
DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 4.976 - Ano 98 - Caxias do Sul-RS, 22 de fevereiro de 2006.
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Campanha da Fraternidade elege pessoas portadoras de deficiência
No mundo existem 800 milhões de pessoas deficientes e no Brasil, 25 milhões
Com início na Quarta-feiras de Cinzas, a Campanha da Fraternidade 2006 escolheu como tema as pessoas portadoras de deficiência. Como lema, o apelo de Jesus ao homem de mãos atrofiadas: Levanta-te e vem para o meio (Mc3,3). É um chamamento à comunidade cristã para um olhar de misericórdia, acompanhado de medidas práticas para estas pessoas. Elas querem apenas oportunidade para ocupar seu espaço e serem úteis à comunidade.
Surgida em 1964, na esteira do Vaticano II, a Campanha da Fraternidade, a cada ano, durante a Quaresma, escolhe um tema para uma evangelização intensa. No início, foram escolhidos assuntos internos da Igreja. A partir de 1975, passou a abordar temas sociais e existenciais. Nas comunidades eclesiais e nos meios de comunicação, estes temas são debatidos visando mudanças de comportamento. Embora, oficialmente, a CF termine na Páscoa, com um gesto concreto, o tema continua em debate. É o caso dos temas dos últimos dois anos: a paz e a água. Para 2007 foi escolhido um tema provocador: a Amazônia.
Para a Organização Mundial da Saúde, existem no mundo 800 milhões de pessoas portadoras de deficiência, sendo que 50 milhões vivem na América Latina e 25 milhões no Brasil. Essas cifras são modestas e parecem levar em conta apenas as deficiências mais graves. Na realidade, todos nós, de alguma maneira, somos portadores de deficiência. Evidentemente, a Campanha visa pessoas que, em virtude de suas deficiências, acabam excluídas da vida social e econômica.
Em seus múltiplos aspectos, a CF atinge a todos: os portadores de deficiência para que busquem seu espaço e seus direitos; as famílias e a sociedade para que tenham um comportamento justo com essas pessoas. Também questiona as atitudes das igrejas e da escola. Abrange, finalmente, os poderes públicos para seus deveres. Em relação aos portadores de deficiência, nada pior do que a exclusão e a falsa compaixão.
Como dinâmica, a CF usa o "ver, julgar e agir". O "ver" nem sempre é fácil, pois muitos portadoresde deficiências são esquecidos ou ignorados. O "julgar" brota do Evangelho e das atitudes de Jesus, que jamais excluiu ninguém e promoveu os mais fracos. Finalmente, resta o "agir", tarefa que cada comunidade vai descobrir, como conseqüência da lei evangélica do amor e da opção preferencial de toda a Igreja pelos necessitados.
Concurso de uvas premia produtores com viagem
Vencedores vão à regiões vitícolas da Argentina e Uruguai
As melhores uvas desta safra foram escolhidas em concurso promovido pela Secretaria Municipal da Agricultura (Smag) em parceria com diversas entidades do setor. O julgamento ocorreu na quinta, 16, véspera de abertura da 26ª Festa Nacional da Uva. O corpo de jurados era formado por sete profissionais especializados em viticultura.
Segundo a Smag, 416 produtores integram a mostra da Festuva 2006. Destes, 388 participaram do concurso. Todos serão homenageados no próximo sábado, 25, durante o tradicional Baile do Viticultor. A comemoração ocorre na comunidade de Loreto da 2ª Légua, em Forqueta, às 20 horas, com animação do grupo Sul Paion. Na ocasião, os vencedores do concurso (ao lado) serão premiados com troféus e viagem às regiões vitícolas da Argentina e Uruguai.
Todos os produtores receberão certificado de participação na Festuva. A mostra de uvas pode ser apreciada pela comunidade nos pavilhões da festa. A exposição localiza-se logo na entrada do pavilhão 2 e permanece até o final do evento, dia 5 de março.
Faltam só 9 quilômetros para conclusão da Rota do Sol
Mas no trecho inacabado estão 4 km da variante ambiental, que exige tempo e muito dinheiro
Setenta e cinco anos depois de idealizada, a construção da Rota do Sol, rodovia que corta o Rio Grande do Sul, deu mais um passo - curto em relação aos 749,5 km de extensão total, mas importante porque torna mais próximo de sua conclusão uma obra que carrega o estigma da paciência, da persistência e, principalmente, de promessas e frustrações. Com os 12 km de asfalto entre Terra de Areia e Itati entregues na quinta 16 pelo governador Germano Rigotto, ficam faltando apenas mais nove. Desses, 5 km, de Itati a Arroio Limoeiro, são em solo plano. Mas os outros 4 km da variante ambiental, na serra, cujo projeto prevê túneis, viadutos e outras obras de engenharia, demandam muito tempo e dinheiro. E é nesse último item que reside a maior dificuldade para a derradeira inauguração.
Os 12 km inaugurados na semana passada custaram, segundo a assessoria do Palácio Piratini, R$ 30 milhões. Os trechos inacabados estão orçados em mais de R$ 60 milhões. O governador Rigotto afirmou que a Rota do Sol é uma importante ligação da serra gaúcha com o Litoral e a BR-101, que "facilita o escoamento da produção de regiões por onde ela passa". Um de seus maiores desejos, administrativo e político, é concluir a obra neste ano - o último deste seu mandato. Mas não há recursos assegurados. A expectativa é de que sejam liberadas verbas do Prodetur, programa que contempla o Estado com quantia suficiente para finalizar a obra.
Otimista, o secretário dos Transportes, Alexandre Postal, diz que "até o final deste ano os gaúchos verão concluída esta obra". Ele explica o longo prazo pelas obras complexas na serra e, já mais realista, afirma: "Acredito que temos a boa perspectiva e o sonho de ver até o final do ano a rodovia concluída".
Rodovia corta o Estado
A Rota do Sol atravessa o Rio Grande do Sul no sentido leste-oeste. Começa no entroncamento com a Estrada do Mar (RS 389) e, a partir dali, estendem-se 12,5 quilômetros entre Curumim e Terra de Areia, de onde a rodovia segue pela Serra do Mar, no eixo da RS 486, até encontrar a RST 453. Passa depois pela Serra, pelo Vale do Taquari, chega ao Vale do Rio Pardo, em Venâncio Aires, onde encontra a RST 287, e vai até Santa Maria. De lá, continua pela BR 287 e alcança São Borja. Ao todo, são 749,5 quilômetros.
A rodovia abrange 43 municípios só na Serra e no Litoral. Juntos, eles geram um PIB superior a R$ 15 bilhões. Esses mesmos municípios possuem uma frota de 355.001 veículos, entre caminhões e automóveis (Famurs/ março de 2004). A arrecadação de impostos estaduais e federais no ano de 2003 foi de R$ 2,2 bilhões.
Uma obra cercada por dificuldades e promessas
A idéia da Rota do Sol surgiu no distante 23 de agosto de 1931, quando comerciantes caxienses se reuniram para tratar da "estrada de rodagem de Caxias a Torres". A informação está documentada na ata 113 da antiga Associação dos Comerciantes, atualmente Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC). Nesta gestão da Associação, presidida pelo Senhor Marcos Fischer, foi criada a Associação das Estradas de Rodagem de Caxias, cuja direção técnica foi entregue ao engenheiro Dario Sant’Anna.
As obras iniciaram em 1972, seguindo o projeto de ligar São Borja, no Oeste do Estado, ao Litoral Norte, totalizando, originariamente, 773 quilômetros. A falência da construtora, no entanto, interrompe os trabalhos. Em 1990, novo problema: o trecho entre Tainhas e Terra de Areia, de 54 quilômetros, foi embargado por falta de projetos de impacto ambiental. O impasse durou sete anos, alimentado pela intransigência de organismos ambientais, mas também pela conveniência de interesses políticos - afinal, não havia dinheiro disponível para prosseguir a obra e levantar o embargo obrigaria a retomada dos trabalhos.
Articulação das comunidades abrangidas pela Rota do Sol levou o Ibama e a Fepam concederem, em 1997, licença de reinício dos trabalhos.
A campanha deflagrada em 2000, "Rota do Sol - A Estrada do Desenvolvimento Estadual", que envolveu municípios da Serra e do Litoral, aumentou a pressão sobre o governo do Estado. Faltavam ainda 28 quilômetros. Em 2002, o governador Olívio Dutra promete concluir a rodovia - ele, assim como Antônio Britto, Alceu Collares e outros - foi mais um governante a não cumprir a promessa.
Em 2004, faltavam 26 km para a conclusão. Em novembro de 2005, quando faltavam 18,6 km, Rigotto prometeu terminar a Rota do Sol em dezembro de 2006.
Duplicação da BR-101 no RS mantém ritmo acelerado
A obra de duplicação da rodovia BR-101, no trecho que vai de Palhoça (SC), na região de Florianópolis, até Osório (RS), completou um ano. A estrada faz parte do Corredor do Mercosul, interligando Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai. A obra custará R$ 1,1 bilhão e tem financiamento do governo federal a partir dos recursos da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), cobrada sobre a importação e a comercialização de petróleo e derivados. A conclusão está prevista para dezembro de 2008.
A duplicação dos 345 quilômetros do trecho vai permitir uma viagem em pista dupla de Governador Valadares (MG) até Porto Alegre (RS), facilitando as trocas comerciais e o turismo entre os países do Cone Sul. Implantada no final dos anos 60 e início dos anos 70, a BR-101 é uma das principais rodovias longitudinais do país, ligando Touros (RN) a Rio Grande (RS), com 4.551 quilômetros de extensão.
