
DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 4.959 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 19 de outubro de 2005.
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A fome é a mais terrível doença de nosso tempo
Cerca de 25 mil pessoas morrem todo dia por falta de alimento. Desigualdade social é uma das causas principais
Desde 1980 que o mundo, no dia 16 de outubro, volta sua atenção para a fome e a insegurança alimentar. O Dia Mundial da Alimentação marca a criação, em 1945, da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). O Brasil resolveu instituir a Semana Mundial da Alimentação, que neste ano vai até 22 de outubro.
Vinte e cinco anos depois de criado o Dia Mundial da Alimentação, as estatísticas sobre a fome no planeta são estarrecedoras - e vergonhosas. Há quase um bilhão de famintos e diariamente morrem, de problemas causados direta ou indiretamente pela fome, cerca de 25 mil pessoas, da quais 11 mil são crianças.
Está comprovado que o mundo tem condições de produzir os alimentos necessários para seus atuais 6,2 bilhões de habitantes. As causas para essa tragédia diária não estão, portanto, na superpopulação nem na falta de terras agricultáveis. Elas começam pela desigualdade social, fonte que irriga a injusta distribuição de alimentos. Avançam pelo desperdício, por conflitos armados, pela ainda expressiva monocultura e chegam a poderosos grupos empresariais que comandam operações globais sem controle do Estado ou de organizações internacionais.
O alimento virou um negócio complexo que permite a algumas nações obter saldos favoráveis na balança comercial - caso brasileiro, como detalha artigo especial da página 4 desta edição -, mas que impede a outras o acesso. A fome, porém, está presente também em países exportadores - o Brasil novamente é um exemplo dessa distorção, que o programa Fome Zero não conseguiu eliminar.
A esta realidade se aliam projeções mais preocupantes ainda. Segundo a FAO, a cada ano cinco milhões de pessoas se juntam ao exército de famintos. Como mudar esse quadro? No documento "A fome no mundo, um desafio para todos: o desenvolvimento solidário", lançado em outubro de 1996, o Papa João Paulo II salientava que a amplitude desse fenômeno social colocava em questão as estruturas e os mecanismos financeiros, monetários, produtivos e comerciais que regem a economia mundial. Ele mesmo alertava, entretanto, que não seria fácil avançar neste caminho, "se não intervier uma verdadeira conversão das mentes, das vontades e dos corações. A tarefa exige a aplicação de homens e de povos livres e solidários". O desafio permanece.
Caxias prepara a estrutura para ter parque tecnológico
Área terá centro de pesquisa, incubadora e condomínio empresarial
Caxias do Sul deve abrigar um parque tecnológico a partir do próximo ano. O parque vai ocupar uma área de 50 hectares, atrás da Incubadora Tecnológica da Universidade de Caxias do Sul. Segundo o presidente do Conselho Diretor do Pólo de Informática de Caxias, Marcos Antônio Casagrande, o principal objetivo do projeto é a criação de um centro de pesquisa e desenvolvimento de tecnologia da informação. "O centro vai beneficiar especialmente micro e pequenas empresas, possibilitando o acesso a tecnologias modernas de forma mais barata", afirma.
O centro de pesquisa vai contar com laboratórios e uma fábrica de softwares. Além disso, o parque terá uma incubadora tecnológica, que utilizará a estrutura da já existente incubadora da UCS, e um espaço para condomínios empresariais. Um dos condomínios será horizontal, para que as companhias interessadas possam construir suas sedes, e outro vertical para locação de espaços, composto por três prédios com capacidade para abrigar cerca de 100 empresas cada um. A vantagem do condomínio é que o aluguel será mais acessível, já que as empresas vão compartilhar algumas áreas, como salas de reuniões e auditórios.
Conforme Casagrande, a primeira etapa do projeto deve exigir um investimento de R$ 6 milhões e prevê a adequação da infra-estrutura da área e a construção do centro de pesquisa e de um dos prédios do condomínio vertical. A previsão é de que até o fim de 2006 o parque terá estrutura suficiente para entrar em funcionamento.
O Parque Tecnológico Regional da Serra Gaúcha, como foi batizado o projeto, integra o já existente Pólo de Informática de Caxias do Sul, presidido por Marcos Antônio Casagrande. O pólo conta hoje com a participação de 80 empresas. O Parque Tecnológico terá a participação de empresários, instituições de ensino superior e poder público.
Pesquisa indica rumo da Feira do Produtor
Secretaria Municipal da Agricultura começa a ouvir nos próximos dias compradores e vendedores da Feira do Produtor. Objetivo é detectar deficiências e tentar definir o futuro da feira. O secretário Nestor Pistorello admite que tem havido um acentuado declínio nas vendas e que se não houver recuperação há até a possibilidade de desativação de algumas das quase 50 edições por semana.
"Temos de criar atrativos. Esperamos que a pesquisa nos indique quais", afirmou Pistorello ao CR. Ele explica a redução de público comprador pelo aumento da concorrência de sacolões, de maior espaço a hortifrutigranjeiros nos supermercados e a promoções que oferecem preços mais vantajosos. Hoje estão cadastrados 165 feirantes, dos quais 40 são apenas comerciantes.
EXPORTAÇÃO MELHORA A RENDA DO PRODUTOR
O Brasil deve fechar 2005 com superávit de US$ 35 bilhões na balança comercial dos produtos agropecuários. Um setor dinâmico exportador no agronegócio possibilita a normalidade de preços e a geração de empregos e renda aos produtores rurais. O país pode exportar ainda mais, mas precisa melhorar a infra-estrutura de escoamento da produção e de um sistema mais eficiente de defesa sanitária.
Elisio Contini
Pesquisador da Embrapa,
presidente da Sociedade Brasileira de Economia e Sociologia Rural
A economia brasileira, em sua história moderna, não tem privilegiado a abertura para o exterior, dando pouca prioridade às suas exportações, com alguma exceção de produtos da agricultura. Contribuíram para tanto as dimensões continentais do país, que permitem produção variada em diferentes climas, aliadas a ideologias de proteção do mercado interno mesmo a custas de eficiência produtiva. Os instrumentos de proteção foram os mais variados, desde proibições de exportação, cotas ou sobrevalorização cambial, penalizando a agricultura exportadora. Argumentos ideológicos devastadores foram utilizados, como se as exportações prejudicariam o abastecimento interno.
Apesar dos entraves, a agricultura e produtos elaborados do complexo agroindustrial brasileiro têm tido, tradicionalmente, papel de vanguarda nas exportações, gerando superávits expressivos e garantindo equilíbrio nas contas externas do país. Mesmo em períodos de sobrevalorização cambial, com a moeda nacional forte frente ao dólar, as exportações do agronegócio têm superado, de forma expressiva, as importações do setor. Mas esta distorção macroeconômica limitou uma expansão da produção agrícola.
Como pode ser observado no gráfico ao lado, os produtos da agropecuária e processados a partir dela têm mantido uma receita líquida nas contas externas do país (exportação-importação). A previsão para 2005 é de um saldo comercial superior a US$ 35 bilhões, enquanto os demais setores da economia, até recentemente, têm importado muito mais do que exportado, isto é, causado déficits em nossas contas externas. Não fosse o constante e crescente saldo positivo do agronegócio, a economia brasileira teria crescido ainda menos.
Quais as vantagens de o Brasil dispor de um setor dinâmico exportador no agronegócio? Em primeiro lugar, a exportação dá condições de se importar. Como nenhum país produz tudo e dispõe de todos os insumos necessários à produção, em condições de preços competitivos, o desenvolvimento demanda importações, que exigem divisas fortes. O Brasil tem-se industrializado comprando máquinas de países desenvolvidos com a exportação de café e de outros produtos agropecuários. Em segundo lugar, as exportações permitem maior normalidade de preços aos produtores, já que não se depende somente do consumo interno. Imaginem o preço baixo da soja, caso o Brasil não fosse um grande exportador. Além disso, exportações geram empregos e renda para os produtores.
A grande lição dos tigres asiáticos (Coréia do Sul, Singapura, Taiwan e outros) e, mais recentemente, da China, é de que uma ação agressiva de exportações gera desenvolvimento sustentado e de uma forma rápida. A estratégia de economia fechada, com proteção a produtores e empresários ineficientes por tempo indeterminado, reduz o potencial de crescimento, diminui a renda disponível e o bem-estar de produtores e consumidores. A proteção aos produtores agrícolas na Europa impede taxas expressivas de crescimento econômico e compromete a competitividade do setor, num futuro próximo.
As exportações do agronegócio brasileiro estão longe de seu pleno potencial. Podemos exportar muito mais do que o volume atual. O Brasil dispõe de terras baratas e planas no Centro-Oeste que podem ser incorporadas rapidamente ao processo produtivo, tem gente empreendedora, incluindo pequenos produtores do Sul do país dispostos a assumir responsabilidades maiores de empresários em outras regiões brasileiras, e dispomos de tecnologia tropical que permite a adoção de sistemas de produção, com até duas safras por ano, como a safrinha de milho no norte do Paraná e em Mato Grosso.
Deficiências - O que falta então ao Brasil? Temos que melhorar a infra-estrutura de escoamento da produção, por estradas, hidrovias e ferrovias, ou pela combinação das três formas de transporte. Estradas em mau estado de conservação encarecem o transporte e comprometem a lucratividade do produtor, principalmente em regiões distantes. Um dos mecanismos de defesa destas ineficiências é agregar valor aos produtos: ao invés de transportar milho e soja, produtos de baixa densidade econômica, pode-se produzir frangos e suínos e transportar carnes para os grandes mercados internos e para a exportação.
