
DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 4.960 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 26 de outubro de 2005.
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Cabe ao governo entender as razões do Sim e do Não
O Sim e o Não apontam na mesma direção: o cidadão quer, e tem direito, mais justiça e segurança
O Brasil acaba de viver uma grande festa da cidadania. É pena que os eleitores puderam responder apenas a uma pergunta, quando gostariam de opinar sobre uma série de outras questões. E o referendo não foi um gesto de boa vontade do governo. O indivíduo é anterior ao Estado. Em troca de segurança e organização social, os indivíduos cedem parte de sua liberdade. Assim surge o Estado, conseqüência de um contrato social. Esta cessão de direitos não é definitiva. De tempos em tempos, através de eleições e de outros mecanismos de consulta, o governo tem a obrigação de ouvir e obedecer as aspirações populares.
O resultado do referendo está aí: 64% dos eleitores optaram pelo Não. Cabe agora ao governo analisar e interpretar as razões e o resultado do referendo. Curiosamente, o Sim e o Não partiram do mesmo ponto: do problema da (in) segurança. Está claro para todos que o governo não garante a segurança pública. Para alguns - defensores do Sim - tirar as armas legais das mãos do cidadão seria a receita; para outros, armar-se contra os criminosos seria a solução.
Os eleitores deram seu recado. Agora cabe ao governo assumir suas atribuições constitucionais. O povo quer e tem direito à segurança, algo que o Estado não sabe garantir. E isto deve significar uma grande mudança nesta área. Mas não haverá segurança enquanto milhões de armas clandestinas continuarem nas mãos de criminosos ou cidadãos comuns. É obrigação do governo desarmar os criminosos. Não haverá segurança enquanto existir uma Justiça morosa e uma polícia completamente desaparelhada. Não haverá segurança enquanto o contrabando, especialmente de armas e drogas, continuar prosperando. Não haverá segurança enquanto não se investir mais em educação, em seu sentido amplo. Não haverá segurança enquanto não diminuir a injustiça e a concentração de renda, geradora de violência. Não haverá segurança enquanto os grandes meios de comunicação, alguns deles favoráveis ao Sim, insistirem em programações que exaltam a violência. Depois do Não das urnas, o governo precisa pensar e agir mais na segurança ao cidadão. É esta a missão que lhe foi confiada.
Cidade produz 460 t de lixo por dia
Cerca de 15% dos resíduos coletados são reciclados
Cerca de 400 toneladas de resíduos orgânicos domésticos e mais 60 toneladas de lixo seletivo são recolhidos diariamente na cidade pela Companhia de Desenvolvimento de Caxias do Sul (Codeca), que está completando 30 anos de fundação. De acordo com o presidente da entidade, Adiló Didomênico, Caxias está entre os poucos municípios brasileiros de médio ou grande porte que detêm o controle total do processamento dos resíduos urbanos. A coleta de lixo, tanto orgânico quanto seletivo, é realizada em todos os bairros e loteamentos da cidade.
Caxias recicla aproximadamente 15% do lixo que recolhe, quase o dobro da média nacional, que é de 8%. O recolhimento dos resíduos seletivos acontece em toda a área urbana e em 90% da zona rural. A coleta seletiva começou no município em 1991, como experiência em apenas um bairro da cidade. A partir de agosto de 1997 foi sendo ampliada aos poucos. Apesar do sucesso do trabalho, hoje chegam até as associações de recicladores apenas 17% dos resíduos que poderiam ser reciclados na cidade.
O lixo seletivo coletado pela Codeca é enviado sem custo para nove associações. Essas entidades geram trabalho e renda para mais de 400 famílias, que partilham, em média, de R$ 300,00 a R$ 500,00 mensais. Para melhorar o processo de reciclagem na cidade, a Codeca conta com o auxílio dos moradores, principalmente no que diz respeito à correta separação do lixo seletivo e orgânico (quadro).
A Codeca foi fundada no dia 29 de outubro de 1975. Atualmente, conta com cerca de 800 funcionários e possui 21 caminhões para a coleta dos resíduos orgânicos. Outros oito veículos são utilizados no recolhimento do lixo seletivo. A companhia realiza ainda serviços de varrição e capina, além de pavimentação e obras. Possui também a Central de Armazenamento de Pneus Inservíveis e a Central de Armazenamento de Lâmpadas Usadas.
Nesta quarta 26, a Codeca é homenageada em sessão solene na Câmara de Vereadores. Dia 29, blitz educativa e, à tarde, mateada de encerramento da programação alusiva ao aniversário da companhia, no Parque Getúlio Vargas.
Genética e sanidade agregam valor ao leite
Soma-se o ingrediente afetivo para transformar a propriedade familiar em um caso de sucesso
Na chegada o outdoor deseja as boas vindas. A paisagem exibe diversos tons de verde, misturados às pastagens de primavera. O perfume das flores se mescla com o zunido dos insetos e o vôo dos pássaros. O lugar é bonito, tranqüilo... Na área da casa, surge Itamar Tang, 35, apaixonado pela atividade leiteira, que atribui o gosto ao pai, Orlando Evaldo, 64.
A família Tang, de origem alemã, sempre se dedicou à atividade leiteira, na Linha Paese, interior de Farroupilha. Mantém uma propriedade de 23 hectares, sendo 14 hectares ocupados com pastagens, no inverno. No verão, há inversão no plantio. A paisagem adquire cor amarela com 10 hectares de milho e apenas quatro hectares de pastagens.
Todo esse potencial é para alimentar um plantel de 80 vacas holandesas (PO - puro por origem). Dessas, 34 estão em lactação. São duas ordenhas diárias, com uma média de 1.050 litros de leite por dia. Já a produtividade média histórica mensal se aproxima dos 40 mil litros. "A média econômica por animal é de 28 a 32 litros/dia", revela Itamar.
Como ganhar dinheiro produzindo leite? A resposta de Itamar é objetiva: "Genética, sanidade e amar o que se faz." A Granja Tang pratica a inseminação artificial há 25 anos, quando poucos falavam sobre o assunto no país. "O sêmem é importado, 60% vêm do Canadá e 40%, dos Estados Unidos", relata o produtor.
Associativismo - Há mais um componente que faz a diferença nos cálculos finais. A granja é associada à Cooperativa Santa Clara, de Carlos Barbosa, há 35 anos. "O cooperativismo é que tem remunerado melhor o leite", afirma, lembrando que o produtor não pode abrir mão da assistência técnica. Hoje, o produtor que quiser evitar que seus ganhos de eficiência sejam sempre repassados aos elos seguintes, tem de trabalhar em associações ou cooperativas.
A assistência técnica está aliada à qualidade. Aliás, qualidade é o que sinaliza os novos tempos para o setor. O sistema já remunera o leite de melhor qualidade, cujos requisitos variam de laticínio para outro. Assim, um laticínio que prioriza sólidos, por exemplo, poderá pagar melhor gordura e proteína. Outro que trabalhe com leite pasteurizado pode enfatizar a qualidade microbiológica.
Mercados exigem qualidade superior
A Instrução Normativa 51, combatida por muitos e com pedidos de novo adiamento, também se volta à qualidade e sanidade do leite. Trata-se de uma regulamentação que obriga que o leite seja produzido e comercializado dentro das normas previstas. Portanto, qualidade passa a ter padrão mínimo e ser exigência mínima.
No caso da soma das células somáticas, se o limite baixar para 400.000 células/ml, que é o modelo europeu e a Granja Tang adota desde 2001, o produtor não vai ganhar nada a mais por atingir esse número. O que acontece é que perderá muito se produzir acima disso. Pior: não terá para quem vender.
Com ou sem legislação, é o mercado quem determina. Haverá naturalmente processo evolutivo em relação à qualidade. "Quem não quiser acompanhar, vai ficar de fora", lamenta Itamar, que defende a implantação da IN 51. Nesse novo cenário, apenas os que têm boa qualidade serão melhor remunerados.
Processo - Qualidade é um processo natural, em um ambiente competitivo e com consumidores que tendem a ser cada vez mais exigentes, inclusive tendo à sua disposição uma gama de produtos não lácteos bons e saudáveis. Ter qualidade será a condição básica para continuar competindo. O produtor que entender isso e tiver condições de acompanhar, evoluirá junto com o setor; quem não quiser, tende a ser alijado do mercado.
Gerenciamento comanda funcionamento da propriedade
Não basta oferecer tecnologia de ponta para os produtores de leite, é necessário também orientar e conscientizar para a importância da implantação dessas tecnologias e capacitar a família para acompanhar a evolução do setor. A capacitação passa por medidas simples como o controle de custos e informações rotineiras da atividade.
A família Tang gerencia toda propriedade. Registra os dados, desde o rebanho até os equipamentos, processando as informações dos animais, como reprodução, alimentação, ordenha, saúde e produção. Cada vaca tem uma ficha com o seu histórico. "As nossas vacas têm nomes femininos, alguns em homenagem às pessoas de nossa família", conta Itamar. Até a sobrinha Gabriela, 4 anos, filha do irmão Marcos, grande incentivador, dá palpites e chama os animais pelo nome.
O sistema de gerenciamento adotado pela Granja Tang armazena e interpreta todas essas informações, de modo a proporcionar à família visão geral do estado do rebanho e de cada animal em particular.
Apesar de apostar no aperfeiçoamento da atividade, o produtor enfrenta um cenário emblemático. "Faltam recursos para maiores investimentos", reconhece Itamar, num momento em que o setor lácteo nacional atravessa crise com preços muito baixos pagos pelo produto. O preço mínimo do leite está fixado em R$ 0,38 por litro. Para cobrir os custos deveria ser elevado para R$ 0,52/litro. No RS, está cotado a R$ 0,48 ao litro, queda de 15% nos últimos três meses.
Referência - O Rio Grande do Sul está saindo na frente. O Estado terá mensalmente um preço referencial para o leite. Convênio nesse sentido foi assinado entre o Conselho Estadual do Leite (Conseleite) e a Universidade de Passo Fundo. Segundo o presidente da Associação Gaúcha de Laticinistas (AGL), Ernesto Krug, o setor deverá contar com o levantamento até dezembro.
Investimentos resultam em prêmios
Os investimentos e a dedicação da família Tang podem ser traduzidos pelas premiações e troféus recebidos nos principais eventos agropecuários do Rio Grande do Sul, como a Feira Agropecuária Internacional (Expointer) e a Feira Nacional de Agronegócios do Sul (Fenasul), de Esteio. "Desde 2002, a Granja Tang ganhou 167 troféus", relata Itamar.
