
DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 4.942 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 22 de junho de 2005.
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Apurar todas denúncias e implantar reforma política
Identificar corruptos é importante, mas só uma reforma política impedirá novos casos
O brasileiro acompanha, com uma mescla de decepção e indignação, a seqüência de denúncias de corrupção envolvendo dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT), parlamentares de outros partidos e integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Para se saber o que há realmente de verdade nelas, que já motivaram a saída de um dos homens com mais força no Palácio do Planalto, o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu, só há um caminho: investigá-las com profundidade e transparência.
Diante do atual quadro, e das acusações que se renovam praticamente a cada dia, pode ser pedir demais. Afinal, estão em jogo interesses financeiros e políticos de poderosos grupos. Mas num momento como o atual, ainda prevalece a esperança de que a maioria dos parlamentares é insuspeita, condição suficiente para introduzir um processo de filtragem e seleção que culmine com a divisão entre o joio e o trigo.
Além de apurar quem se beneficia de esquemas de propinas e superfaturamentos que corroem os cofres públicos, esta é uma ocasião apropriada para mudanças. Se toda crise representa uma porta para soluções, esta pode muito bem servir para que seja implantada a reforma política que o país precisa.
O primeiro passo é a fidelidade partidária. Impedir que políticos eleitos por um partido migrem para outro sem justificadas motivações ideológicas secaria uma das fontes que abastecem o tradicional balcão de negociações, onde um mandato ou um voto é trocado por cargos, liberação de recursos para obras e outras moedas.
Outro avanço importante é definir critérios mais justos para o financiamento de campanhas políticas. Se for preciso, para blindar a independência dos candidatos, que se utilize dinheiro público, impedindo doações feitas com o propósito de recuperá-las, com vantagens, logo adiante.
Identificar os envolvidos com corrupção é tarefa imediata e necessária, mas alterar as regras políticas é um desafio mais importante ainda, porque pode impedir futuras roubalheiras e outros crimes que dilapidam o patrimônio público, o orgulho e a esperança dos brasileiros.
Inicia venda de espaços para Festuva
Expositores locais que participaram do último evento têm preferência
Já estão à venda os espaços para os interessados em participar da Festa da Uva 2006, que será realizada de 17 de fevereiro a 5 de março. Inicialmente serão comercializados os espaços do Pavilhão 2, exclusivamente para os expositores de Caxias do Sul que participaram do evento de 2004. "Temos todo o interesse em ter o maior número possível de expositores da cidade nesta edição da festa. Por isso estamos dando preferência à comunidade, que tem um enorme potencial econômico a apresentar", explica Valmor Peccini, da Exposul do Brasil, empresa responsável pela venda de espaços.
A comercialização de estandes para os expositores de outras regiões que participaram da última Festa da Uva inicia em 11 de julho. Para os novos participantes, a venda começa no dia 25 de julho. O Pavilhão 2 é destinado aos setores de couro, cama, mesa, banho, malhas, confecções em geral, bazar (variedades) e artesanato.
A venda ou reserva de espaços para os outros pavilhões começa em setembro. O período de comercialização termina em 31 de janeiro de 2006. "Os primeiros expositores terão a vantagem de escolher melhor seu espaço", frisa Valmor Peccini. Os expositores interessados podem entrar em contato com a Exposul do Brasil pelo telefone (54) 3027-7065.
Coroa - Também estão abertas, até 16 de julho, as inscrições para o 4º Concurso de Criação da Coroa da Rainha da Festuva 2006. A concorrência é aberta a todos os designers e criadores, com exceção de parentes de até 3º grau ou de qualquer forma vinculados aos integrantes da comissão, da empresa Festa da Uva S/A e de seus parceiros. O desenho deverá ser inspirado no tema "A Alegria de Estarmos Juntos". O trabalho vencedor deverá ser anunciado no dia 21 de julho. O autor será premiado com uma viagem, possivelmente para o Nordeste.
Tradicional Clube Juvenil festeja 100 anos de fundação
O tradicional Clube Juvenil, de Caxias do Sul, acaba de completar 100 anos. Em 19 de junho de 1905, os jovens Carlos Giesen, Henrique Moro, Américo Ribeiro Mendes, Ettore Pezzi, Humberto Jaconi, Luiz Amoretti, Dante Panarari, Vitorio Rossi, Romano Rossi, Antonio Guelfi e Archimino Selistre Campos, fundaram o Clube Juvenil.
O nome da sede foi sugerido por Américo. Deveria chamar-se Juvenil porque estava apenas nascendo, surgia da iniciativa de jovens e seria sempre moço no seu entusiasmo. A inauguração oficial ocorreu no dia 23 de julho de 1905.
A primeira sede do clube, alugada, ficava no sobrado da casa de José Bragatti, hoje Ótica Caxiense. O Juvenil ainda passou por outros três endereços alugados: o sobrado da casa do Dr. Brugger, a Sociedade Italiana de Mútuo Socorro Príncipe de Napoli e Cinema América.
Em 1912, foi construída a primeira sede própria do clube, na antiga rua Andrade Pinto, hoje Os 18 do Forte. O prédio tinha salões de festas, uma biblioteca, uma copa, residência do ecônomo, uma cancha de bolão e um cineteatro.
Em 1924, um incêndio destruiu a usina elétrica do clube. O terreno e o prédio foram vendidos e a sede do Juvenil transferiu-se para a Associação Comercial de Caxias do Sul, hoje Câmara de Indústria, Comércio e Serviços. Em 8 de setembro de 1928, foi inaugurada a sede atual do clube, projeto de Silvio Toigo.
Atualmente, a sede do Juvenil conta com um restaurante, dois salões com capacidade para 1.500 pessoas, boate para 200 pessoas e uma bomboniere. O prédio tem características arquitetônicas neoclássicas e foi construído inicialmente com dois andares. Em 1965, houve uma ampla reforma e a construção do terceiro andar, permanecendo assim até os dias de hoje. O clube também tem uma sede recreativa, com piscinas, quadras esportivas e churrasqueiras. Desde 2001, a diretoria do Juvenil trabalha no projeto de construção de uma sede campestre, na Rota do Sol.
"O verdadeiro cidadão é o que busca o bem comum"
Mineiro de Juiz de Fora, dom Geraldo Majella Agnelo, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), não condena o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela conjuntura política que o país está amargando, marcada por denúncias de corrupção que parece não ter fim. Mas também não o absolve. Nesta entrevista, concedida ao jornalista Marcone Formiga e distribuída pela CNBB, o cardeal diz que a única revolução que precisa ser feita, e logo, é a da cruz, com o exemplo de Cristo, de servir e perdoar. Mas adverte: não se deve prometer milagres para o povo - se deve é incentivar a participação das pessoas no trabalho para a construção de um mundo melhor.
Quando desacreditamos daqueles que devem merecer a nossa confiança, o que sobre para nós?
Correio Riograndense - O Brasil está passando por uma crise moral?
Dom Geraldo - Acredito que o mundo todo está passando por uma transformação muito grande. O esquecimento dos valores, a perda de referências, o subjetivismo, a fragmentação, geram isolamento e egoísmo. Além do que as pessoas estão se esquecendo de Deus ou dizem que Dele não precisam. Ele é fonte e origem de tudo. Infelizmente, vivemos um subjetivismo muito forte. As pessoas estão preocupadas com o imediatismo e o consumismo. O subjetivismo conduz à frustração.
CR - Por que os casos de corrupção aumentam tanto?
Dom Geraldo - Porque a maioria das pessoas vive no egoísmo total, só pensa em ter e possuir, não em ser. A pessoa vale pelo que ela é, não pelo que possui. Mas a publicidade, as novelas e filmes fazem a cabeça das pessoas facilmente. Apreende-se que o interesse justifica corromper ou ser corrompido.
CR - A corrupção é uma decorrência cultural do povo brasileiro?
Dom Geraldo - Não! A corrupção está generalizada porque o egoísmo é cada vez mais cultivado. O egoísmo leva à insensibilidade da dor e do sofrimento, mesmo dentro da própria família. Daí a busca desenfreada do ter, do possuir, não importando os meios usados.
CR - É por isso que cada vez mais pessoas querem levar vantagem em tudo?
Dom Geraldo - Hoje se fala muito em cidadania. O verdadeiro cidadão é aquele que não busca só vantagem, mas o bem comum. O bem comum deve estar ao alcance de todos e não só de alguns mais espertos e privilegiados.
CR - A política passou a ser a arte da esperteza?
Dom Geraldo - A verdadeira política não, mas a politicagem sim.
CR - A certeza da impunidade estimula a corrupção?
Dom Geraldo - Sem dúvida. A justiça, seja no âmbito das CPIs, dos inquéritos policiais, ou da sua prática cotidiana, deve ser ágil sem privilégio de foros especiais, com penas severas, inclusive perda de mandatos e inelegibilidade.
CR - Até quando o povo vai agüentar isso?
Dom Geraldo - Eu também me sinto povo, e é muito triste que os honestos paguem pelos desonestos. Muitas vezes pessoas inocentes são condenadas. Pequenos deslizes, até em vista de defender filhos e família, são prontamente julgados e severamente punidos, enquanto os grandes corruptos ficam impunes e nem mesmo devolvem o que desviaram para o próprio benefício.
CR - Em sua encíclica o Papa Pio XII referiu-se ao cansaço dos bons, ao ver os maus prosperando. Esse cansaço chegou?
Dom Geraldo - O cansaço dos bons já foi alertado pela palavra de Deus no Antigo Testamento. A justiça de Deus é invocada pelo povo fiel e o sustenta para não desanimar. Muitas vezes o povo fica abalado, abatido, mas um vai sustentado o outro e assim não cai no desânimo total. As experiências de partilha e de solidariedade entre os pobres, as periferias, nos animam. O povo sabe buscar alternativas para manter acesa a esperança. Pelas nossas forças, sem dúvida, desanimaríamos.
CR - O crime organizado está ganhando a guerra contra o Estado. O que fazer?
Dom Geraldo - O povo precisa se organizar, nossas comunidades conhecem o caminho para a justiça e colaboram com ela. Todos devem colaborar para a educação integral da pessoa, cultivar a fraternidade, a solidariedade, a justiça e a paz, a ética e, por que não dizer, o temor de Deus.
CR - Como cidadão, o que o senhor acha do governo Lula?
Dom Geraldo - Acho que ele está tentando acertar.
CR - O senhor ainda tem esperança?
Dom Geraldo - Sim, porque tenho fé. Quem tem fé sempre tem esperança. Sinto, como pastor, grande preocupação em ver o povo brasileiro sofrendo. A Igreja tem como missão denunciar e apontar caminho para a justiça social. Não é só o mal que faz adeptos, o bem faz a fraternidade e a solidariedade se darem as mãos, além de contarmos sempre com a força de Deus para convencer e transformar. Não cabe a nós dar o programa de governo. Nós nos colocamos sempre ao lado do povo. Nós não podemos nos calar vendo milhões de pessoas passando fome, sem atendimento médico condizente, sem educação e trabalho.
CR - E a violência, que só faz aumentar?
Dom Geraldo - A violência aumenta na medida em que não se promove uma política séria de governo para atender os anseios do povo e suas necessidades para uma vida digna e decente. O povo quer trabalho, quer escolas de qualidade para seus filhos, segurança, serviço de saúde com qualidade, quer ver e ter os frutos dos impostos que pagam.
CR - Esse cenário oferece riscos à democracia?
Dom Geraldo - Precisamos entender bem o que é democracia. Corremos o risco de pensar que democracia é fazer o que queremos e como queremos. Na democracia, eu não posso invadir ou desrespeitar o direito do outro. Todo cidadão é sujeito de dever e de direito, muitas vezes nós só lembramos dos nossos direitos, esquecendo dos deveres e do respeito pelo bem comum. O desmando é contra a democracia.
CR - Um tema muito discutido ultimamente é a redução da maioridade penal. O senhor concorda com esta proposta?
Dom Geraldo - Não é porque a pessoa é nova que pode fazer tudo o que quiser. Agora, no caso da responsabilidade quanto aos delitos, seu tratamento é preocupante. Se reduzirmos a responsabilidade penal, nós vamos colocar um adolescente ou jovem junto com adultos que já praticaram tanto a criminalidade que podem formar uma escola do crime. As penitenciárias, em muitas partes do mundo, não educam nem reeducam. Então, nós vamos condenar um jovem para que ele se destrua completamente naquele ambiente? Queremos que haja um tratamento que seja reeducativo.
