
DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 4.988 - Ano 98 - Caxias do Sul-RS, 17 de maio de 2006.
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Carga tributária alimenta a desigualdade social no país
É inadmissível que um cidadão trabalhe cinco meses do ano só para pagar impostos
A cobrança de impostos, contribuições, taxas e outros tributos deveria ser uma forma de viabilizar a melhor distribuição de riquezas. As pessoas com maiores rendimentos desembolsariam mais que as de poder aquisitivo menor, e os recursos arrecadados pelos governantes retornariam em obras e serviços necessários para uma boa qualidade de vida. Em tese, o modelo diminuiria a desigualdade social. Na prática, porém, o que se assiste é a ampliação dessa diferença, impulsionada principalmente pelos tributos embutidos – iguais tanto para milionários como para quem não tem emprego, está na economia informal ou integra o grupo de miseráveis -, que a maioria sequer tem consciência do quanto paga.
Além dessa distorção, o sistema tributário brasileiro se transformou em fúria arrecadatória, em alguns casos exploração explícita – porque alíquotas superiores a 50% do valor dos produtos não se restringem a supérfluos -, com retorno desproporcional. Mais do que isso, bilhões de reais sustentam uma máquina estatal pesadíssima, com cabides de emprego e aposentadorias que afrontam o bom senso, e ainda alimentam escândalos de corrupção, desvio de dinheiro e outros crimes.
É absolutamente inadmissível que um cidadão tenha de trabalhar praticamente cinco meses apenas para pagar tributos, como descreve matéria especial na página 9 desta edição. Também é inconcebível que num país com renda per capita na faixa dos R$ 6 mil, o brasileiro tenha de desembolsar R$ 3,987 mil num ano (IBPT/2005) apenas para pagar tributos.
Há países em que a carga tributária, na relação com o Produto Interno Bruto (PIB), é ainda maior que a brasileira. Mas o que os suecos, franceses, italianos, para citar alguns, recebem em troca em termos de benefícios sociais é infinitamente maior que aqui.
Empresas e pessoas físicas brasileiras pagam tributos em excesso. A classe política sabe disso há muito tempo. E quanto mais retardar uma reforma, menos chances terá de concretizá-la. Porque na medida em que os anos passam, crescem as despesas da União, Estado e municípios, cujos cofres são abastecidos pelo pagamento de tributos. É uma bola de neve que precisa ser contida antes que arraste a tudo e a todos – menos, é claro, os historicamente privilegiados.
UCS muda orientação para o esporte
e corta investimentos
A partir de 2007, as atividades sustentadas terão de gerar receita
O reitor Isidoro Zorzi, da Universidade de Caxias do Sul (UCS), anunciou mudanças profundas na área de esportes da instituição. A proposta é de que a infra-estrutura da Vila Olímpica fique à disposição dos alunos. Zorzi afirmou que o Projeto UCS Olimpíadas, que contempla 22 modalidades esportivas, deixará de ser uma unidade de negócios para ser uma unidade acadêmica. "A partir de agora, o projeto vai estar ligado ao Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, para que os esportes sirvam para qualificar os cursos e, com isso, os profissionais dessa área", argumentou. Para coordenar o projeto, ele indicou o professor Carlos Gabriel Gallina Bonone.
A proposta para os esportes de alto rendimento, como vôlei e futsal, é que eles passem a ser auto-sustentáveis. O patrocínio de atletas também será reavaliado pela equipe administrativa e não estão descartadas parcerias com empresas da iniciativa privada. Segundo Zorzi, todos os compromissos assumidos pela administração passada serão cumpridos. Porém, até 2007 as atividades esportivas passarão por um processo de reestruturação para que gerem sua própria receita.
Vestibular terá provas em um só dia
A Universidade de Caxias do Sul muda as provas no próximo concurso vestibular. Elas ocorrem num único dia, 8 de julho, às 13h30. As matérias específicas para cada curso terão um peso maior. Cada aluno terá uma prova de redação, dez questões objetivas de Língua Portuguesa, Estrangeira e Conhecimentos Gerais, envolvendo Literatura Brasileira, História, Geografia, Matemática, Física, Química e Biologia, e mais 20 questões objetivas de duas matérias específicas para cada curso escolhido.
As inscrições poderão ser feitas somente via internet, no site www.ucs.br, de 24 de maio a 15 de junho. Os candidatos que tiverem prestado o Exame Nacional do Ensimo Médio (Enem) poderão substituir as notas de Redação e Conhecimentos Gerais da UCS pela obtida no Enem. No vestibular de inverno, a UCS oferecerá 2.325 vagas em 41 opções de ingresso.
Prefeitura e Câmara distinguem mulheres
No Dia da Mulher Caxiense, 11 de maio, sete mulheres foram homenageadas pela Prefeitura com a medalha Monumento Nacional ao Imigrante. Receberam a distinção do prefeito José Ivo Sartori e da primeira-dama Maria Helena Sartori: Aurora Milesi Rizzi, Celita Junchem Royo, Zilda Ramos, Ida Menegotto Poletto, Isoldi Chies, Sueli Maria Damiani Poletti e Thereza Domingas Gollo. A solenidade foi realizada no Salão Nobre da Prefeitura, diante de diversos familiares, amigos e colegas das homenageadas. Ao final, todos cantaram o "Parabéns" à Aurora Milesi Rizzi, que no próximo dia 16 de julho completa cem anos de idade.
Também na quinta 11, a Câmara de Vereadores de Caxias entregou, durante sessão, o Troféu Mulher Cidadã a seis caxienses. A distinção é concedida a cidadãs que prestaram relevantes serviços em prol da mulher nas áreas da defesa dos direitos e combate à violência contra a mulher; educação; promoção da participação política; profissionalização e emprego; saúde; e atividade comunitária. O Conselho Municipal dos Direitos da Mulher aprovou para receber a homenagem, respectivamente, Mônica Montanari, Vânia Herédia, Marisa Formolo Dalla Vechia, Zélia Catarina Almeida dos Santos, Dilma Tessari e Maria Eni dos Passos da Silva.
Caxias perde um de seus mais destacados empresários
Morreu na segunda 8, vítima de falência múltipla dos órgãos e depois de mais de 50 dias internado, o empresário Francisco Stedile. Nascido em 17 de maio de 1922, em São Marcos, Stedile foi um empreendedor com fibra e obstinação, traços marcantes de um perfil que o distinguiu como liderança empresarial e comunitária. A história do empresário começa em 1942, já em Caxias, quando funda a Auto Mecânica – hoje concessionária Mercedes-Benz. Nos anos 1950, aplicou a tecnologia que conheceu na Europa e fundou a Fras-le (hoje pertencente às Empresas Randon). Em 1965, adquiriu a Agrisa, embrião da Agrale, fabricante de tratores, caminhões e chassis.
Stedile era fundador e diretor-presidente das empresas Francisco Stedile Participações e Empreendimentos S/A, Agrale S/A, Agrale Amazônia S/A, Agrale Argentina S/A, Agritech Lavrale S/A, Fundituba Indústria Metalúrgica Ltda, Germani Alimentos e Fazenda Três Rios (esta em Vacaria). Além da família e das empresas, "Tio Chico", como também era carinhosamente chamado, tinha outra paixão: a SER Caxias. Ele liderou a construção, em tempo recorde, do estádio que leva o seu nome e também era patrono do clube. Casado com Amábile Zanandréa Stedile, teve cinco filhos: Alfredo, Dolaimes (falecida), Vera, Carlos e Franco.
Previsão de pouca chuva deve repetir estiagem na região Sul
Precipitações serão irregulares até a primavera devido ao fenômeno La Niña
O volume de chuvas que atingirá o Sul do país nos próximos três meses será inferior à média histórica. A projeção, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), coloca a região, novamente, em situação de alerta – muito mais pelos reflexos a médio prazo que essa deficiência poderá causar do que pelos efeitos imediatos.
O Rio Grande do Sul, por exemplo, já enfrenta problemas de abastecimento de água. Por enquanto, porém, as lavouras não foram afetadas. Se as chuvas continuarem abaixo do normal em agosto, setembro e outubro, a tendência é de que se repita o drama da estiagem que castigou o Estado em 2004/2005. "A região está com pouca reserva hídrica. Se não chover o suficiente para normalizar essa situação, há riscos de uma nova seca prolongada", avalia Expedito Rebelo, chefe do Departamento de Meteorologia Aplicada do Inmet.
Três vezes – Este é o terceiro ano consecutivo de déficit hídrico na região. Se não houver a necessária reposição, vai continuar faltando água. Como o período de recuperação inicia no outono e a deficiência permanece, o mais provável é que o quadro se agrave com a proximidade do verão e, principalmente, durante essa estação.
Expedito Rebelo aponta três motivos para os reduzidos índices de precipitação pluviométrica. Um deles é o resfriamento das águas do Pacífico Equatorial, provocado pelo fenômeno climático La Niña. Outro são as oscilações decadais e o terceiro, a freqüente agressão ao meio ambiente – que abrange de desmatamento à retirada em excesso de água de rios e outras fontes, origem de um cada vez mais evidente assoreamento.
O pior é que não há notícias de nenhum grande projeto de captação de água – apenas medidas que não excedem aos paliativos poços artesianos. Os governos, a exemplo da estiagem gaúcha, se limitam a abertura de poços ou, então, ao fornecimento de água em carros-pipa, numa constante romaria de baldes e bacias.
A situação se repete e a estiagem continua castigando mais de 100 municípios catarinenses, 30 paranaenses e pelo menos 78 gaúchos. A solução dos governos estaduais e municipais para fazer frente à falta de água passa pela perfuração de poços e preservação de fontes – essa última deve-se ao trabalho incansável das Ematers.
À espera de um grande plano nacional para captação da água da chuva e a conservação dos mananciais, o agricultor deve seguir algumas orientações da Emater e de outros órgãos, como a Defesa Civil dos Estados. Entre as dicas, a Secretaria Nacional de Defesa Civil sugere a adoção das microbacias e o uso do plantio direto (leia ao lado).
Emater destaca importância da irrigação
Os prejuízos nas lavouras e pomares só não são maiores na Serra gaúcha porque a região atravessa o período de entressafra. Apenas as frutíferas (leia-se caqui, quivi, em início de colheita, e maçã) se ressentiram da falta de água, traduzindo em frutos um pouco menores e com queda na produtividade.
A falta de água no período de enchimento das gemas origina gemas fracas, que prejudicam a formação dos frutos do ano seguinte. Influi no tamanho e na produtividade da planta. "No caso da Serra, o fruticultor apostou que as raízes buscariam água na profundidade", observa o engenheiro agrônomo Norman Simon, assistente técnico regional de fruticultura e olericultura da Emater da Serra. Mas a falta do líquido e o solo pedregoso inibiram o acesso. O mais grave é que não há reservas de água no subsolo.
Em Caxias do Sul, por exemplo, as quatro barragens que abastecem a cidade (Faxinal -4,56 metros; Maestra, -7,34 m; Dalbó, -3,64 m e Samuara, -0,06 cm) estão abaixo dos níveis normais e dos de 2005.
O engenheiro agrônomo ensina que, se continuarem as alterações climáticas, o agricultor deve estar preparado para a irrigação. "Além disso, cada produtor rural deve estudar a situação de sua propriedade, proteger as nascentes e evitar, de toda a forma, a drenagem de banhados", alerta Simon.
