LEITORES 

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Edição 4.968 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 21 de dezembro de 2005.

EDITORIAL

Natal: certeza de que Deus não volta atrás em seu amor

A história humana, cheia de contradições, mas redimida, tem garantia de um final feliz

 

No portal de seu evangelho, o apóstolo João faz uma maravilhosa síntese da Encarnação: E o Verbo se fez carne e habitou entre nós. Levando-se em conta a grandeza do tema e as dificuldades da tradução do aramaico, surgiram algumas variantes: E Deus se fez homem e armou sua tenda entre nós. É a lembrança de Javé, o Deus das tendas, caminhando sempre com o seu povo, mesmo nos piores momentos. Outra tradução, mais ao gosto da teologia moderna, garante: E Deus se fez história e veio morar entre nós.

Jesus, o filho de Deus, assume a história humana em sua realidade, transformando-a em História da Salvação. Isto significa que o lugar teológico para perceber Deus é a história humana e suas contradições. Jesus, o enviado do Pai, assumiu a história de seu povo. Na tarde do Terceiro Dia, nos conta João, Jesus veio e se colocou no meio dos apóstolos reunidos no Cenáculo. Era a primeira comunidade cristã, ainda traumatizada pela traição e pela morte de Jesus. Jesus assumiu o lugar que lhe compete, para sempre, no centro da comunidade cristã e no coração da história.

Mais uma vez estamos festejando o Natal. E o ano que termina foi marcado por guerras, pelo ódio, pela corrupção, pelas crises de todo o tipo, pela má vontade de muitos, governantes ou não, crentes ou não. Não há paz na terra e a boa vontade é escassa. O sonho de Isaias está longe de se realizar. O lobo e o cordeiro não confraternizam, as espadas não se transformam em arados - pelo contrário, dos arados se fazem espadas - e o deserto não floresce. É dentro desse panorama desalentador que somos convidados a festejar o Natal. É por causa desse panorama que precisamos festejar o Natal.

Natal nos garante que Deus continua amando a humanidade e a cada homem e cada mulher. O Natal garante que o Reino de Deus, entre dezenas de utopias, é o único que se realizará. O Natal é a garantia que o amor de Deus jamais volta atrás e a história humana, redimida, tem garantia de um final feliz.

É por isso que, mais uma vez, a esperança, que é certeza, se firma em nossos corações e desejamos, uns aos outros, um Feliz Natal. Nós somos salváveis. Deus não desiste de nós. Esta é a boa nova!

 

CAXIAS DO SUL

Universidade inaugura laboratório

Objetivo é desenvolver novos métodos de detecção do HIV

 

O novo Laboratório de Pesquisa em HIV/Aids da Universidade de Caxias do Sul, inaugurado na sexta, 16, vai desenvolver e avaliar técnicas que utilizam amostras de sangue seco coletadas em papel-filtro para a detecção e monitoramento do HIV e outras infecções perinatais, como sífilis e toxoplasmose. O objetivo principal é validar esse método de coleta e levá-lo para áreas remotas. O projeto é desenvolvido em parceria com o Programa Nacional de DST/Aids, do Ministério da Saúde, e com a Unesco.

O uso do papel-filtro já foi avaliado pela pesquisa em diferentes condições de temperatura e umidade. Os resultados confirmaram que o material apresenta um desempenho muito semelhante à coleta convencional. Por esse método, o papel-filtro com a amostra de sangue do paciente é enviado ao laboratório por correio. Por sua praticidade, a técnica dispensa procedimentos de coleta e transporte especializados, podendo ser usada em locais de difícil acesso, onde não há infra-estrutura laboratorial.

Ricardo de Souza, coordenador do laboratório, explica que, por enquanto, a UCS vai receber amostras de outras regiões do país para pesquisar e provar que o método funciona. Após, o Ministério da Saúde deve autorizar o uso da nova prática. "Acreditamos que até outubro de 2006 já estaremos devolvendo os resultados dos exames aos pacientes", afirma. A devolução dos exames será feita pela Internet ou correios. Além disso, a universidade vai oferecer cursos de capacitação, presenciais e à distância, aos profissionais de saúde que utilizarem a técnica do papel-filtro e apresentarem os resultados dos exames aos pacientes.

O Laboratório de Pesquisa em HIV/Aids está associado ao Núcleo de Educação e Pesquisa em Saúde Coletiva (Nepesc), também inaugurado na sexta 16. O Nepesc será responsável pela capacitação dos profissionais envolvidos na implantação do projeto com papel-filtro.

 

Incerti assume presidência do Legislativo caxiense dia 1º

 

Pedro Justino Incerti, 49 anos, foi eleito na quinta 15 presidente da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul. Com 11 votos da base de apoio ao governo municipal, e após cerca de quatro horas de tratativas, com alteração de acordos pré-estabelecidos, o vereador do PDT foi escolhido para ser o sucessor de Francisco Spiandorello (PSDB).

Eleito em 2004 com 2.037 votos para seu primeiro mandato, Incerti é casado, tem dois filhos - João e Sabrina -, e filou-se ao PDT em 1995. Ele assume no dia 1º de janeiro e seu mandato terá um ano de duração, conforme acordo interpartidário que envolve siglas da situação - em 2007 o cargo será do PTB.

A eleição deixou desgostosos os oposicionistas. É que mais uma vez a Mesa Diretora da Câmara (ao lado) não tem formação pluripartidária - o PT foi excluído.

Segurança - No mesmo dia da eleição de Incerti, em sessão extraordinária a Câmara aprovou, por unanimidade, o projeto do Executivo que cria a Secretaria Municipal de Segurança. A nova pasta terá a função de integrar ações entre todos os órgãos de segurança pública e uma política social voltada ao combate da violência.

Já a votação da taxa de iluminação pública que a Prefeitura quer cobrar (de R$ 2,80, para consumidores residenciais, a R$ 20,00 - indústrias, poder público...), que deveria ocorrer no mesmo dia, foi adiada. Repercussão negativa na opinião pública pode sepultar a pretensão do Executivo, pelo menos temporariamente.

 

REPORTAGEM

Curso de Teologia a Distância volta em abril

Edição 2006 amplia parceria com a Estef. Assinantes do CR não pagam inscrição

 

O sucesso obtido com o Curso de Teologia a Distância, comprovado por 2.545 inscrições, levou o Correio Riograndense e a Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana (Estef) a retomarem essa inédita iniciativa. A edição 2006 do curso inicia dia 5 de abril e terá 30 lições, divididas em três módulos, encerrando dia 25 de outubro.

Nesta edição, os módulos serão Bíblia (Novo Testamento), Eclesiologia (Igreja) e Sacramentos. As lições serão elaboradas por professores da Estef e publicadas, uma por semana, no Correio Riograndense. Ao final, a Estef, instituição reconhecida pelo Ministério da Educação, fornecerá certificado equivalente a 40 horas-aula aos interessados, mediante o pagamento de uma taxa de R$ 16,00.

Oportunidade - "Interpretando os desejos e as necessidades de seus leitores, bem como o crescimento do papel do leigo na Igreja - que precisa se qualificar para exercer esse papel -, o Correio Riograndense abre novamente espaço para um curso de teologia a distância", afirma frei Aldo Colombo, diretor de Redação do CR, confessando a agradável surpresa provocada por mais de 2.500 inscrições de quase todos os Estados brasileiros e algumas do exterior. "E mesmo os que não se inscreveram apreciaram as lições. Por isso, é inevitável darmos seqüência, e mais uma vez tendo a Estef como parceira", explica frei Aldo.

"Queremos dar oportunidade de acesso ao curso aos que não puderam participar neste ano e para os que fizeram, de ampliar os conhecimentos teológicos", declara frei Clemente Dotti, diretor Geral do CR. "Esta também é uma maneira de o Correio Riograndense seguir em sua linha de fidelidade aos princípios que mantém há mais de 96 anos", reforça.

"Teremos novamente a possibilidade de levar informações teológicas a um grupo significativo de pessoas que de outro modo não teriam acesso", avalia frei Vanildo Zugno, coordenador do curso de Teologia da Estef e um dos responsáveis pelas lições. "Lideranças de comunidades cristãs e educadores, bem como todos interessados, encontrarão nesse curso um espaço importante de informação", acrescenta.

 

Como e até quando as inscrições devem ser feitas

 

Embora a edição 2006 do Curso de Teologia a Distância inicie em 5 de abril, o prazo para inscrição vai até o dia 20 do mesmo mês. Há quatro opções para os interessados se inscreverem: escrever uma carta simples ou preencher um cupom (como o reproduzido abaixo) e enviar por correio à Estef (endereço está em destaque); através da Internet (extensão@estef.edu.br); por fax (51 3217-4567) ou por telefone (de segunda a sexta, das 7h30 às 12h e das 13h30 às 17h)). O mais recomendável, no entanto, é que a inscrição seja feita com o envio do cupom (também pode ser por fax) ou pela Internet. "Assim, teremos um controle maior e poderemos dar melhor atenção aos alunos", argumenta frei Bruno Glaab, coordenador de Extensão da Estef. Além disso, a Estef está de férias coletivas até o dia 2 de janeiro e retorna com toda sua infra-estrutura somente em fevereiro.

O curso é aberto a catequistas, agentes pastorais, professores de ensino religioso, vocacionados à vida religiosa e, de um modo geral, a todos os leitores do CR. Para inscrever-se na edição 2006 não é necessário ter participado da fase anterior.

A inscrição é gratuita para o assinante do Correio Riograndense. Além do titular, podem fazer o curso sem pagar inscrição outros integrantes da família (esposa e filhos), mas os questionários terão de ser respondidos individualmente. Quem desejar assinar o Correio Riograndense pode fazê-lo preenchendo cupom publicado na página 8 desta edição do jornal, pelo telefone (54) 3220-3232 ou pelo e-mail comercial@jornalcr.com.br.

 

RESPOSTAS E AVALIAÇÃO

 

O curso mantém o nível de extensão universitária e os professores responsáveis pelas lições e mais uma equipe farão o acompanhamento dos alunos. A avaliação segue o mesmo critério: o inscrito deverá responder as questões e enviar para a Estef, preferencialmente por e-mail, no endereço da Internet extensão@estef.edu.br, ou pelo correio (para Estef - Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana, rua Thomaz Edson, 212, CEP 90640-100 Porto Alegre-RS). Para ser aprovado, o aluno deverá responder corretamente pelo menos 75% das questões.

 

RETIRADA DE CERTIFICADOS

 

Aos alunos da primeira fase do curso que desejam o certificado, a Estef está recomendando que aguardem. Devido ao intenso movimento nos correios neste período do ano, o prazo para recebimento das respostas foi ampliado até o final de dezembro. Nas próximas edições estarão sendo publicadas as respostas dos módulos II e III e no dia 25 de janeiro o Correio Riograndense divulga a relação completa dos aprovados. Após, mediante solicitação e pagamento de taxa de R$ 15,00, a Estef vai encaminhar o certificado.

 

Muito a aprender

Bruno Glaab

Coordenador de Extensão da Estef

 

Algumas das mais de 2.500 pessoas que se inscreveram na primeira edição do Curso de Teologia a Distância desistiram, mas um número bem maior de leitores acompanhou as lições. Nós, da equipe de coordenação e apuração, estamos contentes, pois a maioria das respostas foi boa.

Mais do que as respostas satisfatórias, o que nos alegrou foi o fato de tantas pessoas terem se debruçado sobre as lições e com tanto carinho terem estudado. Houve a participação de agricultores, operários, professores, profissionais de muitas áreas e até de jornalistas e sacerdotes. A experiência inédita, uma feliz idéia de nosso ex-provincial, frei Luiz Turra, e dos dirigentes do Correio Riograndense, merece elogios. Aproveitamos a ocasião para, em meu nome e dos freis Carlos e Hildo, responsáveis pelas lições da primeira fase, convidar para estarem conosco em 2006 para mais uma edição de Teologia a Distância. Temos muito a aprender.

 

AGRONEGÓCIO

Acordo prevê fim dos subsídios em 2013

Países pobres mostram força na OMC contra o protecionismo agrícola

 

Uma vaca japonesa recebe US$ 7,00 de subsídios num dia e uma européia, US$ 2,50. Enquanto isso, 75% da população da África subaariana, por exemplo, sobrevivem com menos de US$ 2,00 por dia. Essas distorções vão acabar até 2013. Pelo menos é o que prevê o acordo firmado pela 6ª Reunião Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), encerrada no domingo 18, em Hong Kong.

