LEITORES 

 DESCOBRINDO CAMINHOS

 

Desde 1909, onde o conteúdo faz a diferença.

Edição 4.973 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 1 de fevereiro de 2006.

EDITORIAL

A evolução do salário e a distribuição de renda

No atual ritmo, o Brasil levará séculos para atingir a Igualdade social de países ricos

 

O governo federal anunciou na semana passada o salário mínimo que passa a vigorar em abril. São R$ 350,00. O valor, destacado como um avanço nos discursos políticos, recupera um pouco do poder de compra dilacerado ao longo de meio século, mas apesar do aumento considerável que teve, de 16,6% para uma inflação anual de 5,05%, o novo mínimo vai equivaler a apenas 38% do salário de 1940, quando foi criado - percentual calculado pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE).

Num ano de eleições, os candidatos tentam tirar proveito de qualquer iniciativa que afete o bolso do trabalhador. É normal, portanto, que a elevação do salário mínimo em índices muito superiores aos de governantes anteriores ganhe espaço no cenário político. Tanto que a oposição, em manobra oportunista, está querendo um valor ainda maior, que nunca concedeu quando esteve no poder.

É justo reconhecer a importância da evolução do mínimo, cujo valor nominal praticamente dobrou de 2001 para 2006, principalmente quando ainda cerca de 40 milhões de brasileiros recebem esse salário. Mas a diferença entre o rendimento e as necessidades ainda permanece gigantesca.

Ao mesmo tempo em que governantes e sindicalistas comemoravam o salto do mínimo, a New Economics Foundation, uma instituição independente de pesquisa sediada na Grã-Bretanha, divulgava estudo segundo o qual, pelo atual ritmo de crescimento e distribuição de renda, o Brasil levará 304 anos para atingir os níveis de igualdade social dos países ricos. É tempo demais para um país com graves e seculares carências sociais.

A má distribuição de renda é a origem da maioria dos problemas sociais. E o Brasil ocupa uma das primeiras posições nesse ranking mundial. Se não encurtar a distância entre pobres e ricos com mais agilidade, continuará sendo uma rica nação de miseráveis. E provando que o crescimento econômico só beneficia as castas historicamente privilegiadas.

 

CAXIAS DO SUL

Projeto muda estrutura da Ceasa

Além da ampliação do espaço, distribuição interna será reordenada

 

A atual divisão física da Ceasa-Serra começa a sofrer uma reestrutura completa. Proposta elaborada pela administração da unidade e secretarias municipais de Agricultura e Planejamento vai reordenar a distribuição interna de produtores, comerciantes, atacadistas e compradores, ampliando áreas e criando novas. "Nossa preocupação é planejar o futuro da Ceasa", explica Nestor Pistorello, secretário da Agricultura e presidente do consórcio formado por 11 municípios que administra a unidade.

O número de boxes vai passar de 16 para 24. A agroindústria ganhará um local específico, haverá duas portarias - uma para produtores, ao lado do prédio da Cobal; outra para compradores, na rua lateral do lado oeste. Além disso, a administração será instalada no prédio da Cobal, o "elefante azul", pavilhão inaugurado há mais de três anos e jamais utilizado, terá suas laterais fechadas para posterior ocupação por produtores, a área de estacionamento será aumentada e, corrigindo uma deficiência, serão plantadas árvores para colocar um pouco do verde sobre o predominante cinza do asfalto.

A intenção é interromper um processo histórico em que cada administrador realizou obras isoladas, para estabelecer um planejamento a médio e longo prazos. A implantação das mudanças, segundo Pistorello, começa neste ano. Serão usados recursos da consulta popular (R$ 350 mil). Mas deve demorar de dois a três anos para estar concluída e grande parte das obras será financiada pela própria Ceasa, que tem sido superavitária.

 

Olimpíada Colonial mobiliza o interior

 

Aberta no sábado com equipes da imprensa e de patrocinadores do evento, a Olimpíada Colonial, instrumento de marketing de relacionamento da Festa da Uva desde 1994, começa a ser disputada oficialmente no sábado 4 (observe calendário ao lado). As provas que serão disputadas, sempre com indispensável bom-humor, são amassar uva com os pés, fazer bigoli, cuccagna (subir um pau-de-sebo e pegar pão, salame e queijo), corrida de trator, corrida de cariola, corrida de plantadeira, debulhar milho e arremesso de queijo. A expectativa é de que as competições atrairão cerca de dois mil participantes. A final será no dia 5 de março.

 

REPORTAGEM

Crise impulsinou cooperativismo vitivinícola gaúcho

Hoje, 16 cooperativas respondem por 26% da produção de espumantes, vinhos e outros derivados

 

Ao pisar em solo brasileiro os imigrantes europeus deixaram muito mais do que tradições. Transformaram os moldes de produção implantando o cooperativismo. O Estado pioneiro no país foi o Rio Grande do Sul. Os colonos alemães, representados pelo padre Theodor Amstad, em 1902, criaram a primeira cooperativa de crédito, em Nova Petrópolis. Os italianos, liderados por De Stefano Paternò, começaram em 1906, em Lajeado.

O sistema encontrou solo fértil em meio ao setor vitivinícola, que atualmente congrega 16 cooperativas, centralizadas na Serra gaúcha. "Elas reúnem 6.000 associados, responsáveis por 26% da produção de vinhos, sucos e espumantes do Estado", destaca o diretor-executivo da Federação das Cooperativas Vinícolas do Rio Grande do Sul (Fecovinho), Hélio Luiz De David Marchioro.

Os milhares de associados são oriundos da produção familiar. Eles cultivam cerca de 8,5 mil hectares de videiras. Enviam anualmente às vinícolas ou processam 120 mil toneladas de uvas, um quarto da produção gaúcha. "A grande importância das cooperativas vitivinícolas está na sua função social", diz o vice-presidente da Associação dos Produtores do Vale dos Vinhedos (Aprovale), Luís Zanini.

O presidente da Cooperativa Vitivinícola Garibaldi, Oscar Ló, concorda com Zanini e vai mais longe. "O compromisso da cooperativa é com a família do associado. Mas fortalece os viticultores no momento em que eles entram, em conjunto, com seus produtos no mercado", declara Ló.

A maioria das cooperativas vitivinícolas surgiu na década de 30 - três delas estão completando 75 anos (leia abaixo). Os viticultores estavam unidos pelo ideal de trabalho em conjunto. Visualizavam o desenvolvimento econômico e social das famílias produtoras de uvas. "Eles buscavam soluções para os problemas comuns. Existiam barreiras na produção e comercialização da uva, do vinho e de seus derivados", explica Oscar Zanini.

Monopólio - Os problemas eram conseqüências do monopólio, pois apenas duas vinícolas centralizavam a produção de vinhos e derivados e ditavam os rumos do setor. "A Cooperativa Vitivinícola Rio-Grandense, por exemplo, elaborava 80% do vinho gaúcho", revela o diretor-executivo da Associação Gaúcha dos Vinicultores (Agavi), Darci Dani.

Como alternativa à crise, nasceram as cooperativas vitivinícolas. A maioria surgida naquela época sobrevive, enquanto que quase a totalidade das particulares, fundadas no período, fechou as portas.

 

Aurora é a mais premiada em concursos no exterior

 

A vinícola brasileira mais premiada no exterior também completa 75 anos de fundação. Trata-se da Cooperativa Aurora, criada em fevereiro de 1931, por 16 famílias produtoras de uvas da Serra gaúcha, em Bento Gonçalves. Maior produtora de vinhos do país, sempre esteve na liderança da produção nacional, além de garantir pioneirismo em iniciativas e tecnologias em prol do setor.

A Aurora possui 1.300 famílias produtoras em regime de cooperativa, que desovam 100% de sua produção na vinícola. Em Bento Gonçalves estão a matriz e todas as unidades industriais. Mantém o Centro Tecnológico de Vitivinicultura, no distrito de Pinto Bandeira. "O local é referência em pesquisas e implementações de técnicas de manejo e cultivo na região Sul", diz o superintendente Hermes Zaneti.

Atualmente, é a vinícola brasileira mais premiada nos concursos internacionais, posição de liderança que ocupa desde 1998, quando a participação dos vinhos brasileiros nesses certames oficiais passou a ser mais sistemática e intensa. Desde então, recebeu 140 medalhas - 25 delas só em 2005 -, sendo 13 de ouro e uma grande ouro.

Perfil - A Cooperativa Aurora congrega 1.300 famílias rurais, que cultivam uma área de 3.000 hectares. O grupo responde pela produção de 50 milhões de quilos de uvas, que se transformam em 38,5 milhões de litros de vinhos, em média. A instituição mantém uma equipe com três engenheiros agrônomos, três técnicos e nove enólogos.

Já o grupo de vendas reúne 90 pessoas. A Aurora responde por 9% do mercado nacional e exporta para oito países. Soma 23 mil clientes.

 

Aliança expande atividades na fronteira

 

Aos quatro de janeiro de 1931, em Monte Bérico da 9ª Légua, interior de Caxias do Sul, um grupo de 47 imigrantes e descendentes de italianos, motivados pelo intendente Antônio Zanini, fundaram a Cooperativa Viti Vinícola Aliança Ltda. Hoje a Aliança conta com mais de 200 associados, de cinco municípios. "A cooperativa processa 6,5 milhões de quilos de uva", diz o gerente comercial, Paulo Mognon.

Seu parque industrial é moderno, formado por um complexo de 4.000m2 de área construída. Situa-se no centro da cidade. A Aliança adquiriu recentemente os ativos da Livramento Vinícola Ltda, empresa de propriedade da multinacional japonesa Hombo. Fundada em 1982, utiliza modernas técnicas de cultivo e vinificação, está sediada em Santana do Livramento. Possui área de 439 hectares, sendo que 60 hectares cultivados com uvas viníferas. Também adquiriu uma área de 35 hectares em Encruzilhada do Sul.

 

Garibaldi começou em casa de associado

 

A Cooperativa Vinícola Garibaldi foi fundada em 22 de janeiro de 1931, por 42 viticultores, no porão da casa de um deles. "Atualmente, reúne 310 associados de 10 municípios da Serra gaúcha", revela o presidente da cooperativa, Oscar Ló.

Os associados produzem 12 milhões de quilos de uvas por ano. A Garibaldi produz 20% de vinhos finos. "Os 80% restantes são vinhos de mesa e sucos", informa Ló ao CR.

 

História é marcada pela superação

 

A grandeza da Cooperativa Aurora pode ser medida, ainda, pela superação. Poucos acreditam que uma das maiores fabricantes de vinhos do país quase fechou as portas, em 1996, atolada em dívidas e denúncias. O débito total chegava a R$ 127 milhões. Para cada R$ 1 faturado devia R$ 2,81.

