
DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 4.948 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 3 de agosto de 2005.
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Desencanto com a política é o maior perigo da crise atual
Como na lenda grega o rio da ética e da indignação precisa varrer a corrupção que atinge os poderes da República
A inigualável mitologia grega criou a figura de Hércules e sua força descomunal. Entre os seus doze grandes empreendimentos, destaca-se a limpeza das estrebarias do rei Augeas. Houve um relaxamento na limpeza das cavalariças, onde se alojavam milhares de cavalos. Tamanha era a sujeira que não havia quem se dispusesse a assumir a tarefa e, mesmo que houvesse alguém disposto, não teria como limpar os estábulos. Hércules resolveu o impasse fazendo passar por eles um grande rio, deixando as instalações limpas.
A clássica lenda grega, de alguma maneira, ilumina a realidade brasileira. A cada dia surgem novas denúncias sobre a sujeira que se acumula nas cavalariças reais, nas diversas instâncias do poder. Mesmo admitindo-se alguma euforia denuncista, já está demonstrada gigantesca corrupção. E – certamente – novos dados brotarão das CPIs. O conformismo substitui o protesto. Não há demonstrações populares e as famosas caras pintadas da era Collor parecem não acreditar no panorama atual.
A cidadania e o protesto, no passado, escreveram páginas memoráveis. É o caso das Diretas Já e da mobilização contra Collor. Tinha-se a impressão que o Brasil viveria feliz para sempre. E o desencanto, agora, é maior, no momento que a maioria imaginava a chegada da ética ao poder.
Diante do quadro preocupante da política nacional, dois fantasmas devem ser exorcizados. Não será com mais um impeachment presidencial que a situação será revertida. Pelo contrário, tal tentativa colocaria o país no risco de uma grave convulsão social, com desfecho imprevisível. Outro perigo – quem sabe maior – é o desencanto. Os políticos são todos iguais, reclamam alguns. Outros mostram a disposição de anular o voto em futuras eleições. Isso não pode acontecer. A cidadania ainda não usou toda sua força e capacidade. Uma imprensa livre deve continuar denunciando e o eleitor precisa renovar a consciência de que ele é o sinalizador do futuro do Brasil.
À semelhança de Hércules, precisamos que o rio da indignação e da ética limpe essa descomunal estrebaria da corrupção. E a ética não deve ser exclusiva dos governantes. É compromisso de todos nós, nas grandes e pequenas decisões diárias.
Criado policiamento comunitário
Efetivo está dividido em equipes para atuar em 26 macrorregiões
O 12° Batalhão de Polícia Militar implantou um novo modelo de atuação para combater a criminalidade em Caxias do Sul. Trata-se do policiamento ostensivo comunitário, que prevê o envolvimento da comunidade no combate à violência.
Para cobrir todas as áreas do município, o efetivo de 586 policiais militares foi dividido em turnos para atuar em 26 macrorregiões. As equipes são formadas por cinco ou dez soldados, de acordo com a abrangência de cada área, para fazer o patrulhamento durante 24 horas. A idéia é manter os mesmos policiais em cada região, para criar um vínculo com os moradores. O objetivo é trabalhar em conjunto com as lideranças comunitárias, realizando reuniões esporádicas para avaliar o sistema. Para implantar o novo modelo, os soldados foram treinados, com curso sobre como tratar a comunidade, garantia de direitos do cidadão e relações humanas.
Das quatro Companhias de Policiamento da cidade, três estarão diretamente envolvidas com o novo sistema. A quarta companhia funcionará como uma espécie de reserva do comando para atender ocorrências que exigem grande mobilização de policiais, com pelotão de choque, patrulha banco e lotérica, policiamento com cães e a cavalo. Inicialmente, as ocorrências continuarão sendo atendidas pelo telefone 190, que repassará as informações para as companhias responsáveis pelo deslocamento dos policiais à região determinada. Mais tarde, a intenção é firmar parcerias para disponibilizar celulares para cada macrorregião.
Campanha do Agasalho beneficia 207 entidades sociais
A Campanha do Agasalho 2005 arrecadou 168.441 peças de roupa que beneficiaram 207 entidades sociais. Também foram doados 165 móveis, 807 brinquedos, 2.929 quilos de alimentos e 494 itens de utilidades domésticas. Em 2001, primeiro ano da campanha em Caxias, foram arrecadadas 8.830 peças e no ano passado, 110.188.
Para a próxima campanha, que deve iniciar em 13 de maio de 2006, a intenção é fortalecer o projeto Fabricação Solidária, que incentiva confecções a doarem a produção de um dia de trabalho, por exemplo. "Através do projeto-piloto realizado em duas empresas sentimos que o período mais propício para essa ação é o final do ano, quando os pedidos são menores", explica Mario Guilherme Sebben, coordenador da campanha. Também haverá maior divulgação do Estoque Solidário, em que o comércio doa artigos estocados que seriam vendidos em promoções.
Atividade leiteira exige conhecimento e dedicação
Em Veranópolis, na Serra gaúcha, as comunidades de São Gotardo, Santo Isidoro, Nossa Senhora da Pompéia e Nossa Senhora da Glória formam um microbacia leiteira constituída por cerca de 60 produtores familiares que entregam em torno de 8.000 litros diários de leite à Cooperativa Santa Clara, de Carlos Barbosa. Com uma produção média diária de 1.000 litros, as famílias dos irmãos Flávio e Rui Dal Pizzol, de São Gotardo, são as maiores produtoras da região. Tradicionalmente, como era comum na agricultura familiar desenvolvida pelos imigrantes italianos e seus descendentes, a família Dal Pizzol produzia um pouco de tudo: leite para consumo, uva, tungue, suínos, milho, trigo, aves, batata, feijão, arroz, erva-mate... Mas chegou o momento da especialização e dedicação a uma atividade prioritária, e a opção foi pela produção de leite, limitando outros cultivos às necessidades de consumo doméstico. A mudança ocorreu no final da década de 1970, quando a Santa Clara começou a recolher leite em Veranópolis. Na entrevista, Flávio (agente do CR, em São Gotardo) e Rui mostram que a vaca é cheia de exigências e pede muito trabalho e sacrifício ao seu criador.
Juvêncio Mazzarollo
Jornalista, especial para o CR
Correio Riograndense – Vocês se arrependem de ter optado pela produção leiteira, ou acham que fizeram a escolha certa?
Rui – Não estamos arrependidos. Apesar das dificuldades, é uma atividade que dá bons resultados, embora exija muito trabalho. O produtor de leite deve se acostumar ao trabalho como ao ar que respira. Nós estamos na chamada agricultura familiar e não temos empregados, por isso as vacas nos dão trabalho nos 365 dias do ano.
Flávio – De minha parte, às vezes, houve arrependimento. Fico pensando se não tínhamos alternativa melhor. Mas para a nossa região o leite está sendo um bom negócio, porque permite planejamento, projeção da produção e ganho, o que é mais difícil com as safras agrícolas.
CR – Vê-se que a vaca de raça holandesa reina quase absoluta na região. Ela é realmente a melhor?
Rui – É um animal especializado na produção de leite, só que junto vem um monte de problemas, as doenças. Para reduzir essa vulnerabilidade, o certo é fazer cruzamento de raças para que os animais tenham certa rusticidade e possam resistir mais a doenças e alcançar maior longevidade. Animais mais rústicos são menos exigentes também quanto à alimentação. A vaca holandesa exige uma alimentação balanceada, caso contrário ela descalcifica facilmente.
CR – Quando é que uma vaca se torna inviável e precisa ser eliminada do rebanho?
Flávio – Para ser mantido no plantel, o animal precisa ter três qualidades: saúde, longevidade e boa produção. Um animal, durante sua vida produtiva, deve ter no mínimo cinco crias, cinco lactações boas, sem apresentar problemas, caso contrário precisa ser descartado. O ideal é a vaca ter até sete lactações (uma por ano) sem apresentar problemas.
Rui – Não se pode, como muitos fazem, levar em conta só a quantidade de leite que uma vaca produz para definir se ela é viável. Uma vaca que tem produção elevada de leite pode dar prejuízo se for muito suscetível a doenças, abortos, infertilidade ou vida curta. Mas, mesmo saudável, a vaca precisa ter uma produção média de no mínimo 15 litros para ser mantida no plantel. Se produz menos que isso, dá prejuízo e tem de ir para o açougue.
CR – Quais são os maiores problemas que vocês enfrentam com o rebanho?
Flávio – A área mais problemática é a da reprodução. O certo seria cada vaca ter uma cria por ano, mas é difícil conseguir essa média. Uma série de problemas genéticos altera esse programa. É vaca que desperdiça a inseminação porque não pega cria, é vaca que aborta e assim perde tempo de lactação...
CR – E a mamite, ou mastite, continua sendo um flagelo para o gado leiteiro?
Flávio – Infelizmente, onde tem produção de leite tem esse problema: a inflamação do úbere, a mamite ou mastite. É o problema mais comum e freqüente, uma das principais causas de descarte de uma vaca. Estoura a glândula mamária e o animal fica imprestável, candidato ao açougue. Existe medicação eficiente, mas tem de ser aplicada logo que a doença se manifesta, senão pode não ter mais volta. À medida que a vaca vai envelhecendo torna-se mais vulnerável. Os problemas relacionados à reprodução e a mamite representam 80% das complicações do gado leiteiro. Os outros 20% são problemas secundários, menos graves, mais facilmente tratáveis e menos freqüentes.
CR – Mas para a vaca ter bom rendimento, além de saúde, precisa de um programa "fome zero", não? Qual é a base alimentar do seu rebanho?
Rui – Realmente, uma vaca tem de comer muito para produzir bem. A base alimentar do nosso rebanho é o milho, que nós mesmos produzimos numa área de 23 hectares. Da produção, com 70% é feita silagem e com 20% é feito o chamado grão úmido. Os outros 10% são usados mais em forma de farinha. Outra base alimentar são as pastagens. As gramas e os potreiros são coisa do passado, que só servem para o gado passear. Tem que ter pastagem diferenciada para cada período do ano, e complementar o cardápio com ração à base de soja e sais minerais.
CR – Então, vaca leiteira é comilona. Quantos quilos de alimento uma vaca consome por dia para ter bom rendimento?
Rui – Precisa comer o equivalente a 10% do seu peso. Uma vaca de bom porte, que pesa cerca de 700 quilos, precisa comer 70 quilos de alimento por dia.
CR – Quanto dos insumos consumidos pelo gado não são produzidos por vocês e precisam ser comprados?
Flávio – Aproximadamente 10%. Nossa lucratividade depende do que conseguimos produzir na propriedade. Comprando muito aumenta-se o custo de produção e o lucro vai embora rapidinho.