O aumento das exportações depende também de um sistema eficiente de defesa agropecuária. Há que se garantir aos importadores e consumidores de outros países que nossos produtos são de qualidade e fazem bem à saúde. Os produtos brasileiros não podem apresentar problemas sanitários - como a febre aftosa, constatada agora no Mato Grosso do Sul. Caso contrário, seremos alijados do mercado internacional e mesmo os consumidores brasileiros preferirão produtos importados.
A competitividade do Brasil em produtos do agronegócio é inquestionável. Projeções internacionais indicam que o Brasil será um grande fornecedor de alimentos para o mundo, num futuro próximo. Adicione-se ainda a possibilidade de fornecimento de energia renovável, pelo etanol da cana ou do biodiesel. Exportar alimentos, bioenergia e outros produtos elaborados gera emprego, renda e bem-estar aos produtores agrícolas e à sociedade como um todo. É disso que precisamos!
Brasil implanta a agricultura de energia
Plano de agroenergia prevê aproveitamento de dejetos animais, florestas, resíduos e oleaginosas
O Brasil reúne o maior número de vantagens para liderar a agricultura de energia no mundo. Enquanto o restante do planeta tem apenas 1,7% da biomassa como composição de sua matriz energética, no Brasil esse índice chega a 23%. Na sexta-feira 14, o país deu um passo decisivo no fortalecimento do uso de biocombustíveis ao lançar o Plano Nacional de Agroenergia.
Elaborado pela Embrapa, o plano vai construir as bases para a criação do Consórcio Brasileiro de Agroenergia, que reunirá ações de setores produtivos. "Temos muitos desafios, como o desenvolvimento de tecnologias de produção agrícola, com a definição de plantas mais aptas, sistemas de produção eficientes e de regiões com potencial para produção. O plano tem como objetivo direcionar ações para os próximos 20 anos", diz o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues.
O presidente da Embrapa, Silvio Crestana, anunciou que um dos primeiros passos é a criação do zoneamento agroecológico, que mostrará as áreas favoráveis em todas regiões brasileiras, para cada uma das oleagionosas. A produção de agroenergia estará concentrada em cinco grandes grupos: florestas, biogás, biodiesel, etanol, resíduos agroindustriais e mais de 40 oleaginosas, entre elas a soja, o girassol, a mamona e o dendê.
Neste cenário, a primeira vantagem comparativa que se destaca é a perspectiva de incorporação de áreas à agricultura de energia sem competição com a agricultura de alimentos. "Os 20 milhões de hectares necessários para implantação do projeto vão ocupar a área de pastagens degradadas ou improdutivas que somam mais de 40 milhões de hectares", observa Silvio Crestana.
Biogás - O aumento da produção vai ocorrer mais em função do incremento à produtividade. Segundo a Embrapa, a produtividade média das oleaginosas rende cerca de 600 quilos de óleo vegetal por hectare. Projeções mostram que é possível chegar a 2.000/kg de óleo por hectare nos próximos anos, atingindo 6.000 quilos por hectare dentro de 30 anos.
Para a cadeia do biogás são previstas ações como a criação de equipamentos para aproveitamento do biogás, transporte e distribuição do biofertilizante. Nesse item, a região é privilegiada, pois o plano prevê o aproveitamento dos dejetos de aves e suínos, hoje um sério problema ambiental. "Dependendo do manejo, um m3 de dejeto de suínos rende de 0,4 a 0,5 m3 de biogás", calcula ao CR o pesquisador da Embrapa Concórdia, Airton Kunz.
A iniciativa agrega valor aos resíduos animais e contempla os produtores familiares. "Outra vantagem do aproveitamento dos dejetos é a utilização para créditos de carbono, conforme o Protocolo de Kyoto", conclui Kunz.
MP derruba sonho do setor leiteiro nacional
Reivindicada pelos agricultores e empresários, a MP 252, batizada de MP do Bem, perdeu o prazo de vigência. Por falta de quorum, deixou de ser votada na Câmara dos Deputados. Com isso, a isenção do Pis/Pasp e Cofins sobre seis tipos de queijo e leite em pó integral e desnatado, reduzindo preços em 9,25%, começa do zero, deixando produtores e consumidores insatisfeitos.
A MP do Bem foi anunciada pelo atual governo como alternativa para compensar a falta de política para a aprovação de uma ampla reforma tributária no país. Uma das razões alegadas para o fracasso da MP foram as modificações introduzidas pelo Senado. O custo das isenções passou de R$ 3 bilhões para R$ 6,6 bilhões, inviabilizando a intenção inicial.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, ficou decepcionado com a fato dos deputados não terem votado a tempo a medida provisória 252. A perspectiva de fim da MP do Bem fez com que Furlan desistisse de acompanhar o presidente Lula em sua viagem a Portugal. Ele ficou no Brasil para buscar uma alternativa para que pelo menos partes da MP possam ser reativadas.
Aftosa causa prejuízo de US$ 1 bilhão
Foco em Eldorado afeta exportações e mobiliza produtores de todo país
A descoberta de focos de febre aftosa no Mato Grosso do Sul já afeta o bom desempenho das exportações de carnes. O Brasil deve perder, caso o bloqueio seja mais extenso, até US$ 1 bilhão nos próximos seis meses - tempo mínimo estabelecido para o embargo internacional à carne sul-matogrossense. A meta de US$ 3 bilhões de exportação em 2005 dificilmente será atingida.
O Brasil exporta diariamente US$ 22 milhões em carne suína, bovina, de aves e produtos derivados para 150 países ao redor do mundo. Somente de carnes bovinas o Brasil exportou 1,877 milhão de toneladas em 2005, totalizando US$ 2,44 bilhões.
Mais de 30 países já comunicaram a suspensão da carne nacional, sendo 25 de União Européia, depois da confirmação do foco de febre aftosa em rebanhos de gado no MS. "Esses países respondem por 40% das exportações brasileiras de carne bovina", destaca o secretário de Defesa Agropecuária, Gabriel Alves Maciel.
Fronteira - O Brasil foi ágil no combate ao foco de febre aftosa no município de Eldorado, o primeiro a ser afetado. Os 582 animais foram sacrificados em poucas horas. "Tal rapidez precisa ser reconhecida pelos importadores de carne bovina brasileira e entidades sanitárias internacionais", avalia o presidente do Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte, Antenor Nogueira. "Todas as medidas sanitárias exigidas pelas normas internacionais foram cumpridas", emenda.
O rifle sanitário deve vitimar mais 9.000 animais de propriedades lindeiras à Fazenda Vezzozo. De acordo com a Defesa Sanitária Animal, é provável que o número de municípios afetados suba para sete. Além de Eldorado, Japorã, Itaquiraí, Mundo Novo, Iguatemi, Sete Quedas e Tacuru.
A solução para erradicar a febre aftosa do rebanho nacional passa pela área econômica do governo. O Ministério da Fazenda reduziu para apenas R$ 37 milhões o dinheiro disponível para a defesa sanitária deste ano. O orçamento inicial era de R$ 167 milhões. Para acompanhar as ações de combate à aftosa, o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, afirmou que o governo vai liberar R$ 35 milhões para o controle sanitário em MS e criação de um comitê de emergência.
Em Mato Grosso do Sul não era registrado nenhum caso de febre aftosa desde 1999. Foi declarado área livre da doença em 2001. O Estado tem um rebanho de 25 milhões de cabeças, com abate de cinco milhões de animais por ano, ou seja, é uma taxa de 25% de desfrute.
Segundo o presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do MS, Leôncio de Sousa Brito, o Estado registra um abate mensal de 320 mil animais, dentro do Estado; além de remeter 80 mil bovinos mensalmente para outras regiões. "O MS responde por quase metade da carne bovina exportada pelo país", observa.
Aberta fronteira para animais de integração
Uma missão brasileira está em Paris, onde fica a sede da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), disse o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Roberto Rodrigues. O objetivo é apresentar à organização as medidas adotadas para conter o avanço da febre aftosa no Brasil, depois da confirmação da doença em rebanhos de gado no município de Eldorado (MS).
Cautela também na região Sul. Carnes de aves e suínos e de animais em pé, desde que oriundas do sistema de integração, circulam somente pela fronteira de SC com RS. A decisão foi tomada em encontro das entidades do agronegócio dos três Estados do Sul com o Mapa. A medida beneficia as agroindústrias de processamento de carne e permite a passagem de animais vivos e de carne de frigorífico para frigorífico. Impede, no entanto, o ingresso de animais, produtos e subprodutos oriundos de outras unidades da federação.
A fronteira entre Paraná e Santa Catarina, entretanto, continua totalmente fechada para animal em pé, carne e derivados, inclusive cereais e frutas procedentes do Mato Grosso do Sul, até que o governo paranaense conclua o levantamento sorológico do rebanho.
Engº. Agrº. José Zugno
Rosas de Caxias do Sul
Lembro com saudades do maravilhoso roseiral que o senhor implantou no Horto Municipal. De lá saiam mudas para embelezar as praças e jardins de nossa cidade. Como era bonito! Eu mesma plantei em meu jardim roseiras provenientes daquele viveiro. Eram rosas brancas, amarelas e rosas, mas não lembro o nome da cada uma delas. O senhor poderia citar as variedades de rosas que se adaptavam à nossa região?
