
DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 4.956 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 28 de setembro de 2005.
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Desafios do setor vitinícola têm a dimensão das metas
A união do setor é fundamental para que o programa de desenvolvimento atinja êxito
Se o Programa de Desenvolvimento Estratégico do Setor Vinícola do Rio Grande do Sul - Visão 2025, apresentado na semana passada e que agora ingressa na fase de implementação, conseguir unir produtores de uva e proprietários de vinícolas em torno de objetivos que são comuns, já terá patrocinado um feito histórico. Se não houver o envolvimento dos dois maiores protagonistas do setor, no entanto, será quase impossível alcançar êxito.
Essa iniciativa do Ibravin e do Sebrae, com execução técnica coordenada pelo Centro de Pesquisas em Agronegócios da Universidade Federal-RS, estabelece metas ousadas para a vitivinicultura gaúcha nos próximos 20 anos, como quintuplicar o consumo per capita de vinho no Brasil e exportar mais de 20% da produção nacional. Mas deixa claro que o êxito está atrelado, em primeiro lugar, ao comprometimento de todos os elos que formam a cadeia produtiva.
Esse empenho envolve realidades distintas. Uma delas, a da produção de uvas viníferas, que hoje está mais vinculada a projetos das vinícolas que contemplam vinhedos próprios ou de parceiros integrados. A outra, a das uvas americanas e híbridas, as comuns, que ocupam 80% dos parreirais do Estado e são cultivadas por milhares de viticultores. O problema está concentrado nessa segunda, e tem se agravado devido, principalmente, ao preço e forma de pagamento.
A execução do Visão-2025 terá de aparar arestas, curar cicatrizes, remover até questiúnculas que, acumuladas, fomentam a cizânia. E sepultar o egoísta e retrógrado pensamento, exemplificado pelo coordenador de elaboração do programa, Jaime Fensterseifer, como o jogo em que ‘meu ganho é a tua perda’, substituindo-o pelo ‘jogo em que todos ganham’.
O Programa, como destacaram seus idealizadores e construtores, define metas e aponta ações para alcançá-las. O sucesso dependerá do que o setor quer ser daqui a 20 anos. E o primeiro passo é a união do setor, sem a qual obstáculos como a perigosa concorrência estrangeira, os altos tributos e o aperfeiçoamento da qualidade se tornam intransponíveis.
Fucs fixa prazo para deixar HG
Universidade comunica dia 30, que não renova convênio com Estado
A Fundação Universidade de Caxias do Sul (Fucs) deve deixar a administração do Hospital Geral em 2006. A decisão foi anunciada pelo presidente da Fucs, Nestor Perini, em entrevista coletiva na sexta 23. O contrato da fundação com o Estado termina em 31 de dezembro, mas o prazo para que a Fucs desista da renovação do atual convênio encerra na sexta, 30 de setembro.
Segundo Perini, as dívidas do HG somam hoje R$ 13 milhões. A ata de criação do convênio entre a Fucs e o Estado diz que, em hipótese alguma, verbas sairiam da universidade para suprir o déficit do hospital. Entretanto, o presidente afirma que, no ano passado, a UCS repassou R$ 6 milhões ao hospital. Além disso, foram feitos dois empréstimos no Banrisul, totalizando R$ 7,5 milhões, para pagar salários, fornecedores a demais despesas.
"A Fucs não deseja abandonar o HG, pois temos interesse em manter o hospital-escola, por exemplo. O que queremos é a mudança do convênio. Da forma como está estabelecido hoje, não será renovado", afirma Nestor Perini. Segundo ele, o Estado sabe da decisão da Fucs desde março passado, mas até agora não encaminhou providências. O reitor da UCS, Luiz Antonio Rizzon, explica que a Fucs poderia até continuar administrando a casa de saúde, mas não quer ficar com a responsabilidade financeira. De acordo com ele, o uso do dinheiro da universidade para saldar dívidas do hospital inviabilizaria, a curto prazo, a instituição de ensino. "A UCS e a Fucs não podem ser responsáveis pela gestão financeira de um hospital público, que atende 100% pelo Sistema Único de Saúde", disse o reitor.
Conforme Rizzon, o secretário estadual da Saúde, Osmar Terra, sugeriu que fosse criada uma outra empresa ou fundação para cuidar apenas das finanças do hospital. A Fucs é favorável a essa hipótese e isso está sendo discutido. Professores, estudantes e médicos são contrários à decisão da Fucs.
O Hospital Geral está em funcionamento desde 1998. A instituição atende pelo Sistema Único de Saúde, além de Caxias dos Sul, todos os demais 49 municípios de abrangência da 5ª Coordenadoria Regional de Saúde.
Festuva apresenta o cartaz de 2006
Já está pronto o cartaz da Festa Nacional da Uva 2006. A primeira peça da campanha publicitária da próxima edição da festa foi lançada na quinta, 22. No cartaz, 20 personagens de etnia italiana, alemã, polaca, bugra, negra e lusa representam a união de todos os povos que ajudaram a construir Caxias do Sul e a região da Serra e formam um cacho de uva, principal símbolo da festa.
Além das várias raças homenageadas pela Festuva 2006 com o tema "A Alegria de Estarmos Juntos", o cartaz faz referência ao parque de exposições, à gastronomia, ao turismo, à religiosidade, ao corso alegórico e ao trio de soberanas. O cartaz oficial mede 61x90 centímetros. Serão confeccionadas 50 mil peças para a distribuição em todo o país.
"Esses personagens são representantes herdeiros das várias etnias que ajudaram a construir a região. São crianças, jovens, senhoras e senhores que emprestaram suas imagens para mostrar a todos a importância da união na construção de uma bela festa", destaca a diretora de Marketing da Comissão Comunitária da Festuva Márcia Costa.
Custo de produção monitora criação de aves e suínos
Com o levantamento, produtor passa a saber o gasto mensal com a criação de aves e suínos
As agroindústrias brasileiras e seus integrados utilizam os melhores equipamentos de produção do mundo. Possuem bons procedimentos para garantir que frangos e suínos sejam criados e processados de forma que forneçam segurança e qualidade ao consumidor. Ambos se adaptam rapidamente a novas tecnologias.
Outras vantagens do Brasil são o baixo custo dos grãos (milho e soja, base alimentar de aves e suínos) e o baixo custo da mão-de-obra. Porém, o desafio de avicultores e suinocultores será produzir vencendo a estrutura interna de transporte que dificulta os grãos chegarem às áreas de produção.
Nos próximos anos logística e água ocuparão na agroindústria a mesma importância que hoje é dada à genética, à nutrição e à sanidade animal. Galinhas e porcos viajam longas distâncias até chegar ao prato da família brasileira. Atualmente, gasta-se 32 litros de água para fazer um frango, por exemplo, tornando o processo insustentável.
Agora, produtores e agroindústria podem contar com o custo oficial de produção para planejar a atividade. O levantamento inédito foi anunciado na quinta, 22, pelo presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Jacinto Ferreira. Elaborado em parceria com a Embrapa, o estudo abrange dez Estados.
No Sul – Para um criador de frango do Paraná, Estado com o maior plantel, produzir um quilo da ave em condições de abate, por exemplo, custa R$ 1,40. Em Santa Catarina, segundo produtor nacional, o custo é de R$ 1,63 e no Rio Grande do Sul, de R$ 1,38.
No caso dos suínos, os custos de produção total variam de R$ 1,53 no Mato Grosso do Sul a R$ 2,39 em São Paulo, sendo os maiores produtores Santa Catarina (R$ 1,80), Paraná (R$ 1,64) e o Rio Grande do Sul (R$ 1,95).
Estudo integra elos da cadeia produtiva
Com o custo de produção o agricultor passa a conhecer, a partir de agora, o gasto mensal que tem com a criação de frangos ou de suínos nos 10 Estados pesquisados (SP, RS, SC, PR, MS, MT, MG, PE, CE, GO). Considerando o quadro atual, em que o preço do quilo de frango vivo é de R$ 1,45, o produtor obterá lucro pagando até R$ 17,10 a saca de milho de 60 quilos. Para ter idéia da aplicação desse mecanismo, o preço médio atual da saca no Paraná é de R$ 15.
"O objetivo da pesquisa é mostrar todo o elo da cadeia, dando informações de caráter geral para todos os segmentos envolvidos, desde o produtor até a indústria", esclarece o presidente da Conab.
Os resultados da pesquisa serão atualizados mensalmente. "O estudo é importante para o governo federal, na definição de políticas de preços que garantam o bom desempenho da produção desses dois setores", diz ao CR o pesquisador da Embrapa, Ademir Girotto. A Conab poderá adotar uma política de abastecimento para grãos destinados à composição da ração de aves, suínos e gado leiteiro.
Levantamento ensina agricultor a planejar atividade
O levantamento mostra os efeitos dos fatores que compõem os custos de produção dos maiores Estados criadores. O RS, por exemplo, produz o frango mais barato da região Sul. Em contrapartida, o custo do suíno gaúcho é bem superior. "O suíno produzido no RS custa mais devido ao elevado preço do milho e a baixa conversão alimentar", explica o especialista em sócio-economia da Embrapa, Ademir Girotto. Já o frango catarinense é mais caro por causa do preço da ração, dos custos fixos e da mão-de-obra mais cara do que nos dois Estados vizinhos.
Para Girotto, o custo oficial de produção de suínos e frangos proporciona a negociação razoável de contratos entre as indústrias e os integrados. Também facilita na hora da comercialização, para o produtor ter a certeza de que está fazendo um bom negócio. "O levantamento serve para o agricultor analisar se está conseguindo cobrir os custos que tem na propriedade."
O resultado serve ainda para o agricultor avaliar o material genético de aves e suínos, para verificar a qualidade das rações e a funcionalidade das instalações. Serve ainda de parâmetro para analisar as formas de manejo implantadas. "Caso o custo de produção esteja fora do calculado, o produtor deve procurar ajuda, pois corre o risco de quebrar", alerta Girotto.
Na balança comercial do agronegócio, a carne (ave, bovino e suíno) é o segundo produto mais exportado pelo Brasil. De janeiro a agosto deste ano a exportação chegou a 3,4 milhões de toneladas, ou US$ 5,3 bilhões. O país é ainda o maior exportador de carne de aves no mundo, com 1,8 milhão de toneladas no período. A pesquisa está no site www.conab.gov.br
Clima melhora qualidade dos vinhos
Avaliação comprova influência positiva da estiagem sobre a safra
O Brasil está se firmando como um dos novos pólos vitivinícolas mundiais. As razões estão calcadas no grande número de premiações recebido pelos vinhos brasileiros ao redor do mundo - foram 95 até agosto. O sucesso pode ser medido também pela quantidade de avaliações e concursos internos em que é submetido o produto nacional. A 13ª edição da Avaliação Nacional de Vinhos, encerrada no sábado, 24, em Bento Gonçalves, que bateu todos os recordes, consolida essa imagem.
