
DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 4.982 - Ano 98 - Caxias do Sul-RS, 5 de abril de 2006.
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Eleitor deve se preparar para o grande julgamento
Um filtro crítico ajudará a escolher os melhores candidatos. Já está na hora de adotá-lo
Em menos de seis meses os brasileiros voltam às urnas para escolher presidente da República, governadores, deputados estaduais e federais e senadores. E esta não será uma eleição comum - embora todos os pleitos tenham passado para a história com pelo menos algumas peculiaridades.
A tendência é de que a campanha para o Planalto sirva de palco para dar seqüência aos desdobramentos dos escândalos que começaram a espocar em maio do ano passado. Denúncias e acusações ganharão espaço entre os binômios marcantes da disputa, que no auge do seu calor poderá se desviar dos princípios básicos que deveriam norteá-la. Esta é uma projeção de importantes cientistas políticos, com boas possibilidades de se tornar realidade.
Desde o surgimento do "mensalão" muita coisa mudou neste país. Mas não o suficiente para fazer desse nefasto episódio um marco para o fim da impunidade, da mentira, da corrupção, do abuso de poder e até da crítica destrutiva e inconseqüente. Houve cassações de três dos 19 parlamentares denunciados, a queda do alto comando do Partido dos Trabalhadores e de ministros que estavam no cordão mais próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - portanto, do poder. Isso, no entanto, para a opinião pública, é muito pouco para se fazer justiça.
É até possível que entre os mais de 100 denunciados no relatório da CPI dos Correios haja novas punições; que outros trabalhos de investigação apontem culpados e forneçam munição para condenações. Ninguém tem dúvidas, porém, de que se perdeu um grande momento para passar o país a limpo, para impor a necessária transparência às ações políticas.
Contrariando expectativas, falou mais alto, pelo menos até agora, o interesse corporativo, origem de acordos de proteção mútua. O eleitor brasileiro terá uma nova oportunidade de julgamento nas eleições de outubro próximo. É preciso, para isso, começar a adotar critérios em relação a candidatos, ignorando aparências e usando o filtro crítico para discursos e promessas. Através das urnas ainda se pode fazer justiça.
Isidoro Zorzi assume UCS dia 2
Reitor eleito por 88% dos votos terá como vice José Carlos Avino
O sociólogo Isidoro Zorzi, 63 anos, assume dia 2 de maio como reitor da Universidade de Caxias do Sul (UCS). Eleito por oito dos nove integrantes do Conselho Diretor (Liane Beatriz Moretto Ribeiro, atual vice-reitora, teve um voto), Zorzi sucederá Luiz Antonio Rizzon e terá como vice-reitor o administrador José Carlos Avino, 65 anos - escolhido por seis conselheiros (Jaime Paviani ganhou três votos).
O resultado (8x1), incomum nas últimas eleições, reflete articulações concretizadas entre os representantes de entidades que formam o Conselho (Fundação, UCS, CIC, Prefeitura de Caxias, Mitra Diocesana, Associação N. Sra. de Fátima, governo do Estado e MEC, este com dois votos). Mas também é reflexo das prévias realizadas entre alunos, professores e funcionários. Zorzi venceu todas e ainda foi o candidato mais votado numa consulta ao Conselho Universitário.
Perfil - Isidoro Zorzi, formado em Filosofia com Especialização em Sociologia e Ciência Política, é professor no Departamento de Sociologia da UCS desde 1967 e assessor da Pró-Reitoria de Planejamento desde 1992. É o mais velho de 13 irmãos de uma família de Travessão Paredes, Nova Pádua, município que deu outro reitor à UCS, Abrelino Vicente Vasata (de 1974 a 1987) - quando ambos nasceram, pertencia a Flores da Cunha.
Zorzi mudou-se para Caxias em 1954 para estudar. Estudou ainda em Viamão e Pelotas. Do tempo em que estudou em Caxias lembra da república que organizou para receber familiares, amigos e vizinhos de Flores da Cunha, que vinham à cidade estudar. "Chegamos a 15 estudantes na república", recorda. Zorzi concorreu em 2002 e foi derrotado pelo atual reitor, Luiz Antonio Rizzon, por 5x4. Nos últimos quatro anos, preparou-se para vencer a eleição e assumir o cargo.
José Carlos Avino, 65 anos, é diretor do Centro de Teledifusão Educativa (Cetel) desde maio de 2005 e professor de Administração desde agosto de 1997. Paulistano, tem Mestrado em Gestão Empresarial. Está em Caxias há 20 anos e também é diretor do Plano Fátima, atividade que considera difícil conciliar a partir da posse. Sintetizando, diz que sua função principal será substituir o reitor na sua ausência e apoiá-lo.
Meta é Instituição mais leve, ágil e descentralizada
Poucas horas após ter sido eleito reitor, Isidoro Zorzi falou ao Correio Riograndense. A seguir, uma síntese da entrevista:
Correio Riograndense - O resultado o surpreendeu?
Isidoro Zorzi - Foi uma bela surpresa.
CR - Foi reflexo das prévias que o colocaram como candidato preferencial de alunos, professores, funcionários e Conselho Universitário?
Zorzi - Acho que conselheiros foram sensíveis a isso. Mas eles todos tinham absoluta autonomia.
CR - Sabendo-se que Jaime Paviani era muito cotado para o cargo, até que ponto a escolha do vice-reitor teve sua influência?
Zorzi - Não pensei no vice. Apresentei sugestões e o perfil para o Conselho decidir. Avino (José Carlos) se encaixa.
CR - As prévias significam apoio, mas também aumentam a responsabilidade.
Zorzi - A comunidade se manifestou pela primeira vez em 39 anos da UCS. A responsabilidade é grande, assim como o desafio.
CR - Qual será o próximo passo?
Zorzi - Vamos começar a organizar a equipe, que será formada por pessoas que tenham afinidade com o nosso programa e que coloquem a Instituição acima de interesses pessoais. Os interesses pessoais terão de ficar em segundo, terceiro, quarto ou quinto plano. Melhor até que não existam.
CR - Além desse, que outro traço terá a sua equipe?
Zorzi - Temos de considerar a história de cada um dentro da Instituição. Pretendo unir a denominada velha guarda, a histórica, com a gurizada, os novos mestres e doutores. Será uma mescla de experiência e vontade.
CR - Que tipo de mudanças o senhor vai implantar prioritariamente?
Zorzi - Não há como mudar muito logo. Estamos no meio de um ano letivo. Vamos aproveitar esse tempo para discutir e preparar condições para implantar uma estrutura mais leve, mais ágil e mais descentralizada a partir de 2007.
CR - Quais as áreas serão mais atingidas?
Zorzi - Em primeiro lugar precisamos criar consciência na Instituição sobre as mudanças. E elas serão implantadas sempre em consonância com o Conselho Diretor. Mas vamos alterar a estrutura organizacional, que vem desde 1974, quando a Universidade foi transformada em Fundação. Teremos de fazer um estudo especial para isso.
CR - Do ponto de vista prático o que isso significa?
Zorzi - Desconcentrar funções e descentralizar decisões. Hoje as pró-reitorias atuam mais como órgãos executivos do que como formadores de políticas para a Instituição. Isso vai mudar.
CR - O senhor vai ampliar ainda mais o processo de regionalização?
Zorzi - O mais importante no momento é consolidar esse processo.
CR - Como está a situação financeira da UCS?
Zorzi - Comparando com dez anos atrás, hoje não está tão confortável. Mas não é desesperadora. Foram feitos investimentos na estrutura física, em laboratórios e na qualificação - só nos últimos quatro anos foram aplicados R$ 70 milhões.
CR - Quais os seus planos para o Hospital Geral?
Zorzi - Ele é necessário à Universidade. Não podemos prescindir dele como hospital escola. O modelo de gestão é que deve mudar. Precisamos encontrar um modelo que torne a atividade do hospital viável sem tirar dinheiro da UCS.
Ganância provoca destruição das sementes
Símbolo de fertilidade, torna-se sinônimo de monopólio e exploração de pequenos agricultores
A semente é o princípio de tudo. Dela depende a agricultura que alimenta o mundo. O hábito milenar de produzir e guardar a própria semente foi quebrado pela indústria, que ganhou força na década de 50 com o objetivo de aumentar a produção de alimentos e acabar com a fome. Hoje, 200 empresas controlam metade dos produtos alimentícios, mas geram emprego para menos de 2% da população.
O poder dessas transnacionais de alimentos é tanto que, das 100 maiores economias do mundo, 51 são empresas desse setor. No entanto, apesar do desenvolvimento agrícola, cerca de 800 milhões de pessoas passam fome no planeta.
As mulheres foram as primeiras agricultoras. "Foram as primeiras artífices no resgate e na seleção das sementes", relata o professor e diretor do Instituto Humanitas da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), padre Inácio Neutzling, sobre a relação histórica da mulher com a agricultura. Hoje, 1,4 bilhão de trabalhadores rurais dependem da conservação de suas próprias sementes.
Apesar dos esforços dos ambientalistas e das ONGs, na maior parte do mundo os agricultores estão reféns das sementes e dos insumos das grandes empresas. Para ter uma idéia da concentração do setor, há 25 anos 7.000 indústrias produziam sementes. Atualmente, 10 dominam o mercado, sendo todas transnacionais.
O professor da Unisinos diz que não é contra os avanços científicos, uma vez que ajudaram a desenvolver de forma histórica a agropecuária. "A revolução biotecnológica, a combinação e recombinação de genes de espécies diferentes são a grande novidade da civilização", observa. "Mas isso não justifica o uso dessa tecnologia que se desconhece as conseqüências às futuras gerações e à biodiversidade", alerta.
Na opinião de padre Inácio Neutzling, adotar organismos geneticamente modificados (OGMs) é cair nas mãos das companhias internacionais que monopolizam a agricultura e dominam a área. "A semente é símbolo de fertilidade e abundância. Ela deve ser gratuita e espalhada. É um dom de Deus para a humanidade. Está a serviço da vida", enfatiza. "Apossar-se desse direito é prepotência e arrogância", emenda.
Transgênicos fortalecem monopólio e dependência rural
Baseados no forte argumento que o mercado é livre, as multinacionais e alguns países usam o alimento como arma de controle e de poder. Essa visão ressalta ainda mais o sentido mercadológico que as transnacionais atribuem às sementes. A ação dessas empresas afeta diretamente o produtor familiar, que quer que os conhecimentos ancestrais a respeito da agricultura sejam valorizados e mantidos.
Observa-se que as multinacionais querem lucrar com a dependência dos agricultores. "O alimento é um direito humano. O princípio da soberania alimentar é ter acesso aos recursos naturais: terra, água e sementes. São patrimônios da humanidade e não podem ser mercantilizados", declara Paul Nicholson, da coordenação Camponesa Européia, que marcou presença na COP-8.
As indústrias não se restringem somente à cadeia das sementes. Elas alcançam outros setores da alimentação e de medicamentos.
Para o professor Inácio Neutzling, da Unisinos, a expansão do uso de transgênicos vai aumentar o controle das empresas sobre os agricultores. "Elas monopolizam o que é de todos", destaca. Só a Monsanto, a maior produtora de sementes, desde 2005 comercializa 88% dos OGMs. Um dos mecanismos para garantir o monopólio é desestimular e impedir o uso de sementes orgânicas e a cobrança de royalties por meio das patentes.
