LEITORES 

 DESCOBRINDO CAMINHOS

 

Desde 1909, onde o conteúdo faz a diferença.

Edição 4.984 - Ano 98 - Caxias do Sul-RS, 19 de abril de 2006.

EDITORIAL

Desencanto com os políticos não pode levar ao voto nulo

Ao povo compete o verdadeiro julgamento dos governos e políticos

 

Todo o poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido. Dogma fundamental das democracias modernas, as eleições apresentam a grande possibilidade do povo exercer seu sagrado direito de cidadania. Dentro de 160 dias, os 130 milhões de eleitores vão opinar sobre o certo e o errado na condução do país. O quadro eleitoral está mais ou menos definido e – como acontece muitas vezes – o voto terá a amplidão de um plebiscito. Eleito e empossado como garantia de um tempo novo, o atual governo termina de forma melancólica, envolvido por comprovadas acusações.

Algumas altas figuras do governo foram abatidas, comprometidas por escândalos financeiros, caixa dois e mensalões e abusos do poder. Outros políticos foram escandalosamente "absolvidos" pelo corporativismo do Congresso. Curiosamente, a oposição condena, agora, o que era acusada de praticar e os novos detentores do poder fazem tudo aquilo – ou ainda mais – que acusavam nos governos anteriores. Tudo isso está a indicar os defeitos da velha teoria maniqueísta, que dividia o mundo e a sociedade entre bons e maus. Percebe-se, agora, que o trigo e o joio se encontram em toda a parte e a ética não é bandeira exclusiva de nenhum partido.

O primeiro momento é de desânimo em face das próximas eleições. Cresce a tentação do voto de protesto. Isto pode ser feito anulando o voto ou votando em figuras caricatas. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – apoiada pela Ordem dos Advogados do Brasil e mais quase duas dezenas de entidades – indica um caminho mais realista. O povo poderá fazer aquilo que o Congresso não quis fazer: alijar da vida pública os corruptos. É bom lembrar que, além do presidente da República, os eleitores são convidados a julgar também senadores, deputados e governadores.

Vencer uma eleição não é o objetivo único. O definitivo é que o processo democrático ajuda a conscientizar o povo. Os governantes não recebem um ilimitado voto de confiança. São eleitos para executar os anseios populares e fazer prevalecer o bem comum. Anular o voto é apoiar os piores. Importante é escolher com inteligência, confrontando suas idéias nos palanques com sua vida real. Acima do corporativismo e do próprio Judiciário, deve prevalecer a voz do cidadão. Todo o poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido.

 

CAXIAS DO SUL

Caxiense paga mais pelo transporte

Autorizados aumentos para ônibus, lotações, táxis e estacionamento

 

A tarifa do transporte urbano aumentou 12,5% e passou a custar R$ 1,80; os valores das passagens do transporte intramunicipal deram um salto em média de 37,1%; os táxis estão 13,8% mais caros e os táxis lotação, 29,4% – valor passou para R$ 2,20. Essas são algumas das decisões tomadas pelo Conselho Municipal de Trânsito e Transportes (CMTT) na quinta 13 e que já estão vigorando – decreto assinado pelo vice-prefeito em exercício, Alceu Barbosa Velho, foi publicado no sábado 15. Outra definição eleva em 18,18% o valor do estacionamento rotativo pago no centro da cidade, a chamada Zona Azul, cuja tarifa para uma hora passou de R$ 1,10 para R$ 1,30.

No caso do transporte intramunicipal, a alegação para o pulo de quase 40% é de que o último aumento foi dado em 2003. Mesmo assim, os índices concedidos às empresas estão acima das taxas de inflação. A tarifa do transporte coletivo urbano não aumentava desde dezembro de 2004. As tarifas de táxi e táxi lotação igualmente não sofriam reajuste desde dezembro de 2004. Apesar de igual tempo de defasagem, o táxi lotação foi beneficiado com mais de o dobro do táxi comum.

Dos 18 conselheiros, 16 estavam presentes. Os representantes do DCE/UCES não compareceram. O Sindicato dos Trabalhadores Rurais votou contra todos os aumentos para tarifas intramunicipais. Em três deles teve a companhia até do representante da Secretaria de Viação e Obras Públicas – da mesma administração municipal que, por estudo técnico, foi favorável aos aumentos -, e da União das Associações de Bairros – única entidade contra elevação para táxis, Zona Azul e transporte coletivo urbano. Para quem pega ônibus na Estação Rodoviária e vai até Vila Oliva (58 km), a tarifa passou para R$ 5,95; da Rodoviária até Criúva (65,4 km), R$ 10,01; e até Santa Lúcia do Piaí (32,2 km), R$ 4,70.

 

Rádio Caxias comemora 60 anos no ar

 

A Rádio Caxias 930 AM vai completar 60 anos. Em 27 de abril de 1946 entrou no ar a primeira emissora de rádio da região nordeste do Rio Grande do Sul. A Câmara de Vereadores homenageia a Caxias com uma sessão solene dia 26.

Tendo como fundadores Joaquim Pedro Lisboa, Nestor Rizzo e Luiz Napolitano, a Rádio Caxias teve os estúdios instalados inicialmente nos altos do Recreio Guarany. A Rede de Emissoras Reunidas era a proprietária da rádio. Apesar da potência de apenas 250 watts, ela atingia grandes distâncias, pois não havia outras emissoras no ar. A programação incluía música, jornalismo e utilidade pública. Ainda em 1946, começaram as transmissões esportivas, que continuam até hoje como uma das principais marcas da emissora.

Na década de 50, os estúdios foram transferidos para o City Hotel. A potência da emissora passou de 1 para 5 kilowatts. O transmissor e as antenas foram instalados no bairro São Ciro, para evitar interferências.

Em agosto de 1972, a rádio muda-se para uma sede própria no 21° andar do Edifício Estrela, no centro da cidade, onde permanece até hoje.

Em 1980, a emissora tornou-se uma das mais potentes do Estado, operando com 20 kilowatts.

Em 1988, a Rádio Caxias foi adquirida pelo empresário Paulo Triches e passou a fazer parte do Sistema Trídio de Comunicação (STC), junto com outras três emissoras. A programação foi alterada, priorizando jornalismo e esportes, característica que mantém até hoje. Nos anos 90, a Rádio Caxias foi uma das primeiras emissoras do interior a informatizar a redação e a operação.

A Caxias ainda revelou grandes talentos do radiojornalismo, como o jornalista Jimmy Rodrigues e os locutores Nestor Gollo e Osvaldo de Assis, que tornou-se um mito do rádio caxiense, além de Dante Andreis, o mais famoso comentarista esportivo do rádio local.

 

Vereador acusado de cobrar propina

 

A denúncia de cobrança de propina que envolve diretamente o vereador Alencar Tavares (PL) e sugere a participação de outros parlamentares abala a imagem do Legislativo caxiense. Tavares pediu afastamento da Comissão de Ética e a Câmara divulgou nota oficial dando satisfações à comunidade e pedindo a apuração dos fatos.

As denúncias se tornaram públicas no início do mês. Uma mulher interessada em abrir uma casa de jogos teria sido informada que era necessário pagar uma quantia em dinheiro para o vereador Alencar Tavares. O pagamento evitaria a apresentação de projeto na Câmara restringindo a atividade.

Segundo as denúncias, ao procurar Tavares, ele indicou que a mulher tratasse do assunto com o ex-vereador de Bento Gonçalves Revelino Soares da Silva (PL). Ela negociou com Revelino o pagamento de R$ 8 mil e gravou a conversa. A entrega do dinheiro foi marcada para o dia 6 de abril. Durante as negociações, ela procurou a Polícia Federal, que prendeu Revelino da Silva no momento da entrega do dinheiro.

A situação complicou-se ainda mais depois que foi divulgado o conteúdo das gravações feitas pela denunciante, pois o áudio sugere o envolvimento de outros cinco vereadores caxienses. Até a segunda-feira, 17, Revelino continuava preso.

 

ENTREVISTA/ESPECIAL

EVANGELHO DE JUDAS

"INCOMPATÍVEL COM A FÉ CRISTÃ"

Um documento escrito há 1.700 anos, de autenticidade comprovada por cientistas e historiadores, dá uma nova versão para o papel de Judas Iscariotes na Paixão de Cristo. Denominado "O Evangelho de Judas", o manuscrito de 66 páginas, escrito em copto e encontrado em Genebra em 1983, é reconhecido como documento histórico sobre o movimento gnóstico, mas não oferece nenhum desafio à fé da Igreja Católica. Um dos estudiosos que defendem esta posição é o padre Thomas D. Williams L. C., decano da Faculdade de Teologia da Universidade Regina Apostolorum, em Roma. Procurado pela agência de notícias católica Zenit para abordar a importância desta descoberta, padre Williams concedeu esta entrevista, que o Correio Riograndense foi autorizado a reproduzir.

 

O que é o Evangelho de Judas?

Padre Thomas D. Williams: Mesmo que o manuscrito ainda deva ter autenticação, provavelmente é um texto do século IV ou V, uma cópia de um documento anterior, redigido pela seita gnóstica dos Cainitas.

O documento apresenta Judas Iscariotes de maneira positiva e o descreve obedecendo à ordem divina de entregar Jesus às autoridades para a salvação do mundo. Pode ser uma cópia do "Evangelho de Judas" citado por Santo Irineu de Lyon em sua obra "Contra as heresias", escrita em torno do ano 180.

 

Se é autêntico, supõe algum desafio à fé da Igreja Católica? Abalará as bases do cristianismo, como sugerem algumas notas de imprensa?

Pe. Williams: Certamente não. Os evangelhos gnósticos – há muito outros – não são documentos cristãos em si, já que procedem de uma seita sincretista que incorporou elementos de diferentes religiões, incluindo o cristianismo.

Desde o momento de sua aparição, a comunidade cristã rejeitou estes documentos por sua incompatibilidade com a fé cristã. O "Evangelho de Judas" seria um documento deste tipo, que teria grande valor histórico, já que contribui para o nosso conhecimento do movimento gnóstico, mas não supõe nenhum desafio para o cristianismo.

 

É verdade que a Igreja tentou encobrir este texto e outros documentos apócrifos?

Pe. Williams: Estas são invenções lançadas ao público por Dan Brown, o autor de "O Código Da Vinci", e outros autores que apóiam a teoria da conspiração. Você pode ir a qualquer livraria católica e obter uma cópia dos evangelhos gnósticos. Os cristãos não crêem que sejam verdadeiros, mas não há nenhum intento de escondê-los.

 

Mas o senhor não crê que um documento assim põe em cheque as fontes cristãs, em particular os quatro evangelhos canônicos?

Pe. Williams: Recorde que o gnosticismo surgiu em meados do século II, e o "Evangelho de Judas", se autêntico, provavelmente remonta ao final do século II. Seria como se eu me pusesse a escrever agora um texto sobre a Guerra Civil dos Estados Unidos e o apresentasse como uma fonte histórica primária dessa Guerra. O texto poderia não ter sido escrito por uma testemunha presencial, como ao contrário o são ao menos dois dos evangelhos canônicos.

 

Por que os militantes no movimento gnóstico estavam tão interessados em Judas?

Pe. Williams: Uma das maiores diferenças entre as crenças gnósticas e o cristianismo refere-se às origens do mal no universo. Os cristãos crêem que um Deus bom criou um mundo bom, e que pelo abuso do livre arbítrio, o pecado e a corrupção entraram no mundo e produziram desordem e sofrimento.

Os gnósticos atribuem a Deus o mal no mundo e afirmam que criou o mundo de um modo desordenado. Por isto, são partidários da reabilitação de figuras do Antigo Testamento como Cain, que matou seu irmão Abel, e Esaú, o irmão mais velho de Jacó, que vendeu seus direitos de primogenitura por um prato de lentilhas. Judas entra perfeitamente na visão gnóstica que mostra que Deus quer o mal do mundo.

 

Mas o senhor não crê que a traição de Judas foi um elemento necessário do plano de Deus, como sugere o texto, para que Cristo desse sua vida pelos homens?

Pe. Williams: Sendo onisciente, Deus conhece perfeitamente nossas eleições, tem em conta inclusive nossas decisões equivocadas em seu plano providencial para o mundo. Em seu último livro, "Memória e identidade", João Paulo II refletiu eloqüentemente sobre como Deus segue obtendo o bem inclusive do pior mal que o homem possa produzir. Isto não significa, contudo, que Deus deseje que façamos o mal, ou que buscava que Judas traísse Jesus. Se não tivesse sido Judas, teria sido outro qualquer. As autoridades haviam decidido que Jesus devia morrer e era já só questão de tempo.

 

Qual é a posição da Igreja com respeito a Judas? É possível "reabilitá-lo"?

Pe. Williams: Ainda que a Igreja Católica conte com um processo de canonização pelo qual declara que algumas pessoas estão no céu, como os santos, não prevê um processo deste tipo para declarar que uma pessoa está condenada. Historicamente, muitos pensaram que Judas está provavelmente no inferno, devido ao severo juízo de Jesus: "Teria sido melhor para este homem não ter nascido", pode-se ler no Evangelho de Mateus (26, 24). Mas inclusive estas palavras não são uma evidência concludente com respeito a sua sorte.

Em seu livro de 1994 "Cruzando o limiar da esperança", João Paulo II escreveu que estas palavras de Jesus "não aludem à certeza da condenação eterna".

 

Mas se há alguém que merece o inferno, não seria Judas?

Pe. Williams: Seguramente muita gente merece o inferno, mas devemos recordar que a graça de Deus é infinitamente maior que nossa debilidade.

