
DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 4.961 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 2 de novembro de 2005.
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Um alerta da natureza que precisa ser levado a sério
A seca que construiu no Amazonas um cenário de sertão, pode ser um aviso desesperado
Mesmo que os cientistas considerem um fenômeno normal e temporário, a dimensão da estiagem deste ano no Amazonas deve servir como alerta. A causa principal, na avaliação de pesquisadores, é o aquecimento das águas do Oceano Atlântico. Mas também colabora com uma parcela importante a devastação da floresta amazônica. E nesse aspecto, as informações mais recentes são preocupantes.
Estudo publicado na edição de outubro da revista Science revela que a área desmatada na Amazônia, de 1999 a 2002, pode ser até 128% superior aos dados oficialmente divulgados. Um outro trabalho, desenvolvido pelo Instituto de Estudos Avançados da USP, conclui que somente de agosto de 2003 a agosto de 2004, 1,3 bilhão de árvores foram derrubadas. Essa destruição afetou 46,5 milhões de aves e 1,5 milhão de primatas.
Mesmo que o governo brasileiro anuncie que o índice de desmatamento caiu pela metade na última medição em relação à anterior, as áreas dizimadas continuam sendo gigantescas. Qualquer estatística chega facilmente a mais de uma dezena de milhares de quilômetros quadrados por ano. E os efeitos não se restringem às mais de 70 mil famílias que, morando numa das maiores bacias hidrográficas do planeta, não têm água para beber. Eles avançam para outras áreas, podendo atingir o Sudeste do país.
Há, ainda, o risco de incêndios, porque o chão da floresta se tornou inflamável, e porque quanto maior a área consumida pelo fogo, mais terra será destinada à criação de gado. Acumulam-se, portanto, reflexos da natureza com a intenção do homem. E quando isso ocorre, dobra o perigo de tragédias ambientais.
A Amazônia tem uma riqueza incomparável, a começar pela sua biodiversidade. Pode ser a reserva que o Brasil precisará no futuro. Mas se não souber preservar, fiscalizando e controlando a exploração gananciosa e irresponsável, em breve terá outro sertão. A seca deste ano, apontada como a mais severa desde 1902, pode ser um aviso desesperado da própria natureza.
Receita para 2006 é R$ 535 milhões
Saúde e Educação recebem os maiores investimentos
O orçamento de Caxias do Sul para o próximo ano é de cerca de R$ 535 milhões. A previsão de receitas e despesas do município em 2006 foi apresentada à Câmara de Vereadores pelo prefeito José Ivo Sartori. Segundo o chefe do executivo, houve aumento de aproximadamente 10% na receita estimada. O secretário da Fazenda, Carlos Búrigo, explica que a receita total é de R$ 561.469.29, mas subtraindo-se os devidos valores de custeio em cada unidade, chega-se a R$ 534.932.340 disponíveis para investimentos.
As áreas de Educação e Saúde receberão o maior volume de recursos, respectivamente R$ 100,8 milhões e R$ 98,2 milhões. A Secretaria do Meio Ambiente também está entre as contempladas com os maiores investimentos - R$ 21,1 milhões.
Para o Orçamento Comunitário, cujas verbas são retiradas das várias unidades municipais, estão previstos R$ 30,4 milhões. As demandas locais, ou seja, próprias dos bairros, como pavimentação, construção de creches etc, terão R$ 7,7 milhões em 2006, e as ações regionais, que beneficiam mais de um bairro, como estação de tratamento de água, R$ 22,7 milhões.
"Como é o nosso primeiro orçamento, pode ter equívocos. Entretanto, podem ter certeza que foi feito com a maior transparência possível e dentro das nossas condições", disse Sartori aos legisladores. "Vamos procurar o equilíbrio e o diálogo. Caxias tem o segundo maior orçamento do Estado, temos o compromisso do debate com a comunidade", declarou o presidente da Câmara, Francisco Spiandorello. Depois da análise dos vereadores a proposta orçamentária deverá ser devolvida ao executivo para sanção do prefeito até 15 de dezembro.
Segurança pública ganha secretaria
O projeto de criação da Secretaria Municipal de Segurança Pública e Proteção Social, principal proposta de campanha do prefeito José Ivo Sartori, também foi apresentado pelo chefe do executivo na semana passada. A comunidade não terá muitas novidades com a futura pasta, pois a maioria das ações previstas já estão sendo executadas pela prefeitura. Trata-se de pagamento de combustível aos órgãos policiais, ajuda financeira aos bombeiros e à Guarda Municipal e trabalhos preventivos com jovens em situação de risco, cujos gastos totalizam R$ 1,26 milhão por ano.
A principal ação que a nova pasta vai gerenciar, que ainda não está sendo realizada, é um projeto de capacitação dos guardas municipais para que saibam lidar com jovens em situação de risco que estejam cometendo algum delito. Sartori reforçou que a função da secretaria não será prender pessoas, mas trabalhar na prevenção. "Ela será o elo entre a comunidade e os órgãos policiais, vai articular, valorizar a defesa civil e as entidades, além de identificar necessidades e promover debates", afirmou o prefeito.
Para a pasta entrar em funcionamento, depende da aprovação do projeto pelo Conselho Municipal de Segurança, já empossado, e da aprovação da Câmara de Vereadores. Sartori pretende encaminhar a proposta ao Legislativo ainda este ano.
Estiagem constrói um cenário de sertão na Amazônia
Maior seca em 103 anos transforma rios em cemitérios de peixes e isola 70 mil famílias
Rios secos, terra rachada, animais secando ao sol, milhares de famílias sem água potável e sem ter o que comer. Este cenário lembra a Região Nordeste do país. Mas está um pouco acima do sertão brasileiro. Esta descrição faz parte da realidade de uma das maiores bacias hidrográficas do planeta, onde está a maior floresta úmida do mundo: a Amazônia.
A estiagem leva sofrimento a cidades ribeirinhas, principalmente do Estado do Amazonas. E embora a chuva esteja voltando em algumas regiões, na semana passada ainda havia o risco de até a capital, Manaus, com seu 1,6 milhão de habitantes, ficar com o abastecimento de água comprometido. E mesmo a recuperação dos níveis normais dos rios, que pode levar ainda um mês, não extinguirá os problemas daquela região, porque há o perigo de epidemias pós-seca.
Até a semana passada, o governo federal reconhecia oficialmente o estado de calamidade pública em todos os 61 municípios do Amazonas. As regiões do Alto e do Médio Solimões (que ao juntar-se com o Negro forma o rio Amazonas), do Baixo Madeira e do Purus - incluindo áreas do Acre e do Pará - eram as mais atingidas.
Um programa emergencial foi montado para levar cestas básicas e remédios para atender, só no Amazonas, 62.359 famílias, ou o correspondente a 311.795 pessoas, de 2.459 comunidades. Computando-se as do Acre e do Pará, são mais de 72 mil famílias. Conforme o secretário de Governo e coordenador do plano emergencial, José Melo, a operação de ajuda entregou mais de 1,5 milhão de toneladas de alimentos e 45 toneladas de remédios.
Melo também previa que seriam necessários pelo menos 20 dias para que os rios da região de Manaus, a mais castigada, retomassem níveis razoáveis. Segundo o Serviço Geológico do Brasil, que mantém réguas para medição dos rios em 302 pontos, o nível do rio Negro parou de descer e estabilizou a partir de quarta 26 e o rio Solimões estava subindo 20 centímetros/dia na semana passada. A previsão é que só no fim de novembro os lagos e rios estejam novamente cheios.
Dependência - O Amazonas é um Estado onde a água é um bem mais presente na vida de sua população do que em qualquer outro da Amazônia e do Brasil. Por isso, a sua escassez traz reflexos mais agudos. Mas uma vazante (período em que os rios têm o menor volume de água) das dimensões da atual não era registrada havia mais de século (leia ao lado).
As águas dos rios baixaram tanto que dezenas de cidades e centenas de comunidades ficaram ilhadas. É que o deslocamento, para elas, só pode ser feito de barco ou pelo ar.
Lagos, como o Janauaca ou o Anamã, ficaram cobertos por gramíneas. Em outros rios, entre eles o Itacoatiara (230 km de Manaus), segundo relato do Greenpeace, o leito foi substituído por bancos de areia, formando praias imensas, que os moradores também nunca tinham visto. Do rio Manaquiri, afluente do Solimões, restou apenas um filete. Os 12 mil habitantes do município de Manaquiri, a 65 km de Manaus, viram a água, os peixes e tudo o que chegava à cidade via transporte fluvial desaparecer. A Prefeitura local contratou caminhões para ajudar as vítimas da estiagem, construindo uma cena que lembra os retirantes.
Chão de 1/3 da mata fica inflamável
A estiagem aumentou também o risco de incêndios. Estudos científicos mostram que a falta de chuvas diminui a capacidade de fotossíntese das árvores. Com copas menos densas, os raios de sol penetram mais facilmente, atingindo o chão coberto de folhas secas que, devido também a temperaturas que superam os 40º centígrados, se torna inflamável.
As conseqüências da seca não se esgotam com a volta das chuvas. Estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) concluiu que em anos de estiagem acentuada, 31% da área total de floresta perde tanta umidade que 25% da cobertura de folhas das árvores cai. Mais um motivo para o chão ficar inflamável.
O perigo aumenta com projeções feitas por outro centro de pesquisas, o Tyndall, da Inglaterra. No cenário mais otimista, a temperatura média da Amazônia nas próximas cinco décadas sobe até 1,2ºC e a precipitação de chuvas diminui em até 5%. No mais pessimista, a temperatura aumenta 5,2ºC e o volume de chuvas reduz 19%. Se essas mudanças se confirmarem, o temor é de que as secas fiquem cada vez mais freqüentes e intensas e a atual vegetação possa ser, aos poucos, ocupada por um cerrado, o que já estaria ocorrendo em algumas áreas.
Causa tem origem no Oceano Atlântico
Na avaliação do pesquisador do Inpe, Carlos Nobre, a seca ocorre por três fatores: aquecimento do Oceano Atlântico, redução da transpiração das árvores e a fumaça produzida pelas queimadas. "A principal razão é o aquecimento do Oceano Tropical Norte, que está mais quente que a média em até dois graus (águas estão acima de 28ºC). Essa água induz muitas chuvas na região e também um movimento ascendente - comum em locais com muita chuva. E tudo o que sobe tem que descer. Esse ar, que desce sobre a Amazônia, dificulta a formação de chuvas. Isso explica a grande extensão, severidade e duração desta seca bastante atípica", detalha o pesquisador do Inpe. Mas há muitos ambientalistas que relacionam a dimensão desta seca com a devastação descontrolada da floresta.
Devastação pode ser o dobro da oficial
O desmatamento na Amazônia pode ser o dobro do que se imagina por causa do corte "seletivo" de árvores, que não é detectado pelas imagens por satélite. Segundo a edição de 21 de outubro da revista Science, a área devastada da floresta é até 128% maior do que os números oficialmente divulgados entre 1999 e 2002. O método tradicional de avaliar o desmatamento é pela observação de clareiras em imagens por satélite. O corte seletivo de árvores ocorre quando árvores isoladas são derrubadas no meio da floresta. Em agosto, o governo brasileiro avaliou que 9.106 km2 foram devastados entre agosto de 2004 e julho de 2005, bem menos que os 18.724 quilômetros quadrados observados no ano anterior.
Biodiversidade sofre um estrago irreparável
No mapa, o Brasil perdeu 26.130 km2 de floresta amazônica entre agosto de 2003 e agosto de 2004, conforme divulgou o Inpe. Na prática, 1,3 bilhão de árvores derrubadas, 46,5 milhões de aves e 1,5 milhão de primatas foram afetados no período, em média. Os números compõem uma estimativa feita por três pesquisadores publicada no último número da revista do Instituto de Estudos Avançados da USP. Com a avaliação, o trio mostra que, por trás de anúncios oficiais de índices e planos contra a ação dos desmatadores, existe um impacto na biodiversidade e na disponibilidade de recursos naturais difícil de ser recuperado.
Setor leiteiro nacional pede socorro
Produtores reivindicam fim das importações e da queda nos preços
Os produtores de leite estão pedindo R$ 400 milhões ao governo federal - R$ 300 milhões para a Linha de Empréstimo do Governo Federal (EGF) e R$ 100 milhões para aquisições diretas para os programas sociais federais. Estão reivindicando ainda flexibilização da Instrução Normativa 51 e facilidades para a compra de pequenos tanques, carros adequados, materiais e equipamentos para resfriar e armazenar o produto.
