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Edição 4.966 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 7 de dezembro de 2005.

EDITORIAL

Escândalos alimentam o ciclo purificatório

Faltou convicção ou sobrou corporativismo no julgamento de José Dirceu

 

A política brasileira tem passado, com intensidade cada vez maior nos últimos anos, por ciclos purificatórios. Efêmeros e de abrangência limitada, seus efeitos derivam com rapidez para o esquecimento. E tornam a aparecer a cada escândalo político de repercussão nacional.

Foi assim, por exemplo, com as Diretas Já, com o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello, com o esquema dos "anões do orçamento". O mais recente iniciou com as denúncias de corrupção envolvendo integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva e de sua base aliada. E pode estar se encerrando com a cassação do deputado José Dirceu (PT-SP).

Os ciclos formam-se a partir da expectativa criada entre os brasileiros de que o momento crítico servirá de divisor entre a corrupção e a honestidade, entre a imoralidade e a ética. São inflamados por discursos e enfraquecidos pela prevalência de interesses individuais - ou de grupos.

O envolvimento inicia quase que imperceptível e logo se agiganta, arrastando multidões, como os cara-pintadas que tomaram as ruas para protestar contra Collor de Mello. Ou os fiscais do Sarney. Em cada um desses períodos ganhava coro forte a perspectiva de que as mudanças seriam profundas, positivas e duradouras.

É até possível que outros parlamentares sejam cassados por participação no suposto "mensalão". Esta seria uma maneira de atender as queixas de quem depositou seu voto guiado exclusivamente pela boa-fé e viu as CPIs mostrarem rios de lama sem, no entanto, apontar os responsáveis - é como confirmar a existência do cadáver sem identificar o criminoso.

Apesar da intenção de agradar a opinião pública, o resultado da votação de José Dirceu suscita dúvidas. Acusado de ser o mentor do esquema de compra de votos para aprovar projetos do governo - o que não ficou provado, é importante lembrar -, o ex-chefe da Casa Civil teve contra seu desejo de manter o mandato apenas 36 votos a mais do que os 257 necessários. Faltou convicção e coerência, sobrou corporativismo ou prevaleceram os interesses para a eleição do ano que vem. Qualquer um dos casos pode estar sinalizando, pelo retrospecto histórico, o início do fim de mais um ciclo.

 

CAXIAS DO SUL

Caxiense sofre com a falta de água

Samae alega redução na oferta para cortes a bairros da cidade

 

Em 2004, os caxienses abastecidos pelo Sistema Faxinal consumiam entre 850 e 900 litros de água por segundo e a oferta era de cerca de 820 litros por segundo. Atualmente, a oferta caiu para 700 litros por segundo e o consumo se manteve o mesmo. Esta é a explicação do diretor-geral do Samae, Marcus Vinicius Caberlon, para os cortes diários a bairros por períodos que chegam a 12 horas. A suspensão do fornecimento, que Caberlon define como manobra para manter o equilíbrio, deve durar pelo menos até o final deste mês.

Diariamente, milhares de pessoas são atingidos pela falta de água, uma realidade à qual o caxiense não estava acostumado. A explicação para o encolhimento da oferta, segundo a autarquia, está em obras de implantação da nova rede, sistema de bombeamento obsoleto e a necessidade de limpeza da adutora.

O Samae está concluindo as obras de uma nova adutora, de 15 quilômetros, que trará água da represa do Faxinal para a estação de tratamento do Parque da Imprensa, sistema que fornece água para 64% da população urbana de Caxias. Ativada, vai ampliar a oferta para 1.000 litros por segundo. Ocorre que problemas detectados em testes já adiaram por duas vezes a ativação. A última data anunciada para os trabalhos finais era na segunda 5.

"Vamos decidir provavelmente ainda nesta semana quando ligaremos a nova adutora. Aproveitaremos para fazer uma revisão completa na adutora antiga, com substituição de peças danificadas", afirmou Caberlon ao CR na segunda 5. Até que a ampliação do sistema não for concluída, projeto no qual estão sendo investidos R$ 4 milhões, o caxiense continuará convivendo com escassez de água gerada por cortes diários. "A partir da entrada em funcionamento da nova adutora, da nova câmara de chegada, enfim, do complexo que estamos implantando, o problema acaba", assegura Caberlon.

 

Festa da Uva mostra adereços do desfile

 

Bonecos com quatro metros de altura e folhas de parreiras gigantes são alguns dos adereços que a Festa da Uva utilizará nos sete desfiles alegóricos programados para o evento que inicia dia 17 de fevereiro e se prolonga até 5 de março de 2006. Eles integram o desfile, no qual estão sendo investidos R$ 750 mil, que terá 12 carros e 2.500 figurantes para levar à rua Sinimbu o tema "A alegria de estarmos Juntos".

 

ENTREVISTA

"Poder não educa. Os pais precisam ter autoridade"

Psiquiatra, psicodramatista, conferencista-escritor, consultor de família. É assim que se apresenta Içami Tiba, 64 anos. Mas ele é mais: se transformou numa referência para pais e educadores. Casado, três filhos, em 37 anos de carreira atendeu cerca de 75 mil adolescentes e já proferiu mais de 3.500 palestras. O grande sucesso editorial veio com o livro Quem ama, educa!, lançado em 2003 e que já vendeu 600 mil exemplares. Agora, pela própria editora (Integrare), publica Adolescentes, quem ama educa! - há oito semanas na relação dos mais vendidos. Ao lançar a obra na Livraria Siciliano de Caxias do Sul, ele concedeu a seguinte entrevista ao Correio Riograndense.

 

Correio Riograndense - O sucesso de seus livros também é um efeito da necessidade que os pais sentem de buscar ajuda para educar os filhos?

Içami Tiba - Os pais estão começando a ter uma consciência maior do que representa a educação. Eles observam que os filhos não estão sendo capazes de continuar aquilo que os pais fizeram. Na sucessão familiar a gente percebe nitidamente a falta de preparo dos filhos. Os pais estão vendo também que entre as pessoas que enriqueceram, quase 80% vêm de famílias pobres. Então, algo está errado neles. Eu venho atuando na área há 37 anos. Acho que casa minha experiência, minha escrita fácil - não superficial -, e a necessidade dos pais de pelo menos dar uma linha de direção na educação para os filhos.

 

CR - Pai e mãe sozinhos podem educar um filho?

Tiba - Até poderiam se não tivéssemos essa confusão que estamos vivendo. Porque a contra-corrente é tão grande e o filho absorve tanto o que os pais falam quanto o que acontece no mundo à sua volta. A família está percebendo que só a influência que ela quer dar aos filhos é muito pouca. Nesse sentido, os pais estão com a pretensão de acertar. Eu percebo neles a preocupação de querer que os filhos estejam suficientemente preparados para assumir tanto a empresa quanto o Brasil.

 

CR - Até que ponto a ausência dos pais pode significar uma porta aberta, por exemplo, para o caminho das drogas?

Tiba - Não é a ausência dos pais que faz isso, mas a falta de ação dos pais. E não se deve confundir a falta de tempo com falta de ação, porque há pais que trabalham 20 horas por dia que têm ações efetivas educativas.

 

CR - O senhor pode exemplificar?

Tiba - É o caso do pai que delega responsabilidades ao filho e quando chega em casa cobra. Há pais que convivem com o filho, delegam tarefas, o filho não faz e eles deixam passar como se nada tivessem pedido. Ora! Que educação estão dando?

 

CR - A convivência é insuficiente para ensinar?

Tiba - Temos que pensar a educação em termos mais amplos. O filho tem determinadas etapas de desenvolvimento em que uma hora precisa de mais atenção, outra hora precisa aprender mais; num outro momento é necessário que se exija dele o que já sabe para se começar a negociar, fazer trocas. O mundo é trocas. E se o filho só quer receber, só obter lucro sem trabalhar, ele vai se dar mal na vida.

 

CR - Essa é a aplicação da filosofia da conseqüência, que o senhor defende?

Tiba - É isso mesmo. A família não prepara bem o filho para ele ser um cidadão, porque não há cidadão que sobreviva se ele funcionar fora como ele funciona em casa.

 

CR - Como os pais podem controlar fatores externos - como televisão, Internet...- e até que ponto eles devem proibir o acesso a eles?

Tiba - Toda medida que vem de cima para baixo representa a existência de poder. No corporativo, o chefe-mandão caiu por terra - agora são líderes. Muito mais do que mandar, os pais têm de ser respeitados no que pedem. E para serem respeitados no que pedem, precisam ter autoridade. Ou os pais recuperam a autoridade inerente à educação, ou não adianta ficarem dando castigo, bronca, cortando mesada... Poder não educa.

 

CR - Mas há momentos em que os pais precisam ser severos. Quando?

Tiba - Quando o filho transgride. Mas para transgressões não precisa impor. Deve-se conversar e estabelecer que ele transgrediu e que da próxima vez ele vai assumir as conseqüências do que ele perdeu, do que ele fez ou deixou de fazer. Se machucou um irmão, não tem de ficar preso no quarto. Vai fazer o curativo no irmão. Isso é conseqüência.

 

CR - E se ele não fizer o curativo?

Tiba - Então vai começar a perder privilégios. O princípio da conseqüência dá uma oportunidade de o filho superar o problema que ele provocou. É isso que se espera de uma pessoa no trabalho: que ela, ao encontrar uma dificuldade, supere-a e não fique parado dizendo: ah! eu não consigo, estou de castigo.

 

CR - Esse processo não é um pouco complicado para os pais seguirem?

Tiba - Qualquer pessoa que fizer uma análise, percebe aonde ele deu o castigo, aonde ele aplicou a conseqüência e quais foram os resultados. O que acontece é que os pais custam a assimilar algumas novidades. Só vão assimilar isso em momentos de muito sufoco - quando perdeu o emprego, o filho está nas drogas etc... O filho não, ele é uma pessoa curiosa e tem prazer nisso, cresce com a tecnologia. Numa hora o pai vai falar e diz o que não serve para a cabeça do filho.

 

CR - Que filhos os pais autoritários criam?

Tiba - Se os filhos se submeterem aos pais autoritários, vão ficar tímidos. Se não se submeterem, ficarão revoltados.

 

CR - E os pais permissivos?

Tiba - São piores. Não dão noção do contorno da personalidade, da responsabilidade das ações dos filhos. São pais aparentemente bonzinhos, mas no fundo são covardes.

 

CR - Quais são os tipos mais comuns de pais atualmente?

Tiba - São os pais que fazem pelos filhos, desde lição de casa.

 

CR - E não cobram?

Tiba - O pior nem é não cobrar, é o filho ser avaliado por algo que ele não fez. Vai passar de ano sem mérito e acha que isso é normal. Numa hora que tiver o poder de administrar, não tem competência para resolver e vai usar métodos favorecedores mais da pessoa dele e não do todo ao qual estava destinado.

 

CR - Uma boa educação exige bons exemplos?

Tiba - Só bons exemplos, não. Concordo com o bom exemplo exigindo. Tem pais que amarram o cadarço para o filho e não cobram do filho que ele amarre. Ele vira escravo do filho porque ao invés de aprender a amarrar o cadarço, o filho aprendeu a ver gente amarrando o cadarço.