Rui – O problema é a defasagem, que aumenta constantemente, entre o preço do leite, que permanece estável há anos e às vezes até tende a cair, e o preço dos insumos industrializados, que sobem abusivamente. Se o preço do leite acompanhasse o preço da semente de milho, do adubo, do maquinário, do óleo diesel, aí sim a atividade seria lucrativa.
CR – Só que nesse caso o preço tornaria o leite proibitivo para grande parte dos consumidores brasileiros. Mas o preço pago ao produtor é animador ou desanimador?
Rui – É bastante desanimador. Está no limite. Há muitos produtores que não estão agüentando mais, principalmente os que não têm muito o que tirar da propriedade e precisam comprar ração. Em certas regiões, muitos estão desistindo. Hoje, o preço pago ao produtor está entre R$ 0,54 a R$ 0,60 por litro, de acordo com a qualidade do produto.
CR - As indústrias poderiam pagar mais pelo leite ou também estão no limite do suportável?
Rui – As indústrias também estão espremidas. Existe no Rio Grande do Sul uma espécie de monopólio estabelecido por duas ou três grandes redes de supermercados que determinam o preço do leite e derivados para o produtor e o consumidor. Essas redes sugam os laticínios até o último centavo. Assim, as indústrias têm dificuldades de pagar melhor ao produtor.
Flávio – No caso da Cooperativa Santa Clara, ela consegue se manter e se impor no mercado pela ótima e tradicional qualidade de seus produtos, já famosos e com excelente aceitação.
Premiação exalta qualidade do espumante
Concurso de Garibaldi distribui 25 medalhas de ouro e 11 de prata
O Concurso do Espumante Fino Brasileiro, de Garibaldi, comprovou a evolução da qualidade do produto nacional. Das 120 amostras inscritas por 45 vinícolas, 36 espumantes foram premiados, sendo 25 com medalha de ouro e 11 com medalha de prata. Isto significa que praticamente 70% dos 36 espumantes premiados receberam pontuação para serem distinguidos com ouro, o que comprova a excelência do espumante nacional.
A entrega das medalhas será realizada durante a Festa Nacional do Champanha, em data a ser definida. Seguindo as normas da União Internacional de Enólogos, somente 30% do total de amostras inscritas podem ser premiadas. Por isso, somente 36 espumantes receberam a distinção, representando os 30% das 120 amostras.
Na avaliação do presidente do concurso, enólogo Carlos Abarzua, o evento comprovou a evolução da qualidade dos espumantes brasileiros que foram degustados por um qualificado painel de 38 especialistas, entre enólogos, jornalistas, enófilos e sommeliers. "O resultado segue o que já vem acontecendo nos maiores e mais respeitados concursos do mundo. O espumante brasileiro é uma bebida reconhecida mundialmente pela sua qualidade, ligada às suas características particulares", destaca. Abarzua.
O espumante brasileiro já compete no mercado externo com espumantes elaborados em países considerados mais tradicionais nesta cultura. O principal objetivo do concurso de Garibaldi é a promoção da bebida nacional contribuindo para a sua divulgação e, conseqüentemente, propagação e consolidação da vitivinicultura regional.
Fenachamp - Promovido pela Associação Brasileira de Enologia (ABE), o concurso movimentou a cidade de Garibaldi de 25 a 27 de julho, sendo o cartão de visita da Fenachamp 2005 que ocorre de 30 de setembro a 16 de outubro. As degustações aconteceram no Hotel Casacurta, com a avaliação de espumantes elaborados pelos métodos brut, demi-sec e moscatel.
Em 2003, na terceira edição do evento, participaram 100 amostras, sendo premiadas 19 com medalha de ouro e 11 com medalha de prata. O crescimento de 20% no número de inscrições mostra o aumento do investimento no produto por parte das vinícolas brasileiras.
Definido imposto do vinho do Mercosul
O Mercosul vai criar o Imposto de Importação em Valor Específico para Terceiros Países, substituindo o sistema vigente, que estabelece a taxação de 27% sobre o valor do produto vindo do exterior. A nova taxa é resultado de reunião entre representantes dos setores vitivinícola do Brasil e da Argentina, para debater a crescente entrada de vinhos argentinos no Brasil.
Outra novidade é a ampliação do consumo de vinhos argentinos no Brasil, tendo como uma das premissas a realização, neste segundo semestre, de um Estudo do Mercado Brasileiro de Vinhos. "Está aberto um canal permanente de diálogo na área comercial entre as cadeias produtivas da uva e do vinho dos dois países", diz o presidente-executivo do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), Carlos Raimundo Paviani.
Neste sentido, observa Paviani, a vitivinicultura argentina acatou a proposição brasileira de estabelecimento de valores mínimos para o ingresso de seu vinho no Brasil. O ‘piso mínimo’ acordado é de US$ 8,00 a caixa de 12 unidades de 750 ml. A proposta brasileira, apresentada em Buenos Aires, em maio, quando iniciaram as negociações, era de US$ 15,00. "O valor não é o patamar que propusemos, baseado na média das importações de vinho argentino no ano passado, mas é um indicativo da disposição argentina ao diálogo", avalia o presidente-executivo do Ibravin.
Carne pode receber selo de procedência
Desde as charqueadas nos séculos XVIII e XIX que a carne do Rio Grande do Sul é reconhecida pela qualidade. Agora, a produção da Campanha Meridional, onde está o Pampa gaúcho, pode ser a segunda do Estado a obter selo de qualidade por indicação geográfica. A primeira foi a de vinho, do Vale dos Vinhedos.
O Instituto Nacional de Propriedade Industrial recebeu o projeto de certificação do produto pela indicação de procedência Carne do Pampa Gaúcho.Se o projeto for aprovado, a certificação poderá agregar ainda mais valor ao produto, que já é exportado para vários países.
Engº. Agrº. José Zugno
Propriedades terapêuticas da berinjela
Gostaria de ter informações sobre a berinjela. Eu tenho o colesterol um pouco acima do normal. Ouvi dizer que a berinjela é boa para controlar o nível de colesterol no sangue, e que também ela favorece o emagrecimento de pessoas que têm a tendência de engordar. Da mesma forma gostaria de informações sobre a beterraba e se esta tem as mesmas propriedades da berinjela.
TEREZA CAMARGO
Flores da Cunha - RS
As duas são espécies hortícolas, a berinjela, oferecendo frutos comestíveis e a beterraba, raízes nutritivas e folhas também comestíveis, ambas com virtudes medicinais.
A beringela tem nome científico Solanum melongena, da família das solanáceas, a mesma do tomate, batata, pimenta, pimentão, fumo, e tantas outras nativas, nossas conhecidas como joá, mata-cavalo etc. Originária da Índia ou China, foi disseminada no ocidente pelos árabes. Só no século passado foi introduzida no país. Seu cultivo é incentivado, atualmente, pelos institutos agronômicos Embrapa e extensão rural. Só o fruto é comestível. As folhas contém toxina, como na maioria das solanáceas, mas podem ser utilizadas em cataplasma para amadurecer abcessos, e como chá para favorecer o sono e reduzir o colesterol.
O fruto tem valor nutritivo reduzido (pobre em carboidratos, proteínas, minerais e vitaminas) mas alto valor terapêutico, por substância de sua polpa, ácidos orgânicos e pigmentos de sua casca. A culinária dá receitas de aproveitamento da berinjela com casca bem lavada, à milanesa, assada no forno, ou espetada na brasa, ou massa para patês, etc, mas para fins terapêuticos, todos os categorizados autores dão à berinjela a propriedade principal de regular as gorduras no fígado e a taxa de colesterol do sangue, além de ser diurética (aumenta a urina e elimina cálculos da bexiga), laxante e outras.
"O fruto ou o chá da folhas é laxante, diurético, aumenta o volume da urina e facilita a eliminação das pedras da bexiga. As folhas em compressa amadurecem tumores. Comer habitualmente regula o colesterol, equilibra o sono, purifica o sangue, melhora o funcionamento dos intestinos. O suco em jejum (com suco de laranja) emagrece." (do livro Ervas e Plantas, do Pe. Ivacir J. Franco e Prof. Vilson L. Fontana, Livraria Vida, Erechim-RS)
Receita de suco para diminuir o colesterol: "bata no liqüidificador meia berinjela cortada em pedaços com um copo (250 ml) de suco de laranja. Tome todos os dias no café da manhã. Evite adoçar com açúcar, utilize mel ou adoçante." (As Plantas da Saúde, Marcos Gomes, Ed. Paulinas, São Paulo-SP)
Reconhecido o uso da berinjela para o emagrecimento, este fato não é suficiente, se a pessoa não souber adotar um bom hábito de alimentação. É sabido que, em relação à obesidade humana, a gordura no homem costuma ser abdominal, quer dizer, localizada no ventre (barriga), tornando-o deselegante. Na mulher, a gordura é melhor distribuída por todo o corpo. É natural, e quando não em excesso, torna o corpo feminino harmonioso e de aspecto agradável.
Assim sendo, a mulher, com tendência a engordar deve cuidar-se, não exagerando na alimentação, mas tampouco deve cair na asneira de alimentar a neurose (hoje em dia está muito em voga) de querer emagrecer demais, a todo custo. Deve cumprir as exigências de um bom hábito de alimentação: comer o suficiente, não exagerar, sobretudo nos gordurosos, mastigar bem os alimentos, e saboreá-los, sabendo que a digestão inicia na boca - e não se faz apenas no estômago, como a maioria acredita -, depois prossegue através de todo o aparelho digestivo.
Só assim, o uso da berinjela cumprirá o que dela se espera. (conclui na próxima edição)
Tecnologia garante sucesso do trigo
Apesar do esforço da pesquisa, Brasil importa 75% do grão para atender o consumo interno
O Brasil consome, anualmente, 10,5 milhões de toneladas de grãos de trigo, das quais, na média dos últimos 10 anos, apenas 25% são produzidas no país, com maior concentração no Paraná e no Rio Grande do Sul. A importação dos restantes 75% do consumo representa cerca de US$ 1 bilhão em dispêndios de divisas. O Brasil plantou 2,3 milhões de ha nesta safra. A previsão é colher 4,7 milhões de toneladas.
Apesar dos esforços da pesquisa terem possibilitado triplicar a produtividade média nacional, que passou de 650 kg/ha, em 1977, para 2.100 kg/ha, em 2003, o trigo continua sendo um dos principais itens na pauta brasileira de importações. "Fica difícil entender as razões de dependência do país - já que dispõe de extensa área, infra-estrutura, tecnologia, mercado consumidor assegurado e parque moageiro com capacidade ociosa - em não conseguir produzir o trigo para suprir à própria demanda", questiona Pedro Luiz Scheeren, melhorista da Embrapa Trigo.
