LEITORES 

 DESCOBRINDO CAMINHOS

 

Desde 1909, onde o conteúdo faz a diferença.

Edição 4.974 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 8 de fevereiro de 2006.

CARTA AO LEITOR

Respeito e credibilidade

 

Na linguagem comum se diz que nada é tão velho quanto o jornal de ontem. O Correio Riograndense, ao completar 97 anos, sente-se um jornal cada vez mais jovem. É um jornal de ontem - surgiu aos 13 de fevereiro de 1909 -, mas, com a robustez da idade adulta, encaminha-se para a emblemática marca dos 100 anos. E não é impunemente que um veículo de comunicação chega ao centenário. Aqui mesmo na região colonial italiana surgiram - e desapareceram - centenas de jornais. A razão de nosso sucesso se deve à fidelidade secular a princípios e a uma centenária parceria com agentes e assinantes.

Quando circulou a primeira edição do jornal, Caxias do Sul, o antigo Campo dos Bugres, contava com menos de 500 casas. O Brasil, presidido por Afonso Pena, tinha cerca de 20 milhões de habitantes, dois terços deles vivendo no meio rural. Carlos Barbosa governava o Rio Grande do Sul. As grandes notícias eram a chegada do Cometa Halley, prevista para 1910, e o extraordinário feito de Santos Dumont, com o aeroplano 14-Bis sobrevoando Paris.

De uma minúscula tipografia, na Praça Dante 28, em Caxias do Sul, saiu o primeiro número do jornal La Libertà. Dom Carmine Fasulo, vigário da paróquia de Santa Teresa, era seu diretor, editor e funcionário único. Em 1910 o jornal transferiu-se para Garibaldi, adquirindo o título de Il Colono Italiano. Em 1917, já com a direção dos Capuchinhos, assumiu o nome que o tornou legendário no Sul do país: Staf-fetta Riograndense. Durante a Grande Guerra, em 1941, obedecendo à legislação do Estado Novo, ganhou a denominação que mantém até hoje: Correio Riograndense. São quatro nomes de uma história única, alicerçada numa única e sólida linha editorial.

Nestes 97 anos, o Correio Riograndense testemunhou excepcionais momentos para a humanidade, alguns bons, outros nem tanto. Noticiou o desenrolar das duas Grandes Guerras, a nefasta bomba atômica, o desembarque do homem na Lua, e revolucionários inventos como o avião, o rádio, o automóvel, a penicilina, o raio lazer, o computador... Divulgou a caminhada da Igreja, com o momento culminante do Vaticano II, os ciclos revolucionários brasileiros, as ditaduras e as reconquistas das liberdades civis. E não faltaram significativos fatos envolvendo comunidades, avanços agrícolas, iniciativas comunitárias e culturais, denúncias e reivindicações do povo.

Como jornalismo é tempo e velocidade, o Correio Riograndense algumas vezes se equivocou, porém nunca se omitiu ou pactuou. Na maioria absoluta dos casos, o jornal foi consciência, profeta e porta-voz da comunidade. Não apenas noticiou, mas ajudou a construir a história, especialmente na região colonial italiana. Mais: acompanhou os migrantes sulistas para as terras novas, principalmente em Santa Catarina e no Paraná, tornando-se um elo de ligação entre os que partiram e os que ficaram.

Com o surgimento do rádio, da TV, da Internet e de outros meios de comunicação, profetas precipitados decretaram o fim do jornalismo escrito. Estavam enganados: haverá sempre espaço para jornais que, com juízo crítico, forem fiéis a si mesmos, sem ter o receio de mudar.

No mundo globalizado ainda há lugar especial para os jornais de conteúdo, que ensinam a ler e a entender os acontecimentos. São jornais que não se esgotam numa efêmera vida de um dia; que continuam válidos, cada vez mais válidos, depois da incerteza do primeiro momento ou da miopia das primeiras 24 horas; que apontam tendências e iluminam horizontes. Modestamente, não nos consideramos um jornal como os outros, mas uma imprensa alternativa, comprometida com o Evangelho e a vida. Somos um jornal que freqüenta salas de aula, empresas, ambientes intelectuais, laboratórios de pesquisa, casas de milhares de agricultores... que circula nas maiores metrópoles brasileiras, em diversos países, mas também vai a lugares onde nenhum outro chega - ao interior do interior.

Fazemos um jornal que contribuiu decisivamente para a diversificação agrícola, ajudando pequenos produtores rurais a se transformar em grandes empreendedores. Mas que também sempre lutou pela preservação das nossas raízes - nenhum outro fornece, por exemplo, tão generoso espaço para a conservação e disseminação do Talian.

Quando surgiu, o jornal assumiu o papel da Cartilha e de Bíblia, com uma sólida orientação católica, apostólica e romana, tendo cuidado especial com o ponto de vista do povo. É um jornal que ensinou a crer, escrever e cultivar valores. Esta missão continua hoje: proclamando certezas, lutando pela cidadania e pelo respeito ao meio ambiente - ou oferecendo uma maneira interessante de leitura e interpretação da Bíblia através do Curso de Teologia a Distância - em abril inicia a etapa 2006.

Não faltou ainda o avanço tecnológico. Depois da tipografia manual, o linotipe, o off-set ... hoje a informação exige mais agilidade para acompanhar um mundo que ganhou contornos de aldeia. Os grandes acontecimentos do planeta são visibilizados para nossos leitores pela Agência France Press e por outros meios eletrônicos. Nosso objetivo não é chegar antes, mas ajudar a distinguir entre o trigo e o joio.

A passagem dos 97 anos significa, sobretudo, o modesto reconhecimento de um imenso trabalho em favor do Reino e do homem concreto. Esta alegria queremos reparti-la com nossos 1.300 agentes, um grupo seleto de funcionários e milhares de leitores espalhados em mais de 700 municípios. Eles são a razão do sucesso deste jornal. Também agradecemos àqueles que formam nosso suporte financeiro. E com todos eles continuaremos caminhando na direção da grande festa centenária - 100 anos de credibilidade, nossa herança, nossa riqueza e nosso orgulho.

Frei Aldo Colombo

DIRETOR DE REDAÇÃO

 

Uma história marcante

Frei Jaime Bettega

Secretaria Provincial dos Capuchinhos

 

A Província Capuchinha do Rio Grande do Sul se alegra e saúda o Correio Riograndense nos seus 97 anos de comunicação e de história. Quanto bem realizado através da impressa escrita. Quantas notícias alegres! Sem falar na formação humana e cristã. Além disso, muitas orientações contribuíram para o desenvolvimento, principalmente das famílias que cultivam a terra.

No ano em que os Capuchinhos celebram onze décadas de presença na região nordeste do Rio Grande do Sul, convém ressaltar que os frades pioneiros usaram todas as "ferramentas" que estavam ao alcance, naquele tempo, para animar, formar e desafiar os desbravadores que, nem sempre, tinham clareza de onde iriam chegar, mas sabiam que era necessário caminhar para construir caminho. Frei Bruno de Gillonnay deixou a França, pois carregava consigo uma alma missionária. O ideal de São Francisco tornava-o inquieto e criativo. Por isso, não teve dúvidas ao adquirir o então jornal Il Colono Italiano. Através deste meio, desejava visitar semanalmente as famílias. Imprimiu, na palavra escrita, o jeito franciscano de amar e de servir. Tornou o Evangelho conhecido e amado por aqueles que palpitavam de saudade pela terra mãe, mas que sabiam que era necessário buscar outros lugares para poder defender o valor maior: a vida.

Desde seus primórdios, o Correio Riograndense sempre foi um meio para cultivar as vocações religiosas e sacerdotais. Muitos jovens abraçaram a vida franciscana-capuchinha pelo contato com o "Jornal do Capuchinhos". Da mesma forma, o jornal sempre contribuiu - e continua contribuindo - para que a vida em família seja um espaço de felicidade e paz. Pois, quando a família vai bem, tudo se torna mais sereno e esperançoso.

A intuição de Frei Bruno de Gillonnay encontrou acolhida no coração de muitos frades que continuam essa missão há 97 anos. Gratidão a todos os freis que assumiram tarefas no Correio Riograndense. Da mesma forma, estendemos esse reconhecimento a todos os leigos e leigas que foram mais do que profissionais, pois fizeram e fazem esta tarefa com um profundo senso de amor de cultivo da dignidade humana. Desde já, nosso olhar se volta para o centenário deste veículo que faz da boa comunicação um jeito simples e humilde de promover a Paz e o Bem.

 

CAXIAS DO SUL

Lula inaugura a 26ª Festa da Uva

Será o terceiro presidente a participar de dois eventos

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abre no próximo dia 17, em horário marcado para as 14h30, a 26ª Festa Nacional da Uva e 20ª Feira Agroindustrial. Lula deve chegar ao Parque de Exposições por volta das 14 horas, vindo de Porto Alegre, onde participa da Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas (leia página 12). Até a segunda-feira 6 não estava confirmada a sua presença no primeiro desfile de carros alegóricos, previsto para iniciar às 17 horas, no centro de Caxias do Sul. A assessoria da Festa da Uva também não tinha informações sobre os ministros que acompanharão o presidente na visita.

Desde que recebeu o convite, Lula havia condicionado sua presença em Caxias ao atendimento a reivindicações com as quais se comprometera há dois anos, quando também abriu a Festa da Uva. Ele deve anunciar, entre outras medidas, a liberação de recursos para a comercialização da safra da uva - em torno de R$ 200 milhões.

Lula será o terceiro presidente da República a participar de duas edições da Festa da Uva. Antes dele, estiveram em dois eventos os presidentes Ernesto Geisel (1975 e 1978) e João Figueiredo (1981 e 1984). Desde 1954, quando Getúlio Vargas inaugurou o Parque de Exposições da Festa da Uva, foram raras as edições sem um presidente da República.

A expectativa é de que Lula permaneça em Caxias por cinco horas, embarcando após o desfile alegórico. "Com a vinda do presidente Lula conseguiremos mostrar a Festa e Caxias do Sul para todo o país. Além disso, representa uma valorização à nossa festa e aos municípios da nossa região", destacou o presidente da Comissão Comunitária da Festa da Uva 2006, Gelson Palavro.

 

Cidade limpa e bela para receber turistas

 

Deixar a cidade limpa e florida para bem receber os visitantes da Festa da Uva. Esta é a meta da força-tarefa que começou a atuar no sábado 4, distribuindo 5 mil mudas de plantas (árvores nativas e flores) à comunidade caxiense.

O projeto está sendo desenvolvido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e foi batizado de "Caxias é Uma Uva". O embelezamento da cidade vai desde os gramados aparados e lixos recolhidos até a limpeza de terrenos e plantação de árvores e flores. A adoção de praças e jardins por empresas e instituições também está sendo sugerida pela secretaria por meio de projeto especial.

 

Mais de mil lojas no 3º "Liquida Caxias"

 

Comércio caxiense iniciou nesta terça 7 a terceira edição do Liquida Caxias. Promovida pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), a campanha visa auxiliar o lojista a elevar o faturamento no considerado pior mês do ano. No lançamento da campanha, segunda 6, estavam inscritas mais de 1,2 mil lojas. Mas, segundo o presidente da CDL, Milton Corlatti, a expectativa era de que participariam 1,5 mil estabelecimentos comerciais. "Queremos mobilizar os setores para a concessão de descontos reais, alongamento de prazos e redução dos juros durante a campanha, que vai até 19 de fevereiro", acrescentou Corlatti.

