
DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 4.945 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 13 de julho de 2005.
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O poder que atropela os valores éticos e morais
Mais do que afastar políticos, as investigações das denúncias de corrupção devem excluir maus exemplos de cidadão
O brasileiro está escandalizado com a dimensão da corrupção envolvendo políticos. E tem, ainda, todo o direito de estar confuso. Afinal, fica cada vez mais difícil saber quem está dizendo a verdade.
As denúncias se agigantam como uma bola de neve, invadem o núcleo de partidos políticos, maculam dirigentes e parlamentares e não permitem sequer previsão de onde irão parar. Ao mesmo tempo, assiste-se a um espetáculo deprimente em que os protagonistas dão declarações aparentemente procedentes que são desmentidas horas ou dias após. "A mentira nunca sobrevive até alcançar a idade avançada", afirmou o poeta trágico grego Sófocles. Por aqui, não tem chegado sequer à adolescência.
Por isso as dúvidas se sucedem. Acreditar na inocência de quem rebate acusações com discursos emocionados e lágrimas, mas que não resiste à quebra do sigilo bancário e telefônico? Ou em quem, sob a aparência de um paladino da justiça, faz do denuncismo um degrau para satisfazer apenas interesses particulares?
As investigações em torno das denúncias de corrupção estão revelando não somente o tipo de políticos que ajudam a decidir o destino do país. Têm mostrado o caráter de parcela de uma classe dominante, que atropela valores morais e éticos para galgar degraus na escala do poder e/ou colocar a mão em somas de dinheiro que a maioria dos brasileiros sequer sonha um dia possuir.
Desde que se ensaiaram as articulações para criar comissões parlamentares de inquérito, a esperança era de que se teria a chance de conhecer melhor a seriedade e a honestidade de personalidades influentes na vida brasileira. Talvez isso seja até possível. Entretanto, é necessário avançar, além do campo político. Só assim se conseguirá desmanchar conceitos negativos que acabaram incorporados à cultura brasileira - como o de levar vantagem em tudo ou o de roubar porque se não fizer isso outro o fará.
As denúncias já provocaram rombo em agremiações políticas, em especial no PT, e é muito provável que retirem o mandato de parlamentares. Serão mais positivas para o futuro do Brasil se desnudarem não apenas as falhas ou erros políticos, mas principalmente de conduta, afastando não os maus parlamentares, mas os maus exemplos de cidadão.
Mais de 70 cantinas participam do concurso "melhores vinhos"
Vencedores serão conhecidos em evento no dia 10 de agosto
Setenta e quatro cantinas participam do Concurso dos Melhores Vinhos de Caxias do Sul - Safra 2005. O lançamento ocorreu na semana passada e a premiação aos vencedores será entregue no dia 10 de agosto, em São Luiz da Terceira Légua. Cerca de 240 amostras estão sendo colhidas para avaliação. A análise sensorial dos vinhos será feita por 30 enólogos de 18 a 22 deste mês.
Para participar, a vinícola deve ser registrada no Ministério da Agricultura e localizada em Caxias. O vinho precisa ser da safra 2005 e cada amostra deve ser representativa de uma pipa de no mínimo três mil litros. As categorias são: tinto de mesa, branco de mesa, rosado de mesa, branco viníferas e tinto viníferas. Caxias possui cerca de 1,5 mil famílias de viticultores, produz até 55 milhões de quilos de uva e 35 milhões de litros de vinho a cada safra. Há em torno de 100 cantinas familiares no município.
Festa estimula o motorista a refletir
Propiciar aos motoristas momentos de espiritualidade e de confraternização com familiares e amigos. É esse o propósito da 24ª Festa de São Cristóvão e Nossa Senhora da Estrada, que será realizada dia 24 de julho na capela São Cristóvão, Encruzilhada de Ana Rech. "O motorista precisa parar para refletir. A vida não é só o leva e traz", diz Alex Gil, da comissão organizadora, que visitou o Correio Riograndense em companhia do padre Bruno Barbieri, das também organizadoras Maria Leoni Rockembach e Vanir Rech e das princesas da Festa Eliane Frizzo e Angélica Saretta.
A Festa, que tem o apoio do Sindicato dos Condutores Autônomos de Veículos Rodoviários, tem como tema "A paz começa em nossa casa, na comunidade e pelas estradas do Brasil. Com São Cristóvão e com Maria aprendamos viver em paz". Ela inicia no dia 20, com tríduo, e terá seu ponto alto no domingo, com a tradicional procissão motorizada e bênção - sai às 9 horas da Igreja São Cristóvão e percorre a BR-116 até o viaduto rua Tronca - e, às 11 horas, missa festiva, seguida de almoço para quase mil pessoas.
Sorriso saúde atende comunidade da Lefan
O projeto "Sorriso saúde - porque sorrir faz bem para o coração", lançado na quarta 6 pelo Centro de Aperfeiçoamento Odontológico de Caxias (C.A.O.), com o apoio e suporte da Parceiros Voluntários, vai possibilitar a pessoas de menor poder aquisitivo o acesso gratuito a especialidades da odontologia, que exigem alto nível técnico. Os primeiros beneficiados, a partir do mês que vem e pelo período de 17 meses, serão as 420 crianças, 60 adolescentes e cerca de 550 famílias atendidas pela Legião Franciscana de Assistência aos Necessitados (Lefan), entidade mantida pela Associação Literária São Boaventura.
Para ter acesso a essas especialidades (como cirurgias, odontopediatria, atendimento ortodôntico e periodôntico), haverá uma seleção, que será feita pelo odontólogo Luiz Cláudio Lima, que atua há mais de 25 anos na Lefan.
"Será trabalhada também a prevenção. Detectamos muitos problemas que podem ser corrigidos com educação", informa Mauren Bagatini, assistente social da Lefan. "Com os atendimentos e a difusão de informações sobre prevenção de doenças bucais, esperamos contribuir para conscientizar sobre a importância da saúde bucal e promover qualidade de vida dos beneficiários", afirma Fábio Miglioranza, diretor do C.A.O.
Prefeito faz balanço de ações do semestre
Na semana passada, o prefeito José Ivo Sartori fez um balanço das atividades desenvolvidas no primeiro semestre de sua administração. Durante entrevista coletiva, Sartori destacou, na área agrícola, os 263 beneficiados com cursos de qualificação. Na Saúde, citou o projeto de expansão e reforma do Postão 24 horas. Também falou da elaboração do Plano Diretor; do Programa de Arrendamento Residencial, com 3,6 mil inscritos; da aprovação de seis novos loteamentos urbanos, de 21 ruas pavimentadas pela Codeca e dos 86 projetos aprovados na área de esporte e lazer.
Na área econômica, Sartori evidenciou a vinda para a cidade da multinacional Eaton, que comprou a Pigozzi SA. Com isso serão criados 300 novos empregos, com investimento local de R$ 100 milhões.
Além de prestar contas das ações desenvolvidas no município entre 1° de janeiro e 30 junho, o chefe do Executivo anunciou que pretende implantar a Secretaria de Segurança Pública e Proteção Social até o final deste ano. A nova pasta deve ter caráter educativo, preventivo e social. Oposição, tendo à frente o vereador Elói Édio Frizzo, contestou muitos dos dados apresentados no balanço.
Mato Grosso lidera novas fronteiras agrícolas
No ranking dos 10 municípios maiores produtores de grãos, sete estão no MT
Ao contemplar nosso país continente tem-se que admitir que nem todo território brasileiro é agricultável. Tirando a Amazônia e o Pantanal (65%) que, ecologicamente, não devem ser explorados na atividade agrícola tradicional, sobram 35%. Desta terça parte que sobra, deve ser levada em conta a grande área seca do agreste da região Nordeste e os Estados já explorados da região Sul, São Paulo e Rio de Janeiro.
Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro têm, hoje, menos de 10% de áreas florestais. A conquista do espaço foi para produzir alimentos. Portanto, o que resta? Ainda há terras e pode-se duplicar ou triplicar a produção agrícola. A nova fronteira agrícola brasileira está no Centro-Oeste.
O Mato Grosso lidera o ranking da produção de grãos. Sete dos 10 maiores municípios produtores de grãos do país estão neste Estado. Sorriso, com seus 46 mil habitantes, concentra a maior produção individual de cereais. Sozinho, segundo o IBGE, o município é líder nacional em soja e terceiro colocado em milho. Produziu 1,87% de toda a safra de 2004.
Dez mais - No ranking dos 10 maiores produtores brasileiros de grãos estão sete municípios do MT, incluindo Sorriso: Sapezal, Nova Mutum, Campo Novo do Parecis, Primavera do Leste, Tapurah e Diamantino. Dois municípios, nessa lista, são de Goiás – Jataí e Rio Verde. Também faz parte São Desidério, situado na fronteira agrícola do oeste da Bahia (ver gráfico abaixo).
Juntos, os 10 municípios respondem por 10,73% da produção nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas. Em comum, eles têm a cobertura original: todos estão nas áreas planas do cerrado, onde se deu, nos últimos anos, forte avanço do cultivo de grãos no Brasil.
No rastro do crescimento na produção em Mato Grosso vem a devastação ambiental. O Estado respondeu por 48% do desmatamento da Amazônia no biênio 2003-2004. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, boa parte em razão de esquema de concessão fraudulenta de licenças para produtores rurais.
Invasão - A partir de 1976, os gaúchos invadiram o Mato Grosso e transformaram pastos em imensas lavouras de arroz e soja. Com a implantação do programa de desenvolvimento do Grande Dourados, criou-se a infra-estrutura para acelerar o crescimento de 22 municípios, abrangendo uma área de 48 mil quilômetros quadrados com uma população de mais de um milhão de habitantes.
O novo Eldorado da soja se estende agora de Rondônia ao Piauí – uma área do tamanho da Espanha. Essa nova e rica área recebe milhares de colonos produtores. A produção é escoada pelos rios em barcaças, que partem para a Europa e a Ásia.
Depois de colonizar Mato Grosso e Rondônia, os brasileiros empurraram a fronteira agrícola comprando terras na Bolívia. Nessa área de terras nobres, produz-se quase sem adubo e calcário. Geograficamente é um prolongamento do Centro-Oeste brasileiro.
Pesquisa melhora os cultivos
A pesquisa nacional, encabeçada pela Embrapa, tem sustentado os cultivos nas novas fronteiras agrícolas. O melhoramento genético tem conseguido a adaptação das variedades melhoradas e, como conseqüência, provocado o aumento da produtividade das lavouras.
Nos últimos 30 anos a produção de arroz, por exemplo, aumentou em pelo menos 50%, apesar da redução da área plantada para cerca da metade da que era cultivada na década de 1970. No caso do trigo, foram 320 cultivares provenientes do melhoramento por cruzamentos artificiais recomendadas pelos órgãos de pesquisa de 1922 a 2003. Hoje, o trigo pode ser cultivado desde as regiões frias do Sul até sob o clima tropical do Brasil Central. "Todavia, mercado para o trigo gaúcho e brasileiro, na escala das nossas potencialidades, parece ainda ser uma questão a conquistar", afirma o pesquisador da Embrapa Trigo, Gilberto Cunha.
