LEITORES 

 DESCOBRINDO CAMINHOS

 

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Edição 4.990 - Ano 98 - Caxias do Sul-RS, 31 de maio de 2006.

EDITORIAL

A perigosa convivência entre Copa do Mundo e as eleições

Das eleições de outubro dependerá o futuro do país e dos brasileiros

 

Apenas 120 dias nos separam das eleições gerais, envolvendo, sobretudo, o presidente da República e governadores estaduais. Com desencanto, os 125 milhões de eleitores brasileiros deverão indicar os rumos do país para os próximos anos. O desencanto se origina na falta de propostas confiáveis – sobretudo no plano federal -, mantendo-se o atual quadro eleitoral. A descrença é generalizada e a grande maioria do eleitorado, simplesmente, não acredita na retórica dos palanques, desmentida, depois, pela realidade. O voto em branco ou de protesto é a grande tentação.

Para agravar o quadro, de 9 de junho a 9 de julho, as atenções nacionais estarão voltadas para a Alemanha. As notícias sobre Ronaldinho, Ronaldo, Kaká, Zagalo e Parreira dominarão toda a mídia nacional. Não se falará mais do PCC e dos presos, não se falará mais dos 14 milhões de brasileiros que passam fome, não se falará dos mensalões, caixa dois, máfia das ambulâncias, crise agrícola, gás da Bolívia... Tudo isso passará a ser visto como secundário. O importante mesmo é o futebol, os sistemas táticos, as pequenas ou grandes lesões, os erros de arbitragem. Depois, a euforia do melhor futebol do mundo ou a decepção fazendo baixar ainda mais a auto-estima nacional.

Só depois da ressaca da vitória ou das desculpas pela derrota voltaremos a pensar no Brasil e seu futuro. Os bispos brasileiros, reunidos em Itaici, alertam a opinião pública que o voto não tem preço, só conseqüências. O momento, antes, durante e depois da Copa, é de discernimento sobre o perfil dos candidatos, sua ética e seu compromisso com o povo. Nos últimos quatro anos ficou demonstrada a irracionalidade da velha tese maniqueísta, que divide o mundo entre bons e maus. Ficou demonstrado também que a ética não é propriedade particular de partidos ou de grupos.

A democracia, felizmente, possui os remédios contra suas próprias mazelas. A hora do voto é sagrada. Ele nos torna responsáveis por aquilo que acontecerá de bom ou de mau nos próximos quatro anos. O erro mais grave será a omissão.

 

CAXIAS DO SUL

Feira vai mudar para se manter

Proposta é criar mais atrativos na Feira do Agricultor

 

O recadastramento e uma consulta aos 199 feirantes – 159 produtores e 40 comerciantes – é o primeiro de uma seqüência de passos no caminho de mudanças que a Secretaria Municipal da Agricultura pretende introduzir na Feira do Agricultor. O próximo é uma pesquisa com os compradores. O resultado desses trabalhos sinalizará o que é preciso fazer para melhorar a Feira. "Se ela continuar como está, vai diminuir cada vez mais o movimento e aumentarão as dificuldades", diagnostica o secretário da agricultura, Nestor Pistorello.

Essa conclusão parte de observações por 17 meses da atual administração municipal. Pistorello sabe que o volume de comercialização vem caindo, embora não disponha de dados para dimensionar com exatidão esse encolhimento. E conhece bem a origem desse processo.

Quando a Feira foi criada, o espaço ocupado por hortifrutigranjeiros nos supermercados era inexpressivo e a venda direta do agricultor ao consumidor possibilitava um preço compensador para ambos – mesmo no caso dos comerciantes, incluídos no processo para elevar a variedade de produtos oferecidos aos caxienses. Hoje, além de hipermercados com grande poder de compra, existem os sacolões, concorrentes diretos com vantagens como preços geralmente muitas vezes mais acessíveis e instalações cobertas.

"Precisamos criar atrativos", avalia Pistorello. O secretário não tem ainda um plano definido, mas está convicto de que ele passa pela melhora na apresentação da Feira como um todo – limpeza, higiene da banca, higiene do caixa são alguns dos pontos a serem atacados dentro da idéia de seguir princípios básicos da segurança alimentar. "Entre a apresentação de um supermercado e a da Feira, por qual o consumidor opta?", indaga Pistorello, para quem a resposta é óbvia.

Reduzir os preços é uma das metas que o secretário quer alcançar. Ele admite que isso só será possível com um trabalho conjunto e que não tem nenhuma forma de realizar essa tarefa. Classifica as promoções como um instrumento possível, mas diz que tudo dependerá da ação dos participantes. Certo é que por enquanto as 48 edições da Feira serão mantidas.

As mudanças, de acordo com o secretário, serão introduzidas a partir de julho próximo. Serão ações pontuais, provavelmente iniciando pela apresentação, que deverão ser ampliadas ainda neste ano. Ou seja: a situação exige providências rápidas e eficazes. Caso contrário...

 

Campanha não evita redução dos níveis das represas

 

O caxiense dá demonstrações de que sabe da necessidade de reduzir o consumo de água. Em apenas uma semana de campanha, o Samae recebeu 377 ligações pedindo informações ou fazendo denúncias de desperdício. Porém, o principal objetivo, que é evitar que os níveis das represas que abastecem a cidade continuem baixando, não foi atingido.

Na semana passada, as três maiores represas estavam com esses níveis: Faxinal (abastece 65% da população): 4,78 metros abaixo do normal; Maestra (25%): 7,76 metros; e Dal Bó (7%): 3,85 metros. Na segunda 29, as marcas haviam baixado em todas: o Faxinal estava com menos 4,91 metros; a Maestra, menos 7,96 metros e o Dal Bó, 3,77 metros.

Apesar desse resultado, o Samae não vai adotar racionamento nos próximos dias. O telefone 195 permanece à disposição da comunidade para receber qualquer tipo de informações sobre o uso excessivo de água. "Essa ação estende-se até o final de junho. Se os níveis das represas continuarem baixando passaremos para a 2ª etapa do processo, as manobras no abastecimento", avisa Marcus Vinicius Caberlon, diretor-geral da autarquia.

 

REPORTAGEM

Socorro agrícola é de R$ 75 bi

Governo federal anuncia três pacotes em 50 dias para tentar conter a crise na agropecuária

 

Sob a pressão dos movimentos deflagrados por agricultores de todo país, o governo federal anunciou na quinta 25 o terceiro pacote de socorro ao setor rural em 50 dias. Desta vez o Planalto promete liberar R$ 60. No conjunto, somando os outros dois, o volume de recursos totaliza R$ 75 bilhões.

Serão destinados R$ 60 bilhões de crédito para a agricultura em 2006/2007, acréscimo de 12,5% sobre o valor programado para a safra passada (R$ 53,3 milhões). Do valor disponibilizado, R$ 50 bilhões vão para a agricultura comercial, 13% superior ao destinado na safra anterior, e R$ 10 bilhões para a agricultura familiar.

Serão aplicados R$ 41,4 bilhões em custeio e comercialização da agricultura comercial. A taxa anual de juros de custeio foi mantida em 8,75%. Mas o produtor rural terá taxa média de juros menor por conta do aumento de 44% no volume de recursos a taxas controladas.

Diversas culturas tiveram aumento nos limites de crédito de custeio e comercialização por tomador, com recursos controlados. É o caso, por exemplo, da soja, cujo teto foi elevado de R$ 150 mil e 200 mil, dependendo da região, para R$ 300 mil em todo o Brasil. Para avicultores e suinocultores não integrados o limite passa de R$ 60 mil para R$ 120 mil.

O pacotão traz uma série de mudanças. As medidas foram recebidas com um misto de desconfiança e esperança. O presidente da Confederação Nacional da Agricultura, Antônio Ernesto de Salvo, disse que com o plano houve retirada do perigo imediato de grande parcela das pessoas em dificuldades. "As medidas são positivas, aquém das nossas necessidades, mas certamente mais do que o governo costuma conceder", afirmou.

O pacote foi considerado insuficiente pela Federação da Agricultura do PR (Faep). "O pacote ficou aquém do necessário", disse o presidente da Faep, Ágide Meneguette. Segundo ele, o plano vai melhorar as condições para o plantio, mas sem resolver o passivo que pesa sobre os produtores. "O governo alongou as dívidas, mas não resolveu o problema do câmbio. Enquanto esse problema não for resolvido, não há solução’’, declarou.

As medidas do pacote agrícola terão "repercussão positiva" para a agricultura familiar. A afirmação foi feita pelo secretário de Política Agrícola da Contag, Antônio Rovarise. "As medidas darão fôlego aos agricultores e, conseqüentemente, terão neste momento impacto significativo nos preços de mercado, que estão muito defasados", observou. O presidente da Federação da Agricultura de SC (Faesc), José Zeferino Pedrozo, concorda com Rovarise. "As medidas são positivas e terão maior eficácia em Santa Catarina ", destacou.

 

Desconto para milho, feijão e leite

 

O abatimento dos financiamentos de custeio contratados por agricultores familiares na safra 2005/2006 foi a principal medida anunciada pelo ministro do Desenvolvimento Agrário (MDA), Guilherme Cassel. A iniciativa do governo federal deve-se à defasagem de preços da produção familiar e beneficia os produtores rurais que acessaram o Pronaf.