Após seis dias de tensas negociações, os representantes dos 150 países-membros da OMC assinaram a proposta de fim dos subsídios agrícolas em um prazo de oito anos. Contudo, uma boa parte das reduções deve ser alcançada até 2010. A eliminação das tarifas e dos subsídios aumentaria a renda global em US$ 287 bilhões por ano até 2015.

Os temas como apoio doméstico, bens industrializados, acesso a mercados e serviços foi adida para o ano que vem, quando será finalizada a Rodada de Doha, capital do Qatar - a Rodada lançada há quatro anos, para liberar o comércio e beneficiar países mais pobres.

O fim do subsídio agrícola em 2013 foi uma proposta apresentada pelo Brasil e Índia, integrantes do G-20 - grupo de países em desenvolvido liderado pelo Brasil.

O acordo teve o apoio do diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, da Austrália e da África do Sul. "A unidade dos países em desenvolvimento acabou refletindo em um documento que tem na parte agrícola avanços que não são intensos, mas são importantes", destacou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, coordenador do G-20.

 

Agropecuária, uma das mais protegidas

 

A agropecuária é um dos setores de maior proteção no mundo. Recebe subsídios e tem altíssimas tarifas de importação, além de barreiras sanitárias impostas pelos países ricos, como Japão e Estados Unidos. "Os subsídios destroem mercados e comprometem a segurança alimentar e o desenvolvimento rural dos países em desenvolvimento", diz o diplomata brasileiro Flavio Damico, um dos negociadores da área agrícola.

A União Européia, o bloco mais resistente à liberação agrícola, gasta, anualmente, de US$ 3 bilhões a US$ 4 bilhões com subsídios à exportação - muito pouco perto dos 60 bilhões de euros aplicados em subsídios domésticos (diretamente aos produtores, para complementação de preço).

 

Preço da uva agrada setor vitivinícola

Viticultores e indústria selam acordo histórico antes da colheita da uva

 

O setor vitivinícola gaúcho vive um momento histórico. Pela primeira vez o elo produtor e o elo processador fecham acordo sobre o preço mínimo do quilo da uva e definem detalhes de pagamento e transporte antes do início da vindima. O mínimo acertado foi de R$ 0,42, o mesmo estabelecido pelo governo federal no ano passado. Na prática, o preço praticado foi de R$ 0,35.

"Para a variedade isabel de 15 graus glucométricos o preço é de R$ 0,42 ao quilo; R$ 0,46 para a niágara e R$ 0,50 para a bordô", destaca o presidente da Comissão Interestadual da Uva, Olir Schiavenin.

Com o acordo, o preço mínimo da uva passa de R$ 0,35 para R$ 0,42. Essa diferença (R$ 0,07) vai injetar R$ 35 milhões em 2006, no meio rural da região da Serra. "Em Flores da Cunha, por exemplo, dá uma média de R$ 7 mil por família", calcula o presidente da Comissão da Uva. Segundo ele, o agricultor deve reverter esses recursos em melhorias nas videiras e investir na compra de equipamentos.

Produtores e empresários acertaram ainda que o Funrural (2,3%) será quitado pela indústria. Já o pagamento pela matéria-prima deverá ocorrer, no máximo, até meados de junho. O frete será negociado entre as partes interessadas. "A livre negociação do transporte da safra é prática comum em nossa região", atesta o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Caxias do Sul, Raimundo Bampi.

Contudo, o pagamento da uva, de certa forma, está atrelado à liberação de recursos (EGF) por parte do governo federal. "O setor está pedindo R$ 250 milhões, dinheiro suficiente para quitar o pagamento da safra, que deve girar ao redor de 500 mil toneladas", prevê Olir Schiavenin ao CR.

Brasília - O acordo sobre o preço mínimo da uva, fechado em Flores da Cunha, na sexta, 16, será encaminhado aos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário pela Câmara Setorial da Uva e do Vinho. "O encaminhamento é necessário para oficializar o novo preço", explica o presidente do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), Carlos Paviani.

O presidente do Ibravin disse que o preço mínimo foi definido previamente, porque "havia disponibilidade de ambos os lados" e que os elos produtivos atravessam bom momento de diálogo. Schiavenin lembrou que esta safra vai contar com uma novidade: a análise da água no vinho. "Esse controle vai dar mais qualidade aos nossos vinhos", conclui.

 

Redução de IPI beneficia agroindústria

 

O setor agrícola brasileiro comemorou a publicação do decreto que alivia a carga de impostos sobre tratores agrícolas e outros bens como caldeiras, bombas, fornos industriais e máquinas para trabalhar couro e pele.

A isenção de Imposto sobre Propriedade Industrial (IPI) beneficia diretamente a agroindústria, e possibilita o repasse da isenção, de 5%, aos preços finais para o consumidor.

O decreto é uma complementação da MP do Bem, e foi publicado no Diário Oficial da União da quarta-feira 14. Ele reduz a zero o IPI de 14 produtos do setor de bens de capital.

Para a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a isenção é extremamente importante como estímulo para a agroindústria. "Chega em boa hora para ajudar o setor a se recuperar da pior crise dos últimos 11 anos", disse o economista da CNA, Getúlio Pernambuco.

 

Dirceu Scottá reeleito presidente da ABE

 

O enólogo Dirceu Scottá foi reeleito presidente da Associação Brasileira de Enologia (ABE). Com 85% dos votos válidos, Scottá segue presidindo a entidade na gestão 2006. Entre suas prioridades estão a regulamentação da profissão de enólogo no Brasil, fortalecimento da imagem do profissional e aprimoramento técnico. Quer ainda concluir a biblioteca da ABE, realizar viagens técnicas e maior interação com o Cefet/BG.

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

Videiras francesas

Viajando por regiões vinícolas da França, sempre me impressionaram os imensos parreirais e a forma com que os agricultores os cuidam. Tirei algumas fotografias que pretendia te enviar. Só não o fiz após ter visto a excelente foto que o Correio Riograndense publicou em sua edição de 27 de julho deste ano, que me deixou encabulada. Mando, porém, imagens de uvas de uma região próxima de Bordeaux, que muito se parecem com as nossas uvas isabel da Serra gaúcha e também uma foto de um evento que se repete todos os anos na cidade de Arbois (onde se produz o famoso vin jaune), da região do Jura. Os membros da sociedade local desfilam com grande garbo pelas ruas, exibindo as primeiras uvas colhidas. Uma coisa curiosa no campo de uvas e vinho é um sistema que está sendo muito anunciado na França, pelo qual qualquer pessoa pode se tornar "dona" de uma fileira de videiras numa propriedade de parreirais premiados, e colher uvas e produzir seu próprio vinho daquele lote de videiras alugado. Notei que na França há um sistema bem diferente dos vinhedos da Serra gaúcha. Gostaria de saber mais informações sobre este tipo de parreira.

JUDITH TEREZINHA ROSSI

Rio de Janeiro - RJ

 

Judith T. Rossi é uma excelente professora. "Quero muito bem aos meus alunos", dizia freqüentemente. Lecionou no interior do Rio Grande do Sul, foi colaboradora do Mobral (Movimento Brasileiro de Alfabetização de Adultos), diretora de grupo escolar em Porto Alegre e presidente do Cpergs (Centro dos Professores Estaduais do RS), com notável atuação. Apreciadora da natureza, ela mesma cultiva plantas de interior e folhagens e em diversos momentos colaborou com esta coluna. Judith sempre admirou o Correio Riograndense, e muitas vezes presenteou amigos e parentes com a assinatura do mesmo. Depois de aposentada, passou a residir no Rio de Janeiro, e de lá fez várias viagens à França. Na última, enviou essa correspondência.

Para comentar sobre as informações remetidas pela prezada amiga, pedi a ajuda do meu colega, o engenheiro agrônomo Onofre Pimentel, uma das maiores autoridades em viticultura no Brasil. Foi diretor da Granja União, de Flores da Cunha, da Cia. Vinícola Riograndense, produtora dos vinhos Granja União. Esteve na França para estudos sobre viticultura e conhece bem o cultivo de uva praticado pelos franceses:

"Analisando a fotografia, as parreiras são conduzidas em espaldeira baixa (forma de cerca). Na zona de Montpellier, e outras da França, existem plantas isoladas de parreiras, formando pequenas árvores. Chama-se, em francês, de gobelet; em português, taça. Para resumir, a parreira é um cipó, no qual pode-se dar a forma de conduzir o que se quiser. A maneira de condução da uva Isabel no RS é latada. É a forma mais produtiva porém a uva não é tão saborosa quanto a cultivada em espaldeira. Em espaldeira a produção é menor, mas a graduação glucométrica é maior. Já temos espaldeiras como as da França nos vinhedos do Brasil, embora a qualidade deixe um pouco a desejar devido ao clima. Na Serra do Rio Grande do Sul, a maioria dos parreirais é conduzida em latada - latada é a forma de condução da parreira que parece um caramanchão ".

 

ESTADO

Agronegócio gaúcho fica mais competitivo

Com imposto menor, RS vai deixar de arrecadar R$ 100 milhões por ano, mas estimula economia

 

Assegurar a competitividade dos tradicionais produtos gaúchos é o principal objetivo das medidas anunciadas pelo governador Germano Rigotto, na quarta 14. O conjunto garante vantagens tributárias a setores da economia estadual. O pacote (ver abaixo) integra a segunda etapa do RS Competitivo, inserido dentro do Projeto Crescer.

Entre as 18 medidas que serão implementadas por decretos e projetos de lei, as principais são a isenção do ICMS sobre o pão francês e o aumento do prazo para recolhimento do imposto da indústria de calçados. Também institui o Simples Gaúcho (ler ao lado). "A redução de ICMS e concessão de crédito presumido vão resultar em menos informalidade, menos sonegação fiscal e, principalmente, mais produção no Estado", declarou Rigotto. Com os benefícios, o Estado vai abrir mão de R$ 100 milhões em receita. "Acreditamos que haverá impacto significativo na economia do Estado. Em 2006, o Rio Grande do Sul deverá crescer", projetou o governador.

Reação - As medidas também beneficiam com redução de ICMS a erva-mate, geléia, chimias, biodiesel e carnes de frango, suína e bovina na venda para outros Estados. Para a Associação Gaúcha de Avicultores (Asgav), a redução de 12% para 7% sobre a carne de frango na venda para outros Estado é benéfica. "A medida equipara o preço da ave gaúcha com o do resto do país", disse o presidente da Asgav, Aristides Vogt.

Produtos como ovos pasteurizados para a indústria e motocultores (máquinas agrícolas de menor porte usadas em pequenas propriedades rurais) para o uso no Estado terão redução de ICMS para zero na venda. Arroz, vinhos e conservas de verduras e hortaliças terão concessão de crédito presumido para facilitar sua colocação e melhorar a competitividade no mercado.

A Federação dos Trabalhadores na Agricultura no RS (Fetag) reconhece o esforço do governo para marcar a reação do Estado aos incentivos tributários oferecidos por outras unidades da Federação. "Estamos analisando em que parte da cadeia vai incidir o desconto", diz ao CR o assessor de política agrícola da Fetag, Valdecir Zonin. Para ele, as medidas serão positivas se beneficiarem toda cadeia produtiva, do agricultor ao consumidor.

 

Simples beneficia 300 mil microempresas

 

As novas regras do modelo gaúcho do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) devem ampliar para cerca de 300 mil as empresas enquadradas no sistema. A medida faz parte da segunda fase do RS Competitivo, Projeto Crescer.

Pelo novo Simples, as microempresas terão isenção de ICMS para faturamento anual de até R$ 240 mil. Anteriormente, a isenção era até R$ 150 mil. Para as empresas de pequeno porte, a isenção é 2% para as com faturamento acima de R$ 240 mil e até R$ 720 mil, 3% para as com rendimento acima de R$ 720 mil e até R$ 1,44 milhão, e 4% para a faixa acima de R$ 1,44 milhão e até R$ 2,4 milhões.

