LEITORES 

 DESCOBRINDO CAMINHOS

 

Desde 1909, onde o conteúdo faz a diferença.

Edição 4.964 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 23 de novembro de 2005.

EDITORIAL

Os conchavos políticos e a iminente frustração

A expectativa de que os culpados pelos escândalos políticos sejam punidos está cedendo espaço à decepção

 

Desde que começaram a emergir as acusações de corrupção envolvendo o Partido dos Trabalhadores e integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva e de sua base aliada, em maio passado, criou-se entre a maioria dos brasileiros a expectativa de que a decepção gerada pelos responsáveis por "mensalões", caixa 2 e outros escândalos poderia ser compensada pela oportunidade de este país ser passado a limpo. As Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) criadas transmitiram, inicialmente, a impressão de que seriam o palco ideal para a apuração aprofundada das denúncias, o que levaria à punição dos culpados.

O desenrolar dos fatos indica outra direção. Houve a cassação do mandato do deputado Roberto Jefferson, renúncias atendendo a exclusiva conveniência de parlamentares, a identificação de alguns responsáveis, mas até agora não há certeza sequer da origem do dinheiro que alimentou o "valerioduto", embora relatório preliminar aponte estatais, entre elas o Banco do Brasil, como patrocinadores, pelo menos parcialmente, do esquema.

As CPIs seguem um trabalho importante, porém fica cada vez mais evidente a intenção de parlamentares de buscarem vantagens políticas. A idéia de investigar seriamente é sufocada pela força do individualismo eleitoreiro. E o cenário idealizado para ser um marco positivo da política brasileira se transformou numa arena onde se digladiam oposição e situação.

À iminente frustração nacional, em parte já diagnosticada com o fim da CPI da Compra de Votos sem provar o "mensalão", se associam outros episódios regionais. No Rio Grande do Sul, efeito de conchavo político, duas CPIs foram enterradas: as que investigariam o Programa Estadual de Concessão de Rodovias, no governo Antônio Britto (PMDB), a CPI dos Pedágios, e a ramificação do esquema nacional do PT, a CPI do Valerioduto. Catorze deputados retiraram as assinaturas, eliminando a possibilidade de dirimir dúvidas, clareando aspectos nebulosos que intrigam os gaúchos. O eleitor precisará responder de maneira justa a esse e tantos outros conluios que adubam a indignação com sua mais potente e eficaz arma: o voto.

 

CAXIAS DO SUL

Caxiense inicia escola mais cedo

Rede municipal implanta 1ª série para crianças com 6 anos

 

As crianças que completarem seis anos até 28 de fevereiro de 2006 deverão ingressar na 1ª série do Ensino Fundamental. Por enquanto, em Caxias do Sul, a regra vale apenas para as escolas da rede municipal. A medida foi determinada pela Lei Federal 11.114, sancionada em 16 de maio passado, mas, como gerou controvérsias, muitas cidades ainda não se adequaram à lei.

Com a nova medida, o Ensino Fundamental na rede municipal passa a ter nove anos. Isso significa que em vez de estudar dos sete aos 14 anos, a criança ficará no Ensino Fundamental dos seis aos 14. A alfabetização será feita em dois anos, incluindo o que hoje chama-se de pré-escola. Porém, a inclusão de mais um ano no Ensino Fundamental só vale para os alunos que ingressarem na 1ª série a partir da nova lei. Aqueles que já estão estudando avançam para o Ensino Médio após completar a 8ª série, como ocorre atualmente. Além disso, os períodos não serão mais chamados de "séries", mas de "anos".

A rede municipal de ensino em Caxias tem atualmente 87 escolas e cerca de 28,5 mil alunos. Com nova demanda, a Secretaria Municipal de Educação admite que pode haver falta de vagas. Numa avaliação preliminar a Secretaria estima que será necessário construir entre 10 e 12 salas de aula em pelo menos três bairros, Serrano, Esplanada e Desvio Rizzo.

Estado - Na rede estadual de ensino, criou-se um impasse. Ocorre que o ingresso na 1ª série aos seis anos, pela proposta do Ministério da Educação (Mec), deveria entrar em vigor apenas em 2010. Porém, em maio passado, o Senado adiantou a data de início da nova medida para 2006. Na tentativa de resolver o impasse, o Mec elaborou um projeto de lei substitutivo, que está tramitando na Câmara, para que a mudança das regras no Ensino Fundamental passe a valer só em 2010. A expectativa é de que o projeto seja votado e aprovado até 15 de dezembro.

Se permanecer a data de 2006, conforme a Secretaria Estadual de Educação, o RS terá que acolher 350 mil crianças - o normal seriam 200 mil/ano. Nova demanda exigirá a construção de 1.146 salas de aula e a contratação de 919 professores.

 

Ana Rech lança 15º Encanto de Natal

 

O Festival da Primavera, dia 27, abre os festejos do 15º Encanto de Natal, promoção da Associação Amigos de Ana Rech (Samar). Muitas flores, cores e atrações artísticas marcarão o primeiro festival alusivo à estação. Este ano, a comunidade da Vila dos Presépios projeta a montagem de 150 presépios. "Serão expostos ao ar livre e distribuídos em ruas e pontos do bairro", explica o presidente da Samar, Afrânio Basso.

A decoração natalina, a Feira de Artesanato e Gastronomia, o espetáculo de luzes nas ruas, a encenação do Presépio Vivo e muito mais poderão ser conferidos em Ana Rech até o dia 6 de janeiro de 2006. O Encanto de Natal de Ana Rech tem o apoio da Prefeitura, por meio da Subprefeitura de Ana Rech, e do Natal Caxias.

 

REPORTAGEM

Copa 2006 tem recorde de estreantes

As oito chaves da Copa da Alemanha serão sorteadas no dia 9 de dezembro

 

Cerca de 320 milhões de pessoas de todos os cantos do planeta devem acompanhar, no dia 9 de dezembro deste ano, o sorteio da Copa do Mundo de 2006, que será realizado em Leip-zig, na Alemanha. A cidade será uma das sedes dos jogos da Copa, que será realizada de 9 de junho a 9 de julho do próximo ano. Vários jogadores famosos serão os encarregados de tirar as bolas do sorteio das 32 seleções que se classificaram para a Copa do Mundo de 2006. A Fifa nomeou um ou dois de cada um dos seis continentes (o continente americano foi dividido em América do Sul e Concacaf), que representarão suas confederações.

As últimas cinco seleções a definir sua presença na Alemanha, no próximo ano, foram conhecidas na quarta 16, quando houve o encerramento da repescagem. Garantiram os últimos lugares na Copa a Austrália, que derrotou o Uruguai nos pênaltis, a Suíça, República Checa, Espanha e a surpreendente Trinidad e Tobago. A ausência mais sentida é a do Uruguai, o único país campeão a ficar fora da Copa da Alemanha.

Com a derrota uruguaia, a América do Sul, que detém o maior número de títulos mundiais, terá apenas quatro representantes - Brasil, Argentina, Paraguai e Equador -, menos que a África, que terá cinco países na Copa. A Europa lidera absoluta, com 14 seleções classificadas entre as 32 que participam do mundial.

Desde 1934, a Copa do Mundo não abrigava tantos países estreantes em uma mesma edição. São oito as seleções que nunca tinham participado antes de um mundial. Quatro delas vêm da África - Angola, Costa do Marfim, Gana e Togo -, três da Europa (Sérvia e Montenegro, Ucrânia e República Checa - depois que se separou da Eslováquia) e uma da América Central (Trinidad e Tobago).

Integrante da Concacaf (América Central e do Norte), Trinidad e Tobago derrotou, na repescagem, a seleção de Barein. O país comemorou a classificação com feriado nacional no dia 17 de novembro. Trinidad e Tobago é o quarto país caribenho na história a se classificar para uma Copa do Mundo, depois de Cuba (1938), Haiti (1974) e Jamaica (1998).

Cabeça-de-chave - O Brasil conhecerá seus adversários no dia 9 de dezembro, exatamente seis meses antes do primeiro jogo da Copa do Mundo. Serão oito chaves, com quatro seleções em cada uma. Se forem adotados os mesmos critérios utilizados pela Fifa nos Mundiais de 1998 e 2002, o Brasil será o cabeça-de-chave número um. Os oito cabeças-de-chave saem de uma pontuação criada a partir das posições obtidas nas últimas três Copas. Segundo esses critérios, o Brasil lidera com 64 pontos.

 

América do Sul lidera na soma de títulos

 

Nas 17 edições da Copa do Mundo de Futebol, iniciada em 1930, apenas sete países conquistaram o título. O Brasil lidera o ranking dos campeões, com cinco conquistas, obtidas em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002. Junto com a Alemanha, o Brasil também foi o país que mais vezes foi à final - sete. Porém, diferentemente dos alemães, que foram derrotados quatro vezes na final, o Brasil perdeu apenas duas vezes, e ambas de forma dramática.

