
DESCOBRINDO CAMINHOS
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Edição 4.989 - Ano 98 - Caxias do Sul-RS, 24 de maio de 2006.
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Fazer cumprir leis atuais já diminuiria a criminalidade
Violência não se vence com golpes de caneta nem sob legislação do pânico
Segurança pública deveria ser prioridade em todos debates políticos, mas foi preciso uma crise como a de São Paulo, dimensionada por mais de 150 mortes – até a semana passada – e pela disseminação do pânico na maior cidade da América do Sul, para que o tema voltasse a ser destaque no Congresso Nacional. Em poucas horas, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou 11 projetos de lei, a maioria em decisão terminativa, para combater a criminalidade no país.
Uma das principais medidas cria o regime disciplinar de segurança máxima (RDMAx), ampliando o período de isolamento de presos de alta periculosidade, atualmente limitado em um ano. Outras propõem aumento ao prazo de prescrições de penas de acordo com o crime, extinguem possibilidade de liberdade condicional ao condenado perigoso e reincidente em crime doloso, impõem providências às concessionárias de telefonia móvel para bloquear o sinal dos aparelhos nos presídios e arredores e estabelecem "tolerância zero" para a entrada de celulares.
Antes mesmo que o pacote de emergência passe pela Câmara dos Deputados, onde poderá sofrer alterações, é preciso chamar a atenção para pelo menos dois aspectos. O primeiro deles é de que toda legislação elaborada sob a influência emocional de uma crise pode, como frisou o ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, desarmonizar o sistema processual em vez de trazer soluções. O segundo é que o problema da violência e criminalidade é tão complexo e profundamente enraizado na sociedade brasileira que não será vencido a golpes de caneta, principalmente quando as mãos que as empunham são guiadas pela tensão.
Há ainda um terceiro aspecto a ser destacado. O resultado da ação política no Congresso Nacional seria bem mais positivo se dela brotassem providências práticas para o cumprimento das leis atuais. Uma revista rigorosa não seria suficiente para impedir o ingresso de celulares num presídio considerado de segurança máxima? É preciso avançar nas discussões sobre a legislação, mas as decisões não podem ser tomadas de afogadilho. Quando isso ocorre, soa mais como mecanismo de auto-projeção, uma tentativa de atrair os holofotes da opinião pública – tão decisivos num ano de eleição. Mais importante, porém, é que não se espere até o próximo ataque de uma facção criminosa para proteger a população inocente.
Samae racionaliza consumo de água
Desperdício está sendo punido com multa e até corte de abastecimento
O volume de água que ingressa nas represas é inferior ao do consumido pelos caxienses. Ou diminui o consumo ou o segundo mais importante município gaúcho poderá enfrentar a mais grave crise no abastecimento de água de sua história recente. Este é o quadro que levou a Prefeitura, através do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae), a adotar uma postura mais dura em relação a esse serviço. Desde segunda 22 vigora o decreto que racionaliza o uso de água no município. Ao mesmo tempo, foi lançada campanha de conscientização. Se não houver redução do consumo, o próximo passo é racionar a distribuição – ou seja, cortar o abastecimento.
O decreto (12.805, de 17/05/2006), assinado pelo prefeito José Ivo Sartori, proíbe o uso de água potável para atividades que não sejam essenciais. "Está liberado o uso apenas para fins domésticos e higiênicos", informa a diretora comercial da autarquia Maria Regina Dall’Agnol. Para coibir abusos, o Samae montou um sistema que permite a denúncia pelo telefone 195.
O objetivo do Samae é conscientizar o caxiense sobre a necessidade de poupar água. Mas se houver reincidência do uso irregular, será aplicada multa de 10 tarifas mínimas de água (R$ 95,00). Se o consumidor cometer a irregularidade pela terceira vez e for flagrado, a multa passa para R$ 190,00 e o abastecimento será cortado.
Represas – As três maiores represas do município estão com seus níveis bem abaixo da marca ideal. Na segunda 22, a Maestra (abastece 25% da cidade) estava 7,76 metros aquém do normal; o Faxinal (65% da população), com 4,78 metros; e o Dal Bó (7%), com menos 3,85 metros.
Os três sistemas vêm distribuindo 1.300 litros de água por segundo, volume superior ao que entra. O Samae precisa estancar esse desequilíbrio porque as projeções meteorológicas indicam que a quantidade de chuva nos próximos meses continuará sendo inferior às médias históricas.
Quanto será preciso diminuir para alcançar esse equilíbrio? "Não tenho como medir o quanto entra nas represas. Por isso, não dá para fixar uma meta em litros por segundo. Na prática, queremos que as barragens não baixem mais", responde o diretor da divisão de recursos hídricos do Samae, Cesar Casa. O decreto vigora por tempo indeterminado.
Desde 1985, durante a segunda administração Victório Trez, que Caxias não adotava medida semelhante. Já a última vez que a cidade implantou o racionamento de água foi em 1981, no governo Mansueto Serafini Filho.
Agricultor bebe água sem qualidade
Se na área urbana o abastecimento de água preocupa, no interior a situação é pior ainda: agricultores estão sendo obrigados a beber água contaminada. "Muitas famílias consomem água de péssima qualidade", avalia o secretário municipal de Agricultura, Nestor Pistorello.
São agricultores que se servem de fontes naturais sem proteção adequada porque não dispõem de outra alternativa. "A produção agrícola não foi prejudicada, mas estudo técnico comprovou a necessidade de perfurarmos poços artesianos para levar água potável a centenas de famílias", afirma Pistorello.
A Prefeitura vai investir cerca de R$ 250 mil para, numa primeira etapa, perfurar 10 poços artesianos. O plano estabelece uma parceria com as famílias, que deverão se organizar em grupos ou associações. O município fornecerá todo o suporte, ajudando inclusive na construção de redes para levar a água às residências, e as famílias assumirão todos os custos com a manutenção do sistema.
Nessa fase, ainda segundo Pistorello, serão beneficiados os agricultores de regiões onde foram constatados problemas mais graves de potabilidade da água. "Precisaríamos no mínimo 20 poços, mas vamos fazer o que é possível", afirma Pistorello. Se o auxílio fosse geral, o secretário diz que o número de pedidos ultrapassaria facilmente 100. Um estudo preliminar concluiu que há caxienses consumindo água sem condições pelo menos nos distritos de Santa Lúcia do Piaí, Fazenda Souza, Vila Oliva, Criúva, além de bairros que fazem limites com a área rural, como Forqueta e Galópolis.
Crise agrícola do país tem raízes históricas
Agropecuária perdeu R$ 30 bilhões nos últimos dois anos, com reflexos para 2007
Quando a conta não fecha, a inadimplência se alastra como um rastilho na pólvora seca. Esse diagnóstico aparentemente simples resume o que é apontado pelo ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, como a pior crise do agronegócio na história recente do país. A disparidade entre o custo de produção e os preços médios pagos ao produtor gerou nos dois últimos anos perda de renda estimada pelas entidades do setor em R$ 30 bilhões.
Os primeiros sintomas de endividamento do setor vêm sendo observados há décadas. Na avaliação da CNA, o problema foi motivado pela implantação de planos de estabilização econômica, principalmente a partir de 1986, e pela conduta irregular de instituições financeiras que inflaram as dívidas.
Para se ter uma idéia do aprofundamento da crise no período de 1990 a 1993, o Congresso Nacional instalou uma comissão para investigar o endividamento agrícola e os altos custos dos financiamentos rurais. O relatório final, publicado em maio de 93, identificou procedimentos inadequados praticados pelas instituições financeiras que ocasionaram prejuízos de US$ 21,89 bilhões aos agricultores que contraíram crédito.
Quase dez anos depois das mudanças com efeitos desastrosos, o meio rural assistiu, de 2001 a 2003, a um crescimento agropecuário vigoroso. A mudança resultou no incremento de 11,9% do PIB. "Esse crescimento só foi possível graças à renegociação das dívidas do setor, cenário externo favorável de preços e manutenção de taxa de câmbio de equilíbrio, formando preços favoráveis ao agricultor", enumera o economista da CNA, Getúlio Pernambuco.
Escaparam da atual crise os produtores de açúcar e álcool e os cafeicultores. A pior situação é a da soja, afetada diretamente pela queda dos preços internacionais, o câmbio deprimido e a forte estiagem. Para entender os efeitos desastrosos da sobrevalorização do real basta fazer as contas. O agricultor plantou o grão, comprando insumos a R$ 2,60, e colheu a R$ 2,10.
Problemas do campo paralisam interior
A crise já permeou outros setores da sociedade. "Chegou à indústria e ao comércio", diz o coordenador do núcleo de informações da Emater/RS, Gianfranco Bratta. O baque foi direto sobre os municípios e Estados que dependem do agronegócio. Pesquisa da Federação da Agricultura do Paraná aponta que a venda no comércio caiu até agora 21% em relação ao mesmo período de 2005. As demissões se avolumam. As entidades do setor asseguram que o efeito da crise irá se refletir na safra 2006/2007, com retração da área plantada, queda na produção e no abastecimento, com elevação de preços e rebate na inflação, e diminuição das exportações. "No RS, haverá redução no plantio de trigo", adianta Bratta ao CR. A economia do interior do país está paralisando (ler pág. 5).
Campo demite e deixa de contratar
Mais de 70% dos produtores rurais do país demitiram ou deixaram de contratar empregados para trabalhar na atual safra devido aos problemas financeiros. Essa é a conclusão da maior pesquisa feita para identificar efeitos da crise agropecuária, divulgada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Técnicos da CNA ouviram 7,8 mil produtores de todo o Brasil.
Dos entrevistados, 76% disseram que irão colher menos na safra atual, em relação à anterior. 30% dos agricultores reduziram a produção devido a problemas climáticos e ataques de pragas ou doenças. Outros 26% atribuíram a colheita menor ao uso menor de insumos.