O governador Germano Rigotto classificou a nova legislação "como a melhor que há no Brasil para as pequenas e microempresas." "Por essas regras, o imposto passa a ser sobre o faturamento das empresas e não mais os 17% pagos sobre as suas compras ", explicou o secretário da Fazenda, Paulo Michelucci.

Informalidade - O anúncio das mudanças, que precisam ser votadas pela Assembléia Legislativa, agradaram o presidente do Sindicato dos Microempresários do Estado do RS, Sergio Bernardes Carvalho. "É muito positivo. Os tributos estaduais sempre foram o matadouro da microempresa", afirmou. Para Carvalho, a informalidade vai cair com a medida e as microempresas deverão crescer.

O secretário do Desenvolvimento e Assuntos Internacionais, Luis Roberto Ponte, destacou que as regras também servem para simplificar o processo de pagamento de impostos por parte das empresas, o que resulta em redução da informalidade e da sonegação.

 

ALIMENTAÇÃO & SAÚDE

É possível conciliar festas e dieta

Especialistas dão dicas para tornar as ceias de fim de ano menos calóricas

 

Com o objetivo de perder alguns quilos e passar as festas de fim de ano em boa forma, nesta época muitas pessoas aderem a dietas rápidas, que prometem emagrecimento fácil. Porém, os especialistas alertam que este tipo de regime é uma armadilha. "Não há mais tempo hábil para fazer uma dieta saudável e emagrecer antes do Natal ou até do ano-novo. Começando agora, só é possível preparar o corpo para o carnaval", alerta a endocrinologista e nutróloga Ellen Simone Paiva. Porém, é possível seguir algumas orientações para evitar um ganho ainda maior de peso, também comum nesta época do ano, em que há tantas comemorações num curto período de tempo.

Ellen Paiva e a nutricionista Amanda Pereira, do Centro Integrado de Terapia Nutricional, de São Paulo, dão algumas dicas que ajudam a reduzir os danos dos abusos alimentares. Qual a carne mais magra que podemos ter na mesa no dia das ceias? Lombo, chester e tender são carnes magras e contribuem para uma refeição menos calórica. Segundo as especialistas, o pernil, tradicional no reveillon, até pode fazer parte do cardápio, desde que a porção não seja exagerada. Se houver mais que uma opção de carne, deve-se escolher apenas uma, ou um pedaço pequeno de cada tipo.

Tâmaras, damascos, castanhas, nozes etc. As frutas secas são, em geral, muito calóricas, portanto devem ser consumidas com moderação. Uma dica é utilizá-las na preparação de outros pratos, como nozes nas saladas, damascos no lombo, uvas-passa no arroz. Assim, a porção é dividida para a família toda e evita-se comer tanto.

As sobremesas mais calóricas são as que utilizam leite condensado e/ou creme de leite na sua composição. Dar preferência aos doces feitos à base de frutas, gelatina e iogurte. Outra alternativa é servir um banquete de frutas como sobremesa e reduzir o valor calórico da ceia não fazendo doces.

O panetone é outro item que pode comprometer a dieta quando consumido sem controle. Uma boa opção é ingeri-lo no café da manhã, substituindo o pão francês com margarina por uma fatia fina de panetone. Existe também o panetone light, mas isso não serve de desculpa para comer mais. Uma fatia de panetone (80 gramas) tem de 285 a 300 calorias. A mesma quantidade de penetone light contém 200 calorias.

 

Lanchar antes da ceia evita exageros

 

Preparar o organismo para as ceias também é uma boa dica para evitar abusos alimentares. Recomenda-se começar o dia alimentando-se normalmente - não pular nenhuma das refeições pensando em compensar no jantar. Beber bastante água e deixar as bebidas alcoólicas para a noite. Entre 20h e 21 horas, comer alguma coisa. Com o estômago vazio até o momento da ceia, é difícil resistir aos salgadinhos e outros aperitivos, que elevam ainda mais o valor calórico do jantar.

No dia seguinte às ceias, muitas pessoas falam em fazer dietas líquidas para desintoxicar o organismo. Porém, ninguém se intoxica porque comeu bastante na noite anterior, a não ser que haja contaminação por alguma toxina presente nos alimentos ingeridos. No dia seguinte às ceias, não se deve fazer dietas restritivas ou ficar sem comer, mas também não é recomendado manter o ritmo de festa e passar dias comendo as sobras.

O mais recomendável é acabar com a ceia natalina na noite de Natal, não prolongá-la. No dia seguinte, voltar a se alimentar com uma dieta balanceada, leve. Beber bastante água sempre auxilia a combater a desidratação, causada pelas bebidas alcoólicas e pelo consumo muitas vezes exagerado de sal.

 

Calor exige maior hidratação do corpo

 

No verão, o corpo precisa de um cuidado maior em relação ao consumo de líquidos e nutrientes. A alimentação deve ser leve, evitando o excesso de gorduras e alimentos muito salgados. Dar preferência aos alimentos frescos, in natura (vegetais e frutas) e de fácil digestão. Com o calor a digestão é mais difícil.

A melhor forma de hidratar o corpo nos dias quentes é consumir dois litros de água, chá, sucos naturais ou água de coco diariamente. Substâncias como cafeína e álcool são diuréticas e podem acelerar a desidratação pelo aumento do volume de urina. O excesso de proteínas também causa aumento da diurese.

 

Álcool é mais calórico que carboidrato

 

As bebidas alcoólicas são, em geral, ricas em calorias. Em cada grama de álcool há sete calorias, enquanto os carboidratos e proteínas contêm quatro calorias em cada grama e as gorduras, nove calorias por grama. Além disso, consumindo um aperitivo alcoólico antes da refeição, o paladar fica mais apurado e come-se mais.

Se apenas o valor calórico for considerado, a cerveja é a mais indicada. Porém, em geral, as pessoas bebem uma quantidade maior de cerveja e, conseqüentemente, ingerem mais calorias. Os destilados, como vodca e uísque, costumam ser consumidos em um volume menor que os fermentados, como vinhos, espumantes e cerveja. Muito cuidado ainda com os coquetéis, pois utilizam, além de frutas, açúcar, leite condensado, licores e álcool, ingredientes ricos em calorias.

Para evitar embriaguez, além de moderação, recomenda-se beber devagar e nunca de estômago vazio. Intercalar água com as bebidas alcoólicas também ajuda a beber menos e a retardar os efeitos do álcool sob o sistema nervoso. Além disso, água não tem calorias.

 

OPINIÃO

Mais uma vez Natal...

Maria Clara Lucchetti Bingemer

 

É Natal para sempre e em todo lugar. Porque apesar de tudo, Deus não deixa de acreditar na pobre humanidade que somos e nos oferece a cada ano, com infinito amor, este presente admirável que é Seu Filho

 

E mais uma vez é Natal. Mais uma vez o ritmo da vida se torna frenético por algumas semanas, o trânsito insuportável, as lojas repletas. Mais uma vez as pessoas se acotovelaram com listas nas mãos, comprando presentes inúteis e supérfluos em sua maioria, para outras pessoas que deles não necessitam.

E mais uma vez é Natal. Mais uma vez os supermercados aquecem suas vendas com os inevitáveis perus, pernis, presuntos tender e frutas secas. Homens vestidos de Papai Noel desidrataram-se sob o calor tropical, com longas barbas brancas para estimular nas criancinhas desde cedo os desejos de consumo de presentes a não mais poder.

Mais uma vez é Natal. E uma vez mais aqueles para quem nunca é festa continuarão sem ter nada para celebrar. Mesmo com as meritórias campanhas do Natal sem Fome, das ceias organizadas por esta ou aquela igreja, sempre haverá gente sob as pontes, nas ruas, que não tem sequer para onde ir, nem onde morar, nem onde comer na noite de Natal.

Mais uma vez é Natal e a ocasião desta festa porá a nu os contrastes injustos e inexplicáveis de que é formada nossa sociedade, onde o que sobra para uns não vai suprir a falta e as carências de outros. Mais uma vez as festas em família se farão sobretudo em torno de comida e presentes, e quando o último gole de champanhe for saboreado, juntamente com a última fatia de peru, o tédio se abaterá sobre mais uma festa sem que se saiba o que foi celebrado. Ou melhor, esqueceu-se o motivo da sua existência e celebração.

Porém, mais uma vez é Natal e será verdadeiramente Natal em alguns lares e em algumas vidas nas quais a escala de valores e prioridades se harmoniza com o Mistério que é a razão de ser da festa. E mais uma vez será vivido com devoção e profundidade o evento de salvação, o Mistério inaudito do Amor de Deus, que toma carne em um indefeso Menino que nasce de uma pobre mulher e não tem lugar para ficar, a não ser o estábulo onde dormem e comem os animais.

Mais uma vez é e será Natal para gente que celebra na simplicidade este Mistério do amor humilde e oblativo de um Deus que não se aferra a suas prerrogativas e se faz carne, se faz criança, se faz um de nós, em um mundo dividido e violento. Mais uma vez é e será Natal para aqueles e aquelas que, mesmo nomeando-o de diferentes maneiras, acreditam que Esse que vem na forma de criança indefesa e desvalida é o Único capaz de trazer a paz, a harmonia, a concórdia a este mundo que insiste em destruir-se a si mesmo.

Nossa sociedade e nossa cultura são tão pobres e vazias de transcendência que muitos custamos a perceber, por trás das ceias e presentes que nos obnubilam e ofuscam, o Mistério translúcido e discreto da Encarnação de Deus no seio de uma mulher, e de seu nascimento do ventre livre e pobre desta mesma mulher. E, no entanto, mais uma vez é Natal. Mais uma vez Deus nos diz com o nascimento desta criança que Sua Aliança conosco é para sempre. Que por mais que façamos ou desfaçamos nunca poderemos atingir mortalmente ou acabar com Seu amor, que resiste a todas as barbaridades que possamos cometer.

Por isso é Natal. Não apenas nas casas bem equipadas com bens perecíveis, alimentos sofisticados e presentes. Não apenas nas casas não tão aparelhadas, mas nas quais foi e continua sendo possível uma ceia melhor que aqueça o estômago e o coração.

É Natal igualmente nas ruas e pontes onde famílias inteiras se defendem contra a fome e desabrigo pela proximidade dos corpos que se transmitem um a um humano calor. É Natal nas penitenciárias, onde homens e mulheres sofrem a privação da liberdade, mas também e não menos a privação dos mais elementares direitos humanos. É Natal em todas as regiões do globo, mesmo naquelas onde as armas mortais fazem estragos e destruições aparentemente irreparáveis.

É Natal em Falluja, em Beslan, no Iraque, na faixa de Gaza. É Natal na Ucrânia e no país basco. É Natal nas Antilhas. É Natal na África, em cada um de seus países, onde as crianças foram riscadas do mapa do mundo e estão condenadas pelas grandes potências a morrer de inanição e onde as mulheres, além da pobreza, têm que lutar contra o encurtamento inexorável de suas vidas pelo avanço assustador da Aids.

É Natal para sempre em todo lugar, mesmo onde os números, as estatísticas e - mais que isso - a realidade, negam cinicamente que seja ou possa ser Natal. Pois Aquele que vem é cantado pela boca da comunidade cristã que interpreta as profecias. E é cantado e celebrado como Conselheiro Admirável, Deus Forte, Príncipe da Paz. Filho primogênito do Criador do Universo, cujo Reino se estende por toda a Terra, o Menino que vem fará com que as armas sejam transformadas em arados, os instrumentos mortais em meios de paz, o deserto em jardim, a violência em concórdia e comunhão.

Diante da simplicidade inaudita do Mistério de uma criança que nasce de uma mulher, façamos silêncio, tomemos uma atitude de contemplação e adoração. Mais uma vez é Natal e será Natal para sempre. Porque apesar de tudo, Deus não deixa de acreditar na pobre humanidade que somos e nos oferece a cada ano, com infinito amor, este presente admirável que é Seu Filho.

 

Cartão de Natal

Frei Betto

 

Feliz Natal a todos que pulam corda com a linha do horizonte e riem dos que apregoam o fim da história. E aos que suprimem o "erre" do verbo armar e se recusam a ser reféns do pessimismo

 

Feliz Natal a quem não planta corvos nas janelas da alma, nem embebe o coração de cicuta e ousa sair pelas ruas a transpirar bom-humor.