O rebate de parte do valor financiado devido à defasagem de preços abrange milho, soja, arroz, feijão, algodão, mandioca e leite (ver tabela). A medida atinge os agricultores familiares de todos os grupos do Pronaf e haverá um teto para o abatimento da dívida, de R$ 2 mil por produtor.

O rebate é calculado sobre o valor total do empréstimo. O pagamento da dívida, já com a subtração do valor equivalente ao percentual definido, se dá no vencimento do contrato. Por exemplo: o produtor rural contratou R$ 10 mil para custeio do plantio de milho pelo Pronaf E – para a cultura do milho o abatimento é de 22%. Aplicando-se o percentual, resultaria em desconto de R$ 2.200. Entretanto, o rebate será limitado pelo teto de R$ 2 mil e o pagamento efetivo será de R$ 8 mil (mais os juros).

 

Logística é alvo de novo pacote rural

 

Contemplar as operações logísticas do agronegócio. Com esse foco, o governo federal deve anunciar medidas em breve e que não foram incluídas no pacote da última quinta-feira 25. O secretário de política agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento (Mapa), Ivan Wedekin, disse que o conjunto de ações voltado à infra-estrutura reduzirá os custos de produção do setor.

O secretário do Mapa informou que não houve tempo para tratar da redução dos impostos, outra reivindicação dos produtores e que ficou fora das medidas de apoio ao setor. "Optou-se por não fazer o lançamento junto com o pacote porque as decisões ainda não estavam consolidadas", explicou. Adiantou que as medidas irão contemplar os problemas regionais.

 

AGRONEGÓCIO

RS controla descartes de aves

De forma pioneira, descarte de poedeiras e reprodutoras já têm destino certo no Estado

 

O Rio Grande do Sul está saindo na dianteira em relação ao destino dos descartes de aves reprodutoras e poedeiras. As medidas, que entraram em vigor no Estado na última semana, estão previstas na Instrução Normativa (IN) nº 17, de 7/4/06. Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento (Mapa), o processo inicia oficialmente no Brasil a partir de 1º de junho de 2006.

A Superintendência Federal de Agricultura gaúcha (SFA/RS) estabelece que a partir de 01/06/2006, os frigoríficos que realizam o abate de galinhas no Estado só deverão receber aves de descarte de granjas de reprodução e aves de descarte de granjas produtoras de ovos para consumo acompanhadas de Guia de Trânsito Animal (GTA), emitida por médico veterinário oficial.

"A GTA funciona como um atestado de saúde da ave", explica o chefe da Unidade Regional de Vigilância Agropecuária de Caxias do Sul, o médico veterinário Luiz Carlos Pessin.

A partir da mesma data, os médicos veterinários credenciados para emitir GTA para aves pela SFA/RS não poderão emitir GTA para descartes de granjas de reprodução ou de granjas produtoras de ovos para consumo. Nestes casos, especificamente, as GTAs deverão ser retiradas nas inspetorias veterinárias do município de localização do estabelecimento de origem dos animais.

Para comprovar o recebimento e o abate das aves de descarte – tanto daquelas vindas de outros Estados, como daquelas provenientes do Rio Grande do Sul – os SIFs (frigoríficos com inspeção federal) que abatem aves no Estado deverão, a partir de 1º de junho próximo, preencher o Informativo do Abate de Aves de Descarte. O procedimento é necessário para o atendimento de medidas previstas na instrução normativa nº 17.

 

Estados têm autonomia nas fronteiras

 

A IN nº 17 estabelece, no sexto parágrafo do artigo 11, que as aves de descarte (reprodutoras ou poedeiras) devem ser destinadas a abatedouros com inspeção federal. Define ainda que só poderão transitar interestadualmente se acompanhadas de GTA emitida por médico veterinário oficial. A emissão da respectiva GTA estará vinculada à comprovação, pelo SIF, do lote de aves de descarte encaminhado anteriormente.

Os Estados que aderiram ao Plano Nacional de Prevenção de Influenza Aviária e Prevenção e Controle da Doença de Newcastle (PNSA) poderão proibir o trânsito interestadual de aves de corte, aves de descarte de granjas de reprodução e aves de descarte de granja de ovos de consumo, destinadas ao abate, como medida preventiva à possível entrada e disseminação dos agentes da gripe das aves e à Newcastle nos seus plantéis avícolas.

"O RS está fazendo um inventário dos criatórios de aves que não têm registro", adianta Pessin ao CR. O levantamento objetiva monitorar a criação doméstica de galinhas e prevenir que as doenças, como a gripe aviária, se espalhem.

 

Cooperativa volta a industrializar leite

 

A Cooperativa Central Gaúcha do Leite (CCGL) vai investir R$ 90 milhões para industrializar um milhão de litros de leite por dia, em Cruz Alta (RS). A nova planta deve gerar 248 empregos diretos e cerca de 8.000 indiretos e entra em funcionamento no primeiro trimestre de 2007. O Banco Regional de Desenvolvimento Econômico deve financiar R$ 66,6 milhões do montante de recursos previstos para o projeto.

A medida marca o retorno da cooperativa à industrialização do leite, segmento do qual estava afastada desde 1994. A nova planta industrial terá inicialmente três fases para a produção de leite em pó, creme de leite, leite evaporado, manteiga e queijo.

A CCGL possui 86.566 produtores associados de 19 cooperativas. A obra beneficia o município e toda região do Alto Jacuí. A pedra fundamental da planta foi lançada no último dia 12 de maio.

 

VIDA AGRÍCOLA

Engº. Agrº. José Zugno

Professora e naturalista

É um prazer e uma satisfação conhecer a sua pessoa através dos trabalhos que desenvolveu ao longo de mais de 50 anos no Correio Riograndense, pois meu pai assinava o CR e sempre acompanhou praticamente todas as suas valiosas colunas de Vida Agrícola. Agora também sou agente do CR, leio com alegria muitas colunas, inclusive a sua, com proveito tanto para quem vive da agricultura como para quem ama a natureza e o meio ambiente inseridos nas cidades. Sou professora aposentada, lecionava ciências de 1º grau e a natureza, a ecologia, a botânica eram, para mim, um "recheio de bolo com nozes" (reservada para me deliciar) querendo empolgar ao máximo meus alunos, fazendo-os entenderem que sem vegetais a vida provavelmente será impossível. Quanto mais sem água, de que as plantas precisam...

Antes de casar-me, morei na roça e observava tudo o que nascia, crescia, florescia, era devorado, como se colhia, como se armazenava etc. Neste ponto, sentia-me orgulhosa ao fazer faculdade e trazer para o professor de Botânica ou de Biologia a maioria das plantas que os meus colegas não conheciam. Só o professor, que também tinha origens na vida agrícola, vindo do RS, as conhecia.

Meu marido, filho de agricultores, exercendo a função de carteiro, ao passar por diversas ruas observava plantas diferentes e quando alguma frutificava pedia mudas ou frutos para plantar as sementes. Foi assim que me trouxe "ingás", quando eu estava grávida, cujas sementes eram envolvidas por uma polpa branca, aveludada, muito deliciosa, uma verdadeira bênção divina, como o maná que Deus distribuía a seu povo no deserto.

Ao obter as primeiras mudas dessas sementes pensei em dar-lhes o ambiente de beira de rio que era o local onde se encontravam plantas nativas dessa preciosidade, plantando-as à sombra da casa, molhando-as sempre. Com o tempo, observei que as plantas produziam bem fora das sombras naturais, mas em locais de bastante sol e não precisavam ser tão irrigadas. Vários outros "ingás" foram plantados. A gente observava que as variedades são muito parecidas nas folhas, mas as vagens são diferentes, umas com vagens maiores e até uma de vagens meio camurça, com formato achatado, comprido, de grãos grandes, quadriculados, de polpa fina e menos adocicada que a comum. A planta é vigorosa, de folhas maiores, tronco mais resistente e liso. Muitos insetos surgem na florada, mas foi nesta última variedade que apareceram essas deformações cujas amostras estou lhe enviando. Peço dizer-me de que se trata, para tentar uma solução sem ter que erradicar as nossas "ingazeiras".

ROSÂNGELA MIOSSO

Caçador – SC

 

Sua carta, prezada professora Rosângela, ocupa quase todo o espaço desta coluna. A decisão de transcrevê-la quase na íntegra foi proposital porque ela é elucidativa e de conteúdo proveitoso. Ela revela a verdadeira vocação de naturalista, da leitura que a leva a ser excelente professora de Ciências Naturais, que soube "empolgar ao máximo" os seus alunos, para o conhecimento do mundo maravilhoso da natureza: os seres vivos, vegetais, (sobretudo os clorofilados) e os animais, o relacionamento entre eles e deles com os fatores ambientais, principalmente a água, o ar e o solo, além de outros físicos e químicos.

Para a sobrevivência da humanidade é indispensável a conservação do ambiente, sobretudo nos dias de hoje em que as conquistas tecnológicas são um convite permanente para sua debilitação e até sua destruição.

Seus alunos se não vierem a se tornar cientistas da botânica ou ecologia, pelo menos serão cidadãos em condições de contribuir para a preservação dos recursos naturais e cuidar do meio ambiente.