Entre os produtores que admitiram área plantada menor este ano, 16% acreditam que a redução será superior a 50%. Ao todo, 57% afirmaram que será inevitável perda de renda ou prejuízo econômico no curto prazo, por causa da crise. No setor pecuário, 75% dos produtores disseram ter perdas na renda há dois anos seguidos, enquanto 23% encontram-se na situação nos últimos 12 meses. A crise levou 66% a reduzir as matrizes bovinas, mesmo percentual dos que diminuíram áreas de pastagem. 88% declararam que irão faturar menos este ano em relação a 2005.
Setor agropecuário precisa de política consistente
O sombrio panorama do agronegócio nacional que, paradoxalmente, ainda sustenta 44% da pauta de exportações e garante a formação de superávits comerciais, além de responder por mais de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) e garantir 40% dos empregos, decorre de causas bem conhecidas, e todas elas convergindo para a condução da política econômica do governo.
Para o economista Paulo Rabello de Castro, o governo está usando, nos últimos cinco anos, a âncora agrícola para conter a inflação brasileira, o que tem sido responsável pelos atuais problemas do agronegócio. "O setor agrícola está sofrendo os efeitos de ter sido excessivamente usado como âncora verde", denuncia Castro.
Segundo o economista, a crise transcende o setor agrícola e afetará outros segmentos da economia, como a indústria e o comércio. "Cesta básica deflacionada é âncora verde de caráter político-eleitoral", acusa Castro.
"Há pouca demanda internacional pelos produtos agrícolas, o câmbio é desfavorável ao exportador, os juros internos são altos e o transporte da produção tem alto custo", critica o economista Guilherme Leite da Silva Dias, professor da Universidade de São Paulo (USP). Dias sugeriu concentrar a idéia do subsídio, já aceita pelo governo, na questão do transporte da safra.
O economista Fernando Homem de Melo, professor de economia da USP, acusa o governo Lula de transferir renda dos agricultores para os consumidores urbanos, uma vez que desde 2003 a cesta básica subiu 9,3% enquanto o IPCA teve aumento superior a 25%. Criticou ainda a disparada do preço do óleo diesel, usado por máquinas agrícolas e pelos caminhões que transportam a safra.
Efeitos – O prejuízo dos produtores é enorme. As lideranças temem que os efeitos dessa crise vão aparecer com maior impacto no ano que vem. "Inadimplentes, os agricultores irão reduzir o plantio", prevê o diretor de política agrária da Contag, Paulo de Tarso. Com isso, irá desabar o superávit do agronegócio e haverá elevação de preços dos alimentos ao consumidor.
Para Gianfranco Bratta, da Emater/RS, o Brasil precisa de uma política agrícola consistente e diferenciada, de médio e longo prazos, que contemple todo tipo de produtor rural. "A política agrícola do Brasil existe, de fato, como texto constitucional, mas, na prática, ela não existe", conclui.
Produtor rural mantém mobilização
Grito garante R$ 10 bilhões. Agricultor está atento ao anúncio do plano safra
Os governadores dos Estados agrários e os representantes dos produtores familiares voltaram de Brasília, mas as mobilizações continuam em grande parte do país. Devem continuar até o lançamento do plano-safra pelo governo federal, previsto para esta quinta-feira 25.
As lideranças do Grito da Terra não voltaram de mãos vazias de Brasília. O presidente Lula, acompanhado do ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, prometeu destinar R$ 10 bilhões em crédito para o Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) 2006-2007, verba para financiamento a agricultores familiares e assentados.
O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Manoel dos Santos, disse que a categoria sai "satisfeita" com a decisão do governo, apesar de os integrantes do Grito da Terra terem reivindicado R$ 11 bilhões para a safra. "Estamos satisfeitos, pois sabemos que em negociação nem sempre se leva tudo", acrescentou.
A Contag, que representa 25 milhões de agricultores familiares, reivindica ainda a inclusão no plano safra da garantia de preço mínimo para os produtos agropecuários, a renegociação das dívidas dos produtores e o cumprimento das metas da reforma agrária.
Mudanças – A pressão dos agricultores provocou mudanças no Pronaf. Agora, o teto para obtenção de crédito junto ao Pronaf aumentou. O Pronaf B e C, uma linha de crédito destinada aos pequenos produtores, subiu de R$ 3 mil para R$ 4 mil; e o do Pronaf D, para produtores em maior escala, passou de R$ 6 mil para R$ 8 mil.
Atendendo parte das reivindicações do Grito da Terra 2006, foi criada uma nova linha de crédito, o Pronaf comercialização, com taxa de juros de 4,5% e limites individuais de até R$ 5 mil. Para cooperativas e agroindústrias o limite é de R$ 2 milhões. O governo liberou ainda uma verba adicional de R$ 50 milhões para Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), que se somará aos R$ 62 milhões já assegurados no orçamento.
O governo vai individualizar as dívida dos agricultores que tomaram financiamento com recursos da União e garantia de aval solidário. Além disso, representantes dos movimentos sociais do campo irão participar da elaboração da nova política de comercialização para a agricultura familiar.
Governadores querem soluções para 2006
Já os governadores dos Estados agrários, que chegaram a Brasília com 20 pleitos, voltaram com promessas e apoio do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. Saíram do encontro com Lula com a certeza de que o governo vai autorizar uma nova rodada de negociação das dívidas, medida descartada pelo ministro. "Essa crise é inédita, é muito grande e medidas mais fortes devem ser tomadas", afirmou Rodrigues.
O recado dos governadores, liderados por Blairo Maggi, do MT, ao presidente foi claro: "Quem pretende ficar em 2007 não pode deixar para resolver os problemas em 2007", afirmou. "Sem resolver o passado, não teremos futuro", ressaltou o governador de Goiás, Alcides Rodrigues Filho. Os representantes dos Estados também pediram que a União dê um basta a medidas paliativas para o setor. "Apenas rolar dívidas não resolve. Isso é adiar o problema e esperar que ele estoure lá adiante", completou o governador do RS, Germano Rigotto.
Crise une produtor e os governadores
Diferente de outros anos, o agravamento da crise do setor agropecuário brasileiro combinou manifestações de produtores da agricultura empresarial e familiar, a um contingente novo, o dos governadores de Estados agropecuários, em busca de apoio e soluções para o setor.
As mobilizações, sem precedentes, registram passeatas, bloqueios de rodovias, distribuição de alimentos, queima de máquinas agrícolas. No Rio Grande do Sul, um acidente entre caminhões, no bloqueio organizado pelos produtores, em Ijuí, causou a morte do agricultor Rafael Brickmann, 21, e feriu dois manifestantes.
Os protestos continuam, pois, segundo a Confederação Nacional da Agricultura e da Pecuária, em menos de dois anos, o dólar desvalorizou 45% com reflexos diretos na renda do produtor. A crise acusou perda de receita de R$ 18 bilhões só no ano passado.
Queda – Essa depressão está causando efeitos indesejáveis. A CNA prevê a redução em pelo menos 30% na área plantada de soja, milho, arroz e algodão, eliminando cerca de 600 mil empregos na cadeia produtiva e queda dos superávits comerciais do agronegócio, cuja contribuição para o desempenho da balança comercial baixou de 119% em 2004 para 87% no ano passado.
Pinto Bandeira promove seus vinhos
Distrito lança projeto de indicação geográfica de vinhos e espumantes
Pinto Bandeira, distrito de Bento Gonçalves, acaba de lançar o projeto de indicação geográfica dos vinhos, coordenado pela Embrapa Uva e Vinho e pela Associação de Produtores de Vinho de Pinto Bandeira (Asprovinho). Criada em 2001, a Asprovinho visa desenvolver a elaboração de produtos com alta qualidade e ampliar o potencial turístico da região.
O pesquisador da Embrapa Uva e Vinho e coordenador do convênio de cooperação técnica, Jorge Tonietto, disse que o Projeto da Indicação de Procedência Pinto Bandeira, que é uma das ações do convênio, visa a consolidação do desenvolvimento regional com base na produção de vinhos de qualidade de origem controlada.
Também apresentou a análise realizada com as 22 primeiras amostras produzidas segundo os critérios estabelecidos e que passaram por análise química e sensorial. Destas, 18 foram aprovadas e são candidatas a receber o selo de indicação de procedência. Apresentou ainda as principais características dos vinhos e espumantes que expressam a tipicidade da região.
A Embrapa e a Asprovinho estão orientando os interessados em regulamentar a produção dos vinhos e espumantes e que buscam a certificação. Entre as normas a serem seguidas estão a elaboração de vinhos com cultivares de vitis vinífera, produzidas na região nos sistemas de latada aberta ou espaldeira; e a adoção de padrões de qualidade da uva para vinificação.
Tonietto detalhou o clima, solo e relevo que caracterizam Pinto Bandeira. A área é formada por encostas de serra e topos com altitudes de 500 a 700m, clima temperado quente com média anual de 16,5 ºC. "O clima ameno resulta em ciclo vegetativo maior que outras áreas da Serra e, conseqüentemente, maturação tardia das uvas, com noites mais frias", observa.
Região cultiva 1.200 hectares de uvas
A região de Pinto Bandeira conta atualmente com 1.200 hectares cultivados com uvas. Destes, 450 ha são de variedades da espécie de Vitis vinifera, em sua maioria conduzidas no sistema latada. As vinícolas associadas à Asprovinho são a Valmarino, Don Giovanni, Cave de Amadeu, Cooperativa Vinícola Aurora, Cooperativa Vitivinícola Pompéia, Fornasier, Dalla Costa e Bigolin.
Desde 2002, as vinícolas da Asprovinho trabalham em conjunto com a Embrapa Uva e Vinho e a UCS na estruturação e desenvolvimento do projeto da Indicação Geográfica Pinto Bandeira. A partir de 2005 integraram-se ao projeto a Embrapa Clima Temperado, UFRGS, Fienp e Fagro.
