LEITORES 

 DESCOBRINDO CAMINHOS

 

Desde 1909, onde o conteúdo faz a diferença.

Edição 4.946 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 20 de julho de 2005.

EDITORIAL

Campo e rodovias não são prioridades para o governo

Pequenos agricultores produzem mais de 70% das colheitas do país e zelam pela ecologia

 

Com bom humor, o Papa João XXIII falava da atividade agrícola de seu pai: "Das três maneiras mais fáceis de perder dinheiro - jogo, mulheres e terra - meu pai escolheu a menos interessante delas". A situação, hoje, não mudou. Nos anos considerados bons, o agricultor ganha pouco; nos anos ruins, continua a perder dinheiro. Os economistas clássicos falavam da existência de apenas duas atividades econômicas essenciais: agricultura e pecuária. As demais são complementares. Mas estas duas atividades essenciais estão longe de serem favorecidas.

A agricultura não é uma atividade como as outras e por isso ela precisa, mais do que as outras, da proteção governamental. Ainda neste ano os agricultores enfrentaram prolongada seca e os recursos dos poderes públicos, além de demorados, foram insuficientes. E quando as safras são boas, os produtos têm seus preços aviltados. Os cofres da União são bem mais sensíveis para o agronegócio, que traz ao país dólares que são devolvidos ao exterior para pagar apenas os juros da dívida externa e eterna.

Os alimentos que chegam à mesa dos brasileiros não procedem dos 150 milhões de hectares dos latifúndios. Procedem dos 60 milhões de hectares trabalhados pelos pequenos agricultores, que produzem mais de 70% das colheitas nacionais e empregam mais de 80% da mão-de-obra rural. E são exatamente os pequenos agricultores que mais se preocupam com a ecologia, com uma agricultura orgânica, limpa e auto-sustentável.

Em conseqüência de tudo isso, é cada vez mais baixa a auto-estima dos agricultores. È cada vez maior o número de agricultores e agricultoras estressados e que sofrem de depressão. É também preocupante o êxodo rural. Muitas comunidades agrícolas percebem-se envelhecidas, porque os jovens fogem do campo e buscam a cidade.

Outro capítulo parecido refere-se aos motoristas, navegando em meio aos buracos e pedágios das rodovias brasileiras. São heróis que enfrentam todo o tipo de dificuldades, ficando muito tempo longe dos lares. Sem falar daqueles que não regressam mais às suas famílias, vitimados pelos acidentes ou assaltos. Motoristas e agricultores não exigem demais, querem apenas poder trabalhar e servir ao país.

 

CAXIAS DO SUL

Iluminação de rua distingue Caxias

É a única cidade que tem todas as ruas com iluminação pública

 

A Eletrobrás aponta Caxias do Sul como a única cidade brasileira que tem todas as ruas com rede de energia elétrica com iluminação pública. Isso foi possível graças à participação no Programa Nacional de Iluminação Pública Eficiente (ReLuz).

Por meio do ReLuz, encerrado em março do ano passado, Caxias economizou por ano em energia elétrica mais de R$ 1,7 milhão, o que representa uma redução de 30,7%. Hoje, a prefeitura paga à Rio Grande Energia (RGE) R$ 400 mil por mês. Através de uma parceria entre a administração municipal e o governo federal, em dois anos foram investidos mais de R$ 4 milhões na implantação de tecnologia moderna na iluminação pública, gerando uma economia de 10 mil megawatts/hora por ano.

Hoje, o município possui 37 mil pontos de iluminação pública nos seus 1.657 quilômetros quadrados de área. Nestes pontos, 32.613 são lâmpadas de vapor de sódio, mais econômicas e eficientes que as de mercúrio. A Secretaria dos Serviços Públicos Urbanos (SSPU) trabalha agora na substituição das cerca de 4,5 mil lâmpadas de mercúrio ainda existentes nos distritos do município.

José Altamiro Paim, titular da SSPU, afirma que neste semestre a Secretaria atendeu mais de 2,5 mil pedidos de consertos. Segundo ele, nos próximos meses, a meta é atender as solicitações da comunidade e ampliar os pontos de iluminação nas áreas verdes e em novas ruas que estão sendo abertas pela prefeitura.

 

Produtores de amora obtêm financiamento

 

A Prefeitura de Caxias libera, na segunda 25, os primeiros financiamentos para produtores rurais que participam do Programa Pequenas Frutas. Serão entregues 14 cheques, somando R$ 60.500,00 a maioria deles destinada a agricultores que cultivam amora.

Entre os beneficiados estão nove produtores do distrito de Criúva que formam o denominado "grupo da amora". Esse grupo já firmou contrato com empresa que garante a compra da produção por cinco anos. "O financiamento é um incentivo aos produtores de baixa renda para que plantem pequenas frutas, dentro da política do administração de estimular, mas já direcionando para o mercado", explica o secretário da Agricultura, Nestor Pìstorello.

A amora é uma cultura rústica, que exige baixo investimento financeiro e que depende basicamente da mão-de-obra. A produção dos agricultores de Criúva, cada qual com meio hectare, será toda destinada para a indústria (geléias, suco...).

 

Frei Loivo Brandt dá nome à passarela

 

Frei Loivo Jaime Brandt. Este é o nome da passarela para pedestres que liga o Parque Cinqüentenário ao Largo Correio Riograndense. O projeto denominando a passarela foi apresentado pelo vereador Guiovane Maria (PT). Aprovado pelo Legislativo, foi sancionado pelo prefeito José Ivo Sartori no dia 14 de junho (Lei nº 6.381).

Entre os argumentos apresentados pelo vereador está o intenso trabalho desenvolvido pelo frei capuchinho junto a crianças e adolescentes, "o profundo sentimento de empatia pelos sofredores e com as pessoas que dele se aproximavam... Para todos tinha uma palavra de esperança e conforto". Guiovane Maria destacou ainda "o incentivo que frei Loivo dava ao cultivo de valores cristãos, sociais e religiosos, dando ênfase à promoção da vida humana, alicerçada na amizade, na fé e na esperança".

 

Atuação religiosa de frei Loivo

 

O frei capuchinho Loivo Jaime Brandt (foto) nasceu em Peritiba (SC), em 17 de dezembro de 1950, filho dos pequenos agricultores Aloísio e Cecilia. Aos 28 anos, ingressou no Seminário Seráfico São José, em Veranópolis. Fez o noviciado no Convento São Boaventura, em Marau, e professou em janeiro de 1988.

De 1984 a 1985, já em Caxias do Sul, residiu na comunidade religiosa dos freis, no Bairro Santa Fé. Nesse tempo cursou Filosofia na Universidade de Caxias e ingressou no Curso de Teologia da Estef (Porto Alegre). Na Igreja Matriz Santo Antônio, Porto Alegre, emitiu os votos perpétuos no dia 1º de agosto de 1992. Em 29 de agosto de 1992 foi ordenado diácono e em 14 de fevereiro de 1993, na Igreja Matriz Santo Isidoro, em Peritiba, foi ordenado sacerdote por Dom Henrique Müller. Atuou em Marau como guardião, mestre e na pastoral de 1993 a 1999.

Retornou a Caxias, atuando como guardião e mestre e na Ordem Franciscana Secular (OFS), destacando-se na Associação Centro de Promoção do Menor (ACPMen), no Bairro Santa Fé - Instituição que atende cerca de 600 crianças e adolescentes, grupos de convivência com pessoas da melhor idade e famílias. Frei Loivo, desde o ano 2000, era vice-diretor da Instituição, cargo que ocupou até seu falecimento, em 12 de agosto de 2004.

 

REPORTAGEM

Rotina e muito trabalho deprimem agricultora

Doenças típicas das cidades rompem a barreira urbana e se instalam no meio rural

 

O rosto tem as marcas da batalha. Na voz, mansa, os sinais de cansaço, mas, também, de vitórias. O perfil de Josefina Brustolin, 59 anos, que mora em São Luiz, Terceira Légua, arredores de Caxias do Sul, é o da maioria das mulheres que vivem no meio rural da Serra gaúcha.

Essas trabalhadoras, de mãos calejadas e coração afável, escondem emoções, solidão, insegurança, sentimentos próprios de moradores de áreas urbanas conturbadas, com excesso de barulho e poluição e pouco verde. "Há muita insegurança no interior. Isso traz medo. E a depressão atinge desde a criança até a nona (vovó)", declara a sindicalista Ana Maria Rech.

Na opinião da gerontóloga social Marilene Storchi Giusto, a depressão sempre existiu no meio rural. "Era pior. Só tinha outros nomes", declara a especialista em terceira idade, que coordena o projeto "Qualificando a Vida", da Universidade de Caxias do Sul (UCS). A iniciativa leva experiências ao meio rural e trabalha com grupos de convivência, de oração e clubes de mães.

No Brasil, a realidade da trabalhadora rural nunca foi fácil, nem tão diferente. Além da constante renúncia em favor do homem e da família, a mulher não tinha direito à herança e ao voto. "A mulher rural foi educada para ser mãe", afirma a psicóloga Marcia Dip, que atua junto a esse público. "O que ela faz com os seus outros papéis, de filha, companheira, amiga...?", questiona.

Quando os filhos saem de casa ou ela enviúva, a agricultora perde as referências e pode cair em depressão. "Os jovens saem e elas ficam, vendo partir aqueles a quem se dedicou a vida inteira", explica Marilene. "A mulher fica só, e a solidão mata mais do que qualquer outra doença", assegura a especialista em terceira idade.

Rotina – O excesso de trabalho e a rotina são apontados por Marcia Dip como dois grandes inimigos da produtora rural. "A vida de muitas delas, de segunda a segunda, se resume em trabalhar muito, comer e dormir pouco", observa a psicóloga. Josefina, mais conhecida por Pina, faz coro. "Na colônia, temos muito trabalho e pouca mão-de-obra. Precisamos trabalhar para manter as conquistas na propriedade e, também, para valorizar nossa comunidade", diz a agricultora.

A história dá razão às mulheres. Uma pesquisa realizada pela professora Loraine Slomp Giron, da UCS, concluiu que as mulheres, no final do século XIX, trabalhavam em média 16 horas por dia, que 80% das atividades executadas por elas não geravam renda e que os homens tinham o domínio do dinheiro. Pouco mudou de lá para cá. Para Pina, a luta pelos direitos dos trabalhadores rurais não pode parar, nem com as sucessivas mudanças na política e economia do país. "Precisamos estar organizadas", emenda.

Germinação - Com a promulgação da Constituição de 1988, no entanto, algumas conquistas foram germinando com força maior. Isso contribuiu para o reconhecimento e viabilização da agricultura familiar na tentativa compensatória de aliviar as marcas das injustiças passadas.

Políticas públicas, como o Pronaf, que entrou em execução em 1995, foram propostas com objetivo de fortalecer a família e sua produção, tendo como foco os agricultores e suas diversas formas organizacionais. A proposta do programa contribui, também, para amenizar as desigualdades de gêneros, mesmo que de forma acanhada; mas evolutiva.

Atualmente, o Pronaf oferece até crédito específico para as mulheres. "Elas precisam ser valorizadas. Os sindicatos de trabalhadores rurais estão se esforçando para isso", garante Ana Maria Rech. Por isso, a Regional Sindical da Serra desenvolve trabalhos com ervas medicinais, alimentação alternativa e encontros de mulheres (Projeto Renascer). O encontro de Caxias do Sul, por exemplo, realizado dia 6 de julho, reuniu 500 trabalhadoras rurais.

 

Disposição é a marca da trabalhadora rural

 

Quando a mulher rural se tranca em casa, não participa das festas na capela, das palestras técnicas ou de pequenas viagens, está dado o alarme para a família. O que fazer? A psicóloga Marcia Dip responde. "É preciso entender que a felicidade plena não existe. A vida implica em momentos felizes e outros tristes", avalia. "Marido e mulher devem andar juntos. Ambos têm competências e carências", orienta.

A mulher deve brigar para que seus desejos sejam respeitados e falar deles para o esposo e os filhos. Precisa ainda sorrir mais e "resmungar menos" e sempre ter disposição para mudar as coisas e melhorar. "Quando cessar essa disposição, é bom verificar o que está acontecendo", alerta Marcia.

Outras dicas da psicóloga para se sentir bem é respeitar as verdades de cada um, dizer o que sente no momento certo e não descuidar da saúde física e do convívio social. "Os agricultores, no geral, posam de muito fortes. Contudo, são castigados pelo trabalho pesado e pelas intempéries", observa.

Valorização - A sensibilidade de dirigentes rurais está levando programas sociais ao meio rural, visando a valorização das mulheres e de suas famílias. "Os grupos são necessários", reconhece a gerontóloga Marilene Giusto, 62 anos. "Nessas reuniões, as mulheres conversam, convivem, discutem questões comuns", diz. "Até trocam receitas", acrescenta Zilba Zignori, que trabalha com agricultoras na área social há quase 30 anos.

