
DESCOBRINDO CAMINHOS
Desde 1909, onde o conteúdo faz a diferença.
Edição 4.953 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 7 de setembro de 2005.
|
|
Agressão à natureza e catástrofes climáticas
Agredindo o meio ambiente, o homem cria condições para a atmosfera ser cada vez mais violenta
Horror e desespero nos Estados Unidos; pânico e sofrimento no Rio Grande do Sul. Geograficamente milhares de quilômetros distantes, o país mais rico do mundo e o Estado do extremo Sul do Brasil ficaram próximos, na semana passada, pelas conseqüências de fenômenos climáticos.
Os norte-americanos vivem um cenário de nação de terceiro mundo depois que o furacão Katrina varreu regiões e deixou centenas de milhares de pessoas, em especial os habitantes de Nova Orleans, desabrigados, com fome, sede e entregues a toda sorte de violências. O país mais poderoso do planeta se tornou impotente, em boa parte por imprevidência e falta de organização, e permitiu o caos.
Os gaúchos ficaram abalados com a destruição quase total da cidade de Muitos Capões, devido à força devastadora de um tornado, e temerosos com o ciclone que espalhou ventos de até 110 km/h em áreas litorâneas do Estado. A solidariedade está ajudando a reconstrução e devolvendo um pouco de conforto aos prejudicados.
A multiplicação estatística dessas catástrofes climáticas pode ser resultado do avanço dos meios de comunicação, que hoje registram instantaneamente os fatos que ocorrem em qualquer parte do mundo. Mas, como defendem especialistas, a causa mais provável é outra: a agressão, cada vez mais acentuada, do homem à natureza.
Crescem os índices de desmatamento, de queimadas, de poluição dos rios e do ar. O superaquecimento do planeta, apontado como origem da inédita variabilidade climática atual, que afeta todos os continentes, está associado ao efeito estufa, conseqüência dos ataques permanentes ao meio ambiente. Em outras palavras, o homem cria condições para a atmosfera ser mais violenta. O injusto é que esses fenômenos da natureza não distinguem culpados e inocentes. E na maioria dos casos, mesmo no riquíssimo Estados Unidos, os mais pobres é que predominam na relação de vítimas. O lamentável é que apesar de todas essas tragédias, a destruição ambiental não cessa.
Concurso elege soberanas da Festuva
Evento deve reunir 12 mil pessoas no Parque de Exposições
A rainha e as duas princesas da Festa da Uva 2006 serão eleitas no próximo sábado, 10, no Parque de Exposições de Caxias do Sul. Serão cinco horas de espetáculo, com desfile das candidatas, shows e manifestação das torcidas. A expectativa dos organizadores é receber um público de mais de 12 mil pessoas e cerca de 300 profissionais trabalhando na cobertura do concurso.
O evento deve iniciar às 19h45 com show da banda cover caxiense Mr. Medley. Por volta das 20h30, as 31 candidatas iniciam o desfile individual. Em seguida, as concorrentes voltam à passarela de 208 metros de comprimento para um desfile coletivo. Nesse momento, serão homenageadas por Décio Tavares, que interpretará uma música de Mário Michelon composta especialmente para as embaixatrizes da festa.
Enquanto o júri se reúne para eleger as soberanas, haverá apresentação das torcidas das candidatas. A torcida mais animada vai ganhar R$ 2,5 mil, a mais organizada receberá R$ 2 mil e a mais original, R$ 1,5 mil. Logo depois, show da banda gaúcha Papas da Língua.
Após o show, as atuais soberanas da Festuva, Priscila Tomazzoni, Greice Tedesco e Victória Titton De Carli, despedem-se da comunidade. Em seguida, o momento mais esperado da noite: o anúncio das representantes da Festa Nacional da Uva 2006. Segundo o diretor da Comissão Social da Festuva, Reomar Slaviero, a expectativa é divulgar os nomes das novas soberanas por volta da uma hora do dia 11 de setembro. A rainha será premiada com um automóvel zero quilômetro e as princesas ganharão uma viagem a Paris, com acompanhante (patrocinadas pela TAM).
Os ingressos para o público em geral custam R$ 10. Ingressos para as torcidas e para as mesas já estão esgotados. O estacionamento para carros custará R$ 5. Haverá ônibus da Visate saindo de frente do Museu Municipal a partir das 18h45 e até o final do evento.
No último sábado 3, a uma semana do concurso, as candidatas participaram de uma carreata, em automóveis conversíveis antigos, pelo centro da cidade. Na segunda 5, acompanhadas do vice-presidente social da Festa, Reomar Slaviero, 30 das 31 concorrentes visitaram o Correio Riograndense e a Editora São Miguel. Foram recebidas pelo diretor de redação do CR, frei Aldo Colombo, e pelo diretor geral do CR e diretor geral da Editora, frei Clemente Dotti.
Furacão gera caos no país mais rico do mundo
Nos EUA, Katrina destrói cidade e mata centenas. No RS, tornado devasta Muitos Capões
Em improvisados abrigos, multidões espremidas à espera de alimento, água e roupa; nas ruas, saques e violência generalizada; por todos os lados, corpos boiando, ignorados porque a prioridade é salvar outras vidas em perigo, e pedidos de socorro; ao redor, água represada, que fez submergir 80% de uma cidade com cerca de um milhão de habitantes.
Esse quadro de horror lembra nações do terceiro mundo, sem recursos para enfrentar uma tragédia natural. Mas ele é realidade no país mais rico do mundo, os Estados Unidos, especificamente em Nova Orleans, cidade que vive desde 29 de agosto sob o caos e o desespero.
O berço do jazz, fundada em 1718, no estado de Luisiana, foi atingida pelo furacão Katrina, com velocidade de até 240 km/h. Situada abaixo do nível do mar, acabou tomada em quatro quintos de sua área pela água devido à ruptura de dois diques que formam, com extensos muros, um gigantesco sistema construído para evitar a invasão do rio Mississipi e do lago Pontchartrain.
Em poucas horas, cerca de 100 mil pessoas - a maioria pobres, com muitos idosos e crianças, que não tiveram como seguir os alertas para deixar a área, ou desprezaram os avisos - estavam encurraladas pelas águas, sem casa, sem nada, sem saber o destino de familiares e dependentes de ajuda que até o final de semana ainda não havia chegado. No domingo 4 havia a confirmação de 218 mortos, mas as estimativas eram de encontrar milhares de vítimas quando a água baixar. Havia ainda dez mil feridos, muitos sem acesso a atendimento médico-hospitalar. A cidade estava sendo evacuada, com muitas dificuldades por falta de estrutura e de segurança. Foi necessário o reforço policial e até das forças armadas, e a perspectiva é de que só possa haver o retorno dentro de três a quatro meses.
O Katrina já é considerado a maior catástrofe natural nos EUA. Além da Luisiana, atingiu fortemente outros dois estados do sul do país, Alabama e Mississipi. A cidade de Waveland (Mississipi), com sete mil moradores, foi literalmente varrida do mapa.
O furacão deixou um rastro marcado por inundações, prédios derrubados, casas submersas, navios arrastados, pontes destruídas, estradas intransponíveis. A Unicef calcula que 300 mil crianças estejam entre os sem teto. O caos é tamanho que os EUA pediram auxílio à União Européia e à Otan.
Vai demorar algum tempo para que se apurem os prejuízos do Katrina. Economicamente, já é o maior da história norte-americana. A ONU estimou os custos do tsumani em US$ 10 bilhões; cálculos indicam que o Katrina possa provocar perdas de até US$ 100 bilhões.
Solidariedade nacional ajuda a reconstruir a cidade de Muitos Capões
Antônio Prado, São Francisco de Paula e Bom Jesus estão entre os municípios da Serra gaúcha atingidos por tornados. Na última segunda-feira, 29, por volta das 21 horas, um tornado causou devastação em Muitos Capões, município com pouco mais de 3.000 habitantes, localizado na região dos Campos de Cima da Serra. Foram 81 casas e prédios destruídos pela força dos ventos. "Vinte e uma casas, simplesmente, desapareceram", relata a prefeita Mara Valmorbida Barcellos.
Cerca de 30 segundos, com ventos superiores a 180 km/h, foram suficientes para abrir uma cicatriz de 700 metros de comprimento e 150 metros de largura na cidade. Além das casas, árvores foram arrancadas e carros, atirados a metros de distância. A fúria dos ventos feriu 14 pessoas. Duas continuavam hospitalizadas em Vacaria, na sexta 2.
O interior também foi prejudicado. Uma chuva de pedras comprometeu parte das lavouras de grãos. A última estiagem já havia castigado as culturas de verão. "As perdas já superam R$ 4 milhões", calcula a prefeita em entrevista ao CR.
Encerrada a devastação, moradores trataram de socorrer os feridos e começaram a perceber o tamanho dos estragos. A Defesa Civil foi acionada e o município, com a ajuda de gaúchos e moradores de outros Estados, está reconstruindo a cidade. "Estamos recebendo ajuda de todo o país", destaca Mara Barcellos.
Com o auxílio das prefeituras da região, foram organizadas frentes de mão-de-obra para a reconstrução de casas e limpeza da área urbana. "Vamos esperar o Papai-Noel com uma cidade mais bela ainda", aposta a prefeita.
