LEITORES 

 DESCOBRINDO CAMINHOS

 

Desde 1909, onde o conteúdo faz a diferença.

Edição 4.962 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 9 de novembro de 2005.

EDITORIAL

Gripe do frango é novo alerta para o mundo sem fronteiras

Especialistas tentam tranqüilizar, mas admitem preocupação e recomendam cuidados

 

Desde que os meios de comunicação transformaram o mundo em uma aldeia, a informação instantânea passou a fazer parte do cardápio de necessidades da maioria das pessoas. Apesar das interferências culturais, é inegável o avanço proporcionado. O mesmo planeta ficou mais próximo com a globalização da economia. Embora ainda questionado, o grande balcão de negócios criado permite adequações e, de certa forma, não foge muito à realidade anterior, em que as superpotências exerciam domínio sobre as nações mais pobres.

O encurtamento de distâncias, porém, se dá através de uma estrada de duas vias. O destino de uma mercadoria para suprir deficiências produtivas de determinada região passou a ser também o destino de cargas inconvenientes e nem todos postos receptores estão munidos de mecanismos de precaução para evitar o indesejável - muitas vezes o perigoso.

Esse risco fica mais evidente quando surgem casos como o da gripe do frango. O vírus que foi detectado na Ásia rompeu fronteiras continentais, chegou à Europa e pode avançar por caminhos cujo ponto de chegada ninguém pode estabelecer com certeza.

As autoridades sanitárias brasileiras, e também de organismos internacionais, mantêm o discurso do bom senso, emitindo sinais claros que buscam transmitir tranqüilidade. Mas não escondem sua preocupação com a ameaça real que está no ar.

O resultado do descuido - o mesmo verificado no ressurgimento da aftosa no Brasil -, ou da impossibilidade que muitos países apresentam de montar sistemas confiáveis de controle sanitário, está afetando a economia e, mais importante, ronda a saúde das pessoas.

Os especialistas, no momento, concluem que é difícil o vírus atingir o ser humano e se propagar, repetindo trágicas pandemias. Mas muitos deles recomendam cuidados que, sabe-se de antemão, também dificilmente poderão ser adotados no prazo indicado. Como, por exemplo, eliminar subitamente a tradição de criar aves a céu aberto no Sul do Brasil para se proteger um mal que emergiu a mais de dez mil quilômetros? Espera-se que o vírus e seus malefícios sejam controlados o mais rápido possível. E que esse episódio seja encarado com seriedade como uma advertência, para que o mundo não se torne refém de sua aproximação.

 

CAXIAS DO SUL

Homenageados com o Gigia Bandera

Distinção do Simecs será entregue no dia 25 de novembro

 

O Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul (Simecs) entrega no dia 25 de novembro o Mérito Metalúrgico Gigia Bandera 2005. Os agraciados deste ano são Antonio Patrício Zini, Miguel Zanandréa e Hercílio Randon (in memoriam). A solenidade de outorga ocorre no Intercity Hotel, a partir das 20 horas. Na ocasião, também serão celebrados os 48 anos de fundação do Simecs e haverá o lançamento do Balanço Social e do Guia de Produtos.

Perfis - Natural de Farroupilha, Antonio Patrício Zini, 50 anos, é casado com Ivanete Maria de Bona Zini, e tem três filhos: Aline, Anderson e Antonio Augusto. Depois de atuar em três empresas em 6 de agosto de 1984 fundou em sociedade a Máquinas Sazi Ltda, onde exerce até hoje a função de diretor. A Sazi, com mais de 200 funcionários, fabrica mais de 40 modelos de máquinas para a área calçadista.

Natural de Tangará (SC), Hercílio Randon nasceu em 11 de agosto de 1925. Mudou-se para Caxias do Sul aos 15 anos. Casou-se com Anita Randon, com quem teve o filho Adriano. Em 1947, montou uma oficina e, em 1949, associou-se ao irmão Raul, hoje presidente das Empresas Randon, fundando a Mecânica Randon Ltda., origem da Randon S.A. Implementos e Participações. Faleceu em 28 de abril de 1989.

Miguel João Zanandréa nasceu em 1º de março de 1918, em Flores da Cunha. Casou-se com Emma Andreazza Zanandréa (in memoriam), com quem teve os filhos Edmundo, Valmor, Sandra Regina e Juliana. Em 1936 saiu do seminário em São Leopoldo e fixou residência em Caxias. Foi caminhoneiro e em 1954 estruturou com os cunhados Francisco Stedile e Ari Osório Azevedo a Fras-le (hoje pertencente à Randon), que em 1965 adquiriu a Agrisa, hoje Agrale.

 

A pioneira

 

Luigia Carolina Zanrosso Eberle, a Gigia Bandera, foi a pioneira da indústria metalúrgica de Caxias do Sul e região. Natural de Monte Magré, Vicenza, Itália, Gigia Bandera nasceu em 2 de junho de 1854. Em 1878 casou-se com Giuseppe Giacomo Eberle, com quem teve 10 filhos. Em 1884 chegou ao Brasil, instalando-se com a família em Caxias do Sul. Em 1886, o marido Giuseppe, então agricultor, comprou uma funilaria, mas decidiu dedicar-se somente às atividades agrícolas. Gigia Bandera assumiu a pequena indústria - atendia ao balcão, trabalhava na oficina como funileira e cuidava dos filhos.

 

UCS distingue ex-reitor Vasata e vice

 

A Universidade de Caxias do Sul homenageou na sexta 4 o ex-reitor Abrelino Vicente Vasata com a Medalha Dom Benedito Zorzi - Mérito Educação e o ex-vice-reitor Azir Nehme Simão com o título de "Professor Emérito". A distinção aos professores pelos serviços prestados à Universidade foi aprovada por unanimidade pelo Conselho Universitário.

Vasata foi reitor da UCS no período de 1974 a 1987. Entre suas muitas realizações, destacam-se a implantação da estrutura administrativa e o planejamento do campus da universidade - a base administrativa e física atual da instituição. Simão, que na cerimônia estava representado pelo filho Magnus Carlotto Neme, foi fundador do curso de Economia, professor e vice-reitor da UCS de 1974 a 1982.

 

Exposição retrata arquitetura histórica

 

A exposição "Olhares sobre a memória de Caxias do Sul" será aberta no dia 16, às 20 horas, na Sala de Exposições Temporárias do Museu Municipal. Os trabalhos foram elaborados durante encontro de artistas e estudantes de arte, em três prédios históricos da cidade: Estação Ferroviária, Moinho da Estação e Vinícola São Vítor.

As construções foram retratadas em desenhos, com várias técnicas (grafite, carvão, lápis de cor, nanquim...). "O objetivo é alertar a população sobre a importância da arquitetura histórica da cidade e criar uma consciência de preservação", afirma um dos organizadores, frei Celso Bordignon.

A exposição fica aberta à visitação de 17 a 30 de novembro - terças a domingos, 9 às 17 horas. Após, vai para o Moinho da Estação e na Festa da Uva 2006, para a Estação Ferroviária. A realização é da Associação dos Amigos da Memória e Patrimônio Cultural em parceria com o Museu Municipal.

 

REPORTAGEM

CAPELA CELEBRA 125 ANOS

Comunidade de São Vigílio da 2ª Légua preserva mais antiga capela de Caxias do Sul, inaugurada em 1880

 

A comunidade de São Vigílio da 2ª Légua, interior de Caxias do Sul, comemora no dia 20 de novembro de 2005 os 125 anos de construção da igreja. A capela pertence à paróquia de Forqueta. A data será celebrada com uma grande festa, precedida de tríduo animado pelas capelas vizinhas - Loreto, São Valentim, Santo Antônio e São Cristóvão, dia 16, e São Martinho, São João e Menino Deus, dia 17 - e pela própria comunidade no dia 18. Os freis capuchinhos Ildefonso Marchesini e Renê Onzi, naturais de São Vigílio, fazem as pregações no tríduo.

No domingo 20 constam da programação a recepção às autoridades e convidados pela banda Santa Cecília de Nova Pádua, às 9 horas; missa festiva às 10 horas, seguida de descerramento de placa comemorativa e, ao meio-dia, almoço de confraternização. Entre os convidados estão o governador Germano Rigotto, caxiense; o ministro Miguel Rossetto, o bispo diocesano dom Paulo Moretto, o prefeito José Ivo Sartori e outras autoridades.

"Orações, sentimentos, saudades, histórias, guardadas ao longo do tempo, perpetuando silenciosamente o trabalho de mãos cheias de fé e esperança" é o lema escolhido pela comunidade para marcar o evento.

Fé e história é o que não faltam à mais antiga capela caxiense. A primeira família a se estabelecer em São Vigílio foi a de Francisco Bampi, com seu filhos João Batista, Francisco e Maximino.

Depois vieram as famílias Onzi, Lazzaretti, Capeletti, Perini, Bertotti, Perottoni, Polesso, Boniatti, Longo, Berna, Vitti, Fiamoncini, Mezzomo, Ferrari, Deconz, Paniz, Marchesini e Fruet. Dos pioneiros, ainda residem descendentes das famílias Bampi, Onzi, Laz-zaretti, Perini, Bertotti, Perottoni, Longo, Marchesini, Paniz e Polesso.

Como a maioria das famílias procedia da região do Tirol - à exceção de algumas de Pádua e Vicenza, como os Marchesini e os Polesso -, cuja capital Trento tinha sido dirigida pelo bispo São Vigílio, a escolha do padroeiro não podia ser outra. Na bagagem dos pioneiros também estava um quadro do santo, preservado até hoje. Em dezembro de 1880, com uma missa celebrada pelo padre jesuíta Fintano Baerlocher, foi solenemente inaugurada a capela, dedicada a São Vigílio. O quadro a óleo permaneceu no interior da igreja até 1930, quando foi substituído pela imagem atual do padroeiro.

Mais tarde foi construído, entre a igreja e o cemitério, um campanário de madeira, substituído por outro que depois deu seu lugar à atual torre de pedra e tijolo, erguida em 1962 e encimada por uma estátua de São Miguel. O campanário abriga um sino de 270 quilos.

Celeiro - Inicialmente, as famílias de São Vigílio eram atendidas por jesuítas alemães de São José do Hortêncio e Bom Princípio. Padre Fintano foi um desses sacerdotes. Falava fluentemente o dialeto vêneto e foi ele que estimulou a construção da capela. Mais tarde, a região foi atendida pela paróquia de Nova Milano, depois Conceição da Linha Feijó e, atualmente, por Forqueta. A comunidade foi sempre um celeiro de vocações sacerdotais e religiosas, tendo inclusive um bispo, o capuchinho dom frei Cândido Maria Bampi.

Atualmente São Vigílio conta com 33 famílias residentes e 83 famílias de associados que moram na cidade, todos descendentes dos pioneiros. A atividade econômica gira em torno da produção de uvas e vinhos e da fruticultura.

 

Luiz Bampi guarda uma antiga tradição

 

Uma das características das capelas do interior é a de serem pólo de atração dos moradores nos finais de semana, seja para as celebrações da missa ou do terço, ou para a diversão, o bate-papo, os jogos, as festas. Antigamente, na ausência do sacerdote, era comum que um morador fizesse de padre, cuidasse da igreja, "puxasse" o terço e realizasse outros serviços.

