
DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 4.983 - Ano 98 - Caxias do Sul-RS, 12 de abril de 2006.
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Agressão à natureza ameaça a vida das futuras gerações
A natureza precisa ser tratada com o respeito de quem depende dela para viver
O último relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre diversidade biológica, divulgado há menos de 15 dias, fornece dados preocupantes para o futuro da humanidade. O primeiro deles é de que dos 15 indicadores usados para diagnosticar a situação da biodiversidade no planeta, 13 estão em tendência negativa. O segundo: o mundo perde seis milhões de hectares de floresta primária a cada ano.
A ONU conclui ainda que apenas 13% dos ecossistemas da Terra estão preservados, e mesmo assim a distribuição deles é irregular. Milhares de espécies animais e vegetais já não existem mais e uma quantidade maior está sob forte ameaça de extinção, origem de um desequilíbrio perigoso.
Chama atenção ainda a velocidade com que a destruição tem aumentado. Um outro levantamento, ampliado na página 4 desta edição, revela que a metade das florestas que o planeta perdeu em 10 mil anos foi dizimada nos últimos 80 anos. A ganância de grandes grupos econômicos é apontada como uma das principais causas para essa tragédia ambiental. Contribuem também a omissão, em alguns casos a conivência, de governantes que não criam legislações preservacionistas e quando as elaboram não organizam estruturas para uma fiscalização eficaz.
A necessidade de oferecer mais comida a uma população que se multiplicou no século passado explica a ampliação da área de produção agrícola, uma das razões para o desmatamento, embora novas técnicas tenham elevado consideravelmente os índices de produtividade. A questão maior, no entanto, não é essa. O descontrolado abate de florestas, a crescente poluição de mananciais de água e do subsolo são práticas que poderiam ser conduzidas com mais responsabilidade.
Desenvolvimento sustentável tem sido a recomendação das pessoas e entidades que lutam para conservar condições de vida para as futuras gerações. Isso significa usar a terra com cuidado, respeito e harmonia, indispensáveis para manter um processo de absoluta interdependência. Parte da humanidade ainda não se conscientizou de que as fontes naturais são esgotáveis e que todos morrem um pouco a cada árvore derrubada, a cada rio poluído, a cada espécie que desaparece. Os efeitos desse processo destrutivo já são sentidos em várias regiões do mundo. Se ele não for contido, amanhã será pior - e os que nos sucederem vão cobrar.
Festuva agrada, mas dá prejuízo
Gelson Palavro diz até junho se continua na presidência
Convidado a permanecer na presidência da Comissão Comunitária da Festa da Uva para o evento de 2008 pelo prefeito José Ivo Sartori, Gelson Palavro dará uma resposta até junho. Até lá, se decidir continuar, provavelmente deverá ter encontrado uma fórmula que mantenha o atual modelo da Festa e que ao mesmo tempo consiga atrair mais público e receita.
Pesquisa realizada com 2.040 visitantes revelou que para 70,5% dos entrevistados, o evento deste ano foi superior ao último, 22% consideraram igual e apenas 6% classificaram de pior. Sinal evidente de que as mudanças implantadas surtiram efeito positivo. Por outro lado, a meta era atrair um milhão de visitantes, e o público total foi de 890 mil pessoas; o objetivo era pelo menos encerrar o evento com equilíbrio financeiro, e o resultado aponta prejuízo de R$ 224 mil.
"Não me sinto confortável em apresentar uma conta dessas, mas temos de considerar o alto investimento feito em melhorias no Parque que não será necessário repetir no próximo evento", afirmou Palavro ao CR na quinta 6, após divulgar o balanço final do evento. "O trabalho foi bem feito, mas poderia ser melhorado", admitiu Palavro, que depende ainda do encaminhamento de negócios particulares para definir se aceita presidir a Festa da 2008. Se disser sim, garante que começa a trabalhar já no segundo semestre deste ano.
Sem o R$ 1,758 milhão aplicado em obras no Parque, a Festa teria dado lucro. Mas da receita computada ainda é preciso captar R$ 294 mil, através da lei federal de incentivo à cultura. Da receita total, a bilheteria de acesso aos pavilhões contribuiu com apenas 20%, o que dá uma média, computando-se o ingresso de mais de 400 mil pessoas, de R$ 4,00 por pessoa - o valor significa 5% dos R$ 80,00 gastos em média pelo turista que visitou os pavilhões. A Festa registrou ainda 275 mil pessoas nos desfiles e 186.328 em outros eventos - escolha da rainha, inauguração da via-sacra, olimpíadas coloniais...
O balanço geral mostra ainda que a Festuva 2006 distribuiu 220 mil quilos de uva, teve 832 expositores (432 de uva), 800 apresentações artísticas, 19 eventos esportivos. A nota média para o corso alegórico, também segundo pesquisa, foi 9,2.
Reitor da UCS apresenta balanço da gestão 2002-2006
Em tom de despedida, o reitor Luiz Antonio Rizzon apresentou um balanço de sua gestão frente à Universidade de Caxias do Sul (UCS). "Foram quatro anos de crescimento, qualificação e cumprimento do nosso compromisso social", avaliou durante entrevista coletiva na sexta-feira 7.
Entre as ações desenvolvidas, Rizzon destacou como prioridades a atenção ao estudante e ao professor. De 2002 a 2006, a UCS passou de 27.526 alunos para 36.444. O reitor ainda registrou a adesão ao Programa Universidade para Todos (PROUNI), por meio do qual 900 pessoas estudam gratuitamente, além de outros 5.000 que contam com bolsas ou outro tipo de auxílio financeiro. Ele lembrou também a criação da modalidade de educação a distância, com o curso de graduação em Pedagogia.
A valorização do professor ocorreu principalmente através do apoio à qualificação. O número de mestres e doutores passou de 503 em 2002 para 870 atualmente. O reitor também citou a implantação do primeiro curso de Doutorado próprio da UCS, na área de Biotecnologia.
No que diz respeito à responsabilidade social, ele afirmou que a universidade disponibiliza para a comunidade o conhecimento que produz, como os programas de extensão desenvolvidos no Centro de Agricultura Familiar de Veranópolis e em Fazenda Souza, entre outros.
Rizzon destacou ainda os investimentos em infra-estrutura, que totalizaram mais de R$ 73 milhões. Os recursos viabilizaram, entre outras ações, a aquisição de 260 mil livros para as bibliotecas, a implantação de 200 novos laboratórios e a construção de 21 prédios.
"Nesses quatro anos, a UCS nunca obteve resultados financeiros negativos, o lucro em 2005 foi de mais de R$ 6 milhões, mas prefiro avaliar o período pela qualificação", diz. "O resultado que mais me orgulha é que não temos nenhum curso com conceito regular ou insuficiente, na avaliação do Ministério da Educação, e isso é o maior selo de qualidade de uma universidade", finalizou Rizzon. Ele fica no cargo de reitor até dia 2 de maio, quando será substituído pelo sociólogo Isidoro Zorzi.
Renovação no cargo é importante
Luiz Antonio Rizzon afirmou que nunca pensou em reeleição. "É preciso oportunizar novas idéias à universidade. A renovação é importante, se tivesse me candidatado, talvez não propiciasse isso", declarou.
Sobre a concorrência entre as universidades, o reitor disse que é um fenômeno universal. "O remédio é a qualificação e o fortalecimento por meio de programas sociais e alianças com a comunidade", afirmou. "A concorrência é até salutar, pois faz com que os acomodados se mexam". Segundo ele, a maior concorrente da UCS é a educação a distância. "Fica a sugestão para que a universidade inicie essa modalidade na área de Administração, que concentra a maioria dos alunos da UCS", sugeriu o reitor.
Destruição provoca onda de extinção da biodiversidade
ONU mostra declínio de 40% das populações de 3.000 espécies nos últimos 25 anos
O mundo se divide entre a precaução e o progresso. Nessa caminhada, a ação humana está varrendo a biodiversidade do planeta. Para as espécies animais e vegetais, os últimos 25 anos viraram uma mortandade sem precedentes: 40% das populações de 3.000 espécies desses seres vivos sumiram. Os dados estão no relatório das Nações Unidas (ONU), apresentado durante a Conferência das Partes de sobre Diversidade Biológica (COP-8), em Curitiba.
O relatório deixa poucas dúvidas de que a Terra está à beira de uma grande onda de extinções, tão grave quanto a que acabou com os dinossauros. "O mundo está cometendo um equívoco enorme à medida que trata o planeta como um espaço de negócios, "enquanto, na verdade, o planeta é um espaço de vida", alertou o secretário-geral da COP-8, o argelino Ahmed Djoghlaf, acompanhado da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.
Dos 15 indicadores usados pela ONU para avaliar o estado da biodiversidade do planeta, nada menos que 13 se encontram em tendência negativa. Os únicos dois indicadores que se destacam por sua tendência positiva são a quantidade de áreas protegidas pela legislação ambiental e a qualidade da água em ecossistemas.
O mundo está perdendo seis milhões de ha de floresta primária (virgem) a cada ano desde 2000. A América Latina responde por dois terços dessa queda. De acordo com a pesquisa, apenas 10% das áreas de florestas permanecem intactas. Nove em cada dez hectares foram destruídos.
Cerca de 35% das áreas de florestas preservadas estão na América Latina, a maior parte no Brasil. "Temos mais da metade das espécies terrestres (vegetais e animais) em menos de 10% do planeta", disse o diretor de campanhas do Greenpeace no Brasil, Marcelo Furtado, que apresentou um estudo na conferência sobre o desmatamento mundial.
O Greenpeace revelou que, dos 148 países que tiveram cobertura vegetal, 82 já perderam toda essa vegetação nativa. "Metade da floresta perdida nos últimos 10 mil anos foi destruída nos últimos 80 anos", informou Furtado. O relatório Ecossistêmico do Milênio, divulgado pela ONU em 2005, já apontava que, de agora até 2050, a degradação deve aumentar 10 vezes a velocidade, se nada de significativo for feito. "Somos a última geração capaz de parar a destruição do meio ambiente a tempo", enfatizou Ahmed Djoghlaf.
Desaparecimento - Embora 13% dos ecossistemas do planeta estejam cobertos por reservas, o relatório aponta que se trata de uma distribuição irregular. Quase metade dessas grandes áreas naturais possui menos de 10% de sua área sob proteção real. Nos oceanos e mares, a situação é ainda pior. Somente 0,5% de suas superfícies contam com algum tipo de cuidado.
O desaparecimento das populações animais está diretamente ligado a outros flagelos identificados pela ONU. Um deles é a proliferação de invasoras, trazidas intencionalmente ou acidentalmente pela ação do homem. Por não terem inimigos naturais aonde chegam, se tornam pragas. Estima-se que as espécies invasoras sejam responsáveis por 40% da extinção de espécies animais desde o século 17, quando registros confiáveis começaram a ser mantidos.