Chave - Por ser um produto chave na mesa do brasileiro, está na lista prioritária das ações de pesquisa da Embrapa. Através de oito de suas unidades, em nove Estados, tem ações de melhoramento genético dirigidas às três regiões tritícolas brasileiras (Sul, Centro-Sul e Cerrados), contribuindo para o aumento da competitividade do trigo nacional, mediante o desenvolvimento de germoplasma e de cultivares com menor custo de produção e com adequada aptidão de uso.
Novas cultivares ainda são a melhor alternativa, pois representam ganhos de produtividade sem custos adicionais. Quanto à melhoria da qualidade estão sendo criadas cultivares de trigo "pão", produtoras de farinha para panificação, e cultivares de trigo "brando", indicadas para uso doméstico, massas frescas, confeitaria, indústria de bolos e biscoitos.
Na safra de 2003, a produtividade das lavouras de trigo aumentou quase 30% em relação ao ano anterior. No RS, o rendimento saltou da média histórica de 1,5 t/ha para 2,1 t/ha - o que propiciou, em 2003, a primeira exportação (1,2 milhão de toneladas) de trigo gaúcho. No PR, o rendimento médio das lavouras superou 2,5 toneladas por hectare.
A Embrapa tem exercido papel fundamental na produção. A variedade Embrapa 27 é o genótipo mais presente no "pedigree" das cultivares de trigo no Brasil. São 12 cultivares descendentes de Embrapa 27 indicadas para cultivo no RS e mais 16 para o Paraná.
Boas práticas agrícolas garantem produção
Nos últimos anos, a produtividade de trigo das lavouras na região Sul manteve a média de 2 mil kg/ha (cerca de 33 sc/ha). O produtor está investindo em tecnologia capaz de aumentar a produtividade e reduzir os custos. Entre as alternativas estão as novas cultivares de trigo. "O aumento da produtividade reduz os custos por unidade de produção e garante a lucratividade da lavoura", argumenta a pesquisadora da Embrapa Cláudia De Mori.
Além disso, há os benefícios indiretos do trigo nas lavouras de verão, como o aumento de produção, melhor distribuição de adubação, acúmulo de matéria orgânica e reciclagem de nutrientes. Para o pesquisador da Embrapa Trigo, Pedro Sheeren, o RS pode aumentar a média de produtividade para 3.000 kg/ha (50 sc/ha), ou seja, 17 sacas a mais do que a média atual, volume que pode representar, no mínimo, R$ 300,00/ha de lucro ao produtor. "A tecnologia não está apenas na semente, na quantidade de adubo, no fungicida, lembra Sheeren.
A produtividade é resultado de uma série de fatores que, excluindo os elementos climáticos, podem ser administrados de maneira racional pelo produtor, como análise de solo, avaliação da época de semeadura ou precisão nos tratamentos fitossanitários. "Basta seguir as práticas recomendadas pela pesquisa para chegar a bons rendimentos e aumentar a competitividade do nosso trigo no mercado mundial", aposta.
Preço e custo desafiam o triticultor
O plantio do trigo no RS está encerrado. "O triticultor plantou 923,657 mil hectares", adianta o especialista da Emater, Claudio Dóro. Em 2004, o Estado atingiu 1,12 milhão de hectares. A queda no preço internacional no final do ano resultou em dificuldades para liquidez dos negócios com esse grão, tanto que até agora ainda existe trigo estocado a espera de melhora no preço.
Frente a este cenário, a redução na área plantada foi de 18% neste ano. O desestímulo do produtor gaúcho é resultado de fatores como a seca que derrubou a produção da safra de verão, gerando descapitalização dos produtores e inadimplência; a alta no preço dos insumos; e a supersafra de grandes produtores que levou a baixa na cotação do trigo brasileiro.
"Além disso, os mecanismos de sustentação do preço mínimo não foram ágeis o suficiente para que a maioria dos produtores de trigo se beneficiassem", observa o pesquisador da Embrapa Trigo, João Batista Marques. "O agricultor está recebendo R$ 19,00 ao saco na região de Passo Fundo, enquanto que no mesmo período de 2004 ganhava R$ 24,90", calcula Dóro ao CR.
Como se não bastasse o desânimo com relação ao clima, mercado e consumo, o triticultor precisa produzir 43 sacos por hectare para pagar o custo da lavoura. E não há previsão de alta de preços. Em breve, começa a comercialização do cereal do Paraná, Estado que plantou 1,274 milhão de hectares neste ano; após, entra o grão da Argentina.
"Ano de lavoura fraca, com redução de área, mas com baixa tecnologia, deve resultar, dependendo das condições climáticas, num volume menor de grãos ou, pior, com qualidade industrial inferior", conclui o pesquisador.
Grão de duplo propósito no RS e em SC
Adequar a produção de grãos à atividade pecuária é um dos objetivos do programa de trigo duplo propósito desenvolvido pela Embrapa Trigo, em parceria com a Embrapa Transferência de Tecnologia, Embrapa Pecuária e Fundação Pró-Sementes. Dezesseis unidades demonstrativas estão sendo instaladas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
De acordo com o pesquisador da Embrapa Trigo, Léo Del Duca, o trigo duplo propósito foi desenvolvido com a finalidade de oferecer uma alternativa para a cobertura antecipada do solo e para o pastejo dos animais nos períodos de escassez de forragens. "A alta capacidade de rebrote deste trigo permite atingir uma boa produtividade de grãos na colheita, mesmo após seu uso no pastejo", explica Del Duca.
O produtor que quiser agregar renda a sua produção de leite ou carne já conta com quatro cultivares geradas pela pesquisa para este fim: BRS figueira, BRS umbu, BRS guatambu e BRS tarumã. "O trigo duplo propósito tem resultados satisfatórios no Planalto e Noroeste gaúchos, alcançando rendimentos superiores a 3.000 quilos por hectare", diz Del Duca.
As unidades demonstrativas estão situadas em Pelotas, Capão do Leão, Bagé, Alegrete, São Gabriel, Uruguaiana, Santana do Livramento, São Borja, Giruá, Ijuí, Chiapeta, Cachoeira do Sul, Almirante Tamandaré, Ronda Alta, no RS, e em Campos Novos, SC..
Leonardo Boff
Os corruptos não escutaram a intimidação da consciência. Nenhum projeto de poder ou vitória eleitoral justifica a desobediência à consciência. Eles poderão ser punidos pelas leis, mas muito mais pela consciência
Esta expressão latina (no título) diz de forma breve uma grande verdade: "a corrupão dos melhores é a pior que existe". Houve corrupção em políticos do PT e em outros, não pontual nem episódica, mas intencionada e planejada. Esse tipo de corrupção, como muitos atestaram, vem praticada há muito pela política convencional de forma sistemática: a criação de caixa dois para financiar campanhas eleitorais e comprar eventualmente votos. Se todos fazem isso (reservado fica o direito da dúvida), o PT não poderia jamais fazer o mesmo. Ele surgiu no cenário histórico com a bandeira da moralidade pública, das mudanças, da centralidade do social e da democratização da democracia. E eis que agora setores importantes do PT resvalaram para a vala comum, desonraram uma história gloriosa, atraiçoaram os que viviam de esperança e deram um tranco formidável na evolução política do Brasil. A corrupção destes melhores é a pior coisa que pode existir. Quem será agora o portador coletivo da ética embora ninguém tenha o monopólio dela? Não dá para reanimar um cadáver. Este tem que ser enterrado.
Graças a Deus que existem pessoas no PT que sempre resistiram às tentações das benesses do poder, que não negociaram com as "más companhias", que sempre alimentaram uma relação orgânica com os movimentos populares e que sempre mantiveram alto teor étco-místico em sua prática política. Esses formam a reserva ética, ganharam, nesta crise, credibilidade e emergem como pontos luminosos de referência. Se não forem escutados, se não ocuparem posições intrapartidárias importantes na reconstrução da figura do partido é sinal que este não se dispõe a aprender nada da crise e persiste na arrogância e no farisaismo.
Essa crise ética nos faz pensar. Não é suficiente uma ética social, expressão de um projeto coletivo, representado, por exemplo, pela generosa tradição marxista/socialista. Em função de um bem coletivo e por causa do dinamismo próprio da dialética, há na prática marxista a tendência de justificar deslizes éticos como passos toleráveis para se conseguir certos avanços na luta de classes. A ética pesssoal é sacrificada em nome de um fim mais alto.
Esta posição não é esposada pelos cristãos de onde vêm muitos do PT. Se há uma colaboração perene que o cristianismo trouxe ao discurso ético é certamente este: o caráter inegociável da ética pessoal. A razão reside no entendimento da consciência como norma interiorizada da moralidade. Esta interiorização é um fato irredutível. Não é fruto de algum superego social, nem é eco da voz do dominador externo. Há lá dentro, no íntimo de cada pessoa, uma voz que não se cala, sempre vigilante, aprovando e proibindo, advertindo, aconselhando e dizendo: "não faças isso, faça aquilo". Por mais que psicanalistas, marxistas e outros mestres da suspeita tenham tentado desconstruir essa voz, ela perdura soberana. Sócrates e Kant a chamaram de "voz de Deus em nós". Ela não cessa de falar. Os corruptos do PT e outros não escutaram essa intimidação da consciência. Nehum projeto de poder, nenhuma vitória eleitoral justifica a desobediência à consciência. E assim, poderão ser punidos pelas leis e muito mais pela própria consciência. Não adianta fugir, ela sempre os perseguirá.
Frei Betto
Ao admitir que todos os partidos são farinha do mesmo saco, fazemos o jogo dos corruptos. Quem tem nojo de política é governado por quem não tem. Se todos se enojarem, será o fim da democracia
A festa acabou? Já não há mais PT? Não, José, de tudo isso fica uma grande lição: não é a direita que inviabiliza a esquerda. Esta tem sido vítima de sua própria incoerência, inclusive quando se elege por um programa de mudanças e adota uma política econômica de ajuste fiscal que trava o desenvolvimento, restringindo investimentos públicos e privados.
A esquerda deu um tiro no pé na União Soviética, esfacelada sem que a Casa Branca lhe atirasse um único míssil. Faliu por conta da nomenklatura, das mordomias abusivas das autoridades, da arrogância do partido único, da corrupção. Assim foi na Nicarágua, onde líderes sandinistas se locupletaram com imóveis expropriados pela revolução e enriqueceram como por milagre.
Agora, José, é a nossa confiança no PT que se vê abalada. O que há de verdade e mentira em tudo isso? Por que o partido não abre sua contabilidade na Internet? Se houve mensalões e malas de dinheiro, como ficam os pobres militantes e simpatizantes que, nas campanhas eleitorais, contribuíam com sacrifício do próprio bolso?