Em São Vigílio, a família Bampi preserva essa atividade - hoje com suas devidas mudanças - como uma herança dos pioneiros. Ao ser inaugurada a capela, em 1880, Maximino Bampi era o sacristão e recebeu a chave da igreja. A atividade passou para o filho Francisco e continua com o neto Luiz, 81 anos, o mais antigo morador da comunidade. ‘Luigi’, casado com Norma, 9 filhos, cuida da igreja, como fizeram seus antepassados. "Toco o sino, puxo o terço, recolho as esmolas e o dízimo, ajudo na limpeza. Sinto-me realizado fazendo esse trabalho", diz com satisfação. "Espero que meus filhos continuem", revela.

Bampi salienta que uma das decisões mais importantes da comunidade foi preservar esse belo patrimônio. "É preciso cuidar dela, conservá-la porque, mesmo não sendo a igreja mais bonita do mundo, ela é símbolo da fé dos nossos antepassados que a construíram com tanto suor e sacrifício".

 

União da comunidade garante a preservação

 

Em 1996, numa ação conjunta da comunidade e do poder público municipal, a igreja de São Vigílio foi totalmente restaurada, preservando todos os seus traços originais. Nas paredes perto do altar as pedras assentadas há 125 anos permanecem visíveis, transmitindo às sucessivas gerações a luta, o trabalho, os sacrifícios e a intensa fé de um povo.

Coordenadora do processo de restauração da capela, Tânia Tonet salienta que "a mais antiga capela restaurada de Caxias do Sul é um exemplo para o patrimônio histórico e cultural do município". Tânia destaca o esforço e a união da comunidade de São Virgílio em preservar esse monumento de fé.

 

AGRONEGÓCIO

Morte de videiras espalha preocupação entre produtores

Técnicos não sabem origem. Intoxicações de plantas agravam quadro

 

Os primeiros sinais foram emitidos em 1999. Em 2002, técnicos da Embrapa constataram a existência da doença "escurecimento da casca" em 50% das amostras coletadas em 16 municípios da Serra gaúcha. Agora, as reclamações de produtores não param. "São muitos os casos informados ao sindicato", revela Raimundo Bampi, presidente do STR de Caxias do Sul. "Mas a origem ainda é desconhecida", acrescenta.

O quadro de preocupação está ligado, provavelmente, a mais de uma causa. Um dos diferenciais de constatações anteriores é que estão sendo atacadas principalmente as variedades comuns (as americanas, ou vitis labrusca), como bordô, isabel e niágara. "As parreiras vão perdendo vigor, amarelam, as folhas caem e a planta definha", descreve Bampi, baseado em relatos dos viticultores.

"As plantas afetadas pelo ‘escurecimento da casca’ são estressadas ou debilitadas por uma série de fatores como fungos, vírus, pragas e adubações incorretas", avalia o pesquisador da Embrapa Uva e Vinho e doutor em fitopatologia Lucas da Ressurreição Garrido. Ele constatou esses sintomas em vários vinhedos da região, mas diz que a origem da doença ainda é desconhecida. Também não há levantamento para medir a dimensão dos prejuízos provocados.

A esse problema de sanidade que está tirando o sono dos agricultores se associam outros. Um deles é o pé-preto, causado pelo fungo Cylindrocarpon destructan. A doença é caracterizada pelo apodrecimento do colo da planta e do sistema radicular, seguindo-se o murchamento da parte aérea e, conseqüentemente, a morte da videira. No interior de Caxias, o pé-preto já destruiu parcialmente vários vinhedos, em especial os com vinhas novas.

A pérola-da-terra (margarodes) é outra praga que continua fazendo estragos. O porta-enxerto 4343, desenvolvido pela Epagri, apontado como solução para o fim da margarodes, não correspondeu às expectativas. "A melhor solução é deixar pequenas plantas entre as videiras, com o objetivo de oferecer alimento à praga", explica Lucas Garrido.

Em muitos casos, no entanto, boa parcela de culpa por perdas está no próprio produtor. A utilização de fórmulas desequilibradas de agroquímicos é uma das causas da mortandade de videiras, principalmente das americanas. "Intoxicações nas videiras são comuns, principalmente por erros nas dosagens", adverte o engenheiro agrônomo e assessor do Ibravin Antonio Santin. "A intoxicação das plantas ocorre quando o viticultor aplica o produto desrespeitando as orientações do fabricante", analisa o pesquisador da Embrapa Uva e Vinho.

Viroses - A pesquisa constatou ainda a incidência de viroses em 26,1% das amostras. A algumas delas, além de causarem a diminuição gradativa do vigor da parreira, podem ocasionar a morte da planta. Somados a estes problemas fitossanitários verificou-se teores excessivos de cobre nos solos, ocasionados pelo acúmulo de sulfato de cobre, impedindo as raízes de absorveram alimento e água.

O fitopatologista da Embrapa alertou para o perigo de produtos que são comercializados livremente no interior. "Até agroquímicos sem registro para a cultura circulam na área rural", emenda Santin. "Cuidado com os produtos milagrosos e que prometem muito", avisa Garrido. "Os vendedores estão mais preocupados com o "próprio bolso", conclui.

 

Análise de solo e mudas sadias são essenciais

 

Intoxicação parece ser o mal que atingiu um parreiral de 1,4 hectare da variedade bordô de propriedade de Luiz Tomazzoni, 63, em Terceira Légua, interior caxiense. O problema começou a ser desenhado em setembro passado, com o amarelecimento e queda das folhas e, mais recentemente, de cachos. "Nunca vi coisa igual", diz a filha Janice, 37.

Tomazzoni lembra de ter usado um "produto estragado". "De lá para cá, as plantas não desenvolveram e até os brotos desapareceram", relata. "No caso da propriedade de Luiz Tomazzoni, ao que tudo indica, houve intoxicação das videiras", declara o engenheiro agrônomo da Secretaria Municipal da Agricultura, Gilmar Onsi.

Para evitar transtornos, o pesquisador da Embrapa Lucas Garrido dá algumas dicas aos produtores. A primeira delas é fazer a análise de solo. "Não precisa ser anual", observa. Orienta também para o uso de outras formulações, além das à base de sulfato de cobre. "Os viticultores utilizam, em média, 30 quilos de cobre por hectare. Outras fórmulas indicam apenas 3/kg/ha", calcula.

Na opinião do fitopatologista, o produtor deve manter a videira bem alimentada, sem excesso de adubos, para não causar desequilíbrio da planta, o que permite a entrada de doenças. Outra dica: "Preferir estacas enraizadas e porta-enxertos resistentes e sadios."

O agricultor deve ainda proteger os ferimentos das plantas. Depois da poda, por exemplo, aplicar um fungicida, ação que impede a entrada de fungos. Para finalizar, a videira precisa de atenção o ano todo e não apenas nos períodos de inverno, maturação e colheita das uvas.

 

Brasil planta menos e deve colher mais

Conab indica aumento de 60% na produção gaúcha na safra 2006

 

O Brasil vai plantar menos na safra 2005/2006. De acordo com o Levantamento de Intenção de Plantio, da Conab, haverá queda da área plantada e aumento da produção. Na última safra foram cultivados 48,8 milhões de hectares. Nesta, serão em torno de 47 milhões/ha. "Nos últimos oito anos sempre tivemos agregação de área plantada. Esta será a primeira safra, depois desse período, que vamos reduzir área cultivada", diz o chefe do Departamento Econômico da CNA, Getúlio Pernambuco.

A produção nacional de grãos deve ficar entre 121,1 e 124,9 milhões de toneladas. A safra poderá registrar crescimento de 8 a 11,3 milhões de toneladas em relação à anterior, que foi de 113,5 milhões de toneladas, aumento que varia de 7% a 10%. Segundo a Conab, a previsão do bom desempenho deve-se ao aumento da área plantada com milho e à recuperação da produtividade da soja (foto).

Na última colheita, milho e soja foram prejudicados pela estiagem, especialmente na região Sul. No ano agrícola passado, o Brasil amargou queda de safra de 20 milhões de toneladas, com prejuízos que somaram R$ 16 bilhões na renda dos produtores. Contudo, se o incremento da produção for avaliado em relação ao resultado histórico das últimas cinco safras, pode-se considerar que o prejuízo das cinco principais culturas (algodão, arroz, milho, soja e trigo) é de R$ 4,12 bilhões. "Esse é o valor que deixa de girar na economia devido à crise agrícola", calcula Getúlio Pernambuco.

Já o Rio Grande do Sul deve colher 20,6 milhões de toneladas de grãos na próxima safra, um reforço de 7,7 milhões de toneladas em relação ao ano passado. A estimativa da Conab aponta incremento de quase 60% em relação à safra de 2004/2005. "Ao que tudo indica, retornaremos aos patamares normais do Estado", avalia o técnico da Conab, Ernesto Irgang.

No milho, a pesquisa confirma a tendência de aumento de 15% na área, que poderá chegar a 1,42 milhão de hectares no Estado, aumento de 185,6 mil hectares. Para a soja, a projeção é de um recuo de 5% em área, num total de 3,9 milhões de hectares. O gaúcho deve produzir ainda 6,1 milhões de toneladas de arroz; 1,5 milhão/t de trigo e 99 mil toneladas de feijão.

 

Áreas com aftosa recebem R$ 33 milhões

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou medida provisória (MP) 265 em que abre crédito extraordinário de R$ 33 milhões para as indenizações dos produtores das áreas atingidas pela febre aftosa e ações de combate à doença.

De acordo com informações do Ministério da Agricultura, R$ 20 milhões serão usados no pagamento de indenização aos produtores do Mato Grosso do Sul que sacrificaram o rebanho por causa da febre aftosa. Outros R$ 6 milhões vão para as indenizações de produtores de leite. Os restantes R$ 6 milhões vão para custeio e investimento, sendo que a metade (R$ 3 milhões) será aplicada em programas de erradicação da doença em áreas de fronteira, segundo o ministério.

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

Rosas em Caxias do Sul

Lembro com saudades do Horto Municipal, de onde saiam mudas para embelezar as praças e jardins de nossa cidade. O senhor poderia citar as variedades de rosas que se adaptavam à nossa região?

LEDA T. SCARTON

Caxias do Sul - RS

 

Nos distritos tratamos de renovar as praças e levar roseiras, a começar pela praça de São Marcos, então 2º distrito de Caxias do Sul, cujo sub-prefeito era o sr. Manoel Ramos de Castilhos, que se tornou, posteriormente, o primeiro prefeito do município emancipado. Em Galópolis renovamos a praça defronte à igreja matriz com escolhidas coleções de roseiras e a colaboração dos sub-prefeitos Augusto Adamati, Anselmo Moschen, e líderes do distrito. Em Ana Rech, as rosas não poderiam destoar da vila turística; foram cultivadas em abundância, nos bons tempos dos sub-prefeitos Reni Girardi e Enio Todero, Armando Cardoso, Pe. José Lorenzini e lideranças locais. Da mesma forma, fizemos em Vila Seca, quando era sub-prefeito o saudoso Nelson José Susin. Em Fazenda Souza foram construídos os canteiros na via central e plantadas roseiras na parte fronteira à igreja. Ali foi realizada a primeira das exposições agrícolas distritais com destaque à batata. Frei Dionísio, diretor do Correio Riograndense foi o paraninfo da exposição. Era sub-prefeito Luiz Zatti, que depois foi substituído por Adelar Mazzochi. A praça de Santa Lúcia do Piaí ocupava todo o quarteirão central da vila e foi devidamente ajardinada na gestão do sub-prefeito Luiz Tomazzeli, e posteriormente na de Claudino Costa. Em Criúva, com Arquimino Sandi, fizemos os canteiros da avenida onde plantamos roseiras que eram quase desconhecidas para a população, e tornaram-se agradável novidade, especialmente às mulheres. Em Forqueta, a praça era pequena, mas não faltou local para as roseiras. Nas exposições distritais de produtos agrícolas e de animais, promovidas pela DIFAAR, sempre apresentávamos mostruários com variedades de roseiras para agrado dos visitantes e incentivo ao cultivo.