Na Expointer 2005, Itamar recebeu também o Diploma Mérito da Produção Agropecuária do RS. O prêmio homenageia dez produtores rurais gaúchos, que se destacam nos aspectos econômico, ambiental e social e pelas iniciativas exemplares e desempenhos de suas propriedades, que são referenciais a outros produtores.
Para o gerente do Departamento Técnico da Cooperativa Santa Clara, João Seibel, a homenagem é justa. "O diploma é um estímulo à Granja Tang pelo seu trabalho exemplar, familiar e extremamente técnico, que visa resultados na sua atividade", declara.
Febre aftosa pode causar embargo total à carne
Surgimento de focos no Paraná ameaça compras da Europa e Rússia
O aparecimento de três focos de febre aftosa no Paraná pode levar a União Européia e a Rússia, principais compradores de carne do Brasil, a ampliarem o embargo a todo o país. De janeiro a setembro deste ano, os dois mercados foram responsáveis por importações de US$ 1,15 bilhão, respondendo por mais de 50% dos US$ 2,2 bilhões de carne exportada pelo Brasil.
Na segunda-feira 24 mais dois países - Suíça e Indonésia - comunicaram ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) que farão restrições comerciais ao Brasil devido à febre aftosa. Assim, sobe para 43 o numero de países que impõem embargo aos produtos brasileiros. Além da importação de carnes, a Indonésia também suspendeu a compra de produtos processados de animais e seus derivados (sem especificação de espécies) e também a compra de farelo de soja e matérias-primas, equipamentos, maquinaria e medicamentos.
O embargo indonésio vale para todo país; a Suíça deixa de importar produtos do Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo.
O governo já interditou 40 fazendas após a suspeita de focos no Paraná. Segundo o secretário estadual da Agricultura, Orlando Pessuti, as propriedades receberam animais vindos do MS. "O foco no Paraná surgiu da criação pecuária do MS", enfatizou o ministro do Mapa, Roberto Rodrigues.
A situação no PR e no MS deixou gaúchos e catarinenses em estado de alerta máximo. Na segunda-feira 24, os governadores Germano Rigotto (RS) e Luiz Henrique (SC) se reuniram em Florianópolis para discutir medidas contra o avanço da aftosa. Luiz Henrique decretou Estado de Emergência Sanitária. SC é o único Estado brasileiro que exibe o status de livre de febre aftosa sem vacinação, desde 1998.
No Rio Grande do Sul, a Secretaria da Agricultura encaminhou pedido ao Mapa solicitando autorização e as doses necessárias para antecipar de janeiro de 2006 para novembro próximo a vacinação do rebanho gaúcho. De acordo com Rigotto, seriam imunizados 14 milhões de cabeças.
Doença foi descoberta por italianos em 1546
A febre aftosa foi descoberta na Itália no século XVI. Uma primeira descrição da doença foi feita em 1546. No século XIX, a febre foi observada em vários países da Europa, Ásia, África e América. Em 1897, o vírus foi demonstrado como agente etiológico da febre aftosa - um vírus da família Picornaviridae, gênero Aphthovírus. Com o desenvolvimento da agricultura, no início do século passado houve uma grande preocupação em controlar essa doença, através de vacinas.
A febre aftosa é altamente contagiosa e infecta os animais de casco fendido - bovinos, porcos, cabras e ovelhas. Nos animais, ela provoca aftas na boca e na gengiva, além de feridas nas patas e nas mamas. O animal fica em estado febril, não consegue pastar, perde peso e produz menos leite.
A transmissão do aftovírus se dá através do leite, da carne e da saliva do animal doente, mas também através da água, pelo ar e por objetos e locais infectados. A doença geralmente não afeta os humanos, mas pode ocorrer, especialmente em caso de constante contato direto com os animais contaminados.
Aurora investe na produção de suco
Cooperativa fecha parceria para colocar uva de associados
A Cooperativa Vinícola Aurora, com sede em Bento Gonçalves, fechou na segunda 17 parceria com a Golden Sucos Ltda., de Farroupilha. A associação (joint-venture) dá origem a uma nova empresa, a Aurora Golden Sucos Ltda., que vai atuar na elaboração e venda de suco concentrado de uva. A Aurora está investindo R$ 2,5 milhões até o final deste ano, recursos que serão aplicados na ampliação da capacidade de produção da Golden dos atuais 8.000 para 15.700 litros/mosto/hora, ou de 10 mil toneladas de uva processadas para 20 mil toneladas, podendo chegar a 25 mil.
É nesse aumento da capacidade de produção que reside um dos principais motivos por parte da Aurora para a associação. A Cooperativa está garantindo a destinação de 10 a 15 mil toneladas de uva de seus 1.300 associados. Neste ano, a empresa recebeu 47 mil toneladas. Em média, esse volume é suficiente para mais de 35 milhões de litros de vinho. Ocorre que a Aurora, segundo seu diretor superintendente, Hermes Zaneti, está com 15 milhões de litros de vinhos finos e outros 20 milhões de vinhos de mesa estocados. E a realidade do setor não permite nenhum otimismo para breve.
"Somos obrigados a receber uva de nossos associados e temos de buscar alternativas, novos mercados", explicou Zaneti. Outro motivo importante é que o mercado de sucos está crescendo. Dentro da Aurora, a participação do suco de uva no faturamento total saltou de 4,8% em 2004 (sobre R$ 115 milhões) para previstos 12,92% em 2005 (sobre projetados R$ 130 milhões). No Estado, de acordo com o Ibravin, a comercialização de suco de uva de janeiro a setembro deste ano, no mercado interno, atingiu 22,5 milhões de litros, superando a venda total de 2004 (20,7 milhões) e de 2003 (17,7 milhões). A Aurora, que já exportou 100 toneladas de suco para o Japão neste ano, e a Golden apostam no mercado externo.
Gestão - Os R$ 2,5 milhões que a Aurora está investindo têm origem na retenção consentida de valores que os associados receberiam pela entrega da uva. A decisão tem o aval do Conselho de Administração da cooperativa.
A Golden é uma empresa que pertence a norte-americanos. A família Arecco detém o controle - um sócio, Luiz Hengler, possui 23%. Segundo o diretor Andress Arecco (tem 38%), que atua na área de sucos desde 1993, os proprietários já investiram cerca de R$ 7 milhões na empresa. Uma auditoria externa está fazendo a avaliação para determinar a que percentual de participação a Aurora terá direito com o dinheiro que está aplicando. A parceria permite que a Aurora integralize até o equivalente a 50% do valor em 10 anos e a gestão da nova empresa será por consenso.
América Latina debate vitivinicultura
O X Congresso Latino-Americano de Viticultura e Enologia vai debater a produção de uvas e vinhos, divulgar experiências e resultados de pesquisas do setor. O evento objetiva ainda discutir desafios que se apresentam à vitivinicultura e delinear ações futuras em pesquisa e desenvolvimento.
A promoção da Associação Brasileira de Enologia (ABE) e Embrapa Uva e Vinho/Ministério da Agricultura realiza-se de 7 a 11 de novembro, no Parque de Eventos, em Bento Gonçalves (RS). Paralelamente, ocorrem o XI Congresso Brasileiro de Viticultura e Enologia e o II Seminário Franco-Brasileiro de Viticultura e Enologia.
Valor das inscrições para estudantes e associados da ABE R$ 324,00; para profissionais R$ 486,00, no site www.enologia.org.br/congresso
Mais informações pelo telefone (54) 452 6289 ou rua Matheus Valdulga, 143. 95700-000 Bento Gonçalves - RS.
Capital abre espaço para venda de vinhos
Porto Alegre está disponibilizando um espaço diferenciado para a promoção dos vinhos gaúchos. Trata-se da Via do Vinho, no Parque da Redenção, em que vinhos de mesa e finos, espumantes e sucos de uva do Estado estarão sendo comercializados, nos dois últimos finais de semana de novembro e nos dois primeiros de dezembro, das 10h às 20h.
A feira estará reunindo, a cada final de semana, 14 vinícolas. A estrutura será montada com caracterização de uma vila típica, em frente ao Monumento ao Expedicionário. De acordo com o presidente-executivo do Ibravin, Carlos Raimundo Paviani, a Via do Vinho significa um passo para o fortalecimento do turismo do vinho no Estado.
Curso - Estão abertas as inscrições para o curso de aperfeiçoamento Tecnológico em Enologia, a ser realizado na segunda quinzena de novembro, na Embrapa Uva e Vinho, em Bento Gonçalves. Mais informações pelo telefone (0xx51) 3333.3737, com Ana Maria Bratta, ou pelo e-mail secretaria@ccirs.com.br
Engº. Agrº. José Zugno
Rosas em Caxias do Sul
Lembro com saudades do maravilhoso roseiral que o senhor implantou no Horto Municipal. De lá saiam mudas para embelezar as praças e jardins de nossa cidade. Como era bonito! Eu mesma plantei em meu jardim roseiras provenientes daquele viveiro. Eram rosas brancas, amarelas e rosas, mas não lembro o nome da cada uma delas. O senhor poderia citar as variedades de rosas que se adaptavam à nossa região?
LEDA T. SCARTON
Caxias do Sul - RS
As roseiras do pequeno jardim de sua residência eram de excelente qualidade e podem ser ainda hoje cultivadas apesar das variedades novas que todos os anos aparecem para substituir as antigas.
A Queen Elisabeth, de 1960, tem cor rosa, de flores grandes reunidas em cachos ou na extremidade de cabos compridos; presta-se muito bem para corte. Ao meu ver a melhor variedade de roseira desta tonalidade, não só pela beleza da forma, vegetação, produtividade, mas por sua rusticidade, resistência às moléstias, e perfeitamente adaptada ao nosso ambiente.
A Buccaner, de flores grandes, botões perfeitos, de um amarelo puro, folhagem densa, de folhas lustrosas, forte crescimento, é ótima para corte. Quando surgiu, em 1956, foi anunciada como a rosa mais famosa do mundo, internacionalmente premiada.
A Monte Shasta é também de flor grande, de um branco puríssimo, abre lentamente e tem formato de grande beleza.
Essas três variedades de cor amarela, rosa e branca, convenientemente plantadas harmonizando porte, folhagens e cores no jardim de sua casa situada no bairro São Pelegrino, conseguiam chamar a atenção de quantos transeuntes, que paravam para admirá-las, e não faltava quem não resistisse à tentação de rapinar algumas atraentes rosas.