 

REPORTAGEM

Agroindústria descobre a piscicultura

Lingüiça, salsicha e patê de peixe são novidade. Emater ensina a agregar valor ao pescado

 

Mortadela, lingüiça e salsicha feitas de peixe. Essas são algumas novidades que começam a compor o cardápio dos apreciadores de pescado. Para a equipe de instrutores da Emater/RS, que inicia a difusão das técnicas em março (leia abaixo), essa é uma forma de agregar valor ao produto. Existem, no Brasil, pelo menos nove indústrias e muitas cooperativas de processamento de peixe, mas que produzem apenas o filé.

Para o engenheiro de alimentos Ricardo Moreira, da Universidade Federal da Paraíba, a indústria de pescado não tem sido inovadora, quando comparada às de carnes e aves que fazem melhor uso da matéria-prima e desenvolvem diferentes produtos a partir dela. "Há necessidade de mudanças na indústria, que precisa incorporar valor ao pescado, uma vez que a maior parte dele é consumida in natura, havendo pouca oferta de produtos processados", constata.

O Centro Regional de Treinamento de Bom Progresso (Cetreb), no RS, mantido pela Emater, deu o primeiro passo à industrialização de peixes ao formar 10 técnicos no curso de processamento artesanal de pescado. Para ter uma idéia da importância da iniciativa é bom lembrar que a região Sul produz 62 milhões de toneladas de pescado por ano. Contribui com a maior parcela da produção nacional, 33,9%. A carpa é a espécie mais representativa.

O processo inicia com a retirada dos peixes do açude. Ao contrário do que normalmente ocorre nas propriedades rurais, os peixes não ficam morrendo asfixiados na beira do açude. "Eles são transportados em sacos com água até os tanques, onde ficam por cerca de dois dias, eliminando as fezes, uma etapa chamada de depuração", explica o coordenador do curso, Antônio Altíssimo.

Na seqüência, os peixes são submetidos a um choque térmico: dentro de caixas com gelo e água eles paralisam a atividade metabólica. "Esta etapa, chamada de insensibilização, evita o estresse e a conseqüente descarga de adrenalina na carne", acrescenta. Em seguida, começa a sangria, a retirada do sangue e das vísceras. "O sangue aceleraria a decomposição", diz.

Imediatamente, a carne deve ser levada para a câmara fria, de onde é retirada na medida em que são feitos os cortes, levando em conta a finalidade de cada prato: filés sem espinhos, picada para o fishburger, triturada para a lingüiça, em pedaços maiores sem a coluna vertebral para ser recheada e grelhada no fogo ou defumada, triturada no liquidificador para o patê, em pedaços à moda sardinha.

Já para quem gosta de guardar peixe no congelador de casa, Altíssimo recomenda o glaceamento. A técnica consiste em mergulhar os pedaços congelados em uma bacia com água e gelo e, sem seguida, colocá-los num saco plástico para levá-los novamente ao congelador. Uma fina camada de gelo se formará ao redor da carne, evitando que o oxigênio penetre e acelere a decomposição. Além disso, um pedaço não grudará no outro, facilitando o manuseio de quem for prepará-lo depois.

 

Centro de treinamento oferece curso a partir de março

 

O Centro Regional de Treinamento de Bom Progresso (Cetreb), na região do Celeiro, vai oferecer o curso em março, abril, maio, agosto e outubro. É aberto a todos os produtores familiares que têm atividades ligadas à piscicultura. "Realizado de terça-feira a sexta-feira, o curso é de 60 horas/aula", informa o técnico agrícola da Emater de Ijuí Vito Cembranel.

Os procedimentos para a industrialização dos peixes são descritos na apostila que será entregue para quem se inscrever nos cursos do Cetreb. "O curso tem um custo de R$ 160,00. Inicialmente, a instituição oferece apenas 12 vagas", diz Cembranel ao CR.

Além das apostilas, o aluno do Cetreb recebe alojamento e refeições durante os cinco dias de curso. Os interessados podem se inscrever pelo telefone (55) 3528 6181.

 

Aqüicultura no Sul

 

A produção aquícola da região Sul é oriunda, basicamente, de pequenos produtores. Com até dois hectares, são 21 mil áreas no Paraná. Os três Estados sulinos somam, ainda, 7,3 mil propriedades médias e apenas 278 grandes empreendimentos com cultivo de peixes.

O Paraná destaca-se como grande produtor de alevinos. O Sul do país come 25,6 milhões de quilos de peixes por ano (13,7 milhões kg no PR; 6,9 milhões kg em SC e apenas 5,1 milhões no RS). Os pesque-pague consomem 16,5 milhões de quilos de peixes anualmente - 4,1 milhões no PR; 7,5 milhões em SC e 5,1 milhões no RS.

Quanto aos peixes de água doce, no PR predominam a tilápia, com 12 milhões de toneladas, e a carpa, 2,1 milhões; em SC, o pacu, com 9,2 milhões de toneladas e a tilápia, 7,1 milhões; no RS, a carpa, com 23,3 milhões de toneladas e a tilápia, 2,1 milhões.

 

Setor espera liberação de espécies exóticas na bacia do rio Uruguai

 

A região Sul cultiva 36 espécies aquáticas (camarão, ostra, rã...). Dessas, 61,2% são nativas. Os peixes aparecem em número maior e correspondem a 26 espécies, sendo nove (34,6%) exóticas. O cultivo dos peixes exóticos é proibido na bacia do rio Uruguai desde 2004. A medida prejudica o Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Em dois meses, a cadeia produtiva da pesca terá uma posição quanto ao cultivo de peixes exóticos, como a tilápia e o cat fish. "O mercado internacional quer um peixe não carnívoro e com aptidão para ser criado em confinamento. Exige carne de peixe branca, sem espinha nem odor", revela o coordenador de pólos de produção da Secretaria da Agricultura do RS, Marcos Palombini.

As duas únicas espécies com essas características são a tilápia e o cat fish. São os peixes mais consumidos na Europa e nos Estados Unidos. Segundo previsão da FAO, faltarão de 15 milhões a 20 milhões de toneladas de peixe no mundo já em 2010. O ministro da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca, José Fritsch, quer abocanhar parte desse mercado. "Para isso, precisa começar agora. E o RS tem potencial enorme", defende Palombini.

Conferência - Os direitos das mulheres pescadoras, a revisão da legislação e a criação de linhas de crédito específicas estão entre os pontos da Conferência Nacional de Aqüicultura e Pesca. No Estado, o evento ocorre nos dias 14 e 15 de março, em Porto Alegre. A conferência acontece em 27 Estados.

 

AGRONEGÓCIO

Medidas anti-stress controlam praga

Pérola-da-terra pode ser controlada com manejo das videiras

 

Medidas anti-estressantes no manejo dos vinhedos. Esta ainda é a melhor maneira de combater a pérola-da-terra ou margarodes (Eurhizococcus brasiliensis), praga que ocorre principalmente na região Sul do Brasil, de onde acredita-se que seja nativa. Recentemente, a cochonilha foi constatada atacando a cultura no Vale do São Francisco, em Petrolina (PE).

Por medidas anti-estressantes entende-se boa fertilização das videiras, aplicação de tratos fitossanitários adequados, definição de patamares corretos de produtividade por planta, evitando a sobrecarga, e o uso de produtos de controle no momento certo, considerando o estágio de evolução da praga. Estas são as recomendações de um dos principais especialistas internacionais em pérola-da-terra, o sul-africano Christian Andreas de Klerk.

A margarodes é considerada a principal praga da videira. Ela atinge outras frutíferas, como o pessegueiro, a macieira e a figueira. Pelo menos 80 plantas hospedam a cochonilha. "Tecnicamente, a área infestada deveria ficar em pousio pelo menos durante cinco anos para diminuir a população de insetos", destaca ao CR o entomologista e pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, Marcos Botton. Outra preocupação da pesquisa é com o custo do tratamento químico no controle da praga. "Além de elevado, deve ser feito todos os anos", alerta.

Espécies - Em sua passagem pela Serra, principal zona vitivinícola do Brasil, o especialista sul-africano trabalhou com pesquisadores da Embrapa na identificação da pérola-da-terra na região. A pesquisa constatou que na Serra há quatro espécies da praga, das quais uma efetivamente prejudica o vinhedo, a Eurhizococcus brasiliensis.

Na África do Sul, são conhecidas 10 espécies, das quais cinco atacam a videira - duas dessas com maior intensidade. "Os danos provocados pelo inseto, em ambos os casos, nos dois países, se equivalem", observa o pesquisador sul-africano.

Praga - A pérola-da-terra é uma cochonilha subterrânea que ataca as raízes de plantas cultivadas e silvestres. O inseto é considerado a principal praga da videira sendo responsável pelo abandono da cultura em várias localidades, especialmente na Serra e regiões produtoras de Santa Catarina, devido às dificuldades de controle.

A sucção da seiva efetuada pelo inseto nas raízes provoca um definhamento progressivo da videira, com redução na produção e conseqüente morte das plantas. As cochonilhas desenvolvem corpos globosos (6,5 a 10 mm de comprimento) de coloração amarela intensa com brilho nacarado (brilhante com reflexos), denominados cistos ou pérolas-da-terra.

 

Cártamo, alternativa verão/inverno

Planta veio da Índia, resiste bem à estiagem e é boa de óleo

 

O cártamo, uma planta natural das regiões áridas da Índia, poderá ser nova opção para o verão e o inverno, quebrando o ciclo tradicional de soja, milho e trigo. A planta vem sendo avaliada pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), na Estação Experimental de Palotina. "O grão é excelente alternativa, pois quebra a monocultura de outros grãos", revela o pesquisador Valdir Luiz Guerini.

Por ser originário de regiões secas, o cártamo demonstrou suportar bem as condições severas de estiagem. "Na última safra de verão tivemos 70 dias sem chuva em Palotina e as plantas não perderam produtividade", observa Guerini. A espécie produz de 1.500 a 2.000 quilos de sementes por hectare.

Além da resistência à seca, a espécie também apresenta outras vantagens, que estão sendo avaliadas pelo Iapar, como a ausência de pragas. Não havendo, portanto, a necessidade de inseticidas. "Este fato cria uma perspectiva de que o cártamo poderá se prestar ao sistema de cultivo orgânico", analisa Guerini.

A densidade da planta é praticamente igual à da soja. Na colheita, mecânica, utiliza-se a mesma plataforma para a soja, o trigo e a aveia. O ciclo da espécie é de aproximadamente 140 dias, do plantio até a colheita. Entre as variedades, buscam-se as alternativas mais rústicas e de fácil produção que possam ser inseridas nos sistemas produtivos.

O cártamo é uma planta bastante cultivada no México e nos Estados Unidos. Produz flores que lembram as do girassol e o seu rendimento situa-se na mesma faixa. Por ser uma espécie que resiste bem à seca, pode se consolidar como alternativa mais rentável que o milho safrinha em algumas regiões do Estado.

Óleo – As sementes do cártamo têm elevado teor de óleo, de 35% a 45%. Na soja, a proporção é de 18% a 20%; o girassol, de 45% a 48%. As sementes se formam em capítulos, como no girassol. Cada flor produz, em média, 40 grãos.