O evento iniciou em 1993 com a participação de 42 amostras inscritas por 18 empresas. Participaram desta edição 84 vinícolas de todo o país, com um total de 368 amostras. Foram avaliados 263 vinhos tintos e 105 brancos, divididos em 78 não-aromáticos e 27 aromáticos. Além disso, o surgimento de novas cantinas garantiu o aumento do número de municípios representados, 23 de cinco Estados.
A Avaliação Nacional potencializa uma outra tendência da viticultura brasileira: a diversificação das variedades. Na edição 2005 foram degustados vinhos de 35 variedades. "O mercado de vinhos aceita bem a introdução de novas variedades", revela o responsável pela comissão de degustação e pesquisador em enologia da Embrapa Uva e Vinho, Mauro Zanus.
Entre os 15 vinhos mais representativos da safra 2004/2005 (ver tabela acima), quatro são produzidos em regiões fora da Serra gaúcha, a mais tradicional do país. Dois (chenin blanc e moscato itália) vieram do Vale do São Francisco e outros dois (riesling renano e touriga nacional), da Metade Sul do Estado. "A entrada de vinhos de outras regiões serve para certificar ainda mais a qualidade dos vinhos brasileiros", diz Zanus ao CR.
Clima - A safra caracterizou-se pela forte estiagem, que iniciou em meados de novembro e se estendeu durante todo o período de maturação. Teve maior quantidade de horas de brilho solar e menor precipitação pluviométrica e de dias de chuva. A restrição hídrica reduziu o tamanho da baga, mas rendeu frutos mais concentrados em açúcares, pigmentos, taninos e substâncias aromáticas. "As condições climáticas prolongaram a maturação das uvas", observa o engº agrº e pesquisador da Embrapa Franciso Mandelli.
Na análise de Mandelli, as condições meteorológicas da vindima 2005 foram excepcionais para as uvas precoces (como chardonnay e pinot noir) e intermediárias (riesling e merlot) e muito boas, bem acima da média, para as variedades tardias (cabernet sauvignon). "A mostra representativa comprovou que as notas dos vinhos foram superiores às demais safras em função da estiagem", reforça Mauro Zanus.
Troféu - Idealizado pela Associação Brasileira de Enologia o Troféu Vitis homenageou este ano Rinaldo Dal Piz-zol (enológico) e Ana Amélia Lemos (jornalístico).
Prorrogado prazo para atividades de irrigação
Foi prorrogado até 30 de dezembro o prazo para o licenciamento, na Fepam, dos empreendimentos e atividades de irrigação. Os empreendimentos com portes mínimo, pequeno ou médio devem requerer a Licença de Operação por meio eletrônico, utilizando o site www.fepam.rs.gov.br
Já os empreendimentos de porte grande e excepcional deverão requerer a renovação da licença após o protocolo do pedido no Departamento de Recursos Hídricos da Secretaria Estadual do Meio Ambiente.
Engº. Agrº. José Zugno
Lagarta dos melões
Desejo saber sobre a broca do melão e sobre a broca noturna e também a que horas a mariposa sai para fazer o estrago.
LORIVAL LUÍS KÄFFER
Tangará - SC
A mais conhecida é uma pequena mariposa denominada Margaronia nitidalis, que tem como sinônimo científico Diaphania nitidalis. A mariposa adulta tem cerca de 3 cm de envergadura e 1,5 cm de comprimento. As asas têm as margens de cor violácea ou parda e uma área branco-amarela e transparente no interior, de forma irregular. O abdômen apresenta um tufo de pêlos na extremidade. A fêmea, ao anoitecer, deposita os ovos nas partes novas das plantas. Deles nascem as lagartinhas que perfuram as hastes, brotos e frutos. A lagarta, que chega a atingir 2,0 cm de comprimento, apresenta coloração variada conforme o estágio do desenvolvimento. Ela percorre o interior do fruto prejudicando-o. Após cerca de duas semanas, a lagarta passa ao estado de crisálida permanecendo no interior do fruto ou formando um casulo nas bordas das folhas onde se abriga e de onde sai a nova mariposa, dando continuidade ao ciclo.
De acordo com o entomologista da Epagri, Ildelbrando Nora, Diaphania hyalinata é a outra praga que também ataca o meloeiro e é muito parecida com a D. nitidalis. D. hyalinata ataca brotos novos, ramos, e, principalmente os frutos. Brotos atacados secam. Os ramos ficam com as folhas secas. Nos frutos as larvas abrem galerias e destroem a polpa causando seu apodrecimento e perda da produção.
D. nitidalis ataca frutos de qualquer idade, mas concentra o ataque nas flores e frutos, enquanto que D. hyalinata ataca também as folhas e casca, mas tem preferência de se alimentar de folhas, portanto é mais fácil controlar a D. hialinata.
As mariposas ou bruxas voam preferencialmente no anoitecer ou no amanhecer. Nestes horários elas acasalam e também ovipositam.
Completando as informações sobre os Lepidópteros, da edição anterior, incluímos ilustrações de borboletas diurna e noturna ou mariposa, e da metamorfose que ocorre no ciclo evolutivo de qualquer lepidóptero.
Controle - Para controlar a praga o entomologista ensina que o ideal é aplicar inseticidas de baixo impacto ambiental e pouco perigosos. Ideal seria o Bacillus thuringiensis (Dipel) ou o diflubenzuron. Utilizar sempre um espalhante. Funciona preventivamente sobre a lagarta recém-eclodida e antes da penetração no fruto. Depois que a lagarta estiver dentro do fruto não controla mais. O ideal quando constatar o início da ocorrência da praga, é aplicar o produto semanalmente e repetir imediatamente após a chuva.
Já o malation, carbaril, decis, tamaron e outros inseticidas são eficazes, mas muito perigosos ao ambiente e ao homem. São muito desequilibradores do ambiente, deixam resíduos nos frutos que podem atingir o consumidor, contaminam o solo, águas e quando mal manejados produzem efeitos devastadores para o homem.
Programa define metas para setor vitivinícola
Elevar consumo interno per capita para 9 litros e exportar 20% da produção são principais desafios
Depois de um ano e meio de estudos, foi apresentado na sexta 23, na Embrapa Uva e Vinho, em Bento Gonçalves, o Programa de Desenvolvimento Estratégico do Setor Vitivinícola do Rio Grande do Sul - Visão 2025. O trabalho projeta um cenário favorável ao setor dentro de 20 anos. Para torná-lo realidade, no entanto, muitos desafios terão de ser superados. A começar pelo comprometimento de toda a cadeia produtiva.
O Visão 2025 é resultado de uma iniciativa do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e do Sebrae, com execução técnica coordenada pelo Centro de Pesquisas em Agronegócios (Cepan) da UFRGS. Sua elaboração, coordenada pelo professor Jaime Fensterseifer, mobilizou uma equipe de 15 técnicos e a consulta, avaliação e debate envolvendo centenas de lideranças do setor e especialistas.
O Programa de Desenvolvimento fixa como uma das principais metas para a vitivinicultura local quintuplicar o consumo per capita de vinho em duas décadas - do atual 1,8 litro para 9 litros, atingindo de 2,7 a 3,6 litros já em 2010 (ver tabela). "E de preferência que seja 90% de vinho nacional, senão haverá frustração", enfatiza o economista José Fernando Protas, coordenador da implementação do Programa. Outras duas são exportar mais de 20% de sua produção vinícola nacional - atualmente, as vendas ao exterior não passam de 1% - e ser o maior produtor mundial de suco de uva.
O cenário projetado mantém o Rio Grande do Sul com participação dominante na vitivinicultura brasileira - hoje produz 93% dos vinhos -, e a consolidação do Brasil como "um produtor de vinhos diferenciados, de excelência constante e únicos". "São metas ambiciosas, mas factíveis. Depende do que o setor quer ser no futuro", avalia Fensterseifer.
Plano - O plano que dá suporte ao Programa de Desenvolvimento foi subdividido em cinco áreas temáticas: mercado, legislação, gestão, logística e tecnologia. Para atingir as metas estabelecidas, serão implementados 22 subprojetos. Entre eles estão a criação de indicações geográficas, a ampliação do acesso à tecnologia para melhorar a qualidade e a racionalização dos processos de produção. "O Plano propõe projetos específicos para uma nova organização setorial", sintetiza Protas.
Muitos dos subprojetos não foram detalhados porque, como a execução será gradual, demandarão anos para serem implementados. Mais importante do que os diagnósticos, as projeções e os projetos, no entanto, é o envolvimento de todo o setor. "É o setor que tem de fazer o Plano virar realidade", afirma Protas.
Desafios iniciam por ações conjuntas
O Visão 2025 parte de algumas premissas básicas, como a vontade política das entidades representativas do setor e o comprometimento de toda a cadeia produtiva. Isso implica em mudanças profundas. "Empresários terão que pensar menos em objetivos individuais e mais em ações coletivas", detalha Jaime Fensterseifer, que coordenou a elaboração do Plano. O mesmo vale para produtores de uva. "É preciso uma relação mais próxima entre eles, sair do jogo de soma zero ‘meu ganho é tua perda’ para o jogo onde todos ganham", conceitua.
Os considerados "desafios críticos" do Plano dão bem a dimensão da importância desse comprometimento. Eles começam pela necessidade de compreender o mercado consumidor brasileiro - deficiência crônica que a cara pesquisa de 2001, financiada pelo Ibravin, não supriu.
Outro desafio crítico é criar uma imagem clara do vinho brasileiro e um produto emblemático para o país. "A Argentina tem o malbec, o Chile, o carmenere... Qual é o vinho do Brasil? Pode ser o riesling itálico, ou o espumante", explica Fensterseifer. Integram ainda a relação de desafios o desenvolvimento de ações promocionais sistemáticas, eliminar barreiras ao consumo (inclusive sentimentos anti-álcool), aprimorar o foco do setor para produtos de qualidade superior e acelerar o processo coletivo de exportação.
Negociação direta de preço mínimo deverá ter mais espaço
Um das preocupações presentes em mais de uma área temática do Visão-2025 é a criação de mecanismos para estabelecer parâmetros de diferenciação para a remuneração da uva. Deverá envolver, entre outras possibilidades, a avaliação não apenas do grau glucométrico, mas também o amadurecimento fenólico - que dá cor, estrutura e corpo. "Isso está sendo estudado, assim como estão em construção as indicações geográficas, que determinarão para cada região qual o porta-enxerto, o sistema de condução... para se chegar à qualidade da produção explorando todos potenciais naturais da área", informa Fernando Protas.
