LEITORES 

 DESCOBRINDO CAMINHOS

 

Desde 1909, onde o conteúdo faz a diferença.

Edição 4.944 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 6 de julho de 2005.

EDITORIAL

Insensibilidade alimenta a rotina de pressão e desgaste

Se existem recursos disponíveis para atender protestos, por que não liberá-los antes?

 

Pressionar governantes para o atendimento a reivindicações é uma prerrogativa que a maioria das categorias profissionais sempre exerceu ao longo da história democrática do país. A eficácia das manifestações, em geral, esteve atrelada à procedência dos pleitos, à capacidade de mobilização e à influência econômica e política da classe. Mas houve casos, em especial em períodos de ditadura, que a aparência de cobrança encobria demonstração de agradecimento.

Nos últimos anos, porém, a invasão de representantes de segmentos econômicos ou sociais se tornou rotina em Brasília. A cada semana a Esplanada dos Ministérios vira palco da insatisfação de grupos que buscam ajuda ou que simplesmente cobram direitos que lhes são sonegados.

A intensidade aumentou também porque dentro de setores os interesses deixaram de ser comuns. A agropecuária é um exemplo. O que era identificado como movimento do setor primário até poucas décadas atrás se subdividiu. Na semana passada foi a vez dos grandes produtores de grãos, que tomaram a capital federal com o "Tratoraço - o alerta do campo"; um mês antes os pequenos produtores rurais levaram o seu retumbante "Grito da Terra"; tem ainda a "Marcha das Margaridas", das trabalhadoras rurais; o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra...

Em grande parte, as manifestações colhem algum resultado positivo - a liberação de verbas, a mudança de leis, o adiamento de prazos de pagamento de tributos ou financiamentos. É essa situação que intriga. Se há recursos disponíveis, por que não canalizá-los a quem, comprovadamente, necessita? Ainda mais quando o país acompanha uma seqüência de denúncias de corrupção envolvendo políticos que parece não ter fim. Isso evitaria deslocamentos caros, desgastantes, sofridos.

Fica a impressão, fortalecendo inclusive argumentos de grupos radicais, de que sem pressão ninguém consegue nada; ou de que a intenção exclusiva dos governantes é faturar politicamente. Mas o motivo pode ser outro, até mais grave: a incapacidade ou a insensibilidade deles de detectar os problemas e o indispensável empenho para solucioná-los.

 

CAXIAS DO SUL

Festuva tem 31 candidatas a rainha

Número é recorde. Escolha será no dia 10 de setembro

 

Trinta e uma candidatas, com idade variando de 17 a 25 anos, concorrem aos títulos de rainha e princesas da Festa da Uva 2006 - evento que será realizado de 17 de fevereiro a 5 de março. O número, recorde (o anterior era 27, em 2004), foi divulgado na sexta-feira 1º, um dia após o encerramento do prazo de inscrição. "O total de inscrições demonstra o envolvimento cada vez maior da comunidade com o concurso", interpretou o diretor da comissão social, Reomar Slaviero.

Até o próximo dia 10 de setembro, data da escolha das soberanas, nos pavilhões de exposição, as concorrentes cumprirão uma intensa agenda, que inclui visitas, aulas de história sobre Caxias e Festa da Uva, informações sobre os pontos turísticos do município, noções de comportamento, etiqueta e passarela, além de palestra sobre a leitura dos trajes. Essas atividades integram o pré-concurso, que é a primeira etapa da avaliação para apontar as vitoriosas. A apresentação à comunidade ocorre no dia 15 de julho, em baile no Clube Juvenil.

 

Oito meses para construir penitenciária

 

O governador Germano Rigotto e o prefeito José Ivo Sartori assinaram na segunda-feira 4 a ordem de início para construção da nova Penitenciária Industrial de Caxias do Sul, que será erguida na localidade de Apanhador, próximo à rodovia Rota do Sol. A obra terá 8.316 metros quadrados de área, poderá abrigar 432 detentos e custará R$ 12,4 milhões. Previsão é de que esteja concluída em oito meses.

Na cerimônia realizada na Prefeitura de Caxias, que teve também a presença dos secretários da Justiça e Segurança, José Otávio Germano, e da Ciência e Tecnologia, Kalil Sehbe Neto, além de outras autoridades, Sartori afirmou que a construção vai amenizar o problema da superlotação do atual presídio e que o prédio existente será transformado em casa de passagem.

Em relação ao déficit do Estado, a nova penitenciária pouco resolverá. "O Rio Grande do Sul precisaria de pelo menos nove mil novas vagas por ano no sistema prisional", declarou o governador.

 

REPORTAGEM

Cooperativas de crédito puxam a economia

Sistema atende quase dois milhões de brasileiros de 1.400 cooperativas em 800 municípios

 

O Sistema de Crédito Cooperativo, responsável por 40% do movimento das cooperativas no Brasil, vive o melhor momento de sua história. "Nos últimos dez anos, tem crescido a uma média de 35% ao ano", afirma o vice-presidente do Sicredi, Enio Meinen. O sistema está presente em 800 municípios de oito Estados brasileiros (veja o mapa), com 850 pontos de atendimento, 132 cooperativas regionais e 900 mil associados. "Em termos de regulação, temos a melhor do mundo", emenda.

O Sistema de Crédito Cooperativo, quando foi criado em 1992, tinha R$ 400 milhões. Atualmente chega a R$ 3,7 bilhões. "60% desses recursos são movimentados no Rio Grande do Sul, Estado pioneiro no sistema", revela o gerente da área de expansão do Sicredi gaúcho, Ivan Novello. Pelo menos 80% do volume de verbas são voltados à produção agropecuária.

Em 2003, pela resolução 3106, o Banco Central passou a autorizar, em cidades de até 750 mil habitantes, a abertura das chamadas cooperativas de livre admissão, às quais qualquer um pode se filiar.

A maior parte das mais de 1.400 cooperativas no Brasil é formada por categorias profissionais específicas, havendo cooperativas de crédito mútuo ou de crédito rural.

"A central cooperativa, com sede em cada Estado onde o Sicredi está presente, abriga diversas cooperativas locais com o objetivo de prestar serviços mais complexos e conseguir fundos externos para empréstimo com melhores taxas, via o Banco Cooperativo Sicredi", explica Novello ao CR. Hoje, no Brasil, existem apenas dois bancos cooperativos (Banco Cooperativo Sicredi, de Porto Alegre, criado em 1992, e o Bancoop, de Brasília, nascido cinco anos depois). Ao todo, os dois sistemas atendem quase 2 milhões de associados, segundo dados do Banco Central de 2004.

Lá fora - Na Europa, cerca de 50% do total das instituições de crédito são cooperativas. Na Alemanha, por exemplo, as cooperativas tinham, no ano de 2002, em torno de 15 milhões de associados e eram responsáveis por 20% de todo o movimento financeiro no país. Na Holanda, o banco cooperativo Rabobank atende 90% das transações financeiras de agricultores.

Nos Estados Unidos, apenas uma rede de cooperativas, a Cuna (Credit Union Nacional Association), tem 12 mil postos de atendimento, e 30% dos financiamentos agrícolas são atendidos por essas instituições. "Estima-se que 25% dos norte-americanos sejam associados a uma cooperativa de crédito", diz o economista Marcos Antonio Henriques Pinheiro.

Foi em 1848 que surgiu na Alemanha a primeira cooperativa de crédito, apenas quatro anos depois das primeiras cooperativas de consumo inglesas. As primeiras cooperativas de crédito eram rurais. Na Itália, elas apareceram na década de 1860. No Canadá, surgiram as chamadas cooperativas de crédito mútuo, formadas por categorias profissionais. A primeira sociedade brasileira a ter em sua denominação a expressão "cooperativa" foi, provavelmente, a Sociedade Cooperativa Econômica dos Funcionários Públicos de Ouro Preto (MG), fundada em 27 de outubro de 1889.

 

Sistema na América Latina teve início no interior de Nova Petrópolis

 

O surgimento do cooperativismo de crédito no Brasil teve influência européia, tendo sido implantado pelo padre suíço Theodor Amstad. O objetivo era reunir a poupança das comunidades de imigrantes e colocá-la a serviço do seu próprio desenvolvimento. O objetivo é até hoje mantido, pois as cooperativas servem aos interesses das próprias comunidades em que atuam - o cooperativismo é um instrumento de organização econômica da sociedade, criado na Europa no século XIX, caracterizando-se como uma forma de ajuda mútua através da cooperação e da parceria.

Foi na Linha Imperial, em Nova Petrópolis, interior gaúcho, que o padre jesuíta constituiu formalmente a primeira cooperativa da espécie, em 19 de outubro de 1902, sob a denominação de Caixa de Economia e Empréstimos Amstad (Sparkasse Amstad). Era uma reunião costumeira do sindicato agrícola (Bauerverein), que em meio a rumos inesperados e inovadores, provocaria grandes mudanças em toda a colônia e tornaria o município conhecido no mundo como "Berço do Cooperativismo de Crédito Brasileiro".

Hoje a mesma entidade, pioneira também na América Latina, opera sob o nome de Sicredi. Impulsionada pela obstinação do seu precursor, a idéia se materializou em instituições espalhadas pelo RS, tornando-se representativas no financiamento das atividades das comunidades colonizadas por imigrantes europeus, especialmente na década de 50.

Entretanto, nos anos 60, por influência da Revolução de 1964, foi imposta uma série de restrições operacionais às cooperativas de crédito, além da atribuição de privilégios às entidades bancárias controlados pelo governo, o que provocou a liquidação da maioria das cooperativas.

 

Instituição organiza economia da produção

 

Os sistemas de crédito no Brasil estão organizados em cooperativas centrais e singulares e têm um banco cooperativo que executa as operações. As cooperativas de crédito são sociedades de pessoas e atuam como instituições financeiras, com forma e natureza jurídica próprias, sem fins lucrativos, autorizadas e fiscalizadas pelo Banco Central do Brasil.