TAgressão à natureza multiplica anomalias
Durante todo o século XIX, há registros (no Word Almanac) de apenas um grande furacão - matou cerca de 400 pessoas nos Estados Unidos, em 1888. No século XX, até 1996, 89 grandes furacões e tufões, entre eles o Galveston, que em 1900 matou 6.000 pessoas no Texas (EUA), e o que assolou Bangladesh em novembro de 1970, com ventos de 240 km/h, atingindo também o Paquistão e causando 300 mil e 500 mil mortes. No 3º Milênio já ocorreram sete grandes furacões, o último, o Katrina.
Há quem defenda que fenômenos dessa intensidade sempre existiram. Têm mais repercussão agora porque a informação é instantânea. Especialistas pensam diferente: a multiplicação de catástrofes climáticas decorre do nível de agressão ao meio ambiente pelo homem, cada vez mais acentuado.
"A variabilidade do clima no mundo aumenta", avalia o chefe de Meteorologia Aplicada do Inmet, Expedito Rebelo. Sobre o Katrina, lembra que a temperatura média da água no Atlântico Norte está em 26º C, 2º C acima do normal; no Golfo do México, 3º C mais elevada. "Para a terra, essa diferença é insignificante; para a água, tem muita influência", afirma Rebelo em entrevista ao CR.
Na costa do Rio Grande do Sul, a temperatura está 3º C acima da média. Isso está na origem de ciclones e tornados - como o que devastou Muitos Capões (leia abaixo). A elevação da temperatura da água está associada ao efeito estufa, gerado pelo excesso de poluentes no ar, desmatamento e queimadas. Essas agressões potencializam os fenômenos naturais.
Faltam equipamentos para prever tornados
O pesadelo que se abateu sobre Muitos Capões se chama tornado, choque de massas tropicais úmidas e frentes de ar frio seco. A fusão causa os estragos. "Há equipamentos que podem prever um furacão, um ciclone, mas um tornado não", declara o coordenador do 8º Distrito de Meteorologia, Solimar Prestes.
O tornado, como o que se abateu sobre o município, explica Prestes ao CR, sempre vem acompanhado de mau tempo. "É um fenômeno de curta duração, mas destrói tudo por onde passa", afirma.
Os tornados que têm ocorrido na região não são tão raros como muitos pensam. A sensação de mais fenômenos do gênero está associada à maior divulgação dos eventos. Para Solimar Prestes, os tornados ocorriam na área rural e com o surgimento de cidades estão sendo mais percebidos.
Liberação atenua problema da soja
Governo libera plantio com material não certificado, contudo faltam sementes
A autorização para que os produtores usem sementes de soja geneticamente modificadas não certificadas no plantio da safra 2005/2006, anunciada pelo ministro do Desenvolvimento Agrário (MDA), Miguel Rossetto, e confirmada pelo ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, na abertura da Expointer, beneficia mais de 100 mil famílias gaúchas. "Não havia outra saída, já que apenas10% das sementes disponíveis têm certificação", enfatiza o presidente da Fetag/RS, Ezídio Pinheiro.
O plantio da soja transgênica contrariava a determinação do governo federal, que não queria conceder financiamento do Pronaf para quem plantasse semente não certificada. Além disso, o banco exigia nota de procedência das sementes. "A liberação garante o plantio", resumiu o secretário estadual da Agricultura, Odacir Klein.
A norma, que o Diário da União estaria publicando nesta terça 6, legaliza o uso das sementes transgênicas guardadas e que se originaram da multiplicação de produto contrabandeado em anos anteriores.
A preocupação agora passa a ser outra. A prorrogação do uso de sementes próprias não certificadas. "Precisamos de três safras até aliviar a situação", calcula Ezídio Pinheiro ao CR.
Com a aprovação, em março, da Lei de Biossegurança, que libera o plantio e a venda de variedades transgênicas no Brasil, as sementes clandestinas ou ilegais (não aprovadas pelo Ministério da Agricultura ou copiadas irregularmente) devem perder terreno.
A lei pode ajudar a aquecer o mercado de produtos certificados. "Não há sementes para todos, pois a multiplicação das variedades modificadas ainda é insuficiente para atender o mercado", explica o engenheiro agrônomo José da Silveira, da Universidade de Campinas. A Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem) estima que a demanda por cultivares transgênicas chegue a 1,5 milhão de toneladas nos próximos anos.
Um dos efeitos da chegada de sementes geneticamente modificadas, avalia Silveira, será a elevação dos preços. "O preço dessas variedades é cerca de 5% mais alto", revela. Em alguns casos, essa taxa pode ser maior, devido à escassez de material transgênico nas regiões de cultivos. Para o presidente da Fetag/RS a solução é a oferta maior de semente transgênica no mercado. "Assim, o preço deverá cair", conclui.
Monsanto entra em acordo com produtores
A Monsanto aceitou fazer um novo contrato para cobrança de royalties sobre a comercialização de sementes de soja transgênica (RR). O pré-acordo com os sementeiros foi firmado durante realização do Congresso Brasileiro de Sementes.
A Monsanto ofereceu um bônus de R$ 0,38 por quilo de semente de soja transgênica, valor que deveria ser repassado pelos sementeiros aos produtores rurais. Ficou acertado que o contrato será revisto, inclusive nas cláusulas mais polêmicas, como auditorias e comissões.
Os produtores de sementes vão aceitar o bônus oferecido, para repassá-lo ao produtor que vai pagar royalties equivalentes a R$ 0,50 por quilo de semente de soja transgênica, na safra 2005/06. No primeiro anúncio, em agosto, a multinacional pediu R$ 0,88 por quilo de semente, desagradando os agricultores de todas as regiões produtoras.
Água, luz e manejo, o sucesso da lavoura
O calendário para semeadura de soja no RS é de 11 de outubro a 20 de dezembro. O período compreende o plantio nos ambientes que compõem as regiões de produção. O ideal para que a necessidade de água de uma lavoura de soja seja plenamente atendida é que, de dezembro a março, chova acima de 800 mm. "Isso implica em valores médios mensais de 200 mm, que não ocorrem normalmente no RS", diz o agrometeorologista Gilberto Cunha, da Embrapa Trigo.
Seguir a recomendação de semeadura para cada região permite melhor aproveitamento dos recursos. "Para produzir uma quantidade de massa, que possibilite produção ao redor de 1.800 kg/ha de grãos em soja, precisamos de, no mínimo, 45 dias de luz do crescimento até a floração", calcula o pesquisador Osmar Rodrigues. Seguindo o período de semeadura indicado para o RS, a cultura encontrará fotoperíodo (luz) satisfatório para um bom desenvolvimento foliar.
Outros cuidados como adequar o arranjo de plantas na lavoura também podem ajudar na absorção de luz (radiação solar) ou mesmo para preservar a umidade do solo. "É preciso avaliar que com poucas plantas por área gasta-se mais água e fica espaço maior para a competição das plantas daninhas", afirma Rodrigues. O segredo da produtividade, segundo ele, é acertar a data de plantio, o arranjo de plantas conforme o ambiente e acompanhar o desenvolvimento da cultura, fazendo manejo no momento certo.
Embrapa fortalece a fruticultura
Pesquisas tornam uvas e vinhos do Brasil conhecidos no mundo
Atuando no centro da maior região produtora de uvas e vinhos do Brasil, a Embrapa Uva e Vinho, sediada em Bento Gonçalves, na Serra gaúcha, mudou o perfil da vitivinicultura nacional e passou a integrar o cenário internacional. Fundada em 26 de agosto de 1975, a empresa foi homenageada pela Assembléia Legislativa pelos seus 30 anos de atuação.
Em 30 anos de pesquisa, a Embrapa garantiu o crescimento e a qualificação de uvas, vinhos, espumantes e sucos de uva, que fazem do Rio Grande do Sul, em especial, uma região em ascensão na vitivinicultura mundial. A evolução pode ser comprovada pela conquista de inúmeras medalhas e troféus em concursos internacionais.
A partir de 1993, a unidade de Bento Gonçalves passou a atuar além da uva e do vinho. "As pesquisas se voltaram à cadeia da fruticultura de clima temperado", diz o chefe geral da instituição, Alexandre Hof-fmann. Como resultado, houve grande desenvolvimento da cultura da maçã, impulsionada pela implantação do programa de produção integrada.
Hoje, a Embrapa mantém trabalhos em parceria com empresas de pesquisa de Portugal e do Chile, além de outras em território nacional, como a Epagri de Santa Catarina. "Nosso desafio é o desenvolvimento da pêra, a fruta que o Brasil mais importa", adianta Hoffmann ao CR. Outras atividades são a limpeza clonal de vírus em videira; a obtenção de cultivares de uvas sem sementes, para suco e vinhos de mesa e o manejo integrado de pragas e doenças em videiras, morangos e pessegueiro.
Estação - A Embrapa Uva e Vinho é uma das 37 unidades descentralizadas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Está vinculada ao Ministério da Agricultura. A fundação ocorreu a partir da base física da antiga Estação de Enologia do Ministério da Agricultura, fundada em 1941.
A entidade tem-se destacado pela qualidade de seu corpo técnico, constituído de 44 pesquisadores, dos quais 31% com mestrado e 69% com doutorado, de sua equipe de suporte à pesquisa, que conta com 157 funcionários. A instituição conta com quatro bases físicas, com uma área total de 320 hectares (ver quadro à esq.).