A situação dos 1.600 produtores associados era dramática. Donos de pequenas propriedades, média de 12 hectares, viviam basicamente da uva que entregavam à cooperativa. Relatos da época confirmam que alguns ficaram até oito safras sem receber. A crise financeira durou até 2004, quando foi renegociada a dívida remanescente de R$ 67 milhões.

 

AGRONEGÓCIO

As opções que o Brasil esquece

Importação de ervilha, grão-de-bico e lentilha custa US$ 14,7 milhões

 

O Brasil importa ervilha em abundância e quase a totalidade da lentilha e do grão-de-bico. Diante do diagnóstico, resta a questão: se existe mercado, por que o produtor brasileiro ainda não optou pelo cultivo desses grãos? O assistente técnico regional da Emater em Passo Fundo, Cláudio Doro, é taxativo. "Falta interesse, infra-estrutura. São culturas marginais e desprotegidas", enfatiza.

Esses grãos são geralmente cultivados em países de clima temperado. Assim, no Brasil, somente a região Sul ou regiões mais altas do país poderiam servir para o plantio. A Embrapa Trigo, de Passo Fundo, e a Embrapa Hortaliças, de Brasília, têm-se voltado à pesquisa e disponibilizado cultivares.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Hortaliças Geovani Amaro, o Brasil desembolsou em 2004 mais de US$ 8,74 milhões para comprar 25,4 milhões de quilos de ervilhas; US$ 3,8 milhões para adquirir 8,6 milhões/kg de lentilhas e US$ 2,2 milhões para comprar 3,3 milhões de quilos de grão-de-bico

A Embrapa de Passo Fundo realiza pesquisas para disponibilizar leguminosas desses grãos para produção no inverno, na região Sul. Experimentos conduzidos durante cinco safras, de 1994 a 1998, permitiram identificar cultivares de ervilha de grão seco (Pisum sativum L.), de ervilha forrageira (Pisum sativum L. var. arvense), de lentilha (Lens culinaris Medikus) e de grão-de-bico (Cicer arietinum L.).

A ervilha possui características adequadas para alimentação humana e animal por produzir grãos com baixos níveis de fatores antinutricionais e ricos em proteínas. "Tem potencial para substituir o milho na formulação de rações para suínos e aves, especialmente no RS e SC, em que a produção e a oferta de milho são insuficientes", diz o pesquisador da Embrapa Trigo, Gilberto Tomm.

O uso de ervilha nesses Estados, observa o pesquisador ao CR, poderá vir a ser semelhante ao da França, na qual 68% da produção é utilizada para suínos, 19% é utilizada para a alimentação de frangos e 8% é consumida por bovinos.

Fases - O cultivo de ervilha é realizado no inverno, período em que milhões de hectares de terra no RS, PR e em SC não geram renda e sofrem degradação por erosão.

O desenvolvimento e cultivo comercial de ervilha no Brasil iniciaram - e constituíram a primeira fase com a produção para colheita e processamento de grãos verdes - no sul do RS, de 1943 a 1986. A segunda fase compreende a produção de grãos secos para reidratação e de grãos verdes para congelamento e enlatamento principalmente no Triângulo Mineiro e Alto Parnaíba (MG), de 1985 até os dias atuais.

No RS, a produção de grãos verdes para a industrialização de supercongelados está reiniciando, estimulada pelas agroindústrias e miniindústrias de processamento mínimo e produção para venda in natura. A terceira fase, iniciada em 1999 no norte do Estado gaúcho, é baseada na produção de ervilha seca destinada à alimentação animal.

 

País desembolsa US$ 3,8 milhões só com a importação de lentilha

 

O consumo de lentilha (Lens culinaris Medikus) aumenta seis vezes no final do ano, em relação à média dos demais meses. Os dados são significativos ao observar que quase a totalidade vem do exterior. "O Brasil importa de 8.000 a 10.000 toneladas do grão por ano", diz ao CR o engo agrônomo e doutor em genética e melhoramento de plantas da Embrapa Hortaliças, Geovani Bernardo Amaro.

Em 2004, o Brasil gastou mais de US$ 3,8 milhões para comprar a leguminosa em grãos (seca e sementes).

A lentilha é uma leguminosa de alto valor alimentício e opção de cultivo para o período de inverno na região Sul do país. A época mais recomendada é abril e maio, sob irrigação. Os equipamentos empregados no plantio são os mesmos dos demais cereais. A colheita é feita quando as plantas apresentam coloração amarelada e podem ser usadas máquinas e colheitadeiras adaptadas à cultura.

A Embrapa Trigo e a Embrapa Hortaliças trabalham com materiais de diferentes partes do mundo, tentando introduzir o cultivo da espécie no país. Nos experimentos conduzidos na Embrapa Trigo, a cultivar silvina destacou-se pelo tamanho e pelo aspecto visual dos grãos. Essa cultivar, pertencente ao grupo macrosperma (sementes graúdas), apresentou o maior rendimento de grãos absoluto na média das cinco safras, com 793 kg/ha, superando a cultivar precoz.

Segundo o pesquisador Gilberto Tomm, a cultivar silvina tem potencial para se constituir em uma alternativa vantajosa para substituir as lentilhas de grãos pequenos (microsperma). "As microsperma têm sido semeadas pelos agricultores sulinos por muitos anos, basicamente para consumo próprio devido à dificuldade de comercialização", diz. "O brasileiro gosta de lentilhas graúdas", conclui Tomm.

 

Grão-de-bico indicado para as regiões secas

 

O grão-de-bico (Cicer arietinum L.) é apreciado no Brasil. Destina-se ao consumo humano e é comercializado como grãos secos. O cultivo da leguminosa é próprio para regiões com menor precipitação, como na metade sul do RS, especialmente São Gabriel e Bagé. Deve ser semeada no inverno, que permite coincidir a colheita com períodos de menor precipitação e umidade. "No fim do ciclo, as condições de elevada umidade induzem novas florações (devido ao hábito de crescimento indeterminado) e afetam a qualidade de grãos", explica Tomm.

A Embrapa Trigo testou algumas variedades e conseguiu rendimento médio de 1.370 quilos por hectare, considerado satisfatório, tendo em vista que em nível mundial os rendimentos para essa espécie são baixos e instáveis, na faixa de 400 a 800 kg/ha.

 

CMN aprova recursos para a uva

Setor vitinivícola gaúcho comemora a liberação de R$ 200 milhões

 

O setor vitivínicola só está colhendo boas notícias no início deste ano. As condições climáticas prometem uma vindima de qualidade. Números preliminares revelam que as vendas de vinhos em 2005 foram 20% superiores às de 2004, baixando sensivelmente os estoques. "No ano passado, o setor comercializou 292 milhões de litros, contra 244 milhões do ano anterior", calcula o presidente da Comissão Interestadual da Uva, Olir Schiavenin.

O otimismo dos vitivinicultores foi injetado com outra excelente informação. O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou na quinta 26 a disponibilização de R$ 200 milhões para a comercialização da safra da uva. Essa quantia é R$ 50 milhões inferior ao volume de recursos solicitados pelos empresários, mas é mais de cinco vezes superior ao total de recursos utilizados por empresas, através de Empréstimos do Governo Federal (EGF), na safra passada.

Esse dinheiro tem origem no Ministério do Desenvolvimento Agrário e deve ser confirmado pelo presidente Lula na inauguração da Festa da Uva deste ano. Aliás, uma das condições impostas por Lula para vir a Caxias do Sul é poder anunciar o cumprimento de promessas feitas há dois anos, quando inaugurou o último evento.

A questão, no entanto, não se restringe apenas à liberação de dinheiro. Entidades do setor encaminharam pedido para que o governo reduza o nível de exigências para aprovar os EGFs. "Precisamos que os critérios sejam revistos para que o empréstimo se torne atrativo ao empresário, e não o assuste, porque isso fará com que ele possa pagar logo o viticultor e todo o setor será beneficiado", explica Danilo Cavagni, presidente do Conselho Deliberativo do Ibravin, que esteve em Brasília há poucos dias levando o pleito.

Entre as reivindicações entregues estão o fim do limite de R$ 10 milhões por empresa - afinal, a vinícola é obrigada a dar o produto como garantia de pagamento - e de operações casadas. A taxa de juros para quem buscar os EGFs será de 8,75% ao ano. "Como algumas empresas vão quitar a safra com recursos próprios, os R$ 200 milhões serão suficientes", avalia Schiavenin. "Apesar da quebra das variedades precoces, esperamos uma safra de 500 milhões de quilos de boa qualidade", pondera o diretor-executivo da Associação Gaúcha dos Vinicultores (Agavi), Darci Dani.

 

Interior caxiense sente efeitos da seca

 

O agricultor Oneide Dezen, de Forqueta, Caxias do Sul, já começa a contabilizar as perdas com a safra de milho 2005/2006. Em relação à safra anterior, também fortemente prejudicada pela estiagem, neste ano ele reduziu a área de plantio de milho em mais de 40%. Atualmente, Oneide está cultivando sete hectares, no sistema de plantio direto. Em cinco, a facilidade com irrigação está garantindo o bom desenvolvimento das lavouras, mas em dois, distantes do acesso à água, o agricultor calculava, no final de semana, perdas superiores a 50%. "Se não chover nos próximos dias, essas áreas não irrigadas, onde o milho está em plena fase de florescimento, deverão sofrer perda quase total", lamenta Oneide.

 

Indicação de Procedência consolida Vale dos Vinhedos

 

Somente em 2007, o consumidor poderá conferir a qualidade dos 41 vinhos tintos, safra 2005, que receberam o Selo de Indicação de Procedência Vale dos Vinhedos (I.P.V.V.). Já os cinco vinhos brancos com I.P.V.V. poderão ser degustados ainda este ano. "Um dos brancos é vinho-base para espumante", explica o diretor-executivo da Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos (Aprovale), Jaime Milan.

Os 46 vinhos atestam a excelência das uvas colhidas no início do ano passado, mas, também, que o produto foi elaborado dentro das normas estabelecidas pela região. Todas as 13 vinícolas que solicitaram a Indicação de Procedência (IP) conseguiram o selo. "Esta é a primeira vez que isto acontece e isso significa que o Brasil está mais avançado em relação aos demais países do novo mundo do vinho", declara Milan ao CR.

Os selos têm número para controle e são aplicados como lacre ligando a cápsula à garrafa, distinguindo-a das demais. Para alcançar este diferencial, cada vinho passa por testes. O primeiro passo é a comprovação da origem da uva, variedade, quantidade produzida, fornecedor e localização, informações que são passadas por cada vinícola, conforme documentação exigida pelo Conselho Regulador, além de dados fornecidos pelo Cadastro Vitivinícola do Ministério da Agricultura. A entrega dos certificados acontecerá após a safra 2006.