 

Falta de diálogo pode levar à depressão

 

Afinal, o que é depressão? Bem diferente da tristeza ou do baixo astral passageiros, a depressão é o resultado de uma alteração da ação de neurotransmissores no cérebro. É uma doença com sintomas bem específicos e pode ser caracterizada quando estes perduram por no mínimo duas semanas. Os sinais mais comuns são desânimo, insônia, apatia, alterações no sono e no apetite, falta de vontade até mesmo de fazer coisas simples, como tomar banho, assistir televisão ou ler.

Para a psicóloga Marcia Dip, muitas agricultoras chegam à depressão porque não expressam seus sentimentos. "Elas não reclamam quando estão tristes. Somente se manifestam quando sentem dores físicas", relata ao CR. Normalmente, essa paciente procura ajuda médica quando está com pressão alta, formigamento no corpo, problemas nos rins, diabetes etc.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão atinge 10% da população mundial. Em poucos anos deve desbancar outras doenças e ocupar o segundo posto, atrás apenas de problemas cardiovasculares. O mal não escolhe idade, nem classe social ou culturas. As causas são variadas. "A depressão tem diversos níveis e se caracteriza por apresentar vários sintomas", explica a psicóloga.

 

AGRONEGÓCIO

Exportações fortalecem a cadeia suinícola

Frango e boi ocupam o lugar da carne suína no mercado interno. Saída são as vendas externas

 

As exportações de carne suína somaram, no primeiro semestre de 2005, uma receita cambial de US$ 553,011 milhões, o que corresponde a um incremento de 80% na comparação com janeiro-junho do ano passado. Os volumes embarcados chegaram a 291.862 toneladas, com um crescimento de 29% na mesma comparação. As vendas para o mercado externo devem chegar a US$ 1 bilhão em 2005, 30% a mais que os US$ 774 milhões do ano passado.

Os preços médios tiveram, de janeiro a junho de 2005, um incremento de 39,5%, ficando em US$ 1.895/tonelada. "Com os resultados do primeiro semestre deste ano as exportações brasileiras de carne suína já totalizam, no acumulado em 12 meses (julho de 2004 a junho de 2005), embarques de 575.953 toneladas e receita cambial de US$ 1,023 bilhão", diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto.

Os dois principais Estados produtores de carne suína do Sul, SC e RS, encerraram o primeiro semestre deste ano com elevação nos abates sob inspeção federal. Dados do Sindicato da Indústria de Produtos Suínos do RS (Sips) apontam crescimento de 5,65% em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando 419,56 mil animais abatidos no RS. Em Santa Catarina, o avanço foi de 5,25% no mesmo período, com 593,95 mil cabeças.

O incremento acontece num momento difícil no mercado interno. "O inverno ameno está afetando o consumo para esta época do ano", disse o diretor executivo do Sips, Rogério Kerber. A rentabilidade vem sendo prejudicada por outros fatores, como a perda do poder aquisitivo da população. "As agroindústrias apostam na manutenção da elevação das exportações para garantir alguma lucratividade", revela Kerber.

Sanidade – A tendência para 2006 é a elevação dos plantéis na região Sul. "Em 2004, o Brasil produziu 2,67 milhões de toneladas de carne suína. A previsão é chegar a 2, 79 milhões de toneladas neste ano. Já para 2006, a projeção são 2,98 milhões de toneladas", revela ao CR o produtor e ex-presidente da Associação Brasileira Criadores de Suínos (ABCS), José Adão Braun. "A exportação pode equilibrar oferta e demanda", opina o presidente da Associação dos Criadores de Suínos do RS (Acurs), Valdecir Folador.

Segundo as entidades, para a produção crescer mais, o setor precisa acessar novos mercados. Caso contrário, poderá haver depressão de preços e remuneração inadequada ao criador.

Foco de 20% da atual produção nacional de suínos, o mercado externo ainda tem espaço para crescer. "O problema são as normas e as barreiras que esses compradores impõem", afirma Folador. Por isso, o setor desenvolve ações conjuntas como o rastreamento dos criatórios – ferramenta para provar que o setor tem controle sanitário e para identificar a localização, o sistema de produção e a quantidade de animais alojados.

Campanha – Para tentar reverter os números, a ABCS está preparando uma campanha de divulgação das qualidades da carne de porco no país. Segundo a ABCS, o consumo de carne suína não acompanhou o ritmo das demais carnes. Enquanto o consumo interno de carne de porco cresceu 10% nas últimas três décadas, o das carnes de frangos e bovinos aumentou 26%.

O brasileiro come 12 quilos de carne suína por ano. "O ideal seria um consumo per capita acima de 20 kg/pessoa/ano", declara José Adão Braun. Cada gaúcho come, em média, 22 quilos de carne suína anualmente. Já na União Européia, o consumo per capita é de 70 quilos.

 

Vila Maria comemora dia do porco em agosto

 

O secretário estadual da Agricultura, Odacir Klein, e o presidente da Associação de Criadores de Suínos do RS (Acsurs), Valdecir Folador, farão a abertura do Encontro de Suinocultores e o 32º Dia do Porco, que ocorre no dia 12 de agosto, em Vila Maria (RS). A promoção é da Acsurs, Emater, Prefeitura e Associação de Suinocultores do município.

As palestras técnicas vão abordar a produção de grãos e as perspectivas da suinocultura gaúcha e brasileira. O evento será realizado no ginásio de esportes do município e pretende integrar os produtores para promover e fortalecer a atividade. Informações ( 54) 359 1101.

 

Pesquisa indica irrigação de milho

RS tem três mil hectares irrigados. Pode chegar a 600 mil hectares

 

Selecionar cultivares mais adaptados para cada região do Estado, usar variedades resistentes à deficiência hídrica e que apresentem melhores respostas a adubação nitrogenada, avaliar a melhor época de plantio e a irrigação são algumas das indicações técnicas apontadas durante as reuniões técnicas do Milho e do Sorgo, encerradas na quinta, 14.

A irrigação tem que ser encarada como um investimento nas lavouras de milho, assim como em outras culturas. "O produtor gasta cerca de R$ 200 na compra de milho híbrido simples com um material genético de alto potencial, investe na correção do solo, na compra de equipamentos, controle de pragas e moléstias, e a água fica de lado, contando apenas com o que vem naturalmente", diz o agrometeorologista da Fepagro, Ronaldo Matzenauer.

Alerta - O pesquisador aponta também para a necessidade de se encarar a água como um insumo de produção, pois mesmo em época sem estiagem, a quantidade de chuva considerada normal no verão não é suficiente para suprir o atual consumo da cultura.

Os pesquisadores alertam para a necessidade de uso mais racional da água nas propriedades, citando a possibilidade de armazenagem. Indicam alternativas como escalonamento da época de semeadura, a necessidade de atualização do zoneamento agrícola e o desenvolvimento de cultivares mais tolerantes.

No Rio Grande do Sul, há 3.000 hectares produzindo milho irrigado em sistemas de rotação de culturas. "Há mais de dez anos já se falava em utilizar irrigação na cultura do milho, mas ainda precisamos conscientizar produtores e técnicos", observa o engenheiro agrônomo do Irga, Luiz Valente.

 

Produtor de Paraíso do Sul irriga 2,7 mil ha

 

O Rio Grande do Sul tem a possibilidade de irrigar aproximadamente 600 mil de hectares destinados para as lavouras de milho. "Para viabilizar a utilização desse sistema é necessária uma mobilização de toda a cadeia produtiva, principalmente para criar linhas de crédito específicas para irrigação", avalia Eniltur Viola, agrônomo da Emater/RS-Ascar.

Como exemplo de produção bem-sucedida em pequena propriedade, a reunião apresentou o testemunho do produtor Erno Müller, de Paraíso do Sul, que cultiva milho irrigado numa área de 2.700 hectares. Nessa lavoura, o produtor colhe em média 7.535 quilos por hectare, com um custo de produção de R$ 1.472,66; valor correspondente a 70 sacos do grão.

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

Imbés ou filodendros

Em atenção ao pedido de Edemar Bregolin, da Linha Sebastopol, Vila Cristina, Caxias do Sul, completo nesta edição as informações sobre os filodendros.

 

O material recebido para exame e identificação: duas grandes folhas e uma rodela de tronco aéreo com doze centímetros de diâmetro e seis centímetros de altura, é de plantas conhecidas como imbés ou filodendros, pertencentes ao gênero Philodendron. Esse gênero da família das aráceas é o que apresenta o maior número de espécies, muitas das quais originárias do Brasil.

A identificação da espécie leva em conta o formato das folhas, sua cor, posição, nervuras, particularidades marcantes da planta e principalmente detalhes das inflorescências (espádice), suas flores e brácteas que envolvem as inflorescências (espatas).

Existem mais de duzentas espécies descritas e classificadas de filodendros. Pelas folhas remetidas não é possível identificar a espécie, pois as folhas, sendo muito semelhantes, na cor verde brilhante, coriáceas, principalmente no formato, diferem quanto às nervuras, que são brancas na folha maior, e vermelho-roxas, na menor.

O segmento do caule apresenta uma epiderme de natureza suberosa com películas de aparência foliar e cicatrizes das folhas antigas. A parte interna é branca, carnosa, úmida, atravessada por numerosa vascularização que transporta um suco resinoso e que se apresenta escurecido, provavelmente pelo contato com o ar atmosférico. Este suco é extremamente cáustico e certamente, embora em pequena quantidade, foi o responsável pela queimação na mucosa da boca e da garganta, de sua inesquecível experiência.

O líquido cáustico é considerado uma defesa natural da planta contra a voracidade dos herbívoros que, por instinto, a evitam.

Nesta região serrana encontram-se diversas espécies de imbé aclimatadas e vegetando plenamente. A espécie de imbé nativa do Rio Grande do Sul é a Philodendron Selloum, segundo renomados botânicos gaúchos como Alarich Schultz, da PUC de Porto Alegre e da UFRGS, e Aluyzio Sehnem da Unisinos (ambos já falecidos).

Mas esta não deve ser a espécie de nenhuma das folhas remetidas, pois as folhas da Philodendron Selloum, cordiforme-sagitadas, embora grandes, são profundamente fendidas. É espécie ornamental e produtora de frutos comestíveis.

Uma espécie brasileira muito freqüente na região, é a Philodendron Bipinatifolium, também conhecida como banana-imbé, banana de macaco e guaimbé. É planta de até dois metros de altura, de caule grosso, produtor de raízes adventíceas e de grandes folhas cordiformes, inteiras quando novas, e bi-recortadas quando adultas. Apesar de ter em suas raízes, caules e pecíolos o látex cáustico, produzem igualmente frutos comestíveis. As bagas numerosas, presas ao espádice, assemelham-se a uma espiga de milho.

Muitas outras espécies de filodendros, por serem plantas de grande valor ornamental, têm larga aplicação na floricultura, tanto em jardins e praças, como no interior das casas.

Nas propriedades rurais não devem ser destruídas, pois enfeitam a paisagem e se propagam, de preferência, por estacas ou mudas de brotações laterais.

 

Marcha garante liberação de créditos

Manifesto recordou o Dia Estadual da Juventude Rural

 

Cerca de 850 jovens agricultores participaram na sexta-feira 15 da 1ª Marcha da Juventude Rural, realizada em Porto Alegre. O evento, comemorativo ao Dia Estadual da Juventude Rural, promoveu atos públicos na capital e encerrou com uma manifestação diante do Palácio Piratini.

Um dos pontos positivos da marcha foi a garantia, dada pelo delegado do Desenvolvimento Agrário no RS, Nilton De Bem, de que nesta semana chegam aos bancos um total de R$ 8,9 milhões para contratação de 189 projetos individuais e cinco coletivos em 59 municípios do Rio Grande do Sul.

De Bem também adiantou que nesta semana uma normativa do Conselho Monetário Nacional desbloqueará os R$ 5 milhões destinados ao Pronaf Jovem ainda na safra 2004-2005. O movimento garantiu ainda ampliação do acesso ao crédito e obteve a elevação de 28 para 32 anos a idade limite de 30% dos componentes do grupo que tomarem financiamentos.

 

SAÚDE

Chás laxantes causam lesões no intestino

Plantas usadas contra a prisão de ventre, apesar de naturais, não são inofensivas

 

A constipação intestinal, conhecida popularmente como prisão de ventre, atinge 20% dos brasileiros e é a segunda queixa mais freqüente no consultório do gastroenterologista. As principais vítimas são as mulheres. Uma prática comum, porém perigosa, entre os que enfrentam esse problema é o uso indiscrimado de chás laxantes. Apesar de serem consideradas "naturais", as plantas nem sempre são inofensivas.

