LEITORES 

 DESCOBRINDO CAMINHOS

 

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Edição 4.958 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 12 de outubro de 2005.

EDITORIAL

Uma oportunidade de mudança desperdiçada

Eleições de 2006 terão as mesmas regras que permitiram práticas condenáveis, como o caixa 2

 

Desde que começaram a aflorar as denúncias de corrupção que geraram a mais grave crise política da história recente do Brasil, criou-se também um consenso entre a opinião pública de que esta seria a ocasião propícia para uma investigação profunda e para mudanças que permitissem o controle das campanhas eleitorais. O país teria de arder em chamas para poder renascer das cinzas. Passados cinco meses dos primeiros sinais da crise, pelo menos uma oportunidade foi desperdiçada. Venceu no dia 30 de setembro o prazo para aprovar a reforma política e eleitoral que vigorasse para as eleições do ano que vem. E a única posição externada pelos líderes partidários é de que discutirão propostas sem o compromisso de data para aplicá-las.

Ninguém de bom senso preconizaria que fossem implantadas alterações de afogadilho, muito menos que grupos conduzissem à aprovação emendas casuísticas. A expectativa era de que houvesse, no mínimo, demonstrações de interesse em aperfeiçoar as regras de fiscalização sobre financiamentos de campanhas.

Presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais serão escolhidos daqui a um ano sob as mesmas normas que não impediram práticas condenáveis que as Comissões Parlamentares de Inquérito tentam apurar em sua plenitude. A tendência é de que o volume de dinheiro nas próximas campanhas seja menor que o de eleições anteriores. Mas essa será mais uma conseqüência do receio que empresas passaram a ter após a comprovação do uso de caixa 2, do que resultado de medidas que poderiam estabelecer um melhor controle sobre doações.

Não houve, por parte da classe política, o empenho que a sociedade esperava dela. E disso decorre nova frustração, ampliada em sua dimensão porque nasce sob o clima de revolta patrocinado pelos escândalos de "mensalões", "mensalinhos" e pelas dúvidas que cercam o desfecho da situação de quase duas dezenas de deputados que integram a lista dos cassáveis. As regras moralizadoras, tão propaladas em discursos, ficam para 2008. E sem a certeza de que serão implantadas até lá, porque a impressão saliente é de que a maioria dos políticos prefere deixar tudo como está.

 

CAXIAS DO SUL

Corso alegórico da Festa da Uva 2006 terá novidades

Serão sete desfiles, 12 carros e 1.200 metros de percurso

 

Os desfiles de carros alegóricos da Festa da Uva 2006 já estão definidos e trazem novidades. Entre os dias 17 de fevereiro e 4 de março, serão realizados sete desfiles, um a mais que na edição anterior da festa. O percurso também foi ampliado em uma quadra. Os 12 carros alegóricos vão percorrer 1.200 metros pela rua Sinimbu, iniciando na esquina com a rua Guia Lopes e encerrando na Coronel Flores. A meta da Comissão de Desfiles é reunir 2.500 figurantes para o corso alegórico.

Nas arquibancadas, a novidade é o maior número de lugares para o público. Ao longo do trajeto do corso, serão distribuídas oito arquibancadas, sendo quatro cobertas, totalizando 2.530 lugares, 15% a mais em relação à Festuva 2004. Os ingressos custarão R$ 15 para a área coberta e R$ 10 reais para a arquibancada aberta.

Além disso, a comissão diz ter constatado que, nas últimas edições, a narração do desfile não era ouvida em todo percurso. Para suprir essa deficiência, os pontos de transmissão espalhados pela rua Sinimbu passaram de três para cinco.Também serão disponibilizados 40 banheiros químicos. Os sete desfiles deverão ser assistidos por cerca de 250 mil pessoas.

Os carros devem compor dois momentos da linha temática da festa, os povoadores e a colheita. Para isso, o desfile foi dividido em 12 quadros. A primeira alegoria contempla o tema Onde era o Campo dos Bugres; seguida por O Barracão dos Imigrantes; Os Agrimensores; Os Tropeiros; Os Precursores; A Saga dos Italianos; Os Colonos de Raiz; Serranos e Birivas; Gaúchos de Todas Querências; Brasileiros de Norte a Sul; Cidadãos do Mundo e, finalmente, A Alegria de Estarmos Juntos, tema geral da Festuva 2006.

 

Europeus suspendem URB-Al por 6 meses

 

A Prefeitura de Caxias do Sul e seus parceiros ganharam mais tempo para garantir a liberação de recursos europeus através do programa URB-Al. A Comissão Européia comunicou a suspensão temporária por seis meses, a contar de 19 de setembro deste ano, do início da execução dos projetos contemplados com verbas. A Prefeitura de Caxias queria um ano. Como o prazo vencia em outubro de 2006, segundo o gerente executivo do programa, Antônio Feldmann, passou para março de 2007.

A Comissão Européia deixou claro que esse período deve servir para resolver o impasse criado com o local que abrigará a escola de agriturismo, um dos projetos contemplados, em 3ª Légua, interior caxiense. O imóvel indicado, de antigo seminário, foi adquirido por um grupo de moradores locais. Está definido que a escola será instalada nesse prédio e a tendência é de que os proprietários assumam despesas com reformas e cobrem aluguel. Os europeus, por outro lado, aprovaram a indicação do Cebrap/Igam para serem os auditores da aplicação dos recursos.

Desde outubro do ano passado, estão depositados numa conta da Prefeitura de Caxias cerca de R$ 1,3 milhão. Esse dinheiro, destinado pela Comissão Européia para aplicação em três projetos, retorna se a execução não iniciar dentro de prazos estipulados. Além da Escola de Agriturismo em Caxias, esses recursos, que representam uma parte do total previsto (com contrapartida dá 1,1 milhão de euros), beneficiam também projeto em Bento Gonçalves (133.250 euros) e em Flores da Cunha (105 mil euros). O próximo passo, segundo Feldmann, é contratar auditorias, alterar o convênio e o orçamento do projeto, que serão reavaliados pelo Legislativo.

 

Entrevista / Rubem Alves

"Escola tira da criança amor à leitura"

Doutor em Teologia e Filosofia, psicanalista, mais de 80 obras publicadas. É com esta formação e com um poder de comunicação que encanta, que Rubem Alves, nascido em Boa Esperança (MG) em 1933, cumpre uma concorrida agenda de palestras pelo Brasil. Deixou de ser pastor em 1968, após ser denunciado pelas autoridades da Igreja Presbiteriana como subversivo, o que o tornou alvo de perseguição pelo regime militar. Foi com a família para os EUA, fugindo das ameaças, de onde retornou no início dos anos 1970. Contundente em suas afirmações, é um crítico das religiões e embora votará pela proibição da venda de armas, entende que essa medida será inútil. Nesta entrevista ao Correio Riograndense ele atribui à escola o "desensino" de alunos, diz que o remédio para a corrupção é a transparência e que a desesperança tomou conta de todos os brasileiros

 

Correio Riograndense - O senhor diz que nunca sabe o que vai dizer numa palestra. Por que essa estratégia?

Rubem Alves - Ler um texto na palestra é a morte da comunicação. O palestrante não fica aberto a caminhos novos. E quando a gente se dá conta da velhice, tem que ir para as coisas que são absolutamente essenciais. A velhice é o momento em que se pensa na gente mesmo e tem a ver com o sentido da vida. É o período em que a gente decide quais são as batalhas que a gente quer travar, que árvores plantar. Isso provoca na gente uma simplificação na agenda. Quando jovem se quer abarcar o mundo; na velhice, se vai para a simplicidade.

 

CR - O senhor cita o poeta português Fernando Pessoa e o dramaturgo alemão Bertold Brecht, entre outros autores, para destacar que a felicidade está nas pequenas coisas ("um banho quente, estar debaixo de um cobertor numa noite fria..."). Se a felicidade realmente está nas pequenas e, muitas vezes, corriqueiras coisas, por que o ser humano parece cada vez mais infeliz? É ele que complica?

Rubem Alves - Há razões objetivas para a infelicidade. Uma doença, a perda de uma pessoa querida, pobreza extrema. Mas há muita infelicidade que é provocada pela nossa alma. A inveja, por exemplo, é uma das maiores fontes de infelicidade. A falta de atenção... Para se gozar um chuveiro quente é preciso que a alma concentre a sua atenção no chuveiro quente e não divagando por outros lugares. Para se gozar um momento de brinquedo com um filho é preciso que a atenção esteja concentrada nesse momento, e não num outro. É preciso que aprendamos a viver o momento. É a única coisa que realmente temos.

 

CR - Existe um caminho ou uma receita para a felicidade?

Rubem Alves - Há muitas receitas ou caminhos para a felicidade. É só ligar a televisão, nos programas religiosos. Há receitas para tudo. Até para ser bem-sucedido nos negócios. Imagine: Jesus foi crucificado para que sejamos prósperos! É blasfêmia e engano. E há esses que escrevem livros e dão conferências para ensinar o caminho. Era isso que faziam os falsos profetas, no Antigo Testamento. Os profetas os denunciavam e diziam: "Pregam paz, paz, quando não há paz..." Muitas pessoas encontram uma felicidade fugaz no engano. Elas se embriagam com o seu engano...

 

CR - Das cerca de 80 obras publicadas pelo senhor, 35 são voltadas ao público infanto-juvenil. Por que esse foco?

Rubem Alves - Quando escrevo, jamais penso no prazer que o leitor vai ter ao ler o livro. As histórias infantis acontecem sem planejamento. Histórias são eventos, cuja origem não conheço. Ostra feliz não faz pérola. É o princípio da criatividade. Pessoas felizes nunca deram nenhuma contribuição à humanidade. Todas as obras de arte foram feitas sob um certo sofrimento, pode até ser a curiosidade. A produção intelectual e científica é feita a partir de um certo sofrimento.

Não penso no público quando estou escrevendo. Quem escreve é a criança que existe em mim. A confirmação se dá pela reação da criança àquela história. Essa reação é que vai dizer se a história é ou não boa. Se a criança não reage é porque a história não significa nada.

Gosto de escrever crônicas. Não gosto que me dêem temas. Escrevo quando de alguma maneira sou batido por alguma coisa, alguma idéia que veio repentinamente.

 

CR - O que é preciso ser feito para despertar no jovem o prazer para a leitura?

Rubem Alves - Na escola, o jovem é ensinado a não gostar de leitura. O que a escola faz com a leitura é brutal. A escola vai "desensinando" os alunos. Por exemplo, para o vestibular o jovem é levado a fazer resumo de livros. A alma se alimenta de coisas que não existem. A primeira condição para gostar de ler é: não pode ter prova. Se o jovem for ler a obra somente por causa da prova, estraga a leitura. Segunda condição: os estudantes não têm experiência de ouvir leitura - leitura é puro prazer.

 

CR - No Brasil se lê miserável 1,8 livro per capita/ano. Isso não pode ser também reflexo da falta de recursos financeiros para adquirir as obras ou do analfabetismo funcional, que atinge 75% da população?

Rubem Alves - Seria interessante que se fizesse uma pesquisa para saber se os jovens de famílias com recursos financeiros lêem muito mais que os jovens de famílias pobres. Duvido. Quando a gente tem vontade de ler a gente encontra meios de ler. Eu acho mesmo que esse desinteresse pela leitura se deve ao fato de que a absoluta maioria dos nossos jovens nunca teve uma experiência com a leitura. Por isso aconselho as escolas e as prefeituras a fazerem "Concertos de Leitura", semelhantes aos concertos de jazz ou rock. Uma pessoa que saiba ler (e saber ler não é só saber ler as sílabas. O leitor tem de ficar "possuído" pelo texto) faz o seu programa de concerto... Ouvindo a leitura os jovens podem se apaixonar pelos livros. Já tive várias experiências pessoais com essa técnica.

 

CR - O senhor tem sido crítico da Igreja Católica. Onde estão suas principais razões para essa postura?

Rubem Alves - Tenho sido um crítico das religiões. O protestantismo é repressivo. Já o catolicismo afirma que ele tem a verdade. Para o cardeal Ratzinger, o ecumenismo era impossível - só se mudou agora, como papa. O ecumenismo só é possível quando admito que meu interlocutor tem alguma coisa a me dizer. Para Ratzinger não havia diálogo: todos os cristãos devem ser convertidos à Igreja Católica. Essa é a grande crítica. Também por outra razão: os próprios católicos não acreditam nisso. À parte disso, existe um ecumenismo real na sociedade.

 

CR - O ser humano adere com intensidade cada vez maior aos apelos da sociedade de consumo. Essa mesma sociedade é uma fábrica, permanentemente ativa, para produzir decepções, frustrações. O senhor concorda com essa força aliciadora da sociedade de consumo? Se concorda, como proteger-se dela?

Rubem Alves - Eu seria um mago se tivesse uma resposta para a sua pergunta. Tudo, em nossa sociedade, apela para o nosso desejo de prazer. Como é forte o desejo de ser bonito, entre homens e mulheres. Talvez esse desejo, dentre todos os desejos, seja o mais forte. Sobre esse desejo se constrói a indústria das modas, das cirurgias plásticas, dos cosméticos...

 

CR - Como imaginar que um trabalhador que ganha salário mínimo, não tem casa e não consegue dar educação adequada a seus filhos possa ter esperança em um futuro melhor quando ouve que bilhões de reais são desviados (roubados) quase que sistematicamente dos cofres públicos?

