
DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 4.965 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 30 de novembro de 2005.
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Nova pirâmide demográfica expõe a falta de previdência
O Brasil não se preparou para o previsível envelhecimento de sua população
O Brasil assiste ao envelhecimento de sua população sem a necessária preocupação com a adoção de políticas para atender as demandas criadas por esse processo. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2004 (Pnad), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela dados que confirmam uma tendência detectada há décadas, tempo mais do que suficiente para que esse tema fosse elevado por governantes ao topo das prioridades.
Em 1981, para cada duas crianças com até cinco anos de idade havia pouco menos de uma pessoa com mais de 60 anos (48 idosos para 100 crianças). No ano passado, a proporção passou a ser de seis idosos para cada grupo de cinco crianças com menos de cinco anos. Nesse mesmo período, a proporção de brasileiros com idade acima de 60 anos passou de 6,4% para 9,8% da população total.
Essa mudança na pirâmide demográfica do país é resultado de uma combinação do encolhimento da taxa de fecundidade com o aumento da expectativa de vida. E suas conseqüências invadem de maneira marcante os terrenos econômico e social.
A primeira e objetiva indagação que emerge é quem vai manter os idosos se a faixa da população economicamente ativa está cada vez mais reduzida. E por manutenção entenda-se desde alimentação e moradia até a assistência médico-hospitalar.
O Brasil não se preparou para essa nova, embora previsível, realidade. E isso vale para os governos federal, estaduais e municipais. O drama gerado por esse desleixo começa por uma aposentadoria com rendimento limitado a um salário mínimo, situação de mais de dez milhões de cidadãos que pararam de trabalhar para depender de um "benefício" comprovadamente insuficiente. Segue por uma rede pública de saúde que se especializou em alongar filas de espera e pela ausência de proteção descente aos excluídos pela sociedade, muitas vezes pela própria família - reflexo de um problema cultural que poderia ser corrigido pela boa educação.
Como o número de habitantes continua crescendo e menos crianças nascem, as projeções indicam que a faixa da população com idade avançada será cada vez maior. Que programas vão garantir um final de vida digno a essas pessoas? Um país que não dá atenção e respeito aos seus idosos compromete seu futuro - talvez nem mereça tê-lo.
Cidade iluminada para levar brilho do Natal aos caxienses
Programação terá ponto alto dia 22. Nos distritos segue até 6 de janeiro
A iluminação do pinheiro de 15 metros de altura na Praça Dante Alighieri, no sábado 26, abriu a programação do Natal em Caxias. Resultado de uma parceria entre Prefeitura, CDL, CIC, UCS, UAB e FSG, e com o lema "Um brilho no Natal de todas as famílias", inclui as atrações do Encanto de Natal, no bairro de Ana Rech, e o Natal Esperança, no distrito de Santa Lúcia do Piaí. O Natal em Caxias terá também atividades nos bairros e um grande evento de encerramento, na praça central, com bandas, corais e artistas e queima de fogos, no dia 22 de dezembro. Nos distritos, a programação seguirá até dia 6 de janeiro.
No lançamento do Natal em Caxias, o prefeito José Ivo Sartori convocou a comunidade a participar, iluminando casas, lojas e embelezando ruas - dando, de certa forma, uma resposta aos vândalos que queimaram o pinheiro que havia sido montado na Praça Dante, obrigando a substituição. Já o diretor da CDL Ivonei Pioner enfatizou que ao invés de uma mensagem exclusivamente comercial, "vamos procurar resgatar valores humanos, incentivando acima de tudo a solidariedade".
A programação prevê para os próximos dias eventos no bairro Santa Fé e no distrito de Vila Seca (dia 2), no Martcenter, bairro Cruzeiro e Ana Rech - abertura do XVI Encanto de Natal (dia 3); Martcenter, Planalto e Vila Cohab (dia 4), UCS (dia 7) e concerto com Orquestra Sinfônica e Coro da UCS na Catedral Diocesana (dia 8). Mais informações sobre a programação do Natal nos municípios da Serra gaúcha na página 23.
Caxias perde empresário e líder Guido D’Arrigo
Caxias perdeu um de seus mais importantes empreendedores e líderes empresariais. Morreu na sexta 25, aos 77 anos de idade, o empresário Guido Mário D’Arrigo. Fundador e presidente da Intral, D’Arrigo, que sempre assumiu posições fortes em relação a política e economia, foi também presidente do Sindicato das Indústrias Mecânicas, Metalúrgicas e de Materiais Elétricos de 1966 a 1983, presidente da Câmara de Indústria e Comércio de Caxias (1982 a 1986) e vice-presidente da Fiergs. Prefeito José Ivo Sartori decretou luto oficial de três dias.
Aids atinge 40 milhões de pessoas no mundo
Só neste ano, serão quase 5 milhões de novos infectados pelo vírus HIV
O número de portadores da Aids aumenta no mundo. De acordo com o relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV-Aids (Una-ids), atualmente 40,3 milhões de pessoas carregam o vírus HIV, sendo 43,5% mulheres. Só em 2005, 4,9 milhões foram infectados pelo HIV (14 mil por dia), o maior número desde o primeiro caso detectado da doença, em 1981. A cifra de mortes por Aids subiu para 3,1 milhões de pessoas este ano - muito mais do que o total de vítimas fatais deixadas por desastres naturais desde o tsunami de dezembro passado na Ásia.
O Brasil é citado novamente no relatório como exemplo de melhora no acesso a anti-retrovirais, seguido por Argentina, Chile, Cuba, México, Uruguai e Venezuela. Hoje, 170 mil brasileiros recebem a medicação contra Aids. O êxito do país em programas de redução de risco também foi apontado. Esses programas foram responsáveis, por exemplo, pela redução no contágio do HIV entre os usuários de drogas injetáveis. Estimativas oficiais procedentes do sistema nacional de vigilância do HIV indicam que três quartos dos 200 mil consumidores de drogas intravenosas existentes hoje no Brasil utilizam seringas esterilizadas.
O número de jovens brasileiros que usam preservativo também aumentou. Cerca de 60% dos pesquisados disseram ter usado camisinha em sua primeira relação sexual, aumento considerável em ralação a 1986, quando apenas 10% diziam ter usado preservativo em sua iniciação sexual.
Porém, os brasileiros precisam dedicar mais atenção à prevenção, segundo o relatório da Unaids. De acordo com o documento, apesar de a prevalência de casos de Aids entre grávidas estar abaixo de 1%, tem ocorrido aumento da transmissão entre mulheres, sendo as mais pobres as mais expostas ao risco.
Latinos - Mais de um terço do 1,8 milhão de pessoas que vivem com HIV na América Latina estão no Brasil. Em quase todos os países latino-americanos, os maiores níveis de infecção pelo HIV são registrados em homens que têm relações sexuais com outros homens. Segundo a Unaids, este grupo responde por 25% a 35% dos casos de Aids em países como Argentina, Bolívia, Brasil, Guatemala e Peru.
Na América Central, as relações sexuais sem proteção são a causa principal da expansão do vírus. A Aids é a principal causa de morte entre as mulheres em Honduras. No México, quase 90% dos casos de Aids notificados oficialmente são atribuídos às relações sexuais sem proteção, sendo que metade desses casos refere-se a relações sexuais entre homens, relata o estudo.
Alguns avanços recentes foram verificados na região do Caribe. Lá, há uma clara redução da presença do HIV entre as mulheres grávidas, aumento na utilização do preservativo entre profissionais do sexo e ampliação dos serviços de assistência e testes voluntários do HIV. O Caribe é precisamente a única região onde o número de pessoas com HIV não aumentou em 2005.
África subsaariana é região mais infectada
Segundo o relatório da Una-ids, a Europa Oriental e a Ásia Central registraram os maiores aumentos em contágio de HIV (25% e 1,6 milhão de novos infectados). No entanto, a África subsaariana continua sendo a região mais infectada do mundo. Apesar de a região abrigar apenas 10% da população mundial, cerca de 25,8 milhões de soropositivos, ou 64% do total mundial, vivem na África subsaariana. Só este ano, cerca de 3,2 milhões de pessoas foram contaminadas pelo HIV naquela região, mais de 60% do total de pessoas que contraíram o vírus no mundo todo. Os mortos em conseqüência da Aids na região, em 2005, somam aproximadamente 2,4 milhões. A África do Sul é o país mais afetado, com mais de 5 milhões de casos.
O relatório informa ainda que em boa parte da África subsaariana há muito desconhecimento sobre os modos de transmissão do HIV e que, em geral, as mulheres têm menos informação do que os homens.
Casa Fonte Colombo completa seis anos e inaugura sede
Ao completar seis anos de atuação, a Casa Fonte Colombo - Centro de Promoção da Pessoa Soropositiva-HIV inaugura nesta quarta 30 sua nova sede, em Porto Alegre, na rua Hoffmann, 499. Mantida pela Associação Literária São Boaventura, dos freis capuchinhos do Rio Grande do Sul, a entidade se dedica à prevenção do HIV e acompanhamento das pessoas que vivem com Aids.
Atualmente, mais de 60 profissionais voluntários estão ligados à instituição. Este ano, foram acolhidos na casa 120 novos usuários. Os voluntários também realizaram este ano 119 atendimentos pediátricos, 81 psicológicos, 258 procedimentos de enfermagem e 1.088 visitas hospitalares. Cerca de 900 pessoas participaram do grupo de convivência.
Na área social, a Casa distribuiu, em 2005, quase 30 mil quilos de alimentos não perecíveis, melhorando a qualidade de vidas das pessoas acompanhadas e favorecendo a adesão ao tratamento. A instituição ainda organiza palestras, seminários e oficinas de prevenção para os usuários e para diferentes comunidades.
Há um ano, a Fonte Colombo participa do Programa Fome Zero, envolvendo 30 de seus usuários em cursos de segurança alimentar nutricional sustentável, relações comunitárias, criação de empreendimentos de geração de trabalho e renda.
Doença ameaça detentos gaúchos
A Aids é a doença que mais aflige a população carcerária gaúcha, com 23.115 pessoas. Estimativas indicam que 30% dos presos são portadores do HIV. Porém, a Divisão de Saúde da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) registra apenas 866 casos de Aids, destes só 512 tomam o anti-retroviral.
Segundo a Susepe, nos presídios de Porto Alegre, Charqueadas, Montenegro e Osório, existem apenas quatro médicos para 10.944 presos. No interior, com 14.171 detentos, há um médico para cada 1.181 apenados.
China - A província de Guangdong vai construir duas penitenciárias para abrigar portadores do HIV. A China diz ter quase um milhão de pessoas com o vírus, mas especialistas dizem que o número pode ser muito maior. O tratamento dado pelo país aos portadores do HIV tem sido polêmico. Inicialmente, autoridades tentaram esconder a doença. Nos últimos anos, campanhas foram lançadas, mas os portadores do HIV se tornaram objeto de discriminação.
30 vacinas contra HIV são testadas
Segundo o grupo International Aids Vaccine Initiative, cerca de 30 vacinas contra o HIV estão atualmente sendo testadas em seres humanos em diversos pontos do mundo. O Projeto Praça Onze, do Laboratório de Pesquisas em Aids do Hospital do Fundão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, vai testar a partir de janeiro do ano que vem uma nova vacina contra a Aids desenvolvida no exterior.
O teste tem por objetivo analisar a segurança e a resposta do sistema imunológico provocada pela nova substância, já testada em voluntários americanos, peruanos e haitianos. Para o teste os pesquisadores vão recrutar 100 voluntários saudáveis com idade até 25 anos.