Exposição de Rosas - Empolgado com a rosicultura, dentro da floricultura e da jardinagem, surgiu a idéia de realizar exposição de rosas, em primeiro lugar para mostrar à população as maravilhosas rosas capazes de serem produzidas na região e depois para dar oportunidade de expor as belas rosas produzidas por amadores como o Nestor Accorsi, o Ângelo Costamilan, o Dionísio De Carli, a professora Sueli Bascu, o dr. Olmiro de Azevedo e outros. A idéia era dar incentivo a novos cultivadores, inclusive os que se decidiam por cultivar rosas para venda. Realizamos quatro exposições de rosas, a primeira, em 07/11/1960, nas dependências da Aliança Francesa, sob a presidência do dr. Eli Andreazza, que mereceu enaltecido comentário do prof. Mário Gardelin. A segunda, em 21/10/1962, no mesmo local, sob a presidência do dr. Onofre Pimentel. A terceira, em 12/12/67, no amplo pátio coberto do colégio São José, com a presença do prefeito Hermes João Weber; e a quarta, em 04/12/1969, no espaço térreo dos pavilhões da Festa da Uva (atual sede da prefeitura), com a presença do prefeito Vitório Trez. O sr. Dionísio De Carli foi o presidente dessas duas últimas exposições. Registrei com detalhes a história das exposições de rosas nas edições de 02 e 09 de dezembro de 1992, desta coluna do Correio Riograndense.

Variedades de rosa - De 1950 a 1985 cultivamos e experimentamos algumas centenas de variedades de rosas. Seria exaustivo nomear as que tiveram bom desempenho em nossas condições ambientais. Cito apenas algumas para atender o pedido da prezada professora Leda.

Brancas: Branca das Neves, Virgo Pascali, Schneewitchen, e Monte Shasta. Róseas: Queen Elizabeth, Michele Meilland, Elli Knab, Pink Favorita, Carla e Anchieta. Amarelas: Eclipse, Buccaner, Golden Delight, Quebec, Diamond Jubileu, Cassilda Becker e Wester Sun. Vermelhas: Crimson Glory, Hapiness, Rubayat, Charlotte Armstrong, Bell Ange, Presidente dr. Schroeder e Bacará. Laranja: Girona, Lys Assia, Super Star. Bicolores: Talismã e Independence.

Conclusão - Agradeço a professora Leda Scarton a oportunidade de tratar um assunto a que me dediquei sem outro motivo senão a satisfação de ter sido útil e do agrado da população caxiense e visitantes.

 

Avicultura familiar está ameaçada de extinção

UBA quer o fim das aves criadas soltas nas pequenas propriedades

 

A gripe aviária está fazendo vítimas no Brasil. Um documento da União Brasileira de Avicultura (UBA) pede ao presidente Lula a suspensão de programas de incentivo à avicultura familiar, "pois as aves criadas soltas constituem fator de altíssimo risco para a avicultura industrial, pela possibilidade de sua contaminação por aves silvestres e migratórias." "Não existe risco zero, nem para a avicultura industrial", diz o chefe da Embrapa Suínos e Aves, Elsio Figueiredo.

A UBA também quer legislação sanitária específica para a criação de aves do tipo caipira (ou colonial) e para a avicultura familiar, tornando obrigatória a adoção de medidas sanitárias que reduzam o risco para a avicultura industrial. Entre as medidas figuram a obediência a distâncias seguras em relação aos criatórios industriais, a proibição da venda dessas aves em feiras livres e a imediata manutenção em instalações fechadas. A Embrapa reconhece que o agricultor familiar tem o direito de criar aves soltas dentro da propriedade.

No Brasil, 85% da produção de frango são de forma integrada, situação que limita bastante o contato de grande parte das pessoas com os frangos de corte e galinhas de postura. "O plantel avícola comercial totaliza quatro bilhões de aves. A região Sul responde por 16% desse total", informa o chefe da Embrapa Suínos e Aves e doutor em genética de aves, Elsio Figueiredo.

Controle - A avicultura brasileira é muito diferente da existente nas nações que até agora registraram casos da gripe do frango. O contato entre humanos e aves no Brasil é bem menor do que em países asiáticos em que as criações de fundo de quintal de galinhas, gansos, patos e marrecos são muito comuns. "No Brasil, existem todas as condições para uma resposta rápida. Se aparecer algum foco, será controlado com eficiência", garante Figueiredo ao CR.

Uma das medidas recomendadas é a instalação de tela de proteção nas instalações que possuam galinhas, para evitar o contato com aves migratórias. "Mesmo assim, não há como impedir o total contato com essas aves e nem se pode criar o pânico de que ave migratória é um perigo", analisa.

Há um programa de monitoramento que tenta identificar que tipos de vírus existem nas rotas das aves migratórias que passam pelo Brasil. "O governo está redobrando a vigilância em regiões de lagos, como a região da Lagoa do Peixe, no RS, e na Amazônia", revela. "O Brasil não é rota comum das aves asiáticas", tranquiliza. O pato, o marreco e o ganso, por exemplo, são portadores naturais do vírus e podem não desenvolver a doença.

Do ponto de vista da avicultura comercial, não se deve misturar vários tipos de aves. Se o produtor tiver marrecos, patos e outras aves perto de um aviário comercial, a chance de alastramento da doença é grande, caso o vírus chegue neste local.

 

OPINIÃO

Rosa Parks e o cansaço de conceder

Maria Clara Lucchetti Bingemer

A figura de Rosa Parks brilha diante de nossos olhos cada vez que preferimos a comodidade de conceder ao risco de lutar contra as injustiças do mundo em que vivemos

 

Era o fim de um dia de trabalho em Montgomery, Alabama, em dezembro de 1955. No espaço do ônibus onde era permitido aos negros sentar-se, a costureira Rosa Parks acomodou seu corpo ativo e seu rosto sereno de quarenta e dois anos, preparando-se para chegar à casa e encontrar o marido.

Um homem branco entrou no ônibus e não tinha onde sentar-se. O motorista removeu o sinal que designava o espaço concedido aos negros dentro do veículo e ordenou que quatro deles se levantassem a fim de que o passageiro branco pudesse acomodar-se. Três deles se levantaram. Rosa Lee Parks não se moveu de onde estava. Em seu rosto sereno havia uma clara e sólida determinação: não conceder mais uma vez.

Ao recordar o incidente que mudou sua história, a de sua gente e a de seu país, Rosa contava: "Quando ele me viu ainda sentada, perguntou-me se eu ia levantar-me e eu disse: Não, não vou". E ele afirmou: "Bem, se você não se levantar, eu terei de chamar a polícia e prendê-la". Eu respondi: "Pode fazer isso". Ao explicar a motivação de seu ato explícito de desobediência, Rosa dizia: "As pessoas sempre dizem que eu não dei meu lugar porque estava cansada, mas não é verdade. Eu não estava cansada fisicamente, ou mais cansada do que habitualmente estava após um dia de trabalho. Eu não era velha... tinha 42 anos. Não, eu só estava cansada de sempre conceder".

Rosa foi presa, julgada e condenada por conduta desordeira, assim como por violar a ordem local. Foi, além disso, multada em 14 dólares. Na noite seguinte à sua prisão, cinqüenta líderes da comunidade afro-americana, chefiados pelo então quase desconhecido pastor protestante Martin Luther King Jr., reagiram à violência cometida contra Rosa Parks, organizando e deflagrando um boicote de 381 dias ao sistema segregacionista de ônibus do Alabama. A firme determinação de uma mulher deflagrou um movimento de protesto e luta dos negros norte-americanos contra a segregação e pelo respeito aos direitos, do qual a estrela foi o pastor Martin Luther King Jr., que se tornou um ícone da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos e ganhou o Prêmio Nobel da Paz anos depois. Sempre reconhecido àquela que havia sido o agente detonador do movimento de luta pelos direitos dos negros nos Estados Unidos, Martin Luther King Jr. dizia sobre seu gesto: "Na verdade, ninguém pode compreender a ação da Sra. Parks, a menos que eventualmente a taça da capacidade de suportar transborda e a personalidade humana grita: "Eu não posso mais agüentar".

Em 1956, o caso Rosa Parks foi encerrado na Suprema Corte norte-americana e a segregação entre brancos e negros nos ônibus declarada inconstitucional. Em 1957, depois de ter perdido o emprego e recebido ameaças de morte, Rosa e seu marido, Raymond, se mudaram para Detroit, onde ela trabalhou como assistente no escritório de John Conyers, um congressista democrata. Seu ex-chefe dá testemunho sobre a extraordinária personalidade de Rosa: "Ela era muito humilde, falava baixinho. Mas por dentro tinha uma determinação feroz." Rosa trabalhou para o político como recepcionista no período de 1965 a 1988. "Ela tinha qualidades de uma santa", acrescentava.

No último dia 26 de outubro, a suave guerreira, que com seu simples gesto libertou todo um povo, faleceu em sua residência de Detroit, Michigan. Morreu dormindo, certamente sonhando o sonho que sempre foi seu: viver em uma sociedade livre e igualitária. Aquela que se recusou a cumprir a ordem de levantar-se de seu lugar para perpetuar a injustiça do "apartheid" racista repousa agora na paz da vida em plenitude. Enquanto isso, sua memória é marco obrigatório de encorajamento para todos os que sonham e lutam por um mundo mais humano.

Em recente viagem à África do Sul, o reverendo Jesse Jackson, um dos principais defensores dos direitos civis nos Estados Unidos, enalteceu a figura de Rosa Parks, recordando que seu ato aparentemente simples forçou os negros americanos a "se levantarem" pelos seus direitos. "Ela forçou o resto de nós a nos levantarmos. Foi um esforço consciente de uma lutadora pela liberdade", disse Jackson, durante entrevista coletiva em Johannesburgo. Ele se referiu a Rosa como uma "mulher de grande coragem, que conscientemente arriscou sua vida e enfrentou a prisão para romper com o sistema do apartheid".

Mãe da luta pelos direitos civis americanos, a figura de Rosa Parks brilha fulgurante diante de nossos olhos, cada vez que preferimos a comodidade de conceder ao risco de protestar e lutar contra as injustiças que enchem o mundo em que vivemos.