As empresas de processamento também são monopólios, que se associam e controlam a cadeia produtiva. Dessa forma, dominam desde a produção das sementes, passando pelos insumos e o processamento, até chegar ao consumidor.
Monopólio e ameaça à biodiversidade levaram mulheres da Via Campesina, dia 8 de março, a destruir mudas de eucaliptos da empresa Aracruz, no Rio Grande do Sul. A atitude do grupo, avalia Neutzling, simboliza uma ação não violenta, como a de Gandhi, na Índia, e de Martin Luther King, nos EUA. "Foi um ato profético", resume ao CR o professor da Unisinos. "O que elas praticaram foi uma tentativa de evitar a implantação da monocultura florestal no Estado, o chamado deserto verde", declara.
Na opinião dos analistas, a ação das mulheres, provocou debate sobre o agronegócio. "No caso da Aracruz, embora o tamanho do empreendimento - são 200 mil hectares no RS. A indústria cria apenas um emprego a cada 185 hectares plantados com eucalipto, enquanto que a agricultura familiar gera um posto de trabalho por hectare", conclui Neutzling.
Conferência da ONU rejeita a "terminator"
As plantações experimentais com as sementes suicidas terminator foram rejeitadas pelos 3.600 delegados de 173 países presentes na Conferência Internacional sobre Diversidade Biológica. A inovação, também chamada de Tecnologia de Restrição de Uso Genético (Gurt), insere genes na semente para a esterilização. Com isso, as sementes produzidas pela planta não germinarão, diferentemente da original, que cresceria normalmente.
A rejeição da COP-8 representa uma dura derrota às multinacionais de biotecnologia, interessadas em introduzir as sementes estéreis. Não há, por enquanto, nenhum produto no mercado com tecnologia terminator. Ambientalistas e produtores familiares, porém, temem que ela seja usada pelas indústrias para controlar a produção e obrigar os agricultores a comprar novas sementes todos os anos. Se os sojicultores brasileiros, por exemplo, passassem a utilizar as terminator precisariam desembolsar US$ 407 milhões todos os anos.
Para Francisca Rodriguez, da Via Campesina, a tecnologia terminator é uma arma de destruição em massa e um seqüestro da soberania alimentar. "O que era sinal de fecundidade, passa a significar a morte", compara o diretor do Instituto Humanitas, Inácio Neutzling.
Na opinião dos conferencistas, a tecnologia ameaça diretamente a vida, a cultura e a identidade dos povos ao redor do mundo. O coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CTP) no Paraná, Dionísio Vandresen, acredita que as sementes terminator são o último ataque do capital às culturas de indígenas, quilombolas e pequenos agricultores. "Esta tecnologia serve para roubar o único bem que transita livremente na humanidade, que é a semente", afirma Vandresen.
Brasil vai reduzir em 25% o abate de frango
Decisão deve-se à queda nas exportações causada pela gripe das aves
A Influenza aviária não chegou ao Brasil. Talvez, nunca chegue, mas seus efeitos econômicos estão impactando negativamente o setor. A Europa e a Ásia suspenderam a compra de frango e provocaram crise no país, mesmo livre da doença. Deveria ocorrer o contrário: aumentar a compra daqui para alimentar o mercado de lá. "As exportações nacionais caíram mais de 20%", destaca o presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (Abef), Ricardo Gonçalves.
Pelos cálculos da Abef, o Brasil terá que reduzir a produção em cerca de 25% para enfrentar a baixa no consumo interno e nas exportações. "A medida é uma resposta à queda nas vendas, provocada pela disseminação da gripe de aves na Europa e pela notícia, sem fundamento científico, de que a doença chegaria em setembro ao território nacional", reclama Gonçalves. Segundo a Abef, a cotação do quilo vivo caiu 40% nos últimos seis meses. "Neste primeiro trimestre, o faturamento das empresas do setor baixou 30% em média", observa Gonçalves.
O problema chegou ao mercado de trabalho nas agroindústrias. É o caso do Rio Grande do Sul, onde o abate sofreu queda de 20%. "Os abates caíram de 300 mil aves/dia para 240 mil/dia. Essa é a tendência para abril", diz o secretário-executivo da Associação Gaúcha de Avicultura, Eduardo Santos. No RS, a Avipal concedeu férias a 6.000 trabalhadores. "Há outras empresas fazendo planejamento", adianta Santos ao CR. Já em SC, 300 trabalhadores foram demitidos. "Outros 1.000 empregados entraram em férias", afirma o presidente da Associação Catarinense de Avicultura, Ronaldo Muller.
Panorama - De acordo com o consultor Osler Desouzart, da OD Consulting, o mundo deve reduzir o consumo de frango em cerca de 1,4 milhão de toneladas em 2006. "O Brasil, que detém 40% do mercado, pode reduzir os embarques em até 500 mil toneladas, o que significaria queda de 17%", analisa o consultor Desouzart.
Sanidade - O presidente do Comitê de Sanidade Avícola, Sadi Marcolin, sustenta que a gripe aviária não chegará ao país. "A agroindústria avícola brasileira é a mais avançada do mundo e toda a cadeia produtiva obedece a rigorosos padrões de biossegurança", garante. Além disso, as aves de corte são criadas em cativeiro, sem contato com outros animais, e o acesso às granjas e a todas as instalações avícolas é extremamente controlado. "O sistema de vigilância sanitária está bem desenvolvido", conclui.
O Ministério da Saúde reforça que, além de não haver nenhum caso de aves ou pessoas contaminadas no Brasil, o consumo de frango preparado no fogo não oferece riscos de contaminação.
Regulamentada sanidade agrícola
Lula anuncia proposta da previdência rural e regula Lei das Agroindústrias
A regulamentação da lei 9.712, que trata do fortalecimento da defesa agropecuária e institui o Sistema Unificado de Atenção à Saúde Agropecuária (Suasa), assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta 31, fortalece o setor agropecuário e a defesa sanitária do país. "A regulamentação da Lei das Agroindústrias é um marco no agronegócio", disse Lula.
Na avaliação do ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, a medida permitirá modernizar as normas de sanidade animal e vegetal para oferecer maior segurança alimentar aos consumidores, atendendo às exigências do mercado, e contribuirá para aumentar as exportações do agronegócio brasileiro. "O fortalecimento dos serviços de sanidade animal e vegetal é o pilar para garantia de qualidade dos alimentos e pré-requisito nas exportações", observa Rossetto.
A regulamentação da 9.712 também possibilitará ao Brasil criar o Sistema Nacional de Certificação de Produtos Agropecuários. Por seu intermédio, o governo federal instituirá as normas para certificação de origem e identidade dos produtos animais e vegetais. Para tanto, será criado um código de rastreabilidade, que deverá ser seguido pelas cadeias produtivas agropecuárias.
A mesma lei prevê ainda a criação do Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional. Com isso, o país poderá modernizar as normas de fiscalização do trânsito internacional de animais, vegetais, produtos, subprodutos, derivados e materiais para a pesquisa científica.
Previdência - O presidente anunciou ainda o envio ao Congresso Nacional do projeto de lei que mantém os direitos previdenciários dos trabalhadores rurais. São segurados hoje da Previdência Social, no campo, 7,36 milhões de pessoas.
Santa Clara investe R$ 7 mi neste ano
A Cooperativa Santa Clara, de Carlos Barbosa (RS), irá investir R$ 7 milhões este ano em vários setores. Depois da reeleição de Rogério Bruno Sauthier como presidente da instituição pela quinta vez consecutiva, a cooperativa dá início a uma série de mudanças, como a nova logomarca e o lançamento de produtos. "Estão previstas a compra de equipamentos para o laticínio e para o frigorífico, e a construção do centro de distribuição, em Canoas", informa o diretor administrativo, Alexandre Guerra.
A unidade de laticínios tem capacidade para industrializar até 500 mil litros de leite por dia. Somente para o tipo longa vida a capacidade de produção é de 400 mil litros/dia.
Engº. Agrº. José Zugno
Cercas na propriedade rural
Adquiri um pequeno campo no interior de Jaquirana (RS), mas encontrei as cercas muito danificadas, precisando de reforma quase completa. Desejo obter instruções para construir e reformar cercas, pois não quero apelar para uma firma especializada. Além das informações a respeito, pediria que me indicasse alguma publicação que me desse as instruções que preciso e a relação de alguma firma fornecedora de materiais.
J. CARDOSO ALVES
Lajeado Grande - RS
Entendo bem o interesse do prezado leitor de conhecer com detalhes o processo de construção e manutenção das cercas, o que lhe dá condições de dirigir diretamente os serviços com seu pessoal, ou estar por dentro do assunto em caso de necessidade de entregar os serviços a terceiros, dentro das possibilidades econômicas.
De fato, as cercas são benfeitorias essenciais de qualquer propriedade rural. Elas devem atender as finalidades que desempenham, serem bem construídas e que tenham longa vida útil. A principal finalidade da cerca é marcar os limites da propriedade, mas pode desempenhar outras funções como proteger lavouras, hortas, pomares e outras benfeitorias, conter animais dentro dos limites, evitando a dispersão para outras áreas, dividir internamente os piquetes de pastagens etc.
Não existe uma receita única para construir cercas. A estrutura de uma cerca tradicional é aparentemente simples: palanques ou mourões de 2 a 2 m., 4 fios de arame separados 30 cm uns dos outros, grampos e algum outro acessório. Os palanques de antanho eram de madeira de lei (aroeira, ipê, grapia e outros). Hoje, foram substituídos por palanques de eucalipto tratados. Atualmente, a construção de qualquer cerca exige planejamento, desde a sua localização, o exame dos materiais a utilizar, seus preços, a mão-de-obra necessária etc, visando o menor custo. Um dos modelos atuais, por exemplo, diminui os custos pela redução do número de palanques intermediários por materiais igualmente resistentes, denominados tramas ou balancins que funcionam como distanciadores dos fios de arames.
Práticos - Convém o amigo ouvir os vizinhos e os práticos em fazer cercas. Posso indicar um de nome: Vilmor Daros, apelidado Pardal, reside em Boca da Serra - Vila Seca - distrito de Caxias do Sul. É afamado como ótimo cerqueiro - não faz outra coisa senão construir cercas. Tel: (54) 3267-6240
Publicações - A Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira, que é produtora de arames farpados e lisos, grampos galvanizados, tramas, balancins e outros acessórios, editou e reeditou o Manual de Construção de Cercas de Arames, de distribuição gratuita aos interessados.
Sua sede é em Belo Horizonte, Minas Gerais, tel. (31) 3219-1401, mas tem representação em diversos Estados. Em Porto Alegre: telefone (51) 3346-4344.
Fornecedores de materiais - Enoagro Comercial Ltda. - Forqueta - Caxias do Sul - tel. (54) 3206-1122. Fornece material para construção de cerca, e por manter contato com a representação estadual da Belgo-Mineira dispõe de exemplares do manual de construção de cercas para seus clientes.
Rizzi e Cia Ltda (Agrimar) - Av. Rubem Bento Alves, 751 - 95052-550 - Caxias do Sul. Tel: (54) 3229-3322.
Peixe é importante fonte de nutrientes para o organismo
Alimento deve ser ingerido pelo menos uma vez por semana
Diversas pesquisas têm comprovado os benefícios do consumo de peixe para a saúde. Já que este alimento geralmente não participa da mesa do brasileiro com a freqüência recomendada pelos médicos, uma vez por semana, a Semana Santa é uma boa oportunidade para incluí-lo no cardápio.