CMN prorroga as dívidas dos atingidos pela estiagem
Produtores de milho, soja, sorgo, trigo, algodão e arroz que tiveram problemas com estiagem poderão pagar no ano que vem a dívida contraída para financiar a safra 2004/2005. Em alguns casos, as parcelas dos contratos de crédito já estavam vencidas. As parcelas das dívidas de custeio vencidas em junho, julho, agosto poderão ser quitadas em março e abril de 2006.
A medida envolve prorrogação das parcelas que, segundo cálculos do Ministério da Agricultura, totalizam algo em torno de R$ 2 bilhões.
Os agricultores não precisarão assinar termo aditivo ao contrato para serem beneficiados pela decisão do conselho do CMN. Com isso, os que obtiverem a prorrogação terão crédito com recursos controlados para a safra 2005/06 até o valor correspondente à diferença entre o limite autorizado para a nova safra e os valores das operações prorrogadas. Porém, para obterem o benefício terão que provar que o produto encontra-se depositado.
Engº. Agrº. José Zugno
Agrião d’água
Gostaria de obter orientações da maneira mais indicada de cultivar o agrião da água, pois tentei transplantar para outras valas e não deu resultado.
Amarildo José Barboza
São José do Ouro - RS
O agrião que o amigo cultiva é o d’água que é o verdadeiro agrião, o mais comumente cultivado, porque existe o agrião do seco, também conhecido como da terra, do mato, pois pode ser cultivado em canteiros como outras hortaliças, mas pertence a outra espécie botânica (Barborea praecox) embora da mesma família. É de inferior qualidade. O nome científico do agrião d’água é do gênero Nasturtium (pelo cheiro e sabor picantes), espécie Nasturtium officinale, família das Crucíferas, a mesma das couves, repolhos, mostarda, nabos etc. Existem algumas espécies silvestres do mesmo gênero que não convém sejam cultivadas.
Descrição - O agrião d’água é uma erva perene, semi-aquática, freqüente nas margens de nascentes, fontes ou pequenos córregos e cultivada em valas com água corrente sempre limpa. O caule é redondo, oco, rastejante ou flutuante; a raiz principal penetra no solo submerso para absorver nutrientes; raízes finas, adventícias partem dos nós do caule e são capazes de retirar nutrientes dissolvidos na água, mas que também podem fixar-se no solo.
As folhas, que devem ficar fora da água, são verde-escuras, alternas, compostas, imparipenadas em geral com 2 a 3 pares de folíolos laterais, arredondados ou ovais, menores, e o terminal, do mesmo formato é o maior. As flores são pequenas, hermafroditas, o cálice com 4 sépalas verdes, a corola com 4 pétalas branco-amareladas em forma de cruz alternadas com as sépalas, o androceu com 6 estames sendo 4 compridos e 2 curtos, o gineceu com ovários súperos bicarpelares e monoovular. Os frutos, que só interessam aos produtores de semente são do tipo síliqua, com 5cm de comprimento, contendo sementes pardacentas, pequeninas.
Propagação - É efetuada por sementes ou por mudinhas enraizadas que se retiram das plantas antigas. As sementes distribuídas em sementeiras de leito úmido com os devidos cuidados, germinam bem. Dentro de umas duas semanas, alcançam o tamanho apropriado ao transplante.
O problema maior no cultivo do agrião d’água é exatamente a necessidade de instalar vala nas proximidades de um manancial, de 1 a 2 metros de largura, uns 40 cm de profundidade e comprimento variável, com solo fértil no fundo devidamente preparado onde serão plantadas as mudas vindas da sementeira ou das plantas antigas, e a providencial entrada da água corrente necessária às plantas.
A plantação das mudas deverá ser feita antes da entrada da água, em linha no solo da vala ao compasso de 20x30 cm e regar bem após o plantio para que as mudas se fixem bem e rebrotem. Só então providenciar a entrada da água corrente começando com moderação. As estacas obtidas das plantas antigas devem constar de um segmento de caule com raízes adventícias e, se possível, algumas folhinhas, tudo perfeitamente sadio.
Variedades - A respeito deste assunto informa o colega e engº agrº Edmundo Ruzzarin que a melhor e mais procurada pelos consumidores e, por tal, mais rendosa ao produtor, é a de folha larga, que dá abundante e viçosa ramificação. Ele é diretor da firma Ruzzarin Produtos Agropecuários, Rua Bento Gonçalves, 2227 - Fone: (54) 223.4144 em Caxias do Sul, onde se encontram à venda sementes de agrião d’água e também as do seco. O engº agrº Edmundo Ruzzarin tem uma particularidade positiva: antes da venda de qualquer produto ele faz questão de conversar e orientar o agricultor para que este pratique corretamente o cultivo e obtenha bom resultado.
A respeito do agrião diz que a semente é extremamente pequena, menor que a do fumo, deve ser semeada em tabuleiro ou canteiro tal como se faz com a alface e outra hortaliça, bem preparado cujas mudinhas com 5 a 6 cm podem ser transplantadas para local definitivo.
Carne sai da lista de vilões da dieta saudável
Consumo moderado de carne vermelha magra é recomendado pelos médicos
Desde que os especialistas começaram a relatar o aumento significativo da incidência de obesidade e doenças cardiovasculares, a carne vermelha entrou para a lista dos vilões da boa saúde. Por conta disso, muitas pessoas eliminaram o alimento da dieta. Porém, a relação entre o seu consumo e o aparecimento desses males começa a ser questionada. A ciência não conseguiu evidências que comprovem que o consumo moderado de carne vermelha magra, sem gordura, como um bife de alcatra, deva ser abolido. Ao contrário, os médicos alertam que tirar completamente o alimento das refeições é uma atitude arriscada.
"Contrariando o que muitos pensam, a carne não é vilã da alimentação saudável nem o principal carregador da gordura saturada, que faz mal ao coração", afirma o nutrólogo e cardiologista Daniel Magnoni, do Instituto do Coração de São Paulo. "Ela é uma fonte rica em proteína, um dos componentes principais de uma dieta balanceada", completa ele. Além disso, de acordo com o médico, a inclusão da carne vermelha magra na relação de alimentos permitidos aumenta a fidelidade às dietas.
Entre as conseqüências da ausência de carne à mesa estão anemia e deficiência de vitamina B12. A falta de B12 causa problemas de memória e cognição. Segundo Magnoni, a carne vermelha é essencial para o desenvolvimento intelectual e físico das crianças. "Uma criança não pode viver sem carne", diz o especialista.
Dependendo do corte, a carne de frango é mais danosa do que a de gado magra. A coxa de frango com pele, por exemplo, tem mais gordura saturada do que um bife de alcatra. A recomendação dos médicos e nutricionistas é ingerir carne vermelha magra de três a quatro vezes por semana. A porção média deve variar entre 65 e 100 gramas do alimento cozido ou grelhado. Essa é a quantidade ideal para obter ferro, zinco e vitaminas como a B12 na medida certa para o bom funcionamento do organismo.
Produto animal tem ação anticancerígena
"Não se pode confundir consumo de carne vermelha com consumo excessivo de gordura", observa André Alves de Souza, médico veterinário e doutor em nutrição animal pela Universidade do Estado de São Paulo-Botucatu. "Esse último sim pode ser prejudicial à saúde, levando ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares", esclarece.
De acordo com o especialista, estudos recentes mostram a presença de ácido linoléico conjugado (CLA) em produtos de origem animal, como carne e leite. Segundo atestam as pesquisas, essa substância ajuda a diminuir o colesterol, a prevenir o diabetes, a ativar o sistema imune e tem ação anticancerígena.
Fontes animais contêm mais CLA do que as vegetais, sendo que os alimentos provenientes de ruminantes (bovinos e ovinos) são mais ricos que os de não ruminantes (porco, frango e peixes). O CLA pode apresentar diferentes quantidades na carne bovina e sua concentração, ser aumentada ou diminuída devido a alguns fatores como a alimentação e genética do animal. O leite e a carne de ruminantes são as principais fontes de CLA na nutrição humana.
Vitória e sua câmera indiscreta
Maria Clara Lucchetti Bingemer
Possamos nós inspirar-nos nessa mulher de 80 anos, ícone da coragem e do espírito de cidadania, que trouxe à luz a cruel realidade de uma geração que vai se perdendo no consumo de drogas
Do alto de seus 80 anos, já aposentada, ela olhava pela janela do apartamento em Copacabana. E o que via lhe confrangia o coração e indignava as entranhas de boa nordestina. Seu nome, embora fictício para protegê-la de uma eventual vingança, foi bem escolhido, pois trai sua garra: "Vitória". De seu posto, ela passou a observar sempre com mais atenção o movimento do tráfico de drogas, que enchia de barulho ensurdecedor seu apartamento e a obrigava a ver cenas deprimentes.
A condição de aposentada nunca foi desculpa para dona "Vitória" deixar de ser ativa. Gostava de pintar, e o pequeno apartamento tinha as paredes cobertas de quadros. Mas as cenas diárias de violência que via através de sua janela acabaram tirando-lhe o sossego e a inspiração artística. A observação do drama do tráfico passou a ocupar-lhe mais e mais o tempo e a atenção.
Procurou denunciar e narrar o que via e ouvia. Não lhe deram ouvidos. Resolveu então multiplicar o alcance do olhar e da memória, usando uma câmera de vídeo para filmar o que observava através de sua janela. Durante dois anos registrou idas e vindas, venda e compra de drogas, cenas terríveis de menores de todas as idades consumindo, cheirando e fumando drogas pesadas. Policiais envolvidos no tráfico em lamentável cumplicidade. Bandidos armados até os dentes, passeando sua arrogância pelo morro. A tudo isso ela assistia gemendo de impotência.