O Vale dos Vinhedos é a primeira região do Brasil a conquistar uma indicação geográfica. A Aprovale reúne 24 vinícolas dos municípios gaúchos de Bento Gonçalves, Monte Belo do Sul e Garibaldi. Para receber o selo, a uva deve ser cultivada no próprio Vale dos Vinhedos.

 

Sperotto assume commando da Farsul pela quarta vez

 

No dia 21 de março Carlos Rivaci Sperotto assume pela quarta vez o comando da Federação da Agricultura do Estado (Farsul). Sperotto foi reeleito para presidir a entidade no período 2006-2009, com 100 votos contra 31 do oponente José Roberto Pires Weber. Votaram 131 sindicatos dos 133 com direito a voto.

Depois de nove anos sem oposição, neste ano a eleição foi disputada por duas chapas, a chapa 1, encabeçada pelo atual presidente, representante de Santo Augusto, e a chapa 2, liderada por José Roberto Pires Weber, pecuarista em Dom Pedrito.

Para Sperotto, o resultado das urnas consolida seu trabalho frente à entidade feito nesses últimos nove anos. A Federação reúne 135 sindicatos e representa 85 mil produtores rurais do RS. O presidente da entidade também responde pelo Senar/RS, que no ano passado instruiu 92 mil agricultores.

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

Tipos de leite

Como consumidora, gostaria de saber qual é a diferença entre os diversos tipos de leite que são colocados à nossa disposição nos supermercados?

Rita Alice Hahn

Feliz - RS

 

Pedi ao prezado colega Lírio Londero, especialista no assunto e chefe da Emater de Feliz, que fale sobre o tema. Feliz é grande produtor de leite. "O leite é um dos mais completos alimentos, contém uma grande variedade de nutrientes essenciais ao crescimento, desenvolvimento e manutenção de uma vida saudável. Rico em proteínas, energia e minerais, é indicado para todas as idades.

É indispensável na alimentação diária porque contém tudo que faz bem à saúde. Em vista de sua composição, não há alimento que se lhe possa comparar. Para que se tenha boa saúde e crescimento normal, é indispensável tomar leite todos os dias nas seguintes quantidades:

O leite faz bem à saúde porque ajuda o crescimento; contribui para a formação dos ossos, músculos e dentes fortes; regula o sistema nervoso; desperta o apetite; aumenta a resistência às doenças infecciosas; facilita a digestão; ajuda a pessoa a se conservar alegre e disposta para o trabalho.

Embora traga todos esses benefícios, o leite poderá também causar muito mal se não se tiver o necessário cuidado com ele durante a ordenha, sua conservação posterior e a sanidade dos animais.

Segundo a Instrução Normativa 51 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, de 18/09/2002, entende-se por leite, sem outra especificação, o produto oriundo da ordenha completa e ininterrupta, em condições de higiene, de vacas sadias, bem alimentadas e descansadas. O leite de outros animais deve denominar-se segundo a espécie de que proceda.

É importante, todavia, lembrar que os componentes do leite podem variar consideravelmente entre as vacas de diferentes raças e entre vacas da mesma raça, dependendo da alimentação, da época do ano, do período de lactação, do intervalo entre as ordenhas e da idade do animal.

Também é importante afirmar que, ao sair do úbere de uma vaca sadia, o leite é praticamente isento de microorganismos, porém, sua contaminação pode ocorrer durante a ordenha ou ao entrar em contato com vasilhame e equipamentos contaminados pela microflora do ambiente.

Por isso, é necessário submeter o leite a processos que garantam sua qualidade e segurança para o consumo. Os processos mais usados são a pasteurização, a ultrapasteurização e a esterilização.

No mercado, no entanto, encontramos um grande número de tipos de leite. Vejamos: leite integral, leite semidesnatado, leite desnatado, leite desnatado light, leite longa vida, leite tipo A, leite tipo B, leite tipo C, leite enriquecido com vitaminas ou com este ou aquele mineral (ferro, cálcio, ômegas) etc.

O que há de diferente entre esses leites?

Vamos falar resumidamente sobre eles, com o objetivo de clarear algumas informações que são do conhecimento de apenas uma parcela da população.

A Instrução Normativa 51, antes referida, define claramente os leites produzidos nas granjas leiteiras até seu processamento nos laticínios. São normas claras que visam preservar a qualidade de um alimento tão nobre.

Leite integral - é o que possui no mínimo 3% de gordura. Ele carrega todos os nutrientes, com o teor de gordura padronizado. A parte sólida é constituída pela gordura, proteínas, açúcares e sais minerais e alcançam, em média, 12,75%. Os restantes 87,25% compõem-se de água.

Leite semidesnatado - é o que possui entre 0,6 a 2,9% de gordura, dependendo da indústria onde é processado. Normalmente possui teor intermediário de gordura, mantendo todos os demais nutrientes.

Leite desnatado - é o que possui 0,5% de gordura ou menos. Ele contém todos os sólidos do leite, com exceção da gordura. As vitaminas solúveis na água, incluindo as do complexo B e o ácido ascórbico (vitamina C), são encontrados no leite desnatado. Não contém as vitaminas A e D, que são solúveis na gordura e, portanto, retiradas juntamente com a nata quando separada do leite. Este leite é uma excelente fonte de proteína animal e sais minerais. Contém a mesma quantidade de lactose do leite integral. É um ótimo alimento.

Leite desnatado light - tem 20% menos gordura que o desnatado." (Mais informações na próxima edição).

 

SAÚDE

PSA gera discórdia entre médicos

Estudos contestam eficácia do exame de sangue para detecção do câncer de próstata

 

Orientados pelos médicos, milhões de homens submetem-se anualmente ao exame sangüíneo para medição do PSA (ler abaixo), como forma de prevenção ao câncer de próstata. Porém, nos últimos anos, o exame tem gerado grandes discussões científicas. A questão ficou ainda mais acirrada no ano passado, quando uma pesquisa publicada na revista da Associação Médica Americana afirmou que os valores de referência do exame não são seguros.

Atualmente, valores de PSA superiores a quatro nanogramas por mililitro de sangue são indício da presença de um tumor maligno. Quando apresentam esse índice, os pacientes são encaminhados para uma biópsia da próstata. Porém, os pesquisadores acompanharam 19 mil homens, com mais de 55 anos de idade, durante sete anos, e constataram que não existe um valor específico de PSA capaz de prever o risco de desenvolvimento de um câncer. Isso significa que um homem pode ter PSA de dez nanogramas e não apresentar câncer, ou ter um índice menor que quatro e mesmo assim ter uma forma agressiva da doença.

Os cientistas também afirmam que, usado isoladamente, o exame deixa escapar cerca de 80% dos casos de câncer. Em outras palavras, produz muitos resultados falso-negativos e falso-positivos. Sendo assim, muitos pacientes que acreditam estar livres do tumor na verdade não estão; e outros tantos se submetem à biópsia, um procedimento invasivo e desconfortável, sem necessidade.

Para melhorar a eficácia do exame, os autores da pesquisa sugerem baixar o valor de referência do PSA para 1,1 nanogramas por mililitro de sangue. Assim, 83% dos tumores seriam detectados, mas muitos continuariam fazendo a biópsia sem ser preciso. Por isso, a maioria dos médicos é contra reduzir drasticamente os valores de referência do PSA.

Na falta de um exame mais acurado, o que vale é o bom senso de médicos e pacientes, ou seja, deve-se levar em conta outras informações, como histórico familiar e sintomas do homem. É o cruzamento desses dados que pode fazer com que um paciente com PSA abaixo de quatro, mas cujo pai teve câncer de próstata, por exemplo, seja encaminhado à biópsia. Por outro lado, o médico pode julgar desnecessária a biópsia em alguém cujo PSA está acima de quatro, mas nunca teve sintomas da doença nem casos de câncer na família.

 

Dúvida não invalida o exame preventivo

 

As discussões sobre a eficácia do exame de PSA estão longe de terminar. Mesmo assim, é importante ressaltar que as dúvidas em torno do método não o invalidam. Por enquanto, não há nada que o substitua. Ele ainda deve ser complementado pelo exame de toque retal e pela ultra-sonografia.

Muitos homens ignoram a importância dos exames preventivos. O câncer de próstata tem aumentado muito nos últimos anos. É o segundo mais freqüente entre os homens, perdendo apenas para o de pele. Todos os anos surgem, em média, 543 mil novos casos da doença no mundo. No Brasil, estima-se mais de 46 mil novos casos anuais.

O primeiro exame de PSA deve ser feito antes dos 45 anos. Quem tem maior risco de desenvolver a doença, devido ao histórico familiar, precisa fazê-lo a partir dos 40 anos, anualmente. Os médicos alertam: melhor fazer o exame e ser encaminhado para biópsia sem necessidade, do que ignorar os meios de prevenção e, mais tarde, descobrir um câncer. Se o tumor for identificado no início, pode ser curado com cirurgia ou radioterapia. Se atingir outras regiões, a radioterapia pode prolongar a vida do paciente.

 

Romã pode diminuir avanço da doença

 

Uma nova pesquisa, feita nos Estados Unidos pela Universidade de Wisconsin e publicada na revista "Procedimentos da Academia Nacional de Ciências", indica que o suco de romã pode ajudar a diminuir o avanço do câncer de próstata. Segundo os cientistas, testes em ratos mostraram grande redução do ritmo de multiplicação desse tipo de célula cancerígena na presença do extrato de romã.

Inicialmente, os pesquisadores testaram o efeito do suco de romã sobre culturas em laboratório de células humanas com câncer de próstata. Nessa fase da experiência, descobriram que o extrato da fruta matava células cancerosas. Quanto maior a dose, mais células morriam.

Depois, eles injetaram células humanas de câncer de próstata em ratos. Em seguida, administraram a um grupo de ratos uma dose de água pura, enquanto outros grupos receberam água com porcentagem de 0,1% ou 0,2% de suco de romã. O avanço do câncer foi reduzido de forma significativa nos ratos que receberam a maior dosagem de suco de romã. Hasan Mukhtar, que liderou o estudo nos Estados Unidos, afirmou que os resultados são um bom motivo para testar a fruta em seres humanos, tanto para prevenção quanto para tratamento de câncer.

A romã, proveniente do Oriente Médio, possui substâncias antioxidantes e antiinflamatórias que ajudariam no tratamento de doenças. Pesquisas anteriores já haviam comprovado que o extrato da fruta ajuda a combater tumores na pele de ratos. Outra pesquisa, de cientistas israelenses, constatou que um copo de suco de romã por dia reduz os riscos de doenças cardiovasculares.