Com o crescimento econômico do país e o conseqüente aumento da frota nacional de veículos nos últimos 30 anos, a rodovia tornou-se obsoleta. No trecho Sul, que liga Curitiba a Porto Alegre, a estrada foi projetada para um tráfego de 7 mil veículos por dia. Atualmente, trafegam por ela diariamente 8 mil caminhões, centenas de ônibus e de 20 a 40 mil veículos de menor porte.
A parte mais adiantada das obras de duplicação da BR-101 Sul está no Rio Grande do Sul, entre os municípios de Torres e Osório. Responsável pela duplicação dos 99 quilômetros do trecho gaúcho, o coordenador do Departamento de Infra-estrutura de Transportes (Dnit) no Estado, o engenheiro Marcos Ledermann, estima que a obra no trecho esteja concluída em 17 meses. Ele diz ainda que o presidente Lula deverá inaugurar pelo menos 70% da obra pronta até o final do seu mandato.
O outro trecho da BR-101 Sul, de Curitiba a Florianópolis, foi duplicado em 2002. Na região Nordeste, a BR-101 está sendo recuperada e duplicada no trecho que vai de Recife (PE) à Natal (RN) - uma obra que está orçada em R$ 1,5 bilhão.
Desafio à engenharia
A duplicação da BR-101 Sul prevê a construção de 62 viadutos, 74 passarelas para pedestres, 51 passagens inferiores para animais, 50 pontes e quatro túneis. O desafio dos engenheiros é construir uma estrada sobre terrenos pantanosos, solos movediços e instáveis, na maior parte do ano alagados.
Aviso aos viajantes: no trecho de Santa Catarina, a rodovia fica interrompida nas terças e quintas, das 12 às 14 horas, para as detonações. No RS, o trabalho é executado nas segundas, quartas e sextas às 15 horas.
Análise preliminar confirma boa qualidade da uva na safra 2006
Graduação média está abaixo da de 2005, mas é bem superior a 2004
Embora em greve há mais de 20 dias, os fiscais da Divisão de Enologia da Secretaria da Agricultura e Abastecimento-RS estão realizando a coleta de amostra da uva entregue nas cantinas de vários municípios para apurar o grau babo, o mais importante indicativo da qualidade da safra. Até a semana passada haviam sido colhidas 32 amostras de um total de 150 previstas para serem coletadas neste ano. E o resultado comprova a boa qualidade estimada por técnicos com base no comportamento do clima.
De um modo geral, e ainda preliminarmente como ressalta Plínio Manosso, chefe da Divisão de Enologia, as análises realizadas revelam que a safra 2006 está um pouco abaixo da de 2005, mas bem acima de 2004. Esse dado, no entanto, pode se alterar. "A atual safra pode se tornar melhor que a do ano passado porque a maturação está ocorrendo com menos estresse hídrico", afirma Manosso, referindo-se à seca de 2005. Com mais sol a tendência sempre é elevar a graduação. "Nesta safra não há uma seca muito forte e nem tem chovido demais", explica o técnico.
O grau babo médio das 32 amostras atingiu 14,41. Em 2005, foi de 15,04 e em 2004, de 13,56. Em algumas variedades, no entanto, esta safra supera a anterior. É o caso da bordô, que em sete coletas registra 14,41, contra 14,34 de 2005 e 13,5 em 2004. A concorde repete igual desempenho: 14,52 graus neste ano (em apenas duas amostras), 14,34 em 2005 e 13,81 em 2004. A jacques (embora não muito difundida, é uma uva para vinho de mesa cuja produção no ano passado foi de 32 milhões de quilos) tem graduação de 18,12 - 18,26 em 2005 e 17,01 em 2004.
Variedades colhidas mais tardiamente, como a cabernet, ainda não foram analisadas. A merlot, com três amostras, registra 16,94 graus - 18,16 de média em 2005 e 16,96 em 2004. "Este é o primeiro dado da merlot, que recentemente começou a ser colhida. A tendência é de que a graduação média deve subir", avalia Manosso.
O grau babo revela o índice de álcool da uva. Por isso, e porque também serve de parâmetro para a remuneração, é que predomina na avaliação geral. Existem, porém, outros indicadores da qualidade, como o índice de polifenóis, a sanidade, o tanino.
Lula lança nova cultivar da Embrapa
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, lançou no dia 17, à tarde, na abertura da Festa Nacional da Uva, em Caxias do Sul, a cultivar de uva BRS Violeta, desenvolvida pela Embrapa Uva e Vinho, de Bento Gonçalves. O ato ocorreu no estande do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa)
A nova cultivar chega muito bem credenciada: altos níveis de concentração de açúcares e de cor e, igualmente, uma alta produtividade, além da precocidade, aspecto potencializador da estrutura produtiva da indústria vinícola são alguns dos principais atributos da BRS Violeta, de acordo com a assessoria da Embrapa. Trata-se de uma cultivar híbrida, com a proposta de ser uma alternativa para a qualificação da produção nacional de suco e vinho de mesa. Pesquisadores destacam ainda a alta produtividade (de 25 a 30 toneladas por hectare, sob condições normais de cultivo), o bom comportamento em relação a doenças fúngicas e às podridões do cacho e a boa adaptação a regiões de clima quente.
Plasticultura aumenta o rendimento
Retorno compensa investimento, demonstra técnico da Emater
O custo de implantação de uma estufa para a produção de tomate varia de R$ 25 a R$ 50 ao metro quadrado - embora possa ser ainda menor se o agricultor utilizar matéria-prima da própria propriedade, como tronco de eucaliptos como suporte. O retorno pode ser medido por pelo menos quatro safras anuais, intercaladas com outras culturas, e produtividade de até oito quilos de tomate por pé.
Essa avaliação foi feita pelo engenheiro agrônomo Jorge Gheller, da Emater, durante apresentação de experimentos sobre produção com a técnica da plasticultura de frutas, legumes e hortaliças no 18º Show Rural Coopavel que encerrou no domingo 19 em Cascavel-PR. Numa área de 200 metros quadrados, ele demonstrou técnicas de cultivo, manejo, irrigação por gotejamento e, principalmente, as variedades que podem ser usadas neste ambiente.
No caso dos tomates, foram apresentados experimentos com 14 variedades - 13 delas desenvolvidas por multinacionais e apenas uma é brasileira, a San Vito, da Embrapa. De acordo com Gheller, o manejo adequado pode render até cinco safras por ano. A média, porém, fica em quatro, que podem ser duas de tomate e duas de pepino ou alface. "A rotação é importante para evitar riscos de doenças", de acordo com o agrônomo.
Potencialidade - O espaçamento recomendado para o tomate, geralmente a espécie mais utilizada em programas de plasticultura, é de 60 centímetros entre plantas por um metro. Uma estufa com área de 200 metros quadrados pode abrigar 360 pés e cada um chega a alcançar produtividade de até oito quilos. "Sinal da potencialidade desse tipo de cultivo", diz Gheller. O desafio do mercado do tomate é o preço, face à sazonalidade.
A estufa, no entanto, permite o cultivo fora da época recomendada na cultura convencional e, no inverno, o preço do quilo pode chegar a R$ 2. A plasticultura é um bom negócio, mas para render tudo o que pode é necessário que o produtor tenha uma boa variedade, use a adubação corretamente e observe um bom tratamento fitossanitário. "Para tudo isso, é indispensável conhecer a fundo a atividade", segundo Gheller.
Pequeno produtor ganha com ervas medicinais
O cultivo de ervas medicinais é uma boa opção de renda à mini, pequena e média propriedades rurais. A dica é da agrônoma da Emater Rosane Bragotto, exposta no Show Rural Coopavel. A média de retorno financeiro, em comparação com culturas convencionais, é de oito a nove vezes, "mas pode chegar a 30 vezes quando a espécie em questão é a calêndula", ressalta.
O uso das ervas (hortelã, alecrim, sálvia, melissa...) é diverso, da produção de chás à fabricação de cosméticos por empresas das mais sofisticadas do planeta. O retorno compensa o trabalho duro. O plantio e a colheita, praticamente manuais, contribuem para inibir o desenvolvimento do setor, diz o técnico em agropecuária Irineu Vojssczak. O argumento mais convincente para vencer essa barreira é o resultado financeiro, ressalta. Um hectare cultivado com calêndula pode alcançar R$ 24 mil.
Há um outro desafio aos produtores interessados em entrar para a atividade: vencer os arranjos comerciais já estabelecidos entre quem produz, compra e industrializada as ervas medicinais. Mas há muito espaço, e o sucesso na atividade está associado ainda à qualidade e à persistência, garante Rosane.
Engº. Agrº. José Zugno
Queima da palha da cana após o corte
Devo deixar a palha de cana-de-açúcar apodrecer ou queimar e deixar virar cinza e para o próximo ano sua brotação estará se formando novamente?
Nilo Bruschi
Gaurama - RS
A resposta às dúvidas de Nilo Bruschi foram dadas por Flademir Heleno Schmidt, técnico agrícola da Emater de Santo Antônio da Patrulha – o município é o maior produtor de cana-de-açúcar do Rio Grande do Sul.
"Experiências demonstram que, em virtude do alto volume de palha que resulta após o corte, que a mesma não deve ser queimada. No primeiro ano com a queima da palha temos um resultado superior à não queima da mesma, pelo motivo da decomposição pelos microrganismos da palha.
No segundo ano porém a não queima supera em resultados de produção a área onde a palha foi queimada.
No terceiro ano os resultados são significativamente superiores em produção na área onde a palha não foi queimada, enquanto na área onde houve a queimada dos restos a produção sofreu forte decréscimo.
Recomenda-se:
1° - A não queima da palha pois a partir do segundo e terceiro anos a mesma encontra-se decomposta, incorporando boa quantidade de matéria orgânica ao solo.