Estiagem difere de seca, diz Defesa Civil
Estiagens são resultado da redução das precipitações pluviométricas, do atraso dos períodos chuvosos ou da ausência de chuvas previstas para uma determinada temporada, de acordo com o Manual de Desastres, elaborado pela Secretaria Nacional de Defesa Civil.
Quando comparadas com as secas, as estiagens caracterizam-se por serem menos intensas e por ocorrerem durante períodos de tempos menores. Considera-se que existe estiagem quando o início da temporada chuvosa atrasa por prazo superior a 15 dias, ou, quando as médias de precipitações pluviométricas dos meses chuvosos alcançam limites inferiores a 60% das médias mensais de longo período.
Já a seca se caracteriza por período longo sem chuvas. O fenômeno é comum no semi-árido nordestino, que originou vegetação típica, a caatinga. Sua ação, que afeta as populações rurais, se faz mais intensa na região pela natureza dos solos, que não permite a retenção da água necessária. A seca pode ainda ter duração indeterminada e se repetir em intervalos mais ou menos regulares.
Ações para miniminizar prejuízos
O manual da Secretaria Nacional de Defesa Civil sugere ao agricultor a adoção de medidas preventivas para minimizar os danos e os prejuízos econômicos e ambientais causados pelas estiagens ou secas. Dentre as mais eficientes, estão o manejo integrado das microbacias e o plantio direto. As orientações são simples e fáceis de serem executadas.
O manejo integrado das microbacias é um conjunto de ações e comportamentos em relação à cultura agrícola, que visam o aumento da produtividade natural. Contribuem para isso o florestamento e/ou reflorestamento de áreas de preservação ambiental, como encostas íngremes, cumeadas de morros, matas ciliares e matas de proteção a nascentes.
O cultivo em harmonia com as curvas de nível e técnicas de terraceamento, permitindo que sulcos retenham a umidade, aumentam a infiltração e reduzem a erosão. Outra sugestão é o plantio de "quebra-ventos", reduzindo a erosão eólica, a evaporação e o ressecamento do solo. A adubação orgânica, utilizando resíduos animais (esterco), restos de culturas anteriores e lixo orgânico promovem a umificação do solo e melhoram as características físico-químicas.
A utilização de cobertura morta, como palhada, casca de arroz e serragem, ou restos de culturas anteriores, diminui o efeito da evaporação, conservando a umidade natural do solo. Sempre que possível, roçar e não capinar. Esta atitude reduz a exposição do solo ao aquecimento e à perda da umidade; a redução do espaçamento, com culturas adensadas que diminuem a faixa de solo exposta ao sol, ao concentrar um maior número de plantas por unidade de área, tem igual efeito.
A utilização de culturas intercalares, plantando leguminosas, como feijão e soja, entre fileiras de milho e cana, por exemplo, garantem o sombreamento pelas gramíneas, reduzindo a evapotranspiração (evaporação da água do solo e das plantas). A rotação de culturas, que ao manter o solo permanentemente coberto, reduz a erosão e favorece a infiltração e a alimentação do lençol freático.
Coberta por vegetação, a terra impede que a água da chuva se escoe em correntes superficiais. Com isso, pode se infiltrar lentamente na terra, sem provocar enchentes e arrastar as faixas mais superficiais do solo, que são as mais férteis. Além disso, infiltrando-se na terra, a água pode chegar até as camadas mais profundas e impermeáveis, onde forma lençóis subterrâneos.
Safra da uva encolhe com qualidade
O Rio Grande do Sul produziu neste ano no máximo 425 milhões de quilos de uva
A produção gaúcha de uva em 2006 não vai superar 425 milhões de quilos, volume que representa uma queda de 13,7% em relação aos 493 milhões de quilos colhidos em 2005 – e de quase 27% se a comparação for com os 579 milhões de 2004. Se em quantidade a safra é menor que as últimas duas, em qualidade há uma ligeira inferioridade sobre 2005, mas uma superioridade no cotejo com 2004. O grau glucométrico médio de 2006 é 14,98, contra 15,57 em 2005 e 14,85 em 2004.
Esses dados foram calculados pela Divisão de Enologia da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do RS. Eles ainda eram parciais na sexta 12, mas, assegura o chefe da Divisão, Plínio Manosso, não haverá grandes alterações. "Chegamos a pouco mais de 423 milhões de quilos e falta incluir informações de duas ou três pequenas vinícolas. Com certeza o total não ultrapassará 425 milhões de quilos", projeta Manosso.
Sobre qualidade, o técnico classifica esta de "uma bela safra", ressaltando, porém, que há outros indicadores, como sanidade (não tem como avaliar, mas em princípio considera boa) e teor de polifenóis (que ajuda a produzir vinhos mais finos). Manosso atribui a queda no volume ainda aos efeitos do clima, em especial da seca.
Os números sobre a safra 2006 revelam que 86,7% (366,7 milhões de quilos) do total de uva produzida são das variedades comuns (310,3 milhões de tintas, 47,1 milhões de brancas e 9,2 milhões de rosada). A proporção segue anos anteriores. Entre as viníferas, foram colhidos 33,7 milhões de quilos de tintas e 21,9 milhões de quilos de brancas.
A melhor graduação média por variedades foi alcançada pela cabernet sauvignon, com 17,78 graus glucométricos (ou babos). Na seqüência vêm a uva cabernet franc, com 17,55, merlot (17,30), chardonnay (16,17), riesling itálico (15,55) e variedade moscato (13,73).
Pacote assegura preços e ajuda escoar produção rural
Pressionado por manifestações de protesto em todo o país, o ministro da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento (Mapa), Roberto Rodrigues, anunciou na sexta 12 um novo conjunto de medidas de apoio ao setor agropecuário. Entre elas, o subsídio de R$ 1 bilhão para sustentar os preços recebidos pelos produtores de soja.
Rodrigues disse que o valor liberado será utilizado em operações de Prêmio de Risco de Opção Privada (Prop) para soja. A expectativa é de que o preço mínimo pago ao produtor alcance o patamar de R$ 22 a saca de 60 quilos. O Prop funcionará através de um valor que o governo repassará às cooperativas e às indústrias de soja para que elas paguem ao produtor um adicional sobre o preço, de forma a compensar, sobretudo, as despesas de transporte.
Além da soja, o apoio oficial beneficia produtores de arroz, milho, trigo, algodão e mandioca, entre outras culturas, por meio de Aquisições do Governo Federal (AGF), amparados pela Política de Garantia de Preços Mínimos. "Estamos dando uma sinalização importante de garantia de preço mínimo ao produtor", afirmou o ministro Rodrigues.
Instabilidade – Junto às manifestações, as entidades agrícolas vinham atuando em várias frentes para conseguir a aprovação das medidas. Os presidentes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, Antônio Ernesto de Salvo, e da Organização das Cooperativas Brasileiras, Márcio Lopes Freitas, protocolaram, no Palácio do Planalto, ofício alertando para "o risco de instabilidade no campo, em função da crise do setor rural."
As medidas foram anunciadas num momento em que os protestos de produtores rurais ocorrem em todo o país, ameaçando o abastecimento.
O ministro da Agricultura espera que as medidas emergenciais anunciadas pelo governo federal para apoiar a comercialização de produtos agrícolas, juntamente com a renegociação de parte das dívidas dos agricultores, garanta renda ao setor. Com isso, o produtor poderá melhorar a capacidade de pagamento dos débitos contraídos junto a instituições financeiras e empresas fornecedoras de insumos.
Medida beneficia orizicultor de SC e do RS
Os produtores de outras culturas contarão com um total de R$ 408 milhões, sendo 50% para a agricultura familiar e a outra metade para compra de arroz, milho, algodão, trigo e mandioca.
Na prática, as medidas anunciadas pelo ministro da Agricultura significam que o setor orizícola terá o total de R$ 176 milhões para aplicação em Aquisição do Governo Federal (AGF). O mecanismo permitirá a retirada de 400 mil toneladas de arroz do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, ao preço de R$ 22 por saca (50 quilos). O limite por produtor é de 125 toneladas (2.500 sacas).
Concurso fortalece vinicultura caxiense
As vinícolas de Caxias do Sul têm até o próximo dia 24 para se inscrever no 9º Concurso dos Melhores Vinhos. No concurso do ano passado, mais de 70 cantinas inscreveram 244 amostras. "A tendência é aumentar o número de amostras em 2006", declara o secretário municipal da Agricultura, Nestor Pistorello.
A equipe da Secretaria da Agricultura do município (Smag) vai coletar as amostras de 21 de junho a 8 de julho. Já as análises sensoriais serão realizadas de 17 a 21 de julho. O jantar de premiação está previsto para 11 de agosto e o coquetel de apresentação dos vinhos premiados, em 31 de agosto.
O concurso tem como objetivos a melhoria da qualidade dos vinhos e a divulgação do produto caxiense. "Também buscamos fortalecer o setor vitivinícola", diz o secretário Pistorello.
Plasticultura – A Smag e o Sebrae promovem a oficina "Planejando nosso empreendimento coletivo". A ação envolve 21 produtores do programa de cultivo protegido de uvas de mesa. O próximo encontro ocorre na quinta-feira 18, às 14h, na secretaria. Os encontros são acompanhados pelo consultor do Sebrae, Mauro Zamperetti.
Segundo Pistorello, o objetivo do trabalho é fortalecer a organização dos agricultores, que estão criando a Associação de Produtores de Uvas de Mesa Protegidas. A intenção é ampliá-la para difundir a técnica e torná-la mais competitiva. Durante a Festa da Uva 2006, foi lançada uma logomarca que identifica a associação.
Soca duplica a produção de arroz
Produtor ganha com a preservação ambiental e redução dos custos
A Embrapa Arroz e Feijão está recomendando aos orizicultores a exploração da soca (segunda brotação). A soca se apresenta como alternativa para aumentar a produção sem acrescer a área de cultivo e com menor custo de produção, possibilitando reduzir a sazonalidade do uso de máquinas e implementos, aumentar a produtividade das várzeas tropicais, além de incrementar a renda líquida dos produtores.
As plantas de arroz possuem a capacidade de regenerar novos perfilhos férteis após o corte dos colmos (parte do caule da planta) na colheita. Esta brotação, denominada soca, possibilita o segundo cultivo de arroz, o qual pode constituir-se na alternativa prática para aumentar a produtividade de grãos em agroecossistemas, principalmente em várzeas, condições em que o arroz é adaptado.
Segundo o pesquisador da Embrapa Alberto Santos Baêta, sem a necessidade de preparo do solo nem de semeadura, o cultivo usa 60% menos água e 50% menos trabalho que a cultura principal. "A exploração da soca pode ser adotada aí na região Sul, principalmente em algumas regiões de Santa Catarina e do Paraná", informa Baêta ao CR.
O sucesso do cultivo da soca é determinado pelas práticas empregadas na cultura principal, tais como, época e altura do corte das plantas, sistema de plantio e colheita, manejo de fertilizantes, bem como pelas práticas que promovem rápida e uniforme brotação como fertilização nitrogenada, manejo de água e tratos fitossanitários.
"Atualmente, uma visão ampliada sobre a dinâmica rural tem sido demandada, envolvendo, inclusive, avaliação dos impactos ambientais negativos devido à degradação ambiental associada direta ou indiretamente ao uso inadequado de insumos e formas de manejo", conclui Alberto Santos Baêta.