Em audiência com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, pediram a redução das importações de leite. Atualmente, o Brasil importa leite da Argentina, Paraguai e Uruguai. "Somente neste ano, entraram no país 22 mil toneladas de soro de leite em pó", explica o deputado Odacir Zonta (PP/SC), presidente da Comissão de Cooperativismo da Câmara.
Agricultores da região Sul, Minas Gerais e Goiás, organizados pelo Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), realizaram manifestação em Brasília. Em ato simbólico, lavaram com leite as calçadas do Ministério da Agricultura em protesto contra os preços baixos pagos pelo leite. Altair Bunde, da direção nacional do MPA, disse que o preço caiu em média R$ 0,30/l. "Tem agricultor em Goiás recebendo R$ 0,19/litro", denunciou.
No Estado - A Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag/RS), através da Comissão Estadual do Leite, reuniu-se com o Sindicato das Indústrias de Laticínios (Sindilat) para discutir a situação de preços pagos ao produtor. "Estamos nos mobilizando para os próximos meses", diz ao CR o assessor de política agrícola da Fetag, Eliziário Toledo.
Conforme cálculos da Federação, o produtor gaúcho está recebendo de R$ 0,29 a R$ 0,35 o litro de leite. Para cobrir custos de produção, deveria ganhar R$ 0,50/l. "Houve uma queda de 30% a 40% no preço pago ao produtor, nos últimos três meses", declara Toledo.
Embargo - Acabaram os embargos impostos por Santa Catarina ao Paraná em decorrência dos focos de febre aftosa registrados no Mato Grosso do Sul. A partir de reunião entre representantes das secretarias de Agricultura dos três Estados do Sul o governo catarinense voltou a liberar a entrada de leite cru, industrializado e de seus derivados, oriundos do Paraná. Também foi suspenso o embargo que havia para aves, pintinhos de um dia, ovos e suínos.
São Francisco realiza Feira Agropecuária
De 3 a 6 deste mês, São Francisco de Paula realiza a 22ª Exposição Feira Agropecuária, no Parque Davenir Peixoto Gomes. A promoção é da Associação Rural, com apoio da Emater/RS, Prefeitura, Sindicato Rural e Inspetoria Veterinária.
A exposição terá palestras, julgamento e desfile de animais, provas de cavalo crioulo e freio de ferro e leilões, com a compra direta de animais. Pela primeira vez, a feira será palco da Mostra Nacional de Ovinos.Durante o evento, a Emater estará mostrando o trabalho desenvolvido pela Associação dos Produtores do Cedro e pelos Clubes de Integração e Troca de Experiências .
Também será exibido o artesanato em lã elaborado através dos cursos promovidos no município. A Emater estará prestando informações para os pecuaristas sobre o cadastramento no Sistema de Certificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov).
MP beneficia produtor de queijo e gado
A aprovação da Medida Provisória 255 pode levar, em breve, a uma redução de 9,25% dos preços finais de leite em pó e dos queijos tipo mussarela, minas, prato, queijo de coalho, ricota e requeijão, referentes às tarifas de PIS/PASEP e Cofins até agora incidentes sobre esses produtos.
O resultado final deve também beneficiar os consumidores, que terão alimentos mais baratos. Para que a redução de tributação prevista na MP 255 entre em vigor, falta apenas a sanção presidencial. A MP 255 incluiu partes do Projeto de Lei de Conversão nº 23 de 2005, a MP 252, conhecida como "MP do Bem", cujo texto incluía a isenção de cobrança das alíquotas para leite em pó e seis tipos de queijos.
A MP 252 não entrou em vigor, por não ter sido votada dentro do prazo legal. Agora, com a MP 255, os benefícios que estavam incluídos na MP do Bem foram recuperados. Atualmente, o leite do tipo pasteurizado e longa vida já são beneficiados com alíquota zero para PIS/Cofins. Para a os criadores de gado, a boa notícia é a redução de 2% para 1% de recolhimento referente à Contribuição para a Seguridade Social.
Brasil ingressa na Convenção-Quadro
Senado ratifica acordo e o país vai à ONU mesmo plantando fumo
O maior exportador de tabaco do mundo, o Brasil, vai continuar plantado fumo. O Senado ratificou a Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, na quinta, 27, após o compromisso do governo federal de garantir a continuidade das plantações no país.
No documento, assinado por seis ministros, o governo se compromete a lançar o Programa de Apoio à Diversificação Produtiva das Áreas Cultivadas com Fumo, que irá subsidiar os agricultores que quiserem deixar o plantio de tabaco e iniciar uma nova cultura. O Brasil interpreta que não há na Convenção-Quadro proibição à produção do tabaco ou restrição a políticas nacionais de apoio aos agricultores que atualmente se dedicam a essa atividade.
Para a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul), a atitude do governo estimulou o consenso sobre a questão. "A iniciativa vai contemplar os agricultores que gostariam de se dedicar a outra cultura, que gostariam de se dedicar à produção de alimentos, à pequena pecuária ou a hortifrutigranjeiros", disse o representante da Fetraf-Sul, Albino Gewehr.
O Brasil é o maior exportador e o segundo maior produtor de tabaco do mundo, ficando atrás apenas da China, que colhe 2,3 milhões de toneladas por ano. Mais de 200 mil famílias no Brasil sobrevivem do plantio do fumo. O Sul é a região com maior número de produtores. Estima-se que existam 180 mil famílias produzindo 96% do fumo brasileiro.
Uma pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e da Universidade de Santa Cruz do Sul diz que 60% dos produtores afirmam que não plantam o fumo porque gostam, mas por necessidade de buscar uma renda.
ONU - Agora, o texto segue para o governo federal, que deverá apresentá-lo à Organização das Nações Unidas (ONU) até 7 de novembro. A convenção prevê uma série de medidas de prevenção e combate ao consumo de cigarro, além de restrições à publicidade do fumo.
Dos 192 países que participaram das negociações do tratado, 168 assinaram a convenção. Após 40 ratificações, a Convenção-Quadro entrou em vigor em 27 de fevereiro de 2005. Até junho de 2005, 72 países já haviam formalizado a ratificação do acordo. "Precisamos ficar atentos", observa o assessor de política agrícola da Fetag/RS, Eliziário Toledo. Segundo ele, dos 10 principais países produtores de tabaco no mundo, somente a Índia e o Brasil ratificaram o acordo.
Aftosa leva a fechar fronteiras vizinhas
Santa Catarina aumentou a fiscalização na divisa com o Paraná. O motivo é para impedir que a febre aftosa atinja o único Estado brasileiro livre de aftosa sem vacinação. Dois helicópteros da Secretaria de Segurança Pública realizam vôos durante o dia e a noite para reforçar o controle.
Uma equipe técnica do Centro Pan-Americano de Febre Aftosa (Panaftosa), órgão vinculado à Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), está percorrendo as divisas entre o Paraná e Mato Grosso do Sul e as fronteiras com os países vizinhos. Os técnicos também examinarão a fronteira entre Argentina e Santa Catarina.
Já as ações desenvolvidas na região de fronteira entre o Paraná e o Paraguai visam reforçar a vigilância para impedir a entrada de animais do país vizinho com suspeitas de febre aftosa.
Enquanto o Brasil está mobilizado e o presidente Lula propõe a realização de uma campanha sul-americana de combate à febre aftosa, o Chile e a Bolívia extinguiram seus programas de erradicação do vírus por falta de verbas.
Antônio de Salvo é reconduzido à CNA
O desafio da Confederação da Agricultura e Pecuária é defender o produtor rural na pior crise dos últimos 20 anos, com reflexos na queda de renda do setor, disse Antônio Ernesto de Salvo, ao ser reconduzido à presidência da entidade. Salvo foi reeleito presidente da CNA para o triênio 2005/2008.
Votaram 26 presidentes de federações de Agricultura. A chapa vencedora foi eleita com 23 votos, contra dois votos da chapa liderada por Carlos Sperotto, presidente da Federação da Agricultura do RS.
Engº. Agrº. José Zugno
Rosas em Caxias do Sul
Lembro com saudades do maravilhoso roseiral que o senhor implantou no Horto Municipal. De lá saiam mudas para embelezar as praças e jardins de nossa cidade. Como era bonito...
LEDA T. SCARTON
Caxias do Sul - RS
"Praças e Jardins" era um dos serviços da Diretoria de Fomento Agrícola destinados a realizar a almejada policultura no município. Dediquei-me à jardinagem, à floricultura e, em particular, à rosicultura a quem me deixei fascinar. Uma vez formados os viveiros e a pequena equipe de enxertadores e multiplicadores de mudas no Horto Municipal parti para a necessidade de formar uma equipe de bons jardineiros, que teve um excelente capataz no Francisco Maldonado e, posteriormente, Osvaldo Padilha de Lima. A experiência adquirida na Praça Dante foi providencial para o incentivo ao cultivo de rosas em todos os logradouros públicos, sedes campestres de clubes, jardins particulares, a quem eram fornecidas gratuitamente as mudas enxertadas e as instruções para o cultivo certo. Enchi de roseiras os canteiros da Praça da Bandeira.
Preparando a Festa da Uva de 1954, na administração do prefeito Euclides Triches, inaugurada pelo presidente Getúlio Vargas, construímos a praça defronte aos novos pavilhões - hoje sede do governo municipal - e na mesma, o principal atrativo eram as roseiras floridas. Na frente e ao longo da base do edifício plantamos uma comprida fileira de hortênsias com suas chamativas cachopas azuis.
Na mesma ocasião foi inaugurado o Parque de Exposições - futuro parque Getúlio Vargas, idealizado e realizado pelo paisagista Irmão Teodoro Luiz, com a colaboração e continuidade do nosso Serviço de Praças e Jardins - em cujos canteiros da avenida central e em locais estratégicos alocamos roseiras em flor.
No jardim do 3º Grupo de Artilharia Anti-Aérea, sediado nesta cidade, implantamos, com a aquiescência e o aplauso do então comandante coronel Décio Barbosa Machado, uma caprichada coleção de roseiras à margem do caminho de acesso e nos canteiros laterais. O jardineiro do quartel, conhecido simplesmente com o nome de Fanho, cuidou muito bem das roseiras.
Com o mesmo propósito cultivamos roseiras no jardim do Seminário Diocesano, no do Noviciado São Carlos e outros colégios, no jardim da hidráulica antiga, aos cuidados do casal Zanrosso, e no jardim da hidráulica nova - denominada Celeste Gobbato e construída pela administração do prefeito Hermes Weber.
Dos viveiros do Horto Municipal saíram numerosas mudas de plantas ornamentais, floríferas, sobretudo roseiras, graciosamente doadas às sedes recreativas de clubes como as do Juventude e do Guarani, ambos em construção pelo engenheiro Flávio Bellini, que também foi diretor de obras da Prefeitura.
Houve um tempo em que decidi plantar roseiras em todos os 123 canteiros centrais da avenida Júlio de Castilhos. Valeu a iniciativa, mas esta durou apenas 2 ou 3 anos, vencida pelas formigas e pela rapinagem.
O lema era levar rosas para perto do ser humano e embelezar a cidade. A propósito, conseguimos com o apoio do prefeito Armando Biazus, uma redução de 10% a 15% no IPTU aos proprietários que construíssem e mantivessem jardins floridos em suas residências.
As rosas são fascinantes, cativam as pessoas, alegram os ambientes onde se encontram.
Nas solenidades importantes da municipalidade daqueles tempos nunca faltaram rosas como ornamento no centro das mesas diretivas e nas festas de formaturas as rosas do Horto Municipal sempre foram as preferidas. (Mais informações sobre o assunto na próxima edição).
Isenção vai elevar consumo de maçã
Maçã e pêra eram as únicas duas frutas que pagavam ICMS no país
A partir desta safra os pomicultores gaúchos terão uma economia média de R$ 8 milhões. A Secretaria da Fazenda confirmou a adesão do governo gaúcho ao projeto do Conselho de Secretários da Fazenda dos Estados (Confaz) e já isentou o produtor de maçãs do RS do pagamento de ICMS. Segundo a Associação Gaúcha de Pomicultores (Agapomi), o Estado cultiva cerca de 14 mil hectares. Colheu na última safra 409 mil toneladas da fruta.
O governador de Santa Catarina, Luiz Henrique, assinou dia 9 de outubro a isenção de ICMS sobre a maçã. No Estado vizinho, a fruta é responsável por um movimento econômico de R$ 400 milhões por ano (50% do total nacional). A atividade envolve 72 mil pessoas e a renúncia fiscal representa cerca de R$ 7 milhões.
