados para todos
Num fim de tarde, olhando por um buraco na parede, um rato vê um fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que poderia haver ali. Ao descobrir que era uma ratoeira, ficou aterrorizado. Correu ao pátio da fazenda advertindo a todos: há uma ratoeira na casa! Uma ratoeira! O anúncio não impressionou os animais, uma galinha, um cabrito e uma vaca. A galinha observou ao rato: trata-se de um problema seu, que a mim não prejudica. O cabrito declarou: lamento muito, amigo rato, mas nada posso fazer. A vaca continuou a pastar, com tranqüilidade, e questionou: por acaso estou em perigo? Acho que não!
Desconsolado e abatido, o rato voltou para sua toca, planejando o que faria para encarar o fazendeiro e sua ratoeira. Naquela noite ouviu-se um barulho. Parece que a ratoeira fez sua primeira vítima, pensou o rato. De fato, a ratoeira pegara, pelo rabo, uma cascavel. No escuro, a dona de casa foi investigar e acabou picada pela cobra. Foi levada ao hospital, mas voltou com febre. Para a febre, nada melhor que um caldo de galinha.
E o fazendeiro foi providenciar o ingrediente principal para a canja. Mas a doença da mulher continuou e os amigos vieram visitá-la. Para alimentá-los, o fazendeiro matou o cabrito. A mulher acabou morrendo e muita gente apareceu para o funeral. Para dar de comer a toda aquela multidão, o fazendeiro sacrificou a vaca.
O individualismo e o subjetivismo são as grandes tentações de hoje. Cada um por si e Deus por todos, tentam justificar-se alguns. Outros vão além e apostam numa concorrência total. Para subir, pisam sobre os demais. Os resultados costumam ser funestos, parecidos com os da fábula da ratoeira. A injustiça praticada contra uma pessoa acaba afetando a todos. A omissão na defesa dos mais humildes costuma trazer frutos envenenados para todos.
Num poema célebre, o dramaturgo Bertold Brecht fala da omissão, no tempo do nazismo: "Primeiro vieram prender os judeus; não dei importância porque não sou judeu. Depois pegaram os comunistas, mas eu não sou marxista. Depois pegaram os padres, eu sou ateu... Quando vieram me prender, não havia ninguém para me defender".
Homem algum é uma ilha, lembra o poeta John Danne: "Nenhum homem é uma ilha isolada. Cada homem é uma partícula do continente. Se um grão de areia cai no mar, a Europa fica menor. A morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram: eles dobram por ti!"
Na ótica evangélica, o problema se torna mais grave: o ameaçado é teu irmão e a injustiça afeta diretamente a ti. Seria pouco inteligente esperar o dia do julgamento para descobrir no injustiçado o rosto do Senhor. O clássico gesto de lavar as mãos não foi suficiente para absolver Pilatos. Quando há uma ratoeira na casa, toda a fazenda corre riscos.
Dízimo cria pertença à comunidade
No mês de julho, Igreja reflete sobre essa contribuição como dom
Para a Igreja Católica, julho é o mês de reflexão sobre o dízimo. Para os cristãos, dízimo é a contribuição entregue mensalmente ou anualmente à Igreja com o objetivo de sustentar as atividades pastorais e organizacionais da comunidade à qual fazem parte. Nem todos sabem da sua importância e do seu significado e, justamente por isso, muitos reclamam da sua paróquia por considerarem o dízimo, uma "taxa", um "imposto", sem o pagamento do qual não podem participar da comunidade.
Na realidade, o dízimo tem e deve ter um outro sentido. Antes de tudo, é uma contribuição, uma partilha, livre e consciente, dada de coração e oferecida com generosidade e sinceridade. "É uma expressão de fé, uma experiência de fé, um compromisso de gratidão a Deus traduzido num gesto concreto", salienta frei Jaime Bettega, pároco da Imaculada Conceição e assessor do dízimo na região pastoral de Caxias do Sul.
Padre Cristovam Iubel, no livreto "Dízimo, uma resposta livre, consciente e gratuita" (Ed. Pão e Vinho), diz que o cristão "não deixa de ser cristão se não contribui com o dízimo. Todos são convidados a participar, a ser co-responsáveis, e não coagidos e obrigados". Padre Iubel acrescenta que se o dízimo for dado por força da lei ou por simples obrigação "perde a sua razão de ser e a sua finalidade, e passa a ser um mero pagamento que faz da fé uma mercadoria, e da Igreja um clube ou associação".
