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Edição 4.949 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 10 de agosto de 2005.

EDITORIAL

Um horizonte de mercado mais amplo à agroindústria

Empresários rurais que pretendem ousar devem estar atentos também para a qualidade e a organização

 

Num mundo globalizado, que derruba fronteiras comerciais como se fossem pedras de dominó enfileiradas, um empreendedor rural não pode vender sua produção além dos limites de seu município. Esse disparate ilustra a situação que vivem proprietários de agroindústrias submetidas à inspeção municipal. Esse serviço, apesar da restrição geográfica, tem sua importância na medida em que permitiu que um número expressivo de agricultores pudesse agregar valores a seus produtos e buscar novos clientes. Mas precisa avançar mais.

Nesse quadro de necessidades, é muito bem-vindo o projeto que institui o Sistema Único de Atenção à Sanidade Agropecuária. Resultado de um trabalho que envolveu os ministérios do Desenvolvimento Agrário, Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Planejamento e Casa Civil, visa fornecer às agroindústrias a certificação sanitária para a comercialização em todo território nacional. Ou seja: vai além até da inspeção estadual, que não permite transações com outras unidades da federação.

Embora ainda na fase de projeto, essa iniciativa deverá auxiliar também na regularização de milhares de agroindústrias. Atualmente, conforme estimativa da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag-RS), em torno de 60% das quase quatro mil agroindústrias gaúchas atuam na clandestinidade. O percentual da ilegalidade sobe para 79% em Santa Catarina e atinge 93% no Paraná, de acordo com fontes federais.

Se for implantado - e ainda não há data fixada para isso -, o novo sistema ampliará o horizonte de mercado e as possibilidades de elevação de receita. É necessário, porém, que os empresários rurais estejam atentos, porque assim como poderão conquistar espaço distante de sua sede, ganharão concorrentes de fora. Quem pretende ousar, que se prepare, não apenas do ponto de vista sanitário, mas também da qualidade e da organização.

 

CAXIAS DO SUL

Laudo de instituto complica liberação de dinheiro da Comunidade Européia

Prefeitura vai pedir novo prazo e pode até desistir do projeto

 

A liberação de cerca de R$ 1,3 milhão, dinheiro destinado pela Comunidade Européia através de convênio entre a Prefeitura de Caxias do Sul e outros 11 parceiros, prevista para a semana passada, não só foi adiada como tende a demorar meses - com possibilidade de ir além de um ano. Mais do que isso, cresceu o risco de que esses recursos nem possam ser utilizados. A origem desse novo quadro está no laudo emitido pelo Instituto Gama de Assessoria Municipal (Igam).

O Igam, ao analisar o processo, constatou "situações críticas, muitas dúvidas e necessidade de correções", conforme descrição do gerente-executivo do Programa Valorização do Turismo Integrado à Identidade Cultural dos Territórios (URB-AL), Antônio Feldmann. "Não vamos usar o dinheiro sem que tenhamos garantias de que o processo esteja absolutamente dentro das normas estabelecidas pelo convênio firmado com a Comunidade Européia, do ponto de vista moral e legal", ressalta Feldmann.

O primeiro passo para obter essa garantia é a contratação de uma empresa de auditoria internacional para o permanente acompanhamento, o que, segundo o gerente-executivo do URB-AL, começou a ser dado. Feldmann, no entanto, acredita que para adequar o processo às exigências da Comunidade Européia "deverá demorar mais de um ano". Por esse motivo, e sabendo que o dinheiro ficará disponível somente até outubro de 2006, a tendência é de que a Prefeitura de Caxias peça o adiamento por um ano, tempo em que a tramitação esteve parada.

Os cerca de R$ 1,3 milhão, que estão depositados numa conta da Prefeitura de Caxias no Banco do Brasil desde outubro de 2004, representam a primeira parcela de recursos a serem destinados pelos europeus, com contrapartida da Prefeitura de Caxias (R$ 108 mil) e dos outros 11 parceiros (entre eles as prefeituras de Flores da Cunha, de Bento Gonçalves, mais municípios da Itália, Chile, Uruguai e Espanha), através do Projeto de Valorização do Turismo Integrado à Identidade Cultural de Territórios (VICTUR).

Em Caxias, essa primeira parcela tem aplicação dirigida: uma escola de agriturismo, na localidade de 3ª Légua. Uma das dúvidas apontadas por Feldmann - sem fornecer detalhes - envolve o local da escola. Definida inicialmente para ser instalada no prédio que já abrigou um seminário, pode ter novo endereço. "Existe a possibilidade de que ela não seja instalada no ex-seminário", declara, embora assegure que a intenção é mantê-la na 3ª Légua. "O prefeito (José Ivo) Sartori determinou prioridade para a continuidade do projeto, mas tudo vai depender do resultado da auditoria que contrataremos. Não vamos correr qualquer tipo de risco, mesmo que isso implique em abandonar o projeto", afirmou Feldmann.

 

Casa abriga parentes de hospitalizados

 

A Casa Hospedaria, inaugurada na semana passada pelo prefeito José Ivo Sartori, é resultado de parceria entre a Fundação de Assistência Social (FAS) e a Associação SOS Oração Carismática Católica. O prédio fica no bairro Cruzeiro e tem capacidade para abrigar até doze familiares de pessoas hospitalizadas sem parentes na cidade nem condições de se manter. As pessoas poderão ficar hospedadas na casa, inclusive com o paciente, em caso de tratamento que não necessite de internação. A idéia é oferecer calor humano num ambiente alegre e receptivo. O telefone da Casa Hospedaria é (54) 212-2040.

 

Fundação Caxias tem novos foco e diretoria

 

Fundada em 1969, a Fundação Caxias, entidade sem fins lucrativos, se voltará mais para os adolescentes da cidade. Na origem dessa alteração está pesquisa que constatou que de 364 entidades caxienses, apenas 6% desenvolvem trabalho para atender essa faixa etária da população. O resultado completo dessa pesquisa será divulgado na segunda 15, durante reunião-almoço da CIC. Na ocasião também serão apresentados os novos dirigentes: Paulo Poletto: presidente; Euclides Sirena: vice-presidente; Ivonei Pioner: tesoureiro.

 

REPORTAGEM

Há 60 anos, o Sol escureceu sobre o Japão

No aniversário das bombas atômicas que levaram à rendição do Japão, o mundo silencia

 

"Meu primeiro pensamento foi que aquilo era igual ao inferno. Nunca vira nada parecido antes." (de um sobrevivente de Hiroshima, 1945)

Segunda-feira, 6 de agosto de 1945, 8h15. Uma bola de fogo materializou-se no céu de Hiroshima, no Japão, fruto da fatal e sinistra bomba de urânio lançada sobre a cidade. Dois minutos e dezessete segundos depois, a explosão matou instantaneamente 78 mil pessoas e feriu milhares. Três dias depois, 9 de agosto, uma ordem é dada e outra bomba, de plutônio, é lançada sobre Nagasaki. Mata 40 mil e fere outros 40 mil japoneses. No final, o número de mortos subiu a 140 mil.

Mas, por semanas, meses e anos, os feridos continuavam a morrer, vítimas das terríveis lesões provocadas pela explosão atômica. Mesmo seis meses depois, centenas de pessoas exibiam queimaduras não cicatrizadas, provocadas pela exposição à radiação.

Milhares de homens e mulheres com problemas causados pela radiação, até então desconhecidos, continuavam a surgir, mesmo muitos anos mais tarde. Em 1950, o censo nacional do Japão indicou que havia no país 280 mil pessoas contaminadas pela radiação.

Assim como as pessoas, as estruturas físicas das duas cidades sofreram conseqüências graves com a radiação das bombas atômicas. O meio ambiente também foi inteiramente destruído.

A primeira bomba atômica, apelidada de Little Boy (Garotinho), em homenagem ao presidente Franklin Roosevelt (falecido em plena guerra, em 12 de abril de 1945), foi lançada do avião de guerra americano B-29, batizado Enola Gay, pilotado pelo coronel Paul Tibbets Jr. O artefato, com 3,6 toneladas e 3 metros de comprimento, era dotado de um poder de destruição equivalente ao de 20.000 toneladas de TNT - 2.000 vezes maior do que a mais potente arma já utilizada.

O B-29 foi batizado de Enola Gay pelo seu comandante em homenagem a sua mãe. Voou 2.735 quilômetros desde a pequena ilha Tinian do arquipélago das Marianas, no Pacífico, até Hiroxima. A bordo do avião, ao olhar o aterrorizante cogumelo de fogo e cinza que se erguia a centenas de metros, o capitão Robert Lewis, co-piloto do coronel Tibbets, murmurou: "Meu Deus, que fizemos!"

A segunda bomba, chamada Fat Man (Homem Gordo), alusão ao ministro inglês Winston Churchill, media 3,25 metros de comprimento. Com diâmetro de 1,25 metro pesava 4,5 toneladas. Sua força de destruição era de 22 mil toneladas de TNT. O artefato destinava-se à cidade de Kokura, mas o piloto do B-29, comandante Boks Car, encontrou atividade antiaéria e seguiu então para Nagasaki que era o alvo secundário. A bomba foi detonada às 11h02, a 503 metros acima da cidade.

O Japão se rendeu, incondicionalmente, a 15 de agosto de 1945, terminando com isso a II Guerra Mundial.

 

Temperatura no solo chega a 4.000 graus

 

Mais de 90% dos edifícios e casas de Hiroshima foram destruídos num raio de nove km. A bomba criou uma luminosidade que cegava, e em queda uma bola de fogo com uma temperatura entre 3.000 a 4.000 graus, o suficiente para fundir o ferro por duas ou três vezes. A bola se expandiu de 25,6 metros para 256m de diâmetro num segundo, criando enorme onda de explosivos e em seguidas ondas de abalos.

Ventos de 644 a 965 km/h e poeira são sugados para cima e criam nuvens em forma de cogumelo, que espalha detritos radioativos. Milhares de vítimas que estavam queimadas, mutiladas, cegas pelo clarão da explosão, vagavam entre os cadáveres calcinados e uma quantidade incalculável de escombros, procurando desesperadamente socorro.

Já a bomba jogada sobre Nagasaki trouxe uma extensão de horror e um quadro apocalíptico semelhantes aos de Hiroshima.

 

Bomba muda a história da humanidade

 

Os americanos consumiram seis anos e US$ 2 bilhões (US$ 45 bilhões, em valores atuais) e envolveram 140 mil pessoas para produzir a arma mais destrutiva da história da humanidade. No dia 16 de julho de 1945 deu-se a primeira explosão experimental no deserto de Álamo Gordo, Estado de Nevada.

O passo seguinte do projeto Manhattan foi jogar a bomba sobre o Japão, que ainda resistia à ofensiva americana. A decisão foi tomada pelo presidente Harry Truman, que, desde maio de 1945, havia sucedido Roosevelt. Da sala do cruzador Augusta, Truman, em 5 de agosto, dava a ordem de execução que mudaria a história do planeta: a bomba atômica.

