
DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 4.963 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 16 de novembro de 2005.
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Doutrina social cristã é exigência do Evangelho
ADCE comemora 20 anos na Serra reafirmando o dever de unir fé e vida
Em 1848 foi publicado O Capital, de Karl Marx. A máquina trouxera um outro tipo de relacionamento humano. Marx acenava com uma nova solução: proletários do mundo inteiro, uni-vos! Era a luta de classes que fazia sua entrada na história. Contrapondo-se às teorias de Marx e Engels, o papa Leão XIII, em 1891, com a encíclica Rerum Novarum, lançou as bases da Doutrina Social Cristã. Apoiando-se na lei natural e no Evangelho, a Igreja indicava uma nova postura para uma sociedade mais justa e humana, assinalando a primazia do trabalho sobre o capital, da ética sobre a técnica, do homem sobre a máquina.
Jesus viveu numa sociedade rural e suas pregações falavam dos lírios dos campos, dos pássaros, dos trigais maduros, sem esquecer os mercadores de óleo e os compradores de pérolas. O amor foi o centro de sua pregação. A realidade foi mudando e Leão XIII, no fim do século 19, dando-se conta das "coisas novas" que estavam surgindo, ilumina a abrangência do "mandamento do amor" diante da nova realidade e da questão operária.
Os papas posteriores foram desenvolvendo os diferentes aspectos da doutrina social, como orientação ideal para uma sociedade mais justa em seus aspectos sociais, econômicos, políticos e culturais. Diante dos princípios doutrinais, cabe aos leigos cristãos as medidas práticas para sua realização. É isto o que propõe a Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresa (ADCE). A questão envolve todos os setores da sociedade. Muitas conquistas já aconteceram, mas resta um longo caminho a percorrer, em nome do Evangelho.
Vale para a realidade latino-americana e brasileira o que um bispo africano, Dom Bakole Wa Ilunga, reclamava há alguns anos: "O problema do cristianismo em nosso continente não é que as igrejas fiquem vazias aos domingos, mas que tenhamos testemunhas da justiça de segunda a sábado. O problema não é que falte o sentido do sagrado, enquanto dimensão especial na vida humana, mas sim o sentido da justiça evangélica na realidade profana de segunda a sábado. O que mais nos falta não são palavras para dizer nossa fé, nem símbolos e ritos para celebrá-la. O que nos falta - antes de tudo - é uma nova atitude e outro comportamento, outro estilo de vida para dar eficácia à nossa fé, para concretizar nossa fé, para encarná-la em nossa sociedade". A ADCE é um caminho aberto para essa nova atitude.
Agricultor caxiense começa a migrar para a fruticultura
Levantamento da Secretaria da Agricultura indica tendência
Os dados ainda são parciais e preliminares. Mas com base neles o secretário municipal da Agricultura, Nestor Pistorello, não tem nenhuma dúvida: "Está havendo uma migração do agricultor caxiense da olericultura para a fruticultura". Os números que fortalecem essa conclusão vêm de levantamento realizado por técnicos da Secretaria que ouviram produtores rurais do município.
Além de uva, que ocupa 3,7 mil hectares, estão avançando a produção de maçã (2,1 mil hectares), de caqui, de pêssego e de ameixa (observe tabela). "Está sendo alterado um perfil que se consolidou nos últimos 10 a 15 anos", reforça Pistorello.
Caxias sempre foi destacada como grande produtor gaúcho de hortigranjeiros. É o maior abastecedor, entre outros mercados, da Ceasa de Porto Alegre. Em tese, não haveria motivos para essa migração. Na prática, porém, Pistorello aponta alguns: a possibilidade de armazenar as frutas, diferente de determinadas olerícolas, e um mercado mais atraente. Além disso, para proteger tomate, alface, beterraba, pimentão e outros produtos, é necessário investimento, principalmente em estufas. Mas a questão mais importante, na avaliação de Pistorello, é a sinalização emitida pelo mercado.
Não existem estatísticas que permitem comparações, mas informações obtidas pelos técnicos e pelo próprio secretário revelam que a plantação de frutas está avançando sobre espaços antes ocupados pela olericultura. Não se trata ainda de muitas áreas, mas as primeiras observações indicam que esse processo tende a continuar. "Nossa margem de erro é de no máximo 5%, porque não conseguimos contato com todos os produtores e os dados contabilizados são aqueles que eles forneceram", explica Pistorello.
Essa mudança veio naturalmente. A Secretaria da Agricultura do Município, segundo seu titular, não tem nenhum programa com o objetivo de provocar a migração. "Nosso objetivo aqui é dar suporte a todas as áreas. Cabe aos produtores rurais buscarem o que consideram melhor para seus empreendimentos", ressalta Pistorello.
Quirino Signori é cidadão caxiense
Com o plenário da Câmara de Vereadores lotado de sindicalistas e amigos, Quirino Signori recebeu na quinta 10 o título de Cidadão Caxiense. A proposição é de autoria do vereador licenciado e atual Secretário de Planejamento Vinícius de Tomazzi Ribeiro (PDT), que destacou a luta de Signori em prol dos trabalhadores rurais.
Signori, que desde 1979 é educador da regional sindical da Fetag de Caxias (compreende 22 municípios), nasceu em Monte Bérico, Farroupilha, em 4 de junho de 1941. Ao longo de sua vida, teve atuação marcante nos movimentos ruralistas. Iniciou sua jornada, em 1962, através da Juventude Agrária Católica (JAC), quando ajudou a organizar o primeiro Sindicato dos Trabalhadores Rurais da Serra Gaúcha, em Antonio Prado. Em 1963 veio para Caxias do Sul, onde coordenou a JAC. Depois, assumiu as mesmas funções em nível nacional.
Festa da Uva apresenta trajes oficiais
Homenagear os 75 anos da Festa Nacional da Uva, que serão comemorados na edição de 2006 (de 17 de fevereiro a 5 de março), mantendo a tradição dos antigos trajes regionais de uma forma contemporânea, destacando a importância das soberanas que representam a delicadeza e a força da maior festa comunitária do Sul do país. Essa foi a intenção da historiadora e museóloga Tânia Tonet ao fazer a releitura dos trajes oficiais da rainha Julia Brugger de Carli e das princesas Marcela de Fátima Bertussi e Natália Menegat Vanzin.
Os trajes oficiais das soberanas, confeccionados pela costureira Deolinda Bonetto com bordados de Carmem Regina Rossato e Vilma Perini Silvestre, foram apresentados na semana passada tendo como cenário o espetáculo som e luz, no Parque de exposições da Festa da Uva.
Revolta espalha violência por cidades francesas
Jovens demonstram sentimento de exclusão provocando sucessivos e violentos distúrbios
A morte acidental de dois jovens de origem africana, no subúrbio parisiense de Clichy-sous-Bois, dia 27 de outubro, deflagrou o maior distúrbio social na França desde a histórica manifestação estudantil de maio de 1968. Bouna Traore, de 15 anos, e Zyed Benna, de 17, morreram eletrocutados numa subestação elétrica, onde entraram, segundo testemunhas, para fugir de perseguição policial.
Na noite seguinte, centenas de jovens, a maioria franceses de origem árabe e africana, enfrentaram policiais e começaram uma onda de violência que não havia cessado até domingo 13, 17 dias após o estopim ter sido aceso. A revolta teria dimensões menos fortes se o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, filho de imigrantes húngaros e candidato à presidência pela direita, não jogasse mais combustível ao exigir tolerância zero com o que classificou de "ralé".
Em 17 dias de tumultos que se espalharam por 280 cidades francesas, foram incendiados quase 8.000 carros, dezenas de prédios, lojas, escolas, ginásios e repartições públicas, gerando prejuízo superior a 200 milhões de euros. No balanço de domingo, havia 2.652 pessoas detidas, centenas de feridos e pelo menos uma morte. A maior incidência era nos subúrbios de Paris, mas o fogo atingiu também ruas de cidades importantes, como Toulouse, Lyon, Estrasburgo e Marselha.
Os conflitos não foram contidos pela força policial que mobilizou 12 mil homens e nem pela decretação de estado de emergência - baseado numa lei de 1955 usada para reprimir a insurreição na Argélia, então pertencente à França. O decreto de emergência permite aos governadores das províncias adotar o toque de recolher (usado em 40 cidades) para restringir a circulação de pessoas e veículos, dá à polícia o poder de revistar uma casa em qualquer hora sem ordem judicial, além de possibilitar a aplicação de sanções coercitivas, incluindo detenções e pesadas multas. Nada disso, porém, conseguiu conter os distúrbios.
A escalada de violência reduziu no final de semana, mesmo assim centenas de veículos foram incendiados. Na segunda-feira, o Conselho de Ministros da França aprovou a prorrogação por três meses do estado de emergência.
O governo francês anunciou ainda que começaria a expulsar os estrangeiros envolvidos nos tumultos em todo o país. As medidas rigorosas, no entanto, não garantiam que os tumultos seriam contidos. E a onda de violência começava a se espalhar pela Europa, atingindo Bélgica, Alemanha e Holanda - na avaliação das autoridades, sob influência dos distúrbios na França.
Distúrbios indicam o fim do sonho da integração
Mais de 10% dos 62,4 milhões de habitantes da França são imigrantes, a maioria deles muçulmanos do norte da África. O fluxo, que chegou a 132 mil em 2003, baixou para 105 mil no ano passado. Os pioneiros e seus descendentes habitam os subúrbios das grandes cidades, com destaque para os arredores de Paris. É justamente entre eles que as taxas de desemprego são mais altas - 14% contra 9% na média urbana por pesquisa do ano passado e se forem considerados os jovens muçulmanos até cinco vezes mais que outras regiões - e os indicadores sociais, os mais baixos do país.
Essa camada da população francesa depende diretamente da ajuda estatal, que em alguns casos chega a 75% da renda familiar. Apenas 20% dos jovens do subúrbio cursam universidades gratuitas e o tráfico de drogas na região é intenso.
São os adolescentes e jovens dessas áreas que começaram a sair à noite, portando paus, pedras e armas de fogo, para atear fogo em carros e no que estiver pela frente. Não há um comando ou organização que planeje os atos, e nem a tutela do islamismo radical. O que existe em comum entre os grupos, alguns agindo centenas de quilômetros longe dos outros, é o objetivo de destruir. A polícia concluiu que os vândalos têm organização apenas local e se comunicam por celulares e pela internet.
Em entrevistas, os poucos que falam admitem que os tumultos são uma reação às manifestações racistas do ministro Sarkozy e a forma de serem ouvidos. Ao reclamarem igualdade de direitos, escancaram o fracasso francês na tentativa de promover a integração entre os milhões de estrangeiros - que chegam pobres, famintos e sem cultura -, procurando fundir diferentes etnias num caldo cultural do país. Esse processo, diferente do adotado por outros países, como Alemanha e Inglaterra, sufoca singularidades, tradições e cultos.
A França oferece aos imigrantes o que considera um maravilhoso presente: a oportunidade de se tornarem franceses. É uma integração forçada, que não é aceita pela maioria. Ao ser associado ao desemprego e à marginalização, abre o caminho à violência. A morte dos dois jovens africanos eletrocutados foi apenas o estopim. A bomba estava armada há muito e não há como estabelecer até onde vão seus estilhaços.
