
DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 4.985 - Ano 98 - Caxias do Sul-RS, 26 de abril de 2006.
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Espiral da violência atinge níveis alarmantes no país
A área urbana e a rural vivem o mesmo pesadelo e as soluções não aparecem
Um dos grandes problemas do país - quem sabe o maior de todos - é a violência. E ela conta com perigosas aliadas: a falta de emprego, de oportunidades e de educação, no sentido amplo. Numa metáfora impensável há alguns anos, o Brasil inteiro transformou-se numa gigantesca Rocinha, a famigerada favela carioca, fora do controle das autoridades e das leis. Mais ainda, a violência é progressiva e cada vez mais diversificada.
E o crime reveste-se de banalidade. No passado, os assaltantes preferiam os milhões dos bancos, hoje assaltam- se creches, mini-mercados, confeitarias e residências particulares. Assalta-se por um par de tênis, por um telefone celular ou por alguns maços de cigarros. O seqüestro-relâmpago tornou-se uma perigosa indústria, da qual não são isentas famílias e pessoas de escassas posses. Em Caxias do Sul até um indefeso grupo de catequese foi assaltado.
E a violência, que era triste privilégio da cidade, invadiu a área rural. Nestes dias, diversas manifestações lembraram os 10 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, onde foram trucidados 19 agricultores sem terra. E esta é uma questão que está longe de terminar. O triangulo formado pelo MST, pelos proprietários de terras e pelo governo, mostrou-se incapaz de dialogar. Cada um deles apenas vê seus objetivos e ignora qualquer outra razão.
A Pastoral da Terra revela que, ao longo de 2005, foram registradas 92 mortes em função destes conflitos. Neste mesmo período ocorreram 437 invasões, o que caracteriza um ilícito, apesar de todas as razões que possam existir. Dom Tomás Balduino, presidente da Comissão da Pastoral da Terra (CPT) esclarece: "Não é um movimento que se possa canonizar, mas é a grande força patriótica do País!"
Até área rural e as residências do interior, outrora símbolos da paz e tranqüilidade, são hoje dominadas pelo medo do roubo e da violência.
Os cidadãos têm direito à paz e tranqüilidade. È para isso que o Estado existe e se abastece de pesados impostos. É dever intransferível das autoridades, em todos os níveis, assumir suas responsabilidades. Caso contrário crescerá a tentação do cidadão fazer justiça com as próprias mãos.
Ecirs preserva cultura há 25 anos
Projeto da UCS deixa marcas definitivas na cultura de regiões
Resgatar, preservar e valorizar a cultura. É esta missão que o Projeto Elementos Culturais das Antigas Colônias Italianas do Nordeste do Rio Grande do Sul (Ecirs) vem cumprindo há 25 anos. Criado pela Universidade de Caxias do Sul, o projeto deixou marcas definitivas na cultura da Serra gaúcha e também de outras regiões.
O Ecirs se dedica ao levantamento sistemático dos bens e valores das comunidades rurais, trabalho que serve de ponto de partida para o resgate e a preservação cultural. Graças ao Ecirs, estão conservadas imagens, vozes e depoimentos de áreas que hoje não existem mais. É o caso de terras submersas por barragens. A tecnologia desenvolvida pela equipe da UCS levou-a a ser contratada para investigar, levantar e salvar elementos do patrimônio histórico e cultural das áreas afetadas pela construção de usinas hidrelétricas. Iniciou por Itá uma relação que já tem oito usinas e que possibilitou um amplo inventário das duas margens do rio Uruguai.
Foram investigadas as áreas submersas para preservar o que a obra acabaria sonegando no campo visual, com o alagamento de territórios, e social, pelo imposto distanciamento de vizinhos. "Há um acervo de imagens, vozes e depoimentos que alimenta as casas de memória", explica a coordenadora do Ecirs e diretora do Instituto Memória Histórica e Cultural, Cleodes Maria Piazza Júlio Ribeiro. Embora esse trabalho seja determinante para que no futuro as pessoas conheçam parte do passado da região, Cleodes destaca outra conseqüência como mais importante: "De algum modo, estimulamos a recuperação da auto-estima de agricultores e demais informantes", explica a professora, pesquisadora e escritora.
O Ecirs promoveu a inscrição de Antônio Prado no Livro Tombo dos Bens Culturais da Nação, incentivou de forma intensa e permanente a preservação do cancioneiro popular e, de suma relevância, contribuiu para que os colonos não sentissem vergonha do sotaque e outras peculiaridades de seus costumes alvos de preconceitos - de natureza cultural e também social, como exemplifica: a não pronúncia dos dois "erres" por descendentes de italianos era objetivo de discriminação; a pronúncia carregada do "erre" por um norte-americano chega a ser elogiada.
Livro - Os 25 anos do Ecirs estão sendo comemorados de um modo especial: o lançamento da obra "Cultura, Imigração e Memória: Percursos e Horizontes", organizado pelos professores Cleodes Maria Piazza Julio Ribeiro e José Clemente Pozenato. Além da apresentação do livro, na terça 18, foram inauguradas as novas instalações do Instituto Memória Histórica e Cultural e do Projeto ECIRS, no Bloco 46 da UCS, e a galeria com fotos de Alto Toniazzo e Ary Nocodemos Trentin.
Rádio São Francisco lança Gente Nossa
Projeto Gente Nossa. Esta é a mais nova atração da Rádio São Francisco SAT. Apresentado todos os sábados, das 14h às 16h, o programa tem como proposta a divulgação, o resgate e a valorização das comunidades do interior de Caxias do Sul. Além de apresentar personagens destacadas que integram o cotidiano destas localidades, o espaço de duas horas tem o objetivo de divulgar as festas comunitárias. Todos os domingos, as tradicionais festas das capelas do interior movimentam milhares de pessoas da colônia e da cidade. "O que estamos fazendo é dar espaço aos festeiros, às cozinheiras, aos párocos e às pessoas que ajudam a construir este cenário colonial único no país", argumenta Evandro Fontana, gerente geral da emissora.
A apresentação do programa será da jornalista Adriana Antunes, há quatro anos na Rádio São Francisco SAT e vencedora do Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo da OAB e Assembléia Legislativa, em 2004. "É um grande desafio", afirma Adriana. Para Vinícius Spindler, coordenador de jornalismo da emissora, o rádio tem um papel fundamental na aproximação e desenvolvimento das comunidades. "Estamos aplicando o conceito de rádio útil ao cidadão. Possibilitar que todos saibam aonde haverá festas comunitárias, qual será a programação e quais as pessoas envolvidas na organização do evento faz parte de um objetivo maior que temos na Rádio São Francisco", diz.
Além do programa aos sábados, a proposta envolve a seleção de uma comunidade por semana que terá a sua festa divulgada pela rádio em vários horários do dia. Os organizadores do evento serão contemplados com brindes e toalhas de mesa personalizadas do projeto Gente Nossa para o almoço.
Vila Seca promove a Festa do Divino
Uma cavalgada nos dias 29 e 30 deste mês, do Santuário de Caravaggio, em Farroupilha, até o distrito caxiense que abriga o evento, marca o início da Festa do Divino Espírito Santo 2006 em Vila Seca. O programa inclui tríduo nos dias 4, 5 e 6 de maio e no domingo 7 terá seu ponto culminante, com missa, almoço, leilão de animais e reunião-dançante. "Esperamos mais de duas mil pessoas para o almoço", convida o festeiro de honra Lindomar Alves Mendes.
A Festa do Divino tem origem na Idade Média, em Portugal, por iniciativa da rainha Isabel de Aragão. Chegou ao Brasil no século XVIII, com a imigração de açorianos. Osório foi pioneiro em solo gaúcho. A festa subiu a Serra com a colonização e povoamento dos Campos de Cima da Serra e aportou em Vila Seca no início do século XX.
Crematório de Caxias começa a funcionar em maio
É o 3º do RS e o primeiro do país sob as novas exigências da legislação ambiental
Cinco anos depois de o projeto concebido e três anos após a chegada dos equipamentos, adquiridos nos Estados Unidos, será inaugurado nesta quinta 27 o Crematório São José. Empreendimento do Grupo L. Formolo está localizado em São Virgílio da 6ª Légua, interior de Caxias do Sul, distante 5 km do centro da cidade. São 36 mil metros quadrados de área urbanizados e ajardinados, dos quais 10 mil cobertos por calçamento.
Embora todos os equipamentos, principalmente o forno, estejam instalados e em condições de funcionar, o crematório só começará a operar dentro de aproximadamente 30 dias. Este é o prazo estimado para que a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) avalie o desempenho e, dependendo do resultado, conceda a licença de operação. "Não tenho dúvidas de que essa licença será concedida. Este é o primeiro crematório do país que atende as novas determinações do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente)", afirma Valduíno Formolo, diretor do Grupo L. Formolo.
E não são poucas as exigências. Uma delas é o monitoramento permanente, via internet, do que é expelido pela chaminé. "A cada 20 segundos podemos emitir um relatório sobre a quantidade de gás carbônico e de outros 20 elementos que estão sendo emitidos para atmosfera", descreve Formolo. Esta será a última fase de um processo que iniciou em março de 2002 e que teve de enfrentar vários impasses, muitos deles criados pela legislação ou por falta de leis específicas.
O São José é o terceiro crematório no Rio Grande do Sul - há um em Porto Alegre e outro em São Leopoldo - e o quinto do Sul do país - dois estão instalados em Curitiba. No Brasil, onde existem 13 crematórios, o primeiro funciona desde a década de 1970, na Vila Alpina, em São Paulo.
O Grupo L. Formolo investiu cerca de R$ 1,5 milhão no empreendimento e um dos objetivos é absorver uma fatia do mercado formado por 300 municípios gaúchos e catarinenses. Somente de Caxias são trasladados mensalmente cinco cadáveres para serem cremados.
Formolo sabe que ainda existem resistências à cremação. Proibida para algumas religiões, a incineração do cadáver é interpretada ainda por muitas pessoas como a perda de referência de um ente querido. Por isso que o projeto reserva um recanto especial, denominado Em Memória, para quem deseja espalhar ali as cinzas do cremado, mas também oferece um cinerário (também conhecido por columbário) aonde as cinzas podem ser depositadas em pequenas urnas, como se fossem minijazigos, com identificação. O crematório dispõe ainda de uma capela.
Cremação leva cerca de 3 horas
A cremação é precedida por uma rápida cerimônia de despedida, com corpo presente, em uma sala adequada. Após, o caixão é conduzido até o forno, em local separado, já com a presença exclusiva de funcionários do crematório. O forno, no caso do São José, mede 2,4 de largura por 4,2 de profundidade e 2,8 de altura e possui duas câmaras. Na primeira, onde a temperatura atinge 750ºC, o corpo sofre a desidratação; na segunda, a 850ºC, é feita a queima - essa temperatura pode chegar a 1.000ºC. Dessa etapa sobram apenas fragmentos de ossos, um volume que raramente supera 5 kg. Esses resíduos, na seqüência, passam por um triturador e caem numa gaveta. As cinzas são então colocadas numa urna e entregues à família.
Os gases resultantes desse processo, que, em geral, não demora mais de três horas, passam por filtros antes de serem expelidos por uma chaminé - sem fumaça e cheiro, asseguram os responsáveis pelo crematório. O custo da cremação em Caxias do Sul, segundo o diretor Valduíno Formolo, ficará entre R$ 1,6 mil e R$ 1,8 mil.
Algumas religiões proíbem incineração
Embora adotada desde a antiguidade, a cremação ainda é tema polêmico na sociedade ocidental. O judaísmo, para quem a vida é uma preparação para um mundo vindouro, proíbe a cremação, considerada a maior forma de desonrar os mortos. De acordo com a lei judaica, a cremação também representa a destruição ativa da propriedade de Deus e é imprópria. Às gerações posteriores à câmara de gás de Hitler, mesmo que as intenções sejam claramente diferentes, existe uma cortina de fundo que afeta o significado transmitido pela incineração dos corpos.