Tempos depois o diretor científico do Manhattan, Julius Robert Oppenheimer, com a consciência atormentada pelos estragos causados pela superbomba, disse: "Esses físicos conheceram o pecado de uma forma tão crua que nem a vulgaridade, o humor ou o exagero podem apagar... e esse é um conhecimento do qual eles não podem lançar mão."

 

"Dor intensa, seguida de frio excessivo"

 

Desafiando qualquer palavra, o médico Paulo Nagai, que estava em Nagasaki no dia 9 de agosto de 1945, descreveu a carnificina. "Todos me chamavam ao mesmo tempo: eram doentes do hospital que tinham sobrevivido, ou melhor, não tinham ainda morrido. Os corredores, as salas de espera, os laboratórios, eram um amontoado de corpos nus que pareciam de argila pela cinza que aderira a eles."

"Vinte minutos depois da explosão, toda a região estava em grandes labaredas. Duas crianças passaram arrastando o pai morto; uma mulher jovem corria apertando contra o peito o filho decapitado. Outra mulher, com as vestes ateadas, rolou da colina abaixo como uma bola de fogo. A 500 metros da explosão, uma jovem mãe foi encontrada com o ventre aberto e seu futuro bebê entre as pernas. Um homem enlouquecera e dançava em cima de um telhado, envolto em chamas. Alguns fugitivos voltavam-se a cada passo, enquanto outros caminhavam firmes, apavorados demais para voltar."

"A pressão imediata foi tamanha que, no raio de um quilômetro, todo o ser humano que se encontrava do lado de fora, ou num local aberto, morreu instantaneamente ou dentro de poucos minutos. A um quilômetro, as queimaduras atômicas tinham dilacerado a pele, fazendo-a cair em tiras, deixando à vista a carne sangrenta. A primeira impressão foi de dor intensa, seguida de frio excessivo." (Paulo Nagai morreu seis anos depois da explosão da bomba, vitimado pela leucemia, doença provocada pela radiação).

 

Japão se rende em 2 de setembro de 1945

 

9h25, 2 de setembro de 1945. O Japão rende-se oficialmente. É o ponto final. Depois de 2.195 dias, acaba a maior guerra que o mundo já testemunhou. De 100 a 110 milhões de pessoas, originárias de 61 nações, participaram das hostilidades, que se desenrolaram sobre uma área total de 22 milhões de km2. Cinqüenta milhões de vidas foram ceifadas.

Todos os anos, 6 de agosto é lembrado com muita tristeza no mundo, torcendo para que nunca mais a humanidade tenha de assistir a uma tragédia como a desse dia. O bispo de Hiroshima, dom Joseph Atsumi Misue, presidiu no sábado, 6, a missa lembrando as vítimas das bombas atômicas.

"Tornei-me a morte, a destruidora dos mundos."

(J. Robert Oppenheimer, depois da primeira detonação)

"Não sei com que armas a III Guerra Mundial será lutada. Mas a IV Guerra Mundial será com paus e pedras."

(Albert Einstein, sobre as conseqüências do uso da bomba atômica)

 

AGRONEGÓCIO

Lei para tirar as agroindústrias da informalidade

Sistema único de inspeção sanitária vai facilitar a venda dos produtos agropecuários

 

Mudar a legislação sanitária atual, que impede a comercialização de produtos da agricultura familiar, gerados em pequenas agroindústrias, para outros municípios, estado ou país, é a principal proposta do governo federal para tirar as agroindústrias da informalidade. Só no Rio Grande do Sul, seis em cada 10 empreendimentos familiares trabalham à margem da lei. Este número é ainda maior nos estados de Santa Catarina e Paraná.

A proposta foi apresentada à Assembléia Legislativa gaúcha pelo Grupo de Trabalho Interministerial, formado por representantes da Casa Civil, dos ministérios do Desenvolvimento Agrário (MDA), da Agricultura e Abastecimento, de Planejamento e Gestão e da Vigilância Sanitária Federal. "É preciso descentralizar e democratizar a política de inspeção, valorizando a pequena agroindústria que possui tanto valor no Brasil, quanto o grande agronegócio", afirma o secretário de agricultura familiar do MDA, Herlon Almeida.

Os principais itens da proposta são a mudança na legislação sanitária, unificando e padronizando procedimentos; alteração na legislação fiscal; linhas de crédito; capacitação; assistência técnica e pesquisa; isenção de cobrança de taxas e registros de produtos para pequenos produtores; certificação; análise oficial de amostras, com criação de um sistema de franquias; suspensão das aplicações das atuais normas previstas pela legislação sanitária; possibilidade de comercialização direta em feiras livres e, principalmente, possibilidade de vender os produtos fora do âmbito municipal.

Único - "A legislação precisa viabilizar e não impedir a agregação de valor da produção no âmbito da agricultura familiar", destaca o representante do MDA. "Ela precisa ser facilitadora, afrouxada, no bom sentido", argumenta. A atual lei 7.889/89, que limita a circulação de mercadorias e produtos em âmbito municipal, estadual e federal, representa o grande gargalo e criou uma espécie de status de consumo. "Somos contra esta legislação e nossa proposta é alterá-la", resume Almeida. "Não há porque separar as instâncias de registro e fiscalização, desde que obedecidos os mesmos critérios", ressalta.

Para o representante do Ministério da Agricultura, Marcelo Bonnet, trata-se de caso único na legislação nacional que estabelece este tipo de divisão, totalmente equivocada segundo os técnicos do governo federal. "O espírito da lei atual é de valorizar apenas os grandes empreendimentos, voltados à exportação", reconhece Bonnet.

 

Gilberto Pedrucci é o Enólogo do Ano

 

O "Enólogo do Ano 2005" é Gilberto Pedrucci, eleito pelos associados da Associação Brasileira de Enologia (ABE). O processo de escolha, que iniciou em 9 de maio, encerrou em 30 de julho. Ademir Brandelli, Adriano Miolo, Gilberto Pedrucci, Lucindo Copat e Nauro Morbini foram os cinco enólogos mais votados.

Gilberto Pedrucci é o enólogo responsável pelas vinícolas Peterlongo e Casa Pedrucci, instaladas na cidade de Garibaldi. Atualmente, é presidente da Associação dos Vinicultores de Garibaldi (Aviga) e vice-presidente da Fenachamp, além de diretor da ABE.

A promoção da ABE tem o propósito de valorizar a classe enológica, buscando o reconhecimento destes profissionais. O "Enólogo do Ano 2005" tem a pretensão de fazer com que os enólogos aprimorem o seu conhecimento técnico, profissional e cultural.

 

Descoberta substância inédita no vinho

Novo elemento é encontrado em vinhos de Flores da Cunha

 

Uma pesquisa realizada pelas universidades de Bordeaux e Montpellier, na França, em parceria com o Laboratório de Referência em Enologia (Laren) e Universidade de Caxias do Sul, detectou a presença em vinhos gaúchos da substância identificada como trans-delta-viniferina, até então só constatada em folhas de videira. Foram analisados 12 vinhos produzidos no Rio Grande do Sul.

O elemento descoberto possui ação anticancerígena (combate cânceres) e antioxidante (evita doenças cardiovasculares). "Derivada do trans-resveratrol, a substância foi encontrada, até agora, nos vinhos da Vinícola Giacomin, com maior concentração na variedade merlot. Também foi identificada no cabernet sauvignon, mas em dosagens menores", revela a autora da pesquisa e coordenadora do Laren, Regina Vanderlinde. "Nem eu sabia disso", afirmou Luiz Carlos Giacomin, diretor da vinícola, obviamente satisfeito com a descoberta.

A doutora em enologia diz ainda que os estudos demonstram que a atividade anticancerígena da trans-delta-viniferina é até mesmo mais ampla do que a do próprio resveratrol. "Sua ocorrência nos vinhos pode ser devido ao solo, ao clima, à variedade e até a técnicas de vinificação", explica ao CR.

Identificação - A identificação deste composto foi realizada por ressonância magnética nuclear (RMN) após a extração, isolamento e purificação. Já a quantificação foi efetuada por cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC). O trabalho do Laren e das universidades francesas segue agora com a avaliação de um maior número de amostras e de diferentes regiões e vinhedos.

Segundo a Drª Regina, para setembro, está prevista apresentação do trabalho, em sua íntegra, no Congresso Internacional sobre Vinho e Saúde em Cape Town, na África do Sul. Até o momento, a pesquisa está sendo publicada na revista internacional "Journal of Agriculture na Food Chemistry".

Giacomin - A Vinícola Giacomin está estabelecida em Mato Perso, distrito de Flores da Cunha. A propriedade da família está encravada entre morros. Os vinhedos são conduzidos em formato de Y (ipsilone), método que permite maior insolação e ventilação das uvas.

Mudas de videiras e equipamentos, utilizados na vinificação, são importados da Itália. A produção de vinhos é obtida a partir da colheita da uva que provém de parreirais próprios.

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

Propriedades da beterraba

Gostaria de obter informações sobre a beterraba e se ela tem as mesmas propriedades da berinjela.

TEREZA CAMARGO

Flores da Cunha - RS

 

A beterraba tem como nome científico Beta vulgaris, família das Quenopodiáceas, a mesma da acelga, espinafre europeu e a nossa conhecida erva santa maria (medicinal).

A beterraba é originária da Europa e conhecida desde a antigüidade. Camponeses pobres da Germânia foram os primeiros a utilizar a beterraba como alimento, por suas raízes carnudas e açucaradas, e a cultivá-la. Só bem depois, os europeus aprenderam a extrair açúcar das raízes da beterraba, por não terem outras plantas como a cana-de-açúcar para tal fim.

A partir do início do século vinte, com o surgimento da genética como ciência, os estabelecimentos de pesquisa e experimentação agronômica da Europa trataram de criar variedades açucareiras melhoradas, de coloração branca e teor de sacarose acima de 12%, e alcançando perto de 20%, determinando grande incentivo à indústria do açúcar naquele continente. Da mesma forma criaram variedades forrageiras especialmente para o gado leiteiro, enquanto as variedades hortícolas não tiveram o mesmo interesse.

A beterraba no Brasil foi introduzida pelos imigrantes europeus. As variedades açucareiras não se desenvolveram, pois encontraram aqui uma próspera indústria de extração de açúcar a partir da cana-de-açúcar, introduzida séculos antes pelos colonizadores portugueses, e de menor custo de produção.

Somente as beterrabas hortícolas (de mesa) tiveram aceitação e passaram a ser aqui cultivadas. São variedades vermelhas, em geral redondas e achatadas, de sabor agradável, cujas sementes são originadas e importadas dos EUA. As Estações Experimentais Brasileiras - dos Institutos Agronômicos e da Embrapa - também trabalham no melhoramento da beterraba, na busca de tipos apropriados às diversas regiões do país.