O risco de ser vista pelos traficantes era real e ameaçador. Por isso, passou a tomar determinadas precauções. A janela de sua casa já havia sido alvejada duas vezes pelos tiros vindos da favela. Adotou, então, procedimentos para filmar os traficantes em ação. Colocou película escura na janela de casa, para evitar que os bandidos pudessem ver do lado de fora sua câmera indiscreta em ação.
Não contente em registrar o que o seu olhar via, também narrava, abria a boca e interpretava o que via. Sabia que os traficantes utilizavam binóculos para monitorar a movimentação dos moradores dos prédios em frente. Quando começava a gravar, sempre narrando sua indignação com aquela situação, baixava a persiana do lado de fora da janela para proteger-se dos ouvidos afinados e atentos de seus perigosos vizinhos.
Uma cadeira ficava sempre no mesmo lugar, junto a uma mesinha onde listas telefônicas serviam de base para a câmera. Davam firmeza e sustentavam os braços da corajosa "Vitória", cansados após algumas horas de filmagem. A filmadora fora comprada com sacrifício: uma entrada de R$ 800 e prestações de aproximadamente R$ 150. Quando não a manejava, permanecia sobre a estante, sempre ligada à bateria.
Assim ela - cidadã vigilante e incansável - acordava inclusive de madrugada para filmar os traficantes em ação. Eles faziam muito barulho, anunciando a venda de drogas. Indignada, ela ligava a câmera e a cena era sempre desoladoramente a mesma, com poucas variações de protagonistas e conteúdos. Era grande, assustadoramente grande, o movimento na Ladeira dos Tabajaras. Em determinados momentos, principalmente feriados e datas festivas, a câmera implacável de "Vitória" registrou filas intermináveis de homens e mulheres ávidos pela maconha e cocaína que os faziam viajar e perder a vida em soturnas espirais de desvario.
Enquanto isso, cidadãos honestos e trabalhadores, entre os quais a própria "Vitória", eram molestados pela verdadeira "feira de horrores" produzida pelos bandidos. Anunciavam aos gritos os preços e tinham as armas como instrumento de trabalho. Mochilas recheadas de drogas, menores portavam armas de grosso calibre, de pistolas e escopetas a metralhadoras.
Desde maio do ano passado, ela pôs à disposição da polícia civil o revelador material produzido por sua câmera indiscreta e cidadã. Porém, a operação de captura dos bandidos só pôde dar-se agora, quando "Vitória" aceitou deixar seu apartamento e ficar sob a guarda do serviço de proteção à testemunha.
Graças à sua câmera, "Vitória" possibilitou a prisão de traficantes e policiais envolvidos com o tráfico. "De alma lavada" e consciência limpa, tornou-se um ícone da coragem e do espírito de cidadania.
Possamos nós, habitantes desta cidade que geme sob o flagelo do tráfico, inspirar-nos na coragem e determinação desta mulher de 80 anos que, com seu olhar ampliado pela câmera, trouxe à luz a cruel realidade de toda uma geração que vai se perdendo no consumo letal das drogas.
Frei Betto
A trajetória de uma nação não difere do itinerário pessoal. Maculada a utopia, vem a sensação de que é inútil lutar, como se a pedra de Sísifo pesasse sempre sobre nós. As crises só impedem o alvorecer para quem caminha de costas para o futuro
Sei que fica essa sensação de que nada avança, o país emperra, os políticos urubuzam em torno da carne fétida, e no fundo da alma o travo amargo da desesperança. Ah, como a desilusão atesta que o nosso alimento cotidiano não é o pão, nem o carinho escasso que oxigena o afeto. É a quimera, essa convicção arraigada de que o sonho é o prenúncio da realidade.
São tantas as dores, e também os temores, e fico a perguntar onde está o pouso em que descansaremos dessa longa jornada adentro da história e, dessedentados, cessaremos a árdua procura ao vislumbrar no horizonte as portas do Jardim do Éden. Pode-se ver, no amor fracassado ou na causa abortada, o cristal fragmentado no chão, reduzido a incontáveis brilhos prateados. No entanto, esse quase imperceptível reflexo comprova a pertinência do Sol.
No amor abre-se a ferida de uma perda que arrasta junto o que havia de melhor em nosso próprio íntimo. Ali não cabe a razão, a lógica formal, o consolo da retórica justificativa. Porque o afeto extrapola a geometria dos argumentos e transborda pelas estreitas margens da racionalidade. Revolve a subjetividade com a sua fina e longa lâmina invisível. Sobra o buraco negro descompensado, sugando mágoas, impulsos vingativos e desejos mórbidos, como se no reverso do amor a paixão se convertesse em possessão, demarcando os limites em que um se torna senhor de domínio do outro.
O dom se faz apego nessa projeção doentia que impede investir na felicidade do outro, suprema dádiva de quem ama sem mercadejar afetos. É a cruz dos pais da criança portadora de deficiência ou do filho drogado, esse dar incessante, esse desdobrar cotidianamente o coração, na expectativa de que o outro retorne, primeiramente não a quem o ama, mas a si mesmo. Então o fardo se torna leve e o peso suave. Como por milagre brota esse sentimento ressurrecional de que vale a pena viver para que outros tenham vida.
A trajetória de uma nação não difere muito desse tortuoso itinerário pessoal. Maculada a utopia, conspurcada a esperança, é natural essa sensação de que é inútil lutar, como se a pedra de Sísifo pesasse permanentemente em nossas costas e a poeira do aclive cegasse os nossos olhos.
Mas a memória vem em nosso socorro. Resgata tantas histórias e vitórias, o que nos permite hoje enquadrar tortura e escravidão na tétrica galeria dos crimes hediondos, e quiçá amanhã a pobreza e a fome figurem ali como graves violações dos direitos humanos. Há avanços, a ditadura envergonha-nos o passado, cidadania e democracia fortalecem-se nessa delicada renda onde se entrelaçam movimentos sociais, e a ética ensolara indignações.
Ainda que todos soframos dessa deletéria herança do pecado original, e alguns de nós permitam que a fraqueza congênita se apresente vulnerável ao vírus da corrupção, são as causas que justificam esse nosso empenho em não ceder às tentações da indiferença, do ceticismo inócuo, do gesto de Pilatos tentando desculpabilizar-se ao entregar o justo às feras.
As causas são melhores que as pessoas, alertava Brecht, e se legitimam por abarcarem multidões. Não é a promessa de campanha, nem o programa político que importa. É o que profana a condição humana: a miséria, o desamparo, a dor inconsútil, essa abissal desigualdade que nos condena à antinomia entre Caim e Abel. E ainda que o terremoto abale os alicerces da casa e destelhe ilusões, ainda que as águas do rio de Heráclito inundem o chão em que pisamos, ainda que a ambição superlativa mergulhe do trampolim nas águas turvas de acordos espúrios e traições deletérias, ainda assim o exercício perene de justiça se impõe, e por isso se impõe - e é esse sentido de perseverança militante que imprime à vida sabor de felicidade.
Não são os prazeres que justificam a existência, tão fugidios e, levados ao extremo, nefastos à subjetividade. Nem é o poder que traz em si a semente benigna de nossa humanidade. É o sentido histórico, saber por que se vive, abraçar a morte como descanso do guerreiro e não como deplorável acidente de percurso tão temido por quem não ousa ser o que é, e passa a vida dando voltas em torno de si mesmo, com receio de aproximar-se de seu centro e assumir sua verdadeira identidade.
As crises assustam, atraem sombras e escurecem as noites, porém jamais evitam o alvorecer, exceto para aqueles que se deixam convencer de que é mais cômodo caminhar de costas para o futuro.
CPIs colocam 18 deputados federais no paredão
Motivo: envolvimento com o esquema de corrupção, o "mensalão"
As Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) dos Correios e do Mensalão aprovaram na quinta 1º, por unanimidade, o relatório que sugere a cassação de 18 deputados federais e um ex-deputado por quebra de decoro parlamentar devido ao envolvimento com o esquema de corrupção, o "mensalão". Estão na lista sete parlamentares do PT, entre eles José Dirceu e João Paulo Cunha, dois do PTB, incluindo Roberto Jefferson, quatro do PP, três do PL, um do PMDB e um do PFL, além do presidente do PL, Valdemar Costa Neto (SP), que renunciou ao cargo mas não evitou sua inclusão na lista de denunciados. No caso de Roberto Jefferson, também no mesmo dia o Conselho de Ética da Câmara aprovou, por 14 votos a 0, o pedido de cassação do seu mandato por quebra de decoro parlamentar.
Jefferson é o autor da primeira denúncia do suposto "mensalão", a qual ampliou a crise política que já se iniciava por conta de evidências de corrupção nos Correios. Contra o petebista pesa principalmente a admissão de que recebeu do PT, em nome de seu partido, R$ 4 milhões para campanha política, produto de caixa dois. Os indícios de que comandaria esquema de corrupção nos Correios e estatais também complicaram sua situação.
As duas comissões realizaram sessão conjunta para votar o relatório. No texto, os relatores Osmar Serraglio (PMDB/PR), da CPI dos Correios, e Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG), CPI da Compra de Votos, afirmam que as considerações feitas partem de "juízos políticos". Segundo Serraglio, "as falhas" cometidas pelos 18 parlamentares e pelo ex-deputado Valdemar Costa Neto estão relacionadas ao "caixa 2", recebimento de mesada e ocupação de cargos em diretorias de estatais com objetivos financeiros.