Negros são alvo da campanha no Brasil
O Dia Mundial de Luta Contra a Aids é lembrado em 1° de dezembro. Este ano, no Brasil, a data tem como tema "A aids e o racismo". O tema foi escolhido partindo da perspectiva de que a população negra nunca foi alvo de campanhas de prevenção e ela representa 47,3% da população brasileira, segundo o IBGE.
De acordo com o Ministério da Saúde, os negros representam aproximadamente 65% da população de baixa renda e os casos de Aids vêm aumentando no Brasil justamente entre a população pobre. Daí a importância dos negros como protagonistas da campanha do Dia Mundial de Luta Contra a Aids de 2005.
Floresta diversifica matriz agrícola do RS
Pinus e eucaliptos já ocupam áreas nobres dentro da propriedade
O Rio Grande do Sul está mudando sua matriz agropecuária. Cada vez mais, os municípios investem no plantio de pinus e eucaliptos. "Prenunciam-se fortes impactos econômicos e ambientais decorrentes destes investimentos", prevê o engenheiro agrônomo José Lauro de Quadros, diretor-executivo da Associação Gaúcha de Empresas Florestais (Ageflor).
Projetos de reflorestamento, como os das indústrias de celulose e papel, estão mudando a paisagem na Metade Sul - só de eucaliptos serão 28 milhões de pés. Mas o verde está alterando também a geografia de outras regiões do Estado. Os 20 municípios do Nordeste gaúcho, que integram a Amunor, apostaram nessa idéia e implantaram 868 hectares com pinus e eucalipto em 2004 e outros 2.500 hectares este ano. Na região da Amau exitem 6.658 ha com eucaliptos e 1.365 com pinus.
O programa da região da Amunor começou em 2003, com o objetivo de diversificar a economia agrícola. Hoje, conta com apoio técnico da Embrapa Florestas, de Colombo (PR), e, devido ao retorno financeiro, está despertando o interesse dos agricultores. "O plantio de pinus e eucalipto já está ocupando áreas nobres dos municípios", diz o chefe do escritório da Emater de Caseiros, o engenheiro agrônomo Ilvandro Barreto de Mello.
Para Mello, a propriedade familiar precisa diversificar culturas de ciclo curto, como o leite e a criação de frangos, para fazer fluxo de caixa rápido, com atividades de ciclo longo, como o reflorestamento. "O dinheiro oriundo do reflorestamento é de grande volume. Com ele, o produtor pode comprar a máquina e terra", observa. "É a chamada poupança verde", emenda.
Celulose - O plantio bem planejado de pinus e eucalipto é mais rentável que os grãos, como milho e soja (comparar quadro). "É mais lucrativo que a cultura da erva-mate ", assegura Mello ao CR.
O eucalipto pode ser cortado aos sete anos para celulose e aos 18 para uso de madeira. Já o pinus, em torno de sete anos pode ser abatido para celulose e acima de 20 para madeira.
Com o avanço do reflorestamento, que começou no Estado em 1967, o produtor precisa estar atento à vespa-da-madeira, problema que começa a preocupar os agricultores da região Nordeste do Estado (leia matéria à direita).
Vespa atinge 200 mil hectares no Sul do país
A vespa-da-madeira, Sirex noctilio (Hymenoptera: Siricidae), foi detectada no Brasil em 1988. Atualmente está disseminada em cerca de 200 mil hectares de áreas de reflorestamento com pinus, no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná. É considerada a principal praga das florestas de pinus. O ataque da vespa-da-madeira no Brasil é sério e evolui rapidamente, com uma dispersão de 30 km/ano a 50 km/ano.
Os 20 municípios pertencentes à Associação dos Municípios do Nordeste Riograndense (Amunor) estão monitorando e controlando a vespa-da-madeira. O inseto causa sérios prejuízos nas plantações de pinus e representa uma ameaça para a região produtora.
A vespa, na fase adulta, vive em torno de 10 dias, faz postura dos ovos diretamente nas árvores. Os ovos eclodem e se transformam em larvas, com ciclo de vida que varia de 12 meses a 36 meses. "As larvas alimentam-se do tecido vegetal provocando galerias no interior do tronco das árvores, depreciando a madeira e levando as plantas à morte", explica o engenheiro agrônomo da Emater de Caseiros, Ilvandro Mello.
Lei impulsiona pesquisa com OGMs
Presidente Lula regulamenta a Lei de Biossegurança
A regulamentação da Lei de Biossegurança (11.105/05), validada por meio do decreto 5.591, de 22 de novembro, dará novo impulso às pesquisas com os organismos geneticamente modificados (OGMs). A medida põe fim ao impasse que, durante oito meses, impediu a normatização da matéria. "Agora temos uma orientação legal", disse o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues.
Para as decisões referentes à comercialização de OGMs, a representatividade, antes centralizada na Comissão Técnica de Biossegurança, foi democratizada com a participação dos ministérios do Meio Ambiente, Desenvolvimento Agrário e Saúde. O decreto exige a provação de dois terços do colegiado (18 votos). Já para as pesquisas, será necessária a concordância da maioria simples dos integrantes: 14 pareceres favoráveis.
A legislação estipula um prazo de 30 dias para que representantes de sociedades científicas, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e da Academia Brasileira de Ciências (ABC), apresentem uma lista tríplice com o nome de 27 especialistas que irão compor a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Caberá ao Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS), composto por 11 ministros, a escolha dos titulares e suplentes da CTNBio.
Paraná - O Paraná possui uma lei própria que obriga a rotulagem dos alimentos geneticamente modificados destinados ao consumo humano ou animal, ou que possuam algum ingrediente transgênico na sua composição. O governador Roberto Requião sancionou o projeto de lei número 14. 861/2005 da deputada estadual Luciana Rafagnin. A lei foi publicada no Diário Oficial no dia 27 de outubro.
A partir da publicação, o governo estadual tem 90 dias para regulamentar a rotulagem definindo a fiscalização dos novos procedimentos. Supermercados e indústria têm o mesmo prazo para se adaptar às normas.
Fetraf-Brasil nasce com 750 mil famílias
O 1º Congresso Nacional da Agricultura Familiar, realizado em Luziânia (GO), consolida um sonho que nasceu na região Sul: a criação da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Brasil (Fetraf-Brasil). A coordenadora nacional da nova entidade é Elisângela Santos Araújo, produtora rural em Feira de Santana, na Bahia. Tomou posse na sexta-feira 25, no encerramento do congresso. Estará à frente da Fetraf-Brasil nos próximos três anos.
A entidade conta com cerca de 750 mil famílias de pequenos produtores, sendo 100 mil instaladas na região Sul.
A Fetraf foi criada em 2001, representando os três Estados do Sul. Entre as conquistas resultantes da organização dos agricultores familiares destaca-se o seguro agrícola e programas para habitação rural.
O foco de atuação da Fetraf está na melhoria da qualidade de vida das famílias rurais, reforma agrária, geração de emprego e renda, no estímulo a sistemas de produção que respeitam o meio ambiente. A entidade participa de discussões sobre o comércio mundial de alimentos.
Engº. Agrº. José Zugno
Segredos da orquídea
Tenho vários tipos de orquídeas em minha casa, todas presentes de amigas. Acho esta flor exuberante e maravilhosa, porém nunca aprendi a cultivá-la.Como posso fazer para transplantá-la ou fazer mudas? Quanto tempo levam para florescer? Que tipo de terra devo usar? Como regá-las e que tipo de exposição solar devem ter?
Vanice Dani
Caxias do Sul - RS
A família das orquídeas (Orchidaceas) é o mais extraordinário grupo de plantas floríferas do planeta com mais de 20.000 espécies conhecidas, sendo o Brasil o país mais rico em espécies, cerca de 3.000. Existem milhares de variedades híbridas, obtidas por cruzamento artificial.
A maioria destas espécies encontram-se nas regiões tropicais (quentes) de mata úmida, mas existem espécies adaptadas às mais diversas regiões geográficas e climáticas do mundo, vegetando em zonas temperadas, frias, secas, desde o nível do mar até altitudes acima de 4.000 metros.
Grande número de espécies são "terrestres", vivem no solo rico das matas, a maioria são "epífitas", vivem sobre árvores e arbustos sem lhes causar prejuízos. Orquídeas não são "parasitas" como muita gente pensa, apenas "moram" em cima de outras plantas, e até de rochas, para obter luz e boas condições de vida. Nenhum grupo de plantas apresenta tanta diversidade de forma, aspecto, número de flores por haste, arranjo e combinações de cores que as orquídeas.
Características - Embora tamanha diversidade algumas características são comuns a todas as orquídeas.
São plantas pequenas, perenes, nunca lenhosas. Têm caule com aparência de raiz - o "rizoma", reduzido nas terrestres, desenvolvido nas "epífitas". Nestas crescem acompanhando a superfície do substrato a que se prendem, e freqüentemente se erguem para cima formando os chamados "pseudobulbos", caules espessos armazenadores de água e alimentos que variam muito em forma e tamanho: arredondados, ovais, alongados, mais ou menos achatados, com 2, 10, 20 cm ou mais de comprimento.
O rizoma forma raízes verdadeiras, espessas ou finas nas "terrestres", raízes fasciculares, verdadeiras e adventícias nas "epífitas", freqüentemente transformadas em "áreas" que funcionam como reservatório de água.
As folhas são simples, de margem lisa, freqüentemente carnosas, clorofiladas, pois exercem a fotossíntese, variáveis na forma (elíptica, ovóide, linear) e tamanho (pequenos e maiores), geralmente no vértice do pseudobulbo.
Existem pseudobulbos com folhas e sem folhas. Dele também parte a haste floral. O rizoma vai crescendo pelas extremidades (zona meristemática) produzindo um pseudobulbo anualmente. Cada pseudobulbo que já deu flor, via de regra, não volta a florescer, mas continua a função de nutrir a planta até secar.
As flores são hermafroditas, bilateralmente simétricas, trímeras. O "androceu" - parte masculina - com 2 ou apenas 1 estame fértil, concrescido com o estilete do carpelo - parte feminina - formando um tubo "gimnostêmio ou coluna", em cuja extremidade superior ficam armazenados os grãos de pólen em contato com o "estigma", receptador do aparelho feminino.
O ovário é ínfero (abaixo das peças florais), unilocular. O fruto é uma "cápsula" com sementes extremamente pequenas.
Estrutura da flor - Uma flor de orquídea tem 3 pétalas dispostas alternadamente com 3 sépalas, semelhantes a pétalas. A pétala inferior tem o nome de "labelo" e a estrutura central é a extremidade do "gimnostêmio" ou "coluna". (mais informações na próxima edição).
Falta de verbas ameaça extensão rural
Alerta é dos agrônomos da Emater, preocupados com estabilidade da empresa
A estabilidade da extensão rural gaúcha está ameaçada. "Ao dar pouca atenção ao quadro de recursos humanos, está sendo prejudicada a eficácia da Emater/RS e a sobrevivência de uma estrutura construída ao longo de cinco décadas", afirma a "Carta dos Engenheiros", resultado do I Encontro Estadual dos Engenheiros da Ascar/Emater, realizado pelo Sindicato dos Engenheiros Agrônomos do Estado do RS (Senge).
O serviço de assistência técnica e extensão rural tem grande impacto na economia gaúcha. Para se ter idéia, as cinco principais culturas de grãos (arroz, feijão, milho, soja e trigo) e a criação de gado de leite e de corte, atividades assistidas pela Emater, geraram R$ 4,93 bilhões ao Estado em 2004, com retorno de R$ 796 milhões em ICMS. No período, os gastos públicos com a extensão foram de R$ 108 milhões, o que representa o retorno de mais de R$ 7,00 para cada R$ 1,00 investido.