No Sistema de Crédito Cooperativo do Brasil (Sicredi) o banco é o Bansicredi e no Sistema de Cooperativas de Crédito (Sicoob) é o Bancoop. O banco cooperativo, por sua vez, tem a função de integrar operacionalmente as cooperativas de crédito ao Sistema Financeiro Nacional. "É o elo das cooperativas com o sistema financeiro", resume Ivan Novello.

As integrantes do Sicredi são organizadas em sistema, formando uma rede de atendimento nos Estados em que o sistema atua. Funciona como um instrumento de organização econômica da sociedade.

No Sicredi, as cooperativas de crédito são instituições da comunidade, com o objetivo de agregar renda ao associado através da realização de operações financeiras e da oferta de produtos demandados, sempre valorizando o relacionamento com os associados e com a comunidade. As cooperativas singulares apresentam administração local, rede de distribuição e atendimento aos clientes. As centrais, que são estaduais, são responsáveis pela coordenação, planejamento e desenvolvimento, além da supervisão das atividades das singulares.

 

Ano do Microcrédito promove inclusão social

 

Ampliar acesso ao crédito como forma de aumentar a inclusão social levou a Organização das Nações Unidas (ONU) a oficializar 2005 como o "Ano Internacional do Microcrédito". O objetivo é difundir e consolidar o microcrédito como instrumento de promoção do desenvolvimento local.

A Aliança Cooperativa Internacional (ACI) está trabalhando para assegurar o papel do cooperativismo de crédito no Ano Internacional como um importante ator financeiro, capaz de atender à necessidade e ao acesso ao crédito por parte de camadas menos favorecidas. Segundo a ONU, de 400 a 500 milhões de famílias em todo mundo não têm acesso aos serviços financeiros sustentáveis.

As diretrizes da ONU estipulam que toda a programação do ano deve enfatizar o papel do financiamento dos pequenos negócios na implementação de políticas de governo em parceria com a sociedade.

 

AGRONEGÓCIO

Anúncios para aliviar plantio

Tratoraço pressiona e governo libera R$ 4 bi para saldar dívidas

 

A previsão inicial da safra de grãos era de 132 milhões de toneladas, mas por causa da estiagem o Brasil só vai colher 113 milhões de toneladas. "Os prejuízos sofridos pelo setor foram calculados em R$ 10 bilhões", disse o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, ao receber a comissão do movimento Tratoraço - o alerta do campo, promovido pela Confederação Nacional da Agricultura.

Cerca de 20 mil produtores ligados ao agronegócio e 3.000 tratores ocuparam a Esplanada dos Ministérios, de 27 a 29 de junho, para exigir subsídios e medidas que compensem as perdas ocorridas por conta de fatores como as intempéries climáticas e a alta nos custos de produção.

Pressionado e com medo de comprometer o plantio, o governo autorizou a liberação de R$ 4 bilhões de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador, sendo R$ 3 bilhões via BNDES, para que os produtores possam cumprir seus compromissos junto às indústrias fornecedoras de insumos, máquinas e equipamentos agrícolas. "Foi uma conquista interessante porque os juros são baixos, de 8,75% ao ano, e a indústria vai assumir a diferença dos juros de mercado", avaliou o coordenador da mobilização, Homero Alves Pereira.

Um dos anúncios mais esperados foi a abertura do mercado para a importação de agroquímicos do Mercosul. "Essa medida vai implicar na redução em 18% nos custos de produção. "Em alguns casos, os produtores brasileiros compram agroquímicos até 100% mais caros que os concorrentes", afirma Pereira.

O item seguro rural foi considerado um avanço. O governo está disposto a subvencionar um terço do prêmio e, além disso, aprovou a criação de um fundo de catástrofe que teria recursos da ordem de R$ 62 milhões para a próxima safra, chegando a R$ 200 milhões em três anos. Já questões polêmicas, como o preço do arroz e a renegociação das dívidas antigas, ficaram em compasso de espera. Para o presidente da Farsul, Carlos Sperotto, "evoluímos e vencemos etapas."

 

Setor gera superávit de US$ 34 bilhões

 

De acordo com a Confederação da Agricultura, em 2004 o setor rural gerou superávit de US$ 34 bilhões, exportando US$ 39 bilhões e importando US$ 4,8 bilhões. O índice correspondeu ao saldo total da balança comercial do país, que foi superavitária em US$ 33,6 bilhões no mesmo período.

Apesar do desempenho, nesta safra houve queda na produção, revertida nas contas dos grandes produtores. "A renda da agricultura, mensurada pelo PIB, caiu 1,7% em 2004 e, para 2005, a projeção é de queda de 6% em decorrência da perda de 18,2 milhões de toneladas de grãos e da redução dos preços de comercialização de produtos agropecuários", expõe o chefe do departamento econômico da CNA, Getúlio Pernambuco.

 

Movimento social agrário questiona dívidas

 

Responsáveis por 72% da produção de alimentos, os agricultores familiares questionam a renegociação das dívidas dos produtores ligados ao agronegócio. "Os atrasos de pagamento no Pronaf são inferiores a 2%. Já a inadimplência das dívidas do agronegócio são superiores a 90%", afirma Romário Rosseto, do Movimento de Pequenos Agricultores (MPA).

A Via Campesina, por sua vez, defende a troca das dívidas vencidas dos grandes produtores por terra para a reforma agrária, a inserção de todos os devedores inadimplentes da dívida ativa da União e a cobrança na Justiça de todas as dívidas vencidas do agronegócio.

Agora é esperar para ver. O governo federal está fragilizado, e o agricultor, endividado, está indefinido em relação ao plantio da próxima safra.

 

Semente de soja RR vai custar R$ 1 bi ao Brasil

 

A partir da próxima safra a multinacional Monsanto vai cobrar R$ 0,88 de royalties o quilo ou R$ 35,30 por saca da semente de soja. Hoje o preço oscila entre R$ 1,00 e R$ 1,20 no RS. Para a Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), o preço é muito elevado. "O valor ideal seria R$ 0,40 o quilo", defende o presidente da Abrasem, Ywao Miyamoto. O país precisa de 30 milhões de sacas de sementes para cobrir 100% da área prevista com soja.

Propriedade - Tanto a cobrança de royalties quanto a indenização pelo uso não-autorizado da tecnologia RR estão baseadas na Lei de Propriedade Industrial. Os royalties são cobrados na venda da semente certificada contendo a tecnologia RR. Já a indenização é cobrada no momento da venda do grão que contenha tecnologia RR, seja originário de sementes salvas não-licenciadas pela Monsanto, ou de empresas multiplicadoras não-licenciadas.

 

MDA diversifica opção pelo microcrédito rural

 

Para a safra 2005/2006 os agricultores familiares poderão pegar quantos empréstimos quiserem até atingir o limite de R$ 3 mil. Antes, só podiam fazer três empréstimos e cada um no valor máximo de R$ 1.000. "Agora podem fazer três empréstimos de R$ 1.000, ou seis de R$ 500, ou cinco operações de R$ 200, duas de R$ 500 e uma de R$ 1.000", explica a técnica da área de crédito rural do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Letícia Mendonça.

Todo agricultor que ganha mais de R$ 2 mil por ano pode ter acesso ao microcrédito rural. O empréstimo pode ser pago em até dois anos. Quem pagar em dia tem desconto de 25% em cada parcela.

 

Flores da Cunha destaca vinhos tintos

Concurso distribui 43 medalhas, sendo 20 de ouro e 21 de prata

 

Os vinhos tintos predominaram entre os premiados com medalhas de ouro e prata na quarta edição do Concurso dos Melhores Vinhos de Flores da Cunha. O concurso distribuiu 43 medalhas, sendo 20 de ouro, 21 de prata e duas de bronze. Participaram 27 vinícolas do município com 139 amostras, registradas no Ministério da Agricultura.

Os vinhos tintos finos secos arrebataram quatro medalhas de ouro e oito de prata e os tintos de mesa secos, quatro de ouro e cinco de prata. Já os vinhos finos brancos levaram seis medalhas de ouro e duas de prata e o branco de mesa seco, quatro de ouro e cinco de prata. Os vinhos rosado de mesa seco conquistou uma medalha de prata e duas de bronze. "Foram entregues 29 menções honrosas", diz o coordenador do evento, o técnico Lino Luiz Baggiotto.

 

Vinícola Aurora renegocia dívida e consolida recuperação

 

Nos últimos cinco anos a Cooperativa Vinícola Aurora, de Bento Gonçalves, contabilizou 135 premiações internacionais de vinhos e espumantes. "A premiação comprova o empenho e a qualidade do trabalho das famílias que acreditaram na cooperativa em um momento muito difícil", resumiu o diretor superintendente, Hermes Zaneti.

Hermes Zaneti estava referindo-se à época que a cooperativa, uma das maiores fabricantes de vinhos do país, estava por fechar as portas e atolada em dívidas. O ano era 1996 e a dívida total chegava a R$ 127 milhões (ver tabela). Atualmente, com 1.300 famílias associadas, a Aurora renegociou seus débitos e poderá pagar mensalmente seu saldo devedor, calculado em torno de R$ 65 milhões, durante os próximos 17 anos, sem sofrer com atualizações monetárias. "A aposta dos associados e o trabalho realizado até hoje foram fundamentais nesse processo", diz Zaneti.

 

UCS oferece curso para vitivinicultores

 

Capacitar profissionais do setor vitivinícola é o objetivo do curso "Especialização em Vitivinicultura". Promovido pela UCS, o curso inicia dia 19 de julho. Ocorre nas terças e quartas-feiras, das 18h30 às 22h30.