Violência na capital do glamour
Maria Clara Lucchetti Bingemer
Teóloga e professora da PUC-Rio
Clichy se situa suficientemente perto para ser parte de Paris, cidade-luz e capital do glamour, mas também suficientemente distante para não ser parte dela. Habitada pelos afro-descendentes, que cada vez mais enchem as ruas de Paris, misturando sua cor, roupas, costumes e religião ao perfume que envia eflúvios embriagadores pelo ar e às vitrines que exibem as deslumbrantes criações de grandes costureiros.
Desde o dia 27 de outubro, Clichy-sous-Bois se transformou em praça de guerra. De lá para cá a violência não pára de se alastrar. O terreno para a disseminação da violência é fértil por lá, assim como aqui. Longe do glamour de Paris, os bairros da periferia atingem altos níveis de desemprego e pobreza: em alguns deles, 40% dos moradores estão desempregados. São lugares cheios de imigrantes de classes desfavorecidas, de ex-colônias francesas na África, que se sentem discriminados. Os moradores se queixam da truculência de uma polícia que, segundo eles, é racista.
Talvez nosso problema não seja exatamente igual. Nossa migração é mais interna e a cidade de São Paulo a cada dia vê sua periferia crescer e inchar mais sob o afluxo de imigrantes que vêm de toda parte, sobretudo do Nordeste. Não se trata de africanos, mas de nordestinos que, tal como os africanos e os árabes na Europa e os hispanos nos Estados Unidos, migram em busca de uma vida melhor.
Mas os outros ingredientes lá estão, tristemente presentes: racismo, desemprego, marginalização, violência. Os últimos acontecimentos em Paris parecem mostrar que a truculência não resolve nada, apenas exacerba uma violência que ferve em uma panela de pressão e um dia explode. Assim também o Brasil, que passou atestado de medo com a recente vitória do NÃO no referendo sobre o desarmamento, pode aproveitar a experiência da capital do glamour para não cair na tentação de uma política de endurecimento, feita de legalização da pena de morte e baixa da idade penal, que nada trarão de bom ao país e só conduzirão a mais e mais violência, luto e tristeza.
Arranjo de plantas eleva produtividade em 750%
Densidade do milho é tão importante quanto a escolha da cultivar
O arranjo de plantas pode elevar a produtividade do milho dos atuais 3.500 quilos por hectares para os sonhados 30 mil kg/ha (757%). Nos últimos 30 anos, enquanto a área cultivada com milho cresceu em 50% no Brasil, passando de oito milhões de hectares para 12 milhões/ha, a produtividade praticamente triplicou. Apesar do avanço, o país ainda mantém a produtividade que os Estados Unidos alcançavam na década de 60.
De acordo com o pesquisador da Embrapa Trigo, Mauro Celaro Teixeira, a densidade errada de plantas é uma das principais responsáveis pelo baixo rendimento. "O produtor precisa avaliar o ambiente para escolher a cultivar e o arranjo de plantas mais adequado para a semeadura do milho", alerta. "A densidade de plantas deve ser escolhida em função da cultivar e da disponibilidade hídrica e de nutrientes", emenda.
Cultivares - Das cultivares no mercado, 14% são semi-precoces, 20% são super-precoces e 63% são precoces. Normalmente, cultivares mais precoces, de menor porte e folhas mais eretas, permitem o uso de densidades mais elevadas, podendo variar normalmente de 40 mil a 70 mil plantas/ha. "O fundamental na cultura do milho, para obter altos rendimentos, é avaliar se a cultivar e as condições do ambiente são adequadas e reduzir o espaçamento aumentando a população de plantas," observa.
O adensamento de plantas pode significar o melhor aproveitamento da radiação solar, resultando em melhoria do índice de área foliar e conservação da umidade no solo para enfrentar o risco de estiagem. "O espaçamento entre fileiras reduziu significativamente nos últimos anos, passando de 1,2m para 0,80m ou até 0,40m", avalia Teixeira.
Para o pesquisador da Universidade Federal do RS Paulo Regis da Silva, o espaçamento na entrelinha não influi diretamente no rendimento, apesar de reconhecer que a redução ajuda a controlar a infestação de plantas daninhas que dependem da luz para crescer.
Paulo Regis da Silva sugere espaçamentos de 40 centí-metros a 50 centímetros entre plantas. "É preciso adaptar a densidade regionalmente, considerando que a densidade muito menor é tão prejudicial quanto a muito grande", ensina.
Segundo o pesquisador da UFRGS, a baixa densidade resulta no subaproveitamento da radiação, causando o ressecamento do solo, plantas mais altas e espigas com número menor de grãos. A alta densidade torna a expansão foliar limitada e a concentração de espigas no dossel (cobertura), o que ocasiona acamamento.
Áreas secas devem reduzir nº de plantas
Em regiões que apresentam deficiência hídrica, recomenda-se a redução de 50% no número de plantas. "A longevidade do período de liberação de pólen no milho encurta, o que reduz o número de espigas", esclarece Paulo Silva, salientando que a competição por água e nutrientes pode resultar em doenças como podridão da raiz, e o mau empalhamento das espigas, implicando em grãos ardidos.
A regra geral para o produtor é decidir a densidade após definida a época de semeadura. Na região Sul, por exemplo, o plantio do cedo, que ocorre nos meses de agosto/setembro, pede maior densidade já que o período de final de inverno disponibiliza pouca luz, implicando em menor crescimento das plantas.
Ao contrário, no plantio do tarde, que vai de novembro a dezembro, o espaçamento e a densidade devem ser maiores para amenizar os efeitos da radiação solar intensa.
Potencial depende de soma de fatores
A pesquisadora da Embrapa Trigo Beatriz Emygdio garante que o potencial produtivo do milho pode chegar a 30 mil kg/ha (ou 500 sacas) em condições que ela chama de "hipotético ótimo", ou seja, uma soma de fatores relacionados ao clima, nutrientes, insumos e tecnologia de ponta durante todo o processo produtivo.
Atingir esse volume, algo como uma carreta de grãos por hectare, é um sonho até para a pesquisa, onde a maior produtividade alcançada até hoje em experimentos foi de 20 mil kg/ha (333 sc) em ambiente controlado. "Mesmo nas lavouras comerciais espalhadas pelo país a disparidade é muito grande, variando de 16.800 kg/ha (280 sc), no recordista brasileiro em 2004, até a média nacional que se mantém em 3.500 kg/ha (58 sc)", relata.
Estas diferenças resultam de fatores combinados. Entre eles, o nível de adoção de tecnologia pelo produtor, o cultivo do milho em áreas marginais, a escolha da cultivar, além de conhecimentos básicos de espaçamentos, densidade e época de semeadura. "Sem eles, impede-se que a cultivar expresse todo o seu potencial produtivo", avalia Beatriz.
RS cria inspeção sanitária animal
O Rio Grande do Sul tem novo Sistema de Controle de Inspeção Sanitária e Industrial de Produtos de Origem Animal (Secis). O objetivo do Secis é desenvolver ações de controle, inspeção e fiscalização à vigilância epidemiológica para erradicação e controle de doenças. Por isso, o cadastro atualizado das agroindústrias passa a ser obrigatório na Secretaria de Estado da Agricultura.
O projeto de lei do Executivo viabiliza a criação do Fundo Estadual de Sanidade Animal (Fundesa), que terá o gerenciamento do Estado e seis entidades do setor produtivo. "A arrecadação do Fundesa pode chegar a R$ 3 milhões por ano", diz o articulador do projeto, o deputado estadual Jerônimo Goergen (PP).
Paraná - O Ministério da Agricultura garantiu que não há febre aftosa em animais do Paraná. Os laudos do Laboratório Nacional Agropecuário deram negativo. A existência da doença afetaria a economia também de SC e do RS. Com o resultado dos exames, estão abertas as fronteiras para os produtos paranaenses.
Doença compromete produtividade
Escurecimento da casca da videira tira o lucro do produtor da Serra
A pesquisa busca respostas, a extensão trabalha para acalmar os produtores. Estes contabilizam os prejuízos com a doença chamada "Escurecimento da casca da videira", que se manifestou, de forma epidêmica, em alguns parreirais da Serra gaúcha a partir de 1998. Após um leve declínio, as reclamações dos viticultores se intensificaram. Hoje, de acordo com a Emater/RS, o mal deve atingir de 20% a 30% dos vinhedos da região.
Alguns atribuem o problema à estiagem que assolou o Estado no final de 2004 e nos primeiros meses deste ano. "Se fosse a seca, por quê a variedade bordô é a mais atingida das uvas americanas? Não há nada de concreto", declara Raimundo Bampi, presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Caxias do Sul, um dos municípios que mais recebe queixas de mortandade de videiras.
De acordo com o pesquisador Olavo Sonego, da Embrapa Uva e Vinho, as causas do declínio das videiras na região da Serra podem ser variadas. "A Embrapa está estudando para diagnosticar as causas e buscar a solução para o problema de morte das videiras", revela. "Não se sabe se é fungo ou vírus no solo", comenta o técnico da Emater de Bento Gonçalves, Vasco Mazzarollo, que atua na área da viticultura há 26 anos.
A doença se caracteriza por apresentar escurecimento na região do colo, redução do vigor, secamento da parte aérea, declínio e morte. Ela ataca as variedades americanas, principalmente pés novos. Nos parreirais atingidos, a doença ataca de forma aleatória, formando manchas. Para Mazzarollo, o vinhedo desuniforme é pouco lucrativo, pois falta da produção das plantas que precisam ser repostas. "Cai a produtividade e essas falhas podem representar o lucro do produtor", diz.
O técnico da Emater lembra que o viticultor deve procurar orientação, quando perceber que o problema está afetando as plantas. "O produtor deve obter porta-enxertos resistentes, pois 99% dos casos ocorrem em mudas enxertadas", ensina Mazzarollo. Outra particularidade: o escurecimento da casca ainda não foi verificado em Santa Catarina. "Nunca registramos nenhum caso", enfatizam os pesquisadores da Epagri, Eliane de Andrade e Eduardo Rodrigues Hickel.
Bampi adota porta-enxerto da Embrapa
Primavera de 1998. Luiz e Guilherme Bampi, de São Virgílio, interior de Caxias do Sul, observaram que, sem causa aparente, algumas videiras morriam, logo após a poda. Dos 17 hectares, os irmãos perderam 10% da área. Na época, o fato chamou a atenção da Embrapa que não encontrou relatos semelhantes na literatura mundial sobre a doença, e da Secretaria Municipal da Agricultura.
Primavera de 2005. "A doença continua atingindo as variedades bordô e niágara", afirma Luiz Bampi ao CR. Conforme relatos do viticultor caxiense, após a morte das videiras em 1998, as plantas que morreram foram substituídas. "Preparamos bem o solo e compramos porta-enxertos sadios da Embrapa", relata ao CR.
A iniciativa deu certo nas áreas que haviam sido atingidas pelo escurecimento da casca, mas o mal continua atingindo os vinhedos dos irmãos Bampi, "porém, com menor intensidade."
