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Edição 4.947 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 27 de julho de 2005.

EDITORIAL

Vinícolas só precisam de apoio para competir com importados

Ao não reduzir seus sufocantes tributos, os governos agem como protetores de concorrentes estrangeiros

 

Desde que os vinhos importados começaram a ocupar espaço nas prateleiras de supermercados brasileiros, especialistas vêm advertindo o setor da necessidade de buscar qualidade e competitividade. E os vinicultores locais, em sua grande maioria, têm se esforçado para aprimorar a qualidade de seus produtos. Uma prova irrefutável deste avanço são as premiações obtidas em concursos internacionais.

Importação de mudas, mudança de sistemas de condução dos vinhedos, colheita seletiva, uso de técnicas modernas de industrialização e o indispensável acompanhamento de enólogos foram alguns dos passos que o setor deu nos últimos anos. A esses investimentos se somam outros, na área de marketing, com melhoria na apresentação e a permanente tentativa de estimular o consumo, moderado, da bebida.

A rigor, nesse aspecto, a lição de casa foi feita com merecido louvor. O setor tem demonstrado grande empenho também para aumentar as condições de competitividade. Racionalizando despesas, introduzindo programas que privilegiam a relação custo-benefício, apresentando opções para um público de baixo poder aquisitivo... O resultado final, no entanto, não é o mesmo do alcançado com o processo de busca da qualidade.

No campo das individualidades, pode-se até questionar arroubos de ganância, ou o superdimensionamento de valor que algumas marcas carregam. No coletivo, porém, assiste-se a uma luta interna absolutamente desigual. Enquanto produtores de vinho esgotam os mecanismos para oferecer um preço final que atraia o consumidor, os governos estaduais e federal não abrem mão sequer de centavos de seus sufocantes tributos. Agem como protetores de competidores estrangeiros em detrimento de um setor importante da economia brasileira.

Muitas vinícolas nacionais têm investido trabalho e recursos financeiros em novos projetos, como é o caso da Miolo - destacado na página 4. Superam adversidades interpostas inclusive pela omissão dos governos, escancarada na ausência de combate, por exemplo, ao contrabando de vinhos. Apesar de tudo isso, avançam, conquistam espaço interno e no exterior. Mas dariam um salto muito maior se tivessem apoio, ou pelo menos condições idênticas às de países de onde partem os produtos concorrentes.

 

CAXIAS DO SUL

Dinheiro do URB-AL parado em banco pode ser liberado a partir desta semana

Assinatura de convênios é a nova fase do projeto que já tem R$ 1,3 milhão

 

O Projeto de Valorização do Turismo Integrado à Identidade Cultural dos Territórios (VICTUR), convênio entre a Comunidade Européia, a Prefeitura de Caxias do Sul e outros 11 parceiros, entra em uma nova etapa a partir da próxima semana. Depois de uma análise profunda por parte da Procuradoria Geral do Município e de um laudo técnico que está sendo elaborado pelo Instituto Gamma de Assessoria a Órgãos Públicos (IGAM), começam as assinaturas de convênios com os demais parceiros.

Esta será a última etapa antes da liberação de recursos. Estão depositados numa conta da Prefeitura de Caxias no Banco do Brasil, desde outubro do ano passado, cerca de R$ 1,3 milhão. Esse dinheiro, vindo da Comunidade Européia, só não foi usado até agora por problemas na condução do processo. "Com a assinatura dos convênios, os recursos serão liberados", afirma o novo gerente-executivo do programa Valorização do Turismo Integrado à Identidade Cultural dos Territórios", denominado URB-AL, jornalista Antônio Feldmann - também coordenador de comunicação da Prefeitura de Caxias.

O URB-AL é formado por 11 parceiros, sendo quatro da Itália, um da Espanha, um do Chile, um do Uruguai e quatro do Brasil (as prefeituras de Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Flores da Cunha e a Associação Estrada do Imigrante (Assotur). O investimento total do projeto é de 1,142 milhão de euros (cerca de R$ 4 milhões), sendo 70% da Comunidade Européia e 30% dividido entre os 11 parceiros. A contrapartida da Prefeitura de Caxias do Sul deverá ficar em torno de R$ 108 mil. A primeira parcela liberada pela Comunidade Européia (R$ 1,3 milhão) será destinada ao projeto da escola de agriturismo no interior de Caxias, à Prefeitura de Bento Gonçalves, para a criação do Centro de Empreendedorismo em Artes e Ofícios do Projeto Caminhos de Pedra, e de Flores da Cunha, para a construção de um Banco de Imagens (formação em artes visuais e memória oral da imigração).

O projeto tem prazo estipulado para ser implantado até outubro de 2006. "Por isso, e porque os recursos serão aplicados em um projeto que se encaixa na proposta do prefeito José Ivo Sartori, o projeto tem absoluta prioridade", assegura Feldmann.

 

Definida coroa da rainha da Festuva

 

Sonia Beatriz Rossetto Stef-fi é a vencedora do concurso de criação da coroa da rainha da Festa da Uva 2006, o que dá direito a uma viagem para o Nordeste. Eroni Luiz Fanton recebeu menção honrosa por criatividade e Mariana De Salles Martinatto, menção honrosa por desenho infantil.

O resultado foi anunciado na semana passada pela comissão social da Festa da Uva. Concorreram 34 desenhos. Os participantes do concurso inspiraram-se no tema "A alegria de estarmos juntos" ou em outros motivos alusivos ao evento.

A coroa selecionada para a rainha da Festuva 2006 - que será escolhida dia 10 de setembro - deverá ser toda em metal dourado, utilizando pérolas e strass. Será confeccionada pela empresa M. Rose Jóias, de Guaporé. Seguindo o tema proposto, a autora do desenho demonstrou, através dos ‘elos’ formados nas folhas de parreiras, a união.

Como o objetivo dos organizadores é envolver a comunidade nos preparativos da escolha das soberanas, os 34 desenhos ficarão expostos no Donna Shopping até o dia 31 de julho.

 

REPORTAGEM

Vinhedos avançam pelas coxilhas da Campanha gaúcha

Miolo está plantando 400 ha em Candiota para produzir quatro milhões de litros de vinho/ano

 

Música: milonga, seguida de rancheira; prato: carreteiro de charque com feijão tropeiro; roupa: bombacha, botas e lenço ao pescoço... Relacionar este cenário a um lançamento de vinhos no Rio Grande do Sul era uma hipótese improvável até poucos anos atrás. O evento para receber uma nova safra da bebida quase sempre esteve associado ao som da "Tarantella" ou "Merica, Merica", interpretada por um coral com trajes típicos italianos, e à mesa farta com a tradicional gastronomia trazida pelos imigrantes... Mudou. Assim como o sistema de condução das vinhas evoluiu do latada para espaldeira, vales ladeados por encostas de acentuado aclive ganham a companhia de suaves coxilhas.

Essa nova realidade pode ser vista às margens da BR 293, entre os municípios de Candiota e Bagé, perto da fronteira com o Uruguai - e distante quase 500 quilômetros da Serra gaúcha. Numa estância de 2.500 hectares, está sendo implantado um ousado projeto de vitivinicultura, o Fortaleza do Seival Vineyards. Responsável: Vinícola Miolo. A empresa que nasceu em Bento Gonçalves, e que possui vinhedos também no Nordeste do país, está na região da Campanha desde 2000. As três frentes integram um projeto mais complexo ainda: o Miolo 2012.

A Miolo não é a pioneira na Campanha. Bem próximo, em Pinheiro Machado, ou em Livramento e Encruzilhada do Sul, outras empresas estão investindo na vitivinicultura - Valduga, Chandon, Aliança, Salton, Lídio Carraro, Almaden, esta última presente desde 1977. E a área, em especial a Quinta do Seival, cujas ruínas foram adquiridas pela Miolo, já hospedou vinhedos. Há registros de produção de uva em 1888, e de bons vinhos com a qualidade premiada até na Itália, em 1911.

O diferencial da Miolo em relação a quase todos os outros projetos é a dimensão. O plantio de vinhedos iniciou em 2001, com 50 hectares. Atualmente 100 hectares produzem e outros 20 estão sendo implantados. O plano traçado é ocupar, até 2009, 400 hectares com mudas importadas da Europa de 12 variedades, entre elas cabernet sauvignon, merlot, chardonnay, pinot noir, pinot grigio, sauvignon blanc, tannat e temprenillo.

Objetivo - A Miolo já investiu na Fortaleza do Seival mais de R$ 10 milhões, "85% com recursos próprios", informa Paulo Miolo, diretor de viticultura da empresa. Vai investir outros R$ 10 milhões na construção de uma vinícola no local com 20 mil metros quadrados de área e capacidade para produzir quatro milhões de litros de vinho por ano. As obras deverão estar prontas em 2007.

"Nosso projeto é produzir, em 2012, 12 milhões de litros de vinho: quatro milhões em Candiota, quatro milhões no Nordeste e quatro milhões na Serra gaúcha", detalha Adriano Miolo, enólogo e diretor técnico da vinícola. Isso significa praticamente dobrar a produção atual. No Vale dos Vinhedos, que inclui parcerias com a Lovara e com a RAR (Raul Anselmo Randon, empresário que produz uva em Muitos Capões, nos Campos de Cima da Serra), já estão sendo elaborados quatro milhões de litros. Chega a 1,5 milhão no Nordeste (em Casa Nova, Bahia, no Vale do São Francisco) e está em 250 mil litros na Campanha. A origem da matéria-prima serão 1.000 hectares próprios de parreiras e mais a produção de integrados.

 

Vinhos para abrir portas no exterior

 

A Miolo está apostando nos vinhos elaborados com uvas da Campanha para conquistar novos mercados no exterior. "Estamos trabalhando para abrir fronteiras", avalia o diretor comercial da empresa, Antônio Miolo, acrescentando que serão vendidos também no Brasil. Seis vinhos foram apresentados no sábado 16, durante evento que marcou a entrada da produção no mercado - são 260 mil garrafas neste ano. Dois deles com a marca comercial Quinta do Seival (cabernet sauvignon e castas portuguesas, ambas safra 2004), classificados como super-premium na pirâmide de qualidade da Miolo, duas faixas apenas abaixo do topo - R$ 38,00 à garrafa pelo site da Miolo na Internet. Os outros quatro levam a marca Fortaleza do Seival (tannat e tempranillo, de 2004, e pinot grigio e sauvignon blanc, 2005), estão na faixa abaixo do Quinta - R$ 16,00 à garrafa na Internet.

O Quinta do Seival Castas Portuguesas 2003 já foi exportado para França, Itália, Estados Unidos, Alemanha e República Tcheca. Antônio Miolo está satisfeito com a receptividade. "O importante quando se conquista um mercado é o repique de pedidos. E está havendo repetição", assegura.

 

Estudos mostram solo e clima favoráveis à viticultura

 

O investimento da Miolo na Fortaleza do Seival foi precedido de um minucioso estudo do solo e clima. A topografia, com coxilhas suaves em desníveis de 10% a 20%, exige drenagem, mas dispensa irrigação artificial. O clima é subtropical semi-úmido, tem temperatura média de 9 a 10º C, brisa constante, ausência de seca, porém, com déficit hídrico nos meses de maturação. O solo predominante é o "argissolo vermelho-amarelo" e a classificação geopolítica da área ("2.500 quente") equivale à de regiões da França e EUA, conforme descrição do técnico Ciro Pavan. As vantagens não eliminam cuidados. Um deles: na poda verde, as folhas do lado oeste devem ser mantidas para proteger do sol.