Pedro e Judas cometeram faltas parecidas: Pedro negou Jesus três vezes, e Judas o entregou. E agora Pedro é recordado como um santo e Judas simplesmente como um traidor.

A principal diferença entre os dois não é a natureza ou gravidade de seu pecado, mas sim a vontade de aceitar a graça de Deus. Pedro chorou seus pecados, voltou a Jesus, e foi perdoado. O Evangelho descreve Judas enforcando-se desesperado.

 

Por que está despertando tanto interesse o "Evangelho de Judas"?

Pe. Williams: Estas teorias sobre Judas não são certamente novas. Basta recordar a ópera rock em 1973, "Jesus Cristo Superstar", na qual Judas canta "Realmente não vim aqui por minha própria vontade", ou a novela de Taylor Caldwel de 1977, "Eu, Judas".

O enorme êxito financeiro de "O Código Da Vinci" abriu sem dúvida a caixa de Pandora e deu incentivos monetários a teorias deste tipo. Michael Baigent, autor de "Sangue Santo, Santo Graal", agora escreveu o livro "The Jesus Papers" (Os documentos de Jesus), no qual recicla a velha história de que Jesus sobreviveu à crucifixão.

E um novo estudo "científico" recém-publicado afirma que as condições meteorológicas poderiam ter feito com que Jesus caminhasse sobre um pedaço de gelo flutuante no Mar da Galiléia, quando o Evangelho diz que caminhava sobre as águas.

Basicamente, para quem rejeita taxativamente a possibilidade dos milagres, qualquer teoria, por estranha que possa ser, é melhor que as afirmações cristãs.

 

AGRONEGÓCIO

Pinhão-manso, alternativa verde para o diesel

Espontânea em solos degradados e clima desfavorável, planta pode viver sem água

 

Sendo uma cultura existente de forma espontânea em áreas de solos pouco férteis e de clima desfavorável à maioria das culturas tradicionais, o pinhão-manso (Jatropha curcas) pode ser considerado uma das mais promissoras oleaginosas para substituir o diesel de petróleo. É altamente resistente a doenças e os insetos não o atacam, pois ele segrega um leite que queima. A planta é exigente em insolação e com forte resistência à seca.

O pinhão pertence à família das Euforbiáceas, a mesma da mamona e da mandioca. A planta evita a desertificação. Pode viver sem água e ainda recupera terras degradadas. Produz, no mínimo, duas toneladas de óleo por hectare, levando de três a quatro anos para atingir a idade produtiva. É um arbusto grande, de crescimento rápido, cuja altura normal é dois a três metros, mas pode alcançar até cinco metros em condições especiais.

A pesquisadora da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), Heloísa Saturnino, considera que os principais diferenciais da planta são o fato de ela ser comum em muitas regiões brasileiras, de fácil cultivo, possuir uma semente com bastante óleo e viver por muitos anos. "O pinhão não tem as mesmas variedades da soja, por exemplo, mas vive cerca de 50 anos. Isso reduz muito os custos", analisa.

Cultivo – Pode-se obter boa multiplicação das plantas por meio de sementeiras ou por estacas. O ciclo produtivo do Jatropha curcas é variável, conforme se faça o plantio por estacas ou por sementes. A produção por via vegetativa tem início após 10 meses, mas só atinge a plenitude após dois anos.

O método mais prático e rápido de colheita dos frutos, ao contrário do processo tradicional de catação manual, é fazendo vibrar o pé do pinhão, a meia altura, o que provoca a queda apenas dos frutos maduros. Neste caso, pode-se adaptar uma lona sobre o solo para tornar a colheita mais simples, e leva-se, então, a carga de frutos ao sol para a secagem.

O aproveitamento dos resíduos da extração como adubo natural nos próprios plantios da euforbiácea, além de enriquecer o terreno de matéria orgânica, irá incorporar ao solo quantidades acentuadas de nitrogênio, fósforo e potássio, presentes em índices elevados na torta residual.

Consórcio – A consorciação do pinhão-manso com culturas de ciclo anual é outra prática agrícola de grande alcance no êxito econômico da cultura, proporcionando maior rentabilidade pelo uso intensivo do solo. Tendo em vista as condições edafoclimáticas das áreas de maior aptidão ao cultivo do pinhão-manso, sugere-se a utilização de plantios intercalares com o amendoim.

As técnicas agronômicas empregadas na cultura da mamona podem também ser adaptadas aos plantios de pinhão-manso. A planta se adapta melhor, entretanto, em solos de boa consistência, pouco compactos para não prejudicar o seu sistema radicular. Informações (67) 3472-1214.

 

Primeira madeira de lei do país vinga até em banhados

 

O guanandi (Calophyllum brasilienses), planta nativa do Brasil, é apontada como opção ao pinus e eucalipto. A árvore esteve presente em toda costa brasileira, inclusive nos Estados do Sul. Em 1835, o império a oficializou como a primeira madeira de lei do país. Porém, a exploração desordenada praticada fez com que quase sumisse da mata.

O nome da árvore, de origem tupi, significa o que é grudento. A madeira pode ser utilizada na produção de móveis finos, na indústria naval, assoalhos etc. A casca, folhas e o látex têm uso medicinal.

A árvore desenvolve bem no Sul do Brasil. "Em experimentos nos três Estados sulinos observamos que o guanandi resistiu à geada com pouca perda de mudas. Já nas regiões mais baixas, próximas ao litoral, o desenvolvimento foi surpreendente", relata a engª agrª Cassiele Lusa Mendes Bley.

O tempo de corte previsto para a madeira é de aproximadamente 20 anos, dependendo da região. "Vale lembrar que no décimo ano deverá ser feito um desbaste de aproximadamente 50% das árvores para que as outras possam engrossar e atingir alto valor comercial", diz Cassiele. A madeira retirada deste corte pode ser vendida para a indústria moveleira.

O guanandi vai bem em qualquer tipo de solo, inclusive no banhado, sendo uma alternativa para produtores que dispõe de terras alagadas e em desuso. O espaçamento indicado para o plantio é de 3 metros x 2,5 metros ou 3 metros x 3 metros. Os espaços entre as árvores podem, após o terceiro ano, serem utilizados para pasto, criação de abelhas ou plantio de outra cultura. A partir do terceiro ano, a árvore produz em média 1kg de sementes, gerando óleo de qualidade. Mais informações (48) 3272-1954.

 

Brasil é rico em opções vegetais

 

Biodiesel é um combustível biodegradável derivado de fontes renováveis, que pode ser obtido por diferentes processos. Há dezenas de espécies vegetais no Brasil das quais se pode produzir o biodiesel, tais como mamona, dendê (palma), girassol, babaçu, amendoim, pinhão manso e soja.

Na Europa se usa predominantemente a colza, por falta de alternativas, embora se fabrique biodiesel também com óleos residuais de fritura e resíduos gordurosos. O aproveitamento da cultura depende das características de cada região e das condições de solo, clima, altitude e assim por diante.

Cor e odor – A cor e o odor do biodiesel variam um pouco em relação ao óleo vegetal escolhido como matéria-prima. Em geral, o produto é amarelo podendo ser muito claro ou mesmo alaranjado. O odor é parecido com o do óleo vegetal de origem.

 

Grito da Terra pede R$ 11 bilhões

Mais de 700 mil produtores precisam prorrogar as dívidas

 

O Grito da Terra Brasil já tem data e pautas definidas. O maior evento da agricultura familiar do país está marcado para ocorrer de 16 a 18 de maio, na Esplanada dos Ministérios em Brasília. A mobilização da Confederação Nacional na Agricultura (Contag) reivindica R$ 11 bilhões para o próximo plano safra da produção familiar – R$ 4 bilhões a mais em relação ao ano passado.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Desenvolvimento Agrário (MDA), Guilherme Cassel, receberam a pauta das reivindicações do 12º Grito da Terra, elaborada pela Contag. A entidade representa 15 milhões de agricultores, entre produtores familiares, assalariados e assentados.

A Contag também quer a renegociação de dívidas. "Em torno de 40% dos 1,8 milhão de agricultores familiares, que contraíram o Pronaf custeio ou investimento, estão com suas parcelas atrasadas, devido à estiagem, chuvas e baixos preços dos produtos", declara o diretor de política agrícola da entidade, Paulo de Tarso Caralo.

O dirigente explica que o agricultor que não refinancia seus débitos não pode obter novos financiamentos devido ao aval cruzado, firmado no início do contrato. A situação atinge especialmente o produtor do Pronaf A e C, que fica impedido de conseguir mais recursos caso pessoas de seu grupo não tenham conseguido renegociar ou mesmo pagar o que devem.

Entre os pontos está a atualização dos índices de produtividade. Outro pedido é a garantia de recebimento dos preços mínimos. "Queremos que o governo, em caso de supersafra, compre o excedente e armazene para vender depois", afirma o diretor da Contag ao CR. "Parte dos pleitos foi entregue aos ministérios para começar as negociações", adianta Paulo de Tarso.

Fetag/RS – O governador Germano Rigotto recebeu do presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais do RS (Fetag), Ezídio Pinheiro, a pauta de reivindicações. Na pauta constam questões que vão desde problemas com fornecimento de água até o aproveitamento de plantas medicinais nas farmácias do SUS.

O secretário da Agricultura, Quintiliano Vieira, atendeu uma das demandas. Assinou convênio com a Fetag que garante R$ 1,5 milhão para a compra de 2,1 mil toneladas de forrageiras que irão beneficiar 50 mil famílias gaúchas.

 

FAO define normas no controle de pragas

 

A 1ª Reunião da Comissão de Medidas Fitossanitárias, da Convenção Internacional de Proteção dos Vegetais, aprovou quatro Normas Internacionais de Medidas Fitossanitárias (Nimfs). A primeira normatiza a elaboração de diagnósticos fitossanitários e contempla metodologias reconhecidas internacionalmente em relação às principais pragas.

As demais tratam de medidas fitossanitárias que podem ou não ser aplicadas a cargas que transitam por um país, com destino a outros; sobre princípios de quarentena vegetal que devem ser observados quando da aplicação de medidas fitossanitárias e o estabelecimento de áreas livres de moscas-das-frutas. Informações no site da FAO www.ippc.int

 

Ibama acaba com a ATPF em 1º de junho

 

A partir de 1º de junho, a Autorização de Transporte de Produto Florestal (ATPF) será substituída pelo Documento de Origem Florestal (DOF). A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, assinou uma portaria criando o sistema e estabelece o comitê técnico para acompanhar a evolução do novo modelo.

Ao contrário da ATPF, que era em papel e preenchida manualmente, o DOF é um documento eletrônico. "O madeireiro terá de informar ao Ibama, via internet, o produto que pretende transportar, o volume, a origem e a rota que irá seguir até a destinação final", diz o diretor de Florestas, Antônio Hummel. As informações irão para um banco de dados os Estados.

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

Nogueiras pecã em São Paulo

Qual o motivo de as nogueiras não produzirem frutos, já que no mesmo sítio a produção de jabuticabas e castanhas é abundante?

IR. Mara

Xaxim – SC

 

Por razões expostas na edição passada as nogueiras cultivadas por seu irmão em São Paulo devem ser da espécie Carya Illionensis, de origem norte-americana e conhecida como nogueira pecã (ou pecan).

Seu irmão, ao decidir fazer um pomar de 130 árvores frutíferas de uma única espécie, suponho, tenha buscado a orientação técnica de algum agrônomo da extensão rural que praticamente existe em todos os municípios paulistas; para bem iniciar o empreendimento com mudas, plantio e solo adequados, de maneira a formarem árvores produtivas com o tempo.

É conveniente e até necessário contar com a assistência de técnicos competentes, pois estes com a capacidade de conhecer o estado do pomar, têm condições de propor o procedimento adequado na busca de solução para algum problema que surgir. Além do mais, em caso de alguma novidade ou dúvida eles têm a possibilidade de manter contato contínuo com o Instituto Agronômico de Campinas, que dispõe de um rico acervo de conhecimentos a respeito da nogueira pecã, seu cultivo e suas variedades apropriadas às diversas regiões paulistas.

Cabe-me apenas fazer algumas considerações sobre aspectos da planta e de seu cultivo. A nogueira pecã é originária do Sul dos Estados Unidos e foi introduzida no Brasil, no começo do século passado, por missionários norte-americanos nos municípios de Americana e Santa Bárbara, depois em Piracicaba.

Mais tarde os governos de São Paulo deram grande incentivo à cultura, de maneira que a pecã propagou-se rapidamente pelo Estado e igualmente pelos Estados do Sul do país e nos planaltos de Minas Gerais.

A nogueira pecã é árvore de grande porte, tronco cilíndrico de madeira preciosa. A raiz é pivotante, necessitando de solo profundo para expandir. Os ramos inclinados para cima são vigorosos, as folhas são compostas, imparipenadas, com folíolos lanceolados, caducas (caem no inverno). É planta monéica, têm flores unissexuais. O fruto é uma drupa com envoltório verde que se abre quando maduro para soltar a semente (noz), de casca lenhosa, fina, que internamente contém a amêndoa que é rica em óleo e proteínas.

Inflorescência – É muito importante considerar a estrutura floral da nogueira pecã que tem flores masculinas (ditas estaminadas) e flores femininas (ditas pistiladas), separadas, porém na mesma planta.