Em 1950, quando o título parecia mais certo do que nunca, a seleção nacional perdeu para o Uruguai em pleno Maracanã, na única vez que o país sediou a Copa. E em 1998, o Brasil foi goleado pela França (3 x 0), em Paris, depois de um episódio até hoje nebuloso, ocorrido com o craque Ronaldo. Na gangorra entre América do Sul e Europa, os únicos continentes com vencedores em Copas, o Novo Mundo lidera com 9 títulos, conquistados por Brasil, Argentina e Uruguai.

A maioria das finais das Copas do Mundo ocorreu entre as seleções campeãs, à exceção de outros quatro países que chegaram a disputar o título, mas foram derrotados - Holanda, Tchecoslováquia e Hungria, que disputaram duas vezes cada a final, e a Suécia, uma.

 

Influência brasileira sob outras bandeiras

 

Definidas as 32 seleções que vão participar da Copa da Alemanha, o Brasil vai mostrar sua influência no futebol não apenas através da equipe de Carlos Alberto Parreira. O país terá nove profissionais entre jogadores e técnicos, trabalhando a serviço de outros países. Três técnicos treinam outras seleções - o pentacampeão Luiz Felipe Scolari (Portugal), Zico (Japão) e Alexandre Guimarães (Costa Rica). E seis jogadores defendem outras equipes: Deco (Portugal), Alex Santos (Japão), Kuranyi (Alemanha), Francileudo e Clayton (Tunísia) e Zinha (México). Da Silva, jogador que atual na Croácia, também poderá ser convocado pela seleção daquele país.

 

Futebol revela poder como esporte mundial

 

A classificação das últimas cinco seleções que vão participar da Copa do Mundo 2006 mostrou a importância do futebol como esporte mundial. Cada jogador do Barein, caso vencesse Trinidad e Tobago, receberia um prêmio de R$ 2,3 milhões e uma Ferrari. A seleção perdeu. Na Austrália, país que só foi à Copa uma vez e com pouca tradição no futebol, 83 mil torcedores foram ao estádio de Sydney prestigiar a equipe, que fez a festa sobre o Uruguai.

 

Alemães vão mostrar o que têm de melhor

 

De 9 de junho a 9 de julho de 2006, a Alemanha será o centro das atenções de todo o planeta. Como sede da Copa do Mundo, a Alemanha promete dar um show de organização, tecnologia e atrações aos visitantes. Os jogos das 32 seleções que participam do Mundial serão disputados em 12 cidades. Munique, no Sul do país, sedia a partida de abertura da Copa e a capital, Berlim, no Norte, é a sede da final.

As autoridades locais não estão apenas empenhadas em mostrar ao mundo estádios modernos e funcionais, mas também suas ricas tradições, sua cultura e uma história milenar.

 

AGRONEGÓCIO

Serra perde 80% da ameixa e 30% do pêssego

Causas são a estiagem e as chuvas no período de floração das plantas

 

Por causa do clima a Serra está perdendo cerca de 80% da produção de ameixa e 30% da de pêssegos. A produtividade da ameixa deverá girar em torno de duas toneladas por hectare, quando deveria colher mais de 15 toneladas por hectare. As estimativas de safra para o pêssego apontam 10 toneladas por hectare, quando a média é de 14 toneladas/ha.

Maior produtora do Estado, a região serrana cultiva 3.189 hectares com pessegueiros e colhe, em média, 40 mil toneladas da fruta por ano. Mantém ainda 300 hectares com ameixeiras, que respondem por 4.500 toneladas de frutas anuais. "A última estiagem e a indefinição das estações climáticas comprometeram a safra deste ano", assegura o especialista em fruticultura da Emater regional de Caxias do Sul, José Conte.

São Marcos, maior produtor gaúcho de ameixa, deverá colher 66 toneladas. "O município possui 22 hectares com ameixeiras e colhe, em média, 15 toneladas/ha. A quebra este ano é de 70%", calcula o engenheiro agrônomo da Emater local, Enio Ângelo Todeschini.

As perdas ocorrem em todas as regiões produtoras do Estado. Segundo a Emater/RS, na área de produção da região Central, o raleio dos pessegueiros foi concluído, mas devido à estiagem passada, associada às grandes variações de temperaturas no período de florescimento, a maioria dos cultivares terão expressiva redução de produtividade.

Os agricultores sabem que o clima é o grande responsável pela elevada quebra na safra das frutíferas de caroço. "Em pleno período de floração, na entrada da primavera, o frio, a chuva e a umidade alta comprometeram a polinização", explica o agrônomo. Somados, esses fatores impedem o trânsito de insetos, principalmente abelhas, que realizam a polinização das flores.

De acordo com a Emater, houve grande floração este ano, mas por causa das condições climáticas aconteceu o abortamento dos frutos (queda). A flor da ameixeira, por exemplo, é receptiva para a fecundação apenas por dois a cinco dias.

 

Rio Grande do Sul deve repetir safra de uva

 

Na maior região de produção de uvas do Brasil, a Serra gaúcha, as videiras estão em início de floração, fase que deverá se prolongar, em decorrência da desuniformidade da brotação. No Médio Alto Uruguai, os parreirais se encontram com bom desenvolvimento e bom potencial produtivo. Na região Central, em Encruzilhada do Sul, os parreirais estão em floração.

Para o engenheiro agrônomo José Conte, ainda é cedo para falar em perdas na uva. Somente a região de Bento Gonçalves soma prejuízos por causa de granizo nas variedades precoces, como niágara e moscato. "Se continuar como está, o Estado deverá repetir a última safra, em torno de 500 mil toneladas de uva", diz o pesquisador da Embrapa Francisco Mandelli.

 

Pesquisa não descarta estiagem no Sul

Fenômeno deve trazer menos chuvas e com distribuição irregular

 

A região Sul viveu este ano a pior estiagem dos últimos 100 anos. No Rio Grande do Sul, por exemplo, a seca provocou quebra de cerca de 70% na safra de grãos. Os prejuízos não saíram da mente do produtor e o anúncio de uma possível estiagem no final de 2005 e início de 2006 colocou o setor em alerta.

No início deste mês de novembro, a equipe de Climatologia Urbana de São Leopoldo afirmou que há previsão de novo período de seca devido à confirmação do fenômeno La Niña. No entanto, segundo o climatologista e pesquisador da Embrapa Clima Temperado, Gilberto Cunha, se ocorrer, a estiagem não será tão severa. "Para os meses de dezembro, janeiro e fevereiro deveremos ter chuvas próximo ao normal para o período, mas com distribuição irregular sobre a região Sul", explica ao CR.

O meteorologista Eugênio Hackbart, do Centro de Climatologia de São Leopoldo, se mostra menos otimista que o pesquisador da Embrapa. "A seca não será tão severa, mas será mais prolongada", previu. Para o próximo inverno, adiantou Hackbart, a projeção é de maior número de dias frios e com menor quantidade de chuvas.

Mobilização - A possibilidade de seca no Estado está mobilizando a cadeia produtiva gaúcha. Preocupado com os prognósticos climáticos, o presidente da Fetag/RS, Ezídio Pinheiro, exige que o governo esclareça o assunto. "Não queremos fazer alarde", destacou o dirigente.

Já a Defesa Civil informa que a nova ação do governo gaúcho será a construção de cisternas - a experiência desenvolvida pela Emater de construção de cisternas prevê o reaproveitamento a água da chuva como alternativa à escassez de água. Além disso, a população vem atuando no processo de irrigação na agricultura, na construção de açudes e perfuração de poços artesianos, como formas de prevenção à falta de chuvas.

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

Alcachofra: alimentícia e medicinal

Como assinante do conceituado Correio Riograndense, leio com muita atenção seus instrutivos artigos, entre os quais os de sua coluna, sempre muito úteis. Gostaria que o senhor falasse sobre a planta alcachofra, especialmente suas propriedades medicinais.

 

LUIZ CARRARO FILHO

Bento Gonçalves - RS

 

Nome científico: Cynara scolymus, família das Compostas, originária das regiões mediterrâneas, provavelmente do norte da África, derivada, segundo autores confiáveis, por mutação do cardo-selvagem espinhoso (Cynara cardunculus), e passou a ser cultivada como hortícola na Europa, nas áreas de inverno menos intenso.

As folhas (não espinhosas), a partir do século XVI, eram usadas como diuréticas, afrodisíacas, e no tratamento da icterícia. "No entanto, sua fama terapêutica deve-se especialmente aos trabalhos de vários médicos no início do século XX, que demonstraram sua importância nas afecções hepatobiliares" (Segredos e Virtudes das Plantas Medicinais - Seleções de Reader’s Digest - Lisboa).

A planta - É uma erva perene. Renova-se anualmente por meio de um ou dois dos rebentos que se formam no pé da planta mãe. Consta de um caule subterrâneo (rizoma) de onde se formam numerosas raízes que se fixam no solo, e para cima grande número de folhas enormes (quando adultas atingem um metro ou mais de comprimento), de cor verde-acinzentada, profundamente recortadas, dotadas de pecíolos longos e carnosos. Do centro deste conjunto de folhas forma-se robusta haste que se ramifica produzindo na extremidade as inflorescências, denominadas capítulos ou botões. Cada inflorescência, de forma mais ou menos arredondada, é constituída de escamas imbricadas que se denominam "brácteas", inseridas num receptáculo carnoso. A base de cada escama contém substância tenra e carnosa e é a parte comestível juntamente com o abundante receptáculo.