O sistema de condução é o de espaldeira simples e os espaçamentos de plantio passam a ser de 2,4 x 1 a partir deste ano. As mudas de videira foram importadas da Europa - "representam 50% do custo de implantação", informa Pavan. O total de tratamentos aplicados varia de 14 a 16, contra 18 a 20 na Serra. A colheita é manual e seletiva, a produção, limitada entre cinco e oito toneladas por hectare e o custo de produção vai de R$ 1,00 a R$ 1,20 por quilo. De Candiota, a uva é transportada até Bento, em caixas de 20 kg, onde é industrializada. Além disso, há mão-de-obra abundante - "e interessada em trabalhar e aprender", na definição de Adriano Miolo.

Michel Rolland - A essas condições favoráveis a Miolo acrescentou as práticas culturais de um dos mais renomados - e polêmicos - enólogos do mundo, o francês Michel Rolland. Conhecido por desenvolver projetos em quase 100 vinícolas espalhadas por 12 países, Rolland gerou celeuma no ano passado ao dizer que o Brasil precisaria de pelo menos 10 anos para produzir vinhos medianos. No sábado 16, em Candiota, foi mais comedido. O Brasil ainda não tem histórico como grande produtor de vinhos, lembrou, mas destacou: "A imagem está melhorando e esta região tem potencial técnico para chegar a uma qualidade homogênea e constante em termos de qualidade." Sobre os vinhos produzidos sob sua orientação, disse que "não são perfeitos, mas são bons vinhos".

 

Projetos abragem pecuária e turismo

 

Os vinhedos são prioridade, mas a Fortaleza do Seival é um complexo que abrange outros segmentos econômicos. Um deles é a pecuária. A Miolo cria na Estância Seival 1.750 bovinos, todos rastreados, mais 850 ovelhas e cerca de 80 cavalos crioulos. Tem ainda plantações, terceirizadas, de arroz e milho.

Nos 2.000 hectares além da área destinada a vinhedos há espaço ainda para projetos turísticos. "Buscamos parceiros", afirma Adriano Miolo. Um dos outros atrativos a serem explorados é o histórico. A Estância Seival foi palco da Batalha do Seival (Antônio de Souza Netto, a figura mais respeitada das forças farroupilhas depois de Bento Gonçalves, vence em 9 de setembro de 1836 as tropas imperiais. Instigado, proclama a República Rio-Grandense, o que declara o caráter revolucionário do movimento farroupilha). Abriga, ainda, as ruínas de uma das primeiras vinícolas brasileiras (Quinta do Seival).

 

AGRONEGÓCIO

Produção de milho será a menor da década

Clima frustra safra e câmbio desestimula exportações do grão

 

A produção brasileira de milho está sendo projetada em 34,78 milhões de toneladas, volume 17,5% menor que o colhido em 2004. Esta será a menor produção desde a safra 99/00, quando foram colhidos 31,64 milhões de toneladas, conforme o último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). "O problema do milho é o clima", dispara o engenheiro agrônomo Claudio Dóro, responsável pela área de grãos da Emater Regional de Passo Fundo.

O suprimento nacional estimado pela Conab é de que a disponibilidade total de milho (produção, mais estoques de entrada e importações) deverá ser de 42,4 milhões de toneladas. Como a demanda (consumo mais exportações) está projetada em 40,6 milhões de toneladas, os estoques finais deverão recuar de 4,85 milhões para apenas 622 mil toneladas. "Existe um equilíbrio nos estoques porque o país não exportou o grão este ano", diz o engenheiro agrônomo Claudio Dóro.

Em razão da baixa paridade de exportação, a Conab reduziu a projeção das vendas para o exterior de 1,6 milhão para 1,1 milhão de toneladas e manteve a necessidade de importação em 1,6 milhão de toneladas. De acordo com o engenheiro agrônomo da Epagri/Cepa, Simão Brugnago Neto, os preços internos deverão registrar melhoras. "O avanço depende da resolução dos entraves das compras externas de milho transgênico, o que pode não ser muito expressivo, pois seu limite deverá estar atrelado aos custos de importação", explica Neto.

Rio Grande do Sul - No Rio Grande do Sul, apenas 12% das propriedades produtoras de milho são responsáveis por 40% da safra gaúcha. As outras 88%, com menos de 50 hectares, respondem pelo restante da produção. A cultura ocupa aproximadamente 28% do total da área com cultivos de grãos no Estado, segundo o IBGE.

A cultura está presente em 310.000 propriedades rurais. "O milho é o combustível da pequena propriedade", afirma Dóro ao CR. O milho participa com mais de 30% da produção gaúcha de grãos, considerando os cereais, as leguminosas e oleaginosas. Contribui com a economia estadual sob forma de produto consumido in natura, em rações para aves, suínos e bovinos e como matéria-prima nas indústrias de transformação e de moagem.

O milho desempenha função social, pois gera emprego, agrega valor e melhora as condições físico-químicas do solo. "O agricultor deve agregar valor ao milho dentro da propriedade", ensina o engenheiro agrônomo Diomar Lino Formenton, chefe da Emater de Santo Ângelo. "Transformado em carne, leite e ovos, o grão duplica de valor", emenda Claudio Dóro.

Fórum - Para resgatar a importância do milho para a agricultura familiar, a Emater de Santo Ângelo realiza nesta quinta, 28 de julho o I Fórum Regional do Milho. O evento visa ainda divulgar a Festa Nacional do Milho, que ocorre no município de 12 a 20 de novembro próximo.

 

Mercosul define política para o vinho

Brasil quer preço mínimo para vinhos do Mercosul comercializados no país

 

Um grupo composto por seis brasileiros e sete argentinos, representando as vinícolas dos dois países, realizou um encontro no dia 21 de julho, na Vinícola Aurora, em Bento Gonçalves. O objetivo foi preparar o encontro que vai ser realizado em São Paulo, nesta sexta-feira 29, com a incumbência de elaborar uma política de comercialização comum ao Mercosul.

O setor vinícola brasileiro pretende estabelecer um preço mínimo para as caixas de vinho (seis garrafas) dos países do Mercosul que venham a ser comercializados no Brasil. Segundo o presidente da Uvibra, Danilo Cavagni, essa é uma forma de limitar o ingresso especialmente de vinhos argentinos com preços muitas vezes inferiores aos do produto nacional. De acordo com o presidente da Câmara Setorial do Vinho, Hermes Zanetti, o limite proposto é um mínimo de US$ 15 dólares a caixa.

Apesar das constantes melhorias na produção vinífera (matéria na página 4) e na qualidade dos vinhos finos produzidos no Brasil - e uma prova disso são as cada vez mais freqüentes premiações obtidas em concursos internacionais -, ainda é difícil concorrer com produtos estrangeiros, principalmente quando os preços são baixos. Há uma elevada carga tributária incidindo sobre os vinhos brasileiros enquanto que na Argentina, por exemplo, os impostos sobre o vinho representam pouco mais de 50% dos tributos pagos pelo produto nacional.

A redução da carga tributária sobre os vinhos nacionais e o controle no ingresso de vinhos importados é uma luta antiga do setor vinícola brasileiro. A presença de vinhos do Chile, da Argentina, do Uruguai e de diversos países da Europa nas gôndolas dos supermercados e casas especializadas é cada vez maior, em detrimento do produto nacional. Hoje, o consumo de vinhos finos estrangeiros é maior do que os similares produzidos no Brasil.

 

XIII Avaliação bate recorde de amostras

 

A XIII Avaliação Nacional de Vinhos – Safra 2005, que será realizada no dia 24 de setembro no parque de eventos de Bento Gonçalves, bateu recorde no número de amostras inscritas, superando as do ano passado. Durante o evento estarão sendo avaliadas 360 amostras de 82 vinícolas. São 25 amostras e sete vinícolas a mais que as registradas no ano passado. O prazo para as inscrições encerrou no último dia 4 de julho.

Promovida pela Associação Brasileira de Enologia (ABE), a Avaliação se constitui no maior evento do gênero no mundo, especialmente pelo seu caráter educativo. São aceitos apenas vinhos de viníferas secos, 100% varietais, da safra 2005, apresentados por vinícolas com registro no Ministério da Agricultura. Cada amostra deve ser de um lote representativo e comerciável de, no mínimo, cinco mil litros.

A coleta das amostras (12 garrafas de cada vinho inscrito), pela Comissão Organizadora, está sendo feita diretamente nas vinícolas até o dia 29 de julho. Enólogos representantes das empresas vitivinícolas e órgãos ligados ao setor, indicados pela ABE, estarão degustando e avaliando as amostras no período de 8 a 26 de agosto. Os 15 melhores serão apresentados no dia do evento.

 

Inaugurada Casa Familiar Rural em Ijuí

 

Foi inaugurada no dia 18 de julho em Augusto Pestana (RS) uma das quatro Casas Familiar Rural (CFR) em atividade no Rio Grande do Sul. A casa é destinada a jovens rurais que tenham concluído o ensino fundamental e queiram se qualificar na tarefa de gerir suas propriedades. As aulas serão ministradas junto ao Instituto de Desenvolvimento Rural – Irder, com sede em Augusto Pestana. A administração da CFR será junto à sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ijuí.

O secretário estadual da Educação, José Fortunatti, que representava o governador Germano Rigotto na inauguração, destacou que se trata de uma "forma nova e revolucionária de educação". A casa já conta com 29 alunos inscritos, de nove municípios da região. O curso dura três anos e as aulas serão interdisciplinares e cíclicas, isto é, os alunos permanecem duas semana na escola e uma em casa.

As outras CFR estão em Frederico Westphalen, Santo Antônio das Missões e Alpestre. A primeira CFR surgiu na França em 1935. Chegou ao Brasil na década de 80 (Paraná e Pernambuco) e na década de 90, no Rio Grande do Sul.

 

Metade Sul promove seminário vitivinícola

 

De 18 a 20 de agosto será realizado em Bagé (RS) o V Seminário de Vitivinicultura da Metade Sul. O evento é promovido pela Emater/RS, Comitê de Fruticultura da Metade Sul, Embrapa, governo do Estado, Ibravin, Profruta/RS e Ministério da Agricultura. A Metade Sul está ampliando os investimentos em fruticultura, especialmente vinhedos, e o setor já atinge mais de 30 mil hectares.

O seminário contará com dia de campo nos vinhedos Terrasul, em Pinheiro Machado, curso de degustação de vinhos, apresentação de novos projetos de vinificação, além da realização de um roteiro enogastronômico pelos hotéis fazenda da região.

 

Porto Alegre destaca o enogastroturismo

 

O Enogastroturismo Brasil - Salão de Vinhos, Gastronomia e Turismo, que seria realizado de 9 a 12 de junho, foi transferido para os dias 7, 8 e 9 de setembro, no Novotel, em Porto Alegre. O evento pretende divulgar rotas vinícolas, enoturismo e enogastronomia do Brasil e do Uruguai, além de proporcionar um ambiente para a realização de negócios. O salão é promovido pela Atreb Feiras & Eventos.

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

Café-de-corda

Remeto para exame e identificação uma penca de frutos conhecidos como café de corda. Recebi as sementes da família Matté, de Galópolis, Caxias do Sul, que o cultiva e utiliza como café há 5 anos. Plantei na horta aqui do convento e colhi esses frutos que lhe envio.

 

FREI CELSO BORDIGNON

Diretor do Museu dos Capuchinhos - Caxias do Sul - RS

 

O material enviado para exame e identificação consta de um cacho de frutos maduros avermelhados e redondos, com 1 a 2 cm de diâmetro, tendo cada um 3 a 4 sementes brancas, utilizadas como café pela família Matté de Galópolis. O simples exame do material não me dá condições de identificar a espécie de planta a que pertence. Como frei Celso mencionou que se trata de uma corda que só vegeta e cresce no verão, analisaremos essa planta no tempo oportuno.

Nomes populares como café bravo, café-do-mato, café cimarron, café taperibá, café-de-bugre, café-da-índia e diversos outros encontram-se citados nos livros de Botânica Sistemática (Taxionomia), mas nenhum deles faz referência a qualquer café-de-corda.