Instalados os viveiros com a produção de mudas de roseiras no Horto Municipal dedicamo-nos então a introduzi-las nas praças, iniciando pela praça central da cidade, onde já existiam variedades antigas, que conservamos, mas aos poucos foram sendo substituídas pelas modernas, cujo cultivo tratamos de aperfeiçoar. Em 1950, encontramos na praça roseiras como a Rainha das Neves, Sachengruss (saudades da Saxônia), Comtesse Vandal, Radiance, Red Radiance, General Gallieni, La France, Catarina Kordes, Crimson Glory, Elli Knab e outras, que aos poucos foram sendo substituídas.
A praça Dante Alighieri, após o arrasamento das rochas que ali existiam, por administrações anteriores, foi concebida e construída por José Ariodante Mattana, na época diretor de obras da administração do prefeito Dante Marcucci, iniciando pela construção do chafariz, no centro da praça, construído com rochas basálticas trabalhadas na face externa em alto relevo com cachos de uva e folhas de parreira. O chafariz se constituiu no principal atrativo da Festa da Uva 1937, realizada no local, sendo os pavilhões erguidos em frente à Catedral e o pórtico de entrada ao lado do monumento à Independência, na Júlio de Castilhos. Notada a colaboração do engenheiro agrônomo Gastão de Almeida Santos, do serviço de Praças e Jardins de Porto Alegre, que orientou a construção de canteiros e delimitação dos caminhos internos. Recomendou, ao agrado do prefeito, o uso de roseiras nos canteiros e, pelo que me consta, presenteou a municipalidade com as palmeiras alterosas, que ainda hoje ali se encontram.
A idéia que adotamos não foi encher os canteiros com roseiras de todos os tipos e tamanhos, mas aproximar aquelas que se harmonizam no formato, na vegetação, nos coloridos. Em torno do chafariz colocamos roseiras poliantas, de porte baixo, muito floríferas, como a Lys Assia, de cor laranja viva, flor dura e perfumada; a Golden Delight, de amarelo puro, delicada como diz o nome; e a Scheneewittchen, de um branco imaculado, em cachos, convenientemente combinadas, de notável efeito decorativo. No canteiro que circunda o monumento à Independência, intercalamos roseiras de igual porte e folhagens de cores amarelo e rosa, muito atraentes.
A população soube aplaudir, desde as pessoas mais simples, mas principalmente as alunas de Belas Artes, incentivadas pela professora Elir Ramos. Os viveiros no Horto Municipal eram freqüentemente visitados por professores e alunas. Muitos caxienses disseram que lá iam simplesmente para espairecer e distrair-se, revitalizar-se com a família. (Mais informações sobre o assunto na próxima edição).
Acabou-se o que era doce...
Maria Clara Lucchetti Bingemer
A morte não querida, prematura, brutal e sem piedade, que acaba com todas as doçuras, com tudo o que era doce e com todos os sonhos infantis... demonstra um dos lados mais perversos da violência
Criança gosta de doce. O açúcar se derrete na língua e faz esquecer outras coisas menos saborosas que as mães mandam as crianças comerem, tais como sopa, espinafre e abóbora. Por isso, criança guarda dinheiro da mesada para comprar doce, briga, disputa com outras uma bala, um chocolate. Por isso, está sempre perto de quem tem doces para dar.
No dia 13 de julho de 2005, na semi-destruída Bagdá, soldados estado-unidenses encontravam-se na via expressa Mohammad al-Kassem, bloqueando as saídas de um bairro. Haviam sido avisados da presença de um homem bomba que ameaçava fazer ataque suicida circulando no bairro al-Jadida. Ao ver que os soldados estendiam as mãos cheias de doces e sorriam, várias crianças se aproximaram e também estenderam as mãos para recebê-los. Talvez há muito não tivessem essa gratificação em seu paladar. Certamente muito tempo havia passado sem que provassem aquele gosto doce e agradável que atiçava imaginação e língua num constante "quero mais".
Em meio à algazarra e à folia de mãos estendidas para agarrar os doces e levá-los sofregamente à boca, o ataque ocorreu. Em segundos acabava o que era doce, deixando em seu lugar o gosto amargo da morte. As informações de números variam entre 24 e 30 crianças. Que importa? Fosse uma só e o tamanho da tragédia seria o mesmo: sem medida e sem proporção.
As mãozinhas que se estendiam buscando os doces agora jaziam inertes junto aos corpos. Tinham entre 10 e 13 anos. Como se chamavam? Não sabemos. Sabemos apenas que se tratavam de crianças, de vidas que apenas começavam a despontar e se abrir, e foram ceifadas em meio à loucura de uma guerra absurda e assassina.
O ataque provocou ainda ferimentos em outras 18 crianças. Alguns soldados ficaram feridos e um foi morto. O homem bomba fez seu veículo explodir junto aos veículos do ocupante estrangeiro em nome da fidelidade à nação, à nacionalidade, a Deus, a sabe-se lá mais o quê. Mas aquele que desprezou a própria vida em nome de seu ideal ou sua fé destruiu igualmente as vidas de pequenos seres que só queriam comer doces e esquecer um pouco o barulho das bombas, as explosões, os toques de recolher e o cotidiano ameaçador e violento de uma guerra que não compreendem.
Esse fato demonstra um dos lados mais perversos da violência. Sua ferocidade cega destrói tudo que encontra em seu caminho, sem se perguntar pela pertinência do alvo, sem sequer desejar saber se está eliminando inocentes ou culpados. Quando esta violência é, além disso, provocada por uma violência primeira que entra no terreno do outro, pisoteando sem dó nem piedade o que encontra pela frente em nome de um suposto ideal, se exacerba e se torna mais cega e mais feroz.
Mira nos soldados estrangeiros, mas atinge compatriotas. Faz seres humanos explodirem seus próprios corpos e vidas e leva de roldão outras vidas, mais frágeis e desprotegidas. Vidas de mulheres que vão pelo caminho, levando filhos no ventre ou no colo; vidas de velhos e velhas que buscam acabar seus dias com dignidade e paz; vidas de crianças que só queriam, em sua inocência travessa, comer doces longe do olhar vigilante das mães.
O peso da violência desta vez abateu-se sobre crianças indefesas e gulosas. Ainda não haviam esfriado os ecos horrorizados do atentado em Londres, que repetia, com cadência fúnebre, o de Madri, que por sua vez remetia ao de Nova York. E na enlutada Bagdá uma vez mais o luto se abatia sobre tantas famílias. Famílias que, no dia seguinte, a mídia nos mostrava em total desespero, velando os pequenos corpos vitimados pelo ataque suicida.
Suicídio, homicídio, parricídio, infanticídio: radicais e desinências se confundem como um pianista que martelasse a mesma nota monótona e grave. Pois a melodia tocada é sempre a morte, fim de todas as harmonias e sinfonias possíveis. A morte não querida, prematura, brutal e sem piedade, que acaba com todas as doçuras, com tudo que era doce e com todos os sonhos infantis. Morte que, finalmente, concentra todos os "cídios" em um único vocábulo: "deicídio". Pois quando se acaba brutalmente com o que era doce e fazia a alegria das crianças, é o próprio Deus que, vulnerado mortalmente em seu infinito amor de Pai, se faz solidário de toda a dor do mundo e pode ser visto em Bagdá, em meio aos destroços do que já foi doce e se acabou: a vida humana.
Frei Betto
As monjas enclausuradas são uma prova de que o amor que priva os sentidos sem anulá-los, ultrapassa a razão sem negá-la, incendeia o coração sem consumi-lo
Ir à Espanha e não conhecer Toledo é como vir a Minas e não visitar Ouro Preto. Na noite de segunda-feira, 10 de outubro, o governo da província autônoma de Castilla-La Mancha - terra de Dom Quixote - concedeu-me o Prêmio Abogados de Atocha, pelo trabalho desempenhado no Fome Zero. Merece-o o governo Lula, frisei, por beneficiar hoje, através do Bolsa Família, 7,5 milhões de famílias que sobreviviam em situação de insegurança alimentar.
A vida é repleta de coincidências. Ou cristoincidências. A solenidade ocorreu na antiga igreja dominicana de São Pedro Mártir, construída em 1230 e, hoje, desativada para o culto. No seu claustro, Buñuel filmou a cena do orfanato em Veridiana. Sob o tablado em que eu me encontrava, sentado ao lado do governador, está o túmulo de Torquemada, o grande inquisidor.
Em nome dos frades dominicanos, pedi perdão à história. A Inquisição foi um grave pecado da Igreja e de meus confrades espanhóis. Recuso a alegação de que os inquisidores devem ser compreendidos dentro de sua época. Muito antes deles Jesus deixara claro que toda pessoa - ainda que cega, surda, muda, pagã ou judia - é templo vivo de Deus. E contemporâneo à Inquisição havia frei Bartolomeu de las Casas (1484-1566), que defendeu, perante a corte espanhola e o papado, a irredutível dignidade dos indígenas, e condenou os colonizadores que os submetiam e se apoderavam de suas terras.
Em 1977, seis advogados trabalhistas e um assessor foram assassinados em Madri, no bairro de Atocha - onde fica a estação ferroviária, explodida pelos terroristas em março de 2004. Adeptos do franquismo, os criminosos manifestaram na chacina sua inconformidade com a reconquista da democracia. Um dos sobreviventes estava presente à cerimônia. Em 2002, o governo de Castilla-La Mancha instituiu o Prêmio Abogados de Atocha, que consiste numa escultura de ferro simbolizando elos partidos de cadeias.
Percorri pela manhã os monumentos históricos de Toledo, cidade que data de 600 anos antes de Cristo. Hoje com 75 mil habitantes, conserva cuidadosamente as relíquias de suas três culturas: a árabe (os muçulmanos a dominaram ao longo dos séculos VI ao XI), a judia e a cristã. Visitei o mais antigo edifício da cidade, a mesquita de Bab-al-Mardum, erguida em 999 e rebatizada pelos cristãos, no século XII, de Mesquita Cristo da Luz. Curioso é que, ao transformá-la em igreja, tenham conservado o título de mesquita.
Esta uma característica de Toledo: nomes de monumentos e logradouros, linhas arquitetônicas e pinturas, artesanato e culinária, tudo entrelaça as três culturas. O clima almiscarado parece favorecer a requintada ourivesaria exposta nas vitrines e o sabor levemente adocicado dos doces de marzipã.