 

CR - Em que etapas da educação os pais estão falhando mais?

Tiba - Na terceira etapa do desenvolvimento da personalidade, a das negociações e trocas. Na primeira etapa, a criança ganha amor de graça; na segunda, quando começa a tomar atitudes, os pais ensinam - é o amor que ensina. Depois que ensinam, os pais têm de exigir o que os filhos já sabem. Se não exigirem, eles esquecem, ficam com vergonha de ter esquecido, dizem que não gostam e não fazem. O filho, hoje, é inteligente, mas é incompetente, ele não termina o que começa. E os pais prejudicam dando excesso de estímulos.

 

CR - Como estão refletindo nos jovens os escândalos construídos por maus políticos?

Tiba - Os jovens estão desesperançados. Os não formados dizem que querem ser políticos; os bens formados estão abominando tudo isso.

 

CR - Se é assim, a realidade política atual será perpetuada?

Tiba - Por isso que a idéia principal é que a gente ajude na formação dos jovens para que não aceitem isso. E estamos conseguindo.

 

CR - O que o leva a pensar dessa maneira?

Tiba - Os jovens já reclamam de alguém que fure a fila, da pessoa que fuma à sua frente. Antigamente, ficavam quietos. São pequeninas coisas que demonstram que não estão mais aceitando a transgressão.

 

CR - O senhor defende a redução da maioridade penal?

Tiba - Não. O que eu defendo é que as penas sejam conforme o crime cometido, e não qualificar conforme a idade. Mas a impunidade alimenta no jovem o crime. Se ele souber que será preso, e não simplesmente usará o Estatuto da Criança e do Adolescentes para ficar livre, vai pensar antes de transgredir.

 

CR - Qual é a importância da religiosidade na formação do jovem?

Tiba - A religiosidade, que é gente gostar de gente - não me refiro à voltada à espiritualidade -, é muito forte no jovem. Ele, sozinho, é um sofredor. Ele defende essa religiosidade a unhas e dentes até contra os próprios pais. Faz parte do crescimento do jovem ele ter uma turma, uma nova família, que é aquela aonde ele vai exercitar seu papel social. É onde ele vai encontrar namorada, companheiros de trabalho. A sociedade, de um modo geral, está diminuindo a convivência familiar e muitos pais não estão sabendo lidar com essa redução de tempo.

 

CR - A família está ameaçada?

Tiba - Não. E a tendência é ficar cada vez mais forte, porque mesmo as famílias com constituições diferentes estão se unindo. As pessoas se separam e montam novas famílias. Eu acho fundamental que se aprenda a conviver sem obrigatoriedade de sangue. E isso está baseado na força da religiosidade, de gostar.

 

CR - Como será a próxima geração de jovens?

Tiba - Isso eu não sei. Posso dizer que nos últimos dez anos entrou em ação a geração dos tiranos, que são os filhos dos folgados, que por sua vez são os filhos dos ex-hippies, que por sua vez são os filhos dos patriarcas empreendedores. Para chegar a tiranos há uma evolução. O patriarca era mandão, os hippies lutaram contra isso e não quiseram repetir o autoritarismo com seus filhos, que ficaram folgados. Os folgados ficaram sem referência, se submeteram aos caprichos dos filhos, que se transformaram em tiranos. A geração dos hippies, que são avós, está sustentando folgados e tiranos.

 

AGRONEGÓCIO

Regionalização avícola vigora em 2006

Trânsito de aves vivas, subprodutos e dejetos ganha normas no país

 

O programa de regionalização sanitária da avicultura brasileira vai entrar em vigor em janeiro de 2006. O anúncio do ministro da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento (Mapa), Roberto Rodrigues, foi durante a Conferência Hemisférica de Vigilância e Prevenção da Influenza Aviária, encerrada na última sexta, em Brasília.

A ameaça da gripe aviária ao redor do mundo, somada ao episódio da febre aftosa, está levando o governo federal a proibir o transporte de aves em parte do território nacional, principalmente nos Estados do Sul e parte do Sudeste. O Centro-Oeste pode ser incluído na medida. A iniciativa faz parte de um pacote de ações que visa blindar parte do agronegócio exportador da indústria aviária - o setor gerou US$ 2,64 bilhões em divisas, de janeiro a setembro deste ano.

A regionalização da produção de aves pode evitar embargos totais ao país, assim como ocorreu com a carne bovina. O transporte de animais é, segundo as indústrias, o grande vetor de doenças e uma fonte de risco para disseminação de patologias como a influenza aviária. O investimento para implementar o programa variará entre R$ 30 milhões e R$ 50 milhões. Financiará barreiras fixas e móveis nas fronteiras dos Estados envolvidos. O setor privado reivindica a medida há mais de três anos.

 

Programa terá 3 fases e inicia na região Sul

 

O programa nacional que institui a regionalização da produção de aves de corte terá três fases. Será implementada a partir de 1º de janeiro de 2006, 2007 e 2008. A primeira área enquadrada, segundo a previsão, é a região Sul, parte das regiões Sudeste (São Paulo e Minas Gerais) e o Centro Oeste (Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal). Outras regiões ficam para outros anos.

Para o diretor técnico-científico da União Brasileira de Avicultura, Ariel Antonio Mendes, do ponto de vista sanitário o transporte de animais vivos é um desastre. "O transporte de animais é, sem dúvida, o principal vetor de transmissão de doenças", assegura.

As mudanças no transporte de aves vivas, subprodutos, desejos e resíduos no país preocupam os transportadores. "A restrição ao trânsito, embora as regras ainda não sejam claras", é uma ameaça a nossa atividade", declara Gilberto da Fonseca ao CR, que realiza o transporte de frangos e galinhas há 25 anos. "As normas objetivam minimizar os riscos e eventuais problemas sanitários", defende o diretor-técnico da Asgav, Mauro Gregory.

 

Cooperado ganha quatro vezes mais

Renda média de cooperado é de R$ 26.783 contra R$ 6.433 do não associado

 

O produtor rural brasileiro associado a uma cooperativa tem renda pessoal e produtividade das áreas cultivadas superiores à média nacional. A rentabilidade média dos estabelecimentos agropecuários do país é de R$ 123,00 por hectare, enquanto o dos associados a cooperativas é de R$ 237,00 e a dos não associados de apenas R$ 92,00 por hectare.

A afirmação é do presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes de Freitas. Com base em dados do IBGE, Lopes disse que os estabelecimentos agropecuários, organizados em 1.398 cooperativas, representam 41,5% do total da receita do setor agrícola, embora sejam responsáveis por apenas 21,5% da área cultivada e 14,4% do universo dos estabelecimentos do setor rural.

Sessenta por cento desses estabelecimentos têm área de até 100 hectares, 21% menor que dez hectares, 17% acima de 100 hectares e somente 2% têm área superior a mil hectares. "A renda média do produtor rural associado em cooperativas foi, em 2004, de R$ 26.783,00 contra apenas R$ 6.433,00 do produtor não associado a cooperativa, uma diferença de R$ 20.350,00, ou seja, o cooperado ganha quatro vezes mais", salienta o presidente da OCB.

Para Lopes de Freitas essa vantagem é possível porque o produtor cooperado paga menos por assistência técnica, serviços especializados e insumos. Além disso, tem gastos menores em operações financeiras nem paga margem de lucro para empresas, "conjunto de fatores que contribuem para o aumento da sua renda e da produtividade do seu estabelecimento".

 

Embrapa lança soja de sabor suave

 

Uma cultivar de soja de sabor mais adocicado que as tradicionais é a novidade da Embrapa Soja para mercado interessado no grão para alimentação humana. A cultivar, que ainda está em fase de registro junto ao Ministério da Agricultura, estará disponível para multiplicação de sementes na próxima safra.

O novo produto foi desenvolvido por intermédio do cruzamento genético tradicional, portanto, sem a utilização da biotecnologia. "Essa soja é mais doce porque conseguimos cruzar várias plantas com características desejáveis como maior teor de sacarose e de ácido glutamínico que melhora o sabor. Mesmo tendo a presença da enzima lipoxigenase (que confere gosto de feijão cru) a nova cultivar tem o sabor bastante agradável", explica a pesquisadora Mercedes Panizzi.

A nova soja apresenta sementes grandes, sabor suave, sendo ideal para produção de queijo de soja (tofu), farinhas e extrato de soja (leite).

"Essa cultivar pode ser consumida como soja verde ou hortaliça. Como hortaliça, é vendida com as vagens presas nos galhos, com as vagens soltas, ou com os grãos debulhados", detalha Panizzi.

 

Quatro produtos do RS podem ter certificação

 

O queijo serrano vai receber certificação como um produto com origem protegida. A representante do Ministério da Agricultura, Bivanilda Almeida Tápias, anunciou o queijo serrano como um dos quatro produtos no RS que o Ministério vai apoiar para certificação, juntamente com a carne do Pampa, os campos de araucária e os vinhos dos Altos Montes.

A proposta vem sendo discutida desde 2001. "Agora o trabalho está fortalecido pela união das entidades e pela parceria com o Ministério, que tem demonstrado preocupação com essas ações de desenvolvimento", revela o zootecnista da Emater, Jaime Ries. Segundo ele, as principais dificuldades enfrentadas pelos produtores são a falta de normatização e de inspeção, e a venda para intermediários. "A idéia é que os produtores tenham condições de legalizar a produção artesanal e que consigam agregar valor ao produto através da qualificação e da certificação", declara.

O projeto de qualificação e certificação do queijo serrano engloba o Estado de Santa Catarina e envolve a Emater/RS-Ascar, UFRGS, Fepagro, Uergs, UCS, prefeituras da Serra e Epagri.

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

Como cultivar orquídeas

Como posso fazer para transplantar ou fazer mudas de orquídea? Quanto tempo leva para florescer? Que tipo de terra devo usar? Como regar as plantas e que tipo de exposição solar devem ter?

Vanice Dani

Caxias do Sul - RS

 

A multiplicação das orquídeas se faz por meio da divisão dos rizomas ou por sementes ou pelos meristemas. A divisão dos rizomas é o procedimento mais comum e o mais fácil de ser executado. É preciso em cada caso saber onde as plantas crescem, isto é, os pontos de crescimento. Sabe-se que eles se encontram nas extremidades dos rizomas onde se forma a cada ano um broto que se desenvolve em pseudobulbo com folhas. A produção de mudas consiste em se cortar, ainda no vaso ou suporte, o rizoma em segmentos dotados de um broto, pelo menos um pseudobulbo com folhas e algumas raízes. Tais segmentos destacados com cuidado constituem mudas a serem devidamente plantadas em vasos ou suportes individuais e passam a ter vida independente.

As sementes, pequeníssimas dentro das frutas (cápsulas) são obtidas por cruzamentos naturais que insetos efetuam ao visitarem umas e outras flores, ou por hibridações artificiais entre espécies e variedades diferentes quando se pretende obter novos tipos. As sementes só germinam quando colocadas sobre material esterilizado e em ambiente de temperatura e umidade controladas e na presença de um certo tipo de fungo que só vive nas raízes das orquídeas. As raízes e os fungos formam uma associação (simbiose) indispensável para o desenvolvimento das novas plantinhas. É trabalho meticuloso e demorado, pois somente após um ano de cuidados as mudinhas passam para vasos individuais, e desses para maiores, à medida que se desenvolvem. Só após alguns anos têm condição de produzir flores.

