
DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 4.954 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 14 de setembro de 2005.
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Oportunidade para uma punição justa e exemplar
Identificação de corruptos é uma cena que todos cidadãos de bem ansiavam por assistir. Mas é preciso ir além e aplicar penas
O Brasil tem cerca de 330 mil presos. Desses, conforme o Ministério da Justiça, 66 mil perderam a liberdade pela prática de pequenos furtos ou outros crimes que não tiveram ameaças, agressões ou riscos de vida às vítimas. De uma maneira geral, dividem espaços em superlotadas cadeias com criminosos mais perigosos - sofrem com a desproporção entre o delito leve que cometeram e a pena pesada que cumprem.
No mesmo país praticamente não existem presos por corrupção, embora os sucessivos escândalos. O ladrão de um simples objeto ou de um produto alimentício é punido; envolvidos e/ou beneficiados com o desvio de milhões, ou bilhões, de reais, ressalvadas as exceções, seguem tranqüilos sob o abrigo da impunidade.
Talvez seja essa desigualdade que alimente a expectativa com que os brasileiros estão acompanhando as renovadas denúncias de corrupção, formação de quadrilha e outros crimes que têm dominado o cenário político há mais de três meses. A possibilidade de cassação de quase 20 deputados por falta de decoro parlamentar; denúncias abrangendo detentores de altos cargos no Executivo federal; a acusação contra o presidente da Câmara Federal, Severino Cavalcanti, de cobrar propina, e a ameaça de ele perder o cargo; a prisão de políticos com destaque, como o ex-prefeito paulistano Paulo Maluf... compõem cenas que o público simples, predominante na população do país, ansiava por assistir.
Antes mesmo que se chegue ao desfecho desses e de outros tantos casos, a impressão é de que só a apuração já é suficiente para saciar a sede de justiça – e aqui incluem-se entre os saciados também as classes mais abastadas. Impressionam ainda o rigor e a eficácia das investigações, notadamente pela Polícia Federal, permitindo concluir que está se inaugurando uma nova etapa na vida brasileira.
A resposta mais importante, fundamental até, vai além da identificação dos responsáveis pela corrupção, pelo uso de caixa 2 em campanhas políticas ou por outros crimes do colarinho branco. Ela está no tipo de punição que será aplicada. Precisa ser exemplar para os políticos e para a sociedade.
Eleitas soberanas da Festuva 2006
Escolha da rainha e princesas dá início à divulgação do evento
A Festa Nacional da Uva 2006 já tem suas principais divulgadoras. Cerca de 14 mil pessoas assistiram, no sábado 10, ao concurso que elegeu Julia Brugger De Carli como rainha da festa e Marcela de Fátima Bertussi e Natália Menegat Vanzin como princesas. Julia, 21 anos, representa a Sociedade Esportiva e Recreativa Caxias; Marcela, 23, o CTG Imigrantes e Tradição e o Centro de Qualidade de Vida Sendy; e Natália, 18 anos, é representante da Vêneto Transportes Ltda.
Se o concurso de escolha das soberanas serve, de fato, de termômetro da Festuva, como costumam destacar os organizadores, a próxima edição do evento já começa com sucesso. Durante cinco horas, as 31 candidatas e suas torcidas foram protagonistas de uma festa de beleza, emoção e organização.
Após o desfile das concorrentes, os jurados reúnem-se para a avaliação e o público aguarda o resultado ao som de Papas da Língua. À 1 hora da madrugada de domingo, as candidatas retornam ao palco. Assistem a despedida da rainha Priscila Caroline Tomaz-zoni e das princesas Greice Tedesco e Victória Titton De Carli, soberanas da festa de 2004, e o anúncio das torcidas vencedoras.
À 1h15, a presidente do júri entrega ao presidente da festa, Gelson Palavro, o envelope com o nome das novas representantes da Festa Nacional da Uva. Candidatas de mãos dadas, música e efeito de luzes aumentam o clima de suspense. À 1h17, os mestres de cerimônia anunciam os nomes de Marcela, Natália e Júlia como soberanas da Festuva 2006. Marcela, muito emocionada, não consegue conter as lágrimas, Natália manifesta-se sorrindo. Júlia, surpresa, em seu primeiro discurso como rainha, agradece o apoio das torcidas a todas as candidatas e promete dedicação. "Vou fazer de tudo para representar a Festa da Uva da melhor forma possível", afirmou Júlia. Em seguida, o trio eleito percorre os 208 metros de passarela, fazendo o primeiro desfile como representantes máximas da Festa Nacional da Uva de 2006.
A rainha ganhou um KA zero quilômetro, oferecido pela Comissão Comunitária da Festa, e as duas princesas foram premiadas com uma viagem a Paris, com acompanhante, patrocinadas pela TAM, mais US$ 1 mil.
Criatividade marca o show das torcidas
Com respeito e criatividade, as torcidas deram um show à parte. A torcida do Shopping Iguatemi e da Universidade de Caxias do Sul foi eleita e mais organizada e ganhou R$ 2,5 mil. O grupo deu um exemplo de espírito competitivo. Além de homenagear a sua candidata, Liliana Cambruzzi, faixas com o nome das embaixatrizes saudavam-nas no momento em que desfilavam.
A torcida da Sociedade Esportiva e Recreativa Caxias recebeu o prêmio de mais animada, R$ 2 mil. A torcida da Festa do Vinho Novo de Forqueta foi escolhida a mais original e ganhou R$ 1,5 mil. Eles montaram um parreiral nas arquibancadas e usaram chapéu de palha. Pela 1ª vez, o júri concedeu menção honrosa, entregue à torcida do Clube Juvenil pela inovação - artistas faziam malabarismos em tiras de tecido que desciam do teto dos pavilhões.
Saem do laboratório soluções para o campo
Pesquisa transforma bactérias, algas e vírus em soluções para quem vive da agropecuária
Nem cavalo crioulo, vaca holandesa, touro nelore, leitões duroc ou landrasse. A estrela da Expointer 2005 foi a pesquisa. E uma das novidades é a vacina contra a circovirose (síndrome multisistêmica do definhamento do leitão), uma doença que se alastra pelas granjas de suínos. "Fora do Brasil, só existe vacina na Inglaterra", diz a pesquisadora Sandra Borowski, do Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor (Ipvdf) da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro).
De acordo com a especialista em sanidade animal, os primeiros casos de circovirose suína foram localizados no Canadá em 1991. Desde então, foram identificadas duas variantes do microorganismo, mas somente o circovírus porcino tipo 2 afeta animais vivos. No RS, os primeiros casos confirmados de circovirose foram detectados em 2003.
Com o crescimento da atividade de suinocultura no país e alterações da cadeia produtiva, que está se concentrando em regiões geográficas distintas, o Brasil é considerado área predisposta à contaminação. "A circovirose virou epidemia", resume Sandra ao CR.
Os principais sintomas dos animais infectados são a perda de peso, dermatites, problemas renais, pneumonias, tremores congênitos, entre outras características. "O vírus existe há muito tempo, está em todas as granjas e pode levar o animal à morte", alerta. "Ainda não há medicamentos capazes de reverter o quadro da doença. A melhor estratégia é a prevenção, como vacina e a limpeza adequada das granjas", conclui. O tratamento está sendo adotado e a vacina custa R$ 0,30. Informações (51) 481 3711.
Outra vedete são as abelhas sem ferrão. Além de produzirem mel, cera e própolis, esses insetos servem para aumentar a produtividade agrícola, especialmente na fruticultura. "Estudos com esta técnica ainda são raros no país, mas as abelhas sem ferrão vêm sendo utilizadas por produtores de tomate, pimentão, berinjela e nas frutíferas, como a pitanga e o morango", relata a bióloga Sídia Witter.
A maior dificuldade da fruticultura em ambientes protegidos é a ausência de insetos e ventos, agentes auxiliares no processo de polinização para completar a reprodução que dá origem aos frutos. A Fepagro tem comprovado os bons resultados com o uso das abelhas sem ferrão no cultivo de moranguinhos em estufas, em Caxias do Sul e Eldorado do Sul. "A introdução da Apis mellifera, mais dócil do que as abelhas do gênero, agiliza a fecundação, permitindo-se obter frutas maiores e em farta quantidade", afirma.
Rizóbio - O outro destaque é a seleção de bactérias, chamadas de rizóbio, capazes de promover o crescimento do arroz. "O rizóbio é um microorganismo muito utilizado como matéria-prima para produtos inoculantes para a cultura da soja, substituindo a adubação química nitrogenada", explica o agrônomo Luciano Kayser.
As bactérias são usadas também para melhorar a produtividade de pastagens, como o trevo branco e o trevo vesiculoso. O trabalho é financiado pela Fundação Internacional para Ciência da Suécia.
Algas - As algas calcárias têm apresentado bons resultados como indutor do equilíbrio vegetal e animal, proporcionando aumento de produtividade. A declaração é do pesquisador Luiz Motta Maia, que estuda o uso de algas nas culturas da soja, milho, pastagens e rebanho.
Segundo Maia, a alga Lithothamnium, que contém 40 nutrientes, tem a capacidade de potencializar os fertilizantes aplicados nas lavouras, acelerando o ajustamento da acidez do solo para a faixa considerada ideal para absorção dos nutrientes pela planta.
Viveiro protegido atende norma do Mapa
A qualificação da produção de frutas no Rio Grande do Sul passa pelas mudas. O setor está se organizando e criou a Associação Gaúcha dos Viveiristas de Citros em Ambiente Protegido. A intenção é ressaltar a garantia genética e fitossanitária das mudas produzidas em viveiros protegidos, que passarão a ser obrigatórios a partir de 2007, segundo normativa do Ministério da Agricultura, da Pecuária e Abastecimento.
A iniciativa fortalece a cadeia produtiva, que recebe incentivos de programas como o Pró-Fruta e da campanha Fruta gaúcha - prove, consuma e viva bem. A intenção é divulgar as frutas de época, as qualidades e os benefícios para a saúde.
Inicialmente, estão sendo divulgadas informações sobre bergamota e morango, com dados sobre a composição química, época de produção, variedades e receitas.
Recuo no preço do leite é o maior em cinco anos
Somente em julho e agosto, os preços caíram 14,2% em todas regiões
O recuo de 10% dos preços do leite pagos ao produtor é o maior dos últimos cinco anos. Desde novembro de 2000 que a queda não era tão grande. O motivo para o susto que os produtores tiveram ao receber pelo leite em agosto, referente às entregas de julho, é o aumento efetivo da produção nacional.
O crescimento por volta de 11% das exportações de leite em julho, acompanhado por diminuição de 45% das importações, frente a junho, amenizaram o total disponível ao mercado interno, mas o acréscimo de quase 12% do volume captado em julho, na média dos sete principais Estados, teve forte impacto sobre as cotações em todo o país, segundo pesquisas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP).