A planta é pequena, o caule, muito curto, as folhas, basilares, são grandes, verdes, com talo vermelho; a raiz, tuberosa, carnuda, de cor vermelho-escuro. Toda a planta é comestível, de grande valor nutritivo e energético. Contém açúcares, pigmentos, grande número de aminoácidos, vitaminas A, B1, B2, C, macro-elementos minerais (cálcio, fósforo, ferro, potássio), e micro-elementos como o zinco, o magnésio, o bromo, o lítio e outros, de grande importância para o organismo. As folhas, em vitaminas e minerais, são mais ricas que as raízes. Em geral, desprezadas, devem ser aproveitadas na alimentação, sob diversas formas: salada, refogada, sopas, molhinhos, seca (em farinhas). A raiz, muito digestiva, deve ser ingerida, de preferência, crua ou pouco cozida, bem picada ou em fatias finas, misturada em saladas.

Propriedades terapêuticas - Ao contrário da berinjela que tem baixo valor nutritivo, mas alto valor terapêutico, a beterraba, tem alto valor nutritivo e pouco expressivo valor terapêutico. Isto quer dizer que a beterraba não é planta predominantemente medicinal, mas alimentícia. O valor terapêutico da beterraba provém dos seus componentes que ingerimos. O que dizem alguns autores:

"A beterraba é contra a anemia e mineralizadora de ácidos" (Ir. Cirilo, Plantas Medicinais, Francisco Beltrão-PR). "O hábito de consumir beterraba crua, cozida, ou em sucos, ativa o cérebro, combate o estresse, fortalece as células, evita o câncer, e limpa as vias urinárias" (Pe. Franco e Prof. Fontana, Ervas e Plantas, Erechim-RS). "No começo do inverno é benéfica como preventivo de viroses" (Segredos e Virtudes de Plantas Medicinais, Seleções Reader’s Digest, Lisboa, Portugal). "A beterraba combate a anemia por causa do seu alto teor de vitaminas, ferro e cobre" (Marcos Gomes, As Plantas da Saúde, Ed. Paulinas, São Paulo-SP). "Os micro-elementos da beterraba são muito importantes, como o zinco, necessário aos tecidos cerebrais, o magnésio, indispensável ao funcionamento dos nervos e dos músculos..." (Horta - Guia Rural, ed. Abril, 1990).

 

SAÚDE

Depressão eleva risco de diabetes

Ganho de peso, comum em paciente depressivo, atrapalha ação da insulina

 

Especialistas identificaram recentemente um novo fator de risco para o surgimento do diabetes tipo 2. Segundo médicos da Universidade de Alberta, no Canadá, a depressão pode elevar em até 25% a probabilidade de alguém vir a sofrer do mal de excesso de glicose no sangue. Para chegar a essa conclusão, eles analisaram o histórico clínico de cerca de 30 mil homens e mulheres entre 20 e 50 anos de idade.

A descoberta é preocupante, pois o diabetes e a depressão estão entre as mais comuns e graves doenças crônicas da modernidade. Nos últimos 20 anos, o número de diabéticos tipo 2 aumentou seis vezes, passando de 30 milhões para 170 milhões em todo o mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde, 17% da população mundial sofrerão de depressão pelo menos uma vez ao longo da vida. O estudo canadense deve servir de alerta para que se adotem medidas preventivas contra o diabetes no tratamento de pacientes deprimidos.

Os médicos ainda não conseguiram encontrar uma conexão direta de causa e efeito entre as duas doenças, mas citam três hipóteses para explicar porque a depressão pode deflagrar o diabetes tipo 2. Os fatores podem se manifestar isoladamente ou ao mesmo tempo.

Em primeiro lugar, pessoas deprimidas tendem à prostação e, conseqüentemente, abandonam os cuidados com a própria saúde. Isso significa que ficam mais sedentárias e passam a se alimentar de modo inadequado, abusando sobretudo de doces. Com esse comportamento, acabam engordando. O ganho de peso também é um dos efeitos colaterais mais comuns da maioria dos antidepressivos. Estudos já demonstraram que seis em cada dez pacientes deprimidos, depois de um ano de tratamento medicamentoso, estão 20% mais pesados. A obesidade é um dos principais fatores de risco para o diabetes tipo 2.

O excesso de células de gordura faz com que o organismo se torne resistente à ação da insulina. Esse hormônio é responsável pela entrada de glicose nas células. Quando a insulina não consegue cumprir sua função corretamente, os níveis de glicose no sangue aumentam.

Outra ameaça ao surgimento do diabetes tipo 2 é o estresse. Quando um organismo é submetido a períodos de muita tensão, angústia e ansiedade, ocorre uma liberação exagerada na corrente sangüínea de três hormônios, cortisol, adrenalina, e noradrenalina. Sob a ação constante desses hormônios, o metabolismo se desequilibra. Uma das conseqüências é que a glicose permanece na corrente sangüínea, em vez de invadir as células. Por esse motivo, vítimas de situações de muito estresse, com grande desgaste emocional, podem se tornar diabéticas. Quando uma pessoa já está deprimida, ela fica ainda mais vulnerável à ação dos hormônios do estresse. Isso quer dizer que em muitos casos a depressão serve de gatilho para o diabetes tipo 2 em função do estresse.

 

Nova droga estimula produção de insulina

 

Conhecido como monstro de gila (Heloderma suspectum), o maior lagarto dos Estados Unidos, venenoso, é útil ao tratamento do diabetes. O exenatida, composto sintético de uma substância derivada da saliva do réptil, é a primeira droga de uma nova classe de medicamentos a chegar ao mercado americano. O composto pertence à classe dos chamados miméticos do hormônio incretina para o tratamento do diabetes tipo 2.

Injetada antes das refeições, a exenatida age no pâncreas e imita os efeitos da incretina, responsável natural pela liberação de insulina após o consumo de alimentos e a conseqüente elevação de glicose no sangue. O grande benefício do medicamento é ajudar na produção de insulina. A droga foi lançada nos Estados Unidos em junho passado e deve chegar ao Brasil no segundo semestre de 2006. Lá, a dose diária custa aproximadamente US$ 6.

 

ALIMENTAÇÃO & SAÚDE

Fibras contra a osteoporose

 

Para prevenir a osteoporose, doença que enfraquece os ossos, não basta ingerir alimentos ricos em cálcio, é preciso que esse mineral seja bem absorvido pelo organismo. Muito já se falou dos benefícios das fibras solúveis na prevenção do diabetes, colesterol e problemas no intestino, mas poucos sabem que elas também são úteis contra a osteoporose.

Segundo a nutricionista Yara Carnevalli Baxter, de São Paulo, as bactérias do intestino se alimentam de fibras solúveis. Nesse processo, a microflora intestinal se equilibra e cresce a produção dos chamados ácidos graxos de cadeia curta, importantes para a saúde da mucosa do cólon. Tudo isso contribui para estimular os receptores de cálcio e outros minerais, facilitando a sua absorção.

 

OPINIÃO

Reconciliar os que estão em discórdia

Maria Clara Lucchetti Bingemer

Contribuir na formação de uma cultura de paz implica empreender processos educativos, a longo prazo, que mostrem à humanidade outros caminhos para administrar os conflitos

 

Talvez o anseio pela paz seja o mais ardente que hoje habita o coração do ser humano. Triturada por uma violência letal e constante, a humanidade geme sob o peso da força bruta que não a deixa respirar, do terror que a ameaça em cada esquina e da impossibilidade de viver em paz, desfrutando da vida em toda a sua plenitude. A cultura da violência e da morte, que ameaça dizimar gerações inteiras de seres humanos traz consigo o desejo imperioso e ardente de construir uma cultura de paz.

Há 465 anos, um grupo de nove homens resolvia, em união de mentes e corações, consagrar-se a Deus e servir à Igreja nos tempos atribulados e desafiantes que esta vivia. A Europa enfrentava a passagem à modernidade, e a Igreja um de seus períodos mais difíceis, com o advento da modernidade. Respirava-se agitação e cobiça, com a descoberta do Novo Mundo e a tomada de consciência de que o mundo era mais amplo do que se pensava e para lá do continente europeu havia terras habitadas, com grandes riquezas naturais e minerais. A febre por conquista fazia navegadores lançarem-se mar adentro em aventuras onde a violência era uma constante, seja nos perigos encontrados na rota, seja na pilhagem feita a populações desconhecidas e desavisadas.

O grupo de nove companheiros escolheu chamar-se Companhia de Jesus, pois somente o Santíssimo nome do Nazareno podia dar a justa medida do ardente desejo que o movia. Bem o demonstra a ata de fundação do Novo Instituto, que descreve o que pretendiam aqueles que estavam em seus "débeis começos": "atender principalmente à defesa e propagação da fé e ao proveito das almas na vida e doutrina cristã por meio de pregações públicas, lições, e todo outro ministério da palavra de Deus, de exercícios espirituais, e da educação no Cristianismo das crianças e dos pobres, e da consolação espiritual dos fiéis cristãos, ouvindo suas confissões e administrando-lhes outros sacramentos. E também... reconciliar os que estão em discórdia, socorrer misericordiosamente e servir aos que se encontram nos cárceres ou nos hospitais, e exercitar todas as demais obras de caridade, conforme parecerá conveniente para a glória de Deus e o bem comum, fazendo-as em total gratuidade e sem receber nenhuma remuneração por seu trabalho, em nada do anteriormente dito."

Foi assim que os jesuítas, que rapidamente já não eram mais um pequeno grupo, mas uma ordem religiosa com sede em Roma e espalhada por todo o mundo, se propunham a ser artesãos e construtores da paz, mediando conflitos, reconciliando pelejas e praticando e ajudando a praticar a concórdia e o perdão. A história registra esse trabalho de construção da paz por parte dos companheiros de Jesus nas cortes dos reis e dos príncipes, entre indígenas e nativos de novas terras recém descobertas, em meio aos simples fiéis que procuravam viver sua fé e deviam administrar conflitos externos e internos.

A festa de Santo Inácio de Loyola (ilustração), celebrada no dia 31 de julho, nos faz relembrar hoje algumas iniciativas mais recentes dos jesuítas no esforço de construção de uma cultura de paz que ajude a reconciliar um mundo dividido e conflitivo. Entre elas se destaca certamente o Serviço Jesuíta aos refugiados que, em diversas partes do mundo, atende a populações inteiras que vivem na insegurança e na vulnerabilidade de um perpétuo êxodo e ausência de lugar para estar e viver.

Outras iniciativas também se fazem presentes, sobretudo no campo na educação para a paz. Contribuir na formação de uma cultura de paz implica empreender processos educativos, a longo prazo, que mostrem à humanidade outros caminhos para administrar os conflitos e favorecer a convivência pacífica e a justiça social em todos os âmbitos. Espalhados pelos cinco continentes, esses construtores da paz perdem a vida para ganhá-la procurando semear a concórdia, a reconciliação e o perdão por onde passam.