Feliz Natal a quem cultiva ninhos de pássaros no beiral da utopia e coleciona no espírito as aquarelas do arco-íris. E a todos que trafegam pelas vias interiores e não temem as curvas abissais da oração.

Feliz Natal aos que reverenciam o silêncio como matéria-prima do amor e arrancam das cordas da dor melódicas esperanças. Também aos que se recostam em leitos de hortênsias e bordam, com os delicados fios dos sentimentos, alfombras de ternura.

Feliz Natal aos que trazem às costas aljavas repletas de relâmpagos, aspiram o perfume da rosa-dos-ventos e carregam no peito a saudade do futuro. Também aos que semeiam indignações, mergulham todas as manhãs nas fontes da verdade e, no labirinto da vida, identificam a porta que os sentidos não vêem e a razão não alcança.

Feliz Natal a todos que dançam embalados pelos próprios sonhos e nunca dizem sim às artimanhas do desejo. Aos que ignoram o alfabeto da vingança e jamais pisam na armadilha do desamor, pois sabem que o ódio destrói primeiro a quem odeia.

Feliz Natal a quem acorda, todas as manhãs, a criança adormecida em si e, moleque, sai pelas esquinas quebrando convenções que só obrigam a quem carece de convicções. E aos artífices da alegria que, no calor da dúvida, dão linha à manivela da fé.

Feliz Natal a quem recolhe cacos de mágoas pelas ruas a fim de atirá-los no lixo do olvido e guardam recatados os seus olhos no recanto da sobriedade. A quem resguarda-se em câmaras secretas para reaprender a gostar de si e, diante do espelho, descobre-se belo na face do próximo.

Feliz Natal a todos que pulam corda com a linha do horizonte e riem dos que apregoam o fim da história. E aos que suprimem a letra "erre" do verbo armar e se recusam a ser reféns do pessimismo.

Feliz Natal aos poetas sem poemas, aos músicos sem melodias, aos pintores sem cores e aos escritores sem palavras. E a todos que jamais encontraram a pessoa a quem declarar todo o amor que os fecunda em gravidez inefável.

Feliz Natal aos ébrios de transcendência e aos filhos da misericórdia que dormem acobertados pela compaixão. E a todos que contemplam ociosos o entardecer, observando como o Menino entra na boca da noite montado em seu monociclo solar.

Feliz Natal a quem não se deixa seduzir pelo perfume das alturas e nem escala os picos em que os abutres chocam ovos. E a todos que destelham os tetos da ambição e edificam suas casas em torno da cozinha.

Feliz Natal a quem, no leito de núpcias, promove uma despudorada liturgia eucarística, transubstanciando o corpo em copo inundado do vinho embriagador da perda de si no outro. E a quem corrige o equívoco do poeta e sabe que o amor não é eterno enquanto dura, mas dura enquanto é terno.

Feliz Natal aos que repartem Deus em fatias de pão e convocam os famélicos à mesa feita com as tábuas da justiça e coberta com a toalha bordada de cumplicidades.

Feliz Natal aos que secam lágrimas no consolo da fé e plantam no chão da vida as sementes do porvir. E a todos que, com o rosto lavado das maquiagens de Narciso, dobram os joelhos à dignidade dos carvoeiros.

Feliz Natal a todos que sabem voar sem exibir as asas e abrem caminhos com os próprios passos, inebriados pelos ecos de profundas nostalgias. E aos que decifram enigmas sem revelar inconfidências e, nus, abraçam epifanias sob cachoeiras de magnólias.

Feliz Natal aos que saboreiam alvíssaras nos bosques onde vicejam anjos barrocos e nadam suas gorduras deixando os cabelos brancos flutuarem sobre a saciedade de anos bem vividos. E a todos que dão ouvidos à sinfonia cósmica e, nos salões da Via Láctea, bailam com os astros ao ritmo de siderais incertezas.

Feliz Natal também aos infelizes, aos tíbios e aos pusilânimes, aos que deixam a vida escorrer pelo ralo da mesquinhez e, no calor de seus apegos, vêem seus dias evaporar como o orvalho aquecido pelo alvorecer do verão.

Queira Deus que renasçam com o Menino que se aconchega em corações desenhados na forma de presépios.

 

Nacional

Cansaço é a causa de 30% das mortes nas estradas

Problema atinge todos motoristas e aparecen disfarçado nas pesquisas

 

O fim de ano é um dos períodos em que mais se movimenta a frota brasileira superior a 36 milhões de veículos, especialmente pelos 190 mil km de rodovias pavimentadas (dados da PRF). Aos que consideram que a viagem depende apenas das condições do automóvel ou caminhão, um alerta: pelo menos 20% dos acidentes de trânsito e 30% das mortes nas estradas brasileiras ocorrem com motoristas cansados. A estimativa é do Programa SOS Estradas. Noites mal dormidas, muitas horas de direção contínua e stress da viagem levam os motoristas a um processo de fadiga que culmina com a perda de reflexos e a falta de capacidade de identificar risco e reagir. Muitos têm o chamado microsono e dormem ao volante, às vezes para nunca mais acordar.

"Pelas estatísticas internacionais, podemos estimar que pelo menos 30% das mortes ocorridas nas estradas brasileiras são em decorrência do cansaço, o que significa em torno de 7.200 das 24.000 mortes que ocorrem nas rodovias brasileiras todos os anos", esclarece o coordenador do SOS Estradas, Rodolfo Alberto Rizzotto. Ele se baseia também em estudo sobre 1.000 acidentes, envolvendo inclusive perícias.

Esgotados - Recente pesquisa feita pela Pamcary, empresa de seguros e gerenciamento de risco, comprovou que, na segunda-feira, quando são expedidas 17% das mercadorias da semana, o índice de acidentes é de apenas 5%. Já no sábado, quando são expedidas 5%, ocorrem 15% de acidentes. A explicação: no domingo os caminhoneiros costumam descansar e no sábado estão esgotados. Estudo realizado pela Unifesp comprovou, examinando 400 motoristas de ônibus de linhas longas em laboratório do sono, que 55% cochilavam alguma vez ao volante durante a viagem.

O cansaço ao volante não atinge apenas os motoristas profissionais. Dados comprovam que ele envolve todos que usam as rodovias regularmente ou não. Esse inimigo invisível aparece nas estatísticas disfarçado. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, entre os fatores que contribuíram para os acidentes em 2004, o excesso de velocidade respondeu por 11% e ultrapassagem indevida, por 3,2%. A falta de atenção esteve na origem de 28% dos acidentes. Com base ainda em 2004, o álcool contribuiu para 903 acidentes, enquanto que os motoristas que comprovadamente dormiram ao volante foram responsáveis por 1.923.

 

Campanha pede uma parada pela vida

 

Para iniciar o combate ao cansaço dos motoristas, está sendo lançada pelo SOS Estradas e várias instituições (entre elas a Sociedade Brasileira do Sono, Unifesp, Programa Pare e Associação Brasileira de Medicina de Tráfego) a campanha "Cansaço mata: tenha tempo para uma parada". O objetivo, além de conscientizar os motoristas de medidas simples que podem reduzir acidentes, é colaborar para que as polícias rodoviárias aprimorem a coleta de dados para identificar os acidentes causados por motoristas cansados.

Esse trabalho inicia em janeiro com cartazes, distribuição de folhetos, e vai durar por um ano. Um dos itens que será enfatizado é que trafegando a 100km/h, um motorista que demore um segundo a mais para reagir terá percorrido 33 metros, o que pode ser a diferença entre evitar uma colisão e a morte. No caso do motorista que dorme ao volante, a maioria sequer freia e o acidente ocorre na velocidade máxima. Por isso, são acidentes muito violentos que provocam em torno de 50% a mais de mortes que os acidentes mais comuns.

 

Em outros países

 

Nos EUA, em 2003, o estado de Nova Jersey foi o primeiro a considerar crime o acidente provocado por motorista cansado e, dependendo das vítimas, condenar o motorista a até 10 anos de prisão. O NHTSA, órgão responsável pela segurança nas estradas norte-americanas, estima que ocorrem 100.000 acidentes por ano com motoristas cansados, causando prejuízos de U$ 12 bilhões.

Na França, estudo concluiu que 15% dos acidentes ocorrem nas auto-estradas com motoristas cansados, mas esses acidentes representam 34% dos acidentes com vítimas fatais. No Reino Unido, os 20% de acidentes com motoristas cansados registram média de 50% a mais de mortos e feridos graves que o conjunto dos demais tipos de acidentes.

 

IGREJA

NATAL TEMPO DE PAZ E DE ALEGRIA PARA O MUNDO

Apesar da "contaminação comercial" que toma conta do Natal, a festa do nascimento de Jesus não perdeu seu sentido de amor, de paz e de fraternidade. Um de seus maiores símbolos é o presépio. Criado por São Francisco de Assis, ele reproduz no mundo inteiro os fatos ocorridos há mais de 2.000 anos em Belém

 

Recolhimento, sobriedade, uma alegria que não é exterior, mas íntima. Esses são os sentimentos que devem caracterizar o "autêntico espírito natalino", destacou o Papa Bento XVI ao rezar a oração mariana do Ângelus, no dia 11 de dezembro. O Pontífice lamentou que, na atual sociedade de consumo, o tempo do Natal está sendo tomado por uma espécie de "contaminação comercial", que corre o risco de alterar o seu mais profundo sentido.

O Natal recorda o Cristo que nasce, mas, infelizmente, como salienta o Papa, o mundo ameaça esquecer o aniversariante. Para mostrar que o Natal ainda não perdeu o seu sentido de amor e de fraternidade, o Correio Riograndense selecionou relatos de pessoas que vivem ou conheceram a realidade de diferentes países para revelar como o Natal é celebrado pelos cristãos do mundo.

E entre as grandes tradições natalinas, uma se destaca como símbolo e grande expressão cultural, religiosa, artística e social - o presépio. "Fazer o presépio em casa pode ser uma forma simples, mas eficaz, de apresentar a fé e transmiti-la aos próprios filhos. O presépio nos ajuda a contemplar o mistério do amor de Deus que se revelou na pobreza e na simplicidade da gruta de Belém", salientou Bento XVI.

O Papa recordou São Francisco de Assis que, tocado pelo mistério da Encarnação, quis voltar a apresentar o presépio vivo, convertendo-se deste modo no iniciador de uma longa tradição popular que ainda hoje conserva seu valor para a evangelização. "O presépio pode nos ajudar a compreender o segredo do verdadeiro Natal, porque fala da humildade e da bondade misericordiosa de Cristo. Continua sendo o sinal também para nós (como o foi para os pastores), homens e mulheres do século XXI. Não há outro Natal", disse o Papa.

Fazer o presépio é um modo de apresentar de maneira amável e próxima o Natal. Enric Benavent e Albert Dresaire, dois catalães que fundaram a associação "O boi e a mula" com o objetivo de estudar a tradição do presépio e o Natal de Jesus, acabam de lançar um livro, pelo Centro de Pastoral Litúrgica de Barcelona.

A obra explica que, depois de São Francisco de Assis, os presépios foram promovidos pelas ordens religiosas. Mais tarde começou a ganhar terreno nos palácios, fazendo o reino de Nápoles mundialmente famoso como um centro criador de presépios. Depois, o presépio entrou nas casas de todas as classes sociais em todos os países de tradição católica.

Tradição - A partir disso, o presépio começou a ser visto não só como uma tradição piedosa, mas como um objeto pedagógico. Diversas escolas religiosas faziam os alunos montar o presépio para estudar a Bíblia, a Palestina, as tradições cristãs.

Em alguns países, o presépio foi "um elemento de reivindicação cultural e política, como o caso da Associação de Belenistas da Hungria, que contava com 80 mil sócios e foi dissolvida pelo regime comunista", revelam os autores. Ainda hoje, o presépio é um dos fatos históricos que mais está presente nas expressões artísticas em todo o mundo, ganhando as cores, os traços e as características de cada cultura e de cada povo que o representa.

