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Edição 4.979 - Ano 98 - Caxias do Sul-RS, 15 de março de 2006.

EDITORIAL

A impunidade incentiva a disseminação da violência

Puna-se com rigor o desrespeito à lei e muitos crimes serão extintos. Mas o exemplo tem de vir de cima

 

Dois fatos que geraram indignação e revolta têm uma relação muito estreita, apesar de ocorridos a mais de dois mil quilômetros de distância um do outro. Na madrugada da quarta-feira 8, militantes da Via Campesina, com a participação do Movimento de Mulheres Camponesas, invadiram o Horto Florestal Barba Negra, em Barra do Ribeiro, pertencente à Aracruz Celulose. Numa ação que seguiu cartilha que prega o fim de multinacionais e do agronegócio, foram destruídos laboratório de pesquisa, estufas e mudas de eucalipto. Por mais que mereçam restrições as empresas que privatizam sementes em proveito próprio, não é admissível esse tipo de violência.

A maioria da sociedade condenou a invasão e o vandalismo praticados, incluindo-os na extensa relação de atentados à lei, à ordem pública e à propriedade privada com os quais o Rio Grande do Sul tem convivido. Por mais que se aprove uma reforma agrária que distribua, de forma justa e organizada, terras aos que delas necessitem - e são milhões de brasileiros nessas condições -, não se pode confundir a luta por um direito com a destruição do direito alheio.

Na noite do mesmo 8 de março, os brasileiros assistiram o plenário da Câmara dos Deputados absolver os parlamentares Roberto Brandt (PFL-MG) e Professor Luizinho (PT-SP) nos processos de cassação de seus mandatos. Acusados de terem recebido dinheiro do esquema do "mensalão", ambos foram beneficiados por votação secreta que contrariou recomendação do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar.

Aparentemente sem nenhuma relação, a invasão e as absolvições estão ligadas pela impunidade que brota nos mais altos escalões do poder e se dissemina pela sociedade. É a falta de punição, no caso da Câmara identificada como um amplo acordo de reciprocidades, que acaba incentivando a violência em quase todos os níveis. É a sensação de impunidade patrocinada por corruptos que enche de coragem o assaltante da esquina, o traficante, o assassino que mata por um punhado de reais. Puna-se com rigor o desrespeito à lei e muitos dos crimes que têm abalado o país e assustado seus cidadãos deixarão de existir. Mas o exemplo precisa partir de cima.

 

CAXIAS DO SUL

Cai oferta e sobem preços na Ceasa

Volume de vendas oscila pouco e dinheiro girado cresce 58%

 

Um balanço dos últimos cinco anos de atividades da Ceasa-Serra revela que o volume de produtos comercializados teve pequenas oscilações, mas o movimento de dinheiro deu um enorme salto. Criada para ser um regulador de preços num mercado suscetível a freqüentes abalos, a central de abastecimento expõe uma nova situação: a oferta de produtos não cresceu, a demanda aumentou e, por decorrência, os preços deram um grande pulo.

A variação entre o total de produtos vendidos em 2001 (29,3 milhões de quilos) e 2005 (30,5 milhões de quilos) é de apenas 4%. A estiagem do ano passado prejudicou a oferta de hortifrugranjeiros, tanto que houve uma queda na relação com 2004 (33,4 milhões de quilos). Mas esse encolhimento não encontrou proporcionalidade no volume de dinheiro movimentado. Os R$ 28,8 milhões representam uma elevação de 58% sobre os R$ 18,2 milhões registrados em 2001.

"A demanda cresceu muito mais do que a oferta", conclui o gerente executivo da Ceasa-Serra, Antonio Garbin. Os números são claros: para comprar 800 mil quilos a mais de mercadorias, o consumidor (ou os atacadistas) pagou R$ 10,6 milhões a mais.

O lucro operacional da unidade, de acordo com as demonstrações contábeis divulgadas, encolheu. Foi R$ 204,9 mil em 2003, R$ 153 mil em 2004 e fechou 2005 com R$ 128,2 mil. "O lucro será investido em obras e melhoramentos da unidade", assegura o presidente da Ceasa-Serra, Nestor Pistorello. "Vamos ampliar o espaço para os produtores dos atuais 140 box para 180 e o dos atacadistas, de 38 box para 48", detalha Garbin. Objetivo das ampliações é atrair mais produtores e compradores e, por decorrência, aumentar o volume de produtos comercializados.

 

Metade dos produtos vem de fora do RS

 

Um controle interno permite ao gerente Antonio Garbin informar que 50% dos produtos comercializados na Ceasa de Caxias vêm de fora do Rio Grande do Sul - isso inclui São Paulo, Minas Gerais, Bahia e outros Estados, além de Argentina e Chile. "Eles fornecem as mercadorias que não são produzidas aqui", explica Garbin.

Os outros 50% são oriundos de cerca de 40 municípios gaúchos, a maioria deles da região da Serra. O maior fornecedor, com larga margem de vantagem sobre o segundo colocado, é Caxais do Sul. "Em torno de 70% dos 50% fornecidos por municípios gaúchos vêm de produtores caxienses", afirma Garbin.

 

Ir. Apolônia Sulenta é Cidadã Caxiense

 

Irmã Apolônia Sulenta, 58 anos, natural de Erechim, agora é Cidadã Caxiense. O título foi concedido pela Câmara de Vereadores na semana passada. A homenagem foi proposta por Getúlio Demori (PP) devido à dedicação da irmã à causa da saúde. Dos 41 anos de serviços nessa área, 31 deles foram prestados em Caxias do Sul.

Aos 16 anos, a irmã iniciou noviciado em Garibaldi. Ela é da Congregação de São José de Chambery e hoje atua no Hospital Medianeira do Círculo Operário Caxiense. "A vida é o maior bem que temos e a saúde o maior tesouro", disse a religiosa ao receber a homenagem.

 

Mais de 30 anos dedicados à saúde caxiense

 

Irmã Apolônia veio para Caxias do Sul em 1974 e atuou como enfermeira no Hospital Nossa Senhora da Saúde por quatro anos. Também trabalhou no Pompéia, onde fundou a Escola de Enfermagem. Desde 1994, atua no Medianeira.

Ela é graduada em Enfermagem pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), com especialização em Enfermagem do Trabalho e Licenciatura Plena em Enfermagem, também pela UCS. Ainda é pós-graduada em Administração Hospitalar pela Faculdade de Ciências da Saúde São Camilo, em São Paulo.

 

REPORTAGEM/ESPECIAL

Curso de Teologia já tem mais de 500 inscritos

Edição 2006 inicia no próximo dia 5, mas o prazo para inscrição vai até 20 de abril

 

Mais de 500 pessoas já se inscreveram para o Curso de Teologia a Distância, edição 2006. O levantamento parcial foi feito na semana passada pelo frei Bruno Glaab, coordenador de Extensão da Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana (Estef), instituição reconhecida pelo Ministério da Educação e parceira do Correio Riograndense nesta iniciativa. Como o prazo para inscrições vai até o dia 20 de abril, a tendência é de que esse número cresça bastante. No ano passado, três semanas antes de iniciar o curso havia 500 inscritos e no encerramento do prazo o número saltou para 2.545.

A maioria das inscrições, segundo frei Bruno, está sendo feita com o envio, por correio, do cupom que o CR tem publicado (veja ao lado, acima). Mas tem crescido bastante o número de inscritos pela Internet. "Quem tem acesso a computador, recomendamos que faça a inscrição pela Internet. Fica mais fácil trocar idéias, comprovar o recebimento das respostas e, se for o caso, remeter comentários", afirma frei Bruno. Aos que não dispõem desse recurso, o melhor é se inscrever por fax ou enviando correspondência pelo correio.

O endereço da Estef é: rua Tomaz Edson, 212, CEP 90640-100, Porto Alegre-RS. Quem usar o computador deve fazer a inscrição pelo e-mail extensao@estef.edu.br ou pelo secretaria@estef.edu.br. E quem optar pelo fax, os telefones são (51) 3217-4567 ou 3223-2283.

A edição 2006 do Curso de Teologia a Distância inicia dia 5 de abril, mas o período de inscrições vai até o dia 20 de abril. A cada semana será publicada uma lição no Correio Riograndense, acompanhada de questões que os alunos deverão responder e encaminhar para a Estef - por e-mail, pelo correio ou por fax. Esta fase do curso terá 30 lições, divididas em três módulos. A última delas será publicada na edição do CR de 25 de outubro.

Os módulos definidos para 2006 são Bíblia/Novo Testamento, Igreja (Eclesiologia) e Sacramentos. Os responsáveis são, respectivamente, a irmã da Divina Providência Lúcia Weiler e os freis capuchinhos Wilson Dallagnol e Vanildo Zugno. A coordenação permanece a cargo do frei Bruno Glaab, que contará, além dos responsáveis pelas lições, com o trabalho de uma equipe para avaliar as respostas dos alunos.

Avaliação - "Ao longo das edições vamos divulgar as datas limites para o envio das respostas de cada módulo. Não é necessário que elas sejam enviadas uma por vez, a cada lição, mas pedimos também para que as respostas das dez lições não sejam enviadas de uma só vez, porque isso dificulta a correção", argumenta frei Bruno. "Voltamos a solicitar que todas as respostas enviadas tenham a clara identificação do aluno e o número da lição", reforça ele.

Os critérios de avaliação serão os mesmos adotados na edição 2005. O curso tem nível de extensão universitária e para ser aprovado, com direito a certificado equivalente a 40 horas-aula (observe os passos ao lado), o aluno deve responder corretamente a pelo menos 75% das questões.

 

Como se inscrever e acompanhar lições

 

O Curso de Teologia a Distância é aberto a agentes pastorais, catequistas, professores de ensino religioso, vocacionados à vida religiosa e, de um modo geral, a todos os leitores do Correio Riograndense. A inscrição é gratuita para os assinantes do jornal. Além do titular da assinatura podem realizar o curso sem pagar inscrição outros integrantes da família, como esposa e filhos - embora nesse caso os questionários terão de ser respondidos individualmente.

Quem não possui assinatura do Correio Riograndense deverá providenciar porque a única maneira de acompanhar as lições é através do jornal. A assinatura pode ser feita acessando o site www.correioriograndense.com.br, pelo e-mail comercial@jornalcr.com.br ou preenchendo o cupom publicado nesta página (ao lado) e depositando numa caixa dos Correios (sem custo de selo). Outra opção é pelo telefone (54) 3220-3232.

Procedimento - O interessado em fazer o curso, após garantir acesso ao jornal, deve se inscrever na Estef, preferencialmente por e-mail, correios ou fax (a Estef fica na rua Tomaz Edson, 212, CEP 90640-100, Porto Alegre-RS; os e-mails são extensao@estef.edu.br e secretaria@estef.edu.br; os telefones são (51) 3217-4567 ou 3223-2283).

Feita a inscrição, o aluno deverá acompanhar as lições pelo CR e responder as questões formuladas, remetendo as respostas somente à Estef (também por e-mail, fax ou carta), sempre com a identificação completa. Ao final das 30 lições, o aluno que for aprovado e que quiser o certificado terá de manifestar este interesse junto à Estef e pagar a taxa de R$ 16,00.

 

Finalidade dos cupons e taxa

 

Em função de um número expressivo de telefonemas e de e-mails terem manifestado dúvidas, as direções do CR e da Estef esclarecem: não é necessário pagar agora os R$ 16,00 referentes ao certificado de realização do curso. Essa taxa só deverá ser paga se, ao final das 30 lições, o aluno aprovado tiver interesse no certificado - a exemplo do que ocorreu com a edição 2005 do curso.