Antes de tudo, o dízimo é uma partilha com a comunidade dos dons e das primícias que Deus concede a cada um. Portanto, é um sinal de gratidão a Deus, que recebe o que a Ele é oferecido por meio da comunidade que acolhe os dons. "O dízimo cria pertença à comunidade, que é prolongamento da própria família", acrescenta frei Jaime.
O dízimo não é uma esmola dada contra a vontade; não é pagamento, taxa ou imposto; não é troca de favores, nem comércio ou compra de sacramento. "O dízimo só pode ser entendido - e experimentado com o coração - quando oferecido conscientemente. Se não for sincero e gratuito, não é dízimo; é tentativa de suborno!", escreve padre Iubel. Ele salienta que se a contribuição não for ação de graças, não é dom. "Não temos riquezas para comprar Deus, e Ele não tem o que vender porque tudo o que tem oferece a nós gratuitamente".
Gesto revela gratidão pela bondade divina
A palavra dízimo vem do latim e significa "a décima parte" do salário (ou rendimento). O costume de oferecer o dízimo é antigo. Diversos textos do Antigo Testamento revelam que as pessoas, na intenção de manifestar sua gratidão a Deus, ofereciam uma parte do que colhiam ou do rebanho que criavam. Era um gesto de reconhecimento e gratidão pela bondade e misericórdia de Deus.
Hoje, o dízimo continua como expressão de fé, gratidão e partilha. Não é obrigatório. É uma pastoral. A Igreja no Brasil sugere que o valor da contribuição seja de 1% da renda familiar por mês. Mas o que vale é a prática de cada paróquia. As contribuições são destinadas à manutenção e conservação do patrimônio (igreja, casa paroquial, salão, luz, água, salários, impostos...), apoio às pastorais (catequese, liturgia...), auxílio aos pobres e necessitados da comunidade etc. A Igreja é como uma família; se todos trabalham e compartilham, tudo vai bem.
Paróquias refletem sobre contribuição
O assessor do dízimo em Caxias do Sul, frei Jaime Bettega, destaca que, durante o mês de julho, diversas atividades serão realizadas em torno do dízimo, no sentido de esclarecer as pessoas sobre a importância e a gratuidade desse gesto concreto praticado pelos cristãos. Nas liturgias vão ser feitas reflexões sobre o tema e também haverá a troca de visitas entre as paróquias, com a participação de lideranças.
Nas 25 paróquias de Caxias do Sul vão ser distribuídos mais de 90 mil folders com esclarecimentos sobre o dízimo. Frei Jaime salienta que a intenção é motivar os católicos para que, na medida das possibilidades de cada um, se chegue ao que a Igreja no Brasil propõe, isto é, a contribuição de 1% da renda familiar ao mês.
Wilson João
Em cada movimento de nosso corpo e de nossa mente deve existir uma motivação para o prazer
Cada coisa e cada ação têm seu prazer dentro de si, ou depois de si. Aliás, o prazer, em geral, é conseqüência. É resultado. Aquilo que produz sofrimento depois, que causa problemas depois, não vale a pena realizar. Não vale a pena beber uma cerveja a mais para depois sofrer dor de cabeça. Não vale a pena a aventura do prazer sexual que vai causar o sofrimento de uma gravidez indesejada. Não vale a esperteza num negócio que depois vai complicar a vida. Mas, é muito bom e saudável sentir, curtir, tirar, sugar todo o prazer que brota da ação que se está fazendo. É o prazer do cotidiano. Esse resolve. Esse alimenta a vida. Esse produz vida saudável e prazerosa.
O PRAZER DO COMER COM ALEGRIA. Prazer de quem tem o que comer. Mas pode acontecer que quem menos tem coma com mais prazer. Porém, vamos ao normal da vida, que é fazer as refeições como gente: sentar-se à mesa, estar com a família, estar com gente. Comer sozinho não é jeito de comer. É apenas matar a fome. O prazer de comer está no degustar, no conversar sobre o gosto da comida, no contar histórias. O prazer de comer está no conviver. A sociedade da pressa estragou até o gosto de comer. Imaginar que se dê um tempo de apenas meia hora para as refeições, entre o antes, o durante e o depois, é muito pouco. O maldito costume do "lanche rápido", introduzido pelos americanos, é um desastre que produz gordos mal alimentados.