Na média de agosto, o leite tipo C esteve em R$ 0,5088/litro, contra R$ 0,5675 em julho e R$ 0,5930 em junho. As quedas acentuadas dos dois últimos meses fizeram com que a média de agosto se tornasse semelhante ao valor deflacionado de maio de 2004, o que significa perda de todas as elevações conseguidas nos últimos 15 meses.
Indústria - Mesmo com a estiagem, produtores conseguiram sustentar o crescimento. "A produção nacional que vinha de históricos de crescimento na casa dos 3,5% acabou aumentando mais do que o esperado, em função do bom momento que o setor viveu no ano passado", explica o presidente do Conselho Nacional de Pecuária de Leite da CNA, Rodrigo Alvim.
A indústria processadora, por sua vez, enfrenta dificuldades em bancar tamanho aumento de produção e também para manter estoques de lácteos, uma vez que o custo do capital é muito elevado. Uma das alternativas para evitar essa situação poderia ser a concessão de crédito a laticínios/cooperativas para que pudessem administrar seus estoques.
O Cepea destaca que, em agosto, laticínios aumentaram suas ofertas de leite em pó e manteiga com vistas à demanda da indústria de alimentos que eleva a produção de sorvete e panetone no final do ano. Isso pode sinalizar que, nos próximos meses, as quedas podem ser amenizadas por essa diminuição dos estoques de alguns derivados.
A verdade é que, neste ano, a safra começou mais cedo e muito mais intensa. No ano passado, o período de safra foi de setembro a janeiro deste ano, com o valor médio recuando cerca de 7% em todo o período. Neste ano, contudo, somente em julho e agosto, os preços já caíram 14,2%, conforme dados do Cepea.
Na média dos sete principais Estados produtores, o volume de leite captado em julho aumentou 11,8%. No RS, onde as chuvas foram abundantes em junho/julho, a oferta cresceu expressivos 20%. A grande oferta de leite nacional e importado vem derrubando o preço do produto nos últimos meses. Mas o que é bom para o consumidor não está agradando aos produtores.
Preços dos lácteos devem cair até 2008
Os anos de fortes preços globais estimularam a produção de leite e derivados. Por causa disso, os preços deverão cair moderadamente em 2006, reduzindo mais em 2007. Devem voltar a aumentar em 2008. Os números são do relatório de previsões agrícolas de 2005/2014 da Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento.
Um outro fator que influenciará a redução dos preços dos lácteos é o decréscimo da população mundial. Nos próximos 10 anos, o crescimento populacional deverá desacelerar para pouco mais de 1% anual em média, comparado com o crescimento de 1,3% durante os últimos 10 anos. Segundo a FAO, o desaceleramento ocorrerá em todas as regiões.
Ao mesmo tempo, a renda média deverá crescer 3,1% ao ano, comparada com os ganhos de 2,62% dos últimos 10 anos. O aumento na renda e o decréscimo populacional levarão a mudanças no mix (conjunto) de produtos lácteos.
A urbanização nos países em desenvolvimento (é o caso do Brasil) também deverá levar a contínuas mudanças em direção ao consumo de produtos com valor agregado.
Produtor do RS recebe R$ 0,18 menos ao litro
O Rio Grande do Sul deverá produzir até dezembro 2,7 bilhões de litros de leite, 6% a mais que no ano passado. Esta oferta, juntamente com o crescimento das importações, favorecidas pela baixa do dólar, contribuiu para reduzir o valor pago ao produtor. A diferença está em R$ 0,18 por litro.
De outubro do ano passado até maio deste ano, os produtores gaúchos chegaram a receber R$ 0,68 pelo litro de leite. Agora, estão recebendo, em média, R$ 0,48. Para o consumidor, o produto está chegando a R$ 1,24, em média, ou menos.
Bebidas lácteas ganham novas regras
A identidade e requisitos mínimos de qualidade para as bebidas lácteas, informações mais precisas aos consumidores sobre sua composição, bem como o percentual mínimo de proteína que cada um dos sete tipos de bebida láctea deve conter são algumas das regras do novo Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade de Bebida Láctea, IN nº 16, de 23/08/05, do Ministério da Agricultura.
O regulamento define ainda as informações obrigatórias na rotulagem, como nome do produto, lista de ingredientes, conteúdo líquido (em ml), data de fabricação e validade, lote, identificação de origem e carimbo do Serviço de Inspeção Federal (SIF), entre outros.
Os fabricantes de bebidas lácteas têm prazo de 60 dias para adequação dos registros dos produtos e seis meses para adequação dos rótulos.
O tipo de bebida láctea varia de acordo com os produtos alimentícios que podem ser ou não adicionados ao leite e soro, entre eles polpa de frutas, gordura vegetal ou aromas. "O novo regulamento exige que o produto contenha pelo menos 51% de base láctea", diz a chefe da Divisão de Inspeção de Leite e Derivados, Priscilla Rangel.
Seguro não atende anseio do produtor
Sem regras claras, programa dispõe de apenas R$ 10 milhões
O governo federal vai arcar com uma parcela do valor do seguro rural para cobrir eventuais perdas na lavoura decorrentes dos fenômenos climáticos seca e granizo. O subsídio do governo varia de 30% a 50%, de acordo com o produto. Para a cultura de arroz, maçã, soja e uva, esse valor é equivalente a 30%. Já nos casos de algodão, milho e trigo, o governo paga 40% e, no feijão, 50%. "O agricultor paga o restante", diz o secretário de Política Agrícola, Ivan Wedekin.
O Comitê Gestor do Seguro Rural aprovou os valores máximos de subvenção anual de R$ 7 mil, por agricultor, para grãos e de R$ 12 mil para frutas. "O mesmo produtor poderá ser beneficiado com duas parcelas, caso plante culturas diferentes, uva e trigo, por exemplo", explica ao CR Wellington Soares de Almeida, representante do Ministério da Agricultura, em Brasília.
O gerente de cooperativismo da Organização das Cooperativas de Santa Catarina (Ocesc), Paulo von Dokonal, lembra que o valor do seguro depende de vários fatores. "O cálculo é feito de forma individual. Varia de região para região e até da tecnologia empregada nas plantações", declara.
Regras – As regras não estão claras e a maioria dos agricultores sequer tomou conhecimento das medidas que vão implementar o pagamento de subvenção ao prêmio de seguro para a safra 2005/2006. Além disso, o programa conta com apenas R$ 10 milhões para todo o país. "Desconheço o assunto", resume o presidente da Comissão Interestadual da Uva, Olir Schiavenin.
De acordo com Almeida, o contrato do seguro só será assinado após o governo federal se certificar que o agricultor não tem registro no Cadastro de Inadimplentes (Cadin) e se seu pedido está dentro do limite operacional estabelecido. "Outro impedimento é o contrato de seguro estadual", acrescenta.
Para a safra do próximo ano, o Ministério da Agricultura reservou, no orçamento 2006, R$ 45 milhões. "Com o aumento dos recursos do ano que vem, será possível dobrar o número de agricultores beneficiados, chegando a cerca de 100 mil", declara Wedekin.
Declaração do ITR encerra no dia 30
Pessoas físicas e jurídicas proprietárias de imóveis rurais devem entregar à Receita Federal a declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) até o próximo dia 30. Estão obrigados a declarar a pessoa física ou jurídica proprietária, titular do domínio útil ou possuidora de qualquer título; um dos condôminos (quando o imóvel pertencer a várias pessoas); e o inventariante (enquanto não for concluída a partilha).
Quem optar por disquete terá de entregá-lo nas agências do Banco do Brasil ou da Caixa Federal, no horário bancário. Quem fizer a declaração em formulário terá de entregá-lo nas agências dos Correios durante o horário de atendimento ao público e pagar R$ 3 pela postagem.
A assessora jurídica da Fetag, Jane Berwanger, lembra que todos os proprietários de terra deverão fazer a declaração até o dia 30, sob pena de terem que pagar multa. Os Sindicatos dos Trabalhadores Rurais têm as orientações sobre o ITR.
Paim Filho exibe o melhor da agropecuária
Suinocultura e bovinicultura de leite estarão no centro de debates na Mostra Agropecuária de Paim Filho, que ocorre de 19 a 25 de setembro. Produtos coloniais, artesanato, Mostra de Terneiras e o Seminário Municipal de Ambiência são outros destaques do evento.
A promoção da Prefeitura e da Emater de Paim Filho traz ainda shows, como João de Almeida Netto e grupo Ragazzi dei Monti, e a peça de teatro "Muito barulho por quase nada", com o grupo Selenita. "Ainda teremos palestra sobre vitivinicultura, com Ênio Schuch, da Epagri", diz Paulo Roberto Tarasconi, engº agrº e chefe do escritório da Emater. A feira encerra com missa crioula e mateada.
Decreto autoriza uso de sementes próprias
O governo federal prorrogou o uso de sementes de soja não certificadas para o plantio da safra 2005/2006, somente para o RS. O presidente Lula autorizou o uso por meio de decreto publicado no Diário da União na quinta, 8. A Lei de Biossegurança permitia o uso dessas sementes somente até este ano.
O decreto presidencial autoriza apenas o uso de sementes produzidas pelos próprios agricultores. No entanto, exclui produtores de outros Estados, como SC, PR, MS e MT. Proíbe, no entanto, que seja utilizada como semente a colheita da safra 2005/2006.
Conferência internacional de Coccidiose no Brasil
A avicultura brasileira a-guarda com entusiasmo a realização da IX Conferência Internacional de Coccidiose, encontro técnico-científico considerado o mais importante sobre o assunto no mundo. Pela primeira vez o evento ocorre no Brasil, de 19 a 23 de setembro, em Foz do Iguaçu (PR).
A coccidiose aviária é uma doença parasitária que ataca o intestino das aves, causando principalmente a queda da produção. Ela acarreta, dessa forma, mundialmente aos avicultores um prejuízo equivalente a US$ 800 milhões por ano. Informações (15) 3262.4466.
Engº. Agrº. José Zugno
Usos e propriedades do agrião
Aprecio muito o agrião e o consumo normalmente como salada verde com bons resultados para minha saúde, mas gostaria de saber se ele tem outros usos e quais são suas propriedades?
HELSON B. DA SILVA
Porto Alegre - RS
Sua pergunta chega em boa hora sobre usos e propriedades do agrião, pois me dá a oportunidade de acrescentar algo a respeito do que escrevi sobre o agrião nesta coluna da edição da semana passada, descrição sucinta da planta, noções sobre propagação, cultivo e variedades.
O principal uso do agrião é o que o amigo conhece e pratica: comestível como salada verde, crua, mas pode ser cozido ou usado em sopas.
O cuidado que se deve ter é consumir a hortaliça fresca e que ela seja bem lavada antes do uso, pois conforme a procedência - às vezes o agrião é cultivado em águas poluídas - pode ser portadora de germes patogênicos.
O agrião como nutriente tem baixo valor calórico é, relativamente a outras verduras, bem dotado de proteína, 28g em 100g de folhas. Como sabemos proteínas são substâncias quaternárias (contém na molécula carbono, nitrogênio, oxigênio e hidrogênio: CNOH), constituídas no principal componente dos organismos vivos.