Todos estes denominados "cafés" são sementes de frutos produzidos em arbustos e árvores de diversas espécies botânicas, sementes que torradas e moídas têm aroma e sabor próprios, são usadas como sucedâneas do verdadeiro café (Coffea arabica), embora nenhuma delas tenha as propriedades estimulantes do legítimo.

Na obra Árvores Brasileiras - Manual de Identificação e Cultivo de Plantas Arbóreas do Brasil, do consagrado engenheiro agrônomo Harri Lorenzi, à página 69 do Vol. I encontra-se a descrição de uma árvore popularmente conhecida como café-de-bugre, cujos frutos e sementes muito se parecem com os grãos recebidos com o nome de café-de-corda. A árvore atinge 8 a 12 metros de altura com tronco de 30 a 40 cm de diâmetro e folhas simples lanceoladas, lisas, membranáceas com 8 a 14 cm de comprimento e numerosas e pequenas flores brancas agrupadas em panículas. Floresce de outubro a janeiro e ocorre nas florestas do Nordeste ao Sul do país. Os frutos quando maduros, de janeiro a março, são vermelhos e contém diversas sementes brancas.

O nome científico dessa árvore é Cordia ecalyculata, da família Boraginácea, a mesma que inclui todos os louros, de preciosa madeira. O nome científico do café-de-bugre Cordia é semelhante a corda, o que pode ter contribuído para o nome desse café-de-corda.

De Galópolis, conheci a família Pienegonda que tinha propriedade rural no vale do rio Caí e cultivava para consumo próprio o verdadeiro café (Coffea arabica) sob a proteção de árvores altas. Nas exposições de produtos agrícolas e de animais que a então diretoria do Fomento e Assistência Rural, atual Secretaria Municipal de Agricultura, realizava no distrito, a família Pienegonda comparecia sempre com amostras de seus produtos.

 

ALIMENTAÇÃO & SAÚDE

Especialistas recomendam consumo de nove porções diárias de vegetais

Cada porção deve ser equivalente a meia xícara de fruta, verdura ou legume

 

Consumir nove porções de vegetais por dia. Essa é a nova recomendação para quem mantém uma dieta de duas mil calorias diárias. Desde os anos 80, o governo dos Estados Unidos publica uma espécie de guia para uma vida saudável - no Brasil, o Ministério da Saúde está elaborando algo semelhante. O documento, atualizado a cada cinco anos por renomados especialistas, inclui recomendações alimentares baseadas em trabalhos científicos. Na sexta edição da cartilha, publicada este ano, os autores dobraram a quantidade de frutas, verduras e legumes recomendada para um cardápio mais magro e saudável; em vez de cinco, nove porções diárias.

Cada uma das nove porções diárias deve equivaler a meia xícara (chá) de fruta, verdura ou legume, crus ou cozidos. Os sucos devem ser naturais e feitos na hora do consumo. Os cereais, como arroz e trigo, também são vegetais, mas não estão incluídos nas nove porções. Pode parecer exagero, mas o maior consumo desses alimentos está associado a um menor risco de derrame, tumores e diabetes tipo 2. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o baixo consumo de frutas e hortaliças está por trás de 31% das doenças cardíacas em todo mundo.

Assim como os americanos, os brasileiros também não são muito adeptos de um bom prato de salada. Segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada no fim do ano passado, os brasileiros estão ingerindo maior quantidade de alimentos com alto teor de açúcar do que frutas e hortaliças. "O consumo de vegetais em todos os Estados brasileiros é baixíssimo e não chegamos nem à quarta parte do que precisaríamos", afirma o nutrólogo Mauro Fisberg, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Fisberg, juntamente com o pediatra Jamal Wheba (Unifesp) e da nutricionista Silvia Cozzolino (USP), coordenou um estudo sobre os hábitos alimentares nacionais que resultou no livro "Um, dois, feijão com arroz". Segundo a pesquisa, a ingestão de vegetais é insuficiente até em regiões de frutas abundantes, como o Norte e Nordeste.

Outra pesquisa, feita pela Faculdade de Saúde Pública da USP avaliou o consumo de vegetais entre 3.854 adultos de algumas cidades paulistas. 50% dos entrevistados disseram não consumir sequer uma única porção de fruta por dia e ingerir só uma porção e meia de verduras e legumes diariamente. Segundo o estudo, quanto mais baixo é o nível de escolaridade, menor o consumo de vegetais.

 

Feijão perde espaço na mesa brasileira

 

A Pesquisa de Orçamentos Familiares, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, também revelou outros aspectos da alimentação do brasileiro. Embora ainda seja a base da dieta, a tradicional dupla arroz com feijão perdeu espaço nas mesas do país. Houve uma queda de 30% e 23%, respectivamente, no consumo desses alimentos. Estudos indicam que a combinação de feijão com arroz pode proteger contra o câncer de boca, entre outros benefícios. Em contrapartida, refrigerantes, bebidas alcoólicas e comida pronta conquistam um número cada vez maior de adeptos.

Com esses hábitos alimentares, não é de estranhar que o mesmo estudo tenha detectado quilos extras na população brasileira. De uma amostra de 95,5 milhões de brasileiros, 38,8 milhões estão acima do peso e 10,5 milhões são considerados obesos. Desde 1975, quando realizou-se esse tipo de levantamento pela primeira vez, até 2003, o número de homens com quilos extras duplicou e o de obesos triplicou. Entre as mulheres, houve crescimento de 50% entre os anos de 1974 e 1989, mantendo-se estável depois, até 2003.

 

A ingestão de sal deve ser reduzida

 

Os especialistas norte-americanos incluíram ainda outras recomendações para uma dieta que privilegia a saúde. A ingestão de sal, por exemplo, deve diminuir. A cota diária caiu de 2,4 gramas para menos de 2,3, o equivalente a uma colher de chá.

O leite é outro alimento incluído no guia. Os adultos agora precisam beber até três xícaras por dia, desnatado ou semi-desnatado. Os derivados lácteos também valem. Além do cálcio presente nesses alimentos, eles ainda são ricos em potássio, mineral que ajuda a controlar a hipertensão.

A importância dos grãos cresceu. O ideal é consumir mais de 85 gramas por dia; se forem integrais, a quantidade se reduz pela metade. As carnes continuam em alta, desde que sejam magras.

A recomendação de preferir alimentos pobres em gorduras saturadas continua. A ingestão de gorduras trans deve ser limitadíssima. Apesar das diretrizes americanas não contemplarem essa substância, a indicação da Organização Mundial da Saúde é que o consumo desse tipo de ácido graxo não deve ultrapassar dois gramas ou 1% do total de uma dieta de duas mil calorias diárias.

 

OPINIÃO

Por quem os sinos dobram

Maria Clara Lucchetti Bingemer

 

Os sinos não param de dobrar, avisando que mais vítimas serão enterradas sob a violência do terror cego e insano que a nada poupa. E as grandes potências continuarão a se reunir, a se retaliar, sem se dar conta de que todas estão ameaçadas

 

Em 2001 foi Nova York, em 2004 Madri. E agora Londres. Parece que a agenda do terror ainda tem longa lista de espera macabra, da qual constam Dinamarca, Itália e outros países da Europa. Parece que o terror resolveu não dar mais um minuto de paz e sossego ao Ocidente.

Uma a uma vão saltando pelos ares capitais de países que apoiaram a invasão do Iraque, o ataque ao Afeganistão etc. E novamente a Al Qaeda e a figura misteriosa e inencontrável de Osama bin Laden assumem a autoria do atentado. Parece que, realmente, como disse o presidente francês, Jacques Chirac, ao comemorar o 14 de julho, data da queda da Bastilha, "nenhuma nação do mundo está livre de sofrer atentados terroristas como os deflagrados na semana passada em Londres."

Na comemoração da data nacional francesa, foram feitos dois minutos de silêncio em homenagem às vítimas do atentado. Em Londres, uma multidão fez silêncio e reverenciou as vítimas que já somam 54, sem contar centenas de feridos graves que ainda se encontram hospitalizados. Exatamente ao meio-dia, por dois minutos, as pessoas deixaram seus escritórios e ocuparam as ruas em silêncio, e táxis e ônibus paravam. Nos aeroportos, os aviões desligaram seus motores e retardaram as decolagens. Em meio à dor e à consternação dos cidadãos britânicos que choravam seus mortos, cartazes se levantavam como uma maré branca, pedindo paz.

Centenas de pessoas se reuniram na estação King’s Cross, local de uma das explosões provocadas por um grupo de jovens muçulmanos, todos britânicos de famílias paquistanesas que vivem no Norte da Inglaterra.

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, observou o momento de silêncio no jardim do seu gabinete, no número 10 de Downing Street. A rainha Elizabeth II estava no seu palácio de Buckingham e fez o mesmo. Na Escócia, os golfistas do 134º Torneio Aberto da Grã-Bretanha fizeram uma pausa nos gramados do campo de Saint Andrews. Também houve homenagens em Madri e Bali, lugares atingidos por graves atentados da Al-Qaeda nos últimos anos, e em cidades de toda a Europa. O Papa Bento XVI, de férias nos Alpes italianos, rezou pela paz.

O que mais se pode fazer a não ser rezar? A quem mais se pode dirigir o olhar dolorido e perplexo senão ao Criador de todas as coisas, esperando de sua parte um sinal que, se não explicar o inexplicável, ao menos ajude a suportá-lo? A quem mais suplicar, de quem mais esperar?

Enquanto as bandeiras e cartazes que imploram paz se levantam em Londres e o mundo faz silêncio pensando nas vítimas, os explosivos do terror se perfilam e alinham para mais um atentado. Mais uma vez, em algum momento que não sabemos qual será, bombas explodirão atirando ao ar pedaços de corpos humanos destruídos e vidas destroçadas. Mais uma vez a Al Qaeda e Osama bin Laden assumirão a responsabilidade dos atentados declarando estar lutando contra o Grande Satã e sendo fiéis a Alá. Mais uma vez o culto ao Deus verdadeiro será invocado para legitimar a barbárie e a morte.

Enquanto espera, crispado, onde será o próximo atentado, o Ocidente se encolhe e vigia. Os serviços de informação não dormem, as medidas de segurança triplicam, decuplicam, em aeroportos, estações ferroviárias, cruzamentos...Todos esperam a qualquer momento o esperado atentado que, no fundo, sempre será inesperado. Todos esperam e sabem que virá... e esperam ser poupados. Que não atinja meus filhos, meus parentes, meus amigos. Que não atinja a mim.

Enquanto isso, os sinos dobram e não param de dobrar, avisando que mais vítimas serão enterradas sob a violência do terror cego e insano que a nada poupa. E as grandes potências continuarão a fazer reuniões onde tomarão decisões de retaliação sem dar-se conta de que todas as nações do mundo estão ameaçadas. Que ninguém mais pode dormir tranqüilo, pois a serpente da violência está solta pelo mundo e nenhum ser humano, nenhum país, nenhum grupo está livre de sua mortífera ação.

Todos voltam o olhar para as vítimas dessa vez e por elas fazem silêncio. Mas não sei se todos ou mesmo muitos se dão conta de que, embora estejam vivos, já podem ser contados entre as vítimas. Não se dão conta de que, como no poema de John Donne "os sinos dobram por ti". Dobram por nós, por nós todos, que de repente nos vemos sem amanhã e não somos capazes de investir no hoje para que o amanhã possa nascer para outros.