De acordo com o Iapar, o óleo é considerado nobre e indicado para uso humano pela quantidade de ácido graxo oléico. Possui ainda efeito levemente laxante. Na indústria, é utilizado, por exemplo, para fabricação de sabões e na composição de tintas especiais destinadas à pintura de telas artísticas. "O óleo não oxida, não amarela a pintura com o tempo", explica Guerini ao CR. Outra aposta dos pesquisadores é o uso para a produção de biocombustível.

A flor de cártamo serve para fabricar corantes. Conforme o Iapar, ainda não há previsão de quando as sementes estarão disponíveis para os agricultores brasileiros. Mais informações (44) 3649 5614 ou Iapar, caixa postal 69. Cep 85950 – 000 – Palotina – PR.

 

Lançada batata para plantio orgânico

 

O produtor orgânico de batata já tem alternativa. O Iapar e a Embrapa de Canoinhas (SC) lançaram a batata iapar cristina. A cultivar destaca-se pela resistência à requeima. "É a principal doença que afeta a cultura", explica o pesquisador Nilceu Nazareno, que trabalhou no desenvolvimento do material.

A nova variedade alcança produtividade média de 15 toneladas por hectare, considerada alta para o sistema orgânico de produção. As plantas têm crescimento ereto, flores brancas e ciclo que varia de 110 a 120 dias.

Os tubérculos de iapar cristina têm polpa amarela, forma ovalada e película, também amarelada, de bom aspecto visual. "A apresentação das batatas é um quesito importante, pois interfere diretamente no preço de comercialização obtido pelo produtor", diz Nazareno. O tubérculo-semente estará disponível aos produtores até o final de 2006. Informações (41) 3551 1036 ou nilceu@iapar.br

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

Tipos de leite

Como consumidora, gostaria de saber qual é a diferença entre os diversos tipos de leite que são colocados à nossa disposição.

Rita Alice Hahn

Feliz - RS

 

O agrônomo Lirio Londero classifica o leite quanto à produção. Nas granjas leiteiras são produzidos três tipos de leite: tipo A, tipo B e tipo C.

 

Leite tipo A

É o leite produzido, beneficiado e envasado na própria granja leiteira, com sistema que permita a coleta do leite do úbere da vaca até o envase sem nenhum contato manual, isto é, todo o processo é mecânico.

As instalações e equipamentos necessários atendem aos mais rígidos requisitos técnicos e higiênicos específicos.

Para a produção desse tipo de leite a granja deve manter médico-veterinário, responsável pela sanidade do rebanho, sendo cada animal submetido a exame individual permanentemente.

Normalmente este leite tem sabor diferente. O número de germes aceitos é de apenas 500 por mililitro após a pasteurização e ausência total de germes tipo coliformes. Por isso tem maior prazo de validade. É mais encontrado em regiões metropolitanas. Eu prefiro este leite para o meu consumo, porém, é raramente encontrado na cidade de Feliz.

 

Leite tipo B

É o leite produzido em granja com instalações apropriadas. A ordenha é mecânica e em sala própria. Logo após a ordenha é resfriado à temperatura inferior a 4°C em tanque de aço inoxidável. Da granja leiteira é transportado para a indústria para ser processado, onde deve apresentar, no momento do seu recebimento, temperatura máxima de 7°C. Também é pasteurizado e envasado conforme sai do úbere da vaca e os animais são mantidos sob rigoroso controle veterinário permanente.

Nos leites tipo A e B não é permitida adição de nenhum conservante ou aditivo.

 

Leite tipo C

É o leite produzido de maneira mais simples, ou seja, a ordenha não necessita ser feita em sala própria, pode ser manual e mesmo ao ar livre. O controle sanitário do rebanho é feito apenas periodicamente. É permitida a padronização da gordura em 3% para o leite C integral. A pasteurização pode ser feita longe da granja leiteira e pode ser transportado em caminhões-tanque refrigerados, de modo que chegue na indústria com temperatura não superior a 7ºC. É o leite mais encontrado nos mercados.

 

Outros leites:

 

Leite enriquecido

Denomina-se leite enriquecido aquele que recebe adição de alguma vitamina ou mineral (vitaminas do complexo B, ferro, cálcio, ômega). O leite só necessita desse tipo de adição quando sofre perdas no processo de industrialização, caso da ultrapasteurização e da esterilização.

Os ômegas são ácidos graxos poli-insaturados e favorecem o desenvolvimento do sistema imunológico, contribuindo para a redução do colesterol e triglicerídios. O organismo humano necessita de uma dose diária de 400 a 500mg desses ácidos graxos ou um litro de leite por dia.

Existem dois ômegas. O ômega 3, que é extraído de peixes e vegetais e o ômega 6 que é extraído dos óleos vegetais como o de soja e o de canola.

Classificação do leite quanto à industrialização:

 

Leite pasteurizado

É aquele que foi submetido ao processo de pasteurização, que consiste no aquecimento do leite a uma temperatura de 72°C a 75°C por 15 a 20 segundos e imediatamente resfriado de 2 a 5°C. Este processo elimina todos os organismos nocivos porventura existentes no leite. Não é permitida a venda de leite não pasteurizado.

 

Leite ultrapasteurizado ou UHT

É leite homogeneizado que foi submetido à temperatura de 130°C a 150°C por 2 a 4 segundos, mediante um processo térmico de fluxo contínuo, imediatamente resfriado a temperatura inferior a 32ºC e envasado assepticamente, ou seja, em caixas tetrapark. É chamado leite longa vida e se conserva fora da geladeira.

Esse processo de beneficiamento à alta temperatura elimina grande parte dos nutrientes do leite, havendo necessidade de complementação. A vantagem desse leite é de se conservar fora da geladeira e a praticidade que as caixas oferecem.

 

Leite homogeneizado

É um processo de uniformização da gordura do leite para que ela fique uniformemente distribuída, evitando a formação de nata. Na atualidade praticamente todos os leites são homogeneizados. É por isso que o leite não forma nata. A falta de nata sobrenadante não é indicativo de falta de gordura nem de adulteração do leite.

 

SAÚDE

Jovens dormem apenas 60% do que deveriam

Hábitos modernos e fatores biológicos estão entre as causas, dizem os especialistas

 

O jovem dorme menos e mal. A vida moderna impôs hábitos que o leva a deitar tarde e acordar cedo. O sono dos adolescentes é motivo de preocupação e até de conflitos familiares - são os últimos a chegar e, normalmente, os pais ficam acordados, aflitos.

O médico caxiense Igor Santos culpa o ritmo e os hábitos da vida moderna. "A televisão, o videogame e o computador agitam a vida do adolescente e ele dorme menos do que deveria. E as horas de sono gastas com essas atividades comprometem o rendimento escolar", observa o médico ao CR.

Somam-se às manias eletrônicas, os maus hábitos alimentares, o dia-a-dia repleto de atividades extra-escola e a vida noturna. Conforme estudos da Sociedade Brasileira do Sono, o jovem não dorme mais do que seis horas por dia. O ideal seria que dormisse nove horas.

A falta de sono pode levar a complicações que vão do comprometimento do rendimento na escola ao desenvolvimento de problemas de saúde. A adolescência é uma das etapas da vida em que mais se está propenso a distúrbios do sono.

Hormônio - A revolução hormonal, bem presente na juventude, tem impacto na produção de melatonina, o hormônio que regula a vontade de dormir. Secretada na ausência de luz solar, ela aciona uma região específica do cérebro, núcleo supraquiasmático, responsável, entre outras funções, pela liberação de substâncias ligadas ao sono.

Nos adolescentes, a produção diária de melatonina sofre atraso de até quatro horas em relação à população em geral. Apesar de não se conhecer as causas desse atraso, sabe-se que ele nada tem a ver com a vida moderna. Pelo menos é o que afirma a revista Pediatrics, da Academia Americana de Pediatria.

Para os especialistas americanos da Pediatrics, dormir e acordar mais tarde faz parte do processo natural de amadurecimento dos jovens. O problema é que a rapaziada, em geral, vai dormir ainda mais tarde do que seria o esperado e acorda, por necessidade, mais cedo do que deveria.

Obrigações - Quem dorme menos do que precisaria fica sonolento durante o dia. No caso do adolescente, isso torna ainda mais difícil o cumprimento das atividades cotidianas - que são cada vez em maior número. Além da escola, há cursos preparatórios, natação e por aí vai. Cumpridas as obrigações, é chegada a hora de navegar na internet, ver televisão, som ou "alugar" o telefone.

É à noite também que a gurizada sai para se divertir e quando costuma fazer sua principal refeição do dia. Isso tudo contribui para que ela tenha dificuldade para dormir na hora adequada. "As pessoas devem consumir alimentos e bebidas leves à noite para dormir melhor", aconselha a nutricionista Denize Schmachtenberg. "A refeição noturna não pode ser pesada", concorda Igor Santos.

Com esse quadro, os pais contabilizam em casa filhos sonolentos de dia e acesos de noite. Nos fins de semana, quando poderiam recuperar parte do sono perdido, a maioria fica até mais tarde na rua. Qual a saída? Para o gráfico Celso Perottoni, pai dos gêmeos adolescentes Guido João e Antonio Luis, 14, e de Pedro Augusto, 9, a solução está no controle dos horários. "Eu e minha esposa Nádia implantamos regras e definimos horários para assistir televisão, navegar na internet e para as demais atividades de lazer", revela Perottoni. "A alimentação é na hora certa", diz.

 

Alimentos e bebidas comprometem o sono

 

"A noite foi feita para dormir." Quem não conhece essa orientação? Só que muitos não sabem que os alimentos e bebidas interferem na qualidade do sono. "Para dormir bem, deve-se consumir alimentos leves e evitar bebidas fortes, chá preto, erva-mate, café e refrigerantes", aconselha a nutricionista Denize Schmachtenberg.

Alimentos gordurosos dificultam a digestão e prejudicam o sono. Outra dica é beber pouco líquido à noite, para evitar despertares.

Para Denize, o ideal é comer saladas, principalmente alface. Deve-se optar pelos chás e sucos, especialmente maracujá. "Os refrigerantes, café, erva-mate e chá preto contêm os estimulantes chantina e cafeína", explica a nutricionista ao CR.

 

Estágios diferem com a idade das pessoas

 

O sono é dividido nos estágios 1 e 2, profundo e Rem (sono quieto). Os dois últimos são essenciais para a maturação cerebral e o desenvolvimento corporal dos bebês. Nas crianças predominam os estágios 1 e 2. O mesmo acontece com os pré-adolescentes e adolescentes. Crianças (5 a 9 anos) e pré-adolescentes (10 a 13 anos) têm padrões semelhantes de sonos.

Já para os adultos, com o cérebro amadurecido e o corpo desenvolvido, a quantidade do sono Rem e profundo cai. É comum nesse período o surgimento de doenças que afetam o sono. Nos idosos, o sono profundo ocupa apenas 5% do sono total. Nessa faixa etária, aumenta o número de despertares durante a noite. O tempo de horas de sono é de apenas seis.

 

OPINIÃO

Quem comanda no mundo?