 

Berço do cristianismo sob toque de recolher

 

Em Belém, cidade da Palestina onde nasceu Jesus, a festa de Natal é voltada essencialmente para os cristãos peregrinos e turistas do mundo inteiro. Quase não há mais cristãos em Belém - eles eram maioria em 1965 e hoje são menos de 12%. Frei Artemio Vitores, franciscano e vigário da Custódia da Terra Santa em Jerusalém, alerta para o "alto risco de que desapareça completamente a presença cristã em Belém". A população cristã é impulsionada e emigrar sobretudo pela falta de trabalho, pela violência e pela crise das peregrinações, que afastam especialmente as instituições religiosas estabelecidas em Belém.

Para chegar à Basílica da Natividade na noite de Natal, no "coração do cristianismo", os peregrinos precisam inscrever-se e apresentar credenciais, e são revistados pelo exército israelense. "Belém se enfeita de luzes, estrelas e músicas próprias do espírito natalino como qualquer outra cidade do mundo", salienta frei Isidoro Mazzarolo, professor de Teologia da Estef e da Universidade Santa Úrsula (Rio de Janeiro). Em Belém, vigora o toque de recolher a partir das 19 horas, mas na noite de Natal essa restrição é suspensa, pois a festa é celebrada à meia-noite e entra pela madrugada.

Salvo-condutos - Nessa noite, os palestinos acolhem os peregrinos com carinho, pois Jesus é um profeta para eles. A festa se reveste de um caráter internacional porque grande parte dos embaixadores dos países do Ocidente são cristãos e exigem das autoridades israelenses salvo-condutos para os peregrinos.

Os cristãos palestinos são, em geral, muito pobres, pois sempre sofreram perseguições, seja dos judeus ou dos palestinos muçulmanos. Suas festas são mais de caráter familiar, realizadas nas próprias casas, com alimentos típicos, bolos de passas, frutas, carnes e verduras.

 

Meio rural da França guarda sentido cristão

 

Na França, segundo relatos de frei Hilário Frighetto, capuchinho gaúcho que presta serviço apostólico aos confrades franceses em Clermont-Ferrand, o Natal segue a tendência de muitos países europeus ao adquirir um sentido mais comercial que religioso. O sentido cristão do Natal é mais preservado no meio rural das pequenas cidades francesas, onde ainda é construído o presépio.

Adornos decorativos, com símbolos de Natal e guirlandas começam a aparecer nas ruas às vésperas da festa de todos os Santos. As árvores das ruas e praças, desfolhadas pelo inverno, são fartamente ornadas com milhares de pequenas lâmpadas e em todas as residências não pode faltar a "árvore de Natal". Milhares de pinheirinhos são plantados todos os anos para atender essa demanda.

A ceia de Natal reúne famílias e amigos. Ela se realiza entre 20 e 21 horas, podendo continuar depois da missa, que geralmente termina antes da meia-noite. Na zona mediterrânea é obrigatória a presença do "les treze desserts", uma composição de 13 frutos secos, que incluem figos, ameixas, uvas, nozes, tâmaras, amêndoas etc. Os presentes são colocados sob o pinheirinho e abertos após a Missa do Galo, à meia-noite ou pela manhã.

 

Em Angola, nascimento de Jesus é a festa da família

 

Irmã Cristina Nambangala, da congregação das Irmãs Filhas de Jesus, natural de Angola, África, mas há dez anos atuando com crianças e na pastoral em Porto Alegre (RS), revela que as tradições do Natal em seu país não diferem muito das praticadas entre outros povos. Em Uambo, sua cidade natal, no sul de Angola, o Natal é visto como grande sinal de alegria e festa da família.

Em todas as casas católicas é construído o presépio, em torno do qual as pessoas se reúnem. É costume as famílias e mesmo as crianças, na catequese, confeccionarem os personagens do presépio em argila. "Nos nossos presépios coloca-se água - para refrescar - e não neve, por causa do calor, além de pedrinhas e plantinhas para fazerem sombra", salienta irmã Cristina.

No tempo do Natal, as pessoas que entram nas casas onde há o presépio costumam colocar moedas ou presentes como oferta, que depois serão dados às crianças. A festa de Natal não termina no dia 25. Uma imagem do Menino Jesus peregrina entre as famílias, para abençoá-las, e na casa onde ele permanece durante um dia é como se fosse outro Natal. Durante o tempo natalino, alguém sempre fica em casa para atender os que passam para desejar boas festas e dar aos visitantes de tudo o que possuem.

Não há a figura do papai noel, mas os mais velhos colocam presentes no dia 24 de dezembro sobre o presépio para as crianças da casa. Às vésperas do Natal, é costume as pessoas procurarem um padrinho ou madrinha que terá que dar algo de presente ao afilhado. No dia do Natal, as famílias - tios, primos, cunhados e parentes até o 3º grau - se reúnem para o almoço festivo, quando são feitos pratos raros e diferentes.

 

Celebrações natalinas no Caribe aproximam as pessoas

 

Na República Dominicana, o Natal é uma das maiores festas do país. O relato é de frei Sidimar Negrini da Silva, capuchinho gaúcho que atua em Santo Domingo. "Essencialmente familiar, o Natal chama à unidade das pessoas, especialmente nesse país que tem a grande maioria de seus jovens trabalhando nos Estados Unidos ou na Espanha", salienta frei Sidimar.

Ele revela que os preparativos para o Natal começam cedo. Em outubro já começam a aparecer enfeites natalinos nas casas. "La Noche Buena", como é conhecida a noite de Natal, começa com a celebração de missa às 20 horas. Logo em seguida é feita a ceia, com leitão assado, peru ou frango, dependendo do poder aquisitivo da família, saladas, bebidas (cerveja, ponche - álcool, clara de ovo e leite - ou vinho), tudo ao som do merengue, a música típica do país. As pessoas dançam na rua até a madrugada.

Uma curiosidade é que as crianças não ganham presentes no Natal, mas no dia dos Reis Magos (6 de janeiro). Uma outra característica dos dominicanos é a concepção de família. Família não é somente relação sangüínea, mas também espacial. Por isso, a família compreende os vizinhos e amigos, todos aqueles que compartilham o dia-a-dia das pessoas.

No Haiti, país que divide a ilha de Hispaniola com a República Dominicana, o Natal tem sentido de festa de amor, de paz e de família. Como entre os dominicanos, muitos haitianos trabalham fora e aproveitam o Natal para retornar. As casas e os mercados se enfeitam, há muita explosão de fogos, árvores natalinas, luzes coloridas e grinaldas. As pessoas fazem reparos e pintam as casas e nos mercados os clientes são brindados com bons preços.

O Noel (noite de 24 de dezembro) começa com a missa. Essa celebração é marcada pela alegria, pela fraternidade e pela reconciliação das pessoas e famílias que estão em conflito. É comum a oferta de roupas para os mais pobres, a visita aos doentes e a ajuda aos necessitados. Depois da missa todas as igrejas tocam os sinos, dando sinal de que Jesus nasceu.

A ceia é constituída de carne de frango ou cabrito, cerveja, rum e champagne ou cidra. Diferentemente da República Dominicana, a família é mais restrita - pais, filhos, avós -, mas na festa natalina não podem faltar a música, a dança e a alegria.

 

País dos primeiros presépios, Itália preserva os símbolos da tradição

 

O Natal, na Itália, é essencialmente a festa do nascimento de Jesus. As celebrações natalinas seguem toda a tradição católica. O sentimento natalino é muito comovente, cheio de luzes, cores, música e alegria. As cidades italianas se enfeitam especialmente com a árvore de Natal, sempre pontiaguda e com uma base larga. "Apontando para a imortalidade do céu, a árvore representa Jesus Cristo, a árvore da vida", salienta frei Wilson Dallagnol, que concluiu doutorado em Teologia Sistemática na Gregoriana, em Roma.

O presépio, colocado sobre algum móvel, sobre uma base de musgo verde, com seus personagens, a estrela, a manjedoura e um sino, é indispensável nas casas italianas. Essa tradição antiga foi levada pelos imigrantes italianos e continua presente até os dias de hoje nos países adotados pelos que emigraram.

Na véspera do Natal são colocados os presentes debaixo da árvore natalina, Depois da ceia, à base de peixe, a família participa da missa da meia-noite. Na saída, todos se cumprimentam ao som de músicas natalinas executadas pela banda da cidade, tomam quentão (geralmente faz muito frio no Natal italiano) e depois seguem para casa. Então a família troca e abre seus presentes e celebra com panettone e champanha. No dia de Natal, há muitos cumprimentos e troca de presentes com familiares e vizinhos. Ao meio-dia, o cardápio não dispensa ravióli em caldo de galinha e como sobremesa, o indispensável panettone, que no norte é substituido pela "zelten", uma torta feita à base de fruta seca fatiada.

 

Europa associa personagens à festa cristã

 

Em torno das festa de Natal, ao longo do tempo diversos personagens, alguns de rito pagão, foram sendo incorporados ao Natal. Nos Países Baixos, São Nicolau, que deu origem ao Papai Noel, é celebrado no dia 6 de dezembro. Ele recompensa as boas ações das crianças com bolos e presentes. Na Alemanha, que deu origem ao pinheirinho de Natal, São Nicolau recompensa as crianças com presentes em longas meias colocadas sob a árvore natalina.

Na Bélgica, São Nicolau abre as festas natalinas, que vão de 6 de dezembro a 1º de janeiro. Para receber presentes, as crianças colocam na chaminé uma cenoura para o burro e um copo de leite para São Nicolau. Na Grécia, os presentes chegam no dia 1º de janeiro e são oferecidos por São Basílio. As crianças vão cantar nas casas vizinhas, em troca de doces. Italianos e espanhóis recebem os presentes no dia dos Reis Magos. Crianças desobedientes e mal comportadas ganham pedaços de carvão no lugar dos presentes, que na Itália são dados pela befana, a bruxa-boa.

 

Mundo esquece a tragédia de Darfour

Refugiados sudaneses continuam expostos à desnutrição e epidemias

 

Apesar do trabalho das forças de paz e da formação do primeiro governo de unidade sudanês, no final de setembro deste ano, a violência segue ameaçando milhares de pessoas no Sudão. Uma denúncia, feita recentemente pela ACT/Cáritas, salienta que são comuns os ataques de bandidos e grupos rebeldes que preparam emboscadas aos comboios que tentam fazer chegar sua ajuda a Darfour, no oeste do Sudão, uma das regiões cuja emergência humanitária se encontra entre as mais graves do planeta.

A ACT/Cáritas reúne entidades que juntas vêm desenvolvendo uma das maiores operações de emergência na região de Darfour. A ACT (Action by Churches Together) é uma rede de Igrejas e organizações ortodoxas e protestantes e a Cáritas é uma confederação de 162 organizações católicas de assistência, desenvolvimento e serviço social, com presença em mais de 200 países e territórios.

A região ocidental de Darfour foi centro de sangrentos confrontos iniciados em fevereiro de 2003. Segundo fontes humanitárias, causaram cerca de 300 mil mortos e mais de dois milhões de desabrigados, expostos a epidemias e desnutrição.

O arcebispo de Cartum (capital do Sudão), cardeal Gabriel Zubeir Wako, alerta que por trás da suposta paz no Sudão a violência e a injustiça continuem intensas em seu país. O cardeal criticou os governos por não prestarem atenção às advertências da Igreja acerca da situação no Sudão. No país africano, a introdução em 1983 da "sharia" (lei islâmica) atiçou mais de duas décadas de sangrenta guerra civil de proporções dramáticas. A população do sul, formada por tribos negras, cristãs e animistas, defende-se da islamização promovida desde Cartum em suas províncias. "Se digo que os cristãos são perseguidos, que tornam nossa vida impossível, quanto tempo tem de passar para que as pessoas acreditem em mim?", disse dom Gabriel, que reconhece estar pondo em perigo sua vida com essas declarações.

A FAO, organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, reconhece a situação alarmante no Sudão. Num relatório de 15 de dezembro a FAO confirma as denúncias da Cáritas ao salientar que a situação em Darfour foi agravada pelo aumento da violência e assaltos a mão armada que deterioraram as condições de segurança dificultando a distribuição de alimentos, roupas e remédios no país.

 

Situação alimentar é alarmante na África

 

Segundo os relatos da FAO, grande parte do continente africano atravessa uma das piores crises de alimentos da história. Somente no sul da África 12 milhões de pessoas, especialmente no Zimbábue e no Malawi, precisam urgentemente de doações de alimentos. Quase três milhões vão receber mensalmente as rações de cereais e legumes do Programa Alimentar Mundial na região.