 

Viagens interiores

Frei Betto

 

Por que a ambição de uma viagem ao exterior não se reflete também no desejo de viajar para dentro de nós? Dar o primeiro passo assusta, porque não nos é dado o roteiro. Recolher-se ao silêncio interior é sempre um excelente ponto de partida

 

Todos os pecados capitais, sem exceção, são tidos como virtudes nessa sociedade neoliberal corroída pelo afã consumista. Basta ligar a TV e confirmar. A inveja é estimulada no anúncio da moça que, agora, possui um carro melhor do que o do vizinho. A avareza é o mote das aplicações financeiras. A cobiça inspira todas as peças publicitárias, do Carnaval a bordo no Caribe ao tênis de grife das crianças. O orgulho é sinal de sucesso dos executivos bem-sucedidos, que possuem secretárias cinematográficas e planos de saúde eterna. A preguiça fica por conta das confortáveis sandálias que nos fazem relaxar, cercados de afeto, numa lancha ao Sol ou da revista que emite bons fluidos. A luxúria é outra marca registrada da maioria dos clipes publicitários, onde jovens esbeltos e garotas esculturais desfrutam uma vida saudável e feliz ao consumirem bebidas, cigarros, roupas e cosméticos. Enfim, a gula subverte a alimentação infantil na forma de chocolates, refrescos, biscoitos e margarinas, induzindo-nos a crer que sabores são prenúncios de amores.

Há nas tradições religiosas uma sabedoria de vida. Despidos de preconceitos, ao refletir sobre os sete pecados capitais veremos que cada um deles se refere a uma tendência egoísta que traz frustração e infelicidade. A cobiça nos faz reféns do mercado e dos modismos, atraindo-nos ao buraco negro das maracutaias que, miragens no deserto, nos prometem dinheiro fácil e status de Primeiro Mundo. A avareza ensina a acumular dinheiro mesmo quando ele precisaria ser investido na melhoria de nossa qualidade de vida. Rendimentos passam a ser mais importantes que investimentos, como o caramujo que, por carregar a casa nas costas, se arrasta lento pela vida.

A luxúria nasce nos olhos, agita a mente e perturba o coração. O objeto do desejo aliena do amor enquanto projeto de vida, aprisionando-nos no jogo narcísico da sedução. A gula aumenta o colesterol, deforma o corpo e entristece o espírito. O orgulho é a terrível consciência de que queremos parecer o que não somos e, cheios de empáfia, nossa alma trafega apoiada em frágeis muletas.

A preguiça traz incapacidade e atiça os devaneios, induzindo a trocar a realidade pela fantasia. A inveja, essa tristeza por não possuir o bem alheio, é o espelho de nossa covardia em ser do tamanho que somos, nem maiores nem menores.

Há um conflito entre o princípio nº 1 da sociedade em que vivemos - ganhar dinheiro - e os valores que sedimentam a existência. Nessa guerra, são sacrificados os valores éticos e os princípios morais, a educação das crianças e as relações conjugais, os vínculos familiares e a nossa própria qualidade de vida.

Por que a ambição de uma viagem ao exterior não se reflete também no desejo de viajar para dentro de si mesmo? Mundo desconhecido, esse que trazemos no espírito. Mas, como turistas ocasionais, ficamos sem saber qual "agência" pode nos assegurar uma viagem de melhor proveito: a Igreja Católica ou o budismo? O candomblé ou o espiritismo? Os rosacruzes ou o Santo Daime?

Deus é mais íntimo a nós do que nós a nós mesmos. Recolher-se ao silêncio interior é sempre um excelente ponto de partida. Para quem nunca fez essa viagem, dar o primeiro passo assusta, porque não nos é dado o roteiro, e a paisagem exterior convida-nos a abandonar o trem. Se controlamos "a louca da casa", a imaginação, logo o silêncio interior se faz Voz. Então, somos apresentados ao nosso verdadeiro Eu, que nos impele ao nós. E experimentamos inefável felicidade, a imponderável leveza do Espírito.

Hoje é o primeiro dia do resto de nossas vidas. Com certeza uma boa data para embarcar rumo ao lado avesso de nós mesmos. Reavaliar o que, em nossa vida, são de fato valores e virtudes. Época propícia às viagens interiores. Sem medo de eventuais vertigens, pois as regiões interiores, como os picos das montanhas, provocam reações no corpo e no espírito. A diferença é que, ao mergulhar no fundo de nós mesmos, é melhor fechar os olhos para ver melhor.

 

NACIONAL

Novo perfil do governo perde traços do PT

Lula dá demonstração de que quer desvincular sua imagem do Partido dos Trabalhadores

 

Com o anúncio do novo ministro da Previdência, Nelson Machado, que substitui o demitido senador Romero Jucá (PMDB-RR), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou na sexta-feira a reforma ministerial. O governo está com cara nova, muito diferente daquela ostentada quando assumiu. E as mudanças não se referem apenas à fotografia, mas principalmente à diversidade ideológica.

A guinada iniciou com a maior participação do PMDB (senador Hélio Costa, nas Comunicações, deputado federal José Saraiva Felipe, na Saúde, Silas Randeau, nas Minas e Energia, apadrinhado por José Sarney). Na nova leva de ministros estão ainda Sérgio Rezende, na Ciência e Tecnologia, cargo que vinha sendo ocupado por Eduardo Campos; e Márcio Fortes, novo titular da pasta das Cidades, em lugar de Olívio Dutra. A mais emblemática das substituições reside no Ministério das Cidades. Lula dispensou Olívio Dutra, um dos fundadores do PT, companheiro de 25 anos e um dos raros representantes da esquerda do partido. E no posto, com orçamento de R$ 15 bilhões, coloca uma pessoa identificada com o Partido Progressista (PP), apadrinhada pelo deputado Severino Cavalcanti, presidente da Câmara.

Imagem - Acuado por uma crise política sem precedentes, Lula procura meios para garantir apoio no Congresso Nacional. Precisará, certamente, de votos para aprovar projetos, embora deva estar pensando, também, na eleição do ano que vem. E é aí que emerge uma outra forte razão para explicar as alterações no Ministério. O presidente busca caminhos para desvincular a sua imagem do PT.

Há motivos de sobra para se afastar do partido que ajudou a fundar. O ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, se afunda a cada declaração que dá, a cada vez que é inquirido por parlamentares que integram a CPI dos Correios ou a do Mensalão. O ex-secretário-geral do partido, Silvio Pereira, é outro que não consegue se desvencilhar da lama da corrupção. Admitiu na sexta 22, em carta dirigida ao presidente do PT, Tarso Genro, ao Diretório Nacional e à militância petista, ter cometido um erro ao aceitar um carro (de R$ 74 mil) como presente de seu amigo pessoal e proprietário da empresa GDK. A empresa ganhou concorrência de contrato de US$ 90 milhões para efetuar reforma na plataforma P-34, da Petrobras.

O presidente Lula quer alterar o perfil de seu Ministério, ainda, porque não está afastada a possibilidade de ele ser atingido pelas denúncias que se renovam todos os dias da compra de votos na Câmara Federal por integrantes do governo e do PT.

Economia - Se na política Lula enfrenta dissabores, na economia comemora resultados. "O momento no Brasil não é excepcional, mas é de boa possibilidade de, pela 1ª vez, se construir um ciclo de desenvolvimento sustentável e duradouro", afirmou o presidente na sexta 22. Dois dias antes, o IBGE informava que a taxa de desemprego em junho nas seis maiores regiões metropolitanas do país ficou em 9,4%, a mais baixa desde março de 2002. Fora de 10,2% em maio e de 11,7% em junho de 2004. Em junho houve deflação; e os recordes de exportação - e de superávit na balança comercial - têm sido quebrados com freqüência. Fica a elevada taxa de juros, mantida em 19,75% - mesmo assim, bem mais baixa do que os 26% do final do governo Fernando Henrique Cardoso.

O problema não é a economia. A questão é a política e, mais ainda, a corrupção e o desrespeito a princípios éticos que já atingiram o governo, derrubando o ex-todo poderoso ministro chefe da casa Civil, José Dirceu. Se Lula conseguir realmente passar incólume por esse processo, pode voltar a pensar em reeleição.

 

SAÚDE

CÂNCER A MEDICINA ATACA

Ter um tumor maligno não é mais sinônimo de morte. Hoje, há meios precisos de diagnóstico, cirurgias menos invasivas e drogas potentes. Isso eleva as chances de cura, permite manter a doença sob controle e garante qualidade de vida ao paciente

 

Na década de 70, encontrar a cura do câncer era o objetivo supremo da medicina. Desde então, bilhões de dólares foram investidos em pesquisas. Naquela época, de cada 100 mil pessoas nos Estados Unidos, 163 morriam de câncer. Trinta anos depois, contrariando as expectativas, os números aumentaram. Em 2001, eram 194 mortes para cada 100 mil americanos. No ano 2000, 10 milhões de pessoas no mundo todo receberam o diagnóstico de câncer e 6 milhões morreram. No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer estima que este ano cerca de 450 mil novos casos da doença sejam diagnosticados, com 125 mil óbitos.

Apesar dos números não serem animadores, os especialistas estão cada vez mais otimistas com o futuro do tratamento. "O câncer deixou de ser equiparado a uma sentença irreversível de morte", afirma o oncologista Francisco Wisintainer, de Caxias do Sul. "Esse mal já pode ser encarado como uma doença crônica, a exemplo do diabetes e hipertensão", justifica. Com tratamento adequado, o paciente pode manter a doença sob controle e viver com qualidade", explica Wisintainer.

Há várias razões para o otimismo. Em primeiro lugar, a medicina nunca entendeu tão bem os mecanismos da doença, como surge, se desenvolve e avança no organismo. Em segundo, pode-se apontar as técnicas de diagnóstico precoce cada vez mais precisas. As taxas de acerto das máquinas de tomografia computadorizada mais avançadas já passam de 90%, por exemplo. Também começaram a ser desenvolvidas drogas mais inteligentes, criadas para agir especificamente sobre as células doentes, o que garante mais eficácia e menos efeitos colaterais.

Por fim, mas não menos importante, está mais do que comprovado que escolhas simples, como fumar ou não, podem aumentar ou diminuir as chances de desenvolvimento de algum tipo de câncer. Segundo a Organização Mundial da Saúde, existem 804 tipos de câncer identificados e classificados. Muitos desses podem ser prevenidos com mudanças no estilo de vida. O mais comum dos tumores malignos, o de pele, é um exemplo. "Há três tipos de câncer de pele, todos estão relacionados à radiação solar. Então, não expor-se à radiação e usar protetor solar são modos eficazes de prevenção a esse tipo de câncer", garante o médico Francisco Wisintainer.

O câncer de pulmão é o que mais mata os homens e vem aumentando muito entre as mulheres. Sua principal causa é o tabagismo. "Não fumando evitaríamos 40% de todos os tipos de câncer", afirma Wisintainer. Segundo ele, o cigarro exerce influência, maior ou menor, no surgimento do câncer de pulmão, boca, garganta, bexiga, reto e pâncreas. Estima-se que o tabaco provoque pelo menos um terço de todos os tipos de tumores do mundo. "Se eu tivesse que apontar apenas um fator externo como principal vilão do câncer, sem dúvida indicaria o cigarro", conclui.

Em relação ao câncer de mama, o diagnóstico precoce continua sendo a melhor forma de prevenção. Os médicos recomendam que o auto-exame das mamas seja feito mensalmente e a partir dos 40 anos, pelo menos uma mamografia anual. Quem tem casos de câncer de mama na família (mãe, irmã) deve iniciar a tomografia dez anos antes da idade em que a primeira familiar diagnosticou a doença. "Por exemplo, se a mãe detectou o tumor de mama aos 42 anos, a filha deve fazer a primeira mamografia aos 32 anos", explica Francisco Wisintainer. O câncer de colo de útero também pode ser prevenido pelo exame de papanicolau. Se diagnosticado em estágio inicial, o índice de cura para esse tipo de tumor é extremamente elevado. Para os homens, o exame de toque retal a partir dos 45 anos de idade é indispensável para a prevenção do câncer de próstata.

A alimentação tem relação direta com o câncer de intestino, cuja incidência é crescente. Essa doença pode ser facilmente prevenida com dieta rica em fibras e com pouca quantidade de gordura.