O abuso na utilização de substâncias laxantes pode causar doenças intestinais, conforme apontou estudo realizado pelo Departamento de Cirurgia Coloretal da Cleveland Clinic Florida, nos Estados Unidos. Segundo os pesquisadores, 40% dos pacientes que fizeram uso de laxantes irritantes com freqüência igual ou superior a três vezes por semana, por mais de um ano, tiveram lesões na anatomia intestinal, reveladas por exame de raio x contrastado.

O médico Flávio Quilici, professor de Gastroenterologia da Faculdade de Medicina da PUC Campinas, explica que a substância liberada pelas plantas utilizadas no preparo dos chás, entre eles o de sene, o de cáscara sagrada e o de extrato de ruibarbo, irrita as terminações nervosas da mucosa intestinal, provocando sua lesão a longo prazo. "O uso prolongado pode danificar a sensibilidade da parede do intestino, agravando ainda mais o problema", explica. "A perda dessa sensibilidade faz com que o usuário tenha a sensação de que o laxante perdeu o efeito, o que o leva a usar quantidades cada vez maiores dos chás", afirma ele. Segundo o médico, a necessidade de aumentar a dosagem é um alerta, um sinal de que os mecanismos do órgão envolvidos na movimentação intestinal estão sendo comprometidos.

Além da lesão intestinal, o uso contínuo desses chás tende a agravar a prisão de ventre, requerendo quantidades maiores em períodos cada vez mais curtos. Ao usar altas doses em curtos períodos, o consumidor se expõe a problemas ainda mais sérios, como o desequilíbrio da concentração de alguns minerais, como sódio e potássio, ou eventualmente desidratação. O uso de laxantes pode ser necessário em uma fase transitória do tratamento da constipação intestinal, mas deve ser feito sempre com acompanhamento médico.

 

Projeto estimula hábitos saudáveis

 

Anualmente, mais de 40% das mortes registradas no Brasil ocorrem por causa das chamadas doenças não transmissíveis, como infarto, derrame, câncer e diabetes. Essas enfermidades custam ao país cerca de R$ 11 bilhões por ano em consultas, internações e cirurgias . A maioria dessas doenças pode ser evitada com mudança de hábitos.

O Ministério da Saúde lançou o Projeto Brasil Saudável, cujo objetivo é estimular a população a adotar modos de vida diferentes, com ênfase na atividade física, na reeducação alimentar e no controle do tabagismo. O projeto envolve desde campanhas publicitárias de combate ao tabagismo e de incentivo à boa dieta até a implantação de mais de 230 núcleos para a prática gratuita de atividades físicas em todas as capitais do país até 2006.

Somente o diabetes atinge 11% da população com 40 anos ou mais. As doenças cardiovasculares representam cerca de 45% do total geral de mortes.

Dados de uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde em 16 capitais, em 2003, demonstram que, em média, 40% da população adulta são sedentários. O mesmo estudo observou que a prevalência de excesso de peso é superior a 40% na população.

 

Dieta pobre em fibras é principal causa da constipação

 

É errado pensar que a evacuação deve ocorrer diariamente para ser considerada normal. O organismo de cada pessoa tem um ritmo próprio e a freqüência da evacuação pode variar de um indivíduo para outro. A constipação intestinal caracteriza-se quando se evacua menos que três vezes por semana, quando se tem dificuldade, esforço ou dor, fezes endurecidas ou sensação de evacuação incompleta.

A prisão de ventre é um sintoma de que algo está errado. Pode ser uma doença primária ou conseqüência de outros males, como hipotireoidismo, diabetes, distúrbio no metabolismo de cálcio, hérnias internas, câncer. "Hábitos intestinais que mudam na idade adulta devem ser investigados", aconselha o médico Arnaldo Ganc, gastroenterologista do hospital Albert Einstein, em São Paulo. O uso de certos medicamentos, como antidepressivos, também pode levar à constipação. Mas dieta alimentar pobre em fibras e líquidos e fatores psicológicos são as principais causas.

De acordo com o médico Flávio Quilici, uma dieta rica em fibras (25 a 30 gramas/dia) é o primeiro passo para evitar a prisão de ventre. Além das fibras, encontradas em frutas como mamão, laranja, ameixa e melão, verduras e cereais, a ingestão de líquidos também aumenta o volume das fezes e as torna mais pastosas, facilitando sua eliminação. Ele recomenda ainda de oito a 12 copos por dia. Água, sucos naturais e água de côco são boas opções, enquanto refrigerantes e bebidas gasosas devem ser evitados, por acarretar a produção de gases.

A mudança de estilo de vida também é importante para ajudar a resolver a constipação ou preveni-la. A prática de exercícios ajuda no funcionamento intestinal. "Se o paciente não consegue evacuar sem usar laxantes, deve procurar um médico", finaliza o especialista.

 

Vontade do organismo precisa ser respeitada

 

É um erro não respeitar a vontade natural de evacuar. Conforme Flávio Steinwurz, diretor do departamento de Gastroenterologia da Associação Paulista de Medicina, as fezes, quando retidas, ressecam, o que dificulta sua eliminação. Por isso, além da ingestão de fibras em quantidade equilibrada, a principal recomendação médica é respeitar a vontade de ir ao banheiro.

Não evacuar quando o corpo pede inibe o reflexo natural enviado pelo cérebro. Quando isto acontece diversas vezes, este reflexo involuntário desaparece e surge a dificuldade constante em evacuar. Quando isso ocorre, não adianta nem ingerir fibras. O mais importante é tentar resgatar esses reflexos.

 

País supera meta de vacinação de idosos

 

A Campanha Nacional de Vacinação do Idoso imunizou este ano 83,93% das pessoas com mais de 60 anos no país. O número corresponde a 13.076.743 pessoas. O resultado ultrapassa a meta de vacinar 70% dos idosos, recomendada pela Organização Mundial de Saúde.

A região Norte alcançou o maior percentual de idosos vacinados; 92,09%. A região Centro-Oeste atingiu 90,79%; a Nordeste, 86,31%; a Sul, 83,06%; e a Sudeste, 81,12%. Entre os Estados, o Pará teve o maior índice, com 97,2% dos idosos imunizados, o que corresponde a 397.266 vacinados.

Estudos indicam que a vacina contra a gripe reduz em até 50% a mortalidade entre a população com mais de 60 anos e diminui em 19% o risco de hospitalização por doenças cardíacas.

 

Cientistas chineses testam uma nova droga contra a aids

 

Uma equipe de cientistas chineses iniciou recentemente os testes clínicos de uma vacina contra a aids. "Normalmente, o vírus invade o corpo humano fundindo a membrana das células", explicou Gao Fu, da Academia China de Ciências, em um fórum sobre remédios para a aids em Pequim. A vacina se concentra nas proteínas que fundem a membrana e evita que o vírus ataque as células. Os pacientes injetariam a droga diariamente.

O remédio pertence a um novo tipo de drogas que inibe a fusão do HIV, cujo modelo pioneiro foi o T20 americano, registrado em 2003. Segundo os chineses, a nova vacina, que poderia estar no mercado no fim de 2006, teria um preço bem mais baixo que o T20, que pode chegar a US$ 20 mil por ano.

O HIV afeta atualmente 840 mil pessoas na China, segundo dados oficiais. No entanto, acredita-se que estes números podem ser ainda maiores, já que durante décadas a China ignorou a doença, apontada como "mal dos estrangeiros".

 

ESPECIAL

Agricultor, o artista que cultiva a terra

28 de julho é o Dia do Agricultor e Produtor Rural; 25 de julho, Dia do Colono

 

Em algum momento da evolução humana, o homem descobriu que podia tirar da terra o seu alimento. Desde o século XIX, foram estabelecidas fases de evolução: na primeira fase, o homem foi selvagem; na segunda, nômade e domesticador; na terceira, agricultor; e somente na quarta começa a civilização. O Brasil definiu o Dia do Agricultor no Decreto Nº 48.630, de 27 de julho de 1960, escolhendo 28 de julho como o dia dedicado a esse profissional.

Estudos arqueológicos e históricos mostram que ao mesmo tempo, em várias partes do mundo, o homem passou a mexer na terra com o objetivo de se alimentar, que é o que se conhece hoje como agricultura: uma arte, a arte de cultivar a terra.

A agricultura como é feita hoje, a chamada agricultura convencional, se baseia num conjunto de técnicas produtivas que surgiram em meados do século XIX, conhecida como a segunda revolução agrícola. Expandiu-se após as grandes guerras. Esse modelo de agricultura industrial, envolvendo uso intensivo de produtos químicos e grande especialização, tem predominado na produção de alimentos no mundo.

Colono - O Dia do Colono foi estabelecido pela Lei Nº 5.496, de 5 de setembro de 1968. É comemorado no dia 25 de julho, junto com o motorista. Essa data também é conhecida como o Dia do Produtor Rural.

A data recorda o desembarque, às margens do rio dos Sinos, dos primeiros imigrantes alemães que chegaram ao Rio Grande do Sul em 25 de julho de 1824.

Colono era o trabalhador rural estrangeiro que veio para o Brasil logo após o período da escravidão, no fim do século XIX, início do século XX, para substituir os escravos nas lavouras. Eles trabalhavam em regime de colonato, ou seja, moravam em casas dentro da propriedade, trabalhavam nas lavouras e recebiam em troca uma parte da colheita ou então podiam cultivar para seu próprio sustento em certas partes de terra.

Eram trabalhadores livres e chegavam ao Brasil com o sonho de, com seu trabalho, comprar terras no país. Os imigrantes europeus que chegaram ao Sul do Brasil já vinham como donos de terras, sonho este impensável na Europa de então.

Hoje, no Sul do país, onde a imigração foi mais forte, a palavra ainda é usada para os trabalhadores rurais que tiram da terra seu sustento e para os descendentes dos antigos colonos.

 

São Cristóvão origina o Dia do Motorista

 

O Dia do Motorista é comemorado em 25 de julho porque também é Dia de São Cristóvão, o padroeiro desse profissional. A data foi definida pelo Decreto Nº 63.461, de 21 de outubro de 1968. Atualmente, esse profissional é o responsável pelo transporte de mais de 60% da produção brasileira.

São Cristóvão, padroeiro dos motoristas, significa "aquele que carrega Cristo". Este era o nome de um gigante que queria servir ao mais poderoso de todos os homens. De início, serviu a satanás, mas quando soube que o mais poderoso era Jesus, converteu-se e foi viver na margem de um rio. Lá, carregava pessoas de uma margem à outra.

Certo dia, ao carregar um menino, sentiu que a criança ficava cada vez mais pesada. Então, disse que parecia carregar o mundo nas costas. O menino respondeu dizendo: "Não carregas o mundo, e sim seu criador. Sou Jesus, aquele a quem serves".

Como o trabalho de Cristóvão era transportar os viajantes através dos rios, tornou-se padroeiro dos viajantes. Em épocas mais recentes, encontrou uma nova popularidade como padroeiro dos motoristas.

 

OPINIÃO

Emparedar Lula?

Leonardo Boff

Lula é um obstáculo à volta das elites ao poder. O fato da corrupção, que deve ser investigada e condenada, ofereceu agora a ocasião que faltava para suscitar o velho sonho traiçoeiro das elites

 

Luis Gonzaga de Souza Lima, brilhante cientista político da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, há anos trabalha a hipótese interpretativa segundo a qual nosso país seria melhor entendido historicamente se partíssemos da constatação de que desde seus primórdios foi e continua sendo uma empresa privada multinacional, das mais bem-sucedidas que se tem notícia no Ocidente. Épocas houve em que sua moeda era de longe a mais valorizada do mundo. Pelo fato de ser empresa privada nunca pôde construir realmente uma sociedade organizada nem criar um estado que realizasse um projeto coletivo. Elites portuguesas, espanholas e inglesas articuladas com elites crioulas ocuparam o ensaio de Estado em benefício próprio mantendo entre 50-60% da população escravizada ou empobrecida. Espírito privatista das capitanias hereditárias, do escravagismo, da posse de terras por compra em dinheiro, o assalto organizado aos bens do arremedo de Estado, confusão do público com o privado, o patrimonialismo, os compadrios, a falsificação de documento e a corrupção mais deslavada pertencem à lógica desta empresa. Cada geração lhe deu uma moldagem, mas sua estrutura de base permaneceu inalterada até os dias de hoje. Uma classe política se forma com este tipo de ethos de salteadores. Consideram a república coisa deles. Chegando lá sentem o direito de depredá-la para si. Digamos que houve exceções até para não cometermos um erro metafísico, do mal absoluto e das honrosas exceções.