Porém, o alto valor nutriente do agrião está na riqueza de minerais e vitaminas. Os minerais constituem um dos grupos de alimentos necessários à construção do protoplasma das células, quer dizer de todo o organismo, e na reparação das perdas diárias. O agrião conta em sua composição com os minerais que o organismo exige: cálcio, fósforo, ferro, magnésio, enxofre, iodo etc. O cálcio é o que se encontra em maior quantidade, 117mg em 100g, e no organismo é indispensável à construção e à manutenção dos ossos e dentes, ajuda a evitar a perda óssea progressiva, a temida "osteoporose", e reduz os níveis elevados da pressão arterial.
As vitaminas constituem outro grupo de alimento, essencial para o organismo e substâncias químicas de fórmulas definidas, de natureza não protéica, mesmo em pequenas quantidades não fornecem material para o crescimento (função principal das proteínas) nem para a geração de energia (própria dos alimentos energéticos), mas exercendo função catalizadora, pela presença apenas, determinam o bom funcionamento dos órgãos. A carência de vitaminas acarreta sérios distúrbios de saúde.
O agrião é rico em vitaminas sobretudo a vitamina A. No vegetal, ela se encontra sob a forma de pró-vitamina (um dos carotenos) que ingressando no organismo transforma-se em vitamina A no fígado, e daí, distribuída pelo organismo para exercer sua função específica que é responsável pelo crescimento harmônico do corpo, a manutenção saudável das vistas e da pele e pelo fortalecimento do sistema imunológico de real importância na defesa contra gripes, resfriados e outros tipos de infecções.
Uso medicinal - O agrião, além do uso principal como alimento, é utilizado na terapêutica, não apenas pela riqueza mineral e vitamínica, acima referida, mas por outros componentes - óleos essenciais, antibióticos naturais e outros - capazes de aliviar e curar doenças.
É tido como tônico digestivo, diurético, estimulante do fígado. O suco de agrião misturado com mel é usado para debelar fraquezas em geral, problemas de brônquios, sinusites, tosse e também para limpeza da pele e do couro cabeludo (cabelos fracos, caspa etc).
Baixa a taxa de glicose do sangue; é, portanto, antidiabético e contribui para o controle da hipertensão.
É ótimo componente de xaropes, utilizados no combate a tosses, bronquites, infecções pulmonares, e outros preparados com açúcar mascavo ou mel e freqüentemente misturado com outras plantas como o guaco ou o sabugueiro.
Animais carregam venenos que salvan vidas
Surucucu contém substância que evita a rejeição de órgãos em transplantes
"A diferença entre o remédio e o veneno está na dose da prescrição", disse o médico suíço Paracelso (1493-1541). Na época, a afirmação causou polêmica, mas o progresso da ciência tem comprovado que ele tinha razão. A maioria das vacinas, por exemplo, é desenvolvida com variações mortas ou enfraquecidas do próprio vírus ou bactéria que elas pretendem prevenir.
Partindo desse princípio, pesquisadores de fármacos têm investido cada vez mais no estudo de animais peçonhentos. Ainda em 1949, o médico Maurício Rocha e Silva observou que enzimas do veneno da jararaca eram capazes de desorganizar o sistema circulatório de suas vítimas. A análise dessa reação possibilitou a descoberta da bradicinina, uma substância ativa usada até hoje em medicamentos para o controle da hipertensão.
Também nas décadas de 40 e 50, relatos do consagrado médico Vital Brazil, fundador do Instituto Butantan, de São Paulo, comprovam que o veneno da cascavel já era utilizado em quantidades bem diluídas para amenizar as dores de pacientes com câncer. Naquela época, já sabia-se que a vítima não sentia dor no local da picada, apenas uma dormência. Porém, esse efeito só começou a ser estudado com profundidade nos anos 90. Hoje, depois da identificação, separação e síntese laboratorial das moléculas contidas no veneno da serpente, um novo remédio da categoria do opióides, como a morfina, está sendo testado.
Atualmente, várias pesquisas com espécies peçonhentas prometem ser revertidas em novos medicamentos. O Instituto Butantan trabalha hoje com a cobra surucucu. Os pesquisadores estão estudando uma fração imunossupressora do veneno da serpente, ou seja, que tem a capacidade de diminuir a resposta imunológica do organismo. Como a substância não induz a produção de anticorpos e não é tóxica, futuramente, poderá ser usada em transplantes para evitar a rejeição dos órgãos; em doenças auto-imunes, como artrite e lúpus; em processos de reação alérgica e infecções.
Ainda há um longo caminho para que os pacientes comecem a se beneficiar dessas novas drogas, mas isso não invalida a importância das pesquisas. A maioria dos medicamentos deve demorar até dez anos para ser comercializada. Um novo remédio contra o diabetes, porém, deve chegar ao Brasil no próximo ano.
Saliva de lagarto contra o diabetes
O mostro de gila, o maior lagarto venenoso dos Estados Unidos, chama a atenção dos cientistas desde a década de 80. A saliva do réptil contém uma substância com ação semelhante à de um hormônio do sistema digestivo humano responsável por restaurar a produção de insulina quando a pessoa se alimenta. A partir dessa constatação, duas empresas desenvolveram um composto sintético, a exenatida, que ajuda no controle do diabetes tipo 2.
Estudos feitos com 1.400 pessoas e apresentados há dois meses no Congresso da Associação Americana de Diabetes constataram que a nova droga reduz o nível de açúcar no sangue e não aumenta o peso dos pacientes, fato comum em 90% dos diabéticos. Outra vantagem do remédio é que o uso constante não provoca hipoglicemina (queda exagerada da taxa de açúcar). Além disso, uma importante reação foi observada nos testes da droga e pode ser uma esperança aos portadores de diabetes tipo 1. A substância mostrou-se capaz de regenerar as células do pâncreas produtoras de insulina.
Com o nome de Bayetta, esse princípio ativo já é comercializado desde junho nos Estados Unidos. No Brasil, a droga deve chegar ao mercado no próximo ano.
Veneno da taturana ativa sistema de coagulação do sangue
A taturana (Lonomia oblíqua) é outro alvo dos pesquisadores do Instituto Butantan. Durante o desenvolvimento de um soro para controlar as fortes hemorragias causadas pela lagarta, foi encontrada uma molécula totalmente nova e capaz de ativar o sistema de coagulação quando usada na dose certa. Os pesquisadores ainda estão iniciando os testes com animais, mas, se tudo der certo, a substância poderá ser usada contra a trombose.
Pesquisadores da Universidade de La Frontera, no Chile, e da Universidade Federal de São Paulo observaram que o veneno da viúva-negra chilena, que habita as Cordilheiras do Andes, oferece pistas necessárias para a criação de um novo remédio contra a disfunção erétil.
Além de sudorese, arritmia cardíaca, retenção de urina, contrações musculares e dores, o veneno da aranha provoca nos homens ereção involuntária. Essa característica incentivou o início dos estudos com o aracnídeo, mas outras propriedades acabaram sendo descobertas. Ele contém moléculas que diminuem a mobilidade dos espermatozóides, um caminho para o anticoncepcional masculino. Também tem substâncias capazes de conter a cárie. Os testes com animais foram concluídos. A fase de testes em humanos está prevista para iniciar em 2006.
O PT e a metafísica dos costumes
Leonardo Boff
A cúpula do PT concentrou-se na ética social, descurando a ética pessoal. O fim coletivo parece ser bom, mas a ética social não dispensa a pessoal e a revolução ética deve começar com a pessoa
Acompanhando a crise política e moral interna do PT são muitos que, perplexos, se perguntam: como se pôde chegar a isso, que a cúpula do partido traísse os princípios ético-políticos que o PT como um todo sempre pregou e que ao chegar ao governo central rotundamente negou? Não quero recorrer à sabedoria cristã que em seu realismo histórico sempre afirmou a profunda ambigüidade do ser humano, demens e sapiens, justo e pecador. Caso não se submeter a uma permanente autovigilância e ao controle social tende a cair na insapiência, na injustiça e na corrupção. Como o discurso teológico não é moeda corrente, prefiro remeter-me a Immanuel Kant (+1804), um dos maiores pensadores da ética. Ele talvez nos ajude a entender a presente tragédia.
Na Crítica da razão prática (1788) e na Metafísica dos costumes (1797), propõe um "princípio moral" (Moralprinzip) e uma "lei de costumes" (Sittengesetz) que considero permanentemente válidos. Não prescreve nenhum conteúdo concreto que poderia ser relativizado pela evolução histórica ou pela diferença de culturas, mas uma atitude básica a ser vivida sempre pelos seres humanos: "Aja de tal maneira que a máxima de tua vontade sempre e ao mesmo tempo possa valer como princípio de uma legislação universal". Em outras palavras: viva uma ética pessoal com tal excelência que ela possa valer sempre para todos.
O sentido profundo da intuição kantiana é de articular o pessoal com o universal. Concretamente, não há uma ética pessoal de um lado e uma ética social do outro. O que vale para uma deve valer para a outra. Mais ainda, o princípio kantiano estabelece por onde deve começar a ética: pela própria pessoa. Sem ela a ética social não se sustenta.
O que ocorreu com os dirigentes do PT? Concentraram-se na ética social descurando a ética pessoal. Sendo indulgentes para com eles, podemos supor o seguinte argumento que sabe a Maquiavel ou ao marxismo de vulgata: se o fim for bom e se pudermos inaugurar um tipo de política que liberta os oprimidos, podemos nos permitir deslizes éticos. Aqui reside o equívoco que abre caminho à corrupção. Ela difere da tradicional, que é patrimonialista, quer dizer, visa ao enriquecimento do patrimônio pessoal. Neste caso, ocorreu um patrimonialismo partidário: beneficiar o partido para se perpetuar por muitos anos (20?) no poder a fim de realizar o projeto libertador.
O fim coletivo pode parecer bom. Mas o sujeito que opera a consecução deste fim bom não se mostra bom. A ética social perverteu a ética pessoal. Esse comportamento, segundo Kant, não é universalizável. Conclusão: não há ética social que dispense a ética pessoal. A revolução ética deve começar com a pessoa. Ela nunca é um indivíduo em seu esplêndido isolamento, mas como pessoa é um nó de relações voltadas em todas as direções, portanto, sempre social. Ficar só no pessoal sem ver o social aí escondido restringe as mudanças. Ficar só no social sem ver o pessoal aí presente aborta as transformações. Há que se articular sempre o pessoal com o social e ser éticos de ponta a ponta. Caso contrário, se termina sempre em tragédias como essa da cúpula herodiana do PT. E então ocorrem as decepções e tudo se atrasa no processo de libertação.