O espiritismo admite a cremação. Porém, é recomendado aos seus adeptos que optarem por esse processo prolongar a operação por um prazo de 72 horas após a morte. O islamismo, que vê a morte como passagem para uma próxima etapa, proíbe a cremação voluntária. O budismo, que equipara a vida presente a uma situação de sono, motivada pela ignorância do homem que só se liberta para alcançar o Nirvana quando obtém a ‘verdadeira sabedoria’, adota prioritariamente a cremação. No hinduísmo, que compara a vida na terra à parte de um ciclo eterno de nascimentos, mortes e renascimentos, os mortos são cremados em uma pira aberta, acesa pelos filhos mais velhos do falecido. Os gregos ortodoxos proíbem a cremação; os adventistas também.
Dom Paulo esclarece posição da Igreja Católica
A instalação de um crematório fez com que o bispo dom Paulo Moretto dirigisse aos padres de Caxias do Sul uma circular em que afirma que a incineração, intrinsicamente, não tem nada contrário à fé, mas faz recomendações como a de não espalhar as cinzas, "porque o que resta do corpo é um sinal de referência". Na introdução, dom Paulo afirma: "Mais do que examinarmos o que justifica a escolha feita entre inumação (colocar na terra ou no túmulo) e cremação, é preciso pensar sobre implicações, que não podem ser esquecidas para que não aconteça que valores contidos em práticas, costumes e ritos sejam abandonados".
A circular tem cinco itens, descritos pelo bispo como "algumas realidades que precisam ser aprofundadas". O primeiro deles é a morte: "As exéquias estão ligadas a ela. A morte é uma realidade marcante na vida humana e não em último lugar pelas perguntas que nos obriga a fazer sobre o sentido da vida humana e sobre o além. Ela não atinge somente quem morre, mas pela separação e ausência, outros, especialmente parentes, amigos e conhecidos. Ver a realidade da morte é olhá-la de frente, especialmente num mundo que procura afastar ‘a visibilidade da morte’".
O segundo item é dedicado ao respeito: "É um sentimento de consideração e o reconhecimento do valor. O respeito importa numa manifestação externa, embora ela seja diversa conforme as culturas e circunstâncias. Por isso, não é só a memória de quem faleceu que é respeitada e a dor das pessoas a ela ligadas, mas também seu corpo é cercado de respeito."
Na seqüência, dom Paulo fala sobre o corpo: "Além de ser parte essencial da pessoa, é o caminho de tantas relações e manifestações. O corpo é concreto e é um sinal sensível. O que resta do corpo é um sinal de referência. De onde o valor de conservar com respeito as cinzas e de não dispersá-las. Na morte nós voltamos para Deus e não para a natureza. É outra razão simbólica para que as cinzas não sejam espalhadas, embora o Criador possa reconhecer os seus sem que nem o fogo que incinerou os corpos e nem o verde da natureza que os absorveu possa impedir".
Dom Paulo lembra ainda que ao longo da história, a Igreja procurou que a fé iluminasse o momento das exéquias. E ressalta: "É indispensável em qualquer hipótese que as exéquias sejam marcadas pela celebração da fé. Por isso, no caso de ser escolhida a cremação, deveremos procurar o modo de realizar as exéquias, onde e quem".
Por último, ele reflete sobre a posição da Igreja sobre a cremação: "Os cristãos sempre preferiram a prática da inumação. A incineração em si mesma não tem nada de intrinsecamente contrário à fé. A restrição da Igreja foi quando e porque quem defendeu a incineração teve como objetivo hostilizar a fé cristã e particularmente a Igreja católica negando a ressurreição. A fé na ressurreição, pois o Senhor chamará para a vida plena a mesma pessoa que morreu, e a esperança que não exclui as lágrimas, não podem faltar seja na incineração seja quando o corpo é depositado na sepultura".
Uva tem novo zoneamento agrícola
Autorizado o cultivo de videiras em 759 municípios do RS e SC
O novo zoneamento agrícola para a uva, aprovado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), aprovou o cultivo de videiras em 354 municípios catarinenses e 405 municípios gaúchos. O Mapa definiu ainda o zoneamento agrícola para a produção de trigo não irrigado e banana, em SC, e café, em SP.
O Mapa indica o período de 1º de julho a 31 de agosto como o ideal para o plantio de videiras no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. A portaria de número 59 considera aptos 272 municípios gaúchos a produzir as variedades americanas. Para as variedades européias, o zoneamento definiu 106 municípios das regiões da Serra Nordeste e Planalto e outros 27 nas regiões da Campanha e Serra do Sudeste, do RS.
Já em Santa Catarina, o Mapa considerou 260 municípios aptos ao cultivo da espécie americana e 94 para o cultivo da espécie européia. A produção catarinense corresponde a cerca de 4% da produção nacional, ocupando o segundo lugar na produção de vinhos e mosto, e concentra-se na região do Alto Vale do Rio do Peixe.
O Ministério também autorizou o zoneamento agrícola para as culturas de trigo não irrigado e banana no Estado catarinense. O trigo é fundamental no sistema de produção catarinense por ser um cultivo viável no período de inverno. "O trigo é uma opção na rotação de culturas para a produção de grãos e a palha pode ser aproveitada no sistema de plantio direto", explica a secretária-executiva de Articulação Nacional, Vivian Fischer.
O zoneamento agrícola para a produção de banana, que ocupa a maior parte da área cultivada de SC e se alterna em importância econômica com a maçã, também foi autorizado pelo Mapa. O período ideal para plantio de banana é de 1º de setembro a 31 de março. Mais de 25 mil produtores rurais, em quase 5.000 estabelecimentos, exploram a bananicultura em Santa Catarina, que tem valor estimado em R$ 106 milhões.
As informações referentes às normas do zoneamento agrícola, bem como a listagem de municípios selecionados e datas favoráveis ao plantio podem ser encontradas na edição nº 73 do Diário Oficial da União, Seção 1, de 13 de abril de 2006.
SC, pioneiro na prevenção à gripe aviária
Santa Catarina é o primeiro Estado a criar infra-estrutura para evitar influenza aviária. A afirmação é do coordenador do Comitê de Sanidade Avícola das Agroindústrias do Estado, o médico veterinário Sadi Domingos Marcolin. "SC é a unidade da federação mais avançada em termos de prevenção de zoonoses", afirma Marcolin.
A primeira medida foi aderir ao Plano Nacional de Controle da Influenza Aviária. Santa Catarina está preparado para disciplinar e regulamentar o controle de qualquer ave que entrar no Estado. "O principal aspecto positivo é que temos uma lei que cria condições para a regionalização da avicultura", observa Marcolin.
Outro ponto é a adequação das telas dos aviários de frangos de corte. "Também será necessário regulamentar a criação das galinhas caipiras, patos e gansos da agricultura familiar, de forma que essas aves sejam mantidas fechadas, como o frango industrial de corte", conclui o coordenador do comitê.
O resguardo de galinhas domésticas (criadas soltas para servir à alimentação da família rural) tem causado polêmica, pois os pequenos produtores temem o fim desse tipo de criação.
Já o Instituto Catarinense de Saúde Animal, que auxilia a Cidasc na defesa sanitária animal, forneceu 117 veículos e igual número de veterinários, técnicos e auxiliares administrativos para reforçar o serviço de vigilância de aves.
Plano ajuda divulgar qualidades da carne
O plano de prevenção e combate à influenza aviária e à doença de Newcastle no país será usado como peça central no marketing que governo e setor privado pretendem fazer no mercado externo. O plano será apresentado pelo ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, na reunião da Organização Mundial de Saúde Animal, marcada para maio, em Paris.
No encontro, o ministro tentará convencer os mercados importadores da carne de frango que o Brasil está preparado para enfrentar essas doenças. "O plano é um instrumento concreto para impedir a chegada ao país do temido vírus da influenza aviária", destacou Rodrigues.
Aftosa - O que pode prejudicar os planos do Ministério da Agricultura, junto à OIE, é a confirmação, na quinta 20, do foco de febre aftosa no município de Japorã (MS).
Mapa normatiza o controle de moscas
Com o objetivo de garantir a sanidade e ampliar as exportações de cucurbitáceas (melão, melancia, abóbora e pepino), o Ministério da Agricultura acaba de padronizar os procedimentos de monitoramento da mosca sul-americana (Anasthepha fratercula), principal praga da espécie. Segundo a Embrapa, ela ataca também frutíferas. O manejo integrado de pragas, que reúne técnicas de controle químico, biológico e cultural é o caminho que vem se apresentando como mais viável para livrar pomares e lavouras dos ataques da mosca.
O Brasil vem enfrentando sérios problemas com a exportação para países que possuem regras fitossanitárias rígidas, como os Estados Unidos e o Japão. A Argentina é um dos principais alvos dos exportadores brasileiros. Na safra 2005/2006, o Brasil exportou para o país vizinho cerca de 16 mil toneladas de abóboras, melancias e melões. O potencial brasileiro, no entanto, é de exportação de aproximadamente 50 mil toneladas.
O pesquisador da Embrapa, Antonio Nascimento, explica que no Brasil existem três espécies de moscas de grande importância econômica: a mosca conhecida como sul-americana (Anastrefa fraterculus, oblíqua e sorórcula), a mosca do mediterrâneo (Ceratitis capitata) e a mosca-das-frutas. "Essas moscas ocorrem em todo o país e causam danos diretos à produção de frutas tropicais e subtropicais, como manga, goiaba, pitanga, pêssego, maçã e laranja", diz o pesquisador.
Brasil pesquisa frutas emergentes
União Européia investe quase R$ 4,5 milhões em pesquisas com frutas tropicais brasileiras
Açaí, amora silvestre, caju, camu-camu, pupunha, pitaia e tomate de árvore, as chamadas frutas emergentes, são alguns dos alimentos tipicamente brasileiros que serão estudados pela Embrapa para atender a União Européia. A proposta deste projeto é agregar valor a frutas tropicais subutilizadas com grande potencial de comercialização e pesquisar o valor nutricional dessas espécies, desenvolvendo tecnologias de processamento. Para tal, serão disponibilizados 1,7 milhão de euros (cerca de R$ 4,5 milhões).
Os estudos incluirão a análise da cadeia produtiva, qualidade dos produtos e avaliação das tecnologias de processamento disponíveis, visando a promover o desenvolvimento das agroindústrias locais e o acesso ao mercado internacional. O projeto prevê ainda a caracterização dos potenciais funcionais das frutas tropicais, especialmente em relação à capacidade antioxidante e compostos bioativos.
Também será avaliada a influência da colheita, do manejo, da conservação pós-colheita e do processamento agroindustrial. Os estudos vão contemplar pequenas agroindústrias. "Nesse caso, as inovações tecnológicas estarão focadas nos métodos alternativos para a extração de suco, forma de preservar a qualidade dos produtos intermediários da fruta, como carotenóides e vitamina C, entre outros, com poder antioxidante", diz o pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical, Elesbão Alves, também um dos coordenadores do projeto.
Mercado - As pesquisas são para atender o consumo mundial de sucos de frutas e néctares, que hoje está por volta de 80 bilhões de litros, segundo o Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf). Além do crescimento do consumo em países ricos, os analistas apostam que a compra desses produtos nas nações menos desenvolvidas deverá dobrar até 2020.
Potencial - No Brasil, a produção de sucos, néctares e drinques à base de frutas cresceu, em média, 14% ao ano de 2001 a 2004. "A demanda mundial de consumo tem sido estimulada por inovações ofertando produtos diferenciados e de maior valor agregado", observa o pesquisador da Embrapa Agroindústria.
Conforme Elesbão Alves, mercado para essas frutas já existe, pois muitas indústrias de suco, polpa e néctar estão ociosas por carência de frutas. "As frutas tropicais possuem alto potencial nutricional e funcional a ser explorado", conclui.
Alta pressão preserva suco e néctar
Acompanhando a tendência das frutas emergentes, a Embrapa pesquisa sistemas não térmicos de conservação, visando preservar a qualidade e a sanidade dos produtos. Um dos métodos em desenvolvimento é a tecnologia de alta pressão para a indústria de sucos e néctares tropicais, que está sendo apresentada durante a Exposição Tecnológica Ciência para a Vida 2006, em Brasília.
A tecnologia de alta pressão consiste na utilização de pressão ao invés de calor para destruição dos agentes que podem deteriorar os produtos e/ou causar riscos à saúde do consumidor. No processo, o suco ou néctar é inserido embalado em sacos plásticos em uma câmara de compressão.