Serraglio (PMDB-PR) considerou "inconteste" o recebimento de dinheiro por parlamentares da base aliada do governo. No parecer preliminar, ele disse que a alegação de que os recursos vieram de empréstimos é uma "desculpa esfarrapada" e que não há provas que sustentem a afirmação de que o dinheiro teria sido usado para pagamento de despesas eleitorais. "Não há legitimidade em mandatos conseguidos por meio de caixa dois", afirmou. "Meios ilícitos para ganhar eleições atentam contra o estado democrático de Direito", acrescentou o relator.
Trâmite - O relatório foi encaminhado à Mesa Diretora da Câmara. Depois será apreciado pelos deputados em plenário, por meio de votação secreta. O trâmite pode atrasar por conta das manobras de Roberto Jefferson. Também pode ter influência determinante a posição do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, que pretende aplicar punição mais branda que a perda do mandato. Ele chegou a declarar, antes mesmo da divulgação do relatório: "Enganam-se aqueles que pensam que deixarei levar inocentes ao cadafalso, apenas para, ao desvario, ouvir soar as trombetas". A inclusão do relatório na pauta está prevista para 14 de setembro.
Os próximos passos: Conselho e plenário
Da CPI dos Correios, o relatório vai à Mesa Diretora da Câmara, onde os sete integrantes analisam e decidem se há elementos contra cada um dos 18 parlamentares. Se existe, determina abertura de processo no Conselho de Ética, que tem 90 dias para dar um parecer. Caso decida pela cassação, o parecer vai à votação no plenário da Câmara. Para cassar um mandato são necessários 257 votos (há 513 deputados) e a votação é secreta.
Ao perder o mandato, o parlamentar fica também inelegível por oito anos. Se renunciar antes da abertura de processo na Comissão de Ética, o denunciado foge da inelegibilidade - caso de Valdemar da Costa Neto (PL-SP). Dois dos deputados que estão na lista dos cassáveis da CPI dos Correios já sofriam processo na Comissão de Ética - Roberto Jefferson e José Dirceu.
Bento XVI marca novo estilo de papado
O atual Papa se impõe mais pelas palavras do que pela emoção
Quatro meses depois de sua eleição, o Papa Bento XVI deu mostras, durante a 20ª Jornada Mundial da Juventude, realizada em Colônia, Alemanha, que Josef Ratzinger é diferente de Karol Wojtyla. Em sua primeira viagem apostólica internacional, Bento XVI marcou um novo estilo. E ponto. Não beija o chão da nação que visita - ainda que a Alemanha seja o seu país de origem -, não faz a "ola" com os jovens, não tem gestos amplos, nem tiradas espirituosas.
Em Colônia, Bento XVI mostrou que seu pontificado é bem diferente do de João Paulo II. "Na Alemanha, o pontificado de Bento XVI ganhou forma. A estréia terminou e de agora em diante será cada vez menor o exercício de comparar cada palavra, cada sorriso, cada gesto, cada passo com aquilo que João Paulo II fez durante quase 27 anos", escreve Alberto Bobbio, em matéria publicada na revista Famiglia Cristiana, edição de agosto. Nesse aspecto, a "geração João Paulo II" acabou.
"Em lugar do ‘carisma dos gestos’ de João Paulo II, que levantou multidões pelo mundo afora, Bento XVI possui o ‘carisma da palavra’, de professor, de mestre", salientou Jean Marie-Guénois, especialista em assuntos vaticanos, ao fazer um balanço da visita do atual Papa a Colônia. Guénois destaca que desde a maneira de descer do avião, "preocupado em não tropeçar nas escadas", Bento XVI revelou uma forma discreta e sóbria de portar-se, sem efeitos, sem chamar as atenções para si.
Consciente da importância de sua presença, o Papa se entregou, em algumas ocasiões com visível timidez e com freqüente incômodo diante de um milhão de jovens de 197 países presentes ao evento, sempre com muita humanidade, prestando atenção a cada um, na medida do possível. "Leu seus discursos (foram 12) com cuidado, sem retórica. Não buscou a sedução, mas palavras bem avaliadas, das quais não espera o efeito imediato do aplauso, mas que ficam arraigadas a longo prazo", afirma Guénois.
"Fica claro que este pontificado é da leitura, mais que da imagem", salienta Bobbio. "Bento XVI entrelaça palavras e não imagens, evoca verbos e sílabas e evita sensações, aparições, visões", escreve o articulista. "A época dos Papaboys terminou", revela com certa maldade. "Em Colônia, Bento XVI - esse professor atípico - ofereceu aos jovens uma lição extraordinária, e ao mundo, o estilo de um pontificado que evita personalismos e não deixa atrás de si um rastro de emoções".
Bobbio salienta que as palavras do Papa, em Colônia, não maravilharam, mas informaram, esclareceram, iluminaram. "Não é fácil acompanhar seus discursos. É preciso relê-los. A linguagem é rigorosa, a força dos argumentos percorre as páginas, as palavras são claras e diretas, não há a sensação de que possam dar margem a interpretações ambíguas".
Constantinopla - Depois de Colônia, há uma outra cidade que Bento XVI quer visitar logo - Istambul, na Turquia. A data provável é 30 de novembro, festa de Santo André, padroeiro do patriarcado ecumênico de Constantinopla. O Papa já recebeu o convite do patriarca Bartolomeu I.
A visita à Turquia se prende ao desejo de Bento XVI, expresso logo depois da sua eleição, quando escolheu a unidade dos cristãos entre seus objetivos prioritários. Solicitou aos cristãos de todas as confissões que lutem pela unidade, a começar pelas "grandes questões éticas do nosso tempo".
Itália recorda martírio de São Genaro
No dia 19 de setembro, se encerram em Nápoles, na Itália, as comemorações dos 1.700 anos do martírio de São Genaro (Januário) e seus companheiros. A história e a devoção de São Genaro é a história da própria cidade de Nápoles, que o considera seu grande protetor contra os flagelos e as erupções do Vesúvio. Mas o culto ao santo tornou-se mundialmente célebre por uma circunstância especial e misteriosa: a liquefação de seu sangue, conservado numa ampola na catedral de Nápoles.
Todos os anos, no dia da sua festa (19 de setembro), o sangue é exposto ao público e então se liquefaz, como se fosse recém-derramado, muda de cor, de volume e até de peso, que duplica. O milagre também pode ocorrer outras duas vezes, durante o ano - no primeiro fim de semana de maio, que coincide com o translado dos restos mortais do santo para Nápoles, feito no século V; e no dia 16 de dezembro, aniversário da erupção do vulcão Vesúvio, ocorrida em 1631. O santo, bispo de Benevento, cidade distante 70 quilômetros de Nápoles, foi decapitado no dia 19 de setembro de 305, durante uma perseguição de Diocleciano.
TDivulgado tema para Dia Mundial da Paz
"Na verdade, a paz" é o tema da mensagem do Papa Bento XVI para o 39º Dia Mundial da Paz, que se celebrará em 1º de janeiro de 2006. No texto, o Papa focaliza sua atenção na verdade. Na mensagem, Bento XVI retoma palavras de João Paulo II do documento Veritatis Splendor, de 1993, ao salientar que na sociedade atual, onde os mais fortes ditam as leis, se impõe uma "ditadura do relativismo que não reconhece nada como definitivo e que deixa como última medida apenas o próprio eu e suas vontades".
Padre Zezinho
Façamos política e preparemos políticos bons e democráticos
Não falo da cidade. Falo do próprio. Para cristãos que tremem na base ao ouvir falar de política, lembremos um fato: o apóstolo Paulo fez política e enfrentou os políticos do seu tempo. Exemplo disso foi a tumultuada assembléia do sindicato dos ourives, narrada no capítulo 19,23-41 dos Atos dos Apóstolos. Demétrio era ourives e, com inúmeros outros trabalhadores do ramo, fabricava imagens e nichos de prata da deusa Ártemis. Formavam um sindicato.
A pregação de Paulo de tal maneira os prejudicou que o lucro começou a minguar. Em Éfeso e em toda a Ásia haveria muito desemprego se Ártemis caísse. Agitador esperto, ele deu origem a um tumulto que se espalhou pela cidade. Na assembléia, por duas horas, enfurecidos os artesãos gritavam palavras de ordem tipo: "Viva Ártemis, abaixo Paulo! Eusa, eusa, eusa, Ártemis é nossa deusa. Aulo, aulo, aulo, calemos este Paulo!" Se não foi isso, foi mais ou menos isso. Diz o livro que havia gente lá que nem sabia o que estava gritando. O anfiteatro era um enorme tumulto.
Paulo quis ir lá e tomar a palavra. Seus companheiros o proibiram. Podia dar em morte. Então, um tal de Alexandre, que tinha força sobre o povo, mostrou que matar não resolvia, porque haveria repressão das autoridades. Que se defendessem pelos canais competentes e sem morte, nem bagunça. Nada de incendiar carroças e bigas ou invadir prédios públicos. Convocassem uma assembléia legal e resolvessem a questão nos tribunais competentes.