2° - Indica fazer o enleiramento da palha anualmente na entre-fila liberando a brotação da soqueira.
3° - Aplicar adubação após cada corte para melhor desenvolvimento da brotação e perfilhamento e acelerar a decomposição da matéria orgânica.
4° - A não queima protege o solo contra a erosão e ajuda a manter a umidade do solo."
Obs.: A condução desse trabalho e a observação dos resultados foram desenvolvidas na empresa Agasa no município de Santo Antônio da Patrulha, em solos basálticos e declivosos. Houve um acompanhamento do engenheiro agrônomo Ivo Stoffel.
Mais informações: consulte o escritório municipal da Emater do seu município ou pelo telefone (51) 3662–1344 - e-mail: emsapatr@emater.tche.br
Enxergar mal prejudica rendimento escolar
12% das crianças brasileiras têm algum problema de visão
Nota baixa na escola e demora em copiar o texto do quadro nem sempre são sinônimos de um aluno preguiçoso ou desestimulado. O problema pode estar na visão. "Em média, até os seis anos de idade ocorre o desenvolvimento total da visão nas crianças, quando há também o amadurecimento do sistema neurológico", explica a oftalmologista caxiense Marta Balbueno de Morais.
Os pais precisam ficar atentos. "A primeira consulta deve ser feita entre os dois e os quatro anos de idade para todas as crianças, especialmente se existirem antecedentes familiares", aconselha a especialista. Já a rotina de novos exames varia, pois depende dos problemas encontrados, da idade e dos antecedentes familiares. A oftalmologista também indica a avaliação em recém-nascidos, com o intuito de prevenir e detectar doenças severas como glaucoma congênito e catarata congênita, que, segundo ela, têm indicação cirúrgica imediata.
Segundo o programa Alfabetização Solidária, que conta com a parceria do Ministério da Educação e Cultura (MEC), a dificuldade em enxergar corresponde a 22,9% dos casos de abandono da escola entre os alunos do Ensino Fundamental da rede pública. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que cerca de 12% das crianças brasileiras apresentam algum problema de visão, sendo que 15% destes encontram-se em idade de cursar o ensino fundamental, considerado pelos educadores como a etapa mais importante de aprendizagem.
É muito importante detectar os sinais que as crianças exteriorizam e assim tomar as devidas providências o mais rápido possível. "Crianças não reclamam de pouca visibilidade ou embaçamento, portanto, cabe aos pais e professores ficarem atentos ao comportamento dos pequenos", explica Leôncio de Souza Queiroz Neto, médico oftalmologista e diretor do Banco de Olhos de Campinas, em São Paulo. Segundo ele, quanto antes os pais levarem seus filhos ao oftalmologista, menor será o risco de desenvolverem doenças visuais e mais fácil será a adaptação deles ao uso dos óculos.
Adaptação às lentes ocorre com o tempo
Na maioria das vezes, as crianças sentem-se desconfortáveis com o fato de terem que usar óculos. A primeira manifestação geralmente é de rejeição, mas com o passar do tempo, elas acostumam, garantem os médicos.
A adaptação das crianças ao uso dos óculos pode ter relação direta com o tipo de problema detectado. A visão é responsável por 85% do relacionamento humano com o meio ambiente, por isso, para algumas pode ser altamente gratificante passar a enxergar com nitidez.
Os especialistas ensinam os pais a estimular o uso dos óculos ensinando aos filhos a importância de cuidar da saúde do corpo como um todo, mas enfatizando a visão, afinal, ela corresponde a um dos principais sentidos do ser humano. Além disso, os familiares não devem demonstrar qualquer tipo de inconformismo com a situação, principalmente com relação à estética.
Criança precisa de hastes confortáveis
Segundo Ana Carolina Waltrick, designer do Grupo Tecnol, fabricante de armações oftálmicas, é importante que os pais participem da escolha dos óculos, mas sempre considerando o conforto e a satisfação dos filhos. "Deve-se levar em conta a centralização dos olhos e a adequação ao apoio, já que as crianças têm o septo nasal mais baixo e as bochechas altas. Os óculos não devem cobrir tanto o rosto, interferindo nas expressões", detalha Waltrick.
Para crianças ativas, ela recomenda lentes de policarbonato, mais resistentes. Os materiais indicados para hastes são antialérgicos, leves e duráveis (monel, alpaca, grilamid e acetato).
Merenda escolar saudável
Em época de volta às aulas, os pais preocupam-se com o que os filhos devem levar nas lancheiras. "Recomendamos aos pais que privilegiem alimentos naturais", afirma a técnica da Coordenação Geral da Política de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Dillian Goulart.
Os refrigerantes podem ser substituídos por sucos naturais de frutas. Em vez de maionese e embutidos, os sanduíches podem conter mel, geléia, requeijão ou queijos, de preferência os menos gordurosos, como o branco. "Os alimentos embutidos, como presunto e salsicha, devem ser consumidos só ocasionalmente, por serem ricos em gordura e sódio que, em excesso, são prejudiciais à saúde", diz a técnica.
O pão integral também é indicado ao lanche das crianças. Além de dar energia para as brincadeiras, é rico em fibras. Substituir biscoitos recheados e salgadinhos industrializados por biscoitos sem recheio, bolos caseiros e frutas. "Iogurtes, cereais em barra e bebidas lácteas eventualmente também são bem vindos ao lanche", acrescenta Dillian.
A fé do Islã nos questiona
Leonardo Boff
As reações de muçulmanos contra as charges de Maomé não podem ser vistas como mero fundamentalismo. O verdadeiro pomo da discórdia reside na fé e no lugar que ela deve ocupar na vida pessoal e social
Muitas são as leituras que se estão fazendo acerca das reações muçulmanas contra as charges da figura de Maomé publicadas em jornais da Dinamarca, Alemanha e de outros países europeus. Das que li, ao meu ver, nenhuma delas apontou o cerne da questão. Precisamos ir mais a fundo na análise, pois ela esconde o estopim de uma provável guerra de civilizações preconizada por S. P. Huntington em seu discutido livro O choque de civilizações (1996).
Equivocam-se os que pensam se tratar de mero fundamentalismo. Para o Islã, por detrás das charges está a cultura moderna do Ocidente hoje globalizada. É tida como sem fé, imoral, exploradora, belicosa, arrogante e violadora de tratados da ordem mundial. Ela se julga universal e por isso digna de ser imposta a todo mundo: um pretenso universalismo que se transforma em imperialismo, como se vê explicitamente na política externa de Bush e em declarações de Berlusconi. Há que se reconhecer que a maior fonte de instabilidade e de possível conflito num mundo pluricivilizacional é exatamente o Ocidente. Sua arrogância pode nos levartodosa perder.
Para o Ocidente, por detrás das reações às charges está o radicalismo islâmico fundado no orgulho de sua cultura e no sentimento de superioridade por manter viva a fé pública em Deus. Está também o rancor pelo fato de seus territórios serem militarmente ocupados em razão do petróleo e de serem considerados anti-modernos, fundamentalistas e nichos do terrorismo mundial.
Confrontamo-nos aqui com preconceitos mútuos que, ressuscitados no contexto globalizado, podem gerar incontrolável violência.
Mas o verdadeiro pomo de discórdia reside na fé e no lugar que ela deve ocupar na vida pessoal e social. As sociedades modernas ocidentais são filhas da razão ilustrada. Só se legitima aquela realidade que passa pelo crivo da razão crítica. Por esse crivo não passou a fé tradicional. Ela não é fator determinante na sociedade. Foi relegada ao mundo privado. Vendo de fora, o Ocidente socialmente não tem fé. Vive-se etsi Deus non daretur ("como se Deus não existisse"), na famosa formulação do teólogo-mártir do nazismo D. Bonhoeffer, que anteviu esse obscurecimento socialda fé.
Esse ponto de vista é inaceitável para o Islã. É impensável uma sociedade sem uma dimensão institucional de fé. É não ver sentido no universo, sustentado pelo Criador do céu e da terra, é desconhecer os seres humanos como irmãos e irmãs. Isso não funda necessariamente um estado teocrático como se comprova hoje na Indonésia, o maior país muçulmano do mundo. O Estado reconhece explicitamente na sua organização a fé em Deus, sem identificar esse Deus com o do Islã, do Cristianismo ou de outras religiões. É um estado não confessional, com forte identidade nacional e fé ecumênica. A herança irrenunciável de Maomé é esta proclamação pública de Deus e da irmandade de todos os seres humanos, valores tidos no Ocidente por pré-modernos.
Fazer caricaturas do Profeta é pôr à irrisão esta fé que orienta a vida de milhões. Daí a reação compreensível de muçulmanos do mundo inteiro. A fé é central no Islã enquanto é irrelevante no Ocidente. As charges procuram ridicularizar esta diferença. O desrespeito ao Sagrado põe à amostra a irrefreável decadência espiritual do Ocidente.
Frei Betto
Governos populares, democraticamente eleitos, recebem a pecha de populistas. É a metamorfose da linguagem produzida por preconceitos elitistas daqueles que nunca associaram crescimento do país à erradicação da miséria
A democracia é ótima enquanto resulta no que convém à Casa Branca. Daí os golpes militares para derrubar Jango, no Brasil, e Allende, no Chile. Foram democraticamente eleitos, mas não correspondiam às imposições do governo dos EUA. É aquela história: fico no jogo enquanto ganho. Se começo a perder, abraço a bola e saio de campo.