LEDA T. SCARTON
Caxias do Sul - RS
Ao receber sua carta na redação do Correio Riograndense confesso que fiquei algo emocionado, pois se trata de um assunto ao qual me dediquei efetivamente, respondi muitas vezes nesta coluna sobre todos os aspectos da culturas das rosas, a pedido de nossos assinantes e leitores, trouxe-me agradáveis reminiscências e me dá a oportunidade de contar alguns fatos a respeito das rosas em Caxias do Sul.
Quando o prefeito Luciano Corsetti (1947-1950) convidou-me para assumir a Diretoria de Fomento e Assistência Rural (Difar) - que só existia no decreto nº 1 do prefeito interino, Demétrio Niederauer (1946), dentre outras recomendações, pediu-me que tomasse conta do Serviço de Praças e Jardins da municipalidade, até então dividido entre a Diretoria de Obras e a Sub-prefeitura do Primeiro Distrito, que existia na época. Ao assumir a Difar eu estava decidido na fixação como meta prioritária e permanente da Diretoria a transformar o município rural de monocultor da uva em policultor - diversificação das inúmeras culturas e criações que os agricultores faziam empiricamente apenas para subsistência da família, através de serviços e orientações técnicas a serem proporcionados pela Difar.
Desde logo pensei que a floricultura, especialmente a rosicultura, seria uma das atividades que concretizariam a meta da policultura, dando aos agricultores que a ela se dedicariam a uma razoável fonte de renda familiar. Estava também convicto das boas condições de solo e clima de Caxias e da Serra gaúcha para o cultivo das rosas. E a experiência confirmou: produzimos as mais belas rosas na perfeição das formas e na luminosidade de suas cores, admiradas pela população local e pelos inúmeros visitantes. A consagrada escritora Raquel de Queiroz, da Academia Brasileira de Letras, escreveu artigo na antiga revista nacional O Cruzeiro dizendo que, ao visitar Caxias do Sul, constatou "o deslumbre das mais belas rosas que conhecera". O artigo impressionou a mim e ao nosso eminente historiador Mário Gardelin.
A primeira providência foi a instalação de um viveiro de mudas, às margens da represa São Miguel, a formação e treinamento de uma equipe de trabalhadores e enxertadores. Apesar da minha baixa habilidade manual, ensinei a enxertia (que é fácil na roseira), e os serviços essenciais ao cultivo. Dentro em pouco, estava formada a pequena equipe de excelentes enxertadores, liderada pelo Manoel Martins, conhecido como Manoelzinho. Nos viveiros do Horto Municipal cultivamos as principais variedades de rosas e multiplicamos as que melhor se comportavam às nossas condições ambientais. Ali, todos os anos, eram produzidos milhares de enxertos das roseiras mais bonitas, mais resistentes às doenças, e mais produtivas, para atender às necessidades do Serviço Municipal de Praças e Jardins, em benefício da população caxiense.
Nesses tempos (de 1950 a 1985, mais ou menos), três engenheiros agrônomos dedicavam-se ao cultivo das rosas: Onofre Pimentel, Moacyr Falcão Dias e eu. Onofre Pimentel - renomado mestre da viticultura, responsável pela manutenção dos vinhedos da Granja União em Flores da Cunha (RS), dos vinhedos de Capão Bonito (SP), na Fronteira (RS), da Companhia Vinícola Riograndense - reservava tempo para o cultivo de rosas na Granja, e após transferir-se para Caxias, manteve no lote da sua residência, na Av. Rosseti, um pequeno roseiral, e posteriormente a Granja de Rosas, no Desvio Rizzo, que ele com sua esposa, professora Ielda, cultivavam.
Moacyr Falcão Dias - diretor da Estação Experimental de Viticultura e Enologia de Caxias do Sul, onde criou, por hibridações controladas, as novas variedades de uvas niágara - Dona Zilá e Tardia de Caxias -, mantinha sempre na Estação canteiros com esplêndidas rosas. Anualmente, esses três técnicos adquiriam da Roselândia - a mais importante empresa no ramo localizada em Cotia (SP), importadora e multiplicadora das mais premiadas rosas de todo o mundo -, as novidades do ano, a fim de observar as suas características e fazer entre si o intercâmbio das mesmas.
Dessas variedades, prezada leitora, a cor de rosa do seu jardim chamava-se Queen Elisabeth, a amarela era a Buccaner, e a branca, Monte Shasta. (Mais informações sobre o assunto na próxima edição).
Leonardo Boff
Num mundo onde tudo vira mercadoria e ocasião de lucro, apenas 30% das águas transpostas do São Francisco serão destinadas ao povo sedento. Irão fazê-lo sem cobrar? Dom Luiz fez-se "louco de Deus"
Dom frei Luiz Flávio Cappio foi aluno meu de teologia em Petrópolis nos anos 1970 e 1971. Destacava-se dos demais confrades por um compromisso radical com os pobres e por uma aura de simplicidade e santidade que irradiava. Ficou me devendo o trabalho de fim de curso: uma tese de pelo menos 30 páginas. No último dia, antes de ser transferido para São Paulo, colocou debaixo da porta de minha cela uma página onde se lia: "Depois de cinco anos de estudo, reflexão e oração, foi o que restou de minha teologia". E transcrevia em grego, latim e português o Pai-Nosso, a oração do Senhor.
Sempre que o encontrava cobrava-lhe o trabalho. Em 1975, numa quinta-feira santa, desapareceu do convento em São Paulo. Três dias após, num altar lateral da igreja, encontraram uma carta dele onde revelava sua decisão de ir aos mais pobres dos pobres e servi-los em nome do Evangelho. Saiu de hábito e só com o evangelho. Pegou carona de caminhoneiros. Dois meses após chegou em Barra, na Bahia. Com seu burel de frade, sandálias franciscanas e com o evangelho na mão pregava pelos vilarejos ribeirinhos.
Quando foi identificado, o superior provincial me telefonou e disse: "Frei Luiz ficou louco, temos que buscá-lo". Eu lhe respondi: "Padre Provincial, abra o evangelho de São Marcos e leia no capítulo 3, versículo 21: "Quando os familiares souberam que Jesus pregava por aí, saíram para agarrá-lo, pois diziam: ele está louco". Algo semelhante ocorreu com São Paulo, que pregava a cruz de Cristo, escândalo para os judeus, loucura para os pagãos e salvação para os cristãos. O mesmo aconteceu com São Francisco de Assis quando lhe sugeriram seguir as regras monásticas existentes ao invés da radical identificação com os pobres. Respondeu ao enviado do Papa: "Deus me chamou a seguir a via da simplicidade; não quero que me falem de outras regras; o Senhor me revelou a sua vontade de que fosse um novo louco no mundo". Dom Luiz Flávio Cappio, ao decidir entrar em greve de fome, disse: "Quando a razão se extingue, a loucura é o caminho".
Essa loucura não é loucura, é outra lógica, do amor, da criatividade, daquilo que é transsistêmico. Se há alguém que conhece o vale do rio São Francisco é o bispo dom frei Luiz. De 1992 a 1993, percorreu com um pequeno grupo todo o vale, visitando os ribeirinhos, anotando os problemas e sugerindo medidas ecológicas. Lula, na caravana do São Francisco da qual participei, recebeu das mãos de frei Luiz todo o material que os técnicos valorizaram enormemente.
Como é um homem espiritual e de grande santidade pessoal, dom frei Luiz desenvolveu especial tino para as coisas dos pobres e da degradação do Velho Chico. O governo fala de soluções técnicas. Ele fala de soluções sociais. Não é contra a transposição. É contra este tipo de transposição que não foi adequadamente discutida com os atingidos e que não garante a solução social. Num mundo onde tudo vira mercadoria e ocasião de lucro, as águas transpostas servirão em 70% ao agronegócio de exportação. Os Estados devem distribuir o resto ao povo sedento. Irão fazê-lo sem cobrar? Dom frei Luiz, em 30 anos de identificação com os pobres do vale, entendeu onde está o impasse. Fez-se "louco de Deus", portador de uma sabedoria mais alta.
Frei Betto
A contradição entre o profeta e o poderoso reflete o descompasso entre os desígnios de Deus e a política dos homens. O profeta é um pedagogo; o poder possui o monopólio da violência
Para a Bíblia, profeta não é quem prevê ou adivinha o futuro. Não se confunde com o vidente ou o astrólogo. Profeta é aquele que, movido por profunda experiência espiritual, intui os desígnios de Deus.
O profetismo bíblico surgiu com Samuel no século IX a.C. No século IX a.C., destacaram-se Elias e Eliseu. Porém, o período áureo da profecia foi o século VIII a.C., com Amós, Oséias, Isaías e Miquéias. No final do século VII e início do século VI a.C., a profecia declinou após Sofonias, Habacuc, Jeremias e Ezequiel. Até que apareceu, tempos depois, o profeta da esperança, da justiça e da misericórdia, Jesus de Nazaré.
Paulo Freire adverte que o oprimido tende a incorporar o opressor. O empregado age como se fosse patrão; o servo como se fosse senhor; o pobre como se fosse burguês. Esse risco foi previsto pelo profeta Samuel quando o povo hebreu lhe pediu um rei, mil anos antes de Cristo. O sistema comunitário, tribal, seria sucedido pelo monárquico. O modelo egípcio, de autocracia faraônica, causara impressão nos escravos libertos.