O tumulto cessou, mas Paulo foi pregar por três meses em giro missionário pela Grécia. Digna de nota foi sua disposição para subir no palanque e enfrentar os adversários no debate! Sindicatos reivindicam, defendem-se, às vezes agitam e escapam de controle. Trabalhador em risco de perder seu emprego reage duro. Paulo quis provar que havia outros caminhos. Mas o sensato cidadão Alexandre, que não sabemos se era cristão, ajudou enormemente o apóstolo e a Igreja.
Isso mostra a importância de termos gente de fé na política, para enfrentar os exaltados religiosos ou não religiosos. Façamos política e preparemos políticos bons e democráticos. Se deu certo há 2.000 anos, porque não daria agora?
Missões renovam comunidades gaúchas
Em setembro e outubro, equipe dos missionários prega em paróquias do MT
Com o lema "Missões - crescer na fé e na reconciliação", a equipe missionária dos freis capuchinhos do Rio Grande do Sul esteve realizando, de 4 a 20 de agosto, as missões populares na paróquia São Roque, em Benjamin Constant do Sul e Faxinalzinho, diocese de Erechim.
"Os municípios de Benjamin Constant do Sul e Faxinalzinho estão situados na região Nordeste do Estado. A economia baseia-se principalmente na agricultura e agropecuária de pequeno porte e nas cidades predomina o comércio e a prestação de serviços diversificados", explica frei Claudecir Fantini, da equipe missionária. A etnia predominante é a italiana e indígena - há muitos caingangues e guaranis na região.
A paróquia São Roque é composta de 16 comunidades (duas sedes municipais; 13 comunidades rurais e uma comunidade indígena). A paróquia não contava com missões desde 1983. O padre Davi Oliveira Pereira (clero diocesano) é o pároco e conta com o auxílio pastoral das Irmãs da Congregação Filhas de Jesus.
Após ter concluído com êxito as missões em Benjamin Constant do Sul e Faxinalzinho, a equipe missionária deslocou-se para a região Oeste do país - de 02 a 25 de setembro estará pregando na paróquia São Cristóvão de Campo Verde (MT). Frei Claudecir relata que o município ostenta o título de capital nacional da produção de algodão e capital matogrossense na produção de aves.
Frei Claudecir também salienta que durante as missões de Campo Verde a equipe realizou pós-missão em Jaboticaba (RS) de 29 de agosto a 3 de setembro; realiza pré-missão em São José do Norte (RS), de 9 a 13 de setembro; e pós-missão em Benjamin Constant do Sul e Faxinalzinho, de 21 a 23 de setembro.
Em outubro, os missionários permanecem no Mato Grosso, onde pregam missões em Jucimeira, de 1º a 23. As missões são um tempo forte de renovação da fé e da vida em comunidade.
Religiosa celebra profissão perpétua
No dia 17 de setembro de 2005, irmã Neuza Maria Sangiorgio (foto), da Congregação das Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora, vai professar votos perpétuos durante celebração que será realizada na igreja matriz da paróquia Santo Antônio de Pádua, em Rio Novo do Sul (ES). Irmã Neuza é natural de Cachoeiro do Itapemirim (ES) e, atualmente, trabalha em Passo Fundo (RS), no cuidado das irmãs idosas.
Santa Maria promove Romaria da Primavera
No dia 11 de setembro Santa Maria (RS) promove mais uma Romaria da Primavera, caminhada ao santuário da Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt iniciada em 1952 pelo diácono João Luiz Pozzobon. Neste ano, a romaria recorda os 50 anos da coroação da imagem da Mãe e Rainha de Schoenstatt levada pelo diácono. Quatro procissões saem rumo ao santuário, onde será celebrada missa às 10 horas. As celebrações prosseguem à tarde e encerram com bênção do Santíssimo às 15h30.
Seminário reflete sobre transcendência
O Conselho Nacional do Ensino Religioso (Coner), a diocese de Caxias do Sul e o Curso de Teologia para Leigos, com a coordenação de padre Leomar Brustolin, promovem, de 12 a 14 de setembro, em Caxias do Sul, o seminário Educação e Transcendência. O evento será realizado no auditório do Colégio São José, das 19h30 às 22 horas.
O seminário destina-se a professores e a interessados em geral. Confere aos participantes certificado de extensão universitária. Serão abordados os temas "Educação, Transcendência e Religião", no dia 12, com o escritor Rubem Alves; "Educação, Afeto e Espiritualidade", dia 13, com Jorge Trevisol; e "Educação Religiosa Escolar", com Remi Klein e Oneide Bobsin, no dia 14. Mais informações pelo telefone (54) 221.2564.
Aldo Colombo
A espiritualidade do casamento cristão aponta para o compromisso de continuar amando mesmo depois que o amor acabou
A Federação da Malásia é um país pouco conhecido, situado no Sudoeste asiático. Sua história é marcada pela passagem de muitos povos e etnias. Os últimos foram os holandeses e ingleses. Sua independência aconteceu em 1957. A área do país é de 131 mil quilômetros quadrados, um pouco maior que o Estado de Santa Catarina, mas menor que o Paraná. Sua população chega aos 7 milhões de habitantes. Certamente, na Malásia vivem muitos casais felizes, mas as agências de notícias divulgam um caso que pode entrar no Guinness, livro que registra os recordes mundiais. Trata-se de um cidadão que acaba de casar pela 53ª vez.
Kamarudin Mohamad, 72 anos, acaba de casar pela segunda vez com sua primeira "ex-mulher", depois de ter se divorciado dela em 1958. Entre os dois casamentos com a mesma noiva, ele teve 51 outras mulheres. Kamarudin explicou que seus casamentos anteriores terminaram em divórcio, exceto o seu último casamento, em que a mulher morreu de câncer, após 20 anos de convivência. O casamento mais curto durou apenas dois dias. Com tranqüilidade, Kamarudin garante que sempre casou por amor.
"Liberdade, quantos crimes se cometem em teu nome", acusava Madame de Staël, no período mais sanguinário da Revolução Francesa. Pode-se afirmar a mesma coisa do amor. Nem tudo o que se chama de amor é realmente amor. Gabriel Garcia Marques afirma que a coisa mais triste é fazer amor, sem amor. Vinícius de Morais tornou célebre uma frase contraditória: "Que o amor seja eterno enquanto dure...".
Para os cristãos, o casamento é um Sacramento e para sua validade, os noivos são convidados a proferir três vezes a palavra "sim". Que seja livremente assumido, que seja assumido para sempre e que seja aberto aos filhos. Os noivos dizem um sim um ao outro e ambos dizem sim a Deus.
Para os cristãos, casar significa fazer de duas vidas uma só vida, de dois projetos um só projeto. A Bíblia afirma: "Os dois se tornam uma só carne" (Gen 2,23). A espiritualidade do casamento cristão aponta para o compromisso de continuar amando mesmo depois que o amor acabou. É um compromisso de fé e só pode ser compreendido à luz da fé. O Evangelho fala da casa construída sobre a rocha, sujeita a chuvas e tempestades, mas que não desmorona (Mt 7,25).
O diálogo, o perdão, a capacidade de recomeçar fazem parte da vida dos casais cristãos, comprometidos a viver o sacramento "nos bons e maus momentos", na saúde e na doença, na alegria e na tristeza... A graça de estado possibilita superar as dificuldades de todo o tipo. E os casais nunca devem esquecer sua condição de pecadores e peregrinos. À luz da fé, o matrimônio é uma história de amor, começada na terra, mas que terá sua plenitude no céu, pátria do amor.
Doutrina social orienta ação cristã
Novo compêndio da Doutrina Social da Igreja é lançado em Caxias
Durante encontro realizado no salão paroquial de São Pelegrino, no dia 1º de setembro, a diocese de Caxias do Sul lançou oficialmente o Compêndio da Doutrina Social da Igreja. O evento, assessorado por dom Orlando Dotti, bispo emérito de Vacaria, reuniu mais de 200 lideranças dos movimentos pastorais e sociais caxienses, párocos, religiosos e o bispo diocesano dom Paulo Moretto. O lançamento integra a programação da IV Semana Social Brasileira.
Dom Orlando fez aos presentes uma síntese dos principais temas abordados pelo compêndio. Salientou que não há nada de novo ou de diferente, além do que já se sabia ou se conhecia sobre a doutrina social da Igreja. O grande mérito da obra é que, pela primeira vez, é feita uma sistematização da doutrina. "O compêndio organiza e esquematiza os ensinamentos já conhecidos e dispersos nos documentos da Igreja", diz dom Orlando.
Por outro lado, segundo o bispo capuchinho, o compêndio "não engessa o estudo ou a reflexão numa camisa de força, mas sistematiza a doutrina, deixando um campo muito aberto para a expansão da reflexão e ação, de acordo com a realidade". A respeito da Doutrina Social da Igreja (DSI), dom Orlando salienta ela é parte essencial da mensagem cristã e faz parte da missão evangelizadora da Igreja. "Uma evangelização que deixa de lado a DSI é capenga, é incompleta".
Dom Orlando explicou que o compêndio, com 528 páginas, 204 das quais constituídas de índices, é composto de uma introdução, três partes de conteúdos e uma conclusão. Os conteúdos, destinados especialmente aos católicos, mas também a todas as pessoas de boa vontade, abordam questões amplas como o desígnio de Deus, a missão da Igreja e a DSI, a pessoa humana e seus direitos, a família, o trabalho, a economia, a política, o meio ambiente, a paz e a ação eclesial.