Os níveis de pressão, associados com as condições de armazenamento e embalagem, vão determinar o tempo de vida de prateleira (vida útil) do produto. "Desse modo, é possível destruir os microrganismos deteriorantes e patogênicos com níveis menores de pressão que garantam a comercialização do produto refrigerado, em embalagem não hermética (asséptica)", explica o pesquisador da Embrapa Amauri Rosenthal.
A análise sensorial dos sucos pressurizados demonstrou que os produtos não diferiram dos sucos frescos, e que apresentaram níveis de preferência superiores aos dos sucos esterilizados termicamente. A tecnologia foi testada para diferentes sucos e néctares, como suco e néctar de abacaxi e maracujá.
Parque - O pesquisador Amauri Rosenthal ressalta que a tecnologia não visa substituir os processos térmicos de conservação já implementados em todo o parque tecnológico instalado de produção de sucos, néctares e polpas, as agroindústrias.
"Constitui-se em processo alternativo para os produtos tropicais que atendam a nichos específicos de mercado nacional e internacional, de consumidores cada vez mais preocupados com a qualidade e dispostos a pagar por produtos diferenciados em termos de qualidade", conclui.
Engº. Agrº. José Zugno
Aproveitamento dos caquis na safra
Gostaria de obter informações sobre os tipos de caquis cultivados no Rio Grande do Sul e como aproveitá-los, além do consumo natural agora durante a safra, mas também para os meses futuros que não têm mais frutos.
ELZA MARIA MARCHIORI
São Domingos do Sul - RS
O caquizeiro é originário da China, mas cultivado no Japão há muitos séculos e desses dois países disseminou-se por todas as regiões do globo de clima subtropical e temperado. O caqui comestível que conhecemos pertence à espécie Dióspyro Kaki da família Ebenáceas. O termo do gênero Dióspyros quer dizer manjar-dos-deuses, significando fruto delicioso.
O fruto de forma variável-globoso, achatado, quadrático é rico e bem provido de hidrato de carbono (amido e açúcares), vitaminas, sais minerais e sem acidez. Quando verde é rico em tanino que se transforma quase todo em açúcar quando o fruto amadurece.
Existem inúmeras variedades cultivadas no mundo, inclusive híbridos de variedades criadas no Instituto Agronômico de Campinas, SP. Na prática os caquis são reunidos em três grupos "Sibugaki" - reúne as variedades de polpa sempre taninas (adstringente), de cor amarelada e de fruto com ou sem sementes; "Amagaki" - compreende variedades não taninas (doces), com frutos que podem ou não conter sementes; "Variável" - reúne as variedades cujos frutos alternam sua composição e cor quando possuem ou não sementes. Quando sem sementes a cor da polpa é amarela e taninosa e, quando com semente, a cor da polpa é escura (chocolate) e sem tanino.
O nome das variedades que pertencem a um ou outro desses três grupos é pouco conhecido e utilizado.
Os consumidores que conheço distinguem os caquis apenas pela aparência: os graúdos, oblongos-cônicos, vermelhos, precoces, de polpa amarelo-ouro, suculenta, que deve ser comido bem maduro; são conhecidos como "coração-de-boi ou mikado"; os achatados, maiores ou menores, quadráticos alaranjados, de polpa firme mas pouco sulcosos; sem sementes são os caquis "manteiga"; os não adstringentes (doces) são os "chocolates", de polpa dura e escura com sementes e "chocolate branco" de polpa macia, amarelada, sem semente.
Os que têm caquizeiro, num pequeno pomar caseiro, sabem quando devem colher e consumir os frutos.
Aproveitamento dos caquis - A melhor forma de consumi-los é ao natural na época de abundância por serem deliciosos e de alto valor nutritivo ou vendê-los nas feiras de agricultores e centros de comercialização, obtendo assim algum dinheirinho extra. Ou, então, aproveitar as sobras das safras para os meses de carência sob a forma de passas, geléia ou vinagre (ler pág. 9). Sobre este aproveitamento já tratamos nesta coluna em anos passados e penso ser oportuno reproduzi-lo.
Obtenção de passas - É uma das boas possibilidades de aproveitamento dos caquis na propriedade. O engenheiro agrônomo Orlando Rigitano, autoridade de prestígio no assunto, antigo pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas, dizia que "as passas de caqui, embora de aparência não muito atraente, são das mais deliciosas que se conhecem, assemelhando-se muito ao sabor das tâmaras".
Convém a amiga experimentar a fazer passas ainda nesta safra. Começando com uma pequena quantidade. O processo mais simples é a secagem pelo sol como se faz com os figos, os marmelos e as maçãs.
Os caquis, destinados à secagem, devem ser colhidos maduros, mas ainda firmes, tanto os de chocolate quanto os adstringentes.
Tirar o "cálice" das frutas e cortá-las em fatias ou pedaços não muito grossos (por exemplo, dividir o caqui em 8 ou 10 pedaços). Usar faca de aço inoxidável. Colocar os pedaços em tabuleiros de madeira e deixar ao sol durante uns 12 dias. Embora o sol de outono seja mais fraco que o do verão, no entanto, aqui nesta zona, os meses de abril e maio são de boa insolação e menos chuvosos. Recolher os tabuleiros à noite e evitar que apanhem chuva; revirar de vez em quando os pedaços para maior exposição ao sol. Obtém-se, assim, passas de consistência coriácea, escuras, mas saborosas. Se os pedaços forem mergulhados antes da secagem em uma solução com ácido cítrico (o dos limões), ou submetidos à ação de vapores de enxofre, obtêm-se passas mais claras.
Existe também o processo de secagem em "estufa" ou secadores de "ar quente", que seguem os mesmos caminhos: acelera o tempo da secagem, mas requer equipamentos. (Resposta dada ao leitor Nelson Longo, de S. Virgilio da 2ª Légua - Caxias do Sul - RS, em V. A., de 7 de maio de 1997). Mais informações na próxima edição do jornal.
Nestlé mexe com a economia de 12 mil produtores de leite
Unidade vai processar 1 milhão de litros/dia em Palmeira das Missões
A economia e a rotina das regiões de Santa Rosa, Passo Fundo e Santo Ângelo vão mudar com a instalação da Nestlé, em Palmeira das Missões, município de 39 mil habitantes no Alto Uruguai gaúcho. A escolha da cidade-sede da multinacional suíça foi anunciada na segunda 17 pelo diretor presidente da empresa no Brasil, Ivan Zurita, ao governador Germano Rigotto. "Devemos começar a operar até agosto de 2007", prevê Zurita.
Com investimentos da ordem de R$ 70 milhões, a unidade será uma das cinco maiores processadoras de leite do país. Terá capacidade para processar um milhão de litros por dia e iniciará produzindo leite condensado; mais tarde, leite em pó. O empreendimento vai precisar de 12 mil produtores de leite e deverá gerar 200 empregos diretos e 300 indiretos.
A planta da indústria vai captar leite das regiões de Santa Rosa, Passo Fundo e Santo Ângelo, num raio de 300 quilômetros. Segundo o secretário da Agricultura de Palmeira das Missões, Ademar da Silva Camara, as bacias leiteiras dessas microrregiões produzem cerca de três bilhões de litros de leite por ano. "Somente os 70 municípios no entorno de Palmeira das Missões têm capacidade de produção de 500 a 600 milhões de litros de leite/ano", declara Camara ao CR.
Preços - A instalação da nova fábrica da Nestlé gera boas expectativas por parte do setor produtivo gaúcho. O presidente da Comissão de Grãos e Leite da Federação da Agricultura do RS (Farsul), Jorge Rodrigues, acredita que a unidade deverá, inicialmente, captar a produção num raio de 100 quilômetros de Palmeira das Missões. "Esta região estava desprovida de indústria de leite e responde por 20% da produção estadual láctea", ressalta.
O setor, de modo geral, acredita que a fábrica acelerará a concorrência, propiciando melhores preços ao produtor. O secretário executivo da Federação dos Trabalhadores da Agricultura (Fetag), Elton Weber, aposta que, em dois anos, os produtores deverão aumentar a produção em 50%. "Em princípio, a empresa Nestlé deve pagar mais do que se paga atualmente", prevê.
Empresas absorverão 50% da produção
O Rio Grande do Sul vende 150 mil litros de leite por dia à Nestlé, que são processados na unidade de Araçatuba (SP). Além da Nestlé, outras duas grandes empresas de laticínios anunciaram investimentos para 2007 no Estado, a Central Gaúcha de Leite Ltda (CCGL), no norte do Estado, e a Embaré. Nascida em Taubaté, interior de São Paulo, em 15 de maio de 1935, a Embaré centraliza suas atividades em Lagoa da Prata, Minas Gerais.
Juntas, as três empresas, devem absorver três milhões de litros de leite por dia, ou 51% do que é produzido em solo gaúcho atualmente.
Betacaroteno é o principal nutriente do caqui
Ele age na defesa do organismo e previne o envelhecimento
É época de caqui, ótima oportunidade para aproveitar seus nutrientes. De sabor doce e agradável, é rico em açúcar. Cada 100 gramas de caqui têm aproximadamente 78 calorias, dependendo da variedade. A fruta possui boa quantidade de betacaroteno, que se transforma em vitamina A no organismo, um dos principais antioxidantes utilizados para prevenir o envelhecimento precoce e as doenças degenerativas. O betacaroteno também age sobre dentes, pele, olhos, unhas, cabelos e na defesa do organismo.
O caqui ainda tem vitaminas B1 e B2 e boa quantidade de fibras, por isso é indicado para regular as funções intestinais. Sais minerais como cálcio, fósforo e sódio também fazem parte da composição da fruta. É considerado alcalinizante, já que auxilia na melhora dos que sofrem de acidez estomacal.
Na hora da compra, recomenda-se observar se a fruta não apresenta rachaduras, se está firme e tem cor uniforme. O caqui só deve ser lavado no momento em que for consumido, caso contrário, azeda facilmente. Se a fruta não estiver totalmente madura, deixar em local fresco e arejado para completar a maturação. Se já estiver boa para consumo, conservar em geladeira por até cinco dias. Em geral, o caqui é consumido ao natural, mas também pode ser usado na preparação de doces, sucos e saladas. O caqui é originário da Ásia, principalmente China e Japão. Por alusão à cor do fruto, caqui em japonês significa "amarelo escuro".
Sobremesa da fruta
Ingredientes: 6 caquis; 1 xícara (chá) de açúcar; suco de 2 laranjas; 2 cravos-da-índia; 1 lata de creme de leite; 2 colheres (sopa) de suco de limão; raspas de limão; 1 envelope de gelatina em pó sem sabor, dissolvida em ½ xícara (chá) de água. Para a compota: 3 caquis, 200 g de açúcar cristal e 160 ml de água.
Modo de fazer: retirar a pele e as sementes dos caquis. Levar ao fogo com açúcar, suco de laranja e cravos. Ferver por cinco minutos. Esperar esfriar e retirar os cravos. Bater no liquidificador com o creme de leite, o suco e as raspas de limão. Misturar a gelatina dissolvida. Distribuir em taças e levar à geladeira. Para a compota, cortar os caquis em gomos e reservar. Misturar o açúcar e a água e ferver até obter uma calda em ponto de fio médio. Juntar os caquis e cozinhar por dez minutos, até a fruta ficar transparente, sem desmanchar. Servir a compota sobre o creme. Rende 8 porções.
Judas: discípulo, amigo, traidor?
Maria Clara Lucchetti Bingemer
No meio do caminho, Judas passou de amigo a traidor. Jesus foi até o fim do destino que sentia como sendo seu. Não há que invocar privilégios para Judas a fim de resgatá-lo do lugar de maldição que a tradição lhe designou
Não é de hoje que os cristãos especulam sobre a figura de Judas Iscariotes, um dos doze apóstolos que acabou por entregar Jesus nas mãos daqueles que o mataram. Agora, a tradução e análise de um manuscrito com mais de 1.700 anos levanta a hipótese de que Judas, ao contrário de um traidor, seria o discípulo preferido de Jesus. As revelações foram feitas pela National Geographic Society, numa conferência de imprensa que deu a conhecer ao mundo, pela primeira vez, algumas páginas do famoso Evangelho de Judas.