Apesar da grande variabilidade na espécie (cerca de 300 raças descritas), o milho talvez seja o cereal no qual foram desenvolvidas as mais variadas técnicas de melhoramento genético. Avanços na produtividade têm registrado um crescimento na ordem de 0,5% por ano. Rendimentos de 8.000 kg/ha são freqüentes, mas para a Embrapa já é possível projetar produtividades acima de 30 mil kg/ha.
Biotecnologia define futuro da agricultura
Além da pesquisa, as novas fronteiras agrícolas são beneficiadas com a biotecnologia - uso de micróbios e células animais e vegetais para a obtenção de produtos ou desenvolvimento de processos industriais para geração de bens e serviços. Os métodos biotecnológicos oferecem vantagens em relação à química industrial, permitindo a obtenção de produtos a preços mais baixos, maior pureza e maiores quantidades na produção com menor poluição e menor consumo de energia.
A Embrapa e outras instituições estão fabricando inseticidas biológicos preparados a partir de lagartas ou brocas infestadas por vírus, que são seus inimigos naturais. Ela tem aplicações na agricultura, tais como produzir espigas de milho imunes a pragas, vacas capazes de aumentar a produção de leite e porcos com mais carne e menos gordura etc.
Livre dos insetos, a produção das lavouras cresce pelo menos 25%. No Brasil, a perda causada por eles é estimada em 18 milhões de toneladas anuais, o equivalente a 15% de toda safra de grãos no país.
Os chamados biopesticidas estão sendo pesquisados intensamente, mas acredita-se que os países ainda levarão décadas para eliminação total dos atuais pesticidas químicos (agrotóxicos e adubos químicos). Por enquanto, pouco do que foi criado em laboratórios de biotecnologia está sendo usado no cotidiano dos produtores rurais.
Cerrado exige produção tecnificada e mecanizada
O cerrado brasileiro é a nova fronteira agrícola do mundo. A região pode produzir 250 milhões de toneladas de grãos, 18 milhões de toneladas de carne e 70 milhões de toneladas de frutas em 200 milhões de hectares agricultáveis. Lá só pode ser feita agricultura em grande escala, tecnificada e mecanizada.
Para ter viabilidade econômica, os módulos mínimos sugeridos para o cerrado são de 300 hectares. Além disso, o solo tem que ser corrigido e há a necessidade de irrigação. Essa é a prática adotada pelo planeta para a produção de alimentos em regiões semelhantes a essa.
Hoje, os solos irrigados correspondem a um sexto da área cultivada no mundo, mas respondem por um terço da produção de alimentos. A expansão, porém, está chegando ao seu limite. O crescimento de áreas irrigadas na agricultura tem sido inferior a 1% ao ano.
Previdência mobiliza produtora rural
Família e comunidade também integraram as agricultoras da Serra
As mudanças na Previdência Social e a participação da mulher no crescimento da propriedade rural foram os temas que predominaram no V Encontro Municipal de Trabalhadoras Rurais de Caxias do Sul (ler abaixo). Aspectos da vida comunitária e familiar também prenderam a atenção das agricultoras, como Ondina Modesto dos Reis, 79 anos, do interior de Criúva, que levantou de madrugada e caminhou alguns quilômetros antes de pegar o ônibus que a levou ao evento.
É essa disposição que as produtoras rurais vão precisar para evitar que o governo federal mexa na condição de segurado especial da Previdência Social. "A lei em vigor determina que, a partir de julho de 2006, o produtor familiar estará fora do sistema", explica o palestrante e coordenador da Regional Sindical da Serra, Quirino Signori. A Regional Sindical reúne 22 sindicatos de 32 municípios da Serra gaúcha. Congrega 35 mil associados pagantes.
De acordo com Signori, o Movimento Sindical está mobilizado. "Já houve cinco encontros em Brasília para analisar o projeto de seguridade especial apresentado pela Contag. "O governo tem outra proposta, com alguns itens diferentes dos nossos. Entre eles, não permite pagamento de benefício superior a um salário mínimo e exclusão do regime de segurado especial de agricultores com mais de dois módulos fiscais. Há ainda 30 projetos de deputados de todo o país", relata.
Em função das mudanças previstas para o setor, os sindicatos de trabalhadores rurais estão orientando os agricultores e seus familiares para que façam a documentação pessoal (CPF, Carteira de Identidade, Título de Eleitor) e utilizem o Talão do Produtor. "Em todos os documentos, o nome, data e local de nascimento devem ser rigorosamente os mesmos", alerta o coordenador sindical. "Há casos em que os nomes não conferem. Por detalhes assim, o produtor pode perder a aposentadoria ou atrasar o recebimento dos direitos", alerta.
Vida - Já o palestrante e psicólogo Jorge Trevisol inclui o gostar de si, ficar atento ao mundo e alimentar a alma como ingredientes para viver feliz e de bem com a família e a comunidade. "Devemos nos amar do jeito que somos", reforça Trevisol.
Agricultoras buscam conhecimentos gerais
A presença de três deputados estaduais - Maria Helena Sartori, Heitor Schuch e Ruy Pauletti -, do prefeito José Ivo Sartori, secretários e todos os subprefeitos de Caxias do Sul demonstra a importância do Encontro Municipal de Trabalhadoras Rurais. "Construindo a qualidade de vida" foi o tema deste ano. A promoção do Sindicato de Trabalhadores Rurais reuniu 500 agricultoras de quatro municípios da Serra.
O encontro evoluiu, reconhece Ana Maria Rech, da comissão organizadora do STR. "A cada evento, percebo que as mulheres estão mais ativas e têm buscado conhecimentos variados", comenta Ana ao CR. Segundo o presidente do STR de Caxias do Sul, Raimundo Bampi, mesmo sem local e data definidos, o próximo encontro já está confirmado para 2006.
Dívida compromete 50% da renda rural
Queda na produção e nos preços e alta nos custos ameaçam PIB nacional
As propriedades rurais vão gerar mais de R$ 150 bilhões em 2005. A projeção é da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Já a renda dos setores responsáveis pela venda de insumos, serviços, processamento dos alimentos e transporte deve chegar a R$ 536,7 bilhões.
Os números escondem uma realidade preocupante: o endividamento agrícola. Pesquisa da CNA mostra que 50,4% dos produtores têm a renda comprometida com dívidas de custeio. "O comprometimento de 10% desses endividados é superior a 60% de sua renda bruta", afirma o chefe do departamento econômico da entidade, Getúlio Pernambuco.
O levantamento, que ouviu cerca de 2.300 produtores de 12 Estados e mais o Distrito Federal, comprova que 49,2% dos entrevistados buscaram financiamento para custeio da lavoura, mas apenas 8% conseguiram a totalidade dos recursos necessários com taxa de juro a 8,75%.
Já as parcelas de investimento comprometem a renda de 35,5% dos produtores consultados. De acordo com a entidade, a dívida com fornecedores de insumos atinge 35,9% dos agricultores. A flexibilização das regras para importação de agroquímicos do Mercosul, anunciada na última semana, deverá trazer alívio ainda nesta safra.
Retração - A CNA avalia que a crise da agropecuária terá reflexo negativo principalmente sobre o Produto Interno Bruto (PIB) nacional, a geração de emprego, os baixos preços dos alimentos, as exportações agropecuárias e a arrecadação tributária. A queda na produção, combinada com a redução dos preços reais recebidos pelos produtores e aumento do custo de produção reduziram a renda da agricultura mensurada pelo PIB.
Considerando apenas as lavouras, com base nas informações até março, a CNA projeta queda de 10,5% no PIB, o que representa uma redução de renda de R$ 95,43 bilhões em 2004, para R$ 85,40 bilhões em 2005, com perdas de R$ 10 bilhões aos agricultores. O setor agropecuário é responsável por 30% do PIB nacional.
Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, de janeiro a maio deste ano o segmento rural deixou de contratar 30,6 mil trabalhadores. Nos cinco primeiros meses de 2005, o setor gerou 107,1 mil empregos, enquanto em igual período do ano passado foram criados 137,9 mil. "A forte retração de demanda por insumos modernos e máquinas também afetarão negativamente a geração de empregos nos demais segmentos da cadeia produtiva", aponta a CNA.
Campanha defende consumo de carne suína
A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) prepara uma intensa campanha de marketing da carne e a reestruturação da entidade. O consumo interno de carnes caiu de 26% para 16% nas últimas três décadas, cedendo espaço a frangos e bovinos.
De outro lado, o consumo mundial per capita tem subido de forma vigorosa, passando de 36,4 kg, no início dos anos 80, para 87,9 kg em 2004. "Precisamos virar esse jogo. Não temos mostrado as qualidades da nossa carne", diz o novo presidente da ABCS, Rubens Valentini.
Caminho - A campanha de marketing incluirá demonstrações, nos supermercados do país, ao consumidor final sobre a qualidade do produto, mudanças nos cortes vendidos pelos frigoríficos e a apresentação do produto no varejo. "A indústria achou seu caminho e vende produtos derivados de suínos. Agora, vamos promover a carne suína com toda a sua força. Falta também mostrar os resultados do enorme esforço feito pelos produtores para avançar em tecnologia", destaca Rubens Valentini.
O novo presidente da entidade planeja criar comitês técnicos para manusear informações estatísticas e dados econômicos, além de promover estudos nas áreas de produção, meio ambiente, segurança de alimentos, sanidade animal e rastreabilidade.
Engº. Agrº. José Zugno
Espécies de imbé, família das aráceas
Tenho uma chácara na linha Sebastopol da Vila Cristina, onde iniciei uma pequena criação de ovinos. Num final de semana resolvi fazer uma limpeza na beira da estrada e com uma foice comecei a desbastar. Me chamou atenção uma planta de folhas grandes (duas delas estou enviando). Pensei que se tratasse do popular inhame. Vi uma grossa raiz exposta, cortei uma rodela e deixei sobre a grama para que as galinhas e as ovelhas a aproveitassem mas estas a desprezaram. Então resolvi experimentar umas migalhas da rodela. De imediato senti uma queimação na boca e por instinto a cuspi tentando me livrar deste mal estar. Fiz gargarejos com leite, o que me causou ânsia de vômito; com vinagre e água e cuspi abundantemente, fui aliviando-me aos poucos. Durante uns 10 dias fiquei com queimação na garganta, abstendo-me de consumir um copo de vinho, como costumeiramente o faço. Gostaria de contar com sua explanação sobre este tipo de planta que se encontra em lugares úmidos, sombrios e à beira de riachos.
EDEMAR BREGOLIN
Linha Sebastopol - Caxias do Sul - RS
Sua carta é objetiva, relata com clareza o ocorrido com sua planta confundida com uma das espécies de inhame e que sua experiência revelou ser altamente tóxica.
