
DESCOBRINDO CAMINHOS
Desde 1909, onde o conteúdo faz a diferença.
Edição 4.986 - Ano 98 - Caxias do Sul-RS, 3 de maio de 2006.
|
|
Classe política apresenta maior índice de rejeição
Verba para combustível é a mais recente das muitas irregularidades praticadas por deputados
As sondagens de opinião, nos últimos anos, têm revelado que à classe política são reservados os maiores índices de rejeição. Isto parece não incomodar os representantes do povo. A cada dia surgem novos escândalos, por vezes fraudulentos e outras vezes legais, mas injustos. O caso mais recente é o avanço dos deputados no dinheiro público, sob o título de verba compensatória com combustível.
Possivelmente, o cidadão Márcio José Ramos, vigilante do Country Club de Porto Alegre, não saiba definir o termo ética. Mas ele sabe viver a ética. Encontrando um envelope com 6.000 dólares - cerca de R$ 12,7 mil - prontamente entregou à portaria do clube para que fosse entregue ao seu proprietário. Os senhores políticos - sobretudo deputados - fazem belos pronunciamentos sobre ética, bem comum e cidadania. Mas sua prática segue um caminho inverso.
Entre as prevaricações dos deputados, podem ser lembradas: ausência no plenário - que deveria ser o local de trabalho; votações secretas - para acobertar interesses escusos; trocas de partido - na maioria das vezes por excesso de fisiologismo e falta de ideologia; absolvição de colegas culpados de receberem gordas quantias de mensalões - por corporativismo exacerbado...
Como moleques de internato, agora foram flagrados com mais uma esperteza. Só em 2005, os parlamentares receberam R$ 41 milhões como reembolso por supostos gastos de combustível. Este valor equivale a 20 milhões de litros de combustível, o que daria para fazer 64 voltas ao mundo. Um deputado admitiu ter oito automóveis rodando pelo Estado em missão religiosa e política. Faz proselitismo religioso em troca de votos. É bom recordar que os deputados federais, além do salário mensal superior a R$ 12 mil, têm auxílio moradia, viagens aéreas gratuitas, verbas para gastos postais e telefônicos, verba de gabinete e uma verba indenizatória de R$ 15 mil...
São estas algumas das causas que determinam a crescente rejeição da classe política. Eles precisam aprender ética com o vigilante Mário José Ramos, que declarou: "Farei tudo para que minha história, diante de Deus, fique certinha".
Comércio destaca cinco empresários
Eles serão agraciados, no dia 8 de maio, com o Troféu O Mercador
Os Sindicatos do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios (Sindigêneros) e do Comércio Varejista (Sindilojas) entregam no próximo dia 8, em evento marcado para o restaurante do Sesc, o Troféu O Mercador para cinco pessoas de expressão nesse setor. Na 27ª edição do prêmio, os agraciados são Luiza Helena Trajano (Magazine Luiza), Sérgio Censi (Supermercado Censi), Flávio Roberto Sabbadini (Fecomércio/RS), Adelino Colombo (Lojas Colombo) e Gentila Scur Boff (Sapataria Caxiense).
Este ano, o Destaque Especial (veja ao lado) será entregue para duas pessoas porque, segundo o presidente do Sindigêneros, Jaime Andreazza, ocorreu empate na votação. Os agraciados com o Troféu O Mercador Destaques no Comércio foram escolhidos por um colégio eleitoral formado pelos cerca de 700 associados das duas entidades caxienses. "Tivemos um retorno de 90% das cédulas", comemora Andreazza. Os destaques especiais foram indicados pela diretoria do Sindilojas e o "reconhecimento público", pelas diretorias das duas entidades. Carlos Calcagnotto, presidente do Sindilojas, ressaltou que todas as escolhas são de pessoas, não de empresas.
O Mercador é uma comenda, composta por um diploma e uma escultura em bronze, confeccionada através do processo de cera perdida, e idealizada pelo artista plástico Bruno Segalla. Criado em 1978 pelo Sindicato do Comércio Varejista de Caxias do Sul (Sindilojas), inicialmente era outorgado para empresários tanto do setor lojista como do de gêneros alimentícios. Em 1988, foi criada uma entidade para atender o setor de gêneros alimentícios, surgindo o Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios (Sindigêneros). A partir de 1993, a comenda passou a ser promovida em parceria entre as duas entidades, sendo esta a sua 27ª edição.
Banco de sangue oferece novos serviços à comunidade
O Banco de Sangue de Caxias do Sul está oferecendo serviços diferenciados à comunidade. A chamada autotransfusão é uma das novidades da instituição. A técnica, também chamada de transfusão autóloga, é a reinfusão do sangue do próprio paciente, coletado anteriormente. Ela é utilizada principalmente em situações cirúrgicas agendadas com antecedência em que já se prevê uma perda de sangue significativa, havendo necessidade de transfusão, como em cirurgias ortopédicas. Nesses casos, o sangue do próprio paciente pode ser coletado antes da cirurgia, estocado e reinfundido durante ou após o procedimento.
A outra forma de utilização do sangue da própria pessoa é recuperação celular, que ocorre durante a cirurgia, utilizando um equipamento denominado cell saver. O equipamento aspira o sangue do campo cirúrgico, elimina as impurezas e devolve ao paciente, num processo contínuo.
A decisão sobre qual sistema usar é responsabilidade do médico em comum acordo com o paciente. Essas técnicas também podem ser uma alternativa quando motivos religiosos impedem a transfusão heterológica (receber sangue de outro doador) ou quando não se encontra sangue compatível com o do paciente. A autotransfusão e a recuperação celular não podem ser aplicadas quando o sangue apresentar infecção ou estiver contaminado
A instituição ainda disponibiliza concentrados de plaquetas. A transfusão de plaquetas é usada para prevenir hemorragias, sejam elas espontâneas, induzidas por pequenos traumas ou por procedimentos invasivos.
Estrutura
O Banco de Sangue é responsável por cerca de 2 mil transfusões mensais e atende usuários de planos de saúde. A instituição atua em toda a cadeia hematerápica, do doador até a transfusão ao paciente. Hoje, o banco conta com aproximadamente 50 colaboradores e funciona 24 horas, com postos em todos os hospitais da cidade.
Conflitos no campo matam uma pessoa a cada 3,6 dias
Impunidade está na origem dessa violência, avalia CPT. Lentidão na reforma agrária também
Pelo menos 38 pessoas foram assassinadas em 2005 em decorrência de conflitos no campo e 64 morreram por conseqüências desses conflitos, como abortos, inanição, excesso de trabalho e falta de políticas públicas. As 102 mortes representam 8,5 por mês, ou uma a cada 3,6 dias. Em 2004 houve 39 assassinatos e 31 mortes em conseqüência dos conflitos. Os números estão registrados no livro Conflitos no Campo - Brasil 2005, lançado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), organismo ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Nesta edição, a CTP lembra o assassinado da missionária Dorothy Stang, no Pará, a greve de fome de Dom Luiz Cappio, bispo de Barra na Bahia, contra a interligação de bacias do Rio São Francisco, e a morte do ambientalista Francisco Anselmo de Barros, que ateou fogo ao próprio corpo em defesa do Pantanal. Além disso, faz menção ao massacre de Eldorado dos Carajás, em abril de 1996, quando 19 sem-terra foram assassinados.
Dom Thomas Balduino, conselheiro da CPT, atribui a manutenção da violência no campo à impunidade. Contrariando uma forte expectativa que havia antes da posse, dom Thomas afirmou que os conflitos aumentaram no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. "A explicação é que o pessoal (pessoas ligadas a movimentos de luta pela terra) achou que agora era a vez da reforma agrária porque era o Lula", disse. "No entanto, encontrou o obstáculo do agronegócio, da violência do latifúndio, que reagiu com os seus próprios meios. O governo não quer enfrentar os que se dizem donos da terra, que são fortes", considerou. Para o conselheiro da CPT, o atual processo de reforma agrária está "insatisfatório e muito devagar".
Ao analisar as causas das 64 mortes decorrentes desses conflitos, dom Thomas relacionou-as a questões trabalhistas. Citou como exemplo a situação de agricultores que trabalham com cana-de-açúcar e "são obrigados a concorrer com as máquinas para poder continuar no serviço, se não a máquina toma o lugar deles". Na avaliação dele, essa concorrência tem levado à morte de pessoas que não se alimentam à altura do trabalho forçado que fazem. "É uma forma de trabalho escravo", destacou.
Redução - Nos três primeiros meses deste ano, a CPT registrou três assassinatos no campo. O número é bem inferior aos 13 do mesmo período do ano passado. "O quadro atual é bem melhor", considera o secretário nacional da Comissão, Antônio Canuto. O encolhimento de vítimas é mais significativo ainda na medida em que cresceu o contingente de pessoas envolvidas em ocupações de terra - no ano passado eram 10 mil pessoas e no primeiro trimestre de 2006, 16 mil. (Com informações da Agência Brasil)
Falta de políticas agrava a situação
Embora o número de pessoas assassinadas no campo tenha diminuído (39 contra 38), o de pessoas mortas em conseqüência dos conflitos deu um salto em 2005 na comparação com 2004 de assustadores 106% (31 contra 64). Esse aumento, na avaliação da CPT, se deve a uma "falta de políticas nas áreas agrária, ambiental e laboral". O documento divulgado destaca ainda: "A injusta concentração fundiária, a não demarcação das terras indígenas e a não realização da reforma agrária fazem crescer o número de vítimas inocentes, sobretudo crianças indígenas, que morreram por desnutrição ou por falta de atendimento básico adequado".
Em 2005, o número de conflitos registrado foi o maior entre os 21 anos da publicação da CPT. Ocorreram 1.881 conflitos no ano passado, enquanto em 2004 foram 1.801 - crescimento de 4,4%. Houve ainda um aumento significativo de famílias expulsas da terra em 2005: 42.5% a mais do que em 2004. No ano passado foram expulsas 4.366 famílias. Em 2004 foram 3.063.
Índices de produtividade alimentam polêmica
Um dos pontos mais lembrados em todo debate sobre a questão agrária são os índices de produtividade, utilizados para determinar se uma área está ou não apta a ser desapropriada. Os atuais índices foram fixados em 1980, com base em dados de 1975.
A defasagem desse critério pode ser dimensionada pelas safras agrícolas. A comparação é do presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart: "Em 1985, o país produzia em torno de 85 milhões de toneladas de grãos em 49 milhões de hectares; hoje, planta-se em torno de 53 milhões de hectares e colhe-se 125 milhões de toneladas", diz. Segundo ele, vende-se a idéia de que, se forem atualizados os índices, não vai ter mais garantia da propriedade. "A Constituição garante o direito à propriedade privada, desde que ela cumpra sua função social", acrescenta.
Uma comparação com as médias regionais de produtividade acentua essa defasagem. Pelos índices utilizados hoje, são consideradas produtivas, por exemplo, as propriedades da região Sul do país que produzem 1.900 quilos de milho por hectare. A pesquisa Produção Agrícola Municipal, realizada em 2004 pelo IBGE, mostra que os agricultores da região têm uma produção média de 3.954 kg/ha de grãos de milho. Outro exemplo: no país, o índice fixado para o milho é de 1.000 quilos por hectare. Para citar alguns casos, a partir de pesquisas do IBGE, a produção na Bahia é de 5.000 quilos por hectare; no Distrito Federal, de 5.089 kg/ha; em Minas Gerais, 4.344 kg/ha; e em Goiás, de 4.031 kg/ha.