A vitória do Hamas na Palestina é outro exemplo de como a democracia é, aos olhos dos donos do mundo, uma falácia. O que vale igualmente para o regime iraniano, pressionado a abrir mão do seu direito de possuir armas nucleares, privilégio das nações metropolitanas e, de quebra, de Israel. Por que a ONU não propõe a desnuclearização bélica de todos os países do mundo? Porque ficaria falando sozinha.
Agora a América Latina volta ao foco. Carlos Andrés Perez, notório corrupto, presidiu a Venezuela sob os aplausos das nações ricas. Hugo Chávez, embora seja o presidente mais legitimamente democrático de toda a história republicana do continente, é alvo de todos os preconceitos. Fosse branco, trajasse terno e gravata, e agradasse as elites, seria louvado por Tio Sam.
A elite boliviana torce o nariz para Evo Morales, como a brasileira nutriu ojeriza a Lula até este provar que não veio para arrasar privilégios. Assim, os governos populares, eleitos democraticamente pelo voto, recebem agora a pecha de populistas. É a metamorfose da linguagem produzida por preconceitos elitistas e em prol dos interesses daqueles que jamais associaram crescimento do país à erradicação da miséria e da pobreza.
Um governante que se apóia preferencialmente nas elites é considerado democrático, ainda que reprima movimentos populares, como foram os casos de Menem na Argentina e FHC no Brasil. Se inverte o pólo e expressa as demandas dos pobres, passa a ser considerado populista, caudilhista, demagogo. E ainda querem nos convencer de que não existe ideologia...
Em outubro, os eleitores brasileiros irão às urnas para escolher o novo presidente da República. Tudo indica que veremos uma campanha política na qual os insultos terão mais realce que os programas. O governo Lula cometeu o equívoco de empurrar para debaixo do tapete as denúncias de corrupção nas gestões FHC. Agora haja fôlego para recuperar o tempo perdido e, sobretudo, moral para colocar o dedo na ferida alheia se ele próprio carrega uma enorme chaga.
Lula conseguiu dar nó em pingo d’água: agradou as elites, graças à política econômica ortodoxa, capaz de saciar a voracidade do grande capital, e também aos pobres, com políticas sociais compensatórias que, efetivamente, reduzem a desigualdade social e aumentam as oportunidades de emprego.
Este o fio da navalha no qual trafega: de um lado, as elites talvez prefiram, em outubro, um candidato mais confiável, identificado por seu "physique du role" com a classe dominante. De outro, os movimentos populares vão cobrar do candidato petista algo mais do que esperança, ou seja, um programa de governo condizente com a história do PT e, portanto, em dissonância com a atual política econômica.
Uma coisa é certa: o tema da ética não estará em alta nesta campanha, exceto pelo seu avesso, em acusações recíprocas de falcatruas. Não há mais vestais partidárias no cenário político brasileiro. E qual dos pré-candidatos tem uma proposta alternativa à ortodoxia econômica neoliberal?
O eleitorado terá de rever seus critérios, caso não queira ficar sem opção ou considerar todas elas farinha do mesmo saco. Fico com Lula por sua postura frente aos movimentos populares, jamais criminalizados ou cooptados em seu governo. Se algo se pode avançar na direção de um crescimento que coincida com o aumento substantivo do índice de desenvolvimento humano, creio que é pela via de quem tem ainda potencial de se revelar amanhã como popular.
Mas para isso será preciso varrer a tucanagem do Ministério da Fazenda e do Banco Central e ousar, no mínimo, alterar a estrutura fundiária do Brasil, o que considero a prioridade das prioridades, pois dilataria os postos de trabalho, reduziria a migração rumo às áreas urbanas e ativaria o mercado interno, multiplicando a oferta de bens de primeira necessidade.
Lula anuncia medidas em clima de festa
Vim, ouvi; voltei, atendi. Essas quatro palavras resumem o espírito com que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua comitiva estiveram em Flores da Cunha e em Caxias do Sul na sexta 17. Lula recebera, em 2004, na Festa da Uva, um conjunto de reivindicações dos vitivinicultores gaúchos. Retornou dois anos depois para anunciar um conjunto de medidas que beneficiam o setor. Consciente da repercussão positiva entre produtores de uva e de vinho, o presidente Lula procurou colher os dividendos políticos. Acompanhado de três ministros e da primeira-dama Marisa, chegou a Caxias do Sul, vindo de Porto Alegre, antes do meio-dia e dirigiu-se para Flores da Cunha, onde o aguardavam mais de 700 pessoas. Depois de presenciar a assinatura de convênios pelos ministros da Agricultura, Roberto Rodrigues, e Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, e de destacar, em pronunciamento, a necessidade de qualificar o vinho brasileiro - o que viria a repetir -, almoçou e se deslocou para o Parque da Festa da Uva, em Caxias. Lula e comitiva percorreram parte dos pavilhões de exposições e, com mais de uma hora e meia além do horário previsto, quando passavam das 16 horas, subiu ao palco para presidir a inauguração da 26ª Festa da Uva. Sem dar entrevista e sempre cercado por um forte aparato de segurança, o presidente deixou o local logo após discursar, rumando para o aeroporto, sem assistir ao desfile alegórico.
Decisões do governo agradam o setor vitivinícola
A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Serra gaúcha, no dia 17 de fevereiro, trouxe um novo alento ao setor vitivinícola. Lula oficializou medidas consideradas as melhores dos últimos anos tanto pela indústria vinícola quanto pelos viticultores. O palco para o anúncio foi o almoço de confraternização que reuniu mais de 700 pessoas no salão paroquial de Flores da Cunha.
Uma das principais medidas anunciadas por Lula foi a liberação de R$ 200 milhões para o financiamento da safra 2006. O montante liberado chegou a gerar dúvidas, pois o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, anunciou R$ 250 milhões (R$ 150 milhões disponibilizados pelo Banco do Brasil), enquanto que o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, disse que seriam R$ 200 milhões. De qualquer modo, o valor superou as expectativas do setor, que esperava em torno de R$ 180 milhões.
Rodrigues anunciou que os financiamentos, através de EGF, terão prazo maior, passando de 180 dias para 360 dias, com taxa anual a juros fixos de 8,75%. Por sua vez, Rossetto destacou o estreitamento das relações entre setor produtivo e governo, desde a fixação do preço mínimo de R$ 0,42 o quilo da uva comum, à garantia de pagamento da safra 2006 aos agricultores no máximo até o dia 30 de junho deste ano.
Depois de assinar termo de cooperação técnica com entidades do setor de vinhos e derivados, Rodrigues anunciou outras duas medidas que vinham sendo cobradas pela Câmara Setorial do Vinho – a fiscalização para no mínimo 10 Estados e o controle da produção. Rodrigues também afirmou que está sendo encaminhado um projeto de demarcação de áreas produtivas, para conduzir à certificação de origem dos vinhos nacionais, e organizada uma rota de saída de vinhos do Rio Grande do Sul apenas por Vacaria, o que facilitará o controle do produto exportado para outros Estados.
Em seguida, houve assinatura de cooperação técnica entre o governo e o Ibravin, pelo ministro Rossetto, com o objetivo de implantar técnicas e métodos para o setor vitivinícola. Rossetto confirmou que o governo vai intensificar o controle sobre a entrada ilegal de vinhos no país, especialmente argentinos, e a aquisição de um espectômetro de massa isotópico para o Laboratório de Enologia em Caxias, que vai facilitar a análise da qualidade dos vinhos nacionais.
Em seu pronunciamento, Lula salientou que o Brasil está ganhando "envergadura internacional" e os produtos brasileiros já disputam espaço com similares em diversas partes do mundo, inclusive o vinho. "Precisamos ser competitivos em tudo, também no vinho. Não precisamos ter medo dos produtos argentinos ou chilenos, mas colocar nossos vinhos na Argentina, no Chile". O presidente defendeu uma qualificação ainda maior do setor. "Temos que dar passos à frente [...] Não há tempo para lamentar, há tempo para trabalhar", concluiu Lula.
Recursos beneficiam cantinas e produtores
Todas as medidas anunciadas por Lula na sexta-feira, em Flores da Cunha, agradaram os produtores e a indústria vinícola. Júlio Fante, presidente da Agavi, salienta que o setor vinícola está satisfeito, especialmente com o montante de recursos para o financiamento da safra e com as taxas de juros fixadas. "Finalmente, o governo reconhece as dificuldades que o setor sempre enfrentou. Sempre tivemos poucos recursos e as taxas de juros muito altas".
Fante também elogiou as medidas que prevêem mais fiscalização do produto e a aquisição de novos equipamentos para o laboratório de enologia de Caxias. "Essas medidas vão beneficiar a melhoria da qualidade dos nossos vinhos, já comprovada".
O tesoureiro da Comissão Interestadual da Uva, Raimundo Bampi, considera as medidas anunciadas como as melhores das últimas décadas. Bampi destaca duas delas como muito importantes – a liberação de R$ 200 milhões para financiamento da safra, que vai ajudar a cumprir a política de preço mínimo da uva e o pagamento da produção até 30 de junho; e a fiscalização dos vinhos e derivados.
Para o presidente da Comissão, Olir Schiavenin, as medidas do governo vão beneficiar um setor que está em franco crescimento e desenvolvimento qualitativo. No RS, o cultivo da videira passou de 28 mil hectares para 35 mil nos últimos cinco anos e, nesse mesmo período, o número de vinícolas saltou de 439 para 670. Em seu pronunciamento, Schiavenin afirmou que a viticultura envolve 20 mil famílias e é uma das atividades agrícolas que mais gera emprego e renda.
LULA DÁ BRILHO À FESTUVA
Às 14h30, horário marcado para a abertura oficial da 26ª Festa da Uva, mais de dois mil convidados aguardavam pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Esperariam ainda quase duas horas até que a comitiva presidencial subisse ao palanque.