Examinei as grandes folhas e a rodela do tronco remetidas. A maior das folhas mediu 60 cm de comprimento e 40 cm de largura. Elas são verdes, lisas, dotadas de pecíolo, uma nervura central grossa e 9 a 10 nervuras laterais salientes. Têm a forma sagitada semelhante à do copo-de-leite, porém maiores e de extremidade atenuada, não pontuda. O exame do material mostra que se trata do "imbé" ou "cipó imbé", pertencente a uma das espécies do gênero Philodendron (Filodendro) da família botânica das aráceas, da qual tem as características gerais. Aráceas são plantas terrestres, algumas epífitas, têm caule subterrâneo (rizoma) e aéreo (trepador), não lenhoso. As raízes, em geral, são tuberosas; nos cipós são adventícias. As folhas de disposição alterna, persistentes ou caducas, em geral grandes, pecioladas, simples, inteiras ou fendidas, morfologicamente diferenciadas. As flores muito pequenas, sésseis, sem perigônio (sem cálice e corola), unissexuais, reunidas numa inflorescência denominada "espádice" (exemplo é a coluna amarela do copo-de-leite). As flores masculinas ocupam a parte superior da coluna e as femininas a parte basal. Estas após a fecundação originam os frutos que são sempre "bagas".
Um espádice é envolto por uma "espata", branca no copo-de-leite, verde ou colorida em outras espécies.
Exemplos de aráceas:
- Copo-de-leite (Zantedeschia aethiopica) de espata branca, com variedades modernas de outras cores.
- Antúrios (gen. Anthurium) de espécies e variedades ornamentais, de espata principalmente vermelha.
- Tinhorões (gen. Caladium) folhas com arranjos e coloridos diversificados.
- Taiobas (gen. Calocasia) tem folhas comestíveis.
- Inhames (gen. Alocasia) tem folhas e raízes comestíveis.
- Comigo-ninguém-pode (gen. Dieffenbachia) são plantas ornamentais, mas venenosas.
- Filodendros (gen. Philodendron) espécies e variedades de imbé, guaimbé, banana-de-macaco etc. (continua)
Opções diferentes facilitam acesso aos medicamentos
Consumidor pode escolher entre remédio genérico, similar ou de referência
Genéricos, similares e de referência. Há alguns anos, esses termos passaram a fazer parte do vocabulário cotidiano de pacientes e profissionais da saúde. Porém, muitos consumidores ainda ficam confusos no momento de decidir que tipo de medicamento comprar. Os genéricos fazem o mesmo efeito dos remédios tradicionais? Há diferenças entre similar e genérico? "O mais importante é esclarecer que as três categorias de medicamentos têm qualidade, pois todos precisam ser aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)", garante Nataniel Schostack, presidente do Conselho Regional de Farmácia do Rio Grande do Sul.
Schostack explica que o remédio de referência é o primeiro a obter registro na Anvisa, comprovando com testes sua eficácia, segurança e qualidade. Está no mercado há bastante tempo e, em geral, foi o primeiro remédio que surgiu para tratar determinada doença. Além disso, possui um nome fantasia, comercial.
O medicamento genérico contém o mesmo fármaco (princípio ativo), na mesma quantidade e forma farmacêutica (drágea, líquido, pomada etc), e com a mesma indicação terapêutica do medicamento de referência no país. Não tem uma marca comercial, apenas o nome do princípio ativo impresso na embalagem e uma tarja amarela com a inscrição "medicamento genérico".
Segundo as recomendações da Anvisa, os genéricos e os remédios de referência são intercambiáveis, ou seja, é possível tomar o genérico no lugar do de referência e vice-versa. Essa substituição é segura porque os genéricos passam por testes de bioequivalência. Esses testes revelam se o medicamento genérico é absorvido pelo organismo na mesma quantidade e velocidade que o de referência, o que garante a ambos a mesma eficácia clínica.
Se o genérico tem a mesma qualidade, por que é mais barato? Em primeiro lugar porque os fabricantes de medicamentos genéricos não precisam fazer investimentos em pesquisas para o seu desenvolvimento, pois as formulações já estão definidas pelos medicamentos de referência. Também não é necessário fazer propaganda dos remédios, pois não há marca a ser divulgada. Segundo Nataniel Schostack, há ainda toda uma política de incentivo do governo aos genéricos, o que também reduz os preços.
Similar também comprova eficácia
Os remédios similares também são de boa qualidade. "Assim como os demais, eles precisam ser aprovados pelo Ministério da Saúde, que garante sua eficácia e segurança", afirma o presidente do Conselho Regional de Farmácia do Rio Grande do Sul, Nataniel Schostack.
Segundo os especialistas, os similares são medicamentos que possuem o mesmo princípio ativo e concentração e a mesma indicação terapêutica do medicamento de referência. A diferença entre os genéricos e os similares é que esses últimos não passam por testes de bioequivalência. Isso significa que a quantidade e a velocidade com que são absorvidos pelo organismo podem ser diferentes das do medicamento de referência.
"Pode ser que o intervalo de tempo recomendado entre uma dose e outra do similar seja diferente do remédio de referência, o que deve ser avaliado pelo médico", explica Schostack. "Se o de referência deve ser ingerido de oito em oito horas, o similar talvez necessite ser tomado a cada seis horas", exemplifica. "Mas ele é seguro e faz efeito", afirma.
Segundo o especialista, a diferença na velocidade e teor de absorção pode ocorrer porque as substâncias inertes, aquelas agregadas à medicação apenas para tornar seu uso mais adequado, como espessantes, corantes etc, podem variar do similar para o comercial e o genérico.
Médico pode proibir compra do genérico
O médico pode proibir a troca do remédio de referência pelo genérico, mas nesse caso deve registrar por escrito, na receita, de forma legível e clara, a proibição e o motivo. A receita com o nome genérico do medicamento só é obrigatória nos atendimentos feitos pelo Sistema Único de Saúde. Nos demais casos, o médico pode optar pela prescrição contendo o nome genérico e/ou o nome comercial (medicamento de referência).
Se o paciente quiser se beneficiar com o preço mais baixo do genérico, deve sempre perguntar ao especialista se há um medicamento genérico equivalente ao comercial. Se existir, deve pedir que o profissional especifique na receita o nome do genérico.
Manipulação terá nova regulamentação
A Anvisa abriu uma consulta pública (CP 31/2005) com novas propostas para regulamentar a prática de manipulação de medicamentos. Até setembro, serão aceitas sugestões para melhorar o serviço oferecido pelas farmácias de manipulação. Porém, uma das propostas da Anvisa tem gerado polêmica. Pela nova regulamentação, estes estabelecimentos seriam proibidos de manipular medicamentos em dosagem e apresentação já produzidas pela indústria.
"Somos favoráveis em melhorar o serviço, mas essa proposta restringe o acesso da população a medicamentos mais baratos", observa Nataniel Schostack. "Além disso, limita o campo de atuação do farmacêutico, que tem formação justamente para manipular medicamentos", afirma.
"Se a Anvisa suspeita da qualidade dos remédios manipulados, precisa investir em fiscalização. Saber de onde vem a matéria-prima, controlar como são feitos e por quem, e não simplesmente proibir a prática", contesta Schostack.
Consumir até um ovo por dia beneficia organismo
Depois de perder a má fama de vilão da saúde, o ovo ganha status de alimento funcional. A gema tem vários antioxidantes, substâncias que ajudam a combater o envelhecimento das células e, conseqüentemente, doenças degenerativas. "Os principais são vitamina E, zinco, selênio, vanádio e ferro", afirma a nutricionista Viviane Voght, que apresentou um estudo sobre esse alimento no 1° Simpósio de Nutrição Funcional, realizado recentemente em Porto Alegre.
Segundo a especialista, um ovo por dia é uma boa quantidade para ser ingerida. Viviane afirma que mesmo quem tem tendência ao colesterol pode consumir quatro ovos por semana. "Está provado que não há relação entre o colesterol presente na gema e o aumento das taxas dessa gordura no organismo", garante ela. Enfim, o ovo é um alimento saudável, barato e prático. Pode ser preparado de várias maneiras, pochê, quente, mexido. Só é preciso evitar o ovo frito.
Dama-de-ferro no Planalto?
Maria Clara Lucchetti Bingemer
Diante do perfil forte e decidido de Dilma, acendem-se expectativas, temores, mas também esperanças. Espera-se uma atuação firme, vigorosa, mas também compaixão, sensibilidade, ternura
A Casa Civil da presidência da República tem, a partir de poucos dias atrás, novo responsável. Trata-se de uma mulher, a mineira Dilma Rousseff, até então ministra das Minas e Energia. No bojo da crise que sacode impiedosamente a barca do governo Lula, Dilma substitui o deputado José Dirceu, que saiu do cargo após as denúncias do deputado Roberto Jefferson envolvendo seu nome .
Com 57 anos de idade, Dilma tem currículo volumoso e brilhante, em termos acadêmicos e políticos. É economista, com mestrado em Teoria Econômica e doutorado em Economia Monetária e Financeira. Em sua juventude, viveu intensamente o período da ditadura militar, integrando movimentos de esquerda como o Política Operária (Polop), em 1967 e, a partir de 1969, o Comando de Libertação Nacional (Colina), que pregava a luta armada contra a ditadura e, mais tarde, se tornaria a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). Entrou na clandestinidade, usou codinomes vários, o que não foi capaz de livrá-la de interrogatórios, prisão e tortura.
Militou no PDT antes de ingressar no PT. Foi no Rio Grande do Sul que começou a especializar-se no setor energético e ocupou, por duas vezes, a Secretaria Estadual de Minas e Energia. Assumiu o Ministério de Minas e Energia do governo Lula com o compromisso de expandir o setor, garantir o abastecimento energético, com tarifas mais baixas, e evitar o fantasma do racionamento. Ao longo de dois anos e meio à frente do Ministério, Dilma Rousseff cultivou a fama de dama-de-ferro. Foi firme ao negociar com empresários a restruturação do setor elétrico e nunca demonstrou inclinação para acordos políticos e concessões de qualquer espécie.
Se, por um lado, esses traços de sua personalidade tranqüilizam, dizendo-nos que teremos à frente da Casa Civil alguém competente, consistente e firme, por outro, o perfil de dama-de-ferro inquieta. Remete a rigidez, inflexibilidade, dureza. Remete, sobretudo, a outras "damas" do cenário político nacional e internacional que pretenderam ser de ferro e fizeram o povo sentir duramente o metal de que eram feitas.
Todos nos lembramos da frieza implacável da primeira-ministra inglesa Margaret Thatcher que, em diversas ocasiões, deixou o mundo pendente das decisões que sairiam de seus lábios finos encimados por glaciais olhos azuis. E está bem perto de nós a nada alegre memória da ministra do governo Collor Zélia Cardoso de Mello, ao anunciar, sem um tremor sequer na voz, as medidas do Plano Collor que seqüestravam, sem sombra de escrúpulo ou remorso, a poupança duramente conseguida por uma classe média trabalhadora, sacrificada e desavisada.
As cenas de desespero de pessoas que haviam perdido da noite para o dia o fruto de uma vida inteira de trabalho não parecia comover a mulher forte do governo Collor, que pouco depois deixaria o cargo em meio a um rumoroso e pouco elegante envolvimento com conhecido deputado de então.
Por isso, a nomeação de uma mulher para o posto mais importante do Ministério de Lula instiga, mas também atemoriza. Em países de tradição anglo-saxônica, como a Inglaterra, a Índia, o Paquistão é bem mais comum e não chega a causar perplexidade o fato de uma mulher ocupar altos cargos políticos. Porém, o machismo latino que ainda habita grandemente países como o Brasil tornam o fato digno de comentários e reflexão.