O Confaz autorizou os Estados de MG, PR, RS e SC a conceder isenção do ICMS nas saídas internas e interestaduais de maçã e pêra, no dia 30 de setembro de 2005. Com a isenção desse imposto, a expectativa dos diversos agentes da cadeia é de continuar aumentando as vendas e gradativamente tornar os preços mais acessíveis ao consumidor.
Pêra - De acordo com o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Maçã (ABPM), Pierre Nicolas Pérès, a maçã e a pêra eram as únicas frutas tributadas no Brasil, resultado de uma legislação da década de 60, época em que não havia produção nacional da fruta. "Era um imposto para desestimular o consumo já que 100% destas frutas eram importadas", explica ao CR o diretor executivo da ABPM, Moisés Lopes Albuquerque.
Com a isenção, elimina-se uma barreira de custo e garante-se a competitividade do setor. A alíquota de 4,8% sobre a produção alcança toda a cadeia e corresponde a até 17% do valor do produto colocado no supermercado. "É uma carga insuportável para o produtor, que já trabalha com margens mínimas de 2% a 6% sobre o faturamento", conclui Pérès.
Pesquisa aprova maturação da castel gala
A pesquisa confirmou a capacidade de conservação da maçã castel gala, mutação genética espontânea da variedade gala, em Monte Castelo (SC). Havia suspeita de que, pelo fato de amadurecer quase um mês antes da gala, a castel pudesse ter menor capacidade de conservação.
Testes feitos pelo pesquisador Luiz Carlos Argenta, da Epagri de Caçador, mostraram que a castel gala é uma cultivar de maturação precoce. A preocupação da pesquisa é que a fruta mantenha as características de firmeza, suculência e sabor em temperatura ambiente por um período, no mínimo, de dez dias. A capacidade de conservação assemelha-se à observada na variedade imperial gala, a mais plantada em SC.
A castel gala preserva as mesmas características da gala, apenas requer menos frio e os frutos amadurecem mais cedo. Além disso, pode ser mais bem adaptada que a gala em climas de invernos amenos. A nova variedade vem produzindo frutos de maior calibre, ótima coloração e menos "russeting" - distúrbio que se acentua em climas mais quentes.
Estresse emocional causa síndrome do coração partido
Os sintomas são semelhantes aos do infarto e exigem internação hospitalar
Brigar com o namorado, divorciar-se, perder um ente querido, ser vítima de um assalto à mão armada ou de acidentes graves pode provocar na mulher sintomas tão semelhantes aos de um infarto que até o médico pode ser enganado. A afirmação é do cardiologista Augusto Bozza. Segundo ele, a chamada síndrome do coração partido só ocorre em mulheres com mais de 50 anos. "Não se sabe exatamente porque, mas os estudos feitos até agora indicam que o problema atinge praticamente apenas as mulheres, elas representam mais de 95% dos casos", afirma. "Nos homens e em mulheres com menos de 50 anos, os casos são muito raros", conclui o especialista.
Bozza esclarece que fortes emoções, em geral, interferem na saúde do coração. Podem provocar, por exemplo, taquicardia, alteração na pressão arterial. A síndrome do coração partido começou a ser estudada no Japão recentemente. O primeiro estudo brasileiro foi feito no Instituto Nacional Laranjeiras, no Rio de Janeiro. "A pesquisa comprovou que o estresse emocional causado por uma decepção amorosa ou outro motivo provoca falta de contração na ponta do coração, que perde parte de sua capacidade de bombear o sangue", explica o médico. A causa é a descarga excessiva de adrenalina no organismo, provocada pela má notícia.
O mais curioso é que os sintomas da síndrome são extremamente semelhantes aos do infarto do miocárdio, como dor no peito, falta de ar e freqüentemente queda de pressão arterial. "O próprio médico é enganado num primeiro momento", diz Bozza. De acordo com o cardiologista, o eletrocardiograma das primeiras horas também sugere um infarto. Somente o ecocardiograma ou a coronariografia mostram que as coronárias não estão afetadas.
É necessário tratar a paciente no momento da crise. A síndrome dura de 48 a 72 horas e nesse período podem ocorrer complicações graves. "O tratamento praticamente se limita ao suporte de vida numa UTI", esclarece o médico. "Quando os sintomas aparecerem, deve-se ir para o hospital, pois a síndrome pode causar arritmias, edema agudo do pulmão ou mesmo choque e, em casos raros, acaba levando à morte", declara ao CR. Com tratamento, em geral, a síndrome é passageira. Os sintomas duram dois ou três dias e a recuperação é completa, pois a causa da síndrome é excesso de adrenalina, sem comprometimento das coronárias.
Bozza conta que o caso exemplar que atendeu é o de uma mulher de 55 anos. Ao receber, às 16 horas, a notícia de que uma juíza tinha tomado uma decisão contra ela numa ação importante passou a sentir os sintomas. Às 18 horas, ela foi internada em um hospital com todos os sinais de um infarto do miocárdio, que na verdade jamais ocorreu. Atendida adequadamente, a paciente recuperou-se por completo.
Enquanto algumas mulheres que sofrem decepções amorosas têm sintomas semelhantes aos do infarto, aquelas que nunca discutem com seus parceiros têm quatro vezes mais chances de morrer de doenças cardíacas, segundo o Journal of the American Heart Association. Isso porque conter as emoções e ficar calada em uma situação de conflito faz muito mal à saúde.
Para chegar a essa conclusão, os cientistas da Universidade de Boston acompanharam 3,7 mil pessoas ao longo de uma década na cidade de Framingham, Massachusetts. O estudo também provou que uma união estável pode melhorar a saúde dos homens, já que os maridos estudados apresentaram apenas metade das chances de morrer de ataques cardíacos que os solteiros.
Chimarrão combate colesterol alto
Pesquisa da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) constatou que 24% dos gaúchos têm colesterol alto, enquanto no restante do país o índice fica em torno de 22%. Em contrapartida, o Rio Grande do Sul registra a maior longevidade do país. Essa questão, chamada pelos médicos de paradoxo gaúcho, esteve entre os principais assuntos discutidos durante do 60° Congresso da SBC realizado em Porto Alegre. Uma das explicações para o paradoxo seria o consumo de chimarrão.
Segundo o presidente do congresso, cardiologista Iran Castro, o grande consumo de chimarrão é aliado no combate ao colesterol. Ele afirmou que a bebida típica dos gaúchos tem poder antioxidante maior que o do chá verde, mundialmente conhecido por suas propriedades medicinais. Além disso, o médico apontou a alimentação com influência da imigração italiana, que utiliza bastante azeite de oliva e vegetais, como outra justificativa para a longevidade dos habitantes do Estado apesar das taxas elevadas de colesterol.
No Rio Grande do Sul, 52% das mortes têm origem em problemas cardiovasculares. Mesmo beneficiados pelo chimarrão e pelo azeite de oliva, Castro alerta que os gaúchos precisam diminuir a quantidade de gordura ingerida, em especial por meio da carne. Há também necessidade de reduzir o sal usado na alimentação e praticar mais exercícios físicos.
Fazer seis refeições diárias reduz o LDL
O maior número de refeições por dia pode contribuir para a redução do colesterol total e também do LDL, o colesterol ruim. Atualmente, costuma-se reservar pouco tempo para as refeições. Segundo especialistas, essa rotina, além de promover a hipertrofia do estômago e do intestino delgado, está diretamente ligada às altas taxas de colesterol que muitas pessoas vêm apresentando.
As pesquisadoras Maria Conceição de Oliveira e Rosely Sichieri, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, acompanharam 49 mulheres, na faixa etária entre 30 a 50 anos, com excesso de peso e colesterol elevado. Elas foram orientadas a introduzir na dieta, nos intervalos das principais refeições, frutas ou biscoitos de aveia. Depois de 14 semanas, as cientistas constataram que o aumento no número de refeições diárias foi responsável por uma redução no índice de colesterol total e no LDL. Os resultados aferidos independem da idade, peso ou se a ingestão foi de frutas ou biscoitos de aveia. De acordo com as autoras da pesquisa, o número de seis refeições diárias poderia ser uma medida de prevenção e controle do colesterol no sangue.
Depressão e infarto, combinação fatal
Estudos recentes revelam que o infarto, quando associado à depressão, durante ou após a hospitalização, aumenta de duas a três vezes o risco de morte ou de outras complicações.
Pesquisa avaliou mais de 800 pacientes submetidos à cirurgia de revascularização do miocárdio e constatou que a depressão moderada ou grave logo após a cirurgia, ou persistente nos seis meses seguintes, aumenta o risco de morte. Enquanto a prevalência de depressão na população em geral é de 4% a 7%, entre os portadores de coronariopatia a freqüência varia de 14% a 47%.
Deprimidos tendem a negligenciar o autocuidado, prestam menos atenção à dieta, têm menos motivação para praticar exercícios e a aderência ao tratamento é pequena.
Ambiente influencia a obesidade infantil
Pesquisadores das universidades britânicas de Glasgow e Bristol acompanharam os hábitos de 9.000 crianças nos últimos 14 anos. Concluíram que o ambiente no qual elas foram educadas teve tanta influência nos casos de obesidade infantil quanto a herança genética. O estudo identificou oito fatores que podem levar à obesidade a partir dos sete anos.
- Os bebês já podem nascer com tendência à obesidade se a mãe engorda muito na gestação.
- Peso e altura acima da média em bebês de oito a 18 meses indicam tendência à obesidade.
- O peso dos bebês ao completar um ano não deve ser superior a três vezes o que pesavam no nascimento.
- O crescimento no primeiro ano de vida não deve ultrapassar 25 centímetros.
- Bebês que dormem menos de dez horas por noite apresentam cansaço durante o dia e, conseqüentemente, fazem menos atividade física.
- Crianças com mais de três anos que permanecem diante da televisão mais de oito horas por semana têm tendência ao sedentarismo e à superalimentação.
- Aparecimento de gordura localizada antes dos quatro anos de idade.
- Filhos de pais obesos podem, além de herdar características genéticas, imitar seu comportamento.
A Carta da Terra: uma promessa
Leonardo Boff
Os princípios fundamentais da Carta da Terra são: respeitar e cuidar da comunidade de vida; integridade ecológica; justiça social e econômica; democracia, não-violência e paz
Nos dias 6 a 9 de novembro ocorrerá em Amsterdam um balanço dos cinco anos de aprovação da Carta da Terra. Esse documento nasceu como resposta às ameaças que pesam sobre o planeta como um todo e como forma de se pensar articuladamente os muitos problemas ecológico-sociais tendo como referência central a Terra. Em 1992, por ocasião da Cúpula da Terra no Rio de Janeiro, fora proposto tal documento que, por razões que não cabe aqui referir, não foi aceito. Em seu lugar adotou-se a Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Desta forma a Agenda 21, o documento mais importante da Eco-92, ficou privado de uma fundamentação e de uma visão integradora. Insatisfeitos, os organizadores, especialmente Maurice Strong da ONU e Mikhail Gorbachev, diretor da Cruz Verde Internacional, suscitaram a idéia de se criar um movimento mundial para formular uma Carta da Terra que nascesse de baixo para cima. Deveria recolher o que a humanidade deseja e quer para sua casa comum, a Terra. Depois de reuniões prévias e muitas discussões, criou-se em 1997 a Comissão da Carta da Terra, composta por 23 personalidades dos vários continentes (eu entrei pelo Brasil), para acompanhar uma consulta mundial e redigir o texto da Carta da Terra. Efetivamente, por dois anos, ocorreram reuniões que envolveram 46 países e mais de cem mil pessoas, desde favelas, comunidades indígenas, universidades e centros de pesquisa, até que no início de março de 2000, no espaço da Unesco em Paris, o texto final da Carta da Terra foi aprovado.
É um dos textos mais completos que se tem escrito ultimamente, digno de inaugurar o novo milênio. Recolhe o que de melhor o discurso ecológico produziu, os resultados mais seguros das ciências da vida e do universo, com forte densidade ética e espiritual. Tudo é estruturado em quatro princípios fundamentais, detalhados em 16 proposições de apoio. Estes são os quatro princípios: 1) respeitar e cuidar da comunidade de vida; 2) integridade ecológica; 3) justiça social e econômica; 4) democracia, não-violência e paz.