Fermento - A finalidade da Doutrina Social da Igreja, segundo o bispo, "é fecundar e fermentar com o evangelho a sociedade; interpretar as realidades sociais à luz da fé; clarear a ação social dos cristãos". Toda a DSI se desenvolve a partir do princípio fundamental da dignidade da pessoa humana (tema do capítulo 3 do compêndio). Todas as pessoas são iguais em direitos e dignidade. "Em torno desse princípio giram todos os outros princípios que regem as relações humanas", salienta dom Orlando.
Esses princípios, conforme o compêndio (cap. 4) têm entre si unidade, conexão e articulação. Basicamente, são cinco: o bem comum, a destinação universal dos bens, a subsidiariedade, a participação e a solidariedade. A ação social dos cristãos inspira-se no princípio fundamental da centralidade da pessoa humana. "Essa antropologia cristã anima e sustenta todas as obras das diversas pastorais sociais", afirma dom Orlando, das quais os leigos são os protagonistas e os grandes colaboradores, com a Igreja, na "construção da civilização do amor".
Compêndio exigiu cinco anos de estudo
O Compêndio da Doutrina Social da Igreja foi solicitado pelo Papa João Paulo II ao Pontifício Conselho "Justiça e Paz", quando esse era presidido pelo vietnamita François Van Thuan, cardeal que durante 20 anos ficou numa prisão em seu país. Com a morte de Van Thuan em 2002, o Pontifício Conselho "Justiça e Paz" passou a ser presidido pelo cardeal italiano Renato Raffaele Martino, que assumiu a responsabilidade de concluir o compêndio.
Em junho, Martino esteve no Brasil para o lançamento do Compêndio da Doutrina Social da Igreja editado em português pelas Paulinas. Segundo o cardeal, para a elaboração desse importante documento foi feita uma ampla consulta que envolveu membros e consultores do Justiça e Paz, Dicastérios da Cúria Romana, Conferências Episcopais de vários países, bispos e peritos nas questões tratadas. Martino salienta que o Compêndio "apresenta os pressupostos fundamentais da Doutrina Social da Igreja, seus conteúdos, temas clássicos e indicações para o uso da doutrina social na prática pastoral e na vida dos cristãos".
Wilson João
Não devemos ter medo de duvidar de tudo e de todos. A dúvida faz crescer, é sinal de sabedoria
A dúvida é o princípio do aprender. A humildade da dúvida se opõe à soberba e ambição da certeza. Sempre desconfie de quem fala: "É absolutamente certo... com certeza..." É bom ter certezas. Necessitamos ter certezas. Mas é muito chato conversar com pessoas que estão sempre certas, que suas idéias é que valem, que são possuidoras da verdade. Falta muita humildade, especialmente em questões de política e religião. Diante de pessoas que falam: "Eu estou certa, você está errada..." "minha religião é a certa, todas as outras estão erradas..." é bom pedir licença e partir para outra atividade, porque quem assim afirma está pretendendo ser um pequeno deus.
DUVIDAR DO QUE SE VÊ. Os fatos têm um rosto, mas também têm um coração. O rosto expressa o fora. O coração o dentro, a causa, o motivo. Não dá para julgar pelo que se vê. É preciso escutar, estudar o coração do que se vê. Há motivações e causas que fogem ao simples olhar. Assim são os fatos e os milhões de fotografias que nossos olhos revelam a cada instante, no milagre do fotografar e do revelar instantaneamente. Assim é o simples olhar para a rosa, a lua, o rosto das crianças, o vento que sacode, a chuva que cai. A gente aprende quando olha e se vê através do fato. Quando se abrem janelas e portas no próprio fato.
DUVIDAR DO QUE SE ESCUTA. As pessoas falam, e através da fala se comunicam, acusam, se defendem, mentem, se escondem, dizem o contrário do que pensam... Não se pode simplesmente acreditar no que as pessoas falam. Séria ótimo uma transparência total. Boca falando o que o coração sente, o que a cabeça pensa. Nem sempre é assim. Por isso, a dúvida no escutar as pessoas, no escutar noticiários e opiniões, é sinal de sabedoria.
DUVIDAR DO QUE SE LÊ. É bom ler. É necessário. Mas não se pode engolir tudo o que se lê, nem em livros, nem em revistas e muito menos em jornais. Os jornais são, em geral, a fonte de mentiras de grupos, que criam a notícia conforme seus interesses. Há demais acusações em revistas e jornais. E a acusação é simplesmente uma maneira de se defender, ou pior ainda, de se esconder. Gosto de discutir, brigar com o autor do livro ou das matérias de jornais e revistas. Discutir é duvidar. Muitas pessoas simplesmente engolem tudo o que lêem. É possível que aconteça uma congestão mental, que resulta em confusão de vida.
DUVIDAR DO QUE SE CRÊ. Até duvidar da fé em Deus. É possível que a fé que nos comunicaram é num Deus que não é o Deus verdadeiro. Podemos ter recebido uma caricatura de Deus. Existem muitas caricaturas de Deus que criam descrentes. Depois que essas pessoas descobrem que Deus não é o que foi passado para elas, perdem a fé. Por isso, duvidar do que se crê é amadurecer na vida de religião, de Igreja e de relacionamento com Deus e com a vida. É sinal de maturidade. Não devemos ter medo de duvidar de tudo e de todos. A dúvida faz crescer. É sinal de sabedoria.
O italiano que está em você
Elói Finato
Bancário, Porto Alegre-RS
Eloi e colegas fazem do canto a janela para o ontem e o hoje de sua identidade. Diz Elói:
"Nasci em São Domingos do Sul, em 1951. Filho de agricultores, as lides da roça foram minhas atividades diárias: tocar os bois, ajudar na moenda de cana, capinar, colher, plantar..., de pés no chão com frio ou calor, geada ou gelo, sempre naquela valada onde o sol aparecia às onze horas.
Dos 13 aos l9 anos, eu só lia a Bíblia, o Anuário Inaciano e o Correio Riograndense. Fazia-se muitos filós e se cantava muito. Graças a Mons. João Benvegnù, foi criado o Ginásio de São Domingos do Sul e, aos l9 anos, minha vida começou mudar.
Marcou-me o fato de ter que falar português, pois falar o talian era sinônimo de grossura. Aos poucos, percebi uma sadia mudança. Aprender o português é necessário, mas por que se envergonhar de falar o talian dos avós, do sotaque italiano? Como ter vergonha dos antepassados, se à sua coragem e bravura, nas montanhas da serra gaúcha, entre feras e índios, fundaram paesi e cità, igrejas, escolas, indústrias?...
Cheguei em Porto Alegre em 1977, e senti que aqui podia jogar quatrilho, falar talian, reviver com orgulho minhas origens. Posso reunir-me com os amigos e cantar, com liberdade, as canções italianas. Em 1989, ajudei a fundar a Massolin de Fiori, a maior sociedade italiana do Rio Grande do Sul, na qual, por iniciativa do associado Arlindo Nardi, poucos dias antes de sua trágica morte (2004), fundamos o coral I Amici de la Massolin, para cantar i canti dei noni. Eu pertenço à geração que ouviu os cantores Joanin Acco, Fulio Pandolfi, Giuseppe e Toni Pelizzaro, Tito Finato e seus filhos: Joan, Santo, Bepi (meu pai), Dósio, Eléssio, Eliseu e Toni, Mavilo, Valter e Vivaldo Benvegnù, Domingo e Silvestro Acco, e, em Paraí, os irmãos Segalotto. Recordo-os em seus nomes italianos, como construtores da alegria de viver. Eles cantavam de fato! Dos poucos que ainda vivem só os Benvegnù continuam cantando. Aliás, me permito de pedir ao Domingo Acco, o mais completo cantor de São Domingos do Sul, que volte a cantar. Quero lhe dizer:
- Domingo, a geração atual não conhece tua voz. Cante como antigamente! Teus amigos vão vibrar. Um dia, nosso grupo de Porto Alegre, iremos a São Domingos cantar contigo.
I Amici de la Massolin, nos sentimos chamados a preencher um lugar que poderia ficar vazio. Estreamos num festival de cantos em Santa Tereza, em abril de 2005. Em três meses, tivemos oito convites, provando que os italianos gostam de contar e de cantar sua vida e história.
Eu acredito no canto, sobretudo o italiano, como expressão humana completa, através das palavras, sentimentos, arte, fé e cultura. O canto impede o esquecimento, faz vibrar a vida, a história e a cultura. Os filmes, como O Quatrilho, as peças teatrais, que se multiplicam dia a dia, são oportunidades exímias para reviver nosso cantar. No cinema, no teatro, na escola, nas igrejas, nas reuniões e festas o canto dos antepassados pode ser o toque de perfeitas celebrações.
O coral I Amici de la Massolin senta-se com jovens e crianças, e com eles canta as belezas da vida e cultura italianas. A maneira que escolhemos para falar de nossa história e cultura é o canto.
Enquanto os pessimistas fazem projeções a respeito da sobrevivência ou não das culturas populares, nós cantamos. Cantando cultivamos a vida. ‘Quem canta seus males espanta’." e-mail: romeufinato@yahoo.com.br
Hoje o mundo é global. Tudo está em toda parte. Por que não globalizar nosso falar, viver, crer e cantar? Com I Amici de la Massolin, vamos globalizar o que é nosso, cantando para o mundo (Rovílio Costa).