As inscrições encerram na sexta 8. Interessados devem apresentar cópia do diploma de graduação, curriculum vitae, foto 3x4, cópia do RG e CPF e comprovante de pagamento da inscrição. Preço: 18 parcelas de R$ 290,00. Informações (54) 218-2152 ou no site: www.ucs.br

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

Safra de poucos pinhões

Moro na Terceira Légua, interior de Caxias do Sul. Na região, no passado, pinheiros produziam grande quantidade de pinhões. Agora a produção diminuiu, mesmo nos pinheiros novos. Há casos em que bochas não se desenvolvem e acabam caindo. Pergunto: Quais serão as causas? Desmatamento, seca, idade ou poluição?

GLADENIR BARAZZETTI

Terceira Légua - Caxias do Sul - RS

 

Qualquer fator do meio ambiente pode influir na produção de pinhões, mas o essencial é que haja polinização e fecundação das flores femininas, sabendo-se que o pinheiro brasileiro - cientificamente batizado como Araucária angustifolia ou Araucária brasiliana - é uma espécie dióica, isto é, possui plantas masculinas e femininas separadas. As flores, em ambas as plantas são inexpressivas e incompletas, resumidas apenas aos respectivos órgãos de reprodução - estames com numerosas anteras nas masculinas, e carpelos e óvulos nas femininas - reunidas em inflorescências denominadas cones, amentílios ou estróbilos.

Os pinheiros antes dos quinze, vinte anos de idade, raramente iniciam a reprodução. Os cones masculinos formam-se nos ramos primaveris (grimpas) e constam de estames dispostos em espiral, em torno de um eixo cilíndrico, com pedúnculo curto. Inicialmente verde e firme, só amadurece na primavera do ano seguinte, quando se torna pardacento e flexível. Quantidades incríveis de pólen formam-se nas anteras dos estames que se abrem quando maduras, deixando sair "nuvens" amarelas de pólen que o vento leva na direção dos cones femininos.

Os cones femininos têm uma evolução que compreende três etapas. A primeira inicia na extremidade de raminhos primaveris: uma minúscula bolota coberta por fora, por muitas folhas, semelhantes às normais, porém, maiores e mais juntas. Contém escamas de onde se desenvolverão os futuros órgãos da reprodução. A segunda etapa ocorre na primavera do ano seguinte quando as escamas carpelares com óvulos maduros encontram-se aptos para receber o pólen necessário à posterior fecundação. Somente os óvulos fecundados originam os pinhões. A terceira etapa da evolução do cone feminino ocorre após a fecundação, com o desenvolvimento da pinha até a maturação desta, o que ocorre somente no outono e inverno do ano seguinte, e termina com a queda natural dos pinhões.

As condições favoráveis à polinização são as seguintes:

1. Existência de plantas polinizadoras (masculinas) nas proximidades das femininas.

2. Ventos brandos, nem violentos nem muito fracos, para o transporte do pólen das plantas polinizadoras para as receptoras.

3. Tempo claro, seco e suficientemente úmido. Umidade excessiva e chuvas persistentes na primavera são prejudiciais.

4. Solo bem provido de nutrientes para renovação dos ramos e inflorescências.

Fatores adversos a essas condições causam queda na safra de pinhões.

 

Nacional

Brasileiro gasta 11% do tempo com TV

Para a leitura de livros, consome apenas 3%

 

O brasileiro gasta 18,4 horas por semana assistindo televisão (ou 10,95% de todo tempo), mais que o triplo das 5,2 horas que dedica a livros. A leitura perde também para o tempo que ouve rádio (17,2 horas/semana) e internet (10,5 horas). Os dados foram apurados pelo instituto NOP World, que entrevistou mais de 30 mil pessoas a partir de 13 anos, em 30 países, entre dezembro de 2004 e fevereiro deste ano.

Num ranking mundial, o Brasil fica em 27º lugar em leitura (a liderança é da Índia, com 10,7 horas, seguida da Tailândia, com 9,4 horas e China, com 8) e em oitavo em televisão (o primeiro é a Tailândia), mais de duas horas acima da média mundial, que é de 16,6 horas. Os brasileiros estão entre os campeões no uso de internet, ocupando a 9ª posição. São 10,5 horas por semana, enquanto que o consumo global é de 8,9 horas e o dos norte-americanos é de 8,8 horas.

O Brasil também está entre os líderes do consumo semanal de rádio. São 17,2 horas, mais do que o dobro da média mundial, que é de 8 horas. Nesse item, os brasileiros só ficam atrás da Argentina, com 20,8 horas. Na China, para efeitos de comparação, são dedicadas apenas 2,1 horas por semana para ouvir rádio.

 

opinião

Salvar o capital de esperança

Leonardo Boff

Sem uma sociedade organizada por cidadãos participantes se esvazia a democracia. Sem uma ética da transparência, do valor do serviço público e sem o controle sobre os desvios faltará o óleo que fará tudo funcionar

 

Independente de seu desfecho, a atual crise política está provocando o que é próprio de toda crise: um processo de acrisolamento e de purificação. Ela purifica nossa visão da realidade social brasileira, trazendo à tona o que se esconde por debaixo da política vigente: um profundo vazio de legitimidade e de representatividade. Não se criou aqui uma sociedade com atores autônomos e ativos. Dentro do país há um outro país feito de massas deserdadas e anônimas. O Estado desde sua fundação foi excludente e antipopular, apropriado por elites que o usam para garantir seus privilégios e realizar seus interesses. Elas não têm um projeto Brasil, incluindo a todos, mas um projeto para si, excluindo ou subordinando os demais. Só há um Estado verdadeiramente soberano e uma classe política representativa quando assentados sobre uma sociedade com atores autônomos e ativos, que na verdade nunca existiu consistentemente. Sem uma sociedade organizada por cidadãos participantes se esvazia a democracia e se liquida a representatividade.

Num cenário como este, o negócio, o tráfico de influência, a distribuição de vantagens e o assalto ao bem público fazem com que a corrupção seja sistêmica. Ela é uma moeda corrente que compra e vende tudo. Quase todos participam, quase todos são cúmplices, quase todos se ajustam e quase todos se acobertam mutuamente. O que não pode é serem surpreendidos porque, então, começam a funcionar as leis e os processos que, pelas muitas manobras, normalmente, terminam em nada. Esta foi a lógica dominante, com honrosas exceções de figuras políticas íntegras e incorruptíveis, mas que não conseguiram modificar este rumo.

A chegada do PT ao governo central foi o primeiro grande ensaio de outra classe política, de outro sentido de Estado e de outra ética pública. O presidente Lula encarna em sua biografia esta viragem na história política brasileira. Ele foi eleito pelo apelo das bandeiras da ética e das mudanças.

Teve que enfrentar o peso de toda uma história de séculos e uma conjuntura extremamente vulnerável. Não tendo maioria do Parlamento fez composições para garantir a governabilidade. Até que ponto estratos de seu governo não foram contaminados pela lógica corrupta das coisas? Até que ponto faltou prudência política nas alianças com partidos pouco confiáveis? Não nos cabe antecipar desfechos.

Independente dos juízos que possamos fazer do desempenho do governo Lula, consideramos de fundamental importância, numa perspectiva de futuro, continuar sustentando as duas bandeiras, a da ética e a das mudanças.

Sem mudanças substantivas jamais vamos fundar uma sociedade de cidadãos participativos e recriar um Estado com sentido social, aberto à fase globalizada da história humana. Sem uma ética da transparência, do valor do serviço público e sem o controle sobre os desvios possíveis faltará o óleo que fará tudo funcionar. Urge salvar o capital da esperança.

Estou convencido de que o PT e o presidente Lula ainda vivem deste sonho. A crise os purificará e amadurecerá. Junto com a base parlamentar, importa alimentar a base popular, já oferecida pelas dezenas de entidades que escreveram a Carta aos Brasileiros em apoio e em cobrança do governo, conscientes de sua autonomia mas também de sua responsabilidade. Então será verdade o que Platão escreveu: "Todas as coisas grandes acontecem na crise".

 

Uma virtude com má reputação

Maria Clara Lucchetti Bingemer

Uma pessoa humilde é malvista pela sociedade, que a considera fraca, que não sabe se impor e não se agarra ao prestígio e ao poder. Mas a humildade é uma virtude incontestável e sempre necessária

 

A humildade é uma virtude incontestável, que anda meio esquecida, mas se faz sempre mais necessária. O cristianismo fez dela uma das mais importantes virtudes, condição mesma para viver sua proposta. Pois para reconhecer a majestade e a infinitude de Deus e reconhecer-se criatura finita, pobre e limitada, é preciso ser humilde, ou seja, ter noção exata da própria envergadura e dos próprios condicionamentos.

Apesar de o cristianismo raramente ter sido considerado uma religião humilde, quase sempre associado à arrogância religiosa e ao triunfalismo, e com uma confiança absoluta na verdade superior de seus próprios ensinamentos, a virtude da humildade desempenhou papel central na tradição cristã desde suas origens. Santo Antão a ela se refere como "a primeira de todas as virtudes" e, para Santo Agostinho, consiste na "soma total do remédio que nos cura". Dentro da tradição monástica do Ocidente, o caminho de subida para Deus foi desenvolvido em termos de doze degraus de humildade. E sua importância é tema central na reflexão e nos escritos da maioria dos místicos cristãos, desde Gregório o Grande até o anônimo autor inglês da "Nuvem do não saber" do século XIV; passando pela grande mística carmelita Teresa de Ávila e por João da Cruz até os diálogos espirituais entre Francisco de Sales e Joana de Chantal.

Mesmo em tempos em que a importância da humildade possa ter parecido ser virtualmente eclipsada pelo triunfalismo e o poder eclesiástico, continuou a encontrar seu lugar central e inequívoco na obra de grandes teólogos como Tomás de Aquino e fundadores e espirituais do porte de Inácio de Loyola, que propõe em seus Exercícios Espirituais levar o retirante ao terceiro grau de humildade, desejando antes a pobreza e a loucura por Cristo do que o prestígio que o mundo dá.