Decisões polêmicas ficam para 2008
Há quatro anos, os líderes mundiais comprometeram-se a acabar com a perda da biodiversidade até 2010. As alternativas ficaram para 2008, na Alemanha, já que no encontro de Curitiba houve fracasso nas negociações dos temas polêmicos, na avaliação de ONGs como o Greeenpeace e a Via Campesina.
Já a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, fez um balanço positivo. Destacou a proibição das sementes suicidas e a identificação de cargas que contenham transgênicos. O Brasil lançou o Plano de Combate ao Desmatamento da Mata Atlântica, assinou a portaria que cria o Grupo de Trabalho do Pampa e aderiu ao combate global às espécies invasoras.
Aracruz gera controvérsia em meio à opinião pública
O protesto das mulheres da Via Campesina, nas instalações da indústria de celulose Aracruz, no Rio Grande do Sul, mobilizou a opinião pública do país. Em carta aberta ao MST, publicada no jornal Folha de S. Paulo (na sexta 17 de março, pág. 3), o senador Eduardo Suplicy condenou o gesto das trabalhadoras. "Acredito que o MST obtém muito mais apoio do povo brasileiro para sua causa sempre que utiliza meios pacíficos, não-violentos", disse, reconhecendo que as mulheres desejavam protestar contra esse modelo de agronegócio, "uma vez que as florestas homogêneas de eucaliptos para produção de celulose podem prejudicar a biodiversidade."
Na opinião de Suplicy, para mostrar solidariedade aos índios guaranis, que tiveram aldeia destruída por tratores da Aracruz, no Espírito Santo, as mulheres da Via Campesina poderiam - e podem ainda - escolher uma forma pacífica, criativa, utilizando muito mais a força da alma do que a força física.
Em resposta à carta aberta do senador, o presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária (Abra), Plínio de Arruda Sampaio, garante que não houve violência física no ato das mulheres. "Houve a destruição de mudas destinadas a implantar a monocultura florestal no RS", destacou em seu artigo, publicado no mesmo jornal, no dia 25 de março passado.
Conforme Arruda Sampaio, uma carta teria de ser enviada à Aracruz, reclamando da destruição da aldeia indígena no ES e falando sobre a ameaça que representa atualmente a monocultura da celulose para os pequenos agricultores. "Essa forma de violência, sim, se volta contra a existência física das pessoas, na medida em que destrói o ambiente em que essas pequenas unidades familiares podem sobreviver", declarou. No entanto, denunciou ele, isso se faz daquela forma disfarçada, asséptica, que o capitalismo usa para dar uma aparência de racionalidade à destruição dos grupos humanos que perturbam o "progresso" - o outro nome da sua fome insaciável de lucro e de acumulação de capital.
Rússia anima mercado de carnes
Somente a carne gaúcha volta à Rússia, principal compradora do Brasil
A notícia de que a Rússia suspendeu o embargo à carne do Rio Grande do Sul é vista como o fato mais importante para a suinocultura do Estado. O embargo russo à carne gaúcha foi imposto em 13 de dezembro de 2005 após o descobrimento de um foco de febre aftosa no Paraná. "O ano para a suinocultura inicia-se agora", resume o presidente da Associação de Criadores de Suínos do RS (Acsurs), Valdecir Luis Folador.
De lá para cá, o preço do suíno vivo caiu de R$ 2,20 ao quilo para R$ 1,30, enquanto que o custo gira em torno de R$ 1,70 kg/animal/vivo. "O produtor estava perdendo, em média, R$ 60,00 por suíno", calcula ao CR o presidente da Acsurs. "Com a melhora do mercado, o criador voltará a ter rentabilidade. Os reflexos positivos devem ser sentidos dentre de 30 a 60 dias", avalia Folador.
O RS exportou cerca de 72 mil toneladas de carnes suína e bovina para a Rússia em 2005, proporcionando receita de US$ 150 milhões. Desse total, US$ 147,6 milhões se referem às exportações de 71 mil toneladas de carne suína e US$ 2,5 milhões equivalentes às vendas de 1,4 mil toneladas de carne bovina. "No Estado, 60 mil toneladas de carne suína estão estocadas por causa do embargo russo", lembra Folador.
A carne suína é o setor mais prejudicado pelo embargo da Rússia - país que compra 65% da carne suína brasileira. O Brasil obteve uma receita de US$ 1,6 bilhão com a exportação das carnes suína, bovina e de aves para o mercado russo no ano passado. Deste total, a carne suína respondeu sozinha por US$ 1,1 bilhão. Porém, às exportações de março caíram 43,8% em relação a março de 2005 e os preços médios em dólares recuaram 12%, o que levou a uma receita líquida 50,6% inferior àquela apurada no mesmo período do ano passado. "Este recuo é decorrente do embargo às carnes bovina e suína imposto pela Rússia", analisa o presidente da presidente da Abipecs, Pedro de Camargo Neto.
Brasil pressiona para derrubar o embargo
O levantamento do embargo é bom para o RS, mas continua sendo um sério problema à suinocultura brasileira . "Esta ainda não é a notícia que esperávamos. A medida é insuficiente. O Rio Grande do Sul nunca deveria ter sido fechado", enfatiza o presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína, Pedro Neto.
Para o presidente da Abipecs, a questão principal continua sendo o desrespeito da Rússia em relação aos acordos internacionais de sanidade. Os demais Estados, como Santa Catarina, Minas Gerais e Goiás, estão abertos para mais de 90 países. "Não existe respaldo técnico para manter o embargo", afirma.
Balanço da Abipecs indica que o embargo à carne brasileira provocou reflexos negativos no desempenho comercial do setor em 2006. O mês de fevereiro registrou retração de 12,68% na quantidade de toneladas enviadas ao exterior (de 43.052 ton para 37.591 ton), acompanhada de queda de 14,62% na receita (de US$ 80,1 milhões para US$ 68,4 milhões). Em março, a queda no volume exportado se aproximou de 40% (ver gráfico).
Mais de 50 países fecham mercados
Após a confirmação dos focos de febre aftosa no Mato Grosso do Sul, em outubro de 2005, e no Paraná, em dezembro de 2005, 56 países mantêm embargos totais ou parciais à carne bovina brasileira. Destes, oito embargaram todo o território nacional e 48 impuseram embargos parciais.
Entre os países que mantêm embargo total, constam na lista a África do Sul, Chile, China, Cuba, Indonésia, Namíbia, Tailândia e Venezuela. Nestes, o cliente mais significativo em 2005 foi o Chile, que importou US$ 140,87 milhões.
Plano busca prevenir gripe aviária
Brasil está preparado caso a doença chegue ao país, afirma Lula
O Brasil está agindo contra a gripe aviária, doença que ainda não existe no país, mas vem provocando temor em várias partes do mundo. Para evitar que o surto pegue os produtores desprevenidos, o presidente Lula lançou na sexta 7 o Plano Nacional de Prevenção da Influenza Aviária e de Controle da Doença de Newscastle, que começou a ser elaborado em outubro de 2004.
O plano aborda especificamente as medidas de proteção ao plantel avícola brasileiro e à saúde humana. O documento engloba a Newscastle por ser enfermidade devastadora dos frangos. Pode matar 100% das aves de um lote de qualquer espécie e idade. Acompanhado do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, Lula tranqüilizou o setor. "O Brasil está preparado caso a gripe aviária chegue", enfatizou.
Uma das medidas anunciadas foi o fortalecimento do Instituto Butantã (SP), que receberá a primeira fábrica de vacinas contra a gripe em um país em desenvolvimento. A vigilância epidemiológica também foi reforçada, com a constituição de uma rede de unidades sentinelas - hospitais, postos de saúde e policlínica treinadas e equipadas. Serão 46 espalhadas pelo país, que colherão secreções de pessoas com síndrome gripal para identificação do vírus.
O projeto trata também da intensificação das medidas de vigilância para aves e produtos avícolas importados de outros países, modernização dos laboratórios do Ministério da Agricultura, além do acompanhamento das notificações sobre a doença no mundo.
Mais rigor - Para o presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (Abef), Ricardo Gonçalves, o plano é menos rigoroso do que o setor produtivo solicitava. Os produtores defendiam adoção imediata de um regime de restrição do trânsito de aves e subprodutos entre os Estados. O plano prevê que essa medida seja adotada apenas no caso de ocorrência de foco da gripe.
Pacote agrícola traz R$ 16,8 bilhões, mas não agrada
Pode ser chamado de pacote do alívio o anúncio de medidas de apoio ao setor agropecuário brasileiro, divulgado pelo ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, na quinta 6 (ver abaixo). O conjunto de resoluções soma R$ 16,8 bilhões entre apoio à comercialização de grãos e o alongamento das dívidas de custeio e investimento. Parece pouco, para um setor que acumula perdas de R$ 30 bilhões. "O pacote não soluciona, mas amenizará a crise que assola o setor primário", diz o presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina, Neivor Canton.
Na mesma linha, o presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, Antonio Ernesto de Salvo, reconhece que as medidas são positivas, "mas insuficientes para um setor que contribui com R$ 35 bilhões no superávit da balança comercial." O presidente da Farsul, Carlos Sperotto, classificou o pacote de "tímido." O ministro admitiu que não há política agrícola capaz de compensar as perdas do setor. "Essas ações dão alívio momentâneo. É um pacote que ainda precisa ser completado", adiantou Rodrigues.
As críticas mais contundentes partiram dos movimentos sociais agrários. O presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no RS (Fetag), Ezídio Pinheiro, considerou o pacote uma provocação. Criticou o prazo de um ano de adiamento das dívidas. A entidade reivindica seis anos, com dois de carência. "O governo não tem intenção de resolver o problema da agropecuária, que só no RS atinge mais de 200 mil famílias, que contabilizam dívidas de R$ 9 bilhões", afirma ao CR o diretor-tesoureiro da Fetag, Amauri Miotto.
Para o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), a conquista é importante, mas insuficiente. O MPA não descarta novas mobilizações nos Estados. A Fetag, por sua vez, vai prosseguir com as paralisações. Já programou uma mobilização geral para o próximo dia 27, em Porto Alegre. "O objetivo é mostrar à sociedade a importância e a situação vivida, hoje, pela agricultura familiar", resume Miotto.
Engº. Agrº. José Zugno
Nogueiras em São Paulo
Somos assinantes e apreciamos muito os artigos do Correio Riograndense, jornal católico de publicação diversificada. Dirijo-me hoje à coluna Vida Agrícola para pedir informações sobre a nogueira: cultivo, adubação, tratamento etc. Meu irmão tem um sítio em São Paulo com umas 130 árvores e não produzem frutos. Há diversos tipos, uma que outra árvore chega a florescer. Qual o motivo de as nogueiras não produzirem frutos, já que no mesmo sítio a produção de jabuticaba e castanha é abundante?