As alcachofras (capítulos) devem ser colhidas no ponto certo, isto é, nem antes nem depois de as escamas, ou "brácteas" começarem a separar-se uma das outras. As inflorescências não colhidas completam o ciclo, desabrochando flores características da família botânica das Compostas. A alcachofra deve ser consumida logo após o cozimento com água e sal, constituindo-se numa excelente iguaria, temperada com azeite, vinagre e manteiga derretida.

Clima, solo e multiplicação - Os agricultores de Caxias que a cultivam estão satisfeitos e continuam produzindo-a. Isto prova que ela pode ser cultivada em toda a nossa região de clima temperado. Apenas é exigente quanto ao frio e à geada que lhe são desfavoráveis, devendo ser protegidas no inverno. Acontece que a época de produção ocorre da primavera ao outono, livre da estação fria. A folhagem e as hastes, após a produção, murcham e devem ser removidas. Mas a planta não morre, produz diversas filhotes ou rebentos, um ou dois dos quais devem ser conservados para dar continuidade à planta. Os demais rebentos podem ser aproveitados para multiplicar a espécie. Aliás, o processo recomendado para a multiplicação da alcachofra deve ser feito através dos rebentos retirados da planta matriz produtiva. Cada rebento deve ser destacado da planta mãe com um pedaço de caule subterrâneo e algumas raízes, e levado para o local definitivo aonde deverá ser plantado a uma distância de 1 - 1,5 m um do outro. A alcachofra tem exigência de solo fértil, rico em matéria orgânica e acidez devidamente controlada com a cal ou calcário, mediante análise do solo.

Medicinal - As folhas de alcachofra contêm princípio medicamentoso denominado "cinarina" e outros ingredientes ativos que as tornam eficazes quando usadas como chás. "É enérgico, diurético, eliminador do ácido úrico, do reumatismo e das febres; nos distúrbios hepáticos e digestivos, no aumento da secreção biliar, na redução do colesterol, na baixa da pressão arterial" (Plantas Medicinais, Ir. Cirilo, 53ª edição).

Uma receita de chá: despeje uma xícara (chá) de água fervente sobre uma colher (sopa) de folhas de alcachofra. Deixe amornar e tome 3 xícaras ao dia, durante 15 dias, contra problemas de fígado, ácido úrico, diabetes, arterioesclerose, colesterol, obesidade e celulite (As Plantas da Saúde, Marcos Gomes, Ed. Paulinas - SP).

 

SAÚDE

Infecção por rotavirus mata 600 mil crianças por ano no mundo

Vírus causa diarréia e desidratação. Nova vacina promete combater a doença

 

Todos os anos, morrem no mundo 600 mil crianças de diarréia causada por rotavirus. Somente no Brasil ocorrem mais de quatro mil óbitos e 40 mil internações anuais por conta da doença. A boa notícia é que já existe uma vacina para combater esse mal. "A vacina foi licenciada em junho, mas deve ser disponibilizada pelo Ministério da Saúde para a população em geral até janeiro de 2006", esclarece o virologista Alexandre Linhares, responsável pelas pesquisas no Brasil.

A gastroenterite por rotavírus pode atingir qualquer pessoa, porém, pelo menos um terço das hospitalizações pela doença é de crianças entre seis meses e dois anos. Estima-se que ao completar cinco anos quase todas as crianças já terão experimentado pelo menos um caso da doença. O primeiro sintoma costuma ser vômito, acompanhado de febre baixa e, por fim, uma perigosa diarréia. O quadro pode durar vários dias e há risco de desidratação, seguida de hospitalização.

Os rotavirus são transmitidos por via oral através de contato com as mãos, alimentos ou água contaminados. Os microorganismos infectam o intestino delgado e se reproduzem rapidamente. Resistentes, podem se manter viáveis e capazes de infectar por horas nas mãos, dias em superfícies sólidas e até uma semana nas fezes humanas.

Segundo Linhares, a vacina é segura, eficaz e não causa reações. "Ela apresentou eficácia de até 73% de proteção contra qualquer diarréia por rotavirus e de 90% contra diarréia grave causada pela doença", afirma o virologista. O imunizante deve ser aplicado em duas doses, por via oral, aos dois e aos quatro meses de vida.

 

Vacinação previne e economiza U$ 1 bi

 

A vacinação contra o rotavirus, além de ser uma grande conquista para a saúde pública no Brasil, terá impacto econômico. Em todo o mundo, a gastroenterite por rotavirus é responsável por enormes despesas com tratamento e internações. Só nos Estados Unidos, o gasto com a doença chega a U$ 1 bilhão por ano. Não há estatística precisa, mas sabe-se que nos países em desenvolvimento, onde o número de internações é bem maior, os custos são ainda mais elevados.

Segundo o médico Alexandre Linhares, a imunização contra o rotavirus pode ser feita junto com a vacina da poliomelite, mas a decisão de inseri-la, ou não, nas campanhas de vacinação é do Ministério da Saúde.

 

OPINIÃO

Duas visões da alteridade

Maria Clara Lucchetti Bingemer

Dois pensadores, dois pensamentos e o mesmo tema: qual o lugar do outro em minha vida? A atitude que humaniza e faz o ser humano chegar à plenitude de sua realização é a responsabilidade pelo outro

 

São dois filósofos brilhantes que marcaram o pensamento ocidental durante o século que passou. Ambos fazem centenário este ano. Um, judeu fervoroso, outro agnóstico e pai do existencialismo. Emmanuel Levinas e Jean Paul Sartre continuam atualíssimos em suas visões do ser humano e do mundo, e as contribuições e interpelações que souberam trazer com seu pensamento marcaram uma geração e continuam constituindo férteis terrenos de exploração para a reflexão filosófica contemporânea.

Jean Paul Sartre configurou o pensamento generacional dos anos 60. Com sua filosofia existencialista, seu repúdio às instituições, sua defesa das idéias de esquerda e das utopias libertárias e, ao mesmo tempo, sua lúcida crítica sobre as mazelas e patologias do comunismo é, certamente, uma das figuras de maior proeminência na história do pensamento francês. Além de obras filosóficas marcantes, como "O ser e o nada", escreveu várias peças de teatro que foram grande sucesso. Autor literário engajado, Sartre trouxe a público com seu teatro mensagens e estímulos que qualificaram o comportamento e o pensamento de boa parte do Ocidente em seu tempo e depois dele.

Emmanuel Levinas é lituano, mas foi na França onde viveu e produziu sua importante obra filosófica. Além de filósofo, foi também um grande talmudista e muitos de seus escritos são, na verdade, comentários ao Talmude que deixam jorrar toda a sua alma judaica, formada na leitura e meditação constante da Torah. Devido ao bom diálogo com o cristianismo e os cristãos, Levinas tem sido mediação para muitos trabalhos teológicos de envergadura, sendo fonte de inspiração para muitos que hoje pensam a religião.

No centro do pensamento de ambos está a noção de alteridade, o lugar do outro na vida humana e na experiência vital. Ambos pensaram esta questão tão primordial e chegaram a conclusões muito, para não dizer radicalmente, diferentes.

Em sua célebre peça "Huis Clos" (A portas fechadas), Sartre põe frente a frente três personagens carregados de vários crimes que devem conviver juntos por toda a eternidade. A tensão vai subindo de nível à medida que a trama se desenvolve e, no final, um dos personagens se torna porta-voz do autor ao exclamar a célebre frase que vai imortalizar o cético Sartre: "O inferno são os outros".

Também Levinas pensou a alteridade e o outro, mas em termos bem diferentes. O outro, para o filósofo judeu, é a condição mesma da existência, da vida. Mais: é a condição mesma do eu tomar conhecimento de quem é e de qual é seu lugar no mundo. A partir de sua diferença, e mesmo de sua indigência, o rosto do outro se apresenta ao eu e brilha como uma revelação, uma epifania.

Portanto, para Levinas, estão banidos como axiomas fundamentais da vida humana o "Eu sou", ou o "Penso logo existo", que construíram a afirmação orgulhosa do eu que vê no outro um empecilho para sua realização. Mas o verbo da existência humana só pode ser conjugado no acusativo "Eis-me aqui". A atitude fundamental que humaniza e faz o ser humano chegar à plenitude de sua realização é a responsabilidade pelo outro, a disposição para estar inteiramente a serviço do outro, fazendo-se mesmo seu refém.

Dois pensadores, dois pensamentos. Ao fundo, o mesmo e recorrente tema: qual o lugar do outro em minha vida? Até que ponto a alteridade realmente rege meu comportamento, meu pensar e meu agir, dando sentido à minha existência?

Certamente a revelação cristã se identifica e se aproxima mais de Levinas. Jamais o outro poderia ser um inferno para o eu, que o Evangelho ensina que só se realiza na abertura solidária e disponível para um serviço que vai até as últimas conseqüências.