Moderadamente, propagam-se as orquídeas, sobretudo as de superior qualidade, a partir dos "meristemas" que são tecidos de crescimento localizados na ponta dos brotos novos. O método consiste em cortar pedacinhos dos brotos e colocá-los em frascos contendo soluções nutritivas e hormônios. Nestes frascos, postos num ambiente em que luminosidade, temperatura e umidade são controladas, os brotos crescem e são divididos. Assim, em laboratório, a partir de um meristema inicial pode-se obter centenas de novas mudas. Como é um processo vegetativo, reproduz exatamente as qualidades da orquídea que se quer multiplicar. "As orquídeas de touceiras florescem no primeiro ano; se for de semente, de cinco a dez anos", explica o engº agrº e orquidófilo Edmundo Ruzzarin.

Transplante e cuidados - As mudinhas devem ser colocadas em vasos individuais ou suportes onde serão cultivadas para produzirem flores. Em pouco espaço como este não é possível entrar em detalhes, só por alto. As mudas de orquídeas terrestres são cultivadas em vasos normais de barro cozido nos quais se põem pedregulhos no fundo para facilitar a drenagem, areia grossa, xaxim desfibrado, casca de árvore esfarelada, musgo seco e um pouco de terra de mato. As orquídeas "epífitas" podem ser postas em vasos desse tipo, ou de xaxim, ou cesto de corda, ou caixinha de ripas ou simplesmente presas a cascas e troncos de árvores.

Deve-se ter cuidados com a luminosidade: as orquídeas precisam de muita luz, mas não gostam de luz solar direta e contínua; com a temperatura: algumas necessitam de mais calor, outras de frio, outras ainda exigem proteção no inverno; com a umidade: não pode faltar, mas o excesso de água também é prejudicial.

Recomendações aos iniciantes - O cultivo das orquídeas não é difícil, mas especializado. Com tempo, interesse, persistência o cultivador vai descobrindo os pequenos segredos e as exigências gerais de cada tipo.

Ao principiante, antes de iniciar o cultivo, recomenda-se buscar todas informações possíveis (esta resposta é um início) em livros, revistas, artigos especializados. Se possível freqüentar algum curso prático. Visitar orquidários públicos e particulares, conversar com cultivadores antigos. Começar cultivando poucas mudas e de orquídeas conhecidas no lugar. Ir ampliando aos poucos a coleção. Cultivar espécies e variedades mais raras só quando dominar bem o assunto. Informações (54) 3223 4144.

 

SAÚDE

Mortalidade infantil cai no Estado

Este ano, 30 cidades da Serra não registraram óbitos de crianças menores de um ano

 

O Rio Grande do Sul é o Estado brasileiro com a menor taxa de mortalidade infantil. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2004, de cada 1.000 crianças nascidas vivas no Estado, 14,7 morriam antes de completar um ano. Há 20 anos, o índice de mortalidade infantil no RS era de 23 óbitos para cada mil nascimentos. A Secretaria Estadual da Saúde já divulga o índice deste ano: 12,4 óbitos/1.000 nascimentos. O objetivo é reduzir a mortalidade infantil para menos de dez casos até o final de 2006.

A Serra gaúcha também apresenta indicadores positivos. Na região, os 48 municípios sob responsabilidade da 5ª Coordenadoria Regional de Saúde (5ª CRS) apresentavam em 2003 a média de 13,7 óbitos de bebês com menos de um ano a cada mil nascidos, segundo a delegada Elisa Mattana. Em 2004, o índice aumentou para 14,9, porém, no primeiro semestre deste ano, a mortalidade infantil na região foi de 12,3 casos para cada 1.000 crianças nascidas. "Em 28 cidades da nossa coordenadoria o índice de mortalidade infantil no primeiro semestre de 2005 foi zero", afirma Elisa (quadro ao lado). Nova Bassano, Campestre da Serra e Picada Café tiveram apenas um óbito nesse mesmo período. "Estimamos que no fim de 2005 mais de 30 municípios apresentem coeficiente zero de mortalidade infantil", projeta a delegada.

Elisa Mattana aponta o Programa Saúde da Família como responsável pela melhora nos índices. "As equipes visitam as famílias em suas casas, avaliam as condições de saúde e fazem um trabalho de prevenção de doenças", explica. Segundo ela, em 2002, 35 equipes atuavam na Serra, hoje são 79. No Estado, 400 cidades são beneficiadas com o programa, totalizando 1.050 equipes com 7.000 agentes comunitários de saúde. O Primeira Infância Melhor, que estimula o desenvolvimento de crianças de zero a três anos, também ajuda - 90% das conexões do cérebro dos recém-nascidos são formadas nos primeiros anos de vida.

A qualificação e extensão do pré-natal também é um fator que contribui com os indicadores positivos da Serra. "Trabalhamos com a regionalização da assistência da gestante de alto risco, ou seja, aquela que apresenta diabetes ou hipertensão é encaminhada para atendimento hospitalar, no Tachini, de Bento Gonçalves, ou no Hospital Geral, em Caxias do Sul", explica.

A delegada da Saúde afirma que todos os municípios de abrangência da 5ª CRS são monitorados semanalmente. "Se percebemos problemas, agimos imediatamente. O índice de mortalidade infantil reflete a qualidade de vida de um município", conclui Elisa Mattana.

 

Índice no país baixou 60% em 24 anos

 

No Brasil, entre 1980 e 2004, a taxa de mortalidade infantil caiu 61,5%, indo de 69,1 óbitos de crianças com menos de um a cada 1.000 nascidas vivas, para 26,6 mortes por 1.000 nascimentos. Segundo o IBGE, depois do Rio Grande do Sul, São Paulo apresentou o menor índice do país em 2004 – 17 óbitos/1.000 nascimentos. Os paulistas, junto com os Estados de Roraima e Ceará, registraram os mais significativos declínios nesse indicador, 70%.

Alagoas (55,7/1.000) e Maranhão (43,6/1.000) apresentaram os mais elevados coeficientes de mortalidade infantil e tiveram as menores quedas neste indicador (50%). Cerca de 57% dos 99.000 óbitos de menores de um ano estimados em 2004 ocorreram no Acre, Amazonas, Pará, Tocantins e nos Estados do Nordeste, que detinham taxa de mortalidade infantil acima da média do país.

 

Leite materno protege contra infecções

 

O Ministério da Saúde recomenda que o leite materno seja o único alimento ingerido pelo bebê nos primeiros seis meses de vida. Segundo os especialistas, nem mesmo água ou chás devem ser oferecidos às crianças neste período. Amamentar no peito significa proteger a saúde do bebê contra doenças como diarréias, distúrbios respiratórios, otites e infecções urinárias.

O leite materno contém nutrientes, substâncias e células maternas que funcionam como anticorpos contra infecções. O alimento é capaz de reduzir em até um quinto os índices de mortalidade infantil em países em desenvolvimento, como o Brasil.

Apesar dos benefícios amplamente divulgados e comprovados, os números da amamentação exclusiva nos primeiros seis meses de vida ainda estão longe do ideal no Brasil. Um levantamento do Ministério da Saúde mostra que 97% das crianças brasileiras iniciam a amamentação no peito logo nas primeiras horas de vida, mas permanecem mamando por um período muito curto. Segundo o órgão, a média de aleitamento materno da população brasileira é de apenas 29 dias.

 

OPINIÃO

Foucauld e o mistério de Nazaré

Maria Clara Lucchetti Bingemer

O exemplo de despojamento, pobreza e humildade radicais do beato Charles de Foucauld é de impressionante atualidade para a sociedade em que vivemos, marcada pela ganância e obsessão de ter e acumular bens

 

No último dia 13 de novembro, a Igreja proclamou beato o Irmão Carlos de Jesus. Charles de Foucauld nasceu na França, em Estrasburgo, em 15 de setembro 1858. Órfão aos 6 anos, cresceu com sua irmã Maria, sob os cuidados do avô, orientando-se para a carreira militar.

Adolescente, perde a fé. Conhecido por seu gosto da vida fácil, revela, não obstante, uma forte e constante atração pelas dificuldades. Empreendeu uma perigosa exploração a Marrocos (1883 - 1884). O testemunho de fé dos muçulmanos desperta em seu coração cético e cheio das vaidades do mundo um questionamento sobre Deus, levando-o a formular uma prece: "Meu Deus, se existir, faz que te conheça ".

Dizia outro grande cristão francês, Blaise Pascal, que quando um homem começa a procurar a Deus é porque já o encontrou. Na verdade, Deus já nos encontra e nos ama muito antes que tenhamos a consciência de encontrá-lo e amá-lo. Assim foi com Charles de Foucauld.

Retornando à França depois de seu tempo no Marrocos, emociona-o muito a acolhida discreta e carinhosa de sua família, profundamente cristã, e começa a busca pelo Sentido da vida. Guiado por um sacerdote, o padre Huvelin, que ao angustiado jovem que o procura ordena ajoelhar-se e confessar. Charles encontra a Deus em outubro de 1886. Tem então 28 anos. O testemunho que dá de sua conversão é radical como será sua vida após ela: "Assim que compreendi que existia um Deus, compreendi que não podia fazer outra coisa senão viver só para Ele".

Durante uma peregrinação à Terra Santa descobre sua vocação: seguir Jesus em sua vida oculta de Nazaré. Passa 7 anos na Trapa, primeiro no mosteiro Nossa Senhora das Neves, depois Akbes, na Síria. Em seguida, ele viverá sozinho uma vida eremítica, na oração e adoração perto das Clarissas de Nazareth.

Ordenado sacerdote aos 43 anos (1901), parte para o Sahara, primeiro em Beni-Abbes, depois em Tamanrasset, em meio dos tuaregues do Hoggar. Quer ir ao encontro dos mais afastados, "os mais esquecidos e abandonados". Quer que cada um dos que o visitem o considerem como um irmão, "o irmão universal". Charles de Foucauld quer "gritar o evangelho com toda sua vida", em um grande respeito à cultura e à fé daqueles em meio aos quais vive.

Aspira a uma única coisa: ser cada vez mais semelhante a Jesus. Nesse sentido, diz: "Eu queria ser o bastante bom para que eles digam: Se tal for o servidor, como então será o Mestre...?". Foucauld mantinha uma abertura fraternal de sua casa, não a fechando a ninguém. Permanecia longas horas em oração diante do Santíssimo Sacramento, por quem tinha um entranhado amor. A Eucaristia foi o grande sol de sua vida. Com os muçulmanos com os quais se encontrava, agia como um terno irmão, procurando atraí-los, com grande respeito e fraternidade.