O PRAZER DE DORMIR COM PRAZER. Sem venenos para dormir. Deitar para ter o prazer de descansar. Levantar de manhã e poder dizer: "estou descansado". O prazer de seguir o ritmo da natureza que também dorme. Dormir sem precisar ligar rádio e TV para fazer o tempo passar porque o sono não vem. Dormir bem e em paz. Descansar. Eis um dos grandes prazeres da vida.
O PRAZER DE TRABALHAR COM ALEGRIA. Nada de escravidão. Nada de trabalho-peso. Nada de trabalho-emprego. Mas, trabalho-realização. Trabalho-prazer. Trabalho muito mais que ganha-pão. Trabalho-escolha. Trabalho-livre. Trabalho-realização dos sonhos.
O PRAZER DE ESTUDAR PARA A VIDA. De ler. De descobrir novas idéias. De planejar. Quem descobre o prazer de estudar não pára mais. Estuda toda a vida. Lê sempre que pode. Gasta tempo para ler e estudar. Não perde tempo em jogos sem sentido e em vida vadia e vazia.
O PRAZER DE CADA ATO. De tomar banho. De mudar de roupa. De beber água. De tomar chimarrão. De dar uma caminhada e passeada. O prazer de acariciar uma criança. De visitar um idoso. Em cada ato humano, em cada movimento de nosso corpo e de nossa mente deve existir uma motivação para o prazer. Mesmo que no caminho para se chegar a esse prazer a gente acabe esbarrando em pedras, curvas, tormentas e, por vezes, até em acidentes. Suar para ver uma obra pronta é um prazer. Gastar manhãs, tardes e noites para concluir uma obra é um prazer. Vivendo assim não precisamos ir em busca de prazeres. Eles nascem normalmente do cotidiano.
O alemão gaúcho e luterano do meu amigo Telmo
Frei Rovílio Costa
Professor e escritor
Quando se fala em imigração alemã, italiana, polonesa, suíça, francesa, judaica e outras, se pensa no fenômeno da mobilidade mundial em busca de um lugar para viver no espaço e no tempo. Trata-se do deslocamento de milhões de pessoas, particularmente a partir do século XIX. É um fenômeno igualitário que retrata um momento da história da humanidade, mas não retrata a pessoa do emigrante de cada etnia que parte para fazer o mundo com o mesmo sonho, mas com identidade étnico-social e religiosa própria.
Telmo Lauro Müller, em sua obra Imigração Alemã: sua presença no Rio Grande do Sul há 180 anos, aborda primeiramente a pessoa do imigrante alemão e secundariamente o fato de ele ser imigrante ou descendente no país.
Alojando em seu coração duas pátrias, a Alemanha e o Brasil, conjuga-as numa nova forma de vida - a vida alemã do Rio Grande do Sul, ou melhor - a vida brasileiro-alemã do Rio Grande do Sul. Mostra que os alemães, como os demais imigrantes, aqui vieram e aqui estão co-participando do palco multiétnico da vida sul-rio-grandense.
Telmo Lauro, como luterano de cepa, é um missionário das culturas. De sua boca brotam palavras em hunsrück, em alemão, em português-gringo, enquanto, depois de um bom Sauerkraut, mastiga, com nobreza, uma feijoada com farofa, mesclada esta com o bacon a la germana, logo depois vai a um Culto Luterano rezando e cantando sua fé de berço, para, em seguida, ouvir um padre no funeral de um amigo católico, que fala português, com mescla de frases latinas. Vai à escola e, no retorno, ensina a seus pais uma nova palavra em Português.
Se o provérbio diz que a boca fala daquilo que mora no coração, Telmo é pessoa que fala com o coração gaúcho do imigrante e descendente alemão no Rio Grande do Sul e no Brasil.
Com a sensibilidade de quem cuida de um berçário cultural, acompanha o balbuciar, o se integrar, o viver, o rezar, o cantar e o fazer alemão e brasileiro a um momento, e brasileiro alemão em outro.
Telmo é Telmo. É bom que assim o seja - único, singular, capaz de tornar-se o referencial que é, não da fria história de uma imigração, mas de seqüência, harmonia e vibração de uma forma de vida alemã no Rio Grande do Sul e no Brasil.