Infelizmente, no entanto, creio que Sartre parece ter conseguido uma influência mais abrangente. Ao olharmos o que se passa no mundo hoje, com Paris incendiada pela violência, a guerra sem quartel que prossegue no Iraque e tanto sofrimento pelo mundo afora, parece mesmo que o ser humano enxerga em seu semelhante uma fatalidade infernal que é preciso eliminar a qualquer custo.

O velho talmudista Levinas, no entanto, que morreu em uma noite de Natal, continua lentamente penetrando no pensamento de muitos e fazendo caminho no coração de tantos, ensinando que a verdadeira epifania pela qual anseia o coração humano está no rosto do outro e em nenhum outro lugar. No início do século XXI, Levinas tem certamente ainda bastante a dizer a todo aquele que se dispõe à aventura de pensar e de amar.

 

Como praticar crime dentro da lei

Frei Betto

O que é legal nem sempre é ético e justo. Os cofres dos paraísos fiscais e as contas sigilosas guardam US$ 11 trilhões. Por que os ricos do mundo merecem ilhas de sonegação legal?

É ilegal sonegar impostos. Mas quem gosta de pagá-los? Eu não. Como pessoa física, pago 27,5% dos meus direitos autorais. Considero muito elevado, sem contar que contribuo como autônomo para o INSS. Isso explica por que neste país os livros são caros e os autores obrigados a dupla jornada de trabalho, exceto os que sempre figuram nas listas de "best sellers".

Não me importaria de pagar até o dobro em impostos se o Estado soubesse aplicá-los em direitos sociais. É uma vergonha o cidadão necessitar pagar um plano privado de saúde. É dever do poder público garantir a saúde da população. Bem como alimentação, educação e moradia.

Mesmo sabendo que o Estado não investe bem o que lhe depositamos em mãos através dos impostos, sou contra a sonegação. Sonegar é passar ao poder público atestado de improbidade e corrupção. Ora, se não estou satisfeito meu dever é lutar para mudar o estado de coisas. Se dou meu voto a um político sem jamais cobrar o que ele faz e deve fazer, é a prova de que ajudo a desmantelar o Estado e a retardar a conquista de uma sociedade mais justa e digna.

Ocorre que muitos não gostam ou não podem pagar impostos: narcotraficantes, contrabandistas, terroristas, e também empresas e empresários. Ou seja, aqueles que engordariam ainda mais os cofres públicos. Agem à sombra da lei. Não é o fato de ficarem impunes que me surpreende, e sim o de contarem com toda uma estrutura legal para praticarem ilegalidade: paraísos fiscais, jurisdições sigilosas, doleiros, cobrança de preços por transferências, empresas de fachada, fundações anônimas, contas secretas, mecanismos de remessa de dinheiro ao exterior etc.

O capitalismo, além de injusto, é o mais cínico dos sistemas sociais.

Para quem trabalha duro, o peso da lei. Para quem acumula fortunas, as brechas da lei. Cristóvam Buarque, em conversa com George Soros, o maior especulador do mundo, indagou-lhe se não se envergonhava do que fazia. Ele respondeu: "Jamais violo as leis dos países em que opero. Descubro as brechas de sua legislação e, assim, atuo."

Essa estrutura de transações internacionais ilegais foi denunciada dias atrás no " Financial Times", por Raymond Baker e Jennifer Nordin.

Afirmam eles: "Muitas multinacionais e bancos internacionais fazem uso rotineiro dessa estrutura, que funciona ignorando ou desviando-se das tarifas, dos impostos, das leis financeiras e da legislação contra a lavagem de dinheiro. O resultado é pura e simplesmente a legitimação da ilegalidade."

Sabe quanto essa prática arranca anualmente dos países em desenvolvimento? Cerca de US$ 500 bilhões. O equivalente ao PIB do Brasil. E o suficiente, segundo a ONU, para acabar com a fome no mundo até 2015. Dinheiro que robustece ainda mais os países metropolitanos, pois são eles os patrocinadores de contas secretas e paraísos fiscais. Ou será que alguém sabe de dinheiro do Maluf num banco sul-africano ou tailandês?

A rede de justiça fiscal da Inglaterra (Tax Justice Network) calcula que os cofres dos paraísos fiscais e das contas sigilosas guardam US$ 11 trilhões. Isso significa, na outra ponta, miséria, desemprego, pobreza, criminalidade, terrorismo. Hoje, 2/3 da humanidade vivem abaixo da linha da pobreza, com renda por pessoa inferior ao equivalente a US$ 60 por mês (=R$ 133).

O que move pessoas, físicas e jurídicas, a estocarem tanto dinheiro?

Quanto aos bandidos, o mesmo que levava os piratas a aportarem na Ilha do Tesouro (hoje, Ilha da Juventude), em Cuba, onde enterravam suas arcas repletas de produtos dos saques. Os empresários e governos a buscarem "maximizar os lucros", eufemismo para justificar práticas antiéticas, injustas, extorsivas e abusivas, penalizando duramente os mais pobres.

Se Kofi Annan, presidente da ONU, está preocupado com a corrupção nos países em desenvolvimento, como expressou diante de Lula em Salamanca, deveria dotar o organismo internacional de poder para fechar os paraísos fiscais. Por que os ricos do mundo merecem ilhas de sonegação legal? E obrigar o sistema bancário internacional a eliminar as contas secretas ou sigilosas.

O que é legal nem sempre é ético e justo. Enquanto a questão da ética e da justiça não for considerada prioritária, teremos leis e artifícios legais para encobrir crimes e criminosos. E o que é pior: com a consciência tão tranqüila quanto a do carrasco que cumpre o seu dever de acionar a guilhotina.

 

NACIONAL

CPI encerra sem provar "mensalão"

Parlamentares receberam dinheiro, mas relator não reconhece compra de votos

 

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Compra de Votos terminou na quinta 17, 120 dias após ter sido criada, de forma melancólica, decepcionante e com claro desperdício de dinheiro público. O relator, deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG), admitiu que foi usado dinheiro ilícito, retirado das contas do empresário Marcos Valério, por parlamentares petistas e da base aliada, mas somente para o caixa 2 de campanhas, entre elas a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Abi-Ackel afirmou que "houve recebimento de vantagens financeiras ilícitas por parlamentares e dirigentes partidários", mas que não era possível reconhecer a existência da compra de votos, o chamado "mensalão", como havia denunciado o ex-deputado Roberto Jefferson.

A CPI da Compra de Votos encerrou com apenas cinco pessoas no plenário, espaço que até há menos de dois meses, quando o tema atraía a atenção de todo o país, era disputadíssimo. Tentativas para prorrogá-la não surtiram efeito. A oposição buscou de várias maneiras obter 171 assinaturas de deputados e 27 de senadores para estender os trabalhos da CPI. Conseguiu 29 senadores, mas apenas 148 deputados. Enquanto parlamentares ainda procuravam apoio para a continuidade, o encerramento da CPI já havia sido publicado no Diário do Congresso.

Além da frustração, a CPI da Compra de Votos deixou um grande prejuízo financeiro. O Senado investiu R$ 4,7 milhões na contratação de consultorias e técnicos para cruzarem os dados desta CPI com a dos Correios. Dinheiro gasto por nada.

 

Dinheiro beneficiou três partidos políticos

 

Em seu parecer, o relator Ibrahim Abi-Ackel diz que as supostas movimentações financeiras transferiram recursos a parlamentares e dirigentes partidários, por meio de diretórios regionais do PT e dos escritórios nacionais do PL e do PP. Na sua avaliação, Delúbio Soares, Marcos Valério, Rogério Tolentino, Cristiano Paz e Ramon Guedes, tomadores e avalistas dos empréstimos, sabiam do destino ilícito do dinheiro. O publicitário Duda Mendonça foi apontado como co-autor do crime de evasão de divisas e os bancos BMG e Rural queriam se aproximar do governo.

 

ESPECIAL

MUNDO PERDE US$ 1,4 TRILHÃO COM INVASORAS

Espécies invasoras - animais, plantas ou microorganismos - são aquelas em que no hábitat de origem não causariam dano. Levadas para outros ecossistemas provocam prejuízos. No caso do Brasil, são US$ 49 bilhões por ano

 

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) proibiu em agosto a criação dos caramujos-africanos, trazidos para o Brasil em 1980 como alternativa ao escargot. E determinou que os criadores entreguem as matrizes às autoridades. Isso porque o caramujo se converteu em um invasor.

Criar um animal originário de outro país ou transportar uma planta de uma região para outra pode provocar transformações irreparáveis na fauna e na flora locais. Eles podem se converter nas chamadas espécies invasoras - animais, plantas ou microorganismos que no hábitat de origem não causariam qualquer dano, mas que se levados para outro ecossistema podem se disseminar de forma desordenada e causar prejuízos à saúde humana e à economia.

De acordo com o coordenador-geral de Fauna do Ibama, André Jean Deberdt, ainda não se tem uma noção exata sobre o tamanho do problema causado pela entrada dessas espécies no território brasileiro.

Para dar uma idéia do alcance da também chamada contaminação biológica, essas espécies causam prejuízos de US$ 1,4 trilhão por ano no mundo - US$ 137 bilhões nos Estados Unidos e US$ 49 bilhões no Brasil, segundo o professor David Pimentel, da Universidade de Cornell, nos EUA.