Na educação da juventude está a grande esperança de se evitar a total destruição da natureza, tarefa constante dos professores competentes e idealistas como a professora Rosângela. Parabéns.

Com referência às colunas de Vida Agrícola, "com proveito tanto para quem vive da agricultura como para quem ama a natureza", não somente me deixa feliz, mas principalmente confirma o propósito adotado desde o início da coluna de responder perguntas não secamente, recomendando o uso de produto comercial, mas de forma tanto quanto possível didática, dar informações claras e práticas sobre o assunto para que o agricultor ou interessados possa encontrar a solução desejada. Lembrando igualmente os professores rurais em geral carentes de informações desse tipo.

Com relação às deformações verificadas nas ingazeiras, o assunto será abordado na próxima edição. Trata-se de "galhas" que resultam do "desenvolvimento anormal de tecidos da planta pela irritação dos mesmos com as secreções de certos insetos".

Mais informações sobre ingás na próxima edição.

 

SAÚDE

Deficiência de ferro atinge 44% das crianças gaúchas

Anemia prejudica o desenvolvimento físico e mental e causa subnutrição

 

No Rio Grande do Sul, uma campanha visa combater a deficiência de ferro, ou anemia ferropriva, nas crianças de 18 meses a seis anos e nas mulheres não grávidas, de 14 a 30 anos. Em pesquisa realizada em outubro passado, quando foram coletados dados entre 1.390 crianças e 1.214 mulheres de cinco regiões do Estado, foram encontrados 44,2% das crianças e 36,3% das mulheres com esse tipo de anemia.

A deficiência de ferro é um dos 10 fatores de risco ligados a uma menor expectativa de vida nos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, segundo a Organização Mundial de Saúde. Outros prejuízos causados pela anemia são diminuição da produtividade no trabalho, menor aproveitamento na escola, baixa estatura, redução da massa muscular, perda significativa de habilidade cognitiva, baixo peso ao nascer, déficit intelectual e imunológico, com tendência a infecções. Além disso, pode ser a causa primária de uma entre cinco mortes de parturientes ou estar associada a até 50% das mortes.

A nutricionista da seção da Política de Alimentação e Nutrição da Secretaria Estadual da Saúde, Elaine Scapinello, afirma que a doença é comum, mas não é normal, e precisa ser reconhecida e tratada adequadamente. Os sintomas da anemia ferropriva não são tão evidentes, por isso é necessário fazer exames laboratoriais, de sangue, para que seja confirmado o diagnóstico. Entre os sinais, podem aparecer cansaço, falta de apetite, palidez da pele e mucosas, fraqueza e sonolência.

As anemias podem ser causadas por deficiência de ferro, zinco, vitamina B12 e proteínas. Porém, estima-se que 90% das anemias sejam provocadas por carência de ferro. O mineral atua principalmente na fabricação das células vermelhas do sangue e no transporte do oxigênio para todas as células do corpo.

No mundo, 2 bilhões de pessoas apresentam deficiência de ferro no organismo. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, 45% das crianças menores de 5 anos têm esse tipo de anemia, assim como 20% dos adolescentes e de 15% a 30% das gestantes.

 

Campanha visa erradicar a doença no Rio Grande do Sul

 

A campanha Criança Sem Anemia no RS quer erradicar a anemia causada por deficiência de ferro, responsável por subnutrição infantil e baixo desenvolvimento físico e mental. As ações iniciaram em outubro passado e seguem durante este ano.

No Estado, 18 cidades participam do projeto. No prazo de um ano, serão realizados 9 mil testes do dedinho (coleta de amostra do sangue) e capacitações para médicos que atendem na rede pública de saúde. Após submeter-se ao teste, cujo resultado é imediato, as pessoas que apresentam a carência de ferro são encaminhadas para um posto de saúde, onde recebem medicação e acompanhamento.

O objetivo da campanha é erradicar o problema com ações específicas, esclarecer os profissionais e a comunidade quanto aos perigos da falta de ferro no organismo e sobre a importância da alimentação adequada e apresentar, ao final da iniciativa, um projeto de lei garantindo a continuidade das ações propostas.

O projeto é coordenado pelo Grupo Hemoamigos, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, SIMERS, Caixa RS, Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Secretaria Estadual da Saúde, com apoio da Unesco e Pastoral da Criança.

 

Dieta variada ajuda na prevenção

 

A melhor arma para a prevenção da anemia ferropriva é a alimentação bem variada, rica em alimentos que naturalmente possuem ferro na composição e nos industrializados enriquecidos ou fortificados com o mineral, como leites e farinhas de trigo. As melhores fontes naturais de ferro são os alimentos de origem animal, ou seja, fígado e carnes, principalmente vermelhas. Esses alimentos possuem um tipo de ferro melhor aproveitado pelo organismo. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, leite e ovos não são boas fontes do mineral, no entanto, já existe no mercado leite enriquecido com ferro, que é uma boa opção.

Entre os alimentos de origem vegetal, destacam-se como boas fontes do nutriente as leguminosas, como feijão, grão-de-bico, lentilha e ervilha; os cereais integrais ou enriquecidos; as nozes e castanhas; as hortaliças, como couve, batata, brócolis, agrião e salsa; além de melado de cana, rapadura e açúcar mascavo.

Porém, o ferro dos vegetais não é tão bem absorvido pelo organismo quanto o proveniente de alimentos de origem animal. Para melhorar essa absorção, recomenda-se o consumo de alimentos com alto teor de vitamina C, como acerola, abacaxi, goiaba, kiwi, laranja, limão, pimentão, repolho e tomate, na mesma refeição.

O ferro dos alimentos de origem vegetal também pode ser afetado por "fatores inibidores", que reduzem ainda mais sua absorção. Chá e café, quando consumidos em grande quantidade após as refeições, são inibidores.

 

Tabagismo faz 200 mil vítimas por ano no Brasil

 

A Organização Mundial da Saúde estabeleceu a data de 31 de maio como Dia Mundial Sem Tabaco, com o objetivo de promover ações de conscientização sobre os malefícios do tabagismo. Esse vício é considerado a principal causa de morte evitável no mundo. Só no Brasil, são 200 mil vítimas fatais por ano. No mundo, 5 milhões morrem anualmente em decorrência do tabagismo.

De acordo com a tendência de aumento no consumo de cigarros, estima-se que, até 2030, o número de mortes anuais deverá atingir 10 milhões em todo o planeta. Tais mortes relacionam-se às 50 doenças diferentes que podem ser causadas pelo fumo. Cerca de 45% das mortes por doença coronariana (infarto do miocárdio), 85% das mortes por doença pulmonar obstrutiva crônica (enfisema), 25% das mortes por doença cérebro-vascular (derrames) e 30% das mortes por câncer podem ser atribuídas ao cigarro. Além disso, 90% dos casos de câncer do pulmão têm correlação com o tabagismo. Apesar dos prejuízos, segundo a OMS, um terço da população mundial adulta é fumante.

Além de prejudicar a saúde, o tabagismo atrapalha a economia. Segundo pesquisas, a perda mundial nas áreas de saúde, previdência e assistência social chega a US$ 200 bilhões. As despesas se devem, por exemplo, ao custo do tratamento das inúmeras doenças relacionadas ao tabaco, à freqüente perda de produtividade, à antecipação de aposentadorias por doenças e invalidez e às mortes de cidadãos que poderiam estar reforçando o mercado de trabalho e consumo.

 

OPINIÃO

O desafio da violência

Leonardo Boff

A paz resulta da administração de conflitos e só triunfa na medida em que as pessoas e as coletividades se dispuserem a cultivar, como projeto de vida, a cooperação, a solidariedade e o amor

 

A violência ocorrida nos meados de maio em São Paulo nos obriga a pensar. Por que ela é tão recorrente? Para vislumbrar alguma luz temos que, realisticamente, partir desta ambigüidade fundamental: a realidade por um lado vem marcada por conflitos e por outro vem perpassada por ordem e paz. Nenhum destes lados consegue erradicar o outro. Mesclam-se e se mantêm num equilíbrio difícil e dinâmico.

A arte consiste em manter a tensão buscando aquela convergência de energias que permitem o surgimento da paz, fruto de instituições minimamente justas e includentes e ordenações sociais sadias, custodiadas por um Estado que zela pelo equilíbrio das tensões, usando, quando preciso, legitimamente da coerção. Se não houvesse essa busca do equilíbrio, possivelmente a socialidade seria impossível e os seres humanos ter-se-iam exterminados uns aos outros.

A paz resulta da administração dos conflitos, usando meios não conflitivos. Assim, na construção da paz devem os interesses coletivos se sobrepor aos individuais, a multiculturalidade prevalecer sobre o etnocentrismo, a perspectiva global orientar a local.

Importa sermos realistas e sinceros. Há violência no mundo porque eu carrego violência dentro de mim na forma de raiva, inveja e ódio que devem ser sempre contidos.

A explicação da agressividade tem desafiado os pensadores mais argutos. Sigmund Freud parte da constatação de que existem duas pulsões básicas: uma que afirma e exalta a vida (Eros) e outra que tensiona para a morte (Thánatos) e seus derivados psicológicos como os ódios e as exclusões.