E embora a noção de humildade tenha sido olhada como profundamente oposta à ênfase moderna na autonomia humana e na excelência individual, ainda figura com proeminência nos escritos de autores espirituais mais contemporâneos como Simone Weil, Emmanuel Mounier e Jean-Louis Chrétien. Este último chega a afirmar: "É bonito que a mais profunda das virtudes tenha uma reputação tão negativa."

Realmente, o que vem a humildade, com seu conteúdo de verdade e modéstia, de simplicidade e verdade, fazer num mundo que canoniza o poder, que vive de aparências, supervaloriza o ter em detrimento do ser e constrói a cada minuto ídolos e fetiches que o possam guindar sempre mais alto nas escalas social e profissional, à frente, nunca atrás, ainda que seja usando os outros para conseguir seu intento?

Uma pessoa humilde é malvista em nossa sociedade. Dela diz-se que não tem ambição nem garra, é fraca de personalidade, que não sabe se impor. Mais: é tida como boba, idiota, que não sabe aproveitar as oportunidades e chances que a vida lhe dá e se deixa ultrapassar pelos outros. Não se apega às conquistas conseguidas, não se agarra ao prestígio e ao poder dela emanados, mas deles se afasta, deixando o caminho livre para os adversários e concorrentes.

Essa reflexão nos vem após ouvir a palavra "humildade" pronunciada pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (foto). Após as pesadas acusações que lhe foram feitas, José Dirceu retira-se, dizendo fazê-lo de cabeça erguida. Declara que vai reassumir seu mandato de deputado, voltar humildemente à militância dentro do PT, a fim de ajudar seu partido neste momento de profunda crise.

Não se entra aqui no mérito da culpa ou inocência do ex-ministro. Só o tempo, supondo-se que a verdade será apurada e perseguida com toda transparência, poderá dizer se a "cabeça erguida" por ele declarada uma e outra vez é real. Ou se, mais uma vez, o país se horrorizará ao ver seu sentimento nacional dilapidado pela corrupção, a falta de escrúpulos e a sede desmedida de poder.

A história julgará José Dirceu. Pois a humildade da qual ele declarava estar imbuído anda de mãos dadas com a verdade. E não parece ser muito comum nos homens públicos. O tempo fará com que a verdade se faça transparente dos malcheirosos escombros das denúncias e CPIs. Enquanto aguardamos, temos que reconhecer que a saída do chefe da Casa Civil foi pelo menos oportuna. E digna. Tomara que as declarações de seu discurso se comprovem no decorrer do processo da CPI.

 

Saúde

Cinco milhões de casais brasileiros enfrentam problemas de fertilidade

Maioria dos casos está relacionada a doenças físicas que podem ser tratadas

 

No Brasil, mais de cinco milhões de casais enfrentam dificuldades para gerar um filho. Porém, na maioria dos casos, o problema pode ser resolvido com tratamentos relativamente simples. As técnicas de reprodução assistida são indicadas para a minoria. Segundo especialistas, muitas vezes a dificuldade de engravidar é conseqüência de maus hábitos que interferem na fertilidade. Sabe-se, por exemplo, que fumo, estresse, depressão e outros estados psicológicos são grandes vilões (matéria abaixo).

Pesquisas indicam que cerca de 60% dos casos de infertilidade estão relacionados a quatro doenças que podem ser tratadas. A chamada síndrome dos ovários policísticos é o distúrbio mais comum. Caracteriza-se pela formação de vários cistos nos ovários que interferem na produção hormonal da hipófise, a glândula que regula o cilco reprodutivo da mulher. O organismo passa a liberar mais testosterona que o normal, tornando os períodos menstruais irregulares. Conseqüentemente, 80% das portadoras da síndrome não engravidam, mas há medicamentos que estimulam a ovulação.

A endometriose é outra doença que atrapalha a fertilidade. Durante a menstruação, o endométrio, membrana que reveste internamente o útero, descama naturalmente e é eliminado. Em algumas mulheres, parte desse tecido escapa para a cavidade abdominal, alojando-se nos mais diversos órgãos. Isso caracteriza a endometriose, que atinge 10% de todas as mulheres. Mesmo fora do útero, o endométrio sangra no período menstrual e pode causar aderências nas trompas e ovários. Esse quadro compromete a mobilidade do óvulo, atrapalhando a fecundação. O tratamento para quem deseja engravidar é a remoção do tecido por meio de cirurgia ou laser.

Dependendo do lugar onde se alojam, os miomas, pequenos tumores benignos, podem impedir a concepção ou a fixação do embrião. Porém, essa é uma das causas menos freqüentes de infertilidade. A remoção dos miomas por cirurgia aumenta as chances de a mulher engravidar.

Alterações hormonais também podem impedir a gravidez. O funcionamento do aparelho reprodutivo depende da sintonia entre os ovários e as glândulas situadas no cérebro (hipófise, hipotálamo) e no pescoço (tireóide). Quando esse sistema fica desequilibrado, há dificuldade de engravidar. Se o problema estiver nas glândulas hipófise e hipotálamo, os ovários não recebem estímulo para liberar óvulos. Disfunções da tireóide também atrapalham o ciclo menstrual. Essas alterações são tratadas com hormônios.

A infertilidade também pode ser problema dos homens. Eles são responsáveis por cerca de 30% a 40% dos casos em que o casal enfrenta dificuldades para gerar uma criança. Entre os principais males que podem levá-lo à infertilidade estão distúrbios no sistema hormonal que alteram o número e a qualidade dos esparmatozóides.

A varicocele também é uma causa freqüente (40% dos casos). Caracteriza-se por varizes na bolsa escrotal que promovem o aumento da temperatura na região, prejudicando a produção de espermatozóides.

 

Estado emocional também pode interferir na fecundidade

 

Especialistas procuram decifrar por que alguns casais, sem nenhum distúrbio físico, simplesmente não conseguem ter filhos. Casos de dificuldade de fecundação sem causa aparente representam 40% das ocorrências. A suspeita é de que as emoções interfiram na fertilidade.

Alguns especialistas creditam à agitação da vida moderna muitos casos de infertilidade. A correria provocaria uma secreção excessiva de substâncias que inibem os hormônios sexuais. Isso levaria a alterações no ciclo menstrual e na produção de espermatozóides.

Ansiedade, angústia e depressão também provocam queda na fertilidade. A psicóloga Alice Domar, Universidade de Harvard (EUA), investiga o tema e afirma que mulheres com dificuldade para engravidar ficam com níveis de ansiedade e depressão semelhantes aos de um paciente com câncer. Em ambas as situações não há meio termo: ou você morre de câncer ou se cura; ou você tem um bebê ou fica sem ele.

A situação também é estressante para os homens. Quando o problema está neles, o preconceito soma-se à ansiedade, pois muitos ainda confundem dificuldade para fecundar com queda de potência sexual. Nesses casos, apoio psicológico e técnicas de relaxamento são muito importantes.

ESPECIAL

FAMÍLIA FECUNDIDADE DO AMOR CONJUGAL

A família é o resultado de um longo processo, que envolve amor conjugal, vida conjugal, casamento e matrimônio. Cada etapa é parte de uma estrutura que dá suporte às relações familiares

HILDO CONTE

Frei capuchinho, doutor em Teologia Moral

 

Fala-se que a família é "Igreja doméstica", "célula da sociedade", "primeira escola de socialização" e que "o futuro do mundo e da Igreja passa pela família". A grande preocupação é com a família. Parte-se da família para construir um mundo melhor. Mas será que não haveria necessidade, ainda mais urgente, de considerar outras realidades anteriores e fundadoras da família? Será que a crise familiar não tem a ver com uma atitude ingênua frente à sua complexidade?

Quando se fala de família é preciso distinguir vários níveis. É como uma casa: o que se vê é o mais externo e superficial. Contudo, um conjunto de coisas forma a estrutura da casa, desde o fundamento até o telhado. Assim é com a família: existe toda uma estrutura que prepara e dá suporte às relações familiares. Vamos ver quais são e como se distinguem.

A família parte de uma pessoa sexuada e erótica, que precisa aprender a amar. Há muitos modos de amar. A vida familiar exige uma vida conjugal. E uma vida conjugal exige um amor conjugal. O amor conjugal é a base da vida conjugal. O amor conjugal é o conteúdo do matrimônio. O amor conjugal exige a instituição matrimonial para ser protegido e estar inserido socialmente. Contudo, a instituição matrimonial, por si só, não cria o amor conjugal. O amor conjugal inserido socialmente e visto à luz da fé se chama sacramento. É neste amor uno, fiel e fecundo que podemos perceber o amor e a graça de Deus atuando no mundo. Finalmente, este amor fecundo vai gerando a vida e o cuidado, inserindo em seu espaço a presença querida de outras pessoas, sejam os filhos, outros familiares ou qualquer gesto de hospitalidade e compromisso social. A isto chamamos de família.

Começo - É só olhar para nosso corpo. Somos uma estrutura física, psíquica e espiritual orientada para as relações, para o encontro, para a comunicação, para trocas. Dizia João Paulo II: "A masculinidade é para a feminilidade e a feminilidade é para a masculinidade". O impulso sexual e erótico são correntes de energia poderosas que nos empurram e nos chamam na direção de outra pessoa. Interpretando bem nosso corpo entendemos nossa vocação ao amor. Por isso o mesmo papa dizia: "O corpo é o sacramento primordial". No corpo do homem e da mulher está estruturada a vocação ao dom. Isto é, nossa vida tem sentido quando a vivemos com alguém e para alguém. Mulher e homem são, um para o outro, aquele "auxílio adequado" para viver a universal vocação ao amor. "Não é bom para o homem ficar sozinho. Quero fazer para ele uma ajuda que lhe seja adequada" (Gn 2,18). Aqui é que começa a família. Uma família só poderá ser uma "íntima comunidade de vida e de amor" se o corpo humano for compreendido como estrutura e dinamismo que orientam para o amor. Não se pode amar sem entender de Eros, de masculinidade, de feminilidade, de desejo, de afetividade, de linguagem do corpo, de diferença entre homem e mulher, de psicologia diferencial. É a diversidade destinada à unidade do amor. O amor não é um sentimento que se expressa de qualquer modo. O amor será a totalidade da pessoa que se doa e acolhe a outra, no corpo e através do corpo.