Finda as investigações, o PT precisará vir a público e, de cabeça erguida, demonstrar que tudo não passou de "denuncismo", de "golpismo", de armação (ia escrever "dos inimigos") dos aliados... Ou, de cabeça baixa, em atitude humilde, reconhecer que houve sim malversação, improbidade, tráfico de influência e corrupção.
O mais grave, José, é o desencanto que toda essa "tsulama" provoca na opinião pública, sobretudo nos mais jovens. Quando admitimos que "todos os partidos são farinha do mesmo saco", fazemos o jogo dos corruptos, pois quem tem nojo de política é governado por quem não tem. Se todos se enojarem, será o fim da democracia e da esperança de que no futuro predomine a política regida por fortes parâmetros éticos. Portanto, o desafio, hoje, não é apenas promover reformas estruturais no país, é reformar a própria política, de modo a vedar os buracos pelos quais a corrupção e o nepotismo se infiltram.
Temo que por muitas cabeças passe a idéia de, nas eleições de 2006, anular o voto ou votar em branco. Seria um desastre. O voto é uma arma pacífica. Deve ser usada com acuidade e sabedoria. Em todo esse processo é preciso destacar os políticos que primam pela ética, pela coerência de princípios, pela visão de um novo Brasil, sem alarmantes desigualdades sociais.
Antonio Callado, em sua última entrevista, por sinal à Folha, disse que perdera "todas as batalhas". Também experimentei, José, muitas perdas: a morte do Che, a derrota da guerrilha urbana contra a ditadura militar, a queda do Muro de Berlim e, agora, essa fratura no corpo do partido que ajudei a construir como simpatizante, e que se gabava de primar pela ética na política.
No entanto, quantas vitórias! Sobre a França e os EUA no Vietnã; sobre os EUA e a ditadura de Batista em Cuba; a de Martin Luther King contra o racismo americano; de Nelson Mandela contra o apartheid na África do Sul. No Brasil, a extensa rede de movimentos populares, as Comunidades Eclesiais de Base, a CUT, o MST, a CPT, a CMP, a CMS; os movimentos de direitos humanos, mulheres, negros, indígenas; as ONGs, as empresas cônscias de sua responsabilidade social. E, sobretudo, a eleição de Lula à presidência da República.
Não se pode jogar no lixo da história todo esse patrimônio social e político. Sem confundir pessoas com instituições, maracutaias com projetos estratégicos, é hora de começar de novo, renovar a esperança e, sobretudo, não permitir que tudo fique como dantes no quartel de Abrantes. Aprendamos com Gandhi a fazer, hoje, a partir de nossas práticas pessoais e sociais, o mundo novo que sonhamos legar às gerações futuras.
Deixemos ressoar no coração as palavras de Mario Quintana: "Se as coisas são inatingíveis... ora!/ Não é motivo para não querê-las.../ Que tristes os caminhos, se não fora/ A mágica presença das estrelas!"
Lula conhece obras e anuncia criação da 5ª universidade federal no Estado
Apesar da crise política, apoio popular marca visita do presidente ao Rio Grande do Sul
Em dois dias de visita ao Rio Grande do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou obras, criou mais uma universidade federal no Estado, enumerou realizações de seu governo e defendeu o combate à corrupção. Apesar da crise que atinge o governo e o Congresso, a passagem de Lula pelo Estado foi marcada por tranqüilidade e apoio popular. Uma pequena manifestação, com cerca de 30 pessoas, a maioria estudantes, ocorrida na frente do hotel onde Lula estava hospedado, em Porto Alegre, foi facilmente controlada e não chegou a abalar a boa receptividade que o presidente recebeu dos gaúchos.
Em Bagé, na terça 26, o comércio fechou, as escolas funcionaram apenas por meio turno e os ônibus trafegaram com passe livre. Lula foi recebido em clima de feriado cívico. Em meio ao anúncio de criação da Universidade Federal do Pampa, o presidente referiu-se aos escândalos de corrupção sem inovações. Repetiu o que vem dizendo desde maio, exigindo a apuração dos fatos e a punição dos que cometeram erros.
A Unipampa será a quinta universidade federal do Estado e terá, até o fim de 2006, cursos em dez municípios: Bagé, Jaguarão, São Grabriel, Santana do Livramento, Uruguaiana, São Borja, Alegrete, Itaqui, Dom Pedrito e Caçapava do Sul. O primeiro vestibular da Unipampa será realizado no início do próximo ano. A implantação de todos os 13 cursos previstos, para 12 mil alunos, só deverá estar completa em 2008. Lula também anunciou socorro à Universidade Regional da Campanha (Urcamp). Para aliviar o déficit mensal de R$ 930 mil a mantenedora da instituição será transformada em fundação pública e receberá verbas da União por meio de um consórcio de municípios.
Na quarta 27, o presidente visitou as obras de ampliação da Refinaria Alberto Pasqualini, em Canoas, cujas primeiras unidades devem entrar em operação neste mês. Com a ampliação, a Refap aumentará a capacidade de produção de óleo cru (petróleo) em 50%, passando de 20 milhões para 30 milhões de litros de petróleo por dia. Lula mostrou-se à vontade entre os operários da Refap. Tirou fotos, distribuiu cumprimentos e não ouviu nenhum protesto. Durante o discurso, ressaltou que a economia do país ainda é muito vulnerável e que precisa ser tratada sem pressa.
Presidente verifica duplicação da BR 101
Em sua visita ao Rio Grande do Sul, na quinta 28, Lula também verificou as obras de duplicação da BR 101. Em Maquiné (Km 68), o presidente deu início às escavações de um túnel. Dois túneis paralelos devem ser construídos no local. Com as obras, os atuais 99 quilômetros da rodovia, entre Osório e Torres, ficarão duplicados em 88 quilômetros. O custo da duplicação é de R$ 385 milhões e a previsão de término é de 24 meses para a duplicação e 36 meses para os túneis. Os três primeiros quilômetros duplicados da BR 101, em Osório (Km 91 a 94), serão entregues em outubro.
Durante a solenidade, o presidente quebrou o protocolo e escalou a pé os 15 metros de um barranco de terra para saudar cerca de 350 pessoas que assistiam ao ato. Em março do próximo ano, Lula deve retornar ao Estado para inaugurar seis viadutos da nova rodovia no perímetro urbano de quatro municípios do Litoral Norte.
República Dominicana - Haiti
UNIDOS PELA POBREZA E PELA ESPERANÇA
No dia 05 de dezembro de 1492, os tripulantes das naus de Cristóvão Colombo enxergaram, ao sul do trópico de Câncer, em meio às águas verdes do Caribe, uma grande ilha, que chamaram de Hispaniola. Para os índios, seus primeiros habitantes, a ilha era denominada de Hayti, o que significa "terra alta e montanhosa". Nesta ilha de 77.387 quilômetros quadrados situam-se dois países, totalmente diferentes entre si, a começar pela cor da pele. De comum possuem uma história turbulenta e muita pobreza. O Haiti ostenta o título de "país mais pobre das Américas".
Territorialmente, a República Dominicana ocupa 48.442 quilômetros quadrados - dois terços da ilha - e conta com uma população superior a oito milhões de habitantes. Um pouco menor, como território, o Haiti tem, aproximadamente, igual população. Logicamente, os dois países têm uma única fronteira comum. Uma seqüência de praias maravilhosas cerca a ilha. Só a República Dominicana oferece aos turistas 1.516 quilômetros de praias. Isto ajuda a colocar o turismo como uma das primeiras atividades econômicas do país. As outras mais importantes atividades econômicas: agricultura, mineração e as zonas francas, responsáveis por 70% das exportações do país.
A teimosia do navegador genovês, mas a serviço da Espanha, Cristóvão Colombo, começou a se tornar realidade em fins de 1492 quando começaram a surgir numerosas ilhas na região que depois se chamaria Mar das Caraíbas. Por ser domingo, a costa leste da ilha - chamada de Hayti pelos nativos - foi batizada de Dominicana e a capital Santo Domingo. Duas cordilheiras cortam o país e entre elas o fértil vale de Ciabo. Além do turismo, outra importante fonte de renda é a exportação de açúcar e ferro-níquel.
Hoje a República Dominicana, mesmo com um baixo padrão de vida, é bem superior ao Haiti. Sua capital é Santo Domingo, com uma população beirando os três milhões de habitantes. "A ilha é densamente povoada e uma das tentações é buscar melhores condições de vida nos Estados Unidos. Calcula-se que mais de um milhão de dominicanos vivem nos Estados Unidos", conta frei Sidmar Negrini da Silva, capuchinho que atua em Santo Domingo.
História - Quando os marinheiros de Cristóvão Colombo desembarcaram na ilha, a região era chamada de Quisqueya pelos índios taínos, arauaques e caraíbas. Imediatamente surgiu uma colônia na costa. As minas de ouro foram a motivação inicial e nelas se empregou mão-de-obra nativa e, num segundo momento, os escravos africanos. O ouro foi inferior ao esperado e logo a cana de açúcar dominou a ilha. Mais tarde, Hispaniola passou para o domínio francês, mas a Espanha retomou a possessão até a guerra da independência.
Dentro do espírito colonialista dos descobridores, foi estabelecido o estatuto do Repartimento, pelo qual o rei da Espanha concedia aos súditos espanhóis grandes quantidades de terra, com direito de explorá-la e explorar o trabalho dos indígenas. Cristóvão Colombo, que por algum tempo foi governador da ilha, tentou diminuir os abusos e teve de regressar à Europa. Logo em seguida surgiu o estatuto da Encomenda. Em teoria, todas as terras eram do rei da Espanha. Os próprios índios foram considerados inquilinos. Os maus tratos e o trabalho escravo acabaram por dizimar a população tainá. Em 1550 restavam apenas 100 representantes e em seguida foram extintos,
Na complexidade da história dominicana dois fatos significativos. O primeiro deles é a presença profética do Padre Bartolomeu de Las Casas, o primeiro e maior dos defensores dos direitos dos índios. Outro fato foi a presença das tropas napoleônicas para recuperar o domínio da ilha, diante da revolta do negro Pierre Dominique Toussaint, em 1801. Muitas foram as tentativas de independência, com destaque para La Trinitária, que conseguiu a separação do Haiti. Finalmente em 1863, Gregório Luperon consolidou a autonomia.
No século passado, em duas oportunidades os Estados Unidos ocuparam a ilha. Na primeira vez, eles ficaram de 1916 até 1924. Com a saída das tropas norte-americanas, um militar, Rafael Leónidas Trujillo, estabeleceu uma ditadura que se prolongaria por 30 anos. Em l961, Trujillo foi assassinado e Juan Bosch assumiu a presidência. Em 1965, os marines norte-americanos voltaram a ocupar o país. No ano seguinte, os marines se retiram e Joaquim Balaguer foi eleito presidente pelo Partido Reformista Social Cristão. Atualmente o país é governado pelo presidente Leonel Fernández, de centro direita.