 

OPINIÃO

Religião: a ligação com a transcendência

Maria Clara Lucchetti Bingemer

 

A religião dá ao ser humano a chance de empenhar sua vida por valoreselevados... de construir um mundo onde o amor vença o ódio e a vida seja mais forte que a morte Dia 21 de janeiro é data de curiosa celebração. Celebra-se em todo o mundo o Dia Mundial da Religião. Data ainda pouco conhecida e divulgada na mídia, merece, no entanto, uma atenta reflexão. Porque sem dúvida traz à tona e à baila um tema que - contrariamente às expectativas dos tempos modernos e seculares - vai adquirindo cada vez mais importância, à medida que a humanidade avança novo milênio afora.

Certamente na velha Idade Média não precisaria haver um Dia Mundial da Religião. O mundo medieval era essencialmente religioso. A concepção de mundo, de ser humano, de arte, de saber era teocêntrica, ou seja, tinha a Deus por centro. E Deus é o centro irradiador e convergente em torno do qual gira e se forma a religião. É da experiência de Deus, do contato com o Ser Transcendente, que nenhuma categoria humana explica que nasce a religião, feita de símbolos, ritos e doutrina.

A modernidade retirou Deus do centro da visão de mundo e da organização do saber, colocando aí o ser humano. O mundo moderno, à diferença do medieval, passou a ser antropocêntrico e não mais teocêntrico. O homem é a medida de todas as coisas e o saber, o pensar, o sentir desejam ser autônomos e não mais tutelados por uma religião. A religião passou, então, a ser um setor da vida e da organização social e científica, não sendo mais o centro a partir do qual se explica a vida. Alguns mesmo - como Marx, Freud e Nietzche, chamados com razão de "mestres da suspeita" - profetizaram seu fim.

No entanto, essas profecias parecem que não se cumprem. Ao invés de desaparecer e acabar, a religião re-aparece sob novas formas e configurações, mostrando que na verdade nunca se retirou e sempre esteve presente na vida humana. O fato de haver um Dia Mundial da Religião parece demonstrar essa presença não carente de importância da transcendência e do divino no meio de uma realidade que parecia prescindir dela.

Primeiro de tudo é preciso entender o que é religião. Religião é a crença na existência de uma força ou forças sobrenaturais, considerada (s) criadora (s) do Universo, e que como tal deve(m) ser adorada(s) e obedecida(s). É a manifestação de tal crença por meio de doutrina e ritual próprios, que envolvem, em geral, preceitos éticos.

A palavra religião vem de re-ligar, quer dizer, daquilo que liga, que faz a conexão, a relação do ser humano com aquilo ou Aquele que não é humano, que é transcendente, que é sobrenatural. Portanto, é a ligação misteriosa do ser humano com algo ou alguém maior do que ele, que ele não controla nem domina e que, no entanto, se mostra, se manifesta, se revela.

Há muitas pessoas que não têm ou pretendem não ter nenhuma religião. Não acreditam que haja nada além daquilo que nós, humanos, podemos ver com nossos olhos, ouvir com os ouvidos e tocar com nossas mãos. Há muito mais gente, no entanto, que faz a experiência da fé e a expressa em determinada religião. Acredita que tudo não termina ali onde os sentidos humanos podem ver, ouvir e tocar. Acredita que há algo, alguém, uma força, uma pessoa, que está acima dos limites humanos, em sua origem e fim como Criador. Algo ou alguém que anda a seu lado como proximidade salvadora e redentora. Algo ou alguém que habita em seu interior como força propulsora e santificadora. Quem crê e vive isso, sob qualquer denominação que seja, é uma pessoa religiosa.

Durante muitos séculos, a experiência religiosa no mundo ocidental era quase que exclusivamente configurada pela tradição judaico-cristã. Ser religioso era sinônimo de ser cristão e em muitos casos, católico. Hoje, com o processo intenso de migrações e o advento da globalização, o mundo é plurireligioso. Em todas as latitudes convivem lado a lado pessoas de diferentes tradições religiosas, vivendo o grande desafio de acolher as diferenças uns dos outros e dialogar com essas diferenças, tornando-as potencialidade de vida e harmonia.

No Dia Mundial da Religião celebra-se, é verdade, o equívoco das profecias daqueles que pretendiam estar o mundo presenciando o fim da religião. Porém, mais ainda, comemora-se a grande chance que a religião, qualquer que ela seja, dá ao ser humano de empenhar sua vida por valores mais altos do que os imediatismos que a sociedade consumista propõe. Celebra-se e comemora-se a potencialidade do humano de desejar e acolher o divino e, a partir da relação e do diálogo com os outros e com o Outro, procurar construir um mundo onde o amor vença o ódio e a vida seja mais forte que a morte.

 

E a reforma política?

Frei Betto

O único poder capaz de frear abusos, desvios E corrupções de políticos é o das urnas, o que emana do voto do eleitor

 

Falta ao governo Lula promover a reforma política. Ano passado, ensaiou-se, graças ao mensalão. Destacou-se o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, para apresentar uma proposta. Descobriu-se, todavia, chover no molhado. Outros projetos dormitavam havia anos nas gavetas do Congresso Nacional. Renan Calheiros, presidente do Senado, chegou a ressuscitá-los. Em vão.

A corrupção veio à tona no Congresso e jogou a reforma política às calendas. Estamos a nove meses das eleições e nem sabemos se haverá ou não verticalização. Ou se o caixa dois entrará na lista dos crimes eleitorais. Pelo menos é um avanço obrigar as contribuições de campanha a passarem pelo sistema bancário. Mas, e o financiamento público? Por que não se fala mais nisso? Por que não obrigar os candidatos a revelar suas contas na Internet?

Maquiavel, que sabia das coisas, sobretudo em matéria de política, dizia ser inútil esperar que o parlamentar modifique a lei que o beneficia. Donde se deduz que só resta ao eleitor mudar o parlamentar que se recusa a promover reforma política. As eleições deste ano terão caráter plebiscitário. Desde que os eleitores esclarecidos não cedam ao engodo do voto nulo, que só favorece os maus políticos.

Como esperar do atual Congresso uma reforma que poderia decretar a cassação, nas urnas, da carreira de inúmeros deputados e senadores? Ainda bem que, pressionada pela opinião pública - da qual a imprensa é porta-voz - a Câmara reduziu o recesso parlamentar de 90 para 55 dias (a maioria dos trabalhadores tem direito a apenas 30 dias) e cassou a remuneração da convocação extraordinária. Porém, este ano muitos já embolsaram a bolada, onerando os cofres públicos. Pena que não leiam Aristóteles, que condena fazer do cargo público uma fonte de renda.

O que estarrece a nação é que a maioria enfiou o dinheiro no bolso e entrou em férias entre o Natal e o dia 16 de janeiro. Três semanas de folga e dois salários a mais na conta bancária! Pagos para trabalhar, os parlamentares foram gazetear. Às nossas custas. Voltando a Aristóteles: "Em questão de riqueza, bens, poder, glória e todas as demais coisas deste tipo, os homens não sabem impor um termo aos seus desejos." (L 4, c I, § 3). Vale a pena reeleger quem recebe e não trabalha?

A reforma política, quando vier, terá de reduzir também o número de servidores do Congresso, hoje cerca de 17 mil. Se somarmos os 513 deputados federais aos 81 senadores, a conclusão é que a proporção é de 28 funcionários para cada parlamentar! Não é um exagero? É bom lembrar que os eleitos são nossos empregados, pagos pelos nossos impostos, e a nós devem prestar contas. Culpa nossa se, uma vez empossados, dão-nos as costas e se locupletam com o nosso dinheiro.

Cabe ao eleitor consciente investigar como o parlamentar em quem votou se comportou nessa farra de receber extras para trabalhar e ficar três semanas em férias. Quem não valoriza o voto, deteriora a democracia. O mau político não é apenas o corrupto, é também o omisso, o conivente com maracutaias, o que faz da função uma plataforma de alpinismo social.

Diz acertadamente Montesquieu: "Para que não se possa abusar do poder, é preciso que, pela disposição das coisas, o poder freie o poder." E o único poder capaz de frear abusos, desvios e corrupções de políticos é o das urnas, o que emana do voto do eleitor.

 

ESPECIAL

Festa da Uva aciona megaestrutura para receber um milhão de pessoas

750 expositores, 300 mil quilos de uva para distribuir, 160 shows, 2,5 mil empregos gerados, os números dão a dimensão da grandiosidade do evento que inicia dia 17

 

Os números que envolvem a organização da 26ª edição da Festa Nacional da Uva, em Caxias do Sul, dão a dimensão da grandiosidade do evento que está completando 75 anos. Começam pelos 300 mil quilos de uva que serão distribuídos aos visitantes. Passam por cerca de 400 empresas expositoras - quase 50% delas caxienses, contra 30% da última Festa -, entre elas 23 vinícolas; por 349 expositores de uva; por três restaurantes - um deles com comida típica colonial italiana, gaúcha e alemã, seguindo o tema deste ano "A alegria de estarmos juntos" -; mais 23 lancherias no pavilhão 2 e na praça de alimentação. E chegam à geração de 2,5 mil empregos diretos e indiretos.

Só na distribuição de uva aos visitantes nos pavilhões vão trabalhar 60 jovens - alunos da Universidade de Caxias do Sul, contratados através de parceria com a instituição. Juntam-se a eles em torno de 400 na área de alimentação (estimativa do responsável pela coordenação e vendas da feira, Valmor Pessini) e as pessoas que atuarão como recepcionistas nos estandes - seguramente mais de mil. É preciso contabilizar ainda o pessoal da segurança, da limpeza, da bilheteria, dos estacionamentos (terceirizados)...

Engrenagem - A engrenagem que será acionada a partir de 17 de fevereiro - até 5 de março - mobilizará ainda cerca de 2,5 mil figurantes dos sete corsos alegóricos e outras 100 pessoas que trabalham na confecção dos carros e dos adereços. Tem também a equipe das Olimpíadas Coloniais, os 160 shows musicais programados, com artistas locais, regionais, do Estado e de repercussão nacional, entre eles Zeca Pagodinho (dia 18/02), Os Paralamas do Sucesso (24/02) e Chitãozinho e Xororó (25/02). "Tudo aqui é gigantesco", define Roberto Chaves Pereira, diretor administrativo da Comissão. Mesmo o que não aparece, como os seis mil metros de cabos elétricos que receberam capeamento no deslocamento da subestação de energia para fora dos pavilhões. Ou os mais de 5.000 convites para a inauguração, encaminhados com a expectativa de presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que na semana passada voltou a afirmar seu desejo de estar em Caxias no evento.