Leonardo Boff

Os donos do mundo estão sentados atrás dos bancos, são os que controlam os mercados financeiros, as taxas de juros, as infovias de comunicação, as tecnologias biogenéticas e as indústrias de informação

 

Com a autonomização da economia e o enfraquecimento dos estados-nação é ilusório pensar que os presidentes eleitos sejam os que têm o comando sobre o país. Quem decide os destinos reais do povo não é o presidente. Ele é refém do Ministro da Fazenda e do presidente do Banco Central, que por sua vez são reféns do sistema econômico-financeiro mundial a cuja lógica se submetem. Quando o presidente Bush fala à nação muitos seguramente o escutam. Mas quando fala o presidente do Federal Reserve (Fed) a nação inteira pára. O que ele tem a dizer significa a vida ou a morte de muitos empregos e do destino de empresas.

Os donos do mundo estão sentados atrás dos bancos, são os que controlam os mercados financeiros, as taxas de juros, as infovias de comunicação, as tecnologias biogenéticas e as indústrias de informação.

Imensos conglomerados privados atuam em nível planetário. Sem perguntar a ninguém e sem qualquer controle, dilapidam o patrimônio comum da humanidade em benefício próprio. Desflorestaram em poucos anos 800.000 hectares das ilhas de Bornéu, Java, Sumatra e Sulawesi. Os incêndios projetaram fumaça do tamanho de meio continente. Esses mesmos grupos, mancomunados com os nossos, atuam agora na floresta amazônica. As leis de proteção ambiental são inoperantes face à fúria de conseguir dólares via exportação para o país fazer frente aos compromissos da dívida externa e interna. O agronegócio implica desflorestar, liquidar a biodiversidade, homogeneizar a produção em escala.

Esta lógica funciona no sistema globalizado mundial, criando desigualdades e devastações ecológicas lá onde se implanta. Para 2010 prevê-se que as florestas tenham diminuído em 40%. Em 2040 o aumento dos gases de efeito estufa podem provocar um aquecimento entre 1ºC a 2ºC, elevando o nível das águas oceânicas de 0,5 a 1,5 metro e afetando milhares de cidades costeiras. Seis milhões de hectares de terras férteis somem por ano sob o efeito da desertificação.

As doenças infecciosas de todo tipo viajam à velocidade dos mercados. A aids é uma pandemia na África. A expectativa de vida da África subsaariana já diminuiu sete anos e em outros países, como Uganda, Zimbábue e Zâmbia, recuou dez anos. No ano passado a produção econômica do Quê-nia, por causa da aids, caiu em 14,5%. A África é um continente abandonado à sua própria desgraça, sequer merece ser explorado.

Se houvesse um pouco de humanidade e compaixão entre os humanos bastaria que se retirasse apenas 4% das 225 maiores fortunas do mundo para dar comida, água, saúde e educação a toda a humanidade. Estes são dados da ONU de 2004. Enquanto isso 30 milhões de pessoas ainda morrem de fome e dois bilhões são anêmicos.

Teremos tempo para que a desintegração se mostre criativa? Uma leve esperança se anuncia um pouco em todas as partes do mundo, em Seatle, em Gênova, em Porto Alegre e nos Fóruns Sociais Mundiais. Aí surge um anti-poder que pede uma nova justiça planetária, uma taxação significativa dos capitais especulativos, a introdução de uma renda de existência a todos os habitantes da Terra não para subsistirem, mas porque simplesmente existem. A aplicação rigorosa da ética da precaução e do cuidado em questões ambientais. Esperanças. Que tenham a força da semente.

 

A paz dos meus sonhos I

 

Frei Betto

Se as nações ricas querem vencer o terrorismo, só há uma solução: investir seus recursos para que a vida digna e feliz, dom maior de Deus, seja um direito de todos, e não privilégio de uma minoria

 

Tenho uma proposta concreta de paz para o mundo: os EUA retiram-se do Iraque e devolvem ao México o Texas, a Califórnia e o Arizona; e Porto Rico aos porto-riquenhos; suspendem o bloqueio a Cuba e restituem aos cubanos a base naval de Guantánamo.

A França e a Espanha devolvem aos bascos o seu território; a Turquia, o Irã e o Iraque admitem o direito dos curdos a uma pátria; a Rússia liberta a Chechênia; a China desocupa o Tibete; as Coréias do Norte e do Sul chegam a um acordo de reunificação; o Estado Palestino é imediatamente criado e reconhecido pela ONU, Israel devolve os territórios ocupados e Jerusalém é declarada santuário universal ou cidade internacionalmente independente, administrada pela ONU.

O papa renuncia ao título de Chefe do Estado do Vaticano, entregando-o à administração da Unesco, e mantém-se apenas como pastor universal dos católicos, sem pretensões de hegemonia religiosa e cultural; o FMI e o Banco Mundial cancelam as dívidas dos países pobres; e a Organização Mundial do Comércio condena o protecionismo e os subsídios agrícolas dos países ricos.

Adota-se a taxa Tobin nas transações internacionais; são considerados crimes a formação de cartéis e oligopólios, bem como a acumulação pessoal de renda superior à média nacional multiplicada por vinte. Proíbe-se a propaganda de cigarros e bebidas, e a exaltação da violência e da pornografia em filmes e programas de TV.

Todos os políticos com cargos eletivos são obrigados a manter na Internet declaração transparente de rendas e bens; as denominações religiosas renunciam a qualquer indício de fundamentalismo e competição; o Estado considera crime hediondo e grave violação dos direitos humanos a fome, a miséria e a pobreza.

São garantidos a cada cidadão e cidadã uma renda mínima; os direitos básicos de alimentação, saúde e educação; e um teto gratuito no consumo de energia, água e telefone. Superam-se os preconceitos raciais e contra homossexuais, as discriminações étnicas e religiosas, a desigualdade social e o medo à liberdade.

Qual paz? - Haveria paz se os países mais ricos se aliassem, não para bombardear um povo miserável como o do Afeganistão ou do Iraque, mas para combater as causas do terror. Como evitar o terrorismo, se o capital goza no planeta de uma liberdade de circulação negada às pessoas, se um passageiro é arrancado de um vôo por ter cara de árabe, se o governo dos EUA rasga o Protocolo de Kyoto, de proteção ambiental, e se retira da Conferência de Durban sobre o racismo?

Como evitar sentimentos negativos, se os EUA aplicaram muito dinheiro para Bin Laden combater a invasão russa ao Afeganistão, em 1991, mas não deram um centavo para promover o desenvolvimento daquela nação? E como falar em combate ao terrorismo, se a CIA protege Posadas Carriles, o superterrorista cubano que mandou pelos ares uma aeronave com 73 passegeiros, em 1976, e comandou torturas em El Salvador e na Venezuela?

O atentado terrorista aos EUA, em 11 de setembro, foi hediondo. Condenável sob todos os aspectos. Mas deveria ao menos servir para o Ocidente meditar sobre suas relações com a África, a Ásia e a América Latina. O que resta na África após décadas de colonização italiana, belga, francesa e inglesa? Miséria, guerras, epidemias. A aids ameaça, hoje, a vida de 25 milhões de africanos.

Não podemos mudar de planeta, ao menos por enquanto. Se as nações ricas querem vencer o terrorismo, só há uma solução: vencer as causas que produzem terroristas. O que significa investirem seus recursos para que a vida digna e feliz, dom maior de Deus, seja um direito de todos, e não privilégio de uma minoria.

Predomina nos meios políticos e diplomáticos a idéia de que a paz pode existir como mero equilíbrio de forças, através de tratados e acordos que fazem cessar a agressão, mas não eliminam o espírito belicista e as causas que geram conflitos. A ONU, malgrado seus esforços pela paz no mundo, se esforça por evitar guerras, sem, no entanto, empenhar-se suficientemente para erradicar as desigualdades sociais e assegurar a todos os povos condições dignas de vida.

 

NACIONAL

Auto-suficiência em petróleo deve ser alcançada neste ano

Produção mais do que dobrou nos últimos dez anos e vai crescer mais

 

Menos de um ano. Este é o prazo estimado para que o Brasil atinja a auto-suficiência na produção de petróleo. É pouco tempo, especialmente se comparado ao longo período em que o país gerou quantidade insuficiente até para abastecer um quinto de suas necessidades. Em 1974, por exemplo, o consumo era de 47,4 bilhões de litros e a produção chegava a 10,3 bilhões. Em 1978, a distância era maior ainda: menos de 15% dos 62,1 bilhões de barris consumidos.

Foi nos últimos dez anos que a Petrobras deu o maior salto produtivo desde que foi criada, por Getúlio Vargas, em 1953. A exploração, principalmente abaixo do nível do mar - até 1.880 metros -, faz jorrar 1,7 milhão de barris por dia, quando uma década antes, quando o Brasil era obrigado a importar a metade do petróleo que precisava, não passava de 700 mil barris. A ativação de uma nova plataforma flutuante, a P-50, deve fazer com que, finalmente, o país chegue ao final de 2006 produzindo 98 bilhões de litros, praticamente o volume consumido. Nessa quantidade estão incluídas produções de outras empresas, como a Shell (50 mil barris/dia), que passaram a operar com o fim do monopólio, em 1997.

O Brasil começou a explorar petróleo no final dos anos 1930. O marco, no entanto, está no surgimento da Petrobras. As crises econômicas de 1973 e 1979 não só desafiaram a país a investir no aumento da produção como a buscar alternativas, origem do Proálcool (leia ao lado). Dependente de importações, o país sempre ficou exposto às oscilações do mercado internacional. Durante muitos anos, a cada reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), a balança de divisas pendia mais para o lado do déficit.

A auto-suficiência não vai recompensar os sacrifícios que os brasileiros tiveram de suportar nas últimas décadas. Nem deve ser criada expectativa de que essa conquista represente redução do preço da gasolina, porque o país precisará acompanhar as cotações internacionais. Mas é um passo importante para fugir da dependência externa.

 

Liderança mundial na produção de álcool

 

Não é apenas o petróleo brasileiro que ocupa o cenário de otimismo. A fabricação de álcool combustível (etanol) também deu um pulo importante, tanto que o país lidera o ranking mundial, com 36% da produção do planeta, contra 33% dos Estados Unidos, o segundo colocado.

A estimativa é de que o Brasil gere neste ano 16 bilhões de litros de álcool. Este é o resultado de um longo caminho percorrido. O primeiro passo foi dado em 1975, quando o presidente militar Ernesto Geisel instituiu o Proálcool, na esteira da crise econômica patrocinada pelo preço do petróleo. O programa enfrentou turbulências. Em 1991, o país produzia 11,5 bilhões de litros, volume que caiu para 10,6 bilhões em 2001. Agora, principalmente com o lançamento dos carros bicombustível, os "flex", a produção volta a subir e o álcool surge como um produto que pode representar divisas inimagináveis há 30 anos. Se o mundo decidir adicionar álcool à gasolina, o consumo atual, de 42,2 bilhões de litros, será multiplicado.

Em dezembro do ano passado, 73% dos carros vendidos no país eram flex. A frota, no entanto, continua com alta predominância de veículos a gasolina - 72% contra 2% flex. Se o álcool não custar mais de 70% do valor da gasolina - era de 63% no mês passado -, a procura por carros flex tende a aumentar.