Irmã Mara
Xaxim - SC
Prezada irmã Mara, suas palavras são estímulo e encorajamento para nós todos colaboradores do Correio do Riograndense, jornal, como diz em sua carta de "publicação diversificada". Com respeito às suas indagações seria temerário de minha parte pretender dar soluções ao problema das nogueiras sem conhecer a história da plantação desde o início, a começar pelo nome da espécie da nogueira e variedades, a localização do sítio, a origem das mudas (se é de pé franco ou de enxertia), de onde vieram, como foi feito o plantio, a distância entre as mudas, a idade atual das árvores, a adubação e os cuidados de cultivo que recebem etc, pois 130 árvores frutíferas de uma mesma espécie não constituem um pequeno pomar doméstico, mas um grande pomar industrial.
Juglandáceas - Sob o ponto de vista botânico todas as nogueiras pertencem à família Juglandáceas que compreende árvores de grande porte, de folhas compostas, caducas, sem estípulas, de flores unissexuadas (monóicas) na mesma planta; as flores masculinas reunidas em inflorescência denominadas amentilhos, e as femininas, solitárias ou reunidas em grupos de poucas unidades. Essas flores têm ovário unilocular e uniovular. O fruto é drupáceo (drupa) com um envoltório que se abre para soltar a noz.
A família tem dois gêneros principais, Juglans e Carya, cada qual com uma espécie principal, respectivamente, Juglans regia, nogueira européia, e Carya Illinoensis, nogueira norte-americana, pecan (ou pecã). Uma delas é a cultivada por seu irmão em São Paulo.
Tomo a liberdade de fazer algumas considerações a respeito de uma e outra.
Juglans regia L - Originária da Pérsia, mas muito cultivada na Europa, daí o nome de nogueira européia. Árvore grande de ampla copada, de caule cilíndrico de madeira de lei muito preciosa, de folhas compostas, imparipenadas, flores unissexuais (monóicas) de acordo com as da família juglandáceas; as masculinas reunidas em amentilhos cilíndricos e pendentes; as femininas, em número de 1 a 4, dispostas no ápice dos ramos, de ovário ínfero, unilocular com um só óvulo, fruto drupa que contém a noz arredondada, de casca dura, lenhosa, protegendo a amêndoa saborosa.
O Brasil importa apreciável quantidade de noz européia, sobretudo, por ocasião das festas de fim de ano (Natal), quando poderiam ser produzidas nas regiões altas dos Estados sulinos do país. A nogueira européia é de clima temperado, necessitando de frio no inverno, suporta temperaturas muitos graus abaixo de zero. Só é prejudicada por geadas primaveris, na época da rebrotação e florescimento.
No Rio Grande do Sul, a nogueira européia foi introduzida pelos imigrantes italianos. Pessoalmente conheci, nos antigos lotes da minha cidade, Caxias do Sul, belos exemplares de nogueiras européias, muito produtivos. Infelizmente, tais lotes arborizados deram lugar aos edifícios, com o crescimento da cidade, mas no interior dos municípios da região, e nos de altitude de Santa Catarina, existe um bom número de plantas produtivas.
Em São Paulo verifica-se a presença desta espécie de nogueiras viáveis, mas ali não houve nenhum incentivo para o seu cultivo, preferiram as autoridades conceder favores fiscais ao cultivo de outra espécie de nogueira. Por estas razões, sou levado a crer que as 130 árvores improdutivas de seu irmão não pertencem à espécie Juglans regia (nogueira européia), mas a da outra espécie, Carya Illinoensis (nogueira pecã), que tratarei na próxima edição.
Avança tratamento da principal causa de cegueira entre idosos
Remédios retardam e até ajudam a prevenir a degeneração macular
Nova esperança às vítimas da degeneração macular senil. Recentemente chegaram ao mercado medicamentos antioxidantes (quadro ao lado) capazes de retardar, estabilizar e até ajudar na prevenção dessa doença que afeta 5 milhões de brasileiros e é a principal causa de cegueira entre pessoas com mais de 65 anos. Há pouco tempo, os únicos recursos disponíveis para tratar o problema eram indicados a restritos pacientes e, desses, uma minoria apresentava bons resultados.
A doença afeta a mácula, estrutura localizada no centro da retina, com cerca de 1,5 milímetro de diâmetro, responsável pela captação das luzes e cores. As células da região começam a perder sua função e o centro das imagens captadas pelo olho vai ficando opaco. Em fase avançada, o paciente enxerga um ponto completamente escuro no centro das imagens captadas por seu olho.
Idade avançada, exposição excessiva aos raios solares, tabagismo e dieta carente em vitaminas são os principais fatores de risco para a doença. Porém, os especialistas ainda não sabem explicar por que algumas pessoas desenvolvem o problema e outras não.
A degeneração macular senil pode ser seca ou úmida. A primeira forma caracteriza-se apenas pela perda da função das células da mácula. A outra, além do prejuízo às células, forma uma rede de vasos sangüíneos no local e provoca o aparecimento de um tecido membranoso. Essa é uma tentativa do organismo de compensar a área destruída, mas acaba provocando uma perda ainda maior da visão. De acordo com os oftalmologistas, os portadores da degeneração têm menos de 10% de visão no melhor olho.
A maneira mais tradicional de barrar o crescimento do tecido membranoso são aplicações de laser, que queimam os vasos. Agora, surgem os remédios antiangiogênese. Pesquisas com a primeira versão desses medicamentos, o Macugen, do laboratório Pfizer, atestam que cerca de 60% dos pacientes em estágio moderado da doença respondem bem ao tratamento. Nos Estados Unidos, o medicamento está disponível desde 2005. No Brasil, deve chegar até o fim deste ano. Em 2007, outro remédio dessa mesma classe deve ser lançado, o Lucentis, da Novartis. Um implante para substituir as injeções na liberação dessas substâncias também está em teste nos Estados Unidos.
Paciente deve aprender a usar colírio
Pacientes com doenças crônicas de visão, como glaucoma, devem ser ensinados a aplicar de maneira correta o colírio para aumentar a qualidade do tratamento. Essa é conclusão de uma pesquisa do Departamento de Oftalmologia da Universidade Federal de São Paulo.
O estudo, realizado com 40 pacientes portadores de glaucoma, constatou que 24 deles (60%) não instilam o colírio adequadamente. Entre os pacientes que possuíam acompanhante, todos tiveram aproveitamento de 100% na instilação. Outro fator importante levantado pelos pesquisadores é o ardor, a dor ou a irritação ocular produzidos por alguns colírios ao serem aplicados, o que contribui para a instilação incorreta. Cerca de 65% dos pacientes ouvidos relataram esta queixa e a maioria teve a instilação prejudicada. O estudo reforça a necessidade de um tratamento personalizado, que respeite as condições individuais do paciente.
Chocolate protege o coração
Os chocolates trocados para comemorar a Páscoa costumam durar alguns dias. Então, é hora de aproveitar os benefícios da guloseima - mas sempre sem exageros.
Estudos recentes têm mostrado que o chocolate preto, em especial o amargo, é rico em flavonóides e ácido gálico, antioxidantes que ajudam a proteger os vasos sangüíneos, prevenir câncer e promover a saúde do coração. Ele também pode ajudar a combater a hipertensão de intensidade média.
De acordo com os estudos, chocolate preto, especialmente o amargo, tem mais flavonóides que qualquer outro produto também rico nessa substância, como vinho tinto e chá verde. Os mesmos benefícios não foram encontrados no chocolate ao leite e no branco.
Além disso, ele melhora o humor das pessoas. Isso acontece porque o chocolate estimula a produção de uma substância cerebral chamada serotonina, responsável pela sensação de bem-estar.
Porém, chocolate é um alimento rico em calorias e gordura saturada, portanto, seu consumo deve ser moderado. O chocolate branco é feito com manteiga de cacau e por isso é mais calórico que o preto, feito somente com cacau. Para aproveitar os benefícios do doce, basta ingerir o equivalente a um bombom por dia.
A (falta de) ética rouba a cena
Maria Clara Lucchetti Bingemer
É de se esperar que após toda essa via sacra de decepções e quedas, malversações e mal-entendidos, mentiras e danças, o brasileiro esteja mais maduro, menos crédulo e mais apto a ter discernimento com vistas às eleições
Dias sombrios vive o Brasil. A língua negra da corrupção parece nunca mais se cansar de poluir o mar de almirante onde o país esperava navegar depois de décadas de espera e credulidade em uma proposta que tinha a ética como centro. A vitória acontecida em 2002 enlouqueceu de esperança um povo que acreditava enfim poder viver com parâmetros de dignidade, valores, moralidade, honradez. E, no entanto, há um ano este mesmo país, este pobre povo tem de assistir em crescente perplexidade o recuo da ética, da decência e da honestidade para o fundo mais fundo da obscuridade e da insignificância em um cenário onde a falta de ética e de princípios ocupa a linha de frente do espetáculo.
Esforçando-se para não sucumbir ao próprio desencanto, o país se pergunta pela ética tão prometida e tão pisoteada. Em momentos assim, vale voltar à fonte das palavras e "pedir-lhes esmola" para tentar entender o que acontece. Mais: para tentar entender o que querem dizer pessoas e grupos quando dizem "ética". Mais ainda: o que queremos dizer nós mesmos quando afirmamos que a política brasileira perdeu a ética.
O que seria, então, a ética? Que segredos contêm essa palavra tão usada e malbaratada nos últimos tempos no cenário nacional? Primeiramente, entende-se por ética os sistemas de valores e costumes instituídos nas vidas de grupos particulares. Mas também o termo é usado para se referir a um desses sistemas em particular: a ‘moralidade´, que envolve noções como retidão, injustiça, culpabilidade, vergonha, e assim por diante. Finalmente, ‘ética’ pode, dentro desse sistema de moralidade, referir-se a princípios morais reais, tais como: respeitar a propriedade alheia, tratar com deferência toda forma de vida, comportar-se segundo os parâmetros que regem a vida da comunidade, estruturar a própria vida de acordo com valores nos quais se acredita.
Em suma, ética é um conjunto de valores e princípios elaborados pelo próprio ser humano, aplicado por este mesmo ser humano para tornar sua vida mais humana. Se assim for, compreende-se a perplexidade do país inteiro ao ver, através da televisão e da grande imprensa, uma deputada eleita legitimamente pelo voto e integrante do Conselho de Ética dançar alegremente comemorando exatamente o contrário do que foi comissionada para defender. A deputada eleita dançou para comemorar a injusta absolvição de seu colega de partido. Guardiã da ética, celebrava o triunfo da impunidade.