As estaminadas são numerosas, reunidas em amentilhos compridos e pendentes, surgem nos ramos do ano anterior. As pistiladas, em menor número, dotadas de ovário alongado, formam-se na extremidade dos ramos novos da rebrotação. Se as estaminadas amadurecem ao mesmo tempo que as pistiladas ocorre a fecundação e a formação normal das nozes. Neste caso, a planta é conhecida como auto-fértil. Mas, freqüentemente, não é o que acontece. As masculinas amadurecem antes ou depois que as femininas, e estas quando receptivas devem receber o pólen maduro de outra planta. Por este motivo recomenda-se alternar nas proximidades da variedade principal de 2 a 3 variedades polinizadoras.

Se as flores pistiladas receptivas não foram polinizadas, não formarão frutos ou produzirão nozes chochas (sem amêndoas).

A florescência ocorre sempre ao mesmo tempo da rebrotação primaveril. Nesta ocasião, o solo deve estar bem provido de nutrientes necessários, uma boa vegetação e a uma perfeita formação das flores. Igualmente, na ocasião, as plantas exigem água em abundância.

Adubação e irrigação – Nestas circunstâncias a adubação e a irrigação desempenham função decisiva para normal e boa produção da nogueira.

A adubação correta inclui compostos nitrogenados, fosfóricos, potássicos e calcários (macroelementos), em quantidades que a indispensável análise do solo recomenda. A pesquisa constatou que a pecã necessita de magnésio e zinco como microelementos. O magnésio é suprido pelo calcário dolomítico (magnesiano), utilizado na correção da acidez do solo, pois o pH favorável à cultura fica em torno de 6,0, quase neutro, e o zinco em pulverização de sulfato de zinco a 0,5 % (adubação foliar); ou no solo 50 a 100 gramas deste sulfato em cada planta.

Outras considerações – Usar no plantio exclusivamente mudas enxertadas de variedades que a técnica recomenda. Tratando-se de árvores grandes a distância mínima entre uma e outra deve ser 10 metros. As árvores dificilmente iniciam a florescência antes dos 8 anos de idade: É conveniente cultivar, nas entre linhas das mudas em crescimento, plantas anuais como milho, feijão, batata, leguminosas para adubação verde; pastos, etc, e mesmo frutíferas como figo, mamão, cítricas.

 

Grãos de duplo-propósito antecipam a renda

Ganhos são observados no peso dos animais e na produtividade dos grãos na safra de verão

 

Historicamente, a agricultura na região Sul do país é marcada pela ociosidade de terras no inverno. Estima-se em 80% a utilização da área produtiva no verão e apenas 20% no inverno. A prática acaba refletindo no rendimento das culturas de verão, que necessitam dos nutrientes e da palhada deixados pelas gramíneas para a viabilização do plantio. A escassez de forragens nos meses frios afeta o rebanho de 26 milhões de bovinos, implicando no alto custo para produção de leite e carne.

Frente a tantos desafios, a Embrapa Trigo, com sede em Passo Fundo (RS), passou a direcionar a pesquisa no desenvolvimento de cereais de inverno com duplo-propósito, isto é, grãos que possam ser usados tanto para pastagem quanto na indústria de alimentos. Após mais de uma década de trabalho foram indicados os trigos BRS figueira, BRS guatambu, BRS tarumã e BRS umbu, cultivares capazes de atender as necessidades da agricultura familiar nos Estados do RS e de SC. "Os primeiros trigos tardios desenvolvidos, como o toropi, só podiam ser colhidos em dezembro, inviabilizando a cultura da soja. Conseguimos desenvolver um trigo de plantio antecipado, que proporciona a cobertura do solo até a semeadura da próxima cultura de verão", diz o pesquisador Léo Del Duca.

A programação sugerida para o cultivo do trigo duplo-propósito é a seguinte: semeadura em abril/maio; dois pastejos em junho/julho/agosto; e colheita em nov/dez. "É preciso adequar o sistema às características regionais e às demandas de cada propriedade", orienta Del Duca.

Potencial – A necessidade de ampliar o potencial produtivo de uma lavoura transformou o uso de aveia branca, trigo, cevada e triticale em cereais de duplo-propósito (pastagem e grãos) como prática comum em algumas propriedades rurais de pequeno porte da região Sul. Há mais de três de anos os produtores de Serafina Corrêa, associados à Coorpelate, por exemplo, trabalham com cereais de inverno com fins de duplo-propósito, como trigo, cevada, triticale e aveia, que formam a base alimentar do gado leiteiro.

Contudo, o manejo dos animais com o adensamento da área e a inexistência de seleção nas sementes acabavam afetando o rendimento em grãos. "Os grãos para duplo-propósito vinham sendo usados, mas sem recomendação oficial para essa finalidade. Os trigos duplo-propósito são as primeiras cultivares indicadas pela pesquisa, garantindo a reconversão animal ao mesmo tempo em que permitem manter uma boa produtividade em grãos", avalia Del Duca, lembrando que o plantio com duplo-propósito é bastante difundido em países como Austrália, Uruguai e Estados Unidos.

O rendimento médio das cultivares duplo-propósito foi de três toneladas por hectare. "Nos experimentos, as cultivares renderam mais de duas toneladas de matéria seca por hectare", conta Del Duca. O retorno com a utilização de trigo de duplo-propósito pode representar aumento na renda de 50% a 100%. "Isso é resultado do ganho de peso animal de 347 quilos de boi por hectare durante o pastejo, mais 37 sacas de trigo em forma de grãos na colheita", explica o pesquisador da Embrapa Trigo, Renato Fontaneli.

 

Opção na integração lavoura-pecuária

 

Há muitos anos a aveia preta vem sustentando a cobertura do solo no plantio direto. "Entretanto, o uso continuado de aveia tem resultado num aumento na incidência de doenças, como a ferrugem", alerta o pesquisador da Embrapa Trigo Renato Fontaneli. Segundo ele, o trigo surge como uma alternativa na integração lavoura-pecuária, reduzindo riscos, pois permite colheita antecipada (traduzida em renda na produção de carne, leite ou lã), que não depende de oscilações climáticas e de mercado.

Os cereais de inverno ainda podem substituir de 10% a 20% do milho na composição de rações. "Os animais mostram preferência por cereais de inverno, devido a melhor palatabilidade em comparação com a aveia preta, já que a maior parte da constituição dos grãos da aveia são fibras, enquanto que no trigo são proteínas e amido", argumenta.

De acordo com Fontaneli, com o uso do trigo duplo propósito o produtor pode privilegiar o mercado mais rentável: grão ou matéria verde. "Conduzimos experimentos durante seis anos com o pastejo no trigo e constatamos que a produtividade de grãos manteve-se inalterada em comparação com a área de pousio. Também não houve a compactação do solo, pois os animais pastejavam em solo com pouca umidade e a planta no tamanho adequado", observa. O retorno na produção animal chegou a 1 kg por novilho e produção de leite superior a 15 litros/vaca/dia.

 

Mês de abril lembra conservação do solo

 

O Dia Nacional da Conservação do Solo é comemorado dia 15 de abril. A data leva a refletir sobre a conservação dos solos e sobre a necessidade de utilizar corretamente este recurso natural. Uma das formas mais eficientes de preservação é a incorporação de plantas.

A prática proporciona melhorias nas propriedades físicas, químicas e biológicas do solo, promovendo o enriquecimento de elementos minerais. As plantas utilizadas neste tipo de adubação impedem o impacto direto das gotas de chuva sobre o solo, evitam o deslocamento ou a lixiviação de nutrientes e também inibem o desenvolvimento de ervas daninhas.

A eficiência da adubação verde é comprovada no controle de nematóides, quando se utilizam leguminosas específicas, problema para o qual os produtos químicos, além de caros, não apresentam resultados satisfatórios. No Sul, são muito utilizadas plantas leguminosas como mucuna, crotolaria, entre outras, visando principalmente à fixação simbiótica do nitrogênio. Também são usadas gramíneas como a aveia e o azevém e espécies descompactadoras do solo, como é o caso do nabo, benéfico em termos de preservação e recuperação de ambientes.

 

Sibrater reforça a assistência técnica

 

Agricultura familiar e assentados pela reforma agrária agora contam com o Sistema Brasileiro de Assistência Técnica e Extensão Rural (Sibrater). A entidade, atrelada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), terá a função de dialogar com as organizações que fazem o trabalho de assistência técnica e extensão rural para a discussão, a operacionalização e o monitoramento da Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Pnater).

Para o secretário de Agricultura Familiar (SAF) do MDA, Valter Bianchini, o sistema vai permitir o debate de como repartir melhor o orçamento da assistência e extensão rural (Ater), como seguir a política que leve o resultado das pesquisas a um conjunto cada vez maior de agricultores familiares.

O Sibrater visa ainda promover a integração dos trabalhos da Embrapa e do Consepa (Conselho Nacional dos Sistemas Estaduais de Pesquisa), respeitando os saberes dos agricultores familiares. "O Sibrater procura a otimização do arranjo das principais entidades de Ater e a universalização de assistência técnica mais qualificada para os agricultores familiares", destaca Bianchini.

 

SAÚDE

Vacina contra gripe reduz o risco de contrair a doença em 90% dos casos

Imunização visa evitar complicações graves em idosos

 

Começa no próximo dia 24 a Campanha Nacional de Vacinação do Idoso, cuja meta é vacinar 11 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. Isso corresponde a 70% dos 15,7 milhões de idosos, em todo o território nacional. O objetivo da campanha é proteger a população idosa das complicações da gripe e de outras doenças preveníveis por vacinas, uma vez que essa faixa etária é mais vulnerável às enfermidades.

Além da vacina contra a gripe, os postos de saúde estarão oferecendo gratuitamente doses contra pneumococos, difteria, tétano e febre amarela. Essas outras vacinas serão utilizadas para fazer a atualização da carteira de vacinação dos idosos.

A forma e a gravidade da gripe variam muito. Seus principais sintomas são febre, calafrios e mal-estar generalizado, freqüentes nos primeiros dias. A rinite e a faringite também podem ocorrer. Quando os sintomas iniciais diminuem, aparecem problemas respiratórios, como dor de garganta, tosse seca, coriza e congestão nasal.

Em adultos jovens e saudáveis, a gripe é curada espontaneamente em cerca de uma semana. Porém, os pacientes idosos mantêm, em geral, a infecção por semanas e podem apresentar complicações. As mais freqüentes são a pneumonia bacteriana, a pneumonia viral primária e o agravamento de doenças crônicas pré-existentes. A gravidade aumenta com a idade.

A vacina contra a gripe é produzida com base nas três cepas (subtipo de vírus) de maior circulação no Hemisfério Sul. Essa combinação eleva a capacidade de proteção da vacina. Ela diminui o risco de contrair a doença em até 90% dos casos.

Estimativas de estudos internacionais indicam que a vacina contra a gripe provoca redução da mortalidade em até 50% entre a população idosa. Além disso, constam nos resultados desses estudos a redução de 19% do risco de hospitalização por doença cardíaca e em até 23% do risco de doenças cerebrovasculares.

 

Efeito protetor começa em 15 dias

 

A vacina leva duas semanas para produzir efeito e deve ser tomada todos os anos. Os vírus presentes na vacina estão mortos e não podem se reproduzir e provocar a doença. Isso significa que a vacina não causa gripe. Só não podem ser vacinados aqueles que têm um quadro raríssimo de alergia comprovada à proteína do ovo, uma vez que a dose é produzida em embriões de galinha.

A gripe é considerada uma das doenças infecciosas que mais preocupam as autoridades sanitárias no Brasil e no mundo. No último século, ocorreram três pandemias (epidemia em escala mundial) responsáveis por mais de 50 milhões de mortes, problemas sociais e perdas econômicas: a Gripe Espanhola (1918), a Gripe Asiática (1957) e a Gripe de Hong Kong (1968). Especialistas acreditam que uma nova pandemia poderá acontecer nos próximos anos, provocando milhões de casos da doença. A característica mutável do vírus Influenza, causador da gripe, reforça essa hipótese.

 

Ciência cria bexiga no laboratório

 

Cientistas anunciaram a criação, em laboratório, da bexiga de sete pacientes, todas crianças que nasceram com incontinência e outras deficiências urinárias. Células da parede da bexiga e do músculo liso (vísceras), capazes de se regenerar, foram extraídas dos pacientes por meio de biópsia. As amostras foram colocadas em uma cultura, onde se desenvolveram e proliferaram. Depois, foram depositadas em um molde com forma de bexiga e cresceram por cerca de sete semanas. O tecido que se formou foi implantado na bexiga de cada paciente e se integrou ao órgão original. Os pesquisadores desejam que o novo órgão dure até o fim da vida dos pacientes, mas isso só poderá ser avaliado quando as crianças envelhecerem.

O trabalho foi liderado pelo urologista Anthony Atala, diretor do Instituto de Medicina Regenerativa do Centro Médico da Universidade Wake Forest, nos Estados Unidos. Atala iniciou essas pesquisas há 16 anos. Os primeiros testes foram feitos com ratos e camundongos. Depois, aplicaram em animais maiores, como cães e gatos, para então chegar aos humanos. O primeiro dos implantes de bexiga foi realizado há seis anos, mas o médico não divulgou o fato porque queria esperar os resultados a longo prazo.

A principal vantagem da técnica é que ela elimina a rejeição, já que as células usadas para produzir o novo órgão são do mesmo paciente. A meta é poder aplica a técnica em outros tecidos e órgãos, eliminando a necessidade de doadores, mas isso ainda está muito distante.