O catolicismo é a religião predominante, abrangendo cerca de 90% da população. Trata-se de um cristianismo de cunho tradicional, alimentado pela religiosidade popular. O espanhol é a língua oficial.
Alegria de viver resiste à violência
O Haiti ocupa o oeste da ilha, denominada Hispaniola por Colombo. Seu relevo é montanhoso e a agricultura a base de sua economia. È a nação mais pobre do continente americano e apresenta uma das mais elevadas densidades populacionais do mundo. De seus oito milhões de habitantes, 95% são descendentes dos escravos africanos. O catolicismo abrange 80% da população, enquanto os evangélicos contam com 18%.
A pobreza é a nota mais impressionante do país. Não existe saneamento, metade da população não tem acesso à água e a própria capital - Porto Príncipe - dispõe de apenas 14 horas diárias de eletricidade. A economia informal atua com toda a força. Todos, de alguma maneira, trabalham e a atitude de pedir esmola não é bem vista. A taxa oficial de desemprego chega a 70% enquanto o analfabetismo ainda atinge 47% da população. A renda anual per capita é de 361 dólares, menos de um dólar por dia. A expectativa de vida é de apenas 51 anos.
República Negra - Por ocasião da descoberta, em 1492, apenas metade da ilha de Hispaniola foi ocupada. A parte oeste - onde se situa o Haiti atual - foi abandonada, tornando-se refúgio de piratas e corsários, que fizeram da ilha de Tortuga sua base de operações. O Haiti permaneceu espanhol até 1697, quando passou para a França. Com a retirada das tropas napoleônicas, o Haiti conseguiu sua independência definitiva em 1804. Merece destaque a atuação de Toussaint-Louverture - 1791 - e seu sonho de uma República Negra, sonho depois retomado por Jean Pierre Boyer. Entre 1915 e 1934 , o país viveu a ocupação militar norte-americana. A reação, enfim vitoriosa, começou com guerrilhas camponesas. De 1957 a 1986 o Haiti viveu sob a sangrenta ditadura de François Duvalier, o Papa Doc e seu filho Jean Claude, o Babi Doc. A repressão foi marcada pelos "ton-ton macoutes" (bichos-papões) - Voluntários da Segurança Nacional - que escreveram uma das mais sangüinárias páginas da história americana.
Na moderna história haitiana, destaque para o presidente Jean- Bertrand Aristide, deposto em duas oportunidades. Ex-sacerdote católico, teve altos e baixos em seu governo e - pressionado pelos Estados Unidos - fugiu de avião em 29 de fevereiro de 2004.
Hoje, o Haiti sofre de três graves enfermidades estruturais: a primeira do grupo de rebeldes que pretende o retorno de Aristide; a segunda, do grupo da antiga ditadura que deseja retornar ao poder e a terceira, das tropas das Nações Unidas, que, sem muito conhecimento da situação local , se tornam instrumento de manipulação dos interesses norte-americanos.
As Forças de Paz das Nações Unidas - entre elas as brasileiras - garantem um pouco de tranqüilidade na ilha. Mas a violência e a corrupção são duas realidades alarmantes. Relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento enviado às Nações Unidas fala da necessidade de 1,3 bilhão de dólares para suprir as necessidades sociais e econômicas do povo haitiano.
O governo interino do Haiti trabalha quatro prioridades: fortalecer a governabilidade política e o diálogo nacional; fortalecer a governabilidade econômica e o desenvolvimento institucional; promover a recuperação econômica; e melhorar o acesso aos serviços básicos.
Na realidade, no Haiti tudo deve ser refeito, quase a partir do zero. Mesmo assim, sendo um país jovem, é marcado pela esperança e pela alegria. Os haitianos formam um povo pobre - praticamente miserável -, mas marcado pela alegria de viver.
Um povo no coração dos capuchinhos
Preparando o XX Capítulo Provincial, era justo que se desse mais um passo de aproximação entre a Província do Rio Grande do Sul e a nova missão Santo Domingo-Haiti. Foi assim que frei Luiz Turra e frei Álvaro Morés, Provincial e Vigário, foram até lá no período de 17 a 25 de julho/2005. Tudo começou com a assembléia dos freis da viceprovíncia.
Na ocasião, frei Demétrio, vice-provincial assim se expressou: "Estamos assistindo e participando de momentos que marcarão a história franciscana capuchinha de nossa Ilha. Falamos de toda a ilha porque já não se pode mais esquecer a parte ocidental ao tratar o tema da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos. Tampouco podemos pensar em nossa vice-província sem relacioná-la com o Rio Grande do Sul, Brasil, assim como ocorreu durante 95 anos com Andaluzia, Espanha. A presença dominicana-haitiana de 11 novos frades no Brasil ajudará, de certo modo, aos irmãos do Rio Grande do Sul a conhecer a idiosincrasia destes dois povos irmãos, porém com diferentes etnias e culturas".
Por sua vez, frei Luiz Turra falou aos confrades reunidos: "O que nos une e nos faz atentos uns com os outros, não é a proximidade geográfica, nem a uniformidade cultural, étnica ou histórica. Não é o espírito aventureiro que nos aproxima. O que nos chama a convergir e nos interessar uns pelos outros é a força do carisma franciscano. ‘O Senhor nos deu irmãos’ (São Francisco)".
Os relatos das atividades missionárias e formativas, os novos passos de abertura para o Haiti e os momentos de confraternização, enriqueceram o programa da assembléia vice-provincial. Na República Dominicana, os freis capuchinhos marcam presença e atuam em seis Paróquias, sendo uma delas o Templo Patronal Nossa Senhora das Mercedes. Merece destaque o trabalho de animação da Ordem Franciscana Secular e Jufra com, aproximadamente, dez mil participantes.
Do Haiti há muitos jovens se tornando freis capuchinhos, porém, até agora não há fraternidade capuchinha no território haitiano. Desde agosto de 2004, o Ministro Geral Frei John Corriveau, lançou o desafio de presença e missão no Haiti. Em resposta, a coordenação vice-provincial e os freis formadores, dentre eles frei Rogério Rubick, começaram os contatos com os bispos para situar um espaço favorável para a formação e atuação. A 200 km de Porto Príncipe, na cidade de Cayes (Los Cayos), dom Alix solicitou com forte clamor a presença capuchinha. Para isso dispôs-se a colaborar e favorecer todos os meios possíveis.
Tendo em vista esta indicação, frei Luiz, frei Álvaro, frei Doraci (brasileiros), frei Jorge (dominicano) e frei Armand Blanc (haitiano) foram ao Haiti, passando por Porto Príncipe até chegar em Los Cayos. A viagem era motivada por uma missão. Na medida que o cenário humano, social e geográfico era contemplado, o clamor ia se fazendo sempre mais forte e urgente para que esta missão se concretizasse.
Luta alimentada pela confiança e pela fé
É muito difícil ter critérios para uma análise objetiva do fenômeno Jean-Bertrand Aristide e a ingerência americana. O fato é que o povo haitiano tem um grande potencial de valores e riquezas. Hoje, porém, luta e caminha heroicamente pela sobrevivência. Na espera das eleições parecem não despontar esperanças.
O fenômeno religioso impõe-se à vista de todos. No meio de humanas decepções e rodeado por tantos limites sociais, políticos e econômicos, o povo-multidão cultiva a resistência da religião. Não vem ao caso uma crítica teológica, moral nem menos dogmática. Sente-se e vê-se um clima de luta, confiança e superação em frases escritas nos carros de transporte, como:
- Se Deus é por nós, quem será conta nós?
- Deus acima de tudo!
- O Senhor é a nossa rocha!
- Deus em nossa frente!
- Venha a nós o vosso Reino!
- Nós te damos graças, Senhor!
- Obrigado Jesus!
- Deus é bom!
- Deus em primeiro lugar!
- Só Deus é todo poderoso!
- Deus é o mais forte!
- Defender as crianças é a base da esperança!
- Com Deus, tudo é possível!
- Deus protege!
A maioria dos carros de transporte registram frases e/ou pinturas artísticas de cenas bíblicas e religiosas como o Bom Pastor, a criação do mundo, aparições de Nossa Senhora, Jesus e as crianças, o presépio etc. Inscrições e pinturas sacras também enfeitam espaços de comércio. Em diálogo com religiosos que por lá atuam confirma-se a crescente participação nas Igrejas e o interesse pela vivência cristã. Hoje, o Haiti torna-se para o mundo e a Igreja um cenário que desafia a solidariedade e a compaixão. (Frei Luiz Turra, provincial dos capuchinhos)
Dioceses celebram semana da família
Evento motiva a evangelização pela família e pela vida
De 14 a 20 de agosto será realizada a Semana Nacional da Família, com uma intensa programação em todas as paróquias e comunidades das dioceses do Brasil. A Semana da Família chega, neste ano, à nona edição, com o tema "Família, fonte de vida e construtora da paz". O evento teve início em 1992, como resposta à inquietação, ao descontentamento e desejo de se fazer alguma coisa em defesa e promoção da família, cujos valores vêm sendo agredidos sistematicamente em nossa sociedade.
Para alcançar esses objetivos, foi escolhida a semana seguinte ao dia dos pais, em agosto, por ser o mês vocacional. A Semana Nacional da Família está em sintonia com o Projeto Nacional de Evangelização da CNBB e é organizada pela Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família que oferece o subsídio "Hora da Família". A proposta da Igreja de "evangelizar pela família e para a vida" pretende intensificar o empenho dos cristãos na promoção da vida, do matrimônio e da família, com seu importante e insubstituível papel pelo bem da sociedade.
A família, salientava o Papa João Paulo II, é uma comunidade íntima de amor, querida por Deus; "um dos bens mais preciosos da humanidade; fundamento da própria sociedade; primeira escola das virtudes sociais". Nos dias atuais, as famílias vivem inúmeras crises, conflitos e desafios. O importante é não desanimar diante dessas dificuldades, mas superá-las. E uma das formas de garantir a união, a esperança e o fascínio pela vida familiar é a espiritualidade. Ela ajuda a resgatar aqueles elos esquecidos ou perdidos que dão sentido à vida e tornam sagrada a trajetória humana neste mundo.
Por isso, a Semana Nacional da Família pretende ser um tempo mais propício para a reflexão, o diálogo e a oração, para a retomada de valores que intensifiquem a vida em fraternidade, com mais paz, ternura e esperança.