Tarde de campo debate fruticultura de caroço
Pragas e doenças e seu controle, manejo do solo e adubação serão temas abordados na tarde de campo sobre fruticultura, que ocorre dia 17, na propriedade de Jaime Mossi e Soloir Valente, em Vila Azul, interior de Veranópolis. A promoção é da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária. "Vamos debater pêssego, ameixa e nectarina", diz Paulo Simonetto, da Fepagro-Serra.
Os palestrantes são os engenheiros agrônomos Adalécio Kovaleski, Antônio Conte, Paulo Simonetto, Maria do Carmo Raseira e Gilberto Salvador.
Engº. Agrº. José Zugno
Tomateiro arbóreo
Gostaria de tirar dúvidas com o engenheiro agrônomo José Zugno a respeito de uma planta que temos aqui em casa. Minha mãe ganhou de uma amiga que veio da Bolívia umas sementes de tomate. Ela plantou e deu este pé enorme. Gostaríamos de saber que tipo de tomate é este, o seu nome, e se é comestível.
MAURA DE CARLI
Vila Maria - RS
O exame das fotos enviadas, apesar de algo tremidas, revela tratar-se do tomateiro arbóreo, também conhecido noutras regiões com o nome de tomate chimango, tomate silvestre, tomate da serra. É uma espécie genuinamente brasileira. Tem nome científico Cyphomandra betaceum, da família das Solanáceas, da qual fazem parte as conhecidas hortícolas: tomate, batata, pimentão etc., e também muitas espécies nativas brasileiras. Em anos passados tive a oportunidade de escrever a respeito desta espécie e poderia simplesmente remeter-lhe, prezada leitora, cópia desses escritos, mas prefiro repetir uma dessas respostas, que me parece ser útil a outros possíveis interessados.
Descrição da planta - O tomateiro arbóreo é uma pequena árvore de uns 2,5 a 3 metros de altura, com ramos abertos, divergentes, frágeis, pouco lenhosos. As folhas são simples, pecioladas (com cabinho), alternas, relativamente grandes, ovaladas ou lanceoladas, com a base cordiforme (forma de coração) e o ápice aguçado. As flores são pequenas na extremidade do cabinho longo, hermafroditas, pentâmeras, reunidas em inflorescências racemosas (cachos) na bifurcação dos ramos. A corola é de cor roxa-pálida, tubulosa na base. Os frutos são bagas do tamanho e formato de ovo de galinha alongado, de casca grossa, lisa, de cor vermelha ou alaranjada quando maduros, de polpa abundante, sabor agridoce, contendo numerosas sementes. Os frutos apresentam-se em cachos. Uma planta adulta, em bom solo, consegue produzir duzentos ou mais frutos.
Cultivo - O tomateiro de árvore é de cultivo simples. As sementes germinam com facilidade e produzem mudas que podem ser plantadas em terreno comum de horta. O crescimento é rápido e a planta não exige maiores cuidados e nem tratamentos com agrotóxicos. Inicia a produção aos 2 ou 3 anos de idade.
Utilização - O tomate de árvore é comestível como o tomate de horta, mas tem sabor e aroma próprios, muito apreciados por quem se acostuma com eles. O fruto maduro pode ser consumido ao natural, cru ou em salada, temperado como outras hortaliças. É saudável e muito nutritivo, rico em vitaminas, sobretudo A e C, flavonóides diversos, sais minerais, em especial sais de cálcio, ferro e fósforo. Igualmente, os frutos maduros, espremidos ou passados num liquidificador e numa peneira fornecem um suco que, diluído em água e adocicado com açúcar comum, constitui gostoso e saudável refresco.
Febre maculosa ressurge no Brasil
Doença identificada em São Paulo em 1929, volta a preocupar área da saúde
O carrapato está voltando à cena. Desta vez é por causa da febre maculosa - doença febril aguda, de gravidade variável, causada pela bactéria Rickettisia rickettsii. O mal está fazendo vítimas em vários Estados do país e preocupando o Ministério da Saúde. Os seres humanos são hospedeiros acidentais, não colaborando com a propagação do organismo.
A doença não é rara. "Por falta de conhecimento e de diagnóstico errado, a febre maculosa pode levar a pessoa à morte", alerta a médica Elba Sampaio de Lemos, coordenadora do Laboratório de Hantaviroses e Rickettsioses, da Fundação Oswaldo Cruz. O anúncio de casos está gerando confusão na população. "O carrapato bovino (Boophilus microplus), ou mesmo de suínos, não é o causador da febre, como alguns estão pensando", esclarece o médico-veterinário da Emater da Serra, Elói Portolan. "O Boophilus transmite a tristeza parasitária", diz Elói ao CR.
Da espécie Amblyomma cajennense, o carrapato que transmite a febre maculosa é conhecido como "carrapato estrela", "carrapato de cavalo" ou "rodoleiro"; as larvas por "carrapatinhos" ou "micuins, e as ninfas por "vermelhinhos". Seu tamanho é de 3,5 mm de comprimento e 2,5 mm de largura, antes de se alimentar. Após, a fêmea pode aumentar cinco vezes de tamanho. São hematófagos obrigatórios, necessitando de repastos em três hospedeiros para completar seu ciclo de vida. O carrapato ataca o ser humano nas fases de larvas e ninfas.
Atualmente, a febre maculosa é a única zoonose transmitida por carrapatos, de ocorrência reconhecida no Brasil. Casos humanos têm sido relatados na região Sudeste desde a década de 20, especialmente nos Estados de São Paulo e Minas Gerais. Na última semana, foram anunciados casos em Santa Catarina. A doença foi identifica nos Estados Unidos, no ano de 1899.
De 1995 a 2005, o Ministério da Saúde notificou 386 casos, com 107 óbitos. Pelo menos três espécies do gênero Amblyomma (A. cajennense, A. aureolatum e A. cooperi) foram incriminadas de participarem na epidemiologia da febre maculosa no país.
Espécies - São conhecidas cerca de 825 espécies de carrapatos no mundo, divididas em três famílias: Ixodidae (625 espécies), Argasidae (195 espécies) e Nuttallielidae (uma espécie) (Keirans, 1992). No Brasil, a pesquisa identificou 55 espécies, divididas em seis gêneros da família Ixodidae e quatro gêneros da família Argasidae.
O que é
A febre maculosa é um tipo de infecção causada pela bactéria Rickettsii rickettsii e transmitida pelo carrapato estrela ou carrapato de cavalo.
Como se pega
Segundo Vera Gattás, gerente técnica de Doenças Emergentes e Reemergentes do Ministério da Saúde, normalmente a transmissão acontece pela picada do carrapato estrela. Ele transmite a bactéria Rickettsia rickettsii, causadora da febre maculosa. O carrapato se nutre de sangue e, para conseguir seu alimento, ataca animais como cavalos, cães, roedores e o próprio homem. Nesse momento, pela saliva, ele infecta a vítima. Pode também ocorrer contaminação através de lesões na pele, pelo esmagamento do carrapato.
Sintomas
O paciente costuma sentir dores musculares, febre alta, fadiga, dor de cabeça, tosse e enjôo. Na pele da pessoa também aparecem manchas avermelhadas. Os sintomas levam de sete a dez dias para se manifestar. A febre maculosa costuma ser confundida com outras infecções, como dengue, pneumonia, leptospirose, hepatite, apendicite e, principalmente, meningite meningocócica. É essencial apressar o diagnóstico da doença, feito por meio de um teste sorológico.
Tratamento
"O tratamento, realizado à base de antibióticos, deve começar no máximo uma semana após o diagnóstico. Caso contrário, existe grande risco de os medicamentos não surtirem o efeito desejado", alerta Vera Gattás. A medicação adequada reduz significativamente a taxa de mortalidade, desde que comece a ser tomada a tempo.
Como se proteger
Se não for possível evitar as áreas infestadas pelos carrapatos, é importante usar calças compridas e blusas de manga comprida ao andar pelo mato, preferencialmente de cor branca. Recomenda-verificar constantemente se algum carrapato grudou na pele. Afinal, o risco de contrair a febre maculosa diminui bastante se eles forem imediatamente removidos. Porém, é preciso cuidado na hora de retirá-los. Não se deve esmagar os carrapatos. Eles precisam ser extraídos da pele com uma leve torcida, preferencialmente com a ajuda de uma pinça.
Leonardo Boff
No mesmo sonho em que vi chineses gritando "agora é paz perpétua", o presidente dos Estados Unidos diz que a paz valerá só por duas semanas. No sentimento, o sonho era mais real que a realidade
C. G. Jung, um dos mestres fundadores do discurso psicanalítico junto com S. Freud, refere-se em suas obras aos grandes sonhos que podem visitar as pessoas. Aí emergem arquétipos ancestrais, carregados de mensagens que podem mudar o estado de consciência e até o destino das pessoas.
A mim me ocorreu um destes grandes sonhos no dia 23 de outubro por volta das quatro da madrugada, em plena crise de artrose que me deixou preso em casa. A noite, de repente, virou dia. Era a noite sem armas, da paz perpétua. No contexto do referendo vale a pena contar esse sonho.
Sonhei que estava na China, reminiscência de uma viagem que fizera com um grupo de teólogos brasileiros e canadenses nos anos 80. Em sonho vi que de uma encosta desciam multidões de chineses. Na China tudo é multidão. Nosso pequeno grupo foi tomado de medo. "Agora eles vêm para nos matar". Mas na medida em que se aproximavam, escutavam-se vozes cada vez mais fortes: "Agora é paz, agora é paz perpétua". Eu pensei: "É um truque deles para nos matarem a todos". Ao contrário, quando se aproximaram, nos cercaram, dançando, abraçando-nos efusivamente e enchendo-nos de presentes. Alguns se estendiam tranqüilos por sobre a relva e nos convidavam a fazer o mesmo para estarmos todos juntos e à vontade.
Começamos a ganhar confiança e também proclamávamos: "Agora é paz, é paz perpétua". Entretanto, um sentimento de estranheza me invadiu. Não conseguia me acostumar à idéia da paz perpétua nem como devia me comportar. A realidade era grande demais, um misto de alegria e de temor. De repente pensei: "Agora virão as bombas atômicas chinesas e nos liquidarão". Mas o temor logo se desfez quando alguém ligou a televisão e lá não se viam mais violências nem futilidades, apenas a mensagem em todos os canais: "Agora é paz". De repente um chinês se ergueu e disse: "Preciso pagar minhas contas". Mas logo se lembrou: "Agora com a paz perpétua ninguém precisa pagar mais nada a ninguém porque todos terão tudo o que precisam".
Subitamente, vi uma roda de pessoas segurando alguém que parecia desmaiado. Logo percebi que se tratava do presidente dos EUA. Da encosta desciam, graves e solenes, os chefes chineses. Entraram numa sala junto com o presidente norte-americano, agora refeito.
Pouco depois, abriram-se as portas e os chefes das duas nações proclamavam: "Chegou o tempo da paz perpétua, da paz eterna". Nisso escutei o presidente norte-americano retrucar: "Teremos paz, mas isso só vale por duas semanas". No sonho fiquei profundamente irritado e pensei: "O capitalismo desaparece com a paz. Ele precisa da guerra para existir". Mas a certeza da paz era tão forte que todos se harmonizavam e não terminavam de sorrir e de se abraçar.