Redigido em língua copta, o manuscrito - ou códice - data dos séculos III ou IV e constitui a única cópia conhecida do Evangelho de Judas, cujo original terá sido escrito em grego por um grupo de gnósticos, antes do ano 180. A análise das 26 páginas do papiro sugere que Judas estaria, afinal, cumprindo os desejos de Jesus quando o entregou às autoridades.
Não é difícil imaginar o rebuliço que esta descoberta suscita na imaginação de muitos. Estaria sendo derrubado definitivamente o mito sustentado durante tanto tempo de que Judas teria traído Jesus e por isso seria uma figura maldita?
Mas as especulações do documento vão mais longe. Trazem uma interpretação gnóstica para explicar a relação entre Jesus e Judas. Este seria não um traidor, e sim o apóstolo privilegiado que teria a missão de entregar o Mestre a fim de libertá-lo do corpo que o revestia e liberar a divindade que o habitava.
Nada mais distante daquilo que mais de vinte séculos de cristianismo experimentaram e proclamaram como o núcleo mais profundo da Boa Nova do Evangelho. A Encarnação de Deus em Jesus de Nazaré em nenhum momento é um peso abrumador ou algo negativo do qual é preciso libertar-se. O mistério da Encarnação diz justamente que o amor de Deus pela humanidade é tanto que Ele não se contenta em amá-la desde a sua divindade, mas vem ao encontro de sua criatura e entra na sua condição finita e mortal, fazendo-se carne e nascendo de mulher como qualquer outro ser humano sem deixar de ser Deus.
A maravilha do mistério de Jesus Cristo é justamente revelar que o único caminho autêntico e coerente para a comunhão com o verdadeiro Deus passa pela pobre carne humana, finita, mortal, limitada e sensível. E é assim que aquele que tinha a condição divina aprende a falar, a caminhar, sente frio, fome, come, bebe, vai a festas, chora pelo amigo morto, alegra-se por ver que aos pobres é anunciada a Boa Nova. E finalmente enfrenta o conflito que sua pessoa provoca, sendo fiel e obediente até a morte de cruz.
As Escrituras cristãs são sóbrias porém claras ao mostrar um Jesus que caminha para Jerusalém sabendo o que o espera e assumindo a angústia e a dor de sua hora, confiante no amor do Pai que nunca o abandonara, mas que lhe permite ir até o fim em sua entrega amorosa e total. Em nenhum momento pretende escapar de sua condição humana naquela que entende ser a sua "hora". Nem renega sua solidariedade total e absoluta ao ser humano. E porque assumiu em tudo a condição humana, a tudo redimiu.
A Ressurreição será a palavra definitiva de Deus Pai sobre aquela vida e aquela morte, iluminando com luz definitiva a pessoa de Jesus e proclamando a retumbante novidade de que o amor é mais forte que a morte.
Os discípulos que acompanham assustados o drama que não entendem têm diferentes tipos de atitudes. Muitos fogem, poucos ficam. Sobre Judas, as informações que se tem são muito poucas. Algumas correntes da exegese bíblica identificam seu nome - Iscariotes - como uma corruptela de sicário, que seria uma facção radical daqueles que se opunham à ocupação romana e acreditavam na retomada de Israel por caminhos inclusive violentos.
Talvez Judas esperasse que Jesus fosse o Messias que finalmente derrubaria o poder que oprimia seu povo. Ao constatar que o Mestre optava por um messianismo de serviço humilde e uma entrega não violenta da vida se decepcionara e o entregara. O relato posterior que os evangelhos fazem de sua morte por enforcamento sugere que se arrependera de seu gesto.
Judas foi escolhido por Jesus para segui-lo onde ele fosse, tal como os outros. No meio do caminho, a relação se rompeu, passando Judas de amigo a traidor. Jesus foi até o fim no destino que sentia como sendo o seu. E, certamente, sua última palavra sobre o amigo perdido foi de misericórdia, amor e perdão. Não há que invocar privilégios para Judas a fim de resgatá-lo do lugar de maldição que a tradição lhe designou. Basta para isso a fé na misericórdia de Deus que salva traidores e traídos, carrascos e vítimas, e que quer vida em abundância para todos.
Frei Betto
Resgatar o direito político à liberdade, eis o desafio se almejamos que, no futuro, a violência não extrapole do privado para o público... em nome da liberdade, a maioria é excluída do direito à justiça
Zygmunt Bauman põe o dedo na ferida ao denunciar o limite da liberdade na modernidade capitalista: pode-se tudo (embora a maioria não possa quase nada), exceto imaginar um mundo melhor do que este em que vivemos. Quando muito, fica-se no conserto da casa, a reforma do telhado, a pintura das paredes, sem que se questionem a própria arquitetura da casa e, muito menos, o modo de convivência dos que a habitam.
Os mais progressistas até admitem que, na reforma, o quarto de empregada seja deslocado do exterior para o interior da casa. Até aqui o limite da lógica capitalista. Além disso, suprime-se a liberdade de quem ousa propor que não haja quarto de empregada nem empregada. No máximo diaristas sindicalizadas e com todos os direitos garantidos por lei. Inclusive o acesso à casa própria.
Segundo Pierre Bourdieu, uns olham a sociedade com olhos cínicos e, outros, com olhos clínicos. Os primeiros julgam inquestionável o atual modelo de sociedade fundado na apropriação privada da riqueza e dele procuram tirar proveito, considerando justo o que reforça seus privilégios e injusto o que os ameaça. Os "clínicos" enxergam um palmo abaixo do chão em que pisamos e reconhecem as intricadas relações sociais que produzem, à superfície, tamanha desigualdade entre os 6,5 bilhões de habitantes desta nave espacial chamada Terra.
O neoliberalismo rompeu a ponte entre a esfera pública e a privada. Outrora, uma constelação de instituições assegurava a ampliação e defesa dos direitos sociais: associações, sindicatos, partidos etc. A privacidade, reduto sagrado, só era devassada à medida que se rompia o contrato social: abandono do lar, homicídio etc. Tudo mais ficava entre quatro paredes ou, quando muito, caía em "domínio público" apenas através de mexericos interpessoais.
Agora, o privado absorve o público, graças à teoria thatcheriana de que a sociedade se reduz ao indivíduo e à família. De um lado, privatizam-se instituições como o Estado (refém de seus credores privados) e os sindicatos, confinados à negociação direta entre empregados e empregadores, desarticulando-se categorias profissionais e solidariedade de classe. De outro, o privado transborda e inunda - e imunda - o público, como no Big Brother.
Rompem-se as quatro paredes e promove-se a inversão dos fatores: o "cínico" anula o "clínico", de modo a desistorizar o tempo e atomizar as relações sociais. Mais importante do que conhecer as causas que impedem o Brasil de crescer além de 2,3% ao ano (perde apenas para o Haiti em todo o continente americano), é saber se Mick Jagger arrumou nova namorada no Rio ou quem será o novo milionário da casa alvo do voyeurismo nacional.
O tecido das relações sociais se esgarça. Crianças e jovens, que deveriam se enfrentar no jogo educativo da sociabilidade propiciada por turmas de rua, clubes, equipes esportivas etc., agora se refugiam horas e horas diante do monólogo televisivo ou informativo. Nos espaços virtuais de comunicação internáutica, onde não se expõem aos limites exigidos pelo convívio grupal, aprendem a dissimular. Projetam de si mesmos uma imagem idealizada, fantasiosa, como se a vida se desse, de fato, em dois planos, aquele em que os pés pisam e aquele em que a cabeça "navega". O real e o virtual.
A privatização dos bens simbólicos ("a história acabou", apregoava Fukuyama) sonega às novas gerações o sentido histórico da existência. "Consumo, logo existo", afirmam os neocartesianos. Assim, o projeto de vida se reduz às ambições de consumo (ficar rico), beleza (eternamente jovem) e fama (ainda que por cinco minutos, como predisse Andy Warhol).
Eis a liberdade que nos oferecem, a de escolher diferentes marcas do mesmo produto na gôndola do supermercado ou na vitrine das lojas. Jamais escolher um novo modelo de sociedade em que os privilegiados não precisem se confinar em shopping centers para fugir da turba famélica que agride a paisagem e as pessoas... Um modelo civilizatório que permita, enfim, a adequação de nossa existência à nossa essência. Nas palavras de Fernando Pessoa, "Ah, quem dera a perfeita concordância/De mim comigo,/O silêncio ulterior sem a distância /Entre mim e o que eu digo."
Resgatar o direito político à liberdade, eis o desafio se almejamos que, no futuro, a violência não extrapole do âmbito privado para o público. E imprimir ao exercício coletivo da liberdade um sentido, uma direção, um horizonte capaz de superar a grande antinomia do atual modelo de democracia: em nome da liberdade, a maioria é excluída do direito à justiça.
Cresce comando feminino nos lares
Mulher chefia quase 30% dos 56 milhões de famílias brasileiras
Em 1970, as mulheres comandavam 13% das famílias brasileiras. Esse índice subiu para 20,9% em 1996 e superou 25% em 2000. Quatro anos depois, beirava os 30%. Pesquisa com dados baseados no ano de 2004 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apurou que 29,4% dos 56,1 milhões de famílias eram chefiadas por mulheres no país.
A Síntese dos Indicadores Sociais revela ainda que a maior proporção dessa chefia se dava na faixa dos 60 anos ou mais de idade (27,4%), tendo o estado do Rio de Janeiro apresentado o maior percentual: 33,9%. O Sul se destacou por apresentar o percentual mais baixo de comando feminino, mas a Região Metropolitana de Porto Alegre tem 31,7% de seus lares chefiados por mulheres. Entre os homens, 35,3% dos responsáveis pela família tinham entre 25 e 39 anos de idade.
Das famílias que tinham chefia masculina, 25,1% viviam com um rendimento familiar de até meio salário mínimo per capita, enquanto que nas chefiadas por mulheres essa proporção subia para 29,6%.
Fecundidade - O IBGE revela ainda que, em 2004, a distância que separava a fecundidade das mulheres menos instruídas das regiões Norte e Nordeste das que possuíam alta escolaridade do Sudeste e Sul era de mais de três filhos. Mesmo dentro de uma mesma região, as mulheres com até três anos de estudo chegavam a ter, em média, mais que o dobro do número de filhos das mulheres com oito anos ou mais de estudo.
A probabilidade de uma mulher com oito anos ou mais de estudo, com dois filhos, vir a ter o terceiro era de pouco mais de 50%, ao passo que a mesma probabilidade associada a uma mulher com até três anos de estudo era de 90%.
No Brasil, em 1991, as mulheres com oito anos ou mais de estudo correspondiam a 35,1% do total de mulheres na faixa etária de 15 a 49 anos (idade reprodutiva). Em 2004, esse percentual alcançou 58,5%, contrastando com os 14,7% de mulheres com até três anos de estudo.
A pesquisa mostra também que a média de filhos por mulher no Rio Grande do Sul, de 1,8, é bem menor que a nacional, de 2,3. Essa diferença se mantém pelo menos desde 1960, quando o número médio de filhos era de 6,3 por mulher no Brasil e de 5,1 no Estado. Em 1970, a relação era de 5,8 (nacional) para 4,3 e em 1980, de 4,4 filhos por mulher no país para 3,1 entre as gaúchas - em 1991 foi de 2,7 para 2,3 e em 2000, de 2,3 para 2,1.
Dupla jornada e desigualdade salarial
Mais de 90% das mulheres brasileiras trabalham fora e ainda cuidam dos afazeres domésticos, que as mantêm ocupadas por mais 4,4 horas diárias. A dupla jornada é mais pesada na região Nordeste, onde as mulheres gastam mais horas no trabalho doméstico. Na outra ponta, as mulheres do Distrito Federal são as que dedicam menos tempo aos afazeres do lar. As informações constam da Síntese de Indicadores Sociais 2004, do IBGE.
A publicação revela que vem aumentando a participação do homem nas atividades domésticas. Em 2004, 46,3% dos que trabalhavam fora também cuidavam da casa - mas eles gastavam apenas mais duas horas diárias para executar os serviços.
A pesquisa reforçou a desigualdade salarial entre homens e mulheres e constatou que ela é maior entre os mais ricos. Entre os 40% mais pobres, o rendimento médio das mulheres equivalia a 76% do rendimento dos homens; entre os 10% mais ricos a relação caía para 65,9%.