O Vale dos Vinhedos foi a primeira Indicação de Procedência do Brasil. Num trabalho conjunto entre a Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos (Aprovale), a Embrapa Uva e Vinho e a Universidade de Caxias do Sul, foi obtido em novembro de 2002 o registro junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial.
A região demarcada do Vale dos Vinhedos, na Serra gaúcha, compreende parcialmente os municípios de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul, congregando 23 vinícolas da região associadas à Aprovale. A Indicação Geográfica deu grande impulso à região e a tornou famosa no mundo do vinho.
RS reduz ICMS sobre carnes de aves e suíno
O governo gaúcho reduziu de 12% para 7% o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços de produtos industrializados de suínos e aves que forem vendidos do Rio Grande do Sul para outros Estados. A decisão agradou os suinocultores, que têm 90% da venda destinada ao território nacional. A comercialização de suínos é baseada nos derivados processados.
A medida é retroativa ao dia 1º de maio, assim como a isonomia do imposto sobre as vendas das carnes in natura para o restante do Brasil.
Engº. Agrº. José Zugno
Uma vida compartilhada
Por ocasião da comemoração dos 100 anos de vida do meu pai, Clemente José Schmitt (25/10/02), o senhor lhe prestou homenagem na sua coluna "Vida Agrícola", motivo de alegria e agradecimento.
Neste momento, a minha comunicação com o senhor é para, em nome da minha família, dar-lhe a notícia do falecimento do nosso pai no dia 8 de janeiro, com 103 anos de abençoada vida. Agradecemos a Deus as alegrias pela graça rara de termos tido nosso pai tanto tempo ao nosso lado, deixando-nos os mais belos exemplos de sua vida que foi sempre pautada nos ensinamentos cristãos.
Queremos agradecer suas atenções para com nosso pai, respondendo sempre suas consultas e dando-lhe a alegria de uma amistosa visita e o prazer de conhecê-lo. Com gratidão e reconhecimento.
Ir. Noemia Schmitt
Florianópolis – SC
Sua carta nos traz a notícia do falecimento de seu pai Clemente José Schmitt, tronco de tão numerosa prole que vai desde os filhos, netos, bisnetos até trinetos, ocorrido em janeiro passado, aos 103 anos de idade. Vencido o impacto de dor que a perda de um ente querido provoca, vocês estão certos, como nós cristãos estamos, de que ele está na plena felicidade junto ao Pai.
Clemente José Schmitt foi benfeitor da família e da comunidade, verdadeiro cristão em todas as funções e serviços que prestou deixando belos e inúmeros exemplos como bem contou em sua carta. O Correio Riograndense perde um amigo e colaborador dedicado do qual por mais de 60 anos foi assinante, e Vida Agrícola, o incentivo de um antigo e assíduo leitor. Queiram, pois, a irmã Noemia e os familiares aceitar nossa modesta, mas sincera homenagem póstuma, ao pranteado genitor.
Edição comemorativa
Desejo agradecer ao prezado mestre a gentileza de reservar para mim a edição especial do Correio Riograndense comemorativa "Um Século dos Capuchinhos entre os Gaúchos". Como sou assinante do jornal e na impossibilidade de viajar a Caxias, pediria mais um favor, se possível remeter-me pelo correio, juntamente com o jornal de minha assinatura. Faço muita questão da referida edição comemorativa, pois sou admirador incondicional do trabalho dos capuchinhos.
Antônio Denicol
Porto Alegre – RS
A edição comemorativa que o amigo deseja é de outubro de 1996, portanto, faz quase 10 anos e foi feita para celebrar o centenário da presença dos Capuchinhos no RS, então muito festejada no Estado. É obra preciosa de alto valor histórico. Solicitei ao Setor de Assinaturas a atenção ao seu pedido.
Pesquisadores propõem novo modelo de dieta saudável
Eles indicam maior consumo de gordura insaturada e menos carboidrato simples
Há mais de dez anos, a pirâmide alimentar criada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos é usada como um guia sobre alimentação saudável em várias partes do mundo, inclusive no Brasil. Porém, agora, um dos maiores centros de estudos sobre saúde pública dos Estados Unidos questiona as recomendações da tradicional pirâmide alimentar. A Harvard School of Public Health afirma que o guia elaborado em 1992 está ultrapassado e para atualizá-lo elaborou uma nova pirâmide.
De acordo com os pesquisadores, estudos recentes derrubam as principais premissas da pirâmide de 1992, ou seja, que todas as gorduras devem ser consumidas moderadamente, que todos os carboidratos são bons, que as proteínas podem ser obtidas em carnes vermelhas, aves, peixes e ovos na mesma proporção, e, finalmente, que os laticínios devem ser ingeridos de duas a três vezes por dia. No modelo de Harvard, o que estava na base da pirâmide (massas, pães, arroz e batata) passou ao topo, e algumas gorduras que ocupavam a extremidade desceram para a base.
Para explicar a inversão, os estudiosos de Harvard defendem que nem todas as gorduras são ruins. Óleos vegetais, nozes de todos os tipos, sementes e grãos integrais são ricos em gorduras insaturadas, que exercem efeito protetor contra algumas doenças. Por esse motivo, essas gorduras devem ser consumidas em substituição às saturadas e às trans, relacionadas ao aumento do nível de colesterol ruim no sangue. As gorduras saturadas estão presentes em maior quantidade nos alimentos de origem animal e as gorduras trans ou hidrogenadas, em vários produtos industrializados.
Os carboidratos simples, encontrados em alimentos refinados, ocupam o topo da pirâmide de Harvard porque são rapidamente digeridos e absorvidos pelo organismo, o que aumenta os níveis de insulina no sangue, favorecendo também a elevação da taxa de triglicerídeos e a queda do bom colesterol, o HDL. Além disso, quando uma pessoa consome carboidratos simples, a sensação de fome retorna rapidamente.
Integrais – A longo prazo, esses fatores favorecem o desenvolvimento de diabetes e doenças cardiovasculares, além de propiciar o ganho de peso em que tem essa tendência. A nova recomendação é manter os alimentos integrais na base da pirâmide, junto com os feijões, o que significa ingeri-los em maior quantidade, e transferir os refinados para o topo, juntamente com os doces. Os produtos integrais contêm carboidratos complexos, que são digeridos mais lentamente pelo organismo, mantendo a saciedade por mais tempo. Além disso, são ricos em fibras.
O guia alimentar de Harvard propõe ainda que a carne vermelha seja consumida esporadicamente, já que possui gordura saturada e outros componentes maléficos. Deve-se privilegiar frango, peixes e ovos para a obtenção de proteínas. Outro erro da tradicional pirâmide apontado pelos novos estudos é sugerir a ingestão de laticínios de duas a três vezes por dia para a obtenção de cálcio. Conforme os pesquisadores, leite e alguns derivados concentram grande quantidade de gordura saturada e há outras fontes mais saudáveis de cálcio, como brócolis, repolho verde, couve, tofu, feijão, nozes e amendoim. Os pesquisadores ainda acrescentam à base da nova pirâmide a prática regular de exercícios físicos e o controle do peso.
Brasil tem guia alimentar semelhante ao de Harvard
O Ministério da Saúde elaborou no ano passado o Guia Alimentar para a População Brasileira. Baseado num conjunto de evidências científicas, o guia leva em conta a cultura alimentar e as tendências de consumo do brasileiro, mas traz informações que se assemelham à pirâmide de Harvard. Entre as recomendações: incluir carboidratos complexos e fibras em grande quantidade, os carboidratos simples devem compor a dieta em quantidades bem reduzidas, substituir gorduras saturadas por insaturadas, eliminar as gorduras trans e dar preferência aos grãos integrais.
Porém, só é possível ter acesso a essas informações por meio do site do Ministério da Saúde, o que exige que a pessoa tenha acesso a um computador conectado à internet. O governo afirma que o guia não é uma publicação dirigida ao público em geral, mas aos profissionais da saúde, às escolas formadoras desses profissionais, a gestores públicos e demais pessoas que trabalham direta ou indiretamente com alimentação e nutrição. O Ministério informa que está elaborando publicações mais sintéticas destinadas especificamente às famílias brasileiras e às pessoas individualmente.
Preocupação pastoral
Maria Clara Lucchetti Bingemer
Cada vez mais as pessoas procuram a religião para atender as necessidades de ordem subjetiva e espiritual. A grande sede dos brasileiros é por Deus, sua pessoa e seu amor. Este é o povo que Bento XVI vai encontrar quando vier a Aparecida
Notícias recentes da grande imprensa declaram que o Papa Bento XVI tem uma motivação principal e maior para visitar, em 2007, o Santuário de Aparecida, em São Paulo. Além de participar da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, em maio do ano que vem, o Pontífice estaria bastante preocupado com a evasão de fiéis que sofre a Igreja Católica neste que é o maior país católico do mundo.
Os bispos do Brasil, reunidos em Assembléia em Itaici, também tomaram este tema para seu primeiro dia de reflexão. O tema central da Assembléia é a Evangelização da Juventude. É fácil adivinhar a preocupação que toma a cabeça e o coração dos pastores da Igreja Católica ao ver nossos jovens pouco presentes na Igreja.
Sem contar as muitas, graças a Deus, e honrosas exceções, não é necessário ser um arguto observador para constatar que a distância entre a Igreja e os jovens se aprofunda e isto põe em risco todo o trabalho de evangelização e o próprio futuro da Igreja. Se as novas gerações não abraçam o Evangelho e não enriquecem a comunidade eclesial com seu entusiasmo, suas novas idéias, seus desafios, para onde vai essa Igreja? Como poderá responder às interpelações do mundo atual, do qual esses jovens serão os protagonistas?