Reconciliar os que estão em discórdia é uma das obras de misericórdia que se encontra na fórmula do seu Instituto. A longa experiência que têm os jesuítas no exercício da pedagogia os faz certamente ser um dos grupos religiosos que podem contribuir efetivamente para tornar realidade essa cultura de paz pela qual o mundo tanto suspira.

 

Direito de matar

Frei Betto

O que torna Bin Laden abominável? Mais do que os métodos criminosos, é não ter um Estado poderoso. Estivesse sentado na cadeira de um chefe de Estado, ninguém o acusaria de terrorista

 

Você pula cedo da cama, veste-se apressado, sai correndo para o trabalho. Você prometeu à velha dama inglesa que terminaria antes do almoço a revisão completa no sistema de aquecimento da casa. O momento propício é agora, pleno verão europeu. Ela não sabe de onde você veio. Não sabe que veio de uma terra muito mais quente, no Vale do Rio Doce, onde 30 graus à sombra é refresco. Por isso, você tem o costume de vestir a jaqueta. Pode ser que, na volta, a temperatura caia, e você não pode correr o risco de ficar doente, perder dias de trabalho, de seu ofício depende uma família brasileira no interior de Minas.

De repente, você escuta um estampido seco, a nuca arde como se um tumor aflorasse em seus ombros, você tenta entender o que ocorre – tempo suficiente para que, ainda em pé, mais sete tiros lhe atinjam a cabeça. Você tomba morto.

A gentil dama inglesa ficará à espera do técnico que prometeu terminar a revisão do aquecedor. Impaciente, dirá ao fundo vazio de sua xícara de chá, enquanto aperta os dedos na alça de porcelana, que não se pode mesmo confiar nesses estrangeiros, não gostam de trabalhar, basta adiantar-lhes o dinheiro para comprar as peças de reposição e eles nunca mais dão as caras. Aborrecida, cansada de esperá-lo, a velha dama liga a TV, sua companheira de solidão, e vê a notícia do atentado abortado graças à habilidade da polícia britânica. Antes que a bomba amarrada ao corpo fosse detonada, os policiais dispararam oito tiros contra a cabeça do terrorista ainda não identificado. A gentil senhora sente-se aliviada, protegida, malgrado o calote daquele rapaz estrangeiro, com cara de árabe, que não cumpriu a promessa de revisar o sistema de aquecimento.

A cara é de árabe e tem jeito de terrorista. Por que a jaqueta em pleno verão? Foi o que pensou o policial ao ver aquele sujeito correndo em direção ao metrô, trajando agasalho numa manhã tropical em Londres. E o olhar dele aos seus companheiros de ofício bastou para conferir que os outros dois também farejaram o perigo. E sentiram igualmente o cheiro da vultosa recompensa prometida pelo chefe de polícia a quem evitasse um ataque terrorista. Inglês aquele sujeito não é. Muito menos irlandês ou escocês. Tá na cara, é afegão ou saudita. Se não agirmos rápido, em poucos minutos teremos a estação do metrô explodindo como uma mina atulhada de dinamites e pedaços de corpos espalhados por todos os cantos.

A vida, os sonhos, o amor e o trabalho de Jean Charles de Menezes cessaram à boca do metrô. Sete balas alojadas no cérebro e uma no ombro. Terrorista mata-se pela cabeça. Primeiro, para não detonar os explosivos atados ao corpo. Segundo, para zerar essa mente demoníaca que arquiteta a morte coletiva de inocentes e sacrifica a própria vida por uma causa sem futuro.

Sem futuro, mas não sem passado. O bem-pensar ocidental amestrou-nos a encarar os efeitos sem nos perguntar pelas causas. O que torna Bin Laden e seus asseclas tão abomináveis? Mais do que os métodos criminosos, é não terem em mãos um Estado poderoso. Estivessem sentados na pomposa cadeira de um chefe de Estado, ninguém os acusaria de terroristas.

Fomos treinados a ter horror à ação imprevisível, inesperada, ilegal, que desafia a lógica e desmoraliza todos os diagnósticos estratégicos. Estivessem eles acomodados num salão oval, dando o sinal verde para que duas bombas atômicas fossem atiradas sobre as pacatas populações de Hiroshima e Nagasaki, ou assinando o decreto que autoriza a CIA a subverter democracias sul-americanas, desencadear a Operação Condor, prender, torturar e matar milhares de jovens idealistas que amam os Beatles e sonham com um mundo mais justo, ninguém diria tratar-se de terrorismo.

Você já ouviu falar em Ahmad Abdullah? É um garoto de al-Qaim, pequena cidade situada a oeste de Bagdá. Ele também saiu correndo pelas ruas. Vinha radiante da escola. Trazia em mãos o boletim de final de curso. Queria mostrá-lo aos pais, havia obtido boas notas, tinha sido aprovado. Uma bala de morteiro disparada por um soldado made in USA interrompeu-lhe os passos. Atingiu-lhe o estômago, o fígado e o pâncreas. Uma rajada de metralhadora fez ondular seus cabelos lisos, pretos, que adquiriram um tom escarlate. E ele tinha apenas dez anos de idade.

Assassinar no Iraque, em Guantánamo, no Afeganistão, não é crime. É legal, não provoca horror, cobre-se com eufemismos que envergonham a liberdade e a democracia. O direito de matar goza da proteção cúmplice de nossa omissão, essa estranha cegueira que nos impede de abominar também o terrorismo de Estado.

 

NACIONAL

Portaria define critérios para registro emergencial de novos agrotóxicos

Texto polêmico está sendo submetido à consulta pública

 

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em ação conjunta com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), vai regulamentar o registro emergencial de agrotóxicos em casos de pragas inexistentes no Brasil ou infestação de organismos vivos nocivos à produção agrícola; transmissores de doença à população humana e animal ou que sejam danosos ao meio ambiente.

A portaria 104, que estabelece os critérios e procedimentos a serem adotados para análise e concessão de registro emergencial de agrotóxicos foi publicada, na quinta-feira 4, no Diário Oficial da União e será submetida a consulta pública por um mês, a contar do dia 6 de agosto. "O objeto da proposta de instrução normativa é regulamentar o registro de produtos para uso emergencial. São aqueles produtos que vão atender emergências quarentenárias ou fitossanitárias e para controle de pragas e doenças para as quais não tem nenhum produto registrado", explica o coordenador-geral de Agrotóxicos do Departamento de Fiscalização de Insumos Agrícolas do Mapa, Júlio Brito.

De acordo com o Mapa, só serão autorizados ingredientes ativos ainda não registrados no Brasil que se enquadrem como produtos de baixa toxidade ou periculosidade. Os produtos serão analisados pelo Comitê Técnico de Assessoramento para Agrotóxicos (CTA).

Segundo Brito, a autorização do uso emergencial de agrotóxicos só será regulamentado se for comprovada a necessidade. "Essas medidas serão tomadas sempre que forem detectadas por associações de produtores, entidades de pesquisas, associações de secretarias de agricultura em que fique caracterizado e nos comprovem que existem pragas de produtos vegetais que estão acarretando sérios prejuízos e danos à agricultura e que não exista nenhum controle autorizado e produto registrado". A ocorrência de emergência poderá ser indicada por órgãos governamentais dos setores da agricultura, da saúde ou do meio ambiente, instituições de pesquisa ou extensão rural ou por associações e cooperativas de produtores rurais.

Interessados em participar da consulta pública podem enviar sugestões tecnicamente fundamentadas para a Coordenação Geral de Agrotóxicos e Afins do Ministério do Meio Ambiente - Esplanada dos Ministérios Bloco D, anexo A, sala 340 - cep 70043-900 Brasília - DF ou para o endereço eletrônico cfa@agricultura.gov.br.

 

Agricultores divergem sobre portaria

 

A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) é contra a regulamentação e o registro emergencial de agrotóxicos. O secretário da entidade, Antonio Lucas, acredita que essa medida prejudicará os trabalhadores rurais. "Sempre estamos fazendo campanhas pela diminuição do uso de agrotóxicos e para proteger o trabalhador para que ele fique mais longe desses produtos. Nós não sabemos que tipo de controle haverá sobre esses produtos e se eles só serão usados realmente em situação de emergência. O risco é muito grande", declarou Lucas, para quem a medida atende principalmente aos interesses de grandes empresas fabricantes do produto. "Tenho certeza que por trás disso há grandes empresas como Monsanto pressionando para que seus produtos sejam vendidos aqui no Brasil".

Já para a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a regulamentação do registro de agrotóxicos para uso emergencial é benéfica. "Há muitos casos em que se exige determinados tipos de tratamento com agroquímicos importados sem registro no Brasil. Essa portaria visa também regulamentar esses casos específicos para atender as exportações de produtos agropecuários", argumenta. Para o representante da CNA, a regulamentação impedirá que o país seja assolado por pragas como a ferrugem asiática que atingiu plantações de soja brasileiras.

 

IGREJA

CAPUCHINHOS REALIZAM CAPÍTULO PROVINCIAL

Encontro vai reunir cerca de 80 capuchinhos em Garibaldi, de 15 a 19 de agosto, e definirá novo governo provincial

 

Em Garibaldi, onde há 109 anos chegaram os primeiros dois frades de Sabóia, França, será realizado o XX Capítulo Provincial dos Capuchinhos gaúchos. O encontro vai de 15 a 19 de agosto e será presidido pelo frei Manoel Delson Pedreira da Cruz, representando o Ministro Geral da Ordem, frei John Corriveau. Também estarão em Garibaldi representantes das vice-províncias do Brasil Oeste e de Santo Domingo - Haiti. Além dos delegados, que representam as fraternidades e as diferentes atividades pastorais, estarão presentes alguns convidados especiais. Ao todo, somam 80 frades.

Os trabalhos capitulares se desenvolverão em três grandes momentos: revisão do atual triênio, planejamento para os próximos três anos e eleição do novo governo provincial, integrado pelo ministro provincial e quatro definidores, que assumirão a coordenação das principais atividades da província. A eleição deverá ocorrer na tarde do dia 18 de agosto, sendo os eleitos imediatamente empossados pelo presidente do Capítulo, frei Manoel Delson.

As diretrizes a serem assumidas já foram debatidas pelas fraternidades. São nucleadas em cinco grandes áreas: vida fraterna; espiritualidade e formação permanente; animação e discernimento vocacional; formação inicial e vida apostólica; e administração, economia fraterna e promoção da vida. Também serão debatidos alguns projetos especiais. As Diretrizes, de um modo geral, se aplicam também às vice-províncias que, no entanto, terão seus capítulos especiais. O Capítulo é a maior instância decisória de uma província. O novo governo provincial terá a missão de viabilizar e implantar as decisões capitulares.