OBESIDADE EPIDEMIA AVANÇA
No Brasil, cerca de 50% da população estão acima do peso ideal. Este já é um problema mais grave do que a fome
O excesso de peso atinge hoje mais de 1 bilhão de pessoas em todo o planeta. A Organização Mundial da Saúde já classificou o problema como uma epidemia mundial. Entre os que apresentam excesso de peso, 300 milhões são clinicamente obesos, ou seja, têm índice de massa corporal acima de 30 (IMC = peso/altura2). "A obesidade é a doença que mais mata no mundo, pois a principal causa de morte são os males cardiovasculares e ser obeso aumenta o risco de desenvolvimento desses problemas", afirma a nutróloga Daniela Petrochi, de Caxias do Sul. No Brasil, que tem 10% da população obesa e 40% com peso em excesso, a obesidade é um problema maior que a fome, segundo o Ministério da Saúde.
A obesidade deve ser encarada como uma doença séria que precisa ser tratada e, principalmente, evitada. "Para prevenir o problema é preciso ter uma alimentação equilibrada e praticar atividade física. A recomendação pode parecer repetitiva, mas as pessoas ainda não se conscientizaram da gravidade da situação, sinal de que é preciso insistir nessa questão", alerta Daniela.
Para quem já está acima do peso, nada de apelar para as chamadas dietas da moda, que em geral recomendam cortar um determinado grupo alimentar. "Uma pessoa que segue esse tipo de dieta até emagrece, mas quando volta a se alimentar como de costume, engorda novamente, e até mais do que antes. A cada ciclo desses, vai ficando com um problema mais difícil de tratar, porque ela não muda os hábitos alimentares", explica a nutróloga. Além disso, sempre que a pessoa se priva de algum tipo de alimento, corre o risco de desenvolver problemas renais, cardiocirculatórios, deficiências nutricionais.
Segundo Daniela, o tratamento para o excesso de peso deve contemplar não apenas o emagrecimento imediato, mas também a manutenção do peso, o que só se consegue com um plano alimentar equilibrado, que difere de acordo com o perfil da pessoa. "Deve-se praticar alguma atividade física e comer todos os grupos alimentares; carnes, laticínios, cereais, leguminosas, frutas, verduras e massas, mas em quantidades adequadas ao seu gasto energético. Isso só o médico poderá avaliar", conclui Daniela Petrochi.
Perder 10% do peso já melhora a saúde
Quando uma pessoa engorda, suas células adiposas (de gordura) aumentam em até seis vezes o seu tamanho e começam a se multiplicar, passando de cerca de 40 bilhões para cerca de 100 bilhões. Quando isso acontece, as células de gordura liberam na corrente sangüínea substâncias inflamatórias e hormônios que causam diversos prejuízos ao organismo: excesso de glicose, colesterol e triglicerídios, aumento da pressão arterial, formação de coágulos.
Uma pesquisa internacional mostrou que quase metade das pessoas obesas ou com sobrepeso desistem de dieta aliada a exercícios físicos em um mês. Um dos fatores que contribuem para isso são as metas pouco realistas estabelecidas, como achar que é preciso reduzir 40% do peso ou mais para diminuir os riscos à saúde, como acreditam 17% dos brasileiros entrevistados. Os médicos garantem que perder de 5% a 10% do peso em excesso já melhora os fatores de risco ao organismo.
Também não adianta querer emagrecer tudo em um mês. Segundo os especialistas, a redução mensal de três a quatro quilos é o ideal, mais saudável e facilita a manutenção. Emagrecer muito rápido leva à perda de massa magra (músculo). Quanto mais massa muscular a pessoa perder, menor será sua capacidade de manter o peso, pois é o músculo a unidade metabólica que mais gasta energia.
"As dietas da moda fazem a pessoa emagrecer rapidamente cortando um tipo de alimento, isso faz com que o organismo consuma suas próprias proteínas (músculos) para se manter, um grande problema porque o que regula nosso metabolismo é o músculo", explica Daniela Petrochi, nutróloga.
Modernidade favorece acúmulo de gordura no organismo
Nas últimas décadas, o planeta transformou-se em um ambiente que facilita o acúmulo de gordura. A abundância de alimentos e a diminuição da necessidade de realizar atividades físicas em praticamente todo o mundo estão favorecendo o nascimento de uma geração de obesos.
Durante milhares de anos, o ser humano conviveu com a escassez de comida e precisava se locomover muito para sobreviver. Naquela época, levava vantagem quem tinha o organismo que armazenava mais energia e gastava menos calorias. Segundo os estudiosos, o homem moderno descende desses sobreviventes e, por esse motivo, a maioria das pessoas precisa esforçar-se para manter o peso adequado. Com carros, elevadores, controles remotos, vidros elétricos etc, a capacidade de armazenar energia que a maioria herdou dos ancestrais tornou-se dispensável, ou seja, o que era vantajoso agora virou um inconveniente.
De acordo com os médicos, vários genes estão ligados à predisposição que um sujeito tem para engordar. Porém, nem mesmo aqueles que não têm predisposição genética podem comer à vontade e ficar sedentários. Se fizerem isso, também vão engordar, pois as causas da obesidade podem ser ambientais.
Estudos demonstram que para o mesmo estímulo ambiental, alguns gastam mais energia e engordam menos. A diferença é que aqueles que têm predisposição genética vão engordar mais, em maior velocidade, e ainda terão mais dificuldade de perder peso. Como mudanças genéticas levam milhares de anos para ocorrer, o homem moderno precisa se readaptar ao ambiente.
Cirurgia bariátrica não tem indicação estética
Pesquisa do Hospital das Clínicas de São Paulo, divulgada no fim do ano passado, tem confundido pacientes e gerado indignação entre os médicos especializados em cirurgia bariátrica. Esse procedimento reduz o estômago e/ou diminui a absorção dos alimentos com o objetivo de reduzir o excesso de peso dos chamados obesos mórbidos.
A análise de 53 casos revelou que 13% dos operados regressaram à obesidade, 58% recuperaram mais de dez quilos e só 8% mantiveram o peso. Além disso, 80% apresentaram problemas na dentição, que pode estar relacionado à deficiência na absorção de nutrientes, e 8% tornaram-se alcoólatras.
O médico Rafael Giovanardi, especialista em cirurgia do aparelho digestivo e professor de cirurgia geral da Universidade de Caxias do Sul, explica que o objetivo da cirurgia bariátrica é diminuir o peso que representa riscos à saúde do paciente, e não o estético. "Às vezes, a pessoa realmente recupera um pouco de peso anos após a cirurgia, mas o procedimento melhorou muito seus problemas de saúde", afirma Giovanardi. Segundo ele, a perda de peso é maior nos primeiros seis meses após a cirurgia e, ao longo de dois anos, estaciona. Depois, alguns até ganham peso, mas a grande maioria não volta ao quadro de obesidade mórbida.
O especialista cita uma avaliação internacional feita pela Associação Médica Americana e publicada na revista Jama em 2004. A entidade fez uma espécie de revisão de vários estudos, envolvendo mais de 22 mil pacientes. Segundo o levantamento, a cirurgia bariátrica promoveu a melhora da hipertensão arterial em 61% dos casos. O diabetes tipo 2 foi completamente resolvido em 77% dos pacientes e as hiperlipidemias (colesterol, lipídios) em 70% dos casos. A redução do excesso de peso variou de 47% a 70%, dependendo da técnica empregada na cirurgia.
Giovanardi diz que realmente podem ocorrer casos de carência nutricional pós-cirurgia, por isso ele sempre recomenda o paciente a manter o acompanhamento médico-nutricional. Os especialistas afirmam que alguns pacientes acabam compensando a falta de comida por outra coisa, o que poderia explicar os casos de alcoolismo após a cirurgia. "Esse é um problema emocional, por isso defendo o acompanhamento psicológico antes e depois da cirurgia", recomenda Giovenardi. Segundo ele, a obesidade não é só uma doença orgânica, os fatores emocionais influenciam. "Os pacientes que mantêm a assistência psicológica após o procedimento evoluem bem melhor, isso é visível no consultório", garante.
A cirurgia bariátrica é indicada para melhorar problemas de saúde. Antes de recomendar o procedimento, é preciso saber o índice de massa corporal do paciente. Isso porque só são submetidas à cirurgia as pessoas que apresentam IMC superior a 40 ou IMC maior que 35 com outras doenças associadas, como diabetes, hipertensão.
A cirurgia oferece os mesmos riscos que qualquer outro tipo de procedimento desse porte. O mais importante é avaliar a relação risco-benefício. "Para uma pessoa com elevado IMC e ainda com outras doenças associadas ao excesso de peso, os benefícios são superiores ao risco de conviver com a obesidade", explica Giovanardi.
O médico relata que freqüentemente pacientes buscam a cirurgia para melhorar a aparência. "Para quem não se enquadra nos requisitos, os riscos são maiores que os benefícios", afirma. "Nesses casos, indica-se outro caminho, que passa pela dupla dieta equilibrada e atividade física; essa é a melhor solução", completa Rafael Giovanardi.
Anfetamina emagrece, mas faz mal
Substâncias milagrosas de emagrecimento, que prometem transformar o corpo da noite para o dia, sempre fizeram sucesso. O problema é que nem sempre os obcecados pela boa forma física sabem que essas fórmulas carregam doses elevadas de anfetamina, estimulante do sistema nervoso central.
O efeito da substância é devastador: tira a fome, a pessoa não come e emagrece rápido. Porém, fica agitada, irritada, sofre de insônia, perda de memória e depressão. Apesar dos riscos, relatório das Nações Unidas divulgado em março aponta o Brasil como líder mundial em consumo de anfetaminas.
O medicamento só pode ser vendido com receita especial, que fica retida na farmácia. Entretanto, na prática, não é o que acontece no Brasil. Para burlar o controle, geralmente a presença de anfetamina é camuflada nas fórmulas. Em vez de aparecer com seus nomes técnicos (anfepramona, femproporex e mazindol), a droga é identificada com nomes inocentes como "emagrecedor natural".
Pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro com 312 pacientes obesos mórbidos em preparação para a cirurgia bariátrica constatou que quase 90% deles já tinha usado medicamentos à base de anfetaminas, mas eles desconheciam a composição química do que estavam tomando.
A droga é indicada em alguns casos psiquiátricos específicos e raros e também, de modo restrito, a obesos mórbidos. Mesmo nesses casos, o tratamento não deve ultrapassar três meses.
"Inibidores de apetite têm um papel importante no tratamento da obesidade, mas o uso não pode ser vulgarizado" explica a nutróloga Daniela Petrochi. "Quem quer emagrecer precisa de acompanhamento médico. Usar essas composições oferece riscos e pode causar dependência", afirma.
Bento XVI muda rotina do Vaticano
Em um ano, Papa recebeu mais de quatro milhões de fiéis e emitiu sinais dos novos rumos para a Igreja
Nove meses. Esse foi o tempo que o Papa Bento XVI levou para conhecer a situação da Igreja e só então começar a tomar decisões. Em janeiro veio a sua primeira encíclica, "Deus é Amor", seguida da nomeação de 15 novos cardeais. "O papa deixa aos poucos desvanecer o excesso da superexposição na mídia de João Paulo II", disse à Catolicanet Alberto Melloni, professor de história da Igreja.
Na quarta 19, quando completou um ano de pontificado, Bento XVI reuniu na praça São Pedro, para a audiência geral, o recorde de mais de 50 mil fiéis. "Obrigado, de todo o coração, a todos aqueles que de várias formas me apóiam de perto e de longe, espiritualmente, com o seu afeto e suas orações", agradeceu Bento XVI, sob forte aplauso. Bento XVI, que no domingo 16 completara 79 anos, reuniu mais de quatro milhões de pessoas em um ano de pontificado. Cerca de 1,1 milhão participou de suas audiências gerais.
Mudanças - Bento XVI mudou sua rotina, eliminando sua participação em algumas cerimônias. Não celebra mais beatificações, apenas canonizações (declarações oficiais de santidade). Ele reduziu ainda suas audiências em 70%, dedicando mais tempo para ouvir as pessoas que encontra. "Ratzinger recebe menos pessoas que João Paulo II, mas dedica a elas mais tempo e atenção", observou o vaticanista Sandro Magister em entrevista à BBC Brasil.