CR - A que o senhor atribui a violência dos jovens?
Dom Geraldo - São muitas as causas. Os próprios meios de comunicação têm muita responsabilidade, porque eles não se preocupam em educar. Se a gente acessa um canal de televisão, só vê violência, baixaria... É uma irresponsabilidade muito grande! O que se ganha mostrando a violência? Não se ganha nada; apenas se perverte. Os meios de comunicação deveriam ter consciência de que eles são meios para educar, para melhorar as condições de sociabilidade das pessoas.
CR - Cada vez mais a população está desacreditada de seus dirigentes. Isso não é perigoso?
Dom Geraldo - Veja a que ponto nós chegamos! É dramático mesmo! Quando a gente desacredita daqueles que deveriam merecer a nossa confiança, o que sobra para nós? Nós nos sentimos sozinhos, desamparados... Não só as crianças e os jovens, mas todos nos sentimos desarmados. É realmente muito triste o espetáculo a que assistimos hoje. E o exemplo, o testemunho, é que constrói. A Bíblia mesmo, a palavra de Deus, não basta só anunciar, é preciso testemunhar.
CR - Qual é o papel da Igreja nesse quadro de desesperança?
Dom Geraldo - A Igreja deve anunciar a boa nova do Evangelho, mas não é só do púlpito, não é só usando meios técnicos; é uma bela gravação, é um belo texto, mas isso só não basta. O fundamental é o testemunho. Isso chamou a atenção no Império Romano - é o testemunho que vale. Por outro lado, embora para o bem o testemunho seja importantíssimo, não é preciso mostrar tantas provas para ensinar o mal. Muitas vezes, para mostrar o bem, você tem que ensinar, ensinar e ensinar; já o mau exemplo atrai, arrasta.
CR - Por que a Igreja Católica não busca poder político, como fazem outras igrejas?
Dom Geraldo - Nós temos a convicção de que devemos formar nossos cristãos para que eles participem da política, para que eles testemunhem o Evangelho e ponham em prática os valores que ele nos mostra. Não queremos que os padres participem; queremos que os nossos cristãos sejam testemunhas.
CR - Por onde passa a solução dos principais problemas da sociedade?
Dom Geraldo - Sem a cruz não se faz revolução, não se renova. A capacidade de dar a vida como Cristo fez, de servir, de perdoar, é o que vale. Por outro lado, nós não podemos ficar apenas prometendo milagres para o povo, ao invés de incentivar a participação das pessoas no trabalho, na construção de um mundo melhor. É aí que nós devemos influenciar. Não é que não existam milagres; eles existem, mas nós devemos trabalhar para que todo mundo possa ter vida em abundância. Olha, todos nós somos necessários, mas não impreferíveis. Todos somos necessários para trabalhar, para fazer o bem, mas isso não quer dizer que se um não fizer outros não possam fazer. O ritmo normal da vida é esse - a criança nasce, cresce, torna-se adulta, constitui uma família, trabalha, tem o apogeu de força, depois vem a idade limitando as forças, até extingui-las. Aí virão outras e a sociedade se renova.
Dinheiro do Pronaf chega aos bancos dia 1º
Dos R$ 9 bilhões liberados, R$ 1,5 bilhão deve contemplar o Estado
A partir de 1º de julho os recursos para custeio e investimento da agricultura familiar devem estar nos bancos, segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Miguel Rossetto que ainda não definiu a data para apresentar na íntegra o plano-safra 2005/2006. O lançamento na sexta 17, em Santa Rosa (RS), foi cancelado devido ao mau tempo que impediu a chegada do presidente Lula e do ministro ao Estado.
O governo federal está disponibilizando R$ 9 bilhões para o financiamento de custeio e investimentos e espera conceder mais R$ 2 bilhões de créditos para a comercialização - R$ 1,5 bilhão deve ser distribuído entre os gaúchos. "Estamos pedindo R$ 2,5 bilhões", diz ao CR o presidente da Fetag, Ezídio Pinheiro. Na safra 2004-2005, foram colocados à disposição dos agricultores familiares R$ 7 bilhões. De acordo com o MDA, até agora foram liberados R$ 6,2 bilhões, em cerca de 1,6 milhão de contratos.
As novidades passam por alterações nas linhas do Pronaf e a criação de outras para contemplar a agroecologia, a cultura do fumo e até os recursos hídricos. Foi aprimorado o Pronaf "B" para facilitar e aumentar o acesso do trabalhador rural ao microcrédito. Já os agricultores que trabalham com lavouras de oleaginosas e de mamona, destinadas à produção de biodiesel, poderão acessar uma linha de crédito específica. Também foram instituídas linhas de crédito de investimento para os produtores que adotarem a agroecologia (Pronaf agroecologia) e outra para estimular investimentos em obras hídricas.
O MDA ampliou o Pronaf mulher, destinado às agricultoras das famílias que pertencem ao grupo "B" do Pronaf. "O plano implementou alterações para incentivar a Assistência Técnica e Extensão Rural nos financiamentos, com o objetivo de estimular a diversificação da lavoura aos produtores de fumo e para melhorar a atuação do Seguro da Agricultura Familiar", diz o ministro Rossetto.
Seguro - O presidente Lula também dará continuidade ao pagamento das indenizações do Seguro da Agricultura Familiar (Seaf). O Rio Grande do Sul, por exemplo, tem 187 mil contratos do Pronaf protegidos pelo seguro. Desse total, 148 mil receberão o benefício. Ao todo serão destinados R$ 400 milhões para o pagamento das indenizações no país, sendo a metade aos agricultores gaúchos.
Salmonella tem múltiplas portas de entrada
As fontes da salmonella em suínos são diversas. Vão desde o animal portador, alimento, homem, ambiente, animais domésticos e silvestres que possam ter acesso às instalações e às próprias baias. É o que afirma a pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves, Jalusa Deon Kich.
O suíno, após infectado, torna-se portador da salmonella e quando submetido a uma situação estressante passa a excretá-la nas fezes. "Fatores como transporte, mistura de lotes e doenças podem determinar a excreção da bactéria", diz. Uma vez que o ambiente do caminhão (ou baia) esteja contaminado, os companheiros de lote são infectados, tornando-se novos portadores. Dessa forma, a bactéria se mantém nas diferentes fases do sistema de produção. Os suínos infectados chegam ao frigorífico e contaminam o lote e as baias de espera por onde passarão outros animais.
"Os altos índices de suínos portadores de salmonella, evidenciados em trabalhos de pesquisa no Sul do Brasil, sugerem que as fontes de contaminação são múltiplas", afirma. O estudo desenvolvido por Jalusa Kich demonstrou a existência de contaminação residual entre lotes, mesmo após a limpeza e desinfecção, "e que a ração e o suíno quando excretor são veículos para a entrada da salmonella em granjas de terminação".
Jalusa relata que todas as granjas pesquisadas tinham sido submetidas à limpeza, desinfecção e vazio sanitário, mas em 50% delas foi detectada salmonella no piso das baias vazias, o que demonstra que o ambiente já estava contaminado antes do alojamento dos leitões. "Nesses casos a contaminação ocorre por dois motivos: a limpeza e desinfecção não eficientes e/ou recontaminação das baias desinfetadas", enfatiza. Informações no site www.cnpsa.embrapa.br ou pelo telefone (49) 442 8555.
ICMS da erva-mate deve baixar de 17% para 7%
A erva-mate terá o ICMS reduzido de 17% para 7%. A garantia foi dada pelo governador Germano Rigotto à diretoria do Sindicato da Indústria do Mate do Estado do Rio Grande do Sul (Sindimate). O Sindimate busca unificar a tributação das variedades de erva-mate pura e com a mistura de açúcares e compostos, conforme a Anvisa.
"A unificação das alíquotas beneficia o setor industrial, que emprega hoje cerca de 8.000 pessoas e leva a tradição e a riqueza do nosso povo", disse o presidente do Sindimate, Lauri Hoppen Júnior.
Assembléia debate uso das plantas medicinais
Dia 11 de julho encerram os encontros regionais do Fórum pela Vida - Projetos Plantas Vivas, preparatórios ao 7º Seminário Estadual, que ocorre em 5 de agosto, no Teatro Dante Barone da Assembléia Legislativa. O Fórum pela Vida é promovido pela Comissão de Saúde e Meio Ambiente do Legislativo.
O encontro estadual objetiva a implementação da cadeia produtiva de plantas medicinais e da fitoterapia no Sistema Único de Saúde. O Fórum pela Vida busca a integração entre os saberes popular e científico para o uso das plantas medicinais.
Decreto frustra setor vitivinícola
IPI não atende reivindicações das vinícolas brasileiras
O que era para ser uma solução para o setor vitivinícola, virou pesadelo. O decreto 5.466 do presidente Lula baixando o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre espumantes e aumentando a alíquota para produtos que concorrem deslealmente com o vinho genuíno - caso da sangria, dos coquetéis e das bebidas alcoólicas mistas (BAMs) - contém incorreções que chegam a retirar a validade das medidas.
A primeira incorreção é a redução do IPI para espumantes de 30% para 20%, quando o próprio governo anunciou, na quinta 16, que a queda seria de 30% para 10%. Outro lapso trata do aumento de 10% para 60% do imposto incidente sobre os ‘vinhos mistos’ (coquetéis, sangrias e BAMs). Na verdade, o Diário Oficial da União, de sexta 17, especifica que a medida é vigente para produtos com teor alcoólico superior a 20º G.L.. "Não existem vinhos mistos com graduação superior a 20º. A taxa de álcool varia de 6º a 19º", explica o diretor-executivo da Associação Gaúcha dos Vinicultores (Agavi), Darci Dani. "Os índices tornam o decreto inócuo", afirma o presidente da Câmara Setorial da Viticultura, Vinhos e Derivados, Hermes Zaneti.
O presidente da Câmara Setorial da Viticultura entrou em contato com os ministros do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, e da Indústria e Comércio, Luiz Fernando Furlan, tentando reverter a situação. O governo deve editar uma portaria para atender as vinícolas. "Juridicamente (um decreto tem maior sustentação do que uma portaria), o setor corre o risco de daqui a algum tempo a Receita Federal emitir uma nova Portaria para aplicar o IPI de 20%, respaldando-se no Decreto 5.466", explica Zaneti.
Quanto à majoração da alíquota para os vinhos mistos, o pleito é que seja editada, também por decreto, medida que garanta aumento para 6% sobre sangrias, coquetéis e bebidas alcoólicas mistas, sem especificação de graduação alcoólica.
Vinhos - "O próximo passo é reduzir o IPI sobre os vinhos", diz o presidente da Comissão Interestadual da Uva, Olir Schiavenin. Ele explica que desde 2001 com a implantação da metodologia para identificação de vinhos adulterados, muitos fabricantes passaram a registrar novos produtos elaborados à base de vinho. Assim, essas bebidas eram encaixadas na mesma faixa de tributação de um vinho legítimo - alíquota de 10% de IPI.
Laren intensifica controle à genuinidade
O Laboratório de Referência Enológica (Laren), de Caxias do Sul, está desenvolvendo uma nova metodologia, que permite identificar a adição de água ao vinho - ou o seu ‘espichamento’. A novidade foi anunciada pela coordenadora do Laren, Regina Vanderlinde, na 6ª Jornada da Viticultura Gaúcha.
De acordo com Regina, o trabalho está sendo desenvolvido em colaboração com o Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo, em Piracicaba. Amostras para confirmação foram enviadas para análise em laboratório na Itália. "Trata-se de um método oficial da Organização Internacional da Uva e do Vinho (OIV), com as devidas adaptações à realidade local", assinala. O Laren detecta álcoois exógenos (estranhos) ao vinho, como os de laranja e de arroz, e realiza pesquisas para quantificação de compostos fenólicos, como o resveratrol, taninos e antocianinas.
Espumantes encerram inscrições dia 24
Integrando a programação oficial da Fenachamp (7 a 23 de outubro), que se realiza em Garibaldi, a Associação Brasileira de Enologia (ABE) promove o 4º Concurso do Espumante Fino Brasileiro nos dias 26 e 27 de julho. O concurso deverá ultrapassar o número de amostras registrado em 2003 que foi de 100 espumantes.