No entanto, segundo o depoimento de alguns bispos que estiveram pessoalmente com o Papa na visita anual, percebe-se que a preocupação de Bento XVI é mais ampla e englobante do que simplesmente com a faixa jovem da população brasileira. Na verdade, seu olhar de Pastor da Igreja Universal enxerga mais longe. E sua preocupação é com o fenômeno da evasão dos fiéis católicos que acontece em todo o país.
Em 1991, 78% dos brasileiros eram ou se declaravam católicos. Hoje esse número caiu para 68%. Segundo os bispos, o Papa ficou bastante impressionado com essa cifra e isso o teria motivado com força a decidir-se a vir a Aparecida para a V Conferência do Episcopado Latino-americano. Se o maior país católico do mundo tem essa baixa em seu número de fiéis, o que leva a que isso aconteça?
No ano passado, em 2005, o Centro de Estatísticas Religiosas e Investigação Social (Ceris) finalizou uma pesquisa sobre as novas formas de crer. O objetivo principal era mapear os motivos e as características da mudança de religião na população brasileira. Constatou-se que tem havido um declínio relativo de pessoas que se declaram católicas e um crescimento de evangélicos de cunho pentecostal e neopentecostal.
No censo de 2000, a proporção de católicos caiu para 73,9% e os evangélicos, que eram 9% em 1991, totalizavam 15,6%. Contudo, no campo protestante, os que mais crescem são os evangélicos pentecostais. O último Censo, em 2000, identificou ainda um processo de desinstitucionalização, ao constatar que os que se declaram sem religião saltaram de 4,7% em 1991 para 7,4%.
Além disso, há que reconhecer que existe igualmente uma "indefinição" que leva a uma certa confusão entre os próprios fiéis católicos, tornando seu sentimento de pertença algo difuso. A presença crescente de instituições evangélicas no campo religioso brasileiro, bem como de novos movimentos religiosos que conjugam práticas esotéricas com outras de tradição cristã, produz um efeito de contaminação ou simbiose nas Igrejas históricas. Estas se vêem muitas vezes forçadas a adaptar-se às novas demandas espirituais dos indivíduos, o que se expressa, freqüentemente, por meio da adesão a ofertas religiosas emergentes no campo religioso brasileiro, tais como "New Age", sacralização de técnicas de relaxamento ou de terapias de saúde etc.
De toda maneira, a mudança de religião no Brasil hoje constitui uma prática de 24% da população, o que não é um número inexpressivo. O sentimento de bem estar em um determinado grupo religioso e ainda a aproximação com Deus foram as principais motivações dos entrevistados para mudar de religião. Evidencia-se que cada vez mais as pessoas procuram a religião para atender as necessidades de ordem subjetiva e espiritual. E os compromissos éticos, embora apareçam como conseqüência da adesão espiritual, a secundam mais do que a antecedem.
A grande sede dos brasileiros é por Deus, sua pessoa e seu amor. Este é o povo que Bento XVI vai encontrar quando vier a Aparecida. Um povo com grande sede de Deus e com profunda alma religiosa, mas algo desorientado em sua busca espiritual. Esperemos que a presença do Papa possa ajudar a fortalecer os espíritos abatidos e consolar os corações aflitos que desejam a Deus mais do que a terra seca e árida deseja a chuva que a molha e fecunda.
Frei Betto
A causa maior da criminalidade é a desigualdade social. É preciso desalgemar os recursos públicos aprisionados pelo excessivo ajuste fiscal e multiplicar o investimento em educação e na reforma prisional
De quatro anos na prisão, a ditadura obrigou-me a viver dois entre prisioneiros comuns. Trinta e cinco anos depois, o sistema prisional só não continua o mesmo porque piorou. A questão não merece prioridade do governo e o extorsivo pagamento dos juros da dívida pública mingua os recursos de que dispõe a União. Investe-se apenas na construção de novos presídios.
A guerrilha carcerária, desencadeada no fim de semana de 13 e 14 de maio, expõe a precariedade do sistema prisional brasileiro. Se grades e muros seguram fisicamente os presos, os avanços eletrônicos e a negligência das autoridades permitem que, de dentro para fora, comandem ações criminosas. Celulares ingressam no bojo da corrupção favorecida por baixos salários pagos a policiais e carcereiros desqualificados. Outros fazem vista grossa sob ameaças a seus familiares, alvos de comparsas dos detentos. As facções criminosas, outrora restritas ao interior das prisões, hoje possuem ramificações na rua e são comandadas para o que antes parecia inverossímil: o crime organizado ataca a polícia!
São Paulo viveu o seu fim de semana de Iraque, com a polícia acuada por táticas de guerrilha: ataques de surpresa, escaramuças etc. E as reações das autoridades não fogem dos velhos jargões: imitar os EUA na construção de presídios (supostamente) indevassáveis; legalizar a pena de morte; aumentar o efetivo policial militar. Nada que enfoque as causas da criminalidade e a ineficiência de nosso sistema prisional.
Entre Rio e São Paulo há cerca de 2,3 milhões de jovens, entre 14 e 24 anos, que não terminaram o ensino fundamental. Nesse contingente encontram-se 80% dos assassinos e dos assassinados. Em suma, não se reduzirá a criminalidade sem educação de qualidade, com a criança na escola 8 horas por dia, e combate ao desemprego. A violência não decorre da miséria, e sim da falta de educação. E de uma cultura belicista, como a dos EUA, o país mais violento do mundo, apesar de mais rico. Seus cárceres guardam mais de 2 milhões de pessoas.
Nosso regime peninteciário não difere muito do adotado no tempo da escravatura. Amontoam-se presos em masmorras exíguas; misturam-se autores de delitos distintos; condenam-se todos à mais explosiva ociosidade. Não há cursos profissionalizantes, nem redução da pena de acordo com a progressão escolar. Nem há atividades culturais, como teatro, pintura e música, ou equipamentos e espaços adequados à prática de esportes.
Queijo suíço, nossas prisões estão repletas de buracos por onde entram dinheiro e armas, celulares e drogas. O detento é guardado, não reeducado; punido, não recuperado. E o alto preço da penitência – donde penitenciária – jamais é a absolvição, e sim a exclusão social. O preso cumpre a pena sem que o sistema o prepare à reinserção social, e sem que a sociedade se disponha a acolhê-lo. Daí o alto índice de reincidência.
A causa maior da criminalidade é a desigualdade social, que vem sendo reduzida no Brasil desde 2001. A violência intrínseca às estruturas sociais, como a fundiária, substancialmente arcaica, provoca nos excluídos a reação de revolta. Busca-se a ferro e fogo o "lugar ao sol" tão enfatizado, indiscriminadamente, pela propaganda televisiva. Ela socializa o direito de todos à felicidade abastada, atrelada aos bens de consumo. Não há por que esperar de um jovem empobrecido atitude abnegada frente à sua carência e sofrimento. A droga é o recurso mais à mão para evadir-se dessa realidade, seja pelo "encantamento" que proporciona, seja pelo dinheiro fácil que atrai. E por que obedecer às leis se políticos corruptos e criminosos de colarinho branco permanecem em liberdade? Se a morte é certa e a vida carece de sentido, por que temer a lei do talião? O grave é quando a sociedade e a polícia decidem adotá-la, como se a eliminação de bandidos significasse a erradicação do crime.
É preciso desalgemar os recursos públicos aprisionados pelo excessivo ajuste fiscal e multiplicar o investimento em educação e na reforma prisional. Caso contrário, em breve a própria polícia estará impregnada deste pavor que acomete a população de nossas grandes cidades: o medo de sair às ruas.
IBGE pesquisa tamanho da fome e encontra 14 milhões de brasileiros
Entre os que mais sofrem estão negros, crianças e nordestinos
Quarenta por cento dos brasileiros têm alguma dificuldade para se alimentar e 7,7%, ou quase 14 milhões, passam fome. Entre os que mais sofrem com a fome estão os negros (são 10,1 milhões), crianças e moradores do Nordeste do país – região em que o índice de famintos é 14,4%. Estes dados foram apurados pelo IBGE, através da pesquisa sobre Segurança Alimentar, realizada em 2004.
O tamanho da fome no Brasil chega a 72 milhões de pessoas (39,8% da população), considerando todos os níveis de insegurança alimentar. Esses brasileiros, quando foi realizada a pesquisa, estavam vulneráveis à fome em maior ou menor grau; tinham preocupação com a falta de dinheiro para comprar comida; haviam perdido qualidade em sua dieta ou tinham ingerido alimentos em quantidade insuficiente. Essa realidade estava presente em 18 milhões de domicílios, ou 34,8% do total.
De acordo com o levantamento do IBGE, que usou metodologia adaptada, a insegurança alimentar grave (ao menos uma pessoa da família relatou ter sentido fome nos 90 dias anteriores à pesquisa) atingiu 6,5% dos domicílios do país – o que representa 3,35 milhões de lares. O pior percentual foi registrado no Maranhão, o melhor, em Santa Catarina (observe tabela). Em domicílios com renda per capita de até um quarto de salário mínimo, a insegurança alimentar moderada ou grave chega a 61,2%. Para os lares com rendimento superior a três salários mínimos per capita, isso só se aplica a 1%.
Os 14 milhões de pessoas vulneráveis à fome representam menos de um terço dos 44 milhões usados como base para a implantação do Fome Zero. O cálculo indireto, a partir da renda, levou em conta linha de pobreza definida com base em dados da Pnad-IBGE. Nesta pesquisa, a avaliação é direta, mensurada a partir da percepção dos entrevistados sobre sua segurança alimentar.
FAMURS UNE RS HÁ 30 ANOS
Mesmo após 30 anos de trabalho e mobilizações, a Famurs, entidade que representa os 496 municípios gaúchos, ainda não viu a sua principal reivindicação atendida, que é o pacto federativo
Há 30 anos nascia a Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs). Criada em 24 de maio de 1976, a entidade destaca-se por ser a Casa dos Municípios. Nagib Stella Elias, prefeito de Nova Prata, foi o primeiro presidente. No total, 23 prefeitos dirigiram a entidade. Entre eles o presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski. A Famurs é composta por 25 associações, congregando os 496 municípios gaúchos.