A principal riqueza dos peixes reside em seus altos índices de ômega-3, um tipo de gordura poderosa na prevenção de infartos e derrames. Ela aparece em todos os peixes, mas espécies como sardinha, bacalhau e salmão concentram quantidades maiores. Para reduzir o risco de doenças cardiovasculares, recomenda-se ingerir pelo menos 180 gramas de peixe por semana. O consumo regular desse alimento também diminui dores de artrite, melhora a depressão e protege o cérebro contra doenças como o mal de Alzheimer.
Em média, cada 100 gramas de peixe tem o mesmo número de calorias. É fonte abundante de energia com baixo colesterol. Com alto nível de proteínas, vitaminas e minerais, o peixe ainda fornece importantes nutrientes para o organismo. Cerca de 20% do peixe é composto por proteínas, que contribuem para o crescimento e formação do organismo.
O peixe também é rico em minerais. O cálcio contribui para a formação dos ossos e dos dentes. Também ajuda na coagulação, na contração muscular e em funções do sistema nervoso e do coração. Sua falta provoca ossos e dentes frágeis e pode levar à osteoporose. O fósforo intervém nas funções cerebrais e também fortalece os ossos. O ferro permite a formação da hemoglobina - componente do sangue -, ajuda a absorver as proteínas e favorece o crescimento de crianças e adolescentes. Quando não é ingerido em quantidade adequada, provoca debilidade, palidez e anemia.
A carne de peixe ainda contém vitamina A, necessária para regenerar as células e fomentar o bom funcionamento dos nervos óticos. A vitamina D assegura a correta absorção de cálcio e de fósforo. As vitaminas do complexo B fortalecem o sistema nervoso, ajudam no crescimento e no bom estado da pele, unhas e visão, estimulam o apetite, facilitam a transformação dos alimentos em energia e auxiliam na manutenção dos músculos.
Sugestões para incluir peixe no cardápio
Merluza recheada
Ingredientes: 8 filés de merluza limpos; 1 colher (sopa) de manteiga; 1/2 xícara (chá) de salsinha, manjericão e orégano frescos picados; 1 xícara (chá) de ricota; 1/2 xícara (chá) de queijo parmesão ralado; sal e pimenta-do-reino branca, moída na hora, a gosto.
Modo de fazer: ligar o forno à temperatura média. Lavar os filés de merluza, secar e temperar com o sal e a pimenta-do-reino. Modelar cada filé em forma de anel, prendendo-os com palitos. Dispor numa assadeira untada com a manteiga e reservar. Colocar numa tigela as ervas, a ricota e o parmesão ralado. Mexer vigorosamente até obter uma pasta. Rechear os rolinhos com essa mistura. Levar ao forno por 10 minutos, ou até a superfície dos rolinhos dourar. Retirar do forno, eliminar os palitos e servir. Rende 4 porções.
Cação ao creme de leite
Ingredientes: 1 kg de cação em postas; 1/2 xícara (chá) de vinagre de vinho branco; 1/2 xícara (chá) de folhas de alecrim; 2 cenouras médias; 1 cebola média; 5 colheres (sopa) de manteiga; 2 colheres (sopa) de azeite de oliva, 400 g de brócolis (só as flores); 1 xícara (chá) de creme de leite fresco e sal a gosto.
Modo de fazer: lavar as postas do cação, secar com papel toalha e colocar em uma travessa. Regar o peixe com o vinagre misturado com um pouco de sal e salpicar com alecrim. Deixar tomar gosto por 15 minutos. Enquanto isso, limpar a cenoura e cortar em rodelas finas. Descascar a cebola e cortar em pedaços de tamanho semelhante ao das rodelas de cenoura. Reservar.
Colocar em uma frigideira grande a manteiga e o azeite e levar ao fogo. Assim que aquecer, acrescentar a cebola e deixar até murchar. Juntar as postas de cação (retire o alecrim) e deixar por 10 minutos, ou até dourar levemente dos dois lados. Distribuir as cenouras, os brócolis, o creme de leite e o sal. Reduzir o fogo e cozinhar por 12 minutos, ou até o peixe ficar macio. Retirar as postas de peixe e colocar em uma travessa.
Colocar a panela novamente no fogo e cozinhar por mais 15 minutos, ou até o caldo encorpar. Acertar o sal, retirar do fogo e cobrir o peixe com o caldo. Rende 5 porções.
Filé ao molho de manga
Ingredientes: 250 g de filés de peixe branco; farinha de trigo; 50 ml de azeite de oliva; 500 ml de suco de manga; 20 g de açúcar refinado; 5 g de sal refinado; 10 g de hortelã fresca; 2 g de sementes de erva-doce e pimenta-do-reino branca, em pó, a gosto.
Modo de fazer: temperar o peixe com sal e pimenta-do-reino. Empanar na farinha de trigo e saltear na metade do azeite, dourando dos dois lados. Reservar. Na mesma frigideira, colocar o suco de manga e deixar ferver. Em seguida, acrescentar o restante do azeite, o açúcar, o sal, a pimenta-do-reino, a hortelã, as sementes de erva-doce e cozinhar um pouco, acentuando os aromas. Colocar o peixe no molho e finalizar o cozimento. Retirar o peixe, coar o molho e montar o prato. Rende 2 porções.
Filé ao molho de tomate
Ingredientes: 500 g de filé de peixe; azeite de oliva; 1 cebola grande picada; 4 tomates maduros e firmes, cortados em pedaços grandes; 2 dentes de alho picados; manjericão e sal a gosto.
Modo de fazer: em uma panela, aquecer um pouco de azeite, juntar a cebola e deixar murchar. Acrescentar os tomates, o alho e o manjericão. Acertar o sal e cozinhar por aproximadamente 10 minutos em fogo brando. Em seguida, juntar os filés de peixe e deixar por mais 7 minutos. Retirar do fogo e servir acompanhado de purê de batatas.
Leonardo Boff
Não caminhamos para a morte. Caminhamos para a vida. Não vivemos para morrer. Morremos para ressuscitar. Para viver mais e melhor
A partir da centralidade da ressurreição se entende por que o cristianismo nascente não se estruturou ao redor do poder sagrado, nem na veneração da cruz, mas precisamente na alegria da ressurreição. Os cristãos se sentiam um gênero novo de gente - tertium genus - aqueles que não vivem de uma saudade mas testemunham uma presença, o do ser novo já inaugurado dentro do tempo presente.
Daí se justifica o sorriso típico das antigas representações de figuras cristãs, sorriso que o mundo antigo não conhecia, pois vivia sob a moira (fatalidade) ou sob o espectro da morte. Agora vivia-se a verdadeira alternativa: ou a vida aqui e agora ou a ressurreição na morte e para além da morte. Eis uma libertação que nos permite realmente sorrir e cantar aleluia.
A grande maioria entende muito mal a ressurreição a ponto de esvaziar o caráter revolucionário da compreensão originária. Primeiramente, ela foi cedo abandonada como eixo estruturador da fé cristã. Em seu lugar se anunciou o tema platônico da imortalidade da alma. A ressurreição foi relegada para acontecer somente no fim do mundo e não já na morte como era crença de São Paulo e de São João. Como ninguém sabe quando este fim do mundo vem, a ressurreição perdeu importância imediata para um sentido mais ridente de vida.
Os próprios cristãos esqueceram a jovialidade dos primórdios. Parecem tristes, carregando a cruz pela vida afora, como se jamais tivessem sido libertados ou como se fossem, sorumbáticos, ao próprio enterro.
Também houve representações errôneas da ressurreição. Ela não é a reanimação de um cadáver como o de Lázaro. Lázaro voltou à vida que tinha antes. Ora, esta vida é mortal, pois vamos morrendo devagar, em prestações, até acabar de morrer. De pouco vale esta revitalização do cadáver. Apenas protela a agonia. Mas não nos liberta da morte. Lázaro morreu de novo e foi sepultado definitivamente. E lá ficou.
A ressurreição é muito menos ainda uma espécie de revanche de Jesus sobre seus inimigos. "Vejam só: vocês me prenderam, torturaram, crucificaram e me enterraram, mas aqui oh, (fazendo o gesto típico) estou novamente vivo e vivinho." Tal atitude revelaria um espírito mesquinho, contrário à grandeza espiritual e moral do Jesus histórico.
Ressurreição significa bem outra coisa. Vamos dizê-lo de forma mais acessível. É a intronização de alguém numa vida com tal densidade que não tem mais desgaste nenhum, nenhuma entropia, nenhuma necessidade de morrer. É uma vida tão inteira que não há fendas por onde a morte possa se aninhar. É a realização da utopia de uma vida sem fim e absolutamente realizada. Isto só é possível à condição de o processo evolucionário ter chegado à sua culminância, quando todas as potencialidades da criação e do ser humano se tiverem absolutamente realizado. Daí implode e explode o ser novo que vinha embrionariamente se formando ao longo dos bilhões e bilhões de anos, até fechar o seu ciclo.
Quando se fala na ressurreição de Jesus se acredita que tal singularidade - para falar na linguagem dos astrofísicos e cosmólogos - se verificou na vida, na trajetória, na luta e na morte de Jesus de Nazaré. A grama não cresceu sobre sua sepultura. Ela ficou aberta para proclamar que a vida e não a morte é a última palavra do Criador.
Se as coisas são assim, então o Jesus ressuscitado ganha uma relevância indiscutível para todos os humanos e para o sentido do universo. Sem desmerecer a grandeza de outras grandes figuras espirituais, nele se manifestou o fato mais decisivo da história: a perspectiva da superação da morte, mais ainda, a possibilidade real de transformação da utopia em topia dentro do horizonte cósmico e histórico.
A humanidade que está em Jesus está também em cada um de nós. Se nele se verificou tal evento de bem-aventurança é sinal que vai acontecer também em nós. Ele é apenas o primeiro entre muitos irmãos e irmãs. Todos nós o seguiremos e ressuscitaremos também como ele, na morte, mas do nosso jeito.
Portanto, não caminhamos para a morte. Caminhamos para a vida. Rumo à fonte da perene jovialidade. Não vivemos para morrer. Morremos para ressuscitar. Para viver mais e melhor.
Assim a ressurreição permitiu plenamente a realização de potencialidades presentes no ser humano. Nas circunstâncias atuais elas ganham apenas concretizações parciais e imperfeitas.
Assim, por exemplo, pela corporalidade nos fazemos presentes uns aos outros. O olhar, o gesto e a palavra comunicam algo de nosso mistério. Mas também o ocultam. Toda comunicação guarda sempre certa obscuridade e ambigüidade de sentido. Não podemos ocupar todos os lugares e encher todos os tempos. Pelo pensamento estamos na lua, no sol, na galáxia mais distante que se afasta de nós quase à velocidade da luz, estamos em Deus. Mas nosso corpo não consegue acompanhar o pensamento. Fica enraizado no espaço e no tempo, agrilhoado no sistema da materialidade. Precisamos de 8 segundos para ir até o sol e três anos luz para chegarmos à estrela mais próxima a nós, a Alfa do Centauro.