Os índices da pecuária também estão distantes da realidade. No Centro-Oeste, por exemplo, para que a propriedade seja considerada produtiva é necessário ter, no mínimo, 0,4 cabeça de animal por hectare. Hoje em dia, as propriedades da região têm, em média, 1,8 cabeça de animal por hectare, segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário.
Antagonismo - "O problema central é que a legislação está impedindo que se avance no processo de desapropriação de áreas efetivamente improdutivas e que não são enquadradas pelas regras atuais", opina o presidente da Confederação dos Trabalhadores da Agricultura (Contag), Manoel José dos Santos. Já o deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO), líder da bancada ruralista na Câmara, não quer debater os índices de produtividade, mas a crise na agricultura. "Não podemos aceitar que o governo queira criar normas técnicas sem saber do quadro de endividamento e total ausência de renda que passa o setor".
Divergências acentuadas impedem a aplicação de projetos de revisão
Várias propostas sobre a atualização dos índices de produtividade das propriedades rurais tramitam no Congresso Nacional. Só no ano passado, pelo menos quatro projetos de lei foram apresentados, mas nenhum foi aprovado em caráter conclusivo.
Um dos projetos analisados na Comissão de Agricultura da Câmara é do deputado Lael Varella (PFL-MG), que fixa em 15 anos o período de reajuste dos parâmetros e índices de produtividade das propriedades. "Colocar sobre a cabeça de produtores, já ameaçados por hordas de invasores, mais a espada de índices que os oprimem e os obrigam a uma superprodução que não se exige da indústria, do comércio... é conspirar contra o país", justifica Varella. Adão Pretto (PT-RS) diz que seu projeto para revisar os índices a cada cinco anos foi rejeitado "porque a maior parte dos parlamentares da Comissão de Agricultura defende os latifundiários e as multinacionais".
O deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS) propõe a formação de uma comissão tripartite para a fixação desses índices, integrada por dois membros do governo federal, dois da CNA e dois da Contag. A senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO) está propondo que, após o reajuste dos índices, haja um prazo de dois anos, no caso de lavouras temporárias, e de cinco anos, no caso de lavouras permanentes e de exploração pecuária, para que as propriedades possam se adequar. Já o deputado Xico Graziano (PSDB-SP) quer substituir o atual índice de produtividade por um laudo de avaliação, que levaria em conta fatores como a qualidade do solo, o clima, a tecnologia utilizada e o mercado.
A Presidência da República analisa proposta do MDA de abril de 2005 em que os índices relativos à pecuária estariam baseados no Censo Agropecuário do IBGE de 1995-1996 e não mais nos dados de 1975. Os índices para os produtos vegetais teriam como base os dados da pesquisa Produção Agrícola Municipal, também do IBGE, dos últimos cinco anos.
Governo pode antecipar plano-safra
Cem mil agricultores do RS pressionam para que governo contemple a renegociação de dívidas
Um plano-safra que contemple a renegociação das dívidas agrícolas. Esta pode ser a aposta do governo federal para estancar a crise entre os produtores rurais. Descontentes com o pacote de socorro lançado dia 6 de abril, mas sem grandes efeitos na prática, 100 mil agricultores e 3.000 máquinas agrícolas, em 48 municípios gaúchos, pararam o Rio Grande do Sul na quinta 27. "É a maior mobilização da agricultura familiar da história do país", defende a coordenadora das políticas sociais da Fetag/RS, Elisete Hintz.
A mobilização, encabeçada pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura no RS (Fetag), deve-se à delicada situação que vive a agricultura familiar, motivada pela decorrência dos baixos preços dos produtos agrícolas, endividamentos, descapitalização, câmbio desfavorável, alto custo de produção e perdas seguidas por conta das estiagens.
A força da mobilização no Estado já pode ser medida. A pressão das lideranças levou Brasília a reavaliar e rediscutir o pacote anunciado há pouco mais de 20 dias. O Banco do Brasil, maior credor verde, admite que apenas a prorrogação, por si só, irá inviabilizar os financiamentos futuros e a própria capacidade de pagamento. O Ministério do Desenvolvimento Agrário sinalizou que irá discutir a renegociação dos custeios do plano-safra 2005/2006.
Indicativo - Para o presidente da Fetag, Ezídio Pinheiro, o governo percebeu que as mobilizações são um forte indicativo de que o pacote não atendeu as reivindicações dos agricultores familiares. "O governo sentiu que 100 mil pessoas, nos mais variados pontos do Estado, estão descontentes com a situação do setor primário e precisam de medidas que de fato atendam suas necessidades", destaca Pinheiro.
"Os pedidos dos gaúchos serão levados a Brasília para reforçar a pauta do Grito da Terra", adianta Elisete ao CR. O Grito da Terra Brasil, mobilização da Confederação Nacional na Agricultura (Contag), ocorre de 16 a 18 de maio, na Esplanada dos Ministérios em Brasília. A Contag reivindica R$ 18 bilhões para o próximo plano safra da produção familiar.
Cooperativismo do Rio Grande do Sul muda de comando
O professor e consultor de cooperativismo Vergílio Frederico Perius é o novo presidente da Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul (Ocergs) e do Sindicato/Sescoop. Ele sucede Vicente Bogo, à frente da entidade desde 1999. Perius obteve 59% dos votos. Ele concorreu com Antônio Wünsch, presidente da cooperativa Cotrimaio.
O governador Germano Rigotto esteve na sede da Ocergs, dia 28, e assegurou que Vergílio Perius terá todo o apoio do governo do Estado.
O Rio Grande do Sul concentra 12,21% das cooperativas brasileiras, ocupa o terceiro lugar no país em número de entidades da área. Existem no Estado 941 cooperativas registradas, que representam 10% do PIB gaúcho e correspondem a 1,25 milhão de associados. As cooperativas estão distribuídas em 13 ramos de atividades. "Queremos a união entre todos os integrantes dos 13 ramos do cooperativismo", destacou o presidente eleito.
História - A Ocergs existe desde 1971, sucedendo a Associação das Cooperativas Sul-Rio-Grandenses (Ascoper). Atua juntamente com o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop/RS), instalado no Estado em 1999 e que tem como missão o monitoramento das cooperativas, capacitação e promoção social dos seus dirigentes, associados, familiares e funcionários.
Vicente Bogo, nos seis anos que dirigiu a Ocergs, duplicou o número de cooperativas, triplicou o número de associados. No período, quase dobrou a participação das cooperativas no PIB/RS (10,5%). As finanças foram recuperadas e hoje a entidade tem equilíbrio financeiro e R$ 20 milhões disponíveis através do Sescoop.
O cooperativismo agropecuário, de eletrificação rural e de crédito foram os que mais cresceram nos últimos dez anos. "As cooperativas agropecuárias cresceram 101%", declarou Bogo ao CR. Já as de crédito integram o setor que mais se desenvolve. Outra área que vem apresentando crescimento é a de eletrificação, com vários investimentos em geração de energia, nos quais atuam 225 mil associados em todo o Estado.
O sistema Sescoop/RS administra um orçamento de R$ 20 milhões anuais para promover as cooperativas gaúchas.
Faesc ensina produtor a renegociar dívidas
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) ensina que o primeiro passo a ser adotado pelo produtor para pagar dívidas de crédito rural é protocolar na instituição financeira credora uma carta pedindo prorrogação dos prazos de vencimento das operações de crédito rural, dentro de um prazo compatível com sua capacidade de pagamento. "Na carta, o produtor deve também demonstrar se precisa ou não alongar o período de pagamento", diz o vice-presidente da Faesc, Enori Barbieri.
A recomendação da Faesc é que seja anexado à carta o Demonstrativo de Capacidade Individual de Pagamento. Os modelos de formulários das cartas de Pedido de Prorrogação e de Declaração de Capacidade de Pagamento estão disponíveis no site www.cna.org.br
Caso o banco se negue a protocolar a entrega da carta de pedido de prorrogação, o produtor poderá enviar o material por via judicial ou por notificação extrajudicial, por cartório. Se, além disso, o banco não aceitar o pedido de renegociação, a orientação da Faesc é encaminhar ao Departamento de Fiscalização Bancária do Banco Central do Brasil cópias de todas as correspondências remetidas à instituição financeira credora, pedindo ao BC soluções para o problema.
Em caso extremo, ou seja, havendo execução da dívida pela instituição financeira, o produtor deve buscar orientação jurídica especializada ou consultar o sindicato rural ou a federação da agricultura.
Geminivírus ameaça tomates gaúchos
Após infestar cultivos em SC, mosca-branca deve chegar trazendo a virose
O Rio Grande do Sul é o único Estado livre do geminivírus, a mais importante virose limitante da cultura do tomateiro, mas está ameaçado de perder este título. "Os horticultores gaúchos devem se preparar, pois é certa a chegada da doença aí no Estado", alerta o engenheiro agrônomo da Epagri de Santo Amaro da Imperatriz (SC), José Ernani Müller. Cerca de 200 doenças atingem o tomateiro causadas por fungos, bactérias, vírus, nematóides e fitoplasmas.
A afirmativa de Müller está baseada na constatação da infestação do geminivírus nos cultivos de tomate em dez municípios próximos à Região Metropolitana de Florianópolis. "O geminivírus foi transmitido pela mosca-branca", revela o agrônomo da Epagri. Este foi o primeiro foco da doença em SC. A região afetada é responsável pela produção anual de dois milhões de pés de tomate, numa área de 170 hectares, a maioria pertencente a pequenos produtores.
O professor Murilo Zerbini, da Universidade Federal de Viçosa (MG), um dos maiores especialistas em geminivírus do país, lembra que uma vez confirmada a presença do problema, o produtor rural não deve entrar em pânico, pois na maioria das vezes é possível manejar a doença e evitar grandes perdas. "Entretanto, não existe forma de controlar a virose depois que ela se instala na cultura", observa o professor Zerbini. "No tomateiro, ela completa o ciclo reprodutivo", ensina Müller.
Sintomas - Os sintomas principais do geminivírus no tomateiro são o encrespamento das folhas (ficam em forma de colher), o fruto fica sem cor e não há formação da polpa. Além disso, compromete o sabor, a qualidade e consumo. "As perdas podem chegar a 100%", afirma ao CR o pesquisador da Epagri.
Prevenção - O pesquisador da Epagri avisa que o controle deve sempre ser preventivo, de forma a evitar a entrada do vírus. Por isso as medidas de controle de geminivírus têm como objetivo reduzir a incidência no próximo plantio.
As medidas de prevenção, segundo os dois especialistas, incluem, entre outras (ver tabela), o controle racional da mosca-branca com inseticidas e a adoção de um período livre de tomateiro na região com duração de 30 a 40 dias. "Essa última medida é a mais eficiente e funcionou em todos os locais onde foi adotada (no Brasil e no exterior), mas exige organização e colaboração de todos os produtores", afirma Zerbini.
Outras informações: Murilo Zerbini (31) 3899-2935/ 3899-2240 - e José Ernani Müller, (48) 3245 1391.