O número de famílias gaúchas assistidas, no ano passado, foi de 240.181, para um contingente de 1.527 técnicos de campo, em uma relação de 157 famílias assistidas por técnico. O custo de assistência técnica e extensão rural por família amparada foi de R$ 453,00. A Emater/Ascar mantém 484 escritórios no Estado.
A Carta dos Engenheiros denuncia ainda o desestímulo profissional e alerta para o agravamento da situação financeira da empresa. "O que está em risco, de fato, é o apoio à agropecuária gaúcha, esteio de desenvolvimento do Estado, e detentora dos mais altos patamares de excelência no panorama nacional", declara o presidente do Senge, Joel Fischmann.
Secretaria e Emater optam pelo silêncio
O presidente da Emater/Ascar, Caio Tibério da Rocha, que participou do encontro, não quis falar sobre os problemas apontados. A assessoria de imprensa da instituição disse ao CR que o assunto seria tratado pela Secretaria Estadual da Agricultura. Esta, por sua vez, após sete contatos, respondeu às tentativas de entrevista com o titular, Odacir Klein, com o silêncio.
A Emater gaúcha emprega 470 engenheiros agrônomos. De acordo com o Sindicato da categoria, o profissional recebe R$ 1.800,00 por mês, por seis horas trabalhadas. "Como o agrônomo, no geral, trabalha oito horas diárias, passa a ganhar oito salários mínimos mensais", revela um dos diretores do Senge e engº agrº José Luiz Azambuja.
Outras instituições, como o Incra, oferecem salários superiores aos da Emater/RS. "Por causa disso, a entidade está perdendo profissionais qualificados", afirma Azambuja ao CR. "Além disso, não há acordos trabalhistas há dois anos", denuncia o presidente do Senge, Joel Fischmann. A Carta dos Engenheiros foi encaminhada à Secretaria da Agricultura, ao Crea/RS, Sescon e à Comissão de Agricultura da Assembléia.
Flores da Cunha repovoa riachos
50 mil alevinos de lambari são soltos para tentar controlar o borrachudo
Os riachos de Flores da Cunha estão recebendo mais de 50 mil alevinos de lambari. Alunos e populações rurais largaram 38 mil pequenos lambaris nas regiões de Otávio Rocha e Mato Perso. "No próximo dia 14, iremos soltar outros 8.000 na zona leste do município", diz o diretor do Departamento de Meio Ambiente, Gilberto Betanin Júnior.
A iniciativa tem os objetivos de repovoar os rios e de promover o controle do mosquito borrachudo. "O lambari come as larvas e os ovos do borrachudo, promovendo o controle biológico", explica Betanin ao CR. De acordo com ele, o mosquito está tirando a qualidade de vida das famílias do meio rural e comprometendo o fluxo de turistas, que vão ao interior apreciar as belezas naturais.
O programa visa ainda colocar os estudantes em contato com a natureza e mostrar aos moradores das 33 comunidades do interior florense a importância dos peixes na promoção do equilíbrio ecológico. "O Departamento de Meio Ambiente orienta para a preservação da vegetação às margens dos rios, como outra forma de combate ao borrachudo", conclui.
Artesanato reúne 54 cidades em Cotiporã
Exposição e venda de produtos elaborados por artesãos de 54 municípios da região da Serra, mais de 20 tipos de oficinas de artesanato (biscuit, crochê, ponto russo, entre outras), espaço cultural com exposição dos trabalhos e desfile de bolsas de palha de milho e trigo, bordados e mantas serão as principais atrações do 4º Encontro Regional do Artesanato, que ocorre dia 1º de dezembro em Cotiporã.
O evento, promovido pela Emater/RS, Ministério do Desenvolvimento Agrário, Prefeitura, Centro Cultural e Associação dos Artesãos de Cotiporã, ocorre no Ginásio de Esportes do município. Deverá reunir cerca de 4.000 pessoas. "O encontro irá oportunizar a exposição de trabalhos, divulgação da cultura e comercialização", diz a extensionista da Emater Maureen Spanemberg, uma das coordenadoras do evento.
Haverá, ainda, oficinas de capacitação para artesãos que já foram cadastrados pelos escritórios da Emater/RS. "As oficinas vão proporcionar a troca de experiências, bem como a qualificação dos participantes", destaca Maureen. Espaços culturais, onde artesãos estarão fazendo demonstrações de seu trabalho, confeccionado peças com diversos tipos de materiais; apresentações artísticas de várias etnias e desfile de peças de artesanato serão outros atrativos do encontro.
Feira da Vindima mobiliza florenses
O Centro Empresarial de Flores da Cunha e a Prefeitura estão preparando a Feira da Vindima 2006, que acontece de 25 de fevereiro a 26 de março, aos sábados e domingos, no Parque da Vindima Eloy Kunz. Os organizadores esperam receber 60 mil pessoas.
Para a próxima edição, a atenção está voltada para a gastronomia, que receberá decoração especial, apresentação diferenciada e mais qualidade dos seus pratos e serviços. "A entrada e estacionamento são gratuitos", informa o presidente da Feira da Vindima, Vanderlei Didoné. O empresário tem a missão de manter e inovar os eventos até o ano de 2007.
Nova Petrópolis tomba Moinho Rasche
O Moinho Rasche, construído pela família Rasche, em 1953, é o primeiro prédio tombado como Patrimônio Histórico de Nova Petrópolis. O prefeito Luiz Irineu Schenkel homologou a decisão da Comissão Municipal de Patrimônio Histórico. O prédio é um marco, pois reflete a evolução dos meios de produção. Antes, os moinhos eram movidos à força da água. "A construção é símbolo de uma época", disse o prefeito.
O prédio é uma edificação de três pisos mais o subsolo. O subsolo tem as paredes de 50 centímetros de espessura em alvenaria de tijolos, que serve como uma base rígida para a sustentação da edificação. Este fator é importante para a conservação, evitando que a umidade entre em contato com as peças de madeira.
A edificação é composta de dois volumes distintos: o primeiro possui dois pavimentos e era utilizado como depósito de materiais e estoque da farinha. No segundo, localiza-se a parte funcional do moinho: a produção da farinha. Também neste subsolo acontecia a geração de energia que movimentava os equipamentos. Moinho possui quatro pedras mós de arenito. As pedras precisam ser afiadas com maior freqüência por ser característica desta rocha o desgaste rápido.
Comer fora de casa exige cuidado
Há risco de ingerir alimentos com baixo valor nutritivo ou contaminados
Nessa época do ano, com as temperaturas altas, as pessoas geralmente passam mais tempo fora de casa, praticando atividades ao ar livre, em clubes, parques e na praia. Com isso, as refeições também acabam sendo feitas na rua. Não há mal nenhum em comer eventualmente um cachorro-quente ou um saquinho de pipoca vendido pelos ambulantes, desde que sejam de boa qualidade. O problema ocorre se a ingestão desses lanches for freqüente e se eles estiverem contaminados.
"Ao comprar comida na rua, corremos o risco de ingerir alimentos sem qualidades nutricionais, geralmente ricos em gordura e açúcar, e, pior, arriscamos ingerir comida contaminada", alerta a endocrinologista e nutróloga Ellen Simone Paiva, de São Paulo. Pastel, pipoca, picolé, cachorro-quente, milho verde, coco gelado etc. As opções são tantas que na hora da fome é difícil resistir. Então, a especialista dá algumas dicas que podem ajudar na escolha de alimentos de qualidade, diminuindo as chances de problemas com a saúde.
O principal risco de comprar pastel na rua são as toxinas liberadas pela reutilização do óleo no momento da fritura. "O consumidor deve verificar as condições de higiene do estabelecimento, dos utensílios e dos funcionários e, principalmente, se o óleo utilizado para a fritura está limpo", recomenda Ellen Paiva. "O poder de contaminação aumenta no decorrer do dia, pois o óleo estará sendo utilizado desde cedo", alerta. "É mais prudente dar preferência aos pastéis simples, como os de queijo ou tomate e queijo. Pastéis de camarão e palmito, apesar de saborosos, são mais perigosos pela perecibilidade do recheio", completa.
O cachorro-quente é muito calórico e com saciabilidade rápida, ou seja, a pessoa fica logo satisfeita, mas a fome retorna em pouco tempo. Ellen explica que o teor de calorias desse lanche é alto não pelo pão, como muitos pensam, mas pela soma dos recheios, como batata frita, bacon, maionese e os molhos em geral. Nesse caso, o perigo maior está na maionese e na salsicha. A primeira é possível evitar, já que os vendedores oferecem ampla variedade de recheios. Quanto à salsicha, a saída possível é observar as condições de higiene do local e o modo como o alimento é armazenado.
O problema dos sanduíches naturais é que a maioria contém maionese, que de natural não tem nada. "A maionese é o alimento com maior probabilidade de contaminação pela salmonela, não é totalmente seguro consumi-la nem em casa, quanto menos na rua", defende a médica.
As frutas cortadas devem ser evitadas
As frutas são uma opção saudável. Porém, quando aparecem cortadas nas bancas, podem apresentar alto grau de contaminação e seu consumo é muito arriscado. A água de coco, sucesso nas praias brasileiras, é ótima para a hidratação, pois é rica em sais minerais como potássio. Segundo a nutróloga Ellen Paiva, a chance de contaminação é menor se ela for consumida no próprio coco. "As prensas para drenagem da água para os frascos incluem riscos a mais, pois podem se transformar em depósito de microorganismos nocivos, assim como o facão usado para partir a fruta", explica.
Comer fora de casa requer bom senso. Ellen afirma que todos esses alimentos podem fazer parte do cardápio de uma pessoa saudável, desde que sejam consumidos esporadicamente. "Quando passam ao consumo rotineiro, eles podem causar comprometimento na qualidade nutricional de nossa alimentação", conclui.
Água causa problemas intestinais
Água é fonte de vida, indispensável ao bom funcionamento do organismo. Tanto que recomenda-se tomar dois litros por dia. Porém, ela também pode causar problemas à saúde. "Mesmo a água tratada contém microorganismos (vírus ou bactérias) que vivem nela, isso é normal. Dependendo da imunidade de cada pessoa e do tipo de microorganismo presente na água, sua ingestão pode provocar problemas intestinais, com sintomas como diarréia, vômito, dor abdominal e desidratação", explica o médico José Gerber, de Caxias do Sul. O desconforto pode durar vários dias e exige orientação médica.
Segundo Gerber, nessa época do ano, os males decorrentes da ingestão de água são mais freqüentes por dois motivos: com o calor, os microorganismos se proliferam rapidamente, aumentando sua concentração. Ao mesmo tempo, as pessoas tomam mais líquidos. Os idosos e as crianças são os mais atingidos por esse tipo de problema, pois seu sistema de defesa é mais frágil.
Gerber alerta que filtrar a água, nesses casos, não resolve, pois os microorganismos passam pelo filtro. Para evitar problemas, o médico recomenda ferver a água. "Não adianta tirar o líquido do fogo logo que levantar fervura, é preciso ferver por alguns minutos, deixar esfriar e, depois, tomar", explica. "Outra alternativa é adicionar uma gota de vinagre para cada litro de água, antes de ingeri-la. Isso acidifica a água e mata muitos dos microorganismos", afirma. "A água preparada deve ser usada também para lavar as frutas e verduras", pois os vírus e bactérias podem aderir aos alimentos", finaliza Gerber.
472 mil casos de câncer em 2006
Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil terá no próximo ano mais de 472 mil novos casos de câncer, 234 mil entre os homens e 238 mil entre as mulheres. Os tumores mais incidentes na população brasileira em geral serão os de pele não melanoma (116 mil), mama (49 mil), próstata (47 mil), pulmão (27 mil) e cólon e reto (25 mil).