Que faz a ressurreição? Tira os limites da comunicação e permite que ela se realize de forma absoluta. O corpo ressuscitado vira pura comunicação e ganha uma dimensão igual à do cosmos. Por isso o corpo ressuscitado enche todo o universo e ocupa todos os lugares. É o que chamávamos antes de ubiqüidade cósmica. Faz que acompanhe o pensamento e nos transporte para onde estiver o nosso desejo. O corpo assume a forma de espírito e o espírito, a forma do corpo. Não deixamos o mundo. Mas penetramos mais profundamente no coração do mundo até aquele ponto onde tudo é um e para onde tudo converge na diferença.
Pela ressurreição o Cristo está sempre atuando no universo, em cada energia, em cada elemento, em cada campo de força, em cada pedaço de lenha, em cada pedra, em cada ser e em cada pessoa humana no seu imaginário, nos seus sentimentos, nos seus propósitos e na sua prática. Ele não está ausente. É apenas invisível. Mas plenamente presente.
Frei Betto
Assumir-se como cristão e não centrar-se no direito de vida para todos é, no mínimo, contraditório. O reverso da crença não é o ateísmo - é a adoração de falsos deuses, como leis de mercado, capital livre...
A Páscoa é a mais importante data cristã, embora o Natal, por razões comerciais, desponte como a festa religiosa de maior impacto na vida social. Principal festa dos judeus e dos cristãos, a Páscoa comemora a ação divina num fato de efeitos políticos tão importantes que se transformou em paradigma: a libertação dos hebreus que viviam como escravos no Egito do faraó Ramsés II, por volta do ano 1250 a.C. Páscoa significa travessia, do Egito para Canaã, através do Mar Vermelho, ou passagem, da opressão à liberdade.
Para os cristãos, a grande passagem e, portanto, o cerne da fé, é a ressurreição de Jesus, cerca do ano 37. Não tivesse Jesus vencido a morte, nossa fé seria vã e ele figuraria entre tantos galileus igualmente condenados à cruz por sublevação pelos romanos que ocupavam a Palestina no século I.
Jesus não ressuscitou como um fantasma. Em choque com toda a cultura da época, os apóstolos testemunharam sua ressurreição na carne. Assim, Platão deveria ter ficado à margem da tradição cristã, pois a ressurreição nega todo dualismo corpo-espírito e glorifica a totalidade humana.
A crítica literária dos textos bíblicos constata, surpresa, que Jesus ressuscitado contradiz tudo que se poderia esperar de um personagem fictício. Tivessem os apóstolos a intenção de "dar a volta por cima" frente à morte de Jesus e inventado um Messias que retorna à vida, com certeza não esboçariam uma figura que, ressuscitada, apresenta chagas no corpo - Tomé foi desafiado a tocá-las (João 20, 27) - e que, aonde chega, indaga se há algo para comer (Lucas 24, 41). A crítica literária constata na construção do relato a descrição de um fato objetivo, por mais intrigante que isso seja à ciência, que guarda autonomia em relação à fé.
Hélio Pellegrino dizia que não há nada mais revolucionário do que proclamar a ressurreição da carne. "Creio na ressurreição da carne", rezam os cristãos no Credo, professando que toda a materialidade do Universo será resgatada em Cristo. Hoje, a física quântica nos permite saber que toda matéria é energia concentrada. Cai o dualismo platônico. Há uma espiritualidade inerente às pedras e aos peixes, às aves e às árvores, aos mares e às montanhas. No compasso binário de "partículas" e "ondas", o Universo pulsa em suas entranhas, lá onde já não se pode distinguir o limite entre energia e matéria. O olhar do místico capta, como enfatizava Teilhard de Chardin, essa vibração do divino no coração da matéria. Não há nisso nenhum panteísmo. O panteísta considera que todas as coisas são substância divina. O místico, que é panenteísta, reconhece em cada detalhe da Criação um sinal, sacramento, da presença de Deus.
Essa concretude do conteúdo da fé projeta uma visão crítica sobre tudo que reduz a possibilidade de a carne atingir sua plenitude na efusão do espírito: a fome, a injustiça, a discriminação racial, a opressão. Neste sentido, a ressurreição é a palavra final de Deus de que nenhum sinal de morte deve prevalecer sobre corpos vivos. A vocação do Universo é a vida, e vida terna e eterna.
Assumir-se como cristão e não centrar-se no direito de vida para todos ("Vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância" João 10, 10) é, no mínimo, contraditório. O reverso da crença não é o ateísmo. É a idolatria, a adoração de falsos deuses, como as leis do mercado, o capital ou a livre concorrência num mundo que clama por solidariedade.
Não fez ainda a passagem da morte para a vida quem julga que é livre um país no qual 100 milhões de habitantes, entre 180 milhões, vivem abaixo da linha da pobreza. Ou enche a boca de democracia quando, em matéria de partilha de bens necessários à vida, o Brasil ainda não alcança os índices considerados dignos pela ONU. Somos os campeões mundiais de desigualdade social.
Talvez o segredo da felicidade esteja na resposta à pergunta que Nicodemos fez a Jesus: "Como pode um homem nascer de novo?" (João 3, 4).
Ministério muda sob turbulência
Escândalo envolvendo Palocci tumultua reforma que seria comum
A necessidade de desincompatibilização para poder concorrer nas eleições de outubro próximo obrigaria, normalmente, a uma mudança no Ministério do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Oito ministros deixaram seus cargos com essa intenção. A nona troca, no entanto, foi a mais traumática de todo governo Lula - superando até a de José Dirceu, o ex-todo-poderoso chefe da Casa Civil que acabou perdendo até o mandato de deputado federal. Antonio Palocci Filho teve de deixar o Ministério da Fazenda após comprovação de que ele determinou a quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, que o acusa de participar de reuniões de lobby e festas com garotas de programa em uma mansão no Distrito Federal. O ex-ministro deve ser indiciado pela Polícia Federal ainda nesta semana por abuso de poder e quebra de sigilo.
O Ministério que foi conduzido por Palocci durante três anos e três meses do governo Lula passou a ser comandado por Guido Mantega, que estava na presidência do BNDES. A mudança, segundo o presidente Lula, não significa alteração de rumos na economia do país. Mas deixa mais uma mancha neste governo, provocada por um ministro próximo do presidente, que usou de seu poder para tentar intimidar e calar um simples caseiro, quebrando o sigilo bancário em busca de provas de que teria recebido dinheiro da oposição para fazer denúncias.
Reforma - A terceira reforma ministerial foi concluída pelo presidente Lula na sexta 31. Oito ministros deixaram seus cargos para se candidatar a cargos no Executivo e Legislativo nas próximas eleições. O vice-presidente José Alencar deixou o Ministério da Defesa, pasta ocupada por Waldir Pires - um ex-cassado pelos militares. Pires e Tarso Genro são os únicos políticos da nova safra de ministros. Tarso é o titular das Relações Institucionais - leia-se coordenação política do governo -, em substituição a Jaques Wagner.
Além deles, foram nomeados Orlando Silva Júnior, que substitui Agnelo Queiroz no Ministério dos Esportes; Paulo Passos, que sucede Alfredo Nascimento nos Transportes; e Pedro Nascimento, que ocupa a pasta da Integração Nacional, que era de Ciro Gomes.
Lula anunciou como interinos Jorge Hage, novo controlador-geral da União em lugar de Waldir Pires; Guilherme Cassel, que substitui Miguel Rossetto no Desenvolvimento Agrário; José Álvares da Silva para a Saúde, no lugar de Saraiva Felipe, e Altemir Gregolin na Secretaria Especial da Aqüicultura e Pesca - antes ocupada por José Fritsch.
Secretariado de Rigotto muda em 88%
Quinze dos 17 secretários do governo Germano Rigotto deixaram seus cargos pensando em concorrer às eleições. Apenas dois secretários permanecem: João Carlos Brum Torres (Coordenação e Planejamento) e Luis Roberto Ponte (Desenvolvimento e Assuntos Internacionais). A Fazenda foi assumida por Ário Zimmermann, que era secretário-substituto. Paulo Michelucci, que comandava a pasta, é o novo chefe da Casa Civil. Outros cinco secretários-substitutos também passaram a ocupar os cargos de secretários: Omar Amorim (Justiça e Segurança), João Gabbardo dos Reis (Saúde), Nelsi Müller (Educação), Renita Dametto (Ciência e Tecnologia) e Vítor Hugo (Cultura).
Agricultura - A Secretaria de Agricultura e Abastecimento tem como titular Quintilano Machado Vieira. A da Administração e Recursos Humanos, Pedro Gabril Kenne da Silva; a dos Transportes, Gertrudes Pelissaro dos Santos; a de Obras Públicas e Saneamento, Waldir Schmidt; a de Minas e Energia, José Carlos Brack; a de Turismo, Esporte e Lazer, José Heitor Gularte; a do Trabalho, Cidadania e Assistência Social, Antônio Kleber de Paula (que exercia a função de diretor-geral); a da Habitação e Desenvolvimento Urbano, Vilmar Furini; a do Meio Ambiente, Cláudio Dilda; e o Gabinete de Reforma Agrária e Cooperativismo, Lademiro Dors.
Otomar Vivian continuará como presidente do IPE. Na chefia da Casa Militar, permanece o coronel Reuvaldo Antonio Vasconcellos Ferreira. Da mesma forma, Helena Maria Coelho continuará como procuradora-geral do Estado e Luiz Alfredo Schütz, como defensor-geral. Fica em sua função o coordenador de Comunicação Social, Celito De Grandi.
Na CEEE, assume como diretor-presidente Edson Zart, Para a Corsan foi designado Telmo Kirst; para a Sulgás, Edivilson Brum; para a Fepam, Antenor Ferrari; para a Fundação de Desenvolvimento e Recursos Humanos, Fernando Postal; para a Fundação Gaúcha do Trabalho e Assistência Social, Anápio de Souza Ferreira; para a Fundergs, Carlos Finck; e para a Fepagro, Marcos Palombini. Os novos secretários e dirigentes de órgãos do Governo do Estado foram empossados coletivamente na sexta 31.
Vice - O vice-governador Antonio Hohlfeldt comunicou ao governador Rigotto na sexta que não vai mais assumir o Estado na sua ausência. Hohlfeldt justificou a decisão argumentando que pretende disputar a condição de candidato do PMDB ao governo gaúcho - desde que Rigotto não concorra à reeleição.
VIDA DE DIÁLOGO E PROFECIA
Dom Orlando Octacilio Dotti, bispo emérito de Vacaria desde 2003, comemora 50 anos de ordenação sacerdotal. Bispo gaúcho construiu uma trajetória de ações voltadas à Igreja do Brasil e ao social
Dom frei Orlando Dotti, um dos expoentes da Igreja Católica no Brasil, que ganhou projeção por sua luta em favor dos pequenos agricultores e dos sem terra (veja entrevista, ao lado), comemora, neste sábado 8 de abril, 50 anos de ordenação sacerdotal. Filho de José Domingos e Mathilde Miotto Dotti, nasceu aos 22 de junho de 1930. Ingressou no seminário dos capuchinhos de Veranópolis em 1942. Foi ordenado sacerdote no dia 8 de abril de 1956 na igreja de Santo Antônio do Partenon, em Porto Alegre, por dom Edmundo Kunz.
Como religioso capuchinho iniciou suas atividades exercendo o cargo de professor no seminário de Ipê. Depois assumiu como diretor e professor de línguas e biologia em Marau. Em março de 1969, ao ser nomeado bispo da recém-criada diocese de Caçador (matéria abaixo), estava em Ijuí, atuando como professor na Faculdade de Ijuí e diretor dos estudantes de filosofia da província.