Verbas para qualificar vitivinicultura
O setor vitivinícola deverá receber R$ 7,2 milhões para investimento. Os recursos serão aplicados na promoção de iniciativas voltadas ao desenvolvimento do segmento na Serra gaúcha. As ações, metas e aplicação dos recursos estão a cargo do programa Juntos para Competir e parceiros.
O valor será aplicado em iniciativas de qualificação para empresários e seus empreendimentos, sendo que 40% do total deverão ser destinados a ações de capacitação, 21% para atividades de acesso a novos mercados e 17% em inovações e tecnologia. Estas áreas são prioritárias para o crescimento dos 350 empreendimentos, reunidos em APLs (aglomerações de empresas localizadas em uma mesma região), em 15 municípios serranos.
O programa Juntos para Competir é uma parceria entre o Sebrae/RS, Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) e Embrapa Uva e Vinho.
Engº. Agrº. José Zugno
Aproveitamento do caqui na safra
Gostaria de obter informações sobre os tipos de caquis cultivados no Rio Grande do Sul e como aproveitá-los, além do consumo natural agora durante a safra e também para os meses futuros que não têm mais frutos.
ELZA MARIA MARCHIORI
São Domingos do Sul - RS
Geléia de caqui
Tenho comigo uma receita de "geléia de caqui" que me foi dada por uma amiga, extensionista da Emater, em 1981, e que é a seguinte, para ser tentada, e quem sabe melhorada por quem tem a habilidade de fazer. Ingredientes: para cada 10 a 12 caquis, vermelhos e maduros (cerca de 2 quilos), um quilo de açúcar, meio limão, um copo de água.
Modo de fazer: tirar o cálice, o centro e a pele das frutas. Passar numa peneira (ou despolpadeira). Levar o açúcar ao fogo com a água. Deixar dissolver lentamente mexendo com uma colher de pau. Juntar o suco do limão. Despejar a massa dos caquis e deixar cozinhar em fogo brando, mexendo freqüentemente para não grudar no fundo da vasilha. Tirar do fogo somente quando a geléia estiver densa. Após fria, guardar em recipiente de vidro bem tampado.
Compota de caqui
Conservação da fruta ao natural ou em calda.
A revista Gula nº 140, de junho de 2004, dá uma receita: 3 caquis médios, 200 gramas de açúcar cristal e 160 ml de água.
Modo de fazer: tire a casca e as sementes dos caquis. Corte-os em gomos e reserve. Em uma panela, misture o açúcar com a água e deixe ferver até obter uma calda em ponto de fio médio (que desliza nas costas da colher). Junte os caquis e cozinhe em fogo brando, por cerca de 10 minutos, até a fruta ficar transparente, sem desmanchar. Como em qualquer compota, coloque em vasos de vidro de boca larga, esterilizados, feche bem. Ferver em banho-maria para pasteurizar.
Bavarois
A mesma revista faz grande elogio à criatividade da dona Denise P. Botelho, que conseguiu criar nova versão da bavarois, utilizando o caqui. O bavarois é uma sobremesa clássica européia à base de morango que entre os ingleses recebe o nome de "creme bávaro" - feita de morango, creme de leite, gelatina e, em alguns casos, creme inglês. Dona Denise é mineira, desde a infância dedica-se ao preparo de doces de frutas. Criou grande prestígio, tornando-se exímia doceira. Indo residir em Araras, SP, diante da grande produção de caquis resolveu criar uma sobremesa com essa fruta, baseada no bavarois (bavaroá em francês).
A receita é a seguinte: 6 caquis médios, 1 xícara (chá) de açúcar, suco de 2 laranjas, 2 cravos-da-índia, 1 lata de creme de leite, 2 colheres (sopa) de suco de limão e 1 envelope de gelatina em pó sem sabor, dissolvida em ½ xícara (chá) de água.
Modo de fazer: lave os caquis e retire a pele e as sementes. Coloque-os em uma panela e leve ao fogo com o açúcar, o suco de laranja e os cravos. Ferva por 5 minutos. Espere esfriar e retire os cravos. Ponha a mistura no liquidificador e bata com o creme de leite, o suco e as raspas de limão até obter uma mistura homogênea. Misture a gelatina dissolvida. Distribua em taças individuais e leve à geladeira, por cerca de 4 horas, até tomar consistência.
Observação: se preferir, sirva a compota fria sobre a bavarois de caqui e decore com as raspas de limão.
Vinagre de caqui
Sobre esse assunto respondemos com detalhes ao sr. Adelar Rizzotto, de Farroupilha, em Vida Agrícola de 12/07/95 e repetimos em 7/05/97 e 19/05/99. Em resumo é o seguinte: Os caquis maduros - podem ser firmes ou moles, mas não deteriorados - são moídos e colocados numa vasilha aberta para obter a "fermentação alcoólica". O mosto recebe 1 quilo de açúcar cristal a cada 10 kg de massa para dar melhor teor de álcool e o fermento (o mesmo de pão), na base de 150 a 200 gramas por cento de mosto. À temperatura de 25º C (mais ou menos) a fermentação, dentro de uma semana, terá transformado a maior parte do "açúcar" do mosto em "álcool". É o "vinho de caqui", que será transvasado por decantação para a "vinagreira", onde deve ocorrer a "fermentação acética", para transformar o "vinho" em vinagre.
Vírus são principais responsáveis pelas infecções das vias aéreas
Se não tratadas corretamente, viram problemas crônicos
Gripe, resfriado, amigdalite, faringite, sinusite. O que essas doenças têm em comum? São infecções respiratórias que freqüentemente acometem pessoas de todas as idades e, se não tratadas de forma adequada, podem causar complicações ou se prolongar, tornando-se problemas crônicos. As infecções das vias aéreas manifestam sintomas muito parecidos, como coriza, tosse, febre e dor, confundindo o paciente e dificultando o diagnóstico. O problema é que as pessoas costumam se automedicar sem saber exatamente o que as atinge.
Segundo estudo apresentado durante o IV Congresso Triológico de Otorrinolaringologia, cerca de 90% dos casos de infecções respiratórias são causados por vírus, em geral menos agressivos que as bactérias. Causas distintas exigem tratamentos específicos. Os antibióticos são indicados somente nos casos de infecções causadas por bactérias, uma vez que nos casos virais seu uso não reduz os sintomas nem a duração da doença. Nesse caso, a automedicação pode piorar o problema.
De acordo com uma pesquisa publicada na revista JAMA (Journal of the American Medical Association), cerca de 60% dos pacientes que apresentam alguma infecção respiratória fazem uso desnecessário de antibióticos. "O uso indevido e incorreto desses remédios, visto que a maioria das pessoas interrompe a medicação quando se sente melhor, pode provocar resistência dos microorganismos causadores da doença, dificultando o tratamento de uma real infecção bacteriana", alerta Clystenes Odyr Silva, professor de Pneumologia da Universidade Federal de São Paulo.
Outro hábito condenado pelos médicos é o uso simultâneo de vários medicamentos, principalmente quando há dúvida sobre a causa da infecção respiratória ou nos tipos virais mais sérios, que não melhoram mesmo com o uso de remédios que deveriam aliviar os sintomas. De acordo com os especialistas, este é um dos fatores que, na maioria dos casos, agrava as doenças do aparelho respiratório.
Por esses motivos, em caso de suspeita de infecção respiratória, recomenda-se que o paciente procure o médico. Saber diferenciar a causa da infecção, ou seja, se ela é viral ou bacteriana, é fundamental para garantir o tratamento adequado para cada caso, a fim de evitar o uso incorreto e desnecessário de antibióticos, que pode causar resistência bacteriana e aparecimento de efeitos colaterais.
Frio aumenta incidência das doenças
Embora as infecções respiratórias possam acontecer durante o ano inteiro, no outono e inverno a incidência aumenta por causa dos ambientes fechados, que propiciam o contato mais próximo entre as pessoas.
A temperatura fria também favorece a multiplicação mais rápida dos vírus que provocam as doenças do aparelho respiratório. Além disso, o ar frio e seco resseca as mucosas, diminuindo a eficiência dos mecanismos de defesa do organismo e facilitando o desenvolvimento dos vírus. Mudanças climáticas bruscas também colaboram para a ocorrência dessas infecções, pois o organismo direciona suas energias para manter a temperatura corporal.
Lançado cardápio light
Com o objetivo de incentivar as pessoas a adquirirem hábitos alimentares saudáveis, o Centro de Recuperação e Estudos da Obesidade (Creeo) e o Restaurante Recreio da Juventude, de Caxias do Sul, firmam parceria para oferecer a opção light no cardápio. As refeições são elaboradas dentro dos princípios do programa de reeducação alimentar do Creeo e estão disponíveis diariamente no horário de almoço no restaurante.
O Creeo oferece programas de tratamento para obesidade e sobrepeso baseados em conhecimentos das áreas da medicina, psicologia, educação física e nutrição, além de grupos de apoio. Segundo a diretora da instituição, Rejane Pacheco, o foco está na mudança de comportamento, pois mais importante que fazer dietas é melhorar a auto-estima. O cardápio é uma opção para quem quer emagrecer ou manter o peso com saúde. A seguir, algumas receitas do cardápio light.
Consomê de Moranga
Ingredientes: 200 gramas de moranga madura, 1 litro de água, 3 folhas de repolho, 1 colher (sopa) de farinha de trigo, sal e outros temperos a gosto.
Modo de fazer: Cozinhar a moranga na água junto com o repolho. Liquidificar e levar novamente ao fogo com uma colher de sopa de farinha de trigo para engrossar. Temperar a gosto. Rende 10 porções com 20 calorias cada.
Peru à Califórnia
Ingredientes: 700 gramas de peito de peru fatiado, 2 colheres (chá) de óleo de soja, 1 dente de alho esmagado, ½ colher (sopa) de cebola ralada, sal e temperos a gosto, 100 gramas de pêssego em calda light, 100 gramas de figo em calda light, 100 gramas de abacaxi em calda light.
Modo de fazer: temperar os bifes com sal e temperos a gosto. Aquecer o óleo em uma frigideira grande. Acrescentar o alho e deixar dourar. Em seguida refogar a cebola. Colocar os bifes na frigideira, dourando-os de ambos os lados. Picar as frutas e colocar em cima dos bifes já prontos. Rende 7 porções com 195 calorias cada uma.
Suflê de Aspargos
Ingredientes: 3 aspargos em conserva, 1 clara, ½ colher (sopa) de farinha de trigo, 1 colher (chá) de óleo de soja, 4 colheres (sopa) de leite desnatado e sal a gosto.
Modo de fazer: picar os aspargos em pedaços. Misturar com farinha de trigo, leite e clara batida em neve. Temperar com sal. Colocar em forma untada e assar por 20 minutos: 5 minutos em forno quente e após em forno moderado. Servir quente. Rende 1 porção com 82 calorias.
Molho para Salada
Ingredientes: ½ pote de iogurte desnatado, 1 colher (chá) de mostarda, 1 colher (chá) de vinagre, 2 colheres (sobremesa) de maionese light e sal a gosto.
Modo de fazer: misturar todos os ingredientes. Rende 8 colheres (sopa) com 14 calorias cada uma.