Visitei as duas sinagogas mais antigas, construídas por arquitetos árabes que imprimiram ali traços comuns às mesquitas. Depois vieram os cristãos, transformando-as em templos católicos. São a prova de que não há expressão religiosa sem sincretismo, assim como não há fé quimicamente pura. Paulo, o Apóstolo, diz que a graça entra pelos ouvidos, ou seja, não há acesso ao transcendente senão através da cultura que se respira.
Toledo é a cidade de El Greco. Nascido em Creta em 1541, ali morreu em 1614, deixando pinturas vertiginosas, mágicas, de forte colorido, inaugurando o barroco. Contemplei, pela terceira vez, sua obra-prima, o "Enterro do conde Orgaz", considerado o primeiro retrato coletivo da história. Em torno do corpo de Orgaz, carregado ao túmulo pelos santos Estêvão e Agostinho, El Greco reproduziu o perfil de seus amigos, incluindo o seu auto-retrato entre as vinte e uma pessoas que assistem ao enterro.
Lamentei apenas não conhecer a cela carmelita na qual São João da Cruz esteve preso nove meses, no século XVI. Ali viveu a experiência mística da "noite escura" e compôs os seus mais belos poemas. O convento já não existe. Consolei-me com uma visita às monjas cistercienses enclausuradas, dezessete mulheres que, em pleno coração de Toledo, entregam-se apaixonadas à experiência de Deus - o amor que priva os sentidos sem anulá-los, ultrapassa a razão sem negá-la, incendeia o coração sem consumi-lo.
NÃO vence referendo com dois terços dos votos
Brasileiro rejeita proibição da venda de armas e munições
A proibição do comércio de armas de fogo e munições no Brasil foi rejeitada por quase dois terços dos eleitores, em referendo realizado domingo 23, de acordo com resultados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O "Não" (contra a proibição) recebeu mais de 59 milhões de votos (63,94%) e a opção "Sim" (pela proibição), 33,3 milhões (36,06%) dos votos válidos, segundo o TSE.
Com o resultado, continuam em vigor todas as demais disposições do Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826), promulgado em 23 de dezembro de 2003, que já restringe a posse e o uso de armas de fogo às corporações militares e policiais, empresas de segurança, desportistas, caçadores e pessoas autorizadas apenas pela Polícia Federal.
O Não venceu em todos os Estados, com destaque para Rio Grande do Sul, Acre e Roraima, onde a opção recebeu mais de 80% dos votos. O melhor desempenho do Sim foi em Pernambuco e no Ceará, com pouco mais de 45% dos votos.
Virada - O resultado confirma reviravolta na opinião pública, apontada pelos institutos de pesquisa ao longo da campanha, que durou 20 dias em horário obrigatório na televisão e no rádio. Em agosto, segundo o Datafolha, 80% dos entrevistados apoiavam o voto Sim (pela proibição). Pesquisa do mesmo instituto divulgada sábado 22 mostrava 57% pelo voto Não (contra a proibição) e 43% pelo Sim.
Embora tenha sido mínima a participação de dirigentes políticos na campanha contra e a favor da proibição, a vitória do Não será debitada como um fracasso do governo Lula, que se identificou com a proibição. A maior parte da Igreja Católica e várias denominações evangélicas também se engajaram na campanha do Sim.
Mobilização - Mesmo restrito ao aspecto do comércio legal de armas e munições, o primeiro referendo legislativo da história do Brasil mobilizou o eleitorado. De acordo com o TSE, a abstenção foi de 21, 85% dos 122.042.825 eleitores registrados. Esse número é semelhante ao resultado do segundo turno das eleições presidenciais de 2002 (20,45%) e bem superior ao segundo turno de 1989 (14,09%). Em 1993, no plebiscito sobre sistema e regime de governo, a abstenção chegou a 25,76%.
Resultado não altera a legislação
Veja como fica a legislação brasileira a partir de agora com a vitória do Não no referendo sobre o comércio de armas e munição.
PARA COMPRAR ARMA: A situação continua como está, mas as regras terão que ser validadas. Hoje, o cidadão comum precisa ter mais de 25 anos e preencher uma declaração de efetiva necessidade. Além disso, tem que atender a algumas exigências: comprovar a idoneidade, com a apresentação de certidão de antecedentes criminais, apresentar atestado de residência e emprego lícito e comprovar capacidade técnica e aptidão psicológica para manuseio da arma.
PARA COMPRAR MUNIÇÃO: O quadro não muda, mas as regras terão de ser validadas. Atualmente, segundo o Estatuto do Desarmamento, a aquisição de munição só pode ser feita no calibre correspondente à arma adquirida e na quantidade estabelecida em lei.
QUEM JÁ POSSUI ARMA: A situação continua como está. O certificado de registro de arma de fogo continuará sendo expedido pela Polícia Federal, mediante autorização de compra concedida pelo Sistema Nacional de Armas (Sinarm), da Polícia Federal. O certificado tem de ser renovado a cada três anos. Continua existindo uma diferença entre ter a posse e ter porte de armas. Quem tem posse pode manter a arma em casa ou no local de trabalho, desde que seja responsável pela empresa ou estabelecimento. Já o porte é a autorização para o proprietário andar armado.
Sul votou no "não"
A região Sul teve o mais alto percentual de votos no Não do país: 79,59%. O Norte, com 71,12%, ficou em segundo lugar. Na seqüência vêm Centro-Oeste (68,6%), Sudeste (60,31%) e Nordeste (57,51%). Por Estado, o RS teve o maior índice de votos Não (86,83%) e o menor do Sim (17,12%). O Não venceu em todas as capitais.
O VERDADEIRO NASCIMENTO
Frei Aldo Colombo
Diretor de Redação do Correio Riograndense
A morte constitui-se na maior de todas as certezas. Desde o nascimento caminhamos para a morte. Desde o começo somos terminais. Nascemos com um prazo de validade. Não caímos subitamente na morte, mas avançamos para ela passo a passo. Morremos todos os dias, morremos a prestações. Os grandes avanços da medicina apenas propiciam aos seres humanos, em média, mais alguns anos de vida. Porque não pode vencer a morte, a cultura moderna faz de conta que ela não existe. Para o cristão, a morte não é o fim, mas o verdadeiro nascimento, o natal do homem. A Ressurreição de Cristo ilumina nosso futuro. Os primeiros cristãos suspiravam pela vinda do Senhor: Maranatha - Vem, Senhor Jesus! Para Francisco de Assis, a morte era apenas a "irmã" que nos entrega aos braços do Pai.
O manual de redação de uma das mais importantes revistas eróticas norte-americanas esclarece: são temas preferenciais em nossa revista: juventude, luxo, dinheiro e bem-estar; por outro lado não se deve falar de pobreza, doença e velhice, muito menos de morte. A revista reflete a mentalidade moderna que privilegia a juventude, o corpo, o sucesso e o bem-estar. Diante desses valores, a morte surge como a temida ameaça. Ela não apenas nos rouba o que temos, mas também aquilo que somos. Como não existem possibilidades de impedir a morte, a mentalidade moderna procura esquecê-la e ignorá-la. A morte não mais faz parte dos eventos familiares. Quando alguém adoece é levado ao hospital e confinado a uma isolada emergência. Ocorrendo a morte, ele é velado num ambiente neutro - as capelas mortuárias -, sepultado quanto antes e ninguém mais carrega luto.
Desde as mais remotas civilizações, o homem reverenciou o mistério da morte. Junto às sepulturas apareceram os primeiros símbolos religiosos. É também uma constante, em quase todos os povos, a suspeita da imortalidade... "Morro na incerteza e não sei para onde vou", lamentava-se o grande filósofo grego Platão. Mas ninguém conseguiu avançar muito. Para o dramaturgo Shakespeare, depois dela o silêncio, depois dela o mistério. No auge de seu poder, o poderoso Stalin admitiu: no fim a morte sempre vence.
Ressurreição - O cristianismo garante ter boas notícias sobre a morte e o temido depois da morte. Jesus, descendo até o coração da morte, trouxe de lá a vida definitiva. Sua Ressurreição é a garantia de nossa ressurreição. E neste ângulo, a morte é o verdadeiro nascimento do homem. A fé cristã proclama um otimismo invencível. É a oportunidade definitiva do homem ser ele mesmo. É a grande oportunidade de ver Deus, face a face. O sempre surpreendente Francisco de Assis viu na morte não a traiçoeira ladra, mas a "irmã" que nos entrega nos braços do Pai. Os cristãos são tristes porque só pensam na morte, diziam os pagãos. Mas Tertuliano retrucava: os cristãos são felizes porque sabem que a morte não é o fim. É com a morte que começa o verdadeiro nascimento do homem. A vida física obedece a uma lógica inflexível. A pessoa nasce, cresce, alcança o período mais produtivo, depois as forças diminuem, surge a velhice e a morte. Mas a vida espiritual vai crescendo sempre, desconhece o declínio e ingressa definitivamente na eternidade.
Morte e Juízo - Muitas das imagens usuais na teologia a respeito dos chamados Novíssimos (as últimas novidades que vão acontecer) foram colhidas da Divina Comédia e nem sempre concordam com a ótica evangélica. É muito forte na consciência cristã a idéia do Julgamento de Deus. Na realidade, Deus não julga e não condena. Apenas respeitará o projeto de cada cristão. A morte torna definitivo aquilo que somos em vida. O julgamento, nesse sentido, já vai acontecendo. O próprio Jesus adiantou o gabarito final: eu tive fome, eu tive sede, eu estive preso, doente e você (não) me ajudou (Mateus 25,31). Mesmo assim o cristão conta com a misericórdia divina e a possibilidade de refazer seu projeto de vida. No alto da cruz prometeu o paraíso ao chamado "bom ladrão" que soube aproveitar a derradeira chance.
Céu e Inferno - Céu e inferno não são alternativas iguais. Deus nos criou para a felicidade e o inferno, de certa maneira, é criação do homem. Deus respeitará nossas decisões. Mas antes que o tempo termine, existe sempre a possibilidade de recomeçar, a possibilidade de refazer a própria vida. Porém, o pecador que se enclausura no mal, ele mesmo escolhe uma eternidade sem Deus. Para o escritor russo Dostoievski, a essência do inferno "é o sofrimento por não poder amar". Feito por amor, feito para amar, pela liberdade pessoal, o homem pode se encaminhar para a absoluta frustração. Muitos falam em destino. Na realidade, todos nós nascemos com um destino: somos destinados a Deus. Jesus Cristo carregou sobre si todo pecado do mundo, mas nosso destino passa pela liberdade. Já Santo Agostinho afirmava: "Aquele que te criou sem ti, te redimiu sem ti, mas não te salvará sem ti". Vivendo no tempo, temos dificuldade de imaginar a eternidade. Céu será a realização de todas as possibilidades humanas. Na vida temos momentos de céu, sempre incompletos e frágeis. O céu será plenitude. E São Paulo garante: "Aquilo que o olho jamais viu, o ouvido jamais escutou, o coração jamais imaginou: isto Deus preparou para aqueles que o amam" (1Cor 2,9). O céu pode ser definido como as surpresas de Deus.