Era a primeira noite da era de Deus. Noite sereníssima e iluminada, realização do sonho mais ancestral da humanidade.
Nisso acordei cheio da graça divina. Apenas as dores dos joelhos me recordavam a diferença entre o sonho e a realidade. Mas no sentimento, o sonho era incomensuravelmente mais real que a realidade. Foi então que me lembrei dos versos místicos de São João da Cruz: "Oh, noite mais amável que a alvorada. Oh, noite que juntaste o Amado com a amada, amada já no Amado transformada".
Frei Betto
Cuba é socialista, mas não é burra. Os dólares que recebe provêm dos EUA. Sobretudo dos charutos que a elite americana (senadores, atores de Hollywood...) compra no mercado negro
Nas primeiras oito décadas do século passado, o comunismo era o Grande Vampiro a ameaçar morder a jugular do capitalismo, sugando-lhe democracia, liberdade e, sobretudo, a fortuna dos ricos. Havia que combatê-lo de todas as formas, sobretudo via guerra psicológica, hiperdimensionando seus erros e defeitos.
É o que se faz, hoje, com o MST, acusado de ter propagado, a partir de seus assentamentos, a febre aftosa. Uma revista semanal chegou ao requinte perverso de estampar na capa a foto de João Pedro Stédile produzida de modo a evocar o diabo...
O Partido Comunista tinha sólida organização no Brasil. Muitos de seus dirigentes viviam na clandestinidade, mantidos pela máquina partidária. Dizia-se que os recursos provinham do "ouro de Moscou". Eu nunca soube que, na capital russa, houvesse minas de ouro. E acho fantasioso imaginar um militante capaz de viajar da Rússia ao Brasil trazendo na bagagem barras de ouro. Ou será que o ouro vinha em pó, escondido dentro de tubos de pasta dental?
As contribuições dos militantes sustentavam o Partido Comunista. Lembro que Marighella recebia todo apoio, inclusive financeiro, de um rico pecuarista baiano, simpático à causa revolucionária. O partido contava com a adesão de pessoas de posse, de profissionais bem remunerados por seu trabalho, como o cientista Samuel Pessoa e o arquiteto Oscar Niemeyer. Não havia necessidade do ouroduto ligando a Praça Vermelha à Praça Quinze, no Rio.
O dinheiro recolhido pelo partido era imediatamente pulverizado entre inúmeros microempresários: barbeiros, motoristas de táxi, açougueiros, padeiros etc. Há pouco um velho militante me contou que, com freqüência, ia a uma lanchonete da Barra Funda, em São Paulo, cujo dono lhe entregava o salário do partido.
Agora, na onda de denuncismo que assola o país, fala-se em dólares de Cuba. Teriam eles aportado no Brasil em duas caixas de uísque Johnnie Walker e uma de rum Havana Club. Por que não em caixas de charutos, com notas enroladinhas dentro de robustos Cohiba? E o que fazia o uísque preferido de Lampião nessa história? Sim, Lampião era um bandoleiro requintado. Exímio costureiro, carregava uma Singer portátil, lia revistas especializadas em cinema e adorava dançar.
A direita brasileira é pobre em imaginação. Para dar o golpe militar de 1964, deu uma de Dom Quixote, que via exércitos em rebanhos de carneiros e castelos em moinhos de vento. Aqui, os golpistas identificaram a ameaça comunista no governo João Goulart e chegaram a cassar, como subversivos, JK e Carlos Lacerda... Agora, incomodada com as pesquisas que continuam dando vantagem ao presidente Lula nas eleições de 2006, tenta-se atingi-lo através dos dólares de Cuba.
Bons tempos em que o jornalismo evitava divulgar denúncias infundadas! Hoje, pauta-se primeiro a denúncia, buscam-se dois ou três dispostos a corroborá-la, publica-se e fica o denunciado com o ônus de provar sua inocência. É a inversão total dos princípios do Direito, segundo os quais cabe ao denunciante o ônus da prova.
Cuba é socialista, mas não é burra. Prova disso é que a sua revolução resiste há 46 anos e 20 diretores da CIA. Por isso, ela tanto assusta o imaginário dos setores de direita. Preso em São Paulo, no início da década de 1970, eu recebia livros de familiares e confrades, submetidos ao crivo da censura do Presídio Tiradentes. De certa feita retiveram um intitulado "O cubismo". Alegou o diretor do cárcere estar proibida a entrada de livros sobre Cuba...
Os dólares de Cuba provêm dos EUA. Sobretudo dos charutos que a elite americana compra no mercado negro. Ou alguém imagina um senador em Washington ou um ator de Hollywood degustando folhas produzidas na Jamaica ou na República Dominicana? Chegam também dos cubanos que residem na Flórida e remetem, por ano, mais de US$ 1 bilhão aos cofres da Ilha. Com esse dinheiro, Cuba assegura a toda a sua população - 11 milhões de habitantes - uma cesta básica familiar por mês, e saúde e educação inteiramente gratuitas. Aliás, elogiadas pelo papa João Paulo II quando de sua visita ao único país socialista do Ocidente, em 1998.
Agora só falta dizer que o PT fraudou as urnas eletrônicas em 2002 para eleger Lula.
O MERCADO DA POLUIÇÃO
Projetos ambientais já podem habilitar-se a receber recursos internacionais do mercado de carbono. O Brasil possui mais de 80 e um pregão da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, que deve ser ativado até o final do ano, vai disponibilizar os chamados "créditos de carbono". Isso significa colocar em prática um dos pontos mais importantes do Protocolo de Kyoto
O Brasil está prestes a começar a ter benefícios financeiros e ambientais com o mercado mundial de carbono. Desde o mês passado, os projetos brasileiros que viabilizam a redução da emissão de gases causadores do aquecimento da atmosfera (o chamado "efeito estufa") já podem candidatar-se a receber financiamento internacional a ser definido em pregão da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. O banco de projetos que pretendem beneficiar-se do acordo mundial denominado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) está sendo organizado pela Bolsa de Mercadorias & Futuros e é o primeiro da América Latina.
Com previsão para entrar em operação até o final do ano, o pregão da Bolsa do Rio vai disponibilizar os chamados "créditos de carbono", permitindo a criação do Mercado Brasileiro de Redução de Emissões (MBRE). A iniciativa, resultado de parceria entre a BM&F e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, tornará o Brasil o primeiro dos países emergentes a negociar Reduções de Certificados de Emissões (RCEs) em bolsas de valores. O banco já tem oito projetos inscritos, dos quais um está validado, ou seja, recebeu o certificado que possibilita que ele seja internacionalmente "vendido".
Créditos - O Protocolo (ou Tratado) de Kyoto, assinado em 1997 e que passou a vigorar em fevereiro deste ano, com a adesão de mais de 140 países, tem por objetivo reduzir entre 2008 e 2012, em relação a 1990, em 5% a emissão de gases responsáveis pelo efeito estufa, como o dióxido de carbono (CO2). Ele determina que quem polui o meio ambiente deve assumir financeiramente as conseqüências disso. Assim, quem mais poluiu desde a Revolução Industrial (os países classificados como desenvolvidos) deverá pagar pelos prejuízos causados ao ambiente, ou compensar essa falta investindo, por exemplo, na recuperação e manutenção de áreas verdes, cuja maior parte ainda está nos países pobres e em desenvolvimento, ou na geração das chamadas energias limpas. Em outras palavras, os países que mais prejudicaram o meio ambiente são forçados a financiar projetos de geração de energia limpa em todo o mundo para reparar as graves agressões que provocaram ao meio ambiente ao longo dos anos. Desta compensação é que surgem os créditos de carbono.
Pelo Protocolo de Kyoto, os países estão separados em dois grupos: os que precisam reduzir suas emissões de poluentes e aqueles que não estão obrigados a tais reduções. O Brasil, assim como outros países em desenvolvimento que não precisam diminuir suas emissões de dióxido de carbono (CO2), pode vender essa redução através dos créditos de carbono.
Créditos podem girar US$ 30 bi
Estimativas de especialistas em meio ambiente indicam que são despejadas na atmosfera anualmente cerca de 7 bilhões de toneladas de gases causadores do efeito estufa (aquecimento artificial da terra). O principal é o gás carbônico (CO2), considerado o mais nocivo ao meio ambiente segundo o professor Emilio La Rovere.
A metade deste volume é seqüestrada pela própria biosfera - por meio dos oceanos e das florestas -, o que evita que boa parte dos gases vá se acumular na atmosfera, agravando ainda mais o efeito estufa. Mesmo assim, o aquecimento global continua sendo uma ameaça.
O Tratado de Kyoto torna obrigatória a redução da emissão dos gases causadores do efeito estufa. Como essa obrigatoriedade pode ser contornada se a empresa ou governo se associa a um projeto que esteja realizando a redução, por meio dos "créditos de carbono", cria-se no mundo um mercado que poderá movimentar até 2012 cerca de US$ 30 bilhões. As estimativas fazem parte de um estudo realizado para o Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República do Brasil.
Segundo o coordenador do Programa de Planejamento Energético dos Programas de Pós-graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), Emilio La Rovere, o Brasil ocupa hoje, ao lado da Índia, uma posição de liderança no mercado de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) - o Ministério de Ciência e Tecnologia já identificou 84 projetos brasileiros desse tipo - foram avaliados 47 e desses, 21 aprovados. O total de projetos permitiria evitar a emissão de 134 milhões de toneladas de CO2. Com esse desempenho, o país poderá abocanhar até 10% destes recursos - cerca de US$ 3 bilhões.
O coordenador diz que o estudo da Coppe mostra que só as iniciativas já em andamento no Brasil podem render um fluxo anual de US$ 300 milhões para o país. A estimativa considera o preço atual da tonelada de gás carbônico entre US$ 5 e US$ 7.
Na avaliação de La Rovere, porém, o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo é um mercado como outro qualquer, por isso, "a participação do Brasil vai depender da nossa eficiência". Além disso, não se sabe quanto os países industrializados vão precisar comprar fora de suas fronteiras - o que depende diretamente de quanto eles vão conseguir reduzir suas emissões dentro de casa.
Mecanismo compensa emissão de gases
O Protocolo de Kyoto é um instrumento para a implementação da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas e tem como objetivo levar a que os países industrializados reduzam e controlem as emissões de gases que causam o efeito estufa. De acordo com o site do Ministério de Ciência e Tecnologia, à exceção dos EUA e da Austrália, todos os países desenvolvidos, e que atualmente estão enquadrados na exigência da redução de gases, já assinaram o documento.
O professor La Rovere, lembra, em entrevista à Agência Brasil, que foi exatamente para facilitar o compromisso das metas estabelecidas para 2012 que os países signatários do documento criaram os mecanismos de flexibilização por meio dos quais as nações ricas podem promover a redução fora de seu território, ou seja, comprando no mercado as Reduções Certificadas de Emissões (RCEs).
Foi essa alternativa que ficou conhecida como Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), passando a ser as negociações de "créditos de carbono" a sua forma transacional, ou seja, a maneira como se pode vender e comprar essas reduções.