O sonho coletivo proposto não é o "desenvolvimento sustentável", fruto da visão intra-sistêmica da economia política dominante. Mas "um modo de vida sustentável", fruto do cuidado para com todo o ser, especialmente para com todas as formas de vida, e da responsabilidade coletiva face ao destino comum da Terra e da Humanidade. Este sonho bem-aventurado supõe entender "a humanidade como parte de um vasto universo em evolução" e a "Terra como nosso lar e vida"; implica também "viver o espírito de parentesco com toda a vida", "com reverência o mistério da existência, com gratidão, o dom da vida e com humildade, nosso lugar na natureza"; propõe uma ética do cuidado que utiliza racionalmente os bens escassos para não prejudicar o capital natural nem as gerações futuras; elas também têm direito a um planeta sustentável e com boa qualidade de vida.
As quatro grandes tendências da ecologia - ambiental, social, mental e integral - estão aí bem articuladas com grande força e beleza. Se for aprovada pela ONU, a Carta da Terra será agregada à Carta dos Direitos Humanos. Assim teremos uma visão holística da Terra e da Humanidade, formando um todo orgânico, sujeito de dignidade e direitos.
Frei Betto
Incendiada a alma pela presença do Amado, nada mais importa, nenhuma dor faz sofrer, nenhuma ciência faz saber, toda renúncia é ganho e até a morte é bem-vinda
Paixões cauterizam o coração. Queimam por dentro, qual fogo que não se apaga, chama que jamais se extingue. Duram sempre, não na mesma intensidade. Conhecem o ardor e também longos períodos de desolação. Refluem, escondem-se nas dobras da alma, camuflam-se em certos períodos com a máscara da indiferença. Basta, porém, um toque, um lampejo de memória rediviva, um encontro, para reacender aquilo que o poeta canta interrogativamente - o que será que será, que não tem governo nem nunca terá.
Há paixões miméticas, diferentes das que suscitam o desejo de posse. Centram-se em pessoas objetos de nossa admiração, às quais somos atraídos pela admiração e a vontade de imitar. É o jogador que se espelha em Pelé; o músico nos Beatles; o físico em Einstein; o ator em Marlon Brando.
A fé também se alimenta dessa modalidade de paixão. Funda-se em paradigmas pessoais. Moisés, Buda, Jesus, Maomé… Na política, Gandhi, Churchill, Che. São personalidades singulares, talentosas, portadoras de valores que nos incutem ideais e esperança no ser humano. Permanecem vivas em nosso apreço.
Entre minhas paixões miméticas destaca-se Teresa de Ávila, cuja festa a Igreja Católica celebra a 15 de outubro. Ela salvou, há 40 anos, minha vocação religiosa. A leitura de suas obras esvaziou-me o céu. Deus abandonou o trono altíssimo de minha religiosidade sociológica, fundada na meritocracia, e exilou-se no mais íntimo de mim mesmo. O temor fez-se amor. Abriu em mim uma ferida incicatrizável, essa que só a morte fecha, pois nela cessam todos os desejos. A plenitude supre todas as carências.
Teresa nasceu em Ávila, Espanha, em 28 de março de 1515. Filha de família abastada, ingressou na vida religiosa aos 21 anos. Em 1554, aos 39 anos, superou a mediocridade monástica, entregando-se à oração contemplativa. Feminista avant la lettre, incompreendida, difamada e perseguida por autoridades eclesiásticas, narrou sua experiência mística numa obra autobiográfica, O livro da vida, e ensinou a via da iluminação através de livros como Caminho da perfeição e Moradas do castelo interior. Transvivenciou aos 67 anos. Em 1970 foi proclamada Doutora da Igreja.
Teresa viveu na Espanha da conquista da América, época de Las Casas e Góngora, Cervantes e Lope de Vega. Monja carmelita, até 47 anos pouco escreveu. Movida por irrefreável paixão divina, a pedido de seus confessores, relatou em seis livros, uma coletânea de cartas e algumas poesias, o modo como se deixou possuir pelo Amado.
A adolescente que jogava xadrez e lia romances de cavalaria, quando adulta percorreu a Espanha fundando comunidades, nas quais centenas de moças mergulharam na aventura da busca de Deus. Encarada com suspeitas pela Inquisição, que requisitou suas obras, e pelo representante papal na Espanha, que a considerava "desobediente contumaz", Teresa jamais se considerou uma santa, pelo contrário. Ao descrever suas experiências místicas fazia questão de observar: "Como se há de entender isto, não o sei; justamente este não-entender é que me causa grande alegria".
Ela resgatou dos céus o Deus medieval e, em pleno Renascimento, alojou-o no coração humano. Além do discurso teológico, quem melhor nos revela a mística de Teresa não é um teólogo, mas um pintor que lhe foi contemporâneo, El Greco, cujas obras de flamejante colorido expressam o que ela sentia e ensinava, convicta de que todo ser humano é chamado a ser, nas palavras de seu amigo João da Cruz, uma chama viva de amor.
Teresa rompeu com a espiritualidade medieval verticalista, dolorista, penitencial, e arrancou dos céus o Criador que Michelangelo lá deixara ao pintar o teto da Capela Sistina. Sua espiritualidade é amorosa, libertadora, apaixonada:
Esta divina prisão
de amor na qual eu vivo
faz de Deus meu cativo
e livre meu coração;
e causa em mim tal paixão
ver a Deus meu prisioneiro
que morro por não morrer.
No Brasil, Teresa conta com muitos devotos, entre os quais o escritor Deonísio da Silva, que a ela dedicou uma peça de teatro. Entre nossos literatos quem mais se aproxima dela é Adélia Prado. Toda arte poética da mineira de Divinópolis é um suspiro místico de quem se sente arrebatada, transportada, iluminada, a ponto de deliciar-se ao vislumbrar a epifania divina no peixe descamado sobre a pia da cozinha.
Se na vida há algo melhor que a experiência mística não me carece conhecer. Todos os poderes e prazeres e fazeres, todas as febres e saudades, toda a azáfama e espera, tudo anseia por uma só coisa, embriagar-se da água viva que a samaritana encontrou junto ao poço de Jacó. Incendiada a alma pela presença do Amado, nada mais importa, nenhuma dor faz sofrer, nenhuma ciência faz saber, toda renúncia é ganho e até a morte é bem-vinda, véu que se rompe para que a noite possa unir Amado com amada no leito nupcial.
Depois, as palavras volatilizam-se. Resta o silêncio, o murmúrio ininteligível, a brisa suave que soprou sobre Elias. Pressente-se enfim, sem que a razão alcance, porque a vida é terna.
Feira do Livro abre com perspectiva de receber dois milhões de visitantes
Evento que tem como patrono frei Rovílio Costa espera vender mais de 500 mil obras em 19 dias
O tradicional sinetaço do "xerife" La Porta, na noite de sexta 28, simbolizou a abertura da 51ª Feira do Livro de Porto Alegre. O gesto tradicional sucedeu a cerimônia oficial que havia encerrado minutos antes, no Teatro Sancho Pança, no Armazém B do Cais do Porto, prestigiada por cerca de mil pessoas, entre elas o governador gaúcho Germano Rigotto.
"O livro tem muitos amigos e a Feira deste ano é realizada em comemoração a essa amizade", ressaltou Waldir da Silveira, presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro, promotora do evento. "Acreditamos que a leitura pode mudar o mundo", acrescentou. "O professor, pesquisador e amigo do livro ficam em segundo plano, porque as pessoas buscam em mim, por primeiro, o frade. Então vou usar a teologia para abordar a cultura", iniciou seu pronunciamento frei Rovílio Costa, o patrono da 51ª Feira. "A cultura se faz vida através da palavra. O mundo, a criação e a salvação são frutos da palavra criadora de Deus (faça-se) e da palavra salvadora de Cristo, o Verbo de Deus, feito natureza humana", prosseguiu. "A vida brota da palavra, que se materializa em amor ou ódio, guerra ou paz. E o livro é o relicário da palavra, conseqüentemente, do amor ou do ódio. O cristianismo faz suas análises e buscas por dois caminhos: pelo livro da palavra, ou livro da vida, a Bíblia; e pela sabedoria do povo, o boca a boca das comunidades, a tradição", destacou o capuchinho, colunista e colaborador permanente do Correio Riograndense. "Sou apenas mediador dos reais patronos, os três mil autores editados", fez questão de frisar.
Dimensão - A Feira do Livro de Porto Alegre, que prossegue até dia 15 de novembro, começou com grande público e, a julgar pelos números que a compõem, manterá o título de maior evento do gênero da América Latina. Em 19 dias, ocorrerão quase 700 sessões de autógrafos (uma delas é do diretor de Redação do CR, frei Aldo Colombo, que autografa Histórias de Vida, dia 11, às 16 horas). Ela reunirá 75 autores nacionais, 196 escritores gaúchos, 25 escritores internacionais, 118 artistas gaúchos, além de 173 participantes e especialistas locais e mais 58 grupos artísticos do Rio Grande do Sul.
Tudo na Feira do Livro de Porto Alegre deste ano assumiu dimensões impressionantes. Estão programadas 280 atividades artísticas, 186 mesas-redondas. Tudo isso ocorre em mais de 20 mil metros quadrados de área na Praça da Alfândega e no Cais do Porto - 7,9 mil cobertos por lona.
Nessa área estão distribuídos 149 expositores (108 da área geral, 23 da infantil e juvenil e 18 da internacional, além dos estandes do país homenageado, a Itália - o Estado é o Ceará). A expectativa é de que em 19 dias a Feira receba mais de 1,9 milhão de pessoas e de que sejam vendidos mais de 500 mil livros - no ano passado foram 498 mil.
Para atingir essa meta, a Feira oferece obras com descontos que variam de 10% a 20%. Coloca também à disposição promoções, especialmente de sebos, em que um livro pode ser adquirido por até R$ 3,00.
Evento de múltiplos palcos
A 51ª edição da Feira do Livro estende-se até o Cais do Porto, ocupando os armazéns A e anexo, o armazém B, o Pórtico Central e a faixa existente entre esses espaços e o rio Guaíba para instalar a área infantil e juvenil, que, pela primeira vez, vai abrir às 10 horas da manhã.
As demais atividades da Feira vão funcionar diariamente no horário tradicional, das 13h às 21h, na Praça da Alfândega e nos prédios do Memorial do Rio Grande do Sul, que abriga também a administração da Feira, Santander Cultural e Centro de Cultura CEEE Erico Verissimo. O Teatro Bruno Kiefer da Casa de Cultura Mario Quintana, o Auditório Dante Barone da Assembléia Legislativa do Estado e a Sala dos Espelhos do Clube do Comércio vão sediar alguns encontros.
Homenagens vão de Cervantes a Erico
A 51ª Feira do Livro ocorre num ano de datas significativas para a leitura local e mundial. E as principais delas estão sendo temas de seminários, debates, palestras e oficinas. Uma delas são os 400 anos em que o espanhol Miguel Cervantes publicou Dom Quixote de la Mancha, o livro que revolucionou a literatura ocidental, com seus dois personagens célebres Quixote e Sancho Pança. Em 2005 também completam-se 200 anos do escritor Hans Chistian Andersen, autor de obras infantis como Patinho Feio e Soldadinho de Chumbo.
A Feira do Livro de Porto Alegre homenageia ainda Jean-Paul Sartre, considerado o maior intelectual do existencialismo, que nasceu em 21 de junho de 1905. O centenário de Erico Veríssimo, que se tornou mundialmente conhecido por retratar com fidelidade a maneira de ser, pensar e sentir do brasileiro, inspira muitas das atividades culturais. Comemora-se neste ano um século da morte de Júlio Verne, francês visionário de grande parte das maravilhas tecnológicas que o mundo viria a conhecer tempos após seu falecimento. E a Feira homenageia também Edgar Vasques, um dos mais conceituados chargistas, cartunistas e caricaturistas do país, que criou há 35 anos o famoso personagem Rango. Para complementar as homenagens, comemora-se os 140 anos da primeira edição do livro Iracema, do romancista José de Alencar.
O livro entre a vida e a morte
Frei Rovílio Costa
Patrono da 51ª Feira do Livro de Porto Alegre
Com a TV, o rádio vai morrer. Foi crença de muitos. De fato, o rádio se firmou. Mas, o caso do livro é diferente. Livro limpo e bonito, só o intocado nos pacotes. Depois, em livrarias, nas compras e vendas, começa se perder sua beleza, ocupa espaços nobres nas casas, sempre com piores aspectos, porque sua decrepitude avança.
Livro de papel vai desaparecer, porque o livro virtual o está substituindo, com vantagens de menor espaço ocupado, e com possibilidade de ser artisticamente locado. Esta é a expectativa de muitos.