Frei Betto
Sinto ideais fraudados, sonhos roubados, o gosto amargo de frutos apodrecidos. Um pequeno núcleo do PT conseguiu em poucos anos o que a direita não obteve em décadas: desmoralizar a esquerda
Amigos indagam como me sinto frente à atual crise política. Sabem que dediquei os últimos trinta anos de minha vida à construção de um novo projeto libertário que emancipasse milhões de brasileiros da miséria e da exclusão. O que sinto? Uma "tristeza d’alma", como declarou Chico Buarque a 23 de agosto, em Passo Fundo, na Jornada Brasileira de Literatura. Sensação corrosiva, ideais fraudados, sonhos roubados, esse gosto amargo de frutos apodrecidos. Um pequeno núcleo dirigente do PT conseguiu em poucos anos o que a direita não obteve em décadas, nem nos anos sombrios da ditadura: desmoralizar a esquerda.
Ainda assim, não me corrói o abatimento, nem a desesperança anula-me a fome de justiça. A inquietação subjetiva aperta o coração, mas não faz sangrá-lo. A vida me ensinou a ser espectador do próprio sofrimento. Distanciamento psicológico aprendido ao assessorar José Celso Martinez Corrêa na montagem de "O Rei da Vela", de Oswald de Andrade, em 1967. O ator encarna o personagem sem perder o domínio sobre ele. Não sucumbe à criatura, como queria Mefistófeles.
Não diferia muito disso o que presenciei encarcerado entre presos comuns no Carandiru. O torturado driblava a própria dor. Pauladas e choques elétricos maceravam-lhe o corpo sem decompor o espírito. Gritos lancinantes ressoavam das cordas vocais, à semelhança de birras infantis desprovidas de lágrimas. Habituadas ao sofrimento, as vítimas pareciam flutuar acima da carne ensangüentada. Muitos se antecipavam ao martírio rasgando a pele com giletes e estiletes, cobrindo-se de púrpura para o macabro rito sacrifical.
Os anos de luta clandestina, de cárcere, de convivência numa favela capixaba, de atuação pastoral junto aos mais pobres, infundiram-me a desilusão de esperar coincidir meu tempo pessoal com o tempo histórico. Ao contrário do que apregoavam as quimeras esquerdistas, convenci-me de que o socialismo ao alcance das mãos não passava de miragem. O processo de humanização, o acesso a um patamar civilizatório melhor, no qual toda pessoa sentir-se-á engrandecida de dignidade, ainda levará longos anos, até que se supere o acúmulo de bens e de poder como suprema ambição, valor prioritário dessa nossa conflitiva convivência social. Na posse exacerbada busca-se, em vão, a imortalidade, e os vinhos do Olimpo embriagam-nos dessa maldita pulsão de querer figurar entre os deuses.
Nos porões da humanidade aprendi por que na floresta os tigres se movem à noite. Não buscam a luz, nem se deixam inebriar pelos primeiros raios do alvorecer. Nutrem-se do que vislumbram em plena escuridão. Basta-lhes a magia das estrelas e a certeza de que a noite é apenas um intervalo entre dois dias.
Não é o poder, a vitória, o lapidar cartesiano das ideologias que movem meus passos. É o escândalo da miséria, a vergonha da pobreza, o sofrimento de meus semelhantes, a razão dessa invencível teimosia em juntar cacos, costurar retalhos, começar de novo, refazer o caminho, ainda que a roda do moinho deixe a impressão de que nada sai do lugar, tudo gira em torno de um mesmo ponto, nessa cíclica labuta de Sísifo sobrecarregado de esperanças abortivas.
Venho de um povo peregrino. Venho da confiança de Noé na reinvenção do humano, da persistência dos hebreus na travessia do deserto, do desalento de Elias clamando pela morte, do aparente fracasso do Nazareno dependurado na cruz. E trago em mim a marca indelével do pecado original. Sei que novos projetos exibirão fraturas, sonhos virarão pesadelos, o militante de hoje será o arrogante de amanhã. Se os coxos não tropeçam é por prestarem maior atenção aos acidentes do percurso.
Ainda assim, salva-me do ceticismo a fé no ser humano, os avanços históricos, a proclamação dos direitos humanos, a indignação coletiva frente à corrupção e à injustiça, o repúdio à guerra, à escravidão e à tortura, a progressiva conquista de cidadania e democracia. Salva-me a genética bíblica do grão de mostarda - a menor de todas as sementes engendra uma árvore frondosa onde os pássaros se aninham.
Só 25% são totalmente alfabetizados
75% dos brasileiros têm dificuldades para escrever e entender os textos
Somente um em cada quatro brasileiros com idade entre 15 e 64 anos é plenamente alfabetizado. A taxa de analfabetos absolutos, ou seja, que não sabem ler nem escrever baixou para 7%, e a de analfabetos funcionais, aqueles que têm dificuldades de escrever e, em especial, de entender e interpretar um texto, está em 68%. Dos 25% privilegiados, 70% são jovens de até 34 anos, 53% são mulheres e 47%, homens.
Estas informações foram divulgadas na quinta 8, Dia Internacional da Alfabetização. Os dados fazem parte da quinta pesquisa nacional do Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (Inaf), realizada em conjunto pelas organizações não-governamentais (ONGs) Instituto Paulo Montenegro e Ação Educativa. A pesquisa abrangeu duas mil pessoas, que foram questionadas sobre assuntos ligados a família, estudo, hábitos de leitura e escrita.
Os percentuais não sofreram muita alteração em relação aos anos anteriores, o que prova que pouco está sendo feito para enfrentar esse problema. O trabalho apurou também que entre os 7% de analfabetos absolutos, 30% estão no nível rudimentar (sabem ler, mas não conseguem entender, e escrevem, mas não conseguem se expressar), 38% estão no nível básico dois (conseguem ler, entender e se expressar mais do que o nível rudimentar, mas de maneira insuficiente), e 26% estão no nível três, que são aqueles que dominam a leitura e a escrita.
"Depois de cinco anos mapeando, a gente nota que o doente continua com febre e a febre não parece baixar", afirmou o diretor do Instituto Paulo Montenegro, Fábio Montenegro. Por essa razão, segundo ele, as duas entidades realizaram o 1º Encontro Leitura, Escrita e Matemática para a Alfabetização (Lema), que procura reunir iniciativas bem-sucedidas de todo o país. O objetivo é fazer ações conjuntas que acelerem o combate ao analfabetismo.
Antes do início da pesquisa, há cinco anos, não existia um indicador para o analfabetismo funcional no país, apenas sobre o analfabetismo absoluto. Por isso, as ONGs parceiras resolveram criar uma metodologia "made in Brasil" para fazer avaliação dos níveis de alfabetização brasileiros.
No encontro realizado na semana passada em São Paulo foi anunciada a criação do Inaf empresarial, para que as empresas possam medir o nível de analfabetismo funcional de seus empregados e possam investir para que esse fator melhore.
Mundo - A preocupação com o nível do analfabetismo funcional é recente no mundo. Somente no final dos anos 1970 é que o conceito foi definido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Segundo a ONU, 800 milhões de pessoas (12,9% da população total da Terra) não sabem ler e escrever. A maioria delas é formada por mulheres que vivem no meio rural. Ainda conforme as Nações Unidas, quatro países concentram quase 60% dos analfabetos adultos: Índia (34%), China (11%), Bangladesch (6,5%) e Paquistão (6,4%).
PALCO DA CULTURA GAÚCHA
A Semana Farroupilha mobiliza quase a metade da população do Rio Grande do Sul e um número incalculável de pessoas em outros Estados e no exterior. É marcada por festas em acampamentos - mas também pela preocupação em transmitir às novas gerações o processo de formação da cultura gaúcha
Cerca de quatro milhões de pessoas deverão participar dos eventos alusivos à Semana Farroupilha deste ano no Rio Grande do Sul. A projeção é do presidente do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) e da Comissão Estadual da Semana Farroupilha, Manoelito Savariz. O número representa praticamente 40% da população gaúcha e reflete o crescimento que o movimento tradicionalista vem tendo.
Se forem consideradas as participações em outros Estados e/ou regiões brasileiras influenciadas pela presença gaúcha, o número será muito maior. Subirá ainda mais se forem acrescentadas as comemorações no exterior. Mas aí fica quase impossível dimensionar a adesão, mesmo que estimativamente.
A Semana Farroupilha, aberta no sábado 10, se estenderá até o dia 20 de setembro. Foi neste dia que em 1835 iniciou a Revolução Farroupilha, movimento que durou quase 10 anos - em 28 de fevereiro de 1845 foi assinado o Tratado do Ponche Verde, pelo barão Duque de Caxias (República) e pelo general David Canabarro (farroupilhas).
O período é de final de inverno e chegada da primavera, mas o clima é de tradição e respeito. A Semana Farroupilha serve como passarela para que o gaúcho desfile seu orgulho, externado de diversas formas - da adoção da pilcha para o dia-a-dia, das rodas de chimarrão que se disseminam, dos acampamentos, das cavalgadas, dos desfiles, dos rodeios, dos bailes... Não importa o evento - e eles se multiplicam -, a reverência ao passado histórico está presente.
A chama crioula percorre centenas de cidades, aquecendo esse espírito preservacionista e atraindo cada vez mais apreciadores da cultura gaúcha. E entre essas cidades estão muitas colonizadas por imigrantes europeus. Em tese, suas populações não deveriam possuir relação estreita com a origem histórica da data. Ocorre que, no caso da Serra gaúcha, para dar um exemplo, nas últimas décadas surgiu o que pesquisadores denominaram de identidade ítalo-gaúcha, ou gaúcha-ítala (observe quadro em destaque). Não é sem motivos, portanto, que Caxias do Sul é o município que possui o maior número de Centros de Tradição Gaúcha (CTGs): 82.
Descendentes de italianos vestindo a tradicional pilcha virou rotina na Semana Farroupilha. Também se tornou comum estabelecimentos bancários ou comerciais decorarem vitrinas com motivos gauchescos, com funcionários trajando a indumentária gaúcha, o chimarrão substituindo o cafezinho e tudo isso cercado por uma atmosfera carregada de cordialidade - uma espécie de transferência das características do campo para o meio urbano, e de forma espontânea.
Como força propulsora dessas atividades estão os Centros de Tradição Gaúcha (CTGs). No Rio Grande do Sul há 1.425 filiados ao MTG. Fora do Estado existem outros 1.300.
Consciência - O lado festivo da data atrai cada vez mais pessoas. Mas será que está havendo a absorção dos elementos da cultura gaúcha? Na avaliação de especialistas do tema, como o folclorista João Carlos Paixão Côrtes, não. "Há necessidade de popularização da cultura gaúcha. Sinto que estão elitizando esse processo. É preciso ir ao encontro do povo para que ele se conscientize de que Semana Farroupilha não são apenas festivais, desfiles, churrascos...", declarou Paixão Côrtes ao Correio Riograndense.
A opinião de Paixão Côrtes tem a consistência e profundidade de quem fez parte do grupo que, em 1947, transformou uma centelha da Chama da Pátria, no dia 7 de setembro, na Chama Crioula, que desde então aquece o movimento tradicionalista gaúcho. Na ocasião, a iniciativa representou um gesto de resistência à influência da cultura norte-americana. "Queríamos preservar as nossas coisas", define (leia ao lado).