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (324)
Gisela e Brìgida e la misión de insegnarghe a un sucon
Mario Gardelin
Professor, historiador e pesquisador, Caxias do Sul - RS
Passade raquante giornade, Nanetto el zera sentà te un caregoto, e el vardava el sofito. E eco che due done le ghe aparisse. Una la gavea in testa na corona, e l’altra la zera vestia de abadessa de un convento de móneghe. Le se ga presentae.
Quela dela corona la ga dito:
– Me nome ze Gisela. Son sorela de Santo Enrico. Me go maridà col re Stèfano del Regno dela Ongheria. Son qua insieme a me sorela Brìgida, abadessa del monastero de San Paolo a Ratisbona, in Germània. Noantre due gavemo el cómpito de parlarte un poco del nostro fradel Enrico.
- Gàssie! Ve ringràssio, parché son premoso de saver chi ze el me gran santo, che me ga salvà due volte. La prima, de na fila de stangade, che me pare volea darme. E la seconda, quando son squasi negà tel Rio das Antas, tel Passo Velho, tra Bento Gonçalves e Alfredo Chaves. E vu, cara suora Brìgida, cossa gaveu da dir?
- Caro Nanetto, giutarò me sorela a parlarte del nostro fradel. Varda che’l ze importante. Te parlaremo del so Regno e dele so virtù. E, gràssie al Signore, go el dono dela professia e vui dirte quel che te sarè.
- Vedo, cara regina e cara suora, che Santo Enrico me vol pròprio ben. Ma, dové saver che fora la so vita, che la go imparà in te un lampo, ledendo quel libron grosso, del resto no sò gnente. Come se pol meter remèdio giusto a sto mondo de ignoransa che son mi?
- Bruno, nostro fradel, - ga dito Brìgida, - te ga dimostrà che, par miràcolo del Signor, se pol imparar tuta la sapiensa t’en lampo. Ti te impararè tante robe, tante lìngoe, tanta stòria. Bisogna che te lo fassa svelto e giusto, parché te gavarè tanto da laorar. Te giutarè al nostro Kaiser a téndere ai dissendenti de migranti taliani, alemani, francesi, polachi, spagnoli..., tuti quei del Rio Grande do Sul e del Brasil.
- Cara regina Gisela, el vostro nome el ze cognossuo. Mi go cognossesto na bela tosa, a casa de Toni Dall’Alba, che’l zera de star a San Valentin. E go cognossesto tose de sto nome a Nova Petrópolis, Bom Princípio, São José do Hortêncio... No ze mia un nome todesco?
- Si, ze todesco. Voaltri disì: la Gisela. I alemani, i dise: la Ghìela. Ze un nome tramandà de generassion in generassion.
- E go visto, contìnua Nanetto, che a casa dei Dall’Alba ghe ze nomi come Armìnia, Armìnio, Adelaide...
- Tuti tedeschi. Ze un ricordo dei tempi in che la gente parlava tedesco... Ma desso me sorela Brìgida parla del Regno de Santo Enrico.
- Nostro fradel se ciama Enrico II, parché ghe ze stà prima de lu nantro Enrico, Imperator del Sacro Impero Romano-Germànico. El nostro Enrico ze nato a Heirichsburg al 6 de maio del 973. E el ze morto darente Göttingen, al 13 de luio de 1024. Morto so pare, che’l zera Duca dea Bavaria, el lo ga sussedesto. Enrico, in 1001, el ga sposà Cunegunda, fiola de Sigfried, conte del Lussemburgo.
- Care signore, interompe Nanetto. Tuti sti nomi me mete in gran confusion...
- Stà tranquilo, Nanetto.Te impararè el tedesco, e anca i dialeti par ndar in medo ai dissendenti dei tedeschi...
- In 1002, ze morto Ottone III e poco dopo Enrico, nostro fradel, ze stà eleto Re dela Germània. Ze stà incoronà dal arcivesco de Mogùncia. El ga vinto Herman dela Suàbia. Nessun pi lo ga dis-turbà. Sol el re dela Polònia Boleslau I el ga fato disòrdini. Ma el ze stà messo suito a posto.
- Enrico, ga continuà Gisela, in tel an de 1004, el ze ndà in Itàlia e a Pavia ze stà coronà Re dei Lombardi. El 14 de febraio del 1014, a Roma ze stà incoronà dal Papa Benedeto VIII, Imperator del Sacro Impero Romano Germànico. Pi tardi, el ga vinto i greci, col aiuto dei normani, i gran guerieri.
- Enrico, ga dito Brìgida, ga giutà al Papa par la riforma dela Cesa. El ze stà el primo a ver el tìtolo de Re dei Romani. Ze stà canonisà dal papa Eugénio III, nel 1146. Nela stòria, el ze restà cognossuo come El Santo, o El Sgherlo.
- Cossa!? Sgherlo quel omo che mi go visto? El zera perfeto. Squasi due metri de altessa.
- Nanetto, ga finio Brìgida, co se more e se va in Paradiso e se ze santi, se resta perfeti. Gambe storte, man rote, laori spacai, tuto scomparisse. Par questo, ti te ghè visto el nostro fradel magnìfico, e sensa magagne.
- Cara regina e cara suora, gràssie par tuto. Sì do brave maestre, che pròprio sa far scola. Pecà che mi sia un sucon!
- Ciao, Nanetto! Se rivedaremo...
E le due se ga alsà in ària, e le ze scomparie.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
Cansoneta a Rosina
Almiro Zago
Porto Alegre - RS
Caro Frei Rovilio Costa, agradecendo as informações sobre o naufrágio do navio Sírio, retribuo com uma tentativa de poesia no meu idioma materno, da minha infância na 7ª Légua de Caxias do Sul (1940).
1. Rosina, bela Rosina,
Ècome qua ripieno d’amor,
Fa presto, cara, vien fora
E scolta ben i sighi del cor.
2. Rosina, bela Rosina,
Varda che te sì rabià par gnente,
Almanco vien ala finestra
Co la to dolse boca ridente.
3. Rosina, brava Rosina,
No ze che mi sia furbo o gnoco,
Ma la ociada ala Marieta, ze vero,
Ze pròpio stà quel difeto del òcio.
4. Rosina, brava Rosina,
Par via de quele done che fuma,
Son ndà sol a portarghe legna,
E, quel’ora, no ghin gera nessuna.
5. Rosina, brava Rosina,
No stà far la mussa schifosa,
Te vedo sconta drio la coltrina
Co la to faceta de morosa.
6. Rosina, bela Rosina,
Te vui tanto ben sensa misura.
El fioreto che porto sul capel
Ze spròsia par far bela figura.
7. Rosina, cara Rosina,
Dio lo sa, ze diese ani che te speto,
Svelto el tempo vola su pei monti,
E qua soto mi romai devento vècio.
8. Rosina, cara Rosina,
Se vui sposarte suito disi de sì
Parché se no me marido dès
Go paura che no me maride pi.
9. Rosina, cara Rosina,
Sicuro, felici saremo pi che mai
A sena bevaremo tute le sere
Vin negro col pan, salam e formai.
10. Rosina, cara Rosina,
Porta in cesa l’alegria de sposa sul viso,
Dopo, in viaio de nosse al mare ‘ndaremo
Te le spiaie de Areias Brancas e Paraíso.
La piova
Ary Sebastião Vidal
Lapa - PR
1 La piova la casca darente i òcii de Dio
La sbrìssia in su dai monti,
La alegra i contandini
La ne dà vita a tuti noantri.
2 Sensa la piova no se fa gnente
La ze na benedission da Dio,
El Siore Dio manda par tuta la gente
La ze la speransa che el omo porta drio.
3 La piova la core par zo
Tra le pianure e i monti,
La piova bagna arquanti
La tompesta vien par tuti
La moia i richi anca i poareti.
4 La fa una gran agitassion
La piova la fa un cagnar
L’è un strùssio che vien del ària
La va lontan par zontarse co el mar.
Agropecuária é destaque na Expointer
Venda de máquinas e implementos rurais cai 45% em relação a 2004
Cerca de 530 mil pessoas passaram pelo Parque Assis Brasil, na Expointer 2005. Apesar do número ser bastante inferior ao projetado, de 720 mil, os negócios surpreenderam a Comissão Executiva. A feira negociou mais animais e produtos da agricultura familiar, mas teve queda de 45% na venda de máquinas e implementos agrícolas.
A comercialização de animais de diferentes raças totalizou R$ 6,1 milhões, contra R$ 4,7 milhões do ano passado. No Pavilhão da Agricultura Familiar, registrou-se venda de R$ 286 mil, contra R$ 252 mil do ano anterior. Já no Pavilhão do Artesanato, R$ 994 mil, contra R$ 927 mil em 2004.
A venda de máquinas e implementos agrícolas contabilizou R$ 135,2 milhões, o que representou 55% do valor obtido na Expointer do ano passado. Outras feiras venderam 50% menos do que em 2004. "A crise imposta pela estiagem de verão e a chuva constante durante quase todos os nove dias da promoção foram os fatores negativos", disse o governador Germano Rigotto.
Para o próximo ano, a Expointer será antecipada em uma semana e acrescida de um dia. De acordo com o secretário da Agricultura, Odacir Klein, a feira inicia no segunda semana de agosto de 2006. A abertura dos portões acontecerá na sexta, 16. A decisão foi tomada diante da Expoprado, feira internacional do agronegócio promovida em Montevidéu, para que expositores dos dois países possam participar.