Na África Oriental a região teve melhores colheitas em 2005, mas a situação alimentar continua precária em vários países devidos aos conflitos locais e à seca. Na Somália, a FAO confirmou que mais de 900 mil pessoas necessitam de assistência alimentar urgente.

 

Moçambique precisa de mais missionários

 

Dom Ernesto Maguengue, bispo de Pemba, Moçambique, África, em recente visita à instituição Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), disse que seu país precisa de muitas coisas, mas muitas delas poderão ser alcançadas com a chegada de mais missionários. "Em Moçambique, muita gente não conhece a Cristo, e nessa região, muito atingida pela aids e pela fome, faltam escolas e a pobreza é intensa".

Em sua diocese há cerca de dois milhões de habitantes e cerca de 400 mil são católicos. "Minha diocese tem 55% da população constituída por muçulmanos, muitas pessoas seguem religiões tradicionais e contamos com poucos sacerdotes e congregações", disse o bispo. Por enquanto, a coexistência entre católicos e muçulmanos não é muito problemática. Em Moçambique atuam vários missionários gaúchos, enviados através do projeto Igrejas Solidárias.

 

O Natal do Papai Noel

Padre Zezinho

 

No debate entre Jesus e Papai Noel, venceu Papai Noel. Entre o ser e o ter, venceu o ter

 

Daquele prédio, duas famílias católicas e uma família evangélica, foram. As outras quinze não foram, embora, das 18 famílias, 11 se proclamassem católicas. Mas à missa e ao culto de Natal só foram três famílias. Os demais fizeram a festa com um velhinho de barbas brancas. Seus filhos pequenos foram informados que o Natal é a festa de um velhinho que vem de trenó, do Pólo Norte com os presentes delas. Jesus não era importante naquele prédio. Na noite de Natal, todo mundo se desejou amor, paz e felicidade, mas ninguém falou de Jesus.

Um velhinho fantasiado de Papai Noel pôs as crianças no colo e lhes deu conselhos e presentes. Ligaram a televisão e a Globo estava falando da notícia mais que manjada. Haveria Missa do Galo transmitida do Vaticano e Papai Noel desceria de helicóptero em algum lugar do Rio para alegria das crianças. Porque a festa era de solidariedade.

O prédio ficou ornamentado de bonecos e adesivos de Papai Noel. No shopping vizinho, quase todas as lojas tinham um Papai Noel na vitrine. Nenhuma loja tinha Jesus, Maria e José. Todas louvavam Papai Noel, o bom velhinho que alegra as crianças no Natal.

Foi assim naquele prédio. O Natal chegou e passou e, outra vez, pelo décimo quinto ano consecutivo ninguém falou de Jesus no dia 25 de dezembro. Nada contra Jesus. É que Papai Noel virara tradição naquele prédio. Mudar para quê? Todo mundo está fazendo isso: nas ruas e nos prédios, Papai Noel; na igreja, Jesus para quem quiser. Mas o dono das lojas e ruas é Papai Noel. O Natal foi transferido para ele.

Das duas festas de Natal, a profana venceu. Para cada casa com imagens de Jesus, Maria e José ou com presépios, haverá mil com a figura de Papai Noel e só ele. De cada 1.000 crianças, talvez duas ou três digam que Jesus vem do céu trazer presentes. As outras falam é do Papai Noel que desce de trenó e de helicóptero.

Já foi festa de Jesus. Agora é do Papai Noel. Papai Natal. Passe pela cidade e observe o que é que o mundo festeja. No dia do nascimento do menino, festejam um velhinho que vem do Pólo Norte cheio de presentes. O Deus que se fez presente foi substituído pelo velhinho que dá presentes. Outra vez, no debate entre o ser e o ter, venceu o ter. Para refletir: A seu ver, o Natal ainda é cristão? Seus amigos falam de Jesus?

 

Natal deve ser compromisso com a vida

Mensagem da CNBB convoca cristãos a viver o Natal com alegria

 

"Eis que anunciamos grande alegria para todos: nasceu em Belém, Jesus, o Salvador. É o anúncio a toda a humanidade e aos que acreditam na vida vencendo a morte, na luz vencendo as trevas". O anúncio faz parte da mensagem de Natal da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil a todo o povo brasileiro. Assinada pelo presidente da CNBB, dom Geraldo Majella Agnelo, pelo vice, dom Antônio Celso de Queirós, e pelo secretário-geral, dom Odilo Scherer, a mensagem salienta que os cristãos acolhem, hoje, o mesmo anúncio feito há mais de 2.000 anos aos pobres e necessitados, aos pastores e aos magos, olhando as necessidades de vida e esperança para todo o povo.

"A celebração do Natal do Senhor renova a nossa esperança e nos compromete com os empobrecidos, necessitados, desempregados, com a defesa e promoção da vida, com a justiça e a paz, a reforma agrária", afirmam os bispos, desejando que a reconciliação supere violências e divisões, a força da união vença as exclusões e as tristezas dêem lugar à alegria.

Os bispos recordam que não há como os cristãos e as pessoas de boa vontade não se deixarem contagiar pelo clima natalino, abrindo as mentes e os corações e convidando a todos para que construam uma sociedade marcada pela união e pela justiça, independentemente de etnias, culturas ou credos religiosos.

A mensagem conclui convocando todos os cristãos a acolher "o esperado das nações" com alegria e a ser sinais dele nas próprias famílias, nas comunidades e na sociedade.

 

Garanhuns encaminha causa de beatificação

 

A diocese de Garanhuns (PE) encerrou o processo de beatificação e canonização de dom Francisco Expedito Lopes. A cerimônia foi realizada recentemente na catedral de Santo Antônio, no centro de Garanhuns, quando todos os documentos de investigação da causa foram lacrados para, em seguida, serem encaminhados ao Vaticano. Em Roma, todo o material passará por um minucioso estudo, no fim do qual a Santa Sé se pronunciará a favor ou não do reconhecimento da santidade desse servo de Deus.

Dom Expedito foi assassinado no dia 2 de julho de 1957 pelo padre Hosana de Siqueira e Silva, depois de ser advertido de uma possível suspensão por conduta imoral. Dom Expedito foi o quinto bispo de Garanhuns e fundador do Instituto das Missionárias de Nossa Senhora de Fátima do Brasil. O bispo mártir foi um homem simples, piedoso e grande devoto de Nossa Senhora.

 

Santa Gema constitui grupo de Mini-Jufra

 

A capela Santa Gema, em São Domingos do Sul (RS), instituiu, durante a jornada franciscana realizada neste ano na comunidade, um grupo de Mini-Jufra, denominado Amigos de São Francisco. Constituído por 19 crianças, o grupo está sob os cuidados da Ordem Franciscana Secular (OFS) e é assistido por Marinês Rossato, Lourdes Saugo e Sandra Kupinski.

O Mini-Jufra já realizou diversas atividades, entre elas plantio e distribuição de mudas de árvores, caminhada ecológica e visita à Fazenda Esperança, de Casca. Frei Edílio Soliman foi o pregador da jornada, que também contou com a presença do ministro regional da OFS, Moacir Miotto e do assistente espiritual regional, frei Isaías Bordignon.

 

Uma lâmpada acesa

Aldo Colombo

O Reino de Deus já está no meio de nós. Não na aparência e na grandeza humana, mas como fermento escondido

 

O Natal de Jesus será, para sempre, o mais bonito e significativo fato já acontecido no planeta Terra. Complementando o relato dos evangelistas, centenas de lendas e tradições tornam ainda mais bonita a história do Natal. O costume mais universal é o sapatinho colocado na porta da casa à espera do presente de Jesus. Na Alemanha é muito comum o costume de colocar, junto à janela da rua, uma lâmpada acesa. Protegida por um vidro, nem o vento, nem a neve conseguem apagar a chama. E esta pequena chama é um convite a Maria e José, caso passem na frente, a entrarem, pois ali haverá um lugar para o nascimento de Jesus. Outro costume muito difundido: o prato de Jesus. Além dos pratos para a família, é colocado mais um prato, caso Jesus chegue. O prato também é reservado para qualquer pessoa que Jesus enviar.

A mística, o sonho e a poesia do Natal, quase sempre se misturam com o desencanto. Os Anjos anunciaram Paz na Terra aos homens e mulheres de boa vontade e dois mil anos depois não há paz no mundo e escassa a boa vontade. O Natal teria sido engano, um rebate falso? O mundo está cheio de guerras, até mesmo na Terra Santa de Belém. Em toda a parte surgem a violência, o ódio, a corrupção, o egoísmo, a exclusão, a fome... É por isso mesmo que o Natal se torna necessário. O pecado aparece como invencível e só temos possibilidades a partir da misericórdia. O Menino de Belém não veio condenar, mas salvar. Natal é a certeza de que somos salváveis.

A certeza que o amor divino é mais forte que o pecado do homem. Significa que a história humana - apesar daquilo que vemos - tem um final marcado, um final feliz.

É agora que vai acontecer o Reino de Deus? A esperançosa pergunta já foi feita pelos apóstolos e repetida centenas de vezes ao longo dos dois mil anos de Cristianismo. A resposta de Jesus é sempre a mesma: o Reino de Deus já está no meio de vós. Não na aparência e na grandeza humana, mas como fermento escondido, de cujo efeito jamais podemos duvidar. O Reino de Deus não segue o modo humano de avaliação. Nem se rege por números ou estatísticas e não é necessariamente progressivo. O próprio Jesus já previu o pequeno rebanho, o resto de Israel.

O Natal de 2005 é, mais uma vez, a lembrança de que o Reino de Deus deve recomeçar a cada instante, lembra que o tecido cristão da sociedade precisa ser refeito continuamente. Natal é um apelo para que coloquemos nossos sapatos à espera do presente da esperança teologal, que é certeza. É um apelo para que deixemos uma lâmpada acesa nas janelas de nossa casa e que coloquemos em nossa mesa um prato a mais, o prato de Jesus. E o Natal acontecerá. E acontecerão também as promessas anunciadas pelo Natal: a graça é maior que o pecado e o amor de Deus é infinitamente maior que o nosso desamor. Um dia o sonho de Isaias se tornará realidade: o lobo confraternizará com o carneiro, das espadas se farão arados e o deserto se tornará uma campina florida. Isso é garantia divina. E o amor de Deus jamais voltará atrás.

 

Romaria recorda Monsenhor Benvegnú

Evento, iniciado em 1987, atrai cada vez mais devotos do sacerdote

 

São Domingos do Sul (RS) está se mobilizando para realizar, nos dias 7 e 8 de janeiro de 2006, a 20ª Romaria Vocacional, em memória do Monsenhor João Benvegnú. O tema escolhido - "Eucaristia: centro da vida e da missão da Igreja" - se insere no contexto do Ano Eucarístico, que no Brasil foi prorrogado até maio de 2006.

O pároco, padre Dionísio Benvegnú, destaca que haverá tríduo preparatório, nos dias 4, 5 e 6, sempre às 21 horas. No dia 7, será realizada procissão luminosa às 21 horas, com cenas dos mistérios gozosos, seguida de celebração eucarística, bênção do Santíssimo, da saúde e de objetos religiosos. No domingo 8, às 10 e 16 horas, o bispo diocesano dom Pedro Ercílio Simon preside as solenes missas. No final de cada celebração haverá bênção da saúde e dos objetos religiosos trazidos pelos romeiros.

Padre Dionísio salienta que a 20ª Romaria tem três grandes intenções: pela família, berço de todas as vocações; para que a Eucaristia seja o centro da vida e da missão da Igreja; e para que os cristãos possam venerar publicamente Monsenhor João Benvegnú.

Pároco de São Domingos do Sul de 1935 a 1986, Monsenhor Benvegnú foi um incentivador das vocações sacerdotais e religiosas. Destacava-se pela bondade e acolhida. Tratava e servia a todos sem distinção. Granjeou grande estima, que depois de sua morte se transformou em veneração. Muita gente visita seu túmulo para rezar, agradecer, pedir graças.

 

Novo diáconos em Pelotas e Ponte Preta

 

Será ordenado diácono no dia 31 de dezembro, na capela Nossa Senhora dos Navegantes, em Ponte Preta (RS), o seminarista Everton Luís Sommer. O bispo diocesano dom Girônimo Zanandréa será ordenante. Everton é natural de Linha Sete, Ponte Preta, filho de Herberto e Joana Sommer.