Como racionamento
O mercado de créditos de carbono é semelhante à situação de racionamento de eletricidade vivida no Brasil em 2001. "Cada residência tinha que reduzir o seu consumo em relação à média dos meses anteriores. No caso dos países desenvolvidos a redução é de emissão de gases", explica La Rovere, da UFRJ. "É simples: países em desenvolvimento com projetos que evitem a emissão de gases geram créditos de carbono, que se transformam em Redução Certificada de Emissões. Assim, mesmo que indiretamente, eles estariam reduzindo a emissão gases poluentes."
Acordo não é licença para os ricos poluírem
Os créditos de carbono são uma importante ferramenta para incentivar os países, em particular os desenvolvidos, a lidar melhor com a questão da emissão dos gases do efeito estufa e suas conseqüências maléficas para o aquecimento da terra. Elas só não podem é se transformar em licenças para os países ricos continuarem a poluir o planeta. O alerta é do diretor do Greenpeace no Brasil, Marcelo Furtado.
Para ele, o Tratado de Kyoto é fundamental para o planeta, na medida em que obriga esses países a reduzirem as emissões. Mas a demora na ratificação exige uma revisão dessas metas.
Vários projetos podem se habilitar aos créditos
Em princípio, qualquer empresa que de alguma forma desenvolva projetos que promovam a redução da emissão de gases causadores do efeito estufa pode se habilitar a negociar créditos de carbono, inscrevendo-se no pregão da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Essas empresas repassarão as chamadas "Reduções Certificadas de Emissões" aos seus novos "sócios", ou financiadores.
Aterros sanitários são um dos exemplos mais claros deste processo. O engenheiro Emilio La Rovere. da UFRJ, explica que, nesse caso, o projeto pode prever o uso do biogás formado a partir do lixo. "Gera-se metano (CH4), que, no final do aterro, em sua profundidade, na falta de oxigênio, provoca o processo chamado de digestão anaeróbica no lixo. Isso gera o biogás, mais de a metade do qual é o gás metano, que é um gás poderoso como indutor do processo do efeito estufa", diz ele.
O aproveitamento desse gás é que habilita esse tipo de projeto a emitir créditos de carbono. "O projeto que consiga capturar e queimar esse metano, por meio de uma rede de tubulações, gerando, por exemplo, energia elétrica, pode evitar a emissão de metano para a atmosfera", exemplifica La Rovere.
As indústrias siderúrgicas, usinas de álcool e pequenas centrais hidrelétricas também são exemplo: no caso da primeira, o coque, ou carvão mineral (combustível fóssil altamente emissor de gás carbônico - CO2) poderia ser trocado pelo carvão vegetal. Já as outras duas, além de produzirem energia mais limpa utilizam, teoricamente, muito menos ou nenhum combustível de origem fóssil.
Já validado pelos órgãos competentes, o projeto de co-geração com bagaço de cana-de-açúcar da empresa Santa Cândida é um outro exemplo. As informações constam da página do Ministério de Ciência & Tecnologia na internet e indicam que, ao certificar o projeto, a Det Norske Certification (DNV Certification) afirma que o projeto da Santa Cândida atende a todos os requerimentos relevantes da unidade de certificação de MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo).
O projeto começou a operação em junho de 2002 e envolve a melhora da eficiência energética e o aumento da capacidade de co-geração da usina de açúcar Santa Cândida, localizada em Bocaína (SP). O objetivo do projeto é evitar a emissão de 69.041 toneladas de CO2 na atmosfera, durante o primeiro período de crédito, que é de sete anos - média anual de redução de 9.863 toneladas de CO2 e equivalentes.
Para atingir esse objetivo, o projeto prevê basicamente o aumento da eficiência e da capacidade de geração de energia a partir do bagaço da cana, com a instalação de caldeiras de alta pressão e de um gerador adicional de 27 megawatts (MW) de capacidade. (Por Nielmar de Oliveira/ABr)
Emissões de gases podem crescer 52%
As emissões de gases de efeito estufa vão aumentar em 52% até 2030 se o mundo não reduzir o consumo de energia, segundo relatório da Agência Internacional de Energia, que reúne os 26 principais países industrializados - os maiores consumidores de energia. O estudo diz que, se as atuais tendências de consumo continuarem, a demanda por energia vai crescer em mais de 50% nos próximos 25 anos.
Três projetos gaúchos estão credenciados
Três projetos de usinas de biomassa a casca de arroz no Rio Grande do Sul estão credenciados para receber a certificação que autorizará o acesso aos créditos de carbono. A negociação é com a empresa holandesa Biomass Tecnology Group, segundo o secretário estadual de Energia, Minas e Comunicações, Valdir Andres.
A empresa Josapar possui projeto de uma usina de biomassa de 8,3 MW de capacidade em Pelotas e outra de 6 MW em Itaqui. A Cooperativa Agroindustrial de Alegrete tem um projeto de 3,8 MW em Alegrete. De acordo com Andres, os três projetos devem ter investimento ao redor de R$ 40 milhões. O início das obras está previsto para agosto de 2006.
A Holanda tem 500 milhões de euros para investir em empreendimentos por meio de créditos de carbono. A Itália também está no mercado. Sete usinas sucroalcooleiras brasileiras, dois aterros sanitários e um projeto de plantio sustentável de florestas no Brasil, representados pela Econergy Brasil, deverão começar a "exportar" os créditos à Itália.
ENTENDA O EFEITO ESTUFA
Ao chegar à Terra, parte da energia do sol é aprisionada na atmosfera e isso a mantém "quentinha", a uma temperatura média de 30 graus Celsius. É esse efeito benéfico que os cientistas chamam de Efeito Estufa, expressão que tem um sentido mais claro no original em inglês greenhouse effect (Efeito de Estufa de Plantas). As explicações estão na página www.unfccc.org.
Sem o efeito estufa, não haveria vida na terra e nos oceanos, pelo menos com a riqueza, a diversidade e complexidade que conhecemos hoje. O problema é que, nas últimas décadas, os climatologistas perceberam que a temperatura média do planeta estava aumentando, ou seja, está acontecendo uma intensificação do efeito estufa.
Popularmente, portanto, se fala nas conseqüências perniciosas do efeito estufa quando na verdade se está fazendo referência aos problemas trazidos pela intensificação desse efeito, não por ele em si, que existe há milhões de anos e é fundamental para a existência de vida no planeta.
Nas últimas décadas, os cientistas passaram a estudar as causas desse sobreaquecimento e a emitir alertas. Esse movimento deu origem à Convenção das Nações Unidas Sobre as Mudanças Climáticas, aprovada e iniciada na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, em 1992, a Eco-92, ou Rio-92.
A temperatura média do planeta já subiu 6º C no século 20 e as projeções indicam que subirá entre 1,4º C e 5,8º C até o ano 2100, se nada for feito para deter o processo, segundo informe oficial do portal da internet da Convenção.
Os gases do efeito estufa formam como que uma "redoma de vidro" sobre o planeta, deixando entrar a luz e aprisionando o calor. Originalmente, esses gases somavam apenas 1% do total da atmosfera. O principal deles é o dióxido de carbono (CO2), que tinha participação de 60% nessa soma. Ocorre que os principais energéticos utilizados pelo homem nos últimos séculos - madeira, carvão, petróleo e gás natural - liberam carbono (C) na atmosfera e contribuem para formar mais dióxido de carbono (também conhecido como gás carbônico), que intensifica o efeito estufa. Segundo dados da Convenção das Nações Unidas sobre o assunto, os níveis de CO2 na atmosfera estão crescendo 10% a cada 20 anos. As medidas necessárias ao retrocesso desse quadro são o controle ou redução da queima de combustíveis fósseis (como o petróleo), a conservação das florestas e, sobretudo, o reflorestamento de áreas desmatadas.
Papa deve reestruturar Cúria romana
Mudanças estão sendo conduzidas pelo cardeal italiano Attilio Nicora
Observadores do Vaticano revelam que até o Natal o Papa Bento XVI deverá confirmar novos nomes nos diversos dicastérios (departamentos) e uma decisiva reestruturação da Cúria romana. Provavelmente não serão mudanças feitas todas de uma vez, mas aos poucos. Nos primeiros seis meses de governo, Bento XVI confirmou em todos os postos do Vaticano as mesmas pessoas que atuavam com João Paulo II, seu predecessor, inclusive o secretário de Estado, cardeal Angelo Sodano, já demissionário por razões de idade.
Na realidade, houve apenas duas mudanças - o arcebispo de San Francisco, William Joseph Levada, nomeado prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, em substituição a Jo-seph Ratzinger, eleito Papa; e do ex-secretário de João Paulo II, Stanislaw Dziwisz, promovido a arcebispo de Cracóvia.
O paciente trabalho de mudanças na Cúria romana está sendo conduzido, segundo a revista italiana Panorama, de outubro de 2005, pelo cardeal italiano Attilio Nicora, presidente da Administração do Patrimônio da Sé Apostólica, o ministro do Tesouro da Santa Sé. Feito cardeal em 2003, Nicora, jurista, é amigo pessoal de Bento XVI e é habituado a trabalhar longe dos refletores.
Depois de 24 anos como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Ratzinger conhece a fundo os vícios e as virtudes da Cúria romana. Contando com orientações do Papa, o cardeal Nicora estaria se movendo em três direções: agilizar a máquina burocrática da Santa Sé, promover uma maior colaboração entre os dicastérios e dar maior autonomia à Cúria junto à secretaria de Estado.
Alguns dicastérios poderão ser reunidos num só, como o da família e o dos leigos e poderá surgir um novo que juntaria o Pontifício Conselho das Comunicações Sociais, a Rádio Vaticana, a sala de imprensa da Santa Sé, o jornal L’Osservatore Romano e o Centro Televisivo Vaticano.
Teólogo brasileiro considera positiva atuação de Bento XVI
Bento XVI começou bem, defendeu o Concílio Vaticano II, investiu no diálogo inter-religioso e está trabalhando para revalorizar a Igreja local, começando a desmontar a centralização que havia caracterizado o pontificado de João Paulo II. A análise positiva do pontificado de Bento XVI é de Leonardo Boff, um dos mais famosos teólogos da Teologia da Libertação, que sofreu na própria pele as conseqüências das medidas disciplinares da Santa Sé, adotadas pelo então cardeal Joseph Ratzinger, à frente da Congregação para a Doutrina da Fé.
Ex-franciscano que deixou o hábito após fortes discondâncias com o Vaticano, Boff concedeu uma longa entrevista ao jornal espanhol El Correo, da região basca, sobre a atuação de Bento XVI. "Destaco várias coisas positivas que ele anunciou. A primeira é a retomada do Concílio Vaticano II, porque eu não estava seguro que ele fizesse isso. A segunda é a descentralização institucional que dá novo valor às Igrejas locais, uma coisa muito importante porque antes dele - salientou Boff - houve um extraordinário processo de centralização. A terceira é o fortalecimento do diálogo inter-religioso na perspectiva da paz. É uma boa base para começar".
Boff disse ao jornal que espera muito do Papa, pois o considera um teólogo inteligente. "Saberemos melhor a direção a ser tomada, quando Bento XVI publicar sua encíclica, que servirá de plataforma política para tudo aquilo que ele pensa em realizar". Essa encíclica está sendo aguardada para o próximo dia 8 de dezembro. Boff é o segundo grande teólogo progressista a dar um juízo positivo sobre o atual pontífice. O primeiro foi Hans Küng, recentemente recebido em audiência por Bento XVI.