A Famurs atua de maneira institucional, política e técnica. Seu objetivo principal é o fortalecimento do municipalismo, a qualificação dos gestores públicos e o assessoramento às prefeituras. Busca, também, a descentralização do poder e dos recursos federais. A partir da Constituição de 1988, quando iniciou o processo de municipalização, as prefeituras assumiram os serviços de saúde, educação, assistência social, trânsito, agricultura, entre outros.
Hoje, do total de impostos que são arrecadados no país, 61% ficam com a União, 25% com os Estados e apenas 14% com os municípios. "No entanto, é o município que presta os serviços de saúde, educação, trânsito, assistência social, cultura, entre outros, diretamente à população. Apesar disso, os recursos para atender as demandas continuam retidos em Brasília", reclama o presidente da Famurs, Mauri de Barros Heinrich (PMDB).
Após 30 anos de trabalho, a principal reivindicação dos municípios ainda não foi atendida. Trata-se da construção de um pacto federativo solidário, com repartição justa e igualitária de responsabilidades e recursos entre União, Estados e municípios, para o atendimento das demandas da sociedade. Só para se ter uma idéia, em 1991, do total de impostos arrecadados, as prefeituras embolsavam 19%. Hoje, a participação caiu para 13%.
O presidente da Famurs destaca a falta de recursos para administrar como a principal dificuldade enfrentada pelos prefeitos atualmente. "A grande fatia do bolo tributário está em poder da União, enquanto que os municípios ficam com as atribuições", reforça.
Os prefeitos enfrentam ainda outros desafios. "A União e o Estado lançam programas e nem sequer chamam os municípios para a discussão. Na grande maioria das vezes, estas políticas não atendem a verdadeira demanda da comunidade", denuncia Mauri Heinrich, que é prefeito de Ibirubá, município de 19 mil habitantes, localizado no Alto Jacuí.
Por isso as ações da Famurs, destaca Heinrich, buscam sempre o fortalecimento do município, porque é onde o cidadão nasce, trabalha e constrói o desenvolvimento. É onde os serviços são prestados e as reais necessidades das comunidades atendidas. "Somente assim, por intermédio de um município forte, é que poderemos garantir vida digna e de qualidade para todos os seres humanos", afirma ao CR.
Estado é pioneiro no repasse direto do salário-educação
A Lei Complementar 063, de 11 de janeiro de 1990, que definiu o aumento do repasse do ICMS aos municípios de 20% para 25%, com a distribuição semanal e direta dos recursos, é uma das principais conquistas nesses 30 anos. Assim como a lei estadual 10.114, de 16 de março de 1994, que reconhece a Famurs como a entidade oficial dos municípios do RS, e a lei 6.206, que decreta suas atividades como de utilidade pública.
Entre outros avanços, Heinrich destaca a criação do Comitê de Articulação Estado e Municípios, composto por representantes da Famurs e do governo estadual, que se reúne mensalmente para discutir as questões relativas às prefeituras.
"Foi com o trabalho do comitê que a Famurs conquistou, neste ano de 2006, o aumento de 7% para o transporte escolar dos alunos matriculados no ensino fundamental das escolas estaduais do Estado", revela. Com isso, os recursos para esse setor aumentaram de R$ 33 milhões para R$ 40 milhões.
Foi com a iniciativa e o apoio da Famurs que foi aprovada a lei federal 10.709/03. A lei estabelece que cada ente federado (Estados e municípios) passe a assumir a responsabilidade pelo transporte de seus alunos.
Graças às ações da Famurs, o Rio Grande do Sul foi o primeiro Estado do país a criar a lei que assegura o repasse direto do salário-educação da União para os municípios. Também desempenhou papel decisivo para a instituição da lei que define a destinação de 12% do Orçamento do Estado para a saúde, assim como na implantação do Código Nacional de Trânsito. Atualmente, o RS é modelo para o país na área da municipalização do trânsito.
Promover os municípios é principal prioridade
A Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) mantém mais de 100 conselhos e órgãos colegiados de representação estadual e federal para atender as prefeituras municipais. As comissões internas, os conselhos e órgãos são compostos por prefeitos de todas as regiões.
A finalidade maior da Famurs é atuar na promoção do município como ente da federação que presta serviços aos cidadãos. Por isso, todos os assuntos que dizem respeito e são de interesse do conjunto dos municípios são discutidos pela entidade, por meio das suas assembléias gerais.
Cada associação debate os assuntos de interesse microrregional. As reuniões ocorrem, mensalmente, com os presidentes das 25 associações regionais. As decisões aprovadas são levadas para as associações, para serem tomadas em conjunto pelos municípios.
Estrutura – A Famurs conta com uma estrutura político-institucional, formada por sua diretoria, eleita anualmente pelo voto direto. Ela é composta por prefeitos de diferentes regiões do RS e partidos. Cabe à direção examinar as proposições que vêm das bases municipais, passando pelas associações de municípios e chegando até a assembléia geral.
Já a estrutura técnico-administrativa é composta por funcionários, estagiários e colaboradores e trabalha no atendimento das demandas da diretoria e no assessoramento às prefeituras. Na sede, funciona a Confederação Nacional dos Municípios (CNM).
História – A Famurs foi fundada em 24 de maio de 1976, em Porto Alegre. A criação deve-se à iniciativa de um grupo de municipalistas e de representantes das 19 associações regionais de municípios existentes na época. O objetivo era reunir essas associações em uma entidade estadual, que as representasse e discutisse os assuntos de interesse dos gaúchos.
Assim nasceu a federação. Conforme está previsto em seu estatuto, sua finalidade é associar, integrar e representar as associações regionais. Em 14 de outubro de 1988, pela Lei Municipal 6.206, a Famurs teve sua atividade decretada como de utilidade pública. Em 16 de março de 1994, por meio da Lei 10.114, foi reconhecida pela Assembléia Legislativa do Estado como a entidade oficial dos municípios gaúchos.
Mais informações no portal www.famurs.com.br
Bispos apostam no apoio dos jovens
Mais de 300 bispos refletiram sobre situação atual da Igreja e do país
"Vocês estão no coração da Igreja, dando-lhe um rosto jovial. Sua presença, seu jeito, seu dinamismo missionário muito contribuem para uma Igreja mais dinâmica e profética". Dessa forma, os bispos, reunidos durante a 44ª Assembléia Geral da CNBB, realizada em Itaici de 9 a 17 de maio, expressam seu apreço pela juventude do Brasil na mensagem dirigida aos jovens do país. A assembléia teve como tema central a "evangelização da juventude".
Durante oito dias, 321 bispos, 26 dos quais eméritos, além de outras 97 pessoas entre assessores e convidados, rezaram juntos, celebraram e fizeram seu retiro orientados pelo arcebispo de São Paulo, cardeal Cláudio Hummes. Os bispos refletiram sobre as diretrizes gerais da CNBB, sobre a data da 45ª Assembléia Geral, houve exposição das Comissões Episcopais Pastorais, da Comissão da Amazônia, da Pastoral da Criança; análise de conjuntura eclesial e político-econômico-social entre outros.
Os bispos também começaram a preparar a V Conferência Episcopal Latino-americana e caribenha, que será realizada em Aparecida de 13 a 31 de maio de 2007 e elegeram os delegados e suplentes para esse encontro.
Resultaram da Assembléia, além das decisões dos temas propostos, três mensagens – aos jovens do Brasil, sobre os atos de violência ocorridos em São Paulo e uma declaração da CNBB sobre o momento eleitoral (matéria abaixo).
Na mensagem aos jovens brasileiros, os bispos convocam a todos para "transformar o mundo e a não ter medo de dar sua resposta à vocação batismal, ao matrimônio, ao sacerdócio, à vida consagrada, religiosa e secular, especialmente ao desafio missionário, sendo fermento, sal e luz na família, na Igreja e na sociedade".
O texto encerra com um convite a todos os jovens para colaborar com a Igreja e colocar "seus talentos e sua criatividade a serviço de Jesus Cristo e de sua Igreja. Confiamos em vocês para que, juntos, encontremos novos caminhos para o anúncio de Jesus Cristo e para a revitalização de nossa ação evangelizadora".
Voto não tem preço, mas conseqüências
O atual momento brasileiro foi um dos assuntos mais debatidos durante a assembléia de Itaici. Como o Brasil está em pleno ano de eleições, o tema mereceu atenção dos bispos, que publicaram uma declaração da CNBB sobre o momento eleitoral. A apresentação do texto foi orientada por dom Itamar Vian e a declaração reforça o documento "Eleições 2006", publicado pela CNBB no dia 3 de abril passado.
A declaração lembra que o atual momento brasileiro exige sério discernimento dos eleitores sobre o perfil ético e a competência dos candidatos a serem eleitos e condena os políticos oportunistas, financiados por grandes grupos e que atuam em benefício próprio.
O texto salienta que o desafio é renovar a esperança do povo diante da decepção e desencanto com a vida política, marcada por escândalos e corrupção. Diante do desinteresse em participar da construção do Brasil, que poderá ter sérios problemas no futuro, os bispos fazem um convite: votar com consciência e não anular o voto, lembrando que o "voto não tem preço, tem conseqüências".
Província gaúcha reúne mais frades no mundo
Conforme dados da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, atualizados em dezembro de 2005, a província do Rio Grande do Sul é a que conta com o maior número de frades no mundo: 377. Em seguida aparecem as províncias de Karnataka (Índia), com 366; de Veneza (363), da Lombardia (354) e São José-Kerala (Índia), com 348.
A Ordem tem 10.793 frades, dos quais 6.950 são sacerdotes. Presentes em mais de 100 países, os capuchinhos contam com 1.614 casas. A Itália continua como o país com maior número de frades: 2.561.