O país ainda não se recuperara das melancólicas imagens da chamada "dança da pizza" quando o desfecho do caso que culminou na queda do ministro Antonio Palocci foi-lhe disparado, qual golpe de misericórdia após o fuzilamento. O ministro comparecia impávido a todas as sessões de seu processo, com sua aparência digna e o apoio explícito do presidente. Em segundo plano, no entanto, a testemunha de suas irregularidades - um humilde caseiro - tinha seu segredo bancário violado e as manobras se sucediam para que mais uma vez a ética saísse humilhada e vencida.
A deputada foi afastada do Conselho de Ética, o ministro deixou o ministério e nele foi substituído. Mas o sabor amargo permanece na boca e no estômago de todo um povo que apostou na esperança contra o medo e agora se sente miseravelmente defraudado, desapontado, desalentado.
Impossível clima pior para um ano eleitoral. Difícil pensar situação mais inadequada a um final de governo que começou sob aclamação e respeito generalizados, trazendo bem alta a bandeira da moralidade e da ética. E, no entanto, é preciso seguir adiante.
Os candidatos em campanha já começam a visibilizar suas propostas. Promessas, discursos e programas de governo se sucederão nos palanques e microfones. A palavra ética será novamente e inúmeras vezes usada em vão, insistentemente invocada para captar votos e benevolência dos incautos.
É de se esperar, porém, que após toda essa via-sacra de decepções e quedas, de malversações e mal-entendidos, de mentiras e danças, de ascensões e quedas, o povo brasileiro esteja mais maduro, menos crédulo e, portanto, mais apto a ter um verdadeiro discernimento com vistas às eleições que se avizinham.
O foco da esperança que deverá vencer o medo agora é que a ética possa ser resgatada, intacta, ilesa, do mar de lama onde foi jogada e arrastada, para novamente ocupar o lugar que lhe corresponde no debate político: o centro do jogo, a frente da cena.
Frei Betto
Bebida forte, o poder embriaga. O pior é quando o delírio sobe à cabeça e leva a pessoa a dar vazão à sua prepotência: nomeia parentes, exige privilégios, fura a fila... e aplica a carteirada: "Sabe com quem está falando?"
Minha avó dizia que o mal do mundo era a falta de caráter. Embora eu demonstrasse concordar, cá com meus botões considerava a desigualdade social mais grave. Com o tempo, amenizei convicções, sobretudo ao me aprofundar no tema da mais sedutora tentação humana: o poder.
Poucos sabem lidar com funções de poder. Não me restrinjo ao poder político. Refiro-me a qualquer poder: diretora de escola, gerente de banco, polícia, síndico de prédio etc. Ao se revestir de um cargo, a maioria despe-se de sua individualidade. A função passa a ser mais importante que a pessoa. Esta, despojada da função, sente-se humilhada. Por isso se apega a ela como um náufrago à ripa que bóia entre as ondas.
Há quem de tal modo se agarre ao poder, qual andor que lhe projeta o ego, que já não lhe basta declinar o nome ao ser socialmente apresentado. É preciso enfatizar o cargo, a proeminência do título gravado no cartão de visitas, troféu inestimável. Conheci quem, nomeado, trocou de postura física, de casa, de hábitos sociais, de mulher e de caráter. E engordou a própria conta bancária.
Bebida forte, o poder embriaga. E, como todo bêbado, perde-se o senso de realidade e proporção. Como diz um amigo alcoólatra, "felizes os ébrios porque verão a Deus em dose dupla". O pior é quando o delírio sobe à cabeça e leva a pessoa a dar vazão à sua prepotência: humilha subalternos, grita com funcionários, nomeia parentes, exige privilégios, fura fila e, a ferro e fogo, reduz a distância entre o desejável e o possível. E aplica a carteirada: "Sabe com quem está falando?" Num país civilizado ouviria: "Quem o senhor pensa que é?"
O nepotismo é uma forma execrável dessa perversa síndrome de autodivinização. O poderoso age com a parentela como Calígula ao nomear cônsul seu cavalo Incitatus. Não se levam em conta os critérios objetivos que normatizam o preenchimento de cargos públicos. Ignoram-se concursos, competência, isonomia. Abominam-se a lei e seus fundamentos jurídicos. Vale a vontade do poderoso que, do alto de sua exorbitância, transforma a família em sugadora de recursos públicos. Prova disso é o nepotismo ser inadmissível na iniciativa privada, exceto em empresa familiar, o que é outra história.
Meu pai, Vieira Christo, era juiz, com dois filhos e uma neta formados em Direito. Jamais mexeu o dedo mindinho para alçá-los a um posto de trabalho. Nem quando fundou, a pedido do governador Magalhães Pinto, a companhia de seguros do Estado de Minas Gerais. Meu pai dizia em alto e bom som: "Nomear parente é indecente".
Seu irmão, o general Campos Christo, todas as tardes retornava a pé da missa na igreja São José, no centro de Belo Horizonte. Certo dia viu um aglomerado em torno de um carro de polícia na confluência da rua Alagoas com a Avenida Afonso Pena. À paisana, meu tio acercou-se dos policiais que batiam num rapaz, suposto ladrão, arrastando-o ao "chiqueirinho" da viatura.
Indignado, meu tio advertiu-os não terem o direito de agredir um filho de Deus, ainda que fosse bandido. Um dos policiais retrucou-lhe não se meter, caso contrário iria junto. Como não se calou nem evocou sua patente militar, o general foi empurrado e, na companhia do suspeito, levado à Secretaria de Segurança Publica, na Praça da Liberdade. Ao retirarem os presos, meu tio foi reconhecido pelo Delegado Geral do Estado, para azar dos policiais e sorte do rapaz que, na confusão, ganhou pernas e escafedeu-se.
Minha avó tinha razão: este país macunaímico não terá caráter enquanto não se revogarem as leis do Gerson, da selva e do cão. E bem dizia meu pai, certos juízes não têm juízo.
CPI confirma mensalão, pede mais de 100 indiciamentos e acaba em tumulto
Relatório aprovado após 10 meses de trabalho só cita o presidente Lula
Após dez meses de trabalho e sob forte tumulto, foi aprovado na quarta 5, por 17 votos a 4, o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios. Com 35 alterações de última hora em relação ao originalmente apresentado pelo relator, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), e depois de muitas negociações políticas, o texto confirma a existência do mensalão - pagamento a deputados em troca de apoio ao governo - e conclui que o esquema foi abastecido pelo Banco do Brasil, através do fundo Visanet.
O documento, com 1.839 páginas, pede o indiciamento de pelo menos 118 pessoas. Entre elas estão dois ex-ministros da equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, José Dirceu e Luiz Gushiken, além do publicitário Marcos Valério de Souza, dos ex-dirigentes do PT Delúbio Soares, Sílvio Pereira e José Genoíno, do publicitário Duda Mendonça, do senador tucano Eduardo Azeredo e do deputado cassado Roberto Jefferson.
O relatório final apenas cita o presidente Lula, dizendo que não há fatos para comprovar a sua eventual omissão. Afirma, no entanto, que ele não enfrentou dificuldades para notar o crescimento do número de parlamentares da base aliada - muitos teriam trocado de partido em troca de somas em dinheiro. O nome do filho de Lula, Fábio, sócio da empresa Gamecorp, que, em janeiro de 2005, recebeu investimentos de R$ 5 milhões da Telemar, não aparece. O documento diz, no entanto, que "cabe ao Ministério Público angariar novas informações e esclarecer".
A votação do relatório foi muito tumultuada, com troca de acusações, de ofensas e ameaças de agressão física - inclusive entre integrantes do mesmo partido, caso do deputado Jacob Bittar (RJ) e do senador Delcídio Amaral (MS), presidente da CPI, ambos do PT. Depois de tentar obstruir a reunião, parlamentares do PT e do PMDB que pertencem à CPI não votaram. O PT, que queria negar a existência do mensalão, admitindo apenas o caixa dois, protocolou recurso para anular a votação. A tendência, na sexta 7, era de que o recurso seria engavetado.
Mais um absolvido
O ex-presidente da Câmara, deputado João Paulo Cunha (PT-SP), que admitiu ter recebido R$ 50 mil, foi absolvido pelo plenário. Dos 483 deputados presentes, só 209 votaram pela cassação - eram necessários 257. Ele é o oitavo parlamentar envolvido em escândalos do mensalão e valerioduto absolvido. Esse resultado fez com que cinco parlamentares anunciassem a saída do Conselho de Ética da Câmara.
Cartilha da CNBB orienta candidatos e eleitores
A Conferência dos Bispos do Brasil lançou a cartilha "Eleições 2006 - Orientações da CNBB". Dirigido a candidatos e eleitores, o documento pastoral olha para a realidade e coloca em evidências as grandes questões que devem merecer atenção especial de governantes e legisladores, como a desigualdade social, a globalização financeira, a absolutização do poder do capital sem a presença do controle social. Também apresenta critérios de avaliação dos projetos e propostas dos candidatos e recomenda aos eleitores levar em consideração tanto a honestidade pessoal como a competência administrativa voltada aos interesses da coletividade.
Na cartilha, os bispos sugerem aos candidatos o debate sobre a reversão do modelo econômico vigente no país e o processo de mecanização da vida. Propõem ainda o reforço da soberania da nação, a democratização do acesso à terra e ao solo urbano, a ampliação das oportunidades de trabalho e a proteção do meio ambiente.
"A política é uma atividade de ordem ética; política e fé se tocam", declarou o presidente da CNBB, dom Geraldo Majella Agnelo. "A política pode ser uma das mais altas expressões da caridade cristã", destacou, recorrendo a palavras de Paulo VI. "Sabemos da necessidade de uma reforma política que garanta mais igualdade na disputa eleitoral, sem interferência do poder econômico. Enquanto a reforma política não vem, façamos a nossa parte", conclamou dom Geraldo.
Campanha - "Voto não tem preço, mas tem conseqüências". Este é o mote da Campanha Nacional de Combate à Corrupção Eleitoral, iniciativa da CNBB e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A campanha incentiva a criação dos chamados Comitês da Lei 9840, que conclama eleitores à vigilância e fiscalização do processo eleitoral em suas localidades. Para auxiliar na organização desses comitês e na fiscalização, a CNBB coloca à disposição a estrutura de 10.480 paróquias e a OAB, de suas 27 seccionais.
A lei 9840 foi aprovada pelo Congresso em 28/09/1999 como resultado de iniciativa popular que colheu um milhão de assinaturas. Ela concede à Justiça Eleitoral mais eficácia na ação para coibir o crime da compra de votos e do uso da máquina administrativa. No lançamento da campanha, o presidente da CNBB, dom Geraldo Majella Agnelo, afirmou que percebia um sesânimo devido aos escândalos político, mas ressaltou: "Devemos recordar que a democracia supõe um processo lento de aprendizagem e amadurecimento, tanto para mandatários como para eleitores".