O Plano também pretende encarar de frente um dos mais graves problemas que anualmente tem desgastado as relações entre produtores de uva e empresários: o preço mínimo para uvas americanas e híbridas - hoje ocupam mais de 80% dos vinhedos gaúchos. "Está claro no Plano a necessidade de se desenvolver estudos e ações para buscar um melhor entendimento entre os dois atores principais da cadeia", adianta Protas. Um dos caminhos apontados por ele e pelo presidente executivo do Ibravin, Carlos Paviani, é ampliar o espaço para negociação direta entre produtores e empresários.
Serra deve concentrar americanas e híbridas
Para o consumo de vinho nacional crescer será necessário elevar a produção. As vinícolas têm ociosidade e grandes estoques. Mas e a matéria-prima? "Podemos quadruplicar a produção de uva no Estado", responde Fernando Protas.
Para que isso ocorra, provavelmente haja a necessidade de mudanças no mapa da produção gaúcha. A expectativa de Protas, como pesquisador, é de que a produção de viníferas se desloque mais para a metade sul do Estado, em projetos das próprias vinícolas e parcerias, e nos Campos de Cima da Serra. A tradicional região da uva e do vinho concentrará americanas e híbridas, para a produção de vinhos de mesa e suco.
Interromper o processo em curso?
Leonardo Boff
A crise atual representa para a sociedade, para os movimentos organizados e para o governo, uma prova crucial rumo a um salto de qualidade política que nos redima do passado e passe o país a limpo
Pertence ao analista, diante de uma crise como a atual, não se contentar com análises meramente conjunturais, mas deve olhar longe e fundo. O Brasil, na verdade, é uma periferia de centros que desde o século XVI nos mantêm a eles atrelados: fomos colonizados, neoconalonizados e hoje globocolonizados. Para sermos sinceros, ele não se sustenta autonomamente de pé. Jaz "deitado eternamente em berço esplêndido". A maioria da população é composta de sobreviventes de uma interminável tribulação. Surpreendentemente soube guardar o bom humor, o sentido lúdico e uma invencível capacidade de festejar e esperar.
Nunca houve antes do advento do PT e de Lula ao poder uma ruptura instauradora que permitisse a emergência de um novo sujeito de poder, capaz de ocupar efetivamente a cena histórica e começar a moldar a sociedade brasileira de modo a que todos pudessem caber nela. Mas vergonhosamente, erros e traições de setores dirigentes do PT desperdiçaram essa chance histórica, tornando-se execráveis face ao povo sofredor e a todos os que se aliaram a eles, durante toda uma vida. Daí se explica a iracúndia sagrada que tomou conta de setores comprometidos da sociedade com as mudanças e com a ética, crucificadas pela fome desenfreada de poder.
O comportamento das elites é por demais conhecido. Em seu camaleonismo ficaram e ficam sempre do lado do poder, seja qual for, para manterem seus privilégios. Ou então conspiram. Isso faz com que o jogo nunca se mude, apenas embaralham-se diferentemente as cartas do mesmo e único baralho como bem o mostrou Marcel Bursztyn em "O país das alianças, as elites e o continuísmo no Brasil" (1990).
Esta situação vem de longe, do tempo da fundação do Brasil como o revelaram mestres como Sérgio Buarque de Holanda com o seu "Raí-zes do Brasil" (1936), como Caio Prado Júnior com o seu "Formação do Brasil contemporâneo" (1945), como Simon Schwartzmann com o seu "Bases do autoritarismo brasileiro" (1982) e como Darcy Ribeiro com seu "O povo brasileiro" (1995). Marilena Chauí, com sua notória contundência, resumiu numa conferência em Portugal ainda em 1993 esse legado perverso: "A sociedade brasileira é uma sociedade autoritária, sociedade violenta, possui uma economia predatória de recursos humanos e naturais, convivendo com naturalidade com a injustiça, a desigualdade e a ausência de liberdade e com os espantosos índices das várias formas institucionalizadas - formais e informais - de extermínio físico e psíquico e de exclusão política e cultural."
Governar um país assim e ainda pretender revolucioná-lo é um desafio para gigantes e para heróis. Por isso entendemos as dificuldades do governo Lula. A crise atual representa para a sociedade e os movimentos organizados, mas especialmente para o governo, uma prova crucial rumo a um salto de qualidade política que nos redima do passado e passe o país a limpo. O grande obstáculo é a miopia e o reacionarismo de alguns líderes políticos, acantonados especialmente no PFL, ávidos de fatos que lhes justifiquem um eventual impeachment do presidente Lula. Seria interromper o processo do novo, abrindo o caminho para a antiga dominação e para continuarem a mamar nas tetas do Estado. Esses são até mais execráveis que os corruptos do PT, como o reacionário senador Bornhausen que disse: "Finalmente nos livraremos desta raça pelo menos por trinta anos".
Frei Betto
Bobo aprecia discursos inflamados; presume que políticos ingênuos são vítimas de assessores espertos; adora desculpas; se cansa com o tempo e não cobra; não tem memória... adora ser o que é
Tome malas de dinheiro para financiar políticos e partidos. Faça fila diante da boca do caixa. Aproprie-se, locuplete-se, corrompa-se. Assine sem ler, confie sem pedir contas, concorde sem saber. Caso se abra o forno do sigilo, atribua tudo a empréstimos não contabilizados. Todo bobo crê em eufemismos. E a Justiça eleitoral não tem guardas, não emite mandados de prisão nem possui instalações carcerárias.
Atenha-se a detalhes: apanhado à luz do sol com o bolo na mão, invente uma desculpa qualquer. Bobo adora desculpas. Alegue ter ido ao banco pagar uma conta e o dinheiro, ávido por liberdade, pulou da caixa-forte ao seu bolso. Ou explique que o assessor, à sua revelia, embolsou o dinheiro. Todo bobo presume que políticos ingênuos são vítimas de assessores espertos.
Lembre-se de que bobo aprecia discursos inflamados e empolga-se com o brilho oratório de cantores de ópera de quintal. Faça jogo de cena diante do bobo e receba dele admiração e aplausos. Caso seja cassado, cace seus eleitores e os convença a transferir o voto a seus descendentes. Bobo tem sempre uma queda pela monarquia e apóia dinastias. No fundo, gostaria de ser o bobo da corte.
Canalize toda a dinheirama para um boi de piranha. É a única maneira de atravessar o rio da margem da suspeita à da suposta inocência. Jogue toda a carga sobre as costas do boi. Insista na versão de que um boi solitário enlameou todo o rebanho. Boi de piranha nada debaixo d’água. Mergulhado no leito fétido do rio, não se vê nem se ouve nada que faz.
Todo bobo acredita em milagres. Se perguntarem de onde procede tanto dinheiro, diga que caiu do céu, como o maná do deserto a alimentar as tribos de Moisés. Ou revele a grande mágica: banqueiros generosos, seduzidos pela irradiante simpatia do cliente, abriram-lhe corações e bolsos, tendo como caução a simples convicção de que vale a palavra dada. Em terra de bode conta o fio do bigode.
Mas não esqueça: ponha o bobo na outra ponta da linha, pires à mão, pedindo mundo afora uns tostões para zerar a fome da turba esquálida. Milhões são para barões. Tostões para bagrinhos. E gotas de contribuições voluntárias e solidárias para quem já se acostumou a contar no prato os grãos de arroz e feijão.
Acresça à receita o aluguel de um restaurante licitado pelo poder público. Pague à sombra a propina de manutenção do contrato. Caso se descubra a operação, busque um morto e atribua a ele o destino da quantia estampada no cheque. Bobos dispensam explicações quando tem morto na linha. Se no meio do caminho há um cadáver, como diria o poeta, o melhor mesmo é ficar no meio do caminho. Mortos não falam. São imputáveis, como se julgam certos parlamentares.
Não esqueça de incluir na lista de bobos aqueles que, no tribunal eleitoral, aceitaram a declaração do candidato constando que, em sua campanha, gastou tão-somente R$ 33,12, embora tenha recebido R$ 1 mil de contribuições e mais um cheque samaritano de R$ 7,5 mil.
Mantenha em banho-maria todos os suspeitos de envolvimento em maracutaias. Reduza o fogo do processo investigativo, protelando-o às calendas. Transforme a CPI em palanque prévio, peça a palavra para não dizer nada, só aparecer na TV, e olvide as investigações. Bobo se cansa com o tempo, não presta mais atenção, não cobra, desliga a televisão. Livres de inquirições, hospede-se no quartel de Abrantes, onde se consegue dormir como antes.
Confie na desmemória do bobo e pose de paladino da moralidade. Bobo nem se lembra de US$ 1,4 bilhão envolvidos no projeto Sivam; louva o gesto misericordioso do governo ao canalizar, via Proer, R$ 9,6 bilhões a um banco privado; nunca viu uma agência dos bancos Marka e FonteCidam; ignora o que significa ‘precatórios’; acredita que privatização é uma coisa, e privataria, outra.
Proclame o que todo bobo gosta de ouvir: houve traição sem que houvesse traidores; sonegação sem sonegadores; corrupção sem corruptores. Caso algum dinheiro seja encontrado fora do país, diga ao bobo que o depositaram na conta que lhe pertence à sua revelia. Bobo acredita que há quem ganhe na loteria sem ao menos ter o trabalho de jogar.
Daqui a um ano, sugira ao bobo votar em todos os adestradores de bobos. Bobo adora ser o que é - bobo.
Cálculo renal está associado à predisposição genética
Quem abusa do sal e toma pouca água tem mais chance de desenvolver a doença
Estimativas indicam que de 5% a 15% da população brasileira, com idade entre 20 e 40 anos, sofram com a litíase renal, popularmente conhecida como "pedra nos rins". O sexo masculino é o alvo principal da doença, numa proporção de três homens para cada mulher.
As pequenas formações sólidas são resultado do acúmulo de sais minerais na urina. Em excesso, eles se agrupam formando cristais que passam a circular pela região do trato urinário. Podem causar cólica, sangramento ao urinar, febre e, em casos graves, insuficiência renal. Os cristais obstruem a passagem da urina fazendo com que os rins inchem. Esse inchaço provoca a cólica intensa, que inicia na região lombar.
Às vezes, os cálculos renais permanecem meses no organismo sem apresentar sintomas e podem levar a problemas mais graves. Quando os cristais crescem muito, obstruem a passagem da urina e a filtração do sangue, podendo provocar perda da função do rim.
Muitos acreditam que maus hábitos alimentares aumentam os riscos da doença, mas isso não é regra. Segundo os especialistas, os cálculos renais estão associados à predisposição genética e a doenças preexistentes que afetam o funcionamento do metabolismo. Pessoas predispostas ao surgimento dos cristais, que abusam do consumo de sal e tomam pouca água, provavelmente terão chances maiores de adoecer.