Savariz concorda em parte com Paixão Côrtes. Mas ressalta que a preocupação é justamente de transmitir a cultura gaúcha. "Neste ano, nosso tema é ‘O gaúcho: usos e costumes’. A Revolução Farroupilha será tema secundário de seminários em acampamentos, palestras em escolas e outros eventos programados, porque nossa intenção é de que haja compreensão da origem de nossa cultura", explica Savariz.
Influência de outras etnias favorece identificação
A cultura gaúcha é formada por seis elementos: hábitos, costumes, crenças, princípios, valores e tradição. O gaúcho, na avaliação de pesquisadores e de especialistas do tema, entre eles Manoelito Savariz, presidente do MTG, só se completou na sua cultura e na sua formação étnica-social no início do século passado. "Houve grande influência de outras etnias, notadamente dos italianos, alemães e açorianos", afirma Savariz, citando pratos da culinária gaúcha, danças, jogos... Isso explica a identificação de descendentes de imigrantes italianos e de alemães - estes em menor intensidade -, verificada em várias cidades.
Dentro do tema proposto estão elencados 11 itens que identificam a identidade gaúcha - entre eles estão culinária (dos mais de 100 pratos foram selecionados churrasco e carreteiro), chimarrão, cancioneiro, civismo (o hino gaúcho é cantado com entusiasmo em solenidades oficiais, diferente de outros Estados), faca e danças. Em muitos deles existe a influência de outras etnias. "É preciso haver compreensão desse processo todo", destacada Savariz. "E a Semana Farroupilha é propícia para esta finalidade", acrescenta, citando, para enfatizar a proposta dos organizadores da Semana Farroupilha deste ano, o que está ocorrendo no acampamento no Parque da Harmonia, em Porto Alegre, que será visitado por cerca de 700 mil pessoas: cada galpão está desenvolvendo um projeto cultural.
A formação dos gaúchos-brasileiros-ítalos
Rovílio Costa
Capuchinho, pesquisador e editor
Como de sangue italiano, somos italianos de sangue. Como nascidos no Rio Grande do Sul somos gaúchos-brasileiros-ítalos, porque nascemos em solo gaúcho, porção privilegiada do solo brasileiro, que nos reconhece como filhos de sua terra.
Nenhum povo é proibido de ser brasileiro, porque o Brasil é o território de todos, e o Rio Grande do Sul é o cartão de visitas do mundo das diferentes etnias. Por isto há uma cultura gaúcha que tem que ser mapeada, valorizada e cultivada em todos os seus grandes e pequenos detalhes, porque aqui é o mapa do mundo onde todas as etnias podem viver com consciência de serem tais e possibilidade de serem visíveis e intercambiarem com as demais. O mesmo está acontecendo no ecumenismo religioso. Então, vamos nos dizer gaúchos-ítalos, ou gaúchos-brasileiros-ítalos, para neste último conceito dizer que temos direito ao solo natural, que é o do Estado, e nacional, que é o do país, onde somos recebidos e valorizados em nossos antepassados como italianos. Todos os povos podem ser gaúchos e brasileiros, porque nosso solo é ponteado pelo patrão do Corcovado, que acena o continente brasileiro para todas as gentes, gostos e povos.
Aparentemente, o jus solis parece restritivo, realmente não. Se um japonês quiser ter um filho brasileiro no Japão não pode, mas no Brasil ele pode ter um filho brasileiro e japonês. O Brasil o recebe como japonês e lhe dá condições de dar à brasilidade o ingrediente de seu sangue japonês.
Chama protege heranças da interferência externa
A Chama Crioula foi também um ato de resistência à influência cultural norte-americana, que avançava sobre o Brasil após a II Guerra Mundial através da música, do cinema, até das bebidas. Quem afirma é um dos idealizadores da Chama Crioula, o então jovem que retirou uma centelha do Fogo Simbólico em 7 de setembro de 1947 (leia abaixo) e a conduziu a um candeeiro no Colégio Júlio de Castilhos. "Não queríamos reformular conceitos, mas preservar as nossas coisas", afirmou ao CR, na semana passada, Paixão Côrtes.
Ele recorda, com sabedoria, que para subjugar uma cultura é necessário que outra acabe e o Brasil, vencedor coadjuvante da II Guerra, começou a ser atacado com uma enxurrada de apelos norte-americanos. "Nós não estávamos dispostos a aceitar isso, nos posicionamos para manter nossas heranças, fixar nossos costumes, nossa cultura".
Essa postura, no entanto, cobrou um preço a Paixão Côrtes e a seus colegas. "Éramos discriminados quando falávamos em organizar um baile gaúcho. Muitas vezes nos chamavam de palhaços. Um dia tive que dar uma camaçada de pau num", descreve o folclorista.
Contextualizada, a iniciativa era revolucionária para a época. Basta dizer que há 58 anos só havia uma churrascaria em Porto Alegre. "Vestir bota e bombacha era uma temeridade. Tivemos muitos problemas, mas valeu a pena. Hoje vejo com satisfação que o movimento ganhou extensão universal", avalia Paixão Côrtes.
Ronda antecedeu Semana
Um pouco antes da meia-noite de 7 de setembro de 1947, Paixão Côrtes, acompanhado dos amigos Cyro Ferreira e Fernando Vieira, retira, com autorização, uma centelha do Fogo Simbólico da Pátria e a conduz, montado a cavalo, ao Colégio Júlio de Castilhos, em Porto Alegre, onde ardeu em um candeeiro até a meia-noite de 20 de setembro. Durante esses dias, os jovens estudantes vindos da região da Campanha para a capital, com a intenção de reviver suas origens do campo e cultivar sentimentos regionalistas, realizaram uma programação que teve cantos, poesias, palestras sobre a cultura gaúcha, baile gauchesco. Surgia a Chama Crioula, que passou a representar um local onde os gaúchos cultivam suas tradições. Ou, nas palavras de um de seus idealizadores, Paixão Côrtes, "brilhava a centelha que iria iluminar o movimento tradicionalista que estava nascendo".
As atividades programadas pelo Departamento de Tradições do "Julinho", dirigido por Paixão Côrtes, faziam parte da "Ronda Crioula", que depois chamou-se Ronda Gaúcha, se propagou na medida em que também surgiam os CTGs e que a partir de 1964 foi oficializada como Semana Farroupilha (lei nº 4.850, sancionada pelo presidente da Assembléia Legislativa, Francisco Solano Borges). Em junho de 1989, o governador Pedro Simon regulamentou a lei 8.715, que deu nova redação à 4.850, decretando a comemoração da Semana Farroupilha de 14 a 20 de setembro, fixando normas de participação e organização.
CTGs rompem as fronteiras do mundo
O tradicionalismo gaúcho é um movimento que não pára de crescer. Segundo dados do MTG, há hoje no Rio Grande do Sul 1.425 Centros de Tradição Gaúcha (CTGs) em atividade. O total de associados no Estado impressiona: 1,2 milhão, ou 11% da população. Manoelito Savariz, presidente do MTG, estima que existam mais 1.300 CTGs fora do Estado. Em Santa Catarina estão registrados 590 - 20% deles nas regiões da serra (Lages, Correa Pinto, Otacílio Costa..., com 63 CTGs) e do litoral (a região de Florianópolis tem 50, com 3.316 associados). No Paraná são mais 380. A presença é expressiva ainda no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Goiás, Estados para onde foram muitos gaúchos com objetivo de atuar na agropecuária, e algumas dezenas funcionam no Rio de Janeiro, São Paulo, no Nordeste e no exterior.
Os centros de tradição romperam as fronteiras do país e se espalharam pelo mundo - só nos Estados Unidos funcionam seis, mas há também em países europeus, como Itália e Alemanha, na maioria dos sul-americanos, até no Japão. Se forem considerados os núcleos, fica muito mais difícil dimensionar. "Onde há gaúchos morando, normalmente formam-se núcleos que cultivam as tradições", afirma Savariz. Existem inclusive em Israel e Moscou. Fora das fronteiras gaúchas o cálculo é de mais cerca de um milhão de associados. Ou seja: o movimento tradicionalista gaúcho tem a participação efetiva de pelo menos 2,4 milhões de pessoas.
Para gerir todas as entidades e seus associados foi montada uma estrutura que conta, só no Brasil, com 10 federações e uma confederação. Essa estrutura avança para o exterior. Nos Estados Unidos foi criada a Federação Norte-americana de Tradição Gaúcha. Existe ainda a Confederação Internacional de Tradição Gaúcha, envolvendo Brasil, Uruguai, Argentina e, agora, EUA, com sede em Buenos Aires.
A expansão do movimento tradicionalista gaúcho já foi mais intensa. O ritmo desacelerou, mas permanece o crescimento. No Rio Grande do Sul e fora do Estado. Em outubro próximo será inaugurado o CTG de Paris.
Ambiente familiar explica o crescimento
Que o movimento tradicionalista avance além das fronteiras do Rio Grande do Sul é até normal. Afinal, dezenas de milhares de gaúchos deixaram o Estado para desbravar outras regiões brasileiras, a começar pelo oeste catarinense e paranaense, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rondônia. E é natural que eles tentem preservar a cultura em outros pagos.
Torna-se um pouco mais complicado entender como esse mesmo movimento consegue atrair, cada vez mais, a participação de pessoas que não são gaúchas. Para o presidente do MTG, Manoelito Savariz, a explicação é uma só: "O segredo do movimento é a família. Não é nem a cultura. Os CTGs são ambientes de convivência familiar, com regras claras, muita disciplina e organização. Isso atrai as pessoas", avalia. Savariz vai mais longe ainda em sua análise: "Quem não entender esse fundamento, esse espaço de convivência familiar, não entende o movimento tradicionalista gaúcho".
Irmão Roger, uma vida pela unidade
Homem do diálogo e do ecumenismo deixa um vazio na Europa
Passado um mês da morte de irmão Roger Schutz, fundador da Comunidade ecumênica de Taizé, ainda repercute, especialmente nos países europeus, seu brutal assassinato ocorrido no dia 16 de agosto. Sua inesperada partida, aos 90 anos de idade, deixa um grande vazio entre os que, mais do que belos discursos em favor do entendimento entre os credos e povos, vivem o ecumenismo no dia-a-dia.
O Papa Bento XVI o definiu como "o grande pioneiro da unidade" e como modelo de ecumenismo. "Creio que deveríamos escutá-lo, escutar desde dentro seu ecumenismo vivido espiritualmente e deixar-nos levar por seu testemunho para um ecumenismo interiorizado e espiritualizado". O Pontífice também o denominou de "testemunha incansável da fé", durante o encontro com representantes ecumênicos ocorrido na Alemanha, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude.