Torta de Abacaxi
Ingredientes para a massa: 2 claras em neve, 1 envelope de adoçante, 2 gemas, 3 colheres (sopa) de farinha de trigo, 1 colher (chá) de fermento em pó, 1 colher (chá) de baunilha. Cobertura: 500 gramas de abacaxi picado, meio copo de água, 1 pacote de gelatina diet de abacaxi, ½ copo de leite desnatado, 8 envelopes de adoçante, 2 colheres (sopa) de creme de leite.
Modo de fazer: misturar as claras em neve, adoçante, gemas e farinha de trigo cuidadosamente. Por último, acrescentar o fermento e a baunilha. Colocar em forma de vidro retangular ou quadrada e levar ao forno pré-aquecido até assar bem. Cozinhar o abacaxi na água. Misturar a gelatina até dissolver. Retirar do fogo e misturar o leite, o adoçante e o creme de leite. Despejar sobre a massa ainda quente. Deixar esfriar e colocar para gelar. Rende 15 porções com 55 calorias.
Judas continua Judas
Autor do livro Jesus Cristo Libertador.
Ninguém sabe direito como foi o fim trágico de Judas. Há muitas teorias sobre os motivos que o levaram a trair o amigo. O Evangelho de Judas já foi denunciado como ficção. Mas por melhores que tenham sido as razões de Judas, ele foi o traidor e continua Judas.
Judas Iscariotes era um apóstolo de Jesus, portanto, alguém de sua intimidade. Mas segundo São João "era ladrão; tirava dinheiro da bolsa comum" (12,5). Denunciou às autoridades, ao preço de trinta moedas de prata, onde Jesus estava escondido e com um beijo em sua face o identificou para os soldados e assim o traiu. Depois, arrependido, quis devolver o dinheiro, o que não foi aceito. Desesperado, enforcou-se, segundo São Mateus (27,3-5). Segundo a fala de São Pedro nos Atos dos Apóstolos, sofreu um acidente, "arrebentou-se ao meio derramando todas as vísseras" (1,18). Por volta do ano 100, segundo Papias, discípulo do evangelista João, Judas "teria inchado de forma monstruosa, apodrescendo vivo". Como se depreende, ninguém sabe direito seu fim trágico. Mas todos o consideram "o traidor".
Para a Igreja antiga sempre foi um enigma: por que Judas traiu o amigo? Muitas são as teorias. A mim me convence uma bastante aceita na exegese ecumênica, pois guarda certa coerência interna. Ela reza assim: predominava no tempo de Jesus uma visão do mundo chamada apocalíptica. Segundo ela, o fim do mundo estaria iminente. O Reino irromperia, pondo fim a esta desgraçada existência. Mas antes haveria o grande embate com o Anti-reino e seus asseclas. O Messias seria submetido "à grande tentação". Quase morreria. Mas na hora suprema Deus interviria, salvaria o Messias e inauguraria o Reino. Junto com outros estudiosos, comungo da idéia exposta nos meus livros Paixão de Cristo-paixão do mundo e Pai Nosso que Jesus se inscrevia dentro desta visão. Ele fala do fim iminente e do Reino que já está dentro de nós. Usa expressões técnicas quando se refere à "tentação", à "hora" e ao "beber o cálice", coisa que lhe produz angústia mortal a ponto de suar sangue e rezar: "Pai afasta de mim este cálice".
Os apóstolos participavam desta leitura do mundo. Judas, nesta lógica, no afã de acelerar a vinda do Reino, entregou Jesus para pô-lo em grande aperto e assim obrigar a Deus a intervir. Nesta compreensão, Jesus mesmo no alto da cruz, na cercania da morte, se dá conta de que Deus não intervém como esperava. Grita estas terríveis palavras: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?" (Marcos 15,34) Mas sua última palavra foi: "Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito" (Lucas 23,46). A traição de Judas seria, portanto, um ato teologicamente fundado, para acelerar a vinda do Reino.
Bem outra coisa diz o Evangelho de Judas, manuscrito de 13 páginas em papiro, originalmente escrito em grego antigo e depois traduzido para o copta por volta do final do século III e inícios do IV. Portanto, cerca de 150 a 170 anos após a morte de Judas. Descoberto nos anos 70 no Egito, só recentemente foi decifrado e publicado. O texto principal traz a fala de Jesus a Judas: "Tu ultrapassarás a todos os outros (apóstolos); tu sacrificarás o homem que me serve de roupagem; eu te ensinarei os mistérios do Reino; mas por isso tu sofrerás muito". O contexto é do gnosticismo, corrente filosófico-existencial que negava valor ao corpo e à carne. Jesus aqui deveria se liberar desse envelope carnal para revelar sua divindade. Essa seria a missão de Judas. Tal doutrina está longe do espírito dos evangelhos que afirmam a carne que Deus fez sua. Santo Ireneu, bispo de Lyon, no ano 180, conhecia esse evangelho de Judas e o denunciou como ficção. Mas o manuscrito depois sumiu. Por melhores que tenham sido as razões de Judas, ele foi o traidor e continua Judas.
Frei Betto
As atitudes de Jesus nos questionam e incomodam. Sua opção pelos pobres, a crítica à ganância dos ricos, a exigência de amar os inimigos são no mínimo desconfortáveis para uma sociedade centrada no sonho da opulência e canonizadora da apropriação privada da riqueza
Todos sabemos que a choldra, como diria Elio Gaspari, preferiu libertar Barrabás e condenar Jesus, como narra o Evangelho. Os romanos ocupavam a Palestina no século I; suas leis previam que, por ocasião da festa judaica da Páscoa, um prisioneiro seria indultado. O curioso é que horas antes, à entrada de Jerusalém, a multidão havia aclamado Jesus: "Bendito o filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor" (Lucas 19,38).
Jesus Barrabás (sim, assim se chamava) era discípulo de Judas, o Galileu, líder do partido dos sicários que, acusado de promover uma rebelião contra os impostos cobrados por Roma, morreu crucificado quando Jesus se encontrava na adolescência. Sobre Barrabás pesava a acusação de ter matado um soldado romano no outono anterior, o que lhe angariava simpatias aos olhos dos judeus contrários à ocupação romana.
Teria a multidão sido tão volúvel? Por que entregar agora à condenação aquele que saudara ao vê-lo entrar no Templo pela Ponte de Xisto, montado num jumento? Tudo faz supor que a turba que acolheu Jesus como sucessor do rei Davi, hasteando palmas, não era a mesma que se encontrava na Fortaleza Antônia, onde ele foi julgado por Pilatos. Faz sentido. Em via pública, junta-se qualquer um. Nas dependências de um edifício que servia de palácio ao governador romano só ingressavam os credenciados, os "amigos da casa". E com certeza não eram pessoas dispostas a contrariar as autoridades.
Jesus nos intriga. Ele é o anti-herói. Jamais escreveu um livro, atuou em apenas três anos, entrou na história pela porta dos fundos, desafiou as autoridades de seu tempo. Se os homens sonham em ser reis e os reis gostariam de ser deuses, em Jesus Deus se fez homem. Ninguém marca tão profundamente a cultura ocidental quanto o Nazareno. "Ainda que me provassem que Jesus não estava com a verdade, eu ficaria com Jesus", declarou Dostoievski.
A existência do filho de Maria e José dá asas à imaginação. Não só agora com "O Código da Vinci", de Dan Brown, um Harry Potter para adultos. Já nos primeiros séculos de nossa era uma centena de evangelhos foi publicada, atribuídos a Pedro, Tomé, Filipe, Matias, Barnabé, Maria Madalena etc. Agora vem a público um de suposta autoria de Judas, cujo autor procura salvar a sua má fama, tentando justificar que o apóstolo-tesoureiro teria agido de comum acordo com Jesus. O bispo Gelásio, falecido em 496, publicou um texto conhecido por Decreto Gelasiano, no qual condena ao menos 60 textos considerados apócrifos. Na lista não aparece o Evangelho de Judas, sinal de que não devia ser muito popular.
Não duvido que surja amanhã o Evangelho de Jesus Barrabás. O agitador teria deixado um relato no qual afirma que sua prisão fora uma farsa montada para apressar a condenação de Jesus. Ou que seu indulto foi comprado a peso de ouro por seus companheiros sicários, pago a um Caifás corrupto, o mesmo que repassou as trinta moedas a Judas, e que teria insuflado a turba contra Jesus.
Acho curioso constatar que muitos indagam "quem foi Jesus?" e "quem matou Jesus?", quando as perguntas pertinentes são "o que fez Jesus?" e "por que condenaram Jesus?" Dessas interrogações muitos fogem como o diabo da cruz. Sabem que as atitudes de Jesus nos interpelam, questionam e incomodam.
Sua opção pelos pobres, a crítica à ganância dos ricos, a exigência de amar os inimigos, são no mínimo desconfortáveis para uma sociedade centrada no sonho da opulência, canonizadora da apropriação privada da riqueza e prenhe de ódio frente aos adversários.
Jesus foi assassinado como prisioneiro político, não por ter sido traído ou porque Deus, Pai sanguinário (na versão de Mel Gibson), quis se comprazer ao ver o Filho contorcer-se na cruz. A pena de morte adotada pelos romanos, a crucificação, o atingiu porque sua militância ameaçou a estabilidade do regime político e econômico vigente na Palestina. "Não compreendeis que é melhor que só um homem morra pelo povo a perecer toda a nação?", indagou o Sumo Sacerdote (João 11, 50).
Somos cúmplices de Barrabás quando acorrentamos o Jesus que nos habita, os valores evangélicos paradigmáticos de uma ética fundada no respeito à sacralidade do próximo e da natureza, e preferimos a competitividade à solidariedade, a vingança à compaixão, o ódio ao amor. Eis uma maneira muito em voga de escrever o Evangelho segundo Barrabás.
Mais de 1.250 acidentes de trabalho por dia
Dado é de 2004 e se refere apenas a trabalho formal. No ano, total de vítimas fatais foi 2,8 mil
Na sexta 28, Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho, o Brasil voltou a se deparar com um antigo e desafiador problema. Na data criada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em 2003 (o dia lembra uma explosão ocorrida em 1969 nos EUA que matou 78 mineiros), o país ficou sabendo que em 2004 foram registrados 459 mil acidentes de trabalho – 15% a mais que no ano anterior. No mesmo ano, mais de 2,8 mil pessoas morreram em decorrência desses acidentes. Como os dados divulgados abrangem apenas trabalhadores formais e incluem acidentes no local do trabalho, no trajeto e doenças causadas no ambiente de trabalho, certamente o total de vítimas é muito superior.
De acordo com as estatísticas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), para cada mil trabalhadores formais, 17,21 se acidentaram em 2004 e, em cada grupo de 100 mil, 11,53 morreram. "É uma taxa altíssima. Em alguns países da Europa temos um índice menor que 10 acidentados para cada mil trabalhadores", explicou à ABr o diretor de Saúde e Segurança do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, Rinaldo Marinho ao anunciar o levantamento.
O tipo de acidente de trabalho que mais preocupa o ministério é o que ocorre com máquinas industriais. Quanto às doenças, Marinho destaca a silicose, doença pulmonar gerada pela inalação de poeira contendo sílica. Há ainda um crescimento preocupante das doenças ósteo-musculares relacionadas ao trabalho, também conhecidas como LER (lesão por esforço repetitivo). As doenças mentais também têm aumentado por sobrecarga de trabalho, como o stress, depressões e síndromes pós-traumáticas.