Vocação - Quando Jesus nos diz "amai-vos", está revelando nossa vocação fundamental de seres humanos. Assim como a laranjeira é uma árvore estruturada para produzir a laranja, nossa estrutura humana é estruturada para produzir o fruto do amor. Tudo o que há em nós foi Deus quem preparou na intenção de produzir o fruto humano, que é um fruto sagrado: o amor. "Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, pois o amor é de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece Deus. Aquele que não ama não conheceu Deus porque Deus é amor" (Jo 4,7-8). Este é o principal fundamento da família. Antes de se preocupar com o divórcio, é preciso pensar em fidelidade, e antes de pensar em fidelidade é preciso habilitar as pessoas a viverem o amor, que, por sua natureza, é fiel. Contudo, a fidelidade sem amor é algo impossível. O amor não é um instinto, não é algo espontâneo. O amor não é um sentimento, uma paixão, algo que acontece por acaso. O amor é, no fundo, a maior capacidade humana. E isto não se improvisa, é preciso aprender. O amor envolve toda a pessoa. É por isso que o mandamento maior do Evangelho diz: "Amarás... com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças" (Mc 12,30). É a pessoa inteira que ama. O amor não vem só do coração, não vem só do corpo, não vem só da razão, não vem só do espírito. Só há amor verdadeiro se nele estiver integrado todo corpo, todo espírito, toda inteligência e todas as forças. E isto é preciso aprender. Nada em nós, seres humanos, é instintivo; tudo passa pela decisão da liberdade, pelo entendimento da razão e pela expressão do corpo.

 

Núcleo gerador de vida para uma nova sociedade humana

 

O amor conjugal é um modo específico de amor. É aquele amor vivido na comunhão de vida com outra pessoa. É o amor que brota a partir da diferença sexual entre homem e mulher, quando ambos se fazem dom um para o outro. É este e somente este tipo de amor que faz o matrimônio. Mulheres e homens podem se amar de outro modo. Existe a amizade, o amor de compaixão, a solidariedade e muitos outros modos de amar, que não servem para a vida conjugal. Mas somente o amor conjugal é que compõe o conteúdo necessário para se formar uma vida conjugal, que faz o sacramento do matrimônio, do qual nasce a família. O amor conjugal é aquele que nasce da escolha recíproca de um homem e de uma mulher para viverem um para o outro, de modo total, fiel, exclusivo e fecundo. O amor conjugal é aquele que conjuga as diferenças de gênero para formar a unidade de vida. O amor conjugal, portanto, não é qualquer amor, não se resume a sentimentos ou à paixão. Só há amor conjugal quando homem e mulher sabem "conjugar" suas vidas, no respeito, no reconhecimento e na afirmação das diferenças; só há amor conjugal quando estas diferenças se conjugam, se fecundam, se equilibram na doação recíproca e total, que se desdobra num projeto de vida uno e fecundo. O amor conjugal é feito de fidelidade, confiança, liberdade, fecundidade. É somente este amor capaz de sustentar uma vida conjugal.

A vida conjugal é um estado de vida, ou um estilo de vida estruturado no amor conjugal. É a relação cotidiana do homem e da mulher, dentro de um espaço comum, onde se vive a "unidade dos dois" em todos os desafios que a vida coloca. Por isso a vida conjugal é feita de êxitos e fracassos, esperanças e riscos, sucessos e fracassos. Ali o amor se faz perdão, perseverança, fidelidade, superação. Como toda obra humana é frágil, necessita de cuidados. Por isso Jesus dizia: "Não separe o homem o que Deus uniu" (Mt 19,6). Para dar proteção à vida conjugal, empenham-se igualmente tanto a sociedade civil, com a instituição matrimonial, quanto a religiosa, com a instituição sacramental.

Casamento - Para garantir o nascimento, o crescimento e a maturação do amor conjugal, tão frágil quanto precioso, a sociedade se compromete a um cuidado especial sobre este núcleo de vida, de maior interesse coletivo, pois é daí que vem aquilo que é mais importante para a sociedade: as pessoas. A instituição matrimonial é a estrutura da vida conjugal reconhecida, protegida e defendida pelas leis civis e pela autoridade pública. Um verdadeiro amor conjugal exige uma estrutura adequada para a vida conjugal. E isto se chama casamento. O casamento civil é a expressão da cumplicidade entre o interesse privado e o interesse público. Nada mais privado e público, ao mesmo tempo, do que o amor conjugal. O casamento é o compromisso recíproco entre o casal e a sociedade, através do poder público.

Matrimônio - O matrimônio é sacramento. É a realidade da vida conjugal vista à luz da fé. Neste amor uno, fiel e fecundo é possível experimentar a própria vida e o amor de Deus. É a unidade do homem e da mulher o "lugar" humano mais parecido com a comunhão da Trindade. É por isso que no projeto original de Deus, mulher e homem, unidos pelo amor, se tornam sua "imagem e semelhança" (Cf Gn 1,27; 2,24). O sacramento do matrimônio tem seu rito inicial na cerimônia de casamento na Igreja, contudo, o sacramento só se verifica no cotidiano da vida conjugal. Ali está, ou não, de fato, a realidade sacramental: a comunhão de vida e de amor, semelhante à comunhão de amor na vida íntima da Trindade.

Família - Enfim, a família. Família é uma "íntima comunidade de vida e de amor". A família é a fecundidade do amor conjugal. O amor conjugal é, por sua natureza, fecundo. O filho é o dom mais precioso do amor conjugal. Contudo, o amor conjugal tem outros modos de ser fecundo. É sempre o amor conjugal que se torna um núcleo gerador de vida, traduzido ou não em filhos, mas sempre em defesa e promoção da vida, cuidado, participação, solidariedade, em círculos cada vez mais amplos até alcançar as estruturas mais amplas da vida social. As relações familiares só terão sucesso se tiverem como pressuposto o amor conjugal e como meta a "civilização do amor", ou seja, se tiver presente sua missão de colocar pessoas e bases novas para uma sociedade mais humana, presença do reino de Deus no mundo.

Portanto, a família vem depois. O sucesso da família depende de uma série de habilidades, que inicia no corpo, envolve todas as dimensões da pessoa, sua habilidade de lidar com as diferenças, a capacidade de se fazer dom, de acolher, respeitar e cuidar, de ter clareza de projeto e missão, da percepção do que é fim e o que é meio, o que é estrutura e o que é conteúdo. Enfim, família é o resultado de um longo processo. Não se começa do telhado para construir a casa. É urgente colocar novas bases para uma nova construção.

A família fundamentada no amor conjugal é algo recente na história. Não temos tradição, não tivemos escolas, não temos uma cultura amadurecida na arte de cultivar o amor conjugal.

 

Curso aborda amor e família

 

O Instituto Superior das Ciências do Amor (ISCA - a ONG do amor), inaugurado em abril e com sede em Porto Alegre, oferece um espaço de elaboração e divulgação de conhecimento científico sobre a vocação do amor conjugal e a missão maior do ser humano. O ISCA agora quer chegar às comunidades (paróquias, movimentos de Igreja, escolas...) de todo Rio Grande do Sul e do Brasil com o seu curso "Um caminho para o amor e pela família", que existe há dez anos. O responsável é o Dr. Prof. Fr. Hildo Conte (foto) - cinco livros publicados sobre o assunto, dez grupos de reflexão, vivência e espiritualidade.

O curso aborda os recursos do amor, tratando de temas como sexualidade, corporeidade, Eros, masculinidade, feminilidade, afetividade, reciprocidade e amizade, para chegar ao tema central: o amor. A duração varia de 15 a 40 horas - fora da grande Porto Alegre pode ser realizado em dois fins de semana.

Interessados em realizar esse curso devem entrar em contato com frei Hildo Conte (Rua Thomas Edson, 50, Bairro Santo Antônio 90640 -100 Porto Alegre - RS. Telefones (51) 91248484 - 32191701; e-mail: hildo@capuchinhosrs.org.br; site: www.ongdoamor.cjb.net)

 

Igreja

Compêndio resume a doutrina cristã

Obra sintetiza o credo, a liturgia, a moral e a oração dos católicos

 

Desde o dia 28 de junho, qualquer pessoa pode consultar os conteúdos essenciais da fé católica graças à publicação do "Compêndio do Catecismo da Igreja Católica". Para ajudar os católicos a entenderem sua religião e sua fé, o Papa Bento XVI lançou essa versão compacta do catecismo da Igreja. O volume, de 205 páginas, resume, em 598 pequenas perguntas e respostas, o "Catecismo", de 691 páginas, promulgado em 1992 pelo Papa João Paulo II, que já teve 8 milhões de cópias vendidas em 60 línguas.

Não se trata de um novo catecismo, mas de uma síntese, pois não oferece adendos nem mudanças ao que já está contido no Catecismo de 1992. Bento XVI explicou, na cerimônia de apresentação do texto do Vaticano, que desde a publicação do Catecismo, se fazia "cada vez mais ampla e insistente a exigência de um catecismo em síntese, breve, que apresentasse os elementos essenciais e fundamentais da fé e da moral católicas, formulados de maneira simples, clara, sintética e acessível a todos".

O Papa apresentou o compêndio como "um texto autorizado, seguro e completo a respeito dos aspectos essenciais da fé da Igreja", salientando que ele está em plena harmonia com o Catecismo aprovado por João Paulo II. A obra divide-se nas mesmas quatro partes nas quais está dividido o Catecismo: "A profissão de fé", com as primeiras 217 perguntas; "A celebração do mistério cristão", da pergunta 218 a 356; "A vida em Cristo", da 357 a 533; e a última parte, "A oração cristã", da pergunta 534 a 598.