Orizicultores pedem o abate de marrecos
Produtores familiares de arroz da região de Torres e associados à Cooperverde reivindicaram recursos para a construção de um abatedouro de marrecos de pequim. "A ave é largamente utilizada de forma consorciada com a cultura do arroz irrigado", explica o presidente da cooperativa Jairo Mattos.
Os marrecos são soltos, ainda pequenos, na lavoura logo após a germinação do arroz. Com eles se faz o controle biológico de pragas. As aves comem os inços, os ovos e os insetos adultos. Este consórcio diminui a necessidade de uso de venenos e, por conseqüência, o custo da produção. A carne das aves também é fonte de renda.
Cosuel incentiva a carne suína na escola
Encantado, sede da Cooperativa Cosuel (dona da marca Dália), um dos maiores frigoríficos do RS, introduziu a carne suína no cardápio escolar. A decisão beneficia 2.000 crianças de 14 colégios de ensino fundamental e infantil. O projeto iniciou no segundo semestre de 2005, mas foi lançado oficialmente na quinta 11.
Parceria entre a Cosuel e Prefeitura, a iniciativa incentiva o consumo da carne de porco e resgata as características históricas na produção de suínos. Por causa da suinocultura, o município já foi conhecido como a capital do ouro branco. Para a implantação do projeto houve o treinamento das merendeiras das escolas para a elaboração de receitas.
Engº. Agrº. José Zugno
Preá
Há uma proliferação de preás em minha propriedade. Tenho um terreno fechado em Caxias do Sul. A área parece ser propícia à fecundidade desse roedor, mesmo porque não há predadores naturais do animal. O preá é comestível? Pode ser abatido sem problema com a lei?
EUGÊNIO RAVIZZONI
Caxias do Sul-RS
Preás são pequenos roedores sul-americanos que habitam principalmente os brejos nordestinos e à beira das matas úmidas, capoeiras e capinzais do Sul e Sudeste brasileiros, também na Argentina e Paraguai. Os roedores constituem a 7ª ordem da classe dos mamíferos que são vertebrados, pulmonados, homotermos, geralmente vivíparos, alimentando os filhotes com leite materno. A característica principal dos roedores: os dentes incisivos. Um ou dois pares no maxilar superior e um par no maxilar inferior. Não têm caninos e nem pré-molares, mas molares grandes achatados com pregas transversais. Os dentes incisivos crescem continuamente. O animal tem a necessidade de gastar a ponta de marfim duríssimo que se renova. Os roedores vão desde os minúsculos camundongos, todas as espécies de ratos, ratão do banhado, ouriço, caxinguelê ou serelepe (esquilo), lebres e coelhos, preás, paca, cotia, e as capivaras, que são os maiores roedores.
Os preás, dentre os roedores, pertencem à família Caviídios que compreendem dois gêneros: Cavia e Galea. A Cavia aperea é a espécie do Brasil meridional e a Galea spixii spixii, a espécie nordestina, muito semelhante à primeira. Só diferem, em alguns detalhes como algumas manchas brancas no preá nordestino. Do gênero Cavia situa-se uma espécie muito afim ao preá que é o porquinho-da-índia, Cavia cutleri, de origem andina (Peru).
A Cavia aperea tem a pelagem de cor predominante cinzento-parda, 25 a 30 cm de comprimento e cerca de um quilo de peso. São animais limpos, herbívoros, alimentam-se, de preferência, de capins tenros e outros vegetais. Freqüentemente invadem, em bandos de 6 a 12 indivíduos, arrozais, lavouras diversas e hortas, causando prejuízos.
Aqui no Sul não é comum o uso da carne de preá, considerada saborosa, semelhante à de coelho. Segundo informações históricas, os imigrantes italianos dos primeiros tempos consumiam carne de preá na alimentação. Alguns, ainda hoje, mantêm o costume, mas o consumo no Nordeste do Brasil é mais freqüente, talvez pela carência de outras fontes de proteína animal.
Pude constatar pessoalmente o interesse da população nordestina pela carne de preá em visitas à região. A primeira delas aconteceu há mais de 30 anos. Naquela ocasião resolvi levar meus filhos maiores, Tereza Marta, José Filho e Ricardo, todos adolescentes, para visitar a Bahia. Viajamos de ônibus e nos instalamos em Feira de Santana onde residia minha irmã Celina, cujo marido, de Caxias, instalara lá uma pequena marcenaria. Feira de Santana é a segunda cidade do Estado, distanciada cerca de 100 quilômetros da capital Salvador e se tornou célebre, como diz o próprio nome, pelas feiras semanais que realizava. Sertanejos e vaqueiros surgiam de toda parte e armavam suas barracas na ampla avenida principal da cidade, às quintas-feiras, onde ficavam até domingo, trazendo tudo o que podiam para negociar e confraternizar uns com os outros. A feira, verdadeiramente livre, primava pela originalidade, com a comercialização de todo tipo de produtos regionais e artesanais (de couro, cerâmica, madeira, fibras), produtos agrícolas e de indústria caseira, animais, frutas da época, ervas medicinais e alimentos da tradicional culinária baiana. Em particular chamava atenção a oferta e venda de animais domésticos vivos como galinhas, perus, marrecos, leitões, cabritos, terneiros, burricos etc; e selvagens, como lagarto (teju), quatis, pássaros e diversos tipos de aves. Foi ali que constatamos a presença de preás vivos e mantas de carne seca à venda, muito procurada.
Criatório de preás – Em Mossoró (RN) funciona o Centro de Multiplicação de Animais Silvestres da Escola Superior de Agricultura. Trata-se de um criatório de preás para estudos e pesquisas, onde podem ser encontrados outros animais nativos do semi-árido com a finalidade de contribuir para preservar essas espécies.
Por ser um animal silvestre e se enquadrar na Lei dos Crimes Ambientais 9650/98, o preá não pode ser abatido. Para manter o criatório, o prezado leitor deve procurar o Ibama. No caso de Caxias do Sul, o endereço é avenida Júlio de Castilhos, nº 40. Telefone (54) 3222 0350, com Adriana Perlott.
População terá acesso à medicina alternativa na rede pública de saúde
Portaria autoriza o uso de acupuntura e homeopatia no SUS
Acupuntura, fitoterapia, homeopatia e termalismo. Essas práticas terapêuticas estarão à disposição da população no Sistema Único de Saúde (SUS) em, no máximo, seis meses. A medida faz parte da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares instituída pelo Ministério da Saúde por meio da portaria 971. A política uniformiza os critérios para a prestação desse tipo de serviço no SUS e define as ações e responsabilidades que devem ser adotadas pelos Estados e municípios.
A acupuntura faz parte da medicina tradicional chinesa. Surgiu há milhares de anos na China, mas só chegou ao ocidente na metade do século 20. No Brasil, a prática foi introduzida há cerca de 40 anos. Ela aborda de maneira integral o processo saúde-doença no ser humano. A técnica compreende o estímulo preciso de pontos espalhados pelo corpo com o uso de agulhas metálicas.
Os acupunturistas e defensores da terapia dizem que a estimulação dos pontos provoca a liberação, no sistema nervoso central, de neurotransmissores e outras substâncias responsáveis por promover o alívio da dor, restaurar funções orgânicas e produzir imunidade a doenças. A acupuntura pode ser utilizada em pós-operatórios, para náuseas e vômitos pós-quimioterapia, dependências químicas, reabilitação após acidentes vasculares cerebrais, dor de cabeça, asma, entre outros. A técnica, há mais de dez anos, é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina e Associação Médica Brasileira.
Já a homeopatia surgiu no século 4 antes de Cristo. Caracteriza-se pelo uso de medicamentos naturais destinados a aumentar a capacidade curativa que o organismo possui. Para isso, são utilizados remédios fortemente diluídos. A prática é usada principalmente para curar doenças crônicas não-transmissíveis, como as respiratórias e alérgicas, e em transtornos psicossomáticos.
O termalismo é o uso de águas minerais com finalidade terapêutica. É utilizado de maneira complementar aos demais tratamentos de saúde (fitoterapia, leia acima).
Portaria gera polêmica entre médicos
O Sindicato Médico de São Paulo já se manifestou contrário à portaria 971. "O Ministério da Saúde não pode autorizar o tratamento de sintomas sem esclarecer as causas das doenças. A nova portaria coloca em risco a saúde da população", declarou o presidente do Simesp, o médico Cid Carvalhaes. "Antes do tratamento deve ser priorizado o diagnóstico seguro. É o diagnóstico que indica o tratamento e essa é uma prerrogativa do médico", completa.
A portaria autoriza que outros profissionais da saúde prescrevam ou realizem os tratamentos alternativos. Carvalhaes defende que a aplicação do tratamento pode ser feita por um outro profissional da área, desde que tenha acompanhamento de médicos, que devem avaliar a evolução da doença e a eficácia do tratamento.
O Ministério da Saúde afirma que a portaria foi previamente aprovada pelo Conselho Nacional de Saúde após discussão com a comunidade médica e científica. De acordo com o diretor de Assistência Farmacêutica do ministério, Manoel dos Santos, uma das preocupações é garantir a segurança e qualidade das terapias alternativas. Outra exigência é que os profissionais que quiserem exercer a acupuntura no SUS deverão ter o título de especialista.
O Colégio Médico de Acupuntura também considera uma falha a portaria não estabelecer que o diagnóstico clínico deve ser feito obrigatoriamente por médicos. Segundo a instituição, a acupuntura é um procedimento terapêutico invasivo e pode provocar riscos se for aplicado sem diagnóstico ou com diagnóstico incorreto.
Fitoterapia é promissora no Brasil
A fitoterapia é um recurso caracterizado pelo uso de plantas medicinais no tratamento de doenças. A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que 80% da população utilizam essas plantas e preparos no cuidado primário à saúde. Ela recomenda a difusão dos conhecimentos necessários ao uso racional das plantas medicinais no planeta. O Brasil é considerado um país com grandes possibilidades de desenvolver melhor a fitoterapia, já que possui cerca de 55 mil espécies de plantas catalogadas.
Uma das principais medidas inseridas na nova política será a "Proposta para Plantas Medicinais e Fitoterapia". Segundo o diretor de Assistência Farmacêutica do Ministério da Saúde, Manoel dos Santos, as plantas com potencial curativo vão ser catalogadas e disponibilizadas na Relação Nacional de Medicamentos Fitoterápicos (Rename – Fito), um banco de dados acessível aos profissionais de saúde e à população em geral. A política poderá contar ainda com a rede de laboratórios públicos oficiais, que vão produzir os medicamentos fitoterápicos.
"O objetivo principal dessa política é disponibilizar os medicamentos fitoterápicos principalmente na atenção básica", afirma Manoel dos Santos em entrevista à Agência Brasil. O uso desses medicamentos deverá ser monitorado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Aveia reduz o colesterol, mesmo
Muitos estudos comprovam o poder da aveia em reduzir as taxas de colesterol no sangue. De 1963 para cá foram divulgadas 38 pesquisas de órgãos científicos de várias partes do mundo sobre este alimento. Dessas, 28 mostraram queda significativa tanto do nível de colesterol total quanto do LDL, o chamado colesterol ruim.