Missionárias batem às portas da China
As Missionárias da Caridade, fundadas por Madre Teresa de Calcutá, aguardam a resposta do governo chinês para abrir uma casa na China, um pedido lançado pelas próprias autoridades do país. Se a resposta for afirmativa, será a primeira congregação católica a abrir oficialmente uma sede na China desde os tempos de Mao Tse Tung.
A informação foi passada à agência Asia News pela sucessora de Madre Teresa à frente da congregação, irmã Nirmala Joshi. Ela revelou que em abril passado recebeu uma carta de uma importante personalidade do governo com proposta de as irmãs atuarem na China. Três vezes Madre Teresa visitou o país para abrir uma casa e ocupar-se dos mais pobres, mas sempre lhe foi negada a permissão. Um funcionário do partido chegou a responder-lhe que na China "não havia pobres".
Padre Zezinho
As mãos falam e dizem muito. Por elas também passam o cuidado, o carinho e a ternura
Era muito mais bonito aquele tempo em que ele punha as mãos nos ombros dela ou publicamente andavam de mãos dadas. Alguém decretou e espalhou que o gesto está fora de moda. Que falem, mas, se não inventaram coisa melhor, que se calem! O fato é que continua bonito ver a mão dele segurando a dela, sem nenhuma outra razão além do carinho entre dois seres humanos.
Casais idosos ainda fazem isso e há casais jovens que não abrem mão desse privilégio. O gesto não tem nada de antiquado. Diz muito ao coração dela e faz bem ao homem que ele é. Mostra publicamente que há um laço a prender suavemente os dois. As mãos falam e ajudam a dizer coisas boas e más. Por elas também passam o cuidado, o carinho e a ternura. Aquelas mãos dadas são mãos de pai e mãe, ou de quem será. São mãos que cuidaram, cuidam ou cuidarão de vidas tenras e carentes.
Mãos levantam queixos, afagam cabelos, tocam olhos e testas, seguram mãozinhas inocentes, curam feridas, fazem comida, lavam corpos e roupas, constroem brinquedos, afagam bochechas, alisam cabelos brancos, plantam, colhem e beneficiam, assinam decretos, ajudam os pobres e tornam o matrimônio uma fonte de vida. Nada mais justo, então, que homem e mulher caminhem de mãos dadas, porque é bom, é terno, simboliza um vínculo e é testemunho de que alguém está amando alguém.
Em algum ponto da caminhada muitos casais perderam este delicado e belíssimo costume. Em era de tanta violência, fora e dentro do lar, de tanta indelicadeza, ingratidão, ameaças e perda de valores, há costumes que devem ser preservados e incentivados. Um deles é a ternura do casal de mãos dadas. Não faz sentido que duas pessoas que se amam, caminhem sistematicamente separadas, como se estranhos fossem. Era bonito, simbolizava laços de família e todos podiam ver. Que volte a simbolizar a unidade. Prefiro ver isso do que homens indelicados e mulheres magoadas e de rosto sombrio e enxabido, ao lado do homem que um dia foi a razão dos seus sorrisos. Pequenos gestos podem fazer a diferença. Parecem bobos e fora de moda, mas não são mais tolos e fora de moda do que um casal se espicaçando na frente dos outros e agindo como se o outro não significasse mais nada em sua vida. Pode até haver mentira naquelas mãos dadas, mas se até inimigos se dão as mãos e assinam tratados, por que não um casal que tem e teve uma história?
Que se reze o Pai-Nosso de mãos dadas. Que se comece pelos casais!
Irmã gaúcha é eleita superiora geral
Marinês Burin está à frente do governo geral das Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora
Uma religiosa gaúcha, natural de Erechim, é a nova superiora geral da Congregação das Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora. Irmã Marinês Burin foi eleita durante o XVI Capítulo Geral da congregação, realizado de 15 a 30 de outubro em Medellín, na Colômbia. Marinês integrou o conselho geral do último qüinqüênio (2000/2005), que tinha como superiora geral outra gaúcha - madre Maria Estelitta Tonial.
Para o qüinqüênio 2005/ 2010 foram eleitas, além da superiora geral, quatro conselheiras - Maria Presotto (brasileira), e as colombianas Maria Elisa Hincapié (também vigária geral), Sony Maria Gutierrez e Imelda Toro, que além de conselheira, acumula o cargo de secretária geral. A sede geral da congregação está na cidade de Bogotá, Colômbia.
A congregação foi fundada por Madre Maria Bernarda Bütler (1848-1924), religiosa suíça que, em 1888, com seis companheiras, foi atuar como missionária no Equador. Nesse país surgiu a congregação, mas em 1895, a madre foi obrigada a fugir, com 15 companheiras, para a Colômbia por causa de uma violenta perseguição religiosa. Madre Maria morreu em Cartagena, Colômbia. Foi beatificada no dia 28 de outubro de 1995, por João Paulo II.
Hoje, na Colômbia, são cerca de 450 religiosas. Elas são responsáveis por 21 colégios (particulares e públicos, onde as irmãs são diretoras ou atuam). Só em Cartagena, por exemplo, a congregação tem dois colégios próprios, com 2.900 alunas, além de outros cinco com direção das irmãs e professores do governo, com mais de quatro mil alunos. Contam também com um hospital com 120 leitos e uma casa de idosos.
Também estão à frente de obras sociais paroquiais, centros de formação de lideranças e de juventude; promoção social em bairros pobres, em áreas rurais e em palenques (quilombos), em postos de saúde e junto aos campesinos atingidos pelos paramilitares e pela guerrilha, por quem são respeitadas.
Além da Colômbia atuam no Peru, Venezuela, Bolívia, Áustria, Equador, Suíça, Liechtenstein, Cuba, em dois países africanos (Chad e Mali) e no Brasil. No Brasil, contam com duas províncias, uma com sede em Passo Fundo (RS), formada por 160 religiosas e 25 fraternidades, e outra em Chapecó (SC), com 63 irmãs e 15 fraternidades. Também têm casas em Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraíba, Amazonas, Rio Grande do Norte e Distrito Federal. Dedicam-se à evangelização nos campos da educação, saúde e promoção social.
Irmãs Franciscanas Aparecidas celebram capítulo geral
Outra congregação religiosa que realizou Capítulo Geral em outubro foi a das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora Aparecida. O capítulo foi celebrado de 26 a 30, no Centro de Formação Madre Celina, em Porto Alegre. Fez parte da agenda capitular a definição das prioridades para o quadriênio 2005-2009 e a eleição de uma nova equipe para coordenar a vida e a missão da congregação nesse período.
As religiosas presentes ao capítulo elegeram para superiora geral irmã Salete Verônica Dal Mago. Ela terá como conselheiras as irmãs Lourdes Castagna, Nadir Bavaresco, Ignes Piasson e Elizabete Somavilla. Irmã Nívia Siviero foi eleita ecônoma geral.
Durante o quadriênio 2001-2005, a congregação viveu um processo de estudos, reflexões e oração que deu origem a um projeto denominado "Espiritualidade das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora Aparecida". O documento foi aprovado durante o capítulo e, a partir de agora, será o marco iluminador da vida e da missão da congregação, fundada em Porto Alegre no ano de 1928 por madre Clara Maria de Azevedo e Souza, assessorada pelo frei capuchinho Pacífico de Bellevaux.
Participaram do capítulo religiosas da congregação que atuam na África, na Bolívia e em regiões brasileiras do Centro Oeste e do Amazonas. O encontro contribuiu para enriquecer as celebrações litúrgicas, as reflexões e os momentos de confraternização, além de revigorar o espírito missionário. Entre as decisões capitulares, encontra-se a de abrir uma segunda Betânia na Bolívia e, na medida do possível, ao longo do quadriênio, uma segunda comunidade em país da América Central.
Aldo Colombo
O homem é o resultado de suas escolhas e a realização passa pelos desafios vencidos
Aos pés dos Andes, conta Berkenbrock, numa mesma árvore, vivem dois tipos de pássaros. Um vive no alto da árvore, o outro nos galhos mais baixos, perto do chão. O que vive no alto da árvore quase não tem comida. Alimenta-se com os insetos que lá aparecem de vez em quando. Ele fica, na maior parte do tempo, segurando-se firmemente no galho para não ser desalojado pelo vento e procurando o ângulo mais favorável para capturar insetos e retornar à sua base. Quando chega o inverno, a situação piora ainda mais. Ele tem de suportar o vento e a neve por muitos dias, sempre atento a qualquer possibilidade.
O pássaro que vive nos galhos mais baixos tem comida em abundância. Ele se farta de alimentos, engorda e quase não voa. Quando chega o inverno, as frutas e os insetos diminuem e o pássaro fica xingando o maldito vento e o frio. Começam as provações e a falta de comida. Como não se acostumou à resistência, enfraquece e acaba capturado pelos predadores.
Isso acontece também com as pessoas e as instituições. São as dificuldades que enrijecem o caráter e preparam para a vida. Quem não se acostumou com a luta desanima diante da menor dificuldade. Está convencido que todos estão contra ele, que ninguém lhe dá a importância merecida. Quase sempre são fracassados na vida, mas, evidentemente, culpam os outros pelos seus fracassos.
No setor educacional, hoje, começamos a sentir mudanças. Depois de um período liberal e permissivo, pais e mestres estão convencidos que precisam assumir o controle. A criança - seja filho ou aluno - torna-se exigente e acomodada. Tem forte consciência dos possíveis direitos, mas deixa de lado os deveres. Educar é também dizer não. É preparar para a vida, onde a luta e a concorrência costumam ser implacáveis. Desde cedo, a criança precisa saber o certo e o errado, precisa entender que existem obrigações. A vida comunitária ensina a respeitar o lugar do outro, ensina a conviver e partilhar. Mais ainda: a dificuldade, uma vez vencida, torna-se uma conquista definitiva.
São as tempestades que fazem a história avançar, costumava afirmar o historiador inglês Arnold Toynbee. Diante das dificuldades, o homem e as instituições descobrem suas verdadeiras possibilidades e novas opções. Os limites humanos ainda não são conhecidos. E é sempre perigoso dizer que algo é impossível.
As mordomias e reclamações não levam a nada. Ou melhor situando: levam ao fracasso. A pessoa é feita para a luta e as dificuldades são para serem superadas. O homem é o resultado de suas escolhas e a realização passa pelos desafios vencidos. De resto, é sempre bom recordar a frase proferida tantas vezes no Evangelho: "Não tenham medo, eu, o Senhor, estou com vocês!".
Capítulo reúne freis do Brasil Central
Capuchinhos elegeram novo governo provincial para o próximo triênio
A Província Nossa Senhora de Fátima do Brasil Central, que abrange os Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Tocantins e o Distrito Federal, realizou, de 7 a 11 de novembro, o VIII Capítulo Provincial. O capítulo ocorreu na casa de cursos e retiros Frei Leopoldo Mandic, em Hidrolândia (GO), e foi presidido por frei Manoel Delson Pedreira da Cruz, definidor geral da Ordem para a América Latina.