Também devido a dúvidas, estão sendo publicados (acima) os cupons de inscrição do curso e de assinatura do Correio Riograndense, com as respectivas explicações - um deles é para inscrição no curso e outro para assinatura do jornal.

 

Envio de certificados da edição 2005

 

A Estef começa nesta semana a enviar os certificados referentes à edição 2005 do Curso de Teologia a Distância aos aprovados que fizeram o pedido e pagaram a taxa de R$ 15,00. Aos alunos que ainda não solicitaram, a Estef lembra que há tempo e recomenda que sigam o seguinte trâmite: fazer o depósito de R$ 15,00 em nome da Fundação São Lourenço de Brindisi no Banrisul (agência 0065, conta 0685103106) ou no Banco do Brasil (agência 2814-2, conta 90417-1); depois, enviar o comprovante do depósito para a Estef por correio (o endereço da escola é rua Tomaz Edson, 212, CEP 90640-100, Porto Alegre-RS) ou por fax (telefones (51) 3217-4567 ou 3223-2283).

É fundamental informar o nome completo do aluno aprovado e o endereço para onde deve ser remetido o certificado.

 

AGRONEGÓCIO

Ataque à Aracruz prejudica pesquisa

Mulheres destroem horto e acabam com mais de 1 milhão de mudas

 

O Horto Florestal Barba Negra, da empresa Aracruz Celulose, em Barra do Ribeito (RS), amanheceu movimentado na quinta 9. Centenas de funcionários resgatavam as mudas de eucalipto que escaparam da violenta invasão de integrantes da Via Campesina e do MST, a maioria mulheres, na madrugada de quarta 8.

O cenário de plásticos de estufas rasgados, vidros do laboratório quebrados e mudas arrancadas cedeu lugar ao silêncio dos trabalhadores e pesquisadores do projeto florestal da empresa, previsto para gerar até 50 mil empregos na Metade Sul, com investimento de US$ 1,2 bilhão na fábrica de celulose no município.

De acordo com o gerente regional da Aracruz, Renato Afonso Rostirolla, o prejuízo material apenas do laboratório foi de mais de US$ 400 mil. "A ação compromete um trabalho de pesquisa de 20 anos, com a destruição de mais de um milhão de mudas, fazendo com que 150 hectares deixem de ser plantados", declarou Rostirolla.

O ato de desrespeito ao patrimônio privado foi planejado com antecedência e seguiu, conforme as protagonistas do Movimento das Mulheres Camponesas (MMC), a cartilha de organizações mundiais que pregam a expulsão de multinacionais e o fim do agronegócio. No Brasil, a depredação teve apoio e planejamento da Via Campesina. Para os dirigentes dessas entidades, a destruição do laboratório foi ato de legítima defesa contra uma empresa que prega a monocultura e danifica o meio ambiente.

Rompimento - O governador em exercício Antonio Hohlfeldt agiu rápido e rompeu as relações institucionais com a Via Campesina e com as entidades a ela ligadas. A ordem de serviço foi publicada no Diário Oficial do Estado, na última sexta 10. "Se mantivéssemos o diálogo, seríamos coniventes com os atos de vandalismo que os integrantes do movimento praticaram", justificou Hohlfeldt.

 

Autoridades repudiam os atos de vandalismo

 

A invasão e depredação do laboratório da Aracruz Celulose, em Barra do Ribeiro (RS), foram repudiadas pelas autoridades. Em nota à Imprensa, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, condenou e lamentou os fatos ocorridos. "As imagens que o país assistiu mostram cenas de inaceitável violência e ferem a consciência democrática de todos os brasileiros", destacou. "É inaceitável substituir o argumento pela destruição violenta e a troca de idéias pela intolerância", acrescentou.

Já o governador em exercício Antonio Hohlfeldt determinou que a Polícia Civil apure quem foram os responsáveis. "Atos como este devem ter suas conseqüências tratadas com rigor pela Justiça", disse.

Reforma - O secretário da Reforma Agrária e Cooperativismo do RS, Vulmar Leite, também repudiou o episódio. "Ações como estas em nada contribuem para o desenvolvimento, o diálogo, a busca de soluções na área social, especialmente no que diz respeito à reforma agrária e a viabilização socioeconômica dos assentamentos", afirmou.

 

Lideranças temem a perda de investidores

 

Lideranças do agronegócio exigem que os governos federal e estadual punam os responsáveis pela invasão da Aracruz. O presidente da Sociedade Rural Brasileira, João Sampaio Filho, disse que a passividade dos governos pode afastar investimentos internacionais.

Instituições gaúchas (Farsul, Fiergs, Fecomércio, Federasul e FCDL) protestaram contra "a invasão e o vandalismo praticados por movimentos clandestinos em propriedades privadas do Rio Grande do Sul". A Votorantim Celulose e Papel, que tem florestas no RS, em nota, disse que "estranha que as autoridades não tenham percebido um movimento dessa proporção."

 

Casa Familiar ganha ensino médio

RS é pioneiro no país ao implantar sistema em Frederico Westphalen

 

A Casa Familiar Rural (CFR) de Frederico Westphalen (RS) é a primeira do Brasil a implantar o ensino médio. O projeto, reconhecido pela Lei de Diretrizes de Base (LDB), foi aprovado na quinta 9 pelo Conselho Estadual de Educação. A decisão agradou a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag/RS). "O Estado foi pioneiro ao reconhecer a educação pela pedagogia da alternância", diz o presidente da Fetag, Ezídio Pinheiro.

Em conjunto com o Comitê Gestor Estadual, presidido por Pinheiro, em 2005 foram implantadas cinco CFR. Eles estão localizados em Alpestre, Augusto Pestana, Santo Antônio das Missões, Torres e Frederico. "Na segunda-feira 13 foi inaugurada uma unidade em Santo Cristo e no próximo dia 20 será entregue mais uma em Três Passos", adianta ao Correio Riograndense o assessor de Formação da Fetag, Lotário Vier.

A Fetag acredita que o exemplo de Frederico West-phalen tende a abrir espaço para o encaminhamento e o reconhecimento das demais unidades instaladas no Estado e fora dele. "As demais casas devem ser contempladas com o ensino médio, atendendo a pedido dos pais dos alunos e de lideranças agrícolas", prevê Vier.

Origem - A Casa Familiar Rural (CFR) teve origem na França em 1937, por iniciativa de um grupo de famílias do meio rural, propondo a adoção de uma formação profissional aliada à educação humana para seus filhos. Nascia, assim, a CFR, com a estrutura da pedagogia da alternância.

Hoje, o modelo expandiu-se para 30 países, espalhados pelos cinco continentes, com a mesma concepção - responsabilidade e engrossamento das famílias na formação dos jovens, no sentido de provocar o desenvolvimento global do meio. No Brasil, atualmente com 120 casas, o programa de implantação das casas familiares rurais teve início no Paraná, em 1987, nos municípios de Barracão e Santo Antônio do Sudoeste.

 

Santa Clara reúne produtoras de leite

 

Com o objetivo de inserir a mulher no contexto da empresa, estimulando a atualização e enfatizando seu papel como agente motivadora, a Cooperativa Santa Clara realiza o Encontro de Mulheres com Atividade no Leite. O evento ocorre no dia 16 de março, no salão paroquial de Paraí, com início às 9h. A expectativa é de reunir 1.000 produtoras rurais.

A promoção do Departamento Técnico e de Fomento da Santa Clara traz o médico veterinário Luis F. Laranja da Fonseca, que irá palestrar sobre "O leite como negócio". Já a médica Tânia Comin vai falar sobre a "Mulher hoje". Após o almoço haverá a apresentação artística "Não show baiano".

A Cooperativa Santa Clara, com sede em Carlos Barlosa, possui 3.006 associados e 30 unidades espalhadas por 13 municípios, incluisve no Paraná e em Santa Catarina.

 

Agroindústria tem mais cursos na Serra

 

O Programa de Agroindústria do Corede-Serra está com as inscrições abertas para os cursos de processamento de frutas e hortaliças e de laticínios. O curso de frutas é desenvolvido em três módulos, de 30 horas, e ocorre a partir do final deste mês em Fazenda Souza, interior caxiense. O de laticínios é realizado em módulo único em abril. Informações pelo telefone (54) 3218-2430.

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

Pata-de-vaca: medicamentosa e ornamental

Sou agente do CR nesta localidade de São Carlos. Gostaria que o eng. agrônomo José Zugno publicasse em sua coluna Vida Agrícola os benefícios das folhas de pata-de-vaca, pois me encontro com um pouco de diabetes. Já li, em tempos passados nesta coluna, matéria sobre este assunto. Preciso saber como é esta folha, os ramos com espinhos ou sem espinhos, enfim, os detalhes importantes da planta e de como é feito o chá da folha, no sol ou no álcool, e a quantidade.

JOÃO MÁRIO MENDEL

São Carlos - SC

 

A pata-de-vaca é, dentre as plantas ditas medicinais, uma das mais conhecidas e utilizadas pela maioria da população, principalmente a do interior. Existem diversas espécies de pata-de-vaca, todas pertencentes ao gênero botânico Bauhinia da família das leguminosas-cesalpináceas e todas elas possuidoras de certas substâncias consagradas pelo uso popular e recomendadas pelos fitoterapeutas como útil medicamento no combate à diabetes e ao colesterol do sangue. As partes utilizadas são as folhas e as flores.

A espécie nativa brasileira mais conhecida é a Bauhinia forficata do Cerrado e da Mata Atlântica. No Rio Grande do Sul, também em Santa Catarina, predomina a espécie Bauhinia candicans que o Dicionário das Plantas Úteis do Brasil - do eminente naturalista M. Pio Corrêa, editado pelo Ministério da Agricultura em 1974, em 6 volumes - considera esta espécie como sinônimo cientifico da anterior por serem espécies morfologicamente muito semelhantes. Tratam-se de plantas arbustivas ou pequenas árvores de até 6m. de altura, com ramos flexíveis, aculeados (espinhos fortes, em geral 2 iguais e opostos, na base do pecíolo). As folhas, alternas, pecioladas, são abundantes no ramo. Cada folha é composta por 2 folíolos, ovalados ou lanceolados, soldados na base, mas livres nas extremidades, dando o aspecto característico da pata-de-vaca ou de boi, donde lhe veio o nome popular. A folha, com 8 a 10 cm. de comprimento, é palminérvia, com 7 a 9 nervuras principais, lisas na face superior e pubescentes na inferior, macia ao tato.

As flores, solitárias e brancas, são vistosas, hermafroditas e pentâmeras: corola com 5 pétalas bem separadas uma das outras, compridas de uns 10 cm. de comprimento; androceu com 10 estames. A florescência ocorre geralmente no verão, os frutos são vagens achatadas, lisas, com uns 15 cm. de comprimento, 1,5 cm. de largura e contém diversas sementes lenticulares, de cor preta, férteis.

Pata-de-vaca ornamental - As pequenas árvores de pata-de-vaca são freqüentemente utilizadas como plantas ornamentais em jardins e na arborização de ruas estreitas, tanto espécies nativas brasileiras como exóticas, dentre estas a Bauhinia variegata, originária da Índia, produtora de atraentes flores, maiores, róseas, púrpuras, e até roxas.

Pata-de-vaca medicamentosa - "A espécie é responsável pelo nome popular (pata-de-vaca), mas também conhecida como insulina vegetal por sua eficácia no tratamento de problemas associados à diabetes, propriedade comprovada por estudos farmacológicos em animais diabéticos.