Diante do perfil forte e decidido de Dilma Rousseff, acendem-se expectativas, temores, mas também esperanças. Mais ainda na imediata posterioridade de decepção tão imensa como vêm sofrendo aqueles que apostaram todas as suas fichas no novo modelo de país que se estaria construindo nos últimos anos. Sem fazer uma só concessão à competência e às conseqüentes exigências de seu importante cargo, espera-se da nova ministra uma atuação firme e uma visibilidade vigorosa.
Mas também, por favor, compaixão, sensibilidade, ternura. Dilma assume a Casa Civil em momento de muita ferida e desencanto do povo brasileiro. Seu passado idealista de guerrilheira e combatente nos permite esperar que, por trás de toda a sua firmeza e vigor, bata um coração capaz de paixão, emoção e atenção. E, sobretudo, de compromisso inalienável com a vida em todas as suas formas. Se a mulher se demitir de sua milenar tradição de guardiã da vida, não apenas o Brasil, mas o mundo, a humanidade se encontrarão seriamente ameaçados.
Frei Betto
Seria politicamente promissor se tivéssemos no Brasil mais mulheres e homens públicos menos voltados à adjetivação e mais interessados nas substantivas demandas sociais. Estas sim, são politicamente urgentes
Há expressões que entram e saem de moda. Meu pai dizia "que sujeito pau" quando se referia a um chato. Nos anos 70, o Pasquim prestava, entre seus inestimáveis serviços, o de manter a gíria atualizada. Hoje, é brega dizer "vá plantar batatas!" ou "vá amolar o boi". Quase ninguém mais chama varanda de alpendre, casaco de abrigo e táxi de carro de praça.
A impaciência e a perda de certos valores favorecem os palavrões. Não é raro escutar crianças dirigirem-se aos pais e professores em termos impublicáveis. Talvez nem seja questão de desrespeito, mas de ignorância mesmo, de quem é prisioneiro de um universo vocabular exíguo. Tão diminuto que não fui capaz de captar quando minha sobrinha reagiu à advertência da mãe: "E o Quico?" Pensei que se tratasse de algum amigo dela. Nada disso. Viciada em linguagem telegráfica, graças à virtual exigência de que na internet a linguagem deve ser tão apressada quanto os recursos eletrônicos, ela queria dizer, segundo tradução da mãe, "E o que é que eu tenho a ver com isso?"
Na mídia, a moda é destacar os que são considerados "politicamente corretos". Até o governo federal ensaiou uma cartilha nesse sentido, logo detonada por quem se recusa a ver a linguagem aprisionada. Mas quem se atreve a ser politicamente "incorreto" e professar que o MST é o mais importante movimento social do Brasil e não há futuro para a humanidade fora do socialismo? Mas ninguém se espanta quando o sujeito fala do mercado como se fosse Deus e se fixa nos seus índices como minha avó mirava os santos de sua devoção.
Quando ouço dizer que alguém é "politicamente correto", lembro daqueles que o autor do Apocalipse rejeita por não serem "nem frios nem quentes" (3, 15) e, portanto, merecem ser vomitados pelo Espírito. Aliás, em matéria de politicamente isso ou aquilo a diversidade supera a de marcas de cachaça.
Andam em voga os "politicamente monomaníacos", que querem o poder a qualquer custo, ainda que através de subornos e mensalões. Os "politicamente safardanas" ostentam uma sinuosa trajetória administrativa de malversação e apadrinhamento de corruptos e, no entanto, exibem um sorriso angelical.
"Politicamente mofatrão" é o sujeito que enche a boca de democracia e ética, mas não move uma palha para derrubar a antidemocracia econômica que situa o Brasil na desonrosa posição de segunda nação socialmente mais desigual do mundo, atrás de Serra Leoa. Aqui, os 10% mais ricos - cerca de 18 milhões de pessoas - embolsam 42% da riqueza nacional. Na outra ponta, 18 milhões de empobrecidos sobrevivem dividindo entre si 1% da renda nacional. Segundo o Ipea, 1% da população possui riqueza igual à renda de 50% da população mais pobre.
Proliferam por aí os "politicamente hipalgésicos", que se locupletam com o inflexível ajuste fiscal, faturando alto na seletiva esbórnia do capital financeiro, e ainda ousam dizer em público que a crise social brasileira não é grave. Na esquerda, multiplicam-se os "politicamente dimórficos", que se envergonham tanto de aplaudir a economia de mercado quanto de defender o socialismo. São como aquele mineiro que prefere ficar em cima do muro e ainda ousa dizer que é para ver melhor os dois lados...
Vizinhos deles são os "politicamente palinódicos", que hoje consideram a reforma de estruturas um mero conceito de astrofísica e medem a democracia antes pela rotatividade das urnas que pela barriga do povo. Em sua obtusidade são companheiros dos "politicamente acarraçados", que não acreditam na rotação da Terra, na transformação da história e são tão aferrados ao futuro de seus sonhos que confundem o presente com o passado.
Caberia elogiar os "politicamente insubornáveis", os "politicamente probos", os "politicamente terçadores" em favor dos excluídos etc. Mas já seria politicamente promissor se tivéssemos no Brasil mais mulheres e homens públicos menos voltados à própria adjetivação e mais interessados nas substantivas demandas sociais. Estas sim, são politicamente urgentes.
Lula muda ministros na tentativa de garantir apoio e estancar crise
Reforma já atinge seis ministérios e aumenta a presença do PMDB no governo
A intenção era clara: ampliar a participação do PMDB no governo e, em troca, garantir o apoio das bancadas do partido no Congresso Nacional - tudo em nome da governabilidade. A realidade, no entanto, ficou muito nebulosa. Depois de longas negociações, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, na quarta 6, três mudanças em seu ministério. Dois dias após, empossou o senador Hélio Costa na pasta das Comunicações - no lugar de Eunício Oliveira; o deputado federal e médico José Saraiva Felipe na Saúde - saiu Humberto Costa; e Silas Rondeau, que presidia a Eletrobrás, nas Minas e Energia. Ainda na sexta 8 foi confirmada a mudança no Ministério do Trabalho: sai Ricardo Berzoini e entra Luiz Marinho. Com a ida de Dilma Rousseff à Casa Civil, no posto que era de José Dirceu, são cinco trocas de ministros. Mas serão mais: há alterações previstas na Previdência, Banco Central e a partir do dia 27, Tarso Genro, novo presidente nacional do PT (leia ao lado) deve deixar a Educação.
No mesmo dia em que Lula comunicou o ingresso de três peemedebistas em seu governo, e logo após ter se reunido com sete governadores da sigla, o presidente do partido, deputado Michel Temer (SP), anunciou a desfiliação de todos os integrantes do PMDB que ocuparem cargos de confiança na administração federal. Resumo: por enquanto, o presidente fez trocas, cedeu espaço em seu governo, sem ganhar nada.
Visivelmente abatido com o andamento das investigações sobre corrupção envolvendo o PT - que já provocaram a queda de dois dirigentes importantes e do presidente -, Lula viajou para participar, como convidado, da reunião de cúpula do G-8, na Escócia. Antes, desabafou: "Pode pegar quem tem de pegar. Até gente da minha família".
A troca de ministros tinha o objetivo de garantir a governabilidade. O racha no PMDB não significa o fim do apoio, mas prova que houve desencontros nas negociações que poderão repercutir mais adiante, em especial porque no ano que vem haverá eleição à presidência da República.
Perfil - Silas Rondeau Cavalcante Silva, que assumiu Minas e Energia, é engenheiro eletricista, tem 53 anos, nasceu no Maranhão e teve sua carreira integralmente ligada ao setor elétrico. Formado pela Universidade Federal de Pernambuco, iniciou sua vida profissional na Cemar, distribuidora de energia elétrica do Maranhão. O ex-presidente da Eletrobrás foi indicado por José Sarney, mas teve apoio de Dilma Rousseff.
O mineiro de Barbacena Hélio Costa, ministro das Comunicações, está com 65 anos e teve sua vida pautada pela transmissão de informações. Começou a trabalhar como locutor de rádio aos 15 anos e mais tarde administrou a sucursal americana da Rede Globo. Ficou famoso por suas atuações no Fantástico e no policialesco Linha Direta.
Deputado Constituinte pelo PMDB, partido que deixou em 1989 para se filiar ao Partido da Reconstrução Nacional (PRN), o mesmo que levou Fernando Collor à Presidência, Hélio Costa foi duas vezes derrotado ao governo de Minas. Voltou à Câmara em 1999 pelo PFL e em 2003, de novo no PMDB, foi eleito senador.
O deputado federal e médico José Saraiva Felipe, titular da Saúde, está em seu terceiro mandato na Câmara e pertence ao PMDB mineiro desde 1979. Saraiva Felipe sempre teve suas atividades ligadas à área de Saúde e iniciou sua carreira pública como secretário de Saúde da cidade de Montes Claros (MG), cargo que exerceu de 1983 a 1985. Foi secretário nacional de serviços médicos do Ministério da Previdência e, de 1989 a 1990, secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, os dois cargos exercidos no governo José Sarney (1985-1990).
Luiz Marinho, que assume o Trabalho nesta semana, é sindicalista e presidente da Central Única de Trabalhadores (CUT).
Tarso Genro assume presidência do PT após quedas provocadas por denúncias
O deputado Roberto Jefferson, presidente licenciado do PTB, tem repetido que o volume de dinheiro movimentado pelo esquema de corrupção denominado "mensalão" (pagamento de dinheiro a parlamentares do PL e do PP para votarem a favor do governo federal) é muito superior ao volume que girou PC Farias - escândalo que derrubou o governo Fernando Collor de Mello. Relatório enviado na terça 5 pelo Conselho de Acompanhamento de Atividades Financeiras à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios indicava a movimentação de R$ 458,9 milhões, sem origem esclarecida, pelas agências do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, apontado como um dos operadores do atual esquema, ao longo dos últimos seis anos. No mesmo período, as contas das agências do empresário registram créditos de mais de R$ 1,2 bilhão, ou cerca de 500 milhões de dólares - PC Farias teria girado 150 milhões de dólares.
O esquema de PC Farias culminou com o impeachment de Collor. O do mensalão atingirá o presidente Luiz Inácio Lula da Silva da mesma forma? Por enquanto, tudo indica que não. Mas não há uma resposta definitiva para essa questão. A figura do presidente tem sido preservada mesmo nas mais graves denúncias, aquelas feitas por Jefferson, cujo alvo são dirigentes do PT e o ex-ministro-chefe da casa Civil e atual deputado José Dirceu.
Afastamentos - Os quatro dirigentes nacionais do Partido dos Trabalhadores acusados de operar o mensalão se afastaram do cargo na semana passada. O primeiro foi Marcelo Sereno, secretário de comunicação. Na segunda 4 foi a vez do secretário-geral Silvio Pereira, acusado por Jefferson de lotear cargos nas empresas estatais. No dia seguinte foi a vez do tesoureiro Delúbio Soares. No sábado 9, o presidente do partido, José Genoíno, não agüentou a pressão. Acusado de participar da manobra que transferiu parlamentares de partidos teoricamente de oposição para a base aliada do governo no Congresso e depois de terem sido encontrados R$ 200 mil e US$ 100 mil em notas na mala de assessor de seu irmão, o deputado estadual José Nobre Guimarães (PT-CE), ele pediu afastamento do cargo.