Rubem Alves - Acho que essa desesperança tomou conta de todos os brasileiros. Mesmo aqueles que não vivem numa condição de miserabilidade perderam a esperança. De repente nos demos conta de que o povo é o boi e os políticos são os bernes e os carrapatos.

 

CR - Dá para explicar a sucessão, que parece ininterrupta, de denúncias de escândalos envolvendo políticos? A corrupção sempre existiu e só agora é que está vindo à tona em sua plenitude; ou ainda estamos na superfície e é preciso aprofundar para tentar chegar à raiz?

Rubem Alves - A corrupção é eterna. Como uma doença crônica. Em certas situações históricas a doença crônica se transforma numa doença purulenta. O remédio para a corrupção é a transparência. Os homens se comportam direitinho quando sabem que estão sendo observados.

 

CR - O senhor fez um apelo às universidades para que pesquisassem um exame que possa detectar se os políticos são honestos. O senhor sugere algum?

Rubem Alves - Estou procurando mas ainda não encontrei. Uma coisa importante seria a educação do povo. Mas o povo não vota com a cabeça. Acho que vota com os intestinos.

 

CR - O senhor vai votar "sim" ou "não" no referendo sobre o desarmamento?

Rubem Alves - Vou votar a favor da proibição de vendas de armas porque acho que as armas nas mãos de quem não sabe como lidar com elas só produzem desastres. Mas sei que essa medida será inútil. A proibição da venda legal das armas vai criar o contrabando de armas e o comércio das armas na ilegalidade. Tal como acontece com as drogas.

 

AGRONEGÓCIO

Consumidor define tipo de erva-mate

Preferência por erva suave leva produtor a cultivar plantas nativas

 

A exploração da erva-mate no Brasil constitui-se numa atividade agrícola de grande importância econômica e social. É cultivada em cerca de 180 mil propriedades, a maioria familiares, que rende diretamente aos agricultores mais de R$ 150 milhões por ano. O processamento reúne 600 empresas. A atividade gera mais de 700.000 empregos no país.

Por trás desses números, está a pesquisa que trabalha incansavelmente para melhorar a qualidade e a produtividade das plantas e a utilidade da erva. Com grande potencial para industrialização, ela vem sendo alvo de estudos para a geração de vários produtos, desde a indústria alimentícia (corante natural, conservante alimentar, sorvete, balas, bombons, caramelos, chicletes), a medicamentos, artigos de higiene pessoal até o setor de veterinária.

Entre os estudos estão a variabilidade genética de populações nativas do Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul; o desenvolvimento das flores, dos frutos e do embrião da semente; a germinação de sementes em laboratório e a campo e sobrevivência das plântulas de erva- mate em diferentes graus de sombreamento. "Esses estudos são essenciais para orientar qualquer trabalho de melhoramento genético da espécie, o que até hoje não foi feito em nenhum lugar do mundo", diz a bióloga Helga Winge, doutora em Ciências.

Germoplasma - Em parceria com a Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), a Universidade Federal do RS mantém dois bancos ativos de germoplasma no Estado: em Ilópolis e Encruzilhada do Sul. "Nos bancos ocorre a seleção das variedades. As melhores vão a campo, beneficiando o agricultor", afirma Helga Winge ao CR.

As mudas a campo é que estão mudando o perfil dos cultivos, exigidos pelos consumidores. "O consumidor tem rejeitado a erva amarga. Prefere o chimarrão com sabor mais suave", diz a bióloga. Isso pode ser comprovado em Ilópolis, por exemplo, onde 650 das 666 propriedades rurais plantam erva-mate. Embalados pelo centro de pesquisa, a preferência dos agricultores é por espécies nativas, mais adocicadas e menos fortes.

Localizado no Vale do Taquari, o pequeno município gaúcho de 4.500 habitantes produz 50.000 toneladas de erva em 7.000 hectares implantados e 2.100 hectares de ervais nativos. "Ilópolis possui nove ervateiras. Até o final do ano, mais uma será reativada", revela o responsável pela Emater local, Jurandir José Marques.

Mudanças - Já Venâncio Aires, a capital nacional do chimarrão, corre o risco de perder o título se não se adequar à mudança dos costumes. Nos últimos anos, a área plantada caiu de 4.500 hectares para menos de 4.000. A orientação da Emater é que os produtores substituam a erva argentina (mais forte) e comecem a plantar o quanto antes a erva nativa. "Estamos incentivando a aquisição de sementes selecionadas pela Epagri e de mudas, desenvolvidas pela Embrapa Florestas", relata o técnico agrícola da Emater Luis Antônio Marmitt.

O prefeito Almedo Dettenborn chegou a outorgar um decreto-lei proibindo a extinção das plantações de erva, no intuito de coibir a diversificação de culturas. A queda nos preços da erva tem levado agricultores a abandonar o cultivo da erva-mate e partir para feijão, milho e mandioca, por exemplo. Há seis anos, o produtor vendia a R$ 4,50 a arroba da erva argentina. O valor vem decrescendo e hoje atinge R$ 2,85/arroba.

 

Crise leva produtor rural a protestar

 

A liberação de R$ 3 bilhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) foi a única medida implementada das reivindicadas pelo Tratoraço 2005 - movimento nacional de protesto dos produtores rurais que nasceu na região Sul e convergiu para Brasília em julho deste ano.

O descontentamento chegou à Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) e à Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). As entidades estão organizando um "Alerta à Nação". A idéia é chamar a atenção da sociedade para a crise que afeta o setor agropecuário. "Estamos em fase de início de plantio e os produtores estão sem dinheiro", disse o presidente da Farsul, Carlos Sperotto.

Outra reivindicação refere-se à renegociação de dívidas antigas do setor, previstas no Pesa e na securitização que vence em 31deste mês.

 

Pescadores recebem assistência técnica

 

Através do Programa Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Pronater 2005), o governo federal vai investir R$ 7 milhões na assistência técnica para pescadores artesanais e aqüicultores de todo o país.

São 600 mil pescadores e aqüicultores cadastrados pela Secretaria Especial. O setor pesqueiro no Brasil tem à disposição mais de 8.500 quilômetros de costa marítima, 12% do total de reserva de água doce do mundo e mais de 5 milhões de hectares de áreas alagadas por barragens e represas.

 

Caem tributos sobre lácteos e maçã

Medidas isentam maçã de ICMS e devem reduzir preço de lácteos em 9,25%

 

Falta muito pouco para que os consumidores tenham produtos lácteos mais baratos em suas mesas. A boa notícia é reflexo da votação que ocorreu do Projeto de Lei de Conversão nº 23, conhecido como "MP do Bem", cujo texto inclui a isenção de cobrança das alíquotas do Programa de Integração Social e Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pis/Pasep) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) para seis tipos de queijo e leite em pó integral e desnatado.

A decisão poderá levar, em breve, a uma redução de 9,25% dos preços, referente às tarifas de Pis/Pasep e Cofins até agora incidentes sobre esses produtos. Os produtos beneficiados pela medida são leite em pó e os queijos tipo mussarela, minas, prato, queijo de coalho, ricota e requeijão. Atualmente os leites dos tipos pasteurizado e UHT (longa vida) são beneficiados com alíquota zero para Pis/Cofins. Juntos, esses produtos representam mais de 70% dos lácteos comercializados no país.

A aprovação da proposição pelo Senado foi uma importante vitória para toda cadeia produtiva do leite. A isenção das alíquotas da contribuição incidentes sobre a receita bruta de venda no mercado interno de queijos e leite em pó, integral e desnatado beneficiará consumidor e produtor.

Os ganhos serão obtidos porque na medida em que os preços no varejo caem, mais pessoas têm acesso a produtos lácteos e, conseqüentemente, gera elevação da demanda por leite in natura, havendo repasse dos ganhos ao produtor. A MP do Bem passará a valer somente após obter a sanção presidencial.

Confaz - Uma reivindicação antiga dos pomicultores é realidade em Santa Catarina. O governador Luis Henrique da Silveira ratificou, no domingo 9, a decisão do Conselho de Política Fazendária (Confaz) que determina a isenção de ICMS sobre a produção de maçã no país. A estimativa é que a renúncia fiscal represente R$ 7 milhões anuais ao Estado vizinho.

O Rio Grande do Sul está estudando a proposta do Confaz. De acordo com a Associação Gaúcha dos Produtores de Maçã (Agapomi), o governo do Estado anuncia a sua decisão na próxima semana.

 

Aprobelo exibe vinhos na Fenachamp

 

A qualidade da vinicultura da Associação dos Vitivinicultores de Monte Belo do Sul (Aprobelo) está sendo mostrada na Festa Nacional do Champanha (Fenachamp), em Garibaldi. Presidida por Antoninho Ademir Calza, a entidade conta com 12 produtores de uvas, vinhos e espumantes finos. Com o acompanhamento e suporte técnico da Embrapa Uva e Vinho, a Aprobelo exibe na festa os ‘Vinhedos de Monte Belo’.

Uma única embalagem foi adotada para todas as vinícolas. Com isso, a Aprobelo aposta no fortalecimento da região como uma nova referência para apreciadores da bebida. Todos os produtos das 12 pequenas vinícolas são elaborados com uvas 100% cultivadas em Monte Belo do Sul. O processo é desenvolvido pelos próprios familiares, responsáveis pelo cultivo, colheita e elaboração dos vinhos e espumantes.

 

Sai bolsa estiagem do governo federal

 

O governo federal cumpriu a promessa. O auxílio Bolsa Estiagem, de R$ 300,00, já estava à disposição dos produtores rurais no Banco do Brasil na última semana. Porém, quanto ao complemento de R$ 150,00 do governo do Estado não há previsão de repasse. A União está desembolsando R$ 19,2 milhões para o Rio Grande do Sul. Estão cadastrados para receber a ajuda 63.374 famílias de agricultores, em 433 municípios gaúchos.

A parcela do governo gaúcho foi aprovada pela Assembléia Legislativa por unanimidade na terça-feira 4. São R$ 9,6 milhões do Bolsa Estiagem que vão parar nas mãos dos agricultores que tiveram perdas na safra 2003/2004, causadas pela estiagem ou pelo ciclone Catarina.

No total, cada família receberá R$ 450,00, que deveriam ser pagos em parcela única nas agências do BB. O benefício a ser concedido aos agricultores que não contraíram crédito de custeio no âmbito do Pronaf para o período 2004/2005, e que tenham sofrido perda na produção de soja, milho, feijão, arroz, mandioca e banana, é superior a 50%.

A Federação dos Agricultores na Agricultura no RS lembrou que mais dinheiro é necessário para atender as cerca de 300 famílias atingidas que ficaram fora do Bolsa Estiagem.

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

 

12 de outubro - Dia do Engenheiro Agrônomo

Tenho a satisfação de deixar o espaço de Vida Agrícola desta edição para as mensagens de caríssimos colegas.

 

"Prezado colega José Zugno, a Associação dos Engenheiros Agrônomos da Encosta Superior do Nordeste (Aeane) convida a todos os engenheiros agrônomos, sócios ou não da Aeane, para a comemoração do Dia do Agrônomo, 12 de outubro deste ano, com a apresentação da Orquestra de Sopranos de Veranópolis, às 11 horas do mesmo dia, no Núcleo Universitário da UCS, em Farroupilha. O ingresso será 1 kg. de alimentos não perecíveis, a serem encaminhados a uma instituição de caridade.

Aproveito ainda a oportunidade para saudar a todos os profissionais das Ciências Agronômicas, dedicados ao ensino, à pesquisa e à extensão rural, que atuam no sentido da conservação das nossas riquezas naturais, na produção de matérias primas para a indústria, como madeiras, óleos, fibras, e, sobretudo, ao alto e nobre objetivo de estimular e favorecer a produção de alimentos para saciar a fome da humanidade."

Engº agrº. Charles Pontalti - Farroupilha - RS - Presidente da Aeane

 

"O solo é o maior patrimônio de uma nação. Dele provém todos os bens de que o ser humano necessita, quer alimentares ou não alimentares. O engenheiro agrônomo é o profissional qualificado para dar orientação adequada ao uso do solo, na busca da maior produtividade, constante conservação, e proteção do seu ambiente. O desenvolvimento rural e o excepcional avanço do agronegócio brasileiro nas últimas décadas têm a participação direta e efetiva do engenheiro agrônomo, tanto nas pesquisas, como na extensão rural, tendo sempre o agricultor como agente de produção e parceiro. O Dia do Engenheiro Agrônomo é uma data para se refletir sobre a produção, a oferta, e a qualificação dos alimentos, fatores de paz e fraternidade entre os homens."

Engº. agrº. Lírio Londero - Emater de Feliz - RS

 

"Conscientes da ingente tarefa que temos de servir e da graça da magnífica vocação que recebemos, estamos aqui disponíveis. A ciência e as técnicas agronômicas desenvolvidas nas pesquisas e experiências pessoais, aliadas à labuta dos profissionais de campo, têm servido de alavanca ao incremento, ano a ano, da produção agrícola da imensa Pátria brasileira. É essa missão a que estamos devotados."

Engº agrº. Enio A. Todeschini - Emater de Nova Pádua - RS

 

"Neste dia do engenheiro agrônomo quero ressaltar sua grande importância como participante do processo de desenvolvimento do agronegócio, responsável direto pelo crescimento sucessivo de produção e exportação de produtos agrícolas, gerando empregos e renda. Este profissional eclético, que atua nos mais diversos setores da agricultura, também pensa nas gerações futuras, usando as técnicas necessárias de proteção ambiental para o equilíbrio dos seus recursos naturais: água, solo, plantas verdes, os três fundamentais fatores da natureza interpenetrados pelo ar atmosférico."