Em geral, o sal é apontado como grande vilão dos cálculos renais, mas nem todo mundo que consome sal em excesso terá o problema. O aumento da liberação de sal no organismo também eleva a de cálcio e, conseqüentemente, sua concentração nos rins. Isso pode estimular a formação de pedras, principalmente se a pessoa não ingere líquido em quantidade suficiente para diluir o mineral.
Descobrir a causa do surgimento dos cristais é fundamental. Assim, define-se o que há de errado com o metabolismo e qual a melhor forma de prevenção no futuro. Como a taxa de reincidência da doença em dez anos é de 50%, a análise dos cálculos, juntamente com os resultados dos exames de sangue e urina, é indispensável.
Tratamentos menos invasivos substituem a cirurgia
Na maioria dos casos, o cálculo renal é expelido de forma espontânea juntamente com a urina, após alguns dias de sua formação. Quem sofre com as cólicas, toma remédios para amenizar a dor e espera que o cálculo seja expelido. Se não ocorrer a eliminação ou a dor for intensa, o médico indica outros tratamentos. O tamanho, a localização e composição dos cristais, assim como o estado de saúde, a idade e outros fatores do paciente são considerados na hora da escolha do melhor método.
A técnica mais usada hoje é a litotripsia. Sem ser introduzido na pele, um equipamento que emite ondas de choque quebra os cálculos em pedaços menores para que sejam expelidos com mais facilidade. Em alguns procedimentos os choques são dados diretamente nos cálculos. É o caso da nefrolitotripsia percutânea, em que um fino tubo metálico é introduzido no rim. Já a ureterolitotripsia introduz um equipamento pela uretra. Inicialmente, a cirurgia era a única opção se o cálculo não fosse expelido. Hoje, só se recorre a ela quando os outros tratamentos falham.
Campanha esclarece sobre perda auditiva
A Sociedade Brasileira de Otologia está realizando uma campanha nacional com o objetivo de esclarecer a população sobre a perda auditiva, seu impacto na vida social, causas e tratamento. De acordo com a entidade, cerca de 30% das pessoas que procuram um otorrinolaringologista apresentam problemas de audição. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 15 milhões de brasileiros têm problemas auditivos. O quadro se torna mais grave na 3ª idade, devido ao processo natural de envelhecimento.
A deficiência auditiva pode ficar mais evidente após os 65 anos de idade, quando é conhecida como presbiacusia. Em alguns indivíduos, por ação de agentes agravantes, como exposição a ruídos, diabetes, uso de medicação tóxica para ouvidos ou herança genética, a diminuição da audição interfere diretamente na sua qualidade de vida.
"Assim como há o envelhecimento da visão, com a idade a pessoa também passa a ouvir menos. Como é natural usarmos óculos para amplificar as imagens, também deveríamos usar os aparelhos de amplificação sonora sem preconceito, para minimizar os efeitos negativos da deficiência auditiva", afirma Luis Carlos Alves de Sousa, coordenador da campanha.
Desenvolvido soro antiofídico em pó
O Instituto Butantan, de São Paulo, desenvolveu o primeiro soro antiofídico em pó do Brasil. O produto facilita a armazenagem e distribuição, pois dispensa refrigeração e tem vida mínima de cinco anos, dois a mais que o soro líquido convencional. O soro em pó é contra jararaca, jararacuçu, cascavel, surucucu e coral.
Previsto para ser lançado ainda este ano, o soro foi disponibilizado para as Forças Armadas em 2001, para a realização de testes de estabilidade em campo. Será encaminhado, após testes finais, para registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Morango é fruta leve e saudável
É difícil encontrar alguém que não goste do sabor e do aroma do morango. Essa fruta, que há algumas décadas quase não existia no país, agora pode ser facilmente comprada em feiras e supermercados. Além de saboroso, o morango beneficia a saúde e é bom aliado em dietas.
A fruta possui pectina e fibras solúveis que, ao serem consumidas regularmente, auxiliam na redução do colesterol e regularizam o funcionamento do intestino. Além disso, tem poucas calorias, apenas 36 em cada 100 gramas. O morango também contém potássio, mineral que equilibra a quantidade de sódio no organismo, evitando a retenção de líquidos.
Também é rico em antocianina, substância antioxidante que auxilia na prevenção de doenças relacionadas à baixa imunidade e alguns tipos de problemas cardíacos. Outro benefício da fruta é contribuir com a multiplicação das células devido ao ácido fólico, nutriente indispensável durante a gestação por evitar malformações no feto. Finalmente, é excelente fonte de vitamina C, com 58 miligramas desse nutriente em cada 100 gramas de fruta.
SÃO FRANCISCO DE ASSIS ENCANTA HÁ OITO SÉCULOS
Morto em 3 de outubro de 1226, Francisco de Assis deixou um legado de idéias, de ações e de soluções a partir do Evangelho, que são cada vez mais atuais. A mística franciscana se alastrou pelo mundo, atraindo e encantando gerações. Três Ordens masculinas (Franciscanos, Conventuais e Capuchinhos) reúnem mais de 33 mil frades; as Clarissas, 18 mil religiosas; e as quase 400 congregações femininas, mais 120 mil
Frei Aldo Colombo
Diretor de Redação do CR
No fim da tarde de 3 de outubro de 1226, em Assis, aos 44 anos, deitado sobre a terra nua, faleceu Francisco de Assis. Momentos antes de sua morte, pediu aos Irmãos que cantassem o Cântico das Criaturas, especialmente o último verso, dedicado à Irmã Morte. Menos de dois anos depois, em 1228, seu amigo, o Papa Gregório IX, o elevou à glória dos altares. Para isso, o próprio Papa deslocou-se para Assis. Passaram-se exatamente 779 anos desde a morte de Francisco de Assis e ele continua a encantar as gerações que se sucedem. Pobres e ricos, intelectuais e pessoas simples, crentes ou não, há uma impressionante unanimidade sobre o Poverello. Mesmo os que não cultivam a Fé que ele viveu, sentem-se inexoravelmente atraídos por ele.
Milhares de livros, de filmes, de esculturas e pinturas, de cantos e poemas, milhares de teses tentam explicar o fenômeno. Nossa época, especialista em fazer e desfazer ídolos, da noite para o dia, contempla sem entender o "homem do milênio".
Na realidade, as bandeiras de Francisco continuam mantendo uma impressionante atualidade hoje. Os problemas do século XIII continuam sendo os problemas de hoje, mais agravados, e as soluções dadas por ele continuam inteiramente válidas. Podem ser apontados seis grandes pilares do universo franciscano:
O mundo dos pobres. Mais do que nos tempos de São Francisco, os pobres se constituem no grande desafio deste início do Terceiro Milênio. Os pobres de hoje não são apenas indivíduos, são países inteiros, são continentes abandonados à sua sorte. Não são mais lascados, mas excluídos. O Papa João Paulo II falava da parábola do pobre Lázaro, em dimensões mundiais. Há pobres e empobrecidos, deserdados de amor e de futuro. E Francisco fixou seu lugar entre os menores.
A utopia da fraternidade. Francisco, após descobrir a Deus como pai, entendeu que todos somos irmãos e irmãs, de uma única e grande família. Num mundo cheio de rupturas, a dignidade humana perde inteiramente seu valor. Para Francisco, o irmão é sempre maior. Acostumado a procurar no Evangelho o caminho a seguir, Francisco adotou outra mediação para descobrir a Vontade de Deus: depois que o Senhor me deu irmãos, neles escutou a voz de Deus. Francisco acabou sendo excluído, no interior de sua Ordem, mas jamais excluiu a ninguém.
Instrumento da paz. O episódio do "irmão lobo" é emblemático. Francisco acreditou que o amor era a força mais poderosa e dinâmica do mundo. Havia só uma maneira de vencer o inimigo: amá-lo e - caso ele consentisse - torná-lo seu amigo. Foi assim que ele fez as pazes com o lobo de Assis e com tudo aquilo que ele representava. E quando a própria Cristandade se empolgou com as Cruzadas, como o grande e contraditório compromisso apostólico, Francisco - com alguns frades - foi falar diretamente com o Sultão do Egito e conseguiu mais êxito que os cruzados.
Amor à Igreja. A Igreja dos tempos de Francisco - como hoje - era santa e pecadora. Possivelmente mais pecadora que hoje. Foi esta Igreja que Francisco amou e obedeceu de todo o coração. Em sua Regra deixou escrito: "Frei Francisco promete obediência e reverência ao papa Honório e seus legítimos sucessores, à Igreja romana" (RB cap III). Francisco nunca quis converter a ninguém, converteu-se. Este o seu modo de amar a Igreja.
Reverência à criação. O Papa João Paulo II declarou Francisco de Assis o Padroeiro da Ecologia. No tempo de Francisco, este termo não era conhecido, nem a poluição representava qualquer ameaça ao planeta Terra. Porém, na ótica de Francisco o universo inteiro era uma imensa catedral, onde eram perceptíveis os sinais de Deus. Porque saídas das mãos de Deus, todas as criaturas eram percebidas como irmãos e irmãs. No Cântico das Criaturas fala da Mãe Terra. E esta Terra não era vista na ótica da utilidade. Por causa do Criador, Francisco cultivava a dimensão de reverência para com todas as criaturas. Era a Téo-ecologia.
Seguir o Santo Evangelho. Ele mesmo se definiu como um homem simples e pecador. Mais que conhecimentos teológicos, Francisco tinha a intuição das coisas divinas. Avesso aos formulismos, chegou a recusar a idéia de escrever uma Regra para seus frades, porque já existia uma norma de vida: o Santo Evangelho. E na primeira frase, do primeiro capítulo de sua regra - escrita num gesto de obediência à Cúria Romana - Francisco escreveu a síntese de seu projeto de vida: "Esta é a Regra e a Vida dos Frades Menores, isto é, observar o Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo vivendo em obediência, sem propriedade e em castidade". O fundamento da vida de São Francisco baseia-se em Jesus Cristo, como modelo, o Evangelho como caminho, a Igreja como mãe e a Fraternidade como modo de caminhar.
Árvore franciscana estende os seus ramos por todo o mundo
São Francisco nunca teve a idéia de fundar qualquer coisa. Seu objetivo era apenas o de viver o Santo Evangelho. Sua liderança natural e seu testemunho de vida logo chamaram a atenção e apareceram outros companheiros, que pretendiam viver à maneira de Francisco. Assim se formou o primeiro grupo, que após se chamou a Primeira Ordem. Depois de pouco tempo, um fato diferente: a jovem, bela, rica e nobre Clara também quer viver a mesma vocação evangélica. E com ela, para ela e para muitas outras jovens, surge a Segunda Ordem, a das Clarissas. No ano de 1221 são os casados que pretendem viver como Francisco. Forma-se então a Ordem Terceira da Penitência, com a missão de viver a espiritualidade evangélica no meio do mundo.