 

Vida no varejo, morte no atacado

Frei Betto

 

Cheios de razão, ficamos vazios de amor. Esquecemos que em poucos anos habitaremos também a morada na qual se entra sem levar nada deste mundo, exceto o que se traz no coração

No Dia dos Mortos, evocamos, em nosso pranto, as pessoas queridas que já ingressaram no reino onde findam todos os mistérios. Uma visita ao túmulo, uma flor, uma vela, o olhar saudoso ao retrato, um gesto ou oração, para tentar dizer, mais uma vez, o quanto amamos quem, agora, sabe que, do outro lado, a vida é terna. Talvez tardiamente. Em vida, somos cheios de pudor para aclamar o amor, exceto quando o encanto faz transbordar emoções.

Nesse mundo de custos & benefícios, contabilizamos afetos. Por vezes, nosso departamento subjetivo de cobranças supera, e muito, o de doações. Arquivamos a palavra infeliz, o gesto brusco, e a pequena mágoa cultivada dilata-se em tumor canceroso que corrói nossa capacidade de amar. Cheios de razão, ficamos vazios de amor, numa carência que desfralda ânsias de que o outro seja menos feliz. Até que, inesperada, irrompe a morte. Então, o débito atribuído ao outro torna-se, em nós, dívida incorrigível, cujo saldo é a sombra indelével de nossa própria mesquinhez.

A vida é um milagre, tão belo quanto curto, e deveria ser cultivada como as flores mais raras. Cada um de nós encerra em seu corpo 15 bilhões de história do Universo. Somos feitos de células tecidas de moléculas pontilhadas de átomos, em cujos corações palpitam os quarks - um trio fundido no momento mesmo do Big Bang. Nossos olhos e mentes são o espelho desse jardim cósmico onde infinitas estrelas reluzem nas alamedas de galáxias.

No entanto, nosso complexo de Caim faz com que, dentro da Via Láctea, no planeta Terra, situado próximo a uma estrela periférica chamada Sol, se dê pouco valor à vida daqueles que não pertencem à nossa família, classe social ou corporação profissional. A rigor, evita-se a morte no varejo com um empenho que não se demonstra no atacado.

Nossos governos proíbem o cigarro em restaurantes, mas não o comércio de armas, que a maioria decidiu apoiar. Fazem campanha contra a Aids, e são indiferentes à fome, que mata muito mais. Empenham-se em facilitar a importação de produtos sofisticados, e não em dotar os hospitais públicos de melhores instalações e serviços. Salvam bancos privados e transformam a escola pública em sucata. Atraem fábricas de automóveis e não detêm a sangria do desemprego. São ágeis em cassar mandatos e lentos em sancionar aqueles que, de farda e em nome do Estado, massacraram oito crianças na Candelária, 23 pessoas em Vigário Geral, 111 presos no Carandiru, 10 lavradores em Corumbiara e outros 19 em Eldorado dos Carajás.

Jô Soares, em seu empolgante romance O Xangô de Baker Street, ambientado no Rio em fins do século 19, mostra que ser abolicionista em 1886 ainda era uma exceção e não regra. Algo assim tão out como, hoje, defender o elementar direito à vida dos índios, dos negros, das crianças de rua, dos sem-terra e dos desempregados. Pois ainda respiramos uma cultura de morte. Quem se pergunta como assegurar vidas se o desemprego é o escabroso preço dessa Terceira Revolução Industrial que dispensa o trabalho humano?

O homem é um animal que se recusa a morrer. Ainda que a sua vida dependa da morte alheia. Se a sociedade não oferece educação, emprego, saúde, lazer, e se a TV insiste que não se pode ser feliz sem a síndrome de consumismo, que outra alternativa há fora do narcotráfico, dos assaltos e da violência? As gerações futuras com certeza reagirão, perante o dado de que hoje a propriedade vale mais que a vida de um ser humano, com a mesma indignação que nos é provocada pela notícia de que, durante 350 anos, a nobreza e o clero do Brasil se serviam de trabalho escravo ou os nazistas eliminavam judeus em fornos crematórios.

A vida é o dom maior de Deus. Ninguém escolhe quando, onde e como nascer. É a loteria biológica. Injusto é uns nascerem em condições dignas de viver e outros não. E isto não é culpa de Deus. É o resultado de nosso apego, de nossa ganância e, sobretudo, de nossa falta de memória de que, dentro de poucos anos, seremos também lembrados no Dia dos Mortos - que habitam a morada na qual se entra sem levar nada deste mundo, exceto o que se traz no coração.

 

ENSINO

Vestibular da UCS terá 5.225 vagas

Inscrições para o vestibular de verão abrem em 24 de novembro

 

A Universidade de Caxias do Sul (UCS), que possui 37.381 alunos, está oferecendo 5.225 vagas, distribuídas em 40 cursos, com 52 habilitações e 90 opções de ingresso no Vestibular de verão 2006. O anúncio foi feito na sexta 4 pelo reitor Luiz Antonio Riz-on, durante lançamento da campanha criada pelos alunos do curso de Publicidade e Propaganda da instituição Diego Emerick, Gustavo Cardoso Vanassi, Mateus Bedin e Alan Diego Mendes. As inscrições poderão ser feitas de 24 de novembro a 14 de dezembro deste ano nos postos instalados em Caxias do Sul, na Cidade Universitária, nos Campi e Núcleos da UCS, em shoppings, pré-vestibulares e pela internet, no site www.ucs.br.

Para a inscrição, os interessados devem apresentar documento de identificação pessoal com foto (RG ou passaporte ou Carteira Profissional ou CNH). A inscrição custa R$ 60,00 e o manual é distribuído gratuitamente. No momento da inscrição o candidato poderá optar por utilizar ou não a nota da redação do Enem, em substituição à da redação da UCS. Para tanto, deve informar o número de inscrição no Enem e o ano de aproveitamento (ou 2003 ou 2004 ou 2005). As provas serão realizadas nos dias 14 e 15 de janeiro de 2006.

 

Instituição oferece mais quatro cursos

 

O Vestibular 2006 da UCS oferece quatro novos cursos: Agronomia, em Caxias e em Vacaria; Pedagogia - Magistério da Educação Infantil (Licenciatura), na UCS Farroupilha; Bacharelado em Hotelaria, na UCS Canela; e o Curso de Engenharia Mecânica, na UCS Bento Gonçalves, todos com 50 vagas cada.

"O curso de Agronomia da UCS está voltado ao agronegócio e representa uma resposta à demanda regional do setor, que é o que mais cresceu na última década nas localidades onde está a UCS", observou Rizzon. A proposta da Universidade de Caxias para este curso é preparar um novo tipo de agrônomo, o gestor, capaz de trabalhar a produção, a transformação e a comercialização.

No caso da Hotelaria, em Canela, conforme explicou a pró-reitora de Graduação, professora Marcia Cappellano dos Santos, houve uma mudança: o curso passa de Tecnólogo para Bacharelado e integra, agora, o "programa de hospitalidade". "Isso representa a qualificação no ato de acolher e um campo de trabalho mais abrangente", salientou Márcia.

 

IB desenvolve há 30 anos pesquisas

 

O Instituto de Biotecnologia (IB) da Universidade de Caxias do Sul está completando 30 anos de atuação. Em 1975, o atual coordenador do laboratório de Enobiotecnologia, professor Juan Carrau-Bonomi, então recém formado em Bioquímica no Uruguai, pediu emprego na UCS e apresentou um projeto de pesquisa sobre a levedura que transforma a acidez da uva em álcool etílico. A partir dessa pesquisa, o IB foi abrindo outras linhas de estudos - óleos essenciais, controle de enzimas e controle biológico.

Atualmente, uma equipe multidisciplinar, formada por 22 professores mestres e doutores e 70 bolsistas, desenvolve trabalhos integrados, gerando resultados com visões diferentes. Professores e acadêmicos de Engenharia Química, Engenharia de Alimentos, Biologia e Farmácia, dedicam-se a ensaios microbiológicos, fisico-químicos, microscópicos e análise e pesquisas em alimentos.

 

SAÚDE

CÂNCER DE MAMA

Cura depende do diagnóstico precoce

 

Atualmente, o câncer de mama já é considerado um problema de saúde pública em muitos países, incluindo o Brasil. É a doença que mais acomete as mulheres em todo o mundo. Para este ano, estão previstos mais de um milhão de novos casos.

No Brasil, o câncer de mama é o tipo de tumor que mais mata as mulheres. O Instituto Nacional do Câncer estima 49.570 novos casos para 2005, com incidência maior no Sudeste e Sul do país, que juntos representam 79% dos casos (matéria ao lado). Porém, acredita-se que os casos registrados no Norte, Nordeste e Centro-oeste ainda estejam subestimados, já que não são incorporados ao sistema de registro nacional.

A mortalidade em função da doença vem caindo desde a década de 90 em países desenvolvidos, resultado de políticas de identificação precoce da doença e da evolução do tratamento. Houve melhora da qualidade da cirurgia, que está mais eficaz e menos mutilante; da radioterapia, com aparelhos mais precisos e menos efeitos colaterais; e evolução do tratamento sistêmico, com hormônios e quimioterapia mais eficazes e menos tóxicos. Porém, no Brasil, os estudos mostram aumento progressivo da mortalidade. "Apesar de todos os avanços que obtivemos na área, a mortalidade no país ainda é alta porque os diagnósticos não são precoces, 60% dos casos da doença ainda são identificados em estágios avançados, ou seja, quando o tumor já atingiu outras regiões do corpo, além da mama", afirma o mastologista Ricardo Boff, de Caxias do Sul.

De acordo com o médico, não há uma maneira eficaz de evitar que o câncer de mama se manifeste, por isso os profissionais da saúde insistem na identificação precoce da doença como forma de aumentar as chances de cura da paciente. Boff observa que os estudos até então publicados são contraditórios no que diz respeito à possibilidade de reduzir a mortalidade por meio do auto-exame das mamas. Contudo, ele diz que não há dúvidas que esse procedimento aumenta as chances de detectar lesões pequenas, de cerca de 1,5 centímetro, e conseqüentemente possibilitar a cirurgia conservadora da mama na maioria das mulheres.

"Em algumas situações, especialmente naquelas cujos tumores apesar de pequenos são bastante agressivos, não ocorrerá redução da mortalidade, mas na maioria dos casos as mulheres serão poupadas da mutilação durante a cirurgia graças à detecção precoce de um tumor por meio do auto-exame", afirma Boff. O auto-exame das mamas deve ser feito mensalmente, a partir dos 20 anos de idade (quadro abaixo).

O especialista também indica a mamografia como outro método importante e seguro de diagnóstico precoce. Para identificar o tumor em fase inicial, deve-se fazer anualmente, a partir dos 40 anos de idade, uma mamografia de alta qualidade, interpretada por um profissional qualificado. As mulheres que tiveram mãe ou irmã com câncer de mama antes da menopausa, precisam começar a fazer a mamografia dez anos antes da idade em que o tumor foi identificado em sua família. Por exemplo: se a mãe da paciente recebeu o diagnóstico de câncer de mama aos 40 anos, ela deve iniciar a mamografia aos 30 anos.

 

Evolução do tratamento permite melhor qualidade de vida

 

Há 20 anos, não importava o tamanho do tumor, a cirurgia para sua retirada implicava na extirpação total da mama. Além disso, para prevenir a reincidência da doença, removia-se todos os gânglios linfáticos (localizados na axila) e os músculos peitorais. Tratava-se de uma cirurgia drástica, de resultados desfigurantes.