Dom Orlando destaca que, em sua vida, recebeu a influência de muitas pessoas, a iniciar pela família, especialmente a grande família Dotti. Em seu livro "Encontro com o passado", o bispo recorda: "Formávamos uma única família, sob o matriarcado da ‘nona Cesca Dotti’. Dessa convivência tiramos ainda hoje a alegria de uma fraternidade sem limites e profundamente cristã". Também ressalta as figuras de frei Salvador Pinzetta, um "santo" admirável, de frei Francisco Deon e de outros confrades.
Sobre os 50 anos de sacerdócio, dom Orlando vê esse fato como "um dom da misericórdia de Deus, uma graça totalmente imerecida e um compromisso com a Igreja. Meu sacerdócio vem de Deus e meu ministério a Ele pertence. O que certamente me pertencem são minhas faltas e fragilidades, ao longo desse peregrinar cinqüentenário".
Bispo emérito de Vacaria desde 2003, dom Orlando dedica-se a proferir palestras não apenas no Brasil, mas também no exterior, e a auxiliar no serviço pastoral da paróquia de Bom Jesus e da diocese.
Programação - O jubileu de ordenação sacerdotal e os 37 anos de episcopado serão comemorados com uma grande festa no dia 23 de abril, na capela Nossa Senhora da Saúde de Linha Silva Tavares, em Antônio Prado (RS). Essa comunidade é a terra natal de dom Orlando. A missa campal de ação de graças será celebrada às 10 horas e ao meio-dia será servido almoço no salão da comunidade.
Administrador de três dioceses, de realidades muito distintas
Nomeado pelo Papa Paulo VI e ordenado bispo da recém-criada diocese de Caçador (SC) em 1969, dom Orlando administrou três dioceses em três diferentes Estados. Além de Caçador, foi bispo de Barra (BA) e de Vacaria (RS). É bispo emérito da diocese gaúcha desde 12 de novembro de 2003. Ao recordar sua atuação e as características de cada uma, dom Orlando salienta que viveu realidades bem distintas.
Em Caçador (1969-1976) foi um tempo de festa de uma diocese nova. Tudo o que era proposto era aceito. Uma das experiências mais bem-sucedidas foi a Escola de Formação de Agentes de Pastoral, que até hoje está em plena vigência. Na diocese de Barra (1976-1983), no sertão baiano, o bispo preocupou-se em dar continuidade aos ministérios leigos. "Foi a época da minha participação na Comissão Episcopal da CNBB e no Departamento de Ação Social do Celam", recorda dom Orlando. Também revela que foi o período que conheceu mais de perto as desigualdades sociais do país e a prepotência dos latifundiários.
Em Vacaria (1986-2003), dom Orlando encontrou uma diocese de estruturas eclesiásticas consolidadas. Entre suas atividades, destaca a criação da Escola de Formação e a preparação do jubileu do Ano 2000, quando a padroeira da diocese, Nossa Senhora da Oliveira, visitou as 520 comunidades, um projeto marcante de evangelização e renovação cristã.
Dom Orlando salienta que o pastoreio de uma diocese é feito do apoio, colaboração e mútua convivência com seu clero. Os leigos são outra força a ser mobilizada pelo bispo. E resume como grande desafio das dioceses "manter fidelidade a Deus e ao povo cristão, renovando-se permanentemente".
Reforma agrária só com muita luta
Profundo conhecedor da questão agrária no Brasil, tendo sido inclusive presidente da Comissão Pastoral da Terra, dom Orlando é muito realista ao destacar que serão necessários muitos anos para que a reforma agrária ocorra efetivamente no país. O bispo já chegou a afirmar que ela não vai ser feita em menos de meio século, especialmente por causa das estruturas conservadoras.
Dom Orlando justifica sua afirmação ao salientar que "a correlação de forças entre os grandes proprietários rurais e os pequenos agricultores é muito desigual". Há muito tempo os latifundiários compõem a oligarquia rural, como força determinante do Estado brasileiro, enquanto os pequenos proprietários agrícolas "vivem das migalhas e não têm expressão política junto ao governo".
A legislação brasileira em relação à posse e domínio da terra favorece o grande proprietário. A jurisprudência defende a propriedade como direito absoluto, de acordo com a filosofia neoliberal. "As próprias políticas de exportação incentivam a grande propriedade, como mais eficiente, para a produção de bens destinados ao mercado externo. O que é uma mentira", diz dom Orlando.
A própria história da ocupação da terra no Brasil faz prever que sua manutenção na forma de grande propriedade tem fôlego para muitos anos. O bispo revela que para a reversão desse quadro, além de maior organização da parte dos pequenos, será necessário um bom tempo de luta para se chegar à reforma agrária.
Conforme dom Orlando, todos os debates, embates e lutas relativos à terra devem ser interpretados dentro deste contexto: os que têm muito não só não querem perder o que têm, mas aumentar ainda mais suas posses. Os que pouco ou nada têm pleiteiam pelo direito de também possuir um pedaço de terra, dada por Deus a todos e não somente a alguns. "Antes de se conciliarem esses dois interesses antagônicos, vai correr muita água debaixo da ponte", conclui o bispo.
Pequeno agricultor é a raiz sólida da Igreja
Como bispo, dom Orlando Dotti integrou importantes entidades e movimentos eclesiais e sociais, não apenas no Brasil, mas também em nível internacional. Foi membro da Comissão Episcopal de Pastoral da CNBB; membro do Departamento de Ação Social do Conselho Episcopal Latino-americano (Celam); membro do Pax Christi, movimento católico internacional pela paz surgido durante a 2ª Guerra Mundial. Presidiu a Comissão Pastoral da Terra (1993-1997) e participou da 3ª Conferência do Episcopado Latino-americano em Puebla.
Por sua destacada atividade no âmbito de Igreja e por sua atuação em favor dos pequenos agricultores, dos sem terra, dos pobres e dos desfavorecidos, dom Orlando traçou uma marcante trajetória de trabalhos religiosos e sociais.
Correio Riograndense: Como bispo, o senhor participou da Conferência de Puebla em 1979. Qual foi sua atuação nessa assembléia?
Dom Orlando Dotti: Fui eleito pelos bispos do Brasil para delegado à Conferência de Puebla. Depois de aberta a assembléia pelo impactante discurso do recém-eleito Papa João Paulo II, houve a distribuição dos bispos para cada uma das comissões. Ao passar por mim, dom Aloísio Lorscheider sussurrou-me: "Entre na comissão que trata da opção preferencial pelos pobres". Essa comissão era das últimas da lista. Quando percebi, éramos poucos. Junto com dom Valfredo Teppe, bispo de Ilhéus (BA), fui o redator da versão portuguesa de um dos capítulos mais importantes de Puebla na orientação da Igreja em sua missão evangelizadora: a opção preferencial pelos pobres. Recordo que em determinado momento a assembléia entrou num certo impasse. Então perguntei a dom Helder Câmara: "Em que é que vai dar tudo isso?". Ele respondeu-me sorrindo: "Vai dar certo, vai dar certo! Não se assuste, a Igreja é do Espírito Santo e ele sabe como conduzi-la". Guardei a lição para o resto da minha vida.
CR: Puebla foi um marco e um "grande passo adiante" da Igreja na América Latina. Puebla ainda tem muito a dar à Igreja ou já está na hora de mudanças que poderão vir, por exemplo, com a assembléia do Celam, em Aparecida, em maio de 2007?
Dom Orlando: Cada assembléia representa um avanço, em situações diferentes. A do Rio de Janeiro privilegiou o tema vocações. Medellín foi marcada pela temática da libertação. Puebla foi guiada pelas linhas mestras da comunhão e participação. Santo Domingo teve a preocupação da inculturação da mensagem evangélica. A 5ª Conferência, no próximo ano, em Aparecida, tem como tema o discipulado. Agrada. Todos, antes de tudo e acima de tudo, somos discípulos. Como ser discípulo de Cristo no início deste novo milênio, diante dos conflitos sociais e religiosos deste século, numa sociedade tão desigual? Esse é, sem dúvida, o desafio sobre o qual a assembléia de Aparecida vai lançar luzes para a evangelização de nossos povos.
CR: Puebla foi um reflexo das mudanças decorrentes do Concílio Vaticano II. Qual o balanço que o senhor faz dos 40 anos do Concílio?
Dom Orlando: Nestes 40 anos pós-conciliares fizemos uma longa e bonita caminhada. Em primeiro lugar, na compreensão que a Igreja faz de si mesma e de seu papel no mundo. "Igreja, que dizes de ti mesma?", foi a grande pergunta que o Concílio deixou no ar. A Igreja responde teoricamente pelo estudo e, pela ação, dá a resposta prática de sua identidade. Quantas pastorais, movimentos, organizações eclesiásticas brotaram da semente do Concílio para o bem da humanidade! Infelizmente, há os que não tomaram o Concílio como "sopro do Espírito". Ainda existem os que a ele se opõem e os que o manipulam de acordo com seus interesses. Nem por isso o Concílio Vaticano II deixa de ser o maior evento eclesial do século passado.
CR: Quais os caminhos que se abrem para a Igreja hoje?
Dom Orlando: O grande caminho, a avenida aberta para a Igreja, hoje, é o diálogo. Num mundo de comunicação instantânea, num mundo tão pluralista, a Igreja já deve ser capaz de dialogar com a técnica e com as ciências, com as diferentes confissões cristãs e com as grandes religiões. Nunca deve perder de vista o diálogo em seu interior para maior coesão e consciência de si mesma.
CR: Como o senhor avalia o primeiro ano de pontificado de Bento XVI?
Dom Orlando: Qualquer pessoa escolhida para algum ministério na Igreja carrega consigo uma bagagem pessoal, cultural, religiosa e familiar. Bento XVI é um intelectual, um exímio teólogo, um alemão comedido, até certo ponto, inibido. Assim o conheci. Nunca se espere dele os gestos de João Paulo II, homem do teatro, da comunicação de massa e polonês sagaz. João Paulo atraía por gestos e palavras cativantes. Bento XVI, pela lógica de seu discurso e pela timidez de seu caráter. Numa coisa coincidem: homens de Deus, conscientes de sua missão, são homens de oração e de Igreja.
CR: O senhor foi presidente da CPT. O que a luta dessa Comissão representa para o Brasil e para os pequenos agricultores nos dias atuais?
Dom Orlando: É sempre bom lembrar que a CPT é um dos organismos de que a Igreja dispõe para atender os pequenos agricultores. A Igreja teve, e ainda tem, nos pequenos agricultores sua raiz mais sólida, não apenas porque este é o maior e mais fiel contingente de seus seguidores, mas também porque dele vieram suas mais expressivas lideranças. A missão da CPT não é a de ensinar religião, mas de tirar as conseqüências sociais da fé professada. Esse compromisso nunca vai caducar, porque a injustiça sempre estará presente na humanidade. A CPT tem uma missão profética em relação à terra, pois, à contra-corrente, anuncia que todos têm direito à terra, dom de Deus dado a todos seus filhos e não apenas a alguns privilegiados.
Serra gaúcha programa Semana Santa
Encenações revivem os passos de Jesus até a morte e a ressurreição
Em diversas comunidades da Serra gaúcha as programações da Semana Santa incluem cada vez mais um ingrediente que motiva os fiéis a reviverem com mais emoção os acontecimentos da grande festa cristã - a encenação dos últimos passos de Jesus até a sua morte e as alegrias da ressurreição. Estão previstas encenações, especialmente na Sexta-feira Santa, em Carlos Barbosa, Flores da Cunha, Imigrante, Canela e Caxias do Sul, entre outras cidades.