Para Freud, a agressividade surge quando o instinto de morte é ativado por alguma ameaça que vem de fora. Alguém pode ameaçar o outro e querer tirar-lhe a vida. Então o ameaçado se antecipa e passa a agredir e eventualmente a eliminar o ameaçador.

Outro pensador contemporâneo, René Girard, afirma que a agressividade provém da permanente rivalidade existente entre os seres humanos (chamada por ele de desejo mimético). Esta rivalidade cria permanentes tensões e elabora sinistras cumplicidades. Ao concentrar em alguém toda a maldade e toda a ameaça, a sociedade torna-o um bode expiatório. Todos se unem contra ele para afastá-lo. Essa união instaura uma paz momentânea entre todos os contendores. Desfeita esta paz, inventa-se um novo bode expiatório (os terroristas, os traficantes etc) e novamente se cria a união de todos contra ele e se refaz a paz perdida.

Os antropólogos nos ajudaram também a entender a agressividade. Asseguram-nos que somos simultaneamente sapiens e demens não por degeneração, mas por constituição evolucionária. Somos portadores de inteligência e de energias interiores orientadas para a generosidade, a colaboração e a benevolência. E ao mesmo tempo somos portadores de demência, de excesso, de pulsões de morte. Somos seres trágicos porque surgimos como coexistência dos opostos.

Dada esta contradição, como construir a paz? A paz só triunfa na medida em que as pessoas e as coletividades se dispuserem a cultivar, como projeto de vida, a cooperação, a solidariedade e o amor. A cultura da paz depende da predominância destas positividades e da vigilância que as pessoas e as instituições mantiverem sobre a outra dimensão, sempre presente, de rivalidade, de egoísmo e de exclusão.

*Autor do livro: A oração de São Francisco: uma mensagem de paz par ao mundo atual (Sextante).

 

Cidadania e solidariedade

Frei Betto

O que temos feito para mudar o mundo? O que você faz, a sua escola, a sua comunidade religiosa, o seu movimento social, a sua empresa? Queixar-se é fácil e reclamar não é difícil. O desafio é agir, organizar, conscientizar, transformar

 

Qualquer pessoa ou instituição – movimento social, denominação religiosa, ONG, escola, empresa, associação etc – pode e deve promover iniciativas que reforcem a cidadania e a solidariedade: mesas-redondas; campanhas; palestras; mutirão que beneficie, sem assistencialismo, a população mais pobre.

Um excelente ponto de partida são as Metas do Milênio, aprovadas por 191 países da ONU, em 2000. Todos, inclusive o Brasil, se comprometeram a cumprir os oito objetivos até 2015: 1) Acabar com a fome e a miséria; 2) Educação básica de qualidade para todos; 3) Igualdade entre sexos e valorização da mulher; 4) Reduzir a mortalidade infantil; 5) Melhorar a saúde das gestantes; 6) Combater a Aids, a malária e outras doenças; 7) Qualidade de vida e respeito ao meio ambiente; 8) Todo mundo trabalhando pelo desenvolvimento.

Não há quem não possa fazer um gesto na direção desses objetivos: debater em sala de aula as causas da pobreza e os entraves à melhor distribuição de renda; introduzir na escola educação nutricional, adotar os programas Escolas Irmãs (escolasirmas@planalto.gov.br) e Jovem Voluntário, Escola Solidária (facaparte@facaparte.org.br); promover painel sobre Chico Mendes, exposição sobre os direitos dos povos indígenas ou ações de combate ao trabalho e à prostituição infantis; organizar uma horta comunitária; lutar pela melhoria da educação, do acesso a medicamentos seguros e baratos ou abrir um curso de alfabetização de adultos; denunciar o preconceito contra homossexuais e o uso da mulher no estímulo ao consumismo; fortalecer a Pastoral da Criança e discutir a relação entre explosão demográfica e crescimento econômico com desenvolvimento social; conscientizar sobre os riscos da Aids, as causas da malária e o aumento de doenças decorrentes do desequilíbrio ecológico; colaborar para a implementação da reforma agrária, visitar e apoiar acampamentos e assentamentos rurais, pesquisar o que é desenvolvimento sustentável etc.

Há quem torça o nariz para as Metas do Milênio. O mesmo erro foi cometido quando os verdes, décadas atrás, levantaram a bandeira da ecologia.

Felizmente Chico Mendes nos abriu os olhos. Ensinou que a preservação do meio ambiente é das poucas bandeiras que mobilizam adeptos em todas as classes sociais.

É preciso mobilizar a nação em torno de ações concretas que nos permitam construir o "outro mundo possível". E priorizar, em pleno neoliberalismo que assola o planeta, valores antagônicos ao individualismo e à competitividade, como o são a cidadania e a solidariedade.

O que temos feito para mudar o mundo? O que faz você, a sua escola, a sua comunidade religiosa, o seu movimento social, a sua empresa? Queixar-se é fácil e reclamar não é difícil. O desafio é agir, organizar, conscientizar, transformar.

Diários de motocicleta, filme de Walter Salles, mostra a cena em que Ernesto Guevara decide, na noite de seu aniversário, mergulhar no rio que o separava da comunidade de hansenianos. Naquele momento, Che optou pela margem oposta – a da cidadania e da solidariedade. Não ficou na margem em que nascera e fora criado, cercado de confortos e ilusões, nem se reteve "na terceira margem do rio", aquela dos que se isolam em suas convicções sectárias e jamais completam a travessia. É preciso incentivar essa opção.

Porque podemos mudar o Brasil e o mundo. Basta passar das intenções às ações. Cabeça, tronco e membros: se tem isso, trata-se de um animal. Se pensa, fala e opta, um animal racional. Se não joga papel no chão, respeita o pedestre enquanto dirige, pede nota fiscal no comércio e exige direitos previstos em lei, um cidadão.

Não é fácil ser cidadão brasileiro. Pau que nasce torto... Nascemos como nação-colônia, aprendendo que o estrangeiro é sempre melhor que o nacional.

Tivemos o mais longo período de escravidão da América Latina – 350 anos! Essa submissão atávica está entranhada em nossas veias. Basta alguém se revestir dos símbolos do poder – riqueza, autoridade e ostentação – para ser tratado como se fosse um ser naturalmente superior a seus semelhantes.

Cidadania rima com soberania. É preciso gostar de si próprio para conquistá-la. Caso contrário, as empregadas domésticas continuarão relegadas ao elevador de serviço, os restaurantes finos só terão garçons brancos, nos vôos internacionais só os passageiros da primeira classe respirarão ar puro (os demais, ar reciclado) e todos acreditarão na publicidade dos planos de saúde, que raramente correspondem à expectativa do usuário na hora do aperto.

Ocorre que a globalização detona todos os fundamentos de nossa soberania. O neoliberalismo nos impõe o Estado mínimo, tipo fio-dental, e o mercado máximo, tão livre que paira acima das leis e da decência. As privatizações do patrimônio público (Siderúrgica Nacional, Vale do Rio Doce, Usiminas, sistema de telefonia etc) são o exemplo maior de dependência de nosso país ao capital privado, em geral estrangeiro. E o que é mais grave: privatizam-se também nossos valores. Corroem nosso espírito cidadão. Estamos ficando cada vez menos solidários, menos cooperativos, menos participantes.

Até a fé religiosa é privatizada, destituída de sua ressonância social e política. Como se Deus fosse um balcão de atendimento de emergências e mero anabolizante de exaltações espiritualistas que não se traduzem em serviço libertador ao pobre, ao enfermo, ao excluído.

 

NACIONAL

TSE aprova maioria das mudanças na lei eleitoral

Estão proibidos brindes e showmícios, mas não foi fixado limite de gastos

 

Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiram, na terça 23, manter para este ano determinação da minirreforma eleitoral que proíbe a distribuição de brindes, como camisetas, bonés e canetas. A minirreforma também veta a realização de showmícios e a apresentação de artistas nas campanhas, além da propaganda em outdoors. A divulgação de propaganda de partidos e candidatos em cartazes, camisas, bonés e broches passa a ser considerada crime. "Showmícios, distribuição de brindes, a que se visa com isso? A dar um lazer aos menos afortunados? A classe 'A' não vai a showmício, não usa camiseta. Visa ao voto", justificou o presidente do TSE, ministro Marco Aurélio de Mello.

Para aumentar o controle sobre as contas de campanha, os partidos e candidatos serão obrigados a publicar relatórios com os recursos recebidos para financiamento das campanhas e os gastos efetuados. Os documentos devem ser divulgados em 6 de agosto, 6 de setembro e depois das eleições.

Os ministros entenderam que não se aplica na eleição deste ano a regra que determina fixação de limite dos gastos de campanha até o dia 10 de junho. Também não vale o dispositivo que obrigava partidos e coligações a comunicarem, no pedido de registro de seus candidatos, os valores máximos dos gastos que farão por cargo eletivo.

Sobre as doações para campanhas eleitorais, o tribunal também manteve para a eleição deste ano que elas somente podem ser depositadas em conta aberta especificamente para recebimento dos recursos de campanha. Em dinheiro, valem apenas os depósitos identificados.