No entardecer de 1° de dezembro 1916, foi morto por um bando de tuaregues que rodeou sua casa. Seu sangue foi bebido pela areia do deserto, onde entregara a vida em impressionante radicalidade. O Irmão Charles de Jesus sempre sonhou compartilhar sua vocação com outros: depois de ter escrito variadas regras religiosas, pensou que esta "vida de Nazareth" podia ser vivida em todas as partes e por todos. Atualmente, a "família espiritual do Charles do Foucauld" compreende várias associações de fiéis, comunidades religiosas e institutos seculares de laicos e sacerdotes.

Não teve a alegria de testemunhar isso em vida. Morreu praticamente sozinho, acompanhado apenas de um companheiro. No entanto, a irradiação de seu testemunho, após sua morte, gerou muitos seguidores, formando 11 congregações religiosas marcadas pelo mesmo espírito do amor de Cristo, gratuito e universal.

A vida do bem-aventurado Charles de Foucauld constitui iluminação de impressionante atualidade. Para a sociedade em que vivemos, marcada pela ganância e obsessão de ter e acumular bens, o exemplo de despojamento, pobreza e humildade radicais do antigo oficial francês pode ser extremamente benéfico. Para a Igreja que somos e sobretudo queremos ser, Foucauld é como uma luz fulgurante que nos fala da importância de voltar às origens, voltar ao mistério de Nazaré enquanto sinal de pobreza e serviço, deixando de lado toda ambição, toda sede de poder, buscando ser apenas sinal da presença de Jesus Cristo entre os homens e mulheres que buscam sofregamente um sentido para suas vidas neste início de milênio.

 

Agronegócio e agricultura familiar

Frei Betto

O alimento é a arma do futuro. Daí o empenho das nações ricas no controle das áreas dos países pobres, e por que se protegem com subsídios agrícolas. No Brasil, a agricultura familiar produz 60% dos alimentos

 

Participei, semana passada, do Seminário Internacional sobre Agroecologia, em Porto Alegre. Frisei que o Brasil é a maior reserva de terras agricultáveis do mundo. Saturaram-se as áreas dos EUA e da Europa. Podem produzir mais graças a sofisticados recursos tecnocientíficos, mas não têm para onde se expandir geograficamente. Daí o empenho das nações ricas no controle das áreas dos países pobres, incluindo as sementes geneticamente modificadas (transgênicos). O alimento é a arma do futuro.

A China dispõe de 10% da área agrícola do planeta. Carrega, porém, o peso de alimentar 20% da população mundial e investir pesado na preparação do solo. Dos 851 milhões de hectares (ha) em que se divide o território brasileiro, em 569 milhões (70% da área) não há atividade agropecuária (áreas da Amazônia e do Pantanal, reservas florestais e indígenas, cidades, estradas, represas e rios). Incluem-se, entretanto, nessa área, 106 milhões de ha de terras fertéis, quase todas no cerrado, ainda a serem exploradas. Isso equivale à soma dos territórios da França e da Espanha.

Dos 30% restantes (282 milhões de ha), 220 milhões de ha são pastagens (para 170 milhões de bois e vacas) e criação de animais; 40 milhões (5% do território nacional) produzem 120 milhões de toneladas de grãos e a maior parte dos produtos agrícolas; 20 milhões produzem cana (incentivados pelo biocombustível), laranja, café e outras culturas permanentes.

Qual o potencial da reserva de 106 milhões de ha disponíveis? Toda a produção de grãos dos EUA - o maior produtor mundial de alimentos - cabe em 140 milhões de ha. A diferença é que, lá, eles alimentam 290 milhões de bocas e, aqui, somos 180 milhões. Portanto, bem explorada essa área, sobretudo através de uma efetiva reforma agrária, daria para consumo interno e ainda sobraria para exportar.

Há no Brasil 3.895.968 imóveis rurais com menos de 200 ha. Os de média propriedade (de 200 a menos de 2.000 ha) somam 310.158. Os de extensão maior que 2.000 ha, 32.264, ocupam 132 milhões de ha, o que comprova a permanência de uma das causas do atraso brasileiro: o latifúndio.

O Brasil possui o maior rebanho comercial bovino; ocupa o 1º lugar em exportação de carne e na produção de café e laranja; o 2º na produção mundial de soja; e o 3º na de milho. Apesar disso, convivemos com a subnutrição de 53,9 milhões de pessoas. Boa parte de nossa produção agropecuária é exportada, de costas para o mercado interno. E isso não é solução, pois apenas quatro empresas brasileiras controlam 40% da venda externa de soja, suco de laranja, frango e carne.

Estamos entre as cinco mais injustas distribuições de renda do planeta. Aqui, os 10% mais ricos possuem 46,9% da renda nacional, enquanto os 10% mais pobres sobrevivem dividindo entre si 0,7%. A fatia dos ricos é 67 vezes maior que a dos pobres.

Nossas exportações poderiam crescer se produtos dos países ricos não fossem protegidos por subsídios agrícolas. EUA, União Européia e Japão gastam, por dia, US$ 1 bilhão com essa forma injusta de protecionismo. E sabem quanto os três países, juntos, destinam por ano à cooperação agrícola com países pobres? US$ 1 bilhão, o valor de um dia de subsídio!

Não bastasse isso, os ricos adotam o sistema de ajuda condicionada. O dinheiro vem de fora, é celebrado aqui como investimento no país mas, de fato, trata-se de capital que nos obriga a comprar produtos de quem empresta. E em geral eles custam 40% mais caro que o preço médio de mercado. O prejuízo aos países pobres é de US$ 5 a 7 bilhões/ano. Segundo a ONU, de cada US$ 1 doado pela Itália à Etiópia, 14 centavos retornam às empresas italianas através da venda de produtos e serviços.

Estudo da Fipe/USP, divulgado em outubro, comprova que, no Brasil, a agricultura familiar tem mais importância econômica que o agronegócio. Segundo o IBGE, das 4,9 milhões de propriedades rurais existentes no país, 4,1 milhões dependem da mão-de-obra familiar, responsável por 38% da produção agropecuária do país. O campo emprega 17,9 milhões de pessoas. Propriedades de até 50 ha absorvem 86% dos trabalhadores rurais. De cada 10 trabalhadores rurais, oito estão na produção familiar. A média propriedade absorve 10,2% e o latifúndio, 2,5%.

Dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros, mais de 60% vêm da agricultura familiar. Ela produz quase 70% do feijão, 84% da mandioca, 58% dos suínos, 54% da bovinocultura do leite, 49% do milho, e 40% de aves e ovos. Na produção de carne bovina, a pequena propriedade rural contribui com 62,3%; a média, com 26,4%; a grande propriedade, com 11,2%. A produção leiteira depende da pecuária familiar em 71,5%. O latifúndio produz apenas 1,9%. As médias respondem por 26,6%.

O grosso da produção agropecuária do país depende das pequenas e médias propriedades. No entanto, o maior volume de crédito ainda é absorvido pelas grandes propriedades. Os produtos de exportação são isentos de ICMS na produção, na comercialização e na importação de insumos agrícolas. Eis a prova de como o Estado brasileiro e, a reboque, o governo, ainda são reféns do grande capital.

 

NACIONAL

Acusação de chefiar mensalão cassa Dirceu

Depois de comandar a campanha de Lula, de ser "superministro", José Dirceu perde mandato

 

A força que demonstrou durante quase 30 meses como chefe da Casa Civil do governo Lula foi insuficiente para José Dirceu manter seu mandato de deputado federal (PT-SP). Provavelmente, o seu comportamento durante o tempo em que foi considerado por Lula como "capitão do time" tenha até sido decisivo para a pior derrota de sua carreira política.

José Dirceu de Oliveira e Silva, 59 anos, teve seu mandato cassado no início da madrugada de quinta 1º, por 293 votos - 36 a mais do que os 257 necessários - a 192. Acusado de ser o chefe do "mensalão" (suposto pagamento a deputados da base aliada, num esquema montado pelo tesoureiro do PT Delúbio Soares), uma figura hegemônica no PT há mais de uma década, fica inelegível até 2015. Só poderá concorrer na eleição de 2016, quando terá 70 anos de idade.

Acusado por Roberto Jefferson (PTB-RJ), ex-aliado que também foi cassado, de comandar o esquema do "mensalão", Dirceu deixou a Casa Civil em junho e reassumiu a cadeira na Câmara Federal, para a qual foi eleito com 556.768 votos - foi o segundo deputado federal mais votado do país. Nos 112 dias que durou seu processo no Conselho de Ética da Câmara, o petista travou uma batalha judicial marcada por três recursos ao Supremo Tribunal Federal.

"Fui submetido a um processo de linchamento público, de prejulgamento... Depois de 40 anos de vida pública, do dia para a noite, fui transformado no chefe do "mensalão", em bandido, no maior corrupto desse país", afirmou Dirceu no discurso de defesa que antecedeu o início da votação. "Não quero misericórdia nem clemência, quero justiça", prosseguiu.

A luta de Dirceu para evitar sua cassação, elogiada até por adversários políticos, e um trabalho de bastidores de influentes integrantes do governo Lula, impediram um resultado por margem mais dilatada - Jefferson teve 313 votos contra. Mas se de um lado lhe favorecia o fato de que as investigações não provaram a acusação de comandar um esquema de corrupção, bem como seu passado de líder estudantil, preso político, exilado e guerrilheiro, de outro pesava contra ele a forma como exerceu o poder por quase dois anos e meio no governo Lula.

Acumulando funções e estando sempre muito próximo do presidente, determinando a abertura ou o fechamento de portas, influenciando nas mais importantes decisões do Planalto, Dirceu adquiriu um perfil arrogante. Para muitos de seus críticos, a votação foi o momento da desforra. Foi, também, o momento de dar satisfação à sociedade, cuja maioria jamais acreditou que um ministro com o poder de Dirceu não tivesse conhecimento do esquema de corrupção montado por dirigentes do PT e aliados. As três bengaladas que atingiram Dirceu na véspera da decisão, desferidas pelo escritor paranaense Yves Hublet, 60 anos, descontada a impropriedade do gesto de violência, carregavam o desejo de milhões de brasileiros. Nesse aspecto, Dirceu se transformou quase que num símbolo de que as comissões parlamentares de inquérito criadas para apurar denúncias de corrupção não acabariam em pizza - uma delas foi encerrada sem concluir que houve realmente o "mensalão".

No dia seguinte à sua cassação, Dirceu disse que sentia como se tivesse perdido a própria vida. E anunciou que prepara um livro, que voltará à advocacia e que continuará fazendo política.

 

Ascensão e queda do "superministro"

 

José Dirceu é apontado como o grande operador da mudança do perfil que levou o PT ao governo. Iniciou sua vida política no movimento estudantil. Em 1968, foi preso. No ano seguinte, ganhou liberdade em troca do embaixador dos EUA Charles Elbrick. Esteve exilado em Cuba, se submeteu a uma cirurgia plástica para poder voltar ao Brasil em 1975 e viver em Cruzeiro do Oeste (PR).

Com a anistia, em 1979, revelou sua identidade à família e fez nova plástica em Cuba para readquirir os traços originais. Participou da fundação do PT, foi eleito deputado estadual em São Paulo em 1986 e em 1990, 1998 e 2002, à Câmara. Foi presidente do PT por sete anos, período em que colocou em prática uma reforma, abrindo as portas a outras siglas, dando origem a um novo partido.