As responsáveis pelo efeito benéfico são as betaglucanas, substâncias que absorvem as gorduras e as expulsam do organismo por meio das fezes. Recentemente, uma fabricante de aveia propôs um desafio à equipe do fisiologista Turíbio Leite Neto, da Universidade de São Paulo: diminuir o colesterol dos habitantes de uma cidade em sete semanas. O local escolhido foi Riacho Grande (SP).
Das 396 pessoas com colesterol elevado, 126 desceram aos níveis normais. Hoje, Riacho Grande tem 6% da população com taxas elevadas de colesterol, enquanto a média nacional é de 8,8%, segundo estudo da Universidade Federal da Bahia, realizado em nove capitais brasileiras. Os resultados foram obtidos apenas com a inclusão diária de aveia no cardápio dos participantes, não houve outra mudança na dieta nem no estilo de vida.
Os anos perdidos do cristianismo
Leonardo Boff
Autor de Jesus Cristo Libertador (Vozes)
Para a Igreja em estado nascente não eram suficientes os ditos, a vida, a morte e a ressurreição de Jesus. Tudo deve desembocar na mesa comum, na comensalidade, pois é esta que permite abrir os olhos
A publicação do Evangelho de Judas, escrito apócrifo tardio de natureza gnóstica, suscitou interesse geral sobre o cristianismo das origens. Ultimamente esse tema tem ocupado a investigação científica especialmente nos EUA com minuciosas pesquisas acerca dos assim chamados "anos perdidos do cristianismo" que são os anos 30 e 40 do século I, aquelas obscuras décadas posteriores à execução de Jesus. A partir do início dos anos 50, com as cartas de São Paulo e depois com os quatro evangelhos, dispomos de farta documentação. Mas o que ocorreu nos anos anteriores? As fontes são exíguas, como o evangelho de Tomé, a Didaqué e a "Quelle" (fonte), subtexto comum aos evangelhos de São Lucas e de São Mateus, todos anteriores ao ano 50. Vários são os investigadores católicos e evangélicos que se notabilizaram nesta área – H. Köster, J. Kloppenborg, D. Kyrtatas, P. Brown entre outros. Mas o mais perspicaz e erudito de todos é o católico irlandês-norte-americano J. D. Crossan, presidente da secção sobre o Jesus histórico da "Society of Biblical Literature" e coordenador do "Jesus Seminar". Das várias obras destacam-se principalmente duas: "O Jesus da história: a vida de um camponês mediterrâneo judeu" (1991) e "O nascimento do cristianismo: o que sucedeu nos anos imediatamente posteriores à execução de Jesus" (1998). Este último, com mais de 600 páginas, representa a combinação interdisciplinar de enfoques antropológicos, históricos, literários e arqueológicos na tentativa de reconstruir os contextos que permitiram o nascimento do cristianismo como interação de Jesus com seus companheiros e com o mundo que os rodeava.
Aí ficamos sabendo que muitos artesãos e camponeses como Jesus e seu grupo viviam na resistência radical, mas não violenta, contra o desenvolvimento urbano de Herodes Antipas e o comercialismo rural de Roma na Baixa Galiléia no final dos anos 20. O contexto mais geral era a cerrada oposição por parte da pátria judaica ao internacionalismo cultural grego e ao imperialismo militar romano.
O cristianismo histórico, segundo Crossan, é fruto de três tradições que se entrelaçaram. A primeira é a Tradição da Vida que enfatiza os ditos de Jesus e propõe um modo de vida inspirado nos comportamentos libertários de Jesus. Esta tem um cunho rural, pois medrou na Galiléia rural. A segunda é a Tradição da Morte e da Ressurreição que procurava entender por que Jesus foi assassinado se depois foi ressuscitado. A ressurreição era entendida no quadro da apocalíptica que afirmava o caráter cósmico do fenômeno, o começo da renovação do mundo e da transfiguração do ser humano. Ela é mais urbana, pois foi elaborada a partir de Jerusalém. A terceira é a Tradição da comida comum. Eram comidas reais como comidas compartilhadas comunitariamente que simbolizavam a justiça eqüitativa de Deus. O importante não era o pão, mas o repartir o pão. Neste contexto se situava a celebração da eucaristia. A Tradição da comida unia as duas tradições referidas. Para a Igreja em estado nascente não eram suficientes os ditos, a vida, a morte e a ressurreição de Jesus. Tudo deve desembocar na mesa comum, na comensalidade, pois é esta que permite abrir os olhos como aos jovens de Emaús e reconhecer a presença divina neste mundo. Estes dados são relevantes para entender o cristianismo em suas origens mais prático que dogmático.
Da Itália e Garotinho a Morales e PT
Frei Betto
Jogar o lixo para debaixo do tapete é deixar pairar sobre os acusados a aura da suspeita. E abrir um precedente grave: o mesmo PT que expulsa por divergência política, acoberta a transgressão ética
Retorno ao Brasil após maratona de palestras na Itália: Aosta, Modena, Bolzano, Pistoia, Morbegno e Misano. Encontrei uma Itália dividida. Embora o voto não seja obrigatório, mais de 80% dos eleitores posicionaram-se em torno dos nomes de Berlusconi e Prodi. Venceu Prodi, candidato de centro-esquerda, pela exígua vantagem de 25 mil votos.
A tensão eleitoral reflete a social. A Europa Ocidental chegou ao topo de seu bem-estar. O futuro se lhe delineia como um plano inclinado, já que não cria progresso científico e tecnológico. Usufrui dos avanços protagonizados pelos EUA. Em 2005 a Itália teve crescimento zero.
Um operário da Fiat de Betim (MG) ganha por mês o que se paga por dois dias de trabalho a um operário da Fiat de Turim. Em busca de maior margem de lucro, as indústrias se deslocam para países fornecedores de mão-de-obra barata. Resta ao europeu o capital especulativo engordado por essa estranha alquimia econômica que transforma o Terceiro Mundo em exportador de capital, amealhado por um sistema financeiro anabolizado por contas secretas que acobertam fortunas escusas e criminosas.
Hoje, o europeu ocidental desfruta de uma qualidade de vida jamais conhecida pelas gerações anteriores. Mas não o faz impunemente. Embora haja fila para adquirir um carro Ferrari no valor de 600 mil euros (cerca de R$ 1,5 milhão), não há rede de proteção social que suporte o peso de tantos desempregados, devido aos avanços tecnológicos, e tantos aposentados, graças à dilatação da média de expectativa de vida.
Esse direito é extensivo aos imigrantes, inclusive aos que chegaram há pouco, fugidos da miséria, sem que tenham contribuído durante anos para o sistema previdenciário. Eis que se atiça a xenofobia. Na Europa Ocidental, com exceção dos turistas, os de fora não são bem-vindos. Sobretudo aqueles nos quais o crescente preconceito identifica potenciais terroristas.
Na Itália, Berlusconi simboliza o dinheiro farto, a ostentação do europeu que, abastecido de rendas, se dá a um requinte outrora só desfrutado pelos nobres. Na Enoteca Pinchiorri, o melhor restaurante de Florença, o prato mais barato custa o equivalente a R$ 460. E há filas para a reserva.
Prodi significa que o sonho acabou. E se não quiser resvalar para o plano inclinado, o italiano deve começar a preocupar-se com o futuro no qual o capital produtivo tenha precedência sobre o especulativo. Há que tomar distância dos EUA; aproximar-se de Zapatero, chefe do governo espanhol; trazer de volta as tropas italianas no Iraque; encarar de frente o desafio ecológico; promover reformas nas instituições.
Constatei grande interesse pelos ventos democráticos que sopram na América Latina. Os eleitores de Prodi torcem pela reeleição de Lula, conscientes do papel estratégico do Brasil no Continente.
O ex-governador do Rio faz greve de fome. Fiz duas quando preso político, uma por seis dias e a segunda por 36. Estávamos numa ditadura, na qual oposicionistas eram tratados como terroristas, e havia mortos e desaparecidos. Hoje as instituições democráticas funcionam relativamente bem. Tanto que Garotinho, que já foi PT, PDT e agora é PMDB, se elegeu governador e fez eleger a mulher para o mesmo cargo. A atitude de Garotinho é ridícula. Quem faz greve de fome fecha a boca. Mas a dele precisa se abrir para explicar as denúncias em torno de sua pré-candidatura à presidência.
Evo Morales fez o que o Brasil devia ter feito ao criar a Petrobras, nos anos 50: nacionalizou a produção e a comercialização do gás boliviano. É um direito de soberania. O Brasil deixou a comercialização do petróleo em mãos de empresas estrangeiras. Em cada esquina, um posto de origem estadunidense.
A Bolívia tem 70% de sua população vivendo com uma renda per capita/dia inferior a dois dólares. E Morales apenas cumpre sua promessa de campanha. Não fez demagogia, como se o seu nacionalismo fosse apenas para efeito de marketing eleitoral. O governo boliviano não estatizou as empresas estrangeiras que operam no país. Exige, porém, controle acionário. O Brasil compra, por dia, cerca de 25 milhões de metros cúbicos de gás natural da Bolívia e paga por ano apenas US$ 800 milhões. Quem acha que Morales exagera, dê uma olhada nas leis dos EUA, da Inglaterra e da França, que defendem a exploração e comercialização dos recursos naturais daqueles países. E ninguém ousa acusar o trio de desrespeitar "direitos internacionais". Antes de respeitar as "leis do mercado", um governo tem a obrigação de respeitar e proteger os direitos da nação. Chega de neocolonialismo!
O PT decidiu, em seu encontro nacional, não apurar as responsabilidades de seus parlamentares acusados de receber "dinheiro não-contabilizado"... Ou melhor, promete que o fará após as eleições, mas sem tratar de casos individuais. O mesmo partido que expulsou companheiros (as) por razões políticas, agora se recusa a sequer investigar os que são suspeitos de transgredir a lei e a ética. E o faz em nome da prioridade de reeleger Lula.
Não percebe que a candidatura Lula se fortaleceria com a coerência do PT a seus princípios históricos, norteados pela estrela da ética e da defesa dos direitos dos mais pobres. Jogar o lixo para debaixo do tapete é deixar pairar sobre os acusados a aura da suspeita. Com o risco de não reelegê-los em outubro. E abrir um precedente grave: o mesmo PT que expulsa por divergência política, acoberta a transgressão ética. Lula, que demitiu ministros de primeiro escalão diante de suspeitas éticas, merecia no mínimo igual atitude do partido que criou.
A Varig é a cara do Brasil. Ou melhor, as asas. Seus gestores não deveriam ter deixado uma empresa de tamanha importância estratégica atolar-se numa dívida superior a R$ 6 bilhões. Milhares de empregos diretos e indiretos estão em jogo. Tomara que se encontre uma saída que impeça a companhia aérea de ter o mesmo destino da Vasp e da Transbrasil.
Brasileiro trabalha 145 dias por ano para pagar tributos
Em média, cada habitante do país teve de desembolsar no ano passado R$ 3,9 mil
Os tributos pagos por cidadãos e empresas à União, Estados e municípios equivalem a 37% de todas as riquezas do Brasil, o Produto Interno Bruto (PIB). É uma soma que ultrapassa os R$ 700 bilhões por ano, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), e inclui impostos, taxas e outras contribuições.
Além dos impostos quitados na boca do caixa, cada vez que o brasileiro compra um produto, ele paga, embutido no preço da mercadoria, diversos tributos. Assim, todo cidadão, mesmo aquele que atua na economia informal e não tem emprego com carteira assinada ou empresa legalizada, paga impostos e é, portanto, um contribuinte.