O livro é uma conquista humana. Como o homem, no conceito de Aristóteles, o livro também é corpo e alma. Como alma, como conceito, foi idealizado, imaginado e realizado antes do papel. O papel é uma forma de a alma do livro se comunicar. E a virtual não será outra forma?
Pierre Furter, em "Educação e desenvolvimento cultural", afirma que o homem do futuro não precisa ler, nem saber ler, basta saber ver. Os alfabetos serão como peças de aparelhos para decifrar escritos de todos os idiomas, sem precisar ler, porque serão traduzidos em imagens. De que livro se tratará? Será do livro de papel? Ou do atual ainda incômodo livro virtual?
Mas tudo não vai parar aí. A alma do livro continua à busca de formas corporais para se encarnar. E o livro transvirtual? Que livro será? Você não sabe? - Eu também não sei, mas gostaria de ver e saber.
Criar o hábito da leitura? Há maior falácia que esta? Hábito de ler qual livro? O de papel? O virtual? O futurível possível livro transvirtual? Se todos nascemos curiosos, e o livro ocasiona o desenvolvimento ordenado da curiosidade, será necessário criar o hábito ou dar condições de acesso pedagógico à leitura?
Não será o livro de papel o meio adequado para, segundo Piaget, desenvolver o sensorial e o criativo, ingredientes do racional? Não será o livro de papel, onde a criança da cidade vai conhecer e desenhar uma fruta, uma planta que ela julgava produzidos no mercado?
Obrigar uma criança a ler, pode ser obrigá-la a não ser curiosa. O que é que pode matar o leitor potencial - a curiosidade e a obrigatoriedade?
Eu gostaria que o livro de papel desaparecesse mesmo. Que todos meus livros de papel estivessem em CDS. Imagine! Minha casa ficaria limpa, ordenada e organizada, disse alguém. Não haveria papel, jornais, revistas amontoados em toda parte. E aquele pozinho que encaminha uma tosse que nunca mais termina?
Alguém outro lamenta: como está demorando a morte do livro de papel? Que oportunidade eu teria para tirar o pé do barro, vendendo minhas preciosidades, pois a mulher não liga, ao contrário, me xinga por causa de minhas tropelias bibliográficas, e eu já estou mal de vistas?!
Que diabo, às vezes me irrito porque meu computador emperra, meus dedos não acompanham o pensamento!
Irritação besta! Trabalhar tanto para pôr minhas idéias no papel!
E a feira do livro de papel está aí (!).
GRIPE PÕE MUNDO EM ALERTA
Uma das 146 versões do vírus influenza, causador da gripe, o H5N1, detectado pela primeira vez em humanos em 1997, já atingiu 16 países, matando 70 pessoas. A gripe aviária avança sobre o Ocidente e coloca o mundo em prontidão
Em maio de 1997, um menino de três anos foi internado, em Hong Kong, com os mesmos sintomas de uma gripe comum: febre, coriza, tosse, dores de cabeça e musculares. Apesar de medicado, seu quadro de saúde piorou. Seis dias depois, a criança morreu. Foi então que, pela primeira vez, a ciência detectou a presença do vírus H5N1 em humanos.
Desde então, o H5N1, causador da gripe aviária, continua contaminando frangos e atingiu 16 países. Segundo a Organização Mundial da Saúde, em oito anos o vírus matou 70 pessoas e milhões de aves. Ainda não foram definidas com clareza as formas de contaminação. Contudo, podem ocorrer pelo ar, pelo consumo de carne crua ou pelo contato de fluidos de animais infectados (ver quadro).
Ao que tudo indica, o H5N1 originou-se nas codornas, com a combinação de dois tipos de vírus influenza - um que veio do pato e outro do ganso. É do mesmo tipo causador da gripe espanhola. Das codornas, o H5N1 pulou para outras aves, como galinhas e frangos. Esses animais, por sua vez, contaminam os seres humanos.
Tanto a OMS quanto a Organização para a Agricultura e a Alimentação (FAO) estão preocupadas com a possibilidade de uma pandemia (epidemia generalizada). "Só falta uma condição, que o vírus se propague rapidamente de pessoa a pessoa", declarou o diretor-geral da OMS, Lee Jong-Wook. O responsável pelo combate à gripe aviária na ONU, David Nabarro, concorda com Lee. "As chances de o vírus sofrer uma mutação e passar para os humanos são muito altas", enfatiza Nabarro. "Um novo surto da doença pode matar até 150 milhões de pessoas", adverte.
O diretor da OMS já alertou aos governos de todos os países para que estejam preparados diante de uma eventual epidemia generalizada. "O mortal vírus da gripe do frango tem grande capacidade de mutação e poderia ser transmitido entre humanos", reforça Lee.
Colômbia - A preocupação cresceu por causa do novo surto identificado no sudeste da Ásia, que começa a se espalhar por outros países. Inicialmente confinado na Ásia, o vírus transpôs fronteiras e chegou à Europa. Casos da gripe das aves surgiram na Romênia, Macedônia, Croácia e na Grã-Bretanha. A Colômbia também enfrenta um surto de uma versão menos agressiva do vírus, o H9, que provoca a gripe aviária.
Diante do avanço da doença, a União Européia (UE) proibiu a importação de aves silvestres de outros países e aumentou o rigor nos controles sobre os animais introduzidos por particulares em território do bloco. Os 25 países-membros da UE aprovaram a proposta.
Doença foi constatada na Itália, em 1878
A gripe das aves, também chamada gripe do frango, peste dos pássaros e influenza aviária, foi identificada pela primeira vez em 1878, na Itália, como uma doença grave dos frangos. Este mal pode assumir formas leves, como problemas para pôr ovos ou penas eriçadas, ou altamente patogênicas, que mata as aves de criação em menos de 48 horas.
Desde 1959, quando uma primeira forma extremamente patológica da gripe das aves foi identificada na Escócia, devido também a um vírus H5N1, 20 focos de gripe das aves foram registrados no mundo, mas apenas sete tiveram uma propagação importante para vários criadouros e apenas um se espalhou para outros países, segundo a Embrapa Suínos e Aves.
Diferentes vírus gripais A de subtipo H5 ou H7 podem ser a causa, inclusive o H5N1, responsável pelos primeiros casos humanos fatais, em 1997, em Hong Kong (18 casos, seis deles mortais). "Historicamente, as infecções humanas por vírus gripais aviários são extremamente raras e a maior parte destes vírus só causou patogenias benignas no ser humano, manifestando-se com freqüência por uma conjuntivite viral, seguida de cura completa", acrescenta Liana Brentano, doutora em virulogia animal.
O vírus H5N1 ressurgiu em Hong Kong em fevereiro de 2003. Meses depois, chegou à Coréia, Vietnã, Tailândia e outros países do sudeste asiático, causando uma elevada mortandade entre aves de criação. "Nunca antes a gripe das aves altamente patogênica havia causado epidemias simultâneas em um número tão grande de países", destaca Liana. A cepa H5N1, muito patogênica para as aves, também pode ser transmitida pelos patos de criação que não apresentam sintomas da doença. Neste caso os produtores dificilmente poderiam se proteger de uma possível infecção.
Brasil, maior exportador de carnes, se protege
À medida que os focos da gripe aviária se espalham pelo mundo, o Brasil se protege. O governo adota providências para evitar que a doença chegue ao país. O Ministério da Agricultura, da Pecuária e do Abastecimento anunciou o aprimoramento da vigilância em aeroportos e portos. Aos produtores, o ministro Roberto Rodrigues comprometeu-se em implementar a regionalização da produção (leia abaixo).
As autoridades vão também monitorar os locais usados como paradas estratégicas por aves que viajam do Hemisfério Norte para o Hemisfério Sul. No Brasil, as aves que vêm do hemisfério Norte costumam pousar em Pernambuco, Maranhão e Rio Grande do Sul, antes de seguir viagem rumo ao pólo Sul.
O plano de prevenção e combate prevê ainda a produção de vacinas e compra de insumos para a fabricação de remédios. O ministério da Saúde possui 46 unidades em 20 dos 27 Estados e no Distrito Federal para ajudar no controle da doença, caso seja diagnosticada no país.
O Brasil tem motivos para se proteger. É o maior exportador mundial de carne de frango e deve contabilizar US$ 3,5 bilhões este ano -142 nações comem a carne nacional. A contaminação no país provocaria um extermínio de aves em massa, causando queda no preço e quebra de pequenas e médias agroindústrias. Para o presidente da Associação Gaúcha de Avicultores (Asgav), Aristides Vogt, o prejuízo de um diagnóstico positivo seria incalculável. "Para o RS, seria um desastre. Exportamos 70% de nossa produção, que neste ano chegará a um milhão de toneladas", diz.
A produção total de carne de frango prevista para este ano no páis é de 9,2 milhões de toneladas. Como ocorre tradicionalmente, dois terços da produção deverão abastecer o mercado nacional. O consumo per capita do brasileiro é de 34 quilos/ano, em média. Cada brasileiro come, ainda, 130 ovos por ano.
Sanidade - O presidente da União Brasileira de Avicultura (UBA), Zoé Silveira D’Ávila, disse que a preocupação em relação à gripe do frango é maior do que os riscos reais da doença chegar ao país. "As condições sanitárias da criação de aves no extremo oriente são muito diferentes das nossas", observa.
De acordo com o presidente da UBA, mais de 90% da criação brasileira é feita em granjas fechadas, onde dificilmente as aves têm contato com pássaros migratórios. Na Ásia, grande parte dos animais é criada sem controle sanitário, abatida nas ruas, sem nenhuma higiene.
Frango vivo vai circular só em estradas fiscalizadas
Até 15 de dezembro, o Ministério da Agricultura deve implementar o programa de regionalização. O objetivo é permitir o isolamento eficiente de cada Estado produtor em caso de eventuais surtos de gripe aviária. A iniciativa permite a continuidade das exportações por parte das regiões não atingidas pela doença.
O programa será implantado, primeiramente, no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Goiás e no Distrito Federal. O presidente da Asgav, Aristides Vogt, disse que a produção deverá ser desenvolvida isoladamente em cada Estado. "Cada Estado funcionaria como se fosse um país, não entra nada e não sai nada, só carne de frango", afirma.
Poderão ser comercializadas livremente apenas a carne de aves e a produção de ovos. A única exceção para a troca de animais vivos será para as matrizes genéticas (filhotes). Para isso, os filhotes terão que ser originários de uma granja certificada pelo Ministério da Agricultura, com atestado negativo para gripe aviária.
Os caminhões com as aves só poderão circular, segundo Vogt, em determinadas estradas, o chamado corredor sanitário, e terão que passar por postos de fiscalização na divisa dos Estados. Avicultores gaúchos podem ser afetados com a proibição da cama de aviária.
Itália estuda galinha resistente ao vírus
A galinha de Polverara, uma espécie específica da região de Pádua, possui características genéticas peculiares que poderiam torná-la resistente à gripe aviária. A ave vem sendo estudada pelos técnicos do Instituto Zôo-profilático do Vêneto - centro de referência na Europa de estudos para o vírus da gripe do frango -, pois permaneceu imune à doença de tipo normal, que atingiu a região de Pádua e Verona em 2003.
Sua população não supera 2.000 aves, todas concentradas em cinco granjas espalhadas em um raio de seis quilômetros em torno da cidade homônima na região de Pádua. "A especial rusticidade e robustez desta galinha deriva do fato de que durante séculos ela ter sido criada em estado selvagem e não ter sofrido seleções genéticas particulares", explica um criador da região, Paolo Boscolo.
Autoridades do setor agrícola italiano estão repassando aos criadores de granjas das regiões de Vêneto e Pádua as normas de segurança a serem cumpridas diante de casos de gripe aviária. Procedimentos idênticos aos adotados durante a epidemia nas granjas no ano de 2003.
Pasteur desenvolve vacina contra H7N1
Especialistas em gripe do Reino Unido, da Itália e da Noruega, junto com pesquisadores do Instituto francês Pasteur, desenvolveram a "primeira vacina que pode servir para humanos" contra o vírus H7N1 (subtipo do influenza que também causa gripe aviária), informou a Comissão Européia (CE, órgão executivo da União Européia).
Os testes clínicos com a vacina, chamada RD-3, devem começar no primeiro semestre de 2006. Todas as pesquisas têm se concentrado no vírus H5N1, altamente patogênico.
O relatório do projeto Flupan (pesquisa financiada pela CE) alerta que o H7N1 também pode transmitir a gripe aviária de animais a humanos.
Epidemias - As vacinas existentes, desenvolvidas para proteger os humanos durante epidemias sazonais, não seriam eficazes contra um vírus influenza completamente novo.