Samuel tentou convencer o povo de que o modelo do opressor não servia a quem fora oprimido: "Este é o direito do rei que reinará sobre vós: (...) os fará lavrar a terra dele e ceifar a sua seara, fabricar as suas armas de guerra e as peças de seus carros. Ele tomará as vossas filhas para perfumistas, cozinheiras e padeiras. Tomará os vossos campos, as vossas vinhas, os vossos melhores olivais, e os dará a seus oficiais. (...) Exigirá o dízimo dos vossos rebanhos, e vós mesmos vos tornareis seus escravos." (1 Samuel 8,11-17).
Como previsto, os reis de Judá e de Israel tornaram-se, por volta dos séculos IX e VIII a.C., semelhantes ao faraó. Para se manter no poder, os reis preferiam recorrer ao apoio das potências imperialistas a confiar em Javé. Ora, toda aliança política se resume em buscar ampliar seu poder à custa do outro. Ninguém faz aliança para perder. Não é preciso, porém, ter bola de cristal para saber quem lucra na aliança entre o pardal e a águia. Samaria, capital do reino de Israel (Norte), caiu em mãos do Império Assírio, e Jerusalém, capital do reino de Judá (Sul), foi arrasada pelo Império Babilônico.
O que caracteriza o profeta é o espírito crítico. Consumidos pelo amor a Javé, os profetas bíblicos denunciaram erros dos reis e do povo; formaram grupos de discípulos; anunciaram as derrotas (o cativeiro na Babilônia) em função de políticas equivocadas dos reis; solidarizaram-se com o povo, a quem ajudaram a ler os fatos históricos à luz da fé.
A contradição entre o profeta e o poderoso reflete o descompasso entre os desígnios de Deus e a política dos homens. Samuel chocou-se com o rei Saul; Elias com o rei Acab; Isaías com o rei Ezequias; Ezequiel com o rei Sedecias; Jeremias com o rei Joaquim, a quem chamou de corrupto (22, 13-19).
Com o exílio dos hebreus na Babilônia (586-538 a.C.), encerra-se a "profecia da catástrofe" e, ali, se inicia a da libertação: "Teu futuro é feito de esperança" (Jeremias 31,17). Porém, o profeta é sempre sinal de contradição (Jeremias 15, 10-15).
O profeta é um pedagogo. Um dos exemplos mais emblemáticos é o da visita do profeta Natã ao rei Davi (2 Samuel 12, 1-10). O profeta conta ao rei:
- Havia dois homens na mesma cidade, um rico e outro pobre. O rico possuía muitas ovelhas e vacas. O pobre, uma única ovelha, que cresceu com seus filhos, bebeu de seu copo, dormiu em seu colo. Era como uma filha. Um hóspede veio à casa do homem rico. Ele não quis tirar uma de suas ovelhas ou vacas para servir ao viajante que o visitava. Tomou a ovelha do vizinho pobre e a ofereceu à sua visita.
Ao ouvir o relato, Davi, encolerizado, decretou a morte do homem rico. Natã o fez admitir que este homem era ele, o rei Davi, que tomara do guerreiro Urias a mulher Betsabéia, tramando para que o marido dela fosse colocado no ponto mais perigoso da batalha.
O poder possui o monopólio da violência. E, por vezes, sacrifica inocentes em função de seus propósitos. Cabe ao profeta denunciar os abusos. Hoje, o profetismo não é dado a uma pessoa, mas aos movimentos sociais, à sociedade civil organizada. É função dela impor limites ao poder, pedir-lhe contas, exigir que aja segundo a ética e a justiça.
Agricultor familiar produz 60% dos alimentos do país
Brasil tem 4,1 milhões de pequenas propriedades
Os agricultores familiares e os assentados da reforma agrária produzem cerca de 60% de todos os alimentos consumidos no Brasil. Segundo o gerente do Pronaf, Adoniran Sanchez Peraci, o percentual varia conforme o produto. No caso do feijão, a agricultura familiar representa 95% do consumo brasileiro. Já os hortigranjeiros atendem 98% da população. Em relação às carnes e ao leite, o consumo fica entre 70% e 80%. "Esse número cai um pouco para os produtos de exportação, como o milho e a soja. Mas, em geral, o cardápio sai principalmente da produção familiar", destacou Peraci.
O Brasil possui 4,8 milhões de estabelecimentos rurais. Desses, 4,1 milhões (85% do total) são da agricultura familiar. Hoje o Pronaf já beneficia 1,6 milhão de agricultores. No atual Plano Safra da Agricultura Familiar, a meta é destinar R$ 9 bilhões para dois milhões de agricultores.
CAMPANHA MISSIONÁRIA PROMOVE A PAZ
No mês de outubro, a Igreja intensifica iniciativas em favor das missões. Celebrações culminam com o Dia Mundial das Missões, em 23 de outubro
O mês de outubro é, para a Igreja Católica de todo o mundo, um período de iniciativas mais intensas de informação, formação, animação e cooperação em favor da missão universal. A missão faz parte da vida da Igreja, que, peregrina, é por natureza missionária, pois tem sua origem, conforme o desígnio de Deus, na missão de Jesus Cristo e do Espírito Santo.
Neste mês as Pontifícias Obras Missionárias (POM) promovem uma campanha missionária, cujo objetivo é promover e despertar a consciência e a vida missionária cristã, as vocações missionárias e realizar uma coleta mundial para as missões, para o sustento de atividades de promoção humana e evangelização nos cinco continentes, sobretudo nos países onde os cristãos ainda são uma minoria e as necessidades materiais e sociais são mais urgentes.
O Mês das Missões desenvolve-se nas comunidades eclesiais de todo o mundo e culmina com a celebração do Dia Mundial das Missões - 23 de outubro. Celebrado sempre no penúltimo domingo de outubro, o Dia Mundial das Missões de 2005 tem como tema "A Missão a serviço da paz" e como lema "Felizes os que promovem a paz", atendendo o desafio feito pela Campanha da Fraternidade deste ano de promoção e defesa da paz. Não há como entender a missão sem seu compromisso com a paz.
As celebrações realizadas no Mês das Missões não se esgotam em outubro. Elas visam a formação, animação e celebração profunda e permanente da missão. A ação missionária é essencial para a comunidade cristã. Pelo Batismo, todo cristão é chamado a reunir-se em comunhão ao redor de Cristo e a participar da sua missão, com o testemunho de vida, o anúncio do evangelho, a criação das Igrejas locais e o esforço para se inculturar, o diálogo inter-religioso, a proximidade com os mais necessitados e o serviço concreto da caridade.
O cardeal Crescenzio Sepe, prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, destacou aos bispos reunidos de 2 a 23 de outubro em Roma, no 11º Sínodo sobre a Eucaristia, que o grande desafio para a Igreja é a constatação que "cinco bilhões de pessoas não conhecem Jesus Cristo". O cardeal italiano lançou uma importante exortação missionária aos padres sinodais salientando que a "Igreja tem o direito e o dever de levar também a eles o pão da vida e o cálice da salvação". E o Papa Bento XVI, em suas intenções de oração para o mês de outubro reza para que "aumente por toda parte o espírito de animação e cooperação missionária".
Igreja vive dinâmico intercâmbio de bens espirituais
Reconhecendo a urgência de ações missionárias, o Papa João Paulo II declarou a atualidade da missão "ad gentes" (além-fronteiras, de primeiro anúncio) e sinalizou profeticamente seus frutos: "Vejo o alvorecer de uma nova época missionária, que se tornará dia radiante e rico de frutos, se todos os cristãos responderem com generosidade e santidade aos apelos e desafios do nosso tempo". Os fatos confirmam essa verdade.
Há na Igreja um dinâmico intercâmbio de bens espirituais e de dons e muitas congregações e institutos dedicados à missão ad gentes. O próprio Brasil está deixando de ser um país de missão. Em 2004 havia mais de 1.800 missionários atuando no exterior (veja quadro).
Mas ainda há muitos missionários estrangeiros no Brasil. Dos mais de 17 mil membros do clero (religioso e diocesano) que atuam no país, 17,4% (cerca de 3.000) são estrangeiros. E entre as mais de 30 mil religiosas professas, essa percentagem é ainda maior. "Há anos vinham mais missionários da Europa, sobretudo da Itália, Espanha, França, Bélgica e Alemanha. Hoje o ‘rosto’ dos missionários é outro; há muitos indianos, filipinos e africanos", diz padre Daniel Lagni, gaúcho, reconfirmado para mais cinco anos (2005-2010) como diretor nacional das Pontifícias Obras Missionárias.
Ofertas formam fundo de solidariedade
A graça da renovação missionária sempre ajudou a Igreja a ampliar os espaços da fé e da caridade até os últimos confins da terra. Uma das melhores formas de serviço e cooperação com as missões é feita através das Pontifícias Obras Missionárias (POM), que no Brasil têm sede em Brasília. As POM são responsáveis, junto com a CNBB, pela campanha missionária.
Em 1922, Pio XI, "o Papa missionário", constituiu as Pontifícias Obras Missionárias, que reúnem sob esse nome quatro instituições - A Obra da Propagação da Fé, fundada por Pauline Maria Jaricot (1799-1862); a Obra de São Pedro Apóstolo, criada por Joana Bigard (1859-1934); a Obra da Santa Infância (Infância Missionária), fundada pelo bispo Carlos de Forbin Janson; e a União Missionária do Clero, criada pelo bem-aventurado padre Paulo Manna (1872-1952).
Entre as muitas formas de serviço à missão, as POM sempre tiveram como uma das mais significativas subsidiar a evangelização propriamente dita mediante um fundo de solidariedade, voltado especialmente às Igrejas em situações difíceis e de maior necessidade. Em 2005, as POM vão distribuir US$ 193 milhões em ajudas. A maior parte vai atender os países atingidos pelo tsunami de dezembro de 2004.