O valor arrecadado pelo governo com impostos sobe a cada ano. Entre 2002 e 2005, conclui o IBPT, houve aumento real (descontando a inflação) de 11,72% . No ano passado, a arrecadação do Imposto de Renda subiu 10%, proporcionalmente ao PIB.
Na medida em que aumentam os valores dos tributos, crescem as reclamações dos setores produtivos e entidades sociais. Eles argumentam que a carga tributária no país é alta, pesa no orçamento e impede o crescimento econômico. O IBPT aponta que o cidadão comum, por exemplo, vai trabalhar do dia 1º de janeiro ao dia 25 de maio só para pagar os impostos, taxas e contribuições federais, estaduais e municipais. Isso significa praticamente cinco meses, quase meio ano – uma carga pesada demais que afeta toda a população, inclusive os de baixa renda.
O descontentamento aumenta porque não há a percepção da aplicação do dinheiro, já que impostos, taxas e contribuições devem retornar ao cidadão em forma de benefícios. Há vários movimentos no país na busca da redução dos impostos e por uma aplicação transparente e eficiente dos recursos arrecadados.
Cidadania – A idéia básica desses movimentos é de que a consciência sobre os tributos é fundamental para o exercício da cidadania: quanto mais o cidadão souber o quanto paga em tributos, mais esclarecido estará para exigir que o Estado faça a sua parte, oferecendo educação, saúde, segurança, previdência e outros serviços essenciais de boa qualidade.
Essa mobilização ganha dimensões ainda mais importantes diante de uma seqüência de escândalos que parece não ter fim. O contribuinte tem todo o direito de ficar indignado ao saber que parte do dinheiro dos impostos é desviada para compras, por exemplo, de ambulâncias superfaturadas, num esquema descoberto pela operação denominada "sanguessuga", que envolve dezenas de políticos, entre eles o ex-deputado Bispo Rodrigues.
Brasil tem cinco tipos diferentes de tributos
A arrecadação tributária não é feita só de impostos, como a maioria pensa. O contribuinte paga cinco tipos diferentes de tributos, previstos na Constituição: taxas, contribuições de melhoria, impostos, empréstimo compulsório e contribuições parafiscais (ou especiais).
A base das despesas e dos investimentos do Estado é custeada pela arrecadação de impostos, contribuição mais comum e que, na linguagem popular, se confunde com o próprio sistema tributário. As taxas são cobradas pelo uso de serviços públicos, como coleta de lixo, poder de polícia, taxas de inspeção sanitária e de licenciamento de veículos. A arrecadação para financiar obras públicas como escolas, postos de saúde e estradas são chamadas de contribuições de melhoria.
O empréstimo compulsório é cobrado exclusivamente pela União para atender a emergências, como calamidade pública ou guerra. Por exemplo, a política do ex-presidente Fernando Collor de Mello, que congelou os recursos financeiros para combater a inflação.
As contribuições parafiscais (ou especiais) também podem ser cobradas apenas pela União. Nessa categoria estão contribuições sociais como o PIS/PASEP e COFINS; de intervenção no domínio econômico (Cide); ou de interesse de categorias profissionais, como as contribuições sindicais. (Com informações do Jornal do Senado)
JOVEM ABUSA DO ÁLCOOL
Eles estão bebendo muito e cada vez mais cedo. Segundo a Unesco, 35% dos estudantes brasileiros tomam bebida alcoólica. O início do consumo caiu de 14 anos na década de 70 para 12 nos dias atuais. Não há diferença entre homens e mulheres, elas bebem tanto quanto eles. Sob efeito do álcool, jovem perde o senso crítico e adota comportamento de risco, ficando vulnerável a acidentes de trânsito e doenças sexualmente transmissíveis
O consumo de bebidas alcoólicas pelos brasileiros cresceu 70,5% nos últimos 35 anos, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Esse resultado coloca o Brasil entre os 25 países com o maior aumento na ingestão de álcool nesse período. Pior, o consumo eleva-se principalmente entre os jovens.
Álcool é a droga, entre as lícitas e ilícitas, que mais avança entre os jovens. Hoje eles bebem bastante, cada vez mais precocemente e as meninas consomem a mesma quantidade que os meninos. Uma pesquisa da Organização das Nações Unidas para a Educação (Unesco) mostra que 34,8% dos 50 mil estudantes brasileiros dos ensinos fundamental e médio, ou seja, 17,4 milhões de jovens, consomem álcool. Segundo recente levantamento sobre consumo de drogas entre estudantes, organizado pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), dos 48.155 jovens entrevistados, 41% já tinham usado algum tipo de bebida alcoólica entre 10 e 12 anos. Aos 18, a maioria deles, 81%, já tinha bebido.
Caiu também a faixa etária para o início do consumo. Nos anos 70, a moçada começava a tomar entre 14 e 15 anos, na proporção de uma menina para cinco meninos. Em 2004, a iniciação ocorria entre 12 e 13 anos, na proporção de uma para um, conforme revela Sérgio de Paulo Ramos, presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead).
As estatísticas remetem a outros problemas associados ao consumo de álcool por adolescentes. Após entornar algum tipo de bebida, os jovens ficam vulneráveis, por exemplo, a acidentes de trânsito. Estima-se que mais de 80% dos que morrem no trânsito ou por homicídio são jovens, de acordo com a Abead. Estima-se que a bebida cause pelo menos 1,8 milhão de mortes por ano – aí incluídos suicídios e acidentes rodoviários.
A bebida também pode ser responsável pela queda do rendimento escolar. Dos jovens avaliados pela Secretaria Nacional Antidrogas que haviam usado algum tipo de droga – a maioria consumia álcool -, mais da metade faltava constantemente à escola e 54% estavam um ano atrasados em relação à série considerada ideal para a idade.
Sabe-se também que, sob efeito do álcool, o senso crítico dos adolescentes diminui e eles passam a ter comportamento de risco em relação ao sexo, expondo-se a doenças sexualmente transmissíveis e à gravidez inesperada. O álcool ainda é a principal porta de entrada para o consumo de drogas mais pesadas. A maioria dos jovens que procura instituições de auxílio para se libertar da dependência química relata que iniciou este caminho pelo vício da bebida.
Mas por que eles estão bebendo tanto? Não há uma única resposta pronta para esta questão. "O adolescente busca o que é diferente, é típico desta faixa etária querer experimentar novidades e ampliar seus horizontes", afirma o psiquiatra João Marcos Fruet.
Segundo o médico, a maneira como o jovem se sente na sociedade atual também interfere. "Observa-se um consumismo exagerado de tudo, não há limites, nada mais confere prazer e o jovem busca essa sensação de modo desenfreado, não tem um projeto de vida, ele quer o bem-estar imediato", explica Fruet, que trata de dependentes de álcool na Clínica Paulo Guedes, em Caxias do Sul, e coordena grupos de entre-ajuda para alcoólatras.
Outro agravante é que nesta fase da vida anda-se em grupos. Segundo o especialista, uns provocam os outros para beber com frases do tipo: "você não é homem", "tá com medo". Justamente na adolescência, em que a sexualidade aflora, esse tipo de pressão surte efeito e muitos acabam cedendo. "Apesar de todos esses estímulos negativos, se o jovem tiver uma boa estrutura psicológica, formada no ambiente familiar (matéria abaixo), experimenta, percebe o risco e cai fora; caso contrário, o álcool toma conta dele", declara Fruet.
Diferentemente de outras drogas, o álcool leva vários anos para criar dependência. "Quando se percebe, o jovem que inicialmente bebia para se divertir, se inserir num grupo, vira um adulto alcoólatra", alerta o psiquiatra. O alcoolismo, além de provocar danos fisiológicos, desestrutura a família e o ambiente de trabalho. É uma doença que precisa ser tratada para o resto da vida.
Pais devem dar limites aos adolescentes
No Brasil, a banalização da bebida faz com que muitos não encarem o álcool como uma droga. É difícil aceitar que o filho está tendo problemas com o álcool. Sérgio Ramos, presidente da Abead, adverte sobre a postura do "isso nunca vai acontecer comigo". "Às vezes, a má companhia dos filhos dos outros pode ser o nosso filho", diz.
O psiquiatra João Marcos Fruet acredita que os pais estão muito ausentes na educação dos jovens. Segundo o especialista, eles devem procurar saber o que está acontecendo, conversar, criar intimidade. Ele defende que o hábito de beber na adolescência normalmente é adquirido dentro de casa. "Em educação, vale a máxima "o exemplo não é a melhor forma de ensinar, é a única. Tudo começa em casa, pelo exemplo dos pais". afirma.
Fruet observa que hoje muitos pais não querem repetir o modo autoritário como foram criados e acabam liberando demais. "Autoridade não é ruim, significa amar sem aceitar as atitudes erradas, o adolescente precisa de limites", esclarece. "A austeridade, a repressão e a agressão sim são negativas. Dizer coisas do tipo ‘você não faz nada, só incomoda, me atrapalha’, não ajuda em nada e pode fazer com que o filho se refugie no álcool", explica o médico.
A família ainda deve ficar atenta aos primeiros sinais de envolvimento com o álcool: se o uso for constante e sempre levar à embriaguez e mal-estar; mudanças bruscas de comportamento, se o filho era extrovertido e passa a se isolar da família, dos amigos, queda no rendimento escolar.
Efeito é pior em mulheres
Biologicamente, as mulheres são menos resistentes ao álcool do que os homens. Elas têm menos água no organismo. Isso significa que o corpo dos homens dilui mais o álcool, mesmo que os dois tenham o mesmo peso. As mulheres têm menos desidrogenase, enzima que degrada o álcool, por isso metabolizam a substância mais lentamente. As modificações hormonais também aceleram o processo de intoxicação alcoólica. Por tudo isso, ela apresenta maior risco de desenvolver problemas no fígado, pâncreas e pressão alta do que os homens.
Alcoolismo é uma doença crônica e o tratamento é para toda a vida
O psiquiatra João Marcos Fruet afirma que quando a pessoa deseja parar, sempre há tempo. Segundo ele, o tratamento da dependência química exige uso de medicamentos para controlar os sintomas da abstinência, terapia individual e de grupo.
"Os grupos de entre-ajuda são muito importantes, a partir deles os pacientes inserem-se novamente à sociedade", esclarece. "Nos grupos, um serve de apoio ao outro, é como uma segunda família", afirma. Não só o Alcoólicos Anônimos (AA), mas todo grupo de entre-ajuda é válido, desde que o paciente sinta-se à vontade para interagir", garante o médico. "O alcoolismo é uma doença crônica, como diabetes, o tratamento é para toda a vida", finaliza Fruet.
Depoimento – RG, 44 anos, é um exemplo de como o consumo precoce de álcool pode levar à dependência, mas também é exemplo de superação do vício. Ele ingeriu álcool pela primeira vez aos sete anos, na festa de aniversário da irmã. "Era um coquetel com champagne, doce. Depois, segui bebendo a espuminha da cerveja", conta.
Ele recorda que o pai tinha um barzinho em casa, recebia os amigos e consumia uísque com freqüência. "Certa vez minha família viajou e eu resolvi receber os meus amigos em casa. Então fiz o primeiro porre, aos 12 anos. Daí para frente não parei mais e me envolvi com outras drogas", relata.