O peixe se pega pela boca. É pela boca que Telmo é o alemão brasileiro e o gaúcho alemão que é, como o atesta seu ingresso nas letras, em 1976, publicando Cozinha alemã. E como a cozinha é o lugar da vida em todas as dimensões, na linha da boca e da cozinha, segue publicando - Colônia alemã: histórias e memórias, 1978; Colônia alemã: imagens do passado, 1981; Colônia alemã: 160 anos de história, 1984; História da Imigração alemã para crianças, 1996; 175 anos de Imigração alemã, 2001, e agora este maravilhoso livro - Imigração alemã: sua presença no RS há 180 anos (EST Edições, Fone 51 -33361166, e-mail: rovest@via-rs.net), com mais uma dezena de outras obras, em todas resumindo sua preocupação, sempre expressa na gestão de presidente do Instituto Histórico Visconde de São Leopoldo e na direção do Museu Histórico Visconde de São Leopoldo: "Se nós não escrevermos, as futuras gerações não vão saber como nós vivemos, o que fizemos e em que acreditamos."
Em conclusão diria que, nas dezesseis obras de Telmo Lauro Müller, e nesta em particular, está a nata cultural da vida do imigrante alemão e descendentes, servida em café colonial na mesa das etnias que perfazem a história do Rio grande do Sul e do Brasil.
O Italiano que está em você é um projeto editorial de frei Rovílio Costa divulgado em parceria entre o Correio Riograndense e a Revista Insieme.
el ritorno de nanetto pipetta (313)
Scalini par ndar su par le montagne
Rafael Baldissera
Professor, Curitiba - PR
El di drio semo ndai a Sorrento e, da là, a Capri.
- Sol rento de cossa? Domanda Nanetto.
- Noantri ndemo ala cità de Sor-ren-to. Ndaremo rento del ónibus. Sorrento la stà tra Nàpoli e Capri, sora un litoral ben baranconà. Qua passaremo due note. Vardè come la ze na cità ben sivilisada: la ga naransere ntel marciapié, e con naranse ben maure. E nessuni le toca. El nostro otel el ze lassù, ben alto, sora el paredon, e davanti el mar.
- Barbina, dise Nanetto spaurà, come faremo rampegar su lì con le valìdie?
- Ma la portaria del otel la ze qua basso, al livelo dea strada. E qua basso stesso ciaparemo l’assensor, che el ne porta là su. Sorrento ze sol par el pernote.
El di drio, de matina bonora, dopo el cafè, semo ndai, de bastimento, a Capri, che ze na ìsola montagnosa, pròssima al litoral. Durante el viaio, Edilson el spiega:
- El nome Capri el vien dal Greco, Caprios, che vol dir giavalì. Sussede che la ìsola la gavea apartenesto ala Grècia e dopo ai romani. Qua ghinè due cità: Capri, qua su; Anacapri, là basso. Ma la pi importante la ze Capri, che l’è un posto preferio dai artisti. La ze importante par le so belesse naturali e par la so architetura. Ghe ze un telefèrico. Chi vol ndar su fin el cùlmine, el pol ndar.
I pi coraiosi i ga volesto sentir la sensassion dela altessa. Nanetto l’è stà el primo a mostrar che’l ze un omo valente. Sempre cola pipa in boca, el dea dele ridade. Dopo, ala sera, semo ritornai a Sorrento, sempre par mar. El di drio, semo imbarcai, fando el percorso de ritorno, percorendo el Golfo de Nàpoli. Ghemo passà par Nàpoli e par Montecassino, vedendo da distante el Monte Vesùvio, col so cùlmine come che taià. Semo ndai in diression a Roma, ma passando par fora. A mesura che se va su pal Nord, i panorami i càmbia. La agricoltura la ze ben delineada. Le piantaion le par na tabela de scachi.
- Desso, spiega Edil-son, semo drio traversar el Rio Tévere, ntea Region del Làzio. Vardè: le cità le ze sempre su pai monti e le piantaion ntea pianura. Semo drio passar soto i monti Apenini e semo rivai ala Region dela Ùmbria.
- Vardè, tusi, dise Nanetto, come i taliani i ga fato scalini par poder ndar su pai monti!
- Nò, dise Edílson, i ga fato scalini su pai monti par piantar. Sensa far scalini, la piova la mena via la tera e la piantaion. E come la Itàlia la ga sol 20% de tera piana, arquanti i fa cossì par profitar la montagna par piantar.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
Nanetto te la Quarta Colònia
SILVINO SANTIN
Professor, Santa Maria - RS
Eco, Taliani dela Quarta Colònia! Son qua par le comemorassion dei sento e trenta ani de la imigrassion taliana nel Rio Grande del Sud. Col vostro permesso me presento a mi stesso fetivo. Come vedì, mi son Nanetto Pipetta, nassesto tel Véneto del Itàlia, in calente de luna. Son Nanetto, parché me pupà el se ciamea Nani; e Pipetta, par via de me nono che ghe piasea tanto pipar. Se pol veder que el me nome el me va pròpio giusto come un legìtimo Talian.