Em resumo, pode-se dizer que mantendo uma dieta saudável, fazendo exercícios físicos regulares, evitando o cigarro e realizando exames periódicos, as chances de desenvolver algum tipo de câncer despencam e as de descobrir a doença a tempo de tratá-la com sucesso aumentam muito.

 

Índice de cura de alguns tumores deve chegar a 70% em cinco anos

 

O índice de cura global do câncer, até a década de 70, girava em torno de 20%, segundo o oncologista Francisco Wisintainer. "Tinha-se apenas o recurso da cirurgia para tratar os tumores e os diagnósticos eram tardios", explica. Na década de 80, desenvolveram-se novas técnicas cirúrgicas, surgiu a radioterapia, vários remédios começaram a ser desenvolvidos e os índices de cura ultrapassaram 30%. "Iniciamos 2000 com taxas de cura próximas a 60%. A expectativa para 2010 é chegar a 70% para alguns tipos de câncer", afirma.

As formas de diagnóstico são cada vez mais eficazes, a cirurgia evoluiu radicalmente, é menos invasiva. A radioterapia tem equipamentos mais sofisticados, os chamados remédios de nova geração atingem diretamente as células doentes sem prejudicar as normais. Tudo isso permite prever um futuro otimista para os portadores de câncer. "As pessoas encaram com tranqüilidade o diabetes, a hipertensão, que são incuráveis, e deveria ser assim também com o câncer", observa o oncologista. "Hoje, já é possível manter o paciente com qualidade de vida, exercendo atividades normais, e com o câncer controlado", garante Wisintainer.

O câncer é hoje a segunda doença mais comum no mundo. Apesar da evolução dos diagnósticos e do tratamento, ele não deve desaparecer. Ao contrário, com os progressos da medicina e a cura de várias doenças infecciosas, as pessoas estão vivendo mais e, à medida que se envelhece, as chances de aparecer um tumor aumentam. Os especialistas estimam que o número de casos vai continuar crescendo, mas também afirmam que o câncer ficará cada vez menos assustador, menos mortal e menos doloroso.

 

Novas drogas barram avanço do câncer

 

Só um terço dos pacientes recebe diagnóstico do câncer na fase inicial, quando há chances reais de cura. Os demais detectam o tumor em estágio avançado, o que impede a retirada cirúrgica. A alternativa para esses pacientes é controlar o avanço da doença. Novidades promissoras para esses casos prometem aumentar a sobrevida das vítimas e acabar com os efeitos colaterais dos tratamentos tradicionais. Essas novas drogas são um grande passo no caminho de tornar o câncer uma doença crônica.

Duas classes de medicamentos têm como alvo apenas as células cancerosas, evitando danos às sadias. As tirosinaquinases inibem a ação de enzimas essenciais ao crescimento do tumor, o que tende a estabilizar a doença. Até o próximo ano, três desses remédios devem chegar ao Brasil: Sutent, Sorafenib e Tarceva.

Os anticorpos monoclonais identificam substâncias diretamente ligadas ao câncer e inibem sua ação. O Avastin, usado no câncer de intestino e em tumores avançados de mama, já foi aprovado pelo Ministério da Saúde. Francisco Wisintainer cita ainda o Erbitux, para câncer de intestino, e o Alimta, para câncer de pulmão, já disponíveis. Hoje, estão em desenvolvimento cerca de 50 compostos pertencentes a uma dessas classes de remédios.

 

Atitudes simples facilitam dia-a-dia

 

Doenças graves como o câncer costumam revolucionar o cotidiano de quem convive com elas. Ajudar pacientes e familiares a reestruturar o dia-a-dia é a tarefa da medicina paliativa. A especialidade ainda não é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina, mas programas desse tipo já são oferecidos nas principais instituições que trabalham com pacientes de câncer no país. Suas equipes são compostas de médicos, enfermeiros e psicólogos. A Academia Nacional de Cuidados Paliativos sugere algumas medidas que ajudam a suportar o tratamento de uma doença grave.

 

Paciente

- Aceitar ser cuidado. Receber o cuidado como forma de carinho torna a tarefa de quem o ajuda mais simples.

- Respeitar os novos limites. Tentar ultrapassar as limitações da doença pode aumentar a sensação de fracasso.

- Lembrar momentos felizes.

- Não abandonar os planos. Eles devem ser feitos, mesmo que sejam para o próximo dia. Isso dá motivação.

- Doenças graves costumam ter manifestações instáveis. Deve-se, então, viver um dia de cada vez. Um dia ruim não significa que o outro será pior.

 

Família e amigos

- Estar à disposição para ouvir e falar de temas dramáticos, como dificuldades da doença. Isso dá ao paciente mais segurança para lidar com a doença e o faz sentir-se amparado.

- Compartilhar lembranças (fotografias, vídeos) alimenta o desejo de imortalidade.

- Não ter receio de expressar sentimentos, como medo da perda. O paciente percebe que pode dividir sua dor e a sensação de solidão diminui.

- Quem ajuda nas atividades diárias deve criar rotinas e evitar expressar medo da tarefa.

- Respeitar a intimidade do paciente e não exigir que ele expresse felicidade sempre. Ele precisa de tempo para elaborar sua dor e tem o direito de ficar sozinho.

 

Cidade é referência

 

Caxias do Sul é hoje referência nacional em prevenção e tratamento do câncer de mama, segundo o oncologista Francisco Wisintainer. "A qualidade dos recursos que temos aqui é comparável a de grandes centros nacionais, como São Paulo, e até internacionais", afirma. "Houve uma inversão no fluxo de pacientes. Hoje, pacientes da cidade e de outros Estados procuram Caxias do Sul, em vez de procurarem a capital, por exemplo", observa ele. Atingir este estágio de qualificação nos orgulha muito, mas também exige responsabilidade", finaliza Wisintainer.

 

Lição de garra e otimismo para enfrentar a doença

 

Jocemara Cristina da Silva, 43 anos, de Caxias do Sul, é um exemplo de vitória contra o câncer. Aos 38 anos, ela descobriu que tinha leucemia. "Estava fazendo compras e me senti mal. Fui ao posto de saúde e não saí mais. Fiquei oito meses no hospital fazendo tratamento", conta ela.

Hoje, Jocemara diz que sente-se muito bem . "Ainda tomo remédio para enxaqueca, mas é só isso", garante. "A cada seis meses, vou à hematologista fazer exames de revisão. Até agora, está tudo sob controle", afirma.

Jocemara acredita que sua força de vontade foi essencial. "Ao receber a notícia, perguntei: quando vamos começar o tratamento? Nunca pensei que ia morrer. Lembrava dos meus filhos, que precisavam de mim, e sabia que iria sair daquela situação", recorda. Ela também indica o apoio da família como fundamental. "Minhas irmãs até deixaram de lado seus maridos e filhos para cuidar de mim", observa.

Ela faz questão de citar o auxílio que ainda recebe da Liga Feminina de Combate ao Câncer de Caxias do Sul. "Elas me ajudam muito; com remédios, alimentos e apoio psicológico", destaca Jocemara. "Encontrei pessoas maravilhosas no meu caminho", lembra ela. "A psicóloga Nara Palombo, da Liga, me ajudou muito. Desabafava com a Nara, contava coisas que não queria dizer aos meus filhos, para não feri-los", explica.

"O câncer não é um mostro, tem cura. O importante é ter fé e não desistir, contribuir com o tratamento", aconselha Jocemara. "No hospital, muitos pacientes ficavam preocupados com a aparência. Não deve ser assim, primeiro precisamos pensar no tratamento", recomenda. "A beleza a gente recupera depois. Meus cabelos voltaram todos. Acho que estou melhor agora do que antes de entrar no hospital, há cinco anos", brinca Jocemara.

 

IGREJA

Bispos refletem sobre novos desafios

Assembléia Geral reúne bispos em Itaici de 9 a 17 de agosto

 

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil realiza, de 9 a 17 de agosto de 2005, em Indaiatuba, Itaici (SP), a 43ª Assembléia Geral da CNBB, com o tema "Evangelização e profetismo: novos desafios para a missão da Igreja". A assembléia deste ano deveria ter sido realizada de 6 a 15 de abril, mas foi transferida para o mês de agosto em virtude da morte do Papa João Paulo II, ocorrida no dia 2 de abril.

Estão previstos alguns momentos importantes na assembléia, que deverá reunir em torno de 330 bispos, além de mais de 120 assessores, observadores, secretários executivos regionais, convidados e pessoas que atuarão no serviço de apoio. Na abertura do evento, dia 9, os participantes serão saudados pelo núncio apostólico, dom Lorenzo Baldisseri. No dia 10, painel sobre Igreja e Comunicação, com participação da Rádio Vaticano, Rede Católica de Rádio e TVs de inspiração cristã.

Dia 11, à noite, momento cultural com apresentação da compositora irmã Míria Kolling e do cantor Sílvio Brito. No dia 13, os bispos fazem retiro, orientados pelo arcebispo emérito de Belo Horizonte, cardeal Serafim de Araújo Fernandes. O tema será a Eucaristia. No dia 15, às 17 horas, a assembléia faz a abertura das comemorações dos 50 anos da Cáritas Brasileira (matéria ao lado). No mesmo dia, às 18 horas, realiza-se celebração ecumênica, com a presença de representantes de várias Igrejas cristãs.

Evangelização - A Assembléia Geral é realizada ordinariamente uma vez por ano, mas pode ocorrer extraordinariamente, se algo exija que sua convocação seja requerida. Conduzida pelo presidente da CNBB (o atual é dom Geraldo Majella Agnelo, cardeal primaz do Brasil), a assembléia trata de assuntos pastorais de ordem espiritual e de ordem temporal e dos problemas emergentes da vida das pessoas e da sociedade, na perspectiva da evangelização.

Dela participam todos os bispos membros da CNBB e também podem ser convidados os bispos eméritos e bispos não-membros da CNBB, de qualquer rito que esteja em comunhão com a Santa Sé. Durante a assembléia se desenvolve uma extensa programação que inclui palestras, relatórios, análise da conjuntura sócio-cultural, reuniões de comissões, reflexões sobre o tema específico e outros assuntos, além de momentos de fraternidade entre os bispos.

Além do tema geral da 43ª Assembléia, sobre os novos desafios para a missão da Igreja, também serão abordadas algumas questões atuais como as biotecnologias e a dignidade humana, o compromisso da Igreja em favor da inclusão social, o testemunho da fé cristã e o pluralismo cultural e religioso.

 

Assembléia abre ano jubilar da Cáritas

 

A Cáritas Brasileira faz parte da Caritas Internationalis, rede da Igreja Católica de atuação social composta por 162 organizações, presentes em 200 países e territórios, com sede em Roma. Organismo da CNBB, foi criada no dia 12 de novembro de 1956 e é reconhecida como de utilidade pública federal. O nome Cáritas, em latim, significa caridade.

No Brasil, atua em praticamente todas as regiões, com uma mística e um trabalho ecumênicos, voltados para as questões sociais mais urgentes. Seus agentes trabalham junto aos excluídos, muitas vezes em parceria com outras instituições e movimentos sociais. Atualmente, a Cáritas Brasileira tem quatro linhas de ação, que incluem a defesa e promoção de direitos dos socialmente excluídos, o desenvolvimento solidário, as mobilizações cidadãs entre outras. Está presente em nove regionais. Mais informações pelo site: www.caritasbrasileira.org.

 

Papa aceita convite para visitar o Brasil

 

O Papa Bento XVI, que permanece de férias até esta quinta-feira 28 no Vale de Aosta, Itália, aceitou o convite feito pelo Santuário Nacional de Aparecida para visitar o maior centro de peregrinação mariana do Brasil. Segundo a assessoria do santuário, a Secretaria de Estado do Vaticano respondeu por carta a um convite formulado pelo arcebispo de Aparecida (SP), dom Raymundo Damasceno Assis, acenando com a possibilidade de uma visita apostólica do novo Pontífice à basílica e ao país.