O prazo para as vinícolas inscreverem suas amostras encerra em 24 de junho. As vinícolas podem inscrever somente espumantes elaborados a partir dos métodos champenoise, charmat e processo asti. O regulamento, ficha de inscrição e informações referentes ao concurso podem ser obtidos no site www.enologia.org.br
Concurso distribui 43 medalhas a florenses
Os vinhos de Flores da Cunha vêm crescendo em qualidade. A quarta edição do Concurso dos Melhores Vinhos do município deve distribuir 43 medalhas, sendo 20 de ouro, 21 de prata e duas de bronze. No ano passado, foram concedidas 16 medalhas de ouro, 34 de prata e três de bronze. Participaram 23 vinícolas, registradas no Ministério da Agricultura.
Na edição 2005, participam 27 vinícolas com 139 amostras. "78 amostras vão receber menção honrosa", antecipa ao CR o técnico Lino Luiz Baggiotto, da Secretaria Municipal da Agricultura. O concurso não avaliou vinhos suaves e demi sec. A premiação será entregue na sexta-feira, 1º de julho, no Clube Independente. "O vinho de Flores da Cunha está crescendo em qualidade e no número de menções e premiações", observa Lino Baggiotto.
Engº. Agrº. José Zugno
Tucum rio-grandense
Quem tem origem na colônia como eu, encontra motivo para colecionar novidades de plantas em seu jardim. Assim fiz: recolhi do meio do mato e plantei uma árvore que parece palmeira dotada de espinhos nos troncos e nas folhas. No verão aparecem cachos de uma fruta escura envolta de uma camada comestível de gosto adocicado que o pessoal de onde recolhi a planta chama de "tucum" e diz ser ótima para colocar na cachaça. Quem é assinante do Correio Riograndense tem a vantagem de dispor dos esclarecimentos da coluna Vida Agrícola para a qual tomo a liberdade de enviar para análise fotos da planta, da qual gostaria de receber mais informações. Antecipadamente agradeço.
LUIZ ANTONIO L. BAGGIOTTO
Montenegro - RS
Grato pelas referências e as fotos que, de fato, são da "tucum rio-grandense". Tucum é o nome do fruto de muitas espécies de palmeiras - todas do gênero Bactris, família Talnae - que existem, praticamente em todas as regiões de matas brasileiras.
As palmeiras também são conhecidas como tucum ou tucunzeira.
A espécie de tucum rio-grandense - como observou o amigo -, apresenta-se com caules múltiplos constituindo touceira de 2 a 6 metros de altura e os caules com 3 a 5 cm de diâmetro. As folhas são grandes, pinadas com bainha (base ligada ao tronco), pecíolo (continuação da bainha e parte livre de folhas) e limbo, formado pela raque, um eixo central, continuação do pecíolo, e pelos folíolos (ou pinas), numerosos, lineares ou lanceolados, dispostos em diversos planos ao longo da raque.
Caules, folhas, pecíolo, raque, folíolos são dotados de espinhos amarelados e até enegrecidos. As inflorescências inseridas na base das folhas, com 12 a 27 ramos pendentes com flores, pequenas, não vistosas. As masculinas separadas das femininas, mas nas inflorescências da mesma planta. A palmeira é monóica.
Os frutos são globosos com 1,5 a 2,0 cm de diâmetro, têm epicarpo (casca) de cor negra-violácea quando maduro; mesocarpo suculento, comestível e muito apreciado pela fauna silvestre, e endocarpo (coquinho) com envoltório duro e amêndoa branca, oleaginosa.
A palmeira é utilizada também como ornamento de praças e jardins. Multiplica-se por semente (coquinho) que germina após 120 dias. O nome científico da espécie é Bactris Lindmaniana e tem diversos sinônimos como Bactris setosa Mart. e outros. O nome Lindmaniana é uma homenagem ao grande botânico sueco Carl A. M. Lindman que percorreu o Estado nos fins do século 19, estudando suas regiões e matas sendo autor de uma obra muito valiosa "A vegetação no Rio Grande do Sul", publicação de 1906 em Porto Alegre.
Hipotireoidismo é o mais alto do mundo
Com cerca de 12%, incidência é maior entre as brasileiras
A incidência de hipotireoidismo entre as brasileiras é a mais alta do mundo. Aproximadamente 12% das mulheres do país sofrem desse mal, índice superior ao registrado nos Estados Unidos, Holanda, Espanha e Noruega.
O índice foi levantado por meio de um estudo coordenado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e patrocinado pelo laboratório farmacêutico Abbott. Como a doença é predominantemente feminina, os pesquisadores optaram por acompanhar apenas mulheres - cerca de 1.500 participantes, com idade de 35 a 85 anos, foram submetidas a entrevistas e exames laboratoriais.
Outro dado preocupante é que a maioria desconhece que tem o problema. No início da pesquisa, apenas 2% das entrevistadas afirmaram ter a doença. Uma das conseqüências mais graves do hipotireoidismo é o aumento dos riscos de doenças cardiovasculares, como infartos e derrames.
A tireóide é um glândula em forma de borboleta, localizada na parte central do pescoço e que pesa, em média, 15 gramas. Ela produz os hormônios T3 e T4, que estão envolvidos no controle dos batimentos cardíacos, da atividade cerebral, do sono, da produção de colágeno e do metabolismo, entre outras funções. No hipotireoidismo, a glândula funciona em um ritmo mais lento que o normal, o que pode comprometer várias funções do organismo.
O bom desempenho da tireóide depende do iodo. Na presença de muito iodo, o sistema de defesa do corpo ataca as células da tireóide, o que pode levar a glândula à falência.
Uma das dificuldades para o tratamento adequado do hipotireoidismo é a dificuldade de seu diagnóstico. Os sintomas mais freqüentes da doença são pouco específicos e comuns a outros problemas de saúde. Entre os sinais, destacam-se ganho de peso, ressecamento da pele, queda de cabelo, fadiga, prisão de ventre e depressão.
Um erro freqüente, segundo os médicos, é associar a doença apenas ao ganho de peso, pois nem sempre o hipotireoidismo se traduz em quilos extras. Segundo a pesquisa da Uerj, apenas 34% das mulheres com a doença estão acima do peso. Para identificar o problema precocemente, os especialistas recomendam a medição dos níveis dos hormônios associados à tireóide, por meio de exame de sangue, uma vez por ano a partir dos 40 anos.
Crescem casos de câncer na glândula
O câncer de tireóide é o tumor maligno que mais cresce entre as mulheres. Somente na cidade de São Paulo, a quantidade de mulheres com esse tipo de câncer triplicou em 20 anos.
Segundo os especialistas, essa evolução no número de doentes explica-se pelo fato de o diagnóstico ter se tornado mais freqüente. A busca por um corpo elegante levou muitas pessoas ao endocrinologista, a procura de métodos para emagrecer. Muitos diagnósticos de câncer de tireóide teriam sido feitos durante essas consultas.
Remédio para emagrecer favorece surgimento da doença
A pesquisa sobre hipotireoidismo entre as brasileiras, realizada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, também revelou a estreita relação entre a doença e o uso de remédios para emagrecer. Das mulheres portadoras de hipotireoidismo, 34% já haviam consumido fórmulas para a perda de peso. Esses medicamentos contêm redutores de apetite, diuréticos, laxantes, tranqüilizantes e ainda substâncias semelhantes aos hormônios da tireóide, como o tiratrico, ou os próprios T3 e T4.
Esses hormônios são incluídos nos coquetéis com o objetivo de acelerar o metabolismo e agilizar a perda de peso. Porém, as substâncias só são indicadas quando o organismo não consegue produzi-las em quantidade suficiente. Se forem ingeridas sem necessidade, reduzem o ritmo de produção da tireóide, o que pode causar hipotireoidismo. O consumo dessas fórmulas por brasileiros é um dos mais altos do mundo, cerca de 30 milhões de cápsulas por ano, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Doença circulatória mata mais no RS
As doenças do aparelho circulatório são as principais causas de morte da população gaúcha, segundo a Secretaria Estadual da Saúde. Essas patologias representam 30,6% da mortalidade no Rio Grande do Sul - só o infarto agudo do miocárdio é responsável por 8,1% dos óbitos. Os tumores vêm em seguida, com 19,5% dos casos registrados por ano. Em terceiro lugar estão as doenças respiratórias, com 12,1%. Especialistas afirmam que o alto índice das doenças do coração está ligado aos hábitos alimentares dos gaúchos, que comem mais carne.
Xarope com sabor combate a anemia
A Fundação Oswaldo Cruz começou a produzir um xarope com sabor de laranja para combater a anemia. O objetivo é melhorar a aceitação do remédio por crianças. Especialistas estimam que entre 50% e 70% das crianças brasileiras com até dois anos têm anemia. A doença é provocada pela falta de ferro no organismo, que prejudica o desenvolvimento da criança.
"O xarope deve ser administrado até a criança completar 18 meses. Após, a mãe será orientada sobre como melhorar a alimentação da criança", explica a pesquisadora Grace Mafra. O xarope será distribuído apenas nos postos de saúde e hospitais públicos.
Nova droga contra HIV
Um dos avanços contra a Aids foi a descoberta de medicamentos que atacam o vírus antes que ele penetre nas células, evitando que se replique. Chegou ao Brasil o 1º desses remédios.
Como a droga é injetável, cara (R$ 23,70 a dose) e a única que age sobre os oito subtipos de HIV conhecidos, é um recurso para ser usado quando os outros remédios já não funcionam. O infectologista Artur Timerman, que participou dos estudos, acredita que das 160 mil pessoas em tratamento no Brasil, 10 mil precisam dessa nova droga.
Suco de laranja protege o coração
Rico em vitamina C, o suco de laranja acaba de entrar para a lista dos amigos do coração. A ingestão diária de pelo menos um copo contribui para a redução dos níveis de triglicerídeos e LDL, frações do colesterol que prejudicam a circulação sangüínea. A novidade foi divulgada pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp, em Araraquara, São Paulo.
Durante um ano e meio, pesquisadores avaliaram o perfil de gorduras dos trabalhadores de uma indústria de suco de laranja com livre acesso à bebida no refeitório local. Participaram do estudo apenas homens com níveis normais de colesterol. Além de reduzir os níveis das gorduras nocivas, o suco aumentou a taxa de HDL, o bom colesterol, que limpa veias e artérias.
Os benefícios são proporcionais à quantidade de suco ingerido. Quem consumiu de um a três copos diários teve redução maior nos índices de triglicerídeos e LDL do que aqueles que tomaram o suco apenas de vez em quando. O grupo que bebeu de dois a três copos por dia apresentou aumento de 14,4% no HDL e diminuição de 25,8% no LDL.
Leonardo Boff
Há uma ligação estreita entre poder e corrupção. Para combater a corrupção deve-se evitar a concentração de poder, exigir transparência e punir os corruptos políticos com penas pesadas
O poder tem a tendência a se corromper e o absoluto poder a se corromper absolutamente". Esta é a famosa frase de Lord John Emerich Edward Dalberg-Acton (1843-1902), sempre citada em contextos de corrupção. De família aristocrática anglo-ítalo-alemã, foi professor de história em Cambridge. Católico e adepto do liberalismo, se opunha duramente ao reacionarismo do Papa Pio IX. A 5 de abril de 1887 escreveu uma carta a seu colega Mandell Creighton que havia publicado cinco tomos sobre a história dos Papas do tempo da Reforma protestante. Aí mostrou como eles, contrariamente aos princípios cristãos, abusavam de sua posição de poder e justificavam suas ações apelando para sua função religiosa, pois, nas palavras de Dalberg-Acton, "a função santifica seu portador". Este fato o levou a afirmar que o absoluto poder corrompe absolutamente.
Não sei se por pessimismo ou por realismo afirmava também: "Meu dogma é a geral maldade dos homens com autoridade".
Como católico, o Lorde via na corrupção a presença do pecado original. Esta expressão, não a realidade, foi criada por Santo Agostinho em 416. Por ela queria expressar a visão bíblica segundo a qual "a tendência do coração é má desde a infância" (Gn 8,21). Por esta razão, em lugar de pecado original a tradição cristã usava a expressão corrupção no seu sentido etimológico: ter um coração(cor) rompido(ruptus) ou simplesmente ser homo corruptus. O filósofo Kant não pensava outra coisa quando dizia metaforicamente: "Somos um lenho torto do qual não se podem tirar tábuas retas". Em outras palavras, há no ser humano uma corrupção básica que se manifesta maximamente nos portadores de poder. Por que exatamente neles? Ninguém melhor que Thomas Hobbes para nos responder em seu Leviatã (1651): "Assinalo, como tendência geral de todos os homens, um perpétuo e irrequieto desejo de poder e de mais poder que cessa apenas com a morte; a razão disso reside no fato de que não se pode garantir o poder senão buscando mais poder ainda".