Quando gera gioveneto, tanti taliani, là in Itàlia, i disea che i vegnea in Mèrica far la cucagna. E, bisogna dirlo, là i se la passea mal. Tante misèrie e tante guere! Fin la fame i passea. E mi, vedendo che tanti i ciapava su el poco che i gavea, i ndea a Génova par ciapar el bastimento che partea verso la Mèrica, un bel giorno me ga saltà su anca a mi la voia de farme la cucagna in Mèrica. Lora, sensa dir né due né tre, son scampà via de casa, me go messo in meso i migranti e, de scondion, son imbarcà in te un bastimento, un demònio de grando. Dopo quaranta giorni e quaranta note de aqua e stele, son rivà al Rio Grande. Ma, come el mio imbarco l’era stà fato de scondion, me ga tocà saltar fora anca de scondion. Cossì, prima che’l bastimento el se fermesse, son saltà in tel aqua e go noà fin meter i pié in tera. E dopo, con na paura maledeta che i me ciapesse, son scampà via de tuta carera. Robe de perder le gambe! E prima de rivar in te le colònie taliane, go passà un vero inferno de tribulassion. Par no morir de fame, go magnà tante patate dolse crude. E se no fusse la Madona e Santantoni giutarme, saria stà magnà dele àquile mericane (papagaios) e dei bulghereti (bugios).
Dopo rivà, me go messo a laorar come tuti i taliani par pagarme la meda colònia. Signore e Madona, quanti sudori e quante tribulassion! Par sorte pignoi ghinera da partuto. Patate dolse le vegnea grosse come le suche. E lora, zo pignoi e zo patate. Pecà che, ben in tel scomìssio, no ghe sia stà bei canechi de late. Vin, gnanca par remèdio. Ma dopo un par de ani, con tanto laoro e con tanta fede, se gavea late, formaio e vin a volontà. Polenta, lora, de tanta che ghin gera se podea dàrghela anca ai can.
De tanto ben che la ndea, i frati i me ga messo su el so giornal, la Stafetta Riograndense. Cossita tanti taliani, quei più veci, i me congnosse. E anca me gavea rangià na bela morosa, la Gelina, fiola de Àndolo e de la Catina. Tuto ndea fin massa polito. E quando la va massa ben, lo disea el nono, bisogna indrissar le rece.
In medo a tuto sto paradiso, fato de tante tribulassion, laori e amore, un giorno de tanta piova, par disgràssia, son cascà rento el rio Dasanta e, come tuti i pensea, me gavaria negà definitivamente. E pò, la Gelina, poareta, l’è ndà in te un convento de móneghe pregar par la me pora ànima.
Passai tanti ani, no sò dirve quanti, Piero Parenti el se ga pensà che mi me gavaria negà sol provisòriamente. Lora, durante un par de mesi el me ga sercà via drio el rio e in volta para le colònie fin che el me ga catà, tuto inseminio, zo a Santa Teresa. El me ga rincurà polito e el me ga messo nantra volta sul giornal, che adesso el se ciama Correio Riograndense.
Nantra volta tuto ritornea al so posto. La Gelina l’è ritornà del convento e mi son ndà laorar par pagarme la meda colònia. Mi vivo e tuti contenti. Ma, la disgràssia la me ga ciapà nantra volta. Piero, poro can, el more de colpo e mi son restà così avelio che me parea che gera drio morir, adesso si, definitvamente. In medo le me disgràssie, par bona fortuna, la Madona e Santantoni i me ga sempre giutà. Finio el tempo de luto, go trovà diversi amici che i me mena cognosser tanti posti, ndove i vive i taliani. Cossita son diventà un vero imbassiatore de tuti i migranti taliani.
