
DESCOBRINDO CAMINHOS
Desde 1909, onde o conteúdo faz a diferença.
Edição 4.943 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 29 de junho de 2005.
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Herança de sofrimento para gerações inocentes
Fica cada vez mais claro que o homem não sabe, ou não quer, viver em harmonia com a natureza
Basta olhar para algumas das paisagens que restaram da Mata Atlântica para saber o quanto se perdeu. De uma área original de 1,290 milhão de quilômetros quadrados da floresta, ficaram de pé apenas 8% - um crime irreparável, de conseqüências nefastas para os brasileiros e para o mundo.
A localização privilegiada da Mata Atlântica, serpenteando o litoral do país, não permitiria que ela se mantivesse intacta 500 anos depois de ser descoberta por colonizadores europeus. Nem poderia ser ela um impeditivo irremovível para o desenvolvimento de regiões brasileiras. Mas a destruição alcançou níveis absurdos, comprometendo um dos biomas mais importantes do planeta - descrito na página central desta edição.
O avanço descontrolado de projetos habitacionais, movidos pela ganância imobiliária, juntamente com a exploração agrícola sem critérios dizimaram quase 1,2 milhão de quilômetros quadrados de florestas, ou 14% do território nacional. Com o desmatamento desapareceu também boa parte de uma biodiversidade riquíssima, prejuízo que jamais será dimensionado com precisão.
O mais lamentável é que a devastação não cessou. Leis específicas de uso do solo foram criadas, grupos de proteção organizados, campanhas de conscientização se sucederam, mas nada tem evitado a ação predadora do homem.
O exemplo da Mata Atlântica se aplica a outras reservas florestais que encolhem a cada ano. Sem fiscalização eficiente e, o principal, sem punição rigorosa, árvores seguem tombando, animais sendo extintos, mananciais de água sendo contaminados ou secando.
Fica cada vez mais claro que o homem não está sabendo - ou querendo - viver em harmonia com a natureza, respeitadas as exceções de grupos que tomaram consciência de que um depende do outro. Por enquanto, a força humana prevalece sobre a fragilidade do meio ambiente. Mas a poluição, o efeito estufa, as anomalias climáticas são problemas que essa agressão já provoca. Ou começa-se a estabelecer logo uma convivência pacífica e equilibrada ou se deixará uma herança de sofrimento e mortes para gerações de inocentes.
Déficit compromete futuro do HG
Dívidas acumuladas do Hospital Geral somam R$ 6,5 milhões
Enquanto a receita mensal gira em torno de R$ 2,3 milhões, as despesas somam R$ 2,6 milhões. Além disso, os custos aumentam (energia elétrica, telefone, água, folha de pagamento...) e as receitas estão congeladas. Este é um resumo do quadro financeiro do Hospital Geral (HG), fornecido ao CR pelo seu diretor-geral João Caetano. Como essa situação perdura desde 2001, o déficit acumulado chegou a R$ 6,5 milhões, formado principalmente por débitos bancários e com fornecedores.
A diferença, em média de R$ 300 mil por mês, vem sendo arcada pela Fundação Universidade de Caxias do Sul (FUCS), entidade que firmou convênio com o Estado para administrar o HG. A FUCS é a mantenedora da Universidade de Caxias do Sul (UCS). Isso equivale a dizer que é da UCS, que tem receita, que vem saindo recursos para que o HG continue prestando serviços a mais de 40 municípios da Serra gaúcha. Só que a UCS não está em situação financeira que permita disponibilizar esse dinheiro todo o mês - pelo contrário, a instituição está sob rígida contenção de gastos.
O HG recebe atualmente R$ 1,114 milhão/mês de repasse do Estado e um valor um pouco acima disso que é o pagamento, pelo Sistema Unificado de Saúde (SUS), pelos atendimentos realizados. "Como este é um hospital de ensino, estamos aguardando a assinatura de um contrato com o Ministério da Saúde, via Prefeitura (porque a saúde é municipalizada), que elevará em R$ 215 mil mensais nossas receitas", informa Caetano. Mas mesmo esse recurso adicional não será suficiente para cobrir todas as despesas. Até porque a despesa financeira que a dívida gera tem variado neste ano de R$ 96 mil a R$ 115 - o acumulado nos quatro primeiros meses deste ano, segundo Caetano, chegou a R$ 469 mil.
Para sanar a dívida, a instituição aposta na ampliação dos serviços de alta complexidade, que são melhor remunerados pelo SUS. Na próxima semana, o hospital começa a realizar os exames de hemodinâmica e, com isso, dá início às cirurgias cardíacas. Com o funcionamento pleno desses novos serviços, a estimativa é aumentar a receita do hospital em R$ 100 mil mensais.
Mas há um outro plano sendo avaliado por uma equipe, da qual faz parte também o secretário estadual da Saúde, Osmar Terra. É criar uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) para administrar o hospital, Dessa organização participariam o Estado, Prefeituras da região beneficiadas pelo HG e entidades representativas. Esse novo modelo tiraria a responsabilidade da Fucs, mas conservaria o caráter de hospital-escola, necessário para a Universidade.
A direção do HG também estuda a possibilidade de contrair empréstimo bancário para quitar as dívidas com os fornecedores e evitar os juros incidentes sobre os R$ 6,5 milhões. Uma comissão especial já foi criada para renegociar com os fornecedores o pagamento dos débitos.
Prefeitura promove concurso de vinhos
A Prefeitura de Caxias do Sul, por meio da Secretaria Municipal da Agricultura (SMAG), lança no próximo dia 6 de junho, nos pavilhões da Festa da Uva, a 8ª edição do Concurso Melhores Vinhos. Durante esta semana, equipes da SMAG realizam a coleta de amostras nas 74 cantinas participantes. Logo após será feita a análise sensorial por cerca de 30 enólogos.
Nas últimas semanas, técnicos visitaram as cantinas registradas do município para entregar o regulamento do concurso e colher sugestões dos vinicultores. Entre as novidades deste ano está o lançamento de um troféu permanente, especialmente criado para premiar os vencedores. O troféu será oficialmente apresentado à imprensa e aos participantes na ocasião do lançamento do concurso.
Segundo o engenheiro agrônomo da SMAG, Gilmar Onsi, 90% das cantinas do município trabalham com uvas de mesa. "Por isso, os produtores se inscreveram em cinco categorias: tinto de mesa seco, branco de mesa seco, rosado de mesa seco, branco viníferas e tinto viníferas", explica.
Festuva apresenta candidatas dia 15
As candidatas a rainha e princesas da Festa Nacional da Uva 2006 serão apresentadas à sociedade caxiense no próximo dia 15 de julho, durante baile que será realizado no Clube Juvenil. "Como neste ano o Juvenil está completando 100 anos, queremos aproveitar esta festa para relembrar os antigos bailes, resgatar a história e o glamour deste que é um dos principais momentos da Festa Nacional da Uva", destaca o diretor da Comissão Social, Reomar Slaviero. As inscrições para o concurso de rainha e princesas se encerram às 24h desta quinta 30 e a escolha acontece no dia 10 de setembro, nos Pavilhões da Festa da Uva. Até a segunda 27 mais de 10 candidatas estavam inscritas - informações pelo (54) 3027.1733 ou 3027.1734.
Para esta ‘volta ao passado’ a Comissão Social prepara decoração especial com exposição de fotos dos primeiros bailes e a presença de ex-soberanas e ex-presidentes da Festa Nacional da Uva.
Estudo revela períodos mais críticos para geadas
Trabalho inédito avalia a ocorrência do fenômeno no Brasil em mais de um século
Já não ocorrem mais geadas como antigamente. Esta frase tem sido ouvida com freqüência cada vez maior de moradores das serras gaúcha e catarinense. Ela resume um quase consenso, estabelecido a partir de observações ao longo de 50, 60, 70 ou mais anos. De certa forma, corresponde à realidade. Mas não integralmente. A incidência de geadas no Brasil tem obedecido a ciclos, que variam de 20 a 30 anos. Se a pessoa se referir a um desses períodos, terá toda razão em afirmar que a ocorrência é mais fraca na comparação com o anterior. Mas pode ser o contrário.
Esta é uma das conclusões a que chegou o mais completo estudo já realizado no país. Técnicos do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e do Instituto Nacional de Meteorogia (Inmet) pesquisaram, a pedido principalmente de produtores de café, a ocorrência de geadas no país de 1899 a 2004. O Correio Riograndense é o primeiro jornal a ter acesso a esse trabalho, concluído no início deste ano, embora muitas das informações continuem, por estratégia econômica, vetadas à publicação.
A análise dos dados referentes a 105 anos criou uma divisão de cinco períodos. O primeiro, de 1899 a 1924, foi marcado por geadas mais amenas; no segundo, de 1925 a 1946, os registros mostram o inverso; o terceiro, de 1947 a 1976, foi marcado novamente por geadas fracas; no quarto, de 1977 a 1998, voltaram geadas fortes. Pela seqüência, o Brasil ingressou em 1999 num período em que haverá poucas geadas. A atual fase, a persistirem as características do século passado, deverá se estender por mais cerca de duas décadas.
A pesquisa do Iapar/Inmet apurou ainda que as geadas mais devastadoras em 105 anos ocorreram em 1902, em 1918 e em 1975. Em média, porém, a cada cinco ou seis anos há uma geada considerada severa. "A próxima pode ocorrer neste ano, mas, com maior probabilidade, em 2006 ou 2007", prognostica Expedito Rebello, chefe da Divisão de Meteorologia aplicada do Inmet. Um dos mais importantes efeitos desse fenômeno com intensidade considerada devastadora é a destruição de lavouras agrícolas (leia ao lado).
Lua - Após avaliar mais de 100 anos, os técnicos responsáveis pelo estudo verificaram ainda que o período mais crítico para a formação de geadas vai de 25 de junho a 27 de julho. Dentro desse espaço de tempo, a incidência é de 9 a 18 de julho. "Pela média histórica, 31,2% das geadas aconteceram nesses 10 dias", informa Rebello. Outra constatação é de que mais de 70% das geadas coincidem com as fases da lua cheia e minguante - 21% na crescente e 8% na lua nova.
Temperatura sobe e afeta agricultura
O estudo do Iapar/Inmet confirma a sensação de que tem feito mais calor nos últimos anos no Sul do país. A partir de 1999, pelas peculiaridades dos ciclos climáticos, as temperaturas se elevaram. "Nossos registros indicam que atualmente estamos com dois a três graus centígrados acima da média histórica", informa Expedito Rebello, chefe da Divisão de Meteorologia Aplicada do Inmet, vinculado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. "No mês passado, os termômetros superaram a média histórica em até seis graus centígrados", complementa. Maio foi um mês com dias atípicos, com temperaturas atingindo mais de 30 graus centígrados em vários municípios gaúchos, inclusive da Serra, onde tradicionalmente o período é de muito frio - exceção dos 10 a 15 dias popularmente denominados "veranico de maio".