As folhas e flores são utilizadas em infusão a 2%, ou seja, 2 a 3 gramas de folhas secas por xícara de água fervente, 3 até 6 vezes por dia" (Segredos e Virtudes das Plantas Medicinais, edição da Reader’s Digest - Lisboa - Portugal).

Os demais autores fitoterapeutas fazem recomendação semelhante: "Contra diabetes usam-se folhas em infusão, 3 vezes ao dia" (Ervas e Plantas - Pe Francisco e Prof. Fontana - Erechim, 2003). "Contra diabetes coloque uma colher (sopa) de folhas picadas em uma xícara de água fervente, tampe e deixe amornar. Tome 3 xícaras (chá) ao dia entre as refeições. Ajuda a baixar as taxas de glicose no sangue, proporcionando a redução da quantidade de remédios consumidos pelos diabéticos. Seu uso deve ser acompanhado por exames regulares das taxas de glicose" (As Plantas da Saúde - Marcos Gomes. - Ed. Paulinas, 2002).

 

Gripe compromete a avicultura brasileira

Queda no consumo de frango esvazia galpões e ameaça empregos e criadores em todo país

 

Diante do pânico causado pela gripe aviária na Europa, no Oriente Médio e na África, vai ocorrer uma queda mundial no consumo de aves que pode chegar a três milhões de toneladas. A previsão é da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO). "Tudo vai depender do avanço da doença e dos esforços para contê-la", diz o especialista em produtos agrícolas da FAO, Nancy Morgan.

Já há países em que a queda no consumo é dramática. Na Europa, a diminuição oscila de 70% na Itália a 20% na França. A crise afetou ainda o setor de rações avícolas, cuja demanda caiu em alguns países até 40%.Com a queda do consumo, os preços também cairão, o que ameaçará a rentabilidade da indústria avícola em nível mundial, assim como os meios de subsistência e as oportunidades de emprego no mundo rural dos países em desenvolvimento.

Na África, os consumidores de países afetados, como o Egito e a Nigéria, estão deixando de comprar aves de granja e ovos, da mesma forma que os cidadãos de Estados vizinhos que ainda não foram afetados, o que indica a perda dos meios de subsistência dos pequenos produtores. Na Índia, foi registrada uma queda do consumo de 25%, com a diminuição dos preços de 12% a 13%.

Sul - A notícia é ruim para o Brasil, um dos maiores produtores e principal exportador de carne avícola do mundo - em 2005, foram comercializados 2,8 milhões de toneladas. Por aqui, onde as vendas externas correspondem a 30% do total do setor, o preço dos animais recém-nascidos já está caindo.

A gripe aviária vem afetando diretamente a região Sul. De acordo com o presidente da Associação Gaúcha de Avicultores (Asgav), Aristides Vogt, a queda na produção de frangos vai atingir de 10% a 15%. "O consumo no exterior fica impossibilitado de qualquer estímulo enquanto houver presença de foco em determinadas regiões", observa Vogt.

Para o segmento do Rio Grande do Sul, o quadro é ainda mais preocupante, porque 70% da produção têm como destino o mercado externo. Entre as soluções que serão buscadas, as empresas procurarão alternativas no mercado interno. "Teremos que direcionar nosso foco nesse sentido, buscando adaptações", salienta Vogt.

Os reflexos da gripe das aves abalam especialmente Nova Bréscia, capital gaúcha da avicultura. De forma gradativa, os 365 aviários instalados no interior estão sendo esvaziados. O município tem produção estimada superior a 30 milhões de frangos para este ano.

O presidente da Asgav não descarta demissões no setor, que emprega 45.000 trabalhadores nas plantas industriais. "No momento, as empresas estão dando férias para alguns funcionários, mas não há como negar que deve haver dispensas", assinala. Quanto aos produtores, nada definido. "Ainda não conseguimos mensurar os prejuízos dessa situação, mas as perdas afetam toda a cadeia, inclusive os produtores de grãos que fornecem matéria-prima para ração", salienta Vogt.

 

Vírus da influenza aviária pode nem chegar ao país

 

Não há como estabelecer uma data para a chegada do vírus da influenza aviária ao Brasil. A afirmação é da doutora em virologia animal e pesquisadora Liana Brentano, da Embrapa Suínos e Aves, de Concórdia (SC). Contrariando previsões de que a doença chegaria em setembro, a especialista diz que existe a possibilidade, até mesmo, da doença não ser registrada por aqui. "É temerário fazer afirmações definitivas com base em probabilidades", avisa.

A suposição de que o vírus chegaria surgiu de uma simplificação em torno das probabilidades de disseminação do H5N1. O coordenador da ONU para o combate à doença, David Nabarro, previu que a travessia transatlântica do vírus ocorrerá em duas etapas: a primeira nos próximos seis meses e a segunda, 12 meses depois.

Para Liana Brentano, nem a chegada do H5N1 à América do Norte significa que a doença fatalmente estará no Brasil. "Alguns vírus de influenza aviária de outros subtipos, diferentes do H5N1, mas também altamente patogênicos a galinhas, já foram diagnosticados anteriormente nos EUA e jamais chegaram ao país", declara ao Correio Riograndense.

O Canadá e os Estados Unidos têm, historicamente, contido rapidamente a ocorrência de vírus de influenza. "Deve-se contar com a possibilidade de que os sistemas de controle do Hemifério Norte possam minimizar os riscos de disseminação do vírus", conclui a doutora em virologia animal.

 

ALIMENTAÇÃO & SAÚDE

Guia orienta brasileiros para uma dieta saudável

Médicos indicam três refeições por dia, intercaladas por lanche

 

Com a presença cada vez maior de produtos industrializados na dieta da população, o Brasil registra nos últimos anos o crescimento das chamadas doenças crônicas não transmissíveis, como a obesidade. Recentemente, o Ministério da Saúde lançou as primeiras diretrizes oficiais de alimentação para a população brasileira, reunidas em um guia alimentar. A orientação é fazer três refeições diárias intercaladas por lanches saudáveis.

As indicações do guia alimentar são baseadas numa dieta de 2.000 calorias diárias, recomendada para adultos saudáveis. A presença de cereais, tubérculos e raízes, do grupo de carboidratos, vêm diminuindo na mesa do brasileiro. O ideal é ingerir seis porções diárias desses alimentos, preferencialmente em sua forma natural.

Três porções de frutas e outras três de legumes e verduras. Essa é a recomendação dos especialistas para garantir de 9% a 12% da energia diária consumida. Para isso, esses alimentos precisam estar presentes em todas as refeições e lanches. Isso significa aumentar em pelo menos três vezes o consumo médio atual dos brasileiros.

Para leguminosas, como o feijão, indica-se uma porção diária. Se o cardápio incluir o tradicional prato "feijão com arroz", ele deve ser preparado na proporção de uma para duas partes. Apenas uma porção de carnes, peixes ou ovos é suficiente para nutrir o organismo durante um dia. Para garantir cálcio, três porções de leite e derivados.

O consumo de açúcares simples resume-se a uma porção, pois não pode ultrapassar 10% da energia total diária. A população consome hoje 33% a mais do que o recomendado. Óleos e gorduras também limitam-se a uma porção, dando preferência aos óleos vegetais, azeite e margarinas livres de ácidos graxos trans. A quantidade de sal por dia deve ser, no máximo, uma colher de chá rasa por pessoa, distribuída em todas as refeições.

 

Indicações incluem água e exercícios

 

As pessoas ainda devem ingerir dois litros de água e acumular pelo menos 30 minutos de atividade física todos os dias. Antes, porém, recomenda-se procurar um médico para saber a intensidade e a freqüência adequada de exercícios físicos.

A nutricionista Roberta Brito, de Caxias do Sul, explica que o Ministério da Saúde trabalha com medidas padrão. "O guia serve de referência, orienta a população para que se alimente melhor, com base nas recomendações da Organização Mundial da Saúde", afirma. "Porém, gestantes, crianças, idosos, atletas e portadores de determinadas doenças, como diabetes e obesidade, precisam de uma dieta diferenciada e devem seguir as indicações de um médico", alerta.

 

Consumo de refrigerantes aumentou 400% em 30 anos

 

O perfil demográfico do Brasil mudou e, com ele, as escolhas da população. Desde os anos 70, o regime alimentar tradicional do brasileiro vem sendo substituído por refeições que não atendem adequadamente as necessidades nutricionais do corpo. O guia alimentar mostra alguns números preocupantes, como a queda de 31% no consumo de feijão, de 23% no de arroz e de 12 % no de pão. Por outro lado, o consumo de refrigerantes aumentou 400%. Já as refeições prontas e misturas industrializadas tiveram 82% de crescimento no consumo.

Anelise Rízzolo de Oliveira Pinheiro, consultora técnica da Coordenação Geral de Políticas de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, explica que alguns fatores como a globalização e urbanização social foram responsáveis pelo agravamento da incidência da obesidade. "Antigamente, os homens viviam em lugares distantes e saiam à caça de alimentos. Eles tinham um modelo de vida que envolvia atividades físicas e hábitos alimentares mais saudáveis", destaca. "Estamos na era do fast food, em que se come mais calorias, em volumes pequenos, para adequar-se à falta de tempo da vida moderna", observa ela.

Segundo Anelise, a cor, o sabor, o prazer e a variedade de um prato são atributos essenciais de uma boa alimentação. Ela afirma que uma dieta equilibrada deve reunir diferentes grupos de alimentos, evitando excesso de gordura, açúcar e sal. Essas medidas, se adotadas no dia-a-dia, são suficientes para evitar as doenças não transmissíveis.

 

OPINIÃO

Conversão: incluir o diferente

Maria Clara Lucchetti Bingemer

 

A palavra e a atitude de Jesus são um convite para que as pessoas com deficiência tenham coragem e não se resignem a ficar no seu cantinho; ocupem seu espaço social e eclesial e assumam sua dignidade

 

Em 1994, após anos de silêncio poético, sem nenhuma palavra, nenhum verso, a grande poetisa brasileira Adélia Prado publicou o livro "O homem da mão seca". Conta a autora que começou a escrevê-lo em 1987, mas, depois de concluir o primeiro capítulo, foi acometida de uma crise de depressão que a bloquearia literariamente por longo tempo. Disse que vê "a aridez como uma experiência necessária" e que "essa temporada no deserto" lhe fez bem. Nesse período, segundo afirmou, foi levada a procurar ajuda de um psiquiatra.

A mão de Adélia, que sempre obedeceu a maravilhosa inspiração que Deus lhe deu, de repente ficou seca e não produzia mais nada, nem verso, nem poesia, nem prosa inspirada. Tal como o homem do evangelho de Mc 3,3, Adélia experimentou, como muitos de nós, sua fonte de vida atrofiada. O homem do evangelho de Marcos também estava nesta situação. Tudo leva a pensar que era desprezado e deixado a um canto por causa da sua deficiência. Talvez lhe fosse até atribuído o estigma de ser um pecador castigado por Deus.

Mas num sábado, dia sagrado maior de sua religião, no qual não se podia fazer nenhum trabalho, nem mesmo curar doentes, o homem da mão seca encontrou Jesus de Nazaré, o Mestre da Galiléia. Jesus percebeu que sua diferença o impedia de ser incluído na comunidade e lhe disse: "Levanta-te, vem para o meio!" E o curou, na frente de todos. Muito mais que a cura da mão, recebeu ele a cura da vida e a inclusão na comunidade que o tornava humano.

O tempo da Quaresma, que acabamos de iniciar e que dura 40 dias, tem como centro a conversão. Durante estas seis semanas, Deus nos chama a mudar a direção de nossa vida ali onde ela não se encontra sintonizada com os critérios do Reino e do Evangelho da Boa Nova anunciada por Jesus. E esse evangelho é fundamentalmente uma boa notícia de inclusão. Ninguém está excluído da plenitude de vida que Deus quer dar e realmente dá a todos e todas.