A minirreforma proibia a divulgação de pesquisas eleitorais por qualquer meio de comunicação, a partir de 15 dias antes da eleição. O TSE entendeu que a regra é inconstitucional, pois fere o direito à informação: os veículos de comunicação podem divulgar a pesquisa até no mesmo dia da eleição. Só as chamadas "pesquisas de boca de urna", realizadas no dia da votação, é que não podem ser divulgadas durante o período de votação.

Segundo o presidente do TSE, "a maioria dos ministros entendeu que não cabe neste campo proibir, não cabe vedar – nem nesta nem em outra eleição – a informação, não cabe obstaculizar o exercício do direito de informar e, mais do que isso, o direito dos cidadãos em geral de serem informados". As novas regras alteram a lei eleitoral 9.504, de 1997, que trata de propaganda, financiamento e prestação de contas de despesas com campanhas.

Repercussão – Políticos da base governista e da oposição elogiaram a decisão do TSE. Para o líder do PDT no Senado, Jefferson Peres (AM), as mudanças nas regras eleitorais fazem parte de um processo permanente de aperfeiçoamento da democracia. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse que a definição das regras é o início de um processo que precisa evoluir, envolvendo sociedade, partidos, fiscalização, Ministério Público e TREs. Para o autor da proposta, senador Jorge Bornhausen (PFL-SC), "o TSE encontrou uma maneira legal de aproveitar aquilo que era possível para as eleições de 2006".

 

Mínino regional gaúcho sobe 8,35%

 

Numa votação tensa, com forte pressão de entidades sindicais e vaias a deputados, a Assembléia Legislativa aprovou na quarta 24 o novo salário mínimo regional. O reajuste é de 8,35%, o que torna o piso regional gaúcho o maior do país, chegando a R$ 441,86. A seguir as quatro faixas, os novos valores e algumas das categorias que abrangem:

Faixa 1: R$ 405,95 – Atinge, entre outros, trabalhadores da agricultura e pecuária, das indústrias extrativas, de empresas de pesca, empregados domésticos, turismo e hospitalidade, construção civil, da indústria de instrumentos musicais e brinquedos e motoboys.

Faixa 2: R$ 415,33 – Envolve empregados nas indústrias do vestuário e do calçado, fiação e tecelagem, de artefatos de couro, papel, papelão e cortiça, em empresas distribuidoras e vendedoras de jornais e revistas, empregos em bancas, empregados da administração das empresas proprietárias de jornais e revistas, empregados em estabelecimentos de serviços de saúde.

Faixa 3: R$ 424,69 – Para trabalhadores nas indústrias do mobiliário, indústrias químicas e farmacêuticas, indústrias de alimentação, empregados do comércio em geral.

Faixa 4: R$ 441,86 – Válido para empregados nas indústrias metalúrgicas, mecânicas e de material elétrico, indústrias gráficas, indústrias de vidros, cristais, espelhos, cerâmica de louça e porcelana, indústrias de artefatos de borracha, em empresas de seguros privados e capitalização e de agentes autônomos de seguros privados e de créditos, em edifícios e condomínios residenciais, comerciais e similares, nas indústrias de jóias e lapidação de pedras preciosas, além de auxiliares em administração escolar (empregados de estabelecimentos de ensino).

 

ESPORTES

A CAMINHO DO HEXA

Brasil vai em busca de mais um título mundial na Alemanha. Seleção, apontada como favorita, tem entre os 23 jogadores, convocados por Parreira, 11 que participaram da conquista do penta em 2002, no Japão

 

Nunca uma seleção foi a uma Copa do Mundo com tanto favoritismo quanto o Brasil. E se depender da torcida brasileira, o Brasil trará o hexacampeonato. Uma pesquisa CNT/Sensus divulgada na semana passada mostra que 79,8% dos entrevistados confiam na seleção canarinho e apenas 3,4% acham que a Alemanha, anfitriã do Mundial, ganhará a Copa de 2006.

O Brasil estréia no Mundial contra a Croácia, dia 13 de junho, depois enfrenta a Austrália dia 18 e encerra a primeira fase contra o Japão, no dia 22 (tabela da primeira fase, abaixo). Tanto favoritismo preocupa o técnico Carlos Alberto Parreira. "Pelo sucesso que a seleção teve, somos favoritos, mas sabemos que a Copa é uma competição traiçoeira. O favoritismo não vai influir em nada no nosso trabalho. Cada jogo tem de ser encarado como uma final", disse o técnico ao anunciar os 23 convocados no dia 15 de maio.

A seleção está hospedada na pequena Weggis, na Suíça, quase na fronteira com a Alemanha. A cidade milenar vai abrigar a seleção brasileira até dia 4 de junho. Depois, o Brasil usará a cidade de Frankfurt como base.

A seleção brasileira vai em busca do hexacampeonato com um grupo maduro e experiente. A média de idade é de 28,4 anos, a mais velha desde a Copa de 1962, quando a equipe canarinha teve média de 29,6 anos. Parreira, técnico do tetra, nos Estados Unidos (1994) vai usar boa parte da base que conquistou o penta – dos 23 convocados, 11 participaram da Copa de 2002, no Japão e Coréia do Sul.

 

Adversários do Brasil têm pouca tradição em Copas

 

Em quase cinco décadas de participação na Copa do Mundo, neste ano o Brasil integra um grupo com equipes quase desconhecidas e de pouca experiência na competição. Croácia e Japão participaram de apenas duas Copas e a Austrália de uma. Pela primeira vez desde 1958, na Suécia, o Brasil vai enfrentar na primeira fase seleções com as quais nunca jogou em Mundiais.

A Croácia, primeiro adversário, jogou apenas duas vezes com a seleção brasileira, obtendo dois empates. Localizada no Centro-Sul da Europa, a Croácia é uma das repúblicas mais prósperas da ex-Iugoslávia, de quem obteve a independência em 1991. Tem apenas 4,5 milhões de habitantes, que vivem numa área de poucos mais de 56 mil km². 72% dos croatas são católicos e 28% ortodoxos e islâmicos. O analfabetismo é baixo, apenas 1,5%.

A Austrália, treinada pelo holandês Guus Hiddink, já enfrentou oito vezes o Brasil, com uma vitória, dois empates e cinco derrotas. O país é uma ilha-continente, com 7,68 milhões de km² e uma população de quase 20 milhões de habitantes. É o maior produtor mundial de ovelhas e de lã e se destaca na produção de carnes, laticínios, cereais, carvão, ouro e minério de ferro. O analfabetismo é quase zero e o país tem o quarto melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do mundo.

O Japão é formado por um arquipélago com três mil ilhas no Oceano Pacífico, separado da Ásia pelo estreito da Coréia e pelo mar do Japão. Tem 373 mil km² e 127,7 milhões de habitantes. País de história milenar, o Japão é a segunda maior economia do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. É um dos maiores exportadores de produtos eletrônicos e de automóveis. A seleção, treinada pelo brasileiro Zico, já enfrentou a equipe canarinha dez vezes, com uma vitória, três empates e seis derrotas.

 

Alemanha promete evento tecnológico

 

Se a seleção alemã, como dona da casa, não aparece como a grande favorita ao título, o país promete dar show em termos de infra-estrutura técnica. A T-Systems, uma das patrocinadoras da Copa, vai equipar os 12 estádios da Alemanha com uma rede quilométrica de cabos (no total, serão 20 mil km, suficientes para dar a volta ao planeta), realizar a transmissão das imagens em alta definição, equipar os seguranças com rádios digitais e montar um sistema de controle de tráfego à prova de engarrafamentos.

Pela primeira vez, a transmissão dos jogos da Copa para os calculados 3,8 bilhões de espectadores espalhados pelo mundo será feita via sinais de alta resolução HDTV (High Definition Television – TVs em alta definição), muito superior ao padrão atual. Nos estádios, os torcedores terão acesso a cabines telefônicas e a terminais de internet, via LAN, sem fio.

 

Grandes da Europa dominam o Mundial

 

Como já fez na entrevista coletiva quando anunciou os convocados da seleção brasileira que vão disputar o Mundial da Alemanha, o técnico Carlos Alberto Parreira adota um discurso de confiança e ao mesmo tempo de cautela quando é indagado sobre o favoritismo do Brasil. Para ele, nunca houve uma Copa com tantos candidatos ao título.

Entre os mais temidos inimigos do hexa, o próprio Parreira cita a Alemanha, a Argentina, a Itália, a Holanda, a França, a Inglaterra e a República Tcheca. Pelé faz coro ao técnico brasileiro. O maior jogador de futebol de todos os tempos disse que não está muito convencido de que a seleção possa ganhar a Copa porque o "Brasil é favorito e nesse papel não pode ser campeão. O favorito sempre perde", disse Pelé em uma entrevista à revista alemã Sport Bild. "Nunca se ganha um mundial antes de começar", concluiu.

Favoritismos à parte, a Copa 2006 promete ser uma das mais equilibradas da história. Na Alemanha estarão todas as seleções campeãs, menos o Uruguai, e nove dos 11 países que chegaram às finais das 17 Copas. Além disso, esta será a Copa que vai concentrar o maior número de jogadores de todos os continentes que atuam nos grandes clubes europeus.