Um estudo realizado nos Estados Unidos, Austrália, Índia, Reino Unido, África do Sul e Brasil indicou que mais de 120 mil espécies invadiram esses países nos últimos anos, e que 480 mil espécies - das quais 30% seriam pragas -, já estão introduzidas nos diversos ecossistemas da Terra.

Entre os invasores exóticos que provocam mais estragos no Brasil estão o javali, mexilhão-dourado, caramujo-africano e espécies de pinheiro e de capins africanos. O javali, por exemplo, entrou há dez anos pela fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai. Seis Estados (ver matéria nesta página) registram focos desse animal. Os caramujos-africanos, em 20 anos, tomaram conta do Brasil. O mexilhão-dourado, originário da Ásia, é exemplo de espécie exótica invasora que se transformou em praga. Ele se distribui muito rápido por causa das embarcações que entram e saem dos portos.

Já a braquiária e o capim-gordura, também originários da África, foram introduzidos no país ainda durante a colonização. Hoje são cultivados para a pastagem. Devido ao excesso de sementes que produzem e da facilidade com que elas se espalham, essas espécies estão substituindo a vegetação nativa da região onde são plantadas.

O pinus, por sua vez, compete com as plantas nativas. "O pinus torna o solo ácido, por causa lenta decomposição das folhas", diz ao CR o engenheiro florestal da Embrapa Florestas Luiz Henrique Withers.

Parecer - A lei de crimes ambientais brasileira impede que qualquer espécie animal seja introduzida no país sem parecer favorável do Ibama. No entanto, a legislação ainda é deficiente. "Tem pontos falhos e normas que poderiam ser estabelecidas para melhorar o sistema preventivo de entrada, e a implementação de mecanismos para evitar a proliferação das espécies que já estão no país", observa André Deberdt.

Diante das espécies invasoras, o Ministério do Meio Ambiente aponta três caminhos: prevenir, controlar ou erradicar. "O caminho mais fácil é prevenir. Fazer com que as pessoas sejam sensibilizadas para não introduzirem novas espécies no ambiente sem o devido conhecimento. E se o fizerem, consultar os órgãos adequados", orienta Lídio Coradin, da Secretaria de Biodiversidade e Florestas.

 

Invasões biológicas incluem doenças e espécies que vivem em rios e lagos

 

Engana-se quem pensa que espécies invasoras são apenas plantas e animais de grande porte. O livre trânsito de pessoas e cargas pelos cinco continentes trouxe a gripe, que chegou ao Brasil com os colonizadores europeus; a leptospirose, veiculada pelos ratos que vieram de contrabando nos navios negreiros; e o mosquito da dengue, de origem africana, que chegou numa carga de pneus usados, nos anos 80. O próprio vírus da aids é uma espécie que o ser humano espalhou.

As espécies exóticas vêm com a expansão do homem pela terra. "As fronteiras, que seriam naturais, não funcionam", assegura a pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz Márcia Chame. Segundo ela, a melhor forma de combate é a prevenção. "A espécie pode ser exótica, mas jamais será invasora se não tiver condições para se reproduzir", avalia

Abrigo - Os rios e lagos brasileiros abrigam mais animais e plantas vindos de fora do que se imagina. De acordo com o coordenador do Grupo de Águas Continentais, Anderson Latini, foram identificadas no país 118 espécies exóticas de peixes, nove de plantas macrófitas aquáticas (de folhas grandes), seis de moluscos, cinco de crustáceos, quatro de anfíbios, duas de répteis, além dos microorganismos.

Latini garante que a maior parte dos seres vivos listados não são invasores, ou pelo menos ainda não podem ser encarados assim. "Eles só são enquadrados quando apresentam potencial para causar problemas sociais, econômicos ou ambientais", explica.

A maioria dos crustáceos criados no Nordeste, por exemplo, ainda não assumiu o status de exótico invasor. A maioria está restrito ao sistema de cultivo. "Precisamos do esforço da pesquisa, para saber o poder de dispersão desses organismos quando saem do sistema de cultivo, para avançar sobre o sistema natural", revela.

Os pesque-pague também podem contribuir para a entrada de novos organismos. É difícil quantificar, mas qualquer sistema de cultivo de exótico, como o de peixes, representa risco. "Não há necessariamente um fator negativo relacionado ao cultivo, porém eles podem potencializar a existência do problema", conclui.

 

Pesquisa sugere substituição por nativas

 

A Convenção sobre Diversidade Biológica, assinada durante a Rio-92, da qual o Brasil é signatário, estabelece que os países membros devem tomar os cuidados para impedir a introdução e promover o controle e a erradicação de invasores. "Esse é um desafio imenso, que requer apoio das diversas esferas do governo, bem como ações coordenadas com setores da sociedade", afirmou a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.

A ministra propôs a criação de uma câmara técnica permanente sobre espécies exóticas invasoras, composta por representantes da sociedade. Outras recomendações incluem a criação de um sistema nacional de prevenção e controle de espécies exóticas invasoras, com fortalecimento nas fronteiras, e de um programa de capacitação e treinamento de todos os agentes envolvidos.

Para o presidente do Programa Global para Espécies Invasoras (Gisp), Guy Preston, que veio ao Brasil para o 1º Simpósio Brasileiro sobre Espécies Exóticas Invasoras, é indispensável a realização de um trabalho integrado entre os países para um combate efetivo à disseminação de invasores. Já o coordenador do Grupo de Águas Continentais, Anderson Latini, aposta na substituição das espécies exóticas. "É preciso fazer muitos estudos para encontrar formas de sustituição dessas espécies por nativas", reforça.

Organismos não-governamentais e instituições das Américas do Sul, Central e do Norte vão criar uma rede de intercâmbio de informações sobre espécies invasoras no continente. "A idéia é usar bases comuns de informações de modo a poder compartilhar informações da maneira mais direta possível", informa o mestre em manejo de vida silvestre Sérgio Zalba.

 

RS é único autorizado a abater javali

 

O javali é considerado pela União Internacional de Conservação da Natureza uma das 100 piores espécies exóticas invasoras do mundo. O animal entrou no Brasil há dez anos pela fronteira gaúcha com o Uruguai. Na região Sul e em São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul existem vários focos de populações selvagens da espécie.

O javali ataca, principalmente, as plantações de milho e animais de criação. Pode transmitir doenças para a fauna nativa. "Ele se adapta facilmente a qualquer tipo de ambiente e começa a proliferar rapidamente", explica o coordenador de Fauna do Ibama, André Jean Deberdt.

O coordenador do Ibama explica que as medidas de combate ao ataque de animais exóticos invasores ainda são muito recentes no país. "Ainda estamos implementando algumas técnicas de controle. Não é fácil controlar as espécies que já estão instaladas na natureza. Uma vez que o javali entrou, será muito difícil erradicá-lo, mas é possível controlar e diminuir os problemas provocados por ele."

Na tentativa de reduzir a população de javalis no Rio Grande do Sul, o Ibama realizou nos últimos dez anos diversos estudos e autorizou a caça do animal. O Estado é o único autorizado a praticar o abate no país.

Mosca - Uma espécie exótica de mosca, a Haematobia irritans, incomoda tanto os bovinos que gera perdas significativas na produção. A chamada mosca-dos-chifres, registrada no Brasil pela primeira vez no início da década de 80, em Roraima, é uma invasora.

Para fazer o controle biológico da espécie invasora, foi importado um besouro originário da África, o rola-bosta (Digitonthophagus gazella). "Os besouros brasileiros não são tão eficientes no combate à mosca-dos-chifres", garante o pesquisador Ivo Bianchin, da Embrapa Gado de Corte.

O benefício do besouro rola-bosta africano consiste no fato da espécie alimentar-se das fezes do gado, local onde concentram-se as larvas das moscas. Ele ajuda na aeração e incorporação da matéria orgânica no solo.

 

IGREJA

Imaculada prepara festa da padroeira

Paróquia dos capuchinhos programou celebrações até o dia 8 de dezembro

 

A paróquia Imaculada Conceição, do bairro Rio Branco, em Caxias do Sul, inicia nesta quarta-feira a novena e o tríduo em preparação à festa da padroeira. As celebrações e reflexões deste ano giram em torno do tema "Maria, aos teus cuidados, a nossa vida". Como já ocorreu no ano passado, as celebrações da novena vão ser realizadas em seis núcleos, reunindo as comunidades que constituem a paróquia, além da matriz. A celebração de abertura da novena ocorre na comunidade Sagrado Coração de Jesus, com missa às 20 horas. Frei Clemente Dotti, diretor geral da Editora São Miguel, é o pregador da primeira noite.

Dia 24, a novena será realizada na comunidade Nossa Senhora Aparecida; dia 25, na Santíssima Trindade; dia 26, na comunidade Guadalupe; dia 27, na comunidade Nossa Senhora Consoladora; e dia 28, na comunidade Santa Clara. As últimas três noites da novena (29 e 30/11 e 1º/12) coincidem com a celebração do tríduo, que será realizado sempre às 20 horas, na Imaculada.