Instituto Butantã vai fabricar vacinas
O Instituto Butantã recebeu uma amostra do vírus H5N1, que permitirá fabricar a vacina contra a gripe aviária asiática. "A vacina começará a ser produzida em maio", disse o diretor Isaías Raw.
A meta é fabricar 20 mil doses até 2006, destinadas a pessoas que tenham contato com as aves, profissionais da saúde e familiares do infectado.
Isaís Raw previu para o final de janeiro próximo o resultado dos testes de confirmação da eficácia da vacina em animais e voluntários.
Mais informações
3 Ministério da Saúde
www.saude.gov.br
gripe@saude.gov.br
3 Secretaria de Vigilância em Saúde
www.saude.gov.br/svs
3 Ministério da Agricultura
www.agricultura.gov.br
3 Agência de Vigilância Sanitária
www.anvisa.gov.br
3 Organização Mundial de Saúde:
www.who.int
3 Organização Mundial de Saúde Animal
www.oie.int
3 Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação
www.fao.org
Sínodo indica rumo para os católicos
Bispos trataram sobre Eucaristia como fonte e cume da vida da Igreja
De 2 a 23 de outubro, 252 padres sinodais, representando os cinco continentes, participaram, em Roma, do 11º Sínodo dos Bispos. A convocação da assembléia foi feita ainda por João Paulo II, que escolheu a Eucaristia como tema. Adotando uma decisão extraordinária, não prevista na metodologia sinodal, o Papa Bento XVI decidiu publicar as 50 proposições apresentadas pela assembléia.
O documento, com 17 páginas, traduzido em cinco idiomas, apresenta as 50 propostas elaboradas pelo Sínodo. Elas vão servir de base para que Bento XVI redija a exortação apostólica pós-sinodal sobre a Eucaristia na qual, como ele anunciou ao rezar o Ângelus na última semana da assembléia, será traçado "o rosto da comunidade católica", que encontra na Eucaristia sua força e unidade.
Nas proposições, todas ligadas de algum modo à Eucaristia, os bispos lamentam, por exemplo, a indiferença religiosa do Ocidente e fazem um chamado aos responsáveis das nações para que se preocupem com a dignidade das pessoas, defendam a vida desde sua concepção e promovam o progresso humano e social. No documento estão os "sofrimentos do mundo, como a fome, a pobreza e a injustiças, os desastres naturais, as guerras e as situações difíceis na África e no Oriente Médio", disse dom Giorgio Constantini, um dos porta-vozes do Sínodo.
A proposição 7 exorta para que os bispos e sacerdotes esforcem-se para recuperar e intensificar a celebração do sacramento da Reconciliação. A proposição 11 trata sobre a questão da escassez de sacerdotes, destaca a necessidade de promover as vocações, mas descarta a possibilidade da ordenação sacerdotal de "homens já casados de provada virtude". As proposições 35 e 41 tratam da recepção da comunhão e pedem para que os responsáveis pela celebração litúrgica orientem fraternalmente os não batizados, o católicos que não cumpram os requisitos para comungar dignamente e os não-católicos que a "não admissão à santa comunhão não significa uma falta de estima em sua confrontação". Portanto, ficam excluídos da comunhão.
A proposição 36 sugere que nas celebrações eucarísticas em encontros internacionais seja utilizado o latim para exprimir a unidade e universalidade da Igreja. A proposição 40 reconhece a difícil situação dos divorciados novamente casados, pede que haja atenção e acolhimento desses fiéis, mas reafirma a impossibilidade do acesso à comunhão. A proposição 46 exige "a coerência eucarística aos políticos e legisladores católicos" e recorda a "grave responsabilidade social quando apresentam e apóiam leis iníquas".
O Sínodo foi instituído por Paulo VI em 1965. É considerada uma assembléia de bispos que representa o episcopado de todo o mundo e tem como tarefa ajudar o Papa no governo da Igreja.
Sem igrejas, cubanos criam casas de oração
Dom Alfredo Victor Petit Vergel, bispo auxiliar de San Cristóbal de La Habana, participou do Sínodo dos Bispos, em outubro. Durante sua apresentação de como a Igreja local vive sua relação com a Eucaristia, dom Alfredo destacou que, diante da quase impossibilidade de construir novas igrejas na Ilha, os católicos criaram as "casas de oração" ou "casas de missão".
Situados em bairros periféricos e nos povoados, esses locais acolhem semanalmente ou quando possível, pequenos grupos de fiéis, nunca mais do que 40, sob a direção de um leigo comprometido, uma religiosa ou um diácono. Nessas casas o sacerdote celebra a missa, confessa, batiza, orienta os fiéis. Em Cuba, há uma escassez muito grande de padres. Existe um sacerdote para cada 2.479 batizados e 37.100 habitantes.
Padre Zezinho
Excesso de fé não deixa de ser uma forma de ateísmo
Tenho falhas e pecados que ainda não venci, e tenho pedido ao Senhor que me liberte desses limites. Mas há um pedido que tenho feito com muita insistência: que Deus me liberte da falta e do excesso de fé.
Da falta, porque acabarei pisando com medo em solo onde deveria pisar seguro. Do excesso, porque acabarei no fanatismo e na presunção de que terei todas as luzes e todas as respostas que pedir a Deus.
Já vi muitos religiosos fazer e dizer o que Deus jamais teria dito ou feito. Excesso de fé não deixa de ser uma forma de ateísmo, porque o pregador acaba falando, fazendo e dizendo que Deus mandou, quando na verdade o sonho foi só dele. Deus não quis aquela obra (Jr 14,14). Muitos fazem e depois proclamam que Deus ficaria feliz se os fiéis pagassem a conta.
Existe uma confiança temerária. É a daquele que faz dívidas, achando que Deus acabará arranjando o dinheiro. Muitíssimas obras não deram certo! Deus não arranjou o dinheiro!
Província gaúcha acolhe novos frades
Dois freis realizam profissão perpétua e um será ordenado sacerdote
Três jovens frades da Província dos Capuchinhos do Rio Grande do Sul estão assumindo compromissos decisivos em sua caminhada religiosa. Frei Mauro Alves da Rosa e frei Edson Gilberto Cecchin ingressam em definitivo na Ordem capuchinha através da profissão perpétua, e frei Alexandre Piva assume o ministério sacerdotal.
Frei Mauro da Rosa, filho de Licindo Nogueira da Rosa e Jovenil Alves da Rosa, nasceu no dia 17 de outubro de 1966 em Ibirubá (RS). Realizou a profissão religiosa temporária junto com frei Edson Cecchin no dia 25 de janeiro de 2002. Emitiu os votos perpétuos no dia 16 de outubro de 2005 durante cerimônia realizada às 10 horas na matriz Imaculada Conceição, em Cruz Alta (RS). Frei Mauro cursa Teologia na Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana (Estef), em Porto Alegre e desempenha serviços fraternos e pastorais na Fraternidade São José Operário, em Canoas.
Frei Edson Cecchin é natural de Tupinambá, Lagoa Vermelha (RS). Filho de Nacir e Maria Leonor Martins Cecchin, nasceu aos 12 de setembro de 1972. Emite os votos definitivos no dia 11 de dezembro de 2005, às 10 horas, na comunidade Nossa Senhora de Fátima (Lagoa Vermelha), paróquia de São Sebastião, André da Rocha. Atualmente, Edson é vice-mestre dos postulantes da Casa Bom Pastor, em Caxias do Sul, e estuda Filosofia na Universidade de Caxias do Sul. Em 2006 vai cursar Teologia na Estef.
Frei Alexandre Piva será ordenado sacerdote no dia 27 de novembro de 2005, na matriz da paróquia São José, em Ibiraiaras (RS), sua terra natal. A cerimônia será realizada às 10 horas e dom Orlando Dotti será o bispo ordenante. Alexandre escolheu como lema de sua ordenação presbiteral "O Espírito do Senhor me enviou a proclamar a Boa Nova aos pobres" (Is 61,1). Filho de Arlindo e Lorena Livi Piva, Alexandre nasceu aos 26 de julho de 1974. Está concluindo o curso de Teologia na Estef e realiza serviços fraternos e pastorais na comunidade São José Operário, em Canoas.
CNBB prolonga Ano da Eucaristia no país
Numa correspondência enviada na quarta 26 a todos os bispos e dioceses do Brasil, o presidente da CNBB, cardeal Geraldo Majella Agnelo, informa sobre o prolongamento do Ano da Eucaristia no Brasil. Dom Geraldo explica que o Papa Bento XVI acolheu o pedido da 43ª Assembléia Geral da CNBB de estender o Ano da Eucaristia até o dia 21 de maio de 2006, data de encerramento do XV Congresso Eucarístico Nacional, que será celebrado em Florianópolis (SC).
O Papa também estendeu a possibilidade de obter a indulgência plenária até 21 de maio de 2006 para quem satisfizer as condições previstas: confissão sacramental, comunhão eucarística, oração na intenção do Papa e disposição para evitar todo pecado.
Novo bispo de Toledo toma posse no dia 24
Centenas de fiéis participaram da ordenação episcopal de monsenhor Francisco Carlos Bach, realizada no dia 27 de outubro na catedral Sant’Ana, em Ponta Grossa (PR). Bach é o primeiro sacerdote natural de Ponta Grossa a ser ordenado bispo. Ele foi nomeado por Bento XVI bispo da diocese de Toledo (PR), em substituição a dom Anuar Battisti. A posse, em Toledo, está marcada para o dia 24 de novembro, na catedral Cristo Rei.
Scalabriniana celebra 50 anos de religiosa
Irmã Maria Dezen (Teodolinda), da Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo-Scalabrinianas, completou 50 anos de vida religiosa. O jubileu foi comemorado com uma missa de ação de graças, presidida por seu irmão, frei Gregório Dezen, e concelebrada por padre Francisco Gervásio Dezen, seu primo, no dia 9 de outubro, na capela São João do bairro Forqueta, Caxias do Sul.
Filha de José e Emília Dezen, irmã Maria nasceu aos 10 de maio de 1927, em Nova Pádua (RS). Ingressou com as scalabrinianas em 1952 e três anos após professou na congregação, em Bento Gonçalves. Dedicou grande parte de sua vida religiosa à saúde, trabalhando em hospitais de Bento, Porto Alegre e Paraí. Em Porto Alegre atuou no centro cirúrgico do Hospital Cristo Redentor de 1970 a 1989, cuidando de 20 salas cirúrgicas e auxiliando nas cirurgias; no Hospital Pronto Socorro e no Mãe de Deus. Também atuou na Pastoral da Saúde.
Desde 1974 é ministra da Eucaristia. Nos últimos anos está no Instituto São Carlos, em Caxias do Sul. Dom Paulo Moretto, primo de irmã Maria Dezen, participou do almoço de confraternização realizado no salão de festas da comunidade de São João, que reuniu os sete irmãos da religiosa - entre os quais irmã Raquel, também religiosa scalabriniana -, parentes, amigos, a provincial da congregação, irmã Alda Malvessi, e outras religiosas scalabrinianas.
Aldo Colombo
Vivemos a civilização do consumo e, de alguma maneira, o mercado é o templo dessa religião
Vivemos hoje a civilização do consumo. Isto significa que o mercado é uma das nossas referências principais. Não nos contentamos com o mercado e por isso surgiu o supermercado e até o hipermercado. De alguma maneira, o mercado é o "templo" da religião do consumo. Diante desta perspectiva, as pesquisas tentam saber cada vez mais sobre os consumidores. E estabelecem os diferentes perfis.
Os instintivos - São os que compram por necessidade ou para agradar alguém. Bem informados e autônomos, precisam ver e tocar no produto. São poupadores e desistem se tiverem de esperar. Se não forem bem atendidos, eles vão lembrar na próxima vez.
Os emocionais - São os compradores que decidem suas compras principalmente baseados em sentimentos fortes e repentinos. São consumidores sensíveis a fatores estéticos e ao padrão de relacionamento estabelecido com o vendedor. A loja deve ser bonita e o vendedor não deve ter muita pressa.
Os compulsivos - São os que compram tudo, o que precisam e o que não precisam. Suas reações são mecânicas. Há o compulsivo que compra um tipo de produto, há o que compra qualquer coisa, mesmo que não precise dela. O vendedor deve ser suficientemente esperto para envolvê-lo com ofertas, que ele não saberá deixar de lado.