 

Encontro vai destacar a pastoral familiar

 

Durante a 43ª Assembléia Geral, os bispos farão referência a um tema muito especial para a Igreja - a família. A CNBB já está oferecendo às dioceses, paróquias, organizações familiares e a todos os interessados nas questões familiares, o Diretório Nacional da Pastoral Familiar. O texto faz parte da coleção Documentos (série azul) da CNBB e foi aprovado pelos bispos na assembléia geral do ano passado.

Ao aprovar o Diretório, a CNBB quis afirmar a missão que é própria do bispo, no que se refere à família: fazer com que sejam sustentados e defendidos os valores do matrimônio na sociedade civil, através de justas decisões políticas e econômicas. No âmbito da comunidade cristã, incentivar e orientar a preparação adequada do casamento cristão e para a vida familiar, o acompanhamento dos jovens casais, a formação de associações de famílias para apoiar a pastoral no serviço às famílias, especialmente aquelas que enfrentam dificuldades ou estão em crise. Nesse sentido, o Diretório é rico em orientações e referências, recolhendo as experiências pastorais que vão se acumulando com o tempo.

 

A grande verdade passa pelo homem

Padre Zezinho

 

O homem faz de cada limitação uma razão para continuar na busca de si mesmo

 

João Evangelista, o autor do quarto evangelho de Jesus, afirma numa carta que também leva seu nome: "Se alguém diz: amo a Deus, mas não ama seu irmão está mentindo. Porque quem não ama seu irmão a quem vê, jamais amará a Deus a quem não vê. Não se ama a Deus sem amar o irmão".

João é claro: não se chega a Deus sem aprender a conviver com o ser humano. Há um quê de infinito no homem que é muito maior por dentro do que por fora. Limitado no espaço e no tempo, este estranho ser que teria vindo do macaco e um dia começou a andar ereto (Homo Erectus: 1,5 milhão de anos atrás?) descobriu que podia ultrapassar o seu limite porque sabia que sabia. Chegou à conclusão de que era o único ser vivo que tinha razão, consciência de seus limites e que era o único capaz de se auto-superar.

Incapaz de enfrentar os grandes mistérios, ignorante, mas teimoso a ponto de desafiá-los e perseguir uma resposta, o homem fez de cada uma de suas limitações uma razão para continuar na busca de si mesmo. Em se conhecendo melhor conheceria melhor o universo e se Deus existe, conheceria melhor o criador de tudo.

Enquanto os outros animais se adaptaram aos fatos e acontecimentos, ele tentou mudá-los. Não tinha asas para voar e criou o avião, não podia respirar sob as águas e inventou o submarino, não podia ver no escuro e inventou a luz, não podia ver longe e inventou as lentes e os telescópios, não podia ver microorganismos e inventou o microscópio. E, assim, inventou rodas para potencializar as pernas, inventou asas, inventou memórias, inventou o computador, inventou remédios e continua tentando respostas para cada limite que tem.

Sabe que sabe, sabe que não sabe, sabe que pode e sabe que não pode. É um ser que tanto pode melhorar o planeta quanto destruí-lo. É co-criador e é anticriador. A Terra lhe pertence e, desde que apareceu como humano, é com ela e contra ela que luta. Não há como fugir. O homem é desse planeta e filho desse planeta. E se tivesse vindo de algum outro lugar do Universo, seu infinito, sua marcha de pessoa humana começou aqui. E tem que se resolver primeiro aqui, se pretende viver, eternamente, não importa onde.

Mesmo que nunca a encontremos de maneira satisfatória, nossa vocação é buscar a verdade sobre o homem. Sem esta verdade, não chegaremos nunca à grande verdade. A grande verdade passa pelo homem.

 

Os gaúchos homenageiam dom Aloísio

Cardeal Lorscheider destaca-se na luta em favor dos empobrecidos

 

A Família Franciscana do Rio Grande do Sul e o deputado estadual frei Sérgio Görgen (PT) convidam a comunidade gaúcha para uma série de homenagens ao cardeal dom Aloí-sio Lorscheider. As atividades serão realizadas no dia 10 de agosto. Às 14 horas, ocorre sessão de Grande Expediente no Plenário da Assembléia Legislativa gaúcha. Às 19 horas, celebração de ação de graças na igreja São Francisco de Assis, em Porto Alegre e, às 20 horas, jantar de confraternização no salão de festas da paróquia.

A homenagem proposta pela Família Franciscana e por frei Sérgio é um reconhecimento dos gaúchos pelos relevantes serviços prestados por dom Aloísio à Igreja Católica e ao país. Frei Sérgio destaca especialmente o empenho do cardeal como defensor intransigente dos empobrecidos, dos excluídos da sociedade brasileira. Enérgico, nunca admitiu interferências de quem quer que fosse na sua luta em defesa dos direitos humanos. Conhecido dos generais da ditadura, travou uma batalha incansável pela redemocratização do Brasil e pelo fim das torturas.

No período em que foi arcebispo de Fortaleza (CE), promoveu uma intensa campanha em favor da reforma agrária e pelo fim dos conflitos no Estado. Na época, ocupava a presidência da CNBB, mas nem o importante cargo impediu que ele sofresse represálias e até ameaças de morte. Além da explosão de uma bomba caseira no jardim de sua casa, numa ocasião três homens armados tentaram entrar em seu quarto, mas foram descobertos a tempo.

Como se não bastassem os incômodos causados pelos fazendeiros nordestinos, em março de 1994 dom Aloísio foi vítima de um covarde ato de violência quando visitava o Instituto Penal Paulo Salasate, em Fortaleza. Depois de ser gravateado, ficou 18 horas como refém de dois apenados do presídio. Um mês mais tarde, estava de volta ao mesmo presídio, realizando a cerimônia do lava-pés nos detentos daquela penitenciária.

Destacou-se por seu engajamento político e foi um dos bispos que mais se empenhou pela elaboração de uma constituição nacional mais eficaz. Como jovem bispo, participou do Concílio Vaticano II e conta que foi uma das experiências que mais marcaram sua vida. "O concílio significou uma reviravolta em nossas vidas". Dom Aloísio reconhece que as mudanças provocadas pelo Concílio foram profundas e duradouras.

 

Um franciscano de renome internacional

 

Dom Aloísio, filho de José Aloysio e Verônica Lorscheider, nasceu aos 8 de outubro de 1924 em Linha Geraldo, Estrela (RS). Ingressou no seminário dos franciscanos de Taquari em 1941 e foi ordenado sacerdote no dia 22 de agosto de 1948, aos 24 anos, em Divinópolis (MG). No final de 1949 foi estudar Teologia Dogmática no Pontifício Anteneo Antoniano de Roma, onde doutorou-se em 1952.

De volta ao Brasil, lecionou no seminário seráfico de Taquari e, em seguida, foi nomeado professor de Teologia Dogmática em Divinópolis, onde permaneceu durante seis anos. Em 1958 foi chamado a Roma para lecionar Teologia Dogmática no Ateneo Antoniano. No dia 3 de fevereiro de 1962 foi nomeado bispo por João XXIII para a recém criada diocese de Santo Ângelo (RS). Exerceu o ministério episcopal nessa diocese por 11 anos.

Em 1973 foi nomeado arcebispo de Fortaleza (CE). Em 1976, aos 52 anos, Paulo VI tornou-se cardeal. Permaneceu em Fortaleza até 1995, quando João Paulo II transferiu-o para a arquidiocese de Aparecida (SP). Em janeiro de 2004, o Papa aceitou seu pedido de aposentadoria (direito que o Código Canônico permite aos bispos, quando completam 75 anos – Lorscheider tinha 79) e no dia 29 de março de 2004 tornou-se arcebispo emérito. Desde então, optou por voltar a sua província franciscana gaúcha, residindo na casa provincial, no bairro Ipanema, em Porto Alegre.

Como bispo e cardeal, dom Aloísio desempenhou importantes funções na Igreja, no Brasil e no mundo. Em 1968 foi eleito secretário geral da CNBB e, de 1971 a 1978, exerceu por duas vezes o cargo de presidente. Em 1972 foi eleito vice-presidente do Celam e quatro anos depois presidiu esse Conselho (1976-78). Também foi vice-presidente e presidente da Caritas Internacional, membro do Conselho Pontifício Cor Unum, membro da Congregação para os Bispos e membro da Congregação para o Clero. Membro do Conselho Pontifício da Cultura e da Congregação para os Institutos de Vida Religiosa e Vida Apostólica.

 

Crer no amanhã

Aldo Colombo

 

Vemos nosso amanhã de maneira míope, mas vale a pena continuar caminhando, pois no caminho estão as surpresas de Deus

 

Ao final de mais uma jornada, o velho monge, numa pequena gruta ao sopé da montanha, acendeu sua fogueira para espantar os animais e aquecer seu corpo na noite fria que se aproximava. Comeu um pedaço de pão velho e uma fruta colhida no bosque. Na verdade, ele estava sonolento, cansado - pior do que isso - começava a duvidar de sua peregrinação mística em busca de um sentido para a vida.

Ficou olhando para a fogueira e pensando na longa caminhada do dia seguinte. As brumas do sono chegaram logo e ele sonhou com uma montanha imensa, rochosa e banhada de sol. Lá em cima existia um ninho e nele, uma majestosa águia preparava-se para levantar vôo. Mergulhou no céu, deu duas voltas e partiu, deixando dois ovos no ninho aquecido.

Um sussurro de voz partiu de dentro de um dos ovos: está esfriando! Assim a gente não vai chocar nunca, respondeu o companheiro. E o diálogo continuou: como será a vida além da casca? Se é mesmo que existe vida depois... Ninguém voltou para contar como é. Eu gostaria de ter alguma prova de que somos mais do que isso, mais do que dois ovos brancos e sem graça. Tenha fé, respondeu o companheiro, somos feitos à imagem e semelhança da mãe, um dia sairemos daqui e voaremos pelos espaços azuis e infinitos. E o diálogo não continuou porque a águia voltara ao ninho e um suave calor os envolveu.

Depois passaram-se longos dias e noites. Por vezes, a mãe desaparecia e as dúvidas voltavam. Eles gostariam de saber o que existia mesmo do outro lado da casca, caso existisse o outro lado. É possível que sejamos ovos chocos, sem futuro, argumentava o mais pessimista.

E num dia qualquer, perceberam um barulho estranho. O que será mesmo? Isso me assusta! A casca se havia rompido e uma luz muito forte envolveu as duas pequenas aves. Ali estava a mãe, mais adiante às montanhas, o céu azul, paisagens jamais imaginadas.

E o velho monge acordou, o sol esquentava sua face e mil pés acima dele estava uma imponente águia real. Esfregou os olhos, sorriu e pegou de seu cajado e continuou a caminhada.

Assim é a vida. Andamos na penumbra e, às vezes, nossas certezas desaparecem. A caminhada fica sem sentido e o futuro passa a ser imaginado como ilusão. Nunca ninguém voltou para explicar como é. Nossos horizontes são curtos e nossas expectativas do tamanho do pequeno mundo que nos envolve. A miopia é o nosso modo de ver o amanhã. E isso, se o amanhã existir!

O apóstolo Paulo também se interrogava sobre o futuro. Um dia lhe foi revelado como seria o depois e resumiu esta experiência dizendo: "Os olhos jamais viram, os ouvidos jamais escutaram, o coração jamais imaginou o que Deus prepara para aqueles que o amam! (1 Cor 2,9). São as surpresas de Deus. Vale a pena continuar caminhando.