A chamada Missão gaúcha foi iniciada a 18 de janeiro de 1896 pelos capuchinhos da província francesa de Sabóia. Tendo em vista seu rápido desenvolvimento, tornou-se província autônoma em 1942. Foi a primeira província capuchinha da América do Sul. O primeiro provincial, nomeado por Roma, foi frei José de Bento Gonçalves. O primeiro capítulo eletivo elegeu frei Alberto Stawinski como provincial e realizou-se em Flores da Cunha de 18 a 21 de dezembro de 1945.

 

Legado dos fundadores continua nos dias atuais

 

Os imigrantes italianos começaram a chegar à região nordeste do Rio Grande do Sul há 130 anos, em 1875. Procediam do norte italiano e em sua grande maioria eram católicos. Mas foram poucos os padres que acompanharam os migrantes. O Rio Grande do Sul formava uma única diocese e seu terceiro bispo, dom Cláudio Gonçalves Ponce de Leão, trouxe os capuchinhos franceses para atender espiritualmente os migrantes.

Frei Bruno de Gillonnay foi o herói das três primeiras décadas. Dotado de uma forte energia e de uma lucidez impressionante, ele abandonou os esquemas europeus e converteu-se à realidade local. O projeto de frei Bruno teve como pontos salientes: missões populares, paróquias, escola vocacional, Staffetta Riograndense e educação para os filhos e filhas dos colonos.

As missões populares tornaram conhecidos os capuchinhos e as paróquias forneceram o necessário pão. Mas o grande trunfo de Frei Bruno foi a abertura da Escola Seráfica, em Garibaldi, para acolher vocações nativas. E em 1924, quando ele regressou à França, o novo superior já era gaúcho, frei José de Bento Gonçalves.

A seara vocacional foi tão promissora que levou os capuchinhos gaúchos a implantar a Ordem no Brasil Central. E no ano de 1982, a nova fundação, com sede em Brasília, tornava-se província independente. Até hoje é a única província brasileira fundada por brasileiros. E já em 1983 abria-se nova frente missionária no Mato Grosso e Rondônia, atual Vice-Província São Francisco de Assis. Em 2004, por insistência do Ministro Geral da Ordem, a província estendeu seus serviços ao Caribe, auxiliando a Vice-Província Madre Del Divino Pastor.

Atualmente, unindo as três circunscrições, são contabilizados 270 frades de votos perpétuos, 68 pós-noviços, 16 noviços, totalizando 354 frades, além de um bom número de vocacionados. O número de paróquias atendidas pelos freis é superior a 50. Também é significativo o número de emissoras de rádio: 12 em atuação e mais algumas em fase de implantação. O Correio Riograndense continua sua trajetória, quase centenária. Destaque ainda para a Associação Antoniana e o portal da província na Internet. As missões populares continuam caracterizando a identidade provincial. Na área da formação aparece a Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana (Estef) e a EST-Edições, ambas em Porto Alegre.

Pastoral da saúde - Outras duas frentes ocupam muitos frades: as pastorais sociais e a pastoral da saúde. Nesse item, menção para a Fraternidade Fonte Colombo (Porto Alegre) que dirige e orienta o Centro de Formação da Pessoa Soropositiva. Outras iniciativas podem ser citadas: Editora São Miguel, Instituto de Menores, Museu Provincial, Legião Franciscana de Assistência aos Necessitados - a LEFAN, com um leque de iniciativas promocionais. Essa relação não esgota as atividades provinciais.

Atualmente, o governo provincial é formado por frei Luiz Turra, reeleito provincial em 2002, e pelos freis Álvaro Morés, Alceu Ferronatto, Genésio Fracasso e Irineu Costella, definidores. Frei Faustino Paludo é o vice-provincial do Brasil Oeste e frei Demétrio de la Cruz, vice-provincial de Santo Domingo - Haiti.

 

Frades franceses para as colônias italianas

 

Em dezembro de 1946, frei Caetano de Monte Belo, o primeiro seminarista da Escola Seráfica de Garibaldi - aberta em 1898 - fez um relato da Missão Gaúcha, iniciada pelos capuchinhos franceses há 110 anos. Eis o que ele descreve.

"Dom Cláudio Ponce de Leão, natural da Bahia, transferido da diocese de Goiás para a diocese do Rio Grande do Sul, muito bem conhecia os trabalhos apostólicos realizados pelos capuchinhos italianos, na Bahia e nos outros vastos Estados do Nordeste do Brasil. Julgou, pois, acertado, chamar os mesmos fervorosos missionários para entrarem na prometedora seara da região serrana, recém colonizada por imigrantes de procedência italiana.

Nas províncias capuchinhas italianas não puderam ser atendidos os seus pedidos. Foram os capuchinhos da província de Sabóia, na França, que aceitaram o convite. E na segunda semana de janeiro de 1896 chegava a Porto Alegre o primeiro núcleo de obreiros capuchinhos. Era o padre Rafael de la Roche, superior daquela província francesa, que vinha instalar em terras gaúchas os dois primeiros capuchinhos: frei Bruno de Gillonnay e frei Leão de Montsapey.

Providência - No dia 2 de janeiro, o vapor em que viajavam os três capuchinhos atracava no porto da cidade de Rio Grande. O vigário da cidade, padre Otaviano Pereira de Albuquerque - depois arcebispo de Campinas - queria que os dois padres fixassem residência em Rio Grande, mas o bispo de Porto Alegre passou ordens terminantes para que eles seguissem, imediatamente, para a cidade episcopal.

Dom Cláudio ofereceu aos missionários uma paróquia na capital: Nossa Senhora das Dores. Também foi oferecendo a paróquia de Torres, de Alegrete... Estavam os capuchinhos acertando os projetos quando chegou, providencialmente, ao palácio, o ex-vigário de Garibaldi, padre Bartolomeu Tiecher, o qual, espontaneamente, fez a doação da casa e o terreno que ele possuía em Garibaldi.

Após uns dias de descanso, a 16 de janeiro de 1896 os três capuchinhos saíram de Porto Alegre para chegarem a Garibaldi na tarde do dia 18. Nada de entrada triunfal a não ser a barulhenta carreta puxada por seis animais, na qual viajavam os frades e suas bagagens. Ninguém os esperava, nem mesmo o vigário. Apenas os moradores da pequena localidade, com curiosidade, acudiram às janelas para vê-los passar. Quem poderiam ser esses imigrantes de nova espécie?

O bispo tinha-lhes dito que eles poderiam escolher para sua residência Conde D`Eu (Garibaldi) e, caso não quisessem se fixar, Alfredo Chaves, que o povo chamava de Paese Novo. Os três capuchinhos, chegados a Garibaldi, moídos de cansaço e com chuva, foram pelo carreteiro levados à casa canônica. Lá se instalaram, como puderam, junto com o vigário, padre João Fronchetti, e de lá não sairiam nem para saber o que seria o tal do Paese Novo, a não ser meses depois.

Desde que nas paróquias da região se soube da chegada dos missionários capuchinhos em Garibaldi, foi uma avalanche de pedidos de pregações em toda a imensa região serrana, para a qual os havia expressamente enviado dom Cláudio. Nas sedes paroquiais e nas capelas aonde pregavam os dois capuchinhos, seus trabalhos eram assinalados por magníficos êxitos. O povo os cercava de simpatia e religiosa veneração.

Eles passaram dois anos e seis meses entregando-se, com todo ardor, a ininterruptos trabalhos apostólicos. A 18 de junho de 1898, frei Bruno decidiu dar execução à obra altamente recomendada pelo mesmo Santo Padre Leão XIII e abriu a Escola Seráfica para o recrutamento sacerdotal dos capuchinhos oriundos do próprio meio social rio-grandense, o qual prometia numerosas e boas vocações. Entraram naquele dia nove meninos, cujo número foi depois crescendo.

Em dezembro de 1897, mais dois padres e um irmão haviam chegado como reforço aos primeiros. Em dezembro de 1898 mais onze padres e seis estudantes vieram triplicar as forças existentes. Toda esta falange de sacerdotes facilitava a pregação e resolvia o problema de professores para a Escola Seráfica. Porém, a casa de Garibaldi ficou apertada para as duas dúzias de alunos e duas dezenas de padres e estudantes.

Padre Bruno, como superior, havia tentado abrir novas casas. Os padres Augusto Finotti, vigário de Nova Trento (Flores da Cunha) e Teodósio Sanson, vigário de Esperança, foram os instrumentos da Providência para desafogar a casa de Garibaldi. Surgiram assim, quase ao mesmo tempo, dois conventos: Flores da Cunha e Esperança, no município de Guaporé. O primeiro recebeu a comunidade religiosa em 1899. O segundo foi inaugurado a 6 de novembro de 1900 pelo próprio dom Cláudio, em visita pastoral. No convento de Flores da Cunha foi instalado o noviciado. O convento de Esperança, por desinteligências insanáveis entre os freis e o vigário, teve de ser abandonado em março de 1902 e a comunidade religiosa retornou a Garibaldi.

Paese Novo - Estudantes de Filosofia e Teologia e meninos do Seminário Seráfico não poderiam ficar juntos. A necessidade premente obrigou a pensar numa fundação em Paese Novo (Veranópolis). Tomados os acordos com o padre Mateus Pasquali, vigário daquela paróquia, a 24 de abril de 1902 os 30 meninos da Escola Seráfica, pela manhã, saíram de Garibaldi, chegando à noite em Veranópolis, depois de terem feito, a pé, uns 50 quilômetros. As carretas seguiram no mesmo dia com a pobre mobília e uns livros escolares.

No começo de 1903, o bispo dom Cláudio pediu com insistência que os freis tomassem a direção do seminário diocesano de Porto Alegre. Os capuchinhos administraram e dirigiram o seminário com todo ardor e zelo, dando muito impulso à obra das vocações sacerdotais. Queremos até dizer que os capuchinhos, durante 10 anos, se ocuparam mais das vocações para o seminário episcopal do que para o próprio seminário seráfico. A direção durou até o ano de 1913, data em que o novo arcebispo, dom João Becker, chamou à direção do mesmo seminário os padres jesuítas. É da mesma época a nossa Casa Santo Antônio do Partenon (Porto Alegre), adquirida pelo reitor do seminário, frei João de Cognin.

Em dezembro de 1908, dom Cláudio quis que os capuchinhos tomassem também a administração da grande paróquia de Lagoa Vermelha. Em data de 1914 foi entregue ainda aos capuchinhos a nova e próspera paróquia de Sananduva, extenso núcleo da Freguesia de Lagoa Vermelha, onde pelo freis José de Bento Gonçalves e Gentil de Caravaggio, foi realizado primeiro ensaio para a construção de uma grande igreja paroquial, gótica, de madeira, com três naves, sendo utilizados, como colunas, os retilíneos pinheiros da floresta. Em 1919, a pedido do bispo de Santa Maria, dom Miguel de Lima Valverde, os capuchinhos assumiram a administração da imensa paróquia de Getúlio Vargas. Ao voltar à França, em 1924, frei Bruno havia iniciado, acalentado, defendido, fortalecido e amparado, de toda a forma a sua obra, durante quase 28 anos de seu superiorato.