Qual é o escândalo atual? Que um metalúrgico, um sobrevivente da fome, assentado num vasto movimento social que se opunha sempre a esse descalabro, conseguiu romper a blindagem político-institucional e ser eleito presidente. As classes argentárias nunca o aceitaram, mas tiveram que engoli-lo política e economicamente. Com uma estratégia sutil, avalizada pelos organismos da ordem econômica mundial, conseguiram manter o projeto da macroeconomia a pretexto de evitar o caos sistêmico e de garantir a governabilidade. Mas esta estratégia não tranqüilizou as elites. Suspeitam que os movimentos sociais poderão, num momento crítico, pressionar o governo a mudar as regras do jogo econômico dando centralidade ao social. Há que emparedar Lula, proclamam. Ele é um obstáculo à volta das elites ao poder. É empecilho ao seu enriquecimento perverso. Importa afastá-lo.

O lugar de operário é na fabrica, no eito e na produção, não no governo e na gerência da coisa pública. Trata-se de uma questão de cultura de classe. O fato da corrupção, que deve ser investigada e condenada, ofereceu agora a ocasião que faltava para suscitar o velho sonho traiçoeiro das elites.

Como realizá-lo? Políticos do PFL e do PSDB, geralmente rapagões, sem sentido de responsabilidade pelo país, já aventam um processo de impeachment. A outra estratégia já foi enunciada por um dos ícones da política velhista, carcomida e corrupta, quando disse com todas as letras. "Não queremos o impeachment de Lula, queremos desmoralizá-lo, sangrá-lo e liquidá-lo para que seja envergonhado publicamente e derrotado nas eleições para desaparecer para sempre do cenário político". Estou convencido de que esses políticos manejam velhos esquemas. Agora não será mais assim. O povo saberá, aos milhares, defender sua conquista histórica. Botarão para correr aqueles vendilhões como Jesus o fez no templo de Jerusalém. "Que se vayan, que se vayan todos".

 

Torre de Babel

Frei Betto

Babel não é uma maldição. É uma dádiva, porque limita a ambição humana e revela ser obra de Deus a diversidade de pontos de vista e opiniões. Perigo é aceitar uma única linguagem e ter a pretensão de "penetrar nos céus"

 

A natureza obedece a ciclos repetitivos: estações do ano, fases da Lua, movimento da Terra em torno do Sol etc. Na agricultura, a seqüência inelutável de semear, nascer, brotar, frutificar e morrer. Não por acaso os antigos reforçavam o patriarcalismo associando a mulher à terra na qual o homem "planta" a semente (daí "sêmen") da vida. Ele portava a vida em potencial, como o camponês guarda consigo as sementes. Ela atuava como mero receptáculo, vaso no qual a semente germina.

A dissociação entre ser humano e natureza advém do aparecimento da cidade, surgida por volta de 3500 a.C. Já não são os humanos que se adequam à natureza. A relação se inverte. Os humanos criam para si um espaço, o urbano, separado do rural. E deixam de ser meros mantenedores dos ciclos reprodutivos da natureza, para se tornarem produtores, inventores, artífices.

Rompe-se o equilíbrio ecológico. Os humanos se emancipam, submetem a natureza às suas exigências e projetos. O corte é muito bem simbolizado no episódio da torre de Babel (Gênesis 11, 1-9), jóia literária em menos de dez versículos.

Segundo o autor bíblico, após o Dilúvio "todos se serviam da mesma língua e das mesmas palavras". Não havia diversidade de enfoques e opiniões. O ponto de vista de um, o poderoso, era o de todos. E a atividade agropastoril igualava as pessoas.

O advento das cidades-Estado provoca um movimento migratório do campo para a urbe, representada no relato bíblico pela "terra de Senaar". Ali os humanos decidem "construir uma cidade" - a Babilônia, que significa "porta do deus" - com "tijolo que lhes serve de pedra e o piche de argamassa". (A Babilônia era a capital da Mesopotâmia, atual Iraque).

A revolução tecnológica representada pelo tijolo (insuperado até hoje) imprime aos humanos a consciência de que não estão mais condicionados pela natureza. A relação se inverte. Agora é o ser humano que condiciona a natureza. Transforma-a em artefato, cultura, faz do barro cozido a nova pedra e do piche, a argamassa.

Tais avanços enchem os humanos de orgulho. Não satisfeitos de "construir a cidade", decidem abrir a "porta do deus", ou seja, erguer "uma torre cujo ápice penetre nos céus". Aqui o relato expressa duas ambições, a de edificar uma montanha artificial (a torre), repositório da divindade, e a de "penetrar nos céus", quebrar o limite entre o humano e o divino, o profano e o sagrado, a Terra e o Céu. Já não é a divindade que desce à Terra, é o ser humano que invade o Céu graças à obra de suas mãos.

Toda essa sabedoria explica a arrogância decorrente, ainda hoje, de avanços científicos e tecnológicos. Queremos ser deuses. E agora, como nunca, ansiamos pela imortalidade, como Gilgamés, a primeira figura urbana da história, rei da cidade-Estado de Uruk, na Mesopotâmia, no terceiro milênio a.C. Fortunas são consumidas neste sonho: resfriamento de embriões e cadáveres, clonagem, cirurgia plástica, terapias de rejuvenescimento, drágeas em quantidade, exercícios físicos, dietas para todos os gostos, equipamentos miraculosos, livros de auto-ajuda etc. Tudo para nos livrar da velhice e permitir que desfrutemos, para sempre, de uma vida saudável... Morrer tornou-se acidente de percurso.

O versículo 4 registra as propostas de construção da cidade e da torre, e destaca o principal motivo de tal empreitada: "Para ficarmos famosos e não nos dispersarmos pela face da Terra". Não se tratava de obter felicidade, bem-estar, bênçãos divinas. Importava a fama, possuir um nome sobreposto aos demais, e ficar segregado, seguro.

A fama nem sempre traz felicidade e a segurança, liberdade. Quanto mais famosa a pessoa, maiores os cuidados de segurança para evitar assédio e risco. Pelo fato de atrair dinheiro e poder, a fama é uma das mais sedutoras tentações. Pode-se obtê-la também pela via do poder, mas nem sempre através da riqueza, exceto se houver ostentação.

Babel é semantema de Babilônia. Deriva da raiz hebraica "bil", que significa "confundir". Narra o texto bíblico que Javé, ao observar Babel, convenceu-se de que os humanos se fechavam em seus próprios e ambiciosos projetos, deixando de acolher os desígnios divinos. "Isso é o começo de suas iniciativas!" - disse o Senhor. "Agora nenhum projeto será irrealizável para eles".

Antes que a soberba humana inflasse ainda mais, Javé confundiu a linguagem dos habitantes de Babel e os dispersou. "Eles cessaram de construir a cidade". Portanto, Babel não é uma maldição. É uma dádiva. Primeiro, porque delimita a ambição humana. Depois, revela ser obra de Deus a diversidade de pontos de vista e opiniões, contrária à identificação entre autoridade e verdade, e à unanimidade que, como dizia Nelson Rodrigues, "é burra".

Essa "confusão" ou Babel é salutar. Perigoso é aceitar uma única linguagem e ter a pretensão de "penetrar nos céus". Babel é bendita. A torre não.

 

NACIONAL

Brasileiro decide no dia 23 de outubro sobre venda de armas

Campanha inicia em 1º de agosto e propaganda, dia 23 de setembro

 

A população deve decidir no dia 23 de outubro sobre a comercialização de armas de fogo e munição no país. A consulta popular será feita por meio de voto em urnas eletrônicas em todo o país e a população terá que responder à pergunta: "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?"

O clima da escolha, no entanto, começa bem antes. Em 1º de agosto, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passa a divulgar uma campanha institucional do referendo. No dia 23 de setembro inicia a propaganda que tem por objetivo esclarecer o brasileiro. Duas frentes formadas por parlamentares, que poderão ter a participação também de sociedades civis, ocuparão o rádio e a TV para divulgar opiniões a favor e contra a comercialização de armas. A propaganda, que terá espaços de tempo iguais para os dois lados, vai até 20 de outubro.

"A população vai decidir em que país quer viver. Se é um Brasil com tolerância, respeito às diferenças, que combate a violência contra a mulheres, crianças... O referendo vai propiciar este debate", opinou o secretário especial de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, dias antes de deixar o cargo, na terça 12. "Temos certeza de que a população vai dizer não ao comércio de armas. A população quer segurança, busca a paz e a paz é incompatível com a arma", disse Valéria Velasco, do Comitê Nacional de Vítimas de Violência (Convive).

"O Estatuto do Desarmamento tira as armas daquelas pessoas que vão matar por casualidade. Como o homicídio passional, o homicídio no campo de futebol, da briga de trânsito, e entre marido e mulher", afirmou o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. "Mas o combate à criminalidade não é só isso. O combate à criminalidade impõe um trabalho da Polícia Federal, uma agilidade maior do Poder Judiciário, medidas que já estão sendo tomadas", acrescentou.

O calendário da consulta, divulgado na semana passada, estabelece ainda como último dia para o eleitor pedir inscrição ou transferência de domicílio 23 de julho. A votação será em 23 de outubro, das 8 às 17 horas, e o último prazo para o TSE anunciar o resultado é 31 de outubro.

 

Armas de fogo provocam a morte de mais de 100 pessoas por dia no país

 

Em média, a cada dia 104 pessoas são assassinadas no Brasil por armas de fogo. Esse número equivale a 4,33 vítimas fatais por hora ou a duas vezes o número de mortes oficiais (até quinta 13) dos recentes atentados terroristas em Londres. Entre 1979 e 2003, 550 mil pessoas foram vítimas de armas de fogo no país. Dessas, 206 mil tinham de 15 a 24 anos de idade. Esses dados foram apurados por pesquisa feita pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

O número de mortes por armas de fogo registradas no país nos últimos 10 anos - em média 32,5 mil por ano - superou o número de vítimas de 26 conflitos armados no mundo, entre eles a Guerra do Golfo e a disputa territorial entre Israel e Palestina. O estudo da Unesco concluiu que em 24 anos as vítimas de armas de fogo cresceram 461,8%, enquanto a população aumentou apenas 51,8%.

Segundo a pesquisa, em 1979, as mortes por armas de fogo representavam 1% do total de óbitos do país. No ano de 2003, as armas já eram responsáveis por 3,9% do total de mortes. O uso de armas de fogo foi maior nos homicídios, que registraram crescimento de 542,7% no período da pesquisa. Os suicídios por armas de fogo cresceram 75% e as mortes causadas por acidentes com armas de fogo caíram 16,1%.

Do total de mortos por armas de fogo entre 1979 e 2003, 205.722, ou 44,1% foram jovens entre 15 e 24 anos. Nessa faixa etária, a mortalidade por armas de fogo passou de 7,9%, em 1979, para 34,4% em 2003, o que, segundo o estudo, significa que um em cada três jovens que morrem no país é ferido por bala.

As armas de fogo também aparecem na pesquisa como a terceira causa de morte entre os brasileiros, atrás somente das doenças do coração e das doenças cerebrovasculares. Entre os jovens, contudo, as armas de fogo aparecem na pesquisa como a principal causa de mortalidade. Em seguida, vêm as mortes no trânsito.

 

Mais três meses para aderir ao desarmamento

 

O dia 23 de outubro também é a data em que encerra a Campanha do Desarmamento. Inicialmente prevista para durar até junho, foi prorrogada através de Medida Provisória devido ao grande volume de armas de fogo arrecadadas. Até o mês passado, haviam sido entregues voluntariamente 342.303 armas - a indenização por arma apresentada varia de R$ 100 a R$ 300.

O Brasil está seguindo uma tendência mundial de controlar a circulação de armas de fogo. A Austrália, referência no combate à violência, recolheu mais de 640 mil armas durante campanha semelhante de desarmamento. Países com legislações mais rígidas no controle de armas contabilizam um menor número de homicídios. Na Inglaterra e no Japão, onde a lei proíbe o porte, morrem menos de 70 pessoas por ano por esse motivo. Falta no Brasil, porém, fiscalização mais eficaz no combate principalmente ao contrabando de armas.

 

ESPECIAL

OS RISCOS QUE CERCAM A PISTA

Além da imprudência de motoristas, mais de 50% das rodovias estão em condições precárias

 

O trânsito brasileiro registra um acidente a cada 31 segundos, uma morte a cada 11 minutos, um atropelamento a cada sete minutos. No total, são cerca de 50 mil mortes por ano, sendo 30 mil no local e outras 20 mil nas primeiras 24 horas. Em torno de 70% dos acidentes com mortes estão associados ao consumo de álcool (incluindo pedestres), percentual que sobe ainda mais se forem consideradas drogas ilícitas. Esses dados foram apurados pelo programa PARE, do Ministério dos Transportes. As principais causas estão ligadas ao motorista, a começar pela falta de atenção, excesso de velocidade, ultrapassagem indevida e desobediência à sinalização. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, apenas 3,7% são conseqüência de defeitos mecânicos em veículos e 3,2%, de deficiências nas vias. Mas a julgar pelo estado das estradas e rodovias brasileiras, o quadro poderia ser mais trágico.