A comunidade, solidária e com amor, é o lugar da morte cristã
Tudo o que acontece ao cristão é acontecimento comunitário, eclesial. Na morte de um membro é a Igreja que faz sua páscoa, seu trânsito para o Reino e para Cristo. Morre-se com Cristo e para Cristo, mas na Igreja e como Igreja. A aproximação e a participação no acontecimento da morte de outros não é uma questão pastoral de assistência e de humanização ou até mesmo de amadurecimento psicológico. É um acontecimento ontológico e transcendental, é metafísica comunitária: todos morremos com quem morre, todos passamos na morte do outro. Podemos fazer a experiência de morrer-com-a-comunidade. A morte, na ótica cristã, não é simplesmente o que há de mais próprio e individual de tal forma que significa solidão suprema e insubstituível. A comunhão de destino e de fé, ou seja, a comunhão dos santos, atravessa a espessura dos seres individuais e terrestres para uma comunhão cujo princípio é o Espírito e cujo lugar é o Corpo de Cristo. Daqui decorre uma solidariedade transcendental em que se pode viver não apenas a própria morte, mas a morte uns dos outros. Podemos socorrer uns aos outros, tornando-nos uma medicina transcendental que sustenta a pessoa com um amor tão forte como a morte.
O lugar da morte cristã é a comunidade. Aqui convém sublinhar os aspectos femininos e maternos da Igreja, da comunidade e da comunhão dos santos. Não se morre para retornar ao seio da terra, mas vive-se, morre-se e ressuscita-se pascalmente no seio da comunhão dos santos, como nascimento para o corpo de Cristo e para a comunhão trinitária. A comunhão dos santos supõe, porém, um mínimo de experiência comunitária, eclesial. A comunidade terrestre é o chão desde onde se vivera a comunhão dos santos. (Por frei Luis Carlos Susin)
O triste e doloroso velório é também uma celebração da fé e amor de Deus
Entre as noites mais longas e tristes da existência humana, encontra-se aquela que nós passamos, junto ao caixão de um parente ou amigo falecido. As alternativas são muitas: o defunto é o pai ou a mãe, um filho, um irmão, um sobrinho... Ainda externamos um gesto inútil de carinho. Tarde demais, eles já partiram. E sempre achamos que partiram cedo demais. São noites intermináveis, cheias de dor e sofrimento. Muitas vezes pesa também o sentimento de culpa pelo que fizemos ou pelo que deixamos de fazer.
No entanto, o velório cristão não é um simples estar aí, junto ao corpo. É, antes, permanecer juntos em oração. A partir do Cristo ressuscitado, todo cadáver cristão traz em si o gérmen da imortalidade. Diante desta perspectiva, a noite da morte traz em si a aurora da vida. A vigília junto à pessoa que amamos não tem mais a tragicidade da vida e do absurdo. A pessoa e a comunidade têm ocasião de se confrontarem com o mistério da vida e da morte, da vida que ultrapassa definitivamente a morte. O velório é uma celebração comunitária da Fé e do amor de Deus, amor que é mais forte que a morte.
Natal definitivo - A morte não é o fim, mas um começo. É o natal definitivo da pessoa. As lágrimas derramadas num velório têm tudo a ver com a certeza da Fé. É alguém que está partindo para uma viagem sem retorno. Mas este sem retorno merece uma explicação: foi adiante. Ele abandona o corpo do qual não mais necessita, mas carrega consigo sua identidade, sua história. E um dia haverá o encontro. O próprio Jesus, diante de Lázaro, o amigo morto, situou a maravilhosa dimensão da Fé: "Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá, e quem vive e crê em mim, não morrerá para sempre" (Jo 11,25).
O Livro da Sabedoria garante: "As almas dos justos estão nas mãos de Deus" (Sab 3,1). E o Livro do Apocalipse estabelece uma luminosa certeza: "Felizes os mortos que morrem no Senhor" (Apoc. 14,13).
A origem do Dia de Finados, uma tradição milenar
Os primeiros vestígios de uma comemoração por todos os falecidos são encontrados em Sevilha, na Espanha e em Fulda, Alemanha, a partir do século VII. Mas a instituição de um dia especial para isto foi iniciativa de Santo Odilon, abade de Cluny. Ele introduziu em todos os seus mosteiros esta prática, mais ou menos no ano 1000. A comemoração espalhou-se logo por toda a França e países nórdicos. Depois passou para a Itália e em 1300 foi fixada a data de 2 de novembro para toda a cristandade. Mesmo não sendo dia santo, a data é cercada de muito respeito. O Papa Bento XV, em 1915, concedeu aos sacerdotes o privilégio de celebrar, neste dia, três missas.
Purificação - Desde o nascimento, o homem começa a amadurecer para a morte. Nem todos amadurecem com a mesma intensidade e a morte - quase sempre - surpreende um projeto de vida inacabado. Faltam pequenos ou grandes detalhes. A partir disto, surge a necessidade da purificação. Não seria possível conviver com Deus, não sendo totalmente puros. A figura do Purgatório - hoje a Igreja prefere Purificação - é a graciosa possibilidade de merecer, depois do tempo. São numerosas as referências bíblicas. Nem sempre o "Purgatório" foi bem entendido. Algumas tradições indignas e absurdas, não condizem com a esperança libertadora do cristianismo. Apresentou-se o "purgatório" como castigo e não como graça. Não se acentuou a alegria dos que são salvos mas as dores de uma sala de torturas. Santa Catarina de Gênova afirmava: "depois da felicidade do céu, não existe outra felicidade que se possa comparar com aquelas das almas do Purgatório". A teologia moderna insiste na purificação antes da morte, na morte e depois da morte. Fica difícil atribuir às almas do Purgatório castigos corporais e mesmo fixar tempos para quem já está na eternidade.
Sufrágios - O Papa João Paulo II, em 02 de novembro de 1997, lembrava que a tradição da Igreja exortou sempre a rezar pelos defuntos. O Concílio Vaticano II recorda: "Tendo perfeito conhecimento desta comunhão no Corpo Místico de Jesus Cristo, a Igreja terrestre, desde os primeiros tempos do cristianismo, venerou com grande piedade a memória dos defuntos" (Lumen Gentium, 30) A prática cristã sempre privilegiou o adorno dos sepulcros e os sufrágios como testemunho de esperança, confiante, apesar dos sofrimento e da separação dos familiares e amigos. A morte não é a última palavra acerca do destino do homem, porque ao homem foi reservada uma vida sem limites, que tem seu cumprimento em Deus, que ressuscitou seu Filho Jesus.
Religiões e o "depois"
A história das religiões apresenta três grandes eixos em relação ao futuro do homem, ou seja, ao que vem depois da morte. Para os panteístas, a morte marca o retorno do homem à divindade. Todos somos partículas de Deus e, após a morte, retornamos a Ele. Um outro grande grupo defende a reencarnação. Pela necessidade de purificar-se, a pessoa assumiria outras vidas, sem recordação da vida anterior. O karma - mal feito numa encarnação - deve ser purificado na vida posterior. O espiritismo é o exemplo mais conhecido de reencarnação, mas não o único. A maioria das religiões orientais - em especial o budismo - acredita na reencarnação purificatória, mesmo na concepção panteísta. Já o cristianismo crê numa única vida. Agora é o tempo de merecer. Para o cristianismo, somos redimidos por Cristo, enquanto para os adeptos da reencarnação, cada pessoa opera sua salvação. É a auto-salvação que colide frontalmente contra o dogma cristão. Há também religiões que acreditam no aniquilamento dos maus. Já o paraíso dos muçulmanos é um jardim cheio de delícias, bebidas e festas.
Bento XVI proclama cinco novos santos
Cerimônia ocorreu em Roma, no encerramento do Sínodo dos Bispos
O Papa Bento XVI proclamou no domingo 23 de outubro os primeiros cinco santos de seu pontificado. A cerimônia, realizada no Dia Mundial das Missões, também marcou o encerramento do Ano da Eucaristia, iniciado em outubro de 2004 por João Paulo II, e o 11º Sínodo dos Bispos, que durante três semanas reuniu mais de 250 bispos do mundo inteiro em Roma.
Os novos santos são o padre chileno Alberto Hurtado Cruchaga (1901-1952), jesuíta e uma das figuras de maior destaque do Chile no século XX; os italianos Caetano Catanoso (1879-1963), sacerdote e fundador da Congregação das Irmãs Verônicas do Santo Rosto; e frei Felice de Nicosia (1715-1787), religioso capuchinho; e os poloneses Jozef Bilczewski (1860-1923), bispo de Liv dos Latinos (Ucrânia) e Zygmunt Gorazdowski (1845-1920), sacerdote e fundador da Congregação das Irmãs de São José.
A proclamação dos cincos santos ocorreu durante missa celebrada na Praça de São Pedro, com a participação de dezenas de milhares de peregrinos. Mais de sete mil chilenos ocuparam a praça, manifestando um imenso entusiasmo, respondendo ao Papa com cânticos e gritos cada vez que era mencionado o nome do segundo santo chileno, depois de Santa Teresa dos Andes. O presidente do Chile, Ricardo Lagos, participou da cerimônia.
Na fachada da Basílica de São Pedro foram expostos gigantescos retratos dos cinco santos. Na homilia, lida em quatro idiomas, ao sintetizar a herança que esses cinco homens de Igreja deixaram, o Papa destacou que santo "é aquele que está tão fascinado pela beleza de Deus e por sua perfeita verdade que fica progressivamente transformado".
Do chileno Santo Alberto Hurtado, Bento XVI destacou que "no amor e entrega total à vontade de Deus, encontrava a força para o apostolado". Lembrou que ele fundou o Lar de Cristo para os mais necessitados e os sem-teto, oferecendo-lhes um ambiente familiar cheio de calor humano.
Uma santidade feita de pequenas coisas
Ao traçar um breve perfil dos cinco novos santos, Bento XVI salientou que cada um deles, vivendo diferentes situações e carismas, tornou-se modelo para todos os crentes. Ao falar do capuchinho frei Felice de Nicosia, o Papa recordou as palavras que em todas as circunstâncias, alegres ou tristes, o humilde frade repetia: "Que seja pelo amor de Deus".