O tipo de câncer mais incidente entre os homens continuará sendo o de próstata, com 9.200 novos casos, seguido do de pulmão (4.990), estômago (3.090), cólon e reto (2.910) e esôfago (2.350). Entre as mulheres, o tumor de mama ocupará o primeiro lugar, com 9.540 novos casos. Em seguida, aparece o câncer de colo do útero (3.840), cólon e reto (3.010), pulmão (2.240) e estômago (1.580).
Apesar de ser a menor do Brasil, a região Sul terá uma incidência de casos novos de câncer quase igual à das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste juntas. Mais de 20% dos casos de câncer previstos para 2006 ocorrerão na região Sul. O destaque no Sul é o câncer do pulmão. A região apresenta as maiores taxas da doença, tanto masculinas (37 homens em cada 100 mil), quanto femininas (16 mulheres em cada 100 mil). A razão é o alto consumo de tabaco.
A estimativa de incidência de câncer divulgada pelo Inca serve de base para o planejamento e organização das ações de prevenção e controle.
Leonardo Boff
A conclusão na cabeça do povo é de que os políticos são todos iguais. Em momentos assim faz sentido evocar a utopia de que nem tudo termina com o atual fracasso histórico. Nada resiste a uma esperança teimosa
As CPIs e a avalanche de denúncias transformadas em espetáculo midiático estão cansando. O ritual é tedioso, os "suas excelências" e "sua senhorias" soam hilários e o amontoado de mentiras e negações dos convocados transforma as sessões, em grande parte, numa ópera bufa. O resultado final é até agora decepcionante porque, se corruptos foram identificados, seus corruptores permanecem em grande parte acobertados.
Nisso tudo há um risco, o da perenização da crise. Ela realiza aquilo que Antônio Gramsci denunciava das crises mal digeridas: "O velho resiste em morrer e o novo não consegue nascer". Traduzindo para o nosso contexto: a oposição não consegue o impeachment do Presidente e o Presidente não tem mais força moral para novas iniciativas. Usando uma expressão de Tocqueville, " o passado (do PT e de Lula) não ilumina mais o futuro e o espírito caminha nas trevas".
Isso é politicamente ruim porque começa a prevalecer a resignação e a desesperança. Ninguém espera mais coisa nenhuma e a conclusão que fica na cabeça do povo, comprovada nas ruas e nos bares, é esta: os políticos, também do PT, são todos iguais; só pensam em si mesmos e o povo que se dane. Ninguém faz como Gandhi ou como Dom Frei Luiz Flávio Cappio, que assumiram posições claras e foram até o fim, oferecendo a sacrificação das próprias vidas.
Em momentos assim faz sentido evocar a utopia, de que nem tudo termina com o atual fracasso histórico. A acumulação de forças continua, os protestos e as ânsias de mudanças mantêm viva a resistência. Mas precisa-se ir além, buscar a libertação, fruto da ação organizada dos oprimidos. Essa perspectiva abre o futuro. Se não, por que tanto sofrimento? Recuso-me a aceitar que o sofrimento de tantos e tantos séculos tenha sido em vão. A memória dos vencidos é sempre perigosa, capaz de provocar grandes mudanças. Elas irão um dia acontecer porque representam o que deve ser.
Como ensinava o filósofo Ernst Bloch, eminente estudioso das utopias e do princípio esperança: as utopias são apenas verdades prematuras ou verdades de amanhã. Se rebaixarmos este horizonte, nos condenamos ao imobilismo e aceitamos a morte antes de morrer.
Por isso, por nossa parte, continuamos teimosamente sustentando que a política é o campo onde mais virtudes e valores se condensam e que por isso também pode concentrar o maior conjunto de vícios e velhacarias que se pode imaginar. Mas ela, em sua natureza genuína, não é outra coisa senão a busca comum do bem comum. É mais que profissão, é missão de serviço à coisa pública (daí sua essencial dimensão republicana), é cuidado para com a vida do povo, é a arte de realizar para o maior número possível de pessoas as condições para uma discreta alegria de conviver e de desfrutar, apesar de todas as limitações, o curto tempo que nos toca passar por este pequeno planeta Terra.
Se tal sonho for abandonado, a política vira negócio e instalamos a república dos vendilhões, dos corruptos, dos narcisistas que buscam sempre o holofote e que desprezam a democracia e a moralidade que a toda hora proclamam.
O povo brasileiro tem um compromisso com a esperança e com o futuro. É sinal claro de que a história pode ganhar outro rumo, melhor do que aquele vivido até o presente. Nada resiste a uma esperança teimosa. Um dia ela vai triunfar.
Frei Betto
Convence teu filho de que a felicidade não resulta da soma de prazeres, que ele será feliz ao unir-se àqueles que lutam para tornar este país livre e justo. Cultive nele os desejos do espírito, a reverência pelos mais velhos, o cuidado da natureza e dos mais frágeis
Ensina a teu filho que o Brasil tem jeito e que ele deve crescer feliz por ser brasileiro. Há neste país juízes justos, ainda que esta verdade soe como cacófato. Juízes que, como meu pai, nunca empregaram familiares, embora tivessem filhos advogados, jamais fizeram da função um meio de angariar mordomias e, isentos, deram ganho de causa também a pobres, contrariando patrões gananciosos ou empresas que se viram obrigadas a aprender que, para certos homens, a honra é inegociável.
Ensina a teu filho que neste país há políticos íntegros, administradores competentes, autoridades honradas, que não se deixam corromper, não varrem as mazelas para debaixo do tapete, não temem desagradar amigos e desapontar poderosos, ousam pensar com a própria cabeça e preservar mais a honra que a vida.
Ensina a teu filho que não ter talento esportivo ou rosto e corpo de modelo, e sentir-se feio diante dos padrões vigentes de beleza, não é motivo para ele perder a auto-estima. A felicidade não se compra nem é um troféu que se ganha vencendo a concorrência. Tece-se de valores e virtudes, e desenha, em nossa existência, um sentido pelo qual vale a pena viver e morrer.
Ensina a teu filho que o Brasil possui dimensões continentais e as mais férteis terras do planeta. Não se justifica, pois, tanta terra sem gente e tanta gente sem terra. Assim como a libertação dos escravos tardou mas chegou, a reforma agrária haverá de se implantar. Tomara que regada com muito pouco sangue.
Saiba o teu filho que os sem-terra que ocupam áreas ociosas, griladas ou devolutas são, hoje, chamados de "bandidos", como outrora a pecha caiu sobre Gandhi sentado nos trilhos das ferrovias inglesas e Luther King ocupando escolas vetadas aos negros.
Ensina a teu filho que pioneiros e profetas, de Jesus a Tiradentes, de Francisco de Assis a Nelson Mandela, são invariavelmente tratados, pela elite de seu tempo, como subversivos, malfeitores, visionários.
Ensina a teu filho que o Brasil é uma nação trabalhadora e criativa. Milhões de brasileiros levantam cedo todos os dias, comem aquém de suas necessidades e consomem a maior parcela de suas vidas no trabalho, em troca de um salário que não lhes assegura sequer o acesso à casa própria. No entanto, essa gente é incapaz de furtar um lápis do escritório, um tijolo da obra, uma ferramenta da fábrica. Sente-se honrada por não descer ao ralo que nivela bandidos de colarinho branco com os pés-de-chinelo. É gente feita daquela matéria-prima dos lixeiros de Vitória, que entregaram à polícia sacolas recheadas de dinheiro que assaltantes de banco haviam escondido numa caçamba.
Ensina a teu filho evitar a via preferencial dessa sociedade neoliberal que tenta nos incutir que ser consumidor é mais importante que ser cidadão, incensa quem esbanja fortuna e realça mais a estética que a ética. Convence-o de que a felicidade não resulta da soma de prazeres e a via espiritual é um tesouro guardado no fundo do coração - quem consegue abri-lo desfruta de alegrias inefáveis.
Saiba o teu filho que o Brasil é a terra de índios que não se curvaram ao jugo português e de Zumbi, de Angelim e Frei Caneca, de madre Joana Angélica e Anita Garibaldi, dom Helder Camara e Chico Mendes.
Ensina a teu filho que ele não precisa concordar com a desordem estabelecida e que será feliz ao unir-se àqueles que lutam por transformações sociais que tornem este país livre e justo. Então, ele transmitirá a teu neto o legado de tua sabedoria.
Ensina a teu filho a votar com consciência e jamais ter nojo de política, pois quem age assim é governado por quem não tem, e se a maioria o tiver será o fim da democracia. Que o teu voto e o dele sejam em prol da justiça social e dos direitos dos brasileiros imerecidamente tão pobres e excluídos, por razões políticas, dos dons da vida.
Ensina a teu filho que a uma pessoa bastam o pão, o vinho e um grande amor. Cultiva nele os desejos do espírito, a reverência pelos mais velhos, o cuidado da natureza, a proteção dos mais frágeis.
Saiba o teu filho escutar o silêncio, reverenciar as expressões de vida e deixar-se amar por Deus que o habita.
VATICANO II: 40 ANOS
CONCÍLIO MUDOU RUMOS DA IGREJA
No dia 8 de dezembro de 1965, o Papa Paulo VI encerrou solenemente o Concílio Vaticano II, um divisor de águas na história da Igreja. Naquela manhã de inverno romano, nem todos tinham uma noção exata do que significavam os documentos conciliares. A Igreja de Roma fizera um profundo exame de consciência de sua atuação e acertara os passos com a modernidade. Quarenta anos depois, a Primavera do Espírito Santo, no dizer de João XXIII, ainda não concretizou todas as suas possibilidades.
Frei Aldo Colombo
Diretor de Redação do Correio Riograndense
Chesterton falava que a comunicação moderna privilegia apenas o rabo dos acontecimentos. Falamos de um fato, sem saber o que veio antes. Para entender o Vaticano II, precisamos retroceder, pelo menos, quatro séculos, até Martinho Lutero. Em 1517, ao colocar suas 95 teses na porta de Catedral de Witenberg, Martinho Lutero levou a Igreja romana a uma crise. Na defensiva, o Papa Paulo III convocou um Concílio - 19º da história da Igreja - e escolheu a cidade de Trento, no norte da Itália, para sediar o evento. Iniciado em 1545, o Concílio de Trento teve três períodos, sendo concluído a 4 de dezembro de 1563 - portanto, há 542 anos. Trento foi providencial e definiu a identidade católica. Passou em revista toda a teologia e legislou sobre toda a vida da Igreja. Os frutos foram maravilhosos.
Inácio de Loiola, Carlos Borromeu, Teresa de Ávila, Pedro de Alcântara representam o novo vigor da Igreja. Surgiram centenas de congregações religiosas e a Igreja se reformou. Na expressão clássica: na cabeça e nos membros.
Depois de 400 anos, a revolução tridentina mostrou sinais de esgotamento. Trento tivera como grande objetivo a verdade. Aos poucos, a Igreja começou a sentir necessidade de uma maior eficácia. Como é tradicional na história, as transformações demandam tempo. Sobretudo na Igreja católica, as mudanças acontecem devagar, mas com segurança. Havia certo mal-estar na Igreja e alguns teólogos, especialmente os ligados à Théologie Nouvelle, chamavam atenção para novos caminhos que o Espírito Santo indicava. Entre estes teólogos, é de justiça destacar: De Lubac, Danielou, Congar, Chenu Schillibeck, Karl Rahner. Mas nada que prenunciasse uma revolução na Igreja.