A mais completa pesquisa sobre condições da malha rodoviária brasileira, elaborada anualmente pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), revela que, em 2004, 56,1% das rodovias do país estavam com pavimento em estado deficiente, ruim ou péssimo. Em relação à avaliação do estado geral das rodovias, o quadro é mais grave ainda: 74,7% da extensão total pesquisada (74,6 mil quilômetros) apresentaram algum grau de imperfeição (36,4% deficientes, 23,7% ruins, 14,6% péssimos).

Os piores números estão concentrados no Nordeste, região que tem 24,4% de suas estradas em péssimo estado de conservação. São Paulo tem a melhor malha do país, com 59,4% dos trechos classificados como ótimos.

Ainda de acordo com os dados levantados pela CNT, 65,4% das rodovias estão com sinalização inadequada e 39,8% não têm acostamento. Além disto, 24,6% das vias têm placas cobertas pelo mato. Trechos com afundamentos, ondulações ou buracos chegam a 11,1% do total avaliado e em 40,3% da extensão não havia a presença da sinalização de velocidade permitida.

Proporção - O transporte desses índices para o total de rodovias do país faz o motorista pensar duas vezes antes de viajar. Levantamento do Geipot encontrou, em 2000, 1.724.940 km de estradas no Brasil, menos de 10% pavimentadas. Fazendo a proporção apenas com as vias asfaltadas, em torno de 170 mil km, significa que 111 mil km estão com sinalização inadequada e 67 mil km não possuem acostamento; mais de 40 mil km estão com suas placas cobertas pelo mato, quase 20 mil km apresentam afundamentos, ondulações ou buracos e 68 mil km não têm sinalização de velocidade permitida.

O estudo mostra ainda que as rodovias pedagiadas predominam entre as que estão em melhor estado. Só que isso tem um custo muito elevado para quem depende do transporte como fonte de sustento, no caso específico do caminhoneiro. E mesmo rodovias com pedágio não significam sinônimo de qualidade e segurança. Como o governo federal - e muito menos os estaduais - não tem recursos para recuperar a malha rodoviária sob sua responsabilidade, a precariedade não será eliminada. E estrada perigosa com motorista que não respeita a legislação formam um binômio com força capaz de manter, e até de elevar, os índices de acidentes no trânsito brasileiro.

 

Nome das estradas obedece critério

 

Além de receberem nomes de figuras ilustres da história ou mesmo da região onde estão localizadas, as rodovias são batizadas com letras e números. As estaduais são indicadas pela sigla do Estado onde se localizam, seguida de números. Se for par, ela é uma estrada radial - passa pela capital. Os números mostram a quantos graus ela está de uma linha imaginária norte-sul traçada a partir da capital. Se for ímpar, o número mostra quantos quilômetros a rodovia dista da capital.

As rodovias federais usam a sigla BR, de Brasil. De 010 a 080, indica que ela é radial, partindo de Brasília em direção aos Estados. De 100 a 199, são as rodovias longitudinais, que cruzam o país de norte a sul. De 200 a 299, as transversais, que cortam o Brasil de leste a oeste. De 300 a 399, as diagonais, que passam pelo interior ou pelo litoral. Acima de 400, são rodovias de pequeno porte, que ligam uma estrada a outra.

 

igreja

Superávit no Vaticano

Depois de três anos no vermelho, Santa Sé tem balanço positivo

 

Depois de três anos de resultados deficitários, a Santa Sé fechou o ano de 2004 com balanço econômico ativo. Os resultados foram apresentados à imprensa na segunda-feira 11 pelo presidente da Prefeitura para os Assuntos Econômicos da Santa Sé, cardeal Sergio Sebastiani. Segundo Sebastiani, o balanço econômico consolidado da Santa Sé relativo ao ano 2004 apresentou um superávit de US$ 3.678.313,00 (3.081.820 euros).

No ano passado, a Santa Sé registrou entradas de US$ 245.469.886,00 (205.663.266 euros) e saídas de US$ 241.791.573,00 (202.581.446 euros). No ano anterior, o balanço econômico fechara com um saldo negativo de US$ 11.831.680,00, que segundo o câmbio da moeda do ano passado correspondia a 9.569.456 euros.

Esse balanço se refere apenas aos dicastérios e organismos da Santa Sé, onde trabalham os colaboradores que auxiliam o Papa em seu ministério universal. Na Cúria atuam 2.663 pessoas, das quais 759 são eclesiásticos, 346 religiosos e 1.558 leigos. Há também 1.429 aposentados. O resultado positivo foi favorecido pelas significativas contribuições das dioceses do mundo, que cresceram 8,18% em relação a 2003, alcançando mais de US$ 27,2 milhões.

Estado - Dom Sebastiani também apresentou o balanço econômico 2004 do Estado da Cidade do Vaticano, que gere o território vaticano, com entradas e saídas próprias dessa pequena cidade de 0,44 km2, que incluem desde seu supermercado, farmácia e museus até os serviços de polícia ou do corpo de bombeiros.

Em 2004, também o Estado do Vaticano fechou com um resultado positivo de US$ 6.410.801,00 (5.371.194 euros). No ano anterior havia fechado com um déficit de US$ 10.911.179,00 (8.820.678 euros, segundo o câmbio de 2004). O Estado da Cidade do Vaticano conta com 1.560 dependentes e os aposentados somam 878.

Na sexta-feira 8 o Papa Bento XVI fez uma breve visita ao Conselho dos Cardeais para o Estudo dos Problemas Organizacionais e Econômicos da Santa Sé, do qual participou também o cardeal brasileiro dom Cláudio Hummes, e se informou dos temas tratados. O Papa sublinhou a importância dos bens materiais para o anúncio do evangelho e a necessidade de sua adequada administração para ajudar a Igreja a cumprir com sua missão espiritual.

 

Caem donativos ao Óbolo de São Pedro

 

No ano de 2004, o Óbolo de São Pedro arrecadou US$ 51.710.348,45. Esses recursos foram destinados a intervenções de caridade do Papa em favor das comunidades eclesiais do terceiro mundo e na ajuda aos flagelados pelas guerras ou catástrofes naturais, como o tsunami de 26 de dezembro do ano passado. Em 2004, pela primeira vez nos últimos anos, houve redução nos donativos à caridade do Papa - de 7,4% em relação a 2003, quando foram arrecadados US$ 55.842.854,00.

O Óbolo é a coleta efetuada nas dioceses de todo mundo, sobretudo na solenidade dos santos Pedro e Paulo, contribuições das congregações e instituições religiosas, fundações e ofertas espontâneas dos fiéis. A origem remonta ao século VIII, quando os anglo-saxões se converteram ao cristianismo e como sinal de união com Roma passaram a enviar uma contribuição estável ao Papa.

 

Democracias em crise

Padre Zezinho

Só é democrático um país onde o povo decide e não onde se decide contra o povo, ou mentindo para o povo

 

Registre-se o enfraquecimento das democracias, a começar pelos Estados Unidos, tido até ontem como país modelo de convivência e de tolerância, apesar do acentuado racismo que já viveu. Todos olhavam para eles com santa inveja. Era a Roma e a Meca do bem-estar, da afluência, dos sonhos de progresso e da tolerância. Estavam anos à frente dos outros povos. Onde achavam necessário, seus aviões e tanques colocavam no poder alguém democrático ou a seu favor, nem que não fosse democrático. Seus soldados iam morrer lá fora e defender a democracia lá longe. Os antigos romanos diziam que quem quer a paz deve estar preparado para a guerra. Na verdade, suas legiões iam fazer a guerra nas terras dos outros para que nem eles nem sua guerra chegassem a Roma. Enfraqueciam-nos em seu próprio território. Era a Águia Romana indo brigar fora do seu ninho. A Águia Americana faz o mesmo. Seus soldados morreram e morrem mais fora do que dentro do seu país.

O quadro mudou com a tecnologia que eles mesmos criaram e exportaram. Ameaçados por inimigos altamente camuflados, fanaticamente motivados e sedentos de vingança, inimigos que se armam de aviões, bombas e artefatos, muitos com assinatura americana, sua democracia corre riscos lá dentro porque o inimigo chegou lá. Como toda democracia está cheia de brechas, eles começam a tapá-las. Com isso, fecham portas. Fechando portas tornam-se menos democráticos porque não podem mais confiar nem nos imigrantes nem nos visitantes.

Assistimos ao advento da motivação das massas para o que der e vier, chamada infosfera e preconizada há mais de 30 anos por Alvin Toffler no seu livro A Terceira Onda e por outros autores dos anos 40 e 60 como William Reich e Aldous Huxley. Agora, por livros-denúncia como Stupid White Men de James Moore e outros, o cidadão comum fica informado que até suas águas já não correm de graça sob suas pontes, que também já não lhe pertencem, porque muitos precisam pagar para atravessá-las. Alguém tem que vencer e que sejam os que podem pagar pela vitória!

O que eles dizem é claro e é simples. Há guerras políticas, religiosas e econômicas em curso e vence quem manipula, controla a mídia e, de quebra, alguns religiosos que teimam em pregar diálogo, fraternidade, justiça e paz no mundo. Pessoas que falam e sabem falar são as únicas que podem prejudicar os seus projetos. Na guerra entre as armas e a fala, cale-se a voz e falem as armas.

Naquelas democracias, hoje fragilizadas por falta de confiança, o cidadão comum que, se não pagar seus impostos, vai para a cadeia do Estado, recebe informações mentirosas do mesmo Estado, que o prende se ele mentir. O Estado pode mentir em nome da democracia; o cidadão, não. A guerra contra o Iraque é um desses exemplos. Os EUA mentiram e foram à guerra, contra a opinião da ONU, que representa os países do mundo, contra a opinião de seus cidadãos, contra o querer de seus vizinhos da América do Sul e contra a maioria das religiões e até de Estados amigos.

Não houve nem plebiscito, nem consulta. Simplesmente foram à guerra e usaram da mídia ao invés de usar as urnas! - "Temos que ir lá, fazer guerra lá fora, para que não venham aqui de novo!" Foram, mas os terroristas estão cada dia mais perto... Não há dinheiro que pare um exército de gente disposta a morrer, desde que mate o inimigo. A democracia supõe o poder do povo através das suas leis e dos seus juízes sobre o Estado. Só é democrático um país onde o povo decide e não onde se decide contra o povo, ou mentindo para o povo.

No mundo inteiro as democracias e as ditaduras se aproximam nos seus métodos. Não havendo verdade e transparência não há mais democracia. O mundo caminha para isso! Será governado ou por grupos de enorme poder econômico ou por grupos religiosos e por quem controla a informação e faz o povo crer que não há outro caminho!

Estamos em crise. Ditaduras de cunho religioso, político ou econômico invadiram nossos povos. Feliz o povo que ainda pode colocar no poder um outro grupo que não minta, ou pelo menos que minta menos! Como está, todos corremos perigo. A mentira nunca vem sozinha. Depois dela vêm os bombardeiros e os terroristas e suicidas, todos em nome da sua verdade, que tem que ser a única e que por isso mesmo é como o chantily que cobre o bolo, mas o bolo encobre um explosivo. Dane-se quem o comer!

 

Revelado milagre de João Paulo II

Cura de uma doença rara teria ocorrido no dia da morte do Papa

 

O processo de beatificação e canonização de João Paulo II, aberto no dia 28 de junho, pode conhecer um passo decisivo com a revelação de uma primeira cura inexplicável pela medicina atribuída à intercessão do Pontífice falecido em abril passado. A revista italiana "Famiglia Cristiana", uma das mais prestigiadas publicações católicas, apresenta na edição desta semana um testemunho que, se for confirmado, pode levar João Paulo II aos altares em tempo recorde.

A matéria publicada na Famiglia Cristiana revela a história de uma mulher de 46 anos, afetada pela doença de Quinck, uma rara enfermidade que provoca a progressiva degeneração do sistema respiratório, levando à morte do paciente. A cura teria acontecido no dia 2 de abril, precisamente na hora em que João Paulo II morreu. O próprio arcebispo de Cracóvia, dom Stanislaw Dziwisz, antigo secretário pessoal do Papa polonês, acredita que, caso seja reconhecido o milagre, a beatificação possa ocorrer durante a Jornada Mundial da Juventude, no final de agosto, na cidade de Colônia, Alemanha.