Não foi apenas o Papa que salientou o grande testemunho do evangelho deixado pelo fundador da Comunidade de Taizé. "Irmão Roger foi um construtor da paz, um profeta da esperança e da alegria", disse Chiara Lubich, fundadora do Movimento Focolare. "Um homem que dedicou toda a vida pela fraternidade, pela compreensão entre as Igrejas e as nações e, sobretudo, pela não violência", afirmou Horst Koehler, presidente da Alemanha. "Irmão Roger era para mim um dos pilares espirituais da Europa que se unifica", o definiu Vaclav Havel, ex-presidente da República Checa. Para Geneviève Jacques, secretária geral do Conselho Ecumênico de Igrejas, irmão Roger foi "um testemunho do Evangelho e do diálogo ecumênico, cujo esplendor iluminou o nosso tempo".
Taizé vive da simplicidade e da alegria
Irmão Roger, suíço, filho de pastor protestante e mãe católica, há mais de 60 anos criou a Comunidade ecumênica de Taizé, na França. Nela, hoje vivem cerca de uma centena de católicos e de confissões evangélicas, de mais de 25 países, procurando prestar auxílio aos pobres em diversas missões pelo mundo, rezando em conjunto e refletindo sobre a vida cristã.
Os irmãos de Taizé partilham os bens materiais e espirituais, vivem no celibato, num ambiente de simplicidade, de oração e de alegria. Todos os anos, preparam um encontro internacional de jovens numa grande cidade européia. Em Taizé, desde finais dos anos 50, jovens do mundo inteiro e de diferentes religiões se reúnem durante vários dias para a oração e o recolhimento. No verão, é comum haver mais de cinco mil jovens. Taizé acolhe todos e reparte com todos. Vive a alegria profunda de uma vida diferente.
Irmão Roger, o missionário do ecumenismo, muito antes de ele se impor como missão da Igreja Católica no Concílio Vaticano II, agora repousa no pequeno cemitério perto da igreja românica de Taizé.
Bispos debatem sobre realidade pentecostal
A Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da CNBB realiza, de 20 a 22 de setembro, em São Paulo (SP), encontro de bispos do Brasil e da América Latina sobre o "Pentecostalismo e seus desafios pastorais". O evento pretende analisar a realidade pentecostal do Brasil e buscar pistas para o diálogo católico pentecostal e propostas pastorais concretas.
O encontro terá a participação do cardeal Walter Kasper, presidente do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos. Kasper também participa, no dia 25, no Teatro Municipal de São Paulo, das comemorações dos 40 anos da declaração Nostra Aetate.
Pontífice pede medidas contra pobreza e fome
Bento XVI exigiu no domingo 11, que as grandes nações cumpram o compromisso de acabar com a fome e a pobreza. O Papa referia-se à 60ª assembléia geral das Nações Unidas (ONU), que reúne chefes de Estado e de governo nesta quarta-feira 14 em Nova York. O Papa lembrou o compromisso assumido no ano 2000 pela Cúpula do Milênio de até 2015 reduzir à metade a população que, no mundo, vive em extrema pobreza (menos de um dólar por dia). Estariam nessa faixa 22% dos habitantes do planeta.
Padre Zezinho
A Igreja do Brasil ficou mais light. Parou de denunciar
A Igreja do Brasil ficou mais light. Parou de denunciar. Mas isso vai durar pouco. A situação ficou tão insustentável que até os padres e bispos bonzinhos que hoje só falam de céu e só dizem coisas bonitas vão começar a denunciar.
Chega um dia em que o profeta, se profeta for, não tem outra escolha senão dizer: "Agora chega". Profeta que não quer briga e não quer problema não é profeta de verdade. Profeta que procura briga também não é bom profeta.
Bom profeta é quem não tem medo de enfrentar uma briga que ele não procurou. Às vezes, tenho impressão de que alguns padres e bispos compraram um par de óculos cor de rosa e não querem mudar de lente. Não querem ver as coisas para não ter que mudar de linha pastoral. Servem água benta com açúcar porque acham que no passado a Igreja estava servindo purgante. Continuam não servindo o que o povo precisa.
Boa parte da Igreja no Brasil também se rendeu aos encantos do marketing. Estava vencendo a pastoral popular com propostas de libertação e algumas denúncias pesadas. Mas a pregação era a Bíblia, o catecismo e os documentos sociais do Vaticano e da CNBB. Agora venceu a devoção a Nossa Senhora, as procissões com o ostensório e imagens, a reza do terço, os livros de videntes e a pregação da conversão pessoal e, ainda, do consolo para a alma. O social foi esquecido.
CNBB promove campanha pela ética
Abaixo-assinado pede punição aos corruptos e mudanças na política
A CNBB, através da Comissão Brasileira Justiça e Paz, está promovendo a assinatura de um manifesto nacional diante da grave crise política que atinge o país. Trata-se de um abaixo-assinado que pede punições firmes e proporcionais às faltas praticadas pelos envolvidos em denúncias de corrupção. "São o único desfecho que os cidadãos brasileiros aceitam para as investigações em curso", afirma o texto.
O manifesto foi lançado oficialmente no dia 31 de agosto e a coleta de assinaturas prossegue até o dia 20 de setembro, quando o abaixo-assinado será entregue à Câmara Federal e ao Senado. Além disso, a CNBB cobra mudanças profundas nas instituições políticas, para que prevaleça a ética e a justiça. "É fundamental, desta vez, refundar nossos sistemas político e eleitoral. Temos que atacar as origens dos desvios. Não podem se repetir os vícios nas eleições gerais de 2006. Mudanças urgem, pois a Constituição impõe antecedência de um ano para edição de regras eleitorais", destaca o manifesto.
O texto da campanha, denominada "Da indignação à ação", salienta que as instituições políticas do país estão sendo duramente atingidas, comprometendo, de alguma forma, o Congresso, o Executivo, os partidos e os políticos. Prossegue afirmando que punições apenas não bastam. Isso já ocorreu em passado recente. "As graves distorções nas práticas e procedimentos, hoje tornadas amplamente públicas, não são de agora. Mas a atual crise está permitindo desvelá-las de maneira crua e direta".
Para que haja essa reconstrução republicana, com mudanças profundas nas instituições políticas do país, a CNBB propõe que toda a sociedade se engaje no empenho por um novo sistema político-eleitoral, para que essa tarefa não fique restrita ao Congresso nacional. "Propomos que seja imediatamente iniciado, em todo o Brasil, por meio de audiências públicas supra-partidárias, um processo amplo de discussão das mudanças a introduzir em nosso sistema político e eleitoral", conclui o manifesto.
O texto e o formulário encontram-se nos sites www.cnbb.org.br, www.refundacaorepublicana.org.br e www.cbjp.org.br. As assinaturas recolhidas (com nome, nº do documento de identidade e cidade/Estado) deverão ser encaminhadas a um desses sites.
Província dos capuchinhos realiza mudanças emergenciais
Com a eleição do novo governo provincial da Província dos Capuchinhos do Rio Grande do Sul, ocorrida em agosto, durante o XX Capítulo Provincial, algumas fraternidades e paróquias estão passando por mudanças emergenciais. Normalmente, as nomeações e transferências de frades feitas pelo provincial e sua equipe ocorrem no final do ano. Porém, a eleição dos novos membros que integram o conselho e outros fatores anteciparam algumas mudanças.
A escolha de frei Cleonir Paulo Dalbosco para definidor da Pastoral e dos Meios de Comunicação, por exemplo, deixou vago o cargo de pároco da paróquia Nossa Senhora de Fátima, de Santa Maria. Para substituí-lo, foi indicado frei Luiz Turra, que dirigiu a província capuchinha gaúcha nos últimos seis anos. Turra estava em Caxias do Sul desde 1984. Eleito conselheiro provincial em 1984 e reeleito em 1987, permaneceu nessa atividade até 1990. Nos nove anos seguintes atuou como pároco da Paróquia Imaculada Conceição e em 1999 foi eleito provincial.
Outra mudança antecipada é a escolha de frei Jaime Bettega, até o momento pároco da Imaculada, para o cargo de secretário provincial, vago desde a morte de frei Silvestre Gialdi, ocorrida no dia 28 de julho passado. Frei Silvestre exercia essa atividade desde 1988 e durante 17 anos serviu a seis governos provinciais. Frei Jaime também está assumindo a área de filantropia da província e permanece vinculado à paróquia Imaculada.
Para substituí-lo como pároco, foi escolhido frei Irineu Costella, que nos últimos três anos integrou o conselho provincial. Frei Irineu já está atuando na paróquia do bairro Rio Branco, mas assume oficialmente a função no mês de dezembro.
Jesuítas criam nova província no Brasil
A Companhia de Jesus no Brasil acaba de criar uma nova província, que abrange todos os Estados do Nordeste e o Espírito Santo. A Província Brasil Nordeste é o resultado da união das duas antigas províncias Brasil Setentrional e Bahia. A celebração solene de criação da província e a posse do primeiro provincial foram realizadas em Salvador (BA) no dia 31 de julho, festa do fundador dos jesuítas, Santo Inácio de Loyola. O provincial, nomeado, é o cearense padre José Acrízio Vale Sales, que atuava como mestre de noviços, em Feira de Santana (BA).
Bispo de Palmas-Francisco Beltrão renuncia
O Papa Bento XVI acolheu pedido de renúncia do bispo de Palmas-Francisco Beltrão (PR), dom Agostinho José Sartori, OFMCap, em conformidade com o Código de Direito Canônico. Para substituí-lo, nomeou, no final de agosto, padre José Antônio Peruzzo, atual pároco da catedral metropolitana de Cascavel (PR), como novo bispo da diocese de Palmas-Francisco Beltrão.
Filho de Antônio e Dozolina Rech Sartori, dom Agostinho nasceu em Capinzal (SC), aos 29 de maio de 1929. Foi ordenado sacerdote capuchinho em 1952 e bispo em 1970, quando assumiu a diocese de Palmas-Francisco Beltrão, à frente da qual permaneceu durante 35 anos. Padre José Peruzzo , 45 anos, natural de Cascavel (PR), foi ordenado padre em 1985.
O Pontífice também nomeou bispo da vacante diocese de Araçuaí (MG) frei Severino Clasen, OFM, atualmente pároco e reitor do Santuário São Francisco, em São Paulo (SP). Frei Severino, 51 anos, é natural de Indaiá, Petrolândia (SC). Ordenado sacerdote em 1982, desenvolveu seu ministério em Santa Catarina e, desde 2000, é pároco e reitor do Santuário São Francisco.
Aldo Colombo
Não temos a obrigação de vencer sempre. Nosso compromisso é com a luta. Ela dá dignidade à nossa vida.
A floresta passava por um período difícil: estava sem comando. Existiam três jovens leões, mas nenhum deles havia sido consagrado como rei. Foi convocada uma assembléia geral e o macaco - indicado por consenso - assumiu a presidência. Tratava-se de saber qual dos três jovens leões tinha as melhores condições de dirigir a floresta. Uma briga entre eles foi descartada, pois eram muito amigos. A opção foi uma prova. Havia uma alta montanha, o leão que conseguisse chegar ao topo seria declarado rei. A prova começou e os três fracassaram.