Hoje, tumores de até três centímetros são eliminados numa operação chamada de quadrantectomia, na qual se extrai apenas um quarto da mama. A técnica é bem menos traumática. Mesmo nos casos em que a mastectomia radical é necessária, os resultados estéticos estão infinitamente melhores. Modernas técnicas de cirurgia plástica permitem em boa parte dos casos a reconstrução imediata da mama operada.

Quando o tumor cresce em direção a outros órgãos, tende a invadir primeiro os gânglios da região da axila. No passado, era preciso retirar todos os gânglios linfáticos para evitar o alastramento da doença. Atualmente, os médicos dispõem de uma técnica que evita a remoção desnecessária dessas estruturas, chamada de linfonodo sentinela. O cirurgião injeta na mama uma substância corante que identifica o primeiro gânglio, que então é retirado para análise. Se ele não estiver contaminado pelo câncer, significa que os demais também não estão, e são preservados. Isso evita seqüelas típicas do esvaziamento total das axilas, como um buraco feio no local, inchaço nos braços, perda da sensibilidade e aumento da propensão a doenças infecciosas.

Outro avanço notável é a radioterapia intra-operatória. Ainda na mesa de cirurgia, depois da retirada do tumor, a paciente recebe uma dose única de radiação no local em que surgiu o câncer, durante cerca de 20 minutos. Esse método dispensa as convencionais seis semanas de sessões diárias de radioterapia depois da cirurgia.

Um dos principais focos da medicina em relação ao câncer de mama é o combate à recidiva, pois metade das pacientes tratadas volta a desenvolver novos nódulos. Considera-se curada a paciente cujo tumor não volta a se manifestar num prazo de cinco anos a partir do primeiro diagnóstico. Para evitar o reaparecimento do câncer, o tratamento padrão é a quimioterapia. Hoje, os remédios estão mais eficazes e provocam menos efeitos colaterais. Também têm surgido novas estratégias para administrar as doses de quimioterápicos. Numa delas, as doses são as mesmas e os remédios também, mas o intervalo entre as sessões foi reduzido de três para duas semanas. Isso diminui o tempo total de tratamento de cerca de 24 semanas para 16, em média, com os mesmos resultados e sem aumento de efeitos colaterais.

 

Incidência do tumor é maior no Sul

 

As regiões Sul e Sudeste concentram 79% dos casos de câncer de mama do país, segundo o Instituto Nacional do Câncer. "As pesquisas não são conclusivas, mas estudos indicam que no Sul, especialmente no Estado do Rio Grande do Sul, a ingestão de gordura saturada, vinda principalmente da carne, é um dos fatores que contribui para a maior incidência do tumor de mama nas gaúchas", afirma o mastologista Ricardo Boff. Segundo o especialista, a predominância da descendência européia na população dessa região também deve ser considerada, já que Alemanha e Itália, por exemplo, são países em que a incidência da doença também é alta. Além disso, a região Sul é uma das mais desenvolvidas sócio-economicamente, isso faz com que as mulheres engravidem mais tarde e tenham menos filhos - gestação e amamentação protegem contra o tumor de mama.

Boff explica que o câncer de mama não tem uma única causa definida, é uma doença multifatorial. "Fatores hereditários, nutricionais e reprodutivos, assim como sedentarismo e obesidade influenciam no desenvolvimento do tumor de mama, e todos esses aspectos são evidentes na população do Rio Grande do Sul", finaliza o médico.

 

Obra responde perguntas mais freqüentes sobre a doença

O livro "O que as mulheres querem saber sobre câncer de mama, as 100 perguntas mais freqüentes", lançado recentemente pela Mesa Redonda Editora, foi organizado pelo mastologista Ricardo Boff e pelo oncologista Francisco Wisintainer, ambos de Caxias do Sul. A obra reúne o conhecimento de 150 renomados profissionais que buscam esclarecer as principais dúvidas das pacientes e de seus familiares. A seguir, algumas das perguntas mais comuns nos consultórios médicos e as respectivas respostas de especialistas na área.

 

Os hormônios naturais protegem contra os sintomas da menopausa e o câncer de mama?

Os medicamentos botânicos mais estudados para sintomas associados à menopausa são os fitoestrogênios, com ação e estrutura semelhantes às do hormônio feminino estrogênio. A isoflavona é o principal tipo de fitoestrogênio. A soja é o alimento que contém grande quantidade de isoflavonas. Por esse motivo, o grão tem sido indicado para aliviar sintomas da menopausa. De acordo com os estudos até então realizados, o uso de suplementos de proteína de soja está associado à diminuição dos níveis de colesterol no sangue. Já o uso de suplementos de isoflavona oferece pequeno ou nenhum benefício cardiovascular. Até então, as pesquisas mostram que a utilização de proteína de soja ou suplemento de isoflavona não é capaz de prevenir a perda óssea característica da menopausa. Atualmente, não pode-se afirmar que o uso dessas substâncias pode diminuir o risco de câncer de mama. (respondido por Suzana Lago, ginecologista)

 

Qual a relação entre o consumo de álcool e cigarro e o câncer de mama?

O consumo diário de bebidas alcoólicas aumenta as chances de câncer de mama. Quanto maior a dose, maior o risco. Estudo comparou 58.515 mulheres com câncer de mama com 95.067 pacientes sadias. Aquelas que consumiam de 35 a 44 gramas diários de bebida alcoólica apresentaram um risco 32% maior de desenvolver a doença se comparado ao de mulheres que não ingeriam álcool. A cada 10 gramas a mais ingeridos por dia o risco de câncer de mama aumenta 7,1%. Dez gramas de álcool correspondem a uma dose de uísque, um copo de vinho ou uma cerveja. Já a relação entre tabagismo e câncer de mama permanece em discussão, mas a maioria dos estudos não relata associação de risco entre o hábito de fumar e o câncer de mama. (Sérgio Tessaro, mastologista, e Rodrigo Brezolin, ginecologista e obstetra)

 

A gordura de peixe protege contra o câncer de mama?

O óleo de peixe é basicamente formado por ômega 3. Ainda faltam dados conclusivos que cientificamente comprovem os benefícios dessa gordura para as mamas, mas ela tem sido cada vez mais associada à redução do risco de câncer de mama. Salmão, sardinha, cavala, bacalhau, cação e arenque têm teores elevados de ômega 3. Entre os vegetais, o óleo de linhaça tem maior concentração de ômega 3, também encontrado na soja, vagem e feijão. (Luciana Miele, mastologista)

 

Qual a influência da alimentação com gorduras no desenvolvimento do câncer?

Embora seja possível que a ingestão de gordura durante a infância ou no início da vida adulta possa afetar o risco de câncer de mama décadas mais tarde, não existe evidência suficiente para essa afirmativa. Contudo, a substituição de gorduras saturadas (origem animal) por insaturadas (origem vegetal) pode ajudar a diminuir o risco de câncer de mama. Uma ingestão aumentada de óleo de oliva foi associada a uma redução do risco da doença em estudo realizado em países como Grécia, Itália e Espanha. (Jorge Biazús e Márcia de Mello, mastologistas)

 

O anticoncepcional oral pode levar ao câncer de mama?

Não, estudos clínicos não confirmam aumento de risco de câncer de mama com o uso de anticoncepcional oral. (Gabriela dos Santos e Fernando Schuh, mastologistas)

 

Amamentação protege contra o câncer de mama? E o número de filhos?

Sim, ambos os fatores protegem a glândula mamária do tumor. Dois estudos demonstraram que em uma população de mulheres cada ano de amamentação reduziu, em média, sete vezes o risco de câncer de mama, e cada filho nascido, em quatro vezes. (Marianne Pinotti, ginecologista)

 

Qual a situação atual da reposição hormonal na menopausa e o risco de câncer de mama?

Em 1997 foi publicada uma metaanálise (união de vários estudos) para determinar o risco de câncer de mama em usuárias da Terapia de Reposição Hormonal (TRH), indicada para aliviar os sintomas da menopausa. Concluiu-se que houve aumento do risco para pacientes que utilizaram a TRH por um período superior a cinco anos. Diante disso, a indicação da terapia deve ser individualizada. É fundamental avaliar a presença e a intensidade dos sintomas da menopausa, os fatores de risco para o desenvolvimento da osteoporose e do câncer de mama. Após analisar e esclarecer cada caso, a opção entre usar ou não a TRH deve ser tomada em conjunto pelo médico e pela paciente. (Henrique Silva e Maria Rocha, mastologistas)

 

Uma batida na mama pode levar ao aparecimento do câncer? E o uso de desodorante em bastão e de sutiã?

Jamais um traumatismo pode levar ao desenvolvimento de um tumor maligno na mama. O que costuma ocorrer é que, com a batida, a mulher preocupa-se com a mama e procura um médico, o que, às vezes, permite a descoberta de um câncer pré-existente. O uso de desodorante em bastão só pode causar irritação, nunca um câncer. Da mesma forma, o sutiã, independente do tipo, não leva ao câncer de mama. (Paulo Cará, mastologista)

 

Os implantes de silicone dificultam o diagnóstico de câncer?

As próteses podem ser de solução salina ou com silicone gel, substância opaca ao raio X que, segundo inúmeros trabalhos de literatura médica, não tem nenhuma relação com o fator desencadeante do câncer, porém, devido à opacidade do material, pode ocorrer dificuldade no diagnóstico de lesões iniciais nas mamas. Com técnicas especiais para a realização de mamografias, pode-se conseguir imagens adequadas com o afastamento da prótese, mesmo assim, retardo no diagnóstico de lesões pode ocorrer em algumas situações. Em pacientes com prótese de silicone, a ressonância magnética parece ser o melhor método para identificar pequenos nódulos não-palpáveis. (Sérgio Bruno Bonatto Hatschbach, mastologista)

 

Cistos de mama podem se transformar em câncer?

Não. O cisto é uma pequena bolsa revestida por uma cápsula, com conteúdo líquido. É originário da dilatação dos ductos mamários, com retenção de líquido. Os cistos são formados por estruturas normais da mama. (Ezio Dias, mastologista)

 

 Quando há necessidade de retirar a mama?

A tendência é usar a cirurgia conservadora, ou seja, a retirada completa do tumor restando uma mama com aspecto estético adequado. Quando não é possível, realiza-se a mastectomia (retirada de toda a mama). O que determina a escolha entre uma cirurgia e outra é principalmente o tamanho do tumor comparativamente ao volume da mama. Tumores médios em mamas pequenas produzem, quando retirados, defeito estético evidente, sendo preferível a mastectomia com reconstrução simultânea da mama. Esse mesmo nódulo em uma mama grande permite a cirurgia menos radical. A mastectomia também é necessária quando o câncer se manifesta em vários focos ou é muito extenso dentro da glândula, quando a paciente não tem condições de se submeter a posterior irradiação, quando ocorre em homens. (Carlos Henrique Menke e Sérgio Borges, mastologistas)

 

Tive câncer de mama e sinto calorões, posso usar hormônios?

Até hoje, as informações científicas sinalizam que o uso de hormônios femininos na mulher climatérica que já teve câncer de mama pode aumentar o risco de reaparecimento da doença ou de um novo câncer. O médico deverá apresentar opções individualizadas para a mulher em questão, fugindo sempre de drogas que aumentam ou estimulam a produção de hormônios femininos. (Carlos Crippa, mastologista)

 

Fiz cirurgia para retirada de câncer de mama, como será minha vida sexual agora?