O processo segue, neste momento, sua fase diocesana – na diocese de Roma - e, posteriormente, terá outra fase, na Santa Sé. A diocese romana está recolhendo todos os documentos relativos à vida e obra de João Paulo II, incluindo os escritos inéditos, anteriores à sua eleição como Papa. A esses, acrescentam-se os relatos de eventuais milagres atribuídos à sua intercessão.

Na Congregação para as Causas do Santos, teólogos, médicos e historiadores vão analisar esses dados. As conclusões serão depois submetidas ao exame da "Ordinária" da Congregação, composta por 30 membros, entre cardeais, arcebispos e bispos, e a eles compete aprová-las ou não.

O cardeal português Saraiva Martins, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, expressou votos pessoais para que o processo de beatificação e canonização de João Paulo II "se desenrole o mais rapidamente possível". Mas o cardeal fez questão de deixar claro que o processo seguirá todas as normas canônicas necessárias, apesar da dispensa do tempo de espera de cinco anos após a morte do candidato à beatificação, e escusou-se a prever quanto tempo poderá demorar a causa.

 

Documento combate o avanço da prostituição

 

A prostituição é um fenômeno em aumento no mundo que não só escraviza as mulheres, que são vítimas, mas também seus clientes, afirmam as conclusões de um congresso celebrado no Vaticano no mês de junho. Um documento, publicado no dia 11 de julho, reúne as principais conclusões do 1º Encontro Internacional da Pastoral para a Libertação das Mulheres de Rua, promovido pelo Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e os Itinerantes.

As conclusões são, de forma geral, um plano de ação para que a Igreja, em cada país, faça mais no combate contra a indústria global do tráfico de mulheres para a prostituição, uma ação pastoral considerada "urgente". Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT) existem 12,3 milhões de pessoas atuando no comércio do sexo. Desse total, cerca de 2,4 milhões são vítimas do tráfico, fenômeno que permite aos seus organizadores um lucro anual de US$ 10 bilhões.

No documento, sublinha-se a responsabilidade pastoral da Igreja de promover a dignidade humana dessas pessoas exploradas e, em colaboração com instituições, movimentos leigos, associações e os meios de comunicação, de denunciar e combater esse fenômeno degradante da prostituição.

 

Diferentes saberes

Aldo Colombo

A sabedoria não é obtida apenas por diplomas e livros, mas é a arte de resolver os problemas que a vida apresenta

 

Em um largo rio, de difícil travessia, um barqueiro oferecia seu barco e sua experiência para passar de um lado a outro. Numa dessas viagens, iam um advogado e uma professora. Quem iniciou a conversa foi o advogado. E quis saber se o barqueiro entendia de leis. Ele respondeu que não. A professora entrou na conversa e perguntou se ele, pelo menos, sabia ler e escrever. Mais uma vez, o barqueiro disse que não sabia. Maravilhados diante da ignorância do barqueiro, advogado e professora disseram a ele que a falta desses conhecimentos diminuía grande parte de sua vida. Pelo menos, você perdeu a metade de sua vida! Nisso, um tronco submerso, levado pela correnteza, bateu e virou o barco. Todos caíram na água barrenta. Preocupado, o barqueiro perguntou a eles: vocês sabem nadar? Responderam que não. Então é uma pena, concluiu o barqueiro: vocês perderam toda a vida.

A sabedoria não é obtida apenas por diplomas e livros. A sabedoria é a arte de resolver os problemas que a vida apresenta. O saudoso Paulo Freire costumava dizer: "Não há saber mais ou saber menos. Há diferentes saberes". Naturalmente, a escola abre horizontes e o mundo de hoje é o mundo do saber. Mais que o dinheiro, o saber é o grande patrimônio das empresas. No campo individual, não basta a bondade, mas também se faz necessária a competência. Mais uma vez, a competência não é exclusividade da escola e das universidades. A sabedoria também se adquire na universidade da vida.

Cada pessoa deve acumular toda a sabedoria necessária à sua vida. O agricultor deve saber ler a natureza, as estações, a melhor maneira de produzir sem poluir. Ele não pode ignorar as técnicas modernas. O pescador tem de saber dialogar e compreender o rio ou o mar. A mãe – sem precisar de um curso de Psicologia ou Pedagogia -, deve acumular os conhecimentos necessários para conduzir seu filho no caminho da felicidade. Mesmo sem dominar teorias, pode ser mestra em Bom Senso. E a inteligência se revela também num arranjo de flores ou num prato de comida.

Sabedoria é também respeitar o conhecimento e a experiência dos outros. Uma velha teoria garante que todos nós, em algum ponto, somos superiores aos demais, em outros pontos somos inferiores aos demais e, finalmente, em alguns pontos somos iguais aos demais. E Deus, que é Pai de todos, distribui com abundância seus dons. Ele jamais dá a alguém todos os dons e nunca deixa ninguém sem dons. Isso nos ensina a partilhar. Ninguém pode ser tão auto-suficiente para proclamar: não preciso de ninguém. Todos precisamos uns dos outros.

De resto, o evangelho nos lembra que Deus esconde sua sabedoria aos orgulhosos e a revela aos humildes. São Francisco de Assis se considerava um ignorante, Teresa de Calcutá não ostentava diplomas e o próprio Jesus jamais freqüentou um universidade. Mas eles viveram intensamente suas vidas.

 

Capuchinhos marcados pela diversidade

Frades de sete países constituem vice-província da América Central

 

Uma vice-província multinacional. Essa é apenas uma das características que marcam a vice-província dos capuchinhos da América Central Sul, que abrange Nicarágua, Panamá e Costa Rica. "Atualmente, a vice-província é formada por frades de sete nacionalidades, mas já chegou a 12", explica o vice-provincial, frei Miguel Ijurco Navarro, que esteve recentemente no Rio Grande do Sul, numa visita de cortesia aos capuchinhos gaúchos que durante uma década (1991-2000) enviaram missionários à Nicarágua.

Acompanhado de frei Felix Barba, conselheiro da vice-província e pároco de San Antonio, Panamá, frei Miguel também esteve visitando o Correio Riograndense. Destacou que sua vice-província caminha para tornar-se província. Hoje é formada por 60 frades professos, 11 deles com votos temporários. A vice-província tem também dois bispos - dom Pablo Schmith e dom David Zywies

Na Costa Rica, os capuchinhos atuam há 130 anos e em Cartago está a cúria da vice-província. Atualmente 15 frades trabalham na Costa Rica, que também abriga os filósofos e teólogos das vice-províncias do Sul e da América Central Norte - as duas se dividiram em 2000, mas essas duas etapas de formação permanecem juntas. São 14 filósofos e 10 teólogos, dois dos quais (freis Roberto Fernandez Quant e Gertrudis Castro Gutierrez) atualmente estudam na Estef, em Porto Alegre - o próprio frei Felix Barba cursou Teologia na Estef.

As principais atividades capuchinhas nos três países estão voltadas à pastoral paroquial e às casas de formação da Ordem. Cada país tem realidades distintas, com ideologias, cultura e história diferentes. Na Costa Rica nunca houve guerras; na Nicarágua, os conflitos sempre marcaram a história do país. Hoje, 25 freis da vice-província trabalham na Nicarágua. Na parte atlântica, onde atuaram os capuchinhos gaúchos, a terra é de missão. O restante dos frades da vice-província atua no Panamá.

Frei Miguel, que no período de 1993 a 2000 chegou a ser vice-presidente da Federação de Futebol da Costa Rica, afirma que as dificuldades são muitas, nos três países. A pobreza, principalmente na Nicarágua, é preocupante. As distâncias são enormes e as poucas estradas, mal conservadas. Na época das chuvas, as atividades simplesmente são interrompidas. Aumentam a criminalidade e a violência e a Costa Rica, com uma situação um pouco mais estável, enfrenta problemas com a crescente presença de imigrantes dos países vizinhos.

Apesar e até em razão dessas dificuldades, há um bom nível de vocações à vida capuchinha. "Quando aumenta a pobreza, também cresce o número de vocações. Deus se vale de tudo", diz frei Miguel. O povo é simples e muito religioso.

 

Frei Clovis Angonese celebra 25 anos de vida religiosa

 

No dia 7 de agosto de 2005, em Vila Flores (RS), frei Clovis Angonese celebra 25 anos de vida religiosa capuchinha. A programação inclui missa de ação de graças às 10h15 na igreja matriz de Vila Flores, e almoço de confraternização no salão paroquial.

Filho de Onorino e Lourdes Mazzarollo Angonese, frei Clovis nasceu no dia 12 de abril de 1958 em Veranópolis (RS). Ingressou no seminário de Veranópolis em 1975, onde cursou o segundo grau e fez o postulantado. Em 1979 fez o noviciado em Marau e, no dia 3 de fevereiro de 1980 emitiu os primeiros votos religiosos.

De 1980 a 1983 permaneceu em Marau como coordenador dos trabalhos dos noviços e ecônomo; de 1983 a 1985 atuou no Instituto de Menores de Bagé. A partir de 1985 passou a atuar em Vila Flores, coordenando as atividades da produção vinífera do seminário e trabalhando como ecônomo e administrador da cantina dos Vinhos Frei Fabiano.

 

Semana de liturgia

 

De 17 a 21 de outubro a CNBB promove, em São Paulo, a 19ª Semana de Liturgia. Com o tema "O canto e a música na liturgia", o evento pretende aprofundar a identidade e a função ministerial do canto e da música e impulsionar o processo de formação litúrgico-musical dos agentes de pastoral da Igreja Católica no Brasil.

 

Criar relações

Wilson João

A riqueza de uma pessoa se mede pela capacidade que ela tem de criar relações

 

Cada dia que passa estou me convencendo mais de uma realidade: toda ação humana deve ser ligação. Deve criar relações. É a velha história do Pequeno Príncipe que fala: "amar é criar laços". Dez de nota para ele. Melhor ainda: dez de nota para Jesus Cristo, que resumiu a vida e a ação humana num único mandamento: amai-vos. Quer dizer: "criai relações".

TRABALHAR É CRIAR RELAÇÕES. Patrão e empregado. Trabalhadores entre si. Sentido da produção: "para quem estou fazendo isso?" Relação com a natureza que é tudo o que minha mão toca e transforma. Que beleza o mundo do trabalho criando relações! Torna-se a solução para a eliminação do trabalho escravo e explorador da força humana.

SER FAMÍLIA É CRIAR RELAÇÕES. Pai, mãe e filhos entrelaçados. Quanta solidão a dois que existe! Qual o sentido de ficar juntos? Curtir a solidão a dois? Parece que dois não somam. Um mais um não dá em nada se não for para criar um três. Homens e mulheres se procuram, se curtem, se buscam e se deixam porque continuam somente em dois. Não criam relações. Não saem de si. Por isso se deixam para tentar novas relações que outra vez vão dar em nada. Família é para criar relações que produzem. Que sejam eficazes.

SER IGREJA É SER RELAÇÃO. A maioria das Igrejas está fora do mandamento central de Deus e de toda religião. Não há religião sem criar laços, sem relações, sem caridade. As Igrejas eletrônicas, que muitos se encantam em ver em programas de televisão, são escolas de egoísmo: "Eu e meu Jesus, que me cura, me dá emprego, me dá paz..." e os outros que se danem. O critério de ser e de escolher a vida de fé em uma Igreja é o "amai-vos... ajudai-vos... acolhei-vos... chorai com quem chora... vivei em paz... vivei a justiça..." Fora disso é tudo exploração de mercado, dos sentimentos e da miséria humana.

SER SOCIEDADE É SER RELAÇÕES. Ninguém é ilha. Todos nascemos para viver o princípio da co-responsabilidade. Tudo é de todos. Quem se isola na sociedade e não cria relações com vizinhos, organizações, parentes e companheiros de trabalho e de lazer, é um espaço vazio. É um elo quebrado na corrente da evolução da humanidade. A riqueza de uma pessoa se mede pela sua capacidade de criar relações. A miséria e a pobreza de uma pessoa se medem pela sua incapacidade de relacionar-se. É a solidão. É a morte em vida. É a inutilidade do existir. É a autodestruição.

DEUS É CRIAÇÃO DE RELAÇÕES. É Trindade. É Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Relações perfeitas que formam a unidade no amor. Que é amor. Deus é relação que cria a harmonia deste universo. Deus é relação em cada criatura que forma elos familiares, e muito mais, em cada pessoa humana, feita à sua imagem e semelhança.

 

Irmãs Pastorinhas elegem novo governo geral da congregação

Religiosa natural de Fagundes Varelaintegra o conselho

 

As Irmãs de Jesus Bom Pastor – Pastorinhas, estão reunidas desde o dia 29 de junho, em Roma, no 7º Capítulo Geral da congregação, que encerra nesta quarta, 20 de julho. Motivadas pelo tema "Conduzir às fontes da vida", além de tratarem sobre a missão, o carisma e as atividades da congregação, as 34 delegadas presentes ao capítulo elegeram o novo governo geral para o sexênio 2006/2011.