As visitas ad limina, que os bispos de outros países fazem ao papa a cada cinco anos para dar a ele informações atualizadas sobre suas regiões, são outro exemplo, segundo Magister, de um estilo diferente. "Ele se prepara, fala com um bispo de cada vez, não são encontros de rotina. Conta muito com a colaboração dos bispos para colocar a Igreja de volta no caminho que programou, e por isso dá muita atenção às nomeações".
O vaticanista vê, no diálogo com os bispos e com os cardeais, que o papa convocou recentemente a Roma, um início de colegialidade - a descentralização do poder da Santa Sé. Mas, ressalta Alberto Melloni, autor do livro "O início de Papa Ratzinger", "colegialidade não é reunir-se por três horas com bispos e cardeais. É preciso ver se vai criar ou não um órgão específico para representar a colegialidade na Igreja."
Liturgia - O retorno à tradição marca também o estilo das celebrações litúrgicas, uma grande preocupação de papa Bento XVI. O canto gregoriano voltou a acompanhar suas missas e o latim é muito mais usado do que antes.
Quanto às viagens, uma das características do pontificado de João Paulo II, neste primeiro ano, Bento XVI não ficou atrás. Fez quatro: Polônia, Alemanha, Espanha e Turquia. Em maio de 2007 ele virá ao Brasil.
"Ratzinger dirige a Igreja. Foi um pedido claro dos cardeais no conclave", afirmou o vaticanista Andrea Tornielli. Para um ano de pontificado, são muitas transformações, especialmente porque a Igreja sempre se moveu com passos cercados de extrema cautela.
Menos mídia e mais objetividade
Capuchinho, professor e pesquisador
Omnis comparatio claudicat. Toda comparação confunde, diz o refrão. Comparar Bento XVI e João Paulo II é como comparar Bento com Bento. Pois era Bento quem dava as linhas doutrinárias a João Paulo II, e agora o faz pessoalmente. Se alguém sonha que a Igreja se modernize com casamento de padres, ordenação de mulheres, de homossexuais, divórcio, aborto, embriões..., pode esperar sentado. O João Paulo da mídia, com rigorismo doutrinário, está longe do Bento com menos mídia e mais segurança e clareza doutrinária. Aquele sabia mais aparecer, este sabe mais pensar e fazer.
Será que João Paulo II teria assinado a Encíclica Deus caritas est, embora se diga que a havia iniciado? Ela avançou tanto, que a Igreja e o mundo ainda não a entenderam.
Bento sabe o que diz, por que diz e tem razões por que o diz. Se se quiser uma Igreja revoltada e dividida - basta que o Papa avance em reformas, acima da práxis eclesial. O que pensa e faz a Igreja local, face às esperadas reformas de Bento XVI? Alguém foi perguntar isto aos mais de 200 padres e cinco bispos, na concelebração, na catedral, na Quinta-Feira Santa? Alguém avançou mais nas propostas de encontros judaico-cristão e de igrejas cristãs, que Bento XVI? E, na prática, o que está acontecendo, além de belas teorias?
Cabe ao Papa ratificar a união, encontros, impostação ecumênica, conseqüente do magistério eclesial, mas não determiná-la por decreto.
A nós, da pastoral, cabe ver, perceber e acolher as ânsias espirituais do povo e fazê-las chegar às igrejas. É do povo cristão que brotarão as reais mudanças e respostas espirituais.
Já estamos saturados de instituições e intelectuais que indicam o que os outros devem fazer, e se homiziam na própria crítica, como engenheiros de obras feitas. Para a vivência ecumênica - de um só Cristo e um só batismo - há que se transcender a instituição, descer à realidade, para responder às espirituais necessidades.
Teólogos, padres e pastores... somos desafiados a, por primeiros, vivermos o um só Deus (dos judeus e cristãos) e um só batismo e um só Cristo (dos cristãos entre si). Não apenas denunciar divisões, mas viver unidades.
Bento XVI, na Sexta-Feira Santa, enfatizou: "A nada levaria a Igreja criticar os desmandos da humanidade, se não viver o amor e a misericórdia do Crucificado."
Padre Zezinho
Louvor é bom. Melhor ainda se for com justiça e democracia
Os papas poderiam escrever só encíclicas dogmáticas e espirituais. Se escrevem sobre fome, miséria, aborto, salário, violência, dominação, globalização, armas nucleares, distribuição de riquezas, comércio, indústria e política, é porque isso tem tudo a ver com a fé.
Se os papas escrevem, eu canto. Sim, eu canto o social, o político, a dor do povo e a democracia. E acho que esse é também o papel do pregador e cantor. Formar um povo para Deus é ensiná-lo a conviver e a buscar leis justas para todos. Isso se chama democracia.
Eu poderia, como no começo, ir sozinho e cantar sozinho. Mas achei que poderia promover o talento de quem sabe música. Assim promovo-os, dou emprego, mostro os jovens e os ajudo a se tornar pregadores de temas que eles dominam. Todos precisam estudar. Se sei que não estuda, mais cedo ou mais tarde deixo de convidar o cantor. Quero gente que sabe a dor do povo e se interessa pela Bíblia, pelo catecismo e pela palavra do Papa, que é palavra oficial da nossa Igreja.
Quando, pois, alguém pergunta por que falo tanto de justiça social e misericórdia, digo que é carisma dos Dehonianos, congregação à qual pertenço, e que o Papa João Paulo II em 1979 na Redentor Hominis disse, no número 16, que devemos acentuar sempre a pregação do juízo final em Mt 25, 21-46. Lá, Jesus disse, claramente, que só vai entrar no céu quem cuidou do social. E em Mt 7,21 Jesus diz que nem todo aquele que diz Senhor, Senhor vai ganhar o céu!
Parece-me que estou acentuando o que a Igreja quer que se acentue. É catequético e é bíblico. Louvor é bom. Melhor ainda com justiça e democracia!
Bispos homenageiam dom Orlando Dotti
Oito bispos e 23 padres prestigiam 50 anos de sacerdócio e 37 de bispo
O reconhecimento público pela dedicação às causas do campo reuniu mais de 1.000 pessoas, entre elas nove bispos e 23 padres, no domingo 23, em Antônio Prado (RS), para celebrar os 50 anos de sacerdócio e 37 anos de bispo de dom Orlando Octacílio Dotti.
A missa, na capela de N. Sra da Saúde, foi presidida por dom Orlando Dotti e concelebrada pelos bispos dom Paulo Moretto, da Diocese de Caxias do Sul; dom José Mário Stroeher, de Rio Grande (RS); dom Luis Carlos Eccel, de Caçador (SC); dom Onéres Marchiori, de Lages (SC); dom Ricardo J. Weberberger, de Barreiras (BA), além do arcebispo emérito de Juiz de Fora (MG), dom Clóvis Frainer; do bispo emérito de Cruz Alta (RS), dom Jacó Hilgert, e do bispo emérito de Coxim (MT), dom Osório Bebber.
O bispo homenageado agradeceu a Deus pela trajetória. "Devo a Deus tudo o que foi feito por meu intermédio", afirmou dom Orlando. Durante a cerimônia, dom Clóvis Frainer ressaltou a fé de dom Orlando e o seu grande amor pelas questões sociais envolvendo a terra.
Dom Orlando foi presenteado com uma réplica em vidro da casa onde nasceu e da capela onde celebrou a primeira missa. "A réplica é como se fossem dois olhos. Um, a casa, representa a herança pelo amor à terra; o outro, a capela, significa a fé", explica frei Clementino Dotti, primo do homenageado. Os 50 anos de sacerdócio foram prestigiados pelo prefeito Marcos Scopel e os padres do município, José Mussoi e João Panazzolo.
Dom Orlando Dotti nasceu na Linha Silva Tavares, Antônio Prado, em 22 de junho de 1930, filho de José Domingos e Matilde Miotto Dotti. Fez noviciado em 1949. Foi ordenado sacerdote em 1956, em Porto Alegre, e sagrado bispo de Caçador, dia 25 de maio de 1959, em Ijuí.
Como bispo, exerceu suas atividades nas dioceses de Caçador (SC), de 1969 a 1976, quando organizou a diocese. Em Barra, na Bahia, de 1976 a 1983, quando participou do desenvolvimento da região e de comissões da CNBB, nas linhas educacional e social.
De 1983 a 2004, em Vacaria, participou das atividades no campo social da CNBB. Atualmente, exerce o cargo de vigário paroquial de Bom Jesus.
De dom Orlando Dotti se diz: "Foi realizando profeticamente o seu lema cor ad cor loquitur (coração fala ao coração) com humildade de irmão e com energia e cuidado de pastor que defende publicamente e com perseverança a causa dos pequenos com destemor do Evangelho."
Congresso debate mistérios do mal
Por que existe o mal? A origem e as razões da existência do mal sempre instigaram a investigação humana. E as respostas dadas, na maioria das vezes, não satisfazem. O mistério do mal é o tema de congresso interdisciplinar que será realizado de 8 a 15 de maio, na Universidade de Caxias do Sul. "O objetivo é refletir interdisciplinarmente o mistério do mal, buscar pistas para a resposta à pergunta ‘por que existe o mal’ e para compreender melhor a natureza do ser humano", explica um dos coordenadores do evento, o padre Paulo César Nodari. Dirigido ao público em geral - e de modo especial a estudantes, professores, padres, profissionais liberais, irmãs e agentes de pastoral -, o congresso terá a participação de renomados professores de várias universidades brasileiras, especialistas em áreas como teologia, sociologia e antropologia. As palestras serão no auditório do Bloco H pela manhã (a partir das 8 horas) e no UCS-Teatro à noite (20 horas). A inscrição para um dos turnos custa R$ 15 e para os dois, R$ 20. Será fornecido certificado equivalente a 40 horas-aula. Mais informações pelos fones (54) 3218-2430/2597 ou www.ucs.br (ver cursos de extensão, área de filosofia e ciências humanas).
Aldo Colombo
Não amar e não ser amado é a mais dramática confissão de uma vida. Ela sinaliza o fracasso absoluto
Dinheiro, sexo, glória, arrogância e desordem ficarão como a marca de um dos maiores ídolos esportivos: Mike Tyson. Em seu período de glória, acumulou todos os títulos do boxe, conseguindo 50 vitórias, sendo 44 por nocaute. Depois mergulhou na decadência. No presídio norte-americano de Indiana foi o preso 922335. Sua história começa na década de 60, no miserável bairro do Brooklin, em Nova York. Aos 11 anos foi para um reformatório. Depois iniciou uma milionária carreira no pugilismo, onde foi conhecido como "máquina demolidora". Com a decadência, novos dramas e novas prisões.
Num momento de sinceridade, Tyson abre os horizontes de uma vida cheia de contrastes, onde teve tudo e não teve nada. Ele admitiu: "Ninguém me ama e eu não amo ninguém". Ele deixa cair a máscara e admite ser um idiota e que irá morrer na miséria, sem amor e sem respeito. E, por último, um desejo: não quero que meus seis filhos sejam como eu.
Não amar e não ser amado é a mais dramática confissão de uma vida. Ela sinaliza o fracasso absoluto. É estar no inferno já antes de morrer. Para o escritor russo Fiodor Dostoiewski, o inferno é a impossibilidade de amar. E Dante Alighieri, na Divina Comédia, chama o Inferno do País da Solidão, contrapondo-o a céu Cidade do Amor.
Deus é Amor. Deus só sabe, só quer, só pode amar. E foi por amor que criou a humanidade. O destino, a marca de todas as pessoas, é o amor. Amar e ser amado é a realização humana e a ante-sala do paraíso. Naturalmente, essa palavra amor se presta para todas as interpretações. Em nome do amor se assumem todos os crimes e todas as desordens. Mas é também do amor que surgem os santos e os heróis, surgem todos aqueles e aquelas que dignificam a humanidade.
O ser humano é demasiadamente grande para bastar a si mesmo. E por isso precisa do outro. E nesse sentido, o amor não se volta para si mesmo, mas para os outros. Amar não é querer ser feliz, mas fazer feliz. Amor é gratuidade e doação. A criatura humana é demasiadamente grande para amar apenas o que é finito. Somente Deus pode revelar nossa verdadeira grandeza.