E a grande árvore franciscana continuou ramificando-se e apresentando maravilhosos frutos de santidade. Assim surgiu a TOR - Terceira Ordem Regular -, composta de homens e mulheres, integrantes da Ordem Terceira, que deram mais um passo na espiritualidade, adotando também vida comum. Mais ainda, da espiritualidade francisclariana - Francisco e Clara - desabrocharam ao longo do tempo, quase 400 Congregações femininas, afiliadas aos diferentes grupos da Primeira Ordem.
Por fim, surgiu, de maneira simbólica, a chamada Quarta Ordem, com ramificações no mundo inteiro e em todos os ambientes. Trata-se dos "admiradores" de São Francisco. É um grupo disperso, mas que se debruça sobre a espantosa espiritualidade de Francisco de Assis. É possível encontrar "irmãos" deste grupo em todos os países, ideologias e movimentos religiosos, alimentados pelo fermento franciscano.
Carisma do Santo de Assis reúne quase um milhão de religiosos
A Primeira Ordem Franciscana divide-se em três ramos autênticos e com respectivos Ministros Gerais, reconhecidos por Roma e pelos outros ramos. A Ordem dos Frades Menores Franciscanos, atualmente, é integrada por 17.600 frades, a Ordem dos Frades Menores Conventuais alcança 5.000 frades e o último rebento - Ordem dos Frades Menores Capuchinhos - agrupa 10.600 frades, totalizando as três Ordens, mais de 33 mil frades. A Ordem das Clarissas conta com 18 mil membros em todo o mundo. A Ordem Terceira da Penitência - secular - agrupa 660 mil homens e mulheres, enquanto as Congregações femininas - francisclarianas - somam 120 mil membros. Existem igualmente institutos e congregações franciscanas entre os anglicanos e no mundo evangélico.
É impressionante o número de santos e bem-aventurados franciscanos (as) declarados pela Igreja como tais. A Primeira Ordem contabiliza 153 santos e bem-aventurados, entre eles 12 bispos e três doutores: Santo Antônio, São Boaventura e São Lourenço de Brindes. Figuram ainda 145 mártires. Já as Clarissas veneram em suas fileiras 30 santas e bem-aventuradas. Foram elevados aos altares 130 santos e bem-aventurados da Ordem Franciscana Secular e da história da Terceira Ordem Regular estão inscritos (as) no Catálogos dos santos e bem-aventurados 34 santos e bem-aventurados. Temos, na soma geral, 482 santos e bem-aventurados, declarados pela Igreja. Entre os últimos canonizados, avulta o nome de Frei Pio de Pietrelcina, capuchinho, uma unanimidade na Itália. São Maximiliano Kolbe - morto num campo de concentração nazista- é outro símbolo de nossa época.
Festa do diálogo, da paz e da fraternidade
Uma lei aprovada pela Câmara dos Deputados da Itália em fevereiro de 2005 reconhece o dia 4 de outubro, solenidade de São Francisco de Assis, festa nacional e Dia da Paz, da Fraternidade e do Diálogo. Recordando o "valor universal" de São Francisco, a deputada Marina Sereni salienta que a "mensagem e o espírito franciscanos são patrimônio de toda a humanidade e a proposta de lei aprovada constitui, num mundo marcado de contradições e dramáticos conflitos, um ulterior reconhecimento à figura do Santo e de Assis, que se afirma como lugar de encontro entre culturas, religiões e povos".
Para Gianfranco Fini, vice-presidente do Conselho dos Ministros, esse reconhecimento é "um significativo sinal de fé num momento em que prevalecem formas violentas e arrogantes de fanatismo, estranhas à nossa tradição religiosa e civil". Fini destaca que na figura de São Francisco "todos os homens, também os que não têm fé, podem ver realizados no Poverello valores que todos sonham, mesmo que não os vivam em suas existências – a alegria, a liberdade, a paz, a harmonia, a reconciliação entre os homens e a natureza". São Francisco é, junto com Santa Catarina de Sena, patrono da Itália.
O Santo do milênio*
A importante revista norte-americana "Times" quis saber de seus leitores qual a personalidade mais importante deste milênio. E os leitores tiveram a tarefa ingente de passar em revista o elenco dos milhares de gênios, heróis, santos, sábios, artistas, papas, governantes ao longo destes mil anos.
Em 10º lugar figurou o cientista da Teoria da Relatividade, Albert Einstein, precedido por Wolfgang Amadeus Mozart, que encheu o milênio com divinas harmonias. Num honroso 8º lugar aparece Thomas Jef-ferson, o herói da independência dos Estados Unidos, sendo superado pelo imortal dramaturgo inglês William Shakespeare. O cientista Galileu Galilei, que surpreendeu a comunidade científica ao provar que era a Terra que girava ao redor do Sol e não o contrário, obteve colocação melhor que Martinho Lutero, o monge alemão, que dividiu para sempre a Cristandade. A disputa é cada vez mais difícil e Miguelângelo Buonarroti - autor da Pietá e Moisés - foi eleito como a 4ª personalidade do milênio que termina. Cristóvão Colombo, o descobridor do Novo Mundo, ficou em 3º lugar. A segunda colocação foi dada ao alemão João Guttenberg, o descobridor da imprensa. E, surpreendentemente, em 1º lugar, como a personalidade mais importante destes mil anos, o meigo, humilde, santo e genial Francisco de Assis.
Abrindo mão da riqueza, da glória, do dinheiro e de todas as vaidades humanas, o homem de Assis conseguiu o caminho da imortalidade. E ele o fez de maneira absolutamente simples: escolheu "viver o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo". Entendeu que Deus é Pai e por isso todos somos irmãos. Estendeu sua fraternidade aos animais e às próprias criaturas inanimadas. Amou a Deus, amou aos irmãos, amou a todos, amou a natureza. E fez isso de maneira intensa. É o santo da fraternidade universal. É o santo do milênio. E sua ternura encherá também o terceiro milênio.
* Artigo publicado na coluna Olhar Diferente, no Correio Riograndense, em 29/10/1997
Sínodo reflete sobre a Eucaristia
Assembléia será realizada em Roma de 2 a 23 de outubro
Por convocação do Papa Bento XVI, será realizado em Roma, de 2 a 23 de outubro, o 11º Sínodo dos Bispos. O encontro terá como tema "A Eucaristia: fonte e ápice da vida e da missão da Igreja". Além dos bispos, representando todos os continentes, há convidados como assessores especialistas na matéria. Participam do Sínodo cerca de 250 bispos.
Dos participantes do Sínodo, 36 foram escolhidos pelo próprio Papa - 15 cardeais, oito arcebispos, 11 bispos (quatro dos quais da República Popular da China) e dois sacerdotes. Os restantes foram indicados pelas Conferências Episcopais - a do Brasil nomeou dom Cláudio Hummes (São Paulo - SP), dom Luciano Mendes de Almeida (Mariana - MG), dom Geraldo Majella Agnelo (Salvador - BA e presidente da CNBB) e dom Geraldo Lyrio Rocha (Vitória da Conquista - BA).
Como gesto concreto de ecumenismo, também participam 12 membros das Igrejas Ortodoxas, das antigas Igrejas do Oriente e das comunidades derivadas da Reforma. A escolha da Eucaristia como tema foi feita pelo Papa João Paulo II e coroa a ano dedicado à Eucaristia, cujo início foi em 17 de outubro de 2004. "É notável o empenho de João Paulo II para incentivar o povo cristão a venerar o mistério eucarístico", salienta dom Luciano Mendes de Almeida.
Convocado por João Paulo II em 2004 e confirmado por Bento XVI, o Sínodo revela, numa análise das 90 páginas do "Instrumentum laboris" (Instrumento de trabalho) da 11ª Assembléia Geral Ordinária, a preocupação com "algumas verdades doutrinais", na linha da ação do atual Papa, que durante mais de duas décadas foi prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. A intenção é colocar em destaque as grandes riquezas pastorais da Eucaristia, sem deixar de apontar para "algumas omissões e negligências nas celebrações".
O texto preparatório, elaborado a partir de um questionário enviado a cerca de 4.500 bispos de todo o mundo, revela que há um certo distanciamento da vida pastoral da Eucaristia e uma grande desproporção entre o número de pessoas que comungam e as que se confessam. Como proposta, o Sínodo vai abordar a necessidade de melhorar nos católicos "o conhecimento do conteúdo e do significado do mistério eucarístico".
O Sínodo, instituído em 1965 por Paulo VI, pode ser definido, em termos gerais, como uma assembléia de bispos que representa o episcopado de todo o mundo e tem como tarefa ajudar o Papa no governo da Igreja.
Papa surpreende ao convocar chineses
Numa convocação sem precedentes, o Papa Bento XVI chamou quatro bispos chineses para participar do Sínodo, em Roma. Três deles - dom Aloysius Jin Luxian, de Xangai; dom Antonio Li Duan, de Xian; e dom Luca Li Jingfeng, de Fengxiang (Shaanxi) - pertencem à Igreja patriótica chinesa, reconhecida pelo regime comunista. O quarto é dom Giuseppe Wei Jingyi, bispo de Qigihar, da Igreja não oficial ou "clandestina", fiel a Roma.
Ainda não está confirmada a presença dos quatro bispos chineses, pois a Igreja oficial chinesa havia rejeitado, inicialmente, o convite. Em nota oficial, ela reconhece o gesto como "amistoso" e um "sinal de harmonia" de Bento XVI, mas afirma que dificilmente todos poderão participar, por "razões de idade ou enfermidade".
Turquia convida Bento XVI a visitar país
Os bispos católicos da Turquia mostraram sua satisfação diante do convite oficial apresentado pelo presidente Ahmet Necdet Sezer ao Papa Bento XVI para que visite o país em 2006. A Santa Sé aguardava esse gesto do governo turco desde que o patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, havia formulado, em agosto, convite ao Papa de visitar a Turquia. Em Istambul está a sede do patriarcado ecumênico de Constantinopla.
O patriarca convidou Bento XVI a visitar Istambul no dia 30 de novembro, festa de Santo André, patrono da Igreja ecumênica de Constantinopla. Bartolomeu I representa cerca de 200 milhões de fiéis no mundo. As Igrejas ortodoxa e católica estão separadas desde o cisma de 1054 e a iniciativa do patriarca visa avançar no diálogo ecumênico que busca a superação do cisma. A grande maioria dos 69,5 milhões de habitantes da Turquia são muçulmanos, Os católicos não superam os 35 mil. Bento XVI já demonstrou seu desejo de visitar a Turquia.