"Conheci o inferno aos 33 anos. Perdi a família, o emprego, morei na rua", lembra ele. "Não tinha mais controle sobre mim mesmo, não conseguia me conter em frente a um bar", confessa. "Numa noite, em 1999, estava fraco, não conseguia nem caminhar. Sozinho, no quarto da pensão onde eu morava, pedi ajuda a Deus", desabafa. "No dia seguinte, procurei minha cunhada e ela me ajudou".
A partir daí, ele começou a recuperação. Passou por diversas instituições de auxílio a dependentes químicos. Desde 6 de janeiro de 2001 está sóbrio, hoje é garçom e coordena grupos de entre-ajuda para dependentes químicos na Pastoral de Apoio ao Toxicômano Nova Aurora (Patna), em Caxias do Sul, e participa das reuniões do AA. "Nos grupos ajudo os jovens, mas eles também me ajudam, precisamos uns dos outros", conclui.
Mídia é um bem destinado aos povos
Afirmação de Bento XVI marca mensagem dedicada ao dia das comunicações
No dia 28 de maio a Igreja Católica celebra o 40º Dia Mundial das Comunicações. Neste ano, na mensagem publicada por Bento XVI, o Papa escolheu como tema da jornada "Mídia: rede de comunicação, comunhão e cooperação". Bento XVI abre o texto salientando que deseja "recordar o Decreto sobre os Meios de Comunicação Social, Inter mirifica, que reconheceu aos mass-media o poder de influenciar toda a sociedade humana".
O Papa prossegue destacando que diante das potencialidades oferecidas pelos meios de comunicação, escolheu como motivo de reflexão a capacidade que os media têm de facilitar a comunicação, a comunhão e a cooperação entre nações, povos e indivíduos. A mensagem salienta que "iluminar as consciências dos indivíduos e ajudá-los a desenvolver o próprio pensamento não é uma tarefa fácil. A comunicação autêntica deve basear-se na coragem e na decisão".
E ao dirigir-se aos que trabalham na mídia, ressaltou que não devem se deixar "subjugar pela grande quantidade de informações e não devem contentar-se com verdades parciais ou transitórias..., mas procurar difundir as verdades fundamentais e o significado profundo da existência humana, pessoal e social. Hoje o apelo que se faz à mídia é que seja responsável, para se tornar protagonista da verdade e promotora da paz que dela deriva, mesmo se isto comporta grandes desafios".
Depois de salientar que os media são um bem destinado a todos os povos, Bento XVI encerra sua mensagem destacando que eles são "um recurso importante e precioso para construir uma civilização de amor, que é desejo de todos os povos". O texto foi publicado em Roma, no dia 24 de janeiro, como ocorre tradicionalmente na festa de São Francisco de Salles, patrono dos jornalistas.
Bento XVI visita a Polônia de Wojtyla
De 25 a 28 de maio, o Papa Bento XVI realiza viagem apostólica à Polônia, visitando lugares decisivos da vida de Karol Wojtyla, o Papa João Paulo II, seu antecessor. A visita prevê etapas em Varsóvia, Czestochowa, Cracóvia, Wadowice, Kalwaria Zebrezydowska e Auschwitz.
Entre os compromissos do Pontífice na Polônia estão um encontro com o clero na catedral de Varsóvia, uma visita de cortesia ao presidente polonês; um momento ecumênico na Igreja luterana da Santíssima Trindade e um encontro com os jovens em Cracóvia. Bento XVI também visitará o santuário da Virgem em Czestochowa; Wadowice, local onde nasceu Karol Wojtyla; e o santuário da Virgem de Kalwaria.
Um dos momentos mais significativos será a visita aos campos de concentração de Auschwitz e Birkenau, onde as forças nazistas massacraram milhares de judeus. Em Birkenau o Papa vai participar de um encontro de oração em memória das vítimas que tombaram no local.
Código Da Vinci gera dúvidas e confusões
Será apresentado no festival de Cannes (França) nesta quarta-feira 17 e estreará simultaneamente nos cinemas de todo o mundo na sexta-feira 19, o filme "O Código Da Vinci", baseado no livro homônimo de Dan Brown. A obra de Dan Brown, publicada em 2003, já vendeu mais de 40 milhões de exemplares no mundo e já é considerado o "best-seller da década".
O filme, uma superprodução de Hollywood, dirigido por Ron Howard e com atores de primeiro escalão, como Tom Hanks, Jean Reno e Ian McKellen, poderá ser assistido por até 800 milhões de pessoas. Certamente, como já ocorreu com o livro, muitos católicos praticantes e mais instruídos se sentirão ofendidos com o filme, baseado numa obra de ficção, marcada por impropriedades e falsidades que têm suscitado muitas dúvidas e confusão sobre as verdades da fé.
Bispos alertam sobre inverdades do livro
Em abril, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Geraldo Majella Agnello, emitiu uma nota sobre o livro O Código Da Vinci, destacando que "a CNBB, consciente de sua responsabilidade em relação à defesa da verdadeira fé da Igreja, vem a público para prestar alguns esclarecimentos". Dom Geraldo ressaltou que não se pode esquecer que a obra de Dan Brown é de pura ficção e não retrata a história de Jesus, nem da Igreja.
"Não se pode atribuir verdade às afirmações claras ou veladas do autor. O que é fantasia deve ser lido e entendido como fantasia. As únicas fontes dignas de fé sobre a vida de Jesus e o início da Igreja são os textos do Novo Testamento, da Bíblia. A história da Igreja, depois dos apóstolos, está retratada em obras de caráter histórico, cujas afirmações são respaldadas pelo rigor do método histórico".
Dom Geraldo alerta para o fato de que a obra, no seu gênero fantasioso, baseada em lendas, falsos documentos, segredos milenares inexistentes e numerosos erros históricos, apresenta "uma imagem profundamente distorcida de Jesus Cristo, que está em contraste com as pesquisas e afirmações de estudiosos de diversas áreas das ciências humanas, da teologia e dos estudos bíblicos, ao longo de dois mil anos de história do cristianismo".
O presidente da CNBB convida os católicos a lerem os evangelhos e demais textos do Novo Testamento, para encontrarem aí a verdadeira imagem de Jesus. Ao opinar sobre o filme que estréia no dia 19, o secretário-geral da CNBB, dom Odilo Scherer, salientou que "existem questões que devem ser tratadas com mais respeito quando se trata da fé de milhões de pessoas, de um patrimônio religioso da humanidade que tem mais de dois mil anos de história".
Padre Zezinho
Maria foi a primeira cristã e continua sendo modelo de mulher Igreja
No ano 2001, início do novo milênio, passei por Fátima e, além de orar e pedir ajuda, registrei a piedade do povo português. Esses dias, enquanto revia os filmes para o meu programa de televisão, lembrei-me da imensa faixa pintada bem ao lado da gruta onde está a imagem. A faixa dizia: Terceiro Milênio: Só a Deus adorarás...
Os caros sacerdotes daquele organizadíssimo santuário estavam a dizer aos fiéis católicos e aos de outras religiões, muçulmanos, evangélicos ou judeus que porventura passem por lá, -e eles passam– que queremos um bem imenso à mãe de Jesus, mas não nos confundimos: só adoramos a Deus.
Não dizemos que Maria é divina e todo-poderosa. É santificada pelo Senhor, porque, mais do que ninguém, tocou o mistério que dentro dela se aninhou. Nem por isso virou deusa e nem por isso a adoraríamos. Mas venerar, respeitar, admirar, louvar, exaltar sua santidade nós o fazemos, como de resto Lutero o fazia, ao chamá-la também de Virgem Santíssima e ao cumulá-la de adjetivos.
Maria não é santíssima, se comparada a Deus, com o qual não pode haver comparações, mas, comparada a nós é santíssima. O que cabia de santidade num ser humano Maria recebeu, em virtude do seu Filho. Nós vivemos de migalhas, até porque não assimilamos o bastante.
Aquela faixa me fez pensar nas pregações dos sacerdotes devotos de Maria. Que os fiéis saibam quem nos ajuda a adorar Jesus, quem nos leva a Ele e a quem realmente adoramos. O terceiro milênio continuará sendo de Deus, porque só Ele é o Senhor dos tempos e dos séculos. Mas pensaremos outra vez em Maria como aquela que nos mostra o Filho. Essa mulher tem conteúdo.
De Jesus ela entende mil vezes mais do que qualquer pregador que o tenha encontrado em qualquer Igreja. Levemos Maria mais a sério. Foi a primeira cristã e continua sendo modelo de mulher Igreja! Amemo-la, nem demais e nem de menos!
Migração religiosa preocupa bispos
Ceris apresentou dados durante 44ª assembléia dos bispos em Itaici
Encerra nesta quarta-feira 17 a 44ª Assembléia Geral dos Bispos do Brasil, que reúne, desde 9 de maio 297 bispos em Itaici, Indaiatuba (SP), além de 97 pessoas, entre assessores e convidados. Durante oito dias, o episcopado brasileiro refletiu sobre a evangelização da juventude, tema central da assembléia. A transmissão da fé às novas gerações sempre esteve no centro das atenções da Igreja. No atual contexto histórico, social e cultural, porém, essa questão apresenta desafios e aspectos novos que não devem ser descuidados.
Estiveram em pauta outros assuntos e eventos, como a eleição dos delegados e suplentes do Brasil para a assembléia da Celam, prevista para maio de 2007 em Aparecida (SP); a comemoração dos 50 anos de fundação da Caritas Brasileira; revisão das diretrizes gerais da formação presbiteral; análise da conjuntura sócio-política e da situação religiosa no Brasil; entregues os prêmios de comunicação da CNBB e lançada a 3ª edição da Bíblia CNBB.
Durante a assembléia, foi apresentado aos bispos estudo realizado pelo Ceris sobre o mapeamento da filiação e mobilidade religiosas no país. A obra "Mudanças de Religião no Brasil", com 235 páginas, reúne dados coletados em 50 cidades. Conforme o estudo, a migração religiosa afeta pouco mais de 20% da população e é mais comum entre pessoas de idades medianas (2ª idade), com os católicos cedendo fiéis principalmente às denominações evangélicas pentecostais, mas também recebendo adeptos de outras religiões.
Atentos ao momento atual, no dia 14 os bispos emitiram uma nota sobre os atos de violência ocorridos em São Paulo, condenando as atrocidades e manifestando apoio a uma ação firme e sem violência das autoridades contra os culpados.
Exposição apresenta símbolos da religiosidade católica
Foi aberta na segunda 15, no Museu dos Capuchinhos (Muscap), em Caxias do Sul, a exposição "Religiosidade e Simbologia Católica". Símbolos religiosos da mostra estão presentes sobre as vestes sacerdotais utilizadas na liturgia, nas toalhas e linhos de altar, em medalhas, objetos litúrgicos e devocionais, em estampas de papel, livros e imagens de santos.
"O objetivo da mostra é reunir o maior número possível de símbolos e assim disponibilizar ao público uma visão de conjunto dos mesmos", salienta frei Celso Bordignon, diretor do Muscap. A exposição está inserida na 4ª Semana Nacional de Museus, realizada de 15 a 21 de maio – 18 de maio é o Dia Internacional de Museus.
A exposição do Muscap permanece aberta ao público até 30 de março de 2007, de segunda a sexta-feira, das 14 às 17 horas. Visitas de escolas e grupos devem ser agendadas com frei Celso ou Gilmar pelo telefone (54) 2101.5276. O museu está localizado na rua Gen. Mallet, na antiga editora São Miguel.