Em Caxias do Sul, a mitra diocesana, com o apoio da Prefeitura, promove a Via-Sacra Viva, uma celebração inédita que será realizada no dia 14, às 9 horas, nos pavilhões da Festa da Uva, aproveitando o novo espaço religioso Jesus Terceiro Milênio, inaugurado no início de fevereiro. A via-sacra será realizada ao longo da escadaria de 200 degraus junto à qual estão as 14 estações. "Um grupo de jovens da paróquia São José fará a encenação dos últimos passos de Jesus até a crucificação, morte e ressurreição", salienta padre Leomar Brustolin, pároco da catedral diocesana.
Em cada estação, além da representação correspondente feita pelo grupo de jovens, serão entoados cantos, meditações e orações. A via-sacra encerrará com a encenação da ressurreição, realizada em frente ao monumento Jesus Terceiro Milênio. O público terá acesso livre pelos portões 7 e 8 dos pavilhões.
Na parte da tarde da Sexta-feira Santa, a partir das 14 horas, está prevista outra novidade em Caxias do Sul. A celebração da Paixão de Cristo, que tradicionalmente era realizada dentro da catedral, será feita na Praça Dante Alighieri. "Na praça haverá a leitura da Paixão, adoração, distribuição da comunhão e em seguida a procissão com o Senhor Morto", destaca padre Leomar.
Ao programar as cerimônias fora da catedral, a paróquia Santa Teresa visa permitir uma maior participação dos fiéis, pois a igreja é pequena para acolher as milhares de pessoas que acompanham as celebrações da Semana Santa. "Aguardamos cerca de 20 mil pessoas", prevê o pároco da catedral. Para facilitar a acomodação das pessoas idosas e dos portadores de deficiência serão colocadas cadeiras na praça. A procissão com o Senhor Morto vai percorrer as ruas Sinimbu, Garibaldi, Pinheiro Machado e Borges de Medeiros. A partir das 18 horas haverá confissões comunitárias na catedral.
No Sábado Santo, dom Paulo Moretto preside a Vigília Pascal, às 20 horas. Em seguida, haverá a cerimônia de bênção da água e do fogo novo, que deverá ocorrer também nas outras paróquias da cidade, conforme horários previstos. E no Domingo da Páscoa, serão celebradas missas na catedral às 9, 10h30 e 19 horas.
Sacerdotes realizam encontro no santuário
Na diocese de Caxias do Sul, a programação da Páscoa inclui, além das celebrações da Paixão e da Ressurreição, um encontro dos sacerdotes diocesanos e religiosos que atuam nas mais de 70 paróquias que a constituem. O evento será realizado na Quinta-feira Santa, 13 de abril, no santuário de Caravaggio. "É um encontro fraterno de reflexão, de oração e penitencial, em preparação às cerimônias da Semana Santa e também para recordar a instituição do sacerdócio", explica padre Adelar Baruffi, reitor do Seminário Aparecida.
Durante o encontro, que também tem cunho festivo, os padres presentes vão renovar as promessas sacerdotais e homenagear os que celebram jubileu em 2006. Neste ano, são cinco: padre Luciano Cansan, de Nova Prata, 25 anos de sacerdócio; padres Nivaldo Ângelo Piazza (paróquia de Lourdes, Caxias do Sul), Antônio Belluzzo (Cotiporã) e Júlio Giordani (Santo Antônio, de Bento Gonçalves), 50 anos de ordenação; e padre Ilário Piccoli, que reside na Casa do Padre, em Caxias, 60 anos de sacerdócio.
Religiosos do Brasil preparam congresso
De 15 a 18 de junho, a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) estará realizando em São Paulo (SP), o congresso nacional que, neste ano, pretende ser um momento forte de todo o processo desencadeado na concretização do projeto "Novas gerações e vida religiosa". Esse projeto dinamiza uma das prioridades da CRB e vem fortalecendo a responsabilidade comum das diferentes gerações na configuração de um novo rosto para a vida religiosa consagrada. A pretensão é acolher as intuições e valores das novas gerações e resgatar a experiência de doação e testemunho de outras gerações.
Entre os painelistas convidados estão o capuchinho gaúcho frei Luiz Carlos Susin, irmã Patrízia Licandro, padre José Oscar Beozzo e dom frei Luiz Cappio. Para informações e inscrições consulte o site www.crbnacional.org.br, link "Novas Gerações" ou ligue para (21) 2240.7299.
Nosso corpo não é nosso
Tudo na vida tem limites. Inclusive o uso da beleza
A moça que posou nua para uma revista masculina e ganhou dinheiro suficiente para comprar um apartamento atingiu a fama e a notoriedade pelas suas belas formas e por sua desinibição. Mostrou para os homens mais um corpo lindo que Deus fez e eles correram para comprar a ver aquele monumento vivo.
Como nosso corpo não nos pertence, nem o dela é propriedade dela, a moça negociou com o que a Deus pertence e do qual ela é apenas a guardiã. Aquele corpo tinha e tem a finalidade de ajudá-la a comunicar valores, afeto, amor e um dia gerar vidas. Ela nem sequer o conhece, tanto que ao primeiro susto, à primeira dor e ao primeiro alerta corre para os médicos que sabem e podem fazer mais do que ela por aquele bonito corpo que ela alugou para uma revista masculina. Todos ganharam dinheiro com ele, mas o dono não foi nem consultado nem respeitado.
Se os santos livros merecem algum respeito eles ensinam: que pertencemos ao Criador; que não se pode vender algo que não nos pertence; que o corpo humano é sagrado; que não se vende o que é sagrado; que não se oferece para uso indevido; que não se deve mostrar o corpo para qualquer pessoa, nem que ela pague para isso.
A moça errou. Negociou com algo sagrado que não lhe pertencia nem pertence. Deus tem direitos sobre ela e sobre o seu corpo de mulher bonita. Diga isso à sua filha linda e maravilhosa, quando ela for tentada a ganhar dinheiro com as suas formas e por milhares de reais aceitar passar dos limites. Tudo na vida tem limites. Inclusive o uso da beleza.
Garibaldi valoriza legado capuchinho
Berço dos frades no RS, paróquia terá missões de 20 de abril a 21 de maio
Todas as comunidades da paróquia São Pedro, de Garibaldi (RS), já estão mobilizadas para viver um tempo de reanimação da fé e da vida comunitária através das missões populares que serão realizadas de 22 de abril até 21 de maio. As missões serão pregadas pela equipe missionária dos capuchinhos que há 110 anos iniciaram, a partir de Garibaldi, suas atividades de evangelização no Rio Grande do Sul.
O pároco, frei Antoninho Pasqualon, informa que serão missionadas, além da matriz, todas as 30 comunidades que integram a paróquia. Cada comunidade acolherá os missionários durante uma semana. O encerramento será no dia 21 de maio, com missa na praça da matriz às 9 horas. "Aguardamos mais de 15 mil pessoas nessa celebração", salienta o pároco. A pré-missão foi realizada no dia 8 de janeiro e a pós-missão está prevista para julho.
O serviço das missões populares é uma marca capuchinha desde que eles chegaram ao Estado em 1896. Quando dom Cláudio Ponce de Leão convidou os primeiros capuchinhos franceses a vir ao Rio Grande do Sul, a intenção era que eles pregassem missões junto aos italianos e fossem uma presença salutar para o clero e para o povo. E dom Cláudio deixou claro que eles poderiam ampliar a atividade também entre os brasileiros e alemães.
Freis Bruno de Gillonnay e Leão de Montsapey iniciaram suas atividade missionária tão logo chegaram a Garibaldi. Visitavam as comunidades e núcleos da Serra gaúcha e lá permaneciam até oito dias, pregando, batizando, confessando, preparando à primeira comunhão. Para o povo, quase abandonado, as missões capuchinhas foram uma bênção.
Atualmente, as missões populares visam colaborar com as comunidades no processo de reanimação, fortalecendo o que já existe de bom e abrindo novas perspectivas para a vida comunitária, em conformidade com os tempos e lugares e com o plano pastoral da diocese e da paróquia. São 110 anos de vida missionária itinerante, prestando esse serviço pastoral franciscano-capuchinho, fraterno e eclesial de evangelização.
Dimensão espiritual deve alimentar atividade política
Com o tema "Profetismo no exercício do poder", realizou-se dias 11 e 12 de março, em Vitória (ES), o 5º Encontro Nacional de Fé e Política, evento que reuniu mais de quatro mil agentes de pastorais, integrantes de movimentos populares, de sindicatos, de organizações não governamentais e de partidos políticos de 20 Estados.
"Além das reflexões da grande plenária, o encontro contou com 20 blocos que debateram assuntos como água e ecologia, educação popular, economia solidária e cooperativismo, mulher na sociedade, mística e espiritualidade na militância política, mídia e comunicação popular, políticas públicas para juventude, cultura, ética e direitos humanos, reforma agrária e outros", relata padre Dirceu Benincá, da diocese de Erechim, que participou do encontro. O movimento Fé e Política é ecumênico, não confessional, apartidário e visa alimentar a dimensão ética e espiritual que deve animar a atividade política.
Pe. Benincá assume as pastorais sociais
Padre Dirceu Benincá, que em março concluiu mestrado em Ciências Sociais na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, sendo aprovado com nota máxima (10 com louvor), está assumindo a coordenação das pastorais sociais da diocese de Erechim (RS). Ele também vai trabalhar como vigário paroquial da paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição de Getúlio Vargas, além de outras atividades.
Colaborador do Correio Riograndense, padre Dirceu escolheu como tema de dissertação de mestrado a Associação de Recicladores Cidadãos Amigos da Natureza (Arcan), organização de catadores de materiais recicláveis criada no dia 6 de fevereiro de 2001, no bairro Progresso, em Erechim. Benincá escolheu para seu trabalho o sugestivo título "Reciclando a (des)ordem do progresso".
Aldo Colombo
Ver os irmãos com os olhos de Deus significa enxergar neles o que existe de bom e amável, para além das aparências
Eles cresceram juntos, colegas de festas e de universidade. Depois a vida os separou. Anos mais tarde houve o reencontro. Ambos haviam casado e um deles já estava descasado. Ao reencontrar seu antigo colega não conseguiu disfarçar certa decepção em relação à esposa deste: desculpe a franqueza, mas sua esposa é muito feia! Com serenidade o marido declarou: você está enganado, você não tem meus olhos.
Como muitas outras realidades, a beleza não é inteiramente objetiva, mas passa por muitos filtros, que a encantam ou desfiguram. Aos olhos do marido, a esposa era bela, a mais bela de todas, sobretudo porque ele sabia ver nela também a beleza interior. Mesmo com o rosto cheio de rugas, todos concordamos com a beleza de Teresa de Calcutá, uma beleza que contraria e supera os padrões globais de beleza.
Existe uma beleza plástica, puramente exterior. É a beleza periférica, inexoravelmente passageira. Existe uma beleza interior, que os anos não comprometem, pelo contrário, fazem crescer. Uma netinha exprimiu isto à avó: como são bonitas as suas rugas e seus cabelos brancos! Ela via através do filtro do amor.