Essa estrutura toda está sendo montada com o objetivo de atrair um milhão de visitantes, 250 mil a mais que o último evento, em 2004. E vai consumir, entre obras, divulgação, no conjunto de atrações e outros gastos, mais de R$ 5 milhões, conforme o presidente da Comissão Comunitária, Gelson Palavro. Como cobrir essas despesas? As receitas vêm da venda de espaços para estandes e na praça de alimentação, bilheterias dos pavilhões e desfiles alegóricos, patrocinadores e Leis de Incentivo à Cultura - R$ 1,25 milhão só da federal, a Rouanet - mais de R$ 500 mil ainda sem captação.

 

Obras dão novo desenho ao Parque de Exposições

 

Sem poder contar com os novos pavilhões, a empresa Festa da Uva e a Prefeitura de Caxias do Sul resolveram melhorar as condições dos atuais para o evento que será inaugurado no próximo dia 17. Mas as mudanças mais amplas, executadas com o objetivo de melhor atender o visitante, estão do lado externo dos pavilhões, espalhadas por boa parte dos 367 mil metros quadrados do parque de exposições.

A mais destacada é o pórtico, com área coberta de 1.600 metros quadrados (20x80), por onde os visitantes que chegarem de carro ou ônibus urbano ingressarão no parque. Bem próximo, outra alteração: uma nova área para estacionamento, ao lado do heliponto, elevando em 300 veículos a capacidade atual, que é de 750 - haverá mais duas guaritas para cobrança também. Novidade ainda é a instalação de câmeras de segurança para monitorar o parque.

Outra alteração atende exclusivamente os ônibus e outros veículos de turismo. Os turistas terão uma estação de desembarque, sem precisar atravessar a rua, e acesso ao parque por uma bilheteria especial, erguida junto à sede de escoteiros Moacara. No trajeto aos pavilhões, poderão passar sob parreiras dispostas em arco por uma extensão de 30 metros. Os ônibus ganharão uma área para estacionar dentro do parque, no lado oposto ao acesso principal, com capacidade para 300 veículos. Para isso foi aberta uma via, coberta com brita, que tem 800 metros com até 40 metros de largura e vai da rua Ivo Comandulli à Ludovico Cavinatto, passando em frente ao Monumento Jesus Terceiro Milênio. Uma escada de 200 degraus, de concreto e com três metros de largura, ligará essa área ao Monumento e aos pavilhões.

Custos - Para realizar essas obras foram terraplanados 27 mil metros quadrados - 24 mil no estacionamento para ônibus de turismo. Segundo Mauro Pereira, secretário de Obras da Prefeitura e diretor de infra-estrutura da Festa da Uva, se todos os projetos fossem executados por empresas contratadas, os custos atingiriam em torno de R$ 1,3 milhão - incluindo uma cascata e gruta com imagem de N. Sra. de Caravaggio na base do Jesus Terceiro Milênio, assentamento de grama (30 mil m2) e outras pequenas obras. Como estão sendo realizados por funcionários e equipamentos da Secretaria de Obras, "o custo será em torno de 40% menor", projeta.

 

IGREJA

Bento XVI recorda enfermos mentais

Tema faz parte da mensagem para Jornada Mundial do Enfermo

 

No dia 11 de fevereiro de 2006, festa litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes, será celebrada a 14ª Jornada Mundial do Enfermo. A cada ano, a jornada é celebrada num santuário indicado pelo Papa. Neste ano, o local escolhido é a catedral de Adelaide, Austrália, dedicada a São Francisco Xavier, grande missionário do Oriente cujos 500 anos de nascimento são celebrados em 2006. Em 2005, a jornada desenvolveu-se na África, no santuário mariano de Mvolyé, em Yaoundé, Camarões.

Na mensagem para a Jornada Mundial do Enfermo, Bento XVI salienta que a Igreja "deseja inclinar-se com particular solicitude diante das pessoas que sofrem, chamando a atenção da opinião pública sobre os problemas ligados com a dificuldade mental, que afeta um quinto da humanidade e constitui uma verdadeira emergência sócio-sanitária".

Depois de recordar o especial carinho que João Paulo II dedicava a esse encontro mundial, Bento XVI salienta que em muitos países ainda não existe uma legislação específica em favor dos enfermos mentais e nem políticas bem definidas sobre saúde mental. O Papa salienta alguns fatores responsáveis pelos transtornos mentais que afetam mais de um bilhão de pessoas no mundo.

Bento XVI destaca os conflitos armados, as catástrofes naturais, a expansão do terrorismo que, além de causar um número impressionante de mortos, "geram em muitos sobreviventes traumas psíquicos, dos quais dificilmente se recuperam". Mas o Papa também menciona o elevado desenvolvimento econômico dos países ricos, como origem de novas formas de desequilíbrios mentais. Ele cita a influência negativa da crise de valores morais, que gera solidão; a desagregação de tradicionais formas de coesão social, começando pela família, e a marginalização dos enfermos, considerados um peso para os familiares e a sociedade.

O Papa ressalta o mérito de quem, das mais diferentes formas, está a serviço desses enfermos e trabalha para que não diminua o espírito de solidariedade, inspirados pelos ideais e princípios humanos e evangélicos.

Por fim dirige sua mensagem aos irmãos afligidos pela enfermidade, convidando-os a "oferecer junto com Cristo vossa condição de sofrimento ao Pai, com a segurança de que cada prova acolhida com resignação tem mérito e atrai a benevolência divina sobre toda a humanidade". O Papa envia sua bênção a todos os enfermos.

 

Em 2005, perderam a vida 27 missionários

 

O ano de 2005 registrou um saldo de 27 missionários assassinados em todo o mundo. As informações são da Agência Fides, do Vaticano. A pior situação foi registrada na República do Congo, onde perderam a vida seis padres e um leigo. Na Colômbia, foram assassinados quatro sacerdotes e uma religiosa. O Brasil também faz parte da lista, com a morte da missionária irmã Dorothy Stang, assassinada no dia 12 de fevereiro em Anapu (PA). A última vítima do ano foi a religiosa suíça Margaret Branchen, morta aos 74 anos na África do Sul no dia 28 de dezembro.

 

Católico para sempre

Padre Zezinho

Nenhum pregador sabe tudo o que diz saber; nenhuma religião tem todas as respostas

 

Agora que você decidiu ser católico para sempre e morrer cristão e católico, já entendeu o que houve. Um pregador gentil e entusiasmado que queria mais membros para sua Igreja levou você para lá, sob o argumento de que eles eram mais fiéis ao Cristo e conheciam o verdadeiro Jesus. Para convencê-lo disso ele precisou mostrar os erros da Igreja Católica. Encheu a sua cabeça de trechos da Bíblia, disse algumas verdades contra a Igreja Católica, mas não lhe disse toda a verdade a respeito da Igreja dele.

Você descobriu que nem tudo o que ele dizia sobre a Igreja dele era verdade. Quer voltar porque alguém lhe mostrou que não foi tudo como aqueles pregadores contaram a você. Aprenda a lição dessa experiência de ter ido procurar Jesus noutra Igreja:

- Nenhum pregador sabe tudo o que diz saber; nenhuma religião tem todas as respostas;

- A Igreja Católica tem pelo menos 20 séculos de existência, e ele diz que são apenas 15. Nós contamos a partir dos apóstolos e eles contam a partir de outra data.

- Os pecados que ele, aberta ou sutilmente, mostrou que há entre nós, também há na Igreja dele que tem menos de 50 anos de fundação. Desde o primeiro papa, Pedro, a Igreja admite que erra, penitencia-se, chora e pede perdão.

Agora que você voltou prometa não diminuir nem falar mal da Igreja onde esteve. Concentre-se na Igreja para a qual voltou e onde foi batizado. Tente ser cristão católico sem diminuir os outros cristãos. Eles fizeram isso conosco. Não faça isso com eles! Católico respeita a mãe do outro; e mesmo que ore, pense e creia diferente, respeita a Igreja dos outros.

Você não voltou para provar que é melhor, mais iluminado e mais santo que os outros cristãos. Voltou porque quer viver sua fé em Jesus dentro de uma Igreja de 20 séculos de caminhada! Fez a sua escolha. Deixe que os outros caminhem diferente sem ofendê-los. Perdoe!

 

Anta Gorda promove romaria à gruta

Devotos de Lourdes de toda a região visitam a gruta de Itapuca

 

Nos dias 12 e 13 de fevereiro a comunidade de Itapuca, interior de Anta Gorda (RS), realiza a 72ª Romaria à Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, motivada pelo tema "Com Maria buscamos vida sadia". A programação conta com missas celebradas no dia 12 às 9, 10h30, 13h30, 15 e 16h30; ao meio-dia almoço e churrasco nos pavilhões. Durante todo o dia haverá atendimento de confissões. A gruta faz parte da paróquia São José do Patrocínio, de Anta Gorda, dirigida pelo pároco, monsenhor Giocondo Giusepe Vaccaro.

A gruta de Itapuca é considerada a maior da América Latina. Ela tem cerca de quatro mil metros quadrados. O acesso à gruta, localizada em meio à mata virgem, é feito através de uma escadaria de 90 metros e mais de 140 degraus. Realizada todos os anos, no segundo domingo de fevereiro, a romaria atrai mais de cinco mil pessoas da região e também de outras partes do Estado e do país.

Descoberta no dia 12 de outubro de 1922 pelos irmãos Pedro, João e Ângelo Toigo, a gruta foi consagrada a Nossa Senhora de Lourdes por dom João Becker. A primeira missa oficial foi celebrada em 11 de fevereiro de 1934. Todo o segundo domingo de cada mês são celebradas duas missas na gruta, às 9h30 e às 14 horas. Na região de Itapuca, colonizada pelos imigrantes italianos, predomina a agricultura familiar, baseada na produção de leite, milho, feijão, fumo, suínos, erva-mate etc. A gruta expressa o espírito de oração e fé dos pioneiros, que chegaram à região no final do século XIX. (Colaboração de Luiz Dall Orsoletta)

 

Vila Fão recorda padroeira e jubileu

 

No dia 12 de fevereiro, também a paróquia de Vila Fão, Marques de Souza (RS), promove a festa da padroeira Nossa Senhora de Lourdes. A paróquia foi fundada em 1926, quando os franciscanos menores chegaram ao Rio Grande do Sul e ali se estabeleceram. Neste ano, a festa terá dois momentos de destaque: a presença de frei Isaías Borghetti, capuchinho, natural da localidade, que celebrará 40 anos de ordenação sacerdotal; e a posse do novo pároco, frei Gabriel Brancher, que substituirá frei Evaldo Teipel.