Não é raro que o tratamento de câncer de mama ou cirurgia afete o desejo sexual. Porém, deve ficar claro que as mulheres que fizeram tratamento cirúrgico de câncer de mama, qualquer que tenha sido o tipo de cirurgia, podem e devem ter uma vida sexual ativa. A redescoberta da vida sexual é fundamental para que ela possa reconstruir a imagem de um corpo prazeroso e não mais doloroso. Isso depende não apenas da mulher, nem só do homem, mas do casal. (Alberto Reis, doutor em Psicanálise)

 

Câncer de mama tem cura?

Depende do quão avançado o tumor está. A extensão inicial da doença é chamada estádio clínico, que vai do I ao IV e é definido conforme o tamanho do tumor e se existe espalhamento da doença, ou seja, metástase. As metástases podem ocorrer em glândulas da axila ou em ossos e órgãos internos. A chance de cura para quem não tem metástase tem relação direta com o tamanho do tumor - para cada um milímetro de tamanho do tumor a cura cai em 1%. Quando há comprometimento dos linfonodos, a chance de cura depende do número de linfonodos atingidos. Quando há envolvimento de ossos e órgãos, em geral, não há cura, mas o câncer pode ser controlado com medicamentos. (Adriana Buzaid e Antônio Buzaid, oncologistas)

 

IGREJA

Vaticano beatifica Charles de Foucauld

Sacerdote francês destacou-se por sua vida no silêncio e na solidão

 

No próximo domingo, 13 de novembro, será beatificado na basílica de São Pedro, no Vaticano, Charles de Foucauld. A beatificação de Foucauld estava prevista para ocorrer no dia 15 de maio passado, mas ficou suspensa por causa da morte do Papa João Paulo II, em abril.

Um dos ícones do século XX, Charles de Foucauld nasceu em Estrasburgo, na França, no dia 15 de setembro de 1858, no seio de uma família nobre e cristã. Perdeu os pais ainda jovem e ficou sob os cuidados do avô que, pela tradição familiar, o influenciou a seguir a carreira militar. Aos 21 anos, participou de uma campanha do exército na Argélia, colônia francesa na época, que vivia fomentando rebeliões.

O jovem, até então indisciplinado e de vida libertina, impressionou-se com o povo africano, com a fé dos muçulmanos e com a solidão do deserto. Em 1883, uma afortunada expedição no deserto de Marrocos lhe valeu a medalha de ouro da Sociedade de Geografia, mas o sucesso não lhe aquietou o espírito.

Escreveu sobre sua vida: "Comecei a ir à Igreja, sem ter fé, sentindo-me bem apenas ali e passando longas horas a repetir essa estranha oração: Meu Deus, se existis, fazei com que eu vos conheça!". Converteu-se aos 28 anos e chegou a entrar num mosteiro trapista na Síria, em busca de oração e solidão. Depois de visitar os lugares santos da Palestina e Jerusalém decidiu imitar a vida de Jesus e foi viver no coração do deserto do Saara, em Tamanrasset, entre os tuaregues.

No dia 1º de dezembro de 1916, aos 58 anos, o "irmãozinho de Jesus" morreu, vítima de um disparo de fuzil, em meio a uma emboscada dos inimigos da tribo de Hoggar, que havia adotado como família.

Junto com Charles de Foucauld serão beatificadas duas religiosas - Maria Pia Mastena, fundadora do Instituto das Irmãs do Santo Rosto, morta em 1951, e Maria Crucifissa Curcio, fundadora das Carmelitas Missionárias de Santa Teresinha do Menino Jesus, morta em 1957.

 

O exemplo de vida do "irmão universal"

 

Após a experiência como trapista na Síria e como eremita em Nazaré, Charles de Foucauld foi ordenado sacerdote em 1901. Acabou retornando à Argélia, disposto a testemunhar Cristo entre os muçulmanos e servir os irmãos através da solidão e do anonimato. Passou 12 anos numa pequena cabana, em Tamaransset, no centro do Saara, rezando, lendo os evangelhos e, sobretudo, mergulhado na vida dos pastores do deserto.

Os bérberes chamavam-no "marabut". Escreveu vários livros sobre os tuaregues, em particular uma gramática e um dicionário bilíngüe francês-tuaregue. Foucauld sempre esperou que algum companheiro quisesse compartilhar com ele o mesmo ideal e a mesma vida de Nazaré. Morreu sozinho. Anos depois, porém, surgiu em torno de seu carisma a comunidade dos Irmãozinhos de Jesus. Hoje são milhares, reunidos em dez congregações religiosas - entre elas os Irmãozinhos de Jesus, as Irmãzinhas de Jesus, as Irmãzinhas de Nazaré e os Irmãozinhos do Evangelho - e oito associações de vida espiritual, presentes no mundo inteiro.

 

Obra revela melhores frases de Foucauld

 

Fascinado pela África setentrional, pela rudeza de seus habitantes e pelo ambiente quase sobrenatural do deserto nos confins da Argélia e do Marrocos, Charles de Foucauld dedicou sua vida a compreender as tradições e os costumes dos povos norte-africanos e na incansável busca por uma vida de serviço no silêncio e na solidão.

Deixou inúmeras obras, reflexões, frases e orações. Para tornar conhecido o pensamento e a dimensão espiritual do "pobre entre os pobres", a Livraria Editora Vaticano está lançando um livro com 422 frases de Foucauld. "Eu semeio. Outros colherão" é o título da obra, compilada por Leonardo Sapienza. "Jesus só merece ser amado apaixonadamente", "Quanto mais se ama, melhor se reza", "Santificando-nos santificaremos os demais", são algumas das frases do livro.

 

Televisão sem som

Padre Zezinho

O problema não está nas imagens. Está em quem não sabe usá-las

 

Esses dias fizemos uma experiência bastante interessante, eu e alguns amigos. Experimentamos ficar dez minutos em silêncio diante da televisão com o som desligado. Observamos os rostos, o movimentar-se das pessoas e toda a profusão de imagens que a televisão cria. Deveríamos interpretar o que apenas as imagens diziam.

Sem som nenhum, tivemos mais tempo de prestar a atenção no fenômeno da imagem. É uma experiência altamente pedagógica, porque acentua-se o sorriso, o olhar, o abraço, a mão na mão, o aconchego, o entusiasmo, o sonho, a ilusão, a lágrima, os corpos que se mexem, a ira nos olhos, tudo isso, junto à profusão de cores, imagens que geram imagens e que se sucedem.

Nossos olhos costumam ver mais do que nossos ouvidos ouvem. Vão mais longe. São mais abrangentes. Se vemos mais e se estamos na era das imagens então é melhor que saibamos interpretá-las e usá-las direito.

Não nos damos conta, mas é pelos nossos olhos que entram a maioria dos valores e também a maioria das tentações do mundo moderno. Duas horas de televisão sem som por semana seriam uma ótima experiência educacional para todos nós que, tendo que viver na era da imagem, não percebemos ainda o seu poder de sedução. Imagens falam, ainda que em silêncio. Muitos irmãos de outras Igrejas que combatem o uso delas ainda não perceberam isso. É possível usá-las sem adorá-las e pode-se ler uma imagem. Os sinais e as placas das estradas são imagens que não falam. Mas nós sabemos o que elas dizem! As imagens de Francisco, Clara, Santo Antônio não falam, mas dizem coisas! Meu livro não fala, mas diz coisas. Eu é que tenho que saber ler aqueles sinais e aquelas fotos.

O fanatismo ou o feitiço moderno entra pelos olhos, mas a fé também pode entrar. O problema não está nas imagens. Está em quem não sabe usá-las.

 

Capuchinhos elegem governo provincial

Província do PR/SC realizou XIII Capítulo no final de outubro

 

A província dos capuchinhos São Lourenço de Brindes do Paraná e Santa Catarina realizou, de 24 a 28 de outubro, o XIII Capítulo Provincial. Durante o encontro, realizado na fraternidade Santo Antônio, em Butiatuba, Almirante Tamandaré (PR), foi eleito o novo governo provincial para o triênio 2005-2008. Frei Delson Pedreira da Cruz, definidor geral da Ordem, presidiu o capítulo do qual participaram 116 frades.

O novo governo provincial ficou assim constituído: frei José Gislon, ministro provincial, e freis Cláudio Nori Sturm (vigário provincial), Luizinho Marafon (2º definidor), Cláudio Sérgio de Abreu (3º definidor) e Luiz Antônio Frigo (4º definidor). Frei José Gislon substitui frei João Daniel Lovato como ministro provincial.

Frei Dionysio Destéfani, secretário provincial, salienta que também participou do capítulo frei Luciano Pastorello, ministro provincial da Província de Veneza, Itália, a província-mãe, atualmente a mais numerosa do mundo. "É costume vir um frade de Veneza nos nossos capítulos. E quando Veneza realiza o seu, um frade da nossa província participa. É a forma de mantermos contato mais estreito com a província-mãe", diz frei Dionysio.

A província do Paraná e Santa Catarina conta, atualmente, com 36 fraternidades, incluídas algumas no Paraguai, 164 frades (25 dos quais são professos temporários), 16 noviços e um bispo (dom Agostinho Sartori, emérito da diocese de Palmas/Francisco Beltrão).

História - A presença de capuchinhos no Paraná remonta a 1854. Naquele ano chegava a Jataí frei Timóteo de Castelnuovo, um missionário ambulante. Em seguida, outros frades trabalharam no Estado, mas com a morte desses, o Paraná ficou sem capuchinhos por muitos anos.

No dia 20 de janeiro de 1920, após negociações entre o bispo de Curitiba, dom João Francisco Braga, e a província de Veneza, chegava ao Paraná o primeiro grupo de capuchinhos formado pelos freis Ricardo de Vescovana, Teófilo de Thiene, Angélico de Ênego e Maximiliano de Ênego. Daquele ano até 1977, atuaram no Paraná 78 frades venezianos.

Em 1936, capuchinhos da missão passaram a atuar também em Santa Catarina. No ano seguinte, a missão passou a Custódia, depois a Comissariado Provincial (1957) e a Província (1969).

Em 1987, a Província do PR/SC assumiu uma missão no Paraguai. Frei Joemar Varassin Hohmann foi o pioneiro. Hoje, a missão conta com 23 frades, incluídos alguns nativos.

 

Província marista gaúcha acolhe quatro novos religiosos

 

A Província Marista do Rio Grande do Sul está acolhendo mais quatro religiosos que consagram sua vida em definitivo no instituto. No dia 29 de outubro emitiu votos perpétuos o irmão Sandro Baruffi. A cerimônia foi realizada na matriz São Pedro, em Garibaldi, sua terra natal, com a presença de familiares, da comunidade e de diversos irmãos maristas. Os votos de pobreza, castidade e obediência foram recebidos pelo provincial, irmão Roque Ari Salet.

Irmão Sandro é filho de Belarmino e Nair Fardo Baruffi. Completou 29 anos no dia 25 de outubro. Atua como formador no Juvenato Marista São José, em Lajeado, é graduado em Teologia pela PUCRS e estudante de Administração de Empresas na Univates. No dia 13 de novembro, em Ubiritama (RS), ocorre a profissão perpétua de irmão Sandro André Bobrzyk. Filho de Teófilo e Helena Cecília Bobrzyk, Sandro é natural de Cerro Largo (RS), onde nasceu aos 26 de outubro de 1978. É formador no Centro de Formação Marista de Santo Ângelo, é graduado em Teologia e está cursando Direito.