João XXIII abre diálogo com o mundo
Pio XII pode ser considerado o último papa tridentino. Morreu a 9 de junho de 1958. O conclave que se reuniu em seguida teve alguma dificuldade para escolher o novo papa. Acabou eleito o desconhecido cardeal Giuseppe Roncalli, patriarca de Veneza, de quem se esperava um período de transição, a partir da própria idade: 78 anos. Ele iria surpreender o mundo já na escolha de seu nome: João XXIII. No dia 25 de janeiro de 1959, João XXIII anunciou aos cardeais sua intenção de convocar um concílio. Todos ficaram surpresos e muitos achavam um concílio desnecessário. O Vaticano I (1870) reafirmara as linhas de Trento e, ainda mais, definira a infalibidade papal. Por que reunir todos os bispos do mundo para fazer algo que o papa poderia fazer sozinho?
No dia 29 de junho de 1959, João XXIII publicou a Encíclica inaugural de seu pontificado, Ad Petri cathedram, anunciando o Concílio. Ele foi convocado a 25 de dezembro de 1961. Não seria um concílio para definir novas verdades - para muitos já havia "verdades" demais -, mas um concílio pastoral, um concílio que trabalhasse a dimensão pastoral, a eficácia da Boa Nova.
O concílio foi inaugurado em 11 de outubro de 1962 com a presença de 2.540 padres conciliares e, pela primeira vez, dezoito confissões não católicas se faziam representar por observadores oficiais. Foi o concílio mais universal da Igreja. Em seu discurso de abertura, o Papa apresentou o objetivo do concílio: "Tornar a Igreja presente no mundo e sua mensagem, sensível à razão e ao coração dos homens, engajados numa revolução técnica do século XX". O foco principal não estava mais na verdade, mas na eficácia da evangelização. Também não era uma assembléia interna da Igreja, mas aberta para as demais religiões cristãs e a todos os homens de boa vontade. Era a Igreja reabrindo diálogo com o mundo, mas para isso precisava, ela mesma, caminhar e recuperar o tempo perdido. Ficou logo famoso o termo italiano aggiornamento. O Vaticano II desenvolveu-se em quatro sessões. A primeira delas, sob João XXIII, foi de 11 de outubro a 8 de dezembro de 1962. A segunda sessão, já com Paulo VI - eleito a 21 de junho de 1963 -, foi de 29 de setembro a 4 de dezembro daquele mesmo ano. No dia 14 de setembro de 1964 iniciou a terceira sessão conciliar, que se prolongou até 21 de novembro de 1964. A quarta e última sessão foi de 14 de setembro a 8 de dezembro de 1965.
Bispos trocam o templo pela inserção na sociedade
Ao contrário dos outros 20 concílios ecumênicos (o primeiro foi realizado em Nicéia, em 325, e o último, o Vaticano I, em 1870), nos quais prevaleceram as questões doutrinais ou assuntos internos da Igreja, o Vaticano II teve um enfoque nitidamente pastoral e representou a abertura da Igreja para horizontes mais amplos, abrindo um diálogo franco com o mundo e a cultura moderna. Também abriu caminho para uma releitura doutrinal. Não se preocupou em condenar, mas em descobrir a melhor maneira de anunciar a Boa Nova de Jesus ao mundo moderno. Numa imagem visual, a Igreja Católica, situada no alto da montanha, desceu à planície onde vivem os homens.
O pórtico do documento conciliar Gaudium et Spes, que aborda as relações da Igreja com o mundo, inova: "As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e angústias dos discípulos de Cristo. Não se encontra nada verdadeiramente humano que não lhes ressoe no coração" (Gaudium et Spes, 1).
A partir de João XXIII, os documentos da Igreja começaram a incluir os governantes dos povos e os homens de boa vontade. A preocupação com a verdade passava para um segundo plano, dando-se prioridade para o anúncio de Jesus Cristo e da Boa Nova.
O Vaticano II foi, sobretudo, um concílio pastoral, preocupado com a evangelização. Como o fermento na massa, o Evangelho deveria perpassar todas as realidades. O anúncio era para todos os homens e para o homem todo, raciocinava João XXIII. Na expressão clássica, a Igreja deixava de lado o templo e a sacristia, para inserir-se na sociedade. Para alguns, tratava-se de uma ingerência indébita no mundo da política. A resposta é sempre a mesma: o mandamento do amor deve ser vivido em toda a parte.
DOCUMENTOS CONCILIARES
O Vaticano II produziu 16 documentos, divididos em quatro Constituições, nove Decretos e três Declarações. As Constituições têm um caráter mais renovador, sobretudo no Lumen Gentium e Gaudium et Spes. Já os decretos levam em conta a doutrina tradicional.
Constituições - Sacrossantum Concilium: constituição sobre a Sagrada Liturgia; Dei Verbum: constituição dogmática sobre a Revelação; Gaudium et Spes: constituição pastoral sobre a Igreja no mundo.
Decretos - Ad Gentes: atividade missionária da Igreja; Optatam Totius: sobre a formação sacerdotal; Inter Mirífica: comunicações sociais; Orientalium Ecclesiarum: igrejas orientais; Unitatis Reintegratio: ecumenismo; Christus Dominus: função pastoral dos bispos; Apostolicam Auctuositatem: sobre os leigos; Perfectae Caritatis: vida religiosa; e Presbyterorum Ordinis: ministério sacerdotal.
Declarações - Gravissimus Educacionis aborda a educação; Dignitatis Humanae trata da liberdade religiosa; e Nostra Aetate assinala o relacionamento com as religiões não cristãs.
Dom Helder liderou a importante participação brasileira
Durante o Vaticano II, a Igreja no Brasil contava com o terceiro maior episcopado do mundo, logo depois do italiano e do norte-americano. Apesar de contar com 204 bispos, na abertura estavam presentes 173, o que representava um peso significativo na composição do episcopado mundial. Alguns grupos informais tiveram grande peso no Concilio Vaticano II e o Brasil teve papel fundamental, pois formou um grupo com uma articulação entre as conferências episcopais. A idéia de formar este grupo partiu de dom Helder Camara, que era vice-presidente do Conselho Episcopal Latino-americano (Celam) e, por isso, tinha uma articulação muito boa em toda a América Latina.
O Brasil já chegou ao Concílio com um plano de pastoral de emergência, que tinha sido aprovado cinco meses antes do início do Vaticano II. A Igreja Católica no Brasil estava estruturada e sabia onde queria ir. Esse grupo conseguiu a aprovação para muitas de suas propostas, mas Dom Helder acreditava que a opinião dos bispos de outras nacionalidades deveria ser consultada de forma permanente. E foi o que ocorreu. Ao todo houve 23 conferências, de onde saiam propostas de mudanças no regulamento, na agenda, na orientação em relação aos votos etc. Por fim, foram eles que acabaram resolvendo as questões mais importantes discutidas durante o Concílio, e dom Helder Camara foi uma pessoa-chave desde o começo.
O episcopado brasileiro foi o único que saiu com um plano de ação para aplicar as decisões conciliares. Mesmo com suas limitações e com enorme crise no clero, que perdeu um terço dos padres do ministério em dez anos, o Brasil foi o país que melhor desenvolveu as definições do Vaticano II (Padre José Oscar Beozzo in A Igreja do Brasil no Vaticano II)
As principais transformações
O Vaticano II foi um concílio que colocou estacas indicando o futuro. Numa nova conjuntura, a Igreja precisava mudar. E todas as mudanças têm seu preço. Existiram equívocos e radicalismos. Mas o saldo positivo foi infinitamente maior. Como idéia fundamental, uma tese colhida no futebol: deixar de jogar na defesa e partir para o ataque. Entre as mudanças positivas do Concílio, podem ser assinaladas:
- Uma nova relação Igreja e mundo. Sem insistir sempre na última palavra, a Igreja reconhece a "autonomia das coisas terrenas", quer estar a serviço de todos e faz do diálogo uma ponte com a sociedade. Este diálogo trouxe dividendos: a Igreja Católica é a instituição mundial com mais credibilidade.
- Uma nova relação no interior da Igreja. Não apenas a relação vertical da obediência, mas a troca de pontos de vista entre as diversas esferas de serviço: papa e bispos, bispos e padres, padres e leigos.
- Um novo pluralismo entre as diversas culturas e diferentes realidades regionais. Na América Latina surgiu a Teologia da Libertação. Outros movimentos emergiram em outros países, como a Renovação Carismática.
- Uma nova figura do padre e uma maior identificação com o povo.
- Uma nova maneira de celebrar, sobretudo mais participativa. O Vaticano II permitiu o uso do idioma vernáculo e incentivou outras alterações.
- Uma nova maneira de postura da assembléia litúrgica, com maior calor, maior respeito às diversas culturas, introdução de símbolos, enfim, acentuação do binômio "fé e vida".
- Uma nova postura diante da Bíblia. A "livre interpretação" sugerida por Lutero fez com que a Igreja, de alguma maneira, retirasse a Bíblia das mãos dos fiéis, que tiveram de contentar-se, por quatro séculos, com histórias sagradas e as explicações oficiais da hierarquia.
- Um novo papel do leigo. A partir da nova definição de Igreja - Povo de Deus -, o leigo adquiriu maioridade. A Igreja tridentina foi clerical, a do Vaticano adota uma postura laical.
- Um novo jeito de viver a vida consagrada. Os religiosos e religiosas foram convidados a voltar às fontes. Junto com a recuperação da riqueza dos carismas, o religioso também assumiu nova postura na sociedade. As duas referências básicas: a volta às fontes (carisma) e o aggiornamento, a atualização.
- Um novo jeito de usar os espaços da mídia. As viagens papais inseriram-se neste ângulo.
- Uma nova postura diante dos "irmãos separados". João XXIII alertava que o diálogo precisava iniciar com os pontos que nos unem e não com as diferenças.
- Uma nova eclesiologia, uma Igreja de portas abertas, mãe de todos, que procura a ovelha perdida, onde ela estiver.
- Uma nova postura diante da questão de gênero, com a mulher, consagrada ou não, assumindo serviços, posturas e externando sua opinião. Isto ajuda a formatar uma Igreja mais feminina.
- Uma nova abertura aos problemas mundiais (ecologia, defesa da vida, alimentação...), não excluindo as mediações entre conflitos.
Pastoral da Criança comemora 20 anos
Caxias do Sul recorda duas décadas de serviço às comunidades carentes
Com o objetivo de resgatar os laços de união e fé entre as comunidades em torno de um trabalho voltado para a promoção humana no combate à mortalidade infantil, à desnutrição, à violência doméstica e à marginalidade social, surgia há 20 anos, em Caxias do Sul, a Pastoral da Criança. Para comemorar duas décadas de presença desse que é hoje o maior serviço humano e social do país, foram realizados diversos eventos em Caxias do Sul.
Na terça-feira 22, a Câmara de Vereadores realizou sessão comemorativa, proposta pelo presidente do legislativo, vereador Francisco Spiandorello. No dia 24 foi realizado coquetel no restaurante da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul, preparado especialmente com os alimentos trabalhados pela Pastoral, como a multimistura. Autoridades e lideranças regionais e do Estado participaram do evento, durante o qual houve apresentação de dados da Pastoral e resgate da história da entidade. As comemorações encerraram no domingo 27 com festa e missa na igreja do Bairro Cruzeiro para todos os líderes, coordenações, famílias e crianças atendidas pela Pastoral.