Na diocese de Pelotas, o bispo diocesano dom Jayme Chemello ordenou quatro jovens ao ministério diaconal. A cerimônia foi realizada na catedral São Francisco de Paula, no dia 9 de dezembro. Foram ordenados Ariano Bandeira da Silva (Canguçu - RS), Enéas Carniel (Campos Novos - SC), Enir Cigognini (Liberato Salzano - RS) e João Joaquim dos Santos (Barão de Cocais - MG). Eles serão ordenados sacerdotes no final de 2006.

 

Irmão marista professa votos perpétuos

 

A província marista do Rio Grande do Sul recebeu, no dia 10 de dezembro, a profissão de votos perpétuos do irmão Elio Luís Liesenfeld. A cerimônia foi realizada na igreja matriz Nossa Senhora da Purificação, em Bom Princípio (RS), na presença do provincial, irmão Lauro Hochscheidt.

Natural de Erechim (RS), irmão Elio é o filho mais novo de Salomão e Célia Maria Liesenfeld. Ingressou no Instituto Marista em 1992 e emitiu os primeiros votos em dezembro de 1998. Cursou Teologia na PUCRS de 1999 a 2003 e, nesse período, atuou como professor no Instituto Marista Graças e assessorou o movimento Juventude Marista (Jumar), ambos de Viamão.

De 2000 a 2003 participou da equipe formadora do juvenato, em Viamão, e atualmente está no Centro Educacional Marista do Partenon, é vice-diretor do Colégio Marista Assunção, compõe a Comissão Própria de Avaliação da PUCRS, cursa Administração de Empresas na PUCRS e pós-graduação em Cultura e Meios de Comunicação na PUCSP.

 

Natal em mim

Wilson João

 

Teimo em crer em meu Natal de berço vazio, de casa aberta e de música fazendo minha festa

 

Não me comovem os enfeites de Natal. Nem iluminações, nem barulhos e nem a saudação "Feliz Natal". É como qualquer festa: tudo o que tem muito enfeite, colorido e música, tem pouco de gente, pouco de vida e nada de Deus. Fico decepcionado com os salões ornamentados para festas de casamentos. Há pouco casamento entre as pessoas e muita máscara de aparência. Assim são os shows musicais: o aparato de luzes, cores e movimentos escondem a pobreza musical. Assim é o Natal. Há demais aparências para os olhos e os ouvidos, e o coração fica vazio.

DESEJO SER BERÇO VAZIO. Berço esperando um menino. Berço com lugar para a vida e a ternura. Com espaço para aquele que enche o universo com sua presença. Berço vazio, sem preocupações e materialismo, vazio de raivas e ódios, limpo da sujeira da maldade, berço perfumado com a espera feita de amor e acolhida, de beijos e abraços. Um berço vazio sempre à espera de gente, sempre à espera de um Deus!

DESEJO DE UMA CASA ABERTA. Já fui casa fechada. Dentro dela se criaram bichos de mau agouro, ares fétidos, teias de aranha. Tudo com jeito de morte. Sou agora casa aberta. Portas e janelas abertas. Sol entrando. Ares purificando. Vida em cada canto. Folhagens. Tudo é condição para receber vida. Casa aberta: as pessoas são bem-vindas e há lugar para todas. Tudo o que é vida e amor são bem-vindos. Há cadeiras desocupadas sempre esperando alguém. Deus tem um lugar especial. Cada pessoa que chega é um menino-Deus chegando em forma de pessoa amiga, mendiga, solitária, necessitada e até, em alguns momentos, em forma de pessoa assaltante do sossego da vida. Mesmo assim prefiro ser casa aberta, correndo o risco desse atrevimento. Em mim há sempre uma cadeira vazia esperando.

DESEJO SER UMA SALA DE MÚSICA. Tenho certeza que Deus é música. Toca todos os instrumentos. Entende de todas as músicas. Porém, em minha casa o som fica da porta para dentro. Respeito todos os que têm seu gosto musical. Acho invasão criminosa espalhar músicas que não se deseja escutar e nem se pede para ouvir. Minha música é para meu ambiente. E Natal é música. O nascimento de Jesus foi anunciado pelos anjos em forma de música: "Glória a Deus nas alturas e paz na terra às pessoas de boa vontade". Mesmo sabendo que em Belém os berços estavam cheios, as casas fechadas e as músicas ausentes, teimo em crer em meu Natal de berço vazio, de casa aberta e de música fazendo minha festa.

 

ESPECIAL

Pesquisa detecta novo perfil da violência no campo

Tortura e intimidação são usadas para expulsar agricultores da terra

 

O crime na área rural brasileira mudou de perfil. Em vez de matar de forma indiscriminada, os assassinos agora escolhem suas vítimas, praticam tortura e intimidação para expulsar os pequenos agricultores da terra. A nova forma de agir foi verificada pelo geógrafo Francisco José Avelino Júnior.

Professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), ele acaba de finalizar uma tese de doutorado na Universidade de São Paulo (USP). O estudo traz um panorama histórico sobre a violência no campo em Mato Grosso do Sul, mas também destaca os dados mais recentes sobre o tema em todo o Brasil.

"Não só aqui no Estado, mas em quase todo o Brasil, o número de assassinatos tem diminuído. Em compensação, tem aumentado o número de ações terroristas, ameaças de despejo, queima de terras, invasão de casas, seqüestro de pertences e intimidação do trabalhador. O assassinato passa a ser seletivo", diz Avelino.

Vítimas - As principais vítimas fatais agora são líderes camponeses, advogados, políticos e agentes sociais que agem em defesa dos direitos de trabalhadores rurais. Eles fazem parte de organização que, a partir da década 80, passaram a atuar no campo. Entre elas, Comissão Pastoral da Terra (CPT), a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

O estudo do pesquisador do Mato Grosso do Sul confirma a tendência apontada no último relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT) de aumento e profissionalização dos assassinos da área rural. Em 2003, 73 pessoas morreram em conflitos no campo. Esse número caiu para 39 em 2004. Mas, em compensação, o número de pessoas envolvidas nos conflitos agrários subiu de 1,6 mil para 1,8 mil. Em 2005, segundo o mais recente levantamento, a violência no campo voltou a fazer dezenas de vítimas fatais e a envolver centenas de milhares de pessoas (leia ao lado).

 

Conflitos envolvem mais de 600 mil pessoas em 2005

 

O ano de 2005 também será marcado pela violência no campo. O Relatório Direitos Humanos Brasil 2005, baseado em levantamento da Comissão Pastoral da Terra (CPT) de janeiro a agosto de 2005, mostra que neste período 28 pessoas foram assassinadas, sendo que em 2004 houve 27 mortes.

Segundo o documento, o Pará é local mais violento, com 14 assassinatos, seguido pelo Mato Grosso, com três. Os estados da Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro e Maranhão tiveram, respectivamente, duas mortes cada. A CPT também apurou 27 tentativas de assassinato, 114 ameaças de morte, duas pessoas torturadas, 52 agredidas fisicamente, 144 presas e 80 feridas. De janeiro a agosto a Comissão registrou 794 conflitos no campo envolvendo 615.260 pessoas. Esses números, comparados com 2004, representam 44% a menos de conflitos e 26% a menos de pessoas envolvidas.

O ministro Mário Mamede, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, afirma, no entanto, que a violência no campo cresceu neste governo. "Não é correta a afirmativa de que os assassinatos no campo, as mortes no campo decorrentes de conflito agrário têm aumentado no presente governo", afirmou o ministro Mário Mamede, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos. Está correto, mas os números são inadmissíveis para um país com as dimensões geográficas do Brasil.

 

Crianças vivem melhor em Nova Pádua

Cidade tem taxa mais alta de desenvolvimento no país, segundo Unicef

 

Nova Pádua investe cerca de 50% de seu orçamento em saúde e educação. Por isso, o município lidera a lista das cidades com as melhores condições para o desenvolvimento de crianças até seis anos. No ranking nacional do Índice de Desenvolvimento Infantil (IDI), calculado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o município atingiu IDI de 0,976. Quanto mais perto de 1, melhor a condição de vida para a criança de 0 a 6 anos.

Com pouco mais de 2.400 habitantes, localizado na Serra gaúcha, Nova Pádua exibe indicadores de primeiro mundo. Todas as gestantes fazem mais de seis consultas pré-natais e todas as crianças são vacinadas e matriculadas na pré-escola. O município tem só 5,5% dos pais e 4,15% das mães com baixa escolaridade.

Para o prefeito Ivo Sonda, a receita do sucesso está no apoio das famílias às medidas implementadas pelo poder público. "As mães e os pais são empenhados em levar seus filhos ao posto de saúde e à escola. A equipe de saúde vai até as casas, se o paciente não pode se deslocar", diz o prefeito ao CR.

Além da cidade serrana, Santo Antônio do Planalto (2º lugar) e Nova Boa Vista (4º) figuram entre os municípios brasileiros com o maior IDI. Iomerê (SC) é o quinto entre os dez melhores do país. Gabriel Monteiro (SP) ocupa o segundo lugar. No ranking nacional por Estado, Santa Catarina ficou em terceiro lugar, atrás de SP e do Distrito Federal. RJ é o 4º, ES, 5º e RS, 6º.

 

Acesso à pré-escola é baixo no Estado

 

O Rio Grande do Sul apresenta desempenho acima da média nacional em quase todos os indicadores. O único padrão aquém do brasileiro (55%) é o de crianças matriculadas na pré-escola. No Estado, passou de 32,99% em 1999, para 39,79% no ano passado.

Para o coordenador da Unicef Centro-Sul, Salvador Sole, a educação infantil é importante porque, ao ingressar mais cedo na escola, as crianças tendem a permanecer estudando. Ele destaca ainda a formação intelectual dos pais. "Quanto maior a escolaridade dos pais, mais cuidados terão com as crianças", afirma Sole.

 

25% das cidades têm o IDI abaixo de 0,50

 

O Brasil evoluiu nos indicadores, apesar de ter subido duas posições no ranking dos países com maior mortalidade entre as crianças com menos de cinco anos, ocupando o 88º lugar. A informação coloca o país ao lado das Filipinas e indica piora, porque o estudo lista em primeiro lugar quem tem o pior resultado. "A piora da posição significa que outros países avançaram mais no período", explica a representante do Unicef, Marie-Pierre Poirier.

Dados do IBGE revelam que, de 1994 a 2004, a taxa de mortalidade infantil caiu 32,6%, passando de 39,5 para 26,6 o número de crianças mortas antes de completar um ano de vida por grupo de mil.

Na comparação 96/99 a 2000/2004, o Índice de Desenvolvimento Infantil brasileiro melhorou, passando de 0,61 para 0,67. Há seis anos, 40% dos municípios tinham IDI abaixo de 0,50. Hoje, são 25%. As regiões que mais avançaram foram a Norte (14,6%) e Nordeste (15,9%). O Sul subiu 8,1%.

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

O italiano que está em você

João Carlos Tedesco

Professor, Passo Fundo - RS

 

Para o professor João Carlos Tedesco, da Universidade de Passo Fundo, buscar a italianidade é fazer uma viagem da consciência atual à originária. É o aqui e agora em busca do ali e então.

 

"Entre as diferentes maneiras de Ser Italiano e de Fazer a América está a minha. Ninguém encarna toda a italianidade. Cultura, festas, linguajar, religiosidade, culinária... italianas diferem de pessoa a pessoa. Uns se dizem italianos; outros, descendentes; outros nada afirmam, marcados de velhos preconceitos - pobre, colono, avarento, ufanista; outros estão sem história e língua; alguns outros arranham um Talian e Italiano mal falados, produto de exacerbada italianidade...

O italiano que penso ser é uma mescla de fatores sócio-culturais, históricos e religiosos. Não sou, nem estou interessado em ser italiano de boa cepa, nem bem sei o que deveria ser. Sei que sou descendente de vicentinos, emigrados para Alfredo Chaves e, em 1920, para o interior de Marau-RS, onde nasci e cresci até a adolescência, quando fui ao seminário. Como quinto filho, meus pais diziam que todos deviam ter oportunidades iguais, só aceitaram minha ida ao seminário, por entenderem que vocação é chamado de Deus.