O elevado número de acidentes está relacionado a várias causas. Uma delas é a deficiência de fiscalização. Para fiscalizar os locais de trabalho, o Ministério conta com três mil auditores, que cuidam da segurança, da legislação trabalhista e do combate ao trabalho escravo e infantil. Eles cuidam, por ano, de 166 mil ações de fiscalização. O próprio diretor de Saúde e Segurança reconhece que é muito pouco, defasagem que não será recuperada nem com o esperado preenchimento de 300 vagas até o final do ano que vem.
Marinho aconselha que o trabalhador recuse enfrentar situações de risco no trabalho. "Se o trabalhador está numa situação em que claramente a integridade física ou sua saúde pode ser prejudicada, ele tem o direito de se recusar a desenvolver esse trabalho", disse. Caso haja receio de perder o emprego ou algum tipo de ameaça por parte do empregador, ele deve procurar o sindicato "ou, em último caso, pode procurar a unidade do Ministério do Trabalho, a delegacia regional, ou a subdelegacia e fazer uma denúncia, para que seja feita uma fiscalização na empresa", explicou, adotando uma postura cômoda na medida em que transfere ao trabalhador, normalmente apreensivo com os índices de desemprego, uma responsabilidade que é do órgão fiscalizador.
RS - No Rio Grande do Sul foram registrados 5.260 acidentes de trabalho em 2005. O levantamento é do Observatório de Acidentes e Violência, implantado em 23 hospitais gaúchos.
Indústria de transformação lidera
Dos 459 mil acidentes de trabalho registrados pela Previdência Social no país em 2004, 169 mil (36,8%) ocorreram na indústria de transformação. Logo em seguida, aparecem os setores de serviços (123 mil); comércio (54 mil), agropecuária e pesca (37 mil); e transporte e comunicações (33 mil casos). A indústria de transformação é a que transforma matéria-prima em algum tipo de produto comercial já a ponto de ser consumido ou usado.
Nos setores de construção, ainda, foram registrados 28 mil acidentes e no de extração mineral, três mil. O maior crescimento relativo em relação a 2003, de 43,8% no total de acidentes, foi verificado nesse último setor.
Em relação às doenças ocupacionais, segundo dados do Ministério do Trabalho, elas foram registradas em maior parte na indústria de transformação (10 mil). O segundo lugar em número de casos desse tipo de doença aparece no setor de serviços, com nove mil casos. O maior crescimento relativo, de 20,2% sobre 2003, ocorreu no comércio, onde foram registrados três mil casos de doenças ocupacionais.
Praticamente três em cada quatro acidentes (77,5%) envolveram indivíduos do sexo masculino. A faixa etária predominante é de 20 a 39 anos. Já com relação às doenças ocupacionais, mais de a metade dos casos atingiram a população feminina, principalmente entre os 40 e 44 anos. Do total de acidentes registrados em 2004, um terço envolveu punho e a mão. Mais de 56% (259 mil) foram registrados na região Sudeste do país.
OIT quer reduzir 20% de vítimas em 10 anos
Um dos principais pontos do conceito de "trabalho decente", incentivado pela OIT, é a saúde do trabalhador. Nesta semana, o diretor-geral da OIT, Juan Somavia, apresentará uma agenda de metas para os países americanos gerarem trabalho de qualidade. O texto será divulgado e discutido na 16ª Reunião Regional da OIT, em Brasília, que reúne representantes de 35 países. Uma das metas do documento prevê a redução de 20% do número de acidentes e doenças do trabalho. Para isso, será necessário crescimento econômico anual de pelo menos 5,5% do PIB, formação profissional, saúde e segurança nos ambientes de trabalho e de diálogo entre governos, empregados e empregadores.
A proposta da OIT pede ainda que cada país do continente elabore um plano estratégico de segurança e saúde do trabalho, baseado nos setores mais frágeis e nas classes de trabalhadores mais vulneráveis como jovens, agricultores, migrantes, autônomos e pessoas que estão na economia informal. Além disso, cada país deve elaborar um sistema de informação e notificação de acidentes do trabalho. Isso ajuda a reorientar as políticas públicas.
EFICIÊNCIA NA GESTÃO
Trinta e nove municípios gaúchos, a maioria pequenos, estão entre os 100 com os melhores resultados em responsabilidade fiscal, de gestão e social do país
Manter as contas em dia e oferecer saúde, educação e infra-estrutura básica à população fazem de São José do Hortêncio, no Vale do Rio Caí, o município brasileiro com os melhores índices de responsabilidade fiscal, de gestão e social. Das 100 cidades melhores colocadas em todo o país, 39 são gaúchas (ver tabelas).
Os dados integram parte de um estudo elaborado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), com base em informações de 2004. A pesquisa exibe pela primeira vez um índice que sintetiza desempenhos em áreas que vão da disciplina fiscal à evasão escolar. O estudo da CNM leva em conta a capacidade de equilibrar os extremos e gerir os recursos públicos de forma bastante eficaz.
Dos 5.562 municípios brasileiros, foram analisados 4.285, cerca de 77%, que apresentaram seus balanços anuais à Secretaria do Tesouro Nacional. A metodologia avaliou os municípios numa escala que varia de zero a um, em que o valor mínimo indica a pior situação possível e o valor 1, a melhor.
No quesito fiscal, entre os dez melhores posicionados estão São José do Hortêncio, Erebango e Chapada, todos do Rio Grande do Sul. Já Triunfo, na região Carbonífera do Estado, é o pior município na comporação que leva em conta 77% das cidades gaúchas. O melhor índice fiscal verificado foi de 0,801. Na distribuição estadual, os 50 melhores índices fiscais estão no RS, seguido por SP (17) e MG (8).
No item gestão, que mediu a forma como os municípios gastam seus recursos, os dez melhores posicionados são Passa Sete e Campo (RS); Guaraciaba (SC); Santa Cruz de Monte Castelo (PR); Buriti Bravo (MA); São Sebastião (AL); Toledo (MG) e Tocos do Moji (MG); Barra dos Garças (MT); Maraã (AM). O melhor índice de gestão verificado foi de 0,824. Na distribuição estadual, os 16 melhores índices estão no RS, seguido por MG (13) e SC (13).
No quesito social, os dez melhores desempenhos são Monteiro Lobato, São José do Barreiro, Bento de Abreu, Barra do Turvo e Itirapuã (SP); Inhumas (GO); Jati (CE); Itagimirim (BA); Bernardino Batista (PB); Olho d’Água do Piauí (PI). O melhor índice social verificado foi de 0,839. Na distribuição estadual, os 54 melhores índices ficam em SP, seguido por GO (6) e CE (5).
Cidades novas e pequenas lideram o ranking nacional
Os 100 municípios melhor colocados têm um perfil comum. São cidades pequenas, novas, disciplinadas e com a máquina pública enxuta e eficaz. Para o professor Luís Roque Klering, um dos responsáveis pelo estudo da CNM, os municípios pequenos são mais eficientes e têm baixo custeio da máquina pública. "Já as grandes cidades têm maior capacidade de investimento", ressalta.
As cidades pequenas apresentam outras vantagens. Possuem Câmara de Vereadores de baixo custo, dívida e passivo previdenciário reduzidos, com elevada participação do ICMS na receita.
Ao analisar os resultados do primeiro Índice de Responsabilidade Fiscal, de Gestão e Social, o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, observou que existe relação inversa entre as responsabilidades fiscal e social. "Existe tendência de focar a atenção para a responsabilidade fiscal e esquecimento da social", diz. É o caso do RS, onde não há nenhum município entre os 100 melhores quando a comparação leva em conta apenas a responsabilidade social.
Paulo Ziulkoski disse que não adianta o município ter uma boa situação fiscal e não estar bem socialmente, ou vice-versa. "Às vezes, alguns estão bem socialmente, mas estão numa situação fiscal ruim. Tem que haver equilíbrio em todos esses pontos", adverte. De acordo com Ziulkoski, o importante é que a prefeitura não deve fazer sobrar dinheiro. "A prefeitura tem que ter recursos para satisfazer o cidadão, já que ela não busca o lucro, mas o atendimento das necessidades sociais", diz.
Cultura alemã marca São José do Hortêncio
Taxa de analfabetismo quase zerado, PIB per capita de R$ 14.420 e expectativa de vida de 76,83 anos ano nascer. Esses dados ajudam a compor o perfil de São José do Hortêncio, município que faz parte da "velha colônia" alemã, e surgiu a partir da interiorização do processo de colonização alemã, iniciada na Feitoria do Linho Cânhamo, em São Leopoldo, nos idos de 1824.
Originalmente era conhecida como "Linha Portuguesa"; mais tarde, a ocupação do Vale do Caí avançou melhor pelo outro lado do morro, junto ao rio Caí, usando como base de apoio o porto de São Sebastião do Caí, que por muito tempo constituiu município-mãe de São José do Hortêncio, até que se emancipou em 1988.
A cidade ainda preserva características originais, principalmente a de ter uma longa rua principal, que constituía a antiga "linha" ou "picada", que levava em direção à localidade de Vale do Lobo, de Feliz.
A população hortenciense é de 3.800 habitantes, distribuída em 64,1 km². 95% dos moradores são de origem germânica. A economia está centrada na indústria, que abrange 70% da arrecadação. O comércio permite certa autonomia aos moradores. Cerca de 60% da população vive no campo, dedicando-se a atividades agropecuárias. Destacam-se a produção de cítricos e hortifrutigranjeiros.
Avaliação passa pela contenção de gastos
O Índice de Responsabilidade Fiscal, de Gestão e Social (IRFGS) busca avaliar as administrações municipais brasileiras a partir de desempenho fiscal, concebido conforme as diretrizes da Lei Fiscal; do nível de atendimento das demandas sociais e da gestão eficiente dos recursos públicos.
O IRFGS é formado pela média de três subíndices e seus indicadores. O fiscal, que inclui endividamento, suficiência de caixa e gasto de pessoal; gestão, que é o custeio da máquina, gasto com a Câmara de Vereadores e o esforço de investimento; e o social, que representa os gastos e o desempenho nas áreas social e de educação.
Para fazer a comparação numa escala variando de 0 a 1, o estudo da CNM procurou o melhor e o pior resultado em cada um dos indicadores, entre os 4.285 que integram a pesquisa. O pior resultado em cada indicador foi transformado no valor 0 e o melhor, no valor 1. Já o valor 0,5 indica a média. Todos os demais resultados de cada cidade foram calculados de forma proporcional entre esses três pontos.
Santa Catarina está em 3º no índice geral
Os três índices apurados pela Confederação Nacional dos Municípios foram transformados num índice geral, que atribuiu peso de 50% ao índice fiscal, 30% ao de gestão e 20% ao social. Entre os dez municípios melhor posicionados estão quatro gaúchos, dois paulistas, dois mineiros, um do Rio de Janeiro e outro do Tocantins (ver tabela ao lado).
O melhor índice geral verificado pelo levantamento foi de 0,691. Entre os 100 primeiros do ranking, o Rio Grande do Sul se destaca com 39 municípios, seguido por São Paulo (19) e Santa Catarina (14).