A italiana Marta Finotelli, 49 anos de idade e 27 de profissão religiosa, foi eleita superiora geral. Ela vai substituir Giuseppina Albeghina, também italiana, superiora geral nos últimos 12 anos. Como conselheiras, foram eleitas as irmãs Albina Bosio (gaúcha), Arsênia Estrada (Filipinas), Luz Mary Oliveros (Colômbia) e Cesarina Pisanelli (Itália).

Albina Bosio, 64 anos, é natural de Fagundes Varela. Desde 2001 atua como provincial da Província de Caxias do Sul, sendo reeleita em janeiro de 2005. A congregação faz parte da grande família Paulina. Foi fundada na Itália pelo bem-aventurado Tiago Alberione em 1938. Conta com cinco províncias – duas no Brasil (Caxias do Sul e São Paulo), duas na Itália e uma nas Filipinas, além de cinco circunscrições.

Acolhida - Apesar de contar com menos de 70 anos, as irmãs pastorinhas já somam quase 600 religiosas. Atuam em 18 países, principalmente nas pastorais sociais, na organização e formação das comunidades, no fortalecimento das lideranças, no serviço da acolhida, sempre movidas pelo "jeito de Jesus Bom Pastor". A congregação chegou ao Brasil em 1946 e na diocese de Caxias do Sul em 1952 - estabeleceram-se em São Pedro da Terceira Légua. Hoje a província gaúcha conta com 70 religiosas, três das quais atuam na cidade de Payssandu, no Uruguai.

 

Religiosas gaúchas preparam capítulo

 

As Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora Aparecida estão preparando o 22º Capítulo Geral Ordinário, que será realizado em Porto Alegre (RS) entre os dias 26 e 30 de outubro de 2005. O ano capitular vem sendo assumido de forma participativa em todas as Betânias, envolvendo irmãs e formandas, no empenho de aprofundar a espiritualidade própria da família Aparecida, iluminadas pelo lema "Em comunhão, comprometidas com o Reino".

A congregação foi fundada na capital gaúcha em 1928 por Madre Clara de Azevedo e Souza e pelo capuchinho frei Pacífico de Bellevaux. As irmãs seguem a espiritualidade franciscana. Identificam-se pela simplicidade, acessibilidade, alegria e pobreza franciscana, sendo mensageiras da paz e do bem. A missão contida nesse modo de viver se volta para as pessoas mais abandonadas, as que não têm voz e vez na sociedade.

As religiosas da congregação marcam presença no Brasil, na Bolívia e na África Ocidental, atuando em paróquias, escolas, hospitais e em áreas de missão. São cerca de 130 irmãs, além de 13 postulantes e 9 noviças. Irmã Nívia Civiero é a atual superiora geral. Está no seu segundo mandato.

 

Movimento pela família completa 50 anos

 

No dia 19 de julho de 1955 chegava ao Brasil o Movimento Familiar Cristão (MFC), uma iniciativa surgida na Argentina em 1948 em favor da instituição familiar e da vivência plena do sacramento do matrimônio. Voltado mais para o espírito cristão, não demorou para que o MFC se abrisse também aos desafios da realidade social. Deu-se conta que não poderia visar somente o fortalecimento das famílias, mas deveria empenhar-se para que todas as famílias fossem agentes de transformação social e ativas construtoras do Reino de Deus.

Em 1962, o MFC criou o serviço de preparação ao casamento e, em Porto Alegre (RS), promoveu o primeiro curso de noivos do Brasil, iniciativas que o movimento presta até hoje em todo o país. O MFC defende a necessidade de investir na família para que não perca suas bases mais sólidas e para que continue sendo referência da pessoa.

 

Diocese de Passo Fundo tem programa na TV

 

Desde o dia 25 de junho, a diocese de Passo Fundo assumiu um programa de cinco minutos na TV Pampa Norte, canal 13, em Passo Fundo, que vai ao ar todos os sábados, às 12 horas. O programa "Palavra Viva" conta, em seu formato, com um comentário do bispo dom Ercílio Simon e notícias sobre as principais atividades da Igreja Católica na região.

A produção do programa é feita pela equipe de comunicação do Centro Diocesano de Pastoral em parceria com a agência MDA Comunicação.

A TV Pampa Norte distribui seu sinal em 20 municípios da região com uma população estimada de um milhão de habitantes, destaca padre Dalci Debastiani, do setor de comunicação da diocese de Passo Fundo.

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

O judeu que está em mim

Samuel Chwartzmann

Escritor - Porto Alegre (RS)

Samuel Chwartzmann, brasileiro, nascido a 20 de julho de 1914 (está completanto, portanto, 91 anos nesta quarta-feira), filho de Shapsa e Rachel Flieg Chwartzmann, cujos avós Zalman e Shendel vieram da Bessarábia em 1913, para Quatro Irmãos-RS. É autor da obra Memórias de Quatro Irmãos: colonização judaica. Assim se define e define suas origens judaicas:

 

"O sonho de uma vida melhor e de liberdade para trabalhar, progredir e professar a fé foi o principal motivo para que meus avós e outras centenas de pessoas buscassem o Brasil como um porto seguro. E eu nasci nesta nova realidade, seguro entre as demais etnias e crenças.

Fugir da tirania, dos massacres, dos pogroms e dos guetos da Europa levou estas pessoas a abandonar tudo o que tinham, em busca do eldorado.

Estudei na "escola da vida". Meu professor foi a necessidade. Cresci trabalhando como todos os meus patrícios na época. Várias foram as atividades que exerci quando criança. Aprendi, é claro, como gaúcho adotivo, a andar a cavalo, a lidar no campo com os caboclos, mas para andar a pé, me fiz sapateiro e, para festejar com um bom churrasco, ou com um charque sapecado na brasa, fui açougueiro e exerci outras atividades, sempre para ajudar a meu pai que estava implantando o seu Fazer a Mérica dos sonhos da família. Em 1945, fui contratado pela Jewish Colonization Association (ICA), onde fiquei até o encerramento das atividades em Quatro Irmãos.

Tive sempre grandes amigos de todas as ‘fés’ religiosas. Éramos companheiros para todas as atividades: um tiro de laço, uma festa religiosa, um casamento. Judeu, alemão, italiano, polonês, caboclo, todos éramos diferentes, mas, ao mesmo tempo, iguais. Tínhamos as mesmas necessidades e o mesmo sonho: liberdade e felicidade.

Em 1945, casei com Zívia Negelstein, também filha de imigrantes judeus vindos da Polônia, estabelecidos em Quatro Irmãos. Até 1961, moramos em Quatro Irmãos, quando então nos mudamos para Erechim, fazendo o comércio até 1983, quando viemos para Porto Alegre, onde residimos até hoje.

Nunca tive a pretensão de escrever. Quando o Instituto Cultural Mac Chagall começou a coletar informações para seu acervo e fez uma entrevista comigo, depois transformada em documento escrito, acendeu o estopim de minha lanterna de história, vida e recordações.

Não posso dizer que sofri, mas que lutei como os demais imigrantes para ajudar meus pais a realizar seus sonhos (e os meus) como judeus livres e felizes em cultivar a própria fé.

Aqui estou, com 91 anos, e começaria tudo de novo, mesmo se com mais sacrifícios para ajudar a construir esta bela história de nossos avós que nos legaram a autonomia da mesa, da casa, do trabalho e da fé. Gostaria que cada descendente olhasse comigo para suas origens e agradecesse a Deus por um dia também nos ter feito experimentar a liberdade com os irmãos de todas as raças e etnias, neste solo abençoado do Rio Grande do Sul e do Brasil." E-mail: janechu@brturbo.com.br

Bravo, Samuel, você é fruto da liberdade conquistada por seus antepassados. Nossos antepassados italianos e outros vieram em busca do Fazer a América da sobrevivência, enquanto seus antepassados vieram em busca da América da liberdade religiosa. Você e seus antepassados fazem parte daqueles a quem João Paulo II chamou de nossos irmãos mais velhos, que legaram ao mundo a fé no verdadeiro Deus Criador e Pai. (Rovílio Costa)

 

EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (318)

Scumìnsio del longo viaio, a caval dea Pierina

Eduardo Grigolo

Professor, Jundiaí - SP

Come sempre i disea i nostri antenati: "Piano, piano se va a lontano". Con quelo in mente Nanetto el ga ciapà le so robe, ben pareciade su la schena de una mussa de nome Pierina, in omaio a San Piero, parché la ze stata squasi morta dopo bater la testa d’incontro a un sasso. Gera doménega de matina, ben bonora, ancora scuro, vea piovesto la note intiera e no la se vea fermà, ancora. Rovìlio, come el fea tute le doméneghe, la ga ciapada tel potrero, la ga inselà e via per strada, drito a la Cesa Santa Cicìlia a dir messa. Gera drio piover forte, saete e tonedae le lo fea pregar, intanto che la so musseta la ndea avanti, a trotin e a passo largo. Un sasso se ga molà del perao e el ga ciapà giusto la testa de la mussa, assàndola stirada come morta e Rovìlio, a gambe alte, distante quatro o cìnque metri. I due i ga perso i sentimenti. Dopo meda ora un bon samaritano li ga assà, ancora stiradi in meso la strada. Sùbito el ga ciamà aiuto e in pochi menuti Rovìlio ze stà menà al ospedal Santa Marcelina, e la mussa morta la ze stà butada in meso le capoere dea strada. Dopo tre giorni la ghe càpita, par spavento de tuti, manco par la Fran, che la ghe ga dato un bàcio e davanti tuti la ghe ga dito che la vea pregà a San Piero che’l ghe la portasse de ritorno e che, se la ritornasse sana e salva, la ciamaria Pierina, in suo omaio. E così, dopo le racomandassion de la Fran, Nanetto el ghe ga prometesto ténderghe pulito a la Pierina e no smacarla e gnanca farla caminar massa. Tuti d’acordo e soto le benedission dei Frati, Nanetto montà su la Pierina, el se ga instradà. Intanto che la musseta la trotea, Nanetto el se recordea del so primo viaio: "Ze ben meio ndar a caval, che caminar. Se se straca manco!" Nantra volta, el parlea con la mussa:

- Setu, Pierina, chissà no catén nantro Fermino, per portarne noantri due! Così no te te stracaria. Ma, intanto che no càpita gnessun, andiamo avanti!

El sol gera drio scónderse e bisognea catar riposo, tanto par Nanetto, come par la mussa. Vanti scurir de tuto i ga catà una posada, ndove ghe gera anca riposo par animai. Là i ze restai fin s-ciarar el di. Dopo magnar e bever, tuti i due, i se ga instradà nantra volta.

Al mesodì, nantra fermadeta, par magnar, riposar on poc, par rifarse le forse.

Dopo tre giorni i ze rivai a Anta Gorda – Videira-SC, a casa de Ilia. Ze stà una granda cotentessa par tuta la fameia Grìgolo riveder Nanetto.

- Bruto Bèstia! Parché no te me ga dita che te volea vegner, che io te ndea torte in Porto Alegre, ghe dise Beto.

- Se fea così, te garantisso che no i me assea vegner.

- Parché? Ghe domanda la Nega

- Setu, Nega, i gaussi i ze massa scropolosi con le so proprietà. Per lori mi gera proprietà sua. Me despiasea, ma no vea modi de farli scambiar. I fea come gente insemenida, pròpio come fa chi no ga sal in suca. Capìssitu?

- Ben, ben! Dise la Maria, el meio ze che te sì vegnesto e che te sì rivà intiero. Vatu star qua con noantri per sempre?

- Nò, carìssima! Dopo rifarme de questa parte del viaio, ritornerò a strada. Vao far na vìsita ai nordestini. Vui proar el gusto che ga la rapadura e, anca, ndar a caval de un jeghe.

Dopo strucarlo e spissigarlo i lo ga fato ndar rento, par magnar cuca e bever vin.

- Saveo che la malinconia la me ga fato ciapar la strada e vegner véderli. Restarò con voi, solche el tempo nessessàrio, par mi e la Pierina rifarne le forse.

- Te podea restar on mese, almanco! Ghe dise Florénsio.

- Me piaseria, restar qua. Ma, quanto pi vanti ndarò via, pi presto ritornerò, vero?

- Se te vol cosi, alora... Ghe dise Beto.

- No stè farme piander, eh!

Con lori el ze restà giusto na stimana.