Engº agrº. Jorge Pontel - Flores da Cunha - RS

 

"Agronomia: "da ciência para a terra e da terra para a vida". Eis o que representa a profissão do engenheiro agrônomo para a humanidade e o mundo. O Dia do Agrônomo é de reflexão sobre a grandeza e a responsabilidade destes profissionais da "ciência e da vida" perante a sociedade."

Engº. agrº. Camilo Cervo - vice-presidente da região Sul da Confederação dos Engenheiros Agronômos do Brasil (Confaeab)

 

Estabilidade estimula plantio de feijão

Grão pode ocupar área de soja no Estado para o plantio de verão

 

As oscilações no mercado de grãos têm surpreendido o produtor gaúcho, que ainda avalia alternativas para recuperar os prejuízos deixados pela seca. A estabilidade nos preços do feijão preto tem atraído os agricultores e pode ocupar espaço da soja no plantio de verão.

No Rio Grande do Sul, o feijão é tradicionalmente cultivado em pequenas propriedades, com áreas variando de 2 a 15 hectares. O plantio inicia em setembro e se estende até dezembro/janeiro, variando conforme a região. Nos últimos anos, a área plantada se manteve estável em cerca de 100 mil hectares, com produtividade média de 700kg/ha.

Conforme a Emater/RS, até o início deste mês o feijão contava com 55% da área plantada. Isso antecipa um cenário que poderá apresentar um aumento da cultura no Estado em função da alta nos preços de comercialização no país, que atingiu R$ 77,00 (saca de 60 quilos) nos últimos dias.

Ao contrário das outras culturas, o preço do feijão preto não oscila drasticamente há quatro anos, ficando entre R$ 50 e R$ 85. "Da mesma forma, o custo de produção também se manteve, já que o clima do ano passado exigiu pouco tratamento para controle de doenças", explica o produtor de sementes Tarso Barizon.

Colheita - Para o pesquisador da Embrapa Trigo, Airton Mesquita, um dos gargalos da cultura está na colheita. "Com grandes produtores de feijão na Bahia, Minas Gerais e Paraná, uma colhedora custa cerca de R$ 500 mil, o que torna inviável introduzi-la na agricultura familiar gaúcha", esclarece.

Sem maquinário resta ao pequeno produtor a colheita manual ou utilizar a colhedora da soja. "Como a mecanização da soja não está adaptada ao feijão, o processo resulta em depreciação do produto pela quebra de grãos e impurezas, além da perda devido às muitas vagens que ficam na lavoura", conclui o pesquisador Mesquita.

Contudo, apesar do feijão competir em área e período da safra com a soja, ele aparece como uma excelente opção de renda antecipada pelo ciclo-curto e liquidez de mercado. O feijão também serve de rotação com o milho.

 

Pesquisa incentiva cultivo de mirtilo

 

A pesquisa com o mirtilo encontra-se mais adiantada no Brasil do que nos países vizinhos. Os trabalhos técnicos concentraram-se nas áreas de melhoramento genético e fitotecnia. "O Brasil tem uma posição de vanguarda na pesquisa continental da espécie", diz o agrônomo da Embrapa Clima Temperado Luiz Eduardo Antunes.

Os avanços da pesquisa foram apresentados em Buenos Aires no Simpósio Internacional de Blueberry (nome inglês da espécie). A reunião também discutiu a colocação dos mirtilos produzidos nos países do Cone Sul no mercado internacional. A expectativa é de que as áreas cultivadas cresçam no Brasil, especialmente no Sul, bem como o consumo do fruto, devido a presença de substâncias benéficas à saúde.

 

Uva e laranja, opção da Corol no Paraná

 

Um projeto idealizado pela Cooperativa Agroindustrial de Rolândia (Corol) pretende, em médio prazo, fomentar o plantio de uva e laranja em grande escala. O projeto busca ocupar mais de 5.000 hectares com o cultivo das duas culturas nos 23 municípios que compõem a Associação dos Municípios do Norte do Paraná. O plano tem a participação da Emater.

O programa, denominado Projeto Integrado da Laranja e da Uva é desenvolvido pela Corol desde o final da década de 80 na região de Rolândia.

A citricultura foi a primeira a ser explorada pela cooperativa Corol. Com a implantação de uma unidade industrial para produzir suco concentrado para exportação, no ano de 2001, a cooperativa descobriu a possibilidade de, também, explorar a viticultura.

 

SAÚDE

Osteoporose atinge 10 milhões de brasileiros

Mulheres são as principais vítimas do enfraquecimento da massa óssea

 

Em 20 de outubro é Dia Mundial de Combate a Osteoporose. A doença já é considerada um problema de saúde pública. No Brasil, atinge 10 milhões de pessoas e pode levar a complicações que causam a morte de 200 mil todos os anos. Dados da Universidade Federal de São Paulo apontam que 20% das mulheres na pós-menopausa e 13% dos homens com mais de 70 anos apresentam a doença.

A osteoporose se caracteriza por uma perda progressiva de cálcio do organismo, tornando os ossos porosos e frágeis, o que quadruplica os riscos de fraturas. As principais vítimas são as mulheres na pós-menopausa, quando o organismo passa a produzir menos estrogênio, um hormônio que, entre outras funções, protege os ossos. Nessas mulheres, a doença costuma se manifestar de 15 a 20 anos depois da menopausa. Há também a osteoporose senil, relacionada ao envelhecimento, e a secundária, decorrente do uso continuado de remédios feitos com cortisona, de problemas na tireóide, de doenças hepáticas, renais, endócrinas e sangüíneas.

Se não tratada, a osteoporose progride sem sintomas por um longo tempo, até que os ossos começam a se quebrar. Num primeiro momento, surgem microfraturas, muitas vezes na região da coluna, o que causa encurvamento e diminuição da estatura. Depois, começam a acontecer as grandes fraturas, principalmente nos ossos do quadril, da coluna, das pernas e dos punhos.

Essas fraturas podem provocar danos físicos, sociais e emocionais no paciente. Segundo os especialistas, entre os idosos, quase 50% ficam dependentes da ajuda de outras pessoas pelo resto da vida e cerca de 20% acabam morrendo no primeiro ano depois da fratura, pois ficam imobilizados e, muitas vezes, confinados por um longo tempo, além de serem submetidos a cirurgias complicadas. As pesquisas já comprovaram que de cada quatro pacientes que fraturam o quadril, apenas um volta a andar, dois ficam presos a bengalas e cadeiras de rodas e outro morre.

Genética - É certo que existe um forte componente genético envolvido na manifestação da osteoporose - indivíduos negros, por exemplo, têm ossos 20% mais resistentes que os de raça branca e asiática -, mas os riscos aumentam com os maus hábitos da vida moderna, como sedentarismo, tabagismo, dietas desequilibradas. Ainda que o enfraquecimento dos ossos esteja relacionado à genética e seja uma das conseqüências do avanço da idade, pode ser prevenido e tratado. Para isso, é fundamental que as pessoas se mantenham informadas. Depois dos 50 anos, os médicos recomendam exame anual de densitometria, com o qual é possível quantificar a perda de massa óssea de forma precisa e precoce.

 

Cuidados devem começar na infância

 

Para prevenir a osteoporose os cuidados precisam iniciar cedo. Desde a infância deve-se ingerir quantidade adequada de cálcio e vitamina D para a formação de uma boa massa óssea, que vai sendo acumulada ao longo dos anos. Dos 25 aos 30 anos, o índice de massa óssea se estabiliza até a menopausa ou andropausa. A partir daí, a pessoa começa a perder massa óssea e se não tiver uma boa reserva irá desenvolver a osteoporose. Além da alimentação a atividade física também preserva os ossos (matéria abaixo).

A ingestão ideal de cálcio é entre 1.000 e 1.500 miligramas por dia. Sua principal fonte é o leite e seus derivados (iogurte, queijo). Uma mulher com mais de 51 anos precisa de 1.200 miligramas de cálcio por dia, o equivalente a quatro copos de 200 mililitros de leite. O cálcio também é encontrado em vegetais verdes como couve e brócolis, mas esses alimentos possuem outros componentes que reduzem a sua absorção. Por isso, a fonte animal deve ser privilegiada.

Já a vitamina D pode ser obtida por simples exposição ao sol. Mas atenção, não é preciso permanecer horas sob o sol forte para garantir essa vitamina ao organismo. Para isso, cerca de 15 minutos diários ao sol são suficientes.

 

Caminhada e musculação ajudam a prevenir a doença

 

As atividades físicas que auxiliam na prevenção da osteoporose são aquelas que agem contra a gravidade. De acordo com os especialistas, exercícios na piscina, por exemplo, não funcionam, pois é preciso que haja um certo impacto para estimular o desenvolvimento da massa óssea. Os mais recomendados são caminhada e musculação.

A fisioterapeuta Sylvia Henriques, em sua tese de doutorado "Alterações musculoesqueléticas de risco para quedas em mulheres na pós-menopausa com osteoporose", defendeu a prática desse tipo de exercício. Segundo ela, exercícios com peso e impacto, envolvendo grandes grupos musculares e com ação da gravidade, desde que realizados de forma direcionada e supervisionada por especialistas, acabam estimulando o processo de remodelação óssea, melhorando as condições musculoesqueléticas gerais, diminuindo o risco para quedas e, conseqüentemente, possíveis fraturas.

Sylvia alerta, no entanto, para a maneira correta de se exercitar. Indivíduos com fraturas recentes, densidade mineral óssea muito baixa ou problemas posturais importantes, requerem atenção de profissional especializado, orientando na correção dos movimentos. Alguns exercícios devem ser evitados, como os abdominais. Como uma das alterações ocorridas no indivíduo portador da doença é a acentuação das curvaturas da coluna (corcunda), decorrentes das microfraturas vertebrais, os exercícios abdominais, dentre outros que exigem a flexão do tronco, são contra-indicados, enquanto os exercícios que exigem extensão do tronco devem ser estimulados.

 

Remédio inovador recompõe os ossos

 

Até pouco tempo, a única opção de tratamento para a osteoporose eram os remédios anti-reabsortivos, que retardam ou estacionam a perda de massa óssea. Agora, uma nova substância, a teriparatida injetável, traz mais esperança aos casos severos, pois estimula a formação do osso.

"Com esse remédio, os pacientes podem aumentar sua massa óssea de 25% a 30%", explica o reumatologista João Cavalheiro, de Caxias do Sul. Segundo ele, o medicamento é indicado para casos de osteoporose severa, em que já ocorreram fraturas e o risco de novas é alto.

Porém, o preço da droga limita o acesso da maioria dos pacientes brasileiros. O valor do tratamento mensal é de aproximadamente R$ 2 mil. O remédio vem em uma espécie de caneta descartável com 28 doses. As aplicações são subcutâneas e devem ser feitas diariamente pelo próprio paciente. O tratamento pode durar até 24 meses. Depois, a massa óssea recuperada pode ser mantida pelos remédios anti-reabsortivos.

A FDA, agência que controla a venda de remédios nos Estados Unidos, aprovou recentemente o ibandronato de sódio. Trata-se de um comprimido de uso mensal para combater a osteoporose na pós-menopausa. É o primeiro medicamento já desenvolvido em qualquer área terapêutica a ter essa forma de administração: uma dose oral por mês. É considerado uma inovação, pois o menor número de comprimidos aumenta a adesão ao tratamento. O remédio recompõe e mantém a densidade óssea, prevenindo fraturas. No Brasil, o lançamento está previsto para 2006.

 

OPINIÃO

Fome pelo Velho Chico

Maria Clara Lucchetti Bingemer

 

Conhecendo o imaginário religioso da população que vive no semi-árido, uma obra que já teria início sob o signo da divisão, poderia ter o estigma da maldição

 

O governo deu, no último dia 26 de setembro, o penúltimo passo para tornar real um de seus projetos mais polêmicos. A Agência Nacional de Águas (ANA) concedeu a outorga que permite o uso das águas do rio São Francisco para projeto de transposição. Só faltava o Ibama conceder a licença de instalação para que o governo federal pudesse dar início à primeira fase da obra: a construção de canais e das duas primeiras barragens.

Enquanto isso, em uma pequena capela próxima do rio e da cidade pernambucana de Cabrobó, região na qual o governo pretende construir uma das tomadas de água para a transposição, um homem deixou de alimentar-se. Numa tentativa derradeira de impedir a execução do projeto de transposição do São Francisco, frei Luiz Flávio Cappio, bispo de Barra, interior da Bahia, iniciou ao meio-dia do dia 26 de setembro uma greve de fome. Este gesto extremo pretendia sensibilizar o governo federal a rever sua decisão de executar a transposição. A posição de realizar a qualquer custo esta obra, que todas as instâncias comprometidas com a defesa da terra e da vida qualificam como desastrosa, impediu um verdadeiro debate. E esse debate deveria ser sobre as ações necessárias para garantir qualidade de vida e segurança hídrica ao povo do Nordeste.

A transposição é um projeto que pretende levar as águas do rio por meio de canais e dutos para 12 milhões de nordestinos que sofrem com a seca no semi-árido. No entanto, ainda há dúvidas se o rio tem vazão para sustentar o projeto, orçado em R$ 4,5 bilhões e que divide opiniões até dentro do governo. O projeto enfrenta resistência dentro do ministério do Meio Ambiente, responsável pela liberação da licença.