Os 53 frades capitulares elegeram o novo governo provincial e programaram as atividades para os próximos três anos. O novo governo ficou assim constituído: ministro provincial, frei Moacir Casagrande, natural de Putinga (RS); vice-provincial, frei Cláudio Fumegalli (Paraí - RS); segundo definidor, frei Selito Joele Lorenzetti (Jacutinga - RS); terceiro definidor, frei Nereu Todescato (Paraí - RS); e como quarto definidor, frei Izaías Francisco de Oliveira, natural de Hidrolância (GO).
A província capuchinha do Brasil Central foi fundada por frades do Rio Grande do Sul pelos idos de 1956, quando os primeiros capuchinhos gaúchos entraram no então Estado do Mato Grosso nas regiões de Aparecida do Taboado e Bataguassú. "O terreno foi cultivado, o solo fecundo, as vocações da região surgiram e perseveraram", salienta o novo provincial, frei Moacir Casagrande. Hoje os frades gaúchos constituem apenas metade dos 81 membros da província que atuam no Brasil Central.
Durante o triênio, o novo governo terá o encargo de organizar a celebração dos 50 anos de presença capuchinha na região e os 25 anos de elevação da Província do Brasil Central. Eventos com esse objetivo serão programados para o final de 2006 e ao longo de 2007.
Cáritas RS realiza assembléia estadual
A Cáritas Brasileira Regional RS realizou, de 10 a 12 de novembro, no Centro Diocesano de Pastoral, em Caxias do Sul, sua 36ª Assembléia Estadual. Participaram do evento representantes das 14 Cáritas Diocesanas organizadas no Regional Sul 3 da CNBB. Cerca de 60 agentes Cáritas avaliaram os últimos dois anos de caminhada, resgataram a história de 45 anos de presença da entidade no Estado e deram abertura às comemorações dos 50 anos da Cáritas Brasileira, além de definirem as prioridades para o próximo biênio. Durante a assembléia, assessorada por Telmo Adams e Domingos Armani, foram escolhidos os novos conselheiros da Cáritas RS.
Diácono caxiense será ordenado padre
Paulo José Dalla Rosa será ordenado sacerdote no dia 19 de novembro de 2005, às 17 horas, na matriz da paróquia Sagrada Família, em Caxias do Sul, pela imposição das mãos de dom Dadeus Grings, arcebispo de Porto Alegre. Paulo vai trabalhar na arquidiocese gaúcha. Foi ordenado diácono no dia 17 de abril de 2005, no ginásio da Brigada Militar, em Porto Alegre. Escolheu como lema de ordenação "Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância" (Jo 10,10).
Filho de Cláudio e Olga Schiavo Dalla Rosa, Paulo nasceu em Caxias do Sul aos 9 de março de 1969. Foi batizado na igreja Imaculada Conceição por frei Abrósio Tondello. Cursou Filosofia na Universidade de Caxias do Sul e no seminário maior Imaculada Conceição de Viamão. O curso de Teologia foi realizado no Instituto Paulo VI em Londrina (PR) e na PUC, de Porto Alegre.
Wilson João
É preciso sempre viver de encanto. É a novidade de todo o dia. É a pitada de amor em cada gesto
Encantar-se é lindo e mexe com todas as emoções e sentimentos. Desencantar-se é decepcionante e feio, esteriliza todas as emoções e sonhos. Todas as pessoas vivem seus encantos e desencantos. A sociedade passa por momentos de encantos e outros de desencantos.
OS NAMORADOS SE ENCANTAM. Tudo é lindo. Tudo é vida. Tudo é fácil. Beijos e abraços. Sexo e festinha. Tudo encanto! Aparecem as dificuldades e as diferenças. Surgem as primeiras discussões. Começam os ciúmes e as exigências. O desencanto toma conta da vida. Tudo se torna chato e sem graça.
OS CASADOS SE ENCANTAM. Marcam data de casamento. Tudo é festa e facilidade. Lua de mel. Cada um tenta agradar o outro da melhor forma. Há compreensão e perdão. Vive-se a intimidade. Passa o tempo. A indiferença toma conta. O hoje se torna igual ao ontem. A monotonia cansa. Já não há beijinhos. Encantamentos paralelos aparecem. O primeiro encanto se perde no tempo e desencanto toma conta do relacionamento.
NASCE UMA CRIANÇA. É um encanto. É festa. Quarto preparado. Visitas e admirações. A criança vai crescendo. As dificuldades de relacionamento aparecem. Surgem os conflitos da adolescência. O desejo de liberdade cria asas e a rua ocupa o lugar da casa. O mundo é outro. Os tempos são outros. A decepção toma conta dos pais e até o sentimento de rejeição invade seus pensamentos. O encanto foi se tornando desencanto.
O SACERDÓCIO FOI UM ENCANTO. Um sonho da mãe e do pai. Ali está o sacerdote. Festa e parabéns. É uma vida que começa. Passa o tempo. As tentações do comodismo e do econômico batem no coração. Começa a gelar o sonho do celibato e do amor feito dedicação. O ideal que ocupava a mente e o coração se refugiou numa vida corriqueira, sem entusiasmo pela causa abraçada. O encanto pela missão e pela Igreja desapareceu. A sociedade acolhe mais um desencantado que não soube retomar sempre o primeiro amor.
O TRABALHO APAIXONOU. Um novo trabalho. Novo sonho. Lugar agradável. Companheiros de trabalho amigos e fiéis. Passa o tempo. Vem o repeteco de funções e gestos. As horas não passam. O trabalho cansa. Nasce um novo sentimento: "Não era isso que eu queria!" É o desencanto.
É PRECISO SEMPRE VIVER DE ENCANTO. É a novidade de todo o dia. É a pitada de amor em cada gesto. É a criatividade que reveste cada atitude de ternura e vida. Renovar o encanto. Retomar o amor. Retomar sempre o primeiro amor. O primeiro entusiasmo. O primeiro encantamento. A pessoa desencantada está morta. O encanto faz com que a escolha inicial se torne sempre uma escolha atual.
O italiano que está em você
Ovidio Hillebrandt
Professor, Nova Petrópolis-RS
O Prof. Ovidio Hillebrandt passou ao falar, escrever e viver italianos, depois de ser vencido pelo amor da italiana Adelia Feltrin Sachett, ratificado nos filhos Márcia, Sandro e Leandro. E se dá ao luxo de ensinar e escrever em italiano:
"Nato in Nova Petrópolis-RS, sono il 99,9% tedesco. I bisnoni Oppitz, emigratti dell´Impero Austro-Ungarico, raccontavano che, forse, il suo fosse un cognome italiano - Oppizzi. A 10 chilometri della nostra casa c’è la contrada Pedancino, lungo il fiume Caí, frontiera con Caxias do Sul, cula degli italiani, che mi hanno testimoniato che gli italiani sono lavoratori, religiosi, pelle buia e parlata veloce. In datte speciali, come Natale e Pasqua, venivano, a cavallo, alla chiesa di Linha Imperial. Prendeva la sua chiacchierata alta e veloce, stranissima ai tedeschi che mai parlavano così alto!
Sono andato alla scuola elementare parrocchiale per cinque anni. Una mattina, abbiamo avuto un nuovo collega di nome Querino Dall’Agnol. Un bel e simpatico bambino, di viso stretto, pelle buia, capelli neri. Qualcuno dei miei colleghi me lo presentò con uno cattivo scherzo: "Das is de Querino italiano, querino brigaliano!" Noi parlavamo il Hunsrück. Con "brigaliano" volevano dire che, nelle feste, gli italiani, più facilmente dei tedeschi, finivano in contende.
Nel Internato dei Fratelli delle Scuole Christiane, una metà italiani e l’altra tedeschi, ho imparato a parlare bene il portoghese, ma coll’acento tedesco dei tedeschi, e talian degli italiani, che m’insegnarono parole taliane, sin dai tredici anni. Ma, l’importante era che ambedue le etnie imparassero bene la lingua nazionale. Oggi si penserebbe diversamente, perché anche le lingue familiari sono importanti ad una persona colta.
Nella Scuola Normale Rurale di Ana Rech-RS, amministrata dai Preti Italiani Giuseppini del Murialdo, i colleghi erano veneti, con soli uno o due tedeschi in ogni classe e così ho avuto nuova opportunità di ascoltare ed imparare il Veneto, da noi detto Talian. Cinque anni dopo la laurea, sono stato contrattato per fare l’insegnante di Inglese, Portoghese, Calligrafia e Scienze Naturali in questo Istituto. Frequentavo il Corso Scientifico al Cristóvão de Mendoza in Caxias do Sul-RS. C´era un piccolo libro di scienze naturali in italiano. Nelle lezioni leggevo agli allievi brani di questo libretto e facevo la traduzione simultanea. Fu un’eccelente lezione di italiano per me.
Con fascino per le lingue straniere, ho comprato un libro di lingua russa, che molti anni dopo l’ho davvero studiata. Quindici anni fa, ho comprato un romanzo in italiano, per imparare l´italiano attraverso la lettura, ma l’ho cominciato e lasciato diverse volte, però da due anni ho deciso studiare davvero e praticare l’italiano, perché, come non ho mai lasciato, neppure abbandonato la mia moglie italiana, non potevo abbandonare la lingua del mio amore?! Nel 2003, a invito dell’editore del giornale comunale A Ponte, Heitor Michaelsen, ho cominciato scrivere cronache in italiano. Fu un’eccelente opportunità per imparare ed approfondire l’italiano che ho studiato nei Circoli Trentini di Gramado e Caxias, e nel Programma di Lingue Straniere dell’Università di Caxias. Questo è il mio essere italiano. Sono nato tedesco, ma l’amore mi ha fatto tedesco-italiano-sud-rio-grandense". (e-mail ovidiors@terra.com.br)
TOvídio está cultivando sua italianidade cultural e sua germanidade vivencial, agora, traduzindo ao Hunsrück e Inglês o Nanetto Pipetta, homenageando os Oppitz alemães e os Opizzi italianos. (Rovílio Costa)
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (335)
Un bruto sogno co'l demònio rosso come na bronsa
Luiz Bavaresco
Nova Prata (RS)
Zera luna calente. La note la vegnea scura e negra che la fea paura. I can i sbaiava de quele sbaiade longhe come i lupi. No ghe gera gnente de ària, e zera na note calda. De la banda de la casa de Àndolo, che zera da dove vegnea la piova, se podea vedar s-ciantisi che i luminava i monti, e che i vegnea ben del fondo, chi sa, de l’altra banda del mondo. Quela note, Nanetto ga sentio paura. El pel de oca l’era par tuto el corpo. L’era lu sol te la caseta, o meio, l’era lu e el so feraleto che, par non guastar massa petròlio jacaré, el ghe gavea sbassà la fiama. L’era sentà te la bancheta drio la tàola. De na banda ghe zera la parede, e sora la tàola el feraleto, lora el se ga distraio un pochetin parché el ga tacà dugar co la ombria de la so man su par le tàole de la parede. El verdea e sarava la man, e la ombria fava lo stesso. La man sanca coi due dei voltai in su la parea due corni del diaoleto. L’era lì che’l vardea anca l’ombria de la so testa, e lora el ga visto che la récia drita l’era pi verta e pi granda de l’altra.