Para ajudar o povo de Deus a entrar neste movimento de conversão, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil instituiu a Campanha da Fraternidade, que todos os anos toma um tema diferente para fazer-nos aterrissar na concretude da conversão que nos é pedida. Este ano a Campanha propõe como foco de atenção dos cristãos as pessoas ditas com deficiência. E usa como lema a frase de Jesus ao homem da mão seca: "Levanta-te, vem para o meio!" A CF de 2006 traz ao centro de nossa atenção as pessoas diferentes, física ou mentalmente, que são freqüentemente vítimas de preconceitos e discriminação, sobretudo numa tendência cultural que privilegia os fortes e saudáveis, os belos e fisicamente perfeitos, enquanto marginaliza e até exclui os que não correspondem aos padrões de estética e normalidade e têm menos oportunidade de se afirmar sozinhos e de competir com os outros.

A palavra e a atitude de Jesus são um convite para que as pessoas com deficiência tenham coragem e não se resignem a ficar no seu cantinho; ocupem seu espaço e assumam sua dignidade. Jesus não deixou aquele homem sozinho com o seu problema, estendeu-lhe a mão e ajudou-o. E a todos os presentes deu a entender que ele não podia ser desprezado e abandonado. A palavra e a atitude de Jesus desafiam os saudáveis, os fortes e fisicamente "perfeitos" a superarem qualquer preconceito e discriminação em relação às pessoas "diferentes" e a fazerem a sua parte para acolhê-las e promover a dignidade delas.

A palavra de Jesus é um convite àquele homem com deficiência para que venha para o meio dos outros ocupar o seu espaço social e eclesial, e não tenha medo nem se sinta inferiorizado. Ao mesmo tempo é uma mensagem de que não se deve excluir nem deixar de lado os que têm alguma deficiência; todos devem acolhê-los e valorizá-los, ajudando-os e apoiando-os fraternalmente.

Porque ficou vários anos sem conseguir fazer poesia, Adélia Prado não deixou de ser poeta. E das maiores que o nosso país tem produzido. Assim também, por não poder caminhar, ver ou ouvir, uma pessoa não deixa de ser muito amada e querida por Deus, e capaz de dar toda a sua medida para que o mundo seja mais humano. Cabe a nós colaborar e contribuir para que ela sinta e viva isso. Certamente teremos mais a ganhar do que ela própria.

 

Vítimas da deficiência oficial

Frei Betto

 

A sociedade precisa estar preparada para tratar a pessoa com limitações físicas não como deficiente, mas como diferente, sem fazer da diferença divergência ou excludência

 

O poder público não tem uma política para as 27 milhões de pessoas portadoras de deficiência no país. Na América Latina, são 50 milhões. No mundo, mais de 500 milhões, segundo a Organização Mundial da Saúde. O programa "Fantástico" mostrou, no mês passado, a excessiva burocracia para que uma dessas pessoas possa adquirir um carro com os descontos tributários previstos em lei.

Tudo é problemático para quem já tem a vida dificultada pela limitação física: calçadas irregulares e acidentadas, falta de rampas de acesso a locais públicos, ausência de equipamentos adequados. Como é possível um transporte público sem condições de abrigar um passageiro em cadeira de rodas? A barreira mais difícil, porém, é o nosso preconceito, o nosso descaso, a nossa incapacidade de incluir portadores de deficiência no mercado de trabalho, na escola, nos centros de cultura, lazer e esporte.

Durante os dois anos em que trabalhei no governo federal, empenhei-me, em vão, para que se criasse uma Secretaria Nacional destinada a esse público, à semelhança das que existem para Mulheres, Igualdade Racial, Direitos Humanos e Juventude. É o que propõe a ONU: a criação de um organismo vinculado à mais alta instância de deliberação governamental. Encontrei obstáculos até na doação de cadeiras de roda aos beneficiários do Fome Zero por generosidade dos mórmons.

Outrora as pessoas com lesões acentuadas eram chamadas de aleijadas; depois, deficientes; hoje, pessoas portadoras de deficiências. Advogo nova terminologia: pessoas portadoras de direitos especiais (Pode). Todos temos direitos universais, inclusive elas. Porém, por razões óbvias, merecem também direitos especiais, como estacionamentos, banheiros e rampas exclusivos, além de atendimento preferencial em locais públicos.

É preciso resgatar essa parcela da população da cidadania de segunda classe. Esta a razão pela qual a Igreja Católica dedica-lhes a Campanha da Fraternidade 2006, inaugurada na Quarta-Feira de Cinzas. O lema é a palavra de Jesus em Marcos 3,3: "Levanta-te, vem para o meio". Os evangelhos estão repletos de exemplos de como Jesus tratava os portadores de deficiência, extirpando a idéia de que eram vítimas de castigo divino, como propalava a ideologia religiosa dominante na Palestina do século I.

À deficiência do poder público somam-se preconceitos e discriminações reinantes em nossa sociedade. A exclusão é um fenômeno sociológico. Uma criança surda, filha de pais surdos, não se sentirá excluída na família. Mas poderá sentir na sociedade se esta não está preparada para tratar a pessoa portadora de limitações físicas, não como deficiente, mas como diferente, sem fazer da diferença divergência ou excludência. É muito importante que as escolas se empenhem na pedagogia capaz de evitar preconceitos e estimulem em seus alunos a inserção, entre eles, de pessoas com deficiências, e a atitude solidária sem estranhamento ou paternalismo.

Sobretudo, é preciso exercer pressão sobre o poder público para que esse contingente de cidadãos tenha os seus direitos conquistados e respeitados. Organizados em associações, devem eles, por sua vez, aumentar seu poder de mobilização, de denúncia, de elaborar e propor políticas públicas. Por que não processar a prefeitura pela calçada irregular que põe em risco quem anda em cadeira de rodas ou com bengala? Por que não denunciar o estabelecimento comercial sem rampa? Foi graças à mobilização do Movimento dos Direitos das Pessoas com Deficiência que, em 1980, a Justiça obrigou o metrô de São Paulo a oferecer um sistema de acesso aos vagões.

O material da Campanha da Fraternidade (www.cnbb.org.br), disponível em paróquias e livrarias católicas, com certeza nos ajudará a abraçar mais decididamente esta causa de cidadania.

 

NACIONAL

Absolvições deixam vestígios de acordo

Até agora, Câmara cassou dois deputados acusados de corrupção e absolveu quatro

 

Deixando mais uma vez claros vestígios de um amplo acordão, o plenário da Câmara absolveu na quarta 8 mais dois deputados acusados de envolvimento com o "mensalão". Os beneficiados desta vez foram Roberto Brandt (PFL-MG), que confessou ter recebido R$ 103 mil do caixa 2 para sua campanha à prefeitura de Belo Horizonte em 2004, e Professor Luizinho (PT-SP), acusado de receber R$ 20 mil do esquema de pagamento de mesada a parlamentares em troca de apoio ao governo, supostamente operado pelo empresário mineiro Marcos Valério de Souza. Brandt alegou que este foi um delito menor e não se pode confundir decoro parlamentar com infração eleitoral. Luizinho culpou um assessor que, por conta própria, teria retirado o dinheiro para empregar na sua campanha de 2004.

O Conselho de Ética da Câmara havia recomendado a cassação de ambos. O plenário não concordou. Na votação do processo contra Roberto Brant, 283 deputados votaram pela absolvição e, pela cassação, 156. Oito se abstiveram e um votou em branco. Os processos serão arquivados. No processo contra o deputado Professor Luizinho, votaram pela absolvição 253 deputados e, pela cassação, 183. Abstiveram-se 10 parlamentares e houve três votos em branco. Antes de Luzinho e Brant, Romeu Queiroz (PTB-MG) e Sandro Mabel (PL-GO) já tinham se livrado da cassação.

Acordo - Órgão técnico da Casa, o Conselho de Ética foi ignorado em seu parecer. "Estamos de ‘ressaca’ e frustrados, porque acompanhamos o processo, enquanto que 80% dos deputados que estavam no julgamento não o conheciam. Eles não votaram na causa, mas na amizade", afirmou no dia seguinte o presidente do Conselho, Ricardo Izar (PTB-SP). Na avaliação dos conselheiros, haveria um "acordão" de reciprocidade para livrar os acusados da cassação.

Desde o início da crise política com as denúncias de corrupção, a Câmara cassou dois deputados, rejeitou o processo de quatro e ainda vai decidir o futuro de outros 11. Após a absolvição dos deputados Roberto Brant (PFL-GO) e Professor Luizinho (PT-SP), o plenário ainda tem quatro relatórios aprovados pelo Conselho de Ética.

Para ser cassado, um parlamentar responde a um processo disciplinar no Conselho de Ética, que poderá recomendar ou não a perda do mandato. O parecer do Conselho segue para o plenário, a quem cabe a decisão final. A votação é secreta e por meio de cédulas. Para a cassação ser confirmada, é necessário que 257 dos 513 deputados votem a favor da punição. O presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), marcou para esta quarta-feira 15 a votação dos processos contra os deputados Pedro Henry (PP-MT) e Pedro Corrêa (PP-PE).

 

Ajuda mútua para preservar mandato

 

"Porteira que passa bezerro passa boiada. A lógica agora é não cassar mais ninguém. Se caixa 2 não é crime, como cassar os outros?". A avaliação e afirmação do deputado João Caldas (PL-AL), da base aliada do governo federal, revelam o que poderá ocorrer com os nove parlamentares que aguardam julgamento na Câmara Federal por suposto envolvimento no esquema do "mensalão".

Os rumores de um acordo para salvar o mandato desses deputados, que já corriam pelos corredores do Congresso Nacional na quarta 8, dia em que foram absolvidos Roberto Brant e Professor Luizinho, foram reforçados nos dias seguintes por declarações parlamentares de pequeno e médio escalões. O petista Nilson Mourão (AC) confirmou que percorreu gabinetes da Câmara em busca de votos contra a cassação de seu colega de partido Professor Luizinho e também do oposicionista Brant. Colegas de Brant fizeram o mesmo.

Esta estratégia deverá se repetir durante o processo de votação de outros deputados acusados, em especial do ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha. O que pode alterar o resultado é a redução dos intervalos entre uma votação e outra - para esta quarta 15 estavam marcadas duas votações -, que mantém na lembrança o resultado anterior, ou a pressão popular.

 

Classe média reduz e fica mais pobre

 

Que a classe média brasileira havia encolhido, ninguém tinha dúvidas. A questão era quantificar essa redução. Agora já há luzes sobre o tema. Entre 1980 e 2000, sete milhões de pessoas perderam o emprego e seu padrão de vida. Em 1980, a classe média denominada não-proprietária ou assalariada representava 31,7% da população economicamente ativa nas grandes cidades. Duas décadas após, o percentual caiu para 21,7%. A diferença equivale a 10,1 milhões de trabalhadores e destes, sete milhões recuaram no estrato social do país e o restante passou a trabalhar por conta própria ou abriu uma empresa e, neste caso, se manteve na mesma classe ou até subiu.

Esses dados estão no livro Classe Média - desenvolvimento e crise, escrito pelo economista da Unicamp Marcio Pochmann em conjunto com os também economistas Alexandre Guerra, Ricardo Amorim e Ronnie Silva. A obra constata ainda o crescimento da desigualdade dentro da própria classe média e que as novas gerações têm mais dificuldades para manter os padrões dos pais.