Dirceu, artífice do "Lula-lá", assumiu a Casa Civil como o homem forte do presidente. Era coordenador político, membro de vários conselhos e presidente de dezenas de grupos de trabalho. Começou a perder influência em fevereiro de 2004, quando seu assessor direto, Waldomiro Diniz, foi flagrado negociando propina com o empresário do jogo Carlinhos Cachoeira. Ficou enfraquecido ainda mais com a reforma ministerial que transferiu a coordenação política a Aldo Rebelo (hoje presidente da Câmara).

A queda iniciou mesmo em maio deste ano, quando o então deputado Roberto Jefferson envolveu Dirceu no suposto esquema do "mensalão", através do qual o PT, por meio de seu tesoureiro Delúbio Soares, distribuiria R$ 30 mil por mês a deputados do PP e do PL em troca do apoio a projetos do governo. Dirceu pediu demissão em 16 de junho (substituído por Dilma Roussef), reassumiu sua cadeira na Câmara dia 22 de junho. Dia 2 de agosto o PTB pediu abertura de processo contra Dirceu. 112 dias após, foi cassado.

 

Doze deputados na lista dos cassáveis

 

As denúncias de "mensalão", suposto esquema de compra de pagamento a deputados pelo apoio ao governo, montado por ex-dirigentes do PT nacional com o empresário Marcos Valério, envolveu 19 parlamentares. Desses, 12 ainda podem ser cassados, todos acusados de terem recebido dinheiro em quantias que variam de R$ 20 mil a R$ 50 mil (casos Professor Luizinho e João Paulo Cunha, respectivamente) e de R$ 3,7 milhões a R$ 4,1 milhões (Vadão Gomes, no primeiro valor, e José Janene e Pedro Corrêa, no segundo). Esta é a situação de cada um deles:

- PODEM SER CASSADOS: João Magno (PT-MG), João Paulo Cunha (PT-SP), José Janene (PP-PR), Jospe Mentor (PT-SP), Josias Gomes (PT-BA), Pedro Corrêa (PP-PE), Pedro Henry (PT-SP), Professor Luizinho (PT-SP), Roberto Brandt (PFL-MG), Romeu Queiroz (PTB-MG), Vadão Gomes (PP-SP) e Wanderval Santos (PL-SP).

- FORAM CASSADOS: Roberto Jefferson (PTB-RJ), por ter assumido o recebimento de R$ 4 milhões de caixa 2 do PT em 2004; José Dirceu (PT-SP), acusado por Jefferson de ser o chefe do "mensalão".

- RENUNCIARAM (para garantir o direito de concorrerem na próxima eleição): Valdemar Costa (PL-SP), Carlos Rodrigues (PL-RJ), Paulo Rocha (PT-SP), José Borba (PMDB-PR).

- ABSOLVIDO: Sandro Mabel (PL-GO).

 

ESPECIAL

CUIDADO O SOL NÃO PERDOA

Tomar sol sem proteção é um atalho para o aparecimento do câncer de pele. Esse tipo de tumor é o de maior incidência no Brasil. Este ano, devem surgir 119 mil novos casos da doença no país. Queimaduras solares na infância elevam riscos de câncer na idade adulta

 

O câncer de pele é o mais freqüente de todos os tipos que acometem o ser humano. De acordo com estatísticas do FDA (Food and Drug Administration), cerca de um milhão de casos são detectados anualmente em todo o mundo. Os registros envolvem todos os tipos de câncer de pele, sendo 40 mil casos de melanoma cutâneo, o mais fatal dos tumores de pele.

No Brasil, o câncer de pele também é o de maior incidência, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Para este ano, estão previstos quase 119 mil novos casos da doença no país. Tomar sol em excesso, sem proteção, é um atalho para desenvolver o câncer de pele. A radiação ultravioleta é a principal responsável por esse tipo de tumor e também pelo envelhecimento da pele. Ela é emitida nas cabines de bronzeamento artificial e pelos raios solares.

As crianças se expõem ao sol três vezes mais que os adultos. A exposição solar em excesso até os 18 anos aumenta o risco de câncer de pele na idade adulta. Segundo a dermatologista Jane Mara Schmidt, a prevenção desde a infância é fundamental e pode evitar problemas graves depois dos 35 ou 40 anos. "Até os 18 anos recebemos 80% da radiação solar de toda a vida. Isso vai refletir ao longo dos anos com o aparecimento de lesões degenerativas ou cancerosas", explica.

O protetor solar deve ser usado sempre. As crianças com queimaduras de sol dolorosas ou com bolhas têm o dobro de risco de desenvolver melanoma maligno. O uso regular do protetor solar nos primeiros 18 anos de vida reduz em 78% as chances de desenvolver câncer de pele na fase adulta. A dermatologista sugere, no mínimo, produtos com FPS 15 durante o verão, podendo ser um pouco menor - FPS 10 ou FPS 8 - durante o resto do ano.

A forma como a pessoa se expõe ao sol pode determinar que tipo de câncer de pele ela terá. O dermatologista Lúcio Bakos alerta que pessoas que têm 30 ou mais queimaduras ao longo da vida têm 11 vezes mais chances de desenvolver melanoma. De acordo com Bakos, diversos estudos demonstram que os melanomas estão mais relacionados com a exposição solar intermitente (não continuada, em intervalos não regulares) por muito tempo na vida. "Quem, desde criança, toma sol por lazer, nos fins de semana ou durante as férias, mas não se protege adequadamente e sempre apresenta queimaduras, ao longo dos anos tem uma probabilidade maior de desenvolver o melanoma", afirma.

Os estudos mostram ainda que, para o indivíduo desenvolver um câncer de pele, a área onde aparecerá o tumor deverá ter absorvido um determinado número de horas de radiação durante a vida. Ou seja, o importante é evitar o acúmulo de raios ultravioleta na pele, seja de forma continuada ou intermitente, para não atingir a cota necessária para desenvolver o câncer. Esta cota é individual e determinada por fatores constitucionais de risco (herança genética, pele e olhos claros, sardas etc).

Apesar dos contrapontos, o sol é um dos responsáveis pela síntese de vitamina D no organismo, por isso, a exposição moderada com o uso do protetor é benéfica. Para síntese de vitamina D, basta uma exposição por cerca de 20 minutos, ao sol da manhã ou fim da tarde, duas vezes por semana.

Campanha - A Sociedade Brasileira de Dermatologia realiza no dia 10 de dezembro a 7ª Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer de Pele. Neste dia, serão oferecidos gratuitamente exames completos da pele e orientações sobre os cuidados com a exposição solar, prevenção e detecção precoce do câncer. Casos de diagnóstico positivo serão encaminhados para tratamento ou cirurgia sem nenhum custo. Haverá 160 postos de atendimento espalhados por 22 Estados. No Rio Grande do Sul, serão 15 postos em 11 cidades. Em Caxias do Sul, a campanha ocorre na Praça Dante Alighieri.

 

Diagnóstico precoce eleva cura do câncer

 

Existem dois tipos de câncer de pele. O carcinoma é mais comum e menos agressivo. O melanoma é o mais grave e, se não tratado logo, pode atingir outros órgãos. O diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento. As lesões que antecedem o aparecimento do tumor, em geral, são facilmente identificadas. Um sinal na pele pode ser perigoso quando crescer, mudar de cor, sangrar, coçar ou tiver bordas irregulares.

Os médicos recomendam que a pessoa examine seu corpo e diante de qualquer mudança em um sinal, ou quando um novo sinal aparecer, procure o dermatologista para uma avaliação mais precisa. Quando removido precocemente, o índice de cura do câncer de pele é superior a 95%.

 

Radiação muda conforme a localização geográfica

 

Os cientistas estão cada vez mais atentos à ação dos raios ultravioleta. Boa parte da radiação, ao se aproximar da Terra, é filtrada pelo ozônio presente na atmosfera. Porém, com a camada de ozônio encolhendo cerca de 4% por década no Hemisfério Norte e 6% no Hemisfério Sul, uma quantidade cada vez maior de raios UVA e UVB alcança a superfície do planeta, expondo as pessoas a um risco crescente.

Em maio passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) adotou um sistema mais abrangente para medir a radiação ultravioleta nas diferentes regiões do mundo, levando em conta diversos itens - o principal deles é a localização geográfica. Nos trópicos, mais próximos do sol, os riscos são maiores. Considera-se também altitude, situação da camada de ozônio na região, hora do dia, tipo de solo e quantidade de nuvens. Com o novo sistema, a OMS criou um índice de riscos que varia de baixo, quando a taxa de ultravioleta é menor que dois pontos, até extremo, com taxa maior que 11.

No Brasil, durante o verão, as principais cidades têm índice de raios ultravioleta acima dos 11 pontos. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) faz a medição diária da incidência de raios ultravioleta tipo B em todo território brasileiro. A escala varia de zero a 15. O índice zero equivale à ausência de radiação, como num quarto escuro. O 15 corresponde à radiação máxima registrada na Terra, só verificada em regiões onde há buracos na camada de ozônio, como na Antártica. O maior índice observado no Brasil é o 14, em cidades como Fortaleza e Natal, no verão. É possível conferir o índice de radiação diariamente, em todos os Estados do país, no site do Inpe (www.inpe.br).

Além da intensidade da radiação ultravioleta, há outras variáveis que devem ser consideradas para determinar quanto tempo permanecer sob o sol sem expor-se aos perigos dos raios UVA e UVB, como o a cor da pele. Nuvens claras e esparsas, tipo "bolinha de algodão", em vez de proteger a superfície terrestre atuam como espelhos e multiplicam a intensidade da radiação em até 30%. O mesmo ocorre em terrenos cobertos de neve, que intensificam os raios em até 80%.

 

Necessidade de sol pode ser um vício

 

Sunaholics é a expressão inglesa que designa os "viciados em sol". Para esses, não importam os riscos, a estação ou as condições do clima, eles desejam estar sempre bronzeados. Estudos internacionais recentes mostram que a necessidade excessiva de exposição ao sol pode ter origem biológica. Um desses trabalhos foi divulgado este ano pela Associação Médica Americana. Ele defende que o bronzeamento pode viciar da mesma forma que as drogas.

Os especialistas avaliaram 150 voluntários adultos, habituados a ir à praia. Eles foram submetidos a questionários aplicados tradicionalmente por psiquiatras para classificar o grau de dependência de um paciente. Entre as questões havia algumas relativas à freqüência, tempo e vontade de se expor ao sol. Até 53% dos entrevistados se encaixaram na categoria de dependentes químicos.

Outro estudo, da Academia Americana de Dermatologia, demonstrou que a exposição aos raios ultravioleta provoca sensações de bem-estar. Os médicos usaram duas camas de bronzeamento artificial. Por duas semanas, voluntários alternavam o uso das camas, sem saber que uma era falsa. Em 92% dos casos, os relatos de satisfação foram associados só à câmara verdadeira. Acredita-se que a radiação ultravioleta estimule neurotransmissores responsáveis pela sensação de bem-estar e prazer. Segundo os pesquisadores, os níveis de endorfinas sobem sob ação dos raios assim como aumentam mediante o consumo de chocolate ou a prática de exercícios.