A obra de Frei Bruno foi, depois, continuada em várias etapas, por um dos seus primeiros sacerdotes formados por ele, frei José de Bento Gonçalves. O número cada vez maior de sacerdotes, o incessante despertar de vocações, as possibilidades materiais, permitiram aos superiores imprimir um novo impulso para o Seminário de Veranópolis. Foi ampliado o seminário, em 1927, assim como foi ampliado o convento de Garibaldi e construída, junto ao mesmo, uma igreja pública. Em 1935 foi construído o convento de Marau, em 1942 foi levantado mais um seminário em Vila Ipê e em 1938 foi aceita a direção do Seminário Diocesano de Caxias do Sul. Na mesma cidade foi construído um convento para onde foi transferida a sede residencial do superior dos capuchinhos rio-grandenses. Foi também ampliado o campo apostólico, sendo aceitas paróquias nas dioceses de Santa Maria, Pelotas e Uruguaiana, além das que a Ordem já possuía nas dioceses de Porto Alegre, Caxias e Vacaria.

A humilde obra, iniciada pelo frei Bruno, havia chegado à maioridade e, em julho de 1942, os superiores de Roma elevaram à categoria de Província da Ordem, declarando-a autônoma, com dependência somente de Roma."

 

Colônia acolhe o Papa e os jovens

Jornada da Juventude deve atrair perto de um milhão de pessoas

 

Motivados pelo tema "Viemos adorá-lo", mais de 800 mil jovens do mundo inteiro deverão participar da 20ª Jornada Mundial da Juventude, que será realizada na cidade de Colônia, Alemanha, de 16 a 21 de agosto. A Jornada é a culminância de um percurso que iniciou em 2002, quando João Paulo II anunciou em Toronto a realização de um encontro no coração da Europa, à sobra da catedral em que se venera a memória dos Reis Magos, responsáveis pela expressão "Viemos adorá-lo", tirada do Evangelho.

O Papa polonês foi o primeiro peregrino a inscrever-se na JMJ 2005 através do site do evento. Idealizador dos encontros mundiais da juventude, em 1984, para reafirmar o interesse da Igreja pelos jovens, certamente João Paulo II estaria na Alemanha se não tivesse falecido em abril deste ano. A primeira jornada foi realizada em Roma no ano de 1986 e no ano seguinte foi definido que ela seria organizada a cada dois anos, em algum lugar determinado do mundo.

A 20ª Jornada ocorre numa das cidades mais atingidas pelos bombardeios da 2ª Guerra Mundial e o simbolismo fica reforçado pela presença do Papa Bento XVI, que viveu os horrores da guerra e que vai estar em Colônia entre 18 e 21 de agosto. É a primeira viagem apostólica internacional de Bento XVI desde que assumiu como Papa em abril passado. A jornada deverá reunir também cerca de 700 bispos, oito mil sacerdotes e mais de cinco mil jornalistas.

Vigília - A previsão é de que mais de 400 mil jovens participarão da programação completa da JMJ na região de Colônia. A maioria deles ficará em hospedagens coletivas (escolas, ginásios de esportes, casas paroquiais) e aproximadamente 80 mil em casas dos moradores da cidade e arredores. Nos seis dias do encontro estão previstos eventos religiosos e culturais em cerca de 300 igrejas e outras instituições de Colônia, Bonn e Düsseldorf.

Os pontos altos da JMJ 2005 deverão ser a vigília, na noite de 20 de agosto, e a missa de encerramento, no dia seguinte, ambos a céu aberto. A missa será celebrada pelo Papa Bento XVI em Frechen, a 17 quilômetros de Colônia, com a participação prevista de mais de 800 mil pessoas. Para o atendimento aos visitantes foram recrutados mais de 25 mil voluntários de todo o mundo.

Cruz - Uma cruz, entregue à juventude católica em 1983 por João Paulo II, é o grande símbolo da JMJ. Ela circulou pelos países europeus de abril de 2003 a abril de 2004 e, desde então, percorre as dioceses alemãs. Desde o dia 8 de julho deste ano ela está sendo carregada em romaria, a pé, de Dresden até Colônia, onde deverá chegar no dia 15. Pesa 31 quilos e mede 3,80 metros. É conhecida como a "Cruz do Ano Santo"(1983-1984), "Cruz da Jornada Mundial da Juventude" e "Cruz dos Jovens". Ela foi entregue aos jovens para ser levada pelo mundo. Esteve presente em todas as JMJ.

 

Pontífice vai de Bonn até Colônia de barco

 

Milhares de jovens de todos os continentes acolherão Bento XVI em Colônia, no dia 18, aonde chegará de barco. A presença do Papa na Jornada Mundial da Juventude prevê, entre outras atividades, a navegação de barco pelo Reno, de Bonn a Colônia e sua acolhida pelos jovens no porto de Poller Rheinwiesen; uma visita à sinagoga da cidade; um encontro com comunidades muçulmanas na Alemanha e uma visita de cortesia ao presidente da Alemanha, Horst Kohler.

No final da tarde do dia 19, o Papa manterá encontro com os seminaristas e participará de um encontro ecumênico. No dia 20, vai à explanada de Marienfeld para a vigília com os jovens e no domingo 21, às 10 horas, preside a solene missa, na mesma explanada, da qual deverão participar mais de 800 mil pessoas.

 

Dois mil brasileiros participam da Jornada

 

Mais de uma centena de gaúchos e pelo menos dois mil jovens brasileiros, além de dezenas de bispos, sacerdotes e religiosos vão participar da 20ª Jornada Mundial da Juventude, na Alemanha. Diversas delegações gaúchas vão exibir músicas e danças típicas do Sul. Jovens ligados à Cáritas Arquidiocesana de Porto Alegre vão apresentar clássicos da música gaúcha como Pezinho e Balaio. Eles integram o Projeto de Apoio à Criança e Amparo à Família, iniciativa que conta com apoio de entidades e católicos alemães. O grupo também fará uma turnê em paróquias e comunidades alemãs apresentando a arte gaúcha.

Jovens de todas as dioceses gaúchas estarão em Colônia. Da diocese de Santa Cruz do Sul, já partiram 16 jovens, acompanhados por dom Sinésio Bohn. De Passo Fundo, seguem cerca de 15 jovens, inclusive duas representantes da Fazenda Esperança que, junto com jovens das 26 Fazendas da Esperança no Brasil, vão participar de uma assembléia anual dos voluntários que ocorre em Colônia.

Estarão participando também muitos jovens de países da América do Sul. Somente o Chile confirmou a presença de dois mil.

 

Não basta amar-se

Padre Zezinho

Não moramos sozinhos numa ilha. Ou amamos os outros ou não amamos de verdade

 

Amar-se é muito importante, mas não é tudo. Amar é um verbo reflexivo que não faz sentido se não for também transitivo. Amar o outro sem se amar é um erro, da mesma forma que amar-se, sem amar o outro é falso. "Eu me amo" sem "eu te amo" é egoísmo. "Eu te amo" sem "eu me amo" é altruísmo errado. Isso está na Bíblia, dito por Jesus que ensinou que o maior dos mandamentos é amar a Deus acima de tudo, mas que o segundo mandamento é amar o outro como a gente se ama: "ao próximo como a si mesmo".

Resumindo: quem não se ama não ama direito os outros e quem não ama os outros não se ama direito. Não é à toa que o outro, quando fala de si mesmo usa a palavra "eu". Ele é o eu do lado de lá e eu sou o eu do lado de cá. E sem o outro eu nem sequer seria eu, porque meus pais foram dois outros que geraram o meu eu, mas a maioria dos pais teve que dizer primeiro um "eu te amo" antes de gerar os "eu" que são seus filhos.

Filosofia demais? Então simplifiquemos tudo em apenas algumas palavras. Sem amar os outros eu não amarei nem a mim mesmo. E sem amar a mim mesmo eu não amarei direito os outros. Não moramos sozinhos numa ilha. Ou amamos os outros ou não amamos de verdade.

 

Barreto apresenta filme de Caravaggio

Longa-metragem será lançado durante Festival de Cinema de Gramado

 

Será apresentado no dia 17 de agosto, às 21h30, no Centro Municipal de Cultura, em Gramado (RS), o filme "Nossa Senhora de Caravaggio", longa-metragem do cineasta Fábio Barreto. Além de Barreto e dos atores Cristiana Oliveira, Luciano Szafir, Júlia Barreto e outros, também estará presente ao lançamento o governador do Estado, Germano Rigotto.

O filme relaciona a história de Joaneta, a camponesa que viu Nossa Senhora em Caravaggio, na Itália, no ano de 1432, com o sofrimento de Angélica (Cristiana Oliveira), cujo marido (Szafir) é um caminhoneiro desempregado, alcoólatra e agressivo. Muitas das imagens foram rodadas no santuário de Caravaggio, em Farroupilha, durante a Romaria de Caravaggio do ano passado.

No dia 16, será realizada procissão pelas ruas de Gramado, com a imagem original de Nossa Senhora que está no santuário de Farroupilha. O evento marca a abertura de uma série de atividades planejadas para a divulgação do filme, durante o 33º Festival de Cinema de Gramado realizada de 15 a 20 de agosto. Está é a terceira vez que a imagem sai do santuário. Nas vezes anteriores esteve em Caxias do Sul, no lançamento do livro "Maria Símbolo do Cuidado de Deus", de padre Leomar Brustolin, e no ano passado foi levada a Bento Gonçalves.

 

Paim Filho inaugura capitel dedicado a Madre Paulina

 

Uma missa celebrada pelo pároco de Paim Filho (RS), padre Olívio Dembogurski, marcou a inauguração do primeiro capitel da região (e, talvez, do Estado) dedicado a Santa Madre Paulina. O evento ocorreu no dia 9 de julho, na comunidade São Marcos, Linha Três, Paim Filho, na propriedade de João Camicia. O capitel dedicado à primeira santa brasileira foi construído pelas famílias Camicia e Arcaro, por uma graça alcançada.

Cerca de 200 pessoas, entre as quais o prefeito de Paim Filho, Paulo Henrique Baggio, participaram da celebração que também contou com a bênção do capitel e das imagens de Madre, Paulina, de Nossa Senhora de Caravaggio e do Divino Espírito Santo. "O capitel já está se tornando local de orações e de visitas quase diárias", informa Ademir Arcaro.

 

Barra Curta Alta festeja São Roque

 

A capela São Roque, de Barra Curta Alta, município de Constantina (RS), promove no dia 16 de agosto mais uma romaria em honra de São Roque. A festa, realizada há mais de 80 anos, sempre conta com uma expressiva participação de devotos do santo do município e da região.