Os cientistas esperam iniciar os tratamentos clínicos em grande escala, incluindo pacientes adultos, até o início de 2007. Eles advertem, porém, que ainda há dúvidas sobre a eficiência da técnica para os portadores de câncer na bexiga, pois pode ser difícil extrair células do órgão que não estejam predispostas ao tumor.

 

Cientistas testam vacina contra HIV

 

O mundo da ciência dá um novo passo na luta contra a Aids. Pesquisadores ligados à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no Recife já iniciaram a segunda fase de testes da vacina terapêutica para o vírus da imunodeficiência humana (HIV), que já foi testada em 18 pacientes soropositivos em sua primeira etapa, durante três anos, com resultados animadores.

Responsável pela redução de até 80% da presença do vírus da Aids nos brasileiros submetidos ao tratamento, a dose agora passa por uma etapa de refinamento, com o objetivo de potencializar sua eficiência, o que pode proporcionar melhor qualidade de vida aos portadores da doença.

 

Gambás possuem soro antiofídico

 

Por décadas os cientistas pesquisaram muito para criar antídotos contra o veneno das cobras. Agora, descobriram uma solução potencialmente melhor nos gambás sul-americanos, que se alimentam de serpentes.

Pesquisadores da Fiocruz identificaram duas moléculas no sangue desses animais que têm essa função antiofídica e pretendem utilizá-las não apenas para auxiliar quem sofre acidentes com cobras, mas também para tratar outras doenças humanas, como câncer e osteoartrite. "Nos testes in vitro, elas foram eficientes contra o câncer de mama, por exemplo", afirma Jonas Perales, do Laboratório de Toxicologia, que coordena os estudos.

 

ALIMENTAÇÃO & SAÚDE

Laranja é versátil e nutritiva

 

A laranja veio sendo alvo de muitas pesquisas e daí surgiram novas variedades, como a laranja folha murcha. Segundo o médico nutrólogo Paulo Giorelli, a fruta é uma excelente fonte de potássio, essencial para a formação do sangue e dos músculos, e rica em betacaroteno, que previne o câncer e o infarto. A membrana branca que recobre a laranja contém fibras e ajuda a combater o colesterol. Isso sem falar da substância que mais lhe dá fama: a vitamina C.

Encontrada no mercado o ano todo, ela pode entrar em pratos doces, salgados, virar suco, compota etc. As variedades mais facilmente encontradas são:

- Laranja lima: leve, pouco ácida e doce. Ajuda na digestão.

- Laranja-pêra: assim como as variedades valência, seleta e natal, também é chamada de laranja de suco. Ácida, ainda combina bem com pratos salgados, pois atenua a pimenta e serve para balancear alimentos gordurosos.

- Laranja-de-umbigo: consistente e firme, é a melhor laranja para comer à mesa, ao natural.

Na hora de comprar, escolher as mais firmes, que indicam fruta fresca. Manchas, furos ou casca enrugada demonstram que a laranja é velha. Para armazenar, se a intenção for conservar por mais de 15 dias, colocá-las na geladeira.

 

OPINIÃO

A vingança das galinhas

Leonardo Boff

Depois de séculos de violência contra elas, as galinhas estão nos dando o troco, sob a forma da gripe aviária. A gripe é conseqüência do manejo cruel que nós temos feito com as galinhas confinadas. Aí está o nicho de reprodução do vírus

 

A galinha talvez seja a primeira ave a ter sido domesticada, há cerca de 12 mil anos, quando o ser humano começou a ficar sedentário. Desde então as galinhas têm um destino sinistro: raramente morrem de morte natural. São mortas para o consumo humano. Na perspectiva delas, a vida é simplesmente uma tragédia. Normalmente as galinhas eram e são criadas ao ar livre, perambulando ao redor das casas. Ainda hoje as "galinhas caipiras" são preferidas por serem muito mais saudáveis. Modernamente, com a sociedade da produção industrial, elas foram transformadas em máquinas para produzir carne e ovos. Fechadas, às milhares, em aviários nos quais em cada metro quadrado são criadas de dez a doze, enganadas pela iluminação que lhes tira a percepção da noite, alimentadas por promotores de crescimento e por antibióticos para crescerem até um ponto comercialmente ideal, quarenta dias, elas são submetidas a grande padecimento. Se Gandhi, Dalai Lama ou qualquer pessoa sensível ao sofrimento visitasse um desses currais aviários, seguramente se indignaria e até choraria de compaixão. Mas nossa espécie se especializou em submeter impiedosamente todas as demais para tirar proveito delas mesmo que implique grande sofrimento.

Sabemos hoje que todos os seres vivos formamos uma única comunidade de vida, pois somos portadores do mesmo alfabeto genético – as quatro bases fosfatadas e os 20 aminoácidos. Por que então impor este padecimento na forma de crueldade para com nossos familiares e parentes naturais?

Depois de séculos de violência, as galinhas agora estão nos dando o troco. É a vingança das galinhas. Ela vem sob a forma da gripe aviária, que está atingindo outros seres vivos e pode alcançar também os humanos. É o famoso vírus H5N1. Vírus aviários sempre existiram em formas não letais. Agora este H5N1 se revela uma cepa patogênica. Se sofrer mutações que o torna capaz de transmitir-se aos seres humanos, ele pode se replicar loucamente e matar entre 150 milhões a um bilhão de pessoas, consoante previsões científicas. Surgido pela primeira vez em 1997 em Hong-Kong, agora atingiu quase metade do mundo. Não existe um antídoto que o elimine, apenas possui efeito limitante. É o Tamiflu, que não age profilaticamente, apenas 18 horas após a infecção. Foi desenvolvido a partir de um ácido extraído de vagens de anis estrelado encontradas em algumas províncias da China. A companhia farmacêutica norte-americana Gilead Sciences, da qual o Secretário da Defesa do governo Bush, D. Rumsfeld, foi presidente e é sócio, desenvolveu o antivírus Tamiflu. Cedeu a licença exclusiva de produção à Roche suíça, que está lucrando milhões de dólares e reluta em subceder licenças de produção por causa da não anuência dos acionistas.

Hoje é sabido: a origem da gripe não provém de galinhas criadas ao ar livre mas das práticas avícolas industriais e pela utilização de "subprodutos" da criação avícola como ração industrial. A Fundação BirdLife demonstrou que o padrão de focos da gripe segue as rotas das estradas e das vias férreas e não as rotas dos vôos de aves migratórias. A gripe é conseqüência do manejo cruel que nós seres humanos temos feito com as galinhas confinadas. Aí está o nicho de reprodução do vírus. É uma doença sistêmica. Ela demanda uma forma de relação com os seres vivos que não implique crueldade mas racionalidade e compaixão.

 

A corrida presidencial

Frei Betto

Se os eleitores permanecerem passivos, como meros telespectadores em torno da arena dos leões, os candidatos ficarão isentos de assumir compromissos, e sobretudo, de prestar contas do que prometerem

 

Um dos efeitos mais nefastos do neoliberalismo, que torna tudo descartável, reificável, objeto de consumo imediato, é o amesquinhamento da atividade política. Tão fundamental para a vida dos povos, a política é considerada por Aristóteles a suprema razão de ser de nossa existência, intrínseca à natureza humana.

Ao nos debruçarmos sobre a história, vemos como grandes figuras políticas exerceram papéis decisivos para evitar que ela se tornasse monopólio de um homem (monarquias absolutas e ditaduras), de uma classe (capitalismo) ou de um partido (socialismo autocrático), embora o segundo modelo ainda predomine, excluindo a maioria do acesso democrático aos bens econômicos.

A política é a mais nobre das atividades humanas. Dela depende existir ou não a miséria, a violência, a alimentação, a saúde e a educação de um povo. Dela emana a nossa segurança pública, o alcance de nossa liberdade, o horizonte de nossa prosperidade e a perenidade de nossa paz.

Em si, a política é uma abstração. O que existe de fato é a relação de poderes. Aqui reside o âmago da questão. Sendo o poder uma instância de potencialização exacerbada da vontade (e da vaidade) individual, e o proscênio para o qual convergem todas as atenções (ninguém é indiferente à política, ainda que a odeie), muitos anseiam por ele. Nessa corrida ao pote há, como em qualquer maratona, todo tipo de gente, sérias e cínicas, honestas e corruptas, competentes e meros arrivistas.

Nas últimas décadas, a política brasileira amesquinhou-se, desprovida de grandeza e dignidade. Não se fala em bem comum, pátria, soberania nacional, reformas de estruturas. Ouve-se apenas o economês proferido pelos devotos da "mão invisível" do mercado, arautos da responsabilidade fiscal cega à responsabilidade social, empenhados em reduzir a política a meras operações contábeis. O economicismo escanteia as grandes estratégias nacionais. Para qual modelo de Brasil os políticos acenam nos próximos quatro, dez ou vinte anos?

Diante desse horizonte vazio de propostas consistentes e convincentes para tirar o Brasil do atraso, do subdesenvolvimento, da condição de eterno "emergente", que tipo de campanha presidencial teremos pela frente?

Receio que nenhum partido ou candidato deixe claro seu compromisso, se eleito, para nos próximos quatro anos incrementar o nosso índice de desenvolvimento humano. Não é o PIB que deve crescer, é a qualidade de vida da população. Como ficará a reforma agrária, capaz de absorver multidão de mão-de-obra no campo e diminuir o desemprego? E a tributária, imprescindível para promover distribuição de renda e reduzir a desigualdade social? E a política, destinada a sanear o poder público de maracutaias e corruptos?

Temo que a campanha presidencial seja uma reedição do triste espetáculo das CPIs, que tanto estardalhaço aprontaram sem quase nada apurar e prender ninguém, funcionando apenas como circo dos horrores onde há sustos e medos sem maiores conseqüências. Temo a baixaria na TV, candidatos emporcalhando adversários, diatribes e injúrias se sobrepondo a propostas e programas voltados a erradicar as causas da violência urbana, do desemprego, da má qualidade da educação e do atendimento à saúde.

Nas eleições presidenciais de outubro haverá um vencedor. Mas é preciso evitar que o povo saia perdedor. Por isso, a pior atitude é a do avestruz: meter a cabeça na areia e esperar a eleição passar. A hora é agora. Hora de exigir de partidos e candidatos que evitem alianças espúrias, sejam transparentes na contabilidade de campanha, superem o varejo das intrigas e assumam o atacado de estratégias viáveis para mudar a realidade brasileira, falem menos mal do concorrente e mostrem o que de melhor se propõem a fazer.

Se os eleitores permanecerem passivos, como meros telespectadores em torno da arena dos leões, os candidatos ficarão isentos de assumir compromissos e, sobretudo, de prestar contas do que prometeram e fizeram ao ocupar funções executivas. Mas isso não basta. É preciso renovar o Congresso, reeleger os deputados e senadores que primam pela ética e cuidado do bem comum, e cassar, pelo voto, os corruptos, os oportunistas, os que fazem da função pública um meio de favorecer-lhes a vida privada. O futuro da nação está, neste ano, em mãos dos eleitores.

 

NACIONAL

Organização criminosa operou mensalão

Esta é a conclusão de procurador, que denunciou 40 ao STF

 

O relatório do procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, caiu como uma agradável surpresa aos brasileiros acostumados a ver investigações de CPIs acabar em pizza. Apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF), ele denuncia 40 pessoas por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção ativa e passiva e peculato (desvio de dinheiro público). Entre os denunciados, nomes de peso no governo Luiz Inácio Lula da Silva e no Partido dos Trabalhadores (PT), como José Dirceu (ex-ministro-chefe da Casa Civil), Luiz Gushiken (ex-secretário de Comunicação), José Genoíno, Delúbio Soares e Silvio Pereira (respectivamente ex-presidente, ex-tesoureiro e ex-secretário do PT).

Também são causados de participar do esquema os publicitários Marcos Valério de Souza e Duda Mendonça e a sua sócia Zilmar Fernandes. Entre os dez parlamentares que integram a lista (veja abaixo) estão os deputados João Paulo Cunha (PT), José Janene (PP), Pedro Henry (PP), José Borba (PP), Professor Luizinho (PT), João Magno (PT), Bispo Rodrigues (sem partido). Também foram incluídos dirigentes do Banco Rural.

Segundo o Ministério Público, o núcleo político-partidário "pretendia garantir a permanência do Partido dos Trabalhadores no poder com a compra de suporte político de outros partidos e com o financiamento irregular de campanhas". A "organização criminosa" seria comandada por José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares e Silvio Pereira, Na avaliação do procurador, o grupo se associou a Marcos Valério, com o apoio do Banco Rural, para dar "continuidade ao projeto de poder do PT, mediante a compra de suporte político de outros partidos", o que ficou conhecido como mensalão. Apesar de girar em torno do governo federal e do partido do presidente, Souza afirmou não ver elemento "capaz de justificar ação penal"contra o presidente Lula.

As investigações do Ministério Público sobre o mensalão terminaram em 30 de março, data em que o relatório foi encaminhado ao ministro do STF, Joaquim Barbosa. De acordo com ele, o plenário do Supremo só deve decidir em 2007 se abrirá processo criminal.

Cerco – Até a segunda 17, a tendência era de que esta seria uma semana de novas ações contra Lula. Oposicionistas pretendiam aproveitar a ida do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e do advogado Roberto Teixeira ao Congresso para apertar o cerco ao presidente. No depoimento de Teixeira na CPI dos Bingos, marcado para esta terça 18, a oposição planejava explorar a relação próxima dele com Lula, de quem é compadre, para tentar provar que o presidente sabia da corrupção em prefeituras administradas pelo PT em São Paulo.