Diante do novo impasse, a águia, que costumava ficar voando nas alturas, interveio. Revelou as palavras de cada um, ao fracassar. O primeiro disse: montanha, você venceu! O segundo repetiu a frase: montanha, você venceu! O terceiro leão também admitiu: montanha você me venceu... por enquanto! E disse para si mesmo: a montanha acabou de crescer, eu não. Este foi proclamado rei.
A vida é um grande jogo de superação. Diante de nós surgem as dificuldades. Há os que desanimam. São os que aceitam a derrota e esses são realmente vencidos e não deixam marcas de sua passagem. Mas existem aqueles que reconhecem a derrota, porém acham que ela é provisória. Até mesmo aproveitam as lições do fracasso e recomeçam com nova experiência e novo vigor. Só é mesmo derrotado aquele que admite derrota. De resto, há pessoas programadas para perder. Diante do insucesso admitem que a dificuldade é maior que suas forças. Outros - os vitoriosos - aceitam com humildade o insucesso e preparam-se para nova investida. Têm consciência que eles são maiores que a dificuldade.
Há também a história de duas crianças que estavam brincando num lago congelado. O gelo quebrou-se e uma delas ficou presa ao gelo. Mais alguns minutos e morreria. Mas o companheiro, tomando os patins começou golpear o gelo com força e libertou o amigo. Quando chegaram os adultos, quiseram saber como ele conseguira salvar o amigo, sendo tão pequeno e de mãos frágeis. Um ancião, com a experiência dos anos, achou a explicação: ele não sabia que era impossível e, por isso, acabou conseguindo. O escritor francês Jean Cocteau pensa da mesma maneira. De um dos seus personagens, ele afirma: "Ele não sabia que era impossível, foi lá e o fez".
É também fundamental saber que não estamos sozinhos. Temos a Deus por aliado. Ele é Senhor do impossível. Ao longo dos evangelhos, Jesus repete muitas vezes a frase: não tenham medo, eu estou com vocês. Naturalmente, Ele não vai fazer o que compete a nós. Porém, quando nossas forças terminam, aí entra a força divina. Alguém colocou um enfoque especial aos nossos pedidos: não diga a Deus que você tem um problema, mas diga ao problema que você tem um Deus. É o que pensa Paulo apóstolo quando afirma: tudo posso Naquele que me conforta.
De resto, nós não temos obrigação de vencer sempre. Nosso compromisso é com a luta. Ela dá dignidade à nossa vida. E, um dia, Deus não quererá saber se vencemos: quererá saber se lutamos.
Franciscanos divulgam jeito de viver
FFB realizou semanas missionárias nas cidades de Ijuí e Dom Feliciano
Atendendo convite da paróquia São Geraldo Majela, de Ijuí (RS), integrantes da Família Franciscana do Rio Grande do Sul (FFB-RS) promoveram, de 22 a 28 de agosto, uma "Semana Missionária Franciscana". Junto com os postulantes capuchinhos, foram realizados trabalhos formativos com os catequizandos, grupos de pais, escolas (alunos e professores) e Pastoral da Criança, além de celebrações nas comunidades.
"O objetivo dessas semanas missionárias franciscanas é espalhar o jeito franciscano de viver pelo nosso testemunho e por nossas palavras", salienta frei Djair Galvan, coordenador do Serviço de Animação Vocacional da província capuchinha do Rio Grande do Sul. Frei Djair destaca que, neste ano, o enfoque principal é a paz. "Foi uma semana marcada pela acolhida". A semana encerrou com uma visita às ruínas de São Miguel das Missões.
Dom Feliciano - No mês de agosto, outra semana missionária franciscana e diocesana foi realizada em Dom Feliciano, na Metade Sul do Estado. Uma equipe formada por 12 missionários e missionárias de congregações franciscanas e de outros institutos visitaram 25 comunidades e quatro escolas de Dom Feliciano. A cidade tem 90% de sua população composta por descendentes de imigrantes poloneses que estão celebrando em 2005 os 130 anos da colonização polonesa no Rio Grande do Sul, da mesma forma que os descendentes de italianos comemoram os 130 anos da imigração italiana no Estado.
O trabalho missionário e de animação vocacional precedeu a festa em louvor a Nossa Senhora de Czestochowa, padroeira da paróquia e do município, realizada todos os anos no dia 15 de agosto. Nossa Senhora de Czestochowa foi coroada padroeira dos poloneses pelo rei João Casimiro em 1656, que instituiu a data depois que reconquistou a Polônia das mãos dos suecos.
No dia da festa da padroeira, para marcar os 130 anos da chegada dos poloneses ao Estado e para homenagear um ilustre polonês falecido em abril passado - João Paulo II -, Dom Feliciano inaugurou um busto com a imagem do Papa na praça da matriz", conta frei Raul Susin. Capuchinho de Caxias do Sul, junto com frei Isaias Bordignon integrou a equipe de animação vocacional que esteve naquele município e participou da solene missa no santuário de Nossa Senhora de Czestochowa.
Curso de formação promove a 7ª etapa
Será realizada nos dias 17 e 18 de setembro, no Centro Diocesano de Formação Pastoral de Caxias do Sul, a 7ª edição da Escola de Formação Fé, Política e Trabalho, com o tema "Possíveis soluções e alternativas para o desemprego". O conteúdo desta etapa, assessorada pela professora Vera Regina Schmitz, da Unisinos, será a crise do desemprego e as novas formas de trabalho, a fragmentação cada vez maior da identidade do trabalhador, a solidariedade como alternativa, economia solidária e sustentável, agricultura e agroecologia, projetos de geração de trabalho e renda etc.
Deputados instalam comissão pela vida
Foi instalada no dia 1º de setembro, em Brasília, a Frente Parlamentar em Defesa da Vida - Contra o Aborto. Conforme o coordenador da Frente, deputado Luiz Bassuma (PT/BA), foi definida uma pauta de trabalho, tendo em vista a organização das ações que os deputados pretendem realizar. A Frente reúne mais de 60 deputados de diversas bancadas, que vão estabelecer iniciativas contrárias a projetos e propostas que atentem contra vida humana em todas as circunstâncias e fases do ciclo vital. Dos deputados gaúchos, apenas Paulo Paim (PT) integra a Frente.
Wilson João
O princípio da simplicidade nos faz viver como pessoas livres, donas de si, comandantes da vida e do próprio destino
Há padrões de vida que valem para todos os tempos. Há caminhos, leis, maneiras de viver que correspondem às leis da natureza humana, às leis do corpo, da mente e do espírito. Leis e normas que desde os primeiros seres humanos, que viveram há muitos milhares de anos, nortearam a vida de todos. Outros seres humanos, que pertencerão ao futuro, daqui a muitos milhares de anos, seguirão leis e normas, nas mesmas exigências das pessoas do momento presente. Há princípios que são válidos para todos os tempos. Desde o nascer até o morrer. Nascer e morrer já é uma lei que nunca muda. Assim é o comer e o beber, o dormir e o descansar, o procriar e o conviver, o buscar a felicidade, o prazer, a alegria e a realização. Mas, além desses, há princípios vivenciais que ajudam a realizar os grandes princípios da realização humana.
O PRINCÍPIO DA SIMPLICIDADE. O complicado desagrada a todos. A simplicidade faz com que a criatura humana - nós portanto, - tomemos o caminho do viver com o necessário, sem se embrenhar no complicado caminho do acúmulo materialista. Faz com que tomemos o caminho do vestir com simplicidade, sem escravizar-se com o prisioneiro caminho da moda, das roupas apertadas e descômodas. Faz com que tomemos o caminho da alimentação natural e sadia, deixando de lado o mortífero caminho das comidas gostosas e envenenadas. Faz com que trabalhemos para viver e não vivamos para trabalhar, pois a vida é muito mais do que a prisão de uma profissão ou de um trabalho que nos torna cegos perante o lucro a qualquer preço. O princípio da simplicidade nos faz viver como pessoas livres, donas de si, comandantes da vida e do destino.
O PRINCÍPIO DA SOBRIEDADE. Ser sóbrio é ser sábio. A sobriedade faz com que todas as pessoas vivam com o necessário para viver bem. Assim todos teriam possibilidade de vida digna. Não haveria acúmulo de bens. A sobriedade faz com que todos se alimentem com o alimento necessário. Não haveria nem famintos e nem doentes por comerem demais. A sobriedade faz com que todos tenham água e bebida suficientes. Não haveria beberrões e nem pessoas sedentas. O princípio da sobriedade perpassa o vestir, o trabalhar, o divertir-se e todas as atividades humanas. É o equilíbrio da vida.
O PRINCÍPIO DA AUSTERIDADE. Austera não é a pessoa séria e que escolhe o sacrifício como modo de vida. A pessoa austera vive a sabedoria de não gastar mais do que ganha, de não comer mais do que o corpo necessita, de não beber além do que o corpo chama, de não entregar-se ao prazer pelo simples prazer, que produz depois o sofrimento. Ser austero consigo mesmo é assumir a responsabilidade dos próprios atos. É saber que cada minuto da vida é importante, e que não pode ser jogado fora, porque pode ser o minuto decisivo. A vida certa é resultado de pequenos princípios que decidem uma grande vida.
O polonês e o italiano que estão em mim
Infância Otowicz Pellin
Dona de Casa, Ibiaçá-RS
Infância Otowicz Pellin, de Ibiaçá-RS, que, aos 84 anos, fala, reza e lê em polonês, italiano e português, diz:
"Sou bisneta materna de Davide e Beatrice Masotti, neta de Giovani Davide Masotti, que chegou com eles em Caxias do Sul, aos sete anos, vindos de Castel Dário, Mântova. Casou com Argia Pellissoni, pais da minha mãe, Cezira Masotti, casada com meu pai, Boleslau Otowicz. Com minha mãe, grávida de mim, saíram de São Marcos, a cavalo, com cargueiros e foram para Carlos Gomes. A mãe, uma estranha entre polacos, falava português e italiano; o pai falava português e polonês. A primeira vizinha, a 500 metros de casa, só falava polonês. Mostrando-se objetos e com gestos, ambas conseguiram aprender português, polonês e talian.
Eu aprendi falar talian de minha mãe. Fui batizada na paróquia de Monte Claro, em Áurea-RS. Meu professor falava português até o recreio, depois falava polonês. Eu ficava nos dois turnos para aprender o polonês. Fiz a catequese em polonês com as irmãs da Sagrada Família, mas com minha mãe rezava em italiano. Fiz a primeira comunhão, o Crisma e casei na Paróquia de Santa Ana, em Carlos Gomes-RS. Aos domingos, caminhávamos dez quilômetros para participar da missa das 10, em polonês; a missa das 8 era em italiano, pois havia umas famílias italianas.
Pároco era o suíço pe. Tiago Benziger, que falava sete idiomas; os demais padres foram poloneses. O padre Estanislau Olejnik, fugido dos campos de concentração nazistas, aprendeu português com as irmãs; a elas ditava a homilia, para traduzirem e ele ler em português na missa.