 

Bronzeado não é um sinal de saúde

 

Ao contrário do que muitos acreditam, a cor característica do verão brasileiro não é sinal de saúde. Conforme os dermatologistas, o bronzeado é um sistema de proteção do organismo contra a radiação. A agressão do sol aumenta drasticamente a produção de melanina, pigmento natural da pele, que funciona como uma espécie de guarda-sol em torno do material genético das células. Porém, essa proteção tem um limite, determinado pelo tipo de pele de cada pessoa. É preciso considerar também que os riscos aumentam de acordo com a freqüência, o tempo e o local escolhido para o banho de sol. Para minimizar o perigo da radiação sobre a pele, o ideal é respeitar as regras básicas para um bronzeado mais seguro:

- Não expor-se ao sol das 10h às 16h (ou das 11h às 17h, no caso do horário brasileiro de verão).

- Usar sempre protetor solar com FPS 15, no mínimo. Aplicar o produto meia hora antes da exposição e reaplicá-lo a cada duas horas.

- Utilizar chapéu, óculos com lentes de qualidade e guarda-sol de lona.

 

Produto que tinge a pele é inofensivo

 

Segundo dermatologistas, a melhor forma de obter um bronzeado saudável é usar autobronzeador, que tinge a camada superficial da pele e não causa danos.

Muitas pessoas recorrem ao bronzeamento artificial acreditando que esse método é seguro. Porém, os riscos das camas de bronzeamento são iguais aos da radiação natural. Para alcançar o mesmo efeito da luz solar, as cabines de bronzeamento estimulam a produção de melanina por meio de lâmpadas especiais. Os raios UVA são predominantes nas câmaras de bronzeamento artificial. Eles atingem mais profundamente a pele e incidem sobre o colágeno, proteína que dá sustentação à pele. Com isso, acelera-se o envelhecimento. Os raios UVB não penetram tão profundamente, mas são os principais agentes causadores de câncer de pele e manchas.

 

IGREJA

Katsav convida Papa a visitar Israel

Pela primeira vez, um presidente israelense visita o Vaticano

 

O presidente de Israel, Moshe Katsav, realizou na quinta-feira 17 de novembro a primeira visita oficial de um chefe de Estado daquele país ao Vaticano. Durante a audiência de 25 minutos com o Papa, Katsav convidou Bento XVI a visitar a Terra Santa. Em declarações à imprensa, o presidente de Israel mostrou-se animado com a possibilidade de uma visita do Papa no próximo ano. O primeiro-ministro Ariel Sharon já havia formulado convite semelhante em julho passado, por escrito.

Katsav agradeceu Bento XVI pela visita à sinagoga de Colônia (Alemanha), em agosto passado, durante a Jornada Mundial da Juventude, e suas numerosas manifestações em favor do Estado de Israel. O presidente israelense presenteou o Papa com fotos dos mosaicos recentemente descobertos de uma igreja considerada a mais antiga da Terra Santa.

Segundo o presidente, Bento XVI disse que gostaria de visitar os restos da igreja, que se encontram na cidade de Megid-do, no norte de Israel, perto da cidade bíblica de Armagedom. Uma escavação revelou, no início de novembro, sob uma antiga construção bizantina, um grande mosaico com inscrições em grego referentes a Jesus Cristo. Arqueólogos israelenses acreditam que o mosaico data do século III.

Bento XVI presenteou Katsav com um quatro que reproduz a declaração do Concílio Vaticano II "Nostra Aetate", documento que deu um rumo positivo às relações entre católicos e judeus, e a reprodução de um escrito autografado de João Paulo II com o discurso pronunciado durante sua visita ao campo de concentração nazista de Aushwitz.

Acordos - Quanto às relações de Israel com o Vaticano, Katsav disse aos jornalistas que fará o possível para acelerar a solução das controvérsias sobre as propriedades da Igreja na Terra Santa. A Santa Sé estabeleceu relações com Israel há 11 anos, mas até hoje o Estado não cumpriu na prática o compromisso estabelecido através de dois acordos, entre os quais o de reconhecer a personalidade jurídica das instituições católicas no país.

Essa situação na Terra Santa foi exposta ao presidente Katsav, bem como as dificuldades enfrentadas pelos católicos e a difícil situação entre palestinos e israelenses. A Santa Sé manifestou sua posição em favor de uma maior colaboração entre Palestina e Israel.

 

Paz passa pelo diálogo entre religiões

 

Bento XVI considera que o futuro da paz passa pelo diálogo entre as religiões, especialmente entre cristãos e muçulmanos. Foi o que afirmou no dia 1º de dezembro, ao receber as cartas credenciais do novo embaixador da Argélia na Santa Sé. O país tem 32 milhões de habitantes, 99% muçulmanos. Entre 1992 e 1998, a Argélia foi assolada pelo terrorismo e a repressão e, nesse período, 19 religiosos foram mortos no país. "O encontro na verdade entre os crentes das diferentes religiões é um desafio exigente para o futuro da paz no mundo, e isso requer muita perseverança", disse o Papa.

 

Cristãos de Belém se sentem numa prisão

 

Com a aproximação do Natal, sacerdotes, religiosos e leigos cristãos de Belém lançam um apelo para que as peregrinações à Terra Santa incluam uma visita à cidade onde nasceu Jesus. Numa denúncia à agência AsiaNews, afirmam que "os cristãos de Belém estão fechados em uma prisão a céu aberto por um muro de oito metros de altura, que os priva de terrenos indispensáveis para sua sobrevivência".

Postos de controle impedem o livre acesso dos cristãos a locais importantes da cidade, como a Basílica da Natividade. Os cristãos também temem que Belém passe a ser totalmente islâmica. Em 1965 os cristãos eram maioria em Belém; hoje não chegam a 12%. A crise das peregrinações, a falta de trabalho e as dificuldades impostas estão na raiz da forte emigração de cristãos da Terra Santa.

 

Favelados e exilados

Padre Zezinho

Uma democracia que não reage contra quem gera violência e medo corre perigo

 

Como se já não lhes bastassem as condições em que precisam viver, os moradores da favela Paraguai agora estão exilados de seus barracos. Seja qual for o tamanho e o material, uma casa é um lar e foi ali que eles sofreram, amaram, sonharam e viveram até que os traficantes decidiram que precisavam daquela área para seus negócios. Assim diz a imprensa: 90% dos moradores já saíram, de medo.

É triste pensar que por um lado o Brasil está desgovernado pelo desleixo e por outro pelo medo. As enchentes mostram a falta de vontade política dos últimos 50 anos; o crescimento das favelas, a falta de oportunidade de sempre. Agora falta segurança e ordem, porque ninguém sairia de lá para lugar nenhum se não soubesse que quem enfrenta os bandidos morre.

É duro ter que admitir, mas em algumas áreas de São Paulo e do Brasil quem manda são os violentos. Exilados de suas já pequenas e pobres habitações eles podem dizer como Jesus: "As raposas têm suas tocas e as aves do céu seus ninhos, mas o filho do homem não tem um lugar onde descansar sua cabeça" (Mt 8,20). Outros milhões de brasileiros podem afirmar o mesmo. Não foi escolha deles. É do sistema que adotamos. Vale a lei do dinheiro e a do mais violento. A polícia, do jeito que está, nem teria como protegê-los. Tem menos poder de fogo que os bandidos, que chegam a importar armas de guerra. Vietnã e Camboja não ficam muito longe. É só sairmos um pouco de nossas elegantes vilas que em 15 minutos veremos a sua reedição.

Quando bandidos decidem quem mora ou quem não mora num lugar, porque precisam daquela área para seus negócios, estamos em guerra civil. Uma democracia que não reage contra isso corre perigo!

 

Religiosas refletem sobre migrações

Scalabrinianas de todo mundo participaram de seminário em Caxias

 

A congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo-Scalabrinianas realizou, de 24 a 30 de novembro, em Caxias do Sul, o III Seminário Congregacional de Pastoral das Migrações. Participaram 76 irmãs scalabrinianas das seis províncias, formandas da congregação e integrantes do Movimento dos Leigos Missionários Scalabrinianos. "O objetivo do seminário foi revitalizar a expressão da missão congregacional como resposta aos desafios que emergem do contexto da mobilidade humana, para dar maior visibilidade ao carisma scalabriniano", relata irmã Eléia Scariot, comunicadora do evento.

Cada dia contou com um tema específico de estudos. No primeiro, irmã Rosita Milesi, diretora do Instituto Migrações e Direitos Humanos, apresentou o tema "Migração mundial: desafios e perspectivas para a missão da irmã scalabriniana". Em cada dia do seminário também houve apresentação de experiências pastorais no campo das migrações de algumas das participantes.

No dia 26, o tema central de estudo foi "A pessoa do migrante que se encontra em mobilidade: defesa dos direitos humanos", apresentado pela ex-relatora especial da ONU para os Direitos Humanos dos Migrantes e atual presidente do Centro Internacional para os Direitos Humanos dos Migrantes, Gabriela Rodriguez Pizzaro, da Costa Rica.

"O carisma scalabriniano: revelador de novos rumos no campo da missionariedade" foi o tema do dia 27, apresentado por irmã Marissônia Daltoé, que atua nos EUA. No dia 28, irmã Analita Candaten abordou o tema "A espiritualidade no contexto migratório". No dia 29, irmã Maruja Samaniego Padre Juan, que trabalha em Kerala, Índia, tratou do tema "Pastoral das migrações, realizada em articulação e no trabalho em rede". Na apresentação do documento final do seminário, foi destacada a necessidade do trabalho em rede e parcerias na missão da congregação realizada com migrantes e refugiados em 26 países.

No dia 30 houve o encerramento do Ano Scalabriniano (out/2004-out/2005). No final do seminário, a superiora geral, irmã Maria do Rosário Onzi, salientou que as irmãs retornavam à missão por um outro caminho, "o caminho que leva ao encontro com o outro, o caminho da acolhida, da comunhão e da solidariedade com os migrantes. Pois o encontro com Jesus e seu projeto nos leva a fazer opções corajosas, a tomar decisões por vezes heróicas".

 

Província dos capuchinhos RS promove transferências

 

Uma das características das ordens e congregações religiosas é a disponibilidade de seus membros para atuarem onde as necessidades evangélicas e sociais forem mais exigentes. O voto de obediência faz com que aceitem as determinações de seus superiores para o bem pastoral e o atendimento ao povo. Na Ordem dos capuchinhos, todos os frades se consideram transferíveis e as próprias diretrizes determinam que os freis não fiquem muitos anos num mesmo lugar.

As transferências ocorrem principalmente quando há troca de governo provincial. Como na província gaúcha assumiu um novo governo, algumas mudanças já foram definidas. Frei Wilson João, colunista do Correio Riograndense e pároco em Marau, vai a Veranópolis, para substituir frei Álvaro Bordignon, transferido para a paróquia da Conceição, em Bagé. Frei Luiz Primachik deixa Bagé para atender Ibiraiaras. Frei Egídio Bielski sai de Praia Grande (SC) para a paróquia de Barros Cassal (RS). Em seu lugar, assume frei Hélio Dalla Costa, que deixa a equipe missionária.