 

Frota de caminhões tem média de 15 anos

 

A idade média dos veículos de carga no Brasil é de 14,7 anos. Os mais antigos pertencem a transportadores autônomos e têm 19 anos de uso. Já os veículos das empresas possuem, em média, 9 anos e os veículos das cooperativas estão com 11 anos de uso. A maioria da frota, 56,6%, é de autônomos. Os veículos das empresas representam 42,9% da frota e das cooperativas, 0,5%.

Os dados foram levantados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), com base no Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Carga (RNTRC), obrigatório desde junho de 2004 para esses profissionais. Com essa idade, a frota é ineficiente devido ao alto custo de manutenção e maior consumo de combustível.

 

Veículos de carga no país beiram 1,5 milhão

 

Trafega nas estradas brasileiras quase 1,5 milhão de veículos de carga, quase a metade na região Sudeste. O número foi levantado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Desde 2004, já se registraram na ANTT mais de 746 mil transportadores, sendo 84,7% (631.960) deles autônomos, 15,2% (113.643) são empresas e 0,1% (536) são cooperativas. As empresas têm, em média, 5,4 veículos, os autônomos 1,3 e as cooperativas, 14,2.

 

Cf-2006

CONVITE À SOLICITUDE

A Campanha da Fraternidade de 2006 aborda a questão das pessoas com deficiência. As propostas da CNBB colocam os deficientes no centro das atenções e convidam a sociedade a promover sua dignidade e seus direitos

 

No mundo, em virtude de problemas mentais, físicos ou sensoriais, há mais de 500 milhões de pessoas deficientes. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), na maioria dos países, uma em cada dez pessoas tem alguma deficiência, com repercussões em 25% de toda a população. Desses 500 milhões de deficientes, 350 milhões vivem em países do Terceiro Mundo, sem os recursos necessários para ajudá-las a superar suas limitações.

Na América Latina, conforme dados do Banco Mundial, há 50 milhões de pessoas com deficiência, ou seja, 10% da população. Das crianças deficientes, apenas 20% a 30% estão matriculadas na escola; cerca de 80% a 90% dos portadores de deficiência da América Latina e do Caribe, não têm emprego e quem trabalha é mal remunerado.

Na população brasileira, segundo o censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2000, havia no país 24,6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência (mental permanente, tetraplegia, paraplegia, falta de membro ou de parte dele, com dificuldade permanente de visão, audição ou locomoção etc).

Para refletir sobre essa realidade, a Campanha da Fraternidade 2006, promovida pela CNBB, convoca os brasileiros, em particular os cristãos, a viverem um tempo de acolhida, solicitude e solidariedade com todas as pessoas portadoras de alguma deficiência. A CF-2006 tem como tema "Fraternidade e pessoas com deficiência" e como lema "Levanta-te, vem para o meio!". O lema, segundo o texto-base, é tirado de uma passagem do evangelho de São Marcos (Mc 3,3), quando Jesus cura um homem que tinha uma mão atrofiada.

Objetivos - Propondo essa temática, a CF-2006 traçou como objetivo geral possibilitar que todos conheçam melhor e reflitam sobre a realidade e a situação das pessoas com deficiência, à luz da Palavra de Deus e da ética cristã para, desta forma, suscitar fraternidade e solidariedade em relação aos portadores de deficiência, promovendo sua dignidade e seus direitos.

Como objetivos específicos, a CF se propõe apresentar a realidade das pessoas com deficiência; denunciar os preconceitos, as discriminações, os contravalores em relação aos irmãos deficientes; apresentar os princípios evangélicos que devem orientar o relacionamento com as pessoas com deficiência; assegurar os direitos individuais e sociais dos portadores de deficiências; favorecer políticas de inclusão, proteção de pessoas com deficiência e seus familiares no ambiente escolar, mundo do trabalho, vida eclesial, atividades culturais, esportivas, lazer e convivência social.

Ser pessoa com deficiência, ter um familiar ou amigo nessa condição, não significa receber uma cruz nem uma missão ou um castigo. É uma oportunidade para ir a si mesmo, sem ser devorado por ilusões de poder ou saber. As pessoas com deficiência e as deficiências ensinam o reconhecimento e a aceitação dos limites como uma via de crescimento.

Texto-base - Como subsídios para viver a CF de forma mais intensa, especialmente no tempo da Quaresma - a abertura oficial da CF-2006 ocorre e todo o Brasil na quarta-feira de Cinzas, dia 1° de março -, a CNBB elaborou um texto-base, um manual, folders e cartazes, disponíveis nas dioceses e paróquias, que orientam as pessoas a viver esse processo de acolhida e solidariedade com as pessoas deficientes.

O texto-base é dividido em três partes distintas - Ver, Julgar e Agir. A primeira ajuda a compreender a realidade dos deficientes; a segunda, a julgar essa realidade à luz da Palavra de Deus; e a terceira orienta para as ações que podem tornar a vida das pessoas com deficiência mais justa e mais digna. O texto é complementado com anexos que tratam sobre legislação relativa às pessoas com deficiência, campanhas e dados, além de orientações gerais. (com colaboração de padre Antonio Valentini Neto, pároco da catedral São José, Erechim-RS).

 

Constituição garante direitos aos portadores de deficiência

 

O culto do corpo ideal, conhecido desde a antigüidade, é muito acentuado em nossos dias. A preocupação excessiva com a estética corporal pode ser percebida nos meios de comunicação social, nas cirurgias plásticas e na freqüência às academias e outros locais de cultivo estético do corpo. Nesses locais não há espaço para quem não pode ser fisicamente "perfeito".

A palavra "deficiência" evoca ausência, anomalia ou insuficiência de um órgão, de uma função fisiológica, intelectual ou até social. Expressões como paralítico, anormal, aleijado, mongolóide, retardado, débil mental rotulam de forma preconceituosa as pessoas com deficiência. Para evitar a exclusão e o preconceito contra essas pessoas, seus direitos são garantidos por documentos e leis.

No Brasil, a Constituição de 1988 traz em seu bojo garantias que visam à integração social das pessoas portadoras de deficiências: de acesso e locomoção, com eliminação das barreiras arquitetônicas; de atendimento educacional em qualquer estabelecimento de ensino; de atendimento de saúde especializado; de integração social; de admissão em cargos públicos; de benefício mensal àqueles que não possuírem, por si ou por sua família, meios de manter o próprio sustento; e de proibição de discriminação quanto a salário e critérios para admissão do trabalhador com deficiência.

Um dos avanços legislativos mais recentes foi a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (nº 9.394/96) que assegura a alunos com deficiência matrícula compulsória em estabelecimentos públicos e privados de ensino, considerando-se crime recusar, suspender ou cancelar, sem justa causa, a inscrição de aluno por motivos derivados da sua deficiência. Leis também garantem o direito de atendimento médico, psicológico e funcional, incluindo próteses, reabilitação médica e social.

 

Jesus revela compaixão diante das fragilidades humanas

 

Deficiência não é sinônimo de incapacidade ou de doença. Cada vez mais as pessoas com deficiência emergem como protagonistas de suas vidas e destinos, deixando de ser meros objetos de ações de assistência social e individual. A luta pela inclusão familiar, escolar, eclesial, social e no mundo do trabalho e da cultura, através de movimentos e organizações, é cada vez mais promissora.

A escolha do lema "Levanta-te, vem para o meio!" é significativa porque, na passagem narrada nos evangelhos (Mc 3,1-6, Mt 12,9-14 e Lc 6,6-11), várias atitudes de Jesus em relação às pessoas deficientes mostram o caminho para a transformação da realidade de quem é marginalizado ou excluído por causa de suas deficiências.

Ao convidar o homem da mão atrofiada a "vir para o meio", Jesus revelou sua solicitude e que não deixa ninguém fora de sua atenção. Mostrou àquele homem que não devia resignar-se por causa de sua deficiência, mas ter coragem, ocupar seu espaço e não renunciar a sua dignidade. Ensinou que não se pode deixar alguém isolado, sozinho com seus problemas. Cristo também denunciou o preconceito de quem via nas deficiências o estigma dos considerados pecadores e castigados por Deus. Com sua atitude, Cristo desafia também a nós descobrir nos marginalizados por deficiências a alegria de viver, a força de lutar, a capacidade de amar.

 

Milhões nascem com defeitos genéticos

 

Segundo relatório publicado na terça-feira, 31 de janeiro, pela organização americana March of Dimes, a cada ano quase oito milhões de crianças em todo o mundo nascem com algum defeito genético. Primeiro estudo global sobre o assunto, o relatório coletou dados de 192 países e mostra que, ao todo, 3,3 milhões de crianças com menos de cinco anos de idade morrem a cada ano por causa de algum defeito congênito.

Estima-se que 3,2 milhões das que sobrevivem terão alguma deficiência física ou mental pelo resto da vida. Ao todo, o estudo concluiu que cerca de 6% dos bebês nascidos no mundo sofrem com defeitos genéticos. Além desses, centenas de milhares de bebês nascem com defeitos sérios ligados à exposição da mãe ao álcool, fumo ou por causa de infecções como rubéola ou sífilis, mas esses dados não constam do relatório.

A organização alega que esses defeitos poderiam diminuir em 70% se fossem adotadas medidas simples, como receitar ácido fólico para todas as mulheres grávidas, para minimizar o risco de espinha bífica. Os defeitos de nascimento mais comuns são problemas cardíacos congênitos (1.040.865 nascimentos); defeitos no tubo neural, como a espinha bífica; desordens ligadas à hemoglobina, como a talassemia; e Síndrome de Down.

 

Problemas afetam 14% dos brasileiros

 

O número de pessoas com alguma deficiência (24,6 milhões, conforme dados do Censo 2000), no Brasil, representa cerca de 14% da população, uma taxa compatível com a de outros países que utilizam o mesmo parâmetro de avaliação (matéria página ao lado). É o caso da Áustria (14,4%), Espanha (15%), Inglaterra (12,2%) e Noruega (13%).

O Censo revelou ainda que do total de pessoas com deficiência no Brasil, 19,7 milhões vivem nas cidades e 4,8 milhões (19,7%) estão no meio rural; 12,5 milhões são brancos, 9,8 milhões pardos, 1,8 milhão negros e o restante de outras raças/cores. O Censo também mostra que os dados de deficiência variam de acordo com a região do país. Norte e Nordeste têm os maiores índices (16,1% e 16,7%, respectivamente). Paraíba foi o Estado com maior proporção de população com pelo menos uma deficiência (18,8%) e São Paulo com a menor (11,4%).

 

Deficiências atingem mais as mulheres

 

De acordo com o Censo 2000, as mulheres são as mais afetadas com algum tipo de deficiência. Dos 24,6 milhões de brasileiros com alguma deficiência, 13,17 milhões são mulheres, vítimas principalmente de dificuldades visuais e motoras - os homens sofrem mais distúrbios mentais, físicos e auditivos. Em parte, esse dado se explica porque as mulheres têm maior expectativa de vida que os homens.

Existem causas de deficiências que vêm crescendo com os novos hábitos que as mulheres brasileiras adotaram e que antes eram exclusivamente masculinos, como o consumo de bebidas alcoólicas que, em grávidas, acarretam várias anomalias ao feto, como cardiopatias, desenvolvimento anormal do sistema nervoso, incidindo no cérebro, causando cegueira e deficiência mental no bebês.