 

VITA STÒRIA E FRÒTOLE

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

Un messon

Ivo Carlos Compagnoni

Escritor - Rio de Janeiro-RJ

Me cusin Bepi Casal l’era fiol de João Casal e dea zia Maria, sorela de me popà Lúcio Compagnoni. Me par che’l zera el pi vècio dei 10 fioi. I Casal i stea a Santa Giustina, de Otàvio Rocha-RS, e i laorava nele piantagion. Tanta ua! I fea bon vin. Mi zera picolin e son ndà, col popà e la mama, al matrimònio de un Casal, no sò se de Angelin o de nantro cusin. La sagra la ga scominsià sabo e la ga finio el luni. La messa dei sposi la ga celebrà nostro zio Padre Henrique Compagnoni (1881-1971), che, come el fea ntele ocasion come questa, el ga cantà, dopo el pranzo, la cansion italiana La polenta. So gran vose de tenor no la gavea bisogno de micròfono. Lì in São Marcos-RS ghe ze ancora quei che ricorda sta vose piena de fede, ntele procission e in cesa.

Ben. Un giorno, in Caxias do Sul, semo stai invitai a un pranzo a casa de nostra cusina Eurósia, mi e me tre sorele - Cecília, Olga e Ignês. Zera invità anca Bepi Casal, fradel de Eurósia, sposada con un Sartor e che i ga bio solche un fiol: Ivanir Sartor, mecànico dela Varig. E alora, dopo aver magnà la santa menestra de agnolini, i straboni tortei etc, in meso ale ciàcole, Bepi Casal ne ga fato rider con questa stòria:

El pàroco de na cesa dele nostre colònie taliane el zera drio deventar vècio e el scominsiava a desmentegarse dei so doveri. Un altro prete ze vegnesto par sostituirlo e al ora de leser el libro dele messe, el ga visto che ghe zera tante messe da dir par l’ànima de arquanti morti, desmentegade del pàroco malà. I fabrissieri dea cesa i se ga riunidi par catar na solussion. Bisogna ricordar che, cinquanta ani indrio, o meno, no ghe zera mia le messe comunitàrie, e un prete el podea dir messa par l’ànima de una sola persona.

Cosa far? I fabrissieri i volea iutar el novo pàroco. Ma come? E alora ze capità l’idea de un fabrissier.

- Ndemo dirghe al pàroco che’l domande al vesco la permission de dir na gran messa coi nomi de tute le ànime desmentegade, tute insieme. El saria, lora, un messon.

E alora un fabrissier el ga dito a un so compagno, soto voce – Che’l Signor me perdone, ma sto messon el saria come un menestron de fasoi, verze, teghe, patate, bisi, taiadele…, tuto ben mescolà nel brodo de carne o de galina.

La stòria del messon, come se dise, se no la ze vera, la ze ben trovada. E par dir solche la verità, me cusin Bepi Casal no’l ga mia parlà del menestron. Son stà mi.

E vanti finir sta fròtola, me piasaria ricordar a quei che, come mi, no i ga mia studià ben nostro Talian, cola permission de Rovílio Costa, Darcy Loss Luzzatto, Sérgio Ângelo Grando, e altri Maestri del Talian: Co se vol dir che na cosa la ze pròpio granda, se càmbia la final dela parola con un on, e tante volte le parole feminile le diventa maschile: na sberla, un sberlon; la menestra, el menes-tron; la campana, el campanon; la polenta, el polenton; na messa, un messon, etc. I mantoani, come i Compagnoni, i dise: grando come el campanon de Màntoa.

 

ESPECIAL

Escrita manual resiste à digital

Letras do computador são mecânicas. Ao contrário, caligrafia revela sentimentos

 

Aulas de Caligrafia! Pode parecer estranho que em plena era da informática alguém ainda se interesse em ter uma letra bonita, mas os cursos de caligrafia resistem à digitalização da escrita. O professor Nelso Malacarne, de Caxias do Sul, dá aulas de caligrafia há cinco anos e tem hoje cerca de 50 alunos. Para ele, o computador tem seu valor, mas jamais vai substituir a escrita manual. "O computador é muito útil, mas trata-se de uma ferramenta a mais, que deve somar e não substituir a escrita manual", observa Malacarne. "A letra do computador é mecânica, fria. A caligrafia, ao contrário, revela sentimentos", completa.

O termo caligrafia deriva das palavras gregas kallos, que significa belo, e graphein, escrever. Malacarne afirma que as pessoas que buscam suas aulas desejam mais do que apenas uma letra bonita. Segundo ele, os encontros estimulam a integração e o convívio humano, funcionando como uma espécie de terapia. "A letra desenhada é uma arte e serve de terapia de relaxamento e de valorização da auto-estima, como todas as demais expressões de arte", avalia o professor.

Malacarne conta que tem dois alunos que foram aconselhados por um psiquiatra a procurar o curso de caligrafia como uma terapia para tratar transtornos da personalidade. "Eles entusiasmam-se pela beleza das letras, percebem que podem ser úteis e sentem-se valorizados", explica.

"Não somente os alunos são beneficiados, a convivência e a troca de experiências proporcionadas pelo curso servem de terapia também para mim", confessa ele.

Além disso, o curso de caligrafia é profissionalizante. O professor Malacarne ensina a escrita cursiva inglesa, que é a que aprende-se na escola, e a gótica alemã, mais desenhada. "Após o domínio da técnica básica, busca-se o aperfeiçoamento para o lado artístico, proporcionando ao calígrafo aptidões para endereçar convites de casamento, subscrever formaturas, diplomas, certificados", explica. De acordo com o professor, para ter um bom resultado é preciso unir dom e perseverança, pois o aprendizado exige longa aplicação e treinamento.

 

Aprendizado exige treino e paciência

 

Qualquer pessoa alfabetizada pode fazer curso de caligrafia. "Estudantes a partir da 5ª série do Ensino Fundamental, que já têm a escrita bem amadurecida, já podem iniciar as aulas", explica o professor Nelso Malacarne. Segundo ele, o aprendizado requer paciência e dedicação. "Cada aluno tem um ritmo e o progresso depende de habilidades pessoais", observa. "O ensino é praticamente individual, por isso as turmas não devem ser muito numerosas, no máximo dez alunos", completa o professor.

De acordo com o calígrafo, cada indivíduo forma seu estilo próprio de escrita, a ponto de ser possível identificar características da pessoa pela forma de escrever. Diversos fatores influenciam o formato da escrita: o treinamento; os instrumentos utilizados, como tipo de caneta, papel, tinta; e a postura, que inclui o modo de sentar, o jeito de segurar a caneta, de apoiar a mão. O ambiente também influencia. O silêncio, por exemplo, colabora com a concentração; uma música ambiental facilita a atenção nos movimentos da mão. A iluminação precisa ser adequada, com claridade vindo de frente, evitando sombras sobre a linha da escrita. Por fim, tranqüilidade também é fundamental, ansiedade e irritabilidade prejudicam a escrita manual.

O professor Nelso Malacarne dá aulas em Caxias do Sul no Centro Espírita Fora da Caridade não há Salvação e na Casa de Catequese da Paróquia São Pio X. O curso é gratuito, o aluno só precisa adquirir seu material (caderno de caligrafia, tinta e pena). Outras informações pelo telefone (54) 211-9585.

 

Caligrafia mostra a personalidade

 

Segundo os estudiosos, a caligrafia de uma pessoa revela traços de sua personalidade. A grafologia é a ciência que se dedica a estudar esses traços, usando teorias psicanalíticas.

De acordo com José Bosco, autor do livro Grafologia, a ciência da escrita, as regiões inferior, média e superior das letras se relacionam com o id, o ego e o superego, elementos da mente humana. A alça da letra "g", por exemplo, diz muito sobre a sexualidade. No "f", mostraria a capacidade intelectual. No eixo horizontal, os lados esquerdo e direito remetem, respectivamente, ao indivíduo e à sociedade. Não é à toa que os autógrafos de celebridades são tão disputados. Mais do que recordação, podem denunciar a intimidade dos ídolos.

 

Assinatura digital

 

Uma assinatura vale muito. Sem ela, boa parte das transações financeiras não se realiza. Porém, hoje ocorrem muitas falsificações. Um novo sistema digital de assinatura promete ser à prova de fraudes.

Conhecido por DSV, permite que a pessoa faça procedimentos bancários ou feche negócios assinando contratos na tela do computador, evitando senhas e falsificações. A engenhoca funciona como um mini computador acoplado ao computador maior. Para ligá-lo basta assinar com uma caneta específica sobre a tela, que capta a pressão e a velocidade da escrita e ainda analisa a ligação das letras, sua inclinação e angulação. O Citibank e o ABN-AMRO devem adotar o sistema em breve.

 

GERAL

Campeonato de quatrilho atrai participantes de seis Estados

Catarinense Mauro Di Domenico venceu disputa em Iomerê

 

Jogadores de seis Estados participaram, no final de semana, do primeiro campeonato brasileiro de quatrilho, disputado em Iomerê, município do meio-oeste catarinense que está completando 10 anos de emancipação política. O vencedor foi Mauro Di Domenico, de Videira (SC), que conseguiu acumular 400 pontos em seis rodadas. Mas a decisão ficou para a última rodada, quando os cinco primeiros colocados na tabela parcial foram colocados em uma mesma mesa, de onde saiu o campeão. A relação dos cinco melhores classificados inclui ainda Derli Sartori (2º); José Tibes de Barros (3º), Delcir Trevisol (4º) e Bruno Guarnieri (5º).

O quatrilho é uma modalidade de carteado trazida pelos imigrantes italianos há mais de 100 anos e até hoje bastante difundida entre os seus descendentes. Jogado com baralho espanhol, destaca-se pela troca de parceiros no seu desenvolvimento. De regras simples, faz com que os participantes traiam seus parceiros para saírem vencedores da partida. Tal simbologia já foi utilizada pelo cineasta Bruno Barreto no filme "O Quatrilho", baseado no livro do escritor José Clemente Pozenato, que ajudou a divulgar a modalidade de jogo em todo o país.

 

Feira marca 45 anos de Serafina Corrêa

 

Serafina Corrêa está completando 45 anos. Para festejar a data, a prefeitura, a Emater/RS-Ascar e outras entidades do município promovem uma série de atividades. Até 25 de julho, ocorre a 6° Cose Nostre, feira de artesanato, produtos coloniais e gastronomia, no Clube dos Motoristas.

Dia 22, a partir das 9 horas, realiza-se o 3° Encontro das Famílias Associadas da Cooperativa dos Produtores de Leite Serafina Ltda. (Cooperlate), no Salão Paulo VI. Haverá palestra com supervisor da Emater, Diogo Guerra, sobre a importância da participação da mulher no cooperativismo, missa, almoço e apresentação teatral. Em 23 de julho, filó no Clube dos Motoristas.

 

Asfalto anima Mato Perso

Depois de 30 anos, inicia obra na 834

 

Depois de quase 30 anos, as famílias de Mato Perso, distrito de Flores da Cunha, poderão ver concluída a VRS 834, trecho de 16,4 quilômetros que une a localidade à comunidade de Forqueta, interior caxiense. "Os trabalhos jás começaram. Mais de 12 km estão com a base pronta", informa o subprefeito Valdir Luvison.

Para executar o trecho, que sai da capela Santa Juliana, serão necessários cerca de R$ 8 milhões. "O asfaltamento deverá estar pronto até o final de 2006", diz o subprefeito ao CR. A rodovia é considerada fundamental para o escoamento da produção agrícola, principalmente uvas e outras frutas, em direção às Ceasas de Caxias do Sul e de Porto Alegre. "Concluída, vai fortalecer o turismo e melhorar o fluxo de caminhões", conclui Luvison.

Paraí - Serão investidos aproximadamente R$ 300 mil na construção do novo acesso a Paraí, na RS/342 com a interseção à RS/438, que tem 500 metros de extensão. Através da Consulta Popular, o Corede Serra está com as obras nos trechos Fagundes Varela à RST/470 e Casca-São Domingos do Sul/Vanini/ David Canabarro em pleno andamento. Outra obra que deve iniciar em breve é a restauração da RS-324, entre Marau e Passo Fundo.

 

ONU financia projeto horta escolar em Bagé

 

O município gaúcho de Bagé é um dos três em todo o país a ser contemplado com o projeto "Horta Escola como Eixo Gerador de Dinâmicas Comunitárias, Educação Ambiental e Alimentação Saudável e Sustentável", da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). O programa é resultado da parceria do Ministério da Integração e da FAO.

O organismo internacional liberou US$ 341 mil para implantação do projeto, com contrapartida de US$ 80 mil do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Os outros dois municípios beneficiados são Saubara (Bahia) e Santo Antonio do Descoberto (Goiás). Serão implantadas nas três cidades brasileiras 60 hortas escolares públicas.

A meta é que até o final do próximo ano as escolas participantes estejam colhendo verduras, legumes e frutas para reforçar a merenda, empregando as técnicas adquiridas com o projeto. A iniciativa da FAO, criada em 1997, desenvolveu 150 programas de hortas escolares em 40 países.