70% das cidades são de pequeno porte
O Brasil possui 5.562 municípios, segundo dados do Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM). Pesquisa do IBGE constata que 70% das cidades do país são de pequeno porte e ainda se sustentam da atividade rural.
Somente as capitais e os municípios que ficam em áreas urbanas conseguem sobreviver com seus próprios recursos, vindos da arrecadação de impostos como o IPTU e o ISS.
Medidas populares para atender reivindicações dos prefeitos
Os prefeitos brasileiros têm mais razões para comemorar. Durante a Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, o governo federal anunciou pacote de medidas populares que totaliza R$ 1,95 bilhão. Serão R$ 250 milhões a mais para a merenda escolar (com reajuste, o valor passa de R$ 0,19 para R$ 0,22 por aluno) e R$ 300 milhões para a linha de beneficiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social para aquisição de máquinas, com limite de R$ 1,25 milhão para cidades de até 50 mil habitantes.
Os prefeitos deixaram a capital federal na quinta 27 de olho nas votações no Senado e na Câmara - que não ocorreram. Mas continuam mobilizados pela aprovação do reajuste de um ponto percentual no Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Com a medida, as prefeituras passariam a receber 23,5% em vez dos 22,5% do total arrecadado com Imposto de Renda e Imposto sobre Produtos Industrializados, o que representará um aumento de R$ 1,4 bilhão no repasse aos municípios. Para dimensionar essa elevação, no caso de Caxias do Sul representaria mais de R$ 1 milhão, conforme o secretário da fazenda Carlos Burigo.
O aumento do FPM já estava previsto na Reforma Tributária que tramita na Câmara desde 2004. Os senadores aprovaram a matéria em 2003, mas há outros pontos na reforma que não agradam os parlamentares e impediram um acordo para dar seguimento à votação da matéria.
Os outros três pontos reivindicados na chamada minirreforma tributária são a unificação das alíquotas do ICMS em todos os Estados; a criação de um Fundo de Desenvolvimento Regional, para atender os governadores; e a criação de regras para os precatórios (dívidas cobradas na Justiça) nos municípios.
Na avaliação do vice-presidente da Frente Nacional dos Prefeitos, Nilton Lima, a aprovação da emenda constitucional da minirreforma tributária, apresentada pelo deputado Virgílio Guimarães (PT-MG), vai gerar aumento nos recursos do fundo e a reforma do ICMS. "A aprovação vai acabar com a guerra fiscal no Brasil. Além disso, deverá introduzir mais de R$ 6 bilhões nas economias dos Estados e municípios", afirmou Nilton Lima.
Outra boa notícia foi a aprovação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (Fundeb) pela Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania. O Fundeb terá vigência de 14 anos e será composto de 20% da receita de impostos. O governo complementará o fundo, totalizando R$ 4,5 bilhões ao ano.
Núncio Apostólico em Caravaggio
Representante do Papa no Brasil participará da 127ª Romaria
O Santuário de Nossa Senhora do Caravaggio, em Farroupilha, já recebeu vários núncios apostólicos. A última visita foi em 2003, de dom Alfio Rapisarda. Mas, pelo menos de acordo com o que revela a memória do reitor do santuário, padre Volmir Camparin, esta é a primeira vez que o Núncio, o representante oficial do Papa no Brasil, participará de uma romaria.
Dom Lorenzo Baldisseri chegará à região no dia 25 de maio e seu primeiro compromisso será a concelebração de missa pelos 70 anos de dom Paulo Moretto na catedral diocesana de Caxias (leia abaixo). No dia 26, data dedicada a Nossa Senhora de Caravaggio, dom Lorenzo celebrará a tradicional missa das 10h30 em Caravaggio.
O roteiro completo da vinda do Núncio Apostólico à Serra gaúcha ainda não estava totalmente definido na semana passada. Além das celebrações religiosas, ele deverá fazer um passeio para conhecer um pouco a região e seu retorno está programado para o sábado 27.
Romaria - A 127ª Romaria do Santuário de N. Sra. de Caravaggio ocorre nos dias 26, 27 e 28 de maio. O tema deste ano é: "Porque Deus é tão bom, nos deu uma mãe!". A novena preparatória iniciou dia 26 de março e vai até 21 de maio. O primeiro grande evento envolvendo fiéis da região está marcado para o próximo dia 13 de maio: a 13ª Cavalgada da Fé.
Os organizadores esperam reunir 1,6 mil cavalarianos em dois pontos de concentração - no acesso ao campus 8 da UCS, em Caxias; e em frente à estação férrea, em Farroupilha, com saída às 8 horas e 9 horas, respectivamente. No dia 14 de maio será realizada a 3ª Romaria dos Ciclistas e no dia 21, a 28ª Romaria dos Motoqueiros.
Diocese de Caxias do Sul terá bispo auxiliar
Já está em andamento o processo para a indicação de um bispo auxiliar para a Diocese de Caxias do Sul. A comunicação foi feita por Dom Paulo Moretto aos sacerdotes reunidos no Santuário de N. Sra. de Caravaggio. Pedido neste sentido foi encaminhado por dom Paulo à Santa Sé há algum tempo. Um bispo auxiliar se faz necessário diante das muitas frentes pastorais da Diocese. O nome do novo bispo de Caxias do Sul deverá ser conhecido somente no ano que vem.
Com uma área territorial de 11.612 quilômetros quadrados, a Diocese de Caxias do Sul abrange 31 municípios, 71 paróquias e 980 comunidades. A população supera a casa dos 800 mil. Dom Paulo esclareceu que não tem condições de atender toda a Diocese e, sobretudo, acompanhar mais de perto da vida e a formação dos futuros sacerdotes.
O processo da escolha de um novo bispo é conduzido pela Santa Sé, através da Nunciatura Apostólica, e se processa em segredo. Dom Paulo manifestou ao Núncio o desejo que o clero da Diocese seja ouvido na escolha do bispo auxiliar, não necessariamente integrante do clero local. Juridicamente, o novo bispo poderá ser auxiliar ou coadjutor. Neste último caso, o novo bispo terá direito à sucessão de dom Paulo, quando este deixar a Diocese. Dom Paulo insistiu que a próxima visita do Núncio Apostólico não está ligada à escolha do novo bispo.
A Diocese de Caxias do Sul foi criada a 8 de setembro de 1934 pelo papa Pio XI. O primeiro bispo foi dom José Barea, que governou a diocese de 1935 a 1951, quando morreu. Dom Benedito Zorzi foi seu sucessor, tendo falecido em 1983, já na condição de bispo emérito. Dom Paulo Moretto foi nomeado bispo coadjutor de Caxias do Sul, em 21 de janeiro de 1976.
Em 1999, com a criação da Diocese de Osório, deixou de pertencer à Diocese de Caxias do Sul toda a área do litoral, centralizada em Torres. Pertencem à Diocese os municípios de Antônio Prado, Bento Gonçalves, Boa Vista do Sul, Cambará, Carlos Barbosa, Caxias do Sul, Coronel Pilar, Cotiporã, Fagundes Varela, Farroupilha, Flores da Cunha, Garibaldi, Guabiju, Imigrante, Jaquirana, Monte Belo do Sul, Nova Araçá, Nova Bassano, Nova Pádua, Nova Prata, Nova Roma, Paraí, Protásio Alves, Santa Tereza, São Francisco de Paula, São Jorge, São Marcos, São Valentim, Veranópolis, Vila Flores e Vista Alegre do Prata.
Dom Paulo celebra 30 anos de bispo
No próximo dia 25 de maio, dom Paulo Moretto estará comemorando 70 anos de idade e 30 anos como bispo de Caxias do Sul. Os dois aniversários serão lembradas em missa solene na Catedral Diocesana, com o presbitério, às 19;00 horas do dia 25. O Núncio Apostólico dom Lorenzo Baldisseri presidirá a celebração.
Dom Paulo foi nomeado bispo pelo papa Paulo VI em 1976, com apenas 36 anos. Inicialmente dirigiu a Diocese de Cruz Alta. A nomeação e transferência dos bispos são de exclusividade da Sé Apostólica, que realiza a tarefa através da Nunciatura Apostólica de cada país.
Padre Zezinho
As heresias podem ajudar os pregadores de hoje a não repeti-las
O estudo das heresias de ontem pode ajudar os pregadores de hoje a não repeti-las. É de poder que se trata! Montanistas, donatistas, pietistas, jansenistas, cátaros, arianos, nestorianos e centenas de outros grupos de fé, acabaram se desviando da unidade ou levando milhões de fiéis atrás de doutrinas sem fundamento. Tornaram-se grupos poderosos na Igreja, obedientes aos seus líderes e não aos bispos.
Um pregador convincente acaba tendo mais força e mais poder do que 200 ou 300 bispos reunidos. Vale o que ele diz e não o que diz a Igreja oficial. Se ele vem, todos vão lá. Se o bispo vem, eles não vão! Seus adeptos só lêem seus escritos, porque dão a ele a autoridade que não dão, nem ao papa, nem aos bispos, que não oram, nem falam como eles.
Em pouco tempo, estão invadindo dioceses, paróquias e territórios de outros para levar as idéias e a catequese do seu mentor. Não aceitam outras. Divulgam suas mensagens e não admitem ler, nem cantar as dos outros.
Entre obedecer ao seu pároco e ao seu bispo, preferem obedecer ao seu pregador de fora e de longe. Acabam sem ler a carta pastoral do seu bispo e o texto do papa, porque não ouvem e não lêem o que os outros grupos de Igreja estão dizendo. Um tênue fio ainda os liga à Igreja de todos. Mas uma fidelidade está com aquele pregador.
Se seu mentor romper, eles rompem junto. Assim começaram as heresias. Excessiva devoção ao fundador e indiferença para com o que diziam as autoridades da Igreja.
Caminhada promove paz e ecologia
4° Caminho de São Francisco também valorizou a acolhida
Com o objetivo de promover a paz, a justiça e a ecologia, cerca de 70 pessoas percorreram os 40 quilômetros do 4° Caminho de São Francisco. Elas saíram de Lagoa Vermelha às 8 horas do dia 22 de abril, passaram a noite em Ibiraiaras e às 7h30 de domingo 23, retomaram a caminhada, chegando em Caseiros ao meio-dia. "A caminhada também lembra a vivência do ser missionário, a itinerância, a contemplação. É, sobretudo, um processo de conversão", afirma frei Genésio Fracasso, do Serviço de Animação Vocacional da Família Franciscana do Rio Grande do Sul, que promoveu o encontro.
Participaram do 4° Caminho de São Francisco religiosos, formandos, vocacionados e cristãos leigos. "Passamos por 11 comunidades, entre uma e outra, muitas pessoas juntavam-se a nós, rezando e cantando num espírito de comunhão", explica frei Genésio. Em cada localidade, o grupo fazia um momento de celebração e plantava uma muda de erva-mate, como símbolo de acolhida, já que o chimarrão é para os gaúchos um gesto de boas-vindas. Este ano, o lema da caminhada era "Levanta-te! Vem formar fraternidade", em sintonia com o tema da Campanha da Fraternidade que convida a acolher a todos.