No dia 27 de novembro emite votos perpétuos em Rosário do Sul (RS), irmão Altenir Pimentel, filho de João e Neci Costa Pimentel. Nasceu em Dom Pedrito (RS) aos 23 de março de 1966. Atua no Colégio Marista Santanense, em Santana do Livramento; é graduado em Pedagogia e pós-graduando em Metodologia de Ensino Religioso.

O quarto irmão a consagrar-se em definitivo como religioso marista é Elio Luís Liesenfeld. A cerimônia será realizada no dia 10 de dezembro de 2005, em Bom Princípio (RS). Filho de Salomão e Célia Maria Liesenfeld, nasceu em Erechim no dia 1º de julho de 1975. Formado em Teologia e estudante de Administração de Empresas na PUCRS, Elio reside no Centro Educacional Marista do Partenon e é vice-diretor do Colégio Marista Assunção, em Porto Alegre.

 

Queimar os navios

Aldo Colombo

Não temos compromisso com a vitória, mas com a luta. Um dia, Deus não quererá saber se vencemos, mas se lutamos

 

Um pai tentou conseguir um bom emprego para o filho. Ele foi informado que o emprego exigia uma série de diplomas e conhecimentos práticos, coisas que seu filho não possuía. Cursar a universidade exigiria alguns anos de estudo e por isso o pai apelou para o jeitinho brasileiro. Quis saber se não havia um caminho mais curto, com menor esforço. A resposta não deixou dúvidas: tudo depende do que você quiser fazer com seu filho. Quando Deus quer fazer um carvalho leva 100 anos, mas quando quer fazer uma abóbora, dois meses são suficientes.

A história lembra o episódio acontecido com o explorador Fernão Cortez, o primeiro espanhol a chegar às costas mexicanas. Diante dele estavam as florestas impenetráveis, cortadas por pantanais, índios, febres, toda a sorte de perigos. Seus homens estavam preocupados e o desânimo podia acontecer. Fernão Cortez reuniu o grupo e quis saber se eles estavam dispostos a ficar. Diante da resposta positiva, Cortez mandou queimar seus navios que estavam ancorados numa baía próxima. A queima dos navios significou que não havia possibilidade de recuar. Eles só podiam avançar. A luta não foi fácil e o sonhado Eldorado só foi conquistado 16 anos depois.

A vida também é uma conquista. Cada um estabelece o que conquistar e cada um estabelece também o preço que está disposto a pagar para realizar seus sonhos, o seu ideal. Cada pessoa decide o que quer ser: abóbora ou carvalho. Nós teremos a medida de nossos sonhos e de nossos projetos, desde que estejamos dispostos a pagar o preço, desde que estejamos dispostos a queimar os navios.

E o passado está cheio de pessoas que pagaram o preço exigido e por isso seus nomes são recordados. Eles não tiveram ilusões sobre dificuldades a enfrentar, nem sobre o preço a pagar. E a vitória nunca veio com facilidade. Quase sempre ela foi precedida de muitos insucessos, mas eles não desanimaram.

Giuseppe Verdi foi dispensado de uma escola de música, pois não teria qualquer chance neste campo. Tomas Edison só conseguiu inventar a lâmpada após duas mil tentativas. Charles de Foucauld, depois de muitos anos de atuação, morreu sozinho, mas hoje seus irmãozinhos e irmãzinhas são milhares em todo o mundo. Por outro lado, quantas celebridades duraram apenas alguns dias ou anos. Ou não souberam ou não quiseram pagar o preço exigido. Não aceitaram queimar os navios. Em vez de carvalhos preferiram ser abóboras.

E quando o sucesso não vem, nem por isso o esforço é inútil. Não temos compromisso com a vitória, mas com a luta. Um dia, Deus não quererá saber se vencemos, mas se lutamos. É a luta que dá dignidade à vida de uma pessoa. Mesmo se não for vitorioso, no fim da vida, poderá dizer como o apóstolo Paulo: "Combati o bom combate, guardei a fé, resta-me agora a recompensa" (2Tim 4,7).

 

Santa Maria festeja padroeira do RS

A 62ª Romaria da Medianeira deverá reunir mais de 300 mil devotos

 

A diocese de Santa Maria promove, no dia 13 de novembro, a 62ª Romaria Estadual de Nossa Senhora Medianeira de Todas as Graças, padroeira do Rio Grande do Sul. A romaria tem como tema "Maria e os frutos da Eucaristia" e como lema "O Senhor fez em mim maravilhas, santo, santo, santo é o seu nome".

Neste ano, Santa Maria comemora alguns momentos marcantes da história da romaria - os 75 anos da devoção de Nossa Senhora Medianeira no Estado e o translado dos restos mortais de padre Inácio Rafael Valle, grande divulgador da devoção. Também serão celebrados os 30 anos de inauguração do Altar Monumento no Parque da Medianeira, ocorrida no dia 9 de novembro de 1975 e presidida pelo cardeal Albino Luciani, patriarca de Veneza e mais tarde eleito Papa João Paulo I.

A programação iniciou na segunda 4, com a abertura da novena móvel em preparação a 62ª romaria estadual. Uma carreata com a imagem da Medianeira saiu do santuário-basílica e percorreu as principais ruas de Santa Maria até a igreja Nossa Senhora das Dores, onde foi celebrada a primeira noite da novena. Cada noite da novena ocorre numa paróquia diferente, sempre às 20 horas, exceto no encerramento, dia 12 na catedral, quando será às 18 horas. Uma novena paralela ocorre no santuário, sempre às 6h45, como opção aos devotos que não podem participar à noite.

No dia 12, os restos mortais de padre Inácio Valle serão transladados do cemitério jesuíta de São Leopoldo para a cripta do santuário-basílica de Santa Maria. Ele trouxe a devoção da Bélgica em 1928, que daria origem à primeira festa e primeira romaria da Medianeira, realizada em 1930 na capela do antigo seminário São José, em Santa Maria. Padre Inácio morreu em 1982. Uma extensa programação vai refletir a importância das realizações do divulgador da devoção e também sua grande obra social, com destaque para a saúde, educação e lazer.

No domingo 13 serão celebradas missas na catedral, das 5 às 7 horas, e na basílica, das 5 às 18 horas. Às 8h30 inicia a procissão com a imagem da padroeira do Estado saindo da catedral rumo ao Parque da Medianeira, com celebração de missa solene às 10 horas, no Altar Monumento, presidida pelo arcebispo de Montes Claros (MG), dom Geraldo Majela de Castro. Às 15 horas haverá bênção aos doentes e, a seguir, encerramento da romaria. Padre Silvio Weber, do setor de comunicação da diocese, salienta que são aguardadas mais de 300 mil pessoas durante todo o dia. No ano passado, somente na procissão, de três quilômetros, participaram 250 mil.

No dia 25 de novembro de 1942, com a concordância de todos os bispos gaúchos, Nossa Senhora Medianeira foi consagrada padroeira oficial do Rio Grande do Sul.

 

As pessoas do amanhã

Wilson João

É preciso planejar hoje o amanhã para que ele chegue às nossas mãos como uma conquista feita de escolhas permanentes

 

Temos um futuro. Ele depende de nosso passado e de nosso hoje. Quais pessoas terão um futuro garantido? Que tipo de pessoas serão as donas do amanhã, e terão o mundo e a sociedade para si? Não serão as pessoas mesquinhas, mentirosas, enganadoras, exploradoras, acomodadas e corruptas. Esse tipo de pessoas, o tempo se encarregará de eliminá-las. Toda maldade será derrotada pela bondade e pelo bem. As pessoas do amanhã serão as pessoas com capacidade de intimidade e espiritualidade, as pessoas generosas e revestidas de ternura, as pessoas livres e de mente universal.

AS PESSOAS ÍNTIMAS ocuparão o lugar das pessoas vulgares e corriqueiras. Ocuparão o lugar das pessoas gritalhonas e incapazes de conviver com serenidade. As pessoas íntimas serão as donas dos corações e das mentes, serão as que sentam lado a lado com os familiares, os vizinhos, os companheiros de trabalho e de lazer para saborear a vida.

AS PESSOAS ESPIRITUAIS derrotarão as pessoas materialistas que acabam seus sonhos junto ao túmulo, porque não creram na eternidade de suas ações e desejos. As pessoas espirituais cuidarão de todos como irmãos e irmãs, pelo simples motivo de que todas as pessoas são filhas e criaturas de Deus. Cada pessoa é merecedora de respeito, porque é única e eterna.

AS PESSOAS DEDICADAS vão dar de dez a zero nas pessoas acomodadas e preguiçosas. As pessoas dedicadas possuirão a terra, a vida e a estima da sociedade. São pessoas capazes de generosidade, e que dedicam tempo, energia e qualidades em benefício de outras pessoas e causas.

AS PESSOAS DE TERNURA vencerão as pessoas grosseiras e barulhentas. As pessoas de ternura possuirão os corações humanos pela capacidade de escuta e diálogo, de paciência e bondade.

AS PESSOAS LIVRES darão uma lição de vida realizada para as pessoas escravas de seu egoísmo, do materialismo e das ideologias, da prisão dos vícios e do consumismo. As pessoas livres sabem viver e utilizar todas as coisas como emprestadas, a nada se prendendo, e fazendo a escolha do bem que realiza todos os sonhos.

É PRECISO PLANEJAR HOJE O VIVER DO AMANHÃ. O amanhã que não chega em nossas mãos como um presente, mas como uma conquista feita de escolhas permanentes, que respondem aos nossos sonhos de vida e realização.

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

A herança de amor à Itália que está em mim

Nara Martorano Vieira

Produtora rural, São Joaquim-SC

 

Nara Martorano Vieira, 68 anos, de São Joaquim-SC, descrevendo a italianidade dos bisavós, avós e pais, retrata a si própria.

"Quando chegamos em Casteluccio Inferiore, pequena cidade ao sul da Itália, na província de Potenza, senti grande emoção. Junto de meu pai, minha mãe, irmã e primo fui conhecer a terra de meu avô paterno. Ao pisarmos na Itália, tudo foi emocionante. Meu pai muitas vezes chorava.

Em Nápoles, eu nem acreditava no que via! O Vesúvio, do qual meu avô tanto falava, exercia em mim fascínio e medo. Durante a viagem, eu olhava cada curva, cada árvore ou arbusto à beira do caminho, procurando alguma semelhança entre a terra natal do bisavô e aquela que ele escolheu no Brasil, lugar onde eu nasci, São Joaquim, na serra catarinense. E encontrei muitas semelhanças: os morros e as pedras da paisagem deste Brasil incomum. Tive a sensação de pertencer àquele lugar.

A surpresa maior aconteceu ao encontrarmos nosso parente italiano, Alessandro. O mesmo carinho e entusiasmo ao nos receber, uma das características da nossa família, uma das boas coisas que herdamos dos ancestrais. Percebi, também, na nossa família italiana, outra herança, mas bastante espirituosa: todos falamos em voz alta e ao mesmo tempo. Os estranhos pensam que estamos brigando, mas estamos apenas conversando.