Na primeira noite do tríduo haverá a procissão com as capelinhas. Outros eventos estão programados para ocorrer durante a novena e o tríduo. No dia 26 será realizada a festa dos idosos, no salão da Imaculada, a partir das 14 horas. Dia 30, após a celebração do tríduo, está prevista a Noite do Filó, também no salão dos capuchinhos; e no dia 4 de dezembro, data da festa, haverá almoço festivo às 12h15 no salão paroquial.

Maranatha - O ponto alto da festa da Imaculada é a Missa Maranatha, programada para ocorrer nos dias 2 e 3 de dezembro, às 20h30, e no dia 4, às 8, 10 e 20h30. Mais de dez mil pessoas deverão assistir essa missa, que envolve quase duas centenas de figurantes, entre cantores e pessoas que participam das encenações e celebrações. No dia 8, festa litúrgica da Imaculada, haverá missa às 16 e 18h30, com bênção da saúde.

No dia 4, na missa das 20h30, frei Irineu Costella toma posse como pároco da Imaculada. Ele vai substituir frei Jaime Bettega, que assumiu o cargo de secretário provincial, mas que continuará atuando na paróquia dos capuchinhos como vigário paroquial. A paróquia Imaculada Conceição foi criada no dia 8 de dezembro de 1949. Atualmente é formada por 25 comunidades, além da matriz. Os freis da Imaculada também atendem a paróquia São Pedro e São Paulo, da Terceira Légua, constituída de seis comunidades e a sede.

 

Matriz está passando por amplas reformas

 

A igreja Imaculada Conceição, desde o dia 1º de agosto deste ano, está passando por amplas reformas internas. Instalação de nova sonorização, piso e pintura são algumas das mudanças programadas, Também está sendo preparada a capela do Santíssimo, na lateral do altar, que contará com um espaço para oração e reflexão. A atual matriz foi inaugurada no dia 8 de dezembro de 1961.

Para a paróquia dos capuchinhos, um dos momentos marcantes da festa deste ano ocorre nesta quarta 23, na primeira noite da novena da Imaculada, com a inauguração da igreja da comunidade do Sagrado Coração de Jesus. As obras iniciaram há dois anos e apesar de faltarem alguns acabamentos, a igreja permite, a partir de hoje, as celebrações no local, com as missas às nove horas no domingo e não mais aos sábados.

 

Acertar o chute

Padre Zezinho

O jogo da vida é feito de muitas tentativas, até que o acerto é definitivo

 

Foram trinta tentativas até que eles acertaram. Passaram a bola um para o outro, driblaram aquele adversário, tomaram a bola, tornaram a passar, atrasaram, lançaram mais à frente, chutaram fora. Repetiram tudo, bateu na trave; o goleiro defendeu. Isso, mais de doze vezes. Perseguiram, perseguiram, até que trinta e sete minutos depois, um deles conseguiu pôr a bola entre aquelas três balizas. O público foi ao delírio, eles se abraçaram e rolaram no chão. O time tinha uma chance. Se o outro não fizesse um gol, eles seriam campeões, ganhariam pontos, poderiam valorizar mais os seus jogos; os jogadores poderiam, quem sabe, ser contratados e ganhar mais dinheiro. Enfim, custou, mas acertaram!

A maioria dos jogos é por tentativas, até que alguém acerte. Assim é no jogo de cartas, no futebol, no basquete, no vôlei. Nós não nos damos conta, mas eles imitam o jogo da vida; que é feita de muitas e muitas tentativas, até que o acerto é definitivo, porque vale um campeonato.

Infelizmente muitos que conseguem acertar dentro daquela cesta e daquelas traves, nem sempre acertam na vida. Chutam mais fora do que dentro. Vale dizer que não adianta aquele sujeito ser tão bom fazendo gols ou acertando tanto aquela cesta, se não acerta uma em casa com a mulher e com os filhos. Melhor é ouvir os jogadores que prezam sua família mais do que o seu futebol. Morrem de saudade de casa enquanto treinam e perseguem aquela bola, que fará o povo se divertir. Há um pouco de artista de circo em cada jogador de futebol. Malabarista da bola, ele alegra milhões de pessoas. Mas o jogo mais sério é o que eles jogam para a sua família e para seus filhos. Podem até perder no campo, mas não em casa. Lá, tem que dar certo! Foi o que ouvimos de muitos deles na última Copa do Mundo. De todos os gols que fizeram, este foi o mais bonito! Sua declaração de amor pela esposa e pelos filhos.

 

Canela constrói centro para romeiros

Obra, no Parque Saiqui, vai facilitar acolhida dos devotos de Caravaggio

 

Uma carreata com a imagem de Nossa Senhora de Caravaggio, partindo da igreja matriz de Canela até o Parque Saiqui, e a bênção do bispo diocesano de Novo Hamburgo, dom Osvino Both, marcaram a solenidade de colocação da pedra fundamental do Centro de Eventos Culturais, Turísticos e Religiosos que será construído em frente ao Monumento da Prece. A obra visa oferecer melhores acomodações para o grande número de devotos que participam todos os anos, no mês de maio, da romaria em honra de Nossa Senhora de Caravaggio.

O evento, realizado no dia 10 de novembro, marcou o primeiro passo das comemorações do cinqüentenário da festa de Caravaggio no Parque Saiqui, que ocorre em 2006. A construção contará com dois pavimentos, com espaço para salas, salão, copa, cozinha, sanitários, vestiários e mezzanino com estrutura para acolher os romeiros e para realização de eventos de pequeno e médio portes.

A construção contará com mais de 2,1 mil metros quadrados e está orçada em R$ 600 mil. O trabalho para captação de recursos junto a empresas canelenses e do Estado já está sendo feito pelos organizadores da festa e romaria de Caravaggio de 2005 e 2006. A comissão é formada por Vanderlei Rigotto, Vilso Carvalho, Waime Canto de Souza, Pedro Boniati, Manoel Idalino, Lauro Drechler e pelo pároco, padre Nilto Guedes. Dom Osvino destacou a importância da obra, que vai facilitar a acolhida dos devotos de Caravaggio.

 

Os sinais de Deus

Aldo Colombo

Para aquele que tem fé, Deus se faz presente em toda a parte. É impossível não percebê-lo

 

Um cientista, para complementar seus estudos no deserto africano do Saara, contratou o serviço de um guia. Experiente e discreto, o guia falava o menos possível, mas estava sempre atento ao que se passava ao seu redor. Mesmo depois de um longo dia, marcado pelo sol, pelas areias e pela fadiga, o guia reservava um tempo, à noite, para orar. Isso não passou despercebido ao cientista. Ao reiniciar a viagem, no dia seguinte, o cientista questionou a ingenuidade do condutor de camelos e sua oração. Ele nunca vira Deus, nunca falara com ele, nunca ouvira sua voz, como poderia ter certeza de que Ele existia?

A pergunta não foi respondida e a viagem continuou. Algumas horas depois, o sábio, mais familiarizado com o deserto, observou: uma caravana passou por aqui e trata-se de um grupo numeroso com, pelo menos, oito camelos. E o guia, com tranqüilidade, perguntou: você viu algum camelo ou falou com algum viajante? Como pode ter certeza que eles passaram por aqui? Vejo as pegadas na areia, esclareceu o sábio. E o guia aproveitou para responder a pergunta anterior do sábio: eu também vejo os sinais de Deus no mundo, por isso acredito - sem qualquer dúvida - nele.

Para quem não tem fé, qualquer milagre é insuficiente. Para aquele que tem fé, os milagres são desnecessários. Os sinais - milagres - de Deus estão em toda parte. No entanto, nem todos conseguem percebê-los. E não se trata de sabedoria. Há sábios que nada percebem e há pessoas muito simples, mas que têm olhos iluminados. Há também sábios que percebem e mesmo identificam os sinais de Deus. O grande astrônomo Isaac Newton afirmou: "Do meu telescópio, eu vejo Deus caminhar. A maravilhosa disposição e harmonia do universo só pode ter tido origem segundo o plano de um ser que tudo sabe e tudo pode. Isto fica sendo a minha última e mais elevada descoberta". Von Braun, o pai dos satélites artificiais, também confessou sua fé profunda em Deus, explicando: "Nós nos orgulhamos pela descoberta de algumas leis existentes no universo, não podemos ignorar um Ser que criou tudo isto".

Em sua simplicidade, Francisco de Assis não precisava de telescópio para ver Deus. Ele o percebia em toda a criação. O universo todo, na ótica de Francisco, era um grande templo, onde os sinais de Deus estavam presentes. De alguma maneira, Deus autografa suas obras. Uma das bandeiras mais em evidência é a da ecologia. Preservar é uma necessidade para nosso futuro, mas é também a maneira mais simples de agradecer a Deus Criador.

Mas estes sinais de Deus no universo só podem ser percebidos a partir do coração do homem. Este é o maior de todos os santuários. É ali que surge a percepção de um Deus, pessoal, o encantamento e a adoração. A partir do coração, Deus é perceptível na natureza, na história humana e - sobretudo - nas pessoas. Newton e Francisco de Assis, partindo de pontos de vista diferentes, chegaram à mesma conclusão. Para aquele que tem fé, Deus se faz presente em toda a parte. É impossível não percebê-lo.