POPULAÇÃO E CARÊNCIAS AUMENTAM
A ameaça de extinção foi superada. Mas o crescimento da população indígena brasileira se dá na mesma proporção com que se agravam problemas das comunidades, nas aldeias ou centros urbanos. A solução passa pela adoção de uma política indigenista
As décadas de 1950 e 1960 foram as mais ameaçadoras para os indígenas brasileiros. Dos mais de 5 milhões de índios que o país tinha quando Pedro Álvares Cabral chegou, restavam menos de 150 mil. No final do século os dados demográficos devolveram otimismo: a população indígena brasileira passou de 294 mil em 1991 para 734 mil em 2000 - salto de 150%.
Esse pulo veio acompanhado de outro indicador: o número de indígenas cresceu em média 10,8% ao ano nesse período, ou quase seis vezes mais do que a população em geral. Esses números foram calculados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com base na Amostra dos Censos Demográficos 1991 e 2000.
Se os 10,8% fossem mantidos, o país teria no final de 2005 mais de 1,1 milhão de índios. Essa projeção, no entanto, tem pouca sustentação. "A população indígena cresceu mais na década passada porque no censo de 2000 o IBGE incluiu os índios que viven nos centros urbanos. Aumentou, mas não tanto". A avaliação é de Saulo Feitosa, vice-presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), que falou ao CR na semana passada enquanto participava do 3º Acampamento Terra Livre, em Brasília. Ele considera outro fenômeno: é maior o número de pessoas que passaram a assumir a identidade indígena, muitas delas motivadas pela festa dos 500 anos do descobrimento do Brasil.
Maioria está vivendo longe da aldeia
Dos mais de 734 mil índios brasileiros, 383 mil (52%) moram em áreas urbanas. Em geral, vivem na periferia ou à beira da estrada. A opção do índio da cidade por assumir sua etnia é uma justificativa do IBGE para o resultado da pesquisa. Há outra: a imigração de índios da Bolívia, Equador, Paraguai e Peru. Isso explicaria por que, no período investigado, o Sudeste aumentou em cinco vezes o número de indígenas - de 30,5 mil para 161,2 mil. No Nordeste também cresceu o número de indígenas: de 55,8 mil para 170 mil.
O Norte mantém o maior número de indígenas, mas apresentou o menor ritmo de crescimento. A taxa da população indígena, que era de 42,4% em 1991, caiu para 29,1%. No Centro-Oeste, 17,9% da população se dizia indígena em 1991 e em 2000 eram 14,2%. Na região Sul, a taxa de indígenas passou de 10,3% em 1991 para 11,5% em 2000.
Mortalidade é maior entre as crianças
O estudo Saúde Brasil 2005, do Ministério da Saúde, revela que a mortalidade indígena entre as crianças é maior do que entre os índios com mais de 70 anos. Mais de 30% das mortes de índios registradas em 2003 ocorreram entre menores de cinco anos (659 óbitos), enquanto 27,5% do total verificou-se entre as pessoas com mais de 70 anos.
Segundo o estudo, o segmento indígena é o único em que esse fenômeno ocorre. Em todos os outros (brancos, pretos, pardos e amarelos), a proporção de mortes é maior entre os mais velhos. Entre a população branca, por exemplo, metade das mortes registradas em 2003 ocorreu entre idosos e de cada 100 mortos apenas 5,1 eram menores de cinco anos. O estudo destaca que a mortalidade entre os índios com idade até 5 anos "suscita urgência de desenvolvimento de ações, programas e políticas de saúde direcionados a esta população".
A mortalidade na população indígena como um todo é mais grave na região Norte, com 1,4% de todos os óbitos, seguida do Centro-Oeste, 0,9%. No Norte, a mortalidade entre as crianças com menos de um ano de idade é 2,7 vezes maior do que entre todas as crianças dessa faixa etária na região. Os dados usados no estudo levam em consideração tanto a população indígena que vive nas aldeias, quanto a das áreas urbanas.
"Nas regiões onde não há terras indígenas demarcadas, a maioria vive confinada em áreas pequenas, de um ou dois hectares, ou à beira da estrada, sem condições de higiene e sem assistência médica", afirma Saulo Feitosa, vice-presidente do Cimi. Estudo da Funasa comprova melhor qualidade de vida nas aldeias em áreas homologadas: a taxa de mortalidade infantil, que era de 74,6 mortes para cada 1.000 nascidos vivos em 2000, caiu para 47,7.
ÍNDIOS NA REGIÃO SUL
Dos mais de 730 mil índios brasileiros, 84.748 vivem na região Sul do país. Segundo o IBGE, no Rio Grande do Sul há 38.718; em Santa Catarina, 14.542; e no Paraná, 31.488. De acordo com o Cimi, 114 terras indígenas ficam no Sul. Das 57 gaúchas, 15 estão registradas e 32 sem nenhuma providência; das 25 catarinenses, só três têm registro; e das 32 paranaenses, oito estão demarcadas.
EXTERMÍNIO DE POVOS
Em 506 anos de colonização, foram extintos 1.477 povos indígenas no Brasil. O maior extermínio - por colonizadores, doutrinação religiosa e escravagistas - ocorreu no Norte, que perdeu 820 povos. No Nordeste foram extintos outros 344, mais 137 no Centro-Oeste, 143 no Sudeste e 33 no Sul. Segundo o Cimi, o Brasil tem ainda 235 povos, que falam 180 línguas.
FASES PARA REGISTRO
O primeiro passo para a demarcação de terras indígenas é o reconhecimento pela Funai, através de relatório antropológico. Na seqüência há um longo caminho até que as terras sejam homologadas, fase importante que antecede o registro, que é o mesmo que demarcação.
NÚMEROS DA FUNAI
Para a Fundação Nacional do Índio (Funai), vivem no Brasil entre 450 mil e 460 mil índios. Números foram fornecidos pelo presidente da Fundação, Mércio Pereira Gomes. E em seu levantamento, a Funai considera apenas os índios das aldeias. Há outras divergências entre Cimi e Funai. Para o órgão do governo federal as terras registradas são 480, 55 no governo Lula. Para o Cimi, a média de registros no período Lula é a pior em 30 anos - média de seis por ano, contra oito de Figueiredo, e de 12 a 14 dos demais governos.
MENOS ANALFABETOS
A taxa de alfabetização dos povos indígenas brasileiros saltou de 50% em 1991 para 73,9% em 2000, porcentagem superior à da população não-índia, com idade a partir de 15 anos, cujo crescimento foi de 8,1% no mesmo período. A redução do analfabetismo entre os índios e seus descendentes foi maior na área rural, principalmente no Nordeste. Em 2000 a região registrou a maior taxa de escolarização entre indígenas: 67,8%, contra 31,6% em 1991.
Maior luta é pela demarcação de terras e política indigenista
Das 850 terras indígenas, apenas 323 estão com demarcação registrada. Não existe ainda nenhuma providência sobre 229 áreas. De terça a quinta da semana passada, cerca de 550 índios, representantes de 86 povos indígenas, estiveram reunidos no 3º Acampamento Terra Livre. "Nos últimos quatro anos, têm sido discutidas durante o mês de abril propostas de políticas para os povos indígenas", explica Saulo Feitosa, vice-presidente do Cimi.
Os índios foram recebidos em audiência no Congresso e no Supremo Tribunal Federal. No Planalto, como só foi autorizada a participação de três do grupo, desistiram. Eles reforçaram a reivindicação de acelerar os processos de demarcação e registro de terras. Os resultados das reuniões foram consolidados na Carta da Mobilização Nacional Terra Livre elaborada pelas lideranças.
"As terras sem demarcação viraram cenário de invasões e conflitos. No ano passado, 38 índios foram assassinados nessas áreas. No Mato Grosso do Sul, com 18 mortes, a situação é quase de genocídio", define Feitosa, para quem, este é o maior problema do índio brasileiro. Mas ele alerta: Só demarcar a terra não adianta. É preciso uma política indigenista, que concentre as ações hoje espalhadas por vários ministérios e implante as medidas necessárias na área de saúde, educação, agricultura etc. "Política é uma formulação de como o governo vai atuar com os povos indígenas, baseada em uma discussão feita com a participação dos índios. Hoje são feitas ações por cada ministério, mas não fazem parte de um programa de governo para povos indígenas. São recursos financeiros e humanos pulverizados", ressalta.
Não há disponível um número exato da extensão das áreas de terras que os indígenas querem ver demarcadas. Um relatório do Cimi, sobre a situação de 83 delas, descreve 22.320.916 hectares, onde vivem 81.713 índios. A proporção é, no mínimo, desigual em relação ao restante do país. Porém, desse total, apenas duas não estão tradicionalmente ocupadas e em 23 existem permanentes conflitos com fazendeiros, prefeituras, invasores e até traficantes.
Comissão - Um dos efeitos do 3º Acampamento Terra Livre foi a promessa, feita por Renan Calheiros, da criação no Senado de uma comissão especial para discutir políticas indígenas. É preciso mais do que isso, afinal, como diz o documento distribuído pelos índios, "é grande o volume de proposições legislativas que hoje tramitam no Congresso Nacional contra os direitos indígenas assegurados na Constituição Federal, especialmente os territoriais".
Críticas ao governo Lula e parlamentares
Na carta entregue ao presidente do Senado, Renan Calheiros, à presidente do STF (onde há cerca de 100 processos de relevância para os índios), Ellen Gracie, as lideranças indígenas criticam o governo Luiz Inácio Lula da Silva. "O governo Lula manteve uma política indigenista retrógrada, tutelar e oficialista, confundindo os interesses dos povos indígenas com os interesses da Funai, confundindo o órgão indigenista com a política indigenista", ressaltam os índios, na carta.
Não faltaram, também, críticas à atuação dos parlamentares diante das questões relacionadas aos direitos dos índios. Em entrevista à Agência Brasil, Anastácio Beralta, do povo Guarani-Kaiowa, acusou os congressistas de agirem de acordo com interesses de certos setores da sociedade. "A consciência dos parlamentares é atender pessoas que sempre exploraram esse país, como os madeireiros e latifundiários. Para eles, o que tem valor é o dinheiro", afirmou Beralta, que também criticou a concentração de terras no país. "Entendemos que os não índios precisam viver como nós, felizes, alegres, nos seus espaços. Mas, agora, não precisa de todos os espaços para um fazendeiro só."
Bento XVI imprime estilo próprio
É positivo balanço do primeiro ano de pontificado do Papa
No dia 19 de abril, três dias depois de completar 79 anos de idade, Bento XVI celebrará o primeiro ano de seu pontificado. Há um ano, católicos do mundo inteiro saudavam com alegria, mas também com alguma surpresa, a escolha do cardeal alemão Joseph Ratzinger para sucessor de João Paulo II. Ex-braço direito do Papa polonês, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Ratzinger era um dos candidatos ao trono de Pedro, mas não o mais favorito.