Incó son qua in te la Quarta Colònia. Son vegnesto far festa co valtri dei sento e trenta ani dela migrassion taliana in tel Rio Grande del Sud. Mi podea èsser stà pacìfico là par le Colònie de Cassia, Bento o Garibaldi, ma go volesto vegner qua parché valtri sì stai desmentegai dei studiosi dei migranti taliani. Tuti i parla de quelaltre tre Colònie, e pochi i se ricorda che anca qua ghe ze rivai tanti bravi taliani che i ga fondà meda dùsia de bei paesi. Qua se laora, se canta, se fa bele feste, se vede bela gente e bei musei e, sora tuto, ghe ze gente che fa su le màneghe par trasformar le bele montagne e i bei vali come posti de turismo.
Mi sò, e valtri lo savì meio de mi, che la Quarta Colònia la ga scomissià due ani dopo le altre tre Colònie. Lora, i sento e trenta ani i rivarà daquà due ani, ma adesso parché el vinti de màgio l’è el giorno dei migranti taliani, tuti insieme, Cassia, Bento, Garibaldi e Silveira Martins bisogna far gran feste par via de tanto progresso e tanta abondansa, òpere dei migranti taliani.
Par finirla, no dà par taser, son sicuro che se pol dir con tuta la forsa del peto che i taliani, da vero, anca qua in te la Quarta Colònia, i ga fato la cucagna, nò guadagnada, ma fata col so laoro, co la so forsa, col so amore e co la sua fede.
E, lora, tuti insieme, osemo a pieni polmoni: Viva tuti i taliani dela Quarta Colònia!
Feira exibe Flores da Cunha
Bons preços e atrações artísticas e gastronômicas devem atrair 60 mil pessoas
A programação diversificada e os preços de fábrica de malhas, confecções, móveis e vinhos devem levar mais de 60 mil pessoas a Flores da Cunha para a 16ª Feira de Inverno. Com o slogan "Uma feira de perder a cabeça", o evento será realizado de 25 de junho a 24 de julho, no Parque da Vindima Eloy Kunz.
A feira inclui gastronomia colonial e atrações artísticas e ocorre nos finais de semana. O horário de funcionamento é das 10 às 21 horas, aos sábados, e das 9 às 20 horas, no domingo. A entrada no parque e o estacionamento são gratuitos. A promoção é do Centro Empresarial e da Prefeitura de Flores da Cunha.
Logo após o lançamento oficial, previsto para o dia 16, na Escola de Gastronomia UCS-Icif, os organizadores irão divulgar a Feira de Inverno na região da Serra e na Grande Porto Alegre.
Encantado mostra que é terra da suinocultura
A Festa Gastronômica de Carnes e Derivados de Suínos (Suinofest), de Encantado (RS), deve encerrar no próximo dia 19 com 10 mil visitantes. O evento conta com espaço destinado à degustação de pratos à base de carne suína. A iniciativa visa disseminar o consumo do produto. Dia 17, ocorre seminário voltado à cadeia produtiva da suinocultura.
Sobradinho destaca a cultura do feijão
De 24 a 26 de junho, o almoço e jantar em Sobradinho serão à base de feijão. A feijoada será o prato servido durante o 15º Festival do Feijão. Paralelamente, realiza-se a 1ª Mostra das Indústrias Centro-Serra, que terá 40 expositores, e o Dia da Cantina e Mostra de Etnias. A rainha Ângela Luchese e as princesas Bárbara Pereira e Djenifen da Silva estão divulgando o evento no Estado.
Fenakiwi espera mais de 100 mil visitantes
A Festa Nacional do Kiwi (Fenakiwi) - Feira da Indústria de Farroupilha espera receber na edição deste ano, que ocorre nos finais de semana de 8 a 24 de julho, mais de 100 mil visitantes. A expectativa é do presidente do Comitê Executor, Antonio Rufatto, e foi externada na quinta 9 durante o lançamento do evento. "Nossa meta é elevar em 10% o público do ano passado, que foi de 94 mil pessoas", afirmou, depois de ressaltar que o evento deste ano está associado às comemorações pelos 130 anos da imigração italiana no RS.
Entusiasmado com a venda de quase todos os mais de 150 espaços para expositores e com a presença garantida de 10 vinícolas, Rufatto anunciou ainda mudanças no horário de visitação. Às sextas-feiras, das 14 às 22 horas; aos sábados e domingos, das 10 às 22 horas. O ingresso custará R$ 4,00 e dará direito a um bombom de kiwi - R$ 3,00 para compra antecipada. Os idosos pagarão apenas R$ 2,00 e o valor do estacionamento foi fixado em R$ 3,00. Para assistir aos shows especiais (Armandinho, 10/7; Cidadão Quem, 15/7) serão cobrados mais R$ 4,00.