Rabinos - Um outro importante convite foi feito ao Papa no dia 15 de setembro. Durante audiência privada com Bento XVI, os grão-rabinos de Israel, Shlomo Moshe Amar e Yona Metzger, convidaram o Papa a ir a Jerusalém. Eles respaldaram o convite feito recentemente pelo primeiro-ministro Ariel Sharon para visitar a Terra Santa. O Pontífice considerou a visita dos rabinos como um passo importante "no processo de aprofundamento das relações entre católicos e judeus".
Os dois rabinos também pediram que Bento XVI proclame 18 de outubro, data da publicação da declaração do Concílio Vaticano II Nostra Aetate, de 1965, como dia dedicado à luta contra o anti-semitismo no mundo católico e ao ensinamento desse importante documento que marcou um passo decisivo para a reconciliação entre católicos e judeus.
Pouca Bíblia na vida e na cultura dos fiéis
O presidente da Federação Bíblica Católica, dom Vincenzo Paglia, disse que "apesar dos grandes progressos, ainda existe pouca Bíblia na vida e na cultura dos fiéis". Paglia fez seu pronunciamento durante o Congresso Bíblico Internacional, realizado em Roma de 14 a 18 de setembro, do qual participaram representantes de 98 países.
De fato, segundo pesquisa, na Itália, França e Espanha somente 3% dos católicos praticantes lêem a Bíblia todos os dias. Cerca de 40% acreditam que o apóstolo São Paulo tenha escrito um evangelho e 80% dos praticantes escutam a Palavra de Deus somente na missa dominical.
O congresso, com o tema "A Sagrada Escritura na vida da Igreja", foi realizado no âmbito das comemorações dos 40 anos da Constituição dogmática Dei Verbum, texto que teve grandes conseqüências sobre a espiritualidade, liturgia, teologia e sobre a vida dos fiéis, que passaram a ler e a entender mais a Bíblia.
Padre Zezinho
A ambição leva muitos a tirarem proveito da desgraça alheia
Um pai de família, amigo meu, sofreu um acidente na via Dutra. Rolou ribanceira abaixo após bater num carro na pista. Até aí foi acidente. Escapou com vida. Foi em Caçapava, a 20 quilômetros de Taubaté. Quando a família quis remover o carro totalmente destroçado, o dono do guincho pediu a estratosférica quantia de R$ 70,00 por quilômetro. E repetiu o preço três vezes. Queria, na época, quase meio salário mínimo por quilômetro para levar um carro a 20 quilômetros de distância.
A vigorar o mesmo preço para São Paulo, o transporte do veículo destroçado custaria, só de ida, um carro novo. Um outro senhor guinchou o carro por R$ 70,00 e, ponto final. O comportamento daquele senhor irresponsável faz pensar em crimes de lesa humanidade. Loucos por dinheiro, aproveitam-se da desgraça, da dor ou da morte dos outros e roubam descaradamente.
É esse tipo de mentalidade que fez do Brasil o país cruel que hoje é. Muitos abastados de hoje enriqueceram dessa forma. Ganhando dois ou três mil por cento em batatas, papel, pente, sabonete, guinchamento... A expressão é assalto com caixa registradora.
Religiosas celebram 70 anos de Brasil
Irmãs de Schoenstatt se estabeleceram no Estado do Paraná em 1935
Neste ano, as Irmãs de Maria de Schoenstatt celebram, com a Família de Schoenstatt, o jubileu de 70 anos da chegada das primeiras irmãs do instituto ao Brasil. Inicialmente elas se estabeleceram na cidade de Jacarezinho (PR), vindo posteriormente a construir a sede da província na cidade gaúcha de Santa Maria.
No dia 12 de junho de 1935 as pioneiras receberam o envio missionário do próprio fundador da congregação, padre José Kentenich. Na ocasião, ele lhes disse: "Partimos de Schoenstatt (cidade de origem, na Alemanha) e levamos conosco a cruz e o nosso pequeno santuário. Esse pequeno santuário será um lar para nós. Levamos também a palavra Mater habebit curam - A Mãe cuidará".
Hoje, não existe apenas uma foto do pequeno santuário, mas 22 santuários dedicados à Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt espalhados pelo Brasil e 178 no mundo inteiro. O primeiro santuário do Brasil foi o de Santa Maria. Na sua inauguração, no dia 11 de abril de 1948, esteve presente o fundador, padre Kentenich.
No Sul, o instituto foi abençoado com muitas vocações, de modo que foi necessário criar uma segunda província, com sede em Atibaia (SP).
Caxias do Sul - No ano de 1982, as Irmãs de Maria se estabeleceram em Caxias do Sul. Vieram a convite de Paulina Moretto, que naquele ano presidia o Pio Sodalício das Damas de Caridade, entidade mantenedora do Hospital Pompéia, para trabalhar no hospital e exercer seu apostolado através da apresentação da imagem da Mãe Peregrina aos doentes. Atualmente, atuam no Pompéia e no Bispado.
Os 70 anos de presença no Brasil estão sendo celebrados nas diversas comunidades e instituições onde as irmãs estão presentes. No Hospital Pompéia, o jubileu foi celebrado no dia 20 de agosto com uma missa presidida pelo capelão, frei Rogério Miotto.
Como instituto secular, a espiritualidade é orientada em Maria, na consagração a Cristo, na ousadia da pobreza, da virgindade e da obediência. Inspiradas pelo carisma do fundador, atuam em todos os continentes servindo a juventude, as famílias e a Igreja em diferentes pastorais - catequese, saúde, crianças, assistência aos pobres -, e nas mais diversas profissões: educação, enfermagem, artes plásticas, fisioterapia, medicina, psicologia, música etc.
No dia 18 de cada mês, o Movimento Apostólico de Schoenstatt e os devotos da Mãe, Rainha e Vencedora recordam o dia da fundação, ocorrido em 18 de outubro de 1914, em Schoenstatt, na Alemanha, com uma santa missa e a renovação da aliança do amor (consagração) com Maria.
Pompéia tem novas ministras do enfermos
No dia 10 de setembro, durante missa celebrada pelo capelão do Hospital Pompéia de Caxias do Sul, frei Rogério Miotto, receberam o mandato de ministras dos enfermos as senhoras Marta Macedo, Nadir Meneguzzi, Zila do Amaral, Léa Breda e Dalva Postali. Durante 23 dias, de 3 a 26 de agosto, elas participaram do curso de ministros da Eucaristia promovido pela diocese de Caxias do Sul, do qual participaram mais de 100 novos ministros e ministras.
A Pastoral da Saúde do Hospital Pompéia conta, além do apoio das ministras dos enfermos, com um grupo de voluntárias que procuram visitar diariamente os doentes. Elas são acompanhadas e orientadas pelo capelão. Também colaboram com a Pastoral as integrantes do Pio Sodalício das Damas de Caridade, entidade mantenedora do hospital há 92 anos.
Câmara dos Deputados homenageia Aparecida
Os 75 anos da proclamação de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil serão comemorados em sessão solene na Câmara Federal, em Brasília. O evento será realizado nesta quinta-feira 29 de setembro, no Plenário Ulysses Guimarães. O autor do requerimento é o deputado federal Marcelo Ortiz.
Campanha nacional promove a ética na TV
No dia 9 de outubro a campanha "Quem financia a baixaria é contra a cidadania" realizará o segundo Dia Nacional Contra a Baixaria na TV. Com o slogan "Sintonize a ética na TV", a campanha definiu diversos eventos, entre eles um programa especial que será gerado pela TV Câmara e distribuído para diversas emissoras do país, entre elas a Rede Vida e Canção Nova. A iniciativa conta com o apoio do serviço de comunicação da CNBB. Movimentos sociais e organizações não-governamentais organizarão, no dia 9 de outubro, atos públicos para mobilizar as pessoas em várias cidades do país a refletir e a debater sobre a questão da ética na TV.
Aldo Colombo
Cada escolha depende de dois componentes: da razão e do coração. A maturidade e a felicidade passam por aí.
Noite de frio e tempestade. O motorista de ônibus ignora o sinal e três pessoas ficam na chuva. Trata-se de uma mulher doente, de um médico, que no passado salvou sua vida, e do seu amor. Você passa de carro, mas em seu carro há apenas o lugar para uma pessoa. Quem você levaria? A pergunta foi feita aos pretendentes de uma cobiçada vaga numa empresa e a resposta devia ser dada por escrito, justificando a escolha. Aliás, escolha nada fácil. Se você levar a mulher ficará em paz com sua consciência; se você levar o médico estará pagando uma dívida; mas se seguir o coração levará a pessoa amada.
Obteve a vaga um candidato que apresentou uma solução simples e que, de alguma maneira, satisfez a todos: deu a chave do carro ao médico para que levasse a doente ao hospital e ele ficou com a namorada até que surgisse outro ônibus ou outra solução.
A vida é formada de escolhas e as escolhas bem feitas conduzem à felicidade. O candidato vencedor não se colocou no centro da questão. Agiu de forma racional, mas não deixou de lado o componente afetivo. Se deixasse a pessoa amada, essa poderia estar perdida para sempre. Mas ele ficou ao seu lado na hora da dificuldade, sem assumir uma postura egoísta. Ele pensou o problema como um todo e abriu uma possibilidade nova.
Há pessoas que imaginam que o problema só pode ser resolvido de uma única maneira. Quem faz isso opta pela segurança dos caminhos já feitos. Nunca criará algo novo e, facilmente, será ultrapassado pelos outros. Se toda humanidade pensasse assim, o homem não teria descoberto a América, não teria pisado o solo da Lua, nem teríamos o avião, o computador, a internet, o raio lazer e tantos outros inventos. Foi a criatividade de João XXIII que abriu novas possibilidades para a Igreja.
Há também pessoas que só pensam em si mesmas. Tudo deve ser visto a partir de seu ponto de vista, já que ele é o dono da verdade. Colocar-se no ponto de vista do outro é um gesto de amor e sabedoria. Seria bom que o motorista trocasse de lugar com o pedestre, o médico com o doente, o professor com o aluno, o padre com o fiel, o político com o eleitor.
Nós fazemos, ao longo da vida, nossas escolhas e nossas escolhas acabam moldando nossa vida. Há uma lógica entre nossa vida e nossas escolhas. Mas isso não é um fatalismo. Podemos e devemos refazer nossas escolhas. Você é o resultado de suas escolhas, não das escolhas feitas ontem, mas das escolhas de hoje. E, ao escolher, usa os dois componentes: a razão e o coração. A maturidade e a felicidade passam por aí.