A tendência, considerando-se as alterações climáticas do planeta, é de que faça mais calor na região Sul daqui para a frente. Um prognóstico climático de longo prazo permitiu até especialistas da Embrapa projetarem mudanças profundas na agricultura gaúcha. Dentro de 50 a 70 anos, as temperaturas de inverno no Rio Grande do Sul equivalerão às da primavera atual. Como conseqüência, o Estado poderá plantar café e frutas cítricas onde hoje cultiva soja e trigo.
Técnicos apuram freqüência e a intensidade do fenômeno
A conceituação de geada varia. Segundo o Iapar, por exemplo, sob o aspecto físico, "geada é o processo de congelamento do orvalho depositado sobre uma determinada superfície exposta à perda de calor"; sob o aspecto agronômico, "considera-se geada qualquer abaixamento de temperatura que acarrete na planta efeitos prejudiciais ao seu crescimento ou desenvolvimento". Portanto, sob o ponto de vista agronômico, nem sempre a presença de gelo sobre as superfícies expostas significa que ocorreu geada, pois a temperatura que provoca a morte das plantas pode não ter sido atingida.
Classificação - O estudo das ocorrências durante mais de um século permitiu classificar a geada em três categorias: severíssimas (ou devastadoras): que são aquelas que afetam toda a plantação (de maçã no Sul ou de café mais ao centro do país). Em média, esses eventos são registros a cada 30 anos. Geadas severas: provocam danos parciais ou totais em plantações localizadas em áreas mais baixas, com possibilidade de algum dano em partes mais altas, afetando total ou parcialmente a produção do ano seguinte - ocorre com freqüência de uma a cada cinco ou seis anos. Geadas moderadas: podem causar alguns danos às plantas localizadas em partes baixas e pouco ou nenhum nas partes altas. A freqüência é de uma a cada três anos.
No Brasil podem ocorrer apenas dois tipos de geada: a de vento e a de radiação. A geada também recebe três denominações: branca (ocorre sempre que se dá a formação de orvalho sobre as superfícies expostas, como planta, solo etc..., com posterior congelamento quando a temperatura atinge 0ºC - é quando um manto branco de gelo recobre as superfícies), negra (no Brasil é assim chamada a geada de vento, devido ao aspecto enegrecido dos tecidos danificados pelos ventos frios) e canela (quando as superfícies ficam mais frias que o ar, que tende a se acumular junto ao solo, deslocando-se para partes mais baixas do terreno - movimento também chamado "brisa catabática").
Dados do Império
Seja fraca, moderada ou forte, a maior incidência de geadas no Brasil é sempre na região Sul (observe mapa ao lado). As mais intensas formações são historicamente registradas nas serras gaúcha e catarinense.
Para chegar a essas e outras informações que estão no estudo, técnicos do Iapar recorreram ao banco de dados sobre o clima do Inmet. O Instituto foi fundado em 18 de novembro de 1909, no Rio de Janeiro (hoje funciona em Brasília), junto com o Observatório Nacional, mas dispõe de registros sobre o clima brasileiro desde o tempo do Império.
O inverno no Sul
O Inmet prevê para o Sul do país um inverno com "temperatura variando de normal a ligeiramente acima da média". Cauteloso, o alerta do instituto para esses três meses indica a possibilidade de "eventos extremos com queda brusca de temperatura decorrente do avanço de uma massa de ar frio mais intensa ou dias quentes associados ao predomínio de alta pressão por dias consecutivos". Em outras palavras, o inverno terá dias frios, com temperaturas abaixo de 0ºC - como já ocorreu no primeiro dia da estação, 21 de junho -, vai chover mais no Rio Grande do Sul e Santa Catarina (de 300 a 500 mm), mas o período será intercalado por dias de temperaturas relativamente elevadas.
Grito da Terra abafado no Estado
Governador Rigotto apenas confirma os R$ 29 milhões do programa troca-troca
O que vamos anunciar aos milhares de agricultores em Porto Alegre?", indagou o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag), Ezídio Pinheiro, antes de se dirigir aos cerca de 7.000 agricultores do Grito da Terra na capital gaúcha. A manifestação é feita anualmente para chamar a atenção do governo e da sociedade para os problemas da agricultura familiar.
Neste ano, entretanto, não houve grandes avanços. "As negociações com os governos nunca foram tão difíceis", lamenta Pinheiro. Até mesmo o governador Germano Rigotto, antes de encontrar-se com os agricultores, desabafou a dirigentes da Fetag: "O que é que eu vou dizer a esse povo?"
Em seu discurso, na Praça da Matriz, o governador Rigotto confirmou o investimento de R$ 29 milhões para o programa Troca-Troca de Sementes. Enfatizou que o Estado já está auxiliando ao aplicar recursos extras no Bolsa Estiagem e ao abrir mão de R$ 16 milhões referentes ao rebate do troca-troca.
O Grito da Terra conseguiu apoio ao projeto da Casa Familiar Rural com cedência de professores e prédios de escolas desativadas. Na área ambiental, o governo garantiu que o pequeno produtor ficará isento do cadastramento de silvicultor. Essa era uma reivindicação de 20 anos.
Apesar das pautas principais permanecerem em aberto, o vice-presidente da entidade, Sérgio de Miranda, se mostra otimista em relação à habitação rural, pois o governo do Estado vai estudar o lançamento de um programa para moradia no meio agrícola. "Há uma demanda de 10 mil casas no interior e um número igual ou maior para efetuar reformas", revela ao CR. Com verbas federais as construções vão exigir investimentos de R$ 100 milhões.
Novo documento para transporte de toras
Os proprietários rurais do RS e os municípios que são habilitados para o licenciamento ambiental de atividades de impacto devem ficar atentos ao novo documento que controla o transporte de produtos florestais nativos no Estado. A Secretaria do Meio Ambiente (Sema) lançou na quinta, 23 o novo modelo da Autorização de Transporte de Produto Florestal (ATPF). Junto com a ATPF, será emitido o Selo de Trânsito para ser colado na terceira via da nota fiscal para cargas de toras de araucária e de folhosas, lenha e palmito nativos.
Segundo a Sema, o novo modelo aperfeiçoa o sistema de controle e fiscalização do transporte e padroniza o documento, pois as prefeituras utilizavam formulários diferentes. "As prefeituras terão o prazo de dois meses para se adequarem à alteração, buscando a nova ATPF nas agências florestais", diz o chefe da Divisão de Licenciamento Florestal, Fabrício Azolin. Informações www.sema.rs.gov.br
Prazo da certificação animal encerra dia 10
Termina no próximo dia 10 de julho o prazo para que os produtores atualizem seus dados na certificação animal. Em agosto, uma comitiva da União Européia vai dar início às auditorias em todo o país. Quem não estiver adequado às normas estará impedido de cadastrar novos animais no Sisbov.
Os técnicos europeus vão avaliar todas as etapas do processo de rastreabilidade: base de dados, frigoríficos, certificadoras, secretarias de Estado e propriedades rurais. Com os dados, o Ministério da Agricultura vai montar um banco nacional de dados.
A União Européia compra atualmente mais de um terço da carne exportada pelo Brasil, o que representa em torno de US$ 800 milhões por ano. Os negócios podem ser cancelados se as regras de rastreabilidade não forem cumpridas na totalidade. Um dos pré-requisitos será a certificação por cabeça e não por lote ou propriedade.
Agricultura comercial terá R$ 44,35 bilhões
A agricultura comercial terá R$ 44,35 bilhões para o Plano Agrícola e Pecuário 2005/2006. O volume representa acréscimo de 12,4% sobre o valor da safra passada. O anúncio foi feito na sexta, 24, pelo ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. O ministro ressaltou ainda que os encargos financeiros das linhas de crédito serão os mesmos fixados na safra 2004/2005
Do total, R$ 33,2 bilhões vão para o financiamento do custeio e comercialização da produção. Desses, 63% terão juros controlados. Os recursos para investimentos chegam a R$ 11,15 bilhões. De acordo com o ministro, os programas de financiamento terão mais de R$ 9 bilhões. Somando-se os R$ 44,35 bilhões aos R$ 9 bilhões destinados à agricultura familiar, o governo Lula disponibilizará R$ 53,35 bilhões para o financiamento, custeio e comercialização da safra de verão 2005/2006.
Governo amplia Pronaf para a produtora rural
Agora, as produtoras rurais com renda de até R$ 2 mil poderão obter empréstimo de até R$ 1 mil. É que o governo federal ampliou o Pronaf-Mulher para todas as agricultoras familiares do plano-safra 2005/2006 da produção familiar, aprovado na última semana sem essa mudança.
Até a última safra, somente as mulheres com renda bruta familiar anual de R$ 2 mil a R$ 60 mil, nos grupos C, D e E, poderiam ser beneficiadas pela linha de crédito.
Ministério intima vinícolas gaúchas
Produtor de uva também pode ser chamado a explicar informações
Cruzando os dados dos cadastros vinícola e vitícola, a Superintendência Federal da Agricultura no Rio Grande do Sul, órgão do Ministério da Agricultura com sede em Porto Alegre, está intimando 109 indústrias processadoras de uva por informações dúbias. "Em um segundo momento, os produtores vitícolas é que serão intimados", observa a coordenadora do Cadastro Vitícola e pesquisadora da Embrapa, Loiva Maria Ribeiro de Mello.
De acordo com informações do fiscal Leandro Krioth do Ministério da Agricultura, nove autos de infração foram impetrados pelo fato de as empresas terem recebido uvas de produtores não-recadastrados. "Pode haver, dentre as 109 intimações, casos de prestação de dados incorretos até por erro de digitação", diz Krioth ao CR. Mais informações (51) 32849638.
Recadastro - Já o Recadastramento Vitícola do Rio Grande do Sul está começando mais cedo este ano e com novidades. "Não será mais necessária a informação detalhada sobre as vendas, pois, a partir deste ano, esses dados serão obtidos diretamente do Cadastro Vinícola (pelo qual as empresas processadoras de uva informam de quem, em que quantidades e que variedades adquiriram)", explica Loiva.
Os viticultores devem procurar os sindicatos de trabalhadores rurais e declarar as informações referentes à sua atividade na vindima deste ano.
O produtor deve informar a produção de uvas por cultivar e por vinhedo e a quem a matéria-prima foi destinada. A atualização pode ser feita on-line, pela internet.
A atualização do cadastro está sendo antecipada em relação a outros anos, quando ocorria a partir de outubro. "O recadastramento neste período do ano, logo após a colheita, facilita ao produtor, pois, além de ser o período de repouso da videira, com menor demanda de mão-de-obra, ele tem maior facilidade em resgatar as informações da safra recém-finda", afirma Loiva.