As celebrações iniciam no dia 12 de agosto, com abertura do tríduo às 19 horas. No sábado, missa às 14 horas e no domingo, às 9 horas.

"No dia da romaria haverá alvorada festiva às 7 horas, com mondongo, e às 10 horas, missa solene e procissão com a imagem do padroeiro, seguida de bênção aos doentes e bênção do pão, do sal e dos objetos religiosos", salienta o agente do CR em Barra Curta Alta, Ivan Tonin. A festa prossegue com almoço no salão da comunidade e, à tarde, festejos populares.

 

Milagres do dia-a-dia

Aldo Colombo

O pior cego é aquele que não percebe os sinais de Deus em si mesmo e no universo

 

Jesus resolveu voltar à Terra, com o objetivo de minorar os sofrimentos do seu povo. Naturalmente, o primeiro lugar foi um posto de saúde do SUS. Vestiu um uniforme branco e ofereceu-se para substituir um médico cansado. "O próximo", pediu com tranqüilidade. E o próximo doente – paraplégico em cadeira de rodas – colocou-se em movimento. Jesus olhou para ele e ordenou: "Levanta-te, toma tua cadeira de rodas e vá para casa". O doente saiu caminhando normalmente. O primeiro da fila quis saber: que tal o novo médico? Igual aos demais, deu apenas uma olhada, nem colocou o dedo em mim!

Na vida há pessoas incapazes de perceber os milagres. João, no seu Evangelho, evita falar em milagres. Fala dos sinais de Jesus. O mundo está cheio desses sinais, mas nem todos percebem seu significado. De resto, muitos preferem aplaudir os mágicos das esquinas, que tiram pombas de sua cartola.

Os milagres começam dentro de nós mesmos. Nosso coração é uma máquina maravilhosa, irrigando todo o corpo humano, com precisão matemática, durante setenta ou mais anos. Nossos olhos, mais perfeitos que os mais perfeitos equipamentos de TV, percebem, superam qualquer grande angular, captando as mínimas diferenças da realidade. Nosso olfato é capaz de distinguir entre centenas de perfumes e descobrir que um deles marcou nossa infância, algumas décadas atrás.

Outro milagre acontece com nossa memória, um arquivo prodigioso e colorido, trazendo detalhes preciosos de uma realidade bem distante. Milagre se constitui também nosso sono, um espaço simplesmente impressionante, em que muitos mecanismos estão desligados, mas outros vigiam, evitando surpresas desagradáveis. Existe ainda o milagre da alimentação, digestão e metabolismos. Por fim, o próprio milagre de uma vida nova que surge do amor de um homem e de uma mulher.

Os milagres se multiplicam, por vezes incompreensíveis, na natureza. Um pouco de terra, misturada com estrume, faz surgir a flor branca e perfumada de um jasmim ou a auréola gigante de um girassol. E as uvas, as maçãs, os trigais maduros, os céus, cortados pelas andorinhas, as águas azuis escondendo os peixes, a chuva prodigiosa, em intervalos regulares, trazendo a fertilidade à terra.

São Francisco, mais do que ninguém, percebeu esses milagres do dia-a-dia. Para ele, o mundo inteiro era uma imensa catedral, onde era possível perceber, em cada detalhe, a presença do Pai. Mais: ele percebeu que tudo saiu das mãos de Deus, marcadas da bondade original e por isso considerava todas as criaturas suas irmãs. O pior cego é aquele que não percebe os sinais de Deus em si mesmo e no universo. O salmo 19 garante: "Os céus e a terra proclamam as maravilhas de Deus". E as mais belas maravilhas estão dentro de nós.

 

Ordenações mobilizam padres jesuítas

Dois diáconos e um padre foram ordenados na cidade de Curitiba

 

No sábado, 6 de agosto, na paróquia Santo Antônio, em Curitiba (PR), foram ordenados um sacerdote e dois diáconos da Companhia de Jesus (jesuí-tas). Dom Ladislau Biernaski presidiu a ordenação de padre Élio Estanislau Gasda e dos diáconos Luiz Harding Chang e Osvail Lazarim Dias. O diácono Luiz Chang será ordenado padre em Florianópolis (SC), no dia 29 de dezembro de 2005.

Élio Gasda, filho de Estanislau e Verônica Gasda, nasceu aos 5 de outubro de 1967, em Guaramirim (SC). Em junho concluiu mestrado em Teologia Moral em Madri, Espanha. Retornou a Madri para o doutorado em Teologia Moral, com vistas ao apostolado acadêmico no Brasil. Exerceu seu apostolado entre imigrantes, principalmente da Índia, do norte da África e do Equador.

Luiz Chang, filho de Tuing (chinês naturalizado brasileiro) e Sônia Harding Chang, nasceu em Florianópolis aos 26 de maio de 1968. Reside nos Estados Unidos, onde em maio concluiu o curso de Teologia. Como diácono e depois como padre vai atuar na paróquia Santo Antônio em Cambridge, uma comunidade de muitos portugueses e brasileiros e também acompanha pessoas no retiro espiritual na vida cotidiana.

Osvail Dias nasceu em Maringá (PR) no dia 20 de dezembro de 1968, filho de José e Dionízia Dias. Desde 2004 reside em Boston (EUA), onde vai exercer seu ministério diaconal junto aos imigrantes brasileiros e concluir o mestrado em Ciências Políticas. Em 2006, retorna ao Brasil para atuar no apostolado social.

E no dia 16 de julho de 2005 dom Jacinto Flach presidiu a ordenação sacerdotal do diácono jesuíta Hilário José Kochhann, filho de Nelson e Nilsi Kochhann. Cerimônia foi realizada em Tupandi (RS), sua terra natal. Como padre, atua nas comunidades da Vila Farrapos e do Parque Humaitá, em Porto Alegre.

 

SAV da Família Franciscana realiza encontro nacional

 

O Serviço de Animação Vocacional da Família Franciscana do Brasil (SAV-FFB) realizou, de 18 a 23 de julho, no Centro Cultural São Leopoldo Mandic, em Hidrolândia (GO), encontro nacional da entidade. Participaram 61 animadores vocacionais, de quase todos os regionais do país. Frei Raul Suzin, frei Alcides Cantidio Soares e irmã Roseli Klein representaram o Regional Sul.

No final do encontro, assessorado por irmã Terezinha Del’Aqua, psicóloga e orientadora vocacional, ocorreu a eleição da equipe que vai coordenar o SAV-FFB nacional no triênio 2006/2008. Por consenso foram indicados três membros do Regional Mato Grosso (MT e MS): frei Marco Aurélio Cardoso Feliciano, capuchinho, frei Alcides Favaretto, franciscano, e irmã Maria Aparecida Marques Fernandes (ICF).

 

A ditadura do consumismo

Wilson João

Libertar-se da ditadura do consumismo é dizer não a tudo o que é invenção dos grupos de interesse

 

O povo se queixa de que não tem dinheiro. E não tem. Mas não despertou para a ditadura do celular consumista. São quatro pessoas na família possuindo três celulares. Não têm direito de reclamar a falta de dinheiro. A família se queixa que não há dinheiro que chega, que o salário é pouco, que a crise é grande. São quatro pessoas na família. Duas meninas. Vão ao instituto de beleza. Pintam o cabelo. Compram bijuterias. Fazem maquiagem. Inutilidades. Escravidão do consumismo.

INVERSÃO DE NECESSIDADES. Pode-se e deve-se viver somente com o necessário. Os pais vão ao supermercado ou à loja com as crianças. Criam necessidades. O que os olhos vêem o coração começa a desejar. Para satisfazer os desejos das crianças compra-se supérfluos. E o dinheiro para as necessidades se torna pequeno. Salário pequeno e injusto? Não é verdade. Apenas inversão de necessidades. Sentada na mesa da cozinha a família conversa sobre o necessário e o supérfluo. Metade das compras ficam dispensadas. O necessário é pouco.

CRIAÇÃO DE INUTILIDADES. A cada cinco segundos há no mundo uma criança morrendo de fome. Dados da ONU. E a sociedade se tornou desumana e tão cachorril que a cada segundo há um cachorro sendo levado ao pet shop. Trata-se, pinta-se, faz-se as unhas, perfuma-se cachorros. Compra-se alimentos mais caros do que os adquiridos para as crianças. A cada segundo uma criança é engolida pelo consumismo, viciando-se em exigir dos pais o tênis que viu nos comerciais da televisão, a roupa que não precisa e o alimento que não alimenta. E nesse mesmo tempo de segundo uma criança chora ou fica doente por não ter o necessário para uma vida digna. A cada segundo de tempo há um pai que coloca a mão no bolso e não encontra o dinheiro para o necessário da vida, mas não é capaz de deixar de comprar seu cigarro, sua cerveja, seu cafezinho. Nesse segundo em que vivemos há uma mãe que não tem o necessário para colocar na panela para a refeição da família, mas não tem a força para recusar a compra do produto de beleza que a vendedora apresentou como necessário.

É PRECISO RIR DE SI. O varredor de rua deve rir de si porque não tem um calçado digno nos pés, mas anda de celular pendurado na cinta. O adolescente deve rir de si, percebendo que deixa de comprar um livro escolar, mas não deixa de beber sua cervejinha ou refrigerante ou de jogar seu videogame.

CONSCIÊNCIA DO NECESSÁRIO. Só falta isso. No dia em que as pessoas despertarem para o necessário, e se contarem com ele, não faltará dinheiro em casa e sobrará para ajudar os pobres, as comunidades e até para viajar mais em tempo de férias. Libertar-se da ditadura do consumismo é dizer não a tudo o que é invenção dos grupos de interesse, que criam necessidades e enganam o povo com promessas de felicidade e de prazer.

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

O italiano que está em você

Sabina Brusemini

Estudante de línguas e interpretação (inglês e português), Rovigo - Itália

 

Sabina Brusemini, ítalo-vêneta, relata sua experiência de Brasil:

"Sono arrivata in Brasile il 3 novembre 2004, dopo 13 ore di viaggio cariche di stanchezza e di curiosità. Curiosità mista a paura nei confronti di un paese enorme ed eterogeneo quanto a razze, lingue e culture. Un paese di cui troppo spesso si sentono o si leggono notizie disarmanti, tanta è la violenza che si scatena durante un furto, un rapimento, un omicidio.

Notizie che spaventano e che offuscano l´immagine del Brasile caldo e accogliente. Mi ritengo fortunata perché ho incontrato persone ricche dentro, persone che aprirono la porta delle loro case e del loro cuore ad una italiana che nulla poteva offrire se non pochi racconti dell´Italia e qualche esperienza fatta durante i suoi viaggi in Europa.