A programação prevê missa solene às 10 horas, presidida por frei Isaías e com a presença de diversos concelebrantes. Haverá pregação de dom Clóvis Frainer, arcebispo capuchinho emérito que há 40 anos foi o pregador da primeira missa de frei Borghetti em Vila Fão. Ao meio-dia, almoço de confraternização. Frei Isaías foi ordenado no dia 18 de dezembro de 1965 por dom Vicente Scherer. Sempre atuou na comunicação - rádios e Correio Riograndense. Atualmente trabalha no escritório central da província dos Capuchinhos do RS, na rádio São Francisco-Sat, rede Sul de Rádio e na paróquia Imaculada Conceição de Caxias do Sul.

 

Serra gaúcha celebra Lourdes com destaque

 

A devoção a Nossa Senhora de Lourdes é uma das mais difundidas na Serra gaúcha. Na diocese de Caxias, há grutas dedicadas a Lourdes em São Jorge, Veranópolis, Nova Prata, Pinto Bandeira, Bento Gonçalves, Otávio Rocha, Ana Rech, São Pedro da Terceira Légua (Caxias), entre outros locais. No dia 12, Nossa Senhora de Lourdes é lembrada com festas e celebrações em Flores da Cunha, na Gruta de Veranópolis, na paróquia de Lourdes, em Caxias do Sul, e em diversas outras comunidades.

Em São Pedro da Terceira Légua, paróquia atendida pelos capuchinhos, há uma histórica gruta natural que pode abrigar cerca de mil pessoas. No dia 11 haverá missa com bênção aos doentes e, no dia 12, celebrações às 9, 10h30 e 16 horas. No segundo domingo de cada mês há missa no local, às 16 horas.

 

Paróquias litorâneas festejam Navegantes

 

Além da grande festa de Nossa Senhora dos Navegantes, realizada em Porto Alegre, em outras três cidades gaúchas a Virgem venerada sob esse nome é motivo de grandes celebrações no dia 2 de fevereiro. Em São José do Norte é realizada a 195ª festa de Nossa Senhora dos Navegantes. O evento religioso remonta ao ano de 1811, quando homens que trabalhavam na carga e descarga de navios, iniciaram um movimento de festividades religiosas dedicadas a Nossa Senhora dos Navegantes. Como não tinham uma imagem dela, utilizaram uma de Nossa Senhora do Rosário. Somente em 1875 a cidade recebeu a imagem, que é cultuada até hoje.

Em Tramandaí e Imbé, realiza-se a 98ª festa de Nossa Senhora dos Navegantes, padroeira dos municípios. A programação religiosa conta com missa às 8, 11 e 19 horas. Às 20 horas inicia a procissão fluvial com a imagem pelo rio Tramandaí até o trapiche da Petrobras, seguida de missa campal às 21 horas, ao lado da ponte Tramandaí-Imbé. Às 22h30, a procissão segue até a matriz, onde haverá bênção das flores e das fitas.

 

Método e persistência

Aldo Colombo

Os sucessos e as derrotas, quase sempre, são conseqüência de um processo. Não são imediatos, mas vão se formando aos poucos

 

Três amigos, numa casa de campo, esperavam para que o churrasco estivesse no ponto. Depois de alguns copos, começaram as costumeiras bravatas. Ao lado existia um grande tanque e nele alguns peixes. Surgiu uma disputa: quem conseguiria apanhar um peixe em menos tempo. Um deles, puxando o revólver começou a descarregar tiros na água em direção a um peixe. Era bom atirador, mas a água desviava a direção da balas. Ele acabou sem munição. O segundo deles jogou-se na água, tentando agarrar algum peixe. Desistiu dentro de alguns minutos. Evidentemente, a tarefa era impossível. O terceiro deles, pegou um copo e começou a tirar água do tanque. Seus amigos não entenderam e ele explicou: vai demorar algum tempo, mas o método é infalível.

Na vida todos temos ideais e desafios. Cada um de nós imagina um método para conseguir seus objetivos. A experiência mostra que a maioria acaba sem conseguir suas metas ou - pelo menos - consegui-las integralmente. Aí entram duas questões: o método e a persistência.

Há pessoas que têm pressa demais. Quando Deus pretende produzir um pepino, precisa apenas de algumas semanas, mas um pinheiro leva dezenas de anos. Um artista leva meses e anos para produzir uma obra prima, no fundo do mar uma pérola leva séculos para chegar à sua perfeição. A pressa acaba esquecendo os detalhes. Há também - em maior número - pessoas que pecam por falta de método. São desordenadas e, quase sempre, lhes falta persistência.

Os sucessos e as derrotas, quase sempre, são conseqüência de um processo. Não são instantâneos, mas vão se formando aos poucos. Ninguém se torna santo ou criminoso de um dia para outro. Há todo um caminho que é seguido com determinação. No dia-a-dia falamos de bons e maus hábitos. São processos continuados, que adquirem dinamismo próprio. Para desfazer um hábito, ou um processo, que se originou ao longo dos anos, é necessário um novo processo, que também dura tempo. Esta lei vale para cada pessoa, vale para a educação dos filhos, vale para a vida profissional.

A pessoa não pode se julgar onipotente. Somos fracos, precisamos recomeçar muitas vezes e precisamos ter consciência de que ninguém é feliz, ninguém triunfa sozinho. Foi perguntado um dia, a um homem bem sucedido, qual a receita de seu êxito. Ele explicou: "Creio em mim mesmo. Creio no valor da persistência e do método. Creio nos que trabalham comigo. Creio na pessoa com quem me casei. Creio que Deus me emprestará tudo o que preciso para vencer, contanto que seja com meios honestos. Creio na oração e nunca começarei e terminarei meu dia sem pedir as luzes divinas. Creio que o triunfo é o resultado do esforço inteligente e continuado e não depende da sorte".

 

Reconhecido milagre de Frei Galvão

Médicos confirmam milagre, que aguarda a ratificação da Igreja

 

Com o reconhecimento, por uma junta médica italiana, de um milagre atribuído à intercessão do bem-aventurado Frei Galvão (1739-1822), o religioso franciscano pode se tornar o primeiro santo nascido no Brasil. Anúncio da aprovação do milagre foi feito no dia 19 de janeiro, mas, segundo irmã Cláudia Hodecker, da Ordem da Imaculada Conceição, que trabalha no processo de canonização do frade, ele ainda não pode ser revelado porque é preciso que um grupo de teólogos, cardeais e o próprio Papa assinem ratificando a canonização. Essa resolução pode levar até três meses.

A postuladora da causa de Frei Galvão é irmã Cecília Cadorin, a mesma responsável pelo processo que levou Madre Paulina (1865-1942) a tornar-se santa, em 2002. No dia 22 de janeiro, em Vígolo, Nova Trento (SC), onde a religiosa viveu, foi inaugurado um grande santuário dedicado à que é considerada a primeira santa do Brasil (matéria na contracapa).

Frei Galvão (Antônio Galvão de França) nasceu de uma família de posses e muito piedosa de Guaratinguetá (SP). Depois de estudar com os jesuítas da Bahia, ingressou na Ordem dos Frades Menores em 1760. Foi ordenado sacerdote dois anos depois em São Paulo, onde viveu durante 60 anos, até sua morte, ocorrida em 23 de dezembro de 1822.

Profundamente devoto da Imaculada Conceição, foi o fundador e guia do Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição, mais conhecido como "Mosteiro da Luz", do qual se originaram outros nove mosteiros. Ele foi o projetista e construtor do mosteiro, declarado pelas Nações Unidas patrimônio cultural da humanidade.

Definido como "homem da paz e da caridade", por dedicar-se aos doentes e aos pobres, era também muito procurado por todos como conselheiro e confessor. Foi beatificado pelo Papa João Paulo II no dia 25 de outubro de 1998.

 

Clarissa capuchinha emite votos

 

O provincial dos capuchinhos, frei Álvaro Morés, presidiu a cerimônia de profissão dos votos temporários de mais uma clarissa capuchinha do mosteiro Nossa Senhora do Brasil, de Flores da Cunha. No dia 8 de dezembro, emitiu os votos irmã Maria Priscilla da Divina Misericórdia. Filha de Waldemar e Maria Augusta Gama de Lara, Priscilla é natural de São Paulo (SP) e, atualmente, seus pais residem em Avaré (SP). Ingressou no mosteiro de Flores da Cunha em 2002, aos 25 anos.

As primeiras Clarissas Capuchinhas a se estabelecerem no Brasil vieram da Itália em 1981. No mesmo ano foi inaugurado o mosteiro de Flores da Cunha, que hoje conta com 14 irmãs - nove de votos perpétuos, duas postulantes e três aspirantes. Apesar da vida em clausura, nunca faltaram vocações e, atualmente, há um novo mosteiro, ligado ao de Flores da Cunha, em Macapá, no Amapá, onde estão quatro clarissas que residiam no Sul e diversas postulantes e aspirantes.

 

Scalabriniana celebra o jubileu

 

Irmã Thereza Rosa Benedetto comemorou, no dia 22 de janeiro, na matriz de Nova Milano, Farroupilha, 50 anos de vida religiosa. Filha de Adolfo e Herminia Colombo Benedetto, é natural de Farroupilha. Em sua caminhada apostólico-missionária, exerceu diversas atividades, como professora e diretora nas escolas da congregação. Foi provincial por dois triênios e superiora de diversas comunidades. Atuou como professora de Direito Canônico no Itepa, em Passo Fundo, e como coordenadora do Centro de Estudos Migratórios da Província Scalabriniana Cristo Rei, em Porto Alegre.

Atualmente, é professora de Humanismo e Cultura Religiosa na PUCRS, e de Direito Canônico na mesma instituição e na Estef, em Porto Alegre. Irmã Thereza é uma das três religiosas scalabrinianas da família Benedetto: irmã Égide exerce sua missão em Bogotá, na Colômbia; e irmã Irene, que atuou no santuário de Aparecida, em São Paulo, hoje está em Santa Maria (RS).

 

Religiosa veranense morre aos 90 anos

 

Irmã Maximília Ferronato, natural da capela São Roque, de Veranópolis, morreu no dia 15 de janeiro de 2006 em Garibaldi, aos 90 anos. Filha de Alberto e Maria Bianchi Ferronato, pertencia à Congregação das Irmãs de São José de Chambéry há 68 anos. Maximília tinha 14 irmãos, três dos quais freis capuchinhos (Teodoro e Luiz, já falecidos, e Nestor, superintendente da rádio Garibaldi), e três religiosas, da congregação de São José (Teodorina, Luiza e Celestina).

Como religiosa, exerceu sua missão com generosidade e alegria, sem se preocupar com o cansaço e os muitos trabalhos. Atuou como cozinheira em diversos seminários e casas religiosas, entre os quais o seminário Nossa Senhora Aparecida, de Caxias do Sul, no tempo em que lá passaram como seminaristas dom Paulo Moretto e dom Lúcio Baumgaertner; seminário dos passionistas, em Pinto Bandeira; colégio São José, em Pelotas; e Hospital São Pedro, em Garibaldi. Desde 2004 estava na comunidade Betânia, em Garibaldi.