O recadastramento está previsto para encerrar no dia 15 de agosto. Os viticultores que não efetuarem ficarão impedidos de comercializar sua uva na safra 2006. Do mesmo modo, as vinícolas que receberem matéria-prima sem a comprovação do recadastramento 2005 serão autuadas pelo Ministério da Agricultura.
Senha - Os viticultores que optarem pela declaração via internet deverão endereçar os dados para loiva@cnpuv.embrapa.br, informando nome completo, número de CPF, endereço e número do Cadastro Vitícola, para a solicitação de senha. "A senha deve ser pedida pelo proprietário, esposa ou filho", avisa Loiva ao CR. Feito isso, o viticultor precisa encaminhar cópia assinada da declaração à Embrapa Uva e Vinho (rua Livramento, 515 - Bento Gonçalves - RS - CEP 95700.000).
Tecnologia avançada para medir vinhedos
Geoprocessamento (GPS) ou georeferenciamento é a nova metodologia usada na atualização das informações para medição de vinhedos e produção de uvas no Rio Grande do Sul. A mensuração começa a ser aplicada em julho, com o georeferenciamento em propriedades de Monte Belo do Sul e Bento Gonçalves. "Como o trabalho demandará pelo menos dois anos, serão priorizados locais que apresentaram mudanças significativas na estrutura produtiva", diz o coordenador, Luiz Carlos Guzzo
O trabalho será realizado em duas etapas. Na primeira, serão coletados os pontos para demarcação de cada vinhedo da propriedade. Já na segunda visita, de posse dos croquis dos vinhedos, serão coletados dados referentes às cultivares, idades dos vinhedos, sistema de condução, espaçamento e produtividade, entre outros.
A coordenadora do Cadastro Vitícola, a pesquisadora Loiva de Mello, lembra ao CR que a única medição de todos os vinhedos do Estado foi feita em 1995, com o uso de trena. A partir de então, os dados foram sendo coletados através das declarações dos próprios viticultores.
Desenvolvimento local é tema da agroecologia
"Desenvolvimento local: valorizando saberes e reconhecendo direitos" será o tema do VI Seminário Internacional sobre Agroecologia e do VII Seminário Estadual sobre Agroecologia deste ano. Os eventos estão confirmados para o período de 16 a 18 de novembro, na Assembléia Legislativa, em Porto Alegre.
O assunto será abordado a partir do saber local como patrimônio da humanidade; da alimentação adequada como direito universal; da tecnologia social e manejo de recursos naturais e da comunicação. Informações: Emater/RS.
Engº. Agrº. José Zugno
Bambu causa problemas
Sendo assinante do Correio Riograndense encontrei numa das últimas edições do jornal o artigo seu sobre bambu e taquara. Venho pedir-lhe a respeito uma informação. Possuo um pequeno sítio na zona rural de Bom Princípio que aprecio muito. Acontece que no limite do mesmo, acompanhando a beira da estrada geral, existe uma plantação de uma espécie de bambu que chega a ter de 5 a 8 metros de altura cujas varas compridas, por este motivo, são muito usadas como caniço pelos pescadores. O proprietário antigo foi o que fez a plantação do bambu e que agora causa um sério problema porque é muito viçoso e se propaga rapidamente. Dentro de 2 a 3 meses invade metros de terreno que deixa de ser aproveitado. As raízes e as touceiras são muito duras e resistentes, exigem muita "mão-de-obra" para arrancá-las. Temo que dentro de pouco tempo irão infestar metade do terreno. Remeto-lhe amostra do caule e folhas do bambu. Existe solução para esse problema?
IRMGARD SELBACH VILLA
Passo Selbach - Bom Princípio - RS
Os bambus pertencem à família botânica das Gramíneas e têm caracteres bem definidos. São as únicas que têm colmos lenhosos. O rizoma, caule subterrâneo muito vigoroso forma continuamente para cima novos brotos que desenvolvem touceiras de colmos com nós e internós, ocos ou cheios e folhas lineares-oblongas ou lanceoladas inseridas nos nós e, para baixo e para os lados raízes de grande poder de penetração em busca de água e nutrientes.
Os bambus são considerados gigantes das Gramíneas, pois são altos e algumas espécies atingem 30 ou mais metros de altura e os colmos 25 cm de diâmetro. Contudo, inúmeras espécies variam em porte, grossura e colorido do colmo, algumas poucas são pequenas (bambuzinhos). Existem mais de 700 espécies descritas e cultivadas em todos os países de clima tropical, subtropical e temperado. A amostra remetida não é suficiente para identificar o bambu: um pedaço de colmo com apenas 12 cm de comprimento e 2 nós, cheio, fino, leve mas resistente, folhas secas lineares, material algo parecido com o bambu chinês (Bambusa mitis e outras).
Todos os autores que tratam dos bambus valorizam suas virtudes e recomendam as aplicações: cercas-vivas, demarcação de divisas, quebra-vento, combate à erosão, fornecedor de celulose para o fabrico do papel, material para construção de casas rústicas, mobílias, bancos de jardim, cercaduras, estacas, plantas ornamentais, no paisagismo e jardinagem e até os prosaicos caniços dos pescadores e tantos outros usos.
Contenção - Ao par de tantas vantagens do uso dos bambus, constata-se alguns inconvenientes problemas como este que a estimada leitora de Bom Princípio apresenta: o crescimento tão rápido dos bambus que invade progressivamente o terreno tornando-o inaproveitado. A solução existe, mas exige algum investimento. Penso que a abertura de um valo de uns 40 a 50 cm de largura, defronte e acompanhando a linha das plantas - e se possível a construção de um muro de pedra nesse valo - impediria a expansão dos rizomas e do raizame do bambu.
A revista Natureza da Editora Europa - Rua M.M.D.C., nº 121 - CEP 05510-021 - São Paulo - SP dedicada ao Paisagismo e à Jardinagem, incentiva em especial o uso de bambus ornamentais. Na edição 95, página 43/44, recomenda que "para impedir o alastramento das touceiras do bambu, uma boa idéia é enterrar na vertical chapas de fibrocimento (como estas usadas em caixa d’água) de uns 30 centímetros de altura".
Pesquisa aponta novos benefícios da vitamina C para o organismo
Nutriente protege contra o câncer, previne problemas na visão e reduz risco de doenças cardiovasculares
Foi-se o tempo em que a vitamina C (ácido ascórbico) era associada apenas à prevenção da gripe e ao combate do escorbuto, doença que provoca inflamação na gengiva e hemorragia. Esse nutriente tem sido objeto de estudo de importantes pesquisas científicas. Entre os novos benefícios atribuídos ao consumo da vitamina estão proteção contra vários tipos de câncer, diminuição da incidência de catarata e da degeneração macular nos olhos e redução de doenças cardiovasculares.
Uma pesquisa americana do Centro Médico de São Francisco aponta uma relação entre baixas quantidades de vitamina C e os estragos provocados pela bactéria Helicobacter pylori, conhecida por causar gastrite e úlcera. O estômago, então, seria o mais novo beneficiado pelo consumo da vitamina C.
O poder antioxidante da vitamina ainda funciona como barreira contra os males provocados pelo cigarro. O ácido ascórbico também tem papel fundamental na estrutura celular, ajuda na absorção do ferro e torna mais eficiente a vitamina E. Além disso, participa da produção de anticorpos, protegendo o organismo de infecções.
As frutas tropicais figuram entre as mais ricas fontes de vitamina C. As primeiras no ranking são camu-camu, acerola e caju, mas há outras, mais facilmente encontradas, com boa quantidade do nutriente, como goiaba, quivi, mamão, morango. Entre as hortaliças, a principal fonte é o pimentão, depois aparecem couve, brócolis, rúcula e agrião.
Como a vitamina C não é cumulativa, não adianta ingerir grande quantidade em um dia e nada no dia seguinte, o consumo deve ser regular.
Aprovado fitoterápico para combater o herpes
Os portadores de herpes labial, que atinge até 40% da população mundial, acabam de ganhar uma alternativa natural de tratamento. O Centro de Pesquisa Clínica da Universidade Federal Fluminense desenvolveu, em parceria com o laboratório de produtos fitoterápicos Herbarium, um gel para combater o problema. O remédio é produzido a partir de uma substância retirada da planta conhecida popularmente como unha de gato (Uncaria tomentos).
Em abril, o produto recebeu a liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para ser comercializado, o que deve acontecer já em julho. O gel tem ação antiinflamatória, analgésica e estimulante do sistema imunológico.
O tratamento tradicional do herpes é feito por meio da droga Aciclovir, em forma de pomada, que interfere diretamente no crescimento do vírus e impede que ele continue se multiplicando. As pesquisas com o gel fitoterápico mostraram diminuição do período de coceira, menos dor e inchaço, bolhas menores e menor tempo de manifestação do vírus. O próximo passo do estudo é avaliar se o novo medicamento é capaz de impedir a transmissão do vírus.
O herpes é uma infecção causada pelo vírus Herpes simplex. Quando em contato com a pele, o vírus é absorvido e se instala no organismo, onde fica adormecido. Fatores como exposição à luz solar intensa, fadiga física e mental, estresse emocional, febre ou outras infecções que diminuem a resistência do corpo fazem com que o vírus saia do estado de repouso e se manifeste, principalmente nos lábios ou próximo ao nariz. O problema aparece em forma de pequenas bolhas, causando inchaço, coceira e ardência.
O herpes não tem cura, mas pode ser controlado. A doença é contagiosa principalmente quando o vírus está ativo no organismo. É transmitida por meio do contato direto entre as pessoas (pelo beijo ou pelo uso dos mesmos talheres, copos, toalhas etc).
Primeiro banco de pele do Estado beneficia vítimas de queimaduras
Falta apenas uma portaria do Ministério da Saúde, que deve sair a qualquer momento, para que o primeiro banco de pele do Rio Grande do Sul comece a funcionar. O Banco de Tecidos Humanos-Pele do Hospital Dom Vicente Scherer, do Complexo Hospitalar Santa Casa, de Porto Alegre, vai beneficiar milhares de vítimas de queimaduras graves. Segundo a Sociedade Brasileira de Queimados no Estado, 1,4 mil crianças de até 14 anos sofrem algum tipo de queimadura grave anualmente.
Refrigeradores especiais vão armazenar a pele de pacientes com morte encefálica e de cirurgia estética no abdômen. No primeiro caso, a família deve permitir o uso do tecido. Quem faz cirurgia plástica precisa autorizar o médico a aproveitar o excesso de pele retirada, que normalmente vai para o lixo.
Depois de doada, a pele é colocada em plásticos estéreis com soluções de preservação e levada até o banco. Lá é tratada com lavagem e conservantes. Depois, a pele é selada em envelope plástico e guardada em refrigeradores especiais.