Dos 713 atletas convocados por 31 técnicos no dia 15 de maio (o Irã entregou a relação no dia seguinte), 147 (20,6% do total) jogam em clubes europeus que integram o G14. Em 2002, 136 jogadores atuavam nos 18 principais clubes europeus. Dos 23 brasileiros convocados para a Copa da Alemanha, 21 atuam em equipes do velho continente.

 

IGREJA

Caravaggio impressiona dom Lorenzo

Santuário recebe pela primeira vez visita de um núncio apostólico

 

Para o representante do Papa no Brasil, o núncio apostólico dom Lorenzo Baldisseri, a visita à Serra gaúcha foi uma agradável surpresa. "Nesta região, que me lembra muito o norte da Itália, se respira espiritualidade", revelou o núncio em entrevista à imprensa logo após celebrar a missa campal no santuário de Caravaggio, em Farroupilha, dia 26 de maio. "Aqui a fé e a espiritualidade dos antepassados que colonizaram a região foram preservadas. Desejo que continuem assim".

Foi a primeira vez que o representante do Papa veio à região. Dom Lorenzo, 65 anos, natural de Barga, Itália, é núncio do Brasil desde 2002. Veio conhecer a romaria de Caravaggio, uma das maiores festas religiosas do Sul do país, que neste ano atraiu ao santuário, durante os três dias do evento, 195 mil pessoas, conforme estimativas da Brigada Militar. Também veio homenagear dom Paulo Moretto por ocasião de seus 70 anos de vida e 30 anos de episcopado (matéria abaixo).

Dom Lorenzo presidiu a missa das 10h30, que reuniu milhares de fiéis na esplanada diante do santuário. Antes da celebração, o governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, entregou oficialmente a dom Paulo a lei 12.478, de autoria do deputado Ruy Pauletti, sancionada no dia 8 de maio, que transforma o santuário diocesano de Caravaggio em patrimônio histórico e cultural do Estado.

O bispo de Caxias do Sul agradeceu o gesto do governador e salientou que a lei é um "reconhecimento de que Caravaggio marca não apenas o coração dos cristãos, mas também a história e a cultura do Rio Grande". Ao proferir a homilia, dom Lorenzo exaltou a figura de Maria "como porto seguro para todos aqueles abalados pelas tempestades da vida".

Após a missa, dom Lorenzo atendeu a imprensa numa rápida entrevista junto ao santuário. Questionado se estaria na região para nomear um bispo auxiliar ou coadjutor para dom Paulo, o núncio respondeu com elogios ao bispo caxiense, "homem muito experiente à frente da diocese e que trabalha tão bem no âmbito da evangelização". Dom Lorenzo também ficou muito impressionado com a numerosa presença de jovens em Caravaggio.

Quanto à visita do Papa Bento XVI a Aparecida em maio de 2007, o núncio disse que ainda não há programa definido, mas poderá visitar outras cidades. "Com certeza, Caxias do Sul também gostaria da presença do Papa", concluiu.

 

Dom Paulo Moretto recebe homenagens

 

Cerca de 90 sacerdotes diocesanos e religiosos participaram, na quinta 25, da missa de ação de graças comemorativa aos 70 anos de vida de dom Paulo Moretto e 30 anos de bispo da diocese de Caxias do Sul. A missa foi presidida pelo núncio apostólico, dom Lorenzo Baldisseri. Estiveram presentes ao evento dom Dadeus Grings, arcebispo de Porto Alegre; dom Osvino Both, bispo de Novo Hamburgo; dom Orlando Dotti, bispo emérito de Vacaria; e dom Sinésio Bohn, de Santa Cruz do Sul.

Dom Lorenzo enalteceu o trabalho de dom Paulo, ressaltou o compromisso da Igreja em defender e promover a vida e salientou a presença dos meios de comunicação na difusão do Evangelho. Ao final da celebração dom Paulo foi presenteado com uma obra do artista Sérgio Lopes. Em seguida, os convidados foram recepcionados no salão de festas de Lourdes. Dom Paulo nasceu em Caxias do Sul no dia 25 de maio de 1936, filho de Isidoro e Paulina Soldatelli Moretto. É bispo de Caxias desde março de 1976.

 

Dioceses gaúchas solidárias com o povo de Moçambique

 

As dioceses do Rio Grande do Sul estão comprometidas, há anos, com o "Projeto Igrejas Solidárias Sul III", que ajuda as igrejas de Moçambique (África) e da Amazônia, Todos os anos, no Domingo de Pentecostes (este ano dia 4 de junho), as comunidades gaúchas realizam a coleta em favor desses projetos. Na diocese de Caxias do Sul, para reavivar a missão universal dada por Cristo aos apóstolos e a todos os cristãos – "Como o Pai me enviou também eu vos envio" (Jo 20,21) – dom Paulo Moretto enviou uma carta a todas as comunidades recordando esse compromisso.

Dom Paulo destaca que, apesar da ajuda das dioceses gaúchas, os gritos de socorro da Igreja moçambicana continuam, especialmente por envio de mais missionários (as) e agentes de pastoral. Atualmente, apenas algumas religiosas da diocese atuam na África. De 1999 até junho de 2004, padre Camilo Pauletti trabalhou na arquidiocese de Nampula, no norte de Moçambique. Como pároco de São Miguel de Micane, padre Camilo atendia cerca de 200 mil pessoas e 90 comunidades. Único sacerdote da paróquia, contava com a ajuda de religiosas, entre as quais irmãs do Imaculado Coração de Maria, da província de Caxias do Sul, e do Instituto Coração de Jesus.

No momento, a paróquia está sem padre. Padre Camilo, que hoje trabalha em Carlos Barbosa e Arco Verde, volta para Moçambique em julho. Lá ficará três meses como "guia" do padre Fabiano Dalcin, da diocese de Vacaria, que vai atuar em Nampula. "O povo africano carece de água, comida, educação, mas também da Eucaristia e da palavra de Deus", salienta Camilo. "Para a África, vai-se mais para aprender do que para ensinar".

Conforme padre Camilo, os missionários são um sinal de esperança para o povo moçambicano em todos os campos – da educação, da saúde, da religião. De momento, não há perspectivas de envio de missionários para Moçambique. Em 2007 poderá seguir um padre da arquidiocese de Porto Alegre e, no final daquele ano, talvez um da diocese de Caxias.

 

Ouvir a voz de Deus

Padre Zezinho

É com os ouvidos do coração que se ouve a voz de Deus

 

A Bíblia diz que Deus nos falou. Nossa religião diz que Deus ainda nos fala. Falou diretamente a Moisés e outros patriarcas. Falou por intermédio de mensageiros e anjos. Falou por meio de profetas. Falou por meio de Jesus de Nazaré. Fala pela sua Igreja.

Se não acreditamos nisso então não há porque seguir uma religião. Praticamos religião também para ouvir e sentir o que Deus faz nos outros. Se para crermos nele exigirmos que nos fale pessoalmente estamos dizendo a Deus que se tem algo a nos dizer, diga pessoalmente. Deus não aceita condições, nem temos o direito de impô-las. Se Ele falou e fala é porque quer e nos ama. E impensável um Deus que não ame nem se comunique.

Mas é impensável alguém crer em Deus e exigir que se comunique do jeito que queremos ouvi-lo. Ninguém manda em Deus. Podemos crer ou não crer que Ele de fato falou a Abraão e Moisés. Podemos dizer que é tudo lenda, ficção, pedagogia. Acharam que o ouviram, mas Ele não falou...

Nossa Igreja diz que Deus fala e que a fé consiste em procurar ouvi-lo. Se você manda recados por razões suas, Deus também o faz. Os israelitas, assustados com os sinais de Deus, disseram a Moisés: da próxima vez , fala-nos tu. Tiveram medo. O desconhecido os assustava. Então alguém que não se assustava falou do desconhecido.

Nunca ouviremos a voz de Deus ou Deus soprando nos nossos ouvidos. É com os ouvidos do coração que se ouve a Deus. E é preciso ler sua mensagem com os olhos do coração. Se você acha que uma mensagem como a do filho pródigo não vem de Deus então de quem ela viria?

Jesus falou em nome de Deus a quem ele conhecia profundamente. E quem ouve Jesus tem mais chance do que quem o ignora. Jesus é paz. Nós, católicos, achamos que nossa Igreja fala em nome de Jesus. Vale a pena ouvir a voz de Deus nos acontecimentos. A Igreja ensina a ler e ouvir essa voz. Só ela é mãe e mestra. Eu nunca ouvi Deus me falando, mas tenho certeza de que Ele me fala. Um dos mensageiros mais fortes é a minha Igreja.

 

Caxias sedia capítulo dos josefinos

Pela primeira vez na história da congregação um capítulo geral é realizado fora da Itália

 

A congregação de São José – Josefinos de Murialdo realiza, de 2 a 25 de junho, no Centro de Eventos, em Fazenda Souza, Caxias do Sul (RS), seu XXI Capítulo Geral. Participarão dessa assembléia capitular 39 delegados vindos, além do Brasil, da Índia, África (Serra Leoa), Estados Unidos, Colômbia, Equador, Argentina, México, Chile, Albânia, Espanha e Itália, países que contam com a atuação dos josefinos.