E no entanto, o brilhante teólogo, mas também contestado cardeal por suas posições consideradas conservadoras, foi eleito Papa num dos conclaves mais rápidos da história recente da Igreja. Em apenas dois dias a Igreja conhecia seu novo Papa. No século XX, a rapidez de sua escolha só foi superada pela de Pio XII, que também durou dois dias, mas com apenas três votações, enquanto que a eleição de Bento XVI exigiu quatro.
Em suas primeiras homilias, Bento XVI assumiu o compromisso de aprofundar o diálogo com as outras religiões cristãs, um dos trabalhos marcantes de João Paulo II; de continuar a atuação do Concílio Vaticano II, que completou 40 anos em 2005; e de buscar a unidade dos cristãos. Ratzinger surpreendeu até na escolha do nome - Bento XVI -, uma homenagem a São Bento, padroeiro da Europa.
Na primeira mensagem à multidão reunida na Praça de São Pedro, depois de exaltar a impressionante figura de seu antecessor, declarou com simplicidade e emoção ser um "humilde trabalhador da vinha do Senhor". Passado um ano, Bento XVI deixa tranqüilos os católicos, inclusive os que temiam um governo de posições conservadoras. Bento XVI surpreende pela simplicidade, pela timidez e pela bondade, mas também por suas posições claras, pelo seu empenho em favor do ecumenismo e da aproximação com outras Igrejas. Mesmo sem os gestos amplos e espontâneos de João Paulo II, Bento XVI cativa por sua simplicidade, por seu ar paternal.
Na audiência da quarta-feira, 5 de abril, Bento XVI disse aos mais de 30 mil peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, que a "Igreja do amor é também a Igreja da verdade" e pediu aos católicos que rezem para que "a luz da verdade e da caridade não se apague nunca na Igreja e no mundo". E provocou um espontâneo aplauso da multidão ao deixar de lado os papéis por causa do forte vento e dizer que "o vento nem sempre é idêntico ao Espírito Santo, mas nos pode fazer pensar também na força do Espírito Santo".
O atual Papa também surpreende pela disposição em realizar viagens apostólicas pelo mundo, como fazia João Paulo II, que empreendeu 104 em seu pontificado. Bento XVI foi à Alemanha no ano passado, vai à Turquia em novembro, deverá visitar Israel no início de 2007 e vem ao Brasil em maio do ano que vem.
O Santo Padre impressionou o mundo ao lançar, em 25 de janeiro, Dia Mundial de Oração pela Unidade dos Cristãos, sua primeira encíclica. Denominado "Deus caritas est" (Deus é amor), o documento é todo dedicado ao conceito do amor cristão e da caridade. Bento XVI deixa claro seu desejo de manter vivo na Igreja o sentido cristão do compromisso em favor do próximo.
Papa preside todas celebrações pascais
Na primeira Semana Santa de seu pontificado, Bento XVI presidirá todos os atos litúrgicos, que começaram com o Domingo de Ramos, passando pela tradicional Via Crucis no Coliseu de Roma, até culminar com a celebração da Páscoa. O Papa reviverá o mesmo programa que João Paulo II realizava até que seu estado de saúde permitiu.
Na Sexta-feira Santa, às 21h15 (horário de Roma) o Papa presidirá a Via Crucis no Coliseu e ao final dirigirá a palavra aos presentes e enviará a bênção apostólica. No sábado, Bento XVI abençoará o fogo novo no átrio da Basílica de São Pedro e presidirá a liturgia da Palavra. No Domingo da Páscoa, data de seu aniversário natalício, celebrará a missa na Praça de São Pedro às 10h30 e, ao meio-dia, enviará a benção "Urbi et Orbi", transmitida ao vivo para os cinco continentes.
Padre Zezinho
Para a Igreja, o feto é semente da pessoa em formação
Como católico você será questionado sobre a posição católica com respeito ao aborto. A Igreja não ameniza esse tema. Sua defesa do feto é radical. Foi concebido, tem o direito de nascer. Concebeu, tem o dever de gerar.
Por causa da sua doutrina sobre a vida, o amor, os bens deste mundo e os direitos e deveres dos seus fiéis, a Igreja Católica tem sofrido críticas e agressões. Sua posição muitas vezes é exigente e inarredável; coisa que também acontece com muçulmanos, evangélicos e outros grupos de fé. Uma dessas posições é a nossa pregação exigente em defesa do feto. Outros grupos de pensamento acreditam que o feto ainda não é um ser humano, portanto, ao extraí-lo do ventre materno, não se está extraindo um ser humano.
Para a Igreja Católica, aquele feto, que ainda é um projeto de pessoa humana, vai ser pessoa humana, é semente de pessoa humana já em fase de formação. Para Igreja o feto humano não é um tumor a ser extirpado, não é um incômodo a ser tirado e não é, certamente, um monte de carne qualquer. Falando com toda franqueza, da mesma forma que muitos defendem os fetos das focas, das baleias, dos micos-leões-dourados, porque são animais raros em perigo de extinção, a Igreja defende o feto dos humanos, porque esse também é um animal raro em perigo de extinção.
Não é só por isso. A Igreja realmente acredita que o ser humano é um animal racional muito especial. Não deve ser sacrificado, nem mesmo quando é apenas feto. Se a Igreja aprova que se preservem outros fetos, aprovará e lutará muito mais para que se preservem os fetos de homens e mulheres que se casaram ou, mesmo não se casando, conceberam um futuro ser humano.
Para nós, a vida é um mistério e não sabemos quando ela começa. Mas sabemos que estão ali todas as características do ser humano que esse feto será. E em função desse ser, a Igreja não admite que se toque nele a não ser para melhorá-lo. Por isso ela é contra o aborto. Por isso tem sido, é e será criticada e chamada de conservadora e retrógrada, mas ela se considera progressista. Se os que defendem fetos de focas, leões marinhos e baleias são progressistas, porque não o seria quem defende o feto humano? Aborto, não!
Anta Gorda revive a Paixão de Cristo
Cerca de 180 jovens e adultos encenam últimos passos de Jesus Cristo
As encenações da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus estão entre as maiores manifestações de fé e devoção dos católicos na Semana Santa. São conhecidos no Rio Grande do Sul e no país espetáculos que retratam os últimos passos de Jesus, como o realizado no maior teatro ao ar livre do mundo, em Nova Jerusalém, Fazenda Nova (PE); as encenações no Morro da Cruz, em Porto Alegre; no Morro do Calvário, em Carlos Barbosa; em Flores da Cunha e em tantos outros lugares.
No Vale do Taquari, um dos mais belos e emocionantes espetáculos religiosos é realizado na cidade de Anta Gorda. Neste ano, um grupo de 180 figurantes vai reviver, no dia 14, a partir das 18h45, a sexta edição da Via-Sacra Viva no Morro Girotto. "O evento narra as 15 estações da Via-Sacra, iniciando com a Santa Ceia e a mensagem de Jesus, a prisão no monte das Oliveiras, a condenação, a flagelação e toda a originalidade dos passos de Jesus", informa Xico Frighetto, diretor do espetáculo.
O diretor revela que, depois da condenação, Jesus percorre cerca de um quilômetro de subida com a cruz nos ombros até o alto do morro, acompanhado pela multidão. Um dos momentos mais solenes é a ressurreição, quando Cristo aparece e deixa sua mensagem de esperança ao público. Neste ano, todo o alto do morro será iluminado com um espetáculo de fogos de artifício. A equipe de coordenação é formada por irmã Zenaide Mezzomo, Dirnei Girotto e Ana Zeni.
Rede Vida transmite tríduo de Gramado
De 13 a 15 de abril, a RedeVida de Televisão estará mostrando, ao vivo, para todo o Brasil, as cerimônias da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, direto de Gramado. O Tríduo Pascal será mostrado com solene liturgia, com efeitos de som e luz. No dia 13, a partir das 19 horas, será transmitida a missa solene da Ceia do Senhor, com o Lava-Pés, e às 21h30, o recital de Música Sacra, na igreja São Pedro.
Na Sexta-feira Santa, a partir das 15h30, transmissão da celebração da Paixão e Morte, adoração da cruz e Canto da Paixão. À noite, a partir das 19 horas, transmissão da Procissão dos Passos pelas ruas de Gramado, com mais de 500 figurantes. No sábado, cerimônia da Vigília Pascal, a partir das 19 horas e da missa da Ressurreição, na matriz.
Pobres Servos dirigem paróquia em Erechim
Padre Ibanor Zanatta, da congregação dos Pobres Servos da Divina Providência, assumiu a função de pároco da Rede de Comunidades São Francisco de Assis, formada por sete comunidades do bairro Progresso, de Erechim. O novo pároco foi empossado pelo bispo diocesano, dom Girônimo Zanandréa. Atuarão com padre Ibanor na paróquia e no Patronato São José, em assistência espiritual e pedagógica, irmão Darci Zacaron e o postulante Tiago Robaldo dos Santos.
Vila Flores promove procissão dei ciareti
A comunidade da Linha Aimoré, interior de Vila Flores, realiza, na noite da Sexta-feira Santa, a tradicional Via-Sacra e a procissão "dei ciareti". Trata-se de um costume próprio de celebrar a morte de Cristo, revivendo uma tradição cristã trazida pelos imigrantes italianos e que representa episódios mais marcantes da Paixão e Morte de Jesus.
A Via-Sacra, presidida pelo pároco, frei Ari Felippi, é reproduzida de um texto criado em português e latim em meados do século passado. Após percorrer as 14 estações, no interior da capela da comunidade, as luzes das ruas são desligadas e os fiéis acompanham a procissão do Cristo morto, cantando e rezando, num trajeto iluminado por centenas de ciareti, pequenas tochas produzidas pela comunidade e afixadas ao longo do percurso. Essa celebração religiosa já e revivida há quatro anos e está incluída no calendário de eventos de Vila Flores. A celebração inicia às 19h30 do dia 14 de abril.
Aldo Colombo
Hoje, Jesus já não recolhe mais maçãs. Ele só pode fazer isso através das mãos dos cristãos. Agora nós somos os braços de Deus
Fim de tarde de uma sexta-feira quente e cansativa. Um grupo de empresários aguardava a hora do embarque. Senhores passageiros, informa o serviço de comunicação do aeroporto, o embarque se dará através de outro portão. Todos eles, arrastando malas e carregando a bagagem de mão saem correndo em direção ao local do embarque. Alguém acabou tropeçando num carrinho de uma vendedora e as maçãs se espalham pelo corredor. Todos tinham pressa, pois desejavam passar o fim de semana com a família. Quem causou o incidente nem sequer olhou para trás.
Mas, um deles, já na sala de embarque, tomou o celular e informou à esposa que retornaria num vôo mais tarde, pois importante compromisso o retivera no aeroporto. Retornou ao local, ainda coalhado de maçãs, algumas delas machucadas e impróprias para o consumo. A vendedora chorava sozinha sua mágoa e sua perda. Era pessoa portadora de deficiência visual e nem sequer poderia recolher as maçãs. Isso foi feito pelo passageiro.