A pele implantada não é definitiva. A pele queimada é removida e a nova costurada no lugar. O implante dura cerca de um mês, até iniciar a rejeição. Nesse período funciona como um curativo biológico enquanto o paciente se recupera. Quando começar o processo de rejeição, a pele do próprio paciente será colocada no local, sendo definitiva.
Insônia pode agravar estado de depressão
Um novo estudo indica que a insônia pode preceder e até agravar a depressão. Assim, indivíduos que sofrem de insônia podem estar mais propensos a desenvolver sintomas depressivos. Até o momento, acreditava-se que a insônia era uma conseqüência da depressão.
O estudo é o primeiro a afirmar que a insônia ajuda a prolongar períodos de tristeza, de falta de esperança e de perda de interesse em atividades cotidianas, indicadores que caracterizam a depressão, dificultando a recuperação desse estado. Foi verificado que pacientes com insônia são 11 vezes mais propensos a entrar em depressão em um período de seis meses. Além disso, têm 17 vezes mais chances de continuar doentes após um ano.
Ainda a corrupção
Maria Clara Lucchetti Bingemer
Só uma atitude imediata, feita de transparência e verdade sem concessões, poderá produzir algum efeito e restaurar a credibilidade do povo em suas instituições
Infelizmente, não é possível falar ou escrever sobre outra coisa. A lama que se derramou, viscosa e putrefata, sobre várias instâncias do governo e do Congresso Nacional nos salpica a todos. Olhamos estupefatos as cínicas declarações de parlamentares eleitos pelo povo brasileiro e pagos com o dinheiro do contribuinte. Inteiramo-nos de que, qual meninos ricos e mimados, recebem gorda mesada - o mensalão - que lhes permite vida nababesca e uma poupança para um futuro tranqüilo.
O governo se mobiliza e dá explicações, os que se pronunciaram e tiveram seus segredos publicamente desvelados desaparecem de circulação, partidos e homens públicos se justificam. Rancores e raivas se desatam e vêm à tona, tornando o clima político ainda mais irrespirável. A corrupção, com seu poder contaminador, espalha cheiro de podridão por todo lado.
Neste momento, todos os cidadãos se sentem interpelados em seu sentimento mais profundo de pertença ao país. Não ajuda a ninguém este estado de coisas, e muito menos lutar para prolongá-lo e ver inutilmente o fogo arder e a tudo consumir. Só uma atitude imediata, feita de transparência e verdade sem concessões, poderá produzir algum efeito e restaurar a credibilidade do povo em suas instituições.
O episódio da ida de Jesus ao Templo de Jerusalém, em Jo 2,13-22, nos ajuda a refletir sobre o que acontece no proscênio da vida política brasileira. Ao deparar-se com os vendilhões que montam suas bancas e fazem do lugar sagrado uma casa de comércio e - em palavras do próprio Jesus - "um covil de ladrões", o manso mestre de Nazaré toma o chicote, derruba mesas e expulsa do Templo quem nele não deveria estar. Com sua atitude forte e decidida, Jesus quer purificar o Templo e defender o povo que ama (simbolizado na figura das ovelhas presentes na cena) da exploração e corrupção de que são vítimas. Portanto, retira as ovelhas do Templo, de um falso redil, dos grupos que pretendem usar a religião para enganar e explorar. Embora sendo um judeu piedoso, para quem o Templo muito representava, Jesus se preocupa mais com as pessoas que são atingidas pelo que ali se passa.
Assim gostaríamos de ver a atitude do governo. Não tão preocupado em justificar-se, em preservar-se, em defender e acobertar os correligionários e o partido. Mas em retratar-se diante do povo, que foi lamentavelmente lesado, vergonhosamente espoliado, enganado em sua boa-fé. E mais: não hesitando em tomar as medidas mais duras e fortes que se fazem necessárias para tirar as coisas a limpo, varrer para longe as nuvens que encobrem a verdade, tornar patente seu desejo de que a verdade brilhe e a transparência reine na apuração das denúncias feitas.
Há uma violência gritante em um sistema corrupto. Tal como no tempo de Jesus, a corrupção que envolvia o Templo e explorava a piedade religiosa do povo, principalmente dos mais simples, parece reproduzir-se agora, diante de nossos olhos, jogando sombras espessas e perturbadoras sobre os bastidores do governo do presidente Lula, que representou a esperança para homens e mulheres cansados de sofrimento e de derrotas. Contra essa violência maior, Jesus respondeu com uma atitude enérgica e firme. Isso fazendo, não legitimou o uso da violência, pois o que move Jesus é o amor pelo ser humano. Esse foi o "zelo" que o consumiu e o fez agir de tal modo, derrubando mesas, expulsando os desonestos e levando para longe as ovelhas que não queria ver contaminadas.
Atitude semelhante esperamos todos de nossos governantes. Enfrentar a situação com coragem e intrepidez. Não ter medo de apurar até o último resquício da corrupção. Apresentar os dados claros e transparentes ao povo que merece uma explicação e não pode continuar a ser miseravelmente enganado por homens públicos sem escrúpulos. Não têm cabimento, em meio à gravidade da situação que o país vive, alucinadas fugas para escapar dos confrontos que exigem respostas; covardes discursos que disfarçam sob o manto das meias palavras omissões ou recusas em assumir a verdade; protecionismos pusilânimes que encobrem amigos e situações.
O Evangelho ensina que só a Verdade liberta. O povo brasileiro espera ansioso a manifestação sem disfarces dos fatos em toda a sua extensão. Só isso poderá resgatar a esperança que há três anos vencia festivamente o medo nesta sofrida Terra de Santa Cruz.
Frei Betto
Enquanto a democracia não for representativa, continuaremos a dar nosso voto a quem, eleito, segue seus próprios interesses. O desafio é fazer com que o candidato entenda que se eleger não é chegar ao poder, é chegar ao serviço
Um dos mais perniciosos sofismas do pensamento burguês é a idéia de que as coisas dependem de vontades individuais. Assim, a política não funciona bem por culpa dos corruptos; o meio ambiente é degradado porque as pessoas não respeitam a natureza; o governo vai mal porque o governante não tem coragem de desagradar as elites.
Essa visão distorcida da realidade serve para encobrir os mecanismos por trás das relações pessoais. Os mecanismos sociais fazem o encaixe da engrenagem estrutural de dominação da elite, e submissão e exclusão daqueles que são destituídos de renda e, portanto, de cidadania.
Ao delegar à esfera individual os males sociais, o sistema preserva a sua natureza cruel: a "inevitabilidade" da desigualdade social. E apregoa que tanto a política quanto as questões sociais devem ser monitoradas pelas leis do mercado. Em outras palavras, o lucro dos bancos e das empresas privadas, nacionais e estrangeiras, é a prioridade. São eles que emprestam dinheiro ao governo; movimentam a importação e a exportação; injetam recursos no crescimento econômico do país.
Até a Revolução Francesa, em 1789, havia desigualdade social, mas não a idéia de que alguém deve estar fora dos benefícios sociais básicos. Mesmo os escravos tinham assegurada a sua ração diária. O sistema englobava toda a sociedade, ainda que mantendo as diferenças de castas e de classes.
Foi com a ascensão da burguesia que a exacerbação do individualismo inaugurou a prática da exclusão social. Adam Smith valorizava o egoísmo como virtude capitalista. Assim, a culpa da miséria e da violência é de indivíduos que se recusam a obedecer às leis do mercado e se dedicam a negócios escusos dispostos a transgredir a legislação vigente. Aliás, legislação que não coíbe, antes incentiva, a violência dos oligopólios e dos que promovem a concentração de renda, disseminando a miséria.
O direito burguês alicerçou-se em Estado de Direito, eufemismo para assegurar a defesa do interesse individual, como o direito à propriedade, ao livre comércio etc. Esse interesse particular de uma classe passou a ser tido e havido como universal. Na democracia burguesa, o Estado é uma obra de engenharia voltada à defesa desse interesse. Os princípios da Revolução Francesa - liberdade, igualdade e fraternidade - valem formalmente para a estrutura jurídica e política do Estado burguês. Até um operário sem curso superior pode chegar à presidência da República. Mas não se aplicam à esfera econômica, onde prevalece, por força de lei, a falta de liberdade para quem não dispõe de renda e o liberalismo de quem dispõe; a desigualdade social antagônica ao princípio da igualdade; e a total ausência de fraternidade ou solidariedade, pois ainda que haja sobra de pão morrem de fome os que não podem pagar por ele.
Adam Smith não nasceu num barraco, não tinha um pai alcoólatra e a mãe prostituta. Portanto, nunca se deu conta de que o sistema que ele canonizava produzia tanta desgraça. Pois ninguém escolhe ser pobre. A pobreza é uma decorrência da contradição desse sistema capitalista que, como diz o nome, prioriza o capital em detrimento do trabalhador.
Enquanto a democracia for meramente representativa, e não participativa, nós continuaremos a dar o nosso voto a quem, uma vez eleito, segue seus próprios interesses, sem sintonizar-se com os de seus eleitores. Anular o voto não é solução, pois favorece os maus políticos. O desafio é atrelar o candidato aos movimentos populares, de modo que ele entenda que se eleger não é chegar ao poder, é chegar ao serviço. E tornar os movimentos fator de mobilização social.
Não nego que o indivíduo tenha importância no processo histórico. Tivesse Gorbachev uma formação stalinista, a União Soviética não teria se desagregado em democracia. Porém, o indivíduo conta onde a coletividade não conta. Quanto mais centralizada uma estrutura de poder, mais ela depende de quem a ocupa, deixando à margem o poder popular.
Não há alternativa: ou reforçamos os movimentos populares ou incensamos os líderes carismáticos. Mas é bom lembrar que, ao longo da história, indivíduos cometem erros e acertos. Porém, erram menos quando suas ambições pessoais são contidas pelas regras do jogo democrático. A tarefa é tornar o jogo verdadeiramente democrático, e não mera legitimação da impetuosidade arrivista de líderes mais preocupados com o sucesso pessoal que com as causas sociais.
Ministério até o final do mandato
Lula oferece mais espaço ao PMDB para aumentar proteção
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve concluir nesta semana a reforma ministerial, para compor a equipe que o acompanhará até o final do mandato. Esta era a expectativa predominante até domingo 26. O presidente já anunciou ao PMDB e está informando também aos atuais ministros que não disputar as eleições de 2006 é a primeira condição para permanecer ou entrar na equipe nesta fase do governo. Na sexta-feira, durante almoçou com o presidente do PMDB, deputado Michel Temer, e com o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o líder do PT no Senado, Aloísio Mercadante, Lula pediu que o partido indique os ministérios que quer ocupar. Ele teria oferecido quatro ministérios, em um novo esforço para tentar superar a crise política - objetivo é ampliar proteção no Congresso, pois o PMDB tem a maior bancada no Senado e a segunda da Câmara. Mas setores do partido não querem aproximação maior com o governo agora.