Frei Carlos Jaroceski troca Soledade por Marau. Vai ser substituído por frei Protásio Ferronato, que estava em Sapezal (MT). Frei Germano Miorando será transferido de Vila Flores para Ipê e frei Ari Felippi, de Soledade para Vila Flores. Frei Irineu Costella assume a paróquia Imaculada, em Caxias do Sul. Substitui frei Jaime Bettega, novo secretário provincial. Freis Affonso Costella, que está em Canoas, e Edson Cecchin, que trabalha em Caxias do Sul, vão atuar na vice-província da República Dominicana e Haiti, e frei Doraci Tartari, que estava em Santo Domingo, retorna e vai trabalhar em Canoas.

 

Eu tanto lhes havia dito

Aldo Colombo

A humanidade ainda não aprendeu que o caminho da justiça e da paz nunca serão encontrados pela violência

 

Quase no final da Grande Guerra, perto de uma pequena aldeia nos Alpes suíços defrontaram-se dois grupos de combatentes. Faziam parte de exércitos desbaratados e em debandada. Mesmo famintos e mal armados seguiram os rígidos códigos militares e combateram até o fim. A neve da montanha ficou manchada de sangue e durante alguns dias os corpos ficaram insepultos. Depois, os aldeões abriram covas rasas e iguais e sepultaram, piedosamente, os mortos. Sem distinção de nacionalidade.

Mais tarde uma pequena cerca isolou o improvisado cemitério e em cada cova uma pequena cruz branca sem nome. Alguns anos mais tarde, novamente os camponeses construíram no local uma pequena igreja e um artista desconhecido pintou um quadro, inspirado no choro de Jesus no jardim das Oliveiras. O rosto severo de Cristo deixa cair algumas lágrimas. Na base do quadro, uma frase: "E eu, que tanto lhes havia pedido que se amassem uns aos outros...".

A memória humana parece ser bem curta e as lições não são aprendidas. A frase de Cristo, mais uma vez vivendo sua paixão, poderia estar em muitos lugares do mundo. No Iraque, na Irlanda, na Chechênia, nos guetos de Nova York, na Baixada Fluminense, nas favelas do Rio. Poderia estar em nossas grandes e pequenas cidades, onde se mata por um par de tênis ou gratuitamente. Poderia estar na África, um continente abandonado e moribundo. Poderia estar, quem sabe, em nossa rua, nas cercas que separam as residências ou nos caminhos desertos, onde a violência pode sempre surgir. Poderia e deveria estar nos roteiros da droga e do contrabando. "E eu, que tanto lhes havia pedido que se amassem uns aos outros".

Num momento de mau humor o grande pregador francês Lacordaire definiu a história como sendo o relato das desonras, misérias e loucuras do homem. Depois de milhares de anos - desde Caim - a humanidade ainda não aprendeu que o caminho da justiça e da paz nunca será encontrado pela violência. Nossos manuais de história estão repletos de heróis guerreiros e nossas praças levam nomes de batalhas. A história glorifica o ódio e esquece os ensinamentos de Jesus de Nazaré. Poucas vezes lembramos figuras proféticas como as de Francisco de Assis, Bartolomeu de las Casas, Mahtma Gandhi e Marechal Rondon. Politicamente incorretos, eles apostaram no lado fraco e, surpreendentemente, venceram.

A frase mais importante do mais importante ator da história humana - Jesus de Nazaré - é esta: "Amai-vos uns aos outros, amai até vossos inimigos". A frase não foi ouvida. A humanidade poderia ser feliz seguindo o mandamento do amor. Preferiu outros caminhos. E por isso somos todos obrigados a viver sob a lei do temor.

Ninguém de nós tem o poder de estabelecer a paz do mundo. Porém podemos - isto sim - ser sinais de paz, construtores da paz. É o pedido do Mestre, é o caminho da felicidade.

 

Maristas recebem novos religiosos

Seis irmãos concluem o noviciado e emitem os votos em Passo Fundo

 

Em cerimônia que ocorre nesta quinta-feira 8, às 10 horas, no Instituto Marcelino Champagnat, em Passo Fundo, a Província Marista do Rio Grande do Sul acolhe oficialmente seis novos integrantes. Os jovens maristas vão apresentar ao provincial, irmão Lauro Hochscheidt, os votos de pobreza, castidade e obediência, na presença de familiares e religiosos.

Emitem os votos os irmãos Fernando Filippin, natural de União da Serra (RS), Gerson Manoel Dresch (Campina das Missões - RS), Jauri Roque Mallmann (Campina das Missões - RS), Leandro Paiz (Ciríaco - RS), Manuir José Mentges (Campina das Missões - RS) e Venícius Marostega da Veiga (Santo Ângelo - RS).

A profissão dos votos marca a conclusão de dois anos de noviciado, realizado em Passo Fundo. Nesse período, os irmãos dedicaram-se à oração, meditação, trabalho pastoral e convivência comunitária. Concluído o noviciado, os jovens maristas prosseguem a formação em Viamão. Em 2006, ingressam na etapa do Escolasticado, quando continuam os estudos de aprofundamento com ênfase na missão do apostolado marista. É também nesse período que os irmãos definirão qual o curso acadêmico profissionalizante que seguirão. Os maristas dedicam-se especialmente à educação e formação de jovens.

Provincial - No sábado, 3 de dezembro, irmão Lauro Francisco Hochscheidt assumiu como provincial da Província Marista do RS. A cerimônia ocorreu no Recanto Marista Medianeira, em Veranópolis, durante o capítulo provincial realizado pela congregação de 3 a 5 de dezembro. Natural de Passo do Sobrado (RS), irmão Lauro, 51 anos, assume o cargo pela segunda vez - foi provincial de 2000 a 2002.

Vai responder pela presidência das três mantenedoras (Some, Ubea e Usbee), que administram a PUCRS, 22 escolas de educação básica e 29 obras sociais.

 

Getúlio Vargas tem diácono permanente

 

Nesta quinta 8, na igreja Imaculada Conceição de Getúlio Vargas (RS), João Carlos Bai-deck vai ser ordenado diácono permanente. Dom Girônimo Zanandréa, bispo diocesano, preside a cerimônia, realizada às 19 horas. Casado com Vanda Machado Baideck, pai de dois filhos, João Carlos é filho de Wladislau e Genoefa Baideck e tem 13 irmãos. Membro da OFS, atua em diversas atividades pastorais. Em 2001 iniciou as etapas da Escola Diaconal, concluída em 2004.

 

Religiosa Pastorinha morre aos 68 anos

 

Irmã Catarina Valentini, da congregação das Irmãs de Jesus Bom Pastor - Pastorinhas, faleceu no dia 2 de dezembro de 2005, depois de longa enfermidade, aos 68 anos de idade e 44 de vida religiosa. Natural de Encantado (RS), era a quinta de 11 irmãos. Irmã Catarina teve uma vida intensa e dinâmica de buscas e dedicação à missão religiosa de evangelizar.

Ao ser atingida pela doença, percebeu no sofrimento uma ocasião para descobrir sua comunhão mais íntima com Jesus Bom Pastor. "Sofrer por sofrer não tem nenhum sentido, mas sofrer unida com Jesus é um sofrimento redentor. A doença enfraqueceu meu corpo, mas fortaleceu meu espírito", dizia. Viveu seus últimos momentos com serenidade, lucidez e entrega.

 

Mundo ternura

Wilson João

Cristo chega no silêncio de uma noite de Belém. Chega na ternura de uma criança. Sem foguetórios e sem barulho

 

É preciso menos sexo e mais ternura. Sexo sem ternura é atitude animalesca. Sexo é posse. Ternura é gratuidade. Toda posse gera violência. Agarra. Segura para si. Mata, se for preciso, para ter a posse. A posse é negação do amor. Amor sempre é envolvimento na ternura. Amor-posse é violência. É estupro. Cenas de estupro acontecem a toda a hora no relacionamento entre adolescentes possessivos, entre paredes matrimoniais, e muito mais em filmes e novelas, que são uma escola pública de amor-posse, despido de ternura.

A NATUREZA É TERNURA. A água da cascata não fere os ouvidos humanos. A chuva é música. O vento é um passeio de anjos entre as árvores. O canto dos pássaros nunca se torna grito. Os insetos usam a suavidade de seu canto para dizer que existem. O universo, em sua velocidade deslumbrante, poderia ensurdecer todos os seres humanos. Ao contrário, os raios do sol e da lua se tornam ternura, acariciando nossa pele. Quem não se encanta com a variedade do colorido da natureza que chega suavemente aos nossos olhos? No mundo da natureza tudo é ternura.

A PESSOA HUMANA DEVE PRODUZIR TERNURA. Viver ternura. Deixar de lado a música agressiva, produzida em rádios, carros e ambientes de festa, e criar música de comunicação de sentimentos e de relação mais sentimental. Deixar de lado a gritaria da conversa e colocar mais suavidade na voz. É na suavidade que a comunicação se realiza. Pais e filhos vivendo mais a intimidade. Vizinhos respeitando a proximidade uns dos outros. Festas com ambiente de comunicação e não de barulho e gritaria. Criarmos uma mentalidade de ternura se faz urgente para que as pessoas não se estressem. A falta de ternura torna as pessoas insensíveis e grosseiras. Não se sabe mais escutar música sem provocar movimentação corporal. Tudo virou ginástica.

DEUS É TERNURA. Ele chega no silêncio de uma noite na cidade de Belém. Chega na ternura de uma criança. Sem barulho e foguetórios. Vive 30 anos no ambiente terno da cidade de Nazaré. Comunica e ensina com olhar de ternura. Usa de ternura com os pecadores e necessitados. É duro contra os barulhentos donos do poder da época: os fariseus. Ressuscita na ternura de uma madrugada de domingo, sem ninguém para fazer buzinaços e foguetórios. Na ternura, nasce e se manifesta vencedor.

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

O italiano que está em você

Dorival Vicenzi

Advogado, Porto Alegre - RS

 

Dorival Vicenzi, advogado em Porto Alegre, nascido em Vacaria, é italiano de corpo e alma:

 

"Sinto em mim a presença do sangue, do sentimento, da inteligência e da vontade peninsulares, dos quais derivam minhas concepções. O sangue nas veias é italiano. O sentimento é italiano. A inteligência é italiana. A vontade de viver e trabalhar é italiana. O modo de ser, de sentir, de conceber e de querer o mundo é italiano.

O sangue italiano foi se mesclando e definindo através de gerações, séculos e milênios. Recebeu contribuições de gregos, troianos, bárbaros..., produzindo o tipo itálico, do qual cada descendente é síntese de heróis como Enéas, de poetas como Virgílio mantuano e Dante florentino, de guerreiros e estadistas como César, de centauros como Átila, de cristãos como Francisco Bernardone, de escritores como Manzoni milanês, de escultores e pintores como Miguelângelo e Giotto, de criadores e conquistadores como os imigrantes.