Lula chegou aos pavilhões por volta das 15h30. Acompanhado da primeira-dama Marisa Letícia, dos ministros Miguel Rossetto (Desenvolvimento Agrário), Roberto Rodrigues (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e Dilma Rousseff (Casa Civil) - Luiz Furlan não pôde vir -, do governador gaúcho Germano Rigotto e primeira-dama Cláudia, do prefeito caxiense José Ivo Sartori e primeira-dama Maria Helena, do presidente da Festa da Uva Gelson Palavro e esposa Gládis e da rainha e princesas do evento, ingressou no pavilhão 2, para conhecer a exposição antes de inaugurá-la.
O presidente deteve-se em alguns estandes, entre eles o da Embrapa, onde lançou nova cultivar de uva (leia página 5), provou o suco e fez um brinde com espumante. Conheceu o trator a base de biodiesel no estande da Agrale, os novos produtos da Marcopolo e da Randon - convidado pelo empresário Raul Randon, degustou o queijo grã-formaggio e bebeu vinho. Lula visitou ainda a exposição de uvas e na casa do Colono, desafiado pelo governador Rigotto, tocou a manivela da debulhadeira de milho. Tendo sempre ao seu lado Marisa, o presidente admirou cachos de uva, fez brincadeiras, mas manteve-se na maioria dos momentos com ar sério, o mesmo ar demonstrado em Flores da Cunha. Estava cansado, na versão de alguns assessores.
Quando subiu ao palanque oficial, saindo de um camarim montado no restaurante que fica aos fundos, e já de terno no lugar da jaqueta que usava até então, Lula conservava aparência de cansaço e suava muito. Junto com ele também ocuparam o palco os ex-ministros Tarso Genro e Olívio Dutra e mais de duas dezenas de deputados federais e estaduais, o embaixador da Itália Michele Valensise e outras autoridades.
Presidente "lamenta" falta de pauta de reivindicações
Gelson Palavro fez um discurso de agradecimentos e de convite à Festa. Sartori lembrou a colonização italiana e a miscigenação como fatores importantes do crescimento da cidade. Rigotto destacou o investimento de R$ 10 milhões pelo Estado em projetos para a vitivinicultura em três anos, através do Ibravin, e a redução da alíquota do ICMS sobre o vinho. "Os Estados do Brasil têm alíquota de 25%. No Rio Grande do Sul, era de 17% e ainda foi diminuída em cinco pontos percentuais como crédito presumido", afirmou Rigotto, embutindo o pedido dirigido ao presidente para que o imposto sobre o vinho brasileiro seja reduzido - a carga tributária sobre o vinho no Brasil supera 40%, contra 26% da Argentina, por exemplo.
Lula iniciou o pronunciamento dizendo que a Festa da Uva será melhor quando não houver discursos. Depois destacou as ações do governo federal em benefício à vitivinicultura, lembrando os convênios assinados em Flores da Cunha e a liberação de recurso (leia página 9). O presidente também disse que espera o dia em que o vinho brasileiro conquiste o mercado internacional, encontrá-lo à disposição em Paris e elogiou muito o espumante nacional, classificado por ele como "dos melhores espumantes que o mundo conhece".
Por fim, o presidente Lula emitiu um sinal interpretado, em especial pela imprensa, como de intenção de permanecer no Palácio do Planalto. Citando os inúmeros pedidos que recebera em 2004, quando abriu a 25ª Festa da Uva, afirmou, dando clima de brincadeira, ter ficado decepcionado com a ausência de reivindicações. "Eu só lamento profundamente, ao agradecer a todos vocês que organizaram esta festa... que eu vá embora e não tenha recebido ainda nenhuma outra pauta de reivindicações para o ano que vem. Significa que ou nós atendemos tudo ou vocês estão inibidos para reivindicar mais".
Lula e comitiva ainda acompanharam a execução do hino da Festa da Uva, sobre o tema "A alegria de estarmos juntos", antes de deixar os pavilhões sem conceder entrevista que sua assessoria comunicara e sem assistir ao desfile de carros alegóricos no centro da cidade. Deixou como representante o ministro Miguel Rossetto. Decisão arrefeceu o entusiasmo que provocara com o anúncio de medidas para a vitivinicultura. Rigotto também não foi ao desfile. Esteve representado pelo vice Antônio Hoelfeld.
Grande público prestigia os primeiros dias da festa
Cerca de 40 mil pessoas visitaram o parque de exposições da 26ª Festa Nacional da Uva de sexta-feira, 17, até o domingo, 19. O maior número de pessoas foi registrado no sábado, cerca de 19 mil. Nesses três dias já foram distribuídas 30 toneladas de uva, entre os pavilhões, o desfile alegórico e as Olimpíadas Coloniais. "Só nos pavilhões foram 21 mil quilos de uva", afirma o secretário da Agricultura, Nestor Pistorello. Os três restaurantes dos pavilhões - das Etnias, Grande e Galeteria - registraram um total de 3 mil refeições de sexta à domingo. "Os primeiros dias servem como uma prévia das visitas que teremos até o fim do evento", comemora Gelson Palavro, presidente da Festa.
O show de Zeca Pagodinho, no sábado, foi a principal atração do fim de semana. Ele animou o público com uma apresentação de uma hora, cantando músicas novas e antigos sucessos, como Vai Vadiar e Verdade. Outro momento de destaque foi o lançamento oficial do Cd da Festa, com 15 faixas. Mais de mil discos já forma vendidos.
A diversidade está presente não apenas no tema da Festa (A alegria de estarmos juntos), mas também no parque de exposições do evento. Logo na entrada do pavilhão 2, painés, fotografias e objetos retratam as etnias que povoaram a região: alemães, portugueses, italianos, negros, poloneses e índios. Entre os 400 expositores, comercializa-se de sabonetes a carros importados, além, é claro, de vinhos e produtos coloniais.
O público também lotou o 1° Desfile Alegórico, na sexta, 17. Os 12 carros do corso temático, com quase 2.500 figurantes, passaram pela rua Sinimbu alegrando a platéia de aproximadamente 50 mil pessoas. O desfile explorou a alegria do convívio, as diferenças e da diversidade racial. Os carros "Serranos e birivas" e "Gaúchos de todas querências" levantaram a platéia ao som de "Querência amada", clássico gaúcho de Teixeirinha. O último carro levava a rainha Julia Brugger de Carli - que, emocionada, não conteve as lágrimas - e as princesas, Marcela de Fátima Bertussi e Natália Menegat Vanzin. O desfile de domingo foi cancelado devido à chuva. O próximo será nesta quarta, 22, às 20 horas.
Quaresma convida a olhar como Jesus
Mensagem do Papa propõe ver o sofrimento com compaixão
O Papa Bento XVI propôs aos cristãos que façam da Quaresma um período para aprender a ver o mundo, em particular o sofrimentos dos homens e das mulheres, com os olhos de Jesus. Por esse motivo, escolheu como tema para sua primeira mensagem quaresmal como pontífice a frase "Jesus, ao ver as multidões, encheu-se de compaixão por elas", do evangelho de Mateus (9,36).
Bento XVI inicia sua mensagem salientando que a "Quaresma é o tempo privilegiado da peregrinação interior até Aquele que é a fonte da misericórdia. Nessa peregrinação, Ele próprio nos acompanha através do deserto da nossa pobreza, amparando-nos no caminho que leva à alegria intensa da Páscoa".
Segundo o Papa, o ‘olhar’ comovido de Jesus detém-se também nos dias de hoje sobre os homens e os povos. "Com seu olhar, Jesus abraça as multidões e cada um, e entrega todos ao Pai, oferecendo-se a si mesmo em sacrifício de expiação", afirma o Pontífice em sua mensagem. Por esse motivo, declara, "diante dos terríveis desafios da pobreza de grande parte da humanidade, a indiferença e o fechar-se no próprio egoísmo aparecem como um contraste intolerável frente ao ‘olhar’ de Cristo".
No texto, Bento XVI prossegue explicando como o cristão pode aprender a olhar com os olhos de Jesus. "De fato, não é possível de modo algum separar a resposta às necessidades materiais e sociais dos homens da satisfação das necessidades profundas do coração". Depois de afirmar que, diante das grandes transformações do nosso tempo, fica cada vez mais clara a responsabilidade dos cristãos em relação aos pobres do mundo, o Papa recorda uma afirmação de Paulo VI que classificava com exatidão "os danos do subdesenvolvimento como uma subtração da humanidade".
O Papa explica que o cristão pode conformar seu olhar com o olhar de Cristo através do "jejum e da esmola, juntamente com a oração, que a Igreja propõe de modo especial no período da Quaresma". Bento XVI diz que viver a fé "como amizade com o Deus encarnado" significa preocupar-se com Ele pelas necessidades materiais e espirituais do próximo. Nesse contexto, o Papa reconhece que "quem não dá a Deus, dá demasiado pouco". E cita uma famosa frase da bem-aventurada Teresa de Calcutá: "A primeira pobreza dos povos é não conhecer a Cristo".
Bento XVI encerra sua mensagem salientando que "quando experimentarmos a misericórdia divina, através da reconciliação, descobriremos um ‘olhar’ que nos perscruta profundamente e que pode reanimar as multidões. Esse olhar devolve a confiança a quantos não se fecharem no ceticismo".
Período litúrgico motiva para Páscoa
O tempo da Quaresma é um período intensivo de preparação para a Páscoa da Ressurreição. Quaresma, do latim "quadragesima", são os 40 dias que vão da quarta-feira de Cinzas até o domingo da Páscoa. Esse tempo tem origem na tipologia bíblica dos 40 dias, ou seja, o jejum de 40 dias de Jesus Cristo, os 40 dias do povo de Deus no deserto, os 40 dias de Moisés no Monte Sinai, 40 dias de dilúvio...