No final, calculou os estragos e deu à moça uma nota de 100 reais e pediu desculpas pelo incidente. Em seguida tentou encontrar o portão do embarque. A vendedora, que até aquele momento nada dissera, chamou o seu benfeitor e quis saber: por favor, qual é mesmo o seu nome, você é Jesus?
Na realidade, Jesus, hoje, não pode mais recolher maçãs. Ele só pode fazer isso através das mãos dos cristãos. Ele fez o que lhe competia, agora nós somos os braços de Deus, atuando na história. Ele precisa de nossos braços, de nossos pés, de nosso tempo, de nossas palavras, de nossa ternura, para salvar o mundo.
Por vezes rotulamos o tempo da Quaresma como tempo de penitência, de jejum, de abstinência de carne. Tudo isso pode acontecer. É bom que aconteça. Jejuar um pouco, comer menos, são atitudes que fazem bem ao corpo e à alma. Mas não são essas atitudes que marcam a Quaresma. O importante é a conversão em seu significado pleno. Isso significa abraçar o projeto de Jesus e nesse projeto o amor é o centro, a palavra-chave.
E na Quaresma de 2006, o alvo é a pessoa portadora de deficiência, porque mais precisa e, porque precisa, tem direito. A ordem de Jesus: "levanta-te e vem para o meio" (Mc 3,3) precisa sensibilizar toda a comunidade. Piedosos sentimentos e desculpas nada servem. Entre os passageiros da sexta-feira no aeroporto, muitos tinham bons sentimentos, outros - quem sabe - lamentaram: coitada da vendedora, infelizmente o avião vai partir dentro de minutos... Mas um só - versão moderna do Bom Samaritano do Evangelho - socorreu a vítima.
Nossa pregação não pode apenas falar de Jesus, que viveu há dois mil anos. Nosso interlocutor quer saber se o nosso nome é mesmo Jesus. Quer saber se os traços do Filho de Deus estão presentes em nossa vida. São esses traços que, um dia, garantirão nossa salvação. Ele nos dirá: eu fui pessoa portadora de deficiência e você me socorreu. Você recolheu as maçãs caídas.
Caminhada franciscana valoriza acolhida
FFB realiza 4º Caminho de São Francisco entre Lagoa e Caseiros
O Serviço de Animação Vocacional da Família Franciscana do Rio Grande do Sul promove, nos dias 22 e 23 de abril, o 4º Caminho de São Francisco. Neste ano, a caminhada será realizada entre os municípios de Lagoa Vermelha e Caseiros, passando por Ibiraiaras. Serão cerca de 38 quilômetros. Deverão participar em torno de 60 pessoas, entre religiosos, religiosas, vocacionados e membros da FFB-RS, além de pessoas da própria região que deverão integrar-se aos peregrinos.
Para a caminhada, foi escolhido o lema "Levanta-te! Vem formar fraternidade". "Com esse lema queremos estar em sintonia com o tema da campanha da fraternidade deste ano, que nos convida a acolher a todos, assim como fomos criados e amados por Deus", destaca frei Djair Galvan, coordenador do Serviço de Animação Vocacional da província dos capuchinhos. Por isso, o tema da acolhida estará presente em todas as orações e as reflexões.
A caminhada inicia dia 22, com celebração de abertura às 7h30, na matriz Santo Antônio de Lagoa Vermelha e a saída está prevista para ocorrer às 8 horas. Os caminhantes passarão pelas comunidades de Pisamiglio, Palmeira (onde haverá parada para o almoço), Santa Terezinha, São Roque e Ibiraiaras. Na matriz São José de Ibiriaras haverá celebração às 19 horas e em seguida os romeiros serão acolhidos pelas famílias locais para o pernoite.
No domingo 23, os participantes retomam o caminho às 7h30, com passagem pelas capelas de Caravaggio e Bom Jesus, e chegada em Caseiros, ao meio-dia. Às 14 horas haverá encerramento na matriz de Caseiros. Frei Djair salienta que o grande gesto de acolhida do povo gaúcho é o chimarrão. Como a caminhada vai percorrer uma região onde predominam os campos, em cada comunidade que integra o roteiro serão plantadas mudas de erva-mate. "Com o Caminho de São Francisco queremos transmitir uma mensagem de paz e bem, tornando as vidas de São Francisco e Santa Clara mais conhecidas, eles que nos ensinaram a viver em fraternidade e harmonia com toda criação" conclui frei Djair Galvan.
Sacerdote italiano é assassinado na Bahia
Padre Bruno Baldacci, 64 anos, pároco da paróquia de Nossa Senhora das Candeias, em Vitória da Conquista (BA), foi morto a pauladas por dois jovens, provavelmente com a intenção de roubar. O crime ocorreu no dia 30 de março, na secretaria da paróquia. Natural de La Spezia, Itália, padre Bruno trabalhava no Brasil como missionário há mais de 20 anos. Era muito estimado pelos paroquianos por seu generoso empenho, sobretudo em favor dos mais pobres. Atualmente, dedicava-se a organizar de um programa de recuperação para jovens, ligados ao consumo de drogas.
Wilson João
É preciso tirar a pedra do túmulo e ressuscitar em cada coração o Deus bondade, o Deus da vida e do amor
Na história da humanidade houve uma sexta-feira marcante. Nela mataram e enterraram Deus. Para grande parte da humanidade, esse Deus permanece morto e enterrado. Nessa mesma história da humanidade houve um domingo que dividiu a história. Nesse domingo, aquele que haviam enterrado, ressuscitou. Desde esse momento da história a grandeza e a pequenez, a inteligência e a burrice, o orgulho e a humildade humanas travaram guerra entre o deixar Deus morto ou ressuscitá-lo. No hoje da história, se repete o mesmo fato na sociedade, nas igrejas, nas ciências e técnicas, no pequeno mundo de cada pessoa. Crer ou não crer num Deus vivo ou morto é a batalha que acontece em cada coração e organização humana.
É PRECISO ENTERRAR DEUS. E que jamais ressuscite. É o Deus criado pela miséria e, ao mesmo tempo, pretensão humana. É o Deus policial que deve dar um jeito com essa humanidade perdida. É o Deus pronto-socorro que é buscado para fazer milagres a toda hora para se obter saúde e bem-estar. É o Deus comerciante, usado nas igrejas, para enriquecer-se e promover os profissionais da religião. É o Deus das muitas devoções e promessas pessoais, que cobram Dele com rezas e mais rezas, choradeiras e lamentações. É o Deus dos mortos, que é solicitado para que, através de orações, liberte as almas do castigo. É o Deus chamado Energia, Força, Poder, Espírito pelos intelectuais e artistas, que é preciso urgentemente ser enterrado.
É PRECISO RESSUSCITAR DEUS. O Deus da vida e do amor, o Deus amigo e libertador, o Deus bondade e paz, o Deus da insuficiência e grandeza humanas. É preciso tirar a pedra do túmulo e ressuscitar em cada coração o Deus bondade que criou este universo, o Deus vida que dá a vida, e deseja vida plena a todos os seres, o Deus de amor que move os corações para que todos se amem como irmãos. Deus ressuscitado está presente em muitos corações, fatos, iniciativas, notícias que criam condições para que haja "um só rebanho e um só pastor, uma fraternidade e igualdade, um desejo único de paz". É o Deus da realização dos desejos humanos.
ELE ESTÁ VIVO. Foi a grande notícia da madrugada de um domingo na história da humanidade. Foi a manchete anunciada pela voz, pela fé e esperança de seguidores do mestre Jesus. Essa notícia se espalha, de boca em boca, há dois mil anos. Crendo nessa notícia muitas pessoas se salvaram e realizaram seu sonho de eternidade. Outras preferiram negá-la e colocá-la no silêncio. E crendo na notícia da morte enterraram suas esperanças e suas vidas. Essa mesma notícia "Ele está vivo" continua escrita em muitos corações e ações humanas. Na Páscoa de cada um, na Páscoa de cada ano que passa, que de fato se realiza em todos os momentos, esta notícia deve ocupar a primeira página do jornal da vida: ELE ESTÁ VIVO!
L’italiano che sta in te
Irma Buffon Zambelli
Escritora, Caxias do Sul-RS
Irma Buffon Zambelli, nascida em São Marcos, residente em Caxias do Sul-RS, historiadora e escritora, fez a viagem inversa de seus antepassados. Eles viajaram falando talian e ela se tornou bilíngüe, passando do talian ao italiano, dando colorido especial à sua italianidade:
"Ricordo con nostalgia la mia infanzia, perché in quella fase della vita apprezzi le tradizioni, l’affetto e i saggi consigli di chi ha già una lunga esperienza.
Mio nonno Joseph ricordava con emozione gli anni trascorsi nella sua città natale, Vittorio Veneto (Treviso), da dove era partito a tredici anni. Lui era molto religioso, lo vedevo spesso leggendo il suo libretto di preghiere. Ha trasmesso la sua fede soprattutto alla figlia Madalena, che più tardi è diventata suora presso la congregazione Marcelina.
In casa era abitudine parlare italiano, in dialetto. Quando si rivolgeva a me, il nonno lo faceva in portoghese, certo... con quel bell’accento veneto.
Mia nonna, invece, non ho avuto la gioia di conoscere, si chiamava Teodolinda, era nata a Mantova. Tutti mi raccontavano della sua abilità nel preparare piatti tipici italiani, tramandati di generazione in generazione.
Dal lato materno, ho conosciuto molto bene la nonna Angela, originaria di Vicenza. Era una donna molto esigente ed ordinata in tutto quello che faceva. In modo particolare, ricordo che tutti i primi venerdì del mese dormivo a casa sua ed al mattino ci svegliavamo presto per andare nella vicina chiesa. Era molto conosciuta, in paese e nelle località vicine, essendo lei ad aiutare tanti bambini a nascere. Io stessa sono nata fra le sue braccia. Il nonno, Domingo Garbin, invece, proveniva da Feltre.
Attualmente vivo a Caxias do Sul, dove mi sono trasferita all’età di undici anni. Conservo ancora oggi tanti bei ricordi della mia infanzia trascorsa a Sao Marcos, la mia città natale. Nel 2005, questa città mi ha onorato con il riconoscimento "Filhos Migrantes", patrocinato dal comune - Prefeitura Municipal de São Marcos, Secretaria de Cultura, Desporto e Turismo.
Nel l987, inoltre, ho ricevuto per mano del prestigioso scrittore, storico e professore Mario Gardelin il diploma "El Leon de San Marco", promosso dall’Istituto Veneto per i Rapporti con i Paesi dell’ America Latina, nel Rio Grande do Sul.