O Capítulo Geral é celebrado a cada seis anos. É a primeira vez que ele será realizado fora da Itália, pois as primeiras 20 edições ocorreram no país onde surgiu a congregação. Padre Geraldo Boniatti, ministro provincial da Província dos Josefinos de Caxias do Sul, salienta que entre as motivações dessa escolha está o caminho trilhado pela congregação desde 1915, quando chegou ao Brasil, acompanhando os imigrantes italianos. Conforme padre Geraldo, a escolha do Brasil foi decidida em agosto de 2005, em Roma, quando os provinciais da Europa sugeriram que o capítulo deveria ocorrer fora da Itália.

"Para nós é uma honra a escolha do Brasil. Um incentivo extraordinário e motivo de esperança", revela o provincial gaúcho. A iniciativa também é positiva para a congregação, que assim pode encontrar novas motivações fora da Europa. "O Capítulo Geral tem como finalidade avaliar o caminho percorrido à luz do evangelho e programar novas etapas para o futuro, bem como eleger o novo conselho geral. É um momento de suma responsabilidade e, naturalmente, de graça de Deus", diz padre Geraldo.

O XXI Capítulo tem como lema "Levantai os olhos e observai" (Jo 4,35). Um convite para abrir os olhos sobre as realidades mais desafiadoras que desfiguram as crianças e jovens. A congregação, fundada por São Leonardo Murialdo em 1873, em Turim, Itália, tem como trabalho específico a educação de crianças e jovens pobres e abandonados. Sua espiritualidade é a divulgação do amor de Deus que ama o ser humano com amor infinito, terno, pessoal, atual e misericordioso.

Brasil – No mundo, os josefinos de Murialdo somam 590 membros, dos quais 86 trabalham no Brasil. A sede da congregação está em Roma e Luigi Pierini é o atual padre geral. No Brasil, os josefinos têm 17 obras entre colégios, paróquias e centros sociais em nove Estados (RS, SC, PR, SP, DF, RJ, BA, CE e PA). "Atuamos sempre nas periferias, procurando oferecer educação humana e cristã a crianças, adolescentes e jovens mais carentes", salienta padre Geraldo.

 

Canoas sedia encontro intereclesial das CEBs

 

De 1º a 4 de junho de 2006, será realizado no santuário São Cristóvão, em Canoas (RS), o 11º Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) do Rio Grande do Sul. Deverão participar do evento delegados de todas as 17 dioceses gaúchas. No dia 4, ocorre a romaria das comunidades, no Parque Eduardo Gomes, junto à Estação Fátima da Trensurb.

 

Seminário da APER/RS

 

Porto Alegre foi palco, no dia 19 de maio, do 1º Seminário Estadual e da Assembléia Geral da Associação de Professores de Ensino Religioso do RS (APER/RS). Padre Leomar Brustolin, pároco da catedral de Caxias, assessorou o seminário. Renídia Pagel Herrbach, de Santa Cruz do Sul, foi eleita presidente da APER/RS.

 

A segunda chance

Aldo Colombo

É a sabedoria divina que recomenda: que ninguém separe o que Deus uniu

 

Ela viveu um grande amor na vida. Encontrara a pessoa certa, sonhara com ela, fizeram planos e a felicidade era perfeita. Casaram e o sonho continuou por algum tempo. Depois começaram pequenas diferenças, o egoísmo foi ficando mais forte e o diálogo diminuiu. Num belo dia chegaram à conclusão que não mais poderiam viver juntos. Você não significa mais nada para mim. Era a opinião dos dois. Decidiram separar-se como civilizados, mas nem isso foi possível. Sobraram muitas mágoas.

A jovem aproveitou o tempo, fez alguns cursos e viajou. Mas a vida perdera o encanto e o sentido. Do passado nada mais restava. Até as fotografias foram rasgadas. O futuro não poderia continuar assim.

Aproveitando a secção "Cartas" num jornal, ela colocou uma proposta: "Mulher bem sucedida, 30 anos, situação financeira estável, procura um grande amor. Sou romântica, atenciosa, gosto de viajar e também curtir o cotidiano". Os pretendentes deveriam escrever para determinada caixa postal, não revelando sua identidade.

A mulher recebeu centenas de cartas de pretendentes, fazendo mil juras de amor. Ela separou meia dúzia de cartas e continuou o diálogo.

Passaram-se meses e sua atenção fixou-se num pretendente, a alma gêmea de sua vida. As correspondências continuaram e – finalmente – foi marcado um encontro, num pequeno restaurante. O coração parecia pular de sua blusa quando se aproximava da hora e do local do encontro. Óculos pretos como disfarce, decidiu que seria extremamente racional. Não se deixaria envolver pela emoção. Lá estava o restaurante, à meia luz, a mesa determinada e nela – conforme o combinado – alguém lendo um jornal. Mais do que ler, ele escondia a si e as emoções atrás do jornal.

Ela chegou, sentou e tirou os óculos. O olhar dos dois não refletia os sentimentos apropriados: encanto, alegria, felicidade, decepção... Ficaram trinta segundos em absoluto silêncio. Eram eles – os enamorados de outrora – que há três anos se haviam deixado, porque nenhum sentimento os unia... Houve mais um espaço de silêncio e depois abraçaram-se, deixando que as lágrimas purificassem mesquinhezas e egoísmos do passado. E decidiram que a vida recomeçaria agora, mas de maneira diferente. Era a segunda chance, que eles não desperdiçariam.

A vida é marcada pelo recomeçar. Muitas coisas podem ser refeitas. Infelizmente, no matrimônio, a segunda chance dificilmente acontece. É muito mais inteligente aproveitar a primeira. É a sabedoria divina que recomenda: que ninguém separe o que Deus uniu. O amor, em sua grandeza, é construído de pequenas coisas.

 

Bento celebra festa de Santo Antônio

Evento é um dos mais antigos da Serra Gaúcha e do Estado

 

A cidade de Bento Gonçalves celebra, no dia 13 de junho, a 128ª festa de Santo Antônio. A programação conta com mais de 60 encontros sociais, culturais e religiosos em honra ao padroeiro da cidade. "Neste ano, as celebrações religiosas são motivadas pelo lema "Com Jesus, caminho, verdade e vida, construir e celebrar a solidariedade", salienta o coordenador da paróquia, padre Izidoro Bigolin.

A festa de Santo Antônio de Bento Gonçalves é a mais antiga da Serra gaúcha e uma das mais antigas do Rio Grande do Sul. A celebração iniciou em 1878, três anos após a chegada dos primeiros imigrantes italianos à região. No decorrer dos anos, o evento se transformou na maior festa religiosa de Bento Gonçalves e desde 1972, 13 de junho é feriado municipal.

Nesta quarta-feira 31 inicia a Trezena de Santo Antônio, que prossegue até dia 12, cada noite com tema especial de reflexão, presidida por um sacerdote convidado e animada pelas comunidades, instituições e movimentos eclesiais de Bento. Um dos momentos mais significativos da trezena é a "caminhada do pão", dia 3 de junho.

"Centenas de devotos do Santo participam da caminhada de 22 km, do santuário de Nossa Senhora do Rosário de Pompéia, em Pinto Bandeira, até o santuário Santo Antônio", explica padre Izidoro. Na chegada haverá celebração da unção dos enfermos e dos idosos, às 15 horas. O sacerdote salienta que em outubro, na festa do Rosário, é feito o trajeto inverso, denominado "caminhada das rosas", em honra a Nossa Senhora.

No dia 11, dom Paulo Moretto preside o 12º dia da trezena, quando será homenageado pelos 70 anos de vida, 45 de sacerdócio e 30 de episcopado. No dia 13 haverá repicar dos sinos às 6 horas, missas no santuário às 7, 8h30, 9h30 (campal), 18 e 19 horas, e solene procissão de Santo Antônio pelas ruas do centro da cidade às 10h30.

 

Procissões destacam festas da Imaculada e do Partenon

 

Santo Antônio, o santo mais popular da Igreja, é celebrado em muitas comunidades da Serra gaúcha e do Estado. Na paróquia Imaculada Conceição de Caxias do Sul, que guarda uma relíquia autêntica do Santo, no dia 6 de junho uma procissão luminosa às 20 horas encerra as celebrações da trezena, iniciada no dia 14 de março. No dia 11, haverá missas às 8, 10 e 18h30; a das 10 será precedida de procissão, com saída do colégio Santo Antônio até a igreja matriz.

Dia 13, haverá missas às 9, 15, 18h30 e 20 horas. Nos dias 11 e 13 haverá bênção da saúde e distribuição de pãezinhos e, no dia 13, exposição da relíquia durante todo dia. "Para intensificar a devoção a Santo Antônio todas as famílias das paróquias Imaculada e São Pedro da 3ª Légua receberam um quadro do Santo para fixar na parede", explica o pároco, frei Irineu Costella.

Na paróquia Santo Antônio do Partenon, em Porto Alegre, inicia a celebração da trezena nesta quarta 31 e prossegue até dia 12, quando haverá missa presidida pelo arcebispo dom Dadeus Grings. Dia 13, serão celebradas missas de hora em hora, das 7 às 20. Uma grande procissão luminosa precede a missa campal das 20 horas. Haverá procissões também às 9 e às 15 horas.