"O irmão Felice ajuda-nos a descobrir o valor das pequenas coisas que enriquecem a vida e nos ensina a descobrir o sentido da família e do serviço aos irmãos, mostrando-nos que a alegria verdadeira e duradoura, à qual aspira todo o ser humano, é fruto do amor", disse o Papa. Analfabeto, frei Felice passou toda a sua vida capuchinha - 1743 a 1787 - em Nicosia, na Sicília, como esmoler. Levou uma vida de simplicidade, austeridade e penitência.
Padre Zezinho
A vida é uma estrada e a morte o seu grande túnel
Médicos ensinam a viver e fazem de tudo para o paciente querer viver. Sofrem quando perdem uma batalha contra a morte. Ensinar a morrer não é com eles. Pregadores costumam ensinar a viver por dentro e chega um momento em que precisam também ensinar a viver com as perdas e com a morte. Isto posto, aceito tranqüilamente que meus amigos médicos passem a mim essa tarefa que admitem não ser deles. Ensinar a viver subentende ensinar alguém a morrer, e ensinar alguém a aceitar a morte de um parente é uma forma de ensiná-lo a viver depois daquela morte.
Não são vocações opostas, da mesma forma que a morte não é o oposto da vida. O túnel é escuro, mas não é o oposto da estrada. Ela passa por ele para continuar depois dele. A vida é uma estrada e a morte o seu grande túnel. Nós cremos que o atravessamos para paisagens melhores a que chamamos de céu. Cremos também que pode haver desvios gravíssimos, mas pelo túnel não há quem não passe.
Se temos que morrer, e todos morreremos, então é uma grande missão ajudar alguém a viver como quem sabe que morrerá um dia e a morrer um dia como quem sabe para onde está voltando. Não há nada de agourento em cuidar desse assunto. Faz parte da vida. Bons médicos respeitam o papel do religioso e bons religiosos respeitam o papel do médico. Um complementa o outro ao cuidarem os dois da vida e da morte, juntos.
Era isso o que faziam o padre Estevão e o doutor Häringer, quando naquela cidadezinha esquecida do governo e de todos aparecia alguém doente. O padre o mandava ao médico para que cuidasse daquele problema e o médico o mandava ao padre para que devolvesse ao paciente o desejo de viver. Se morresse ou estivesse em perigo, o doutor não hesitava em chamar pessoalmente o padre. Sabiam da importância de seus papéis. Ensinavam a viver e por isso podiam ensinar a morrer, mesmo sem saber exatamente o que é morrer. Mas tinham visto o suficiente para saber o que fazer quando chega a hora de alguém. Sem isso, nem a religião nem a medicina se justificam.
Religiosas celebram 75 anos de Brasil
Irmãs Filhas do Sagrado Coração de Jesus vieram da Itália para o RS em 1930
A Congregação das Irmãs Filhas do Sagrado Coração de Jesus está comemorando 75 anos de presença missionária no Brasil. A congregação, fundada em 1831 e que chegou ao Brasil em 1930, hoje atua em 12 Estados do país, incluídos os três Estados do Sul. A presença das irmãs em solo brasileiro iniciou pelo Rio Grande do Sul, onde hoje está a sede - em Porto Alegre - da Província Nossa Senhora Aparecida.
A partir da Região Sul, as Filhas do Sagrado Coração de Jesus (FSCJ) se espalharam pelo país, criando 16 comunidades inseridas em meios populares, gerando uma província - Teresa Verzeri - no Nordeste, além de duas comunidades na Bolívia e uma na Argentina.
Desde o início, os fundadores (matéria abaixo) imprimiram na congregação a dimensão missionária e incluíram o Brasil entre as nações onde desejavam que as irmãs se fizessem presentes. Nos primeiros 100 anos, a expansão se restringiu à península itálica, mas nos anos 1920 o desejo se concretizou através da pessoa de padre Vicente Testani, missionário italiano que atuava na diocese de Uruguaiana (RS).
Em 1930, madre Felice Parravicini, a 5ª superiora geral da congregação, enviou as primeiras sete irmãs ao Brasil. No dia 20 de novembro embarcaram no porto de Gênova as irmãs Maria Antônia Perini, Josefina Zeni, Jesualda David, Rosa Valsecchi, Nicolina Corvatta, Vitória Rota e Juliana Varesco. Aportaram no Rio de Janeiro no dia 1º de dezembro, chegaram a Porto Alegre no dia 10 de dezembro e no dia 28 ao seu destino final, a vila de Buricá, hoje Três de Maio.
Missão - Sem prestar atenção às dificuldades, as pioneiras arregaçaram as mangas e assumiram a missão para a qual vieram - educar gerações, aliviar os sofrimentos dos doentes e formar corações. Desde então abriram 24 escolas, criaram ou assumiram oito hospitais, fundaram três lares de meninas carentes, dedicam-se a crianças numa creche, prestaram serviços educacionais em seminários, criaram centros de formação para jovens vocacionadas e futuras irmãs FSCJ. Também destacaram-se em missão e contribuição especial a serviço da CNBB (1969 a 1996), na Conferência Episcopal de Angola e São Tomé e Príncipe (África) de 1980 a 1982 e no Instituto de Pastoral da Juventude, como fundadoras, de 1980 até hoje.
Hoje, a província do Rio Grande do Sul conta com 236 membros. Há 24 irmãs brasileiras em missão na Itália, Argentina, Bolívia, República Centro Africana e Camarões. As comemorações pelos 75 anos de atuação no Brasil prosseguem até o final do ano e continuam em 2006 pelo 5º aniversário de canonização da fundadora, Teresa Verzeri, ocorrida no dia 10 de junho de 2001.
Congregação nasceu na cidade de Bérgamo
A congregação das Irmãs Filhas do Sagrado Coração de Jesus nasceu no dia 8 de fevereiro de 1831 na cidade de Bérgamo, Itália, tendo como fundadores monsenhor Giuseppe Benaglio, vigário geral da diocese de Bérgamo, e Santa Teresa Verzeri, filha de uma família profundamente religiosa.
A primeira casa surgiu no Gromo, bairro da cidade alta de Bérgamo, com uma escola para meninas pobres. Hoje, a congregação está presente em oito países, de quatro continentes - Itália, Brasil, Bolívia, Argentina, Índia, República Centro Africana, Camarões e Albânia. As FSCJ têm como referencial para sua atuação concreta as crianças, os jovens, os pobres e os enfermos. Trabalham em escolas, internatos, hospitais, orfanatos, inseridas nos serviços pastorais e em meios populares e também na missão junto aos índios e "ad gentes".
Aldo Colombo
Ninguém pode ser feliz sozinho. Precisamos uns dos outros e essa interdependência continua durante toda a vida
Atingidos por uma nevasca, seis homens ficaram ilhados no alto da montanha. Eles tinham pela frente uma longa noite gelada, com temperatura alguns graus abaixo de zero. Felizmente, havia uma gruta e nela crepitava diminuta fogueira, deixada, certamente, pelos anteriores ocupantes. Ainda existiam algumas brasas, mas elas em breve se apagariam e um frio mortal invadiria a gruta e com ele a morte de todos. No entanto, existia uma solução. Cada um deles havia recolhido um pouco de lenha. A solução estava ao alcance da mão: partilhar a lenha seria salvação de todos.
Quando chegou a hora de colocar lenha na fogueira, um deles - racista - raciocinou: entre os companheiros há um negro e jamais cederei minha lenha para ele se aquecer. O segundo homem era rico e avarento e recusou-se colocar sua lenha no fogo, pois alguns dos companheiros pareciam preguiçosos. O terceiro homem era o negro e seu olhar faiscava de raiva contra o branco dominador e imaginou: talvez eu precise desta lenha para me defender dele... O quarto homem conhecia bem a montanha e a nevasca poderia durar vários dias, guardaria a lenha para mais tarde. O quinto homem parecia alheio a tudo e nem se deu conta que sua lenha poderia reavivar as brasas. O último homem era um camponês de mãos calejadas e seu pensamento foi simples e prático: esta lenha é minha, sei muito bem a dificuldade que tive para consegui-la.
A chama da fogueira estava cada vez mais fraca e, em breve, extinguiu-se. De manhã cedo, quando os homens do socorro chegaram à caverna encontraram o fogo apagado e seis cadáveres congelados, Cada um deles segurando seu feixe de lenha. Eles haviam morrido de frio, não do frio que viera de fora, mas do frio que estava dentro deles, o frio do egoísmo.
Ninguém pode ser feliz sozinho. Ninguém pode dizer: eu não preciso de ninguém. Todos precisamos uns dos outros. O ser humano, desde seu nascimento, precisa dos outros. Nenhum bebê sobrevive se abandonado à sua sorte. E esta interdependência continua ao longo da vida. Para que um pão chegue à nossa mesa, dezenas de pessoas deram seu contributo. Alguém semeou o trigo, depois foi necessária a colheita, o transporte, depois a confecção da farinha, o sal, o fermento, o forno de assar...
Precisamos do médico, do dentista, da professora, do guarda, do vizinho, do padeiro... E esta relação torna-se maior no campo afetivo. Nascemos para amar e sermos amados. De resto, Jesus Cristo veio trazer a religião do abraço, do amor e do pão repartido. Ele próprio - o Senhor - se fez comunhão, pão partido e repartido. E ensinou-nos a dar a vida pelos outros. Não apenas nos grandes momentos, mas no cotidiano. Precisamos do amor dos demais para não morrermos de frio e os outros precisam de nosso calor.
Diocese de Caxias inaugura seminário
Casa de formação abriga os estudantes de Filosofia da diocese
A diocese de Caxias do Sul inaugura, no dia 31 de outubro, o seminário São José. Localizado na Avenida Afonso Gasparin, 780, o educandário é destinado aos estudantes de Filosofia da diocese. No dia 31, o bispo diocesano dom Paulo Moretto preside missa solene às 10 horas e a cerimônia de dedicação da capela do seminário. Ao meio-dia haverá almoço de confraternização para os sacerdotes e seminaristas da diocese.
O seminário tem capacidade para acolher até 36 estudantes - atualmente conta com 25 (10 no primeiro ano, nove no segundo e seis no terceiro), que cursam Filosofia na Universidade de Caxias do Sul. A formação dos filósofos é acompanhada pelos padres Paulo César Nodari, reitor, e Leonardo Inácio Pereira, assistente.