 

Paróquia de Serafina celebra jubileu

Diversas comemorações marcaram os 100 anos de fé e devoção na região

 

A paróquia Nossa Senhora do Rosário de Serafina Corrêa (RS) está comemorando um século de existência. No dia 10 de novembro de 1905, a então capela do Rosário de Guaporé – também conhecida como Linha Onze – era declarada paróquia pelo arcebispo de Porto Alegre, dom João Becker, e cinco dias depois recebia festivamente seu primeiro pároco, padre Estevão Noce, sacerdote diocesano, italiano.

Para recordar e reviver esses 100 anos de caminhada, a paróquia programou, no dia 13 de novembro, uma solene missa às 10 horas, concelebrada por nove sacerdotes que tiveram ligação com a paróquia ao longo dos últimos anos. Um almoço de confraternização ao meio-dia e apresentações culturais e artísticas, com talentos da região e com o grupo Os Bertussi e a Banda Dublê, animaram a festa.

No início do século XX começaram a chegar imigrantes para colonizar as terras da região. Trouxeram consigo uma fé muito profunda, que procuraram preservar e alimentar através das devoções e da oração. Fundaram capelas, como centros de religiosidade. "Atualmente, a paróquia é formada por 16 capelas rurais, quatro urbanas, duas semi-urbanas e várias em formação", informa o pároco, padre Antônio Dalla Costa, auxiliado por padre Giovanni Simonetto, vigário. Desde 1920, é atendida pelos padres scalabrinianos. Já atuaram na comunidade 13 párocos e dezenas de padres auxiliares.

Padre Antônio explica que uma das características da comunidade serafinense é sua profunda devoção mariana. Desde o início existiu uma capela dedicada a Nossa Senhora do Rosário, visitada regularmente pelo pároco de Guaporé. Mais tarde foi construída a atual matriz e adquirida a bela imagem da Virgem do Rosário, que passaram a atrair cada vez mais devotos. Como frutos dessa devoção, foram dedicados a ela o hospital, o colégio paroquial e a rádio e, n o dia 11 de fevereiro de 1983, atendendo um desejo do povo, dom Urbano Allgayer promoveu a matriz à dignidade de Santuário Mariano Diocesano. Em 1988 nascia a primeira romaria, que neste ano chegou à 18ª edição no terceiro domingo de maio.

 

Irmã do ICM emite os votos perpétuos

 

A comunidade dos Três Mártires Riograndenses, em Presidente Lucena (RS), viveu um momento especial de alegria e espiritualidade no dia 30 de outubro, com a consagração definitiva (votos perpétuos) de irmã Glades Enzweiler, da congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria. Glades é a primogênita dos quatro filhos de Nicolau e Marlene Schneider Enzweiler. Nasceu em Presidente Lucena aos 26 de maio de 1977. Formada em Pedagogia no mês de agosto deste ano, desde 2004 Glades atua no Colégio Stella Maris e reside na comunidade das irmãs de Viamão.

 

O dom de reunir

Wilson João

Nada é separado. O que se faz aqui e agora se prolonga na eternidade, em plenitude

 

As pessoas que têm a capacidade de reunir em torno de si o maior número de pessoas pela causa do bem são as pessoas que recolhem para a eternidade os frutos desta semeadura em plenitude de convivência. Jamais estarão sós. Eternamente amarão e serão amadas. Devolverão nas mãos de Deus todos os sonhos e desejos realizados. É a glorificação.

HÁ O DOM DE REUNIR e a força de desintegrar. O dom de reunir nasce do coração de Deus. A força de desintegrar nasce do cérebro frio do demônio, que simboliza a capacidade desintegradora das pessoas entre si e das pessoas com o universo. São as duas forças em contínua luta dentro do universo, dentro de cada pessoa e dentro de todas as organizações sociais. A história revela que a força da maldade mostra seus rosto em noticiários espalhafatosos e em forças ocultas, mas também mostra com clareza a sempre vitoriosa força do bem.

FELIZES AS PESSOAS QUE ACOLHEM E REÚNEM. Elas são as donas da sociedade. Pode acontecer que, em certos momentos da vida, se sintam rejeitadas e sós. São os momentos do Calvário que colocou o Cristo na total solidão, até no aparente abandono de Deus: "Pai, por que me abandonaste?" Mas a vida sempre é vencedora. A capacidade de acolher e reunir que cada pessoa vai desenvolvendo, se torna uma recompensa inevitável. Felizes as pessoas que acolhem e reúnem suas famílias e seus parentes. Felizes as pessoas que acolhem e reúnem sua vizinhança pelo serviço e interesse no bem comum. Felizes as pessoas que em sua comunidade acolhem e reúnem os membros para que o bem e a vida sejam sempre vencedores. Felizes essas pessoas!

FELIZES NO REINO DOS CÉUS. Nada é esperado. O que se faz aqui e agora, se prolonga na eternidade em plenitude. Pessoas que acolhem e reúnem gente em sua pequena vida terrena estão garantindo uma eternidade no amor e na comunhão de vida. Deus acolhe e reúne todas as pessoas que em vida cumprem a tarefa de reunir. Cada pessoa dessas se torna o prolongamento do Bom Pastor e realiza, aqui e agora, a missão do eterno Pastor. Quem reúne pode ter a certeza de ser acolhido e reunido junto aos eleitos do céu pelo Bom Pastor, que deseja que todos se tornem "um só rebanho e um só Pastor".

FELIZES OS QUE REÚNEM porque estão preparando e garantindo para si o céu, que nada mais é do que a reunião de todos os que na vida reuniram. E infelizes os que desintegram, porque estão construindo para si o inferno, que nada mais é do que a solidão e a auto-destruição.

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

O italiano que está em você

Leonir Olímpio Razador

Professor, Salvador do Sul - RS

 

O professor Leonir Olímpio Razador, formado em Letras e Pedagogia, vice-prefeito e Secretário de Educação de 1993-6 e duas vezes prefeito (1997-2000; 2001-4) de Monte Belo do Sul, onde nasceu a 12-1-1952, casado com Élia Longhi, filho de Romano Razador e Joana Lídia Consoli, transpira italianidade:

"Nasci e cresci em família onde, se ouvíssemos alguém falar português, diríamos que eram sprosioni, exibidos. Só falamos Talian. Mas a Itália era algo distante e abstrato. Ouvia meu pai e meus tios dizerem: "Savì che el nono el ze vegnesto del Itàlia, pròpio de Treviso." Complicado, pois Itália e Treviso pareciam duas realidades inimagináveis. Menos ainda entendia ao ouvir a nona Vitória falar uma língua estranha com a comadre Paula Mariuz-za Filippon. O mistério duplicou quando meu pai me disse: "Va là, no te la capissi, parché la nona ze na furlana." E agora? Itália, Treviso e Furlana? O que é isto? Como imaginar, fora do Brasil, outros lugares longe, no além-mar?

Nasci e me criei em recanto longínquo de Bento Gonçalves, RS, no alto do mais belo monte, o atual município de Monte Belo do Sul. De lá se saía e se voltava. A vida era simples e espontânea. Nós não íamos ao mundo, mas ele vinha em casa pelo Staffetta Riograndense, e a Itália se revelava sempre misteriosa nas bravatas do Nanetto Pipetta. Soa ainda a meus ouvidos, cortando o silêncio da natureza, o martelar ritmado do ferreiro Nando Filippon, batendo na bigorna; o falar, rir e cantar noite adentro dos filós; os acordes sazonais das ceifas de trigo; o burburinho das colheitas de uva; a matança do porco; as sagras de capelas; o badalar de sinos; os cantos, as festas, bem como as despedidas de entes queridos! Sempre a mesma sucessão de fatos e o mesmo percurso - da família à capela, à escola, ao município, ao mundo ... até realizar meu grande sonho: ver, sentir e pisar o idílico solo da amada Itália.

Contemplo no céu as estrelas que vi na infância, deitado, na roça, cansado, sobre um monte de palha de trigo, trilhado pela trilhadeira EDA, do Martin Robetti e do Gustin Tramontina!

A solidariedade daquela gente de mãos calejadas, de idênticos rostos, que transformavam o cansaço do trabalho na alegria do cantar e do orar, me atestavam que nunca esqueceram sua Pátria. Isto foi me inebriando, até decidir buscar o tronco de minha história. Durante anos, busquei saber a procedência dos bisavós, até que num dia abençoado, na Paróquia São Francisco de Assis de Monte Belo do Sul, encontrei o tesouro, guardado pelo Pe. Francisco José Piccoli. Era a procedência da irmã mais velha de meu avô! Desde então a Itália, antes abstrata e distante, senti-a próxima; o elo rompido da história se refez. Comecei recordar o canto dos mais velhos; valorizar a história; espantar a vergonha que me haviam incutido de ser italiano. Do tronco vivo da história, rebrotei como seguro rebento italiano. Nas veias, senti o sangue, e no espelho vi em mim as fisionomias dos meus patriarcas - Francisco Razador e Maria Altinier, de Bibano-TV; Costante Di Domênico e Lucia Dreon, de Frisanco-PN; Sante Consoli e Herminia Frego, de Quarantoli-MO e Michele Dendena e Dosolina Crotti, de Chiéve-CR" (e-mail: pmmbelo@futurusnet.com.br).