O ministro Ciro Gomes, da Integração Nacional, argumenta que a obra não resolverá o problema da seca, "mas dará segurança de abastecimento para parte da população do semi-árido". O governador João Alves, de Sergipe, sustenta que a obra beneficiaria apenas os criadores de camarão e a agricultura irrigada, prejudicando as populações ribeirinhas.

Líderes populares afirmam que em todo o processo a população do São Francisco foi sistematicamente ignorada e a situação degradante do rio minimizada. O governo nunca colocou possibilidade de alternativas ao projeto. A situação agravou-se mais ainda quando se começou a falar em construir mais duas barragens logo abaixo de Juazeiro. Levantava-se a possibilidade de erguer duas usinas atômicas em Belém do São Francisco. Aproximava-se a instalação de um verdadeiro "leilão de águas". À boca pequena, dizia-se que o mercado da água é mais lucrativo que o mercado de energia.

Quando a razão esgota suas possibilidades, é necessário que gestos de outra natureza e profundidade entrem em ação. Quando as palavras, os protestos, os argumentos já não são ouvidos, só os gestos falam. As pessoas mais próximas a dom Luiz declaram ser ele um homem extremamente responsável. Tudo em sua decisão foi muito pensado e amadurecido, ponderado na reflexão, na oração e na partilha fraterna com o povo a quem serve e ama.

Em lúcida e comovente declaração que acompanhou carta por ele escrita ao presidente Lula, o pastor expôs sua decisão e motivações. Declarou que permaneceria em greve de fome até a morte, sem suspendê-la, a não ser que ocorresse a reversão da decisão sobre a transposição. Disse ainda que caso viesse a falecer, gostaria que seus restos mortais descansassem junto ao Bom Jesus dos Navegantes, "meu eterno irmão e amigo, a quem, com muito amor, doei toda minha vida, em Barra, minha querida diocese."

Na aurora do cristianismo, Paulo de Tarso falava da loucura da cruz que é sabedoria de Deus. É essa loucura que dom Luiz desejava que falasse através do oferecimento de sua vida em favor da vida. E para ele, claramente, a vida passa "pela necessidade urgente de revitalização do Velho Chico e de ações que garantam o verdadeiro desenvolvimento para as populações pobres do Nordeste: uma política de convivência com o semi-árido para todos, próximos e distantes do rio".

D. Luiz não recuou. Encerrou a greve de fome após o governo dar garantias de atendimento a seus pedidos, em especial a revitalização do São Francisco. Qualquer pessoa que conheça o imaginário religioso da população que vive no semi-árido sabe o que representaria uma obra nascida e construída sobre a morte de um bispo. Se já teria início sob o signo da divisão, poderia ter o estigma da maldição.

 

Diga não às armas e sim à vida

Frei Betto

 

Menos armas, menos mortes. A violência não resulta da miséria, e sim da falta de cultura humanista. A paz não virá como resultado da imposição das armas. Uma civilização do amor jamais será conquista de espíritos belicistas

 

Há organismos multilaterais que, de fato, funcionam como unilaterais. Aparentam muitos lados e possuem uma só face. É o caso do FMI. Nunca fez o gesto generoso de sugerir a um país devedor reduzir o seu superávit primário. Para quem não domina o economês, superávit primário é a porcentagem do PIB que o governo economiza para destinar aos credores. Dinheiro que deixa de ser aplicado no combate à fome, na saúde e na educação, e é canalizado para pagar a dívida e(x)terna.

Dom João VI, ao retornar a Portugal, limpou os cofres. O governo negociou com a Inglaterra empréstimo de 3 milhões de libras. Foi o primeiro mau passo, pois o dinheiro era para pagar dívidas e compensar desequilíbrios do orçamento, e não para incrementar a produção e gerar riquezas. Entre 1824-25, o Brasil tomou lá fora o equivalente a 12 mil contos de réis. Levou quarenta anos para resgatar 5 mil contos, e gastou com juros 60 mil contos, cinco vezes o que recebera. Martim Francisco, primeiro ministro da Fazenda, considerava perniciosos os empréstimos externos.

Quando FHC terminou seu segundo mandato no governo, o superávit era de 3,75%. Entrou Lula e subiu para 4,25%. Queria acalmar o mercado, que o fitava com olhos apreensivos. Os 4,25% constam no papel. Na prática, o governo enxuga mais dinheiro do mercado do que supõe a nossa vã impressão. Em 2003, o governo teve em mãos, para novos investimentos, apenas R$ 8 bilhões. E via superávit canalizou R$ 65 billhões para amortizar os juros da dívida. A previsão para 2006 é o governo dispor de apenas R$ 12 bilhões, e entregar aos credores R$ 179 bilhões. Por muito menos Tiradentes reagiu.

Existe um outro organismo multilateral chamado OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico). Reúne 30 países ricos. Para cada US$ 1 destinado à cooperação, os trinta desembolsam US$ 10 para atividades militares. O dado é do Relatório do Desenvolvimento Humano, ONU/2005.

Em 2000 foram gastos em armamentos US$ 524 bilhões. Em 2003, pós-Bin Laden, US$ 642 bilhões. Aumento de 25%. E em 2003 os 30 países destinaram à cooperação com as nações mais pobres apenas US$ 69 bilhões. Ou seja, 10% do que se aplicou em armas. O caso dos EUA horroriza, como diria meu sobrinho: 1% do seu orçamento foi para a ajuda internacional, e 25% para atividades bélicas.

Toda a ajuda que, durante um ano, aqueles países dão ao combate à Aids representa apenas três dias de gastos com armas. Convém lembrar que a Aids mata cerca de 3 milhões de pessoas por ano; a fome, 5 milhões de crianças por ano. Genocídio. A própria ONU pratica o que critica. Em 2005 ela está gastando mais com a manutenção de seus capacetes azuis em zonas de conflito do que toda a ajuda que os países ricos darão à África.

No Brasil, a 23 de outubro, vamos às urnas decidir se o comércio de armas deve ou não ser proibido no país. Votarei sim. Resposta 2. Pesquisa da Unesco, divulgada a 9 de setembro, demonstra que em 2004 o número de mortos por armas de fogo caiu 15,4% do que se previa. Foram poupadas 5.563 vidas. Graças à campanha de desarmamento do governo Lula.

Entre 2003 e 2004, comparados os números de vítimas de armas de fogo, houve queda de 8,2%. Foram poupadas 3.234 vidas. É um pequeno avanço. Em relação ao índice de mortos é quase nada. Ano passado as balas saídas do cano de revólveres e fuzis, pistolas e metralhadoras, ceifaram 36.119 vidas no Brasil. Se não houvesse campanha de desarmamento teriam sido cerca de 42 mil óbitos.

Graças ao fato de muitos darem adeus às armas, na região Sudeste a queda de mortes por armas de fogo, em 2004, foi de 20,1%, a maior do país. Menos armas, menos mortes. Votar sim no plebiscito de 23 de outubro é dar um sim à vida.

O argumento de que os bandidos continuarão armados é uma falácia. Menos comércio de armas, menos possibilidade de obtê-las. Hoje, bandidos agem sob efeito da droga. Ao ver a vítima armada, atiram para matar. As estatísticas comprovam que uma vítima desarmada tem mais chances de sobreviver do que aquela que porta uma arma.

O país mais violento do mundo são os EUA. Mais de 2 milhões de presos. O que prova que violência não resulta da miséria, e sim da falta de cultura humanista. Quem aprende a gostar de matar bonequinhos virtuais em videogames bebe do veneno belicista. Pesquisa recente revela que, nos EUA, 1,7 milhão de crianças vivem num lar com armas. E 1/3 dos adultos possui revólveres, rifles ou espingardas em casa (www.pediatrics.org). Em 2002, os disparos fizeram 1.400 vítimas entre crianças e adolescentes, dos quais 90% se encontravam em casa quando ocorreu a fatalidade.

Bush acredita que a paz virá como resultado da imposição das armas. O profeta Isaías aponta o caminho inverso: só haverá paz como filha da justiça (32, 17). Uma civilização do amor jamais será conquista de espíritos belicistas.

 

TRANSPORTES

Catarinense é o melhor motorista do Brasil

Marcos Simioni, de Concórdia, venceu competição com 11,5 mil concorrentes

 

"O melhor motorista é aquele que trabalha 20, 30 anos e se aposenta sem nunca ter causado um acidente". A modéstia que o catarinense Marcos Antonio Simioni, 35 anos, demonstrou ao receber o prêmio como "Melhor Motorista de Caminhão do Brasil", competição da qual participaram mais de 11.500 motoristas, não lembrava nem de longe a exuberância com que superou obstáculos que exigiram conhecimento, equilíbrio e muita perícia.

A prova final da disputa promovida pela Scania e um grupo de empresas parceiras, entre elas a Guerra de Caxias do Sul, foi realizada dia 30 de setembro, em São Paulo. Dela participaram os vencedores das 12 etapas regionais, iniciadas dia 2 de julho, em Porto Alegre, e encerradas dia 18 de setembro, em Rondonópolis (MT).

"Dirigir é fácil. Difícil é ser responsável no volante 24 horas por dia", declarou o campeão logo após descer do pódio, no qual teve a companhia de Adriano Carmo de Melo, 29 anos, de Goiânia (segundo colocado), e de Eber Carlos de Arruda Dias, 26 anos, de Rondonópolis (terceiro). "Mais difícil é estar aqui na frente de vocês", respondeu, durante entrevista coletiva, ao ser questionado se era mais fácil realizar as provas ou dirigir na estrada.

Simioni, natural de Concórdia (SC), aprendeu a dirigir quando tinha nove anos, com a ajuda do pai. Em 1993 foi para a estrada, mas nos últimos cinco anos atua na administração da sua empresa de transportes. "Na falta de motorista, ainda faço umas viagens", afirmou. A distância do volante de caminhão aproximou-o ainda mais da educação para o transporte. "É preciso estar informado, participar de cursos, conhecer a legislação, para poder cobrar dos motoristas que trabalham para mim", explicou, depois de citar a Fundação Adolpho Bósio (Fabet), de Concórdia, que integra programa de educação para o transporte desenvolvido pela Scania, onde fez curso de "direção eficaz" no início deste ano. "Isso me ajudou muito a ganhar a competição", reconheceu Simioni, que recebeu como prêmio uma viagem, com acompanhante, à Suécia, com direito a escala na Alemanha para assistir a um jogo da seleção brasileira de futebol na Copa do Mundo de 2006.

2007 - A segunda edição da competição será realizada em 2007, confirmou o diretor geral da Scania Brasil, Christhoper Podgorski, empolgado com o resultado obtido. Um dos motivos: o mesmo evento na Europa, com competidores de 25 países, atraiu pouco mais de 12 mil motoristas - praticamente o mesmo número alcançado no Brasil. A próxima disputa deverá reunir também os melhores de outros países latino-americanos. A intenção é envolver Argentina, Peru, Colômbia, Chile e México.

O entusiasmo gerado pelos números contagiou outro objetivo da promoção: conscientizar o motorista. "Esta é uma semente para conscientizar o motorista de que ele pode fazer a diferença na segurança na estrada", afirmou Emanuel Queiroz, diretor de marketing da Scania.

 

Técnicos dimensionam prejuízo da sobrecarga

 

Dos 160 postos de pesagem instalados nas rodovias federais, apenas 18 estão funcionando. Outros 22 foram estão em fase educativa e a meta para o ano que vem é de ativar plenamente 70 balanças. A informação foi dada por José Augusto da Fonseca Valente, secretário de Política Nacional do Ministério dos Transportes, durante o Seminário de Transporte e Segurança, realizado no mesmo dia e local da finalíssima do melhor motorista de caminhão do Brasil.

Valente divulgou esses dados logo após a participação do assessor técnico da NTC&Logística, Neuto Gonçalves dos Reis, que mostrou os resultados de estudo realizado pela USP de São Carlos sobre os efeitos do excesso de peso nas rodovias. "Ganhar mais carregando peso acima do permitido é ilusão. O excesso aumenta os custos operacionais, reduz a vida útil do veículo e causa acidentes", afirmou Neuto. "A lei da balança é favorável ao transportador, e não o contrário", reforçou.

O estudo concluiu que uma sobrecarga de 50% quintuplica o desgaste do pavimento das rodovias; se o excesso for de 20%, mais do que dobra. Um caminhão com apenas 7,5% acima do peso fixado pela legislação, percentual considerado tolerância legal, diminui em 25% a vida útil do asfalto. O técnico salientou ainda que a má divisão de peso por eixo é que deteriora o pavimento, e não o peso total.

Sem condições de fiscalizar, o governo busca combater o excesso de peso com uma solução em parceria com a iniciativa privada. Está sendo desenvolvido um dispositivo para ser instalado na carroceria que vai indiciar quando há sobrecarga. "Uma espécie de cargógrafo", classificou Valente.

 

ESPECIAL

LUTA DE DOM CAPPIO CONTINUA

Um acordo com o governo para suspender projeto de transposição do São Francisco encerrou greve de fome do bispo, mas a mobilização em favor do rio continua

 

Depois de quase 11 dias ingerindo apenas água, dom Luiz Flávio Cappio, bispo da diocese de Barra (BA), encerrou na quinta-feira, 6 de outubro, sua greve de fome contra a transposição do rio São Francisco. A extrema atitude de dom Luiz de permanecer em greve "até a morte" se o presidente Lula não revogasse e arquivasse o projeto de transpor águas do São Francisco para o sertão nordestino só foi suspensa depois de um acordo fechado com o governo através do ministro das Relações Institucionais, Jacques Wagner.