O Seminário Maior São José foi criado em 1978 por dom Benedito Zorzi. Tinha sua sede na paróquia Santa Catarina e os alunos cursavam Filosofia na UCS. Funcionou até 1994. Nesse período, passaram pelo seminário 131 estudantes, dos quais 61 foram ordenados padres. De 1995 a 2002, os estudantes cursaram a Filosofia na Faculdade Imaculada Conceição, e moravam no Seminário São Lucas, ambos em Viamão, junto com os estudantes de Teologia de Caxias do Sul.
Em 2002, a diocese tomou a decisão de regressar com o curso de Filosofia para Caxias do Sul. "Entre os motivos, foram destacadas a distância da diocese, a permanência de sete anos em Viamão e a necessidade de um contato direto com a realidade do povo da nossa diocese", salienta padre Leonardo Pereira.
CNBB faz apelo à solidariedade cristã
A presidência da CNBB está fazendo um apelo aos católicos do país para que manifestem sua solidariedade aos povos atingidos por catástrofes naturais, através de um auxílio concreto. Uma nota emitida pela CNBB para todos os bispos do Brasil destaca as tragédias que se abateram sobre Guatemala, El Salvador, Paquistão e Índia, deixando milhares de mortos, mais de quatro milhões de feridos e desabrigados, além de grande destruição e desolação.
Qualquer doação pode ser encaminhada para as contas: Banco do Brasil, Agência 3475-4, C/C nº9303-3 ou Banco Bradesco, Agência 0484-7 C/C nº66000-0. A campanha estará aberta até 10 de dezembro de 2005.
Irmão lassalista renova votos perpétuos
Irmão Marcelo Cesar Salami, lassalista, renovou solenemente sua profissão perpétua na congregação, durante celebração realizada recentemente em Rondinha (RS), sua terra natal. O religioso tinha emitido os votos perpétuos no dia 23 de janeiro de 2005, em Canoas (RS). Irmão Marcelo é filho de Hermógenes e Maria Salami. Atualmente, é diretor do Postulado e vice-diretor do Centro de Educação La Salle, no bairro Niterói, em Porto Alegre.
Irmão Marcelo é sobrinho do padre Arduino Salami, vigário paroquial da paróquia São Pedro Apóstolo de São José do Cerrito (SC), que no próximo dia 3 de novembro estará completando 78 anos de vida. Em dezembro, padre Arduino vai celebrar 30 anos de sacerdócio - foi ordenado padre no dia 7 de dezembro de 1975, em Rondinha.
Wilson João
O ideal na vida de todas as pessoas é morrer como fruto maduro, copo cheio, projetos realizados
Um grande homem chamado Paulo, que foi descobrindo o caminho da vida, que foi aprendendo tudo do mestre Jesus, que foi reunindo gente em comunidade de fé e de amor, que foi dedicando a vida pelo bem dessas mesmas comunidades, que viveu enfrentando perseguições, cadeias, surras, e no final até a morte violenta, já velhinho, antes de morrer falou: "Agora posso morrer. Guardei a fé. Completei minha carreira. Resta-me esperar a coroa da vida, que espero receber das mãos do Rei Jesus".
MORRER COMPLETO. Esse é o ideal da vida de toda a pessoa humana. Morrer copo cheio. Fruto maduro. Projetos realizados. Vida cheia de fé e de amor. Vida cheia de verdade e de paz. Vida cheia de dedicação e generosidade. Que bonito!
PROIBIR-SE MORRER INCOMPLETO. Que desastre ver a morte chegar e perceber-se um ladrão. Cabeça cheia de compromissos com pessoas e negócios. Coração cheio de raivas e de ódios. Compromissos não cumpridos. Pessoas magoadas. Objetivos não alcançados. Vida aos pedaços. É preciso proibir-se morrer nesse estado. Pedir tempo. Dar-se tempo. Apressar-se para completar-se. Morrer incompleto é ser fruto verde. É não amadurecer. É fazer chegar o verão antes da primavera.
MORRER É COMPLETAR-SE. Vem irmã morte! Estou pronto. Estou maduro. Vivi meus sonhos. Estou pronto.
COMPLETEI A VIDA. Meus sonhos foram realizados. Gosto da vida. Amo a vida. Sinto-me um privilegiado estar existindo. Sei que nasci para não mais morrer. Tenho um ponto de chegada...
COMPLETEI A PAZ. Estou livre de ódios e raivas. Livre de ressentimentos e mágoas. Um coração livre para amar. Estou em paz com o mundo, com todas as pessoas e com meu Deus. Posso desejar a paz da morte!
COMPLETEI A FÉ. Meu creio é sincero. Caminho na direção da fé. Tenho um Deus para crer e amar. Tenho um Deus para abraçar. Um Deus que eu vejo através da janela do trabalho, dos relacionamentos, da família, do viver do dia-a-dia. Completei a fé. Posso morrer!
COMPLETEI O AMOR. Abraçar-se. Ser tudo em todos. Estar face a face com Deus e com todas as pessoas de bem. Amar infinitamente. Poder dizer "eu te amo" sem medo de ciúmes, críticas e paixões. Morrer de amor!
MORRER COMPLETO. Morrer realizado. Sem perguntas no bolso. Visão global da vida. Pronto para a surpresa do além da morte e, ao mesmo tempo nada tendo de surpresa, sabendo que céu é a vida do aqui e agora levada em plenitude. É a vida, o amor, a beleza, a música, o colorido, a bondade, a ternura, a paz e a harmonia em grau máximo. Que bom poder dizer: "completei minha carreira!".
O italiano que está em você
Flávio André Trentin
Comerciante e empresário da construção civil, Santa Maria-RS
Flávio André Trentin, nascido em Santa Rosa, residente em Santa Maria, fundamenta sua italianidade de 33 anos na tradição do trabalho, herdada dos antepassados. Diz ele:
"O italiano que está em mim é mais vêneto que italiano. Percebi isto depois que comecei a pesquisar sobre os hábitos e culturas das regiões do Vêneto, Trentino, Friuli e Lombardia, comparadas ao resto da Itália.
Sou bem humorado, faço vinhos, sou amante da caça e da pesca esportiva, sou bom católico e meus pais, que são netos de imigrantes, são minha referência de cultura, vida e trabalho. Por estas e outras características, notei-me diferente quando mudei de cidade.
Convivendo com tanta gente diferente, sempre me diziam:
- Você é italiano, não é?
Quando assim me sinto percebido, respiro profundo, estufo o peito e respondo para eles e para mim mesmo:
- Si, son véneto gràssie a Dio!
Tenho em minha casa um lugar especial chamado Sala Vêneta, onde ostento uma enorme bandeira com o Leão de São Marcos, alguns mapas do norte italiano, calendário, livros em vêneto e em italiano; livros em português sobre a imigração; histórias de Nanetto Pipetta; adesivos, crachás, botons, postais e outras coisas mais... Tenho até fotos da igreja onde casou e foi batizado meu bisavô.
Apesar de ter nascido em terra colonizada parcialmente por italianos, minha família conserva até hoje a religião, a culinária, a música, os vinhos caseiros, os filós e outros costumes. E é isto que constitui o italiano que vive em mim. Quando me dizem que o Talian está se aportuguesando, respondo que é verdade, porque é uma língua ítalo-brasileira, última língua neolatina, mas o mais importante é que o sangue continua o mesmo.
Para deixar registrado o amor pela minha italianidade, meu irmão e eu musicamos uma letra de Sérgio Ângelo Grando, que disponibilizamos no site www.raixevenete.it, como forma de dar continuidade e vida à arte e criatividade que nós, descendentes, herdamos de nossos pioneiros.
Ao natural percebo o valor do cultivo pleno da italianidade, tanto que minha filha de três anos é notada como singular na sua escolinha. E se alguém perguntar o que ela é, prontamente responde: "Mi son taliana véneta."
A emigração deixou marcas irreparáveis e dolorosas a quem emigrou, mas estes fortes superaram o sofrimento, tirando da sua fé espiritual forças e alegrias para construírem paesi e città. E fizeram muito mais, fizeram uma nação nova e próspera - a nação ítalo-brasileira, que se mesclou aos costumes, línguas e culturas das demais etnias, enriquecendo-as de sua peculiaridade italiana.
Dizia-me um pobre, mas sábio nono:
- Meu neto cursou italiano para me agradar, mas eu, que pena, não posso compreendê-lo!
A observação do nono está a nos dizer:
- Se você é descendente, e quer aprender e honrar a língua, estude o Talian, ou o trivêneto-brasileiro. Com o italiano, dito oficial, bem como com o inglês e outros idiomas, embora importantes, você não se entenderia com os antepassados, não dialogaria com a sua história familiar, não sentiria o saber, a cultura, o afeto e a fé dos seus familiares, na forma da palavra, que foi a palavra de seus progenitores, que lhe disse sim para existir.
Apesar da minha idade, também cultuo meus super-heróis, que se alinham aos vindos de além-mar - é o Nanetto Pipetta, o Radici e o Luzzatto. Três personagens que é bom que não ingressem no cinema, para não humilhar Hollywood. Brincadeira! Mas estou certo que seriam um sucesso de bilheteria, no Brasil e em qualquer outra parte. Eco!" (e-mail: mailto:flavio@krafthaus.eng.br)
Bravo, Flávio André! Continue trabalhando na construção da cidadania brasileira com ingredientes de italianidade, em reconhecimento à herança dos antepassados. (Rovílio Costa)
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (332)
Ghe vien su na nostalgia, na voia de veder la mama
Luiz Bavaresco
Nova Prata - RS
Nanetto el ga dormisto mal. La note l’è stata de piova, saete e s-ciochi de le tonedae. Quando fava el ciaro del s-ciantiso, se ricordava de so nono, e el pregava: "San Piero e San Simon, deféndimi dei ton, del fùlmine e dela morte sepitànea! Amén!" Ma la note l’è ndata, e ze vegnesto el di. Nanetto l’è levà su e ndato fin la finestra e el vede che zera tuto moio intorno la caseta e ancora vegnea zo qualche gossa de aqua dele scàndole.