Leonir, com a Élia ao lado, arraza e esnoba italianidade, agora publicando Povoadores e História de Monte Belo do Sul. No alto do Monte Belo, seus antepassados, olhando, abaixo o mundo, e acima o céu, perenizaram sua fé na Igreja São Francisco de Assis, patrono da Itália e Santo do mundo como patrono da Ecologia. Como é belo ser de Monte Belo! (Rovílio Costa)

 

EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (336)

Nanetto visita le cavità naturale de Frasassi

Rafael Baldissera

Professor, Curitiba - PR

 

(Retomada do texto de Rafael Baldissera, interrompido na edição de 29 de junho de 2005, a partir do critério de alternância adotado pelo jornal).

 

- Oncó, dise Edilson, ndemo a Frasassi.

- Ah! nò, mi me piaseria ndar fra gente, parché i sassi i maca e la gente nò!

- Nanetto, noantri ndemo visitar le Grote de Frasassi, che le ze ntel Comune de Genga. Le ze diverse grote interligae soto na montagna. Se pol dir che la ze na montagna voda. A la formassion de cavità naturale i sientisti i ghe ciama speleogénesi, e la siensa che stùdia le grote la se ciama speleologia. I càlcola che par la formassion de ste grande cavità soto na montagna ghe ga volesto tanti milioni de ani. Le grote che desso ndemo veder le ze stae scoerte in 1972, quando alpinisti che i gera sora el culmine dea montagna e i ga sentisto un vento fredo supiando ntei pié. I ga vardà e i ga visto un buso da ndove vegnea el vento. Lora i ze ndai avisar i geòloghi. Questi, fato un stùdio, i ga concluso che se tratea de na granda grota. I ga verto un sbusamento ai pié dea montagna e i ga catà sete gigantesche grote interligae, con tanti stalatiti e stalamiti milenari de color bianco neve, che, dele volte, i se catea, ligàndose, formando grosse colone. I sientisti i ga dito che, par formar tante grote cossì, soto na stessa montagna, ghe ga volesto 160 milioni de ani, quando i mamìferi i fea i primi passi e el omo no el gera ancora nassesto. Ze stà pròpio in quel tempo che le roce le ga scominsià a formarse. Le roce formade de carbonato de càlcio le assa infiltrarse le aque dea superfìssie, che, con el passar del tempo, le va desfàndose. Cossita, la montagna la resta praticamente voda. Adesso ndemo rento, ma meté su el pulover o la giacheta, parché là rento fa tanto fredo.

Semo ndai rento, co la guida davanti, parché no se pol ndar rento sensa guida.

- Qua rento, dise Edilson, bisogna caminar sora passarele parché ghe ze aqua soto e par no rovinar i stalamiti. I ze 2.000 metri de passarela. La grota pi granda la ga 100 metri de altessa. Rento ghe staria el Duomo de Milano. Ntel scomìnsio del passassoto ghe ze na porta, par mantegner la temperatura e no rovinar la ròcia.

Dopo semo ndai comperar ricordi e cartoline, e el paron de na banca el ga dito che’l ga adotà un tosatel de favela del Brasile, al quale el manda na pension tuti i mesi.

- Sto fato el mèrita registro, dise Nanetto, scrivendo tel so quaderno.

 

VITA STÒRIA E FRÒTOLE

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

Alla riscoperta delle radici

João Antônio Scariot

Agricultor, Caxias do Sul - RS

 

Dal 25 de setembre ai 11 de otobre son ndato al’Itàlia. Go visità i posti de orìgine dei Scariot – Seren del Grappa, de ndove ze vegnesto al Brasile me nono Vito e ndove ze ncora in pie le prime case dei Scariot. Son ndato anca a Feltre, Padova, Fonzasso, Belluno e altri posti. In Caorera i me ga fato un omagio, che me ga fato vegner zo le làgrime quando i ga cantà Mèrica, Mèrica. Son drio scriver un libro "Memórias de um neto", che’l vien fora daqua un par de giorni.

Ma el più importante che vui dirve ze che la mia visita ze stata notissiata ntel giornal "Corriere delle Alpi", del Alto Adige – Trentino. Ledì na parte de cossa i ga scrito.

"Dal Brasile a Seren, terra natìa del nonno emigrante.

Alla riscoperta delle proprie radici, da ricercare nei luoghi natii della propria gente, quei luoghe da dove partirono, nel 1885, per emigrare, per andare a cercare fortuna, ma soprattutto una possibilità di vita decente, altrove, che qui non c’era di che sfamare le famiglie numerose. Tra quelli che partirono anche Vito Modesto Scariot e i suoi tre fratelli. Oggi a riscoprire i luoghi dai quali partì, la valle di Seren, è arrivato il nipote, Joan Antonio Scariot, italo brasiliano classe 1932 di Ana Rech, sobborgo di Caxias do Sul, nel Rio Grande do Sul.

Non è la prima volta che viene in visita al Feltrino, perché i legami con la sua terra d’origine sono sempre stati forti, indissolubili. Come vale per tutti gli emigranti e i loro discendenti, che guardano all’antica patria con quell’amore filiale che sa di non poter tornare, se non per brevi periodi, ma che conserva nel cuore la speranza di riuscirci un giorno, per dire "eccomi, sono tornato, sono a casa".

Joan Scariot è venuto da solo, lasciando laggiù in Brasile la famiglia, cresciuta sino alla quinta generazione dalla partenza del nonno nell’Ottocento ed ora composta di sette figli e dodici nipoti. È tornato da solo per rivedere ancora una volta i propri luoghi d’origine, per ricercare le proprie origini, tanto che accanto alla visita al Feltrino ha aggiunto quella al Padovano, da dove partì la nonna.

Alle proprie radici Joan è profondamente legato ed ha voluto ripercorrerle anche in un volume, un piccolo libro, nel quale traccia la storia della famiglia Scariot a partire del bisnonno, serenese, per seguire con il nonno emigrante e poi via inseguendo la vita brasiliana della famiglia. Accanto alle visite ai luoghi del proprio passato, Joan ha voluto aggiungere altri passaggi, al monte Grappa, al monumento all’emigrante di Feltre, all’Associazione Bellunesi nel Mondo. E poi, a Caorera, in occasione dell’inaugurazione della mostra "Con la valigia in mano".

E proprio lì, nella frazione di Vas, Joan Scariot ha vissuto una serata speciale. Dapprima ha ricevuto, dalle mani del sindaco Biasiotto, il libro sull’esposizione fotografica che ripercorre un secolo di emigrazione feltrina. Quindi ha assistito allo espettacolo del gruppo Cantalaora, commuovendosi al ascoltare le parole di "Merica, Merica", seguito in piedi, cantando quel testo che rappresenta il vero e proprio inno degli italobrasiliani".

 

GERAL

São Marcos festeja a ameixa

Com 22 mil toneladas, é o maior produtor gaúcho

 

São Marcos é o maior produtor de ameixa do Estado. Por isso realiza a Festa da Ameixa e Feira Agroindustrial. O evento ocorre nos dias 27, 28 e 29 de janeiro e 3, 4 e 5 de fevereiro do próximo ano, no Centro Recreativo e Cultural Alexandre Zaniol.

A corte foi eleita no sábado, 12. Gisele Stedile, 17 anos, é a rainha da festa, representando o Colégio São Marcos. Suas damas de companhia são Paloma Leôncio, 12, da Escola Demétrio Moreira da Luz, e Isadora Balardin, 10, da Escola Maranhão.

Dia de campo - A Emater e a Secretaria da Agricultura realizam dia de campo sobre ameixeira e pessegueiro. O evento ocorre nesta quinta 24 na propriedade do agricultor José Casagranda, na Capela Santo Henrique. Serão abordados temas como fertirrigação, manejo de pragas e práticas culturais.

 

Campestre da Serra tem Festa do Pêssego

 

Dia 10 e 11 de dezembro, Campestre da Serra promove a 10ª Festa Municipal do Pêssego. A promoção ocorre na comunidade de Nossa Senhora das Graças, onde a maioria das famílias se dedica ao cultivo da fruta. A festa será animada pelo grupo Cia Gaúcha, de Caxias do Sul.

A programação inicia no sábado com torneio de futebol, almoço e coroação da rainha e princesas. Já no domingo, os visitantes serão recepcionados com distribuição de pêssegos; às 10h, missa, e à tarde, desfile de carros alegóricos, contando a história da comunidade, e distribuição de doces de pêssegos. (Ângelo Suliani, agente CR).

Memorial - Fatos marcantes da história de Encantado e da vida do escritor Genuíno Antonio Ferri estão reunidos no Memorial Gino Ferri, inaugurado sexta 18, na Travessa Luiz Ferri. O espaço, com o apoio da Prefeitura, atende anseio do escritor em reunir num mesmo local documentos, fotos e objetos antigos da história do município e da família.