Os racionais - Compram por convicção no campo das idéias e do prazer consciente. Saem de casa com idéias definidas. Eles levam em conta tudo: a marca, o preço, as condições de pagamento. O vendedor deve fornecer material explicativo e ter muita paciência e ter intimidade com a tecnologia.
Há outras categorias, mas estas não são levadas em conta pelo mercado. De um modo geral são conhecidas como excluídos. Desempregados ou subempregados são os pagãos da religião do consumo. Ficam de fora, olham as vitrines. De vez em quando entram na loja, olham as tentações oferecidas, mas que estão fora de suas possibilidades. Quando muito enfrentam os estabelecimentos onde tudo se vende por 1,99 ou os que vendem roupas usadas.
O evangelho estabelece outra categoria de comprador. É aquele que, encontrando uma pedra de grande valor, vende tudo o que possui e compra a pérola. É o que vende seus bens, sua casa, seu carro, saca a poupança e compra seu tesouro. E com isso fica feliz.
Este é o mais inteligente de todos os compradores. O produto comprado se chama ideal e dá direito ao Reino dos Céus. Sua atitude é um convite para examinar que tipo de mercadoria somos e que tipo de mercadoria estamos adquirindo.
Sorriso constrói santuário mariano
Templo será primeiro do mundo dedicado a Nossa Sra. do Sorriso
A cidade de Sorriso (MT) é considerada celeiro agrícola do país. Emancipado no dia 13 de maio de 1986, o município, com cerca de 50 mil habitantes, concentra a maior produção de grãos do Brasil. Em 2004, respondeu por 1,87% de toda a safra nacional. É líder nacional na produção de soja e o terceiro maior produtor de milho.
Colonizada por migrantes do Sul do país, a região herdou dos gaúchos, catarinenses e paranaenses o espírito empreendedor, o amor ao trabalho e, também, a religiosidade. O nome, segundo relata Maria Salete Somensi no livro "Sorriso é de Nossa Senhora, uma cidade no plano de Deus", é uma homenagem a Curitiba, também conhecida como a "cidade sorriso".
Além de constituir-se em potência agrícola, Sorriso também quer imprimir uma marca de religiosidade na região. No dia 7 de maio de 2005 foi lançada a pedra fundamental do Santuário de Nossa Senhora do Sorriso, o primeiro do mundo dedicado a essa devoção mariana. A iniciativa é resultado de uma série de coincidências e do empenho de Maria Somensi, devota de Nossa Senhora do Sorriso e de Santa Teresinha do Menino Jesus.
Em 2002, ainda residente em Guarapuava (PR), Maria Salete enviou documentos para a cidade de Sorriso revelando que existia uma Nossa Senhora com o título "do Sorriso". Em contato com o pároco, padre Valdir Koch, ambos constataram algumas impressionantes coincidências - Nossa Senhora do Sorriso era celebrada no mesmo dia da emancipação de Sorriso (13/5); as cores da imagem dessa Virgem são as mesmas da bandeira do município (azul e branco); e na igreja matriz São Pedro Apóstolo há uma capela anexa dedicada a Santa Teresinha do Menino Jesus desde 1990.
Nossa Senhora do Sorriso revelou-se há 122 anos, na França, a uma menina que andava triste, doente e desanimada - Teresinha de Lisieux. Segundo relatos da futura santa, Nossa Senhora apareceu-lhe no dia 13 de maio de 1883, a olhou com carinho e com um sorriso a curou. Surgia assim a devoção a Nossa Senhora do Sorriso.
Maria Somensi mudou-se com a família de Guarapuava para Sorriso e, com o apoio do pároco, de frei Patrício Sciadini, e de devotos passou a difundir a devoção no município. Em 2004 foi colocada uma imagem de Nossa Senhora do Sorriso às margens da BR 163, entronizada pelo bispo diocesano dom Gentil Delazari. No local, que já é centro de peregrinações e romarias, está sendo construído o santuário.
Diocese de Caxias do Sul reúne mais de 1.400 zeladoras
Um dos serviços pastorais mais expressivos das paróquias é a visita domiciliar das capelinhas. Surgidas para difundir a devoção mariana e dedicadas ao Imaculado Coração de Maria, as capelinhas valorizam a união das famílias, incentivam a oração e prestam um importante auxílio na formação de sacerdotes e religiosos através dos donativos feitos pelas famílias que as acolhem.
Na diocese de Caxias do Sul são cerca de sete mil capelinhas domiciliares. Há 20 anos é realizado no seminário diocesano Nossa Senhora Aparecida, em Caxias do Sul, um encontro que visa agradecer o trabalho e a dedicação das zeladoras das capelinhas e o apoio prestado na formação dos seminaristas. Realizado no dia 12 de outubro, neste ano o encontro reuniu, no ginásio de esportes do seminário, cerca de 1.500 pessoas entre zeladoras, sacerdotes, seminaristas e animadores vocacionais.
Dom Paulo Moretto presidiu a celebração eucarística. Brincadeiras, oração do terço, apresentação dos seminaristas das diversas etapas formativas, visita ao Seminário São José, que abriga os filósofos da diocese e foi inaugurado no dia 31 de outubro, e bênção do envio completaram a programação do dia. A preocupação com a formação dos futuros padres e o apoio às zeladoras das capelinhas sempre foram marcantes na diocese de Caxias do Sul.
Wilson João
Vivemos uma sociedade de engano. Ninguém mais acredita em ninguém. Todos treinam para enganar seu próximo
Não sou pessimista. Tenho a convicção de que o bem, o amor, as ações generosas ultrapassam em muito o lado negativo da vida. Porém, há momentos em que somos atingidos de todos os lados por fatos que nos decepcionam e que nos deixam cegos perante o bem que está ao nosso redor. Li o profeta Miquéias. A Bíblia é o livro espetacular que retrata momentos da história da humanidade, momentos de grandeza e momentos de crise e desânimo. Lendo Miquéias, senti que o momento histórico que ele descreve é muito parecido com aquele que estamos vivendo. Assim ele escreve e denuncia: "Pobre de mim! Estou mal! Não vejo nenhuma pessoa fiel nesse país. Não sobrou nenhuma pessoa justa e correta. Todas as pessoas estão se traindo. Essas pessoas estão com mãos habilidosas para praticar o mal. O rei exige, o juiz se deixa comprar, o grande mostra sua ambição. E assim distorcem tudo. Não se acredita no amigo. Não se confia no companheiro. O filho insulta o pai. A filha se revolta contra a mãe. O inimigo está dentro da própria casa". Mas, no final alimenta a esperança dizendo: "Mas eu me volto para o Senhor, e meu Deus me ouvirá".
Vivesse em nossa história atual Miquéias falaria: "Vivemos uma sociedade de engano. Ninguém mais acredita em ninguém. Todos estão se treinando para enganar seu próximo". A escola se chama "corrupção". As lições são dadas na rua, nos meios de comunicação, nas igrejas, nas escolas, nas empresas, no lazer. Todos se sentem ameaçados por assaltos invisíveis e armados traiçoeiramente.
OS PAIS têm que cuidar-se de seus filhos, pois para serem fiéis à sua turminha são capazes de mentir e de prejudicar os próprios pais.
OS POLÍTICOS estudam detalhadamente como prejudicar seus companheiros, até de partido, e de como se defenderem de seus ataques.
OS FAMILIARES, vivendo na mesma casa, cuidam-se para não serem traídos pelos que vivem ao lado, e muito mais se cuidam dos parentes.
OS VIZINHOS ficam de espreita para ver o que está acontecendo ali ao redor para ver como podem enganar alguém e dele tirar proveito.
OS ALUNOS planejam pormenorizadamente como enganar seus professores, fazendo de seu estudo uma mentira social, que os torna incapazes de qualquer profissão que lhe é oferecida.
AS RELAÇÕES humanas se tornam de desconfiança e de medo. Medo de ser traído e enganado, pois a sociedade se tornou profissional em enganação.
OTIMISMO FAZ BEM. É muito bom ser otimista, mas ao mesmo tempo ser realista. O momento agora desperta em nós um Miquéias que denuncia, mas que também vislumbra raios de luz, manhãs de primavera, brisas soprando mansas. E com as palavras do profeta podemos dizer: "Eu confio no Senhor!
CULTURA DA IMIGRAÇÃO
O italiano que está em você
Remy Valduga
Agricultor e escritor, Bento Gonçalves-RS
Remy Valduga, agricultor em Bento Gonçalves, nos dá a receita e a trajetória de sua livre e espontânea italianidade:
"Desde meus doze anos venho me dedicando às atividades agrícolas, mais especificamente no ramo da viticultura. Aos sete anos, ingressei na Escola de Ensino Fundamental Rui Barbosa da minha comunidade, e aos 11 anos concluí o curso primário. Em 1959, ingressei no Exército para prestar serviço militar. Em 1965, casei com Adi Terezinha Frare, com a qual tive os filhos Rogério Carlos e Roberto. Dediquei dez anos ao cultivo de hortifrutigranjeiros. Em 1976, aos 36 anos, voltei a estudar, concluindo o 2º ano do Ensino Médio.
Sempre estive ligado a atividades comunitárias. Por mais de 20 anos, fui catequista, integrei a equipe de liturgia da minha comunidade e da Paróquia Cristo Rei de Bento Gonçalves. Atualmente, continuo me dedicando à atividade Vitícola e à produção de leite na propriedade onde resido. Há 15 anos, aos domingos de manhã, das 5 às 10 horas, apresento um programa em Talian numa rádio de Bento Gonçalves, promovendo a italianidade através da língua e da cultura. Sou integrante também do Conselho Fiscal da Cooperativa Vinícola Aurora.
Sem saber os caminhos do escritor, mas acossado pela vontade, comecei libertar minha cabeça de tantas idéias que vinha surgindo, e fui colocando-as no papel. Experiências, vivências familiares, comunitárias, de suporte italiano, me levaram a escrever meu primeiro romance. Estimulado pela aceitação dessa minha primeira obra, passei a escrever outros. Asssim que hoje tenho publicado os romances: O caçador de caramujos, 1985, hoje em 4ª edição; A história de Catarina, 1986 e Sonho de um imigrante, 2005. Na área de contos, publiquei: Piereto, um fenômeno, 1989 e Os brincos de dona Irene, 1994.
Desde criança, no convívio familiar, não me pensava outra coisa senão italiano. E ainda hoje acredito que, no concerto das demais etnias, meus traços e gostos italianos são inconfundíveis.
Durante minha infância e juventude, mantive um relacionamento quase que exclusivo com descendentes de italianos. Com o aumento da população do meu município, Bento Gonçalves, e tendo um maior convívio social através do rádio e da literatura, passei a me envolver com pessoas de outras etnias e culturas - alemães, polacos, suíços, afro-brasileiros... Esta aproximação fez com que a língua e a linguagem também se unificassem, e sempre me senti percebido por eles como amigo e companheiro, tanto na convivência social como profissional, sempre me sentindo bem acolhido em minha italianidade.
Hoje, como descendente de italianos, me sinto orgulhoso e preocupado. Orgulhoso por pertencer a um povo que, mesmo diante do desafio mais impiedoso, jamais se deu por vencido e, com fé, trabalho e perseverança, conseguiu imortalizar uma epopéia. Preocupado, porém, com o futuro de nossa herança de tão ricos valores, com a missão de darmos continuidade ao ideal do verdadeiro progresso, alicerçado nas sagradas instituições - Igreja e Família. Nessa herança é que se fundamentou e se manteve nossa verdadeira identidade" (e-mail valduga@infoservbg.com.br).
Remy bem poderia, ao lado da família e da igreja, dizer, com o diploma da experiência e do sucesso, que sua realização pessoal e familiar se deve à sua continuada dedicação ao trabalho bem feito e perfeito. Contando com a vontade de trabalhar, a certeza de vencer foi construindo sua história de agricultor, vitivinicultor, com muitos sonhos e idéias que o fizeram também festejado escritor. (Rovílio Costa)
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (333)
Pomi dali i assa Nanetto pròpio mal ciapà
Luiz Bavaresco
Nova Prata (RS)
L’era el mese aprile, pena vanti el inverno. Le piante daromai le gavea e foie maure e mede rosse e le scomissiava a cascar zo. In colònia el mìlio tuto seco, con le panoce voltae in zo, i artisui bei verdi e boni de torli su insieme coi pissacan, par darghe ai porchi. La cana dolse, bona de ciuciar e anca de masenarla par far el sùcaro mascavo che l’era gran bon. Drio el punaro, su par na pianta de un perer, tuto ligà su pai rami, un bel pié de chuchu, pien de fruti. I nèspoli i cambiava de rossi par rossoscuro che l’era el punto de magnarli. El tempo sfredava e i giorni zera drio vegnar curti. El fogon a legna el fumegava tuto el giorno e anca un bel toco dela note col forneto sempre pien de patate dolse e qualche volta de mandolini.