De resto, Deus ainda não acabou de criar o mundo. Ele deu ao homem e à mulher a inteligência e a vontade. Mais ainda, deu a capacidade de amar. E a partir daí cada um faz suas escolhas, as mais inteligentes possíveis. E as escolhas inteligentes surgem sempre do amor. E o amor é sempre criativo. Uma das maneiras mais evangélicas de amar é fazer felizes aos outros. A pessoa amada saberá que você sempre estará a seu lado.
Homens armados destroem missão católica em Roraima
Atos de vandalismo ocorreram na reserva Raposa Serra do Sol
Dom Roque Paloschi, bispo gaúcho que assumiu a diocese de Roraima em julho passado, informou à CNBB que a Missão Surumu foi destruída na madrugada de 17 de setembro. Conforme relatos do bispo, a igreja foi destruída e houve saque e destruição pelo fogo também das demais dependências da missão, inclusive da casa das irmãs da Consolata, do hospital, da escola e do Centro de Formação da Cultura Raposa Serra do Sol. A missão foi invadida por cerca de 150 homens encapuzados e armados quatro dias antes do início da festa da homologação da terra indígena Raposa Serra do Sol.
A presidência da CNBB enviou carta a dom Roque manifestando veemente repúdio contra esses atos de vandalismo, que se inscrevem no contexto das resistências contra a homologação da terra indígena Raposa Serra do Sol, causa que conta com o apoio da diocese de Roraima e da CNBB. Os atos de vandalismo continuam ocorrendo na região. Na quinta-feira 22, a ponte Urucuri, localizada a 290 km de Boa Vista, foi parcialmente queimada isolando cerca de 3,5 mil pessoas que estavam na reserva participando da festa.
Raposa Serra do Sol foi homologada pelo governo Lula em área contínua em abril deste ano. São 1,74 milhão de hectares, onde vivem cerca de 15 mil índios. O projeto prevê que os não-indígenas devem desocupar a reserva no prazo de 12 meses. Na área da reserva existem muitas famílias não-indígenas, além de sete grandes fazendas de arroz. Muitas famílias já se apresentaram para receber a indenização, mas nenhum dos fazendeiros deixou a região até agora.
Bento XVI cria mais uma diocese na Bahia
O Papa Bento XVI criou, no dia 21 de setembro, uma nova diocese brasileira - a de Serrinha (BA) - formada com território desmembrado da arquidiocese de Feira de Santana, do arcebispo dom Itamar Vian, capuchinho gaúcho, e da diocese de Paulo Afonso. O Papa também nomeou seu primeiro bispo, padre Ottorino Assolari, CFS (Congregação da Sagrada Família de Bérgamo), atualmente superior da comunidade de Pearibu, mestre de noviços e pároco de São Gabriel e São Sebastião, em Ivailândia, diocese de Campo Mourão (PR).
A nova diocese tem 17.169 km2 e uma população de 505.787 habitantes, 467.742 dos quais são católicos. Sua área abrange 20 municípios e 16 paróquias, atendidas por 16 sacerdotes (nove diocesanos e sete religiosos). Conta também com 23 irmãs, 8 religiosos professos e 12 seminaristas.
Padre Assolari, 59 anos, nasceu em Scanzorosciate, Bérgamo, Itália. Foi ordenado padre em 1973. Em 1990 foi nomeado delegado da congregação para o Brasil (1990-1992/1995-2003).
Irmãs do Imaculado Coração de Maria comemoram jubileus
A comunidade Mãe de Deus, de Salvador do Sul (RS), das Irmãs do Imaculado Coração de Maria celebrou, no dia 16 de setembro de 2005, os jubileus de vida religiosa consagrada de três irmãs da congregação - Margarida Richetti (70 anos de vida religiosa), Amábile Barbieri (60 anos) e Irma Toniollo (50 anos). A programação incluiu celebração eucarística de ação de graças pelo testemunho de realização pessoal e constante doação de vida das três religiosas e almoço de confraternização no salão paroquial.
As irmãs Margarida, Amábile e Irma pertencem à comunidade Mãe de Deus. A congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria foi fundada no Rio de Janeiro, há 155 anos, pela jovem austríaca Bárbara Maix. Suas seguidoras procuram ser fiéis à missão herdada por sua fundadora, a qual se comprometeu com o povo, se empenhou em favor da justiça e dos pobres.
Atualmente, a congregação está presente em quase todos os Estados do Brasil e mantém missionárias em Roma, Moçambique, Haiti, Paraguai, Venezuela, Bolívia e Argentina.
Wilson João
Deus quer que este mundo seja um paraíso de delícias e não um triste vale de lágrimas
Nascemos para a alegria. Fora com a tristeza, que é negação de viver! Nascemos para o prazer. Fora com a dor e com as pessoas que produzem a dor ou fazem dela um instrumento de perfeição e de santidade! Não somos feitos para a dor e sim para o prazer. Se a dor chegar, que seja bem-vinda, e que seja transformada em prazer e alegria. Se Deus não nos tivesse criado para o prazer, não teria nos dado um corpo que sente prazer nos sons e gostos, nas cores e formas, nas relações e encontros.
HÁ UM PRAZER QUE MATA. Prazer apenas de momento. É o prazer pelo prazer da coca-cola, da feijoada, da pessoa amada que é somente objeto de prazer. Todos já experimentaram o prazer que se torna alegria ou o prazer que se torna peso. Há o prazer da feijoada: comida gostosa, gosto satisfeito, dentes incansáveis, cervejinha, mais uma... mais uma... e de repente o corpo começa a ficar estufado, cansado, não agüenta mais! Há muitos prazeres assim. Cansam. Enjoam. Beber demais, comer errado, ver imagens violentas. Escutar música pesada, forçar relações sexuais que criam problemas. Esse prazer mata. Cansa. Enjoa. É o prazer materialista. É como nuvem que passa.
HÁ O PRAZER QUE LEVA À ALEGRIA. Esse é bom. É o mesmo prazer, mas em vez de conduzir à morte, produz vida! O prazer que produz alegria é um prazer com medida e sentido. O poeta nos lembra: "Não! Eu não quero o prazer! Eu quero alegria!" O prazer mora no corpo. A alegria mora na alma. O prazer que leva à alegria vai tornando o corpo sempre mais leve. "A insustentável leveza do ser". Que bonito! Infelizmente há muitos "estraga-prazeres". Religiões, Igrejas, movimentos religiosos, pastores, padres, pais e mães... quantos medos e proibições criadas! Inventa-se o diabo e o pecado em situações que não existem. Cria-se um Deus tira-prazer. E foi Deus que criou esse festival de possibilidades de prazer para nosso corpo, mente e espírito. Por que ver maldade em tudo? Por que ver proibições em tudo? Para essas religiões, Igrejas e pessoas, Deus não é o Deus do prazer e da alegria, mas sim um "tira-prazeres".
DEUS É ALEGRIA E PRAZER. Se Deus criou tantos jeitos de ter prazer, é porque ele nos destina para o prazer. O prazer é realidade divina. Fomos feitos para o amor, o humor, a comida, a música, o brinquedo, a caminhada, a viagem, a vadiagem, o jardim, o pomar e tantas outras realidades que nos dão prazer e alegria. Por causa desse prazer e dessa alegria é que trabalhamos e estudamos, vivemos em família e em comunidade. Deus quer que esse mundo seja um mundo de delícias e não um vale de lágrimas. Que sentido tem a Bíblia que fala em paraíso, como lugar de prazer e alegria? Que sentido tem a realidade "céu", que é o sonho de todos, se não é para realizar o sonho da paz, alegria e prazer? Mas não o céu dos artistas que pintam santos sérios e estáticos, nem de anjos de mãos postas, e muito menos, um céu silencioso. Céu é prazer e alegria. É festa, dança, cores, música, banquete e alegria. É a plenitude do prazer e da alegria que nosso corpo, mente e espírito buscam durante a caminhada limitada desta vida.
A italiana e a alemã que estão em mim
Gládis Teresinha Carlesso Licht
Guia de turismo, Porto Alegre-RS
Gládis nasceu em Porto Alegre em 15 de maio de 1940. Filha de Angelina Carlesso e Waldomiro João Licht, é guia de turismo, autora do livro "Do exótico ao longínquo". De pai alemão, conhece alguns idiomas, inclusive o Talian. Diz:
"Orgulho-me de minha descendência italiana e alemã em partes iguais. Os bisavós maternos, os Carlesso, emigraram em 1878 de Maróstica, a 27 km ao norte de Vicenza, no Vêneto, para Silveira Martins-RS. Os avós paternos vieram da Alemanha. O nono Bernardino foi o primeiro Carlesso que nasceu em Val de Buia. Com 21 anos casou com minha avó, Emma Frassetto.
Foram plantar arroz em Três Barras, mas quando a água da Lagoa dos Patos ficou salinizada, vieram com as filhas Marieta e Angelina, minha mãe, para Porto Alegre, onde nasceu o João Luiz. Dedicaram-se à hotelaria. Nono Carlesso morreu quando eu tinha seis anos. Nona Frassetto viveu 86 anos, falava Talian e cultivava costumes e tradições italianas. Entre os fatos pitorescos acontecidos no hotel, contava que um hóspede saiu sem pagar, mas deixou uma pesada mala no quarto. Pensavam que ele tivesse ido passear. Mas, ao abrir a mala, viram que estava cheia de pedras. Outro, que não conhecia luz elétrica, enfiou uma bota na lâmpada para escurecer o quarto durante a noite.
O nono Bernardino faleceu repentinamente na festa de aniversário de um seu amigo na praia da Florida-RS, e a nona Emma morreu dormindo em nosso chalé, em Cidreira-RS, depois de um jantar com boas histórias e bom vinho. Foram continuar sua festa italiana no céu.
Até meu pai alemão me passou ingredientes de italianidade. A sogra dele, minha nona Emma, era seu ídolo. Ele, eu e todos os que provaram, sabemos que não há risoto, nem histórias e palavras como as da nona. Católica de missa dominical e quase sempre diária, eu herdei dela, de minha mãe e da tia Marieta a mesma herança, com meu pai alemão à frente.
Meus nonos e meus pais foram dos primeiros veranistas da Praia da Cidreira, viajavam dois dias de carreta para chegar lá, levando comida e o necessário para a temporada. A parada à noite era uma festa com gaiteiro, cantos e danças. A nona gostava do mar, mas tinha seu ritual a la italiana: um maiô de lã, sob medida, com saia abaixo do joelho. Íamos à praia de mãos dadas, ela fazia belos comentários e cumprimentava a todos. Para reviver a viagem dos antepassados da Itália ao Brasil, quis ir comigo e a tia Marieta de navio até o Rio. No navio parecia estar em casa: disposta, divertida e participativa.