 

IGREJA

Líderes de 347 confissões cristãs realizam assembléia mundial no RS

Encontro, em Porto Alegre, ocorre pela 1ª vez na América Latina

 

Será realizada de 14 a 23 de fevereiro de 2006, na Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre, a 9ª Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas (CMI). O encontro, uma espécie de Fórum Social Mundial Ecumênico, reúne mais de 3,5 mil participantes e 200 jornalistas de todo mundo. É a primeira vez que o evento ocorre na América Latina, desde que o Conselho foi criado em 1948.

A assembléia é realizada a cada sete ou oito anos. A última foi realizada em 1998, em Harare, no Zimbabwe. A escolha do Brasil para sediar a 9ª Assembléia deve-se à riqueza da experiência ecumênica realizada pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, e de Porto Alegre, por suas ligações com causas humanitárias, como o Fórum Social Mundial.

As assembléias do CMI têm como objetivos unir os cristãos em oração, revisar os trabalhos feitos, definir prioridades para os próximos anos, eleger a nova diretoria - o atual secretário-geral é o reverendo Samuel Kobia, pastor da Igreja metodista do Quênia - e emitir uma mensagem ao mundo. Além da programação religiosa, o evento reunirá movimentos sociais e culturais em uma grande feira internacional. A assembléia tem como tema "Deus, em tua graça, transforma o mundo".

Entre os convidados especiais estão três ganhadores do prêmio Nobel da Paz: o argentino Adolfo Pérez Esquivel (1980), defensor dos direitos humanos; a líder camponesa da Guatemala Rigoberta Menchú (1992) e o arcebispo da África do Sul, Desmond Tutu (1984), um dos líderes da luta contra o apartheid. A Igreja Católica não é membro do CMI (matéria abaixo), mas participa com 25 delegados nomeados pelo Vaticano, entre os quais o cardeal Walter Kasper, prefeito do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos. Também estará presente o líder da Comunhão Anglicana Mundial, arcebispo Rowan Williams, bem como patriarcas das Igrejas Ortodoxas e líderes protestantes. O presidente Lula e o governador do Estado, Germano Rigotto, confirmaram presença.

A assembléia deve afirmar a globalização alternativa. "Um mundo sem pobreza não é apenas possível, mas está de acordo com a graça de Deus para o mundo" afirma uma convocação, em forma de oração, que convida os participantes da 9ª Assembléia a refazer seu compromisso com o trabalho pela erradicação da pobreza e da desigualdade, por justiça nas relações comerciais internacionais, pela promoção da reforma agrária, pela preservação dos recursos naturais...

 

CMI representa 560 milhões de cristãos

 

O Conselho Mundial de Igrejas (CMI) é uma comunidade de 347 Igrejas, de mais de 120 países de todos os continentes e da maior parte das tradições cristãs. Juntas, representam 560 milhões de cristãos. A Igreja Católica Romana não é membro do CMI, mas trabalha em cooperação com o Conselho, fundado em 1948, ano da primeira assembléia, realizada em Amsterdã (Holanda). Os outros encontros ocorreram em Evanston (EUA), em 1954; Nova Délhi (Índia), em 1961; Upsala (Suécia) em 1968; Nairóbi (Quênia), em 1975); Vancouver (Canadá), em 1983; Camberra (Austrália), em 1991 e Harare (Zimbabwe), em 1998.

A Assembléia Geral é o organismo decisório máximo e reúne-se a cada sete anos. A sede do CMI, a maior e mais representativa organização ecumênica do mundo, está em Genebra, na Suíça. Agrupa Igrejas ortodoxas, protestantes, anglicanas, pentecostais, unidas e outras.

 

Evento terá orações, estudos e seminários

 

A programação da 9ª Assembléia Geral será composta de celebrações, orações diárias, estudos bíblicos, plenárias temáticas e diálogos ecumênicos. Nos intervalos, ocorrerá o chamado "Mutirão", uma feira com mais de 150 seminários, exposições, apresentações e oficinas sobre temas diversos ligados ao trabalho social, desenvolvidos por Igrejas e sociedade civil. Outros eventos de destaque serão a Plenária da América Latina, a Vigília pela Paz e a Noite Cultural, uma mostra de manifestações artísticas sul-americanas, aberta pelo gaiteiro gaúcho Renato Borghetti.

Embora o evento seja dirigido aos delegados das Igrejas-membros do CMI, todos interessados podem participar, mas precisam credenciar-se. Informações pelo site www.wcc-assembly.info/po ou pelo telefone (51) 3259.1990.

 

Evasão de privacidade

Padre Zezinho

Foi instalada a ditadura do olho. O direito de não mostrar está sendo derrotado pelo direito de ver

 

Todo mundo conhecia a expressão "invasão de privacidade". Seria o equivalente a dizer: "Na minha casa ninguém entra sem minha permissão". "Imagens minhas, só se eu deixar"; "Sou dono de minha casa e de minha imagem".

Apareceram os paparazzi que fotografavam sem licença das atrizes e vendiam aquelas fotos. Com o tempo chegou-se à conclusão de que pessoas públicas têm que aceitar isso, desde que as imagens não sejam constrangedoras. O conceito de pessoa pública ficou abrangente. Aí apareceram as pegadinhas engraçadas e cândidas, chamadas por isso mesmo de "candid camera". Ninguém se importava porque era engraçado e humano. Depois apareceram as infames pegadinhas nada cândidas, e um tipo de esgoto chamado teste de fidelidade, onde alguém casado ou em namoro pede que alguém seduza a pessoa que vive com ela aos olhos de todo o país. Com ar de seriedade, o apresentador conduz o programa garantindo que aquilo é honesto e verdadeiro. Assim o povo vê rompimentos, reconciliações e perdão ao vivo. Em Roma também se jogava os escravos e cristãos às feras sob o aplauso da multidão que ia lá ver o crime perpetrado sob as bênçãos do Estado e do Congresso que, ao invés de proteger o cidadão, calava-se. Dizem que os tribunos também gostavam.

Agora, conhecemos a evasão de publicidade em programas chamados Casa dos Artistas e Big Brother. Os voyeurs, isto é, os espiadores de buraco de fechadura podem se deliciar, porque há gente que quer ser vista e com isso virar famosa via fechadura e via olho mágico, e até pede a chance de expor sua vida e o que for preciso para chegar ou voltar ao estrelato. Quer os holofotes e as câmeras sobre si. Afinal, não estamos na era da imagem?

O que muita gente não percebe é que isso é só o começo. Quem leu o livro sabe que a Era Ford e o Big Brother já chegaram há tempos. Estamos todos sendo espiados. Hoje aplaudimos e achamos graça. Amanhã descobriremos que os animadores e comediantes da mídia, desesperados por ibope e dinheiro, ajudaram a instalar a ditadura do olho! O direito de não mostrar terá sido derrotado pelo direito de ver.

 

Paróquias da Serra celebram Lourdes

Virgem é recordada com veneração em Flores da Cunha e Veranópolis

 

Duas cidades celebram com destaque a festa de Nossa Senhora de Lourdes, neste final de semana. Em Veranópolis, onde está a gruta mais antiga da região, consagrada a Lourdes, a comunidade veranense vai recordar, ao longo de 2006, os 100 anos da inauguração da primeira gruta, ocorrida aos 8 de setembro de 1906, e os 60 anos da atual, consagrada no dia 8 de setembro de 1946.

A gruta de Veranópolis, construída a partir de um voto da comunidade, deu origem às atuais romarias e no dia 11 de fevereiro é feriado no município. No próximo sábado, serão celebradas missas às 7, 8, 10h45 (solene), 16 (com bênção da saúde) e 18 horas (ação de graças). Ao meio-dia, almoço no salão e no caramanchão.

Outra cidade que recorda Nossa Senhora com carinho é Flores da Cunha - Lourdes é padroeira da matriz. As celebrações ocorrem dia 12, mas são precedidas de tríduo, de quinta a sábado. No domingo, missa com bênção da saúde às 10h30 e almoço de confraternização. A matriz de Flores da Cunha, em estilo gótico e já centenária, é uma das mais belas da Serra gaúcha.

Uma matéria descrevendo seus detalhes artísticos, suas pinturas e imagens de santos, sua acústica perfeita, sua iluminação natural e sua história, feita pelo professor florense José Victorio Piccoli, mereceu destaque no periódico "Veronesi nel Mondo", de Verona, Itália, edição de dezembro de 2005, que a ilustrou com uma bela foto da matriz de Flores da Cunha.

Na mesma edição do periódico italiano há outras duas matérias sobre a Serra gaúcha e o Estado - uma que trata da imigrante Ana Rech, da vila; e dos antepassados da família Piccoli, e outra sobre os 130 anos da imigração italiana no RS.

 

Ex-diretor do CR celebra 70 anos de vida religiosa

 

Durante celebração realizada no santuário Nossa Senhora de Fátima, em Brasília (DF), no dia 2 de fevereiro, frei Sílvio Armiliato (foto) comemorou 70 anos de vida religiosa capuchinha. Frei Sílvio nasceu no dia 13 de janeiro de 1918, em Vacaria (RS). Professou no dia 2 de fevereiro de 1936, na província do Rio Grande do Sul. Foi ordenado sacerdote no dia 18 de janeiro de 1942, trabalhou como professor e diretor espiritual nos seminários gaúchos, como pároco em algumas paróquias e, durante oito anos, como diretor e administrador do Correio Riograndense.

Há mais de 40 anos atua no Brasil Central. Foi diretor do santuário de Fátima de Brasília, primeiro assistente da vice-província do Brasil Central, que se tornaria província em 1981; vice-provincial por duas vezes, mestre de noviços e ministro provincial. Trabalhou nas paróquias de Hidrolândia, Anápolis e Goiânia. Atualmente, é diretor espiritual do 1º Grupo de Oração São Padre Pio em Brasília, onde fundou o Apostolado da Compaixão.

 

Arquidiocese gaúcha tem dois novos bispos

 

Acolhendo solicitação de dom Dadeus Grings, arcebispo de Porto Alegre, o Papa Bento XVI nomeou dois bispos auxiliares para a arquidiocese gaúcha - padre Remígio José Bohn, atual pároco da paróquia Nossa Senhora do Rosário e vigário episcopal do vicariato de Porto Alegre, e padre Alessandro Carmelo Ruffinoni (scalabriniano), atualmente coordenador da Pastoral dos Migrantes em Assunção, no Paraguai.

Padre Remígio nasceu em São Roque, Feliz (RS), aos 21 de maio de 1950. Foi ordenado sacerdote em 1974. Padre Alessandro nasceu há 62 anos em Piazza Brembana (Bergamo), Itália. Foi ordenado sacerdote em Bassano del Grappa no ano de 1970 e logo em seguida veio para o Brasil, onde trabalhou 24 anos, inclusive como ministro provincial (1999-2004). Atuou outros 12 anos no Paraguai.

 

O poder das escolhas

Aldo Colombo

Sempre temos a possibilidade de recomeçar de maneira melhor, superando nossos erros e aprendendo com eles

 

Ele era considerado o homem mais sábio da localidade. Com longas barbas, mais de 80 anos de vida, tinha fama de responder corretamente todas as perguntas, por mais complicadas que parecessem. Num certo dia, um garoto tentou surpreendê-lo. Disse ao sábio: tenho um pássaro na minha mão; ele está morto ou está vivo?