Jamais esqueci a polenta, a reza do terço, as caçadas, as pescarias, a autoridade do pai, a submissão da mãe, a dificuldade de ter alguns cruzeiros para comprar coisinhas, a esperança de, quando fosse à cidade com os pais, almoçar pão de padaria com sardinha, salada de tomate e uma coca.

O tempo vivido na família foi a base de minha identidade: aprendi bestemar; gritar, com e sem necessidade; falar carregado; gesticular; comer polenta, pão, vinho, queijo, salame, radici, sem falar no pinhão, amendoim, batata-doce...; rezar; obedecer, sobretudo ao pai; falar Talian, com repreensão da mãe, com medo de sermos zombados na escola; lidar com animais; descamizar milho em dia de chuva...

Após uma década, troquei o seminário pela universidade. Passei a freqüentar a família como alguém da cidade, e aí comecei entender o estilo próprio da vida rural. Nem a filosofia, nem curso algum retirou a consciência de minha italianidade rural, de colono, de que me orgulho. Não sosseguei até não juntar tralhas e me mandar à Itália, sem saber o Italiano Gramatical, que também lá não é falado por todos, para satisfazer meu desejo de saber donde meus avós saíram, e fiz isso por três vezes, na última concluí por fazer uma pesquisa sobre os ítalo-brasileiros que sonhavam progredir economicamente na Itália, que não correspondeu nem às suas idealizações do passado, nem a seu sonhos presentes.

O italiano que sou contém saudosismo, desencantos, ressentimentos, indignação..., fruto de trajetória pessoal, e dos italianos que desconhecem seus emigrados e a trajetória dos descendentes no mundo.

Minha única avó que conheci, nos deixou em 2002, aos 102 anos. Entendi sua importância ao escrever sobre a vida rural. Em perfeita harmonia com a natureza e com Deus, me fez sentir que não sou italiano da Itália, mas um ítalo-gaúcho. Minha esposa, cabocla, lamenta não ter conservado as tradições como os italianos, mas se interessa pela Itália, assiste a RAI, e dá ao z do nome Lorenza, nossa única filha, a entonação característica. Mesmo que gerações passaram e muitas coisas mudaram, alimento a esperança de que um pouco desse Italiano que está em mim, eu possa transmitir às futuras gerações" (e-mail jctedesco@upf.br).

Não saber bem o que é ser italiano é o caminho para sê-lo. Indica criatividade e construção e não cópia de vilão. (Rovílio Costa)

 

EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (340)

Nanetto vìsita Pàdova, la cità de Santo Antònio

Rafael Baldissera

Professor, Curitiba - PR

 

- Padova, spiega Edílson, la se ciamea Patavium. Sta sità la ze nassista nel X sècolo prima de Cristo. La gera un ùmile paese de agricoltori. Ntel sècolo III prima de Cristo, la mantegnea relassion comersiale coi Romani. Ntel sècolo XII, la ga proclamà la Repùblica Padovana. In 1221, la ga fondà la università. Cossì la sità la ze stà cognossesta in tuta la Europa. In 1405, la ze stà sùdita de Venèssia, fin el 1797. In 1813, scominsiava el longo perìodo dea dominassion austrìaca, fin el 1917.

Ma adesso semo rivai davanti la Basìlica de Santo Antònio, che’l ga vivesto in Pàdova, ma l’è nassesto in Lisbona in 1195, de na fameia rica e nòbile. Con 15 ani, l’è ndà in Convento del Órdine de San Francesco de Assisi. El ga imparà la Bìbia e el se ga dedicà a tuti i stùdii religiosi. L’è stà ordinà sacerdote in 1220. El ze ndà a Marrocos come missionàrio, ma el ze stà malà, lora el ga ciapà un bastimento par ritornar a Portogalo. Ma na tormenta la ga desvià el bastimento par la Sicìlia. Là el se ga catà con San Francesco, che lo ga invià a Forlì. Là el preghea, el fea penitensa. Pi tardi, San Francesco, savendo dea sapiensa de Antònio, lo ga mandà pregar. El ga scominsià difendendo i póveri ingiustissai, e el ga scoiesto Pàdova par star. Qua, in vista de tanto ben che’l fea, i lo ciamea de riformatore sossiale, martelo dei eregi, l’omo de Dio e predicator ambulante. Na volta, in Rimini, arquante persone no le ga pi volesto scoltarlo e i lo ga mandà pregar ai pessi. E lu l’è ndà: lora i pessi i ze vegnesti a la superfìssie in grande quantità par scoltarlo.

- Che oportunità, dise Nanetto, che go perso de far na bela pescaria!

- Dei tanti miràcoli de Santo Antònio, v’en conto solo unaltro: Na volta, un erege el ga assà el so àseno in degiun arquanti giorni; dopo el ghe ga dà na brassada de fien; ma, vedendo el Santìssimo Sacramento che Santo Antònio el portea fora dea cesa, l’àseno el ga assà l’erba e el se ga indenocià. L’erege el se ga convertesto con tuto el pòpolo.

- Ben, dise Nanetto, mi no go mai visto un àseno inteligente!

 

VITA STÒRIA E FRÒTOLE

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

Spetando el Nadal

Ary Vidal

Agricultor, Lapa-PR

 

Po trascorsi pi de do mila ani

Che ze nassesto quel bambin

Vegnuo par stituir i tirani

E par dar forsa al peregrin.

 

I cristiani tuti in fraternità

Ze drio spetar ogni fin del ano

La rivada del progetor dea verità

Che vien benedir el spìrito umano.

 

Se ghe fa na mùcia de tributi

Par memorar el Santo Nadal

Se sparpaia na barca de bilieti

El ecuménico vien al natural.

 

Sìpia qualunque dotrina cris-tiana

Che parle dea nàssita del fiol dea Madona

Po el Nadal ga dato lume a la gente pagana

El ze Vegnesto par spacar la cadena dea condana.

 

A ogni ano semo drio spetar

El Nadal del bambin salvador

La pace e l’alegria ndemo tuti spaiar

Desideri de salute, armonia e amor.

 

Tei di d’oncó el Nadal ze difarente

Donca, el comèrsio ze drio sgrandir

Butando via la fede de na mùcia de zente

Co i regali, tante robe bele ze drio sparir.

 

El presèpio

Geraldo sostizzo

Agente Consular Italiano, Cascavél - PR

 

Quando gèrimo pìcoli, i mesi gera sempre lunghi, i ani i gera ancora pi lunghi e ghe metea na eternità par passar. Maginàrsela, par rivar el ùltimo giorno de scola, parché suito dopo vegnea el Nadal. El Nadal gera na època bela, no se barufea mai e anca se le ciapea manco.

Tei primi giorni de desembre, scominsieimo industriar come feimo el presèpio. Prima de tuto cateimo fora un pineto par tel giorno giusto ndar taiarlo e portarlo casa, alto pi de due metri e ben tondo.

Dopo ndeimo tel potrero, ndove gaveimo raquante piante de quele che fea na barbona longa, ciapeimo un saco pien, e porteimo casa.

La mama gavea comprà, ntea sità, raquante statuete, fate de fango, ndove ghe gera i tre re magi, el bambin Gesù, la madona e san Giusepe, piégore, angeliti par picar tel pin, tre vache, un vedeleto, due cavai, un can bianco e mesa dùsia de balete de tuti i colori par picar via su par i rami del pin.

Darente casa, ghe gera un posto ndove i cavea fora sassi e noantri ghe ciameimo de sassera, e in te sto posto noantri ndeimo tor el musgo, un tipo de tapeto che vegnea tei posti ùmidi e sempre moii. Con questo, feimo le strade del presèpio.

Tuto messo a posto, ndeimo tor el pineto. Lo neteimo polito, lo meteimo rento te na lata voda de petròlio e suito la impienìimo de tera parché la tegnesse ciuso el pin.

Dopo tuto pronto, speteimo come mati parché el pupà (noel) el portesse un regalo a tuti, magari chi lo ciapea gera sol quei pìcoli e tante volte gnanca questi.

Ma el momento pi alegro zera quando torneimo a casa dea messa del gal, ndeimo driti tel presèpio védere cosa el pupà (noel) el gavea portà.

Mi me ricordo che tante volte, uno o altro piandea, parché no gavea guadagnà quelo che spetea. Ma medèsimo così, zera el giorno pi felice e alegro del ano.

 

GERAL

Procon dá dicas para aluguel de imóveis durante as férias

Se o inquilino perceber que foi enganado, deve pedir dinheiro de volta

 

O Procon de Caxias do Sul organizou algumas dicas para as pessoas interessadas em alugar imóveis para as férias de verão. O coordenador do órgão na cidade, Dagoberto Machado dos Santos, destaca que antes de alugar o imóvel é importante observar algumas regras para não se arrepender. Veja a seguir sete das principais com sugestões de como proceder para evitar dissabores.

- A imobiliária tem a obrigação de entregar o imóvel limpo e com tudo funcionando. Para não ter problema, o inquilino deve exigir um contrato de locação por temporada. Ele é diferente do aluguel convencional e tem um prazo máximo de 90 dias.

- O locador pode pedir o valor do aluguel adiantado. Muitas imobiliárias exigem 50% do pagamento na reserva do imóvel e a outra metade na entrada. Dica: fazer um depósito preferencialmente em nome de uma empresa e não de particulares, para ter mais segurança.

- Tentar localizar o imóvel no mapa do município que está fazendo a locação, para saber se realmente é próximo da praia ou do que você está procurando.

- O melhor é visitar o imóvel antes de alugá-lo, mas se o negócio for fechado à distância, pedir fotos do imóvel por fora e por dentro. Se, ao abrir a porta, o inquilino perceber que foi enganado, pode exigir seu dinheiro de volta. Guardar os e-mails e as fotografias para quando chegar, comprovar exatamente o que se desejava alugar.

- Quando o negócio for fechado, o inquilino tem direito de exigir um inventário de tudo que houver dentro do imóvel, incluindo utensílios de cozinha. Assim, ambas as partes não terão problemas na hora de se despedir. São pequenos cuidados que podem evitar muita dor de cabeça num período em que o mais importante é descansar.

- Quem aluga imóvel em condomínios deve verificar se existe alguma proibição de uso de áreas comuns. É desagradável ver piscina e churrasqueiras e não poder usar, por exemplo.

- Se desejar ficar mais tempo no imóvel do que o previsto inicialmente, é permitido prorrogar o prazo do contrato, desde que o proprietário concorde e a locação não ultrapasse o prazo de 90 dias.

 

Rota dos Espumantes ganha a Serra

Ampliação deve elevar em 20% o número de turistas no ano de 2006

 

A Serra gaúcha é o terceiro roteiro turístico mais visitado do país. Perde apenas para Natal e Fortaleza. Um dos atrativos da região é a vitivinicultura. O Rio Grande do Sul produz 90% do espumante e mais de 80% do vinho brasileiro. De olho nesse potencial, em 2001, foi lançada a Rota dos Espumantes. O percurso recebeu já 100 mil turistas neste ano.

A rota turística, que reúne vinícolas de Garibaldi, irá ampliar seu circuito para toda região. Renomeado de Rota dos Espumantes da Serra Gaúcha, o roteiro passará a contar com vinícolas dos municípios vizinhos produtoras da bebida. "A Serra gaúcha produz o segundo melhor espumante do mundo. Só perde para a França", diz a presidente da Rota dos Espumantes, Deyse Tanuri.

Segundo Tanuri, o pré-requisito para ingressar no novo circuito turístico é produzir espumante e oferecer espaços para degustação e conhecer processos de elaboração e visitação de turistas. "Com a modificação, a expectativa é de que o número de visitantes tenha um incremento de 20%, já no próximo ano", aposta Tanuri.

Desde 2004 estão sendo realizados investimentos em treinamento de receptivo turístico, sinalização e ações de divulgação. "Estamos preparando um audiovisual para divulgar os atrativos da região em todo o país e nas embaixadas espalhadas pelo mundo", adianta ao CR.

No site www.rotadosespumantes.com.br, interessados podem encontrar dados sobre cada vinícola que integra o roteiro, com os respectivos horários de atendimento ao público. Mais informações pelo telefone 0800 510 1199.