 

Pessoas sábias

Wilson João

Para a pessoa sábia, tudo tem um caminho, um ponto de chegada. Nada é solto. Nada está sozinho. Tudo está ligado

 

Há uma confusão entre sabedoria e informação. Em geral, as pessoas são muito bem informadas. Para isso existem as escolas, as universidades, os livros e, hoje em dia, a tecnologia da informática. Em geral, as pessoas são muito deficientes na sabedoria do viver humano. Somente as pessoas sábias contribuem para o progresso da humanidade. A sabedoria permanece. A informação vai sendo sufocada por outra. Somos uma sociedade muito bem informada e muito mal formada.

AS PESSOAS SÁBIAS CHEGAM AO CORAÇÃO DAS PESSOAS. A informação chega até a cabeça. As pessoas sábias são silenciosas e penetram no coração dos fatos e dos assuntos. Penetram no coração de cada pessoa. São capazes de percepção e intuição.

AS PESSOAS SÁBIAS SABEM DISCERNIR. Não vivem a confusão do tanto faz como não faz. A verdade e a mentira têm seu lugar e são distintas. Não permitem que o amor e o ódio se confundam. Em cada fato são capazes de perceber o certo e o errado e, acima de tudo, o sentido de cada realidade. Para a pessoa sábia tudo tem um caminho e um ponto de chegada. Nada é solto. Nada é sozinho. Tudo está ligado.

AS PESSOAS SÁBIAS NÃO SE APAVORAM. Vivemos uma sociedade com síndromes do medo, do pavor, da solidão, da doença. O medo é a ausência do amor. A pessoa sábia ama. Não deixa lugar para o medo. Numa sociedade com medo – e estamos mergulhados nela – tudo se torna motivo de não estar presente. Torna-se uma sociedade fechada em si mesma. E quanto mais se fechar, mais se apavora. E os donos dos psicotrópicos dançam de alegria, juntamente com os donos das farmácias, que enriquecem à custa da hipocondria humana.

AS PESSOAS SÁBIAS SÃO ABERTAS AOS OUTROS. Não vivem apenas o seu mundo. Preocupam-se com os outros. Conseguem abrir seu coração aos corações humanos. Conseguem ser sensíveis ao sofrimento e à alegria dos que estão perto. Conseguem ser misericordiosos e compassivos. A compaixão é sua grandeza. Estar perto. Fazer-se um. Ver além do sofrimento humano. Ver além do horizonte. Sonham, e no sonho há sempre uma perspectiva.

AS PESSOAS SÁBIAS VIVEM O MUNDO ESPIRITUAL. Não se contentam com o palpável. Vão além e indicam caminhos que ultrapassam as leis do mercado, do comprar e consumir, do viver somente o agora. Há um mundo de beleza e de ética, um mundo de fraternidade e convivência, há um mundo que continua quando todos os valores materiais forem destruídos. As pessoas sábias sabem viver num clima de fé e de esperança, num clima de amor à vida e, acima de tudo, sentem que não são o centro de si mesmas, mas que há um Tu que chama para ser mais e melhor. Que eu e você possamos nos deixar acompanhar e envolver por pessoas sábias, e a vida vai assumindo um novo colorido.

 

CULTURA DA IMIGRAÇÃO

Os nonos que estão em mim

Sergio Angelo Grando

Empresário, Porto Alegre – RS

 

Se a barriga do Sergio Angelo fosse panseta, daria bons radici-coti com polenta. Diz ele:

 

"Está enraizada em mim a italianidade de meus ancestrais, gestada em Arsiè-Belluno-Vêneto-Itália. Desde 936, um soldado, de nome Leão, adotou o sobrenome Grande, em homenagem a Ótão, o grande, imperador alemão. Com o tempo, este sobrenome sofreu corruptelas, variando para Grandi, Grandis e Grando. Em 1197, o soldado Lucas Grando serviu ao exército de Frederico II, Rei da Sicília, estão sob o domínio germânico. E em 1575, Bartolomeo Grando era mestre nacional da câmara regional.

Em 15 de janeiro de 1799, nasceu Vittore Antonio, filho de Sebastiano Grando e Ângela Dall’Agnese. Sebastiano casou com Ângela Battistel em 29 de dezembro de 1818. Tiveram os filhos Luigia Antonia, Maria Madalena e Giovanni Sabino, este casou com Francesca Battistel, em 29 de abril de 1844 e, entre outros, tiveram o Giuseppe Grando, meu bisavô, que casou com Ângela Bassani, e se instalaram na linha Júlio de Castilhos, em Veranópolis. São pais do nono Angelin, homem forte, não tanto pelo porte físico, mas por sua postura firme diante dos problemas da vida. Recordo-o desde a infância, quando cavalgava em seus joelhos, imaginando trotar cavalos brancos; ou quando, com ele, mastigava pais-nossos e ave-marias, bocejando, de pálpebras semi-abertas.

Angelin me ensinou o talian, a paciência, a fé em Deus, o amor aos antepassados e aos amigos. Quando ia com ele ao rio Sapato, no fundo da nossa colônia, pescar graúdos jundiás e ariscos lambaris, me dizia, às gargalhadas: "La felicità la ze fata de cose pìcole: pessi rostidi, polenta de mìlio taiolin, na lesca de formaio e on bussoloto de vin." Deixou-nos quando eu tinha 11 anos, foi viver in medo a le stele del celo, onde sonhava um dia morar.

Nas noites de verão, ficávamos horas deitados na grama, em frente de casa, e o nono, olhando o céu estrelado e a queda de meteoros, apontava com o dedo, e dizia: "Ben là, vìdito, fra la seconda e la tersa stela dea croce", referindo-se ao Cruzeiro do Sul. "On giorno te me vedarè, insieme a San Piero, cantando La bella violeta". Legou-nos felicidade e amor, personificados na tia Marieta, sua filha, nosso anjo da guarda, que cuidava de nós cinco irmãos, tanto quanto nossa mãe. Seus chás eram contra as gripes, mas seu carinho era a nosso favor.

Minhas filhas Fabiana e Daniela tiveram também a felicidade de conhecer este anjo que foi tia Marieta, que também está passeando pelas estrelas, junto do nono, do papai e tantos amigos que, nas noites de inverno, ao redor do fogolaro, à luz do ciareto, nos contavam histórias da Itália, em seu s-ceto talian. Dizia-nos: "Valtri che sì giùveni, bisogna che parè vanti sta bela redità".

Com alegria, posso dizer aos nonos: fiquem descansados, nós faremos nossa parte, estamos escrevendo e falando talian, e estudando nossas raízes vênetas. O café da manhã continua a colassion, con polenta brustolada, salame vècio, ossocol, formaieto duro e figada. Ao meio-dia, un pranseto de pissacan, consai co la panseta; pien de coi de galina, galina in ùmedo, ma, prima de tuto, la menestra de agnolini, o la supa de pan col brodo. A la sena, quel che ze vansà de mesdì e qualcosa altro. Lora, parché el Signor lo vol così, un giorno se cataremo insieme, tra la seconda e tersa stela dea crose, ma de pansa piena". (metrocil@terra.com.br)

 

Sergio Angelo, com suas obras Um filò da distante e Girando la Stòria, Ritorno de Nanetto Pipetta e muitos textos pode dizer aos nonos: vocês continuam vivos em nossas mentes e palavras. (Rovílio Costa)

 

EL RITORNO DE NANETTO PIPETTA (362)

Nanetto brusa el mato e vede el diàol in meso al fogo

Luiz Bavaresco

Nova Prata – RS

 

El mato l’era taià a più de novanta giorni. El mese di setembre se fea presente e la primavera, piena de fiori e odori. Dopo el filò ze stà combinà che, de matina, i brusaria el mato taià, par via che la piova zera drio rivar e anca parché el vento el sufiava poco.

– Leva su, ga osà Matia, a la matina bonora, devanti la caseta de Nanetto! Vamo botà fogo na derrubada...

Con quela osada, Nanetto leva su, el verde un pochetin la porta, el mete la testa fora, el ghe dise:

– Za vô!

El zera sensa mudande, par via che ghe tochea sparagnarle par dopararle a la doménega quando el fusse a la morosa. El mete su le braghe de brin diamantino, mese fruae, e piene de taconi, incrosà le tirache, col capeleto de paia de formento in testa, fato con la dressa dela mama dela Gelina, e anca i sòcoli. Ciapa na patata dolse, e la urta zo, menando el col par le bande par giutar el trànsito fin al stómago.

– Bon giorno, Matia!

– Bom dia, Nanetto!

E là i taca ciacolar fin che i riva zo a casa de Àndolo, che’l gera drio spetarli coi fuminanti in man e anca na brassada de cane de mìlio, pestae la ponta par menar el fogo andove bisognesse brusar.

– Ti, Nanetto, va vanti, su per la riva, e speta che te ose par scomissiar el fogo. Matia l’è ndà a la sanca, e Àndolo a la drita, drio la strada. Tuti ga impià la cana de mìlio pestada, e i ga scomissià la brusada.

El fogo fea un buio, un strèpito, un s-ciocar de taquare che parea che i fusse in medo la Guera del Abissìnia. Nanetto l’è stà lì, de boca verta, impalancà, parea i