O ministro conversou com o bispo durante cinco horas a portas fechadas na capela São Sebastião, interior de Cabrobó (PE), onde o frade estava instalado desde o dia 26 de setembro. Depois de afirmar que ficava suspenso seu "jejum pela vida", dom Cappio disse que o governo se comprometeu a suspender o início das obras de transposição durante o período em que o projeto volta a ser discutido no país. "Se o acordo (com o governo) não for cumprido, volto para Cabrobó", declarou o bispo. Dom Luiz deverá ir a Brasília para se encontrar com Lula, que prometeu revitalizar o rio antes da transposição.

Após anunciar o fim da greve, o bispo pediu a continuidade da mobilização contra a transposição. "Não estamos terminando, estamos começando. Se esse debate não caminhar agora, voltaremos à estaca zero", disse o bispo. Dom Cappio ficou 246 horas bebendo apenas água do rio São Francisco. Ao terminar a greve já sentia dores no corpo e falta de ar.

Milhares de pessoas, entidades, autoridades e a própria Igreja manifestaram apoio e solidariedade a dom Luiz, mas diversos bispos, a CNBB e até o Vaticano questionaram a decisão extrema do religioso. O prefeito da Santa Sé, cardeal Giovanni Battista Re, enviou uma carta às vésperas do fim da greve recordando que "é necessário conservar a vida, dom de Deus e a integridade da saúde. Em nome da Santa Sé, peço firmemente que não prossiga com esse gesto radical".

Durante uma missa presidida pelo núncio apostólico dom Lorenzo Baldisseri em Cabrobó, dom Cappio pediu perdão por ter agido "até o extremo" e pelos "embaraços e sofrimento que causou à Igreja".

 

Campanha do bispo pela revitalização do São Francisco iniciou há mais de 30 anos

 

Dom Luiz Flávio Cappio, OFM, que completou 59 anos no dia 4 de outubro, festa de São Francisco de Assis, vem lutando há 30 anos em defesa da revitalização do rio. Ele conhece como poucos a dura realidade dos povos ribeirinhos, o abandono em que se encontram mais de 2.500 comunidades localizadas ao longo dos 2.700 km do rio, a maioria sem água encanada, mesmo as que estão a poucos metros do Velho Chico. Ardoroso defensor do meio ambiente, o bispo também luta contra a degradação das margens, a poluição do rio e o assoreamento do São Francisco, que já reduziu sua navegação de 1.000 para 600 quilômetros.

A luta do bispo é contra o projeto de transposição e em favor de soluções verdadeiras e sustentáveis para a região semi-árida. Em carta ao povo do Nordeste, escrita durante a greve, dom Luiz recorda que os mesmos problemas enfrentados no sertão são vividos a poucos metros do São Francisco. "Ter água passando próxima não é a solução, se não houver a justa distribuição da água disponível". E enumera como alternativas o aproveitamento racional das chuvas, dos riachos temporários, das águas subterrâneas através da construção de reservatórios, cacimbas, poços artesianos etc.

No domingo 9, em Juazeiro (BA), dom Cappio deu a entender que esperava mais do presidente em favor do povo sertanejo. "Lula perdeu a dignidade e o compromisso com a população mais humilde".

 

Salvar o Velho Chico da destruição mortal

Itamar Vian

Arcebispo de Feira de Santana - BA

 

Opará foi o nome dado ao rio pelas populações indígenas. Opará significa Rio-Mar. Quando os primeiros europeus por aqui chegaram "descobriram" o rio num dia 4 de outubro, dia da comemoração de São Francisco e batizaram o Rio-Mar com o nome de São Francisco.

O Velho Chico nasce no meio de terras ricas do sudoeste de Minas e distribui vida às terras secas do sertão nordestino. Seu curso principal de 2.760 km atinge 446 municípios em sete unidades da Federação. O rio é o pai e a mãe de 14 milhões de habitantes, animais, plantas e aves.

O rio, que sempre foi um caminho de vida, com a chegada dos primeiros europeus, tornou-se também um caminho de morte. Foi a estrada que possibilitou a rápida penetração dos conquistadores no interior da nova colônia em busca de riquezas consumidas na metrópole. Esta é a história da expulsão e morte de nossa primeira população brasileira.

Hoje, 504 anos depois, a história se repete. No lugar das numerosas nações indígenas, vemos agora inúmeras populações de pequenos lavradores e pescadores sendo expulsos de suas terras. No lugar dos antigos invasores vemos agora o nome de diversas empresas do Brasil e do mundo.

Não obstante essa situação de agonia mortal, a mentalidade devoradora dos recursos naturais que sempre caracterizou a civilização brasileira, insiste em prosseguir no seu avanço sobre o rio sem medir devidamente as conseqüências. Ninguém fala abertamente que quer a morte do rio, mas enquanto toma-se uma série de medidas para sangrá-lo, não surge uma única sequer para recuperá-lo, conservá-lo e preservá-lo da destruição mortal.

Continuamos, por isso, afirmando que o projeto de transposição do rio São Francisco é uma falsa solução que carece de verdade e de transparência. A solução para todo o semi-árido brasileiro passa por uma nova cultura de convivência, com técnicas apropriadas e numa relação de cooperação com a natureza. O impacto que as cisternas familiares estão operando nas famílias beneficiadas é um bem mais real para o povo que todos os grandes projetos já implantados.

A greve de fome de dom Luiz Flávio Cappio, foi uma atitude extrema, em resposta ao clamor do rio. Resposta a uma situação-limite, onde o rio da unidade nacional é ameaçado em sua condição de gerador da vida para milhões de brasileiros. Quer sensibilizar a população ribeirinha, o Brasil e o mundo do perigo do São Francisco tornar-se um rio morto. O rio São Francisco não pode morrer! Por isso, somos contra o atual projeto de transposição e a favor do projeto de revitalização. Vamos salvar o Velho Chico!

 

COMO SERÁ A TRANSPOSIÇÃO

 

O projeto de transposição prevê a construção de 720 quilômetros de canais de concreto, que levarão a água do rio São Francisco a regiões do semi-árido do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. Também está projetada a construção de 24 reservatórios. A água chegará até eles por aqueduto (canal suspenso) e passagens subterrâneas. Estações de bombeamento, funcionando como elevador, transportarão a água dos reservatórios para os rios receptores. O governo espera iniciar as obras no ano que vem e concluí-las em 2007.

 

EM DEFESA DO PROJETO

 

- O governo estima que 12 milhões de pessoas que vivem em pequenas, médias e grandes cidades do CE, RN, PB e PE poderão ser beneficiadas com o projeto

- O atual projeto reviu propostas anteriores, que previam a captação de até 300 m3/s, reduzindo para 26 m3/s e, com a barragem de Sobradinho cheia ou vertendo, o volume captado passa para 127 m3/s - nesse período, a vazão do rio chega ao pico de 15 mil m3/s

- A captação representa apenas 1,4% da vazão mínima que o São Francisco joga hoje no mar; o rio Piracicaba manda quase 60% para abastecer a cidade de São Paulo, praticamente mesmo percentual que o Paraíba do Sul desvia para abastecer o Rio de Janeiro

- No Nordeste setentrional, a disponibilidade de água é menos da metade do que a ONU estabelece como mínima para a sustentabilidade da vida humana (1.500 m3/s)

- Quando os açudes estiverem cheios, as bombas do projeto serão desligadas. Voltam a ser ligadas nos anos de seca

- O Projeto São Francisco é um empreendimento economicamente viável, socialmente justo e ambientalmente sustentável (ministro da Integração, Ciro Gomes)

- No Nordeste, grande parte da água dos açudes se perde ou pela evaporação, nos anos secos, ou pelo vertimento, nos anos chuvosos. Essa perda deixará de existir. Os reservatórios não precisarão mais permanecer cheios na expectativa de que o próximo ano será de seca.

 

CONTRA O PROJETO

 

- A execução consumirá R$ 4,5 bilhões e a manutenção custará aos quatro Estados beneficiados (CE, RN, PB e PE) de R$ 80 milhões a R$ 100 milhões por ano. Tudo isso para atender diretamente apenas 5% da superfície do semi-árido

- Os gastos com a transposição se refletirão nos custos de água e luz, que serão de cinco a seis vezes maiores que os praticados hoje na região

- Antes de tudo, é preciso concluir dezenas de obras inacabadas ou quase destruídas por má gestão. Há cerca de 180 mil hectares de projetos de irrigação paralisados na bacia do São Francisco, aguardando recursos

- 70% dos açudes públicos do Nordeste não estão disponíveis à população. A influência político-econômica na distribuição da água exercerá grande força

- 70% das águas transpostas serão para criação de camarão, agricultura e indústria; apenas 30% para consumo humano e de animais

- Não há mais cheias no baixo São Francisco, o que prejudica a reprodução dos peixes. Além disso, 18 milhões de toneladas de terra por ano são despejadas no leito do rio e contribuem ainda mais para o seu assoreamento

- As águas da transposição vão passar por terras de muitos proprietários, o que envolverá uma luta de interesses. Para começar qualquer projeto desse nível é necessário fazer também a regularização fundiária na região.

 

IGREJA

QUE IGREJA E PARA QUE FUTURO?

A Igreja precisa recuperar um pouco da simplicidade dos primeiros cristãos, destacando a liberdade frente aos ritualismos e legalismos religiosos, como fez Jesus

Érico Hammes

Sacerdote, professor de Teologia na PUCRS

ehammes@pucrs.br

 

Futurologia é sempre um exercício arriscado. Em algumas áreas, como na economia e na política, existem regras estatísticas para conseguir identificar tendências ou desenhar cenários. No caso da Igreja e dos fenômenos religiosos, os dois últimos séculos mostraram o quanto as previsões podem ser falhas. Não foi Marx quem profetizou o fim da religião. Foram cientistas bem conceituados de outras áreas, filósofos e pensadores anteriores a Marx. O chamado secularismo, que ocupou boa parte das preocupações de muitas instâncias da Igreja, não nasceu no Brasil e nem na América Latina, mas naqueles países que mais tradicionalmente se diziam cristãos.

Por outro lado, a profecia do fim da religiosidade, com a instauração de uma sociedade sem Deus, se mostrou inteiramente errada a partir da segunda metade do século XX. Desde 1980 é cada vez mais comum ouvir falar em "volta do sagrado". A religião se tornou um grande e lucrativo negócio, também no Brasil. A Igreja, contudo, perde em números por todos os lugares de catolicismo tradicional.

A pergunta que, no entanto, quase nunca se faz, é como a Igreja atingiu esses números? Como as pessoas na Europa foram levadas ao Cristianismo? Como o catolicismo se tornou a religião das massas no Brasil?

Sabe-se de toda história do cristianismo que muitas vezes as armas, a violência, a coerção e falta de outras opções, ou mesmo a perseguição, acompanharam a proclamação desprendida e generosa do Evangelho. Basta lembrar como o Brasil foi feito país católico. Sob esta perspectiva, nada mais justo do que observar hoje uma reopção religiosa das pessoas. As pessoas estão fazendo uso de seu direito de emancipação da tutela e coerção social e religiosa.

A pergunta mais grave é outra. Há pessoas abandonando a Igreja por que esta não corresponde à sua consciência de dignidade? Há pessoas saindo da Igreja por que esta não lhes dá atenção e nem oferece um sentido de vida?

Desigualdades - Deve lembrar-se que o Brasil, apesar de ser um país tradicionalmente católico, edificou a segunda maior injustiça social do mundo. Temos a segunda maior desigualdade social do planeta. E dentre as maiores concentrações de renda do país, não faltam católicos. Muitos setores e grupos da Igreja do Brasil, incluídos movimentos, ordens e congregações religiosas, infelizmente foram e são coniventes com a injustiça social. Por outro lado, também é certo que não faltaram e não faltam muitas pessoas dedicadas às obras de misericórdia. Muitos fariam mais se o evangelho não fosse diminuído em sua exigência social.

A Igreja tem por missão, recebida de Jesus, ser uma fonte de sentido de vida. Biblicamente, esse sentido se constrói pela caridade para com Deus e para com o próximo. A caridade com Deus, no entanto, jamais é possível sem a caridade com o próximo. Quem diz amar a Deus, sem amar seu próximo, é mentiroso (cf. 1 Jo 4,20). Talvez seja esse um dos grandes equívocos da chamada "volta ao sagrado", que se manifesta sob diversas formas. Uma primeira, aparece na religiosidade difusa e sem contornos definidos, na literatura, em eventos, músicas, terapias e assim por diante.

Uma segunda forma insiste exatamente na identidade e na diferença. Não, porém, em base a uma busca de diálogo com a tradição, mas numa pretensa repetição tradicionalista. Em geral são pessoas e grupos animados de profundo sentimento religioso, baseado, muitas vezes, em experiências de "conversão", mas iniciados de forma inadequada com a amplitude do Evangelho. Substituem a grandeza do Mistério Divino por suas leituras estreitadas e discriminadoras. A caridade com o próximo fica reduzida à busca de novos membros e eventuais gestos de assistência social. A maior preocupação está nas fórmulas da fé, sem perceber a diferença entre o texto e seu conteúdo. Suprime-se todo esforço de reflexão e aprofundamento em diálogo e audição com a realidade e as pessoas. Seu poder sedutor está nas pretensas certezas que disponibiliza para as pessoas. Tem-se a impressão de que Deus pode ser capturado em fórmulas determinadas sem o esforço da peregrinação de busca permanente.