 

Josefinos celebram jubileu sacerdotal

Jubileus de ouro e de prata serão comemorados em Fazenda Souza

 

A província brasileira dos Josefinos de Murialdo, com sede em Caxias do Sul, celebra no dia 31 de julho o jubileu sacerdotal de três membros da congregação – do padre Severino Caldonazzo (50 anos de sacerdócio) e dos padres Joacir Della Giustina e Luiz Carlos Maciel dos Reis (25 anos de ordenação sacerdotal).

Para viver com mais intensidade esse momento de graça, os josefinos realizam, de 28 a 31 de julho, no Centro de Eventos Murialdo, em Fazenda Souza, o "Encontro de Espiritualidade" sobre a mística e a espiritualidade do seguimento de Jesus. O encontro terá como momento culminante a celebração solene desses jubileus, com missa de ação de graças às 10 horas. Em 2006, a congregação realiza o XXI Capítulo Geral.

Os jubilandos - Padre Severino Caldonazzo nasceu em Vicenza, Itália, aos 16 de dezembro de 1927. Chegou ao Brasil em novembro de 1951, como missionário. Foi ordenado sacerdote em Garibaldi (RS) no dia 11 de dezembro de 1955, por dom Benedito Zorzi. Nos seus 50 anos de sacerdócio, exerceu seu ministério em Fazenda Souza; foi pároco em Caxias do Sul, São Paulo (SP) e em Planaltina (DF); atuou no seminário de Orleans (SC); foi ecônomo provincial por dois mandatos e, atualmente, é pároco da paróquia Cristo Bom Pastor, em Londrina (PR).

Padre Joacir é natural de Braço do Norte (SC), onde nasceu aos 9 de novembro de 1952. Foi ordenado sacerdote em sua cidade natal no dia 13 de dezembro de 1980. Trabalhou em Araranguá e atualmente em Caxias do Sul. Dedicou praticamente todo o seu tempo de apostolado junto às crianças e adolescentes em situação de risco, com a Pastoral do Menor, tendo sido coordenador nacional; e no campo da educação.

Padre Luiz Carlos nasceu no dia 23 de março de 1948, em Porto Alegre. Foi ordenado padre no santuário de São José de Murialdo, na capital gaúcha, aos 7 de dezembro de 1980. Nesses 25 anos de sacerdócio foi promotor vocacional, professor e diretor do seminário josefino de Fazenda Souza. Hoje é diretor da comunidade josefina do Guará I, vice-presidente da Casa Família Murialdo e vigário paroquial da paróquia São Paulo Apóstolo, em Brasília (DF).

 

Fonte Colombo promove curso de capacitação DST/Aids

 

Buscando qualificar pessoas para o engajamento aberto da Igreja no mundo da Aids, a Casa Fonte Colombo, juntamente com a Pastoral de DST/Aids - CNBB do Regional Sul 3, promovem de 29 a 31 de julho, curso de capacitação de agentes para trabalhar com portadores de HIV. O objetivo é aprimorar e formar pessoas para atuarem nas comunidades gaúchas, sobretudo as mais carentes e desprovidas de informações.

O curso será realizado no convento dos freis capuchinhos, no bairro Santo Antônio do Partenon, em Porto Alegre. Qualquer pessoa pode participar, independente de credo religioso. Os interessados em se qualificar podem entrar em contato com a Ong Casa Fonte Colombo, pelo telefone (51) 3346.6405.

Simpósio - No final de junho a Casa Fonte Colombo promoveu o Simpósio Latino-americano e Caribenho de reflexão da Igreja Católica no mundo da Aids, com representantes de diversos países da América Latina e do Timor Leste. Encontro ocorreu em Porto Alegre

 

Caridade à distância

Wilson João

 

Há campanhas sem coração, sem amor, de sobras. Valem muito pouco porque o que vale é o estar junto, é o sorriso, é o abraço

 

Vivi uma experiência linda numa celebração de Natal. Foram feitos muitos preparativos para a noite de Natal. E a noite foi linda: música, luzes, mensagens, cantores... Tudo lindo! Muita criação em torno do fato. Coisas de encher os olhos. E no meio de tudo isso fiz algo diferente. Alguém me propôs: "vou fazer uma oferta de carne para vinte famílias. Você que conhece mais os necessitados da cidade, pode fazer esse trabalho por mim?" Topei. Busquei os sessenta quilos de carne. Reuni as vinte famílias. Fiz uma oração com elas. Conversei. Abracei. Entreguei a cada um pessoalmente o pacote. Voltei depois, um tanto apressado, para preparar bem a celebração da noite de Natal. E tudo foi lindo. Passado o Natal, e tomando o Natal em minhas mãos, pude perceber que de tudo o que fiz, pensei e realizei, somente uma ação encheu o meu coração, muito mais do que os olhos. Esqueci todos os "Feliz Natal, abraços, músicas, belezas, presépios" e somente lembrei-me de um fato: o sorriso e o abraço de quem entreguei pessoalmente um bocado de carne. Só ficou o que meu coração tocou.

HÁ CAMPANHAS DE AGASALHO SEM CORAÇÃO. Campanhas de sobras. De limpeza de casa. De botar fora o que não presta. De desfazer-se. Tudo sem coração e sem amor. Vale muito pouco um gesto pessoal sem amor. Se torna um gesto frio. Sem coração. O bonito é o tu a tu. É o contato pessoal. É o olhar nos olhos. É ver o sorriso. É o abraço.

HÁ CHEQUES FRIOS, mesmo tendo validade. Frios de relacionamento. Descarga de consciência. Ajuda a entidades a longa distância. É o medo do cheiro do pobre. Tem muito medo de cheiro de pobre no meio burguês. A sociedade hipócrita continua organizando chás beneficentes, que satisfazem o ego e o estômago dos participantes, e se contenta em dar as sobras para organizações de caridade.

O QUENTE DA RELAÇÃO É O ESTAR JUNTO. É o mais difícil, mas o mais gostoso. É o que fica. É o que realiza. Caridade à distância tem muito pouco valor, porque não transforma. O que ajuda é a presença, é o nome que a gente fala, é a mão que a gente aperta, é o corpo sofrido que a gente abraça.

UM DEUS PERFEITO NOS ABRAÇA. É abraço de Jesus. Sendo Deus perfeitíssimo, se fez Jesus, quer dizer, um corpo nascido de uma mulher, Maria. Não significa que Ele "sujou-se", mas assumiu nossa vida, nossas dores, nossa fome, nosso cansaço, nossas limitações. Abraçou a cada ser humano que se deixou abraçar. É o estar junto para estender a mão e erguer. Podia ter decretado lá dos "altos céus": sejam todos salvos e realizados pela minha vontade e poder! Não fez nada disso. Não mandou cheques, não fez campanhas beneficentes. Seu sangue foi o cheque da salvação. Ele nos preparou a Ceia beneficente da vida.

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

O italiano que está em você

Cláudio Brasílico Dalla Coletta

Odontólogo e escritor

 

Cláudio Brasílico Dalla Coletta mereceria o Prêmio Nobel da Italianidade. Diz:

"Chamo-me Cláudio Brasílico Dalla Coletta, filho de Luiz Antônio Sanson Dalla Coletta e Ermelinda Pagnoncelli Dalla Coletta. Meus avós paternos procedem de Cordignano (Treviso) e os maternos, de Ciserano (Bérgamo).

Papai me deu este nome, devido a seu apreço pelo Brasil, pois quando nasci, a 5-6-1942, acontecia a II Guerra, e os imigrantes italianos e alemães eram chamados de quintas-colunas.

Desde menino, ouvi papai falar da cultura italiana. Citava pensamentos de italianos famosos, como: - Mussolini: "I popoli che non rispettano le leggi marciano alla rovina" - "Os povos que não respeitam as leis caminham à ruína." - Manzoni: "Non si sa se piangerli, o compiangerli." "Não se sabe se chorar ou deles se compadecer." - Dante: "Lo sap-prai come sa di salle il pane altrui, e come è duro salire e scendere le scalle altrui." "Saberás quão salgado é o pão dos outros, e quão difícil é subir e descer as suas escadas."

Com mamãe visitava meus avós, e ela sempre me recordava que seus nonos vieram de Bérgamo. E eu, curioso, perguntava:

- Onde fica Bérgamo?

- Não sei, é na Itália. Respondia ela.

Os comentários de meus pais me despertaram o desejo de conhecer o país dos antepassados. Alfabetizado em casa, ingressei no bom Ginásio Divino Mestre dos Irmãos Maristas. Matricularam-me no 2° ano. De certo pensavam que se eu não agüentasse o ritmo, me fariam retornar ao 1° ano. Mas dei a devida resposta, com boas notas, sem qualquer reprovação. Concluído o primário e o ginásio, estava na primeira encruzilhada da vida. Pretendia continuar a estudar. Mas os recursos da família me sugeriam estudar e trabalhar. Migrei para Porto Alegre, como funcionário da PUC, onde ouvi, maravilhado, os colegas e os irmãos cantarem, em Talian, canções cantadas pelos agricultores de Veranópolis.

Durante o Curso de Odontologia, assistia apresentações, corais, teatros... de outras cidades. Surgiu em mim o desejo de promover o crescimento cultural da minha Veranópolis, desejo que discutia com conterrâneos migrados. Expusemos a idéia a amigos residentes na nossa cidade, plantamos a árvore e nasceu o Centro Cultural de Veranópolis!

Em 1993, meu grande sonho se fez realidade - eu e minha esposa fomos à Itália! Mesmo com as seqüelas de um acidente vascular, consegui realizar a viagem!

Sou casado com a veranense Ivone Baggio Mantovani. Dela recebi marcante lição de italianidade através de sua avó, Josephina Pinotti, falecida com 108 anos, alimentando ainda o desejo de rever a sua Bergantino, pequena cidade próxima ao Pó. E eu fico a pensar - Que motivo faz uma velhinha débil e trôpega alimentar, até o último dia, o desejo de retornar ao seu torrão natal?

Talvez a resposta esteja na magnífica afirmação do historiador das imigrações, Prof. Telmo Lauro Müller:

- Quem não sabe de onde vem, não sabe quem é, nem para onde vai.

Temos três filhos: Daniel, Cláudia e Miguel. E quatro netos: Bruna, Bianca, Giovanna e Victor. Quanto mais eu conheço os italianos, mais feliz eu me sinto por ser um deles."

Cláudio vive e revive a italianidade dos sonhos dos seus antepassados, traduzida na forma como eles fizeram a América trabalhando, cultivando a família, a amizade com todos e a fé em Deus. Cláudio pode dizer, com Giovanni Papini:

- Luto e trabalho como se fora imortal, e vivo como se tivesse que morrer a qualquer momento.(Rovílio Costa)

 

EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (315)

La mussa Pierina se spaca na gamba

Eduardo grigolo

Professor, Jundiaí - SP

 

Passada na stimana in tea casa dei Grìgoli, gera ora de méterse in viaio nantra volta. Alora, Nanetto el se ga despetolà dei so amici, lu e la so Pierina e via per strada. Ma, conforme el ndea avanti, col sol alto, el ga descoerto che la strada la fumeghea e le sate dea Pierina le gera drio restar rosse de tan calde che le restea. Con quelo, la caminada no la ndea avanti come in tel scomìnsio del viaio. E pi insù, pi caldo ancora. Alora, un talian, ciamà Mastelaro, paron de un posto de riposo per viaianti, el ghe ga insegnà na maniera diversa de guadagnar tempo sensa strussiar la musseta:

- Varda qua, Nanetto, parché no te fa così, a le cìnque de sera te te instrada e te viaia fin el di drio, là par le nove. Alora te cata un riposo par ti e par la to bèstia e intanto che ze caldo, te dorme e la to mussa la riposa anca ela. Perché, conforme te va avanti, più caldo resta. Ghetu capio quel che te digo?