Baseados em dados do IBGE, os pesquisadores concluem que o Brasil tem pouco mais de 15,4 milhões de famílias de classe média - ou 57,8 milhões de pessoas. Em valores de novembro de 2005, a renda familiar per capita desse segmento social variava de R$ 263 (1,7 salário mínimo) a R$ 2.928 (19,4 mínimos).

 

Itens pesam mais no orçamento familiar

 

O aumento de preços de itens como transporte e habitação está na origem do empobrecimento da classe média. Em 1987, a habitação respondia por 17,6% do consumo da classe média; em 2003 passou para 29,5%. O transporte saltou de 8,7% para 16,9%. Nesse mesmo período perderam espaço no orçamento familiar da classe média gastos com recreação e cultura. O consumo está levando a uma popularização do padrão de gastos.

 

MEIO AMBIENTE

EM BUSCA DA ÁGUA PERDIDA

Produzir e conservar a água deve ser preocupação de todos. Contudo, o agricultor pode participar com soluções simples, baratas e baseadas nos conhecimentos que possui de sua propriedade rural

 

O melhor amigo do campo é o agricultor. Esse é o princípio que rege a nova ótica de manutenção dos sistemas ambientais básicos. O agricultor dorme e acorda com a natureza. "Ele é o legítimo guardião da propriedade", defenderam os estudiosos mundiais na Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Rural, realizada pelas Nações Unidas em Porto Alegre, de 6 a 10.

A cultura de conservação do ambiente em todos os sentidos, desde a preservação dos mananciais até a coleta seletiva de resíduos, deve ser estimulada pelos órgãos oficiais do mundo inteiro, para que se tenha motivos para comemorar, em 22 de março, o Dia Internacional da Água.

O alarme sobre a importância e fragilidade da água no planeta já disparou há alguns anos. No mundo, 1,1 bilhão de pessoas não têm acesso a uma quantia mínima de água potável (5 litros), 2,6 bilhões não contam com quantidade suficiente do líquido (20 litros) e 2,4 bilhões não dispõem de rede de saneamento, segundo as Nações Unidas (ONU).

As cifras vergonhosas resultam em conseqüências dramáticas à humanidade. "Cinco milhões de pessoas, das quais três milhões de crianças, morrem a cada ano de doenças ligadas à água: uma criança a cada 10 segundos", afirma Jean Ziegler, observador especial da ONU.

Como, então, guardar mais água nos rios, deter e acumular por mais tempo as águas das chuvas, aumentar a diversidade de vegetais e animais no ambiente? E como aproveitar melhor as águas visíveis e subterrâneas? "Uma forma eficiente e inteligente de armazenar a água da chuva é construir um sistema de barreiras em todos os canais de drenagem de uma bacia hidrográfica", responde o especialista em organização rural Eugênio Giovenardi, em seu livro "O entorno das águas - preservação de nascentes".

Cabe ao agricultor familiar guardar as áreas do entorno de cursos d’água, que são as formações vegetais ribeirinhas e os animais que vivem nesse habitat. Os biólogos Ricardo Rodrigues e Hermógenes de Freitas Filho propõem algumas atividades para restaurar áreas ciliares degradadas. Entre elas, o isolamento da área, o afastamento dos fatores de degradação, a eliminação de espécies competidoras e a implantação de espécies atrativas à fauna.

A tarefa de reunir e conservar a água das chuvas na superfície começa com o mapeamento da área. Com ele, o produtor determina a extensão da bacia hidrográfica, a direção dos fluxos, a comunicação com os canais de drenagem, o volume de água, a vegetação existente e o tipo de solo."Com o mapa percebe-se as dificuldades e facilidades de acumulação e conservação das águas para melhor aproveitamento", observa Geovenardi.

O reflorestamento e a água é um casamento que dá certo. A reflorestação nativa fortalece as nascentes. A presença da água aumenta a umidade (fundamental para plantas e gramíneas), restabelece a vegetação nativa e árvores frutíferas, traz de volta pássaros, sapos, rãs, cobras etc, recompondo o equilíbrio natural.

Já o desequilíbrio, visível no Rio Grande do Sul, Estado em que 25 municípios decretaram emergência em função da estiagem, é causa de invasão de ratos, cobras e outros predadores em currais, galinheiros e até dentro de casa.

 

Conscientização muda destino de habitat

 

Admite-se que 60 mil espécies vegetais, das cerca de 250 mil existentes no planeta, correm o risco de extinção em menos de 20 anos, devido à destruição de seus habitats naturais. Neste contexto, as matas ciliares se estabelecem como importantes formações florestais a serem conservadas ou recuperadas.

O manejo e a recuperação de matas ciliares foram incluídos como uma das prioridades no Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), sobretudo pela importância que estas formações vegetais representam na conservação da biodiversidade e na manutenção do equilíbrio dos ecossistemas em todo planeta.

No Brasil, assim como na maioria dos países, a degradação das áreas ciliares sempre foi e continua sendo fruto da expansão desordenada das fronteiras agrícolas. A degradação dos ecossistemas ciliares é geralmente associada com a expansão da fronteira agrícola ou com práticas inadequadas, como descarga de sedimentos e águas superficiais, fragmentação, extrativismo. Atividades como exploração florestal, garimpo, construção de reservatórios, expansão de áreas urbanas e a poluição industrial têm grande contribuição na destruição histórica das formações ciliares.

Leis - A partir dos anos 90, foi observado grande aumento das iniciativas de restauração de áreas degradadas, principalmente nas ciliares. Este aumento deve-se a dois fatores: conscientização da sociedade e exigência legal. No Brasil, duas lei determinaram grandes mudanças nesse processo. O Código Florestal - Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, estabeleceu a zona ciliar como uma área de preservação permanente, ou seja, uma reserva ecológica que não pode sofrer qualquer alteração, devendo permanecer sua vegetação (floresta e outros) na condição original.

Mais recentemente, em 1991, a Lei de Política Agrícola - Lei nº 8.171 de 17 de janeiro de 1991, determinou a recuperação gradual das áreas de preservação permanente, estabelecendo um período de 30 anos para a recuperação da vegetação nativa nas áreas onde esta foi eliminada.

Carbono - Os Estados começam a olhar o florestamento e o reflorestamento da mata ciliar como um novo filão. A Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo pretende usar as matas ciliares para entrar no mercado de créditos de carbono, sistema previsto no Protocolo de Kyoto.

No Paraná, a Secretaria de Meio Ambiente do Estado quer usar o carbono para fomentar a recuperação no entorno de corpos d’água, como rios e lagos. O governo paranaense mantém o maior programa de replantio de mata ciliar do mundo - 90 milhões de mudas em 100 bacias hidrográficas. A Bahia também possui plano similar.

 

Barragem de pedra é sistema barato para obter água

 

Uma das técnicas que os conquistadores romanos levaram ao norte da África, às terras secas da Espanha e ao sul da França, para abastecer de água os exércitos e os colonizadores, foi o sistema de aquedutos, ainda existentes nesses países. As águas eram captadas em lugares altos e, por gravidade, conduzidas até as aglomerações urbanas, através de aquedutos de pedra. Uma das artes de captação de água era a represa em torno das nascentes ou jorros de água em forma de arco deitado.

No Brasil, algumas regiões têm nas chuvas sua única fonte de água. Se não coletadas, a população passa boa parte do ano com sérias dificuldades. O arco romano pode ser utilizado para represar águas da chuva em vales, córregos temporários e tornar perene as nascentes intermitentes (que apresenta interrupções).

O agricultor pode fazer uso de material, às vezes, abundante na propriedade: pedras. Para erguer o arco, deve-se escolher pedras semelhantes no tamanho, de acordo com a largura e profundidade do córrego ou grota (abertura na margem do rio ou terreno). É necessário ainda conhecer a quantidade de água que as chuvas trazem para definir o tamanho das pedras.

As pedras são assentadas de perfil, não deitadas nem jogadas a esmo. A posição de perfil permite apoiar umas nas outras, deixando pouco espaço para a filtragem da água. Nos pequenos vãos que ficam entre as pedras, encaixam-se cascalhos que servirão para deter os sedimentos, areia e folhas arrastadas pela enxurrada. A terra que a chuva traz vai tapando os buracos e consolidando a barreira, tão resistente quanto à feita de cimento e ferro.

 

Variedades nativas protegem da chuva

 

Entre as medidas baratas e eficazes para proteger nascentes e conter as águas da chuva, o especialista Eugênio Giovenardi recomenda aos agricultores o reflorestamento das bacias hidrográficas, com espécies nativas, e a recuperação dos rios, aumentando o volume de água em distintos pontos, melhorando os níveis de umidade, necessária ao reflorestamento e ao equilíbrio ambiental.

Outra dica de Giovenardi é a conservação e recuperação de áreas alagadas por meio de tratamento específico, pela importância das várzeas na determinação da qualidade das águas e a formação de pequenos reservatórios nos córregos tributários (que contribuem com o abastecimento de mananciais), impedindo a descida de material útil para a agricultura.

Além disso, o especialista em organização rural sugere o controle da erosão para diminuir o assoreamento dos rios, tratamentos de esgotos domésticos, recolhimento do lixo e classificação do material descartável; definição de áreas para acumulação de água e umidade e promoção da recuperação ambiental.

 

IGREJA

Mundo tem 1,098 bilhão de católicos

Dado revelado pelo novo Anuário Pontifício refere-se ao ano 2004

 

O número de católicos no mundo, no período de 2003 a 2004, aumentou em 12 milhões. O dado faz parte do Anuário Pontifício 2006, apresentado pelo cardeal secretário de Estado, Ângelo Sodano, ao Papa Bento XVI. No final de 2004 o total de católicos somava 1,098 bilhão. Conforme o Anuário, também aumentou o número de sacerdotes e seminaristas, sobretudo na Ásia e na África, mas é preocupante o declínio de vocações na Europa.

No período levado em consideração, os católicos no mundo passaram de 1,086 bilhão para 1,098 bilhão, com um incremento total de 12 milhões de fiéis e percentual correspondente a 1,1%. Confrontando esses dados com o crescimento da população mundial, no mesmo período (veja tabela), se observa que a presença relativa de católicos batizados diminuiu - passou de 17,2 fiéis a cada 100 habitantes do planeta em 2003, para 17,1 em 2004.

A tendência de crescimento no número de sacerdotes no mundo, verificada em 2003, prosseguiu também em 2004, com um acréscimo de 441 padres. O total passou de 405.450 para 405.891 sacerdotes, um terço dos quais religiosos e os restantes diocesanos. Houve grande incremento na Ásia e na África, onde o número de padres aumentou em 1.422 e 840, respectivamente, mas uma acentuada queda na Europa, que registra diminuição de 1.876 sacerdotes. Na América e na Oceania o quadro é praticamente estacionário.

Os candidatos ao sacerdócio, diocesanos e religiosos, passaram de 112.373 em 2003 para 113.044 em 2004. As vocações são mais numerosas na África e na Ásia, mas continuam em acentuado declínio na Europa. Conforme o Anuário, desde 1978 o número de diáconos permanentes continua aumentando em todo o mundo. Em 2004 eram 32.224. Sua presença é mais saliente na América do Norte e na Europa.

O Anuário Pontifício também ressalta que, no decorrer de 2005, foram criadas 15 novas sedes episcopais, uma sede metropolitana e uma administração apostólica. Durante o ano, foram nomeados 170 novos bispos. Outros números do Anuário serão dados a conhecer nos próximos dias.