Quarenta dias é um tempo simbólico, não medido pelo cronômetro. No caso da Quaresma, quarenta indica um tempo especial de preparação para um grande e decisivo acontecimento – a ressurreição do Senhor. O tempo quaresmal procura lembrar as verdades essenciais do cristianismo.
A liturgia da quarta-feira de Cinzas, que abre a Quaresma, aponta três exercícios básicos de preparação pascal – oração, jejum e a caridade (esmola). No início, a Quaresma era um tempo intenso de catequese para os que se preparavam para o batismo. Hoje, tem uma dimensão batismal e penitencial. Ao realizar esses exercícios básicos, o cristão está refazendo seus relacionamentos fundamentais – com Deus, com a natureza criada e com os irmãos.
Padre Zezinho
Hoje é maldito aquele que produz pouco e enche a casa de bocas famintas
Os verdadeiros pobres são tão pobres que nem mesmo sentem-se proprietários do próprio corpo. Houve tempo em que sua pobreza não era tão extrema. Tinham pelo menos o consolo de serem ricos em filhos. Tanto isso é verdade que recebiam o nome de proletários, já que não eram nem podiam ser proprietários de nada senão dos muitos filhos que costumavam gerar. Pertencentes à última classe do povo, os pobres só eram úteis pela prole, isto é, pelos filhos que geravam, já que, na Primeira Onda, ter filhos era uma riqueza até para o Estado, que precisava deles.
As mudanças econômicas trazidas pela Segunda Onda, caracterizada pelo industrialismo e suas inúmeras conseqüências, tornaram o cidadão que gera muitos filhos uma pessoa incômoda e pesada ao Estado, que remunera as pessoas de acordo com o seu trabalho e não de acordo com sua real necessidade. E a competitividade que se instaurou no planeta tornou algumas nações imensamente ricas e outras, em sua maioria, em nações excessivamente pobres. Às nações ricas não interessa mais uma família com muitos filhos, uma vez que máquinas e robôs substituem plenamente os braços, que antes eram indispensáveis na agricultura e na indústria. Se antes os braços eram baratos, hoje não são. Um homem custa demais ao Estado ou ao patrão, enquanto a máquina pode custar muito no começo, mas com o tempo compensa. O robô gasta pouco, produz muito e jamais reclama seus direitos. Às nações pobres os filhos também pesam demais, pois, não podendo vender o suficiente, não podem comprar o necessário para produzir mais. Com isso, ter um índice populacional muito grande dentro do país não é um bom negócio.
E foi assim que a Segunda Onda gerou a família de um ou dois filhos para que o país sobreviva, ou para que o país não empobreça. Mas isso tem seus percalços. Países ricos como Alemanha, Suécia, França e Dinamarca correm o risco de desaparecer em um século porque seus cidadãos insistem em ter um ou até nenhum filho. A populosa China pune o casal que ousa ter mais de um filho. E o rico, mas pobremente administrado Brasil, caminha em direção do aborto, do DIU e da massificação para que seu povo não tenha mais de dois filhos, pois não é negócio para o país ter tantas bocas, quando tem tanta dívida lá fora.
Em outros tempos isso seria uma riqueza. Hoje é um peso. Assim, o proletário que ontem era útil ao menos pelos trabalhadores que dava à nação, hoje é um problema porque a nação não suporta mais bocas e não precisa desses braços. Houve tempo em que era proibido não ter filhos e o casal que não os tivesse era visto como maldito perante Deus. Hoje é maldito perante os governos aquele que produz pouco e enche a casa de bocas famintas. A única coisa que ainda justificava o pobre, acabou. E chegamos então à mais miserável de todas as classes: a dos pobres que nem filhos podem ter porque o país não precisa deles.
Capuchinhos celebram jubileu de prata
Onze freis recordaram 25 anos de sacerdócio ou de vida religiosa
Diversos frades da província capuchinha do Rio Grande do Sul estão celebrando, em 2006, jubileu de prata de vida religiosa ou de ordenação sacerdotal. Entre os jubilandos, alguns têm sua atuação ligada ao Correio Riograndense, como frei Arlindo Battistel, autor da coluna Vita, Stòria e Fròtole, que completou 25 anos de sacerdócio; freis Bruno Glaab e Hildo Conte, professores da Estef, em Porto Alegre, que colaboram com o Curso de Teologia a Distância, e que celebraram 25 anos de vida religiosa.
Junto com freis Hildo e Bruno, comemoraram 25 anos de vida religiosa no dia 1° de fevereiro os freis Irineu Della Libera, cedido à diocese de Novo Hamburgo; Carlos Reis Freitas, que atua em Porto Alegre; José Deon, vigário paroquial em Canoas; Eliseu Menegat, pároco em Cuiabá (MT); Wilson Dallagnol, professor da Estef e vigário paroquial em Canoas; e Oscar Lagni, hoje ligado à província do Brasil Central. Nos dias 28 e 29 de janeiro, eles realizaram encontro na praia de Imbé, para celebrar a data e também recordar o companheiro de turma, frei Aderside dos Santos Silva, falecido em 1992.
Além de frei Arlindo, natural de Nova Prata, ordenado sacerdote no dia 7 de fevereiro de 1981, celebraram 25 anos de sacerdócio os freis Isidoro Mazzarolo, de Veranópolis, ordenado em 21 de dezembro de 1980, e Admir Benetti, natural de Ipê (RS), ordenado aos 17 de janeiro de 1981. Frei Arlindo atua na EST Edições, em Porto Alegre; frei Isidoro é professor na Estef e no Rio de Janeiro, e frei Admir trabalha na paróquia Santo Antônio do Partenon, em Porto Alegre.
Padre Júlio recorda 50 anos de sacerdócio
Padre Julio Giordani (foto) completa, no dia 25 de fevereiro, 50 anos de vida sacerdotal. Filho de Luiz e Ana Zandonai Giordani, nasceu em Bento Gonçalves aos 29 de março de 1932. Foi ordenado em Roma no dia 25 de fevereiro de 1956, depois de ter cursado teologia na Universidade Gregoriana de Roma.
Como sacerdote, atuou durante 12 anos como pároco e 17 anos como vigário paroquial. Foi professor nos seminários diocesanos, trabalhou três anos na diocese de Caçador (SC) e integrou vários estágios missionários no Pará, Maranhão e Paraíba. Mas seu trabalho mais marcante foi nas pastorais sociais, na formação de lideranças, atuando com as Juventudes Operária Católica (JOC), Agrária Católica (JAC) e Estudantil (JEC). Atualmente, trabalha na paróquia Santo Antônio, em Bento Gonçalves, e atua na pastoral da saúde e pastoral rural.
Padre Júlio comemorou seu jubileu em Bento, no dia 18 de dezembro e, de 13 a 28 de abril, vai a Trento, na Itália, acompanhado de parentes, para celebrar a data na terra de seus avós, especialmente em Pedersano, onde celebrou sua primeira missa solene.
Aldo Colombo
A possibilidade de fracasssar não deve sufocar os sonhos. Nosso compromisso não é com o triunfo, mas com a luta
A carpa japonesa – conhecida como koi – tem a capacidade natural de crescer de acordo com o tamanho do seu ambiente. Assim, num pequeno tanque, ela geralmente não passa de sete centímetros, mas pode atingir três vezes esse tamanho se colocada num lago. Da mesma maneira, as pessoas têm a tendência de crescer de acordo com o ambiente que as cerca. Não estamos falando de características físicas, mas de desenvolvimento emocional, espiritual e intelectual.
Enquanto a carpa é obrigada, para seu próprio bem, a aceitar os limites de seu mundo, nós estamos livres para estabelecer as fronteiras de nossos sonhos. Caso o tanque seja pequeno, em vez de nos conformarmos a ele, podemos buscar espaços maiores, até mesmo o oceano, mesmo que isso apresente perigos.
Quase tudo o que somos procede em linha reta de nossa infância. É, quase sempre, nos primeiros anos de nossa vida que são fixados os limites. Mas eles não são definitivos. De alguma forma, somos programados, para a vitória e/ou para a derrota. E nessa programação, as dimensões futuras cristalizam-se na auto-imagem. A criança, que é criticada e tolhida, assume seu papel de coadjuvante, sem luz própria, na tranqüila mediocridade de um tanque sem grandeza. Mas a criança, que é elogiada e desafiada, saberá construir horizontes.
Uma lenda fala de um camponês que encontrou um ovo de águia e o colocou para ser chocado por uma galinha. E a aguiazinha que vai nascer, poderá passar a vida na pequenez de um galinheiro ou ganhar espaços azuis. Depende do incentivo recebido.
Mesmo admitindo a força dos condicionamentos, sempre resta a possibilidade de recomeçar em nova dimensão. Os limites humanos sempre podem ser superados. Os limites pessoais também podem ser alargados. Num belo dia, a pessoa chega à conclusão de que o tanque que a rodeia é muito pequeno. E passando por cima de escolhas induzidas, pode escolher seu destino. Evidentemente, o sonho deve também levar em conta a realidade. Mas é preciso admitir que somos maiores do que imaginamos.
Nunca é cedo demais ou tarde demais para posicionar-se com coragem. E não se trata apenas de projetos exteriores. Dentro de cada um de nós vai sendo tecida uma história de medo ou coragem, de conformismo ou superação, de covardia ou heroísmo. E nem faltarão vozes negativas, afirmando que não vale a pena. Classicamente, responde Fernando Pessoa: "Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena".Tudo vale a pena, tudo se torna viável quando não aceitamos os limites da rotina, do conformismo ou da sensação que é tarde demais.