Há, portanto, uma ligação estreita entre poder e corrupção. Corrupção é usar do poder em benefício próprio. O benefício pode ser dinheiro, influência, projeção, tratamento especial. Fundamental é o segredo das transações porque são ou imorais ou ilegais. Usam-se passiva ou ativamente presentes, pressões, fraudes, subornos e nepotismo. Corrupto é quem suborna ou aceita ser subornado para garantir benefícios para si ou para um partido ou para o governo. O ponto central é o abuso da posição de poder.
Como superar a corrupção? De princípio, sempre confiar-desconfiando do ser humano porque nunca é imune de abusar do poder. Nada de dar cheques em branco. Depois, evitar a concentração de poder. A divisão dos poderes foi pensada para evitar a corrupção possível. Em seguida, o controle da sociedade usando especialmente a multimídia. Exigir sempre transparência em todos os procedimentos. Por fim punir os corruptos políticos com penas pesadas por terem cometido um delito especialmente grave que é lesar a coletividade.
Frei Betto
O poder reduz a distância entre o desejável e o possível. Tudo se agrava, porém, quando o poder institucional vincula-se ao poder marginal. Então o poder fica podre
O deputado Roberto Jefferson prestou valiosa contribuição à história do país: provocou a reforma política. Eis mais uma prova de que governo é que nem feijão, só funciona na panela de pressão. Na falta de um projeto estratégico para o Brasil, navega-se aos sabor dos ventos da conjuntura.
Quem fará a reforma? O Congresso nacional? O projeto virá dos arquitetos do Executivo, mas a execução exigirá que os parlamentares tomem em mãos pás, picaretas, maçaricos e outras ferramentas para renovar o sistema político brasileiro. Teremos uma verdadeira reforma ou mero cambalacho?
Encerrada a Constituinte, os repórteres indagaram do senador Marco Maciel quem vencera, a esquerda ou a direita? "Venceu a sociedade organizada", respondeu. Agora, coloca-se a mesma questão. Se a sociedade deixar a reforma por conta dos que serão atingidos por ela é possível que tudo termine em pizza, com o deputado Roberto Jefferson ao fundo cantando uma ária de Scarlatti.
"O poder é afrodisíaco?", indagou o repórter Ricardo Gontijo ao general Geisel, quando este ocupava a presidência da República. O carro partiu sem que houvesse resposta. Mas seu sucessor não temeu reconhecer que "o demônio que assedia o poder é pródigo em tentações". Lord Acton foi mais incisivo. Declarou que "todo poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente".
É injusto qualificar de corruptos todos que dispõem de uma parcela de poder. Mas não há dúvida de que o poder transtorna, em qualquer escala: síndicos, chefes, gerentes, diretores, dirigentes sindicais, deputados ou bispos. São Paulo diria que ele atiça a concupiscência. Torna a pessoa apegada aos prazeres e às facilidades oferecidas a quem ocupa posição de destaque. Atrai homenagens, salamaleques, elogios e aplausos. A vaidade, cega mas não surda, nem percebe o quanto há de falsidade e oportunismo em tudo isso.
Para muitos, o poder é a suprema ambição. É a perversa maneira de se comparar a Deus. Vide os políticos que gastam somas milionárias em campanhas eleitorais e, mesmo derrotados, voltam à cena, como se a sede de poder fosse proporcional à fortuna que dilapidam. Há homens que, fora do poder, sentem-se terrivelmente humilhados, expulsos do Olimpo dos deuses. Como é difícil voltar ao que se era! Vargas preferiu meter uma bala no coração a ver-se destituído de poder.
Malgrado as intenções, a vida se tece em ações. E a cabeça pensa onde os pés pisam. Pouco valem as intenções de quem jura que, "chegando lá não serei como os outros". Será sim, salvo honrosas exceções. Pois o poder atrai dinheiro e opera na pessoa uma mudança de lugar social e cultural. Ela se vê cercada de bajuladores, recebe convites para privar da companhia dos detentores de grandes fortunas, ganha presentes e, sobretudo, passa a dispor de uma infra-estrutura que a reveste de uma aura especial. Troca de guarda-roupa, de casa, de amigos e de mulher. Aos olhos do comum dos mortais, aquele senhor possui as chaves da felicidade alheia. Tem o poder de aprovar projetos, liberar verbas, autorizar obras, permitir viagens, distribuir cargos, promover pessoas, conceder bolsas, e transformar seus gestos em fatos políticos.
O poder reduz a distância entre o desejável e o possível. Quanto maior o poder, menor essa distância. Um governador ou um ministro pode, no mesmo dia, graças à função que ocupa - e às custas do contribuinte - almoçar em Brasília, jantar em São Paulo e dormir no Rio, convencido de que suas conversas e conchavos direcionam o rumo da história...
Quem se apega ao poder não suporta crítica, que mina sua auto-imagem e exibe suas contradições aos olhos de outrem. Daí porque se isola, fecha-se num círculo hermético no qual só têm acesso os que cumprem suas ordens, dizem amém às suas idéias ou, ainda que críticos, se calam coniventes, pois tendo também suas ambições não querem ser rifados por quem possui mais poder que eles. Assim, cria-se uma cumplicidade tática. Temem apenas que certa imprensa saiba o que fazem. No entanto, agem como se copeiros, garçons, motoristas, seguranças e empregados não tivessem olhos, cabeças, ouvidos, bocas, parentes, vizinhos e amigos...
Tudo se agrava, porém, quando o poder institucional vincula-se ao poder marginal, e deputados, senadores, governadores e ministros locupletam-se com bicheiros, traficantes e torturadores, sonegadores, doleiros e corruptos, fiéis ao adágio de que "é dando que se recebe". Então, as duas últimas letras trocam de lugar: o poder fica podre.
GOVERNO ACUSA GOLPE
Seqüência de denúncias de corrupção provoca a saída do ministro José Dirceu, aumenta a crise e instiga a pergunta: até onde Lula é culpado?
A saída do ex-todo-poderoso José Dirceu da Casa Civil, na quinta 16, foi o primeiro forte golpe sofrido pelo governo federal após as denúncias feitas pelo deputado Roberto Jefferson, que no dia seguinte pediu afastamento da presidência do PTB. Em entrevistas ao jornal Folha de São Paulo, Jefferson afirmou que o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, pagava uma mesada de até R$ 30 mil a parlamentares do PP e do PL em troca da fidelidade nas votações de projetos do governo. Conforme a denúncia, o dinheiro da suposta mesada, proveniente de estatais e empresas privadas, chegava em malas a Brasília para ser distribuído por Delúbio e outros auxiliares.
Na terça 14, Jefferson não só confirmou o que dissera como ampliou as acusações, durante depoimento de quase 7 horas na Comissão de Ética da Câmara, onde ele enfrenta um processo de cassação. Dois dias após foi mais enfático ainda ao dizer que Dirceu "é o chefe do maior esquema de corrupção que eu vi nos últimos anos". Dirceu reagiu anunciando ingresso com queixa-crime no Supremo Tribunal Federal contra o deputado petebista e disse que está "pronto para a guerra" para defender a bandeira ética do seu partido.
O mais grave das denúncias de Jefferson é que tanto nas entrevistas como na Comissão de Ética ele repetiu que tinha informado o esquema do "mensalão" a pelo menos cinco ministros, entre eles José Dirceu. Foi só ao levar ao conhecimento do presidente Lula, no entanto, que o pagamento aos parlamentares foi interrompido. Grave também foi a confissão, por Jefferson, de que ele não possui provas das acusações.
Blefando ou não, e mesmo sendo uma figura que não transfere credibilidade - sobre ele pesa acusação de envolvimento em esquemas de arrecadação de propinas em benefício do PTB em estatais como Correios e Instituto de Resseguros do Brasil -, o presidente licenciado do PTB e ex-líder da "tropa de choque" que tentou evitar de todas as formas o impeachment de Fernando Collor de Mello provocou um rombo no Planalto e no Congresso. De nada adiantou o tesoureiro do PT se defender em entrevista coletiva. Também não surtiu o efeito esperado a defesa do presidente do PT, José Genoíno, classificando as declarações de Jefferson de "infundadas, inverídicas e estapafúrdias". A ética e a transparência, binômio que sempre esteve atrelado à imagem pública do Partido dos Trabalhadores, foram no mínimo arranhadas. E o PT, neste assalto de uma luta que promete ser longa, ficou encurralado: se afasta o tesoureiro e o secretário-geral Silvio Pereira, também acusado de envolvimento no "mensalão", estará oferecendo uma confissão de culpa. No final de semana, decidiu mantê-los nos cargos.
Dilma - A saída de José Dirceu pode ser o início de uma mudança ministerial. Lula convidou a titular de Minas e Energia, Dilma Roussef, para ocupar a Casa Civil, pasta que deverá ser mais técnica do que política. Cogitava-se ainda, na semana passada, que outros quatro ou cinco ministros seriam substituídos.
Nem a vitória do Planalto que lhe deu o comando da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da corrupção nos Correios pôde ser amplamente comemorada. O placar foi de 17 a 15, o que indica que dois parlamentares da base aliada votaram na oposição. A CPI começa a trabalhar nesta semana seguindo a ponta da linha que surgiu quando o funcionário dos Correios Maurício Marinho foi flagrado recebendo propina para beneficiar empresas que participam de licitações. E uma nova CPI pode sair, para investigar o "mensalão".
Ambiente - A maior crise em dois anos e meio do governo Lula criou um ambiente propício para que novas denúncias de corrupção apareçam. "Dado o clima estabelecido, novas denúncias vão surgir exatamente por parte de pessoas que se viram envolvidas nesse processo a contra-gosto, ou mesmo por expectativa frustrada", advertiu o cientista político e professor da Universidade de Brasília, Carlos Pio, em entrevista à Agência Brasil.
Se na corrupção flagrada dos Correios há o claro interesse financeiro, com empresas levando vantagens em negócios envolvendo milhões de reais, há dúvidas sobre o que de fato está por trás do "mensalão". "É uma missão político-eleitoral dos tucanos para enfraquecer a candidatura Lula em 2006", responde o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos. Na sua avaliação, o PSDB concluiu que com mais dois anos de governo, como vinha até agora, não teria chances na eleição do ano que vem.
Omissão - Essa seria a causa menos visível. Mas é claro que ela contou com uma ajuda importante, materializada por irregularidades cometidas dentro do governo. Lula declarou que, se for preciso, vai cortar "da própria carne". Já fez isso com a saída de José Dirceu. Precisa, porém, fazer muito mais, a começar por apagar a sensação, que se acentua, de que mais do que governar o país ele está a serviço do núcleo estrategista do PT. Em todos depoimentos que deu, Roberto Jefferson sempre preservou o presidente da República. Por enquanto, Lula passa distante da origem da corrupção, mas não há injustiça em acusá-lo de omissão ou, no mínimo, de falta de percepção em relação ao que se passava, inclusive no Palácio do Planalto. Talvez por isso, e demonstrando profundo desânimo, o presidente tenha admitido que a prioridade atual é preservar sua biografia, jogando a reeleição para um segundo plano.
Avaliação - Lula tem motivos para isso. Um deles é a avaliação de seu governo, que não pára de cair. Pela última pesquisa CNI/Ibope, a avaliação ótima e boa recuou de 39% para 35%; a ruim e péssima subiu de 17% para 22%. Nada que não possa ser recuperado.Tudo dependerá dos próximos passos do Planalto, principalmente porque houve uma percepção negativa das ações do governo no combate à corrupção. Para a maioria dos entrevistados, o governo falha mais na luta contra a corrupção do que para reduzir o emprego, a violência, a pobreza e as deficiências na área de saúde.
Os maus exemplos que vêm de cima
Para o cientista político Carlos Pio, da Universidade de Brasília, no Brasil a corrupção é generalizada. "O cidadão comum pratica a corrupção no seu dia-a-dia sempre que ele pára o seu carro em local proibido, que ele atravessa um sinal vermelho, que ele burla legislações", afirmou. Há abundância de outros exemplos, muito acima do cidadão comum.