O sentimento italiano deixou de ser remoto, rude e bárbaro. Esboçou-se na pré-história da região do Lácio, e aperfeiçoou-se na experiência cotidiana da vida no desdobrar do tempo. Adquiriu fisionomia própria no cultivo do amor, da paixão, da simpatia, da honra... Alcançou o sublime através de intérpretes da raça, como se pode ver na Eneida, na Divina Comédia, nos Promessi Sposi, em David, na Monalisa, na Pietà, em Galileu Galilei, em Colombo, em Nanetto Pipetta e na epopéia real dos imigrantes que ainda não tiveram o seu cantor maior.

A inteligência italiana brilhou desde as origens, integrando num mesmo processo de criação e de assimilação todos os fatos. E assim chegou a uma original, ampla e correta concepção e interpretação do universo, onde todos os valores têm o seu lugar e destaque precisos, como valores itálicos na pátria-mãe da península e como valores universais, na pátria do mundo.

A vontade italiana é determinada como o destino, firme como a rocha, inquebrantável como o aço, fatal como a tempestade, realizável como as estações. Quer e faz o sonho e o fato. Cria cidades como cria famílias. Contraria o suicídio; nega-o. Quer criar e cria, chorar e chora, cantar e canta os episódios da existência...

O italiano passou a ser cidadão de dois mundos, o da Itália e o dos países em que marcou presença física, intelectual e espiritual. As agruras do cotidiano, as desinteligências e rivalidades, as revoluções e as guerras, a patriação e o exílio, as peripécias das imigrações passageiras e definitivas não passam de secundários fatores que em nada alteram, mas reforçam o tipo, o sentimento, a inteligência, a vontade e as concepções do povo italiano, cujo destino é mover-se no mundo, criar, crescer, subir até as estrelas integrando-se com outros povos.

Os italianos sublimam-se pacífica e cotidianamente no afã de transformar sonhos em realidades, em qualquer país, na seqüência de sua vida simples e heróica. Com esse conteúdo e substância, me sinto italiano, amálgama das experiências e do trabalho de todas as gerações. Descendo da Itália, vivo no Brasil, duas pátrias maravilhosas, para dar a minha contribuição ao acervo hereditário do patrimônio comum recebido dos pais e avós. Eis o italiano que está em mim" (16-1-2005, e-mail dvicenzi@terra.com.br)

Dorival une as origens italianas à história, coloca no mesmo nível, no espaço e no tempo, o cidadão do mundo na figura do Nanetto Pipetta, como os grandes vultos da Península. (Rovílio Costa)

 

EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (338)

Nanetto vìsita la catedrale e la tore de Pisa

Rafael Baldissera

Professor, Curitiba – PR

 

- Adesso ndemo visitar Pisa, la so Catedrale, el so Batistero e la so Tore Pendente. No se ga notìssie esate dea època dea fondassion de Pisa. Ma consta che, ntel ano 180 dopo Cristo, insieme coi romani, la ga vensesto la guera contra la Ligùria. Ntel ano 476 dopo Cristo la ze stà sachiada par i bàrbari. Ntel tempo de Carlo Magno, la ga buo relativa independensa. Ntel Medievo, la ga buo bastansa progresso. Pisa la ga 120.000 abitanti e 30.000 universitàrii. Fra i sècoli VIII e XI la se ga notabilisà ntele arte. Nel 1063, la ga scominsià a costruir la Catedrale, el Batistero, la Tore Pendente e el Semitero Monumental gòtico. I so scultori pi importanti i ze stai Nicola e Giovanni Pisano.

- Ma, adesso che semo rivai qua tea Catedrale, amirémola. La so costrussion la ze del sècolo XII. La ze tuta rivestia de marmo. La ze in forma de crose. El so frontispìssio el ga tre porte revestide de bronzo, con figure bìbliche in altorelevo. La ga el tùmbolo de Buschetto, el so costrutor. El Batistero ze na gran costrussion sircolar, co na sirconferensa de 107,25 metri. Co na stàtoa de San Gioan Batista ntel cùlmine, l’è un poco pi alto che la Tore Pendente. 34.000 fameie le se gavea inscrite par aiutar ntea so costrussion. El ze de marmo e del stesso stilo dea Catedrale e dea Tore. Adesso ndemo amirar la Tore Pendente: se pol dir che pochi monumenti i ze cossì cognossesti nel mondo quanto la Tore de Pisa. La so inchinassion la ze de 4,55 metri.

Quando Nanetto el ga scoltà la grandessa dea inchinassion, el volea scampar via corendo, ma Eduardo Fonseca de Oliveira lo ga tegnesto par un brasso e el ghe ga dito:

- Ndove zelo, Nanetto, el to coraio de quando te volei infrentar Napolion?

- Si, ma 4 metri de inchinassion no i ze 4 sentimetri, no i ze!

- Ben, contìnua Edilson, la costrussion dea Tore Pendente la ga scominsià nel 1173. La ze de stilo clàssico. Quando la so costrussion la gera deromai tel terso pavimento, i ingegneri i gavea verificà na pìcola inchinassion, par via del tereno un poco arenoso. La ze stà conclusa in 1350. La so altessa la ze de 76,70 metri. La contìnua a inchinarse un milìmetro par ano. Anca la Tore la ze tuta rivestia de marmo. La ga sete campane con le sete note musicale: do, re, mi, fa, sol, la, si.

- Professor Edilson, dise Nanetto, ti te savea che, na volta, piovea tanto te un paese, che un amigo el ga domandà al altro amigo, che se ciamea Doremi, se ntel so paese piovea o fea sol:

- Doremi, fa sol là? E lu el ga rispondesto:

- Si.

- E cossì le ze nasseste le note musicae.

- Brao, Nanetto, dise Ronald Fabian, se vede che te ghè un spìrito inventivo.

- E sora la inchinassion dea Tore, vui dirve che arquanti ingegneri i ga studià, calcolà e concluso che la Tore no ofre perìcolo, parché la parte superior no la pende fora dea so base.

E tuti ghemo vardà in su, mirando la Tore inchinata!

 

VITA STÒRIA E FRÒTOLE

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

La stropa

 

Elvino João Sartori

Professor e poeta, Ivoti - RS

Vicino al rieto

Che core tel prà,

El nono Richeto

Li el ga impiantà

Due file de strope

E dopo el ze ndà.

 

Ani più tardi

El ze ritornà.

- Bison che

te vardi

- Ghe dise

el pupà -

I rami de strope

Che mi go

impiantà.

 

Scoltare ghe vol

El pare sapiente.

Così, resta el fiol

Curvarse silente

Ai pié dei stroper

D’un estro potente.

 

La stropa che liga

La vigna ardita

Ricorda la riga

Che rege la scrita:

La soga che strenze

È esémpio de vita.

 

La sesta del pan

De strope se fea

- Costume talian

Che i noni gavea -

Picada su alta,

Sol i grandi rivea

 

Anca i sestoni

Metesti a carghero

I vien de stroponi

De porte legero.

E... cune se trova

De strope da vero.

 

L’ampìria stropana

De graspi s’impiene,

La bote risana

In verso perene:

Bacheta de strope

Insegna... fa bene...

 

Tempo d'istà

 

I giorni i se slonga,

I ragi del sol

i mostra che i pol

La tera scotar.

Se slarga le ombre

Dei albari alti,

Sui rami fa salti

Osei a cantar.

 

De verdo se coerze

i vignai, le rosse;

E panoce grosse

In tola se ga.

Le bèstie contente

Le saluda el baldo,

Parché l’è col caldo

Che el grano el se fa.

La vasca del club

De àcoa se impien,

I bagnisti i vien

Al tèpido mar.

Sia in colònia,

Sia in cità,

Co riva l’istà

Ghe vol riposar.

 

Ringràssio el Signore

La gran abondansa,

Virtù e speransa

De questa stagion.

Però, nte l’inverno,

Misèria no vede,

Chi d’istà provede

Legna e paion.

 

ESPORTE

Escândalos marcam Brasileirão

Colorado se considera campeão moral de 2005

 

Mal terminou a última rodada do Campeonato Brasileiro no domingo 4 de dezembro, e duas torcidas comemoraram o título, reflexo da confusão que tomou conta da Série A em 2005. Afinal, quem é o campeão brasileiro da Série A - Corinthians ou Internacional? Na segunda-feira, a CBF anunciou que entregaria a taça ao Corinthians e ameaçou proibir o Inter de disputar a Libertadores.

Toda essa confusão teve origem nos escândalos da Máfia do Apito, revelados no final de setembro pela revista Veja que denunciou um esquema de manipulação de resultados. Numa decisão inédita e polêmica, o STJD mandou que 11 jogos apitados pelo árbitro da Fifa Edilson Pereira da Silva fossem repetidos.

Com isso, o Corinthians foi o mais beneficiado, pois recuperou quatro dos seis pontos que havia perdido. O campeonato terminou com o Corinthians somando 81 pontos, contra 78 do Inter. Sem as anulações das partidas, o Inter teria somado 78 pontos e o Corinthians 77. Por enquanto, resta ao time gaúcho o consolo do vice-campeonato e a classificação à Libertadores. Curitiba, Atlético-MG, Brasiliense e Paysandu caíram para a 2ª divisão. Grêmio - campeão da Segundona - e Santa Cruz voltam à elite do futebol.

 

GERAL

Garibaldi lembra motoristas

Exposição e shows na festa de São Cristóvão

 

Shows nacionais irão marcar a 19ª Festa de São Cristóvão e dos Motoristas, em Garibaldi. O evento, que lembra os 105 anos de emancipação do município, realiza-se de 13 a 18 de dezembro na sede da Associação dos Motoristas. A programação prevê competições esportivas para motoristas, almoço de confraternização e exposição de produtos rodoviários.

Dia 17 ocorre show com Capital Inicial. Dia 18, com entrada franca, acontecem shows com Tchê Barbaridade, Os Formigos e Teodoro e Sampaio, e carreata, iniciando na avenida Independência, seguida por bênção aos veículos, celebração religiosa - a missa campal será celebrada pelos freis Antoninho Pasqualon e Avelino - e almoço. A festa encerra com fogos de artifício.

 

Feira da Vindima busca promover a economia

 

Flores da Cunha prepara a Feira da Vindima, que ocorrerá de 26 de fevereiro a 26 de março de 2006. A festividade contará com 100 expositores distribuídos numa área de 2.500 metros quadrados. "É uma feira econômica, que envolve o setor moveleiro, têxtil e vitivinicultor", destacou o presidente da feira, Vanderlei Dondé.

O prefeito Renato Cavagnolli visitou o chefe da Casa Civil, Alberto Oliveira, e pediu o apoio financeiro do Banrisul. "É uma feira onde se promove a economia e a cultura da região", salientou o chefe da Casa Civil. Os organizadores esperam um público superior a 50 mil pessoas.

 

Fagundes Varela - 100 anos

 

Encerram com baile de final de ano as comemorações do centenário de criação do antigo distrito de Bella Vista, atual Fagundes Varela, e os 18 anos de emancipação do município. Já dia 24, na igreja matriz e na praça, missa natalina, chegada do Papai Noel e show de fogos de artifício.