A situação de Delúbio ficou insustentável a partir da revelação, no final de semana, de que o publicitário Marcos Valério de Souza foi avalista de um empréstimo de R$ 2,4 milhões para o PT. Essa informação prova a relação entre o PT e o publicitário, que seria quem levava malas de dinheiro para distribuir aos deputados corruptos.
Na quarta 6, Marcos Valério depôs na CPI que investiga as denúncias de corrupção nos Correios (iniciadas com a divulgação de uma fita em que o ex-diretor da empresa Maurício Marinho aparece recebendo R$ 3 mil e revela a existência de um esquema para angariar recursos e destiná-los ao PTB). O publicitário negou a maioria das acusações, disse desconhecer o mensalão, mas admitiu que foi avalista - e pagou até uma parcela - de apenas um empréstimo feito pelo PT no BMG, no valor "de R$ 2,7 milhões". No dia seguinte foi confirmado mais um empréstimo do PT em que ele foi avalista.
Pela hierarquia do poder petista, o próximo a cair seria o ex-todo-poderoso chefe da Casa Civil José Dirceu, que retornou à Câmara. Ele é o último alvo antes de Lula.
Partido - No sábado, durante convenção, o gaúcho Tarso Genro, ministro da Educação, foi eleito presidente nacional do PT pelo menos até 18 de setembro, data marcada para ocorrer eleição da legenda. Em uma de suas primeiras declarações, Genro anunciou a criação do "livro-agenda", em que o novo tesoureiro e os membros da executiva terão de registrar todos os encontros, visitas e negociações que envolvam as finanças do PT.
De acordo com ele, o PT, que tem dívidas de cerca de R$ 20 milhões, recebeu um recado muito claro da população, insatisfeita com as denúncias de corrupção contra o partido. "A partir de agora precisamos reconstruir a nossa densidade ética", disse. "Estamos no interior de uma luta política, temos um plano de trabalho, e vamos dar uma grande virada", acrescentou. Ele deve ficar no ministério da Educação até 27 de julho, quando apresenta uma proposta de reforma do ensino superior.
Ricardo Berzoini é o novo secretário-geral do PT; José Pimentel assume como tesoureiro e Humberto Costa, como secretário de comunicação.
A IGREJA QUE VAI À FAMÍLIA
A origem da devoção das capelinhas domiciliares que visitam mensalmente as casas perde-se no tempo, mas são o serviço pastoral mais bem organizado da Igreja
Uma forma de fazer com que a Igreja marque presença junto às famílias é a pastoral das capelinhas domiciliares. Os diminutos oratórios que percorrem os lares mensalmente fazem parte do devocionário católico de longo tempo. Pouco se sabe de suas origens. O fato é que a devoção se espalhou ao mundo inteiro. Também não existem números confiáveis de quantas são. Somente na diocese de Caxias do Sul, conforme o reitor do seminário Nossa Senhora Aparecida, padre Adelar Baruffi, são cerca de sete mil.
O serviço das capelinhas domiciliares é, hoje, a pastoral mais bem organizada da Igreja. "As capelinhas permitem que a Igreja chegue ao seu núcleo fundamental, que é a família", salienta frei Jaime Bettega, pároco da Imaculada Conceição de Caxias do Sul, paróquia da diocese com o maior número de capelinhas domiciliares - 410.
As capelinhas surgiram para desenvolver a devoção a Nossa Senhora. Em sua grande maioria, são dedicadas ao Imaculado Coração de Maria. Além de difundir a devoção mariana, existem outras finalidades marcantes. Padre Adelar destaca o incentivo à oração pelas vocações, a união das famílias, a acolhida às novas famílias, o sinal de comunhão e de pertença à comunidade e, o mais importante, o elo de ligação com a paróquia.
A organização básica da pastoral das capelinhas compreende a formação de um grupo de cerca de 30 famílias, mais ou menos próximas, com uma zeladora responsável. A capelinha permanece 24 horas em cada casa e, nesse dia, é comum uma oração mais intensa por parte da família que acolhe Nossa Senhora. Também é comum a oferta de donativos (cada capelinha tem um pequeno cofre), destinados à obra das vocações sacerdotais.
Padre Adelar explica que 100% das doações coletadas nas paróquias dirigidas por padres diocesanos vão para as casas de formação diocesanas; nas dirigidas por padres do clero religioso, 50% das contribuições vão para a ordem ou congregação do pároco e 50% para a formação dos padres diocesanos. Há 20 anos, na diocese de Caxias do Sul, é realizado no dia 12 de outubro, no seminário Nossa Senhora Aparecida, encontro anual de oração e confraternização com as zeladoras das capelinhas de diversas paróquias, que costuma reunir sempre mais de mil pessoas.
Capelinha abre caminho a outros serviços
Na paróquia Imaculada Conceição, de Caxias do Sul, 410 capelinhas de Nossa Senhora visitam mensalmente as famílias. Essa missão geralmente é reservada às mulheres, mas há também alguns homens zeladores. O pároco, frei Jaime Bettega, explica que é impressionante como as famílias que vão chegando aos novos bairros solicitam de imediato a presença das capelinhas em seus lares.
Segundo frei Jaime, através das capelinhas a paróquia trabalha a organização dos demais serviços, fazendo de cada grupo de 30 famílias que as recebem um grupo eclesial de base. Para cada zeladora de capelinha existem outros cinco serviços pastorais com missão específica. Acolhida: visita de boas-vindas às famílias que chegam, comunica os horários da comunidade e oferece a capelinha. Pastoral do pão: recolhe doações (alimentos, roupas...) e entrega aos necessitados, cadastrados pela paróquia.
Pastoral do dízimo: o responsável passa de três em três meses para receber o dízimo e entrega cartão de aniversário às famílias. Informativo paroquial: serviço de entrega do boletim trimestral da paróquia e de outras comunicações. Grupos de novenas: organiza os encontros de famílias para as novenas de Natal, Páscoa e outros materiais e subsídios para os grupos de famílias.
Para cada serviço, salienta frei Jaime, há uma pessoa atuando, sem sobrecarregar o trabalho das zeladoras. São cerca de três mil lideranças engajadas nesses serviços pastorais. "O trabalho das capelinhas constrói o itinerário para a organização dos grupos eclesiais, multiplica o número de agentes de pastorais e permite que a Igreja chegue ao seu núcleo fundamental, que é a família", conclui.
Devoção mariana facilita a união das famílias
Onde há comunidades católicas, aí está presente a capelinha domiciliar, não importa se as casas das famílias associadas estão perto ou longe umas das outras. E na campanha, onde as distâncias impedem a formação de grupos da capelinha, é comum a presença desses pequenos oratórios dedicados a Nossa Senhora nas sedes das fazendas. Nas comunidades rurais, a capelinha domiciliar é uma antiga tradição reverenciada com carinho por todas as famílias.
Na capela São João, de Forqueta, Caxias do Sul, uma antiga capelinha percorre as famílias da comunidade há 52 anos. Emília Dezen, já falecida, foi sua primeira zeladora e divulgadora da devoção. Atualmente, o cargo é exercido por Rosa Dezen, nora de Emília, que o assumiu há 49 anos. Há alguns anos, houve uma tentativa de substituir a antiga capelinha, mas a maioria das famílias opôs-se à mudança, demonstrando seu carinho e sua afeição pelo histórico pequeno oratório.
Nas comunidades da paróquia Santo Antônio de Forqueta existem 58 capelinhas que visitam, mensalmente, cerca de 1.700 famílias. Valserina Basso, coordenadora das capelinhas da paróquia há 25 anos, hoje auxiliada por Odila Lume, explica que a presença itinerante de Nossa Senhora nos lares é motivo de paz, oração e união nas famílias forquetenses. Valserina conta que, todos os anos, em novembro, é feita a festa das capelinhas, evento que reúne os doentes da comunidade para a bênção da saúde, as zeladoras e suas capelinhas em procissão e os devotos do Imaculado Coração de Maria.
Diocese de Caxias do Sul adotou as visitas domiciliares há 56 anos
A história das capelinhas domiciliares perde-se no tempo. Nada se sabe de suas origens. Mas na diocese de Caxias do Sul, a primeira capelinha do Imaculado Coração de Maria, destinada à visita domiciliar, foi adotada pela paróquia Santa Teresa (catedral). Ela foi abençoada pelo pároco, padre Ernesto Brandalise, no dia 8 de agosto de 1948. Miloca Rosa foi sua primeira zeladora. Reunindo grupos de 30 famílias, a capelinha permanecia durante 24 horas em cada casa, passando-a, depois, à associada seguinte e assim, sucessivamente, até o dia 30 do mês.
A idéia da devoção, segundo relatos de padre Ernesto no livro "Paróquia Santa Teresa - cem anos de fé e história - 1884-1984", foi trazida de Curitiba (PR) por Clélia Spinato Manfro. Apresentada ao bispo diocesano, dom José Barea, foi aprovada com entusiasmo.
Padre Brandalise relata que o primeiro grupo foi constituído somente de zeladoras do Apostolado da Oração. A devoção foi bem aceita não apenas pelas zeladoras, mas também pelas famílias caxienses, que faziam questão de integrar os novos grupos que foram se formando. A devoção logo estendeu-se às paróquias de São Pelegrino e de Nossa Senhora de Lourdes e, mais tarde, a toda a diocese.
No dia 28 de agosto de 1948 realizou-se a festa do Imaculado Coração de Maria. Um ano depois, por ocasião da festa, já existiam 17 capelinhas na paróquia, que foram levadas em procissão para a catedral.
Schoenstatt - Além da capelinha do Imaculado Coração de Maria, em 1959 surgiu também a capelinha da Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt, organizada pelo diácono João Luiz Pozzobon em Santa Maria (RS), que também passou a visitar mensalmente círculos de 30 famílias. Essa campanha desenvolveu-se rapidamente e hoje, somente no Brasil, existem cerca de 100 mil imagens da Mãe Peregrina de Schoenstatt que visitam mensalmente em torno de três milhões de famílias. No mundo, nos 93 países que já aderiram à campanha da Mãe Peregrina de Schoenstatt, existem cerca de 200 mil imagens com seus grupos familiares.
Cardeal enumera ‘defeitos’ de Jesus
Van Thuan diz que o amor sem limites não impõe condições
No dia 16 de setembro de 2002, morria em Roma, aos 74 anos, o cardeal vietnamita François Nguyen Van Thuan, "um santo dos nossos dias", segundo o arcebispo de Mariana (MG), dom Luciano Mendes de Almeida, amigo pessoal do cardeal. Presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz de 1998 até sua morte, Van Thuan deixou numerosas obras, entre as quais o livro Testemunhas da esperança, que reúne as meditações do cardeal feitas durante a pregação dos Exercícios Espirituais na presença do Papa João Paulo II no ano 2000.
Do livro, o capítulo 2 é um dos mais instigantes. Nele, o cardeal enumera "Os defeitos de Jesus". Pedindo a compreensão e o perdão dos que acompanhavam suas reflexões por sua "confissão que pode parecer uma heresia", Van Thuan revela: "Abandonei tudo para seguir Jesus, porque amo os defeitos dele".