Se o sábio dissesse que ele estava vivo, mataria o pássaro, mas se ele dissesse que estava morto, largaria a ave e esta voaria, em meio às risadas de todos. Mas o sábio, mostrando estar à altura de seu prestígio, afirmou: se tu queres, ele está vivo - se tu queres, ele está morto.

Nossa vida é a arte das escolhas. As escolhas mal feitas trazem a frustração, as escolhas bem feitas trazem a felicidade. Naturalmente, muitas escolhas não são feitas para sempre. Podem ser alteradas, mas a felicidade e a infelicidade são escolhas de cada um. Não corresponde ao ser humano escolher a infelicidade. Todos queremos ser felizes, mas, por vezes, nos enganamos a respeito da felicidade. E o tempo costuma mostrar isso.

Ninguém gosta de admitir que errou. É sedutor deslocar a culpa para os outros. É o pai, é a esposa, é o vizinho, é o governo, enfim, são os outros. E assim já aconteceu no Jardim Terreal. Adão apontou um culpado: Eva. E Eva responsabilizou a serpente. Gostaríamos de ser puros espíritos, confirmados na verdade. Na realidade somos fracos e nos enganamos muitas vezes, por miopia ou por malícia. Porém sempre temos a possibilidade de recomeçar de maneira melhor, superando nossos erros e aprendendo com eles.

A afirmação do sábio - se tu queres, ele está vivo - se aplica em nossa vida. Todos temos sonhos bonitos, mas ao longo da caminhada os sonhos perdem seu brilho. Não se trata de culpar ninguém: se tu queres, ele - o sonho, o ideal - está vivo. Dois jovens, diante do altar, prometem um ao outro a felicidade. Os anos passam e, aos poucos, a rotina ou o egoísmo vão minando o sonho. E um dos dois acaba admitindo que não dá mais. Vale, mais uma vez, a frase: se tu queres, ele - o amor - está vivo.

Todos temos uma dimensão comunitária e participativa, que se manifesta de muitas maneiras: família, sindicato, clube, igreja... Acabamos empolgados por um grupo, lutamos, reclamamos da omissão dos outros, mas, aos poucos, deixamos morrer o entusiasmo e acabamos por admitir, com nossa atitude, que também esse ideal está morto. Se tu queres, ele está vivo.

E assim - de escolha em escolha - transcorre nossa vida. Lamentamos as dificuldades, muitas vezes culpamos os outros. Na realidade, toda escolha é nossa. Não há nada que sejamos obrigados a fazer ou não fazer. Nós fazemos nossas escolhas e as escolhas decidem o que somos nós. Mas existe um ângulo muito favorável: nós somos o resultado de nossas escolhas, não das escolhas feitas ontem, mas das escolhas de hoje.

 

Cursos religiosos beneficiam leigos

Iniciativas favorecem inserção dos cristãos na vida da Igreja

 

Estão abertas as inscrições para alguns cursos religiosos importantes para leigos, lideranças, professores de ensino religioso, catequistas e pessoas interessadas em geral. A Faculdade de Teologia da PUCRS, por exemplo, promove, de abril de 2006 a abril de 2007, em Porto Alegre, curso de especialização em Ensino Religioso, coordenado pelo padre Leomar Brustolin, pároco da catedral de Caxias do Sul. As inscrições, abertas até 10 de março, podem ser feitas pelo telefone (51) 3320.3572 ou pelo e-mail www.pucrs.br/fateo/pos. As aulas visam capacitar e habilitar profissionais de educação graduados para ensinar essa disciplina nas escolas da rede pública ou particular.

Na diocese de Caxias do Sul, serão realizados diversos cursos. Entre eles destaca-se a Escola Bíblico-Catequética, para estudo da Bíblia, inédita na diocese. Destinada a catequistas e outras lideranças, será realizada em sete etapas. A primeira inicia dia 25 de março e a última nos dias 23 e 24 de setembro de 2006. Assessorado pelo Centro de Estudos Bíblicos (CEBI), o curso terá 120 horas/aula, com direito a certificado da UCS. Inscrições até 1º de março.

Também por iniciativa da Coordenação Diocesana de Pastoral da diocese de Caxias, será realizada uma nova etapa (terceiro ano) da Escola de Formação Fé, Política e Trabalho, em parceria com a Unisinos. É destinada a lideranças comunitárias, sociais, sindicais, agentes de pastoral, professores, políticos, estudantes etc. São 170 horas aula, em dez etapas, de março a dezembro, sempre no terceiro final de semana de cada mês. Programação das duas Escolas, inscrições e informações podem ser obtidas no local das aulas - Centro Diocesano de Formação Pastoral (Rua Emilio Finger, 685) -, pelo telefone (54) 3211.5032 ou no site www.diocesedecaxias.org.br.

E na paróquia Imaculada Conceição será realizado de 8 de março a 8 de novembro, sempre às quartas-feiras (19h45 às 22 horas), no salão dos capuchinhos, o Curso de Teologia para Leigos. Inscrições até o dia 8 de março na casa paroquial. Informações pelo telefone (54) 3226.2322.

 

Jovens de duas congregações consagram a vida a Deus

 

Quatro jovens, de duas congregações ligadas à família franciscana, emitiram votos religiosos no início deste ano. No dia 29 de janeiro, no convento Monte Alverne, em São Leopoldo, realizou sua profissão religiosa a noviça Miriam Pozzebon, da congregação das Irmãs Franciscanas da Penitência e Caridade Cristã. Filha de Euzébio e Jandira Pozzebon, Miriam nasceu em Liberato Salzano (RS) há 21 anos. Iniciou sua formação na congregação em 2001.

Em Porto Alegre, no dia 5 de fevereiro, professaram na capela da casa mãe da congregação gaúcha das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora Aparecida as jovens Liliane Carine Kraemer, natural de Tiradentes (RS); Luciane Stochero, que nasceu em Sorriso (MT), mas sua família reside em Boçoroca (RS); e Jaqueline Pagote, natural da cidade de Rondon (PR).

 

Ler e praticar

Wilson João

Ler sobre a humildade é adquirir a sabedoria. Mas é preciso exercitar-se para superar a pretensão e a arrogância

 

Quem não conhece pessoas que lêem livros muito lindos e cheios de sugestões para melhorar a vida, mas permanecem sempre as mesmas? Quem não conhece gente que busca soluções em todas as pessoas que aparecem na cidade com terapias e bênçãos, no entanto permanecem sempre com os mesmos problemas? Quem não conhece pessoas que sabem tudo de alimentação sadia e dão conselhos para muita gente, mas conservam o mesmo jeito errado de se alimentar?

É PRECISO SABER COLHER OS BONS FRUTOS E COMÊ-LOS. De cada livro que se lê saber colher sugestões que podem ajudar a viver melhor e exercitar-se nessa nova maneira. De cada palestra ou curso que se faz saber selecionar aquilo que serve para a vida pessoal ou profissional e tornar tudo isso parte da vida renovada.

LER SOBRE PACIÊNCIA é bonito, mas é preciso praticar o auto-controle. Tomar consciência de nossa falta de paciência, ser sensível a cada infração à paciência e praticar o controle sobre si mesmo.

LER SOBRE A BONDADE é fabuloso. Bondade de Deus, bondade da natureza, pessoas bondosas, atos de bondade que não se esquecem mais. Mas é preciso exercitar a bondade sabendo dar atenção às pessoas, a cada pessoa individualizada. É preciso apreciar a qualidade de cada um, a beleza de cada ser nesta nossa terra. É preciso incentivar tudo o que há de bom.

LER SOBRE A HUMILDADE é adquirir a sabedoria. Mas é preciso exercitar-se para superar a pretensão e a arrogância. É preciso em cada ato exercitar a autenticidade. Superar a mentira e o fingimento. Superar a duplicidade. Ser o que se é.

LER SOBRE O SACRIFÍCIO é encantador. Dar a vida. Saber doar-se. Mas é preciso em cada ação exercitar-se em ver as necessidades dos outros e não somente as minhas. É preciso esquecer-me, despir-me a cada momento da auto-suficiência para perceber as necessidades das outras pessoas.

LER SOBRE O RESPEITO é até poético, mas é preciso exercitar-se em tratar cada pessoa como alguém importante, com direitos e deveres, como alguém único e insubstituível neste universo.

PROGREDIR É EXERCITAR para perceber-se uma pessoa que vai evoluindo, melhorando e que pode dizer "hoje sou melhor do que ontem".

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

O italiano que está em você

Daniel Rech

Advogado cooperativista e assessor de movimentos sociais, Fortaleza-CE

 

"Se disser que nasci na Itália, é quase verdade, porque, mesmo tendo nascido no Hospital Pompéia, em Caxias do Sul, quando fui para casa, em Nossa Senhora da Maternidade, na 5ª Légua, fui inserido num pequeno mundo de vênetos, como último de 13 irmãos. Minha primeira língua foi o Talian, e o primeiro livro foi da História da Unificação Italiana com as fotos de Garibaldi e Victório Emmanuel. Aos cinco anos, na escola, comecei aprender Português. Jornal, só conhecia o Correio Riograndense. Meu pai era professor, mas em casa, ele e minha mãe falavam Talian. E nos orgulhávamos disso, embora, depois da última guerra, muitas pessoas tivessem vergonha de falar e serem considerados Taliani.

Em 1960, entrei no seminário dos Capuchinhos, em Veranópolis, onde só se falava Português, mas, entre nós, falávamos Talian. A maioria dos 125 seminaristas, éramos descendentes de italianos. Em Ipê, frei Rovílio Costa, nosso divertido diretor espiritual, só falava Português. Mas o frei Evaristo Parisotto puxava um bom Talian e isso fazia a extensão da vida de casa para o seminário. Em Ipê, também tive contato com o italiano gramatical, cujo primeiro livro foi Promessi Sposi, de Manzoni.

Em 1968, na filosofia, em Ijuí, deixei o seminário e voltei a Caxias. Talvez por me tornar mais urbano e com mais contato com típicas expressões culturais brasileiras como a música, especialmente dos festivais da Record, o cinema de Glauber Rocha, a poesia de Vinicius de Morais, e também porque Caxias passava por um processo de rejeição às características culturais italianas (ser colono italiano era depreciativo), fui me afastando da italianidade.

Na Filosofia, durante a ditadura militar, só pensava em atuar na política. Mas o Talian se manteve em minha família e quando ia para casa, tudo voltava ao que era antes. Essa manutenção das raízes foi facilitada porque, quando fui trabalhar na Metalúrgica Éberle, onde muitos ex-colonos trabalhavam por ínfimo salário, encontrei duas pessoas na direção, que se orgulhavam de falar Talian e, depois, comecei ótimo intercâmbio com pe. Orestes Stragliotto, apóstolo dos necessitados (a quem homenageio), de fluente Talian e, por ter ótimas relações com sua cidade de origem, Rosà-VI, despertou-me a vontade de conhecer minhas origens. Através do pe. Orestes fui morar em Goiás, como agente leigo de pastoral, e acabei por me afastar da cultura italiana, pois mesmo os padres italianos que lá havia falavam Italiano ou Português, nunca o Talian. Na Comissão Pastoral da Terra, onde fiquei 15 anos, pessoas de descendência vêneta quase só falavam Português.