Durante a II Guerra Mundial só era permitido falar português, sob pena de prisão. Um dia, Brunislava Ganzala foi falar com o escrivão, um russo polonês, o qual, com medo de ser preso, se negou a falar com ela. Brunislava falou tão alto, que foi ouvida por um policial, que a prendeu em um porão por duas horas, não só por ela ter falado polonês, mas por ter quebrado um guarda-chuva na cabeça dele.
Casei com Saule Pellin, tivemos 12 filhos, sendo quatro já falecidos, e com ele aperfeiçoei o talian. Saule estudou no Seminário Nossa Senhora da Sallete, de Marcelino Ramos; foi o professor da comunidade, e também o referencial, procurado por todos, para cálculos de áreas de terras, juros, empréstimos, razões e proporções...
Há 40 anos moro em Ibiaçá, entre italianos. Mas ainda faço minhas orações em polonês, italiano e português. Da mãe, herdei costumes italianos, sobretudo a culinária - faço polenta, nhoque, fortaia, radici-coti... O gosto pelo talian herdei do marido, que amava a cultura italiana. Leio o Correio Riograndense desde o Staffetta, fui sua agente muitos anos; hoje a agente é minha filha Iolanda. Leio Vita Stória e Frótole, Assim Vivem os Italianos, Togno Brusafrati, Nanetto Pipetta... com meus filhos, e lhes ensino traduzir e pronunciar. Na última Noite Italiana, promovida pela Sociedade Cultural Nostra Gente, frei Arlindo Battistel celebrou a missa em talian e falou dos 130 anos da Imigração. Gostei, entendi tudo e me senti italiana com minha mãe e meu marido, e polonesa, com meu pai" (itamirapellin@bol.com.br)
Infância conserva, aos 84 anos, sua infância de polonesa, italiana e brasileira. Na escola da vida, doutorou-se na convivência multi-étnica. É cidadã do mundo e mama taliana que ainda prepara refeições, vai à missa, festas e filós. Sua vida alegre e descontraída é uma festa à brasileira, italiana e polonesa. (Rovílio Costa)
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (326)
Pansa piena, vin e un bel sono a l'ombria de na pianta
Silvino Santin
Santa Maria (RS)
(Retomada do texto de Silvino Santin, interrompido na edição de 20 de abril de 2005, a partir do critério de alternância).
Finio de magnar, el va fora, el sono el ghe bate forte, de assarlo squasi insemenio. El proa intacar la pipa, ma i oci i se serea eli soi. El ga proà caminar a passo forte come un sior. Par dir la verità, Nanetto ghe parea da esser drio diventar un capitalista, se anca, in tel scomìssio. O i capitalisti, el se dimanda, no i scomìssia mia così, piampianin?
Camina inquà, camina inlà, ma el sono no’l ndea via. Par sorte el se olta de quelaltra banda de la strada e el vede na caseta meso in fondo, un veceto l’era sentà pacìfico in te un caregon de sgorlar, davanti ghe gera un bel gramadeto e diverse piantele, soto una, che no’l savea cosa che la gera, ghe gera un banco. Eco, el ga dito, questo el saria un bel posto par fa un soneto. Adesso me toca saver come rivar là. Se fusse in colònia, saria sol ndar là e sentarse zo, ma in paese la mùsica, me par, che la sona difarente.
El veceto l’era là che’l vardea sta figureta caminando vanti e indrio. Ghe parea de congnósserlo, ma, par via dei oci e del sol forte, no l’era bon de veder polito. El menea la testa e el pensea, saralo lu, no saralo. Nanetto, al veder quel nonin che lo vardea, el se fa coraio e el ghe dise: compermesso, nono, no vui disturbarlo, mi son Nanetto Pipetta, vegnesto in Mèrica par far la cucagna, adesso son drio ritornar del viaio a la Quarta Colònia, che go fato insieme Giulieto, ma, go paura, che in tel disnar go magnà e bevesto un poco depiù del bisogno, e el sono el ga batesto forte, lora, se no l’è tanto incòmodo par vu, ve dimandaria permission par sentarme zo in te quel banco lì, a l’ombria dela piantela.
- Si, si, sicuro, Nanetto, me parea de cognosserte, ma no gera sicuro, te sè i oci romai i vede poco, te pol star lì fin che te vui.
- Gràssie, nono. Ma stao sol fin che le case de negòssio le se verde. Savì, go da far qualche compreta e guastar i soldi che go ciapà cavando patatine a Silveira Martins, mi e Juquinha, un brao moreto par impienir sachi de patate.
E sensa altre parole e serimònie, el se destira in tel banco. In pochi minuti l’era là che’l tirava un segon da insurdir i auti che i passea in tela strada. Ma anca, bisogna ricognosser, l’era stufo. Na giornada de queste no la gera mia par Nanetto.
El ga da ver dormio squasi na ora. El se ga des-missià, tuto spaventà, ghe parea da esser davanti na porta de quele che se sara e se verde ele sole, che Nanetto el ghe ciamea de porte misteriose, e in torno pien de gente ridéndoghe drio fa mati. El varda in torno e no’l vede gnente, sol lu e el nonin. El leva su, el se stira un poco, el se olta verso el veceto, lo ringràssia e el ciapa la so strada tuto contento.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
El contadin
Ulderico Bernardi
Venezia - Itália
"Al contadin pena nato
na sentensa Dio ga dato,
scrivéndoghe su a pansa:
Vian! Contadin! Sensa- creansa!
E soto el bugnìgoeo
el ghe à scrito:
Bruta genìa!
Che parlar ben no sa cossa che sia!
L’è pì fàssie che l’aqua deventa vin,
pitòst che un contadin se fassa citadin!
Criassion del mondo
Gianna Marcatto
Quando Dio ga creà el mondo, a tute e bèstie el ghe ga dà un segno de riconossimento par distìnguarle una da ealtra. Al gàeo el ghe ga dà eà cresta, al leòn eà criniera, al musso e rece eonghe..., e cussì via. Un di riva da Dio un àngeo, tuto in agitassiòn, tuto de corse el ghe dise:
- Signor, mi no sò cosa far, ghe ze na roba che no sò come ndarghe fora... eco... tra i òmeni ghe ze i contadini, ma, ciò, i ga na maniera tuta sua de ragionare, de védare e robe, bisognava che ghe metesse un segno par distìnguarli de altri? Mi gavaria pensà a na coa, magari, ma son vegnuo a sentir el vostro parer...
- No stà ndarte tanto a angustiare - ghe ga risposto el Nostro Signor - che i contadini se i riconosse anca se no i ga eà coa!
(Testi catai fora da Ary Vidal, Lapa - PR)
Sorda e col naso mal ciapà
Na vecia va dal dottore e ghe dise:
- Dotor, go un problema coe scorese, però no me da tanto fastidio a dire il vero... le mollo sempre in silenzio e no spusa mai. Voglio dire, adesso da quando son entrada ghe ne go mollate almeno venti, ma come può vedere non se sente spusa.
Il dottore le dice:
- Signora, ciapa queste pastiglie e torna la settimana prossima.
La settimana dopo la vecchia torna e dise:
- Dotor, cosa me gavi da! Maria Vergine Santa! Adesso continuo a farle come prima in silenzio, ma e spusa da morir... che Dio mi perdoni!!
- Ottimo signora, adesso che gavemo curà la sinusite ghe darò qualcosa per le rece.
(Contribuission de Claudio Ganassin, Venezia, Italia)
El russo e el merican
Tel aeroporto del Galeão i ciapa un tassi un russo e un merican. Quando i gera drio ndar fora del aeroporto, el russo, volendo tirar vantaio, el dise al merican:
- Ntea Rússia gavemo costruìo un aeroporto de questi in 30 giorni.
Silénsio assoluto. Quando i gavea passà la Linha Vermelha, el merican el risponde:
- Ntei EUA gavemo costruìo na venida de queste in 15 gorni.
Silénsio perfeto. Quando i passa el Maracanã, el russo e el merican i se varda e i domanda al sofero brasilian:
- Che costrussion zela questa?
E el sofero:
- Savio che mi no sò? Son passà pardequà stamatina e no ghe gera gnente quà...
(Contribuission de Rafael Baldissera, Curitiba - PR)
Fenavinho altera o formato e antecipa etapas da organização
Evento de 2007 abrirá parque de exposições só de sextas a domingos
A próxima edição da Festa Nacional do Vinho (Fenavinho), marcada para o início de 2007, terá mais dias, porém o parque de exposições abrirá as portas somente de sextas a domingos. A decisão, anunciada pelo presidente do evento, Tarcísio Michelon, tem origem econômica. Na última festa, de segundas a quintas, a média diária de público foi de duas mil pessoas - enquanto a estrutura do evento movimentava 700 trabalhadores. O público total foi de cerca de 50 mil pessoas, quando a expectativa era de 100 mil - e o resultado financeiro foi deficitário.
A XIII Fenavinho ocorre de 12 de janeiro a 18 de fevereiro de 2007, em Bento Gonçalves. Mesmo com o parque de exposições fechado, a cidade viverá o clima de festa durante toda a semana. "No centro da cidade teremos o vinho encanado. Estão programados simpósios técnicos sobre vinho e saúde, disputas esportivas, um roteiro de visitas a adegas com degustação e outras atividades que estamos definindo", afirmou Michelon.
Estratégia - Diferente da Festa anterior, Michelon quer seguir uma estratégia que estabelece definições com bastante antecedência. "Nosso material publicitário deve estar pronto já em novembro deste ano para que possamos participar dos eventos do calendário turístico durante todo 2006", explica. Para isso, foi fixado um cronograma de realizações que antecipa o cumprimento de muitas das etapas da organização.
Outro passo acelerado com o mesmo objetivo é a escolha da imperatriz da Fenavinho. A primeira etapa ocorreu dia 27 de agosto, em Tuiuty. A segunda será dia 17 de setembro, em Faria Lemos. Seguem-se mais quatro fases em distritos e no centro da cidade até a final, em 12 de novembro.
Arpan lança campanha ambiental inédita no RS
Tornar obrigatória a disciplina de "educação ambiental" no currículo do Ensino Fundamental e Médio é a meta da Associação Rodeiense de Proteção ao Ambiente Natural (Arpan). Com sede em Rodeio Bonito (RS), a entidade já reuniu 30 mil assinaturas, mas são necessárias 100 mil para transformar a idéia em proposta de lei de iniciativa popular.
A iniciativa inédita foi aprovada em 10 de junho, quando a Arpan festejou cinco anos de fundação. "Durante este período foram várias trabalhos desenvolvidos na conscientização e educação ambiental, principalmente junto a estudantes", relata o primeiro presidente e um dos fundadores, Romildo Ues.
Também agente do CR, Romildo Ues lembra que a campanha para implantação da disciplina no currículo escolar está sendo desenvolvida em 40 municípios gaúchos. "Nosso objetivo é chegar a 100 mil assinaturas até novembro próximo", declara o atual presidente da Arpan, Eloidir José Gerhardt. Informações (55) 3798.1429.