Identidade - Bem diferente é o Deus bíblico. Manifesto plenamente em Jesus de Nazaré, nascido e crucificado, revela, sim, sua identidade como mistério inabarcável da existência humana, mas plenamente contagiado, imerso e reduzido na humanidade, para plenificá-la de transcendência. Admitir essa proximidade radical do mistério divino, tem sido uma das dificuldades maiores do cristianismo no passado e, mais ainda, no presente. Ora, essa é justamente sua diferença específica em relação ao instinto religioso humano. Uma religiosidade difusa, por um lado, e, por outro, uma religiosidade sem acondicionamento humano, cósmico e histórico, podem ser populares, mas fogem do Evangelho. A Igreja tem a missão de ser testemunha dessa proximidade da transcendência, no Espírito Santo.

Testemunho - Como se dará esse testemunho? Pela presença qualificada, despojada e desprivilegiada junto às pessoas. Ao contrário do que se poderia ser tentado a fazer, o testemunho da presença divina não consiste em separar-se, em confundir-se com o próprio mistério, refugiando-se em fórmulas e estruturas religiosas arcaicas. Os evangelhos mostram Jesus no meio das pessoas, em contato direto e sem mistificações, comendo e bebendo do que se lhe dava, sem a distância dos sumos sacerdotes, sem a piedade separada dos essênios e sem a pretensão de certeza religiosa dos escribas e fariseus. A profundidade humana, a intimidade informal com o Pai e a liberdade frente aos ritualismos e legalismos religiosos foram as bases de seu movimento. A Igreja primitiva conseguiu afirmar-se graças a esse modo de ser e viver.

Para seu futuro e sua identidade autêntica, a Igreja deverá recuperar um pouco desta simplicidade. Nesse sentido, o maior inimigo da Igreja não são as coisas que seus grupos e movimentos fazem, mas o que deixam de fazer e ser.

 

Poderosos, mas impotentes

Padre Zezinho

O ódio é tão duro que não se ajoelha nem se curva e, raramente, raciocina

 

Para os padrões da época, Holofernes era um gigante e Davi um menino. Mas o estilingue de Davi o derrubou. Saul era poderoso e Davi não tinha exército. Mas Davi entrou na tenda de Saul e só não o matou porque não quis. Pequenas serpentes derrubam poderosos animais e pequenos grupos podem ferir gravemente um povo poderoso. Independente de afirmar quem está certo e quem é mais cruel, fatos são fatos. O atual governo americano precisa agir como um governo irado, porque uma parcela poderosa dos Estados Unidos está irada e não vai admitir outro 11 de setembro. Gigantes não admitem ser desafiados.

Mas há maneiras de governar e de ir ao encalço do inimigo. Entre o povo americano há milhões que garantem que há outro jeito diferente do que tem sido o jeito do governo Bush. Este parece um touro ferido, atacando qualquer um que segure alguma bandeira que o incomode. Invadiu o Afeganistão, depois o Iraque e antes que resolvesse a questão nesses países já declarou seus dois próximos desafetos: Coréia do Norte e Irã. De chifrada em chifrada o touro acaba acertando algum toureiro, mas vai errar 99% das chifradas e provavelmente cairá de cansado, à medida que continuar recebendo estocadas em pontos letais.

Os terroristas procuram exatamente isso. A estratégia é cansar os americanos e levá-los a gastar o que não podem, já que o atual governo não conseguiu as alianças que desejava, ou achou que podia lutar sem elas. Confiou demais no seu poderio bélico contra homens e mulheres dispostos a morrer matando. Bush acha que está salvando a humanidade com sua guerra, que considera justa. Os terroristas acham que salvam o futuro de seu povo ou de sua fé, ao morrer matando milhares de inocentes.

O que está acontecendo com nossos irmãos norte-americanos de formação cristã é que não têm usado de métodos muito cristãos na sua ira. Os terroristas muçulmanos, também nossos irmãos, equivocados no seu ódio sem limites, pecam pelo desejo de sangue. Usar o nome de Deus nesses casos é imaginar que Deus aprova aquelas bombas ou aqueles atos de terrorismo. Ele prefere o diálogo. Mas os guerreiros fazem a guerra e mandam seu povo pagar as contas. Matam e garantem que Deus faria o mesmo. É que o ódio é tão duro que não se ajoelha nem se curva e raramente raciocina. Guerra de retaliação não admite o perdão. Não o admitindo, não admite Deus. Era de se esperar depois de 20 séculos de cristianismo e 14 de islamismo, uma sociedade menos primitiva. Deveríamos ter evoluído para o perdão, mas evoluímos para a guerra digitalizada. Mata-se de longe. O inimigo conhece o rosto de quem mandou matar seus filhos e parentes, mas não vê o rosto de quem executou a sentença. Acontece que nem a vingança nem o terror se importam com rostos humanos. Bebês, enfermos, jovens, adultos ou crianças não contam. Contam as armas e o dividendo político. Guerra rima com luta pela terra. Mas não rima com misericórdia. Rima, sim, nasce e se alimenta da discórdia! E discórdia quer dizer ausência de coração. Precisa dizer mais?

 

Jovens capuchinhos iniciam noviciado

Aspirantes à vida religiosa ingressaram no noviciado em Marau

 

No dia 4 de outubro, festa litúrgica de São Francisco de Assis, 14 jovens aspirantes à vida franciscano-capuchinha ingressaram no ano de noviciado canônico, na província gaúcha do Sagrado Coração de Jesus. A celebração, realizada no santuário Nossa Senhora de Lourdes, em Marau (RS), foi presidida pelo provincial, frei Álvaro Morés. Na mesma celebração oito noviços realizaram a primeira profissão religiosa, depois de um ano de estudo e reflexão.

Ingressaram no noviciado Alisson Brunetto, Carlos Júnior dos Santos, Francisco do Amarante Ruas Neto, Gabriel Francisco Cavalli, José Claudemir Borges, Laércio Duminelli da Luz, Maicon Bocalon, Marcio Bacchi e Roberson Chiarentin, da província do Rio Grande do Sul, e Emmanuel Bristol, Halin David Ramirez Samuel, Jean-Baptiste Bazelais, Jean-Renaud Vilmar e Julien Sylvain Yves Marie Dumay, da vice-província da República Dominicana e do Haiti, que desde agosto de 2004 está vinculada à província capuchinha gaúcha.

"O ano de noviciado tem como finalidade proporcionar a eles a possibilidade de refletir sobre sua vocação à vida consagrada, como freis capuchinhos", salienta o mestre de noviços, frei Lori Vergani, que estará acompanhando os jovens até 4 de outubro de 2006. O noviciado valoriza a formação pessoal, através de leituras, experiências de eremitério, retiro, estudos, envolvimento pastoral e outros momentos visando o crescimento pessoal de cada um e deixando claro o rumo que deseja seguir.

 

Ex-alunos recordam 15 anos de seminário

 

O Seminário São Francisco de Assis de Arroio do Meio (RS), da Ordem dos Frades Menores, comemorou seus 15 anos de atividades com um encontro de confraternização entre os ex-internos da casa, no dia 25 de setembro. Instalado no município do Vale do Taquari desde 1990, abrigou, durante vários anos, estudantes que cursavam o Ensino Médio no Colégio São Miguel. No decorrer da década de 2000, a casa passou a abrigar o postulantado dos franciscanos.

"O encontro foi coordenado pelos freis Paulo Eduardo Müller, Pedro Bruxel e Leandro Defendi, orientadores vocacionais dos franciscanos", conta o ex-seminarista Jacson Miguel Stülp. Junto com o ex-seminarista Felipe Diehl e com os orientadores vocacionais, Stülp integra a comissão que foi formada para organizar o segundo encontro, marcado para o dia 17 de setembro de 2006, data da inauguração do seminário em 1990. Além de organizar o evento, a equipe tem a tarefa de localizar antigos colegas que passaram pelo seminário.

 

Freis programam encontros vocacionais

 

O Serviço de Animação Vocacional (SAV) dos Capuchinhos vai promover, em outubro e novembro, três encontros vocacionais, destinados a jovens que pretendem seguir a vocação religiosa ou sacerdotal. Os três encontros serão realizados no seminário dos capuchinhos de Vila Flores. Iniciam na sexta-feira, no final da tarde, e encerram com o almoço, no domingo.

Esses encontros levam em conta a etapa formativa. O primeiro encontro, que será realizado de 21 a 23 de outubro, destina-se a adolescentes que estão na 5ª, 6ª e 7ª séries. O segundo, de 28 a 30 de outubro, acolherá jovens da 8ª série e 1º e 2º anos do Segundo Grau. O terceiro encontro, de 4 a 6 de novembro, reunirá jovens do 3º ano do Segundo Grau e os que já o completaram.

Frei Djair Galvan, um dos coordenadores do SAV, destaca que os encontros visam deixar clara a caminhada dos jovens vocacionados para os próximos anos. "Os encontros vocacionais ocorrem para que os jovens possam discernir, animar e viver a sua vocação. Uma vocação bem escolhida é a certeza de uma vida mais feliz".

Os jovens que pretendem participar dos encontros devem comunicar com antecedência sua presença. O SAV tem a sede em Caxias do Sul, na rua dos Tanoeiros, 53. Informações pelo telefone (54) 224.4739, com freis Djair ou Raul Suzin, ou pelo e-mail: sav@capuchinhosrs.org.br. Não há gastos de hospedagem.

 

Três religiosos celebram jubileu em Bagé

 

No dia 2 de outubro, na paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Bagé (RS), frei Domingos Collet e irmã Lucila Grings celebraram 50 anos de vida consagrada e frei Paulo Fioravante Zanatta, 25 anos de vida religiosa. Frei Paulo, atual vigário paroquial da paróquia da Conceição, e frei Domingos, que atua na Associação Antoniana, em Caxias do Sul, são capuchinhos. Lucila é irmã franciscana da Penitência e Caridade Cristã.

Três missas de ação de graças, às 10, 15 e 20 horas, marcaram as celebrações jubilares, que contaram com a organização litúrgica e encenações feitas pelas irmãs franciscanas do Colégio Espírito Santo.

Frei Paulo é de Carlos Barbosa, filho de Luiz e Clementina Corbelini Zanatta. Professou em 1980 e foi ordenado sacerdote em 1984. Frei Domingos é de Erechim, filho de Ângelo e Amábile Mazzarollo Collet. É religioso desde 1955. Irmã Lucila, filha de Edmundo e Amália Schneider Grings, nasceu em Chapada (RS); emitiu os votos no início de 1956.

 

Moeda de grande valor

Aldo Colombo

 

O sucesso ou o insucesso de cada um parte da auto-estima. Pessoa que não se valoriza acaba pouco cotada pelos outros

 

Um aluno pediu ajuda ao seu professor. Os outros diziam que ele era lerdo e pouco inteligente e isto fazia diminuir sua auto-estima. O que posso fazer para melhorar? E o professor, sem olhá-lo, disse: sinto muito, mas agora não posso ajudá-lo, devo primeiro resolver meus problemas. Talvez depois. E o professor, tirando o anel do dedo, pediu ao aluno: vá ao mercado e tente vender esse anel, pois preciso dinheiro. E insistiu: não venda por menos de uma moeda de ouro. O jovem tentou, inutilmente, vender o anel. Ninguém dava nada por ele. Apenas um negociante ofereceu-lhe uma moeda de bronze. Desanimado com mais esse fracasso, retornou ao professor.

Sem muito se importar com ele, o professor deu-lhe nova missão: volte à cidade, procure o joalheiro e pergunte quanto ele dá pelo anel. Mas não venda por preço algum. O joalheiro, após examinar com cuidado o anel, afirmou: o máximo que posso lhe dar pelo anel são 62 moedas de ouro! E acenou: com o tempo lhe poderia dar até 75 moedas de ouro... Emocionado, o aluno correu à casa do professor e - com olhos brilhantes - contou a proposta do joalheiro.

Desta vez, o professor mandou que o aluno sentasse e explicou: você é como este anel, uma jóia preciosa e única. Só pode ser avaliado por um especialista. E deu ao aluno este conselho: é necessário que você mesmo tenha consciência de seu valor e esse valor foi fixado por Deus, o Artista que confeccionou esse anel e fixou seu preço em muitas moedas de ouro. E concluiu: com o tempo, a oferta e o número dessas moedas de ouro vão aumentar!

O sucesso ou o insucesso de cada um parte da auto-estima. A pessoa que não se valoriza acaba pouco cotada pelos outros. Há pessoas muito preocupadas com a opinião dos outros e tudo fazem para agradar. Isso significa que aceitam qualquer moeda que lhes é oferecida. E ainda ficam felizes por terem sido aprovadas. Seu lugar será sempre entre os carentes e derrotados. Mas há também pessoas que tomam consciência do seu valor e esse valor não é fixado pelos outros. Cada um de nós estabelece o seu valor, a sua dignidade e isso a partir de critérios objetivos.

Cada um de nós é uma jóia rara e única. Fomos sonhados e lapidados pelo supremo Artista, que é Deus. Ele enviou seu Filho, Jesus Cristo, para nos revelar nosso infinito valor. Mais ainda: Ele morreu para garantir nossa dignidade. E isso nos ensina que os outros também revestem-se da mesma dignidade e são moedas de valor infinito. Isso fazia com que a Madre Teresa de Calcutá desse o melhor de seu tempo e de seu amor a pobres famintos, doentes ou moribundos. Ela conhecia seu valor: eram moedas de valor infinito. E nenhuma limitação - pecado, doença, pobreza - podia desvalorizar essa moeda.