Partidos contrários ao governo também querem atingir Lula a partir dos esclarecimentos que o ministro da Justiça irá prestar sobre a violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa e sobre a suposta proposta de suborno de R$ 1 milhão para tentar encobrir o responsável pelo crime – que acabou derrubando o ministro da Fazenda, Antonio Palocci.

 

Esquema sofisticado era dividido em três núcleos

 

O procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, conclui pela existência de um complexo esquema para "negociar apoio político, pagar dívidas pretéritas do Partido (PT) e também custear gastos de campanha e outras despesas do PT e dos seus aliados".

Conforme o documento entregue ao STF, a organização criminosa seria dividida em três núcleos: o político-partidário, o publicitário e o financeiro. O "núcleo principal da quadrilha" era formado pelo ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, o ex-secretário de Finanças do PT, Delúbio Soares, o ex-secretário-geral do PT, Sílvio Pereira, e o ex-presidente do PT, José Genoíno – que negam a acusação.

O segundo núcleo seria composto pelo empresário Marcos Valério de Souza e seus sócios nas agências de publicidade SMP&B e DNA Propaganda. O Ministério Público considera que esse grupo "recebia vantagens indevidas de integrantes do governo federal e de contratos com órgãos públicos". Citam como exemplo os contratos de publicidade dessas empresas com a Câmara dos Deputados e com a carteira do Banco do Brasil na Visanet. As investigações concluem que Marcos Valério também utilizava suas empresas para garantir o repasse ilegal de dinheiro para campanhas eleitorais.

O terceiro núcleo seria composto pela diretoria do Banco Rural e teria entrado na organização em "busca de vantagens indevidas". Em troca, facilitaria as operações de lavagem de dinheiro. Pelas conclusões do procurador-geral, o primeiro núcleo passava as diretrizes de atuação da quadrilha, "valendo-se da experiência e conhecimento dos dois outros núcleos na prática reiterada de crimes contra o sistema financeiro nacional, contra a administração pública e de lavagem de capitais".

Ainda na avaliação do procurador, o "embrião" desse esquema foram as irregularidades no financiamento da campanha de Eduardo Azeredo (PSDB) à reeleição do governo de Minas Gerais, em 1998. As investigações apontam, também, que houve loteamento político dos cargos públicos em troca de apoio às propostas do governo, prática que "representa um dos principais fatores do desvio e má aplicação de recursos públicos, com o objetivo de financiar campanhas milionárias nas eleições, além de proporcionar o enriquecimento ilícito de agentes públicos e políticos, empresários e lobistas que atuam nessa perniciosa engrenagem".

 

INTERNACIONAL

O PALCO DA COPA

Alemanha, a terceira maior economia do mundo, faz uma "cirurgia plástica" em suas principais cidades para sediar, a partir de 9 de junho, a Copa do Mundo de Futebol

 

Dentro de 50 dias, a Alemanha vai concentrar as atenções do mundo do futebol. O país que sedia pela segunda vez a Copa do Mundo, receberá, de 9 de junho a 9 de julho, 32 seleções com uma estrutura já considerada a mais moderna desse torneio que iniciou em 1920, no Uruguai, e que tem como seu maior vencedor, com cinco títulos, o Brasil.

Os alemães são apaixonados por esportes e amam o futebol. Os números da Associação de Futebol da Alemanha (ou Deutsche Fußball Bund (DFB)) são eloqüentes: ela possui tem mais de 6 milhões de associados, torcedores de cerca de 27.000 clubes. Segundo o Budesliga, liga profissional de elite, a cada temporada o futebol atrai aos estádios em media dez milhões de alemães – o público do campeonato gaúcho deste ano foi inferior a 360 mil.

O país da Copa é cercado por indicadores de grandeza econômica: apesar do alto custo gerado pela reunificação, se mantém como a terceira maior economia do mundo, com um Produto Interno Bruto (PIB) superior a US$ 2,7 trilhões e uma renda per capita acima de US$ 26 mil. A Alemanha atrai em média quase 20 milhões de turistas por ano. Bem menos que os mais de 60 milhões da França, mas quatro vezes mais do que recebe o Brasil – cuja área é 23,8 vezes maior.

Toda essa riqueza, no entanto, é insuficiente para a Alemanha vencer desafios como o do desemprego, que atinge 11,4% dos alemães economicamente ativos. Em fevereiro último, esse número chegou a 12,6%, um dos mais altos desde o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Há também diferenças sociais internas. Na maioria das cidades é visível o contraste entre o lado ocidental, marcado por construções modernas e pelo que de melhor existe no chamado Primeiro Mundo, e o oriental, com ruínas de prédios e lembranças de quem pouco se preocupou em evoluir.

A Alemanha precisou de um longo trabalho para provar que poderia ser sede da Copa do Mundo, em especial pela dificuldade de convencer a Fifa de que uma nação que já fora dividida pudesse de unir em torno de um ideal. O primeiro passo foi colocar a mão no bolso, tarefa relativamente fácil para uma potência alicerçada na forte indústria automobilística, química, têxtil e agropecuária, com destaque também para o carvão, principal riqueza do país. Era preciso melhorar o que já estava bom no país e transformar prédios em ruínas – do lado oriental – em atração turística. Esse desafio foi vencido.

Investimentos – Os números sobre os investimentos necessários são desencontrados. A iniciativa privada assumiu a quase totalidade das obras. "Se não fosse pela iniciativa privada, talvez não pudéssemos realizar a metade do que foi feito", admitiu Franz Beckembauer, maior jogador alemão de todos os tempos e presidente do Comitê Organizador do Mundial – seu carisma ajudou a fomentar a confiança entre os investidores.

Só na reforma e construção de estádios foram investidos 1,5 bilhão de euros (cerca de R$ 4 bilhões). O mais caro foi o Allianz-Arena, erguido ao norte de Munique: 341 milhões de euros (R$ 915 milhões). Tanto dinheiro só para uma competição de 30 dias? Não. As obras terão aproveitamento posterior. Além disso, como afirmou a primeira-ministra Angela Merkel, "ganhamos uma cara nova. Passamos por uma verdadeira cirurgia plástica em nossas cidades", afirmou. "Faremos uma copa muito melhor do que a do século passado (1972), com tudo o que foi feito sendo aproveitado por anos a fio após o mundial", ressaltou.

Receio – Planejamento e organização são insuficientes para evitar duas grandes preocupações: os alemães têm medo de que a competição possa ser prejudicada pela gripe aviária e pelo terrorismo. A gripe aviária só se tornará ameaça de virar uma pandemia. Já o terrorismo é uma ameaça permanente, em especial depois dos ataques aos EUA, em 11 de setembro de 2001. E a Alemanha não esqueceu da Olimpíada de Munique, quando terroristas mataram integrantes da delegação de Israel.

 

A evolução demográfica

 

Situada no coração da Europa, a Alemanha tem 82,5 milhões de habitantes – 7,3 milhões de origem estrangeira. A afluência à zona ocidental de alemães de outros pontos do país e de imigrantes de diferentes nacionalidades, assim como a tendência ao estancamento do crescimento vegetativo, têm marcado a evolução demográfica.

Além da população de origem germânica, convivem na antiga Alemanha ocidental várias minorias étnicas de nacionalidade alemã, como judeus, eslavos e dinamarqueses, assim como franceses descendentes dos huguenotes fugidos de seu país no fim do século XVII. Os trabalhadores imigrantes, chegados sobretudo nas décadas de 1960 e 1970, eram principalmente turcos, iugoslavos, italianos, gregos, espanhóis e portugueses. 18,9% dos alemães têm idade acima de 65 anos. Isso faz com que o sistema de previdência social fique sobrecarregado, gerando um déficit nos cofres públicos.

 

História de três impérios e duas guerras mundiais

 

A origem dos povos do grupo lingüístico dos germânicos é de 1.700 a. C., mas o país conhecido atualmente como Alemanha foi unificado somente em 1871, em Versalhes, quando o Império Alemão, dirigido pela Prússia, foi constituído.

O Sacro Império Romano, que existiu desde o século VIII d.C. até 1806, é considerado o primeiro Reich alemão (Reich = império, mas pode significar "reino" ou "país"). No momento de maior extensão territorial, o Império incluía o que são hoje a Alemanha, a Áustria, a Eslovênia, a República Tcheca, o oeste da Polônia, os Países Baixos, o leste da França, a Suíça e partes da Itália central e setentrional. A partir de meados do século XV, passou a ser conhecido como o "Sacro Império Romano da Nação Germânica". O Império Alemão de 1871-1918 é chamado de o Segundo Reich. Pelo mesmo raciocínio, Adolf Hitler referia-se à Alemanha Nazista (1933-1945) como o Terceiro Reich

Recente – A história da Alemanha do século 20 em diante é marcada pelas duas guerras mundiais, a ascensão do nazismo e o Muro de Berlim, considerado um dos símbolos máximos da Guerra Fria.

O primeiro passo para a constituição da república alemã foi dado durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). O envolvimento no conflito afunda o país em uma profunda crise econômica e social, que culmina com a derrubada da monarquia.

Com o fim da guerra e a derrota alemã, o último kaiser da Alemanha, Wilhelm 2º, abandona o trono em 1918. O social-democrata Friedrich Ebert fica encarregado de montar o primeiro governo democrático, na recém-fundada República de Weimar (1919).

Os alemães elegem, para substituir Ebert na presidência, o ex-marechal Paul von Hindenburg, em 1925, que é reeleito em 1932. A profunda insatisfação social e a pressão econômica provocam a renúncia do então chanceler (primeiro-ministro) da Alemanha, Heinrich Brünning, substituído por Franz von Papen, que também abandonou o cargo.

Para substituí-lo, Ebert convida Adolf Hitler, em 1933, que já tinha ficado em segundo lugar nas eleições presidenciais de 1932.

Nazismo – Ao se aproximar do poder, Hitler começa a implantar um sistema ditatorial, com a aniquilação de todos os grupos de oposição ao seu governo. Hitler se aproveita do incêndio no prédio do Parlamento em fevereiro de 1933, culpa os comunistas e aprova leis que tiravam da população as liberdades fundamentais, cerceavam a imprensa e extinguiam os sindicatos. Era o fim da República de Weimar e o início do 3º Reich.

Hitler constituiu, então, a temível polícia SS (Schutzstaffel), que reprimia qualquer manifestação contrária ao regime. Os presos iam para campos de concentração. Em 1934, Hindenburg morre, e Hitler acumula a função de presidente do país.

Igualmente agressiva, a política externa alemã privilegiou a anexação de territórios. Além das invasões, Hitler estruturou acordos com o Japão e a Itália, formando o chamado Eixo. A deflagração da Segunda Guerra Mundial aconteceu em 1939, quando Hitler ordenou, em 1º de setembro, a invasão da Polônia. Cumprindo um acordo de defesa do país, França e Reino Unido declaram guerra aos alemães.

Muro – A guerra terminou quando a Alemanha foi invadida pelas forças aliadas – EUA, Reino Unido, França e União Soviética –, em 1945. Com o advento da Guerra Fria, dois Estados alemães foram formados, em 1949: a República Federal da Alemanha (ocidental), e a República Democrática Alemã (oriental).

A Alemanha Ocidental, de postura mais liberal, até a década de 70 passou pela reconstrução, tendo um rápido crescimento econômico. A Oriental, comunista, teve o apoio da URSS. A partir da década de 70, sem desenvolvimento econômico, o regime começou a se deteriorar.

Vários alemães orientais passaram a fugir para o lado ocidental. Na tentativa de conter o êxodo, o governo ordenou em 1961 a construção da barreira que isolaria Berlim Oriental de Berlim Ocidental, e depois bloquearia a passagem entre as duas Alemanhas, dando origem ao Muro de Berlim.

O muro foi destruído em 1989, queda que representou o fim de uma era. Em 1990 ocorreu a reunificação das duas Alemanhas e de lá para cá bilhões de euros foram aplicados para dar ao país um cenário uniforme – visual, econômica e socialmente.

 

AS 12 SEDES DOS JOGOS

 

BERLIN: A capital do país é também a maior e mais populosa cidade alemã, com 3,39 milhões de habitantes. Considerada metrópole cultural, com mais de 170 museus e 35 teatros, é uma testemunha viva da história alemã. Nesta Copa, vai sediar seis jogos, inclusive a final, em 9 de julho. Um dos atrativos turísticos é a Floresta do Spree (Spreewald).

Estádio: Olympiastadion

Capacidade: 74.000 lugares

Custos de reforma: 242 milhões de euros

 

COLÔNIA: Cidade alegre às margens do Reno, tem cerca de um milhão de habitantes. Sua marca registrada é a imponente catedral (patrimônio da Unesco), em estilo gótico, construção que levou 600 anos – concluída no século XIX. Com uma cultura de dois mil anos, tem ruas de comércio movimentadas, museus e arquitetura moderna.

Estádio: Stadion Köln

Capacidade: 45.000 lugares

Custos de reforma: 110 milhões de euros

 

DORTMUND: Cidade da cerveja, que fica no coração da região industrial e de mineração de Ruhr, no oeste alemão. Dortmund reflete uma cultura industrial dinâmica, ao lado de uma variedade de museus e castelos e, claro, um futebol de nível mundial. Com 590 mil habitantes, nos finais de semana boa parte dele veste a camisa amarela e preta do Borússia Dormund.

Estádio: Westfalenstadion

Capacidade: 69.000 lugares

Custos de reforma: 36 milhões de euros

 

FRANKFURT: A porta de entrada para a Alemanha. Centro de negócios, cultura e vida social no coração da região dos rios Reno (Rhein) e Meno (Main). Com 650 mil habitantes, possui os maiores arranha-céus da Alemanha e também o maior percentual de estrangeiros, o que ajuda a lhe dar a fama de cidade "mais americana da Europa".