Lula pretende substituir já ministros que desejam disputar eleições e para isso teriam de sair em abril do ano que vem. Pelo menos cinco ministros políticos já disseram a Lula que abrem mão da disputa para permanecer, a critério do presidente.
A aliança com o PMDB, se concluída com sucesso, implicará na saída dos ministros da Previdência, senador Romero Jucá (RR), e das Comunicações, deputado Eunício Oliveira (CE), pois Lula devolverá os ministérios ao partido, negociando novas indicações dentro do critério geral. O PMDB espera a demissão do presidente do Banco Central, Henrique Meireles, que responde a inquérito no STF.
Por conveniência do próprio PMDB, a pasta da Previdência deve ser ocupada por uma indicação de outro partido. O PMDB espera manter Comunicações, conquistar a vaga de Minas e Energia (aberta com o deslocamento de Dilma Rousseff para a Casa Civil) e dois outros ministérios, numa lista que inclui Saúde, Integração Nacional e Cidades.
O presidente da Eletrobrás, Silas Rondeau, ligado ao ex-presidente José Sarney, deve ser o substituto de Dilma. A bancada de senadores fará pelo menos uma indicação. O critério de não disputar em 2006 favorece senadores eleitos em 2002, no meio do mandato, como Hélio Costa (MG).
Pacto - As diversas correntes do PMDB vêm discutindo a aliança com Lula desde o agravamento da crise, com as denúncias do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), que acusa o PT de pagar pelo apoio de deputados ao governo. Todas as correntes do partido, à exceção do grupo ligado ao ex-governador Anthony Garotinho, esperam ser contempladas num acordo "institucional".
Os dirigentes do PMDB avaliam que a proposta formal de acordo chega num momento de distensão da crise política. O principal elemento desse novo ambiente foi o pronunciamento do presidente Lula em rede de televisão, no qual Lula reconheceu a gravidade da crise, estendeu a mão ao entendimento e garantiu que não haverá impunidade para aliados ou adversários na apuração das denúncias.
Extinção - Integrantes da chamada coordenação de governo sugeriram ao presidente a extinção das secretarias que ele criou com status de Ministério (Direitos Humanos, Igualdade Racial, Políticas de Mulheres e Conselho de Desenvolvimento Social - CDES). Lula resiste à idéia, que também é rejeitada por parte de sua equipe e, principalmente, pelos movimentos sociais que na semana passada foram ao Planalto manifestar apoio ao governo na crise, mesmo com críticas à política econômica.
Também depende de Lula a manutenção da Secretaria de Coordenação Política e de seu titular, o ministro Aldo Rebelo (PC do B).
Lula anuncia R$ 3,8 bi para estradas
O governo vai investir R$ 3,8 bilhões na recuperação das estradas do país. Anúncio foi feito na segunda 27 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu programa de rádio Café com o Presidente. Muitas obras, de acordo com ele, devem começar entre julho e setembro, entre elas a duplicação da rodovia BR 101 Sul, no trecho entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, conhecida como a estrada de integração do Mercosul.
O presidente mencionou ainda a inauguração da duplicação, em julho, da Fernão Dias, que liga São Paulo a Belo Horizonte.
NATUREZA RESISTE À DEVASTAÇÃO
A Mata Atlântica está reduzida a menos de 8% de sua extensão original. Mesmo assim conserva tesouros naturais e ainda abastece de água 100 milhões de brasileiros
A Mata Atlântica é um dos ecossistemas mais ameaçados do planeta, estando reduzida a menos de 8% de sua extensão original. Sua área abrangia mais de 1.290.000 km2 do território nacional (ou 15% do solo brasileiro), estendendo-se desde o Nordeste até o Rio Grande do Sul, segundo o atlas desenvolvido pela Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
O documento, que revela a situação da Mata Atlântica em 2.815 municípios de dez dos 17 Estados (entre eles Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) que são abrangidos pelo bioma, mostra que só na década de 1990 foram desmatados cerca de 900 mil hectares da floresta. "O Brasil chega a perder o equivalente a um campo de futebol a cada quatro minutos", disse o diretor de relações institucionais da Fundação SOS Mata Atlântica, Mário Mantovani. Entre as principais causas do desmatamento, segundo Flávio Jorge Ponzoni, coordenador técnico do Inpe, estariam a especulação imobiliária, a ampliação das fronteiras agrícolas e o assentamento rural.
Apesar da devastação acentuada, a Mata Atlântica ainda abriga uma parcela significativa de diversidade biológica do Brasil, com altíssimos níveis de endemismo (ocorrência da mesma espécie na mesma área). A riqueza pontual é tão significativa que os dois maiores recordes mundiais de diversidade botânica para plantas lenhosas (madeira) foram registrados nesse bioma (454 espécies em um único hectare do sul da Bahia e 476 espécies em amostra de mesmo tamanho na região serrana do Espírito Santo).
Fauna - As estimativas indicam ainda que a Mata Atlântica abriga 261 espécies de mamíferos (73 deles endêmicos), 340 de anfíbios (253 endêmicos), 192 de répteis (60 endêmicos), 1.020 de aves (188 endêmicas), além de aproximadamente 20.000 espécies de plantas vasculares, das quais cerca de a metade estão restritas ao bioma.
Para alguns grupos, como os primatas, mais de dois terços das formas são endêmicas. Em virtude da sua riqueza biológica e níveis de ameaça, a Mata Atlântica, ao lado de outros 24 biomas localizados em diferentes partes do planeta, foi indicada por especialistas, em um estudo coordenado pela Conservation International, como um dos hotspots mundiais, ou seja, uma das prioridades para a conservação de biodiversidade em todo o mundo.
A conservação da Mata Atlântica é um desafio, pois o conhecimento sobre sua biodiversidade ainda é fragmentado e o bioma, que corresponde a duas vezes o tamanho da França, mais de três vezes a Alemanha e 4,5 vezes a Grã-Bretanha, está sob forte pressão antrópica (vegetações resultantes da ação do homem sobre a vegetação natural, exemplo, a savana).
Além disso, a área da Mata Atlântica é hoje responsável por quase 70% do PIB nacional, abriga mais de 60% da população brasileira, e possui as maiores extensões dos solos mais férteis do país. A conservação é prioridade, mas falta traduzir esta prioridade para uma linguagem comum e em um esforço conjunto para sua efetiva preservação.
Metade da biodiversidade pode desaparecer no próximo século
As florestas tropicais são os maiores repositórios de diversidade biológica, sendo que o Brasil possui a maior extensão contínua de biomas florestais do planeta. A maior e mais significativa destas está representada pela Amazônia. No entanto, o país possui um bioma florestal hoje bastante prioritário: a Mata Atlântica.
A floresta foi reduzida a menos de 8% de sua extensão original. Ao persistir essa situação, os cientistas calculam que metade da diversidade biológica desse bioma, extremamente rico em espécies de plantas e animais, desapareça no próximo século. Atualmente, mais de 70% de todas as espécies consideradas oficialmente ameaçadas no Brasil ocorrem na Mata Atlântica - das 13 espécies de mamíferos ameaçadas de extinção, a maioria pertencente ao grupo dos primatas
A Mata Atlântica possui os dois maiores recordes mundiais de diversidade botânica, variando de 454 a 476 espécies de árvores e arbustos em um único hectare, dados obtidos no sul da Bahia e no norte do Espírito Santo. Esses números representam mais do que toda a diversidade botânica da Alemanha. Sua riqueza é produto da complexidade ambiental, que se encontra severamente ameaçada.
A floresta Atlântica está presente tanto na região litorânea quanto nos planaltos e serras do interior, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. Ao longo de toda a costa brasileira a sua largura varia entre pequenas faixas e grandes extensões, atingindo em média 200 quilômetros de largura.
Assim, ao longo de toda a sua extensão, ela apresenta variedade de formações, engloba um diversificado conjunto de ecossistemas florestais com estruturas e composições florísticas bastante diferenciadas, acompanhando as características climáticas da vasta região onde ocorre, tendo como elemento comum a exposição aos ventos úmidos que sopram do oceano.
A mata significa também abrigo para várias populações tradicionais e garantia de abastecimento de água para mais de 100 milhões de pessoas. Parte significativa de seus remanescentes está localizada em encostas de grande declividade. Sua proteção é a maior garantia para a estabilidade geológica dessas áreas, evitando assim catástrofes, muitas ocorreram onde a floresta foi suprimida. Esta região abriga ainda belíssimas paisagens, cuja proteção é essencial ao desenvolvimento do ecoturismo, uma das atividades econômicas que mais crescem no mundo.
CNBB Sul 3 quer aprimorar acolhida
Assembléia definiu prioridades da Igreja nas dioceses gaúchas
Como uma dimensão importante da ação evangelizadora, a Igreja do Rio Grande do Sul definiu que o serviço de acolhida deve ser uma prioridade a orientar todas as ações e programas eclesiais no Estado. A decisão foi tomada durante a 3ª Assembléia Regional, realizada pela CNBB Sul 3 em Porto Alegre, de 17 a 19 de junho. Participaram do encontro 140 pessoas, entre bispos, coordenadores diocesanos de pastoral e dirigentes de setores e organismos eclesiais das 17 dioceses gaúchas.
A assembléia contou com assessoria do padre Edênio Valle, da Congregação do Verbo Divino. As conclusões da assembléia apontam quatro áreas importantes para dinamizar essa prioridade do Plano Regional da Ação Evangelizadora. A primeira é a "valorização da pessoa em sua situação e aceitação da subjetividade". É necessário empreender esforços para enfrentar o desafio da solidão existencial. Para isso, a ação deve criar vínculos pessoais, numa atitude de misericórdia e compaixão.
O segundo passo é "fortalecer os serviços de atendimento". Os participantes salientaram que as lideranças da Igreja precisam organizar tempo para atendimento às pessoas e qualificar os serviços com a participação dos leigos. O presidente do Regional Sul 3, dom Dadeus Grings, destaca que a Igreja pretende atrair, reconquistar as pessoas que se afastaram dela e "trazê-las para dentro de nossas paróquias".
Novas linguagens - Outra área de ação proposta pela assembléia é a "mística e espiritualidade encarnada". Esse indicativo destaca que acolher bem as pessoas também significa promover o cultivo da espiritualidade cristã. Foram apontadas diversas ações nessa perspectiva como a promoção de retiros, cursos bíblicos e leitura orante da Bíblia; aprofundamento da acolhida inspirada na prática pedagógica de Jesus; cultivo da atitude de mútua acolhida e diálogo; preparação esmerada das celebrações etc.