 

Bairro se une para edificar templo

Dedicada a Fátima, igreja caxiense está sendo construída em mutirão

 

A comunidade Nossa Senhora de Fátima, do Bairro Cidade Nova, ligada à paróquia São José do Bairro Desvio Rizzo, Caxias do Sul, realiza, no dia 23 de outubro, a pré-inauguração da nova igreja, que está sendo edificada em regime de mutirão, desde 1999. No dia 23, haverá missa festiva às 11 horas, presidida pelo pároco, padre Juares Bavaresco, e em seguida almoço de confraternização no novo salão, construído sob o piso da igreja.

José Guerra, secretário da equipe administrativa e coordenador das obras, junto com o presidente, Valmir Brunetto, explica que a construção iniciou em agosto de 1999, com a bênção da pedra fundamental, dada pelo frei Aldo Pietrobom. Guerra conta que o bairro é novo. Surgiu em torno do Distrito Industrial de Caxias do Sul e está em fase de crescimento. Diante da necessidade de uma igreja católica no local, foi criada uma comissão administrativa, que está atuando até hoje.

A igreja, com belos traços arquitetônicos e toda em pedra, tem 25 metros de comprimento por 17 de largura. Na parte inferior foi construído o salão comunitário, onde atualmente são celebradas as missas e realizadas as festas da comunidade. No seu conjunto, a obra terá também salas de catequese e reuniões, canchas de bochas, além da cozinha, da churrasqueira e dos banheiros, já prontos. O projeto está em andamento e neste mês foi colocada a cobertura da igreja. Por sua posição, futuramente a comunidade Nossa Senhora de Fátima poderá tornar-se paróquia.

"Apesar das obras adiantadas, da colaboração dos fundadores, do trabalho em mutirão, das arrecadações com festas, doações e outros meios, estamos tendo dificuldades financeiras para dar continuidade à construção", salienta Guerra. A comunidade pretende inaugurar a igreja em maio de 2006, na festa da padroeira, mas para a conclusão das obras a equipe administrativa necessita da comunidade caxiense doações e/ou material. Mais informações com Valmir Brunetto (54) 227.2041 ou com José Guerra 227.2365.

 

Comunidades negras promovem romaria

 

A Pastoral Afro-Brasileira da CNBB realiza, no dia 5 de novembro, em Aparecida do Norte (SP), a 9ª Romaria das Comunidades Negras, com o tema "Negros e negras em busca da igualdade, inclusão e justiça" e com o lema "Com a Mãe negra, na luta pela igualdade racial". Às 10 horas será celebrada a missa afro-brasileira.

 

Encontro motiva para a cultura de paz

 

No dia 21 de outubro, às 19h30, no auditório do Colégio do Carmo de Caxias do Sul, ocorre o debate "Cultura de paz: capacitar multiplicadores para mediação de conflitos". O encontro, assessorado pelo padre Marcelo Guimarães, da Ong Educadores para a Paz, é promovido pela Coordenação de Pastoral da diocese de Caxias do Sul, Escola de Formação Fé, Política e Trabalho, Cáritas e Centro de Estudos, Pesquisa e Direitos Humanos.

"A proposta é capacitar lideranças para mediar conflitos pela não violência ativa", salienta padre Gilnei Fronza, coordenador diocesano de Pastoral. A educação é a âncora para a construção da cultura de paz, ressalta Marlova Noleto, diretora técnica da Unesco Brasil. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (54) 211.5032.

 

Beleza e feiúra

Wilson João

 

Tudo foi criado para ser bonito, mas a mão do homem, sua criatividade, tem a capacidade de enfeiar a obra perfeita de Deus

 

Deus é beleza. Quem não ama a beleza não é de Deus. Nem ama a Deus. Deus não criou a feiúra. Nem criou a dor e o sofrimento. Muito menos a doença e a morte. Nem criou a guerra e as armas. Muito menos o ódio e a agressividade do coração humano. Nem criou o ciclone e a tempestade. Muito menos a destruição e a desgraça.

DEUS É BELEZA. Tudo o que é bonito tem jeito de Deus. Bonito, belo, beleza, boniteza... tudo é expansão da beleza de Deus. Um jardim é simplesmente belo. Um pomar é simplesmente bonito. E quem não se encanta com a beleza da floresta? Somente um desnaturado não se encanta com a beleza de uma flor! Cada flor é uma fonte de beleza. E a beleza dos pássaros? Cada pássaro é um encanto de beleza! E o sol? E os astros? E as noites estreladas? E o brilho do luar? E a chuva que cai sobre a terra sedenta? Além de toda essa beleza natural, que bate gratuitamente em nossos olhos, há o belo do rosto da criança, a beleza de um corpo de mulher, o bonito que vem do corpo de um homem que se conserva com saúde e elegância. Quem ama a beleza, ama a Deus. Quem não ama a beleza está longe de Deus. Não ama a Deus, que é beleza infinita. As pessoas sensíveis à beleza são sensíveis a Deus. Francisco de Assis, vendo beleza em cada criatura, numa ladainha de louvor reza: "Tu és a beleza, toda beleza".

A FEIÚRA É NEGAÇÃO DE DEUS. Como é deprimente o rosto de uma pessoa cheia de raiva e ódio! Como é feio o rosto de uma pessoa revoltada e amargurada! Como é espantosa a violência de um temporal, de um tempo feio. Tudo é criado para ser bonito, mas a mão do homem, a criatividade humana tem a capacidade de enfeiar a obra perfeita de Deus. Assim a música que deve ser beleza, se torna uma violência para os ouvidos sensíveis. Porém, nada existe como feiúra total. Escreveu Exupéry: "O deserto é belo porque nele se esconde uma fonte". Por isso, naquilo que parece feio total, se esconde algo de belo. Deus não ama a feiúra. Nem ama o sofrimento que enfeia a vida. Deus deseja transformar toda a feiúra em beleza, transformar a tristeza em alegria. Assim, Deus ama as pessoas feias para torná-las belas. Amor e beleza vão juntos.

BELEZA É CAMINHO. Beleza é porta. É janela. É um através. Através da beleza a gente vê o Grande Belo, que é Deus. Quem não é sensível à beleza, não é sensível às pessoas, e muito menos a Deus. Sem o amor pela beleza toda pessoa se torna grosseira, dura, fria e insensível. Nossa sociedade materialista perdeu a sensibilidade perante a beleza gratuita. Vê apenas beleza naquilo que pode comprar, possuir, sugar lucro e prazer para si. E a beleza, em si mesma, é simplesmente gratuita. Nem se compra e nem se vende. A pessoa madura e inteira é aquela que sabe parar diante da beleza e se põe a conversar com ela. Ou simplesmente fica olhando e dizendo: "Que beleza! Que lindo!" Essa atitude faz com que os olhos enxerguem muito mais longe do que os astros, e o coração veja muito mais longe que os olhos.

 

Congregação das Irmãs Escolares celebra 70 anos de atuação no Brasil

Primeiras religiosas vieram da Alemanha para Forquilhinha em 1935

 

A congregação das Irmãs Escolares de Nossa Senhora (IENS) completa, no dia 21 de outubro, 70 anos de presença no Brasil. Para comemorar a data, no dia 6 de novembro a Província das Irmãs de Porto Alegre realiza uma celebração solene em Forquilhinha (SC), berço da congregação no Brasil, reunindo toda a família das IENS.

Em 1935, diante da necessidade de uma boa educação para os filhos, diversas famílias de Forquilhinha solicitaram a presença de religiosas na região. Ao mesmo tempo, na Alemanha, o regime nazista havia tirada muitas escolas das congregações religiosas, proibindo-lhes o ensino. Procuradas pelo padre Paulo Linnartz, que atuava em Santa Catarina, cinco irmãs da Silésia (Adolfine Meissner, Maximilia Kaboth, Innigo Sikierski, Emeline Mahlich e Thais Cyranka) partiram para a nova missão chegando a Florianópolis em outubro de 1935 e no dia 21 daquele mês a Forquilhinha.

A partir de Santa Catarina, as irmãs foram para o Rio Grande do Sul (1938), Paraná, Pará, Maranhão e Paraíba, formando a província de Porto Alegre (RS), que atualmente conta com 172 irmãs. No RS atuam em 12 municípios gaúchos, entre os quais Feliz e Fagundes Varela, e contam com 19 comunidades. Em 1937, outro grupo de IENS, também procedente da Alemanha, se instalou em Matão, formando a província de São Paulo, hoje com cerca de 50 religiosas. Além dos Estados já enumerados, também atuam no Mato Grosso e no Piauí.

A congregação, fundada em 1833, na Alemanha, por Madre Teresa de Jesus Gerhardinger, tem como carisma "buscar sempre a vontade de Deus, aspirando a unidade de todos em Deus" e como ministério a educação das crianças e dos jovens nas escolas ("Educamos na convicção de que o mundo pode ser mudado pela transformação das pessoas", dizia a fundadora), a atenção especial às mulheres e aos mais necessitados e a atuação em serviços pastorais, na formação de lideranças, na catequese e nas pastorais sociais (da Criança, da Juventude, da Saúde). A congregação está presente em 36 países, conta com 3.995 religiosas, 217 das quais no Brasil.

"Nos dois últimos anos, a província das irmãs de Porto Alegre marca presença no Timor Leste, através de um projeto missionário de educação para a saúde, em parceria com o Ministério da Saúde, CNBB e CRB. Somos educadoras em tudo o que somos e fazemos", salienta irmã Luiza Perotto, do Conselho Provincial.

 

Portugal doa imagens a santuário gaúcho

 

Desde a segunda-feira, 10 de outubro, as imagens de Nossa Senhora de Fátima e dos bem-aventurados Francisco e Jacinta Marto, os irmãos a quem, junto com a pastorinha Lúcia, a Virgem apareceu na Cova da Iria, em Portugal, no ano de 1917, estão sendo levadas em peregrinação pelos hospitais e paróquias de Porto Alegre.

As três imagens vieram diretamente de Portugal, através de uma doação inédita do Santuário de Fátima ao santuário de Porto Alegre. Foram apresentadas aos devotos durante a festa realizada no dia 9 de outubro pelo Instituto de Educação São Francisco e o Santuário de Fátima da capital gaúcha.

Em Porto Alegre, as imagens dos pastorinhos vão ganhar uma gruta e, certamente, muitos devotos. Francisco e Jacinta morreram ainda na adolescência e foram beatificados por João Paulo II no dia 13 de maio de 2000, em Fátima. Lúcia, a terceira vidente de Fátima que se tornou religiosa carmelita, morreu no dia 13 de fevereiro de 2005, aos 97 anos.

 

Médicos e Igrejas são os mais confiáveis

 

Dados divulgados no Boletim Informativo do Regional Sul 3 revelam que a Igreja Católica aparece em segundo lugar numa pesquisa sobre confiabilidade nas instituições. O levantamento foi realizado por um instituto de pesquisa nacional de 18 a 22 de setembro, em 143 municípios do Brasil.

A pesquisa ouviu 2002 eleitores que responderam à pergunta: "Você confia ou não confia nas seguintes instituições?". Em primeiro lugar aparecem os médicos – 81% confiam neles. Em seguida desponta a Igreja Católica, com 71% de confiança, seguida pelas Forças armadas (69%), Jornais (63%), Televisão (57%), Rádios (56%) e Igrejas Evangélicas (53%). Os menos confiáveis são os políticos, com apenas 8%, seguidos dos partidos políticos (10%), e Câmara dos Deputados (15%).

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

O italiano que está em você

Lídio João Dal Pozzo

Industrial, Matelândia-PR

 

Lídio João Dal Pozzo, nascido em Paraí (1948), industrial em Matelândia-PR, ex-aluno dos seminários de Nova Prata, Caxias do Sul, Toledo e Curitiba, cultiva uma italianidade radicada na renúncia e na fé:

 

Descendente de Família vinda de Rotzo, no altiplano de Aziago (Vicenza), me sinto livre em relatar minha história. Sou feliz porque tive como catequista o Pe. Félix Busatta, querido pai espiritual do então pequeno Paraí. Há 50 anos, com outros colegas, me preparava à Primeira Comunhão, o grande sonho da vida, depois de termos aprendido a responder à pergunta - Para que vivemos neste mundo - com estas alegres palavras: - "Vivemos neste mundo para amar e servir a Deus, e sermos felizes com ele no céu".

Mamãe nos ensinava o catecismo, e papai buscava os meios para vivermos dignamente. Mamãe nos fazia sorrir ao nos ensinar o Sinal da Cruz, a balbuciar o Pai-Nosso, a cantar Mãezinha do céu... Que momentos sublimes, que nos revelaram o Deus do Amor, da Alegria e da Felicidade. O amor da mãe nos revelou o amor de Deus, e o amor de Deus nos revelou o amor de nossa mãe da terra e do céu.

"Não nos deixeis cair em tentação" era a parte do Pai Nosso que Pe. Félix nos ensinou como caminho da vitória. Mas, quais tentações a vencer? - Não eram muitas, mas grandes para nós quatro meninos, mais os anjinhos que mamãe invocava para nos protegerem, e os gatos que, às escondidas levávamos à cama, quando, de manhã, sonolentos, afundados em nossos colchões de palha de milho, envoltos em cobertores de penas, tínhamos que vencer a preguiça, saltar da cama, fazer o sinal da cruz, lavar o rosto, rezar as três ave-marias, ajudar nos trabalhos de casa e, depois do café, ir à colônia. Outra tentação a vencer era, ao receber um doce da madrinha, não comê-lo logo, e oferecer um sacrifício pelas almas do purgatório, e deixá-lo para comer depois, ou fazer um sacrifício ainda maior, repartindo-o com um amiguinho que não recebera nada.