Estádio: Waldstadion

Capacidade: 48.000 lugares

Custos de reforma: 126 milhões de euros

 

GELSENKIRCHEN: O seu imponente estádio demonstra que Gelsenkirchen tem o futebol no coração. A antiga exploração de carvão influenciou as cidades da região, dando origem a características culturais próprias. Com 278 mil habitantes, é marcada pela fase de industrialização do século 19. O estádio tem até um reservatório central de cerveja.

Estádio: Arena AufSchalke

Capacidade: 52.000 lugares

Custos de reforma: 192 milhões de euros

 

HAMBURGO: A verde cidade à beira mar é a segunda maior metrópole da Alemanha e considerada a porta do país para o mundo – seu porto movimenta 80 milhões de toneladas de carga por ano. Esse status foi proporcionado pela sua localização na confluência dos rios Alster e Elba, a 100 km do Mar do Norte. Tem atrações como a arquitetura, galerias de comércio e grandes áreas verdes.

Estádio: Stadion Hamburg

Capacidade: 50.000 lugares

Custos de reforma: 97 milhões de euros

 

HANNOVER: Capital do Estado da Baixa Saxônia, no oeste alemão, é a cidade internacional das feiras e da exposição mundial Expo 2000. A cidade verde, com 525 mil habitantes, tem uma história rica em variedade, oferece muitas atrações. Inúmeras opções culturais enchem essa cidade e seus arredores de vida e convidam a excursões, como por exemplo, à região de Lüneburger Heid.

Estádio: Niedersachsenstadion

Capacidade: 45.000 lugares

Custos de reforma: 64 milhões de euros

 

KAISERSLAUTERN: A menor das sedes da Copa 2006, com 138 mil habitantes (38 mil são soldados dos EUA da base de Ramstein), fica no sudoeste e é famosa pelo seu vinho e pela Floresta do Palatinado, a maior área contínua de floresta da Alemanha. Seu nome vem de Kaiser (referência ao imperador Frederico Barba-Roxa) e Lautern, do Rio Lauter – canalizado, sob a cidade.

Estádio: Olympiastadion

Capacidade: 76.000 lugares

Custos de reforma: 242 milhões de euros

 

LEIPIZIG: Cidade cheia de charme, é lugar dinâmico para feiras, congressos e comércio – mas também metrópole cultural, da vida noturna e das compras, com muitas atrações históricas. Tem 500 mil habitantes e uma universidade fundada há 600 anos. Um orgulho especial dos moradores locais é a igreja de São Tomé, em cujo púlpito o reformador Marinho Lutero fez suas pregações. Ponto de partida para viagens, por exemplo a Meissen, Erfurt, Weimar, Dresden.

Estádio: Zentralstadion

Capacidade: 44.000 lugares

Custos de reforma: 91 milhões de euros

 

MUNIQUE: Sede da Siemens e da BMW, abrigará o jogo inaugural da Copa. A capital da Baviera, com 1,3 milhão de habitantes, é um centro com muitas igrejas e monumentos arquitetônicos, tem o charme de cidade grande com ar de interior, a beleza dos Alpes e o brilho mediterrâneo, as riquezas da arte e a Oktoberfest, o folclore e a alta tecnologia, cervejarias e alta cozinha.

Estádio: Stadion München

Capacidade: 66.000 lugares

Custos de reforma: 341 milhões de euros

 

NUREMBERG: Cidade onde o dinamismo dos dias atuais está combinado ao charme da Idade Média. Com 490 mil habitantes, abriga empresas de alta tecnologia e feiras natalinas, laptops e pães de mel, o moderno e o tradicional. Bastante destruída na Segunda Guerra Mundial, levou décadas para ser reconstruída. Em Nuremberg foram julgados os criminosos nazistas.

Estádio: Frankenstadion

Capacidade: 45.500 lugares

Custos de reforma: 56 milhões de euros

 

STUTTGART: Considerada uma das mais bonitas metrópoles da Europa. Rodeada por colinas, florestas e vinhedos, a cidade localizada no Vale do Rio Neckar conta com castelos, galerias e diversas opções culturais. Possui 590 mil habitantes e o centro de produção de carros de luxo da Mercedes e da Porsche.

Estádio: Estádio Gottlieb-Daimler

Capacidade: 53.500 lugares

Custos de reforma: 56 milhões de euros

 

IGREJA

Capuchinhos preparam capítulo geral

Ordem vai eleger novo ministro e refletir sobre caminhada capuchinha

 

Os Frades Menores Capuchinhos realizam, de 28 de agosto a 17 de setembro de 2006, no Colégio Internacional São Lourenço de Brindes, em Roma, o 83º Capítulo Geral Ordinário da Ordem, que além de estudos de alguns temas importantes aos frades, como constituições, estatutos gerais e carisma, também elegerá o ministro geral e seu definitório. Atualmente, a Ordem tem como ministro geral o canadense frei John Corriveau.

Hoje os capuchinhos somam cerca de 10.800 frades (veja tabela), presentes em mais de 100 países, de todos os continentes. "Como ocorre antes dos capítulos gerais, todas as circunscrições da Ordem estão se reunindo, em seus respectivos continentes, para preparar o capítulo, aprofundar temas de interesse dos frades, partilhar experiências e, principalmente, criar comunhão e solidariedade entre as províncias e vice-províncias", destaca frei Álvaro Morés, provincial dos capuchinhos do Rio Grande do Sul.

Em março, provinciais e vice-provinciais das 26 províncias e vice-províncias da América Latina e do Caribe realizaram a 10ª ALAC (Assembléia Latino-americana de Capuchinhos) em Quito, no Equador. Os participantes do encontro definiram diversas proposições que serão levadas ao capítulo geral e ao novo governo geral para que sejam assimiladas pela vida capuchinha.

Entre essas propostas, os ministros presentes à 10ª ALAC destacam a necessidade de investir no aprofundamento da identidade capuchinha; dar mais evidência à espiritualidade e à mística capuchinha; dar continuidade ao processo de fortalecimento da vida fraterna; zelar para que as fraternidades sejam espaços de integração e de intercâmbio fraterno das diversas culturas que formam a identidade latino-americana; abrir as fraternidades ao povo para intensificar a convivência e mostrar o modo fraterno de ser capuchinho; fortalecer o processo de formação, seguindo as orientações da Ordem; acolher as diversas expressões de religiosidade popular, incentivar as práticas ecológicas etc.

 

A América Latina no contexto da Ordem

 

Depois da Europa, a América Latina detém o maior contingente de capuchinhos do mundo, Junto com a África e a Ásia, a Ordem está em franco crescimento nos países latino-americanos. São 1.782 frades, espalhados em 26 circunscrições (14 províncias, nove vice-províncias, uma delegação e duas presenças). Contam com 363 fraternidades, em 19 países. Dessas fraternidades, 80 se dedicam à formação.

Os capuchinhos estão presentes na América Latina praticamente desde os primórdios da Ordem, reconhecida pelo Papa em 1528. Depois de um vigoroso crescimento na Itália expandiu-se pelo mundo, chegando a contar com mais de 32 mil frades. No Brasil, os primeiros capuchinhos (franceses), chegaram em 1612, como missionários.

 

Um barco-capela para evangelizar ribeirinhos

 

O missionário capuchinho italiano frei Gino Alberati, que atua na diocese de Alto Solimões (AM), foi à Europa em busca de verbas para comprar um barco que sirva como igreja flutuante. "Em uma diocese tão extensa como a nossa, que abarca mais de 130 mil km2, as barcas são indispensáveis na hora de oferecer assistência pastoral às pessoas que vivem em locais remotos", disse frei Gino ao visitar a organização Ajuda à Igreja que Sofre.

O capuchinho explicou que sua paróquia conta com cerca de 30 comunidades católicas assentadas ao longo das margens dos rios Icá e Solimões. Na região, as seitas são muito ativas. "Com um barco-capela, o trabalho pastoral seria muito mais simples", revelou frei Gino. A diocese conta com apenas 13 padres para atendem cerca de 170 mil habitantes.

 

Guerreiros do Senhor

Padre Zezinho

Num mundo ponteado de violência e de dominações, a linguagem bélica aplicada à religião inquieta bispos, teólogos, psicólogos e até advogados

 

Por 25 anos lecionei comunicação religiosa e ainda leciono. Um dos temas abordados era a linguagem bélica das pregações de evangélicos, pentecostais e alguns setores da Igreja Católica. Está presente nos sermões, nos livros e nas canções. Os títulos dos livros e das canções de algumas igrejas e até de grupos católicos não me deixam mentir. Se o leitor se der tempo e entrar numa dessas livrarias constatará os fatos. A linguagem é de soldados em combate e guerreiros em ordem de batalha.

Vitória, vitorioso, vencer, glorioso, campo de batalha, espada luminosa, escudo, armas da fé, combate, inimigo, adversário, dar o sangue, ir à luta, derrotar, aniquilar, recompensa do rei, conquista, anjos guerreiros, cerco de Jericó, queda dos muros... É tudo linguagem simbólica de um povo de guerreiros, como era o povo de Israel, linguagem tirada, em geral, do Antigo Testamento, com alguns trechos de Paulo e dos Atos, mas trazida aos nossos dias por pregadores que concebem o mundo como lugar de luta e de batalha.

Para eles a vida é uma luta, o mundo um campo de batalha, o demônio é o inimigo, as outras religiões são gente que deve ser vencida, porque espalham o erro; quem deles discorda é isolado, deixa de ser visto como irmão e passa a ser inimigo de Deus e da verdade. Seus microfones e câmeras passam a ser armas de conquista, e só pode usá-los quem for do grupo deles. Irmãos da mesma Igreja, que pensam de maneira diferente, são impedidos de falar. Tais pregadores lutam pela vitória de seu jeito de orar, de cantar, de pensar e de pregar.

Enfrentam os inimigos de fora e os adversários de dentro das suas igrejas, mas estão sempre de arma engatilhada, prontos para se defender ou ir lá e conquistar seguidores. Com a sua pregação por cima dos telhados, invadem o território alheio, sem o menor drama de consciência, porque para um conquistador de almas não há território, da mesma forma que para o conquistador europeu daqueles tempos invadir uma terra alheia de selvagens era civilização e desejo de Deus. Agem convictos de que a história será deles e que Deus conquistará ou reconquistará o mundo através da sua luta.

Os guerreiros andam em alta. Bin Laden faz mais adeptos que os mulás, aitatolás e sheiks; Bush consegue votos com a sua imagem de guerreiro decidido e sem medo da opinião dos outros, presidente que lava a honra do seu país e implanta a democracia americana, se preciso à força, usando do poder das armas e da fé. Piamente acreditam que Deus lhes deu aquele poder bélico. Por que ouvir a ONU? No campo da religião, pregadores belicosos gritam ao microfone, levam ao paroxismo, batem na mesa, choram, provocam alaridos e espalham, sem muito critério, o som das línguas, que, na maioria das vezes, é mais um som do que um dom; convidam à batalha, expulsam o inimigo diante das câmeras de televisão, e dizem, nas revistas e nos estádios, que um dia o país será deles e do Senhor Jesus, que Deus lhes dará a vitória, o poder e até sucesso financeiro e riquezas.

Foram achar esta linguagem mais no Antigo do que no Novo Testamento. Do simbolismo à visão belicosa de guerreiros e ao isolamento em torres de marfim é só um passo. Lá dentro, tudo é lindo, lá fora tudo é trevas e pecado. Jim Jones fez isso em l968 nas Guianas. Deu no que deu!

Num mundo ponteado de violência e dominações, onde igrejas e grupos mais conscientes fazem campanhas de diálogo e desarmamento, onde se busca atitudes ecumênicas de respeito à fé do outro, em que o papa escreve encíclicas sobre o diálogo e a busca incessante da paz, a linguagem bélica aplicada à religião anda inquietando bispos, teólogos, psicólogos, advogados e pastoralistas. Há uma linguagem que favorece o diálogo e o encontro. Há outra que afasta.

Não espero que essas linhas cheguem a esses irmãos. Mas, se chegassem, deveriam ao menos refletir sobre o que andam pondo na cabeça do povo simples. Se eu vir duas pessoas que não se falam e até brigam por causa de religião, já sei a quem culpar: o pregador e o púlpito que eles freqüentam. Pregador fechado, excludente e belicoso, fiéis fechados e belicosos; pregador sereno, fiéis serenos!

 

Missões reavivam fé em Celso Ramos

Sede e 11 comunidades da paróquia acolheram os missionários capuchinhos

 

Com o lema "Preparai os caminhos do Senhor", os missionários capuchinhos do Rio Grande do Sul encerraram, no Domingo de Ramos, as santas missões na paróquia São Paulo Apóstolo, de Celso Ramos (SC). Apesar da intensa chuva, as comitivas das 12 comunidades da paróquia e de cidades vizinhas como Campos Novos, Anita Garibaldi e Lajes não arredaram pé e participaram com entusiasmo da celebração, presidida por dom Oneres Marchiori, bispo de Lajes.

"Guarda-chuvas, bandeiras da paz, ramos de oliveira e ervas medicinais deram um colorido especial à celebração, que manifestou um ato de fé e de compromisso com a Igreja local e diocesana", informa o missionário frei Eduardo Canali. Em Celso Ramos, a pré-missão foi realizada em fevereiro e a pós-missão está prevista para o início de junho, sob a coordenação dos freis Eudes Capellari e Claudecir Fantini. Nesta quinta, 20 de abril, a equipe inicia as missões em Garibaldi, berço dos primeiros missionários capuchinhos franceses no Rio Grande do Sul.