A possibilidade de fracassar não deve sufocar o sonho. Nosso compromisso não é com o triunfo, mas com a luta. Ainda não empregamos todo o nosso esforço, nossa capacidade, nossa inteligência. E por isso, a palavra final ainda não foi proferida. O sonho continua.
Congresso aguarda 100 mil pessoas
Capital catarinense sedia o 15º Congresso Eucarístico Nacional
A cidade de Florianópolis (SC) espera receber cerca de 100 mil peregrinos durante a realização do 15º Congresso Eucarístico Nacional, que será celebrado de 18 a 21 de maio de 2006. A capital catarinense foi escolhida em abril de 2002, durante a 40ª Assembléia Geral da CNBB, para ser a sede do maior evento nacional da Eucaristia. Desde lá, uma comissão central vem trabalhando na organização.
Um Congresso Eucarístico é uma demonstração pública de fé pessoal. Reafirma-se a certeza de vida eterna para além dos horizontes da nossa história. A partir da profissão explícita de fé na Eucaristia, o congresso busca as conseqüências práticas desse gesto celebrativo. Durante os quatro dias do evento, grandes concentrações populares, shows artísticos e culturais, além do Congresso Teológico, irão movimentar Florianópolis.
O evento é realizado a cada cinco anos. O último ocorreu em Campinas (SP). Mais de 200 bispos já confirmaram presença no congresso. As celebrações eucarísticas e um mega-show com cantores católicos ocorrerão no estádio Orlando Scarpelli.
Subsídios teológicos motivam para evento
A comissão central do 15º Congresso Eucarístico Nacional e as Edições Paulinas apresentaram os subsídios teológicos do evento, a realizar-se em Florianópolis de 18 a 21 de maio. Esses instrumentos buscam servir como uma catequese eucarística que visa criar consciência, motivar para o Ano Eucarístico, prorrogado no Brasil até o final do congresso, e sintonizar o espírito cristão em comunhão e participação com o evento. Esses subsídios já podem ser adquiridos nas livrarias católicas ou diretamente nas Edições Paulinas.
Segundo o arcebispo de Florianópolis, dom Murilo Krieger, autor de um dos subsídios e presidente da comissão central do evento, o Congresso Eucarístico Nacional fará da capital catarinense o "altar do Brasil". Durante todo evento, funcionará no Centro-Sul, a Expo-Católica 2006, com livrarias, lojas de material litúrgico e catequético, lembranças etc.
Murialdinas celebram vida religiosa
Quatro religiosas da Congregação das Irmãs Murialdinas de São José comemoraram 25 anos de vida consagrada. As jubilandas são as irmãs Maria Terezinha Decezare, Terezinha Militz, Sueli Terezinha Ferrazza e Beatriz Maria Rech. Uma missa de ação de graças, presidida pelo provincial dos josefinos, padre Geraldo Boniatti, marcou a celebração do jubileu feita na paróquia Nossa Senhora da Saúde, em Fazenda Souza, Caxias do Sul, no dia 29 de janeiros de 2006.
A celebração contou com a presença da superiora geral, irmã Orsola Bertolotto (da Itália); da superiora provincial, irmã Regina Manica; de muitas irmãs da congregação, de familiares e de amigos. Após a missa houve almoço de confraternização no salão paroquial de Fazenda Souza.
Wilson João
A indiferença é a porta aberta para a autodestruição de qualquer sociedade. É preciso reagir
Estou me distanciando sempre mais das pessoas poderosas, dos grupos dominantes, dos meios de comunicação que fazem a notícia que querem e como querem, que impõem a maneira de pensar à sociedade que, um tanto tonta pela necessidade de sobrevivência e também pelo tradicional marasmo e preguiça, engole tudo com facilidade, sem duvidar e sem reagir. Povo que não reage é povo morto. Nosso povo bebe demais cachaça e cerveja. Dança e festeja demais. Enquanto isso os dominadores cantam e dançam em cima do mesmo povo e ainda são aplaudidos como heróis.
OPINADORES QUE DEBULHAM IDÉIAS como se fossem verdades consagradas. A dúvida é a mãe da sabedoria. Mas a maneira de muitos comentaristas se comportarem em noticiários e programas mostra que são donos da verdade, e o povo encachaçado diz "amém".
JORNALISTAS FAZEM A NOTÍCIA. Em nome de grupos interessados em destruir governos, políticos, escritores, inventores e organizações que vão aparecendo como lideranças com sucesso, aparecem os jornalistas que distorcem os fatos como querem. E uma vez espalhados os fatos de nada adianta reagir. Os poderosos massacram. Revistas como Veja, Época e Isto É devem ser banidas das bancas e de nossas casas.
POLÍTICOS PUXAM O TAPETE. Até de colegas de partido. Muito mais de adversários. A indústria da mentira em nosso cenário político faz qualquer cidadão desacreditar dos políticos e do sistema político que nivela a todos. Quem vai se entusiasmar em superar o analfabetismo político de nossos próprios políticos e de nossa sociedade?
PASTORES SE TORNAM A VERDADE ABSOLUTA. Em nome de Jesus de Nazaré, pobre, descalço, peregrino, condenado e crucificado, multidões de pastores e religiosos fazem da Palavra, da Bíblia, da gravata e da organização religiosa a que pertencem, um palanque de promoção pessoal. É só observar quantos pastores se elegeram deputados em nome de Jesus de Nazaré e de sua Igreja. E o povo embebedado continua dizendo "amém".
SEM VOZ E SEM VEZ de se defender, de se explicar, de mostrar o que pensa, o povo e os esmagados pelos poderosos da palavra e do poder econômico se tornam espectadores indiferentes. E a indiferença é a porta aberta para autodestruição de uma sociedade. É preciso reagir.
O italiano que está em você
Ary Sebastião Vidal
Agricultor, Lapa-PR
O agricultor Ary Sebastião, nascido na Lapa-PR, em 1971, reconstrói sua identidade através da língua familiar.
"Me nono, Angelo Cumiotto Vidal, el ze rivà de Ospedaletto D’Istrana-TV a Lapa in 1889 con tre ani, insieme ai me bisnoni. Go studià tuto el primo grado qua a Lapa, dopo son tornà in colònia laorar co me poro pare, con marangoni e sassari. Go sempre vudo la costumansa de far diversi laori par imparar qualcossa depù.
Oncó penso de tornar a studiar. Ze sédese ani che stùdio Italiano,Talian e le léngue del Trivéneto e de la Lombardia.
Me son nacorto de la me italianità quando sentia i altri parlar Talian, e mi no savea parlar, parché no go imparà polito da ceo, par via che zera sempre in giro fora de casa, par laorar e, anca, parché là tel posto no ghenera tanti che i parlava la léngua dei noni. E mi gavea na gran voia de parlar e studiar sempre depù la cultura dei antenati, e cossita me son tornà sempre pi italiano, con sempre pi voia demantegner vive le so parole e le so tradission. Par mi, portar vanti la stòria e la língua dei noni ze na mission. Par questo me son messo a far poesie in Talian, cantar mùsiche taliane, a punto de tanti vegner dirme:
- Ndove sito drio ndar co sta to italianità? Parché ti te parlarissi sempre Talian? E anca tanta gente me ga criticà par questo, ma mi no ghe bado, parché la me bandiera desso ze portar vanti la stòria dei antenati.
A quei che me critica, ghe digo: - Bisogna sercar de far qualcossa, parché criticar quel che i altri fa tuti i ze boni. E ghe fao saver anca a ste persone, soratuto i dissendenti de véneti, che l’idioma véneto el ze stà pi de du mila ani la léngua dela República de Venèssia e ancora la ze parlada e capida in tuto el Véneto. Sensa argomenti, i tasi. Lora ghe donto: - Ma el pi importante ze che zera la ùnica léngua dei nostri pionieri e ze stà anca la nostra léngua de casa. E ghe saralo un valor pi grando dei nostri genitori?!
Son convinto che go la mission de trasmeter la italianità, sia véneta che altra, e vedo che sempre pi gente la me capisse. La gente, oncó, la ze premosa de tornar casa sua.
El sogno dei antenati zera Far la Mèrica, che tuti semo drio portar vanti, e el me sogno saria Far la Italianità, metendo insieme Itàlia e Brasile, el delà e el dequà del mare.
Na volta nò, ma oncó si resto contento quando i me ciama Talian, par via de la me maniera de parlar e de esser. Me sento mi stesso, pi securo e anca diferente in meso a le altre etnie. Sentir parlar tedesco, e mi no saver parlar Talian, no zera bel. Desso, co sento parlar tedesco o altra léngua, me sento ben, e se posso, parlo Talian anca mi. Rispeto tute le léngue, e se tute le etnie le parlesse la so léngua e le mantegnesse le so tradission, el mondo saria meio.
Al tempo de la nassionalisassion, mostrar la italianità zera come portar na crose, ma oncó ze esser acetà e amirà de tuti, parché tuti i volaria anca lori parlar e mostrar la forsa e belessa dela so etnia.
Par mi, italianità ze soratuto la léngua, sia Italiana, che véneta, Taliana o altra léngua parlada nea penìsola. Na man lava l’altra, così anca na forma linguìstica de qualsìasi parte del Itàlia, come la arte, la culinària, la religione, dela stessa maniera, le fa la italianità.