Padre Zezinho
Maria, a primeira cristã. Ela mostrou-se digna de ser quem era
É impressionante a beleza moral de Maria. Acaba de receber a maior notícia que uma jovem jamais ouvira. Será a mãe do prometido Messias. O que faz ela? Vai lá na praça dar testemunho? Com tanta gente, hoje, agarrando microfones e, sem se aprofundar na catequese, como fez Paulo, já no mês seguinte está em várias igrejas dando apressadamente testemunho de fé, é de se imaginar que Maria fosse tentada a fazer isso. Não o fez.
Era pessoa madura. Fez antecipadamente o que seu Filho ensinaria o tempo todo: testemunho tem hora e lugar. Não o digam a ninguém. Ainda não é hora. Calem-se sobre isso. Não saiam por aí espalhando o que houve. Conte, mas só para a sua família. Jesus ensinaria isso!
Maria fez o mesmo, trinta e poucos anos antes. Calou-se, meditou, guardou silêncio. Só contou para Izabel sua parenta que também tinha recebido semelhante graça. Qual foi a primeira atitude de Maria? Ao invés de sair pelas praças e sinagogas ostentando o ventre e dando testemunho do que Deus ali pusera, foi depressa para uma cidade de Judá, para quê? (Lc 1,39-56) Para ficar com sua parenta já idosa que engravidara. Ficou lá seis meses, servindo àquele que precederia seu Filho. Maria, a mãe agradecida de humilde foi servir o profeta que anunciaria seu Filho. Que mulher maravilhosa.
É por essa e outras razões que nós católicos a amamos tanto. Não pensa em si; não tira vantagem de sua gravidez, não busca aplausos, apenas reconhece que ele virá por causa do seu Filho, ora pelos outros, vai servir Izabel e João e deixa Deus completar nela a obra que começara. Por isso é que a chamamos de "primeira cristã". Deus a preparara moralmente para essa missão. Seu comportamento o atesta. Mostrou-se digna de ser quem era. Não se aproveitou da grandeza do Filho, não fez ponta na pregação do Filho. Não apareceu às custas Dele. Fez de tudo para não aparecer. Na hora da dor estava lá, na hora de servir estava lá e na hora de pedir pelos outros estava lá. Na entrada triunfal do dia de ramos e na Santa Ceia não se fala dela! Mas, na cruz ela reaparece... Continuou sendo a serva do Senhor.
Que aprendamos a usar o menos possível o pronome "eu" e o máximo possível o eles, o nós e o vós. Maria fez isso. Falou pouco, apareceu pouco, mas fez um belíssimo trabalho de bastidores. Pedagogia de mulher que, além de ser mãe, era santa!
Eucaristia é centro da vida cristã
Congresso Eucarístico, ocorrido em Florianópolis, reuniu milhares de fiéis
"A vida da Igreja se nutre e se fortalece da Santíssima Eucaristia, tesouro de alimento espiritual". A afirmação fez parte da mensagem de Bento XVI aos participantes do 15º Congresso Eucarístico Nacional, realizado em Florianópolis de 18 a 21 de maio. Lida pelo enviado especial do Papa, cardeal Eusébio Oscar Scheid, ela foi acolhida com amor e entusiasmo por milhares de fiéis que participavam da missa de encerramento do 15º CEN, celebrada no domingo 21, no estádio Orlando Scarpelli.
A chuva no domingo não impediu que mais de 20 mil pessoas ocupassem todos os lugares do estádio para a celebração de encerramento. Com a presença de mais de 200 bispos de todo Brasil, de cinco cardeais e de centenas de sacerdotes, o cardeal dom Eusébio, arcebispo do Rio de Janeiro, presidiu as principais celebrações do evento, que contou com a cobertura jornalística de cinco televisões, mais de 300 emissoras nacionais de rádio e uma internacional, além de dezenas de jornais. O número de rádios, transmitindo um único evento ao mesmo tempo no país, só é superado por ocasião da Copa do Mundo.
Durante os cinco dias do 15º CEN foram realizadas diversas atividades, como pregações, adorações do Santíssimo, celebrações, simpósios teológicos, concentrações da juventude, procissões, shows com cantores católicos e a Feira Católica-Sul. O Simpósio Teológico, realizado no Centro de Convenções Centro-Sul, reuniu mais de três mil pessoas, representando 192 dioceses e 42 arquidioceses do Brasil.
No final, os delegados participantes aprovaram a Carta Eucarística de Florianópolis à Igreja do Brasil, documento conclusivo do simpósio e mensagem oficial do 15º CEN. Entre as grandes afirmações da carta, destaque para o reconhecimento da Eucaristia como centro da vida cristã.
"Cremos que a Eucaristia promove a vida, a dignidade e a liberdade de cada pessoa (...). Cremos que a Eucaristia renova nossas comunidades (...). Cremos que a Eucaristia transforma nossa sociedade", afirma a carta.
Entre os compromissos expressos pela carta estão o de "santificar o domingo, dia do Senhor, para o alimento de nossa espiritualidade pessoal e familiar, comunitária e social"; tornar as comunidades mais eucarísticas; intensificar a adoração do Santíssimo Sacramento; e atuar em todos os âmbitos sociais com a força da Eucaristia. (Com colaboração de Ricardo Zugno)
Caxias realiza encontro de animadores
Com a presença de 212 líderes vocacionais representando 38 paróquias da diocese de Caxias do Sul, foi realizado no salão da Paróquia Imaculada Conceição, no dia 30 de abril, o encontro diocesano de animadores vocacionais. Evento foi coordenado pela equipe diocesana do Serviço de Animação Vocacional composta por padres diocesanos e mais de 15 congregações religiosas integradas na diocese, que mensalmente se reúnem para estudo e programação de atividades vocacionais.
A partir das luzes e conclusões do 2º Congresso Vocacional do Brasil realizado em Itaici, em setembro de 2005, os participantes refletiram sobre os novos horizontes da animação vocacional. O conteúdo abordado pela irmã Suzimara de Almeida, das Pastorinhas, que representou a diocese no congresso de Itaici, resgatou a teologia da vocação cristã, enfatizando a importância do envolvimento de todos os batizados na animação vocacional. Destacou ainda a identidade do animador e da animadora vocacional, e a necessidade de uma animação organizada e continuada em cada comunidade e paróquia, voltada para todos os carismas e ministérios.
OFS da Imaculada tem novos membros
A Ordem Franciscana Secular da Imaculada de Caxias do Sul acolheu novos candidatos à vida de observância do evangelho. Fizeram profissão Carmelina, Alice, Rita Maria e Vitório e iniciaram o noviciado Terezinha, Nelson e Alice. Presentes à cerimônia a ministra Helena Boff e os assistentes frei Clemente Dotti e frei Raul Suzin.
CNBB realiza encontro
O Regional Sul 3 da CNBB promove, de 9 a 11 de junho, em Porto Alegre, a 4ª Assembléia Regional da Ação Evangelizadora. Dom Luciano Mendes de Almeida assessora a reunião mais importante da Igreja no RS, que vai refletir sobre o tema vida em comunidade.
Aldo Colombo
Lavar as mãos é perigoso. É preferível amargar uma derrota do que refugiar-se numa tranqüila omissão
Durante muito tempo, um velho padre tentou animar sua pequena paróquia num bairro. As pessoas admiravam seu esforço, mas nenhuma melhora era sentida. Certo dia, o padre colocou um cartaz na porta fechada da igreja. O cartaz dizia: Com pesar, comunicamos a morte de nossa igreja, após longa enfermidade. Os funerais serão no próximo domingo às 10 horas.
A igreja continuava fechada e só abriu no horário indicado para os funerais. Por curiosidade, quase toda a população estava presente. Junto ao altar estava efetivamente um caixão de defuntos, fechado. E o padre, com a dignidade própria das cerimônias fúnebres, informou que o caixão seria aberto e todos teriam a possibilidade de despedir-se da falecida. Formou-se uma imensa fila e, vagarosamente, cada um dava uma olhada para o interior do caixão. E todos levavam um choque. No fundo do caixão fora colocado um espelho e cada um via o rosto do defunto, isto é, o próprio rosto. Se houvesse um boletim médico, diria que a causa da morte foi uma perigosa doença: a omissão.
Muitas instituições morrem vitimadas por esse mal. Minha presença – ou ausência –, pensam muitos, não fará diferença. Afinal, no bairro existem tantas pessoas. Quase sempre, todas as tarefas ficam por conta de um pequeno grupo. De resto, esse pequeno grupo acaba sendo criticado: sempre os mesmos. Mas na hora do convite para participar, surgem mil desculpas. E uma anemia profunda acaba tomando conta da instituição e um dia ela pode morrer. E ninguém se sente culpado.
O ato de lavar as mãos marcou a figura de Pôncio Pilatos. Até que ele teve boa vontade, mas por causa de sua omissão, Jesus morreu. Lavar as mãos é hoje, possivelmente, a maior de todas as tentações. A política não presta, todos são iguais e por isso o eleitor anula o voto. Nosso sindicato não faz nada pela gente, eu vou desfiliar-me. Há uma porção de coisas com as quais não concordo na minha comunidade e os que vão à igreja são piores que os outros...
Não sei se essas desculpas serão aceitas no balanço final de nossa vida. Sei que muitas iniciativas, muitos sonhos, muitos projetos bons morreram por anemia. E ainda culpamos os outros que deixaram morrer uma instituição. Isto não vai dar certo, opinamos, e por isso vou me retirar em tempo. Um dia, Deus não nos perguntará se vencemos, quererá apenas saber se lutamos. A vitória nem sempre depende de nós, mas a teimosia na luta é decisão nossa.
É preferível amargar uma derrota do que refugiar-se numa tranqüila omissão. Lavar as mãos é perigoso. No fundo da bacia podemos reconhecer nosso rosto, o mesmo rosto percebido no fundo caixão. Em tempo: a igreja que havia morrido fora rebate falso: ela continua viva!