Porto Alegre realiza 4ª Romaria de Fátima
O santuário de Fátima, a paróquia estudantil e o Instituto de Educação São Francisco de Porto Alegre (RS) promovem, neste mês de maio, a 4ª Romaria de Nossa Senhora de Fátima. A romaria ocorre no domingo, 21 de maio, com saída às 8h30 do Completo Cultural do Porto Seco rumo ao santuário, onde será celebrada missa solene às 10 horas. Às 16 horas, haverá missa de encerramento e bênção especial aos romeiros.
A imagem de Fátima vai ser acompanhada na procissão pelas imagens dos pastorinhos, os bem-aventurados Francisco e Jacinta, vindas de Portugal em agosto de 2005. As estátuas foram doadas pelo santuário português de Fátima.
Em Porto Alegre foi construída uma capelinha dedicada às crianças e em homenagem aos dois videntes de Fátima. Está aberta permanentemente à visitação e oração.
Aldo Colombo
A mudança, quase sempre, surge como inimiga. Mas é essa mudança que faz nascer o novo
No centro da cidade erguia-se a igreja e ao redor dela um imenso pátio, normalmente deserto. Um dia, um cachorro sem dono gostou do lugar e o elegeu como sua moradia. Bonito e afável, logo conseguiu a simpatia dos fiéis e sempre aparecia alguém com restos de comida. Naturalmente, o cachorro agradecia, sacudindo o rabo. Aos poucos, o cachorro passou a ser o verdadeiro dono do pátio da igreja. Ele recebia a todos os fiéis com satisfação. Acabou sendo conhecido por Boby. Era amigo de todos, especialmente das crianças. Nas horas desertas dormia um sono tranqüilo.
Vez por outra, algum gato ou mesmo um outro cachorro entrava no pátio. Boby levantava-se, eriçava o pelo e enfrentava os intrusos. Quase sempre eles fugiam. Mas um dia uma matilha inteira de cachorros – pelo menos uns 10 – invadiu o pátio. Boby tentou uma reação, latindo irado, mas os outros cachorros não se importaram.
A batalha decisiva ia ser travada no meio do pátio. Mas Boby viu que seria uma loucura. Ele parou de latir e dirigiu-se amistosamente ao grupo e juntos deram a volta ao terreno. Depois o grupo foi embora e Boby continuou lá: o dono do pátio.
Existe uma velha norma aprovada pelo bom senso e pela prática. Trata-se da negociação. Muitas vezes queremos que o mundo todo obedeça aos nossos critérios. Batemos de frente e a situação – quase sempre – piora. Todos nós precisamos ter objetivos claros da vida. Todos nós temos direito de imaginar um mundo e uma ordem de acordo com o nosso ponto de vista. Mas não estamos sozinhos no mundo. A vida diária é sempre uma negociação. A vida comunitária exige uma negociação ainda maior. Um provérbio popular garante: é conversando que a gente se entende.
Em geral há muitas maneiras de fazer a mesma coisa. Seguindo os caminhos já traçados, chegaremos apenas no ponto que outros já foram. Buscar caminhos novos é sinal de inteligência. E será essa mesma inteligência que nos alertará sobre a possibilidade de nossos sonhos. A mudança, quase sempre, surge como inimiga. Mas é essa mudança que faz surgir o novo. Já Rui Barbosa dizia: "Todo o aprender, todo o melhorar, todo o viver é mudar". Mas o bom senso nos alerta: mudar é bom, desde que mudemos para melhor.
Por vezes, mesmo com as melhores intenções, podemos ter uma ótica errada. Colocamos a justiça ou mesmo a verdade como os maiores valores. Em nome da verdade e da justiça já ocorreram muitas guerras e rupturas. O amor é o bem supremo. Em seu nome jamais se fizeram guerras. São João da Cruz costumava lembrar a seus frades: tenham medida em tudo, menos no amor.
Serra gaúcha expressa sua fé a Maria
Santuário de Caravaggio está pronto para acolher 300 mil peregrinos
Com o tema "Porque Deus é bom, nos deu uma mãe", será realizada nos dias 26, 27 e 28 de maio a 127ª Romaria ao Santuário Diocesano de Nossa Senhora de Caravaggio, em Farroupilha. Neste ano, a grande novidade é a presença do núncio apostólico do Brasil, dom Lorenzo Baldisseri. É a primeira vez que Caravaggio acolhe o representante do Papa no país.
Dom Lorenzo Baldisseri chega a Caxias do Sul no dia 25 e vai presidir missa na catedral diocesana às 19 horas, ocasião em que serão celebrados os 70 anos de vida de dom Paulo Moretto e seus 30 anos de serviço episcopal na diocese de Caxias. No dia 26, o núncio preside a missa campal das 10h30 no santuário.
A programação da 127ª romaria iniciou no dia 26 de março com a novena preparatória, que reuniu no santuário, durante nove domingos (encerra dia 21 de maio), jovens, crianças, famílias, ministros leigos, padres, religiosos e trabalhadores entre outros. No dia 13 de maio, mais de 1.200 cavalarianos demonstraram o respeito do povo gaúcho a Nossa Senhora ao participar da 13ª Cavalgada da Fé, promovida por tradicionalistas e entidades da Serra gaúcha. E no domingo 14 ocorreu a 3ª Romaria dos Ciclistas.
As manifestações religiosas prosseguem no dia 21, com a 28ª Romaria dos Motoqueiros, evento que iniciou em 1978 com 48 participantes e hoje reúne mais de 12 mil motos. E nos dias 26, 27 e 28 será a vez de milhares de peregrinos demonstrarem sua fé, sua devoção e sua confiança a Maria, especialmente através da caminhada até o santuário.
No santuário, numerosos sacerdotes vão atender os romeiros através da celebração de missas no interior do templo; e no atendimento às confissões, na capela das confissões. Nos três dias da romaria haverá missa campal às 10h30, seguida de procissão com a imagem de Caravaggio e, às 14 horas, reza do terço, procissão e bênção com o Santíssimo.
Peregrinos dispõem de serviços variados
Além do atendimento religioso no santuário e na capela das confissões, os romeiros poderão dispor de serviços de alimentação no restaurante panorâmico, nas churrascarias e nas tendas instaladas na praça; de unidades móveis de saúde; bombeiros, Brigada Militar e Polícia Rodoviária Estadual.
Uma frota de ônibus ligará Caravaggio a Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Farroupilha. Os romeiros que forem a pé até Caravaggio poderão adquirir passagens de volta na praça do santuário ou, antecipadamente, nas rodoviárias de Caxias e de Bento Gonçalves e nas agências do Banrisul de Caxias. Preços variam de R$ 4,50 a R$ 5,00. Haverá ônibus também para os peregrinos que quiserem ir e voltar do santuário.
Padre Antonio Belluzzo celebra jubileu
A paróquia Nossa Senhora da Saúde, de Cotiporã (RS), celebra no domingo, 20 de maio, o jubileu de ouro de vida sacerdotal de seu pároco, padre Antonio Belluzzo. A data será comemorada com missa solene às 10h30, seguida de confraternização ao meio-dia, no salão paroquial.
Padre Antonio (Pio) nasceu aos 16 de junho de 1931, em Pinto Bandeira, Bento Gonçalves, filho de Luiz e Verônica Marini Belluzzo. Ingressou na congregação dos padres passionistas e foi ordenado sacerdote no dia 26 de maio de 1956 em Curitiba pelas mãos de dom Manuel da Silveira Delboux. Como sacerdote, atuou os primeiros 11 anos como missionário passionista; depois foi pároco de Forqueta, Caxias do Sul, durante 8 anos; e de Santa Cecília (SC), por 13 anos. Em seguida, atuou durante 18 anos na diocese de Caçador (SC), atendendo paróquias de Salto Veloso, Arroio Trinta e prestando serviços à cúria diocesana.
Também atuou cerca de sete anos em Canoinhas (SC) e, em 1999, voltou para o Rio Grande do Sul, como pároco em Pirataba e Roça da Estância, na diocese de Osório e, em 2002, passou a trabalhar na diocese de Caxias do Sul, como diocesano e pároco de Cotiporã. Para preparar o jubileu, a paróquia realizou, em abril e maio, um trabalho vocacional com a participação dos ministros leigos e catequistas, recordando especialmente os vocacionados da família Belluzzo – além de padre Antonio, suas irmãs religiosas Maura, Teresa, Efigênia (falecida) e Clara, todas passionistas, e também o sobrinho padre Luiz Carlos Conci, pároco da Sagrada Família, em Caxias do Sul. A família tem, entre os parentes, 21 religiosas e oito sacerdotes.
Wilson João
A pressa e a desculpa de não ter tempo fazem das pessoas máquinas, instrumentos sem coração
Ninguém tem obrigação de viver com pessoas amargas, briguentas, grosseiras e negativas. Todos têm o direito de escolher viver num clima de convivência que ajude e seja favorável ao desenvolvimento da vida. Ou será que temos obrigação de esmagar, oprimir e destruir a vida em nós, suportando ambientes negativos?
É INSUPORTÁVEL VIVER COM PESSOAS AMARGAS. Com suas palavras vivem espalhando e semeando pessimismo, derrotismo, idéias de morte e doença. Criam um ambiente de um cheiro insuportável que contamina e polui as emoções e os ouvidos. As pessoas amargas e lamentonas distanciam as pessoas e se tornam solitárias e detestáveis. Sua presença é um cheiro que espanta todo ser vivo. Declaro: não tenho obrigação de viver com pessoas amargas.
É INSUPORTÁVEL VIVER COM PESSOAS APRESSADAS. É o pai ou a mãe que nunca tem tempo. É o médico que despacha os clientes. É o sacerdote com cara de sempre ocupado e nunca escuta o povo. É o professor que debulha conteúdos sobre os alunos e não abre brecha para o diálogo e a explicação. A pressa e a desculpa de não ter tempo fazem das pessoas peças de máquinas, instrumentos sem coração. Nenhuma pessoa suporta viver muito tempo ao lado de máquinas que apenas cumprem horários e funções. Qual homem ou mulher, casado, já não deixou seu companheiro ou companheira porque se sentia ao lado de uma máquina? Declaro: não tenho obrigação de viver com pessoas apressadas e sem coração.
É INSUPORTÁVEL VIVER COM PESSOAS DURAS. É comum encontrar pessoas que viveram ou vivem a experiência da dureza. A experiência de um pai ou mãe, de um professor ou padre, de um chefe ou companheiro de trabalho, que se relacionaram com a dureza e a frieza de quem trata o outro como pedra. A pedra machuca porque é dura. A flor acaricia porque é suave. A pessoa dura sempre está numa posição de ofensa e de guerra. Sempre tem que ganhar. Conclusão: não tenho obrigação de viver com pessoas duras.
É INSUPORTÁVEL VIVER COM PESSOAS HIPÓCRITAS. Jesus já explicou: hipócrita é a pessoa que é semelhante ao túmulo. Por fora bonito e por dentro uma podridão. São as pessoas que usam duas caras. Ou as pessoas que apresentam uma aparência e na realidade são outra. É o pai que mente para o filho. O professor que ensina o que não gosta. O padre que reza sem espiritualidade. A mãe que interiormente rejeita o filho. É o que se vive em nossa sociedade, na religião e na política: a mentira, o engano, a trapaça, o é e não é, o ser e não ser, o parece mas não é.