Na década de 80, visitei Seren del Grappa-BL, onde meu avô nasceu. No monumento aos mortos de guerra, vi os sobrenomes Rech e Boff e senti vontade de revitalizar minha italianidade. Liguei a meu pai, contando o que estava vendo, e ele se emocionou. Retornei mais vezes ao Vêneto e, recentemente, eu e dois irmãos, em Seren del Grappa, com um grupo de Alpini e o prefeito, tomando vinho, cantamos, comovidos, El Massolin de’ Fiori, La bella violeta. Lá conhecemos o parente que financiou a pesquisa sobre os Rech, desde 1420, parente também da Ana Rech, que dá nome a um bairro em Caxias. Hoje, em Fortaleza, me sinto brasileiro e italiano. Gosto de retomar a cultura e os costumes taliani, como aconteceu em novembro, lá na belíssima vista da Capela Nossa Senhora da Maternidade, no lançamento do livro escrito por meu irmão Eduardo, sobre os Rech de Val de Serén que vieram a Caxias" (Fone 0xx85-32735059; e-mail drech@uol.com.br).

 

EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (346)

El maestro Merlin istrui Nanetto par la gran mission

Mario Gardelin

Professor, historiador e pesquisador, Caxias do Sul - RS

 

(Retomada do texto de Mario Gardelin, interrompido na edição de 14 de setembro de 2005, a partir do critério de alternância).

 

Santo Enrico, come ghemo contà, el ga promesso a Nanetto de mandarghe sapienti par istruirlo, parché, par far i laori a che el zera destinà, bisognava ver tanta siensa. Passà raquanti di, na sera, in che el gera sentà sul so bel caregon, el ga visto na luse che la ndava inquà e inlà.

- Radìcio baio! Cossa me toca védere!?

La luse se ga fermà, se ga sgrandio, e la ga lassà intravédere un omo, de barba e cavei bianchi, vestio co na grande capa. El se ga visinà e el ga dito:

- Nanetto, te saludo! Son qua par órdine del grande e santo imperatore Enrico, par istruirte, parché te ghè na gran mission: ténderghe ai migranti del Rio Grande do Sul, e a tuti i migranti.

Nanetto ze restà de boca verta. No’l savea cossa dir. Ma, el gavea na gran curiosità. E lora el se ga messo a tussir, par védere se ghe vegnea qualche idea. E le idee no le vegnea. L’omo dela capa el ga capio tuto.

- Nanetto, me nome ze Merlin. Go pi de otossento ani, anca se li porto ben. Sta barba e cavei i sconde tanti secreti.

Nanetto, passà el spavento, el ga podesto parlar.

- Merlin? Mai sentio sto nome. El me fa ricordar el merlo, che ze un bel oseleto, che canta che mai.

- Nanetto, scominsiemo mal. No stà confónderme con un tordo. Se te vol farme comparassion, ciàmeme de àquila. Àquila mi son, che zola alto e distante. Mi go na ànima de gueriero, go giutà el Re Arturo, quel dela Tola Tonda. Gavemo vinto i sassoni. Tra i me antenati ghe ze un cónsole romano, che’l zera un gran profeta. Da sto antenato, go eredità la professia.

- Lora sì un profeta? A me piasaria sentir qualche professia.

- Nanetto, te sè che i profeti i parla in cìcara. Par questo, de sta volta, parlo in Italiano. Eco la professia: "Il sole illumina il tuo Regno. Nuoterai nelle grandi acque del fiume più grande della terra. Sentirai l’onore delle grandi tradizioni. Andrai per la terra nel tuo imponente cavallo. E indosserai una tenuta di belleza."

- Santantoni, pian! A no go capio gnanca la metà de quel che gavì dito, signor Merlin. Andar par el mondo, fermarme qua e sentir la gente sarà una gran diversion. Voleu dir che mi sarò un re?

- Nò, Nanetto, quando parlo nel tuo Regno, intendo che te podarè anca ndar tea luna. Te capirè tuta la gente, ma poche volte te podarè parlar con lori. Ti te vedarè tuto, ma pochi pol véderte. No te gavarè ne fame e ne sete.

- Ma, lora, come posso ténderghe ai migranti?

- Te podarè méterghe in testa boni pensieri. Te podarè ndar onde te vol. In càmbio, bisogna che te te comporti ben. Se te fè qualche malan, o qualche malegràssia, na forsa potente te ciaparà e te trasportarà al càrcere, che’l ze qua soto sto gran palasso, in Bento Gonçalves.

- Gran palasso? Ma che palasso?

- Finio le strussion che go da darte, questo posto sarà cambià. Soto e sora tera ghe sarà càmere, saloti e grandi posti. Ma, tento: nessun li vedarà!

- Gnanca i frati de Garibaldi?

- Gnanca lori.

- Gnanca frate Paolino, quel che ga scrito la me vita?

- Ben, par elo, se pol far na essession.

- Gnanca la gente de Caxias, Bento Gonçalves e Porto Alegre?

- Sol qualche persona. E te devi capir che se tuti i vedessi ste tori, campanili, lastricati, essetara, el governo el te metaria suito imposti e i te ciavaria metà del fabricato. I ladri, che i ze par tute le parte, i cavaria anca i oci de sto monumento. Par difénderlo, bisognaria almanco tresento brigadiani.

- Sò chi i sia. Quando frate Paolino el ga scrito la me vita e el me ga messo in tel bastimento, la guàrdia che me ga menà in preson, armà co na dópia de cassa, la gavea la falda de sti soldai, de sti brigadiani.

- La to guàrdia sarà de soldai del 12º Batalion, quel de Caxias. Lì, caro, ghe ze i meio brigadiani de tuto el mondo.

- Ma, caro maestro Merlin, ghe zelo brigadiani fora del Rio Grande?

- E tanti, parché un bon brigadiano va in paradiso come un fogheton. Ghenè pi de sento mila, che i giuta San Michele... Meti in testa: brigadiano na volta, brigadiano sempre. Qua, lassù e par tuti i canton. Ma, brigadiani dela cavaleria.

- Se le ze cussita, aceto. Viva el 12º BPM! E mi gavarò quanti cavai?

- Quanti bisogna.

- E par mantègnerli?

- I ze imortali, no i ga bisogno de sorgo, de erba medicinale, essetara.

- El me scusa. Come zelo sto sorgo?

- Mìlio, caro.

- E erba medicinale?

- Alfafa!

- Vardé, che mi vui falda e stofe fine. Mi go visto la gente del campo. Vui vestirme de gaùsso.

- Gaùsso sarai.

Nanetto el se ga fermà.

- Me piasaria pensar un poco su tute ste robe. Riposemo?

- Mi resto qua raquanti di. Ogni tanto, parto par i me laori. No stà preocuparte con mi. Provedo a tuto quel che ocore.

Nanetto ze ndà a dormire tuto beato. La libertà de ndar par el mondo, a veder la gente zera un gran prèmio.

 

VITA STÒRIA E FRÒTOLE

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

La polenta

Geraldo Sostizzo

Cascavel - PR

 

La polenta scominsiea quando se catea fora le meio panoce par far e semense de piantar el mìlio. Cateimo fora sol i grani compagni dele meio panoce.

Quando el mìlio gera belche seco, cateimo su le panoce, le porteimo casa con la careta dei boi e dele volte anca coi sestoni tea schena. Le scartosseimo, ghe caveimo via le ponte e anca i grani mesi smarsi e dopo lo desgraneimo.

Lo meteimo tel sol par secarse ben, sora na lona, lo sventoleimo tel ària par netarlo e lo meteimo te un saco. Quando ocorea ndar al molin, ciapeimo un saco de mìlio de quaranta o sinquanta chili, lo spartìimo e lo meteimo sora la mula e via al molin.

Tante volte me tochea star là tel molin el giorno intiero, spetar masenar el nostro mìlio. Parché ghe gera tanti che no i gavea mia caprìssio e i portea masenar qualche mìlio, neto o sporco.

Quando riveimo casa, la mama vardea la farina e la savea se la gera pròpio del nostro mìlio. La metea via te na cassa fata aposta par la farina.

Verso le sei ore, le me sorele o la mama, metea el caliero sora el fogolar, ndove tirea via due rode de feri e le piantea rento el caliero, squasi pien de aqua.

Quando el aqua scominsiea boier, ghe metea sal, passea tuta la farina tel tamiso par tirarghe fora qualche potàcio e dopo ghe metea farina ben pimpianeto e smissiando co la méscola parché no se imbalocasse e no podea mia fermarse.

Dopo de na ora, quando la gavea belche fato la gróstola, el panaro gera belche pronto sora el taolin. Tirea fora la méscola, con na man tel arco e quelaltra con un strasso, ciapea te la banda del caliero e ndea tel panaro. Con un colpo sol, la butea ben in meso al panaro.

Na sera, de tanto dimandarghe a la mama par dassarme rabaltar la polenta, la me ga dassà, ma con na racomendassion: no stà farme sporchìssie. Gera meso ceo, go ciapà el caliero, compagno ele le fea, ma quando son ndato rabaltarlo me ga mancà forsa e la polenta, mesa la ze restata sora el panaro e quelaltra mesa rento tel caliero, lora la me ga insegnà polito come far.

Te na ponta del panaro, ghe gera un mànego con un pìcolo buso dove se lighea el fil par taiar la polenta e el buso gera anca par picar el panaro tel ciodo, dopo verlo lavà.

Guaia se la polenta gavesse balochi, la mama fea na prèdica. Quando na fameia fea la polenta, chi passea distante mila metri i sentia el odor. Incoi, con che le farine che gavemo, bisogna magnar pi formaio che polenta par sentirghe el gusto.

Quando ndeimo magnar, la portea el panaro tea tola de magnar e squasi sempre la mama che taiea la polenta col fil, gera el strumento pi importante tea tola.

Par quel che la mama disea sempre quando la gera cativa con noantri: rivarè tel fil dela polenta e là vedarè.

Ma la ora de taiar la polenta zera na ora sacrada, parché podeimo dir che magneimo quel che noantri pianteimo.

 

GERAL

Nova Pádua exibe potencial

Feprocol realiza-se durante 10 dias em fevereiro e março

 

O Festival do Vinho Doce, com show do Grupo Ricordi, é uma das novidades da Feira de Produtos Coloniais (Feprocol) e da Exposição de Vinhos de Nova Pádua. O evento que homenageia a produção agropecuária ocorre de 24 de fevereiro a 5 de março.

A Feprocol está recheada de atrações. A principal será o desfile de carros alegóricos, missa em homenagem aos produtores rurais, que será animada pela banda e coral Santa Cecília, dia 26. Logo após, almoço típico italiano e show de motocross com Jorge Negreti e equipe.

Também estão programadas palestras. Tânia Comin vai falar sobre "Motivação e relação familiar", dia 1º de março. Dia 4, frei Jaime Bettega irá discorrer sobre a terceira idade, encontro promovido pelo grupo Bela Idade. Depois, realiza-se a inauguração da cancha de areia e apresentação da peça teatral "La vita ze na vaca", com o grupo Míseri Coloni.

A festa encerra com alvorada, toque de sinos e fogos, missa em homenagem a crianças e idosos, almoço, desfile de carros alegóricos e entrega de prêmios.