Missões recordam presença capuchinha
Garibaldi, berço dos freis no RS, acolheu as missões populares
Apesar do tempo frio e chuvoso, mais de 10 mil pessoas se aglomeraram no domingo 21, na praça da matriz de Garibaldi (RS), para o encerramento solene das missões, pregadas pela equipe dos missionários capuchinhos do Rio Grande do Sul. Durante um mês, os freis percorreram as 30 comunidades que formam a paróquia São Pedro, motivados pelo lema "Missão: reavivar a fé cristã – 110 anos de evangelização pelos capuchinhos".
Além de reavivar a fé do povo garibaldense, as missões também marcaram os 110 anos da chegada e presença dos capuchinhos no Rio Grande do Sul (matéria abaixo). Para valorizar o evento, durante as missões e, especialmente no dia do encerramento, capuchinhos de várias fraternidades e casas de formação participaram das atividades missionárias.
Frei Álvaro Morés, provincial dos capuchinhos do RS, pregou as missões na matriz junto com os missionários e transmitiu a mensagem final na celebração de encerramento. Também participaram os freis do Definitório Provincial, os 14 noviços (nove da província do RS e cinco da vice-província da República Dominicana e Haiti), freis da equipe de Animação Vocacional dos capuchinhos e religiosas que visitaram as comunidades animando os jovens na sua escolha vocacional.
Em Garibaldi, os imigrantes e os capuchinhos imprimiram o legado da luta, da participação em comunidade, das associações, cooperativas e movimentos, entidades e organismos que lutam pela justiça e dignidade do povo. "Essa herança foi deixada pelos capuchinhos franceses Bruno de Gillonnay e Leão de Montsapey, que muito bem souberam amar e entender a Cristo e enviar seus discípulos a pregar o evangelho no meio do povo", destacou frei Álvaro.
"Para nós, as missões foram um momento forte de revisão e renovação da fé e houve uma expressiva participação do povo", salienta Avelino Ló, agente do CR em Garibaldi. "A fé precisa ser sempre esclarecida, assumida, cultivada e reanimada", destaca o pároco de Garibaldi, frei Antoninho Pasqualon.
A pós-missão vai ocorrer em julho. Dias 25 e 26, para as equipes de liturgia; dias 27 e 28, para catequistas e dia 28, para coordenadores de grupos de reflexão em família.
Pregações marcam o apostolado capuchinho
As missões populares fazem parte do carisma original da Ordem Capuchinha. No dia 18 de janeiro de 1896 chegavam a Conde d’Eu, atual Garibaldi, os frei Bruno de Gillonnay e Leão de Montsapey, os fundadores da província dos capuchinhos do Rio Grande do Sul, hoje a maior da Ordem no mundo, em número de frades (matéria na página 12).
Originalmente, os capuchinhos franceses vieram ao Estado para serem "missionários" entre os imigrantes italianos. Desde o início, se dedicaram às missões populares como um serviço de evangelização, e só a necessidade de sobrevivência fez com que assumissem outras atividades, como o serviço paroquial. Nesses 110 anos de presença no Sul sempre houve missionários e as santas missões se tornaram a marca do apostolado capuchinho.
Wilson João
Viver voltado só para si mesmo é escolher ser um grão fechado, decidido a nunca germinar
A grandeza e a maturidade de uma pessoa se mede pelo equilíbrio entre o dentro e o fora, entre a relação para dentro de si e a relação para com as pessoas e o mundo exterior. Quem vive somente voltado para si, passa por esta terra sem fazer história, porque a história é escrita no relacionamento com o mundo, com as realidades que nos cercam e muito mais com cada ser humano. Quem vive somente voltado para fora, corre o perigo de se tornar vulgar e corriqueiro, pois suas relações correm o risco de se tornarem vazias e cansativas. A vida humana é o equilíbrio de dois movimentos: saber sentar-se em si mesmo e saber sentar-se com o outro.
A RUA NÃO É SOLUÇÃO. Um dos grandes erros na educação familiar em nossos dias é permitir que as pessoas, pai, mãe e filhos, vivam demais o fora, estejam demais na "rua da vida". Quando a vida de família se passa demais do portão para fora, os relacionamentos se esvaziam e acabam. A casa se torna apenas uma pensão para comer, trocar de roupa e dormir. Ao menos cinqüenta por cento do tempo e dos interesses da família devem ser pensados e passados do "portão para dentro".
O QUARTO NÃO É SOLUÇÃO. O quarto simboliza o fechamento em si mesmo. O quarto é sempre o refúgio do depressivo e estressado, do angustiado e triste. O quarto é o refúgio e a fuga de quem perdeu a coragem de se relacionar.É a morte que vai acontecendo na vivência da solidão, que não realiza ninguém. O quarto é o túmulo das emoções que vão envelhecendo, das idéias que vão morrendo e da vida que vai definhando. O egoísta, o individualista, mesmo estando sadio no corpo e na mente, é um quarto fechado e poluído na relação social e comunitária. Ninguém existe para si. Tudo é para o outro. Tudo é existir para servir o outro. A vida é um elo, uma corrente de serviços.
É PRECISO SAIR DO QUARTO. Romper o egoísmo. Quebrar o individualismo. Saltar do sofá do comodismo. Trocar a tela do televisor pela tela do mundo e do social. Deixar de ser espectador de personagens de novelas e fazer a própria novela no dia-a-dia. Nosso corpo é o instrumento da comunicação da vida, todo voltado para fora. Olhos para ver. Boca para falar. Mãos para ajudar. Pés para andar. Ouvidos para escutar. Órgãos genitais para se completarem e se relacionarem. Viver voltado somente para si mesmo é decidir ser um grão fechado em si mesmo, com a escolha de nunca germinar. É a morte de si mesmo. Autodestruição.
SAIR DE SI É A SOLUÇÃO. Amar. Viver a generosidade. Ser serviçal. Relacionar-se sem perder-se. São caminhos da vida. São caminhos que até resolvem problemas de saúde corporal e emocional. A generosidade e o bom relacionamento curam muitíssimas doenças.
O italiano da minha história
Setembrino Rubbo
Construtor, Pinto Bandeira – RS
Com 17 anos, Setembrino começa a fazer a sua sonhada América:
"Minha avó, Agneda Pavan, contava que meus bisavós Agostino Giacinto Rubbo e Maria Maddalena Pozza moravam na Paróquia Santa Caterina di Lusiana, comune di Conco, Vicenza. O bisavô contrabandeava tabaco. Visitava a região com duas mulas, demorando meses para voltar.
Retornando de uma de suas viagens, não encontrou mais a bisavó, que tinha falecido há dias, sem ele ficar sabendo, pois não havia comunicação. Ele tinha dois filhos: Luigi, de 12 anos, e Matteo Luciano, de 8. Desiludido, vendeu sua casa de alvenaria, de dois andares, e a chácara, e veio para a Linha Silva Pinto, da Colônia Dona Isabel, onde comprou as duas piores colônias, a colônia 27, onde eu nasci em 3 de setembro de 1927, e a colônia 29. Com o dinheiro que trazia, podia comprar mais duas ou três colônias, mas preferiu esconder o dinheiro e as jóias da falecida bisavó – dedal, alianças e colar de três voltas, tudo de ouro – dentro do colchão de palha (paion de scartossi). Os filhos casaram e, um dia, as noras resolveram trocar a palha do colchão. Amontoaram tudo no pátio e atearam fogo, queimando o dinheiro e prejudicando as jóias que foram vendidas por bagatela.
O avô Matteo sabia ler, escrever e calcular e assinava o Staffetta Riograndense. Não trabalhava na colônia, devido ao reumatismo. Cachimbava com cachimbo meio queimado. Mascava as sobras (cicava). Meus pais, José Rubbo e Maria Nardi, me deram o nome de Setembrino, por eu ter nascido em setembro e serem amigos do funcionário Setembrino de Carvalho. De família pobre, não tínhamos nem tamancos para ir à roça ou à escola no inverno.
Estudei na Escola São José e na Escola Estadual José Pansera, tendo a lousa como caderno. Não concluí o primário, porque, como mais velho de 13 irmãos, ainda todos vivos, nascia um por ano, tinha que trabalhar na roça. Meus pais sofriam de epilepsia. Aos 17 anos, decidi me virar por conta. Queria ser carpinteiro, mas, pensei, a madeira vai acabar, seria melhor ser pedreiro. A cavalo, fui a Bento Gonçalves à procura de serviço. O construtor Reali me fez a proposta de 18 cruzeiros por dia para ser pedreiro e de 22 para ser servente. Preferi ser pedreiro para aprender mais, embora ganhando menos.
Depois de um ano fui servir no quartel. Ao voltar, com fama de pedreiro, ganhando melhor, economizei, comprei um lote e construí minha primeira casinha, de madeira. Era 1950, casei com Lorena Cosin, com quem tenho os filhos Marilene, professora; Clarice, bancária; Vânia, comerciante; Dácio, enólogo; e Sônia, professora. Estudei Desenho Arquitetônico por correspondência e adquiri a carteira de construtor Licenciado pelo CREA. Então não havia engenheiro civil. Exerci a profissão em vários municípios e me aposentei em 1977, sem nunca ter tirado férias. Continuei com trabalho livre de construtor, hoje dedicando-me à construção cemiterial. A vida foi minha grande mestra e sou feliz de ter nascido no século XX, de tantas conquistas e conhecimentos.
Após os 50 anos, comecei a viajar, visitei as capitais brasileiras, países da América Latina e da Europa, carimbando minha italianidade na Itália".