História - O primeiro treinamento para líderes comunitários em Caxias do Sul ocorreu em junho de 1985, na igreja do Bairro Cruzeiro. Depois, a nova pastoral expandiu-se para os bairros Santa Fé, Santa Catarina e Imaculada Conceição. Hoje, segundo Susana Casagranda dos Santos, que preside o Conselho de Segurança Alimentar e durante dez anos coordenou a Pastoral da Criança em Caxias do Sul, esse serviço voluntário está presente em 28 paróquias de 11 municípios da diocese - Antônio Prado, Bento Gonçalves, Cambará do Sul, Carlos Barbosa, Caxias do Sul, Farroupilha, Nova Prata, São Francisco de Paula, São Marcos, Veranópolis e Vila Flores.
São mais de 1.200 líderes que atendem 94 comunidades na diocese - 49 somente em Caxias do Sul. Mensalmente, são realizadas mais de mil visitas domiciliares a cerca de quatro mil famílias, atendidas mais de cinco mil crianças de 0 a 6 anos, além do acompanhamento a gestantes, incentivo ao aleitamento materno, alfabetização de jovens e idosos, educação para a paz, reuniões e outros serviços.
Nesses 20 anos de PC em Caxias do Sul, a entidade contou com cinco coordenadoras - ir. Carmen Ritter, ir. Idalina Bordignon, ir. Severina de Lima, Susana Casagranda dos Santos e, atualmente, Alice Bidese. "A Pastoral da Criança não pode parar. Ela está aberta a voluntários, para que o atendimento possa expandir-se para mais paróquias e comunidades", salienta Susana.
Base do serviço é a atividade voluntária
A Pastoral da Criança surgiu no ano de 1983, em Florestópolis (PR), fundada pela médica e sanitarista Zilda Arns Neumann, com apoio da CNBB. A base de todo trabalho da Pastoral são as famílias e as comunidades. A dinâmica consiste em capacitar líderes, que residem na própria comunidade, para mobilização das famílias nos cuidados com os filhos.
A metodologia da PC sustenta-se na idéia de que a solução dos problemas sociais necessita da solidariedade humana, organizada e animada em rede, com objetivos definidos, e que o principal agente de transformação são as lideranças das comunidades mais carentes. Na PC, mais de 90% dos voluntários são mulheres pobres. Ao transformar suas próprias famílias e comunidades, elas resgatam valores e práticas de valorização da vida.
Padre Zezinho
Deixar que cada um faça o que bem entende é tão errado como proibir todo mundo de se expressar
Toda civilização supõe disciplina, é impossível criar um povo feliz sem disciplina. Estado indisciplinado tem pouca chance de sobreviver. É impossível governar um time indisciplinado, um exército indisciplinado, uma escola indisciplinada e uma família indisciplinada.
A disciplina é questão de sobrevivência para os barqueiros que atravessam o rio, para os corredores de uma pista, para os pilotos do avião. Quebrou a disciplina, alguém corre um risco maior do que o necessário. É por isso que os motoristas precisam da disciplina, as crianças precisam de disciplina, todos precisam de disciplina, inclusive nossos animais domésticos.
Por isso, quando nós criamos uma civilização onde é permitido todo e qualquer tipo de mensagem e todo e qualquer tipo de comportamento e joga-se qualquer assunto no ar através da televisão, sob o argumento de que o ser humano é livre para dizer o que pensa, cometemos um erro.
Ninguém é livre para jogar lixo no quintal do outro, ninguém é livre para jogar gás tóxico na porta do vizinho e ninguém deveria ser livre para jogar idéias perigosas na casa onde há crianças ou pessoas despreparadas para distinguir entre o certo e o errado. Não sou a favor da censura política e nem da censura moral, mas a favor do bom censo que permite e produz uma censura sensata capaz de dizer isto não pode ser permitido porque este país tem crianças.
Como não é possível os pais vigiarem suas crianças 24 horas por dia, a televisão tem a obrigação de não pôr no ar qualquer coisa que possa levar uma criança a desvio de comportamento. Não é o que a televisão tem feito. Alguns programas agem como se estivéssemos numa civilização vale-tudo e o governo permite.
Toda sociedade permissiva tem alto grau de tendência ao suicídio. Não pode sobreviver por muito tempo uma sociedade que não reage contra os seus para-militares, os desmandos de sua polícia, os abusos de seus políticos e dos seus comunicadores. É questão de acertar o controle e a disciplina. A censura é sempre algo indesejável, mas até os comunicadores que não aceitam ser censurados pedem para censurar os pichadores, os para-militares e os que ensinam a fazer bombas.
Então alguma censura eles admitem, desde que não seja contra o que eles fazem. Deixar que cada um faça o que bem entende é tão errado como proibir todo mundo de se expressar. Tem que haver um consenso. Que falem os juízes que para isso foram preparados. Mas, se até eles não sabem o que fazer, então que se feche o país. A violência de agora nasceu quando o jeitinho brasileiro decidiu que somos um lindo país porque aqui tudo acaba dando certo! Será?
Campanha da CNBB convida à partilha
Iniciativa visa sustentar projetos de evangelização em regiões mais carentes
Para a Igreja Católica, o tempo do Advento é um período rico na liturgia e na religiosidade do povo, em vista do Natal que se aproxima. Esse tempo litúrgico inicia com o apelo à vigilância e à preparação para o encontro com o Senhor. "Deus renova nossa esperança e a certeza que sua fidelidade é eterna", salienta dom Geraldo Majella Agnelo, presidente da CNBB e cardeal de Salvador (BA), em sua mensagem para a Campanha Nacional para a Evangelização, realizada há vários anos pela Igreja no Brasil nas duas primeiras semanas do Advento.
A realização dessa campanha foi uma decisão da CNBB e envolve todas as dioceses do Brasil. Duas são as finalidades: aprofundar a consciência sobre a urgência da evangelização e recolher fundos para sustentar a evangelização no Brasil. A evangelização é a própria razão de ser e de existir da Igreja. Trata-se de anunciar e testemunhar, de diversas formas, a boa nova do Reino de Deus, que Jesus trouxe ao mundo com seu nascimento, sua pregação e sua vida, sua paixão, morte e ressurreição.
A campanha é uma resposta consciente dos cristãos para a obra evangelizadora e missionária da Igreja. Os campos de evangelização são muitos e desafiadores, nas suas várias formas e realidades brasileiras, seja nos centros urbanos ou nas comunidades rurais, seja em regiões como a vasta Amazônia ou nas periferias das cidades.
Para que essa obra de evangelização possa sustentar-se e levar adiante sua missão, ela depende também da generosa colaboração dos católicos. "Desde os tempos de São Paulo existe o costume de fazer coletas para ajudar a sustentar as comunidades pobres e para tornar possível o trabalho dos evangelizadores", salienta dom Geraldo.
Por isso, no terceiro final de semana do Advento, nos dias 10 e 11 de dezembro, é feita a coleta para a evangelização em todas as comunidades e igrejas católicas do Brasil. As colaborações são espontâneas e o valor recolhido vai constituir um fundo para a evangelização. Do total arrecadado, 45% ficam na própria diocese, 20% vão para o Regional local da CNBB e 35% vão para a CNBB.
Gaúcho é ordenado diácono em Roma
Antonio César Seganfredo, da congregação dos Missionários de São Carlos - Scalabrinianos, será ordenado diácono no dia 3 de dezembro. A cerimônia será presidida por dom Luciano Monari, bispo de Piacenza, na basílica dos Santos Ambrósio e Carlos al Corso, em Roma. Junto com Antonio serão ordenados outros cinco scalabrinianos - Leonardo Rocha, de São Bernardo do Campo (SP), Willinton Lopes Vega, da Colômbia, Richard Gerard, do Haiti, e os italianos Corrado Caroli e Gabriele Beltrami.
Seganfredo é natural de David Canabarro. Último dos 11 filhos de Antonio e Ondina Bortolanza Seganfredo, nasceu aos 29 de março de 1977. Cursou filososfia no IFIBE, em Passo Fundo, e desde 2000 está em Roma, onde concluiu a teologia e agora cursa mestrado em Teologia Bíblica no Angelicum. Depois de formado, vai atuar como professor no Itesp de São Paulo. A ordenação sacerdotal está prevista para dezembro de 2006.
Aparecidas elegem governo do regional
As irmãs do Regional Centro-Oeste (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Bolívia) da Congregação das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora Aparecida reuniram-se em assembléia anual, no mês de novembro, para rever sua ação missionária e programar-se para o período 2005/2009. Participaram as 22 irmãs que atuam nas seis Betânias sediadas no MT e no MS e uma na periferia da cidade de San Ignácio de Velasco, na Bolívia. É o primeiro Regional da Congregação gaúcha e, em 2005, está celebrando 25 anos de fundação.
A superiora geral da Congregação, irmã Salete Verônica Dal Mago, eleita no final de outubro, durante Capítulo Geral realizado em Porto Alegre, participou da assembléia e presidiu a eleição da nova equipe de coordenação do Regional, que ficou assim constituída: irmã Anita Dal Mago (coordenadora, reeleita), irmã Mafalda Bruzamarello (1ª conselheira, reeleita) e irmã Joana Aparecida Ortiz (2ª conselheira).
Assembléia define rumos da Rede Marista
Será realizado de 3 a 5 de dezembro, em Veranópolis, o capítulo provincial que vai definir os rumos da atuação da congregação dos maristas no Rio Grande do Sul para os próximos três anos. Os irmãos, que estão no Estado há 105 anos, administram a Rede Marista de Educação e Solidariedade formada por três instituições mantenedoras que mantém uma universidade (PUCRS), 22 escolas de educação básica e 28 obras sociais.
No total, são mais de 50 mil estudantes ligados às unidades mantidas e cerca de 30 mil atendidos anualmente nas obras sociais maristas. Participam do capítulo cerca de 60 irmãos, que vão eleger o provincial e integrantes do Conselho Provincial. Atualmente, responde como provincial irmão Roque Ari Salet.
Aldo Colombo
Felicidade é valorizar as pequenas coisas de cada dia. É saber escolher aquilo que nos realiza
Na Idade Média, as pestes se constituíam nas maiores ameaças. Por vezes, povoações inteiras morriam, deixando aldeias desabitadas. As grandes pestes de hoje têm nomes diferentes: pressa, velocidade, impaciência, ruído... Elas nem sempre matam, mas tiram a alegria de viver. Andamos com excessiva velocidade e não temos tempo de admirar a paisagem. Não nos concentramos naquilo que estamos fazendo, mas naquilo que vamos fazer depois. E sempre envolvidos pelo ruído. De vez em quando admitimos: isto não é vida, mas em seguida retomamos a corrida. Em conseqüência disso, nos tornamos irritados e sem paciência. Depois de algum tempo, recorremos às farmácias em busca de tranqüilizantes ou às clínicas de repouso para curar o stress. Que pena que não existam farmácias que vendam paciência. Seria a solução.
A natureza nos ensina a não ter pressa. Uma pérola demora centenas de anos para se formar no silêncio das águas. A ternura continuada das ondas escava a rocha mais dura. O carvalho demora um século para alcançar sua plenitude. Em geral, preferimos as aboboreiras, que apresentam seus frutos em 30 dias.
O trânsito é nervoso e a buzina é um grito de impaciência. Reclamamos da lentidão da Internet em nos fornecer o saldo bancário, esquecidos das filas dos bancos. Preferimos a comida enlatada, que vem pronta. Há uma diferença enorme entre a torta caseira, preparada devagar, com pequenos e amorosos detalhes que passam da mãe para a filha, e o doce comprado na padaria. Preferimos livros e artigos curtos. Nem mesmo desaceleramos à noite. Nosso sono costuma ser agitado e despertamos cansados, mas prontos para iniciar nossa barulhenta corrida. E nem sabemos para onde e nem para que corremos. Sabemos apenas que nossa vida não é humana.