Num passado recente, marcado por certo moralismo, sobretudo nos internatos, uma frase alertava: "Deus te vê". Certamente Ele vê. Mas como serão os olhos de Deus? São olhos de pai e vêem apenas as qualidades e a beleza dos filhos. Deus nos vê como bons, amáveis e salváveis. Deus não nos vê a partir de nosso pecado, mas a partir de nossas possibilidades. O pai não viu no filho pródigo os traços exteriores marcando uma aventura desastrada. Ele viu o filho que estava retornando e por isso merecia uma festa.
O evangelista São João revela a intenção do Pai: "Deus não enviou seu Filho para condenar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele" (João 3, 17). Certamente o amor de Deus não é brincadeira. Tanto que o mesmo evangelista lembra que o julgamento está acontecendo agora, através de nossas escolhas. Podemos escolher as trevas ou a luz. A morte tornará definitiva essa escolha. Mas Deus não desiste de nós. Porque tem olhos do Pai, procura sempre mudar nossa história.
Ao longo da Quaresma, a Igreja nos convida a ver nossos irmãos com os olhos de Deus. Isso significa ver neles o que existe de bom e amável, além das aparências. E coloca um ângulo especial: pessoas portadoras de deficiência. Mas não se trata apenas de bons desejos. A CF adverte que 40% das deficiências podem ser evitadas. Que o diga a Pastoral da Criança! Lutar pela vida significa ter os olhos de Deus. Mais ainda, Deus, hoje, precisa, além de nossos olhos, nossos braços, nossa inteligência para transformar a realidade.
E isso significa ver e amar como Deus vê e ama. Da parte de cada um de nós surge outra exigência: deixar que Deus nos ame. Não mudaremos apenas pelo nosso esforço. Isso será possível pelo amor do Pai.
Murialdinas celebram jubileu religioso
Primeiro grupo de noviças da congregação comemora 50 anos
A congregação das Irmãs Murialdinas de São José viveu um momento histórico no domingo, 26 de março. Nesse dia, seis irmãs celebraram o primeiro jubileu de ouro de vida religiosa na província brasileira. O evento ocorreu 52 anos depois do surgimento da congregação no Brasil, em 1954, quando sob orientação de padre João Schiavo, um grupo de jovens assumia o carisma de São Leonardo Murialdo segundo a regra da vida da congregação fundada em Turim pelo padre Luigi Casaril.
No dia 25 de março de 1956, o primeiro grupo de noviças fez sua consagração religiosa na capela do antigo seminário josefino, em Fazenda Souza, Caxias do Sul, pois ainda não tinham casa própria. E 50 anos depois, as irmãs Maria Apollonia Paniz, Terezinha Zin, Jandyra Luiza Lora, Hilda Bianchi, Hilda Maria Paniz e Onorabile Demoliner escolheram a mesma capela para recordar os 50 anos de vida religiosa.
Uma missa de ação de graças, presidida pelo bispo diocesano dom Paulo Moretto, acompanhado de dez sacerdotes, co-irmãs, familiares e amigos, marcou as celebrações. Dom Paulo destacou o pioneirismo desse primeiro grupo de irmãs, que lançou a semente de uma obra que hoje produz notáveis frutos. Na missa, as jubilandas recordaram quatro colegas do grupo que já faleceram, as irmãs Gioconda Perondi, Luiza Boff, Delaide Baldasso e Mercedes Sabadin. Após a missa, foi oferecido almoço de confraternização aos convidados.
Irmãs recordam 50 anos de consagração
Três religiosas, irmãs de sangue, mas de congregações distintas, celebraram juntas 50 anos de vida consagrada. Naturais da 3ª Légua, interior de Caxias do Sul, as irmãs Maria (Inácia), Pierina e Jacinta (Irma) Iob, filhas de Henrique e Cecília Iob, celebraram o jubileu na capela de Caravaggio da 3ª Légua no dia 19 de fevereiro. A missa de ação de graças foi presidida por frei Aldo Colombo, vigário paroquial da Imaculada e diretor do Correio Riograndense.
Irmã Maria, 80 anos, é da congregação das Irmãs Filhas de Maria Santíssima do Horto. Integrou o primeiro grupo de jovens brasileiras da congregação, que iniciava a formação religiosa no Brasil. O centro de sua missão foram a oração e os serviços domésticos. Reside na casa de retiros Belém do Horto, em Porto Alegre. Irmã Pierina, 78 anos, pertence à congregação das Irmãs Pastorinhas. Também integrou o primeiro noviciado da congregação no Brasil, que iniciou em São Pedro da 3ª Légua. Atualmente, desenvolve sua missão religiosa em São Paulo.
Irmã Jacinta, 76 anos, é da congregação das Irmãs de São José. É missionária em Cochabamba, na Bolívia. Atende necessitados do campo e da cidade, atua na catequese, na liturgia e em outras atividades.
Diocese de Dourados prepara o ano jubilar
Dom Redovino Rizzardo, scalabriniano gaúcho, bispo da diocese de Dourados (MS), lançou a segunda carta pastoral, tendo em vista as comemorações dos 50 anos de criação da diocese. A carta traz uma reflexão dos 50 anos de caminhada da diocese, passando pelo ministério pastoral dos bispos anteriores, dois dos quais ainda vivem - dom José Aquino, o primeiro bispo, e dom Alberto Forst, emérito, que atua na própria diocese.
Na carta, dom Redovino delineia o propósito do período jubilar e destaca as missões populares que visam reavivar a fé dos diocesanos e fazer novos agentes de pastoral. A diocese de Dourados foi criada em 1957, abrange 36 municípios, 40 paróquias e uma superfície de 73,2 mil km2.
Irmã Lia dedicou sua vida aos migrantes
Um infarto fulminante, no dia 25 de março de 2006, vitimou irmã Lia Barbieri, religiosa da congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo, scalabrinianas. Irmã Lia residia em Caxias do Sul e exercia seu apostolado no Centro de Atendimento ao Migrante e no Centro de Estudos Migratórios da Província Imaculada Conceição.
Natural de Farroupilha (RS), filha de Carlos e Claudina Gómez Barbieri, irmã Lia nasceu aos 24 de novembro de 1927 e era religiosa há 58 anos. Dedicou grande parte de sua vida apostólica na área da educação, atuando em diversos colégios. Passava aos alunos o amor que tinha pela literatura e pelas letras. Durante sua vida participou de vários capítulos gerais da congregação. Contribuiu como conselheira e secretária geral (1983-1989) da congregação, em Roma; foi superiora provincial (1999-2002), atuou no Centro Scalabriniano de Estudos Migratórios, em Brasília.
Realizou serviços de pesquisa e estudo sobre assuntos da congregação e da pastoral das migrações; atuou em paróquias e dedicou sua vida à comunidade religiosa. A respeito dos migrantes, destacava a necessidade de acolhida e orientação, pois quem migra tem vida instável, "vive uma situação que rompe com todos os vínculos de sociedade, de comunidade e até de família".
Wilson João
A repetição de uma idéia positiva faz qualquer pessoa encontrar o caminho da realização e do sucesso
Tudo o que se lê deve ajudar a crescer na vida e a ser melhor. Hoje devo ser melhor do que ontem. No próximo ano devo ser melhor do que neste. A vida é evolução. Essa é a razão de se ler livros bons, e ler muito. Infeliz a mulher de um jogador de futebol, que falou: "Ainda não tive tempo de ler um livro". Falou e se revelou uma ignorante. Perdeu a ocasião de calar. Viver é exercitar-se para ser melhor. Mas para ser melhor é preciso ir às fontes. Fontes são os bons livros, os bons cursos, as boas conversas com pessoas amigas, as intimidades que estimulam, os momentos de solidão produtiva. É saudável disciplinar-se e exercitar-se para o crescimento pessoal.
EXERCITAR A HONESTIDADE é crescer na liberdade. É exercitar-se para ser livre do engano. Nesta nossa sociedade marcada pela mentira e pelo engano, grande pessoa é aquela que vai crescendo na honestidade.
EXERCITAR O PERDÃO é libertar-se dos ressentimentos. É desistir dos ressentimentos. É buscar a leveza da vida pelo descarrego do peso de fatos que magoaram e feriram os relacionamentos.
EXERCITAR O COMPROMISSO é sustentar as escolhas. Nossa vida é feita de escolhas. Não escolher já é uma forma de fazer escolhas. Exercitar o compromisso é assumir as escolhas feitas e executá-las.
EXERCITAR A FÉ é olhar para frente. Nada cai do céu de mão beijada. Tudo é resultado de luta, de exercício, de repetição de atos. A fé não se recebe de graça. Ela é uma graça, mas que deve ser cultivada com a oração, a leitura da Palavra de Deus e a meditação.
EXERCITAR A ESPERANÇA é saber que amanhã vai ser melhor do que hoje. Mas é também saber que amanhã será melhor do que hoje se no hoje eu empenhar minhas energias e tempo para construir o amanhã. Não basta dizer: amanhã vai melhorar. É preciso tomar decisões para que ele seja melhor.
VIVER É FAZER-SE. É construir-se. Por isso, é exercitar-se. É não cansar de repetir idéias, atos, emoções, até que isso se torne carne de nossa carne, até que se torne uma nova maneira de viver. A repetição do "copo em copo" faz a pessoa entrar no vício da bebida. A repetição de uma idéia positiva faz a pessoa encontrar o caminho do sucesso.
O italiano que está em você
José Declero Pedrotti
Cuiabá - MT, literato
José Declero Pedrotti, vendedor, nascido em Três Passos-RS, filho de Albino Mário Pedrotti e de Itália Copetti, casado com Íris Helena Eickoff, irmão de Eugênio Luiz, Luiz Osmar, Geraldo, Maria Júlia, Itália Ivani e Vera Lúcia, declara:
"A italianidade é um acúmulo de experiências para os netos escreverem a história quando a caneta nos cair da mão. Levamos conosco a ancestralidade. Com o toque individual, depositamos a sabedoria das experiências dos que nos precederam no sacrário do coletivo.
A minha italianidade tem volúpia de amplidões, de mares revoltos e de largo pampa. Estaria sempre viajando. Tenho saudades de voltar. Sonho roteiros para andar. A contradição viaja comigo, não para fugir da solidão, mas pelo prazer dela.
Aprazem-me longos silêncios para meditar, pensar e ler. Não fico só, mas ligado ao universo silencioso. O italiano que está em mim veio de longe. Viajou com meus avós pelas águas transatlânticas. Viu luares imensos banharem-se na placidez de noites claras. Chorou cadáveres patrícios deslizando entre águas e céus, amortalhados no sudário do mar, singrando aos braços de Deus. Viu bambini nascendo no cruzeiro da esperança. A vida que renasce a cada dia, indiferente aos temores do momento. Olhos doces de mãe perscrutando horizontes, buscando as luzes longínquas da América. Dove sarà questa Mèrica? (Onde estará essa América?) Olhos e mentes viajavam mais rápidos que a lentidão dos navios. A dualidade de esperanças e medos invadiam a alma desses heróis, rumando ao desconhecido. Esperanças e temores se avolumavam, com saudades de um porto que ficou chorando o nunca mais ou o talvez um dia. E o navio, indiferente, seguia seu rumo. Uma morbidez dorida dominava as entranhas do ser. Só a preghiera os podia recompor na incerteza. Mas a alegria é base da identidade da nossa gente. Cantavam, cantavam; o mar e a América, abraçados, escutavam.