DIREITO À ESCOLHA. Diante desta constatação proponho que cada um faça sua escolha. Sua declaração de gostar ou de não gostar.
O italiano que está em você
Rodrigo Paulo Sandrin
Odontólogo, Curitiba-PR
O odontólogo Rodrigo Sandrin declara:
"Sou da quarta geração dos Paludo e Sandrin. O trisavô materno, Giuseppe Paludo, emigrou de San Donà di Piave-VE em 4 de novembro de 1887. O trisavô paterno, Marco Sandrin, emigrou de Caneva-PN em 12 de dezembro de 1879. Os Paludo se fixaram em Monte Vêneto, atual Cotiporã-RS, e os Sandrin, em Dona Isabel, atual Bento Gonçalves-RS.
A curiosidade sobre a história, vida e costumes dos antepassados começou na minha infância, em Chapecó-SC. Tive o privilégio de conhecer os bisavós, descendentes diretos de italianos, que preservaram sua identidade através do filó, dos cantos, da culinária, da reza do terço, da missa dominical e, sobretudo, da fala em Talian. Suas palavras eram carregadas de vida, humor, história, educação, amor e fé.
Através dos antepassados, comecei sentir sempre maior gosto pela história da Imigração Italiana e, além do Talian, passei a me interessar pela língua italiana.
Tenho forte consciência de ser brasileiro, pois aqui nasci e herdei de meus antepassados o amor por esta terra que os acolheu. Mas a italianidade, expressa no meu sotaque, que não me preocupo em mudar ou maquiar, é igualmente forte. A um tempo sou brasileiro e italiano, em outro sou italiano e brasileiro.
Traços de cultura italiana que recebi dos antepassados que vieram Fazer a América que continuo em nome deles a construir, são, além do meu sotaque, a dedicação ao trabalho, o gosto pela música e pelo canto, os encontros familiares e festas, especialmente de cunho religioso.
As relíquias fotográficas que as gerações passadas me foram legando me levaram, ao natural, a escrever uma obra sobre a saga dos Paludo e Sandrin em terras brasileiras.
A genealogia me fascinou, mexeu e aguçou minha curiosidade. Meu objetivo inicial era escrever somente sobre os antepassados, mas a história e cultura vieram junto de brinde e redefiniram meu universo de pesquisa, dentro do universo da vida italiana.
Atualmente, como aluno do Centro de Cultura Italiana de Curitiba, entabulo diálogos, leio e analiso textos também na língua italiana standard.
Em Curitiba, onde moro, exerço a profissão de cirurgião-dentista. Além das atividades em meu consultório, ou Studio di dentista, como diria a professora de Italiano Simona, do Centro de Cultura da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, sou professor em cursos de pós-graduação, na área de cirurgia bucal. Uso parte do meu tempo livre em pesquisas para o livro sobre a saga dos Paludo e Sandrin.
Gostaria, com permissão dos leitores, de expressar meu agradecimento aos avós maternos e paternos, respectivamente, Gemy e Iracema Bodanese Paludo e Hildo (in memoriam) e Ignez Cobalchini Sandrin, pelo cultivo da união familiar, pelo espírito fraterno e pela educação que legaram aos meus pais e, por eles, à nossa família" (dr_sandrin@yahoo.com.br).
Bravo, Rodrigo. Sua grande pesquisa não está em livros, apenas os nomes lá estão, mas no coração, no afeto, nos sentimentos de gerações que o embalaram na brasilidade e na italianidade. Lindo ser brasileiro e italiano e italiano e brasileiro, viver dois mundos, duas culturas e comunicá-las ao universo das demais culturas, como fascinante contributo pessoal. Ser italiano à brasileira e ser brasileiro à italiana é a herança que recebemos dos antepassados, presentes em nós pela fé e pelo amor. (Rovílio Costa)
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (360)
Tuio se fa passar de dona e cata fora un moroso
Marcelino Carlos Dezen
Caxias do Sul-RS
Intanto che la sera se fea avanti Mosè, Tuio, Ivo, Nanetto e dei altri i se la contea a l’ombria. In cosina, la Roseta la fea la polenta e fora se ghe sentia el udoreto bon che fa fin un talian morto levar su la testa par snasar meio.
– Ma, varda, Nanetto, ghe ze na stòria che, go idea, Tuio no la ga contada, son sicuro. Te galo parlà de quando el se ga fato passar de dona e el ga inamorà un toso de Sete de Setembre?
– Cossa? Questa nò no’l me la ga contada!
– Ma mi te la conto. Scolta, mò. Ghe zera un toso medo baucoto, poro ànima, e Tonin Zorzin, Ernesto Massarotto e altri i ga inventà de far Tuio meter su robe dele so sorele e ndarghe drio a sto toso. E no l’è che quel bauco ga cascà come na passarina te sta tràpola!
– Madona Santa, vui gnanca ricordar sta stòria, dise Tuio.
– Tuio fea ose fina de dona, taiea el pel dele gambe, ben vestio e pintà, robe de inganar anca i più furbi. Ah, cari, la stòria se ga fato sèria. Mi, col camignon, menarli in volta a spasso, tute le doméneghe. Insieme, sempre na caravana de coriosi. Me ricordo che al Otanta, na doménega, co semo rivai i ga fin fermà el giugo de bola par véder quel teatro. Robe de mati!
– E te ricòrditu dei ritrati, Mosè?
– Ah! Si. Un giorno gavemo inventà de menar i morosi a ritratarse su a Nova Trento. Tuio, ben vestio, ma a quelaltro i ghe ga metesto su un par de braghe curte, pena soto i denoci. Tei pie, na scarpona rossa e una negra, roverse. Tuti intesi col fotògrafo. Imagineve la figura co quele scarpe roverse! "Incosta la ponta dei pie, seo mosso", ghe disea el retratista. Ma no l’era mia fàssile co quele due barche storte! Bepin Massarotto, co’l ga visto che quel mistier restea cada volta pi sèrio, el ga dito ai storioni:
– De oncó avanti fenirla co sta stòria, par l’amor de Dio!
– Ciò, Tuio, e zelo vegnesto fora qualche baseto, se la peta? Domanda Nanetto.
– Nò, par carità, fin a quel punto lì nò, è.
– Ma e come se gala fenida sta stòria?
– Co’l ga savesto, me "moroso" no’l se ga pi presentà. El ze ndato via a Santa Catarina. Più visto.
– E Tuio e Ivo te gali contà le stòrie de so pare, Avelino, dele grande feste che’l fea a casa sua?
– Nò, gnente!
– Avelino ghe piasea far festa ai amici, a le autorità de Flores da Cunha. El zera un cogo de man piena. El cosinea galine, colombi, tachini [peru], porchi... Sempre bele festone. Tuio, se anca so fiol, el ghin parecea de bone.
– Ah! Sol mi è?!
– Cossa feitu, Tuio?
– Me pare, dopo cosinae 20, 30 galine ntel forno, le metea te na sesta e le pichea su in cantina. Alora mi ndea ciamar Mosè a casa sua e, a scondion, ndeimo robarghe na galina cota e dopo via a magnarla ntel mato. Noantri si feimo na bela festa. Me pare ga mai scoerto!
– Varda, Nanetto, se sti due i contesse tuto quel che i ga fato, bisognaria far su na baracheta qua soto ste piante, perché i gavaria stòrie par tuto un mese, dise Ivo.
Co i vede, ze squasi note. La Roseta li ciama, che la sena ze pronta. I va in cantina bever na graspeta par verser el apetito e i se fa avanti. In tola, na bela traversa de pesse rostio ntel disco. Radici col lardo. Polentina mola, ncora calda. E vin bon. Dopo sena e de un par de ore de ciàcole, Ivo e Tuio i se la tol a casa, contenti. Nanetto li ringràssia mila volte.
Vanti dormir, Roseta invita Nanetto a dir su la corona insieme. E lu:
– Ma varda? Qua i mantien sto bel costume dei nostri noni!
Ma, savì, straco dela giornada, meso alto del vin, più de na volta el se indormensa, indenocià e impugnà su par la carega. E el ga anca confundio "Pan nostro" co la "Santa Maria", ma i altri i ghe ga fato poco caso. No ocor maraveiarse, nò, che robe così dele volte le ocor con tuti. Fenio rosari, un bon sià de laransera [arància], na bona pissada e tuti a leto.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
I amici de la Massolin
Fundado em 2004, por sugestão de Arlindo Nardi, então vice-presidente da Massolin de Fiori, poucos dias antes de seu trágico falecimento, o grupo I Amici de La Massolin, de Porto Alegre, veio em boa hora retomar a importante tradição dos antepassados italianos, com o lema – "Cantar come i nostri noni". Este foi o pedido do Arlindo Nardi ao grupo.
I Amici de la Massolin cantam sem inventar, sem acrescentar e nem descaracterizar as canções típicas da imigração italiana. Agradecem o apoio incondicional de frei Rovílio Costa e do Correio Riograndense, no resgate dos costumes e tradições dos pioneiros italianos, através do canto, festejando os 130 anos da Imigração Italiana, que a podemos denominar Imigração da alegria e do canto. I amici de la Massolin acolhem convites para cantar e ajudar as comunidades a retomar as belas tradições das italianas canções. Cantar é os males espantar! (contatos pelo telefone (51) 3217.2356).
Na foto, o grupo I Amici de la Massolin participando do XI Festival de Cantorias Italianas, de Santa Tereza em 22-04-2006. Da esquerda para a direita: Nilo Molon, Elói Finato, Cellito Finato, Selvino Zilioto, Adelar Zaneti (gaiteiro), Casemiro Zaneti e Bruno Salvadori.
Par crepar de rìder
Rafael Baldissera
Professor, Curitiba-PR
La bionda perde peso
Na bionda la ze ndada dal dotor parché la volea perder arquanti chili.
– Ti te pol magnar normalmente durante due di, dopo te salti un di, te magni normalmente altri due di, te salti nantro di e cossi via. Gheto capio?
– Si, dotor, go capio polito.
Dopo un mese la ritorna dal dotor quìndese chili pi magra.
– Mi vedo che te ghè obedio le me recomandassion. Auguri!
– Gràssie, dotor! Ma mi squasi go morio!
– De fame?
– Nò! De tanto saltar!
TTPenel vodo
Omo e dona i ze drio viaiar quando el marìo ferma el auto e ghe dise a so fémena:
– Amor, par piaser, salta zo e varda se ghe ze qualche penel vodo.
Ela la da na ociada geral e la ghe dise:
– Dadrio ghe ze un penel vodo, ma sol soto; par sora el ze pien.
Mostra exibe jóias e lingerie
Guaporé é referência em jóias e semijóias
Guaporé, segundo pólo nacional e o principal pólo gaúcho de jóias e lingerie, promove a Mostra Guaporé, nos dois primeiros finais de semana de agosto. A edição deste ano reunirá mais de 100 expositores no Autódromo Internacional Nelson Luiz Barro.
Tendências, novidades e coleções inéditas ganham a passarela em desfiles. Os visitantes poderão apreciar a gastronomia, a Feira de Produtos Coloniais e os shows. A mostra está sendo divulgada pela rainha Karine Possamai e pelas princesas Milena Zorzi e Graziela Dai Prai. Mais de 100 empresas do município fabricam e comercializam jóias e semijóias.