Cada um de nós tem sua história, uma história marcada pela beleza e ternura, mas também pela miséria e contradição. Em grande parte, somos fruto de nossa infância e nossas realizações ou frustrações. Mas todos - eu, você, Mike Tyson - temos uma certeza: a última palavra ainda não foi dita. E não foi dita porque Deus continua a amar-nos. Ele é Pai, tem olhos de pai e por isso nos acha amáveis. E por isso, ainda temos uma opção e um direito: amar e ser amado. E isso sinaliza o futuro, o agora e o depois.
Itaici trata da evangelização dos jovens
Assembléia da CNBB ocorre de 9 a 17 de maio em São Paulo
Mais de 40% da população católica da América Latina tem de 13 a 30 anos. Não é por acaso o tema central, "Evangelização da Juventude", na 44ª Assembléia Geral dos Bispos do Brasil. O encontro ocorre de 9 a 17 de maio de 2006, na Vila Kostka, bairro Itaici, em Indaiatuba (SP). "O tema leva em conta a grande parte dos jovens não-evangelizados ou não relacionados com a Igreja e a ação eclesial", diz o presidente da comissão, dom Sinésio Aloísio Bohn, bispo de Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul.
O secretário-geral da CNBB, dom Odilo Pedro Scherer, lembrou que a opção pelos jovens já foi feita há muitos anos na Conferência de Santo Domingos. Apesar disso, a necessidade de evangelizar a juventude permanece. "É urgente o tema na Igreja do Brasil", afirmou. Pesquisas recentes apresentam dados preocupantes. Nem os jovens vão à Igreja, nem a Igreja consegue motivá-los para a evangelização. "Constata-se que não há transmissão da fé, geração a geração", observou dom Odilo Scherer.
Para dom Sinésio Bohn, o tema central da Assembléia da CNBB tratará de uma questão vital para o futuro da Igreja e da sociedade: evangelização da juventude. Se as novas gerações forem evangelizadas adequadamente, poderemos esperar que também elas, uma vez assimiladas as riquezas da fé, continuarão a apreciá-las e transmiti-las e saberão atuar na sociedade com o coração e a inteligência bem formados pela sabedoria do Evangelho", diz.
Moldura - Os jovens também têm encontro marcado com a grande família eucarística, que no dia 20 de maio, durante o 15º Congresso Eucarístico Nacional em Florianópolis (SC), participarão de grande concentração com dom Alberto Taveira, arcebispo de Palmas (TO).
Para completar a moldura, em 2007 o Brasil deverá sediar a V Conferência do Episcopado Latino-Americano, com o tema "Discípulos e missionários de Jesus Cristo para que Nele nossos povos tenham vida". E o lema: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida", enfocando também a juventude.
Frei Eusébio Ferreto morre aos 84 anos, no Paraná
A família franciscana perdeu mais um frade. Frei Eusébio Ferreto, natural de Veranópolis, faleceu dia 17 de abril, em Toledo (PR), de enfarto, aos 84 anos. Foi sepultado na cripta da igreja matriz. A missa foi presidida pelo bispo dom Francisco Bach, com a participação de 30 sacerdotes. Nascido em 10 de maio de 1922, era filho de João e Madalena Ferreto. Deixa os irmãos Amélia, Paulo, Diva, Frei Domingos (in memorian), Antonia, Esperança, Gentil, Danilo, Terezinha e Inês. "O frade sempre alegre" era como o povo definia frei Eusébio.
De profunda espiritualidade franciscana, idealista e apostólico, era profundamente dedicado ao bem espiritual, auxiliando a todos a realizar efetivo encontro com Deus. Ao par do bem espiritual, ministrava ensinamentos de medicina alternativa e fitoterapia. Desejoso de resgatar o espírito franciscano originário de pobreza e serviço, integrou, como um dos fundadores, a Congregação dos Frades Menores Missionários.
Entrou no Seminário Seráfico São José, dos Capuchinhos, em Veranópolis, a 25 de janeiro de 1935, professou na Ordem, no Convento Sagrado Coração de Jesus, em Flores da Cunha, em 2 de março de 1941; recebeu a Ordenação Sacerdotal de dom José Bárea, em Garibaldi, a 13 de julho de 1947.
Entre suas atividades pastorais, missionárias e educacionais, destacam-se: vigário paroquial em Veranópolis (1947-1951); pregador de missões populares no Rio Grande do Sul e São Paulo (1952-6); pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, de Maracajá/SC (1956-73). De 1973 até o presente, frei Eusébio integrou o novo Instituto, aprovado pelo Papa Paulo VI, através de Dom Geraldo M. Pellanda, bispo de Ponta Grossa, a Congregação dos Franciscanos Missionários, residindo na Comunidade do Seminário de Nossa Senhora de Fátima, em Toledo. Além de atender paróquias da localidade, se deslocava temporariamente para atividades missionárias em outros Estados e no país vizinho Paraguai.
Desde 1982, atuou na formação religiosa, como reitor e professor do Seminário Menor Nossa Senhora de Fátima, e vigário paroquial da Paróquia Menino Deus do Jardim Porto Alegre, em Toledo. A missa de 7º dia foi oficiada na Paróquia Maronita N. Sra. do Líbano, em Porto Alegre, dia 23.
Carolina perde o seu bispo dom Marcelino
Dom Marcelino Correr, OFMCap, 74 anos, bispo emérito de Carolina (PE) faleceu dia 18 de abril. O sepultamento aconteceu na quinta-feira 20, em Carolina. A causa de sua morte foi enfarto.
Dom Marcelino era um homem simples, amado pelo povo pela sua forma de vida. Ele viveu conforme diz o seu lema episcopal: "Caridade e bondade". Nasceu dia 11 de janeiro de 1932, em Piracicaba (SP). Fez profissão perpétua em 10 de janeiro de 1954. Foi ordenado sacerdote em 15 de junho de 1957. Sua ordenação episcopal ocorreu em 21de abril de 1991.
Wilson João
Todos estamos em movimento para um ponto de chegada, para uma direção que nosso coração vai traçando
A velocidade mata. A pressa cansa. A agitação atrapalha. Por que não ser partidário da calma? Por que não ser parceiro do ritmo da vida? Por que não escolher aquilo que a vida pede?
CALMA! OLHE AS ÁRVORES! A semente cai na terra. Germina. Vai crescendo. Aparece uma folha, duas... e a sombra se forma. No devido tempo, surgem as flores. Para algumas árvores as próprias folhas são flores. Vêm os frutos. Amadurecem. Tudo em seu tempo. Por que não parar mais diante das árvores e observar sua calma e crescimento? Por que não parar e abraçar as árvores para assimilar a lição de sabedoria do ritmo da natureza?
CALMA! OLHE AS FLORES! As flores das árvores e dos jardins. As flores do campo. Alguém que é exemplo de calma falou: "Olhai as flores do campo. Elas crescem lindas, simplesmente despreocupadas." Nem as pessoas-modelo, preocupadas com suas vestes perfeitas, se vestem lindamente como as flores. Por que não parar, não tocar, não beijar as flores, gastando mais tempo em sua escola de sabedoria?
CALMA! OLHE O TEMPO! Sinta o tempo que passa. Segundo após segundo. Minuto após minuto. Hora após hora. Dia após dia. Tudo com tempo. De nada resolve adiantar o relógio para fazer o tempo parar ou para que ande mais depressa. Vem a manhã, a tarde, a noite, a madrugada. Vem a primavera, o verão, o outono, o inverno. Tudo a seu tempo. Nada melhor do que fazer acontecer "cada coisa no seu tempo!" Porque não aprender do ritmo do tempo e não mais dizer: "esse tempo não passa", ou "como tudo passa tão depressa!" Sentar diante do tempo e senti-lo como um vento que passa, tocando-o, acariciando-o, é o melhor que podemos fazer para não sermos escravos do tempo, da velocidade ou da lentidão.
CALMA! OLHE AS FONTES! Sente-se ao lado da fonte, ao lado do riacho, ao lado do lago. Sente-se e olhe. A fonte nasce com calma. Tudo vai andando ao ritmo da descida. Há um ponto de chegada para toda a fonte. Que bom sentar-se ao lado da fonte e do rio e perceber que todos estamos em movimento para um ponto de chegada, para uma direção que nosso coração vai desenhando. Que bom perceber-se fonte, rio, que tem como destino o mar. Mar-vida, mar-Deus, mar-felicidade, mar-realização.
CALMA! OLHE OS PÁSSAROS! Todos os pássaros têm um ritmo. A cabecinha do pássaro vai ao ritmo de cada passo, de cada movimento do pé. Já observou isso? E lá vão os pássaros de todas as cores e tamanhos. É o pintassilgo que canta. É o beija-flor que ensina a escolher o melhor da vida, e que também ensina a dar marcha-ré, quando erramos. É o único pássaro que tem marcha-ré. E mais. Como não atender ao pedido do mestre Jesus que diz: "Olhem os pássaros do céu! Eles não semeiam e nem colhem, e todo o dia se alimentam." Por que não aprender dos pássaros e ganhar tempo em voar juntos, em acariciar-se no galhinho, em arrumar as penas uns dos outros? Tudo na natureza obedece a lei da calma. Calma! Tudo tem seu tempo e seu lugar!
O italiano que está em você
Geraldo Tedesco
Servidor da Ascar/Emater, Veranópolis-RS
Pós-graduado em gestão ambiental, Geraldo é também gestor de italianidade:
"Nasci na Capela Nossa Senhora da Paz, cuja estátua foi trazida de Asolo-TV, berço da família Tedesco, em 1942, como promessa de que nenhum veranense fosse combater na II Guerra. Ao recordar histórias do bisnono Alessandro, do nono Antônio e de pai Antônio (Tonin), nascido em 1930, as lágrimas rolam. Os da cidade nos chamavam de colonos, e eu não sabia que colonos eram todos os colonizadores e não só os que moravam na colônia. Com o tempo, fui tomando consciência dos valores herdados, iguais ou maiores que os da cidade.
Os que pronunciavam os dois erres, também diziam besteiras, imitando o sotaque carioca. Conseqüências da II Guerra. Hoje, falar várias línguas é cultura.
Na década de 1990, atuei no Centro Cultural de Veranópolis. Rovilio Costa, Cláudio Dalla Colletta e Júlio Posenatto nos apoiavam. Em 1989, eu e meus filhos Romeo e Bruno fizemos cidadania italiana. A 28-8-2000, aniversariei na Itália. De Vicenza fui a Bassano del Grappa, de trem. Depois, peguei ônibus a Ásolo, fundada em 205, de 4.000 habitantes, terra do poeta Mansueto Bernardi. Encontrei uma dúzia de tedeschi e fui à Villa d’Asolo, ninho dos parentes.
Numa casa do século XVII, de três pisos, com marcas da I e II guerras, no século passado, moravam 22 pessoas. Chorei. Fiz 26 fotos. Tomei o primeiro Prosseco. Pietro Tedesco, 73 anos, nunca ouvira falar em Tedescos no Brasil. Mas comentou que lá vivia, pelo 1870, o Sebastiano, tio do seu avô. Eureca! O Sebastiano era meu trisavô, pai de Alessandro que, em 1884, com a esposa Antônia Zanon e os filhos Michele, 24 anos, Alessandro 12, e Isabella 8, vieram ao Brasil. Almocei com o Pietro que mora com o filho Gabrielle, pai de três filhos. Cuidam de dois e meio hectares de uvas prosseco e 30 vacas leiteiras, com estábulo anexo à casa. A nora tem uma confecção e exporta roupas íntimas para a França. À tarde, conheci os irmãos Vetorino e Silvestro, construtores. Não é que em Veranópolis, nascidos em Nossa Senhora da Paz, netos de Michelle, o Vitorino e o Silvestre são peritos construtores! Os Tedescos, além da uva e gado, fabricavam carroças, relógios...
Em Veneza, junto à ponte do Rialto, está o Fondaco dei Tedeschi, edifício do século XIII, restaurado no século XVI, idealizado por Girolamo Tedesco, obra dos arquitetos Spavento e Scarpagnino com afrescos de Ticiano e Giorgione. Era sede de comerciantes alemães, donde o nome Tedeschi.
Em 2003, para homenagear o berço dos Tedeschi, dei à minha propriedade rural o nome Tedesco Villa d’Asolo, com móveis típicos, fogolaro, forno...". Fone: (54) 34418389).