Em 1997, gravação revelou que os deputados Ronivon Santiago e João Maria, ambos do Acre, receberam R$ 200 mil para votar a favor da emenda constitucional da reeleição que conduziu Fernando Henrique Cardoso ao segundo mandato. Conforme a denúncia, o então ministro das Comunicações e principal articulador político do presidente, Sérgio Motta, era o caixa da operação. Pelo menos mais três deputados admitiram a venda dos votos em outras fitas.
O ex-presidente José Sarney conseguiu o quinto ano de mandato numa manobra que envolveu a destinação de centenas de concessões de emissoras de rádio e de tevê. O então ministro das Comunicações era Antônio Carlos Magalhães e um dos homens fortes do governo era o deputado Roberto Cardoso Alves, que explicava o apoio dos parlamentares à tese da ampliação do mandato com a frase "é dando que se recebe".
Tem ainda o episódio dos "anões do orçamento", que recebiam propinas para favorecer empreiteiras com emendas e desviavam recursos para entidades assistenciais inexistentes. O esquema era comandado por João Alves e 18 parlamentares foram acusados por uma CPI - seis foram cassados e quatro renunciaram antes do início do julgamento. Em outra fraude, em 1985, deputados votavam em lugar de colegas ausentes para que pudessem receber os jetons. Foram apelidados de pianistas. Felizmente, os envolvidos nesses e em outros escândalos sempre foram uma minoria no Congresso, onde há parlamentares insuspeitos e fatos edificantes, como o impeachment de Fernando Collor de Mello sem afetar a normalidade democrática.
A VIRADA DO LEITE
A entrada em vigor da Instrução Normativa 51, em 1º de julho, vai mudar a vida de 800 mil famílias de produtores de leite de todo o país
Ao entrar em vigor, em 1º de julho, a Instrução Normativa 51 vai mexer com a vida de 800 mil famílias de produtores de leite, que produzem abaixo de 100 litros diários. O Brasil já produz 23,5 bilhões de litros, crescimento de 38% em cinco anos. A IN 51, do Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento (Mapa), é o instrumento criado para normatizar a qualidade do leite cru e derivados lácteos.
Os debates em torno da qualidade do leite brasileiro estão provocando grandes transformações na indústria laticinista e no meio rural. A coleta a granel, especialmente nas empresas com fiscalização federal, está operando em quase 100% nas principais regiões produtoras do país. "O grande mérito da IN 51 foi ter levado o setor lácteo a se modernizar", afirma o presidente do Conselho Brasileiro da Qualidade do Leite (CBQL), João Walter Dürr.
A Instrução Normativa exige que seja coletada uma amostra por mês do tanque do produtor para verificar se o leite se enquadra nos padrões determinados pelo Mapa. Estabelece também que o produto seja resfriado a 7ºC na propriedade e chegue, no máximo, a 10ºC ao laticínio e que o gado seja examinado contra doenças por um médico veterinário. "Não só o produtor ganha, como também o consumidor, que terá produtos melhores à disposição", avalia Paulo do Carmo Martins, da Embrapa Gado de Leite.
A IN 51 busca a diminuição da carga bacteriana e das células somáticas. Cada milímetro de leite tipo C deve conter, no máximo, um milhão de bactérias e de células somáticas. Em 2008, esse número deve cair para 750 mil e, em 2011, menos de 100 mil bactérias e células somáticas para cada mm de leite. "Daqui a seis anos, o leite brasileiro vai atingir o patamar de qualidade exigido pela União Européia", prevê Dürr ao CR. Na verdade, o setor se prepara tendo em vista o grande mercado internacional.
Impactos - Para cumprir a instrução normativa, o investimento em tecnologia é fundamental. Um tanque de resfriamento, por exemplo, custa de R$ 8 a R$ 12 mil, dependendo a capacidade de armazenamento. A grande maioria dos criadores produz uma média de 50 litros de leite por dia, o que inviabiliza a compra de um equipamento tão caro.
A união em cooperativas é uma saída. "A coleta conjunta é um outro caminho", sugere o superintendente da Cooperativa Piá, José Mário Hansen. Localizada em Nova Petrópolis, Serra gaúcha, a Piá beneficia 320 mil litros diários de leite.
Já para o pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária de SC (Epagri), de Chapecó, Vilson Marcos Testa, falta um trabalho de organização de grupos e pequenas associações no meio rural. "É preciso ter compromissos objetivos, com assistência técnica coletiva, planejamento da atividade em grupo e definição de responsabilidades, principalmente, quanto à qualidade do leite coletado e depositado em tanques comunitários", alerta.
A opção pelo resfriamento coletivo, prossegue Testa, está associada à idéia de transformação da produção, o que agrega mais valor e permite apropriar muito mais renda. A IN 51 prevê o pagamento do leite pela qualidade e, num futuro próximo, por sólidos de leite. Isso representa a possibilidade de ganho adicional, o que pode fazer a diferença e viabilizar a atividade. No caso de um agricultor com produção de 100 litros diários de leite, que consegue um adicional de R$ 0,10 por litro, ele terá no final do mês um ganho extra de R$ 300,00.
Custos podem aumentar 20% entre produtores familiares do Sul do país
O impacto que a medida do Mapa pode trazer ao atual cenário da pecuária leiteira nacional, sabendo que a maioria dos produtores tem a marca da exploração familiar (80% do leite captado na região Sul vêm de propriedades familiares), preocupa o pesquisador da Epagri Vilson Testa. "A introdução das normas implicaria em um aumento de 20% nos custos de produção do leite", assegura.
O censo Levantamento Agropecuário Catarinense, realizado em 2003/2004, demonstrou que 54% dos produtores, donos de quatro ou mais vacas, não possuem resfriador - eles respondem por um terço da produção estadual. Das 58 mil propriedades leiteiras, 20 mil usam o taro (imersão) e apenas 4.800 o resfriador de expansão. Os demais resfriam o leite em geladeiras e congeladores convencionais, até de vizinhos.
Tem mais. 80% dos agricultores, que respondem pela metade do leite, têm renda inferior a três salários mínimos e 42%, inferior a um salário. Deste universo, mais da metade têm o leite como principal renda na propriedade. "A realidade catarinense assemelha-se à dos produtores do sudoeste e oeste do Paraná e planalto norte e norte do Rio Grande do Sul, onde a produção tem crescido nos últimos 10 anos", revela ao CR.
Contudo, a tendência é de mais produtores da região Sul migrarem para o leite, já que a atividade é mais rentável que a criação de suínos e aves, por exemplo. "Na venda de R$ 1 milhão de suínos e aves, o agricultor embolsa de 5% a 6% desse valor. Já no leite, abocanha um percentual bem maior. O ganho é de 75%, dependendo dos insumos tirados na própria propriedade", afirma.
De acordo com Testa, o Sul do país poderá produzir 10 bilhões de litros de leite, quase a metade da atual produção nacional, dentro de dez anos. "A região é favorecida pela estrutura fundiária, solo e estações climáticas, podendo produzir leite durante os 12 meses do ano", conclui Testa.
Brasileiro bebe menos de um copo por dia
O consumo de produtos lácteos cresceu nos últimos anos (cerca de 123 litros), mas ainda está abaixo das recomendações do Ministério da Saúde: 146 litros/ano para criança até dez anos, 256 litros/ano para jovens de 11 a 19 anos e 219 litros/ano para adultos acima de 20 anos. O brasileiro toma, em média, menos de um copo de leite por dia. A FAO defende consumo de, no mínimo, 180 litros por habitante/ano, ou três copos/dia.
Os números poderão mudar. A recuperação da economia brasileira tende a estimular o consumo de lácteos, passando a 180 litros/ano recomendados. Para isso, seriam necessários 25 bilhões de litros de leite para atender ao mercado potencial.
O leite que sobra no mercado interno está chegando a 58 países, entre eles o Iraque. "Os iraquianos importaram de janeiro a setembro do ano passado US$ 12,8 milhões em produtos lácteos do Brasil, principalmente leite em pó", informa Paulo Martins, da Embrapa Leite. Outro mercado promissor é a China. "Antes disso, porém, o Brasil precisa investir em qualidade", reforça.
Em 2004, o Brasil atingiu pela primeira vez na história superávit na balança comercial de lácteos e as previsões da FAO indicam que o país deverá ter, até 2010, o segundo maior crescimento absoluto na produção de leite, ficando atrás apenas da Índia.
Os parâmetros técnicos dos 100 maiores produtores do país são também bastante superiores à média nacional. A média de produção por vaca, por exemplo, atingiu 26 kg por dia nos rebanhos confinados, 25,2 kg/dia nos semi-confinados e 15,7 kg/dia nos sistemas com uso de pastagens.
IN 51 impulsiona demanda por análises em laboratório
O leite é composto de proteínas, carboidratos, lipídios, sais minerais, vitaminas e água, sendo um alimento de grande valor nutritivo, principalmente para o ser humano. "É a principal atividade agrícola do Brasil", resume o pesquisador da Epagri de Chapecó, Vilson Testa.
O leite, ao ser extraído de um animal sadio, já contém alguns microorganismos que penetram nos tetos e saem com o leite na ordenha. Além disso, pode ocorrer contaminação posterior, durante operações que se seguem até o consumo. A quantidade de bactérias, sua importância e seu impacto dependerão do tipo de bactéria e do subseqüente tratamento dado ao leite.
A degradação do leite por microorganismos reduz o valor para a industrialização e muda as características dos produtos finais. A importância das bactérias varia conforme o tipo, sua ação sobre os componentes do leite, sua capacidade de permanecer viável e de se multiplicar, comprometendo a qualidade do leite e a saúde do consumidor.
Analisar o leite é a tarefa do laboratório da Universidade de Passo Fundo (UPF), o único autorizado pelo Mapa para atender o Rio Grande do Sul e parte de Santa Catarina. "A UPF tem condições de atender à demanda, fornecendo resultados em três dias úteis", assegura a veterinária do Serviço de Inspeção Agropecuária da Superintendência Federal do Mapa no RS, Milene Cristine.
Segundo o presidente do Conselho Brasileiro da Qualidade do Leite, João Walter Dürr, a Normativa 51 determina que a qualidade do leite de cada propriedade rural seja acompanhada por meio de análises laboratoriais para a identificação de problemas na origem do produto. "A IN 51 possui três requisitos básicos - higiene, sanidade e fiscalização - para garantir um leite de boa qualidade na mesa do consumidor", lembra Dürr.
"Nesta primeira fase serão trabalhados conceitos de educação", salienta o professor. "Nossa preocupação é que não haja exclusão, mas também não haja retrocesso", pondera o superintendente do Mapa no RS, Francisco Signor. O diretor-secretário da Fetag/RS, Elton Weber, aposta em bom senso na aplicação da lei.
Já o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, recomendou à Secretaria de Defesa Agropecuária que adie a entrada em vigor da instrução normativa do leite.
Formação e alimentação desafiam setor
Elevar a qualidade da pecuária de leite será o grande desafio dos produtores em 2005. Além da adequação da atividade às normas do Programa de Melhoria da Qualidade de Leite, constantes na Instrução Normativa 51, o setor precisa apostar na qualificação profissional dos agricultores.
Para o coordenador do Centro Regional de Formação Profissional de Agricultores de Nova Petrópolis (Cetanp), Arnaldo José Basso, não basta oferecer tecnologia de ponta para os produtores, é necessário também orientar e conscientizar para a importância da implantação dessas tecnologias na produção leiteira. "Temos que capacitar a família produtora para ela poder acompanhar a evolução", observa Basso.
Outro item a ser observado é a alimentação animal. Com grande plantel e pequenas áreas, a Serra gaúcha, por exemplo, precisa discutir um novo modelo com baixo custo. "O modelo dessa região é dependente de insumos de fora da propriedade, elevando o custo final do produtor", avalia o zootecnista da Emater Regional de Caxias do Sul, Jaime Ries.
O gado leiteiro serrano é alimentado à base de concentrados (farelo, rações e grãos) no cocho e pouco volumoso (pastagens). As pastagens barateiam a alimentação, saciam o animal e, por conseqüência, aumentam o lucro do produtor.
Porém, outras regiões do Estado, favorecidas pelas condições geográficas, apostam no pastejo rotacionado - a área de pastagem é divida em piquetes e o gado se alimenta rapando o pasto. Enquanto isso, a pastagem cresce. A vaca muda de piquete, promovendo a rotação da área de pastagem.