Sono venuta nel Rio Grande do Sul a raccogliere il materiale per la mia tesi di laurea sul dialetto che si parla nella regione di colo-nizzazione italiana. Sono una studentessa della Scuola Superiore di Lingue Moderne per Interpreti e Traduttori dell´Universitá di Trieste. Studio portoghese da quattro anni, sono di origine veneta, ho pensato che con questa tesi avrei potuto conoscere la realtà veneta d´oltre oceano. Sono soddisfatta, perché ho raccolto buon materiale a Porto Alegre, grazie all´aiuto di Frei Rovilio Costa, ho visitato Santa Maria, Garibaldi, Flores da Cunha, Nova Pádua e Caxias do Sul. Ho conosciuto famiglie della colonia che mantengono la lingua, le tradizioni e i costumi veneti.

È sorprendente come, dopo più di cent’anni, il dialetto italiano sia sopravvissuto alla modernità che spesso travolge il passato e lo rielabora per farne un prodotto commercializzabile da cui trarre profitto. Si sfrutta tutto quello che può essere venduto, persino un fenomeno - l´emigrazione italiana nel Rio Grande do Sul - scaturito dalle sofferenze di chi nel Nord Italia a fine ottocento non aveva di che vivere. Non importa se dell´Italia si conosce a mala pena la posizione geografica o la capitale. Non importa se non si distinguono i canti tipici delle regioni settentrionali da quelli piú ritmati del soleggiato Meridione.

Io del Brasile conoscevo poco e continuo ad ignorare molte cose della sua vastità territoriale e culturale. L´immagine del Brasile all´estero è comunque troppo stereotipata, come se il Brasile nel mondo fosse un´immagine sterile che non evolve e si cristallizza con il passare del tempo. Un grande puzzle fatto di tasselli quali il calcio, la samba, il carnevale, le spiagge, l´instabilità monetaria, le favelas, le donne facili... Alcuni di questi stereotipi spingono troppi miei connazionali ad imbarcarsi sul primo volo con destinazione Rio de Janeiro, Recife o Natal alla ricerca del piacere a scapito di chi vive in condizioni inimmaginabili per chi proviene da un paese come il mio.

Durante il volo leggevo in una rivista brasiliana lo slogan: "O melhor do Brasil é o brasileiro." Oggi posso affermare di aver colto almeno un significato di quello slogan che riassume con poche parole l´essenza di un paese enorme. L´elemento che accomuna i brasiliani, diversi per razza, cultura e a volte persino per lingua, é qualcosa di molto prezioso e sempre piú raro: l´ospitalità.

E il Rio Grande do Sul ne è un esempio. Colgo questa opportunità per ringraziare tutti coloro che ho conosciuto nel mio soggiorno e tutti quelli che mi hanno aiutato nella mia ricerca e che mi hanno saputo dare molto più di quanto avrei mai potuto immaginare". E-mail: sabina.brusemini@tin.it.

Obrigado, Sabina, tentaremos corresponder às suas impressões e expectativas do Brasil. (Rovílio Costa)

 

EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (321)

Na doménega de sol e de maraveie

Mario Gardelin

Professor, historiador e pesquisador, Caxias do Sul - RS

 

Dopo messa in San Marco, Nanetto e i sui, i ze ndai a spasso in barcheta, fora dea sità de Venèssia. So pare el remava svelto e contento. So mama la gavea ancora el rosàrio in man. La disea na corona drio l’altra. A serto punto, i se ga fermai, i ga ligà la barcheta e i se ga sentà sul erba, par goder la giornada.

Nanetto no’l ga podesto stratègnerse. El se ga messo a corer qua e là, sensa ndar distante, parché el savea che so pare el ghe molava tre vis-ciade e lora bisognava tornar indrio de tuta carera.

De sta maniera, prudente e contento, el se ga messo a vardar in volta. E là, a un dusento passi, el ga visto un capitelet, na robeta da gnente. Sàlteghe na voia de véderlo pi darente. Pian pian el se ga fato avanti. E cossa galo visto?

Un santo, picolin, co na spadeta a la drita, un par de stivai, na corassa in peto e na corona in testa. Nanetto el ga pensà:

- Che bel puat. Me piasaria portàrmelo a casa e smatedar sul lastricato.

In quela, el varda meio la fàcia del santo e el se spaventa. El santo el ghe ga strucà de òcio, col òcio sanco. Maraveià, el sgorla la testa, par veder se no’l se gavea sbalià. E, lora, el Santo strùcheghe de òcio nantra volta. E dopo qualche minuto, altra strucada. Sarà che son mato? El santin el me ga strucà el òcio sanco tre volte. Cossa voralo dirme?

Dopo verlo vardà medo minuto, Nanetto el ga dito, in pensiero, na pìcola orassion:

- Santo bel e brao, scólteme. Se qualche di me cato in gran perìcolo, giùteme, si?

In quela, so pare ga subià, e lu, de tuta carera, el ga obedio. E in barcheta, i Pipetta i ze tornadi a casa.

La mama se ga messa a far la sena. Prima la ga impastà la polenta. E in quanto la spessegava, Nanetto el ghe ga domandà:

- Mama! Go na domanda. Posso farla?

- Parla, tesoro mio!

- I santi strùcheli de òcio?

- Cossa? Sito mato? Chi che te ga contà sta fròtola?

- Nissun!

In quela, so pare de Nanetto, che’l zera indormensà, el se sveia e ghe brava:

- Stùpido! No te ghè gnanca pi rispeto ai santi?

De un salto, el ciapa na stropa, e daghe na stropada. Nanetto, spaventà, el ga fato un salto. La stropa la ga batesto su la carega e la ga rebaltada.

Nanetto el ze corso fora, el se ga trato do par el scalin e, patapùnfete, el ze cascà tel aqua.

- Me nego! El ga dito.

Ma, in vesse de ndar indó e sfondarse, el se ga sentio legero. E na forsa lo ga ciapà e lo ga portà indrio, molàndolo su la sponda. Nanetto se ga messo a sugar, co le man, el aqua che lo bagnava. In quela, el ga visto che, de colpo, el zera suto, suto... L’ora, curi su par la scala. Sora la tola ghe zera na bela feta de polenta e un piato de supa. Séntese e magna. El popà el dormia, e la mama, sentada, la disea el rosàrio.

Finio de magnar, Nanetto el ze ndà a leto. Pena butà, el se ga indormensà. E el ga dormisto come un santo fin matina bonora. Salta su del leto, e el se domandava cossa ghe zera sucesso. E no’l ze stà bon de catar na risposta. Solo na roba ghe ze restà in testa. Quel santo el dovea esser na maraveia. Dopo el ga desmentegà tuto.

E, come savì, el ze vegnesto al Brasil, al Rio Grande do Sul, onde el ga bio tante venture, scrite dal Frate Paolino de Caxias, nato nea Nona Légua.

 

VITA STÒRIA E FRÒTOLE

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

L’agenda dello scrittore

Rovílio Costa

Ricercatore, Porto Alegre-RS

 

Quali sono, a parte i classici, gli scrittori italiani contemporanei più diffusi e di cui si parla? La grande editoria italiana continua a pubblicare le opere di politici utili, amici di politici, sindacalisti, oppure macchiette ed eroi televisivi, cantautori, donnine disinibite. Non mancano (debitamente tradotte e vendute anche in Brasile) le confessioni di ragazzine senza ritegno, che puntano solo sullo scandalismo e sui pruriti di un pubblico evidentemente frustrato. La situazione della grande editoria italiana (con intrallazzi politico-mafiosi che riguardano la scelta degli autori, incentivi, sovvenzioni, recensioni, premi letterari, diffusione, giornalisti e cricche intellettuali) è vecchia e preoccupante. Giorgio Maremmi, scrittore ed editore fiorentino, conosce benissimo la situazione e l’ha trattata in uno splendido libro che ha intitolato L’Agenda dello Scrittore.

Pubblicata per la prima volta nel 1976, questa Agenda è stata via aggiornata fino a giungere ora a una nuova, attualissima edizione, la 12ª. Arricchito con 30 antiche incisioni, i1 libro è affascinante e dovrebbe essere letto da tutti, visto che illustra uno spaccato di vita completamente da scoprire. È divertente, curioso, istruttivo e scritto benissimo. L’autore, come si addice a un buon toscano, tratta i problemi senza remore ma con ironia, fa sorridere e al tempo stesso fa riflettere, molto riflettere. Per la comunità italiana del Brasile costituisce l’opportunità di conoscer meglio i retroscena della cultura ufficiale della Madre Patria. E si capisce anche come certi importanti autori di questa stessa comunità non abbiano in Italia quell’accoglienza, quella diffusione, che invece meriterebbero.

Se c’è indifferenza, addirittura ostracismo, per gli autori italiani che vivono in Italia (ci riferiamo naturalmente a quelli senza protettori) è chiaro che siano ancor più pregiudicati quanti sono lontani. La grande editoria, legata a tanti intrallazzi, dunque pubblica libri di persone che non hanno nulla a che vedere con l’arte dello scrivere e che non hanno nulla da dire. L’Italia, precisa Giorgio Maremmi, è al 6° - 7° posto in Europa tra i produttori di libri e all’ultimo tra quanti li comprano. Gli italiani acquistano i libri per superficialità e conformismo e spesso poi non li leggono neppure o comunque non vanno oltre le prime pagine.

La grande editoria in pratica controlla, condiziona, la distribuzione e le librerie. Dunque noi, rifacendoci alla realtà documentata da Giorgio Maremmi, possiamo renderci conto di quale scarsa attenzione venga data agli scrittori senza protettori, le cui opere giungono dall’estero e che, senza l’esistenza di tante camarille, meriterebbero una visibilità maggiore e che senz’altro potrebbero interessare i lettori italiani. È i1 caso delle importanti opere scritte in Talian o dedicate ai taliani, che per lo meno in Alta Italia dovrebbero ottenere grandi successi.

L’Agenda dello Scrittore è in vendita alla Livraria Italiana di S. Paolo, tel. (11)-32551227, oppure su internet: www.firenzelibri.com; e-mail: firlibri@tin.it

 

GERAL

Guaporé exibe potencialidades

Mostra destaca jóias e roupas íntimas

 

Cerca de100 expositores mostram as novidades e principais tendências dos setores de gemas e jóias e roupas íntimas femininas durante a 4ª Mostra Guaporé, que se estende até o dia 15. A feira ocorre nas dependências do Autódromo Nelson Luiz Barro. A cidade é a maior fabricante de roupas íntimas femininas do Estado e possui o segundo maior pólo de gemas e jóias do país. "Perde apenas para Limeira (SP)", destacam os diretores sociais do evento, Telmo e Dulce Martins.

Durante a mostra coleções serão lançadas em desfiles de moda íntima e de jóias. "O objetivo é divulgar as potencialidades do município, que tem mais de 240 indústrias de jóias e 100 de confecções de lingeries", diz a rainha Paula Lamonatto, em visita ao CR.

A feira tem expositores dos ramos de móveis, veículos, malharias e confecções em couro, além da realização de shows e degustação de pratos típicos da região.