Numa linda canção, Almir Sater afirma: "Ando devagar porque já tive pressa, levo este sorriso porque já chorei demais". Andando sem pressa, explica ele, é possível conhecer "as manhas e as manhãs, as massas e as maçãs". E após falar da paz e do sorriso, garante que "cada um carrega consigo o segredo de ser feliz".
A felicidade não está lá na frente, nem fora de nós. Ela está dentro de nós, aqui e agora. Mas precisamos dar-nos conta disso e acolhê-la. É viver com intensidade, mas sem pressa. É valorizar as pequenas coisas de cada dia. É saber escolher aquilo que nos realiza e não escolher o que os outros indicam, nem correr porque os outros correm. É importante saber o que nós queremos e para onde vamos. É importante estabelecer uma hierarquia de valores em nossa vida. E nessa escala de valores, colocar as realidades mais importantes: o amor, a paz, o serviço...
E não podemos esquecer a prece, que tem o privilégio de nos iluminar, descobrir a densidade do silêncio, desacelerar nossa vida e indicar o caminho certo. O grande místico que foi Teilhard de Chardin lembrava: não somos seres humanos passando por uma experiência espiritual, mas seres espirituais passando por uma experiência terrena.
Irmãs de São José celebram jubileus
Dezoito religiosas festejaram 50, 60 e 70 anos de profissão
No domingo 20 de novembro, no mosteiro São José, em Garibaldi, 18 irmãs da Congregação de São José festejaram os jubileus de 50, 60 e 70 anos de profissão religiosa. Padre Leomar Brustolin, pároco da catedral de Caxias do Sul, presidiu missa de ação de graças às 10 horas, tendo como concelebrante o reitor do seminário Nossa Senhora Aparecida de Caxias do Sul, padre Adelar Baruffi.
Celebraram 70 anos de vida religiosa as irmãs Maria Olívia Perini, Maria Pasqua Panizon e Regina Benvenuta Zandoná que, por problemas de saúde, participou apenas da missa. Nove irmãs comemoraram 60 anos de profissão religiosa - Benjamina Caldart, Celestina Erthal, Davina Vanzin, Edithe Berthon, Genoveva Guidolin, Rosária Theresa Pegoraro, Jurema Maria Crocoli, Judith Vieira Velho e Marta Flores Valiera. Os 50 anos de vida religiosa foram festejados pelas irmãs Angelina Bavaresco, Aurora Martello, Benjamina Maria Beal, Lourdes Maria Perozzo, Lúcia Catarina Tonin e Teresina Olinda Costela.
A celebração contou com a presença da superiora provincial, irmã Gertrudes Salete Beal, e da conselheira geral, irmã Luiza Rodrigues, além de religiosas da congregação, de familiares e de amigos. Ao meio-dia houve almoço de confraternização no restaurante Dona Marisa.
As primeiras irmãs da Congregação São José de Chambery chegaram ao Estado em 1898, em Garibaldi, a convite dos capuchinhos que tinham se estabelecido na cidade dois anos antes. Hoje contam com três províncias no Rio Grande do Sul, com sedes em Caxias do Sul, Porto Alegre e Lagoa Vermelha. A província caxiense tem 192 irmãs, é formada por 44 comunidades, presentes no RS, MT, MS e RO. Atuam nas áreas de saúde, educação, pastoral paroquial, pastorais sociais e em outros segmentos da sociedade.
Missões em São José do Norte na reta final
A paróquia São José, de São José do Norte (RS), vive um tempo especial - desde o dia 5 de novembro a equipe missionária dos freis capuchinhos está pregando as missões populares nas 22 comunidades paroquiais. "Nesta semana estão em missões as três últimas comunidades da paróquia - Santa Rita, Perpétuo Socorro e a matriz São José", informa o pároco, frei Darci Trucolo.
Cada comunidade contou com a presença dos missionários durante uma semana. Celebrações, palestras, procissão luminosa, confissões e outras atividades marcaram a semana missionária. Os freis também deram a benção a objetos, água, chaves e saúde. No dia 28, a paróquia recebeu a visita do bispo diocesano, dom José Mário Stroeher. O encerramento ocorre dia 4 de dezembro, às 9h30, na praça da matriz, com missa de ação de graças e participação de todas as comunidades.
Wilson João
Mesmo sendo perda, a doença se torna um ganho quando é recebida como companheira de caminhada
Dizer que a doença é uma bênção é um atrevimento. Como fazer essa afirmação se todas as pessoas fazem o possível e o impossível para livrar-se de qualquer tipo de doença e dor? Como fazer essa afirmação se todos fazem da doença uma maldição? De fato, a doença é um limite, é uma pobreza, é uma manifestação da pequenez humana.
HÁ DOENÇAS PASSAGEIRAS. São como visitas. Chegam e passam. Abrem a porta do corpo e a deixam aberta para uma breve chegada e uma gostosa despedida. Doenças que chegam sem avisar, mas não incomodam. É o resfriado, a machucadura, a dor de estômago. Sabe-se que a despedida é certa. Não assustam. Porém, fazem tomar consciência dos limites humanos. É a parada no trabalho. A chegada ao médico. Os remédios comprados. A cama obrigatória e como castigo. São os limites. Mas passam. Sabe-se que logo ali, mais dias menos dias, tudo volta ao normal.
HÁ DOENÇAS QUE FICAM. Chegam na casa do corpo e pedem para ficar. É a hipertensão, o diabetes, o colesterol alto, o coração enfraquecendo, as veias entupindo, o câncer... e lá se somam as visitas permanentes com as quais o corpo tem que se acostumar a conviver. Inútil colocar-se em posição de briga. Sabe-se que toda a doença é uma perda. Lá se vai a saúde desejada. Lá se vão os sonhos água abaixo. E pior. Ela, sem gritar, se torna uma emissária da morte. Vem avisando. É um despertador. Vai alertando que o tempo está passando e que o tempo da vida está sendo tragado pelo dragão da morte.
TORNAR-SE AMIGO DA DOENÇA. Tê-la como amiga. Não brigar com ela. Ela é filha do corpo. Nasceu do corpo. Pertence ao nosso mundo pessoal. O que resta é aprender com ela. Aprender o que ela tem a nos ensinar. Pode tornar-se fonte de sabedoria. É o momento de exercer o papel de artista. Transformar em música e pintura as dores do corpo. Criar um jardim e um pomar com as limitações que a doença impõe. Mesmo sendo perda, ela se torna um ganho quando é recebida como companheira de caminhada.
A DOENÇA É UMA FONTE DE APRENDIZADO. O desejo de todas as pessoas é vida saudável no trabalho e no lazer, na festa e no passeio, na liberdade de comer e de beber, no sonho de ter sempre mais, de produzir e consumir sempre. De repente, tudo pára. Começa-se a revisar os sonhos. Pensar mais espiritualmente. Pensar além do corpo. A partir desse momento, para quem acolher a doença como amiga, ela passa a ser uma bênção. Uma busca de Deus. Uma vida além do corpo.
Vila Flores celebra festa da Salette
Evento é realizado pela comunidade há quase meio século
A Paróquia Santo Antônio, de Vila Flores, celebra, no dia 11 de dezembro, festa de Nossa Senhora da Salette. Motivada pelo lema "Com Nossa Senhora da Salette, promovemos a paz", a festa terá como pregador dom Clóvis Frainer, bispo emérito de Juiz de Fora (MG). A programação religiosa inicia no dia 8 com a primeira celebração do tríduo. "A paz será o tema de reflexão das três noites do tríduo", salienta o pároco, frei Germano Miorando.
A missa festiva será celebrada no dia 11, às 10h30, com participação do coral municipal de Vila Flores e transmissão pela Rádio Veranense de Veranópolis. O evento está sendo promovido pela paróquia e pelos festeiros Gildo e Santina Roncatto, Luiz e Luiza Boaretto, Danilo e Sabina Rampi, Clóvis e Leda Costella e Nilton e Claudete Pértile. Ao meio-dia, será servido almoço tradicional no salão de festas da paróquia.
A festa de Nossa Senhora da Salette é celebrada em Vila Flores desde meados do século XX. A devoção da Virgem, que apareceu nos Alpes franceses no dia 19 de setembro de 1846, foi trazida pelos imigrantes italianos e pelos primeiros capuchinhos que vieram ao Rio Grande do Sul a partir de 1896.
A paróquia de Vila Flores foi criada no dia 4 de março de 1951, por dom José Baréa. Conforme dados do livro-tombo, a primeira festa da Salette foi celebrada em 1957. Na década de 60 iniciaram as encenações das aparições, feitas por jovens da comunidade, que continuam sendo feitas até os dias atuais.
Morre Arcebispo Ordinário Militar
Dom Geraldo do Espírito Santo Ávila, Arcebispo Ordinário Militar do Brasil, morreu no dia 14 de novembro de 2005, em Brasília (DF), aos 76 anos. Natural de Datas (MG), era sacerdote desde 1953 e bispo desde 1977. Nomeado por João Paulo II, dom Geraldo exercia o cargo de Ordinário Militar desde 12 de dezembro de 1990. O Brasil é um dos quase 40 países que têm uma diocese militar dentro das Forças Armadas. Ela é ligada à Santa Sé, funciona como qualquer diocese e seu clero são todos os capelães militares que atendem os quartéis espalhados por todo o Brasil.
O italiano que está em você
Eliane Zago
Arquiteta, Rio de Janeiro
A arquiteta Eliane Zago assim revela sua italianidade:
"Nasci em 1974, em Veranópolis-RS, no auge da ditadura, do movimento estudantil e da copa, em família rural, onde pouco se sabia, pois poucos tinham luz, menos ainda rádio e TV. Era fascinante visitar os nonos maternos, Constante e Dirce (dos paternos, apenas recordo o rosto da nona). Ao vistá-los, em Lajeado Bonito, vinham-nos ao encontro, nos envolviam em seus afazeres, naquela casa grande, de madeira. Na cozinha, havia um fogão à lenha, a pia e a mesa. Na despensa, ficavam as louças e os mantimentos. A cozinha dava à sala, e uma varanda, de tábuas, ligava à casa de dormir e ao sobrado. Eu morria de medo ao subir lá sozinha.
Na frente da casa, um inesquecível jardim, com três grandes árvores, numa das quais estava a caixa d'água e um balanço. Cercas vivas emolduravam a entrada com flores e folhagens, que ainda enfeitam minha mente. A nona nos levava à horta, cercada de taquaras, onde comíamos moranguinhos, cenouras, pepinos..., cheirávamos ervas de tempero e medicinais. Íamos à estrebaria ver as tias a tirar leite, tentando ajudá-las, mas elas diziam: "Nò, nò, parché le vache le ze massa cative, le pol darve peade." Não, não, pois as vacas são muito brabas e podem escoiceá-las.
Meu sonho era de andar de carroça sobre o pasto ou o milho. Pena que meu mano Dudu não teve essa experiência, pois com a morte da avó e o casamento dos tios, o velho casarão de madeira foi substituído por um de alvenaria, onde mora o nono. Tudo se descaracterizou, menos as minhas lembranças.