Aventureiro - O cardeal enumera cinco defeitos de Jesus. O primeiro: Jesus não tem boa memória. No alto da cruz, durante sua agonia, Jesus ouve a súplica do bom ladrão. "Jesus, lembra-te de mim quando estiveres em teu Reino" (Lc 23,42). Caso fosse eu, revela o cardeal, teria respondido: "Não vou te esquecer, mas os teus crimes devem ser pagos com, pelo menos, 20 anos de purgatório". No entanto, Jesus respondeu-lhe: "Hoje estarás comigo no paraíso" (Lc 23,43). Ele esquece todos os pecados daquele homem.
Algo semelhante acontece com a pecadora que banha os pés de Jesus com perfume. Ele não lhe pergunta nada a respeito de seu passado escandaloso e diz simplesmente: "Seus numerosos pecados lhe são perdoados, porque ela demonstrou muito amor" (Lc 7,47). E o cardeal conclui: a memória de Jesus não é igual à minha. Ele não só perdoa, mas esquece até mesmo que perdoou.
O segundo defeito: Jesus não sabe matemática. É o que demonstra a parábola da ovelha perdida. Uma delas se perde e então deixa as 99 no deserto para procurá-la. Para Jesus, uma pessoa tem o mesmo valor de 99 e, talvez, mais ainda. Quem aceitaria algo desse tipo?, questiona Van Thuan.
O terceiro defeito: Jesus desconhece a lógica. Uma mulher tinha dez dracmas e perde uma. Ao encontrá-la, chama as vizinhas (Lc 15,8). É ilógico perturbar suas amigas apenas por uma moeda. Depois promove uma festa para comemorar o ocorrido. E ao fazer festa com as vizinhas, gasta mais do que uma dracma. Talvez nem as dez seriam suficientes.
O quarto defeito: Jesus é um aventureiro. O programa de Jesus, analisado humanamente, é destinado ao fracasso. Ele promete, a quem o segue, julgamentos e perseguições. Aos apóstolos, que deixaram tudo por ele, não garante nem sustento, nem casa. "O Filho do homem não tem onde repousar a cabeça" (Mt 18,20). As bem-aventuranças são um auto-retrato de Jesus aventureiro do amor ao Pai e aos irmãos. Mas os discípulos confiaram naquele aventureiro e já são dois mil anos que milhões continuam seguindo seus passos.
O quinto defeito: Jesus não entende de finanças e economia. E Van Thuan recorda a parábola dos operários da vinha (Mt 20,1-16). Se Jesus fosse nomeado administrador de uma empresa fracassaria e decretaria sua falência. Como é possível alguém pagar o mesmo salário a quem começa trabalhar às cinco da tarde e àquele que iniciou desde manhã cedo? Trata-se de um descuido? Ou Jesus errou as contas? Não, diz o cardeal. Ele fez de propósito. Jesus mesmo explica: "Não tenho o direito de fazer o que eu quero com o que é meu? Ou teu olho é mau porque eu sou bom?" (Mt 20,15).
O cardeal conclui sua reflexão explicando que Jesus tem esses defeitos porque Ele é movido pelo amor, age sempre por amor e o amor autêntico não é racional, não mede, não ergue barreiras, não calcula, não recorda as ofensas recebidas e não impõe condições.
Testemunhas da esperança foi lançado no Brasil em 2002 pela editora Cidade Nova, telefone (11) 4158.2252, e-mail: editora@cidadenova.org.br
François Van Thuan, profeta da esperança
O cardeal Van Thuan nasceu aos 17 de abril de 1928 em Huê, no Vietnã. Descende de uma família que conta numerosos mártires da fé. Ordenado sacerdote em 1953, formou-se em Direito Canônico em Roma. Retorna ao Vietnã como professor e, depois, reitor do seminário. Em 1967 é eleito bispo de Nhu Trang e em 1975 é nomeado por Paulo VI arcebispo coadjutor de Saigon. Nesse mesmo ano Van Thuan recebe ordem de prisão do regime comunista.
Permanece no cárcere 13 anos, nove dos quais no mais completo isolamento. À noite, na cela, escreve suas reflexões e sobre seus sofrimentos em pequenos pedaços de papel, entregues a amigos que pudessem conservá-los. Esses escritos viram livros, traduzidos em diversas línguas.
Aos companheiros não-católicos de prisão e aos carcereiros, que desejam saber o porquê da sua esperança, da sua intensa vida de oração, dá testemunho de sua fé em Deus de forma simples, com explicações como a dos defeitos de Jesus. Libertado da prisão em 1988, deixa o Vietnã seis anos depois, chamado a Roma. Morre em 2002.
Padre Zezinho
Ensinar a rir de si mesmo e a rir dos outros é uma virtude
O mundo deve muito aos que nos fazem rir, desde o contador de piadas na família até o palhaço profissional. Há qualquer coisa na pessoa engraçada que faz bem a todos. Os cômicos conseguem imitar o que temos de melhor e de pior e colocar graça em muitas coisas que nos deprimiriam.
Ensinar a rir de si mesmo e a rir dos outros com respeito é uma virtude. Às vezes, há exagero de quem ensina a rir de qualquer coisa e, sobretudo, a rir dos outros. Aí a graça pode ser muito engraçada, mas às vezes não tem graça. O Brasil é um país onde se valoriza muito a comédia.
Estão aí os nossos cômicos fazendo o povo rir em todas as televisões e em muitíssimos programas, com trocadilhos, gestos rocambolescos e grotescos e brincadeiras para crianças.
Fazer as pessoas rir é uma graça do céu. É preciso, porém, saber tirar proveito da vida e aprender a chorar com os outros, a rir com os outros e saber a diferença entre rir de vez em quando ou transformar a vida numa comédia eterna. Nem tudo é riso, nem tudo são lágrimas.
Quem ri o tempo todo ri demais! A sabedoria está em achar este equilíbrio. O Brasil está precisando rir um pouco mais de si mesmo para se levar um pouco mais a sério. Então, que venham os bons comediantes. Mas que se ria de mais coisas. Ultimamente a maioria dos programas está rindo de sexo. Quando se ri demais de uma coisa perde-se o respeito por ela!
Que se renove o estoque de piadas.
Irmãs Discípulas do Divino Mestre comemoram meio século de Brasil
Primeiras religiosas vieram da Itália no dia 26 de julho de 1956
A congregação das Irmãs Discípulas do Divino Mestre abre, no dia 26 de julho, as celebrações de 50 anos de presença e atuação no Brasil. As primeiras religiosas chegaram ao país no dia 26 de julho de 1956, vindas da Itália. O ano jubilar se estende até 26 de julho de 2006. A congregação das Irmãs Discípulas do Divino Mestre foi fundada na Itália, em 1924, pelo bem-aventurado Tiago Alberione que, graças ao seu apostolado dinamizador, deu origem a diversas congregações religiosas.
As Irmãs Discípulas do Divino Mestre têm como carisma viver o seguimento de Jesus Mestre, Caminho, Verdade e Vida (Jo 14, 6), em fraternidade e enviadas a servir as comunidades do povo de Deus, pelo ministério da oração, da escuta e do apostolado litúrgico. As irmãs se identificam com a linguagem da arte e da beleza, na preparação das celebrações e na formação litúrgica, através de cursos, retiros, revista de Liturgia, subsídios etc e servindo as comunidades com as várias formas de arte como a pintura, a escultura, a música, a confecção de paramentos e outros.
Atualmente, a congregação está presente em 29 nações, com 181 comunidades, num total de 1.426 religiosas. No Brasil, trabalham em sete Estados, com 14 comunidades, somando 85 irmãs e 16 jovens em formação. Em Caxias do Sul, onde chegaram no ano de 1960, está localizada a casa do noviciado, atualmente com seis noviças e seis irmãs.
Carismáticos realizam Congresso Nacional
Motivado pelo tema "Celebrando a Unidade", será realizado entre os dias 20 e 24 de julho de 2005, na Canção Nova, em Cachoeira Paulista (SP), o 35º Congresso Nacional da Renovação Carismática Católica (RCC). O encontro contará com a presença de Allan Panozza, presidente do Conselho Internacional da RCC; de Matteo Calisi, presidente da Fraternidade das Comunidades Carismáticas Católicas-Internacional, além de dom Cláudio Hummes, arcebispo de São Paulo, bispos e representantes de todo país.
Esse congresso, que propõe a unidade, também aguarda a presença de outros movimentos e pastorais da Igreja Católica. Durante o encontro serão comemorados os 35 anos da RCC no Brasil.
Encontro de liturgia e canto na Imaculada
Com assessoria de frei Luiz Turra, provincial dos capuchinhos, será realizado na paróquia Imaculada, em Caxias do Sul, encontro de liturgia e canto. O evento, marcado para os dias 1º e 2 de agosto, das 19h30 às 21h30 no salão dos capuchinhos, é destinado a equipes de liturgia e canto das comunidades, padres, religiosos, religiosas e interessados.
Os objetivos são o de conhecer as novas orientações da Igreja no que se refere à celebração litúrgica e também pensar juntos questões práticas, destacando a dimensão mistagógica, o ritmo celebrativo, o exercício de "cantar a liturgia" e a importância da comunicação global nas celebrações.
Aper congrega professores de religião
Para articular, organizar e unir os professores de ensino religioso e para assumir o ensino religioso como elemento imprescindível de educação, foi criada, recentemente, em Porto Alegre, a Associação de Professores de Ensino Religioso do Rio Grande do Sul (Aper/RS). Na assembléia de fundação participaram professores de diversas regiões do Estado, ligados à rede do sistema estadual e municipal de ensino.
No encontro, além da aprovação do estatuto, foi constituída a primeira diretoria e o conselho fiscal, sendo eleita presidente a professora Dulcelei Panatta; vice-presidente, professora Renídia Herrbach; e 1ª secretária, professora Isabel Algayer de Oliveira. A associação concretiza o desejo dos professores de ensino religioso de lutar pelo reconhecimento oficial do professor dessa disciplina e por sua valorização profissional. Poderão associar-se à Aper/RS professores de ensino religioso que compartilhem com as finalidades da associação, de todas as redes de ensino, desde a educação infantil até o ensino superior, independente de credo religioso.
Aldo Colombo
A técnica é fria e o capital mais precioso de qualquer empresa é a pessoa humana
Foi tudo muito rápido. A executiva bem-sucedida sentiu uma pontada no peito, vacilou e caiu. Depois de um tempo, abriu os olhos e viu uma realidade desconhecida. Havia um imenso portal e, além dele, muitas pessoas despreocupadas. O ambiente era muito bom, existiam muitas flores e chafarizes. Brilhava um sol tranqüilo e tinha-se a impressão de uma primavera. Ouviam-se harmonias difusas. Sentindo-se deslocada no ambiente, procurou informações.
Mesmo não havendo indicações claras, alguém levou-a para quem parecia coordenar o evento. Tentou marcar uma audiência, mas informaram-na que não existia no local esse costume. Poderia falar com a pessoa diretamente. Foi o que fez. Ficou sabendo tratar-se do síndico. Em primeiro lugar, informou a executiva, deveria existir algum engano. Ela pagava um plano Classe A e – certamente – viera para cá por engano. E não poderia se demorar, pois sua agenda estava lotada: viagens, conferências a fazer e importantes convênios a assinar, sem falar no planejamento de sua empresa.