A paróquia de Celso Ramos é formada por 12 comunidades-igreja, que contam com serviços pastorais e movimentos bem organizados e ativos. Foi elevada à condição de paróquia em 1998, confiada aos Padres Cavanis. A partir de 2004 passou aos cuidados do clero diocesano, sendo nomeado o atual pároco, padre Ivan Rodrigues Goulart. Migrantes italianos de Criciúma e Urussanga foram os pioneiros da região. Chegaram por volta de 1936, levando suas devoções religiosas, especialmente a São Paulo (havia muitas cobras na região), São Roque, Sant’Ana e São Cristóvão, muito presentes até os dias de hoje.

 

Dioceses preparam assembléia regional

 

O clero e centenas de comunidades das 17 dioceses gaúchas já se preparam para a 4ª Assembléia Regional da Ação Evangelizadora da Igreja no Rio Grande do Sul, que será realizada entre os dias 9 e 11 de junho, na casa de retiros Vila Betânia, em Porto Alegre. Participam da assembléia, além dos bispos, lideranças de todas as dioceses gaúchas.

Na arquidiocese de Porto Alegre, foi entregue a todas as paróquias um questionário, que deverá ser entregue até 15 de maio, com o objetivo de preparar a assembléia. As perguntas tratam das oportunidades e ameaças da atual mudança de época para a família; dos principais obstáculos que impedem a comunidade de viver como comunhão de discípulos e missionários; dos planos diocesanos, o que está ajudando a renovar a comunidade etc.

 

Ladrão de galinha

Aldo Colombo

A lei deve ser igual para todos, mas precisa ser exemplar em relação aos que mais receberam em educação e oportunidades

 

Um jovem de 21 anos foi preso em flagrante pela Brigada Militar no pequeno município gaúcho de Unistalda, na região central, a 436 quilômetros de Porto Alegre. Seu crime: ter roubado uma galinha e dois ovos. O proprietário reconheceu a galinha como sendo sua e o jovem passou a noite no presídio estadual de Santiago. Libertado no dia seguinte, ele responderá a processo em liberdade. A galinha e os dois ovos foram avaliados em R$ 5,00. Envergonhado, o jovem, que não completou o ensino médio, escondeu-se na casa de parentes.

Existe a lei e esta deve ser cumprida. Roubar uma galinha é crime e está descrito no Código Penal, como furto. Alguém poderá inclusive lembrar que os criminosos começam assim, roubando uma agulha, depois uma galinha, aperfeiçoando promissora carreira de assaltante. Mesmo assim, a sabedoria popular lembra que só os ladrões de galinha vão para a cadeia. E os noticiários nacionais dão razão a esse modo de pensar.

Se o jovem de Unistalda tivesse sido submetido a um Conselho de Ética, esse encontraria muitos atenuantes para o delito. Em Brasília, o Conselho de Ética encontrou agravantes na ação de deputados que roubaram muito mais que uma galinha, receberam milhares de reais, que em última análise pertencem ao sacrificado contribuinte. E eles foram absolvidos.

Um filósofo grego, Diógenes, 400 anos antes de Cristo, ao ver tribunos levando a enforcar um jovem, denunciou: lá vão os ladrões grandes a enforcar os pequenos. A lei deve ser igual para todos, mas precisa ser exemplar em relação aos que mais receberam em educação e oportunidades. Ela precisa ser misericordiosa em relação aos fracos e indefesos, os chamados ladrões de galinha. E deveria ser rigorosa em relação aos ladrões de milhões, originários de fontes nebulosas e comprovadamente suspeitas.

Já em meados do século 19, o grande pregador padre Antônio Vieira afirmava que o verbo roubar estava sendo conjugado em todas as pessoas, tempos e modos. Ele mesmo fazia diferença entre o ladrão de galinheiro e o que rouba nações inteiras. Mas o padre Vieira ainda não vira nada. O verbo roubar abriu novas frentes e descobriu novas técnicas. Hoje já se pode roubar via Internet.

Fatos semelhantes – ladrão de galinha e ladrão de milhões – fazem a população descrer da Justiça e – lamentavelmente – dos políticos e eleições. Significativas são as tentativas de linchamento popular e a decepção diante das urnas.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a Ordem dos Advogados e mais duas dezenas de instituições tentam reverter a situação, lembrando que o povo tem sua chance: não vote em corrupto. Isso significa comparar os belos discursos, os bonitos programas partidários e as atitudes concretas dos candidatos. No dia das eleições, o povo será o juiz e terá a possibilidade de dar cartão vermelho, expulsando, do campo político, os corruptos.

 

Otávio Rocha festeja 40 anos da matriz

Estilo moderno e a via-sacra de Mondin realçam igreja local

 

O distrito de Otávio Rocha, Flores da Cunha, comemora, no dia 23 de abril, os 40 anos de inauguração de sua igreja matriz. A programação é conjunta com a festa de São Marcos, padroeiro da localidade, devoção trazida pelos colonizadores italianos do Vêneto. A festa é precedida por um tríduo, que inicia nesta quinta e prossegue até o sábado.

No domingo, a programação religiosa conta com missa festiva às 10h30, cantada pelo Coral Típico Otávio Rocha e com a presença das imagens dos santos padroeiros das cinco capelas que constituem a paróquia São Marcos. Durante a festa, será lançado o livro "A Via-Sacra de Guido Mondin", de Floriano Molon, que focaliza a vida e obra do ex-senador, autor da inédita via-sacra que se encontra reproduzida no interior da matriz de Otávio Rocha. O livro reproduz, em cores, as 14 estações da via-sacra.

Durante os festejos, será realizado o menarosto (tradicional culinária revivida, em que são assadas codornas, frango e leitão em espetos rotativos), no dia 21 de abril e, no domingo ao meio-dia, almoço de confraternização com os típicos pratos da cozinha italiana. Otávio Rocha localiza-se a nove km de Flores da Cunha, por via asfáltica. Destaca-se pela produção de uvas e vinícolas e participa do projeto turístico "Caminhos da Colônia", com um hotel, dois parques e seis restaurantes. É uma das regiões que mais preservam as tradições dos colonizadores.

 

Cesep realiza curso de formação pastoral

 

Com o tema "Cultura urbana e meios de comunicação de massa: um desafio para os movimentos populares e as Igrejas", o Centro Ecumênico de Serviço à Evangelização e Educação Popular (Cesep), promove o Curso Latino-americano de Formação Pastoral, de 6 de agosto a 30 de novembro, em São Paulo. Destina-se a leigos, religiosos, sacerdotes, pastores e líderes que atuam nos meios populares, através das pastorais o dos movimentos sociais. Trata-se de uma partilha das práticas sociais e pastorais dos participantes, da América Latina e Caribe. Informações no site www.cesep.org.br

 

Quem sou

Wilson João

Parece que as pessoas se escondem nas "coisas", por medo de revelarem quem são, o que sentem, como reagem, o que pensam

 

Minha cabeça e minhas mãos estavam ocupadas com um pequeno e gostoso serviço: limpar um canteiro de jardim. Um homem de setenta anos interrompe meu trabalho e começa a me falar de seus feitos. Sem saber quem eu era, e sem me perguntar se eu estava interessado em escutá-lo, foi contando seus feitos da vida e falando: "aquele sítio ali adiante é meu, tenho dois filhos bem colocados, tenho uma empresa que entreguei aos filhos e agora passo meus dias aqui no sítio, tenho dinheiro de sobra para poder viver o resto de minha vida, passei muito trabalho, mas consegui um bom capital..." E foi falando do que tinha e não tinha e de seus anos de trabalho. Olhando nos olhos do intrometido perguntei: Mas, afinal de contas, quem é o senhor?

FALAMOS DEMAIS DE COISAS. Muitas pessoas somente sabem falar das coisas que têm e fazem. Do mundo do trabalho e da vida social. Das organizações a que pertencem e das festas que promovem. Do dinheiro que conseguiram e do carro que compraram. Da casa que têm e do mundo dos negócios. Parece que falar das coisas é mais fácil. O velhinho não me falou do nome, nem da história de sua vida, nem da mulher que tem e nem das emoções, fracassos e sucessos de sua vida. Falou-me o tempo todo de coisas. Parece que as pessoas se escondem "nas coisas" por medo de revelarem quem são, o que sentem, como reagem, o que pensam.

TEMOS MEDO DE FALAR DO "EU". Um teste poderia ser feito. Perguntar aos filhos sobre a vida do pai e da mãe. O que eles saberiam contar? Penso que vai ser muito pouco. Quais pai e mãe sentam com os filhos para contar suas vidas, sua história familiar, sua meninice, sua adolescência, seus estudos, seus sonhos realizados e seus fracassos, seu mundo emocional... Quanta história bonita no coração de cada pai e cada mãe que se perde no tempo, por medo ou por não dedicarem tempo para isso. Pouco vai além de fazer e do falar de "coisas". Muitos filhos se desligam do pai e da mãe porque na verdade a ligação que tiveram foi de alimento, estudo, roupas, comportamento social e outras mesquinharias. Não será esse o motivo que distancia as gerações? Não será esse um dos motivos que fazem os adolescentes e jovens se enturmarem com facilidade, distantes dos pais, porque ali podem falar e escutar seus companheiros?

SOMOS MAIS DO QUE MÃOS. Somos coração e emoções. Somos idéias e sonhos. Somos desejos e projetos. Em nossa sociedade de mercado, que impõe a regra do produzir e consumir, é preciso criar espaço para além do trabalho e da produção. Casais, famílias, pessoas amigas, sentarem com calma e tempo, e se disporem a falar de suas vidas, de suas emoções, de seus sonhos e fantasias. O velhinho da história seria lembrado por mim, se pelo menos me tivesse dito o nome.

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

O italiano que está em você

Paulo César Zanatta

Comerciante, Porto Alegre-RS

 

Paulo César serve em seu restaurante, como prato principal, o canto e o bom humor. Diz ele:

 

"Nasci em Nova Bréscia, tenho 35 anos, moro em Porto Alegre há 13. Sou comerciante, proprietário de restaurante. Filho de Olívio Zanatta e Juvila Dalmoro Zanatta, descendentes de italianos de 4ª geração. Leio sempre O Italiano que está em você, pois meus pais recebem religiosamente o Correio Riograndense, onde acompanho as histórias relacionadas à italianidade.

Quando morava em Nova Bréscia, onde residem os meus pais, sempre falávamos o talian, que eles ainda mantém. Reuníamos amigos e parentes para jantar, cantar, fazer filó, e lembrar histórias da imigração, dificuldades, conquistas, trabalho, religião, lazer... Nossa família, porém, sente a falta de informações sobre a origem do bisavô Bartolo Domênico Zanatta, pois quando chegou ao Brasil, seus documentos não foram guardados, gerando dificuldades, para estabelecer seus locais e datas de nascimento, de chegada ao Brasil... O dado mais antigo que possuo se refere ao título provisório de terra que ele recebeu em 20 de janeiro de 1884, na colônia de Conde D’Eu, atual Garibaldi – RS. Isto me fez ir em busca de documentos e juntar informações através de relatos, enfim tudo que pudesse contribuir para a construção da árvore genealógica da família, porém até hoje não estabeleci a procedência do bisavô.

Durante a evolução na atividade comercial em Porto Alegre, procurei sempre estar atento a tudo que pudesse estar diretamente ligado à história italiana, sempre com o intuito de participar, pois, por ser esta a minha origem, me identifico com ela, a qual muito me orgulha.

Há quatro anos, soube que existia, em Porto Alegre, uma Irmandade de italianos, proprietários de restaurantes e churrascarias que se reúnem mensalmente para "magnar, béver, parlar, cantar e rìder", a qual me fez começar a participar, pois aí lembra os tempos que vivi na minha infância e adolescência, porque convivo com pessoas que compartilham os mesmos sentimentos, e principalmente porque todos os jantares terminam em cantoria, e estas cantorias resgatam o que os nossos bisnonos, nonos e pais cantavam, pois os cantos traduzem momentos de felicidade, alegria, e muitas vezes de tristeza; são a expressão dos sentimentos do coração, da alma e do viver da cultura italiana. Posso dizer que é muito prazeroso sempre estar na companhia dessas pessoas, pois são também descendentes de famílias italianas e que gostam e querem relembrar as histórias passadas.

Há dois anos, fui eleito vice-presidente da Irmandade, e recentemente eleito presidente. Foi o convívio com esse grupo de pessoas que me incentivou a me aperfeiçoar na cultura italiana que sempre valorizei. Atualmente estou fazendo curso de italiano na Massolin de Fiori Società Taliana, para agregar maiores conhecimentos, sem deixar de falar, nem esquecer o talian, tesouro lingüístico de berço.

E meu desejo é de, um dia, conhecer a Itália. Conhecer os lugares dos antepassados e tornar-me um cidadão italiano. Já encaminhei o pedido de cidadania italiana, através do sobrenome da mãe, que é Dalmoro.

Por último, queria salientar e ressaltar a importância para cada um de nós em resgatar, preservar e divulgar a história, a tradição e a cultura de nossos antepassados, para que não desapareçam, e que possam contribuir para formação das gerações futuras, sem que percam suas raízes e suas referências" (e-mail pauloczanatta@terra.com.br; fones (51) 30286831 ou 93153750).