Santa Clara está 99% integrada às normas
Sediada em Carlos Barbosa, a Cooperativa Santa Clara, com 93 anos de atuação no mercado leiteiro, não teme a implantação da Instrução Normativa 51. Desde 1991, a cooperativa paga o leite pela qualidade. "Foi a primeira do Estado a adotar este modelo", informa o gerente do Departamento Técnico, João Seibel.
Em 1996, a Santa Clara implantou a coleta a granel e resfriadores nas propriedades de seus fornecedores. "Atualmente, 99% dos associados da cooperativa estão plenamente integrados às novas normas do Ministério da Agricultura", conta Seibel.
A Santa Clara atua em 62 municípios gaúchos e congrega 2.100 associados. Investe pesado na genética animal. "Em dez anos, a produtividade leiteira pulou de 33,8 litros por propriedade/dia para 130 litros diários/propriedade", revela.
Cardeal propõe sínodo de reconciliação
Sugestão foi feita aos ortodoxos pelo cardeal alemão Walter Kasper
O representante vaticano para o ecumenismo propôs aos ortodoxos um sínodo de reconciliação e, junto aos filhos da Reforma protestante, uma aliança em favor do redescobrimento das raízes cristãs. As propostas foram apresentadas pelo cardeal Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, durante o Congresso Eucarístico Nacional Italiano realizado no mês de maio em Bari, cidade italiana junto ao Mar Adriático.
Ao fazer sua intervenção, o cardeal Kasper recordou que em Bari foi realizado em 1098 um sínodo de bispos gregos e latinos. Na catedral da cidade portuária de Bari, considerada ponte entre o Oriente e o Ocidente, está o túmulo de São Nicolau, o santo da caridade reconciliadora e que, segundo a tradição, deu origem ao Papai Noel.
"Por que não esperar que aqui, em Bari, mil anos depois do sínodo de 1098, em 2098 (e por que não antes?) possamos celebrar de novo um sínodo de bispos gregos e latinos, um sínodo de reconciliação?", perguntou o cardeal alemão diante do arcebispo do Patriarcado de Moscou, Kirill de Jaroslavl, e do reverendo Eero Huovinen, bispo luterano de Helsinki, Finlândia, que participaram do congresso. O novo pontificado de Bento XVI, assegurou, Kasper, dá esperanças de que essas expectativas não são utopias.
Kasper reconheceu que ortodoxos e católicos "somos herdeiros da cultura européia comum e temos os mesmos valores éticos que são fundamentais para o bem de nossas sociedades e para seus homens". Reconheceu, porém que esses valores estão seriamente ameaçados tanto pelo secularismo na Europa ocidental como pelas "profundas lacerações que provocaram na Europa oriental 40 ou 70 anos de propaganda e de educação atéias", declarou.
Aliança - A todos os cristãos, inclusive aos protestantes, o cardeal alemão sugeriu realizar uma aliança em defesa dos valores cristãos fundamentais que hoje em dia são negados, particularmente na Europa. "O que pode ser mais urgente do que, como próximo passo para a plena comunhão, formarmos uma aliança em favor do redescobrimento e da defesa das raízes cristãs da Europa?", perguntou Kasper.
O cardeal destacou que uma aliança entre as Igrejas cristãs seria uma forma de preservar os valores comuns e uma cultura da vida, da dignidade da pessoa, da solidariedade, da justiça social e em favor da paz. "O que nos impede de começar ainda hoje, aqui em Bari, a discutir sobre essa proposta?, concluiu Kasper.
Papa assume compromisso pela unidade
Fazendo coro à proposta do cardeal Kasper, o Papa Bento XVI confirmou seu compromisso em favor da unidade dos cristãos, promovendo "gestos concretos" que permitam avançar no caminho ecumênico. "Quero confirmar minha vontade de assumir como compromisso fundamental o de trabalhar com todas as energias na reconstituição da plena e visível unidade de todos os seguidores de Cristo", assegurou o Papa em Bari, no final do congresso.
No dia 11 de junho, Bari foi novamente cenário de gestos ecumênicos ao reunir, em torno do túmulo de São Nicolau, bispos das Igrejas orientais católicas de rito bizantino, que durante uma semana participaram, em Roma, de uma semana de estudos sobre as raízes cristãs. E nos dias 18 e 19 de junho, por iniciativa da Comunidade de Jesus, realizou-se a 3ª edição do "Diálogo Internacional entre católicos e judeus messiânicos".
Concílio expôs questão sobre o Espírito Santo
O Concílio de Bari, realizado em 1098, foi presidido pelo papa Urbano II, que expôs a doutrina da Igreja sobre a questão do Espírito Santo. Há décadas os bispos gregos e latinos mantinham a discussão em torno da questão doutrinária da Filioque: O Espírito Santo procede do Pai e do Filho? (posição defendida pelos latinos). Ou procede do Pai pelo Filho? (posição dos gregos). Essa controvérsia já tinha levado ao cisma bizantino em 1054.
Gregos e latinos mantiveram suas posições. A dos bispos latinos (de Roma) foi defendida com sabedoria pelo abade Anselmo, bispo de Canterbury, Inglaterra, santo e doutor da Igreja. Na ocasião, Bari já era uma próspera cidade, graças às relações comerciais com o Oriente.
Vaticano inicia causa de beatificação do Papa João Paulo II no dia 28 de junho
O cardeal Camillo Ruini, presidente da Conferência Episcopal Italiana, anunciou que a causa de beatificação do Papa João Paulo II começará oficialmente no dia 28 de junho. Ao recordar que a causa de beatificação será aberta às vésperas da festa de São Pedro (primeiro papa) e São Paulo, Ruini acrescentou que "será para todos nós uma extraordinária maneira de render graças ao Senhor".
O Papa Bento XVI havia anunciado a abertura do processo de beatificação de seu antecessor no dia 13 de maio, apenas 42 dias após a morte de João Paulo II. A iniciativa da Igreja atende as manifestações dos milhares de peregrinos que se encontravam na Praça de São Pedro no dia 8 de abril, durante as exéquias do pontífice, quando expressaram através de cartazes e de gritos o desejo de fazê-lo "santo subito" (santo já).
O processo começará na diocese de Roma e implicará a coleta de toda documentação sobre João Paulo II, assim como a investigação sobre sua vida e virtudes, recolhendo testemunhos dos que o conheceram. Depois, serão analisados possíveis milagres atribuídos a sua intercessão. O Código de Direito Canônico estabelece que se esperem cinco anos após a morte do candidato a santo para abrir a causa de beatificação, mas o Papa pode dispensar a observância dessa norma.
Padre Zezinho
Deus só sabe amar de um jeito: ao infinito
Deus não nos ama mais do que aos outros. E não ama os outros mais do que a nós. E não ama o Papa mais do que a você, nem a você mais do que ao Papa. Se você acha que Deus ama você mais do que aos outros, está enganado. Alguém lhe ensinou um catecismo e uma teologia vaidosa e errada. Se você acha que Deus ama os outros mais do que a você, enganou-se.
Deus não ama mais nem ama menos a ninguém. Porque Ele só sabe amar de um jeito: ao infinito.
Se Ele amasse menos a alguém ele não seria Deus. Deus não sabe não amar. Por isso que ele é Deus. Nós amamos mais ou menos ou até odiamos. Ele não faz isso. E não fica decidindo sobre quem merece um quilo de amor e quem merece apenas 300 gramas.
O problema do amor não é de Deus, mas nosso. O sol ilumina a terra toda, mas se alguém lhe fecha a porta, sua luz não entra. Não é o sol que ilumina menos, somos nós que não deixamos que ele nos ilumine. Não é Deus que ama menos. Nós é que o acolhemos menos ou mais. Da próxima vez que você tiver a tentação de dizer que Deus o ama menos ou mais repense sua teologia.
Deus ama sempre do mesmo jeito: ao infinito. Mas há gente que responde totalmente ou apenas parcialmente. Jesus foi perfeito na sua resposta. Por isso é que nunca ninguém nesse mundo amou tanto quanto Ele. Deus amou Jesus ao infinito e Jesus amou Deus ao infinito. É por isso que dizemos que Jesus é o Filho bem amado. Bem amado porque bem amou!
Paulinas celebram 90 anos de fundação
Brasil foi a primeira missão criada fora da Itália, no ano de 1931
A Pia Sociedade Filhas de São Paulo, Congregação das Irmãs Paulinas, completou 90 anos de fundação no dia 15 de junho. Foi no ano de 1915, em Alba, na Itália, que padre Tiago Alberione, hoje bem-aventurado, com a ajuda de irmã Tecla Merlo, fundou a congregação pioneira no mundo na utilização dos meios de comunicação social como instrumentos de evangelização.
A partir de uma pequena oficina e de um carisma original, as paulinas construíram um complexo de comunicação em 52 países, que produz programas de rádio, TV, livros, revistas, CDs, DVDs, fitas VHS e portais na internet. Cerca de 2.550 irmãs trabalham, do Ocidente ao Oriente, atuando nesses diferentes campos de comunicação e ajudando a Igreja na missão de evangelizar.
O Brasil foi o primeiro país, fora da Itália, onde a missão paulina ganhou espaço. Em 1931, irmã Dolores Baldi, delegada pelo padre Alberione, abriu em São Paulo a primeira casa paulina fora da Itália. Hoje, a província brasileira conta com 250 irmãs – 25 das quais missionárias em 12 países – e 53 jovens que se preparam para assumir a vida religiosa. A atual superiora-geral da congregação é brasileira - irmã Maria Antonieta Bruscato, que reside em Roma.
No Brasil, a Paulinas Editora publica as revistas Família Cristã, Família Cristã Online e Diálogo. Produz o programa Viver e conviver exibido pela Rede Vida, a Paulinas-COMEP responde pelos CDs e a Paulinas Editora pelos livros. Os produtos de Paulinas são encontrados em uma rede própria de livrarias formada por 27 lojas e em todas as livrarias católicas do país.
Papa aceita renúncia de bispo capuchinho
O Papa Bento XVI acolheu pedido de renúncia (por idade) apresentado por dom Antônio Eliseu Zuqueto, bispo capuchinho da diocese de Teixeira de Freitas e Caravelas (BA). Zucheto, 77 anos, é natural de Resplendor (MG). Para substituí-lo, Bento XVI nomeou no dia 16 de junho padre Carlos Alberto dos Santos, atualmente pároco da paróquia São José, de Aracaju (SE). O novo bispo nasceu há 50 anos em Tobias Barreto (SE).
São José do Herval acolhe religiosos
De 22 a 29 de maio, o noviciado dos capuchinhos, em colaboração com postulantes, noviças e irmãs franciscanas missionárias de Maria Auxiliadora, noviças e irmãs capuchinhas de Madre Rubatto, juntamente com os freis Raul Suzin e Djair Galvan, realizaram missão em São José do Herval, com visita e bênção a todas as famílias (mais de mil) da paróquia e celebrações nas comunidades..
O convite para a missão de reavivar a fé e a oração, criar um clima vocacional e favorecer uma maior unidade na paróquia partiu do pároco de São José do Herval, frei Clair Zampieron. "Houve uma grande participação dos fiéis", salienta frei Lori Vergani, mestre dos noviços capuchinhos. O encerramento ocorreu no dia 29, com a participação de todas as comunidades, que trouxeram seu padroeiro.
Aldo Colombo
Para vencer na vida são necessárias algumas atitudes: ter um projeto consistente, acreditar nele e estar disposto a pagar o preço
Um vendedor de uma multinacional foi enviado para um país africano. Sua missão: vender calçados. Depois de alguns dias, retornou desanimado e, num relatório, explicou à diretoria que não havia qualquer possibilidade de vender o produto naquele país: todos andavam de pé no chão. Alguns meses depois, a empresa enviou outro funcionário, com a mesma missão e para o mesmo país. Ao retornar apresentou um grande projeto de vendas de sapatos naquele país. Segundo ele, as possibilidades eram ótimas, toda a população era cliente potencial, pois ninguém tinha calçado, todos andavam de pé no chão.
A realidade era exatamente a mesma, diferente era a visão dos vendedores. Um deles apenas via as dificuldades, o outro, as oportunidades. Assim é a vida. Há os desanimados, convencidos que, para eles, tudo é difícil, o mundo está contra eles. Outros, sem desconhecerem as dificuldades, fazem delas degraus para subir. Uns se programaram para perder, outros para vencer. E o resultado final será, exatamente, este.