Geraldo fala, vive e atesta, na prática, sua ligação com a terra, o grande sonho dos nosso antepassados! (Rovílio Costa)
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (357)
Atacai par na nùgola de ànime despenade
Marcelino Carlos Dezen
Caxias do Sul (RS)
A casa dei Zanella, Nanetto se ga fermà un par de giorni. Là el se la ga cavada a tirar zo ua, torciar graspe e menarle al lambico par pi tardi far la gras-peta. Ai Zanella, Nanetto ze stà na benedission. L’ometo el laorea pròpio con voia. Co i vendemea, Nanetto ghe piasea star arente Tuio, che’l ghenavea sempre qualche una de bona da contar. Nanetto se la spachea a rìder. E anca i altri co Nanetto.
Un giorno, Tuio taca contar stòrie dei dispeti e spaventi che lu e i so compagni i parecea. Un pedo de l’altro. No i gavea altra roba de far e no se se copea a laorar come i giorni de oncó, che no se rispeta gnanca le doméneghe. Robe de mati.
- Smerdar su le portele par quei che i ndea a morose e i ritornea de note, zera el manco che feimo. Me ricordo che na volta, mi, Mosè, Fiorindo, Joaquim e altri gavemo parecià una a un che ndea morose a caval. Note scura come el demònio, gavemo stirà un fil sora la strada, ciapà na suca e, tirade le semense, fato i busi dei oci, dela boca, del naso... dentro la suca na candela impiada. Picà la suca tel fil, co na cordeta cada banda. Na turmeta sconta de na banda dea strada e nantra de quelaltra, in meso a le scapoere. Al sentir el trotar del caval, el toso che sifolea par farse coraio, gavemo tacà a tirar quela cavera inquà e inlà. Maria Santíssima! Co’l ga visto quel mestier el ga dato na osada, el caval se ferma sufiando, anca lu, spaurà. Far che?! Dar mesa volta e tornar indrio a tuta carera. Quela note, a casa dela morosa ghe ga tocà pareciar nantro leto.
Nanetto, cagon come lu sol, se ga spaurà co sta stòria. Alora, a Tuio, ghe ga saltà na voia da can de farghe una anca a lu. De note, i combina ndar a filò a casa de Gìgio Isèria. Tuio e Nanetto i va a pie. Nanetto invita i fioi de Ivo, ma luri, medo ridendo, i dise che ocor stravasar vin. Gìgio li riceve contento. Mìlio verdo, coto tel aqua, brodo e vin bon no ghe manca. E gnanca stòrie e schersi. Nanetto ga magnà ben e anca parà zo raquanti biceroti. Là par le ùndese, Tuio parla che ze ora de ndar e el ghe struca de òcio a Gìgio. I ringràssia la parona, i ghe dà bona note e i va.
Co i riva te un rieto, mato dele due bande dela strada, co la scusa de far na pissada, Tuio ghe dise a Nanetto che’l vae avanti. Meso storno, Nanetto se pensa gnanca de spetarlo. Cari da Dio! Co’l vede, salta fora del mato due robe bianche come la neve, che le se sgorla e le siga come i lupi ntel deserto.
- Madona mia! Aiuuutoo! Sàlveme. Tuio, curi che semo drio esser atacai par na nùgola de ànime despenade! Semo persi, semo morti!
E via a tuta carera, spaiando cascaio. Perso capel, pipa, scarponi... Rivà a casa, el va rento come un s-ciantiso e el va fermarse in càmera de Ivo che’l zera belche drio dormir. El se desmìssia e el se spaventa de veder quela figura là ferma, spalancada, cavei in pie, bianco come na candela, i òcii sbugaiai. Ivo ghe domanda cossa galo sucesso, ma gnente. Perso anca la ose. Le braghe, moie fin ai denoci, nò dei pie in su ma dela sintura in zo. Poro can, del spavento el se gavea pissà tuto.
Là i ghe fà un sià de melissa, i ghe dà na toaia par sugar i sudori e i ghe domanda nantra volta el perché de quel avelimento.
- Go, go, go... vis-to le ànime de l’altro mondo. Le volea portarme via. Go fin sentisto le ale tocarme co son passà arente par scampar! E Tuio, zelo rivà o saralo belche de l’altra banda del mondo?
- Nò, caro. El ze rivà san e salvo e el ze belche ndato dormir. Quanto a véder ànime, no sarale mia state quele del vin de Gigio Isèria? E adesso vai anca ti a la to càmera.
- Nò! Par carità, no dormo mia mi sol sta note.
In soma, Ivo ghe ga tocà postar un paion ntel so quarto e assar che Nanetto dormisse insieme a lu. Al giorno drio, gnanca na parola de la bruta note. Gnente de coionarlo. Ivo ghe ga dito su a Tuio e a so fioi, perché i gavea passà dela misura.
- Ma, pai, chi che podea saver che Nanetto l’era un cagon cossì?!
Là par le diese, un toseto ghe porta a casa la pipa, el capel e i scarponi de Nanetto, che’l gavea catà par strada. Co’l ze ndato fora, Nanetto ga vis-to due strassi bianchi, picai su ntel fil dele robe, co’n buso in meso. Alora el ga capio tuto ma no’l ga dito gnente par no passar ncora più vergogna.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
Par un furbo, sol un furbon
Prof. Silvino Santin
Santa Maria-RS
- Seto, compare, son pròpio avelio, ma mi go idea che posso giutarte. No sò se te sì d’acordo. Cognùssito el mul che l’era del me sòcero?
- Se no lo cognosso! L’è un bel mul. Ancora la stimana indrio lo go visto là tel potrero.
- Ben, se te vol, el pol èsser tuo, romai l’è mio. Doménega passada lo go comprà.
- Si, ma quanto vuto ti?
- Fursi no te credi gnanca. L’è barato, squasi dato. Vui sol 100 fiorini.
- Negòssio fato. Diman, dopo messa, te dao i soldi.
Col mul, el ga pensà, posso ndar pi distante e portarme drio tante de pi robe.
Luni matina, Giàcomo el va torse el mul. Quando riva là el nono Giano, sócero de Vitòrio, el ghe dise che’l mul l’èra morto fea mesa ora. Lu l’èra ndato darghe un par de panoce, quando el ga dato un salto e l’è cascà morto.
Giàcomo, el core a casa de Vitòrio, e el ghe conta el bruto afar e el vol i soldi indrio. Vitòrio el ghe dise, quando mi te go vendesto, el mul el gera ncora vivo. E dopo tuto, questa l’è la prima parte de la nostra sfida.
Ben, lora, speta, che rivo anca mi.
I due compari e amici no i ga barufà, ma Giàcomo el ga passà sensa dormir tuta la note par saver come ricoperar i so soldi.
La matina bonora, el ga risolvesto far na rifa del mul. El ga messo 100 nùmeri a cinque fiorini al nùmero. E par scomissiar, el se dise, el primo a comprar un nùmero sarà el compare Vitòrio.
El ga ciamà Tonin, so fiol più pìcolo, che’l gera fiosso de Vitòrio, e lo manda da so sàntolo a vènderghe la rifa e dirghe che to pare la ga fata par comprarse un caval. Giàcomo, sensa pensar tanto e con préssia no’l ga gnanca dimandà de cossa gèrela la rifa, el ga comprà quatro nùmeri.
Giàcomo, in poco tempo, el ga vendesto tuta la rifa. Le persone le gavea pecà al vèderlo caminando tuto storto.
Passà in torno de un mese, Vitòrio el trova Giàcomo, montà su un bel caval, e el ghe dimanda: Lora, compare, come zela stà la rifa? La gheto vendesta tuta?
- Si, si, in due tre giorni la go vendesta tuta.
- Si ma de cossa gérela la rifa?
- Del mul che ti te me ghè vendesto.
- Ma come! El mul l’era morto! Le persone no le ga mia reclamà?
- Nò. Par dir la verità, sol una. Quela che la ga guadagnà el mul. E mi, par èsser onesto, ghe go devolvesto i cinque fiorini.
Vitòrio no’l volea gnanca creder dela furbità de so compare. E el se dise: par un furbo, sol un furbon.
Par finirla polito, Giàcomo el dimanda: e adesso, compare, chi ga bio depì lucro col negòssio del mul?
Olimpíada visa integrar idosos
Em Carlos Barbosa, disputa de canastra, bocha, bisca e bolão
Carlos Barbosa realiza dia 29 de abril a 2ª Olimpíada de Integração para os Idosos. Durante todo o dia, cerca de 200 competidores com idade de 55 anos ou mais irão disputar as modalidades de bisca, canastra, bocha e bolão, no Clube Torinense, da comunidade de Torino.
O bolão, novidade desta edição, terá uma competição masculina e outra feminina, devido ao peso das bolas. As demais modalidades serão disputadas em duplas livres. A abertura oficial das atividades ocorre às 8 horas e, em seguida, iniciam os jogos. Será servido almoço no próprio clube, com galeto, massa, salsichão, salada e pão, ao preço de R$ 9,00. À tarde, após as competições, será realizado um baile.
Haverá transporte gratuito, saindo da praça central de Carlos Barbosa, a partir das 7h15. No ano passado, a olimpíada reuniu mais de 300 pessoas, entre platéia e competidores.
Bento Gonçalves incentiva a leitura
Bento Gonçalves quer se transformar numa cidade de leitores através de ações integradas entre poder público, escolas, organizações não-governamentais e instituições que se dedicam às questões da leitura. Este é o objetivo do programa "Bento das Letras", lançado na segunda-feira 24, durante a abertura da Semana do Livro. O programa atuará simultaneamente em várias frentes: bibliotecas, estímulo à leitura, democratização do livro, formação de autores, fortalecimento do mercado livreiro e dos canais de distribuição.
O próximo passo do projeto é viabilizar, por meio de parceria com a universidade local, uma pesquisa para identificar a situação da leitura no município. No final da primeira etapa do programa, após três anos, deve ser feito um segundo levantamento, para verificar o resultado efetivo das ações realizadas.
Reivindicações mobilizam os prefeitos em todo país
Saúde e educação são o centro da mobilização dos municípios
Os prefeitos estão em Brasília na Marcha em Defesa dos Municípios. O movimento, que encerra na quinta 27, reivindica isenção de IPI e ICMS para aquisição de equipamentos de uso das prefeituras e alterações nos programas Bolsa Família, de Saúde da Família e dos Agentes Comunitários.
Pedem ainda a aprovação da reforma tributária e a regulamentação dos gastos com a saúde. Outra proposta é de alteração no projeto do Fundeb, mecanismo que financia a educação dos 30,8 milhões de alunos do ensino fundamental dos Estados e municípios. "Os prefeitos querem mudanças para atender toda a educação básica, que envolve também os estudantes da educação infantil (4,9 milhões de alunos) e do ensino médio (8 milhões)", explica o presidente CNM, Paulo Ziulkoski.
No Estado - Enquanto is-so, no RS, prefeitos de várias regiões gaúchas, liderados pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP), Associação Gaúcha Municipalista (AGM) e associações dos prefeitos do PDT, PT e PSB (foto), reivindicam ao governo estadual o repasse de R$ 175 milhões para educação e saúde.
Pediram ao governador Germano Rigotto agilidade no cronograma de pagamento e cumprimento das obras da Consulta Popular. Rigotto prometeu que irá reunir-se com as entidades representativas após a Marcha em Brasília.
Festa da carne suína light em Arvoredo
O Núcleo de Criadores de Suínos de Arvoredo estará promovendo a Festa da Carne Suína Light. O evento realiza-se no dia 30 de abril, no centro comunitário. No cardápio estão contemplados pratos à base de carne de porco, saladas, pão, farofa e cuca.
À tarde haverá matebaile, animado pela banda Nova Era, de Seara. Os ingressos que serão vendidos antecipadamente, no valor de R$ 10,00 para adultos e R$ 5,00 o infantil. Reservas pelos telefones (49) 3356-0034 ou 3356-0026.
São João do Oeste - Já o Núcleo de Criadores de Suínos de São João do Oeste, no Extremo-Oeste do Estado, está organizando palestras aos suinocultores. O programação ocorre no dia 27 de maio e contará com palestra do presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos, Wolmir de Souza. Ele vai falar sobre a atual situação e perspectivas da suinocultura. Em seguida, Ainor Lotério fará um trabalho motivacional com produtores e familiares. Após as atividades, será servido almoço.