Paróquias caxienses definem atividades
Em Caxias do Sul, a Semana da Família será marcada por diversas atividades nas paróquias da cidade. Entre as atividades previstas estão a realização de Ultréia às 20 horas, no dia 9, na igreja Sagrado Coração de Jesus; dia 13, bênção às famílias, dada pelo bispo diocesano dom Paulo Moretto, através de uma cadeia de rádio da região, às 11h45. No dia 15, Missa de Bodas "Renovação das Promessas Matrimoniais", na igreja São Leonardo Murialdo e encontro com o Movimento Lareira, no salão dos capuchinhos, ambos às 20 horas.
No dia 16, às 20 horas, palestra "A Pastoral Familiar nas paróquias", no auditório do Colégio do Carmo. Dia 17, Encontro de Casais com Cristo (ECC) na igreja São Pelegrino; e na paróquia Sagrada Família pós-matrimônio com reflexão sobre "qualidade nos relacionamentos familiares", ambos às 20 horas. Dia 18, seminário da Escola de Pais "A família na formação da pessoa humana", no salão da igreja Menino Deus, bairro Serrano, às 19h30 e "terço vivo" na paróquia de Lourdes, às 18h30. Dia 21, palestra com casais de segunda união na Catholica Domus, às 20 horas.
No dia 20, uma carreata parte às 15 horas da igreja Sagrada Família com paradas nas comunidades Santa Catarina, Pio X, São Pelegrino, Capuchinhos, Catedral, Lourdes e retorna à Sagrada Família onde haverá celebração de encerramento da Semana com bênçãos às famílias e missa animada pelas famílias Giacomet e Zanetti.
Futuro da humanidade passa pela família
O Papa Bento XVI recordou que "o futuro da humanidade passa pela família", ao expressar a alguns novos embaixadores junto à Santa Sé uma de suas maiores preocupações de seu pontificado. "As distorções do matrimônio nunca podem obscurecer o esplendor de uma aliança de vida baseada na generosa entrega de si e no amor incondicional", disse o Papa.
Citando João Paulo II, o Pontífice salientou que só a família tem condições de oferecer um "fundamento seguro" às aspirações do homem e da mulher. Bento XVI referia-se às mudanças de costumes que o Ocidente está vivendo, com propostas de leis que afetam a transmissão da vida, a enfermidade, o fim da vida, bem como a família e o respeito ao matrimônio.
Padre Zezinho
Ser bonito não é tudo. Fundamental é ser sereno, inteligente e bom
Um rapaz, muito amigo meu, muito bonito e assediado pelas moças e até por homens, comentava sobre a desvantagem de ser bonito demais. A moça de rosto lindíssimo, dizia a mesma coisa. Não sabe quem se aproxima dela por interesses sexuais e quem por amizades.
Tem dificuldades de se relacionar com as mulheres que a encaram como um perigo diante dos seus homens, e de se relacionar com os homens, porque para eles ela vira um troféu.
Conheço centenas de rapazes e moças que dizem a mesma coisa. Nem sempre é vantajoso ser muito bonito, muito famoso ou muito rico. Tudo aquilo que contém muito, sugere tendência de conflito: muita terra, muito doce, muita conversa, muita religião, muita política, muita beleza. Isso tudo assusta.
O mundo não está acostumado com excessos e qualquer excesso, positivo ou negativo, desequilibra as pessoas. Por isso, aquele que é bonito e aquela que tem beleza extraordinária precisam aprender a viver com o seu mito, e compensar com seu jeito sereno e tranqüilo de ser, pelos conflitos ou confusões que podem gerar, com sua simples presença. Todo mundo quer ser bonito, mas os que realmente o são, têm uma história para contar, e nem sempre a história é de sucesso e de paz.
É que o mundo quer o seu totem, todo mundo quer ter a sua jóia preciosa, às vezes guardada num cofre. O sentimento de propriedade que se apossa das pessoas que amam alguém bonito ou das pessoas que querem alguém bonito, às vezes leva ao desrespeito. Não custa nada uma reflexão sobre os valores e os contravalores da beleza. Ser bonito não é tudo. Fundamental mesmo é ser inteligente, sereno e bom.
Se a beleza ajudar, que seja bem tratada; se não ajudar, que os bonitos saibam o que fazer com sua beleza, porque ela já levou muita gente para o céu, mas também já levou muita gente para o inferno. É que automóveis bonitos e revólveres bonitos também matam e ferem. Que Deus conceda a todas as pessoas bonitas a graça de fazer bom uso da sua beleza e nunca ser atropeladas ou atropelar por causa dela.
Clarissas celebram Clara de Assis
Eucaristia motiva as reflexões em torno da santa fundadora
O mosteiro das Clarissas Capuchinhas de Flores da Cunha (RS) realiza a festa de Santa Clara de Assis. Ela é fundadora, junto com São Francisco, da 2ª Ordem Franciscana, hoje presente em diversas partes do mundo, com milhares de religiosas sob várias denominações. A festa é precedida de uma novena em louvor a Santa Clara, que iniciou nesta terça 2 e prossegue até o dia 10, com celebração eucarística sempre às 19h30, no mosteiro das clarissas.
No dia 11, solenidade de Santa Clara, o provincial dos capuchinhos, frei Luiz Turra, preside solene celebração às 19h30, também no mosteiro, com bênção e distribuição do pão de Santa Clara. Irmã Clara Francisca salienta que todas as noites da novena têm um tema especial de reflexão, com pregadores convidados e com animação feita por comunidades, movimentos e entidades florenses.
Neste ano, a celebração da festa de Santa Clara tem uma motivação especial. O período de outubro de 2004 a outubro de 2005 é dedicado à Eucaristia. Clara sempre dedicou profunda veneração ao Santíssimo Sacramento e as biografias da santa relatam uma passagem que testemunha esse apego à Eucaristia.
Durante o assédio dos sarracenos a Assis, alguns soldados já tinham galgado os muros do mosteiro quando Clara, embora doente, levantou-se, dirigiu-se ao altar e tomando nas mãos a custódia com a hóstia consagrada a apresentou aos sitiantes. Imediatamente um pânico inexplicável tomou conta dos sarracenos. Os que estavam no alto das muralhas caíram para trás e os outros fugiram aterrorizados, deixando o mosteiro em paz e fugindo da cidade.
Tucunduva prepara festa de São Roque
A paróquia São Roque de Tucunduva e Novo Machado (RS) realiza, dia 14 de agosto, a 76ª Festa de São Roque. O evento é um momento de confraternização das comunidades da paróquia e também da região. A festa sempre inicia em maio, com o lançamento da Ação entre Amigos, prossegue com o jantar de São Roque (dia 6/8) e finaliza com a solene celebração no dia 14. Neste ano, a festa terá a presença do bispo emérito dom Estanislau Kreutz.
Nomeado novo bispo da diocese de Toledo
O Papa Bento XVI nomeou, no dia 27 de julho, bispo da vacante diocese de Toledo (PR), o padre Francisco Carlos Bach, atualmente vigário geral da diocese de Ponta Grossa (PR). Filho de Francisco e Helena Denchura Bach, padre Francisco nasceu no dia 4 de maio de 1954 na cidade de Ponta Grossa.
Ingressou aos dez anos no seminário diocesano São José de sua cidade natal em 1964 e depois de cursar Filosofia e Teologia em Curitiba, foi ordenado sacerdote no dia 3 de dezembro de 1977. Exerceu seu ministério sacerdotal na cidade de Ponta Grossa, como pároco, professor, ecônomo e reitor do seminário menor e maior diocesano, formador dos alunos de Filosofia e Teologia; ecônomo (1992 até o momento) e vigário geral da diocese de Ponta Grossa (1992 a 1995 e de 2003 até os dias atuais).
Aldo Colombo
Há mil maneiras de amar o próximo, mas uma só maneira de amar a Deus: amando o próximo
Aproveitando a programação de uma emissora de rádio, uma senhora fez um relato de suas dificuldades. Seu esposo estava doente e desempregado e nada tinha para dar a seus dois filhos menores. Faltavam-lhe comida e roupas. E deixou um apelo a todos. Qualquer coisa servia. Aquilo que Deus tocar em seu coração será muito útil, concluiu.
É a história de sempre, são os golpes de todo o dia, resmungou um ouvinte. E depois, Deus não existe e – se existe – nada faz pelas pessoas. Tudo é história inventada pelos padres. Teve uma idéia interessante. Foi ao supermercado para fazer compras e comprou tudo em dobro. Não esqueceu de incluir algumas roupas no carrinho destinado à mulher pobre. Regressando à empresa, chamou dois empregados e deu-lhes o endereço citado pela emissora: entreguem este rancho à senhora e quando ela perguntar quem enviou, respondam: foi o diabo que mandou. Sorriu debochado. Os empregados, depois, contariam a impressão da senhora.
O endereço foi localizado, sem dificuldades. Os olhos da mãe e das crianças ficaram iluminados pelas lágrimas. Descarregaram toda a mercadoria e a senhora concluiu, agradecida: Deus lhes pague! Um pouco indeciso, um dos empregados quis saber: mas a senhora não pergunta quem mandou tudo isso? Ela esclareceu: eu sei que foi alguém inspirado por Deus e quando meu Deus manda, até o diabo obedece.
Dostoievski define o inferno como a impossibilidade – e a incapacidade - de amar. Se o diabo pudesse amar, deixaria de ser diabo. Um dia perguntaram a Jesus qual era o maior dos Mandamentos. E na fria contabilidade dos legalistas "doutores da lei", os mandamentos – positivos e negativos – superavam a casa dos seiscentos. A resposta de Jesus surpreendeu não só aos doutores da lei, mas surpreendeu a todos: "Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu entendimento e ao teu próximo como a ti mesmo" ( Lucas 10, 27).
E os séculos não puderam desmentir a sabedoria divina. Aqui está o mais avançado modelo político. Caso fosse colocado em prática, a humanidade seria definitivamente feliz. E porque o homem se recusa a viver a lei do amor, se obriga – sobretudo hoje – a viver sob a lei do temor.
O Evangelho conta a história de um publicano, pagão e que desconhecia a Lei, que teve misericórdia com o caído à beira do caminho. E numerosos verbos demonstram seu amor ao próximo: teve compaixão, aproximou-se dele, medicou suas feridas, colocou-o sobre seu animal, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. Sem conhecer os mandamentos, ele os vivia. Atitude exatamente contrária aos que enumeravam 622 mandamentos, mas não amavam o próximo.
Um dia, diante de Deus, Ele nos pedirá contas dos Mandamentos. Não nos interrogará sobre possíveis práticas religiosas, mas quererá saber se amamos o próximo. Há mil maneiras de amar o próximo, mas uma só maneira de amar a Deus: amando o próximo.
Seminário lateranense celebra jubileu
Casa de formação está completando 25 anos de atividades
O seminário da Ordem dos Cônegos Regulares Lateranenses, localizado no bairro Panazzolo, em Caxias do Sul, está completando 25 anos de fundação. A data será comemorada no dia 7 de agosto, com missa festiva às 10h30 na comunidade Cristo Redentor e, após, almoço de confraternização no salão do seminário. O seminário lateranense é a primeira etapa de formação e discernimento vocacional dos jovens aspirantes à vida sacerdotal. Foi inaugurado no dia 28 de fevereiro de 1980.