O síndico – que ela ficou sabendo tratar-se apenas de Pedro – estava com uma grande chave na mão. E com tranqüilidade informou-a que a permanência naquele lugar era definitiva. A maior ou menor satisfação dependia do tipo de vida que levara anteriormente. Foi ainda o síndico que informou que o paradouro se chamava Eternidade. O choque foi grande. A executiva bem-sucedida quase desabou de uma nuvem, mas refez-se do susto e tratou de situar-se diante da nova realidade.
Dizendo-se executiva, apresentou um imenso currículo, que pareceu não impressionar o síndico. Nem mesmo ele parecia saber o que significa a palavra "executiva". Deveria ser um zero à esquerda. A recém-chegada deu-se conta que poderia rapidamente assumir uma posição de comando, por assim dizer celestial, na organização. E, sem perda de tempo, começou a expor as debilidades notadas e tudo que poderia ser melhorado.
Insistiu que tinha PHD em reengenharia e poderia trazer referências das empresas onde atuara. Constatou que havia desmotivação e dispersão. Ninguém usava crachá, não existiam funções definidas. Era necessário montar alguns cursos, plano de carreira, horários fixos, controle, metas factíveis, auditorias externas, estratégias operacionais, criar um marketing e pensar em produtos alternativos. Era preciso também repensar salários, não descartando demissões.
Ela notou no rosto do síndico certo enfado e imaginou que ele não estivesse entendendo. Mesmo assim quis saber se poderia apresentar, numa semana, um Plano Organizacional Básico. A resposta foi um solene não e deu-lhe um conselho: você terá um futuro brilhante se for trabalhar com nosso concorrente. Porque você acaba de descrever como funciona o inferno.
Ninguém pode ser contra a técnica e a eficiência. Nem podemos ser contra a organização e o lucro. Mas a técnica é fria e o capital mais precioso de qualquer empresa é a pessoa humana. O marketing de todas as coisas que, de alguma maneira, se referem a Deus é o Amor. E as empresas de Deus adotam o método da fraternidade.
Carlistas empossam governo provincial
Província caxiense é constituída por cerca de 200 religiosas
Por nomeação da superiora geral da Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo-Scalabrinianas, irmã Maria do Rosário Onzi, foi definido o novo governo provincial da Província Imaculada Conceição, com sede em Caxias do Sul. Ir. Alda Mônica Malvessi é a superiora provincial, que tem como conselheiras as irmãs Elena Ferrarini, Nadir Contini, Adelvina Pavan e Albertina Maria Pauletti. O novo governo tomou posse no dia 30 de junho, no Instituto São Carlos, em Caxias do Sul, com a presença de mais de 70 religiosas da província.
Segundo irmã Alda, o novo governo provincial contempla o presente e projeta o futuro na promoção e defesa da vida e da dignidade do ser humano, em especial os migrantes, através de ações solidárias na educação, saúde e assistência social. A provincial destacou que todas as áreas receberão atenção especial. "O apostolado necessita ser centralizado no carisma, com redimensionamentos contínuos. Assim buscaremos dar respostas aos desafios que emergem do contexto da mobilidade humana".
Além de atividades no Rio Grande do Sul, a província caxiense, constituída por cerca de 200 irmãs, também atua na animação da pastoral do migrante nas arquidioceses de Fortaleza (CE), Teresina (PI) e Brasília (DF); na República Dominicana, na Argentina e marca presença missionária na Índia. Em julho, assumiu mais um desafio missionário em favor dos migrantes necessitados, na diocese argentina de Gregório de Laferrere.
Peregrino - Para sensibilizar a opinião pública sobre a situação desafiadora das migrações, divulgar ações sócio-pastorais e para uma abordagem da missão própria da congregação, a província Imaculada Conceição criou a revista Peregrino (na foto, capa da edição nº 2), de circulação semestral. Em cada número relatos de ações sócio-pastorais, entrevistas, reflexões, reportagens, dados e estatísticas sobre a mobilidade humana.
CF-2007 terá a Amazônia como tema
Durante reunião do Conselho Episcopal de Pastoral (Consep) realizado no dia 24 de junho na sede da CNBB, em Brasília, os bispos escolheram, por votação, o tema da Campanha da Fraternidade de 2007. Padre José Carlos Toffoli, secretário executivo da CF, apresentou aos bispos reunidos diversas sugestões de temas e a escolha recaiu sobre "Fraternidade e Amazônia".
É a primeira vez, desde que a Campanha da Fraternidade surgiu, em 1964, que uma região específica do país é escolhida pelos bispos como tema de debates e reflexões. Padre Toffoli salienta que muitos abaixo-assinados foram enviados à CNBB sugerindo a Amazônia como tema. Outras sugestões concorreram com o tema escolhido, entre elas Fraternidade e Trânsito, Fraternidade e Fome, Fraternidade e Missão, Fraternidade e Moradia, Fraternidade e Defesa da Vida, Fraternidade e Impunidade, Fraternidade e Paternidade Responsável.
Ao escolher a Amazônia, os bispos sugeriram alguns enfoques para o tema, entre os quais o cunho missionário e de solidariedade, os povos amazônicos, o meio ambiente, o abandono das populações da região, a presença e o papel da Igreja, incluindo até outros países da Amazônia, numa dimensão ecumênica.
Wilson João
Quando os valores espirituais dominam o corpo e o mundo material, nos tornamos senhores de nós mesmos
Fico encantado quando leio na carta do apóstolo Paulo a distinção clara que faz classificando as pessoas que vivem de uma maneira materialista e as pessoas que vivem dando atenção ao espírito. E escreve: "As pessoas materialistas vivem na libertinagem, feitiçaria, ódio, discórdia, ciúme, ira, divisão, rivalidade, inveja, bebedeira e idolatria. As que vivem na realidade do espírito produzem os frutos do amor e da paz, da paciência e da bondade, da fé e da esperança, da mansidão e do domínio próprio". É um texto que espelha o comportamento humano. E fala do domínio de si.
TER DOMÍNIO É SER DONO DE SI MESMO. Estou diante de um doce e não preciso comê-lo. Tomo a decisão de ficar sem ele. Já bebi uma cerveja. Não preciso de outra. Paro nesta primeira e serei dono de mim mesmo. Sei que o cigarro me faz mal. Mesmo apreciando o gosto do cigarro eu não me entrego a ele. A sociedade de consumo me apresenta tal alimento e tal bebida, que posso dispensar. Meu corpo não precisa e até o prejudica. Não compro e saio vencedor. Diante da sociedade de consumo, que me apresenta inutilidades, devo exercitar a capacidade de domínio sobre os pensamentos e desejos, sobre os instintos e emoções.
EXERCER A LIDERANÇA SOBRE SI MESMO. Não deixar-se liderar por forças externas. Ser dono dos próprios pensamentos. Ter idéias próprias. Rir e não dar atenção ao "disseram... falaram... comentaram... o que vão dizer..." Exercer a liderança é não deixar-se dominar por um desejo inútil. É conduzir minha história. É fazer minha história e não deixar que as pessoas ou as coisas façam minha história. Exercer a liderança é conduzir conscientemente os projetos de vida, os sonhos que se quer realizar, tendo as rédeas da vida em poder de nossas mãos.
A VIDA FÁCIL É UMA TENTAÇÃO. Escolher o trabalho mais fácil. Ganhar dinheiro e obter muito lucro sem trabalhar. Conseguir as coisas usando dos outros. São todas tentações que batem na vida de todo o dia. Passar de ano sem estudar. Mentir e enganar para se obter sucesso. Comer coisas gostosas que não ajudam a ter saúde. Beber pelo simples gosto de beber. Na verdade, os comerciais apresentam vida fácil. É possível conseguir tudo com pouco dinheiro. Na realidade há muito engano. Tudo é apresentado de uma maneira fascinante e quem não tem domínio de si mesmo acaba tornando-se escravo do mundo externo e das solicitações de toda ordem.
VIVER A VIDA NO ESPÍRITO. Esse é o jeito de superar o materialismo e a vida fácil. Quando os valores espirituais dominam o corpo e o mundo material, nos tornamos senhores de nós mesmos. Como resultado teremos o equilíbrio e a paz. Mas para isso é preciso tomar em nossas mãos a direção de nossa vida, sabermos onde queremos chegar e como queremos chegar, e acima de tudo ter faróis muito fortes que nos façam ver o objetivo de nossa caminhada.
O lassalista à italiana e francesa que está em mim
Irmão Jacob Parmagnani
Professor e escritor, Porto Alegre
Religioso lassalista, com pintas de capuchinho, com alma italiana herdada da família, e francesa, herdada de educadores franceses, professor e escritor, Irmão Jacob é um exemplo de integração étnico-cultural e religiosa. Diz:
"Minha formação cristã, recebida no meu excelente lar, foi realizada e implementada pelos Freis Capuchinhos, que atendiam a capela de Nossa Senhora das Graças, em Arco Verde município de Carlos Barbosa-RS.
Muito marcaram-me os freis Ladyslau Berehula e Agostinho Biz-zotto. Estes, prepararam-me para ingressar na Ordem dos Capuchinhos. Porém, quase em véspera de ingressar, frei Agostinho, no dia da festa da Imaculada Conceição, 08 de dezembro de 1924, passou lá em casa e, que duro golpe..., disse à minha mãe em particular que eu não poderia ser capuchinho. Doeu, mas logo exclamei: "Então eu quero ser irmão lassalista". Meu irmão Antônio já o era havia 9 anos.
Na mesma tarde lhe escrevi que viesse buscar-me. E já, meu irmão Benigno Luis Parmagnani emoldurou uma bonita estampa de São João Batista de La Salle que havia recebido do Antônio, e pendurou-a na cabeceira de minha cama. Cada noite, ajoelhado diante dessa imagem, eu rezava para ser um bom irmão.
No dia 25 de fevereiro de 1925, ingressei no Juvenato Lassalista em Porto Alegre. Lá, comecei minha formação lassalista, enxertada na boa formação capuchinha.
No Postulado e no Noviciado, tive excelentes formadores. Cito, entre outros, os irmãos Ignácio Gabriel, Fidel de Maria, Marcelo e Bernardo. Com eles fiz um estudo aprofundado da Doutrina Espiritual de São João Batista de La Salle. Aos poucos me sentia cada vez mais integrado na congregação. Comecei a lecionar e educar cristãmente, na forma lassaliana, em 1932.
O amor à infância e à juventude, a exemplo de La Salle e de tantos santos irmãos, dos quais li as biografias, levaram-me a dizer: "Sou feliz, porque me sinto bem integrado na comunidade religiosa e na comunidade escolar". Amor generoso para com os educandos e serviço educativo gratuito para os pobres encheram meus dias e meus anos. Bons cursos de formação lassaliana firmaram minha vocação lassalista com êxito no ensino e nos cargos de direção.