"Respeitar os mais velhos, cumprimentar as pessoas, jamais levar para casa alguma coisa alheia, porque roubar é pecado", eram ensinamentos do Pe Felix, que dizia: "Se alguém roubar, precisa confessar, mas antes deve devolver o que roubou, porque não se engana a Deus."

Não existia, então, o Estatuto da Criança, que forma molóides, como diz frei Wilson João. Fomos educados ao trabalho para viver e vencer a preguiça, pois quem não tem nada a fazer, diziam meus pais, o diabo arranja serviço para ele.

Pais e sacerdotes nos preparavam para a vida. Vendo árvores teimosas, crescendo nas montanhas, em meio às pedras, onde pareceria impossível, perdendo folhas nas secas, reverdecendo nas chuvas, recordei que, em crianças, eu e meus irmãos aprendemos a arrancar vida de um osso ou de uma perna de galinha com que mamãe nos distraía quando, desesperados, chorávamos de fome. Hoje também precisamos nos privar de confortos, para superarmos provações.

Às portas da terceira idade, agradeço a Deus pelo Pe. Félix, pela vara que meus pais usaram, e pelas dificuldades que tive na vida. Sou feliz pela fé recebida e pelos desafios superados, com o exemplo dos antepassados que se desencravaram das rochas de Rotzo, para se plantarem nesta nova realidade. Que o Pe. Félix e os nossos antepassados iluminem nossos filhos, para superarem a alienação da comunicação, do comodismo e do consumo, para edificarem sua italianidade pela fé, pelo trabalho e pela alegre renúncia, para a conquista da própria liberdade. E-mail: britaoeste@bol.com.br

Lídio atesta os caminhos simples, mas seguros, que fizeram a vitória de nossos antepassados e serão nossa certeza de nosso sucesso também. (Rovílio Costa)

 

EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (330)

Nanetto el riva a San Giusepe, a casa de Àndolo

Silvino Santin

Santa Maria (RS)

 

Nanetto el riva pròpio al scurir. Le stele e la luna le scomissiea intacarse. Le galine romai le gera tute rento el punaro, vache, porchi e bèstie goernade. La sena a tola e la fameia de Àndolo la gavea finio de dir su le orassion, tuti pronti par parar zo i primi boconi.

Là fora i can i taca sbaiar e corer verso la strada, e Nanetto, el ghe osa: come zela Totò, Jolì, Sigana,Tarugo, no me cognossì pi!? Son mi, Nanetto. I can, al sentir la ose de Nanetto, i se ferma de sbaiar, i sgorla la coa, i ghe salta dosso, i ghe snasa i pié, le scarpe le gavea in man par sparagnarle, anca se le fusse mede vecete, i ghe leca la fàcia. E Nanetto, co le man piene, el proea urtarli via come el podea.

Quei de casa, al sentir sto bacan, i mola el bocon, i salta fora e i ghe va d’incontro a Nanetto, tuti contenti. Nanetto l’era come se’l fusse dela fameia, tuti i ghe volea ben. La Gelina, ela, poareta, la piandea de comossion.

In medo sta confusion, la Catina, come tute le parone de casa, la dise: ben, adesso ndemo senar, senò la polenta la vien freda, e i radici i se brusa col aseo, e la ciama: vien, Nanetto, che ghe ze anca na bela fortaia de séole e salame.

Nanetto, co’l sente parlar de polenta, radici e fortaia, el va rento drito, ma prima el porta la maleta in te la stansa, el se fa su le màneghe, el se lava le man e la fàcia, par tirar via la pólvere dela strada, el se suga col sugaman, no’l se sméntega de far almanco el segno dela crose, e el senta rente la Gelina, che la resta meso invergognada. E, come sempre, sensa serimònie el impienisse el piato, ma anca, dopo de un giorno de gran negòssii e caminar par strade in tute le diression, riva in su e riva in zo, e el scomìssia parar zo de gusto.

Se anca el apetito de Nanetto l’era grando come el mondo, e el gavesse el piato pien lì davanti el naso, poareto, el ghe ga metesto pi de mesa ora par senar. Tuti i volea saver come el gera stà el so viaio, cosa che’l gavea fato, cossa che’l no’l gavea fato; come i gera i taliani de la Quarta Colònia, se i magnea, anca lori, polenta, radici consai col lardo e fortàia, da che Nanetto, con quel piaton pien, el parea che l’era tanto tempo che no’l ghin magnea più. Così no’l fea ora risponder na domanda e meter un boconeto in boca, che ghin vegnea due tre al colpo. Sol la Gelina, la ga ris-cià dir, poareto, lasselo che’l magne, dopo sena podemo contàrsele.

Sicuramente l’è stà la sena pi longa che se ga vedesto a casa de Àndolo, ma la se ga finio. Quando tuti i se pareciava par scoltar Nanetto, vien fora Àndolo e el dise: ben, tosati, no podemo assar de dir su la corona. Dopo, chi no dorme, i pol star su e scoltar le stòrie de Nanetto fin el spontar del sol. Diman ze sabo, ghè pochi laori da far in colònia e le scole le scomìssia sol la stimana che vien.

Nissun ga dormio, gnanca i picoleti. Par luri no ghe ze mai stà na corona così longa, no la se finia mai, i la ga finio sensa el ùtimo segno de crose.

Pena finio de dir su la corona, Nanetto el va in stansa, el vien fora co la maleta, ghe la dà a la Gelina. Ela la verde, rento ghe gera diversi fagotini. Tre i gera par ela stesso, romai lo savì, la roba de seda fioria pal vestì, le scarpete e i recini. Un l’era par la Catina, el gavea un fassoleto de ligar in testa; nantro, pi picoleto, el gavea na brìtola par Àndolo; e, par finir, un bel pacoton de rapadure con mandolini pai tosatei. Questi tuti regali de Angelin e la Marieta là de la Quarta Colònia.

Finia la distribussion dei presenti, quando la Gelina la gera drio sarar la maleta, casca fora la patatina de oro. Nanetto la gavea assà aposta, par mostrarghe le so braure. E le stòrie, se pol induvinarla, le ga scomissià par la stòria dele patatine, e i la ga tirada longa fin el cantar dei gai, passà meda note.

 

VITA STÒRIA E FRÒTOLE

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

"Nono, parché ndar in Mèrica?"

Léo Peruzzo Júnior

Carlista, estudante de Filosofia, Curitiba - PR

 

Questa stòria el nono Joanin la ga contada al so nipote Giusepin, parché vegner in Mèrica e parché tochea laorar par el sostegno dela fameia. El nono ghe parlea:

- A Énego (Vicenza), quei pi veci i disea che la guera per unir l’Itàlia tel 1870 la finia con la colònia, e el fredo copea tuto, parché no dea par piantar gnente. Tuto: piantaion, fiori, piégore, colombe e vache moria del fredo e dela fame. Nel potrer no nassia gnanca un fil de fien, e la neve l’era alta du metri.

Me ricordo mia che ano ze stà che gavemo scoltà che in Mèrica el goerno el dea un toco de tera par piantar qualcosa e poder viver. La mama la gavea sinque fioi quando semo vegnesti: Giovanna, la pi vècia, con disdoto ani; Agostino, quìndese; Ângelo, dódese; Giovanni, diesi ani e, el pìcolo, el bambin Luigi, con sete ani. El nono el me contea che’l gavea voia de piander nela nave, parché pensea che ndeino morir de fame e dopo i me butaria al mar.

Rivai in Rio Grande nel 1890 col vapore Àdria, semo ndai a la Linha Rebouças in Alfredo Chaves, dove ancora no ghe zera nessun. Semo stai là do tre ani, e dopo ghemo ris-cià ndar a Grotera - Guaporé (RS). La nona, che la gavea pi de setenta ani, l’è stata mesa mata de tanto tribolar coi fioi, laorar par far la casa e pregar a la doménega in cesa, senò el prete el restea cativo come na brespa.

Na volta, ghemo fato na caponera par meter rento le galine, e el giorno dopo, de matina, vardemo, e ghemo catà sol le ale dei polastri. La bèstia li gavea magnai tuti! Ve’n conto nantra: A gaveino un mastel, e el zio Chino lo ga roto con la manera, de cativo che’l ze restà parché se gavea finio el vin. No zelo mia de piander?!

Cossì semo vegnesti in Mèrica, parché cateino che qua la vita zera meio. Ancoi, me fa mal per tuto de tanto tribolar: i denoci, le gambe e fin un òcio. Nte sti ani che semo qua, mi anca volaria dirte, Giusepin, che ze stà in Mèrica che gavemo maridà i fioi e gavemo piantà le semense del amore.

Giusepin el ghe dise:

- Nono, gràssie per le parole, desso go capio parché sì vegnesti in questo paradiso. Ze ora che vae casa magnar, senò la mama la me passa la scùria.

 

Na cosa no fata

 

La bambina la riva a casa dala scola, piandendo:

- Mama, mama, oncó... ntea scola, i me ga metesto... de castigo!

- De castigo? Ma perché?

- Par na cosa... che no go fato!

- Ma questa la ze na stupidità sensa mesura! Ndemo là, vao parlar co la diretora!

La mama la ciapa la man dea toseta e la strassina fora de casa. Par strada, vedendo la fiola pi calma, la ghe domanda:

- E cosa zeo stà che ti no te ghè fato, fioleta mia?

- La cosa che mi no go fato, mama, la ze sta la lession de casa...

(Contribuission de Rafael Baldissera, Curitiba - PR)

 

GERAL

Idoso lidera participação na renda

Porto Alegre é a capital em que a 3ª idade mais participa da renda familiar

 

Mais de 40% dos idosos da Região Metropolitana de Porto Alegre, na comparação com capitais como Belo Horizonte, Brasília, Recife, Salvador e São Paulo, participam decisivamente do suprimento familiar básico. O fenômeno é mais comum nas camadas de menor renda, mas atinge também a classe média e as famílias mais abastadas.

Os dados são da Pesquisa de Emprego e Desemprego, organizada pela Fundação de Economia e Estatística (FEE) e geraram o primeiro estudo científico sobre a contribuição das pessoas com mais de 60 anos para compor o orçamento doméstico de residentes na Região Metropolitana. Uma equipe de técnicos percorreu 2.800 domicílios para levantar as informações.

O estudo evidencia a importância da renda previdenciária no sustento doméstico, acusando que 79% dos 400 mil cidadãos metropolitanos pós-sexagenários estão na condição de aposentados ou pensionistas do INSS. "Na formulação da política de bem-estar da população mais idosa, um elemento-chave é a valorização do salário mínimo, por se constituir no grande indexador dos proventos pagos a eles", observa Lúcia Garcia, coordenadora da radiografia co-patrocinada pelo Departamento Intersindical de Estudos Estatísticos e Econômicos, FGTAS/Sine-RS, Fundação Seade e Ministério do Trabalho.

Na opinião da coordenadora da pesquisa, as atenções dos governos deveriam recair sobre moradia, lazer e, especialmente, saúde, que exige gastos consideráveis dos idosos. "O Brasil ainda não despertou para uma tendência mundial de investimentos na chamada economia social, que passou a se constituir num foco gerador de emprego para trabalhadores de faixas etárias menos avançadas", assinala.

Perfil - Os cidadãos da terceira idade foram objeto de estudo recente da FEE. Mudança no perfil etário da população gaúcha confirmou o caráter de irreversibilidade do processo de envelhecimento da população e o indicativo de que os idosos podem alcançar a marca dos dois milhões até 2020. "O contingente de pessoas com 60 anos ou mais cresceu 5,8% para 10,5% no período de 1970 a 2000 e tem peso cada vez maior na sociedade, devendo representar 16,4% da população total do Estado nos próximos 15 anos", diz a autora do trabalho, Maria de Lourdes Jardim.

A mudança no perfil etário é atribuída à acentuada retração nos níveis de fecundidade das gaúchas nesse período, que decaiu 4,9 para 2,1 filhos por mulher em pouco mais de 40 anos, ao novo papel da mulher, ao crescimento dos níveis de escolaridade, além do acesso a métodos contraceptivos.

 

Município gaúcho elege novo prefeito

 

Pedro Francisco Tavares (PDT) se elegeu, no domingo, 9, prefeito de Triunfo (RS), com diferença de apenas 36 votos em relação ao concorrente, Francisco Schardong (PTB). A eleição ocorre fora de época depois do prefeito do município, José Ezequiel Meireles (PDT), ter sido afastado sob acusação de poder econômico e compra de votos. Tavares obteve 7.960 votos e Francisco Schardong, 7.924.

 

Alimentação integra Serra

Saúde centraliza os encontros municipais

 

A Segurança Alimentar e Diálogo Intercultural é o tema da Semana da Alimentação, que está mobilizando os municípios da Serra. Em Protásio Alves as atividades ocorrem dia 13. A extensionista da Emater Roseli Gonzatto irá proferir palestra sobre alimentação e saúde. Em São Valentim do Sul, nos dias 13 e 14, a extensionista Sandra Manteze realiza oficinas de alimentação alternativa.

Já em Cambará do Sul, a programação inclui capacitação de merendeiras escolares, no dia 13. Em Canela, dia 21, ocorre oficina de alimentação inteligente. Em São Jorge, a Semana da Alimentação segue até o dia 14, com demonstrações e preparo de alimentos. Em São Vendelino, a extensionista Maria Elena Vidor falou sobre alimentação e saúde, dia 5. O município de Ipê realizou Seminário sobre Biodiversidade e Segurança Alimentar, dia 8.