O compêndio conclui com um apêndice no qual são apresentadas orações comuns em latim, desde o Glória ao Pai até uma oração pelos falecidos ou o ato de contrição, e fórmulas da doutrina católica, como os sete dons do Espírito Santo, as bem-aventuranças etc. Na texto também estão incluídas 14 imagens tomadas de obras-primas da arte cristã de todos os tempos, para ilustrar o início de cada parte ou seção.

Com o compêndio, o Vaticano espera tornar as questões da fé e da moral mais acessíveis a católicos de todas as idades. Todos os grandes temas abordados pelo Catecismo estão resumidos no compêndio, destacando-se os comentários aos 10 Mandamentos, que incluem a defesa da família, do casamento (definido como união de um homem e uma mulher), a proibição do aborto e da eutanásia, a posição contrária da Igreja às pesquisas com embriões para a busca de curas para doenças como o câncer, a paz entre os povos, a dignidade das pessoas e dos povos etc.

Por enquanto, o texto está publicado só em italiano. Nos demais idiomas, a tradução será coordenada pelas Conferências Episcopais.

 

Bento XVI deseja novo impulso evangelizador

 

Bento XVI salientou que a necessidade de um documento que facilitasse a compreensão do Catecismo surgiu durante o Congresso Catequético Internacional de 2002, quando os participantes sugeriram a João Paulo II a publicação do compêndio. O Papa aceitou a proposta e em fevereiro de 2003 criou uma comissão para redação do texto, presidida pelo prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal Joseph Ratzinger, agora Papa Bento XVI.

Ao apresentar o compêndio durante missa celebrada na Sala Clementina do Vaticano, o Papa desejou que o documento "dê um novo impulso à evangelização e à catequese". Destinado a toda Igreja, o Pontífice disse que é também dirigido a "todas as pessoas de boa vontade, que desejam conhecer as riquezas insondáveis do mistério salvífico de Jesus Cristo".

O Papa entregou 11 exemplares do compêndio a várias categorias do povo de Deus - um cardeal, um bispo, um padre, um diácono, um religioso, uma religiosa, uma família, dois jovens, duas crianças, três catequistas e um agente de pastoral.

 

Jesus demais

Padre Zezinho

Tudo o que é demais enjoa, inclusive religião

 

Estão enganados os que acham que remédio ou pudim nunca são demais. Coisas boas podem ser demais. Os que acham que Jesus nunca é demais estão enganados. Pode-se falar demais de Jesus a ponto de saturar e produzir no ouvinte efeito contrário ao que se pretendia. Religião demais intoxica tanto quanto remédio demais ou tanto quanto remédio bom dado para pessoa que precisa dele, mas não naquela dose.

Falo de certas Igrejas e, dentro da minha Igreja, de certos pregadores que, de tanto repetir o mesmo chavão e as mesmas coisas do mesmo jeito sobre o mesmo Jesus, acabam por estragar a novidade que Ele representa. Testemunho demais vira contra-testemunho. Tem "eu" demais no testemunho dos que pretendem falar de Jesus. Quando o sujeito gira o botão e aonde quer que vá está cercado de propaganda religiosa, passa a ficar com raiva dos pregadores. Chocolate demais faz mal e pregação demais faz mal. Excesso de comunicação gera efeito contrário.

Há que haver equilíbrio. E este equilíbrio tem faltado a alguns pregadores. Têm céu demais na cabeça. A vida é mais do que apenas louvar e falar de Deus. Digo isso como padre católico que também lê a Bíblia. Foi Jesus quem disse que aquele que vive dizendo Senhor, Senhor não tem o céu garantido. Há outras coisas que é preciso fazer para merecer o céu. Por exemplo: ajudar os pobres, fazer caridade e lutar pela justiça na Terra. A gente não ouve muito isso na maioria das pregações do rádio e da televisão. Estão forçando a barra. Veremos em pouco tempo o grau de rejeição do povo contra eles. Acabam como aquele doente que de tanto remédio não quer mais ouvir falar de médicos, enfermeiros e hospitais. Se não perceberam, já começou a acontecer. Pergunte aos seus amigos e parentes. Tudo o que é demais enjoa, inclusive religião.

 

Espiritualidade inspira intereclesial

Encontro nacional das CEBs será realizado em Ipatinga (MG)

 

Será realizado entre os dias 19 e 23 de julho de 2005, em Ipatinga (MG), o 11º Encontro Nacional das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), motivado pelo tema "CEBs: Espiritualidade Libertadora" e pelo lema "Seguir Jesus no compromisso com os excluídos". Segundo o articulador nacional do 11º Intereclesial, padre Nelito Dornelas, o encontro deverá reunir mais de seis mil pessoas. Só delegados são 3,6 mil, além de 120 pessoas de países da América Latina, 40 de países europeus e dos Estados Unidos e 100 indígenas.

As atividades vão ocorrer em tendas e em vagões. Durante os quatro dias, serão discutidos os eixos temáticos fundamentais: espiritualidade libertadora, seguimento de Jesus e o compromisso com os excluídos que irmana os cristãos nas diferenças. Um total de 150 assessores estarão trabalhando com os grupos, auxiliando-os no desenvolvimento desses temas.

O 11º Intereclesial vai recordar os 30 anos de realização do primeiro encontro, ocorrido em Vitória (ES) no ano de 1975. As CEBs nasceram engajadas nas lutas políticas e sociais, ligando fé e transformação radical das estruturas de opressão que continuam impedindo a realização da pessoa. As CEBs foram uma presença marcante e esperança no meio dos pobres. Embora tenham perdido a força social e a importância que tinham nos anos 70, as CEBs continuam vivas e atuantes em muitas parte do país.

Graças às CEBs, as comunidades abriram espaço para o jeito novo de celebrar, de ler a Bíblia, de viver a fé; para a participação efetiva dos leigos; tornaram-se mais acolhedoras, mais comprometidas com os necessitados e excluídos. "Nesses últimos 30 anos as CEBs nos mostraram uma maneira integrada e alegre de seguir Jesus e de viver a palavra de Deus dando continuidade ao seu projeto", afirma Olivo Morello, de Farroupilha, um dos coordenadores de CEBs da diocese de Caxias do Sul que, junto com outros 11 delegados da diocese, participa do intereclesial em Ipatinga.

Frei Natalino Fioroti, pároco da paróquia São José de Pelotas salienta que o trabalho "social" que hoje a Igreja realiza é herança das CEBs. "Os serviços e pastorais em favor da vida, que atendem as necessidades humanas, como as pastorais da criança, da saúde, do pão, e os próprios ministérios leigos são fruto das CEBs", afirma o capuchinho. Segundo Fioroti, em Pelotas as CEBs continuam atuantes especialmente onde o padre nem sempre pode estar. Nas comunidades da paróquia São José, por exemplo, nas quatro celebrações, em média, do mês, uma é presidida pelo sacerdote e as outras três pelos ministros da Palavra, que também levam ao povo a Eucaristia.

 

O meu testamento

Aldo Colombo

Para quem deixarei minhas reservas de ternura, meu estoque de sonhos e o álbum de minhas alegrias?

 

No bolso de um executivo paulista, que morreu repentinamente quando se dirigia ao trabalho, foi encontrada uma surpresa: um bilhete premiado. Joel Fernandes Tavares, este o seu nome, 47 anos, e com ele um bilhete da Loto equivalente a 268 salários mínimos. Joel não pôde fazer seu testamento.

De resto, os testamentos começam com um erro insanável: deixo livremente os meus bens... Correto seria: sou obrigado a deixar os meus bens. E muitas vezes, esses bens deixados, de má vontade, criam a desunião e a infelicidade naqueles que os herdam. Uma empresa de urnas funerárias planeja inserir, em alguns caixões, um pequeno cofre para dinheiro e jóias...

Um mendigo, sentindo aproximar-se a hora de deixar este mundo, defrontou-se com a questão: faço ou não faço um testamento como todo o mundo? E nesse caso para quem deixarei os meus bens, para quem deixarei tudo o que tenho?

Para quem deixarei minhas calças furadas e encardidas, minha camisa da qual não é mais possível saber a cor original? Para quem deixarei meu velho chapéu, onde pessoas de bom coração deixaram cair algumas moedas e pedaços de pão? E o galho de árvore que servia de bengala e as minhas sandálias desfiguradas de tanto pisar as pedras, o barro e o pó dos caminhos? Existe também um pedaço de pano, transformado em lenço, onde enxuguei, muitas vezes, as minhas lágrimas...

Mas os meus bens são bem maiores que esses. Para quem deixarei os raios do sol que iluminaram meus dias, o brilho prateado da lua, minha companheira das longas noites de verão? Para quem deixarei a fonte da praça, que me fornecia água limpa para minha sede, e a água dos riachos onde eu lavava o meu corpo e minhas roupas? E para quem ficará o meu banco da praça, cercado de roseiras e jasmins, altar de minhas orações? Para quem ficarão os vaga-lumes, cúmplices de minhas noites e os bandos de bem-te-vis, sabiás e pardais que executavam músicas exclusivamente para mim? E alguém se interessará pelas sombras das minhas acácias e da brisa que me trazia o perfume das flores recém desabrochadas?

E para quem deixarei a marca de um beijo que me foi dado por uma criança que perguntou se eu era Papai Noel? E minhas reservas de ternura, meu estoque de sonhos e o álbum de minhas pequenas e grandes alegrias, com quem poderiam ficar?

Faço ou não faço meu testamento? Decididamente não farei. Mesmo porque todas essas riquezas não são minhas e elas ficarão para algum irmão meu - mendigo - para que desfrute tudo isso e seja feliz como eu fui. Não farei nenhum testamento, mas direi um sincero muito obrigado a meu Pai que me deu tudo isso e, mais ainda, me fez herdeiro do seu amor.