 

Repressão religiosa reduz fiéis na Coréia

 

O arcebispo de Seul, Coréia do Sul, dom Nicholas Cheong Jin-suk, que no dia 24 de março será criado cardeal por Bento XVI junto com outros 14 prelados, voltou a denunciar a falta de liberdade religiosa na Coréia do Norte. Primeiro cardeal sul-coreano em 37 anos, dom Nicholas revela que o número de católicos na Coréia do Norte caiu de 55 mil, em 1948, quando as duas Coréias foram divididas, para menos de três mil. A população é de 22 milhões de habitantes. Há, no país, 58 igrejas católicas e cerca de uma centena de sacerdotes.

Dom Nicholas, 75 anos de idade e 37 de bispo, é administrador apostólico de Pyongyang, capital da Coréia do Norte, desde 1998, quando foi elevado à dignidade de arcebispo. Na Coréia do Sul, dos cerca de 48 milhões de habitantes, mais de quatro milhões são católicos.

 

A dor de saber

Padre Zezinho

As pessoas correm atrás de quem dá o espetáculo mais agradável

 

Muitos pais sofrem por saber! Sabem que seus filhos estão errados ouvindo mestres errados, seguindo idéias e costumes errados, a mando de alguém errado, crendo de jeito errado, ouvindo o pregador errado e não conseguem tirar seus filhos daquela gente e daquele caminho. Sentem que perderam a autoridade.

Muitos bispos e padres sofrem por saber. Sabem que aquela pregação é errada, aquele jeito de ensinar a fé é errado, aquele enfoque é errado, atrasou a Igreja, atrapalha o caminhar de toda a Igreja, mas não conseguem convencer os fiéis de que há caminhos melhores e mais sensatos do que o do pregador que andam seguindo. Sentem que perderam a autoridade.

Há os que se frustram. Há os que esperam enquanto continuam ensinando o que lhes parece correto. Granizo, tempestades e ondas costumam passar. Quando passa há muito o que refazer e consertar, mas sua paciência consegue.

O mundo sempre foi assim. As pessoas correm atrás de quem dá o espetáculo mais agradável e canta a melodia mais envolvente, mesmo se não são o que há de melhor nem o de melhor conteúdo.

Quem estiver perdendo os filhos ou os fiéis examine-se. Se errou peça perdão. Se acha que fez e fez o certo, confie. Se o Reino de Deus é o que deve ser, se o amor é o que deve ser, você sobreviverá. A onda leva uns anos, mas passa. Com ela os que surfavam. Quando as câmeras e as barracas forem embora, eles irão juntos. Ficarão os que gostam do mar e não apenas daquele vento, daquelas ondas e daquela estação. Vencerão os pais pacientes!

 

Ordem reflete sobre justiça e paz

Capuchinhos buscam uma resposta franciscana aos desafios da pobreza

 

Iniciou nesta segunda 13 e se estende até sábado, 18 de março, em Porto Alegre (RS), o Encontro Internacional de Justiça, Paz e Ecologia da Ordem dos Frades Capuchinhos. Participam do encontro, além do ministro geral frei John Corriveau, cerca de 60 frades delegados, provenientes de todas as conferências da Ordem. O evento aborda o tema "Fraternidade evangélica, justiça econômica e combate à pobreza".

Cinco especialistas aprofundam o tema. Dom Orlando Dotti, bispo capuchinho gaúcho, apresentou, na terça, uma leitura dos problemas e desafios da justiça econômica e do combate à pobreza à luz da Doutrina Social da Igreja; e frei Yves Soudan, franciscano, tratou dos problemas da pobreza e da justiça econômica do ponto de vista dos direitos humanos. Na segunda-feira o jesuíta padre Inácio Neutzling tratou sobre mecanismos geradores da pobreza e da miséria e João Pedro Stédile, do MST, abordou a questão das estruturas que geram a pobreza e a miséria.

Nesta quarta, frei Prudente Nery, capuchinho de Minas Gerais, fala sobre o tema "Por uma resposta franciscano-capuchinha aos desafios da pobreza e da justiça econômica". No dia 16, debates em grupos e em plenário giram em torno dos desafios e formas concretas de compromisso da fraternidade capuchinha. Na sexta-feira será apresentado o esboço de uma carta com indicações concretas para toda Ordem e palestra com o ministro geral. O encontro encerra com aprovação da carta e missa presidida por frei John Corriveau. Haverá também apresentações de testemunhos sobre formas de vida e de atividade que possam servir como perspectiva para o futuro da Ordem.

"Com o encontro de Porto Alegre encerra uma trilogia de congressos internacionais sobre justiça e paz iniciados em 2004 em Adis-Abeba, Etiópia", salienta frei Wilson Dallagnol, da equipe de coordenação. Na Etiópia, os participantes refletiram sobre "Fraternidade evangélica num mundo multiétnico". No segundo encontro, em Noga Huta, Indonésia, em 2005, o tema foi "Diálogo inter-religioso no contexto do desencadear-se dos fundamentalismos".

 

Sejupe anima ações capuchinhas globais

 

O encontro que está sendo realizado pelos capuchinhos em Porto Alegre é organizado pelo Serviço Internacional de Justiça, Paz e Ecologia (Sejupe). A tarefa da entidade é ajudar o ministro geral e seu definitório no trabalho de evangelização da fraternidade internacional com a animação das atividades das conferências e províncias nas áreas da justiça, da paz e do meio ambiente.

O Sejupe tem à frente os freis Tewelde Beyene (diretor), da província da Eritréia, e David Couturier, da província de Nova York, um dos diretores do Franciscans International. Frei Tewelde coordena os compromissos dos capuchinhos em relação à justiça, paz e ecologia. Frei David faz a ligação com o trabalho do Franciscans International, serviço mundial comum dos franciscanos nas Nações Unidas, e de ONGs às quais estão associados ou colaboram.

 

Por que ir à igreja?

Aldo Colombo

Aquilo que celebramos nos ritos litúrgicos do domingo deve orientar nossas atitudes ao longo da semana

 

Escrevendo para a seção Cartas de um importante jornal, um freqüentador de igreja reclamou que não faz sentido ir à igreja todos os domingos. "Eu tenho ido à igreja ao longo de 30 anos", informou ele "e durante este tempo devo ter ouvido uns 3.000 sermões". Com um pouco de boa vontade, admite que alguns foram um pouco melhores, "mas – por minha vida - não consigo me lembrar de nenhum deles". Baseado em sua experiência, ele garante que os padres e pastores estão perdendo tempo com os sermões.

A carta iniciou uma grande polêmica. Uns apoiaram seu ponto de vista, outros disseram lembrar de algumas frases de sermões ouvidos há muito tempo. Determinados leitores citaram nomes de bons e maus pregadores. Durante muitas semanas, as cartas continuaram chegando.

Uma carta, considerada magistral, colocou um ponto final ao tema: "Estou casado há 30 anos. Durante este tempo, minha esposa deve ter cozinhado umas 32 mil refeições. Mas – por minha vida – eu não consigo lembrar o cardápio de nenhuma dessas 32.000 refeições". E continuou: "Lembro apenas que algumas dessas refeições foram melhores que as outras... Mas uma coisa é definitiva: todas elas me nutriram e me deram a força para que eu pudesse fazer o meu trabalho. Se minha esposa não tivesse me dado essas refeições, eu estaria fisicamente morto". E concluiu: "Da mesma maneira, se eu não tivesse ido à igreja para alimentar minha fome espiritual, a anemia espiritual teria tomado conta e eu teria morrido".

Por que vamos à igreja, por que rezamos? As respostas são muitas. Uns, à maneira de mendigos, vivem pedindo coisas a Deus. E, à semelhança de mendigos ingratos, esquecem de agradecer. Outros rezam com o objetivo de mudar a vontade de Deus. Imaginam que eles saberiam qual a melhor solução. Há também os burocratas na oração: fazem suas preces como se fossem tarefas.

Uma visão mais ampla nos diz que a oração é tão necessária à alma quanto a respiração para o corpo. É a maneira de estar face a face com Deus e este encontro – diário e semanal – acaba iluminando toda a realidade. Os crentes buscam entender qual a vontade de Deus para depois, eles mesmos, realizá-la. Aquilo que celebramos no domingo devemos fazer acontecer durante a semana; aquilo que celebramos nos ritos litúrgicos, deve orientar nossas atitudes ao longo da semana.

O documento de Puebla lembra a dupla tarefa do leigo: "Ser mundo no coração da Igreja e ser Igreja no coração do mundo". O fiel leva para o templo suas inquietações e as inquietações da sociedade e, depois, leva para o dia-a-dia o ensinamento do Mestre.

Em relação ao sermão, a experiência diz que deve ser breve, sem moralismos, compreensível a todos, se possível, iluminado com algum fato e que fale de Jesus. O sermão deve ser uma ponte entre o Evangelho e a vida da comunidade. E que se revista da ternura do Mestre.

 

Josefinos celebram jubileu religioso

Irmãos festejam 50 anos de votos perpétuos no dia 19 de março

 

A Congregação dos Josefinos de Murialdo celebra o jubileu de ouro de profissão perpétua dos irmãos Augusto Rossi e Valdomiro Tadiello. A missa de ação de graças será realizada no dia 19 de março, festa litúrgica de São José, às 10h30, na igreja matriz de São Leonardo Murialdo, em Caxias do Sul. Após, confrades, familiares e convidados confraternizam no salão paroquial.

Irmão Augusto, filho de João Baptista e Maria Madalosso Rossi, nasceu no dia 1º de dezembro de 1928 na 5ª Légua, Galópolis, Caxias do Sul. Ingressou no seminário josefino em 1941. Emitiu os primeiros votos religiosos em 1950. Atuou em Caxias do Sul, Porto Alegre e em Araranguá (SC), onde por 27 anos foi professor e administrador do Colégio Murialdo e, de 1999 a 2005, atuou como ministro extraordinário da Eucaristia. Atualmente reside na casa provincial em Caxias do Sul, como arquivista da província.

Irmão Valdomiro nasceu aos 16 de março de 1932 em Otávio Rocha, Flores da Cunha, filho de Genuíno e Regina Marcon Tadiello. Cursou filosofia em São Leopoldo e teologia em Viterbo, Itália. Atuou como professor, educador e diretor em Caxias do Sul e Araranguá. Em 1985, quando era diretor do Centro Técnico Social, em Caxias, foi acometido por uma doença que o deixou em cadeira de rodas. Permaneceu no Centro Técnico até 2003. Reside na comunidade do noviciado josefino e se dedica à leitura, oração e tradução de textos.

 

Ordenação diaconal em Santo Expedito

 

Alvise Natal Garbin, da paróquia Santo Expedito (Santo Expedito do Sul - RS), será ordenado diácono no dia 25 de março. A cerimônia será realizada às 10 horas, na comunidade do Divino. Alvise escolheu como lema de ordenação o lema da CF-2006 - "Levanta-te e vem para o meio". Já atuou como professor, catequista, ministro da Palavra, da Eucaristia, do Batismo e do Matrimônio, além de coordenar cursos e atividades de formação de lideranças.

Natural de Ibiraiaras, 70 anos, filho de João e Lúcia Marchetti Garbin, Alvise é viúvo de Maria Biachin Garbin e tem seis filhos. Cursou teologia no Itepa e realizou o Curso de Teologia a Distância, promovido pelo Correio Riograndense, do qual é assinante, e pela Estef. Atualmente é membro do Conselho Missionário Diocesano (Comidi) da diocese de Vacaria.