El se ga voltà, e el se ga sentà sora el leto. El varda intorno e no’l vede quasi gnente. No’l gavea gnente... ntel canton, na steca inciodada da travesso, e là lu el picava su le mundande de riscado, la ombrela, i scarponi e anca i calseti che i gera romai fruai, e un l’era sbuso, e quando lo doparava ghe tocava assarlo pi in zo parché no vignesse fora sora la scarpa el buso. Ntel canton la maleta de legno vegnesta del Itàlia. Ntela maleta el gavea le braghe de brin che le gavea due bele tirache, meso longhe, lora le metea crosade tel peto par soto la giacheta. El gavea anca un paro de nissui de ìntima che no li ga ancora doparai. El ciapa un in man, lo varda, lo snasa, e el vede ndove so mama lo ga cusio. Ghe ze vegnesto su na nostalgia e na voia de véderla, de basarla, de darghe un strucon.
El ga metesto el nisol ntela fàcia e el ga basà i ponti che so mama ga giustà in Itàlia. El ga pensà: "Mama, se te fussi qua, te menaria vedar la me rosseta de mìlio, mandolini, patate dolse, el orto co le scarlogne, i radici, i capussi, el aio e tante altre robe. Dopo te menaria tirar late dela vacheta che la se ciama Pintada. Dopo volaria che fessi un formaieto, e anca la puina, e anca bevar na cìcara de scoro caldo". Dopo el se meteria su le robe de festa e el ndaria co so mama catar la Gelina. Alora la Gelina la podea cognosser la mama e vedar che la ghe volea ben.
L’era là che’l se stimava tuto, e el se ga come che desmissià, el se ga nincorto che le zera tute robe che ghe passava per la testa parché l’era solo lu in te la so caseta col querto de scàndole e con un sinamon davanti sensa foie, e el so cagneto Faísca. El leva su, el mete le robe de laroro, e pié descolso el va fin el fogon par impiarlo par scaldar el late e brustolar la polentina. Dopo, come zera vegnesto fora el sol, el ze ndato in colònia netar un toco de mìlio che l’era pien de rampeghina e bioni in meso soche e sassi e formighete rosse de quele cative. L’era lì che’l sapava quando la sapa la ciapa medo par sora un sasseto, e la vien drita e fulminante soto la óngia del deo del pié sanco. Ghe ze vegnesto su le orbarole, e el ga molà na bruta osada, e el dise: Ai, ai, ui, ai!... che male, porca misèria, che dolor! La óngia l’è stata voltada in drio pena picada su un pochetin... El sangoe el vegnea fora caldo e rosso.
Mola zo la sapa e in te un pié sol el va casa, el ciapa un baldo de aqua ntela fontana e el neta el deon. Dopo el scalda na salmora e el mete el deon rento e dopo lo infassa con un fassoleto che’l gavea in scarsela. La giornada la fenia lì, in te quel momento.
- Oncó non fao più gnente. Se ga ricordà che’l gavea un litro de caciassa che l’era ndato tor zo drio el Rio das Antas, ntela casa de Bepi del Trenta, el ciapa el litro, el ghe cava el stròpolo e el mete in boca na bela sboconada, la ga menada in torno par meso i denti e dopo la ga parada zo... e dopo nantra sboconada... e nantra fin che’l se ga indormensà col litro in man e el taca nantra volta parlar con so mama poareta che l’era in Itàlia distante drio tribular coi so fradei che i è stati tuti là... Ze vegnesto altra note e anca altro di, e Nanetto sempre pien de pensieri.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
El siqueris par strada
Silvino Santin
Santa Maria - RS
A Protásio Alves, la pal 1915, ghe gera de star ela sola na dona, cognossesta come la nona Ginoefa. Nantri tosatei poco o gnente saveino de la so vita. Sol se savea che la gera rivada del Itàlia insieme i primi migranti e la parlea solche talian. Tuti, in Protásio Alves, i savea che la gera na bona veceta, rispetà da tuti par via dele so bone òpere de mamana e infermiera ndando de casa in casa, ndove i la ciamea. No se sa parché che no la se ga maridà, pal visto nò parché no la volesse, ma, sicuramente, parché no la gavarà catà un omo che la volesse. Fursi par via del so laoro come mamana e infermiera, ndando de casa in casa sempre che i la ciamea, così la stea tanti giorni fora de casa.
Ghinò 93 ani, quel che mi vui contarve l’è che mi, me fradei e me cusini, sete oto tosatei sbirbi come diaoleti, gavemo combinà de darghe un spauron. Prima de contarve sto dispeto, par capir ben la stòria, bisogna che ve conte nantro tocheto dela vita dela nona Ginoefa.
Quando a Protásio Alves, i ga fato el ospedal ghe ze vegnes-to un dotore e na infermiera studiada, lora la nona Ginoefa no la podea pi far la mamana e la infermiera. I la ga posentà. Ma ela no la savea star ferma, lora la ga continuà visitar i parenti e le fameie amice, che le gera tante.
Ben, adesso ndemo al dispeto. Sempre che la nona Ginoefa la ndea via par le strade, sia in tel tempo che la fea la mamana e la infermiera, sia quando la ndea a spasso par trovar i parenti e i amici, la disea su con ose forte el Siqueris miraculis. Quei che i sa latin i me ga dito che el giusto saria, Si queris miracula, ma nantri capìino Siqueris miraculis e anca no saveino cosa che volea dir. Na bela doménega, rente sera, quando ritornaino a casa, gavemo visto la nona Ginoefa que la vegnea caminando piampianeto verso noantri e pregando el so Si queris. Lora ne ga saltà la idea de darghe un spauron quando la passesse sora el pontesel e così rabartarla rento el rieto. Tuti d’acordo e ben chieti se ghemo postai sconti drio un par de capoere che ghe gera de na banda del pontesel, e giusto quando la ze in medo al pontesel, ghemo fato un osamento da can, ela la se ga spaurà, ma no la ze cascà do pal rieto, come voleino.
Ela, con tuta la passiensa, la ne ga fato na bela predicheta, la ne ga dito che quel che gaveino fato l’era un bruto dispeto, che sol toseti sfaciadi lo fa. Nantri semo restai invergognai, ghe gavemo domandà scusa e semo ndai casa. Rivai casa, el pupà e la mama i se ga nicorto che gèrimo medi strànii, lora i ne ga dimandà se gaveino fato qualche malegràssia. In te quel momento no dava par sconder e contarghe na bùsia. Semo stai fianchi e ghe gavemo dito cosa che gheino fato. Ghemo ciapa na tersa prédica, la prima l’era stà quela del Prete nela messa. E, par conclusion, i ne ga dito de, el giorno drio, quando ndeino a scola, ndar casa sua domandarghe scusa. Ghe gavemo dito que romai la gaveino domandà, ma no ghe ze stà argomenti, ne ga tocà domandàrghela nantra volta.
Un bel tempo dopo, mi go savesto che la nona Ginoefa, da zovenota, la disea su el Si queris par catarse el moroso, parché i ghe gavea dito che Santantoni l’era el santo che giutea cartar le robe perse e par maridarse. Lora i ghe ga dito che, da vero, Santantoni el gera Santo dele robe perse e de maridar la gente, ma el Si queris l’era par cartar robe perse, e ela no la gavea perso el moroso, parché no la ghinà mai bio. Par cartar el moroso, le orassion le gera altre. Ben, la ga dito, go pregà la orassion sbagliada, par quela che son restà scàpola. In fati, se no go fato fioi, ma ghinò giutà a tanti vegner al mondo. E anca sèguito dir el Si queris quando camino par strada, parché me go costumà ncora quando gera zóvena, e adesso me par che, sensa dir su el Si queris, no son bona de caminar (Testo de Silvino Santin, stòria contada per Giudith Binotto nel corso de Talian dela Associasson Italiana de Santa Maria).
Câmara homenageia ADCE-Serra
Associação completa 20 anos de atuação
A Câmara de Vereadores de Caxias do Sul realizou sessão solene na terça 18 em homenagem aos 20 anos da Associação de Dirigentes Cristãos de Empresas (ADCE-Serra). A homenagem foi proposta pelo vereador Edson da Rosa (PMDB).
Há duas décadas a ADCE desenvolve em Caxias e região diversas atividades sociais, como o Projeto Pescar e campanhas do agasalho. Agenor Fortuna de Carvalho, presidente da Associação, ressaltou que as empresas, "além de sua função econômica, têm sua função social. E é neste momento que elas se encontram na ADCE". Após a entrega de placa comemorativa a Agenor Carvalho pelo presidente da Câmara, Francisco Spiandorello, foram homenageadas 20 pessoas que marcaram os 20 anos da ADCE em Caxias, entre elas Raul Randon, Frei Aldo Colombo, Euclides Sirena, Rosa Maria Calcagnotto e Humberto Cervelin. O secretário Zoraido Silva representou o prefeito José Ivo Sartori na solenidade, que teve também a presença de Antonio D’Amico, presidente da ADCE no Rio Grande do Sul.
Ilópolis destaca a erva-mate
Festa mostra evolução do beneficiamento da erva no Estado
Feira Comercial e Industrial, gastronomia, produtos coloniais e shows são os principais atrativos da Festa da Erva-Mate (Turismate 2005), que ocorre de 4 a 6 de novembro em Ilópolis, maior produtor individual de mate do RS. A rainha da Turismate, Letícia Signor, e as princesas Letícia Dall’Agnol e Keila Mazocco, convidaram o governador Germano Rigotto.
Na oportunidade, o prefeito Olmir Rossi destacou o projeto "Reconstrução do Processo Histórico da Erva-mate", inédito no Brasil. "A iniciativa mostra a reconstituição em forma natural da evolução dos processos de beneficiamento da erva-mate, desde os tempos dos indígenas até a atualidade", explica o prefeito Rossi.
Blumenfest movimenta a região de Três Passos
O Parque de Exposições Egon Júlio Goelzer (Feicap), em Três Passos, terá gastronomia típica alemã, apresentações artísticas e muita animação de 4 a 6 de novembro, quando o município realiza a Blumenfest (Festa das Flores). Os prefeitos da região do Celeiro abrem a festa, que vai contar ainda com mostras de flores, artesanato e agrofeira.
A corte, formada pela rainha Juliana Roesler, e as princesas Juliane Bohn e Danuza Thomaz, juntamente com a jovem Natáli Gerhardt, que representa o Canto Coral Infantil do Centro Cultural 25 de Julho, visitam o Estado promovendo a Festa das Flores. A diretora de Cultura, Lurdes Dresch, destaca a integração entre os grupos de dança alemã e latino-americanos.
O evento conta também com o Encontro Regional dos Sindicatos de Trabalhadores Rurais da Região do Celeiro e com desfiles bierwagen e blumenwagen, grupos de danças folclóricas, dia 5. Outra atração é a Ciranda Regional da Cultura, Arte, Educação e Turismo. (Dionísio Antônio Da Ros, agente do CR).