 

Frei Silvestre Gialdi morre aos 61 anos

Frade era secretário provincial e professor na Universidade de Caxias

 

Frei Silvestre Gialdi, secretário provincial da Província dos Capuchinhos do Rio Grande do Sul desde 1988, faleceu no dia 28 de junho de 2005, aos 61 anos. Depois de sentir fortes dores no dia 22 de junho, foi submetido a uma cirurgia de emergência, mas não resistiu à trombose mesentérica com septicemia (trombose intestinal) que o acometeu.

Filho de Fioravante e Carolina Gabiatti Gialdi, frei Silvestre nasceu no dia 31 de dezembro de 1943 em Anta Gorda (RS). Ingressou na província dos capuchinhos em 1958 e foi ordenado sacerdote no dia 21 de dezembro de 1974, na igreja São José de Maravilha (SC), por dom José Gomes, sendo a primeira ordenação na história daquela paróquia.

Exerceu atividades no seminário de Vila Flores, em 1975 e 1976, como professor; em 1977 e 1978 cursou Pedagogia no Pontifício Ateneu Antoniano, em Roma; foi diretor de estudantes em Flores da Cunha, de 1979 a 1982, e diretor da casa de formação Frei Bruno, em Caxias do Sul, de 1983 a 1987.

Secretário - Desde 1988 prestava serviços aos frades como secretário provincial, residindo na Casa Provincial, em Caxias do Sul. Em 1981 iniciou como professor na Universidade de Caxias do Sul (UCS), permanecendo nessa atividade até o dia 22 de junho de 2005, quando adoeceu. Semanalmente, às terças-feiras, assessorava as Irmãs Clarissas Capuchinhas de Flores da Cunha.

Frei Silvestre foi pregador e assessor de muitos retiros e cursos para religiosos e religiosas. Escreveu numerosos textos sobre filosofia, franciscanismo, vida religiosa e outros e colaborava com artigos em revistas e jornais, entre os quais o Correio Riograndense. Em 1996 recebeu a Medalha do Mérito Universitário, condecoração da UCS. Em 1999 publicou os livros "Votos religiosos: consagração à Trindade, comunhão com a Igreja e missão no mundo", pela Vozes, e, em co-autoria, "Normas técnicas para apresentação de trabalhos científicos".

Como secretário provincial era responsável pela elaboração da Revista Pax et Bonum, órgão oficial da província, e do manual "Celebrar a Vida". Culto, zeloso e extremamente dedicado tanto na pastoral quanto no magistério, foi um frade muito admirado pelo povo e pelos alunos. Defensor da ecologia, nas suas caminhadas diárias pelas ruas da cidade costumava munir-se de uma sacola plástica para recolher o lixo que encontrava. "Como franciscano, devo cuidar do meio ambiente", dizia.

No dia 28, às 7h30, dom Paulo Moretto presidiu a missa de corpo presente na igreja Imaculada Conceição, em Caxias do Sul. Depois, acompanhado por um grupo de 24 confrades, incluindo o governo provincial, o corpo foi transladado para Maravilha (SC). Dom Manoel João Francisco, bispo de Chapecó, presidiu missa na matriz de Maravilha, concelebrada por dezenas de sacerdotes gaúchos e catarinenses. Em seguida, o caixão coberto com a bandeira da Associação de Motoristas de Maravilha, da qual frei Silvestre era sócio honorário, foi levado ao cemitério municipal por um carro do corpo de bombeiros e sepultado no jazigo da família Gialdi.

 

Super-hiper-mega

Wilson João

 

A mesma escada que é instrumento de subida também pode tornar-se instrumento de queda

 

Os meios de comunicação são uma beleza e um desastre ao mesmo tempo. São maravilhosos e catastróficos em sua função. Fazem das pessoas um deus, e logo em seguida as rebaixam ao pó da terra. Palavras como super, hiper, mega, grande... são colocadas injusta e indevidamente na classificação das pessoas, como jogadores de futebol e de vôlei, artistas de teatro e novela, cantores e músicos e tantas outras pessoas que aparecem na mídia, especialmente na televisão e revistas. Ninguém é tão grande que não esteja sujeito a uma queda.

OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO CRIAM DEUSES. Sabemos que todas as criaturas humanas são frágeis. O endeusamento feito pelos meios de comunicação é tão grande que parece que esse tipo de pessoa está livre das necessidades básicas do comum dos seres humanos. Parece que não precisam dormir, que não estão sujeitas à dor de cabeça e de barriga, que se alimentam diferente do comum dos mortais, que não precisam ir ao banheiro, que não têm mágoas e preocupações, nem tristezas e cansaços.

TODOS SOMOS FRÁGEIS E LIMITADOS. Ninguém foge dessa realidade. Na realidade da vida, por muitas causas, um super-jogador se torna um mini-jogador, um hiper-atleta se torna um hipo-atleta e um mega-artista se torna um micro-artista. Caem do palco da vida como uma folha de árvore no tempo do outono. A mesma escada que é instrumento de subida pode tornar-se instrumento de descida. Há um limite em cada ato heróico. Há um fracasso escondido em cada sucesso. Há uma pequenez traidora em cada gesto de grandeza. O palco é para todos como é para todos o lugar da platéia. Em nossa condição de frágeis e limitados, todos somos artistas uns dos outros, e todos espectadores uns dos outros.

SOMOS O QUE SOMOS NO COTIDIANO. A maquiagem social engana muito. O parecer, dias mais dias menos, cai diante do ser. O ser esfacela as máscaras da moda e da cosmética. A grande indústria da cosmética vem mostrar como o ser humano necessita das máscaras das maquiagens, das plásticas, das tatuagens e de tantos outros meios que escondem a realidade do ser no aprisionamento do aparecer. Com facilidade o "mega, hiper, super" se transforma em "micro, mini, pequeno".

OS GRANDES SE FAZEM PEQUENOS. Vêm em minha mente pessoas como Maria, que se dizia a "pequena serva do Senhor", Francisco de Assis, que se proclamava "o verme que os outros podem pisar", Teresa de Calcutá, que se colocou a "serviço dos miseráveis mais miseráveis", e tantas pessoas que conhecemos ao nosso lado e que se fazem corações servidores sem mania de grandeza.

HÁ SOMENTE UM MEGA, SUPER E GRANDE. Deus é o único grande. Pensou e realizou a grandeza deste universo e a grandeza de todo o ser humano na pequenez de sua fragilidade. Grande é a pessoa humana que se proclama pequena, e se ajoelha diante da grandeza e do poder de Deus. Miserável é o indivíduo, seja artista, cientista ou pessoa comum, que se proclama super em suas idéias e trabalho, em suas posses e poder, em seus sonhos e projetos eternos. Somente a Deus toda a glória.

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

O italiano que está em você

Frei Aldo Colombo

Capuchinho, jornalista, Caxias do Sul-RS

 

Frei Aldo Colombo, jornalista, ex-provincial dos Capuchinhos, diretor do Correio Riograndense, é uma singular autenticidade como frade e, logicamente, como italiano. Diz:

"A certeza de ser italiano e milanês - como os meus pais e avós - me acompanhou desde as brumas da consciência. Aos poucos, fui delineando em mim mesmo o perfil, na ortodoxia italiana: calça curta, sustentada por suspensórios de pano - chamados de tirache - camisa listrada, chapéu de palha, da dressa, feita pela avó e, naturalmente, tamancos. Aos seis anos, quando fiz a primeira Comunhão, eu ainda não sabia falar a língua portuguesa, embora entendesse tudo. E isto, obedecendo à lógica paterna: primeiro, aprenda o idioma dos pais, depois vem o resto. À noite, após a janta, rezava-se o terço em italiano. Pelo menos, assim pensavam meus familiares. Na realidade, tratava-se de um latim italianizado.

O orgulho de ser italiano crescia com os relatos familiares. O bisavô, durante a vinda para o Brasil, numa viagem de navio - 40 dias e 40 noites - recebera uma medalha por atos de bravura. E falavam ainda de um dos nossos ancestrais que passara a vida como artesão na construção do Il Duomo de Milão, uma das maravilhas do gótico clássico. E o Staffetta Riograndense dava outros motivos para orgulhar-me da distante Itália, embora houvesse alguma dificuldade em entender porque Pio XII não concordava com il duce, Benito Mussolini.

Meu orgulho começou a murchar quando, na Grande Guerra, falar italiano podia dar prisão. Mais tarde, já no Seminário, era proibido falar o dialeto italiano-vêneto. E a pena era expressiva: ficar sem lanche à tarde. De resto, a auto-imagem dos italianos era cada vez pior. Era simplesmente sinônimo de colono e burro. Inteligentes e espertos eram os da cidade.

Este período obscuro começou a declinar a partir de 1975, no centenário da imigração italiana. É de justiça salientar o papel desempenhado por um "italiano", frei Rovílio Costa. A partir das páginas do Correio Riograndense repatriou o Naneto Pipetta e começamos todos a admitir: Gràssia a Dio, son talian! O que parecia politicamente incorreto, passou a ser, com o tempo, um consenso.

Quero deixar claro que não sou italiano da Itália, embora me emocionem figuras como Francesco d’Assisi, Dante Aligheri, Gugliermo Marconi, Giovanni XXIII... Sinto quase nenhuma identidade com os italianos da Itália de hoje. O italiano que se elaborou em terras rio-grandenses é um italiano diferente. Lutando contra tudo e contra todos, triunfou e construiu uma nova Itália em terras da Mèrica. A sonhada cucagna de Nanetto não estava no topo de um palanque ensebado, mas no fundo da terra, por eles cultivada. Mantendo sua fé, seu apego à família e sua proverbial honestidade, moldaram uma comunidade solidária.

E hoje - passada a emocionalidade da juventude - sinto uma infinita gratidão pela herança que me foi deixada. É verdade que tenho minha peculiaridade. Embora fale o idioma vêneto, proclamo: Gràssia a Dio son talian e milanês!"