Paulo César é a marca da organização, calma, competência e fé italianas. Aparece menos que os resultados de sua presença e ação. (Rovílio Costa)

 

EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (256)

Nanetto va cognosser la Fenavindima de Flores da Cunha

Marcelino Carlos Dezen

Caxias do Sul (RS)

 

Le "Braùre de Nanetto Pipetta", la nova colession de stòrie par el Ritorno de Nanetto, rapresenta el Nanetto come lo ga per rento Marcelino Dezen.

Par Nanetto, cosa saria la vita se no la fusse per far braùre? Risponder, lu no lo savaria, parché el ga portà vanti tuta la so vita fando braùre. Se pol dir che la pi grande braùra ze far dela vita na braùra.

Marcelino el mostra come le braùre, fate nel giorno a giorno, par darghe consiero a la vita, ze quel che se porta vanti, e no se lo desméntega mai. Dugar, rìder, ris-ciar, far fronto al ignoto e a le dificoltà – tuto fa parte dea vita de quei che i fa dea vita na braùra.

E Marcelino el ze brao. Lo cognosso da pìcolo. Se’l ze drio laorar a postar libri tea biblioteca come el fea in Porto Alegre, quando el zera aluno mio; se’l laorea in qualsíasi laoro; se’l ndea a messa, al cinema, a morose... e oncó ntel Correio Riograndense come giornalista, lo fea e lo fa sempre con alegria e braùra. Lora, el ze un brao Nanetto, e le so stòrie, vedarì, che le ze pròpio braùre!

Prof. Frei Rovílio Costa

Zo a Santa Teresa, a casa de Àndolo, Nanetto ga sentisto parlar dea Festa da Vindima de Flores da Cunha, che tanti i ghe ciama, ncora oncó, de Nova Trento. Sensa tanti laori, da che a Santa Teresa i gavea belche fenio la vendémia, Nanetto ghe dise a la Gelina:

- Vao a Nova Trento. Vutu vegner insieme co mi?

- Me piaseria, ma chi che molse le vache, fa el formaio e i mistieri qua a casa? Se te vui ndar a spasso, va ti sol. Ndarò un’altra volta. Te ghè laorà tanto a tirar zo ua che te lo mèriti. Tento, però, de no catar fora qualche morenota, perché no te perdono mia, setu!

- Èh! ben, Gelina. Par fin che no te me cognossi mia. Go oci sol par na dona a sto mondo – ti!

- Vai, vai, alora!

Nanetto pronta un pìcolo fagoto cole so robe e via a la rodoviària ciapar la Lìnia Ozelame fin a Caxias. Dopo, el va a Flores da Cunha. Co’l riva a Nova Trento, tuti i varda quel omo con coriosità. Par fin che tuti i sa chi el ze, perché i lo saluda con rispeto.

- Ma anca qua i me cognosse! No son bon capirla! dise Nanetto.

Par dir la verità, a Flores da Cunha ghe ze tanti abonanti del Correio Riograndense. Questi i lo cog-nosse par via de véderlo tute le stimane sul giornal. Quelaltri i lo varda, perché na figura come quela no ze sempre che se vede al mondo. Capel de paia, braghe de riscado metà gamba, scarponi, le tirache rosse, camisa de flanela e la pipa, sempre fumegante.

Nanetto saluda a tuti quei che i lo saluda. El va a la piassa e el se ferma davanti la tore de sasso:

- Mariavèrgine! Che maraveia! La pi bela del mondo! Gnanca la Tore de Pisa ze bela come ques-ta, perché quela i la ga fata su storta! Come gavarali fato a portar su sti sassoni? Tea schena? Credo mia!

El resta là imbambio, parlando lu sol.

- Ben, adesso bisogna saver ndove i ze i pavilioni dela festa.

El va te na loja, darente la bela cesa:

- Compermesso. Mi son Nanetto Pipetta. Vui saver ndove i ze i pavilioni dela Festa da Vindima.

- Piaser, sior Nanetto, mi son la Mercedes. Qua ze la casa parochial. Te vedo sempre sul giornal. Varda, i pavilioni i ze su là insima de quel monte.

- Gràssie, Mercedes, son contento che te me cog-nossi. Che bela cità, che bel campanil e che bela cesa che gavì qua. Ben, vao vanti. Ciao!

E là el se strada, piampianeto. Rivà ntei pavilioni, el vede tanta gente, tanta ua, tanti prodoti... e tuti che i lo varda e i lo saluda. Lu el se la spròsia che mai. El ze là che’l varda le sposission quando un ghe bate su le spale:

- Come vala, Nanetto? Fin ti par dequà?!

- Situ chi ti? Come che te me cognossi?

- Son Olir Schiavenin, presidente del Sindicato dos Agricultores. Te cognosso dala Staffetta. Me pare Gabriel ze agente.

E là i se la conta, i ride e i schersa. I se trova pròpio in due de boni. Olir ghe fa de sisserone. I va in tute le stante, i proa ua, vin bon, gróstoli, pan, salame, formaio… Schiavenin lo presenta fin a la regina dela festa e a le principesse. Magineve quela figura! El se indenòcia vanti la regina, ghe basa la man, el tira el capel, tuto come un vero galantuomo. I ghe domanda par tirarghe un ritrato. Al di drio, Nanetto l’è stampà ntel giornal Florense.

Nanetto ze là che’l camina quando due òmeni i lo saluda e i ghe domanda se la ze drio piaserghe la festa.

- Si, si, un feston! E quanta gente bona anca par dequà. Ma siu chi valtri?

- Mi son Ivo Zanella, e questo ze me fradel Getùlio, che tuti lo ciamemo Tuio.

- Piaser cognósserli.

- Vutu vegner a la nostra stante proar un bon vin, salame, ossocol...

- Vao con gusto, se ben che romai vin ghenò bevesto par na stimana. Son storno deromai.

E là, Olir ghe dise che ghe toca ndar avanti. Nanetto resta coi Zanella ciacerando e bevendo. Al scurir i ghe domanda ndove zelo de riposo. Co’l ghe dise del otel, i va là torghe la mala e i lo invita ndar a casa sua, a San Giovani Bosco, pi cognossesto come Capoeron. Nanetto va insieme, contento. No ghe manca un leto amigo gnanca quela sera.

 

VITA STÒRIA E FRÒTOLE

Rovílio Costa e Arlindo Battistel

Par un furbo, sol un furbon (I)

Prof. Silvino Santin

Santa Maria-RS

 

Da tempo indrio ghe gera de star a Nova Ùdine, adesso Ivorà, due gran amici. I gavea tante robe insieme. Par scomissiar, i due i gera furlani. Né un, né l’altro ghe piasea laorar. Far el mascate zera la so passion Ai due ghe dispiasea che a Nova Ùdine ghe zera depì furlani che gente. Cossita, i disea, se fa tanto pi fadiga far bei negòssii.

- Te ghè rason, dise Vitòrio. Negossiar coi furlani bisog-na ver quatro òcii e quatro rece.

- Seto, compare Giàcomo, sta volta son d’acordo con ti. Negossiar con un furlan no basta èsser furbo, bisogna èsser un furbon.

- Al manco na volta che ndemo d’acordo. Ma vui dirte, sensa sprosiarme, mi me la tiro fora tanto meio de ti.

- Ti che te pensi. Varda la to fortuna e varda la mia. E, dopo, te ghè coraio de dir che te sè far negòssii meio de mi?

- Varda ben, compare, ti te ghè scomissià parar torno sti furlani diese ani prima de mi. Ma se te vol, podemo far na sfida. Femo un negòssio tra nantri due. Dopo vedemo chi ga bio el lucro pi grando.

- Ma, sicuro, podemo scomissiar diman.

- Par mi pol èsser ncora incó.

- Eco, d’acordo, strùcheme la man.

La sfida la gera fata. I due amici i ze ndai ognuno a casa sua par pensar meio el negòssio.

La question l’era, par Vitòrio, cossa che’l podea vénderghe a Giàcomo, se no’l gavea gnente da vender.

Un bel giorno, in tanto che’l ndea vender robe e trapei in volta par le case, el se ga ricordà che so sòcero el gavea un bel mul, che no lo doparea più.

El giorno drio, che zera domènega, el riva, insieme co la so dona e i fioleti, a casa del paron del mul.

I due vecioti, al veder rivar Vitòrio co la fameia, i se dise suito – ze drio rivar i morti de fame. Ma i gera so fiola e i so nipoti, che no i gavea nessuna colpa.

Dopo ver ben magnà e ben bevesto. Vitòrio el ghe dimanda: Giano, cossa fio del mul?

- Gnente no fao. L’è lì sol par magnar. Ma anca l’è vècio e medo fiacoto. Se te vol, te pol menàrtelo casa.

- Menàrmelo casa adesso nò, parché no go posto par méterlo. Ma la stimana che vien vegno, o mando torlo.

Al sabo de matina, i due compari i se ga catà in piassa, e Giàcomo el caminava soto.

Vitòrio el ghe dimandà:

- Cossa te galo capità? O zelo el peso dei soldi?

- Caro da Dio, el ghe risponde Giàcomo. El dotor el me ga dito che go i romatismi e bisogna che stae sensa caminar un tempo

- Ma che bruta disgràssia! E adesso come feto par ndar in volta far negòssii?

- Me tocarà comprarme un caval, gnanca che’l sia vecioto.

Vitório el ga pensà suito in tel mul del sòcero. (Continua)

 

GERAL

Danças e gastronomia típica caracterizam festa colonial

Garibaldi realiza em maio festival que caracteriza italianos

 

"Coma, beba e dance à vontade" é o slogan do Festival Colonial Italiano, que em sua 20ª edição contará com uma inovação. O evento, que ocorre de 6 a 7 de maio, nos pavilhões da Fenachamp, em Garibaldi (RS), proporcionará ao visitante a opção de escolher qual o vinho irá degustar.

O cardápio do festival é típico: massa, galeto, polenta, queijos, salame, morcella, pão, radicci e, completando o quadro, uvas, suco de uva e muito vinho servido em pipas espalhadas pelo pavilhão. O custo dos vinhos e do suco de uva está embutido nos ingressos.

A programação inicia no sábado com jantar-baile, animado pelo Quarteto In A e pelo grupo Canzoni Per Te. Já no domingo, estão previstas apresentações artísticas e culturais. O almoço terá a animação dos grupos Arcobaleno, Vivere Bene e Stella D’Itália e o show com Ragazzi Dei Monti. Serão comercializados produtos coloniais e artesanato. Haverá também o esmagamento da uva, da forma tradicional, com os pés.

 

Fesleite de Anta Gorda exibe economia

 

O Caminhos do Leite, evento que fez sua estréia na Expodireto 2006, será percorrido pelas pessoas que visitarem a 1ª Festa do Leite (Festleite) de Anta Gorda. Paralelamente, ocorre o Salão da Gastronomia. Serão mais de 50 produtos com receitas à base de leite.

O evento ocorrerá de 27 a 30 de abril, no Parque de Eventos, e visa destacar a expressiva participação da produção de leite para a economia do município.

Os 600 criadores registram uma produção mensal de 1,2 milhão de litros de leite. "Da década de 80 até o ano passado, o crescimento alcançou significativos 800%", elogiou chefe da Emater e presidente da Festleite, Fernando Selayaran.

A rainha Bruna Mazutti e as princesas Valéria de Sordi e Mariana Moresco fazem a divulgação da Festa do Leite.

 

Universidade do Norte tem 351 vagas

Instituição pública e gratuita faz vestibular em três cidades gaúchas

 

Um novo modelo de universidade, com a participação da sociedade e sintonizada com os interesses regionais e populares. Assim pode ser definida a Universidade Federal do Norte (Cesnors/UFSM), com campus instalados em Palmeira das Missões e Frederico Westphalen (RS), que realizará nos dias 27 e 28 de maio o seu primeiro vestibular. Estão sendo oferecidas 351 vagas, distribuídas em seis cursos de graduação (ver tabela ao lado). Até quarta 12, a Cesnors havia recebido 502 inscrições para o vestibular. "A expectativa é que cerca de 800 candidatos se inscrevam", informa a assessora Cristiane Rubin.

A instituição é uma conquista do Movimento Pró-Universidade, formado pelas pastorais sociais, Via Campesina, Centro de Professores do RS (Cpers) e estudantes. "Esta universidade representa a luta em favor da juventude. É um espaço para que os jovens possam estudar e serem agentes na construção de um país justo", destacou dom Orlando Dotti, da Comissão Pastoral da Terra.

Para o deputado estadual Frei Sérgio Görgen, "com este novo projeto a educação pública superior e gratuita passa a ser de novo uma luta popular."

Provas – As provas para o primeiro vestibular da Universidade Federal do Norte serão realizadas em uma só etapa seletivo-classificatória, nas cidades de Santa Maria, Palmeira das Missões e Frederico Westphalen. Serão 80 questões de múltipla escola, constituídas pelas disciplinas de biologia, física, geografia, história, língua portuguesa, literatura brasileira, matemática, química e redação.

No primeiro dia, 27 de maio, as provas terão duração de quatro horas, no turno da manhã, e de duas horas, à tarde. No segundo dia, serão quatro horas pela parte de manhã.

A distribuição das provas será a seguinte: dia 27, manhã, biologia, física, matemática e química; tarde, redação. Já no dia 28, geografia, história, língua portuguesa e literatura brasileira. O candidato poderá optar por realizar suas provas em qualquer dessas cidades, independente do curso escolhido.

Mais informações no site www.ufsm.br/coperves ou pelo telefone (55) 3230 8170.