Essas ofertas são recolhidas de modo especial durante a campanha do Dia Mundial das Missões, celebração anual aprovada por Pio XI em 1926 e realizada pela primeira vez em 1927.
Cristãos leigos são os protagonistas de uma nova modalidade de evangelização
As missões não se resumem apenas ao trabalho de evangelização além-fronteiras. No Brasil, sempre foram marcantes as missões populares pregadas por missionários religiosos. Nos últimos anos, especialmente em vista das celebrações do Jubileu do Ano 2000, surgiu um novo trabalho missionário, realizado nas paróquias - as santas missões populares.
Na diocese de Caxias do Sul diversas paróquias estão promovendo essas missões. Um detalhe fundamental é a participação de missionários leigos (homens, mulheres, jovens e crianças), que assumem esse chamado, essa missão e, animados pela fé e pelo testemunho, levam às famílias a mensagem do evangelho e o convite à participação comunitária.
Na paróquia Imaculada Conceição, constituída de 25 comunidades e a matriz, existem oito grupos de missionários, totalizando mais de 100 pessoas. "Foram três anos de preparação, antes de 2000, e de lá para cá essas equipes foram agregando trabalhos e não deixaram de interargir com as famílias e com as respectivas comunidades", salienta o pároco, frei Jaime Bettega.
Há dois anos, os missionários leigos estão visitando mais uma vez as famílias, abençoando as casas, ouvindo as pessoas, motivando para os serviços comunitários e a participação. Em cada casa deixam um frasco com água benta e uma oração de bênção da casa e da família. No final das visitas é realizada na comunidade missionada uma missa conclusiva e uma confraternização com as famílias.
Frei Jaime explica que o itinerário das visitas segue o roteiro da capelinha domiciliar. A zeladora indica o trajeto e avisa as famílias da chegada dos missionários leigos. Outro trabalho que os missionários leigos realizam é a motivação para o surgimento de lideranças. Até novembro, as oito equipes da Imaculada terão visitado mais de 11 mil famílias.
Reanimação - Um trabalho semelhante está sendo realizado também na paróquia dos Santos Apóstolos. "Desde 1997, cerca de 150 missionários leigos visitam as famílias para reanimar a fé dos batizados, animar e despertar novas lideranças para servir a comunidade, fortalecer o amor e a participação", destaca o pároco, padre Renato Ariotti.
Depois de receberem a bênção do envio, uma camiseta e a cruz missionária, acompanhados pelas zeladoras das capelinhas e outras lideranças, os missionários visitam as famílias, realizam encontros com os grupos previamente formados, abençoam as casas. Na comunidade que acolhe os pregadores é realizada a semana missionária, com celebrações à noite, bênção da água, procissão, reflexões... No encerramento é fixada a cruz missionária ou uma placa em forma de Bíblia que lembra as missões.
Padre Renato conta que os missionários da paróquia também auxiliaram nas missões em Cazuza Ferreira, Lajeado Grande, Galópolis, Campestre do Tigre, Cristo Operário e, em setembro passado, na paróquia do Desvio Rizzo.
Missões populares reanimam as comunidades
Entre as formas mais tradicionais de missão ainda são muito valorizadas as pregações feitas por equipes missionárias de Ordens e congregações religiosas, como as dos capuchinhos, franciscanos, redentoristas e saletinos. Para os capuchinhos, as missões populares fazem parte do carisma original da Ordem.
A província dos capuchinhos do Rio Grande do Sul mantém a equipe de missionários desde a chegada dos primeiros frades franceses ao Estado, em 1896. A realização das missões capuchinhas segue um programa que não difere muito daquele realizado por outras equipes missionárias. Compreende três fases: a pré-missão, feita com lideranças das comunidades para a organização das missões; a missão, com palestras, encontros, celebrações, uma procissão luminosa com a imagem de Fátima e uma grande celebração de encerramento com a participação de todas as comunidades; e a pós-missão, com as lideranças leigas, para a organização da comunidade missionada.
CALENDÁRIO ANTONIANO A SERVIÇO DAS VOCAÇÕES
Está sendo distribuída para todo o país a edição 2006 do Calendário Antoniano. Além de belas imagens, entre elas a do Papa Bento XVI, os santos do dia e as fases da lua, o Calendário Antoniano traz mensagens sobre a Campanha da Fraternidade-2006, cujo tema é "Fraternidade e Pessoas com Deficiência"; sobre a presença dos Capuchinhos no Rio Grande do Sul, que está completando 110 anos; sobre a união fé e vida, compromisso do batizado; e do projeto de animação vocacional dos Capuchinhos no RS.
Ao receber o Calendário Antoniano, você está participando na formação dos futuros sacerdotes e religiosos. Cada associado ou zelador também está incluído nas 2.400 santas missas celebradas anualmente nas casas de formação dos seminaristas capuchinhos do Rio Grande do Sul. Se você ainda não recebeu o Calendário Antoniano-2006, fale com o zelador de sua comunidade ou entre em contato com:
ASSOCIAÇÃO ANTONIANA
Fone/fax: (54) 226-2211
E-mail: calendario@calendarioantoniano.com.br
Endereço: rua General Sampaio, 189, Caixa Postal 233, CEP: 95001-970 Caxias do Sul-RS).
Bento XVI visita o Brasil em 2007
Papa vai participar de encontro dos bispos da América Latina e Caribe
O Papa Bento XVI fará sua primeira visita ao Brasil em abril de 2007, para participar da V Conferência Geral do Conselho Episcopal Latino-americano e do Caribe (Celam). O anúncio foi feito no final de semana pela assessoria de imprensa da entidade. Segundo comunicado da CNBB, a conferência será realizada no santuário mariano de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP), no final de abril e início de maio de 2007.
A escolha foi uma decisão pessoal do próprio Bento XVI. O Pontífice garantiu sua presença na abertura do encontro. O anúncio foi feito na sexta-feira, durante audiência aos cardeais da cúpula do Celam, dom Francisco Javier Errázuriz Ossa, arcebispo de Santiago (Chile) e presidente do Conselho; o gaúcho dom Cláudio Hummes, arcebispo de São Paulo (Brasil); dom Pedro Rubiano Sáenz, arcebispo de Bogotá (Colômbia); e dom Jorge Mario Bergoglio, arcebispo de Buenos Aires (Argentina).
Os representantes do Celam entregaram ao Papa o primeiro documento preparatório dos trabalhos da V Conferência Geral e, ao ouvir os motivos dos cardeais para que o encontro se realizasse na América Latina, o Papa então anunciou-lhes a data e o lugar para o próximo encontro. Em julho, Bento XVI tinha escolhido o tema da Conferência - "Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que os nossos povos nele tenham a vida".
O presidente do Celam, dom Francisco Javier Errázuriz, afirmou que a V Conferência Geral foi pedida ao Papa pelos presidentes de todas as conferências episcopais da América Latina e do Caribe, reunidos na assembléia ordinária do Celam celebrada em Caracas, Venezuela, em 2001. Fez questão de destacar que não é uma conferência geral do Celam, mas do episcopado latino-americano e caribenho.
O arcebispo de Aparecida, dom Raymundo Damasceno Assis recebeu com grande satisfação a notícia da escolha do Papa e a informação da visita de Bento XVI ao santuário. "Faremos tudo para que a Conferência Geral possa desenvolver-se da melhor maneira possível e produzir os frutos que desejamos para todo o continente americano", disse o arcebispo.
Nos últimos 50 anos, as conferências ocorreram em cidades latino-americanas. Será a segunda vez que o Brasil acolhe esse encontro. A primeira vez ocorreu no Rio de Janeiro, em 1955, quando foi criado o Celam. Os seguintes ocorreram em Medellín, Colômbia (1968); Puebla, México (1979); e Santo Domingo, República Dominicana (1992).
Bento XVI será o segundo papa a visitar oficialmente Brasil. O primeiro foi João Paulo II, que veio ao país três vezes - 1980, 1991 e 1997. Ainda como cardeal, Joseph Ratzinger esteve no Brasil em 1990. No domingo 16, Bento XVI também anunciou que vai à Polônia em junho de 2006.
Celam lança logotipo da Conferência Geral
A Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe tem um caráter eminentemente pastoral. Como já é tradição desde Puebla (1979), as Conferências Gerais são precedidas por um processo do qual os cristãos participam do estudo dos conteúdos das propostas iniciais, oferecem sugestões e destacam temas que vão ser estudados durante o encontro. Os bispos também identificam os problemas comuns e apontam linhas de ação pastoral.
A cúpula do Celam apresentou o logotipo oficial da V Conferência Geral - uma cruz, que representa Jesus Cristo, um centro azul que faz referência a Maria, a cor verde da terra e o azul do mar. "Um continente de Cristo e de Maria", informa o Celam.
Padre Zezinho
Está longe do Reino de Deus uma nação rica que tem muitos de seus filhos passando fome
De maneira impressionante Jesus serviu 5 pães e 2 peixes para 5.000 pessoas com fome e ainda sobraram doze cestos (Jo 6,9-15). O povo quis proclamá-lo rei, mas ele não aceitou.
Também o capitalismo selvagem de alguns países como o Brasil, um dos campeões da má distribuição de renda e de bens entre o seu povo, de maneira igualmente impressionante, em algumas regiões, serve 5.000 pães e 2.000 peixes para 4 ou 5 poderosos donos do dinheiro local. O povo nem pensa em proclamá-los reis e nem adiantaria, porque eles já se sentem e agem como os reis do pedaço. E não sobra nenhum cesto, porque nem sequer se admite repartir alguma coisa!