Importante par mi ze stà nicòrdeme che son talian e scomissiar a coltivar ste radise dela mevita, stòria e cultura, e così capir meio i altri." e-mail vidal.tradission@ig.com.br
Ary Sebatião Vidal é um exemplo de reconquista da própria italianidade que era mais biológica e, agora, é biológica e cultural. (Rovílio Costa)
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (348)
Nanetto vol cognosser un serto frate Rovilio Costa
Mario Gardelin
Professor, historiador e pesquisador, Caxias do Sul - RS
Nanettooo! Ga gridà na gran vose. Nessun risponde. Nanettooo! Nanettooo!
Nanetto el ze saltà del leto e el ga risposto:
- Son qua! Chi ciama?
- Son mi, Merlin. Vien suito che gavemo de parlar de robe importanti.
Nanetto, de un salto, se ga fato presente. Lora Merlin el ghe ga mostrà un spècio come fusse na porta de un cardenson, granda, grossa e bela.
- Cossa zela?
- Métete davanti, fa el segno dea crose. Métete in te na carega. Pensa su un fato importante.
Nanetto se ga messo a pensar, ma no vegnea gnente in testa. E se spiega. El gavea dormio un quìndese di. Merlin squasi ga perso la tramontana. El se ga strategnesto e, co le bone, el ga dito a Nanetto:
- Cossa te piasaria de védere?
- Pol esser anca gente viva?
- Si, anca gente viva.
- Lora vui veder un serto frate Rovilio Costa, che’l ze de star in Porto Alegre e el ze me sàntolo. El ga stampà tanti libri su la me persona e mi no lo cognosso.
- Va ben. Desso disi a sta màchina: Vui veder frate Rovilio.
Nanetto, in pié, se ga fato sèrio. Un pensiero mato ghe ze vegnesto in testa. E se me sbàlio, sarà che no vien fora qualche mostrìcio?
- Nanetto, go otossento ani. Epassiensa ancora depì. Ma, no vui restar chi, in sto buso un sècolo. Destrìghete, orco radìcio.
- Vui veder frate Rovilio, al so tàvolo, in Porto Alegre.
Lora ze vegnesto fora un tre gati, un pi bel del altro. I se ga messi in posission de difesa. Vedì che i gati i sente el lètrico coi mostaci. E co i vol ben a na persona, i la difende con onge e denti. Nanetto el ga fato un salto indrio. E el ga osà:
- Mi vui veder el frate e no gati, e manco ancora gati rabiosi!
Merlin el ga molà na gran ridada.
- Varda, Nanetto.
Frate Rovilio el ga alsà la testa de un libretin ciamà Catar la Cucagna, che’l gera drio farghe le coression. Te vedi che quel che lo ga scrito el ze medo indrio... El frate, che ze un frate che vede el tempo, el geri e anca el doman, el ga capio de paca que Nanetto el gera lì.
- Nanetto, brao! Te vedo, seto. E te me par pròpio ben de salute.
Lora Merlin se ga fato avanti:
- Me presento, son Merlin dela Távola Rotonda...
Frate Rovìlio el ga vardà el vecioto. Par i otossento ani, el gera in gamba e li portava anca benin. El se ga messo a rìdere, e el ga dito:
- Ve vedo e ve credo. Ma se no ve vedesse, no credaria mia. Merlin ze morto da sècoli. Ve aceto, ma con un pié indrio.
Merlin el ga continuà:
- Son qua par órdine del gran imperatore del Sacro Impero Romano Germànico, Santo Enrico, patrono de tuti i migranti del Rio Grande do Sul. Ve contarò nantro di, come sta stòria la ze vegnesta fora. Adesso no posso, che me toca ndar a meter órdine a Garduno, tera de Don Augusto Finotti, primo pàroco de Caxias do Sul. Ve lasso, Nanetto, par tre minuti...
Nanetto el ga protestà.
- Massa poco! Go tante robe da dirghe...
- Par adesso ze questo, dise Merlin. Quando te governarè el Lastron, te asso far vìsita a tuti i conventi dei frati capucini.
- Lora va ben. Concorda Nanetto. E voltàndose a frate Rovilio:
- Par adesso, gràssie. I frati me ga dà la Staffetta Riograndense par cuna. I me ga rincurà. Son cascà in tel Rio das Antas.No son morto. Go scominsià naltra vita. Par intanto, gràssie.
- Va ben cussì! Mi te speto coi me gati..
Merlin e Nanetto i se ga messo davanti al Lastron. Nanetto el gavea le làgreme ai oci. E el gavea reson. Ma el zera medo stufo. Tuto massa svelto. E, in quela, Merlin e lu i se ga trovà tel palasso del Passo Velho...
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
Nanetto nel mondo
El professor Màrio Gardelin, un pioniere nei stùdii dela imigrasson taliana in Rio Grande do Sul e in Brasile, dopo scriver "Far la Cucagna" (2003), el se ga sentio come Nanetto in Mèrica e nel Mondo, incaricà de portar vanti la speriensa dei taliani in tuti i posti del pianeta, parché el "Vangelo de Gesù e le Stripolie de Nanetto" bisogna che tuti i le conossa - "el Vangelo, par la eterna salvassion, e le Sripolie de Nanetto, par la eterna diversion". Cosi se presenta "Nanetto nel Mondo", de Mário Gardelin.
Nanetto el ze na idea, un personaio che rapresenta pi de 20 milioni de taliani che, del 1875 al 1914, i ga tolto su un fagotin de trapei che i gavea casa e i se ga messo in giro, inserca del posto dove meter do el corpo, e far la vita, sia storta, sia drita.
Se pol dir che’l primo Nanetto i ze stai Adamo e Eva che, medi inseminìi, i se ga incantà del fruto dea vita e dea morte, come Nanetto, davanti na bananara, che la ga tolta come se la fusse na pianta de salami, che saria na fassilità come pescar sensa lami.
Idee in testa, forsa tei brassi, tanto amor nel cor, tuto in forma de coraio e aventura, eco Nanetto che varda el mondo che Dio ga fato par i òmeni, e el vol sénterlo e cognósserlo tuto, in tuti i tempi, posti, pòpoli e culture.
Nanetto, se fusse darghe el sopranome de profeta, el saria un profeta roverso, parché, come mostra "Nanetto nel Mondo", invesse de profetisar el doman, el profetisa el ieri, par viver el oncó. Parché scaldar le rece col doman? - Dasselo rivar, dopo vedremo cosa far.
El geri toca conquistarlo, el oncó toca farlo, el doman toca spetarlo, così pensa "Nanetto nel Mondo".
Mi son mi, ti te sì ti, lu el ze lu, e tuti insieme semo nantri, tuti diversi, tuti nanetti a la so maniera par darghe al mondo el color e la fàcia mia, tua, de elo, e de ela e nostra. Se lu el ze el Nanetto nel Mondo, nantri insieme semo i Nanetti del Mondo. Se’l mondo fusse na gamba de fior, nantri, i nanetti, sarìssimo i fiori.
Nota: Para conhecer as histórias de Nanetto Pipetta, EST Edições oferece estas obras: "Vita e stòria de Nanetto Pipetta" (em Talian e Português), de Frei Paulino (Aquiles) Bernardi; "El ritorno de Nanetto Pipetta", de Pedro Parenti (esgotado); "Nanetto in meso i bùlgari", de Frei Décio Antônio Baggio; "Nanetto in val Veneta", de Rafael Baldissera; "Nanetto in strada", de Eduardo Grigolo; "Nanetto nel mondo", de Mário Gardelin. Pedidos pelo fone (51) 3336.1166; e-mail - freirovilio@esteditora.com.br
Feiras mostram os produtos da Serra
Feprocol e Feira da Vindima completam roteiro de eventos
Além da Festa da Uva de Caxias do Sul, outros dois eventos se destacam na Serra gaúcha – a 11ª Feira de Produtos Coloniais (Feprocol) e 2ª Exposição de Vinhos de Nova Pádua, que ocorrem de 24 de fevereiro a 5 de março; e a Feira da Vindima, de Flores da Cunha, de 25 de fevereiro a 26 de março.
A Feprocol celebra a produção colonial do município. A abertura oficial ocorre no dia 24, às 18 horas. A feira contará com mostra e venda de produtos coloniais e de artesanato, com exposição agropecuária, desfiles de carros alegóricos (dia 26, às 10h30 e dia 5, às 14h30), festival do vinho doce, shows musicais, mateada, gincana cultural, gastronomia, entre outras atrações. O pavilhão de exposições estará aberto diariamente das 9 às 22 horas. Informações pelo telefone (54) 3296.1600 – www.npadua.com.br.
No Parque da Vindima Eloy Kunz, durante cinco finais de semana, Flores da Cunha realiza a Feira da Vindima 2006, promovida pelo Centro Empresarial, as Câmaras Setoriais de Malhas e Confecções, Móveis e Vinhos e a Prefeitura. A abertura ocorre no dia 25, às 11 horas.
Malhas, confecções, móveis, vinhos, gastronomia (especialmente o festival da Polenta, Formaio e Vin), shows e outros atrativos aguardam os visitantes. A entrada e o estacionamento são gratuitos e a feira funciona das 10 às 21 horas aos sábados e das 9 às 20 horas aos domingos. Mais informações pelos telefones (54) 3292.1722 ou 3292.2611.
Ilópolis ganha trevo de acesso
O governador Germano Rigotto esteve nesta terça-feira 21 em Ilópolis (RS), onde inaugurou o trevo de acesso à cidade, na RS 332, obra reivindicada há muitos anos pela comunidade. Em seguida, o governador visitou o Moinho Colognese, em fase final de restauração pelo Instituto Ítalo Latino-Americano de Roma. O antigo casarão integra o Caminho dos Moinhos. Rigotto também conheceu o projeto do primeiro museu dedicado à história do pão na América Latina. Todos os atos foram abrilhantados pela orquestra italiana Fanfara del Piave, de San Donna del Piave, Vicenza.