Como último passo, a assembléia indicou a necessidade de "valorizar novas iniciativas de formação". Os agentes de pastoral precisam aprofundar o conceito de pessoa e de cultura; re-estudar a realidade para conhecer as novas linguagens e interpretá-las à luz do Ensino Social da Igreja. Os participantes da assembléia também sugeriram a preparação de agentes para visitação, aconselhamento e acompanhamento e repensar os espaços e ambientes eclesiais para que sejam acolhedores.
Corrupção política preocupa os bispos
De 21 a 23 de junho, foi realizada em Brasília a 57ª Reunião Ordinária do Conselho Permanente da CNBB, da qual participaram os bispos dos 17 Regionais da instituição. Preocupados com o momento atual que o país atravessa, os bispos elaboraram duas mensagens: a "Mensagem Ciência e Ética a Serviço da Vida" e a "Mensagem da CNBB ao Povo Brasileiro".
Na mensagem aos brasileiros, os bispos salientam que, mais uma vez, "o Brasil está desafiado a combater a corrupção política que se nutre da impunidade. Ela é acobertada pela conivência, que se torna cumplicidade, usando as estruturas do poder público em benefício de interesses privados". Por isso, os bispos destacam que é imprescindível uma rigorosa apuração de todas as graves denúncias que estão vindo à tona. "Elas não podem ser esvaziadas, sob qualquer pretexto", diz a mensagem.
"O poder econômico, a multiplicidade de partidos políticos sem programas definidos e a falta de fidelidade partidária fragilizam sempre mais o nobre sentido da política e frustram o voto do eleitor", afirma o texto. Para os bispos, além da responsabilização, da punição dos culpados e da restituição dos bens subtraídos, o desafio para a solução dessa absurda realidade é a reforma do Estado e do próprio sistema político. Nesse sentido, um passo importante é a urgente regulamentação do Art. 14 da Constituição Federal sobre Plebiscito, Referendo e Iniciativa Popular. Os bispos confiam na firmeza do presidente e demais intituições públicas.
Ciência deve estar a serviço da vida
Na mensagem "Ciência e ética a serviço da vida", divulgada no final da reunião do Conselho Permanente da CNBB, os bispos manifestam seu "apreço e gratidão aos cientistas, pesquisadores e médicos, assim como aos juristas e legisladores que têm contribuído com suas experiências e reflexões para revelar sempre melhor a maravilhosa realidade da vida humana".
Diante de temas tão complexos como a pesquisa e uso terapêutico de células-tronco, fecundação artificial e clonagem humana; de questões como a proposta de alterações nas leis sobre a despenalização da interrupção provocada da gravidez, incluindo a de fetos anencéfalos, os bispos salientam que acima de tudo deve estar a dignidade inviolável da vida humana.
Padre Zezinho
Amar não é necessariamente ter respostas certas para tudo
Acontece com gente que não estudou a fundo, mas gosta de dar seu palpite. Acontece com pessoas religiosas que adoram dar conselhos tirados de suas bíblias e com gente que simplifica a vida com respostas prontas. "Deus disse, Deus mandou, Deus falou"... Pintou um problema com os filhos, eles jogam a culpa nos pais. Apareceu um problema mais ou menos sério e lá estão eles dando conselho barato e sem nenhuma consistência. Pinta uma revolta gigantesca na Febem, volta à tona o momentoso problema dos menores infratores e lá estão eles dando a resposta de sempre com frases feitas: "Têm que amar estes meninos. Eles não foram amados. Se fossem amados não estariam fazendo isso. Mas tem que amá-los direito", acrescentam do alto de sua sabedoria de frases feitas. São os mestres da palavra mágica. Têm respostas para tudo.
Os especialistas são bem mais cuidadosos. Estudaram a sério o comportamento humano e por isso mesmo não se apressam a jogar a culpa nos pais, nem na escola, nem nos professores, nem nas Igrejas. Sabem que houve falhas, mas tomam cuidado ao distribuir as responsabilidades. Não o fazem com leviandade. Quem estuda o ser humano sabe que não basta amar um filho para, por conseguinte, jamais errar com ele. Há filhos muito amados que sofrem desvios de comportamento. Há filhas amadas que, infelizmente, se deixam levar por caminhos errados. Não faltou amor nem carinho. Elas mesmas admitem isso mais tarde. Amar não é necessariamente compreender. Há pessoas que amam e mesmo assim não conseguem compreender a pessoa amada. Bem que tentam!
Os pregadores de resposta pronta esqueceram esta verdade: amar não é necessariamente ter respostas certas para tudo. Estava certa aquela mãe surpreendida com a notícia de que o filho assaltara um banco com os colegas. "Amei certo e pensei que tinha ensinado certo. Vejo que não deu certo. Mas não me culpem sem primeiro saber o que fiz e o que ensinei a ele". Disse tudo. Paremos de culpar os pais por tudo o que os filhos fazem. Cada caso é um caso. Nem sempre a culpa é dos pais. Amar sempre é uma coisa. Acertar sempre é outra. Nem todo bandido tem pai bandido! "Tal pai, tal filho" é um ditado interessante, mas nem sempre retrata a verdade.
Capela de São João celebra 100 anos
Comunidade do interior de Fagundes Varela foi fundada por italianos
A comunidade de São João, na Linha Visconde de Pelotas, Fagundes Varela (RS), está comemorando 100 anos de existência. Localizada a 3 quilômetros da cidade, foi fundada em 1905. Para celebrar a data, a comunidade realizou no domingo, 26 de junho, festa em comemoração ao centenário de sua capela e em honra a São João, o padroeiro, e Santo Antônio. O evento marcou o reencontro das famílias dos descendentes que residiram na localidade.
Em 1905 padre Antônio Serraglia abençoou a primeira capela de madeira da comunidade. Na década de 60 foi construído o atual templo. Além de São João, a comunidade festeja também Santo Antônio e Nossa Senhora dos Navegantes. Nas proximidades da capela está um capitel dedicado a São Roque e no local são rezadas missas em honra ao santo.
No passado o local contava com casa comercial, serrarias e ferrarias, hoje desativadas. Desses empreendimentos restou o Moinho Melatti, que mantém a estrutura e a originalidade secular. A turbina ainda é movida pela força da água que movimenta as mós de pedra, produzindo a típica farinha de milho da marca Nono Cristóforo.
Na década de 30, residiam na comunidade famílias Paludo, Testa, Frison, Tormen, Tacca, Melatti, Batóchio, Rossi, Dal Magro e outras. Hoje a comunidade é formada por cerca de 30 famílias sócias e que têm sua economia baseada na agropecuária. Os moradores preservam antigas tradições como a de se reunirem aos domingos para rezar, conversar e para o jogo de cartas e bochas.
Santa Maria recorda morte de Pozzobon
No dia 27 de junho de 1985 morria num acidente de trânsito, enquanto caminhava em direção ao Santuário da Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt de Santa Maria, João Luiz Pozzobon. Para celebrar a morte desse Servo de Deus, cuja causa de beatificação está em andamento desde 1994, Santa Maria realizou programação especial que incluiu tríduo nos dias 24, 25 e 26 de junho, com terço na capela Nossa Senhora das Graças nos três dias e missas na mesma capela e na igreja Nossa Senhora das Dores.
No segunda-feira 27, procissão às 6 horas, pelo mesmo trajeto percorrido pelo diácono Pozzobon, desde sua casa na av. Osvaldo Cruz até o santuário, onde foi celebrada missa. Às 15 horas foi rezado terço junto ao túmulo do servo de Deus, no cemitério Santa Rita.
João Pozzobon foi um exemplo de vida cristã. Em 1950, como membro do Movimento Apostólico de Schoenstatt, iniciou uma peregrinação às famílias com a imagem da Mãe Três Vezes Admirável para rezar com elas. Não parou mais. Calcula-se que, até sua morte, ele percorreu a pé em torno de 140 mil quilômetros carregando a imagem. Hoje, no Brasil, existem cerca de 100 mil imagens da Mãe Peregrina que visitam, todo mês, três milhões de famílias.
Congresso destaca os 20 anos da Soter
No ano de 2005, a Sociedade de Teologia e Ciências da Religião (Soter) completa 20 anos de existência. Para comemorar a data será realizado, de 11 a 14 de julho, em Cachoeira do Campo (MG), um congresso que contará com mesas redondas e a participação de diversas instituições convidadas, entre as quais a Escola Superior de Teologia (São Leopoldo), Estef, PUC e Unisinos, todas do Rio Grande do Sul.
O congresso nacional da Soter – 2005 terá como tema "Teologia e Sociedade: relevância e funções". Entre os palestrantes convidados destacam-se os teólogos José Comblin, Maria Clara Bingemer, Pilar Aquino, o padre jesuíta Inácio Neutzling e o arcebispo de Belo Horizonte, dom Walmor de Azevedo.
Aldo Colombo
O fracasso não significa que você é incapaz e deve desistir, mas que você precisa recomeçar com mais cuidado e empenho
Para muitos, o sucesso em grande parte depende da sorte ou do azar. Outros, com uma postura mais crítica, falam de causas e conseqüências. Mas nem mesmo esta chave de leitura explica todos os resultados. Na realidade, o sucesso não ocorre por acaso, embora sejam muitas as variáveis. Hoje, existe uma nova profissão. É constituída dos que ensinam os passos para o sucesso. A maioria tenta motivar as pessoas a desenvolverem seu potencial. Já Henry Ford - que iniciou a fabricação do automóvel em grande escala - costumava dizer: "Se você acha que pode ou se você acha que não pode, sempre terá razão". A frase é inteligente, apesar do exagero.
O certo é que existem alguns passos que ajudam a criar condições para o sucesso. E isso começa no interior de cada um. A lista não é definitiva. De qualquer maneira, esses passos ajudam.
Auto-estima. Se você não acredita em você mesmo, ninguém vai acreditar. Você tem condições para vencer e mesmo uma eventual derrota não vai abalar sua imagem. O fracasso não significa que você é incapaz e deve desistir. Significa que você tem de recomeçar com mais cuidado e empenho.
Comunicação. A habilidade em expor seus pensamentos e idéias contribui decisivamente para o objetivo. Algumas pessoas trazem essa habilidade do berço, outras precisam desenvolvê-las. Demóstenes, o maior orador grego da antigüidade, era gago. Com persistência e método, também essa qualidade se aprimora. A comunicação não se dá apenas pela palavra. Existe também a comunicação não verbal, que passa pela apresentação, simpatia, interesse pelos demais. É importante também a preparação, seja para um discurso, para uma entrevista para um emprego ou para uma simples leitura.
Metas claras. Há pessoas que não têm idéias claras do que pretendem. Sabem o que não querem, mas não sabem o que realmente querem. Ficam esperando que as ocasiões apareçam. A pessoa precisa parar, examinar as questões a fundo, as possibilidades, depois decidir e apostar tudo nesse objetivo.