Nesses 25 anos, já formou muitos jovens e padres que atuam em Caxias e em outras comunidades brasileiras. Atualmente, o seminário conta com quatro padres e 11 estudantes de ensino médio. A Ordem dos Cônegos Regulares é antiga. Surgiu no século XI. Tinha como norma de vida a Regra de Santo Agostinho. No século XV uma dessas comunidades recebeu o nome de "Lateranense", pelo serviço pastoral por mais de 200 anos na catedral de São João de Latrão, em Roma.
Os lateranenses têm como carisma a vida em comunidade e o serviço ao povo de Deus por meio da assistência pastoral e social. A Ordem chegou ao Brasil em 1947. Estabeleceu-se em Santa Lúcia do Piaí, distrito de Caxias do Sul. Daí foram para São Paulo, Rio de Janeiro e Paraíba. Em Caxias atendem as paróquias de Santa Lúcia do Piaí e Vila Oliva e auxiliam pastoralmente a paróquia dos Santos Apóstolos. No país, contam com 28 padres, 13 estudantes de Teologia, 15 de Filosofia e 16 seminaristas de ensino médio.
No dia 28 de cada mês, às 20 horas, é realizada adoração e bênção do Santíssimo na capela do seminário. Mais informações sobre a Ordem pelo telefone (54) 222.1447.
Frei Mário Barp morre aos 87 anos
O capuchinho frei Mário (Ernesto) Barp morreu no dia 31 de julho, no hospital Nossa Senhora da Oliveira, em Vacaria (RS). Contava com 87 anos de idade e 62 anos de sacerdócio. Filho de Victorio Barp e Magdalena Agostini, nasceu no dia 17 de janeiro de 1917, na comunidade de Segredo, Ipê. Ingressou no seminário dos capuchinhos de Veranópolis em 1930 e foi ordenado padre no dia 3 de janeiro de 1943 em Garibaldi, por dom José Barea.
Exerceu seu ministério sacerdotal como professor em Veranópolis, depois vigário paroquial em Vacaria. De 1949 a 1986 atuou como capelão militar na guarnição militar de Bagé e pároco da paróquia São Sebastião de Bagé até 1954. Em 1982 foi promovido a major do exército. A partir de 1987 passou a residir em Vacaria. Além da presença fraterna, frei Mário era responsável pela capelania do Hospital Nossa Senhora da Oliveira e manteve um programa semanal na Rádio Fátima até o final de 2002.
Frei Mário acumulou muitos títulos e medalhas ao longo de sua vida, entre os quais o de cidadão bageense, Medalha O Pacificador e Medalha da Ordem do Mérito Militar.
Enquanto esteve em Bagé, construiu capelas e igrejas, os colégios São Judas e Santo Antônio Tadeu e o prédio do Instituto de Menores de Bagé. Foi dinâmico, fraterno e empreendedor. Amou intensamente a vida capuchinha.Escreveu seis livros: Memórias do Frei Mário, Cinqüentenário de Bagé, Recolhei as Sobras, 100 anos de Nascimento (recordando os 100 anos de nascimento de seu pai), Propostas de Vida e Novos Céus e Nova Terra. Foi sepultado no jazigo da família, em Caxias do Sul.
Portugal doa imagem para santuário gaúcho
O reitor do santuário de Fátima, Portugal, padre Luciano Guerra, doou ao santuário de Fátima de Porto Alegre as imagens dos bem-aventurados Francisco e Jacinta, além de fotos de ambos e do Papa João Paulo II com irmã Lúcia. As imagens chegam a Porto Alegre no dia 7 de agosto e no santuário de Fátima, dia 8. Também virá a imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima, que vai permanecer por dois anos em Porto Alegre. Os fatos são inéditos, pois a imagem nunca permaneceu fora de Portugal por tanto tempo e as imagens dos bem-aventurados nunca foram oferecidas como doações.
Wilson João
Quem não tem clareza dos objetivos e do destino da vida, embarca em canoa que não chega a porto algum
Posse de dinheiro conforme a necessidade faz bem. Dinheiro demais faz mal. Diante do dinheiro, tanto o rico como o pobre se corrompem. Poder e dinheiro quando juntos, levam à perdição. Toda pessoa que tem dinheiro demais, cedo ou tarde, entra no caminho da corrupção. Não falou em poesia quando Jesus disse: "Nenhum rico entra no reino dos céus". O rico não quer o céu. Já escolheu o céu para si: o dinheiro.
OS RICOS SE CORROMPEM. Os ricos acham normal sugar a saúde do trabalhador. Pensam que somente eles têm o direito do lucro, simplesmente porque são donos das máquinas e do capital. Acham lindamente humano que uns tenham grandes empresas para dar emprego e outros continuem com o mínimo para sobreviver. Os ricos acham normal que nossa pátria querida assegure, no mundo, o segundo lugar como a nação com a pior distribuição de renda, onde poucos têm a grande fatia da riqueza e a grande multidão fica com as migalhas. Um país, assim injusto, jamais terá desenvolvimento. Será refém de poucos grupos econômicos.
OS POLÍTICOS SE CORROMPEM. Está claro aos olhos de todo o povo que a classe dos políticos vive de dinheiro lavado, sonegado, favorecido, escondido e usado em benefício próprio. Quem nos dará coragem de votar para escolher novamente nossos representantes? Quem vê passar por suas mãos muito dinheiro vai ter a tentação de possui-lo para si. E alguns ainda riem do povo. Cantam para o povo. Mas a dor, a doença, as estradas mal cuidadas, os idosos sem remédios, as crianças sem proteção lançarão gritos de justiça que impedirão essas pessoas de entrarem no reino da vida.
AS IGREJAS SE CORROMPEM. A história ensina que sempre que se mistura Deus com dinheiro se está determinando a auto-destruição. Catedrais evangélicas, católicas, budistas e de outros movimentos religiosos são afrontas à pequena criança de Belém, que se fez indefesa numa manjedoura, e que morreu numa cruz, vivendo sem ter onde pousar a cabeça. O que diria Jesus, e o que diria seu grande servo São Francisco, o pobre de Assis, diante das malas, contas bancárias e exploração pelo dízimo de tantas Igrejas que pregam a prosperidade econômica como objetivo da vida humana? O que é da vontade e do plano de Deus permanecerá, e o que não é, o tempo se encarregará de tornar cinzas.
O POVO SE CORROMPE. O povo tem onde se espelhar. E quem não tem a clareza do objetivo e do destino da vida, embarca na canoa que vai atravessando o mar da vida sem chegar a porto nenhum. Vendo o exemplo que vem de cima, muitas pessoas aprendem a negar contas, mentir descaradamente, passar cheques sem fundo e tornarem lícitas todas as trapaças humanas. E tudo em nome do santo dinheiro que pode ser bendito ou maldito. Depende da escolha que cada um fizer.
O italiano que está em você
Osébio Borghetti
Frei capuchinho e jornalista
O comunicador frei Osébio Borghetti, de Caxias do Sul, diz que seus antepassados, com bravura, descobriram a América, mas ele descobriu a Italianidade.
"Descobri tarde minhas ligações com a italianidade. Antes tarde que nunca. Nasci numa picada de Vila Fão, então município de Lajeado-RS, onde viviam alemães e bugres, não havia estradas, nem energia elétrica e nem telefone. E começavam a chegar italianos de Encantado, Nova Bréscia e Garibaldi. O telefone a manivela, de um só fio, que falava quando queria, também chegou.
Meu pai, Leopoldino Gomercindo, contava que foi à escola só um dia, apanhou e não voltou mais. Mesmo assim aprendeu ler, sabia assinar seu nome. Mas queria que os filhos estudassem. A mãe, Assunta Maccagnan, era analfabeta, só conhecia algumas letras, mas viveu 93 anos e criou 8 filhos.
Nas divergências, minha mãe tachava meu pai de tirolês, teimoso. Aí comecei me dar conta das diferenças de italiano para italiano. Mais tarde, no Cartório de Nova Bréscia, li o óbito do imigrante Valentino Borghetti, que constava como austríaco, ou trentino. Minha mãe não sabia a procedência de sua família, dizia que era da Província de Sgorla, que depois fiquei sabendo tratar-se de uma localidade de Ùdine, onde ocorreram muitos terremotos.
Meus primeiros contatos com o italiano foram por meio do livro Nanetto Pipetta, que meu pai comprou, lia e contava suas histórias, das quais bem recordo La Màchina de far soldi e La Pianta de salami. Durante a Guerra, o pai lia notícias do Staffetta Riograndense, e eu pensava que era uma guerra de italianos. A primeira escola que freqüentei estava no meio do mato, depois veio outra um pouco melhor, mas onde aprendi ler foi no Correio Riograndense, que buscava todos os domingos, depois da missa, no agente de Vila Fão. Ia para casa a pé, numa estrada de pedras, tentando ler o jornal como fazia o pai, a quem depois acompanhava lendo, e assim aprendi. No Seminário dos Capuchinhos, participava do coral e assim fui aprendendo o Italiano, que também se estudava no Seminário, e o Talian o aprendi dos colegas, mesmo que proibido para não prejudicar o Português. Em casa, o pai só usava algumas expressões em Talian.
Tinha vergonha do sotaque, de ser do interior, de ser colono e, no meu caso, de ter o nome mal grafado - Osébio em vez de Eusébio. Depois, fui me interessando em descobrir minhas origens e atribuo, como escrevi em Etnias & Carisma (A. Suliani, EST Edições, 2001, p. 838), a frei Rovílio Costa o mérito do movimento de resgate da cidadania italiana e de outras etnias, com suas 2.600 obras publicadas e seus seriados no Correio Riograndense desde 1980.
Na Itália, primeira vez, indo de trem de Milano a Venezia, me disseram: "Te parli come noantri." Senti-me reconhecido como italiano, fiquei com orgulho da colônia onde nasci, da escolinha do mato, da casa sem luz e telefone, do falar Talian. E comecei a refletir - se tantos testemunhos de luta, trabalho, fé e heroísmo recebi desses pioneiros, sem me dar conta de quem sou, quanto ainda falta descobrir da sua e da nossa italianidade. Vamos ao resgate.
É isso que nós descendentes italianos sentimos e, na medida em que nos conscientizamos desta história, nos damos conta de que estes imigrantes foram verdadeiros heróis que construíram uma nova cultura, numa região que não era deles, mas que eles a trataram como sua. Seria um desastre se a história destes 130 anos ficasse no silêncio devido a preconceitos ou descasos" (15-1-2005, e-mail borghetti@capuchinhosrs.org.br).