- Ma, in tel scuro la me Pierina la pol sbaliarse o sinò cascar te un perao, infine, spacarse e spacarme anca mi, Signor Mastelaro!

- Nò, nò! Te pol créderme, i animai i vede tanto de di quanto de note, col ciaro del sol o dela luna. Lo stesso i vede de note, anca sensa luna.

- No sò mia mi nò!...

- Proa, alora! Se no te te costuma, ritorna a viaiar de di e riposar de note, caro!

- Ben, ben, alora femo la speriensa...

Così el ga fato. La prima note, tuto ze ndà come el ghe vea dita Mastelaro. La Pierina parea che la zolea de tanta disposission che la vea. E Nanetto el ghe osea parole de stìmulo:

- Eia, Pierina vècia, ze ben così che se fa. Te mèrita na madaia. Co rivarén, ghe cromparò una par métertela tel col, carìssima!

Parea che la Pierina la lo scoltea, parché la so disposission sevitea ndar insù. La mussa no la se strachea. Ga pensà Nanetto: "Che bon omo sto Mastelaro. El ga copà due cunici con una bastonada sol". Col fredeto dela note, me par che’l sentiero se scurtea".

Ma, come dise la sentensa: "Tuto quel che ze bon, dura poco". In tea seconda note, la strada gera drio sbrissiar, vea piovesto, e la Pierina la ga sbrissià riva indó, per longhi sete metri e la se ga fermà dopo meter la sata drita rento de un buso. La se ga spacà la gamba e co la tómbola la ga butà Nanetto e le traie distante diese metri. La tragèdia no la ze stata più dramàtica, parché el ze cascà sora un mùcio de segadura. Ben vero che’l ze stà impirà co la testa intiera rento, che squasi el ze restà sensa ària. Sùbito ghe ze capità diverse persone in suo aiuto. Con lu gnente, fora el spavento, ma poreta dela Pierina, co na gamba spacada in due tochi. Par sorte un dei salvadori gera un dotor veterinàrio e el ghe ga fato na ligadura tea gamba malada e el ghe ga racomandà a Nanetto:

- Solo dopo quaranta di de riposo assoluto, te pol ritornar al viaio!

- Santa me Nona! Ghe dise Nanetto, cosa vao far mi?

- Te pol sentarte per no stracarte, ghe dise el Dotor Gambotta. Se te vol, te pol restar in tea me casa. La ze granda e, par intanto, semo solo mi e me dona, Siorina Gambetta. Aldelà de esser darente dela to mussa e giutarghe in te la so recuperassion.

- Mi te ringràssio, caro Dr. Gambotta. Posso giutarghe a la Siorina Gambetta in tei afari de casa, come scoar el curtivo, taiar legna, palpar galine, far polenta, cangar i bo etc.

Dopo rider a bastansa, el Dr. Gambotta ghe ga spiegà a Nanetto che par i afari domèstichi el vea due aiudanti, un omo par far i mistieri più fadigosi e so fémena, par giutarghe a lavar, passar, netar la casa e cusinar. No i vea punaro e gnanca galine par palpar.

 

VITA STÒRIA E FRÒTOLE

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

Balare col diàolo

Domingos Ghisleni

Agente do CR, Espumoso – RS

 

Quando sèrimo de star in Jacarezinho, Encantado-RS, zera còmodo per ndar a messa a la doménica e altre feste. Se ndea a la Ricarda, un paese ben vessin. Se passava par la strada mulatiera, ciamada Passo del Zeferino. In meso sorgeva na balanta. I paroni de sta balanta i seitea invitar i passanti, giusto quei che i ndava a messa, i ghe osava:

– Vegnì balare a casa nostra! Ma tuti i ghea paura del balo, parché ze un afar del diàvolo. Ma, un giorno, la Gelina, na tosa sbirba, la ga volesto ndar te la balanta balar. So mama ghe ga mostrà che zera pecato, cosa del diàvolo. Ma la Gelina la zera decisa:

– Sia quel che sia, mama, mi vao lo stesso, gnanca se go da balare pròprio col diàvolo.

– Te pol ndar, lora, ma insieme con to fradel che, al manco, el te tende. Pregarò al Signore che’l gàbia pietà de ti!

- Co i ze tornadi a casa, so fradel dela Gelina el ghe spiega ala mama cossa ze sucesso tel balo. La Gelina la balava co un strànio, un omo bruto come na note de tempesta, con le sate da mul, come se’l fusse na bèstia e a torno, na spussa trista de sólfero! Per sorte che’l ze spario suito. Zera pròprio el diàolo, disea le persone. Desso semo sicuri che’l diàolo esiste, e el serca sempre de desgrassiar le persone disobediente a la lege de Dio. Lora, bisogna star sempre in gràssia de Dio, che, lora, el diàolo el stà sempre distante.

 

Me par che te vien dal Borgo

Cláudio Dalla Colletta

Dentista, Porto Alegre - RS

 

Me mama Ermelinda me contava che quando me nona o na me zia la portava el magnar in tola, el zio Samuel el gavea sempre na gran fame. Lu el tirea zo suito, el impienia el piato e el se metea magnar come se’l gavesse el tempo contà. E me bisnona Felìcita la vardava e la disea:

– Ma che fame che te ghè! Par che te vegni del Borgo. Lora mi ghe domandava a me mama cosa volea dir sto Borgo? E la mama la me rispondea:

– No sò, to nona la disea sempre così.

Nei ùltimi vinti ani, me son messo a rissercar la stòria dei noni, par catar fora i posti de dove i ze vegnesti. El bisnono Alessandro el ze nassisto in Bottanuco, rente Sotto il Monte, dove ze nassisto el Papa Giovanni XXIII, e rente Caravaggio, dove la Madona la se ga fato véder a na tosa che laorea in colònia.

Ancora zóveno, el nono el ze ndà star in Borgo Canale, tel capo provìnsia de Bèrgamo.

Lora la nona la volea dir che come el nono el ga soferto tanto, anca la fame, prima de vègner inquà, come tuti i migranti, co’l rivea rente el magnar zera na cosa del altro mondo, dea alegria de cavarse la fame.

Rason gavea el apòstolo dei migranti, Giovanni Battista Scalabrini, quando el disea:

– "Pàtria ze quela che ne dà condission de guadagnar el pan par vìver."

E el nono Alessandro el ze vegnesto in Vila Azul, in San Marco de Veranòpolis, e el ga scominsià guadagnarse el pan par lu e anca par noantri.

 

GERAL

Veranópolis abre Centro de Agricultura Familiar

Local vai capacitar produtores para o uso de novas tecnologias

 

O Centro de Agricultura Familiar - Formação Gerencial e Reconversão da Pequena Propriedade Rural, de Veranópolis, foi inaugurado pelo governador Germano Rigotto na última segunda-feira, 25. Foram investidos R$ 620 mil na construção de auditório, salas de aula, dormitórios para 40 pessoas, refeitório e administração, que totalizam 860 metros quadrados. O centro funcionará como local de capacitação de produtores rurais para utilizar novas tecnologias e formas de gestão de suas propriedades.

O empreendimento atende a uma reivindicação da Consulta Popular e foi viabilizado por meio de parceria entre a Fundação de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Sul (Fepagro), a Universidade de Caxias do Sul (UCS), a prefeitura de Veranópolis e o Conselho Regional de Desenvolvimento (Corede). "O Rio Grande do Sul tem como bases o setor primário e a agricultura familiar. O apoio do governo do Estado à decisão do Corede de buscar investimento fará deste centro uma referência para todo o país", afirmou Rigotto durante a inauguração. O prefeito de Veranópolis, Valdemar De Carli, afirmou que o novo centro é um estímulo à agricultura familiar em benefício não apenas de Veranópolis, mas de 33 municípios.

 

50 mil visitam a Feira de Inverno

 

Os resultados da 16ª Feira de Inverno de Flores da Cunha, encerrada no domingo 24, agradaram organizadores, patrocinadores e expositores. Nos cinco finais de semana do evento, mais de 50 mil pessoas estiveram no Parque da Vindima, resultando num excelente volume de comercialização de produtos. "A 16ª Feira de Inverno foi sucesso de público e recorde de vendas", afirmou a presidente da Feira, Maria de Grandi. No encerramento, o tradicional show de prêmios contemplou dez visitantes, que ganharam elotrodomésticos.

O Centro Empresarial e a Prefeitura de Flores da Cunha já estão mobilizados para a organização da Feira da Vindima, que acontecerá nos meses de fevereiro e março de 2006.

 

Tecnoplast mostra mundo do plástico

 

Foi aberta nesta terça 26 e prossegue até o dia 29 de julho, nos pavilhões da Festa da Uva, em Caxias do Sul, a 3ª Feira de Tecnologias para a Indústria do Plástico, Borracha, Moldes e Matrizes (Tecnoplast). A feira é realizada pelo Simplás, entidade patronal que representa 370 empresas do setor na Serra gaúcha e nove mil trabalhadores.

A Tecnoplast conta com mais de 220 expositores de todo o país e também do exterior, que reúne empresas dos setores de transformação de plástico, produtores de resinas plásticas, máquinas, equipamentos, acessórios, ferramentas, moldes produtos orgânicos, entre outros. De Caxias do Sul participam empresas como Autotravi, Randon, Kae, Masterpol, Sulbras e Morquímica.

 

Antônio Prado espera 7.000 pessoas na 25ª Noite Italiana

Evento será realizado dias 6 e 13 de agosto

 

A mesa farta, a música e a alegria estão de volta ao centro de eventos de Antônio Prado, na Serra gaúcha. A Câmara de Diretores Lojistas e a Prefeitura promovem, dias 6 e 13 de agosto, a 25ª edição da Noite Italiana - evento que integra as comemorações dos 130 anos de imigração italiana no RS.

"Estamos preparados para receber 7.000 pessoas nas duas noites", diz o presidente da festa, Rogério Beltrame. Para saciar a fome dos participantes, os organizadores vão oferecer duas toneladas de galeto, 1.500 quilos de polenta (frita e brustolada), 400 quilos de salame, 450 quilos de queijo, 350 quilos de copa, 200 quilos de pepino, três mil pãezinhos. E, é claro, vinho, muito vinho - cerca de 4.000 garrafas. Não é suficiente? Pois tem mais: merengues, biscoitos coloniais e café preto.

A fartura gastronômica vem acompanhada de boa música, espaço para dançar, shows, formando um ambiente alegre e descontraído. Para servir a todos, estão sendo mobilizadas 500 pessoas, entre elas 150 garçons.

O evento ganhou tanta repercussão que recebe excursões de Santa Catarina, da Grande Porto Alegre e de outras regiões do Estado, além de tradicionais freqüentadores locais e de municípios vizinhos. A 25ª Noite Italiana inicia, nos dois sábados, às 20 horas. E segue até as 2 da madrugada. O ingresso custa R$ 25,00 antecipado (até o meio-dia do sábado) ou R$ 27,00 no local.

 

Arroio do Sal faz festa para pescador e peixe

 

Arroio do Sal, no Litoral Norte gaúcho, está retomando a Festa Estadual do Pescador e do Papa-terra. Será de 28 a 31 de julho. O evento tem como uma das características a gastronomia baseada no papa-terra, mas também oferece anchova, tainha e outros peixes marinhos. "Nossa praia cultua o profissional da pesca, mas vamos homenagear também o peixe mais conhecido do Sul", explica o prefeito João Luiz da Rocha, que junto com a primeira-dama Solange, assessores, rainha Priscila Rosa da Silva e princesas Thamara Klein e Aline da Silva Machado, visitou o CR.

A Festa tem ainda entre suas atrações shows-bailes (no sábado, o grupo Acústicos e Valvulados lança CD), campeonato de pesca, encontro de motoqueiros e dos prefeitos do Litoral Norte. "Esperamos não só resgatar, mas tornar esse evento permanente em Arroio do Sal", afirma o prefeito.