Setembrino, pelo trabalho, vivência e fé, é um italiano de tempo integral. Parabéns! (Rovílio Costa)
EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (361)
Dopo de la imbroiada, sempre atento co le erbe
Luiz Bavaresco
Nova Prata – RS
(Retomada do texto de Luiz Bavaresco, interrompido na edição de 23 de novembro de 2005, a partir do critério de alternância adotado pelo jornal).
Zera el mese de maio, i miliarai tuti mauri su pai munti, e le suche le zera tante che dava par caminar par sora sensa ndar in tera. Le tere le zera nove, e tuto quel che se piantava vegnea su pròpio bel. Nanetto l’era drio zaminar la so colònia fin che’l ze rivà su drio el bosco, che in questa època l’era posterno. La brina la passava due e anca tre giorni bianca te quel posto, par via che non ghe batea el sol. Ndava là parché el savea che là ghe gera le morere negre, de quei graspi che i parea de ua. Sta volta anca le ga catae e el ghenà magnà na spansada. E che bone che le zera! Dopo el va zo par el monte, el tol su na suca marina par cusinarla tea pignata negra de fero fin che se podesse cavarghe la pele con le onge. No’l sa quante suche ga magnà in Itàlia insieme con so mama e so fradei.
Prima de rivar casa, l’è passà par soto i pini che i zera tel potrero e soto zera rosso de pignui de quei grandi de le boce dei pini de copa. Buta el capel in tera e su pignui fin che l’era pien e po i ze restai par tera un nantro tanto e lora el ga pensà parché che l’Itàlia l’era tanto distante. Come ghe piaseria menarghe un capel pien de pignui a so mama e so fradei. El scomissiava piander de tanti ricordi fin che l’è ndato casa. El taca su fogo te la siapa. Li ga smissiai fin che i s-ciochea e vegnea per ària un odor pròpio de pignui coti. El ze ndato in cantina ndove ghe zera la bote del vin, el cava zo un litro de vin de ua francesa ben tel punto de béverlo, el va su in cosina, l’ impienisse un biceroto de vin, el ciapa i pignui e col martel li ga batesti par vegnar téneri de magnar. Sta note el ga magnà pignui e bevesto vin fin che ghe ze passà la fame. La suca cota la ga assà par magnarla col late a la matina drio. Come zera ancora bonora, el sol ndea zo par le sei ore, ghe ga capità na voia de vedar la Gelina che l’era la so morosa. L’era pien de piani par quando se maridasse con la Gelina, ma prima el volea far la fortuna e catar la cucagna par darghe tuti i presenti che’l podesse, fin che la deventasse na signora. In tanto che’l caminava verso la casa de Àndolo, col feraleto in man par s-ciarar la note scura, el pensava mila robe. Co l’è passà davanti la caseta de Matia, el cag-neto el ga sbaià, ma nessuni ze vegnesto fora.
Nanetto l’era lì che’l caminava e el pensava fin che’l ga sentio un bruto mal de pansa e na voia de ndar tel bosco far i so bisogni fin che l’è rivà drio el rieto che’l passava sora na pianta butada zo sora l’aqua. Nte l’altra banda, el ciapa un sbrancon de erbe par netarse dopo de ver fato i bisogni. El des-botona le braghe, el mola zo le tirache e pun! Ze vegnesto fora tuto de un colpo. Madona, che ben che se stà desso! Ciapa su le erbe che’l gavea catà e taca netarse su el orbo fin che... Santo Dio! cossa ghe zelo desso? Parea che se gavesse netà con le bronse! Parea che’l gavea ciapà fogo de drio e in fondo...
– Ai, ai, ai! quanto male!...
No’l savea cossa far fin che’l ze saltà tel aqua che l’era freda e el se ga sentà zo par vedar se’l smorsava el fogo. L’aqua freda ghe ga fato ben ma no’l podea levar su parché vegnea tuto el fogo nantra volta. E po l’è restà tel aqua pi de due ore, fin che’l ga podesto levar su e metar le braghe nantra volta, ma daromai l’era tuto sfredà e la voia de ndar a morose, per quela note, la ghe ga passà. Quel’ erba che’l ga tolto su par netarse ze na erba che vien su bela e mòrbia drio le aque, co le foie strete, longhe e verde, che tuti la cognosse par brusacul. Dopo quel disastro, Nanetto l’è stà sempre atento con le erbe che’l doparea par netarse. L’è rivà casa là par le diese de note. El cagneto Faísca el ze vegnesto d’incontro, el ghe ga lecà le man, e l’è ndato nantra volta soto la cosina, intanto che Nanetto ndea rento in tela cosina che l’era ancora calda, l’è stato là un pochetin, el ga bevesto nantro bicer de vin e l’è ndato in leto. El ga pregà un poco e, ben querto, el ga dormisto come un àngelo.
Rovílio Costa e Arlindo Battistel
San Giovanni e il diavolo
(Sopra e sotto il campo)
Renato Morelli
Trento, Itália
Un giorno San Giovani e il diavolo stavano seduti sul tetto di una casa. Ad un certo punto fecero una scommessa su chi fosse capace per primo di fissare con un filo un certo numero di piccole assicelle in legno che coprivano il tetto. San Giovanni si procurò una serie di fili corti, li infilò uno ad uno nei fori dei chiodi, legò un filo all’altro e così riuscì a mettere in fila un’assicella dopo l’altra. Il diavolo, invece, afferrò con grande slancio un filo lunghissimo e cominciò a lavorare furiosamente. Il filo, però, si impigliava dappertutto ed il diavolo doveva correre avanti ed indietro per slegarlo, una volta qui e una volta là; quindi, non era arrivato nemmeno a metà, che San Giovanni aveva già terminato il suo lavoro.
Al diavolo seccò moltissimo di aver perso la prima scommessa. Allora indicò un campo e disse:
– Ognuno di noi prende la metà di quello che cresce in quel campo; tu voi la parte superiore o quella inferiore?
San Giovanni guardò e capì che si trattava di un campo di rape; scelse allora la parte inferiore, mentre il diavolo tutto contento prese quella superiore, convinto che a lui sarebbero toccate tante cose buone e che all’altro sarebbero rimaste solo radici magre e amare.
Non appena le rape crebbero e giunsero a maturazione, i due ritornarono; il diavolo ricevette solo un mucchietto di foglie avvizzite e tarlate, San Giovanni invece un gran mucchio di bellissime e succose rape.
Il diavolo si adirò, ma San Giovanni indicò un altro campo e disse:
– Te la senti di scommettere un’altra volta?
– Certamente, rispose il diavolo, ma questa volta la parte inferiore la voglio io.
– Allora, rispose San Giovanni, io prendo la superiore.
Nel campo, però, cresceva il grano e all’epoca del raccolto San Giovanni ricevette belle spighe ricche di grano, mentre al diavolo restarono soltanto aride stoppie.
Da allora il diavolo non volle più scommettere, ma tornò all’inferno pieno di rabbia e di collera.
(Enviado por Ary Vidal, Lapa-Pr).
Proverbi taliani rimai
– Cavai de montar e boi d’arado sensa stala, sachi e canga a spala.
– Al caval impacador scùria, spore e sudor.
– Tuti i ze mati par i busi che i ze nati.
– Chi al vangelo no crede a l’altro mondo no provede.
– Fa pi afari la raposa ntel punaro che coi soldi l’omo avaro.
– Soto la ombrela del dolor sol la crose la ga valor.
– L’umidità la porta magagne, el girandolon finisse le cucagne.
– L’amor e el vin bisogna guslarli pianpianin.
– Chi cognosse so mesura…, sempre avanti, mai paura.
– Capel sensa ale, rivòlgite sensa bale.
– El primo amor strapassa el cor.
(Contribuição de Elvino Sartori, professor e poeta, Ivoti – RS)
Serra terá R$ 9 milhões para a Consulta Popular
A votação será realizada no dia 28 de junho
Os 33 municípios da região da Serra gaúcha terão R$ 9.135.617,71 do orçamento do Estado no exercício de 2007 para investir da forma que acharem mais conveniente. Estes são os recursos disponíveis para a Consulta Popular, que este ano será realizada em 28 de junho.
A verba foi apresentada na assembléia do Conselho Regional de Desenvolvimento da Serra (Corede/Serra), na quinta-feira 18. Na reunião, o Conselho apresentou os indicadores sociais dos municípios do Corede Serra, a partir dos quais foram definidas as áreas de investimentos (ver tabela).
De 25 de maio a 1º de junho serão realizadas três assembléias municipais por dia. De 2 a 5 de junho, as comissões setoriais reúnem-se para a elaboração dos projetos que serão votados em assembléia no dia 7 de junho. Em 9 de junho, os projetos são encaminhados ao Estado para a Consulta Popular.
Segundo os dados divulgados, nos últimos três anos o Estado colocou à disposição dos Coredes R$ 700 milhões, porém, apenas R$ 209 milhões foram investidos e pagos. Mesmo assim, o vice-governador Antônio Hohlfeldt, presente na assembléia, garantiu a execução de todos os investimentos.
Turismo da região é modelo para o país
A Serra gaúcha foi escolhida para abrigar um projeto-piloto que tem como meta aprimorar o turismo nacional. O investimento é de R$ 350 mil. Os três roteiros que receberão o projeto serão definidos de acordo com o grau de adesão do empresariado de cada região.
A partir das definições dos locais, serão oferecidas oficinas de capacitação, consultoria administrativa, organização do sistema de informações, elaboração de material de divulgação etc. O objetivo é oferecer ao turista não apenas produtos e serviços, mas fazê-lo conhecer e valorizar a cultura e a história da região.
Os roteiros Caminhos de Pedra, de Bento Gonçalves, a região das águas termais, em Nova Prata, e os roteiros rurais de Caxias do Sul são fortes candidatos a participarem da iniciativa. Segundo a diretora do Ministério do Turismo, Tânia Brizolla, a Serra foi eleita para receber o projeto pelo grau de desenvolvimento do setor e por ser referência em qualidade, atratividade e organização no Brasil.