Diante de qualquer dificuldade há pessoas que desistem, mudam de projeto, mudam de emprego, mudam de curso na universidade. E passam a vida em meio às lamentações. Por vezes, os amigos, pais e familiares até lhes dão razão: coitado, não tem sorte! E não tem sorte no trabalho, no amor e na vida.
A vida é uma corrida de obstáculos. Você precisa passar por cima. Muitos preferem fazer longos desvios ou mudar de corrida. Outros, mesmo tendo derrotas e insucessos, não desistem. Apenas empregam maiores esforços. Mais do que em sorte ou azar, acreditam no trabalho e na experiência adquirida, mesmo nas derrotas. Soichiro Honda, fundador da poderosa Honda Corporation, passou por imensas dificuldades, foi derrotado muitas vezes, mas nunca desistiu e – por isso – acabou triunfando. Ele afirma: "Sucesso representa 1% do seu trabalho, que resulta de 99% do que chamam de fracasso".
O fracasso só é fracasso quando nada nos ensina. Do nosso currículo de vida não devemos apagar os fracassos. Muitas vezes uma boa cabeçada vale por dezenas de conselhos. O que aconteceria se, por um passe de mágica, você pudesse apagar de sua vida todos os fracassos? Ficaria infinitamente mais pobre e despreparado. Seria o começo de seu fim. Por que você não coloca a mão numa cerca eletrificada? Porque você aprendeu, com sua experiência, que é preciso tomar cuidado com os fios eletrificados. Talvez já soubesse pelo livro, mas o choque ensina de maneira muito mais clara.
Para vencer na vida são necessárias algumas atitudes: tenha um projeto consistente, acredite nele e esteja disposto a pagar o preço. Se não der certo na primeira vez, experimente de novo, com mais sabedoria. Mesmo que não tiver sucesso em dez vezes, você não é um derrotado, desde que triunfe na vez seguinte. E acredite, profundamente, na força que vem de Deus. São Paulo, que teve também seus insucessos, um dia ouviu do Senhor esta orientação: "Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se revela a minha força" ( 2 Cor 12,9).
Compêndio sintetiza conteúdos da fé
Bento XVI apresenta Compêndio do Catecismo da Igreja Católica
No dia 28 de junho, o Papa Bento XVI apresentará o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, preparado por uma comissão especial presidida pelo então cardeal Joseph Ratzinger, hoje Pontífice da Igreja. A apresentação será feita em Roma, durante solene celebração litúrgica, e o Compêndio começará a ser difundido a partir do dia 29 de junho, na solenidade dos santos apóstolos Pedro e Paulo.
O Catecismo da Igreja foi publicado em 7 de dezembro de 1992, mas a pedido do Congresso Catequético Internacional 2002, João Paulo II instituiu em 2003 uma comissão especial presidia por Ratzinger com a tarefa de elaborar um Compêndio com uma formulação mais sintética e dialogada dos conteúdos da fé e da moral católica. "Quarenta anos depois da conclusão do Concílio Vaticano II e no coração do Ano da Eucaristia, o Compêndio representa um precioso instrumento por satisfazer a fome de verdade que toda pessoa, de qualquer idade ou condição, experimenta", informa uma nota do Vaticano.
O texto será publicado pela Livraria Editora Vaticano e o trabalho de tradução e edição nas diversas línguas depende das conferências episcopais. "É necessário conhecer a essência de nossa fé. Por este motivo, hoje é mais necessário do que nunca um catecismo", disse Ratzinger, quando ainda era cardeal.
Doutrina - O presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz, cardeal Renato Raffaele Martino, está no Brasil desde o início da semana para o lançamento do Compêndio da Doutrina Social da Igreja, publicado pela Editora Paulinas. A obra, organizada pelo Pontifício Conselho Justiça e Paz, aborda os pressupostos fundamentais da doutrina social da Igreja, seus conteúdos e temas clássicos mais recorrentes, e indicações para aplicação na prática pastoral.
Tem como objetivo promover um novo empenho dos católicos, capaz de responder às exigências do tempo atual e às necessidades humanas. O lançamento ocorre durante esta semana em cinco capitais brasileiras - Rio, Salvador, Brasília, Belo Horizonte e São Paulo. Martino participa de todos.
Seminário debate sobre Sepé Tiaraju
Os 250 anos da morte de Sepé Tiaraju, que se completam em 7 de fevereiro de 2006, já começam a ser lembrados pelos gaúchos. Nesta quarta-feira 22 está sendo realizado na Assembléia Legislativa, em Porto Alegre, o seminário "Sepé Tiaraju, 250 anos depois". O escritor Alcy Cheuiche, autor do livro "Sepé Tiaraju", entre outros, é o conferencista. Frei Luis Carlos Susin, irmão Antonio Cechin e Eliane Inge Pritsch são os debatedores.
O seminário é o primeiro passo para as comemorações dos 250 anos da morte de Sepé, fato que há 28 anos originou a romaria da Terra no RS. Corregedor da redução jesuítica de São Miguel, Sepé liderou a resistência guarani às tropas portuguesas e espanholas. Insurgindo-se contra o Tratado de Madri, que obrigava os índios a deixarem suas cidades e fazendas, pronunciou a famosa frase "Alto lá! Esta terra tem dono".
Gaúcho é superior geral dos padres da Consolata
Padre Aquileo Fiorentini, 53 anos, natural de Tucunduva (RS), é o novo superior geral do Instituto dos Missionários da Consolata. Ele foi eleito durante o 11º capítulo geral da congregação, realizado no mês de maio em São Paulo. O eleito desempenhava há seis anos as funções de conselheiro geral do Instituto. No Brasil, a congregação tem cerca de 100 membros.
O novo superior geral cursou filosofia em São Paulo e teologia em Roma. Estudou missiologia na Universidade Gregoriana. Ordenado sacerdote em 1982, padre Aquileo trabalhou na missão africana de Vilankulos, Moçambique, de 1984 a 1987. Em seguida foi nomeado formador e ecônomo do seminário filosófico de Curitiba (PR). Em 2003 trabalhou em Portugal.
Wilson João
A humanidade está marcada por pessoas que se atreveram a pensar diferente, a criar o novo
Faz história nesta humanidade quem desenvolve em si mesmo o poder criativo que recebeu do Criador. Nossa grande semelhança com Deus se realiza na criatividade. O universo permanentemente se recria. Nada se repete. Nada hoje é igual a ontem. Essa é a maravilha deste universo. Há um eterno recriar-se em todos os seres. É uma pena que muitas pessoas não vivem essa "imagem e semelhança" do seu Criador. Passam por essa terra apenas repetindo o que outros pensaram e fizeram. Reclamam, se revoltam, criticam e até tentam destruir quem supera o bitolamento do repetir-se. A história da humanidade é uma revelação clara de pessoas que superaram o repetir-se, e muitas delas, incompreendidas no seu tempo, foram vítimas de perseguição e até de morte, por terem superado os padrões sociais, familiares e religiosos.
HÁ REPETIDORES NA EDUCAÇÃO. Professores "páginas amarelas". Os anos passam e comunicam sempre um mesmo conteúdo, sempre com o mesmo método. Fala-se e sonha-se com escolas criativas, mas ainda temos medo de superar os padrões existentes. Continua-se a aprisionar crianças em salas de aulas durante horas e horas. E parece que os resultados não são bons! Temos uma sociedade muito doente! Pobre de cultura!
HÁ REPETIDORES NA POLÍTICA. Imaginar que estamos repetindo um sistema de "senado", por exemplo, criado no tempo dos romanos, e que o percebemos hoje totalmente inútil, pois a câmara dos deputados já tem gente suficiente para brigar entre si e para sugar o dinheiro do povo. E continuam a repetir velhos esquemas políticos que o povo detesta, especialmente o esquema da "promessa" e do "engano". Todos sentem que vivemos aprisionados por um velho sistema político mundial e nacional, onde as relações maiores são de exploração e fiscalização, em vez de cooperação e solidariedade.
HÁ REPETIDORES DE IDÉIAS E PALAVRAS. Pessoas que, além de viverem sempre com as mesmas idéias, não acolhem novas maneiras de pensar. Permanecem engessadas em suas idéias e emoções, e ridicularizam os que se atrevem a pensar diferente. A história confirma que muitas pessoas que foram tidas como loucas em suas idéias, foram consagradas nas gerações posteriores.
HÁ REPETIDORES DE RITOS E COSTUMES. Rezam sempre do mesmo jeito ou repetem fórmulas feitas por pessoas que revelavam seus problemas e suas emoções. Estamos cansados de ver e escutar rezadores, que nada mais são do que repetidores de ritos e fórmulas. Mortos em seus sentimentos. E ainda reprimem quem se atreve a superar a frieza do formalismo e dos ritos sem vida.
HÁ REPETIDORES EM TODOS OS CAMPOS SOCIAIS. Pobres dos repetidores! Pobres, porque não sentem o sabor da novidade e da aventura. Não degustam da variedade do cardápio humano, e fazem da humanidade uma indústria de peças que se ajustam para sobreviver.
A HUMANIDADE É MARCADA por pessoas que se atreveram a pensar diferente, a criar novidades e a fazer de sua vida uma história singular e irrepetível.
O italiano que está em você
Cleonir Sgarbossa
Estudante de Pedagogia
Cleonir Sgarbossa, 21 anos, de Ibiraiaras-RS, é estudante de Pedagogia na PUC de Porto Alegre. Na família, no trabalho e nos brinquedos começou a construção de sua italianidade:
"Quando era criança, adorava ficar na casa da vovó paterna Rosa Dalpiva Sgarbossa, onde era tudo diferente. Ela falava só o Talian, enquanto meus pais, Francisco e Cleri, misturavam Português e Talian. Brincava muito, pois havia uma casa enorme, de madeira, bem antiga, onde meu pai nasceu e se criou. Antes de demolir esta casa histórica, foi construída a atual, de alvenaria. A casa antiga parecia misteriosa, muito escura, e minha vó não queria que eu fosse lá, dizia que tinha um bicho que ia me pegar. Ghe ze na bèstia che la te ciapa. E minha curiosidade continua até hoje, mas a casa foi demolida. O vovô Ângelo Sgarbossa faleceu quando eu era criança, falava pouco, sentava num banco do pátio, pensava, rezava e, ao entardecer, tomava sua sopa de leite e pão, e ia dormir. Ele me passou um modo tranqüilo de viver, muita fé e esperança. Sempre dizia que ele já fez a sua parte, agora é a vez dos filhos. Só falava Talian.
Eu gostava muito quando a minha tia Ilda Sgarbossa ia fazer o pão; sempre ia com ela ascender o forno de tijolos; o pão era colocado em palhas, posto no forno e, quando estava pronto, a tia me dava para comer com queijo e salame, era um sonho de bom. Às vezes eu fugia da casa da vovó, e ia na casa da falecida tia Helena brincar com meus priminhos Joel e Cleci Sgarbossa.
Um dia, quando estávamos na maior algazarra, vovó chegou para me pegar. Muito brava, ela dizia que ia me dar uma chinelada - te dao na sinelada. Ela não gostava que eu fosse lá, decerto eu a incomodava.
Ao anoitecer, todos os dias a vovó me dava banho, que dizia ser banho pequeno, com este ritual: pegava um paninho, passava nos meus ouvidos, no rosto, e me lavava os pés no lava-pés do banheiro. Assim era o banho da vovó, muito diferente daquele que minha mãe me dava. Só no sábado vovó me dava banho grande, debaixo do chuveiro.
Fui crescendo, o tempo passando, nasceram os outros irmãos, sou a segunda, depois da Francieli, e antes da Juliana e do Elias, e tudo foi ficando diferente. Hoje minha avó está com 85 anos, com pouca saúde. Sou muito admirada por ela e eu também nunca a esqueço. Sempre que me encontro, que a visito, ela me diz que é para eu estudar muito, sinò te resti bauca come mi, senão ficas boba como eu. Mas, ao contrário, a vovó sabe viver bem, tem sua horta repleta de hortaliças, cozinha para a família, e sobra tempo para rezar, ler e se distrair.
Da parte da mãe, tinha a nona Maria Tacca Lazzari, falecida quando eu tinha três anos, e o nono Victório Lazzari, falecido em 2002, tinha seu moinho e ferraria, usava o tempo livre para ler e rezar. Era divertido brincar entre as sacas de cereais e os instrumentos fabricados por ele, tocar o fole, e brincar na roda d’água.