Quando a nona dizia - Vegnì magnar casa mia - eu logo pensava no risoto, capeletti, massa especial e el ròsto. Na terça de carnaval nos ensinou a fazer o gróstoli que repartíamos um prato para cada família de amigos próximos.
Ao visitar Maróstica, a emoção maior foi a recepção que me fizeram os Carlesso. O Talian fui aprendendo da nona, da mãe e nas visitas aos parentes em Vale Vêneto e Silveira Martins e, depois, aprendi também o Italiano. Visitando os familiares de Frei Rovílio, que conheci como Frei Cândido, afilhado de meus pais e o irmão que não tive, o Talian flui ao natural. Quando acontece algo de estarrecer, sempre recordo a nona que dizia: "Sénti, tosa, el diaoleto el ze molà."
Tenho fisionomia, filosofia de vida, gostos artísticos, religiosos e gástricos italianos que aprendi também de meu pai alemão, que, em vez de chucrute, adorava comida italiana e nos brindava com churrasco gaúcho. Sou gaúcho-brasileira e ítalo-germânica" (gladislicht@yahoo.com.br).
Gládis, feliz de você que é um caleidoscópio de etnias e culturas! Você é uma cidadã do mundo (Rovílio Costa).
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (328)
Ndove gavaralo studià par indovinarle tute?
Silvino Santin
Santa Maria (RS)
Nanetto el riva. Prima el varda de tute le bande, el se dise, bisogna saver ndove se pesta e ndove se va, dopo, piampian el va rento. Pena rento, no’l gavea fato gnanca tre passi, un omo bassoto, ma disposto e contento, el ghe dimanda suito: cosa comàndelo, sior Nanetto. Nanetto par poco no’l casca in drio schena. El se ga fin spaurà par via che i lo cognossea. El veceto, quel che lo ga assà dormir al ombria dopo disnà, anca lo gavea ricog-nossesto. Rifato del spauron, Nanetto el ghe domanda, come che vu me cognossì? Oh! Nanetto, nantri, i negossianti antighi, cognossemo tuti, tanto par nome che par cognome, squasi prima che i nassa. Ma vedo che te ghè prèssia, dime quel che te vol che qua ghe ze de tuto, manco soldi che, mi sò, ti te li ghè. E Nanetto el se maraveia nantra volta parché no’l ghe gavea dito gnente e lu el indovinea tuto. El pensa, vedo che son rivà pròpio in tel posto che mi volea.
Ben, el dise Nanetto, mi vui na fatiota, col gilè, na camisa, un par de mudande e un capel, tuto novo. E anca un par de scarpe. Questo par mi. E par la Gelina ...
- Piampian, Nanetto, se fermemo qua. Prima ti, dopo la morosa. E Nanetto, el se dimanda, come che’l sa che la Gelina la ze me morosa. Ndove gavaralo studià par indovinarle tute?
- Sito ndrio scoltarme, Nanetto?
- Si, sicuro.
- Lora me tocaria saverlo se te vol roba pronta o fata sora misura, mi go idea che par ti te va meio le robe fate sora misura. Te par tanto pi bon.
-Vedo che te pensi prima de mi. Mi credo che par un omo come mi, el giusto ze far sempre sora misura.
- Ben, vedemo che tipo de roba te piase.
- Par la fatiota, vui casimira co le righe par longo ben larghe, come el riscado. La camisa de tricolina e le mudande de bombasina, ma che la sia rossa. Cossita le se sporca manco.
- Cossita che me piase, un omo de bon gusto che va drito, sensa star lì, tira e mola, mola e tira. Ti te parli s-ceto e ciaro. E le scarpe, anca sora misura?
- Si, vui tuto ben giusto par mi, e sol par mi.
- Te ghè rason, el giorno de incó i fa robe compagne par tuti. Toca star lì, proa che te proa, ze par quel che mi mantegno el me negòssio antigo. Lora, par no tardigar, de sta banda i te tira le misure dele robe; là, de quelaltra banda, te fè le misure dele scarpe.
Nanetto el fa come el ghe dise e el ritorna. Eco, son misurà
- Te sè, Nanetto, el metro no’l sbàlia mai. L’è sempre giusto, un metro sarà sempre un metro, sia de gente, sia de roba, sia de strada.
E Nanetto el se maraveiava, sempre depiù, dela sapiensa de sto negossiante, no’l ghinavea mai cognossesto un così bon e brao.
- Nanetto, vuto scoltarme nantra volta?
- Ma, come nò!
- Cossa vuto comprarghe par la to morosa Gelina?
- Roba par farse un vestì, me piasaria che la fusse de seda coi fioreti. So mama, la Catina, la cosisse ben.
- Polito, così te sparagni un poco, parché, vui dirte, par mi, sparagnar no sarà mai pecato, anca se i dise che chi sparagna, gata magna. Se mi no savesse sparagnar, gavaria sarà le porte del me negòssio a tanti ani.
- Volaria anca un par de scarpe de quele che le ga na tiracheta de coro sora el peto del pié, tacada de banda e che se la imbotona de quealtra banda.
- Si, ghinavemo a scoier, a volontà.
- E, par ùltimo, vui farghe un regalo de un par de recini, parché, par mi, na tosata sensa recini, la ze come un gal sensa gresta.
- Che maraveia, Nanetto! Na bela comparassion, me ga piasesto. Anca de questi ghinavemo a scoier.
Finie le compre, Nanetto el paga la prima parte del prèssio, sento e diese fiorini, la seconda parte la pagarà quando la roba e le scarpe le sarà pronte. Le compre dela Gelina, i ghe ga fato un fagotin, che lo ga messo rento la maleta. Dei recini, i ga fato un bel pacotin de carta fioria, che lo ga metes-to in scarsela dela giacheta.
El saluda el negossiante, e questo lo invita a ritornar sempre che’l ga de bisogno, parché par lu el prèssio el sarà sempre pi basseto.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
Orazione di San Francesco
(Davanti il crocifisso nella chiesa di San Damiano)
Grande Iddio, pieno di gloria,
e voi, mio Signor Gesù Cristo,
vi prego d’illuminarmi
e di dissipare le tenebre
dello Spirito mio,
di darmi una fede pura,
una ferma speranza
ed una carità perfetta.
Fate, ò mio Dio, ch’io vi cognosca bene
e faccia ogni cosa dietro il vostro lume
e conforme al vostro santo volere. Amen.
Itelvina, de canoa, in paradiso
Cláudio Dalla Colletta
Odontólogo, Porto Alegre - RS
Itelvina Mesacasa, filha de João e Madalena Pongan Mesacasa, nasceu a 19-4-1931 e faleceu a 11-2-2004, com 73 anos. Sempre residiu na Linha 14 de Julho, em Cotiporã. Foi catequista e professora. Dedicou sua vida a ensinar crianças a ler e escrever. Destacou-se pela dedicação ao trabalho, fé e religiosidade. "Nunca se queixe de nada, dizia, porque Deus sabe tudo o que nos acontece." No Correio Riograndense, que assinava desde sempre, buscava inspiração para estudos, conversas e escritos. Foi autora de muitos textos e co-autora da obra Un filò da distante. Admirada por médicos, enfermeiros, familiares e amigos, à medida que se aproximava seu fim, cres-cia o apoio e amizades.
Mi ghe go scrito che zera par ela scriver la so speriensa de vita, e ela la me ga risposto:
"Te ringràssio, Cláudio, el stìmolo. Mi me piasaria scriver, ma no son bona. Te conto che, quando se gera tosete, mi e me sorela, che desso la ze in paradiso, bisognava ndar scola. Ma no ghenera scole rente casa. Sol del altra banda del rio das Antas, in Bento Gonçalves.
No se gavea on barco, sol na canoa vècia, vècia che ndava rento aqua. Alora, ndaino così. Al mesodì, fenia la scola, vig-neino casa. La canoa ancora col aqua rento. E se tornava.
Ma, che vita! Podeino esser negade! Ze stato el Àngelo Custode che me ga giutà. E ancora ringrassiemo al Signor che no semo restade analfabete". (Scrito in dicembre 2003, poche stimane prima de morir, informassion com Geni, fone 54-4411028).
In me nome e de tuti quei che lese sta stòria, ringràsssio la Itelvina el esémpio de italianità, laoro e fede, eredità dei nostri antenati. Podì esser securi che, con Itelvina in Paradiso, se ga finio i analfabeti anca là!
Mi no son baùco
La mama de Gioanin la vien dal ospedal ndove la ga buo gemei. La riva a casa e la ze ricevesta da so fioleto Gioanin:
- Mama, mama! Mi go contà a la professora che go buo un fradeleto e ela la me ga liberà de le tre ùltime ore de scola!
- E parché ti no te ghè dito che i gera due fradeleti? ghe domanda la mama.
- Mi no son baùco, mama! L’altro fradeleto mi lo go reservà par dìrghelo la stimana che vien!
(Contribuição de Rafael Baldissera, Curitiba - PR)
Paraná tenta recuperar mata ciliar
Programa prevê plantio de 90 milhões de mudas em 35 mil propriedades
A Semana da Árvore no Paraná abriu com o plantio de cinco milhões de mudas para recomposição da mata ciliar. O plantio será realizado simultaneamente nos 399 municípios. "Ao todo, foram plantadas 26,7 milhões de mudas", diz o secretário do Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida. A iniciativa integra o programa Mata Ciliar, considerado pelo ministério público do Estado como o maior programa de recuperação e conservação de mata ciliar do mundo.
O programa visa o plantio de 90 milhões de árvores nativas às margens de rios, mananciais de abastecimento e reservatórios de usinas hidrelétricas, até o final de 2006. "Esse número representa apenas 10% das necessidades do Estado", declara o secretário Luiz Eduardo Cheida. As áreas prioritárias são os mananciais para abastecimento humano, locais de recarga do Aqüífero Guarani e a região de arenito, no nordeste paranaense.
Cerca de 35 mil propriedades das 375 mil do Estado foram selecionadas pelos técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e Emater/PR, de acordo com o nível de degradação. As mudas são produzidas pelos próprios municípios que receberam viveiros do programa. O governo do Paraná investiu R$ 15 milhões na compra de 300 viveiros, que têm a sua produção fortalecida por outros 22 viveiros do IAP. "O Estado acaba de adquirir mais 200 viveiros", informa Cheida ao CR.
De acordo com o secretário do Meio Ambiente, além do reflorestamento, o programa ainda financia a construção de cercas para o isolamento de áreas próximas às margens de rios para recomposição natural da vegetação e para evitar que animais danifiquem o plantio. Cada município é responsável pelo projeto, em sistema de mutirão e em parceria com as cooperativas.