A fidelidade à vocação, sua presença agradável, acolhedora e sincera, a oração diária, o amor à Eucaristia e sua dedicação ao trabalho da cozinha marcaram a vida de irmã Maximília. Sua comida e seus doces eram sempre uma delícia.

 

São Valentim recorda 90 anos do padroeiro

 

Após ter comemorado 60 anos de fundação da paróquia de São Valentim do Sul (RS) no dia 5 de outubro de 2005, com a presença inclusive do primeiro pároco, padre Aloisyo Petry, foi programada para o dia 12 de fevereiro deste ano a celebração dos 90 anos da dedicação da comunidade a São Valentim. A paróquia pertence à diocese de Passo Fundo.

Os fundadores, motivados pela fé na proteção do santo sobre os vários casos de epilepsia, escolheram São Valentim como padroeiro. A programação religiosa inclui tríduo e, no dia 12, a partir das 6 horas, alvorada festiva com bênção dos carros, missa, churrasco e tarde recreativa. As celebrações serão presididas pelo pároco, padre Guerino Piccini. (Colaboração do agente Bruno Benvegnú)

 

Certo e errado

Wilson João

É preciso escutar os sentimentos e as emoções para perceber o certo e o errado em nosso agir

 

Há um mundo em mudança. Há um outro que permanece. Há leis que são sempre as mesmas. Mas a febre de mudanças de nossa sociedade cria um modismo de que tudo tem que mudar. Com rapidez o bem se torna mal e o mal se torna bem; o errado vira certo e o certo vira errado. Há milhares de anos um sábio profeta, chamado Isaías, escrevia: "Coitados dos que dizem que o certo está errado e o errado está certo, que dizem que o preto é branco e o branco é preto, que afirmam que o doce é amargo e o amargo é doce". A natureza humana permanece a mesma ao longo dos milhares de anos e continuará a mesma por muitos outros milhares.

A SABEDORIA VEM DO ESCUTAR. É o exercício da escutatória. Escutar o corpo. A reação saudável mostra que a vida está certa. O corpo tem suas leis. Cada célula do corpo humano tem suas leis. Uma célula sem água é candidata à morte. Beber água é uma lei para o corpo humano. Escutar o corpo é sentir quando ele é machucado e pisado por alimentos e atitudes erradas. É preciso escutar o mundo emocional e sentimental. A tristeza e a mágoa aparecem. Algo errado está acontecendo. É preciso escutar os sentimentos e emoções para perceber o certo e o errado em nosso agir.

AS LEIS DA NATUREZA SÃO O CRITÉRIO. É desculpa dizer: "Não dá mais para saber o que é certo e o que é errado". Pelos efeitos dá para saber. Pelos resultados dá para perceber onde aconteceu o errado. Toda ação tem uma reação. Dependendo da reação sabe-se se a ação foi certa ou errada. As ações, pensamentos, emoções e atitudes que se realizam dentro das leis da natureza humana produzem efeitos positivos e de vida.

A VIDA É O GRANDE CRITÉRIO. Tudo aquilo que produz vida e ajuda a viver melhor nasce de uma fonte sadia e certa. Alimento sadio produz vida sadia. Pensamentos sadios produzem vida alegre e em paz. Emoções sadias criam relacionamentos gostosos com as pessoas e com todo o ambiente. É importante ficar atento, e a qualquer reação negativa, saber perguntar-se: o que fiz de errado? O que está acontecendo de errado em mim? Essa é atitude de quem vive acordado, atento com a vida, escutando a si mesmo e tomando novos rumos quando percebe que algo está errado. É possível tranqüilamente perceber o certo e o errado na vida.

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

O italiano que está em mim

Lair Zanatta

Advogado, Não Me Toque - RS

 

O advogado Lair Zanatta aprendeu a defender sua italianidade cantando, festejando e rindo:

 

"Para falar do italiano que está em mim, basta citar minha descendência: Zanatta, Pezzini, Magni e Danielli. Nasci em Arroio Grande, Selbach-RS, entre alemães, filho de Alcyr Zanatta e Albina P. Zanatta. Tenho os filhos Fabrício (in memoriam), Rafael e Ricardo Barzzotto Zanatta. Meus vizinhos só falavam alemão. A escola, a dois quilômetros de casa, era legítimo espaço bilíngüe. Aos domingos, nós comíamos patatas e prots, enquanto brincávamos nos potreiros, em um mesmo gramado, falando línguas diferentes. Em casa se falava Português. Mas os pais falavam Talian quando tratavam de algum segredo, como a chegada de nantro bambin (outra criança), ou quando os nonos nos visitavam. Foi brilhante minha infância na colônia: brincar com uma dezena de primos na tafona e na serraria; andar de carrinho de lomba; comer frutas silvestres - pitanga, amora, guabiju, araticum, guabirova; conviver com a nona Amália, que não sabia visitar as vizinhas sem levar algo no avental - ovos para chocar, queijo, sobremesa, frutas, sementes...; lembrar a vindima do nono Zanatta, com a família e os vizinhos, colhendo uvas e fazendo vinhos; lembrar a coordenação do nono Eduardo nas colheitas, e da nona Adolphina nas refeições; lembrar o tio Arthur Pezzini, pouco afeito ao trabalho, animando a turma com suas histórias inesquecíveis.

Quanta alegria, quanta fartura, quanta bondade!... Na cantina do nono: salame, torresmo, sacol, vinho, graspa, amendoim, marmeladas, pão, cuca, bolachas, gróstoli, frutas..., tudo preparado carinhosamente para a vindima. É pena não ter aproveitado melhor o falar Talian autêntico dos nonos!

Saudades da infância, sentado ao redor do fogão, enquanto a Albina fazia polenta que se comia com perdizes, caçadas pelo Alcyr. Mas, depois veio a escola, e o italiano foi ficando para trás: cursei 1º Grau na Escola Aníbal Magni, nome de meu avô materno; o Técnico Agrícola no Visconde de São Leopoldo; e na Universidade de Cruz Alta me formei em Direito, profissão que exerço em Não Me Toque-RS, onde resido. Retomei minha italianidade integrando a Associação Ítalo-Brasileira Fratelli, de Ibirubá, gravando um CD e participando de centenas de apresentações corais em vários Estados; apresentando durante dez anos o programa em Talian, na Rádio Ibirubá-AM; organizando jantares, missas e filós; participando da FIBRA, Assaproratabras, Fevêneto, de programações dos 125 aos 130 anos da Imigração Italiana; conhecendo pessoas ilustres do Talian - freis Rovílio Costa e Arlindo Batistel, Luiz Barchese, Honório Tonial, Paulo Massolini, Darci Los Luzzato, Newton Pazzin...; lendo o Correio Riograndense, a Revista Insieme... - tudo me ajudou a despertar o italiano adormecido em mim.

A maior prova do italiano que está em mim é que me emociono ouvindo cantar Mèrica Mèrica, Va Pensiero... Parece-me ter estado nos navios de imigrantes há 130 anos; ter derrubado mato; plantado parreiras; matado animais ferozes; feito roçadas; construído estradas, capelas, escolas e vilas... Enfim, o envolvimento italiano me levou à minha segunda esposa, a arquiteta Izabel, uma italianinha de igual história da minha, e seremos felizes italianos para sempre" (lairzanatta@yahoo.com.br)

Lair e Izabel, vocês têm direito de serem felizes, porque Deus os fez por amor e para o amor, de forma singular, única e exclusiva. (Rovílio Costa)

 

EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (345)

I pati bianchi ghe da nome a una bela cità

Eduardo grigolo

Professor, Jundiaí - SP

 

Nanetto el vea sparagnà na pìcola fortuna. Ma, co’l se ga dato conta, el ga visto che no’l podea finir el viaio, sensa patir fame. Alora, el ga ruminà in tea suca la meio maniera de continuar a viaiar e, al medèsimo tempo, guadagnar on poco de schei. Alora, come el vea tante stòrie par contar, intanto che la Pierina e lu pròpio i se rifea dela straca del viaio, lu el ndea in piassa pùblica e la el contea e racontea la so stòria, dal Itàlia fin rivar al Brasil. O altre storiete che ghe ga tocà passar e imparar coi bresiliani, come par esémpio, el tempo che ghe ga tocà laorar, par guadagnar i soldi e el so damagnar.

El vea rivà a Pato Bianco e el gera instalà tea casa de Vìcio Silvestre e so Fémena Lìdia, col pardon dea parola, una bela potrancona, fiola de Francelino, fradel de Ilia Grìgolo. Alora, Nanetto el se ga catà in casa sua e insieme ai due fioi de Vìcio e Lìdia, na pupina, Letícia, e un caciasset, Gustavo, i ze ndà sbrindolar per la cità. I volea mostrarghe a Nanetto parché quela cità la se ciamea Pato Bianco.

- Setu, Nanetto, ghe dise Letìcia, al tempo dei nostri antenati, i nostri noni e bisnoni i vea el costume de crear le bèstie par magnar. Alora, i slevea i porchi par far bagna e salame; i slevea galine, par far rosto e brodo, carne lessa etc; i slevea bo par tirar la careta e el arado e, dopo, coparli, far sorasco; i slevea vache par tirarghe el late, e così avanti.

- In questa cità, vanti esser cità, sèvita Gustavo, i primi coloni che i ze rivà, i vea portà insieme, bele brancade de pati, par meter ovi, par far brodo e rosto, parché i gera più resistenti al fredo e i rendea meio ancora, rento te le pignate. Al manco, meio che le galine. Intanto che le galine le metea do due ovi per stimana, ghen gera pata che la metea 8 a 10 ovi, in questo tempo. Tuti quanti i volea slevar pati e el color che rendea meio, intrà negri e bianchi, gera el bianco. Alora, quando i coloni i se a riunio, par scoier el nome del paese, in omaio ai miliaia de pati bianchi, el nome vencitor ze stà Pato Bianco.

- Ah! dise Nanetto, e ndove zeli sti pati bianchi che vui véderli!

- Tuti morti! Risponde Letìcia. Le cità vicine vegnea cromparli, vanti che na peste i ga finidi tuti. I coloni, per paura de pèrder i soldi che i vea guadagnà fin là, i ga dessidio investir in altre cose più rendose e con guadagno sicuro.

- Perché no i ghe ga cambià el nome? Domanda Nanetto.

- I coloni, ghe dise Gustavo, i ga pensà scambiarghe el nome, ma un el ga dito ai altri, "Intanto che se ga guadagnà soldi in mùcio, gnessun se ga recordà de scoier altro nome, ma, adesso ... El me voto ze par no cambiar gnente. El nostro paese e futuro munissìpio el sarà, eternamente, Pato Bianco!". Con quela i ga finio la riunion. Fin oncò, la nostra cità se ciama Pato Bianco, anca se no ghe ze nessun pato né lìbero, né sarà.