Come l’era drio pipar tea so pipeta, el vedea anca l’ombria del fumo che ndava su dela pipa. Fin che l’era lì in tei so pensieri, el gavea i pié rento tea gamela de aqua calda par lavarse un poco fin el denòcio. Fenio quei afari, el se ga sugà le gambe e i pié, l’è levà su, e l’è ndato in te la finestra par vedar nantra volta el tempo. Daromai scomissiava a ventar e se podea vedar i crodoni dele nùvole che molava i s-ciantisi. El ga sarà la finestra e l’è ndato butarse zo tel paion de scartosse par dormir.
No se sa parché, ma quela note l’è stata na bruta note par Nanetto. Pol essar che l’era impressionà con quel che’l ga visto e sentisto vanti de dormir, ma la verità l’è che’l ga bio un bruto sogno. El se ga visto in Itàlia te un posto ben darente dove el stea e dove l’era stata la so fameia. De la banda drita dela strada che ndea a Pagnano, on due chilòmetri pí avanti ghe gera un pricipìssio fondo, scuro, pien de spinari e sassi. Eco che’l ga visto là in fondo un bruto demònio grando come na pianta e rosso come na bronsa co na forca de quele de smuciar la spagna con tre denti longhi. Sto diaol el barufava e el molea na spussa de pólvore dele capete de s-ciopa. El rabaltava su sassi e, de repente, Nanetto el ga visto che’l diaol el gavea in man so fradel pi pìcolo e che lo ga butà su par ària e dopo lo ga sponcià con la forca ben te la pansa.
Poareto me fradel picoleto, el ga dito, intanto che’l piandea desperà.
El diaol no se ga incontentà, e el ga ciapà so sorela, la Maria, e el fa lo stesso. Nanetto l’era lì che’l vedea tuto e no’l podea far gnente. El diaol lo vardava e ghe strucava i oci e col deo polegar de la man drita el ghe ga fato el segno che’l ndesse zo che l’era drio spetarlo par sbusarghe la pansa co la forca, intanto che’l molava sbaforae de fogo par la boca e na spussa pi forte ancora. Lora Nanetto se ga ricordà de na orassion che so mama la ghe ga insegnà par pregarla nte le ore de gran dolor. Tel sogno el ga fato el segno dea crose e el dise:
- San Piero e San Simon e Santa Madre de Dio, defendime dei ton, dei fùlmini, dei demoni e dela morte sepitànea. Amén!
In te quel momento, el se ga desmissià tuto sudà e po el gavea bagnà i nissui e anca le mudande de riscado. L’è ndato fin el seciaro e, co la scudela, el ga bevesto aqua de la sécia de legno che l’era picada nte un ciodo storto par far un gàncio sora el seciaro. L’è ndato nantra volta tea finestra e daromai l’era la matina del altro giorno, e la piova la vegnea zo a sece. El ga messo un caneco par ciapar na gossa che la vegnea giusto sora la siapa del fogoneto e el ze ndato butarse zo nantra volta par dormir fin che i gai cantasse nantra volta a la matina.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
I corni
Bruno Jorge Bergamin
Professor, Porto Alegre - RS
Nani, fradel de Bepi, na doménega, là par le quatro dopo mesdì, el ga ciapà la ègua e l’è ndà in tela società, via a San Giuseppe, giugar le carte. El ga ligà la ègua in te na bergamotera, al ombria. Càveghe el freno, su el bussal.
El riva dentro, el cata i so compagni, el domanda un biter, e el scomìnsia giugar. Ghe piasea el trisset.
- Assa che questa la pago mi. E giuga e bevi, e giuga e bevi..., co ghera un palmo de sol, Nani l’era passà de spàvio.
- Gggghin giug...giughemo nn...antra. E ghin be...vemo nantra! Asseme a mi, chi comanda qua? E dai e vai, el sol l’era drio ndar do.
- Vardè che ze ora de ndar casa, Nani. E i laori?
- Ma assa star ti.
Bórtolo e Ménego, boni da far dispeti, i è ndai là dela ègua de Nani, i ga trucà la ègua par na vaca, i ga insilià la vaca e i la ga metesta tel posto dela ègua. I ghe ga ligà su el bussal tea vaca. E i se sconde. Riva Nani par ndar via. Ben spàvio, pronto... che’l incrosea le gambe. El va par méterghe su el freno ala bèstia e el freno no’l passa. El proa, el proa e gnente.... El varda na volta, due volte, el se pica tel col dela bèstia parché no’l ghin podea pi, e el ghe dise ala bèstia:
- Ciò, ègua, ghetu fato i corni sta sera?
- E la vaca: - muuuuuuuuu!
Chi la contea questa zera me compari pore Bórtolo e el pore Ménego. El can de Nani anca lu el zera insieme. Ghe go domandà al can se zera vero. El can no’l me ga mia dito de nò! Nani, gnanca lu no’l se pensa de gnente, è! E la ègua gnanca no la sa gnente, pore bèstia! Alora mi ghe credo che ze vero. Sè bravi soci valtri, via a San Giuseppe!
I papagai
Na matina, par le nove, sento la mama che la osa. La parea che la moria.
- Neeeeeeno. Senti i papagai che i canta in tei pini de Bepi. Cuuuurrri, ciapa el s-ciooopo, va su, cuuurrri!....
Go trà via la sapa, go vardà su tel monte e l’era na nùvola de papagai che i fea un bordel de can in torno ai pin. Mi, rento tel cambarin, ciapa el s-ciopo, le capete, la pólvera e i balin... El taquari l’era sempre pronto, cargo quatro dei. La sacheta? Drio la porta. Quasi me copo zo pai scalin.
E fora! E cuuuuri! Su par la stradeta dele vache... La serca!... Via par soto che no i me vede... Adesso pian, pian, pianetin... I era là tei pini pi alti. I spin tei piè… Son rivà. El cor el vegnea fora par la boca. La gola seca. Varda quei due darente, un tacà l’altro, che i magna pignoi. Peta che me pontelo meio in questa pianta. E mi zera là che smirea, smirrrea...i due de peto. Ve ciapo si!...
In te quel, vedo Bepi che’l vien su par la strada e el me dà na pi bruta sgnarrrrocada, e i papagai se la ga tolta... Cheo, cheo, cheo..., un bordel dei diàvoli! E mi là chieto, co la gola seca, el col longo, incucià a vardarli, che i ndea, i ndea e no i tornea. E mi me gratea e me cavea i spin dei piè... Se foro os meo papagal. Pi visti.
Eleitas soberanas da Fenavinho
Festa será realizada em janeiro de 2007 em Bento Gonçalves
Suelen Brandelli, 20 anos, é a Imperatriz da Fenavinho Brasil 2007, de Bento Gonçalves. O concurso, realizado no sábado, 12, também elegeu as damas de honra da festa, Caroline Carraro, 20 anos, e Raquel de Marco, 22.
As 28 candidatas que disputaram o título representavam a sede e os cinco distritos do município. Diferentemente das edições anteriores da festa, em que pelo menos uma das soberanas era do interior, as três candidatas eleitas este ano moram na zona urbana de Bento Gonçalves.
A próxima edição da Fenavinho será em janeiro de 2007. A antecipação da escolha das soberanas, 14 meses antes do evento, é uma estratégia de marketing. A divulgação da festa por todo país deve iniciar já na próxima semana, durante o Festival de Turismo de Gramado.
Além da escolha das soberanas, o público que participou do concurso pode prestigiar dois espetáculos artísticos. Na abertura, o show "A Vida, a Terra e a História", com a participação das 28 candidatas e mais 100 figurantes, apresentou a história de Baco, o deus do vinho; a saga dos imigrantes italianos; e a alegria da vindima. No intervalo do desfile, enquanto os votos dos jurados eram apurados pelos organizadores, parte do elenco voltou ao palco para representar o "Carnaval de Belluno", festa tradicional da cidade italiana.
As torcidas das candidatas, que lotaram o Ginásio Municipal de Esportes durante as quatro horas do concurso (das 20h às 24h), também foram premiadas com dez caixas de vinho. A maior torcida foi a da candidata Mayara Prado Figueiredo Poletto. O grupo do distrito de Tuiuty venceu como o mais animado. O título de melhor criatividade ficou com a torcida da candidata Janine Klucznik. A torcida de Letícia Massignan ganhou como a mais disciplinada.
Festa do Vinho Novo elege sua corte
A 4ª edição da Festa do Vinho Novo, que será realizada no bairro Forqueta, Caxias do Sul, nos dias 1º, 2, 7, 8, 9, 14, 15 e 16 de julho de 2006, já tem suas soberanas. A corte da festa foi eleita no sábado, 12 de novembro, no Clube União Forquetense. Concorreram sete candidatas e no final, os jurados - entre os quais a rainha da Festa da Uva 2006, Julia Brugger De Carli, e o presidente da CIC, Francisco Muller - indicaram, como princesas, Patrícia Portolan e Cristina Mauri, e como rainha, Alanna Slomp.
Alanna representou o Lions Clube Forqueta; Patrícia, a comunidade de São Roque; e Cristina, a Escola de Idiomas English Avenue. As torcidas deram o tom e o colorido da festa. A da comunidade de Santos Anjos foi escolhida como a torcida mais organizada; a da capela do Loreto a mais animada e a da comunidade de São Cristóvão a mais original.
O lema "Lembrar, compartilhar, festejar" resume o objetivo da Festa do Vinho Novo - relembrar a história e valorizar a trajetória dos primeiros colonizadores, que fizeram da região de Forqueta a maior produtora de uvas de Caxias do Sul. A festa é uma realização conjunta das 14 comunidades (capelas) e da sede.
Cresce patrimônio cultural gaúcho
Leis integram ao patrimônio capela, fonte e Caminho dos Mártires
Duas leis propostas pelo deputado Ruy Pauletti (PSDB), aprovadas pela Assembléia e sancionadas pelo governador Germano Rigotto no início deste mês, ampliam o patrimônio cultural do Rio Grande do Sul. A de número 12.356 torna patrimônio histórico e cultural do Estado a capela, a fonte e um sítio arqueológico (denominado Antônio Vergani), no distrito caxiense de Santa Lúcia do Piaí.
O sítio arqueológico é o local de um marcante fato histórico para a região. Numa de suas incursões, em 1635, o padre jesuíta Cristóvão de Mendonça y Orellana (o introdutor do gado bovino no RS), chegou à região hoje conhecida como Santa Lúcia do Piaí. Sua comitiva encontrou uma tribo de índios. Houve o confronto, o padre foi morto e seu coração, jogado no meio da mata, onde havia uma fonte, hoje conhecida como Fonte das Águas Azuis - tida por alguns como milagrosa.
Já a lei 12.357 integra ao patrimônio cultural e histórico gaúcho o santuário dedicado aos mártires padre Manoel Gomes Gonzáles e o coroinha Adílio Daronch, em Três Passos, e o Santuário Nossa Senhora da Lua, em Nonoai, além do Caminho dos Mártires - trajeto entre Nonoai e Três Passos, que passa por 40 municípios da região e que reconstitui a caminhada feita por padre Manoel e o coroinha Adílio, mortos na missão de evangelizar. "O Caminho dos Mártires pretende reproduzir no Estado outras caminhadas de fiéis no Brasil e no exterior, como o famoso Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha", afirma o deputado Pauletti.