 

Estef abre curso de teologia para leigos

 

Estão abertas até o dia 25 de março as inscrições para o Curso Vespertino de Teologia para Leigos, promovido pela Estef, de Porto Alegre. O curso tem aulas às terças, quartas e quintas-feiras, sempre à noite. De 28 de março a 30 de maio, sempre às terças, a disciplina é sobre os Atos dos Apóstolos. Nas quartas-feiras, de 29 de março a 31 de maio, a disciplina é Pneumatologia; e nas quintas, de 30 de março a 8 de junho, as aulas são sobre Sacramentos. Informações e inscrições, de segunda a sexta-feira, pelo telefone/fax (51) 3217.4567. Podem se inscrever pessoas com o segundo grau completo ou graduados. Diariamente, a Estef promove cursos de teologia popular, seminários e palestras.

 

Entidades promovem seminário sobre água

 

As dioceses de Frederico Westphalen, Erechim, Passo Fundo, Vacaria, Lages, Joaçaba e Chapecó, juntamente com a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, promovem, dias 21 e 22 de março, em Palmitos (SC), seminário sobre água e energia. O evento pretende mostrar a problemática da água na região e da construção de hidrelétricas na bacia do rio Uruguai.

 

Tempo de confusão

Wilson João

Uma educação sem trilhos só causa desastres. Na formação é preciso criar marcos, estender trilhos e traçar uma direção

 

É normal que em tempos de mudanças radicais se crie um clima de confusão: medos, ansiedades, indefinições, variedade de opiniões. Tudo isso vai criando o "não sei o que fazer..." "já não se sabe o que é certo e o que é errado".

EXISTE A CONFUSÃO FAMILIAR. Já não se namora e nem se casa como nos tempos passados. A estabilidade da família está sacudida. Pequenos motivos se tornam causas de grandes confusões e decisões. O egoísmo e a mentalidade da facilidade e do prazer não aceitam mais sacrifício e doação. E não há amor familiar e nem relacionamento a dois sem a presença do sacrifício e do "esquecer-se e tomar a cruz".

EXISTE A CONFUSÃO EDUCACIONAL. Devo ou não devo exigir? Qual o caminho da educação? O que é certo ou errado em educação? Diante do não saber o que fazer e como fazer, muitas pessoas, pais e mães, se omitem e deixam o mundo rolar. Uma educação sem trilhos só causa desastres. É preciso marcos, trilhos e direção. Em educação é preciso ir respondendo à pergunta: onde quero chegar com minha vida, com a vida dos filhos e dos alunos?

EXISTE A CONFUSÃO SOCIAL. É certo trocar o dia pela noite, tanto para o trabalho como para a diversão? Como criar um clima de sociedade mais solidária e fraterna nesta realidade de mentiras, corrupção e roubalheiras?

EXISTE UMA CONFUSÃO RELIGIOSA. Nas confusões sempre há aproveitadores. Tanto em política como nos negócios, e muito mais no mundo religioso. Deus deve estar dizendo para si: "Não! Não é isso que eu quero! Eu só quero que vivam o mandamento do amor! Por que tanta exploração um do outro?" Deus deve dar gargalhadas de nossas besteiras religiosas e, acima de tudo, da facilidade de nos deixarmos enganar por mentirosos profissionais a respeito da Palavra de Deus e do destino da pessoa humana.

QUAL O CRITÉRIO PARA SAIR DA CONFUSÃO? É fácil. É escutar o coração. É escutar a vida. É escutar as leis da natureza de nosso corpo, mente e espírito. É muito fácil! É viver e morrer sem sentido. Sabendo a direção e o ponto de chegada. É colocar a vida como critério. O que leva a mais vida está valendo. O que promove o cuidado com a vida e o gosto de viver é religião, é educação, é política e é caminho certo para a realização humana.

 

Caxiense que atua na pastoral da mulher recebe homenagem

Thereza Gollo foi distinguida com o troféu Ana Terra

 

O governador em exercício Antonio Hohlfeldt entregou, no dia 8 de março, durante cerimônia realizada no Palácio Piratini, em Porto Alegre, o troféu Ana Terra. A homenagem foi prestada a 24 mulheres gaúchas pelo governo do Estado e pela Coordenadoria Estadual da Mulher, por ocasião do Dia Internacional da Mulher. As agraciadas com a distinção são mulheres que se destacam pelo trabalho voluntário, muitas vezes anônimo, nas áreas da educação, da saúde, na geração de trabalho e renda, na cultura, na política, nas pastorais, proporcionando melhores condições de vida e inclusão social.

Entre as agraciadas com o troféu está a caxiense Thereza Domingas Gollo, 80 anos, coordenadora da Pastoral da Dignidade da Mulher da diocese de Caxias do Sul. As homenageadas foram escolhidas pelas 24 unidades do Conselho Regional de Desenvolvimento (Corede) no Rio Grande do Sul.

Therezinha dedica-se há 40 anos ao atendimento dos excluídos, em situação de vulnerabilidade social. Prestando serviço voluntário como comissária de menores, mudou o destino de muitos meninos e meninas de rua, transformando-os em cidadãos. Como integrante da Pastoral da Mulher Prostituída, deflagrou a Campanha pelo Combate ao Tráfico de Seres Humanos quando foi denunciada a rede de tráfico nacional e internacional de meninas e mulheres para exploração sexual comercial.

Também atua na reabilitação dos presos, especialmente dos que são abandonados nas prisões, esquecidos pelos familiares, injustiçados. Trata menores de rua, prostitutas, presos, marginalizados como verdadeiros filhos e irmãos, dando a todos carinho, amor e atenção.

O troféu Ana Terra, referência à personagem do livro O Tempo e o Vento, do escritor gaúcho Érico Veríssimo, foi instituído em março do ano passado. Das mulheres homenageadas nesta segunda edição também se destacam a prefeita de Muitos Capões, Mara Valmorbida Barcellos; Silvia Zorzanello, de Gramado; Naura Bordignon, de Marau; Ilda Maria Wiltgen Ost, de Bom Princípio e Ivone Tagliari Opitz, de Erechim.

 

Prêmio Dom Helder Câmara de Imprensa

 

Será entregue no dia 11 de maio, durante a 44ª Assembléia Geral da CNBB, o prêmio Dom Helder Câmara de Imprensa. Distinção é oferecida pela CNBB. Em 2006 o tema abordado é "Os Mídia: rede de comunicação, comunhão e cooperação". Serão premiadas instituições ou pessoas que tenham publicado texto conforme esse tema. Matérias devem ser enviadas até 3 de abril para: Prêmio Dom Helder Câmara de Imprensa - Asses. de Imprensa da CNBB, SES - Quadra 801, Conjunto "B", cep 70401-900 Brasília - DF. Informações: (61) 2103-8313 e-mail: imprensa@cnbb.org.br

 

Porto Alegre realiza curso para catequista

 

A partir de 2010 todas as dioceses do Brasil deverão adotar o Ministério do Catequista. Para se adequar a essa orientação, a arquidiocese de Porto Alegre vai realizar o Curso Básico para Formação de Catequistas, nas paróquias São João e Pão dos Pobres. O programa de formação terá três módulos - A catequese na missão evangelizadora da Igreja; Catequese, mensagem e conteúdo; e Catequese como educação da fé. Para os que participam de todos os módulos será conferido o Ministério da Catequese. Informações sobre datas e horários pelos telefones (51) 332.4270 ou 3228.3604.

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

O italiano que está em você

Anna Canei De Paris

Bento Gonçalves-RS

 

Anna, filha de Giuseppe Canei e Tereza Ross, neta de Antônio Canei e Anna Deboni e de Andrea Ross e Tereza Luchese, com 96 anos, recorda:

 

"Fui registrada em Nova Sardegna, distrito de Caxias do Sul. Desde menina, aprendi a fazer polenta na caliera, pendurada na corrente do fogolaro. Se fazia ou só polenta ou só minestra, porque na corrente só cabia uma panela. ‘Quando se bustolea polenta te la gradela, se cosinea i ovi te na pignata picada te la cadena. Na feta de polenta cadauno e medo ovo. Dele volte se spartia un ovo in quatro persone.

In colònia se tolea su i pissacan con un tocheto de radisa, e se li parecea con la panseta rostida e aseo, par magnar con la polenta. Formai se lo gavea sempre; salame solo quando se copea porchi. Polenta la ze na gràssia: "Benedeta la polenta / che la ze na bela signora / chi la fa s’inamora / e chi la magna se contenta. / Benedeta la polenta!"

Son ndada scola tre ani. Levar su bonora, far i laori, dopo via a scola. Go imparà leder, scriver e far conte, a mente, parché se scrivea te la piera, e carta no ghenera. Tel esame, cadauno portea na foia de carta con le righe . Mi son stada pegra a far la dressa, e me ga tocà ciapar la mula e via a galopo a la véndita cambiar la dressa par carta co le righe.’

Fiz o exame e passei. A examinadora veio de Porto Alegre, com sua mãe. Gostou da minha letra. Estudei até o 2º livro, porque a mãe caiu da mula e quebrou o braço e eu, com 12 anos, assumi o serviço da casa. Um dia, com saudades, fui levar figos à professora, e a mãe dela me recebeu com carinho, me disse que eu era muito inteligente e me ensinou a fazer crochê. Aprendi bem, fiz blusas, saias, toalhas e colchas. Ela foi minha madrinha de crisma e bordou os lençóis do meu casamento, que ainda conservo.

Com cinco anos, quando a mãe tirava leite ou fazia a polenta me ensinava orações em talian. À missa íamos quando havia. No domingo à tarde, íamos ao terço, as moças em grupo. Se saísse à noite, a mãe ia junto. ‘Se vendea dressa, ovi, galine par comprar café, sùchero, sal, fil... Col tempo son restada furba. Me go slevà na vaca, go imparà far formaio, butiro e puìna, e i parenti dela Cantina Salton i comprea tuto, parché zera roba bona.’

Quando Romano De Paris, meu único namorado, veio falar comigo, eu vestia saia, com casaquinho azul de crochê, feito por mim. Ele disse que nunca viu moça tão bonita. Eu tinha cabelos compridos, como minha mãe, que me ensinou a conservá-los bonitos. Romano serviu 23 meses em Jaguarão-RS (1930-31). Ele me escrevia lindas cartas e se recordava do conselho do padre Antônio Zattera: "Não escuta os amigos, lembra que aqui tens a noiva, moça de família, que te ama muito." Quando voltou, fiquei muito feliz. Minha sogra chorou ao vê-lo! ‘La ga dassà cascar i ovi che la gavea te la traversa.’ Em 1935, casamos e fomos morar com a sogra, onde havia três irmãos casados, e os filhos. Meu sogro pensava que o Romano não voltaria, por isso ficamos com pouca terra. O padre Zattera abençoou nosso casamento. Eu trabalhava muito na casa do sogro. Com a máquina que comprei com a venda de queijo, eu costurava para as 22 pessoas das quatro famílias. Eu e o Romano tivemos cinco filhos e duas filhas, ele adorava as crianças, ensinava-as a rezar e cantar... Era bonito ouvi-los falar e rezar e vê-los caminhar e ir à escola... Os cunhados foram para Ilópolis e Guaporé, no Rio Grande do Sul, e nas terras novas de Santa Catarina e Paraná, mas o Romano dizia: "Nós ficamos em Bento, que é lugar de futuro, nossos filhos precisam estudar."

Sou feliz, pois meus filhos, netos e bisnetos estão bem e me querem muito bem. Cuidei de meu marido na longa enfermidade, com coragem e fé, porque sem Deus e sem trabalhar não se chega a nada. "In Itàlia, i nostri i era così póveri che, quando i soldati passea, i toseti i ndea smissiar te la buassa dei cavai inserca de grani de mìlio par magnar. El gran sogno l’era vegner in Mèrica par no passar fame e ver el so querto, e esser sul suo" (e-mail glacioliveira@aol.com).