Osébio, podes ficar certo que, como teus antepassados de dentro de uma casa sem luz, te fizeram ver o futuro através de seus sonhos, trabalho e fé, nós, com esta herança e mais a luz elétrica que eles conquistaram para nós, símbolo do progresso a que chegamos, vamos identificar nossa italianidade e fazê-la fluir como patrimônio de nossa história e cultura (Rovílio Costa)
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (320)
Dopo la tempesta, el bon tempo e la bonansa
Eduardo Grigolo
Professor, Jundiaí - SP
Nanetto ze restà a casa de Gambotta par 40 giorni, fin che la Pierina la gavesse condission de caminar. In quel tempo, quando Gambotta el gera fora de casa, Nanetto fea compagnia a so fémena e con ela el ciacolea sora le so aventure, dei primi di de vita in Itàlia, el viaio come clandestino e so preson te la Nave che lo ga portà al Brasile, la so morte in tel Rio Dea Zanta, etessètera, etessètera… Gera robe de stropar le rece, per no restar sordo. De le volte la Siorina Gambetta la cridea:
- Férmete, férmete, Nanetto! Senò me toca anca mi a ndar al ospedal come la Pierina.
- Siora Gambetta, scuseme el disturbo, ma go voia de ndar avanti e, come la me Pierina no la guarisse, me toca ciacolar par veder se el tempo el passa più presto.
- Si, si! Parlar quel che bisogna, ma anca restar chieto, de le volte fa un ben! ...
- Siora Gambetta, scuseme nantra volta, ma sempre go savest che le fémene, qua in Bresile, ghe piase ciacolar fin far calosità in tea léngoa. Con voi no ze lo stesso?
- Nanetto, caro mio! Tuto quelo che i te dise, sia a rispeto de tose, fémene, none..., no te pol creder in tuto a la prima ociada. Oserva, pensa e dopo doperar la rason, nò solche quelo che’l cuore te racomanda, ma, vanti quel che la suca te dise, te pol far judìssio sora i altri. Ma vanti nò! Ghetu capio?
- Si, si! Signora Gambetta, no ocor restar cativa con mi. Prometo far, daquà invanti, tuto conforme me disé vu. Gràssie par intanto.
- Così ze meio! Te vedarè che se te pensa vanti parlar, te parlarè manco e solche parole de sapiensa e de inteligensa.
Intanto che i gera drio ciacolar, ritorna el Dr. Gambotta cola Pierina in tel bussal.
- Pronto, Nanetto! La to egueta la ze pronta par nantra! La ora che te vol te pol ritornar al camino.
- Che maraveia, Dr. Gambota. Son tanto contento e no sò gnanca come pagar el riposo e el tratamento dela Pierina.
- Va là! Va là! Meti in tea conta del Signore Gesù! Solo te racomando. Se te vedi che la Pierina la scomìssia sotar, alora, férmete súbitamente. Nantra racomandassion: Va piano, che te rivarè a lontano! No bisogna far tuto de un colpo. Recòrdete che Dio el ga fato el cielo e la tera, con tute le stele, bèstie e capoere, in sei di. El podaria aver fato tuto in secondi, ma nò, pianpianeto el ga rangià tute le cose al so posto. Alora, su co le rece! Ghetu capio?
- Si, si e par intanto gràssie. Me recordarò de valtri te le me orassion!
- Gràssie, Nanetto. Va avanti e che’l Signor Benedeto el te fassa compagnia! Anca mi e la me veceta Gambetta, faremo orassion parché el to viaio el sia coronà de ésito. Se te vol star nantri di qua, sta volentiera.
- Ringràssio nantra volta la vostra ospitalità. Ma bisogna caminar, sinò riva l’ora de ritornar a casa e no son ndato distante 500 metri. Adio e che’l Signor ve benedisse!
- Che’l Signor te acompagne, Nanetto, e che’l ghe tende a la Pierina parché no la se scavesse anca la testa! Ghe dise la Gambetta.
- Signora Gambetta, gràssie par tuto e scùseme el disturbo!
Dopo pareciarse le traie, tuto butà su la schena dea Pierina, i ùltimi saluti e i due soci in strada, nantra volta. Nanetto el cantarolea:
"Che bela musseta, che bela egueta! Se te te strachi sentemo, senò caminemo! La vita ze bona, magnando polenta e dopo, pregar la corona! Viva i polastrei, parché no se ghe vede i rochei! Dopo la tempesta vien la bonansa. Ze meio magnar, par no sentir mal de pansa".
E così el ndea avanti. Co la Pierina, tuto ben fin lì.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
Frei Bruno Fardo, vita e stòria
Primo Galdino Carniel
Agente do CR, Cacique Doble-RS
Go cognossesto el frate Bruno Fardo, de Garibaldi, na persona de amor e de fede. Quando ze nassesto Luiz, me fradel, el frate el ze vegnesto dir messa, la data zera marcada, ma quela note no se ga fermà de piover. La messa la ga dita a le nove dea matina. El tempo no’l se fermava de piover. Lora me pare el ze ndà a messa, el ga dito che la mama no podea ndar par via dea piova e bisognava portar Luiz par batesarlo. I sàntoli i ze vegnesti de distante, a pié, soto la piova. I ze rivai moii come i poldini. Lora, el frate ga dito: - Francesco, dopo messa mi vao casa tua far el bateso, e de fato el ze vegnesto.
Durante i disdoto ani che’l frate Bruno el ze stà in Cacique Doble robe magnìfiche le ze sucedeste. Tuti i ndava a messa, a la doménega, a pié o a caval, de carete, tirade a mule o a boi... Restava casa sol uno, par tegner el fogo impissà e far el disnar, e tuto ndea ben.
Quando el frate ndava benedir le case, mi verdea i portei tele stradine fora par la colònia. E quando ghe gera messa dea festa dea Madona de Lourdes, nostra patrona, o de Sant’Antoni, tolea su la questua, se guadagnava de tuto: porchi, novii, mìlio, vin, galine. Par i porchi ghe zera un saraion con pi de sento e sinquanta a dusento porchi, due tre casote piene de mìlio. Dopo le feste se ndava sgranar mìlio.
Un ano el frate el ga spartio formento par semensa. Chi impiantava na quarta, chi meda par la cesa, e i racolti i zera sempre pieni. El dise un ditado, che "Chi dà a la cesa, impresta a Dio." E no manca mai gnente a casa.
Al primo vendre del mese, noantri dea capela Sant’Antoni se fea la novena dei nove mesi. Se ndava bonora confessarse. A le quatro dea matina se rivava te la cesa de Cacique Doble. Quando el frate Bruno sentia che ghe zera gente che parlea, lora el impiava la làmpada e de là un poco el vegnea su per la piassa, el cantea el rosàrio, tuti capia che’l zera lu. In ndava in cesa, el confessava tuti, dava la comunion e chi volea ndar casa, i ndava; chi volea spetar la messa e la adorassion, i se fermava."
Che bel testimònio dei nostri cari e santi frati, esémpio par tuti.
Ricordar, viver e continuar la stòria
Romano Prando
Lacerdópolis-SC
Come ga scrito polito sul giornal el Paulo Suliani, gióvane avocato de Porto Alegre, nassisto in Caxias do Sul (O italiano que está em você, março de 2005). Ze bel sentir un gióvane parlar dea stòria dei nostri imigranti, che i partea del Itàlia, disendo: "Ndemo in Mèrica catar la cucagna." Ma, con voia e tanto laoro, i ga fato la Europa qua in Mèrica. I ga messo su agroindùstrie che le manda prodoti via pal mondo. E noantri bisogna portar vanti e mantegner la so cultura, esémpii e tradission.
I ga fato la Mèrica come i volea. Parché ghe piasea tanto el vin, suito i ga piantà vigne, tirà su vignai e fato su cantine par meter el bon vin. I ga portà tante maniere de far, de viver e, soratuto, de magnar, come la polenta ténera, la polenta dura, taiada a fete, e la polenta brustolada coi radici consai col lardo; el formaio messo in màsera tei fondi del vin, par ciapar color e conservarse meio par dopo gratarlo e méterlo te la minestra, tei bìgoli, tel brodo...; salami e ossocoi, lora, gnanca parlar; pissacan lessi e consai con la panseta de porco, par magnar con la polenta ténera o brustolada, con un bel bicer de vin. Bisogna portar vanti el filò, i dughi del trissete, brìscola, scopa, quatrìlio... Ricordar i nostri migranti e rivìver la so alegria al rivar a Rio Grande dopo quaranta giorni de viaio, par ndar scominsiar la vita in Alfredo Chaves e altre colònie, prima e anca dopo del mila e novessento.
Se ogniuno el ricorda e el matien la so stòria, tuti insieme la mantegnemo tuta.
Semana Farroupilha unifica festejos
Comemorações envolvem população de oito Estados
As janelas das casas e de locais de trabalho vão exibir mais as cores da bandeira do Rio Grande do Sul (vermelho, verde e amarelo), durante a Semana Farroupilha deste ano, que ocorre de 14 a 20 de setembro. A Chama Crioula será acesa dia 26 de agosto, em Viamão. Além do RS, as comemorações farroupilhas ocorrem em cidades de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e no Distrito Federal.
Nesta edição, a novidade será a unificação dos desfiles temático e tradicional, com o tema "O gaúcho: usos e costumes", contando com a participação de 11 invernadas na avenida Perimetral, na capital, e a encenação de batalhas e shows artísticos. "Procuramos envolver todos os municípios gaúchos, incentivando a realização de desfiles temáticos com participação efetiva das comunidades", disse o governador Germano Rigotto ao lançar oficialmente o evento na quarta 27.
Erechim harmoniza o trânsito com rótulas
A Secretaria de Obras Publicas de Erechim acaba de concluir as obras da rótula na avenida 15 de Novembro com as ruas São Paulo e Pedro Álvares Cabral. A implantação de rótulas no sistema viário da cidade faz parte do projeto Educação no trânsito – respeito à vida, lançado em 2002 com a finalidade de harmonizar a convivência do usuário do trânsito nos diferentes tipos de mobilidades.
O programa inclui a melhoria da qualidade da pavimentação das ruas do centro e dos bairros, colocação de sinalização, embelezamento e contenção do fluxo de pedestres nas travessias de maior risco.
Mercosul em Santa Maria
A 1ª Feira de Economia Solidária do Mercosul, em julho, transformou Santa Maria na capital internacional do Cone Sul. A cidade recebeu 600 empreendimentos que representam mais de 400 mil pessoas de 17 países, 23 Estados, 221 municípios, 31 dioceses, 47 caravanas e uma grande variedade de mais de 3.450 produtos e que acolheu um público de mais de 66 mil pessoas.