A italianidade, no Rio Grande do Sul, tem os ingredientes do trabalho e da luta, iluminados pelo desfilar das contas da corona entre os dedos do papà, da mama, do nono, da nona… Nossos antepassados vieram ‘Fazer a América’ da mesa farta e nos trazer a ‘Itália da Fé’. Mi son Talian gràssia a Dio significa: embora pobres, deserdados na Itália, ricos apenas de vontade de vencer e de fé, também somos filhos de Deus, em nada melhores dos outros, mas apenas filhos de Deus, que nosso país e o mundo nos considerou os últimos. (Rovílio Costa)

 

EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (316)

Nanetto va portar la alegria via pal Brasil

Eduardo grigolo

Professor, Jundiaí – SP

 

Na matina, dopo colassion, Nanetto el ciama Rovìlio e Battistel, e el ghe dise:

- Cari frati e amici, son contento de esser qua con voi, ma me manca l’ària e son pròpio drio perder el fià, sensa laoro.

- Te pol laorar con noantri in tea EST, se te vol. Risponde Rovìlio.

- Gràssie, ma me vien la spissa, al ricordarme dei viaii che go fato via pal Brasile!

- Se ze così, dise Battistel, contìnua el to viaio.

- No ze ben così! Robe mal fate, le fa mal la testa, averte Rovìlio.

- Son contento e ringràssio a Dio, tute le matine, la vostra ospitalità. Che me fa vegner su le fumane, ze che tuti i di, uno o altro el vien dirme che mi son "proprietà del Rio Grande", dei gaùssi. Par quel che vui ndar a sbrindolon!

- Lora te femo na festa con messa e pranzo de agnolini, galina a rosto, verze crude in salata e tuto quel che racomanda la bona prèdica, d’acordo?

- No bisogna nessuna altra festa, parché esser qua con valtri ze na festa contìnua. Qua se magna del bon e del meio – polenta, radici, formaio, salame..., e se beve vin, come i vedei i beve late. Ma me vien aqua in boca, solche pensar tea possibilità de ndar de jeghe e magnar rapadura, come i fa i vostri confrateli del nordeste. Gaveo capio el me propòsito?

- Ah! Se ze così, dise Battistel, te pol ndar. Che Dio te benedissa e che’l to Àngelo Custode te acompagne! Amén!

- Gràssie, gràssie mila! Me ricordarò sempre de valtri e del Rio Grande te le me orassion.

- Ma, Nanetto, son sicuro che no te ndarè via par sempre, dise Rovílio.

- Nò, madòscole, no go gnanca pensà na roba così! Ritornerò, sicuro, con novità, parché el cuore tira dove ze i amici.

- E te pénsitu ndar via doman, dopo, o quando? Parché bisogna che te giutemo far la valìsia, comprar quel che te manca, far i gróstoli, le frìtole e cosinar patate par el viaio.

- Patate nò! Queste le magno quando ritornarò! Savé che magnar patate dolse in viaio, le fa un trambusto in tel stómego e se fraca sempre vanti vèrder l’ùltimo boton dele braghe e dopo toca lavarle e lavarse el stafanàrio, e fin i simioti i me ride drio.

- Va là, Nanetto, basta star tento al brontolar dele budele, e nò spetar che la càrica la passe del stròpolo

- Si, bravi, dele volte la carga no la speta gnanca verder el primo boton!

- Lora, vanti, scomìnsia pareciarte!

Nanetto, tuto contento, te la so càmera, el parécia tuto, intanto i frati i parécia el grande adio, inviando Nanetto a portar la alegria, la speransa, el laoro e la fede dei migranti via pal Brasile.

 

VITA STÒRIA E FRÒTOLE

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

Fròtole del Baracon

 

Desde 1991, o Grupo Teatral Fròtole del Baracon, com dez comédias, realizou 300 apresentações no Sul do Brasil. La Fortuna del Gìgio, em 2002, passou a curta metragem. Marieta Vai à Luta, comédia de 2004, retrata uma agricultora, dona de casa, em busca de melhores condições. O grupo dos profissionais que dedicam ao teatro seus fins de semana: Inácio Piovesan, agricultor; Bernardo Piovesan, Cláudio Piovesan, Tarcisio Piovesan e Heitor Savagnago, operários; Arlete Binoto, aposentada; Rosemar Vestena, professora; Jurema Dalcin, comerciante, e Roberto Pinheiro, estudante.

O nome Fròtole del Baracon homenageia o Barracão de Val de Buia, que alojou os pioneiros imigrantes da Quarta Colônia.

Sobre a formação do grupo, diz a diretora Rosemar Vestena: "Voltando a Nova Palma para lecionar, integrando a diretoria da Sociedade Guarani, realizamos a Prima Notte Ítalo-brasiliana. Pesquisava a imigração no Centro de Pesquisas Genealógicas de Nova Palma para dissertação de mestrado. Um dia, ouvi, em gravação, a história – "Vè in leto, done, che Togneto Roncon comanda"– contada por Diomedes Rossato. Logo comecei a escrever uma peça de teatro em Talian e em Português, imaginando mulheres lideradas por uma revolucionária. Fui escrevendo sem revelar meus planos, com medo que me ridicularizassem. Submeti, depois, meu texto a algumas pessoas: umas não apoiaram, mas outras sugeriram os atores e se prontificaram a ajudar, como a Arlete Binoto, que me disse: Eu aceito participar. Lembrei-me do Coral Toni Torchio da Família Piovesan, há quatro gerações ligados à arte e que falavam o Talian. Tomei-o como base, pensando: ‘Se sabem cantar – têm boa voz. Se sobem ao palco – não ficam encabulados; ademais, têm tocador de gaita e violão. São artistas completos. Num domingo, encontrei o Inácio e o gaiteiro e violonista Bernardo, na cancha de bocha da comunidade do Bom Retiro, marcamos uma reunião e lá apareceram com mais três integrantes. O Tarcísio até hoje nos acompanha. O grupo inicial se constituiu de 15 integrantes.

Na estréia, estava presente um dos homenageados da Prima Notte Ítalo-brasiliana, o padre Clementino Marcuzzo, a quem pedi sugestões de nomes para o grupo. Ele sugeriu Fròtole (histórias), e eu completei com as palavras del Baracon, para homenagear o barracão onde os imigrantes se instalaram, e o primeiro nome de Nova Palma. Por isso, Fròtole del Baracon.

As primeiras comédias se inspiraram em estórias publicadas por frei Rovílio Costa: Una del zio Bertusssa, 1992, no Gazzetino Brazile; El gran caciatore e Checo pi furbo che bauco, no Correio Riograndense. Os roteiros são abertos, permitem a participação das platéias e a rotatividade dos personagens. Mediante pesquisa fotográfica e histórica, definiram-se vestimentas e cenários. Roupas e móveis originais foram recolhidos na comunidade. Diz Rosemar: "Nosso teatro nos surpreende pela participação das platéias. Em Val de Buia, no local do Barracão dos Imigrantes, nos apresentamos numa cancha de bochas, como se fora uma arena, para celebrar a liberdade dos descendentes de imigrantes que nos cercavam, riam e choravam".

Fròtole del Baracon mescla Talian e Português. Todos podem entender e participar. Nestes 130 anos da Imigração Italiana, a comédia Marieta vai à luta, foi apresentada em Cruz Alta, Nova Palma, Encantado e Porto Alegre, e tem convites para mais apresentações. O teatro é a forma ideal de afirmar a língua, a história e a cultura. Vamos fazer da vida um alegre teatro, convidando o Fròtole del Baracon. Contatos com Arlete Binotto pelo telefone (55) 3266-1210.

 

GERAL

Asfalto liga Nova Roma do Sul

Obra levou 15 anos para ser concluída

 

O turismo e a indústria de Nova Roma do Sul serão os setores que mais vão ganhar com a conclusão do asfalto da RS 448, inaugurada pelo governador Germano Rigotto na sexta, 1º. "Depois de quase 20 anos de espera, a população pode ver o sonho realizado", diz o prefeito Idílio Pasuch. A solenidade contou com a presença do secretário estadual dos Transportes, Alexandre Postal.

Segundo o prefeito, a obra é de grande importância para o desenvolvimento da região. Com esta estrada, a produção agrícola de Nova Roma do Sul e municípios vizinhos pode ser escoada com maior agilidade para os grandes centros. "Além disso, com o asfaltamento da RS 448, a região terá um maior desenvolvimento de seu potencial agroindustrial e turístico", afirma Rigotto.

As obras na RS 448 foram iniciadas em julho de 1990. O trecho da obra a ser inaugurado possui 36 quilômetros de extensão, e liga Nova Roma do Sul a São Marcos, distrito de Farroupilha.

Nova Roma do Sul, que possui aproximadamente 70% da população formada por pequenos agricultores, tem sua economia baseada na avicultura (R$ 29,8 milhões), suinocultura (R$ 15 milhões), produção de leite (15.000 litros/dia), hortigranjeiros e fruticultura (R$ 5 milhões). "Mais de 80% do PIB vem da produção primária", revela o prefeito ao CR.

 

Canela homenageia a colônia com festa

 

Seis casas em estilo colonial e preparo de melado, na Praça João Corrêa, devem levar 40 mil pessoas a Canela para a Festa da Colônia. O evento realiza-se de 9 a 31 de julho, sempre aos finais de semana, com exceção da abertura, que ocorre na sexta 8.

Durante os festejos serão oferecidos alimentos produzidos no interior. Haverá shows da imigração italiana e alemã. Liderada pela rainha Joana Boelter Gottschalk e a 1ª princesa, Ângela Camila Santos, a comitiva esteve visitando o CR. Integra também a corte a 2ª princesa, Daniela Rodrigues da Silva.

 

Bom Jesus exibe gila

 

Durante a semana do município, de 8 a 17, Bom Jesus realiza a Mostra da Gila - espécie de abóbora que rende excelente doce. O município, que festeja 92 anos, tem atrações variadas, como jantar e baile, animado pelo grupo Cordeona e Porca Veia, campeonato de xadrez, gincana, exposição fotográfica sobre a história de Bom Jesus, mostra de artes visuais, mateada e corrida ciclística.