Aos 17 anos, concluído o 2º grau, fui a Porto Alegre, em busca de algo a mais que o pedaço de chão que meu pai conseguiu, ao sair da colônia para trabalhar como operário, e minha mãe dirigindo o lar. Estava na hora de lutar para fazer a minha história. Não tinha condições de pagar uma faculdade, mas tivemos a sorte, eu e minha irmã Luciana, de sermos acolhidas na casa do amável frei Rovilio Costa, pai dos abandonados. Comecei realizar meu sonho de trabalhar como manequim, até me apaixonar pelo músico carioca Alexandre Canano, e vim para o Rio de Janeiro. Contei minha história à superiora de uma faculdade católica, após prestar vestibular para arquitetura. Ela se comoveu e me presenteou com uma bolsa de estudos. Com fé e determinação, conquistei aquilo que todos achavam impossível. Estou prestes a me formar. Sou estagiária do Instituto Pereira Passos da Secretaria Municipal de Urbanismo da Prefeitura do Rio de Janeiro. Ouço na Internet a Rádio Veranense e tenho orgulho em falar aos colegas das minhas origens, para eles bem diferentes. Em Veranópolis, eu tinha vergonha do meu sotaque; as amigas me corrigiam... Mas hoje tenho orgulho de minhas origens, do meu Talian, que me fizeram herdeira do trabalhar, viver e rezar em família, conviver com amigos e parentes, ajudar-se, festejar com bom vinho e boa comida, tomar chimarrão, cantar, conversar, contar histórias e estórias e, enfim, daquela originalidade de rir de si mesmo.
Sinto-me italiana mais do que nunca, sou percebida como diferente, e admirada pela minha persistência em tudo o que me proponho. Sou grata aos meus antepassados, que me deram esta herança, e a meus pais, que me fizeram italiana (nanizago@hotmail.com)."
Na simplicidade do lar, falando Talian, cultivando a terra, lutando para viver, confiando os próprios destinos a Deus, Eliane sorveu, com o leite materno, o ser, o viver e o sentir italianos, que hoje partilha com outras etnias, esbanjando italianidade. (Rovílio Costa)
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (337)
Nanetto se perde in Firenze, cità del arte e dei artisti
Rafael Baldissera
Professor, Curitiba - PR
- Adesso, ndemo a Firenze, fondada 40 ani vanti Cristo col nome Florentia. La so moneda zera el fiorin, e el so stema un Fior de Lis. Firenze la ga buo tanta influensa sora el Mondo Antigo. Ma l’è stà in 1115 che la se ga firmà in tuti i campi. In 1300, la gera un dei sentri pi importanti del Itàlia. La fameia Medicis la comandava in Firenze. La ga mandà costruir la Galeria dei Ufìssii che la gera na granda scola de arte. I ga mandà vegner i pi grandi artisti del mondo: Dante, Galileo, Rafael, Giotto, Leonardo da Vinci, Boticeli, Michelàngelo, par insegnar tute le arte ala giuventù fiorentina. Adesso ndemo veder la cesa dea Santa Crose, dove i ze stai sepoltai i grandi artisti, parché i credea che, se i gera sepolti rento dea cesa, i gera romai con un pié in celo, parché ntel frontispìssio dea cesa ze scrito: "Hic est domus Dei et porta caeli". Questa ze la casa de Dio e la porta del celo. Le urne de Michelàngelo e de Dante Alighieri le ze in bei altari de marmo.
- In fati, dis Nanetto, questa zela na cesa o un simiterio? - La Iara Coen la risponde:
- Tuti due, no te vedi, Nanetto?
- Adesso ndemo visitar la Catedrale de Santa Maria del Fior, na gran òpera, revestia de marmo bianco de Carrara. La rissalta nea cità par via dea so altessa. El goerno de Firenze el ga volesto che la Catedrale la fusse la pi alta e sontuosa che inventar no se possa, nè pi granda, nè pi bela dea indùstria e poder dei òmini. Ma vardè, qua dadrio la Catedrale ghe ze el Batistero, na vera cesa, costruida sol par far i batesi.
- Professor Edilson, osserva Nanetto, no i podea far i batesi ntea Catedrale?
- In quel tempo, i credea che na persona nò batesada no la podea ndar rento dea cesa, parché la gera ancora pagana. Ben, adesso ndemo veder la Piassa dei Siori. La ze na piassa dove, antigamente, sol i Siori i podea riunirse lì. Pi tardi, anca el pòpolo el podea. La gera na sorte de boca maledeta, dove se podea saver le ùltime notìssie. Ma adesso ndemo ciapar l’ónibus.
Ntel ónibus, Edilson el vede che manca Nanetto. Lora, el ciapa la bissicleta e el va sercarlo ntea Piassa. Lo cata, perso, rente el Batistero e lo mena fin l’ónibus. Quando l’è ndà rento, tuti i lo ga coionà.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
Fra Aleixo Polesso
Cláudio Dalla Coletta
Odontólogo, Porto Alegre - RS
Go sempre amirà le persone che porta na idea nova, anca se tanti suito i ghe cata fora un difeto, parché i ga paura de le nove idee. Fra Aleixo Polesso, cognossuo come Padre Lèssio, el ze stà un seminator de cultura, in tute le parte dove el ga laorà, soratuto in Veranópolis.
No’l parlava solo dea Bìblia, ma el insegnava robe pràtiche, par esémpio impiantar mangioca, quando nessun ancora impiantava mangioca da magnar, ma solo quela par le bèstie. El disea che zera de piantar el bacheto in pié e nò butà, parché se te lo meti in pié ze pi fàssile, dopo, cavar el sbaro, co la ze belche maura. El predicava in Talian, intanto che’l Padre Paolo Wonsowski el parlea in polaco ai polachi.
Na volta, on amico me ga ito: "Fra Aleixo no zera na gran cultura". Ricòrdete, ghe go ito, che anca San Giovani Maria Vianney no’l zera na straordinària cultura, e l’è deventà modelo dei pàroci e santo. Mi credo che combater la ignoransa, come fea el Padre Lèssio, ze laorar par la cultura e par la fede, come lotar contra la malatia ze giutar la salute. Secondo Deliso Villa te la so Stòria dimenticata, l’ignoransa la vegnea del Itàlia, dove ghe zera autorità che le minaciava con la morte quei che i savea leser e scriver.
El Padre Lèssio e i capucini i ga salvà del ignoransa tanti tosati che i portava a studiar insieme con quei che i studiava par esser frati. El frate Lèssio el disea sempre, con forsa e parché tuti lo sentisse: "Ze meio esser sordi, muti, orbi, sensa gambe e sensa brassi che esser gnoranti." Zera la so maniera forte de far capir le cose importanti.
Architetura religiosa dea Lapa
Ary Sebastião Vidal
Lapa - PR
La cesa santuàrio de San Benedeto ze na costrussion contemporània de grande belessa, co la capassità par 2.000 persone, fondata dove a tempi passadi ghe zera un capitel, fato dai schiàvi in omaio a San Benedeto. El sasso fondamentale el ze stà messo a drita dela cesa vècia, ai 15 de maio de 1947. Tuta la comunità ga laorà insieme par tirar su la nova cesa, con man d’òpera e donassion. Le careghe, i vieri anca, tuto donassion dea comunità. Tra le tante stàtoe dea cesa, ghe ze el primitivo ìcone de San Benedeto. La sagra de San Benedeto se la fa a la doménega prima del Natale.
Cesa de Santo Antônio ze el marco architetónico pu antico dela sità. La so costrussion la ga scominsià tel 1769, col primo Capitan Mor dea Lapa, Francisco Teixeira Coelho, e finida tel 1874 in architetura luso-brasilian dela metà del sècolo XVIII, adoperando sassi cavadi dela montagna del Monaco, la tore dela campana la ga el desegno baroco tel fronton.
El processo doperà ntela so fondassion l’era col mètodo dele "parete de frantoio". Tera moia, streta fra le tole, legni taiadi, messi in meso la tera insieme con creta, dopo se strendea ben questa porsion che la zera una s-cianta liquida par dopo, pu avanti, quando la deventea fissa o sia imòbile, se doperava par far el mur dela cesa, cossita se ndeva fin tel quèrcio.
Cesa retangolare, spartia in navate, con capela mortuària e co la sagrestia in fondo. El querto el ze de copi, in due aque, ntela nave fin la capela mortuària. A la sanca, davanti la cesa, rente la tore dela campana, i copi i ze postai in quatro aque.
Ntela costrussion, el laoro pi pesante el ze stà fato dai schiavi. El so pavimento de sgrèbeni, ntel mur dela cesa ghe ze tanta zente sepolia in meso i muri, come era abitudine de quel tempo. Anca durante la Revolussion Federalista, ntel 1894, tanti morti i ze ndati messi soto i sassi dela cesa, parché el cemitero zera pien de nemici. Tel aprile del 1938, la cesa la ze stada dechiarada relìchia nassionale dal IPHAN.
Serra respira festejos natalinos
Municípios apostam nas festas de final de ano para atrair visitantes
Nova Petrópolis, Jardim da Serra Gaúcha, prepara-se para a primeira edição do Natal em Cores. Um dos diferenciais são os papais noéis das profissões. Na avenida 15 de Novembro irão desfilar 20 noéis, como o papai noel confeiteiro, relojoeiro, artesão etc. Lanternas e ornamentos natalinos irão tornar a cidade mais atraente.
Cultura e religiosidade também fazem parte do Natal em Cores que teve sua abertura no domingo 27 com mensagem ecumênica no Parque Aldeia do Imigrante. Diariamente realiza-se a Caminhada das Lanternas, ponto alto da programação, do Parque do Imigrante até a Praça da República.
São Marcos - A Prefeitura e a Câmara de Dirigentes Lojistas de São Marcos estão realizando serenatas natalinas pelas ruas da cidade. As serenatas iniciam às 20 horas e envolvem os corais do município. Encerram no dia 16 de dezembro nos loteamentos Vida Nova e Colina Sorriso.
Bento Gonçalves - Já o Natal de Bento Gonçalves envolve as escolas. Os alunos confeccionaram cartões, tendo como tema central a paz. A expectativa dos organizadores é de que sejam comercializados 12 mil cartões. Denominado Feliz Natal em Bento, o projeto é uma promoção da união de entidades e de voluntários.
Canela - Árvores e cordas repletas de estrelas; cachos de luz; árvores natalinas com bolas, fitas, laços e outros adereços; estrelas arrematadas com laços de veludo vermelho; árvores cheias de luzinhas... Canela vive mais um Sonho de Natal. O evento segue até o próximo dia 15 de janeiro.
Gramado - A cidade comemora duas décadas como a capital do natal brasileiro. Turistas poderão conhecer o Natal Luz até o dia 15 de janeiro de 2006. O evento envolve toda a comunidade e recebe mais de 500 mil pessoas no período de sua realização.
Flores da Cunha - A Prefeitura está reformando a Praça da Bandeira para a realização do Sinos de Natal. As atividades de Natal e final de ano estarão concentradas no centro da cidade.
Natal Étnico - Shows e espetáculos de fogos marcam o Natal Étnico de Não-Me-Toque, berço da imigração holandesa no RS. A programação prossegue até 31 de dezembro, na praça Otto Schmiedt.
Otávio Rocha realiza a 24ª Festa da Gruta
O Parque da Gruta de Otávio Rocha, no interior de Flores da Cunha, vai sediar a 24ª Festa da Gruta no dia 11 de dezembro. O parque, em meio a uma reserva florestal, possui infra-estrutura com represa, trilha, quadras esportivas, parque infantil e salão coberto. O local pode acolher 600 pessoas. No interior da gruta encontra-se a imagem de Nossa Senhora das Graças.
A programação prevê torneios interno de vôlei de areia (duplas) e bochas; concentração de tratores, almoço (R$ 13,00). A missa será celebrada pelo padre Homero Rossi e cantada pelo coral Típico de Otávio Rocha. A festa, promovida pela Associação dos Amigos de Otávio Rocha, será animada pelo grupo Som da Terra.
O distrito está a 9 km de Flores da Cunha e faz parte do roteiro Caminhos da Colônia.