Muito trabalho. Há pessoas que têm altos objetivos, mas não estão dispostas a pagar o preço. É o caso do estudante que pretende passar no vestibular, mas que coloca a lazer em primeiro lugar. A grande capacidade intelectual não dispensa o trabalho e mesmo a transpiração. O sacrifício é estrategicamente importante. O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.
O entusiasmo. Para os gregos, o entusiasmo era uma qualidade divina. O entusiasta estava envolvido por Deus. O entusiasta acredita em si e acredita nas possibilidades de sucesso. Mas isso não significa confiar apenas na sorte. O entusiasta prepara seu caminho e não desiste diante de um insucesso. Sabe que só não pode falhar quando tenta a última vez. O entusiasta não se assusta diante das dificuldades e do trabalho, nem mesmo desiste diante da pobreza dos meios ou das limitações do grupo.
A fé em Deus. Karl Marx identificava crença com omissão. Para ele, a religião era uma maneira de manter a classe proletária subjugada. Em troca se oferecia a ela o céu. Nesse sentido afirmava que a religião era ópio para o povo. Hoje, ninguém mais defende isso. Pelo contrário, Deus é visto como Libertador. Ele nos revela nossa grandeza e nossas possibilidades.
CNBB promove mutirão da comunicação
Evento também reúne representantes de outras Igrejas cristãs
Comunicadores de todo o Brasil estarão reunidos em Guarapari (ES) no 4º Mutirão Brasileiro de Comunicação. O evento ocorrerá de 10 a 15 de julho, no Sesc da cidade, Neste ano, o mutirão vai abordar o tema "Comunicação e responsabilidade social". Nos cinco dias, os participantes poderão participar de seminários, oficinas e grupos de trabalho, além das atividades culturais.
O evento é organizado pela CNBB, União Cristã Brasileira de Comunicação Social (UCBC), Organização Católica Internacional de Cinema (OCIC/BR) e Associação de Profissionais e de Emissoras de Rádio e Televisão de Orientação Católica (UNDA/BR).
Os mutirões retomam os congressos organizados pela UCBC nos anos 70 e 80, quando esses eram espaços quase únicos tolerados pela ditadura militar vigente no país (1964-1985). A retomada desses encontros de comunicação, agora denominados mutirões, apresenta uma nova proposta de conteúdos, baseados sobre três temas - cultura, ética e cidadania.
Os mutirões também ganharam uma visibilidade ecumênica, com a participação ativa das Igrejas evangélicas históricas, como a Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e membros das Igrejas Metodista, Episcopal Presbiteriana e Evangélica Luterana do Brasil.
O Mutirão da Comunicação de 2007 já tem local definido.Será em Porto Alegre, organizado pela Pastoral da Comunicação da arquidiocese.
Trindade aguarda mais de 1,4 milhão de fiéis
Mais de 1,4 milhão de pessoas devem passar por Trindade (GO) durante a novena e a festa do Divino Pai Eterno, que iniciou no dia 24 de junho e termina no dia 3 de julho. Na programação, alguns momentos especiais, como a 2ª Romaria Arquidiocesana à Trindade, realizada no dia 25; a tradicional Romaria dos carros de boi, marcada para as 9 horas desta quinta 30; e o 17º encontro dos Carreiros e a Missa dos Carreiros, nos dias 1 e 2 de julho.
Outro destaque são as missas celebradas à meia-noite e às 2 horas no santuário e à 1 e 3 horas, na matriz, durante os três dias do tríduo em louvor ao Pai Eterno (dias 30, 1º e 2). A festa de Trindade surgiu em 1840 quando um casal de agricultores encontrou um medalhão de barro, representando a Santíssima Trindade coroando Nossa Senhora no céu. Desde então, realiza-se a festa, sempre no primeiro domingo do mês de julho.
Gincana desperta para a solidariedade
Divididos em 13 turmas, os cerca de 350 jovens que freqüentam a catequese da Pré-crisma e Crisma da paróquia Nossa Senhora de Lourdes, de Caxias do Sul, participaram, de 22 de maio a 11 de junho, da Gincana 2005 organizada pela paróquia. Entre as diversas tarefas realizadas pelos grupos, algumas chamaram a atenção pelo resultado.
Para despertar o espírito de solidariedade, uma das tarefas foi a arrecadação de alimentos não perecíveis, que resultou na coleta de 2,5 mil quilos – três vezes mais do que foi arrecadado em 2004. No decorrer do ano, a Pastoral da Partilha fará a distribuição desses alimentos a famílias carentes. Outro desafio foi a confecção de tapetes no salão paroquial, em homenagem a Nossa Senhora. A gincana também envolveu os pais dos jovens e os catequistas, que participaram das atividades.
Wilson João
A história cria um imaginário, alimenta a criatividade e, acima de tudo, dá uma lição de vida
Sempre houve contadores de histórias. Os contadores de histórias fascinam as platéias. Dentro de cada história há uma lição de vida. As histórias são conteúdos já experimentados. São experiências que passam de geração em geração. Em nosso momento atual estamos esquecendo de contar histórias. Nosso argumento é que não temos tempo. Também é um fator. Mas, mais do que não ter tempo, a máquina da atividade, somada à pressa da vida, impede de sermos criativos e contadores de histórias. Preferimos comunicar o conteúdo numa frase sem vida e desencarnada. Falamos com conceitos e perdemos o encanto das histórias.
PAI E MÃE CONTANDO MAIS HISTÓRIAS. Toda criança gosta de histórias. Aprende através de histórias. A história cria um imaginário, alimenta a criatividade, e acima de tudo dá uma lição de vida. Os pais devem voltar a contar histórias. O argumento da "falta de tempo" não pode ser tomado em conta. Se a criança não merece tempo agora, então os pais não deveriam ter tido tempo para fazer essa criança. Muitos pais não sabem contar histórias. Não têm jeito, ou não escutam e nem lêem histórias. É preciso ler e reler histórias para contá-las, criá-las, recriá-las e passá-las adiante. Ler e ler para não ficar só com histórias do "bicho-papão e do boitatá". Os pais contadores de histórias encantam os filhos e com mais facilidade os educam, porque em cada história se pode passar uma lição de valores e de pessoas que venceram, que foram boas e fizeram coisas bonitas.
PROFESSORES CONTANDO MAIS HISTÓRIAS. É sabido que professor que não sabe passar o conteúdo em histórias é um professor chato. Cansa. Enjoa. Os palestrantes que ficam somente falando de conteúdo e de conceitos cansam. Quando iniciam uma história ou um fato, os olhos novamente se voltam para eles e a platéia fica muito mais atenta. Nas salas de aula devem voltar os professores contadores de histórias. Passar conteúdos através de histórias para que a escola se torne mais simpática e os conteúdos mais fáceis de serem assimilados.
O MAIOR CONTADOR DE HISTÓRIAS. O mundo é uma história. Esta terra é uma história. Cada criatura é uma história. Cada animal é uma história. Muito mais, cada pessoa humana. Cada pessoa é uma história viva, e tendo vivido bem, pode passar sua história para frente. Mas houve uma pessoa que foi o maior contador de histórias: Jesus Cristo. É só ler os evangelhos. Tudo é ensinado em histórias, ou parábolas. Seu ensinamento foi todo com histórias que davam a lição de como é o Reino dos céus, de como é a vida em Deus. Muitas vezes ele começa: "O reino dos céus é como..." e lá vai uma história, no fim da qual Ele faz a conclusão ou deixa cada pessoa fazer sua conclusão. Ele sabia que as crianças gostam de histórias e nós somos crianças muito frágeis diante da vida e de Deus. Os pais devem ler e reler muitas vezes os evangelhos para contar essas histórias do mestre e professor Jesus para seus filhos.
O italiano que está em você
Darcy Loss Luzzatto
Editor e escritor, de Porto Alegre
"Nasci em Pinto Bandeira (Bento Gonçalves, RS), onde, menos minha mãe, trentina; a família Arpini, mantovana; um polaco e um alemão, ambos casados com vênetas, os demais eram vênetos. Todos falávamos o Talian.
Da maioria vêneta resultou o Talian, koiné vêneta, que todos falavam, inclusive os lombardos. Meus pais sabiam falar Português, mas comigo e com os irmãos Arnaldo e Wilma falavam o Talian. O fato de termos um pequeno hotel de veraneio me fez saber da existência do Português, que aprendi a falar antes mesmo de ir à escola.
Fui alfabetizado na Escola São José, de freiras francesas. Estudei, também, num Grupo Escolar, onde era proibido falar o Talian. Vivia-se sob a ditadura fascista de Vargas, que proibia falar a língua materna. Esses anos marcaram toda uma geração. O Rio Grande podia ter-se transformado num estado multilíngüe, com mais de uma dezena de etnias.
Eu não mais lembrava que não gostava de falar Português. Foi minha professora no primário, Afonsina Fortes, que mo lembrou, enquanto lhe autografava meu primeiro livro bilíngüe – Ghen’avemo fato arquante. Disse-me: ‘Se alguém, de Pinto Bandeira, tivesse de escrever um livro em Talian, só poderia ser você. Talvez você nem lembre, mas, embora entendesse e falasse bem o Português, fora da sala de aula você se negava a falá-lo. Parecia dizer o Talian é minha língua, e fim.’
Os colegas luso-brasileiros nos tratavam como italianos, seja em Bento Gonçalves, em Farroupilha ou em Porto Alegre, em sentido pejorativo, dada a dificuldade que tínhamos em pronunciar certos fonemas da língua portuguesa. A maioria de nossos hóspedes-veranistas era de imigrantes ou descendentes de calabreses. Quando perguntei à mãe se esses veranistas, que falavam um idioma incompreensível, eram italianos, ela me disse: – Ghè tante sorte de taliani, ghè de quei che i parla come noantri e ghè de quei che i parla difarente. No pàrlali mia difarente i bergamaschi dela Lìnea Giassinta?
Esforcei-me para falar corretamente o português, para não ser ridicularizado devido à pronúncia e sotaque. E o Talian, nossa língua materna, foi sendo relegado, por vergonha e para não sermos taxados de ignorantes. Mais tarde descobri que o vêneto fora a língua oficial da Sereníssima República de Veneza por mais de 1.000 anos, e falada ao longo da costa oriental do Adriático, em ilhas do Mediterrâneo e costas do Mar Negro, onde os venezianos mantinham colônias e comércio. Era a língua de um país importante, quando nem Portugal existia como nação, nem o Português como língua, presente no Nordeste da Itália antes mesmo de Roma ser fundada.