- Che bela stòria! Dise Nanetto.

- E ti, Nanetto, domanda Letìcia, cóntene parché te ghè nome Nanetto Pipetta.

- Letìcia e Gustavo, la me stòria la ze longa, ma ve la conto in poche parole. Zera tempo de luna calente in Venèzia e i me genitori, quando son vegnesto al mondo, i me ga portà al Sìndaco, par registrarme. Alora, me pupà e me mama i ze ndai parlar col nono. "Lu el ga la speriensa che ne manca", ghe ga dita la mama al pupà. Alora, el nono, che’l gera sempre drio pipar na pipona de du metri, dopo tirar du o tre pipade, el gha dito: "Per mi, el se ciamarà Nanetto e de presente ghe dao questa pìcola pipa, parché el se ricorde sempre de so nono". "Eureka! Ga dito el pupà. Giusto come un ciodo. Nanetto Pipetta! Questo sarà el so nome". E la mama, sempre dòcile, ghe ga dato un solene D’Acordo!" Per questo, cari, son batedà Nanetto Pipetta.

 

VITA STÒRIA E FRÒTOLE

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

Malegràssie dei fioi de ciuchetoni

 

Questa la ze sucedesta in Jacarezinho, munissìpio de Encantado, con Sperandio De Conto, che’l stea in colònia, rente la ceseta dela Madona del Càrmine. Tute le doméneghe, dopo mesdì, el ndava giugar le carte in te la bodega. Lu l’era uno de quei che ghe piase passar el risco dela cància, tel dugo dele boce, e dopo el disea che no zera vera; sol che Sperandio el passea via el risco dela graspa, che par lu, el disea, la gera un santo remèdio. E la graspa, el disea, come tuti i remèdii, la fa ben par na roba, ma la pol far mal par nantra. E così el seguitea bever. Na volta un poco depiù, nantra volta un poco manco, ma squasi sempre el rivea casa co le gambe mole e la léngua dura. Lu no l’era de barufar, ma el problema el gera casa, coi so cinque fioi òmini.

A Jacarezinho, i genitori i racomandea a le fiole de no maridarse coi fioi de ciuchetoni. E i ghe dea l’esémpio dei preti e frati che no i volea ricever in tel seminàrio i fioi dei ciuchetoni. E par farla più trista, le comare ciacolone le contea stòrie ancora più grosse.

Na diménega, rente sera, quando Sperandio el riva casa, e par disgràssia quel di el ghenavea parà zo fora de misura, i tre fioi pi vècii, che romai i ndea in serca de morose, e come ele le ghe stordea el naso, i se ga combinà darghe na lission a so pare. I volea rabartarlo e darghe un par de struconi in tel goso, ma no ga ocoresto, parché la sorte li ga giutai: - Al ndar rento casa, el se ga trabucà e l’è cascà stirà in medo la sala. Lora, el pi vècio, che romai l’era stà dispresà diverse volte par le tose, par quela l’era anca pi inrabià, el ga ciapà na possada e ghe la ga messa in tel goso, pròpio sora el pomo de Adamo, e suito i cinque e va in torno, par dir che tuti i gera d’acordo, e, sempre el pi vècio, el ghe dise: - Pupà, o ve fermè de bever, o ve taiemo le vene del col, che le ga da esser piene de graspa. Par colpa vostra no semo boni de catar morose, parché tute le bele tose del posto e qua in torno no le vol maridarse con fioi de ciuchetoni. E nantri no volemo restar scapoloni, e gnanca maridarne con le tose che le resta davanso, parché nissuni i le vol.

De quel di in vanti, Sperandio, sicuro, el ga seguità ndar giugar le carte, ma el bevea solche gasosa, parché, el disea, la graspa la ghe gera diventà un velen.

 

La sveltessa de me nona

 

Questa ze na stòria che la zia Maria la me ga contà. La nona Bepa la gera na dona tuta oltada par la so fameia, ma ghe piasea tanto ndar catar le comare e i parenti. A le doméneghe de sera, quando no vegnea gente véderla, in tel tempo de istà, quando le giornade le gera longhe e i laori no i gera tanti, la ciapea el caval, col selin de veludo, e la ndea trovar le comare, o so fradei e sorele che i stea distante.

In un viaio de vìsita ai parenti, la nona la zera drio ritornar, al luni de matina, contenta, sensa altri pensieri che i mistieri de casa, romai i fioi i giutava polito. Eco che’l caval, de colpo, el fa un salto, e patapùnfete la nona a gambe alte. Presto, la leva su, la ràgia le còtole, la varda in torno e la vede tre quatro stradini, che i gera drio rangiar la strada, sentai al ombra de na pianta. El caval el se gavea spaurà de luri, che no i ga gnanca ridesto, con paura che la se ghesse fato mal. Ma la nona la ghe dise suito: - Gavio visto la me sveltessa?

Un zovenoto, medo furboto, el ghe risponde: - Sicuro, nona, che la gavemo vista, sol che, par nantri, la ga nantro nome.

(Testi de Silvino Santin, stòrie contade par Neuton Antonio Pasin nel corso de Talian dela Associassione Italiana de Santa Maria, 2003).

 

TURISMO

Recorde de estrangeiros

Brasil recebeu em 2005 6,8 milhões de turistas

 

Os 6,784 milhões de turistas estrangeiros que o Brasil recebeu em 2005 representam um aumento de 10,5% sobre o ano anterior e um recorde histórico. Mas o dado da Infraero perde um pouco do brilho quando confrontado com os números mundiais. Segundo a Organização Mundial do Turismo, 808 milhões de pessoas viajaram entre países em 2005 - crescimento de 5,5%, índice festejado porque foi um ano marcado por muitos desastres naturais, além dos freqüentes atentados terroristas. Isso significa que o Brasil atraiu apenas 0,85% desse total.

Na América do Sul, o ingresso de turistas estrangeiros em 2005 cresceu 17,2%, com destaque para Venezuela (23%) e Colômbia (22%).

 

Foz do Iguaçu é um dos destinos preferidos

 

A cidade paranaense das famosas cataratas e de Itaipu, na fronteira com o Brasil, Argentina e Paraguai, recebeu 1,084 milhão de turistas em 2005. Desses, 639,5 mil são estrangeiros, 11,2% a mais que os 575 mil de 2004.

O destaque ficou por conta do número de turistas europeus, que somaram 223,7 mil - mais que os 212 mil argentinos - ou 35% do total. Entre eles visitaram Foz 57,6 mil espanhóis, 38 mil norte-americanos, 14,3 mil chineses e 8,6 mil israelenses.

 

GERAL

Festa em Nova Petrópolis destaca produção de figo

Evento mostra atrações típicas e ocorre dias 11 e 12 na Linha Brasil

 

Nova Petrópolis está cheia de atrações para o verão. Entre elas, a Festa do Figo, que ocorre dias 11 e 12, na Linha Brasil. O evento já é tradicional e reúne agricultores que apresentam fruta in natura e processada, como cristalizados, figada e geléia. A festa também expõe implementos e máquinas, artesanato, gastronomia, hortifrutigranjeiros e carros antigos, com animação de bandinhas típicas.

A safra 2005/2006 poderá repetir a anterior, de cerca de 300 toneladas. Praticamente todo o volume deverá ser absorvido pela Cooperativa Piá. "Em torno de 20% da produção é consumida in natura, em tendas coloniais ao longo da RS 235, que leva a Gramado, e também à Ceasa, em POA", diz o coordenador técnico da Secretaria da Agricultura, Jorge Lüdke.

A rainha Pauline Lohmann, a primeira princesa, Jaqueline Zinke, e a segunda princesa, Alessa Matte, divulgam a festa, que tem apoio da Emater/RS, da Prefeitura e do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Nova Petrópolis e Picada Café.

 

Festival movimenta Silveira Martins

 

Demonstrações técnicas sobre enxertia, poda e vinificação estão entre as atrações do Festival da Uva e das Águas, de Silveira Martins, que será promovido de 3 a 5 de fevereiro. Estão programadas ainda a escolha da rainha do evento, apresentação dos pontos turísticos e a abertura dos balneários Baggio/Visentini e Ágape. Outras atrações são almoços típicos italianos, feira na praça central, apresentações culturais e torneio de futebol sete.

 

Nova Roma do Sul abre colheita da uva

 

O prazer de colher e saborear a uva nos parreirais poderá ser experimentado pelos visitantes que participarem de "La Prima Vendemmia" (a primeira vindima), evento que marca o início da colheita no município de Nova Roma do Sul. Na sua sétima edição, o evento promovido pela Prefeitura, realiza-se de 3 a 5 de fevereiro.

A abertura oficial será na sexta, às 19 horas, na cantina do Casarão Municipal, juntamente com a coroação da rainha e princesas de " La Prima Vendemmia". Após, haverá jantar e bingo. No sábado e domingo ocorre visitação aos parreirais, com degustação de uvas e produtos coloniais. Durante o evento haverá venda de produtos coloniais e artesanato na Cantina do Casarão, distribuição de uvas na Praça da Matriz, apresentação de invernadas artísticas e grupo de danças, missa e shows, entre outras atrações.

No município, os 420 produtores de uva cultivam uma área de 700 hectares e deverão produzir nesta safra 12 mil toneladas de uvas, principalmente variedades americanas.

 

Rio das Antas joga futebol 24h sem parar

 

O Colina Clube de Campo de Rio das Antas (SC) promove, dias 10 e 11 de fevereiro, a sexta edição do Jogo de Futebol Suíço (futebol sete) 24 Horas. Das 19 horas do dia 10, quando inicia a partida, até as 19 horas do dia 11, duas equipes ficarão se enfrentando de forma ininterrupta, revezando apenas os jogadores. O evento promove a integração e confraternização dos praticantes do esporte de Rio das Antas, Caçador, Videira, Fraiburgo, Joaçaba, Novo Horizonte, São Lourenço D’Oeste e outros municípios vizinhos.

A edição deste ano contará com 80 atletas do sexo masculino e 24 do sexo feminino para cada equipe. Cada atleta pode entrar em campo três vezes. Muitos atletas participaram de todas as edições anteriores. Até a 3ª edição, cada equipe contava com 70 jogadores homens. As mulheres passaram a ser admitidas a partir da 4ª edição, em 2004.

Na edição realizada em 2005, foram marcados 334 gols na partida. A equipe vencedora, denominada Lua, derrotou a equipe Sol, pelo placar de 170 a 164. Foi o resultado mais equilibrado deste o início dessa inusitada competição.