O encargo recebido em 1977, de escrever as biografias dos 12 irmãos pioneiros europeus, levou-me à Europa e lá conheci as grandes, as médias e as pequenas obras lassalistas. Exultei de alegria ao saber o grande bem que os irmãos fazem em 83 países do mundo. As pesquisas feitas para escrever 64 biografias de educadores lassalistas deram-me a sensação que, de fato, estou alegre e feliz integrado nesse batalhão de irmãos que se dedicam à construção e difusão do Reino de Cristo.
Ao completar 75 anos de vida religiosa lassalista, dou graças a Deus por me ter chamado a tão bela vocação, bela e santa como a vocação a capuchinho a qual eu havia aspirado.
Por tudo isso Deus seja louvado!"
Imagine! Irmão Jacob não foi aconselhado a ser capuchinho, porque Frei Agostinho o julgava um homem de espiritualidade rica demais para a Ordem de radical pobreza dos capuchinhos. Então, ele foi se tornar irmão e uniu e enriqueceu seu inicial carisma capuchinho com o carisma lassaliano. E podemos dizer que Irmão Jacob Parmagnani só existe um no mundo, que pedimos reze para que todos os cristãos, especialmente os capuchinhos e lassalistas, sejam fiéis à sua vocação como ele o está sendo. Obrigado, Irmão Jacob, por seres o grande testemunho que és. (Rovílio Costa)
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (317)
Festa del adio a Nanetto, che se mete in strada
Eduardo Grigolo
Professor, Jundiaí - SP
Nanetto el ze restà contento che i frati i lo ga benedio parché el ndesse via par el Brasile par farse cognosser de tuti e insegnarghe far la Mèrica. Nanetto el ghe volea tanto ben ai frati, che no’l volea de nessuna maniera farghe qualche dispeto. El frate Rovìlio, par Nanetto, zera pròpio come se fusse el Papa. Arlindo el menea Nanetto insù e inzó, dapartuto ndove el ndea. Se el gera drio dir messa, Nanetto el zera lì, lo giutea in tuto, dal meter su le còtole fin cavarle do al fine dea messa. El zera come el so guardiaspale. El indovinea quando el frate Battistel ghea bisogno del so aiùto. Bastea che Battistel ghe desse un sufiot, che suito el vegnea veder cosa ghe zera da far. No ga mai tocà a Battistel subiar du volte.
Cesa piena. Gnanca un posto vodo. Tel altaro 14 frati, con Rovílio de coordinator, par dir la Messa Campale come se fusse l’incoronamento de un re. Nanetto, co la so meio fatiota, sensa capel, con la pipa in scarsela, che ogni poco la palpea con paura de pèrdela.
Frate Rovìlio ga fato na bela prèdica. El ghe ga desiderà bon viaio e breve ritorno a Nanetto, e Battistel lo ga ringrassià del aiuto, e desiderà a Nanetto fortuna e felicità con la benedission de Dio. Nanetto el ga sugà le làgreme diverse volte.
Finia la messa, tuti tel salon dea cesa par zugar, ciacolar e magnar. Dopo magnar, i se ga messi cantar le mùsiche taliane insieme Nanetto. Le veciote le ga scominsià piander e le se ga messo balar. I zovenoti i vardea da distantot, parché no i capia gnente. E così i ga passà, fin ndar do el sol. Alora i se ga invià ogniuno al so canton. Nanetto con prèssia che’l di el s-ciarasse, par méterse in strada nantra volta.
Prima de s-ciarir, Nanetto el ga messo sul la fatiota, con le scarpe lustre. La pipa in boca, ma smorsada, parché el disea sempre che la so pipa la ze ecològica, no la fumega mai. Rente la porta, co la valìsia in man, el capel in testa, spetando che Battistel lo menasse in Rodoviària per ciapar el ònibus. El gavea ricevuo un pochi de soldi de Eduardo Grigolo, come diriti del libro Nanetto in Strada, dove lu el zera el personaio prinsipale.
- Ciò, Nanetto, no te magni qualcossa vanti ndar via?
- Go magnà na feta de pan e late, che la Fran la me ga parecià.
- Ben, prima de portarte in Rodoviària, bevemo du tre cuie de simaron insieme. Manca ancora du ore par la partensa del ònibus e in meda ora riverò in stassion.
- Séntete do Nanetto, bevemo el simaron, parché daquà un poco semo in strada.
- Anca se no ghe ze tanta prèssia, no me sento, parché, dopo, col lungo viaio longo, el stafanàrio el se scaldarà, lora va ben che’l ciape ària, par no fumigar del caldo.
- Tento, no stà brusar el ònibus, dise Rovìlio.
- E pò, dise Battistel, ze meio che te consemo un piato de radici, el aseo el te dà disposission e ànimo de viaiar, con la benedission de Dio!
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
Geraldo Sostizzo
Cascavel – PR
Chi no ga dormisto te un paion de scartossi? Tuti i ani, dopo che’l mìlio zera tel paiol, scartosseimo el mìlio, e la mama scoiea le meio paie, le snetea, ghe taiea via la parte pi dura e le metea via par reformar e rinovar i paiuni. I leti gera fati tuti de legno puro, squasi sempre fati dal pupà che’l gera anca marangon. Quei leti si i durea 100 ani se ocoresse.
I paiuni dei leti i gera fati de lin, che la mama fea tel telaro col filo tirà via dea pianta de lin. Squasi tuti i leti gera fati par dormir in due fradei o due sorele, e se fusse i pìcoli, dormia anca in tre o quatro. Ogni paion gavea quatro busi, che la mama doperea par cambiarghe le paie, tirarle fora, meter rento le nove e par tuti i giorni piantarghe rento le man e smissiarle ben, parché i restasse ben mòrbidi par quando se ndea dormir.
Fin che gèrimo tuti impié, no se scoltea el buio, ma dopo che ndeimo dormir tuti, se quanlcuno se smissiasse tel leto o cambiasse na gamba de posto, tuti tea casa lo scoltea. Par questo che quando qualcuno se remenea tel leto, la mama suito lo ciamea e ghe dimandea cossa gera drio sucedere, o se qualcuno stea mal.
Se te volei veder la mama cativa, gera la matina quando la ndea smissiar i paioni. Quando la levea su el nissol e la sentia spussa de pisso e la vedea na bruta de na pissada che travessea el nissol e anca el paion e bisognea méterlo tel sol, te podei saverlo che no la dassea mia passar in bianco, quel che gavea dormisto lì, securamente le ciapea.
Fin ancoi tante fameie dòpera i paioni. Nissuni gavea tanto mal de schena sti ani indrio. E ancoi che se dorme tei paiuni fati de spiuma e altri diti ortopèdici, gavemo pi malatie dela colona che quando se dormia tei paioni de scartossi.
El vignal
Pìcolo o grando, ogni fameia gavea el so vignal. Ghe gera fameie che gavea un vignal grando e lora i vendea ua anca par e cantine che fea vin, dopo de ver fato el so vin a casa. Par far un bon vignal ghe vol tanto laoro e bisogna saver farlo. Prima de tuto se scoìia un toco de tera voltada banda ndove nassea el sol. Parché i noni disea che el sol dela matina ghe fea ben ae vigne. Dopo feimo le buse fonde e larghe e le impienìimo de luame de bèstie e na s-cianta de tera bona e rento pianteimo un ramo de na vigna. Dopo de un ano, sora sto ramo, che ghe ciameimo caval, feimo el incalmo. De lì a vanti bisognea tender polito. Questo incalmo gera fato parché la vigna produsisse bei graspi de ua e de qualità bona.
Intanto le vigne vegnea su, pianteimo i palanchi tei cantoni e stireimo el fil ndove ligheimo le vigne. Tel primo ano, le carghea squasi gnente, ma tel secondo ano avanti, bisognea méterghe altri palanchi, parché el fil no se sbassesse.
Bisognea sempre star atenti con le erbe e pi de tuto con le formighe, che se no se le copa, le magna fora tuto. Nel metà inverno avanti, bisognea bruscar le vigne, e le scominsiea molar fora le foie e insieme i graspi. Lora gera ora de tirar via i buti sensa gras-pi e suito dopo darghe su el verderame. Questo zera el peso laoro del vignal.
I noni passea soto le vigne squasi tuti i giorni, par darghe na ociada e veder se no ocorea qualcosa. Quando che le ue le scominsiea restar mese rosse, noantri scominsieimo sbecolar. Dopo che l’ua restea maura, feimo vin dolse e anca uvada, e quando la gera tuta maura, scominsieimo catarla su coi sesti, la meneimo casa con la careta de boi e la pesteimo coi pié, ma neti magari. Dopo gera sol spetar el tempo giusto e scominsiar bever el vin.
E suito dopo, scominsiea tuto nantra volta. Ma smissiar tel vignal, gera un dei meio laori de far casa.
Ibama libera Barra Grande
Usina atinge cidades gaúchas e catarinenses
A usina hidrelétrica Barra Grande recebeu licença de operação do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Com isso, iniciou o enchimento do reservatório da usina, construída no rio Pelotas, entre os municípios de Esmeralda, no Rio Grande do Sul, e Anita Garibaldi, em Santa Catarina. A inauguração da primeira unidade de Barra Grande está prevista para outubro deste ano. As outras duas devem entrar em operação em janeiro e abril de 2006.
Conforme o secretário de Energia, Minas e Comunicações, Valdir Andres (foto), o investimento total realizado no empreendimento é de US$ 509 milhões. A capacidade instalada da usina é de 690 Megawatts (MW), dividida em três unidades, com energia assegurada de 380 MW médios. "Barra Grande, que será a terceira maior usina do Estado, gerou quase 3.000 empregos durante a construção da obra e mais 60 vagas permanentes na operação", diz Andres. A usina será interligada ao sistema por duas linhas de transmissão de 230 kV, circuito simples, a serem conectadas na subestação Campos Novos, da Eletrosul, distante aproximadamente 35 quilômetros da usina.
A usina de Barra Grande é hoje a maior usina hidrelétrica em construção no Brasil. Sua barragem tem 180 metros de altura. O lago que será formado na região, de 93 quilômetros quadrados, vai inundar áreas de Mata Atlântica nos municípios de Anita Garibaldi, Cerro Negro, Campo Belo do Sul, Capão Alto e Lages, em Santa Catarina, e Pinhal da Serra, Esmeralda, Vacaria e Bom Jesus, no Rio Grande do Sul.
Veranópolis inaugura Centro da Agricultura
O Centro da Agricultura Familiar – Formação Gerencial e Reconversão da Pequena Propriedade, instalado em Veranópolis, será inaugurado dia 25 de julho. A Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária vai abrir o espaço para dar início às atividades de treinamento. O projeto é resultado de uma parceria da instituição com a Universidade de Caxias do Sul, a Prefeitura de Veranópolis e o Conselho Regional do Corede Serra.
O prédio foi instalado no centro de pesquisa Fepagro Serra, em Veranópolis. Ao todo, são 860 m2 de área construída, com auditório, salas de aula, dormitórios, refeitório e administração. A estrutura vai assegurar o alojamento de até 40 pessoas por etapa de capacitação, que vão aprender métodos para extrair o máximo de lucro na produção agrícola.
Guaporé - A Secretaria Municipal de Educação realiza o V Congresso Nacional de Educação, de 20 a 23 de julho, no Clube União Guaporense. Inscrições e informações pelo telefone (54) 443 4316.