Comecei a divulgar minha descoberta em Talian, com o Português ao lado, para ajudar o entendimento, porque muitos o falam, mas poucos o sabem ler e, menos ainda, escrever. Havia poucos escritos recentes em Talian, e cada um escrevia de uma maneira. Os livros surgiram, e fui adaptando a ortografia. A de meu segundo livro – ’L mio paese l’è così! – difere um pouco da do primeiro, e mais ainda da do terceiro – Ostregheta, semo drio deventar vècii! Com outros lingüistas, definimos uma "ortografia oficial para o Talian", segundo a qual escrevi: Stòrie dela nostra gente; El nostro parlar; Talian: noções de gramática, história e cultura; Talian sem mestre e Dissionàrio Talian-Portoghese. Hoje estou trabalhando no "Dicionário Português-Talian". Este é meu lado italiano. Manter viva nossa língua e cultura não é uma obrigação, é um prazer" (7-1-2005, e-mail lossluzzatto@terra.com.br).
Culinária, língua, costumes, vestir, conversar, crer e trabalhar… tudo em Darcy transpira italianidade, compartilhada com Elisa, sua cara metade germânica. Os filhos, Carol e Antônio, seguiram seu exemplo: ela casando na Alemanha com o alemão Christian, pais de Maximilian e Carlota; ele, casando em Porto Alegre com a libanesa Fernanda. Os bons exemplos arrastam. (Rovílio Costa)
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (315)
Vìsita ai posti dove ga vivesto San Francesco
Rafael Baldissera
Professor, Curitiba - PR
- La Basìlica de San Francesco la se compone de due cese ligade e soraposte. La inferior la ga la tomba de San Francesco e la riceve i pelegrini. La ga tanti afreschi de Giotto. Ogniuna la ga un grande cortivo par ricever i pelegrini. Co’l passar dei sècoli la basìlica la ze stada sachiada arquante volte. La ùltima volta la ze stà par le trupe de Napolion, in 1700.
- Che gente dispetosa, dise Nanetto. Se mi zera qua, infrentava el esèrsito e anca Napolion! In Val Véneta, i me gavea confondio con Napolion. I me gavea domandà se mi gera Napolion.
- Sito mato, dise Eduardo Fonseca de Oliveira, de voler infrentar un esèrsito ti sol? I te pesta come na formiga!
- La Basìlica superiore, contìnua Edilson, la ga 28 afreschi sora la vita de San Francesco, squasi tuti de Giotto. In 1997, un teremoto el ga sgorlà tuta la cità e la Basìlica, ma i ga ricostruio tuto. Desso vardemo la Cesa de Santa Maria dei Àngeli, cos-truida intorno la ceseta riformada par San Francesco, e la se ciama Porsiùncola, che vol dir pìcola. La Porsiùncola la ga piture de Giotto e de Fra Angèlico. Adesso vegné veder la rosara sora la qual San Francesco se gavaria sgiaventà, par vinser le tentassion del diàolo; ma la rosara, in quel momento, la ga perso, miracolosamente, i spini. Qua ghe ze ancora la grota dove San Francesco el preghea e el dormia; e davanti, na rosara sensa spini.
Desso podì visitar i altri posti de Assisi. La Neusa Koerbel, parcorendo le vie de Assisi, la ga visto na fontana e, sora, scrito: "Pena di uno scudo e pèrdita del pane per chi lava in questa fonte". E la ga domandà a Edilson el significà. Lu el ga spiegà che i poreti i costumea lavar e so robe nele fontane pùbliche. Lora le autorità le ga mandà meter sta proibission, con la pena de un scudo, moneda antiga, e la pèrdita del pan che i poreti i gavea dirito de ricever.
Co semo ndai magnar tel "Senàcolo de Assisi", la Rosàlia Teixeira Rodrigues la se ga lamentà che el pan el gera sensa sal.
- In Assisi, spiega Edilson, el pan i lo fa sensa sal par ricordar la greve del sal del Mèdievo, in protesto contra la alta tassa del sal imposta pal Goerno.
- Ma el sal, osserva Nanetto, el ze importante! Gesù, par mostrarghe ai apòstoli so importansa, el ga dito: "Vos estis sal terrae" - Valtri sì el sal dea tera. - E tuti i ga batesto le man a Nanetto!
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
Una stòria d’amore
Silvino Santin
Professor e escritor, Santa Maria - RS
I me noni, Andrea Viero e Anna Pauleto, i ze originari dela cità de Vilaraspa-VI. I ze vegnesti del Véneto quando i gera ancora putei, e qua, zovenoti ancora, i ga scominsià a morosarse. No se sa perché, ma i genitori dela nona Anna no i volea mia véderli insieme e i ghe ga proibio che i se parlesse.
Sti ani la stòria la gera così. Quel che l’era proibio, el gera pròpio proibio, e finia la mùsica. Ma dele volte la forsa del amore la ze pi forte che le racomandassion dei genitori. E lora a le doméneghe, ntela messa o al rosàrio, i oci dei due i se serchea svelti come le saete. El tempo el passa. Un bel giorno, la Anna la vien promessa sposa de nantro omo e, poco dopo, i marca el matrimònio.
Una setimana prima del matrimònio, ntela fameia Pauleto i scomìnsia pareciar le cose per la gran festa. I copa un vedel, porchi e galine. I fa un mùcio de dolsi, pan, cuche e gróstoli. I compra vin parché tuti i bevesse a volontà. I disea: "Ze meio che vanse de tuto, pitosto che ghe manche qualche cosa."
Andrea, el me nono, el gera sempre, ogni giorno, ogni ora e ogni secondo che passea, pi preocupà. No’l volea mia perder la so bela. Ma ela la gera romai rente de diventar la dona de nantro omo.
Vendro sera, un di prima de le nosse, el nono Andrea l’è rivà casa pi bonoreta che de costume, el ciapa el so bel caval bianco, lo mete in stala e el ghe dà da magnar raquante panoce de mìlio. El se fa la barba, el se lava su polito e el mete la roba de festa. Lora so mama, romai mesa pensierosa, la ghe domanda:
- Ndove veto?
E lu el ghe risponde sensa serimònie:
- Vao tor la me Anna.
Ela la proa dirghe ancora: "Sito gnanca deventà mato?"
A ste ore no ghe zera forse nel mondo che lo tegnesse. El ga sol spetà che scomissiesse scurir par montar su’l caval e via a tuta corsa in diression de la casa del suo amore.
Là rivà, lu el savea la finestra de la stansa ndove dormea la Anna, con ose basseta la ciama e el ghe dise: "Anna! svelta, ndemo via". Ela no la ga gnanca pensa due volte. Pi che svelta la ciapa la fodreta del cossin, la mete rento un toco de porco, na galina, due paneti de pan, un pochi de gróstoli e na sbranca de dolsi, par far le so nosse solche luri due. La ga d’aver pensà: "scampar si, ma sensa nosse, nò". La ciapa anca do tre robe par cambiar-se, e, in tanto che tuti i dormea, stufi de tanto laorar par pareciar la festa del di drio, la sbrissia fora par la finestra, e la salta in garupa del caval, la se strende come mai al so vero amore e i parte, prima, piampianeto, par no desmissiar nissuni, e, dopo, con paura che qualchedun li vedesse e romai rivai in te la strada granda, Andrea el ga strucà le spore e el caval el se ga molà a tuto galopo, fin lu el parea capirla, el corea tanto che el parea un s-ciantiso bianco in meso la note scura.
No dà gnanca par maginàrsela! Che bruta confusion no la sarà stà al sabo de matina ntele fameie dei tre personagi. Casa de la Anna, pena levai su, come la sposina no la capitea e el so leto l’era vodo, tuti i se domandea se i gera insemìnii, o ancora drio insoniarse. Ma intanto i due colombini, in qualche posto de sto mondo de Dio, i fea le so nosse.
Dopo quatro giorni i ze ritornai a casa. Lora no ghe ze stà nantra maniera da far sinò maridarli. Par fenirla, bisogna dir che i ga vivesto insieme tuta la so vita, che la ze stà longheta, e che i ga fato na sbranca de bei fioi. E mi, so nipote, son qua par contàrvela.
(Testo de Silvino Santin, stòria contada par Neuton Antonio Pasin e Juracy Bevilacque Viero nel corso de Talian dela Associassione Italiana de Santa Maria, 2003).
UCS é destaque no Giornale di Vicenza
A Universidade de Caxias do Sul e seu reitor, professor Luiz Antonio Rizzon, foram destaques numa ampla matéria publicada pelo "Il Giornale di Vicenza", da Itália, na edição de 4 de abril de 2005. Sob o título "Il Magnifico Rettore", relata a história de descendentes de famílias de origem vicentina que vivem e desempenham importantes funções nas regiões de forte presença italiana no Brasil.
O jornal destaca que Caxias e região registram a mais alta densidade de descendentes vênetos e salienta a importância da UCS para o Nordeste gaúcho (com núcleos em nove cidades, área de abrangência em 70 municípios e 35 mil alunos) e como uma das mais prestigiosas universidades do país.
Inicia usina Flor do Sertão
Hidrelétrica atinge quatro cidades de SC
Uma força-tarefa de 50 homens operando potentes máquinas está trabalhando no rio das Antas para construir a hidrelétrica Flor do Sertão, empreendimento que vai absorver R$ 40 milhões. "As obras serão concluídas num prazo de 24 meses", diz José Samuel Thiesen, presidente da Cooperativa de Eletrificação Rural do Vale do Araçá e a Maue Geradora e Fornecedora de Insumos.
A usina está sendo erguida na divisa dos municípios de Flor do Sertão e Descanso, banhando ainda as divisas territoriais de Romelândia e São Miguel do Oeste. Vai gerar 16,5 MW, potência capaz de abastecer 40.000 residências. A área inundada que formará o lago atingirá 91 hectares com 10,5 quilômetros de extensão. Para proteção dos recursos naturais será mantida uma área circundante de preservação permanente com 169 hectares e área total a ser indenizada de 260 hectares.
Santa Maria sedia a Mostra do Mercosul
O maior evento do cooperativismo e da economia solidária do Brasil realiza-se nos dias 9 e 10 de julho, em Santa Maria, cidade pólo da região Centro do Rio Grande do Sul. O Terminal de Comercialização Direta do Projeto Esperança/Cooesperança vai sediar a 1ª Mostra da Economia Solidária do Mercosul, 4ª Feira Nacional da Economia Popular Solidária, 12ª Feira Estadual do Cooperativismo e 5ª Mostra da Biodiversidade.
O município vai centralizar os debates sobre as relações dos países do Mercosul e o comércio das Américas. "Os eventos consolidam um grande espaço de articulação, debate, troca de idéia e experiências de comercialização", destaca a coordenadora, irmã Lourdes Dill. A promoção é da Cáritas Regional e Projeto Esperança/Cooesperança da Diocese de Santa Maria, com o apoio e organização conjunta da Secretaria Nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego e da Prefeitura local.