Aldo Colombo
A história não guardou os nomes dos covardes, mas glorificou os insubmissos, que abriram novas possibilidades
Certo dia, um bezerro precisou atravessar a floresta para voltar a seu pasto. Sendo um animal irracional, abriu uma trilha cheia de curvas, subindo e descendo a colina, desviando os obstáculos. No dia seguinte, um cão que passava por ali, usou a mesma trilha para atravessar a floresta. Depois foi a vez de um carneiro, que foi seguido por todo rebanho. A pista já era notada no meio da floresta.
Mais tarde, os habitantes da planície começaram a usar esse caminho em suas caçadas e busca de lenha. Naturalmente, reclamavam das muitas voltas, que consumiam tempo e dificultavam suas tarefas. Eles praguejavam, mas nada faziam para mudar a estrada. Muitos anos se passaram, a encosta encheu-se de casas e a antiga trilha tornou-se a avenida principal da cidade. E por ela passavam, diariamente, centenas de carros e milhares de pessoas. E muitas delas resmungavam contra as autoridades que nada faziam para mudar a situação.
Uma tendência muito comum é seguir a trilha já feita. Pelo menos no primeiro momento existem vantagens. Depois, a rotina traz problemas. Mas a maioria não pensa em mudar e, a favor, existe uma prática: sempre se fez assim. Mas a experiência ensina que os projetos acabam se esgotando e surge a necessidade de mudar. Andando pelo mesmo caminho, apenas chegaremos aonde outros já chegaram.
A história é dinâmica. Foi preciso um Cristóvão Colombo, considerado um sonhador e aventureiro, para a descoberta da América. Foi preciso um João XXIII para desencadear toda uma revolução na Igreja com o Vaticano II. A história não guardou o nome dos covardes, mas glorificou os insubmissos, que abriram novas possibilidades.
No dia-a-dia encontramos duas posições radicais. Alguns apostam no método e na rotina, olhando o passado. Outros têm a tendência de questionar todos os valores e toda a autoridade. Mais uma vez prevalece o bom senso. Há certezas inquestionáveis, assim como existem costumes que devem ser substituídos. Os mestres da suspeita nos ensinam que sempre existe a possibilidade de mudar. Mas é inteligente mudar para melhor.
Muitos querem mudar o mundo, mas não mexem uma palha para essa mudança. E continuam a seguir as mesmas e velhas e incoerentes trilhas. Muitos querem mudar o mundo, mas esquecem que essa mudança começa por eles mesmos. Francisco de Assis teve a intuição que os caminhos de seu tempo tinham curvas demais. E ele mesmo abriu uma nova possibilidade de viver e agir.
Deus nos deu inteligência e capacidade para entender e mudar a realidade. Não podemos deixar que outros pensem em nosso lugar. Nem os que vieram antes de nós, nem os que caminham conosco. E muito menos os meios de comunicação social. De nada adianta cruzar os braços e reclamar. É importante começar a mudar o caminho, com inteligência e coragem.
Salvatorianas têm 70 anos de Brasil
Irmãs mantêm 43 comunidades no Sul do país e atuam no exterior
Há 70 anos as Irmãs do Divino Salvador, Salvatorianas, estão a serviço da Igreja no Brasil. Pisaram em solo brasileiro no dia 3 de dezembro de 1936. Hoje, mantêm a Província Santa Catarina, com sede em Lages, com 209 irmãs distribuídas em 43 comunidades que atuam na região Sul do país e Bahia, além de Moçambique, na África. Prestam serviço também no Congo, Venezuela e na Casa Geral em Roma, Itália.
Impulsionadas pelo mandato de Jesus Salvador, que diz: "Ora, a vida eterna é esta: que eles conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e aquele que enviaste, Jesus Cristo" (Jo 17,3), as irmãs salvatorianas se instalaram em Videira (SC), no dia 6 de dezembro de 1936. A família Kroeff cedeu sua casa para acolher as missionárias Colonata Ackermann, Ehrenfrieda Hölscher, Philippa Stieber, Renata Herold e Ludolfa Boch, de origem alemã.
Antes de partir de Roma, da casa geral das irmãs salvatorianas, na celebração de envio, padre Pancratuis Pleiffer, coordenador geral dos padres salvatorianos, ao entregar a cruz missionária às irmãs, disse-lhes: "Vós ides agora a um país longínquo, do qual não conheceis os usos e costumes, nem a língua. Mas uma língua se conhece e se entende em todo o lugar. É a língua do amor. Servi-vos dela em toda parte e por todos sereis compreendidas."
Em Videira, a vinda delas era esperada e anunciada pelos padres salvatorianos e por dom Daniel Hostin, bispo da diocese de Lages.
Criúva promove a Festa do Divino Espírito Santo
A comunidade de Criúva, distrito de Caxias do Sul, realiza, de 12 a 21 de maio, a tradicional Festa do Divino Espírito Santo, com o tema "Levanta-te, vem para o meio". Os festejos começam com a novena, na sexta-feira 12, dedicada aos que foram festeiros, capitães de mastro, aias, imperadores e festeiros de honra.
A novena prossegue até o dia 20, com janta típica e animação de grupos musicais: Os Campeiros, dia 12; Quero-Quero e Luiz Marenco, 13; Tranco e Balanço, 14; Bonitinho e Eco do Minuano, 15; Grupo Rodeio, 16; Os Mirins, 17; Banda Corpo e Alma, 18; Os Serranos, 19, e Os Mateadores, dia 20.
No dia 21, às 9h, procissões preparatórias com a Banda Santa Cecília; às 10h30, missa solene e procissão com o Esplendor do Divino, celebrada pelo padre Osmar Possamai; às 12h, almoço tradicional; às 15h, reunião dançante com Os Mateadores; às 16, escolha dos novos festeiros para 2007; às 17h, leilão de terneiros; às 18h, sorteio dos queijos. Dia 27, baile com entrega de prêmios, animado pelo grupo Entrevero.
Casa Fonte Colombo realiza vigília da Aids
Com o tema "Iluminando caminhos para um futuro melhor" a Casa Fonte Colombo e a Pastoral da Aids realizam a 24ª Vigília pelas pessoas que faleceram em consequência da doença. O encontro ocorre dia 21, às 18h, na Igreja Santo Antônio, em Porto Alegre, e visa alertar a população sobre a importância da prevenção à doença e despertar a solidariedade humana.
Com a criação da Pastoral da Aids, a Igreja Católica vem assumindo o compromisso de mobilizar os cristãos para se integrarem neste movimento. "Todos somos vulneráveis ao vírus HIV. Em nossas comunidades, o número de infectados vem crescendo. Muitos perderam familiares e amigos em consequência da Aids", lembra o assessor nacional da Pastoral da Aids e da Fonte Colombo, frei Luiz Carlos Lunardi.
Wilson João
A vida é completa. Basta deixar germinar todo o potencial
A pessoa que vive revoltada, insatisfeita e solitária manifesta que não está em casa. Não falo da casa-moradia, casa material. Falo da casa-corpo, da casa-minha-vida. Falo da casa que sou eu como um todo, como pessoa humana.
É um privilégio viver numa situação onde se pode dizer: estou me sentindo em casa, estou bem em minha casa. Quem assim se sente, não precisa fugir de si na correria da vida e nas preocupações. Muitas pessoas, porque não se sentem bem em sua casa-vida, estão sempre "se procurando" em médicos, psiquiatras, benzedores, igrejas, pastores e todo o tipo de auto-ajuda.
NÃO PRECISAMOS SAIR. Nem precisamos ir e muito menos fugir. Estamos em nossa casa, e em nossa casa temos tudo e de tudo. A vida em cada ser humano é completa. Basta deixar germinar todo potencial que contém. Para cada problema nosso há uma solução. O erro é cultivarmos a preguiça em vez da coragem, e sempre tentarmos buscar alguém que venha resolver nossos problemas. Se é do coração que nascem todas as maldades e problemas, é também do mesmo coração que nascem todas as soluções.
PARA ONDE VOU ME LEVO. Me levo inteiro. Minhas grandezas e misérias. Minhas realizações e fracassos. Muitíssimas pessoas carregadas de problemas buscam soluções fora de si. E nesta busca de soluções mágicas em alguém, correm o perigo de voltar com o mesmo peso. A gente sempre se leva, na leveza ou no peso. Quantos já experimentaram passear, beber e jogar, jogar-se nos vícios e, decepcionados, foram e voltaram carregando as mesmas ilusões.
É BOM SENTIR-SE EM CASA. É gostoso demais gostar das pessoas que me rodeiam, do meu nome e sobrenome, da idade e do corpo que tenho, da casa que me abriga, da roupa que me protege, da cidade que me acolhe, dos vizinhos que me aconchegam, da comida que eu como e da bebida que bebo. É gostoso demais gostar do meu estudo, do trabalho que faço, dos projetos de minha vida, das escolhas que faço para realizar os meus sonhos. E porque me sinto em casa, estou com mais saúde e alegria de viver, estou dormindo em paz, e as doenças e tristezas não encontram entrada nas portas de minha casa.
SEMPRE É TEMPO DE VOLTAR PARA CASA. Fugir de si nada resolve. Fugir é uma experiência. Quando bem aproveitada pode ser instrumento para amadurecer a vida. Quando não aproveitada pode se tornar uma frustração que impede de recomeçar. A experiência de fugir no trabalho e na preocupação, no beber e no festar, na busca insaciável do prazer sexual, na jogatina que joga fora a saúde, o dinheiro, o tempo e a vida, é uma experiência que deve fazer a pessoa cair em si, e com muita humildade retomar o caminho de volta. Felizes os que voltam e podem ter a alegria de dizer: estou em casa!
O italiano que está em você
Pe. Luiz Sirtoli
Santa Maria - RS
Pe. Luiz Sirtoli, nascido em Jacutinga-RS, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, em Concórdia-SC, casado com a diácona Lucia Dal Pont, pai de Gilio Natan, transpira italianidade:
"De descendência italiana, levo comigo congênita bagagem cultural. O nono foi o referencial do talian, que falamos desde o berço. Mas a extinção da escola rural e ascensão da escola urbana, em português, o restringiu aos idosos. Com livros didáticos em português, em casa também as crianças liam e pensavam em português. Não saber falar português era tido como sinal de ignorância do homem da colônia. Nasceu a vergonha de falar talian, que, junto ao português mal ensinado, nos legou o típico sotaque, que ontem era um estigma, mas hoje é charme.
Ao correr do tempo, a arbitrária Campanha de Nacionalização do Estado Novo foi perdendo sua força. O italiano do ser, do fazer e do crer foi retomando seu espaço natural e jeito próprio de extravasar, falar o que pensa, xingar, elogiar, festejar, cantar, rezar, praguejar... Mas, fazer tudo isto em português, perderia em identidade e força. Reiniciando com algumas palavras, com frases tímidas depois, o talian foi reconquistando o espaço de tradutor de nossa história. Trabalhei, há dez anos, na Nicarágua (94 e 95), quando o talian me facilitou a comunicação pela semelhança com o espanhol, seja em palavras como no sotaque. Eu dizia, por exemplo, sarar la porta, e ela se fechava tanto para o italiano como para o castelhano, que diz - cerrar la puerta. E com o talian servi de intérprete, em El Rama, onde trabalhava, a um casal de italianos, a pedido do Bispo da Diocese de Bluefields. O casal descobriu a Itália no Novo Mundo, quando o barco se aproximava, ao me ouvir gritar: Benevenuti Italiani!