Está mais perto do Reino de Deus uma nação que consegue socializar a sua pobreza. Mesmo tendo poucos recursos a maioria dos seus filhos tem algum acesso ao essencial. Está longe do Reino de Deus uma nação que é dona de abundante riqueza, mas a maioria dos seus filhos não tem acesso sequer ao mínimo necessário. Ali, a riqueza é manufaturada, empacotada e transportada, mas não chega ao povo porque alguns poderosos a desviam para si e para os seus compadres, outros a guardam em quantidade absurda nos seus cofres e porões ou no seu caixa 2, e outros a enviam aos paraísos fiscais!
Diante da fome do povo, dizem os evangelistas de ontem que Jesus multiplicou 5 pães e 2 peixes. Apesar de tantos rios, tanta estrada, tantos meios de transportes, tanta terra e tamanha tecnologia de plantio e de colheita, dizem os jornalistas de hoje que, no Brasil, às vezes, à apenas 300 metros de distância dos campos cheios de grãos e de frutos, há pessoas subnutridas e famintas.
Aquele povo tinha fome e Jesus multiplicou o pouco que lhe puseram em mãos. Nosso povo tem fome e, de maneira inconcebível, apesar de o Brasil ser um dos maiores produtores de alimentos do mundo, montamos aqui um sistema econômico que consegue duplicar e triplicar a fome dos seus pobres. Não é apenas triste, é perverso!
Vice-província realiza 1ª assembléia
Criada em 2004, vice-província está vinculada aos capuchinhos do RS
Contando com a presença do ministro provincial, frei Álvaro Morés, os capuchinhos do Mato Grosso e Rondônia realizaram a 1ª Assembléia como Vice-Província São Francisco de Assis. O encontro ocorreu entre os dias 26 e 30 de setembro, no Centro Comunitário Frei Silvestre Bizzotto, em Pimenta Bueno (RO). A Vice-Província do Brasil Oeste está vinculada à Província Sagrado Coração de Jesus do Rio Grande do Sul. Em dezembro de 2004 passou de custódia a vice-província.
A assembléia teve como prioridades a elaboração das diretrizes e atividades para o biênio 2005/2007, a apreciação e aprovação do Estatuto de Relacionamento entre a vice-província e a província e o planejamento para o ano de 2006. "Antes da elaboração das novas diretrizes, os participantes dedicaram tempo à reflexão das interpelações que emergem da atual realidade social e eclesial na região Oeste do Brasil", informa o vice-provincial, frei Faustino Paludo.
Houve também a leitura e estudo da carta do ministro geral John Corriveau "Vai dizer aos meus irmãos..." e a apresentação de frei Álvaro Morés dos pontos mais importantes das diretrizes da província gaúcha, aprovadas no 20º Capítulo, em agosto passado. Durante a assembléia, os freis aprovaram as seguintes diretrizes: dinamizar o Serviço de Animação Vocacional; ser frades de oração, atenciosos e acolhedores; viver o ideal do trabalho como espiritualidade buscando o auto-sustento. Como lema do biênio foi definido "Vocação capuchinha: um serviço à vida na paz e no bem!".
A vice-província do Brasil Oeste conta hoje com 36 frades professos, 16 pós-noviços, sete noviços e 10 pré-postulantes e aspirantes. É formada por cinco fraternidades, 10 paróquias (sete no Mato Grosso e três em Rondônia), o noviciado e três casas de formação.
Paróquia São Judas festeja o padroeiro
A paróquia São Judas Tadeu, no bairro Partenon, em Porto Alegre (RS), realiza, no dia 30 de outubro, a 62ª Festa de São Judas Tadeu. Nesta quarta 19 inicia a novena preparatória, que prossegue até o dia 27. De acordo com o tema da festa - São Judas, por uma cultura de paz -, cada noite da novena terá a paz como motivo de reflexão.
No dia 23 está programada uma carreata com a imagem do padroeiro por diversas ruas da capital. No dia 28, festa litúrgica de São Judas, estão previstas missas com bênção às 8, 10, 16 e 18h30, carreata às 17 horas e grande procissão luminosa às 20h30. Durante todo o dia haverá bênçãos para os que comparecerem ao santuário. No dia 30, missas festivas às 7h30, 10 e 19 horas e, ao meio-dia, almoço de confraternização.
A paróquia de São Judas Tadeu foi criada e instalada por dom João Becker em 1943 e confiada aos capuchinhos. No dia 24 de janeiro do mesmo ano assumiu o primeiro pároco, frei Hilário Possebon. O pároco de hoje é frei Aldir Galina. Em 1960 foi inaugurado o atual santuário, local de constantes peregrinações.
Missões mobilizam região de Bom Jesus
A paróquia Senhor Bom Jesus, de Bom Jesus (RS), está vivendo, desde o dia 30 de setembro, um momento intenso de espiritualidade e reflexão, com a realização das santas missões populares, pregadas pelos missionários saletinos. "Motivadas por cinco palavras-chaves (rezar, participar, convidar, perdoar e ser missionário), as missões prosseguem até 30 de outubro", destaca o pároco de Bom Jesus, padre Dirceu Carra.
Além dos encontros e celebrações nas comunidades da paróquia de Bom Jesus, no dia 28 de outubro, às 19 horas, será celebrada missa da juventude, na matriz e, no dia 30, às 9 horas, missa de ação de graças, do envio dos missionários e missionárias e encerramento. De 31 de outubro a 5 de novembro haverá a pós-missão com as lideranças, em Bom Jesus.
Padre Dirceu é auxiliado nos serviços pastorais pelo bispo emérito de Vacaria, dom Orlando Dotti. A paróquia de Bom Jesus foi criada em 1918 e entregue aos capuchinhos, que permaneceram na região até 1982, quando a paróquia foi confiada ao clero diocesano.
Aldo Colombo
Existe em nós uma dimensão interior, uma dimensão espiritual, um lugar para Deus, para a fé e para o amor
Os cursos acadêmicos haviam-me separado de um grande amigo. Mas numa linda manhã de começo de outono nos reencontramos numa cancha de tênis. Contou-me que casara e era pai de uma criança de poucas semanas. Entre uma jogada e outra, inúmeras recordações voltavam à nossa memória. O jogo ainda não havia esquentado quando meu amigo foi chamado para a portaria do clube. Haviam telefonado informando que seu filho tivera uma convulsão e fora levado ao hospital em estado grave. No mesmo instante, meu amigo subiu no carro e partiu para o hospital.
Por um momento fiquei onde estava, bastante confuso. Depois, tratei de pensar no que deveria fazer. Seguir para o hospital? A idéia não me agradou. Disse para mim mesmo que nada adiantaria, pois a criança estava sob os cuidados de médicos experientes. Depois, tanto meu amigo como sua esposa vinham de famílias numerosas. A única coisa que eu faria indo para lá seria atrapalhar. Decidi que, mais tarde, iria visitar o amigo. Tomei o carro e me dirigi para casa. Na realidade eu estava desconfortável. Tanto ir como não ir pareciam decisões erradas. Já estava perto da casa quando decidi ir ao hospital.
Quando cheguei, a sala de espera estava cheia de parentes e pelo ambiente percebi que o filho de meu amigo falecera. Informaram-me que os pais pediram para ficar a sós, numa sala com o bebê. Depois de um tempo que me pareceu uma eternidade, os pais saíram e foram envolvidos pelo choro dos familiares. Eu ainda não sabia se havia decidido certo. Ao me ver ali, a mãe da criança me abraçou e começou a chorar. Também meu amigo deu-me um longo e sofrido abraço e disse: muito obrigado por estar aqui. Durante o resto do dia fiquei sentado na sala de emergência, vendo meu amigo e sua esposa segurar o bebê e despedir-se dele. Quase dois anos depois meu amigo telefonou-me dando uma agradável notícia: era pai novamente e que eu havia sido escolhido para padrinho do bebê.
Já se passaram mais de 10 anos e nossa amizade cresce sempre. Olhando para o passado compreendo que quase havia tomado a decisão errada. Os estudos acadêmicos me haviam ensinado a ser uma pessoa prática, com objetivos racionais. Assim era a vida e tudo deveria ser decidido pela razão. Felizmente eu decidi com o coração. Duas pessoas haviam sido atingidas por uma fatalidade e eu nada poderia fazer por eles a não ser estar com eles, escutá-los e acompanhá-los. Mas isso foi tudo. Hoje, dou-me conta que a vida pode mudar a qualquer momento e não podemos esperar que aconteça uma tragédia para buscar um equilíbrio na vida.
À distância também me dei conta dos ensinamentos - quase esquecidos - de minha Igreja e de minha infância. Lá me fora dito que o mais importante na vida não era ganhar dinheiro e ser uma pessoa bem sucedida. Existe em nós uma dimensão interior, uma dimensão espiritual, um lugar para Deus, para a fé e para o amor. Ninguém pode ser feliz sozinho. A partir desse fato compreendi a grande sabedoria de um conselho do apóstolo Paulo: "Rir com os que riem, chorar com os que choram". As lágrimas se constituem no cimento mais resistente da amizade. E Tiago afirma: "A caridade é a religião pura" (Tg 1,27).