Ho molta nostalgia di quei tempi in cui le difficoltà venivano superate con la tenacia, la fede, l’unione e, soprattutto, l’amore all’interno della famiglia. Oggi tutto questo sembra così lontano. Uno degli aspetti che mi ha portato ad avere una smisurata ammirazione per gli immigranti italiani, è stato il lavoro di ricerca che ho svolto sugli scultori Zambelli, famiglia di lunga tradizione artistica che con le sue opere ha arricchito la nostra terra fiorente.
Mio marito, Celio Paulo Zambelli, è figlio dello scultore Estacio Frederico ZambelIi; abbiamo avuto due figli, entrambi hanno concretizzato la loro vena artistica attraverso l’architettura.
Una grande emozione è stata conoscere le città dei miei antenati e vedere mia figlia interessarsi alle origini della mia famiglia. Sento che le ho trasmesso il rispetto, l’amore e l’interesse per i nostri antenati e per gli immigranti che qui hanno seminato e con tanta fatica costruito il nostro presente che, insieme al futuro, è un riflesso del passato. Sono fiera delle mie origini" (ibz@terra.com.br, fone 0...54 32213048).
Irma olha o mundo como brasileira e italiana. E o faz com arte, poesia, história, amizade e fé. (Rovílio Costa)
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (355)
Chi capisse i mandolini? Fiori sora la tera e le teghe soto!
SILVINO SANTIN
Santa Maria (RS)
Raquanti chilòmetri vanti rivar, Giulieto el vede el nono Minelo traversar la strada con diversi sachi vodi in man. El ghe dise a Nanetto: varda lì el nono Minelo, se fermeno par ciacolar un poco lì al ombria de quela timbauva.
Nanetto el stenta un poco vegner fora, e no’l fa ora gnanca presentarse, come sempre el fea, che el nono el ghe dise: e lora, Nanetto, vol dir che te ga piasesto la Quarta Colònia?
- Si, la me piase tanto, ma anca Giulieto el ga bisogno de mi. Si, ma come o de ndove vu me cognussè?
- Ti no te ricordi, mi te go vedesto là a Vale Véneto, quando i te ga messo sora la tola co te ghè fato i ani.
- Ah! si, mi son un sol, lora tuti quei che i gera là i pol cognósserme, se i ga bona memòria come vu, ma mi no podaria cognósserli tuti, parché i ze tanti.
- Sicuro, te ghè rason.
E Giulieto el ghe dimanda:
- Nono, cossa sio drio far par ste bande qua?
- Son vegnesto insacar i mandolini de Giàcomo, lu l’è ndà viaiar.
Intanto che i due i parlea de diverse robe, Nanetto l’è ndà far i so bisogni. Co l’è ritornà, el se tira lì maraveià con quei mandolini. El disea: vardè che bei tegoni e così ben neti, no ghenavea mai visto, i par lavai. E lu no l’è bon de tégnerse, el ghe dimanda come che questi mandolini i ze così neti, li gavio lavai?
El nono Minelo che l’era furbo fin soto aqua no’l ga perso l’oportunità:
- Varda, Nanetto, qua in te la Quarta Colònia nantri ghin savemo una che, son sicuro, gnanca a Cassia i la sà.
- Cossa saralo, el dimanda Nanetto.
- In due parole te spiego. Te sè, Nanetto, che’l pupà e la mama, de sabo, i manda i fioleti lavarse polito i pié, le rece, le man; tomar un bagno par a la doménega ndar a messa ou ndar a la dotrina. E anca i zovenoti, i se tira su polito par ndar a morose.
- Si, mi sò tute quele cose lì, el ghe risponde Nanetto. Ma, mi vui saver cossa gali sti afari lì coi mandolini?
- Eco, el ritorna el nono Minelo, qua che’l ze el segreto. Ti te sè che ghe ze gente che le parla co le bèstie, co le piante, come se le fusse gente come noantri.
- Si, pròpio, go ledesto sul giornal dei frati che un omo a la matina el saludava el mìlio, bon dì, bona sera e così via. E el mìlio el vegnea su bel che mai.
- Eco, vedo che te ghin sè tante anca ti, ma adesso te insegno nantra. Qua ndove semo l’è de star Giàcomo, questa la saria nantra stòria, la so casa la ze lì via, ma par torse aqua ghe toca ndar torla zo pal monte squasi dosento metri, e, par disgràssia, ze vegnesto na gran seca. Lora Giàcomo l’è ndà veder come che i gera i mandolini, che no i patisse tanto co la seca. E i gera pronti da cavar. Lora lu el ghe ga dito: cari mandolini, diman matina veg-no cavarve, valtri savì che no go aqua par netarve polito e semo con na gran seca, ve dimando che, come savì, l’aqua la ze soto tera, ve lavè ben polito, così ve meno sùbito in paese, e no ocor star lì in tel paiol spetando la piova, ndove i sordi i pol rosergarve.E i mandolini i se lava polito. Quando el di drio Giàcomo li ga cavai su i gera bei neti come questi. E mi go imparà de lu. Po te pol veder come i ze questi mandolini e te pol veder che aqua qua arente no ghinè gnanca par remèdio.
- Ze vero, el dise Nanetto, tuto maraveià. E come se impara tante bele robe quando se parla con persone che le sa come vu. Par dirve la verità, nono, mi no ghin capisso mia tanto de mandolini. Parché, vedì, i mandolini i fa i fiori sora la tera e le teghe i le fa soto tera.
- Questa, Nanetto, la ze nantra stòria, insieme quela de Giàcomo, che te la contarò nantra volta quando te passi par qua o se trovemo in qualunque posto.
In questo momento Giulieto, che’l gera là drio tègnerse par no crepar de rider, lo ciama parché el volea rivar a Novo Treviso prima de sol ndar zo.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
La Pàsqua
Pe. João R. Lorenzato
Ribeirão Pires-SP
No sò parché me go sveià col pensier dea Pàsqua, la festa pi granda del Cristianésimo. Pian pian me go inancort che geri go passà i oci sora el calendàrio par vedar le feste e i feriadi de sto ano parché el prete, te a so prèdica, l’à dit che bisogna pareciarse par la Pàsqua. Chi parécia la Pàsqua el ze drio pareciarse par el paradiso.
E alora, go scominsià a pensar come se passava la Pàsqua quando mi gere ceo. Se saltava su ben bonora, ancora scur, par ndar a messa, rivar ben prima del ora e, se possìbile, confessarse. In quel tempo, ghe gera na messa sol, de matina, in latin; quei che la ciapava tut ben, e chi la perdea, ciao Meneghina!
Gera pròprio cossì parché steimo distante pi de nove kilòmetri; come no ghenera bèstie par tuti, se cambiava, chi ndava a pié, chi ndava a caval... Par strada se catava i altri, se fea dei grupi, se ciacolava, se schersava, se contea stòrie, se cantava, se ridea... e la strada no la parea tanto longa. Qualche volta se disea su orassion, parché i genitori i ne gávea insegnà - "Strada facendo, preghiera dicendo".
In cesa, se scoltava con devossion la prèdica e la messa pareciàndose par ben ricever la comunion tel nostro cor de tosatei. Contenti come na Pàsqua se tornava a casa, par la stessa strada, piena de sasset che i sponciava soto i pié scalzi, par no frugar le scarpe. Qualche volta se ghe tirava sassade ai osei, sensa ciaparghe, magari, o se metea un ponto come marca, par vedar chi gera el meio da tirarghe e ciaparghe giusto. Arivai darente casa, cadauno par la so strada el ndava casa sua, stufo, sfenio e pien de fan. Le budele vode le rudava e anca el stómago el sbusava parché el volea da magnar.
In tanto che se se metea a tola, el pupà el scominsiava dir su l’Àngelus Domini, e fenì el disea: "Adesso, Bone Feste, bone menestre, bei caponi e boni boconi" - parole che mi no le go mai desmentegae in tuta la me vita. Sfamai come se gera se se metea a magnar e zo che la ndea sta menestra de capeleti, e dopo tute le altre qualità de magnari. Tusi, disea el pupà, no desmentegarve de quel che’l ga dito el prete - "chi se parécia adèss, se parécia par dopo", e gera na sagra contìnua, na festa in fameia, tuti insieme in tea medèsima tola. E la mama anca la vea da dir qualcossa: "Tusi, magné quel che gavé, e tasé quel che savé." E la Pàsqua la gera na cucagna in fameia: pare, mare, fradei, tuti insieme parlando, contenti del tuto. A tuti i letori bona Pasqua.
Grêmio volta a mandar no Rio Grande
Equipe conquistou título gaúcho superando favoritismo colocado
Depois de quatro anos de hegemonia colorada no Rio Grande do Sul, o Grêmio volta a comemorar o título de campeão gaúcho. E a conquista tem um sabor especial por diversos aspectos. Vem depois de amargar um ano na segunda divisão do futebol brasileiro e de regressar à Série A, de forma heróica, no final do ano passado; foi construída contra o arqui-rival Internacional - 0 x 0 no Olímpico e 1 x 1 no Beira-Rio, no domingo 9.
Mas o aspecto mais importante talvez seja a conquista de uma equipe considerada limitada sobre um adversário apontado como favorito absoluto, vice-campeão brasileiro de 2005, com uma base formada há três anos, que faz boa campanha na Libertadores. Méritos também ao treinador gremista, Mano Menezes, que, diante do favoritismo colorado, estruturou sua equipe com astúcia e organização, neutralizando principalmente o forte ataque adversário.
O título dá segurança ao Grêmio, que no dia 16 estréia no Brasileirão 2006 enfrentando o campeão do ano passado, o Corinthians - o Inter joga na véspera, contra o Vasco da Gama. O Grêmio conquistou seu 34º título gaúcho. O Inter tem 37. O título gremista veio depois de 18 jogos no Gauchão, com 11 vitórias, seis empates e apenas uma derrota. Marcou 35 gols e sofreu 17.
No domingo também foram conhecidos os campeões de diversos Estados, inclusive de Santa Catarina e do Paraná.
Biodiesel vai diversificar economia de Veranópolis
Usina vai comprar soja de produtores da região
A partir de janeiro do ano que vem uma unidade industrial de produção de biodiesel à base de soja deverá entrar em funcionamento em Veranópolis. O empreendimento de R$ 19,8 milhões, da Óleos Vegetais Planalto (Oleoplan), vai produzir 40 milhões de litros ao ano de biodiesel e 4,4 milhões de litros anuais de glicerina.
A unidade serrana vai gerar 30 empregos diretos e 150 indiretos. "O empreendimento garante a compra de soja dos agricultores da região e exigirá a ampliação do processo de armazenagem do grão", informa ao CR o secretário municipal da Indústria e Comércio, Luciano Zanella.
O presidente da Oleoplan, Irineu Boff, adiantou que a empresa converterá em biodiesel 8% do total de 500 mil toneladas de óleo de soja exportadas pelo Estado anualmente.