O ser italiano, que veio para se solidarizar com todos, e o falar talian, língua que cria a palavra adequada a cada situação, me deu nos onze anos de litoral entre Praia Grande, Araranguá e Florianópolis e nos dois na Nicaráqua, e agora em Concórdia, uma natural capacidade de fraternizar com outras etnias, culturas e religiões. Sou parte da bandeira da solidariedade italiana. Diria a todos os que falam talian ou italiano: façam de suas línguas elos entre culturas para a construção da paz entre os povos.
Se no litoral catarinense eu vivia entre descendentes de açorianos, sentimentais e solidários, hoje vivo entre 95% de descendentes alemães, organizados e objetivos, não esquecendo os catelhanos da Nicarágua, posso dizer que o ser e falar talian me abriu todas as portas. Aliás, existe uma cidadezinha no oeste Catarinense chamada Arabutã. Dizem que quem mora em São Paulo é paulista, em Minas é mineiro, em Santa Maria é santamariense, em Caxias é caxiense, mas quem mora em Arabutã é alemão.
Meu pai faleceu em 2004, com 93 anos e meio. Com ele me comunicava em talian, cujas palavras a saudade o faz reviver em mim, porque dele recebi o ser e o falar talian.
Como padre da Igreja Anglicanca da Diocese de Santa Maria, eu, minha esposa e meu filho somos os únicos sobrenomes italianos, em maioria de descendência portuguesa, mas somos um algo mais, em comunicação, alegria e solidariedade. Contribuímos a nosso modo para ajuda e diversificação do jeito anglicano de ser." (e-mail: luli@datacenter.psi.br)
A solidariedade, a fé e o trabalho são o alicerce vitorioso da cultura italiana no no Brasil e no mundo. Nada se perdeu e nada se perderá, porque nossa marca histórica está indelevelmente inscrita em nossas vidas. (Rovílio Costa)
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (358)
Se fusse par mi, a tola sol polenta e radici
Marcelino Carlos Dezen
Caxias do Sul (RS)
Dopo de sentir che Ivo e Tuio i mensona tanto sto Mosè, Nanetto resta pròpio corioso:
- Chi zelo sto Mosè che parlì tanto te le vostre stòrie?
- Mosè Dezen ze un dei meio compagni che ghe ze stà par ste bande. El stea co la fameia qua ntel Capoeron. E pò, ze stato lu darghe el nome Capoeron a sto posto!
- El ze stato un dei primi camignoneri dequà. El menea tanta ua. Fin 530 mila chili te un ano e varda che con un Chefrolesinho che carghea manco de quatro mila chili al colpo. Al tempo de vendémia l’ometo laorea di e note, dise Tuio.
- Ivo, go passà bei giorni qua con valtri. Voleu mia menarme a cognósser sto Mosè!? Ndove stalo?
- Varda, se te vol, te menemo a so casa. El ze da star a Forqueta.
- Ciò, ma che nome! Zelo un posto ndove s’inforca gente, se la peta?
- Nò, nò Nanetto. Par dir la verità, no sò cossa vol dir sto nome gnanca mi.
Al di drio, Nanetto fa su el so fagoto e via, verso Forqueta. Ivo e Tuio insieme. Co i riva, i vede sto Mosè drio trarghe rento erba te na bela stua darente casa. Un bel posto. Mato davanti la casa, due stue a la banda de soto, pi avanti un rieto. Mosè resta contento co’l vede Ivo e Tuio, ma meso indrio col strànio, che no parea strànio... Nanetto, testa alta, co la pipa fumegando, se fa avanti.
- Ciò, paron, crieu vache ntel aqua che sì drio trarghe rento pasto a scariolade? O i sarà popòtami del’Àfrica? Boa tarde! Mi son Nanetto e sarà che son drio parlar co Mosè Dezen?
- Si, si, son mi! Situ Nanetto Pipetta, quel del Correio Riograndense?! Me parea che no te geri strànio al véder quela pipa fumegante come un camin. Un Nanetto de pipa smorsada ze come véder la Maria Fumaça ndando a eletricità. No ghe ze gusto, èh!
E là i se saluda, co’n bel par de struconi, ricordando la amissìssia de tanti ani. Nanetto, lì arente, el se spaventa quando na carpa capin dei so oto chili la salta par sora l’aqua. El dà un salto:
- Cagnera can! Un zacarè!
- Nò, nò, Nanetto. No stà spaurarte. La ze na carpa che ga saltà, perché soto aqua un’altro pesse ghe ga dato qualche cutucada. Zelo mia bel de véder!?
- Si, par quela, ma anca i spaventa. Ma no savea che ghe ze pessi che magna erba invesse de lombrichi [mignoche]. Gali mia gusto de erba fresca?
- Nò, gnente! El ze un dei meio pessi che gavemo par dequà. Da che semo drio parlar de pessi, voleu mia star qua e senar un bon carpa co na polentina de farina de mìlio bianco?
Tuio e Ivo i aceta de gusto. Alora Mosè ciama el so nipote Ismael par ciapar na carpa col molinete. I ghe trà na poca de rasson e in due minute el fil se stira come na corda de violon. Poco dopo, Nanetto tegne in man un pesse dei so sete chili. Grosso, gordo, rabioso...
- Eia, pesse vèio! Do Nanetto tu non scampa mais! Ciò, Ismael, vui ciapàrghene un anca mi!
E là i trà el lambo nantra volta e suito Nanetto sente un tiron da can.
- Nanetto, tegni firme, dise Ismael, che questo ze un baita macho. Oto chili o pi.
Ma par più che Ismael ghe spieghe, Nanetto no’l ghe da fora co quel strumento. Invesse de far su la lìnea, Nanetto va indrio, indrio... fin che’l va zo pa’l baranco dela stua, robe che’l se cope. Là el se ga parà intorno lìnea, caretìlia, scapoere... perso capel, pipa e, pedo de tuto, el pesson.
- Cagnera can! Tireme fora de sta tràpola, che son tuto ligà su.
Ismael ghe giuta de na banda, taia fil de quelaltra, fin che Nanetto se desliga fora.
- Tegni el fil, Ismael, che bisogna che tiremo fora quel diaol che me ga rabaltà zo pa’l baranco (co no se ga scuse, fin chi tira, urta!).
- El pesson se la ga tolta, Nanetto.
- Bruto can! Ma diman lo ciapemo! Sorte che te ghè garantio la sena, Ismael. Se fusse par mi, a tola sol polenta e radici.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
El punaro de le galine
Geraldo Sostizzo
Agente Consular Italiano, Cascavel (PR)
Uno dei laori che no me piasea far gera sarar el punaro, parché tochea farlo squasi sempre dopo che gera scuro. Gèrimo tuti sentai in torno el fogolaro, quando la mama dimandea: gaveo sarà el punaro? Sacrameg-na, me tochea meter su le sinele e con na paura del orco, meso piandendo e ben sguelto, ndea sarar la porta del punaro. E me tochea vardar quele altre gabiete par veder se le gera tute sarae.
Tel punaro ndea dormir le galine e anca i gai. Gera na casota nò massa granda ma ben sarada, sensa busi, parché el can de mato no’l ndesse rento ciapar le galine, intanto le dormia. Par questo che me tochea sarar la porta tute le note vanti ndar in leto. Rento tel punaro ghe gera na fila de stanghe, una sora l’altra, nò a piombo, dove le galine dormia, parché intanto le dormia le continuea schitando, lora nessuna se sporchea, parché tute le dormia vardando avanti e col cul voltà a la parete. E anca le galine che dormia fora del punaro, le dormia sempre su le piante.
Darente el punaro ghe gera le caponare dele cioche, che ciochea i ovi, dove nassea i polastrini. Ghe gera anca una o due caponare, dove se dassea le galine un paro de giorni par dopo magnar. La mama le metea tela caponara raquanti giorni e ghe dea de magnar sol mìlio e erbe verde del orto, par netarle polito e no le magnea mia bissi tel potrero o altri potaci.
Quando gera ora de coparla, la mama la ciapea e co la pràtica la ghe dea un tiron tel col e lo scavessea. Un giorno ghe go dito a la mama: dasseme a mi copar na galina. Ma come mi savea mia che forsa ghe volea, ghe go dato un tiron con tanta forsa che son restà co la testa in man. La mama me ga dito su e la me ga fato tegner la galina col col in zo fin che se ga fenio tuto el sangue.
Na volta al mese me tochea ciapar la cariola e portar tuto el luame del punaro tel orto e netarlo polito par no tornar indrio nantra volta.
Tante volte de note belche drio dormir, scolteimo le galine spaurade, lora me tochea ciapar el lampion e el foche quando ghe gera pìlie e ndar veder se no ghe gera na bèstia de mato che volea ciapar na galina. Quando el pupà ndea insieme col s-ciopo, lora zera pi fàcile e no se gavea tanta paura, parché ghe gera anca ladri de due gambe che ghe piasea de ciavar galine.
Na note ghemo scoltà un bordelamento, el pupà ga verto la finestra e un cristian gavea un saco de galine in schena. Quando el ga visto che ghemo impià el ciareto, el ga molà saco e tuto e el se ga piantà in meso a serca che’l ga fin sbregà le braghe e no lo ghemo pi visto, lora el pupà daghe drio un tiro par spaurarlo. Tuti i giorni la mama contea le galine e se ghin mancasse una, tochea ndar inserca.
São Marcos expõe carros antigos
Este é o destaque da programação da festa em homenagem ao padroeiro
A festa do padroeiro prossegue até o próximo dia 7 no município de São Marcos. Na programação social, destaca-se o jantar dançante para casais, com animação do musical Abertura, na sexta 5, no salão paroquial da Igreja Matriz.
Também integra a programação da festa o 8° Encontro de Carros Antigos de São Marcos, que este ano será realizado nos dias 6 e 7 de maio. Conforme o secretário municipal de Cultura, Desporto e Turismo, Áureo Bertelli, mais de 450 veículos antigos estarão expostos ao redor da praça municipal Dante Marcucci, no centro da cidade. O encontro é aberto a todas as categorias de automóveis (caminhões, motos, carros) com mais de 25 anos de fabricação e costuma reunir colecionadores de diversas regiões do Rio Grande do Sul, além de Santa Catarina e Paraná.
O encontro de carros já é tradicional no município, que é conhecido por sua vocação para o transporte. "São Marcos sempre se caracterizou pela presença de Dodges, Maverics, Opalas", diz o colecionador Pablo Soldatelli. "Em 1997, eu e alguns amigos participamos de uma exposição em Canela e voltamos entusiasmados", explica. "Em 1999 fundamos o Veteran Veículos Clube de São Marcos, com 15 pessoas", afirma Soldatelli. Segundo ele, o primeiro encontro do município ocorreu no mesmo ano, em 1° de abril, e reuniu 120 carros.
Hoje, o Veteran Clube é filiado à Federação Brasileira de Veículos Antigos. De acordo com o secretário de Cultura, o gosto pelos carros antigos é compartilhado entre as gerações. "Hoje, vemos muitos jovens do município com esse tipo de carro, principalmente o Maveric V8, que parece ser o modelo que mais agrada a nova geração", afirma Áureo Bertelli.