Juventude sonha com um novo Brasil
Jovens refletem, no dia 30 de outubro, sobre o país que eles querem
A Igreja Católica no Brasil celebra, em dia 30 de outubro, o Dia Nacional da Juventude. Esse momento especial é promovido pela Pastoral da Juventude do Brasil (PJB). Neste ano, o evento é motivado pelo tema "Políticas públicas para a juventude" e pelo lema "Juventude, vamos lutar! Chegou a hora do nosso sonho realizar!".
"O Dia Nacional da Juventude é festa, manifestação e tomada de posição não só para os jovens participantes de grupos, mas para todos os outros jovens. A missão do DNJ é ir ao encontro de todos, nos seus espaços, para anunciar-lhes que são importantes e amados por Deus e a Igreja com predileção", salienta irmã Ângela Maria Falchetto, assessora nacional da PJB.
O Dia é marcado pela mobilização de milhares de jovens, em todo país, para celebrar, como Igreja, a vida da juventude. Em cada regional e em cada diocese estão previstas diferentes atividades para marcar a data - estudos, reflexões, celebrações, vigílias, retiros, caminhadas, encontros, gincanas, mutirões, festivais, seminários, artes, fóruns, jogos esportivos, entrevistas, campanhas de alimentos, agasalhos e limpezas de rua, passeatas, missões etc. A PJB sugere que algumas dessas atividades envolvam também outras Igrejas cristãs, garantindo um caráter ecumênico ao evento. Subsídios elaborados pela Pastoral da Juventude de Porto Alegre foram enviados a todas as dioceses para auxiliar nas reflexões e atividades desse dia.
Políticas - O Dia Nacional da Juventude está completando 20 anos. Surgiu em 1985, a partir do Ano Internacional da Juventude. Desde 2001, a jornada dedica especial atenção às políticas públicas para a juventude do país. A cada ano o evento torna-se um momento e ferramenta de animação da caminhada dos milhares de grupos de jovens existentes nas comunidades católicas do Brasil. Momento de celebrar vida, esperanças, conquistas, realidades e sonhos, mas também um espaço acolhedor para as diversas juventudes existentes no país.
São Leopoldo acolhe jovens do Interleste
No Dia Nacional da Juventude haverá encontros estaduais, regionais e diocesanos. No dia 30, as dioceses do Interleste do RS (dioceses de Caxias do Sul, Novo Hamburgo e Osório e arquidiocese de Porto Alegre) promovem um grande encontro em São Leopoldo. "Estamos convidando todos os jovens das mais de 100 cidades que integram o Interleste a sonhar unidos e perceber em seus sonhos o Brasil que a juventude quer", salienta Jarine Tessis, da Coordenação Pastoral da Juventude de Caxias do Sul.
Jarine explica que, no encontrão, os participantes vão refletir sobre quatro importantes temas: O Brasil que a juventude tem, o Brasil que a juventude quer, o Brasil que a juventude faz e o Brasil que a juventude sonha. Todas as regiões estão se organizando para o encontro. As atividades iniciam às 9 horas, no Largo Rui Porto. De Caxias do Sul está confirmada a saída de cinco ônibus. Mais informações sobre o encontro com Jarine (9951.6111), Daiane (8113.0382) ou Cristina (9979.5568).
Comunidade caxiense comemora os 40 anos
No domingo, 23 de outubro, a comunidade Cristo Redentor, da paróquia dos Santos Apóstolos de Caxias do Sul, comemora 40 anos de criação. Para marcar a data, foi realizada procissão motorizada pelas ruas do Bairro Exposição, com a imagem do padroeiro, além de celebrações com sacerdotes que atenderam a comunidade nessas quatro décadas. No dia 23 haverá missa às 11 horas com os padres que atuam na comunidade, transmitida pela Rádio São Francisco.
As festividades têm como lema motivador "Comunidade Cristo Redentor, 40 anos de história, de fé, de participação e de trabalho". De início, a região pertencia à paróquia da catedral. Em 1965, padre Ernesto Brandalise formou uma comissão de moradores e juntos construíram uma capela que mais tarde passou a integrar a paróquia dos Santos Apóstolos.
Wilson João
A velocidade encurta a vida. É preciso viver no ritmo do prazer. Passear, caminhar, andar a pé, respirar o ar puro...
Há uma doença que vai crescendo dia-a-dia. Está se tornando uma epidemia. Uma peste. Essa doença tem um nome complicado. É a Síndrome do Pensamento Acelerado. Ou resume-se na sigla: SPA. É a doença da corrida. Da velocidade. Não tanto da velocidade física. Muito mais da velocidade da cabeça, do pensamento, que se torna preocupação. Pensa-se muito mais do que se faz. A palavra preocupação já significa isso: ocupar-se antes do tempo. E a preocupação cansa e até mata.
A VELOCIDADE É PARA AS MÁQUINAS. Elas podem correr. O carro pode correr a trezentos por hora. Os motores podem fazer milhares de rotações por minuto. As máquinas são feitas para isso. São feitas de material resistente. A pessoa humana não. É feita de carne e osso. Não é de aço. E mesmo tendo um mundo espiritual com possibilidades infinitas, esse mundo espiritual está limitado ao mundo material do corpo. O corpo é o instrumento espetacular da comunicação da vida, mas é limitado. As pessoas que pretendem entrar no ritmo das máquinas, se desgastam em pouco tempo e até fundem o motor da vida.
A NATUREZA É VAGAROSA. Tudo tem um ritmo. Tudo é lento. Tudo tem seu tempo. Cada coisa no seu tempo. O verão não vem antes da primavera. Há uma ordem. O fruto vem depois da flor. E nós, seres humanos, somos animais e vegetais. Nosso corpo é semelhante ao corpo dos animais e à vida dos vegetais. Somos células. Somos bactérias. Somos átomos. Por isso, torna-se muito perigoso introduzir a pressa num corpo que tem suas raízes na lentidão da natureza.
É PRECISO VIVER SEM CORRER. A velocidade encurta a vida. Em geral, os atletas têm vida mais curta. Poucos chegam aos oitenta anos. Forçam demais o organismo. Deve-se refletir também sobre essa febre de academias de ginástica, que forçam o corpo e o bolso. Chega-se ao extremo de se fazer dessa prática sofrimento em vez de prazer. Quando o corpo sente dor é sinal de ultrapassagem do limite. A dor é sinal de coisa errada. Isso tudo é fruto do consumismo. Há maneiras mais naturais de mexer com o corpo na velocidade normal. Nenhum animal se entrega ao atletismo. Isso acontece quando as pessoas querem fazer dos animais seres humanos. Os animais sabem muito bem quando devem correr e saltar.
VIVER NO RITMO DO PRAZER. Caminhar, passear, andar a pé, observar o que se passa ao redor, respirar o ar puro, olhar o colorido. Isso é viver buscando o prazer. Nada disso existe numa academia. A academia do mundo é muito mais linda e saudável. As velhinhas nos ensinam que é muito saudável reunir-se no final da tarde, na conversa descontraída, comer um bolo com chá, ou alegrar-se contando causos com o chimarrão passando de mão em mão.
O italiano de minha bagagem cultural
Hugo Hammes
Jornalista, Porto Alegre-RS
Hugo Hammes, de Porto Alegre, alemão de pai e mãe, participa da cultura italiana via amizades e profissão. Diz ele:
"Fiquei indócil diante do desafio do projeto editorial - O italiano que está em você, de Frei Rovílio Costa. Esta promoção me lembra uma das mais gratas jornadas de minha vida como jornalista, que ainda me emociona. Tenho sangue alemão de ambos os lados. Pelas pesquisas realizadas, não sofri influência de outras etnias, ao menos até cinco gerações passadas. Mas existe um italiano em mim, por várias razões.
A partir de 1824, ao chegarem ao Rio Grande do Sul, os alemães ocuparam os vales dos rios Sinos, Taquari e Pardo. E 51 anos depois, os italianos tiveram que subir a serra, estabelecendo-se em Nova Milano, no atual município de Farroupilha e, depois, em Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Garibaldi, Flores da Cunha e outros municípios.
Sempre admirei a obra dos italianos e descendentes que, embora condições adversas, venceram galhardamente no novo meio. Mas devo confessar que meus conhecimentos sobre a história da colonização dos filhos da velha Itália eram bastante superficiais. Entretanto, tudo mudou em 1975 quando, sob a coordenação do jornalista Valter Galvani, fui o responsável pela assessoria de imprensa da Comissão Executiva para as Comemorações do Centenário da Imigração Italiana. Em vista do meu novo campo de atuação profissional, vi-me na obrigação de me aprofundar no estudo da imigração peninsular. Antes do início dos festejos, coube-me a redação de um folheto, que levou o título "Uma lição de amor, feita com trabalho, pão e vinho - 1875-1975", que teve ampla distribuição. Além do meu trabalho na capital gaúcha, participei de numerosas reuniões e eventos. Redigi muitas notícias para a imprensa. Findo 1975, fui incumbido de elaborar o relatório da Comissão Executiva para as Comemorações do Centenário da Imigração Italiana.
Passado este período, minha bagagem cultural ficou muito enriquecida. A experiência, como secretário de imprensa, me propiciou uma compreensão mais ampla e nítida da saga dos colonos italianos. Da sua aventura fascinante, como novos e bravos bandeirantes, nasceu um novo progresso e uma nova civilização, merecedora da admiração e do orgulho de todos os gaúchos e brasileiros."