Na matina, Nanetto el ciapa la so s-ciopa e la munission e l’è ndato cassar tel mato, ndove l’è mai ndato, sempre drio un rieto par non pèrderse. El caminava te la ponta dei pié par no far bacan e par vedar se’l catava qualcossa par copar. Quela matina zera vegnesto la brina e, dopo un bel sol, ze vegnesto fora un giorno bon par far quei afari in medo el bosco. In poche ore, el ga impienio la borseta de osei e anca na bèstia pìcola che no’l cognossea, ma che dopo el ga savesto che l’era na cotia. Daromai l’era là per le ùndese ore e pena de sora del baranco el ga visto na fontana co na bela aqua. El se ga sbassà, el se ga lavà la fàcia e le man e dopo se ga sbassà depì ancora, e el ga bevesto na spansada de aqua bona e freda. L’era li che’l tegnea pal cano la s-ciopa, in pié in meso le gambe, sentà zo el varda de na banda, el vede due o tre bei pumi in tera, dali e rugnosi. El ciapa su uno, lo snasa. El gavea un bon odor. Càveghe la scorsa e el vede che l’era bianco par rento con semense grande e negre. Meti in boca e l’è stà maraveià de buni che i era. Pena davanti ghe zera la pianta dei pumi dali, zera le quarésime, noantri ghe ciamemo raticum. Lora el va su, el sgorla la pianta fin vegnar zo na mùcia de pomi. Come el gavea fame, el se mete a magnarli un drio l’altro, con semense e tuto. El ga magnà darente un trenta pumi, fin che’l ga fato la pansa granda. Come la borseta l’era piena de osei, e la pansa piena de pomi, el ciapa su la s-ciopa e el scomìssia el ritorno a lo so caseta, sempre drio el rieto par non pèrderse. Riva casa, neta i osei e anca la cotia, i lava, ghe mete un pochetin de sale e li assa tel seciaro che l’era el pos-to pi fredo dela casa, querti con un panesel bianco. Resto del giorno el ga fato legna, pasturio le bèstie, tolto su i ovi dei nidi dele galine in torno el paiaro, etc... A la note, no’l ga senà parché el se sentia medo impanturà dei pomi dali. El ga pregà un pochetin e l’è ndà dormire. A la matina, par sorte, riva a la so caseta Matia, quel bresilian dele brespe che’l gavea due lavaroni rossi e el bate te la porta par ciamar Nanetto. Ma Nanetto l’era drio sentirse male, e con un sforso grando el ze ndà tea porta e el ghe dise a Matia:
- Va zo, ciama Àndolo e la Gelina, che credo che vao morir de un s-cioco.
La pansa la parea na bote, granda e dura, ma no la gavea i serci e, lora, la podea s-ciocar. Matia va zo tea casa de Àndolo, el rilata quel che’l ga visto, e Àndolo el ciapa el caval, e el va fin al paese tor el dotore. Co’l dotore riva, el vede quel cristian con quela pansa, pròpio mal ciapà. El ghe ga sbassà le mundande de riscado, el ghe palpa la pansa, e el ghe domanda a Nanetto cossa che’l gavea magnà. Dopo lo manda butarse zo co la pansa par tera, el varda e el ghe dise a Nanetto che el buso soto l’era stropà, e che là no vegnea fora pi gnente, che se no’l assasse el dotore verdar el buso, el vegnea a morir sofegà par soto. Nanetto el ga domandà in nome de Dio che lo salvesse. El dotore el và rento, el ciapa la scoa pal mànego, el ghe dise a Nanetto: Ciàpete ben con le man tei pié dea tola, verdi le gambe e stropa i oci. Matia, Àndolo e la Gelina i ga fato lo stesso. El dotore in te na única stocada, el ghe impianta el mànego dea scoa tel buso de Nanetto, che’l ga molà un urlo de leon, e ze vegnesto fora tuto come na bruta s-ciopetada coi balini e tuto che i ga assà i ociai del dotore tuti sporchi e tuto quel che l’era davanti del buso de Nanetto l’è stà destruto dala s-ciopetada che’l ga molà. La pansa se ga sbassà suito, e Nanetto el disea:
- Dio mio, che alivio! Che bon sensa pansa! No magno pi i pomi dali!
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
Vorrei strozzare questo talian che c´e in me
Ovídio Hillebrand
Professor, Nova Petrópolis - RS
Frei Rovílio, adoro ler o "L´Italiano che c´è in te". Me faz pensar e escrever comentando. Eis o que escrevi:
Negare la propria origine è stato un sentimento che immigrati avevano e discendenti hanno avuto. Ciò si può leggere nelle croniche di giornali e riviste quando scrivono sulla loro origine. Fino alla Seconda Guerra mondiale, le famiglie parlavano la lingua portata dalla vecchia patria. Ma, quando il Brasile era in guerra, si esigeva che tutti parlassero soltanto il portoghese. Finita la guerra, l´abitudine di parlare la lingua materna ritornava. I tedeschi tornarono a parlare l’ Hunsrück, e gli italiani il Talian.
Però, quando si erano andati in scuola dovevano parlare il portoghese, idioma che aveva bisogno d´essere prima imparato...Solo gli anziani erano già in grado di capirlo e parlarlo. Anche quelli che andavano nei Seminari, agli internati, al servizio militare, affrontarono situazioni imbarazzanti. La loro pronuncia dinunciava la loro origine. Per i brasiliani (anche loro discendenti di europei), questaltri erano stranieri, invasori, coloni, grossolani, ignoranti...Quante sofferenze, umiliazioni ai nuovi arrivati! Gli era tanto difficile pronunziare i suoni tipici del Portoghese, l’ ão, la "x". La doppia erre pronunciavano soave e la semplice, forte, come " Na tera de Cassia, o cidadon come muita grassa de porco. - Tera de arreia." E i tedeschi scambiavano le lettere forte colle debole: "Está dudo brondo?" "Dodos chundos uma vez"!
Sì. Lei stà ridendo adesso...È davvero scherzoso. Ma quante sofferenze! I giovani, molte volte troppo timidi, soffrivano in silenzio. A casa anche i genitori avevano una preoccupazione: I figli dovrebbero parlare bene il Portoghese! Il sentimento d’inferiorità diventava tanto forte che qualcuno scrisse: "Vorrei strozzare questo talian che c´è in me!" Il suo cognome era Santin. Aveva pensato di cambiarlo in Santos. Bastava solo cambiare due lettere...Io non ho sofferto discriminazioni, ma mi sembrava meglio essere brasiliano...Nelle lettere ai miei fratelli scrivevo Hildebrando in vece di Hillebrand...
Inoltre, quante virtù si nascondevano dietro queste faccie rudi a causa del lavoro pesante sino dalla loro infanzia! Si sentivano colpiti! Fortunatamente gli insegnanti erano della stessa origine. Conoscevano bene la situazione e appogiavano i conazionali. Facevamo esercizi di pronuncia nelle lezioni di portoghese: "O rato roeu a roupa do Rei da Rússia; a Rainha de raiva roeu o resto". Ma oggi quelli umili ragazzi hanno vinto, colla conoscenza e col lavoro. Hanno costruito parte del progresso e della civiltà brasiliana.
Serafina debate inauguração italiana
Serafina Correa sedia seminário nacional sobre o Talian
Inserido nas comemorações dos 130 Anos da Imigração Italiana no Rio Grande do Sul, o município de Serafina Correa sedia nos próximos dias 18 e 19 de novembro diversas atividades relacionadas à cultura dos imigrantes. A programação inicia no dia 18, às 14 horas, com o Seminário Nacional do Talian - Presente e Futuro, no auditório da Câmara de Vereadores. Haverá palestra com o historiador Rovílio Costa e Helena Confortin, debate e construção de propostas.
No sábado, 19, as atividades iniciam às 9 horas, no Cine Teatro Carlos Gomes. Neste dia, serão apresentados três painéis. O primeiro aborda as conclusões do Seminário Nacional do Talian, com Rovílio Costa, e também o Talian como patrimônio histórico e cultural do Brasil, com o deputado federal Francisco Turra. O segundo painel fala sobre o Talian no Intercâmbio Institucional. Às 13 horas, pausa para o almoço com apresentações do Grupo Avanti in Drio, de Carlos Barbosa, e Valmor Marasca, de Gribaldi.
Às 14h20, painel sobre Missão Técnico-Cultural de Radiodifusão-Itália, com Fernando Rachele, de Bento Gonçalves, e Rádio em Talian - Maniera de Farlo, com Ermílio Zanatta, de Cascavel (PR). Às 16 horas, Assembléia Geral dos Meios de Comunicação do Talian no Brasil, com a presidente Miriam Massolini Silva. O encerramento das atividades está previsto para as 18 horas.
Troféu homenageia incentivo à cultura
Em 18 de novembro, também será realizada em Serafina Correa a Festa da Confraternização Italiana, a partir das 20h30, no Clube Social e Cultural Gaúcho. Haverá jantar típico italiano seguido de baile e apresentações dos grupos Speransa e Amici della Cantoria, de Serafina Correa e Coro Oltrepiave de Vigo de Cadore, Itália.
"Durante a confraternização, diversas pessoas e instituições serão homenageadas com certificado e troféu "Mérito Talian, em razão de suas relevantes contribuições em favor da identidade étnico-cultural Italiana e Taliana", revela Paulo Massolini, membro da Federação das Associações Ítalo-Brasileiras do Rio Grande do Sul. Entre os agraciados estão o Jornal Correio Riograndense e seu diretor de redação, frei Aldo Colombo. Também recebem o troféu o Programa Anita Garibaldi, de Passo Fundo; o grupo teatral Miseri Coloni, de Caxias do Sul; o escritor Darcy Loss Luzzatto, de Garopaba (SC); e o historiador Rovílio Costa, de Porto Alegre.
Festa do Vinho Novo elege soberanas
A comunidade do bairro Forqueta, Caxias do Sul, reúne-se para eleger as soberanas da 4ª Festa do Vinho Novo. A escolha da rainha e das duas princesas será realizada na noite de 12 de novembro no Clube União Forquetense. O evento inicia com a apresentação das concorrentes, a partir das 20h30, e após haverá festa com Sonorização Transamérica. Este ano, sete candidatas disputam o título.
As candidatas a soberanas da festa são Alanna Slomp, Cristina Mauri, Francine Friz-zo, Juliana Biasibetti, Marlene Dalla Rosa, Patrícia Portolan e Vanessa Perini Biasibetti. Elas representam entidades de Forqueta e comunidades do interior.
Nesta edição, o público terá mais tempo para prestigiar a Festa do Vinho Novo. Em vez de dois finais de semana, como nas edições anteriores, o evento será realizado nos três primeiros finais de semana de julho do próximo ano, nos dias 1° e 2; 7, 8 e 9; 14, 15 e 16.
SC ganha parques florestais para preservar a araucária
Áreas abrangem cidades de Passos Maia, Ponte Serrada e Abelardo Luz
Santa Catarina ganhou dois novos parques florestais. O presidente Lula assinou a criação do Parque Nacional das Araucárias (12.841 hectares) e a Estação Ecológica da Mata Preta (6.563 hectares), em parte dos municípios de Abelardo Luz, Ponte Serrada e Passos Maia.
A área original proposta pelo Ministério do Meio Ambiente para as unidades de conservação era de 15.035 hectares e de 7.958 hectares, respectivamente. Os novos limites foram acordados entre governos, setores produtivos, ambientalistas e sociedade civil durante as audiências públicas.
As unidades de conservação protegerão matas, campos nativos, nascentes, rios e córregos que abastecem populações urbanas e rurais, além de auxiliar na recuperação da araucária, árvore ameaçada de extinção. Outras árvores, como canela-sassafrás, canjerana, canela-preta, imbuia e xaxim, e animais como gralha-azul, lobo-guará, anta, papagaio-do-peito-roxo e onça pintada são encontrados nessas florestas.
Para a ministra Marina Silva, a criação das reservas representa a preservação do pinheiro brasileiro, que auxiliará em muito na proteção dos remanescentes da espécie. "Salvar a araucária é emergencial", destacou. A floresta ombrófila mista, nome técnico das matas com araucárias, faz parte da Mata Atlântica, bioma mais ameaçado do país, e ocupava cerca de 200 mil km2 nas regiões Sul e Sudeste.