O italiano que está em mim é o do pampa gaúcho. Mateando solito, nas noites grandes, ouvia o minuano galopando, descendo a mística cordilheira. O pampa, tingido de branco. A noite gelada. O mundo encolhido. E o italiano, cismando, escutava o cantar bravio daquele vento rude. Junto ao fogo tiritava imóvel, ouvindo histórias que o tempo foi avivando. A nona contava, embevecida, como o Etna, o vulcão que acorda a Itália, a encheu de fascínio e medo em sua infância. Ela o viu última vez aos 8 anos, e aos 96 anos ainda acariciava aquela longínqua silhueta.
Na infância ouvia suas histórias, sem saber que a menina, nona Magdalena Coracini Copetti, não tivera pão. O fantasma da fome a acompanhou do berço ao navio da diáspora. Esta realidade manteve-se no ritual de minha mãe, que repartia o escasso pão, para não faltar a ninguém. Tenho saudades da mesa pobre de minha infância, tão rica de significados e lembranças.
A fé está no DNA de minha italianidade, marcada pela vida e pelos exemplos, sobretudo os de minha esposa Íris Eickoff. A fé foi a bússula que conduziu nossos antepassados pelos mares da incerteza rumo ao desconhecido. A italianidade penetra todo meu ser - gostos, sabores, tendências, qualidades... Dela herdei o apego às pessoas de quem gosto. E a vida, sabiamente, me deu a esposa Íris, e as filhas Raquel, Débora, Desire e Janaína, as quais, com os netos, expressam renovada italianidade. Os navios retornaram a seus antigos portos, mas ficou a italianidade, com a mística de andar e cantar. Ao ouvi-los todos dirão: "São os italianos. Eles têm a música na alma e no coração" (josepedrotti@terra.com.br).
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (354)
El autin tosse come se el fusse un porcheto co la rogna
SILVINO SANTIN
Santa Maria (RS)
Sta olta Nanetto el gera pi calmo. Dopo ver rangià la maleta insieme la Gelina, Nanetto el se invia contento, ma come l’è stà lì in dùbio, porto la fatiota, no la porto, el se ga ritardà, ma gnente che no desse par ricurperar con un passo verto. Così che’l riva davanti la cesa de San Giusepe, el se senta. Par dir la verità, el se gavea stufà, i gera sol tre chilòmetri de strada, romai la gavea pestada tante volte, ma istesso la stufa quando se la fa in prèssia, sia la prima volta, sia dosento volte, e, par sora, le bele fetone de polenta e late le ghe pesea in tel stómego.
No’l gavea gnanca tirà la prima pipada, che’l sente el fronfron del autin de Giulieto. El salta su, el ciapa la maleta par ndar do drio la strada, sta volta no’l se gavea smentegà de cavar le sinele e meter su le scarpe. Con un forte bon giorno e due salti, Nanetto el gera belche sentà rento el autin.
Sensa altre parole, ben, el dise Nanetto, ricordàndose de quelaltro viaio, ti te pol star atento in tel guidon, che mi stao de oci verti par veder se vedo i soldai dele multe, sconti drio qualche caresson col so s-ciopeto, che no el fa pun, ma el ze de far multe, che le vien rento la scarsela torne i soldi.
Sta olta si, el ghe risponde Giulieto, se metemo d`acordo bonora, così podemo viaiar tanto pi contenti.
Òstrega, el se sclama Nanetto, squasi che me sméntego de dir su na orassion al Àngelo Custode e a Santantònio. E sensa nè dó e nè tre, el se cava el capel, el fa el segno dela crose, magari mal disegnà par via del sgorlon del autin, ma in fati el se racomanda al Signore e ala Madona, come la mama lo gavea insegnà.
In tanto che i va vanti, Nanetto el ghe conta tuto quel che’l gavea fato dopo el primo viaio. El ga seguità, sensa fermarse, fin al primo pedàgio, quando el ga vedesto el prèssio el ga dito come l’è diventà caro, i vol pròpio pelarne fin l’ànima.
Tò che pena finio de lamentarse, el autin scomìssia tossir, come se el fusse un porcheto co la rogna. I se ferma poco pi avanti de na baracheta ndove i vendea prodoti dela colònia. Giulieto tira fora el selular e el ciama aiuto de quei del pedàgio. In tanto che i spetea, el paron dela baracheta, un aleman, el ghe dimanda se i gavea bisogno de qualcosa. Si, Nanetto el ghe dise, volemo far ndar vanti sta bestioleta qua, che la se ga impacà, se la fusse un mul, mi savaria come far. Un bel fasseto de urtighe. E pronto, el alsaria la coa de tuta carera. Ma qua la stòria la ze de nantra maniera.
Come el aleman no’l capia le ciàcole de Nanetto, Giulieto el ghe ga spiegà che romai el gavea ciamà el aiuto dela compagnia del pedàgio. Ma vanti che’l rivasse, i ga parlà sora i laori dela colònia. El gera pròprio el tempo de cavar su patatine, ma el tedesco el parlea medo in aleman medo in brasilian. E Nanetto no’l capia na patata. Dopo de tanto sentir la parola kartoffel, con un maleto sforso de mente el ga pensà, sensa esser sicuro, che volea dir patate.
Par sorte i ga perso poco tempo. Messi in strada, Nanetto el ghe va drito al punto. Giulieto, te vedi, che brao omo el saria sto aleman, ma, poareto, no’l sa gnanca parlar polito, el ghe ciama le patate de cartòfole.
- Ma, Nanetto, in aleman, patate se dise kartoffel. Se ti te fussi aleman o te stessi in Alemània, te parlarissi anca ti cossita.
- Ma mi no son mia aleman e manco ncora stao in Alemània.
- Si, ma metemo, el proa spiegarghe piampianelo Giulieto par veder se lo fea capir, ti te parli un poco de brisilian, e, quando te parli brisilian, le patate te ghe ciami batata.
- Si polito, go capio no son pròpio insemenio, ma mi no son aleman e anca no son in Alemània. Lora, qua, ndove semo, le patate le ze patate e nò cartòfole.
Giulieto el ghe ga dito:
- Go idea che se fermeno qua, sinò tachemo barufar massa bonora. Ma Nanetto el ga parlà un bel toco sora le confusion dele léngue, saria meio, el dise, se ghe fusse sol el talian, tuti i se capiria polito, sensa barufe. Ma i òmeni, ncora in tel vècio testamento, i ga fato la Tore de Babelo, el scomìssio dela confusion dele léngue.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
Stòria de Santin e Josephina Gasparin
Alvírio Silvestrin
Escritor, Balneário Camboriú (SC)
Ndando in giro, inserca de informassion sora la fameia Sartori, son passà in Campo do Meio e Mato Castelhano, due pìcole comunità tra le strade de Lagoa Vermelha e Passo Fundo. De sera, drio scurir, mi e la Lenita semo ndai a casa de Santin João Gasparin, fiol de Eugênio Gasparin e de Angelina Zancanaro, nassisto te la Linha Marquês do Herval, in Veranópolis, ai 7-5-1926, e la so dona, Josephina Sartori, fiola de Giuseppe Sartori e Maria Deola, la ze nassista in Campo do Meio, ai 14-2-1926.
Giuseppe Sartori ze la soca del me novo libro. Lu el se ga maridà tre volte. La Maria ze la so tersa dona, ma la dissendensa che meto tel libro ze quela dea prima dona, la Izaira Sottile. Giuseppe el zera dela Linha São Paulo da Cruz, oncó del municìpio de Fagundes Varela. Quando ze nato el quarto fiol, Giuseppe el ze morto e i fioleti i ze stai slevai dai so zii, Primo Sottile e so dona, anca lori dea capela São Paulo da Cruz.
Quando ghe go parlà del frate Rovílio Costa, ze stà come se ghesse parlà de un profeta, e de questo son d’acordo anca mi.
Santin, con tre ani, el ze ndà coi so genitori, dea Linha Marquês do Herval fin Campo do Meio, rento na cavagna, sora el carghiero. Tel època Eugênio el zera abonante dea Staffetta Riograndense. Santin e la Josephina i ga 82 ani, i ze tronchiere forte, i sotoscrive e i lede el Correio Riograndense fin oncó. Dopo leto, i lo fa rivar ai amici che no i ze abonanti e, in fine, i lo mete via. Lori i ze da star te na grande casa de alvenaria, con 182 metri quadrati. I saria premosi, frate Rovílio, de na benedission sua, e mi anca.
Nota Bene: Alvìrio, ti, la to fameia e la fameia de Santin e de la Josephina sì na benedission par mi, lora, come sacerdote, ve benedisso, domandando a Gesù, par intercession de San Francesco, che ve impiene el core de pace e bene (Rovílio Costa).
Par rìder
Rafael Baldissera
Professor, Curitiba - PR
Le due toaie
- Gigio, tesoro mio, la nova lavadera la ga robà due toaie nostre!
- Ma che ladra, sensa vergogna! Quae zele stae le toaie?
- Giusto quele due nove che gavemo porta via dal Hotel "Serra Gaúcha".
Ovassionada
La tosa la riva a casa, dopo el so debute come cantora lìrica.
- Sito stà tanto ovassionada, fiola? El ghe domanda so pare, intusiasmà.
- Si, papà, son stà ovassionada, pomidorada e anaransada!
El ciuco
Un ciuco el vien caminando par la strada e, de colpo, el so capel el vola, cascando in tera. Lu el se ferma, el varda fissamente, coe gambe verte, el stimà ogeto, e el dise squasi soletrando:
- Se no me sbasso, no te also. Se me sbasso, no me also su...
Lora el conclude, in ton malincòlico:
- Adio, amigo! Se separemo qua.
Três Passos promove agroindústria e artesanato
Mais de 70 mil devem prestigiar a exposição
Promover o crescimento das agroindústrias, artesanato e do setor têxtil é um dos objetivos da Feira Exposição Industrial, Comercial e Agropecuária de Três Passos (Feicap). Durante a Feicap, serão realizados o Salão do Empreendedor e o 1º Fashion Day Noroeste. A feira ocorre de 18 a 23 de abril, no Parque Municipal de Exposições Egon Júlio Goelzer.
Durante o 1º Fashion Day Noroeste, serão realizados workshops, palestras, desfiles e rodadas de negócios, que beneficiarão 80 empresas da região. De acordo com o presidente da Feicap, Márcio Roberto Blatt, a expectativa é de que mais de 70 mil pessoas visitem a exposição, principalmente da região Noroeste do RS, de Santa Catarina e da Argentina.
Cambará do Sul realiza a Festa do Mel
Cambará do Sul realiza, de 6 a 9 de abril, a Festa do Mel, no ginásio de esportes. A promoção é da Associação Cambaraense de Apicultores (Acapi), Emater e Prefeitura. A festa terá a participação de 50 expositores, que estarão comercializando malhas, vestuário em couro e artesanato, entre outros. Quinze associados à Acapi estarão vendendo mel, própolis, cera e produtos coloniais.
A festa terá atrações como a noite da acordeona, com a participação de cerca de 20 gaiteiros, e a Cavalgada Caminhos do Mel, que terá a participação de 180 a 200 cavaleiros, que irão percorrer cerca de 25 km pelos caminhos das abelhas, entre matas e campos - saída em frente à igreja São José. Segundo Iran Fogaça da Silva, da Emater, a produção de mel nesta safra foi de 120 toneladas.