Hugo é um entusiasta das diferentes etnias e culturas do Estado. Da etnia italiana o que mais o empolga é a religiosidade e o trabalho. Mas seu estômago continua atraído pela culinária alemã. (Rovílio Costa)
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (331)
Come se fa par indrissarse in questa vita
Luiz Bavaresco
Nova Prata (RS)
(Retomada do texto de Luiz Bavaresco, interrompida na edição de 25 de maio de 2005, a partir do critério de alternância).
Vanti vegnar in Mèrica par catar la cucagna, parché el sentia dir che qua, tei boschi ghe gera piante che fava pan e anca piante che fava salami, Nanetto l’è ndato fin Pagnano, che l’era la so cità e ndove ghe gera el padre e anca el dotore. In te un istante el ga pensà che se’l ndea in Mèrica che no ghe zera dotori cossa el dovaria far quando ghe saltasse qualche bruto mal de pansa o qualche altra roba, lora l’è ndà parlar col dotore Genaro, che lo cognossea par via che na volta el ghe ga dà el oio de rìssino e che no lo ga mai desmentegà e anca del limoneto che lo ga ciucià insieme. El riva e el ghe dise:
- Bona sera, dotore, mi stao ben, e vu?
Parlando così, no’l podea cobrarghe la consulta parché no’l gavea gnente.
- Dotore, el dise, in te l’altra luna vao a Venèzia, ciapo el bastimento e vao in Mèrica par far la fortuna e anca par catar la cucagna, ma prima vui dimandarghe cossa farò in Mèrica quando me càpita na malatia, se no ghe ze doturi là?... El dotore ghe ga dito:
- Pòrtete drio sal amaro, oio de rìssino e semense de pissacan. Piàntele, e quando te ghè mal de pansa, métele in tel aqua boiente, béveghe l’aqua e, dopo de consai, màgneli, te vedarè che no te cápita gnanca na malatia. Naneto el ga metesto via quei insegnamenti, l’è ndato fin la canònica de Pagnano par parlar col prete parché lo benedissa vanti partir. El va su la scala, el bate la porta, el speta un poco, e gnente. Òstrega, el dise, saralo drio dormir el prete!... In te quela el scolta che veg-nea gente fin che la porta se verde, e el vede na mónega. Lora el ga dito:
- Siu vu el prete?
La mónega ghe dise:
- Se vede che te sì un pagnanoto de quei stùpidi, no te vedi mia che son na fémena, e fémene no le pol essar preti?!
Nanetto ghe ze vegnesto su le fumane, e el ghe dise:
- Va piantar fava e métete un brancon de urtighe soto la coa, bruta bèstia che te sì!
El pianta là tuto, e el va via sensa la benedission del prete. Ndea casa che l’era distante on due chilòmetri e el vardava quei munti de tera magra, quei potreri pieni de sassi, le case vece piene de veci te le finestre, desdentai, patii, mal vestii e co na bruta fàcia. Lora el se ga nincorto che l’era zóveno e bel, e che’l gavea la forsa e che l’era pien de morbin e che’l dovea ringrassiar a Dio perché l’era drio ndar via de quei posti par ndar star in Mèrica in meso le tere nove, le piante de salami e de pan, el oro e i diamanti che i zera par sora l’aqua in te i rieti in meso el mato. El se ga imaginà dopo ver fato la fortuna, ritornar a Pagnano pien de soldi e mostrarghe a quei stùpidi de pagnanoti e anca ala mónega che la stea te la canónica come se fa par indrissarse in questa vita. Dopo ver caminà i due chilòmetri in su e in zo, el riva casa e l’era romai drio vegnar note, e quela note l’era el scomìssio del inverno e le piante l’era tute sensa foie. So mama ga ciamà i fioi e anca Nanetto che l’era el più vècio par senar. Prima i ga pregà un paternos-ter par ringrassiar a Dio quel pochetin che i gavea par senar quela note.
Fenio de mag-nar, i è ndati tuti in cantina che l’era più calda, par via dele due vachete che i moldea. De note le stea soto casa, in cantina. Là i ga pregà el rosàrio e dopo i è ndati su e tuti in leto, o meio, due leti, uno par i toseti e l’altro par le tosete in due quartini. Come l’era fredo, e el bocal no lo gavea, co ghe vegnea voia de pissar, i verdea la finestrela e lora i bagnea la caseta del cagneto che l’era soto. Le tosete, la mama le feva levar su in meso la note, e dopo le metea nantra volta in leto. Quela note i ga dormisto tuti con un poco de fame, come tute le note dea so vita.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
Stòrie de me nono Matteo Rubbo
Setembrino Rubbo
Construtor, Pinto Bandeira - RS
Me nono, Matteo Rubbo, el zera un esémpio de convivensa, educassion e religion. Ve conto un poche dele so stòrie.
Un giorno i lo ga mandà piantar mandolini. El ciama Gioani, el ghe dise: "Ndemo piantar mandolini." I ga ciapà un sestel de mandolini, i va in colònia, i se senta do sora un sasson, i scomìssia far do in mandolini, e i taca magnarli. Quando i se nicorde li gavea magnai squasi tuti. E desso, far che? I ciapa e i magna anca i pochi che i gavea vansà.
Nantra volta el nono el zera medo inrabià, el ndea inquà e inlà. El osa:
- Àngelo, vien qua che te me iuti a catar la pipa. E Àngelo el ghe dise:
- No vedì che la gavì in boca!?
- Ah! satanasso! Zera la so spression.
El nono el gavea el giornal Correio Riograndense, na cosa rara! Lora, lì par el 1930, uno ghe domanda:
- Matteo, de cosa pàrlelo el giornal?
- El parla che’l Brasile el va mal!
E oncó se podaria dir che la ze ancora così.
Al tempo de Mussolini, i vendea soade de Mussolini e de Pio X, de gesso. El nono el ga comprà le due soade, le ga picae su la parede, e quando ze rivà el tempo dea guera no se podea ver segni de italianità, lora el ga tegnesto la soada de Pio X, e quea de Mussolini la ga butada in tera e fata in tochi. Dopo, el ga tolto su i tochi del gesso par doperarli par scriver su la lavagna.
Là par el 1927, la fameia del nono Matteo ze ndata via dea Linha Silva Pinto. I Rubbo i ze ndai star tea Linha Jacinta. Là ghe zera na ceseta de tole segae a man, un cemitero de taipa, tuto fato dai primi migranti, su el travesson. Alora sucede che i ga fato la strada pi insù, e la ceseta i la ga sbandonada. Lora la società ga resolvesto de vénderla a chi paghesse depì. Quel che la ga comprada ze stà el nono, insieme con Momi Parisotto. E i ga spartio le tole, i travi, i sataroni, le colone..., tuto uno cadauno e, in fine, ze vansà el tabernàcolo e la porta. El nono el se tien el tabernàcolo, e Momi el ze restà con la porta. El nono el ga inciodà el tabernàcolo drio a porta dea so càmera, e là el ga messo rento soldi, scriture, documenti del 1904 fin el 1954 quando el ze morto. De tuti sti documenti, relìchie stòriche, me go fato na còpia, e i originai li go messi tel Museo del Imigrante, in Bento Gonçalves. Un tesoro messo via tel tabernàcolo, el vero posto del gran tesoro.
Questa la ze sucedesta con mi, Setembrino Rubbo:
Un bel giorno i me ga lassà casa mi sol. E mi son ndato tel rieto, dove se lavava le robe, me sento sora el lavel, e scomìnsio a dugar co le gambete rento aqua. Là de un poco, sbrìssio rento, sorte che no l’era mia fondo. Son vegnesto fora tuto moio. Far cosa? No ghera nessun casa, altre braghete no ghenavea, bisogna che le meta sugarse. Vao in cusina, le pico te la cadena, sora el fogoler e ghe meto fogo soto, e vao via pal potrer dugar sensa braghe. Dopo de un ora, torno par veder se le se gavea sugà. No go pi catà gnente, solo séndere, e son restà sensa braghe fin note. Co la mama ze tornada, la me ga messo su quele de festa.
Entra em operação primeira turbina de Barra Grande
Secretaria do Meio Ambiente renova licença da hidrelétrica 14 de Julho
Preservar exemplares de buriti-palito (Trithrinax brasiliensis) e de xaxim (Dicksonia sellowiana) é uma das condicionantes do Departamento de Florestas e Áreas Protegidas (Defap) da Secretaria Estadual do Meio Ambiente para autorizar o corte da vegetação para a implantação da PCH Passo do Meio, em São Francisco de Paula, município gaúcho nos Campos de Cima da Serra.
A área licenciada compreende em torno de 86 hectares. Deverão ser repostas 33 mil mudas nativas da região.
Outras 850 mil mudas de espécies nativas deverão ser repostas em função da licença florestal renovada pelo Defap para as obras da Hidrelétrica 14 de Julho, no rio das Antas. As obras da Companhia Hidrelétrica Rio das Antas (Ceran) compreendem uma área licenciada de aproximadamente 65 hectares, envolvendo os municípios de Cotiporã, Veranópolis e Bento Gonçalves.
Vacaria - A primeira turbina da usina de Barra Grande, em Vacaria, começará a funcionar até o final de outubro ou no início de novembro, anunciou o representante da Baesa - empresa responsável pelas obras -, João Carlos Reseck Júnior. A capacidade será de 230 megawates por dia.
Nos próximos 11 meses as outras duas turbinas igualmente entrarão em operação, cada uma gerando 230 megawates por dia de energia elétrica. No total, as turbinas serão responsáveis pelo abastecimento de 30% da energia demandada pelo Rio Grande do Sul.
A usina de Barra Grande já é um atrativo turístico na região de Vacaria.