Nunca pensei que ser italiano fosse tão bonito. À medida que, em Porto Alegre, leio revistas, jornais, estudo alguma coisa, participo de festas italianas de todo o tipo, vejo sempre mais sua importância e comecei me sentir eu mesma, com orgulho de ser italiana, diferente dos outros e geralmente admirada pela minha italianidade.
Quando confecciono alguma peça artística em costura geral, macramé, bordado, ponto-cruz..., bem como quando estudo pedagogia, recordo que sou herdeira de princípios morais, religiosos e culturais, próprios da minha etnia e cultura." csgarbossa@bol.com.br
Cleonir, de fato, se transferiu para Porto Alegre e, em contato com a diversidade étnico-cultural, cada dia mais aprimora sua italianidade, recheada de saudades do mundo infantil (Rovílio Costa).
Os criadores da canção La Merica
Rovílio Costa
Frei capuchinho, professor e pesquisador
Com o título La Merica, este poema com estribilho e três estrofes se encontra na obra de Ângelo Giusti, a quem a tradição oral atribui a autoria. As demais estrofes são aditamentos e bem se vê a dissonância nas idéias. A probabilidade de Ângelo Giusti ser o autor é muito grande, porque sua obra Poemas de um imigrante italiano só traz textos de sua autoria, nenhum poema copiado, e a canção La Merica está na página 65 de uma obra de 70 páginas com observação do prof. Luis Alberto De Boni de que o poema é por tradição oral local de autoria de Angelo Giusti. Giusti fazia os poemas e nos fins de semana, nos encontros de Igreja, ele os cantava com os amigos. Freqüentemente ia a Flores da Cunha para pedir ao conhecido músico sacro francês, frei Exupério de La Compôte, para compor as músicas para seus poemas e as aprendia de cabeça. E o La Merica de Giusti bem se aproxima do estilo musical do frade. Portanto, a letra é certamente de Giusti, e a música foi composta por Exupério de La Compôte, em estilo fácil para facilmente ser aprendida e cantada, como aliás são todas as suas canções.
Angelo Giusti faz parte da primeira geração de imigrantes da então Colônia Caxias, morando no atual território de Flores da Cunha, no travessão Rondelli, à beira da Estrada que vai de Flores da Cunha a Antônio Prado, onde faleceu com 81 anos, a 23 de fevereiro de 1929. Antes de sua morte, depositou um conto de réis no Banco Pelotense para serem rezadas missas em seu sufrágio, depois da morte, e elaborou também o epitáfio para seu túmulo, assim redigido:
Qui giace Angelo Giusti,
Fu poeta di poco valore.
La sua anima è partita
A render conto a Nostro Signore.
Se se observar os títulos de seus poemas, todos de sua autoria e todos referentes a histórias italianas, não resta dúvida que este poema com três estrofes e estribilho é de sua autoria. Entre outros poemas tem: Le campane di Nuova Trento; Benedizione delle Campane; Per la chiesa nuova di Nova Trento; Festa di San Pietro; Pio Decimo; Bandiera Cattolica; Le streghe; Inno in onore alla Madonna di Maggio; Le cavalete; Le donne si fanno tosar; Padre Raimondo; Archivescovo Giovanni Becker.
A letra
Da l’Italia noi siamo partiti
Siam partiti col nostro onore.
Trenta sei giorni di macchina e vapore
E in America siamo arrivà.
Merica, Merica, Merica,
Cossa sarala sta Merica?
Merica, Merica, Merica,
un bel mazzolino di fior.
A l’America noi siamo arrivati
Non abbiam trovato nè paglia e nè fieno
Abbiam dormito sul nudo terreno
Come le bestie abbiam riposà.
Ma l’America l’è lunga e l’è larga
È circondata da monti e da piani
E con l’industria dei nostri italiani
Abbiam formato paesi e città.
As duas estrofes seguintes são aditamentos, foram publicadas em vários livros, inclusive em Canti Taliani, de Ivo Adamatti e TheodoroWebber, UCS/EST, 1980 e em Ricordi d’Italia, de Carino Corso, Passo Fundo, 1993.
Nela Merica noi siamo arrivati,
Abbiam trovato una rica signora,
Abbiam messo il cortelo a la gola
E l’argento abbiamo trovà.
E nela America abbiamo piantato
Formento, miglio, ingurie e meloni,
Abbiam mangiato dei grossi boconi
Abbiam goduto la libertà.
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (314)
Assisi, la cità del santo dela pace
Rafael Baldissera
Professor, Curitiba - PR
- Adesso, dise Adilson, ndemo a la Ùmbria, veder Assisi, antica cità medievale, con alte murature, che ze la cità dove, in 1182, ze nassisto San Francesco de Assisi, fiol de Pietro Bernardone, e in 1194 ze nassisto Santa Chiara. I due i se gavea inamorà, ma i ga dessidio méterse in convento. Clara la ga fondà l’Órdine dele Clarisse, e Francesco, in un giorno che’l pregava nea cesa de San Damiano, el crocefisso el ghe ga parlà così: "Francesco, recostroi la me Cesa". E Francesco el ga abandonà la casa de so pare par méterse rangiar la cesa, come el Signore gavea domandà. Ma so pare, contràrio a la idea che’l gavea de assar tuto par farse religioso, lo ga messo in preson particolare. Ma, a insistensa dea so dona, lo ga liberà, ma prima lo ga deseredità de tuto quel che’l ghea dirito, parché Francesco se ghea messo in testa de seguir la povertà. E Francesco el dise d’incontro so pare: "No me importa!" E el se cava fin le rope che el gavea tel corpo e le smaca a so pare, disendo: "Tégnele, che desso posso liberamente dir ‘Padre nostro che sei nei celi’!" E el ga scominsià la Órdine Francescana in tre grandi rami e che oncó i ze miliaia e miliaia in tuto el mondo.
- Varda ti che mestier, dise Nanetto, quando son ndà a Val Véneta, ghe gavea dito al Prete Clementino Marcuzzo che mi gavea voia de ndar a prete, ma lu el me ga dito che mi gera romai meso vanti de età e che bisognea far tanti stùdii.
- Lora, Nanetto, no stà lamentarte. Basta che te vivi come bon cristian, che te vè messa a la doménega, te laori e te rispeti la gente. Ben, ndemo vanti: Dopo sto tanto, Francesco el ga riunio i so compagni e i ga ricostruio la ceseta che la gera bastansa vècia. Ma, ben pi tardi, Francesco el ga capio che’l dovea riformar la Cesa Catòlica, che, in quel època, la vivea con massa richessa. Alora, el ga scominsià dando l’esémpio, vivendo in assoluta povertà e in orassion. El ga scrito la Règola che dovea orientar la Comunità e la ga portada al Papa Inocenso III par aprovarla. De ritorno da Roma, el ga costruio el primo presèpio del Mondo, ma con figure vive: un mul, na muca, na piégora, i pastori e i tre re magi. I conta i abitanti de Assisi che, arquante volte vegnea in cità un lupo, che’l spaventea el pòpolo. Ma Francesco el ghe dea un toco de carne, lo caressea e lo ciamea de fradel lupo. Cossì el lupo el ndea via tel mato, contento. Ma Francesco el ciamea a tuti e a tute le cose de me fradel, me sorela. Cossì el disea: me fradel sole, me sorela luna.
Pi tardi, Francesco el ga ricevesto le piaghe dea Passion de Cristo ntee man, ntei pié e ntel peto. Sentindo vissinarse la sorela morte, el ga reunio i confrateli, e el se ga racomandà al Signore. El ze morto ai 44 ani. I lo ga sepolio ntea Basìlica de Assisi. In vita el saludea le persone con le parole: Pace e Bene.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
La piantela del lin
Amélia Diomira Lain
Forqueta, Caxias do Sul – RS
Quando i imigranti i ze vegnesti al Rio Grande do Sul a 130 ani indrio, i se ga portà la semensa del lin. Ntei nostri giorni, per dequa, no se lo cognosse gnanca più ma a Conceição dela Linha Feijó, de Caxias do Sul, ghe zera tante fameie vegneste de Pádua che se ga portà le màchine de filar e el tessaro de far la fasenda de lin. I piantea el lin ntel mese de maio. El vegnea su 60 a 70 centìmitri e dopo el sfioria. Bei fioreti asuri e quando la semensa la zera madura, là per desembre, i lo cavava su e i lo batea per tirar la semensa. Dopo, la piantela che la zera drita e fina, i la metea oto giorni soto l’aqua par farla molar la scorsa.
Dopo, i la tirava del’aqua e i la metea a secar al sol. Dopo ben seca i la batea naltra volta par tirarghe via la scorsa, che i la metea ntela gramola, màchina per far la stopa. I ciapea la stopa e i la metea ntel aqua con sendre fin che la vegnesse bianca. Alora i la lavava polito. La restava fina e bianca. Na maraveia. Cola màchina e coi dedi i fea el fil de far fasenda.
Qua a Conceição la Angela Rufato e la Italia Tonietto le gavea el telaro de far fasenda. Coi fii più bei le fea le robe de vestir e coi fii più grossi le fea i nissoi e i sachi per meter el mìlio e el formento per menarli al molin o anca per altre robe. La nona Domenica Mezomo, che la zera vegnesta de Feltre, Itália, la disea che là tute le done le gavea la màchina de filar e el tessaro. Quando le gavea la stopa pronta per far el fil le se reunia arquante done, de note, te la casa de una, per far el fil e, quando che tute le gavea fenio de farlo, le prontea na sena con un bon risoto, ma sta bela festa la zera sol par le done. I òmini no i podea mia ndar.
Fursi per questo è che ze vegnesta fora la stòria che i contava che i òmini i volea magnar anca lori al manco na volta sto risoto. I se ga conbinadi che, a la prima sera che le done le fea sto risoto, de qualche maniera i lo magnaria anca lori. Ma, no i savea come far. Alora Piero el ze vegnesto a saverla che le prontea el risoto a casa sua.
- Mi ghenò pensa una che la ga de ndar drita, el ga dito. Ntel scurir vegni tuti a casa mia, scondeve e vardé che le done no le ve veda e quando el risoto ze pronto mi ve ciamo.
Riva la note del risoto e poco vanti note, sensa che so dona lo vedessa, Piero se sconde sora el sofito dela cosina. Intanto, riva arquante done. Mariavèrgine, che ciacolamento! Tute indafarade a prontar la sena e Piero sora che’l scoltava tuto. Quando el ga sentisto chel risoto l’era pronto, el ga dato due pugni forti sora el sofito. Le done le se ga fermade sùbito de ciacolar e le se ga meteste a scoltar cossa che l’era. Lora Piero ga metesto zo na gamba par na fresta sora el fogolaro e el ga dito co na vose de spaurar anca i sorzi:
- Done, done divote, ndé in leto che l’è mesa note. Qua gh’è San Piero che comanda, alsate i oci che vederete la gamba!
Imagineve le done co le ga sentisto quele parole e visto quela gamba bianca e pelosa. Le se ga spaurade e scanpade via a tuta carera. Alora, i òmini che i spetava, sconti, a la banda de fora, i ze ndai rento in cosina e là i ga catà tuto pronto. Contenti come cagneti famai i se ga sentai in tola e Piero li ga servidi a tuti. E con un garafon de vin bon i ga fato na sena principesca.
Diversidade marca festival
Nova Petrópolis promove folclore de 9 a 25 de julho
Nova Petrópolis, Jardim da Serra Gaúcha, estará movimentando a cultura no Estado com o 33° Festival do Folclore, nos finais de semana, de 9 a 25 de julho, apresentando ao público manifestações culturais de etnias como alemã, italiana e ucraniana.
No sábado, 9, realiza-se o Baile de Escolha das Soberanas do Folclore, no Centro de Eventos. No domingo 10, as ruas serão tomadas por um grande desfile alegórico, quando participam todas as comunidades do interior. Outras atrações são o baile da terceira idade, dia 16, e o baile do Folclore Infantil, dia 17, com escolha do rei e da rainha.
As apresentações no Centro de Eventos têm entrada franca; para as realizadas no Parque será cobrado o ingresso normal, de R$ 2,00. O secretário de Turismo, Zelizio dos Santos, e a rainha, Carina Schildt, visitaram o CR.