Meu bisavô, Domenico Martorano, foi um aventureiro e também um grande sonhador. Tenho certeza de que realizou todos os seus sonhos. Como ourives, criava e fabricava jóias. Por volta de 1867, largou tudo na Itália, esposa e filhos também, e veio sozinho para Buenos Aires, onde trabalhou por algum tempo, depois foi para Montevidéu, e de lá para Porto Alegre, onde estabeleceu comércio na Rua da Praia. Foi ele quem fez uma das espadas do Marechal Osório.

Depois de alguns anos, vendeu o que conquistara em Porto Alegre, comprou uma tropa de mulas cargueiras e foi aventurar-se pelo interior, vendendo tecidos e jóias nos Campos de Lages. Um dia chegou ao pequeno vilarejo de São Joaquim, para onde foi a convite de um amigo. Quando viu aquele lugar, de clima frio como o da Itália, cheio de araucárias, morros e pedras, disse: "É aqui que vou ficar." E ficou. Construiu uma casa confortável, de pedra basalto talhada e foi buscar a família na Itália. Já haviam se passado dez anos de quando deixara a terra natal.

Em São Joaquim, Domenico tinha armazém, onde vendia de tudo. Com o lucro, comprou muitas terras na região. Era homem respeitado pelos amigos e moradores da cidade, que o chamavam carinhosamente de o primo Domingos. Foi também o primeiro italiano a pisar aquela terra, que ele amou desde o primeiro momento.

O filho mais novo de Domenico, meu avô Egídio, tinha dezesseis anos quando veio morar em São Joaquim. Era músico e estudou alfaiataria na Itália. Em São Joaquim, tornou-se um ótimo alfaiate e professor de música. Fundou a Banda Mozart, que é, até hoje, a banda musical da cidade. Foi também um dos fundadores do clube social da cidade e atuou como Conselheiro Municipal. Aos netos e descendentes, deixou um legado de honradez e honestidade, que muito nos orgulha. Com ele aprendi a amar a Itália, através de suas histórias e fotos, do vinho que fabricava em casa, da comida, da elegância dos ternos e sobretudos que fazia, e do seu amor à música e às artes" (e-mail adrianamartorano@terra.com.br).

Nara atesta que herdou dos avós uma Itália de trabalho e fé, cadenciada pela música, cujo acorde maior é ela própria. Parabens! (Rovílio Costa)

 

EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (334)

Nanetto rabalta el nono de gambe alte

Luiz Bavaresco

Nova Prata (RS)

 

Come tuti sa, Nanetto l’è nato in luna calente a le trèdese ore del giorno trèdese de un mese de mila otossento e ninsuni sa quanto. Quel giorno, nela cità de Pagnano, in Itàlia, el sole ga fato la eclipse, giusto quando l’è nato, e i gati soto casa i ga fato un bacan maladeto, sensa parlar che i can i parea rabiosi. Poro tosato, quel zera el so destin.

Quando ghe capitava voia, el ndava fin la casa de Àndolo par vedar la Gelina. Ma el se ga nicorto che el nono, so popà de Àndolo, lo vardava co na bruta fàcia. Nanetto no’l ghe piasea del nono, e el nono manco ancora de lu.

Quel giorno, Nanetto el ga dito ai so botuni:

- Quel vècio lì el me paga, vedarè!

El nono el passava quasi tuto el giorno te la casota, descartossando mìlio. El gavea na tola con medo sércio inciodà ndove el russava le panoce fin che ghe vegnea zo tuti i grani che i cascava te na cassa soto. Pena de soto dea casota, ghe gera un rieto, e sora el rieto, na latrina cole gambe ben longhe par via che, quando piovesse, l’aqua no la rivasse fin el assento e ondove corea l’aqua, in zo, un bel cresson (grion), verdo e mòrbio pròprio, bon de magnar.

Nanetto el ga visto che el nono, tuti i giorni el ciapava un trodeto che l’era pien de erbe dure grande, dele due bande, co le man piene de bòtoli, el ndava fin la caseta dea latrina, e là el stava un bel tempo.

Nanetto el ga pensà, e el ga dito:

- Diman ghe impianto una a quel vècio.

Cosa falo? El va là tel trodeto, e el liga le erbe dure de na banda con quele de l’altra banda in due o tre posti, el torna indrio, e el va scóndarse drio na pianta che l’era pena sora la casa de Àndolo, e de ndove se podea vedar el trodeto e el nono. L’era lì sentà zo soto la pianta ndove nessuni lo vedeva, e el vede el nono coi bòtoli in man che’l ndava verso la latrina. Nanetto ga pensà:

"Ze desso! Te ciapo, bruto ostregon de un vècio", e el vede el nono col pié drito rento na stafa de erba dura, e dopo el pié sanco, e un bruto tombolon che l’è ndato drito col naso in tera. Nanetto se ga tegnesto par non s-ciocar de ridar; el nono el leva su, el scomìssia caminar nantra volta verso la latrina, e nantra volta el se trabuca su par la stafa de erbe dure, e zo in tera nantra volta. Come el gera drio ndar in latrina, medo apurà, con quel tombolon el ga fato tuto te le braghe. El ze deventà rabioso, leva su, el varda dele bande, el buta via distante i bòtoli, e el va rento tel rieto ala banda sanca dessora de la latrina, el bassa zo le braghe, e el taca lavarse el cul.

Nanetto, soto la pianta, pena de sora, l’era realisà, e el ridea sensa far bacan, parché Àndolo e la Gelina no i lo vedesse. Dopo l’è levà su e pinpianeto l’è ndato casa contento par ver petà quela tòmbola al nono. L’altro giorno el ga fato che no’l savea gnente e l’è ndato nantra volta tea casa de Àndolo. Come chi no savea gnente, el vede el nono col naso spacà, el ghe domanda:

- Nono, cosa gavì fato tel naso che’l par un pevaron, rosso e grando, e tuto rovinà?

El nono ghe ga dito che l’era drio moldar la vaca pintada, e che quela scroa ghe ga impiantà na pi bruta peada tel naso e che’l ga perso i sentimenti, e che quando el ga visto, l’era in leto con Àndolo e so fémena che lo vardava e che i ghe metea panesei su par el naso. Nanetto ghe ga dito:

- Se mi fusse vu, ciaparia quela scroa de na vaca pintada e la coparia par imparar a rispetar un vècio.

 

VITA STÒRIA E FRÒTOLE

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

El orto

Geraldo Sostizzo

Agente consular italiano, Cascavel - PR

 

El orto gera un toco de tera darente a casa, tuto sarà con steche, che noantri ghe ciameimo stecato e par fassilitar na s-cianta, pi tardi ze vegnesto la tela de fero. Con questa, gera pi fàcile far un orto e el durea diese volte depì dele steche de legno, che le se smarsia presto.

Dopo sarà tuto torno, scominsieimo sapar le erbe e con la baìla se svoltea tuta la tera. Fato questo, porteimo rento un mùcio de merda de vache, de porchi e de galine. La semenaimo sora la tera e vangheimo nantra volta con la baìla. Dopo smissià polito, feimo i canteri, o meio dir le vanese, larghi un metro e lunghi fin che dea. Delà un paro de giorni, ghe passeimo un rastel fato de legno par dassar la tera ben piana e sensa balochi o qualche altro potàcio e la mama semenea le semense.

Quando gera semense, se semenava; quando gera piantine, se traspiantava; quando gera patate, se piantava, gavio capio?...

Gera fin bel de veder: ghe gera scarlogne, ségole, segolini, sàbia, parsémolo, patatine, articiochi, capussi, verze, aio, teghe, fasui de rami, bisi, fava, sussù, bonmais-tro, erba ruda, osmarin, mangerona, malva, suche, radici, salata, pomidori, ravanei, barbabiétole, caròtole e tante altre cose.

Chi gavea un bon orto, gavea meso magnar pronto, parché el gusto del magnar vien del orto. La mama la smissiea tel orto tuti i giorni e sempre ghe gera cose de far.

Te un canton del orto, gaveimo anca pèrseghi, nèspoli, messiare, marmeli, naranse, fighi, limuni ...

La mama no dassea nessuni smissiar tel orto, parché sol ela savea i giorni giusti de piantar, de traspiantar, de cambiar de posto e anca far nantre vanese.

Le cose che no podea ndar rento gera le galine, parché le sgrafea tuto, i porchi meno ancora, gnanca i osei no gera ben visti tel orto. E anca no gera un posto che i strani podesse ndar rento.

Un giorno son ndato parar fora na galina e la maledeta me ga tolto in giro un mùcio de volte. Go ciapà un sasso e ghe go dato na sassada, go petà giusto tea testa e la go copada. Come nissuni gera drio vardarme, la go portada rento te un buso e la go sconta. La mama no volea veder rento tel orto, gnanca un polastrin, maginàrsela galine o gai..., ma no ocorea mia coparla nò.

 

Proverbi taliani rimai

Elvino João Sartori

Ivoti - RS

 

- Chi roba dei altri sgrafigna, pian pianin suga la vigna del sudor e del’abondansa. Ma, dopo de robar abastansa in galera lu el se mansa.

- Del mànego paura, tola pòvera sicura.

- Chi sa doparar el sùcaro e el sal, ben vive e con poco mal.

- Chi crede in cative fandònie, desméntega le sante memòrie.

- Chi da zòvene no cata de piantarse, da vècio ghe toca, tante olte, incuciarse.

 

GERAL

Feira de negócios turísticos dá ênfase ao turismo rural

Festival de Turismo de Gramado vai mostrar importância do setor

 

O Brasil tem 1.600 propriedades voltadas ao turismo rural, de acordo com a Associação Brasileira de Turismo Rural (ABTR). Valorizar esse setor é o objetivo do Festival de Turismo de Gramado, que será realizado de 17 a 20 de novembro. O segmento ganha espaço em uma das principais feiras de negócios turísticos da América Latina.

A novidade da 17ª edição é o Salão de Turismo Rural. "Cada vez mais as populações, sobretudo dos centros urbanos, buscam a aproximação com a natureza", salienta Marta Rossi. De acordo com a ABTR, o turismo rural tem sido um dos principais geradores de emprego e renda. Somente no RS, a contratação e oferta de emprego nessas regiões cresceram 13% no ano passado.

Não é por acaso o crescimento do setor em solo gaúcho. O Rio Grande do Sul é um dos melhores locais para vender esse tipo de produto, devido às suas características históricas e pela forte cultura agrícola e familiar. A Serra se destaca pelo enoturismo, paisagens e gastronomia típicas das etnias européias que colonizaram a região.

Um dos palestrantes será o secretário de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Valter Bianchini. Ele irá falar sobre a importância da agricultura familiar no país. De acordo com o MDA, o turismo rural dinamiza o meio agrícola e irriga a economia rural, além de fortalecer as comunidades.

 

Crianças de Nova Pádua lançam livro em parceria

 

"Nova Pádua: um outro olhar - memória, história e tradição" é o título do livro, escrito pelas crianças do município. A obra foi lançada dia 5 pela Secretaria de Estado da Cultura, através do Museu Antropológico do RS, o Memorial do RS e a Prefeitura de Nova Pádua.

No lançamento, realizado no Memorial do RS, os grupos "Africanamente" e "Cultura em Dança" homenagearam a comunidade do município.