Anna é o ícone da Itália emigrada, e da América sonhada! (Rovílio Costa)

 

EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (351)

Un vero maestro dela cultura dei migranti taliani

SILVINO SANTIN

Santa Maria (RS)

 

(Retomada do texto de Silvino Santin, interrompido na edição de 19 de outubro de 2005, a partir do critério de alternância adotado pelo jornal).

 

Come go pena finio de dirla, la stòria dela patatina de oro la ze stà longa, fursi pi de una ora. La patatina de oro sempre in man dela Gelina. E tuti i volea saver ben polito come la gera capità, ma Nanetto, a ogni domanda, se ocorea, el ripetea tuto sensa stufarse, el volea che tuto restesse ben ciaro, sensa dùbio, par tuti, pìcoli e grandi.

Due mesi dopo de Nanetto esser ritornà, sempre de note, dopo sena, le stòrie le vegnea fora contae fin diese volte. Ma bisogna anca no smentergarse de dir su la corona, dopo dei tosatei ver fato tuti i doveri de scola, che no li gavea fati dopo el disnar, intanto che el pupà e i pi veci i dormea un poco, come i costumea in quei tempi.

Tuto pronto, secondo le òrdine dela Catina, Nanetto el se metea a posto, i tosatei atorno, i pi grandi un poco pi distante, e el scomissiea parlar sensa fermarse, sol quando i ghe dimandea qualche spiegassion pi ciara. Par lu no la finiria mai, ma bisogna fermarse par lassàrghene par el di drio, anca parché se gavea de laorar e i tosatei gavea de ndar a scola bonora.

I fioi de Àndolo, a scola, i ga scomissià contarghe le stòrie del viaio de Nanetto. I so compagni, che i gera visini, quando le note le gera de ciaro de luna, i ndea scoltar Nanetto a casa sua. E, cossita, sempre che rivea gente nova, el scomissiea tuto nantra volta, e sempre par la stòria dela patatina de oro. Ma anca tuti i volea saver come che la gera sta Quarta Colònia, che no i gavea mai sentio dir.

Tanto se parlea in scola de sto viaio de Nanetto che le due maestre le volea menar tuta la scola scoltar Nanetto, podaria esser un sabo de matina. Ma dopo tanto pensar, le ga risolvesto che’l meio saria invitar Nanetto a vegner in scola. I tosatei de Àndolo i ghe ga portà el invito, sotoscrito dale due maestre.

Figureve, adesso, se sì boni, maginàrsela come Nanetto el ze restà sgionfo de pròsia. Là in tela stala, dopo molà le vache, lu sol el ga scomissià insaiarse, el alsea la testa, el proea cambiar de caminar, el vardea de su in zo, come se’l fusse diventà pi grando che i altri. Le ga proae tute, ma là par le tante, el se ga dito, go idea che son drio diventar un simioto, bisogna che reste come mi son, son sicuro che l’è par quel che i me vol ben. E Nanetto el se ga fermà de far sesti e ritornar a esser el Nanetto de sempre.

Nel giorno marcà par le maestre, un sabo de matina, Nanetto l’è rivà a scola giusto a ora, poco dopo, dele maestre ver reunio tuti i scolari. Nanetto el gavea metesto su la so fatiota de casimira, romai la gavea imprimada in tela festa del ua, le scarpe nove e la camisa de tricolina. Prima de ndar rento, el se cava el capel, el mete in scarsela la pipa, el ghe dise un bon giorno, el ghe dà la man a le due maestre, e el se mete impié là davanti.

Sta olta Nanetto el lassa el fiol pi vècio de Àndolo e fradel de la Gelina, presentarlo. Finio la presentassion, Nanetto, come tanti la spetea, no’l scomìssia mia par la patatina de oro. Prima, come la faria un bon professor, el ghe dimanda cossa che i savea sora la Quarta Colònia, parché, el ghe dise, prima bisogna saver cossa che la ze, par dopo contarve el me viaio.

Par dirla come la ze, tuti i savea de poco o gnente, fin le maestre le savea pròpio poco. E lora Nanetto el ga scomissià dirghe che la Quarta Colònia i la ciama cossì parché ghin ze altre tre colònie taliane, che le ze Garibaldi, Bento Gonçalves e Caxias. Dopo el ghe ga dito che i taliani dela Quarta Colònia i ze compagni de quei dele altre colònie. I medèsimi nomi, cognomi, santi de cesa, la Madona, el magnar e tante altre robe. La diferensa più granda la ze in torno el progresso, là, el dise Nanetto, i se ga fermà, pararia che i ze restai stufi.

Mi sò, el discore Nanetto, che valtri volì saver, con pi curiosità, el me viaio. Prima bisogna che ve diga che mi go cognossesto solche un tocheto dela Quarta Colònia, ma Giulieto, par quel che mi sò, el vol menarme insieme nantra volta. E le stòrie de Nanetto le ga sevità fin passà mesdì, tuti atenti fando dimande sora dimande.

Par finirla, figureve, nantra volta, che belessa veder Nanetto far el maestro. Chi che la gavaria pensada? Ma go paura, che el giorno de incó, come el disaria Giuleto, ghe saria tanti taliani che i gavaria de bisogno de ricognosser che Nanetto l’è un vero maestro dela cultura dei migranti taliani.

 

VITA STÒRIA E FRÒTOLE

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

La ombrela in fondo el rio

Giudith Binotto

Santa Maria - RS

 

In te le colònie taliane, nei primi tempi, tuti i dovea, a le doméneghe, ndar a messa. E in quel tempo, le messe le gera solche a la matina. No se parlea de messa, gnanca par remèdio, dopo mesdì.

In te le capele, quando la ndea ben, se gavea messa una olta al mese, e squasi sempre in te un di de setimana, manco quando gera festa del santo del posto. Mi stea darente un paeseto, Protásio Alves, che de tanto tempo l’era diventà paròchia. Là tuti i gavea el costume de ndar a messa de doménega. Ghenera due, una pi bonoreta, nantra pi rente el mesogiorno, parché tuti i podesse ndar, anca quei che i stea pi dis-tanteto. Dopo messa, tanta gente i restea tuto el di in paese, e i ritornava casa sol rente sera. Dopo disnà, i òmeni e giugava le carte o le boce, dele volte, dopo ver bevesto bei biceroti de vin, i cantea o i giughea la mora. Nantri tosatei ndeino a la dotrina, e dopo se giugava in piassa. Le done le ciacolea e le rincurea i tosatei pi picoleti. Là par le quatro ore, racoanti i ndava ciapar la benedission del Santìsssimo, quando se cantea le litànie e se disea su la corona.

Nantri, par rivar in paeseto, ne tochea passar sora un pontesel streto, i brasiliani i ghe ciama de pinghela. E l’è qua che la stòria dela ombrela la scomìssia.

El zio Luigi, fradel del pupà, el gera un scapolon meso vecioto e un poco strambo, ma un bon e brao omo, e come no’l gavea ndove star, l’è vegnesto star co noantri. Come là casa sempre feino, a le doméneghe ndeino a messa, anca lu, de volontieri, el ndava. In te una de queste doméneghe, come el tempo el gera de piova, el zio Luigi el se ga tolto su la so ombrela. Rente sera, quando romai noantri gèrimo rivai casa, lu el ritorna, medo alteto par via del vin, che’l ghe piasea tanto, ma sensa la so ombrela. Nantri, so neodi, gèrimo na meda dùsia, e medi sbirbi come tuti i tosatei, ghe gavemo suito dimandà: zio, e la ombrela, ndove la gavì assà? Lu no’l ne ga dato risposta, e l’è ndà drito dormir. Sicuro, el vin, che de le volte el ghe piasea fin massa, lo ga assà con sono.

El di drio, quando mi e me fradei, par ndar a scola, semo passai sora el pontesel, ghemo visto la ombrela del zio Luigi do in fondo l’aqua. Par un bon tempo, là casa no se parlea pi sora ombrele, sinò el zio el ndea suito dormir, anca sensa vin.

Questa stòria la ga sucedesto a Protásio Alves, quando l’era ancora um paeseto de Alfredo Chaves, là pal ano de 1915.

(Testo de Silvino Santin, stòria contada par Giudith Binotto nel corso de Talian dela Associassione Italiana de Santa Maria, 2003).

 

GERAL

Municípios têm até outubro para elaborar estatuto

Lei afeta 1/5 das prefeituras gaúchas

 

Os municípios com mais de 20 mil habitantes têm prazo até 9 de outubro deste ano para se adequar à Lei federal 10.257, mais conhecida como Estatuto das Cidades, que passará a vigorar a partir desta data. O alerta foi feito aos cerca de 180 prefeitos que participaram do Seminário Desenvolvimento e Organização Urbana Municipal, ocorrido em Caxias do Sul (RS).

No Rio Grande do Sul, 101 dos 496 municípios devem elaborar seu plano diretor para cumprir com a lei. Os municípios com mais de 20 mil habitantes que já possuem plano diretor devem revê-lo para ver se estão dentro dos incisos da nova legislação. O prazo para promover a revisão é de 10 anos.

O presidente da Famurs, Mauri Heinrich, acredita que os municípios não terão dificuldades para se adequar à nova legislação. Levantamento da entidade revelou que mais de 90% já elaboraram seu plano diretor. A Famurs orienta todos os municípios a elaborar seu plano diretor e não somente os que possuem mais de 20 mil habitantes. "O plano visa a melhor execução das políticas urbanas, buscando a ordenação e controle do solo urbano", afirma Heinrich.

 

Cidades querem reduzir custo de aterro sanitário

 

Propor ao governo federal que busque recursos para fazer aterros sanitários através de consórcios municipais. Esta é a solução apontada pela Famurs para os altos custos que os municípios estão tendo para manter os aterros sanitários. O tema foi levantado no início deste mês e volta a ser tratado no Seminário Nacional de Resíduos Sólidos, que abre nesta quina 15 em Pelotas e vai até o próximo dia 18.

De acordo com o consultor da área de meio ambiente da Famurs, Valtemir Goldmeier, o custo mensal de um aterro, incluindo gasto com pessoal manutenção e equipamentos, chega a R$ 40 mil.

 

Joinville recebe educadores ambientais de 30 nações

Congresso debate sustentabilidade e ocorre em abril

 

Representantes de 30 países estarão no V Congresso Ibero-Americano de Educação Ambiental que ocorrerá de 5 a 8 de abril em Joinville, Santa Catarina. Para a apresentação de painéis, há 1.538 trabalhos inscritos. O evento é realizado pelos ministérios da Educação e do Meio Ambiente.

O congresso será uma oportunidade para o debate da Década das Nações Unidas da Educação para o Desenvolvimento Sustentável e de pontos relacionados à educação ambiental para a sustentabilidade do planeta. Nos dias 4 e 5, os especialistas que participaram da construção do Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global na Eco 92 vão debater os principais pontos do documento.

Durante o evento realizam-se três grandes conferências com especialistas nacionais e internacionais, 13 mesas redondas e mais de 55 espaços de interação, como minicursos, oficinas e grupos de trabalho coordenados por profissionais de destaque no contexto Ibero-americano da Educação Ambiental.

Feira - Paralelamente ao congresso será montada a Feira de Tecnologias Ambientais e de Experiências de Economia Solidária Rumo à Sustentabilidade, espaço destinado às organizações que integram o movimento da Economia Solidária no contexto Ibero-americano e valoriza alternativas de sustentabilidade na relação produção-consumo.

Será também um lugar para conhecer as tecnologias ambientalmente sustentáveis, facilitando o intercâmbio de experiências entre essas iniciativas e as propostas do movimento da Economia Solidária, a exemplo do que ocorre em Santa Maria. Informações, consulte a página www.5iberoea.org.br